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Numero do processo: 11065.002018/2005-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 02/05/2001 a 12/07/2001
DRAWBACK.FALTADECOMPROVAÇÃODOADIMPLEMENTO.
Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime.
Numero da decisão: 9303-005.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 02/05/2001 a 12/07/2001 DRAWBACK.FALTADECOMPROVAÇÃODOADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime.
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 02/05/2001 a 12/07/2001 DRAWBACK.FALTADECOMPROVAÇÃODOADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 20 18 /2 00 5- 21 Fl. 597DF CARF MF Processo nº 11065.002018/200521 Acórdão n.º 9303005.861 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 320200.125, de 26 de maio de 2010 (efolhas 491 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 02/05/2001 a 12/07/2001 DRAWBACK SUSPENSÃO. IRREGULARIDADES FORMAIS SANADAS NO CURSO DO PROCESSO. O registro de exportação RE está vinculado ao Ato Concessório que, de modo condicionado, deve ser cumprido em sua integrliidade. A comprovação de seu cumprimento ocorre, substancialmente, pela demonstração por meio das DIs e das REs correspondentes de que foram importados e exportados os produtos, objeto do ato de concessão, na qualidade e quantidade convencionadas. Não deve prevalecer o lançamento veiculado por AIIM (Auto de Infração e Imposição de Multa) que afasta o regime de Drawback por descumprimento de formalidades sanadas no curso do processo. Recurso Voluntário Provido. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 503 e segs) referese à repercussão jurídica dos equívocos praticados pelo importador no preenchimento dos Registros de Exportação, especificamente quanto ao enquadramento da operação e/ou vinculação do RE ao AC. A recorrente sustenta essas irregularidades são suficientes para que o regime aduaneiro especial de Drawback seja considerado inadimplido. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 536 e segs. Contrarrazões da contribuinte às efolhas 551 e segs. Defende a nulidade da autuação e requer o desprovimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 11065.002018/200521 Acórdão n.º 9303005.861 CSRFT3 Fl. 4 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. O exame de admissibilidade é irretocável. O recurso foi apresentado dentro do prazo. Dele tomo conhecimento. As peculiaridades do vertente processo foram bem identificadas no corpo do recurso especial: Da leitura do voto condutor do acórdão impugnado, percebese que o relator, desconsiderando as irregularidades existentes nos registros de exportação sob comento, permitiu a retificação dos RE's, posteriormente a averbação do embarque das mercadorias, para reenquadramento das exportações, antes feitas no sistema geral de exportação, no regime aduaneiro especial de drawback, bem corno a vinculação das operações de exportação ao Ato Concessório. Preliminarmente, é de se dizer, com a brevidade que o assunto merece, que não há que se cogitar de nulidade da autuação por falta de amparo fático, o que, segundo sustenta a contrarrazoante, revelase nas circunstâncias identificadas e relatadas nos autos pela própria Fiscalização Federal, confirmando a efetiva exportação das mercadorias em quantidade e qualidade condizentes com o planejado. A pretensão demonstrase manifestadamente dissociada da realidade. É farta a jurisprudência acerca do tema debatido nos autos. A inocorrência de exportações, embora alguns assim defendam, não é a única razão para que se considere inadimplido o plano de exportação beneficiado pelo regime suspensivo de Drawback. Erros cometidos no preenchimento dos documentos que lhe são próprios, quando considerados lesivos ao controle das operações processadas ao amparo do Regime, tem dado ensejo a inúmeras autuações. Assim, revelase totalmente desarrazoado requerer a anulação do procedimento por falta de amparo fático. Passo ao mérito. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 11065.002018/200521 Acórdão n.º 9303005.861 CSRFT3 Fl. 5 4 Analisemos as alegações da recorrente à luz das particularidades do regime e da legislação que regulamenta sua concessão e as condições de o adimplemento da obrigação que lhe confere condição de eficácia. O regime especial de Drawback, modalidade suspensão, está previsto no inciso II do art.78 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, c/c o art.1º, inciso I, da Lei n.° 8.402/92. Ele oferece a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de insumos, mediante compromisso do importador e beneficiário do regime de aplicálos na fabricação de produtos destinados à exportação, nas condições e prazos firmados pela contribuinte e que passam a compor o correspondente Ato Concessório expedido pela SECEX, verbis: Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição,total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento,ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (Vide Lei nº8.402,de 1992) (...) Na modalidade suspensiva, o Regime permite à contribuinte importar insumos com suspensão dos tributos incidentes na importação, com o compromisso firmado de, em certo prazo e condições, utilizálos no beneficiamento ou industrialização de produtos e efetivamente reexportálos. Cumprido esse compromisso aquela suspensão inicial dos tributos é convertida em uma isenção. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 11065.002018/200521 Acórdão n.º 9303005.861 CSRFT3 Fl. 6 5 Tratandose de uma isenção condicionada, portanto, reclama a aplicação dos art.111, 155 e 179 do CTN, in verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa,em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (...) §2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor,cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: (...) Pois bem, o Registro de Exportação é o documento que comprova a exportação vinculada ao regime drawback e, por conseguinte, tanto o correto enquadramento do tipo de regime quanto a sua vinculação ao Ato Concessório são obrigações acessórias inerentes ao cumprimento do regime. Não havendo vinculação entre os Registros de Exportação apresentados e o citado Ato Concessório, resta evidenciado que a contribuinte infringiu ao disposto no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº. 91.030/85, vigente à época de ocorrência dos respectivos fatos geradores, in verbis: Art.325 – A utilização do benefício previsto neste Capítulo será anotada no documento comprobatório da exportação. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 11065.002018/200521 Acórdão n.º 9303005.861 CSRFT3 Fl. 7 6 Além disso, o Registro de Exportação que não contenha ou que contenha de forma inexata informação relativa ao código da operação de Drawback também não faz prova do cumprimento do regime. Este entendimento tem como pressuposto o fato de que a indicação de um código de operação diverso ao regime Drawback e/ou a falta da indicação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação impedem o controle na utilização dos benefícios fiscais inerentes ao regime. Nesse sentido, confiramse as disposições normativas: Portaria Secex nº 01, de 25 de janeiro de 2000 Art. 35 Na comprovação ou habilitação ao Regime de Drawback, os documentos eletrônicos registrados no Siscomex utilizarão somente um Ato Concessório de Drawback. Art. 37 O Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) estabelecerá as normas e procedimentos específicos necessários à apresentação do Relatório Unificado de Drawback e à utilização do Registro de Exportação Simplificado." Comunicado Decex 02, de 31 de janeiro de 2000 COMPROVAÇÕES TÍTULO 19 Modalidade Suspensão 19.1. Para comprovação do Regime de Drawback, na modalidade suspensão, as empresas utilizarão o Relatório Unificado de Drawback, identificando os documentos eletrônicos registrados no Siscomex, relativos às operações de importação e exportação, bem como as Notas Fiscais de venda no mercado interno, vinculadas ao Regime, ficando as empresas dispensadas de apresentar documentos impressos. (...) 19.4. Os documentos utilizados nas importações e exportações amparadas pelo Regime de Drawback deverão estar vinculados a apenas um Ato Concessório. 19.5. As Declarações de Importação (DI) e os Registros de Exportação (RE) indicados no Relatório Unificado de Drawback Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11065.002018/200521 Acórdão n.º 9303005.861 CSRFT3 Fl. 8 7 deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de baixa. 19.6. Não serão aceitos para comprovação do Regime, Registros de Exportação (RE) que possuam um único CNPJ vinculado a mais de um Ato Concessório de Drawback. 19.7. Para fins de comprovação, será utilizada a data de registro da Declaração de Importação (DI), que deverá ser indicada no Relatório Unificado de Drawback. Em simples leitura da regulamentação, verificase a necessidade de constar nesses documentos eletrônicos (Registros de Exportação) o correto enquadramento da operação e também a sua vinculação ao Ato Concessório. Sem a devida averbação de tais dados no Registro de Exportação não há como o Fisco controlar a adimplemento do regime aduaneiro especial de drawback. O ônus probatório é da contribuinte. Cabe a ele comprovar que o Registro de Exportação está corretamente preenchido e devidamente vinculado aos respectivos Atos Concessórios. Ademais, o despacho de exportação é a oportunidade que a contribuinte tem de apresentar à autoridade alfandegária os produtos que estão sendo exportados com aproveitamento dos bens beneficiados com o tratamento fiscal do drawback e, desse modo, comprovar o cumprimento da condição suspensiva. E nesse momento, com base nas informações prestadas pela contribuinte no Registro de Exportação é que a Aduana vai inspecionar os produtos e, a partir dessa inspeção, manifestar sua anuência sobre a comprovação aqui em discussão. Se a contribuinte não informa corretamente à Aduana que são exportações decorrentes de regime drawback, elas não recebem o correspondente e necessário procedimento de verificação. Como se vê, a informação inexata nos Registros de Exportação não significa “mero” erro formal, como deseja crer a Recorrente, mas subtração da condição de verificação para se concluir pela extinção da obrigação tributária. Esses "erros de preenchimento" dos Registros de Exportação praticados pela contribuinte, na verdade, mascaram as correspondentes operações de exportação. De todo o exposto, constatase que é da contribuinte a obrigação de comprovar o integral cumprimento das exportações para se beneficiar do referido benefício fiscal. No meu entender, a autuada não obteve esse êxito, além de adotar procedimentos que dificultaram o controle das operações decorrentes da adoção do Drawback Suspensão, como ficou exaustivamente demonstrado no lançamento fiscal. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11065.002018/200521 Acórdão n.º 9303005.861 CSRFT3 Fl. 9 8 Ressalto que este colegiado, embora utilizando de fundamentação discretamente diferente, também já decidiu nesse sentido.Transcrevese abaixo a ementa do Acórdão nº 9303003.850, de 17/05/2016, da relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: ASSUNTO:REGIMES ADUANEIROS Período de apuração:23/01/2007 a 12/12/2007 Data do fato gerador:16/07/1996 (...) DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de Drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Com base nessas premissas, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 604DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005334/2006-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2002
INFORMAÇÃO RETIFICADORA. INDÍCIOS. INTRODUÇÃO DE INCERTEZA. NECESSIDADE DE DILIGÊNCIAS. SUPOSIÇÃO.
O órgão julgador deve determinar a realização de diligências para o esclarecimento dos fatos, quando a fiscalizada retifica a informação que serviu de base para a acusação e reúne fortes indícios do equívoco cometido na informação original, introduzindo incerteza na imputação fática. Nessas circunstâncias, não se pode admitir a procedência da acusação sem a necessária justificação da rejeição à informação retificadora, lastreando-se na apuração da veracidade dos fatos indiciários objeto da afirmação, em sede de contestação, de que seriam impeditivos ao reconhecimento da validade da tese que sustentou a conclusão da autuação fiscal, sob pena de ratificar o que não passa de mera suposição.
Numero da decisão: 9101-003.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2002 INFORMAÇÃO RETIFICADORA. INDÍCIOS. INTRODUÇÃO DE INCERTEZA. NECESSIDADE DE DILIGÊNCIAS. SUPOSIÇÃO. O órgão julgador deve determinar a realização de diligências para o esclarecimento dos fatos, quando a fiscalizada retifica a informação que serviu de base para a acusação e reúne fortes indícios do equívoco cometido na informação original, introduzindo incerteza na imputação fática. Nessas circunstâncias, não se pode admitir a procedência da acusação sem a necessária justificação da rejeição à informação retificadora, lastreando-se na apuração da veracidade dos fatos indiciários objeto da afirmação, em sede de contestação, de que seriam impeditivos ao reconhecimento da validade da tese que sustentou a conclusão da autuação fiscal, sob pena de ratificar o que não passa de mera suposição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
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INDÍCIOS. INTRODUÇÃO DE INCERTEZA. NECESSIDADE DE DILIGÊNCIAS. SUPOSIÇÃO. O órgão julgador deve determinar a realização de diligências para o esclarecimento dos fatos, quando a fiscalizada retifica a informação que serviu de base para a acusação e reúne fortes indícios do equívoco cometido na informação original, introduzindo incerteza na imputação fática. Nessas circunstâncias, não se pode admitir a procedência da acusação sem a necessária justificação da rejeição à informação retificadora, lastreandose na apuração da veracidade dos fatos indiciários objeto da afirmação, em sede de contestação, de que seriam impeditivos ao reconhecimento da validade da tese que sustentou a conclusão da autuação fiscal, sob pena de ratificar o que não passa de mera suposição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 53 34 /2 00 6- 31 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10980.005334/200631 Acórdão n.º 9101003.268 CSRFT1 Fl. 123 2 Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 49/56) posto em face do acórdão nº 1302 000.563 (fls. 44/47m ementado: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. Constante do contrato social e documentos societários da empresa atividades permitidas ao SIMPLES, a exclusão da empresa somente poderá ocorrer mediante procedimento fiscalizatório que comprove, por meio de provas hábeis e legais, que a empresa exerce atividades impeditivas. Na ausência de tais provas, a exclusão é indevida “ De acordo com o respectivo voto condutor, cabia ao Fisco empreender diligências para desvendar se a fiscalizada efetivamente exercia atividade vedada, in verbis: “Ao refutar a Manifestação de Inconformidade, a decisão recorrida louvouse nas informações de que a Receita Federal dispõe e que a produção de provas em sentido contrário era ônus da parte interessada, com a seguinte afirmação: 11. Porém, cabe à interessada afastar a suspeita de que sua atividade está impedida de aderir ao Simples. No caso presente, restou sem comprovação o fato de que a ocupação da reclamante pode aderir aos benefícios do Simples. Por óbvio que ela mantém o desejo de permanecer naquela sistemática e, portanto, deixará de fornecer qualquer documento que possa depor contra si. Somente os documentos fiscais e contábeis do contribuinte podem depor a seu favor e, assim sendo, entendo que não merece reparos a análise atacada. (grifei) Assim afirmando, a decisão recorrida deixou bem claro que em nenhum momento houve qualquer preocupação com a busca da verdade material e que a vedação alinhavada nos autos tratase de mera suposição não ilidida pela contribuinte. Em tais condições, entendo que a exclusão da interessada do sistema simplificado se deu a descoberto de qualquer amparo legal.” O processo foi encaminhado à PGFN em 10/10/2011 (Despacho de Encaminhamento de fl. 46). De acordo com o disposto no artigo 79, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação da Portaria MF nº 39/2016, a intimação pessoal do procurador da Fazenda Nacional ocorreu em 18/10/2011 (fl. 46). Recurso Especial da PGFN interposto no dia 19/10/2011 (vide RM datada de 19/10/2011, fl. 48). Nessa oportunidade, a recorrente aduz: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10980.005334/200631 Acórdão n.º 9101003.268 CSRFT1 Fl. 124 3 1) a previsão no contrato social de atividade vedada à opção pelo simples é suficiente para exclusão do contribuinte do Simples; 2) ao interessado cabe o ônus da prova de que não exerce efetivamente a atividade vedada à opção pelo Simples prevista em seu documento constitutivo. Para demonstrar a divergência, a PGFN apresenta os seguintes acórdãos a) nº 20212.341, assim ementado: "Ementa: SIMPLES EXCLUSÃO – ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO PERMITIDA I A caracterização da atividade econômica da pessoa jurídica, primordialmente, dáse pela verificação do registro de seu objeto social. II – A previsão no objeto social da pessoa jurídica ou o exercício das atividades de publicidade e propaganda, ou de atividades assemelhadas a uma delas, ainda que não esteja ela exercendo, efetivamente, por estarem relacionadas no art. 90, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, constituem impedimento à opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Recurso que se nega provimento.” b) nº 30239.613, assim ementado: "Número do Recurso: 138186 Camara: SEGUNDA CÂMARA SIMPLES. PRESENÇA DE ATIVIDADE VEDADA NO CONTRATO SOCIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO EM CONTRARIO. A exclusão do Simples em razão da presença de atividade vedada no contrato social da empresa pode ser revertida, desde que a empresa comprove que nunca exerceu a atividade vedada.” De acordo com a PGFN, “acostados aos autos Declaração de Firma Mercantil Individual, restou devidamente comprovada não só a previsão contratual de atividade vedada à adesão ao regime simplificado, mas também o seu efetivo exercício pela empresa interessada. Portanto, verificase que a motivação da exclusão foi que o contribuinte exerce atividade que veda a opção pelo SIMPLES: prestação de serviços de consultoria.” E disse mais: “Observase que às fls. 02 A Declaração de Firma Mercantil é clara ao prever o serviço de consultoria gastronômica. Concluise, portanto, que a pessoa jurídica que explora atividades desses serviços está impedida de optar pelo SIMPLES, tendo em vista serem atividades atinentes à profissão de consultor, ou a essa assemelhada. Assim, não procedem argumentos da empresa interessada, posto que, à vista da legislação citada, os serviços prestados pela empresa requerem que sejam realizados com o concurso de profissional legalmente habilitado, consultor ou assemelhados, de qualquer forma, por se enquadrar nas vedações do XIII do art. 9, da Lei n° 9.317/96. Ademais, o exercício de uma atividade impeditivo já torna a opção do contribuinte irregular, qualquer que seja a participação da respectiva receita no total auferido pela pessoa juridica, acarretando, obrigatoriamente, a exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES. [...] E em nenhum momento a contribuinte trouxe aos autos documentos que pudessem comprovar que sua atividade não está vedada ao SIMPLES.” (grifos no original) Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10980.005334/200631 Acórdão n.º 9101003.268 CSRFT1 Fl. 125 4 Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, reformandose a decisão recorrida para restaurar a decisão de primeira instância administrativa, de forma a manter exclusão da recorrida do regime do Simples. Contrarrazões tempestivas às fls. 63/64. Na oportunidade, a recorrida expõe os argumentos abaixo: 1) realiza trabalho de organização de festas e eventos para empresas, utilizando o próprio conhecimento adquirido ao longo dos anos, sem a contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados; 2) sua atividade profissional está de acordo como Ato Declaratório SRF nº 30/2004; 3) o profissional que é o titular da empresa individual – ora fiscalizada trabalha exclusivamente sozinho; 4) jamais efetuou pagamentos de quaisquer serviços a pessoas físicas ou outras pessoas jurídicas, para a realização dos serviços que presta. Ao término, junta cópias do registro da pessoa jurídica na Junta Comercial do Estado do Paraná e do Cartão do CNPJ, pleiteando o reconhecimento da insubsistência da acusação fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente Recurso Especial, foram atendidos os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Os acórdãos recorrido e paradigma são divergentes no tocante à interpretação dada ao artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996, já revogada, in verbis: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000)." Pelo prisma do acórdão recorrido, a vedação à opção pelo Simples só poderia incidir sobre a pessoa jurídica que efetivamente prestava o serviço constante do rol previsto no texto que a veiculava. Por essa óptica, o objeto social consignado no contrato social, por si só, é insuficiente para atrair a restrição do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, tendo em conta que a Fiscalização omitiuse no desencargo do ônus de provar a realização de atividade vedada. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10980.005334/200631 Acórdão n.º 9101003.268 CSRFT1 Fl. 126 5 Por outro lado, em conformidade com os acórdãos paradigmas, o contrato social é eficaz para fins de comprovação da atividade nele descrita, a menos que o contribuinte assuma o encargo de fazer prova em contrário. No caso concreto, percebese que a Fiscalização louvouse na Declaração de Firma Mercantil Individual, à fl. 02, na qual está consignado que a recorrida presta (i) serviços de consultoria gastronômica e seleção; (ii) serviços e organização de bufê; (iii) recrutamento de pessoal especializado em culinária. Posteriormente, na Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples, à fl. 03, a recorrida declarou: "SOU PROFISSIONAL DA HOTELARIA E TRABALHO COM GASTRONOMIA; CARDÁPIO E PLANEJAMENTO DE EVENTOS: CONSEGUI EM TRABALHO NUMA EMPRESA PARA FAZER CONSTANTEMENTE: ELABORAÇÃO DE CARDÁPIO E PLANEJAMENTO DE EVENTOS DIVERSOS: SÓ QUE ME EXIGIRAM NOTA FISCAL: ENTÃO TIVE QUE ABRIR UMA FIRMA: NA HORA DA DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE, O CONTADOR NÃO SABIA O QUE COLOCAR POIS NÃO ENCONTRAVA CÓDIGO: POR FIM ACHOU CONVENIENTE COLOCAR O QUE ESTA ACIMA DESCRITO: HOJE NA VERDADE O MEU SERVIÇO NÃO SE RESUME A ORGANIZAR O EVENTO; OU RECRUTAR PESSOAL; E SIM PREPARAR A PAUTA DO EVENTO E PASSAR PARA O CLIENTE ENTREGAR A UM MAITRE EXECUTAR: NO CASO SOS CARDÁPIOS OU ELABORO TUDO O QUE PRECISA E PASSO PARA UM CHEFE DE COZINHA; PRA A DEVIDA EXECUÇÃO COM MINHA ORIENTAÇÃO: ESTE É UM SERVIÇO EMINENTEMENTE BUROCRÁTICO NÃO ENVOLVENDO MÃO DE OBRA ESPECIALIZADA; E NEM ASSEMELHADOS; POIS EU TRABALHO SOZINHO: SOLICITO A V: SA:; QUE RECONSIDERE VOSSA DECISÃO DE ME EXCLUIR DO SIMPLES E O CONCEDA NOVAMENTE PELOS MOTIVOS EXPOSTOS ACIMA." Vale lembrar que a recorrida é empresa individual, o que significa dizer que não existe contrato de constituição de sociedade. Portanto, não há como prevalecer o contrato, uma vez que contrato não há, mas uma declaração intitulada Declaração de Firma Mercantil Individual, apresentada à Junta Comercial do Paraná, datada de 23/04/2001. Os fatos reportados nessa Declaração são contraposto a outros fatos, também declarados pela recorrida e registrados em 30/09/2003 na Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples, que entregara à Receita Federal com vistas à revisão do ato administrativo que a excluiu do regime do Simples. Por que razão deve prevalecer a primeira declaração e não a segunda? A quem caberia o ônus de provar os fatos alegados na primeira e na segunda declarações? Na verdade, a Fiscalização não desconsiderou os fatos da primeira declaração; apenas promoveu a subsunção desses fatos ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Nessa subsunção, entendeuse que as atividades descritas na Declaração de Firma Mercantil Individual assemelhavamse ao serviço de consultoria, assim justificando a exclusão. Porém, a recorrida juntou cópias de cardápios e orçamento às fls. 11/16, a fim de comprovar que prestava serviços de organização de festas e eventos para pessoas jurídicas, sem a contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados. Tal documentação sequer foi mencionada no acórdão da DRJ. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10980.005334/200631 Acórdão n.º 9101003.268 CSRFT1 Fl. 127 6 Com efeito, a segunda declaração deveria ser acompanhada de elementos comprobatórios dos fatos alegados pela recorrida, já que esses fatos se contrapunham àqueles que ela mesma registrara na primeira declaração. Até esse ponto, não divirjo do órgão fiscal. No entanto, os cardápios e o orçamento juntados aos autos antes do julgamento na DRJ são introdutores de incerteza no ato de exclusão, pois sugerem que a recorrida organizava festas e eventos, o que a afastava da prática de consultoria de que fora acusada. A recorrida ainda trouxe aos autos, já em fase de recurso voluntário, notas fiscais de sua emissão, às fls. 35/37, de prestação de serviços de organização de eventos em 2003, 2004 e 2006. Isso simplesmente confirma que o Fisco não foi prudente, ao insistir na exclusão, quando deveria ter verificado a correção do Ato Declaratório. Nada nos autos garante que a recorrida prestava consultoria. Sua primeira declaração poderia conter os comumente encontrados nas declarações prestadas por pessoas comuns, desconhecedoras das tecnicalidades jurídicas. Se o órgão estatal apontou a consequência do suposto equívoco da recorrida, a retificação da declaração equivocada, acompanhada de fortes indícios do engano cometido, não podia ser desprezada, sem motivo justificado. Por isso, a diligência mostravase imperiosa, naquelas circunstâncias. Diante do exposto, curvome ao voto condutor do acórdão recorrido, ao expressar que a realização de atividade vedada não passa de mera suposição. Conclusão: conheço do Recurso Especial da PGFN para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.012255/2008-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. AUTOMÓVEIS ALUGADOS POR EMPREGADOS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA EMPRESA. RESSARCIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS.
Integram o salário-de-contribuição os valores pagos com habitualidade aos empregados a título de aluguel de seus veículos, decorrentes da relação laboral com a empresa, quando as despesas incorridas na sua utilização não são comprovadas.
Numero da decisão: 9202-006.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer das contrarrazões do contribuinte ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. AUTOMÓVEIS ALUGADOS POR EMPREGADOS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA EMPRESA. RESSARCIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. Integram o salário-de-contribuição os valores pagos com habitualidade aos empregados a título de aluguel de seus veículos, decorrentes da relação laboral com a empresa, quando as despesas incorridas na sua utilização não são comprovadas.
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SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. AUTOMÓVEIS ALUGADOS POR EMPREGADOS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA EMPRESA. RESSARCIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. Integram o saláriodecontribuição os valores pagos com habitualidade aos empregados a título de aluguel de seus veículos, decorrentes da relação laboral com a empresa, quando as despesas incorridas na sua utilização não são comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer das contrarrazões do contribuinte ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 22 55 /2 00 8- 87 Fl. 757DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de auto de infração de obrigação principal NFLD DEBCAD nº 37.157.0549, à efl. 02, cientificado à empresa contribuinte em 23/07/2008, com relatório do auto de infração às efls. 25 a 33. O lançamento é referente a contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais de trabalho GILRAT. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, o débito apurado decorre de pagamentos efetuados pela contribuinte a seus próprios segurados empregados, a título de locação de seus veículos, que eram utilizados na realização das tarefas inerentes aos serviços prestados pela fiscalizada. Essas verbas foram entendidas pela fiscalização como sendo de natureza salarial. O crédito lançado atingiu, acrescido de juros e multa, o montante de R$ 78.554,68, consolidado em 14/07/2009 e referindose ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2004. O auto de infração foi impugnado, às efls. 61 a 81, em 21/08/2008. Já a 6ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão nº 0224.060, prolatado em 15/10/2009, às efls. 636 a 641, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 30/12/2009, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 646 a 658, argumentando, em apertada síntese: · a atividade da empresa impunha a necessidade de uso de automóveis pelos empregados o que era suprido com três modalidades de aluguel: de empresas especializadas, locação de terceiros e locação dos veículos dos próprios funcionários, sendo essa última uma prática excepcional havida no ano de 2004; · as locações de terceiros não permitem sua caracterização como salário dos funcionários da empresa, pois os valores pagos a esse título eram repassados àqueles; · os contratos englobavam todas as despesas com os veículos, tinham natureza indenizatória não sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias; Fl. 758DF CARF MF Processo nº 15504.012255/200887 Acórdão n.º 9202006.036 CSRFT2 Fl. 758 3 · há doutrina e jurisprudência que afirmam que o aluguel de veículos de empregados não pode ser considerado saláriodecontribuição. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 16/05/2012, resultando no acórdão 2402002.724, às efls. 665 a 673, que deu provimento ao recurso e tem a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LOCAÇÃO PELA EMPREGADORA DE VEÍCULOS DE PROPRIEDADE DOS EMPREGADOS DA EMPRESA. SALÁRIO UTILIDADE. NECESSIDADE DA LOCAÇÃO PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. AUSÊNCIA DE RECIBOS DE DESPESAS INCORRIDAS COM O USO DO VEÍCULO. DESNECESSIDADE EM FACE DO CARACTERIZADO REEMBOLSO DE DESPESAS INCORRIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. A locação de veículos dos empregados da empresa, quando demonstrada a necessidade de tal providência para que os serviços venham a ser prestados pelo contratado enseja o entendimento de que os valores pagos, a princípio o são em decorrência da natureza do serviços prestado, e não como retribuição pelo serviço prestado. Não obstante, o fato de não haverem sido carreados aos autos recibos ou comprovantes das despesas incorridas na utilização do veículo para fins de reconhecimento da isenção preconizada pelo art. art. 28, § 9o, alínea “s”, da Lei 8.212/91, fica elidido em razão de que, no presente caso, é o empregado quem fica responsável e assume o risco pelas despesas de combustível, manutenção, taxas, pedágios, dentre outras, inerentes e notórias ao uso do veículo para a prestação dos serviços contratados antes de receber os valores da locação. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. RE da Fazenda Nacional Intimada do acórdão, em 05/02/2013 (efl. 666), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em 07/02/2013, manejou recurso especial de divergência àquele acórdão às efls. 675 a 695. A Procuradora responsável aponta divergência quanto à incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores referentes pagamentos aos empregados por aluguéis de veículos próprios para execução de serviços no interesse do empregador. Defende essa divergência em face do acórdão paradigma nº 2301002.790 que, para situação fática similar, considerando que se trata de um “contrato” no âmbito de uma relação de emprego, entendeu que, para a devida configuração do caráter indenizatório a que faz alusão o art. 28, § 9º, “s”, da Lei nº 8.212/91, exigese como condição a comprovação efetiva de que se destinaram tais verbas a compensar os gastos, devidamente comprovados, com os quais teve que arcar o empregado quando da utilização de veículo próprio na execução de atividades da empresa. Esse posicionamento diverge do entendimento do acórdão recorrido, Fl. 759DF CARF MF 4 que entendeu desnecessária a demonstração pelo contribuinte de que se destinaram as verbas pagas a título de locação de veículos a compensar os gastos, devidamente comprovados, com os quais teve que arcar o empregado quando da utilização de veículo próprio na execução de atividades da empresa Por fim, a Procuradora requer o conhecimento e o provimento do recurso especial de divergência para reformar o acórdão a quo, restabelecendose o lançamento na sua integralidade. O recurso especial de divergência da Fazenda foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, no despacho nº 2400092/2014, às efls. 712 a 716 a 693, datado de 22/01/2014. Nesse despacho, o Presidente entendeu por ver reconhecida a divergência apontada, dando seguimento ao recurso especial. Contrarrazões da contribuinte Intimada (efl. 725) do acórdão nº 2402002.724, do recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho que o admitiu em 08/07/2014 (efl. 732), em 16/03/2016 a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Procuradora, às efls. 736 a 747. Representante da contribuinte inicia sua argumentação, protestando pela tempestividade das contrarrazões apresentadas. Alega não ter sido a contribuinte regularmente intimada para apresentação dos argumentos pois apesar de ter requerido expressamente o cadastramento de seus procuradores nas publicações e intimações relativas ao processo, a intimação só se deu por meio de edital. Aduz que, prevalecendo as datas postas em edital para contagem dos prazos, haveria violação das garantias do contraditório e da ampla defesa, bem como do princípio da publicidade. Na sequência, a contribuinte questiona a admissibilidade do recurso especial de divergência da Procuradoria, por três razões: a) não foram apresentados acórdãos paradigmas em sua integralidade, nem cópia do inteiro teor do paradigma, desatendendo os §§ 9º e 11, do art. 67 do Anexo II do RICARF; b) não houve indicação, com precisão e clareza, da matéria e legislação prequestionada e de quais seriam os pagamentos de aluguéis de veículos sujeitos à tributação no processo, sendo necessário para isso nova análise de toda a prova do processo; e c) falta de similaridade fática, pois o paradigma trata de caso em que não houve comprovação de despesas, enquanto o recorrido estão demonstradas as despesas com locação e utilização dos veículos para trabalho. Além disso, no mérito, argumenta que os pagamentos de locação eram para a realização de serviço, tendo característica de ressarcimento pelo uso e desgaste dos veículos, até mesmo com cláusulas de adicionais por quilômetro rodado, para os profissionais que utilizavam os veículos em maiores distâncias. A autoridade fiscal exige que a contribuinte faça prova de os aluguéis "não tinham natureza ressarcitória", prova negativa, combatida pela jurisprudência brasileira.Assim, a fiscalização descumpriu seu ônus probatório para fins de lanaçmento, definido no art. 142 do CTN. Fl. 760DF CARF MF Processo nº 15504.012255/200887 Acórdão n.º 9202006.036 CSRFT2 Fl. 759 5 Por fim, requer que não seja admitido o recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, ou, alternativamente, que lhe seja negado provimento para manter integralmente o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Conhecimento Inicialmente, cabe ressaltar que a própria contribuinte, apesar de protestar pela tempestividade de suas contrarrazões, admite por decorrência lógica, sua intempestividade. Não há qualquer irregularidade na intimação realizada por meio de edital, após tentativa frustrada da intimação por meio postal da contribuinte em seu endereço cadastral. O art. 23 do Decreto nº 70.235 de 06/03/1972, assim regula a matéria: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet;(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 761DF CARF MF 6 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alíneaa; ou(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo;(Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3oOs meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5oO endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6oAs alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 762DF CARF MF Processo nº 15504.012255/200887 Acórdão n.º 9202006.036 CSRFT2 Fl. 760 7 Às efls. 726 e 727 podese observar que houve a remessa postal para o endereço cadastral da contribuinte, tendo a entrega sido frustrada em 09/06/2014, em face de informação de que a contribuinte teria se mudado. Caberia à contribuinte a manutenção de seus dados cadastrais atualizados junto à RFB, mormente mediante da pendência processual existente. Improficua a intimação por meio postal, foi publicado em 28/08/2014 o edital eletrônico nº 000644917 (efl. 7732), no molde do inc. I do § 1º do art. 23, acima transcrito. Assim, em 12/09/2014, foi a contribuinte considerada regularmente cientificada, tanto do acórdão quanto do recurso especial de divergência da Procuradoria. Salientese que não há no Decreto n° 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal, previsão de intimação de procuradores dos atos do processo. Assim, ainda que em outro processo tenha sido dada ciência de algum ato diretamente ao advogado procurador da contribuinte, isso não tem o condão de vincular a administração pública em outros processos, por falta de previsão normativa nesse sentido. Assim sendo, quando a administração tributária cumpre os requisitos do Decreto nº 70.235/192, para tramitação do processo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ou qualquer ato eivado de vício cominável de nulidade. Nesse sentido, já existe acórdão do Conselho de Contribuintes no mesmo sentido: MUDANÇA DE ENDEREÇO Não é inquinada de nulidade a intimação postal se o contribuinte não comunicou ao Fisco a alteração de endereço ou a sua baixa por dissolução da sociedade, de sua inscrição cadastral perante o órgão público. De sua desídia não pode advir vantagem para si. (Acórdão n.° 1073.326, publicado no DOU de 22/01/1997) Dessarte, não serão consideradas as contrarrazões da contribuinte por terem sido apresentadas intempestivamente. E, ainda que suscitado o não conhecimento de ofício, isso não alteraria meu entendimento em relação ao caso em litígio. Senão vejamos. Quanto ao suposto desatendimento aos requisitos para admissão do recurso especial de divergência do Procurador, entendo que não tem razão a contribuinte, pelos seguintes motivos: a) às efls. 670 e 671, encontrase a reprodução integral do acórdão paradigma, seguido de todas suas ementas, também na íntegra, em nada desatendendo ao disposto nos §§ 7º e 9º do art. 67 do RICARF vigente à época da interposição do recurso especial; b) quanto à precisão e clareza, não vislumbramos qualquer defeito, foi apresentada a comparação analítica dos acórdãos paradigma e recorrido, não cabendo discutir se a matéria foi prequestionada, relativamente ao recurso da Procuradoria, haja vista inexistir esse requisito regimental, outrossim, análise de prova não há que ser feita no recurso, por descabida; Fl. 763DF CARF MF 8 c) discordo da afirmativa de que inexista similitude fática entre o recorrido e o paradigma, pois a similitude fática não tem que corresponder a situação idêntica em matéria probatória, que me parece ser a pretensão da contribuinte. Na verdade, entendo que a similitude fática decorre de ambos abordarem a necessidade de comprovação das despesas com a utilização de veículo próprio, decorrente da definição de remuneração e saláriodecontribuição existente na legislação da previdência social. Seja como ressarcimento das despesas, seja como indenização ou mesmo como aluguel, o que se discute é se os valores das despesas têm que ser comprovados, por exigência da legislação. O acórdão recorrido dispensou tal comprovação, o paradigma não dispensa. Assim, entendo presente a divergência de entendimentos para situações fáticas similares. Mérito A discussão se prende à ausência de provas sobre as despesas que levaram ao pagamento, a título de aluguel de veículos dos empregados para o empregador, em razão da prestação de serviços. A contribuinte afirma que tais pagamentos não têm natureza remuneratória e o acórdão recorrido, em sua ementa, trata os pagamentos como reembolso por despesas incorridas em razão dos serviços prestados. O conceito de reembolso utilizado no acórdão recorrido se vincula à devolução de valores pelo empregador em razão de pagamentos de despesas próprias do empregado, ou seja, é um conceito análogo ao de ressarcimento de valores. O acórdão recorrido aceitou que tais aluguéis fosses afastados do conceito de saláriodecontribuição tais valores, baseado, em resumo: a) na necessidade de que os veículos fossem locados para que os serviços da empresa fossem prestados, e b) em que o empregado fica responsável por assumir os riscos pelas despesas de combustível manutenção, taxas, pedágios e outras, inerentes e notórias ao uso do veículo, antes mesmo de receber os valores contratados. Analisemos o que foi tomado como fato pelo relator do voto do acórdão a quo, à efl. 671, onde afirma: Pois bem, o contrato em conjunto com o objeto social da recorrente de fato retrata que os veículos locados eram necessários para a execução de serviços habituais. Além disso, verificase que o valor da locação fixado entre as partes já englobava todas as despesas de manutenção, gastos com combustível dentre outros, sendo pagos no mês subseqüente ao do aluguel incorrido. Ou seja, desta forma, independentemente do valor das despesas relativas ao veículo incorridas no mês de maio, por exemplo, somente em junho é que o empregado, no caso locador, as recebia, no limite máximo de R$ 550,00 (quinhentos e cinqüenta reais) por mês. Logo, em sendo recebidas somente no mês posterior ao aluguel dos veículos, não há de se falar em qualquer adiantamento de valores pagos. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 15504.012255/200887 Acórdão n.º 9202006.036 CSRFT2 Fl. 761 9 Ou seja, havia habitualidade de pagamentos, não antecipados em relação à prestação de serviços, mas posterior ao mês de execução deles; diferentemente do que entende a contribuinte. Logo, o referido aluguel decorria da relação laboral entre empresa e empregados, distintamente da locação de terceiras empresas locadoras. Informa também o relator, à efl. 672: Além disso, o contrato firmado entre as partes determina expressamente que o veículo locado deve ser mantido à disposição da Locatária, quem pode, inclusive, levar a efeito vistorias e reprovar o uso do veículo, rescindindo a locação. Exige, ainda, do locador, o preenchimento de um relatório mensal de veículos, que fez juntar ao presente processo, no qual se verifica que são registrados horários de saída do veículo, chegada, destino e quilometragem rodada. Ou seja, há obrigações contratuais, com controles de horários de chegada e saída e quilometragem rodada, elementos de vinculação quanto ao uso do veículo; ninguém nega que o aluguel realizado com a pessoa física do empregado só existia em razão de seu vínculo empregatício. Tomando a despesa como certa e seu valor como aquele definido em contrato, os pagamentos teriam a característica de ressarcimento apesar da incerteza quanto aos gastos, que poderiam ser maiores, iguais ou menores que os contratados. Assim, verificamos: a existência de pagamentos, em razão da relação de trabalho entre empresa e empregado e o que se discute é a natureza desses pagamentos. No acórdão recorrido é tratado como um aluguel, visando reembolso de despesas dos próprios empregados, em razão dos serviços prestados. Estabelecida a situação de fato, passemos à análise da legislação envolvida. Desde início, cabe salientar que recentemente, em 29/03/2017, o STF, em acórdão1 no RE nº 565.160, com repercussão geral, no qual apreciou o alcance do termo "remuneração", já afirmou a seguinte tese: CONTRIBUIÇÃO – SEGURIDADE SOCIAL – EMPREGADOR. A contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do empregado, a qualquer título, quer anteriores, quer posteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998 – inteligência dos artigos 195, inciso I, e 201, § 11, da Constituição Federal. Logo, só se afasta do conceito de saláriodecontribuição aquelas parcelas que não se enquadrem na legislação que tributa os fatos geradores da previdência social, em particular as definições contidas no art. 22, inc. I, da Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos 1 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=13413144 Fl. 765DF CARF MF 10 segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. (Negritei.) Ou seja, a remuneração não se limita tão somente ao conceito de salário do direito do trabalho, vai além disso. Ganhos não eventuais e não indenizatórios, decorrentes da relação de trabalho, são considerados remuneração para fins de tributação da contribuição social previdenciária dos empregados. Excepcionalmente, o artigo 28 da lei afasta da incidência tributária, em seu § 2º, um rol de pagamentos e benefícios seja em dinheiro seja in natura, ou seja em utilidades , do conceito de saláriodecontribuição. Esse rol está definido no § 9º do art. 28 daquela lei, com a seguinte redação: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: Fl. 766DF CARF MF Processo nº 15504.012255/200887 Acórdão n.º 9202006.036 CSRFT2 Fl. 762 11 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6.recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143e144 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8.recebidas a título de licençaprêmio indenizada;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9.recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº7.238, de 29 de outubro de 1984;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção Fl. 767DF CARF MF 12 estabelecidas pelo Ministério do Trabalho;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior;(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 768DF CARF MF Processo nº 15504.012255/200887 Acórdão n.º 9202006.036 CSRFT2 Fl. 763 13 v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no§ 8º do art. 477 da CLT.(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) y) o valor correspondente ao valecultura.(Incluído pela Lei nº 12.761, de 2012) Nenhuma das exclusões acima abrange os ditos pagamentos de aluguel de veículo do funcionário. Ora toda a argumentação desenvolvida pela contribuinte, e mesmo no acórdão recorrido, vai no sentido de que haveria uma despesa com os veículos, sendo eles necessários à realização do trabalho. Isso não foi contestado pela fiscalização, o que ela afirma em seu relatório é (efls. 28 e 29): 7. A fiscalização solicitou à empresa documentação demonstrando as despesas realizadas pelos empregados com seus veículos através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD de 15/05/2008. Foi constatado que, apesar de o veículo ficar em poder do empregado da empresa, não foi apresentada documentação que comprove uma prestação de contas, um controle da quantidade de quilômetros rodados por cada veículo. A inexistência de documentação que discrimine as despesas realizadas pelos empregados com os veículos locados faz concluir que a auditada não tem controle sobre o uso da coisa por ela locada. Pode o empregado utilizar se do veículo do modo que lhe convier, tanto para a execução do trabalho como para o seu uso pessoal. 8. Relativamente ao valor pactuado nos contratos de locação, cabem algumas considerações. 9. O valor mensal acordado pela locação entre a auditada (locatária) e o empregado, na condição de suposto locador, é, em média, equivalente a 59% do valor do salário mensal do trabalhador. (...) 13. Ressaltamos que, o fato de a empresa denominar as parcelas pagas como parcelas do contrato de locação não modifica sua natureza jurídica de remuneração, visto que tal valor acresceu o patrimônio do empregado, tendo sido concedido como um plus na sua remuneração em decorrência do vínculo laboral. (Sublinhado no original, negritei.) Ora, existem créditos a título de pagamento, decorrentes da relação trabalhista, que não podem ser considerados ressarcimentos, pois carecem de comprovação das despesas incorridas, haja vista serem valores fixos pagos por contrato. A vestimenta jurídica dada a esses pagamentos, contrato de aluguel de veículo, não muda a sua natureza tributária, como bem afirmou a agente fiscal em seu relatório, Fl. 769DF CARF MF 14 com base no art. 4º do CTN2. Por isso, no meu entender, não há como afastar tais créditos ou pagamentos do conceito de saláriodecontribuição. Outrossim, existem indícios no autos que demonstram como os valores pagos, sem que se demonstre as despesas incorridas, podem ser levados a acrescer o patrimônio do empregado. Observase que há contrato de locação de veículo de placas LPV0214, realizado entre a contribuinte e a Sra. Claudia Baptista de Souza, em 15/04/2004 (às efls. 153 a 156), referente a veículo licenciado em 01/2004 (efl. 157), em nome da empresa Azzurra Veículos Ltda, com nota fiscal de aquisição por Claudia, emitida em 06/04/2004 (efl. 158), com alienação fiduciária. O mesmo se verifica para os documentos às efls. 167 a 170 para outro contrato, celebrado com Décio dos Santos Farias. Ou seja, esses empregados da contribuinte alugavam veículos que acabaram de adquirir, possivelmente com as prestações pagas a partir dos referidos aluguéis. Com a devida vênia, isso deixa claro como os discutidos aluguéis de veículos poderiam até mesmo refletir acréscimo ao patrimônio dos locatários, e não apenas pagamento de despesas incertas, diferentemente do que entende o relator do acórdão recorrido. De outra banda, caso houvesse comprovação das despesas, essas poderiam ser deduzidas como valores ressarcíveis e afastados da tributação. Em suma, quando não existe comprovação das despesas, impossível falarse em ressarcimento e afastar a natureza remuneratória dos valores pagos. Não o fazendo, tais pagamentos sujeitamse ao auto de infração lançado. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, dandolhe provimento para reformar integralmente o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos 2 Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II a destinação legal do produto da sua arrecadação. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 15504.012255/200887 Acórdão n.º 9202006.036 CSRFT2 Fl. 764 15 Fl. 771DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720253/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007, 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ/CSLL. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO.
Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do RICARF).
Numero da decisão: 3403-003.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, declinando-se da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: x
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PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ/CSLL. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, declinandose da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista e Adriana Oliveira e Ribeiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 02 53 /2 01 2- 13 Fl. 792DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em 15/12/2011 (fls. 677 a 6881) para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente a períodos de apuração de 31/07/2007 a 31/12/2008, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício qualificada (150%), em total original de R$ 3.836.539,31, por falta de lançamento do imposto, decorrente de saída do estabelecimento sem emissão de nota fiscal apurada por meio de presunção legal de omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização e comprovação de créditos e depósitos bancários, conforme descrito no Termo deVerificação e Encerramento da Ação Fiscal (TVEAF). No TVEAF (fls. 664 a 674), narrase que: (a) tendo em vista que o contribuinte apresentou movimentação financeira em suas contas bancárias sem registrar receita operacional que a justificasse, e não atendeu a duas intimações para esclarecimentos, para que se obtivesse a identificação da origem dos recursos e sua destinação, foram requeridas informações bancárias, com amparo na Lei Complementar no 105/2001, regulamentada pelo Decreto no 3.724/2001 (tabela com detalhamento das instituições à fl. 665); (b) o contribuinte também não atendeu intimação para apresentar arquivos contábeis e demais arquivos digitais utilizados; (c) a partir dos ingressos verificados nas contas bancárias (excluídas as transferências entre contas de mesma titularidade, aquelas nas quais foi possível comprovar a origem, como empréstimos e descontos de duplicatas, e ainda as inferiores a R$ 1.000,00), a empresa foi novamente intimada a justificar as quantias com documentação hábil, sem sucesso; (d) configurouse, assim, omissão de receitas no período de 01/01/2007 a 30/06/2007 (no qual a empresa apresentou declaração de PJ pelo SIMPLES), em valor que corresponde à subtração do resultado dos aportes bancários não justificados (R$ 2.826.378,37) com o valor declarado como receita (R$ 574.475,86); (e) configurouse ainda omissão de receitas no período de 01/07/2007 a 31/12/2008 objeto da autuação (com opção pelo SIMPLES Nacional de 01/07/2007 a 31/08/2008, e pelo lucro presumido de 01/09/2008 a 31/12/2008), conforme demonstrativo de fl. 672; (f) já no primeiro semestre de 2007 a empresa apresentou receita total superior ao limite para que pudesse optar pelo SIMPLES Nacional, tendo os limites sido ultrapassados por diversas vezes em períodos posteriores, o que, aliado às negativas de atendimento a intimações, levou o Delegado da unidade local da RFB a emitir Ato Declaratório (no 69, de 25/11/2011 fl. 656) excluindo de ofício a empresa do SIMPLES Nacional, com ciência em 30/11/2011 (cf. AR de fl. 657); (g) considerando a exclusão do SIMPLES Nacional, o contribuinte foi intimado a informar o regime de tributação a ser adotado para o período de 01/07/2007 a 31/08/2008 (no período de 01/09/2008 a 31/12/2008, a opção pelo lucro presumido é também irregular, pois sua escrituração contábil é imprópria), novamente sem resposta, deixando ao fisco como única alternativa a desclassificação da escrita contábil de 01/07/2007 a 31/12/2008, com aplicação do regime de lucro arbitrado, concretizada na autuação; (h) não há compensação de valores, porque a empresa não recolheu valor algum pelo SIMPLES Nacional 01/07/2007 a 31/08/2008 e declarou como zerada a receita no período de 01/09/2008 a 31/12/2008; e (i) tendo em vista a prática de crime, foi efetuada representação para fins penais, havendo ainda autuação referente a IRPJ (processo administrativo no 11634.720819/201118). Cientificada da autuação em 22/12/2011 (cf. AR de fl. 689, no qual se menciona somente o processo no 11634.720819/201118), a empresa apresenta impugnação em 23/01/2012 (fls. 690 a 708), mencionando exclusivamente o processo no 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 793DF CARF MF Processo nº 11634.720253/201213 Acórdão n.º 3403003.353 S3C4T3 Fl. 793 3 11634.720819/201118, e alegando, em síntese, que: (a) não entregou documentos à RFB porque o contados os havia retido, carreando ao processo denúncia do contador por apropriação indébita; (b) “a movimentação financeira era decorrente de empréstimos disfarçados em sua maioria de operações de fomento”, e a empresa informou à RFB as empresas que lhe emprestavam; (c) houve violação do sigilo fiscal, por inconstitucionalidade da Lei Complementar no 105/2001, por falta de motivação na expedição da RMF (Requisição de Movimentação Financeira), por não incidência do art. 33 da Lei no 9.430/1996 (pela impossibilidade de apresentação dos documentos em virtude de estarem retidos pelo contador), e por não atendimento dos requisitos legais para emissão da RMF; (d) houve nulidade da autuação por erro na base de cálculo (não tendo sido levada em conta a opção pelo lucro presumido), em oposição ao comando dos arts. 15 e 24 da Lei no 9.249/1995, que trata de IRPJ); (e) não houve omissão de receita, e a presunção do fisco deveria ser acompanhada de outros indícios, pois a empresa informou que havia empréstimos e indicou as empresas de fomento mercantil que haviam a ela emprestado recursos, e “dada a simulação de operações de fomento feitas pelas referidas empresas não havia obviamente documentos junto à impugnante para comprovar a origem e razão dos recursos depositados junto à conta corrente”; (f) a RFB considerou como omissão de receita operações que obviamente não o são (empréstimos e transações entre empresas relacionadas), sendo ônus do fisco comprovar a ocorrência caso a caso; (g) os financiamentos obtidos não são “rendas tributáveis”; (h) há falta de capacidade contributiva subjetiva da empresa; (i) a base de cálculo deve ser reduzida, sendo a alíquota aplicável sobre a “renda auferida”; e (j) a simples omissão de receita, por si só, não autoriza a multa qualificada, conforme Súmula no 14 do CARF. À fl. 717 consta despacho de abril de 2012 dando conta de solicitação de desmembramento do processo administrativo no 11634.720819/201118, solicitado pela DRJ, para que se separasse a exigência de IPI em autuação distinta, visto que a anterior õ efetuada juntamente com IRPJ. Desmembrados os autos (fl. 718), o presente processo passa a tratar exclusivamente de IPI. A mesma DRJ (3a Turma da DRJ/POR), na mesma data (20/09/2012) julga ambos os processos (o presente e o referente a IRPJ, de no 11634.720819/201118). No julgamento referente à autuação referente a SIMPLES Nacional e a IRPJ (fls. 728 a 746), a DRJ acorda unanimemente pela improcedência da impugnação, considerando que: (a) tendo sido apurada receita bruta em valor superior ao declarado procede a cobrança dos impostos e contribuições do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada; (b) houve motivação para a presunção de omissão de receita, que inverte o ônus probatório; (c) é correto o arbitramento do lucro quando a contabilidade obtiver vícios; (d) é vedada ao julgador administrativo a apreciação de constitucionalidade; (e) a obtenção de dados bancários foi válida; (f) caracterizado o intuito de fraude, cabível a qualificação da multa; (g) a exclusão do SIMPLES não foi contestada, sendo definitiva; e (h) “aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito” (referindose às exigências de PIS, COFINS e CSLL). No julgamento de primeira instância (fls. 747 a 762), como dito, efetuado pela mesma turma e na mesma data do julgamento do processo no 11634.720819/201118, acordouse unanimemente pela procedência do lançamento efetuado, sob os fundamentos de que: (a) apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas; (b) “comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais”; (c) é vedada ao julgador Fl. 794DF CARF MF 4 administrativo a apreciação de constitucionalidade; (d) a obtenção de dados bancários foi válida; (e) caracterizado o intuito de fraude, cabível a qualificação da multa; Cientificada da decisão de piso em 22/10/2012 (cf. AR de fl. 769), a empresa apresenta recurso voluntário em 21/11/2012 (fls. 770 a 788), literalmente reiterando os argumentos expostos em sua impugnação, demandando a juntada posterior de documentos e a intimação no endereço dos procuradores da empresa. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Antes de ingressar na apreciação do recurso voluntário, revelase imprescindível o exame da competência desta turma para se manifestar sobre a matéria expressa nos autos. Há que se esclarecer, logo de início, que apesar de a empresa ter postulado (indevidamente) a aplicação do SIMPLES Nacional, que lhe foi excluída pelo Ato Declaratório no 69, de 25/11/2011 (fl. 656), emitido pela unidade local da RFB, não versa o presente processo nem sobre exclusão do SIMPLES nem sobre exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação a tal sistemática referente, o que deslocaria a competência para a Primeira Seção de Julgamento (conforme art. 2o, V do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF no 256/1999). Contudo, dispõe atualmente o inciso IV do art. 2o do mesmo Anexo II do RICARF: “Art. 2o À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ;” (grifo nosso) Assim, ainda que a autuação verse sobre tributos diverso, resta deslocada a competência para a Primeira Seção se a exigência for lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente ao IRPJ. No presente processo, a autuação era uma só para todos os tributos (IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS/PASEP, COFINS e IPI), assim como a impugnação da empresa (percebase que não há uma impugnação específica para o IPI nos autos, e destaquese ainda que o recurso voluntário reitera literalmente a peça impugnatória). Fl. 795DF CARF MF Processo nº 11634.720253/201213 Acórdão n.º 3403003.353 S3C4T3 Fl. 794 5 Da decisão da DRJ no processo no 11634.720819/201118 (fl. 744), extraise que a DRJ entende serem reflexos os lançamentos em relação à Contribuição para o PIS/PASEP, a COFINS e a CSLL: “Com relação aos autos de infração reflexos (PIS, Cofins e CSLL), sendo decorrentes da mesma infração tributária que motivou a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito, até porque não foram trazidos pela impugnante argumentos específicos contra esses lançamentos. Nesse sentido, a Lei no 9.249, de 1995, estabelece em seu art. 24 e § 2o (...)” (grifo nosso) Na decisão proferida pela DRJ no presente processo, referente a IPI (fls. 760/761), fica claro o entendimento de que o lançamento é decorrente daquele efetuado em relação ao IRPJ: “Tratase de analisar lançamento referente ao IPI, períodos de apuração ocorridos nos anoscalendário de 2007e 2008, decorrente de lançamento referente ao IRPJ e reflexos, em que se apurou omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. (...) Destarte, em ação fiscal de IRPJ foram verificadas receitas cuja origem não foi comprovada § 2o). Assim sendo, deve ser empregado, quanto à exigência decorrente (IPI), o critério estabelecido no § 1o da norma regulamentar em comentário. No processo relativo ao IRPJ, conforme acórdão de fls. 728 a 746, considerouse improcedente a impugnação. Portanto, do total da receita omitida indicada pelo exator, restou mantida a totalidade da exação com reflexo no campo do IPI. Nesse passo, caracterizada a omissão de receitas pelas razões aduzidas, causa eficiente da imposição fiscal na esfera do IRPJ, é inafastável a autuação decorrente, por falta de lançamento do imposto, dada a presunção legal de vendas sem emissão de nota fiscal, já que o julgamento do processo decorrente deve seguir o do principal.”(grifo nosso) Dentro da separação efetuada pela DRJ entre lançamento reflexo (Contribuição para o PIS/PASEP, a COFINS e a CSLL) e decorrente (IPI), cumpre recordar que o RICARF, em seu art. 2o, IV, aqui reproduzido, não faz distinção entre os institutos para efeitos de atribuição de competência, utilizando indistintamente três expressões para descrever os procedimentos que deslocam a competência para a Primeira Seção: “conexos, decorrentes ou reflexos”. Sendo inequívoco que a presente autuação, em relação a IPI, está lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, como se percebe cristalinamente do teor do excerto transcrito da decisão de piso, concluise pela incompetência desta turma de julgamento (em verdade, desta Seção de Julgamento) para análise do recurso voluntário. Fl. 796DF CARF MF 6 Acrescentese ainda que a confirmação ou não do julgamento de primeira instância no processo no 11634.720819/201118 indubitavelmente afeta o presente processo. Incumbese, então, declinar da competência para julgamento em favor da Primeira Seção deste CARF, na forma do art. 2o, IV do Anexo II do RICARF, na linha do que já decidiu unanimemente esta turma: “AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ/CSLL. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do RICARF).” (Acórdão n. 3403001.805, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24.out.2012) Diante do exposto, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso, declinandose da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Rosaldo Trevisan Fl. 797DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910727/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 19/07/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.583
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 19/07/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 07 27 /2 01 1- 15 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910727/201115 Acórdão n.º 3402004.583 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.318, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 19/07/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910727/201115 Acórdão n.º 3402004.583 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910727/201115 Acórdão n.º 3402004.583 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910727/201115 Acórdão n.º 3402004.583 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910632/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 18/12/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.517
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 18/12/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 32 /2 01 1- 00 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910632/201100 Acórdão n.º 3402004.517 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.011, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 18/12/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910632/201100 Acórdão n.º 3402004.517 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910632/201100 Acórdão n.º 3402004.517 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910632/201100 Acórdão n.º 3402004.517 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.725127/2014-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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PERÍODO: 01/08/2010 a 31/08/210 A exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional se dá com efeito retroativo, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega das declarações apresentadas fora do prazo legal previsto na legislação relativa ao tributo. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, consoante a Súmula CARF nº 49. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 51 27 /2 01 4- 61 Fl. 37DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra notificação de Lançamento de Multa por Atraso na Entrega da DCTF, do mês de AGOSTO de 2010, no valor de R$ 882,30 (com redução, pela entrega espontânea da Declaração). A DCTF do mês de AGOSTO de 2010 foi entregue em 17/09/2014, quando o prazo para entrega da referida declaração expirara em 22/10/2010. O contribuinte apresentou a impugnação do lançamento, tempestivamente, tendo a DRJ julgado improcedentes os argumentos, consoante o relatório, abaixo transcrito: A exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional se dá com efeito retroativo, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega das declarações apresentadas fora do prazo legal previsto na legislação relativa ao tributo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, em sua defesa, que foi excluída do Simples Nacional, retroativamente, ou seja, à época da entrega da DCTF não estava obrigada a entregála. A alegação não procede, tendo em vista que a exclusão do Simples Nacional tem efeitos retroativos, conforme a legislação em vigor, que reproduzo a seguir: LC 123/2006, no § 6º do art. 3º e art. 32, Art. 3º. (...) § 6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrerem alguma das situações previstas nos incisos do § 4º, será excluída do 3 tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12, com efeitos a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10845.725127/201461 Acórdão n.º 1001000.064 S1C0T1 Fl. 3 3 Assim, no presente caso, uma vez excluído do Simples a recorrente passou a sujeitarse (efeito ex tunc) às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive no que diz respeito às obrigações acessórias, observados os prazos legais originais. Portanto, considero irretocável a decisão da DRJ. Adicionalmente, no presente RV, a recorrente menciona o acórdão número 1803002.256, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que excluí multa por atraso na entrega da DCTF pela denúncia espontânea por parte da empresa, alegando ainda o artigo 138, do Código Tributário Nacional. O assunto já foi objeto de súmula por este egrégio Conselho, súmula n°49, como versa: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, não assiste razão a recorrente e, portanto, nego provimento ao presente Recurso Voluntário e mantenho o crédito tributário apurado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000972/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. INFRAÇÃO 001 - OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. INFRAÇÃO 002 - OMISSÃO DE RENDIMENTOS PELA CESSÃO GRATUITA DE IMÓVEL.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, § 1º, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-004.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, em relação às infrações 001 - omissão de ganhos de capital na alienação de imóvel - e 002 - omissão de rendimentos pela cessão gratuita de imóvel; vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Foi designado o Conselheiro Waltir de Carvalho para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003 MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. INFRAÇÃO 001 - OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. INFRAÇÃO 002 - OMISSÃO DE RENDIMENTOS PELA CESSÃO GRATUITA DE IMÓVEL. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, § 1º, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, em relação às infrações 001 - omissão de ganhos de capital na alienação de imóvel - e 002 - omissão de rendimentos pela cessão gratuita de imóvel; vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Foi designado o Conselheiro Waltir de Carvalho para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. INFRAÇÃO 001 OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. INFRAÇÃO 002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS PELA CESSÃO GRATUITA DE IMÓVEL. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, § 1º, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, em relação às infrações 001 omissão de ganhos de capital na alienação de imóvel e 002 omissão de rendimentos pela cessão gratuita de imóvel; vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Foi designado o Conselheiro Waltir de Carvalho para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 72 /2 00 7- 15 Fl. 680DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200715 Acórdão n.º 2202004.325 S2C2T2 Fl. 681 2 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 19515.000972/200715, em face do acórdão nº 1726.544, julgado pela 7ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2), em sessão realizada em 28 de julho de 2008, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Fl. 681DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200715 Acórdão n.º 2202004.325 S2C2T2 Fl. 682 3 [...] A DRJ de origem entendeu procedência em parte da impugnação apresentada pela contribuinte, mantendose, deste modo, em parte, o crédito tributário lançado. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200715 Acórdão n.º 2202004.325 S2C2T2 Fl. 683 4 A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 612/637, reiterando as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencida. Após, às fls. 649/652, a contribuinte apresenta manifestação, na qual vem informar que promoveu adesão parcial do crédito tributário exigido neste processo no parcelamento especial previsto na Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014. Refere a contribuinte que à época da adesão ao parcelamento (agosto/2014), o valor total do débito perfazia o montante de R$ 1.245.022,29, conforme demonstrada tabela baixo: A contribuinte faz inclusão parcial do débito exigido, totalizando o montante de R$ 921.601,61, tendo em vista não concordar com a qualificação da multa em 150%, referindo expressamente que pretende "manter o recurso voluntário em relação a essa discussão". Assim, o débito incluído no parcelamento foi o seguindte: Deste modo, permanece em litígio somente a qualificação da multa, o que representa em valores, conforme apurado pela contribuinte em agosto/2014, R$ 323.430,68, conforme quadro abaixo: Por fim, importa referir que em anexo a manifestação de fls. 649/652, a contribuinte promove a juntada, às fls. 663, do recibo do pedido de parcelamento, bem como DARF's pagas, às fls. 665/671. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Fl. 683DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200715 Acórdão n.º 2202004.325 S2C2T2 Fl. 684 5 O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Delimitação da lide. A lide encontrase delimitada a matéria atinente a qualificação da multa, haja vista que o crédito tributário objeto do lançamento fiscal restante foi parte exonerado pela DRJ, sendo a outra parte parcelada pela contribuinte. Multa qualificada. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício com multa qualificada (150%), por ter entendido que o contribuinte fiscalizado ter agido com a intenção de suprimir ou reduzir, deliberadamente, o tributo, caracterizando a conduta ilegal com evidente intuito de sonegação, fraude ou simulação, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A DRJ de origem entendeu por manter a qualificação da multa por assim compreender: Todavia, entendo que não merece prosperar a tese de que ocorreu sonegação, fraude ou simulação, de modo a justificar a qualificação da multa em 150%. Nesse caso, compreendo que não restou suficientemente caracterizada a intenção dolosa de sonegação por parte da contribuinte. Em verdade, a contribuinte tão somente omitiu rendimentos e deixou de apurar o ganho de capital, não tendo agido de forma dolosa. Não verifico que exista, no caso, o plus doloso capaz de ensejar a qualificação da multa. Cumpre referir que a base da argumentação da autoridade fiscal realmente é verdadeira, ou seja, os atos praticados ensejaram a diminuição irregular do recolhimento do tributo, no entanto, não entendo que este fato, por si só, enseja os elementos caracterizadores do dolo, fraude ou simulação. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício qualificada é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 684DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200715 Acórdão n.º 2202004.325 S2C2T2 Fl. 685 6 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Por sua vez, assim dispõe os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 supra referidos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Consoante demonstrado, nos casos de lançamento de ofício, a regra é a aplicação da multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de lesar o Fisco, quando, se utilizando de subterfúgios, escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fiscal. É nesse ponto que não concordo com o posicionamento adotado pela autoridade autuante, pois, embora concorde ser equivocada a leitura feita pelo contribuinte da legislação, não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição do tributo a ser pago. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200715 Acórdão n.º 2202004.325 S2C2T2 Fl. 686 7 A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, deixando às claras o seu procedimento, posto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções. Nestes termos, foi editada a Súmula CARF nº 25: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.] Ainda, importa referir a a Súmula CARF nº 14, onde consignouse o entendimento deste Conselho de que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Neste sentido, citase o acórdão CARF nº 2401004.630, de relatoria do Conselheiro Rayd Santana Ferreira. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO E OMISSÃO DE RENDIMENTOS. "BEACON HILL". SUJEIÇÃO PASSIVA. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o autor de transferências bancárias no exterior, não há como prosperar a alegação de falta de identificação do sujeito passivo. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. LASTRO EM ALIENAÇÃO DE IMÓVEL ADQUIRIDO POR HERANÇA. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL. Impõese afastar a atribuição de acréscimo patrimonial a descoberto quando o contribuinte logra demonstrar que aludida variação patrimonial encontra lastro em operações circunstanciadamente comprovadas, in casu, alienação de imóvel adquirido por herança, ainda que não ocorra uma confrontação individualizada com coincidência de datas e valores, sobretudo em homenagem aos princípios da verdade material e razoabilidade. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200715 Acórdão n.º 2202004.325 S2C2T2 Fl. 687 8 IRPF. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade, sobretudo quando a autoridade lançadora não disserta absolutamente nada sobre o tema no Termo de Verificação Fiscal. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Em igual sentido, há também o acórdão CARF nº 2401004.499, onde em caso similar ao presente, também foi desqualificada a multa de ofício. Dessa forma, entendo por necessário desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para 75%. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Waltir de Carvalho, Redator Designado Peço vênia ao Ilustre Relator, Conselheiro Martin da Silva Gesto, para dele divergir quanto à desqualificação da multa de ofício aplicada à Infração 003 Omissão de Rendimentos Recursos Financeiros no Exterior, pelas razões que passo a expor. Tratase de omissão de rendimentos apurada a partir de movimentação financeira realizada em contas bancárias no Exterior, à margem do Sistema Financeiro Fl. 687DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200715 Acórdão n.º 2202004.325 S2C2T2 Fl. 688 9 Nacional, no contexto da chamada "Operação Beacon Hill". A Fiscalização apurou omissão de rendimentos no valor total de US$ 295.000,00. Intimada, durante o procedimento fiscal, a comprovar as origens dos valores depositados em contas bancárias no Exterior, de sua titularidade, a Contribuinte não logrou apresentar as comprovações requeridas. Foi lavrado o correspondente Auto de Infração, tendo sido aplicada multa de ofício qualificada no percentual de 150%. Por bem relatar os fatos relativos ao procedimento fiscal que culminou na lavratura do Auto de Infração, transcrevese, abaixo, trecho do voto do Julgador de 1ª Instância: "A autuada era titular da conta bancária nº 03621038550 no Bank of China de Hong Kong (fls 332/346) e na qual foram creditadas as importâncias de US$ 100.000,00, US$ 100.000,00 US$ 95.000,00, em 23/07/2002, 25/07/2002 e 04/09/2002, respectivamente (fl. 330). Os valores em epígrafe chegaram à conta da interessada por intermédio de uma outra contacorrente nº 530098709, denominada CHELLO, mantida e administrada pela Beacon Hill Service Corporation (BHSC) no JP Morgan Chase Bank de Nova Iorque. A Beacon Hill Service Corporation BHSC tinha como função precípua atuar como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas e jurídicas brasileiras, buscando, assim, encobrir a identidade dos reais beneficiários de movimentações de divisas nos Estados Unidos da América. As informações bancárias da conta administrada pela BHSC foram encaminhadas ao Brasil em arquivos de mídia eletrônica pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, tendo sido posteriormente repassadas à Fiscalização, conforme Laudo de Exame EconômicoFinanceiro da Polícia Federal nº 1032/2004 (fls. 332 a 339) que demonstra, em detalhes, todos os dados e a movimentação financeira da referida conta mantida no JP Morgan Chase Bank de Nova Iorque. (...) Constatase que foram anexados ao processo: o Relatório Final da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou a produção e comércio de produtos adulterados (CPI da Pirataria); o Ofício 120/03 do Delegado da Polícia Federal ao MM Juiz Federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba, versando sobre a Quebra de Sigilo Bancário no exterior; Ofício nº 001/03 do Delegado de Polícia Federal ao Dr. Robert Morgenthau (fls. 298/303); Expediente da Sra. Rebecca Roiphe, permitindo acesso aos dados que discrimina; Decisão do MM Juiz Federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba, transferindo a quebra de sigilo bancário para a Receita Federal; Ofícios do Delegado da Polícia Federal aos Peritos Criminais Federais para a emissão de Laudo Pericial referente aos arquivos magnéticos de cada conta ou subconta; Laudo de Exame EconômicoFinanceiro nº 1.258/2004, demonstrando a consolidação financeira de todas as contas e subcontas administradas pela Beacon Hill; e Representação Fiscal nº 2.252/05 e Laudo de Exame Econômico Fl. 688DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200715 Acórdão n.º 2202004.325 S2C2T2 Fl. 689 10 Financeiro nº 1032/04, identificando recursos financeiros movimentados no exterior, durante o anocalendário de 2002, nos quais a contribuinte aparece como beneficiária (fls. 262/346)." A qualificação da multa de ofício, no que se refere à Infração 003 Omissão de Rendimentos Recursos Financeiros no Exterior, foi mantida no julgamento de 1ª Instância com os fundamentos: "Assim, tendo a contribuinte auferido rendimentos não informados na Declaração de Ajuste Anual e só tendo a Receita Federal tomado conhecimento deste fato por repasse de informações constantes no Relatório Final de Comissão Parlamentar de Inquérito, que investigou a produção e comércio de produtos adulterados (CPI da Pirataria), e informações da Justiça Federal, concluise, ao contrário do afirmado pela recorrente, que há elementos suficientes para a caracterização do intuito doloso. Houve, concretamente, conduta tendente a manter distante da tributação montantes significativos de rendimentos auferidos, que foram detectados pelo Lançamento. Portanto, em função dos fatos descritos nos autos, ficou caracterizada a conduta dolosa da contribuinte de se eximir do imposto devido, quer pela movimentação de vultoso valor no exterior com natureza desconhecida em conta bancária mantida no exterior à margem das autoridades fazendárias brasileiras, (...), objetivando impedir ou retardar o conhecimento de fatos geradores por parte do Fisco. Assim, tal conduta da interessada caracterizaria evidente intuito de fraude, ensejando a aplicação da multa qualificada de 150%. " Primeiramente, devese registrar, no que tange à invocada Súmula CARF nº 25, que esta, no pensar deste Conselheiro, não é aplicável ao caso presente pois não se trata, aqui, de lançamento de omissão de rendimentos por presunção legal, objeto da Súmula, e, sim, de lançamento de omissão de rendimentos fundamentado nos arts. 37, 38, 55, inciso VII, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Outrossim, no entender deste Conselheiro, a participação comprovada da Contribuinte na movimentação de recursos financeiros no Exterior, à revelia do Sistema Financeiro Nacional, no contexto do esquema criminoso que ficou conhecido como "Beacon Hill", por si só, já é suficiente para a manutenção da qualificação da multa de ofício. Ou seja, não se pode falar, no presente caso, em "simples omissão de rendimentos". De fato, a utilização dos procedimentos para recebimento, guarda, transferência de valores no Exterior, tudo ao largo dos controles institucionais e legais nacionais, ludibriando as autoridades fazendárias brasileiras, pelos participantes do esquema ora enfocado, não permite outra conclusão que não seja a de que a Contribuinte agiu com intenção de ocultar os citados valores movimentados. No sentido acima, ao julgar Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, assim decidiu a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9202002.551, de 05/03/2013: Fl. 689DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200715 Acórdão n.º 2202004.325 S2C2T2 Fl. 690 11 Voto: "Quanto à desqualificação da multa de ofício, promovida pela decisão recorrida, o que inclusive provocou a declaração de decadência, relativamente ao anocalendário de 2000, também entendo que assiste razão à Fazenda Nacional, uma vez que, por óbvio, o caso em apreço não trata de “simples omissão de rendimentos”, mas sim da participação reiterada do contribuinte em operações de remessa de divisas ao exterior, à margem do sistema bancário nacional. Com efeito, a simples omissão teria se caracterizado caso o Contribuinte, ainda que reiteradamente, tivesse enviado recursos ao exterior às claras, pelos meios lícitos, apenas sem o recolhimentos dos tributos devidos. É certo que a jurisprudência do CARF é no sentido de que a reiteração da “simples omissão de rendimentos” não enseja a qualificação da penalidade, tanto é assim que foi editada a Súmula CARF nº 14, sem ressalvas quanto a eventual conduta reiterada. Entretanto, repitase que as provas dos autos não apontam para uma simples omissão reiterada, mas sim para a participação em esquema internacional de remessas de divisas ao exterior, à margem do sistema bancário nacional, conduta esta que, ainda que fosse ausente a reiteração, ensejaria a qualificação da penalidade. Em face de tal contexto, evidentemente que é incabível a aplicação da Súmula CARF nº 14. Com efeito, a participação no esquema que ficou conhecido como “CPI do Banestado”, caracterizado como um conjunto de operações visando a remessa irregular de moeda, à margem do sistema bancário e, principalmente, da tributação, de forma alguma autoriza a desqualificação da penalidade, eis que é evidente a existência de dolo." (Grifamos) Destarte, pelos fundamentos acima expostos, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário no que se refere à Infração 003 Omissão de Rendimentos Recursos Financeiros no Exterior. (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Redator Designado Fl. 690DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.911360/2011-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009
NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO
Deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que o despacho decisório foi devidamente fundamentado em documentos carreados aos autos e na legislação aplicável.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009
CRÉDITOS. INSUMOS. "GÁS GLP CILINDRO P-20". COMBUSTÍVEL PARA EMPILHADEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Não deve ser admitido o crédito, quando o contribuinte alega que foi aplicado em empilhadeira, porém não prova que este bem integra o ativo imobilizado.
BENS PARA REVENDA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NO DACON
Os incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 admitem créditos sobre bens adquiridos para revenda.
Assim, devem ser admitidos créditos sobre as aquisições cujos CFOP indicavam tratar-se de "compras para comercialização", exceto às de "Gás GLP Cilindro P-20", tratado em tópico específico, e as tributadas à alíquota zero.
O fato de terem sido erroneamente classificados no DACON em linha destinada a insumos não tem o condão de impedir a tomada do crédito autorizada em lei.
CRÉDITOS. INSUMOS. PALLETS
Os pallets são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos.
CRÉDITOS. INSUMOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO
Deve ser reconhecido o crédito calculado sobre "Dedo de Borracha A 50", indicado no Laudo Técnico como componente de depenadeiras. Não devem ser admitidos os créditos calculados sobre os demais itens, pois o contribuinte não apresentou comprovação de que relacionavam-se com máquinas e equipamentos utilizados na produção.
CRÉDITOS. INSUMOS. GÁS ARGÔNIO, DICOFLENACO SÓDICO INJETÁVEL, PLASMA SANGUÍNEO ULTRAFILTRADO, GRILLER, AMÔNIA ANIDRA E DESINFETANTE ORTOZOOL
Admite-se na base de cálculo dos créditos apenas as compras de "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo" e "amônia anidra", posto que somente nestes casos restou comprovado que eram insumos industriais.
CRÉDITOS INTEGRAIS. COMPRAS COM SUSPENSÃO DE BENS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL.
Nos termos dos artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04, não davam direito a créditos integrais, porém presumidos, as compras de produtos de origem animal e vegetal beneficiadas com suspensão.
CRÉDITOS. INSUMOS. REPALETIZAÇÃO E REFORMA DE PALLETS, SERVIÇOS DE APLICAÇÃO DE STRECHT
Os pallets e o strecht (filme plástico que envolve o pallet) são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos. Da mesma forma, devem ser considerados como insumos os serviços de repalletização e reforma de pallets e os de aplicação do strecht.
CRÉDITOS. SERVIÇOS DE CARGA E DESCARGA "TRANSBORDO"
Devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, por serem gastos conexos aos de frete e armazenagem, que são expressamente autorizados pelos incisos II e IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03.
SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Não devem ser admitidos os créditos, quando o contribuinte não apresenta comprovação de que relacionavam-se com máquinas e equipamentos utilizados na produção.
CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS E PRODUTOS DECORRENTES DE EXIGÊNCIAS LEGAIS
Os serviços e produtos adquiridos para utilização nos setores industriais, em razão de exigências legais, porém cujo objetivo maior era o de preservar a qualidade do alimento, devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, na qualidade de insumos.
CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULO DE CARGA
Não devem ser admitidos, por não terem sido abrangidos pelos incisos IV dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03.
CRÉDITOS. FRETES E ARMAZENAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Não devem ser admitidos, por não ter sido comprovado que foram incorridos em operações de venda (incisos IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03).
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 8° DA LEI 10.925/04
A alíquota do crédito presumido deve ser determinada com base na posição NCM dos produtos finais nos quais os insumos foram aplicados.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 33 DA LEI 12.058/09
Somente podem ser calculados créditos presumidos sobre insumos aplicados em processo industrial. O benefício não se aplica a mercadorias adquiridas para revenda.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 34 DA LEI 12.058/09
A recorrente não fazia jus ao crédito, pois enquadrava-se na exceção à regra, prevista no § 1° do art. 34 da Lei n° 12.058/09, qual seja, industrializava os produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02.
INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE CRÉDITOS ESCRITURAIS
A decisão vinculante do STJ, que determina o cômputo de juros, não se aplica ao caso, pois não houve qualquer "ato estatal, administrativo ou normativo" que tenha oposto qualquer óbice `a aplicação do regime da não cumulatividade.
MATÉRIAS NÃO INTEGRANTES DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO
Não devem ser conhecidos os argumentos atinentes à inaplicabilidade de multa de mora e juros sobre débitos considerados como não liquidados, em razão de não homologação de DCOMP, e à suposta dupla punição do mesmo fato, em razão de cobranças de multa de mora e multa isolada, por não serem integrantes da lide.
DILIGÊNCIA. PEDIDO NEGADO
Deve ser negado o pedido de diligência, uma vez que os autos contêm os elementos necessários à formação da convicção do julgador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade e no mérito: (i) por maioria de votos, negar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre o "Gás Gás GLP Cilindro P 20", vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (ii) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade de créditos relativos aos bens adquiridos para revenda, sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, exceto quanto àqueles cuja compra foi realizada com alíquota zero e ao "Gás Gás GLP Cilindro P 20"; (iii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, no que concerne aos créditos sobre as compras de pallets; (iv) quanto a "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes", por maioria de votos, dar provimento parcial, para reconhecer os créditos sobre "dedo de borracha A 50", vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões, Valcir Gassen e José Henrique Mauri, que davam provimento também aos créditos sobre óleos de Manona WS786, óleo hydrodrive HP 68 Houghton, óleo diesel aditivado e Acomplamento de Borracha; (v) por unanimidade de votos, dar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e "amônia anidra" e, por maioria de votos, negar provimento aos demais itens, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões e Valcir Gassen que concediam também para o "gás argônio"; (vi) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos integrais dos produtos listados na planilha "SUSPENSÃO - Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ Suspensão obrigatória", e, por maioria de votos, conceder o crédito presumido admitido pelo art. 8° da Lei n° 10.925/04, vencido o Conselheiro Antonio; (vii) por unanimidade de votos, dar provimento, reconhecendo os créditos relativos aos serviços de repaletização, reforma de pallets, aplicação de strecht e carga e descarga (transbordo) e, por maioria de votos, negar os referentes aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (viii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo os créditos relativos aos "serviços e produtos decorrentes de exigências legais", excetuados os tributados à alíquota zero; (ix) por maioria de votos, negar provimento ao crédito relativo ao aluguel de empilhadeiras e caminhões munck, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (x) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos sobre despesas com armazenagem e fretes; (xi) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo que o percentual a ser aplicado sobre a alíquota da contribuição, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado de acordo com a posição da TIPI do produto em que o insumo foi aplicado; (xii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 33 da Lei n. 12.058/09; (xiii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 34 da Lei n. 12.058/2009; (xiv) por unanimidade de votos, negar provimento à incidência de juros SELIC sobre os créditos escriturais; (xv) por unanimidade de votos, não conhecer dos demais argumentos apresentados pela Recorrente, por não integrarem o presente litígio; (xvi) por unanimidade de votos, negar provimento ao pedido de realização de diligência ou perícia.
José Henrique Mauri - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri, Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade e no mérito: (i) por maioria de votos, negar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre o "Gás Gás GLP Cilindro P 20", vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (ii) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade de créditos relativos aos bens adquiridos para revenda, sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, exceto quanto àqueles cuja compra foi realizada com alíquota zero e ao "Gás Gás GLP Cilindro P 20"; (iii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, no que concerne aos créditos sobre as compras de pallets; (iv) quanto a "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes", por maioria de votos, dar provimento parcial, para reconhecer os créditos sobre "dedo de borracha A 50", vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões, Valcir Gassen e José Henrique Mauri, que davam provimento também aos créditos sobre óleos de Manona WS786, óleo hydrodrive HP 68 Houghton, óleo diesel aditivado e Acomplamento de Borracha; (v) por unanimidade de votos, dar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e "amônia anidra" e, por maioria de votos, negar provimento aos demais itens, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões e Valcir Gassen que concediam também para o "gás argônio"; (vi) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos integrais dos produtos listados na planilha "SUSPENSÃO - Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ Suspensão obrigatória", e, por maioria de votos, conceder o crédito presumido admitido pelo art. 8° da Lei n° 10.925/04, vencido o Conselheiro Antonio; (vii) por unanimidade de votos, dar provimento, reconhecendo os créditos relativos aos serviços de repaletização, reforma de pallets, aplicação de strecht e carga e descarga (transbordo) e, por maioria de votos, negar os referentes aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (viii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo os créditos relativos aos "serviços e produtos decorrentes de exigências legais", excetuados os tributados à alíquota zero; (ix) por maioria de votos, negar provimento ao crédito relativo ao aluguel de empilhadeiras e caminhões munck, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (x) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos sobre despesas com armazenagem e fretes; (xi) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo que o percentual a ser aplicado sobre a alíquota da contribuição, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado de acordo com a posição da TIPI do produto em que o insumo foi aplicado; (xii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 33 da Lei n. 12.058/09; (xiii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 34 da Lei n. 12.058/2009; (xiv) por unanimidade de votos, negar provimento à incidência de juros SELIC sobre os créditos escriturais; (xv) por unanimidade de votos, não conhecer dos demais argumentos apresentados pela Recorrente, por não integrarem o presente litígio; (xvi) por unanimidade de votos, negar provimento ao pedido de realização de diligência ou perícia. José Henrique Mauri - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri, Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva.
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO Deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que o despacho decisório foi devidamente fundamentado em documentos carreados aos autos e na legislação aplicável. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITOS. INSUMOS. "GÁS GLP CILINDRO P-20". COMBUSTÍVEL PARA EMPILHADEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não deve ser admitido o crédito, quando o contribuinte alega que foi aplicado em empilhadeira, porém não prova que este bem integra o ativo imobilizado. BENS PARA REVENDA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NO DACON Os incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 admitem créditos sobre bens adquiridos para revenda. Assim, devem ser admitidos créditos sobre as aquisições cujos CFOP indicavam tratar-se de "compras para comercialização", exceto às de "Gás GLP Cilindro P-20", tratado em tópico específico, e as tributadas à alíquota zero. O fato de terem sido erroneamente classificados no DACON em linha destinada a insumos não tem o condão de impedir a tomada do crédito autorizada em lei. CRÉDITOS. INSUMOS. PALLETS Os pallets são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos. CRÉDITOS. INSUMOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO Deve ser reconhecido o crédito calculado sobre "Dedo de Borracha A 50", indicado no Laudo Técnico como componente de depenadeiras. Não devem ser admitidos os créditos calculados sobre os demais itens, pois o contribuinte não apresentou comprovação de que relacionavam-se com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. GÁS ARGÔNIO, DICOFLENACO SÓDICO INJETÁVEL, PLASMA SANGUÍNEO ULTRAFILTRADO, GRILLER, AMÔNIA ANIDRA E DESINFETANTE ORTOZOOL Admite-se na base de cálculo dos créditos apenas as compras de "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo" e "amônia anidra", posto que somente nestes casos restou comprovado que eram insumos industriais. CRÉDITOS INTEGRAIS. COMPRAS COM SUSPENSÃO DE BENS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. Nos termos dos artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04, não davam direito a créditos integrais, porém presumidos, as compras de produtos de origem animal e vegetal beneficiadas com suspensão. CRÉDITOS. INSUMOS. REPALETIZAÇÃO E REFORMA DE PALLETS, SERVIÇOS DE APLICAÇÃO DE STRECHT Os pallets e o strecht (filme plástico que envolve o pallet) são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos. Da mesma forma, devem ser considerados como insumos os serviços de repalletização e reforma de pallets e os de aplicação do strecht. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE CARGA E DESCARGA "TRANSBORDO" Devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, por serem gastos conexos aos de frete e armazenagem, que são expressamente autorizados pelos incisos II e IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos os créditos, quando o contribuinte não apresenta comprovação de que relacionavam-se com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS E PRODUTOS DECORRENTES DE EXIGÊNCIAS LEGAIS Os serviços e produtos adquiridos para utilização nos setores industriais, em razão de exigências legais, porém cujo objetivo maior era o de preservar a qualidade do alimento, devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, na qualidade de insumos. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULO DE CARGA Não devem ser admitidos, por não terem sido abrangidos pelos incisos IV dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITOS. FRETES E ARMAZENAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos, por não ter sido comprovado que foram incorridos em operações de venda (incisos IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 8° DA LEI 10.925/04 A alíquota do crédito presumido deve ser determinada com base na posição NCM dos produtos finais nos quais os insumos foram aplicados. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 33 DA LEI 12.058/09 Somente podem ser calculados créditos presumidos sobre insumos aplicados em processo industrial. O benefício não se aplica a mercadorias adquiridas para revenda. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 34 DA LEI 12.058/09 A recorrente não fazia jus ao crédito, pois enquadrava-se na exceção à regra, prevista no § 1° do art. 34 da Lei n° 12.058/09, qual seja, industrializava os produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE CRÉDITOS ESCRITURAIS A decisão vinculante do STJ, que determina o cômputo de juros, não se aplica ao caso, pois não houve qualquer "ato estatal, administrativo ou normativo" que tenha oposto qualquer óbice `a aplicação do regime da não cumulatividade. MATÉRIAS NÃO INTEGRANTES DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO Não devem ser conhecidos os argumentos atinentes à inaplicabilidade de multa de mora e juros sobre débitos considerados como não liquidados, em razão de não homologação de DCOMP, e à suposta dupla punição do mesmo fato, em razão de cobranças de multa de mora e multa isolada, por não serem integrantes da lide. DILIGÊNCIA. PEDIDO NEGADO Deve ser negado o pedido de diligência, uma vez que os autos contêm os elementos necessários à formação da convicção do julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte
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FALTA DE MOTIVAÇÃO Deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que o despacho decisório foi devidamente fundamentado em documentos carreados aos autos e na legislação aplicável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITOS. INSUMOS. "GÁS GLP CILINDRO P20". COMBUSTÍVEL PARA EMPILHADEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não deve ser admitido o crédito, quando o contribuinte alega que foi aplicado em empilhadeira, porém não prova que este bem integra o ativo imobilizado. BENS PARA REVENDA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NO DACON Os incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 admitem créditos sobre bens adquiridos para revenda. Assim, devem ser admitidos créditos sobre as aquisições cujos CFOP indicavam tratarse de "compras para comercialização", exceto às de "Gás GLP Cilindro P20", tratado em tópico específico, e as tributadas à alíquota zero. O fato de terem sido erroneamente classificados no DACON em linha destinada a insumos não tem o condão de impedir a tomada do crédito autorizada em lei. CRÉDITOS. INSUMOS. PALLETS Os pallets são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrandose no conceito de insumos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 13 60 /2 01 1- 37 Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.096 2 CRÉDITOS. INSUMOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO Deve ser reconhecido o crédito calculado sobre "Dedo de Borracha A 50", indicado no Laudo Técnico como componente de depenadeiras. Não devem ser admitidos os créditos calculados sobre os demais itens, pois o contribuinte não apresentou comprovação de que relacionavamse com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. GÁS ARGÔNIO, DICOFLENACO SÓDICO INJETÁVEL, PLASMA SANGUÍNEO ULTRAFILTRADO, GRILLER, AMÔNIA ANIDRA E DESINFETANTE ORTOZOOL Admitese na base de cálculo dos créditos apenas as compras de "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo" e "amônia anidra", posto que somente nestes casos restou comprovado que eram insumos industriais. CRÉDITOS INTEGRAIS. COMPRAS COM SUSPENSÃO DE BENS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. Nos termos dos artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04, não davam direito a créditos integrais, porém presumidos, as compras de produtos de origem animal e vegetal beneficiadas com suspensão. CRÉDITOS. INSUMOS. REPALETIZAÇÃO E REFORMA DE PALLETS, SERVIÇOS DE APLICAÇÃO DE STRECHT Os pallets e o strecht (filme plástico que envolve o pallet) são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrandose no conceito de insumos. Da mesma forma, devem ser considerados como insumos os serviços de repalletização e reforma de pallets e os de aplicação do strecht. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE CARGA E DESCARGA "TRANSBORDO" Devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, por serem gastos conexos aos de frete e armazenagem, que são expressamente autorizados pelos incisos II e IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos os créditos, quando o contribuinte não apresenta comprovação de que relacionavamse com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS E PRODUTOS DECORRENTES DE EXIGÊNCIAS LEGAIS Os serviços e produtos adquiridos para utilização nos setores industriais, em razão de exigências legais, porém cujo objetivo maior era o de preservar a qualidade do alimento, devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, na qualidade de insumos. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULO DE CARGA Não devem ser admitidos, por não terem sido abrangidos pelos incisos IV dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.097 3 CRÉDITOS. FRETES E ARMAZENAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos, por não ter sido comprovado que foram incorridos em operações de venda (incisos IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 8° DA LEI 10.925/04 A alíquota do crédito presumido deve ser determinada com base na posição NCM dos produtos finais nos quais os insumos foram aplicados. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 33 DA LEI 12.058/09 Somente podem ser calculados créditos presumidos sobre insumos aplicados em processo industrial. O benefício não se aplica a mercadorias adquiridas para revenda. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 34 DA LEI 12.058/09 A recorrente não fazia jus ao crédito, pois enquadravase na exceção à regra, prevista no § 1° do art. 34 da Lei n° 12.058/09, qual seja, industrializava os produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE CRÉDITOS ESCRITURAIS A decisão vinculante do STJ, que determina o cômputo de juros, não se aplica ao caso, pois não houve qualquer "ato estatal, administrativo ou normativo" que tenha oposto qualquer óbice `a aplicação do regime da não cumulatividade. MATÉRIAS NÃO INTEGRANTES DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO Não devem ser conhecidos os argumentos atinentes à inaplicabilidade de multa de mora e juros sobre débitos considerados como não liquidados, em razão de não homologação de DCOMP, e à suposta dupla punição do mesmo fato, em razão de cobranças de multa de mora e multa isolada, por não serem integrantes da lide. DILIGÊNCIA. PEDIDO NEGADO Deve ser negado o pedido de diligência, uma vez que os autos contêm os elementos necessários à formação da convicção do julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade e no mérito: (i) por maioria de votos, negar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre o "Gás Gás GLP Cilindro P 20", vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (ii) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade de créditos relativos aos bens adquiridos para revenda, sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, exceto quanto àqueles cuja compra foi realizada com alíquota zero e ao "Gás Gás GLP Cilindro P 20"; (iii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, no que concerne aos créditos sobre as compras de pallets; (iv) quanto a "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes", por maioria de votos, Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.098 4 dar provimento parcial, para reconhecer os créditos sobre "dedo de borracha A 50", vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões, Valcir Gassen e José Henrique Mauri, que davam provimento também aos créditos sobre óleos de Manona WS786, óleo hydrodrive HP 68 Houghton, óleo diesel aditivado e Acomplamento de Borracha; (v) por unanimidade de votos, dar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e "amônia anidra" e, por maioria de votos, negar provimento aos demais itens, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões e Valcir Gassen que concediam também para o "gás argônio"; (vi) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos integrais dos produtos listados na planilha "SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória", e, por maioria de votos, conceder o crédito presumido admitido pelo art. 8° da Lei n° 10.925/04, vencido o Conselheiro Antonio; (vii) por unanimidade de votos, dar provimento, reconhecendo os créditos relativos aos serviços de repaletização, reforma de pallets, aplicação de strecht e carga e descarga (transbordo) e, por maioria de votos, negar os referentes aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (viii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo os créditos relativos aos "serviços e produtos decorrentes de exigências legais", excetuados os tributados à alíquota zero; (ix) por maioria de votos, negar provimento ao crédito relativo ao aluguel de empilhadeiras e caminhões munck, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (x) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos sobre despesas com armazenagem e fretes; (xi) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo que o percentual a ser aplicado sobre a alíquota da contribuição, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado de acordo com a posição da TIPI do produto em que o insumo foi aplicado; (xii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 33 da Lei n. 12.058/09; (xiii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 34 da Lei n. 12.058/2009; (xiv) por unanimidade de votos, negar provimento à incidência de juros SELIC sobre os créditos escriturais; (xv) por unanimidade de votos, não conhecer dos demais argumentos apresentados pela Recorrente, por não integrarem o presente litígio; (xvi) por unanimidade de votos, negar provimento ao pedido de realização de diligência ou perícia. José Henrique Mauri Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri, Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva. Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.099 5 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativa – PER/DCOMP nº 33095.03241.290110.1.5.118548, transmitido em 29/01/2010 vinculados à receita não tributada no mercado interno, apurados no 4º trimestrecalendário de 2009, no valor de R$ 21.293.314,17. Do Despacho Decisório O Pedido de Ressarcimento foi indeferido e a compensação nº 11987.49467.301213.1.3.225095 não homologada. Tendo em vista a ocorrência de declarações de compensação não homologadas e transmitidas na vigência da Lei nº 12.249/2010, foi lavrado auto de infração para exigência de multa isolada correspondente, tratado no processo nº 11516.722509/201427. Por conta das glosas efetuadas, foram alterados os valores utilizados para desconto dos débitos informados em Dacon, sendo consumidos todos os créditos disponíveis e restando saldo a pagar o qual foi lançado através do auto de infração, tratado no processo nº 11516.722481/201428. No relatório fiscal, a autoridade fiscal informa: os processos nºs 11516.722481/201428, 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/2011 91, 10983.911360/201137, tratam da mesma matéria fática, divididos apenas por razões processuais em processos de ressarcimento e processos de auto de infração de cada trimestre, e que, portanto, devem ser analisados em conjunto, por trimestre; os autos de infração para exigência de multa isolada devida pela não homologação das compensações, foram tratados nos processos números 11516.722503/201450, 11516.722502/201413, 11516.722510/2014 51, 11516.722509/201427. Após descrever o procedimento fiscal, passa a identificar as glosas realizadas conforme as linhas do Dacon, como segue. 1. Ficha 16A do Dacon Aquisições no Mercado Interno Da base de cálculo dos créditos apurados em Dacon, Ficha 16A –, foram glosados os valores que seguem: 1.1. Linha 01 – Bens para Revenda Foram glosados: 1.1.1. os valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero, listadas na planilha NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero; Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.100 6 1.1.2. os valores dos bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, listados na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos. 1.2. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Da linha 02 foram glosados os valores referentes a: 1.2.1. aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, listados na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos; 1.2.2. aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero; 1.2.3. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito; 1.2.4. notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória; 1.2.5. notas fiscais de aquisição de serviços de fretes e carretos lançados na Linha 2 do Dacon sem a identificação e CNPJ do fornecedor ou prestador dos serviços; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha SEM Identificação Notas Fiscais Glosadas sem identificação do Fornecedor. 1.3. Linha 03 Serviços Utilizados como Insumo 1.3.1. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito; 1.3.2. aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, tais como SERVICO MANUTENCAO EQUIP INFORMATICA, SERVICO LIMPEZA GERAL EM INSTALACOES, SERVICO TREINAMENTO e SERVICO DE COPIA E IMPRESSÃO; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos. 1.4. Linha 05 – Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica Foram glosadas as diferenças entre os valores informados no Dacon e os valores comprovados por meio da memória de cálculo apresentada pela contribuinte. Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.101 7 1.5. Linha 06 – Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica Foram glosadas: 1.5.1. as diferenças entre os valores informados no Dacon e os valores comprovados por meio da memória de cálculo apresentada pela contribuinte; 1.5.2. os valores relativos a ALUGUEIS DE VEICULOS, ALUGUEL PALCO EVENTOS E SERVIÇO DE LOCAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SOFTWARE, estes, por não se enquadram no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, que somente contempla “aluguéis de máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos. 1.6. Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Foram glosadas: 1.6.1. as despesas com fretes em relação aos quais a interessada, apesar de intimada e reintimada para tanto, não logrou apresentar a vinculação com as vendas efetuadas, de modo a possibilitar a confirmação das exigências legais para o creditamento. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na FVNC Fretes de Vendas Não Comprovados; 1.6.2. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito. 2. Ficha 16A – CRÉDITOS PRESUMIDOS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS Linha 25 – Calculados sobre Insumos de Origem Animal Linha 26 – Calculados sobre Insumos de Origem Vegetal A autoridade fiscal relata que a contribuinte lançou nas linhas 25, 26 e 27 (Ajustes Positivos de Crédito) o crédito presumido de sua atividade agroindustrial Lei nº 10.925/2004 e nº Lei 12.058/2009 , conforme resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 001/00555 (fls. 525), presente neste processo a fls. 562 e seguintes, e informa que, dos dados apresentados nas planilhas citadas no item b da referida intimação (planilha com a composição dos valores informados na linha 27 das fichas 06A e 16A ), verificase que, apesar de citar os artigos 32 e 33, a contribuinte apurou na linha 27 apenas os créditos previstos no art. 34 da lei 12.058/2009. Traz em seu relatório a listagem dos insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido da Lei nº 10.925/2004 e da nº Lei 12.058/2009 que sofreram alteração de alíquotas e glosa, totalizados por descrição em cada mês e informa que as notas fiscais cujos valores foram glosados estão devidamente individualizadas no arquivo não paginável denominado CREDITO PRESUMIDOdetalheBRF200904trim.xlsx anexado a este processo. Informa que foram realizados os seguintes ajuste: Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.102 8 a) glosa das operações que não configuram aquisições de insumos com qualquer crédito presumido. Nesta categoria se incluem aquisições de produtos industrializados, aquisições de quaisquer bens para revenda ou aquisições para entrega futura. Estas situações estão corrigidas para alíquota zero de crédito presumido nas listagens anexas e nos resumos acima; b) as aquisições de bens de origem vegetal ou animal, mas não classificadas nas posições da NCM listadas no art. 8º da Lei 10.925/2004, enquadrados, portanto, no §3º, inc III do citado artigo, tiveram a alíquota corrigida para 2,66% para a Cofins e 0,5775% para o PIS/Pasep; c) as aquisições de soja e seus derivados, enquadradas na Lei 10.925/2004, art. 8º, §3º, inc. II e aquisições de bovinos vivos da posição 01.02 da NCM, enquadradas na Lei nº 12.058/2009, art. 33, §3º, tiveram a alíquota corrigida para 3,8% para a Cofins e 0,825% para o PIS/Pasep; d) as aquisições de bens de origem animal, enquadradas na Lei 10.925/2004, art. 8º, §3º, inc. I, que embora estivessem com a alíquota correta, 4,56% para a Cofins e 0,99% para o PIS/Pasep, tiveram os valores de crédito corrigidos porque o valor constante da planilha do contribuinte não correspondia à multiplicação da alíquota pela base de cálculo; e) os valores informados na linha 27 (Ajuste Positivos de Créditos) foram glosados porque a empresa não faz jus ao crédito presumido do art. 34 da Lei nº 12.058/2009, tendo em vista o § 1º daquele artigo 3. Ficha 16B Aquisições de Insumos no Mercado Externo 3.1. Linha 01 – Bens para Revenda Foram glosados os valores das aquisições de bens cujo CFOP não representa aquisição de insumos. 3.2. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Foram glosados os valores referentes a: 3.2.1. Aquisições de bens cujo CFOP não representa aquisição de insumos; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito 3.2.2. Aquisições de bens sujeitos à alíquota zero da contribuição; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero. Da manifestação de inconformidade Inicialmente, a recorrente requer a reunião do presente processo aos processos nºs 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/201191, 11516.722502/201413, 11516.722503/201450, 11516.722509/201427, 11516.722510/2014 51 e 11516.722481/201428. Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.103 9 Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando, em síntese, cerceamento do direito de defesa e ofensa ao princípio da motivação ante a “fundamentação precária do despacho decisório”. Reclama que a fiscalização indicou o motivo das glosas através de siglas, “igualmente repetidas para cada item” e que não é “razoável” que esta se limite a justificar sua glosa alegando tão somente que os mesmos não se enquadram na definição de "insumos" trazida pela IN SRF nº 404/04, sem tecer quaisquer considerações sobre o processo produtivo da empresa. Nesse sentido, defende, em síntese, que cabia ao fisco “ter aprofundado a análise do emprego do insumo no processo produtivo da requerente” e dizer o motivo de cada glosa indicada na listagem de glosas. A fim de afastar o conceito de insumo adotado pela Fiscalização, e defender que a palavra "insumo", empregada pelas Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, possui abrangência muito maior do que pretende lhe dar a RFB, nas Instruções Normativas SRF nº 247, de 11/11/2002, e nº 404, de 12/3/2004, tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo aplicável ao caso, à luz da interpretação que faz da legislação, da jurisprudência e da doutrina. Conclui, então, que o conceito de insumos empregado pelas referidas lei é amplo, “alcançando todos os custos, despesas e encargos vinculados ao produto vendido, ainda que incorridos após a fase de produção, mas que com ele se relacionem, e não apenas aqueles previstos nos atos fazendários”. Traz a descrição das atividades produtivas da empresa e, na sequência, passa a discorrer especificamente sobre cada tipo de glosa. Bens adquiridos para revenda Em relação às glosas das aquisições de Bens adquiridos para revenda, aduz que a fiscalização equivocouse ao glosar créditos apurados nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833/03 sob o fundamento de que os itens considerados na base de cálculo “não estariam enquadrados no conceito de insumo contido na IN SRF n. 404/04”. Diz que a fiscalização confundiu os incisos I e II do art. 3º e alega que a tomada de créditos nos termos do inciso I exige tão somente que os bens sejam adquiridos para posterior revenda, não havendo qualquer vinculação da tomada do crédito com o conceito de insumo. Bens e serviços utilizados como insumo Inicialmente a Recorrente menciona que ficou demonstrado que a ausência de uma investigação mais aprofundada dos fatos, aliada à equivocada fundamentação jurídica, levou a fiscalização a glosar indevidamente diversos itens usados diretamente na produção, muitos deles podendo ser classificados, inclusive, como matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem. Em relação aos itens glosados por não consistirem de insumos, diz que “não irá proceder a uma justificação individuada de cada um deles”, que se aterá a “fazer observações adicionais pontuais, sobre alguns dos mais relevantes”. Assim segue. Em relação aos Pallets, explica que são utilizados em diversas etapas do processo produtivo, uma vez que Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.104 10 (...) são usados na própria industrialização, para a movimentação das matériasprimas e dos produtos em fase de industrialização, evitando seu contato direto com o solo, diminuindo o risco de contaminação. Os pallets também garantem a segurança na movimentação das cargas, permitem a mecanização e levantamento dos produtos e cargas nele transportados, mas, principalmente, possibilita a unitização de todo um quantitativo de produtos e de matérias primas entre fornecedores e a requerente e entre as diversas etapas da produção. Menciona que a jurisprudência do CARF reconhece o direito ao crédito quanto aos pallets, na qualidade de insumo. No título Serviços utilizados como insumo, a interessada defende que dão direito ao crédito os serviços relacionados com a movimentação dos produtos e matérias primas nas diversas etapas da produção, os quais foram glosados; cita como exemplo: serviços de repaletização e reforma de pallets; serviços de aplicação de strecht nos pallets; serviços de carga e descarga; serviços de montagem dos equipamentos usados na produção; bem como os serviços de manutenção dos mesmos, dentre outros. Também defende o direito ao crédito em relação aos custos com serviços de transporte de matériasprimas e de produtos adquiridos como insumos, bem como seu transporte do fornecedor até à empresa e seu deslocamento durante a fase de produção alegando que o CARF os reconhece como custo de produção. No título Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes defende o crédito em relação as despesas com a aquisição de peças de reposição de máquinas e equipamentos, dentre outros instrumentos utilizados na produção, além dos serviços para a sua manutenção e dos combustíveis e lubrificantes necessários ao funcionamento das máquinas e equipamentos, alegando que próprio fisco reconhece que são também passíveis de creditamento; cita a Solução de Consulta nº 9, de 12/01/2012, da 9ª Região Fiscal, Solução de Consulta nº 11, de 27/1/2011, da 8ª Região Fiscal; Solução de Consulta nº 520, de 26/10/2004, da 7ª Região Fiscal; Solução de Divergência COSIT nº 14, de 31/10/2007. A Recorrente defende o direito a crédito em relação “todos os gastos realizados na produção da requerente que sejam decorrentes de exigências legais”. No item Serviços e produtos decorrentes de exigências legais, alega, em síntese, que existem normas do Poder Público que impõe procedimentos de higiene dentro da área fabril, bem como a utilização de equipamentos de proteção individual e também o controle e manutenção da segurança sanitária, cujo descumprimento ensejaria a “inviabilização da própria atividade, não estando a critério da requerente furtarse ou não a estes gastos”. Defende o crédito em relação: aos serviços aplicados e à aquisição de produtos utilizados na higienização das dependências do setor fabril, das máquinas da produção e do pessoal que lá trabalha; à aquisição de uniformes e equipamentos de proteção individual; aos serviços de análises físicoquímicas e laboratoriais. No mesmo tópico defende o crédito em relação às aquisições de: “Equipamentos como facas, brincos de marcação para suínos e produtos químicos usados em diversas etapas da produção são exemplos de exigências das normas reguladoras às quais a requerente não pode deixar de se submeter”; equipamentos usados na atividade, que embora não sejam os de uso ordinário, igualmente devem obedecer as especificações dos órgãos reguladores; carimbos de marcação que seguem os padrões impostos pelo Poder Público. Fl. 2104DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.105 11 Já no tópico Outros itens, a Recorrente diz que “não é possível proceder a uma análise minuciosa, trazendo detalhes de cada item listado pela fiscalização”, mas aduz que “confia que a descrição de suas atividades, em todo seu processo produtivo, permita esclarecer o seu direito ao crédito face à natureza dos bens elencados nos autos” Hipótese de bens adquiridos com suspensão Em relação às aos bens adquiridos com suspensão, a interessada alega que a fiscalização equivocouse ao realizar as glosas dos itens listados, isto porque, segundo alega, os créditos apurados no período em questão, e glosados pela fiscalização sob a rubrica "bens utilizados como insumos", não são relativos à operações sujeitas à apuração do crédito presumido (art. 8o da Lei n. 10925/04) nem, tampouco, à suspensão (art. 9o da referida lei). Crédito presumido da agroindústria No que se refere ao crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei n° 10.925/2004, a interessada alega que o método para o cálculo do crédito presumido, conforme seu parágrafo 3º, está vinculado à natureza do produto desenvolvido pela empresa adquirente do insumo e titular do direito de crédito. Afirma que o parágrafo 10, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, incluído pela Lei nº 2.865/2013, confirma exatamente a interpretação que sustenta. E acrescenta que é esse o entendimento adotado pelo CARF. Quanto ao crédito presumido previsto no art. 33 da Lei n. 12.058/2009, alega que o entendimento da Autoridade Fiscal de que as aquisições para revenda não geram esse tipo crédito não seria a interpretação correta do dispositivo. Afirma que, na redação vigente à época dos fatos, não há qualquer restrição para apuração do crédito presumido sobre a revenda; defende que para a apuração do referido crédito presumido exigiase: (i) ser pessoa jurídica que produza mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM; (ii) que as mercadorias fossem destinadas à exportação; (iii) que os créditos presumidos fossem apurados sobre as aquisições de bens classificados na posição 01.02 da NCM; e (iv) que tais bens fossem adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Acrescenta que, ademais, que no seu caso, não há simples revenda de mercadorias ao exterior. Pois os produtos classificados na posição 01.02 da NCM ("BOI VIVO") foram transformados em outros produtos derivados, tais como cortes in natura, sebo, aproveitamento de couro, dentre outros, devidamente destinados à exportação. Por fim, em relação aos créditos presumidos previstos no art. 34 da Lei nº 10.925/2004, diz que não merece prosperar o entendimento da fiscalização de que a requerente estaria enquadrada na hipótese de vedação do parágrafo 1º do referido dispositivo, eis que, supostamente, ela industrializaria apenas bovinos vivos das posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. Nesse sentido alega: que industrializa outros produtos além daqueles descritos no parágrafo 1º do art. 34; que a apuração do crédito presumido nos termos acima é realizada pela requerente apenas nas hipóteses de aquisição de cortes e carcaças (classificados nos códigos 0201 e 0202 da NCM), nos exatos termos exigidos no caput do art. 34, empregados em outros produtos que não aqueles listados nas 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM, tais como os produtos classificados nos códigos 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 e 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24, 41.04.41.30 da NCM. Despesas de aluguel com máquinas e equipamentos Fl. 2105DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.106 12 Contra à glosa dos alugueis de veículos a Interessada alega que os chamados "Caminhões Munck" ou "guindautos", não são somente veículos, mas máquinas com um guindaste acoplado utilizadas para movimentar os animais e os materiais essenciais ao processo produtivo da requerente, sendo sua semelhança com um veículo tão somente funcional, qual seja, a capacidade de locomoção. E que o aluguel desses e de empilhadeiras elétricas e outros equipamentos utilizados nas atividades da requerente, está em estrita observância ao disposto no inciso IV, do art. 3º, da Lei n. 10833/2003; cita: "ALUGUEL EMPILHADEIRA ELÉTRICA" e ALUGUEL VEICULO CARGA", dentre outros. Despesas com armazenagem e frete nas operações de venda A Recorrente inicialmente aponta a precariedade do trabalho fiscal que glosou todos os gastos com serviços de frete, limitandose a alegar a ausência de vinculação entre as notas fiscais de venda e o conhecimento de transporte, quando, segundo alega, restou comprovado, pelos arquivos apresentados pela requerente no curso do procedimento fiscal, que efetivamente ocorreram dispêndios desta natureza geradores de crédito. Reclama que a alegação da Fiscalização foi no sentido de que não seria possível afirmar que os fretes em questão seriam efetivamente relacionados à venda de mercadorias. Mas que, além dos fretes de venda, tem direito a crédito em relação a fretes na aquisição de insumo e fretes de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da requerente. Aduz que apesar de restar consignado na informação fiscal que "não foram alterados os valores relativos à armazenagem", verificouse, pela análise das planilhas apresentadas pela fiscalização, glosas relativas a despesas incorridas a tal título. Defende, assim, que são indevidas as seguintes glosas: "SERVIÇO ARMAZENAGEM" (código do produto 808592), lançados na linha 7 do DACON ("despesas de armazenagem e fretes na operação de venda"); bem como, "MOVIMENTAÇÃO SEPARAÇÃO MERCADORIA SADIA" (código do produto 920999); "SERVIÇO CARGA E DESCARGA (TRANSBORDO)" (código do produto 810135); "SERVIÇO DE APLICAÇÃO DE STRECH PALLET" (código do produto 918832); "SERVIÇO DE OPERADOR LOGÍSTICO" (código do produto 928863), lançados de forma equivocada nas linhas 2 e 3 do DACON; dentre outros. Direito à atualização do crédito postulado pela SELIC Com fundamento em julgados do STJ, a interessada defende que faz jus à atualização do crédito postulado, mediante remuneração pela taxa Selic. Inaplicabilidade da multa sobre os débitos compensados A contribuinte alega que, ainda que se entendesse pela inexistência do direito creditório, nestas situações sobre as quais o fisco já se pronunciou favoravelmente ao creditamento – através de soluções de consulta ou de divergência, tal como das despesas relativas a fretes, peças de reposição de máquinas e equipamentos, dentre outros instrumentos utilizados na produção, além dos serviços para a sua manutenção e dos combustíveis e lubrificantes necessários ao funcionamento das máquinas e equipamentos não poderia ser cobrada com acréscimos legais atinentes a juros e multa em virtude da não homologação das compensações de débitos com aqueles créditos e nem ser aplicada a multa isolada. Aduz que agiu em cumprimento a essas práticas reiteradas, que são verdadeiras normas complementares Fl. 2106DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.107 13 das leis tributárias, descabendo, neste caso, a imposição de penalidades e a cobrança de juros, nos termos do art. 100, inciso III, e parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Diante dos argumentos expendidos, a interessa requer que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade, para o fim de que seja reformado o despacho decisório com o deferimento do pedido de ressarcimento formulado e a homologação das compensações vinculadas. Protesta por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a realização de diligências, perícia e a juntada de documentos. É o relatório." A DRJ em Florianópolis (SC) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0736.508 foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. Por expressa previsão legal, não cabe atualização monetária ou incidência de juros sobre o crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, passível de utilização através de desconto, compensação ou ressarcimento. "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADE/ CERCEAMENTO DE DEFESA Respeitados pela Administração Fazendária os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, é improcedente é alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. MATÉRIA INCONTESTE. O julgador administrativo é impedido de manifestarse em relação a matéria contra a qual o contribuinte não se manifestou Fl. 2107DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.108 14 expressamente, pelo que se reputa definitivo, na esfera administrativa, a glosa de crédito na parte relacionada a tal matéria. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões judiciais prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. E as decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, igualmente se aplicam inter partes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS PAR REPOSIÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. As partes e peças de reposição aplicadas em máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Cofins, desde que as máquinas e equipamentos em que foram utilizadas sejam diretamente utilizados no processo produtivo do bem destinado à venda e desde que não repercutam em aumento, superior a um ano, de vida útil do bem. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. Fl. 2108DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.109 15 No regime não cumulativo da Cofins ss aquisições de combustíveis e lubrificantes geram crédito desde que tais produtos sejam diretamente utilizados nas máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da empresa. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Cofins, entretanto, desde que as máquinas e equipamentos em que são aplicados sejam diretamente utilizados no processo produtivo do bem destinado à venda. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO INSUMO COM SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado que a venda Leite in Natura e outros produtos agropecuários ocorreu com o benefício da suspensão da Cofins, prevista no art. 9º da nº10.925/2004, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUEIS DE VEÍCULO. CRÉDITO INEXISTENTE. A hipótese de crédito prevista no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, somente contempla alugueis “prédios, máquinas e equipamentos”, não se aplicando a alugueis “veículos”. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Fl. 2109DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.110 16 Nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, caput e § 1º, em sua redação original, a pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real fazia jus a créditos presumidos da Cofins referentes às mercadorias adquiridas no mercado interno com a suspensão prevista no inciso II do art. 32, da mesma lei, e destinadas à revenda ou industrialização, desde que as receitas das vendas desses bens ou das vendas das mercadorias produzidas a partir deles não se sujeitassem a esta mesma suspensão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, basicamente, repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarazões, por meio das quais pretendeu robustecer os argumentos da fiscalização e da DRJ e requereu que seja negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 2110DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.111 17 Voto O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Foi emitido Despacho Decisório (fls. 1.089 a 1.090), instruído por relatório titulado "Informação Fiscal" (fls. 1.041 a 1.088), por meio do qual foi indeferido o Pedido de Ressarcimento (PER) nº 33095.03241.290110.1.5.118548, no montante de R$ 21.293.314,17, em razão de glosa de créditos da Contribuição para o COFINS, vinculados `a receita de exportação do 4° trimestre de 2009. Outrossim, não foi homologado o Pedido de Compensação n° 11987.49467.301213.1.3.115095 (DCOMP fl. 1.041) no total de R$ 19.200.000,00, que redundou na lavratura de auto de infração para a cobrança de multa isolada, tratado no processo n° 11516.722509/201427, que encontrase na pauta para julgamento nesta reunião. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1.102 a 1.166), julgada integralmente improcedente pela DRJ em Florianópolis (SC). Apresentou, então, recurso voluntário (fls. 1.279 a 1.402), essencialmente, com os mesmos argumentos. Enfrento a preliminar. Em seguida, apresento o conceito de insumos que adoto e os dispositivos das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Então, a partir de cada um dos tópicos da "Informação Fiscal", analiso os correspondentes argumentos de defesa. I) PRELIMINAR: "A NULIDADE DO TRABALHO FISCAL DECORRENTE DE INVESTIGAÇÃO INSUFICIENTE DOS FATOS QUE ENSEJARAM AS GLOSAS REALIZADAS" A recorrente alega que o auto de infração não foi devidamente motivado, pelo que deveria ser considerado nulo, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Em suma, a fiscalização não teria apresentado os motivos pelos quais teria glosado os créditos, limitandose a tecer alegações genéricas, o que teria impossibilitado o pleno exercício do direito de defesa. Transcrevo trechos da preliminar: Fl. 2111DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.112 18 Ao compulsar os autos, ao contrário do que foi alegado pela recorrente, encontrei trabalho detalhado e adequadamente suportado. Fl. 2112DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.113 19 Com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte, a fiscalização revisou o processo produtivo. E, à luz da legislação aplicável, listou uma séria de bens e serviços que, em seu entender, não davam direito a créditos e apontou os motivos correspondentes, tais como: por não se incluírem no conceito de insumos; cuja compra conferia direito a crédito presumido e não integral; ou cuja compra fora beneficiada com alíquota zero. Todas as compras de bens e serviços foram pormenorizadamente identificadas (nota fiscal, lançamento no Livro Registro de Entradas, ficha e linha do DACON), para fins da realização do exame de legitimidade. E as inadmitidas nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS foram incluídas, individualmente, em planilhas, por meio das quais encontrase o total glosado. Não resta dúvida, portanto, que o contribuinte dispunha de todos os elementos necessários ao pleno exercício dos direitos à ampla defesa e contraditório. Uma vez verificado que o auto de infração foi devidamente motivado e que foram cumpridos os requisitos previstos nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, nego provimento à preliminar de nulidade. II) MÉRITO II a) CONCEITO DE INSUMOS Inicio, trazendo o conceito de insumos que adoto e instrui os votos que profiro sobre o tema. Extraio trecho do Acórdão n° 3301002.966, de 17/05/2016, que é de minha autoria e, por mero acaso, referese a processo no qual o contribuinte em questão também estava envolvido: (. . .) Sob o regime da não cumulatividade, é admitido o cálculo e registro de créditos de PIS e COFINS sobre aquisição de bens e custos e despesas, a serem abatidos das contribuições devidas sobre vendas. O art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 dispõe sobre diversos tipos de crédito. Listo alguns, próprios de empresas industriais, como a Recorrente: Lei n° 10.833/03 'Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e Fl. 2113DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.114 20 b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (. . .) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (. . .) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; (. . .) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (. . .) § 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (. . .)' Sobre o conceito de insumos, de suma importância para o processo em comento, transcrevo o § 4° do art. 8° da IN SRF n° 404/04: '(. . .) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (grifo nosso) Fl. 2114DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.115 21 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.' O conceito de insumos ainda não está pacificado no âmbito do CARF e dos tribunais. Em decisão recente e muito importante, o Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.246.317/MG, publicado em 29/06/2015) adotou um conceito de insumos mais amplo do que o da IN SRF n° 404/04, acima transcrita: '(. . .) Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n.10.637/2002, e art.3º, II, da Lei n. 10.833/2003, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (. . .)' Enquanto a IN SRF n° 404/04 limita o conceito de insumos a elementos aplicados diretamente no processo de produção ou prestação do serviço, o STJ ampliou. Podem ser considerados como tal os que forem imprescindíveis para a consecução do objetivo final. Ainda mais amplo é conceito de insumos do Dr. Marco Aurélio Greco, para o qual é possível calcular créditos de PIS e COFINS sobre todo o custo ou despesa que contribuir para a formação da receita: 'Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS, a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’ e não ‘produto’.' (MARCO AURELIO GRECCO “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen, São Paulo: IOB Thomsom, 2004) Por fim, em uma posição intermediária entre o entendimento do STJ e o do Dr. Marco Aurélio Greco, há o do Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, aposto no Fl. 2115DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.116 22 Acórdão 9303003.079, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em sessão do dia 13/08/04: 'Por conseguinte, em face de todo o exposto, entendemos que a linha mestra de interpretação quanto às despesas que geram créditos de PIS e COFINS só pode ser uma: se o legislador quis alcançar todas as receitas, justo que todas as despesas incorridas para gerar tais receitas devem ser passíveis de creditamento, observadas as limitações postas pela própria lei. Não cabe ao intérprete, assim, impor limites além do que a lei já o fez. (...) Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo.' Entendo que o conceito de insumos trazido pela IN SRF n° 404/04, que assemelhase ao do IPI, é demasiadamente restrito e sua aplicação severa muitas vezes afronta a sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Também considero inapropriado que qualquer despesa ou custo possa gerar crédito, não obstante o fato de serem indiretamente computadas no preço final do produto, pois, do contrário, nenhum negócio seria econômica e financeiramente viável. E, se são computadas no preço de venda, naturalmente, sofrem incidência das contribuições. Se as leis de regência falam em processo fabril e de prestação de serviços, estabelecem, ainda que de forma precária, as áreas da empresa, cujos bens, custos e despesas podem gerar créditos. Assim, não podemos cogitar a possibilidade de calcular créditos, por exemplo, sobre despesas com material de escritório incorridas pelas gerências financeira e contábil de uma fábrica de sapatos ou de uma prestadora de serviços técnicos de engenharia. Em suma, repisando as palavras do Conselheiro Rodrigo C. Miranda e trecho da citada decisão do STJ, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, considero como insumo '(. . .) todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo (. . .)' e '(. . .) cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.'" Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.117 23 II b) "FICHA 6A LINHA 01 BENS PARA REVENDA" A fiscalização glosou créditos de COFINS, calculados sobre compras de mercadorias classificadas na Ficha 6A Linha 01 Bens para Revenda do DACON, sob duas alegações: a compra fora tributada à alíquota zero; ou o bem não se enquadrava no conceito de insumo. A fiscalização cometeu uma falha, consignada na "Informação Fiscal", apontada pela recorrente em suas peças de defesa e também reconhecida pela DRJ: glosou valor classificado no DACON como "bens para revenda", alegando não se tratarem de "insumos". Contudo, veremos adiante que este lapso não implicou em prejuízo à construção da defesa, não tendo sido levantado pelo contribuinte qualquer argumento sobre possível nulidade do ato de glosa. Os valores glosados foram indicados nas seguintes planilhas preparadas pela fiscalização (nos autos, arquivos não pagináveis): a) "NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota Zero". b) "NI Notas Fiscais Glosadas que não representam aquisição de insumos". As glosas relativas a compras de produtos tributados à alíquota zero não forma contestadas. Quanto à planilha "NI", relativamente à "Ficha 6A Linha 01 Bens para Revenda" do DACON, verificase que houve tão somente uma glosa: compra de "Gás GLP Cilindro P20", em cuja nota fiscal constava o Código Fiscal de Operações (CFOP) 1102, concernente a "compras para comercialização". A DRJ ratificou o procedimento adotado pela fiscalização, pelo simples fato de que a recorrente não tinha em seu rol de atividades o da revenda de gás GLP. Foi apenas no recurso voluntário que a recorrente trouxe informações específicas sobre o produto. Afirma que era combustível para empilhadeiras utilizadas no setor de produção. Que classificou incorretamente na linha "bens para revenda" o correto seria na linha de "bens utilizados como insumo". E que era legítimo o crédito de COFINS, pois que tratavase de insumo (inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833/03). Citou ainda as Soluções de Consulta n° 11/11 e 520/04, que corroborariam com o seu entendimento. Concordaria com a recorrente, sem relutar, caso tivesse comprovado que era a proprietária da empilhadeira e que, por conseguinte, integrava o seu ativo imobilizado. Minha conclusão fundase em uma interpretação sistemática do art. 3 ° da Lei n° 10.833/03. O inciso II inclui, expressamente, combustíveis e lubrificantes no conceito de insumos "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (. . .)". O inciso IV admite créditos sobre "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos". Como minha interpretação é a de que a lista de bens, custos e despesas provida pelo art. 3° é taxativa, aluguel de veículos não gera créditos de COFINS. Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.118 24 Por fim, o inciso VI permite o cálculo de créditos sobre bens utilizados na produção, porém desde que sejam de propriedade da pessoa jurídica: "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços." Da análise conjunta dos incisos II, IV e VI, depreendo que os combustíveis e lubrificantes que o inciso II considera como insumo é aquele utilizado nos bens próprios, que são registrados no ativo imobilizado, e nas máquinas e equipamentos alugados. Não encontro sentido em admitir créditos sobre combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos locados, quando o custo com seu aluguel não é permitido. Assim, para que o valor da compra do gás GLP fosse acatado na base de cálculo dos créditos, a recorrente teria de ter apresentado evidências documentais de que as empilhadeiras em que foi aplicado eram de sua propriedade, o que não ocorreu. Agrava ainda mais a situação o fato de que a recorrente efetivamente incorreu em custos com aluguel de empilhadeiras, cujos créditos, inclusive, foram glosados e serão objetos de discussão em tópico seguinte. Com base no acima exposto, nego provimento aos argumentos contidos neste tópico. II c) "FICHA 6A LINHA 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS" Foram efetuadas glosas, em razão dos seguintes argumentos: a) Aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, tais como PALLET, REFEIÇÃO, LANCHE, OUTROS SERVIÇOS, GÁS ARGÔNIO e PLATAFORMA MÓVEL. Cada uma das notas fiscais glosadas encontrase na planilha "NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos". b) Aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de COFINS, que não podem gerar crédito, de acordo com o art. 3º, §2º da Lei n° 10.833/03. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha "NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero". c) Notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito. Cada uma das notas fiscais glosadas está na planilha "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito". d) Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de COFINS. São compras de produtos de origem animal ou vegetal, que dão direito a crédito presumido e não integral, as quais indicadas na planilha "SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória". e) Notas Fiscais de aquisição de serviços de fretes e carretos lançados na Linha 2 do Dacon sem a identificação e CNPJ do fornecedor ou prestador dos serviços. Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.119 25 Inicialmente, pontuo o seguinte: i) as glosas relativas a compras à alíquota zero (letra "b") e de serviços de fretes e carretos (letra "e"), sem identificação e CNPJ do fornecedor, não foram contestadas; e ii) nas planilhas "NI", "NT" e "CFOP", há aquisições de bens para revenda, indevidamente classificadas no DACON na linha destinada a insumos foram indicados nas respectivas notas fiscais os CFOP de "compras para comercialização" 1.102, 1.403 e 2.403. O segundo caso ("ii") citado no parágrafo precedente foi abordado pela recorrente, a qual contestou a glosa, com fundamento no inciso I do art. 3° da Lei n° 10.833/03. Mencionou expressamente compras para revenda de "Batata Palito, Creme de Leite e Guaraná". Sobre o argumento da recorrente, a DRJ limitouse a analisar a compra do "Gás GLP Cilindro P20" e ratificar a glosa. A compra deste produto foi tratada no tópico anterior. O inciso I do art. 3° da Lei n° Lei n° 10.833/03 autoriza o desconto de créditos de COFINS em relação a "bens adquiridos para revenda", exceto os mencionados no inciso III do § 3o do art. 1o e nos §§ 1o e 1oA do art. 2° (alíneas "a" e "b" do inciso II do art. 3°) e os não sujeitos à tributação pelo COFINS (inciso II do § 2° do art. 3°). A recorrente adquiriu produtos de pessoas jurídicas e apontou nas respectivas notas fiscais tratarse de "compra para comercialização" (CFOP 1.102, 1.403 e 2.403). Observase, inclusive, nas cópias dos balancetes (fls. 655 a 1.031), que auferiu receita com revenda de bens. E a classificação fiscal indicada nas notas fiscais não foi contestada pela fiscalização. Assim sendo, acato os créditos das compras de pessoas jurídicas, em cuja nota fiscal restou consignado que era destinada à revenda, isto é, CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, incluídas nas planilhas "NI" e "CFOP", porém com as seguintes ressalvas: i) As compras para comercialização sujeitas à alíquota zero (planilha "NT") não dão direito a créditos, de acordo com o §2º do art. 3ºda Lei nº 10.637/02. ii) A compra do "Gás GLP Cilindro P20", constante na planilha "NI", tratada no tópico anterior ("FICHA 6A BENS PARA REVENDA"). Por terem sido expressamente mencionados no recurso, destaco que admito os créditos sobre "Cremes de Leite" (planilha CFOP). Contudo, não reconheço os relativos aos produtos "Guaraná" e "batata palito". O guaraná consta na planilha "NT" como tributado à alíquota zero e a "batata palito" não foi adquirida sob CFOP de compra para comercialização, porém de "outras entradas" (3.949). Teria a recorrente de ter trazido elementos complementares que provassem que haviam sido realmente adquiridos para revenda. Por fim, registro que reputo irrelevante o fato de ter sido cometido erro na classificação dos valores no DACON indicou as compras para comercialização na linha de Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.120 26 "bens utilizados como insumos" ao invés de na linha "bens para revenda". Esta falha formal não tem o condão de impedir o creditamento autorizado por lei. Com base no acima exposto, dou provimento parcial, reconhecendo a legitimidade de créditos relativos a bens adquiridos para revenda, cuja compra foi efetuada sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, exceto quanto àqueles cuja compra foi realizada com alíquota zero. Passo à análise das demais glosas, listas nas letras "a", "c" e "d" do primeiro parágrafo deste tópico as glosas da letra "b" não foram contestadas. "a) Aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, tais como PALLET, REFEIÇÃO, LANCHE, OUTROS SERVIÇOS, GÁS ARGÔNIO e PLATAFORMA MÓVEL. Cada uma das notas fiscais glosadas encontrase na planilha "NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos." "c) Notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito. Cada uma das notas fiscais glosadas está na planilha 'CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito'." Antes de adentrar na análise de cada um dos subtópicos acima listados, consigno que a recorrente fez em suas peças de defesa detalhada descrição do processo produtivo de cada uma de suas áreas de negócio. E robusteceua, com dois laudos técnicos independentes: o "Relatório explicativo das operações relativas às Linhas de Produção da BRF S.A." (fls. 1.490 a 2.033), preparado pela Tyno Consultoria e validado pela Secretaria de Abastecimento e Agricultura do Estado de São Paulo, que emitiu "Declaração de Validação" (fl. 1.489); e o "Relatório Descritivo Lactalis e a Planilha Itens Lactalis" (fls. 2.035 a 2.094), preparado pela Tyno Consultoria e validado pela Ital (fl. 2.034). A fiscalização glosou créditos oriundos da compra de um grande número de produtos, por entender que não se enquadravam no conceito de insumos e os indicou nas planilhas "NI Notas Fiscais Glosadas que não representam aquisição de insumos" e "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a crédito". A DRJ ratificou a conduta da autuante. Em seu recurso, primeiramente, a recorrente alega, de forma genérica, que todos os produtos listados pelo Fisco são insumos e, assim, poderiam gerar créditos. E, em seguida, apresenta alegações específicas sobre determinadas glosas. Nos termos dos artigos 15 ao 17 do Decreto n° 70.235/72, enfrentarei tão somente os argumentos que disserem respeito a tipos específicos de compras de produtos ou Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.121 27 serviços, cujos créditos de COFINS tenham sido glosados. Além, naturalmente, da Lei n° 10.833/03, apoiarmeei nos citados laudos técnicos. "Pallets" Com fulcro na descrição de seu processo industrial, sustenta a recorrente que os pallets são utilizados nas diversas etapas do processo produtivo, para a movimentação das matériasprimas, produtos intermediários e produtos acabados. Evitam o contato com o solo, diminuindo o risco de contaminação e preservando suas integridade e qualidade. Menciona o Acórdão n° 3403002386, de 25/07/13. De acordo com o laudo técnico, são também utilizados como embalagem de produtos acabados. Em razão do fim a que se destinam, entendo que enquadramse no conceito de insumos, tanto os pallets aplicados para proteger as mercadorias, quanto os utilizados como embalagem do produto final (inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833/03). Portanto, voto pelo provimento dos argumentos. "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes" A fiscalização e a DRJ glosaram os valores relacionados aos itens em epígrafe, por falta de comprovação de que foram aplicados no processo industrial. A recorrente alegou que todos os itens classificados no DACON na "Ficha 6A Bens utilizados como insumos" são realmente os legalmente classificáveis como insumos. Citou o "Dedo de Borracha A 50", aplicado na manutenção de depenadeiras. Os lubrificantes "Óleos de Mamona WS786" e o "Óleo Hydrodrive HP 68 Houghton". O combustível de caldeiras "Óleo Diesel Aditivado". E, por fim, o "Acomplamento de Borracha", que evita rachaduras ou trincas em partes metálicas das máquinas. Não obstante concordar com a recorrente, no plano conceitual, da leitura dos autos, notadamente, do laudo técnico acostado, não é possível afirmar estarmos diante de bens comprovadamente enquadrados no conceito de insumos. Identificase no relatório técnico o uso de depenadeiras no setor de frangos. Contudo, não há comprovação de que "Dedo de Borracha A 50" foi aplicado naquele equipamento. A recorrente teria de ter carreado aos autos uma correlação entre as partes e peças de reposição e os gastos com combustíveis e lubrificantes e as máquinas e equipamentos que encontramse no laudo técnico, indicando os lançamentos dos valores em contas contábeis de custos de produção "Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios." (art. 226 da Lei n° 10.406/02 Código Civil). Isto posto, nego provimento. "Outros itens: gás argônio, dicoflenaco sódico injetável, plasma sanguíneo ultrafiltrado, griller, amônia anidra e desinfetante ortozool" Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.122 28 A fiscalização e a DRJ entenderam produtos em epígrafe não se enquadravam no conceito de insumo e, portanto, não conferiam direito a créditos de COFINS. A recorrente apresentou as seguintes explicações: A leitura das explicações da recorrente e do laudo técnico "Relatório explicativo das operações relativas às Linhas de Produção da BRF S.A.", formalmente ratificado pela Secretaria de Abastecimento e Agricultura do Estado de São Paulo, por meio sa "Declaração de Validação", nos autos, às fls. 1.487 e 1.488 a 2.031, respectivamente não deixa dúvidas de que os produtos "dicoflenaco sódico injetável" e "plasma sanguíneo ultrafiltrado" enquadramse como insumos (inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833/03) e devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos de COFINS. Sobre os demais, cujos créditos não acato: não encontrei o produto "griller" nas planilhas de glosas; não foram trazidas provas de que o "gás argônio" foi aplicado em soldas na área industrial; e o "desinfetante ortozool" era tributado à alíquota zero (vedação ao crédito no §2º do art. 3ºda Lei nº 10.833/03). Portanto, dou provimento parcial, admitindo créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável" e "plasma sanguíneo ultrafiltrado". "d) Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de COFINS. " Este subtópico cuida de glosas de créditos integrais sobre compras de produtos de origem animal ou vegetal, que, segundo a fiscalização e a DRJ, davam tão somente direito a crédito presumido e foram indicadas na planilha "SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória." A fiscalização glosou créditos de COFINS derivados de compras de cooperativas ou pessoas físicas de leite in natura e outros produtos agropecuários animal ou vegetal, que gozavam de suspensão da incidência do COFINS e conferiam direito a crédito presumido e não integral, nos termos dos artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04. Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.123 29 A recorrente contraargumentou, alegando que os produtos cujos créditos foram glosados não gozavam da referida suspensão, notadamente o leite in natura. Ressalta que não havia menção quanto à suspensão nas notas fiscais, não se lhe cabendo fazer contraprova das informações prestadas pelo vendedor. Reproduzo os artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. [...] Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.124 30 § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" Não tenho reparos à decisão recorrida, da qual extraio trecho e dele faço minha razão de decidir: "Em análise à listagem SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória, verificase que a alegação da interessada não se confirma, pois, tendo em conta a descrição do processo produtivo da empresa e as descrições dos itens glosados, verificase que estes consistem de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, enquadrandose, portanto na hipótese de suspensão prevista no inciso III do art. 9º da nº10.925/2004. Os itens listados referemse a mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos: 2 carnes e miudezas, comestíveis, exceto os produtos vivos desse capítulo; 4 – leite e lacticínios, ovos de aves, mel natural, produtos comestíveis; 15 – gorduras e óleos animais ou vegetais, produtos da sua dissociação; 16 – preparação de carne. Em relação ao leite, configurase a hipótese de suspensão prevista no inciso II do art. 9º da nº10.925/2004: os produtos descritos como LEITE CRU REFRIGERADO TIPO C, utilizados como insumo no processo produtivo do leite e seus derivados, foram adquiridos de pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º da nº 10.925/2004, no caso, pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso, a empresa Lacticínios Tirol Ltda, CNPJ 83.011.247/001293 (https://www.infoplex.com.br), e a Cooperativa Mista Tucunduva Ltda, CNPJ 98.244.577/001620 (http://empresasdobrasil.com). Comprovado que a venda Leite in Natura e outros produtos agropecuários ocorreu com o benefício da suspensão da contribuição para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins prevista no art. 9º da nº10.925/2004, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Diante do exposto, mantémse a glosa." Nego provimento aos argumentos que combatiam a glosa dos produtos listados na planilha " SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória". Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.125 31 III) FICHA 6A LINHA 03 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Foram glosados valores classificados na Ficha 6A linha 03, por não se tratar de serviços que pudessem ser enquadrados como insumos. As notas fiscais glosadas encontramse nas planilhas "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito" e "NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos". A DRJ ratificou o entendimento da autuante. Consta na "Informação Fiscal" que, dentre as glosas, "encontramse SERVICO MANUTENCAO EQUIP INFORMATICA, SERVICO LIMPEZA GERAL EM INSTALACOES, SERVICO TREINAMENTO e SERVICO DE COPIA E IMPRESSAO". Vamos aos argumentos de defesa contidos no recurso voluntário. "Serviços utilizados como insumos" A recorrente elenca como passíveis de inclusão na base de cálculo dos créditos os seguintes serviços: i) repaletização e reforma de pallets; ii) serviços de aplicação de strecht (filme plástico que envolve o pallet e contribui com a preservação do alimento); iii) serviços de carga e descarga de matériaprima, produtos intermediários e produtos acabados, quando transportados do fornecedor até seu estabelecimento, de sua fábrica até o cliente e também entre seus estabelecimentos, durante a fase de produção; e iv) serviços de montagem e manutenção de equipamentos usados na produção. Em tópico anterior, manifesteime favoravelmente aos créditos sobre compras de pallets, por têlos como insumos (inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833/03). Como os serviços de repaletização e reforma de pallets têm como objetivo os de recolocar pallets em condições de uso, os custos correspondentes devem ser considerados como partes integrantes dos custos com os pallets. Assim, tal qual o custo original com a compra dos pallets, os citados serviços também devem ser admitidos como insumos e, por conseguinte, na base de cálculo dos créditos. Em relação à aplicação de strecht, reconheço os créditos correspondentes, pois, tal qual o pallet, é utilizado para proteger o alimento de contaminações. Sobre os serviços de carga e descarga, consta a seguinte descrição na planilha de glosas: "carga e descarga (transbordo)". De acordo com a obra "Vocabulário Jurídico" ( De Plácido e Silva Ed. Forense Rio de Janeiro, 2004), "transbordo", em direito comercial marítimo, significa "transferência da carga de um navio para o outro" ou, em um sentido mais genérico, "qualquer espécie de transpasse de cargas de um veículo para o outro". Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.126 32 Pelo número de notas fiscais listadas, a natureza do gasto e ser o contribuinte empresa importadora e exportadora de MP e PA, reputo que podemos concluir, sem exigir elementos complementares de prova, tratarse de carga e descarga de MP e PA. E vejo a carga e descarga como atividades imprescindíveis e, por isto, inseparáveis dos serviços de frete e armazenagem, cujos custos são admitidos na base de cálculo dos créditos, a saber: na compra de MP, como integrante do custo de aquisição (art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, portanto, como insumo (inc. II do art. 3° da Lei n° 10.833/03); na venda de PA, como parte dos custos com transporte, abrigados pelo inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833/03 (frete na operação de venda). Desta forma, admito os créditos de COFINS sobre custos com carga e descarga "transbordo". Por fim, nego provimento aos argumentos relativos aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, por falta de comprovação de sua utilização na área industrial. A recorrente teria de ter trazido alguma evidência de que estavam relacionados a máquinas e equipamentos utilizados na indústria. Com efeito, as depreciações de máquinas e equipamentos industriais são admitidas na base de cálculo dos créditos (inciso VI c/c inciso III do § 1° do art. 3° da Lei n° 10.833/03). Nesta linha, os custos com manutenção e montagem, incorporados ao custo do bem, para fins de depreciação, ou, no caso da manutenção, circunstancialmente lançados diretamente em conta de resultado do exercício, devem ser admitidos, por imprescindível ao seu pleno funcionamento. O próprio Fisco já se pronunciou neste sentido, inclusive na Solução de Consulta n° 11/11 mencionada pela recorrente. Em suma, dou provimento parcial, reconhecendo os créditos relativos aos serviços de repaletização, reforma de pallets, aplicação de strecht e carga e descarga (transbordo) e negando os referentes aos serviços montagem e manutenção de equipamentos, por falta de comprovação de que estavam relacionados ao processo industrial. "Serviços e produtos decorrentes de exigências legais" A fiscalização glosou os serviços e produtos em epígrafe, por entender não serem insumos. A DRJ ratificou. A recorrente discorreu acerca da necessidade de manter em constante funcionamento processos de desinfecção de ambientes, recipientes, máquinas e indumentária especial, utilizada pelos profissionais que têm contato com os alimentos. E da importância de análises laboratoriais, comprovando que os alimentos estão em perfeitas condições para o consumo. Citou alguns produtos utilizados para tais fins, como vestimentas e material de proteção, facas e brincos de marcação para suínos e o processo "carimbagem", que identifica as carnes liberadas para consumo e as rejeitadas. Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.127 33 E mencionou normas das autoridades sanitárias, contendo inúmeras exigências. Ao fim do laudo técnico (fls. 1.168 a 1.487), no "Capítulo 13 SIF (Sistema de Inspeção Federal), há detalhada explicação acerca dos procedimentos adotados para preservação da integridade dos produtos alimentícios. A meu ver, ainda que não fossem requeridos pelas autoridades sanitárias, indubitavelmente deveriam ser tidos como insumos, pois guardam íntima e indissociável relação com a preparação do produto e a preservação de sua integridade. Vale mencionar que há vários precedentes no CARF neste sentido, tais como, os Acórdãos n° 3802001619, de 28/02/13, e 9303004.382, de 07/04/17. Desta forma, todos os serviços e produtos adquiridos para utilização nos setores industriais, em razão de exigências legais, porém cujo objetivo maior era o de preservar a qualidade do alimento, devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos de COFINS, na qualidade de insumos (inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833/03). Dada a natureza específica dos produtos tratados no tópico e sua explícita conexão com o processo produtivo, não vejo motivo para que fossem exigidos evidências documentais complementares acerca de sua aplicação na atividade industrial. Novamente faço ressalva aos produtos tratados no presente tópico, cujas compras foram beneficiadas com a incidência à alíquota zero e que, por este motivo, não dão direito a créditos (§2º do art. 3ºda Lei nº 10.833/03). IV) FICHA 6A LINHA 06 DESPESAS COM ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOA JURÍDICA De acordo com a planilha de glosas "NI", em relação à linha 06, foram glosadas notas fiscais contendo as seguintes descrições: i) "SERVICO DE LOCACAO E MANUTENCAO SOFTWARE" ii) "ALUGUEL VEICULO CARGA" iii) "SERVICO LOCACAO DE PROJETOR MULTI MIDIA" iv) "ALUGUEL PALCO EVENTOS" Segundo a fiscalização, não foi atendido o disposto no inciso IV do art. 3° da Lei n° 10.833/03, que permite o creditamento somente sobre "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". A DRJ ratificou o procedimento fiscal, destacando que, para fins fiscais, não se pode considerar que os veículos estejam inseridos no conceito de máquinas e equipamentos. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, a recorrente combate exclusivamente a glosa dos aluguéis de "veículos de carga". Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.128 34 Informa que são imprescindíveis ao processo produtivo, pois são empilhadeiras para deslocamento interno de MP, PI e PA e "caminhões munck", usado para transporte de materiais pesados. Apresentou duas notas fiscais, como exemplos de compras destes itens. Protesta contra a decisão recorrida, acusandoa de alterar o fundamento da acusação, quando esta dispôs que o aluguel de veículos não se encontra no inciso IV do art. 3° da Lei n° 10.833/03, pois não estão compreendidos no rol das máquinas e equipamentos. Não obstante, contesta tal argumento, aprofundandose no estudo do significado do vocábulo máquinas. Conclui que abrangeria veículos. Entendo que a DRJ não inovou, porém justificou o posicionamento da fiscalização, com o qual, inclusive, estou de pleno acordo. Não obstante quaisquer digressões semânticas acerca dos vocábulos "máquinas" e "veículos", que eventualmente pudessem levar à conclusão de que o segundo é espécie e o segundo gênero, tradicionalmente, a legislação dispõe sobre os aspectos fiscais relacionados a veículos e máquinas de forma absolutamente distinta. E foi isto que a DRJ, com muita propriedade, demonstrou, citando diversos exemplos, dentre os quais repiso os seguintes: i) o caput do art. 1° da Lei n° 10.485/02: "As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos (. . .)." ii) incisos III dos art. 2° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03: " no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos (. . .)." Desta forma, não obstante reconhecer a imprescindibilidade dos citados veículos à operação do contribuinte, mais uma vez expresso que considero que o art. 3° traz uma lista taxativa de hipóteses de tomada de créditos, não podendo o intérprete ampliála. Assim, nego provimento aos argumentos. V) "FICHA 6A LINHA 07 DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA" A fiscalização glosou despesas com fretes, indicando as respectivas notas fiscais na planilha "FVNC Fretes de Vendas não Comprovados", e com armazenagem, na planilha "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a crédito". Em ambos os casos, as glosas ocorreram, porque, apesar de intimada e reintimada, a recorrente não relacionou as notas fiscais de fretes e armazenagem às Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.129 35 correspondentes operações de venda, o que satisfaria o previsto no inciso IX da Lei n° 10.833/03: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (. . .)" A DRJ ratificou a conclusão da autuante. Em suas peças de defesa, a recorrente alega que apresentou arquivos, contendo notas fiscais, com número, série, data, fornecedor, CNPJ, valor do frete, código da empresa e CFOP da operação. E apresenta extensa argumentação em defesa dos créditos calculados sobre armazenagem e fretes em operações de compra de insumos, venda de produtos acabados e deslocamentos entre seus estabelecimentos de insumos, produtos em elaboração e produtos acabados. Não obstante concordar com todos os argumentos de defesa relacionados à interpretação e aplicação do dispositivo legal que permite o desconto de créditos de COFINS sobre armazenagem e fretes, de fato, a recorrente não conciliou os valores computados na base de cálculo de créditos de COFINS com as correspondentes notas fiscais de venda. Diante disto, não há alternativa que não a de negar provimento. VI) "FICHA 6A CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA LINHA 25 CALCULADOS SOBRE INSUMOS DE ORIGEM ANIMAL E LINHA 26 CALCULADOS SOBRE INSUMOS DE ORIGEM VEGETAL" Neste tópico, há glosas de valores computados em bases de cálculo e alterações de alíquotas de créditos presumidos previstos nos artigos 8° da Lei n° 10.925/04 e 33 e 34 da Lei n° 12.058/09. VI a) Artigo 8° da Lei n° 10.925/04 A controvérsia gira em torno do cálculo do crédito presumido sobre insumos aplicados na produção de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04. A fiscalização e DRJ entendem que o percentual (incisos I ao II do § 3°) a ser aplicado deve ser determinado com base na classificação na TIPI do insumo. A Recorrente, por sua vez, na posição da TIPI do produto final no qual o insumo é aplicado. A recorrente adotou o percentual do inciso I do § 3° (60% das alíquotas regulares) para todos os insumos. A fiscalização, sobre parte dos insumos (ex: soja e Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.130 36 derivados), aplicou os percentuais de 50% e 35%, previstos nos incisos II e III do § 3° (ex: soja e derivados). Concordo com a interpretação da recorrente. Assim dispõem os artigos 8° da Lei n° 10.925/04, na redação vigente à época, e o 33 da Lei n° 12.865/13: Lei n° 10.925/04 "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: (. . .) § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e ( Redação dada pela Lei n o 11.488, de 15 de junho de 2007 ) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , para os demais produtos. (Renumerado pela Lei n o 11.488, de 15 de junho de 2007 ) (. . .)" (g.n.) Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.131 37 Lei n° 12.865/13 "Art. 33. O art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações: (. . .) § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” (g.n.) Realmente, a redação dos incisos I ao III do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 enseja dúvidas. Mas, com a edição da Lei n° 12.865/13, a controvérsia terminou. O percentual de 60% previsto no inciso I deve ser determinado, de acordo com a classificação na TIPI do produto no qual o insumo é aplicado. E seus efeitos são efeitos são retroativos, abrangendo o caso em tela anocalendário de 2009 em razão do art. 106 do CTN: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (. . .)" Assim, voto pelo provimento das alegações da Recorrente. O percentual a ser aplicado sobre as compras de insumos, para cálculo do crédito presumido previsto no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado com base na posição da TIPI do produto final em que foram empregados. VI b) Artigo 33 da Lei n° 12.058/09 A fiscalização reconheceu que a recorrente fazia jus ao crédito presumido previsto no dispositivo em epígrafe, no tocante aos insumos classificados na NCM 01.02 e aplicados na produção para exportação dos produtos classificados nas posições listadas no caput do artigo. Contudo, glosou os créditos calculados, quando verificou que a mercadoria foi comprada para revenda e não para emprego em processo industrial. Dispõe o art. 33 da Lei n° 12.058/09 (redação então vigente): "Art. 33. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados na posição 01.02 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.' Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.132 38 § 1o O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições de pessoa jurídica que exercer atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária. (. . .) § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 50% (cinquenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003." (g.n.) Em sua defesa, a recorrente aduziu que impedir a tomada de créditos presumidos sobre os produtos adquiridos para a revenda é impor restrição à fruição do benefício que contraria o objetivo perseguido pelo legislador, quando de sua instituição, e previsto no inciso I do § 2° do art. 149 da Constituição Federal, qual seja, o de desonerar as exportações. Não vejo controvérsia na interpretação do caput do art. 33 da Lei n° 12.058/09, a qual deve ser restrita, por se tratar de benefício fiscal. Como dispõe que o direito é conferido às "pessoa jurídicas (. . .) que produzam mercadorias classificadas nos códigos (. . .)", o crédito presumido somente pode ser calculado sobre as mercadorias da posição 01.02, quando adquiridas para utilização como insumo de processo industrial. Quando forem adquiridas para revenda, não haverá direito ao crédito presumido do art. 33 da Lei n° 12.058/09. Assim, nego provimento. VI c) Artigo 34 da Lei n° 12.058/09 Inicio, transcrevendo os artigos 32 e 34 da Lei n° 12.058/09: "Art. 32. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: (...) II produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30, da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica que industrialize bens e produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo: I não alcança a receita bruta auferida nas vendas a consumidor final; II aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.133 39 (...) Art. 34. A pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, que adquirir para industrialização ou revenda as mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM poderá descontar da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, determinado mediante a aplicação, sobre o valor das aquisições, de percentual correspondente a 40% (quarenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 1º É vedada a apuração do crédito de que trata o caput deste artigo nas aquisições realizadas pelas pessoas jurídicas mencionadas no inciso II do caput do art. 32 desta Lei." (g.n.) A fiscalização constatou que a recorrente adquiriu insumos classificados na posição 01.02 e produziu produtos classificados nas posições 02.01.30.00, 02.02.20.90 e 02.02.30.90. Com isto, fica impedida de registrar os créditos presumidos, nos termos do § 1° do art. 33 c/c o inciso II do caput do art. 32. A recorrente, por seu turno, alegou o seguinte: Não assiste razão à recorrente. Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.134 40 Não assiste razão à recorrente. E para justificar meu posicionamento, adoto os argumentos da DRJ, de cujo Acórdão extraio o trecho correspondente: "(. . .) Com o regramento estabelecido pelo art. 32, II, da Lei nº 12.058/2009, o legislador desonerou a cadeia econômica de produtos derivados de carne bovina dos custos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, prevendo a suspensão no pagamento desses tributos na linha produtiva e comercial desses bens, desde que atendidas certas condições. Do exame do texto legal acima, verificase que a suspensão das contribuições era para as operações de vendas de bens classificados nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30, realizadas por pessoa jurídica que os produzisse a partir da industrialização dos bens (insumos) classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM (bovinos vivos, carnes bovinas frescas, refrigeradas ou congeladas). Já o art. 34 da Lei nº 12.058/2009, em sua redação original, tratava do direito de a pessoa jurídica, sujeita ao lucro real, a descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas no período crédito presumido apurado a partir dos valores das aquisições de bens destinados à industrialização (insumo) ou revenda, ocorridas no mercado interno e realizadas com suspensão da Contribuição para o PIS e da Cofins, dos bens classificados nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM. Entretanto, a apuração de tal crédito, por força do disposto no § 1º desse mesmo artigo, é vedada para aquisições realizadas pelas pessoas jurídicas mencionadas no inciso II do art. 32 da Lei nº 12.058/2009; ou seja, as pessoas jurídicas que industrializem bens e produtos (insumos) classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. Ou seja, nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, caput e § 1º, na sua redação original, a pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real faz jus a créditos presumidos da Cofins referentes às mercadorias adquiridas no mercado interno com a suspensão prevista no inciso II do art. 32, da mesma lei, e destinadas à revenda ou industrialização, desde que as receitas das vendas desses bens ou das vendas das mercadorias produzidas a partir deles não se sujeitem a esta mesma suspensão. No caso presente, verificase que a fiscalizada foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal nº 002/00236 (fls. 127 a136), a prestar, dentre outras informações, a relação dos produtos fabricados e/ou industrializados. Com base na informação prestada, a Fiscalização apurou que a empresa adquiriu bens classificados na posição 01.02 (insumo) e comercializou bens classificados nas posições 02.01.30.00, 02.02.20.90, 02.02.30.90 e, assim, concluiu que esta não faz jus ao crédito presumido previsto no art. 34 da citada Lei nº 12.058/2009, como segue: Com relação ao crédito presumido previsto no art. 34 da citada Lei nº 12.058, a contribuinte não faz jus, por conta da exclusão prevista no §1º do mesmo art. 34, uma vez que a empresa industrializava bens e produtos com insumos classificados na posição 01.02 e produzia bens classificados nas posições 02.01.30.00, 02.02.20.90, 02.02.30.90, conforme informações prestadas na resposta ao item 03 do Termo de Intimação Fiscal nº 002/00236. Foi confirmado através de pesquisa nas notas fiscais informadas como resposta ao item 22 do citado Termo de Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.135 41 Intimação 002/00236 que houve compras de bens classificados na posição 01.02 e que houve vendas das posições 02.01 e 02.02 no período de novembro e dezembro de 2009. Assim é que não procede a tese da interessada de que tal vedação não se aplica ao seu caso, com base no argumento de que apura crédito “apenas nas hipóteses de aquisição de cortes e carcaças (classificados nos códigos 0201 e 0202 da NCM)” os quais, segundo afirma, utiliza não só na produção de produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02, mas também nas de produtos classificados nas posições 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 e 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24, 41.04.41.30 da NCM. Notese que ao contrário do que alega a Recorrente, o direito ao crédito previsto no artigo 34 não foi afastado em razão de a Fiscalização entender que “ela industrializaria apenas bovinos vivos das posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM”. Destarte, a Fiscalização não faz essa limitação, apenas informa que verificou, a partir das informações prestadas pela interessada, que “houve vendas das posições 02.01 e 02.02 no período de novembro e dezembro de 2009”. Fato, salientese, expressamente confirmado pela interessada em sua Manifestação de Inconformidade. Na verdade o direito ao crédito foi afastado por restar configurada, no caso concreto, a hipótese de vedação prevista no parágrafo 1º do referido artigo, qual seja, a utilização dos bens adquiridos, classificados nas posições listadas no caput do art. 34, na produção dos bens listados no inciso II do caput do art. 32 da mesma lei, no caso, bens classificados na posição 01.02, 02.01 e 02.02. Fato, salientese novamente, expressamente confirmado pela interessada em sua Manifestação de Inconformidade. Diante do exposto, mantémse a glosa." Nego provimento aos argumentos contidos no presente tópico. VII) "O DIREITO À ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO POSTULADO PELA SELIC" A recorrente pleiteia o acréscimo de juros Selic aos saldos de créditos de COFINS acumulados, "seja em razão das ilegalidades contidas nas instruções normativas que disciplinam a não cumulatividade das contribuições para o PIS e COFINS, quando tratam do conceito de insumo, seja em virtude da mora na apreciação do pleito de ressarcimento, ocasionada, sobretudo, em decorrência das inúmeras barreiras impostas pela fiscalização ao aproveitamento de crédito"." Fundamenta seu pedido na Súmula do STJ n° 411 e no REsp 1.035.847/RS, submetido ao rito dos recursos repetitivos, que admitiram o cômputo de juros Selic em saldo credor de IPI, quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Citou o Acórdão CARF n° 3402002.003, de 03/05/2013, em que foi admitido o acréscimo de juros Selic a crédito de IPI, em virtude da demora na análise do pedido de ressarcimento, posicionamento que encontraria respaldo em outras decisões do STJ, tal qual no REsp 1129435/PR. Fl. 2135DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.136 42 Reproduzo a ementa do REsp 1.035.847/RS, ao qual as decisões deste colegiado estão vinculadas, por força do § 2° do art. 62 da Portaria MF n° 343/15 (RICARF): "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR , Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS , Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR , Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS , Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS , Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (g.n.) A meu ver, a decisão vinculante do STJ não se aplica ao caso em tela. Não houve qualquer "ato estatal, administrativo ou normativo" que tenha oposto qualquer óbice `a aplicação do regime da não cumulatividade do COFINS e, por conseguinte, ao registro e utilização de créditos. O crédito foi lançado no cotejo periódico entre débitos e créditos. Não utilizado em sua totalidade, foi objeto de apresentação de Pedido de Compensação (DCOMP), vinculado a Pedido de Ressarcimento (PER), os quais já não dependiam de anuência prévia do Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.137 43 Fisco para produzirem o efeito fiscal de extinção do crédito tributário, sujeita a ulterior homologação. Isto posto, e também diante da ausência de previsão legal acerca da incidência de juros Selic sobre créditos escriturais de COFINS, nego provimento aos argumentos contidos neste tópico. VIII) INAPLICABILIDADE DA MULTA DE MORA SOBRE OS DÉBITOS COMPENSADOS, VISTO QUE A RECORRENTE AGIU EM OBSERVÂNCIA AO ENTENDIMENTO DO PRÓPRIO FISCO IX) "DA INAPLICABILIDADE DA MULTA MORATÓRIA DIANTE DA IMPOSSIBILIDADE DE DUPLA PUNIÇÃO DO MESMO FATO" A recorrente alegou que registrou créditos de COFINS em consonância com diversos pronunciamentos formais do Fisco. Assim, eventual glosa não poderia acarretar na cobrança de multa de mora e juros, calculados sobre os débitos que foram liquidados por meio das compensações não homologadas. Pelo mesmo motivo, não poderiam ser exigidas multas isoladas, por não homologação de DCOMP. Fundamenta seu pleito no art. 100 do CTN e na alínea "a" do inciso II do art. 76 da Lei n° 4.502/64. Por fim, alegou que a cobrança da citadas multa moratória e multa isolada por não homologação de DCOMP configurarseia como aplicação de duas punições distintas sobre um mesmo fato, o que vem sendo rechaçado pelo CARF e a doutrina. Tal qual a DRJ, não conheço dos argumentos, posto que tais matérias não integram o presente litígio. X) "DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS" Ao fim de seu recurso, protestou pela realização de diligência ou perícia. Nego o pedido, posto que os autos contêm os elementos necessários para a formação da convicção dos julgadores. Saliento que diligências não são destinadas a produção de provas que deveriam ter sido carreadas aos autos nos momentos processuais devidos. Cumpre também destacar, não obstante o mencionado no parágrafo anterior, que não foram cumpridos os requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 apresentação dos motivos e quesitos e, no caso de perícia, nomeação do perito responsável. Fl. 2137DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.138 44 CONCLUSÃO Em suma, dou provimento parcial ao recurso voluntário. Abaixo, indico o voto para cada um dos tópicos acima tratados: I) "Preliminar": nego provimento à preliminar de nulidade. II b) "Bens para revenda Gás GLP Cilindro P 20": nego provimento. II c) "Bens utilizados como insumos": dou provimento parcial, admitindo os créditos sobre as compras para revenda sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, indevidamente classificadas na linha 2 da Ficha 6A do DACON, exceto em relação aos produtos tributados à alíquota zero e ao "Gás GLP Cilindro P 20", tratado no tópico anterior. II c) "Pallets": dou provimento. II c) "Partes, peças de reposição, combustíveis e lubrificantes": dou provimento parcial, reconhecendo créditos exclusivamente sobre as copras de "Dedo de Borracha A 50". II c) "Outros itens: gás argônio, dicoflenaco sódico injetável, plasma sanguíneo ultrafiltrado, griller, amônia anidra e desinfetante ortozool": dou provimento parcial, admitindo créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e amônia anidra. II c) "Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de COFINS": nego provimento aos argumentos que combatiam a glosa dos créditos integrais, calculados sobre os produtos listados na planilha " SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória". Não obstante, na execução do acórdão, a unidade de origem deve reconhecer o direito ao crédito presumido, previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04. III) "Serviços utilizados como insumos": "repaletização e reforma de pallets": dou provimento. "serviços de aplicação de strecht (filme plástico que envolve o pallet e contribui com a preservação do alimento)": dou provimento. "serviços de carga e descarga de matériaprima, produtos intermediários e produtos acabados, quando transportados do fornecedor até seu estabelecimento, de sua fábrica até o cliente e também entre seus estabelecimentos, durante a fase de produção": dou provimento. "serviços de montagem e manutenção de equipamentos usados na produção": nego provimento. III) "Serviços e produtos decorrentes de exigências legais": dou provimento. Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 10983.911360/201137 Acórdão n.º 3301004.059 S3C3T1 Fl. 2.139 45 IV) "Aluguel de veículos de carga": nego provimento. V) "Despesas com armazenagem e fretes na operação de venda": nego provimento. VI a) "Crédito presumido da agroindústria artigo 8° da Lei n° 10.925/04": dou provimento, admitindo que o percentual a ser aplicado sobre a alíquota da contribuição, para fins de cálculo dos créditos presumidos previstos no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado de acordo com a posição da TIPI do produto em que o insumo foi aplicado. VI b) "Crédito presumido da agroindústria artigo 33 da Lei n° 12.058/09": nego provimento. VI c) "Crédito presumido da agroindústria artigo 34 da Lei n° 12.058/09": nego provimento. VII) "O direito à atualização do crédito postulado pela Selic": nego provimento. VIII) "Inaplicabilidade da multa de mora sobre os débitos compensados, visto que a recorrente agiu em observância ao entendimento do próprio fisco": não conheço dos argumentos. IX) "Da inaplicabilidade da multa moratória diante da impossibilidade de dupla punição do mesmo fato": não conheço dos argumentos. X) "Diligências e perícias": nego provimento. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2139DF CARF MF
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Numero do processo: 35206.000407/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 20 6. 00 04 07 /2 00 6- 17 Fl. 47DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 35206.000407/200617 Acórdão n.º 2202004.288 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 49DF CARF MF
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