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Numero do processo: 11030.904411/2012-87
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 44 11 /2 01 2- 87 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904411/201287 Acórdão n.º 3801003.225 S3TE01 Fl. 90 2 Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904411/201287 Acórdão n.º 3801003.225 S3TE01 Fl. 91 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 30/11/2004. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Cofins, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2004 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904411/201287 Acórdão n.º 3801003.225 S3TE01 Fl. 92 4 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904411/201287 Acórdão n.º 3801003.225 S3TE01 Fl. 93 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904411/201287 Acórdão n.º 3801003.225 S3TE01 Fl. 94 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904411/201287 Acórdão n.º 3801003.225 S3TE01 Fl. 95 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 13896.904374/2008-76
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
Composição do Saldo Negativo. Prova. Necessidade.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre daí que o pedido seja, necessariamente, instruído com as provas do indébito tributário do qual se pretende o aproveitamento, sob pena de pronto indeferimento do pleito.
Numero da decisão: 1801-002.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 Composição do Saldo Negativo. Prova. Necessidade. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre daí que o pedido seja, necessariamente, instruído com as provas do indébito tributário do qual se pretende o aproveitamento, sob pena de pronto indeferimento do pleito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
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PROVA. NECESSIDADE. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre daí que o pedido seja, necessariamente, instruído com as provas do indébito tributário do qual se pretende o aproveitamento, sob pena de pronto indeferimento do pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 43 74 /2 00 8- 76 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 5a. Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas nos PERDCOMP objeto dos autos. A interessada transmitiu a DCOMP N° 20678.51906.191005.1.3.020026 (cópia às fls. 01/11) e a DCOMP N° 33419.40864.020407.1.3.026361 (cópia às fls. 92/95) utilizando crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ do exercício 2002, nos valores respectivos de R$ 208.023,76 e de R$ 237.443,12, para compensação com débitos próprios de estimativas de IRPJ do anocalendário 2003. Pelo DDE e, em função da divergência entre os valores dos saldos negativos de IRPJ apontados na DIPJ/2001, no valor de R$ 237.443,12, e na DCOMP, no valor de R$ 208.023,76, não foram homologadas as compensações declaradas dos débitos. Em manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada a interessada afirmou que houve erro de fato no preenchimento da DCOMP original que teria sido corrigido pela entrega em 02/04/2007 de retificadora n° 02712.91055.020407.1.7.024663, juntado cópia às fls. 20/35. Foram juntadas aos autos, ainda, às fls. 84/91 a DCOMP n° 02712.91055.020407.1.7.024663, retificadora da DCOMP n° 20678.51906.191005.1.3.02 0026, e às fls. 92/95 a DCOMP n° 33419.40864.020407.1.3.026361, também citada no despacho decisório recorrido. A 5a. Turma da DRJ em Campinas/SP analisou a manifestação de inconformidade, as DCOMP apresentadas, as DIPJ originais e retificadoras, as DCTFs, de todos os períodos envolvidos no direito creditório e concluiu pelo não reconhecimento do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 e pela não homologação das compensações declaradas. Notificada da decisão, em 29/04/2011, apresentou a interessada, em 30/05/2011, recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, alega ter o direito legítimo de utilizar seus créditos em compensações de tributos e que a Lei determina que a certeza e liquidez do crédito se dá pelo pagamento com recursos monetários se verificando pela sua constituição e não, em razão de procedimentos exigidos pelo próprio devedor para o reconhecer. Pugna, ao final, pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.904374/200876 Acórdão n.º 1801002.006 S1TE01 Fl. 3 3 De acordo com o relatado a recorrente pretende a compensação de todos os débitos de estimativas de IRPJ do anocalendário 2003, com direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. A DRJ em Campinas/SP apreciou o pleito da recorrente e, nesse sentido, constatou que a DCOMP n º 02712.91055.020407.1.7.024663, apresentada com a pretensão de retificar a de n º 20678.51906.190105.1.3.020026, que, segundo a defesa, havia sido preenchida com erro no valor do saldo negativo de IRPJ, não pode ser aceita pelos sistemas informatizados porque, além de ter sido apresentada após a emissão de decisão a respeito da homologação das compensações declaradas na DCOMP original, o preenchimento da retificadora violou as disposições legais de regência da matéria, pois além de alterar o valor do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, também substituiu a maior parte dos débitos indicados para compensação na DCOMP original. Em razão disso, a retificadora não foi acatada pela DRJ em Campinas/SP e não pode ser aceita neste julgamento. A Turma Julgadora de 1a. Instância, porém, levando em conta a verdade material, prosseguiu na análise do pedido de reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, e apreciou a certeza e liquidez do crédito invocado analisando a composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, no valor de R$ 237.443,12, apontado nas DIPJ retificadoras apresentadas em 06/09/2006 e 09/09/2008. Constatou, aquela autoridade, as seguintes inconsistências na composição do saldo negativo de IRPJ de 2001: 1) A recorrente deduziu estimativas mensais de 2001 que teriam sido quitadas via compensação. Contudo, essas compensações das estimativas de 2001 teriam sido efetuadas: 1. 1) De acordo com a DCOMP retificadora n º 02712.91055.020407.1.7.02 4663, cópia apresentada pela recorrente junto da manifestação de inconformidade (fls. 84/91), com saldo negativo de IRPJ de 2000; 1.2) De acordo com a cópia da DCOMP retificadora n º 02712.91055.020407.1.7.024663, extraída dos sistemas internos da RFB (fls. 20/35), , com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999. 1.3) De acordo com as DCTF apresentadas pela contribuinte, com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998. Tudo isso denota a imprecisão das informações prestadas pela contribuinte quanto aos períodos de apuração dos saldos negativos de IRPJ apontados como créditos utilizados para compensar as estimativas que integram o saldo negativo de IRPJ em 31/12/2001, ora submetido à apreciação de certeza e liquidez pela autoridade administrativa, visto que a pessoa jurídica aponta como origem do crédito, para extinguir as estimativas do ano de 2001, saldos negativos apurados em 31/12/1998, em 31/12/1999 e em 31/12/2000. Mas aquela autoridade julgadora prosseguiu na análise e verificou que a recorrente, após diversas retificações das apurações de ajustes inicialmente declaradas, teria consignado, nas DIPJ válidas no sistema, os seguintes resultados nos referidos anoscalendário de 1998,1999 e 2000: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 1) No anocalendário 1998, saldo negativo no valor de R$ 451.957,88. Contudo a recorrente incorretamente adicionou ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/1998, de R$ 143.386,62, valor relativo a saldos negativos de períodos anteriores totalizados no valor de R$ 451.957,88, montante que passaria a compor indevidamente aquele saldo negativo de IRPJ. Isto porque a referida linha corresponde à compensação passível de realização com o saldo de IRPJ, se resultasse valor a pagar no período, com saldo negativo de períodos anteriores, não cabendo a simples adição dos valores de saldos negativos, ao saldo negativo já apurado. 2) No anocalendário 1999, saldo negativo no valor de R$ 321.156,35; 3) No anocalendário 2000, saldo negativo no valor de R$ 134.788,12 Partindo da recomposição do saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 1998, utilizada para compensação de parte das estimativas do ano de 2001, verificouse na DIPJ/1999 retificadora válida no sistema de processamento da RFB, que a contribuinte teria apurado as estimativas mensais com base na Receita Bruta e Acréscimos e deduzido, ao final do período um total de estimativas quitadas de R$ 144.076,54, valores esses ora recolhidos em DARF, ora compensados com saldo negativo de períodos anteriores. Esses valores foram cotejados com aqueles constantes das DCTFs apresentadas e pagamentos constantes do SIEF, constandose recolhimentos em DARF no total de R$ 22.326,39. Estando confirmado o recolhimento de estimativas no anocalendário de 1998 no total de R$ 22.326,39, restaria a aferir a regularidade das compensações, totalizadas na DCTF em R$ 121.750,54, com saldos negativos de períodos anteriores, sem especificação do período nas DCTF à época. Registrou, aquela autoridade, que as pesquisas realizadas nas declarações de rendimentos dos anoscalendário anteriores, a exemplo da DIRPJ/1998 (anocalendário 1997) às fls. 175/177, igualmente apontam que o saldo negativo de IRPJ se forma por dedução de estimativas mensais, sendo parte delas recolhida por DARF e parte compensada com saldo negativo de IRPJ de anos anteriores, sem discriminação do período nas DCTF apresentadas, como era previsto à época. Assim, a aferição da certeza e liquidez do saldo negativo de IRPJ apontado nas DCOMP em litígio restou duplamente prejudicada nos autos, pois, além da divergência de informações prestadas pela contribuinte nas diversas declarações apresentadas (DIPJ, DCTF e DCOMP original e retificadora) quanto ao ano de origem do crédito utilizado para as compensações das estimativas relativas ao anocalendário 2001, também se verifica nas DCTF ausência de identificação do período em que apurado os saldos negativos de IRPJ, apontados como origem dos créditos de anoscalendário anteriores, utilizados para compensar as estimativas integrantes dos subseqüentes saldos negativos apurados/utilizados. Observese que a legislação anterior admitia a compensação entre tributos de mesma espécie efetuada diretamente na escrituração da empresa, sem formalização de compensação, mas seria necessário que tais compensações fossem minimamente indicadas em DCTF, especificandose a origem do crédito e do débito compensado, além de provadas pela escrituração. Contudo, como se constata no presente caso, a recorrente não provou a liquidez e certeza do indébito. Muito pelo contrário, às incertezas e inconsistências já mencionadas para validação do saldo negativo apurado a cada anocalendário envolvido na análise, acrescese o fato de a autoridade julgadora de 1a. instância ter verificado, em pesquisas efetuadas junto aos sistemas COMPROT, SIEFPROCESSO e PER/DCOMP (fls.178/191), a formalização, pela recorrente, de diversos pleitos junto à administração tributária para Fl. 380DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.904374/200876 Acórdão n.º 1801002.006 S1TE01 Fl. 4 5 aproveitamento de saldos negativos de IRPJ que já teriam sido aproveitados nas compensações alegadas, bem como de pagamentos indevidos ou maior que o devido (tanto como restituição e compensação), denotando distintas utilizações dos saldos negativos apurados nos períodos ora em análise, ou pelo menos de parte deles, vez que existente, já no ano de 1997, inclusive pedidos de restituição de saldo negativo de IRPJ. Nos termos da legislação processual em vigor o ônus da prova incumbe ao autor, quanto a fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre daí que, se tratando o presente processo de Declaração de Compensação, este haveria, necessariamente, de estar instruído com as provas do indébito tributário do qual a interessada pretende o aproveitamento, sob pena de pronto indeferimento do pleito. Não havendo prova da certeza e liquidez do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001 pleiteado pela interessada, não há como ser concedido o pedido, motivo pelo qual devese ratificar o ato de indeferimento do direito creditório e a conseqüente não homologação das compensações a ele vinculadas. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 381DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15586.001368/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
SALÁRIO INDIRETO - AJUDA ALIMENTAÇÃO - IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura e vales-refeição, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 SALÁRIO INDIRETO - AJUDA ALIMENTAÇÃO - IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura e vales-refeição, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 63 1 62 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001368/201017 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.138 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2014 Matéria AUXÍLIOALIMENTAÇÃO SEM PAT Recorrente ASTEM ASSESSORIA TÉCNICA EMPRESARIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 SALÁRIO INDIRETO AJUDA ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura e valesrefeição, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 68 /2 01 0- 17 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001368/201017 Acórdão n.º 2402004.138 S2C4T2 Fl. 64 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 19/10/2010 em razão da falta de desconto dos segurados empregados e contribuintes individuais das contribuições incidentes sobre o auxílioalimentação in natura sem inscrição no PAT, na modalidade ticketsrefeição. Seguem transcrições de trechos do relatório fiscal e da decisão recorrida: Relatório Fiscal: A empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas, a titulo de alimentação, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, durante o período de janeiro de 2006 a dezembro de 2006, conforme anexos 1 a 12. ... A empresa não se encontrava inscrita no PAT no período do presente lançamento. Pela maneira como se deu o pagamento de tal auxilio, de forma habitual através ticket 's, que propiciam inclusive a aquisição de bens, não há que se falar em caráter "in natura", ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, prevalecendo, ao contrário, a natureza salarial de tais valores, havendo sobre eles a incidência da contribuição previdenciária. Decisão Recorrida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Inexiste bis in idem entre as multas decorrentes do descumprimento da obrigação acessória e do inadimplemento da obrigação principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Fl. 65DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: 3.1. houveram diversos autos de infração lavrados em virtude de um mesmo fato gerador, ou seja, AI n°37.302.818O, AI n°37.302.8121, AI n°37.302.8113, AI n° 37.302.8091, AI n°37.302.8105 valores referentes ao ticket alimentação/refeição; 3.2. por conseguinte, denotase que se trata de infração continuada, motivo pelo qual a multa aplicada é única e não calculada em número de incidências. Assim, quando muito, a penalidade deveria ser aplicada uma única vez; 3.3. o fato principal, portanto, foi a falta de recolhimento da contribuição previdencidria sobre o valor pago a titulo de ticket refeição; 3.4. neste ponto se faz necessário trazer A tona o chamado principio da consunção o qual estabelece que a infração maior absorve as menores, estabelecendo que as infraçõesmeio seriam absorvidas pela infraçãofim, garantindo que o cidadão seja repreendido com apenas uma pena pelo ato ilícito que praticou; 3.5. desta forma, requer desde já, caso ao final desta impugnação se entenda que o contribuinte cometeu uma infração, que subsista apenas a principal, em respeito ao principio da consunção; 3.6. alega que a alimentação integrará o salário caso seja fornecida in natura, ou seja, se o empregador fornecer a alimentação em si. E conclui que o entendimento apresentado pelo agente fiscal foi totalmente contrario ao disposto na CLT, vez que o mesmo entendeu que faria parte da remuneração do trabalhador o valor pago a titulo de ticket alimentação uma vez que tal beneficio não tenha sido fornecido em natura; 3.7. além disso não pode esquecer que o beneficio pago a titulo de auxilio refeição é um beneficio para o trabalho, uma vez que visa garantir ao trabalhador uma refeição mais completa, essencial para a boa execução do trabalho; 3.8. também se faz necessário ressaltar que o ticket refeição não serve para a compra de qualquer bem, podem ser usados em restaurantes ou mercados, mas para compras apenas de alimento, possuindo portanto um fim especifico; 3.9. sendo assim, não procede a autuação imposta, uma vez que os valores pagos não integram a remuneração de seus empregados ou prestadores de serviços. É o Relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001368/201017 Acórdão n.º 2402004.138 S2C4T2 Fl. 65 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito AuxílioAlimentação Segundo o relatório fiscal são fatos geradores os benefícios de alimentação fornecida aos segurados empregados in natura pelo fato de que a recorrente não se inscreveu no programa de alimentação do trabalhador – PAT. Sobre esse matéria, através do Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U. de 22/12/2011, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN acolheu o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001368/201017 Acórdão n.º 2402004.138 S2C4T2 Fl. 66 7 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". O fornecimento de refeições, ou seja, alimentação in natura não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado inscrição no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Assim, inclinome à jurisprudência do STJ acolhida pela PGFN para afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílioalimentação que não tenha sido oferecido em dinheiro, mas através das modalidades previstas pela legislação, como alimentação in natura e valesrefeição ou congêneres. Voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 69DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15504.018037/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.300
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 30/12/2006
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que o Fisco informe se o crédito lançado foi objeto de Parcelamento.
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 30/12/2006 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que o Fisco informe se o crédito lançado foi objeto de Parcelamento. Liege Lacroix Thomasi – Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 18 03 7/ 20 08 -5 6 Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo PROMOVE SEVRIÇOS EDUCACIONAIS LTDA E OUTROS em face da decisão da 7ª Turma da DRJ/BHE que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Referese a multa aplicada a ofensa ao artigo 32, inciso IV, e §§ 3 0 e 9°, da Lei 8.212, de 24/07/1991, acrescentados pela Lei 9.528, de 10/12/1997 c/c o artigo 225, inciso IV, e §§ 2°, 3° e 4°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por não ter contribuinte comprovado a entrega das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, nas competências 13/2005 e 13/2006. A ação fiscal foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal n° 09421018, do Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF, fls. 86/87, do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, fls. 188 e 190/191, tendo sido encerrada em 23/10/2008, conforme Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal, fls. 192/193. (as folhas citadas são do processo 15504.018030/200834 a que este está apensado). Conforme Relatório Fiscal, foi aplicada a penalidade prevista nos artigos 92, 102 e 32, §§ 4° e 7°, da Lei 8.212, de 1991, acrescentados pela Lei 9.528, de 10/12/1997, c/c os artigos 373 e 284, inciso I, e §§ 1° e 2°, do Regulamento da Previdência Social de 1999, no valor de R$ 58.979,83 (cinquenta e oito mil, novecentos e setenta e nove reais e oitenta e três centavos) fls. 14 /15 . Não ficou configurada a ocorrência de agravantes ou atenuantes, previstas, respectivamente, nos artigos 290 e 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99 (fl. 15). De acordo com a fiscalização ficou constatado o interesse comum entre as seguintes empresas: Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda, CNPJ. 05.385.879/0000150; Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda, CNPJ. 05.401.768/000190; Pampulha Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 06.001.557/000123; Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda, CNPJ. 05.401.766/000100; Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda, CNPJ.05.392.395/000139; Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 06.001.546/000143; Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 04.901.337/000120; Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda, CNPJ. 02.636.995/000107; Promove Participações Ltda, CNPJ. 05.376.569/000170; Promove Serviços Educacionais Ltda, CNPJ. 05.376.559/000134; Promove Cursos Livres e Mercantil, CNPJ. 42.975.896/000174, Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda, CNPJ. 05.399.437/000163, Sociedade Educacional Sistema Ltda., CNPJ. 23.840.945/000117. Restando configurada a sujeição passiva entre elas, foram emitidos em nome das empresas os Termos de Sujeição Passiva cuja ciência ocorreu no PAF 15504.018030/200834 (fls. 213/222, 226 e 227). Ainda no relatório, informa o auditor que a Associação Educativa do Brasil — SOEBRAS, CNPJ. 22.669.915/0001 27, foi eleita responsável subsidiária, nos termos do art. 133 do CTN por ter adquirido do grupo PROMOVE o direito de uso da marca PROMOVE, em Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.018037/200856 Resolução nº 2302000.300 S2C3T2 Fl. 4 3 01/11/2006, por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca", continuando a explorar a antiga atividade econômica da autuada. Para o exercício das atividades então pactuadas, a adquirente inscreveu novos estabelecimentos no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, manteve o mesmo endereço e CNAE da cedente (fls. 139 a 150 do PAF 15504.018030/200834). Em segundo ato, a SOEBRAS através do Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial — TRESPASSE, adquiriu das empresas do grupo todo o complexo de bens organizados para exercício da atividade, composto da titularidade do estabelecimento empresarial, incluindo todo o ativo e passivo, bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, e semoventes e afins (fls. 151 a 159 do PAF 15504.018030/200834). Com isso, a SOEBRAS fez constar em seu balanço patrimonial, em 31/12/2007, a referida aquisição, lançando em seu ativo diferido o montante de R$ 14.383.436,00 referente a incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS E PROMOVE FACULDADES, incluindo a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, semoventes e afins. Todavia, informa ainda o auditor, a Autuada (Promove Serviços) não procedeu as devidas anotações nos Órgãos Oficiais de Registro, não arquivando na JUCEMG qualquer alteração contratual de dissolução ou liquidação, sendo seu último arquivamento nesse órgão o contrato de alienação mencionado conforme registro de n° 3818113 (fls. 108/109 do PAF 15504.018030/200834). Registra também que a autuada não cumpriu com as obrigações frente à administração tributária, permanecendo ativa no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica. A Autuada após ciência do auto de infração, em 12/11/2008, apresentou defesa juntamente com a empresa Promove Serviços Educacionais Ltda., Promove Participações Ltda., o sócio Luiz Magno da Silva Saramago, o sócio Hélio Soares Bazzoni, o sócio João Bosco Fontoura, o sócio Paulo Estevam da Silva Bastos, o sócio José Alyrio Bicalho Mourdo, Sociedade Educacional Sistema Ltda., Centro Mineiro de Ensino Superior — CEMES Ltda., Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda., Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi S/C Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda., Pampulha Ensino Fundamental Ltda., Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda., Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda., Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda., Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda., Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda. e o sócio Carlos Alberto Moreira, fls. 33 a 45, alegando em síntese: a) ILEGITIMIDADE DOS CORESPONSÁVEIS A inclusão dos representantes legais como coresponsáveis não merece prosperar, uma vez que não foram provados os incontestes motivos justificadores da coobrigação. As pessoas jurídicas e físicas discriminadas na Relação de Vínculo sequer foram notificadas acerca do mesmo, o que não é permitido pelo Ordenamento Jurídico. Não houve no caso, a comprovação de que os representantes legais agiram com excesso de mandato; b) NORMAS LEGAIS INFRINGIDAS. IMPOSSIBILIDADE DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA Comenta que o Poder Judiciário já reconheceu a inconstitucionalidade da cobrança de INSS sobre pagamento de alimentação, de multas e de impostos de forma arbitrária e ilegal. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.018037/200856 Resolução nº 2302000.300 S2C3T2 Fl. 5 4 c) A manutenção do auto de infração configura cerceamento de defesa e ofensa ao artigo 5°, inciso LV, da Constituição da República. A autuação não atende aos princípios básicos inerentes à Administração Pública, previstos na Lei 9.789/99, pois, quando da auditoria realizada, o auditor poderia ter alertado acerca dos eventuais problemas, a exemplo da apresentação de documentos/dados faltantes, conferindo a defendente a oportunidade de regularizar a situação antes mesmo de ser autuada. Que o Relatório Fiscal da aplicação da multa é nulo por não observar as determinações contidas no artigo 243 do Regulamento da Previdência Social. O artigo 244 do mesmo Regulamento só teria eficácia se o próprio contribuinte tivesse apurado e confessado sua dívida. O Decreto 3048/1999, no artigo 245, confirma a tese de que não pode haver, simultaneamente, uma notificação de lançamento como são as LDC's e uma confissão de divida, prevalecendo a que foi realizada em momento anterior. d) MULTA EXCESSIVA COM EFEITO CONFISCATÓRIO. AFRONTA A CONSTITUIÇÃO FEDERAL ARTIGO 150 A multa aplicada é excessiva, absurda além de confiscatória; e) DEMAIS AUTOS DE INFRAÇÃO Informam os impugnantes que em relação aos demais autos de infração lavrados na mesma ação fiscal, cuja matéria guarda identidade com a presente, especialmente no que se refere à amplitude e falta de especificação, serão objeto de defesas em apartado, com as devidas especificações; f) ERRÔNEA IMPOSIÇÃO DE MULTA E JUROS Face à impossibilidade de se aferir valores, a multa aplicada tem efeito de confisco, o que é vedado pela CF/88, razão pela qual fica, desde já, expressamente, impugnados os lançamentos de multas e juros, mesmo porque, em sua maioria já foram objeto de outros Autos de Infração; g) INOCORRÊNCIA DE INFRAÇÃO CRIMINAL Como já informado anteriormente, não houve, em momento algum por parte da autuada, omissão de fatos, dados e documentos, pelo que impugna a eventual configuração de crime nos moldes do art. 337A do Código Penal Brasileiro; h) Ao final, pleiteou a improcedência da ação, a juntada posterior de outros documentos e que todas as notificações sejam emitidas em nome de Maria Fernanda Guimarães Castro, procuradora, no endereço Av. Raja Gabaglia — 1093, 90 andar, Cidade Jardim Belo Horizonte. A SOEBRAS Associação Educativa do Brasil, CNPJ 22.669.915/000127, na condição de subsidiária, impugnou o lançamento (fls. 388/394), arguindo: a) Que arrendou em 01/11/2006 a utilização da marca "Promove" em troca de pagamento em dinheiro para o Grupo "Promove"; b) Que o Grupo Promove mantém suas atividades empresariais normais, tanto que possui as unidades Mangabeiras, Pampulha, Núcleo e Supletivo; Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.018037/200856 Resolução nº 2302000.300 S2C3T2 Fl. 6 5 c) Que a Promove e a SOEBRAS são empresas diversas, com sócios distintos, personalidades jurídicas próprias e independentes, coexistem no mercado e atuam cada qual em seus objetivos sociais, não se podendo falar em sujeição passiva subsidiária; d) Contestou a cobrança da contribuição da empresa 1% SAT + 20% (FPN, PAT e RPA), contribuição de segurados (PAT e RPA), apropriação indébita contribuição descontada dos segurados (FPN), AI CFL 30 deixar de incluir verbas salariais em FOPAG, AI CFL 35 deixar de apresentar dados em formato MANAD, AI CFL 38 deixar de apresentar livro diário de 2003 a 2007, AI CFL 67 deixar de informar fatos geradores através da GFIP, AI CFL 68 apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores AI CFL 91 apresentar GFIP em desconformidade com o Manual; e) Que a Impugnante goza de isenção/imunidade tributária, por ser entidade beneficente de assistência social; f) Que pelo simples fato de ter arrendado a marca não pode ser responsabilizada pelas obrigações da empresa cedente; g) Que o período do arrendamento ocorreu no final de 2007 e a autuação compreende as competências a partir de 2003; h) Que as diversas alterações ocorridas no sistema de entrega de dados, como envio das GFIPs, causaram certa confusão e desconhecimento técnico, o que não pode ser considerado má fé. Entende que não pode ser punida sem ter concorrido para a prática de ato ilícito; i) Que a SOEBRAS apresentou pedidos de parcelamento de débitos protocolados em 15/10/2007, pelo que roga seja transferido todo o passivo fiscal para o CNPJ 22.669.915/000127, permitindo a sua inclusão nos parcelamentos já solicitados, o que é justo e de direito; j) Requereu a insubsistência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não reconhecendo a sujeição passiva subsidiária atribuída a impugnante ou que seja determinada diligência para adequar o MPF, anulandoo e emitindo outro para reabrir os procedimentos de forma correta, bem como, pede o reconhecimento da imunidade tributária da SOEBRAS; k) Considerando a solicitação das entregas da GFIP e SEFIP, cumprida a tempo, pela unidade Pampulha Ensino Fundamental Ltda. e sendo a SOEBRAS primária, não havendo procedimento anterior, nem multa, nem procedimento concluído com apenamento para a empresa, ponto relevante por ter a fiscalização caráter educativo de orientação e não meramente punitivo, pleiteou a improcedência do lançamento com a não imputação de multa, excluindose os valores acrescidos para manter, tão somente, o débito originalmente constatado face a inexistência de máfé na atuação da SOEBRAS; l) Mais adiante, pleiteou a transferência do débito para o CNPJ 22.669.915/000127 da SOEBRAS para que seja incluído na solicitação de Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.018037/200856 Resolução nº 2302000.300 S2C3T2 Fl. 7 6 parcelamento datado em 15/10/2007. Requereu, ainda, a confirmação do parcelamento com a inclusão dos valores. Na decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/BHE ACORDÃO 0228.210 (fls. 451/471), por unanimidade de votos, foi a impugnação julgada improcedente. No entanto, em decorrência da correção da falta no prazo de defesa, o crédito previdenciário passou a ser de R$ 29.489,91 (vinte e nove mil, quatrocentos e oitenta e oito reais e noventa e um centavos). Tais foram os argumentos: a) Constitui infração à legislação previdenciária a não declaração em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP dos dados cadastrais, fatos geradores de Contribuições sociais e outras informações de interesse do INSS; b) No pólo passivo estão incluídas as pessoas jurídicas responsáveis pelo pagamento do crédito lançado, contribuinte e componentes do mesmo grupo econômico, por solidariedade; c) A alegação de que a multa em face de seu elevado valor é confiscatória não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual este julgador está vinculado; d) É obrigação legal do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais sempre que, no exercício de suas funções, constatar a ocorrência, em tese, de crime contra a Seguridade Social; e) Integra o saláriodecontribuição as parcelas pagas a funcionários a título de AuxílioAlimentação cujo programa não tenha sido aprovado pelo Ministério do Trabalho; f) A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o Impugnante fazêlo em outro momento processual; g) A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato; h) Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante; i) Tendo a autoridade fiscal observado o cumprimento dos requisitos legais indispensáveis a validade do lançamento do crédito tributário, eventuais questionamentos acerca da emissão ou execução do MPF, por constituir essencialmente um instrumento de controle administrativo, não importam em nulidade do procedimento fiscal; j) A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática; Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.018037/200856 Resolução nº 2302000.300 S2C3T2 Fl. 8 7 k) A comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião do pagamento ou do parcelamento do débito. Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional; l) A correção da falta até o termo final do prazo de impugnação enseja a atenuação da multa; m) Quanto aos percentuais de multa tanto do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 quanto do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 sofrem variação de acordo com o prazo do pagamento do crédito. Logo, com base no CTN, artigo 106, inciso II, alínea 'c', e na forma da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 4 de dezembro de 2009, publicada no Diário Oficial da União em 8/12/2009, artigo 2°, § 4°, a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento do crédito previdenciário, atentandose para as orientações contidas no artigo 3° da referida portaria. O sujeito passivo PROMOVE SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA e seus Responsáveis Solidários tiveram ciência do Acórdão 0228.205 (fls.474/522). Inconformados, apresentaram Recurso Voluntário único (fls. 523/542), aduzindo, em breve síntese: a) A ilegitimidade da SOEBRAS para figurar como devedora das dívidas contraídas pelo grupo "Promove" pela mera utilização da marca em contrato de licença para uso de marca, por inexistir previsão legal de que o uso da marca acarreta responsabilidades tributárias; b) A exclusão do pólo passivo da obrigação os sócios das empresas Recorrentes; c) A redução das multas aplicadas, em aplicação ao disposto no art. 150, IV da CR/88 c/c art. 10 da Lei 9.784/99; d) A imunidade tributária da SOEBRÁS atinge os contratos de TRESPASSE realizados com todos os entes que foram objeto do aludido contrato. Eis o relatório. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.018037/200856 Resolução nº 2302000.300 S2C3T2 Fl. 9 8 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora Consta na fls. 1091 dos autos que a empresa teria optado por parcelar, nos termos da Lei nº 11.941/09, todos os débitos da PGFN e Receita Federal. Todavia, à fls. 1092, esclareceu o Fisco que em alguns extratos juntados aos autos foi verificado o pedido de parcelamento e em outros não tem qualquer registro. Nos termos do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 22/07/2009, no prazo determinado pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, de 19/11/09, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deveria desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria. Posteriormente, o art. 1º, §1º da Portaria Conjunta da PGFN/RFB nº 03, de 29.04.2010, estabeleceu que o sujeito passivo que teve deferido o pedido de parcelamento deveria entre os dias 1º a 30 de junho manifestarse sobre a inclusão dos débitos nas modalidades de parcelamento para as quais tenha feito opção na forma da Portaria Conjunta PGFN/RFB Nº 6, de 22 de julho de 2009, não sendo necessária a manifestação para os débitos que estivessem com exigibilidade suspensa nos termos dos incisos III, IV, V e VI do art. 151 do Código Tributário Nacional, para os quais não houve desistência da respectiva ação judicial ou administrativa ou do parcelamento anterior, vide: "Art. 1º O sujeito passivo que teve deferido o pedido de parcelamento previsto nos arts. 1º a 3º da Lei Nº 11.941, de 27 de maio de 2009 , deverá, no período de 1° a 30 de junho de 2010, manifestarse sobre a inclusão dos débitos nas modalidades de parcelamento para as quais tenha feito opção na forma da Portaria Conjunta PGFN/RFB Nº 6, de 22 de julho de 2009. § 1º A manifestação de que trata o caput: I não contempla débitos que estejam com exigibilidade suspensa na forma dos incisos III, IV, V e VI do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), para os quais não houve desistência da respectiva ação judicial ou administrativa ou do parcelamento anterior..." No caso em análise, no período de 1º a 30 de junho/2010, os débitos objeto deste lançamento estavam com a exigibilidade suspensa por força da interposição da Impugnação Administrativa (cujo julgamento pela DRJ só ocorreu em 17.08.2010) e, no contexto, por não haver pedido de desistência, não obstante conste na fl. 1091 a informação de que o contribuinte tenha optado em parcelar todo o crédito tributário, esta opção, a princípio, não abarcaria o valor exigido neste lançamento. Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.018037/200856 Resolução nº 2302000.300 S2C3T2 Fl. 10 9 Sendo assim, para o fim de dirimir quaisquer dúvidas quanto a inclusão ou não destes débitos no parcelamento converto o julgamento em diligência. Por todo o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o Fisco informe se os débitos objeto deste lançamento foram objeto de parcelamento pelo contribuinte ou pelas demais empresas responsáveis (solidária ou subsidiariamente). É como voto. Sala das Sessões, em 13 de Maio de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002786/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO.
O recurso interposto após 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, não deve ser conhecido pelo Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).
RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO A QUO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 28/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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RECURSO INTEMPESTIVO. O recurso interposto após 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, não deve ser conhecido pelo Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO A QUO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 28/05/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 27 86 /2 00 8- 44 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.002786/200844 Acórdão n.º 2102002.767 S2C1T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 30 a 34: Para o contribuinte identificado no preâmbulo foi emitida, por Auditor Fiscal da DRF Vitória (ES), a Notificação de Lançamento de lis. 9/11, referente ao imposto de renda pessoa física do exercício 2007. Foi apurado imposto suplementar de R$ 7.171,46, mais multa d. oficio e juros de mora. A Notificação de Lançamento originouse da revisão da Declaração de ajuste Anual entregue cm 23/04/2007, quando foram alterados os dados nela informados cm decorrência da seguinte irregularidade: • Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas, nos valores de R$ 26.431,52 e R$ 20.539,87, pagos pelo INSS e pela Assembléia Legislativa do listado do Espírito Santo, respectivamente. A descrição dos fatos c o enquadramento legal estão anotados à II. 10. Não consta que o contribuinte tenha sido intimado pela fiscalização no decorrer do procedimento fiscal. Regularmente cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta impugnação às fis. 1/5. Alega o impugnante, cm síntese, que não transgrediu a norma tributária, tendo cm vista que, com respaldo no Regulamento do Imposto de Renda, os rendimentos considerados na omissão deixaram de ser declarados como tributáveis cm virtude do direito à isenção por moléstia grave prevista cm lei. Acrescenta que é correto, cumpridor de seus deveres e observador veemente da legislação do imposto dc renda. Ressalta que não era sabedor da obrigação de apresentar os laudos médicos periciais às fontes pagadoras para comprovar a moléstia grave Requer a improcedência do lançamento. Requer a improcedência do lançamento. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que não foram cumpridos os requisitos necessários ao deferimento da isenção por moléstia grave, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física 1RPF Exercício: 2007 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.002786/200844 Acórdão n.º 2102002.767 S2C1T2 Fl. 4 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 44 a 46. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso dever ser interposto no prazo máximo de 30 (trinta) dias após a ciência, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Da análise dos pressupostos de admissibilidade, verificase que o contribuinte tomou ciência do acórdão da DRJ em 21/10/2011, consoante AR de fl. 37, e observada regra de contagem de prazos do art. 5º do PAF, a data final para interposição do Recurso Voluntário seria 22/11/2011; contudo, o contribuinte protocolou o Recurso em 25/11/2011, conforme assinalado na primeira folha do Recurso à fl. 44, ou seja:o prazo final foi ultrapassado. Verificase destarte, que a presente reclamação não atende o pressuposto de admissibilidade da tempestividade do recurso voluntário, previsto na legislação que rege o processo administrativo fiscal e, portanto, não deve ser conhecida por este órgão julgador. Posto isso voto por NÃO CONHECER DO RECURSO pela intempestividade na sua apresentação. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.002786/200844 Acórdão n.º 2102002.767 S2C1T2 Fl. 5 4 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10380.729157/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO - NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal.
FUNCIONÁRIOS DE CARTÓRIOS ADMITIDOS ANTES DE 1994 E REGIDOS PELO REGIME ESTATUTÁRIO. NÃO VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL.
Os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial, admitidos antes da vigência da Lei 8.935/94 e não optantes pelo regime celetista, continuarão vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia, e, desde que estejam amparados por regime próprio de previdência que lhes garanta, entre outros benefícios, a aposentadoria, ficam, conseqüentemente, excluídos do RGPS conforme disposição contida no art. 13 da Lei n° 8.212/91. A EC 20/98 ao excluir do RGPS somente os detentores de cargo efetivo atinge o direito adquirido dos funcionários de cartórios. Por outro lado, se o trabalhador foi admitido após 1994, então estará regido pelo RGPS com obrigação do contratante de recolher as contribuições previdenciárias respectivas.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.944
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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FUNCIONÁRIOS DE CARTÓRIOS Recorrente SOLANGE GRACE MOURA ROLIM TEIXEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. FUNCIONÁRIOS DE CARTÓRIOS ADMITIDOS ANTES DE 1994 E REGIDOS PELO REGIME ESTATUTÁRIO. NÃO VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial, admitidos antes da vigência da Lei 8.935/94 e não optantes pelo regime celetista, continuarão vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia, e, desde que estejam amparados por regime próprio de previdência que lhes garanta, entre outros benefícios, a aposentadoria, ficam, conseqüentemente, excluídos do RGPS conforme disposição contida no art. 13 da Lei n° 8.212/91. A EC 20/98 ao excluir do RGPS somente os detentores de cargo efetivo atinge o direito adquirido dos funcionários de cartórios. Por outro lado, se o trabalhador foi admitido após 1994, então estará regido pelo RGPS com obrigação do contratante de recolher as contribuições previdenciárias respectivas. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 91 57 /2 01 1- 16 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Fl. 240DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10380.729157/201116 Acórdão n.º 2301003.944 S2C3T1 Fl. 239 3 Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação. O processo teve início com a Auto de Infração (AI) nº 37.296.9615, lavrado em 23/11/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte da empresa, bem como adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT/SAT), apurados no confronto entre Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP) e Folhas de Pagamento, no período de 01/2007 a 12/2008, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 34.248,08, fls. 03. A fiscalização apurou que o Cartório Alexandre Rolim empregou o Sr. Hirschel Anderson Magalhães Teixeira sem que tenha recolhido as contribuições devidas aos trabalhadores vinculados ao RGPS. O referido trabalhador trabalhou para o cartório em diversos períodos antes de 1994, porém sua última admissão foi em 01/06/1995. Logo, sendo admitido após 21/11/1994, seria segurado obrigatório do RGPS. Após tomar ciência postal da autuação em 20/09/2007, fls. 102, a recorrente apresentou impugnação, fls. 106/136, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 6ª Turma da DRJ/Fortaleza, no Acórdão de fls. 189/196, julgou a impugnação improcedente. A interessada foi cientificada em 14/06/2012. O recurso voluntário, apresentado em 10/07/2012, fls. 204/231, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores. Argumenta que em nenhum momento deixou de recolher verbas previdenciárias ao IPEC, denotando sua boafé. Reclama da multa aplicada ao caso. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Entende que a vinculação ao RGPS de funcionários de cartórios só poderia ser obrigatória para trabalhadores admitidos após a edição da EC 20/1998. É o relatório. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10380.729157/201116 Acórdão n.º 2301003.944 S2C3T1 Fl. 240 5 Voto Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, conforme veremos a seguir. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a Fl. 243DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 6 permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do referido ato administrativo. Funcionários de Cartórios admitidos antes de 1994 e regidos pelo Regime Estatutário. A lei 8.212/91 assim dispõe sobre a aplicação ou não do Regime Geral da Previdência aos servidores dos Estados, Distrito Federal ou dos Municípios: Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Como se vê, o servidor público, além de ocupante de cargo efetivo, ou seja, além de regido pelo regime estatutário, deve estar amparado por Regime Próprio de Previdência Social para que não esteja submetido ao Regime Geral de Previdência Social. O regime jurídico dos funcionários dos cartórios foi alterado pela Lei 8.935/1994. A Portaria MPAS 2.701/95 regulamentou a situação da seguinte forma: PORTARIA MPAS Nº 2.701, DE 24 DE OUTUBRO DE 1995 DOU DE 26/10/1995 O MINISTRO DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL, no uso das atribuições que lhe confere o parágrafo único, inciso II, do art. 87 da Constituição Federal. (...) Art. 1º O notário ou tabelião, oficial de registro ou registrador que são os titulares de serviços notariais e de registro, conforme disposto no art. 5º da Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994, têm a seguinte vinculação previdenciária: a) aqueles que foram admitidos até 20 de novembro de 1994, véspera da publicação da Lei nº 8.935./94, continuarão vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia; b) aqueles que foram admitidos a partir de 21 de novembro de 1994, são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, como pessoa física, na qualidade de trabalhador autônomo, nos termos do inciso IV do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10380.729157/201116 Acórdão n.º 2301003.944 S2C3T1 Fl. 241 7 Parágrafo único. O enquadramento na escala de salário base, dos profissionais a que se refere a alínea b deste artigo, darseá em conformidade com as disposições dos §§ 2º e 3º do art. 29 da Lei nº 8.212/91. Art. 2º A partir de 21 de novembro de 1994, os escreventes e auxiliares contratados por titular de serviços notarias e de registro serão admitidos na qualidade de empregados, vinculados obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social, nos termos da alínea a do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. § 1º Os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial, contratados por titular de serviços notariais e de registro antes da vigência da Lei nº 8.935/94. que fizeram opção, expressa, pela transformação do seu regime jurídico para o da Consolidação das Leis do Trabalho, serão segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social como empregados e terão o tempo de serviço prestado no regime anterior integralmente considerado para todos os efeitos de direito, conforme o disposto nos arts. 94 a 99 da Lei nº 8.213/91 § 2º Não tendo havido a opção de que trata o parágrafo anterior, os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia, desde que mantenham as contribuições nela estipuladas até a data do deferimento de sua aposentadoria, ficando, conseqüentemente, excluídos do RGPS conforme disposição contida no art. 13 da Lei nº 8.212/91. Art. 3º Os titulares de serviços notariais e de registro são considerados empresa em relação a segurado que lhe preste serviço na condição de empregado, nos termos do art. 15 da Lei nº 8.212/91, sendo devidas as contribuições para a seguridade de que trata a referida Lei. Parágrafo único. Os titulares de serviços notariais e de registro, embora pessoas físicas, que em virtude de suas atribuições estão obrigados ao registro no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da FazendaCGC, identificarseão junto ao Instituto Nacional do Seguro SociallNSS pela aposição do número do CGC nas guias de recolhimento, e os demais, dispensados deste, farão a sua identificação pelo número que será fornecido pelo INSS por ocasião da matrícula do contribuinte, naquela Autarquia. Art. 4º Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação, com os efeitos financeiros retroativos a 21 de novembro de 1994, revogadas as disposições em contrário. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 8 Como pode ser observado, o regime jurídico da contratação dos servidores dos cartórios depende da data de admissão destes e, se admitidos antes até 20 de novembro de 1994, da existência ou não de Termo de Opção pelo regime celetista. Por fim, observamos que o §14º do art. 40 da Constituição Federal (CF), incluído pela EC 20/98 não pode atingir o direito adquirido em 1994 pelos funcionários de cartório, em obediência à cláusula pétrea do inciso XXXVI do art. 5º da CF. No caso em epígrafe, o funcionário incluído no levantamento no cartório em 1995, estando submetido , portanto, ao RGPS. Correta portanto o lançamento das contribuições previdenciárias. Efeito confiscatório da multa de ofício Em relação ao argumento despendido pela recorrente em relação ao elevado valor da multa, que no seu entender configuraria agressão ao princípio constitucional da vedação ao confisco (artigo 150, inciso IV, da Constituição Federa), devese esclarecer que, sendo o Conselho de Contribuintes órgãos do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009, veda aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por fim, sabendose que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado e que o assunto é objeto da Súmula CARF nº 2 a seguir transcrita, não é possível apreciarmos o pedido da recorrente referente ao efeito confiscatório da multa de ofício que está prevista em diploma legal que está validamente surtindo efeitos no ordenamento jurídico pátrio. “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC” Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10380.729157/201116 Acórdão n.º 2301003.944 S2C3T1 Fl. 242 9 Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 10 É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10380.729157/201116 Acórdão n.º 2301003.944 S2C3T1 Fl. 243 11 declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 12 Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10380.729157/201116 Acórdão n.º 2301003.944 S2C3T1 Fl. 244 13 O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 14 Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a: (a) até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, manter a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 252DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10380.729157/201116 Acórdão n.º 2301003.944 S2C3T1 Fl. 245 15 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 15504.018032/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.295
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2006
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que o Fisco informe se o crédito lançado foi objeto de Parcelamento.
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: Não se aplica
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2006 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que o Fisco informe se o crédito lançado foi objeto de Parcelamento. Liege Lacroix Thomasi – Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 18 03 2/ 20 08 -2 3 Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo PROMOVE SEVRIÇOS EDUCACIONAIS LTDA E OUTROS em face da decisão da 7ª Turma da DRJ/BHE que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito exigido no Auto de Infração 37.052.8247. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 21/32, o crédito lançado referese à contribuição destinada à Seguridade Social a cargo dos segurados empregados, descontadas dos mesmos e não repassada aos cofres públicos, no período de 13/2003 a 01/2007. A ação fiscal foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal n° 09421018, do Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF, fls. 86/87, do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, fls. 188 e 190/191, tendo sido encerrada em 23/10/2008, conforme Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal, fls. 192/193. (as folhas citadas são do processo 15504.018030/200834 a que este está apensado). O crédito previdenciário foi constituído no montante de R$ 775.278,97 (setecentos e setenta e cinco mil duzentos e setenta e oito reais e noventa e sete centavos). De acordo com a fiscalização em, ficou constatado o interesse comum entre as seguintes empresas: Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda, CNPJ. 05.385.879/0000150; Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda, CNPJ. 05.401.768/000190; Pampulha Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 06.001.557/000123; Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda, CNPJ. 05.401.766/000100; Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda, CNPJ.05.392.395/000139; Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 06.001.546/000143; Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 04.901.337/000120; Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda, CNPJ. 02.636.995/000107; Promove Participações Ltda, CNPJ. 05.376.569/000170; Promove Serviços Educacionais Ltda, CNPJ. 05.376.559/000134; Promove Cursos Livres e Mercantil, CNPJ. 42.975.896/000174, Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda, CNPJ. 05.399.437/000163, Sociedade Educacional Sistema Ltda., CNPJ. 23.840.945/000117. Restando configurada a sujeição passiva entre elas, foram emitidos em nome das empresas os Termos de Sujeição Passiva cuja ciência ocorreu no PAF 15504.018030/200834 (fls. 213/222, 226 e 227). Ainda no relatório, informa o auditor que a Associação Educativa do Brasil — SOEBRAS, CNPJ. 22.669.915/0001 27, foi eleita responsável subsidiária, nos termos do art. 133 do CTN por ter adquirido do grupo PROMOVE o direito de uso da marca PROMOVE, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca", continuando a explorar a antiga atividade econômica da autuada. Para o exercício das atividades então pactuadas, a adquirente inscreveu novos estabelecimentos no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, manteve o mesmo endereço e CNAE da cedente (fls. 139 a 150 do PAF 15504.018030/200834). Em segundo ato, a SOEBRAS através do Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial — TRESPASSE, adquiriu das empresas do grupo todo o Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.018032/200823 Resolução nº 2302000.295 S2C3T2 Fl. 4 3 complexo de bens organizados para exercício da atividade, composto da titularidade do estabelecimento empresarial, incluindo todo o ativo e passivo, bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, e semoventes e afins (fls. 151 a 159 do PAF 15504.018030/200834). Com isso, a SOEBRAS fez constar em seu balanço patrimonial, em 31/12/2007, a referida aquisição, lançando em seu ativo diferido o montante de R$ 14.383.436,00 referente a incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS E PROMOVE FACULDADES, incluindo a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, semoventes e afins. Todavia, informa ainda o auditor, a Autuada (Promove Serviços) não procedeu as devidas anotações nos Órgãos Oficiais de Registro, não arquivando na JUCEMG qualquer alteração contratual de dissolução ou liquidação, sendo seu último arquivamento nesse órgão o contrato de alienação mencionado conforme registro de n° 3818113 (fls. 108/109 do PAF 15504.018030/200834). Registra também que a autuada não cumpriu com as obrigações frente à administração tributária, permanecendo ativa no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica. A Autuada após ciência do auto de infração, em 12/11/2008, apresentou defesa juntamente com a empresa Promove Serviços Educacionais Ltda, Promove Participações Ltda, o sócio Luiz Magno da Silva Saramago, o sócio Hélio Soares Bazzoni, o sócio João Bosco Fontoura, o sócio Paulo Estevam da Silva Bastos, o sócio José Alyrio Bicalho Mourdo, Sociedade Educacional Sistema Ltda, Centro Mineiro de Ensino Superior — CEMES Ltda, Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi S/C Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda, Pampulha Ensino Fundamental Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda, Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda, Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda, Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda e o sócio Carlos Alberto Moreira, fls. 97/121, alegando em síntese: a) ILEGITIMIDADE DOS CORESPONSÁVEIS A inclusão dos representantes legais como coresponsáveis não merece prosperar, uma vez que não foram provados os incontestes motivos justificadores da coobrigação. As pessoas jurídicas e físicas discriminadas na Relação de Vínculo sequer foram notificadas acerca do mesmo, o que não é permitido pelo Ordenamento Jurídico. Não houve no caso, a comprovação de que os representantes legais agiram com excesso de mandato; b) DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS E COBRANÇAS RELATIVAS AO PAT De acordo com os impugnantes, a multiplicidade de cobrança e o ímpeto da fiscalização em multar o contribuinte geraram duplicidade de exigências, pois como comprovam os Relatórios de Lançamento foram também lançados no auto de infração 37.052.8220 (PAF 15504.018030/200834), valores a título de PAT — alimentação. Assim, devem ser excluídos do lançamento, as parcelas relativas a tal rubrica, sob pena de repetição de indébito e enriquecimento ilícito do fisco; c) PRESCRIÇÃO São indevidos os lançamentos, multas e juros relativos a supostas infrações apuradas em período anterior a 20/10/2003, por estarem prescritos; Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.018032/200823 Resolução nº 2302000.295 S2C3T2 Fl. 5 4 d) NORMAS LEGAIS INFRINGIDAS. IMPOSSIBILIDADE DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA Comenta que o Poder Judiciário já reconheceu a inconstitucionalidade da cobrança de INSS sobre pagamento de alimentação, de multas e de impostos de forma arbitrária e ilegal. e) Que a manutenção do auto de infração configura cerceamento de defesa e ofensa ao artigo 5°, inciso LV, da Constituição da República. A autuação não atende aos princípios básicos inerentes à Administração Pública, previstos na Lei 9.789/99, pois, quando da auditoria realizada, o auditor poderia ter alertado acerca dos eventuais problemas, a exemplo da apresentação de documentos/dados faltantes, conferindo a defendente a oportunidade de regularizar a situação antes mesmo de ser autuada. Que o Relatório Fiscal da aplicação da multa é nulo por não observar as determinações contidas no artigo 243 do Regulamento da Previdência Social. O artigo 244 do mesmo Regulamento só teria eficácia se o próprio contribuinte tivesse apurado e confessado sua dívida. O Decreto 3048/1999, no artigo 245, confirma a tese de que não pode haver, simultaneamente, uma notificação de lançamento como são as LDC's e uma confissão de divida, prevalecendo a que foi realizada em momento anterior. f) MULTA EXCESSIVA COM EFEITO CONFISCATÓRIO. AFRONTA A CONSTITUIÇÃO FEDERAL ARTIGO 150 A multa aplicada é excessiva, absurda além de confiscatória; g) DEMAIS AUTOS DE INFRAÇÃO Informam os impugnantes que em relação aos demais autos de infração lavrados na mesma ação fiscal, cuja matéria guarda identidade com a presente, especialmente no que se refere à amplitude e falta de especificação, serão objeto de defesas em apartado, com as devidas especificações; h) ERRÔNEA IMPOSIÇÃO DE MULTA E JUROS Face à impossibilidade de se aferir valores, a multa aplicada tem efeito de confisco, o que é vedado pela CF/88, razão pela qual fica, desde já, expressamente, impugnados os lançamentos de multas e juros, mesmo porque, em sua maioria já foram objeto de outros Autos de Infração; i) INOCORRÊNCIA DE INFRAÇÃO CRIMINAL Como já informado anteriormente, não houve, em momento algum por parte da autuada, omissão de fatos, dados e documentos, pelo que impugna a eventual configuração de crime nos moldes do art. 337A do Código Penal Brasileiro; j) FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT A Constituição Federal, no seu artigo 7°, inciso XXVI, reconhece legalmente as convenções e acordos coletivos de trabalho. É ilegítima, ilegal e inconstitucional a exigência de contribuição social sobre o fornecimento de alimentação a empregados, já que prevista em convenção coletiva como verba indenizatória e nos mesmos moldes do PAT. k) Que a inscrição no PAT é mera formalidade e por tal motivo não pode servir como fundamento para a aplicação de penalidade; Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.018032/200823 Resolução nº 2302000.295 S2C3T2 Fl. 6 5 l) Ao final, pleiteou a improcedência da ação, a juntada posterior de outros documentos e que todas as notificações sejam emitidas em nome de Maria Fernanda Guimarães Castro, procuradora, no endereço Av. Raja Gabaglia — 1093, 90 andar, Cidade Jardim Belo Horizonte. A SOEBRAS Associação Educativa do Brasil, CNPJ 22.669.915/000127, na condição de subsidiária, impugnou o lançamento (fls. 468/474), arguindo: a) Que arrendou em 01/11/2006 a utilização da marca "Promove" em troca de pagamento em dinheiro para o Grupo "Promove"; b) Que o Grupo Promove mantém suas atividades empresariais normais, tanto que possui as unidades Mangabeiras, Pampulha, Núcleo e Supletivo; c) Que a Promove e a SOEBRAS são empresas diversas, com sócios distintos, personalidades jurídicas próprias e independentes, coexistem no mercado e atuam cada qual em seus objetivos sociais, não se podendo falar em sujeição passiva subsidiária; d) Que a impugnante goza de isenção/imunidade tributária, por ser entidade beneficente de assistência social; e) Que pelo simples fato de ter arrendado a marca não pode ser responsabilizada pelas obrigações da empresa cedente; f) Que o período do arrendamento ocorreu no final de 2007 e a autuação compreende as competências a partir de 2003; g) Que as diversas alterações ocorridas no sistema de entrega de dados, como envio das GFIPs, causaram certa confusão e desconhecimento técnico, o que não pode ser considerado má fé. Entende que não pode ser punida sem ter concorrido para a prática de ato ilícito; h) Que a SOEBRAS apresentou pedidos de parcelamento de débitos protocolados em 15/10/2007, pelo que roga seja transferido todo o passivo fiscal para o CNPJ 22.669.915/000127, permitindo a sua inclusão nos parcelamentos já solicitados, o que é justo e de direito; i) Requereu: a insubsistência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF; o não reconhecimento da sujeição passiva subsidiária; a anulação do procedimento e o reconhecimento da imunidade tributária da SOEBRAS. Na decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/BHE ACORDÃO 0228.203 (fls. 527/546), por unanimidade de votos, foi mantido o crédito previdenciário, pelas seguintes razões: a) Os dispositivos legais que embasaram o lançamento constam do Relatório de Fundamentos Legais do Débito, fls. 51/52; Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.018032/200823 Resolução nº 2302000.295 S2C3T2 Fl. 7 6 b) A empresa deveria recolher a contribuição do segurado, bem como, a contribuição a seu cargo incidente sobre a remuneração paga aos trabalhadores a seu serviço no prazo legal; c) Não há que se falar em prescrição quando ainda não transcorrido o prazo legal para a Seguridade Social constituir seus créditos; d) No pólo passivo estão incluídas as pessoas jurídicas responsáveis pelo pagamento do crédito lançado, contribuinte e componentes do mesmo grupo econômico, por solidariedade; e) Sobre as contribuições sociais em atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, aplicados sobre o valor atualizado, e multa de mora, de caráter irrelevável; f) A alegação de que a multa em face de seu elevado valor é confiscatória não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual este julgador está vinculado; g) É obrigação legal do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais sempre que, no exercício de suas funções, constatar a ocorrência, em tese, de crime contra a Seguridade Social; h) Integram o saláriodecontribuição as parcelas pagas a funcionários a título de AuxílioAlimentação cujo programa não tenha sido aprovado pelo Ministério do Trabalho; i) A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual; j) A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato; l) Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante; m) Tendo a autoridade fiscal observado o cumprimento dos requisitos legais indispensáveis a validade do lançamento do credito tributário, eventuais questionamentos acerca da emissão ou execução do MPF, por constituir essencialmente um instrumento de controle administrativo, não importam em nulidade do procedimento fiscal; n) A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática; o) Quanto aos percentuais de multa tanto do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, quanto do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, sofrem variação de acordo com o prazo Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.018032/200823 Resolução nº 2302000.295 S2C3T2 Fl. 8 7 do pagamento do crédito. Logo, com base no CTN, artigo 106, inciso II, alínea 'c', e na forma da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 4 de dezembro de 2009, publicada no Diário Oficial da União em 8/12/2009, artigo 2°, § 4°, a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento do crédito previdenciário, atentandose para as orientações contidas no artigo 3° da referida portaria. O sujeito passivo PROMOVE SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA e seus Responsáveis Solidários tiveram ciência do Acórdão 0228.203 (fls.548/596). Inconformados, apresentaram Recurso Voluntário único (fls. 597/618), em 23.02.2011, defendendo, em breve síntese: a) A decadência da cobrança efetuada no período anterior a 20/10/2003, dado que a Administração Pública tem o direito de constituir o crédito tributário no prazo 5 (cinco) anos, consoante Súmula Vinculante nº 08/2009 e art. 144 do CTN; b) A aplicação de penalidade menos severa aos Recorrentes, a teor do que dispõe o art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, bem como, a anulação do Auto de Infração em decorrência da ausência de fundamentação legal para incidência da penalidade; c) A ilegitimidade da SOEBRAS para figurar como devedora das dívidas contraídas pelo grupo "Promove" pela mera utilização da marca em contrato de licença para uso de marca, por inexistir previsão legal de que o uso da marca acarreta responsabilidades tributárias; d) A exclusão do pólo passivo da obrigação os sócios das empresas Recorrentes; e) A redução das multas aplicadas, em aplicação ao disposto no art. 150, IV da CR/88 c/c art. 10 da Lei 9.784/99; f) A imunidade tributária da SOEBRÁS atinge os contratos de TRESPASSE realizados com todos os entes que foram objeto do aludido contrato. Eis o relatório. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.018032/200823 Resolução nº 2302000.295 S2C3T2 Fl. 9 8 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora Consta à fls. 1245 dos autos que a empresa teria optado por parcelar, nos termos da Lei nº 11.941/09, todos os débitos da PGFN e Receita Federal. Todavia, à fl. 1247, esclareceu o Fisco que em alguns extratos juntados aos autos foi verificado o pedido de parcelamento e em outros não tem qualquer registro Nos termos do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 22/07/2009, no prazo determinado pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, de 19/11/09, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deveria desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria. Posteriormente, o art. 1º, §1º da Portaria Conjunta da PGFN/RFB nº 03, de 29.04.2010, estabeleceu que o sujeito passivo que teve deferido o pedido de parcelamento deveria entre os dias 1º a 30 de junho manifestarse sobre a inclusão dos débitos nas modalidades de parcelamento para as quais tenha feito opção na forma da Portaria Conjunta PGFN/RFB Nº 6, de 22 de julho de 2009, não sendo necessária a manifestação para os débitos que estivessem com exigibilidade suspensa nos termos dos incisos III, IV, V e VI do art. 151 do Código Tributário Nacional, para os quais não houve desistência da respectiva ação judicial ou administrativa ou do parcelamento anterior, vide: "Art. 1º O sujeito passivo que teve deferido o pedido de parcelamento previsto nos arts. 1º a 3º da Lei Nº 11.941, de 27 de maio de 2009 , deverá, no período de 1° a 30 de junho de 2010, manifestarse sobre a inclusão dos débitos nas modalidades de parcelamento para as quais tenha feito opção na forma da Portaria Conjunta PGFN/RFB Nº 6, de 22 de julho de 2009. § 1º A manifestação de que trata o caput: I não contempla débitos que estejam com exigibilidade suspensa na forma dos incisos III, IV, V e VI do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), para os quais não houve desistência da respectiva ação judicial ou administrativa ou do parcelamento anterior..." No caso em análise, no período de 1º a 30 de junho/2010 os débitos objeto deste lançamento estavam com a exigibilidade suspensa por força da interposição da Impugnação Administrativa (cujo julgamento pela DRJ só ocorreu em 17.08.2010) e, no contexto, por não haver pedido de desistência, não obstante conste na fl. 1245 a informação de que o contribuinte tenha optado em parcelar todo o crédito tributário, esta opção, a princípio, não abarcaria o valor exigido neste lançamento. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.018032/200823 Resolução nº 2302000.295 S2C3T2 Fl. 10 9 Sendo assim, para o fim de dirimir quaisquer dúvidas quanto a inclusão ou não destes débitos no parcelamento, converto o julgamento em diligência. Por todo o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o Fisco informe se os débitos objeto deste lançamento foram objeto de parcelamento pelo contribuinte ou pelas demais empresas responsáveis (solidária ou subsidiariamente). Sala das Sessões, em 13 de Maio de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000467/2010-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. MULTA. CABIMENTO. A não apresentação de livros e documentos devidamente requeridos pela fiscalização por meio de TIAD enseja violação ao disposto no art. 33, §§2o e 3o, da Lei 8.212/91.
SÓCIOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INDICAÇÃO DOS MESMOS NO RELATÓRIO REPLEG. A mera indicação dos sócios da recorrente no anexo REPLEG não enseja qualquer atribuição de responsabilidade solidária ou subsidiária em relação ao lançamento, pois trata-se de documento meramente informativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. MULTA. CABIMENTO. A não apresentação de livros e documentos devidamente requeridos pela fiscalização por meio de TIAD enseja violação ao disposto no art. 33, §§2o e 3o, da Lei 8.212/91. SÓCIOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INDICAÇÃO DOS MESMOS NO RELATÓRIO REPLEG. A mera indicação dos sócios da recorrente no anexo REPLEG não enseja qualquer atribuição de responsabilidade solidária ou subsidiária em relação ao lançamento, pois trata-se de documento meramente informativo. Recurso Voluntário Negado.
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NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. MULTA. CABIMENTO. A não apresentação de livros e documentos devidamente requeridos pela fiscalização por meio de TIAD enseja violação ao disposto no art. 33, §§2o e 3o, da Lei 8.212/91. SÓCIOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INDICAÇÃO DOS MESMOS NO RELATÓRIO REPLEG. A mera indicação dos sócios da recorrente no anexo REPLEG não enseja qualquer atribuição de responsabilidade solidária ou subsidiária em relação ao lançamento, pois tratase de documento meramente informativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 04 67 /2 01 0- 54 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19311.000467/201054 Acórdão n.º 2401002.991 S2C4T1 Fl. 231 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários interposto por VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA, em face do acórdão que mantive o AI 37.266.3460 lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de apresentar os livros diário e razão dos exercícios de 2006 e 2007, as folhas de pagamento da filial inscrita no CNPJ sob n° 58.610.338/000579 do período de 01/2006 a 13/2007, assim como apresentou de forma deficiente a documentação relativa às reclamatórias trabalhistas, vez que não apresentou as sentenças de referidos processos, infringindo, desta forma, o artigo 33, §§ 2o e 3o , da Lei n° 8.212/91, O lançamento compreende as competências de 03/2006 a 13/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 14/09/2010. O contribuinte impugnou o lançamento, na oportunidade tendo reconhecido os erros apontados pela fiscalização, todavia, justificandoos como mero erro material humano, situação que não enseja dolo ao não pagamento das contribuições e, portanto, o seu lançamento. O acórdão de primeira instância manteve a integralidade do lançamento. Em seu recurso sustenta que toda a documentação requisitada pela auditora autuante foilhe entregue, não tendo, portanto, ocorrido infração alguma por parte da impugnante; Acresce que se falha houve sob tal aspecto, deve ela ser atribuída à própria auditora fiscal, que recebeu aludida documentação e não a analisou, em claro cerceamento do direito de defesa do contribuinte; Que para comprovar que a empresa exibiu a documentação em apreço, são foram juntadas à defesa cópias das aludidas reclamatórias, em especial das sentenças a que o fisco se refere. Defende que o fisco incorreu em equívoco que resulta na nulidade da autuação, ao indicar como coresponsáveis exsócios que não pertenciam aos quadros da empresa nos exercícios de 2006 e 2007. Por fim alega que o presente auto de infração é passível de nulidade, tendo em vista que no enquadramento legal da multa não consta, explicitamente, qual dos artigos e ou inciso(s) da Portaria Interministerial MPS/MF n° 333 teria fixado o valor da multa no valor apontado de R$ 14.317,78 Processado os recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, merece conhecimento. Sem preliminares. MÉRITO. Com relação a alegação recursal no sentido de que todos os documentos requeridos foram apresentados à fiscalização, as tenho por descabidas, pois, mesmo que o contribuinte tenha juntado uma série de documentos em sua impugnação não juntou as cópias de todas as sentenças trabalhistas proferidas nos processos em que versou como interessada. Ademais, em verdade em alguns casos, como do Segurado Cleyton Borges de Oliveira, a recorrente não juntou com a impugnação a cópia integral da sentença, mas somente a citação da mesma na execução fiscal impetrada na Justiça do Trabalho. Ou seja, de fato, os documentos requeridos não foram apresentados em sua integralidade, e a não apresentação de mesmo apenas um deles, por si só, já possui o condão de manter incólume a multa aplicada. Sobre o assunto, assim se manifestou o v. acórdão de primeira instância: Deveras, ao contrário do que supõe a impugnante, os documentos acostados às fls. 77 a 187 são inteiramente desprovidos de aptidão para realizar tal comprovação, seja porque a sua presença nos autos não significa que foram apresentados durante a ação fiscal, seja porque, somente foram trazidos pela defesa os termos de decisão relativos aos processos motivos por Airton Delion (fls. 83 e 84), Luiz Turtera Melges (fl. 157), Hélvio Panzarin (fls. 167 e 168) e Laureei Fieis Carvalho (fls. 177 a 187). Noutras palavras, permanecem não exibidos os termos de decisão correspondentes aos processos de autoria de Cleyton Borges de Oliveira, Ludgero G. Ventura, Sérgio Roberto Rodrigues Alves, José Rodrigues Meireles e Ademir José Gralha, o que facilmente se constata ante ao exame dos documentos de fls. 99 a 110, 112 a 123, 124 a 134, 135 a 143 e 144 a 148, respectivamente. Ademais, também não merece guarida o pedido de nulidade da autuação pela falta de indicação do dispositivo de aplicação da multa. Embora em seu relatório a auditora fiscal realmente não identifique o dispositivo da citada portaria em que é feita menção ao valor atualizado da multa, no caso de R$ 14.317,78, não se vislumbra nisto causa para a nulidade postulada pelo sujeito passivo,. É que, diversamente do quanto é afirmado pela defesa, tal normativo ministerial não "fixou" o valor da multa in casu aplicada, mas apenas veiculou a nova Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19311.000467/201054 Acórdão n.º 2401002.991 S2C4T1 Fl. 232 5 expressão monetária dos valores fixados na Lei n° 8.212/91 e no seu regulamento, em face da atualização imposta no art. 102 daquele diploma ordinário, in verbis: Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Tendo em vista que tal vício não lhe causa qualquer prejuízo, conforme inclusive já restou decidido pela Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais, uma vez que os dispositivos legais que fundamentam a cobrança e a sua forma de cálculo foram devidamente explicitados, permitindo o exercício do direito de defesa, em respeito ao princípio do contraditório e legalidade. Por fim, Quanto ao pedido de exclusão dos sócios do pólo passivo do presente processo, esclareço que a sua mera indicação no REPLEG (relatório de co responsáveis), serve para fins meramente indicativos, de forma que aos mesmos não é atribuída qualquer responsabilidade solidária ou subsidiária pelo lançamento ora em debate, se tratando de documento meramente informativo. Ante todo o exposto voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 13888.004463/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
NULIDADE. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Incabível a argüição de nulidade do procedimento quando os atos administrativos encontram-se revestidos de suas formalidades essenciais e a infração encontra-se perfeitamente identificada e demonstrada no lançamento constituído em estrita observância aos preceitos legais, afastando-se a hipótese de cerceamento de defesa.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA.
Os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita, por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42.
ARBITRAMENTO.
Justifica-se o arbitramento quando a contribuinte deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa.
AUTOS REFLEXOS.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados.
MULTA QUALIFICADA
A multa qualificada deve ser aplicada quando constatada a ocorrência de dolo ou fraude, devendo a autuação especificamente apontar quais fatos caracterizam o pressuposto necessário à aplicação da dobra da multa punitiva.
Numero da decisão: 1401-001.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
Por unanimidade votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio;
Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso apenas para desqualificar a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto.
Designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor, referente à desqualificação da multa de ofício.
(assinado digitalmente)
JORGE CELSO FREIRE DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Mauricio Pereira Faro e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 NULIDADE. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Incabível a argüição de nulidade do procedimento quando os atos administrativos encontram-se revestidos de suas formalidades essenciais e a infração encontra-se perfeitamente identificada e demonstrada no lançamento constituído em estrita observância aos preceitos legais, afastando-se a hipótese de cerceamento de defesa. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita, por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42. ARBITRAMENTO. Justifica-se o arbitramento quando a contribuinte deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. AUTOS REFLEXOS. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. MULTA QUALIFICADA A multa qualificada deve ser aplicada quando constatada a ocorrência de dolo ou fraude, devendo a autuação especificamente apontar quais fatos caracterizam o pressuposto necessário à aplicação da dobra da multa punitiva.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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nome_relator_s : FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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secao_s : Primeira Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio; Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso apenas para desqualificar a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto. Designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor, referente à desqualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator (assinado digitalmente) ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Mauricio Pereira Faro e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2370; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.004463/201034 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.045 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2013 Matéria IRPJ Recorrente J C F Metalúrgica Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 NULIDADE. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Incabível a argüição de nulidade do procedimento quando os atos administrativos encontramse revestidos de suas formalidades essenciais e a infração encontrase perfeitamente identificada e demonstrada no lançamento constituído em estrita observância aos preceitos legais, afastandose a hipótese de cerceamento de defesa. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita, por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42. ARBITRAMENTO. Justificase o arbitramento quando a contribuinte deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. AUTOS REFLEXOS. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. MULTA QUALIFICADA A multa qualificada deve ser aplicada quando constatada a ocorrência de dolo ou fraude, devendo a autuação especificamente apontar quais fatos caracterizam o pressuposto necessário à aplicação da dobra da multa punitiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 44 63 /2 01 0- 34 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio; II) Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso apenas para desqualificar a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto. Designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor, referente à desqualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS – Relator (assinado digitalmente) ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA –Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Mauricio Pereira Faro e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 673680): Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 534.326,52 (fl. 140) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 163.779,82 (fl. 150), Contribuição para o PIS de R$ 35.534,55 (fl. 171) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 161.406,12 (fl. 185), acrescidos de juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%, perfazendo o crédito tributário de R$ 2.040.163,52 (fl. 137) em virtude de omissão de receita operacional (prestação de serviços gerais) e omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente ao anocalendário de 2006. O procedimento fiscal iniciouse em 21/05/2010 com a entrega pessoal do Termo Início de fls. 24/25 ao sócio da empresa, Leonil José Filetti, por meio do qual foi a empresa intimada a apresentar, entre outros documentos, os livros Diário e Razão ou o livro Caixa, livro Registro de Entradas e de Saídas, livro Registro de Prestação de Serviços, notas fiscais de entrada e de saída, extrato das contas bancárias, tudo em relação ao ano calendário de 2006. Em resposta, a contribuinte informou às fls. 27/29 que sendo optante pelo Simples estaria dispensada de escriturar os livros de Registro de Entradas, de Saídas, de Prestação de Serviços e Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência, e que em relação ao livro Caixa, embora obrigada a escriturálo, deixava de apresentálo porque faltavalhe a escrituração da movimentação financeira, e também deixava de apresentar os extratos bancários, mas que os mesmos já haviam sido solicitados às instituições financeiras conforme protocolos de fls. 44/50. Com relação às notas fiscais de entrada e de saída alegou não possuílas uma vez que se entravam extraviadas. Juntou cópia do contrato social e suas alterações (fls. 30/43). Posteriormente, em atendimento, a empresa apresentou os extratos das contas mantidas no Banco Unibanco (agência 7160 – c/c 110.1877), Bradesco (Agência 2431 – c/c 00132691) e Banco do Brasil (Agência 04590 – c/c 12.7418) e solicitou prorrogação de prazo para apresentar os extratos dos demais bancos. Em 16/06/2010 a empresa JCF Metalúrgica Ltda foi intimada a apresentar os extratos das contas mantidas no Banco Bradesco, uma vez que nem todos os extratos foram apresentados, e também dos demais bancos, além das notas fiscais de entrada e Fl. 747DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 de saída, as notas fiscais de prestação de serviços, e comprovação de ter observado o disposto no art. 264 do RIR/99 concernente ao alegado extravio dos documentos (fls. 58/60). Em atendimento, a empresa apresentou, em 02/07/2010, os extratos das contas mantidas no Banco Bradesco, Santander, Real e Nossa Caixa/Nosso Banco e reiterou a alegação de que deixava de entregar as notas fiscais de entrada, de saídas e de prestação de serviços por terem sido extraviadas e que não atendera ao disposto no art. 264, §1º, do RIR/99. A fim de subsidiar o procedimento fiscal junto a empresa JCF Metalúrigica Ltda, a fiscalização intimou a empresa “Indústria Romi S/A”, cliente da empresa fiscalizada, a apresentar as notas fiscais de entrada e de saída e de serviços tomados/prestados e ainda um demonstrativo dos pagamentos efetuados (fls. 51/53). A mesma solicitação foi feita à empresa “Máquinas Furlan Ltda” (fls. 54/56), também cliente da empresa fiscalizada. Segundo consta no Relatório de Fiscalização, a Indústria Romi S/A apresentou as notas fiscais de entrada e de saída e relatórios de pagamentos e a empresa Máquinas Furlan Ltda apresentou um relatório das notas fiscais de entrada, de saída e de prestação de serviços e demonstrativo de pagamentos. Em 25/06/2010 foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal nº 0003 de fls. 61/62 no qual a autoridade fiscal informou que tomando por base os documentos apresentados pelas empresas “Indústria Romi S/A” e “Máquinas Furlan Ltda” (notas fiscais e demonstrativos de pagamentos), apurou que essas empresas, clientes da fiscalizada, efetuaram pagamentos à JCF Metalúrigica Ltda por serviços prestados no montante de R$ 2.155.248,00, conforme notas fiscais, e, por outro lado, a JCF Metalúrigica Ltda declarou à Receita Federal do Brasil, mediante a DIPJ, receitas no montante de apenas R$ 945.497,14, evidenciando uma omissão de receita de R$ 1.209.750,86. Acrescentou que esta apuração foi baseada em 1.683 notas fiscais apresentadas pelos clientes circularizados e que a empresa fiscalizada emitiu, no mínimo, 3.551 notas fiscais, já que a primeira nota fiscal emitida em 2006 foi a de número 6954 e a última a de número 10504. Intimada a manifestarse a respeito dessas constatações, a empresa alegou à fl. 64 que iria manifestar sobre o trabalho fiscal após a conclusão do mesmo, bem como sobre eventual documentação fornecida por terceiros. Posteriormente, intimouse as empresas “Indústria Romi S/A” e “Máquinas Furlan Ltda” a apresentar uma via original da primeira e da última nota fiscal de entrada do ano de 2006 (fls. 80/83) emitidas pela empresa JCF Metalúrigica Ltda. Em 22/09/2010 foram lavrados os Termos de Retenção de fls. 114 e 115 nos quais constam as retenções das notas fiscais solicitadas. Em 08/07/2010 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 0004 (fls. 84/92), ciência em 13/07/2010 (fl. 93), por meio do qual foi a empresa fiscalizada intimada a comprovar, no prazo de 20 (vinte) dias, a origem e a causa dos ingressos de recursos depositados/creditados em contas correntes, conforme Anexo I, II e III juntados às fls. 85/92, já excluídos os valores provenientes de pagamentos feitos pela empresa Indústria Romi S/A. Em resposta, a empresa informou à fl. 94 que, considerando Fl. 748DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 4 5 o extravio de vários documentos, inclusive os avisos bancários, seria impossível cumprir no prazo de vinte dias a tarefa solicitada na intimação e por isso deixava de atendêla. Em 06/08/2010, por meio do Termo de Reintimação Fiscal nº 0005 (fls. 95/96), foi a empresa cientificada de que a não apresentação dos documentos já solicitados e não atendidos em sua totalidade implicaria o arbitramento do lucro e a exclusão do Simples com efeito retroativo. Em resposta, a contribuinte reiterou a afirmação de que os livros e documentos exigidos somente não foram entregues em razão do extravio dos mesmos (fl. 101). Em 06/08/2010 a empresa fiscalizada foi informada (fls. 97/98) de que, ao examinar os documentos apresentados pela empresa “Máquinas Furlan Ltda”, relativos aos pagamentos feitos por serviços prestados pela fiscalizada, não foi possível identificar nos extratos bancários da interessada os correspondentes ingressos de recursos, razão pela qual foi a empresa intimada a informar e comprovar em que conta bancária foram feitos os pagamentos efetuados pela empresa “Máquinas Furlan Ltda” e apresentar os correspondentes extratos bancários caso esses não tenham sido apresentados. Em resposta, a contribuinte informou à fl. 102 que a falta de correspondência entre datas e valores podem ser em decorrência de recebimento de títulos com juros de mora e também pelo fato de inúmeros títulos terem sido descontados na época, o que significa dizer que os títulos não foram creditados em sua conta corrente, daí a razão de não tê los encontrado nos extratos. Também foram solicitados à empresa “Máquinas Furlan Ltda” (fls. 99/100) os comprovantes de pagamentos feitos à JCF Metalúrigica Ltda pelos serviços tomados e esclarecimentos a respeito do tipo de serviços (fls. 98/99). Em resposta, a empresa Máquinas Furlan Ltda informou que os serviços prestados pela empresa J.C.F. Metalúrgica Ltda no período de 2.006 eram de Rebarbação de peças fundidas que compõe nossos equipamentos (fl. 182 do Anexo II). A fiscalização relacionou às fls. 103/108 os depósitos/créditos bancários de origem não comprovada efetuados nas contas mantidas no Banco Bradesco (Agência 0520 – c/c 749494), Banco Santander (Agência 0041 – c/c 130055928) e no Banco Bradesco (Agência 2431 – c/c 132691), já excluídos os valores identificados como originários dos clientes da fiscalizada (Indústria Romi S/A” e “Máquinas Furlan Ltda), e formulou uma Representação para o fim de exclusão da empresa do Simples com efeitos a partir de 01/01/2006, nos termos do art. 24, VII, da IN SRF n.º 608/2006, citando como causa a prática reiterada de infração à legislação tributária (art. 23, V, da Lei n.º 9.317, de 1996) tendo em vista a omissão de receita apurada mediante o confronto entre os valores pagos pelas empresas “Indústria Romi S/A” e “Máquinas Furlan Ltda” e os informados à Receita Federal do Brasil mediante a DSPJ e ainda a omissão de receita caracterizada pelos depósitos Fl. 749DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 bancários de origem não comprovada. Acatando a representação fiscal, o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Piracicaba emitiu o competente Ato Declaratório Executivo DRF/PCA N.º 96, de 06 de setembro de 2010 (fl. 115) excluindo a empresa do Simples a partir de 01/01/2006, facultandolhe a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias. Com base nos documentos apresentados pela empresa Indústria Romi S/A a fiscalização constatou que a empresa JCF Metalúrigica Ltda auferiu receitas decorrentes de prestação de serviços a esse cliente no montante de R$ 1.640.516,05, conforme Relatório Contábil (Vide Anexo II – fls. 37/110) feito com base nos arquivos integrais de notas fiscais do SINTEGRA e o demonstrativo de totalizadores de fls. 111 do Anexo II. Para o mesmo período a Indústria Romi S/A pagou o montante de R$ 1.616.944,54 pelos serviços tomados, conforme demonstrativo de pagamentos de fls. 10 a 36 do Anexo II, cujo ingresso desses recursos se deu no Banco Bradesco, verificandose que, além de coincidirem em valores e datas próximas aos pagamentos feitos pela cliente, também houve identificação deste cliente como remetente. Assim, as receitas auferidas pelos serviços prestados a esse cliente, cujos valores foram consolidados mês a mês, à fl. 124, foram levadas à tributação como omissão de receita operacional (prestação de serviços gerais). De igual forma, com base nas informações e documentos apresentados pela empresa Máquinas Furlan Ltda (fls. 152/156 do Anexo II), a fiscalização constatou que a empresa JCF Metalúrigica Ltda auferiu receitas decorrentes de prestação de serviços a esse cliente no montante de R$ 514.731,95, recebendo R$ 493.016,13 conforme demonstrativo de fls. 166/170 do Anexo II. Assim, as receitas auferidas pelos serviços prestados a esse cliente, cujos valores foram consolidadas mês a mês, à fl. 124, foram levadas à tributação como omissão de receita operacional (prestação de serviços gerais). Quanto aos depósitos/créditos bancários de origem não comprovada, relacionados às fls. 103/108 e consolidados às 109 e 124, estes foram levados à tributação como receita omitida com fundamento no art. 42 das Lei n.º 9.430, de 1996. Em virtude da exclusão da empresa do Simples a partir de 01/01/2006 a empresa teria ficado sujeita a partir daí às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ou seja, ficou sujeita a apuração do lucro real ou, por opção, ao lucro presumido ou arbitrado. Diante da não apresentação da escrituração necessária para apuração do lucro real, a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro com fundamento no art. 530, II e III, do RIR/99, para o fim de apuração do IRPJ e da CSLL. A receita omitida foi considerada para o fim de apuração da CSLL, COFINS e PIS conforme art. 24, §2º, da Lei n.º 9.249, de 1995. Sobre os tributos e contribuições foi aplicada a multa qualificada de 150%, com fulcro no art. 44, II, da Lei n.º 9.430, Fl. 750DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 5 7 de 1996, por entender a fiscalização que a conduta da contribuinte em informar à Receita Federal do Brasil receita em valor muito inferior àquela auferida, durante todos os meses do ano fiscalizado (2006), e não apresentar os livros contábeis e fiscais obrigatórios, sobretudo o livro Caixa e as notas fiscais emitidas, e ao deixar de escriturar sua movimentação financeira, não haveria dúvida que ela incorreu na prática dolosa prevista nos arts. 71 e 72 da Lei n.º 4.502, de 1964. Cientificada dos autos de infração em 30/09/2010, a contribuinte, por intermédio de seus procuradores, apresentou em 29/10/2010 a impugnação de fls. 215/228 aduzindo como razões de defesa o seguinte: Preliminarmente Alegou que a fundamentação legal constante dos autos de infração é incompleta e em alguns casos inexistente, citando em relação ao IRPJ que a fundamentação seria deficiente (arts 27, I e 42 da Lei n.º 9.430, de 1996; arts 532 e 537 do RIR/99) porque teria omitido a lei, artigos, parágrafos e alíneas, etc, utilizada para apurar o valor tributável (38,40%), bem como o imposto adicional e a alíquota (15%) e acrescentou que mesmo que se considere que o Regulamento possa suprir a lei, nem mesmo os dispositivos regulamentares se prestam a fundamentar a exigência fiscal. No tocante à CSLL o enquadramento legal (Lei n.º 10.684/03, art. 22 e Lei n.º 10.637/02, art. 37) também seria imprestável para apurar o valor tributável (32,00%), já que este se limita a fundamentar apenas e tão somente a alíquota de 9% aplicada (art. 22 da Lei n.º 10.637/02). Com relação ao PIS alegou que os arts. 1º e 3º da Lei Complementar n.º 7/70 não fundamentam que a impugnante seria o sujeito passivo dessa contribuição, nem a base de cálculo, nem o percentual aplicado ao caso concreto. No tocante à COFINS alegou que o art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, serviria apenas para fundamentar a omissão de receitas pertinentes ao depósitos bancários, mas não serveria para fundamentar os supostos serviços prestados às empresas Industrias Romi S/A e Máquinas Furlan e menos ainda para exigir a COFINS, já que não se reporta à sua base de cálculo e alíquota. Concluiu afirmando que o auto de infração, além de confrontar o princípio da legalidade, mais precisamente o da tipicidade cerrada, ofende a Lei n.º 9.784/99, art. 50, que determina que os atos administrativos devem ser motivados de modo explicito, claro e congruente e com a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que o embasaram. Do Direito Do Imposto de Renda Fl. 751DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 Alegou que a fiscalização considerou que a sua atividade é a de prestação de serviços, mas de acordo com o comprovante de inscrição e de situação cadastral a sua atividade é a de “fabricação de outros produtos de metal não especificados anteriormente” e que, além dessa fabricação efetua operações de industrialização, como atestam as notas fiscais juntadas no Anexo II (CFOP’s 1124, 1902 e 5901) e, no mesmo sentido, teria a empresa Furlan assim expressado: “os serviços prestados (...) no período de 2006 eram de Rebarbação de peças fundidas que compõe (sic) nossos equipamentos” – fls. 183 do Anexo II, de forma que sua atividade não pode ser considerada de prestação de serviços e, por tais razões, o percentual de 38,40% aplicado pela fiscalização não tem qualquer amparo legal e ofende o princípio da legalidade e seu corolário, o da tipicidade cerrada, já que não é prestadora de serviços. Com relação à presunção legal de omissão de receita com base em depósitos bancários alegou que o Fisco tem o dever de investigar e provar a omissão de receita e não fazêlo com base em presunção e, por essa razão, a exigência só seria válida se estivesse acompanhada de demonstração de que os depósitos representam, de fato e de direito, rendimentos omitidos, o que não é visto nos autos. Segundo afirmou, a fiscalização teria relacionado depósitos efetuados em conta da impugnante que tem origem em cheques emitidos de outras contas bancárias de sua titularidade, conforme relação que apresenta (fl. 221) e que teria sido extraída do próprio auto de infração. Diante disso, solicitou a exclusão da base de cálculo de todos os valores depositados na conta 00132691 da Agência 2431 do Banco Bradesco, relacionados pela fiscalização à fl. 90, no montante de R$ 92.500,00, bem assim alguns depósitos feitos na conta corrente 130055928 da agência 0041 do Banco Santander, no montante de R$ 73.980,89. Tais depósitos teriam, segundo a relação apresentada (fl. 221), origem na conta 00749494 da Agência 0520 do Banco Bradesco. Ainda, segundo a impugnante, a forma com que foram tributados os depósitos bancários merece reparo porque os depósitos tributados em um mês se prestam para justificar depósitos efetuados nos meses posteriores. Alegou, sem apresentar provas, que inúmeros créditos decorreram de cobrança de títulos e descontos de duplicatas feitos em estabelecimentos que mantinha conta corrente, mas sem as cópias dos avisos de créditos, já solicitados aos bancos, não pode saber quais as duplicatas que compunham cada crédito bancário. Da contribuição social sobre o lucro (CSLL) Reiterou a alegação de que sua atividade não é prestadora de serviços e concluiu que, uma vez que aplicase à contribuição social sobre o lucro as mesmas normas de apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas (Lei n.º 8.981/95, art. 57), o percentual para apuração da base de cálculo da contribuição social utilizada pelo fisco (32%) não tem amparo legal. Utilizou Fl. 752DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 6 9 se para contestar a CSLL os mesmos argumentos empregados para contestar a exigência do IRPJ concernentes aos depósitos bancários. Da contribuição ao PIS/PASEP Voltou a alegar que os arts. 1º e 3º da Lei Complementar n.º 7/70 não fundamentam a exigência dessa contribuição porque lhes faltam a indicação legal do sujeito passivo dessa contribuição, a base de cálculo e o percentual aplicado para valorizar o quantum exigido. Também, o art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, em tese, serviria apenas para fundamentar a omissão de receitas pertinentes ao depósitos bancários, mas não serve para fundamentar os supostos serviços prestados às empresas Industrias Romi S/A e Máquinas Furlan. Acrescentou que a exigência só com base no Decreto n.º 4.524, de 2002, esbarra no art. 5º, II, da Constituição Federal, segundo o qual só a lei pode exigir tributo. Da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Reiterou a alegação de que, segundo a fiscalização, o embasamento legal estaria no art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, todavia esse artigo, em tese, serviria apenas para fundamentar a omissão de receitas pertinentes ao depósitos bancários, mas não serve para fundamentar os supostos serviços prestados às empresas Industrias Romi S/A e Máquinas Furlan e menos ainda para exigir a COFINS, já que não se reporta à sua base de cálculo e alíquota. Voltou a alegar que a exigência só com base no o Decreto n.º 4.524, de 2002, esbarra no art. 5º, II, da Constituição Federal, segundo o qual só a lei pode exigir tributo. Alegou que, caso seja a autuação fiscal julgada procedente, os depósitos bancários originários de conta corrente de titularidade da impugnante, no valor total de R$ 166.480,89 (R$ 92.500,00 + R$ 73.980,89), devem ser subtraídos da suposta omissão de receitas bancárias, já que apanhados em duplicidade para fins de exigência do PIS e da COFINS. Da multa aplicada Alegou que a multa de 150% é confiscatória e, portanto, inconstitucional por ofensa ao art. 150, IV, da Constituição Federal (CF). Por fim, requereu que seja reconhecida a improcedência do auto de infração; que seja realizada diligência com o fim de comprovar os fatos alegados; que as intimações oriundas do presente processo sejam encaminhadas para o endereço do procurador Dr. Luiz Carlos Miguel e que seja concedida a sustentação oral no julgamento do presente processo, devendo o procurador ser informado. Por meio da Resolução de nº 14001.495, de 25 de fevereiro de 2011 (fls. 255/261), o julgamento foi convertido em diligência Fl. 753DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 para a repartição de origem (DRF/Piracicaba) apurar qual de fato foi a atividade desenvolvida pela empresa no ano calendário de 2006. Em atendimento, a fiscalização assim se pronunciou no Termo de Constatação Fiscal de fls. 263/264: 1 – De acordo com as notas fiscais coletadas durante a ação fiscal com os clientes circularizados a Industrias Romi S/A e Máquinas Furlan Ltda , verificase que a empresa realizou durante o anocalendário de 2006 atividades de industrialização por encomenda. As mercadorias eram recebidas dos clientes circularizados acompanhadas de notas fiscais com CFOP 5.901 (Remessa para industrialização por encomenda) para que fossem realizados serviços de industrialização por encomenda e após a realização destes as mercadorias eram devolvidas e ingressavam nos estabelecimentos dos mesmos clientes com os CFOP 1.124 (Industrialização efetuada por outra empresa) e 1.902 (Retomo de mercadoria remetida para industrialização por encomenda), havendo cobrança de mão de obra e/ou dos materiais aplicados no processo, e com o CFOP 1.903 (Entrada de mercadoria remetida para industrialização e não aplicada no referido processo) na hipótese de tratar se de simples devolução de mercadoria. Os demonstrativos às fls. 111 do Anexo II do processo e demonstrativos Anexo I e II deste Termo de Constatação contêm os valores totalizados por tipo operação para o anocalendário de 2006. O demonstrativo do Anexo I deste Termo de Constatação mostra que os valores cobrados a titulo de mãodeobra são preponderantes em relação aos valores cobrados pelos materiais empregados no processo. Os montantes mensais de receitas auferidas pelos serviços prestados industrialização por encomenda estão discriminados às fls. 111 e 171 do Anexo do processo. 2 – Quanto as receitas das atividades realizadas com os demais clientes circularizados, a natureza destas não são passíveis de identificação, haja vista o alegado extravio pela fiscalizada da documentação fiscal e contábil. Concedido prazo para a empresa se manifestar, esta alegou às fls. 269/270 que não concorda com a revisão fiscal determinada por esta Turma de Julgamento porque não cabe ao julgador suprir falhas constantes no processo administrativo e cita ensinamentos de Heli Lopes Meirelles, Clarissa Sampaio Silva e Celso Antônio Bandeira de Mello. A 5ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, por unanimidade, proferiu decisão assim ementada (fls. 672673): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 7 11 NULIDADE. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do procedimento quando os atos administrativos encontramse revestidos de suas formalidades essenciais e a infração encontrase perfeitamente identificada e demonstrada no lançamento constituído em estrita observância aos preceitos legais, afastandose a hipótese de cerceamento de defesa. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. ARBITRAMENTO. Justificase o arbitramento quando a contribuinte deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. AUTOS REFLEXOS. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O processo foi submetido à apreciação deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, por força do disposto no art. 34, I do Decreto n° 70.235/72, c/c art. 1° da Portaria MF nº 3/08 (recurso de ofício). Cientificada do referido Acórdão em 18/11/2011 (fls. 704), a contribuinte apresentou em 13/12/2011 o recurso voluntário de fls. 705730, basicamente repetindo os argumentos apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 Voto Vencido Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Os recursos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. Recurso de ofício Exclusão de valores referentes a transferências entre contas correntes de titularidade da contribuinte O colegiado julgador a quo excluiu do montante dos depósitos de origem não comprovada os valores que comprovadamente correspondiam a transferências entre diferentes contas correntes da contribuinte. Sobre o tema, assim se manifestou a decisão de piso, fls. 686: Na peça impugnatória, a contribuinte solicitou a exclusão da base de cálculo dos valores relacionados à fl. 221, no montante de R$ 92.500,00, ao argumento de que esses valores, depositados na conta 00132691 da Agência 2431 do Banco Bradesco e relacionados pela fiscalização à fl. 90, tiveram origem na conta 00749494 da Agência 0520 do Banco Bradesco de titularidade da empresa fiscalizada. De igual forma, alguns depósitos feitos na conta corrente 130055928 da agência 0041 do Banco Santander, no montante de R$ 73.980,89 tiveram origem na mesma conta 00749494 da Agência 0520 do Banco Bradesco. Examinando os autos verificase que de fato devem ser excluídos da relação de depósitos de origem não comprovada os valores abaixo relacionados por ter ficado comprovado, mediante os extratos bancários juntados aos autos, que tais valores vieram da conta corrente 00749494 da Agência 0520 do Banco Bradesco de titularidade da empresa fiscalizada. Estão discriminados no quadro abaixo os valores individuais dos depósitos/créditos que devem ser excluídos da base de cálculo, bem assim os totais mensais e trimestrais. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 8 13 Compulsando os autos, constato que todos os valores indicados na tabela acima efetivamente tiveram sua origem na conta 00749494 da Agência 0520 do Bradesco, da própria contribuinte. Importante destacar que a exclusão destes valores também repercutiu na apuração dos lançamentos reflexos, referentes à CSLL, PIS e COFINS. Diante do exposto, em relação a este tema considero que o recurso de ofício não merece provimento. Correção do percentual de arbitramento do lucro aplicável às receitas de industrialização por encomenda A decisão de piso considerou que a atividade de industrialização por encomenda deve ser considerada como simples industrialização e não genericamente como prestação de serviços. Por esta razão, o Acórdão em apreço considerou que deveria ser aplicado, para fins de arbitramento do lucro, o percentual de 9,60% incidente sobre a receita bruta. Sobre o tema, assim se manifestou o voto condutor da decisão de piso, fls. 691: [...] os manuais de preenchimento das DIPJs dos anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006 contém a seguinte instrução: No anocalendário, são aplicados os seguintes percentuais na determinação do lucro presumido: Fl. 757DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 (...) b) 8% (oito por cento) sobre a receita bruta mensal proveniente: (...) b.3) da industrialização de produtos em que a matéria prima, ou o produto intermediário ou o material de embalagem tenham sido fornecidos por quem encomendou a industrialização. Portanto, não há como concluir que, na situação de que trata o presente processo administrativo, deva ser aplicado, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o percentual próprio da atividade de prestação de serviços. Isso vale para as receitas apuradas a partir das notas fiscais emitidas pelo contribuinte e também para as receitas apuradas a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada. De fato, tendo em vista a qualificação da industrialização por encomenda como simples industrialização (e não como prestação de serviços), não remanesce dúvida quanto à natureza da atividade desenvolvida pelo contribuinte que originou as receitas apuradas a partir dos depósitos bancários. Por conseguinte, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para a determinação do lucro arbitrado é de 9,60%, resultante da aplicação do percentual de 8,0 % previsto no art. 518 do RIR/99, acrescido de 20%, conforme dispõe o art. 532 do RIR/99. Feitas as devidas alterações, conforme acima exposto, o IRPJ devido passa a ser o que consta no demonstrativo a seguir. Pela mesma razão, o acórdão de piso decidiu reduzir para 12% o percentual de apuração da base de cálculo da CSLL, conforme argumentação constante de fls. 692: Quanto ao coeficiente a ser aplicado sobre a receita para o fim de apurar a base de cálculo da CSLL, este deve ser de 12%, previsto no art. 22 da Lei nº 10.684, de 2003, citado no auto de infração, e não 32% como foi aplicado pela autoridade fiscal, uma vez que a atividade da empresa se caracteriza como “industrialização”. Sobre a base de cálculo deve ser aplicada a alíquota de 9% prevista no art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002, também citado no auto de infração. Considero inteiramente correto o entendimento adotado pelo colegiado julgador a quo. Para maior clareza, adoto e transcrevo o seguinte trecho do acórdão recorrido, fls. 690: Fl. 758DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 9 15 Conforme se infere dos atos acima transcritos, o entendimento da Receita Federal do Brasil no sentido de que a industrialização por encomenda qualificase como prestação de serviços, pra fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, foi assumido apenas a partir da edição do ADI RFB nº 20, de 13/09/2007, que foi revogado já em 25/04/2008, pelo ADI RFB nº 26. Notese que, nos termos dos arts. 4º, 5º e 7º do Decreto 4.544/2002, a industrialização por encomenda somente pode ser qualificada como prestação de serviços quando a encomenda for feita diretamente pelo consumidor ou usuário, e a preparação do produto se der na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional. Para esse fim, reputase oficina o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts. Além disso, haverá preponderância do trabalho somente quando este contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento. Evidentemente, a industrialização por encomenda realizada pela F C F Metalúrgica Ltda não preenche esses requisitos. Em primeiro lugar, porque a encomenda não é feita diretamente pelo consumidor ou usuário, mas por outras empresas, conforme se infere das notas fiscais e demais documentos juntados aos autos. Além disso, as evidências indicam que o estabelecimento do contribuinte não pode ser qualificado como oficina, nos termos da previsão contida no art. 7º, II, “a”, do Decreto 4.544/2002. Essas razões são suficientes para concluir que a atividade desenvolvida pela contribuinte, qual seja, industrialização por encomenda, se enquadra como “industrialização”. Pelas razões expostas, também em relaçao a este tema considero que o recurso de ofício não merece provimento. Recurso voluntário Preliminar de nulidade Repetindo o que alegou na fase impugnatória, a contribuinte, ora recorrente, considerou incompleta a fundamentação legal dos presentes autos de infração. Não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir adotadas pelo acórdão de piso, fls. 680 Examinando os autos verificase que consta no auto de infração de IRPJ o arts. 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, fundamento para o arbitramento, e os arts. 537 e 532 do mesmo Regulamento que mencionam o tratamento que deve ser dado à omissão de Fl. 759DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 receitas e os percentuais que devem ser aplicados sobre a receita para o fim de apurar o lucro arbitrado. [...] A omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada foi levada à tributação com fundamento no arts. 27, I, e 42 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcritos, além dos arts. 537 e 532 do RIR/99. [...] A omissão de receita operacional foi apurada de forma direta, mediante o confronto entre vários documentos apresentados pelas empresas “Indústria Romi S/A” e “Máquinas Furlan Ltda”, tais como Notas Fiscal emitidas pela empresa fiscalizada, comprovantes de pagamentos por serviços prestados, etc, e a Declaração Simplificada apresentada pela fiscalizada. Os valores das receitas omitidas foram considerados na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/ PASEP, conforme determinação contida no art. 24, §2º, da Lei n.º 9.249, de 1995. Em obediência a determinação acima, foram lavrados os autos de infração relativos à CSLL, PIS e COFINS. No auto de infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) constam os arts. 22 da Lei nº 10.684, de 2003, e 37 da Lei nº 10.637, de 2002, [...] Relativamente ao PIS e a COFINS constam dos respectivos autos de infração os arts. 2º, I, a, II e parágrafo único, 3º, 10, 32 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002, e art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, [...] Conforme se verifica, constam dos autos de infração e do Relatório de Fiscalização que faz parte integrante dos autos de infração a descrição das irregularidades verificadas e os respectivos enquadramentos legais, bem assim a penalidade aplicada, a descrição do fato gerador, a matéria tributável, o montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo, o termo de intimação para o seu cumprimento ou oferecimento de impugnação, conforme exigido por lei, a identificação da autoridade fiscal, incluindo sua matrícula funcional. Portanto, o auto de infração contém as condições necessárias para produzir o efeito que lhe compete, qual seja, formalizar o crédito tributário, individualizandoo e dandolhe a qualidade de exeqüível, conforme determina o Código Tributário Nacional (CTN), art. 142. [...] Se foram ou não corretamente apuradas as bases de cálculo dos impostos e contribuições, é assunto que veremos a seguir, inclusive verificando se foram ou não corretamente aplicados os coeficientes e alíquotas. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 10 17 Em síntese, constato que a formalização dos presentes autos de infração ocorreu após uma ação fiscal plenamente regular. Constato, outrossim, que os aludidos autos de infração observaram todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Não vislumbro nos autos qualquer indício de violação ao amplo exercício do direito de defesa por parte da contribuinte, razão pela qual voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade arguida pela recorrente. Mérito Omissão de receita decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada Repetindo o que fizera na fase impugnatória, a recorrente questionou a possibilidade de utilização da presunção de omissão de receitas a partir da constatação da ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não assiste razão à recorrente em relação a tal questionamento. A aludida presunção encontrase claramente prevista np art. 42 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 42 – Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Uma das principais consequências do estabelecimento de uma presunção legal é a inversão do ônus da prova. Em outras palavras: nas hipóteses em que há previsão para aplicação da presunção legal, apenas compete ao Fisco comprovar a existência do fato necessário e suficiente para o estabelecimento da presunção juris tantum, competindo ao contribuinte produzir prova em contrário. No caso concreto, o Fisco demonstrou claramente a existência de depósitos em contas bancárias de titularidade da contribuinte, em relação aos quais a contribuinte não logrou comprovar sua origem. Em outras palavras; o Fisco comprovou cabalmene aquilo que lhe competia provar, ou seja, a existência de movimentação bancárias incompatível com a receita declarada pela contribuinte. Vale dizer que, mesmo em sede impugnatória ou recursal, a contribuinte preserva o direito de produzir prova em contrário, ou seja, a contribuinte preserva para si a possibilidade de justificar a origem dos depósitos bancários até então tidos como não comprovados. No caso concreto, por meio de sua impugnação, a contribuinte logrou êxito em demonstrar que alguns dos depósitos listados pelo Fisco correspondiam a simples transferências de numerário entre diferentes contas correntes de sua titularidade. Por esta razão, os valores correspondentes a tais transferências foram excluídos da relação de depósitos de origem não comprovada. Tal fato demonstra, claramente, que no presente caso foi plenamente respeitado o amplo e irrestrito direito de defesa da contribuinte. Pelos motivos expostos, considero que em relação a este tema o recurso voluntário não merece provimento. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 18 Ainda no tocante a este tema, a recorrente alegou que inúmeros créditos em conta corrente decorreram de cobrança de títulos e descontos de duplicatas realizados em estabelecimentos bancários. No entanto, assim como ocorreu na fase impugnatória, a contribuinte (ora recorrente) abstevese de trazer aos autos qualquer elemento de prova capaz de corroborar suas alegações. A recorrente alegou, outrossim, que os valores dos depósitos bancários tributados em um determinado mês deveriam ser considerados para justificar depósitos ocorridos nos meses subsequentes. Abstevese, contudo, de indicar a base legal que pudesse amparar essa sua estranha pretensão. Considerando a ausência de prova e a ausência de fundamentação legal capaz de sustentar as alegações de mérito da recorrente, considero que em relação a este tema devese negar provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Importante frisar que a diligência solicitada pelo colegiado julgador a quo não resultou em agravamento da exigência, ao contrário do que foi afirmado pela recorrente. Sobre o tema, posicionouse com muita clareza o voto condutor do acórdão recorrido, fls. 691 692: Primeiramente cabe ressaltar que não houve a alegada revisão fiscal e este julgador não está suprindo qualquer falha no procedimento fiscal. O que houve foi uma informação fiscal decorrente de um pedido de diligência, o qual teve a finalidade de dirimir dúvidas quanto à real natureza da atividade exercida pela contribuinte e foi solicitado no intento de trazer ao julgador a convicção necessária para decidir. Aliás, a própria impugnante solicitou diligência com o fim de comprovar os fatos alegados. Da diligência não redundou em agravamento da exação, ao contrário, trouxe aos autos elementos suficientes para concluir pela procedência da alegação da impugnante no que diz respeito à sua atividade e com isso reduzir a exigência tributária. Do resultado da diligência foi dado ciência à interessada, em observância ao princípio do contraditório e da ampla defesa (artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal), de modo que não há qualquer irregularidade no procedimento aqui adotado. Multa qualificada Por fim, resta analisar a multa de ofício qualificada, que foi aplicada no presente caso. No meu entender, no caso concreto justificase a qualificação da multa de ofício, pelas razões expostas no voto condutor no acórdão de piso, fls. 695696: [...] a conduta lesiva da interessada revela a intenção de eximir se, deliberada e persistentemente, do pagamento dos tributos e contribuições devidos no regime unificado e simplificado dos anocalendário 2006, porquanto omitiu reiteradamente, em todos os meses, mais de 80% da receita bruta auferida, agindo por sua conta e risco. No caso a contribuinte não apenas omitiu grande parte de suas receitas mas também deixou de apresentar os livros contábeis e Fl. 762DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 11 19 fiscais obrigatórios, sobretudo o livro Caixa e as Notas Fiscais, utilizandose do argumento de extravio, alegação não comprovada, o que torna absolutamente implausível a idéia de que se estaria diante de uma conduta involuntária, de um fato isolado, de um mero erro material. Não é razoável imaginar que uma pessoa jurídica, que opere sem intuito de se furtar às suas obrigações tributárias, tenha se equivocado em não declarar receitas da atividade auferidas ao longo dos dois anos (sic). Apenas em razão do exposto acima, notase que a interessada teve a nítida intenção de se manter à margem das responsabilidades tributárias, não recolhendo os tributos devidos e prestando declarações inexatas. Enfim, as omissões, de forma sistemática e reiterada ao longo de todos os meses do período fiscalizado revelam a deliberada intenção de adiar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e, com isso, deixar de pagar tributo ou pagar em montantes inferiores aos devidos, restando assim demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase na hipótese tipificada no art. 71, I, da Lei n° 4.502/1964. o que justifica a imposição da multa qualificada e demais conseqüências legais. Assim sendo, considero que no presente caso deve ser mantida a qualificação da multa de ofício. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Voto Vencedor O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: Em que pese as razões apresentadas pelo nobre Conselheiro Relator, a Turma Julgadora, por maioria, entendeu por desqualificar a multa de ofício, pelas razões a seguir detalhadas. Tenho, a princípio, entendimento de que a mera omissão de rendimento, não acompanhada de outras condutas gravosas que denotem o evidente intuito de fraude, deva ser apenada com a multa de 75%, somente vindo a ser qualificada quando identificada aquela situação específica. É que a multa de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n°. 9.430/96, já tem como pressuposto lógico a omissão de rendimento por parte do contribuinte que não o entrega à Fl. 763DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 20 tributação. Em verdade, se não houvesse a referida omissão, não haveria a lavratura do auto de infração. A sua postura, nesta situação, é meramente omissiva – e não próativa. Situação diversa, no meu entendimento, é a daquele contribuinte que, dolosamente, pratica atos com o objetivo de fraudar a incidência do tributo, ou seja, que porta se ativamente na ocultação da ocorrência do fato imponível. Nesta hipótese, quando o contribuinte agrega à sua omissão (pressuposto), uma ação dolosa para dissimular referida omissão, aí sim estaria o mesmo sujeito a qualificação da penalidade. Tal divergência fica clara na contraposição do disposto nos art. 44, inciso I, da lei nº 9.430/96, com o disposto nos arts. 71 a 73 da lei nº 4.502/64, ambas com a redação dada pela lei nº 11.488/2007. Dispõe, o art. 44 da lei nº 9.430/96, o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (sem grifos no original). Já os arts. 71 a 73 da lei nº 4.502/64, tomados como base da qualificação da multa pelo indigitado parágrafo primeiro, dispõe o seguinte: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 12 21 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da contraposição da “falta de declaração ou declaração inexata” constante do inciso I do art. 44 da lei nº 9.430/96, com a “omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente”, o conhecimento do fato gerador, constante do art. 71 da lei nº 4.502/64, entendo que, para a segunda hipótese, a lei demanda a presença de dolo específico, mediante “ação ou omissão dolosa”, que deve ser especificamente provada na investigação administrativa, com fito à aplicação da multa majorada. Assim, a omissão desqualificada de uma ação tendente à dissimular referida omissão, deve ser enquadrada no disposto no art. 44, I, da lei n 9.430/96. Referido entendimento vem corroborado por julgamentos deste 1º Conselho de Contribuintes, quando entende que “a mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relatora Conselheira Thaísa Jansen Pereira, no recurso nº 134.875, acórdão nº 10613722). Assim, “deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação de fraude. Incabível a aplicação de penalidade por presunção de fraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento” (aceitação unânime da 2ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 143.280, acórdão 10247397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que “a majoração da multa de ofício deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que decorre de casos de evidente máfé” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 10615545). No caso dos autos, a Turma entendeu que os fatos indicados representam a mera omissão de rendimentos, não passível de imputação do dolo específico necessário à qualificação da penalidade, razão pela qual houve a redução para o patamar de 75%. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 765DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 15540.000844/2008-86
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/12/2004
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL ELEVADO. VÍCIO DO LANÇAMENTO. INEXISTENTE. PREVISÃO LEGAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTENTE.
É válida a incidência da multa de ofício integrante do lançamento, no percentual de setenta e cinco por cento, em face de previsão legal, não maculando de nulidade o auto de infração.
Numero da decisão: 3803-005.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração. para reconhecer a tempestividade do recurso, e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração. para reconhecer a tempestividade do recurso, e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. Constatada a ocorrência de erro material no acórdão que declarou a intempestividade do recurso voluntário é de se acolher os embargos de declaração interpostos para dar ensejo ao julgamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/12/2004 MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL ELEVADO. VÍCIO DO LANÇAMENTO. INEXISTENTE. PREVISÃO LEGAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTENTE. É válida a incidência da multa de ofício integrante do lançamento, no percentual de setenta e cinco por cento, em face de previsão legal, não maculando de nulidade o auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração. para reconhecer a tempestividade do recurso, e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 08 44 /2 00 8- 86 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de embargos de declaração interpostos pela repartição de origem, com vistas à retificação de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto ocorridas no acórdão nº 3803003.768, de 29 de novembro de 2012, com amparo no § 2º do artigo 66 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. O acórdão embargado foi ementado como segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/12/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O descumprimento do prazo legal para interposição do recurso voluntário tornao intempestivo, condição impeditiva do seu conhecimento. O processo foi constituído a partir da lavratura de auto de infração em que são exigidas a Cofins e a contribuição para o PIS relativas aos períodos de apuração janeiro de 2004 e março a dezembro de 2004, decorrentes de diferenças entre os valores informados em DIPJ, DCTF e a escrituração contábil, em confronto com os recolhimentos efetuados. Em impugnação apresentada, a Autuada alegou possuir o direito de complementar suas correções em DCTF e DIPJ, por não ter sido intimada na data prevista em legislação, bem como de parcelar seus débitos tributários constantes do sistema Conta Corrente ou da Dívida Ativa da União, conforme determina a legislação tributária, com parcelamento normal, simplificado, REFIS, PAES, PAEX determinados pelo governo. Taxou de excessiva a multa de ofício de 75% a impor confisco ao seu patrimônio, suplantando sua capacidade de arcar com o crédito tributário constituído. Em julgamento da lide, a DRJ/Rio de Janeiro II não conseguiu identificar qual a matéria contestada em relação ao crédito tributário constituído, entendendo que a falta de impugnação específica dos fatos que lhe foram imputados e o caráter dos seus pedidos importaram em reconhecimento da procedência do lançamento, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Em relação à retificação dos valores declarados na DIPJ ou nas DCTFs, reconheceu ser direito do contribuinte, mas antes do início de procedimento fiscal, quando sob espontaneidade para fazêlo. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15540.000844/200886 Acórdão n.º 3803005.568 S3TE03 Fl. 220 3 Quanto ao pedido de parcelamento, consignou ser matéria estranha à essência do contencioso administrativo, que pressupõe uma contrariedade ao lançamento tributário. No tocante à capacidade financeira da Contribuinte para suportar o pagamento do crédito tributário, relevou a justeza da solicitação, porém considerou que não compete à autoridade administrativa efetuar juízo de valor a respeito, mas tão só efetuar objetiva e vinculadamente o lançamento, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/12/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. INÍCIO DE PROCEDIMENTO O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. DRJ/COMPETÊNCIA Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete tão somente conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais. Impugnação Improcedente Inconformada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 16 de janeiro de 2012, em que reclama da incidência da multa de ofício de 75%, sustentando o argumento com julgados do STF e do TRF da 5ª Região em matéria correlata, e aponta, com este argumento, para a nulidade parcial do auto de infração, que por sua unicidade, enquanto instrumento de exigência tributária, vêse integralmente contaminado pois “não pode um documento único manterse válido apenas quanto a uma parte de seu conteúdo e nulo quanto ao restante”. Alicerçado em erro de procedimento na verificação da data da apresentação do recurso voluntário foi proferido acórdão por esta Turma não conhecendo do recurso, por tê lo considerado intempestivo. Em apreciação de embargos ofertados pela Unidade de origem dando conta da efetiva dada da entrada do recurso voluntário, foi exarado despacho de admissibilidade, admitindoos, em razão do que retornam os autos a julgamento. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requsitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Conforme relatado, a matéria objeto do auto de infração fora considerada não impugnada, sendo reconhecido por aquele juízo a inexistência de lide, ainda que o resultado da decisão tenha sido registrado como Impugnação improcedente. No entanto, devese ter que a impugnação apresentada pela Contribuinte contestando a incidência da multa de ofício no patamar aplicado representa o mérito da sua defesa. A Recorrente inicia sua contestação fazendo referência ao teor da decisão recorrida que afirmou a inexistência de discussão da matéria objeto do auto de infração na impugnação. Ela dá sequência à sua defesa afirmando que “Nada obstante, determinados vícios podem e devem ser reconhecidos de ofício pela Autoridade Administrativa....”, e prossegue indicando como um vício insanável do auto de infração a incidência da multa de ofício (75%), que deve culminar na sua nulidade. Remata, concluindo que, dada a unicidade desse ato administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, este vício parcial o contamina por inteiro. Gizese que a multa de ofício é consectário legal da imposição do principal em lançamento de ofício, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Sendo o lançamento dever de ofício da Autoridade Fiscal, em face de infrações à legislação tributária, é inafastável que à imputação acompanhe tal penalidade. Ao tempo dos fatos o art. 44 da Lei nº 9.430 tinha a seguinte dicção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...][grifei] Fl. 222DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15540.000844/200886 Acórdão n.º 3803005.568 S3TE03 Fl. 221 5 Visto que o lançamento está escorreito, efetuado com o claro amparo da disposição legal acima, não é possível cogitarse de sua nulidade. Pelo que, voto por acolher os embargos para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário, e, no mérito, por negar provimento. Sala das sessões, 26 de fevereiro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 223DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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