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Numero do processo: 11128.010014/2008-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-003.933
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias. Recurso Especial do Procurador Provido.
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MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 01 00 14 /2 00 8- 87 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.010014/200887 Acórdão n.º 9303003.933 CSRFT3 Fl. 259 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.288, que deu provimento ao recurso voluntário. O colegiado a quo afastou a exigência da multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada sob o fundamente de que a expressão “imediatamente após”, constante da redação original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, traduz subjetividade, e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de prestar informações à autoridade aduaneira. Cientificada do acórdão acima indicado a Fazenda Nacional apresentou recurso especial. Foi suscitada divergência quanto ao entendimento de que a exigência da penalidade em foco somente teria aplicação após 15/02/2005, quando entrou em vigor a IN SRF nº 510/2005, que, pela primeira vez, estabeleceu um prazo certo para o cumprimento da obrigação em foco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.914, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10715.002502/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.914): "Quanto à expressão constante da IN SRF 28, de 1994 (imediatamente após), filiome à interpretação dada pelo acórdão paradigma. Esta matéria já foi, por diversas vezes, objeto de apreciação no CARF. O conselheiro José Luís Novo Rossari já enfrentou essa questão. Porém, ouso discordar do ilustre conselheiro. Eis o entendimento do ilustre conselheiro, que constou de vários acórdãos de sua lavra. 'A lide respeita à exigência feita pelo Fisco da multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei no 10.833/2003, em razão de a recorrente ter registrado no Siscomex após o prazo de 2 (dois) dias fixado no art. 37 da IN SRF no 28/1994, com a redação dada pelo art. 1o da IN Fl. 259DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.010014/200887 Acórdão n.º 9303003.933 CSRFT3 Fl. 260 3 SRF no 510/2005, os dados de embarque de mercadorias em despachos de exportação. Para melhor compreensão a respeito da matéria, cumpre sejam transcritas as normas legais e administrativas pertinentes aos fatos. A Instrução Normativa SRF no 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts. 37, caput, e 44 que, verbis: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei no 37/66 com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 107 do Decretolei no 37/1966, na redação do art. 5o do Decretolei no 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto no 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro), verbis: “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1o da IN SRF no 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.” (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações Fl. 260DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.010014/200887 Acórdão n.º 9303003.933 CSRFT3 Fl. 261 4 sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)”Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade.' Fl. 261DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.010014/200887 Acórdão n.º 9303003.933 CSRFT3 Fl. 262 5 A minha discordância se dá em relação à conclusão exposta no último parágrafo. Não há que se falar em falta de força normativa da IN 28/1994 para a imposição da multa, já que a norma fala em imediatamente após. Não é um prazo certo, porém não se autoriza a entrega da declaração dias após o embarque. A lei não contém palavras inúteis e se fosse a intenção de não se penalizar a conduta prescrita na norma, não haveria razão para a sua existência. Tampouco há que se falar em retroatividade benigna, já que não houve alteração da penalidade. O que ocorreu foi apenas uma mudança no prazo de entrega da declaração o que não altera em nada o fato típico e nem a penalidade. No meu entender, não há que se falar em ausência de penalidade pela falta de um prazo certo. O fato de a norma dizer "imediatamente após" não tem o condão de excluir a multa. Se assim fosse não era para a norma dizer nada. Existe um comando legal e uma penalidade. O descumprimento desse comando obrigação acessória enseja a aplicação da penalidade prevista na norma. Portanto, devese reformar o acórdão recorrido e restabelecer a exigência da penalidade aplicada pela autoridade fiscal. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade." Aplicandose a decisão do processo paradigma acima transcrita ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 262DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10980.934217/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.756
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1939; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.934217/200929 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.756 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2017 Matéria PIS/COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 42 17 /2 00 9- 29 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.934217/200929 Acórdão n.º 3402003.756 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.934217/200929 Acórdão n.º 3402003.756 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.934217/200929 Acórdão n.º 3402003.756 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.934217/200929 Acórdão n.º 3402003.756 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.002282/91-77
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 1994
Ementa: IPI - EMPRESAS INTERDEPENDENTES. Quando constatadas as hipóteses previstas nos incisos III ou IV do artigo 394 do RIPI/82,exigível o tributo e consectários legais sobre as transações mercantis realizadas entre elas, AGRAVAMENTO DA MULTA BÁSICA. Só se justifica quando utilizada a fraude, sonegação ou con1uio, expedientes estes dirigidos e com intuito do sujeito passivo eximir-se do pagamento do tributo.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 202-06.957
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a penalidade nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Jose Cabral Garofano
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ACClRDA'O nQ 202':"'06=95"7 LABORATORIOS MICROFARMA LTDA. Dr;:F E 1';1 ~::;t'íD F'f'Il...II...O .... ~::;r:' IPIEMPm~SAS INTERDEPENDENTES. Quando c:on ~::.t,',1.t.,':ld,':1.:::..::'.~::. h :i.pó tc.:.~~::.c,-:'.::;p IrE"v'i ~::.t,':I~::, 1"1 o~::. :i. n c i ~:;o~::.I I I DU I 'v' do,':,. r' t:i. (.:.Io :':;9;;'.1eIo r;: I F' I ../'B~':':!, E':'x :i.C,:,IJ 'v'C.:.:':I. o t r' :i.!::outc, c.:.~ co 1"1 '::. c':.)c t ,\r' :i. o ~:; :I. (")C.l,.,l :i. ~::. ~::'o !::o j'" (" a ~:; t.I' .."U1 ':::..,:1. \;:tfc.:.:.':::. mercantis realizadas entre e:l.as. AGRAVAMENTO DA 1';I!...lLTi:'1Bt1SICt-I .. Só ~:;c,:,).:iu.:::.t:i.'f:i.c<':'1qU":lnelo u.ti:l.:i.:.,':,':ld,':\ ,':1 'f I'.' <:H.l<:! (.;.),i ~::.o 1"1 (.:.) C.I<':". \;):'(0 (;)U c:o 1"1 :I. u :i. o " c.:.:' >': p ~:.:.ci :i. (.:.:.1"1 'h,:,:. ~:'. c':':' ~:; t (.:.:,':'. cl :i.lriq :i.do~::. E' /<::Oill in tu:i, to elo ':::.u'ic':.:':i.-/:.0 p,':\~::.~::.:i.",lO (-:, ',:, '1' '1' :1: I ':: .. -:.\ ," (:.'1/.1') -:-:,"J .-: 'J' ""1" t "',d C", "'''''i !'ll l'l' n 1'~;'(:"C'lll"'(:'(" 1"I"ov:i c'lo•••••• J j.. 0'0 c. t;!t-.. .. .... t.: (.~E tt... I .t.. .... .. . .. '.. .0.0 11 " _ ••• ..~... •• • ••• C:?(Jl p<:ll" t(~..../ './:i. ~::.tC~~::'(:~'E':':I.<':'1t.<:Ido':::. (.:,~cIi "::,cu t. i d o~::. (:)~:; plrC':':'~::,E'ntc.:.:'~:; ,,'tuto~':. ele recurso interposto por LABOHATORIOS MICHOFAHMA LTDA .. (:lCDI:;:I)t11"'1 o~::. r;I~:':'iIlb I"OS cI<:!.SC.:':'(,:.Iund ,':!. C,W:iIl,',!.I",':\ c!o S(,:.)c;.Iun c!o (:~(:)I'l~i;e:J.J')(:)(je (:~(:)I.).tl":iJ:)l.lil'l.te~~~!1 por llnanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a penalidade 110S termos do voto do relator .. '.J Db E:: Procurac!ora-Repre- ~::.(.:.~nt,',\n t(.:.:. d <,'l F ,,'I.:i~(.:.:'n .... dd I'!<':'1 c: i 01"1 ,',!.:I. F,':!I"~t :i. c:i. p ,,!.I'" ,',l. in " ,'-:1:i.1"1 d ,':l,!, dC) P ,r (.:.":::,c.:.n t c.:.:'j u.l (J ,','l iI'l(,:,:'ntO!, o ~::' C(;)n ~::.C.:.:':I.h (.:.~:i. 1"0 ~::. EI...I O F;:OTHE~I DI~~!',II FI... CDF;:F;:EI PI HOI-;IFI';I DE Ct1F;:\ltd...HO!, t1i..-!"rCII'1I O CI~~IF:LD~::;:C.:UEj',IU RIBEIRO, OSVALDO TANCREDO DE OLIVEIRA, JOS~ rn~ ALMEIDA COELHO e T (:1F;.:ti:::) I C) C (.:',!"'IF' E I...O BCII:;:C')ES •. 'fell::o./ 1 F',"ocesso nQ l:;:eCLl'''So nQ:: Acón:lâo nQ:: Recorrente: MINIST~RIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10880.002282/91-77 93.6~:~O 202-'06.9::.i7 LABORATORIOS MICROFARMA LTDA. R E L A T O R I O r;'CH" bem c1(':':'!::.CI"'E'~\l(':'~I'" D~:'. relatório da decisâo recorrida (flsu '1' ,:\ t.D!:'.!, Etc! o to :L::,U../ :IJL») :: (':;' tI'" ,,\1"1!:',c I'"(.:.:.\,0 D "o lan.;:amento, ora em litígio, originou"'s,,, em razão de fisca11za.;:io realizada na empresa em epígrafe, conforme consta do Termo de Verifica~io e Constata.;:5es (fls. 77 a 79), tendo inicialmente examinado aspectos relativos a interdependincia entre a ffiesma e a effipresa Pierre Berjeaut & Cia. Ltda, CGC 61.361.382/0001-73, tendo sido caracterizada a citada interdependgncia sob aspectos diversos: 1- 3an7 Gon.;:alves Pereira, titular de 96,67% do capital de Laboratórios Microfarma Ltda, 6 companheira de Gur Pierre Berjeaut, detantor de 93% do capital de Pierre Berjeaut & Cia Ltda, tendo este efetuado ~qllela, conform." .rll2,=laratj;;õ,:<sd-", Rendimento/Pessoa Física, os seguintes empr6stimos pessoais: - (.\no...l:oas'21985 - Ano ..,bas." 1986 Cr$ 25.000.000,00 Cr$ 90.000.000,00 ReS)ulallJento Qnd,~ trata Veja-'se, ainda, tlOTA '=oflstante na I1eclara.;:io de BenE; da Declara.;:io de Rendimentos/Pessoa Física de GU7 Pierre Berjeaut no ""xer.=í'=io de 1988: "tiOTA: O d';:,clarante, durante () ano-I:oas.", (1987), transferiu para sua companheira 3&n7 Gon.;:alves Pereira, CPF 228.429.508-87, a título de doa.;:io, a importlncia de Cz$ 1.390.000,00 (Um I1lilhio, trez'2ntos '" nO\.1enta mil cruzados)". A hipÓtese acima est~ prevista no 'IPI, (Decreto 87.981/82) artigo 394, inciso I, firmas interdependente~. 2- LaboratÓrios Microfarma Ltda vendeu para Pierr", Berjeaut & Cia Ltda, em rela~~o ~ sua produ~io: 1985 100,00 /.1986 100,00 /.1987 100,00 /.1988 84,36 %1989 68,83 .,,. 0'°:, MINIST~RIODA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo nQ 10880.002282/91-77 AcÓrdâo nQ 202-06.957 Hip6tese essa. prevista no RIPI/82 no artigo 394. incisos 111 e IV. Acresce que ~s vendas remanescentes em 88 e 89 foram efetuadas a pessoas físicas. co~forme rela~~o (vide fls. 78) com v~rios aspectos apontado simula~~o (constam alguns CPF's inconsistentes. outros sio de pessoas ligadas funcionalmente a empresa e quase todos sio de pessoas de idade avan~ada) ver consultas ao sistema CPF anexas (fls. 03 a 47). ocorrem as circunst3ncias artigo 351, parág;afo 2, conforme inciso I e 11.355 e 356 (multa 111, majorada pelo artigo 352, [lesse modo, qualificativas previstas no descritas nos artigos 354. básica do artigo 364. inciso inciso 11). tudo do F\IPI/82. Em decorr@ncia do acima exposto, montou-se os quadros de fls. 50 a 76 referentes aos anos-base de 86, 87, 88 e 89. respectivamente Exercícios de 87, 88, 89 e 90, demonstrando, no quadro I, o Valor Mínimo Tributável para a Microfarma (nos termos do artigo 69 c/c artigo 64, parágrafo ónico. inciso 11 e 68 inciso I letra a do RIPI/82) sobre o qual deve ser aplicada a alíquota do IPI para fins de recolhimento do referido -Tributa, obtendo dessa forma a diferen~a a tributar. Essa diferen~a. ap6s passar pela proporcionaliza~io do quadro XVIII (Base de cálculo do IPI para as aliquotas de 10% e 77%) 6 levada ~ consolida~io do' quadro XXII. Em segundo momento, passou-se a examinar a regularidade dos elementos referentes à produç~o propriamente dita. Partindo.-se das f6rmulas registradas no Orgio Póblico competente foram relacionadas as mat~ria5 p~ima5 mais representativas, que fiwuram no maior nómero de produtos simultaneamente (quadro 11). Essa rela~io insumo-produto, aplicada ~ produ~io registrada nos períodos em exame (quadros IV, V, VI e VII). proporcionou o levantamento do consumo das mat4rias primas na produ~io (quadros VIII. IX, X e XI). Comparado essel consumo com aquele obtido atrav4s do levantamento pele movimento Qspecifico (quadro 111). foram obtidas diferen~as de consumo (~uadro XII), reconvertidas mediante aplica~io das mesmas f6rmulas adotadas anteriormente. em unidades de produtos (SHAi'IPOO) nio registradas, (quadros XIII, XIV. X~' '"' XVI). Proporcionalizando as vendas omitidas em rela~io às registradas, face ao Valor Tribut~vel Mínimo. obteve-se o Valor Tributável r,=latil.lo ~ 'produ~io não registrada (quadr'o XVII), le\)ado ~ consolida~io do quadro XXII. para exig@ncia do IPI, IRPJ e tributos reflexos IR FONTE. PIS, FIMSOCIAL e CONTRIBUIÇ~O SOCIAL,lbem Como dos acr6scimos legais. MINIST~RIODA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processone 10880.002282/91-77 Acórdâo nQ 202-06.957 Prosseguindo-se com a auditoria de produ~io, foi adotado procedimento análogo com respeito ao consumo de embalagens, cuja pesagem preliminar resultou num peso unitário (embalagem de 5 ~l vazia) de 1,6875 gramas. O movimento especf.fi,:o (quadro XIX")'.J:onfrontado ,:om o consumido na produ.;::ão, apontou diferen~as nos produtos LOC~O (Quadro XX), devidamente valoradas no quadro XXI e levadas à consolida~ão do quadro XXII (IPI, IRPJ, tributos relfexos e acr6scimos legais). Os trabalhos fiscais foram levados a efeito com bas€: nos artigos 340 e 343 '';'seu par'.h:wafo 1., do RIPI/82, bem como nos artigos 396 e 642 do Rewulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n. 85.450 de 04/12/80, sujeitando a infratora à penalidade do artigo 728 inciso 11 desse Regulamento, a16m das penalidades cominadas pelo Regulamento do IPI. Em sua impu',;,,"a~ão, o contr'ibuint •.;, o 1- O desdobramento em processos relativos a IPI, IRPJ, IRF, PIS/DEDUC~O, PIS/FATURAMENTO, FIHSOCIAL E CONTRIBUIC~O SOCIAL prejudicam a def€:sa da Autuada. Este dano não corresponde à impossibilidade da impugnante formular seus argumentos defensivos, razoavelmente atenta aos fatos e ao direito, mas sim à prática ilegítima da Faz€:nda Póblica, pois, invariavelmente, esta deixa de examinar no feito principal as quest5es de m6rito, nem tão pouco as formais apresentadas pelo contribuinte e mauito menos disso se ocupa nos processos decorrentes. Tal prática conduz à aus@ncia de instaura.;::io do contradit6rio, imprescindível ao processo administrativo tributário. Há que se respeitar o preceituado no arti 31 do Decreto 70235/72, sob pena de ocorrer decisão desmotivada, sem qualquer valor jurídico, visto que violadora do princípio do contradit6rio assegurado no art. 14 do 'l.':oSIT.oDe,.::r,,,,to.In'.5ufi,;:ient,,,,a ar'3Ui,;;:iode causa/.",f""it.oent.r,,, C) processo principal e os decorrentes, porque inclusive a impugnante demonstra relevant.e erro material cometido pelo Sr. Fiscal autuante no quadro XIX. Em razao disso, imp5e-se o regular ordenamento do processo, com relat.ivo e fundamenta~~D legal, juridicamente conclusiva, sob pena de caracterizar-se de forma atlsoluta o cer'ceamento de defe&a. 11- O preceito legal no yual assentou-se o Sr. f'i5.:a1 (ar't. 394, inciso I do RIF'I/O:;:;),ex ig"" qU':, um", das interligadas por si, seus s6cios ou acionistas e respectivamente filhos ou c8njuge, seja titular de 50% do capital da outra. Em nenhuma dessas situa~5es encontra-se Jeny Gonçalves Pereir",. O pr6prio Sr. Fiscal afirma que GUY Pierre Ber'jeaut 4 companheiro de Jeny. O fato de existirem doa.;::5esfeitas por Pierre a Jeny, em nada agrava ou conduz à proced@ncia do comportamento fiscal. Nenhum amigo estA impedido de promover doa.;::5es a outro. A situa~ão de concubinato na esfera do direito familiar, tem merecido um tratamento mais tolerante hoje em dia, por'm, no campo tributário, inexist€: qualquer legisla~~o abrangendo a mat4ria. Se assim 4, defeso era ao Sr. Fiscal autuante, sancionar aquilo que a lei nao pun"". Legislou sem comp€:tgncia para tanto. Falta, portanto, amparo legal ao procedimento fiscal. MINIST~RIODA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo nQ 10880.002282/91-77 Acórdâo nQ 202-06.957 111- Mo tocante à SIMULAC~O. o Sr. Fiscal nio trouxe nenhum elemento consubstanciaI demonstrando a in'::ol'lsist@ncia dos CPF's. tanto 4, que d""",gaao absurde) de dizo;;,r que a 1'3uns .::orrespond€lll'a p",ssoas d", idack, al)an.;'ada.O,ua1 o IIla I d", uma pessoa idosa adquirir produtos. Por acaso. o Sr. Fiscal autuante é partid~rio de ser a velhice. simbolo de morte prematura. Saiba el", que. efetivamente. os produtos da Autuada sio adquiridos tamb4m por pessoas idosas. quer para uso pr6prio. qu",r para familiares ou amigos. Ademais. se entre os ~onsumidores estivessem seus funcion~rios. isso seria ir-relevante. Por acaso os empregados nio podem adquirir produtos do o;;,mpr-egador? Qual a lei que proibe? Por4m. na rela~io inexiste qualquer empregado do Laborat6rio. Consequ@ntemente. inexiste a simulação. nem as circunstâncias qualificativas da fraude. sonegação e conluio. previstas nos artigos 351. parAgrafo 2. 354. 355 e 356 do RIPI. IV- Quando passamos para o campo da PRODUC~O. o absurdo da Autuaçio Fiscal mais se acentua. uma vez que o Autuante tirou conclusões de forma subjetiva mas irresistentes ~ menor análise t4cnica industrial. Basta atentarmos para o fato de que a industria autuada lida com mat6ria prima. com prazos curtos de validade. evaporáveis. a14m de possuir concentraçio vari~vel. de acordo com a sua origem de Fabricaçio. demandando assim. maior ou menor quantidade de aplicaçio. De outra parte. a fÓrmula dos produtos não tell,aplicaçio "ipso literis". isto porqu'",. -:,11, muitas oportunidades. no momento de fabricaçio. diante de fatores variados, imp6e-se o aumerlto ou diminui~~o de determinados ingr,,,dientes. Destarte. adotar a f6rll,ula simplista utilizada pelo Sr. Fiscal. corresponde a agir at4 mesmo de forma temer'ria. s6 mesmo a perícia t4cnica. devidamento;;, acompanhada. ~ que poderia determinar qualquer fraude a esse respeito. Ademais. o Sr. Fiscal nio considorou as perdas quo;;,sempre ocorrem numa base de ~5a lO/.. V- Com a embalegem ocorreu o ffiesmo procedimento irregular. principalmente no que diz respeito ~ quebr& de impolas. cuja média supera os 10%. Por outro lado. o Sr. Fiscal cometeu no quadro XIX. erro gravíssimo. pois apontou no ano de 1989. estoque Fiscal de 1.288.000 unidades de loçio. quando a realidade dos apontamentos oficiais da impugnante. indicam apenas 1.288 unidades. conforme faz prova o documento de fls. 112. S6 esse erro d&ffionstra a nulidade do presente auto. d." todas per'icia 1. VI- Por fim. protesta a impugnante pela produ~io as provas em direito permitidas. especialmente a autor 116): Em cumprimento ao artigo 19 do Decreto 70235/72. o do feito presta a seguinte in~ormaçio fiscal (fls. 115 e I::. 0•• 1 MINIST~RIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo nQ 10880.002282/91-77 Ac.:órd~~o np ~:~()~.:~-..Ob .•957 1- A defesa distorce fatos elementares. at6 chegar à afirma~io de que nenhum amigo est~ impedido dé promover doaç5es a outro; Companheira f~br.ica e envia produtos para o companheiro. que os comercializa com exclusividade; Um deles faz ao outro doaçio em dinheiro. a titulo gratuito; ambos procuram manter afastamento nas suas rela~5es tribut~rias. em atitude oposta à facilidade concedida pela Receita Federal. que autoriza contribuinte nio casado a fazer declaraçio conjunta com a cOlflPanh."ira. 2- O Sistema CPF-MECOMI (Cadastro de Pessoas Fisicas da Receita Federal) deu como inv~lidos os CPF's 393.982.108-68 e 880.476.998-.06 (fls. 23 e 37). Com relaçio aos demais supostos adquirentes pessoas fisicas. o Fisco diligenciou. e quantos puderam ser contatados mostraram-se surpresos e indignados. negando veementemente qualquer compra, e firmaram competentes declaraç5es~ as quais anexamos a este processo (fls. 117 a 129). Comprova-se assim a simulaçio de vendas a diversas pessoas fisicas. para mascarar as saidas exclusivas para a empresa Pierre Ber~eaut & Cia Ltda. confi~urando a relaçio de interdepend@ncia do artigo 394 incisos 111 e IV e caracterizando as circunstlncias qualificativas previstas no artigo 351, par~grafo 2 •• conforme descritas nos ar.tigos 354 incisos I e 11. 355 e 356 (multa b~sica do artigo 364. inciso 111. majorada pelo artigo. 332 inciso 11), tudo do RIPI/82. 3- O Fisco laborou em c~lculos baseados nas f6rmulas fornecidas pela empresa. registradas no Minist4rio da Saóde. Modificaç5es com respeito a concenlraçio e quantidades de ingrediente~ trazeol consequ@ncias no aspecto da saóda p6blica e proteçio ao consumidor. exigindo pr6via aprova~ia da Orgia competente a empresa nio tem documento algum de prova nesse ~entido. O contribuinte nio possui sistema de custos integrado. e alega ~ sua conveniência perdas de 5 a 10% e quebr.a de ampolas cuja m4dia supera 05 10%. E com tais alegados indices, nao apresentou a exigivel documenta~io fiscal emitida para a mínima finalidade de regularizar o estoque. Foi. @ntr~tanto. adotado pala fiscalizaçio. na auditoria de produ~io. o indice de 2% para quabras @ p@r.das (quadro XIX). 4- HA que relevar a defesa. que se precipita com, avidez para o erro gravíssimo que para meu gaudio demonstra a nulidade do presente auto. Trata-se de um algarismo mal impr'ill,ido. que assill,ficou pela prosaica razio de quo;:,d'E::ixou d,", ter interfer@ncia nos cAlculos. eis que na faixa relativa ao p@riodo de 1989 contida no quadro XIX nio h~ diferen~a considerada pelo Fisco. Veja-se quedro XX (fls. 74) Comparativo do consumo de embalagens dos periodos 86. 87. 88 e 89. e finalmente. quadro XXI - Apuraçio do Valor Tributável (lo~io): 1987,., 1988 (fls. 75). 5- Por fim. manifesta-se pela proc@dência do feito fiscal. " MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo nQ 10880.002282/91-77 Acórdâo nQ 202-06.957 Em seus fundamentos, o julgador singular entendeu que inocorreu cerceamento do direito de defesa, pela lavratura em ,:i.tlt.o~:; d(.:.; P""OC(':':":::,':::,o:i.ndc-:':'p(.:.:'nd(.:.~nt(.:.:,s P,:i.I",:<.c,:l.c1':1:i.mpo.:::.t.o (.:.:,c:on t.,":i. bui ~:;':\.:'c)" F :i. co u C<"'.,...,:1. c:'I'.c.::'1'" i z <,'1cI<oi.,:\ :i.n t.(,':'I'"cI(,.~P (.:.:,1'1 dO 1"1C:i. ,:i. .(.:.:,1'1 ti'" (.:.:,(.:.:,inp I'"{.:.~s ,:\~::.!' 1"1,:i. 'f o ,."iTI.::\ do artigo 394, incisos, RIPI/82" Quanto às vendas realizadas a pc'~::.~::.o,:i.~::. '1':í.~:;:i. c,:\~::. «"'.no~::. cI(.:.:,:!.':.;.lB8 (.:.:,:I.909 ).~ I...(.:.~~::.toucom p,"ov,:i.d C) q uc.:.:' <:'<.':::. ITI(,:,:"::;m ,:\ ~:; cI(':':":::.c:on 1'1(.:.:,c (.:.:,1'"<:".in t,:I.:i.~::.,:i.qti :i. ~::.:i. ~{:Y(.:.~.:::. ou t '''':'.1'1 ~::.,:\~~:u(.:.:,~:;com.:.::'1'"c i ,oi.i ~:; com ,:i. au tu,:i.d,:\!, o que.:.:'C<'i.l",:i.Ct(.,:,I" i:i: ':'. <::.:i.(lH.I.l,:\!;:;Xo" "'.10 q U(.:,' ""(.:.:,~::.D(':':' i t,:"! .::i.0 1(.:.:'\/,..•.1"1t,:H'H-:.:'nt.O d ,:i. pl"od ti ~;)ro!, o F:i.~::.cO pod(.:.:',...<'\ a,." b :i. '1'.1'''<:'\j'" o \l,:i.]. OI'" t.l'" i bu t<~i.v(.:.~1 (.:,'l{':';(Jc.~ndo qu<:'\:I.qU(':':',." (.:.:,:1. c.~mc.:'nto do p 1'''0cc.:'~::.~::.op,'''odu t i \lO" o~::. t ,.",:"!b.::\J hn~::. 'i":i.':::.c,:\ :i. ~:; 'i"o 1"'.::1. il'l J c-:.~V ,:i. cI o ~::. ,:\ (.:.~'1'(.:.:,i t o c: o fi) b ,oi. S (.:.:, 1'1 0<::. ,:\ 1'" t. :i. q o ~::. ;':~;,qO !' ;'::;I:'{ :!. (.:.:, ::':;l.~;:')!' p ,:1. ,." ,A (,:,t 1'" ,:\ 'i" n :!.g, do RIPI/82, e o contribuinte nada trouxe sobre alega~ôes e nân enseja o de'ferimentn do pedido de rea:l.iza~ân de pericia, ~:;0:1. :i. c :i. t ,:1.dn co(1'1 b ,:i. ':::. c-:.:' 1"1 o ,:\".'I'.i CJo ;':')l~l.~ d o F<(.:.:,c.lu :I.,:1 In (,':'1'1 to" tl Cf u (.:.:,b I" ,:i. ,:\do t <:".d ,:\ d (.:.~:~:~:'.;; 1'1o p I"~o c (.:.~':::.~::.C) d (.::, :i. 1"1cIu.':::.t. ,...:i. ,:\ 1:i. :.:':,:i.~iro ,,::,j U,.,.i ~:;p n.l d t'n c::i. ,:\ cIo \:;':':'~(ll..\ndo Con .:::.(.:,,:I.!"lod (.:.:,Con t, ...:i.bu in tc.:.:'~::.(tl c(,,"'d~~'\o nq ~':':O:?''''O~':':"lf,:.:),q.) c.:.:' fo i adotada no caso sob exame" 1'10 ""(':':'C:l.lI"~::.O volunt,,:\"'io ( ..n.s" :l/V?/:I.;:.:':?)!' o ~:;uj(.:.:,:i.t.o j:)':\ ~:;~:;i '.,..'C) ~::.I..!.<::.t(.:.~nt,:i. ':'. p ,"'c:.~:I.i m:i.1"1a," d (.:.:, c (.:.:,'" C(':':'<":"\in{.:.~nto do d :i.I'"c' i tC) d (.:.~ d(':'.\'fC-:':"::;<"\!1P(.:.:,:I.C) d (.,:,~::.do bJ",:i.iIl(.:.:'nto c-:.:'m\.-'<f\,."io~::. <:-\utC)~::.d (.:~P""Occ.:'~:;~:;o."o q u(.:.~!, po ,." 'i" i in" :i.mp(.:.~d(.:.:,,:i. ,:i.n<'\J :i. ~::.c'~::.Ob1"c' c,:i.d,oi. Cf u<,\l!1 (':'\in1::00 , ... ,:\ c<:".d,:i. :i. n'f I"~,:i.!;:~\C) ~::.e.:i.::i. oriunda de um mesmo fato gerador" 1"(.:.:,<:\1 :i. Z.,:i.f;:~\O ,."(.:.:,c o ,."I'" i d <:1. " Insurge-se contra o indeferimento de pericia, nos termos expressos Reitera o pedido. d C) P (.:.:,d :i. d o cl(.:.:, P{.:,'1 ,:i. d (.:.~c i ~::.~xo :0 :i.z a 1"(.:.:,co 1"1"(.:.:,1"1t.E' n;':ú::r I"C-:'~~::,t,:\". COITIPI"ov,:\d ,':\ ,oi. :i.n t.(.,:',."d (.:.~pe 1'1 d C,1'1 C :i. ,:\ d :i. ~::.po~::.t ,:\ n D i:i. , ... t :i.q o :::)<,;llJ. !' :i. 1'1 c::i. ~::.o ':::. I I J (.:.:, I "./~l d o I:;:II::'I B~.:.:" t,~::. d(.:.~c::I.,':1 1" ,:\ ~O'(.:.:'~::. '1'0j'"<':'\mtóm.::'ld,:\~::.~::.Ob CO<":I~<::rcJ 'i" :i. ~::.c ,':1 :I. (.:.~ '1',:\1 tou ,':\pl"o'1'und ,:'1m(.:.:'1"1to n o~::. PEi~:;!I CPF ~::.(-;.:,c)nc!(.:.:,""(.:.~çC)~::. d ,':1.~::. P(.:.~~::.':::.o<:'l~::. .r J ~::.:i. Ci:l.~:; adquirentes de seus Pl"oc!utos" No mais, reporta-se aos arquillentos já na pe~a impuqnatória" ',? c:d: e J"(.:.:, c: :i. do':::. p ''"o c:(,.)!:; !:; C) AcóI"d;'Xo MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES nQ 10880.002282/91-77 n~.:.:~~:~0:;:~""06.9::.\] U 1"(.:.:, cu ".!:;o D i':':' lI':') ccm h c-::' li:O ...."01un t/l''":i. o ..ro:i. P01'" tc'rnp(.:.:..,,:.ti'v'o. dc.nt.I"o do 1".10 q Ui.:':' ""I,:.:,~".P(.:.:,i ti:'" i:\ ,';\ ''"(;.I(\ i ~i:;-rO cI(.:.:. p I"i.:':'J :i. m:i. n i:""" P ,."i':"j u d i c::i.,':\1 ,':\o j u J c.l,':\fi) (.:.:.n to dom (.;.:.I":i. tO!1 di.:.) q u (.:.:,O d c'!".d Ob ,.".:''!.In(.:.:,1"1 to do!". p I"DC(':')~:;!::,O''';.... :i.fi) pO'''. tO!". (.:.:.CDn ti'" :i. bu :i. ~i:U(.:.:,':::, .... C(.:.)". c~:,:'ou S(.,)U <':'I.rnp:l.O d :i.I'''C-::' i to cI i':':' d (,:,:,'1"i':':'~".,"I~,n.,Xo P(.:.),'''m:i.+. i 1"1 cIO E\ i,\n /IJ :i. !".(.:.:,(.~!::.P(.:.:.c:I:'1":i. C,',I di':':' c,',\d ,':\ i.:':'){:i.(,:.I(in c:i. ,,'1 'f:i. !::.C,"I1 !I n~Yo <./i'".lurnb,'"o i:'" oCOI",I"(.;,'nc:i,':\,. t.(.:.)ndo (,:'fI) 'v'i !::.t.,';\ qU(':':',. (,:,:'m P I"~i m(.:.):i.,...o 1 u C.l,"1'" " a d (.:.:.1"1l:'l1"1c :i. i:\ 'f :i.!".c "".:1. c Dn t é rn to do!::. (.:.:.1(.:.:.mc'n t o ~::. i.:.:'.,,:.!:;c'nc :i. EIi !". i mPO!::.to~". P(.:,':I.o i'l I" t :i. q o 10 d o Di'::'c I"~:.?to 1"19 70 ..:"::;':';~;.:,/')':?!I depois~ todos os atos processuais 'foram praticados com fiel observáncia à re'fer'ida :l.ei adjetiva. ('1 ,"1 Ut. o 1"101'1'1 :i.i:\ d i:\ !:; 1 (.:.!q:i. ~:;1 ,"'.\i:fj'i':':'!". do!". i Inp o s t.o !". i':':' c:on tl":i. bu i i;:(:)i':':"":'" O!::. '1",,\to';". qi:'?"""".dol"i':'!!:;" EIS bi:\~:.i':':'!::,di") cAl cul CI':".,I nAo !:;i':':'. cOillunicEIITI (.:.:,ob"":i.(J,,\m ,"'. 1 i:\'v"''',,\tu 1''',:\ i':'!ITIUín !:;<::'l'fi:.!:i.tO '1":i.!::.c,'".:I... U qu.(':':' (.::! comum a todas exiq0ncias é a a~Ao 'fisca:l.izadora~ e os processos~ ,,'\:1.ém c!(.:.! "lU t.OnOíI'lOS" t.(:m !".(.:.:.u!". CU I'" !::.o.,,; p ""6 p,''':i. O!". .. \lc ..:i <':"t •••• !". (.:.:.,I po ,." exemplo~ que o Sequndo Conselho cle Contribuintes é o Colegiad(J COITIPI':,'t.i.:.!nt.(':'! P."IJ"',':\ apl"'(.:.:.c:i.,':\I'" 1:i. t.:I.<':'1:i.O~".':".0b ,...,.:.:,o IPI!, ,'1(;) P"\';".':,,.o qUi":' D Primeiro Conselho aprecia apelos relativos <':"to Imposto de Renda .. Cada qual obedece à competência recursal cle seus Reqimentos I 1"1 t.(.:.:.,."1"1 c'~"... Quanto ~u requerimento de peric:ia~ também como preliminar~ só seria cabiveJ seu de'ferimento se a contribuinte trouxesse elemerltos objetivos que pudessem coJocar em dGvida os "'(.:,"";U1t<".d C'!". i:\ qUi':':' Cl'1(.,:'(I OU ,,\ 'f i!::. CE\1 i:?: ,,'\\i:;~~'O..Fi:\l tou. E'!".Pi':':'C:i.i:1.1:i. ;~<:\\i:;/O do!::. pontos disC:Drdantes~ bem como informa~ôes consistentes que pue! i':':";",~::,(':'!lnc.:'n!;;.i':':'.:i,:~I" o b(,:~n(,.:,'fi c :i. o. d "'. dÚ'v' :i. d '::1." q U(.::, !".OP""i:\I'":i. <:1.p<:\I'''ú n :I. ,';,\eI C) d ú c em t '"i b LI. :i. 1"1 ti.,:, .. 1".lo~;; ,,\UtOb clo Pl"'o cc-::'!:;~".o!,1'l2(0 h.:,\ (':'!1 C':'fII(.:.:'nto~;;. qUi':':' ''':.E' con t "'i:~e!:i.Z(':':'f11 ou duv i do!::.o~;; qUi':':' pDd c.:.,,":i.,,~i11 (.:,'!::.<::ud,':1.1'.' um.::\ Pi':'~I"~:í. c::i..;':1. 1'10 ~::.i ~;;.tCHI'i<:\ ti i':" P,."od \.l. \;:AO" (',1 :i..:\ !:; " n (.:.:,~:;.t (.:.:,p.::\,."-1:. :i. cu 1.::\ r'!, '::\ 'f i !".C ,,\ :I. :i. :?: .;':\ \;:;\0 COIIIO cli':':';;:,CI'" i to no '(H.I.tO cJ<.:.:.In"i::I"',':\\i:~\O ....,I 'foi z(.::<l.o~"..,:\!, n~:Ú:.l dE'i}u:\I'ldo' dúvida sobre os v'esultados obtidos~ além do que o levantamentiJ foi elaborado COfll in'forma~ôes e documentos oferecidos pela p ".(:,P,.":i. ,':~ i':':'iIIp I'''i':':'~::,,:,'\" MINIST~RIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES nQ 10880.002282/91-77 n~.:.~~:~0~~....06.9::\7 Inob',::,(,:,:""\..','ii:nc :i. <i'. p(':'l,':\ "'(,:'qUE'I"'(,:,:'ntE' elo':::. c: :i. 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I'" '::o.O(I';(,.:'nt(.:.:. ~:;.(o:.:. r' .:i U '0::.t. :i..r :i. c: /I (."J i:\ 'f o I"iTI U 1,:\\;:;'?{o d(.:-:, p (.:.:.cI :i. d o ~::. d (.:.:. cf :i.1 :i. c,!(.:.~nc: :i. (,'I. ':::. ou P(':':'1"':i.c:i. ,:'t ;::. :' pelo 1:«"~cl<:Hnan tE' ~I qUdnto a matéria de fato, ou assunto de natul'.~::za técnica!, c:u.:i,:\ comp,'''o'v'i:'.~;-:\'o n;Xo pO~::.~:o.,:'. . ':::'(':"1'" "i:(.:.:.i t.,:\ n C) co I'" po do~::. .:-:\ut.o::o.~I qU.(':':'I'" P(.:.:,:1. o 'v'ol um(.:.:'d (.:.:,p,-:\pó:i. ~::. (.:.n'v'ol \...:i.do:::. n ,:\ 'v'C'r' :i. 'f:i. c:.::\!i:;XO~; quer pela impossibilidade de deslocar os 01ementos mdteriais examinéveis(v ..g .. máquinas, veiculos, constru~ôes, exame do processo ele proelu~ào), quer pela loca1i:<-:a~ào cI,:\ P '...0' ....•,:... ('v' "<,:,I,, (.:.:.~::.Cl" :i.tU. I'",:\\i:;'Jo~, clo cU.mc'n t.o~::. C'i..\ i n'for'm,':\(i:Ô(':':~::, E'I'i'1pOc!(':':I." d(.:.:. t(':':'I'"C(-:.:.i ''''0;:;. ~I ou '1:.1'''0'::;. P I'" D C (.:-:.;::. ~::.C) .::; :f :i. '::0'c (,'I. :i. '0::. (.:.:,)( :i. ':::.t(.:.:n t. (.:.:.':::.~, cIo c u fi) c.n t o ~::. d (.:.:. órgàos p~blicos), quer pela espécie de exame necessAI"io (v ..g.. anAlise qrafo'l.:écnica, análise quimica) .. I::'cw con ~::,(,:,:(,:,Iu:i. n 'h:.:.:.~, 1."(.:.:'\..'(.:.:.1i:'\ .... ~,:.(.:.:' pn:.:~:;c::i.nel i VE,,:I. '0\ cIi 1 :i.c,! (,) n c:i ,:\ ou P (.:.:.I'":í. c::i.".\ ~,:.o b r' (,:: ,:1. ;::. p (.:.:.c t. o q u (.:.: PC)c!(':':'I'''i,:\ ;::.(.:.}I'" c:omocl.::\m<-:'.'nti':':' tl",:\:<: :i.c!o ,\ co 1':\'i:;\'(J com a inicial, ou sobre matéria ele natureza puramente juriclica .. 1)(.:.:ou t 1",:\ Pi:U,.t.(.:.:~!é c!(.:.:,con\..'(':'ni6:'nc:i.,:I':1 P':-:'.I'''i:'1. I'.'(.:.:,'f o I'" \i:i:'\ r' ,:\ po~::.'::.:i. b :i.1 i d ':'.c!(.:.,c!(.:.:.(iIX:i. to cIC) p(.:-:.d:i.d o MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PI~Oc:(,')~5Sc)nq :L0880 ..00~::28~'U9:l....."7"7 Acórdâo nQ 202-06.957 (.:.:, ,:\'f E\~::.ta," ':::.U~::.pc.:i ti:\ ~:; q 1..1.,"\1"1to .::'.0 ~:;(':':U c,:\l'"i:'! tE' I'" protelatório, acompanhar o requerimento, ':::,(':"fnp''"(.:.:, qU(':') pC)~:;~::.:í.'v'(.:.: 1!' el(.:.:, E\mD~:;t.l'"':\(.:J('::'ITi 01..1. q Ui:\:I.qU(.:.:,I" .ro I'''mi:'.ele:' (.:.:'vi el(':':'1"1c :i. E'. ~;:~XOelO':::. ,:\~::.P(.:.:, c t.()':::. cu j ,,'\,':\p I'"(,.:c: :i. '"'. !;:;\o ~::.\':.:',."(.:.:,qu (.::,/." n(.:.:,~::.~::.(.:.:,(.:.:,xd (fi (.:.:,•• " (:',I:;:F;:U:O(:'i:.l...u:i.z H(-:.:nl":i.qu(.:.:' :r:" ,.PI'"OC(':,,~::,~::,ot'ldmi n:i.~::.t, ...,,:'.ti \...o ....F:i.~::.c.::\1 Resenhd Tributarid, pág ..56/57 .. el(,.) (1 '.;.:0':);':')) .. ( I.,'i,:\n1..1. ,: ••. 1 ) " U .:iu:l. (,:,I.::1,(:1o I" ~::.:i.n (J u:l. i:\ ,." mot. i '.....ou o :i.n d.(.:.:'''j''(.:.:I":i.flH.:.:'nto eli:\ 1'''(.:.:i:'" 1 :i.:?: " .•.~;:;~'(Od (.:.:,P(.:.:,,,':f.c:i.<:\!; (.::'nt.(.:.:ndD ~::.(.:.:,I'" p 1"E'~::.c:i.n cl :!.V(.::,1 t.,:\1 P""O\l i elOnc :i. i:\!, u t :i.l :i.:i-: i:'.ndo p1"(,.:1'''''''0(1,:\t :i. """'i:, ~::.ubj (-:.:,t :i. 'v'.:'''' que a lei lhe con'fere .. ) (':'~ fnf:;'~::.(n<':"l. .re) i'"(li <';\ !I (':':'fB ~::.Ll<':'t~:; I'" .:':'t :.:-: et(.:.:.~::. cf (.:.:a r'c.:.:' c: tl f'"'~:;C) ~t .(:'tC) sustentdr o pedido de per:f.cid, 'faltou objetividade .,'\() pc"dido!. P(':':'10 qU(':-:'!, n(.::~::.~::.(.::'Pi:\/,.t:i.cul.,'\I"!. iTli:l.nt\':.:'nho .::.•. cl c.:c :i. ~:;~Yo I'" f:-:' co ,." I'" :i. cI ,:\ .. ti (':':'1'1',p I"(':':'~::..-::l. in t.E':'I"d(.:.:P(.:.:.nd(.:.,1"1 t.(':':'n;\o é ~::.ó POI'" c.:'~::.t.(':':' 'f,;.,to cont"':i.bu:i.nt(.:.:, elo IF'I!, como j,\ .roi (':':'il'l l(,':'qi':::.l':I!;:';\o pi:•.,:::,':::.,:\di:.•.!, n:;';'(c) obstante após a elisposi~âo contida no pdráqrd'fo 19 elo artigo 79 ela Lei nQ 7 ..789/89 tenha reintroeluziclo situd~ôes em que d in '1:.(.:.:,,,'dc..' p(.:,'nelC'nc :i. ,':'. (.::qu i P,"II",':1 ':1 (.:.:,~::.t,,\ b(.:.:1(.:.:,c:i.m(.:.:'nto :i.nelu ~::.'I:.I":i. i:11 cI(.:.:t e I"m:i. n .:,".eI0<::. ,:\t ,:\C,:\eI:i.~::.t .,'1~:;.. Fo I",:\ (.:.:,~:;~::.(.:.:,~::. C<':'\ ~::. o~::.!' <':'\ .r :i. ClI..I. I"i:1 d .:,.•. in '1:.(0:':'/'" p(.::ndf,jnci "". {, :i.mpol'"t"u'j t(.:: n i:'. '.r:i.::<i:'. <;:âo do v ,:11DI" t. r' :i. bu t.'?'.\l(.:,.} q u,:l.nd () da remessa de produtos de Uffid pard outrd, entre dUds 'f:i.rmdsH o .rdto de d sócia ffidjoritária dd dpeldnte c:omp":1I"ih (.:.:,:i.I'"E\ eIo ~::.Ó c :i.o m.::lj o I'":i.t ,A I'"i o dEI i n tE' 1"1::1(.:.:P (,.:I"id '::':'I"itE' (.:.:.EIpc'n .::'\~::. u ffi,:l. c:ol"I"obo I"•.:\~j:;'Yo cI,:1':::. ':'..r i I"m•.:\~j:f:í(-:.:-':::, 'f:i. ~::.c•.:\:i. ~::'!' po I"qu,:\n to o m()n t,:ln t(.:" d (.:.:, ......,(.:.:'ncl•.:.•.~::. (.:.:'m C,:leI,:\ ,':•.no!1 rOi'" ':::.:i.. :::.,j!, jA .::•.utOI"':i.:i-:,:1 <':". cDnclu~::.;:ro e1(.:.:, :i.1"it.('::'I"dE'P(.:.:.nd(11"ic :i.,:\ (':';'1"1 t. 1"'(.:.:,(.:.:,~::.t,:1b(.:.~1E-C :i.fn(.:.:'nt.o~::.!, (-:.:-!, qu,:\n to ,:\ (.:,":::.t.":\ .::\ ''1' :i. I"~m':'.~j:;:'(0 p(.:.:,1'" c (.:.:,n .t.,':l.q (.:.:.m n ":'1 p ,':\I'" t. :i. c: :i. p ,:'.~;:~.}'o eI ":".~::. v (.:.:.1"1 eI ,:1 ~::. I'"(.:.:co 1'"I'"(-:.:,n te-: n~':\'o con'l:.I"":'.dit.ou o ,:\utu •.:\nt(.:.:." Por out".o lado, d práticd de remeSSdS de produtos (.:.:.n ti'" (.:.:. :i. n t (.:.:,'"cl(':'.'p(.:.:,1"1d (.:.:,n t (.:.:,~::. é':; :i.tu ,,'I. ,;~ ?ú) qu (.:.:.I"i;-,'(0 (-:.:n~:;(.:.:-.:i ,:\ '::'. p1:i. c ,:'.~j:;',):'0 d ,,\ 1I'lul t •.:... b,;';.':::.ie:•.:\ clo .::\1'"t. :i. (,:,lo ;':':;ól.\!. :1.n c i ~::.o I I~, IT'<:ljO,," •.:\e!i:\ P(.:.:-lo d :i.~::.P()':::. '1:.0 no Artigo 352 dmbos do RIPI/82 .. Este Colegiddo, no pdrt:i.cu1dr, vem entendendo que d mu:l.td cdbivel é dqueld cominddd no drtigo 364, I I!. F~JPJ/B2!, .:::.(.:.:m qU.::d.ql..l(':':'I'"I,:,'}u:l,':::'P(':':'/"":'l.!i:;';'{o" lO PV'OC: I~ c:ó 1"<:1~~\o MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10880.002282/91-77 n~.:.~~~()2"-06.9~r7 Na mesma linha, o fato de a empresa efetuar vencias a pessoas flsicas idosas, as quais declararam nunca terem <:1.cIqU:i. "" i d C) PI'"o du t o~:; d '::\ me:'':::.m<:\" t i:\mbém n;Xo é D c:t\ ~::.o eI(.:.:,~::.:i. I'I'IU:I.i:\ ~i:?Ú:l " (:) r) (,:,'n<:\ PE'cun :i. /\ 1'" i <:\ Ci:\ b:r.\/(.:,:'1~I Pi:\1"i:\ (.:.:,~::,t,t:.!.:::. il J c :i,to~::. ''1' :i. ':::.c<:\i,:::." (.~, ,':\q1,,1.(':':' 1,':\ P I" (,:.! 'v' :i. ~::.t ,':\ no ,':\1" t :i,q o :::;ól,}!, :i. n c :i. ~::.o I :r I!" d o F::1 P I /8:;':':" \..'(.:.:,z q 1..1. f':' n gl'c, h /', m,':\ '1:,(':':' I,"i ,':\:1. i :l ,,"!i:';\o d ,,'\ ':::.01"1 (.::,(.1 ,':\ \;<~(o!' ''1' I",':\ud(.:.:,C1U. con lu :i, o • (:', no 1'"íIl<:'. con t:i. cI<':'\ no dispositivo acima já possui uma agravante" ::;;/(0 E,~::.t<:\~::.1'''tl.ZI::í(,:,!'::.d(,:.:,d(,:.:'cid:i,I,"qUE' m(,:,:'l(.:,'\..'<:\m,':\ d ,':!, I'" p1,"0\.':i, i1H-:,:'nto p,':\,."c i t\ 1 ,':\0""(.:.:, cu I,"~::.Ovo:l.un 'L':\ ,,"i o p<:\,.",':!. :: .:':"t. ) calculada sobre :i.n t(.,! ,,"d (.:.! P(,:.:'n d (,:,:'nt(.::, F~I r::t I../~:5:~':'~;: (':: ,,"(.:.:,d u z i 1" ,':\ 100:'.;; ( Cf.:',!,! o imposto devido pe:l.as aplica~âo do disposto por cento) a multa vendas realizadas à 1°)(:) 81,.ot:i.g<:) 364~, J::[!t b) reduzir a 150~ (cento e c:i.nq6enta por cento) a 1'I'lult.<:\ C,':\1 cu], ,':\eIa ~::.ob 1,"(.:.:, o :i.mpo~::.tCI cI(,.:"v' :i. d o P(.:.:,1 "I. ~::' v (.':'ncIi:'. ':::, ,,"(.,:' <:\ I :i. :'::,':I,d<,\ ~::. .:\ .:". pessoas fisicas elencadas a f:l.s. 31. 1:1. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723807/2014-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
PERDA DE DOCUMENTOS FISCAIS POR SINISTRO.
A alegação de perda de documentos por ocorrência de sinistro, ainda que documentada sem o cumprimento de providências impostas pela legislação tributária, bem como desacompanhada de apresentação e demonstração de provas que corroborassem o alegado, não é suficiente para elidir o feito fiscal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
OPERAÇÃO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE RENDIMENTOS.
A partir das evidências carreadas aos autos não se pode acolher como efetivas as operações de mútuo alegadas, principalmente pela ausência de comprovação da realização do contrato, que pode ser aferida pela transferência do valor mutuado e sua posterior devolução.
Numero da decisão: 2201-003.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 17/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos do Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 PERDA DE DOCUMENTOS FISCAIS POR SINISTRO. A alegação de perda de documentos por ocorrência de sinistro, ainda que documentada sem o cumprimento de providências impostas pela legislação tributária, bem como desacompanhada de apresentação e demonstração de provas que corroborassem o alegado, não é suficiente para elidir o feito fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. OPERAÇÃO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE RENDIMENTOS. A partir das evidências carreadas aos autos não se pode acolher como efetivas as operações de mútuo alegadas, principalmente pela ausência de comprovação da realização do contrato, que pode ser aferida pela transferência do valor mutuado e sua posterior devolução.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 17/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos do Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1950; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.723807/201495 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.342 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de setembro de 2016 Matéria IRPF Recorrente SILAS APARECIDO DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 PERDA DE DOCUMENTOS FISCAIS POR SINISTRO. A alegação de perda de documentos por ocorrência de sinistro, ainda que documentada sem o cumprimento de providências impostas pela legislação tributária, bem como desacompanhada de apresentação e demonstração de provas que corroborassem o alegado, não é suficiente para elidir o feito fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizamse como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. OPERAÇÃO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE RENDIMENTOS. A partir das evidências carreadas aos autos não se pode acolher como efetivas as operações de mútuo alegadas, principalmente pela ausência de comprovação da realização do contrato, que pode ser aferida pela transferência do valor mutuado e sua posterior devolução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 38 07 /2 01 4- 95 Fl. 5198DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 17/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos do Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Do Lançamento O processo referese a auto de infração de fls. 1.614/1.627 lavrado em face do contribuinte acima identificado, originado de procedimento fiscal instaurado por meio de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF de n.º 0910100.2013.00123, relativo ao imposto de renda pessoa física do exercício 2010, ano calendário 2009, por meio do qual foi exigido o seguinte crédito tributário apurado: IRPF Suplementar R$ 6.843.437,29 Multa de ofício R$ 5.928.932,01 Juros de Mora R$ 3.030.158,20 Total do crédito tributário lançado R$ 15.802.527,50 De acordo com o anexo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 1.615/1.617, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento das seguintes infrações abaixo relacionadas, conforme valores de imposto e percentual de multa por fato gerador específico: 0001 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica; Fl. 5199DF CARF MF Processo nº 10980.723807/201495 Acórdão n.º 2201003.342 S2C2T1 Fl. 3 3 0002 Atividade Rural. Omissão de Resultado Tributável de Atividade Rural; 0003 Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. Omissão de Rendimentos Caracterizados por Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. (...). Os fundamentos legais do lançamento encontramse especificados às fls 1.616/1.617 e 1.624. Esclarece a autoridade lançadora que as infrações foram apuradas com base na declaração de ajuste anual do exercício 2010 do contribuinte, nos documentos apresentados pelo fiscalizado, nas consultas aos sistemas da Receita Federal do Brasil e nos documentos apresentados por terceiros intimados (circularização) durante a realização do procedimento fiscal. A omissão de rendimentos referese a valores recebidos pelo autuado da empresa Península International, por intermédio de depósitos em conta corrente e/ou pagamento de despesas particulares do contribuinte, sendo que a empresa disfarçou o recebimento desses rendimentos em sua contabilidade lançando os como adiantamento a fornecedores e mútuo sócio LP. O autuado ao ser intimado durante o procedimento fiscalizatório a apresentar/comprovar a origem dos seus créditos bancários, este informou que os mesmos eram decorrentes da atividade rural, tendo apresentado documentação comprobatória confirmada através de terceiros devidamente intimados para este mister, mas apenas para parte dos créditos. Entre os créditos não comprovados, há vários depósitos efetuados pela empresa Península International, da qual o fiscalizado é um dos sócios. A empresa ao ser intimada a informar, especificar e comprovar o motivo dos depósitos, não atendeu às intimações. Diante deste fato, através de consulta ao Sistema Público de Escrituração Contábil SPED da empresa Península International, verificouse que os créditos bancários encontram se lançados em duas contas do ativo (Adiantamento a Fornecedores e Mútuo Sócios LP). Em cotejamento com os créditos não comprovados do contribuinte, constatouse que além dos depósitos cujo histórico confirma terem sido efetuados pela empresa Península, outros depósitos nas contas correntes do fiscalizado foram realizados através de TED's e transferências online, adiantamentos outros não especificados e pagamento de despesas particulares do autuado, como plano de saúde, combustível, despesas de viagem, etc.. Todos estes lançamentos consta como histórico "Adiant. Silas Aparecido dos Santos". Em anos posteriores (2011, 2012, 2013) os lançamentos foram transferidos para a conta "1210040010012 – Adto. a Fl. 5200DF CARF MF 4 Fornecedores", sendo nesta lançados somente adiantamentos a sócios, e o saldo cresce anualmente. A fiscalização promoveu o lançamento de omissões de rendimentos recebidos de pessoa jurídica diretamente, por intermédio de créditos em contas correntes do contribuinte, e indiretamente, por intermédio de pagamentos de despesas pessoais do autuado e outros adiantamentos, conforme consta nas escriturações contábeis da empresa supramencionada. Para melhor compreensão da sistemática procedimental adotada pela autoridade fiscal neste processo administrativo fiscal, as infrações cometidas foram desmembradas da seguinte forma: Omissão de rendimentos recebidos indiretamente da empresa Península International, por intermédio do pagamento pela empresa de despesas particulares do fiscalizado e outros adiantamentos. (item 2.1.1 do Termo de Verificação Fiscal TVF) A omissão de rendimentos identificada em lançamentos contábeis da empresa Península em contas cuja descrição é "Adto a Fornecedores" (anexo 3 – fls. 1.584/1.595) e "Mútuo Sócio LP" (anexo 4 – fls. 1.596/1.606), com o histórico de "adiantamento a Silas Aparecido dos Santos", para pagamento de despesas particulares e adiantamentos, não foram depositados em contas correntes do fiscalizado. Informa a fiscalização que estes valores nunca são devolvidos pelo contribuinte, existindo aumento constante dos saldos destas contas em anos calendários posteriores, caracterizando como omissão de rendimentos disfarçados em adiantamentos/empréstimos. A multa aplicada para esta infração foi qualificada (150%), em virtude do evidente intuito de fraude, caracterizado pela tentativa de disfarçar pagamentos de rendimentos ao sócio lançandoos na contabilidade como adiantamento a fornecedores e mútuo aos sócios. Os rendimentos omitidos recebidos indiretamente estão relacionados nos anexos 5 e 6 (fls. 1.607/1.613 – contas 1210040010012 e 1140020010004 do Razão da pessoa jurídica). Os saldos mensais lançados como omissão indireta de rendimentos são os valores constantes da planilha de fls. 1.565. Omissão de rendimentos recebidos indiretamente da empresa Península International por intermédio do pagamento da 2a parcela da fazenda adquirida pelo fiscalizado do Sr. Teodoro Pszepiura. (item 2.1.2 do Termo de Verificação Fiscal TVF) O contribuinte em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 04 (doc. 04 fls. 05 e 12/13) informou que a 2a e última parcela do pagamento pela aquisição de imóvel do Sr. Teodoro Pszepiura foi efetuado através da entrega de produtos pela empresa Península International, assumindo o fiscalizado o compromisso obrigacional diretamente com a empresa. Fl. 5201DF CARF MF Processo nº 10980.723807/201495 Acórdão n.º 2201003.342 S2C2T1 Fl. 4 5 Informa a autoridade lançadora que não há menção referente a esta obrigação junto a empresa na declaração de ajuste anual do ano de 2010 do fiscalizado, tampouco foi localizado registro contábil em consulta ao SPED com relação a este compromisso. Restou caracterizado, desta forma, como rendimentos disfarçados em compromissos assumidos junto a empresa e não declarados e não incluídos na contabilidade daquela. O valor lançado (R$ 300.000,00) corresponde ao numerário constante no contrato particular entregue pelo fiscalizado (fls. 12/13) e declaração do Sr. Teodoro, tendo como data do pagamento e lançamento 30/04/2009. A multa aplicada para esta infração foi qualificada (150%), em virtude do evidente intuito de fraude, caracterizado pela tentativa de disfarçar o recebimento dos rendimentos, pelo pagamento feito pela empresa de parcela de aquisição de imóvel pelo sócio, sem registro na contabilidade, sem retenção de imposto de renda e apresentação de DIRF pela empresa de que o contribuinte é sócio, bem como pela não informação desses rendimentos na declaração de ajuste anual. Omissão de rendimentos recebidos da empresa Península International por intermédio de transferência direta para a conta corrente do fiscalizado. (item 2.1.3 do Termo de Verificação Fiscal TVF) Os valores constantes da planilha de fls. 1.567/1.569 foram creditados em contas correntes do contribuinte e lançados contabilmente como mútuo ao sócio e adiantamento a fornecedores, sendo que estes valores nunca são pagos/quitados pelo fiscalizado à pessoa jurídica, caracterizando rendimentos recebidos disfarçados como adiantamentos ou empréstimos. Informa a autoridade lançadora que os valores foram excluídos do item 2.1.1 e item 2.3 do Termo de Verificação Fiscal. A multa aplicada para esta infração foi qualificada (150%), face ao evidente intuito de fraude caracterizado pela tentativa de disfarçar pagamento de rendimentos aos sócios, lançandoos na contabilidade como adiantamento a fornecedores e mútuo aos sócios, sendo que esses alegados empréstimos nunca são pagos/quitados pelo contribuinte, conforme se pode verificar na contabilidade da empresa, onde a conta "1210040010002 Adto a fornecedores" e "1210040010012 Mútuo Sócios LP” vão de R$ 6.793.622,87 no início do ano calendário de 2009 para R$ 10.435.312,76 no final do ano calendário de 2012. Omissão de Resultado Tributável de Atividade Rural (item 2.2 do Termo de Verificação Fiscal TVF) Durante o procedimento fiscal foi comprovado através da documentação apresentada pelo fiscalizado (fls. 50/81) e por terceiros intimados em procedimento de circularização, que o autuado obteve receitas da atividade rural. Fl. 5202DF CARF MF 6 O contribuinte omitiu essa receita bruta em sua declaração de ajuste anual do exercício de 2010, anocalendário de 2009. A forma de apuração do resultado foi o arbitramento da receita, devido à falta de e escrituração do Livro Caixa, conforme determina o art. 60, § 2.o, do Decreto 3.000 (RIR/99). Informa a autoridade lançadora que não foram consideradas como receita bruta da atividade rural as notas fiscais cujo código de operação fiscal é 5.905 (remessa para depósito fechado) ou 5.102 (venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros), conforme prevê o caput do art. 61 do RIR/99. Foram considerados os valores depositados em contas correntes do fiscalizado efetivamente comprovados como sendo da atividade rural e relacionados no anexo 1 (fls. 1.582). Os valores foram lançados na planilha de fls. 1.569 na data do efetivo recebimento, uma vez que as notas fiscais de saída antecedem aos créditos e o art. 61, § 4o, prevê que nas alienações a prazo, deverão ser computadas como receitas as parcelas recebidas na data do seu recebimento. Na coluna C da planilha de fls. 1.569 consta o somatório mensal das notas fiscais de saída emitidas pelo fiscalizado cujos créditos não foram identificados, e são os constantes do anexo 2 (fls. 1.583). Por não ser possível identificar a data do recebimento, a autoridade lançadora considerou a data de emissão da nota fiscal como a data do seu recebimento. O valor total da receita bruta e a apuração do resultado tributável estão demonstrados às fls. 1.570. Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada (item 2.3 do Termo de Verificação Fiscal TVF) Informa a autoridade lançadora que foi lançado contra o interessado a infração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes de titularidade do fiscalizado em relação aos quais o contribuinte, após regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos. Os depósitos efetuados no anocalendário de 2009 cuja origem não foi comprovada estão relacionados na planilha de fls. 1.571/1.579. O autuado limitouse a informar que os créditos referiamse à atividade rural, no entanto, não apresentou documentação hábil e idônea. A argumentação de que todos os rendimentos tiveram como origem a atividade rural não foi aceita, uma vez que a soma dos valores creditados em conta corrente foi maior do que a soma das notas fiscais de saída relativas a atividade alegada no período (ano base 2009). Esclarece a fiscalização que os depósitos identificados como efetuados pela empresa Península International foram lançados como "Omissão de Rendimentos recebidos de Pessoas Jurídicas" Fl. 5203DF CARF MF Processo nº 10980.723807/201495 Acórdão n.º 2201003.342 S2C2T1 Fl. 5 7 (item 2.4.3 do TVF), sendo estes excluídos da planilha de fls. 1.571/1.579. Neste mesmo sentido, os depósitos referentes à atividade rural efetivamente comprovados foram lançados como "Omissão de resultado tributável da Atividade Rural" (item 2.1 do TVF) e também foram excluídos da planilha de fls. 1.571/1.579. Não foram descartados os créditos de valor inferior a R$ 12.000,00, uma vez que os mesmos totalizaram um valor superior a R$ 80.000,00 no ano calendário fiscalizado, consoante determina o art.42, § 3o, inciso II da Lei n° 9.430/96. Omissão de Ganhos de Capital decorrentes da compra e venda de produtos agropecuários (item 2.3 Termo de Verificação Fiscal TVF) Informa a autoridade lançadora que de acordo com os relatórios, "Livro Registro de Saídas", apresentados pelo contribuinte durante ação fiscal, constatouse que o autuado alienou mercadorias adquiridas de terceiros, ficando sujeito à apuração e tributação dos ganhos de capital obtidos nessas operações, nos termos do art. 138 do Decreto 3.000/99 (RIR/99). O contribuinte omitiu esses ganhos de capital em sua declaração de ajuste. Ao ser intimado a apresentar as Notas Fiscais de Compra dos produtos revendidos para determinação do custo de aquisição, o contribuinte limitouse a afirmar exercia somente a atividade de produtor rural. Esta informação não foi aceita, uma vez que as notas fiscais de saída relacionadas no item 1 da intimação n.° 19 referemse ao código de operação fiscal n.° 5.102 mercadorias adquiridas de terceiros revendidas. De acordo com o art. 129, §6º, do RIR/99, o valor do custo de aquisição foi considerado como R$ 0,00, uma vez que não foi apresentada documentação necessária para apuração do mesmo. Os cálculos para determinação dos ganhos de capital obtidos nessas operações estão relacionados na planilha de fls. 1.580. Nos termos do art. 38 da Lei n° 11.196/2005, não foram considerados para apuração de capital valores igual ou inferior a R$ 35.000,00. Tendo em vista que os fatos apurados descritos minuciosamente no Termo de Verificação Fiscal configuram, em tese, Crime Contra a Ordem Tributária, definido pelos artigos 1º e 2º da Lei n.º 8.137/1990, foi elaborada a competente Representação Fiscal para Fins Penais, processo administrativo n.º 10980.723811/201453, conforme determinado pelo Decreto n.º 2.730 de 10/08/98, a qual será encaminhada ao Ministério Público Federal, observandose o artigo 83 da Lei n.º 9.430/96. Fl. 5204DF CARF MF 8 Da Impugnação Apresentada O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento às fls. 1.634/1.641, anexando documentos às fls. 1.642/2.326, sendo que foi alegado em síntese que: assiste razão parte do valor do tributo apurado, mas em outra foi caracterizado rendimentos que não espelham a realidade dos fatos; em virtude de incêndio ocorrido no dia 31/12/2012 no barracão da empresa Península International S/A, do qual o impugnante acionista mantinha documentos contábeis (arquivo morto), vários documentos foram perdidos impossibilitando a apresentação quando requerido pela fiscalização; em resposta à intimação foi apresentado manchete pública a respeito do incêndio e Laudo Pericial n.° 19825 do Instituto de Criminalística da Polícia Científica da Secretaria de Segurança do Estado do Paraná; os recursos transferidos para o autuado – produtor rural – decorreram da necessidade de financiamento da atividade produtiva no Estado do Mato Grosso, uma vez que a crise econômica internacional iniciada em 2008 acarretou sérios prejuízos ao agronegócio brasileiro, por força do substancial desaquecimento da economia nacional, com consequente redução da disponibilidade de crédito para este setor, principalmente para o pequeno produtor rural sem garantias; todo o valor transferido para o autuado era para pagamento de despesas da produção agrícola ou para refinanciar os empréstimos que já tinham sido tomados junto a bancos; está equivocado o entendimento exposto pela fiscalização, pois não à disfarce, ilicitude, simulação ou fraude alguma em relação aos lançamentos contábeis, sendo que foi demonstrado o que está escriturado, e é a verdade dos fatos; [SIC] as transferências foram lançadas e escrituradas como Adiantamento/Mútuo, sendo que parte dessas já retornaram para a empresa Península após a colheita e a venda da produção agrícola; a empresa transferidora dos recursos (Península) mantém escrituração contábil regular e é auditada por consultoria especializada, tendo declarado à Administração Fazendária toda a sua movimentação financeira e comercial através do SPED; Fl. 5205DF CARF MF Processo nº 10980.723807/201495 Acórdão n.º 2201003.342 S2C2T1 Fl. 6 9 as pessoas físicas e jurídicas tem o direito de contratar tudo que não é defeso em lei, sempre respeitando os ditames legais; a concessão de empréstimos (mútuos) está respaldada nos artigos 586 e 587 do atual Código Civil Brasileiro, sendo aplicável ao caso concreto o disposto no inciso III do art. 38 da IN RFB 1.022/2010 e disposições do Decreto n.º 6.306/2007 (IOF); não existe dolo ou ilicitude em empréstimos, sendo que o prazo de devolução do montante emprestado é de livre convenção entre as partes; a Península contabilizou empréstimo demonstrando que tem ativo a receber, sendo que o sócio beneficiário contratou obrigação perante a sociedade respeitando o Princípio da Entidade; este empréstimo foi pago parcialmente em 2009 e o saldo restante deverá ser pago através de caixa ou lucros futuros, portanto, não há omissão de rendimentos pois não existe rendimentos, mas obrigação, e obrigação não tem incidência tributária; a Auditora através da verificação dos extratos apresentados equivocadamente levantou toda a movimentação a crédito e os caracterizou como rendimentos, quando na verdade, tratase de operação de empréstimo para fins de custeio da atividade exercida pelo contribuinte; através dos extratos do Banco do Brasil percebese que logo após o lançamento de crédito a inúmeros lançamentos a débito por conta do pagamento de fornecedores para o custeio da atividade agrícola do produtor, ou seja, o recurso somente era transferido para atender necessidade imediata de custeio (exemplo: agência 15229 Conta Corrente 40800X saldo final da movimentação dos meses de janeiro (R$ 2.410,36 C), fevereiro (R$ 3.131,01 C), maio (R$ 2.,75 C) e junho de 2009 (R$ 6.702,51C)); [SIC] citando como exemplo a movimentação dos meses de janeiro, março, maio e junho de 2009 (fls. 1.637/1.638), pretendese demonstrar que os recursos transferidos ao Sr. Silas foram aplicados no custeio da exploração da atividade agrícola, sendo que após a colheita e a venda da produção este repassou para a Península numerário a título de pagamento de empréstimos, bem como também para quitação de empréstimos contraídos junto à instituição bancária (Banco do Brasil); toda a movimentação pode ser averiguada através dos extratos da pessoa física do autuado e no SPED da pessoa jurídica Península; os lançamentos representam a verdade real, ou seja, houve empréstimos e à medida do possível está havendo pagamento desses empréstimos; Fl. 5206DF CARF MF 10 não houve acréscimo patrimonial a descoberto a ensejar entendimento de rendimento tributável; o art. 21 da IN SRF n.º 83/2001 dispõe que "os empréstimos destinados ao financiamento da atividade rural, comprovadamente utilizados nessa atividade, não justifica acréscimo patrimonial"; requer improcedência do lançamentos quanto aos quesitos do termo de verificação fiscal 2.1.1 (R$ 2.423.746,54), 2.1.2 (R$ 300.000,00), 2.1.3 (R$ 1.123.298,39) e 2.3 (R$ 9.062.636,70); concorda com o lançamento de omissão de resultado tributável de atividade rural; o valor levantado de R$ 341.172,00 referese a venda de produção agrícola e deve ser tributado como tal, uma vez que a atividade do fiscalizado é de exploração agropecuária e este não trabalha com revenda; requer acolhimento da impugnação na parte impugnada do lançamento e cancelamento da exigência imputada ao interessado; Inferese do extrato de fls. 2.331 que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba promoveu a transferência do crédito tributário não impugnado para o processo administrativo de n.º 10980.720.483/201514, conforme informação fiscal de fls. 2.329/2.330, nos seguintes valores: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consoante o disposto no artigo 17 do Decreto n.º 70.235/1972, com as modificações introduzidas pela Lei n.º 9.532/1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PERDA DE DOCUMENTOS FISCAIS POR SINISTRO. A alegação de perda de documentos por ocorrência de sinistro, ainda que documentada por Laudo emitido pelo Instituto de Fl. 5207DF CARF MF Processo nº 10980.723807/201495 Acórdão n.º 2201003.342 S2C2T1 Fl. 7 11 Criminalística, sem o cumprimento de providências impostas pela legislação tributária, não é suficiente para elidir o feito fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. OPERAÇÃO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE RENDIMENTOS. São indispensáveis para a comprovação da operação de mútuo a apresentação de instrumento particular firmado entre as parte envolvidas com o devido registro, para surtir efeitos em relação a terceiros, bem como a prova da transferência do numerário envolvido na operação. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte, em síntese, reiterou parte dos argumentos dispostos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz A presente autuação teve como objeto as seguintes infrações, conforme narrado: 0001 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica; 0002 Atividade Rural. Omissão de Resultado Tributável de Atividade Rural; e 0003 Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. Omissão de Rendimentos Caracterizados por Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, referente ao anocalendário 2009. Cumpre destacar que o contribuinte sustentou a impossibilidade de apresentação de alguns documentos (contábeis e fiscais), tendo em vista o incêndio ocorrido no dia 31/12/2012, no barracão da empresa Península Internacional, na qual é acionista. Fl. 5208DF CARF MF 12 Em seu recurso, o contribuinte insurgiuse contra a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica aduzindo que, na realidade, as transferências foram lançadas e escrituradas como adiantamento/mútuo, pois parte dessas transferências retornou para a Península após a colheita e a venda da produção agrícola. Além disso, dispôs o contribuinte que a Península contabilizou o empréstimo conforme recomenda a legislação contábil e fiscal, demonstrando que tem ativo a receber a título de mútuo/empréstimo. o sócio beneficiário (Silas) contratou obrigação perante a sociedade respeitando o princípio entidade. Esse empréstimo foi pago parcialmente em 2009 e o saldo restante deverá ser pago através de caixa ou lucros futuros. Alegou também o recorrente, com relação aos depósitos, que todos os que foram efetuados em sua conta têm origem (transferências devidamente escrituradas nos livros contábeis e fiscais da Península) e destino (contas do senhor Silas para fins de pagamento do custeio da atividade de produtor rural demonstrado em livro caixa e cópia dos documentos). Sobre a devolução/retorno dos valores transferidos, o recorrente reitera que houve empréstimos e que, à medida do possível, estão sendo pagos. Portanto, não é verdadeira a afirmação de que nunca houve devolução/retorno dos valores transferidos. Desse modo, o recurso voluntário versa sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica nos valores de R$ 2.423.746,54; R$ 300.000,00 e R$ 1.123.298,39, totalizando 3.847.044,33 com sujeição à multa de ofício no percentual de 150%; e sobre a omissão de rendimentos reativos a depósitos bancários com origem não comprovada, no valor total de R$ 9.062.636,70. No que se refere ao sinistro, cabe observar que o artigo 264 do Decreto 3000/1999 assim dispõe: “Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n° 486/69, art. 4°). § 1° Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei n° 486/69, art. 10)” Como bem ponderou o acórdão recorrido, a norma aplicável na ocorrência de extravio, deterioração ou destruição de livros e documentos fiscais é enumerativa, indicando as providências cabíveis, uma a uma, e estabelecendo a forma e o tempo que devem pautar o procedimento. Logo, considerando o descumprimento das determinações legais, bem como em razão da ausência de apresentação e demonstração de provas que corroborassem o alegado, mesmo que menos robustas, não há como prosperar a justificativa do contribuinte. Sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, consta no Termo de Verificação Fiscal o seguinte: Fl. 5209DF CARF MF Processo nº 10980.723807/201495 Acórdão n.º 2201003.342 S2C2T1 Fl. 8 13 O Sr. Silas Aparecido dos Santos, ao ser intimado a apresentar a origem dos seus créditos bancários, informou que os mesmos eram decorrentes da atividade rural, mas apresentou documentação comprobatória, conformada através dos terceiros intimados de apenas parte destes créditos. Entre os créditos não comprovados, há vários depósitos efetuados pela empresa Península Internacional Ltda, da qual o fiscalizado é um dos sócios. A empresa, ao ser intimada a informar, especificar e comprovar o motivo dos depósitos, não atendeu às intimações. Em virtude do exposto, buscamos, através de consultas ao Sistema Público de Escrituração Contábil SPED da empresa, verificar os registros contábeis destes créditos. Constatouse, nesta consulta, que os créditos bancários encontramse lançados em duas contas do ativo adiantamento a fornecedores anexo 3 e mútuo sócios LP anexo 4. Analisando detalhadamente estas contas juntamente com os créditos não comprovados do contribuinte, constatamos, além dos depósitos cujo histórico confirma serem efetuados pela empresa Península S/A, outros depósitos as contas correntes do fiscalizado efetuados pela empresa, através de TED's e transferências online, adiantamentos outros não especificados e pagamento de despesas particulares, como plano de saúde, combustível, despesas de viagem, etc. Em todos estes lançamentos consta o histórico adiantamento Silas Aparecido. (...). Estamos lançando omissões de rendimentos recebidos de pessoa jurídica diretamente, por intermédio de pagamentos de despesas pessoais do contribuinte e outros adiantamentos, conforme consta nas escriturações contábeis da empresa." Cabe salientar que os valores depositados em conta corrente que efetivamente foram comprovados como oriundos da atividade rural, estes tiveram sua tributação nesta modalidade. Observase que os rendimentos da atividade rural, por estarem sujeitos á uma tributação mais benigna, devem ser comprovados mediante documentos usualmente utilizados e em conformidade com os requisitos estabelecidos na legislação pertinente. Os documentos hábeis para tal comprovação são a nota fiscal do produtor, a nota fiscal de entrada, a nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais, conforme estatui o art. 61, §5º do RIR/99. Com relação aos valores considerados como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, o recorrente aduz que os valores eram objeto de contrato de mútuo e parte dessas transferências retornou para a península após a colheita e a venda da produção agrícola. Apesar do exposto, pelos elementos constantes dos autos não é possível aferir a efetividade do contrato de mútuo firmado, pois não foi estabelecida uma vinculação entre a transferência dos valores para o mutuário e sua devolução ao mutuante. Fl. 5210DF CARF MF 14 Acerca do contrato de mútuo utilizado pelo recorrente para justificar os pagamentos efetuados os seguintes dispositivos do Código Civil assim determinam: Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Art. 587. Este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada ao mutuário, por cuja conta correm todos os riscos dela desde a tradição. Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será: I até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura; II de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro; III do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível. A respeito do tema, Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald assim elucidam: Seguindo o caminho pavimentado pelo conceito adotado pelo Código Civil (art. 586), notase que o mútuo constituise como contrato típico e nominado, com uma natureza jurídica bem definida: i) é contrato real, por exigir a tradição; ii) é unilateral, por estabelecer obrigações para uma das partes apenas; iii) é informal, não exigindo o cumprimento da formalidades; iv) pode se apresentar como gratuito ou oneroso, a depender de sua finalidade. [...]. A unilateralidade do negócio decorre do fato de que, formado o contrato pela entrega da coisa, somente o mutuário terá obrigações, como o dever de restituíla. [...]. (CHAVES DE FARIAS, Cristiano. ROSENVALD, Nelson. Curso de direito civil. Vol. 4. 3ª ed. rev., ampl. e atual. Editora Juspodivm: Bahia, 2013. p. 777) Assim, em razão da natureza informal do contrato de mútuo, fazse relevante a comprovação da realidade do contrato, que pode ser aferida pela transferência do valor mutuado e sua posterior devolução. No que se referem aos depósitos de origem não comprovada, é cediço que a exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção Fl. 5211DF CARF MF Processo nº 10980.723807/201495 Acórdão n.º 2201003.342 S2C2T1 Fl. 9 15 em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos, conforme estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo da contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Os documentos anexados em recurso voluntário, os quais foram recebidos nesta fase recursal, conforme já exposto, não são suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária da contribuinte. Ocorre que é necessário comprovar, individualizadamente, depósito por depósito, demonstrando a origem do recurso. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantido o lançamento por omissão de rendimentos. Fl. 5212DF CARF MF 16 Diante desse contexto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 5213DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.002408/2007-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/03/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 24 08 /2 00 7- 12 Fl. 549DF CARF MF Processo nº 13888.002408/200712 Acórdão n.º 9202004.716 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 13888.002408/200712 Acórdão n.º 9202004.716 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13888.002408/200712 Acórdão n.º 9202004.716 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13888.002408/200712 Acórdão n.º 9202004.716 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13888.002408/200712 Acórdão n.º 9202004.716 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13888.002408/200712 Acórdão n.º 9202004.716 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13888.002408/200712 Acórdão n.º 9202004.716 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13888.002408/200712 Acórdão n.º 9202004.716 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 13888.002408/200712 Acórdão n.º 9202004.716 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 558DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720004/2009-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2004, 30/09/2004, 30/10/2004, 30/11/2004, 30/12/2004, 30/01/2005, 30/07/2005
DIPJ. FORÇA PROBANTE. ERRO EM SEU CONTEÚDO. DEMONSTRAÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
A DIPJ contém informações sobre tributos devidos pela pessoa jurídica, vinculando o declarante ao seu conteúdo e servindo de fundamento suficiente, na condição de documento confeccionado pelo próprio contribuinte, para a exigência de ofício. O conteúdo da DIPJ, para ser ilidido, depende da apresentação de documentos e provas do erro alegado, cujo ônus probante compete ao sujeito passivo.
Recurso Especial do Contribuinte negado.
Recurso Especial do negado.
Numero da decisão: 9303-004.555
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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NULIDADE Recorrente NORTE BRASIL TELECOM S.A. (VIVO S/A) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2004, 30/09/2004, 30/10/2004, 30/11/2004, 30/12/2004, 30/01/2005, 30/07/2005 DIPJ. FORÇA PROBANTE. ERRO EM SEU CONTEÚDO. DEMONSTRAÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A DIPJ contém informações sobre tributos devidos pela pessoa jurídica, vinculando o declarante ao seu conteúdo e servindo de fundamento suficiente, na condição de documento confeccionado pelo próprio contribuinte, para a exigência de ofício. O conteúdo da DIPJ, para ser ilidido, depende da apresentação de documentos e provas do erro alegado, cujo ônus probante compete ao sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte negado. Recurso Especial do negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 00 04 /2 00 9- 17 Fl. 1661DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3302002.144, de 23/05/2013, proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção deste CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2004, 30/09/2004, 30/10/2004, 30/11/2004, 30/12/2004, 30/01/2005, 30/07/2005 PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade em lançamento que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações da Lei nº 8.748, de 1993. DIPJ. DACON. FORÇA PROBANTE. ERRO EM SEU CONTEÚDO. DEMONSTRAÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A DIPJ e o DACON contêm informações sobre os impostos e contribuições devidos pela pessoa jurídica, vinculando o declarante ao seu conteúdo e servindo de fundamento suficiente, na condição de documento confeccionado pelo próprio contribuinte, para a exigência de ofício. O conteúdo da DIPJ, para ser ilidido, depende da apresentação de documentos e provas do erro alegado, cujo ônus probante encontrase a cargo do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscitou divergência em relação à força probante da DIPJ como instrumento hábil a constituir o crédito tributário. Visando comprovar a divergência, apresentou, como paradigmas, o Acórdãos nº 1401000.731, de 14/03/2012, e 1801001.336, de 06/03/2013, cujas cópias foram juntadas aos autos. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 1649/1652. As contrarrazões, às fls. 1654/1659. É o Relatório. Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 10280.720004/200917 Acórdão n.º 9303004.555 CSRFT3 Fl. 1.662 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no exame de admissibilidade, que o recurso especial deve ser conhecido. O dissídio jurisprudencial é manifesto: o acórdão recorrido entendeu que os valores informados em DIPJ, quando diferentes da DCTF entregue pelo contribuinte, podem ser exigidos por meio de lançamento de ofício quando, embora intimado para comprovar o equívoco dos valores nela informados, permanece inerte, não entregando à fiscalização a escrituração fiscal e/ou contábil requerida. O primeiro acórdão paradigma, na mesma situação, chegou, por maioria de votos, a uma conclusão diversa: a fiscalização deve investigar a razão das divergências encontradas, ou, se fosse o caso, arbitrar o lucro (o fato de tratarem de tributos diferentes obviamente não afasta a divergência). Confiramse os seguintes excertos de ambos os acórdãos: Acórdão recorrido: A Interessada alegou que não teria havido, de fato, exame de sua contabilidade, embora a Fiscalização se tenha referido aos valores declarados em DCTF como os valores apurados de acordo com a contabilidade. Do relatório fiscal, constou a informação de que os valores foram os constantes da escrituração fiscal. Não consta dos autos informação posterior sobre a apresentação de livros contábeis de períodos posteriores. Portanto, de fato os valores foram apurados, ao que tudo indica, dos valores da DIPJ, sem uma verificação da contabilidade. Nesse contexto, não há que se cogitar de nulidade da autuação, mas apenas da força probante que a DIPJ teria, com a finalidade de apurar as referidas diferenças. A DRJ considerou que os valores declarados em DIPJ teriam valor de confissão de dívida. Embora em relação a PIS e Cofins a DIPJ não tenha, de fato, tal finalidade (não visam as informações à constituição de crédito tributário), é certo que, como qualquer documento de apresentação obrigatórias, presumemse verdadeiros os valores declarados. Nesse caso, é claro, a apresentação de prova contábil afastaria de pronto a presunção, pois a contabilidade tem uma força probante maior do que a DIPJ. A presente questão, entretanto, não pode ser analisada separadamente da diligência fiscal requerida pela DRJ, que entendeu que a Interessada havia apresentado argumento suficiente para colocar em dúvida a apuração. Fl. 1663DF CARF MF 4 Entretanto, da diligência, resultou a não apresentação dos documentos contábeis, com a Interessada alegando havêla localizado, mas ser muito volumosa, razão pela qual estaria à disposição para exame. Portanto, o que se verifica, é que não se trata apenas de uso desidioso das informações da DIPJ, mas de uma falha sistemática da Interessada em atender às intimações, o que ocorreu tanto na ação fiscal quanto na diligência. Nesse sentido, a Interessada não apresentou sequer uma demonstração específica de como a referida documentação comprovaria suas alegações. Aas alegações da Interessada, caso comprovadas, não implicariam nulidade da autuação, uma vez que apenas se constataria, especificamente em relação aos períodos mencionados, incorreção na apuração da base de cálculo e não vício insanável. Primeiro paradigma (Acórdão nº 1401000.731): Em síntese, a situação posta para análise é a seguinte: a Autoridade Fiscal identificou que a contribuinte declarou em sua DIPJ valores superiores àqueles por ela confessados em sua DCTF, no que diz respeito à CSLL. Diante do silêncio da contribuinte em explicar tal diferença, a Autoridade Fiscal considerou que o maior valor declarado (constante na DIPJ) seria devido e, portanto, lavrou o Auto de Infração para exigência da diferença. O lançamento abarcou não só a diferença do tributo considerado devido, bem como multa de ofício, juros de mora e multa isolada por ausência de recolhimento das estimativas mensais nas competências assinaladas. Entendo que o presente lançamento contém de falhas que inviabilizam a sua sustentação. Explico. Em razão de a DIPJ ser meramente informativa, não tendo a natureza de confissão de dívida; apenas a DCTF é instrumento capaz de constituir o crédito tributário. Desse modo, não havendo confissão do contribuinte em DCTF, a cobrança da CSLL remanescente, declarada em DIPJ, somente pode ser legitimada por meio de lançamento de ofício, o que se verifica no presente caso. Entretanto, para realizar o lançamento, não pode a fiscalização simplesmente se limitar a realizalo com base nos dados e valores informados em DIPJ, justamente porque, como dito, ela é meramente informativa. Ao iniciar o procedimento fiscal, a Autoridade Lançadora deve realizar o levantamento de toda a escrituração contábil da contribuinte, a fim de verificar a regularidade na apuração do seu lucro antes do IR e da CSLL, que servirá de base de cálculo para os citados tributos. Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 10280.720004/200917 Acórdão n.º 9303004.555 CSRFT3 Fl. 1.663 5 Entendo que, apenas depois de remontar toda a apuração realizada pela contribuinte, investigando a razão das divergências encontradas, ou, se fosse o caso, arbitrando o lucro, é que seria adequado o lançamento efetuado, por meio do qual seria constituído o crédito tributário, ainda que coincidente com o valor declarado em DIPJ pela contribuinte. Somente assim estaria demonstrada a verdadeira origem daquele crédito, pois, do contrário, a fiscalização estaria utilizando a DIPJ como instrumento de confissão de dívida, quando na verdade não o é. Admitir esse comportamento da fiscalização é tolerar a tributação por presunção, que, neste caso, não decorre de lei e, portanto, não deve ser acatada. No mérito, entendemos que ao recurso especial devese negar provimento. É de se ver. Como lecionava Carlos Maximiliano, o Direito deve ser interpretado inteligentemente, não de modo que a ordem legal envolva absurdos, prescreva inconveniências, vá ter a conclusões inconsistentes ou impossíveis (Hermenêutica e aplicação do direito, 17ª ed, Rio de janeiro: Forense, 1998, p. 166). Ora, exigir do Fisco que comprove a veracidade de uma informação prestada pelo próprio contribuinte, que – a despeito de intimado a demonstrar o erro que alega ter cometido na sua declaração, a DIPJ, quando divergente da DCTF, nada traz aos autos, permanecendo inerte –, é premiar a desídia e impor, para o Fisco, a realização de um proceder inconveniente, dificultoso, quando não impossível. É certo que cabe ao Fisco o ônus de provar o seu direito, assim como compete ao contribuinte quando é seu o reclamado, mas a prova bastante, para o caso, é a só informação, em declaração reconhecidamente prestada pelo próprio recorrente, que lhe era devedor. Ademais, sabese que o CTN prevê que o lançamento pode ser efetuado com base na declaração entregue pelo sujeito passivo ou por terceiro, que, inclusive, também pode ser retificada quando se comprove o erro em que se fundou a retificação, tal como preconiza o seu art. 147: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 1665DF CARF MF 6 A nosso juízo, portanto, nada mais era necessário. Se, intimada, a recorrente nada entregou, correto o lançamento com base em informação prestada em DIPJ, tal como entendeu a Câmara baixa. Ante o exposto, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1666DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.019415/99-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1996
IRPJ - INCENTIVOS FISCAIS - PERC - MOMENTO DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. O momento no qual deve ser comprovada a regularidade fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao
benefício fiscal é a data da apresentação da DIRPJ, quando manifestada a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.068
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcos Shigueo Takata.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
1.0 = *:*
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O momento no qual deve ser comprovada a regularidade fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao benefício fiscal é a data da apresentação da DIRPJ, quando manifestada a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcos Shigueo Takata. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Marcos Shigueo Takata, Carmen Ferreira Saraiva, Ana de Barros Fernandes, José Ricardo da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira . Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE 2 Relatório CARBORIO INDUSTRIA E COMERCIO LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, relativo ao ano calendário de 1996, exercício de 1997, protocolado em 03/05/2002 pelo contribuinte acima identificado (fls. 01 e 02). Conforme dados constantes da ficha 16 – Aplicações em Incentivos Fiscais da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ (fl. 98), o contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda recolhido para aplicação no FINOR. Todavia, no processamento eletrônico da DIPJ, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, conforme se verifica no extrato de fl. 03, o que motivou a apresentação do PERC, que foi indeferido no Despacho Decisório de fls. 208 a 211, em razão de irregularidades do contribuinte perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN (fls. 201 a 203) e a Secretaria da Receita Federal – SRF (fls. 198 e 200). Contra tal decisão, o contribuinte protocolou, em 24/03/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 216 a 221, acompanhada dos documentos de fls. 222 a 365, na qual alega que não possui qualquer irregularidade que impossibilite a concessão dos incentivos fiscais pleiteados, apresentando os seguintes argumentos. i) o processo administrativo nº 16327.003255/2002-51 se refere a débitos de PIS nos termos dos Decretos n os 2.445/88 e 2.449/88, tendo-lhe sido proferida decisão favorável no mandado de segurança nº 89.0039616-1 (fls. 229 a 249); ii) o processo administrativo nº 16327.002262/2001-55 se refere a débito de IRRF incidente sobre o resgate de aplicação financeira de seus clientes, depositado em juízo em cumprimento de ordem judicial proferida nos autos do mandado de segurança nº 93.0000809-9 (fls. 250 a 252); iii) o processo administrativo nº 16327.500238/2004-20 trata de débitos de Cofins, que estão com a exigibilidade suspensa por força de depósitos judiciais. Eles haviam sido indevidamente inscritos em Dívida Ativa da União, tendo a Deinf/SPO decidido pelo cancelamento da inscrição (fls. 253 e 254); iv) o processo administrativo nº 16327.500239/2004-74 trata de débitos de PIS, que estão com a exigibilidade suspensa em razão de medida liminar concedida no mandado de segurança nº 2000.61.00.007931-6. Eles haviam sido indevidamente inscritos em Dívida Ativa da União, tendo a Deinf/SPO decidido pelo cancelamento da inscrição (fl. 255); v) o processo administrativo nº 16327.000316/2005-71 trata de débitos de PIS, que estão com a exigibilidade suspensa em razão de medida liminar concedida no mandado de segurança nº 2000.61.00.007931-6 (fls. 256 a 278); Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10768.019415/99-98 Acórdão n.º 1402-00.068 S1-C4T2 Fl. 2 3 vi) o processo administrativo nº 16327.001834/2005-11 se refere a débitos de CSLL, que não mais existem em função de decisão judicial transitada em julgado nos autos da ação nº 90.0001995-8 (fls. 279 a 286); vii) os débitos em cobrança SIEF de IOF e de IRPJ são improcedentes, pois foram integralmente pagos ou compensados (fls. 287 a 303); viii) as inscrições em dívida ativa da União nos 80.6.00.000822-25, 80.6.02.006660-00, 80.2.04.034280-58, 80.4.04.002086-39, 80.7.04.012861-80, 80.6.04.055428-76, 80.4.04.069532-12, 80.7.04.024939-36, 80.4.05.000172-15, 80.6.05.041254-08 estão sendo discutidas no mandado de segurança nº 2005.61.00.003935-3 (fls. 304 a 317); ix) os débitos referentes à inscrição em dívida ativa da União nº 80.4.06.000660-21 foram integralmente pagos ou compensados (fls. 318 a 364). Alega o interessado que a maioria dos débitos em cobrança foram objeto de pedidos de cancelamento apresentados à Secretaria da Receita Federal, os quais aguardam análise. Assim, conclui que o incentivo fiscal pleiteado não pode ser indeferido até que sejam analisados tais recursos. Ante o exposto, requer o interessado seja dado provimento à manifestação de inconformidade, deferindo-se o PERC. Subsidiariamente, requer seja determinado o sobrestamento do presente processo até o julgamento dos recursos pendentes de análise da Secretaria da Receita Federal e do Poder Judiciário.” . O acórdão proferido pela DRJ traz as seguintes ementas: INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. Aludida decisão foi cientificada em 4/04/2007 (A.R. de fl.390), sendo que no recurso voluntário, interposto em 4/05/2007 (fls. 391-398), a recorrente repisa as alegações da peça impugnatória, no sentido de que estava regular perante a SRF e PFN quanto da entrega da DIRPJ/99, portanto, faz jus ao PERC. É sucinto relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE 4 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como do relato se infere, para o deslinde do litígio é bastante definir-se o momento no qual deve ser aferida a regularidade fiscal da contribuinte para fins de concessão do incentivo fiscal: (a) se sempre que se analisar o pedido; (b) no momento de sua concessão, ou (c) quando o contribuinte pleiteia o benefício fiscal. A propósito do assunto em pauta, já tivemos a oportunidade de nos manifestarmos quando do julgamento do Recurso nº 158.038, em Sessão realizada dia 27 de julho próximo passado, quando deixamos registrado: “No que diz respeito ao preenchimento dos requisitos necessários à obtenção do benefício, digno de destaque é o disposto no art. 60, da Lei n° 9.069/95, que orienta a administração tributária nos procedimentos de reconhecimento de benefícios fiscais, a saber: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." (...) Feitas tais considerações, entendo que o momento correto para a verificação da quitação deve ser quando do pedido – no dia em que o contribuinte manifestou a opção em sua declaração de rendimentos. Este é o momento que não só permite tratar os contribuintes de forma isonômica, como também não cerceia seu direito de defesa. Este também é o entendimento contido no Parecer COSIT n° 31, 28/09/2001, no item 6, com relação ao alcance do sentido do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995. Assim, o reconhecimento de qualquer benefício fiscal está subordinado à comprovação da regularidade fiscal até a data da formulação do pedido, constante da DIPJ, e é sob este enfoque que deverá ser analisado o PERC apresentado pela contribuinte. Neste sentido, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em acórdão da lavra da Conselheira Sandra Maria Faroni, entendeu que para fins de cumprimento do aludido art. 60, o momento em que se deve verificar a quitação de tributos e contribuições federais é o momento em que o contribuinte indica a opção em sua declaração de rendimentos. Considerando que o sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito, não sendo possivel identificar que na data da entrega da declaração o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais, deverá ser considerada a regularidade comprovada nos autos. Novos débitos que surjam após a data da Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10768.019415/99-98 Acórdão n.º 1402-00.068 S1-C4T2 Fl. 3 5 entrega da declaração influenciarão a concessão do benefício em anos calendários subseqüentes.” No caso sob exame temos que o pedido restou formulado em data de 02 de setembro de 1999, e às fls. 41 consta cópia de certidão negativa de débitos para com a Secretaria da Receita Federal, emitida em data de 25 de agosto de 1999, com validade até 25 de fevereiro de 2000. Costa, ainda, às fls. 330, cópia de certidão negativa emitida pelo INSS, em data de 24 de agosto de 1999, com validade para 60 (sessenta) dias. O Despacho Decisório foi exarado no dia 11 de novembro de 2004 (fls. 776), nele estão arrolados, inclusive, débito constantes de processos instaurados no próprio ano de 2004. Com o objetivo de cotejamento das certidões trazidas com o recurso voluntário e as pendências elencadas no Aresto recorrido, a então Colenda Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, através da Resolução nº 105-1.247, de 22 de março de 2006 (fls. 1312/1315) converteu o julgamento em diligência, do que resultou a produção dos documentos e informações de fls. 1.316 a 1376. Com registro de que aquele Colegiado teria adotado posicionamento no sentido de que o reconhecimento do benefício fiscal estaria condicionado à comprovação da regularidade fiscal até a data da formulação do pedido, nova diligência foi promovida, pelo mesmo Colegiado, agora com o objetivo de se saber da satisfação desta condição pelo recorrente. A Divisão de Orientação e Análise Tributária da DRF no Rio de Janeiro esclarece ser impossível informar, hoje, a situação fiscal da recorrente em abril de 1997 ou janeiro de 1998. Ressalta, todavia, que nos termos do item 5.4.4 da NE SRF/Corat/Cosit nº 02/2001, no ato da concessão a interessada apresentava vários débitos junto à PGFN. Resta evidenciado que a falta de definição do momento exato para aferir a regularidade fiscal do contribuinte, acabou por provocar tantas idas e vindas do processado sob análise, fazendo com que a solução do pedido pudesse demandar 10 (dez) anos para acontecer. Tendo presente o posicionamento suso registrado neste voto, e sendo certo que à época do pedido (02/9/1999) a recorrente apresentou certidões negativas de débitos, o que implica reconhecer que ostentava a condição de fiscalmente regular, entendo que a decisão recorrida merece reforma. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo da relação jurídica tributária para reconhecer o direito ao pleito do incentivo e determinar a Administração Tributária da unidade de origem que faça um exame do PERC. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
score : 1.0
Numero do processo: 10283.907541/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2006
PAGAMENTO INDEVIDO OU À MAIOR. COFINS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Considerando a comprovação documental da validade do crédito, não pode ser o sujeito passivo penalizado pelo simples equívoco material no preenchimento da documentação fiscal, à luz do princípio da verdade material e do art. 165, do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU À MAIOR. COFINS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, não pode ser o sujeito passivo penalizado pelo simples equívoco material no preenchimento da documentação fiscal, à luz do princípio da verdade material e do art. 165, do CTN. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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COFINS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, não pode ser o sujeito passivo penalizado pelo simples equívoco material no preenchimento da documentação fiscal, à luz do princípio da verdade material e do art. 165, do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 75 41 /2 00 9- 31 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de PER/DCOMP n.º 38057.18219.100807.1.3.048712 apresentado pelo contribuinte para a compensação de débitos de tributos federais diversos (CSRF e IRRF) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS Cumulativa relativa ao PA de 30/04/2006 (código de receita 2172), recolhido através de DARF no valor de R$ 49.406,08 (acostado às fls. 66 e 183 do processo eletrônico). Por considerar que o crédito pleiteado teria sido integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS da competência de abril/2006, foi emitido despacho decisório eletrônico de fl. 11 pela DRF/Manaus não homologando a compensação objeto deste processo. Neste ponto, cumpre mencionar que o presente processo possui a mesma origem creditícia de outros três PTAs, que não foram distribuídos para a presente turma (PTAs 10283.907540/200997, 10283.907543/200921 e 10283.908111/200937, distribuídos para a 1ª turma desta Câmara para o Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO). Todos os processos de crédito se respaldam no DARF de pagamento indevido acima mencionado, como será indicado novamente adiante. Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fl. 14, informando que a única razão para a não visualização da validade do crédito seria a divergência de informações entre o DACON e a DCTF, tendo sido esta última retificada para indicar a inexistência de débitos de COFINS no código de receita 2172, conforme DACON originário acostado à fl. 64 do processo eletrônico. Por considerar que não foram trazidas aos autos provas suficientes para comprovar o alegado, a DRJ em Belém/PA julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 7375). Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, oportunidade na qual apresentou novos documentos para respaldar a validade do crédito (planilha de composição das receitas, planilha de composição dos créditos, livro razão, balancete e DCTF retificada) invocando, por conseguinte, a aplicação ao caso do princípio da busca da verdade material. Confirmada a tempestividade do Recurso Voluntário e por considerar que existia indício de que o contribuinte teria direito ao crédito, este Conselho entendeu por converter o julgamento em diligência conforme Resolução n.º 3101.000.418 de fls. 187190 para que a Delegacia de origem apurasse "o valor a recolher da contribuição Cofins com base na escrituração fiscal e contábil, com todos os documentos existentes nos autos, período de apuração de Abril de 2006 e se existe o recolhimento a maior no valor de R$ 29.668,01 recolhido através de DARF em 15/05/2006" (fl. 189) Em cumprimento da diligência foi proferido o Parecer SEORT/DRF/MNS n.º 12 (fls. 264271) no qual o I. Fiscal da DRF/Manaus indicou com clareza a validade do crédito Fl. 282DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10283.907541/200931 Acórdão n.º 3402003.202 S3C4T2 Fl. 282 3 e a sua suficiência para a liquidação total dos débitos objeto deste processo e dos processos correlatos mencionados acima. A proposição do Parecer foi exarada nos seguintes termos: "a) INFORMAR que, após análise da escrituração fiscal e contábil da empresa, bem como a análise das declarações entregues à Receita Federal (DACON e DCTF), o contribuinte, de fato, efetuou pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 49.806,08 (quarenta e nove mil oitocentos e seis reais e oito centavos), de COFINS Cumulativa (2172), ocorrido em 15/05/2006, para o período de apuração 04/2006; b) INFORMAR ainda que, após as análises já citadas, é entendimento deste SEORT/DRF/MNS que deva haver a homologação total das Declarações de Compensação nos 11322.78392.200607.1.3.040068, 38057.18219.100807.1.3.04 8712, 24311.85899.240409.1.7.042995 e 31973.39565.011007.1.3.045947, haja vista a existência do crédito indicado como origem da compensação e este ser suficiente para a liquidação total do débito;" (fl. 271, com destaque para a DCOMP objeto deste processo) É o relatório. Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne Presentes os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, conheço do Recurso Voluntário. Como delineado no relatório, após a conversão do processo em diligência, a própria Delegacia de origem confirmou a validade do crédito aproveitado pelo contribuinte considerando toda a documentação acostada aos autos. Como indicado com clareza no Parecer n.º 12/2016: "16. Observarmos que o contribuinte apresentou 2 (duas) DCTF’s para o período de apuração de 04/2006. Verificamos que na DCTF Original (fls. Vide Tabela) foi informado, equivocadamente, débito apurado de COFINS (2172) no valor de R$ 49.806,08. Há ainda a informação que este débito foi extinto através de pagamento em DARF, pagamento este ocorrido em 15/05/2006. Já na DCTF Retificadora (fls. Vide Tabela), constatase que não há débito apurado de COFINS (2172), estando a DCTF em conformidade com a DACON apresentada. 17. Em consulta realizada no sistema SIEF/Documentos de Arrecadação (fls. Vide Tabela), observase que o contribuinte, de fato, efetuou o recolhimento de DARF, em 15/05/2006, no valor de R$ 49.806,08, para o tributo COFINS, código de receita 2172. 18. Observase ainda na mesma consulta, que não há alocações para este pagamento, estando o mesmo, tão e somente, vinculado a este processo ora analisado. 19. Portanto, com base em análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, bem como na análise de sua DACON e DCTF, entendo que, de fato, ocorreu pagamento indevido ou a maior de COFINS (2172), para o período de apuração 04/2006, no valor de R$ 49.806,08, conforme DARF recolhido em Fl. 283DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 15/05/2006. Entendo também que, apesar da DCTF ter poder de confissão de dívida, não pode ser o contribuinte penalizado por um equívoco no preenchimento da mesma, ainda mais quando apresentou declaração retificadora, tendo sido esta aceita e processada pela Receita Federal. 20. Desta forma, pelo até aqui exposto, entendo que o contribuinte faz jus a Homologação Total das DCOMP’s nos 11322.78392.200607.1.3.040068, 38057.18219.100807.1.3.048712, 24311.85899.240409.1.7.042995 e 31973.39565.011007.1.3.04 5947, já que o crédito alegado na referida DCOMP encontrase integralmente disponível." (fl. 267 grifei) Como bem consignado pelo I. Fiscal no parecer acima transcrito, considerando a comprovação documental da validade do crédito, não pode ser o sujeito passivo penalizado pelo simples equívoco no preenchimento da documentação fiscal (no caso, a DCTF). Ora, de fato, o art. 165 do Código Tributário Nacional não traz qualquer limite de ordem formal para o reconhecimento do direito creditório do sujeito passivo, devendo ser reconhecido quando comprovada a sua validade material, inclusive no caso de elaboração indevida de qualquer documento relativo ao pagamento: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento." (grifei) Ademais, restou fartamente demonstrado que o caso se trata, apenas, de simples erro formal de preenchimento da DCTF, atraindo a aplicação do Princípio da Verdade Material, que exige o acolhimento e análise das provas acostadas pelo sujeito passivo. Esse é o entendimento sólido deste E. CARF: “ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido.” (Acórdão 3302002.208. Sessão de 27/06/2013. Relatora Fabíola Cassiano Keramidas.– grifei). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 30/05/2003 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material. Recurso Voluntário Fl. 284DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10283.907541/200931 Acórdão n.º 3402003.202 S3C4T2 Fl. 283 5 Provido." (Acórdão 3301002.677. Sessão de 08/12/2015. Relator Luiz Augusto do Couto Chagas grifei) “AUTOS DE INFRAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DCTF E DACON. ARGUIÇÃO DE MERO ERRO MATERIAL PELO SUJEITO PASSIVO NO PREENCHIMENTO DA DACON. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELO RECORRENTE. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL . Restando comprovado pelo sujeito passivo que houve retenções dos tributos indicados em DCTF, e que houve apenas erro material no preenchimento da DACON, a verdade material recomenda sejam acolhidas as provas apresentadas pelo sujeito passivo. Remanescem, todavia, as receitas não comprovadas no processo. Recurso Voluntário parcialmente provido.” (Acórdão 3802001.071. Sessão de 16/09/2013. Relator Bruno Mauricio Macedo Curi grifei) Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a integralidade do crédito objeto da DCOMP n.º 38057.18219.100807.1.3.048712 e homologar integralmente as compensações nela indicadas. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 285DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 10945.720663/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. SUSTENTAÇÃO ORAL. INOCORRÊNCIA.
É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), dentre as quais não se insere o direito à sustentação oral do impugnante na primeira instância.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, opera-se a inversão do encargo probatório, cabendo ao Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
MULTA PREVIDENCIÁRIA. FATOS GERADORES ANTERIORES À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 2008, NÃO DECLARADOS EM GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. OBSERVÂNCIA ÀS NORMAS INFRALEGAIS.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre: (a) a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com (b) a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
Numero da decisão: 2301-004.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, (b) por unanimidade de votos, não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade; (c) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes ; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, pelo voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; com isto, as multas restaram mantidas, como constam no lançamento; (d) nas demais questões, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
JOÃO BELLINI JÚNIOR - Presidente.
(Assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Relatora.
EDITADO EM: 05/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Júlio César Vieira Gomes.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2401; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 11.009 1 11.008 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.720663/201107 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.860 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de setembro de 2016 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente V PILATI EMPRESA DE TRANSPORTES RODOVIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. SUSTENTAÇÃO ORAL. INOCORRÊNCIA. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), dentre as quais não se insere o direito à sustentação oral do impugnante na primeira instância. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, operase a inversão do encargo probatório, cabendo ao Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. MULTA PREVIDENCIÁRIA. FATOS GERADORES ANTERIORES À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 2008, NÃO DECLARADOS EM GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. OBSERVÂNCIA ÀS NORMAS INFRALEGAIS. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre: (a) a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com (b) a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35A, da Lei nº 8.212/1991. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 06 63 /2 01 1- 07 Fl. 11009DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, (b) por unanimidade de votos, não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade; (c) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes ; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, pelo voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; com isto, as multas restaram mantidas, como constam no lançamento; (d) nas demais questões, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente. (Assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Relatora. EDITADO EM: 05/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Júlio César Vieira Gomes. Relatório Trata o presente processo de lançamento de contribuições sociais previdenciárias, dos segurados e da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, e as destinadas a outras entidades (Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e a contribuintes individuais, que lhe prestaram serviços no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, inclusive 13º salário, nos seguintes autos de infração: DEBCAD Nº DESCRIÇÃO VALOR CORRIGIDO Fl. 11010DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10945.720663/201107 Acórdão n.º 2301004.860 S2C3T1 Fl. 11.010 3 37.302.1119 (fls. 10369/10555) Contribuição da empresa, inclusive GILRAT 2007 e 2008 R$ 3.681.299,68 37.302.1135 (fls. 10556/10656) Contribuição devida por segurados empregados e contribuintes individuais. 2007 e 2008 (sem retenção) R$ 1.359.04,44 37.302.1151 (fls. 10657/10816) Contribuição devida a outras entidades (SEST E SENAT) 2007 e 2008 (sem retenção). R$ 611.658,49 37.302.1089 (fls. 10817/10833) Contribuições previdenciárias retidas de segurados contribuintes individuais R$ 34.923,00 37.302.1097 (fls. 10834/10850) Contribuições retidas de segurados contribuintes individuais para outras entidades (SEST e SENAT) R$ 7.505,73 Constam ainda do processo, os seguintes Autos de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória: DEBCAD Nº DESCRIÇÃO VALOR CORRIGIDO 37.302.1062 CFL 69 (fls. 10851) Entrega da GFIP com omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária. R$ 556.416,95 37.302.1070 CFL 68 (fls. 10852) Entrega da GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissão de dados não relacionados a fatos gerados de contribuição previdenciária R$ 38.872,93 Transcrevo os seguintes excertos do relatório do acórdão recorrido que esclarecem o lançamento efetuado: 3.3. O objeto do lançamento fiscal são as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e aos contribuintes individuais nas seguintes situações: • Diferenças nas folhas de pagamento: Analisada a contabilidade digital da Autuada, em especial o razão da conta contábil 310103001 – Fretes Pagos, foram identificados diversos lançamentos com o histórico “PG REL FRETE POSTO Fl. 11011DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 PATRICIA LTDA”. Após, examinados os documentos da movimentação de caixa e bancos que embasaram esses lançamentos, (recibos, extratos, cópias de cheque, transferências e pagamentos efetuados, notas fiscais, dentre outros) foram identificadas diferenças de remunerações pagas, em todas as competências em análise, a segurados empregados constantes na folha de pagamento normal da Empresa, onde há pagamentos de salários complementares a empregados da área administrativa e pagamento de comissões sobre fretes realizados por empregados motoristas. Também foram constatados pagamentos a título de salários, comissões, 13.º salário, férias, inclusive rescisões de contrato de trabalho de segurados cujos nomes não constam, relacionados nos Livros/Fichas de Registro de Empregados apresentados pela Empresa. • Pagamento a segurados contribuintes individuais: A Empresa efetuou pagamentos de serviços a diversos contribuintes individuais no período: contabilistas, consultores, advogados, leiloeiros, mecânicos, despachantes, técnicos em manutenção de equipamentos de informática, agenciadores de carga e profissionais autônomos da construção civil, transportadores autônomos, dentre outros. Também efetuou pagamentos de diversas despesas de sócios e seus familiares: condomínios, faturas de cartão de crédito, planos de saúde, faturas de energia elétrica e de telefone, compras em lojas de materiais de construção, farmácias, despesas com veículos particulares, seguros de vida e previdência, além de transferências bancárias com históricos “adiantamento”, entretanto, não houve recolhimento da contribuição previdenciária respectiva. • Pró Labore: A Empresa não declarou em GFIP nem efetuou recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre o Pró Labore dos sócios José Alcione de Souza, Valdomiro Pilati e Vilson Pilati nas competências março e junho de 2007. Tal infração também ocorre para a competência outubro de 2007, quando deixaram de ser declaradas e recolhidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos sócios José Alcione de Souza e Vilson Pilati. • Pagamentos de frete a transportadores autônomos com veículo próprio da empresa: os quais efetuaram o transporte de carga com veículos próprios da Empresa que se enquadra como remuneração a contribuinte individual – transportador autônomo (categoria 15). • Pagamentos de frete a transportadores autônomos: Foram contratados contribuintes individuais transportadores autônomos para realizar serviços de transportes de cargas, conforme constatado nas cartasfrete disponibilizadas para análise, para a constituição dos créditos decorrentes dos valores pagos aos contribuintes individuais – transportadores autônomos, este percentual de 20% foi aplicado sobre os valores pagos nas cartasfrete, apresentadas. • Glosa de Salário Família: Em decorrência dos acréscimos dos valores considerados como remuneração, houve a glosa de valores pagos a titulo de salário família de diversos segurados, de acordo com os limites legais. Fl. 11012DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10945.720663/201107 Acórdão n.º 2301004.860 S2C3T1 Fl. 11.011 5 • Diferenças de SEST e SENAT para segurados declarados em GFIP com erro de categoria: A Autuada declarou indevidamente em GFIP diversos transportadores autônomos na categoria 13 – Demais Contribuintes Individuais, quando deveria declarar na categoria 15 – Contribuintes Individuais – Transportadores Autônomos. Em virtude dessa inconsistência, foi elaborado demonstrativo nominal de diferenças de SEST e SENAT. ... COMPARATIVO DE MULTAS: 3.5. Em atendimento ao Princípio da Retroatividade Benigna (art. 106, inciso II, c da Lei n.º 5.172, de 25.10.1966 = CTN), foi feita a comparação das multas calculadas pelas regras anteriores e posteriores à publicação da MP 449, de 03/12/2008 (DOU 04/12/2008), convertida na Lei n.º 11.941, de 27/05/2009 (D.O.U. 28/05/2009). 3.6. Como as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP’s foram entregues com incorreções enquadradas no Código de Fundamentação Legal CFL 68 + CFL 69 cumuladas com incorreções enquadradas no CFL 91, as multas foram calculadas da seguinte forma: 3.7. Foi comparada inicialmente, por competência, a Multa do (CFL 68 + CFL 69 + Multa de Mora de 24% (Até MP 449) com a Multa do CFL 78 + Multa de Oficio de 75% (Após MP 449), sendo que, para todas as competências (JANEIRO/2007 a NOVEMBRO/2008), as multas anteriores à publicação da MP 449, foi a mais benéfica; e b) Na seqüência, foi adicionado ao comparativo acima citado, o valor do CFL 91, sendo que, as multas anteriores à publicação da MP 449, continuaram sendo as mais benéficas. 3.8. Os Comparativos de Multas (AICFL 68 + CFL 69 + CFL 91 + Multa de Mora de 24%) X (AI CFL 78 + Multa de Ofício de 75%) encontramse em anexo às fls. 10.129 a 10.130 deste processo. ... Cientificada em 12/09/2011, a empresa apresentou a Impugnação de efls. 10878/10885, alegando, em apertada síntese: · a insubsistência da autuação, uma vez que baseada apenas em simples presunções da autoridade fiscal; · abusividade da multa aplicada, por desproporcional à suposta lesão praticada e por confiscatória; · aplicação incorreta do princípio da retroatividade benigna no cálculo da multa aplicada. Fl. 11013DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado, nos termos do Acórdão nº 0641.298, de 29/05/2013, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. APURAÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. A contabilidade do Contribuinte, por si só, consubstanciase na prova material necessária da ocorrência dos eventos ali registrados, constituindo a fonte de informações de que se utiliza a fiscalização. PRESUNÇÃO SIMPLES. APLICAÇÃO NO DIREITO TRIBUTÁRIO. As presunções simples constituemse em meios de prova admitido na seara do Direito Tributário. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN). MULTA DE OFÍCIO. É cabível a incidência da multa de ofício no percentual de 75%, sobre o valor das contribuições apuradas como devidas e não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social (GFIP´s). ATOS ADMINISTRATIVOS. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa Fl. 11014DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10945.720663/201107 Acórdão n.º 2301004.860 S2C3T1 Fl. 11.012 7 presunção decorre do princípio da legalidade da Administração. Outra conseqüência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova de invalidade do ato administrativo para quem a invoca. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração, passível de penalidade pecuniária, a informação da Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Constitui infração, passível de penalidade pecuniária, as informações em Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, inexatas, incompletas ou omissas, com dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 25/07/2013 (efl. 10.953), apresentou o Recurso Voluntário de efls. 10.955/10.972, em 06/08/2013, alegando em síntese: · Nulidade do Acórdão Recorrido, em preliminar, sustenta que houve ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, insculpidos no art. 5º, LV, da Constituição Federal, uma vez que não foi intimada a participar das sessões de julgamento na DRJ; · Existência de Presunções Simples no Acórdão, o acórdão recorrido "limitase a afirmar que, analisados os autos, restariam evidentes as ocorrências apontadas pela fiscalização, sem, no entanto, demonstrar inequivocamente tais situações, que continuam a ser meras presunções"; · Erro na Aplicação da Multa mais Benéfica, reitera o argumento levantado na impugnação, de que o Fisco não aplicou corretamente o art. 106, do CTN, aplicando a multa nos termos da legislação vigente anteriormente à MP nº 449/2008, como a mais benéfica, sem demonstrar os critérios utilizados para o cálculo da tabela "Multas após Lei 11.941"; · Caráter Confiscatório da Multa Aplicada, ressalta que a multa aplicada importa ofensa ao princípio constitucional da vedação ao confisco (art. 150, IV, CF), por demasiadamente onerosa ao recorrente, não atendendo a qualquer finalidade pública que o justifique. Fl. 11015DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Requer o total provimento do Recurso Voluntário, com a reforma do Acórdão recorrido e desconstituição do crédito tributário lançado. Incluído em pauta, na sessão de 18/03/2014, pela então 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 2403000.246 (efls. 10.993/10.997) nos seguintes termos: Diante do exposto, determino converter os autos em DILIGÊNCIA para informar se houve arbitramento da conta do razão 310103001 fretes pagos, e se o lançamento foi efetuado em processo distinto. Em resposta à diligência, foi anexado o Relatório Fiscal de efls. 11.001/11.003, nos quais a Auditora Fiscal esclarece o que segue: Em atendimento ao solicitado informo que: a) houve arbitramento da conta do razão 310103001 – fretes pagos e foram lançados em processos distintos abaixo citados: • Até dezembro/2008: Processo n.º 10945.720.604/201121 – DEBCAD´s n.ºs 32.302.1100, 32.302.1127 e 32.302.1143; e • A partir de janeiro de 2009: Processo n.º 10945.720.605/2011 75 – DEBCAD´s n.ºs 50.002.6092, 50.002.6114 e 50.002.613 0; Retornando os autos ao CARF, foi incluído em sorteio eletrônico, em decorrência da aposentadoria do relator originário. É o relatório. Voto Conselheira ANDREA BROSE ADOLFO Relatora Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele conheço e passo à análise. Preliminar de Nulidade do Acórdão por cerceamento ao direito de defesa A recorrente alega, preliminarmente, a nulidade do acórdão exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, porque deveria ter sido intimado a participar da sessão de julgamento, sendolhes oportunizado a apresentação de memoriais e realização de sustentação oral. Ocorrendo o julgamento sem a prévia intimação do recorrente, caracterizou se ofensa ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, previstos no inciso LV, do artigo 5º da Constituição Federal. Ocorre que o Processo Administrativo Fiscal (PAF), na esfera federal, é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e regulamentado pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Esses dispositivos legais não preveem tal possibilidade no âmbito Fl. 11016DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10945.720663/201107 Acórdão n.º 2301004.860 S2C3T1 Fl. 11.013 9 das Delegacias de Julgamento. Também na Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que dispõe sobre o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento citada pelo recorrente , e na Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 (Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil) não tem previsão de sustentação oral no julgamento em primeira instância. Assim, tendo a DRJ seguido o trâmite previsto nos artigos 27 a 36 do Decreto nº 70.235, de 1972, que nada dizem a respeito do direito à sustentação oral, restringindo sua regulamentação aos elementos de prova constantes dos autos, produzidos pela administração tributária, pelo contribuinte ou em decorrência de diligência considerada necessária pela autoridade julgadora, não há que se falar em ofensa ao contraditório e a ampla defesa. Nesse contexto, afastase a preliminar de nulidade arguida pela defesa. Existência de Simples Presunções no Acórdão Em relação a este tópico, a recorrente sustenta que "embora a Autoridade Fiscal alegue ter respeitado o princípio da verdade material para comprovação das ocorrências apontadas pela fiscalização, tais alegações não restam efetivamente comprovadas. Isso porque o V. Acórdão recorrido limitase a afirmar que, analisados os autos, restariam evidentes as ocorrências apontadas pela fiscalização, sem, no entanto, demonstrar inequivocamente tais situações, que continuam a ser meras presunções." Em que pesem as alegações da recorrente, tanto em impugnação, quanto em sede recursal, de que a autuação e a decisão a quo estariam baseadas apenas em simples presunções, não assiste razão à recorrente. Estando o lançamento e a decisão de primeira instância alicerçados em documentos apresentados pela própria empresa, com a descrição pormenorizada dos fatos geradores de contribuição previdenciária e os respectivos documentos comprobatórios, tanto no relatório fiscal do auto de infração e seus anexos, quanto no voto do acórdão atacado, em especial no tópico 6.9, não há que se falar em autuação baseada em meras presunções. Ademais, em virtude do atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, dentre eles o lançamento tributário, há a inversão do ônus da prova, de modo que o autuado deve buscar desconstituir o lançamento consumado através da apresentação de provas que possam afastar a fidedignidade da peça produzida pela administração pública. Erro na aplicação da multa mais benéfica A sistemática de cálculo das multas previdenciárias foi profundamente alterada com o advento da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No presente caso, verificase que a autuação ocorreu em 02/09/2011, com ciência em 12/09/2011, portanto em data posterior à nova sistemática de cálculo das multas. De acordo com o relatório fiscal, o presente processo trata de lançamento de contribuições previdenciárias, parte patronal, GILRAT e Terceiros, referente ao período de 01/2007 a 12/2008 e multa por descumprimento de obrigação acessória (entrega da GFIP com Fl. 11017DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária e entrega da GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissão de dados não relacionados a fatos gerados de contribuição previdenciária), portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. Para as competências até novembro de 2008, inclusive, a multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação entre o valor resultante do cálculo vigente à época dos fatos geradores e o valor resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Notase que a auditora fiscal, no momento da autuação já elaborou planilha comparativa entre as multas vigentes na data do fato gerador e as multas supervenientes (alterações promovidas na Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941, de 2009), conforme os seguintes trechos extraídos do relatório fiscal: COMPARATIVO DE MULTAS: Em atendimento ao Princípio da Retroatividade Benigna (art. 106, inciso II, c da Lei n.º 5.172, de 25.10.1966 = CTN), foi feita a comparação das multas calculadas pelas regras anteriores e posteriores à publicação da MP 449, de 03/12/2008 (DOU 04/12/2008), convertida na Lei n.º 11.941, de 27/05/2009 (D.O.U. 28/05/2009). Como as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP’s foram entregues com incorreções enquadradas no Código de Fundamentação Legal CFL 68 + CFL 69 cumuladas com incorreções enquadradas no CFL 91, as multas foram calculadas da seguinte forma: Fl. 11018DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10945.720663/201107 Acórdão n.º 2301004.860 S2C3T1 Fl. 11.014 11 a) Foi comparada inicialmente, por competência, a Multa do CFL 68 + CFL 69 + Multa de Mora de 24% (Até MP 449) com a Multa do CFL 78 + Multa de Oficio de 75% (Após MP 449), sendo que, para todas as competências (JANEIRO/2007 a NOVEMBRO/2008), as multas anteriores à publicação da MP 449, foi a mais benéfica; e b) Na seqüência, foi adicionado ao comparativo acima citado, o valor do CFL 91, sendo que, as multas anteriores à publicação da MP 449, continuaram sendo as mais benéficas. Os Comparativos de Multas (AICFL 68 + CFL 69 + CFL 91 + Multa de Mora de 24%) X (AI CFL 78 + Multa de Ofício de 75%) encontramse em anexo às fls. 10.129 a 10.130 deste processo. (Grifamos.) Portanto, ficou demonstrado que a multa mais benéfica já foi calculada no momento da autuação, de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB nº 971/2009, acima transcrito, e nos termos do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, que dispõe sobre a aplicação dos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91. Assim, também não assiste razão à recorrente, em relação à alegação de aplicação errônea do princípio da retroatividade benigna. Do Caráter Confiscatório da Multa Aplicada Por fim, a recorrente ressalta que a multa aplicada importa em ofensa ao princípio constitucional da vedação ao confisco, o qual veda a imposição de ônus insuportáveis, que ultrapasse os limites da capacidade contributiva. Em relação a esses argumentos sobre confisco, cumpre esclarecer que a vedação da utilização de tributo com efeito de confisco, preceito do art. 150, IV, da Constituição Federal, não se destina aos aplicadores da Lei, mas sim ao Poder Legislativo, que deve tomálo em consideração quando da elaboração das leis. À autoridade administrativa cabe apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Ademais, registrese que, nos termos do art. 62, do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015 Regimento Interno do CARF, fica vedado aos membros deste Conselho, afastar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade, exceção às situações descritas no seu § 1º, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 11019DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Não se enquadrando a situação abordada pela recorrente em nenhuma das exceções listadas, não assiste razão à recorrente. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares, e, no mérito, não conhecer da questão de controle repressivo de constitucionalidade e, quanto à matéria conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Relatora Fl. 11020DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10825.722459/2012-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência.
Recurso especial conhecido e provido.
Numero da decisão: 9202-004.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, com retorno dos autos ao colegiado a quo, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência. Recurso especial conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, com retorno dos autos ao colegiado a quo, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 24 59 /2 01 2- 60 Fl. 105DF CARF MF 2 Relatório Trata de Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n° 2202003.195, em que o colegiado, por maioria de votos deu provimento do Recurso Voluntário do contribuinte. Originalmente, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2009, anocalendário 2008, decorrente da omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, recebidos da fonte pagadora Caixa Econômica Federal. Irresignado, o contribuinte interpôs impugnação, cujo provimento foi negado por decisão da Delegacia Regional de Julgamento em Belo Horizonte (MG), por entender tratarse de rendimentos recebidos acumuladamente no INSS e que, por força do art. 12 da Lei n° 7.713/88, devem ser tributados na data do recebimento. Mais uma vez irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo (a) a impossibilidade de incidência de imposto de renda de forma cumulativa em virtude de recebimento integral de valores e (b) não incidência do imposto de renda sobre a correção monetária. O Recurso Voluntário foi apreciado pela 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF que proferiu decisão consubstanciada no acórdão 2201003.167. Na referida decisão, o colegiado, por maioria de votos, entendeu ser aplicável ao caso o entendimento do STF, que determina o cálculo do tributo devido por regime de competência, concluindo pela ocorrência de vício material no lançamento, com o consequente cancelamento da infração de omissão de rendimentos, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406/RS, com repercussão geral reconhecida Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial e requerendo a reforma do acórdão. Argumenta que, no acórdão indicado como paradigma, de n° 2401004.271, a 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF interpretou de maneira diferente a legislação relativa à questão decidindo no sentido da manutenção do lançamento, determinando a mera retificação do percentual incidente sobre a base de cálculo apurada. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10825.722459/201260 Acórdão n.º 9202004.518 CSRFT2 Fl. 854 3 Em sede de contrarrazões, o contribuinte requer que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não seja provido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Verifico que o litígio cingese à questão do efeito da aplicação do RE 614.406/RS, com repercussão geral, do STF ao caso de lançamento de Imposto de Renda de acordo com o regime de caixa: (a) se é necessário o cancelamento do auto de infração por vício material ou (b) se é possível o recálculo do tributo devido com base no regime de competência. O Recurso Espacial da Fazenda Nacional nos leva a apreciação idêntica àquela ocorrida no processo nº 11040.001165/200561, apreciado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, cujo voto vencedor, da Lavra do Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior em tudo se adéqua ao presente caso e por isso o adoto, pedindo vênia para transcrevêlo: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de Fl. 107DF CARF MF 4 efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, resta inequívoca a necessidade de manutenção do auto de infração, apenas com a retificação do montante do crédito tributário pela aplicação do regime de competência. Por fim, cumpre referir que, no Recurso Voluntário que ensejou o acórdão 2201003.167, há pedidos sucessivos: (a) cancelamento do lançamento, pela impossibilidade de incidência de imposto de renda de forma cumulativa em virtude de recebimento integral de valores e (b) não incidência do imposto de renda sobre a correção monetária. Reparase que, no referido acórdão, pelo provimento do primeiro pedido, o segundo pedido restou prejudicado e, consequentemente, deixou de ser apreciado. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10825.722459/201260 Acórdão n.º 9202004.518 CSRFT2 Fl. 855 5 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento, para determinar a manutenção do auto de infração, com a retificação do montante do crédito tributário pela aplicação do regime de competência, em face do julgado no âmbito do RE 614.406/RS, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das matérias que não foram enfrentadas no acórdão recorrido, em face do cancelamento do auto de infração ora revertido. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 109DF CARF MF
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