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Numero do processo: 10880.923794/2009-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 37 94 /2 00 9- 13 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 73/77 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; b) que a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10880.923794/200913 Acórdão n.º 3802003.375 S3TE02 Fl. 107 3 c) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. A decisão de primeira instância, como já mencionado, indeferiu a manifestação de inconformidade, em síntese, com base na inexistência, nos autos, de qualquer documentação capaz de atestar a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 27/06/2011 (fls. 79). Inconformada, a mesma apresentou, em 27/07/2011, o recurso voluntário de fls. 80/100, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito reclamado. Conforme consignado na decisão de primeira instância, a recorrente não apresentou nenhuma documentação necessária à comprovação do reclamado direito, situação que se repete na presente instância recursal. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 A compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi minimamente observado nos autos. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10880.923794/200913 Acórdão n.º 3802003.375 S3TE02 Fl. 108 5 I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10380.732631/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NULIDADE. DIREITO DE DEFESA. PREJUÍZO CONCRETO.
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Não incide em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento tributário devido a alegado cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte não demonstra a existência de prejuízo concreto para a elaboração de sua impugnação.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
A pena pecuniária deve ser qualificada diante de omissão reiterada do contribuinte consistente em não escriturar e apresentar seus livros contábeis ao agente fazendário, além de não confessar nenhum débito tributário em sua DCTF, apesar de ter auferido vultosos rendimentos.
Numero da decisão: 1301-001.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrente REGINA AGROINDUSTRIAL S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 NULIDADE. DIREITO DE DEFESA. PREJUÍZO CONCRETO. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não incide em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento tributário devido a alegado cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte não demonstra a existência de prejuízo concreto para a elaboração de sua impugnação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A pena pecuniária deve ser qualificada diante de omissão reiterada do contribuinte consistente em não escriturar e apresentar seus livros contábeis ao agente fazendário, além de não confessar nenhum débito tributário em sua DCTF, apesar de ter auferido vultosos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 26 31 /2 01 1- 89 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE. Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração relativos ao IRPJ e seus reflexos em relação ao anocalendário 2008. A Fiscalização registrou por meio do TVF, que a despeito da indicação da opção pelo lucro presumido na DIPJ, a recorrente estava impedida de adotar tal regime, por desatendimento das condições previstas no art. 46 da Lei 10.637/2002 e art. 26 § 1° da Lei 9.430/96, em função do limite de receita bruta e da ausência de recolhimento do IRPJ, respectivamente, sujeitandose portanto ao lucro real. Dito isso, assinalouse que ao consultar os dados do sistema de arrecadação federal (SINAL), não se encontrava nenhum recolhimento feito pela recorrente no período citado (fls. 68 a 82), ausência esta que seria também revelada nos bancos de dados dos sistemas DACON, em relação à apresentação dessa declaração, assinalandose que as DCTF do período foram entregues sem nenhuma informação de débito, contendo apenas os dados cadastrais da empresa, sendo que essa conduta demonstraria a intenção deliberada dos representantes da pessoa jurídica em apreço de omitir do conhecimento do Fisco Federal os elementos essenciais à apuração dos fatos geradores de suas obrigações tributárias, conduta esta que seria prática reiterada dos seus representantes, conforme já constatado em fiscalizações anteriores encerradas em 2004 (processo 10380.004990/200413) e 2007 (processo 10380.011537/2007 14), que resultaram em arbitramento do lucro. Mencionou a Fiscalização que a indiferença da empresa também ocorre em relação ao dever de escriturar e de apresentar os livros de sua contabilidade, eis que no curso da ação fiscal diversas foram as intimações e reintimações formuladas, mediante os termos próprios lavrados em 18/02/2011, 08/04/2011, 04/05/2011, 21/06/2011 e 21/07/2011, para a apresentação dos livros com a escrituração contábil da empresa, bem como as demonstrações financeiras (fls. 53 a 62), inclusive, em meio magnético, na forma como preconiza o art. 265, parágrafo único, do RIR/99 (Decreto n° 3000/99). Porém, durante todo esse período, a empresa Fl. 377DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732631/201189 Acórdão n.º 1301001.387 S1C3T1 Fl. 3 3 limitouse a entregar o livro fiscal de apuração do ICMS do seu estabelecimento matriz, além de mapas gerenciais de controle interno, indicando o faturamento de sua filial em Mossoró/RN. Diante da falta de atendimento das intimações, após decorridos mais de oito meses da intimação inicial para a apresentação, sem sucesso, dos livros e arquivos magnéticos contendo a escrituração contábil e fiscal da empresa, a Fiscalização compareceu, em 28/10/2011, à sede do estabelecimento da recorrente, onde, por parte de seu contador Sr. Manuel Estevam Lima CRC n° 002155/OT6, foram disponibilizados os livros Diário da empresa, impressos num total de 52 volumes, sem terem apresentado os Livros Razão, o LALUR e as Demonstrações Financeiras (Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício), nem os arquivos magnéticos da sua contabilidade no formato/leiaute da IN SRF 86/2001 e Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15/2001. Tais fatos foram objeto Termo de Constatação, lavrado naquela ocasião e na presença do contador supracitado que também o assinou (fls. 63 a 65), em diante de tais circunstâncias, concluiu a Fiscalização que a empresa não apresentou os livros ou arquivos magnéticos contendo a sua escrituração contábil e fiscal (Razão, LALUR e Demonstrações Financeiras), inerentes às suas operações realizadas durante o ano de 2008, necessários à apuração do lucro real, na forma como preconizada na legislação comercial e fiscal, impondo se o arbitramento para fins de apuração do lucro sujeito ao IRPJ e à CSLL, adotandose por base a receita bruta conhecida a partir dos dados escriturados nos registros de apuração do ICMS do período, bem como o informado pela própria empresa pelos seus relatórios gerenciais de vendas, que integram o presente auto de infração. Por fim, considerando que os fatos em relato denotariam o intuído sonegatório perpetrado pela empresa tanto em relação à obrigação de pagar os tributos, como em relação à prestação de informações (obrigações acessórias) de interesse do Fisco, aplicouse a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) de que trata o art. 44, § 1° da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07. Foram efetivados os lançamentos reflexos de CSLL, COFINS e PIS/Pasep que decorreram exclusivamente da omissão de receitas apurada com base no livro de apuração do ICMS. A contribuinte foi devidamente cientificada das imputações fiscais (fls. 04, 21, 33 e 39), e apresentou Impugnação (fls. 165/185), alegando em síntese que em relação ao livro Razão, embora não encadernado, estava à disposição da outra autoridade fiscal, do mesmo órgão e que foram impressos 07 volumes, contendo 7.702 folhas, nas quais estariam registrados todos os lançamentos pertinentes ao Custo, Despesas, Receitas e Caixa, conforme exposto no Demonstrativo dos Razões Impressos (Doc. n° 84.12 fl. 34), e constatação de forma sintetizada pelo termo de abertura, primeira e última folha, e termo de encerramento de cada livro (Doc. n° 84.13 fls. 35 a 62), sendo entregues, àquela autoridade no cumprimento das intimações retromencionadas. Insistiu que havendo elementos que permitiam ao fisco apurar o seu Lucro Real ou Prejuízo, elementos estes que teriam sido desprezados pelo agente, seria nulo o presente lançamento, afirmando que não se pode admitir que a falta de encadernação do livro razão seja motivo suficiente para aplicar ao contribuinte a pena máxima do arbitramento, pois tal medida não foi senão uma forma do agente fazendário deixar de desincumbir do ônus de analisar uma quantidade enorme de documentos, embora soubesse ele que ali estavam os elementos necessários à apuração do Lucro Real. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Aduziu que a empresa vem passando por dificuldades financeiras e que o fato do envio das declarações (DCTF, DACON, DIPJ, etc), encaminhadas de forma inadequada a preconizada na legislação tributária que rege às empresas de Lucro Real, resultante da mudança da tecnologia da informação que a empresa teve que proceder para cumprir convenientemente suas obrigações acessórias e, quando a fez, ficou impossibilitada diante a pendência existente no processo de Certificação Digital, salientando que a legislação tributária não distingue entre a obrigação de pagar tributo daquela imposta para o pagamento de multa ou penalidade pecuniária, como se pode constatar da análise do dispositivo do Código Tributário Nacional (artigo 113, §§ 1°, 2° e 3°) e, portanto, sendo a multa fiscal uma longa manus do próprio tributo, criada apenas para lhe dar efetividade, todos os princípios e vedações ao poder de tributar pertinentes ao tributo também terão incidência sobre a multa de natureza tributária, razão pela qual estabelecer penalidade pecuniária em percentual superior a 20% encerra caráter totalmente confiscatório. Reputou que sendo a multa obrigação acessória a principal, por força do dispositivo legal antes mencionado, deve a obrigação tributária ser advinda exclusivamente de Lei e/ou Lei Complementar, submetendose ao Princípio Constitucional da Anterioridade da Lei, verificando que o Termo de Início de Fiscalização (Doc. n° 84.14 Fls. 63 e 64), conteria vício formal insanável, já que sua lavratura foi datada de 18/02/2010 e, o documento que instaura os procedimentos fiscais relativos a tributos federais administrados pela Receita Federal do Brasil, no caso, Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), é de 14 de fevereiro de 2011, portanto, trezentos e sessenta e um (361) dias antes do precitado documento (Doc. n° 84.15 Fl. 65). Afirmou que outro ato inconsequente apresentado neste processo, tratase da descrição dos fatos promovida pela Fiscalização, porquanto teria mencionado o arbitramento da CSLL, consoante anexo (Doc. n° 84.04 Fl. 10), entretanto, abordando assunto relacionado ao PIS e COFINS. Aduziu ainda, que estaria em andamento o julgamento final da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, sustentando que pretendia assegurar seu direito no recalculo do crédito apurado nestas contribuições, por comungar da tese que o ICMS, tecnicamente falando, não seria receita da Empresa, apresentando no mérito, os pontos de discordância e as razões e provas que possuiria. Por fim, mencionar o desconforto gerado pelo conflito de intimação lavrado por duas autoridades distintas, do mesmo órgão, no mesmo período, com interesses contrários (tributos e contribuições previdenciárias), inerentes ao mesmo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 03.1.01.002010.00246 (Doc. n° 84. 15 Fl. 65), o que caracterizaria a limitação do direito constitucional do contraditório e ampla defesa, eis que o entendimento da fiscalização apontado em todo processo administrativo tributário (auto de infração), quer na descrição dos fatos e enquadramento legal dos tributos (IRPJ e CSLL), quer nas contribuições (COFINS e PIS), contradiz com o relato exposto nos tópicos 10 e 11 da peça impugnatória, o que tornaria numa infração administrativa de inadimplemento, pois estão preenchidos todos os requisitos legais de apuração com base no lucro real conceituado no Art. 247 e parágrafos, do RIR/99. Argumentou que o arbitramento promovido não satisfaria nenhum dos requisitos autorizadores porquanto: i) colocou à disposição da auditoria fiscal, consoante o relato no próprio Termo de Verificação Fiscal, o livro Diário da empresa, impressos num total de 52 volumes, todos devidamente autenticados na Junta Comercial do Estado do Ceará, nas datas de: 06/10/2010, 13/10/2010 e 04/01/2011, datas anteriores ao da incorporação real do precitado auditor fiscal, no Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (14/02/2011), onde constam o desmembramento das contas de forma diária com o objetivo de identificar o Lucro Líquido pelo método real; ii) demonstrará, quando da perícia, acompanhada por perito e Fl. 379DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732631/201189 Acórdão n.º 1301001.387 S1C3T1 Fl. 4 5 auditor fiscal o desmembramento da conta caixa e justificará o movimento bancário no livro auxiliar segundo requisito que leva o auto à improcedência; iii) toda a documentação dos lançamentos de forma detalhada ou resumida — onde se identifica perfeitamente o lucro líquido — esteve à disposição de outra autoridade fiscal, do mesmo órgão e sob a mesma manta do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) em questão, desde a data da ciência no Termo de Início de Procedimento Fiscal (07/04/10) até a data da ciência do lançamento do crédito previdenciário (09/12/2011); oito dias portanto, posterior, a data da ciência do lançamento do presente crédito tributário lavrado pela autoridade deste processo (01/12/2011); iv) a contabilidade inerente às suas operações realizadas durante o ano de 2008 foi dada como imprestável à apuração do lucro real, na forma preconizada na legislação comercial e fiscal, impondose a aplicação do regime de arbitramento para fins de apuração do lucro sujeito ao IRPJ e à CSLL, pelo simples fato da não apresentação à Fiscalização dos livros ou arquivos magnéticos em poder do Auditor Fiscal (Milton Miranda Viegas – Matrícula 00880030 / 1142253), fato comunicado verbalmente, por várias oportunidades, ao Auditor Fiscal (Edson Moreira Teixeira – Matrícula 00024301/0118213), que permitiria facilmente identificar toda movimentação financeira da contribuinte e visualizar claramente os prejuízos acumulados. Citou doutrina que entende aplicável e aduziu que de acordo com o artigo 148 do CTN, enquanto não esgotados todos os demais meios facultados à autoridade, para proceder ao cálculo do tributo, estará ela impedida de aplicar o recurso do lançamento por arbitramento e reputou que não haveria como justificar que tais documentos, sirvam para uma autoridade fiscal do mesmo órgão, sob o mesmo Mandado de Procedimento Fiscal, realizando fiscalização atinente ao mesmo período (2008), embora que fosse da área previdenciária, reconhecer como válido o livro Diário e o livro Razão e, seja desconsiderado por outra agente que atua na área de tributos/contribuições. Mencionou ainda haver elementos que permitem ao fisco apurar o pífio lucro real, do anocalendário 2008, e reconhecer o montante significativo do prejuízo acumulado até então, elementos estes que foram, desprezados pelo agente, de sorte que não haveria falar em sonegação fiscal da recorrente. Após citar alguns precedentes judiciais que entende aplicáveis à espécie, defendeu a contribuinte que impunhase a realização de prova pericial nos termos do Art. 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/72, haja vista que o Auditor Fiscal, alicerçou toda apuração do crédito tributário do processo em questão por meio de arbitramento do lucro, quando poderia adotar a forma de apuração do lucro real, inviabilizando o plano de superação da situação de crise econômico/financeira da autuada, aduzindo que o livro Diário e Razão, em conjunto com os documentos que lastreiam as operações realizadas e lá lançadas são, em razão do volume (mais de 30.000 documentos), impossíveis de serem anexados e aportados na impugnação. A 4ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE, nos termos do acórdão e voto de folhas 274 a 292, julgou o lançamentos procedentes em aresto que ficou assim ementado: [...] ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. DIREITO DE DEFESA. PREJUÍZO CONCRETO. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Não incide em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento tributário devido a alegado cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte não demonstra a existência de prejuízo concreto para a elaboração de sua impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. ARBITRAMENTO DO LUCRO. LIVRO RAZÃO. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. Não existe arbitramento condicional. A apresentação, em sede de impugnação, de parcela do Livro Razão, cuja ausência ensejou o arbitramento do lucro, não tem o condão de invalidar o lançamento tributário. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008 COFINS. PIS/PASEP. ICMS. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA. INTEGRAÇÃO. O ICMS cobrado nas operações próprias integra o conceito de faturamento ou receita bruta. COFINS. PIS/PASEP. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, o ICMS pode ser excluído da receita bruta apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 CONFISCO. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não cabe ao órgão administrativo de julgamento a discussão sobre constitucionalidade de lei, que autoriza a cobrança de multa de ofício nos percentuais ali indicados, salvo quando ela já tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A pena pecuniária deve ser qualificada diante de omissão reiterada do contribuinte consistente em não escriturar e apresentar seus livros contábeis ao agente fazendário, além de Fl. 381DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732631/201189 Acórdão n.º 1301001.387 S1C3T1 Fl. 5 7 não confessar nenhum débito tributário em sua DCTF, apesar de ter auferido vultosos rendimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido [...] Cientificada da decisão desfavorável, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 304 324), relatando os fato sucedidos, insistindo na preliminar de nulidade e defendendo, em termos coincidentes aos já relatados, a impossibilidade do arbitramento promovido e a inaplicabilidade da multa qualificada. É o relatório. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como registrado no relatório acima circunstanciado, tratase de autos de infração referentes ao IRPJ e seus reflexos, atinentes ao anocalendário 2008, lavrados mediante o arbitramento do lucro promovido ante constatada recusa da contribuinte em apresentar os elementos de escrituração que lhe foram solicitados. Como também registrado no relatório acima, a contribuinte apresentou Impugnação sustentando o descabimento do arbitramento, aduzindo ser possível apurar o eventual lucro real do período, insurgindose contra a utilização do ICMS na apuração do PIS e da COFINS, refutando a multa aplicada no patamar de 150% e apresentando outras tantas considerações. Tendo em vista que em boa medida o Recurso Voluntário se ocupa de reavivar as alegações rechaçadas pela decisão recorrida, entendo por bem analisar por tópico o inconformismo da contribuinte, tal como constante em sua peça recursal. I – PRELIMINARES I. 1 – Da Nulidade Sede preliminar postula a contribuinte a “nulidade absoluta” dos autos de infração, porquanto o Mandado de Procedimento Fiscal que lhes albergaria seria extemporâneo. Para concluir pela dita nulidade, sustenta a contribuinte que o ato administrativo que seria decorrente do MPF nº 03.1.01.002010002460, que teria dado suporte aos autos de infração aqui apreciados, não poderia acobertar o início dos trabalhos de fiscalização, eis que sua lavratura teria se dado 18/02/2010, enquanto o documento que autorizaria o procedimento fiscal, o MPF de folha 253, seria de 14/02/2011, ou seja, quase um ano depois. Em resumo, portanto, a recorrente pugna pela nulidade considerado vício formal insanável, eis que o Termo de Início de Fiscalização foi lavrado em 18/02/2010, ao passo que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é de 14/02/2011, portanto, a autorização para a ação fiscal ocorreu 361 dias depois da primeira intimação. Acerca da coincidente preliminar, assim se manifestou a decisão recorrida em trecho colhido da folha 281, in verbis: [...] A hipótese levantada pelo sujeito passivo falece de plausibilidade, pois seria altamente improvável que, quase um ano antes da autorização para inspecionar a pessoa jurídica, a autoridade fazendária previsse o futuro Fl. 383DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732631/201189 Acórdão n.º 1301001.387 S1C3T1 Fl. 6 9 procedimento fiscal, imprimisse a intimação (guardandoa em local seguro) e só cientificasse o contribuinte 361 dias depois. 13. Na espécie, o contribuinte não logrou êxito em demonstrar que o mero erro de fato na data da lavratura da intimação lhe causou qualquer prejuízo concreto, além do que a data de ciência do sujeito passivo (18/02/2011) que conferiu eficácia ao ato administrativo acarretou o saneamento da incorreção na sua data de impressão, na forma do artigo 61 do Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplicando, pois, ao caso concreto o artigo 59 do mesmo Decreto. Logo, a falha no Termo de Início de Fiscalização é insuficiente para gerar nulidade do procedimento fiscal. [...] Não vejo como reparar o conteúdo decisório impugnado. Com efeito, mesmo que se verifique eventual divergência nas datas, e ainda que não se atribua a mero equívoco como o fez a decisão recorrida, é fato que nenhum prejuízo adveio ao contribuinte, que pode atuar em todo o procedimento fiscalizatório, tendo apresentado impugnação e recurso voluntário. À mingua de qualquer comprovação de prejuízo, advindo do cerceamento ao direito de defesa, a mera irregularidade apontada não satisfaz qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual não há falar em nulidade. I. 1 – Da impossibilidade de arbitramento Ainda em sede preliminar cuidou a contribuinte de postular a impossibilidade de, na espécie, a autoridade administrativa ter lavrado os autos de infração mediante arbitramento do lucro. Sustentou para tanto que dispõe de contabilidade formalizada, contendo Livro Diário e Razão, nos quais estão registrado todos os pagamentos e recebimentos do ano base 2008, o que se comprovaria pelo Termo de Constatação de fl. 215 dos autos eletrônicos, e ficaria ainda mais corroborada sua assertiva ao verificarse que no relato do TVF a autoridade administrativa teria afirmado que recebeu o Livro Diário da empresa. Insisti a recorrente que em relação ao Livro Razão, conquanto não o tenha encadernado à época, este estaria à disposição de outra autoridade administrativa, pertencente ao mesmo órgão, defendendo que foram impressos 7 volumes, nos quais estão registrados todos os lançamentos pertinentes aos custos, despesas, receitas e caixa. Aduziu ainda, que a legislação de regência disciplina de forma taxativa as hipóteses em que se permite o arbitramento do lucro e a consequente desconsideração do lucro real apresentado pelo contribuinte, concluindo que no seu caso não há elementos que permitam o combatido arbitramento, situação que indicaria a nulidade do auto de infração e da decisão objetada. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Muito embora me pareça que a questão do arbitramento seja o próprio mérito do presente processo, considerando que a contribuinte postula a nulidade do feito por alegada impossibilidade de utilização desta modalidade de apuração, necessário o enfrentamento considerado o pedido da contribuinte (de nulidade) aproveitando o ensejo, por inevitável, para verificar de fato a pertinência da medida. No mister do enfrentamento proposto, já antecipo que de nulidade não se cuida. Eventual impropriedade no critério de utilização do arbitramento é medida que imporá a improcedência da ação fiscal, que a esta altura se dará mediante provimento do Recurso Voluntário. Reafirmase, tal como registrado no tópico precedente, que as hipóteses de nulidade no âmbito do Processo Administrativo Fiscal são aquelas atinentes à preterição do direito de defesa ou incompetência da autoridade administrativa que praticou o ato, hipóteses seguramente ausentes na hipótese, razão pela qual, afasto a alegação de nulidade. No entanto, como já adiantado, mesmo que não implique em nulidade a questão do arbitramento merece ser aferida do ponto de vista material, para os fins de verificar se se autos de infração atendem aos critérios legais. Para tal verificação é oportuna a transcrição de breve trecho extraído do Termo de Verificação Fiscal (fl. 46 em diante), in verbis: [...] Em procedimento de fiscalização encerrada nesta data, ficou constatado que a empresa acima citada faturou, durante o anocalendário de 2008, em torno de R$ 113.045.445,00. Porém em que pese esse vultoso faturamento, nada recolheu à título de Imposto de Renda, Contribuição Social s/ o Lucro Líquido, PIS ou COFINS, sendo que as DCTF ( Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) apresentadas limitavam a informar seus dados cadastrais, sem nenhum registro de débito tributário do referido período. Também permaneceu omissa em relação a apresentação das DACON (Declaração de Contribuições Federais). E, como se não bastasse, a declaração de rendimentos (DIPJ) apresentada para o citado exercício, assinalando o regime de Lucro Presumido, tem seu conteúdo totalmente em branco, indicando apenas os dados cadastrais da pessoa jurídica, omitindo por completo os números resultantes de suas atividades operacionais realizada naquele ano. Também não consta que a referida empresa tenha transmitido os arquivos de sua contabilidade para o banco de dados do SPED (Sistema Público de Escrituração Digital). Por oportuno, em que pese a indicação da opção pelo lucro presumido na DIPJ, cabe registrar que a empresa estava impedida de adotar tal regime, por desatendimento das condições previstas no art. 46 da Lei 10.637/2002 e art. 26 § 1º da Lei 9.430/96, em função do limite de receita bruta e da ausência de recolhimento do IRPJ, respectivamente, sujeitandose portanto ao lucro real. Com efeito, consultandose os dados do sistema de arrecadação federal (SINAL), não se encontra nenhum Fl. 385DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732631/201189 Acórdão n.º 1301001.387 S1C3T1 Fl. 7 11 recolhimento feito por esta empresa no período citado, (fls. 68 a 82), ausência esta que é também revelada nos bancos de dados dos sistemas DACON, em relação à apresentação dessa declaração. Por seu turno, as DCTF do período foram entregues sem nenhuma informação de débito, contendo apenas os dados cadastrais da empresa. Essa conduta bem demonstra a intenção deliberada dos representantes da pessoa jurídica em apreço, de omitir do conhecimento do Fisco Federal os elementos essenciais à apuração dos fatos geradores de suas obrigações tributárias, conduta esta que é pratica contumaz dos seus representantes, conforme já constatado em fiscalizações anteriores encerradas em 2004 (processo 10380.004990/200413) e 2007 (processo 10380.011537/200714). A indiferença da empresa também ocorre em relação ao dever de escriturar e de apresentar à Fiscalização os livros de sua contabilidade, eis que no curso desta ação fiscal, diversas foram as intimações e reintimações formuladas, mediante os termos próprios lavrados em 18/02/2011, 08/04/2011, 04/05/2011, 21/06/2011 e 21/07/2011, para a apresentação dos livros com a escrituração contábil da empresa, bem como as demonstrações financeiras (fls. 53 a 62), inclusive, em meio magnético, na forma como preconiza o art. 265, parágrafo único, do RIR/99 (Decreto nº 3000/99). Porém, durante todo esse período, a empresa limitouse a entregar a esta fiscalização o livro fiscal de Apuração do ICMS do seu estabelecimento matriz, além de mapas gerenciais de controle interno, indicando o faturamento de sua filial em MossoróRN. Diante da falta de atendimento de nossas intimações, após decorrido mais de oito meses da intimação inicial para a apresentação, sem sucesso, dos livros e arquivos magnéticos contendo a escrituração contábil e fiscal da empresa, comparecemos, na data de 28/10/2011, à sede do seu estabelecimento, onde, por parte de seu contador Sr. Manuel Estevam Lima – CRC nº 002155/OT6, nos foram disponibilizados apenas os livros Diário da empresa, impressos num total de 52 volumes, sem entretanto nos terem sido apresentados os Livros Razão, o LALUR e as Demonstrações Financeiras (Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício), nem tampouco os arquivos magnéticos da sua contabilidade no formato/leiaute da IN SRF 86/2001 e Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/2001, todos a que estava a empresa obrigada, por força de Lei, a elaborar e apresentar a esta fiscalização, sob pena de arbitramento de lucro. Os fatos aqui relatados foram objeto Termo de Constatação, Fl. 386DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 lavrado naquela ocasião e na presença do contador supracitado que também o assinou, conforme se infere às fls. 63 a 65. Diante da situação acima descrita, formulamos mais uma Intimação à empresa, mediante termo recebido em 31/10/2011, concedendose dez dias para apresentação dos arquivos e documentos supracitados, sob pena do arbitramento do lucro, na forma da legislação pertinente. Entretanto, a exemplo das intimações anteriores, até a presente data nada nos foi apresentado ou justificado pela empresa. Ademais, convém deixar registrado que a não apresentação de livros contábeis à Fiscalização da Receita Federal, já é uma prática reiterada dos representantes dessa empresa, conforme já ocorrido durante fiscalizações anteriores, concluídas em 2004 e 2007, ocasião em aplicouse o arbitramento do lucro da empresa, pela ausência desse documentário, conforme constam dos processos 10380.004990/200413 e 10380.011537/200714. [...] Os fundamentos para que a autoridade administrativa optasse pelo arbitramento do lucro foram bem articulados e constam claramente do TVF acima reproduzido, e se traduzem, em resumo, no fato de a contribuinte ter apresentado DIPJ, DCTF e DACON zeradas e imprestáveis, bem como não teria franqueado a escrituração quando intimada. Atentese que da narrativa dos fatos, contida no TVF, extraise que a Fiscalização descaracterizou a opção do contribuinte pelo lucro presumido, ao se verificar a violação ao artigo 46 da Lei n° 10.637/02 (fls. 83/102), assinalando que a recorrente não informou ter auferido receita ou obrigação de recolher qualquer tributo (Fichas 14A e 18A fls. 85/92), tendo apenas indicado os dados iniciais (fl. 83), cadastrais (fl. 84) e a identificação de sócios (fl. 93), tendo adotado o mesmo expediente em relação à DCTF (fls. 103/108). Registrouse ainda, que antes da medida de arbitramento do lucro, intimouse o contribuinte para apresentar os livros fiscais e as demonstrações contábeis em 18/02/2011 (fls. 53/54), 08/04/2011 (fls. 55/56) e 21/06/2011 (fls. 59/60), solicitandose que apresentasse os “arquivos em meio magnético com os registros do anocalendário 2008, contendo o plano de contas, os saldos mensais e os lançamentos contábeis (fls. 57 e 59). Diante de tais elementos fáticos, anotase que o artigo 47 da Lei nº 8.981/95 (art. 530 RIR/99), enumera as hipóteses permissivas de arbitramento do lucro entre as quais a condita da contribuinte pode ser facilmente amoldada, já que não apresentou, ao menos não de forma válida, sua escrituração. No que toca ao argumento da contribuinte, consagrador de que não teria apresentado o Livro Razão e os arquivos magnéticos do anobase 2008 em virtude de estarem sob a posse do auditor fiscal diverso, bem assinalou a decisão recorrida que não há nos autos prova de efetivamente tais elementos se achavam em posse da Fiscalização, pois a apresentação, pelo contribuinte, dos 52 volumes alusivos ao Livro Diário de 2008 confirmam que a escrituração contábil encontravase de fato na sede da pessoa jurídica, não havendo qualquer documento que comprove a entrega do Livro Razão do anocalendário 2008 ao Fl. 387DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732631/201189 Acórdão n.º 1301001.387 S1C3T1 Fl. 8 13 auditor fazendário que fiscalizava as contribuições previdenciárias, existindo apenas intimações fiscais que requisitavam sua disponibilização na sede da pessoa jurídica, requisições que também constam deste procedimento e nem por isso foram integralmente atendidas. Outra vez assiste razão à decisão recorrida ao propagar que em relação aos arquivos digitais, a entrega desses elementos a um membro da Administração Tributária não impede a entrega de outra cópia a agente fiscal diverso. Por fim, não parece acertado afastarse o arbitramento do lucro ante a tardia impressão e anexação de parte do Livro Razão, depois do lançamento tributário, sob pena de invalidar as hipóteses de desencadeamento desta modalidade de apuração, eternizandose a possibilidade de a contribuinte modificar sua escrituração, viabilizandose assim o inaceitável lançamento condicional. Diante disso, entendo correto, do ponto de vista formal e material, o arbitramento promovido pela Fiscalização. II – MÉRITO No que toca ao mérito do Recurso Voluntário, a contribuinte se ocupou de afirmar, outra vez a “nulidade absoluta”, reavivando as questões atinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal e de inviabilidade do arbitramento do lucro, questões que foram afastadas na apreciação preliminar e que no mérito igualmente merecem ser refutadas. Em verdade, afora as citações doutrinárias e de precedentes que entende aplicáveis, as alegações de mérito são meras reproduções das preliminares enfrentadas e, portanto, prescindese de reproduzirse todos os fundamentos. III – DA MULTA QUALIFICADA Quanto à multa qualificada, quer me parecer que a mera narrativa dos fatos, contida no Termo de Verificação Fiscal já reproduzido no tópico I.2, faz sobressair a prevalência do patamar fixado. Com efeito, a conduta de apresentar as DIPJ, DCTF e DACON, sem a indicação das respectivas obrigações tributárias indicou, extremo de dúvidas, a intenção da contribuinte em omitir receitas e dificultar a correta apuração, circunstância que indica a prevalência da multa qualificada. IV – CONCLUSÃO Em vista de todo o exposto, rejeito as preliminares formuladas, assentando a higidez formal do processo administrativo ora apreciado e no mérito voto no sentido de Negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 11 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 15889.000323/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS .
Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea c do CTN.
Numero da decisão: 2301-004.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Mauro José Silva Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea c do CTN.
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Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 23 /2 01 0- 11 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Mauro José Silva – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000323/201011 Acórdão n.º 2301004.011 S2C3T1 Fl. 140 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 06/12/2010, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 04), a empresa deixou de incluir, nas GFIPs, todas as remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço. A autoridade autuante informa que a empresa foi excluída do SIMPLES por meio do Ato Declaratório Executivo ADE DRF/BAU nº 85, com efeitos a partir de 01/01/2006, e que os fatos geradores foram apurados em folha de pagamento e estão devidamente discriminados no Termo de Verificação e Constatação Fiscal TVCF (fls. 19 a 30) do processo principal 15889.000322/201068 Auto de Infração DEBCAD N.° 37.087.1553, ao qual este processo está apensado, deixando consignado que, conforme disposto no artigo 2º, inciso III, da Portaria RFB n9 666, de 24 de abril de 2008, os elementos de prova constam do processo principal. Esclarece que, em respeito ao artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, a fim de incidência da penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparouse o valor da multa aplicada na forma da legislação vigente à época do fato gerador com aquele resultante da aplicação da legislação vigente à época da lavratura do Auto de Infração, concluindo que, para as competências em que a multa anterior é a mais favorável ao contribuinte, quais sejam, competências 02/2006 a 05/2006, 08/2006 a 02/2007,aplicouse a multa de mora de 24% e lavrouse o presente AI (FLD 68). Naquelas competências em que a multa atual é a mais benéfica, lançouse a multa de ofício de 75%. A autuada impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1434.650, da 6a Turma da DRJ/RPO, (fls. 38), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 118), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Reafirma que está enfrentando diversos problemas com a Receita Federal, haja vista problemas que teve com seu antigo contador e que, apesar de todas as dificuldades de obtenção de documentos e esclarecimentos, a recorrente nunca deixou de cumprir com as determinações da legislação pertinente. Assevera que atendeu a fiscalização com suas portas abertas, tentando auxiliar na medida do possível, vez que se trata de documentos antigos. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 Informa que o relato do Auto de Infração em tela não corresponde à realidade dos fatos ocorridos, uma vez que houve apenas erro involuntário de preenchimento de GFIP, sendo certo que houve, provavelmente, apenas uma falta de informação do valor das retiradas de pro labore em determinados meses, em razão de dúvida se os valores deveriam ou não serem informados. Entende que deveria ter sido concedido um prazo razoável para sanar eventuais problemas com os fatos geradores. Insurgese ainda contra a multa aplicada, argumentando que a mesma é totalmente absurda e abusiva, ilegal e inconstitucional, e que possuindo efeito de confisco. O recurso foi encaminhado ao CARF que, por meio da Resolução 2301 000.305, de 16/10/2012, decidiu, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que fossem apensados, ao presente processo, os autos que discutem os lançamentos por descumprimento de obrigações principais, correlatos ao AI em tela. Em cumprimento ao solicitado por este Conselho, foi informado que os débitos correlatos foram consolidados em parcelamento, a pedido do sujeito passivo, e os dois processos administrativos citados na Resolução foram apensados equivocadamente ao processo de interesse de Magazine Luiza S/A.. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000323/201011 Acórdão n.º 2301004.011 S2C3T1 Fl. 141 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Inicialmente, a autuada alega que está enfrentando diversos problemas com a Receita Federal, haja vista problemas que teve com seu antigo contador e que, apesar de todas as dificuldades de obtenção de documentos e esclarecimentos, a recorrente nunca deixou de cumprir com as determinações da legislação pertinente, tendo atendido a fiscalização, tentando auxiliar na medida do possível. Entretanto, a recorrente não cumpriu com a obrigação acessória de informar, em GFIP, todos os fatos geradores da contribuição previdenciária. E ao constatar o descumprimento de obrigação legal a todos imposta, a fiscalização, cuja atividade é vinculada aos ditames legais, lavrou o competente auto de infração, impondo a penalidade cabível, prevista na legislação vigente à época da lavratura do Auto. Quanto ao entendimento de que deveria ter sido concedido um prazo razoável para sanar eventuais problemas com os fatos geradores, cumpre observar que a autuada tomou ciência do AI em 16/12/2010, e da decisão de primeira instância em 06/09/2011. Ou seja, a recorrente teve quase 09 (nove) meses para sanar as faltas apontadas pela fiscalização, e apresentar as GFIP retificadoras, lembrando que todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ter sido comprovadas por meio da juntada de documentos, conforme disposto no relatório IPC, ressaltando que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Todavia, a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados aos autos. Daí a necessidade de se juntar elementos comprobatórios dos fatos alegados. Observase que as contribuições cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do AI em tela, foram lançadas por meio dos AIs 37.087.1561 e 37.087.1553, objeto dos processos administrativos citados no Relatório Fiscal e na Resolução deste CARF. Em cumprimento à diligência determinada por esta Turma de Julgamento, foi informado que os débitos lançados por meio dos AIs acima mencionados foram incluídos em parcelamento, a pedido do contribuinte. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 6 Assim, os débitos foram julgados procedentes pela primeira instância e, como não foram interpostos recursos, ocorreu o trânsito em julgado administrativo. Ou seja, a recorrente não insurgiuse contra a decisão da DRJ que manteve os lançamentos lavrados por meio dos AIs citados, confessando a ocorrência do fato gerador a fim de incluir o total dos valores lançados em parcelamento. Dessa forma, a, tendo ocorrido o fato gerador da contribuição previdenciária, a sua não informação por meio de GFIP constitui infração à legislação previdenciária, consoante determinação expressa no art. 32, inciso IV, e § 1o, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, transcrita a seguir: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) § 1° O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações especificas. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) Nesse sentido, conforme exposto acima, houve infração à legislação previdenciária e, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto. A autuada insurgese ainda contra a multa aplicada, argumentando que a mesma é totalmente absurda e abusiva, ilegal e inconstitucional, e que possui efeito de confisco. Contudo, a fiscalização aplicou a multa em observância aos normativos legais vigentes à época do lançamento. A autoridade autuante esclarece que, ao se comparar o valor da multa aplicada na forma da legislação vigente à época do fato gerador com aquele resultante da aplicação da legislação vigente à época da lavratura do Auto de Infração, verificouse condição de penalidade menos severa ao Contribuinte quando aplicada a legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador para as competências 01/2006, 06/2006, 07/2006, 03/2007, 04/2007, 05/2007 e 06/2007. Assim, ao tempo da lavratura do presente AI, a fisclalização já procedeu à análise da possibilidade de retroação benéfica. É oportuno esclarecer que, pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, quando o não recolhimento das contribuições não declaradas era concomitante com a falta cometida pelo contribuinte pela não declaração em GFIP, existiam dois procedimentos que eram adotados pela fiscalização: a) a aplicação de uma multa pela não Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000323/201011 Acórdão n.º 2301004.011 S2C3T1 Fl. 142 7 declaração, consubstanciada em auto de infração por descumprimento de obrigação acessória com fundamento no artigo 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.528/1997 e; b) a cobrança de multa pelo descumprimento da obrigação principal no tempo oportuno, com fundamento no artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 com a redação da Lei nº 9.876/1999, além do recolhimento do valor referente à própria obrigação principal. Conforme estabelecido pela na Lei nº 11.941/09, esta mesma infração ficou sujeita à multa de ofício prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Ou seja, a situação descrita, que antes levava à lavratura de, no mínimo, dois autos de infração (um por descumprimento de obrigação acessória e outro levantando a contribuição não recolhida com a devida multa correspondente) passou a ser abordada por meio de um único dispositivo, que remete à aplicação da multa de ofício. Nestas condições, a multa prevista no art. 44, I, da referida Lei nº 9.430/96, é única, no importe de 75% e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem mensurar o que foi aplicado para punir apenas a obrigação acessória. Pela nova sistemática legal, as duas infrações, a saber, relativamente à obrigação principal e à obrigação acessória, são verificadas simultaneamente e, portanto, haverá a aplicação de apenas uma multa (de ofício). Cumpre ressaltar que, no intuito de regular a aplicação das inovações trazidas pela citada Lei nº 11.941/09, mormente quanto ao entendimento e comparação para fins da mencionada retroação benéfica desta, foi editada a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/09, que em seu artigo 3º dispõe: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212,de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, as multas mensais referente a obrigações tributárias acessórias deverão ser somadas às multas referentes às contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP, referente a obrigações tributárias principais – quota patronal e GIILRAT, para o confronto com a multa que seria aplicada em observância ao acima transcrito. Assim, entendo que, no que se refere à aplicada, o procedimento fiscal não merece reparos. Com relação à alegação de efeito confiscatório da penalidade aplicada, é oportuno esclarecer que a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 8 A vedação de que cuida o art. 150, IV, da Constituição Federal dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de instituição do tributo ou de determinação da multa a ser aplicada no caso de falta de recolhimento. Concluise que, uma vez vencida a etapa da sua criação, não configura confisco a aplicação da lei tributária. Vale lembrar que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Portanto, a penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração, não podendo ser afastada, como quer a recorrente, não havendo que se falar em ilegalidade da multa aplicada. Ademais, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Dessa forma, concluo que o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Nesse sentido CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, Voto por CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000323/201011 Acórdão n.º 2301004.011 S2C3T1 Fl. 143 9 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 10 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000323/201011 Acórdão n.º 2301004.011 S2C3T1 Fl. 144 11 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 12 do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000323/201011 Acórdão n.º 2301004.011 S2C3T1 Fl. 145 13 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 14 Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 152DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000323/201011 Acórdão n.º 2301004.011 S2C3T1 Fl. 146 15 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 11065.001527/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
PERDA NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS.
Poderão ser registrados como perda os créditos sem garantia, de valor acima de R$5.000,00 (cinco mil reais) até R$30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém mantida a cobrança administrativa.
MULTA QUALIFICADA. Evidenciado pelas provas dos autos que o sujeito passivo incorreu em hipótese de sonegação, fraude ou conluio é cabível a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-001.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. PERDA NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Poderão ser registrados como perda os créditos sem garantia, de valor acima de R$5.000,00 (cinco mil reais) até R$30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém mantida a cobrança administrativa. MULTA QUALIFICADA. Evidenciado pelas provas dos autos que o sujeito passivo incorreu em hipótese de sonegação, fraude ou conluio é cabível a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 15 27 /2 00 8- 89 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 470 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 5ª Turma da DRJ/RPO, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LEGISLAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADES E ILEGALIDADES. Os julgadores administrativos não têm competência para analisar a constitucionalidade ou legalidade de dispositivos de lei. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. IRPJ. CSLL. IRFF. CUSTOS AMPARADOS EM DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. MULTA MAJORADA. PAGAMENTO A PESSOAS NÃO IDENTIFICADAS. Legítima a glosa de custos suportados por documentação inidônea, apurada mediante criterioso trabalho fiscal, inclusive com diligência junto ao suposto prestador de serviço, demonstrando a não realização da operação. A liquidação das pseudo obrigações, implica o lançamento do IRFonte (Pagamento a beneficiário não identificado), com multa majorada de 150%. IRPJ. CSLL PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. REQUISITOS As perdas no recebimento de créditos, quando referentes a operações sem garantia e em valor superior a trinta mil reais, somente poderão ser deduzidos como despesa, para efeito de determinação do lucro real, se iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. IRPJ. CSLL. APLICAÇÕES ESCRITURADAS COMO DESPESA. NÃO QUESTIONAMENTO. PRECLUSÃO. Preclui a possibilidade de alegação em 2ª instância sobre matéria não questionada na impugnação ao lançamento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese, no que couber, aos demais Fl. 471DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Em ação fiscal foram lavrados contra a empresa acima, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 302), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 316) e Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (fls. 325). O total do crédito tributário apurado foi de R$ 4.469.271,05, calculado até 30/04/2008. A contribuinte impugnou tempestivamente as exigências, através do arrazoado de fls. 377 a 409. RAZÕES DE AUTUAÇÃO A autuada tem por objeto social a indústria, comércio, importação e exportação de calçados e insumos. Os resultados nos anoscalendário em que houve autuação – 2004, 2005 e 2006 – foram apurados pela sistemática do lucro real trimestral. Foram identificadas três infrações: (a) aplicações de capital escrituradas como despesa; (b) indevida dedução de despesa com perda no recebimento de créditos e, (c) dedução de despesas inexistentes. Essa última infração, além da glosa de despesas, implicou na exigência de IRRF por pagamento sem causa comprovada. Vejamos as infrações. a) Aplicações escrituradas como despesa A autuada teria escriturado, como despesa, a aquisição de materiais elétricos utilizados na confecção de uma nova instalação elétrica, em substituição à existente, que teria se tornado inadequada. O autuante entende que teria ficado caracterizada a aplicação de capital, com base no art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR99), já que o conjunto de bens tem valor superior a R$ 326,61 e vida útil superior a um ano, devendo ser ativado para posterior depreciação. Na autuação foi procedida a ativação do bem, observada a taxa anual de depreciação de 10%. b) Dedução de despesa com perda no recebimento de créditos A contribuinte escriturou o valor de R$ 93.739,58, relativo a venda que efetuou para empresa sediada no exterior, a débito da conta de resultado “Devedores Incombráveis”, por considerar que seria inviável economicamente efetuar a cobrança judicial. O autuante entendeu, com base no art. 340 do RIR/99, que as perdas dessa natureza somente podem ser deduzidas como despesa quando referentes a operações sem garantia e em valor superior a trinta mil reais, se vencidas há mais de um ano e desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. Considerou indedutível a alegada perda em virtude de o contribuinte não ter ajuizado qualquer ação de cobrança. c) Dedução de despesas tidas como inexistentes Fl. 472DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 471 5 A empresa escriturou, no período fiscalizado, um total de R$ 1.790.000,00 a título de despesas com departamento de vendas e apresentou notas fiscais emitidas por Evany Manoel das Neves, CNPJ 91.590.406/000127, que usa o nome de fantasia “Jornal Regional”. Nas notas fiscais a descrição dos serviços prestados consta como “Assessoria e Marketing com desenvolvimento de Produtos e Projetos de Expansão ref. ao mês...”. Não haveria contratação escrita entre as partes e os pagamentos teriam sido efetuados em dinheiro. Intimada, a empresa não apresentou documentos que comprovassem a efetiva prestação de serviços. No entanto, juntou fotos em que o Sr. Evany aparece com políticos e autoridades religiosas, afirmou que ele faz pesquisas na Internet e em revistas de moda para identificar as tendências para novos modelos de produtos. A empresa Evany Neves ME, apresentou declaração de inatividade nos anos calendário de 2004 a 2006, que é o período autuado. Após ciência, pela autuada, de termo de intimação solicitando as notas fiscais emitidas pela Evany Neves ME, esta empresa apresentou declarações de IRPJ retificadoras, informando a opção pelo lucro presumido, com receita bruta igual ao valor das notas emitidas em favor da autuada. Após isso e, em tendo a fiscalização intimado a empresa a apresentar mais quatro notas fiscais referentes ao anocalendário 2004, a Evany Neves ME voltou a retificar sua Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, agora para incluir mais o valor dessas 4 notas fiscais. O Sr. Evany prestou informações, confirmando a prestação de serviços, mas sem apresentar documentos. Informou que a empresa não tinha funcionários, nem contratou serviço de terceiros. O autuante concluiu que os serviços nunca foram prestados e que as notas fiscais estão eivadas de falsidade ideológica e em função disso, ao efetuar o lançamento dos tributos, agravou a multa para o percentual de 150%, em virtude do evidente intuito de fraude. Foi efetuada a glosa de despesas e exigido Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF – por pagamento sem causa comprovada. Afirma que a contabilidade faz prova de que foram efetuados os pagamentos. RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO a) Perdas no recebimento de créditos A impugnante alega que o art. 340 do RIR/99 permite a dedução de valores até R$ 30.000,00, como perdas no recebimento de créditos, apenas com cobrança administrativa. Pede que o valor da infração seja reduzido em R$ 30.000,00, em obediência ao dispositivo citado. b) Custos e despesas não comprovadas A conclusão do agente fiscal de que uma empresa de comunicação não poderia desenvolver atividade de marketing estaria em frontal desacordo com a a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) que enquadra a Assessoria em Marketing dentro do grupo Publicidade, bem como, diverge da realidade de centenas de empresas de comunicação autuantes no país. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Afirma que o Sr. Evany tinha qualificação suficiente para prestar serviços de assessoria de marketing. Refere outras histórias de vida em que pessoas com formação em uma área se destacam em área distinta. Diz que foram apresentadas provas relativas à prestação dos serviços, mas desconsiderada pelo agente do fisco, que teria um juízo préestabelecido acerca da existência do delito. A presunção de cometimento de fraude violaria a garantia constitucional de presunção do estado de inocência. A aplicação da penalidade agravada pelo suposto dolo, extrapola os limites da proporcionalidade e razoabilidade. A impugnante ratifica como razões de impugnação os esclarecimentos prestados às fls. 136/138, 162/163, 232/235 e 252/253. A autuada afirma, também, que não incorreu em nenhuma das modalidades da culpa stricto sensu; que a sua conduta não foi dolosa, que não houve fraude e que teria agido de boafé. Diz que a fiscalização não estaria praticando ato discricionário, mas sim, um ato plenamente vinculado e, com isso, não poderia limitarse a citar artigos de lei, pois isso conduziria à nulidade do auto de infração. Não teria sido garantido à empresa o devido processo legal e o contraditório. O ato administrativo atacado feriria o princípio a razoabilidade ou da proporcionalidade, já que a medida imposta à Impugnante não é necessária (fls. 392). A exigência materializada nos autos de infração representa um verdadeiro desvio e abuso de poder, especialmente porque pune confiscatoriamente a contribuinte. Vários outros princípios teriam sido violados, como o da livre iniciativa e da livreconcorrência. Assevera que exigir multa e juros configura bis in idem, invocando o previsto nos arts. 408 até 417 do Código Civil, que assegurariam a impossibilidade de coexistência de duas verbas com a mesma finalidade. Diz que a multa aplicada deveria ser, ao menos, reduzida, por ser abusiva. Invoca o Decretolei nº 1.184/71, que dispõe sobre liquidação dos débitos fiscais de empresas em difícil situação financeira, para concluir que a exigência merece ser reformada para minorar as conseqüências funestas que terá sobre a economia da empresa. Diz que os autos de infração são nulos por conterem vício de forma e ilegalidade do objeto e, também, em face da inexistência de motivos de fato que autorizem a sua lavratura. Afirma (fls. 406): “Portanto, evidenciado que o ato impugnado apresenta: VÍCIO DE FORMA, pela inexistência de fundamentos de fato nele explicitados. NULIDADE DO OBJETO, por não observar regras constitucionais. INEXISTÊNCIA DE MOTIVOS, conforme amplamente suprademonstrado. Impõese o reconhecimento da NULIDADE do AI. “ Entre outros requerimentos, pede que tanto a impugnante quanto o seu procurador sejam intimados dos atos processuais, sob pena de nulidade. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 472 7 A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou as alegações expendidas na impugnação, em especial que: a) para valores até R$30.000,00 não há necessidade de ajuizamento de demanda judicial, bastando cobrança administrativa. Assim, do total lançado (R$93.739,58) deve ser mantido tão somente o valor de R$63.739,58; b) a glosa das despesas com publicidade (Sr. Evani) foi feita por presunção; c) não há culpa (negligência, imprudência, imperícia) na conduta da recorrente. Não existe responsabilidade objetiva no direito tributário, assim como no direito penal; d) há violação aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco; e) há vício de forma, pela inexistência dos fundamentos de fato explicitados no auto de infração, nulidade do objeto, por não observar regras constitucionais, e inexistência de motivos. É o relatório. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. De acordo com o art. 9º, §1º, II, “c”, da Lei nº 9.430/96 (verbis) podem ser registrados como perda os créditos, sem garantia de valor, superiores a R$30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para seu recebimento. § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos: ... II sem garantia, de valor: c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; A recorrente confessa que não promoveu a competente ação judicial porque era inviável economicamente, postulando a reconsideração do montante de R$30.000,00 reais, que no seu entender estaria dentro do limite estabelecido pela alínea “b”, verbis: b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; (grifo nosso) Ocorre que a alínea “b” é clara ao dispor que os créditos deverão ser considerados por operação. E no caso vertente, tratase de apenas uma operação, no valor de R$93.739,58 (fl.339 Relatório de Ação Fiscal), que levou a apenas um lançamento na conta de resultado 321020600000000 Devedores Incobráveis. Desta forma, o enquadramento da dedução é feito pela alínea “c” e não pela alínea “b”, impossibilitando qualquer dedução. No que tange à glosa de valores pagos ao Sr Evany e ao lançamento de IRRF, remetome ao voto condutor do acórdão recorrido, que abordou com clareza solar o tema. Despesas inexistentes Fl. 476DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 473 9 A empresa escriturou pagamentos em favor de Evany Neves ME ou “Jornal Regional”, a título de “promoção de vendas” ou “despesas de promoção de marcas” ou “despesas de promoção de marcas e produtos”. O valor dos pagamentos foi: Em 2004 R$ 310.000,00 Em 2005 R$ 400.000,00 Em 2006 R$ 1.080.000,00 Total R$ 1.970.000,00 Os pagamentos teriam sido efetuados sempre em dinheiro. A empresa foi intimada a descrever os serviços que teriam sido prestados e a juntar comprovantes (relatórios, atas, correspondências), conforme se vê às fls. 86/90. Afirmou (fls. 138) que a contratada se inseriu num contexto de crescimento e modernização da empresa. Afirma: “E foi aí que se encaixou a empresa de Evany Neves ME credenciada junto ao governo federal, estadual e municipal, bem como na associação de imprensa nacional, para inclusive nos representar nos eventos públicos e sociais no intuito de expansão de nossa marca.”. Não juntou documentos comprobatórios da prestação de serviços. Foi reintimada (fls. 157/159) a comprovar com documentos a prestação de serviços e intimada a informar sobre a equipe profissional da empresa contratada e sobre o tipo de credenciamento que a empresa teria junto a órgãos públicos. Na resposta (fls. 162/163) descreve, agora, as atividades como “complementação do trabalho executado referente desenvolvimento do produto” e foram anexadas algumas fichas técnicas que teriam dado origem a modelos exportados. As fichas técnicas estão às fls. 164/185 e não trazem qualquer dado acerca de quem teria desenvolvido o produto. Foram juntados documentos diversos que mostram que o Sr. Evany atuava como jornalista, participava de eventos e documentos outros acerca da publicação denominada Jornal Regional. Outra vez reintimada a empresa (fls. 228/230) acerca da atuação do Sr. Evany, respondeu (fls. 232/235) que os serviços “consistiam justamente nesta pesquisa, junto a publicações nacionais e internacionais, bem como através de sites da internet.”. Identificando tendências, o Sr. Evany Neves compilava publicações, desenhos e fotografias, com objetivo de, a partir de então, pesquisar quais os insumos e fornecedores que mais ensejariam a relação custo/benefício”. Juntou fotografias e fichas técnicas. Ouvido o Sr. Evany (fls. 290/293), informou que o seu trabalho era fornecer idéias sobre a criação de modelos de calçados, em reuniões que não eram documentadas. Não tinha empregados nem equipe. Disse que pesquisava tendências em revistas e sites de moda, mas, naquele momento, não lembrou de nenhum desses sites. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Como se vê, a própria empresa tem dificuldade de informar quais os serviços teria recebido do Sr. Evany e pelos quais pagou quase dois milhões de reais. Inicialmente era a representação da empresa em eventos sociais, depois o desenvolvimento de produtos, mais especificamente a pesquisa de tendências em revistas e sítios da internet, com vistas ao desenvolvimento de produtos. Em que pese a liberdade de a empresa gastar seus recursos conforme os proprietários/administradores entenderem conveniente, é desmedido um gasto de, exemplificativamente, um milhão e oitenta mil reais em 2006, para que alguém folheie revistas e visites sítios na internet. E, digase, sítios na internet dos quais o suposto prestador de serviços, quando ouvido pela fiscalização, não conseguiu lembrar de nenhum. Muitas outras são as incoerências na versão apresentada pela empresa. Essas incoerências foram bem apontadas no relatório fiscal e não foram rebatidas na impugnação, por isso, não me alongo. Apenas aponto detalhes como: (1) o fato de a contratante não saber o endereço do contratado – que em final de 2004 passou a ser em São Leopoldo, enquanto a autuada disse que usava o endereço antigo, na cidade de Salvador do Sul; (2) o fato de o contratado não ter tido equipe ou funcionários; (3) o fato de o Sr. Evany não possuir patrimônio no momento e apontar ter gasto os valores recebidos com tratamento de saúde sua esposa, na Santa Casa de Porto Alegre, enquanto essa instituição informou que os gastos foram de menos de R$ 300,00 (notese a disparidade; R$ 1.970.000,00 para R$ 300,00). Ora, a toda evidência, não houve qualquer prestação de serviços. Caso tivesse ocorrido, dada a magnitude dos valores envolvidos, haveria de ter gerado um fluxo de papéis, ainda que mínimo, que poderia demonstrar a atuação do contratado. Mas, mesmo intimada, a empresa não traz um único elemento que demonstre a atuação do Sr. Evani. Depois de a empresa ir mudando as versões acerca do qual trabalho faria efetivamente o contratado, arrematou com o folhear de revistas e navegação na internet, o que é uma agressão à mais mediana das inteligências – dados os valores envolvidos. Afora esses pontos, importante referir que cabe à contribuinte manter os documentos que comprovem as operações que escriturou. O parágrafo único do art. 251 do RIR/99, estabelece que a escrituração dos contribuintes deve abranger todas as operações da empresa. Já o art. 264, do mesmo regulamento, define que cabe à pessoa jurídica conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, caso em que se enquadram os pagamentos efetuados pela suposta prestação de serviços. Compete ao contribuinte provar a veracidade dos dados que lança em sua escrita. Uma nota fiscal, por si só, não comprova uma prestação de serviços, mais ainda no caso presente, em que há fundados indícios a demonstrar não ter havido a prestação de serviços. É assim que o Egrégio Conselho de Contribuintes tem decidido: Fl. 478DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 474 11 IRPJ CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS Glosa de Despesas Remuneração das Esposas dos Sócios A dedutibilidade de dispêndios a título de despesas operacionais está condicionada à comprovação da efetividade da prestação dos serviços e ao atendimento dos pressupostos fiscais da necessidade, usualidade e normalidade dos gastos aos desenvolvimento das operações da empresa. (Acórdão 103.18474, da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, sessão de 18/03/1997). A contribuinte, intimada e reintimada, nada trouxe que demonstrasse a efetividade da prestação de serviços pelo emitente das notas fiscais. Também com a impugnação nada veio. A empresa se esmera em argumentos para tentar mostrar que o sr. Evany teria condições de prestar os serviços, mas não mostra que tenha efetuado qualquer trabalho. E, mesmo no tocante as habilidades do suposto contratado, nada consegue provar. Frente a isso é forçoso reconhecer o acerto da imposição fiscal. Face ao exposto, é de ser mantida a exigência relativa à glosa de despesas. IRRF Pagamento sem causa comprovada A contabilidade da empresa faz prova de que foram efetuados pagamentos amparados por documentário que, já concluímos, é ideologicamente falso. Os pagamentos não são remuneração pela atuação da empresa “Evany Manoel das Neves ME” prestando “assessoria” à autuada. Com isso, em que pese a escrituração demonstrar que ocorreram pagamentos , a causa dos mesmos não restou comprovada. Assim, é acertada a incidência do art. 674, do RIR/99: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Fl. 479DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 No recurso voluntário não são apresentadas quaisquer provas da execução do serviços contabilizados, o que autoriza a glosa, porquanto a despesa, para ser dedutível, deve ser paga ou incorrida na realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, devendo ainda ser necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Cabível, também, a meu ver, o lançamento do IRRF, porquanto não restou demonstrada a causa do pagamento. Vale lembrar, ainda, porquanto ressaltado no recurso voluntário, que a responsabilidade tributária, em regra, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. No caso vertente, verificase que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% para as glosas de perdas no recebimento de créditos e dedução como despesa de ativo imobilizado. Todavia, para a glosa relativa à despesas inexistentes aplicou a multa de 150%, a qual possui caráter subjetivo, exigindo a comprovação do dolo e da sonegação, fraude ou conluio. Ocorre que, a despeito do esforço produzido pela fiscalização para elucidar a questão, a causa da operação não foi comprovada, e as deduções feitas resultaram na indevida redução do IRPJ e reflexos dos períodos fiscalizados. A recorrente, por sua vez, produziu provas (lançou as despesas) que atestassem no sentido da dedução indevida. Em suma, produziu provas para provar eventos que não existiram, e que resultaram na redução de quase dois milhões de reais de sua base de cálculo. A título exemplificativo, menciona a fiscalização Concluímos que os serviços em tela nunca foram prestados, tratandose, portanto, de despesas inexistentes. Ou seja, as notas fiscais apresentadas pela fiscalizada para comprovar as despesas são notas fiscais eivadas de falsidade ideológica, por descreverem operações de prestação de serviços que não correspondem à realidade. A fiscalização, por fim, conclui pela presença do dolo e pela prática de fraude, situações que autorizam a exasperação da multa de ofício. A recorrente não logrou desincumbirse das acusações feitas nas peças recursais a que teve oportunidade de apresentar. Neste sentido, meu voto é para manter a multa qualificada. Também se insurgiu a recorrente contra parte da decisão da DRJ que não conheceu de matéria que questionava inconstitucionalidade de lei, em especial, a violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco. Não lhe assiste razão neste ponto. Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurandose do conteúdo prescritivo do art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 475 13 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto a alegação de que há vício de forma, pela inexistência dos fundamentos de fato explicitados no auto de infração, nulidade do objeto, por não observar regras constitucionais, e inexistência de motivos, vêse do relatório de ação fiscal e do auto de infração que a forma escrita foi observada, os fundamentos de fato e os motivos foram declinados no corpo do auto de infração e no relatório de ação fiscal. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 481DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.722312/2012-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA.
Há que se negar provimento ao recurso de ofício em face de decisão que cancela parte do lançamento, por restar demonstrada a origem dos respectivos ingressos na conta bancária.
Não logrando a recorrente comprovar a origem de ingressos na sua conta bancária, deve ser mantida a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430/96.
O fato de a receita que ingressou na conta bancária ter sido objeto de nota fiscal ou de duplicata não afasta a caracterização da omissão de receita, caso não provada a sua escrituração e o seu oferecimento a tributação, ônus que cabia a contribuinte.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS.
Numero da decisão: 1302-001.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri.
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Recorrente PANORAMA FUNDIÇÃO DE METAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Há que se negar provimento ao recurso de ofício em face de decisão que cancela parte do lançamento, por restar demonstrada a origem dos respectivos ingressos na conta bancária. Não logrando a recorrente comprovar a origem de ingressos na sua conta bancária, deve ser mantida a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430/96. O fato de a receita que ingressou na conta bancária ter sido objeto de nota fiscal ou de duplicata não afasta a caracterização da omissão de receita, caso não provada a sua escrituração e o seu oferecimento a tributação, ônus que cabia a contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 23 12 /2 01 2- 48 Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri. Relatório Versa o presente processo sobre recursos de ofício e voluntário, interpostos em face do Acórdão nº 1441.577 da 3ª Turma da DRJ/RPO, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. DUPLICATAS. DESCONTO. COBRANÇA. No caso de desconto de duplicatas ou de sua cobrança, a presunção de omissão de receita só é afastada quando comprovada a contabilização da respectiva receita. TRANSFERÊNCIAS. CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. COMPROVAÇÃO. Somente excluemse da tributação os créditos bancários que, comprovadamente, forem provenientes de outras contas de mesma titularidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O voto vencedor da decisão recorrida assim sustentou: “No caso presente, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes e ela não logrou fazêlo. Ficou bastante claro no processo que não restou comprovada a origem relativamente à totalidade dos depósitos questionados durante a ação fiscal. Portanto, a materialidade do fato gerador ficou evidenciada. Assim descabido qualquer questionamento acerca da possibilidade de utilização dos valores dos depósitos como base de cálculo dos tributos lançados. Na fase impugnatória, a contribuinte alega que o procedimento fiscal ofendeu o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, pois o autuante declarou no Termo de Verificação Fiscal que “Tendo em vista que a maioria dos lançamentos contábeis engloba vários valores e não coincide com os valores nos extratos, não foi possível fazer a conciliação por lançamento de forma individualizada”. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.722312/201248 Acórdão n.º 1302001.469 S1C3T2 Fl. 1.240 3 Não prospera tal alegação, pois o autuante examinou individualmente cada crédito efetuado nas contas correntes da contribuinte, excluindo as transferências entre contas, os empréstimos, os estornos, cancelamentos, etc. Feita essa análise inicial, intimou a contribuinte a comprovar a origem de cada um dos créditos efetuados e, somente depois, quando a autuada não apresentou qualquer documento, é que excluiu os valores contabilizados como débitos nas contas contábeis “Bancos” do livro Razão, estes sim escriturados englobando vários valores. Assim, não houve qualquer desrespeito ao citado dispositivo legal. Alega, também, que ocorreu erro de fato na planilha integrante da peça acusatória, (à fl.02), em relação à diferença existente, no mês de dezembro, entre os valores lançados nas colunas “Total dos Créditos não Justificados (Extratos)” e “Entradas nas contas Contábeis Bancos (Débitos Contábeis)”, em que o valor da coluna “entradas” foi maior que aquele lançado na coluna “Total dos Créditos” no montante de R$ 2.332.683,80. Afirma que tal valor deve ser excluído da base de cálculo do referido mês. Quanto a essa “diferença” existente no mês de dezembro, verificase que a citada planilha espelha o valor dos créditos bancários efetuados naquele mês que a contribuinte não justificou, no total de R$ 2.032.206,07, e discrimina os registros contábeis a débito efetuados no citado mês na conta “bancos”, que totalizam R$ 4.364.889,87. Tais constatações levam à conclusão de que, no mês de dezembro, não houve omissão de receitas apurada com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada. Ou seja, os registros contábeis de entradas nas contas bancárias foram maiores do que aqueles questionados pelo fisco, não implicando, esse fato, que tais entradas na conta “bancos” a maior devem servir como justificativa para os créditos bancários efetuados nos meses anteriores, para os quais a contribuinte não apresentou provas de que se tratavam de valores correspondentes a receitas já tributadas, isentas, não tributáveis, ou a valores não correspondentes a receitas (empréstimos, etc.). É improcedente, portanto, a solicitação para se excluir tal diferença de R$ 2.332.683,80. A contribuinte argumenta, ainda, que devem ser excluídos da tributação os valores relativos a desconto de duplicatas e cobrança desses títulos, uma vez que se originaram de notas fiscais regularmente emitidas por seu titular. Ora, se são valores relativos a notas fiscais regularmente emitidas, deve a contribuinte comprovar a contabilização e a tributação da receita correspondente a tais notas fiscais de venda. A existência de duplicatas denota que houve o faturamento, não podendo ser desconsiderado o crédito dele decorrente sem a comprovação de que a receita correspondente foi tributada. Devese acrescentar que o autuante excluiu da tributação os valores registrados a débito da conta “bancos” do livro Razão, dentre os quais estão aqueles registrados a título de duplicatas recebidas, conforme consta no TVF. Assim, não se altera a tributação do referido valor. Quanto à alegação de que foram feitas transferências eletronicamente diretamente de banco a banco, entre contas correntes de mesma titularidade, conforme relação de fls. 856 a 862, verificase que a simples indicação de que se trata de transferência bancária (como foi feito na impugnação) não é suficiente. É necessário comprovar que as contas de onde vieram os valores transferidos são de titularidade da contribuinte, o que não ficou provado na impugnação. A contribuinte indicou operações bancárias com os seguintes históricos: “Créd.Transf. entre ContasTransf. Da 8/9001337” (fl.148), “Mov.Tit.de 0770/854941” (fl.399), “Mov.Tit. de 0770 848547”, “Ag. TEF 0770.84854 Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 7” (fl. 399), “Transf.TB” (fl.523), “Transf. Ag. Dinh” (fls.158, 171), ou, ainda “Transferência de Saldo” (fl.538). Entretanto, como se vê, tais históricos não permitem vislumbrar se a conta de onde provêm os valores transferidos são da contribuinte ou de terceiros. Caberia à contribuinte apresentar os documentos bancários que deram suporte a tais transferências, comprovando assim que foram feitas de outras contas de titularidade da autuada. Não tendo sido anexados tais comprovantes, não se altera o lançamento. Consta às fls. 1167 a 1171 a planilha por mim elaborada com os históricos constantes dos extratos bancários, conforme antes relatado, observandose, inclusive, que consta em alguns históricos que a transferência foi feita por outra pessoa jurídica (por exemplo: Asper Jato Ind.Com. – fl.171). Constam nessa planilha os valores por mim considerados como sendo relativos a transferências entre contas de mesma titularidade (cujo histórico é Transf. Ag.Cheq.O próprio favorecido), no valor de R$ 327.219,00 (abril/2008), R$ 151.790,00 (maio/2008), R$ 131.000,00 (setembro/2008), R$ 32.152,47 (outubro/2008), e que serão excluídos da tributação. Relativamente, à argumentação de que foram tributados valores transferidos mediante a emissão de cheques pela própria impugnante (fls. 889 a 1152 e planilha de fls. 850 a 856), anexei às fls. 1172 a 1179 o demonstrativo que contém a indicação dos créditos admitidos como sendo provenientes de depósitos em cheque da própria contribuinte, os quais serão excluídos da tributação, bem assim daqueles não excluídos com a respectiva justificativa. Estão sendo excluídos os créditos bancários relativos a essa alegação nos seguintes valores: TOTAL TRANSF.CHEQUES EXCLUÍDAS ........................................................................................................................................” A contribuinte foi cientificada da decisão recorrida em 24/06/2013 (AR a fls. 1207) e interpôs recurso voluntário em 12/07/2013 (doc. a fls. 1209 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que o ato (ou procedimento) administrativo de lavra do Auditor Fiscal é nulo, visto que, ao descumprir o previsto em lei – visto sua atividade ser absolutamente vinculada, não sendo admitida qualquer discricionariedade – veio a preterir o direito de defesa do contribuinte; b) que o próprio autuante reconhece, por meio da peça acusatória, haver adotado procedimento em absoluto descompasso à determinação legal, visto que se manifesta dizendo que “não foi possível fazer a conciliação por lançamento de forma individualizada”, sendo que aquela é clara o suficiente de maneira a não deixar dúvidas, ao determinar que “para feito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente...”; JANEIRO 28.000,00 ABRIL 98.600,00 MAIO 148.000,00 JUNHO 732.740,00 JULHO 571.100,00 AGOSTO 762.760,00 SETEMBRO 427.960,00 OUTUBRO 1.351.343,00 NOVEMBRO 35.000,00 Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.722312/201248 Acórdão n.º 1302001.469 S1C3T2 Fl. 1.241 5 c) que os trabalhos fiscais, em sua totalidade, foram realizados em outro local que não o estabelecimento do contribuinte, sem que neste o Auditor Fiscal sequer tenha comparecido, o que ofende o disposto no art. 915 do RIR/99, pois o contribuinte foi compelido, por meio de várias intimações, a apresentar uma série de livros e documentos, sem, entretanto, ter tido a posse de qualquer termo escrito lavrado pela autoridade fiscal, de maneira a comprovar a efetividade do atendimento daqueleas determinações, logo, foram utilizados elementos que, em tese, não deveriam, ao menos oficialmente, encontraremse sob a tutela da Autoridade Fiscal, motivo pelo qual tornam nulas as exigências; d) que a Súmula CARF nº 6 leva a outro significado que não aquele adotado pelo Auditor Fiscal titular da ação fiscal, qual seja, a de que a verificação (de livros e/ou documentos) se dar fora do estabelecimento do contribuinte, por ocasião de flagra de determinada irregularidade praticada, isto é, exemplificadamente, mercadorias desacompanhadas de documentos fiscais detectadas pela fiscalização ou ainda, que sejam objeto de descaminho ou contrabando; e) que, no mês de dezembro de 2008, a somatória dos créditos apontados como não justificados correspondeu a R$ 2.032.206,07, enquanto que os valores escriturados, a débito, na conta “bancos”foi de R$ 4.364.889,87, ou seja, nesta foi escriturado valor superior àquele supostamente omitido, no importe de R$ 2.332.683,80, logo, tal excesso deveria ser excluído da base de cálculo do período correspondente, até porque o contribuinte apurou seus resultados trimestralmente e com base no lucro real, o que levaria com que a base de cálculo do 4º Trimestre do AC 2008 seia reduzida a R$ 2.792.308,06, ao invés de R$ 5.124.991,86, equivocadamente utilizada; f) que, não obstante a recorrente tenha elencado a totalidade de depósitos feitos com cheques de sua própria emissão, inclusive juntado cópia microfilmadas deles, a decisão recorrida reconheceu valores aquém daqueles efetivamente comprovados, razão pela qual, entende que devam ser excluídos das bases de cálculo os seguintes valores: R$ 1.605.173,88 (1º Trimestre/2008), R$ 2.265.217,96 (2º Trimestre/2008), R$ 2.563.888,37 (3º Trimestre/2008) e R$ 1.469.649,22 (4º Trimestre/2008); g) que, com relação à Cofins e PIS/Pasep, deveriam ter sido excluídos os seguintes valores: R$ 210.005,60 (jan/2008); R$ 213.073,36 (fev/2008); R$ 1.182.094,92 (mar/2008); R$ 1.084.080,96 (abril/2008); R$ 593.945,92 (maio/2008); R$ 587.191,08 (junho/2008); R$ 1.225.914,93 (jul/2008); R$ 728.050,88 (agos/2008) R$ 609.922,56 (set/2008); R$ 887.360,46 (out/2008); R$ 334.481,40 (nov/2008); e R$ 147.806,36 (dez/2008); h) que, com relação às inúmeras operações financeiras levadas a efeito pela recorrente junto às mais diversas instituições financeiras, elas se davam mediante a apresentação, pela recorrente, de garantias representadas por títulos de sua emissão e que correspondiam elas a descontos, assim como a cobrança de duplicatas que, na essência, viriam a representar o ingresso (créditos) de valores em contascorrentes bancárias de titularidade da contribuinte, razão pela qual, já que totalmente respaldada em títulos de Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 sua emissão os créditos advindos de tais operações, deve ser reformado, no tocante a tal item, o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço, para negarlhe provimento, pois a planilha elaborada pelo Relator do voto vencedor da decisão recorrida aponta com amparo em provas coligidas aos autos a razão de cada uma das exclusões da base de cálculo. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 1227, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, afasto a preliminar de nulidade suscitada, relativa ao local onde realizado o trabalho fiscal, pois se equivoca a contribuinte quanto ao sentido da norma insculpida no art. 915 do RIR/99 e da Súmula CARF nº 06, pois o termo de apreensão de documentos não é condição para que os trabalhos fiscais possam se realizar fora do estabelecimento do fiscalizado, mas ato necessário para que o Fisco possa conservar em seu poder os livros da fiscalizada. Ocorre, porém, que a intimação para apresentação de documentos dispensam a lavratura do termo de apreensão e são provas inconteste da detenção de tais documentos em poder do Fisco, quando atendidas pelo contribuinte, como é o caso. Quanto à alegação de que teria sido descumprida a norma que determinaria a conciliação por lançamento de forma individualizada, a recorrente incorre novamente em equívoco, se não vejamos o que se segue. Vale, antes de mais nada, trazer à colação o teor do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º Omissis. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.722312/201248 Acórdão n.º 1302001.469 S1C3T2 Fl. 1.242 7 ............................................................................................................................” Assim, a teor do disposto no dispositivo legal acima transcrito, caberia ao autuante individualizar os depósitos e intimar a recorrente a comprovar a origem de cada um deles com documentação idônea. Isso foi feito, tanto que a fls. 713 e segs, consta o Termo de Intimação datado de 12/06/2012, cujo anexo individualizou cada um dos lançamentos que caberiam a recorrente comprovar a origem do ingresso em conta bancária. Cada um dos depósitos que a contribuinte não conseguiu comprovar a origem deveria compor a base tributável do lançamento fundamentado na presunção de omissão de receitas do art. 42 em tela. Ocorre, entretanto, que a Fiscalização da Receita Federal tem adotado uma interpretação mais favorável aos contribuintes totalmente desprovida de base legal, a qual consiste em abater do valor total dos depósitos não comprovados o valor de entradas contabilizadas, decorrendo disso uma redução indevida da base tributável. Ora, por esse entendimento da Receita Federal, se do total do faturamento, metade é escriturado e a outra metade transita por conta bancária não escriturada, não haveria omissão de receita, já que um valor anula o outro. Essa exegese não cabe nos parâmetros hermenêuticos do art. 42, o qual inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte provar que o ingresso na conta bancária corresponde a um determinado lançamento contábil, sendo totalmente desarrazoado que o Fisco presuma do jeito que o fez nesse e em outros casos já julgados por este Colegiado. De qualquer forma, a tal conciliação feita pelo autuante nos autos desse processo, embora sem base legal, só beneficiou a contribuinte, pois a ela cabia provar que os registros contábeis correspondiam aos ingressos na conta bancária. O Fiscal, ao abater indevidamente valor de ingressos contabilizados dos ingressos não comprovados na conta bancária, terminou por dispensar a recorrente do ônus que a Lei lhe impunha. Assim, não há que se falar em nulidade do lançamento, nem teria a recorrente legitimidade para alegálo, por ter se beneficiado de uma interpretação equivocada da Fiscalização, a qual reduziu a base tributável (pas de nullité sans grief). Por essa mesma razão, afasto a alegação de que o saldo contabilizado a maior no mês de dezembro de 2008 deveria abater o valor não contabilizado de meses anteriores. Ora, se o valor contabilizado em dezembro de 2008 correspondia a ingressos na conta bancária em meses anteriores, caberia a recorrente demonstrar, com documentação idônea, a correlação entre os lançamentos, a ponto de justificar o equívoco na escrituração. Da mesma forma, não procede a alegação da recorrente de que a decisão recorrida deixou de considerar comprovada a origem de ingressos que teriam sido decorrentes de depósitos com cheques emitidos por ela mesma. A planilha elaborada pelo Relator do voto vencedor (doc. a fls. 1.167) justificou o acolhimento ou não de cada um dos elementos probatórios apresentados pela recorrente. A título de exemplo, vejamos que o cheque no valor de R$ 15.200,00 apresentado pela recorrente (doc. a fls. 889) não foi acolhido por que não correspondia a nenhum ingresso objeto da fiscalização, nem pelo valor nem pela data. Por sua vez, o cheque no valor de R$ 16.000,00 (doc. a fls. 890) foi acolhido e o valor foi excluído da base tributável, conforme informa a referida planilha a fls. 1.172. Ademais, a recorrente não se insurge contra nenhum ponto específico da referida planilha, pois apenas faz alegação genérica de que cheques por ela emitidos não teriam sido acolhido pela decisão recorrida, sem enfrentar as razões apontadas para o não acolhimento. Por essas razões, nego provimento ao recurso voluntário também nesse ponto. Por esses mesmos motivos, também não há que prosperar as alegações de que não teriam sido consideradas operações comerciais respaldadas em títulos emitidos pela recorrente (duplicatas), cujos descontos teriam gerado os ingressos que ora se discute neste autos. Observo que é perfeita a decisão recorrida, quando sustenta que: “Ora, se são valores relativos a notas fiscais regularmente emitidas, deve a contribuinte comprovar a contabilização e a tributação da receita correspondente a tais notas fiscais de venda. A Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 existência de duplicatas denota que houve o faturamento, não podendo ser desconsiderado o crédito dele decorrente sem a comprovação de que a receita correspondente foi tributada”. Ora o art. 42 apenas dispõe sobre um meio de prova indireta da omissão de receita, sendo que o fato de a receita ter sido objeto de nota fiscal ou de duplicata não afasta a caracterização da omissão de receita, caso não provada a sua escrituração e o seu oferecimento a tributação, ônus que caberia a recorrente. Assim, se ingressos em conta bancária decorreram de descontos de títulos, caberia a recorrente provar que, de tais operações de desconto de títulos, decorreram ingressos em conta bancária em valor e data correspondente ao que visa comprovar e, além disso, que as receitas foram oferecidas a tributação. No presente caso, a recorrente sequer trouxe, aos autos, qualquer demonstrativo que visasse comprovar a vinculação de operações de desconto de títulos com ingressos ora discutidos e, muito menos, que tais ingressos foram oferecidos à tributação, razão pela qual também nego provimento ao recurso neste ponto. Em face do exposto, voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 16561.000183/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PARCELAMENTO. LEI 11.941/2009. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DO RECURSO.
A opção do contribuinte, devidamente consignada no processo, pelo parcelamento especial criado pela Lei 11.941/2009 acarreta, conforme a determinação constante no art. 5°, a confissão extrajudicial do débito e a conseqüente desistência de seu recurso.
Numero da decisão: 1301-001.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de voto negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário em virtude de expressa desistência. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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LEI 11.941/2009. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. A opção do contribuinte, devidamente consignada no processo, pelo parcelamento especial criado pela Lei 11.941/2009 acarreta, conforme a determinação constante no art. 5°, a confissão extrajudicial do débito e a conseqüente desistência de seu recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de voto negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário em virtude de expressa desistência. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 83 /2 00 7- 22 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Relatório Em síntese o relatório do necessário para decidir. A autuação decorreu de fiscalização empreendida junta a empresa acima identificada com a finalidade de se verificar a observância da legislação relativa a Preços de Transferência no que diz respeito às suas exportações efetuadas no período de 01/01/2002 a 31/12/2005. Do arbitramento O artigo 19 da Lei n° 9.430/96 (artigo 14 da IN SRF n° 243/2002) determina que estão sujeitas ao controle de preços de transferência as exportações cujo valor não alcance o limite de 90% do respectivo preço de venda no mercado interno. Do cálculo do preço praticado e do preço parâmetro nas exportações o artigo 16 da IN SRF n° 243/2002 considera que o preço médio será apurado em função das quantidades transacionadas. Dos métodos para apuração do preço parâmetro Nas exportações sujeitas ao controle de preços de transferência, o preço parâmetro a ser utilizado na comparação com o preço praticado poderá ser calculado por um dos métodos previstos no artigo 19, § 3o , da Lei n° 9.430/96: PVEx (Preço de Venda nas Exportações); PVA (Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro); PVV (Preço de Venda a Varejo no País de Destino, Diminuído do Lucro) e CAP (Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro). Da metodologia Os itens importados no período foram objeto de análise pela fiscalização por amostragem, com os limites estabelecidos pelos dados informados pela contribuinte, apresentados nas respectivas tabelas de banco de dados, certificadas digitalmente. Ou seja, a fiscalização se pautou exclusivamente, para a realização dos cálculos, nas informações prestadas pela contribuinte, que, mediante a assinatura de Termo de Certificação Digital, atestou sua veracidade e validade jurídica, de modo conclusivo. De acordo com os dados fornecidos pela contribuinte, a fiscalização apurou os preçosparâmetro de todos os itens não dispensados pelo critério da margem de 90% conforme art. 19 da Lei n° 9.430/96 e artigo 14 da IN SRF n° 243/2002) pelo método CAP, conforme disposto no artigo 26 da referida IN SRF n° 243/2002. Todas as planilhas, demonstrativos, cálculos e dados utilizados para a apuração dos ajustes acima constam dos anexos do presente Termo, e são parte integrante deste e do respectivo Auto de Infração. Em todos os cálculos foi utilizado arredondamento para 2 casas decimais. Dos lançamentos Fl. 566DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16561.000183/200722 Acórdão n.º 1301001.447 S1C3T1 Fl. 12 3 Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao ano calendário de 2002: IRPJ no valor de R$ 2.919.693,91 e CSLL no valor de R$ 1.051.089,77, incluídos multa de 75% e juros de mora, com ciência em 21/12/2007. IMPUGNAÇÃO, alega: DA DECADÊNCIA A impugnante apura e recolhe o IRPJ e a CSLL de acordo com o regime de lucro real anual (apurado em bases mensais). Ou seja, nos meses em que há pagamentos, estes são efetuados em bases mensais. E se há pagamentos mensais de tributos ao longo do período base, é evidente que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorrem mensalmente. Tanto isso é verdade que, caso o contribuinte não realize os recolhimentos mensais por estimativa, a fiscalização exige a multa isolada e também eventuais diferenças dos tributos, não sendo permitido ao contribuinte sustentar que o fato gerador do IRPJ e da CSLL só ocorre em 31 de dezembro do respectivo ano calendário. Assim, temse que a presente autuação somente poderia se referir a fatos geradores ocorridos a partir de 21/12/2002 (5 anos antes da lavratura do Auto de Infração), não podendo atingir operações realizadas antes desse período. Destaquese que, por serem o IRPJ e a CSLL tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e por não ter havido falta de pagamento desses tributos, a contagem do prazo decadencial, no presente caso, deve se pautar no disposto no artigo 150, § 4o., e não no artigo 173, inciso I, do CTN. DA COMPROVAÇÃO DAS REGRAS DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DOCUMENTOS DE EXPORTAÇÃO O artigo 35 da IN SRF n° 243/2002 prevê que o contribuinte pode comprovar a adequação às regras de preços de transferência com os próprios documentos da operação de exportação realizada se, no ano em que foram realizadas tais exportações para pessoas vinculadas, ficar comprovado que foi obtido lucro líquido, antes da provisão do IRPJ e da CSLL, em valor equivalente a, no mínimo, 5% das receitas. No caso em questão, verificase na planilha de resultados da contribuinte (doc. n° 04, fl. 413) que o total de receitas de exportação para pessoas vinculadas em 2002 foi de R$ 333.180.848,87, e o lucro líquido apurado ao final do período foi de R$ 45.671.951,43, que equivale a 13,71% desse total. Em vista disso, a impugnante solicita, preliminarmente, que todas as suas operações de exportação sejam consideradas válidas, com base nos próprios documentos de exportação apresentados à fiscalização, e que o Auto de Infração seja cancelado de plano. DO MÉRITO COLOCAÇÃO DA QUESTÃO Em resumo, a autuação deve ser cancelada pelos seguintes motivos: Fl. 567DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 1. no que diz respeito à soja, não devem ser aplicadas as normas de preços de transferência, uma vez que: a) a contribuinte é mera intermediária na exportação; e b) as operação foram analisadas no âmbito da Louis Dreyfus Commodities S.A. ("LDC"); 2. no caso do óleo essencial de laranja, existem ajustes que devem ser feitos, na medida em que a fiscalização considerou 2 tipos de produtos distintos no cálculo do preço médio de exportação; e 3. quanto ao suco de lima ácida, ao aroma de laranja em fase aquosa e ao terpeno de laranja, não pode a fiscalização arbitrar um preço de exportação para produto derivado de commodity negociada no mercado internacional, que sofre interferência de inúmeros fatores ambientais e políticos. A seguir, discorre sobre cada um dos produtos contestados pela fiscalização. DA MULTA E DOS JUROS A multa aplicada é abusiva e confiscatória, em total confronto com o artigo 150, inciso, IV, da CF/88, devendo ser reduzida. Quanto aos juros de mora, a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários, uma vez que não foi criada por lei para esse fim, conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/SPO I ), decidiu a matéria por meio do Acórdão, 1622.818, de 15/09/2009, (fls. 432 e ss), considerando procedente em parte a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA. IRPJ Ano calendário: 2002 DECADÊNCIA. RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA. Em caso de apuração anual do imposto, considerase ocorrido o fato gerador no encerramento do ano calendário, em 31 de dezembro. A partir dessa data, e não da data dos recolhimentos antecipados, tem início a contagem do prazo decadencial. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. SALVAGUARDA. ("SAFE HARBOUR"). A pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido, antes da provisão da CSLL e do imposto de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nessas exportações, no mesmo período, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. Condição não satisfeita pela contribuinte. EXPORTAÇÃO DE SOJA. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. MÉTODO CAP. Quando a exportação é intermediada por empresa na condição de comercial exportadora, o valor de aquisição pode ser considerado o próprio preço parâmetro segundo o método CAP (Custo de Aquisição ou de Produção mais Fl. 568DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16561.000183/200722 Acórdão n.º 1301001.447 S1C3T1 Fl. 13 5 Tributos e Lucro), sem novo acréscimo da margem de lucro de 15%. Exigência exonerada. EXPORTAÇÃO DE ÓLEO ESSENCIAL DE LARANJA. MÉTODO CAP. Constatado equívoco na apuração, pela fiscalização, dos ajustes de preço de transferência na exportação do óleo essencial de laranja, exonerase parcialmente a exigência. EXPORTAÇÃO DE COMMODITIES (SUCO DE LIMA ÁCIDA, AROMA DE LARANJA EM FASE AQUOSA E TERPENO DE LARANJA). MÉTODO CAP. Inexistindo impedimento legal para a adoção do método CAP para o cálculo dos ajustes relativos a commodities (suco de lima ácida, aroma de laranja em fase aquosa e terpeno de laranja), mantémse a exigência. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício e o cálculo dos juros de mora taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. É o relatório. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas De início assinale que a autoridade julgadora de primeiro grau, manteve parcialmente os lançamentos, exonerando a exigência fiscal decorrente dos ajustes realizados pela fiscalização em relação as exportações do Produto Soja e, parcialmente, do Óleo Essencial de Laranja, pelo que recorre de ofício. O valor do crédito exonerado supera o limite que sujeita a decisão à revisão necessária. Em sendo assim, cabe analisar em primeiro plano o Recurso de Ofício. Neste particular tomo de empréstimo a síntese constante da bem fundamentada decisão recorrida. PRODUTO SOJA: Conforme planilhas de fls. 215, 325 e 415/419, a contribuinte adquiriu da Louis Dreyfus Commodities S.A. 24.916.000 Kg de soja, as quais foram totalmente exportadas para Nethgrain B.V. Esse fato, corroborado pelas notas fiscais de fls. 420/425, comprovam a condição de empresa comercial exportadora da contribuinte, com relação a essas operações. Assim, há que se aplicar o disposto no § 4 o do artigo 26 da IN SRF n° 243/2002, adotando, como preçoparâmetro segundo o método CAP o próprio valor de aquisição, ou seja, R$ 0,395268923 (fl. 325), a ser comparado com o preço médio de exportação, de R$ 0,392634148 (fl. 325), resultando num ajuste unitário de R$ 0,002634775. Considerando, no entanto, que o preçoparâmetro e o preço praticado da exportação, divergem em menos de 5%, inexiste ajuste a ser efetuado, nos termos do artigo 38 da IN SRF n° 243/2002, in verbis: Art. 38. Será considerada satisfatória a comprovação, nas operações com empresas vinculadas, quando o preço ajustado, a ser utilizado como parâmetro, divirja, em até cinco por cento, para mais ou para menos, daquele constante dos documentos de importação ou exportação. Parágrafo único. Nessa hipótese, nenhum ajuste será exigido da empresa na apuração do imposto de renda, e na base de cálculo da CSLL. Dessa forma, há que se excluir da tributação o ajuste apurado pela fiscalização com relação à exportação de soja. PRODUTO ÓLEO ESSENCIAL DE LARANJA: Fl. 570DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16561.000183/200722 Acórdão n.º 1301001.447 S1C3T1 Fl. 14 7 Com relação ao óleo essencial de laranja, alega a impugnante que a fiscalização considerou 2 tipos de produtos distintos no cálculo do preço médio de exportação: óleo especial de laranja e terpeno de laranja na fase oleosa. Ao analisarmos as planilhas relativas ao cálculo do preço médio praticado na exportação (fls. 217/219) e do preçoparâmetro segundo o método CAP (fls. 329/333), observamos que, de fato, a fiscalização considerou, indevidamente, o conjunto de 2 tipos de produtos distintos (observese inclusive, que a planilha de fls. 217/219 referese a "33011290 ORANGE OIL E VARIANTES"), ao passo que a legislação de preços de transferência determina a apuração de ajustes produto a produto. De acordo com os demonstrativos e planilhas apresentados, as informações relativas a apenas o terpeno de laranja na fase oleosa restam validados os cálculos apresentados pela impugnante no demonstrativo de fl. 375. Dessa forma, com relação ao óleo essencial de laranja, há que alterar o ajuste a título de preço de transferência, de1 R$ 3.305.906,92, para R$ 2.341.907,47, conforme cálculos acima efetuados.” Não faço reparos, pois, à decisão recorrida e nego provimento ao Recurso de Ofício, o qual se relaciona ao item “Ajuste do preço de transferência do produto Soja”, exoneração total e, item “Produto de Óleo Essencial de Laranja’, exoneração parcial. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. No entanto, a apreciação de mérito da questão encontrase prejudicada, visto que a interessada protocolizou em 25/07/2011, pedido de desistência do recurso dirigido ao Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (doc. de fls. 502 e ss), no qual informa que incluiu o débito ora em discussão no programa de parcelamento de débitos tributários instituído pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009, dentro do prazo especificado no artigo 1o., inciso IV, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 2, de 03/02/2011. Aduzindo mais que “Assim sendo, em atenção ao que dispõe a Lei n° 11.941/2009 e o artigo 13 da mesma Portaria n° 2/11, a Requerente manifesta a desistência do Recurso Voluntário interposto no presente processo administrativo, assim como renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se funda o referido recurso. Ao final, a Requerente requer seja arquivado o presente processo.” Por pertinente transcrevo os artigos 9o. e 13 da Portaria Conjunta (RFB/PGFN) 2, de 2011, bem como o art. 78 da Portaria (MF) 256, de 2009 que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 9º Para a consolidação de modalidade de parcelamento ou de pagamento à vista com a utilização de crédito decorrente de Prejuízo Fiscal ou de Base de Cálculo Negativa de CSLL, nos períodos de que trata o art. 1º, o sujeito passivo deverá indicar: I os débitos a serem parcelados ou aqueles que foram pagos à vista; (...) Fl. 571DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 § 2º A indicação dos débitos de que trata o inciso I do caput deverá ser efetuada por intermédio dos sítios da RFB ou da PGFN na Internet nos endereços mencionados no § 2º do art. 1º, ainda que o sujeito passivo tenha anteriormente prestado esta informação perante unidade da RFB ou da PGFN ou em razão do cumprimento do disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 3, de 29 de abril de 2010, e, sendo o caso, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 11, de 24 de junho de 2010. (...) Art. 13. O prazo para desistência de impugnação ou de recurso administrativos ou de ação judicial de que tratam o caput e o § 1º do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009, ficam reabertos até o último dia útil do mês subsequente à ciência do deferimento da respectiva modalidade de parcelamento ou da conclusão da consolidação de que trata o art. 28 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009. § 1º O sujeito passivo deverá selecionar débito com exigibilidade suspensa no momento em que prestar as informações necessárias à consolidação de cada modalidade, ainda que a desistência e a renúncia de que trata o caput sejam: I formalizadas pelo sujeito passivo após a apresentação das informações necessárias à consolidação; ou II analisadas e acatadas pelo órgão ou autoridade competente, administrativo ou judicial, em momento posterior à apresentação das informações necessárias à consolidação. Portaria MF,. 256, de 2009: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. (...) § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Como visto, trata os autos do presente processo de apreciação de recurso de Ofício e Recurso Voluntário, restando, no caso, verificar quais são os débitos discutidos e que foram indicados pela recorrente quando da sua opção ou consolidação do parcelamento de que trata a Lei 11.941/2009 (total ou parcial), haja vista o disposto no § 3º do art. 78 do RICARF acima. Nesse passo, os autos do presente processo foram baixado em diligência (Resolução 1301000.043, em sessão de 31/01/2012), nos seguintes termos: Fl. 572DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16561.000183/200722 Acórdão n.º 1301001.447 S1C3T1 Fl. 15 9 Neste sentido, em homenagem ao princípio da verdade real, voto por converter o julgamento em diligencia para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição da contribuinte junte aos autos documentação relativo ao pedido do parcelamento em apreço, discriminando com relação aos crédito tributários exigidos nestes autos, quais parcelas foram objeto de sua opção ou consolidação, principalmente, no sentido de elucidar se a desistência fora total ou parcial, visto não restar claro na petição apresentada. Após tal providência deverá ser lavrado relatório consubstanciado com a finalidade de dar ciência à interessada para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo no prazo adequado. A seguir, retornem os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para conclusão do seu julgamento. Pois bem. Retorna os autos, após diligencia efetuada, da qual reproduzo o relatório. “Da análise Consta as folhas 514/522, o pedido de desistência do Recurso Voluntário interposto pela empresa e protocolado nesse órgão, para ingresso no parcelamento da Lei 11.941/2009. O crédito tributário em questão foi apartado de acordo com o valor mantido em julgamento(DRJ) e transferido para o processo nº 18208.086328/201113(extrato de folhas 547/550). Consta as folhas 551/552, o Extrato da consta PAEX – Consulta Consolidação do Optante na modalidade LEI 11.941/2009 – RFBDEMAISART 1, o processo nº 18208086328/201113, cujos débitos correspondem ao crédito tributário mantido objeto do recurso voluntário (IRPJ, valor original R$ 722.523,33, multa de oficio R$ 541.892,49; e CSLL, principal R$ 260.108,40 e multa de oficio R$ 195.081,30). Face ao exposto, ficou demonstrado quais débitos e valores que foram incluídos no regime de parcelamento da Lei 11.941/2009, em relação ao crédito tributário exigido neste processo. Cientifico a empresa interessada desse relatório, para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo, no prazo de 15 (quinze) dias.” Através do seu procurador a interessada se manifesta, simplesmente, requerendo seja confirmado o cancelamento da exigência de IRPJ e CSL relacionada às operações soja e óleo essencial de laranja, com o posterior arquivamento dos autos do presente processo. De fato, a Lei 11.941/2009 trouxe vários benefícios para o adimplemento de débitos por parte dos sujeitos passivos, mas, também, trouxe série de obrigações, como a desistência dos recursos administrativos interpostos, com a respectiva confissão (art. 5o. ). Lei 11.941/2009: Art. 5º A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Fl. 573DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. Assim, confirmado nos autos de que houve confissão do débito objeto do lançamento de ofício e mantido na decisão de primeira instância, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO por expressa desistência e, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 574DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10814.006071/2005-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/09/2000
REGIME AUTOMOTIVO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL NO MOMENTO DO DESEMBARAÇO.
Definido que ao benefício em discussão se aplica a disposição do art. 60 da Lei 9.069/95, cumulativamente à norma específica do regime, mostra-se cabível a exigência de nova CND a cada desembaraço aduaneiro, em nada se opondo esse entendimento àquele oriundo do STJ, aplicável, este último, apenas ao drawback.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyasaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/09/2000 REGIME AUTOMOTIVO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL NO MOMENTO DO DESEMBARAÇO. Definido que ao benefício em discussão se aplica a disposição do art. 60 da Lei 9.069/95, cumulativamente à norma específica do regime, mostrase cabível a exigência de nova CND a cada desembaraço aduaneiro, em nada se opondo esse entendimento àquele oriundo do STJ, aplicável, este último, apenas ao drawback. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyasaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 60 71 /2 00 5- 18 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório Tratase de recurso especial apresentado pelo sujeito passivo, onde postula a restituição de imposto de importação que teria pago a maior em razão de não ter utilizado da redução do imposto, prevista no Regime automotivo da Lei 10.182/2001. O pleito do sujeito passivo foi negado sob o argumento de que, para fruição do benefício fiscal previsto na Lei nº 10.182/2001, a certidão de regularidade fiscal apresentada pela contribuinte perante a SECEX/MIDCT, quando do pedido de habilitação ao benefício deveria ter sido apresentada perante à Secretaria da Receita Federal, quando da solicitação da fruição do benefício para o qual a contribuinte se habilitara previamente junto à SECEX. O argumento para se indeferir a restituição pleiteada foi no sentido de que a Certidão Negativa de Débitos CND deveria ser apresentada por ocasião do registro de cada Declaração de Importação. A recorrente defende que a regularidade fiscal deve ser exigida, apenas e tão somente, na data da concessão do benefício, devendo ser afasta a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do despacho aduaneiro das mercadorias importadas. O especial do sujeito passivo foi admitido pelo Presidente da Câmara a quo, no tocante à questão do momento em que se deve exigir a apresentação da CND para fruição do benefício acima aludido. Regularmente intimada, a PGFN apresentou contrarrazões, onde defende a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão trazida a debate versa sobre o momento em que se deve exigir a certidão de regularidade fiscal para fruição da redução tarifária trazida no Regime Automotivo previsto na Lei nº 10.182/2001. De um lado, o sujeito passivo defende que a certidão negativa de débito deve ser apresentada, apenas, por ocasião do pleito do benefício, ou seja, no momento da concessão do benefício fiscal perante a SECEX/MIDCT, enquanto a Fazenda Nacional exige que tal comprovação seja feita a cada despacho aduaneiro das mercadorias importadas ao abrigo desse regime. A meu sentir, razão não assiste à recorrente, pois a prova da regularidade fiscal deve ser feita no momento da fruição do benefício, que se dá a cada importação da mercadoria com a redução do imposto. É nesse momento que se deve provar a regularidade fiscal exigida por lei. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10814.006071/200518 Acórdão n.º 9303002.820 CSRFT3 Fl. 350 3 Essa matéria foi muito bem enfrentada pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a quem rendo as devidas homenagens e peço licença para transcrever excerto de seu voto como fundamento desta decisão. Cumpre iniciar sua análise pela delimitação da questão posta a debate. Resumese ela ao momento em que deve ser apresentada a prova da regularidade fiscal de que trata o art. 60 da Lei 9.069/95. Já está assentado, portanto, que ela se aplica à hipótese aqui discutida – regime automotivo de que cuida a Lei 10.182/2001 – e que essa regularidade se há de demonstrar por meio de certidão negativa de débito (CND). Essa conclusão se impõe quando se vê que a própria decisão aceita como demonstradora da divergência não as rejeitou, apenas estendeu ao benefício aqui discutido – regime automotivo – a conclusão do ministro Fux válida para o drawback. Em outras palavras, no entender da Câmara paradigmática, sempre que se tratar de aplicação do art. 60 da Lei 9.069, a exigência de CND tem de ser única: ou ela é exigida no momento da “concessão” ou no do reconhecimento. Assim, equiparando a figura da habilitação prevista explicitamente na Lei 10.182 à da expedição do ato concessório que se realiza no âmbito do drawback, a Câmara entendeu que, uma vez exigida a CND na habilitação, não cabe exigila de novo, tal qual, segundo o STJ, não cabe fazêlo quando se trata de drawback. Ocorre que os dois institutos, embora benefícios fiscais ambos, não são, a meu ver, equivalentes. De fato, pelo menos duas diferenças são significativas. A primeira, e mais relevante, é que a exigência de comprovação de regularidade fiscal não consta nas disposições da legislação aduaneira atinentes ao drawback (Decreto lei no 37, de 1966, art. 78, e Lei no 8.402, de 1992, art. 1o, inciso I) mesmo com o “disciplinamento” que lhes dão as normas dos diversos regulamentos aduaneiros baixados, a exemplo dos arts. 335 a 355 do Decreto 4543. No drawback, portanto, toda a exigência se encontra lastreada exclusivamente na própria Lei 9.069/95, que é posterior ao ato legal que instituiu o regime. Nesses termos, a extensão realizada na decisão paradigma somente se poderia efetuar validamente se o regime automotivo, de modo semelhante ao regime aduaneiro especial em causa, não contivesse em sua legislação a exigência. Completamente diversa é, no entanto, a situação do Regime Automotivo: a própria lei que o instituiu – art. 6º, I da Lei 10.182 – já exigiu a “comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais”, aqui equiparada à exibição de CND (ponto sobre o qual também não se instaurou a divergência). Isso é, aliás, reconhecido pela própria recorrente. Ou seja, de um lado se tem um regime aduaneiro especial para cuja validade somente era originalmente exigida, grosso modo, a comprovação da efetiva exportação de certa quantidade de produtos, e ao qual se passou a aplicar adicionalmente a exigência genericamente prevista na Lei 9.069, e, do outro, um regime que, desde o seu nascedouro, já contém tal exigência de forma explícita. Notese que se trata de legislação posterior à Lei 9.069 e específica para o benefício. A segunda diferença é que no drawback se tem, desde o ato concessório, claramente definidos os parâmetros em que a suspensão, isenção ou restituição se dará, cabendo tãosomente ao interessado, após obter tal ato, exportar a quantidade compromissada – modalidade suspensão. Nas duas outras modalidades, tudo já é provado no primeiro momento, isto é, a importação, com pagamento de tributo, de quantidade equivalente àquela objeto da isenção ou da restituição postulada. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 De se notar que, mesmo assim, a decisão do sr. Ministro Fux não chegou ao ponto de afirmar que seria dispensada a CND para novos requerimentos do mesmo contribuinte. Ou seja, da decisão proferida o que se extrai – ao menos é o que extraio eu – é a dispensa da exigência de nova CND no momento do desembaraço da quantidade cuja importação com isenção ou suspensão previamente fora deferida; novos pedidos requererão nova CND. A aplicação “analógica” desse entendimento, portanto, levaria, a meu sentir, à conclusão oposta à que chegou a câmara paradigmática: a cada importação, no caso do regime automotivo, nova CND há de ser exigida, pois é aí que se tem de fato a concessão ou o reconhecimento para uma dada quantidade e qualidade de mercadoria a ser importada. E essa conclusão se vê reforçada pelo entendimento, já não mais objeto de controvérsia, de que a ele se aplica o art. 60 da Lei 9.069, em adição ou complemento à Lei 10.182, ainda que seja esta última específica do regime e posterior àquela e somente preveja a comprovação da regularidade no momento da habilitação. Por isso é que entendo que somente acatando a pretensão da empresa de que a Lei 9.069 não se aplica ao benefício em causa se poderia cogitar da dispensa da exigência debatida. Pacificada a questão, ao seu recurso especial há de ser negado provimento. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 387DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000522/2002-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/01/1996 a 30/01/1999
COFINS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA EM CONFORMIDADE AO ART. 173, I DO CTN. INAPLICABILIDADE DO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, §4º DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 62-A DO NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009).
O direito de a fiscalização constituir o crédito tributário referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido declarados mas não pagos decai, conforme o julgamento do STJ do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do exercício seguinte ao fato gerador, em consonância ao que dispõe o artigo 173, I do CTN. Afasta-se, portanto, a decadência reconhecida pelo acórdão a quo no que tange aos fatos geradores ocorridos entre 30/03/1996 e 30/03/1997, tendo em vista que a ciência do auto de infração pelo contribuinte se deu em 26/03/2002.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.872
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/01/1996 a 30/01/1999 COFINS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA EM CONFORMIDADE AO ART. 173, I DO CTN. INAPLICABILIDADE DO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, §4º DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 62-A DO NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). O direito de a fiscalização constituir o crédito tributário referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido declarados mas não pagos decai, conforme o julgamento do STJ do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do exercício seguinte ao fato gerador, em consonância ao que dispõe o artigo 173, I do CTN. Afasta-se, portanto, a decadência reconhecida pelo acórdão a quo no que tange aos fatos geradores ocorridos entre 30/03/1996 e 30/03/1997, tendo em vista que a ciência do auto de infração pelo contribuinte se deu em 26/03/2002. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/01/1996 a 30/01/1999 COFINS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA EM CONFORMIDADE AO ART. 173, I DO CTN. INAPLICABILIDADE DO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, §4º DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 62A DO NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). O direito de a fiscalização constituir o crédito tributário referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido declarados mas não pagos decai, conforme o julgamento do STJ do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do exercício seguinte ao fato gerador, em consonância ao que dispõe o artigo 173, I do CTN. Afastase, portanto, a decadência reconhecida pelo acórdão a quo no que tange aos fatos geradores ocorridos entre 30/03/1996 e 30/03/1997, tendo em vista que a ciência do auto de infração pelo contribuinte se deu em 26/03/2002. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 05 22 /2 00 2- 38 Fl. 746DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por NANCI GAMA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de n.º 20313.397, proferido pela Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, (i) deu provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a preliminar de decadência do direito da fiscalização constituir créditos tributários de COFINS relativos aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1996 e março de 1997, tendo em vista que a ciência do lançamento pelo contribuinte apenas ocorreu em 26/03/2002. Considerou, para tanto, o prazo decadencial o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN e não o de 10 (dez) anos previsto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o qual foi declarado inconstitucional por meio da Súmula Vinculante nº 8 do STF; e (i) negoulhe provimento quanto ao mérito, entendendo ser cabível a incidência da COFINS sobre as receitas oriundas da locação de imóveis eis que estas estariam englobadas no conceito de “serviços de qualquer natureza” a que o artigo 2º da Lei Complementar 70/91 faz referência, conforme ementa a seguir: “COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DO CTN. LEI COMPLEMENTAR. Para à Cofins, corroborado pela Súmula Vinculante n° 08/STF, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4 o do CTN, afastandose a incidência do art. 45 da Lei n° 8212/91 por esta se tratar de lei ordinária, sendo a decadência matéria reservada a lei complementar por força do art. 146, III, b da Constituição Federal. INCIDÊNCIA SOBRE LOCAÇÃO DE IMÓVEIS. A receita decorrente da locação de imóveis próprios revestese da natureza de venda de serviços de "qualquer natureza", nos termos que dispõe o art. 2º da Lei Complementar n° 70/91, desta forma sobre ela incide a Cofins. Recurso provido em parte.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, no qual suscitou que acórdãos utilizados como paradigmas teriam entendido que não havendo pagamento antecipado do tributo por parte do contribuinte, o prazo decadencial de 5 (cinco) Fl. 747DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por NANCI GAMA Processo nº 13808.000522/200238 Acórdão n.º 9303001.872 CSRFT3 Fl. 747 3 anos a ser observado deveria ser aquele previsto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional e não aquele previsto no artigo 150, §4º desse mesmo Código, devendo a sua contagem ter como termo inicial o primeiro dia útil do exercício seguinte ao fato gerador. Assim, a Fazenda Nacional requereu que apenas as exigências relativas aos fatos geradores ocorridos em 30/01/1996 e em 28/02/1996 fossem atingidas pela decadência, devendo todas as outras serem mantidas. Em despacho de fls. 515/516, o i. Auditor Fiscal da Receita Federal opinou pelo seguimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, tendo o i. Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF aprovado aludido despacho às fls. 517. Regularmente intimado do teor do acórdão, bem como do recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e do seu respectivo despacho de admissibilidade, o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 554/561, requerendo fosse negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional, de forma que fosse mantida a decisão a quo no que tange à decadência, bem como interpôs recurso especial de divergência para solicitar reforma do acórdão a quo no que tange à matéria relativa à incidência da COFINS sobre as receitas oriundas de locação de imóveis, embasandose, para tanto, no entendimento esposado no acórdão de nº 20212.363, o qual foi utilizado como paradigma. Em despacho de fls. 659, com anexo às fls. 660/666, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF entendeu por negar seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, tendo em vista que o acórdão utilizado como paradigma em aludido recurso, qual seja, o de nº 20212.363, foi reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, não servindo, portanto, como paradigma apto a ensejar a interposição de recurso especial conforme disposição expressa do artigo 67, §10º do Regimento Interno do CARF. Em despacho de fls. 571 o i. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou o despacho de fls. 566, mantendo integralmente o seu teor no sentido de negar seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Regularmente intimado de aludidos despachos, o contribuinte apresentou a petição de fls. 628/629 na qual informou já ter protocolado, em 30/11/2009, momento anterior ao próprio exame de admissibilidade, o qual foi proferido em 19/08/2010, pedido de desistência de seu recurso especial para fins de adesão ao parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço do recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, eis que tempestivo e, a meu ver, restaramse presentes todos os requisitos de admissibilidade previstos no Regimento Interno. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por NANCI GAMA 4 Conforme se depreende do relatório, a controvérsia aduzida nos presentes autos consiste na estipulação do termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos em casos que o contribuinte tenha deixado de realizar pagamento antecipado do tributo exigido. Para tanto, cingese o presente em definir se é cabível a aplicação do artigo 150, §4 do CTN ou a aplicação do artigo 173, I desse mesmo Código. A controvérsia é relevante nos presentes autos para os fatos geradores compreendidos entre 30/03/1996 e 30/03/1997, tendo em vista que a ciência da autuação pelo contribuinte se deu em 26/03/2002. Quanto aos fatos geradores ocorridos em 30/01/1996 e em 28/02/1996, o reconhecimento da decadência relativa às exigências concernentes aos mesmos já fez coisa julgada, tendo em vista que independentemente de se considerar o artigo 150, §4º ou o artigo 173, I, ambos do CTN, as mesmas estarão abrangidas pela decadência. Em que pese o meu entendimento pessoal sobre a matéria in casu, não posso deixar de aplicar, em respeito ao disposto no artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF, que prevê que este Conselho deve reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, a decisão proferida no recurso especial representativo de controvérsia, REsp nº 973.733, o qual considerou certas regras para a aplicação dos dispositivos do CTN referentes à decadência, conforme trecho de referido acórdão a seguir transcrito: “(...) 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210).” 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 749DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por NANCI GAMA Processo nº 13808.000522/200238 Acórdão n.º 9303001.872 CSRFT3 Fl. 748 5 previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou Fl. 750DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por NANCI GAMA 6 simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória.(...)” (g.n.) Dessa forma, considerando que o presente caso se enquadra na regra (i), eis que a COFINS se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, e, também, que não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, conforme atestam as fls. 335/338 do auto de infração, cabe a aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 173, I do CTN em detrimento ao prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo150, §4º, do CTN, cabendo o termo inicial de aludido prazo ser dado no primeiro dia útil do exercício seguinte ao fato gerador. Face ao exposto, conheço do recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento para afastar a decadência do direito da fiscalização constituir os valores de COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos entre 30/03/1996 e 30/03/1997, tendo em vista que a ciência do lançamento pelo contribuinte se deu em 26/03/2002 e que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos se deu no exercício seguinte aos mesmos, conforme determina o artigo 173, I do CTN. Nanci Gama Fl. 751DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por NANCI GAMA
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002383/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
EMBARGOS. ERRO MATERIAL.
Cabem embargos para corrigir inexatidões materiais devidas a lapso manifesto.
PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1).
Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes
Numero da decisão: 2801-003.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e retificar o Acórdão nº Acórdão nº 2801-003.180, de 17/09/2013, com efeitos infringentes, para não conhecer do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 EMBARGOS. ERRO MATERIAL. Cabem embargos para corrigir inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1). Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1780; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 914 1 913 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.002383/200917 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2801003.553 – 1ª Turma Especial Sessão de 15 de maio de 2014 Matéria IRPF Embargante MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Interessado JOSÉ LUIZ PADILHA DAMILANO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 EMBARGOS. ERRO MATERIAL. Cabem embargos para corrigir inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1). Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e retificar o Acórdão nº Acórdão nº 2801003.180, de 17/09/2013, com efeitos infringentes, para não conhecer do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 23 83 /2 00 9- 17 Fl. 914DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.002383/200917 Acórdão n.º 2801003.553 S2TE01 Fl. 915 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por intermédio do Acórdão nº 2801003.180 (fls. 875/893 deste processo digital), de 17/09/2013, este colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo ora Embargado. Após o julgamento, a Secretaria da Segunda Seção emitiu o Despacho de Encaminhamento de fl. 895, para que a DRF de origem cientificasse o sujeito passivo e tomasse as demais providências cabíveis. Ato contínuo, a DRF de origem fez juntar aos autos os documentos de fls. 898/910, dando conta de que o Interessado havia ajuizado ação perante o Poder Judiciário com o mesmo objeto deste processo administrativo, após a lavratura do Auto de Infração e antes do julgamento de segunda instância administrativa. A solicitação de juntada dos documentos foi solicitada anteriormente ao julgamento do recurso voluntário. Por intermédio do recurso de fls. 912/913 os presentes embargos foram admitidos pela Presidente desta Turma de Julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Os documentos anexados aos autos em fls. 898/910 evidenciam que, anteriormente ao julgamento do recurso voluntário apresentado pelo ora Embargado, já tramitava, no Poder Judiciário, ação com o mesmo objeto do presente processo administrativo, o que significa dizer que o Interessado já havia renunciado à via administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF nº 1, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nesse contexto, voto por retificar o Acórdão nº 2801003.180, de 17/09/2013, no sentido de não conhecer do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 915DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.002383/200917 Acórdão n.º 2801003.553 S2TE01 Fl. 916 3 Fl. 916DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 13971.002216/2008-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1995
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. IN/SRF 21/1997
Consoante determinava o artigo 14 da IN/SRF 21/1997, quando de sua vigência, a utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada mediante pedido de restituição ou de ressarcimento ao qual deve ser anexado uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação.
PRAZO PARA A COMPENSAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
O prazo para realizar a compensação de valores reconhecidos por meio de decisões judiciais transitadas em julgado, a teor do art. 165, inc. III c/c o art. 168, inc. I, do CTN, é de cinco anos, a contar da data do trânsito em julgado da decisão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl e Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1995 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. IN/SRF 21/1997 Consoante determinava o artigo 14 da IN/SRF 21/1997, quando de sua vigência, a utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada mediante pedido de restituição ou de ressarcimento ao qual deve ser anexado uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. PRAZO PARA A COMPENSAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. O prazo para realizar a compensação de valores reconhecidos por meio de decisões judiciais transitadas em julgado, a teor do art. 165, inc. III c/c o art. 168, inc. I, do CTN, é de cinco anos, a contar da data do trânsito em julgado da decisão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 22 16 /2 00 8- 30 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por PAULO SERGIO CELANI 2 (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl e Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de Florianópolis: Trata o presente processo de Declarações de Compensação eletrônicas – DCOMP, mediante a qual a contribuinte requer a compensação de débitos tributários com créditos de Finsocial, cujo direito foi reconhecido no Mandado de Segurança nº 91.00.057290. Na análise da solicitação, a autoridade fiscal relata que fezconsulta processual nos sítios do TRF da 4ª Região e STF a fim de reconstituir o histórico da discussão judicial decorrente da impetração do citado Mandado de Segurança pela contribuinte. Como a decisão judicial transitou em julgado em 06 de junho de 1995 e a contribuinte somente apresentou as DCOMP em 13 de agosto de 2003, concluiu a DRF/Blumenau que já havia transcorrido o prazo legal de cinco anos para a contribuinte pleitear a restituição, o que resultou na não homologação das compensações. A autoridade fiscal informa, ainda, que juntou aos autos cópia das DCTF,relativas a fatos geradores ocorridos em 1999, apresentadas intempestivamente, em que a interessada confessa débitos de Cofins, os quais foram compensados por meio das DCOMP apresentadas. Inconformada com a não homologação das compensações, a contribuinte alega que, em 28 de agosto de 2003 apresentou as DCTF referentes ao segundo e terceiro trimestres do ano calendário 1999, nas quais informa as compensações efetuadas com o crédito tributário originado da ação judicial que lhe deu provimento. A contribuinte argumenta que a afirmação da autoridade fiscal de que já havia transcorrido cinco anos do trânsito em julgado, quando solicitou as compensações é inverídica. Explica que os débitos compensados referemse às competências de maio, junho e julho de 1999, portanto, dentro do prazo legal. A interessada defende que a entrega da DCTF é uma mera informação e que a Instrução Normativa nº 21/1997, vigente à época dos fatos geradores, determinava que os créditos decorrentes de pagamento indevido poderiam ser utilizados, mediante Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13971.002216/200830 Acórdão n.º 3801003.139 S3TE01 Fl. 12 3 compensação, independente de requerimento. Explica que somente apresentou DCOMP porque o programa gerador da DCTF, apresentada intempestivamente, solicitava o número da DCOMP. Por fim, a contribuinte alega que o Superior Tribunal de Justiça adotou o entendimento segundo o qual, para as hipótese de devolução de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a prescrição do direito de pleitear a restituição ocorre após expirado o prazo de cinco anos contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita, ou seja, dez anos. Ao analisar o problema apresentado, a DRJ de Florianópolis ponderou que a Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, veio a disciplinar a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, onde estabelecia, em seu artigo 26, § 10, que o sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo. E que posteriormente, foi editada a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, que mantêm o prazo de cinco anos para ingressar com o pedido de compensação, quando o contribuinte não apresentou pedido de restituição ou ressarcimento anteriormente no prazo legal. Aduz ainda que essa mesma orientação encontrase vigente atualmente, disciplinada na IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Conclui, assim, que o sujeito passivo que obtém decisão judicial transitada em julgado, reconhecendo créditos em seu favor, tem o prazo de cinco anos contados do trânsito em julgado da decisão para utilizar administrativamente esses créditos, mediante compensação, restituição ou ressarcimento. E que se o crédito que se pretende utilizar na Declaração de Compensação não tiver sido objeto de pedido de restituição formalizado antes do prazo de cincos anos, contados da data do trânsito em julgado de decisão judicial, não pode ser ele utilizado para fins de compensação. Asseverou que não consta dos autos qualquer informação acerca de pedido de restituição solicitado pela contribuinte no prazo de cinco anos contados do trânsito em julgado da decisão judicial, ou seja, até 04 de março de 2001. Desta forma, ao apresentar a DCOMP, em 15 de agosto de 2003, já havia decaído o direito da contribuinte em pleitear compensação. Desta forma, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Indignado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que a DRJ de Florianópolis embasou sua decisão nas orientações contidas nas Instruções Normativas de no. 460/2004, 600/2005 e 900/2008, todas posteriores ao momento em que as compensações foram realizadas, quando vigia a Instrução Normativa no. 21/97. Alega que a IN SRF 21/1997 dispunha, em seu artigo 14, que os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, independentemente de requerimento. E que a exigência para a apresentação de Declaração de Fl. 214DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por PAULO SERGIO CELANI 4 Compensação somente passou a existir com a introdução no texto da IN/SRF 210/2001 do parágrafo 6o. do art. 21, através da IN/SRF 323, de 24/04/2003. Prossegue reforçando todos os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso é tempestivo e atende a todos os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Pois bem. Alega a Recorrente ter procedido à compensação dos créditos reconhecidos judicialmente em 1995, no ano de 1999, quando vigente a IN/SRF no. 21/97, a qual dispunha que a compensação poderia ser realizada independentemente de qualquer requerimento. Sendo assim, incabível falar em prescrição do seu direito de aproveitamento do crédito tributário reconhecido em decisão transitada em julgado. E que gerou as Dcomps em 2003 apenas para cumprir formalidade requerida pelo Programa Gerador de DCTF, tendo em vista que as compensações perpetradas em 1999 somente foram declaradas em DCTF em 2003, de forma intempestiva, é claro, o que a levou inclusive ao pagamento de multa. Ocorre que muito embora o artigo 14 da Instrução Normativa no. 21 previsse que os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, poderiam ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica independentemente de requerimento; fato é também que esse mesmo instrumento normativo previu, em seu § 6º, que a utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. Transcrevase, assim, o mencionado artigo 17: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13971.002216/200830 Acórdão n.º 3801003.139 S3TE01 Fl. 13 5 Da leitura do citado dispositivo, inferese que o Recorrente deveria, sim, à época da alegada compensação, nos idos de 1999, formalizála com um Pedido de Restituição, ao qual deveria ser anexado o inteiro teor do processo a que se referia o crédito compensado, determinando, assim, sua compensação. Esse requisito era, sim, indispensável para fins de formalização da compensação. E, por todo o exposto pela própria Recorrente, não observado à ocasião. Pelo que, via de conseqüência, não há como admitir que tal compensação ocorreu em 1999. Por outro lado, é de se investigar se a compensação, mesmo que realizada em 2003, seria tempestiva, considerando que os créditos a ela atinentes remetem à decisão transitada em julgado em 1996. Ocorre que o prazo para realizar a compensação de valores reconhecidos por meio de decisões judiciais transitadas em julgado, a teor do art. 165, inc. III c/c o art. 168, inc. I, do CTN, é de cinco anos. Transcrevase: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados: I – na hipótese dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Portanto, dispõe o contribuinte de cinco anos para iniciar a compensação, contados do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito ao crédito. Nesse passo, como a decisão judicial transitou em julgado em 6 de junho de 1995, teria o Recorrente até 6 de junho de 2000 para começar a compensar os créditos tributários reconhecidos judicialmente. Como o pedido de habilitação dos créditos o qual interrompe o prazo prescricional foi protocolado em 2003, esta incorreu em prescrição do seu direito de compensar os créditos tributários. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por PAULO SERGIO CELANI 6 Não há que se alegar que, à época em que efetuou a compensação, ou seja, em agosto de 2003, prevalecia o entendimento do Superior Tribunal de Justiça segundo o qual, para as hipótese de devolução de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a prescrição do direito de pleitear a restituição ocorre após expirado o prazo de cinco anos contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita, ou seja, dez anos. Isso porque o direito de pleitear a restituição dos valores indevidamente pagos a título de Finsocial fora exercido pela Recorrente, via ação mandamental por este impetrada, que veio, justamente, assegurarlhe o direito ao crédito. Quando da impetração do mandado de segurança, poderia, sim, o Recorrente, ter pleiteado o seu direito líquido e certo de reaver os valores indevidamente pagos a título de Finsocial no decêndio que antecedeu a sua propositura. Tendo sido proferida a decisão judicial que lhe garantiu esse direito, e tendo essa decisão transitado em julgado, passou o Recorrente a ter o prazo de 5 anos para executála, o que não foi feito. Por essas razões, julgo improcedente o Recurso Voluntário, mantendose, assim, a decisão que não homologou a compensação. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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