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Numero do processo: 13819.900273/2012-25
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2004
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESTINADO À COMPROVAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO. A verdade material não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. O dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Assim, a diligência não é instrumento de inversão do ônus da prova de suposto indébito tributário, não podendo ser utilizada para suprir ação omissiva de sujeito passivo que, mesmo ciente de sua necessidade, não apresenta a documentação necessária à comprovação do direito creditório que alega em seu favor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 73 /2 01 2- 25 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 40/43 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2009 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo relata a instância recorrida, a lide decorre da não homologação de Declaração de Compensação – DCOMP mediante a qual o sujeito vislumbrava o reconhecimento de direito creditório por conta de aduzido pagamento a maior de COFINS, no valor de R$ 1.705,99, referente ao mês de nov/2004, em vista da suposta venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, uma vez que o pagamento apontado como origem do direito fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900273/201225 Acórdão n.º 3802003.627 S3TE02 Fl. 133 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus – ZFM. Por seu turno, a DRJ recorrida, muito embora tenha reconhecido que as alíquotas do PIS e da COFINS foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, ressaltou que a reclamante não procedeu à retificação das respectivas DCTF e DACON e não junta aos autos a comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas para a ZFM [...] na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Registrese que a empresa não apresentou sequer notas fiscais que comprovem tais operações. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 25/10/2013 (fls. 45). Inconformada, a mesma apresentou, em 26/11/2013, o recurso voluntário de fls. 47/52, onde ressalta haver juntado aos autos a DCTF retificadora, “ou seja, a documentação contábil e fiscal capaz de comprovar a inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas a Zona Franca de Manaus”. Assevera, ainda, o sujeito passivo, que a questão probatória suscitada pela autoridade julgadora, com fulcro nos amplos poderes instrutórios conferidos pelos princípios da oficialidade e da verdade material, deveria ensejar a conversão do julgamento em diligência para que se permitisse a ora recorrente juntar as provas comprobatórias de seu reclamado direito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 25/10/2013 (fls. 45). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 26/11/2013, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Mesmo ciente de que a negativa de homologação da compensação decorreu da não retificação da DCTF e da DACON, e ainda, pelo fato de não haver juntado aos autos documentação contábilfiscal comprobatória do aduzido equívoco, comparece novamente aos autos apresentando, unicamente, DCTF retificada ulteriormente, contudo, desguarnecida do necessário lastro probatório indispensável à comprovação dos dados nela consignados. Com efeito, não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação, como o presente, a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem até ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado pela primeira instância. Neste comenos, como já ressaltado, a primeira instância de julgamento ressaltou a necessidade de apresentação de “documentação contábilfiscal” comprobatória do direito reclamado. Agora, comparece a recorrente novamente aos autos trazendo unicamente a DCTF retificadora do período desacompanhada de qualquer documentação que alicerce as informações nela contidas, situação que impossibilita sejam acatadas as informações ali declaradas. De fato, é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor e é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito, impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Efetivamente, a verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito por falta de apresentação probatória suficiente, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 16 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900273/201225 Acórdão n.º 3802003.627 S3TE02 Fl. 134 5 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10480.002455/2003-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2012
IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETO-LEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO
Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decreto-lei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64.
Numero da decisão: 3201-001.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Tatiana Midori Migiyama e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO- Redator designado.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Mara Cristina Sifuentes, Tatiana Midori Migiyama e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2012 IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETO-LEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decreto-lei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2247; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 364 1 363 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.002455/200319 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.639 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente INTERNACIONAL GRÁFICA E DITORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2012 IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Tatiana Midori Migiyama e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 24 55 /2 00 3- 19 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Mara Cristina Sifuentes, Tatiana Midori Migiyama e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de IPI cumulado com pedido de compensação, relativo ao período compreendido entre 01/07/2002 a 31/07/2002, com fulcro no art.11 da Lei n. 9779/99. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O estabelecimento acima identificado formalizou pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, decorrente de insumos empregados na industrialização de produtos tributados pela alíquota zero, com base no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, relativo ao período de 01/07/2002 a 31/12/2002, no valor de R$ 184.837,44, conforme pedido da fl. 01, cumulado com pedido de compensação, da fls. 88, 92, 96, 100 e 107. No Termo de Informação Fiscal, fls. 179 a 193, a fiscalização: (i) discorre sobre a apuração do valor do IPI relativo ao ressarcimento na sistemática prevista no art. 11, da Lei 9.779, de 1999 e quanto a escrituração fiscal do IPI para apuração do saldo credor acumulado prevista no art. 347 do RIPI/1998 e art. 371 RIPI/2002; (ii) faz análise detalhada dos produtos, reclassificados (rótulo, imagem adesiva, notas fiscais, pasta persona e mala direta) e, ao final, propõe: o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado pela contribuinte no valor de R$ 40.870,89; e homologação das compensações declaradas pela interessada, fls. 88, 92, 96, 100 e 107, até o limite do direito creditório reconhecido. A Delegacia da Receita Federal em Recife deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de crédito, no valor de R$ 40.870,89, e homologou parcialmente os pedidos de compensação, até o limite do crédito apurado, e determinou a cobrança dos débitos cujas compensações foram declaradas, mas não foram integralmente cobertos pelo crédito reconhecido. Cientificada da decisão em 08/03/2007, fl. 195, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de folhas 198 a 213, alegando, em síntese: Fl. 365DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 365 3 seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário enquanto pendente de julgamento a presente manifestação de inconformidade, tal como ordena o §11, da Lei n° 9.430, de 1996, com redação pela Lei n° 10.833, de 2003, ao enquadrar tal expediente no inciso III, do art. 151 do CTN. as notas fiscais e blocos estão enquadrados na posição 4820.40.00, pois outra opção não há senão subsumilos na tipificação "formulários contínuos com dizeres impressos". as pastas personalizadas possuíam classificação 4920.10.00 (atualmente esta subposição não existe mais), com alíquota de 0%, tratavase de "blocos de papel para cartas com dizeres impressos"; os envelopes, os que são impressos pela impugnante são sim "com dizeres impressos", isto é, timbrados, razão pela qual a subposição correta seria 4817.10.00, inexistindo qualquer incorreção também neste particular. requer produção de prova pericial para confirmar a classificação na TIPI correta para os produtos acima mencionados. Em atendimento ao inciso IV, do art. 16, do Dec. 70.235, de 1973, formula quesitos a serem submetidos à perícia, referentes a classificação e alíquota dos produtos: imagem adesiva, notas fiscais, pastas personalizadas e envelopes, nomeia a gerente administrativa, Sra. Sandra Gláucia Teixeira Bonifácio, CPF 004.987.34587, para assistir a impugnante na prova pericial. caso seja superado o fundamento de defesa anteriormente elencado, devese considerar outro fundamento que se sobrepõe à questão da classificação dos produtos na TIPI, pois se trata da não incidência do IPI sobre os produtos tributados no despacho decisório (valores conseqüentemente subtraídos do crédito requerido), frutos da prestação de serviço gráfico, submetido exclusivamente ao Imposto Sobre Serviço (ISS). o serviço gráfico encontrase arrolado no item 77 da lista de serviços anexa ao Decretolei n° 406, de 1968, logo, fica afastada a incidência de qualquer outro imposto, inclusive o IPI, conforme disciplinava o §1o, do art. 8o, do citado Decreto. Afirma que diante da caudalosa jurisprudência, o entendimento pela não incidência do IPI no caso em foco foi sedimentado nas súmulas 156 do STJ e 143 do TRF. Cita diversas decisões do STJ, e decisão do 2o Conselho de Contribuintes que corroboram com a tese de incidência isolado do ISS nos serviços gráficos. diz que os produtos foram industrializados a pedido dos seus clientes, sob encomenda, e que está sujeita isoladamente à incidência do ISS, afastada a incidência do IPI, inexiste valores a serem subtraídos do crédito submetido à homologação, em conformidade com o §1o, do art. 8o do Decretolei n° 406, de 1968. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 por fim, pede a homologação total do credito submetido a compensação neste processo, seja por: a) constatar a correta classificação na TIPI adotada pela impugnante e, conseqüentemente, inexistindo IPI a recolher nas cogitadas operações; b) constatar a não incidência pura do IPI sobre os produtos base da autuação, posto se tratar de produtos decorrentes da prestação de serviço gráfico, personalizados e sob encomenda, submetidos isoladamente ao ISS; e c) requer a produção de prova pericial. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: IPI. SERVIÇOS GRÁFICOS. ISS. Irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de que serviços prestados por contribuinte estão catalogados em lista anexa ao Decretolei n.° 406, de 31 de dezembro de 1968, visto que a hipótese de incidência do ISS não se confunde com a do IPI operação que se caracteriza dentre as modalidades de industrialização previstas nos Decretos n° 2.092, de 1996, n° 3.777, de 2001 e n.° 4.544, de 2002. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Dentre os produtos industrializados pela contribuinte, as notas fiscais classificamse no código 4820.9000, os blocos, no código 4820.1000, pasta personalizada, no código 4820.9000 e o Envelope, no código 4817.1000, com alíquota de 15%. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Constando nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. Solicitação Indeferida Na decisão ora recorrida entendeuse, em síntese, que a diligência era desnecessária, pois todos os elementos necessários à formação da convicção do julgador estariam reunidos neste processo e no auto de infração, processo n° 19647.001895/200715, que trata da mesma matéria e contém amostras dos respectivos produtos. Quanto ao mérito, sobre a incidência do IPI sobre os produtos originados da prestação de serviços de artes gráficas, tomou como questão prejudicial em relação ao tema da classificação fiscal, entendendose que na CF, de 1988, quando a obrigação de fazer, consistente na prestação do serviço, se consubstanciar numa operação de industrialização, deve ser a incidência concomitante do IPI e do ISS. Nesse contexto, afirmase na decisão recorrida que enunciado da Súmula 156 do STJ não pode ser aplicado ao caso concreto para afastar a incidência do IPI, pois os precedentes que embasam a interpretação veiculada no verbete referemse apenas ao conflito de competências no âmbito do ISS e ICMS. O mesmo raciocínio deve ser aplicado à Súmula 143 do extinto TFR, uma vez que publicada em 1984, sob a égide da CF, de 1969, onde existiam problemas de conflito de competência entre a União e os Municípios, nos âmbitos de incidência do IPI, do IOF e do ISS Fl. 367DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 366 5 Finalmente, afirma que só seria jurídico excluir a incidência do IPI se houvesse previsão expressa em lei excluindo do conceito de industrialização a atividade de artes gráficas, a exemplo do que ocorre com os casos elencados no art. 5o, do RIPI/98 exclusões ao conceito de industrializarão. Quanto à classificação fiscal, às fls. 179 a 193 verificouse que a maior parte dos produtos industrializados pela contribuinte estão sujeitos à alíquota zero do IPI, no entanto, haveria a falta de destaque do imposto em diversas notas fiscais de saídas contendo classificação fiscal com alíquota positiva, alterada posteriormente pela impugnante, após intimação, para classificação fiscal com alíquota zero, sob alegação de que houve erro de classificação para os referidos produtos Assim, na decisão recorrida, entendeuse que em relação a: Produto: nota fiscal de acordo com a decisão recorrida : A contribuinte indicou nas notas fiscais do período, para este produto, o código 4820.1000, com alíquota de 15%, entretanto não destacava o valor do IPI no documento fiscal, alegou durante a fiscalização que houve erro na classificação, e reclassificou para o código 4820.4000 (Ex 01) Formulários contínuos com dizeres impresso, com alíquota 0 (zero). A posição 4820 contém diversos produtos de papelaria (livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, cadernos, pastas para documentos, classificadores, capas para encadernação (de folhas soltas ou outras), capas de processo e outros artigos escolares, de escritório ou de papelaria, incluídos os formulários em blocos tipo "minifold", mesmo com folhas intercaladas de papel carbono (papel químico*), de papel ou cartão; álbuns para amostras ou para coleções e capas para livros, de papel ou cartão), com exclusão dos artigos para correspondência da posição 4817 (envelopes, aerogramas, bilhetespostais não ilustrados e cartões para correspondência, de papel ou cartão; caixas, sacos e semelhantes, de papel ou cartão, conte1* ^o um sortido de artigos para correspondência) e dos artigos referidos na Nota 10 do capítulo 48 (folhas e cartões não reunidos, cortados em formato próprio, mesmo impressos, estampados ou perfurados). A codificação 4820.4000 compreende os formulários em blocos tipo "manifold", mesmo com folhas intercaladas de papel carbono (papel químico*), sendo que no Ex 01 compreende os formulários contínuos, com dizeres impressos. Pelo exame da amostra anexada ao processo n° 19647.0018895/200715, auto de infração que trata da mesma matéria, e pelas informações reunidas nos autos, podemos constatar que não se aplica ao formulário em questão a classificação feita pela contribuinte, pois O mesmo não apresenta as características próprias dos formulários em blocos tipo "manifold" (são formulários constituídos por vários jogos e impressos de escritório fixados sobre papel autocopiante ou Fl. 368DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 contendo folhas de papelcarbono papel químico, conforme descrição da NESH) ou dos formulários contínuos, condições determinantes para a classificação do produto na referida codificação. Quanto ao produto em referência, tratase de formulários em papel, com campos impressos de caráter acessório e campos destinados a serem complementados à mão ou à máquina, que não são fabricados em papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono. Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que reclassificou o produto para o código 4820.9000 outros..., sem desdobramentos regionais, com alíquota de 15%, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/ RGI/SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decreto n° 2.092, de 1996, e Decreto 3.777, de 2001. Produto: blocos de acordo com a decisão recorrida : O estabelecimento emitia notas fiscais de saída do referido produto sem codificação fiscal, conforme planilha elaborada pela fiscalização, "Planilha Demonstrativa de Apuração do IPI", fls. 196 a 219. Em sua defesa a contribuinte diz que os "blocos" estão enquadrados na codificação 4820.4000. Pelas informações contidas nos autos, podemos constatar que não se aplica aos produtos em questão a classificação feita pela contribuinte, tendo em vista que os blocos não apresentam as características próprias dos formulários em blocos tipo "manifold" ou formulários contínuos, condições determinantes para a classificação do produto na referida codificação. Observase dos autos que se trata de formulários em papel com campos destinados a serem preenchidos à mão ou à máquina, que não são fabricados em papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono, conforme descrição constante da planilha elaborada pela fiscalização, fls. 196 a 219, (bloco para anotações 20x1 via III Workshop, blocos pedidos de venda regional NE 50x2, blocos de receituário, blocos 40x1 via 3o encontro de agentes, blocos relatórios de despesas, blocos slip contabilidade 02.01.035, blocos aut p/abastecimento 07.03.095 1, blocos 50x1 vias comanda restaurante, blocos de bilhetes campina da sorte, etc). Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que reclassificou o produto para o código 4820.1000 blocos de nota, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, com alíquota de 15%, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/ RGI/SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decreto n° 2.092, de 1996, e Decreto 3.777, de 2001. Produto: pastas personalizadas de acordo com a decisão recorrida : Fl. 369DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 367 7 A contribuinte indicou nas notas fiscais do período, para este produto, o código 4820.1000, com alíquota de 15%, entretanto não destacava o valor do IPI no documento fiscal, alegou durante a fiscalização que houve erro na classificação, e reclassificou o produto para o código 4920.1000, com alíquota 0 (zero). Posteriormente, afirma, na impugnação, que se trata de blocos de papel para cartas com dizeres impressos, e que esta subposição deixou de existir. Verificase, pelo exame da amostra anexada ao processo n° 19647.0018895/200715 e pelas informações constantes dos autos, que se trata de pasta personalizada, com impressão de caráter acessório, próprios para uso em escritório. Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que reclassificou o produto para o código 4820.9000 outros..., sem desdobramentos regionais, com alíquota de 15%, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/ RGI/SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decreto n° 2.092, de 1996, e Decreto 3.777, de 2001. Produto: envelope de acordo com a decisão recorrida : A contribuinte indicou nas notas fiscais do período, para este produto, o código 4817.1010, com alíquota de 5%, entretanto não destacava o valor do IPI no documento fiscal, alegou durante a fiscalização que houve erro na classificação, e reclassificou para o código 4817.1000 Formulários contínuos com dizeres impresso, com alíquota 0 (zero). A posição 4817 abrange os artefatos de papel ou cartão para correspondência (envelopes, aerogramas, bilhetes, etc..) e na subposição 4817.1000 envelopes, Ex 01 com dizeres impressos. Cabe salientar que não existe divergência quanto a posição e subposição de Io nível, apenas em relação a alíquota, cujo "ex 01" tarifário prevê alíquota 0 (zero). Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que classificou o produto que não tinha os "dizeres impressos", conforme Termo de Informação Fiscal, fl. 233, com o código 4817.1000 envelopes, com alíquota de 15%, sem desdobramentos regionais, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1 RGI /SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decretos n° 2.092, de 1996, e n° 3.777, de 2001. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade, atacando a desclassificação fiscal empregada pela fiscalização, e , defendendo que as alíquotas de IPI aplicada aos produtos por ela produzidos seriam: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 PRODUTO CLASSIFICAÇÃO CONFORME A RECORRENTE ALÍQUOTA Imagem Adesiva 4908.90.00 0% Notas Fiscais 4820.40.00 0% Pastas Personalizadas 4920.10.00 0% Envelope 4817.10.00 0% Assim, não haveria dúvidas que o exame da classificação fiscal demandaria a produção de prova pericial, sob pena de cerceamento do direito de defesa e vulneração ao inciso LV. do art. 5o da Carta da República, de maneira que requer a conversão do julgamento em diligência. Ademais, afirma o direito pleno ao crédito diante da não incidência do IPI sobre produtos tributados em decorrência da prestação de serviço gráfico, submetido exclusivamente ao Imposto Sobre Serviço (ISS), pois o elemento preponderante na operação é uma obrigação de fazer, da industrialização gráfica sob encomenda. Ainda, haveria a abrangência de cada um dos serviços elencados na lista do incidência do ISS, tais como composição gráfica, fotocomposição, clicheria, zincografia,litografia e fotolierafia. Assim, afastada estaria a incidência de qualquer outro imposto, inclusive o IPI, conforme disciplinava o §12, do art. 8o, do Decreto Lei n° 406/68, entendimento corroborado pelas Súmulas 156 do STJ e 143 do extinto TFR. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O litígio versa sobre pedido de ressarcimento de IPI, relativo ao período compreendido entre 01/07/2002 a 31/07/2002, decorrente de pagamento a maior do IPI, verificado em virtude de erros de classificação fiscal adotada pelo contribuinte para a imagem adesiva, pasta personalizada, envelope, notas fiscais. Inicialmente, como bem salientado na decisão recorrida, prejudicial ao julgamento da presente contenda, é decidir quanto à inclusão da operação em comento, no campo de incidência do IPI, uma vez que esta determinará o prosseguimento do julgamento ou não, quanto aos demais itens ventilados. Em consonância com a decisão recorrida, os bens originários dos serviços gráficos por encomenda, estariam sujeitos concomitantemente ao IPI e ao ISS, uma vez que sob a égide da Constituição Federal de 1988, não haveria vedação para tanto. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 368 9 Assim, fato incontroverso nos autos é que os serviços aqui referidos estão arrolados na lista de serviços, que à época dos fatos geradores, era veiculada pelo Decreto Lei n° 406/68, de sorte que não se contesta a incidência do imposto sobre serviços na hipótese. Ora, a afirmação veiculada na decisão recorrida ignora a rígida delimitação de competências tributárias, tão cautelosamente delineada na Carta Constitucional de 1988, sustentáculo de nossa estrutura federativa, cláusula pétrea constitucional. Cada um dos entes federativos detém competência para instituir e arrecadar os tributos incidente sobre fatos geradores prescritos e determinados nas regras de competência constitucional, com exclusividade. É certo que é infinita a riqueza da realidade fática, que muitas vezes pode levar o aplicador da norma a se defrontar com conflitos de competência, quando não fica claro para determinado fato gerador, qual a regramatriz de incidência que este se subsume, situações este de zona cinzenta. De acordo com a CF/88, compete aos Municípios instituir ISSQN sobre "serviços de qualquer natureza, não compreendidos no artigo 155, II, definidos em lei complementar" (CF, art. 156, III). Anexo ao Decreto Lei n° 406/68, havia a lista dos serviços objeto de incidência do imposto, de competência municipal, posteriormente, modificada pelo Decretolei nº 834, de 8 de setembro de 1969, e, ainda, pela Lei Complementar nº 56, de 15 de dezembro de 1987. Dispunha o Decretolei nº 406/68, no seu § 1º do art. 8º, que 'os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao imposto previsto neste artigo, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadoria', ao passo que na redação determinada pela LC nº 56, de 15 de dezembro de 1987, ressalva os casos em que a mercadoria fornecida com serviço fica sujeita ao ICMS. Nessa esteira, o Superior Tribunal de Justiça, no REsp 1092206 / SP, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, pela Primeira Seção, e sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o entendimento que para os serviços de composição gráfica, apenas incide o ISS, chancelando o disposto no verbete 156 desta Corte, como se depreende: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. DELIMITAÇÃO DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA ENTRE ESTADOS E MUNICÍPIOS. ICMS E ISSQN. CRITÉRIOS. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. SÚMULA 156 DO STJ. 1.Segundo decorre do sistema normativo específico (art. 155, II, § 2º, IX, b e 156, III da CF, art. 2º, IV, da LC 87/96 e art. 1º, §2º, da LC 116/03), a delimitação dos campos de competência tributária entre Estados e Municípios, relativamente à incidência de ICMS e de ISSQN, está submetida aos seguintes critérios: (a) sobre operações de circulação de mercadoria e sobre serviços de transporte interestadual e internacional e de comunicações incide ICMS; (b) sobre operações de prestação de serviços compreendidos na lista de que trata a LC 116/03 (que sucedeu Fl. 372DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 10 ao DL 406/68), incide ISSQN; e (c) sobre operações mistas, assim entendidas as que agregam mercadorias e serviços, incide o ISSQN sempre que o serviço agregado estiver compreendido na lista de que trata a LC 116/03 e incide ICMS sempre que o serviço agregado não estiver previsto na referida lista. 2. As operações de composição gráfica, como no caso de impressos personalizados e sob encomenda, são de natureza mista, sendo que os serviços a elas agregados estão incluídos na Lista Anexa ao DecretoLei 406/68 (item 77) e à LC 116/03 (item 13.05). Consequentemente, tais operações estão sujeitas à incidência de ISSQN (e não de ICMS), Confirmase o entendimento da Súmula 156/STJ: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes de ambas as Turmas da 1ª Seção. 3. Recurso especial provido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Mutatis mutandis, o mesmíssimo entendimento aplicase para as hipóteses de conflito de competência envolvendo o ISS e o IPI, para os serviços de composição gráfica, como já se manifestou, da mesma forma, o Superior Tribunal de Justiça, in verbis: RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 156/STJ. 1. A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, está sujeita apenas ao ISS, não se submetendo ao ICMS ou ao IPI. Precedentes. 2. Aplicação analógica da Súmula n. 156/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1308633 / SP, SEGUNDA TURMA, Ministro CASTRO MEIRA, DJe 01/10/2013) Assim, entendese que as operações realizadas no caso em tela, estão fora do campo de incidência do IPI, isto é, são produtos não tributados. A partir daí, outro campo de questionamentos se abre, qual seja, sobre a possibilidade de ressarcimento de créditos de IPI, no caso dos produtos não tributados. Sobre essa questão, da mesma forma, a jurisprudência, seja do Judiciário, seja a administrativa, da mesma forma, é assente. A aplicação do princípio da nãocumulatividade do IPI, pressupõe que o produto esteja no campo de incidência do IPI, não havendo o direito à manutenção dos créditos de IPI relativos às aquisições de insumos, pois referido princípio realizase nas situações em que há débitos na saída dos produtos. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 369 11 Assim, determina a Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Interessante observar que em outros processos administrativos, em que figura como parte a Recorrente decidiuse nesse sentido, como se verifica: Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA POR INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGENCIA. INEXISTÊNCIA. Poderá a autoridade julgadora denegar pedido de diligência ou perícia quando entendêlas desnecessária ou julgamento do mérito, sem que isto ocasione cerceamento de direito de defesa. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PREPONDERÂNCIA DOS SERVIÇOS. LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Nos casos em a atividade empresarial se constitui em uma obrigação de fazer, personalizada, para uso próprio do encomendante, o que prepondera é o serviço e não a indústria, e, como tal, está realizada a hipótese de incidência do ISS, que grava os serviços, e não há lugar para estar concomitantemente gravada pela incidência do IPI pelo fato de ter havido “transformação”, pois que esta, no caso, é da essência (atividade meio) do próprio serviço (atividade fim). IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. OPERAÇÃO DE SAÍDA NÃO TRIBUTADA. VEDAÇÃO À MANUTENÇÃO DOS CRÉDITOS. ARTS. 11, DA LEI Nº 9.779/99, 190, § 1º E 193, INC. I, “A” DO RIPI/02 (ARTS. 171 E 174 DO RIPI/98) E IN/SRF nº 33/99. Encontrandose fora do campo de incidência do IPI a saída do produto adquirido pela Recorrente, não há como se cogitar a aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI, cujo pressuposto é exatamente a efetiva incidência do tributo na saída do estabelecimento industrializador. Nesse sentido, a legislação em vigor expressamente veda a manutenção de créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, obrigando ainda ao estorno dos referidos créditos. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 3402002.024 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Classificação de Mercadorias Fl. 374DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 12 Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002 Ementa: CRÉDITO DE IPI.. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RESSARCIMENTO INDEVIDO. FATO GERADOR DO ISS. As operações de prestação de serviço a encomendante, ainda que realizadas por industrial, por não estarem no campo de incidência do IPI, não qualificam a aquisição para conferir o direito ao crédito. Indevido, portanto, o crédito escritural e a apuração do saldo credor para percepção dos créditos acumulados de IPI, nos termos do art. 11 da Lei 9.779/99. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO (Acórdão nº310100.713– 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Finalmente, em face do exposto, verificase que as demais questões ficam prejudicadas em virtude da prejudicial. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Verifico, inicialmente, diante das provas trazidas aos autos, que o procedimento de diligência solicitado é desnecessário, encontrandose o presente processo apto para julgamento. Esclareço ainda que concordo em relação a negar provimento ao recurso voluntário; minha divergência em relação ao voto da eminente relatora restringese aos fundamentos que motivaram o indeferimento do pleito. Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI cumulado com pedido de compensação, ao qual foi concedido apenas provimento parcial devido a não inclusão na base de cálculo do tributo de valores percebidos com a saída de produtos sujeitas à tributação. A questão inicial, e o motivo da discordância, referese a definir se as saídas de produtos decorrente de prestação de serviços gráficos por encomenda estariam sujeitas ao IPI. Sobre o tema já se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. 9303002265 – 3ª Turma, sessão de 9/5/13), em voto da lavra do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, o qual transcrevese abaixo: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 370 13 [...] Como relatado, a questão a ser dirimida é única: cabe IPI sobre atividade que conste na lista de serviços anexa ao Decretolei 406/68 e na Lei Complementar 116/2003? Entendo que sim. É que, a meu ver, ditas listas – e isso fica claro ao menos depois da promulgação da Carta Política de 1988 – destinamse exclusivamente a dirimir conflitos de competência entre os Estados e Municípios no que tange à incidência do ISS e do ICMS, dado que a Constituição expressamente impediu sua cumulação. Nada nela há, contudo, que impeça a cumulação de IPI com ISS, assim como não há para evitar que se tribute o IPI numa atividade já submetida ao ICMS. Essa consideração inicial já é suficiente para afastar a pretensão da recorrente de que se aplique hoje a Súmula 143 do extinto Tribunal Federal de Recursos: embora ela, de fato, mencione o IPI, foi editada na vigência da Carta anterior. Nela, como aliás reconhecido pelos renomados doutrinadores citados pela i. relatora que me antecedeu, havia dúvidas quanto à possibilidade de cumulação do IPI com o ISS. Realmente, faço coro com as abalizadas considerações expendidas pelas autoridades julgadoras de primeiro grau que peço vênia para transcrever: O que se debate nos autos consiste em saber se existe alguma incompatibilidade entre a incidência do IPI, do ISS e do ICMS numa operação econômica em que para se prestar um serviço é necessário industrializar um produto e entregar uma mercadoria, tal como se dá no caso do serviço de artes gráficas. Tendo em conta que o debate versa sobre competência tributária, a investigação deve principiar pela Constituição Federal, pois os âmbitos de incidência dos tributos estão predefinidos na Carta pelos respectivos arquétipos constitucionais. O art. 153 da CF/88 ao dizer que "...Compete à União instituir impostos sobre: ... IV produtos industrializados; "e que o IPI não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior;" revela que o critério material da hipótese de incidência tributária é a execução de uma operação de industrialização. Esta é também o critério quantitativo da regra matriz de incidência, porquanto, ao estabelecer que o IPI "...será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;" o dispositivo constitucional nada mais fez do que dizer que a base de cálculo do imposto é o valor de cada operação da qual resulte num produto industrializado. O art. 155 da CF/88, por seu turno, ao fixar a regramatriz de incidência do ICMS estabelece que "Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações Fl. 376DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 14 relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, (...)". Depreendese daí que o aspecto material da hipótese de incidência do imposto estadual é a realização de operações relativas à circulação de mercadorias ou sobre a prestação dos serviços indicados. O imposto não incide sobre a mercadoria e nem sobre a circulação, incide sobre operações relativas à circulação, ou seja, negócios jurídicos de natureza mercantil que importem a transferência de domínio sobre a mercadoria. Estas operações relativas à circulação de mercadorias, consubstanciando negócios jurídicos de natureza mercantil, encerram duas obrigações de dar (entregar a mercadoria e pagar o preço). Relativamente ao ISS, sua regramatriz insculpida no art. 156 da CF/88 estabelece que ".... Compete aos Municípios instituir impostos sobre: (...) III serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar."Ou seja, o imposto municipal incide sobre todos os serviços não inseridos na órbita de incidência do imposto estadual. (...) Conforme o termo de verificação, os clientes do autuado, ao encomendarem as etiquetas mediante o envio das especificações técnicas, estão em verdade encomendando uma prestação de serviço, consistente na execução personalizada de etiquetas impressas em suportes de plástico (art. 8° do DL n° 406/68). Para que a encomenda possa ser executada, o autuado é obrigado a adquirir insumos no mercado interno e a transformálos em um novo produto que, posteriormente, sairá do estabelecimento no momento da entrega ao cliente (arts. 4°, I e 32, II do RIPI/98). Finalmente, ao consumar a prestação do serviço, mediante a tradição da coisa e do recebimento do preço, promove a circulação de uma mercadoria (art. 2°, I, da LC n° 87/96). Inequívoco, portanto, que neste caso, a prestação de serviço (obrigação de fazer algo) não pode existir sem a execução de uma operação de industrialização, seguida da entrega de uma mercadoria (obrigação de dar). Logo, para poder prestar o serviço o autuado pratica os fatos geradores dos três impostos, IPI, ISS e ICMS, tudo dentro de uma mesma operação econômica. Resta verificar se existe alguma vedação constitucional para esta tríplice incidência tributária. A CF/69, quando tratava da competência dos Municípios para instituir impostos, excluía expressamente a competência municipal, diante de fatos sujeitos às competências da União e dos Estados, conforme se pode verificar em seu art. 25, verbis: Art 25 Compete aos Municípios decretar impostos sobre: ' I— (omissis); Fl. 377DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 371 15 II serviços de qualquer natureza não compreendidos na competência tributária da União ou dos Estados, definidos em lei complementar. Como na CF/88 esta exclusão de competência foi mantida apenas em relação ao ICMS (art. 156, III, da CF88), a conseqüência jurídica disto é que nos casos como no dos autos, quando a obrigação de fazer consistente na prestação do serviço se consubstanciar numa operação de industrialização, é perfeitamente possível a incidência do IPI e do ISS, á luz das respectivas regrasmatrizes de incidência fixadas na constituição vigente. Portanto, uma vez promulgada a Constituição vigente, tal cumulação só é expressamente impedida entre o ISS e o ICMS. Outra não é, a propósito, a razão para que a Súmula 156 do STJ, esta sim já editada na vigência da atual Carta Política, apenas faça referência ao ICMS, nenhuma menção havendo ao IPI. Nesse primeiro ponto, pois, não divirjo das decisões proferidas nos autos: não há Súmula oriunda de tribunal superior que indique a impossibilidade de cumulação pretendida. [...] Adotando o conteúdo da decisão acima transcrita como fundamento deste voto, manifestome pela incidência do IPI em relação a saída de produtos industrializados decorrente de prestação de serviços gráficos por encomenda. No tocante a segunda questão posta em julgamento, qual seja a falta de inclusão na base de cálculo do IPI de saídas tributadas, e que resultou no indeferimento dos créditos em litígio, resta definir a classificação fiscal adequada aos produtos nota fiscal, blocos, pastas personalizadas e envelope. Neste ponto, novamente se mostra correta a decisão recorrida, da qual extrai se o entendimento abaixo transcrito, ao qual se adota como fundamento do voto: Classificação Fiscal Segundo o Termo de Informação Fiscal, fls. 179 a 193 a maior parte dos produtos industrializados pela contribuinte estão sujeitos à alíquota zero do IPI, no entanto, observou a falta de destaque do imposto em diversas notas fiscais de saídas contendo classificação fiscal com alíquota positiva, alterada posteriormente pela impugnante, após intimação, para classificação fiscal com alíquota zero, sob alegação de que houve erro de classificação para os referidos produtos. Os produtos tributados pela fiscalização foram classificados com base na Tabela de Incidência do IPI TIPI/1996, aprovada pelo Dec. n° 2.092, de 1996, para os produtos saídos até 31/03/2001, e na TIPI/2001, aprovada pelo Dec. n° 3.777, de 2001, e por meio das Regras Gerais para Interpretação (RGI) e Regras Gerais Complementares (RGC) da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias/Sistema Harmonizado NBM/SH, substituída pela Fl. 378DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 16 Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, com utilização subsidiária das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), em acordo com os artigos do RIPI/98 e Resolução CBN n° 75, de 23 de agosto de 1988. Produto: nota fiscal A contribuinte indicou nas notas fiscais do período, para este produto, o código 4820.1000, com alíquota de 15%, entretanto não destacava o valor do IPI no documento fiscal, alegou durante a fiscalização que houve erro na classificação, e reclassificou para o código 4820.4000 (Ex 01) Formulários contínuos com dizeres impresso, com alíquota 0 (zero). A posição 4820 contém diversos produtos de papelaria (livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, cadernos, pastas para documentos, classificadores, capas para encadernação (de folhas soltas ou outras), capas de processo e outros artigos escolares, de escritório ou de papelaria, incluídos os formulários em blocos tipo "minifold", mesmo com folhas intercaladas de papel carbono (papel químico*), de papel ou cartão; álbuns para amostras ou para coleções e capas para livros, de papel ou cartão), com exclusão dos artigos para correspondência da posição 4817 (envelopes, aerogramas, bilhetespostais não ilustrados e cartões para correspondência, de papel ou cartão; caixas, sacos e semelhantes, de papel ou cartão, contem um sortido de artigos para correspondência) e dos artigos referidos na Nota 10 do capítulo 48 (folhas e cartões não reunidos, cortados em formato próprio, mesmo impressos, estampados ou perfurados). A codificação 4820.4000 compreende os formulários em blocos tipo "manifold", mesmo com folhas intercaladas de papel carbono (papel químico*), sendo que no Ex 01 compreende os formulários contínuos, com dizeres impressos. Pelo exame da amostra anexada ao processo n° 19647.0018895/200715, auto de infração que trata da mesma matéria, e pelas informações reunidas nos autos, podemos constatar que não se aplica ao formulário em questão a classificação feita pela contribuinte, pois o mesmo não apresenta as características próprias dos formulários em blocos tipo "manifold" (são formulários constituídos por vários jogos e impressos de escritório fixados sobre papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono — papel químico, conforme descrição da NESH) ou dos formulários contínuos, condições determinantes para a classificação do produto na referida codificação. Quanto ao produto em referência, tratase de formulários em papel, com campos impressos de caráter acessório e campos destinados a serem complementados à mão ou à máquina, que não são fabricados em papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 372 17 Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que reclassificou o produto para o código 4820.9000 outros..., sem desdobramentos regionais, com alíquota de 15%, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/ RGI/SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decreto n° 2.092, de 1996, e Decreto 3.777, de 2001. Produto: Blocos O estabelecimento emitia notas fiscais de saída do referido produto sem codificação fiscal, conforme planilha elaborada pela fiscalização, "Planilha Demonstrativa de Apuração do IPI", fls. 196 a 219. Em sua defesa a contribuinte diz que os "blocos" estão enquadrados na codificação 4820.4000. Pelas informações contidas nos autos, podemos constatar que não se aplica aos produtos em questão a classificação feita pela contribuinte, tendo em vista que os blocos não apresentam as características próprias dos formulários em blocos tipo "manifold" ou formulários contínuos, condições determinantes para a classificação do produto na referida codificação. Observase dos autos que se trata de formulários em papel com campos destinados a serem preenchidos à mão ou à máquina, que não são fabricados em papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono, conforme descrição constante da planilha elaborada pela fiscalização, fls. 196 a 219, (bloco para anotações 20x1 via III Workshop, blocos pedidos de venda regional NE 50x2, blocos de receituário, blocos 40x1 via 3o encontro de agentes, blocos relatórios de despesas, blocos slip contabilidade 02.01.035, blocos aut. p/abastecimento 07.03.095 1, blocos 50x1 vias comanda restaurante, blocos de bilhetes campina da sorte, etc). Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que reclassificou o produto para o código 4820.1000 blocos de nota, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, com alíquota de 15%, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/ RGI/SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decreto n° 2.092, de 1996, e Decreto 3.777, de 2001. Produto: pastas personalizadas A contribuinte indicou nas notas fiscais do período, para este produto, o código 4820.1000, com alíquota de 15%, entretanto não destacava o valor do IPI no documento fiscal, alegou durante a fiscalização que houve erro na classificação, e reclassificou o produto para o código 4920.1000, com alíquota 0 (zero). Posteriormente, afirma, na impugnação, que se trata de blocos de papel para cartas com dizeres impressos, e que esta subposição deixou de existir. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 18 Verificase, pelo exame da amostra anexada ao processo n° 19647.0018895/200715 e pelas informações constantes dos autos, que se trata de pasta personalizada, com impressão de caráter acessório, próprios para uso em escritório. Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que reclassificou o produto para o código 4820.9000 outros..., sem desdobramentos regionais, com alíquota de 15%, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/ RGI/SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decreto n° 2.092, de 1996, e Decreto 3.777, de 2001. Produto: envelope A contribuinte indicou nas notas fiscais do período, para este produto, o código 4817.1010, com alíquota de 5%, entretanto não destacava o valor do IPI no documento fiscal, alegou durante a fiscalização que houve erro na classificação, e reclassificou para o código 4817.1000 Formulários contínuos com dizeres impresso, com alíquota 0 (zero). A posição 4817 abrange os artefatos de papel ou cartão para correspondência (envelopes, aerogramas, bilhetes, e t c . ) e na subposição 4817.1000 envelopes, Ex 01 – com dizeres impressos. Cabe salientar que não existe divergência quanto a posição e subposição de Io nível, apenas em relação a alíquota, cujo "ex 01" tarifário prevê alíquota 0 (zero). Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que classificou o produto que não tinha os "dizeres impressos", conforme Termo de Informação Fiscal, fl. 233, com o código 4817.1000 envelopes, com alíquota de 15%, sem desdobramentos regionais, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1 RGI /SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decretos n° 2.092, de 1996, e n° 3.777, de 2001. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto – Redator designado Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10380.003656/2005-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Exercício: 2002, 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Numero da decisão: 3101-001.081
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário e declinar da competência para a apreciação das matérias em favor da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2002, 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário e declinar da competência para a apreciação das matérias em favor da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tarásio Campelo Borges Presidente Substituto Corintho Oliveira Machado Relator Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de Auto de Infração da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 06/14), lavrado contra o contribuinte, acima identificado, relativo aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, exigindolhe o crédito tributário no valor total de R$ 1.630.213,52, incluindo encargos legais, conforme discriminação constante em campo próprio da referida peça impositiva (fls. 06). 2. Referida exigência originouse em função de ter sido detectada, conforme Auto de Infração do PIS, a seguinte irregularidade, cujo teor da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal aplicados à matéria, transcrevese abaixo: 2.1 – PIS/Faturamento – Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago (Verificações Obrigatórias) 2.1.1 durante o procedimento de verificações obrigatórias constatouse que o contribuinte deixou de recolher ou recolheu a menor os valores relativos ao PIS, bem como não apresentou as DCTFs de todos os períodos com as informações corretas dos débitos concernentes à referida contribuição, referente aos períodos de apuração dos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004; 2.1.2 adotouse para efeito de tributação no anocalendário de 2004 os dados constantes das Guias de Informação Mensal do ICMS, uma vez que no citado período em função de o contribuinte não ter apresentado os livros contábeis e/ou fiscais que justificasse a tributação do IRPJ pelo Lucro Real, bem como não ter efetuado a opção pelo Lucro Presumido, o que ensejou inclusive para o IRPJ a tributação, via lançamento de ofício, pelo Lucro Arbitrado, conforme julgamento proferido no processo nº 10380.003654/200534, sendo então utilizado os valores constantes nas citadas GIMs para efeito de cálculo do PIS no citado anocalendário; 2.1.3 – ressaltese que as bases de cálculo apuradas do PIS nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, encontramse discriminados, conforme assinalado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, c/c os Demonstrativos de Apuração da Contribuição, da Multa e Juros de Mora, bem como os Demonstrativos de Composição da Base de Cálculo, Apuração do Débito e de Situação Fiscal Apurada, partes integrantes do instrumento de autuação (fls. 07/23); Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10380.003656/200523 Acórdão n.º 310101.081 S3C1T1 Fl. 1.025 3 2.1.4 Enquadramento Legal: art. 149 da Lei nº 5.172/66; arts. 1º e 3ºda Lei Complementar nº 07/70; art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17/73; título 5, Capítulo 1, Seção 1, alínea “b”, itens I e II, do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela PortariaMF nº 142/82; arts. 2º, inciso I, 8º, inciso I, e 9º, da Lei nº 9.715/98; arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, c/c os arts. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 23, 59 e 63 do Decreto nº 4.524/2002 (fls. 08 e 10); 2.1.5 Sobre a contribuição decorrente da infração acima qualificada, aplicouse a multa de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do art. 86, § 1º da Lei nº 7.450/85; art. 2º da Lei nº 7.683/88, c/c o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 (fls. 14); 3. Inconformado com a exigência, das qual tomou ciência em 17/05/2005 (AR, V. I, fls. 210), o contribuinte ingressou em 13/06/2005 (V. II, fls. 215/229), com impugnação contra o lançamento. Alega, em síntese, que: 3.1 chegou à conclusão que o Auto de Infração por não refletir a verdade dos fatos é totalmente incabível e imprestável, uma vez que a autoridade autuante agiu açodadamente, sem o mínimo de interesse em perquirir a verdade dos fatos e, talvez pelo simples fato de a impugnante se encontrar com suas obrigações fiscais para com o Fisco Federal rigorosamente em dia, sendo esta a maneira mais simples, fácil e hedionda, dado ao apego exclusivo à lei do menor esforço em constituir o crédito tributário a favor da Fazenda Nacional, totalmente inexistente e irreal, ao arrepio da lei; 3.2 assim, apresenta suas razões de defesa, respaldada na documentação que ora anexa, requerendo Impugnação Total do Auto de Infração, tempestivamente, conforme consta da ciência aposta no AR em 17/05/2005, dentro dos 30 (trinta) dias regulamentares, portanto; 3.3 o Auto de Infração se encontra eivado de erros e/ou enganos, sendo, pois, uma peça imprestável para o fim proposto, considerando que a Autoridade fiscal responsável pelo procedimento jamais pôs os pés no estabelecimento da impugnante, somente mantendo contato com a empresa e seus representantes legais através do telefone, procedendo, portanto ao arrepio das normas legais que regulamentam a espécie, arbitrando valores totalmente inadequados como oníricas vendas/faturamento da empresa para calcular quantias exorbitantes e estratosféricas de que seriam as parcelas do PIS/Faturamento, por motivos totalmente inverídicos e infundados, ou por puro desconhecimento, o que é mais provável; 3.4 aduz, nesse sentido, sobre a dificuldade financeira que está enfrentando e a forma de sua atividade (indústria de plástico), esclarecendo que recebe o material de seus clientes e executa apenas a etapa de transformar a matériaprima recebida em material acabado (embalagens plásticas/sacarias), percebendo Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 como contraprestação (faturamento/vendas), apenas o valor dessa etapa final industrial. Assevera que, recebe dos clientes a matériaprima (materiais plásticos – polipropileno e outros aglutinadores), industrializa e devolve, através de Notas Fiscais, não de vendas, mas de simples remessa, sem destaque de qualquer tributo como prevê a legislação aplicável, o produto de propriedade de terceiros, e não de propriedade da autuada, portanto, não podendo jamais se confundir com venda ou faturamento, sendo apenas destacado o valor comercial da mercadoria, nos termos da legislação estadual aplicável à espécie; 3.5 simplesmente é inaceitável a afirmação do Auditor Fiscal autuante na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que o lançamento fora decorrente do fato de ter verificado “Diferença apurada entre o valor escriturado e o Declarado/Pago de PIS/FATURAMENTO, referentes aos períodos de 3º Trimestres de 2002, 2003 e 2004” , bem assim por não ter declarado em DCTF os valores dos débitos correspondentes, porquanto lhe foram entregues tão logo solicitado todas as DCTFs relativas aos períodos em fiscalização, cumprindo sua solicitação rigorosamente em dia, conforme fotocópias da totalidade dessa exigência legal, que nesse ato anexa ao processo (Doc. II, Volume I) Além disso, querer que os valores de sua imaginação que foram listados nas GIMs que não dizem respeito a faturamento e/ou venda da impugnante, fossem também adicionados como de sua propriedade, é querer o impossível, assevera; 3.6 discorda, também, da afirmação do Auditor Fiscal autuante, de que a impugnante não teria apresentado as bases de cálculo da referida contribuição, uma vez que a prova inconteste do pronto atendimento dessa exigência se encontra contida na cópia dos seguintes documentos que junta ao processo (Doc. III, Vol. I), a saber: a) fotocópia da Declaração oficial fornecida pela empresa na data de 17/01/2005, em atendimento, dentre outras, da solicitação da autoridade fiscal relacionado com os Demonstrativos das bases de Cálculos do PIS e da COFINS; e b) fotocópia do protocolo de Documentos e Livros Contábeis da autuada, que em seu item 4, confirma a entrega dos Demonstrativos das bases de Cálculo do PIS e da COFINS, firmada sob protocolo do AFRF, Dr. Sérgio Siqueira, que assim autorizou o seu recebimento por via telefônica; 3.7 nesse sentido, tendo prestado tais informações e entregue os livros contábeis e fiscais solicitados, discorda do procedimento adotado pela Fiscalização ao utilizar como base de cálculo do PIS/Faturamento os valores constantes das GIMs fornecidas pelo Fisco Estadual, sem ao menos ler os dados nelas contidos, lançando o que seriam pretensas receitas brutas mensais da empresa, adotando, todavia, os valores apenas das saídas mensais de mercadorias constantes das GIMs prontamente informados pelo contribuinte ao Fisco estadual, não refletindo, assim, a realidade dos fatos, já que prontamente sempre atendeu às solicitações do Fisco quanto às intimações para entrega de livros e demais documentos, o que para a impugnante caracterizase um verdadeiro absurdo; Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10380.003656/200523 Acórdão n.º 310101.081 S3C1T1 Fl. 1.026 5 3.8 – tendo entregue os livros fiscais solicitados e os blocos de notas fiscais e, diante da afirmação da autoridade fiscal de que não mais lhe interessaria ver ou analisar tais documentos, bastando para tanto que fossem efetuados pela empresa demonstrativos das vendas (Doc. IV, Vol. I) retratando a apuração dos impostos e contribuições federais no período, elaborou os seguintes demonstrativos/quadros: a) quadro do faturamento real da empresa (vendas de produtos e serviços, incluindo venda de imobilizado) e bases de cálculo para apuração e valores de recolhimentos de Cofins e PIS, demonstrados mês a mês; b) demonstrativos de apuração do IRPJ e da CSLL, por trimestre; e c) relatório do demonstrativo das vendas, cálculo dos impostos, demonstrativo de apuração do ICMS e do IPI e o demonstrativo para pagamentos dos impostos e contribuições. 3.9 ora, partindose do pressuposto de que tais demonstrativos são a expressão da verdade, discorda da afirmação da autoridade fiscal de que tais demonstrativos estariam incompletos, pois querer que a empresa demonstrasse como venda ou faturamento a totalidade dos valores representativos das saídas de mercadorias de seu estabelecimento, a conta e ordem de terceiros, que não são de sua propriedade, é de todo inacreditável, pois jamais poderia se coadunar os valores das mercadorias que tiveram simples saídas de seu estabelecimento com aqueles de suas vendas e/ou faturamento. Além disso, assevera, se os referidos documentos, foram assinados pela empresa, não seria motivo para a pretensa desconsideração dos mesmos como meio de prova; 3.10 ademais, com base nos livros e documentos fiscais entregues, o servidor autuante simplesmente “arrastou”, pelo total, sem se importar do que se referiam, a totalidade das saídas de mercadorias do estabelecimento da autuada, constante dos livros Fiscais e Contábeis, afirmando corresponder, tais valores, à totalidade listada nas Guias de Informação do ICMS (GIMs), sem, todavia, excluir, como é obrigatório e lógico, todas as “remessas e/ou retorno de mercadorias” ou “operações de remessas de mercadorias por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem, além de todas as saídas nos códigos 6.902, 6.903, 6.909, entre outros que discrimina, que não representariam venda e, portanto, deveriam ser excluídas do conceito de venda ou faturamento (fls. 224); 3.11 assim, para melhor visualização dos argumentos que ora expõe, encaminha em anexo (Doc. V, Vol. I), as identificações legais dessa codificação, que obrigatoriamente são expressas nas respectivas Notas Fiscais que acompanham as mercadorias e se encontram expressas devidamente nos Livros Fiscais da empresa autuada, conforme fotocópias de todos esses livros que deram origem as saídas de mercadorias e apuração do ICMS, que neste ato anexa aos autos (Doc. VI, Vol. I), sem, no entanto, representarem vendas de sua responsabilidade, e sim, de Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 terceiros, quando foi o caso, pois essas mercadorias não pertenciam a ora impugnante; 3.12 reafirma, dessa maneira, que o declarado pela autoridade fiscal, que, por supostamente ter a impugnante deixado de apresentar os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, teria adotado as saídas de mercadorias através das Guias do ICMS (GIMs), não possui qualquer resquício de verdade, dado que todos os livros e a documentação correspondente foram colocados à disposição do Auditor Fiscal autuante, enquanto que os livros foram entregues na SEFIS dessa Delegacia da Receita Federal, sendo posteriormente, devolvidos à impugnante. Assinala ainda que, como prova irrefutável e definitiva, anexa, também, fotocópias de capa a capa dos Livros Diário e Razão do ano de 2003 (Docs. VII, Vol. 2 e Doc. VIII, Vol. 3, respectivamente), todos igualmente e devidamente revestidos das formalidades legais intrínsecas e extrínsecas, estando os originais em poder da empresa, bem como os demais Livros, aguardando qualquer solicitação da Autoridade Fiscal para se assim for julgado necessário, leválos à presença do julgador; 3.13 quanto aos valores oníricos adotados pela Fiscalização, no período de 07 a 09/2002 e de 06 a 12/2003, são totalmente infundadas e precipitadas as afirmações, pois desprovidas da verdade, conforme passa a demonstrar: 3.13.1 em seu desiderato, a Fiscalização, agrupa e adota os valores totais de saída dos produtos de terceiros, reitera, que não foram vendas realizadas pela autuada, e sim produtos de terceiros para beneficiamento, objeto das entradas (materiais ou matériasprimas parcialmente beneficiadas), onde reafirma, apenas o valor da etapa industrial de confecção da embalagem propriamente dita é que se configura como faturamento ou venda da empresa, etapa esta que se resume em transformar essa matériaprima de terceiros em embalagens plásticas acabadas e que foram em seguida remetidas para esses clientes, acompanhadas de Notas Fiscais nos moldes instituídos pela Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará (SEFAZ/CE), para cada caso específico (operação dentro ou fora do Estado etc), entretanto, por simples remessa e não como venda, dado que não houve compra de mercadoria por parte da empresa autuada, tendo ocorrido tãosomente “dação para facção” em mercadorias de terceiros, entregues para beneficiamento final; 3.13.2 houve, no caso, arrolamento de valores constantes de simples saídas de mercadorias do estabelecimento da autuada, que jamais poderia ter sido considerado faturamento ou venda da impugnante, pois com a única finalidade de cumprir uma determinação da Fazenda Estadual, tais saídas são obrigatoriamente acompanhadas por Notas Fiscais com códigos diferenciados, sem destaque de qualquer tributo, servindo apenas para acompanhar as mercadorias em trânsito, como simples remessa, para tráfego estadual ou interestadual. Faz anexar, também, aos autos, as Declarações do IRPJ da empresa autuada com os correspondentes Recibos de Entrega, relativas aos anos de 2003 e 2004, conforme Doc. IX, Vol. I (fls. 226); Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10380.003656/200523 Acórdão n.º 310101.081 S3C1T1 Fl. 1.027 7 3.14 Quanto à Inadequação da Base de Cálculo da Cofins, alega que: 3.14.1 se for considerado que o critério utilizado teve como objetivo a apuração das receitas da impugnante para efeito de incidência da contribuição ao PIS, a conseqüência inafastável será que a base de cálculo utilizada foi totalmente incorreta, irreal e inadequada, dado que a autoridade buscou, para apurar a disponibilidade econômica, elementos que não se amoldam a esse conceito; 3.14.2 – o legislador, ao definir a hipótese de incidência, não pode se utilizar de fatos que estejam fora de sua competência tributária. Logo, o mesmo ocorrerá, certamente, quando se tratar da base de cálculo; 3.14.3 traz à lume a opinião do eminente tributarista Alfredo Augusto Becker, segundo o qual na composição da hipótese de incidência do Imposto de Renda, o elemento mais relevante é o núcleo. É a natureza do núcleo da hipótese de incidência, segundo o referido autor, que permite distinguir as distintas naturezas jurídicas dos negócios jurídicos, sendo também o núcleo que confere gênero jurídico ao tributo, assinalando, outrossim, que nas relações jurídicas de tributação, o núcleo da hipótese de incidência é sempre a base de cálculo; 3.14.4 a conseqüência imediata dessa definição é a de que ao desvirtuar a base de cálculo do tributo se está ao mesmo tempo descaracterizando o próprio tributo, já que em relação ao citado tributo a base de cálculo deve refletir o fato econômico da existência de renda. Nesse sentido, tomandose como exemplo a venda de um imóvel, se a base de cálculo for o saldo que resultar do preço de venda depois de deduzido o preço de aquisição e benfeitorias, tratarseá de um verdadeiro imposto de renda. Por outro lado, se a base de cálculo for o preço de venda, não se admitindo tais deduções, o tributo pertencerá ao gênero jurídico dos tributos de atos jurídicos, sendo, no caso, um genuíno imposto de vendas; 3.14.5 reforça tal entendimento à luz das palavras do Prof. Paulo de Barros Carvalho, bem como, no tocante à base de cálculo do ICMS, que corresponde igualmente para a Cofins, as palavras do prof. Roberto Siqueira Campos (fls. 227/228); 3.14.6 noutras palavras, aduz, sendo a base de cálculo uma descrição legal de um padrão ou unidade de referência que possibilite a quantificação financeira do fato tributário, nas palavras do Prof. Aires Barreto, e se esse fato tributário, no caso em tela, é o faturamento bruto advindo das vendas, a base de cálculo deve, necessariamente, aferir a intensidade desse fenômeno, e não um valor arbitrariamente fixado com base em elementos que a ele não guardam nenhuma relação ou devam ser excluídos; 3.14.7 há de se registrar, também, que o procedimento utilizado para a apuração da base de cálculo do PIS, em última análise, Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 fere o princípio da legalidade, porquanto inexiste previsão legal para a adoção “dessa base de cálculo” da impugnante como base de cálculo para a incidência da referida contribuição, sobretudo porque tal princípio deve sempre nortear a atuação da Administração, conferindolhe poderes para a defesa dos interesses do Estado, assinalando, todavia, que à Administração somente é permitido atuar dentro dos limites que a lei conferir, pois, fora deles, ocorrerá abuso de poder; 3.14.8 aduz ainda que inúmeras são as decisões emanadas pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, espalhadas pelo Brasil inteiro, bem como e principalmente as proferidas pelo Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a metodologia adotada pela Fiscalização será sempre uma medida extrema, somente utilizável quando todos os esforços foram desenvolvidos e se tornarem em vão para se aferir os reais resultados das empresas, sob pena de não poder prosperar a autuação. Deixa, também, de transcrever tais decisões, uma vez que já são de inteiro conhecimento de todos os julgadores de primeira instância; 3.14.9 assim, não paira nenhuma dúvida de que os valores arrolados pelo Auditor Fiscal autuante contra a impugnante como crédito tributário apurado a favor da Fazenda Nacional por pretensa falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), não subsistem; 3.15 ante o exposto, requer a improcedência total da exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração ora em litígio, com a conseqüente exoneração integral do contribuinte da respectiva exigência lançada, nos termos do Processo Administrativo Fiscal; 3.16 Ressaltese que o processo foi convertido em diligência, conforme teor da Resolução nº 665, de 17/08/2005 (fls. 936/940), cujo resultado vêse do Relatório proferido pelo órgão preparador, conforme fls. nºs 943/946 dos autos. A DRJ em FORTALEZA/CE considerou procedente em parte o lançamento, ementando assim o acórdão: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Diferença apurada entre os valores declarados e os escriturados (Verificações Obrigatórias) Mantémse em parte a exigência decorrente das diferenças verificadas entre os valores da Cofins declarados e os escriturados, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte forem suficientes para infirmar parcialmente os valores lançados pela Fiscalização. Diligência: Anocalendário: 2004 Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10380.003656/200523 Acórdão n.º 310101.081 S3C1T1 Fl. 1.028 9 Tendo em vista que a Fiscalização no anocalendário de 2004 utilizou os dados totais das saídas de mercadorias e/ou serviços registrados pelo contribuinte nas Guias de Informação Mensal do ICMS GIMs, sem excluir os valores que não corresponderiam às vendas efetivas, recompõese, com base no resultado da diligência procedida a base de cálculo do PIS, excluindose dos valores originalmente lançados aqueles que não dizem respeito à receita bruta. Lançamento Procedente em Parte. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 996 e seguintes, onde requer, em preliminar, diligência para apurar os reais valores da base de cálculo do PIS nos anoscalendário 2002 e 2003, nos mesmos moldes do ocorrido com o anocalendário 2004, que resultou no cancelamento da quase totalidade da exigência; quanto ao anocalendário 2004, reprisa a alegação de higidez da sua escrita fiscal, juntando cópias de todos os livros fiscais dos períodos lançados, e novamente requer a improcedência da ação fiscal. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau, por conta do recurso voluntário e do recurso de ofício. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado, bem como o recurso de ofício interposto. A matéria deste contencioso, apesar de versar sobre contribuição para o PIS, que normalmente é da nossa órbita de competência, hodiernamente, é de competência da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto no inciso IV do artigo 2º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho, instituído pela Portaria MF nº 256/2009 demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Cumpre observar que adotouse para efeito de tributação no anocalendário de 2004, os dados constantes das Guias de Informação Mensal do ICMS, uma vez que no citado período o contribuinte não apresentou os livros contábeis e/ou fiscais que justificasse a tributação do IRPJ pelo Lucro Real, bem como não efetuou a opção pelo Lucro Presumido, o que ensejou inclusive para o IRPJ a tributação, via lançamento de ofício, pelo Lucro Arbitrado, conforme julgamento proferido no processo nº 10380.003654/200534, sendo então utilizado os valores constantes nas citadas GIMs para efeito de cálculo do PIS no citado anocalendário. Naquele aludido processo consta, inclusive, o demonstrativo de fls. 217, que serviu para recompor as bases de cálculo do PIS do anocalendário de 2004, na diligência levada a efeito neste contencioso quando do julgamento em primeiro grau. Demais disso, também houve desconsideração da escrita fiscal e lançamento pelo Lucro Arbitrado nos anoscalendário 2002 e 2003, apenas que as bases de cálculo utilizadas para o PIS aí advieram das respectivas DIPJ. Dessarte, em virtude de os presentes recursos tratarem de matéria alheia às competências desta Seção, suscito a preliminar de inexistência de competência desta Seção para julgar a matéria e, por via de conseqüência, devese declinar da competência para a Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No vinco do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER dos recursos, e endereçálos à competente Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11060.722092/2013-17
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL. INCONSTITUCIONALIDADE.
A Suprema Corte no julgamento do RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91.
Indevido o recolhimento de contribuição para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL) sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. A Suprema Corte no julgamento do RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91. Indevido o recolhimento de contribuição para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL) sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 20 92 /2 01 3- 17 Fl. 848DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.722092/201317 Acórdão n.º 2803003.617 S2TE03 Fl. 849 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa HERTER CEREAIS LTDA, em face de acórdão proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) que julgou improcedente, em parte, a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. 2. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 654/658), o auto de infração refere se às contribuições devidas a previdência social, contribuições sobre a comercialização de produtos rurais ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS), no presente caso FPAS 744. 3. Além disso, tratase de contribuições incidentes sobre a comercialização de produtos rurais devidas a outras entidades, no caso ao SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). Ambas no período de janeiro de 01/2008 a 12/2009. 4. A matéria em discussão referese à cobrança de Obrigação Principal – AIOP, correspondentes aos DEBCAD’s a seguir: a) Debcad 37.391.8267 destinado à aplicação da multa prevista no artigo 32, § 5º da Lei nº 8.212/91 e artigos 284, II e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, no valor de R$ 13.739,04 (treze mil, setecentos e trinta e nove reais e quatro centavos), em decorrência do descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no artigo 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212/91 e artigo 225, IV e § 4º do RPS "apresentar GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias". b) Debcad 37.391.8275 destinado ao lançamento das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física (inclusive alíquota RAT), incidentes sobre a comercialização da sua produção, nos termos do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, cujo recolhimento está a cargo da autuada na condição de adquirente, em virtude da subrogação prevista no artigo 30, IV da Lei nº 8.212/91, totalizando o montante de R$ 213.713,48 (duzentos e treze mil, setecentos e treze reais e quarenta e oito centavos), incluindo o valor principal, juros e multas de ofício e de mora. c) Debcad 37.391.8283 destinado ao lançamento da contribuição ao SENAR incidente sobre a comercialização da produção do produtor rural pessoa física, cujo recolhimento está a cargo da autuada na condição de adquirente, em virtude da subrogação prevista na legislação, totalizando o montante de R$ 19.492,66 (dezenove mil, quatrocentos e noventa e dois reais e sessenta e seis centavos) incluindo o valor principal, juros e multas de ofício e de mora. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.722092/201317 Acórdão n.º 2803003.617 S2TE03 Fl. 850 3 5. Destaco trecho do relato fiscal que delimita os fatos geradores que ensejaram na presente autuação: “(...). 4. DOS FATOS GERADORES Os fatos geradores de contribuição previdenciária apurados no desenvolvimento da auditoria fiscal, foram classificados por Tipo de Levantamento, levandose em consideração o período ao qual ocorre o tipo de multa menos severa de modo a emitir autos de infração distintos em: Contribuição sobre comercialização de produtos rurais adquiridos pela empresa, de segurados pessoas físicas, para o FPAS 744 (RURAL e SAT); Contribuição sobre comercialização de produtos rurais adquiridos pela empresa, de segurados pessoas físicas, para outras entidades (Terceiros SENAR). Os levantamentos estão discriminados conforme segue: a) LEVANTAMENTO RU Valores de aquisição de produtos rurais (grãos e/ou cereais) de segurados pessoas físicas para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, relativamente ao período 07/2008 a 10/2008. b) LEVANTAMENTO RU1 Valores de aquisição de produtos rurais (grãos e/ou cereais) de segurados pessoas físicas para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, relativamente ao período 11/2008 a 11/2008. c) LEVANTAMENTO RU2 Valores de aquisição de produtos rurais (grãos e/ou cereais) de segurados pessoas físicas para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, relativamente ao período 12/2008 a 12/2009. d) LEVANTAMENTO RV Valores de aquisição de produtos rurais (sementes e/ou farelo) de segurados pessoas físicas para apuração das contribuições cujos fatos gerador j não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, relativamente ao período 07/2008 a 09/2008. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.722092/201317 Acórdão n.º 2803003.617 S2TE03 Fl. 851 4 e) LEVANTAMENTO RV1 Valores de aquisição de produtos rurais (sementes e/ou farelo) de segurados pessoas físicas para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, relativamente ao período 03/2008 a 11/2008. f) LEVANTAMENTO RV2 Valores de aquisição de produtos rurais (sementes e/ou farelo) de segurados pessoas físicas para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, relativamente ao período 01/2009 a 07/2009. (...).” 6. Irresignada com a lançamento fiscal efetuado a empresa apresentou impugnação às fls. 672/697, no entanto a DRJ de Rio Preto (SP) manteve parte do lançamento. A decisão (fls. 803/808) restou ementada nos seguintes termos: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. PAGAMENTO PARCIAL DA OBRIGAÇÃO. Sujeitamse ao prazo decadencial de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador as contribuições relativas às competências em que se verifique o pagamento parcial da obrigação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” (fl. 803). 7. Inconformada com a decisão proferida a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 818/836), no qual aduz em síntese que: Fl. 851DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.722092/201317 Acórdão n.º 2803003.617 S2TE03 Fl. 852 5 a) existe decisão judicial determinando que o Delegado da Receita Federal do Brasil, não exigisse da recorrente a obrigação de reter e recolher a contribuição social prevista no art. 25, da Lei nº 8.212/91. Dessa forma o crédito lançado pelo Fisco tornase inexigível; b) em relação à base de cálculo, a recorrente reportase aos argumentos lançados no julgamento do RE 363852, a fim de reconhecer a inexigibilidade da contribuição social do empregador rural, com a consequente ausência de relação jurídicotributária com o fisco, o que implica na sua desobrigação de repassar para o Fisco o valor da exação. c) a substituição da contribuição sobre a folha pela contribuição incidente sobre a receita ou faturamento somente é possível depois do advento da EC 42/03, de modo que a superveniência dessa alteração constitucional não tem o condão de convalidar as substituições levadas a efeito anteriormente; d) não se pode considerar que a Lei nº 10.256/01 tenha instituído validamente nova contribuição, pois afronta o princípio da estrita legalidade; e) é inconstitucional a exação; f) as expressões “receita” e “faturamento” para fins de contribuição previdenciária não são equivalentes. 8. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.722092/201317 Acórdão n.º 2803003.617 S2TE03 Fl. 853 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O FUNRURAL 2. Conforme descrito no relatório fiscal, o lançamento referese às contribuição sobre comercialização de produtos rurais adquiridos pela empresa, de segurados pessoas físicas, para o FPAS 744 (RURAL e SAT) e a contribuição sobre comercialização de produtos rurais adquiridos pela empresa, de segurados pessoas físicas, para outras entidades Terceiros – SENAR Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. (fl. 655) no período de 01/2008 a 12/2009. 3. A decisão de primeira instância considerou improcedente a impugnação, sob os argumentos de que, em regra, é vedado à autoridade administrativa reconhecer tese de ilegalidade e inconstitucionalidade de lei. De fato, razão lhe assiste. 4. No entanto, entendo que em cumprimento ao princípio da economia processual e em prol da unificação dos julgados, a esfera administrativa pode, em determinadas circunstâncias, seguir o entendimento do judiciário no que diz respeito às matérias as quais a Corte Constitucional já consolidou seu entendimento, isso para que se evite a situação de o contribuinte, ao final da demanda administrativa, tenha que recorrer ao judiciário para ver a lide satisfeita. 5. Assim, apesar de estar ciente que as decisões judiciais possuem efeitos inter partes, entendo que é necessário se valorizar a jurisprudência consolidada pelos tribunais superiores, in casu, cumpre atentar para o posicionamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao enfrentar a matéria sob análise. 6. Com efeito, a corte constitucional no julgamento do Recurso Extraordinário – RE n.º 363.852, já se manifestou sobre a questão e, por entender que a contribuição representa uma dupla tributação, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, inciso V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, nos termos abaixo: “O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a ‘receita bruta proveniente da comercialização da produção rural’ de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a Fl. 853DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.722092/201317 Acórdão n.º 2803003.617 S2TE03 Fl. 854 7 inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisas V e VII, 25, incisos I e II, 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, com a redação atualização até a Lei n.º 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n.º 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior, Plenário, 03.02.2010.” 7. Em assentada posterior, em sessão plenária (17/03/2011), o STF ratificou o seu posicionamento e manteve seu entendimento sobre a inconstitucionalidade dos dispositivos legais supramencionados ao rejeitar os embargos de declaração da União Federal no RE n.º 363.852. 8. Os embargos foram apresentados com o objetivo de que se declarasse que a Lei n.º 10.256/2001, que alterou parte do artigo 25, da Lei n.º 8.212/91, havia sanado a inconstitucionalidade. 9. Porém, o posicionamento do ministro relator, Marco Aurélio Mello, foi no sentido de que como a referida lei somente modificou o caput do artigo 25, mantendo a alíquota e a base de cálculo da contribuição, não houve alteração no que se refere à inconstitucionalidade da cobrança do Funrural. 10. Diante do exposto, entendo que a contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores pessoas físicas – FUNRURAL não pode ser validamente exigida. CONCLUSÃO 11. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, nos termos acima alinhavados. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Fl. 854DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10830.720025/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 18/01/2008
CONFERENCIA FINAL DE MANIFESTO. EXTRAVIO. FATO GERADOR.
Para efeito de cálculo dos tributos devidos, considera-se ocorrido o fato gerador de mercadoria constante de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou falta for apurado pela autoridade aduaneira, na data do correspondente lançamento.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TRANPORTADOR.
Atribui-se ao transportador a responsabilidade pelos tributos e multas incidentes sobre o extravio constatado na descarga de mercadoria manifestada.
Numero da decisão: 3401-002.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, POR UNANIMIDADE DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO. SUSTENTOU PELA RECORRENTE A DRª VANESSA FERRAZ COUTINHO OAB RJ N. 134.407.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Relator.
EDITADO EM: 20/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (PRESIDENTE), ROBSON JOSE BAYERL, FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA E ANGELA SARTORI.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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EXTRAVIO. FATO GERADOR. Para efeito de cálculo dos tributos devidos, considerase ocorrido o fato gerador de mercadoria constante de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou falta for apurado pela autoridade aduaneira, na data do correspondente lançamento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TRANPORTADOR. Atribuise ao transportador a responsabilidade pelos tributos e multas incidentes sobre o extravio constatado na descarga de mercadoria manifestada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, POR UNANIMIDADE DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO. SUSTENTOU PELA RECORRENTE A DRª VANESSA FERRAZ COUTINHO OAB RJ N. 134.407. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 00 25 /2 00 8- 70 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 EDITADO EM: 20/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (PRESIDENTE), ROBSON JOSE BAYERL, FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA E ANGELA SARTORI. Relatório O objeto deste processo administrativo tem sua origem na Conferência Final de Manifestos, da qual foi lavrado o Auto de Infração para constituir crédito tributário do Imposto de Importação, do IPI, do Pis Importação e da Cofins Importação exigidos pela constatação de extravio de cargas. O auto de infração abrange, ainda, a cobrança da multa prevista na alínea ‘d’ do inciso II do artigo 106 do Decreto Lei n. 37, de 1966. Conforme resumiu o Eminente Julgador de 1ª Instância em relação à motivação e razões da autuação, in verbis: A autoridade lançadora relata haver constatado o não armazenamento de cargas que foram devidamente declaradas pelo interessado no Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento – MANTRA, instituído pela IN SRF n° 102/94, a saber: a) 01 (um) volume, peso 5,000 Kg, sob o Termo de Entrada nº 040025152, de 28/06/2004, com o documento de carga MAWB 020 6373 8006 HAWB 69015325; no Vôo GEC8274; consignatário: TI BRASIL IND. E COM. LTDA.; b) 01 (um) volume, peso 9,200 Kg, sob o Termo de Entrada nº 040031438, de 07/08/2004, com o documento de carga MAWB 020 6938 7721 HAWB 00822905; no Vôo GEC8270; consignatário:VOITH PAPER MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA.; c) 01 (um) volume, peso 12,000 Kg, sob o Termo de Entrada nº 040031438, de 07/08/2004, com o documento de carga MAWB 020 6637 070T(6) HAWB 31002452; no Vôo GEC8270; consignatário: VOLKSWAGEN DO BRASIL IND. VEÍC. AUTOM. LTDA.; d) 01 (um) volume, peso 96,000 Kg, sob o Termo de Entrada nº 040038912, de 26/09/2004, com o documento de carga MAWB 020 7348 4250 HAWB 18308748; no Vôo GEC8264; consignatário: BSH CONTINENTAL ELETRODOMÉSTICOS LTDA.; e) 01 (um) volume, peso 39,000 Kg, sob o Termo de Entrada nº 040047733, de 25/11/2004, com o documento de carga MAWB 020 4194 9471 HAWB CD6H4113015; no Vôo GEC8264; consignatário: TRW AUTOMOTIVE LTDA.; Fl. 460DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10830.720025/200870 Acórdão n.º 3401002.590 S3C4T1 Fl. 460 3 f) 41 (quarenta e um) volumes, peso 2927,000 Kg, sob o Termo de Entrada nº 040050254, de 12/12/2004, com o documento de carga AWB 020 7621 666D(3); no Vôo GEC8274. Em relação ao MAWB 020 6373 8006 HAWB 69015325, a fiscalização observa que, embora o transportador tenha informado que essa carga se refere ao DSIC 892 4000 8345, manifestado no Termo de Entrada 040025152, conferência física realizada verificou que não se trata da mesma carga, conforme descrição constante do conhecimento aéreo e informações da fatura comercial 302959, trazida aos autos pelo consignatário das mercadorias. Por conseguinte, o fisco procedeu à autuação em face do responsável tributário, no caso, o transportador aéreo, utilizandose, para valoração das mercadorias, das informações constantes na fatura comercial 302959. Em relação aos MAWB 020 6938 7721 HAWB 00822905 e MAWB 020 7348 4250 HAWB 18308748, a valoração das mercadorias foi igualmente realizada com base nas informações das respectivas faturas comerciais (6618232 e 900123143), trazidas aos autos pelos consignatários das mesmas. Em relação aos MAWB 020 6637 070T(6) HAWB 31002452 e MAWB 020 4194 9471 HAWB CD6H4113015, a fiscalização observa que, tendo em vista a impossibilidade de identificação e valoração das respectivas mercadorias, a base de cálculo foi arbitrada com base no art. 67, caput e § 1º da Lei nº. 10.833/2003, utilizandose dos dados das declarações de importação registradas no 2º semestre de 2007 pelos respectivos consignatários. E quanto ao AWB 020 7621 666D(3), devido ao desconhecimento do importador, a fiscalização procedeu à valoração das mercadorias com base no Decreto nº 5.910, de 27/09/2006 (art. 22 da Convenção de Varsóvia), que estabelece como responsabilidade do transportador a quantia de 17 Direitos Especiais de Saque por quilograma. O contribuinte impugnou a autuação, por meio do qual apresentou as seguintes alegações e seu pedido, ainda consoante resumo do Julgador: (a) com relação ao MAWB 020 6373 8006, observa que, na época dos fatos, a impugnante registrou o correspondente DSIC – Documento Subsidiário de Identificação de Carga, que deve ser considerado válido para o fim de afastar a suposição de extravio de mercadoria, corroborado pelo fato de que até o momento a impugnante não recebeu pedido algum de indenização por parte da seguradora ou do proprietário da carga, já que chegou ao seu destino final. Cita jurisprudência judicial acerca do DSIC; (b) com relação aos MAWB 020 6938 7721 e MAWB 020 7348 4250, a responsabilidade pelo extravio deve ser imposta ao agente de cargas, já que é dele a responsabilidade pela paletização das cargas e prestação de informações na hipótese específica, nos termos do art. 30, § 2º, do Decreto nº 4.543/02 e art. 9º da IN SRF 102/94; (c) com relação ao MAWB 020 6637 070T(6), reconhece que o volume foi extraviado, todavia a apuração da base de cálculo do imposto na forma do art. 67 da Lei 10.833/03 está equivocada, na medida em que a autoridade administrativa utilizouse da média para o segundo semestre de 2007, quando a mercadoria foi Fl. 461DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 transportada em 2004, data do fato gerador no caso específico. Tece as mesmas considerações em relação ao MAWB 020 4194 9471; (d) com relação ao AWB 020 7621 666D(3), a utilização da Convenção de Varsóvia para valoração das mercadorias não pode prosperar na forma da legislação em vigor. Ademais, a carga em questão jamais foi transportada ao território nacional, sendo essa questão encerrada nos autos do Processo Administrativo 10831.013355/200471, cuja juntada os autos requer; (e) de qualquer forma, os autos devem ser declarados nulos em razão de vício formal e ofensa às regras constitucionais e legislação aplicável, haja vista que a cotação para conversão dos valores em moeda estrangeira para a moeda nacional levou em consideração valores não aplicáveis na data do fato gerador da obrigação tributária, conforme demonstra simples pesquisa ao web site do Banco Central. Acrescentese, ainda, que a autoridade administrativa nada considerou sobre a cotação das moedas estrangeiras, questão que implica cerceamento ao direito de defesa; (f) os autos também devem ser declarados nulos em razão de erro na aplicação da regra do art. 67 da Lei 10.833/03, pois a autoridade fiscal utilizou a média do segundo semestre do ano de 2007, sendo que o fato gerador da obrigação tributária ocorreu no anobase de 2004. Além disso, a obrigação tributária só pode ser exigível se o fato tributável ocorreu em momento posterior àquele em que a legislação entrou em vigor, não se admitindo a retroatividade da lei, exceto no caso de beneficiar o contribuinte (art. 106, “a”, do CTN); (g) houve cerceamento do direito de defesa e erro no arbitramento da base de cálculo do crédito, na medida em que a autoridade fiscal deixou de estabelecer, de forma precisa e transparente, qual modo se valeu para arbitramento, em especial quando da lavratura dos autos de infração do PIS/PASEP e COFINS Importação; (h) requer seja declarado nulo o lançamento e, caso não seja esse o entendimento da autoridade julgadora, seja retificado para contemplar a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, com a reabertura do prazo para defesa. A análise do Auto de Infração e da Impugnação pela Respeitável 24ª Turma da I (Primeira) Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo teceu as seguintes ponderações e conclusões: 1. considerou procedente o lançamento com relação ao 01 (um) volume, peso 5,000 Kg, sob o Termo de Entrada nº 040025152, de 28/06/2004, com o documento de carga MAWB 020 6373 8006 HAWB 69015325; no Vôo GEC8274; consignatário: TI BRASIL IND. E COM. LTDA, por que o transportador não esclareceu o paradeiro da carga e não afastou a presunção do extravio; 2. considerou procedente o lançamento com relação ao 01 (um) volume, peso 9,200 Kg, sob o Termo de Entrada nº 040031438, de 07/08/2004, com o documento de carga MAWB 020 6938 7721 HAWB 00822905; no Vôo GEC8270; consignatário: VOITH PAPER MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA., pois não aceitou a argumentação do impugnante de que se tratava de carga consolidada e unitizada por agente de carga e a esse se deveria atribuir a responsabilidade pelo extravio; 3. considerou procedente o lançamento com relação ao 01 (um) volume, peso 12,000 Kg, sob o Termo de Entrada nº 040031438, de 07/08/2004, com o documento de carga MAWB 020 6637 070T(6) HAWB 31002452; no Vôo GEC8270; consignatário: VOLKSWAGEN DO BRASIL IND. VEÍC. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10830.720025/200870 Acórdão n.º 3401002.590 S3C4T1 Fl. 461 5 AUTOM. LTDA, pois: (1) o transportador aéreo reconheceu que houve o extravio, muito embora os consignatários destinatários da carga tivessem declarado que não tinham conhecimento dessas cargas e nem as receberam; (2) não acolheu a argumentação do impugnante de que houve equivoco na determinação dos tributos por ter o autoridade lançadora usado o 2º semestre de 2007, ao invés de usar o semestre correspondente de 2004 – ano em que a carga deveria ter vindo ao Brasil; 4. considerou procedente o lançamento com relação ao 01 (um) volume, peso 96,000 Kg, sob o Termo de Entrada nº 040038912, de 26/09/2004, com o documento de carga MAWB 020 7348 4250 HAWB 18308748; no Vôo GEC8264; consignatário: BSH CONTINENTAL ELETRODOMÉSTICOS LTDA. ., pois não aceitou a argumentação do impugnante de que se tratava de carga consolidada e unitizada por agente de carga e a esse se deveria atribuir a responsabilidade pelo extravio; 5. considerou procedente o lançamento com relação ao 01 (um) volume, peso 39,000 Kg, sob o Termo de Entrada nº 040047733, de 25/11/2004, com o documento de carga MAWB 020 4194 9471 HAWB CD6H4113015; no Vôo GEC8264; consignatário: TRW AUTOMOTIVE LTDA. pois: (1) o transportador aéreo reconheceu que houve o extravio, muito embora os consignatários destinatários da carga tivessem declarado que não tinham conhecimento dessas cargas e nem as receberam; (2) não acolheu a argumentação do impugnante de que houve equivoco na determinação dos tributos por ter o autoridade lançadora usado o 2º semestre de 2007, ao invés de usar o semestre correspondente de 2004 – ano em que a carga deveria ter vindo ao Brasil 6. não considerou procedente o lançamento com relação ao 41 (quarenta e um) volumes, peso 2927,000 Kg, sob o Termo de Entrada nº 040050254, de 12/12/2004, com o documento de carga AWB 020 7621 666D(3); no Vôo GEC8274, pois foi reconhecido no processo administrativo n. 10831.013355/200471 que esssa carga não era destinada ao Brasil e que não houve extravio. 7. Não acolheu as alegações de cerceamento de defesa e erro de arbitramento da base de cálculo do crédito, na medida em que não teria ficado claro e transparente o modo do arbitramento adotado pela autoridade fiscal. Para o Julgador, não houve cerceamento de defesa por que o lançamento trazia a fórmula do cálculo e também a demonstração dos cálculos para as contribuições em discussão. Considerou a impugnação procedente em parte. O contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde alega: a responsabilidade pelos supostos extravios e os próprios supostos extravios não foram devidamente apurados, como demonstrou o caso do conhecimento AWB 020.7621.666D(3), que havia sido incluído na autuação, mas, posteriormente, a autoridade fiscal reconheceu que não era caso de extravio. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 6 o fato gerador dos tributos deveria corresponder à suposta entrada em território nacional, sendo assim, o auto de infração utilizou taxa de cotação das moedas incongruentes com as que seriam adequadas para as datas dos extravios; o arbitramento da base de calculo no caso dos conhecimentos MAWB 020 6637 070T(6) HAWB 31002452 e MAWB 020 4194 9471 HAWB CD6H4113015, ao aplicar o que dispõe o artigo 67 e § 1º, da Lei n. 10.833, de 2003, deveria se reportar ao semestre do ano do transporte e extravio (ano de 2004) e não ao ano do lançamento tributário (2007). É o relatório Voto Conselheiro ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Recurso tempestivo. Atendidos os requisitos de admissibilidade. Não pode prosperar as alegações do recorrente de que (i) o arbitramento da base de calculo no caso dos conhecimentos MAWB 020 6637 070T(6) HAWB 31002452 e MAWB 020 4194 9471 HAWB CD6H4113015, ao aplicar o que dispõe o artigo 67 e § 1º, da Lei n. 10.833, de 2003, deveria se reportar ao semestre do ano do transporte e extravio (ano de 2004) e não ao ano do lançamento tributário (2007), e (ii) o fato gerador dos tributos deveria corresponder à suposta entrada em território nacional, sendo assim, o auto de infração utilizou taxa de cotação das moedas incongruente com as que seriam adequadas para as datas dos extravios. Vejamos: para a impossibilidade de identificação das mercadorias extraviadas há o procedimento previsto no artigo 67, § 1º, da Lei nº 10.833/2003, para cálculo dos tributos devidos, a saber: “Art. 67. Na impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio ou consumo, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, serão aplicadas, para fins de determinação dos impostos e dos direitos incidentes, as alíquotas de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto de Importação e de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados. § 1o Na hipótese prevista neste artigo, a base de cálculo do Imposto de Importação será arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico.” (negritamos) Fl. 464DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10830.720025/200870 Acórdão n.º 3401002.590 S3C4T1 Fl. 462 7 A inteligência do artigo está voltada à determinação dos tributos, e essa determinação tem como referencial a data da ocorrência do fato gerador. É, portanto, a data do fato gerador do tributo – e não a data da emissão do conhecimento, ou a data do suposto extravio que deve servir de base para identificar e delimitar a amostra prevista nesse artigo e em seu parágrafo para o arbitramento da base de cálculo do imposto de importação. O art. 73, inciso II, alínea “c”, do Decreto nº 4.543, de 2002, é claro ao dispor que, uma vez caracterizado o extravio, considerase ocorrido o fato gerador no dia do lançamento do correspondente crédito tributário. O presente lançamento ocorreu em 18 de janeiro de 2008 (data do fato gerador). Sendo assim, está correta: (a) a utilização das cotações da moeda validas para essa data (e não as datas quando provavelmente ocorreram os extravios); (b) a utilização da média referente ao segundo semestre de 2007. Senão vejamos: “Artº 73 – Para efeito de cálculo do imposto, considerase ocorrido o fato gerador (DecretoLei nº 37/66, artigo 23, parágrafo único):(...) II) no dia do lançamento do respectivo crédito tributário, quando se tratar de: (...) c) mercadoria constante de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira;” Ademais, considerando o explicado nos parágrafos precedentes, e o fato de que todos os conhecimentos de carga aqui tratados se referirem ao ano de 2004, não está o auto de infração aplicando retroativamente o art. 67 da Lei 10.833, de 2003. Como o lançamento ocorreu em janeiro de 2008, nada obsta a utilização do normativo publicado em dezembro de 2003, uma vez que plenamente vigente à época da ocorrência do fato gerador. O contribuinte propõe ainda a nulidade da autuação, pois entende que o procedimento de conferência final de manifesto não foi devidamente conduzido. Não me parece ser o caso. A Conferência Final de Manifesto é procedimento realizado de acordo com o que define o Decreto Lei n. 37, de 1966, e disciplina o Regulamento Aduaneiro. Não seguir o que dispõe a Legislação certamente fulminaria os procedimentos e suas conclusões. Neste processo, o recorrente não indica exatamente que partes do procedimento poderiam ser reconsideradas, revistas e reanalisadas face o que preconiza a legislação. Assim, não cabe a nulidade do auto de infração ou sua invalidação. Além do mais, a Conferência Final de Manifesto é realizada considerando os dados produzidos pelos próprios operadores logísticos (ex.: depositário, transportador, e outros) na tramitação de veículos, cargas e mercadorias nos espaços de controle aduaneiro. A Legislação estabelece hipóteses de atribuição de responsabilidade quanto aos interesses da Fazenda Pública. A legislação também define as condições em que se presume a ocorrência do extravio, mas essa é uma presunção “juris tantum”. Ela admite que seja apresentada prova em contrário. O prosseguimento dos levantamentos feitos a partir da Conferência de Manifesto depende da composição da lide que traz elementos que possam afastar a presunção da ocorrência e que possam concorrer na compreensão da determinação do responsável pelo extravio. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 8 Nesse sentido, pareceme consoante o que estabelece a legislação considerar não procedente o lançamento referente aos conhecimentos MAWB 020 6938 7721 HAWB 00822905 e MAWB 020 7348 4250 HAWB 18308748, pois o autuado a ele se contrapôs alegando que a responsabilidade pelo extravio deve ser imposta ao agente de cargas, já que é dele a responsabilidade pela paletização das cargas e prestação de informações na hipótese específica, nos termos do art. 30, § 2º, do Decreto nº 4.543/02 e art. 9º da IN SRF 102/94. A meu ver, a determinação do transportador a ser responsabilizado pelo extravio para fins do interesse da Fazenda Nacional deve contemplar o que define a IN RFB n. 800, de 2007, c/c os citados artigos do Decreto lei n. 37, de 1966, e do Regulamento Aduaneiro. No caso, entendo que não se pode atribuir ao transportador aéreo a responsabilidade pelo extravio de carga que lhe havia sido entregue consolidada e unitizada, como consta a respeito desses conhecimentos nestes autos. Portanto, proponho que o lançamento quanto a esses dois conhecimentos seja considerado improcedente. Proponho, assim, seja considerado procedente o auto de infração exceto o lançamento referente aos conhecimentos MAWB 020 6938 7721 HAWB 00822905 e MAWB 020 7348 4250 HAWB 18308748. Relator Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 466DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
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Numero do processo: 10735.001145/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1993, 1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PLEITEADO ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. MAIS DE 10 ANOS DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO DIREITO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Súmula CARF nº 91)
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA QUE IMPEDIU O JULGAMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RETORNO DOS AUTOS A` DRF PARA EXAME DA MATÉRIA.
Afastada a decadência que prejudicou apreciação de mérito pela instância a quo, a esta devem retornar os autos para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 2201-002.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência relativamente ao pagamento referente a 1996, determinando o retorno dos autos à DRF, para exame das demais questões que envolvem o pedido.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: FRACISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1993, 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PLEITEADO ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. MAIS DE 10 ANOS DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO DIREITO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Súmula CARF nº 91) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA QUE IMPEDIU O JULGAMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RETORNO DOS AUTOS A` DRF PARA EXAME DA MATÉRIA. Afastada a decadência que prejudicou apreciação de mérito pela instância a quo, a esta devem retornar os autos para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância.
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PLEITEADO ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. MAIS DE 10 ANOS DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO DIREITO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Súmula CARF nº 91) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA QUE IMPEDIU O JULGAMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RETORNO DOS AUTOS À DRF PARA EXAME DA MATÉRIA. Afastada a decadência que prejudicou apreciação de mérito pela instância a quo, a esta devem retornar os autos para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência relativamente ao pagamento referente a 1996, determinando o retorno dos autos à DRF, para exame das demais questões que envolvem o pedido. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 11 45 /2 00 5- 18 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Este processo trata de pedido de compensação de tributos para extinguir obrigações de Cofins (Código 2172), referente ao período de apuração 11/2004 e vencido em 15 de dezembro de 2004, no valor de R$ 16.646,34 (fl. 1), com pagamentos informados como a maior no código 0588. A Declaração de Compensação foi apresentada pelo contribuinte em 26 de abril de 2005 e tendo como pagamento a maior os valores de R$ 50,42 e R$ 16.595,33, todos no Código 0588 (fls. 2 a 5), supostamente recolhidos, respectivamente, em 31 de março de 1993 e 8 de maio de 1996. Vale salientar que não consta nos autos qualquer Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), ou de comprovação destes pagamentos, e que o valor referente ao pagamento que o contribuinte deseja compensar como a maior, de R$ 16.646,34, pago em 8 de maio de 1996, é bastante superior ao “valor total do DARF”, que é de R$ 2.883,33. A Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, por meio do Parecer Seort nº 751/09, de 27 de abril de 2005 (fls. 14 a 16) recusou a homologação da compensação sob o argumento de que, por ter sido protocolado em 26 de abril de 2005, o pedido estaria fulminado pela decadência com relação aos DARFs utilizados, todos recolhidos, no mínimo, cinco anos antes. O sujeito passivo, não conformado com a decisão, interpôs manifestação de inconformidade tempestiva, a fim de sustentar, em síntese, que: (i) não dispondo de informações suficientes a liquidar o valor do crédito passível de repetição, foi impelido a impetrar habeas data contra o Sr. Delegado da Receita Federal em Nova Iguaçu, a fim de conseguilas; (ii) até que obtivesse a liminar requerida no writ em questão, não lhe era possível formular a declaração de compensação ou equivalente pedido de restituição; (iii) nas hipóteses em que a existência ou o montante do crédito é objeto de lide judicial, o prazo para a iniciação do processo administrativo apenas principia com o trânsito em julgado da sentença que reconhece o direito; e (iv) finalmente, como a liminar que lhe franqueou acesso às informações indispensáveis ao pedido somente foi deferida em dezembro de 2003, nesta data é que principiou a contagem do prazo decadencial para a repetição do indébito. Os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I, por meio do Acórdão nº 1229.831 (fls. 43 a 46), de 13 de abril de 2010, por unanimidade, votaram em não dar provimento à manifestação de inconformidade da interessada, mantendose o que foi decidido pela DRF/Nova IguaçuRJ. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10735.001145/200518 Acórdão n.º 2201002.465 S2C2T1 Fl. 3 3 Cientificado em 6 de julho de 2010 (fl. 48), a contribuinte interpôs o recurso voluntário em 30 de julho (fls. 49 a 52), cujos fundamentos, da mesma forma, remontam àqueles já aduzidos na impugnação. O processo foi distribuído à Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento, cujo colegiado, por meio do Acórdão 3403.00.850, declinou da competência, por força das disposições regimentais, haja vista os supostos pagamentos a maior se referirem a Imposto de Renda Retidos na Fonte. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Os autos tratam de Pedido de Compensação apresentado pela contribuinte em 26 de abril de 2005, no qual pretende compensar os recolhimentos de IRRF (Código 0588) indevidos ou a maior, com a Cofins. Ressaltase que o alegado crédito não é decorrente de decisão judicial ou administrativa e que a alegada ação judicial para conseguir a informação, deferida em dezembro de 2003, em nada interfere na contagem do prazo decadencial. Em relação a essa matéria, observase que Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 1.002.932SP, submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, fixou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118, de 2005, o prazo prescricional para a restituição do indébito permanece regido pela tese dos “cinco mais cinco”, limitado a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. E, de acordo com o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STJ, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal enfrentando o tema decidiu no Recurso Extraordinário nº 566.621 (04/08/2011) que seria válida a aplicação do prazo de cinco anos somente às ações ajuizadas depois do decurso da “vacatio legis” de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. No âmbito do CARF, a Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou súmula sobre a matéria, estendendo a interpretação aos pedidos de restituição pleiteados administrativamente, com o seguinte enunciado: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 4 Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Dito isso, passamos a analisar o presente caso. A declaração de compensação foi apresentada pelo contribuinte em 26 de abril de 2005, com o objetivo de compensar imposto de renda retido na fonte (código 0588) supostamente recolhidos em 31 de março de 1993 e 8 de maio de 1996, nos respectivos valores de R$ 50,42 e R$ 16.595,33. Quanto ao primeiro valor, cujo pagamento teria sido efetuado há mais de 10 anos, não há qualquer hipótese de aproveitamento para compensação, por estar abrangido pela decadência. Já o segundo pagamento seria alcançado pelo prazo estipulado na Súmula CARF nº 91 e, apesar de não constar qualquer registro desse suposto pagamento, e o valor informado pelo contribuinte para compensação ser superior ao valor ao “valor total do DARF” – o contribuinte pretende aproveitar R$ 16.646,34 de um DARF de R$ 2.883,33 –, a análise da questão neste Colegiado implicaria supressão de instância. Assim, o crédito de R$ 50,42, com data de recolhimento em 31 de março de 1993, está abrangido pela decadência. Porém, o outro com data de recolhimento indicada em 8 de maio de 1996, não está. E, como a questão de mérito não foi apreciada, os autos devem retornar à Delegacia de origem, sob pena de supressão de instância. Isto posto, voto em afastar a decadência relativamente ao pagamento referente a 1996, determinando o retorno dos autos à DRF, para exame das demais questões que envolvem o pedido. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 67DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.907156/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
Restituição.Compensação. Comprovação De Erro.
Comprovado nos autos, mediante apresentação da contabilidade, o valor de recolhimento indevido da CSLL, a maior, restitui-se a diferença devida e homologam-se as compensações até o limite deste crédito.
Numero da decisão: 1801-002.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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COMPROVAÇÃO DE ERRO. Comprovado nos autos, mediante apresentação da contabilidade, o valor de recolhimento indevido da CSLL, a maior, restituise a diferença devida e homologamse as compensações até o limite deste crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Este litígio foi objeto da Resolução nº 180100.165, deliberada em 06 de novembro de 2012, efls. 93 a 98, pelo que aproveito trechos do Relatório e Voto já redigidos para historiar os fatos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 71 56 /2 00 9- 81 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 “A empresa recorre do Acórdão nº 0939.089/12 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, fls. 57 a 62, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 05. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “[...] A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: · ao calcular e preencher o DARF relativo a Contribuição Social s/Lucro LíquidoCSLL, referente ao 4° trimestre de 2004, cometeu um equivoco fazendo constar naquele documento um valor maior que o devido; · apresenta a cópia da ficha 18 A (doc. em anexo) da DIPJ onde constam os valores da receita bruta do 4° trimestre de 2004, bem como o respectivo cálculo dessa contribuição; · o recolhimento a maior da Contribuição Social S/ Lucro LíquidoCSLL, relativa ao 4° trimestre de 2004, se deu através dos Darfs (doc. em anexo). · após constatar que havia efetuado o recolhimento a maior, providenciou a retificação da DCTFOriginal (doc. em anexo) entregue em 14/11/2003, transmitindo a DCTFRetificadora (doc. em anexo), em 29/12/2008, onde fez constar, respectivamente, o valor informado originariamente e o valor realmente devido; · diante da existência do crédito acima discriminado, resolveu, então, aproveitar parte desse valor para compensar o débito apurado de COFINS, da competência 05/2006, cuja data de vencimento se deu em 14/06/2006, tudo isso em conformidade com a legislação vigente àquela época, e, para demonstrar esta compensação, entregou em 14/06/2006 a Declaração de Compensação PER/DCOMP (doc. em anexo), onde informou que estava realizando a compensação da quantia de R$ 13.813,09, crédito apurado em relação a parcela da Contribuição Social recolhida em 31/03/2005, que, corrigida, atingiu o valor de R$ 17.064,69, conforme demonstra o PER/DCOMP retro citado, em sua página de n° 02. · além da informação constante do PER/DCOMP, a requerente também informou esta compensação na pág. 46 (doc.em anexo) da DCTF do 1° Semestre do ano 2006. [...] A empresa apresentou as declarações (DCTF e DIPJ) originais do 4° trimestre de 2004 com informação de débito de CSLL no total de R$ 68.131,58, vinculado a pagamento em DARF's de R$ 22.710,66, com datas de vencimento em 31/01/2005, 28/02/2005 e 31/03/2005. A DCOMP em análise foi transmitida em 14/06/2006. A ciência do despacho decisório eletrônico ocorreu em 19/08/2009 (AR de fl. 10 do processo virtual). A contribuinte apresentou DCTF retificadora em 29/12/2008 e DIPJ retificadora em 18/09/2009, após a ciência do despacho decisório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907156/200981 Acórdão n.º 1801002.119 S1TE01 Fl. 3 3 Portanto, na data da transmissão da DCOMP, só existiam a DCTF e a DIPJ originais. A manifestação de inconformidade confirma que esse novo valor, informado na DCTF e na DIPJ retificadoras, fora apurado e declarado à RFB em data posterior à transmissão da DCOMP n° 31515.94933.140606.1.3.040304, sem comprovar que houve erro de fato na informação prestada nas declarações originais (DCTF e DIPJ). Erro de fato é aquele que independe de averiguações para sua constatação. Considerando que a DCTF constituise em confissão de dívida, os débitos nela declarados e não pagos são exigíveis, sendo passíveis de inscrição em Dívida Ativa da União para futura execução fiscal. Assim o pagamento efetuado foi corretamente alocado ao débito declarado pela empresa, não existindo de fato saldo disponível a ser usado em compensação, na data da transmissão da DCOMP em análise. [...] A Lei 9.430/1996, em seu artigo 74, com alterações produzidas pela Lei 10.637/2002, assim dispõe: [...] Assim não resta dúvida de que a compensação se dá na data da transmissão da DCOMP, sendo que nessa data não existia o crédito declarado na DCOMP analisada. O despacho decisório considerou a informação contida em DCTF porque somente essa existia quando da apresentação da DCOMP e quando da emissão do despacho decisório. A informação em DCOMP da existência de crédito disponível em função de pagamento a maior de tributo tem que estar suportada em informações existentes nos sistemas utilizados pela RFB (controle de DARF, DCTF, DIPJ, DIRF, DACON) ou suportada nos livros e documentos escriturados à época da transmissão da DCOMP. [...] A empresa interpôs, tempestivamente (AR – 27/02/12; Recurso – 27/03/12), o Recurso de fls. 74 a 90, reiterando as argumentações da defesa exordial e juntou aos autos folhas do Razão Analítico buscando comprovar o valor das receitas brutas auferidas no período e o cálculo devido de apuração do tributo em espécie. Pretende com esta providência comprovar os erros de recolhimentos a maior realizados e o seu direito no indébito tributário. É o relatório. Passo ao voto. VOTO [...] A recorrente pleiteia restituição da CSLL relativa ao 4º trimestre de 2004, que alega ter recolhido com erro, a maior. Diz que o valor devido e correto é R$ 26.692,72, mas recolheu R$ 68.131,99, em três parcelas (R$ 22.710,66 cada uma), e traz contas do Razão Analítico para comprovar as receitas auferidas no período. Este processo tem como objeto um dos DARF relativo à parcela recolhida em 31/03/2005 e o valor pleiteado é a diferença entre R$ 22.710,66 e R$ 8.897,57 (R$ 26.692,72: 02), que perfaz R$ 13.813,09. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 A turma julgadora de primeira instância não admitiu o pedido de restituição/compensação com fundamento no fato de as declarações retificadoras – DIPJ e DCTF – foram entregues após o despacho decisório e porque entende que à data do pedido de compensação, o débito tributário da CSLL confessado na DCTF original foi devidamente pago. No entanto, se houve efetivamente erro no cálculo da CSLL devida, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, mas não alcança as retificações de DIPJ (meramente informativa) ou DCTF. Ressaltese que a DCTF retificadora substitui em todos os efeitos a DCTF original e não surtirá efeitos nas hipóteses que a norma tributária estabelece. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: [...] Para comprovar o erro mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos. Entendo que ao trazer, ainda que em fase recursal, as contas do Razão analítico que são utilizadas para apurar o tributo devido, a recorrente faz início de prova do direito que alega fazer jus. Todavia, não prescinde o exame da contabilidade completa escriturada à época (balancetes registrados no Diário e verificação da possível existência de outras contas de receitas auferidas no período em comento). Voto na conversão do julgamento na realização de diligência para que: a) a fim de reratificar os cálculos da recorrente, a autoridade fiscal verifique o valor da base de cálculo da CSLL relativa ao 4º trimestre de 2004 junto a contabilidade completa da recorrente, explicitando os cálculos em Relatório Fiscal e juntando, em cópia, os registros contábeis pertinentes; b) a autoridade competente informe se os valores já foram inscritos na Dívida Ativa da União. [...]” A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências informou às e fls. 198 e 199: “[...] A empresa foi intimada, fls. 100/101 e apresentou documentação anexada às fls. 102/189, apresentando os seguintes esclarecimentos: que a atividade desenvolvida é de prestação de serviços de engenharia civil e a execução de obras de construção civil em geral, bem como sua comercialização; que no período em análise prestou serviços de construção civil com aplicação de todo material ao Carrefour Comércio e Indústria Ltda, Eldorado S/A, Construmega Mega Center daConstrução Ltda e Toyobo Brasil Ind. Textil Ltda; que construiu o Edifício Zenith, do qual alguns apartamentos foram vendidos à prestação com parcelas recebidas no período; Fl. 212DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907156/200981 Acórdão n.º 1801002.119 S1TE01 Fl. 4 5 que compõe a base de cálculo da CSLL os rendimentos de aplicações financeiras. A empresa foi intimada, fls. 190/191 a complementar a documentação, com apresentação de cópia de livro onde conste o valor da CSLL apurada no 4° (sic) trimestre de 2004, com ciência em 09/04/2014, não tendo apresentado resposta até a presente data. Em relação ao item "a", temos que as notas fiscais emitidas no período foram contabilizadas, conforme Razão Analítico do Período. A divergência entre o valor declarado na DCTF original e na DCTF retificadora é relativa à alíquota utilizada para apuração da base de cálculo, conforme informado na DIPJ, fls. 192/193, abaixo discriminado: (Valores em Reais R$) DIPJ Original DIPJ Retificadora Receita sujeita ao percentual de 12% 75.611,17 2.374.521,5 Receita sujeita ao percentual de 32% 2.298.910,35 0,00 Resultado da Aplic Percentuais 744.724,65 284.942,58 Rendimento Aplicação renda fixa e var 11.643,24 11.643,24 Base de Cálculo da CSLL 756.367,89 296.585,82 CSLL a pagar 68.073,11 26.692,72 Conforme entendimento reiterado da RFB exarado em atos internos, a partir de setembro de 2003, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção por empreitada é de 32% quando houver emprego unicamente de mão deobra, ou de 12% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade, incorporados à obra. Com base no disposto acima, o valor da CSLL do 4° trimestre de 2004 seria de R$26.692,72, pago em 03 quotas de R$8.897,57, restando disponível o valor de R$13.813,09 para utilização neste processo, valor este suficiente para extinguir o débito objeto de compensação, fls. 195/197.” É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora A questão litigiosa foi dirimida com a realização da diligência, que concluiu pela ocorrência de erro, de fato, cometido pela recorrente e pagamento de tributo a maior, conforme Informação Fiscal de efls. 198 e 199 e documentos apresentados pela recorrente à fiscalização. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Voto em dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório pleiteado no valor de R$ 13.813,09 e conseqüente homologação das compensações até o limite deste crédito. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 214DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11070.722307/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA SUFICIENTE A DEMONSTRAR A VERACIDADE DAS ALEGAÇÕES. PRECLUSÃO DO DIREITO DE PRODUZIR PROVAS.
O relatório emitido por escritório de advocacia contratado pelo Recorrente não é suficiente para demonstrar a veracidade de suas alegações. Ausentes documentos pertinentes e capazes de demonstrar a origem dos créditos compensados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira Do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA SUFICIENTE A DEMONSTRAR A VERACIDADE DAS ALEGAÇÕES. PRECLUSÃO DO DIREITO DE PRODUZIR PROVAS. O relatório emitido por escritório de advocacia contratado pelo Recorrente não é suficiente para demonstrar a veracidade de suas alegações. Ausentes documentos pertinentes e capazes de demonstrar a origem dos créditos compensados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira Do Prado.
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SERVIDOR PÚBLICO. Recorrente MUNICÍPIO DE CAIÇARA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA SUFICIENTE A DEMONSTRAR A VERACIDADE DAS ALEGAÇÕES. PRECLUSÃO DO DIREITO DE PRODUZIR PROVAS. O relatório emitido por escritório de advocacia contratado pelo Recorrente não é suficiente para demonstrar a veracidade de suas alegações. Ausentes documentos pertinentes e capazes de demonstrar a origem dos créditos compensados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 23 07 /2 01 1- 19 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira Do Prado. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11070.722307/201119 Acórdão n.º 2402003.930 S2C4T2 Fl. 192 3 Relatório Tratase de autuação referente às competências de 01/2009 a 12/2010, da qual resultaram os seguintes autos de infração: 1) AI Debcad nº 51.006.7620, no valor de R$ 6.461,96, fl. 03, referente às contribuições devidas pelos segurados empregados, e pelos contribuintes individuais, nas competências de 01/2009 a 12/2009. 2) AI Debcad nº 51.006.7638, no valor de R$ 53.725,28, fl. 12, referente à contribuição previdenciária da empresa, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, inclusive aquela destinada para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados. 3) AI Debcad nº 51.006.7670, no valor de R$ 123.009,79, fl. 25, referente a glosas de compensações indevidas no período de 10/2009 a 12/2010. 3.1.) Nos termos do relatório fiscal de fls. 36/37, o Município Recorrente obteve decisão favorável nos autos do processo n° 2004.71.04.0078642 para compensar valores recolhidos a maior a título de cargos eletivos de vereadores. Entretanto, conferidos os valores compensados, verificouse que o Município já tinha compensado os valores recolhidos a maior na competência de 10/2009 e, ainda, que teriam sido compensados indevidamente valores relativos a contribuição de Prefeito e Vice Prefeito que já haviam sido restituídos em espécie, nos termos do processo n° 2004.71.04.0039296; 3.2.) No período de 08/2010 a 12/2010, foram glosadas compensações efetuadas a maior relativas ao saláriomaternidade das seguradas Tamires Fabris e Eleni Fátima Both Bolsoni. Intimado da autuação, o Recorrente apresentou impugnação de fls. 144/148, a qual fora julgada improcedente às fls. 170/173 pelos seguintes fundamentos: 1) Os valores compensados são maiores do que os valores apurados como crédito em favor do Recorrente e este em momento algum contestou os valores glosados e nem apresentou documentos capazes de demonstrar o equívoco; 2) Não houve contestação quanto às glosas de salário maternidade, portanto, tais glosas tornaramse definitivas na esfera administrativa. Ao final, julgou improcedente a impugnação e manteve a exigência do auto de infração. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Cientificado do resultado do julgamento, o Recorrente, às fls. 176/186, interpôs recurso voluntário no qual requer o cancelamento da autuação sob os motivos que seguem: 1) A compensação a que se refere a fiscalização não diz respeito aos pagamentos indevidos referentes aos agentes eletivos. Este crédito foi utilizado pelo Recorrente em 09/2010; 2) A compensação objeto de fiscalização dizia respeito a pagamentos realizados a maior pelo Recorrente, vez que observado que o Município recolheu valores maiores que os declarados como devidos; 3) As declarações dos valores menores fora homologada tacitamente pela Administração na medida em que não contestada a declaração no prazo estabelecoido pelo CTN; Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11070.722307/201119 Acórdão n.º 2402003.930 S2C4T2 Fl. 193 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Conhecimento O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, inclusive o da tempestividade, razão pela qual voto por seu conhecimento. Sem preliminares. No Mérito Alega o Recorrente que a fiscalização, ao efetuar glosa de compensação considerou como créditos apenas os valores recolhidos indevidamente a título de cargos eletivos, sendo certo que quanto a estes créditos o próprio Recorrente informa que já os tinha compensado no momento da fiscalização. Aduz, ainda, que os valores compensados nas competências em análise, em verdade, dizem respeito a valores recolhidos a maior em relação aos valores declarados. Menciona, para tanto, relatório elaborado por escritório de advocacia contratado pelo Recorrente, acostado às fls. 69/105. Não apresenta nos autos cópias das GFIP e GPS que comprovem o alegado. De fato, às fls. 88/89, consta planilha demonstrativa de valores supostamente declarados a menor e recolhidos a maior pelo Recorrente. Também é fato que os valores declarados a menor, nos termos apresentados pelo Recorrente, em razão do disposto no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, estariam homologados tacitamente pela Administração. Entretanto, apenas o relatório emitido por escritório de advocacia contratado não é suficiente para demonstrar a veracidade das alegações. A todo momento o Recorrente alega que o que se compensou nas competências sob análise foram os valores recolhidos a maior e não os referentes a recolhimentos indevidos sobre cargos eletivos, todavia, não logrou êxito em demonstrar, mediante documentos pertinentes e suficientes, que tais alegações seriam verídicas. Sendo assim, estando ausentes provas suficientes quanto às alegações do Recorrente e tendo precluído o direito de juntar provas aos autos, nos termos do artigo 16, §4°, do Decreto n° 70.235/72, necessária a manutenção do crédito tributário. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Conclusão Isto posto, conheço do recurso voluntário e a ele nego provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13896.903094/2009-21
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO NO CARF.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DAS PROVAS. PREJUDICIALIDADE SUPERADA. NOVA DECISÃO.
Uma vez superada a questão considerada prejudicial à análise do material probatório produzido na primeira instância, deve a Delegacia de Julgamento enfrentar o mérito, sem prejuízo da realização de eventuais diligências que se mostrarem necessárias à apuração efetiva do direito creditório.
Numero da decisão: 3803-006.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para determinar o encaminhamento dos autos à DRJ Campinas/SP, para fins de julgamento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para determinar o encaminhamento dos autos à DRJ Campinas/SP, para fins de julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 FATURAMENTO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. De acordo com decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF), submetida à regra da repercussão geral, é inconstitucional o alargamento da base de cálculo promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1999, no sentido de tributar outras receitas auferidas pelo sujeito passivo que extrapolam o conceito de faturamento ou receita bruta. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DAS PROVAS. PREJUDICIALIDADE SUPERADA. NOVA DECISÃO. Uma vez superada a questão considerada prejudicial à análise do material probatório produzido na primeira instância, deve a Delegacia de Julgamento enfrentar o mérito, sem prejuízo da realização de eventuais diligências que se mostrarem necessárias à apuração efetiva do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 30 94 /2 00 9- 21 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.903094/200921 Acórdão n.º 3803006.295 S3TE03 Fl. 83 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para determinar o encaminhamento dos autos à DRJ Campinas/SP, para fins de julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da não homologação da compensação declarada, no valor de R$ 48.413,69, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte arguiu que o indébito decorrera do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1999, considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de planilhas por ele elaboradas, do DARF e de parte do livro Razão Geral. O acórdão da DRJ Campinas/SP, em que não se reconheceu o direito creditório, foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. EFEITOS INTER PARTES. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, nos termos do art. 472 do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não Fl. 83DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.903094/200921 Acórdão n.º 3803006.295 S3TE03 Fl. 84 3 produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Pagamento Indevido ou a Maior. Recolhimento vinculado a débito Confessado. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Destacou o julgador de piso que, uma vez não acolhidas as razões de direito do contribuinte, perderam a finalidade os elementos de prova trazidos aos autos. Cientificado da decisão em 7 de dezembro de 2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 4 de janeiro de 2013 e requereu o reconhecimento do direito à compensação, arguindo que, em razão da inconstitucionalidade declarada pelo STF em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, relativamente ao alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, este Colegiado encontravase obrigado a reproduzir tal entendimento, dada a regra do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca de Declaração de Compensação não homologada que, segundo o Recorrente, amparase em valor recolhido a maior da contribuição, apurada que fora sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. De início, devese registrar que a decisão da DRJ Campinas/SP encontrase em conformidade com a legislação processual então vigente, uma vez que sua prolação se dera em 9 de outubro de 2012, data essa anterior à alteração do art. 19, inciso IV, e § 5º, da Lei nº 10.522, de 2002, promovida pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 2013, cuja vigência se deu a partir de 19 de julho de 2013. Tal alteração legislativa se refere à determinação dirigida às unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil de reproduzirem em suas decisões o entendimento adotado em decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na Fl. 84DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.903094/200921 Acórdão n.º 3803006.295 S3TE03 Fl. 85 4 sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (repercussão geral), após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Anteriormente a essa alteração da lei, a disciplina da matéria restringiase ao art. 62A do Regulamento do CARF, aplicável apenas a este órgão colegiado, e ao contido no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, que excetuava da vedação dirigida aos órgãos de julgamento administrativos, relativamente à impossibilidade de afastamento da aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a hipótese de inconstitucionalidade declarada por decisão plenária do STF. Notese que essa exceção contida no § 6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não obrigava o julgador administrativo a reproduzir o teor da decisão plenária do STF, tratandose de hipótese de permissão autorizada de adoção do entendimento da Corte Constitucional. Feitas essas considerações, passase à análise do fundamento legal da declaração de compensação. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 1, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de 1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.903094/200921 Acórdão n.º 3803006.295 S3TE03 Fl. 86 5 mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta” não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de se tributarem outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise pelo direito do contribuinte à compensação de indébitos decorrentes de recolhimentos a maior da contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Desde a Manifestação de Inconformidade, o Recorrente já havia trazido aos autos cópia de parte do livro Razão Geral, relativa ao período sob comento, em que se encontram identificadas inúmeras contas, dentre elas algumas relativas a receitas financeiras, que vêm a ser a receita correspondente ao alegado alargamento da base de cálculo da contribuição. Referido livro restou não analisado pela Delegacia de Julgamento, em razão do fato de que, uma vez não acolhidas as razões de direito do contribuinte, teriam perdido a finalidade os elementos de prova então trazidos aos autos. No entanto, uma vez superada nesta instância a questão então considerada prejudicial, deve a Delegacia de Julgamento, em respeito ao princípio do duplo grau de cognição, enfrentar o mérito relativo ao eventual recolhimento a maior da contribuição decorrente do alargamento da base de cálculo, cuja inconstitucionalidade declarada pelo STF ora é reproduzida neste voto. Nesse contexto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para determinar à DRJ Campinas/SP que, uma vez superada a questão prejudicial relativa à inconstitucionalidade da exação, se analisem as provas então carreadas aos autos e se enfrente o mérito da presente controvérsia, observandose o teor do presente voto, sem prejuízo da realização de eventuais diligências que se mostrarem necessárias à efetiva apuração do direito Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.903094/200921 Acórdão n.º 3803006.295 S3TE03 Fl. 87 6 creditório, tendo por base a escrituração contábilfiscal do sujeito passivo, bem como os documentos fiscais que a lastreiam. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10935.907078/2011-21
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/03/2001
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-005.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade , negou-se provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade , negouse provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 70 78 /2 01 1- 21 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070538), indeferiu o Per/DComp transmitida em 15/03/2001, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.326, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/03/2001 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo Fl. 53DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907078/201121 Acórdão n.º 3803005.580 S3TE03 Fl. 7 3 as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907078/201121 Acórdão n.º 3803005.580 S3TE03 Fl. 8 5 Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2014. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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