Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,212)
- Segunda Câmara (27,796)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,283)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,819)
- Primeira Turma Ordinária (15,807)
- Primeira Turma Ordinária (15,722)
- Segunda Turma Ordinária d (15,676)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,949)
- Primeira Turma Ordinária (12,262)
- Segunda Turma Ordinária d (12,222)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,277)
- Quarta Câmara (83,808)
- Terceira Câmara (65,808)
- Segunda Câmara (54,396)
- Primeira Câmara (18,980)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,670)
- Segunda Seção de Julgamen (112,719)
- Primeira Seção de Julgame (74,977)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,905)
- Câmara Superior de Recurs (37,572)
- Terceiro Conselho de Cont (25,954)
- IPI- processos NT - ressa (5,001)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,651)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,600)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,200)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,888)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,555)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,913)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,024)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10935.003377/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. MULTA. MANUTENÇÃO. Considerando que a recorrente fora devidamente intimada a apresentar documentos solicitados pela fiscalização tributária e não cumpriu com tal providência é de se reconhecer a caracterização de infração ao art. 33, §§2º e 3º, ambos da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. MULTA. MANUTENÇÃO. Considerando que a recorrente fora devidamente intimada a apresentar documentos solicitados pela fiscalização tributária e não cumpriu com tal providência é de se reconhecer a caracterização de infração ao art. 33, §§2º e 3º, ambos da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10935.003377/2010-11
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5596337
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.255
nome_arquivo_s : Decisao_10935003377201011.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 10935003377201011_5596337.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6403601
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417446395904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1259; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.003377/201011 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.255 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2016 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente PLASMA INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. MULTA. MANUTENÇÃO. Considerando que a recorrente fora devidamente intimada a apresentar documentos solicitados pela fiscalização tributária e não cumpriu com tal providência é de se reconhecer a caracterização de infração ao art. 33, §§2º e 3º, ambos da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 33 77 /2 01 0- 11 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10935.003377/201011 Acórdão n.º 2402005.255 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por PLASMA INDUSTRIAL LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração 37.289.6391, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de apresentar documentos solicitados pela auditoria durante a ação fiscal. Consta do relatório fiscal que não foram apresentados os seguintes documentos: (i) Acordos coletivos de trabalho do período de 07/2006 a 12/2008; (ii) notas fiscais de prestação de serviços de cooperativa de trabalho. O período do lançamento compreende as competências de 01/2006 a 12/2009, tendo sido contribuinte cientificado em 18/06/2010. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que posteriormente ao ter apresentado impugnação nos autos do presente processo, veio a ser surpreendida com a lavratura de outras diversas NFLD´s e AI exigindo as contribuições objeto do presente Auto de Infração na empresa SPERAFICO INDUSTRIAL, de modo que o fisco a considerou como responsável pelo lançamento das obrigações acessórias, mas não a considerou como responsável pelo lançamento das obrigações principais; 2. nulidade, tendo em vista que o julgamento não foi conjunto com os demais AI´s e NFLD´s; 3. que não houve descumprimento da obrigação de prestar esclarecimentos; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Inicialmente, cumpre afirmar que nos autos do presente processo, a recorrente não veio a ser responsabilizada por obrigações de outra empresa, no caso a SPERAFICO INDUSTRIAL. Da análise do Auto de Infração, verificase que a fiscalização foi levada a efeito em face da recorrente, e não de outra pessoa jurídica, sendo que todos os termos de intimação foram dirigidos à própria sede da recorrente, buscando informações sobre contabilidade própria, de forma a que fosse verificado o devido cumprimento das obrigações previdenciárias a seu cargo. Assim, não deve ser acatada qualquer situação de prejudicialidade ou mesmo necessidade de julgamento conjunto do presente processo com qualquer outro, mesmo que seja da empresa SPERAFICO, sobretudo considerando que a não apresentação de documentos é infração autônoma, não havendo qualquer relação de prejudicialidade com outros autos de infração que tenham sido lavrados em desfavor da recorrente. Quanto a alegação de que não houve falta de prestação de esclarecimentos por parte da contribuinte, também não acato tal pedido. Ao analisar o auto de infração, verificase que a falta imputada no presente caso, em verdade é da não apresentação de documentos, e não do fato do contribuinte ter deixado de prestar esclarecimentos. Ademais, a não apresentação dos documentos é fato confirmado pela recorrente quando das respostas das intimações que lhe solicitaram tal providência, sobretudo quanto as notas de serviços de cooperativas de trabalho, quando apontou não as possuir. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10935.003377/201011 Acórdão n.º 2402005.255 S2C4T2 Fl. 4 5 Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000018/2005-52
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2006
Ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS - UNESCO - ISENÇÃO - ALCANCE - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por
tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR - RESPONSABILIDADE
TRIBUTÁRIA - No caso de rendimentos recebidos do exterior, a
responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFíCIO - CONCOMITÂNCIA - Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, S 1°,
inciso 111, da Lei nº.9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-22.097
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada do carnê-Ieão, exigida concomitantemente com a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Maria Helena Cotta Cardozo
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200612
ementa_s : RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS - UNESCO - ISENÇÃO - ALCANCE - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - No caso de rendimentos recebidos do exterior, a responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFíCIO - CONCOMITÂNCIA - Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, S 1°, inciso 111, da Lei nº.9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido.
turma_s : Quarta Câmara
numero_processo_s : 14041.000018/2005-52
conteudo_id_s : 5613744
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 104-22.097
nome_arquivo_s : Decisao_14041000018200552.pdf
nome_relator_s : Maria Helena Cotta Cardozo
nome_arquivo_pdf_s : 14041000018200552_5613744.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada do carnê-Ieão, exigida concomitantemente com a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2006
id : 6450443
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417626750976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Acórdão nº 104-22.097; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2016-05-12T17:13:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Acórdão nº 104-22.097; xmpMM:DocumentID: uuid:e5b5b3bb-e101-4f52-91de-5b30f1eb8929; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: Acórdão nº 104-22.097; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; ModDate--Text: ; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-05-12T17:13:59Z; created: 2016-05-12T17:13:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 37; Creation-Date: 2016-05-12T17:13:59Z; pdf:charsPerPage: 1590; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:custom:ModDate--Text: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2016-05-12T17:13:59Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA F:AZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .QUARTA CÂMARA Processo nO. Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Acórdão nO. 14041 .000018/2005-52 151.318 IRPF - Ex(s): 2003 JOSÉ HAILON GOMIDE 3a TURMAlDRJ-BRASíLlA/DF 06 de dezembro de 2006 104-22.097 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS - UNESCO - ISENÇÃO - ALCANCE - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - No caso de rendimentos recebidos do exterior, a responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFíCIO - CONCOMITÂNCIA - Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, S 1°, inciso 111, da Lei nO.9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOSÉ HAILON GOMIDE. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada do carnê-Ieão, exigida concomitantemente com a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. f ~INI&TÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 FORMALIZADO EM: 2 O DE Z 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, HELOíSA GUARITA SOUZA, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, GUSTAVO L1AN HADDAD e REMIS ALMEIDA ESTOL. Ausente justificadamente o Conselheiro OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR. r-- 2 ~INIS'TÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. Recurso nO. Recorrente 14041.000018/2005-52 104-22.097 151.318 JOSÉ HAILON GOMIDE RELATÓRIO DO AUTO DE INFRAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado, em 29/11/2004, pela Delegacia da Receita Federal em Brasília/DF, o Auto de Infração de fls. 04 a 16, no valor de R$ 46.347,29, correspondente a Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício, juros de mora e multa isolada do carnê-Ieão, tendo em vista a omissão de rendimentos recebidos de fonte no exterior (Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura - UNESCO/ONU), relativos ao exercício de 2003, ano-calendário de 2002. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 14/12/2004 (fls. 56), o contribuinte apresentou, em 12/01/2005, tempestivamente, a impugnação de fls. 58 a 68, cujos argumentos foram assim resumidos no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 172/173): "a) Que pertence ao quadro permanente da UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, percebendo seus rendimentos, mensalmente, em conta corrente, com a declaração anual de rendimentos fornecida pelo órgão, tudo sob o pálio de prerrogativas e privilégios previstos nas Convenções e Acordos firmados pelos Estados Membros da ONU, dentre eles o Brasil;r 3 f~INISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO, Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 b) Que os recursos obtidos em razão de seu vínculo empregatício com a UNESCO foram devidamente informados em sua declaração de ajuste, o que demonstra de forma inexorável a sua obediência à legislação tributária; c) Que atendeu na integralidade o que dispõe a legislação relativa a Obrigação Tributária Acessória, já que Obrigação Tributária Principal não existe no caso em tela, o que demonstra a boa fé e garante ao impugnante a exclusão da incidência das penalidades; d) Que, sem distinção de categorias funcionais, o Decreto nO. 59.308/66 (Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica) assegura a isenção de qualquer imposto incidente sobe os salários dos funcionários das Agências Especializadas da ONU, entre as quais inclui- se a UNESCO; e) Que cumpre jornada regular de trabalho, assina folha de ponto, está subordinado à hierarquia do organismo, somente pode gozar férias por período determinado autorizado pela chefia, sendo mais do que evidente a sua condição de funcionário do organismo internacional e o vínculo empregatício; f) Que a própria SRF através do Parecer CST 717/79, em resposta a consulta formulada pelo PNUD, firmou a orientação de que a isenção se estende 'a todos os membros do pessoal das Nações Unidas, com exceção daqueles recrutados no local e que sejam remunerados a taxa horária', exceção essa que não se aplica à situação do Impugnante, já que é do quadro permanente e não é remunerado por hora trabalhada, conforme se depreende dos comprovantes de pagamentos acostados; g) Que não é necessário que seu nome seja veiculado por meio de lista periódica. Que tal determinação, a ser cumprida pelos organismos internacionais, se descumprida, não carreta qualquer responsabilidade a ser imputada aos funcionários das agências especializadas contratados no Brasil; h) Que a propna SRF reconhece a isenção do Impugnante, quando disponibiliza em seu site (perguntas e respostas) a informação de que os rendimentos do trabalho de funcionários brasileiros, oriundos de suas funções específicas nos organismos internacionais, não se sujeitam ao IR brasileiro, desde que o nome do funcionário conste da relação entregue a SRF na forma do anexo IV da IN SRF nO.73/98; 'f' 4 '1VJINISTÉRI0 DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 i) Junta diversas ementas de acórdãos proferidos pelo Conselho de Contribuintes; j) Pede, em não sendo esse o entendimento deste colegiado, alternativamente, reconhecida a informação prestada na declaração de ajuste e excluída a incidência das penalidades." DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Em 08/02/2006, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF exarou o Acórdão DRJ/BSA nO.16.417 (fls. 171 a 181), considerando procedente o lançamento, conforme os seguintes argumentos, em síntese: - a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU corresponde a uma Agência Especializada da ONU, segundo esclarece o Artigo 1° do Decreto nO.52.288, de 1963; - o contribuinte não se enquadra na categoria de funcionários da UNESCO que gozam da isenção de Imposto de Renda sobre os vencimentos recebidos do Organismo, pela simples razão de não ser funcionário e sim um técnico contratado, de acordo com as normas legais vigentes e as provas dos autos; - a isenção prevista no art. 5° da Lei nO. 4.506, de 1964, aplica-se exclusivamente aos servidores de Organismos Internacionais domiciliados no exterior, caso contrário o parágrafo único do artigo estabeleceria a tributação de outros rendimentos auferidos por pessoas domiciliadas no Brasil como residente no exterior, o que seria um contra-senso; - nenhum dos requisitos foi atendido pelo contribuinte, vez que não é servidor das Agências Especializadas da ONU e tampouco reside no exterior; V- 5 '1v1INISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 - todavia, a legislação brasileira reconhece que a fonte da obrigação de conceder a isenção é o tratado ou convênio internacional de que o Brasil seja signatário; - assim, mesmo o contribuinte não sendo beneficiado pela isenção prevista no art. 5° da Lei nO. 4.506, de 1964, impõe-se a análise dos tratados e convenções internacionais vigentes a fim de saber se o contemplam, de outro modo, com a isenção de Imposto de Renda; - no caso em questão, os rendimentos foram recebidos da UNESCO, disciplinada pelo Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto nO.59.308, de 1966; - conforme dito acordo, a UNESCO corresponde a uma Agência Especializada da ONU e, com relação aos seus funcionários, aplica-se a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agencias Especializadas das Nações Unidas, adotada em 21/11/1946, por ocasião da Assembléia Geral das Nações Unidas, e recepcionada pelo direito pátrio por meio do Decreto nO.52.288, de 24/07/1963, que a promulgou; - a Convenção que rege o tema nada estabelece sobre qual deva ser o domicílio da pessoa beneficiária da isenção, mas exige que seja ela funcionária das Agências Especializadas e que conste na lista elaborada pela Agência, sujeita à comunicação ao Secretário Geral da ONU e, periodicamente, aos Governos dos Estados Membros; - diferentemente do entendimento do contribuinte, a necessidade de indicação dos nomes e das categorias dos funcionários que têm direito à isenção representa uma exigência da própria Convenção, e não do Governo Brasileiro ou da Receita Federal. f 6 '~MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 - o nome contido na lista e a sua comunicação ao Governo são requisitos para o gozo da isenção, já que nem todos os fu~cionários das Agências Especializadas fazem jus ao privilégio, mas tão somente os funcionários internacionais mais graduados, que necessitam de privilégios semelhantes aos agentes diplomáticos, para o bom desempenho de suas funções; - a determinação da categoria de funcionários beneficiados com os privilégios cabe às Agências Especializadas, que gozam de autonomia, inclusive para renunciar a qualquer imunidade concedida aos seus funcionários (223 Seção do Artigo 6° da Convenção); - já para os técnicos que prestam serviços às Agências Especializadas, sem vínculo empregatício, nada foi disposto na Convenção a respeito de isenção de impostos; - a IN SRF nO. 73, de 1998, reiterada pelas seguintes, confirma a interpretação feita da Convenção, isto é, os rendimentos auferidos de Organismos Internacionais pelos residentes no Brasil estão sujeitos à tributação, sob a forma de recolhimento mensal obrigatório, exceto os recebidos por pessoas físicas aqui residentes relacionadas nas listas enviadas à Receita Federal pelos Organismos; - por fim, cite-se a publicação denominada "Imposto de Renda Pessoa Física - Perguntas e Respostas - 2005", editada pela Receita Federal, que esclarece acerca do tratamento tributário dos rendimentos auferidos pelos servidores do PNUD e das Agências Especializadas da ONU (perguntas nOs. 137 e 138); - conclui-se assim que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos recebidos de Organismos Internacionais é privilégio concedido exclusivamente aos funcionários, desde que atendidas certas condições, quais sejam: devem ser funcionários do Organismo Internacional, in casu, enquadrar-se como funcionário da UNESCO; e seus r- 7 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 nomes devem ser relacionados e informados à Receita Federal por tais Organismos, como integrantes das categorias por eles especificadas; - o contribuinte firmou ô Contrato de Serviço com a UNESCO nO. CL T08831/2002, às fls. 48 a 55, que não deixa dúvida no sentido de que ele não pertencia ao quadro efetivo da UNESCO, ou seja, não era funcionário do Organismo, tal como exigido pela legislação que concede a isenção; - destarte, sua relação era apenas contratual e, portanto, sem privilégios de natureza tributária, por falta de previsão em Tratado ou Convênio Internacional, cabendo agora perquirir de quem é a responsabilidade pelo pagamento do tributo; - as Agências Especializadas, segundo o disposto no Artigo 2° do Decreto nO. 52.288, de 1963, têm personalidade jurídica própria e, no que se refere a tributos, são exoneradas de todo imposto direto (9a Seção do Artigo 3° do citado diploma legal); - conjugando os dispositivos mencionados, vê-se que a personalidade jurídica das Agências Especializadas é diversa da de seus agentes, funcionários e prestadores de serviço e que a exoneração de tributos a elas concedida não se estende às pessoas físicas que delas participam; - por conseguinte, as Agências Especializadas não são responsáveis pelo recolhimento de tributos incidentes sobre os salários e emolumentos pagos, dado que lhes é reconhecida, por convenção internacional, a imunidade (Decreto nO.52.288, de 1963); - em sendo devidos os tributos sobre os salários e emolumentos pagos, exonera-se a obrigação pela retenção e recolhimento pela fonte pagadora e transfere-se tal responsabilidade para o contribuinte, sujeito passivo direto da obrigação tributária, a ser feito sob a forma de recolhimento mensal obrigatório; f- 8 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 - no que concerne à jurisprudência invocada, há que ser esclarecido que as decisões judiciais e administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, portanto não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicam-se sobre a questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios; - de qualquer forma, recentemente o Conselho de Contribuintes adotou entendimento diverso sobre o tema, conforme julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. nO.CSRF/04.00.004 - Recurso nO.106-131.853); - assim, os rendimentos recebidos pelo contribuinte da UNESCO/ONU, decorrentes da prestação de serviços contratuais, não gozam de isenção do Imposto de Renda, por falta de previsão legal, estando sujeitos à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnê-Ieão) no mês do recolhimento, sem prejuízo do ajuste anual; - quanto à solicitação de exclusão dos juros de mora e das multas aplicadas, em virtude do disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN, c/c os Pareceres Normativos nOs. 17, de 1979, e 03, de 1996, verifica-se que o contribuinte se encontra em situação diversa da exposta nos citados atos, já que não se enquadra na condição de funcionário do Organismo, não sendo possível beneficiar-se com a exclusão de penalidades, prevista no art. 100 do CTN; - no que diz respeito à multa de oficio aplicada (Lei nO.9.430, de 1996), dita penalidade é devida, já que o contribuinte não apurou, espontaneamente, o crédito tributário e tampouco efetuou o pagamento da obrigação, sendo necessário que a administração lançasse o tributo. f 9 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041 .000018/2005-52 104-22.097 DO RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Cientificado do acórdão de primeira instância em 03/03/2006 (fls. 184), o contribuinte apresentou, em 03/04/2006, tempestivamente, o recurso de fls. 185 a 212, reiterando as razões contidas na impugnação e acrescentando o seguinte: - o Organismo Internacional é o responsável pelo pagamento do tributo; - o contrato firmado com a UNESCO é de adesão, portanto é ingenuidade acreditar que esse instrumento possa obrigar o contribuinte a recolher Imposto de Renda. Às fls. 214, a Autoridade Preparadora informa que foi prestada a garantia recursal (arrolamento de bens). O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 214 (última), que trata também do envio dos autos a este Colegiado. É o Relatório. f- 10 MINlsrÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO, Acórdão nO, 14041.000018/2005-52 104-22.097 VOTO Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o presente processo, de lançamento por meio do qual se exige Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício, juros de mora e multa isolada do carnê-Ieão, tendo em vista a omissão de rendimentos recebidos da Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura - UNESCO/ONU, relativos ao exercício de 2003, ano-calendário de 2002. No entender do cO':1tribuinte, tais rendimentos gozariam de isenção. A solução da lide requer a análise sistemática de toda a legislação que rege a matéria, e não apenas a seleção de alguns dispositivos legais que, citados de forma isolada, podem induzir o Julgador a uma conclusão precipitada, divorciada da ultima ratio que norteia a concessão da isenção em foco. O artigo 5° da Lei nO. 4.506, de 1964, reproduzido no artigo 22 do Regulamento do Imposto de Renda/1999, aprovado pelo Decreto nO.3.000, de 1999, assim determina: "Art. 5° Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: I - Servidores diplomáticos de governos estrangeiros; yl. 11 I i "MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 11 - Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; 111 - Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. Parágrafo único. As pessoas referidas nos itens 11e 111deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país." (grifei) Quanto aos incisos I e 111, não há dúvida de que são dirigidos a estrangeiros, sejam eles servidores diplomáticos, de embaixadas, de consulados ou de repartições de outros países. No que tange ao inciso 11, este menciona genericamente os "servidores de organismos internacionais", nada esclarecendo sobre o seu domicílio, o que conduz a uma conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliados no Brasil. Entretanto, o parágrafo único do artigo em foco faz cair por terra tal interpretação, quando determina que, relativamente aos demais rendimentos produzidos no Brasil, os servidores citados no inciso 11 são contribuintes como residentes no estrangeiro. Ora, não haveria qualquer sentido em determinar-se que um cidadão brasileiro, domiciliado no País, tributasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui que o inciso 11, ao contrário do que à primeira vista pareceria, também não abrange os domiciliados no Brasil. Fica assim demonstrado que o art. 5° da Lei nO. 4.506, de 1964, acima transcrito, não contempla a situação do contribuinte - brasileiro residente no Brasil _, conforme endereço por ele mesmo fornecido na impugnação (fls. 185). Ainda que o dispositivo legal ora analisado pudesse ser aplicado a um nacional residente no País - o que se admite apenas para argumentar - ele é claro ao remeter a isenção concedida a servidores de organismos internacionais ao respectivo tratado ou convênio. E nem poderia ser diferente, já que, conforme o art. 98 do Código y\ 12 ~MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 Tributário Nacional, "os. tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha", portanto as Convenções que regulam a matéria poderiam efetivamente dispor de modo diverso da legislação pátria. Nesse passo, torna-se imprescindível o exame das avenças que regulam a matéria, a começar pelo "Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica", promulgado pelo Decreto nO.59.308, de 23/09/1966, que assim prevê: "ARTIGO V Facilidades, Privilégios e Imunidades 1. O Governo, caso ainda não esteja obrigado a fazê-lo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundo e haveres, bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) com respeito à Organização das Nações Unidas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'; b) com respeito às Agências Especializadas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas'; c) com respeito à Agência Internacional de Energia Atômica o 'Acordo sobre Privilégios e Imunidades da Agência Internacional de Energia Atômica' ou, enquanto tal Acordo não for aprovado pelo Brasil, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'." No caso em apreço, tratando-se de rendimentos pagos pela Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura - UNESCO, que constitui uma Agência Especializada da Organização das Nações Unidas - ONU, as respectivas facilidades, privilégios e imunidades, conforme comando do artigo V.1.b, acima, devem seguir os ditames da "Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas". Esta, por sua vez, foi promulgada pelo Decreto nO.52.288, de 24/07/1963, e assim prevê: ~ 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.00001S/2005-52 104-22.097 "ARTIGO 1° Definições e Extensão 1a Seção Nesta Convenção (...) 11 - As palavras 'agências especializadas' significam: (...) c) a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura; (...) ARTIGO 6° FUNCIONÁRIOS 1Sa Seção Cada agência especializada especificará as categorias dos funcionários nos quais se aplicarão os dispositivos deste artigo e do artigo SO.Comunicá-Ias aos Governos de todos os países partes nesta Convenção, quanto a essa agência, e ao Secretário Geral das Nações Unidas. Dos nomes dos funcionários incluídos nessas categorias periodicamente se dará conhecimento aos Governos acima mencionados. 19a Seção Os funcionários das agências especializadas: a) Serão imunes a processo legal quanto às palavras falada ou escritas e a todos os atos por eles executados na sua qualidade oficial; b) gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos, a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas às de que gozam os funcionários das Nações unidas;f 14 MINISlÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 c) serão imunes, assim como seus cônjuges e parentes dependentes, restrições de imigração e de registro de estrangeiros; d) terão quanto às facilidades de câmbio, privilégios idênticos aos concedidos aos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticas; e) terão, bem como seus cônjuges e parentes dependentes, em época de crises internacionais, facilidades de repatriação idênticas às concedidas aos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticas; f) terão direito de importar, com isenção de direitos, seus móveis e objetos, quando assumirem pela primeira vez o seu posto no país em apreço." (grifei) De plano, verifica-se que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos é dirigida a funcionários das Agências Especializadas da ONU e encontra- se no bojo de diversas outras vantagens, a saber: facilidades imigratórias e de registro de estrangeiros, inclusive para sua família; privilégios cambiais equivalentes aos funcionários de categoria comparável de missões diplomáticas;- facilidades de repatriação idênticas às dos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticas, em tempo de crise internacional; liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal, quando da primeira instalação no país interessado. Embora a Convenção em tela utilize a expressão genérica funcionários, a simples leitura do conjunto de privilégios nela elencados permite concluir que o termo não abrange o funcionário brasileiro, residente no Brasil e aqui recrutado. Isso porque não haveria qualquer sentido em conceder-se a um brasileiro residente no País, benefícios tais como facilidades imigratórias e de registro de estrangeiros, privilégios cambiais, facilidades de repatriação e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal quando da primeira instalação no País. salários e Assim, fica claro que as vantagens.e isenções - inclusive do imposto sobre emolumentos - relacionadas no artigo 6° da Convenção sobre Privilégios e (, ,I 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 Imunidades das Agências Especializadas da ONU não são dirigidas aos brasileiros residentes no Brasil, restando perquirir-se sobre que categorias de funcionários seriam beneficiárias de tais facilidades. A resposta se encontra no próprio artigo 6°, 18a Seção, que a seguir se recorda: "ARTIGO 6° FUNCIONÁRIOS 18a Seção Cada agência especializada especificará as categorias dos funcionários nos quais se aplicarão os dispositivos deste artigo e do artigo 8°. Comunicá-Ias aos Governos de todos os países partes nesta Convenção, quanto a essa agência, e ao Secretário Geral das Nações Unidas. Dos nomes dos funcionários incluídos nessas categorias periodicamente se dará conhecimento aos Governos acima mencionados." A exigência de tal formalidade, aliada ao conjunto de benefícios de que se cuida, não deixa dúvidas de que o funcionário a que se refere o artigo 6° da Convenção das Agências Especializadas da ONU - e que no inciso 11, do art. 5°, da Lei nO.4.506, de 1964, é chamado de servidor - é o funcionário internacional, integrante dos quadros da Agência Especializada da ONU com vínculo e~tatutário, e não apenas contratual. Portanto, não fazem jus às facilidades, privilégios e imunidades relacionados no artigo 6° da Convenção das Agências Especializadas da ONU os técnicos contratados, seja por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. No que tange à isenção de impostos, especificamente, recorde-se que a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU assim estatui:r_ 16 IVlINIStÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 "ARTIGO 6° FUNCIONÁRIOS (...) 19a Seção Os funcionários das agências especializadas: (...) . b) gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos, a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas às de que gozam os funcionários das Nações Unidas;" (grifei) Nesse passo, observa-se que a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, firmada em Londres em 13/02/1946 e promulgada pelo Decreto nO. 27.784, de 16/02/1950, é orientada pelas mesmas diretrizes, a saber: a isenção de impostos encontra-se inserida em um conjunto de benefícios e privilégios reservados apenas às categorias de funcionários determinadas pelo Secretário Geral, aprovadas em Assembléia Geral e cujos nomes dos respectivos integrantes serão comunicados aos Governos dos Membros. Confira-se: "ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII. Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros. Seção 18. Os funcionários da Organização das Nações Unidas: a) gozarão de imunidades de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais (inclusive seus pronunciamentos verbais e escritos); 17 r MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 b) serão isentos de qualquer imposto sobre os salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas; c) serão isentos de todas as obrigações referentes ao serviço nacional; d) não serão submetidos, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, às restrições imigratórias e às formalidades de registro de estrangeiros; e) usufruirão, no que diz respeito à facilidades cambiais, dos mesmos privilégios que os funcionários, de equivalente categoria, pertencentes às Missões Diplomáticas acreditadas junto ao Governo interessado; f) gozarão, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, das mesmas facilidades de repatriamento que os funcionários diplomáticos em tempo de crise internacional; g) gozarão do direito de importar, livre de direitos, o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado. Seção 19. Além dos privilégios e imunidades previstos na Seção 13, o Secretário Geral e todos os sub-secretários gerais, tanto no que lhes diz respeito pessoalmente, como no que se refere a seus cônjuges e filhos menores gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos." (grifei) Assim, conclui-se que o artigo 6° da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU, bem como o artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, embora não abordem expressamente a questão da residência, harmonizam-se perfeitamente com o inciso 11, do art. 5°, da Lei nO.4.506, de 1964 (transcrito no início deste voto), já que ambas as Convenções inserem a isenção do imposto de renda em um conjunto de vantagens que somente se compatibiliza com beneficiários não residentes' no Brasil. Com efeito, conjugando-se esses três comandos legais (o dispositivo da Lei nO.4.506, de 1964, e os artigos das duas Convenções), conclui-se que os servidores/funcionários neles mencionados são aqueles funcionários internacionais, em relação aos quais é perfeitamente cabível a tributação de outros rendimentos produzidos no País como de residentes no estrangeiro, bem como a 18 MINIS'IÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 concessão de facilidades imigratórias, de registro de estrangeiros, cambiais, de repatriação e de importação de mobiliário/ben? de uso pessoal quando da primeira instalação no Brasil. Afinal, esses funcionários integram categorias de staff dentro do Organismo Internacional, que tem a sua sede no exterior, daí a justificativa para esse tratamento diferenciado. Nesse mesmo sentido registraram G. E. do Nascimento e Silva e Hildebrando Accioly, no seu Manual de Direito Internacional Público (158 Edição, São Paulo: Saraiva, 2002, pp.216/217): "O Secretariado é (...) o órgão administrativo, por excelência, da Organização das Nações Unidas. Tem uma sede permanente, que se acha estabelecida em Nova Iorque. Compreende um Secretário-Geral, que o dirige e é auxiliado por pessoal numeroso, o qual deve ser escolhido dentro do mais amplo critério geográfico possível. O Secretário-Geral é eleito pela Assembléia Geral, mediante recomendação do Conselho de Segurança. O pessoal do Secretariado é nomeado pelo Secretário-Geral, de acordo com regras estabelecidas pela Assembléia. Como funcionários internacionais, o Secretário-Geral e os demais componentes do Secretariado são responsáveis somente perante a Organização e gozam de certas imunidades." (grifei) E ainda Celso D. de Albuquerque Mello, em seu "Curso de Direito Internacional Público" (118 edição, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723 a 729): "Os funcionários internacionais, como todo e qualquer funcionário público, possuem direitos e deveres. (...) Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, com independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes às dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário- geral, secretários-adjuntos, diretores-gerais etc.). É o Secretário-Geral da ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades." (grifei) f 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 Quanto aos técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui recrutados, não há qualquer fundamento legal, filosófico ou mesmo lógico para que usufruam das mesmas vantagens relacionadas no artigo 6° da Convenção das Agências Especializadas da ONU (ou no artigo V da Convenção da ONU), muito menos para que seja pinçado, dentre os diversos benefícios, o da isenção de imposto sobre salários e emolumentos, com o escopo de aplicar-se este - e somente este - a ditos técnicos. Tal procedimento estaria referendando a criação - à margem da legislação - de uma categoria de funcionários das Agências Especializadas da ONU não enquadrável em nenhuma das existentes, a saber, os "técnicos residentes no Brasil isentos de imposto de renda", o que de forma alguma pode ser admitido. Corroborando esse entendimento, o artigo VI da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas assim dispõe: "ARTIGO VI Técnicos a serviço das Nações Unidas Seção 22. Os técnicos (independentes dos funcionários compreendidos no artigo V), quando a serviço das .Nações Unidas, gozam enquanto em exercício de suas funções, incluindo-se o tempo de viagem, dos privilégios ou imunidades necessárias para o desempenho de suas missões. Gozam, em particular, dos privilégios e imunidades seguintes: a) imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais; b) imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas missões (compreendendo-se os pronunciamentos verbais e escritos). Esta imunidade continuará a lhes ser concedida mesmo depois que os indivíduos em questão tenham terminado suas funções junto à Organização das Nações Unidas; c) inviolabilidade de todos os papéis e documentos; ~ 20 MINIS"fÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 d) direito de usar códigos e de receber documentos e correspondências em malas invioláveis para suas comunicações com a Organização das Nações Unidas; e) as mesmas facilidades, no que toca a regulamentação monetária ou cambial, concedidas aos representantes dos governos estrangeiros em missão oficial temporária; f) no que diz respeito a suas bagagens pessoais as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos. Seção 23. Os privilégios eimunid.ades são concedidos aos técnicos no interesse da Organização das Nações Unidas e não para que aufiram vantagens pessoais. O Secretário Geral poderá e deverá suspender a imunidade concedida a um técnico sempre que, a seu juízo impeçam a justiça de seguir seus trâmites e quando possa ser suspensa sem trazer prejuízo aos interesses da Organização." Como se vê, a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não consta - e nem poderia constar - da relação de benefícios concedidos aos técnicos a serviço das Nações Unidas. Quanto à Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU, a restrição é ainda maior, concedendo-se aos peritos apenas o privilégio do laissez-passer, específico para as situações de trânsito: "ARTIGO 8° Laissez-Passer (...) 283 Seção Os pedidos de visto, nos casos em que são necessários, de funcionários das agências especializadas que possuam Laissez-Passer das Nações, Unidas, quando acompanhados de um certificado de que viajam a negócio de uma agência especializada, serão despachados com a possível rapidez.~ Outrossim, a essas pessoas se concederão facilidades para viagem ráPida.} , 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 298 Seção Facilidades semelhantes às especificadas na 288 Seção serão concedidas aos peritos e a outras pessoas que, embora não possuam Laissez-Passer das Nações Unidas, tem um certificado que atesta estarem viajando a negócios de uma agência especializada. 30a Seção Os diretores executivos, os assistentes dos diretores executivos, os diretores de departamentos e outros funcionários de categoria não inferior à de chefe de departamento das agências especializadas, que viajam com Laissez-Passer das Nações Unidas a negócios das agências especializadas, terão facilidades de viagem idênticas às concedidas aos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticas." (grifei) Constata-se, assim, a existência de um quadro de funcionários internacionais estatutários da ONU e de suas Agências Especializadas, que goza de um conjunto de benefícios, dentre os quais o de isenção de imposto sobre salários e emolumentos, em contraposição a uma categoria de técnicos que, ainda que possuindo vínculo contratual permanente, não é albergada por esses benefícios. Tal constatação é referendada pela melhor doutrina, aqui novamente representada por Celso D. de Albuquerque Mello, em seu "Curso de Direito Internacional Público" (11a edição, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723 a 729): "Os funcionários internacionais são um produto da administração internacional, que só se desenvolveu com as organizações internacionais. Estas, como já vimos, possuem um estatuto interno que rege os seus órgãos e as relações entre elas e os seus funcionários. Tal fenômeno fez com que os seus funcionários aparecessem como uma categoria especial, porque eles dependiam da organização internacional, bem como o seu estatuto jurídico era próprio. Surgia assim uma categoria de funcionários que não dependia de qualquer Estado individualmente. (...) Os funcionários internacionais constituem uma categoria dos agentes e são ' I d d. I' q0-- I I" aque es que se e Icam exc uSlvamente a uma organização internacional de / 22 MINISiyÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 modo permanente. Podemos defini-los como sendo os indivíduos que exercem funções de interesse internacional, subordinados a um organismo internacional e dotados de um estatuto próprio. O verdadeiro elemento que caracteriza o funcionário internacional é o aspecto internacional da função que ele desempenha, isto é, ela visa a atender às necessidades internacionais e foi estabelecida internacionalmente. (...) A admissão dos funcionários internacionais é feita pela própria organização internacional sem interferência dos Estados Membros. (...) o funcionário é admitido na ONU para um estágio probatório de dois anos, prorrogável por mais um ano. Depois disto, há a nomeação a título permanente, que é revista após 5 anos. (...) A situação jurídica dos funcionários internacionais é estatutária e não contratual (...) Já na ONU o estatuto do pessoal (entrou em vigor em 1952) fala em nomeação, reconhecendo, portanto, a situação estatutária dos seus funcionários. Este regime estatutário foi reconhecido pelo Tribunal Administrativo das Nações Unidas, mas que o amenizou, considerando que os funcionários tinham certos direitos adquiridos (ex.: a vencimentos). (...) Os funcionários internacionais, como todo e qualquer funcionário público, possuem direitos e deveres. ( ...) Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, com independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes às dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário-geral, secretários-adjuntos, diretores-gerais etc.). É o Secretário-Geral da ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades. Cabe ao Secretário-Geral determinar quais as categorias de funcionários da ONU que gozarão de privilégios e imunidades. A lista 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 destas categorias será submetida à Assembléia Geral e 'os nomes dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos governos membros'. Os privilégios e imunidades são os seguintes: a) 'imunidade de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais'; b) isenção de impostos sobre salários; c) a esposa e dependentes não estão sujeitos a restrições imigratórias e registro de estrangeiros; d) isenção de prestação de serviços; e) facilidades de câmbio como as das missões diplomáticas; f) facilidades de repatriamento, como as missões diplomáticas, em caso de crise internacional, estendidas à esposa e dependentes; g) direito de importar, livre de direitos, 'o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado'. Além dos privilégios e imunidades acima, o Secretário-geral e os sub- secretários-gerais, bem como suas esposas e filhos menores, 'gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos'." (grifei) No trecho abaixo, ainda recorrendo a Celso D. de Albuquerque Mello, verifica-se a perfeita distinção entre os funcionários internacionais e os técnicos a serviço da ONU e de suas Agências Especializadas, no que tange aos privilégios e imunidades: "Os técnicos a serviço da ONU, mas que não sejam funcionários internacionais, gozam dos seg""intes privilégios e imunidades: a) 'imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais'; b) 'imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas funções'; c) 'inviolabilidade de todos os pa'péis e documentos; d) 'direito de usar códigos e de receber documentos e correspondência em malas invioláveis' para se comunicar com a ONU; e) facilidades de câmbio; f) quanto às 'bagagens pessoais, as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos", (grifei) Como se pode constatar, a doutrina mais abalizada, acima colacionada, não só reconhece a existência, dentro da ONU, de dois grupos distintos - funcionários internacionais e técnicos a serviço do Organismo - como identifica o conjunto de benefícios com que cada um dos grupos é contemplado, deixando patente que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não figura dentre os privilégios e imunidades concedidos aos técnicos a serviço da ONU que não sejam funcionários internacionais. r 24 I MINIS'tÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 Resta agora determinar a qual dos dois grupos pertenceria o contribuinte, a fim de verificar se ele faria ou não jus à isenção pleiteada, desta feita sob o ângulo das Convenções Internacionais. A resposta está evidente no Contrato de Serviço juntado aos autos às fls. 48 a 53, cujas cláusulas são claras no sentido de que o contribuinte é técnico a serviço da Agência, com vínculo contratual, e não funcionário estatutário, integrante de categoria que goze de privilégios e imunidades, a saber: "I. TERMOS DE REFERÊNCIA (a) O(A) Contratado(a) exercerá suas atividades no Projeto 914BRZ70 Monumenta - Tesouro e tem os Termos de Referência anexados a este Contrato, sujeitando-se ao cumprimento das disposições inseridas no Anexo que, independentemente de transcrição, constitui parte integrante e indissociável deste Contrato, aditando, retificando ou ratificando o que aqui está disposto; (...) li. VIGÊNCIA DO CONTRATO O presente Contrato entra em vigor na data de 02/01/2002 e terminará na data de 31/12/2002, sujeitando-se às condições do Artigo VII abaixo. Em hipótese nenhuma, este Co"ntrato poderá ser considerado como automaticamente renovável. 111. REMUNERAÇÃO (...) A UNESCO não assegura ao Contratado cobertura de seguro de saúde nem aposentadoria nem para seus familiares, durante a vigência deste contrato. O Contratado deverá estabelecer por conta própria estes seguros e a aposentadoria. 25 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA . Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 V. ESTATUTO DO CONTRATADO Este estatuto é contratual. OCA)Contratado(a) não está submetido(a) ao Estatuto e Regulamento do Pessoal aplicado ao Pessoal Internacional da UNESCO nem à Convenção que rege os Privilégios e a Imunidade. (...) VI. DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO(A) CONTRATADO(A) Os direitos e obrigações do(a) Contratado estão estritamente limitados aos dispositivos e às condições do presente Contrato. Assim, o(a) Contratado(a) não poderá se prevalecer de nenhum benefício, pagamento, subsídio, indenização ou pensão por parte da UNESCO, exceção feita aos pagamentos expressamente previstos neste Contrato. OCA)Contratado(a) não poderá se prevalecer do presente contrato para fins de isenção de impostos que poderão incidir sobre pagamentos recebidos a título do mesmo." (grifei) Destarte, fica demonstrado que o contribuinte não é funcionário internacional pertencente ao quadro estatutário da UNESCO, portanto não tem direito à isenção prevista nas Convenções analisadas, estando os rendimentos por ele recebidos daquele Organismo Internacional efetivamente sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda. E nem se diga que a obrigatoriedade de pagamento do tributo por parte do contribuinte está ancorada unicamente em um contrato de adesão, já que dita obrigação, como foi sobejamente demonstrado, advém das próprias Convenções Internacionais que regulamentam a matéria. Por óbvio, o Contrato de Serviço reflete a situação jurídica do contribuinte perante o Organismo Internacional, que é a de técnico com vínculo contratual, e não estatutário. Quanto às orientações emanadas da Secretaria da Receita Federal, trazidas à colação pela defesa, o acórdão recorrido bem ressalvou que não são aplicáveis ao contribuinte, já que este não é funcionário estatutário de Organismo Internacional, mas sim técnico a serviço com vínculo contratual. De toda a sorte, torna-se inócua a discussão acerca de tais orientações, uma vez que os atos citados já foram há muito superados. Com 26 ri , , MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 efeito, à época de ocorrência do fato gerador, conforme bem esclarece o acórdão de primeira instância, a orientação fornecida pela Instrução Normativa SRF nO.73, de 1998, reiterada em sua essência na Instrução Normativa" SRF nO.208, de 2002, que a sucedeu, era bem clara, a saber: "Art. 22. Os rendimentos percebidos de organismos internacionais situados no Brasil ou no exterior, por residentes no Brasil, estão sujeitos à tributação na forma do recolhimento mensal obrigatório (carnê-Ieão) e na Declaração de Ajuste Anual. ~ 1° Estão isentos os rendimentos do trabalho oriundos do exercício de funções específicas no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil - PNUD, nas Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas - ONU, na Organização dos Estados Americanos - OEA e na Associação Latino-Americana de Integração - ALADI, situadas no Brasil, por funcionários aqui residentes, desde que seus nomes sejam relacionados e informados à Secretaria da Receita Federal por tais organismos, como integrantes das categorias por elas especificadas. ~ 2° A informação de que trata o ~ 1° será prestada conforme o modelo constante do Anexo IV e deverá conter o nome do organismo internacional, a relação dos funcionários abrangidos pela isenção e respectivos CPF. S 3° A informação de que trata este artigo deverá ser enviada até o último dia útil do mês de fevereiro do ano-calendário subseqüente ao do pagamento dos rendimentos à Divisão de Declarantes Domiciliados no Exterior - DIDEX, da Superintendência Regional da Receita Federal da 1a Região Fiscal." Ressalte-se que, no caso em apreço, sendo contratual o vínculo do contribuinte com a UNESCO, e encontrando-se ele fora do alcance da Convenção que rege os privilégios e imunidades - como consta claramente do citado Contrato de Serviço - obviamente que o seu nome jamais poderia figurar de eventual lista de ocupantes de categorias contempladas pela isenção, já que estas são providas por funcionários estatutários, como estabelece a legislação de regência e reitera a melhor doutrina. ~. 27 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 A mesma orientação vem sendo exarada pelo menos desde o ano 2000, por meio da publicação "Perguntas e Respostas", cujo texto da edição relativa ao exercício 2000, ano-calendário de 1999 (praticamente idêntico à do exercício de 2005, ano-calendário de 2004, constante do acórdão recorrido), a seguir se transcreve: "132. Qual é o tratamento tributário dos rendimentos auferidos por funcionário do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil - PNUD, da ONU? Os rendimentos do funcionário do PNUD, da ONU, têm o seguinte tratamento: 1- funcionário estrangeiro Sobre os rendimentos do trabalho oriundos de suas funções específicas nesse organismo, bem como os produzidos no exterior, não incide o imposto de renda brasileiro. É contribuinte do imposto de renda brasileiro, na condição de não-residente no Brasil, quanto aos rendimentos que tenham sido produzidos no País, tais como remuneração por serviços aqui prestados e por aplicação de capital em imóveis no País, pagos ou creditados por qualquer pessoa física e/ou jurídica, quer sejam estas residentes no Brasil ou não; se residentes, estão sujeitos à tributação exclusiva à alíquota de 15% ou 25%, conforme o caso. Se receber de fonte brasileira rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, caracteriza-se a condição de residente. 2 - funcionário brasileiro pertencente ao quadro do PNUD Os rendimentos do trabalho oriundos de suas funções específicas nesse organismo, não se sujeitam ao imposto de renda brasileiro, desde que o nome do funcionário conste da relação entregue à SRF na forma do anexo IV da IN SRF nO.73/98. Quaisquer outros rendimentos percebidos, quer sejam pagos ou creditados por fontes nacionais ou estrangeiras, no Brasil ou no exterior, sujeitam-se à tributação. r 28 MINistÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 3 - Pessoa física não pertencente ao quadro efetivo Os rendimentos de técnico que presta serviço a esses organismos, sem vínculo empregatício, são tributados consoante disponha a legislação brasileira, quer seja residente no Brasil ou não. Atenção: (...) Para que os rendimentos do trabalho oriundos do exercício de funções específicas no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil - PNUD, nas Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas - ONU, na Organização dos Estados Americanos - OEA e na Associação Latino-Americana de Integração - Aladi, situadas no Brasil, recebidos por funcionários aqui residentes, sejam considerados isentos, é necessário que seus nomes sejam relacionados e informados à SRF por tais organismos, como integrantes de suas categorias por elas especificadas. (...) 133. Qual é o tratamento tributário dos rendimentos auferidos por funcionário das Agências Especializadas da ONU? Os rendimentos auferidos por funcionário das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas estão sujeitos ao mesmo tratamento tributário determinado para os servidores do PNUD . São Agências Especializadas da ONU: ( ...) - Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura - Unesco - Decreto nO.63.151, de 1968 (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization - Unesco." No que tange à jurisprudência Uudicial e administrativa) argüida pelo contribuinte, esta também já se encontra superada, em face das mais recentes decisões proferidas, citando-se como exemplo as seguintes ementas: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - AÇÃO ORDINÁRIA - IRPF - VERBAS PAGAS A CONSULTOR (TÉCNICO) DO PNUD/ONU 1- 29 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 (PRESTAÇÃO DE SERViÇOS) - CARÁTER TRIBUTÁVEL - ISENÇÃO (CONVENÇÃO DE VIENA): INAPLlCABILlDADE - APELAÇÃO NÃO PROVIDA. 1 - CTN (art. 108, ~2°; e art. 111, I e 11): não se dispensa tributo ao sabor de equidade; e legislação que disponha sobre isenção reclama interpretação literal. 2 - Ainda que oriunda de atividade de relevância social manifesta, é tributável, à míngua de lei expressa noutro sentido, a remuneração paga em face da prestação de serviço de consultoria (técnico a serviço), decorrente de acordo de cooperação técnica entre a ONU/PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e o governo brasileiro, por meio da Agência Brasileira de Cooperação. 3 - Não se estende - consoante confessa o próprio PNUD - aos consultores a isenção tributária prevista na "Convenção de Viena, destinada aos 'funcionários' (em sentido restrito) do corpo diplomático. 4 - O Decreto nO.27.784/50 estipula dúplex tratamento tributário àqueles que prestem serviços a organismo internacional ou em projeto de cooperação técnica, conforme sejam 'funcionários' (no amplo sentido) ou, noutro caso, simples 'peritos' (consultores), não sendo aos segundos (situação da autora) assegurada isenção qualquer de renda. 5 - Inaplicável o Decreto 52.288/63 (restrito à Agência Internacional de Energia Atômica e às Agências Especializadas que enumera, não se incluindo o PNUD). 6 - Apelação não provida. 7 - Peças liberadas pelo Relator, em 05/06/2006, para publicação do acórdão." (Acórdão 2002.34.00.027370-4/DF, 78 Turma do TRF da 18 Região, DJ de 16/06/2006, p. 46) "IRPF - PNUD - ISENÇÃO - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pelo PNUD da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. r 30 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 Recurso especial provido" (Acórdão CSRF/04-00.060, de 21/06/2005, da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) Uma vez demonstrado que os rendimentos em questão não são isentos de Imposto de Renda, resta perquirir sobre a responsabilidade pelo pagamento do tributo. No entender do contribuinte, dita responsabilidade seria da UNESCO, tese esta que não encontra amparo legal, conforme será demonstrado a seguir. Como já ficou assentado no presente voto, trata-se de rendimentos recebidos do exterior, cuja sistemática de tributação, no que tange ao pagamento antecipado do Imposto de Renda, difere da sistemática que rege os rendimentos do trabalho auferidos de fontes situadas no País. Com efeito, o Regulamento do Imposto de Renda de 1999, aprovado pelo Decreto nO.3.000, de 1999, como base no art. 8° da Lei nO.7.713, de 1988, assim estabelece: "Art. 106. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no País, tais como (Lei nO.7.713, de 1988, art. 8°, e Lei nO.9.430, de 1996, art. 24, S 2°, inciso IV): (...) 111 - os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Brasil que prestem serviços a embaixadas, repartições consulares, missões diplomáticas ou técnicas ou a organismos internacionais de que o Brasil faça parte; (...) Art. 109. Os rendimentos sujeitos à incidência mensal devem integrar a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o imposto pago será compensado com o apurado nessa declaração (Lei nO.9.250, de 1995, arts. 8°, inciso I, e 12, inciso IV). "1- 31 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041 .000018/2005-52 104-22.097 Assim, na situação em apreço, o contribuinte estava obrigado a efetuar o recolhimento mensal denominado de "carnê-Ieão", sem prejuízo da tributação dos rendimentos por ocasião do ajuste anual. Claro está que a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do Imposto de Renda, inclusive no que tange ao recolhimento mensal, tem ligação direta com a imunidade tributária de que gozam os Organismos Internacionais, muito bem abordada no acórdão de primeira instância e reiterada no presente voto. Corroborando esse entendimento, convém trazer à colação o Parecer nO.8, de 24/06/2005, exarado pela Advocacia Geral da União - AGU e aprovado pelo Sr. Presidente da República (DOU de 23/08/2005), a respeito de contribuições previdenciárias supostamente devidas por Organismos Internacionais. Na oportunidade, a AGU rechaçou por completo qualquer pretensão no sentido de exigir-se destes Organismos o cumprimento de obrigações tributárias ou previdenciárias. O citado ato, dentre outros fundamentos, cita as conclusões de parecer do Ministério das Relações Exteriores, elaborado a pedido do PNUD. A seguir serão transcritos trechos do Parecer da AGU, deveras elucidativos, já que externam o entendimento daquele órgão acerca da imunidade tributária dos Organismos Internacionais e das obrigações que recaem sobre os técnicos brasileiros a serviço destas entidades: "1. O Ministério das Relações Exteriores - MRE solicitou a esta Advocacia- Geral da União a análise da obrigação imposta pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS à Agência Brasileira de Cooperação/MRE e outros órgãos públicos federais referente à prestação mensal de informações sobre os valores pagos aos consultores técnicos contratados por organismos internacionais no âmbito de acordos de cooperação técnica internacional, bem como das eventuais repercussões desses pagamentos em relação ao recolhimento de contribuições previdenciárias por parte dos mesmos, com o objetivo de conferir ao assunto tratamento uniforme em todo o Governo Federal. (...) cf- 32 fio .}, MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 4. O Ministério das Relações Exteriores ainda encaminhou a esta Advocacia-Geral da União parecer jurídico encomendado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, programa da Organização das Nações Unidas - ONU responsável por parte das contratações de consultores destinados ao desempenho de atividades técnicas no âmbito dos acordos de cooperação internacional em análise. As conclusões do citado parecer são as seguintes: (...) Se o pagamento for efetuado pelo PNUD, à semelhança do que ocorre com a SRF, quem é obrigado a recolher o tributo, por conta própria, é o consultor técnico, porque além de não ser exigível de outrem o cumprimento da obrigação tributária (nem do PNUD, nem do órgão público), desconhecemos qualquer tipo de exoneração (imunidade, isenção, alíquota zero, etc.) que o exima de contribuir. Nessa medida o consultor técnico, na qualidade de contribuinte individual, só estará protegido pelos benefícios do RGPS se devidamente inscrito e se recolher, por conta própria, a contribuição social incidente nos pagamentos recebidos de organismo oficial internacional. (...) A fim de fazer com que o Consultor Técnico recolha os valores por eles devidos, pode ser inserida, ainda, disposição no contrato com o consultor técnico, de forma a deixar claro que este não está isento da contribuição social incidente nos pagamentos efetuados por organismos oficiais internacionais e que deve, portanto, inscrever-se no RGPS e contribuir para fazer jus aos benefícios da previdência. Suas contribuições devem ser recolhidas por conta própria, na esteira do que já vem adotando a SRF no que tange ao Imposto de Renda da pessoa física, bem como o que adota o próprio INSS, no caso de serviços prestados a missão diplomática ou repartição consular de carreira estrangeiras. (...) 7. Analisados todos esses argumentos, passo a me manifestar acerca do tema. (...)f- 33 " ;'." MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 24. Destarte, nota-se que a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, ao contrário das missões diplomáticas e repartições consulares de carreira estrangeiras, gozam, além de imunidade de execução absoluta, de imunidade de jurisdição. E a sua imunidade tributária também é sensivelmente mais ampla, pois não abrange apenas seus bens imóveis, suas importações, os valores referentes aos serviços oficiais que executam e os rendimentos de seus agentes, incluindo ainda o próprio ente, seus ativos, rendas e outros bens, à exceção das taxas cobradas em razão da prestação de serviços públicos. Registre-se ainda que não há qualquer ressalva à sua imunidade tributária em relação à Previdência Social do país que as recebem. 25. Logo, quando a Lei nO.8.212/91 (art. 15, par. ún.) equiparou, para fins previdenciários, as missões diplomáticas e repartições consulares de carreira estrangeiras a empresas, e .não o fez em relação aos organismos internacionais, não foi por acaso, mas em respeito à diferença de privilégios e imunidades que as normas de Direito Internacional Público, às quais o Brasil aderiu, reservam a esses sujeitos. Enquanto as Convenções de Viena sobre Relações Diplomáticas e Consulares expressamente prevêem que as missões e repartições que empregam nacionais do país acreditado, pessoas que nele possuam residência permanente ou que, em qualquer caso, não estejam cobertas por regime previdenciário diverso, devem contribuir para a Previdência Social deste país, responsabilizando-se pela cota patronal que a legislação local estabeleça, as Convenções sobre Privilégios e Imunidades dos organismos internacionais analisados conferem aos .mesmos imunidade tributária ampla nessa seara, sem qualquer exceção quanto aos tributos previdenciários eventualmente existentes. 26. E não se diga que as Convenções sobre Privilégios e Imunidades dos organismos internacionais citados restringem sua imunidade tributária aos impostos propriamente ditos, e que as contribuições sociais, por serem espécie de tributo diversa, não estariam então cobertas. Uma análise dos textos das convenções, incluindo os seus originais em língua estrangeira, demonstra que as mesmas não tiveram essa preocupação técnica, até mesmo porque cada Estado membro possui definições sobre espécies de tributos distintas, e não seria possível compatibilizar toda essa diversidade em um único texto normativo com um mínimo de sistematicidade. (...) 27. Há que se esclarecer que, como 'o financiamento das organizações internacionais é realizado por meio de contribuições dos Estados-membros r- 34 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 para os pagámentos das despesas da organização', 'a responsabilidade internacional das organizações possui um aspecto particular que é o de a responsabilidade repercutir nos seus Estados membros. Assim sendo, se uma organização for obrigada a pagar uma indenização, este pagamento será feito por contribuições dos Estados membros, uma vez que ela não tem independência financeira' (MELLO, Celso D. de Albuquerque. Op. cit., pp. 580 e 586). Mutatis mutandis, esse raciocínio se aplica também aos tributos devidos por essas organizações, o que justifica o tratamento distinto e extremamente favorável que as mesmas recebem em relação a sua imunidade tributária no Direito Internacional. 28. Vale ainda a menção ao que prevê o Código Tributário Nacional acerca das normas internacionais tributárias: Código Tributário Nacional Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. 29. Ou seja, em matéria de Direitó Tributário, o Direito positivo brasileiro resolveu dar primazia aos tratados e convenções internacionais em face das normas internas, que são revogadas ou modificadas pelo Direito Internacional, mas não têm o condão de tornar inaplicáveis as normas internacionais, ainda que lhes sejam posteriores, salvo, por óbvio, se o ato internacional tiver sido regularmente denunciado. 30. Por tudo que se expôs, é de se concluir que não pode subsistir o Parecer CJ/Nº 3.050/2003, editado pelo Ministério da Previdência Social, que concluiu que os organismos internacionais, no caso de contratação de consultores no âmbito de acordos de cooperação técnica internacional com a Administração Federal, equiparam-se a empresas e devem recolher a contribuição previdenciária a cargo destas. Ocorre que o citado Parecer fez uma analogia entre a situação dos Estados estrangeiros e a dos organismos internacionais não autorizada pela Lei nO.8.212/91 (art. 15, par. ún.) e nem pelas normas de Direito Internacional aplicáveis à espécie, conforme fartamente demonstrado acima. 31. Inclusive os precedentes jurisprudenciais que fundamentam o citado Parecer do Ministério da Previdência Social, do Supremo Tribunal Federal, tratam apenas de questões que envolvem Estados estrangeiros, e não organismos internacionais. E a constatação de que as normas internacionais sobre privilégios e imunidades aplicáveis às missões e repartições de r- 35 MINIsTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 Estados estrangeiros são diversas das que se dirigem aos organismos internacionais, até mesmo porque aquelas não possuem sequer personalidade jurídica própria, pois integram o Estado acreditante, sendo este o verdadeiro sujeito de Direito Internacional, o qual não se beneficia de nenhuma norma internacional positivada que lhe confira imunidade de jurisdição, confere a certeza de que os organismos internacionais seriam tratados de forma distinta pelo STF, pois estes possuem formalmente essa imunidade. 32. Nesse sentido, a imunidade de jurisdição interna dos organismos internacionais prevista nas Convenções citadas tornaria inviável qualquer intenção do Governo brasileiro de, unilateralmente, atribuir- lhes responsabilidade tributária passiva quanto à Previdência Social do Brasil através de uma interpretação diversa dessas normas, pois isso demandaria, em última análise, a provocação da Corte Internacional de Justiça (...) 37. Como os organismos internacionais contratantes não se equiparam a empresas, a norma acima não se aplica aos mesmos; e como os pagamentos da remuneração dos consultores contratados são feitos diretamente pelo organismo internacional, não há como o órgão ou ente público fazer a retenção da contribuição a cargo do contribuinte individual para repassá-Ia à Previdência Social. Essa retenção também não pode ser feita considerando os valores que a União ou suas entidades devem repassar aos organismos internacionais a título de financiamento total ou parcial do acordo de coop~ração internacional, não sendo possível qualquer analogia com a situação das empresas prestadoras de serviço, por ausência de norma legal expressa que determine essa responsabilidade para o caso em apreço, nos termos do artigo 128 do CTN. (...) 51. Diante de tudo o que se expôs, pode-se concluir que: - nas contratações de consultores técnicos efetuadas pelos organismos internacionais, nos termos do Decreto nO.5.151/2004, no âmbito de acordos de cooperação técnica internacional firmados com a Administração Pública Federal, a obrigação do organismo internacional se limita a exigir do futuro contratado, no momento de sua contratação, a comprovação de sua inscrição na Previdência Social, devendo o contratado, contribuinte individual do Regime Geral de Previdência Social, recolher espontaneamente suas contribuições, cabendo ainda ao órgão ou ente federal informar à Previdência, até o último r 36 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000018/2005-52 104-22.097 dia útil do mês de março do ano subseqüente, os valores pagos a esses consultores no exercício anterior;" (grifei) Finalmente, quanto à multa isolada, relativa ao carnê-Ieão, entendo não ser devida concomitantemente com a multa de ofício, conforme a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "MULTA ISOLADA E MULTA DE OFíCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO - A aplicação concomitante da multa isolada (inciso 111, do S 1°, do art. 44, da Lei nO.9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e 11, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado." (Acórdão CSRF/01-04.987, de 15/06/2004) Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada do carnê-Ieão (ar. 44, S 1°, inciso 111, da Lei nO. 9.430, de 1996), exigida concomitantemente com a multa de ofício. Sala das Sessões - DF, em 06 de dezembro de 2006 37 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034 00000035 00000036 00000037
score : 1.0
Numero do processo: 10875.002624/2001-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
RESSARCIMENTO DE IPI. RETORNO DE DILIGÊNCIA.
Restando demonstrada a regularidade do crédito pleiteado, a Recorrente faz jus ao aproveitamento do crédito.
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL NÃO CONFIGURADA.
Na esteira do entendimento do STJ (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009), nos pedidos de ressarcimento de IPI, deve-se reconhecer o direito à incidência da SELIC se houver oposição estatal (óbice) ao aproveitamento dos créditos do IPI. Tal situação não resta configurada quando o próprio contribuinte deu causa à demora (oposição omissiva) no deferimento do pedido. Pedido de aplicação de atualização e correção monetária indeferido.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3401-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao ressarcimento, nos termos do voto, vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e, quanto à atualização monetária do direito creditório, em negar provimento, também por maioria, vencidos os conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira (Relator) e Elias Fernandes Eufrásio. Designado o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor nesta última parte.
ROBSON JOSE BAYERL - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D OLIVEIRA - RELATOR
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ROBSON JOSE BAYERL (Presidente), AUGUSTO FIEL JORGE D OLIVEIRA, ROSALDO TREVISAN, WALTAMIR BARREIROS, LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA e ELIAS FERNANDES EUFRASIO.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO DE IPI. RETORNO DE DILIGÊNCIA. Restando demonstrada a regularidade do crédito pleiteado, a Recorrente faz jus ao aproveitamento do crédito. CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL NÃO CONFIGURADA. Na esteira do entendimento do STJ (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009), nos pedidos de ressarcimento de IPI, deve-se reconhecer o direito à incidência da SELIC se houver oposição estatal (óbice) ao aproveitamento dos créditos do IPI. Tal situação não resta configurada quando o próprio contribuinte deu causa à demora (oposição omissiva) no deferimento do pedido. Pedido de aplicação de atualização e correção monetária indeferido. Recurso voluntário parcialmente provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10875.002624/2001-15
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5577831
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-003.112
nome_arquivo_s : Decisao_10875002624200115.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10875002624200115_5577831.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao ressarcimento, nos termos do voto, vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e, quanto à atualização monetária do direito creditório, em negar provimento, também por maioria, vencidos os conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira (Relator) e Elias Fernandes Eufrásio. Designado o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor nesta última parte. ROBSON JOSE BAYERL - Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D OLIVEIRA - RELATOR FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ROBSON JOSE BAYERL (Presidente), AUGUSTO FIEL JORGE D OLIVEIRA, ROSALDO TREVISAN, WALTAMIR BARREIROS, LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA e ELIAS FERNANDES EUFRASIO.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6328166
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417854291968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2380; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.408 1 1.407 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.002624/200115 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.112 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2016 Matéria IPI RESSARCIMENTO ATUALIZAÇÃO SELIC Recorrente CELESTICA DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO DE IPI. RETORNO DE DILIGÊNCIA. Restando demonstrada a regularidade do crédito pleiteado, a Recorrente faz jus ao aproveitamento do crédito. CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL NÃO CONFIGURADA. Na esteira do entendimento do STJ (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009), nos pedidos de ressarcimento de IPI, devese reconhecer o direito à incidência da SELIC se houver oposição estatal (óbice) ao aproveitamento dos créditos do IPI. Tal situação não resta configurada quando o próprio contribuinte deu causa à demora (oposição omissiva) no deferimento do pedido. Pedido de aplicação de atualização e correção monetária indeferido. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao ressarcimento, nos termos do voto, vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e, quanto à atualização monetária do direito creditório, em negar provimento, também por maioria, vencidos os conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira (Relator) e Elias Fernandes Eufrásio. Designado o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor nesta última parte. ROBSON JOSE BAYERL Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 26 24 /2 00 1- 15 Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 2 AUGUSTO FIEL JORGE D OLIVEIRA RELATOR FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ROBSON JOSE BAYERL (Presidente), AUGUSTO FIEL JORGE D OLIVEIRA, ROSALDO TREVISAN, WALTAMIR BARREIROS, LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA e ELIAS FERNANDES EUFRASIO. Relatório Por bem narrar os fatos, adoto o relatório da Resolução nº 340200.077, emitida pela 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, desta Seção de Julgamento, em 24/05/2010 (fls. 377381 dos autos): "A pessoa jurídica qualificada nos autos deste processo protocolizou, em 15 de agosto de 2001, pedido de ressarcimento de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), apurado no primeiro trimestre de 2001, decorrente de aquisições de insumos utilizados na fabricação de bens de informática e automação, que gozam de isenção do IPI, por força do art. 1º da Lei nº 8.191, de 11 de junho de 1991. As aquisições foram feitas pela pessoa jurídica NDB Industrial Ltda, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o número 03.815.759/000110, que foi incorporada pela peticionária. Com base na Informação Fiscal constante das fls. 221 a 224, a Delegacia da Receita Federal em Guarulhos indeferiu o pleito e, conseqüentemente, não homologou as compensações declaradas, por não ter sido demonstrado o atendimento das condições previstas nos Decretos nº 792, de 2 de abril de 1993, e nº 3.800, de 20 de abril de 2001. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP (DRJ/RPO) manteve o indeferimento, nos termos do voto condutor do Acórdão constante das fls. 291 a 294, especialmente por não se ter comprovado nos autos que fora publicada a Portaria Interministerial a que se refere o art. 2º do Decreto nº 3.800, de 2001, para a NDB Industrial Ltda., com termo inicial de vigência anterior ao início do trimestre de apuração do saldo credor do IPI objeto do pedido de ressarcimento em exame. Contra essa decisão insurgiuse a contribuinte, apresentando recurso ao extinto Segundo Conselho de Contribuintes para alegar, em síntese, que cumpriu todos os requisitos legais e regulamentares para gozo do benefício a que se refere o art. 4º da Lei nº 8.248, de 1991, tendo sido habilitada para fruição desse benefício pela Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF nº 759, de 13 de dezembro de 2001, e que a NDB Industrial Ltda., pessoa jurídica Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 10875.002624/200115 Acórdão n.º 3401003.112 S3C4T1 Fl. 1.409 3 por ela incorporada, também estava habilitada ao gozo desse benefício, conforme atestam as Portarias Interministeriais de 28 de setembro de 2000, às fls. 307 a 312, que fez anexar a estes autos. Ao final, solicitou a recorrente o provimento do seu recurso para que seja reconhecido o seu direito ao ressarcimento (...). Na sessão de 13 de fevereiro de 2008, a Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes resolveu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, conforme Resolução nº 20400.530, às fls. 324 a 326, para que a fiscalização da unidade de origem destes autos se manifestasse sobre a identidade dos produtos fabricados com os relacionados nas Portarias Interministeriais MCT/MF cujas cópias constam das fls. 307 a 312, e sobre o cumprimento dos requisitos legais e regulamentares para gozo do benefício em tela. O processo foi remetido a este colegiado com a informação fiscal da fl. 368 e 369 em que consta que foram examinadas as notas fiscais de saída de produtos no período em questão e não foi encontrada nenhuma saída com fruição do benefício fiscal previsto na Lei nº 8.248, de 1991, tendo sido lançado, em tais notas fiscais, o IPI à alíquota de dois por cento (2%) vigente à época. Às fls. 372 a 377, a contribuinte manifestouse sobre a diligência para alegar, em apertada síntese, que a redução da alíquota do IPI para dois por cento (2%) não foi destinada exclusivamente às empresas fabricantes de produtos de informática e tal redução de nenhum modo exclui o direito ao ressarcimento dos saldos acumulados de IPI". (grifos nossos) Naquela ocasião, o julgamento foi convertido em diligência, com base no exposto a seguir: "No exame da matéria, cumpre considerar que as Portarias Conjuntas MCT/MF necessárias para fruição do benefício de isenção foram publicadas em 03 de outubro de 2000 e, em conformidade com suas respectivas cláusulas de vigência, elas produzem efeitos a partir dessa publicação e vigoram pelo prazo legal de vigência do benefício previsto no art. 4º da Lei nº 8.248, de 1991. Cabe então esclarecer que o benefício da isenção do IPI referido neste processo estendeuse até 31 de dezembro de 2000, tendo em vista o disposto no art. 4º, § 1ºA, da Lei nº 8.248, de 1991, incluído pela Lei nº 10.176, de 11 de janeiro de 2001. Destarte, para o período objeto da pretensão deduzida nestes autos, não há que se falar na isenção concedida pela Lei nº 8.191, de 1991, referenciada no art. 4º da Lei nº 8.248, de 1991. Entretanto, assiste razão à recorrente quanto a alegação de que não constitui óbice ao ressarcimento ou à compensação de saldo credor porventura apurado o fato de dar saída a produtos com isenção do IPI ou com tributação à alíquota reduzida. Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 4 Em face disso, tratandose de período não mais alcançado pela isenção prevista na Lei nº 8.191, de 1991, e considerando que a fiscalização atestou ter a contribuinte emitido as notas fiscais de saída de seus produtos com destaque do IPI devido à alíquota vigente à época, com regular registro dessas operações nos seus livros fiscais, entendo necessário que a fiscalização informe se, considerando a alíquota vigente, há saldo credor do IPI a ser ressarcido ou compensado, com fundamento no art. 11 da lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999". (grifos nossos) Em seguida, os autos foram remetidos à origem para atendimento da diligência proposta. Conforme se verifica às fls. 1362 dos autos, o relatório fiscal chegou à seguinte conclusão: "A fim de verificarmos a existência de saldo credor a ser ressarcido, com fundamento no artigo 11 da Lei nº 9.779/99, adotamos os seguintes procedimentos, complementado as informações já prestadas à fl. 225: constatamos que os valores das notas fiscais de aquisição de insumos constantes do demonstrativo relação de créditos de fls. 55 a 134 estão em conformidade com os valores consignados no Livro de Registro e Apuração de IPI de folhas 41 a 50; constatamos que 59% desses créditos referemse à importação de insumos. Por meio dos sistemas informatizados da SRF, confirmamos que no trimestre relativo ao pedido de ressarcimento, houve recolhimento do IPI vinculado à importação compatível com esse percentual; em relação aos demais créditos aquisição no mercado interno , confirmamos a regularidade, por amostragem, conforme cópias das notas fiscais juntadas ao processo de fls. 146/187 e novas cópias que ora juntamos às fls. 1339/1347; Confirmada a consistência dos valores registrados no Livro de IPI, elaboramos Demonstrativo do Excedente do Crédito Básico de folha 1361, onde reconstituímos a escrita fiscal do contribuinte, levando em consideração o presente pedido de ressarcimento de IPI e aquele relativo ao trimestre anterior. Com base nesse demonstrativo constamos que o excedente de crédito passível de ressarcimento para o 1º trimestre/2001 é de R$2.314.897,25. Cabe ressaltar que esse valor foi estornado da escrita fiscal no 1º decêndio de agosto/2001" Após, o contribuinte foi intimado do resultado da diligência fiscal, apresentando manifestação em 25/05/2013, pela qual concordou com a análise realizada, "ressalvandose, apenas, a necessidade de atualização e correção monetária do valor apurado no montante de R$2.314.987,25" (fls. 1366 dos autos). Em seguida, os autos retornaram à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para continuidade do julgamento. É o relatório. Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 10875.002624/200115 Acórdão n.º 3401003.112 S3C4T1 Fl. 1.410 5 Voto Vencido Voto do Relator (vencido quanto ao pedido de atualização e correção monetária do crédito): Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA De acordo com a Lei nº 8.248/1991, regulamentada pelo Decreto 792/1993, as "empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de informática e automação que investirem em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação" poderiam pleitear isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até o final do ano de 2000 e redução escalonada do IPI devido nos anos seguintes, até o final de 2029 (o percentual de redução diminui a cada ano), desde que cumprissem determinados requisitos previstos na legislação em referência (caput, § 1º A, da Lei nº 8.248/1991). Essa outorga de isenção e redução do IPI devido era acompanhada do direito de "manutenção e a utilização do crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização dos bens de que trata este artigo" (artigo 4º, §3º A, da Lei nº 8.248/1991). Com fundamento nesse benefício fiscal, a Recorrente apresentou pedido de ressarcimento de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativo ao primeiro trimestre de 2001, que decorreria, portanto, do direito à manutenção e utilização de crédito incentivado. Contudo, no decorrer desse processo administrativo, em especial, após a realização da primeira diligência fiscal, verificouse que, na realidade, a Recorrente não teria praticado operações de saída de produto industrializado, sob o amparo dos benefícios da Lei nº 8.248/1991, recolhendo o IPI nessas saídas pela alíquota ordinária à época, de 2% (dois por cento). Nos termos do relatório fiscal de fls. 368: "Os produtos fabricados pela interessada, conforme folha 52, tiveram suas alíquotas de IPI reduzidas a 2% por meio do Decreto nº 3686 de 14/12/2000. Esta alteração vigorou durante todo o ano de 2001. Examinamos, por amostragem, as notas fiscais que deram saída aos produtos fabricados pela interessada, no período em questão, e constatamos o seguinte: elas não trazem informação a respeito da utilização do benefício fiscal instituído pela Lei nº 10.176/2000, tampouco fazem referência às portarias interministeriais, conforme previsto no §2º, art. 6, do Decreto 792/93; estas notas fiscais tiveram o IPI lançado à alíquota normal vigente à época, 2%; Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 6 Em uma análise superficial do Livro de IPI de folhas 40 a 49, verificase que, em todos os períodos de apuração do referido trimestre, o imposto debitado relativo às vendas de produção do estabelecimento é igual a, no mínimo, 2%". Dessa maneira, verificandose que não se tratava de crédito incentivado, mas de crédito básico, a i. Conselheira que então relatava o processo, determinou a realização de nova diligência para que a fiscalização informasse se, "considerando a alíquota vigente, há saldo credor do IPI a ser ressarcido ou compensado, com fundamento no art. 11 da lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999". Como relatado, nessa segunda diligência, a Fiscalização constatou a existência do crédito, no exato montante pleiteado pela Recorrente, e que esse valor teria sido estornado pela Recorrente em período posterior, 1º decêndio de agosto/2001. Inclusive, no "Quadro Demonstrativo de Excedente de Crédito Básico" preparado para esse segundo relatório fiscal (fls. 13611362), consta também a análise do saldo credor referente ao 2º trimestre de 2001, cujo pedido de ressarcimento foi objeto do processo nº 10875.002623/200171. Nesse outro processo, em que também o pedido foi fundamentado na Lei nº 8.248/1991, mas, no decorrer do processo, verificouse que se tratava de crédito básico, a 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção deste Conselho, reconheceu a procedência do pedido, nos seguintes termos: Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2001 RESSARCIMENTO DE IPI. RETORNO DE DILIGÊNCIA. Restando demonstrado que o crédito pleiteado pela Recorrente existe, que ela não aproveitou anteriormente e que, sobretudo, que ela incorporou a empresa originalmente detentora do crédito, ela a sucedeu em todos os seus direitos e obrigações, fazendo, pois, jus ao aproveitamento do crédito. Recurso Voluntário Provido. Trecho do Voto: "O resultado das diligências aponta claramente que a o crédito existe. De igual modo, depreendese da última diligência, conforme juntado no Recurso Voluntário da Recorrente para contrapor documentalmente o fundamento utilizado pela DRJ, a NDB Industrial ltda. está plenamente habilitada a usufruir do benefício fiscal previsto na Lei n 8.248/1991. De qualquer forma, restou evidenciado, inclusive pela diligência, que se trata de crédito regular da NDB Industrial Ltda., pois ela adquiria insumos tributados às alíquotas de 10% e 15% e vendia produtos tributados a 2%, acumulando, pois créditos de IPI, passíveis de ressarcimento e de compensação. (...) Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 10875.002624/200115 Acórdão n.º 3401003.112 S3C4T1 Fl. 1.411 7 Enfim, todos os óbices colocados pela Decisão da DRJ foram plenamente atendidos pela Recorrente, e a diligência apontou que o crédito existia, que não havia sido aproveitado pela sucedida (e sequer pela sucessora Recorrente), motivo pelo qual merece provimento o pleito da Recorrente". (Processo nº 10875.002623/200171; Acórdão nº 3403003.227; Relator: Luiz Rogério Sawaya Batista; Sessão de 16 de setembro de 2014) Diante disso, levando em consideração o apurado na informação fiscal de fls. 221224 e o segundo relatório fiscal produzido nos autos desse processo, que constatou a existência de saldo de crédito básico, voto no sentido de deferir o pedido de ressarcimento de IPI da Recorrente. Quanto ao pedido de atualização dos valores objeto do pedido de ressarcimento de IPI, a questão já foi pacificada pelo e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão foi submetido ao regime de recursos repetitivos do artigo 543C, do CPC. Essa decisão teve a seguinte ementa: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 8 em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007, que estipula em seu artigo 24 que os pedidos administrativos deveriam ser apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias1; e (ii) o termo inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, podese citar o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. 1. Em que pese o julgamento do Recurso Representativo da Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), onde se definiu que o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os feitos inaugurados antes de sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do procedimento de ressarcimento não pode ser confundindo com o termo inicial da correção monetária e juros SELIC. "Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento" (EAg nº 1.220.942/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2013). 2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015) O assunto já foi, inclusive, apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em recente julgado2, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois "especificamente no presente caso, verificase que houve oposição estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI foi expressamente rejeitado pela autoridade competente (despacho decisório de fls. 480 a 499), o que ocasionou, portanto, oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição estatal injustificada, há incidência de atualização pela SELIC do crédito de IPI". Esse posicionamento decorre da distinção entre créditos escriturais de IPI e créditos não escriturais. 1 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. 2 Processo nº 13678.000141/0076; Acórdão nº 9303003.253; 3ª Turma; Sessão de 03 de fevereiro de 2015; Matéria TAXA SELIC; Recorrente FAZENDA NACIONAL. Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 10875.002624/200115 Acórdão n.º 3401003.112 S3C4T1 Fl. 1.412 9 Os créditos escriturais, ou seja, aqueles recebidos e inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos industrializados em períodos de apuração subseqüentes, não são passíveis de atualização, por ausência de previsão legal. Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser objeto de pedido de ressarcimento, em razão da impossibilidade de serem utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à alíquota zero ou à isenção, ou quando a diferença entre o volume de créditos e débitos resulta na acumulação de saldo credor. Nessa hipótese, tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo do pedido, pois, caso contrário, haveria um enriquecimento sem causa do Fisco. É que, nessas hipóteses, em que há "pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011), a atrair a aplicação da Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera uma defasagem no valor do crédito a ser recebido pelo contribuinte, não havendo que se esperar determinado lapso de tempo na apreciação do pedido para que a mora fique caracterizada. A respeito, merece destaque a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo3, ao tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de ressarcimento: "A ausência de correção monetária nas obrigações pecuniárias em geral, inclusive, as de índole tributária, acarreta enriquecimento ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público, verdadeiro confisco. Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém simples mecanismo tendente a retratar, em unidades monetárias atuais, o valor representado por uma quantia identificada no passado. Na antiga lição de Amílcar de Araújo Falcão, ela é a técnica pelo direito consagrada de traduziremse em termos de idêntico poder aquisitivo, quantias ou valores que, fixados pro tempore, se apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...) Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária a partir do momento que devem ser satisfeitos, o mesmo há de ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem juris dipositio), e da própria regra de isonomia que deve orientar as ações do Poder Público em seu relacionamento com a sociedade: "mais do 3 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136137. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 10 que ninguém, o administrador público tem o dever de probidade e de seriedade no trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não pagar a correção monetária de seus débitos, sob pena de se beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento". Como se verifica, se o contribuinte que deixa de adimplir sua obrigação tributária dentro do prazo de vencimento está sujeito ao recolhimento do tributo com a aplicação da SELIC, correta a aplicação do mesmo índice para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI. Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996", que são as normas que tratam da compensação e restituição de tributos federais. Por sua vez, o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o enriquecimento sem causa, a própria remissão do artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 às normas que tratam de restituição e compensação seria fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento. Por último, observo ainda que a aplicação desse entendimento atende ao artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, pelo qual "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Ante o exposto, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, para que seja deferido o pedido de ressarcimento de IPI relativo ao 1º Trimestre de 2001, devendo o valor ressarcido ser corrigido monetariamente pela SELIC, desde a data de protocolo do pedido. Relator AUGUSTO FIEL JORGE ' OLIVEIRA Relator Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 10875.002624/200115 Acórdão n.º 3401003.112 S3C4T1 Fl. 1.413 11 Voto Vencedor Voto Vencedor (quanto ao pedido de atualização e correção monetária do crédito): Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, Redator designado. Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente relator no sentido de que a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI, possuem fundamento no princípio da isonomia e na vedação do enriquecimento sem causa, estando respaldados em remissões constantes no art. 11, da Lei nº 9.779/99, entendendo ele equiparável os pedidos de ressarcimento aos pedidos de restituição e compensação; além de entender o relator aplicável, ao presente processo, o art. 62, § 2º, do RICARF, em razão de, a partir do julgamento pelo STJ do REsp 1.035.847/RS, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (CPC, art. 543C), ter sido firmado entendimento que é devida a atualização pela SELIC dos créditos objeto de pedido de ressarcimento ou compensação, por resistência ilegítima da Administração. Importante notar que a decisão adotada pela Turma afronta os princípios processuais da adstrição ou da congruência (arts. 128 e 460, do CPC/1973 arts 141 e 492, do CPC/2015 4), não havendo nenhuma correlação entre o pedido/causa de pedir e o provimento administrativo deferido pelo relator ao recorrente, seja quanto ao pleito principal: ressarcimento de IPI em razão de isenção ou quanto ao acessório: atualização dos créditos pela taxa SELIC. Desde o pedido inicial e em todas as suas manifestações subseqüentes, o contribuinte insiste em pedir ressarcimento de saldos acumulados de IPI, decorrentes da aquisição de insumos utilizados na fabricação de bens de informática e automação, com amparo em isenção concedida pelo art. 1º, § 2º, da Lei nº 8.181/91, referenciada nos art. 4º, da Lei nº 8.248/91; parágrafo único, art. 1º, do Decreto nº 792/93; e Portaria Interministerial MF/MCT nº 273/93 (fl. 01 processo físico, fl. 02 processo digital), sendolhe deferido ressarcimento de crédito básico, com fundamento no art. 11, da lei nº 9.779/99, em decisão claramente extra petita 5 e, portanto, no meu entendimento, que não prevaleceu nesse ponto, eivada de nulidade, por ter concedido ressarcimento de tributo utilizandose de fundamento de causa de pedir não ventilada pelo requerente. Não satisfeito o eminente relator com o supracitado error in procedendo intrínseco, ou seja, com um vício formal na decisão sobre o pedido principal: ressarcimento de IPI, inovou de ofício a causa, decidindo sobre pedido acessório: atualização pela taxa SELIC, não formulado oportunamente pelo requerente, agora, concedendo ao autor coisa diversa da que foi requerida em seu pedido inicial, agravando os defeitos da decisão, extrapolando o pedido. 4 Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. 5 Configurase o julgamento extra petita quando o julgador concede prestação diferente da que lhe foi postulada ou quando defere a prestação requerida, porém, com base em fundamento não invocado como causa do pedido. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 12 Porém, não foi esse o fundamento que prevaleceu para o Colegiado ter negado a atualização dos créditos pela taxa SELIC. Entendeu a Turma ser incabível a incidência incondicional da taxa SELIC sobre o ressarcimento, pois ressarcimento e restituição/repetição de indébito são institutos diversos e a aplicação da referida taxa deve derivar de previsão expressa de lei e não de aplicação por analogia do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. Porém, curvandose ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ, a partir do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do CPC), e da Súmula STJ nº 411. Importante observar que a situação tratada no presente recurso voluntário NÃO é a mesma que vem sendo submetida a julgamento nas instâncias administrativas e judiciais superiores em decisões que apontam para a consolidação de tese no sentido de que só é devida a atualização pela SELIC dos créditos objeto de pedido de ressarcimento ou compensação, se houver resistência ilegítima da Administração. Tal observação é de absoluta relevância, uma vez que o atual entendimento, que reconhece o direito à incidência da SELIC em algumas situações de ressarcimento do IPI, decorre de aplicação de decisão do STJ em sede de recurso repetitivo (art. 543C do CPC), em observância à disposição do art. 62, § 2º, do RICARF. E a interpretação que vem sendo dada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) a tal decisão judicial é a de que deve incidir a taxa SELIC no ressarcimento se houver oposição estatal (óbice) ao aproveitamento dos créditos do IPI. No presente processo, houve a negativa integral, pela unidade de origem e pelo órgão de julgamento a quo, ao reconhecimento dos créditos originalmente pleiteados, com amparo em isenção concedida pelo art. 1º, § 2º, da Lei nº 8.181/91, referenciada nos art. 4º, da Lei nº 8.248/91; parágrafo único, art. 1º, do Decreto nº 792/93; e Portaria Interministerial MF/MCT nº 273/93. Posicionamento que foi mantido pelo órgão de julgamento ad quem, o qual, decidiu, por maioria de votos, deferir o ressarcimento de IPI por fundamento diverso (art. 11, da Lei nº 9.779/99) do ventilado pela recorrente, após diligências e produções de provas ex officio, buscando salvar o pleito ressarcitório, originalmente formulado de maneira indevida, o que não caracteriza oposição estatal ao aproveitamento dos mesmos. Na verdade, o próprio recorrente deu causa à demora (oposição omissiva) no deferimento do pedido, desde o requerimento inicial e em todas as suas manifestações subseqüentes, insistindo em pedir ressarcimento de saldos acumulados de IPI com amparo em isenção constatada indevida. Portanto, não caracterizada a oposição ao aproveitamento dos créditos de IPI, decorrente de resistência (comissiva ou omissiva) ilegítima do Fisco, não corresponde, a presente situação em julgamento, ao entendimento sumulado pelo STJ 6 ou pacificado pela aplicação do disposto no art. 62, § 2º, do RICARF, em razão da reprodução de decisão 7 do mesmo STJ em sede de recurso repetitivo (art. 543C, do CPC). Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário, quanto à atualização pela SELIC dos créditos objeto do presente pedido de ressarcimento. 6 Súmula STJ nº 411: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. 7 REsp nº 1.035.847RS (crédito básico: Lei 9.779/99) REsp nº 993.164MG (crédito presumido: Lei 9.363/96). Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 10875.002624/200115 Acórdão n.º 3401003.112 S3C4T1 Fl. 1.414 13 (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006083/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Ano-calendário: 2001
NÃO RECEPÇÃO DE LEI. NOVA CONSTITUIÇÃO. VINCULAÇÃO DO CARF À OBSERVÂNCIA DOS DECRETOS.
A teor do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, descabe ao CARF fazer o juízo de recepção da lei em face da CF/88, uma vez que o dispositivo legal tido pela defesa como não recepcionado, foi contemplado pelos Regulamentos Aduaneiros editados sob a égide da CF/88.
EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. REIMPORTAÇÃO. FATO GERADOR DO IMPOSTO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO.
A entrada de mercadoria no território nacional de mercadoria nacionalizada, exportada temporariamente, quando descumprido o prazo de concessão do regime, constitui fato gerador do imposto de importação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Ano-calendário: 2001 NÃO RECEPÇÃO DE LEI. NOVA CONSTITUIÇÃO. VINCULAÇÃO DO CARF À OBSERVÂNCIA DOS DECRETOS. A teor do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, descabe ao CARF fazer o juízo de recepção da lei em face da CF/88, uma vez que o dispositivo legal tido pela defesa como não recepcionado, foi contemplado pelos Regulamentos Aduaneiros editados sob a égide da CF/88. EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. REIMPORTAÇÃO. FATO GERADOR DO IMPOSTO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. A entrada de mercadoria no território nacional de mercadoria nacionalizada, exportada temporariamente, quando descumprido o prazo de concessão do regime, constitui fato gerador do imposto de importação. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11128.006083/2007-13
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5615542
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.129
nome_arquivo_s : Decisao_11128006083200713.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 11128006083200713_5615542.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
id : 6455608
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417882603520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2105; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.006083/200713 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.129 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de julho de 2016 Matéria Imposto sobre a Importação Recorrente FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2001 NÃO RECEPÇÃO DE LEI. NOVA CONSTITUIÇÃO. VINCULAÇÃO DO CARF À OBSERVÂNCIA DOS DECRETOS. A teor do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, descabe ao CARF fazer o juízo de recepção da lei em face da CF/88, uma vez que o dispositivo legal tido pela defesa como não recepcionado, foi contemplado pelos Regulamentos Aduaneiros editados sob a égide da CF/88. EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. REIMPORTAÇÃO. FATO GERADOR DO IMPOSTO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. A entrada de mercadoria no território nacional de mercadoria nacionalizada, exportada temporariamente, quando descumprido o prazo de concessão do regime, constitui fato gerador do imposto de importação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 60 83 /2 00 7- 13 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Segundo consta dos autos, o contribuinte submeteu a despacho de importação no dia 07/08/2001 um veículo ingressado no país em retorno de exportação temporária, objeto do processo nº 10831.003701/0017, cujo prazo para reimportação expirara em 13/06/2001. Em razão disso, foram lavrados os autos de infração albergados no processo nº 11128.006510/200160, os quais foram anulados por vício formal pelo Acórdão nº 11.263 da 2ª Turma da DRJFortaleza. Conforme se extrai do voto condutor do Acórdão da DRJ Fortaleza (fl. 22 e ss.), a razão para a decretação da nulidade por vício formal foi a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal que deu lastro à autuação: o art. 93 do DecretoLei nº 37/66 (vide Resolução do Senado nº 436, de 05/12/2007), o qual considerava como estrangeiras as mercadorias objeto de exportação temporária que retornassem ao país fora do prazo estipulado. Ainda segundo o referido julgado, em face da inconstitucionalidade do art. 93 do DL nº 37/66 (Regulamentado pelo art. 84 do RA/85), o lançamento deveria ter sido formalizado com base no art. 1º, § 1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação que lhe foi dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988. Tendo em vista que os lançamentos estavam fundamentados no art. 93 do DL nº 37/66 (art. 84 do RA/85), a turma declarou a nulidade dos autos de infração em virtude de vício formal, devolvendo o processo à origem para que nova autuação fosse efetuada levando se em conta o DecretoLei nº 2.472/88, se fosse o caso. O processo retornou à origem e a fiscalização lavrou os autos de infração albergados neste processo, dos quais o contribuinte, provavelmente, deve ter tido ciência entre os dias 12/10/2007 e 13/11/2007 (fls. 216 e 217). Em sede de impugnação, a defesa alegou, em síntese, o seguinte: a) persistência do vício formal que determinou a anulação do lançamento anterior, pois a fiscalização repetiu no enquadramento legal o art. 84 do RA/85; b) que o STF já declarou a inconstitucionalidade da equiparação do produto nacional a produto estrangeiro para fins de incidência dos tributos aduaneiros; e c) que no Acórdão nº 30133.733 o antigo Terceiro Conselho de Contribuintes reconheceu que não incide o imposto de importação tãosomente pelo descumprimento do prazo do regime de exportação temporária. Por meio do Acórdão nº 62.051, de 08 de outubro de 2014, a 24ª Turma da DRJSão Paulo, julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. NÃO RECEPÇÃO. AFERIÇÃO. COMPETÊNCIA. É incompetente o julgador no contencioso tributário fiscal para aferir tanto a constitucionalidade como a recepção de norma tributária em face de nova Constituição. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11128.006083/200713 Acórdão n.º 3402003.129 S3C4T2 Fl. 3 3 EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. REIMPORTAÇÃO. FATO GERADOR DO IMPOSTO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. A entrada de mercadoria no território nacional de mercadoria nacionalizada, exportada temporariamente, quando descumprido o prazo de concessão do regime, constitui fato gerador do imposto de importação. Impugnação Improcedente. Regularmente notificado daquela decisão em 27/10/2014 (fl. 303), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/11/2014, no qual reprisou as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo colegiado. A defesa insistiu na permanência do fato que culminou na decretação de nulidade dos lançamentos anteriores, em razão de a fiscalização ter repetido o mesmo enquadramento legal contemplando o art. 84 do Regulamento Aduaneiro de 1985. Conforme bem apontou a decisão recorrida, embora o fisco tenha repetido no enquadramento legal o art. 84, inciso II, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, é fora de dúvida que constou da descrição dos fatos (fl. 3) a menção de que o caso concreto não se enquadra em nenhuma das ressalvas do art. 1º, § 1º do DL nº 37/66, com a redação que lhe foi dada pelo DL nº 2.472/88. A fiscalização, inclusive, narra que as autuações decorrem da anulação das atuações anteriores por vício formal e transcreve integralmente os dispositivos legais que dão suporte ao lançamento tributário (art. 1º, § 1º do DL nº 37/66, com as alterações introduzidas pelo DL nº 2.472/88). Desse modo, a menção do art. 84 do RA/85 no rol de dispositivos legais que fundamentam a autuação não é causa de nulidade por vício formal, pois a nova autuação cumpriu o que estabelece o art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/72, uma vez que contém a disposição legal infringida, in verbis: "Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 380DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 § 1º Para fins de incidência do imposto, considerarseá também estrangeira a mercadoria nacional ou nacionalizada exportada, que retornar ao País, salvo se: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado;(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) devolvida por motivo de defeito técnico, para reparo ou substituição;(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) c) por motivo de modificações na sistemática de importação por parte do país importador;(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) d) por motivo de guerra ou calamidade pública;(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) e) por outros fatores alheios à vontade do exportador.(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) Tendo em vista que o caso concreto não se enquadra em nenhuma das ressalvas das alíneas do § 1º, a conclusão só pode ser no sentido de que o imposto incide na reimportação extemporânea, como aconteceu no caso concreto. O art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/72 apenas exige a indicação da disposição legal infringida. A citação indevida do art. 84 do RA/85 não eiva de nulidade o ato administrativo, pois o dispositivo legal infringido foi citado e transcrito na descrição dos fatos pelo fisco. Portanto, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, uma vez que o dispositivo legal infringido foi transcrito integralmente pela fiscalização na fl. 3. No mérito, a defesa alegou que o STF já declarou inconstitucional a equiparação do produto nacional a produto estrangeiro, para fins de incidência dos tributos aduaneiros, e também que o antigo Terceiro Conselho de Contribuintes excluía a tributação em casos semelhantes, como ocorreu no caso do Acórdão nº 30133.733, de interesse da própria recorrente. No que concerne à inconstitucionalidade arguída, é preciso esclarecer que o objeto da Resolução do Senado nº 436, de 05/12/2007, foi art. 93 do DecretoLei nº 37/66 e não o art. 1º, § 1º do DL nº 37/66, com a redação que lhe foi dada pelo DL nº 2.472/88. Sendo assim, a inconstitucionalidade daquele dispositivo não macula as autuações objeto deste processo, pois elas estão lastreadas no art. 1º, § 1º do DecretoLei nº 37/66, com a redação que lhe foi dada pelo DecretoLei nº 2.472/88, que continua válido e vigente. No que concerne à jurisprudência do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, embora realmente exista o entendimento de que o art. 1º, § 1º do DecretoLei nº 37/66, com a redação que lhe foi dada pelo DecretoLei nº 2.472/88, não foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988, entendo que tal juízo não pode ser efetuado no âmbito do julgamento administrativo, por violar o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Fl. 381DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11128.006083/200713 Acórdão n.º 3402003.129 S3C4T2 Fl. 4 5 Art. 26A.No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (....) Como se vê, o referido dispositivo legal vincula o CARF à observância das leis e dos decretos. Tendo em vista que o suporte legal do lançamento foi estabelecido por meio de decretolei, veículo legislativo com a mesma hierarquia da lei ordinária, bem como que passou a constituir a matriz legal do art. 70 do Regulamento Aduaneiro de 2002 e do art. 70 do Regulamento Aduaneiro de 2009, não há como afastar sua aplicação no caso concreto. O fato de o art. 1º, § 1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/88 ter sido regulamentado pelos decretos editados na vigência da Constituição Federal de 1988, significa que o Poder Executivo considerou que aquele dispositivo legal foi recepcionado pela nova ordem constitucional. Desse modo, embora este relator entenda que sob o ponto de vista técnico existe diferença entre "declaração de inconstitucionalidade" e "não recepção", o fato de o dispositivo legal tido como não recepcionado integrar os regulamentos aduaneiros editados sob a égide da Constituição Federal de 1988, impede que os órgãos administrativos de julgamento trilhem o caminho do Acórdão nº 30133.733, sob pena de violação do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, que vincula o julgamento administrativo à observância dos decretos. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Declaração de Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 1. Conforme bem exposto pelo respeitável Relator do caso, a discussão em apreço diz respeito à reimportação intempestiva de exportação temporária. Segundo a acusação fiscal, a Recorrente promoveu a saída de um veículo em regime de exportação temporária (processo n° 10831.003701/0017), cujo prazo de retorno venceria em 13/06/2001. Acontece que referido bem só retornou ao país em 07/08/2001 (DSI n° 01/00226166), o que ensejou a exigência dos tributos incidentes na importação, bem como a multa por falta de licenciamento. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 2. Importante registrar que o fundamento legal que originalmente sustentou a autuação foi o disposto no art. 93 do Decretolei n. 37/66, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal1 o que, inclusive, ensejou a Resolução do Senado n. 436/87 para suspender a eficácia do referido dispositivo. 3. Devidamente impugnada a autuação, adveio uma primeira decisão administrativa (Acórdão n. 0811.263 fls. 18/32), proferida pela DRJFortaleza, em que se reconheceu a nulidade do lançamento efetuado, uma vez que pautado em dispositivo legal declarado inconstitucional pelo STF. Importante registrar que referida decisão reconheceu a nulidade do lançamento referente ao regime de exportação temporária retratado no processo n° 11128.002260/0018 e que retornou ao país por intermédio da DSI n° 01/00226166. 4. Recebida a decisão da DRJFortaleza pela instância fiscalizadora, esta entendeu por bem efetuar novo lançamento para os mesmíssimos fatos aqui tratados, i.e., regime de exportação temporária retratado no processo n° 10831.003701/0017 e que retornou ao país por intermédio da DSI n° 01/00226166,. só que agora com fundamento no art. 1o, §1º do Decretolei n. 37/66, com a redação que lhe fora atribuída pelo Decretolei n. 2.472/88. 5. Este novo lançamento foi impugnado (fls. 217/226) e julgado improcedente, nos termos do acórdão n. 1662.051, proferido pela DRJSP (fls. 283/298), o que então suscitou a interposição do Recurso Voluntário de fls. 308/319, ora em julgamento. 6. Com o devido respeito ao ínclito Relator do caso, ouso dele divergir por entender que a análise dos fatos acima destacados demonstra, de forma clara, que estamos diante de lançamento pautado em típico erro de direito. Vejamos. 7. O erro de direito é uma problema decorrente da equivocada subsunção do fato à norma ou, em outros termos, que emerge de uma indevida qualificação jurídica dos fatos apurados. É, pois, um problema internormativo, haja vista ter sua origem no descompasso entre a norma individual e concreta do lançamento com a norma geral e abstrata da regramatriz de incidência tributária. Já o erro de fato, por seu turno, é um problema intranormativo, decorrente de um erro na identificação do fato social descrito no antecedente de uma norma geral e abstrata. Essa é a doutrina de Paulo de Barros Carvalho: O erro de direito é a distorção entre o enunciado protocolar da norma individual e concreta e a universalidade enunciativa da norma geral e abstrata, ao passo que o erro de fato é desajuste interno na formação do enunciado protocolar (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário – fundamentos jurídicos da incidência. 5ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 111.). 8. A orientação consolidada do Superior Tribunal de Justiça está em compasso com a doutrina alhures transcrita, consoante bem ilustram os julgados abaixo: 1 Imposto de Importação. Ao considerar estrangeira, para efeito de incidência do tributo, a Mercadoria nacional reimportada, o art. 93 do DecretoLei n. 3766 criou ficção incompatível com a Constituição de 1946 (Emenda n. 18, art.7., I), no dispositivo correspondente ao art. 21, I, da Carta em vigor. Recurso Extraordinário provido, para concessão da segurança e para a declaração de inconstitucionalidade do citado art. 93 do DecretoLei n. 3766. (STF; RE 104306, Relator(a): Min. OCTAVIO GALLOTTI, Tribunal Pleno, julgado em 06/03/1986, DJ 1804 1986 PP05993 EMENT VOL0141503 PP00426). Fl. 383DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11128.006083/200713 Acórdão n.º 3402003.129 S3C4T2 Fl. 5 7 TRIBUTÁRIO. GUIAS DE IMPORTAÇÃO VENCIDAS E UTILIZADAS PELO CONTRIBUINTE. DESEMBARAÇO ADUANEIRO AUTORIZADO PELA AUTORIDADE FISCAL. POSTERIOR REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO VERIFICADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. Se a autoridade fiscal procede ao desembaraço aduaneiro à vista de guias de importação vencidas, circunstância dela desconhecida e ocultada pelo contribuinte, caracterizase erro de fato, e não erro de direito. 2. Por erro de fato devese entender aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. 3. Dizse erro de direito aquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. 4. Se o desembaraço aduaneiro é realizado sob o pálio de erro de fato, é possível sua revisão dentro do prazo decadencial, à luz do art. 149, IV, do CTN. Precedentes desta Corte. Agravo regimental provido. (Superior Tribunal de Justiça – STJ; 2ª. Turma; AgRg no REsp 942.539/SP; Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS; Data do Julgamento: 02/09/2010; Data da Publicação/Fonte: DJe 13/10/2010) (grifos não constantes no original). TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. AUTUAÇÃO POSTERIOR. REVISÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. SÚMULA 227/TRF. PRECEDENTES. 1. "A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento" (Súmula 227 do TFR). 2. A revisão de lançamento do imposto, diante de erro de classificação operada pelo Fisco aceitando as declarações do importador, quando do desembaraço aduaneiro, constituise em mudança de critério jurídico, vedada pelo CTN. 3. O lançamento suplementar resta, portanto, incabível quando motivado por erro de direito. (Precedentes: Ag 918.833/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 11.03.2008; AgRg no REsp 478.389/PR, Min. HUMBERTO MARTINS, DJ. 05.10.2007, p. 245; REsp 741.314/MG, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ. 19.05.2005; REsp 202958/RJ, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, DJ 22.03.2004; REsp 12904/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 27/05/2002, p. 142; Resp nº 171.119/SP, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ em 24.09.2001). 4. Recurso Especial desprovido. (Superior Tribunal de Justiça – STJ; 1ª. Turma; REsp 1.112.702/SP; Relator:Ministro LUIZ FUX; Data do Julgamento: 20/10/2009; Data da Publicação/Fonte: DJe 06/11/2009) (grifos não constantes no original). 9. É exatamente o caso dos autos. Como insistentemente afirmei linhas acima, a autuação originária (lançamento 1 L1) se referiu ao regime de exportação temporária retratado no processo n° 10831.003701/0017 e que retornou ao país por intermédio da DSI n° 01/00226166 (fato 1 F1). Em sua origem, a fiscalização qualificou juridicamente tal fato com fundamento no art. 93 do Decretolei n. 37/66 (norma jurídica 1 NJ1). 10. Por sua vez, após a anulação da autuação pela DRJFortaleza, a fiscalização efetuou novo lançamento (L2) para os mesmos fatos acima descritos, ou seja, para o regime de exportação temporária retratado no processo n° 10831.003701/0017 e que retornou ao país por intermédio da DSI n° 01/00226166 (fato 1 F1). A única diferença entre L1 e L2 foi o fundamento legal, já que o novo lançamento (L2) estava então amparado pelo Fl. 384DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 disposto no art. 1o, §1º do Decretolei n. 37/66, com a redação que lhe fora atribuída pelo Decretolei n. 2.472/88 (norma jurídica 2 NJ2). 11. Em termos analíticos, a situação aqui narrada poderia ser assim representada: L1 = F1 ® NJ1 L2 = F1 ® NJ2 12. Consoante se observa alhures, nos dois lançamentos os fatos são absolutamente os mesmos (F1), só havendo alteração em relação às normas jurídicas que se prestam a fundamentálos, o que demonstra estarmos diante de típica hipótese de erro de direito e não de erro de fato. Em verdade, se aqui tivesse ocorrido erro de fato, a correlata representação lógica poderia ser assim desenvolvida: L1 = F1 ® NJ1 L2 = F2 ® NJ1 13. Se o caso em questão configurasse erro de fato teríamos uma alteração no suporte fático do lançamento e não na sua imputação jurídica, a qual remanesceria intacta. 14. Assim, a retificação da autuação como promovida pela fiscalização redunda na elaboração de novo lançamento para os mesmos fatos em razão de erro de direito, o que ofende o disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional2. 15. Forte em tais razões, ouso divergir do douto Relator do caso para dar provimento integral ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. 16. É como voto. (Assinado com certificado digital) Diego Diniz Ribeiro Conselheiro. 2 " Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." Fl. 385DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001908/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. MODELO DE DECLARAÇÃO.
O contribuinte que deseje compensar o imposto pago no exterior só poderá fazê-lo na declaração de ajuste anual no modelo completo. Ao exercer a opção de apresentação da declaração simplificada, o contribuinte abdica, então, do direito de compensar o aludido imposto.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA
É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-003.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO ITEM 1 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração do item 1 do auto de infração (omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior) os valores de R$2.880,36, R$234.190,00 e R$497.107,13, respectivamente, nos anos calendários 2004, 2005 e 2006. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que proviam o recurso nessa parte. QUANTO AOS ITENS 2 E 4: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. QUANTO AO ITEM 3 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação ao item 3. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que proviam parcialmente o recurso nessa parte para compensar o imposto pago no exterior a título de ganho de capital. QUANTO AO ITEM 5 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo da infração do item 5 (omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada), o valor de R$82.920,00 em dezembro de 2005. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que proviam em maior extensão. QUANTO AO ITEM 6 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Por unanimidade de votos, cancelar a exigência tributária da multa isolada (item 6 do auto de infração) aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. O Conselheiro RAFAEL PANDOLFO apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral pela Contribuinte, Dra. Ana Cristina de Castro Ferreiras, OAB/SP 165.417.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo Declaração de Voto
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior, Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. MODELO DE DECLARAÇÃO. O contribuinte que deseje compensar o imposto pago no exterior só poderá fazê-lo na declaração de ajuste anual no modelo completo. Ao exercer a opção de apresentação da declaração simplificada, o contribuinte abdica, então, do direito de compensar o aludido imposto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Recurso provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11516.001908/2009-93
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5598856
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Jun 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.028
nome_arquivo_s : Decisao_11516001908200993.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Antonio Lopo Martinez
nome_arquivo_pdf_s : 11516001908200993_5598856.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO ITEM 1 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração do item 1 do auto de infração (omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior) os valores de R$2.880,36, R$234.190,00 e R$497.107,13, respectivamente, nos anos calendários 2004, 2005 e 2006. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que proviam o recurso nessa parte. QUANTO AOS ITENS 2 E 4: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. QUANTO AO ITEM 3 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação ao item 3. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que proviam parcialmente o recurso nessa parte para compensar o imposto pago no exterior a título de ganho de capital. QUANTO AO ITEM 5 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo da infração do item 5 (omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada), o valor de R$82.920,00 em dezembro de 2005. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que proviam em maior extensão. QUANTO AO ITEM 6 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Por unanimidade de votos, cancelar a exigência tributária da multa isolada (item 6 do auto de infração) aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. O Conselheiro RAFAEL PANDOLFO apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral pela Contribuinte, Dra. Ana Cristina de Castro Ferreiras, OAB/SP 165.417. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Declaração de Voto Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior, Antonio Lopo Martinez.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
id : 6410363
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417887846400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 47; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2322; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.001908/200993 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.028 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2015 Matéria IRPF Recorrente ISABELI FONTANA FERNANDES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. MODELO DE DECLARAÇÃO. O contribuinte que deseje compensar o imposto pago no exterior só poderá fazêlo na declaração de ajuste anual no modelo completo. Ao exercer a opção de apresentação da declaração simplificada, o contribuinte abdica, então, do direito de compensar o aludido imposto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 19 08 /2 00 9- 93 Fl. 1947DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 2 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO ITEM 1 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração do item 1 do auto de infração (omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior) os valores de R$2.880,36, R$234.190,00 e R$497.107,13, respectivamente, nos anos calendários 2004, 2005 e 2006. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que proviam o recurso nessa parte. QUANTO AOS ITENS 2 E 4: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. QUANTO AO ITEM 3 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação ao item 3. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que proviam parcialmente o recurso nessa parte para compensar o imposto pago no exterior a título de ganho de capital. QUANTO AO ITEM 5 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo da infração do item 5 (omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada), o valor de R$82.920,00 em dezembro de 2005. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que proviam em maior extensão. QUANTO AO ITEM 6 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Por unanimidade de votos, cancelar a exigência tributária da multa isolada (item 6 do auto de infração) aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. O Conselheiro RAFAEL PANDOLFO apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral pela Contribuinte, Dra. Ana Cristina de Castro Ferreiras, OAB/SP 165.417. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo – Declaração de Voto Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 3 3 (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior, Antonio Lopo Martinez. Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 4 Relatório Em desfavor do contribuinte, ISABELI FONTANA FERNANDES, foi lavrado auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 1.842.948,89 (um milhão e oitocentos e quarenta e dois mil e novecentos e quarenta e oito reais e oitenta e nove centavos), acrescido da multa de oficio de 75% e juros de mora, e a Multa Isolada no valor de R$ 1.122.673,27 (um milhão e cento e vinte e dois mil e seiscentos e setenta e três reais e vinte e sete centavos), referentes aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Os dispositivos legais infringidos constam do referido auto de infração. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), as folhas 965 a 995, verificase que a autuação é decorrente das seguintes infrações: 1. Omissão de rendimentos recebidos de fontes pagadoras situadas no exterior: Em relação aos rendimentos recebidos do exterior, consta que a contribuinte foi intimada por meio do Termo de Inicio de Fiscalização n° 246/08 a apresentar as cópias de todos os contratos de trabalho firmados no Brasil e no exterior, referentes aos anos calendário 2004, 2005 e 2006. Com base na documentação apresentada às fls. 63 a 189, 381 a 480 e 584 a 721, a autoridade lançadora apurou o recebimento dos seguintes rendimentos tributáveis recebidos no exterior, parte deles não declarados pela interessada e objeto da autuação: Tocante à compensação do imposto pago no exterior, foram observados os acordos e tratados internacionais firmados entre o Brasil e o pais de origem dos rendimentos e a reciprocidade de tratamento. Esclarece a autoridade lançadora que, apesar da contribuinte ter apresentado comprovantes de pagamento de impostos no exterior referentes aos anos calendário de 2005 a 2006 (fls. 587, 588, 603, 618, 648, 617, 646, 476, 760, 763, 617, 646, 747, 669, 668, 669, 688, 671, 752, 757, 670 e 690), esses valores não foram considerados no lançamento para fins de compensação, uma vez que a interessada apresentou as declarações dos anoscalendário 2005 e 2006 no modelo simplificado (fls. 12 e 17). Com relação ao ano calendário 2004, a contribuinte compensou R$ 1.012.038,64 a titulo de imposto pago no exterior (fl. 07), mas só apresentou a comprovação de R$ 175.759,51 (fls. 937, 930, 931, 932, 465, 475, 765 a 779). A compensação indevida resultou em notificação de lançamento processo administrativo fiscal n ° 11516.001911/200915. 2. Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 4 5 Relata a autoridade lançadora que em 15/10/2001 a contribuinte adquiriu um terreno urbano, designado por área 24 Condomínio horizontal unifamiliar Vilas do Porto Aldeia 3 Porto da Lagoa Lagoa da Conceição Florianópolis (SC) pelo custo de R$ 36.290,00, tendo alienado esse imóvel em 31/08/2005 pelo valor de R$ 525.000,00 e, conforme manifestado pela interessada (fl. 68), não houve a apuração do ganho de capital. Foi então apurado o ganho de capital conforme demonstrativo de fls. 946 e 947 e lançado o imposto de R$ 62.207,89, de acordo com a legislação tributária aplicável. 3. Ganhos de Capital na alienação de bens e direitos 3.1 Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira. A contribuinte adquiriu em 05/11/2002 um apartamento na cidade de New York City, NY, EUA, pelo custo de US$ 695.000,00 com despesas de aquisição de US$ 14.190,00, o qual foi alienado em 19/10/2005 pelo valor de US$ 1.160.000,00 com despesas de alienação de US$ 98.195,00. Consta que a contribuinte não informou o ganho de capital na declaração de ajuste anual do IRPF 2006, anocalendário 2005, tampouco houve a comprovação do recolhimento do imposto devido (fl. 952). Foi apurado o ganho de capital de acordo com a legislação aplicável, conforme demonstrativo de fls. 948 a 950, obtendose a base de cálculo de R$ 640.472,00 e o imposto devido sobre o ganho de capital de R$ 96.700,94. 3.2. Omissão de juros recebidos em conta remunerada mantida no exterior. Com base nos documentos apresentados pela contribuinte, constatouse que ela obteve rendimentos relativos a juros recebidos em conta bancária no exterior (fls. 282 a 380), o qual implica na apuração de ganhos de capital. Foi elaborada, com base nos extratos apresentados pela contribuinte, a planilha de fls. 724 a 725, que demonstra os valores dos juros convertidos em reais. Intimada (fls. 722) a comprovar o pagamento de impostos relativo ao ganhos de capital referente aos juros recebidos nos anoscalendário 2004 e 2005, a interessada alegou que não conseguiu obter os comprovantes com os Bancos nos EUA, muito embora os impostos devidos tenham sido descontados diretamente nas suas contas bancárias. Como tais descontos não foram localizados nos extratos bancários apresentados à fiscalização (fls. 282 a 380), foi efetuado o lançamento referente ao ganho de capital. 4. Dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente (ajuste anual). Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 6 Dedução indevida de dependente. A contribuinte informou como dependente na DIRPF 2005, anocalendário 2006, sua mãe Maribel Bergossi, CPF n° 394.125.04934. Na autuação, foi procedida a glosa dessa dedução, porquanto a citada dependente apresentou declaração de ajuste anual em seu próprio nome e não poderia ser considerada dependente na DIRPF da filha. 5. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Conforme as informações prestadas por instituições financeiras (fls. 12, 17 e 22), a contribuinte movimentou nos anos de 2005 e 2006 recursos que ultrapassaram 10 (dez) vezes o total dos rendimentos declarados. No ano de 2005, foram movimentadas nas instituições financeiras Banco do Brasil, CNPJ 00.000.000/000191, HSBC Bank Brasil S.A., CNPJ 01.701.201/000189, e Banco Bradesco, CNPJ 60.746.948/000112, quantias que totalizaram R$ 2.941.282,26 (fls. 22, 25 e 26), mas a interessada informou na sua declaração de ajuste anual do imposto de renda rendimentos que somaram R$ 31.200,74 (fl.12). Da mesma forma, no ano de 2006, foram movimentados R$1.361.334,01 nas contas bancárias da contribuinte (fls. 22, 27, 28 e 29), mas os rendimentos declarados totalizaram R$ 86.945,77 (fl. 17). Assim, por meio do Termo de Inicio de Fiscalização n° 246/08 foi solicitado à contribuinte a apresentação dos extratos bancários e também a comprovação da origem dos recursos movimentados referente aos períodos de 01/2005 a 12/2005 e 01/2006 a 12/2006 (fls.59 a 62). Em atenção, a mesma apresentou os documentos de fls. 63 a 523 e prestou os seguintes esclarecimentos à fl. 67: "No ano calendário de 2005, a razão da movimentação bancária da declarante ter sido muito superior aos valores de sua renda auferida no mesmo exercício reside no fato do uso, através do sistema bancário, do dinheiro em espécie que se encontrava em poder da declarante já desde o ano anterior, em moeda nacional e em dólares americanos, devidamente declarado no IRPF do ano calendário de 2004, além da venda do bem imóvel situado na Rod. SC 405, Rio Tavares, Florianópolis/SC, adquirido por Benoit Cousin, CPF 059.755.80781, pelo valor de R$ 525.000,00 (quinhentos e vinte e cinco mil reais)". "[...] da mesma forma, no ano calendário de 2006, a razão da movimentação bancária da declarante ter sido muito superior aos valores de sua renda auferida no mesmo exercício reside também no fato do uso, através do sistema bancário, do dinheiro em espécie que encontravase em poder da declarante já desde os anos anteriores, em moeda nacional e em dólares americanos, devidamente declarado nos IRPFs dos anos calendário de 2004 e 2005". Acontece que na declaração de bens e direitos dos exercícios de 2006 e 2007 (anos calendário de 2005 e 2006) o montante de dinheiro em espécie em poder da declarante permaneceu constante, entendendo a autoridade lançadora que a resposta da Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 5 7 contribuinte não foi suficiente para justificar a origem dos recursos movimentados. Assim, foram elaboradas planilhas (fls. 571 a 576) com base nos extratos bancários apresentados pela contribuinte, referentes aos anoscalendário de 2005 e 2006 (fls. 199 a 281, 497 a 508, 513 a 523), e, por meio da Intimação n° 514/08 a mesma foi reintimada a informar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias nos anos de 2005 e 2006 (fls. 569 a 570). Em resposta A Intimação n° 514/08, a contribuinte prestou a seguinte informação: "A origem dos recursos depositados nas contas correntes de sua titularidade, conforme as planilhas `Depósitos Bancários sem origem' e `Depósitos sem origem em contas no exterior', anexas A intimação referida, são os trabalhos realizados pela declarante no exterior, e os respectivos rendimentos desses trabalhos, ou seja, depois de receber no exterior os valores decorrentes dos trabalhos que lá realizava, a declarante mandava dinheiro para suas contas bancárias no Brasil para pagar suas obrigações e eventuais compromissos financeiros aqui (no Brasil) assumidos; do mesmo modo, todos os depósitos feitos em conta no exterior são provenientes dos trabalhos realizados pela declarante no exterior, como informado e demonstrado pelas suas declarações de renda feitas ao Fisco dos EUA" (fl. 582). Todavia, no comparativo dos dados constantes nos extratos bancários (fls. 199 a 380; 497 a 508; 513 a 523) com as informações contidas nos relatórios "Women Amministrazione" (fls. 590 a 591; 604 a 606), "Bulletin de paie" (fls. 593 a 594; 607 a 610), "Models Jobs Statement" (fls. 382 a 386), e "Model Statement Details" (fls. 623 a 643; 653 a 665; 677 a 683; 701 a 703) verificou a fiscalização que não há coincidência de datas e valores entre os pagamentos e os depósitos, não sendo possível vincular os rendimentos do trabalho de modelo com os depósitos efetuados nas contas bancárias da contribuinte fiscalizada. Cientificada (fl. 722), a interessada informou que: "com referência aos depósitos relacionados na planilha 'Depósitos bancários sem origem em contas mantidas no Brasil', como já foi informado anteriormente foi a própria contribuinte que realizou referidos depósitos, nos anos de 2005 e 2006, notadamente quando precisou fazer a troca de moeda estrangeira (dólares americanos) por moeda nacional para fazer frente aos seus compromissos, convindo lembrar que a moeda estrangeira que estava em seu poder foi declarada no ano exercício de 2004; contudo, a contribuinte não tem mais em seu poder os comprovantes dos depósitos realizados" (fls. 744 e 745). Sobre a posse dos recursos em moeda americana no ano 2004, a contribuinte prestou o seguinte esclarecimento: "a declarante não possui nenhuma comprovação da posse dos recursos em moeda americana no ano de 2004, no valor de US$ 300,000.00 (trezentos mil dólares americanos), pois sempre ganhou aos poucos, e por isso, sempre trouxe aos poucos do exterior, sempre em quantias inferiores a US$ 10,000.00 (dez mil dólares), o que a desobrigava de qualquer declaração na entrada do Pais; Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 8 foram inúmeros os trabalhos feitos no estrangeiro e inúmeras viagens (o que pode ser constatado pelas informações de saída e de regresso da declarante ao Pais durante o ano de 2004), e a declarante foi juntando todo esse dinheiro aos poucos e, por fim, cumpriu com sua obrigação legal de declarar à Receita Federal do Brasil todo o montante (fl. 582)". Apesar de a contribuinte alegar o porte de moeda estrangeira em espécie, não houve a comprovação da operação de câmbio. Consta, ainda, que a explicação da contribuinte não foi aceita para justificar os depósitos nas contas bancárias mantidas no Brasil porque não é crivei que ela tenha realizado tantas viagens. Exemplifica a fiscalização, nesse sentido: "em setembro de 2006 o total depositado foi de R$ 174.936,44 (fl. 941). Se a contribuinte portava menos de R$ 10.000,00 em cada viagem, seriam necessárias 17 viagens para o Brasil, ou seja, no mínimo 33 viagens no trecho Brasil EUA. Se considerarmos que o tempo de vôo de São Paulo a Nova York é de 9 horas, seriam necessárias 297 horas para a realização das viagens (41% do tempo disponível no mês)". Discorre ainda a fiscalização, que conforme o disposto no art. 65 da Lei 9069, de 29 de junho de 1995, o porte de moeda estrangeira em espécie estava limitado a R$ 10.000,00 e observa que na declaração de bens e direitos contida na declaração de ajuste anual do IRPF 2005 (fl. 09) a contribuinte informou a posse de dinheiro em espécie em moeda americana, em 31/12/2004, no valor de US$ 300,000.00 (R$ 839.490,00), mas na declaração de bens do ano seguinte não existe nenhuma informação sobre a posse de moeda americana (fls.13 e 14), destacando, ainda, que não foi apresentado nenhum outro documento para comprovar a posse de US$ 300,000.00 em 31/12/2004. Com relação aos depósitos nas contas bancárias mantidas nos EUA, a contribuinte informou que os valores depositados no ano de 2005 (US$ 284,712.74; US$ 276,989.52; US$ 91,680.75) referemse à venda de um imóvel localizado na 330 East 38th Street, em Nova York (fl.782), e que o depósito realizado no dia 06/12/2006, no valor de US$ 38.586,00, foi decorrente de restituição de imposto estadual (fl. 954). A interessada também apresentou uma declaração do banco HSBC na qual consta que os depósitos com os históricos "CAMBIO FINANC" e "CAMBIO EXPORT" registrados na conta 01342336507 referemse às remessas efetuadas do exterior (fl.784). Além disso, declarou que os valores depositados no ano de 2006, notadamente os depósitos de US$ 100,000.00 referemse a adiantamentos de pagamentos feitos pela agência Women (fl. 782). Considerando as informações disponíveis, a autoridade lançadora procedeu revisão da planilha de depósitos sem origem (fls. 938 a 943) e efetuou o lançamento por omissão de rendimentos com base na presunção legal para os depósitos sem comprovação de origem, os quais se encontram listados as fls. 984 a 985, com base no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 6 9 6. Multa isolada Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de caraleão. O autuante efetuou o lançamento da multa isolada decorrente da falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carneledo, em virtude das omissões de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Intimada, a contribuinte não apresentou comprovação do recolhimento do carneleão a que estava sujeita mensalmente na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988. A fl. 992 consta o valor do imposto referente ao carneleão, calculado com a aplicação da tabela progressiva mensal e o lançamento referente à multa isolada calculada sobre esse valor (50%). Consta ainda do mesmo relatório, que foi elaborada representação fiscal para fins penais, por haver indícios de crime contra a ordem tributária. Em 15/06/2009, a contribuinte, mediante procurador constituído (fl. 1041), apresenta a impugnação de folhas 1.020 a 1.040, na qual, após resumo das infrações imputadas, apresenta suas razões. Tocante aos FATOS, alega, em síntese: 1. Rendimentos recebidos de fontes do exterior Afirma que não é possível inferirse com clareza absoluta das planilhas elaboradas pela fiscalização os valores mencionados no auto de infração. Nesse sentido, questiona como a planilha de fl. 934, na qual foram consolidados todos os rendimentos recebidos pela impugnante no exterior no ano de 2004, traz o montante total de R$ 4.788.690,48, enquanto a autoridade fiscal considerou o valor de R$ 5.402.043,09 para lavratura do AI. Disso também decorre o erro no valor apurado de R$ 1.721.902,60 a titulo de rendimentos omitidos pela impugnante no ano de 2004. Aduz que os vultosos valores apontados como rendimentos recebidos pela impugnante no exterior nos anos calendário 2005 e 2006, de R$ 2.638.707,49 e R$ 1.075.976,21, respectivamente, não condizem com os valores informados nas declarações do imposto de renda norteamericano, tampouco com a documentação apresentada, sendo impossível saber como a autoridade lançadora chegou a esse montante. Por tais motivos e devido à complexidade dos cálculos, é imperiosa a realização de perícia, o que desde já requer. Tocante aos comprovantes de pagamento de impostos no exterior apresentados na ação fiscal e não considerados na apuração do imposto lançado, alega a flagrante dupla tributação (bis in idem), uma vez que a autoridade lançadora está exigindo os impostos mesmo tendo a contribuinte apresentado os comprovantes de pagamento, pelo simples fato de ter cometido o equivoco de apresentar suas declarações no modelo simplificado. Em relação à alegada 'compensação Indevida' no ano calendário de 2004, que resultou em notificação de lançamento no Processo Administrativo Fiscal n° 11516.001911/200915, Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 10 destaca que a autoridade fiscal desconsiderou os documentas de folhas 25 a 34 (com tradução juramentada as folhas 35 a 41) e 42 a 55 (com tradução juramentada às folhas 56 a 71) do referido feito fiscal, que comprovam cabalmente o recolhimento total de US$ 300.611,00 (trezentos mil, seiscentos e onze dólares norteamericanos) nos Estados Unidos da América e não apenas US$ 36.001,07 (trinta e seis mil e um dólares norte americanos e sete centavos), como concluído as folhas 87 e 90. Particularmente os documentos de folhas 45 e 46 (com tradução juramentada As folhas 60 e 61) do referido processo, que comprovam o recolhimento de US$ 263.000,00 (duzentos e sessenta e três mil dólares norte americanos) aos Estados Unidos da América, foram ignorados pela fiscalização no demonstrativo de folhas 87 e 90 do mencionado Processo Administrativo Fiscal n° 11516.001911/200915. Considerando se esses documentos, estará devidamente comprovada a correta compensação do valor de R$ 1.012.038,64 (um milhão, doze mil e trinta e oito reais e sessenta e quatro centavos), tendo em conta a conversão pelas respectivas taxas de câmbio. 2. Ganhos de capital na alienação de bens e direitos. Quanto à omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais, alega a impugnante que informou expressamente à folha 744 que arcou com as despesas de pagamento da comissão de corretagem de 6% (seis por cento) ao corretor que intermediou o negócio, uma vez que era sua obrigação legal, de acordo com o artigo 725 do Código Civil, todavia, a autoridade lançadora desconsiderou essa informação e não abateu nos cálculos os valores pagos a esse titulo. Lembra que por se tratar de obrigação legal, não cabe exigir prova concreta do referido pagamento, tendo em vista a presunção legal do mesmo, conforme disposto no art. 334, IV, do Código de Processo Civil Brasileiro. Portanto, está incorreta a apuração dos referidos valores. Em relação A omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira assevera que também informou expressamente, à folha 952, que o pagamento do Imposto nos Estados Unidos da América referente ao ganho de capital sobre a venda do Imóvel localizado na 330 East 38th Street, em Nova York, está sendo apurado, em sede de recurso administrativo, motivo pelo qual ainda não foi pago, mas, tão logo seja corretamente apurado, referido Imposto será pago naquele pais. Acrescenta que a legislação fiscal norteamericana prevê a dedução de US$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil dólares) na base de cálculo do ganho de capital proveniente da venda da residência principal. Tal previsão encontrase expressa na Seção 121 do Código Fiscal norteamericano (United States Internal Revenue Code), a legislação que rege o sistema fiscal dos EUA. Esta informação também foi transmitida expressamente pela impugnante à autoridade fiscal, que, entretanto, desconsideroua totalmente na apuração do quantum. Entende que nessas circunstâncias, e mesmo a despeito da incorreta apuração do valor do imposto, não se pode exigir da Impugnante o pagamento deste imposto se é certo que ele será Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 7 11 exigido pelo governo norteamericano, sob pena de incorrer em dupla tributação. Diz estar caracterizada hipótese de prejudicialidade externa, uma vez que, tendo em vista a localização do imóvel no território norteamericano, antes da correta apuração e respectivo pagamento nos Estados Unidos da América, do imposto referente ao ganho de capital sobre a venda do imóvel acima citado, não se pode exigir da Impugnante o pagamento deste imposto. Quanto a ultima omissão, de juros recebidos em conta remunerada mantida no exterior, argumenta que embora não tenha obtido os comprovantes com os bancos dos EUA, conforme esclarecido A. fl. 744, todos os impostos foram devidamente descontados diretamente das contas da impugnante, tratandose de fato público e notório, conforme disposto no art. 334, I, do CPC, que, no mundo inteiro, todo e qualquer valor creditado pelo banco na conta corrente do cliente, decorrente do pagamento de juros, tratase de valor liquido, ou seja, descontados os impostos devidos. 3. Dedução indevida de dependente Alega que de fato sua mãe Maribel Bergossi Fontana é sua dependente, vez que arca com o sustendo da mesma conforme já informado a fl. 66, requerendo a improcedência da infração. 4. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Relata as comunicações entre a autoridade lançadora e transcreve os esclarecimentos prestados na oportunidade. Acrescenta que, além dessas informações, apresentou, a fl. 784, uma carta do Banco HSBC, declarando que os lançamentos feitos em sua conta corrente sob as expressões "CAMBIO FIANC" e "CAMBIO EXPORT" referemse a valores oriundos de transferências do exterior, comprovando, cabalmente, que a origem dos recursos depositados nas contas correntes de sua titularidade foram os trabalhos realizados no exterior. Alega o bis in idem, posto que os rendimentos recebidos no exterior e enviados para suas contas bancárias no Brasil serão duplamente tributados, no caso, como "rendimentos recebidos de fontes no exterior" e como "depósitos bancários de origem não comprovada". Cita precedente do Conselho de Contribuintes segundo o qual a "dupla penalização sobre a mesma base de cálculo, envolvendo o mesmo fato jurídico, não encontra amparo em nosso ordenamento jurídico" (1° CC — 2a Câmara — Ac. 102 48728/2007). 5. Multa isolada. Falta de Recolhimento do IRPF a titulo de carnê leão. Discorre que o egrégio Conselho de Contribuintes tem entendimento sedimentado no sentido da inaplicabilidade de multa de oficio e da multa isolada concomitantemente, pela evidente e inquestionável ausência de amparo legal, em nosso Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 12 ordenamento jurídico para a dupla penalização sobre a mesma base de cálculo, envolvendo o mesmo fato jurídico. Transcreve acórdãos e requer sua exclusão. No item II de sua impugnação, discorre a interessada quanto ao DIREITO E DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS, expondo as razões abaixo sintetizadas: Repisa que seu direito fundase no principio da proibição de dupla tributação que rege o sistema tributário brasileiro, bem como na previsão expressa de compensação do imposto pago no exterior trazida pela Instrução Normativa SRF n°. 15/2001, nos artigos 24, 29 e 36, especialmente. Em face do Ato Declaratório SRF n° 28/2000, que permite a compensação no Brasil do imposto pago nos Estados Unidos da América, por reciprocidade de tratamento e do Decreto n°. 70.506/72 e Lei Federal n°. 9.250/95, que estabelecem expressamente a compensação (e sua devida forma) dos impostos pagos no exterior, notadamente na França e nos Estados Unidos da América, a impugnante tem o direito de compensar os impostos pagos nos EUA, em sua integralidade, até o limite correspondente a diferença entre o imposto calculado com a inclusão dos rendimentos lá auferidos e do imposto calculado sem inclusão desses rendimentos; e, ainda, os Impostos pagos na França, até o limite equivalente a fração do imposto brasileiro correspondente a participação dos rendimentos lá auferidos na renda tributável no Brasil. Pelo mesmo fundamento a proibição de dupla tributação, defende seu direito de compensar os impostos pagos no exterior no anocalendário de 2004, no valor de R$ 1.012.038,64, conforme sua DIRPF. No que refere aos ganhos de capital com a alienação de bens e direitos adquiridos em reais e em moeda estrangeira, dos juros em conta remunerada mantida no exterior, dedução indevida de dependente, depósitos bancários de origem não comprovada e multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêledo, repisa os argumentos já transcritos no item 2, acima. No item III, requer a produção de todos os meios de provas em direitos admitidas que se façam necessárias no decorrer do processo. No item IV requer a realização de perícia contábil, indicando contador e apresentando quesitos. Ao final, requer seja acolhida a impugnação e cancelado ou anulado o lançamento. Conforme termo de juntada de documentos, fl. 1054, foi anexada aos autos manifestação subscrita por procurador também constituído pela impugnante, Dr. Fábio Lugari Costa (fls. 1055 a 1070), datada de 23 de junho de 2009, onde são reforçados os argumentos já apresentados na impugnação, acrescentando que possui outros documentos a serem apresentados, em face do que requer a suspensão do processo pelo prazo de 90 dias para anexação dos mesmos. Aponta, ainda, que o lançamento ofendeu aos princípios constitucionais da legalidade, segurança jurídica e da razoabilidade em face do uso das presunções legais no Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 8 13 âmbito do direito tributário, e defende a inconstitucionalidade do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Em 01/09/2010, por intermédio do procurador acima indicado, a impugnante atravessou aos autos outra manifestação, onde aponta erro por parte da fiscalização na consolidação dos valores referentes aos rendimentos recebidos no exterior no ano calendário 2004, mesmo argumento já constante da impugnação de fls. 1024 a 1040; tocante a omissão de juros recebidos em conta remunerada mantida no exterior, pede que seja observada a Instrução Normativa n° 599, de 28 de setembro de 2005, que isenta as operações de até R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais) por mês do ganho de capital, e, quanto a essa infração, aduz que houve um ardil por parte da autoridade lançadora, ao inserir o valor de R$ 640.472,97 a fl. 977 do AI, quando, a fl. 976, indicou que o valor referente a mês de outubro de 2005 seria de R$ 1.997,53. Tocante aos depósitos bancários de origem não comprovada, apresenta razões de direito para afastar o procedimento da autoridade lançadora, questionando, novamente, a presunção. Requer, ao final, a conversão do feito em diligência para melhor se apurar o ocorrido. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO EXTERIOR. TRATAMENTO FISCAL. Os rendimentos comprovadamente omitidos na declaração de ajuste, detectados em procedimento de oficio, serão adicionados A. base de cálculo declarada, para efeito de cálculo do imposto devido. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. ACORDO. RECIPROCIDADE DE TRATAMENTO. As pessoas físicas que declarem rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir do imposto apurado na declaração de ajuste, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, quando estiverem em conformidade com o previsto no acordo ou convenção internacional fixado com o pais de origem dos rendimentos (se não houver sido restituído ou compensado naquele pais) ou quando haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. DECLARAÇÃO DE AJUSTE A ANULA NO MODELO SIMPLIFICADO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. O contribuinte que deseje compensar imposto pago no exterior não pode optar pela Declaração Simplificada. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR. PAGAMENTO MENSAL DO TRIBUTO. Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 14 Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de fontes situadas no exterior rendimentos que não tenham sido tributados na fonte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de deposito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de forma individualizada. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. PAIS. Os pais podem ser considerados como dependente, para fins de dedução na declaração de ajuste anual, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊLEÃO. Devida a multa isolada concomitantemente com a multa sobre o imposto suplementar apurado na declaração, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão), que deixar de fazêlo, por serem penalidades que têm por origem fatos distintos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ONUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inatacáveis. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Os prazos para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. PERÍCIA. Cabe ao julgador administrativo apreciar o pedido de realização de perícia, indeferindoo se a entender desnecessária, Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 9 15 protelatória ou impraticável, ou ainda, não conhecêlo quando o requerimento não preencher os requisitos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. Enfatiza os seguintes pontos: Da ofensa ao contraditório, ao principio da ampla defesa e ao princípio da verdade material, tendo em vista que o seu pedido de pericia foi indeferido; Dos rendimentos recebidos de fontes no exterior – Omissão de rendimentos de fontes no exterior Ocorreu erro por parte da fiscalização na consolidação dos valores referentes aos rendimentos recebidos no exterior no ano de 2004. Na planilha consolidada (e não comprovada) pela fiscalização indica o montante de R$ 4.788.690,48 (quatro milhões, setecentos e oitenta e oito mil, seiscentos e noventa reais e quarenta e oito centavos), quando no auto de infração consta o valor de R$ 5.402.043,09 (cinco milhões, quatrocentos e dois mil, quarenta e três reais e nove centavos). Portanto, nos termos da defesa apresentada pela contribuinte existe um erro no valor de R$ 1.721.902,60 (um milhão, setecentos e vinte e um mil, novecentos e dois reais e sessenta centavos) a titulo de "rendimentos omitidos" no ano de 2004. O contribuinte requer a nulidade do auto de infração, uma vez que a fiscalização contemplou de maneira equivocada (regime de competência) os valores recebidos pela recorrente, quando na verdade, com base na legislação tributária vigente, deveria ter sido contemplado o regime de caixa, adequado e aplicável às pessoas físicas. As operações de remuneração de conta remunerada, além de já terem sido tributadas nos EUA, pelos valores apresentados nas planilhas de fls. 944 e 945 são isentas, nos termos da legislação tributário aplicável. É imprescindível a prova da utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. No que toca ao ganho de capital, indica que arcou com comissão de corretagem de 6 %, ao corretor que intermediou a venda do imóvel, e que a mesma não foi considerada; A legislação fiscal norteamericana prevê a dedução de US$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil dólares) na base de cálculo do ganho de capital proveniente da venda da residência principal. Tal previsão encontrase expressa na Seção 121 do Código Fiscal norteamericano (United States Internal Revenue Code), legislação que rege o sistema fical dos EUA. O fato da Sra. Maribel Bergossi ter apresentado declaração de imposto de renda não exclui a questão fática, de que a recorrente sustenta financeiramente sua mãe. Questiona a concomitância da multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão, com a multa de ofício. As fls. 1138 a 1139, por despacho ocorreu o sobrestamento do processo pois teria sido entendido que o foram acostados nos autos extratos bancários mediante solicitação de emissão de requisição de movimentação financeiro (RMF). Entretanto em análise posterior, Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 16 notouse que os extratos bancários foram trazidos pela própria recorrente. Não sendo nesse contexto caso de sobrestamento. As fls.1140 a 1143 se noticia da revogação dos poderes anteriormente concedidos ao advogado. As fls. 1146 e 1147, novo patrono assume o papel no processo, representando a contribuinte Em razões finais datada de 04/02/2013, a recorrente apresenta o que seriam inconsistências do lançamento e apresenta diversas razões adicionais para análise deste conselho. As razões adicionais são protocoladas as fls. 1620 a 1672 (do processo digital) Que a fiscalização tributária durante o procedimento realizado para apuração dos rendimentos auferidos pela recorrente no exterior acabou por incorrer em equívocos na apuração da base de cálculo. Que a fiscalização no lançamento teria adotado o regime de competência, quando o correto seria que tivesse sido aplicado o regime de caixa. Nesse sentido tenta explicitar com exemplos numéricos o equivoco que teria sido cometido quando do lançamento tributário. Indica desse modo que tendo em vista o equivoco cometido, não é possível o aproveitamento do lançamento, pois implicaria em mudança de critérios jurídicos. Indica que o modelo utilizado de declaração decorre de vício de vontade. Aponta que ao contrario do que foi afirmado pela fiscalização a recorrente possuiria rendimentos suficientes para justificar os depósitos no Brasil. Indica que na apuração dos rendimentos deveria se abater as despesas internacionais, apurandose os rendimentos liquido antes de descontar o IR fonte. No que se refere aos juros indica que os rendimentos decorrentes de conta poupança no exterior são isentos do pagamento do imposto de renda, a exemplo do que ocorre nos depósitos no Brasil; Em função das razões adicionais apresentadas e da ausência de um dos volumes do processo em fevereiro de 2013, o processo foi retirado de pauta para que fosse anexado ao mesmo volume ausente e para que fosse dado vistas a procuradoria em função das razões adicionais. Incorporado o volume ausente, a procuradoria se manifesta em despacho de fls. 1673 a 1680. A procuradoria alerta que a recorrente não observa, com o devido respeito, o processo administrativo fiscal que determina a concentração de alegações e provas. Entende que a contribuinte não é ofertada a possibilidade de se insurgir indefinidamente, por sucessiva e reiteradas vezes, à cobrança lançada pelo fisco, sob pena de o processo não caminhar, e vulnerar o princípio constitucional da duração razoável do processo. Argumenta pela preclusão do direito do contribuinte de apresentação de novas provas documentais, de sorte que os documentos acostados aos autos com a petição protocolada em 20/03/2013 não devem ser conhecidos; Registra que houve inovação nas alegações suscitadas no aditamento do recurso voluntário, em comparação àquelas apresentadas por ocasião da impugnação, e mesmo Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 10 17 trazidas quando da interposição do recurso. Em suma o contribuinte inovou no objeto litigioso, trazendo novas argumentações; Indica que a apreciação dessas matérias (que não se configuram como de ordem pública) resultaria em contrariedade aos princípios da eventualidade e do ônus da impugnação específica; Desse modo, o colegiado não deve considerar os aditamentos ao recurso voluntário, uma vez que afrontosos ao devido processo administrativo fiscal. Porém se assim não entender o julgador, os autos devem ser remetidos à 1ª. Instância para apreciação do feito pela autoridade julgadora de piso, sob pena de supressão de instância. Em 18/04/2013, a recorrente apresenta novo aditamento ao Recurso Voluntário, onde solicita que seja considerada a decisão da Corte Administrativa Superior dos Estados Unidos, sendo que ela tem caráter definitivo, no que toca ao ganho de capital na alienação de bens e direitos em moeda estrangeira, trazendo prova do recolhimento do imposto relativo ao ganho de capital verificado na alienação do imóvel em New York. Em 17/09/2013, a turma decide converter o processo em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1 – A contribuinte seja intimada a apresentar minuciosamente quais foram efetivamente os rendimentos, recebidos de fontes pagadoras no exterior nos anos calendários de 2004, 2005 e 2006, justificando a sua distribuição entre os anos calendários, enumerando uma eventual dupla contagem com depósitos bancários e eventuais erros de transcrição, tais como alegadas em seu recurso; 2 – Que a fiscalização aprecie a relação indicada pela recorrente e a documentação de suporte, realize intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento sobre os rendimentos propostos pela recorrente; 3 – Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre a validade das alegações efetuadas no recurso em face dos elementos coletados na diligência no que toca a omissão de rendimentos no exterior, dando se vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. A recorrente foi intimada e em resposta apresentou os documentos de fls. 1799 a 1880. O Termo da Diligência encontrase às fls. 1882 a 1898, onde em linhas gerais a diligência propõe a manutenção do lançamento. Salvo no tocante a depósitos efetuados na conta corrente “Women Accounting” constam saques efetuados pela própria interessada – “cash advance” nos dias 05/08/2005 e 12/08/2005, no valor respectivamente, ambos no valor de US$ 50.000,00. Além disso, no que toca ao ano de 2004, identificase igualmente erro no transporte do valor relativo ao trabalho prestado à marca Nina Ricci, que foi lançado €1,805,51,quando o correto seria €1.006,51. Cientificada do Termo de Diligência, a recorrente apresenta suas considerações as análises efetuadas pela autoridade fiscal que realizou a diligência: Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 18 A autoridade fiscal afirma fls 02 do TD: Considerações da Recorrente na fls. 04 RTD: A autoridade fiscal afirma fls. 03 do TD: Considerações da Recorrente nas fls. 06 RTD Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 11 19 A autoridade fiscal afirma fls. 03 do TD: Considerações da Recorrente nas fls. 07 e 08 da RTD: Nesse ponto ainda complementa nas fls. 09 da RTD Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 20 A autoridade fiscal afirma fls. 04 do TD: Considerações da Recorrente nas fls. 10 da RTD: Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 12 21 Nesse ponto ainda complementa nas fls. 12 da RTD A autoridade fiscal afirma fls. 06 do TD: Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 22 Considerações da Recorrente nas fls. 14 da RTD: A autoridade fiscal afirma fls. 07 do TD: Complementa na fls. 07 Considerações da Recorrente nas fls. 16 e 17 da RTD Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 13 23 A autoridade fiscal afirma fls 08 do TD: Considerações da Recorrente nas fls. 18 da RTD Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 24 A autoridade fiscal afirma fls. 10 do TD: Considerações da Recorrente nas fls. 20 da RTD A autoridade fiscal afirma nas fls. 11 do TD: Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 14 25 Considerações da Recorrente nas fls. 28 da RTD A autoridade fiscal afirma fls. 12 do TD: Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 26 Considerações da Recorrente nas fls. 29 da RTD A autoridade fiscal afirma nas fls. 14 do TD: Considerações da Recorrente nas fls. 31 da RTD Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 15 27 A autoridade fiscal afirma fls 15 do TD: Considerações da Recorrente nas fls. 31 da RTD Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 28 A autoridade fiscal afirma fls. 14 do TD: As considerações da Recorrente as fls. 36 É o relatório. Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 16 29 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminarmente, urge registrar que se compartilha do entendimento de que podem ser acolhidas provas novas que respaldem fatos enunciados ou os argumentos adicionais trazidos pela recorrente. Provas sobre fatos já alegados devem ser aceitos, por respeito ao princípio da verdade material. Entretanto, não pode se permitir que novos elementos não especificamente evidenciados em algum momento da impugnação e recurso, voltem à discussão tornando a função do julgado inconclusiva. Da Preliminar de Nulidade por Cerceamento de Direito de Defesa Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que a contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que a contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Da Omissão de rendimentos recebido de fontes pagadoras no Exterior Alegação do equivoco da base de cálculo no que toca ao regime de competência, deveria ser respaldada numa precisa elucidação. Ainda que verossímeis os fatos narrados pela recorrente, precisa ser devidamente mensurado, identificando o quantum da distorção mensalmente. Entendo que não basta apontar que existiu o suposto erro. Eventual adoção de regime de competência no relatório. O argumento é valido, mas não há provas precisas que demonstrem o equivoco cometido pela fiscalização. Primeiro é fundamental, destacar que a recorrente nos anos calendário de 2005, apontou não ter recebido qualquer rendimento no exterior e no ano calendário de 2006, declarou apenas R$ 82.000,00. Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 30 Não se pode ignorar que as informações foram confeccionadas com os elementos cedidos pela própria recorrente, presumindose que representam a realidade e indicando como sendo rendimentos auferidos usados na declaração Americana. Inoportuno, agora na fase após o recurso, apresentarse novos elementos e detalhes que conflitam com alegações anteriores, trazendo o risco de tornar a lide inconclusiva. Avançando nesse ponto, o argumento de que os valores informados não representam as receitas, são dúbios tendo em vista que conforme demonstrado no relatório de diligência fiscal, essas importâncias eram utilizadas para cobrir as despesas pessoais da recorrente. Acrescentese que nas faturas que respaldam o relatório elaborado pela Women NY está claramente apontado que as faturas tinham sido pagas. Esse ponto foi discutido pela autoridade fiscal as fls. 1883 a 1884, tal como se nota: No que toca ao argumento da necessidade de descontar as despesas necessárias para a obtenção das receitas, acompanho o entendimento da autoridade fiscal de que seria necessária a escrituração em livro caixa fato esse não realizado pela recorrente. Nesse ponto mais uma vez se destacam as considerações da autoridade fiscal na realização da diligência, as fls. 1884: Não há como se negar que teria existido o crédito em favor da recorrente, tendo em vista a realização do serviço, tal como prescreve ao parágrafo 1º. do artigo 1 da Instrução Normativa SRF no. 208, que dispõe sobre a tributação pelo imposto de renda, dos rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior. Art. 1º Os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, inclusive de órgãos do Governo brasileiro localizados fora do Brasil, e os ganhos de capital apurados na alienação de bens e direitos situados no exterior por pessoa física residente no Brasil, bem assim os rendimentos recebidos e os ganhos de capital apurados no País por pessoa física nãoresidente no Brasil estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda, conforme o disposto nesta Instrução Normativa, sem prejuízo dos acordos, tratados e convenções internacionais firmados pelo Brasil ou da existência de reciprocidade de tratamento. Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 17 31 § 1º Consideramse recebidos os rendimentos e ganhos de capital no mês em que primeiro ocorrer o pagamento, crédito, emprego, entrega ou remessa ao beneficiário. (grifo nosso); A autoridade fiscal comenta as fls. 1884 No relativo a diferença apontada pela recorrente de aproximadamente no valor de R$ 613.352,61 no ano calendário de 2004, decorrente da comparação da base de calculo apurada (R$5.402.043,09) em relação ao rendimentos recebidos do exterior apurados pela fiscalização (R$ 4.788.690,48), esta existe pois em alguns meses, especificamente Março, Abril, Maio, Julho e Outubro de 2004, o valor declarado pela recorrente, superou aquele identificado pela autoridade fiscal como rendimentos recebidos do exterior. Isso não entanto não resulta necessariamente da alegada divergência de critério de utilização do regime de caixa e competência, mas também é possível da existência de outros rendimentos que não foram apurados pela fiscalização. No relativo ao ano calendário de 2004, identificouse um erro de digitação de valores no transporte de informações relativas ao serviço da Marca Nina Ricci – que no lugar de 1.805,51 euros, o correto seria 1.005,51 euros. O que resulta numa diferença de 800 euros. Conforme dados das fls. 932: 800 euros x 1,24008 (€/US$) x 2.90340 (US$/ R$) = R$ 2.880,36 Desse modo é de se excluir da base de cálculo do item 1 do auto de infração no ano calendário de 2004, o valor de R$ 2.880,36. Devese registrar que tal como apontado pela recorrente teria existido uma dupla contagem de rendimentos no que se refere a agosto de 2005. Diante do exposto, seguindo a recomendação da autoridade fiscal que promoveu a diligência, que acompanho, excluise o valor dos rendimentos decorrente de depósitos bancários os seguintes rendimentos lançados as fls. 928: 05/08/2005 US$ 50.000,00 ou R$ 117.095,00 12/08/2008 US$ 50.000,00 ou R$ 117.095,00 Isto posto, é de se excluir da base de cálculo do item 1 do auto de infração, o valor de R$.234.190,00 no ano calendário de 2005. No que toca ao ano calendário de 2006, de modo semelhante ao ano calendário anterior, proponho a exclusão dos valores tidos com procedentes da New Women Model Management por terem sido identificados a partir de depósitos bancários, sendo caracterizados como “cash advances” da Women Model Management, havendo indicações de ocorrer no caso concreto uma dupla contagem. Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 32 13/02/2006 US$ 29.995,66 ou R$ 68.207,13. 25/05/2006 US$ 100.000,00 ou R$ 214.180,00 07/09/2006 US$ 100.000,00 ou R$ 214.720,00 Isto posto, é de se excluir da base de cálculo do item 1 do auto de infração, o valor de R$ 497.107,13 no ano calendário de 2006. Da Compensação do Imposto Pago no Exterior O contribuinte que deseje compensar o imposto pago no exterior só poderá fazêlo na declaração de ajuste anual no modelo completo. Ao exercer a opção de apresentação da declaração simplificada, o contribuinte abdica, então, do direito de compensar o aludido imposto. Observandose também que no caso concreto é vedada a modificação do modelo de declaração. É vedada a retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física que tenha por objeto a troca de forma de tributação dos rendimentos após o prazo previsto para a sua entrega. Súmula CARF nº 86: Diante da posição sumulada, não vejo como dar respaldo ao pleito da recorrente, ainda que verossímil o argumento de erro de fato. Ainda no que toca a compensação de impostos pagos devese registrar que se o pagamento do imposto ocorrer no ano calendário posterior ao do recebimento do rendimento, a pessoa física pode compensálo com o imposto relativo ao carnêleão do mês do seu efetivo pagamento e com o apurado na Declaração de Ajuste Anual do ano calendário do pagamento do imposto. Destaquese, entretanto que a fiscalização considerou os impostos retidos no exterior, no ano calendário de 2004, tal como foi confirmado no relatório da diligência fiscal. Em suma, a luz da posição sumulada, não vejo como aproveitar eventual imposto pago no exterior, quando a recorrente faz a sua escolha irretratável pela declaração simplificada. Da Omissão baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade de o fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 18 33 Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Ainda que a recorrente tenha argumentado que as origens dos recursos seriam de atividade no exterior, cabe a recorrente demonstrar o que alega. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Os depósitos devem ser demonstrados, individualizadamente, de modo a que fique respaldado e comprovada a sua origem. Entretanto, mesmo para aqueles que aceitam como justificável a existência de renda como capaz de justificar depósitos, é mister destacar que os depósitos são em bancos no Brasil, enquanto que os rendimentos da recorrente são predominantemente no exterior no período em análise. Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 34 Quando questiona a explicar a origem de movimentação bancária no Brasil, a recorrente citou a utilização de dinheiro em espécie, que seria procedente do exterior, entretanto não houve a comprovação de operações de câmbio, que desse suporte as essas justificativas. Afirma a DRJ: Todavia, no comparativo dos dados constantes nos extratos bancários (fls. 199 a 380; 497 a 508; 513 a 523) com as informações contidas nos relatórios "Women Amministrazione" (fls. 590 a 591; 604 a 606), "Bulletin de paie" (fls. 593 a 594; 607 a 610), "Models Jobs Statement" (fls. 382 a 386), e "Model Statement Details" (fls. 623 a 643; 653 a 665; 677 a 683; 701 a 703) verificou a fiscalização que não há coincidência de datas e valores entre os pagamentos e os depósitos, não sendo possível vincular os rendimentos do trabalho de modelo com os depósitos efetuados nas contas bancárias da contribuinte fiscalizada. Ao tratar dessa matéria assim se pronunciou a auditor fiscal que realizou a diligência: A luz do que dos autos consta, verificase que o contribuinte não levou a efeito o ônus que lhe cabia, ou seja, não trouxe nenhuma documentação, coincidente em data e valor, comprobatória da origem de cada um dos valores em questão. Ante ao exposto, é de se manter essa parte do lançamento. Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 19 35 Do Ganho de Capital verificado na alienação de imóvel em situação no exterior A recorrente entende que estando resolvido a questão no âmbito da Receita Federal americana não teria mais qualquer responsabilidade. Entretanto não é essa a realidade prescrita na lei. A tributação de ganho de capital segue a legislação pátria para o que tem domicilio fiscal no Brasil. Eventuais regras nos EUA não tem aplicação contra o Brasil, bem como vice versa. Isto posto, tributo pago nos EUA, quando pago pode no máximo ser compensado como um crédito, para minimizar os efeitos da bitributação. Isso se tivesse sido pago antecipadamente. No caso concreto, vendido o imóvel nos EUA, teria a recorrente até o final do mês subsequente para realizar o lançamento. Destaquese que no caso concreto houve a completa omissão da operação por parte da autuada. Apenas com o procedimento fiscal foi possível verificarse a existência da referida obrigação. Ao analisar os fatos assim se pronuncia a autoridade fiscal no relatório da diligência. Em face da omissão da Recorrente sobre a operação realizada no exterior e tendo em vista que quando do lançamento não havia pagamento de tributo a ser compensado, não vejo como acolher argumentos de que o valor posteriormente pago em auditoria do IRS americano seja abatido. A reciprocidade de tratamentos presumese em circunstâncias normais, com pagamento no Brasil e exterior concomitantemente em relação ao mesmo fato gerador. No caso corrente, além da omissão no Brasil, nos Estados Unidos o pagamento também foi a posteriori decorrente de notificação. Nesses termos não há previsão para que se acolha a compensação, pois os tributos não foram pagos naquele período e o chamado tratamento da reciprocidade, não tem aplicação, especialmente quando o contribuinte foi objeto de lançamento de ofício por ambos entes públicos. Por oportuno, quando da realização do lançamento a autoridade fiscal não poderia ter agido de outra maneira, pois não havia até aquela época o pagamento de qualquer tributo relativo aquele fato gerador, que permitisse a recorrente se creditar de algum tributo pago. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso nesta parte. Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 36 Dos Juros creditados em Conta de Poupança da Recorrente no Exterior Não há previsão legal para que esses juros sejam isentos no contexto do Brasil, isto posto não há como acolher essa parte do lançamento. Verificado o ganho de capital agiu corretamente a autoridade em lançar. O fato da poupança ser isenta no Brasil, não assegura esse beneficio a qualquer conta de “savings” no exterior. Nesse ponto mais uma vez, utilizo como razão de votar o relatório da diligência fiscal. Ante ao exposto, nego provimento nesta parte. Da Dedução de indevida de dependentes A recorrente informou como dependente na DIRPF 2005, anocalendário 2004, sua mãe Maribel Bergossi, CPF n° 394.125.04934. Ocorre que a citada dependente apresentou declaração de ajuste anual em seu próprio nome e não poderia ser considerada dependente da filha (impugnante), tendo sido glosada essa dedução no procedimento fiscal. A luz da legislação, verificase que, de fato, Maribel Bergossi não poderia ser informada como dependente da interessada no anocalendário 2004, tendo em vista que apresentou sua declaração em separado tal como se nota as fls. 49m declarando rendimentos tributáveis na ordem de R$ 35.005,82, ou seja, superiores ao limite de isenção legal, que, na época, era de R$ 12.692,00 anuais. Isto posto é de se manter a glosa. Da Multa Isolada aplicada Concomitantemente A Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: “Art. 43 Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II (omissis). § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 20 37 II isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. (...). Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do anocalendário, que deixou de recolher o “carnêleão” que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. Quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal concluise que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Diante do conteúdo dos autos, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do item 1 do auto de infração (omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior) os valores de R$.2.880,36, R$ 234.190,00 e R$497.107,13, respectivamente, nos anos calendários 2004, 2005 e 2006 e cancelar a exigência tributária da multa isolada (item 06 do auto de infração) aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 38 Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 21 39 Declaração de Voto Conselheiro Rafael Pandolfo Ouvi atentamente os fundamentados lançados no voto condutor que resultaram no parcial provimento do recurso voluntário e, com a devida vênia do Conselheiro Relator, divirjo em dois pontos: 1) a omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior; e 2) a compensação do imposto pago no exterior a título de ganho de capital. Assim, apresento a presente Declaração de Voto. 1. Da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior Da análise da documentação apresentada pela recorrente (dentre eles os relatórios da agência de modelos Women Management Model Jobs Statement – PAID & UNPAID), que abaixo reproduzo, observase que em muitos trabalhos feitos por ela, a data da atividade (“Job Date”) não coincide com a data do recebimento do respectivo pagamento (“Date processed”), sendo que, algumas vezes, os valores eram pagos somente no ano seguinte. Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 40 As tabelas juntadas pela recorrente nos memoriais apresentados por ela elucidam que determinados valores foram recebidos durante o anocalendário seguinte à atividade realizada: Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 22 41 Como se percebe, foram computados pela Fiscalização no anocalendário de 2004 valores recebidos somente em 2005, no valor de US$ 367.785,00, e no anocalendário de 2005 valores recebidos somente em 2006, no total de US$ 123.000,73. Não se pode dar sentido de verdade apenas aos fatos que interessam à Administração, desconsiderandose os acontecimentos que, inscritos no mesmo documento, conferem veracidade às afirmações do contribuinte. Ou seja, se Fiscalização considerou válidas as datas do “Job date” dos relatórios da agência de modelos Women Management para estabelecer os rendimentos recebidos pela recorrente, bem com a data dos mesmos (fls. 15291537 do eprocesso), deveria ter acatado também o conteúdo relativo às datas contidas na coluna “Date Processed”, uma vez que havia indícios suficientes para considerar que os valores nem sempre eram pagos na data da realização dos trabalhos. A contradição entre a conclusão contida no lançamento e a informação extraída do próprio documento que lhe serviu de esteio fático chama atenção e reclamaria, no mínimo, investigação mais aprofundada do agente fiscal, nos termos do art, 142, do CTN. Logo, se existia dúvidas a respeito do conteúdo dos campos “Job Date” e “Date Processed”, caberia à Fiscalização esclarecer o ponto, requisito que condiciona a validade do seu ato vinculado. A existência de indícios que autorizem a investigação tributária Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 42 não substitui a comprovação do evento cuja materialidade deflagra o nascimento da obrigação tributária, tão pouco dispensa a Administração do dever de fundamentar e comprovar as circunstâncias que serviram de esteio à imposição fiscal, conforme explica Paulo de Barros Carvalho: “Com a evolução da doutrina, nos dias de hoje, não se acredita mais na inversão da prova por força da presunção de legitimidade dos atos administrativos e tampouco se pensa que esse atributo exonera a administração de provar as ocorrências que se afirma terem existido. Na própria configuração oficial do lançamento, a lei institui a necessidade de que o ato jurídico administrativo seja devidamente fundamentado, o que significa dizer que o fisco tem que oferecer prova concludente de que o evento ocorreu na estrita conformidade da previsão genérica da hipótese normativa. Seguindo adiante, vindo o sujeito passivo a contestar a fundamentação do ato aplicativo lavrado pelo Fisco, o ônus de exibir a improcedência dessa iniciativa impugnatória volta a ser, novamente, da Fazenda, a quem quadrará provar o descabimento jurídico da impugnação, fazendo remanescer a exigência. Vêse, no fundo, que é função precípua do Estado Administração, empregar a linguagem jurídica competente nos atos de gestão tributária. O pressuposto de fato da incidência há que ser relatado de maneira transparente e cristalina, revestido com os meios de prova admitidos nesse ramo do direito.” (A Prova do Procedimento Administrativo Tributário, RDDT, nº 34, pp.105 a 116). 2. Da compensação do imposto pago no exterior a título de ganho de capital O voto condutor entendeu pela aplicação da Súmula CARF nº 86 ao caso, vedando, assim a compensação do imposto pago no exterior pela recorrente. Divirjo do nobre posicionamento exarado pelo Conselheiro Relator, pois entendo que mesmo que se tenha uma antinomia aparente, devese dar a resolução mais justa no ordenamento jurídico que certamente não corresponde ao pagamento em duplicidade de um tributo. No tocante à impossibilidade de compensar o imposto pago no exterior em razão de ter sido utilizada a declaração simplificada de IRPF, peço vênia para transcrever as oportunas considerações apresentadas pelo Conselheiro Jimir Doniak Junior durante a sessão, e com as quais me alinho. A Instrução Normativa SRF nº 15/2001, não há dúvida, vedava a compensação nessa condição. É o que previa o § 2º do artigo 29: “O contribuinte que deseje compensar imposto pago no exterior ou resultado positivo com resultado negativo da atividade rural não pode optar pela Declaração Simplificada”. Claro, portanto, que, na época dos fatos, a Receita Federal vedava a compensação do imposto pago no exterior quando o contribuinte adotasse a declaração simplificada. Contudo, na função deste CARF de rever atos da Administração Fiscal cabe verificar se esse normativo tem base em lei e decreto, que lhe deem fundamento de validade. A resposta é negativa. Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 23 43 Em primeiro lugar, não localizamos previsão normativa em lei ou decreto com a restrição contida na INSRF 15/2001. O artigo 5º da Lei nº 4.862/1965, ainda em vigor, que prevê a mencionada compensação, não a condiciona à adoção, pelo contribuinte, de alguma espécie de declaração anual de rendimentos. Ora, como se sabe, não cabe à Administração impor restrições a dispositivos legais válidos, quando estes não as estabelecem. Na hipótese de se entender conveniente essa condição, que se aprove uma lei nesse sentido. A interpretação não é meio apto para criar restrições não contidas na legislação. Isso é suficiente para concluir que a contribuinte, no caso em questão, poderia compensar o imposto pago no exterior com o imposto devido no Brasil e que a Administração Fiscal teria o dever de lançar o tributo partindo dessa premissa. Não só. A interpretação sistemática do Decreto nº 3.000/99, o Regulamento do Imposto de Renda de 1999, leva à conclusão de que a declaração simplificada não impede a compensação do IR recolhido no exterior com o IR aqui devido. Com efeito, o Título IV do Livro I, entre os artigos 73 a 82, trata das deduções permitidas para a formação da base de cálculo do IRPF. Estão nele previstos a contribuição previdenciária, as despesas escrituradas no livro caixa, os dependentes, pensão alimentícia, despesas médicas e com educação e contribuições aos fundos de aposentadoria. A seguir, vem o breve Título VI, que trata da “Base de cálculo do imposto na declaração”. O artigo 83 trata da apuração da base de cálculo normal: a diferença entre os rendimentos e as deduções dos artigos anteriores. Já o artigo 84 cuida do desconto simplificado. Nos termos do “caput” a opção pelo desconto simplificado dispensa a comprovação “da despesa e a indicação de sua espécie”. O § 1º, então, acrescenta: “O desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas nos arts. 74 a 82 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, § 2º)”. Ou seja, nos termos expressos do RIR/99, o desconto simplificado substitui as deduções das despesas antes referidas. O Título VII, seguinte, trata da apuração do imposto devido. O Capítulo II é dedicado às deduções do imposto apurado, entre as quais estão as relativas a incentivos a atividades culturais, artísticas e audiovisuais e a doações a certos fundos. Chegase, finalmente, ao Capítulo III desse Título VII, que trata no artigo 103 do imposto pago no exterior e da possibilidade de sua compensação do imposto apurado no Brasil. Percebese que o cálculo do imposto a ser pago no Brasil é composto de duas etapas: (a) uma para formar a base de cálculo, que pode ser feito ou deduzindose as despesas efetivamente realizadas, ou adotandose o desconto simplificado e (b) outra, já com a base de cálculo formada, obtémse o imposto inicialmente devido por meio da aplicação da tabela progressiva e são deduzidas ou compensadas, do próprio imposto devido, certas parcelas. É, a meu ver, cristalino que o desconto simplificado serve para substituir as despesas dedutíveis para formar a base de cálculo. Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 44 Não se presta a substituir parcelas que são deduzidas ou compensadas com o próprio imposto devido. Em outro giro, a compensação do imposto pago no exterior ocorre depois que a base de cálculo é formada, com as deduções reais ou com a simplificada. Logo, o desconto simplificado não afasta a compensação do imposto pão no exterior. Com a devida vênia, entender o oposto conduz ao absurdo. De fato, se o desconto simplificado impedisse quaisquer deduções e/ou compensações, inclusive com o próprio imposto – e não apenas para formar a base de cálculo – estaria vedada a compensação do imposto apurado na declaração simplificada com as retenções de IRF periodicamente feitas por fontes de rendimentos nacionais. Sim, pois o desconto simplificado substituiria todas as deduções e compensações. É evidente que o desconto simplificado não substitui todas as deduções e compensações. Substitui, sim, as deduções que serviriam para formar a base de cálculo, não para reduzir o imposto já calculado. Em conclusão, a escolha da declaração simplificada não impede a compensação do imposto recolhido no exterior. Deve ficar bem claro que não estamos autorizando a troca da declaração simplificada pela completa. O que estamos afirmando é que a declaração simplificada não tem o condão de impedir a compensação com o imposto pago no exterior. Também discordamos da afirmativa de que a Receita, ao emitir a IN 15/2001 e a regra contida no § 2º do artigo 29, estaria dentro de sua competência, pois cabe a ela regulamentar as declarações de IR. Ora, sem dúvida ela tem competência para tanto, mas aí não se inclui impor restrições aos direitos do contribuinte, de modo a onerálos além do que consta da legislação superior, sob pena de criar ônus tributário sem lei. Um último comentário sobre este ponto. A própria Receita Federal parece ter percebido o equívoco de sua interpretação contida na IN 15/2001, ao revogála e substituila pela recente INRFB 1.500, de 29/10/2014. Esta estabelece, no artigo 71, que o contribuinte pode optar pelo desconto simplificado, que substituirá todas as deduções admitidas na legislação. O § 1º continua, no inciso I, dispondo que a opção pelo desconto simplificado implica a substituição de todas as deduções da base de cálculo e do imposto devido previstas na legislação pelo desconto simplificado de 20%. O ponto importante reside no inciso II, o qual acrescenta que essa opção implica a impossibilidade de utilizar as deduções de imposto apurado relacionadas nos incisos I a VIII do “caput” do artigo 80. Esse artigo lista as deduções do imposto inicial e genericamente permitidas. Lá está “o imposto pago no exterior conforme previsto no art. 81”. O detalhe é que isto está no inciso X, ou seja, fora dos incisos (I a VIII) que indicam os valores que não podem ser deduzidos quando se escolhe a declaração simplificada. Ora, a Receita Federal não cria obrigações nem distribui benesses por meio de instruções normativas. Ela regulamenta/detalha o que está nas normas superiores e, ao fazêlo, frequentemente dá sua interpretação do que essas normas determinam. Assim, a INRFB 1.500/2014, ao dispor de Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 24 45 forma diferente da IN 15/2001, não significa outra coisa que não que a própria Receita percebeuse do equívoco de sua interpretação anterior. Por todos esses motivos, além da injustiça de impor à contribuinte a dupla tributação, o Auto de Infração não se sustenta na parte em que veda a compensação do imposto pago no exterior, merecendo ser reformado nesta parte. Não bastasse o elucidativo posicionamento do Conselheiro Jimir Doniak Junior, é preciso salientar que conforme o art. 103 do RIR/99, duas são as hipóteses que possibilitam a compensação de imposto pago no exterior por pessoa física: (i) a existência de tratado e convenções de não bitributação entre os países, ou (ii) a reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos. Nenhuma das duas hipóteses impõe como condição o tipo de declaração escolhido pelo contribuinte. In verbis: Art. 103. As pessoas físicas que declararem rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir, do imposto apurado na forma do art. 86, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, desde que (Lei nº 4.862, de 1965, art. 5º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 98): I em conformidade com o previsto em acordo ou convenção internacional firmado com o país de origem dos rendimentos, quando não houver sido restituído ou compensado naquele país; ou II haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. (grifei) Como se percebe, é o próprio RIR/99 que estabelece um tratamento específico quanto à compensação de imposto pago no exterior por pessoas físicas. Ou seja, a previsão do art. 395 do RIR/99 é norma especial em relação à pessoa física – além de ser norma hierarquicamente superior , devendo, portanto, prevalecer em face da Instrução Normativa SRF nº 15/2001. Ademais, como bem mencionou o voto condutor, de fato, não existe tratado ou convenção de não bitributação entre o Brasil e os EUA. Contudo, o Ato Declaratório SRF nº 28, de 26 de abril de 2000, que dispõe sobre a compensação do imposto pago nos EUA com o imposto devido no Brasil determina, em seu inciso II, com base no princípio da reciprocidade, que: “o imposto pago nos Estados Unidos da América pode ser compensado com o imposto devido no Brasil, observados os limites a que referem os arts. 14, § 3º, 15, § 6º e 16, § 1º, da Instrução Normativa nº 73, de 1998;”. Ainda que a reciprocidade de tratamento, nesse caso, não decorra, expressamente, de um acordo bilateral, a mesma advém de prática reiterada (fonte de direito internacional, nos termos do art. 38.1.b do Regimento Interno da Corte Internacional de Justiça) e consagra o princípio que rege as relações internacionais do Brasil, o princípio da reciprocidade, o qual, em linhas gerais, visa a permitir a aplicação de efeitos jurídicos em determinadas relações de direito, quando esses mesmos efeitos são considerados na ordem interna de país estrangeiro. Nesse sentido, o Primeiro Conselho de Contribuintes já apontava para a possibilidade de compensação de rendimentos recebidos e pagos nos EUA: IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR – Pela existência de reciprocidade de tratamento o imposto federal cobrado sobre os rendimentos recebidos nos Estados Unidos da América pode ser Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO 46 deduzido do imposto apurado na declaração de ajuste anual, observadas as condições e limites estabelecidos pela legislação. (1º Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão 10246668. Rel. Conselheiro José Raimundo Tosta Santos. Julg em 25/02/05) O fato de a possibilidade de compensar imposto pago nos EUA com imposto devido no Brasil não decorrer, expressamente, de tratado, convenção ou acordo internacional, não afasta sua cogência, sua incidência e sua condição de lex speciali. Isto porque, a aplicação do princípio da reciprocidade decorre não só do ius cogens, como também do art. 11.1 da Carta das Nações Unidas de 1945, que consagra princípios a serem adotados pelos países signatários e que supõem o princípio da reciprocidade, de acordo com o § 3º do art. 36 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça. Tendo em vista que o Brasil promulgou pelo Decreto nº 19.841, de 22 de outubro de 1945, ambos os atos internacionais a observância e aplicação do princípio da reciprocidade é imperativa, pois a aplicação e interpretação dos tratados deve darse de acordo com a sua própria finalidade, e não em conformidade com as disposições legais restritivas do país contratante1. Assim, percebese que a previsão do Ato Declaratório SRF nº 28, de 26 de abril de 2000, que dispõe sobre a compensação do imposto pago nos EUA com o imposto devido no Brasil, decorre, ao fim e ao cabo, de tratado internacional ratificado e promulgado pelo Brasil, sendo sua aplicação corolário nos termos do art. 29 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados (promulgada no Brasil pelo Decreto nº 7.030, de 14 de dezembro de 2009, com reservas aos arts. 25 e 66). Interpretação contrária conduziria na aplicação do art. 16, § 1º, da IN SRF nº 208, de 27 de setembro de 2002, de modo que os rendimentos do exterior se submeteriam às disposições da legislação tributária brasileira vigente, não podendo ser compensado o valor do imposto porventura pago no país de origem. Todavia, esse tratamento apenas seria aplicável aos rendimentos recebidos do exterior quando inexistir acordo ou norma que preveja a reciprocidade, o que, como visto, não é o caso dos EUA. Diante disso, sustentar uma antinomia entre a previsão contida no Regulamento do Imposto de Renda e aquela prevista na Instrução Normativa utilizada pela Fiscalização para fundamentar e manter a impossibilidade de compensação do imposto pago no exterior contraria a hierarquia prevista no art. 98 do CTN e no art. 997 do RIR/99, e consolidada pelo Supremo Tribunal Federal (Ext 662 ED, Relator(a): Min. OCTAVIO GALLOTTI, Tribunal Pleno, julgado em 22/10/1997, DJ 13062003 PP00010 EMENT VOL 0211401 PP00020) segundo o qual o tratado internacional, em razão do critério de especialidade tem precedência sobre as normas infraconstitucionais, inclusive, instruções normativas. A isto, acrescentase que no caso, não se está analisando a retificação da declaração, mas os critérios utilizados no lançamento de ofício equivocadamente praticado pela fiscalização. Deste modo, a aplicação da Súmula CARF nº 68, é incabível, pois em momento alguma a recorrente enviou nova declaração ou objetivou a troca da forma de tributação dos seus rendimentos. 1 REZEK, José Francisco. Direito internacional público: curso elementar. 15. ed. rev. e atual. – São Paulo: Saraiva, 2014. p.134 Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11516.001908/200993 Acórdão n.º 2202003.028 S2C2T2 Fl. 25 47 Pelo acima exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, no sentido de autorizar a compensação do imposto pago no exterior com o montante lançado a título de ganho de capital e extinguir o crédito tributário lançado com base em omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722922/2012-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
Na perda de um dos requisitos, como a suspensão da aposentadoria por invalidez do contribuinte, em função da falta de comprovação de que se encontrava acometido da enfermidade que determinou sua incapacidade para o trabalho, a isenção não pode ser reconhecida.
Numero da decisão: 2202-003.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à tributação do 13º salário, por preclusão; na parte conhecida, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). Na perda de um dos requisitos, como a suspensão da aposentadoria por invalidez do contribuinte, em função da falta de comprovação de que se encontrava acometido da enfermidade que determinou sua incapacidade para o trabalho, a isenção não pode ser reconhecida.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11516.722922/2012-20
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5595420
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.419
nome_arquivo_s : Decisao_11516722922201220.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 11516722922201220_5595420.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à tributação do 13º salário, por preclusão; na parte conhecida, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
dt_sessao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6400913
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417904623616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2216; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 586 1 585 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.722922/201220 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.419 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2016 Matéria IRPF moléstia grave Recorrente ODETE DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). Na perda de um dos requisitos, como a suspensão da aposentadoria por invalidez do contribuinte, em função da falta de comprovação de que se encontrava acometido da enfermidade que determinou sua incapacidade para o trabalho, a isenção não pode ser reconhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 29 22 /2 01 2- 20 Fl. 586DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722922/201220 Acórdão n.º 2202003.419 S2C2T2 Fl. 587 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à tributação do 13º salário, por preclusão; na parte conhecida, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS que bem descreveu os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração (AI) decorrente de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte, no qual foi apurado imposto de renda pessoa física no valor de R$ 173.674,10, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, cujo valor consolidado em 26/10/2012 corresponde a R$ 342.538,86, referente aos anoscalendário 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, conforme Auto de Infração e Demonstrativos às fls. 391 a 413. Mostra o Auto de Infração que o lançamento fiscal decorreu da omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC) – CNPJ 83.599.191/000187, nos seguintes valores: A B C D anocalendário valor parcela isenta 65 anos rendimento tributável apurado = BC 2007 129.457,98 17.077,97 112.380,01 2008 155.885,52 17.846,53 138.038,99 2009 173.815,26 18.649,67 155.165,59 2010 189.378,58 19.488,95 169.889,63 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722922/201220 Acórdão n.º 2202003.419 S2C2T2 Fl. 588 3 2011 205.720,98 20.365,93 185.355,05 Relata a autoridade fiscal que o Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina (IPREV) enviou cópia de processos administrativos instaurados com o objetivo de apurar possíveis irregularidades na concessão de aposentadorias por invalidez de servidores da ALESC. No que concerne à contribuinte a comissão daquela autarquia previdenciária descreveu que foi aposentada por invalidez no ano de 1982 por ser portadora cardiopatia grave (CID 412 e 427.1, revisão de 1975), e que reavaliada pela Junta Médica Oficial da Gerência de Perícia Médica da Secretaria da Administração do Estado de Santa Catarina, restou constatado que possui capacidade laborativa. Discorre sobre o relatório pericial da Gerência de Perícia Médica em que esta atesta que, após revisão do prontuário médico pericial da servidora, não foram encontrados subsídios técnicos que permitissem concluir que na data da concessão do benefício previdenciário houvesse a incapacidade total e definitiva para o trabalho indicada no prontuário, haja vista a existência de apenas um único atestado médico, sem indicação de sua data de emissão, conforme Laudo de fls. 38 e 45. Que no histórico médicopericial da servidora (fl. 38), a Junta Médica revisional informa não existirem exames cardiológicos da época da concessão da aposentadoria que comprovem a incapacidade laborativa; que também não foram apresentados exames cardiológicos atuais que comprovem incapacidade laborativa. Narra que a Junta Médica Oficial do mesmo ente estatal (no caso, o Estado de Santa Catarina), que outrora também havia sido oficialmente encarregada de analisar as condições de saúde do servidor, em ato de revisão pericial atesta equívoco praticado na avaliação médica realizada à época da concessão de sua aposentadoria por patologia cardíaca grave; que declara de forma clara e objetiva que não há comprovação do quadro incapacitante que originou a aposentadoria por invalidez, concluindo que se encontra apta ao trabalho nos dias de hoje. Diz que a Presidência do IPREV suspendeu o benefício previdenciário, com remessa dos autos à ALESC para fins de revisão do ato de aposentadoria. A autoridade fiscal arrolou a legislação que trata dos requisitos para isenção do imposto de renda (Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988) e, diante dos fatos que indicaram não estar presente a moléstia grave apta ao benefício fiscal, foi solicitado à fonte pagadora (ALESC) cópia dos comprovantes de rendimentos nos anos aqui referidos, sobre os quais efetuou o lançamento fiscal. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722922/201220 Acórdão n.º 2202003.419 S2C2T2 Fl. 589 4 DA IMPUGNAÇÃO Tempestivamente foi apresentada impugnação por intermédio de procurador (fls. 423 a 455), com documentos anexos (fls. 456 a 481), nos termos em síntese a seguir deduzidos. 1. Da aposentadoria Relata que foi aposentada por invalidez, cujo processo administrativo teve início em atestado médico indicando a doença que estava cometido e que foi confirmada pela junta médica da ALESC e posteriormente pelo Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCESC). Discorre sobre os fatos que levaram a instauração do processo administrativo levado a efeito pelo IPREV, que considera não ter competência para investigar irregularidade em concessão de aposentadoria pela ALESC, porém, aduz que a aposentadoria continua vigente por decisão judicial no Mandado de Segurança nº 2012.0428920, arrolando o provimento judicial liminar favorável. Considera ilegal o lançamento fiscal em que a Receita Federal do Brasil (RFB) entendeu de forma contraditória, que a perícia médica realizada tinha o condão de desconstituir a isenção. Considera nula exigência fiscal nas premissas que está amparado em decisão judicial que mantém a aposentadoria, persistindo a isenção e, não possuir o IPREV competência para proceder investigação de aposentadoria. 2. Da higidez da aposentadoria Tece considerações sobre isenção tributária, citando doutrinadores. Reforça que, sendo beneficiário da aposentadoria por invalidez, perdura a isenção, não havendo obrigação tributária. Diz que, ainda que se considerasse válida a perícia médica, tal fato por si só não poderia ensejar cancelamento da isenção, citando jurisprudência. Frisa a incompetência do IPREV para apurar irregularidade no âmbito do Poder Legislativo, cuja atribuição aduz ser do TCESC e Ministério Público. Considera que, ante a discussão administrativa e judicial acerca do fato que ensejou o lançamento fiscal, não poderia o tributo ser lançado, conforme disposição do art. 62 do Decreto nº 70.235/72 e, portanto, ilegal a lavratura fiscal. 3. Da perícia médica Aponta irregularidades na perícia do IPREV em que só havia uma pessoa sem identificação e não uma Junta Médica, como entende deveria ocorrer, citando parecer do Conselho Federal Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722922/201220 Acórdão n.º 2202003.419 S2C2T2 Fl. 590 5 de Medicina (CFM), que trata de composição de junta por três membros. Discorda do procedimento médico adotado e que somente um profissional atendeu o paciente, mas os laudos periciais foram assinados por diversos profissionais, que arrola; que considera haver infração ao Código de Ética Médica. Discute lotação dos médicos que assinaram o laudo, aduzindo que somente o Dr. Nicolau Heuko Filho pertence ao quadro da Gerência Médica (GEPEM), discorrendo sobre a situação funcional dos demais médicos e respectivas lotações, e considera viciada e nula a perícia realizada. Considera arbitrária a desconsideração da documentação que resultou na sua aposentadoria em 1982, realçando aspectos relacionados a falta de documentos em arquivos informados pela ALESC. Fala que mesmo tendo por base os laudos periciais contestados, diz ter direito à isenção, resumindo que a perícia médica não classificou a gravidade da doença ensejadora de isenção e mesmo porque não incitada para tanto, pelo que considera haver suficiente prova documental da presença da moléstia incapacitante isentiva, devendo o lançamento ser anulado. 4. Da inexistência do devido processo legal para a perda do benefício fiscal Aduz que a Receita Federal agiu em afronta aos arts. 5º, II, LIV, e 37, caput, da Constituição Federal, ao entendimento de que não houve instauração de processo administrativo específico para a perda da isenção, tendo de pronto lavrado o lançamento fiscal, sem a prévia oitiva. Narra que o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) firmou entendimento de que para a cassação do benefício fiscal, necessária se faz a observância dos princípios da ampla defesa e contraditório, bem como no mesmo sentido o Supremo Tribunal Federal, conforme decisões que colaciona. 5. Da prescrição/decadência Argumenta que o ato ora impugnado se contrapõe a outro ato pretérito (aposentadoria), que ocorreu há mais de 30 anos (1982), aduzindo que decorridos mais de cinco anos, houve a perda do direito de investigar, nos termos do art. 54 da Lei nº 9.784/99, citando decisão no Supremo Tribunal Federal (STF). Reforça que a documentação anexada prova que a impugnante está aposentado há mais de 30 anos por invalidez e, sem a observância do regular processo, descobre que teve a isenção cancelada e contra si lançado débito, cuja origem decorre de um ato juridicamente perfeito e acabado, que não pode ser anulado, face a prescrição, citando decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722922/201220 Acórdão n.º 2202003.419 S2C2T2 Fl. 591 6 6. Da presunção de legitimidade dos atos administrativos Perquire que, se não bastasse os argumentos expendidos, agiu a ALESC e a Receita Federal em ilegalidade ao cancelar ato administrativo pretérito, sem observância do outro praticado em período pretérito, cuja presunção é de legitimidade e, até prova em contrário, a ser apurada no devido processo legal, temse pela veracidade do ato que decidiu pela aposentadoria e a conseqüente isenção por moléstia grave, à época constatado por junta médica. Que não basta a ALESC e a Receita Federal supor que ato de concessão da aposentadoria estaria maculado de vício para poder anulálo, sem a observância do devido processo legal. Que sua aposentadoria, decorrente da moléstia que estava acometido, foi provada à época por atestado médico e submetido a junta médica, que a corroborou. Que se trata de uma sucessão de atos administrativos, cuja presunção é de legitimidade e veracidade, até que se prove o contrário. Discorda do procedimento da Receita Federal, que revogou o benefício da isenção concedido há muito tempo, sem que se tenha decisão definitiva que assim o determine, ou seja, decisões judiciais dando conta da inexistência de irregularidade nas aposentadorias (ação popular) e decisões exaradas em mandado de segurança. Tem que, sem adentrar no mérito das irregularidades da perícia do IPREV, laudo pericial produzido no decorrer do processo, por si só, não tem o condão de produzir efeitos fora dos autos. Que qualquer ato praticado pela Receita Federal baseado na suposta reversão da aposentadoria, já afastada, encontrase eivado de nulidade, justificando o seu cancelamento. 7. Da desnecessidade de comprovação dos sintomas da doença para continuidade do benefício fiscal Aduz que, mesmo que tivessem sido realizados exames clínicos, a ausência de novos laudos não autoriza o Fisco revogar o benefício fiscal e proceder a cobrança tributária de contribuintes até então isentos em períodos pretéritos ou futuros, citando jurisprudência do STJ. Fala que seria improcedente eventual alegação do Fisco de que para fins fiscais deveria se submeter a periciais médicas periódicas, como determina a Lei Complementar Estadual nº 412/08, uma vez que tal lei não trata de isenção de imposto de renda, mas de regime previdenciário e, ademais, em matéria de imposto de renda a competência para legislar é privativa da União. Argumenta a desnecessidade de se comprovar os sintomas da doença para continuidade do benefício fiscal; que a Lei nº Fl. 591DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722922/201220 Acórdão n.º 2202003.419 S2C2T2 Fl. 592 7 7.713/88 não exige necessidade de comprovação periódica de doença para manutenção da isenção; que não havendo previsão legal para tanto, não se pode cancelar a isenção, sob pena de ferimento aos princípios dos arts. 150, I e 153, III, da Constituição Federal. Por estar comprovado que foi aposentada por moléstia grave, com direito à isenção do IRPF, tem que o lançamento fiscal é ilegal, devendo ser cancelado, sob pena de se socorrer das vias judiciais. 8. Da prova documental A respeito das provas documentais, não obstante estar ciente de que o ônus probatório da eventual desconstituição do ato de aposentadoria seja da parte interessada, narra Processo que as aposentadorias por invalidez foram alvo de investigação por meio da Ação Popular nº 023.96.0059549. Que o ato de aposentadoria foi homologado há aproximados 30 anos e que em seu poder poucos documentos ainda existem, tendo sido na época toda a documentação fornecida à ALESC; que os documentos foram entregues à ALESC naquela época e que, se esta não mais os possui, não há como se responsabilizar os aposentados. Que diligenciou informalmente junto à ALESC a obtenção de cópia do seu processo administrativo, sendo surpreendido com a resposta de que não mais possuía a documentação em seu poder, face ao tempo decorrido. Não obstante isso, formalizou pedido de cópia integral, pelo que requer que eventuais documentos fornecidos sejam apresentados a qualquer tempo, tanto os advindos da ALESC, quanto os médicos e instituições de saúde e IPREV. 9. Do dever da ALESC em recolher o tributo Considera que o dever de recolher o tributo é da ALESC, citando dispositivos do Código Tributário Nacional (CTN) – arts. 43 e 121 – e Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) – arts. 717 e 722, pelo que não pode ser impelido a pagar o tributo diretamente, ou ao menos, exigência de juros e multa, bem como ante a ausência de prévio processo administrativo que aponte a sua culpa pelo não recolhimento do imposto. 10. Do Estatuto do Idoso Alega que Estatuto do Idoso é clara no sentido de que devem ser consideradas as limitações inerentes à idade do idoso pela sociedade, nesta incluída a Administração Pública, pelo que entende deve ser anulado o lançamento fiscal, posto que, dentre os argumentos dispostos, o flagrante desrespeito aa impugnante, pessoa idosa. 11. Dos pedidos finais Fl. 592DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722922/201220 Acórdão n.º 2202003.419 S2C2T2 Fl. 593 8 Por fim requereu a nulidade do lançamento fiscal, com fundamento no art. 62 do Decreto nº 70.235/72, ante a preexistência de processos administrativo e judicial, debatendo a matéria, dentre as quais a impugnada, posto que a cobrança tributária em comento é conseqüência da investigação questionada nas vias administrativa e judicial. Pretende o cancelamento da exigência fiscal com suporte na ausência de motivação que a originou, uma vez que persiste a moléstia que ensejou a isenção. A produção de provas pericial, documental e testemunhal; juntada posterior de documentos advindos da ALESC; prazo para alegações finais; e a improcedência da exigência fiscal. Posteriormente, em 17/06/2013, o procurador apresentou petição, requerendo a juntada do inteiro teor do Acórdão do Mandado de Segurança nº 2012.0428920, proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (TJSC). É o relatório. A DRJ/FNS julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 IRPF. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. O benefício da isenção do imposto de renda, no caso de moléstia grave, pressupõe a presença dos requisitos objetivos da comprovação da doença e serem os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. ISENÇÃO. RECONHECIMENTO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Por expressa disposição legal, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE MULTA. Por expressa disposição legal, no lançamento de ofício incide multa de 75%, sem permissivo para o servidor público deixar de aplicála, sob pena de ultrapassar os limites legais de sua competência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Incidem juros e taxa Selic nos créditos tributários não recolhidos nos prazos estabelecidos na legislação. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722922/201220 Acórdão n.º 2202003.419 S2C2T2 Fl. 594 9 IRRF. RESPONSABILIDADE. PRAZO. Após a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, for constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte, a quem a lei exige sejam submetidos todos os rendimentos. A lei exige que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 ISENÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO DE RECONHECIMENTO. PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. O direito à isenção do imposto de renda pessoa física não demanda expedição de ato administrativo de reconhecimento por parte da Administração Tributária, que pode em sua esfera de competência exigir a comprovação de sua regularidade, sujeitandose o contribuinte ao lançamento fiscal do crédito tributário não pago. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. PROVA TESTEMUNHAL. Prescinde à validade do lançamento a necessidade de produção de prova testemunhal, mormente quando a apreciação é meramente documental. PERÍCIA PRESCINDÍVEL. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Temse por prescindível de perícia o lançamento baseado em prova meramente documental integrante dos autos. A perícia formulada deve atender aos requisitos estabelecidos na legislação que rege o contencioso. A não conformidade motiva o indeferimento e não conhecimento. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco valerse de informações e provas colhidas em outros processos, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722922/201220 Acórdão n.º 2202003.419 S2C2T2 Fl. 595 10 ALEGAÇÕES FINAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O processo administrativo fiscal possui regramento específico, estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, com suas fases de procedimento de lançamento e impugnação, sem lugar para alegações finais prévias ao julgamento de primeira instância. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada dessa decisão em 19/07/2013 (sextafeira), por via postal (A.R. de fl. 560), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 19/08/2013 (segundafeira) de fls. 562 a 580, alegando o seguinte, em resumo: nulidade do auto de infração em virtude do cerceamento do direito de defesa, pois a infração não está descrita corretamente e foi baseada em prova emprestada; foi aposentado por invalidez, sendo diagnosticado na época como portador de cardiopatia grave CID 412 e 427.1, estando definitivamente incapacitado para o trabalho, conforme laudo da junta médica designada pela ALESC; o laudo médico emitido há mais ou menos 30 anos não foi anulado e continua em vigor, assim caberia à Fiscalização investigar e estabelecer o elo entre as provas produzidas no processo de revisão de aposentadoria com aquelas exigidas pela legislação tributária; o auto de infração é nulo por afrontar diretamente o art. 142 do CTN, pois a Fiscalização não verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes; a perícia médica do IPREVSC limitouse a examinar a documentação relativa à aposentadoria do Recorrente, não realizando nenhum novo exame, cumprindo apenas procedimentos administrativos burocráticos; a decisão do IPREVSC foi suspensa por decisão judicial liminar; o laudo inicial não foi contestado e o máximo que se poderia concluir é que o Recorrente encontrase apto para o trabalho a partir de dezembro de 2011 e não nos anos de 2006 a 2011; a apuração da base de cálculo foi indevidamente majorada. Embora essa questão não tenha sido levantada na impugnação, tratase de matéria de ordem pública; a Fiscalização baseouse em informativo anual de rendimentos fornecido pela fonte pagadora ALESC que não se preocupou em separar os rendimentos mês a mês, nem excluiu a parcela do 13º salário, a qual se não fosse isenta, seria tributada exclusivamente na fonte, sob responsabilidade da fonte pagadora; a base de cálculo utilizada pela Fiscalização englobou indevidamente o 13º salário, que não é responsabilidade do Recorrente, mas sim da fonte pagadora; Fl. 595DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722922/201220 Acórdão n.º 2202003.419 S2C2T2 Fl. 596 11 além da tributação indevida, a Fiscalização deixou de considerar no cálculo o desconto padrão a que o Contribuinte teria direito; caso a isenção não seja considerada, deverá o julgamento ser convertido em diligência para que a autoridade fiscal recalcule o valor exigido, com base nos argumentos acima. Ao final, requer, sucessivamente, a nulidade do auto de infração, o cancelamento integral do lançamento e a conversão em diligência para exclusão do 13º salário e do desconto padrão. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminares A Recorrente pugna pela nulidade do auto de infração em virtude de cerceamento do direito de defesa, pois a infração não está descrita corretamente e foi baseada em prova emprestada. Alega ainda afronta ao art. 142 do CTN por erro na identificação da matéria tributável. Não lhe assiste razão, pois se encontram preenchidos os preceitos estabelecidos no artigo 142 do CTN, assim como não se identificou violação das disposições contidas nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF). CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 596DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722922/201220 Acórdão n.º 2202003.419 S2C2T2 Fl. 597 12 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como foi especificado o conteúdo da autuação na descrição dos fatos. Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais. Também não ocorreu cerceamento de defesa, pois foram dadas à Contribuinte todas as oportunidades para sua manifestação. Observase que lhe foi concedido o mais amplo direito de defesa. Ela apresentou impugnação e recurso voluntário ao Auto de Infração, exercendo o seu direito ao contraditório, perfeitamente amparado pelo Decreto n.º 70.235/72, tendo revelado conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, as quais rebateu mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito. Dessarte, rejeitamse as preliminares suscitadas. Mérito São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia Fl. 597DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722922/201220 Acórdão n.º 2202003.419 S2C2T2 Fl. 598 13 profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) A Súmula CARF Nº 63 assim dispõe sobre as condições para gozo da isenção do imposto de renda: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Para melhor deslinde da questão, cabe transcrever trechos da Descrição dos Fatos contida no Auto de Infração (fls. 395 a 399): Em atenção ao Ofício nº 122/12 (fls. 30), o Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina (IPREV) encaminhou a este Órgão Fiscal cópia de processos administrativos instaurados com o objetivo de apurar possíveis irregularidades na concessão de aposentadorias por invalidez de servidores da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC). Com relação à contribuinte Odete da Silva, o IPREV enviou cópia dos processos de fls. 32 a 70 e 71 a 367. Dentre as peças que compõem os processos, destacamos o laudo da Perícia Médica realizada no ano de 2011 (fls. 38 e 45), o Relatório Conclusivo da Comissão do Processo Administrativo instaurada (fls. 137 a 147) e a Decisão da Presidência do IPREV (fls. 148 a 157). Importa dizer, desde já, que na referida Decisão a Presidência do IPREV, acolhendo o parecer da Comissão Processante, determinou a imediata suspensão do benefício previdenciário da contribuinte e a remessa dos autos à ALESC para revisão do ato de aposentadoria e consequente cassação do mesmo, procedimento este de responsabilidade daquela Instituição. Pois bem, conforme assinalado no Relatório Conclusivo da Comissão Processante e na própria Decisão da Presidência do IPREV, a determinação legal para a realização de avaliações médicas periódicas dos servidores do Estado de Santa Catarina aposentados por invalidez permanente está contida no parágrafo 2º do art. 60 da Lei Complementar SC nº 412, de 26 de junho de 2008. No parágrafo 3º vemos que, verificada a insubsistência dos motivos geradores da incapacidade laboral, o benefício de aposentadoria por invalidez deverá ser cancelado e o segurado revertido ao serviço público ou posto em disponibilidade, nos termos do Estatuto dos Servidores do Estado de Santa Catarina. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722922/201220 Acórdão n.º 2202003.419 S2C2T2 Fl. 599 14 [...] Em seu Relatório Conclusivo de fls. 137 a 147, a Comissão do Processo Administrativo descreve que a Sra. Odete da Silva foi aposentada por invalidez no ano de 1982 por ser portadora cardiopatia grave (CID 412 e 427.1, revisão de 1975), razão pela qual foi considerada definitivamente incapacitada para o exercício do serviço público. Convocada para reavaliação médica regulamentar no ano de 2011, a Junta Médica concluiu que a avaliada possui capacidade laborativa (fls. 38 e 45). No item 2 do relatório pericial de fls. 45, foi solicitado à Gerência de Perícia Médica da Secretaria da Administração do Estado de Santa Catarina que indicasse todos os documentos e informações que foram considerados pelo perito médico, à época da concessão do benefício (ano de 1982), para sugerir a aposentadoria por invalidez permanente da Sra. Odete da Silva. Em resposta, a Gerência de Perícia Médica informa que no prontuário médico pericial da servidora se encontra anexado apenas um único atestado médico, sem a indicação de sua data de emissão (fls. 35). No item 3 do relatório pericial de fls. 45, a Gerência de Perícia Médica atesta que, após revisão do prontuário médico pericial da servidora, não foram encontrados subsídios técnicos que permitissem concluir que na data da concessão do benefício previdenciário houvesse a incapacidade total e definitiva para o trabalho indicada no prontuário, haja vista a existência de apenas um único atestado médico não datado. No histórico médicopericial da servidora (fls. 38), a Junta Médica revisional informa não existirem exames cardiológicos da época da concessão da aposentadoria que comprovem a incapacidade laborativa. Informa também que não foram apresentados exames cardiológicos atuais que comprovem incapacidade laborativa. Como vemos, a Junta Médica Oficial do mesmo ente estatal (no caso, o Estado de Santa Catarina), que outrora também havia sido oficialmente encarregada de analisar as condições de saúde da Sra. Odete da Silva, em ato de revisão pericial atesta equívoco praticado na avaliação médica realizada à época da concessão de sua aposentadoria por patologia cardíaca grave. Declara de forma clara e objetiva que não há comprovação do quadro incapacitante que originou a aposentadoria por invalidez. Conclui, inclusive, que a Sra. Odete da Silva se encontra apta ao trabalho nos dias de hoje. Seguindo na análise do Relatório da Comissão (fls. 137 a 147), vemos que no decorrer dos trabalhos de sindicância foi oportunizado à Sra. Odete da Silva a possibilidade de apresentação de todos os meios de prova (exames clínicos, laudos médicos, testemunhos, etc.) e que esta, todavia, não logrou juntar elementos que corroborassem com a causa de sua aposentadoria. Ou seja, não apresentou quaisquer documentos que implicassem em mudança de posicionamento por parte da Junta Médica que realizou sua perícia no ano de 2011. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722922/201220 Acórdão n.º 2202003.419 S2C2T2 Fl. 600 15 Face a tudo que se encontra nos autos, a Comissão Processante finaliza seu Relatório Conclusivo dizendo ter constatado irregularidade na concessão da aposentadoria por invalidez da servidora Odete da Silva em virtude da ausência de comprovação da existência, atual ou pregressa, da doença diagnosticada na concessão da aposentadoria e propõe o cancelamento do benefício previdenciário, com o envio dos autos à Presidência do IPREV para apreciação e julgamento administrativo. Conforme assinalado na Decisão do IPREV, que vem logo após o relatório da Comissão Processante (fls. 148 a 157), a Presidência daquele Instituto examinou novamente todos os elementos do processo. E nas considerações que embasam sua Decisão, trata de reforçar ainda mais as afirmações e conclusões a que chegaram, tanto a Junta Médica Oficial que realizou a perícia em 2011, quanto a Comissão do Processo Administrativo instaurada em sua sequência. Reafirma, pois, que não há nos autos qualquer documento que ateste a existência e permanência da patologia que deu causa à aposentadoria, fato que configura como fraude à previdência do Estado de Santa Catarina. Assim sendo, fazendo uso de suas prerrogativas legais, a Presidência do IPREV definiuse pela imediata suspensão do benefício previdenciário da segurada e a remessa dos autos à Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina para efetivarse a revisão do ato de aposentadoria e consequente cassação/anulação do mesmo. (destaquei) Tendo em vista a conclusão da perícia médica do IPREVSC, constatase que a Recorrente não fazia jus à isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria no período fiscalizado, por não ser portadora de cardiopatia grave. Notese que a conclusão da Comissão do IPREV bem como da sua Presidência foi clara no sentido de que a aposentadoria por invalidez devido à cardiopatia grave foi irregular, determinando a sua suspensão. Acrescentese que não existe nenhum laudo médico oficial que ateste a doença, existindo apenas um simples atestado médico não datado, contrariando a exigência legal. Embora lhe tenha sido oportunizada, durante a sindicância, a apresentação de todos os meios de prova que atestassem a doença, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que lhe socorresse. O fato de a Contribuinte ter obtido uma medida judicial mantendo o benefício previdenciário não ilide o lançamento tributário, posto que a autuação foi baseada em laudos oficiais do IPREVSC e não existia laudo oficial que comprovasse a sua enfermidade (cardiopatia grave), além do que a decisão judicial não se encontra transitada em julgado, ou seja, é passível de revisão. Em relação à tributação sobre o 13º salário, a matéria não foi enfrentada na decisão de primeira instância, posto que não foi contestada por ocasião da impugnação, razão pela qual entendo que está fora do litígio. A matéria, portanto, encontrase preclusa, nos termos Fl. 600DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722922/201220 Acórdão n.º 2202003.419 S2C2T2 Fl. 601 16 do artigo 17 do PAF. verbis: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Diferentemente do que alega a Recorrente, não se trata de matéria de ordem pública e a sua análise implicaria em supressão de instância, uma vez que essa questão não foi submetida ao julgamento a quo. Quanto ao desconto padrão de 20% a que têm direito os optantes pela declaração simplificada, observase que já foi concedido no cálculo do imposto pela autoridade fiscal, conforme Demonstrativos de Apuração do Auto de Infração (fls. 402 a 406). Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso em relação à tributação do 13º salário, por preclusão. Na parte conhecida, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 601DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000807/2010-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
Constatado que o acórdão tratou de matéria diversa àquela correspondente à questão fática e jurídica trazida à análise no respectivo processo administrativo fiscal, acolhem-se os embargos declaratórios para reconhecer a nulidade do julgado, devido à existência de erro material, realizando-se novo julgamento do recurso voluntário.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO QUE CONTENHA INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
É improcedente a multa aplicada à empresa por apresentar documento que contenha informação diversa da realidade quando a descrição dos fatos relatada no auto de infração não se subsume à conduta material prevista na regra-matriz de incidência da penalidade.
Embargos Acolhidos
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DAR-LHES PROVIMENTO para: i) declarar nulo o Acórdão nº 2301-004.098, juntado às fls. 371/395, pela existência de erro material; e ii) conhecer do Recurso Voluntário de fls. 257/265 e, no mérito, dar-lhe provimento para tornar insubsistente o AI nº 37.264.283-7. A Conselheira Maria Cleci Coti Martins acompanhou o relator pelas conclusões. Fez sustentação oral o Dr. Thiago Barbosa Wanderley OAB/SP 307.046-A.
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
Cleberson Alex Friess - Relator "ad hoc"
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO. Constatado que o acórdão tratou de matéria diversa àquela correspondente à questão fática e jurídica trazida à análise no respectivo processo administrativo fiscal, acolhem-se os embargos declaratórios para reconhecer a nulidade do julgado, devido à existência de erro material, realizando-se novo julgamento do recurso voluntário. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO QUE CONTENHA INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. É improcedente a multa aplicada à empresa por apresentar documento que contenha informação diversa da realidade quando a descrição dos fatos relatada no auto de infração não se subsume à conduta material prevista na regra-matriz de incidência da penalidade. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15586.000807/2010-66
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5579931
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.234
nome_arquivo_s : Decisao_15586000807201066.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 15586000807201066_5579931.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DAR-LHES PROVIMENTO para: i) declarar nulo o Acórdão nº 2301-004.098, juntado às fls. 371/395, pela existência de erro material; e ii) conhecer do Recurso Voluntário de fls. 257/265 e, no mérito, dar-lhe provimento para tornar insubsistente o AI nº 37.264.283-7. A Conselheira Maria Cleci Coti Martins acompanhou o relator pelas conclusões. Fez sustentação oral o Dr. Thiago Barbosa Wanderley OAB/SP 307.046-A. André Luís Mársico Lombardi - Presidente Cleberson Alex Friess - Relator "ad hoc" Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6341598
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417911963648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1880; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 423 1 422 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000807/201066 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401004.234 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIAS. INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE Embargante CISA TRADING S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO. Constatado que o acórdão tratou de matéria diversa àquela correspondente à questão fática e jurídica trazida à análise no respectivo processo administrativo fiscal, acolhemse os embargos declaratórios para reconhecer a nulidade do julgado, devido à existência de erro material, realizandose novo julgamento do recurso voluntário. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO QUE CONTENHA INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. É improcedente a multa aplicada à empresa por apresentar documento que contenha informação diversa da realidade quando a descrição dos fatos relatada no auto de infração não se subsume à conduta material prevista na regramatriz de incidência da penalidade. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 07 /2 01 0- 66 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.000807/201066 Acórdão n.º 2401004.234 S2C4T1 Fl. 424 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DARLHES PROVIMENTO para: i) declarar nulo o Acórdão nº 2301004.098, juntado às fls. 371/395, pela existência de erro material; e ii) conhecer do Recurso Voluntário de fls. 257/265 e, no mérito, darlhe provimento para tornar insubsistente o AI nº 37.264.2837. A Conselheira Maria Cleci Coti Martins acompanhou o relator pelas conclusões. Fez sustentação oral o Dr. Thiago Barbosa Wanderley – OAB/SP 307.046A. André Luís Mársico Lombardi Presidente Cleberson Alex Friess Relator "ad hoc" Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.000807/201066 Acórdão n.º 2401004.234 S2C4T1 Fl. 425 3 Relatório Cuidamse de embargos de declaração tempestivamente opostos pelo contribuinte, às fls. 402/411, contra o Acórdão nº 2301004.098, da relatoria do Conselheiro Mauro José Silva, proferido pela 1ª Turma de 3ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o qual está juntado às fls. 371/395. 2. Aponta a embargante a existência de omissão no v. acórdão quanto à análise dos fundamentos expostos em seu recurso voluntário, assim como contradição entre fundamentação e decisão. 3. Quanto à omissão, afirma que o acórdão embargado negou provimento ao recurso com base no seguinte argumento: "Tendo a fiscalização apurado que foram pagas verbas remuneratórias e que estas não compunham as folhas de pagamento, encontrase em conformidade com a legislação a aplicação de multa por ter o contribuinte deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira a seu serviço, conforme previsto no art. 33 da Lei nº 8.212/91". 3.1 Porém, escapa ao objeto do lançamento fiscal a fundamentação adotada no acórdão para a incidência de contribuições previdenciárias. Isso porque a autuação foi motivada por situação específica, vinculada ao descumprimento de obrigação acessória, no que tange à prestação de informações à autoridade fiscal relacionadas à comissária de despachos aduaneiros. 3.2 Desta sorte, as razões trazidas no recurso voluntário, às fls. 257/265, quanto à inocorrência da infração prevista na alínea "j" do inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, restaram não apreciadas pelo v. acórdão embargado. 4. No tocante à contradição, a embargante aduz que o vício reside, de um lado, em reconhecer a inexigibilidade da contribuição previdenciária sobre pagamentos a integrantes de comissárias e, de outro, em manter a penalidade aplicada pela fiscalização. 5. Diante da alegação de falta de congruência entre a autuação fiscal e o conteúdo do acordão embargado, compulsei detalhadamente os autos com o propósito de identificar a matéria litigiosa. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.000807/201066 Acórdão n.º 2401004.234 S2C4T1 Fl. 426 4 6. Extraise do relatório fiscal da infração, bem como do relatório fiscal da aplicação da multa, às fls. 157/162, que a fiscalização, por meio do Auto de Infração (AI) nº 37.264.2837, aplicou penalidade por ter a empresa apresentado documentos com informações diversas da realidade, relativamente à prestação de serviço por despachante aduaneiro (Código de Fundamentação Legal CFL 38). 6.1 Segundo a fiscalização, nos lançamentos contábeis do autuado não foram identificados pagamentos de honorários a despachantes aduaneiros, pessoas físicas, relacionados a serviços aduaneiros realizados pelas pessoas jurídicas ABRÃO Despachos Internacionais Ltda. e FULL CARGO Serviços Ltda. 6.2 Diante dessa constatação, procedeu à intimação da recorrente para apresentar os nomes dos despachantes que representaram aquelas empresas junto às autoridades aduaneiras, bem como os correspondentes valores dos honorários pagos pelos serviços de despachante aduaneiro. 6.3 Em resposta à intimação, o sujeito passivo declarou à fiscalização que os responsáveis pela prática de todos os atos relacionados com o despacho aduaneiro, credenciados como representantes das empresas contratadas ABRÃO Despachos Internacionais Ltda. e FULL CARGO Serviços Ltda., foram, respectivamente, os Srs. José Aires Amorim Abrão e Carlos Augusto Cypriano, sócios dessas empresas. 6.4 Todavia, por meio de consulta ao banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a autoridade fiscal identificou que a despachante aduaneira Rozemárcia Wyse Abrão Silva, ligada à empresa ABRÃO Despachos Internacionais Ltda., foi responsável por registros de declarações de importação do sujeito passivo. Ao passo que o despachante aduaneiro Carlos Ribeiro Grijó, ligado à empresa FULL CARGO Serviços Ltda., foi responsável por registros de declarações em nome dessa última pessoa jurídica. 6.5 Assim, concluiu a fiscalização que (fls. 160): (...) 3. (...) que o sujeito passivo apresentou documentos com informações diversas da realidade (docs. 0467 a 0468 e 0496 a 0498 anexos ao relatório fiscal do AI DEBCAD 37.264.2756) quando informou que os responsáveis, por todas as declarações de importação DIs feitas através da FULL CARGO Serviços Ltda. e da ABRÃO Despachos Internacionais Ltda, foram os seus sócios, respectivamente, Carlos Augusto Cypriano e José Aires Amorim Abrão. Assim procedendo o sujeito passivo infringiu a Lei 8.212/91 e o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. (destaque no original) (...) Fl. 426DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.000807/201066 Acórdão n.º 2401004.234 S2C4T1 Fl. 427 5 6.6 Os dispositivos legais infringidos foram os §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, c/c parágrafo único do art. 233 do RPS, cuja penalidade aplicada encontrase prevista na alínea "j" do inciso II do art. 283 do mesmo Regulamento. Adicionalmente, constatada pela fiscalização a reincidência genérica, restou configurada a circunstância agravante da infração, exigindose a multa em dobro. 7. Cientificado da autuação em 10/8/2010, às fls. 2, o sujeito passivo impugnou a exigência fiscal (fls. 166/174). 8. Ao proferir decisão, a 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1) manteve parcialmente o crédito tributário, equivalente ao valorbase da penalidade, afastando tão somente o agravamento pela reindicência genérica. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1237.580 (fls. 242/251): Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA — APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS Constitui infração deixar a empresa de apresentar qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. . REINCIDÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Para que fique caracterizada a reincidência, a empresa autuada deve ter praticado nova infração a dispositivo da legislação, dentro do prazo de cinco anos da data em que se tomar irrecorrível administrativamente a decisão condenat6ria, da data do pagamento ou da data em que configurar a revelia, referente à autuação anterior, do contrario, não há que se falar em agravamento da multa (art.290, V, parágrafo único do Decreto n°3 .048/99). 9. Intimada em 3/10/2011, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 253/255, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 3/11/2011 (fls. 257/265). 9.1 Em síntese, a recorrente repete os argumentos expostos na sua impugnação, no sentido de que: i) atendeu integralmente às intimações da fiscalização, tendo realizado amplo e detalhado levantamento das operações ocorridas no período sob auditoria, apresentando cópias de todos os documentos correspondentes; Fl. 427DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.000807/201066 Acórdão n.º 2401004.234 S2C4T1 Fl. 428 6 ii) não efetuou contratação direta de pessoas físicas para a realização de tarefas de despachantes aduaneiros, já que optou em contratar pessoas jurídicas especializadas, no caso a ABRÃO Despachos Internacionais Ltda e a FULL CARGO Serviços Ltda, que atuam como comissárias de despachos. Essas empresas possuem em seus quadros despachantes aduaneiros e profissionais habilitados para execução dos serviços, os quais exercem as atividades mediante a outorga de poderes pelos clientes das empresas nas quais trabalham, por meio de mandato. Dessa maneira, a recorrente não estabeleceu nenhuma relação jurídica com os despachantes aduaneiros daquelas empresas contratadas; iii) não incorreu na hipótese da infração prevista na alínea "j" do inciso II do art. 283 do RPS; iv) eventual equívoco cometido na indicação do nome completo do despachante é resultado de manifesto e evidente erro de fato, não justificando a aplicação da penalidade; e v) não praticou qualquer ato de embaraço à fiscalização ou omissão de dados e informações. 10. Submetido o recurso voluntário a julgamento, foi formalizado o Acórdão nº 2301004.098, ora embargado. Eis a ementa desse acórdão (fls. 371/372): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PLANO DE SAÚDE PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de planos de saúde quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela lei exige que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa e não se estende aos dependentes. O pagamento avulso de despesas hospitalares para a diretoria não está albergado pela isenção. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT. ACATAMENTO DE PARECER DA PGFN EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Porém, considerando a existência do Parecer PGFN 2.120/2011 associado aos efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição Fl. 428DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.000807/201066 Acórdão n.º 2401004.234 S2C4T1 Fl. 429 7 de ato administrativo sem finalidade, que deve a alíquota do SAT ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, não há prova de que não há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório. PAGAMENTOS A DESPACHANTES ADUANEIROS POR MEIO DE SINDICATO DE DESPACHANTE ADUANEIRO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os pagamentos efetuados a despachantes aduaneiros por meio de Sindicatos de Despachantes Aduaneiros representam contraprestação por serviços prestados por contribuintes individuais, sofrendo, portanto,. a incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 22, inciso III da Lei 8.212/91. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE DESPACHANTE ADUANEIRO POR MEIO DE COMISSÁRIAS DE DESPACHOS. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NO CASO DE PROFISSIONAL EMPREGADO DA COMISSÁRIA OU SÓCIO DESTA. Se a empresa contrata serviço de despachante aduaneiro com comissária de despacho e esta realiza o serviço por meio de profissional empregado ou sócio, não há incidência da contribuição prevista no art. 22, inciso III no caso da contratante. Se o serviço é realizado por meio de profissional não empregado ou não sócio da comissária, a incidência se impõe. Eventual interposição fraudulenta deve ser provada com elementos adicionais ao mandato. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.000807/201066 Acórdão n.º 2401004.234 S2C4T1 Fl. 430 8 MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA FORNECER DOCUMENTOS COM FORMALIDADES LEGAIS. Encontrase em conformidade com a legislação a aplicação de multa ao contribuinte que, sendo intimado para apresentar documentos em prazo razoável, permanece inerte quanto à apresentação, ainda que parcial, do solicitado obedecendo às formalidades legais cabíveis. Recurso Voluntário Negado 11. Interpostos os embargos declaratórios e designado relator "ad hoc" para pronunciamento sobre a sua admissibilidade1, os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da 2ª Seção (fls. 418 e 419/420, respectivamente). É o relatório. 1 A designação "ad hoc" deuse com fundamento no § 7º do art. 49 c/c § 2º do art. 65 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.000807/201066 Acórdão n.º 2401004.234 S2C4T1 Fl. 431 9 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator "ad hoc" 12. Tendo em vista o preenchimento dos requisitos de admissibilidade dos embargos, passo ao exame de mérito. 13. De pronto, verifico que assiste razão à embargante quanto à existência de vício no julgado, pois o acórdão embargado adotou fundamentos estranhos ao objeto da lide. 13.1 A íntegra do Acórdão nº 2301004.098 não condiz com a questão fática e jurídica levada à análise no presente processo administrativo, encontrandose despido de congruência com o litígio instaurado com a impugnação relativamente à aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, mediante a lavratura do AI nº 37.264.2837, pelo fato de a empresa ter apresentado documento contendo informações diversas da realidade. 13.2 O votocondutor do acórdão embargado examina, como questões de fundo, a incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos a título de planos de saúde e de seguro de vida e sobre remunerações percebidas por despachantes aduaneiros, matérias que estão vinculadas à exigência de crédito tributário decorrente da mesma ação fiscal realizada no sujeito passivo, ora recorrente, porém formalizado em outro processo administrativo, cadastrado sob o nº 15586.000798/201011, concernente ao AI nº 37.264.2756. (fls. 150/151 e 157). 13.3 A omissão do julgador na apreciação das matérias deduzidas pelo sujeito passivo, quando da apresentação do recurso voluntário, configura negativa de prestação jurisdicional, o que autoriza o manejo de embargos declaratórios para pleitear a correção do erro identificado no acórdão. 14. É de se reconhecer, portanto, a existência de erro material com a consequente nulidade do Acórdão nº 2301004.098, acostado às fls. 371/395. 15. Nula a decisão anterior, cabe prosseguir com a apreciação do recurso voluntário interposto às fls. 257/265. Recurso Voluntário Juízo de admissibilidade 16. Realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.000807/201066 Acórdão n.º 2401004.234 S2C4T1 Fl. 432 10 Mérito 17. Está fundamentada a autuação fiscal no descumprimento de obrigação instrumental prevista nos §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c parágrafo único do art. 233 do RPS, com multa capitulada na alínea "j" do inciso II do art. 283 do RPS. Reproduzo abaixo os respectivos dispositivos da legislação previdenciária, com a redação vigente à época da autuação: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (...) RPS, de 1999 Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (grifouse) (...) Fl. 432DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.000807/201066 Acórdão n.º 2401004.234 S2C4T1 Fl. 433 11 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; (grifouse) (...) 18. Pois bem. Entendo que a conduta atribuída à empresa fiscalizada e descrita pela autoridade fiscal às fls. 157/161, consistente na apresentação de documento com informação diversa da realidade, não se subsume à regramatriz de incidência da penalidade. Explico. 19. Inicialmente foi constatado pelo agente fiscal a contratação por parte da recorrente de pessoas jurídicas para realizar serviços aduaneiros. Essas pessoas jurídicas ABRÃO Despachos Internacionais Ltda. e FULL CARGO Serviços Ltda atuaram como comissárias de despachos aduaneiros. 19.1 Pela legislação em vigor, enquanto pessoas jurídicas não podem atuar diretamente nas operações relacionadas com o despacho aduaneiro de importação e exportação, exigindose o credenciamento de representante no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), necessariamente uma pessoa física, na condição de despachante aduaneiro, empregado ou dirigente, conforme o caso. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.000807/201066 Acórdão n.º 2401004.234 S2C4T1 Fl. 434 12 20. Em que pese tal situação regulamentar, chamou atenção da fiscalização o fato de inexistir, nos lançamentos contábeis do sujeito passivo, pagamentos de honorários a despachantes aduaneiros, pessoas físicas, relacionados a serviços aduaneiros realizados pelas pessoas jurídicas supramencionadas (fls. 158). 20.1 Em vista disso, com a finalidade de avaliar uma possível prestação de serviço remunerado à recorrente por contribuintes individuais, a fiscalização intimoua, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 04, a apresentar os nomes dos despachantes aduaneiros e respectivos valores da remuneração paga pelos serviços. (fls. 58/59). 21. Acontece que, como antes dito, a recorrente estabeleceu relação jurídica com as comissárias de despachos, e não com as pessoas físicas. Em princípio, a existência nos quadros das comissárias de despachantes aduaneiros, empregados ou sócios que sejam responsáveis pela execução dos serviços aduaneiros é matéria alheia ao seu pleno controle, na medida em que tais profissionais são contratados e desempenham as atividades sobe a orientação das pessoas jurídicas a que estão vinculados. 22. Daí porque, em resposta à intimação da fiscalização, a recorrente informou que os responsáveis pelas atividades aduaneiras eram os sócios das empresas contratadas ABRÃO Despachos Internacionais Ltda. e FULL CARGO Serviços Ltda. Acrescentou que não dispunha dos valores pagos discriminados por despachantes aduaneiros, haja vista efetuar integralmente os pagamentos às pessoas jurídicas (fls. 158/159). 23. Identificando a fiscalização, porém, a atuação de pessoas físicas distintas daqueles nomes informados pela recorrente, mais especificamente os nomes de Rozemárcia Wyse Abrão Silva e Carlos Ribeiro Grijó, que constavam como responsáveis no Siscomex por registros de declarações de importação, concluiu o agente fiscal que a recorrente havia prestadolhe informações, por escrito, diversas da realidade. 24. Com a devida vênia, o raciocínio da autoridade lançadora é desprovido de consistência, dado que a recorrente não realizou a contratação direta daquelas pessoas físicas, ficando descaracterizada a infração pelo fato de não se poder exigirlhe o controle e a prestação de informações precisas e detalhadas a respeito de todos os nomes das pessoas físicas credenciadas a operar o Siscomex, por meio da ABRÃO Despachos Internacionais Ltda. e da FULL CARGO Serviços Ltda, com a finalidade de representar a Cisa Trading S/A, ora recorrente, nas importações de mercadoria. 25. A título de observação, esclareço que a linha de pensamento aqui defendida encontrase alinhada com o decidido no Processo nº 15586.000798/201011, relativo à obrigação principal. 25.1 Naquele processo considerouse indevida a exigência de recolhimento de contribuição previdenciária, em nome da recorrente, com relação aos serviços prestados pelas pessoas físicas Rozemárcia Wyse Abrão Silva e Carlos Ribeiro Grijó, tendo em vista a vinculação delas, como empregado ou sócio, às empresas ABRÃO Despachos Internacionais Ltda. e FULL CARGO Serviços Ltda. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.000807/201066 Acórdão n.º 2401004.234 S2C4T1 Fl. 435 13 25.2 Transcrevo abaixo o respectivo trecho do votocondutor do Acórdão nº 2301 004.092, de 18 de julho de 2014, referente ao Processo nº 15586.000798/201011: 2 (...) Levantamentos RZ, CG e CG1. Serviços de despachante aduaneiro contratados com comissária de despachos. A fiscalização concluiu que a legislação prevê que a contratação de serviços de despachante aduaneiro com comissária de despachos exige que o serviço seja prestado somente pelos sócios dirigentes desta que sejam habilitados. No entanto, se um profissional é empregado da comissária e esta presta serviços, não pode existir incidência da contribuição prevista para prestação de serviço de contribuinte individual, uma vez que não é nessa condição que o serviço foi prestado. O profissional prestou serviço para a comissária como empregado e esta detinha um contrato com a recorrente. Esse caso em tudo se assemelha à prestação de serviços de um escritório de advocacia na qual é o escritório que possui vínculo contratual com a contratante, mas o serviço é prestado por um profissional habilitado empregado do escritório. O profissional que prestou o serviço não possui qualquer vínculo contratual com a contratante e não age como contribuinte individual e sim como empregado da comissária. Logo, inexigível a contribuição prevista no art.22, inciso II da Lei 8.212/91 se o despachante que presta o serviço é empregado da comissária. Assim, como a despachante Rozemárcia era empregada da comissária Abrão, o levantamento RZ não pode prevalecer. No caso dos levantamento CG e CG 1, o Sr. Carlos Ribeiro Grijó era sócio da FullCargo e possuía habilitação de despachante. Se a recorrente mantinha contrato com a FullCargo, como a própria fiscalização admitiu, o fato de as procurações estarem nominais ao profissional não desnatura a contratação, uma vez que é praxe nesse tipo de serviço a identificação do profissional habilitado no mandato. A possibilidade de ter ocorrido fraude na hipótese de o serviço não ser prestado por intermédio da comissária da qual o profissional era sócio devia ter sido provada pela fiscalização com outros elementos e não simplesmente com a procuração nominal ao profissional. A exigência de que o profissional seja sócio dirigente não tem relação com a incidência da contribuição e sim com a possibilidade de a empresa ser considerada comissária de despachos. Assim, votamos por afastar do lançamento o levantamento CG e CG1, uma que o serviço foi prestado por comissária de despacho com uso de profissional que era seu sócio. (...) 2 Acórdão disponível na Internet em www.carf.fazenda.gov.br Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.000807/201066 Acórdão n.º 2401004.234 S2C4T1 Fl. 436 14 26. Dessa feita, cabe tornar insubsistente o AI nº 37.264.2837 lavrado pela fiscalização. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DARLHES PROVIMENTO para: i) declarar nulo o Acórdão nº 2301004.098, juntado às fls. 371/395, pela existência de erro material; e ii) conhecer do recurso voluntário de fls. 257/265 e, no mérito, darlhe provimento para tornar insubsistente o AI nº 37.264.2837. É com voto. Cleberson Alex Friess Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 10855.720958/2013-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso de ofício em diligência, nos termos do voto da Relatora.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10855.720958/2013-46
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5579146
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-000.651
nome_arquivo_s : Decisao_10855720958201346.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
nome_arquivo_pdf_s : 10855720958201346_5579146.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso de ofício em diligência, nos termos do voto da Relatora. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6338286
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417917206528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2117; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 755 1 754 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.720958/201346 Recurso nº De Ofício Resolução nº 3201000.651 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de fevereiro de 2016 Assunto IPI CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS Recorrente WOBBEN WINDPOWER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso de ofício em diligência, nos termos do voto da Relatora. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. O feito foi assim relatado pela DRJ: Em virtude do MPF nº 0811000.2012.006325, foi desenvolvido procedimento fiscal no contribuinte supra referido, tendente a verificar a legitimidade do IPI – Imposto sobre produtos industrializados, relativo ao período de apuração do 2º a 4º trimestre do anocalendário de 2008. A autoridade fiscal solicitou informações e documentos da interessada por meio de intimação validamente feita, todas satisfeitas pela interessada, segundo o Relatório Fiscal. Em 02/04/2013 fls. 332/344 e 351/352, a autoridade fiscal lavrou o competente auto de Infração, através do qual se exige da interessada o valor de R$15.172.172,26, a título de Imposto sobre Produtos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .7 20 95 8/ 20 13 -4 6 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.720958/201346 Resolução nº 3201000.651 S3C2T1 Fl. 756 2 Industrializados, juros de mora e multa por infração, em virtude de entender que a interessada utilizouse de errônea classificação fiscal, conforme descrito no Auto de Infração. Após tomar ciência do auto de infração, em 02/04/2013, a interessada, em 02/05/2013, apresentou impugnação às fls. 357 a 436, apresentando suas razões de defesa nos seguintes argumentos: a) Que o aerogerador é um único produto, devendo ser classificado e tributado como tal; b) Que não houve, de igual modo, pesquisa e avaliação profunda do funcionamento dos aerogeradores e da dependência de cada um de seus componentes entre si, para exercer uma única função: a geração de energia elétrica a partir do movimento dos ventos; c) Que a identificação da matéria tributável foi precária, calcada em presunções equivocadas e arbitramentos indevidos; d) Que o trabalho fiscal viola o artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; e) Que utilizou classificação fiscal inexistente para tributar diversos equipamentos; f) Que exigiu em duplicidade o suposto IPI devido calculando o imposto tanto sobre “notas filhas”, quanto sobre a “nota mãe”; g) Calculou o IPI por presunção (arbitramento); h) Aplicou alíquotas maiores para alguns produtos, como, por exemplo, aqueles classificados nas NCM´s 39235000 e 84879000; i) Que a utilização de NCM inexistente fere o princípio da motivação; j) Que a fiscalização divergiu de entendimento proferido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, o qual foi objeto de orientação às Secretarias de Fazenda de Estados membros, junto ao CONFAZ; k) Que a Multa Isolada não pode vir a ser exigida, posto que o IPI supostamente não lançado foi coberto por créditos apurados no regime da nãocumulatividade; l) Que não há base legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício; À fl. 418, a Impugnante solicita realização de prova pericial por entender indispensável para a correta classificação fiscal, espancando a dúvida sobre se as partes e peças constituem ou não um sistema único e indissociável dos aerogeradores. Deferida a perícia, vieram aos autos as respostas aos quesitos formulados e a manifestação da Interessada sobre o resultado da mesma, estando devidamente instruído os autos. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.720958/201346 Resolução nº 3201000.651 S3C2T1 Fl. 757 3 Após resposta da diligência fiscal (perícia), a DRJ concluiu estar correta a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, julgando procedente a impugnação e anulando o lançamento, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL AEROGERADOR O Aerogerador, constituído de uma combinação de máquinas, que conjuntamente desempenham função específica, deve receber classificação fiscal na posição 8502.31.00, correspondente a esta função, independentemente de como tais máquinas sejam transportadas. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO – IRREGULARIDADE. A falta de aprofundamento nas circunstâncias e elementos veritativos da hipótese de incidência, revela falha no elemento nuclear constitutivo da relação jurídicotributária, desatendendo o preceito do art. 142, do CTN. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Os autos subiram em Recurso de Ofício e distribuídos à minha relatoria. O presente Recurso de Ofícío preenche os requisitos legais e dele tomo conhecimento. Como se verifica pelo acórdão proferido pela DRJ, a dúvida acerca da classificação fiscal da mercadoria importada foi sanada por prova pericial elaborada a pedido da própria Receita Federal do Brasil. Em análise dos autos verifico que há supressão de diversas folhas do processo, notadamente no que se refere ao Laudo Técnico de fls. 604 em diante, essencial para o correto e adequado exame da controvérsia. Desse modo, para completa compreensão do feito, voto pela CONVERSÃO DO FEITO EM DILIGÊNCIA para que os autos retornem à Autoridade preparadora para que efetue a correta e completa inclusão dos documentos juntados aos autos. Após, os autos retornem para julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 756DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 12266.722217/2013-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 26/04/2013
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CIMENTO PORTLAND CP II-F DO TIPO COMPOSTO.
A mercadoria denominada "cimento Portland CP II-F do tipo composto" não se classifica no código NCM 2523.29.90 da Tarifa Externa Comum (TEC) aprovada pela Resolução Camex nº 94/2011 (CIMENTOS PORTLAND / CIMENTO COMUM), pois não é possível, à luz do artigo 94, caput, e parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro, Decreto 6.759/2009, a utilização de fontes estranhas à NCM e ao SH, para fins interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da NCM, salvo na hipótese de expressa remissão pelas fontes admitidas.
Numero da decisão: 3401-003.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, sendo que os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões e apresentam declaração de voto em conjunto. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a Dr. Bárbara Cristina Romani, OAB/DF nº 43.792.
ROBSON JOSE BAYERL - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 26/04/2013 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CIMENTO PORTLAND CP II-F DO TIPO COMPOSTO. A mercadoria denominada "cimento Portland CP II-F do tipo composto" não se classifica no código NCM 2523.29.90 da Tarifa Externa Comum (TEC) aprovada pela Resolução Camex nº 94/2011 (CIMENTOS PORTLAND / CIMENTO COMUM), pois não é possível, à luz do artigo 94, caput, e parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro, Decreto 6.759/2009, a utilização de fontes estranhas à NCM e ao SH, para fins interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da NCM, salvo na hipótese de expressa remissão pelas fontes admitidas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12266.722217/2013-65
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5614935
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-003.173
nome_arquivo_s : Decisao_12266722217201365.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12266722217201365_5614935.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, sendo que os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões e apresentam declaração de voto em conjunto. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a Dr. Bárbara Cristina Romani, OAB/DF nº 43.792. ROBSON JOSE BAYERL - Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida e Elias Fernandes Eufrásio.
dt_sessao_tdt : Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6455227
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417919303680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2093; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 306 1 305 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12266.722217/201365 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.173 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2016 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente INTERCEMENT BRASIL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 26/04/2013 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CIMENTO PORTLAND CP IIF DO TIPO COMPOSTO. A mercadoria denominada "cimento Portland CP IIF do tipo composto" não se classifica no código NCM 2523.29.90 da Tarifa Externa Comum (TEC) aprovada pela Resolução Camex nº 94/2011 (CIMENTOS “PORTLAND” / CIMENTO COMUM), pois não é possível, à luz do artigo 94, caput, e parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro, Decreto 6.759/2009, a utilização de fontes estranhas à NCM e ao SH, para fins interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da NCM, salvo na hipótese de expressa remissão pelas fontes admitidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, sendo que os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões e apresentam declaração de voto em conjunto. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a Dr. Bárbara Cristina Romani, OAB/DF nº 43.792. ROBSON JOSE BAYERL Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 22 17 /2 01 3- 65 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório Tratase de Auto de Infração, do qual o contribuinte foi cientificado em 07/06/2013, lavrado para cobrança de: Imposto de Importação ("II"), no valor de R$ 174.518,64 (cento e setenta e quatro mil, quinhentos e dezoito reais e sessenta e quatro centavos); Contribuição para o Programa de Integração Social vinculado à importação ("PIS Importação"), no valor de R$ 649,91 (seiscentos e quarenta e nove reais e noventa e um centavos); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social vinculado à importação ("COFINSImportação"), no valor de R$ 2.993,52 (dois mil, novecentos e noventa e três reais e cinqüenta e dois centavos); mais multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria, no valor de R$ 43.629,66 (quarenta e três mil, seiscentos e vinte e nove reais e sessenta e seis centavos), que, somados aos juros e à multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre o valor dos tributos lançados, totalizam R$ 490.103,80 (quatrocentos e noventa mil, cento e três reais e oitenta centavos). Os tributos lançados têm como data de fato gerador o dia 26/04/2013. O lançamento decorre da divergência na classificação fiscal adotada para a importação de mercadoria denominada CIMENTO PORTLAND CP IIF32. Enquanto o contribuinte entende como correto o código NCM 2523.29.10 da Tarifa Externa Comum (TEC) aprovada pela Resolução Camex nº 94/2011 (CIMENTOS “PORTLAND” / CIMENTO COMUM), para a qual a alíquota do imposto de importação era, à época da importação, zero, a autoridade fiscal entende que a mercadoria deveria ter sido classificada no código NCM 2523.29.90 (CIMENTOS “PORTLAND” / OUTROS), para o qual a alíquota do imposto de importação era de 4 % (quatro por cento). Abaixo, coloco tabela com a descrição da mercadoria, os códigos defendidos pelo contribuinte e pelo Fisco e as respectivas alíquotas: Contribuinte Fisco Descrição da Mercadoria: CIMENTO PORTLAND CP IIF32 Capítulo 25 Sal; enxofre; terras e pedras; gesso, cal e cimento 25.23 Cimentos hidráulicos (incluindo os cimentos não pulverizados, denominados clinkers), mesmo corados 2523.2 Cimentos Portland: 2523.29 Outros Código NCM 2523.29.10 Cimento comum 2523.29.90 Outros Alíquota do II 0% 4% Para realizar a classificação fiscal, a fiscalização inicialmente identificou e buscou maiores informações a respeito da mercadoria importada, conforme consta no relatório de auditoria fiscal de fls. 23 e seguintes, in verbis: "Para chegar à correta classificação fiscal, a fiscalização aduaneira coletou informações na própria embalagem da mercadoria – conforme fotos em anexo (fls. 49 e 50) ao presente auto de infração –, onde se lê claramente que Fl. 307DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 12266.722217/201365 Acórdão n.º 3401003.173 S3C4T1 Fl. 307 3 se trata de CIMENTO PORTLAND COMPOSTO PARA USO GERAL, tipo CP IIF32. Além disso, a fim de ampliar nosso conhecimento sobre esse tipo de mercadoria e assim dar maior suporte à classificação fiscal que adotamos, buscamos informações também na internet. No site da wikipédia, encontramos as seguintes informações sobre o cimento portland: Cimento portland é a denominação convencionada mundialmente para o material usualmente conhecido na construção civil como cimento. O cimento portland é um pó fino com propriedades aglomerantes, aglutinantes ou ligantes, que endurece sob ação da água. Depois de endurecido, mesmo que seja novamente submetido à ação da água, o cimento portland não se decompõe mais. O cimento portland, misturado com água e outros materiais de construção, tais como areia, pedra britada, pódepedra, cal e outros, resulta nos concretos e nas argamassas usadas na construção de casas, edifícios, pontes, barragens etc. Acessando o link http://www.abcp.org.br/conteudo/basicosobre cimento/tipos/aversatilidadedocimentobrasileiro que dá acesso a uma das páginas do site da Associação Brasileira de Cimento Portland ABCP, entidade sem fins lucrativos, mantida voluntariamente pela indústria brasileira do cimento, fundada com o objetivo de promover estudos sobre o cimento e suas aplicações, verificase que o mercado nacional de cimento dispõe de 8 opções de produto, que atendem aos mais variados tipos de obras, sendo que o cimento Portland comum (CP I) é referência, por suas características e propriedades, aos 11 tipos básicos de cimento Portland disponíveis no mercado brasileiro, os quais relacionamos a seguir: 1. Cimento Portland Comum (CP I) a. CP I – Cimento Portland Comum b. CP IS – Cimento Portland Comum com Adição 2. Cimento Portland Composto (CP II) a. CP IIE – Cimento Portland Composto com Escória b. CP IIZ – Cimento Portland Composto com Pozolana c. CP IIF – Cimento Portland Composto com Fíler 3. Cimento Portland de AltoForno (CP III) 4. Cimento Portland Pozolânico (CP IV) 5. Cimento Portland de Alta Resistência Inicial (CP VARI) 6. Cimento Portland Resistente a Sulfatos (RS) 7. Cimento Portland de Baixo Calor de Hidratação (BC) Fl. 308DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 4 8. Cimento Portland Branco (CPB). A diferenciação entre cada um dos tipos citados decorre da proporção de clínquer e sulfatos de cálcio, material carbonático e de adições, tais como escórias, pozolanas e calcário, acrescentadas no processo de moagem. Podem diferir também em função de propriedades intrínsecas, como alta resistência inicial, a cor branca etc. O próprio Cimento Portland Comum (CP I) pode conter adição (CP IS), neste caso, de 1% a 5% de material pozolânico, escória ou fíler calcário. Os Cimentos Portland Compostos, CP II E, CP IIZ e CP IIF, têm adições de escória, pozolana e fíler, respectivamente, mas em proporções um pouco maiores que no CP IS. No caso do CP IIF, a composição de fíler varia entre 6 e 10%. Já o Cimento Portland de Alto Forno (CP III) e o Cimento Portland Pozolânico (CP IV) contam com proporções maiores de adições: escória, de 35% a 70% (CP III), e pozolana de 15% a 50% (CP IV). (...)Analisando conjuntamente a descrição das mercadorias importadas e os conceitos apresentados, podemos afirmar que o cimento importado é do tipo composto com adição de fíler, classe 32". (grifos nossos) Com isso, uma vez identificada a mercadoria como cimento do tipo composto com adição de fíler, classe 32, a Fiscalização percorreu os capítulos, posições, subposições e subposições de 2º nível da NCM, não apresentando qualquer divergência em relação à classificação adotada pelo contribuinte até aí, ou seja, até os seis primeiros dígitos do Código NCM. Entretanto, quando se deparou com o sétimo dígito da NCM, assim analisou: "Na determinação de qual item seria aplicável à mercadoria restaram duas opções: 2523.29.10, cujo texto é “Cimento comum” e 2523.29.90, cujo texto é “Outros”. Pela aplicação da RGC1 devemos nos ater ao texto do item. Tendo em vista que a mercadoria importada é cimento do tipo composto, descartase o item 2523.29.10 que corresponde ao cimento comum, chegandose portanto ao item que corresponde à mercadoria descrita como cimento Portland CP IIF 32, qual seja 2523.29.90 “Outros”, sendo esta a classificação fiscal que desejávamos encontrar, já que não há desdobramento em subitem nas posições". Com isso, concluiu que "pela aplicação das RGI n.ºs 1 e 6 e da RGC n.º 1, a mercadoria importada, identificada como sendo cimento Portland CP IIF 32 classificase sob o código NCM 2523.29.90 e não pelo código NCM 2523.29.10, declarado pela empresa importadora na DI sob fiscalização". (grifos nossos) Em decorrência da suposta classificação equivocada, como já relatado, a Fiscalização cobra o II incidente na importação a uma alíquota de 4% (quatro por cento), PIS/COFINSimportação, além de multa de 1% sobre o valor aduaneiro, por erro de classificação fiscal, prevista no inciso I, do art. 84, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e inciso IV, do art. 81, da Lei nº 10.833/03, e multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), com fundamento no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/1996. Em sua impugnação, o contribuinte defende a classificação fiscal por ele adotada, com base na aplicação da RGI nº 04, expondo os seguintes motivos: "Isso porque o cimento portland CP II F se assemelha em característica e utilidade ao cimento comum e não ao cimento composto. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 12266.722217/201365 Acórdão n.º 3401003.173 S3C4T1 Fl. 308 5 O primeiro cimento portland lançado no mercado brasileiro foi o conhecido CP I, um tipo de cimento portland comum sem quaisquer adições além do gesso. Esse cimento acabou sendo empregado na maioria das aplicações usuais que necessitam dessa matéria prima e utilizado como referência para comparação com as características e propriedades de outros tipos de cimento, diferenciando este como cimento comum (normalmente utilizado) e o cimento especial (cimento composto utilizado em casos específicos de construção). Com o tempo verificouse que alguns dos cimentos, inicialmente tidos como especiais ou compostos, tinham desempenho equivalente ao do cimento portland comum original, como é o caso do Cimento Portland CP II F32 (Dl 13/08027518). O cimento Portland CP II F é um tipo de cimento para uso e aplicação em geral. Ideal para utilização em estruturas de concreto armado, pavimentos de concreto, argamassa de chapisco, assentamento de blocos, revestimento, pisos e contrapisos, grautes, concreto protendido, prémoldados e artefatos de concreto, exatamente como o cimento comum original, o que se demonstra que a o CP IIF32 tem utilização de cimento comum, visto que a adição de filer não o torna composto. Assim, como a regra de classificação determina que deve ser aplicado a posição pela matéria que lhe confira a característica essencial, essa posição é indicada pelo NCM 2523.29.10 cimento comum, pois o cimento CP II F32 tem a mesma utilização do cimento comum, o que lhe diferencia dos denominados cimentos compostos, classificados no NCM 2523.29.90, como pretende a Fiscalização nesse caso". Quanto às penalidades, o contribuinte afirma que a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro não é aplicável, suscitando o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97, uma vez que mercadoria importada teria sido corretamente descrita e que não teria havido intuito doloso ou máfé dirigida a causar prejuízo aos cofres públicos. Pede ainda a exclusão da multa, pela aplicação do art. 112 do CTN, considerando a existência de efetiva dúvida sobre o código tarifário de enquadramento da mercadoria, e por respeito ao princípio da equidade, previsto no art. 108, inciso IV do CTN. Ao final, requer o afastamento ou redução da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), sob a alegação de “que não restou configurada a prática de dolo, fraude ou conluio, na classificação fiscal adotada pela impugnante tendo em vista a dúvida surgida na sua correta classificação”, por entender que essa multa teria caráter confiscatório, o que é vedado pelo art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, e também por consideração aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. O julgamento foi convertido em diligência para a promoção de perícia na mercadoria importada, porém, como consta na informação fiscal de fls. 197/202, a perícia deixou de ser realizada, tendo em vista que o contribuinte já tinha alienado totalmente a mercadoria importada. Dessa informação fiscal, destaco dois pontos. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 6 Primeiro, os comentários acerca do Parecer Técnico de Engenharia referente à classificação e comercialização usual de cimento portland no mercado brasileiro (fls. 162/184), apresentados pelo contribuinte naquela oportunidade, conforme trechos retirados do relatório da decisão recorrida. "(...) CPII – Cimento Portland Composto é o cimento portland mais produzido no Brasil, representando no ano 2011 a 60,32% da produção nacional, logo, é o cimento comumente utilizado na construção civil (grifos do original). O cimento CPIIF com adição de material carbonático – fíler – está entre os mais versáteis em sua utilização, pois são conferidas desde as mais simples aplicações como argamassas de assentamentos e revestimentos, artefatos e elementos prémoldados chegando às de maior porte como concreto, armado ou pretendido; Deste modo, diante de qualquer detalhamento ou especificação técnica, a classificação fiscal NCM 2523.29.10 (Cimento Comum) se refere aos produtos com maior volume de consumo no mercado da construção civil brasileira, onde se incluem os produtos que a InterCement pretende importar CP IIF32 e CP IIF40, ou seja, o CP IIFCimento portland composto com fíler". Segundo, as informações da própria fiscalização que, considerando as definições constantes nas normas técnicas ABNT NBR 5732 e 11578 afirma que a diferença entre o Cimento Portland comum e o Cimento Portland Composto reside na composição do material carbonático, pois, no comum não há material carbonático, ao passo que no composto, CPIIF, o teor desse elemento é de 6% a 10%. Assim, continua a fiscalização, "se os limites mínimos estabelecidos pela ABNT 11578 são superados, tais cimentos não se enquadram no conceito de cimento comum definidos pela ABNT NBR 5732". Em sessão do dia 08/05/2015, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou a impugnação procedente em parte, para: manter integralmente a exigência fiscal quanto aos tributos, manter a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro e reduzir o valor percentual da multa de ofício aplicada de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). A decisão possui a seguinte ementa: " ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 26/04/2013 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CIMENTO COMPOSTO. O cimento Portland CP IIF do tipo composto, classificase no código 2523.29.90 Outros Cimentos, pela aplicação das RGI nº 1 e 6 e RGC nº 1, com subsídio das normas técnicas brasileiras (ABNT). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/04/2013 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 12266.722217/201365 Acórdão n.º 3401003.173 S3C4T1 Fl. 309 7 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador administrativo a apreciação de alegações de violação aos princípios constitucionais, em face da sua submissão ao Princípio da Legalidade. MULTA QUALIFICADA. DOLO. INAPLICABILIDADE A aplicação da multa qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja inconteste comprovação da ação ou da omissão dolosa, com evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio por parte do acusado". Com relação à classificação fiscal, a decisão recorrida chancelou a linha seguida no lançamento, amparandose na normas técnicas ABNT NBR 11578 e 5732, como se verifica a seguir: "No caso concreto foi perfeitamente possível o enquadramento do cimento importado no código tarifário 2523.29.90 da NCM/TEC, aprovada pela Resolução Camex nº 94, de 08 de dezembro de 2011, pela aplicação da RGI nº 1 e 6 e RGC nº 1 e os textos da posição 2523, das subposições 2523.2 e 2523.29 e do item 2523.29.90, com subsídio das NESH e da ABNT NBR 11578 e 5732. Também não se configura exitoso o argumento apresentado no Parecer Técnico (fls. 164/181) de que deve ser dado ao vocábulo “comum”, para efeitos de enquadramento do cimento importado no código tarifário 2523.29.10 da NCM/TEC, o significado de mais comercializado no país, tendo em vista a existência de normas técnicas no país que estabelecem como devem ser reconhecidos os tipos de cimento Portland, dentre eles o comum e o composto". (grifos nossos) Contra essa decisão, a contribuinte, ora Recorrente, apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações expostas na Impugnação, sendo os autos, em seguida, remetidos ao CARF, para julgamento. Os autos do processo foram distribuídos à minha relatoria, em sessão ocorrida no dia 17/03/2016, e, após, foram incluídos em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 8 Não há controvérsia quanto à natureza da mercadoria importada pela Recorrente, pois Recorrente e Fisco concordam que se trata de importação de mercadoria denominada cimento Portland CP IIF do tipo composto. A questão que se coloca nos autos é a respeito da correta classificação fiscal da mercadoria em referência, se no código NCM 2523.29.10 da Tarifa Externa Comum (TEC) aprovada pela Resolução Camex nº 94/2011 (CIMENTOS “PORTLAND” / CIMENTO COMUM), como entende o Recorrente, ou se no código NCM 2523.29.90 (CIMENTOS “PORTLAND” / OUTROS), como entende o Fisco. Nos termos do artigo 94, caput, e parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro, Decreto 6.759/2009, ("RA"): "Art. 94. A alíquota aplicável para o cálculo do imposto é a correspondente ao posicionamento da mercadoria na Tarifa Externa Comum, na data da ocorrência do fato gerador, uma vez identificada sua classificação fiscal segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul. Parágrafo único. Para fins de classificação das mercadorias, a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul será feita com observância das Regras Gerais para Interpretação, das Regras Gerais Complementares e das Notas Complementares e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Aduanas". (grifos nossos) A Nomenclatura Comum do Mercosul ("NCM"), que entrou em vigor em 1995, é uma nomenclatura regional, utilizada em todas as operações de comércio exterior dos Estados do Mercosul e tem como idiomas oficiais o português e o espanhol. A NCM, assim como as demais nomenclaturas locais (como, por exemplo, a NALADI), tem por base o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias ("SH"), que é a atual nomenclatura internacional, da Organização Mundial das Alfândegas ("OMA"), que tem como idioma oficial o inglês e o francês, sendo adotada por, pelo menos, 179 (cento e setenta e nove) países. Como prevê o caput do artigo 94, do RA, a partir da identificação da classificação fiscal de determinada de determinada mercadoria na NCM, devese aplicar a sua alíquota constante na Tarifa Externa Comum ("TEC"). Por sua vez, o parágrafo único desse artigo, prevê as fontes de interpretação para realização da classificação fiscal, que compreende: as 6 (seis) Regras Gerais para Interpretação ("RGI"), as 2 (duas) Regras Gerais Complementares ("RGC"), as Notas Complementares; e, subsidiariamente, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da OMA. O Código NCM de uma dada mercadoria pode ser composto por até 8 (oito) dígitos, sendo o primeiro o Capítulo, os quatro primeiros a Posição, o quinto a subposição de 1º Nível, o sexto a subposição de 2ª Nível, o sétimo o Item e o oitavo o Subitem. No caso em questão, a Recorrente e o Fisco não divergem quanto à classificação da mercadoria importada em relação a Capítulo, Posição e subposições. Adotaram o Capitulo 25, que trata de "Sal; enxofre; terras e pedras; gesso, cal e cimento". Posteriormente, a posição 2523, que identifica os "Cimentos hidráulicos (incluindo os cimentos não pulverizados, denominados clinkers), mesmo corados". No dígito seguinte, também acordaram, pela subposição de 1º Nível 2523.2, que trata dos "Cimentos Portland". Na subposição seguinte, de 2º Nível, dentre "Cimentos brancos, mesmo corados Fl. 313DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 12266.722217/201365 Acórdão n.º 3401003.173 S3C4T1 Fl. 310 9 artificialmente"" e "outros ", entenderam que a correta era a última, por não se tratar de cimento de coloração branca. Até aqui, nenhuma divergência. No sétimo dígito, contudo, é que surge a dúvida. A classificação adequada para o "cimento Portland CP IIF do tipo composto" é no código 2523.29.10, que trata de "Cimento Comum" ou é no código 2523.29.90, que trata de "Outros"? A resposta para essa indagação depende do significado que deva se dar à palavra "comum", à luz das regras existentes para a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da NCM. Aos olhos da Recorrente, a acepção de tal palavra é aquele que tem aplicação mais ampla no mercado, aquele que tem maior volume de vendas e, portanto, aquele que é mais utilizado no mercado. Segundo a Recorrente, historicamente, o cimento comum com o sentido por ela dado era o denominado "Cimento Portland Comum CP I", porém, hoje em dia tal espaço é ocupado pelo "cimento Portland CP IIF do tipo composto". Assim, em razão das semelhanças entre sucessor e sucedido, aplicou a Recorrente a RGI nº 04 ("As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes"), para justificar o código NCM 2523.29.10. Por outro lado, o Fisco pensa que o sentido da palavra "comum" deve ser buscado nas normas técnicas existentes para a mercadoria, quais sejam, as normas técnicas ABNT NBR 11578 e 5732. De acordo com a classificação dessas normas técnicas, os cimentos do tipo "Portland" são os seguintes: 1. Cimento Portland Comum (CP I); 2. Cimento Portland Composto (CP II), existindo nesse grupo a. CP IIE – Cimento Portland Composto com Escória; b. CP IIZ – Cimento Portland Composto com Pozolana; c. CP IIF – Cimento Portland Composto com Fíler; 3. Cimento Portland de AltoForno (CP III); 4. Cimento Portland Pozolânico (CP IV); 5. Cimento Portland de Alta Resistência Inicial (CP VARI); 6. Cimento Portland Resistente a Sulfatos (RS); 7. Cimento Portland de Baixo Calor de Hidratação (BC); e 8. Cimento Portland Branco (CPB). São as características físicoquímicas de cada mercadoria que ensejam a sua classificação, segundo as normas técnicas, em um ou outro tipo de cimento Portland. Assim, quando o Código NCM 2523.29.10 prevê que lá devam ser classificados os "cimentos comuns", o Fisco entende que tal código se refere única e exclusivamente ao cimento denominado cimento comum pelas normas técnicas. Com isso, não guardando o "cimento Portland CP IIF do tipo composto" identidade com o "cimento comum" tal como definido pelas normas técnicas, sua classificação só poderia ser a reservada a "outros", no código NCM 2523.29.90. Para resolver a questão, devese atentar para a norma contida no artigo 94, parágrafo único, do RA, que prevê as fontes primárias para a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos e, ainda, fonte secundária. A meu ver, tal listagem é exaustiva, de modo que não podem ser utilizados na interpretação elementos estranhos às RGI, RGC, notas complementares e explicativas, salvo na hipótese de remissão expressa, sob pena de frustrar o próprio objetivo da adoção pelos países de uma Nomenclatura Comum para a prática do Comércio Exterior. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 10 Isso porque, admitindose que cada país adotasse normas técnicas lá produzidas e observadas pelos participantes do mercado para padronizar o que é produto A ou produto B, para fins de interpretação da NCM, certo é que as classificações deixariam ser uniformes para uma dada mercadoria, em contrariedade ao objetivo da existência de uma Nomenclatura Comum. Outro problema é que as classificações fiscais mudariam ao sabor das mudanças efetuadas nas normas técnicas. Assim, se não há uma regra de remissão específica para classificação do Cimento Portland, entendo que as normas técnicas não podem ser utilizadas para a sua classificação fiscal. Nesse sentido, pelo afastamento da adoção de normas extrínsecas à Nomenclatura, já decidiu a Terceira Turma Ordinária desta Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, em processo de relatoria do Conselheiro Antônio Carlos Atulim, cuja ementa da decisão e trecho do voto, por oportuno, transcrevo abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2001 a 05/08/2003 REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. UTILITÁRIOS. A enumeração contida na Nota Complementar 874 da Tabela de Incidência do IPI referese às características que o veiculo utilitário deve apresentar para gozar da redução de alíquota. A menção à "potência máxima de até 115 cv", contida na referida enumeração, deve ser entendida como a potência máxima efetiva do veiculo e não a potência máxima liquida, utilizada para fins de homologação do motor perante os órgãos oficiais de metrologia e de controle do meio ambiente. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte". ***** "(...) O raciocínio empregado pela fiscalização e pela decisão de primeira instância não se sustenta frente ao que determina o art. 13 da Lei nº 4.502/64 e a RGI nº 1 para interpretação do sistema harmonizado, pois os textos da posição 8703 e das notas de Seção e de Capítulo não fazem nenhuma menção às normas da ABNT, à homologação pelos órgãos oficiais de metrologia e meio ambiente, ou ao Código de Defesa do Consumidor, como, aliás, bem apontou a defesa em seu recurso. (...) Portanto, à luz do art. 13 da Lei nº 4.502/64, da RGI nº 1 e do texto da Nota Complementar 874 não vejo como se possa exigir que o contribuinte adote a potência líquida máxima, aferida por meio da aplicação da NBR ISO 1585, utilizada para a homologação do motor, pois esta exigência não consta nos textos da posição 8703 e nem das Notas da Seção XVII (Material de Transporte) ou das Notas do Capítulo 87 da Tabela de Incidência do IPI. (...)" (Ac. 3403000.976, relator Antonio Carlos Atulim, 02/06/2011, rec. prov. em parte, unânime.) (grifos nossos) Afastado o critério do lançamento para conceituar "cimento comum", cabe buscar elementos para fazêlo. Como já decidido por esta Seção de Julgamento, em julgado adiante detalhado, "no silêncio da Nomenclatura quanto ao significado que deve ser atribuído aos seus termos, deve ser empregado o significado corrente do vernáculo, pois a Fl. 315DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 12266.722217/201365 Acórdão n.º 3401003.173 S3C4T1 Fl. 311 11 Nomenclatura não é utilizada por técnicos e experts, mas sim por pessoas comuns que operam no comércio internacional"1. Seguindo tal linha de entendimento, verificase que, no Dicionário Aurélio, "comum" tem os seguintes significados: "1 O maior número. 2 O que é considerado geral, habitual, normal. (...) 7 Que acontece ou se encontra com freqüência ou com facilidade. 8 Que tem características que se encontram em muitos exemplares. (...)". Considerando que o espanhol é língua oficial da NCM, assim como o português, verifico que as posições aqui controversas lá são descritas da seguinte forma: "2523.29.10 Cemento normal" e "2523.29.90 Los demás". Segundo o Dicionário Aurélio, "normal" possui o seguinte significado: "(...) 2 Usual. (...)". Já, de acordo com o Dicionário Michaelis: "5 Biol, Psicol, Social. Conforme a um tipo dado e, portanto, presente na generalidade dos casos. (...)". Portanto, comum pode ser entendido como aquilo que é normal, presente na generalidade dos casos, em maior número, algo geral. Por outro lado, analisando as informações que constam nos autos, notadamente, o Parecer Técnico de Engenharia acostado pela Recorrente, por ocasião da conversão do julgamento de primeiro piso em diligência, é possível se aferir que o "cimento Portland CP IIF do tipo composto" é o mais vendido, o mais utilizado e o que tem maior aplicação do mercado. É o cimento geral, em contraponto àqueles cimentos especiais, cujas aplicações são específicas e restritas e, por conseguinte, são menos vendidos e utilizados. Nesse cenário, entendo que o "cimento Portland CP IIF do tipo composto" se qualifica como um "cimento comum", descrito no Código 2523.29.10, podendo ser classificado nesse código, por força da aplicação das RGI nº 1 e 6 e RGC nº 01, in verbis: "1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada 1 Processo nº 11131.721012/201325; Acórdão nº 3403003.511; 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária; Sessão de 29 de janeiro de 2015; Recorrente: CSN CIMENTOS S/A; Recorrida FAZENDA NACIONAL. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 12 posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível". Esse entendimento, além de estar fundado na interpretação que me parece adequada das normas de regência, como acima exposto, está em linha com entendimento manifestado pela e. Terceira Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, em recente julgado, ocorrido em 29/01/2015, de relatoria do Conselheiro Antônio Carlos Atulim. Naquela oportunidade, a Terceira Turma, por unanimidade de votos, afastou a classificação adotada pelo Fisco, com base em normas técnicas, e entendeu que o "cimento Portland CP IIF do tipo composto" deveria se classificar no código 2523.29.10, conforme ementa e trecho de voto que transcrevo abaixo, por bem ter tratado a matéria. "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2010, 2011, 2012 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NORMAS DA ABNT. ADOÇÃO DE CRITÉRIO EXTRÍNSECO AO SISTEMA HARMONIZADO SEM EXPRESSA REMISSÃO DA NOMENCLATURA. IMPOSSIBILIDADE. O posicionamento da mercadoria em Nomenclaturas baseadas no Sistema Harmonizado deve ser efetuado levandose em conta apenas as regras para interpretação do Sistema Harmonizado. Conceitos e significados de palavras ou de expressões fixados em normas extrínsecas à Nomenclatura só podem ser utilizados se houver remissão expressa nos textos das posições ou nas notas de seção ou de capítulo. Por tal motivo, as normas técnicas da ABNT não se prestam para fixar conceitos e significados não estabelecidos pelo Sistema Harmonizado. Precedentes. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CIMENTO PORTLAND COMPOSTO DO TIPO CP II F. CIMENTO COMUM. O cimento portland do tipo CP II F, embora seja considerado um cimento composto à luz das normas técnicas brasileiras (ABNT), é um cimento comum à luz das regras para interpretação do Sistema Harmonizado de classificação de mercadorias, enquadrandose no código 2523.2910 Cimento comum, por força da aplicação das RGI nº 1 e 6, combinadas com a RGC nº 1. (...)". (Processo nº 11131.721012/201325; Acórdão nº 3403003.511; 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária; Sessão de 29 de janeiro de 2015; Recorrente: CSN CIMENTOS S/A; Recorrida FAZENDA NACIONAL) (grifos nossos) ***** "Portanto, ao contrário do que entendeu o acórdão recorrido, não existe amparo legal para que o intérprete utilize conceitos e significados técnicos exteriores à Nomenclatura, sem que os textos das posições ou das notas de seção, de capítulo ou de subposição façam expressa remissão ao conceito que deve ser utilizado. No silêncio da Nomenclatura quanto ao significado que deve ser atribuído aos seus termos, deve ser empregado o significado corrente do vernáculo, pois a Fl. 317DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 12266.722217/201365 Acórdão n.º 3401003.173 S3C4T1 Fl. 312 13 Nomenclatura não é utilizada por técnicos e experts, mas sim por pessoas comuns que operam no comércio internacional. (...) A pretensão fiscal de adotar o conceito contido nas normas técnicas brasileiras, para fins de classificação fiscal, esbarra no fato de que a classificação do cimento varia segundo as normas técnicas de cada país, enquanto que a NCM é baseada no Sistema Harmonizado, que é norma de direito internacional incorporada ao direito interno por força do Decreto nº 97.409, de 23/12/1988. Por tal razão, não tem cabimento vincular a significação dos termos da Nomenclatura aos significados adotados em normas técnicas que vigoram apenas dentro de cada país que adotou o Sistema Harmonizado, pois como os conceitos variam de país para país, a mesma mercadoria poderia ter diferentes classificações, conforme variem as normas técnicas internas de cada país, frustrando o objetivo da adoção do Sistema Harmonizado. (...) Por outro lado, examinandose o parecer elaborado pelo perito assistente da Receita Federal (fls. 1716/1733), no âmbito da fiscalização da DI 12/23748245, incluída entre as DI objeto do presente auto de infração, verificase a existência de várias assertivas que confirmam não só o equívoco de se adotar conceitos das normas da ABNT para a classificação fiscal do cimento, mas também que o cimento composto CP II F é um cimento com características comuns, por ser utilizado em larga escala e nas mais diversas aplicações em substituição ao antigo CP I.(...) É evidente que classificação fiscal de uma mercadoria deve ser feita de modo uniforme em todos os países que adotaram o Sistema Harmonizado, levando se em conta apenas o que é a mercadoria, e não em função de conceitos estabelecidos fora do Sistema Harmonizado. No caso, o perito oficial da Receita Federal afirmou que o cimento composto tomou conta do mercado não só no Brasil, mas também na União Européia, tornandose o tipo de cimento aplicado na maioria das obras, ou seja, se trata de um cimento comum, que não é especial, mas sim de uso geral, habitual, normal, o tipo de cimento mais utilizado. (...) Pela aplicação da RGI nº 1 e 6, bem como da RGC nº 1, o cimento portland composto designado, segundo as normas da ABNT como CP II F, classifica se sob o código 2523.2910 Cimento comum, sendo improcedente a reclassificação efetuada pela fiscalização, devendo, em razão disso, serem cancelados os autos de infração para a exigência de tributos vinculados à importação e respectivos consectários legais". (grifos nossos) Ante todo o exposto, concluo que a classificação fiscal adotada no lançamento é incorreta, devendo a mercadoria denominada "cimento Portland CP IIF do tipo composto" se classificar no código NCM 2523.29.10 da Tarifa Externa Comum (TEC) aprovada pela Resolução Camex nº 94/2011 (CIMENTOS “PORTLAND” / CIMENTO COMUM), pois não é possível, à luz do artigo 94, caput, e parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro, Decreto 6.759/2009, a utilização de fontes de interpretação estranhas à NCM e ao SH, para fins interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos, salvo na hipótese de Fl. 318DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 14 expressa remissão pelas fontes admitidas. Em decorrência, voto no sentido de dar integral provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o auto de infração. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 319DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 12266.722217/201365 Acórdão n.º 3401003.173 S3C4T1 Fl. 313 15 Declaração de Voto Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida, Externamos, de forma conjunta, na presente declaração de voto, as razões pelas quais acordamos pela conclusões com o voto do relator. No caso em análise, fisco e importador concordam com a classificação no SH (seis dígitos 2523.29), residindo a diferença somente na parcela regional (MERCOSUL) do código (enquanto a fiscalização sustenta ser correto o código NCM 2523.29.90, o importador classifica a mercadoria no código NCM 2523.29.10). Não há dissenso, então, em ser a mercadoria um cimento hidráulico, "portland" , de coloração que não é branca. Na nomenclatura, percebese que o cerne da questão é saber se o cimento em análise é ou não comum: "2523 CIMENTOS HIDRÁULICOS (INCLUÍDOS OS CIMENTOS NÃO PULVERIZADOS, DENOMINADOS “CLINKERS”) MESMO CORADOS. (...) 2523.2 – Cimentos “Portland” 2523.21 Cimentos brancos, mesmo corados artificialmente. 2523.29 Outros 2523.29.10 Cimento comum 2523.29.90 Outros" E a fiscalização conclui inicialmente que o cimento não é comum, a partir de informações existentes na própria embalagem da mercadoria (fl. 29): "Para chegar à correta classificação fiscal, a fiscalização aduaneira coletou informações na própria embalagem da mercadoria – conforme fotos em anexo (fls. 49 e 50) ao presente auto de infração –, onde se lê claramente que se trata de CIMENTO PORTLAND COMPOSTO PARA USO GERAL, tipo CP IIF32." Tal argumento não nos sensibiliza, ainda mais por ser o cimento "para uso geral". Em suma, não argumenta satisfatoriamente o fisco as razões que o levam a concluir que a expressão "composto para uso geral" excluiria o cimento da categoria "comum". O fisco endossou o argumento com um segundo, derivado de consulta na internet (no sítio da "Wikipedia" ainda à fl. 29): "Além disso, a fim de ampliar nosso conhecimento sobre esse tipo de mercadoria e assim dar maior suporte à classificação fiscal que adotamos, buscamos informações também na internet. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 16 No site da wikipédia, encontramos as seguintes informações sobre o cimento portland: Cimento portland é a denominação convencionada mundialmente para o material usualmente conhecido na construção civil como cimento. O cimento portland é um pó fino com propriedades aglomerantes, aglutinantes ou ligantes, que endurece sob ação da água. Depois de endurecido, mesmo que seja novamente submetido à ação da água, o cimento portland não se decompõe mais. O cimento portland, misturado com água e outros materiais de construção, tais como areia, pedra britada, pódepedra, cal e outros, resulta nos concretos e nas argamassas usadas na construção de casas, edifícios, pontes, barragens etc."(sic) Até aí, em que pese a pouca consistência em usar a enciclopédia colaborativa da grande rede em uma autuação, continuam a inexistir razões para considerar como não sendo "comum" o cimento em análise. E segue o fisco, na autuação, em nova busca na internet, desta vez no sítio da Associação Brasileira de Cimento Portland (fls. 29/30), na qual verifica: "que o mercado nacional de cimento dispõe de 8 opções de produto, que atendem aos mais variados tipos de obras, sendo que o cimento Portland comum (CP I) é referência, por suas características e propriedades, aos 11 tipos básicos de cimento Portland disponíveis no mercado brasileiro, os quais relacionamos a seguir: 1. Cimento Portland Comum (CP I) a. CP I – Cimento Portland Comum b. CP IS – Cimento Portland Comum com Adição 2. Cimento Portland Composto (CP II) a. CP IIE – Cimento Portland Composto com Escória b. CP IIZ – Cimento Portland Composto com Pozolana c. CP IIF – Cimento Portland Composto com Fíler 3. Cimento Portland de AltoForno (CP III) 4. Cimento Portland Pozolânico (CP IV) 5. Cimento Portland de Alta Resistência Inicial (CP VARI) 6. Cimento Portland Resistente a Sulfatos (RS) 7. Cimento Portland de Baixo Calor de Hidratação (BC) 8. Cimento Portland Branco (CPB)." A informação prestada, apesar de mais consistente do que a presente na ferramenta colaborativa, traz classificação de caráter nacional (ao menos, na autuação, não se revela que tais categorias seriam adotadas regionalmente, no âmbito do MERCOSUL). Faz ainda o autuante menção à norma ABNT NBR 11578 (que trata de cimentos portland compostos) e à Norma ABNT NBT 5732 (que versa sobre cimentos portland comuns). Fl. 321DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 12266.722217/201365 Acórdão n.º 3401003.173 S3C4T1 Fl. 314 17 A nosso ver, os argumento trazidos na autuação não são suficientes para esclarecer o conteúdo do termo "comuns" empregado em norma de caráter regional (MERCOSUL), e não nacional (Brasil). Até tentamos, em nome da verdade material, na sessão de julgamento, buscar norma conjunta do MERCOSUL que disciplinasse o que é um cimento "comum", sem sucesso. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) trazidas na autuação, por certo, não se destinam à tarefa de discernir o sétimo e o oitavo dígitos do código NCM (os únicos discutidos no presente processo), pois se referem ao código SH, internacionalmente adotado, com seis dígitos. Não se pode esperar encontrar (e não se encontra, efetivamente) nas NESH o significado do termo "comum". Mas há excerto em que a palavra "comum", aparece, e merece transcrição: "O cimento Portland é obtido por calcinação de pedras de cal contendo argila no estado natural ou adicionadas de argila em proporções apropriadas. Outros elementos (por exemplo, sílica, alumina, ferro) podem igualmente ser adicionados. Da calcinação resultam os semiprodutos denominados clinkers. Esses clinkers são em seguida pulverizados para formar o cimento Portland, no qual podem ser incorporados aditivos ou aceleradores para modificar as suas propriedades hidráulicas. Entre os tipos mais conhecidos de cimento Portland, podem citarse o cimento Portland comum, o cimento Portland moderado e os cimentos brancos. São também aqui classificados os cimentos aluminosos ou fundidos, o cimento de escórias de altosfornos, os cimentos supersulfatados (escórias de altos fornos, moídas e adicionadas de um acelerador e de gipsita calcinada), os cimentos pozolânicos, os cimentos romanos, etc., bem como as suas misturas." Nenhum vestígio na NESH que possa compatibilizar a classificação citada pelo autuante como "nacional" àquela apontada internacionalmente (comum, moderado e brancos, entre outros). A nosso ver, o que falta na autuação é a conclusividade que permita classificar a mercadoria no código pretendido (2523.29.90). Não estamos, de forma alguma, a concluir qual a classificação correta para a mercadoria, tarefa que não incumbe a este tribunal, mas a órgão, agora colegiado, que se manifesta sobre processos de consulta sobre classificação fiscal de mercadorias. Recomenda se, inclusive, a consulta a tal órgão, para que se tenha a certeza necessária para a classificação da mercadoria, evitando novas autuações (seja pela manutenção da classificação adotada, ou por meio de sua alteração, após a resposta da consulta). Estamos, sim, a afirmar que o fisco não reuniu, no caso em análise, acervo probatório/argumentativo que permita concluir ser correta a classificação por ele defendida, o que é suficiente para que se afaste a autuação. E a tarefa desta turma de julgamento é tão somente apreciar se é ou não procedente a autuação. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 18 Por isso, lavramos a presente declaração de voto, esclarecendo os motivos pelos quais entendemos que deve ser afastado o lançamento, concordando com a conclusão externada pelo relator, pela improcedência da autuação. Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robseon José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 323DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732426/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Não se verificando as alegadas omissões, os embargos de declaração devem ser rejeitados.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RE-JULGAMENTO DA MATÉRIA. ERRO IN JUDICANDO. IMPOSSIBILIDADE.
A pretensão formulada no bojo do presente recurso ressoa como manifesta inconformidade em relação ao decisum, pretendendo a Embargante, com isso, o re-julgamento da causa em sede de embargos declaratórios, o que é juridicamente inviável diante da inexistência do vício apontado, sendo impossível a atribuição do pleiteado efeito modificativo, pois a peça recursal ora em análise não se presta para correção de erro in judicando.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
BENEFÍCIO FISCAL. ALÍQUOTA ZERO. LEI Nº 11.196/2005. CONDIÇÕES PARA GOZO DO BENEFÍCIO. VALOR DE VENDA A VAREJO. INCLUSÃO DO IPI. DISTINÇÃO ENTRE RECEITA BRUTA E VALOR DE VENDA A VAREJO.
O gozo do benefício fiscal pretendido pela contribuinte pressupõe o atendimento de condições estabelecidas em regulamento. Dentre elas, a verificação quanto ao valor de venda a varejo do produto, em cotejo com o limite regulamentar. Esse valor de venda a varejo não se confunde, em absoluto, com a receita bruta da venda. A receita bruta, base de cálculo da contribuição, não inclui o IPI, por expressa disposição legal. O valor de venda a varejo, parâmetro para fins de verificação do atendimento à condição para gozo do benefício fiscal, equivale ao preço final de venda ao consumidor varejista, o total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto, no qual deve estar incluído o IPI destacado na nota fiscal de venda.
BENEFÍCIO FISCAL. VENDA A VAREJO. LEI Nº 11.196/2005. ÔNUS DA PROVA.
A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parcela dos equipamentos vendidos a empresas que se dedicam ao comércio atacadista ou varejista desses mesmos equipamentos de informática se destinaram a consumo próprio dessas empresas, e não à revenda, cabe a ela provar o que afirma. Na ausência de tal prova, a cargo da recorrente, correto o procedimento do Fisco que manteve na base de cálculo da contribuição as vendas de equipamentos de informática feitas a empresas que se declaram à Administração Tributária como comerciantes atacadistas ou varejistas desses mesmos equipamentos de informática.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
BENEFÍCIO FISCAL. ALÍQUOTA ZERO. LEI Nº 11.196/2005. CONDIÇÕES PARA GOZO DO BENEFÍCIO. VALOR DE VENDA A VAREJO. INCLUSÃO DO IPI. DISTINÇÃO ENTRE RECEITA BRUTA E VALOR DE VENDA A VAREJO.
O gozo do benefício fiscal pretendido pela contribuinte pressupõe o atendimento de condições estabelecidas em regulamento. Dentre elas, a verificação quanto ao valor de venda a varejo do produto, em cotejo com o limite regulamentar. Esse valor de venda a varejo não se confunde, em absoluto, com a receita bruta da venda. A receita bruta, base de cálculo da contribuição, não inclui o IPI, por expressa disposição legal. O valor de venda a varejo, parâmetro para fins de verificação do atendimento à condição para gozo do benefício fiscal, equivale ao preço final de venda ao consumidor varejista, o total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto, no qual deve estar incluído o IPI destacado na nota fiscal de venda.
BENEFÍCIO FISCAL. VENDA A VAREJO. LEI Nº 11.196/2005. ÔNUS DA PROVA.
A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parcela dos equipamentos vendidos a empresas que se dedicam ao comércio atacadista ou varejista desses mesmos equipamentos de informática se destinaram a consumo próprio dessas empresas, e não à revenda, cabe a ela provar o que afirma. Na ausência de tal prova, a cargo da recorrente, correto o procedimento do Fisco que manteve na base de cálculo da contribuição as vendas de equipamentos de informática feitas a empresas que se declaram à Administração Tributária como comerciantes atacadistas ou varejistas desses mesmos equipamentos de informática.
Numero da decisão: 1301-002.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos PARCIALMENTE para, no mérito, por maioria de votos, NEGAR-LHES provimento, vencidos os conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Relator), Jose Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que, relativamente aos itens 6 e 7 da peça de defesa, EMPRESTAVAM-LHES efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães Presidente
(assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.732426/2011-61
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5600472
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-002.041
nome_arquivo_s : Decisao_11080732426201161.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 11080732426201161_5600472.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos PARCIALMENTE para, no mérito, por maioria de votos, NEGAR-LHES provimento, vencidos os conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Relator), Jose Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que, relativamente aos itens 6 e 7 da peça de defesa, EMPRESTAVAM-LHES efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
id : 6414209
ano_sessao_s : 2016
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Não se verificando as alegadas omissões, os embargos de declaração devem ser rejeitados. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RE-JULGAMENTO DA MATÉRIA. ERRO IN JUDICANDO. IMPOSSIBILIDADE. A pretensão formulada no bojo do presente recurso ressoa como manifesta inconformidade em relação ao decisum, pretendendo a Embargante, com isso, o re-julgamento da causa em sede de embargos declaratórios, o que é juridicamente inviável diante da inexistência do vício apontado, sendo impossível a atribuição do pleiteado efeito modificativo, pois a peça recursal ora em análise não se presta para correção de erro in judicando. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 BENEFÍCIO FISCAL. ALÍQUOTA ZERO. LEI Nº 11.196/2005. CONDIÇÕES PARA GOZO DO BENEFÍCIO. VALOR DE VENDA A VAREJO. INCLUSÃO DO IPI. DISTINÇÃO ENTRE RECEITA BRUTA E VALOR DE VENDA A VAREJO. O gozo do benefício fiscal pretendido pela contribuinte pressupõe o atendimento de condições estabelecidas em regulamento. Dentre elas, a verificação quanto ao valor de venda a varejo do produto, em cotejo com o limite regulamentar. Esse valor de venda a varejo não se confunde, em absoluto, com a receita bruta da venda. A receita bruta, base de cálculo da contribuição, não inclui o IPI, por expressa disposição legal. O valor de venda a varejo, parâmetro para fins de verificação do atendimento à condição para gozo do benefício fiscal, equivale ao preço final de venda ao consumidor varejista, o total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto, no qual deve estar incluído o IPI destacado na nota fiscal de venda. BENEFÍCIO FISCAL. VENDA A VAREJO. LEI Nº 11.196/2005. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parcela dos equipamentos vendidos a empresas que se dedicam ao comércio atacadista ou varejista desses mesmos equipamentos de informática se destinaram a consumo próprio dessas empresas, e não à revenda, cabe a ela provar o que afirma. Na ausência de tal prova, a cargo da recorrente, correto o procedimento do Fisco que manteve na base de cálculo da contribuição as vendas de equipamentos de informática feitas a empresas que se declaram à Administração Tributária como comerciantes atacadistas ou varejistas desses mesmos equipamentos de informática. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 BENEFÍCIO FISCAL. ALÍQUOTA ZERO. LEI Nº 11.196/2005. CONDIÇÕES PARA GOZO DO BENEFÍCIO. VALOR DE VENDA A VAREJO. INCLUSÃO DO IPI. DISTINÇÃO ENTRE RECEITA BRUTA E VALOR DE VENDA A VAREJO. O gozo do benefício fiscal pretendido pela contribuinte pressupõe o atendimento de condições estabelecidas em regulamento. Dentre elas, a verificação quanto ao valor de venda a varejo do produto, em cotejo com o limite regulamentar. Esse valor de venda a varejo não se confunde, em absoluto, com a receita bruta da venda. A receita bruta, base de cálculo da contribuição, não inclui o IPI, por expressa disposição legal. O valor de venda a varejo, parâmetro para fins de verificação do atendimento à condição para gozo do benefício fiscal, equivale ao preço final de venda ao consumidor varejista, o total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto, no qual deve estar incluído o IPI destacado na nota fiscal de venda. BENEFÍCIO FISCAL. VENDA A VAREJO. LEI Nº 11.196/2005. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parcela dos equipamentos vendidos a empresas que se dedicam ao comércio atacadista ou varejista desses mesmos equipamentos de informática se destinaram a consumo próprio dessas empresas, e não à revenda, cabe a ela provar o que afirma. Na ausência de tal prova, a cargo da recorrente, correto o procedimento do Fisco que manteve na base de cálculo da contribuição as vendas de equipamentos de informática feitas a empresas que se declaram à Administração Tributária como comerciantes atacadistas ou varejistas desses mesmos equipamentos de informática.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417936080896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2442; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 92.915 1 92.914 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.732426/201161 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301002.041 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de junho de 2016 Matéria ARBITRAMENTO LUCRO Embargante DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Não se verificando as alegadas omissões, os embargos de declaração devem ser rejeitados. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REJULGAMENTO DA MATÉRIA. ERRO IN JUDICANDO. IMPOSSIBILIDADE. A pretensão formulada no bojo do presente recurso ressoa como manifesta inconformidade em relação ao decisum, pretendendo a Embargante, com isso, o rejulgamento da causa em sede de embargos declaratórios, o que é juridicamente inviável diante da inexistência do vício apontado, sendo impossível a atribuição do pleiteado efeito modificativo, pois a peça recursal ora em análise não se presta para correção de erro in judicando. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 BENEFÍCIO FISCAL. ALÍQUOTA ZERO. LEI Nº 11.196/2005. CONDIÇÕES PARA GOZO DO BENEFÍCIO. VALOR DE VENDA A VAREJO. INCLUSÃO DO IPI. DISTINÇÃO ENTRE RECEITA BRUTA E VALOR DE VENDA A VAREJO. O gozo do benefício fiscal pretendido pela contribuinte pressupõe o atendimento de condições estabelecidas em regulamento. Dentre elas, a verificação quanto ao valor de venda a varejo do produto, em cotejo com o limite regulamentar. Esse valor de venda a varejo não se confunde, em absoluto, com a receita bruta da venda. A receita bruta, base de cálculo da contribuição, não inclui o IPI, por expressa disposição legal. O valor de venda a varejo, parâmetro para fins de verificação do atendimento à condição para gozo do benefício fiscal, equivale ao preço final de venda ao consumidor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 24 26 /2 01 1- 61 Fl. 92916DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.916 2 varejista, o total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto, no qual deve estar incluído o IPI destacado na nota fiscal de venda. BENEFÍCIO FISCAL. VENDA A VAREJO. LEI Nº 11.196/2005. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parcela dos equipamentos vendidos a empresas que se dedicam ao comércio atacadista ou varejista desses mesmos equipamentos de informática se destinaram a consumo próprio dessas empresas, e não à revenda, cabe a ela provar o que afirma. Na ausência de tal prova, a cargo da recorrente, correto o procedimento do Fisco que manteve na base de cálculo da contribuição as vendas de equipamentos de informática feitas a empresas que se declaram à Administração Tributária como comerciantes atacadistas ou varejistas desses mesmos equipamentos de informática. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 BENEFÍCIO FISCAL. ALÍQUOTA ZERO. LEI Nº 11.196/2005. CONDIÇÕES PARA GOZO DO BENEFÍCIO. VALOR DE VENDA A VAREJO. INCLUSÃO DO IPI. DISTINÇÃO ENTRE RECEITA BRUTA E VALOR DE VENDA A VAREJO. O gozo do benefício fiscal pretendido pela contribuinte pressupõe o atendimento de condições estabelecidas em regulamento. Dentre elas, a verificação quanto ao valor de venda a varejo do produto, em cotejo com o limite regulamentar. Esse valor de venda a varejo não se confunde, em absoluto, com a receita bruta da venda. A receita bruta, base de cálculo da contribuição, não inclui o IPI, por expressa disposição legal. O valor de venda a varejo, parâmetro para fins de verificação do atendimento à condição para gozo do benefício fiscal, equivale ao preço final de venda ao consumidor varejista, o total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto, no qual deve estar incluído o IPI destacado na nota fiscal de venda. BENEFÍCIO FISCAL. VENDA A VAREJO. LEI Nº 11.196/2005. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parcela dos equipamentos vendidos a empresas que se dedicam ao comércio atacadista ou varejista desses mesmos equipamentos de informática se destinaram a consumo próprio dessas empresas, e não à revenda, cabe a ela provar o que afirma. Na ausência de tal prova, a cargo da recorrente, correto o procedimento do Fisco que manteve na base de cálculo da contribuição as vendas de equipamentos de informática feitas a empresas que se declaram à Administração Tributária como comerciantes atacadistas ou varejistas desses mesmos equipamentos de informática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 92917DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.917 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos PARCIALMENTE para, no mérito, por maioria de votos, NEGARLHES provimento, vencidos os conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Relator), Jose Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que, relativamente aos itens 6 e 7 da peça de defesa, EMPRESTAVAMLHES efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães – Presidente (assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório Tratase de embargos de declaração interposto pela pessoa jurídica DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA, em face da decisão da 1ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara de Julgamento que: 1) por unanimidade de votos, negado provimento ao Recurso de Ofício; e 2) pelo voto de qualidade, negou provimento ao Recurso Voluntário. Da análise do presente processo administrativo identificase que em desfavor da contribuinte foram lavrados autos de infração de IRPJ e reflexos atinentes ao anocalendário 2006. Verificase que os tributos lançados incidiram sobre base de cálculo arbitrada, afastandose o lucro real utilizada pela contribuinte, ante a constatada imprestabilidade da sua escrita. Dessa forma, uma vez adotada a sistemática do lucro arbitrado, inviável a manutenção do regime de apuração nãocumulativo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, consoante disposto no art. 8º, II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Fl. 92918DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.918 4 Houve, assim, o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL, da COFINS e do PIS. Consta ainda que a multa de ofício foi aplicada com a qualificação (150%), uma vez que o contribuinte teria agido de forma dolosa com a finalidade de ocultar pendências e obter vantagens fiscais ilícitas. Segundo aponta a Fiscalização (fl. 8.707), a principal atividade do contribuinte é a montagem de computadores. As peças utilizadas na produção dos computadores são, quase que integralmente, importadas. Essas importações são preponderantemente provenientes de sociedades ligadas ao contribuinte (6070%). O próprio contribuinte também exporta produtos e serviços para sociedades ligadas (menos de 20% do total das receitas). O software vendido juntamente com os computadores também é adquirido juntamente a empresa ligada (Dell americana), que negocia diretamente com a titular dos direitos (Microsoft). Esse o cenário negocial. Quanto ao trabalho fiscalizatório propriamente dito, assim resumiu a Fiscalização o seu trabalho (fls. 8.821 a 8.825): Durante uma década de operação no Brasil a Empresa manteve seus registros de forma adequada à realidade fática apenas em seus sistemas gerenciais. A contabilidade de acordo com as normas brasileiras foi relegada a um segundo plano, acumulando erros generalizados, graves e relevantes em todas as contas. Em paralelo à sua contabilidade errada, a Fiscalizada intentou graves infrações nas suas Declarações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, onde, além de refletir as apurações contábeis errôneas, ainda modificou indevidamente o lucro real, da seguinte forma: inseriu exclusões inexistentes; deixou de fazer adições devidas; declarou opção pelo regime de caixa nas variações cambiais, enquanto não praticava isso, entre outros. Todo o mencionado acima ocorreu em seus registros originais. No procedimento fiscal em curso, a Fiscalização deparouse com um refazimento de toda a contabilidade da Empresa, com alterações de centenas de milhões de reais envolvendo todas as contas do seu elenco. Essa reforma contábil incluiu, estornou, modificou lançamentos desde 1999 até janeiro/2009. Tendo sido apurados balancetes fiscais a partir do ano calendário 2002, e retificadas as DIPJs somente a partir do 2004. Diante desse refazimento contábil de uma década, a Fiscalização selecionou pontos considerados relevantes dentro das operações da Fiscalizada para estimar a justeza e a confiabilidade dos lançamentos de ajustes. Para isso foram analisados, fornecedores, clientes, estoques, variações cambiais, operações com partes relacionadas, movimentação bancária, renda variável, entre muitos outros citados ao longo deste relatório. Da análise dos citados lançamentos observouse a existência de graves irregularidades de forma abrangente em praticamente todos os pontos examinados. Grande quantidade de lançamentos não teve base documental comprovada, houve estornos de centenas de milhões de pagamentos comprovadamente existentes, não foi respeitado o regime de competência na apropriação de despesas com softwares, Fl. 92919DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.919 5 foram implementadas graves irregularidades nas planilhas de variações cambiais, há ajustes vultosos em clientes e fornecedores de forma globalizada e sem documentos de suporte, tudo conforme finamente detalhado neste relatório e nas planilhas anexas. Resumindo, a Fiscalizada cometeu as seguintes infrações: a) estornou saldos existentes em 31/01/2009, dizendo terem origem no período de 1999 a 2003, no entanto, quando solicitados os documentos que embasaram os lançamentos, deixa de apresentar e até mesmo admite que não possui. Os ajustes atribuídos a esse período somam 135 milhões a crédito de resultado, (item 1 do tópico "V" e itens 1 e 2 do tópico XI); b) procedeu a estornos de pagamentos comprovadamente realizados por meio dos extratos bancários, sendo que os valores estornados foram lançados a débito do resultado do período. Essa prática ilegal gerou débitos no resultado dos exercícios de 2004, 2005 e 2006, onde somaram R$ 86.894.942,19, R$ 133.849.952,28 e RS 67.111.844,69, respectivamente, (item 2 do tópico "V"); c) modificou a contabilização das faturas de reembolso de softwares (royalties) do regime de competência para o regime de caixa, com isso aproveitouse duplamente de faturas emitidas em 2002 e em 2003, também transferiu custos de 2006 para 2007 dentro do seu interesse fiscal. Além das implicações nos demais anos podemos citar o valor de 38 milhões relativos a 2002/2003 e 63 milhões transferidos de 2006 para 2007. (item 3 do tópico "V"); d) fez a opção de tributação das variações cambiais pelo regime de caixa nas DIPJs originais de 2006 e 2007, também escriturou adições e exclusões relativas a variações cambiais mensalmente nos livros LALUR. Nas DIPJs retificadoras manteve essa opção, inclusive alterando valores na declaração base 2007. No entanto, ao ser intimada a apresentar as planilhas de apuração pelo regime de caixa, alegou praticar apenas regime de competência, (item 4 do tópico "V"); e) inseriu dados de forma irregular em suas planilhas de variações cambiais, de maneira que, contrariando toda ordem econômicofinanceira, transformou uma receita de 20 milhões em uma despesa de 36 milhões, ou seja, gerou de forma fictícia um custo financeiro de, no mínimo, 56 milhões em 2006 e 17 milhões em 2007 (item 4 do tópico “V”); f) depois de quase uma década modificou a realização dos seus estoques em todos os anos passados, e com isso obteve vantagem fiscal. No ano de 2006, essas modificações proporcionaram um aumento de custo de 73 milhões de reais, (item 5 do tópico "V"); g) fez ajustes em seus extratos bancários apenas para ficaram alinhados com a contabilidade ao final do ano, sem realizar uma efetiva conciliação bancária, (item 6 do tópico "V"); h) inseriu em sua contabilidade, nos ajustes de 2007, de forma globalizada, mais de 8 milhões de reais a título de descontos concedidos, descontos esses não comprovados (item 7 do tópico "V"); i) inseriu em sua contabilidade, nos ajustes de 2008, de forma globalizada, a crédito de Clientes e a débito de Resultado do Exercício, mais de 40 milhões de reais, sem qualquer comprovação documental da procedência desse ato (item 8 do tópico "V"); Fl. 92920DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.920 6 j) baixou de sua contabilidade, em 31/01/2009, mais de 98 milhões de reais da conta de Intercia Fornecimentos, de forma globalizada e sem base documental, (item 9.1 e 9.2 do tópico "V"); k) inseriu, em 31/01/2009, lançamentos a crédito de Intercia Fornecimentos e a débito de Resultado do Exercício a título de complementação de royalties, os quais somam mais de 59 milhões, e não houve comprovação da origem dos mesmos, (item 9.3 do tópico "V"); 1) inseriu inúmeras irregularidades em seus balancetes fiscais, os quais embasaram as DIPJs retificadoras. (tópico "VI"); m) apresentou três balanços diferentes para o fechamento de 31/01/2009, um na contabilidade SPED, outro nas demonstrações auditadas, e um terceiro nos balancetes fiscais, (tópicos "VI" e "VII"); n) utilizou os saldos das contas da contabilidade original para fins de apuração das parcelas dedutíveis de despesas incorridas em aplicações de renda variável (hedge), com isso contraria sua própria posição, quando diz que o correto são os novos saldos resultantes de sua "conciliação", (tópico VIII); o) não existiam livros LALUR formalizados que embasassem as DIPJs retificadoras, quando do início da fiscalização. O livro LALUR original de 2007 foi apresentado com todos os dados pessoais do contador incorretos (tópico "IX"); p) deixou de refletir em suas DIPJs retificadoras todas as modificações contábeis implementadas no refazimento de 31/01/2009. (tópico "X"); q) agiu em vários momentos, antes do início e após o começo da fiscalização, com intenção de dificultar o conhecimento do Fisco sobre as reais modificações implementadas em sua contabilidade (tópico "XII"); r) diminuiu as pendências fiscais existentes antes do refazimento contábil (mínimo de 173 milhões de base de IRPJ e CSLL), e ainda diminuiu em 15 milhões a soma do lucro real em todos os anos reformados, (itens 1 e 2 do tópico "XIII"); s) aproveitouse de prejuízos fiscais (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL) gerados nas DIPJs originais de 2002 e 2003, os quais somam mais de 51 milhões de reais. No seu refazimento contábil a Fiscalizada apurou lucros nos dois anos, assim mais uma vez contradizse em seus posicionamentos, (item 3 do tópico "XIII"). A Empresa diz que começou sua reforma contábil no primeiro trimestre de 2007 a partir da identificação de falhas em seus controles internos. No entanto, pelos lançamentos citados nos itens 8 e 9 do tópico "V" acima, fica comprovado que em 31/01/2009 a referência mor, a única base confiável, continuava sendo o seu sistema gerencial. Todo esse refazimento contábil é ato único, em uma mesma ação foram ajustados todos os registros contábeis desde 1999 até 01/2009, vindo a desaguar nos lançamentos da contabilidade SPED em 31/01/2009 e em alguns consignados dentro do exercício 2008 – tudo consolidado nos balancetes fiscais elaborados pela Empresa. Foi com essa visão que foram selecionados pontos considerados relevantes dentro das operações da Fiscalizada para verificação, por amostragem, da confiabilidade dessa reforma. Diante de todas as irregularidades identificadas nos lançamentos de ajustes, todas em pontos considerados chaves dentro das operações da Empresa, Fl. 92921DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.921 7 irregularidades essas que se espraiam pelos vários anos reformados, o refazimento contábil como um todo perde completamente sua confiabilidade, assim não há como ser aceito. Perante essa situação grave, onde os registros contábeis de ajuste não merecem confiança, para saber exatamente o que é certo e o que é errado a Fiscalização teria conferir documento a documento de todas as operações da Empresa desde o início de suas operações em 1999, pois conforme mencionado foram baixados saldos de fornecedores referindo aquele ano, e esses saldos influenciam nas apurações das variações cambiais pelo regime de competência no presente, além de embasarem cálculo de renda variável. Não é obrigação do Fisco refazer a contabilidade que o contribuinte manteve falha. Desta forma, todo o refazimento contábil, que a Fiscalizada chamou de"conciliação", está sendo desconsiderado. Como consequência disso os livros LALUR, as DIPJs Retificadoras e demais declarações entregues ao Fisco que tiveram como base esse refazimento contábil (anos calendário 2004 a 2008) deixam de produzir seus efeitos.” A Fiscalização, diante dos elementos resumidos do tópico anterior manifestou pelo cabimento do arbitramento em razão da imprestabilidade da escrita do contribuinte, seja a original, seja a ajustada. Ainda que o arbitramento seja uma medida extrema, mas legal, dentro do caso concreto, entendeuse ser a mesma necessária e mandatória. Assim procedeuse na forma da lei. A base legal para a adoção do lucro arbitrado no caso dos autos foi o art. 530, inciso II, letras “a” e “b”, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. Confirase o texto normativo: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): ... II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real;” O valor das receitas utilizado para o cálculo do lucro arbitrado foi aquele indicado pelo contribuinte nos Livros de Apuração do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), nos Livros de Apuração do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) e nos Livros de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), conforme demonstrado nas planilhas das folhas 8.829 e 8.830. Fl. 92922DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.922 8 Para a apuração do lucro arbitrado foi observado o disposto no art. 532 do RIR/1999, segundo o qual o lucro arbitrado é calculado em razão da receita bruta conhecida, aplicados os percentuais fixados no art. 519 Regulamento do Imposto de Renda, acrescidos de 20%. Os percentuais aplicados para fins do IRPJ foram os seguintes (fl. 8.831): a) 9,6% sobre as receitas auferidas com a venda e produtos e mercadorias; b) 38,4% sobre as receitas auferidas com a prestação de serviços. A apuração da base de cálculo do IRPJ consta da folha 8.831. Sobre a referida base de cálculo foi aplicada a alíquota de 15% e incidiu o adicional de 10% (fl. 8.831). Para fins da CSLL, o lucro arbitrado foi calculado em função da aplicação dos percentuais fixados no art. 29, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com os arts. 15, § 1º, III, e 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Os percentuais aplicados na apuração do lucro arbitrado para fins da CSLL foram os seguintes (fl. 8.833): c) 12% sobre as receitas auferidas com a venda de produtos e mercadorias; d) 32% sobre as receitas auferidas com a prestação de serviços. A apuração da base de cálculo da CSLL consta da folha 8.833. Sobre a referida base de cálculo foi aplicada a alíquota de 9% (fl. 8.834). Dos valores apurados de IRPJ e CSL foram descontados os recolhimentos efetuados pelo contribuinte que não haviam sido objeto de compensação por ele formalizada em função de pretenso pagamento a maior ou indevido (fls. 8.832 e 8.834). Quanto à COFINS e ao PIS, restou afastado o regime da nãocumulatividade em função do arbitramento do lucro (art. 8º, II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e art. 10, II, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Dessa forma, a base de cálculo dessas contribuições passou a ser o faturamento, consoante fixado nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. A metodologia da apuração da base de cálculo das contribuições a partir dos livros fiscais do ICMS, do ISS e do IPI consta das folhas 8.835 a 8.842). No entendimento da Fiscalização, todo o refazimento contábil de uma década teve como intuito principal de ocultar pendências fiscais preexistes e de obter vantagens fiscais de forma ilícita. Para isso foram inseridas inúmeras irregularidades nos registros contábeis e em planilhas auxiliares. Ficando claro, que a Empresa, por meio de seus administradores quis praticar esses atos em busca de benefícios ilícitos. Portanto, a multa de ofício a ser aplicada é aquela prevista no Art. 44, II da Lei 9.430/96. O auto de infração foi cientificado ao contribuinte no dia 15 de dezembro de 2011, consoante se verifica dos documentos das folhas 8.848/9. No dia 16 de janeiro de 2012, o contribuinte apresentou sua impugnação ao lançamento (fl. 8.851). Fl. 92923DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.923 9 A “Introdução” da impugnação contempla resumo da tese da defesa, in verbis (fl. 8.852): “Insurgese a Impugnante contra Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS lavrados em função do arbitramento de ofício do lucro por ter a Fiscalização considerado imprestável a contabilidade da empresa para a apuração do lucro real. O valor total dos lançamentos por arbitramento ultrapassa R$320.000.000,00 (trezentos e vinte milhões de reais)! A guisa de introdução já convém registrar que, de plano, saltam aos olhos profundas incoerências decorrentes da própria fundamentação constante da autuação fiscal. É que ela, ao invés de se assentar na ausência da escrituração (seja em decorrência de extravio, inexistência ou simples recusa na entrega) ou na ausência ou imprestabilidade da documentação que a lastreia, aponta (e quantifica) uma série de supostas irregularidades incorridas pela Impugnante na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Sabendose que o arbitramento é medida extrema, somente admitida em caso de inexistência de escrita ou, havendo escrituração, essa seja infundada,falsa ou de máfé, é desconcertante que a Fiscalização tenha tirado ilações somente possíveis a partir do exame minucioso da escrita e da documentação que a lastreia. E, se houve exame minucioso da escrita e da documentação, perdemse no vazio as alegações de imprestabilidade da escrituração contábil da Impugnante. De fato, demonstrarseá na presente impugnação que o lançamento combatido não tem condições de prosperar, seja por força da decadência em relação aos valores de IRPJ e CSLL do 1º, 2° e 3º trimestres de 2006 e do PIS e COFINS de janeiro a novembro daquele ano, seja pelo fato de o arbitramento ter sido aplicado de forma totalmente indevida. A fiscalização teve acesso a todos os elementos que necessitava para apurar (o que de fato apurou) as bases de cálculo que entendeu devidas. Não existe comprovação de fraude. Não há sequer alegação de que a empresa teria se valido de documentos viciados ou notas calçadas ou, ainda, contrafatadas. Ainda, demonstrarseá que todas as supostas irregularidades apontadas pela fiscalização são plenamente justificáveis a partir de uma análise minuciosa dos lançamentos contábeis e documentos suporte que compõem a documentação contábil da empresa. Uma análise mais acurada do auto de infração e do seu contexto demonstra que a vasta argumentação trazida não passa de um instrumento retórico, todo delineado para justificar a aplicação do arbitramento com uma finalidade manifestamente ilegal, qual seja: punir a Impugnante. Portanto, impõese seja o mesmo integralmente cancelado. Feito o resumo acima, a impugnante passou ao detalhar um a um todos os pontos do auto de infração para, ao final, concluir com os seguintes pedidos: Preliminarmente: a) que se operou a decadência sobre todos os lançamentos realizados pelo auto de infração impugnado relativos ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro relativos ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2006; e b) igualmente, que se operou a decadência do direito do Fisco de lançar as contribuições para o PIS e COFINS relativas aos meses que vão de janeiro a novembro de 2006; No mérito: Fl. 92924DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.924 10 c) que não se encontram presentes os pressupostos para utilização do lançamento por arbitramento, eis que não comprovadas a imprestabilidade da contabilidade da Impugnante, assim como a impossibilidade de se apurar o lucro real por outros documentos (provas diretas); d) que não cabe a utilização do arbitramento quando as irregularidades podem ser qualificadas e quantificadas pela fiscalização; e) que não cabe a utilização do arbitramento quando as irregularidades apontadas constituem infrações tipificadas na legislação; f) que, no caso concreto, a própria Fiscalização reconheceu a existência de "base confiável" (fl. 125) no Sistema Gerencial da empresa e, por isso, negligenciou em apurar o lucro real; g) que a Fiscalização omitiuse no seu dever de intimar a Impugnante para retificar sua escrita fiscal antes de realizar o lançamento por arbitramento; h) que o arbitramento foi utilizado indevidamente como instrumento de punição à Impugnante e como forma de compensar a Fazenda Nacional dos valores que a Fiscalização entende foram inadimplidos pela Impugnante; e, ainda sucessivamente: i) que a multa majorada foi aplicada sem a devida motivação e/ou comprovação da existência de dolo; j ) que as bases de PIS e COFINS foram indevidamente apuradas e que, na remota hipótese de manutenção do auto de infração devem as referidas contribuições serem recalculadas excluindose a integralidade dos valores relativos às vendas sujeitas à alíquota zero, bem como do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e das vendas para a Zona Franca de Manaus. Em 12 de março de 2012, o contribuinte juntou aos autos planilhas de cálculo com o objetivo de mensurar os erros apontados na impugnação relativamente à apuração da COFINS e do PIS (fl. 82.690). Mais adiante, em 3 de junho de 2012, o contribuinte juntou aos autos laudo emitido por Ernest & Young Terco (fls. 82.786 a 82.911), contemplando respostas aos quesitos lançados na impugnação (fls. 8.942/4). Na oportunidade, o contribuinte reafirmou sua convicção quanto ao não cabimento do arbitramento, por falta de pressupostos para tanto, e pela possibilidade da quantificação dos tributos eventualmente devidos por meio da contabilidade, que não seria imprestável. Em 31 de julho de 2012, houve a determinação da realização de diligência. O resultado da diligência consta das folhas 88.891 a 88.901. À folha 88.895 consta planilha indicativa dos valores exigidos de COFINS e PIS após os ajustes indicados nas letras “a” e “b” da Diligência, acima transcritos. Esses valores se contrapõe aos valores apontados na folha 8.842 (integrante do “Relatório da Ação Fiscal”). Posteriormente a esse cálculo, a autoridade administrativa relatou seu trabalho de avaliação, por amostragem, da relação de notas fiscais apresentada pelo contribuinte (referida no item II do documento da fl. 82.690). A conclusão fiscal foi de que, excetuados os casos já Fl. 92925DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.925 11 abarcados pelo recálculo antes referido, o contribuinte não fazia jus aos benefícios por ele alegados. Cientificado o contribuinte, ele manifestou sua concordância com o novos cálculos relativamente (1) à aplicação da alíquota zero sobre a venda de monitores e (2) à aplicação da alíquota zero sobre a venda de conjuntos de CPU, monitor, teclado e mouse. Discordou quanto à inclusão do IPI no cálculo do benefício assegurado pelo art. 28 da Lei nº 11.196, de 2005, uma vez que a receita bruta de vendas não contemplaria o valor daquele tributo nos termos do art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda. Ademais, reprisou protesto quanto ao arbitramento, que entende descabido. Colhida essa manifestação, os autos retornaram a esta Delegacia de Julgamento para a continuidade dos trabalhos. Observouse, então, a necessidade da realização de nova diligência, tendo por foco a dissonância entre os termos do trabalho fiscal e a manifestação do impugnante. A 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, nos termos do acórdão nº 1044.242, julgou o lançamento parcialmente procedente para os fins de reconhecer cabível o arbitramento, realizando apenas ajustes relativos ao PIS e à COFINS. Em relação à viabilidade do arbitramento a decisão recorrida, após a relatada diligência, valeuse de três fundamentos: i) a contabilização das contas bancárias revelaria que a recorrente não contabilizava a integralidade da movimentação financeira; ii) haveria vícios na contabilização dos estoques e iii) a escrita revelaria indícios de fraude. No mais, afastouse a preliminar de decadência, considerada a fraude e o cômputo consequente pela regra do artigo 173, do CTN. A parcela exonerada foi submetida a Recurso de Ofício e a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando seus argumentos e formulando preliminar de parcial nulidade da decisão recorrida ante a alegada inovação no critério da imputação. Em sessão do dia 04 de fevereiro de 2015, esta 1ª Turma Ordinária julgou os Recursos de Ofício e Voluntário, tendo o acórdão sido assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 RECURSO DE OFÍCIO.IMPROCEDÊNCIA. A parcela exonerada resulta de recálculo promovido pela própria Fiscalização na diligência efetuada relativamente aos equívocos apontados no relatório. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FUNDAMENTOS. PROCEDÊNCIA. Há de se manter o lançamento tributário na circunstância em que a autoridade fiscal colaciona aos autos elementos suficientes à convicção de que, em virtude de generalizada retificação, a escrituração apresentada pelo contribuinte fiscalizado, diante de Fl. 92926DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.926 12 inúmeras e graves irregularidades, mostrase imprestável para determinação do lucro real, justificando, assim, o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Presente o intuito deliberado de o contribuinte, por meio de retificações contábeis, reduzir o montante dos tributos e contribuições devidos ao Fisco, fato confirmado, inclusive, na conduta adotada no curso do procedimento fiscal e na estratégia utilizada nas peças de defesa, a exasperação da penalidade revelase procedente. CADUCIDADE. INOCORRÊNCIA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). Nos termos do "Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, datado de 18/08/2015, o contribuinte teve ciência do acórdão de recurso de ofício e voluntário em 17/08/2015 (fl. 92.825). Na mesma data o recorrente, interpõe os presentes embargos de declaração. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Relator Trata o presente de embargos de declaração interpostos tempestivamente pela DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA, relativamente ao acórdão nº 1301001.757, prolatado por esta Primeira Turma na sessão de julgamento realizada em 04 de fevereiro de 2015. No referido julgado, o Colegiado pronunciouse no sentido de negar provimento, por unanimidade, ao Recurso de Ofício e por voto de qualidade negar provimento ao Recurso Voluntário. Alega a Embargante que o Colegiado, ao analisar os argumentos trazidos no bojo do seu recurso voluntário, foi omisso em relação a ponto de fundamental importância para o deslinde da controvérsia jurídica dos presentes autos, mais precisamente quanto à procedência do lançamento via arbitramento dos lucros, decadência do direito de lançar quanto ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e incorreções na apuração da base de cálculos das duas últimas contribuições (PIS e COFINS). Fl. 92927DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.927 13 Em sua peça recursal a Embargante aduz que o acórdão embargado omitiuse quanto às seguintes questões suscitadas em sede de Recurso Voluntário, bem como de Manifestação de Inconformidade: 1) Nulidade do arbitramento devido à ausência de intimação da ora embargante com o fim específico de lhe determinar e propiciar a regularização da escrita quanto aos alegados equívocos identificados na fiscalização, de tal forma a evitar o arbitramento; 2) ausência de demonstração da inviabilidade da impossibilidade de se apurar o lucro real; 3) ausência de prova da fraude alegada; 4) a aplicação do art. 173, I do Código Tributário Nacional no julgamento da decadência resultaria, na espécie, no cancelamento do lançamento de ofício do IRPJ e da CSL relativo aos três primeiros trimestres do ano de 2006, uma vez que o lucro arbitrado é lançado por períodos trimestrais, conforme disposto nos artigos 530, caput do RIR/99 e 1º da Lei nº 9.430/96; 5) a aplicação do art. 173, I do Código Tributário Nacional no julgamento da decadência resultaria, na espécie, no cancelamento do lançamento de ofício do PIS e da COFINS relativos aos dez primeiros meses do ano de 2006, uma vez que esses tributos são lançados por períodos mensais; 6) erros apontados pela Embargante na apuração dos valores máximos de venda de equipamentos de informática condicionante da aplicação da alíquota zero de PIS e COFINS, nos termos do art. 28 da Lei nº 11.196/05 e Decreto nº 5.602/05; e 7) ausência de prova que excluiria da aplicação da alíquota zero de PIS e COFINS certas vendas de equipamentos ao longo do ano de 2006 para uso e consumo de clientes atacadistas e varejistas. Quanta às omissões alegadas nos itens 1 a 3 acima, vejo que o acórdão embargado tratou especificamente da questão, se não vejamos: Diante da constatação que a escrituração original apresentava, de fato, inconsistências, fato admitido pela própria Recorrente, a expectativa da Fiscalização era a de que, promovida a revisão contábil, o problema seria sanado, porém, tomandose por base o Termo de Verificação Fiscal (fls. 8.697 e seguintes) o que restou apurado foi o seguinte: i) existência de registros sem base documental; ii) alterações indevidas em contas de estoque; iii) exclusões de pagamentos efetivamente realizados; iv) adoção de regime de caixa para alguns contratos; v) adulterações em planilhas relativas a variações cambiais; vi) incorreção em lançamentos contábeis; vii) incorreções nos balancetes apresentados; Fl. 92928DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.928 14 viii) ausência de observância de princípios contábeis básicos; ix) registro de fornecedores sem comprovação de pagamento; x) realização de ajustes genéricos (exemplo: diversos processos de 1999 a 2001); xi) inclusão no Patrimônio Líquido de conta transitória (249019999 – ENCERRAMENTO EXERCÍCIO AJUSTES), representativa de saldos líquidos dos ajustes praticados nas contas de resultado dos anos anteriores; xii) ajustes realizados nos anos de 2002 e de 2003, desprovidos de documentos de suporte, que não foram tributados mas influenciaram os valores tributáveis nos anos subseqüentes; xiii) estornos indevidos de passivos tributários; xiv) transformação de pagamentos a fornecedores em custo na apuração do resultado, gerando passivos fictícios; xv) estorno de importações em 2006 na ordem R$ 785.514.993,47, em que, requisitada a documentação para uma amostra constituída por dez lançamentos, nada foi apresentado; xvi) transformação da contabilização de royalties para o regime de caixa; xvii) ajustes nos registros de variações cambiais direcionados, apenas, para os meses em que houve perda; xviii) realização retroativa de estoques (a contabilidade original registrava saldo nas dez contas que refletiam o estoque, mas, na retificação da escrituração, a fiscalizada informou que a maioria das contas possuía saldo “zero”); xix) registros irregulares da movimentação bancária (exemplificativamente: 2006 – conta do CITIBANK – saldo reduzido de R$ 21.210.485,03 para R$ 67.095,34; BANKBOSTON – saldo reduzido de R$ 12.491.279,55 para R$ 1.630.016,03; foram identificadas também divergências entre os lançamentos contábeis e os extratos bancários); xx) descontos concedidos em 2007 que, na contabilidade original não existiam (intimada a apresentar as notas fiscais, a contribuinte, depois de transcorridos setenta e dois dias, disse que se tratava de ajuste de preço na exportação e, tendo apresentado uma listagem, embora intimada, não apresentou as notas fiscais e os “fechamentos de câmbio correspondentes). As irregularidades acima apontadas, na visão do Colegiado, suficientes para demonstrar a imprestabilidade da escrituração, não representam lista exaustiva do que foi apontado no Termo de Verificação Fiscal. (grifos meus) Portanto, não procede a alegação de omissão, haja vista que o Colegiado se manifestou conclusiva e fundamentadamente quanto à imprestabilidade da contabilidade do contribuinte. Quanto à omissão/contradição apontadas nos ítens 4 a 5, entendo que elas não se referem à vício ocorrido entre as proposições e conclusões do acórdão embargado, mas sim, à possível erro no julgamento, uma vez que é plausível o argumento do embargante quanto à possibilidade de que os julgadores não tenham se atido ao fato de que o lucro arbitrado tem seu Fl. 92929DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.929 15 fato gerador apurado em bases trimestrais e o PIS e a COFINS em bases mensais e que tais fatos geradores teriam impacto no computo do prazo decadencial. Ocorre que o erro in iudicando, não é uma contradição que possa dar ensejo à clarificação do julgado via embargos de declaração. A meu ver, o que se pretende aqui é a reforma do acórdão, corrigindose os alegados erros cometidos pelos julgadores. Tal fato, a meu ver, destoa do conceito de contradição que se pretende corrigir pela via dos embargos. Registrese o conceito do vício de contradição, extraído dos doutos ensinamentos de JOSÉ CARLOS BARBOSA MOREIRA, in verbis: Verificase este defeito quando no acórdão se incluem proposições entre si inconciliáveis. Pode haver contradição entre proposições contidas na motivação [...] ou entre proposições da parte decisória, isto é, incompatibilidade entre capítulos do acórdão [...]. Também pode ocorrer contradição entre alguma proposição enunciada nas razões de decidir e o dispositivo [...]. É ainda concebível a ocorrência de contradição entre a ementa e o corpo do acórdão. Não fica excluída a hipótese de contradição entre proposições constantes da própria ementa (cf., infra, o comentário nº 359 ao art. 556). Tampouco o fica a de contradição entre o teor do acórdão e aquilo que resultara da votação apurável pela minuta de julgamento, pela ata, pelas notas taquigráficas ou por outros elementos. [...] Não há que se cogitar de contradição entre o acórdão e outra decisão porventura anteriormente proferida no mesmo processo, pelo tribunal ou pelo órgão de grau inferior. Se a questão estava preclusa, e já não se podia voltar atrás do que fora decidido, houve sem dúvida error in procedendo, mas o remédio de que agora se trata é incabível. Também o é na hipótese de contradição entre o acórdão e o que conste de alguma peça dos autos (caso de error in judicando)." (in Comentários ao Código de Processo Civil, Volume V, Forense, 11ª edição, págs. 550/552). Ademais, especificamente quanto à preliminar de decadência, registrese que nos termos do acórdão combalido, resta claro que a turma julgadora tratou especificamente do termo inicial da contagem dos prazos decadências para os lançamentos de ofício do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, não havendo, portanto, qualquer contradição entre os fundamentos da decisão e sua conclusão. Vejamos trecho da decisão atacada que trata especificamente da decadência: [...] Presente o dolo na conduta, descabe falar em aplicação, para fins de caducidade do direito de se efetuar o lançamento, das disposições do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. No caso, a decadência é regida pelo disposto no inciso I do art. 173 do mesmo diploma legal. Assim, considerando que a contribuinte foi cientificada dos lançamentos tributários em 15 de dezembro de 2011, não merece acolhimento a alegação de que, relativamente a fatos geradores ocorridos no ano de 2006, teria ocorrido caducidade do direito de a Fazenda constituir créditos tributários, vez que, para eles, considerada a regra estampada no já citado inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, a data fatal seria 31 de dezembro de 2011. Fl. 92930DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.930 16 Vêse que a decisão estabeleceu com clareza e precisão o termo inicial para contagem dos prazos decadenciais. Por mais que se possa afirmar que a manutenção do arbitramento do lucro ensejaria a revisão automática da eventual preliminar de decadência, penso que esta revisão deveria ter sido deliberada pela turma quando da análise do Recurso Voluntário. Ou seja, ainda que os fatos geradores do Lucro Arbitrado e das contribuições para o PIS e COFINS não coincidam com o do Lucro Real, a contagem do prazo inicial da decadência (seja com base no artigo 150 ou no 173, I do CTN) foi claramente estabelecida pelo acórdão embargado. A alegação de que deverseia ter observado os fatos geradores dos tributos em discussão, ou seja, fato gerador trimestral para o IRPJ e CSLL apurados por arbitramento e mensal para o PIS e a COFINS, tal conclusão não se encaixa em contradição intrínseca do julgado, mas, como já disse, em possível lapso manifesto. Creio que referido lapso, ainda que existente, só pode vir a ser declarado por espécie de recurso que tenha o poder de reformar a decisão, o que não é o caso destes embargos, que prestamse, tão somente, a aclarar os seus termos de uma decisão. Tenho que contradição é um vicio interno do julgado, um vicio de lógica interna do ato decisório, uma desconformidade entre a fundamentação e a conclusão, entre elementos da fundamentação, entre a ementa do acórdão e o do voto condutor. Tratase, em suma da ilogicidade do julgado. Repiso que não vejo tão vício no julgado combalido, ainda que consiga, pelo menos em tese, concordar com a Embargante que possa ter havido erro na avaliação dos fatos, qual seja, os fatos geradores dos tributos lançados e dos requisitos legais para aplicação da alíquota zero de PIS e COFINS. Corroborando meu entendimento, trago ensinamento do jurista Freddy Didier Jr. no sentido de que uma decisão é contraditória quando: Traz proposições entre si inconciliáveis.O principal exemplo é a existência de contradição entre a fundamentação e a decisão. No entendimento deste relator, apenas o vícios contraditórios por erro in procedendo (consiste no erro do juiz ao proceder a decisão) são cabíveis de saneamento por embargos de declaração, não sendo cabíveis embargos de declaração por vícios contraditórios por erro in judicando. O erro in procedendo consiste no erro do juiz ao proceder. É um erro de forma. O julgador inobserva os requisitos formais necessários para a prática do ato, culminando num decisório nulo. Pontua Barbosa Moreira: O error in procedendo implica em vício de atividade (v.g., defeitos de estrutura formal da decisão, julgamento que se distancia do que foi pedido pela parte, impedimento do juiz, incompetência absoluta) e por isso se pleiteia neste caso a invalidação da decisão, averbada de ilegal, e o objeto do juízo de mérito no recurso é o próprio julgamento proferido no grau inferior. De outro norte, no que atine ao erro in judicando, este consiste no ato pelo qual o julgador se equivoca quanto à apreciação da demanda, seja porque erra na interpretação da lei, seja por que não adequa corretamente os fatos ao plano abstrato da norma. Ou seja, o Fl. 92931DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.931 17 julgador erra ao julgar. Tal erro recai sobre o próprio conteúdo que compõe o litígio. É erro material. Enseja a reforma da decisão e não sua cassação. Nesse caso, a parte requererá a reforma da sentença por entender que o julgador incorreu em erro in judicando. Para ela, o aplicador do direito não o fez como deveria. No mesmo sentido, elucida Moreira: O error in iudicando é resultante da má apreciação da questão de direito (v.g., entendeuse aplicável norma jurídica impertinente ao caso) ou de fato (v.g., passou despercebido um documento, interpretouse mal o depoimento de uma testemunha), ou de ambas, pedindose em conseqüência a reforma da decisão, acoimada de injusta, de forma que o objeto do juízo de mérito no recurso identificase com o objeto da atividade cognitiva no grau inferior da jurisdição. Frisase que o conhecimento das espécies de erros é importante na medida em que sua alegação e constatação podem acarretar efeitos distintos no processo. O STJ, em acórdão proferido em 2011, explica com clareza as conseqüências na demanda, quando diante de error in procedendo e error in judicando. Vejamos: RECURSO ESPECIAL. ARTIGO 512 DO CPC. ERROR IN JUDICANDO. PEDIDO DE REFORMA DA DECISÃO. EFEITO SUBSTITUTIVO DOS RECURSOS. APLICAÇÃO. ERROR IN PROCEDENDO. ANULAÇÃO DO JULGADO. INAPLICABILIDADE DO EFEITO SUBSTITUTIVO. NECESSIDADE DE PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. 1. O efeito substitutivo previsto no artigo 512 do CPC implica a prevalência da decisão proferida pelo órgão superior ao julgar recurso interposto contra o decisório da instância inferior. Somente um julgamento pode prevalecer no processo, e, por isso, o proferido pelo órgão ad quem sobrepujase, substituindo a decisão recorrida nos limites da impugnação. 2. Para que haja a substituição, é necessário que o recurso esteja fundado em error in judicando e tenha sido conhecido e julgado no mérito. Caso a decisão recorrida tenha apreciado de forma equivocada os fatos ou tenha realizado interpretação jurídica errada sobre a questão discutida, é necessária a sua reforma, havendo a substituição do julgado recorrido pela decisão do recurso. 3. Não se aplica o efeito substitutivo quando o recurso fundase em error in procedendo, com vício na atividade judicante e desrespeito às regras processuais, pois, nesse caso, o julgado recorrido é anulado para que outro seja proferido na instância de origem. Em casos assim, a instância recursal não substitui, mas desconstitui a decisão acoimada de vício. Fl. 92932DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.932 18 4. Recurso especial conhecido em parte e desprovido. (REsp 963.220/BA, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUARTA TURMA, julgado em 07/04/2011, DJe 15/04/2011). Na verdade, entendo que a pretensão formulada no bojo do presente recurso ressoa como manifesta inconformidade em relação ao decisum, pretendendo a Embargante, com isso, o rejulgamento da causa em sede de embargos declaratórios, o que é juridicamente inviável diante da inexistência do vício apontado, sendo impossível a atribuição do pleiteado efeito modificativo, pois a peça recursal ora em análise não se presta para correção de erro in judicando. A intenção é provocar a Turma Julgadora para que se manifeste novamente quanto à decadência do direito de lançar créditos tributários relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, quando tais matérias foram alegadamente avaliadas de forma errônea (error in iudicando) no acórdão combalido. Verossímil a alegação de a decisão errou ao analisar os fatos geradores dos tributos lançados para fins da determinação do termo inicial para contagem do prazo decadencial, porém entendo que tal erro não poderá ser corrigido pela via dos embargos, por que estes não são a via recursal própria para tal. Quanto as omissões quanto aos itens 06 e 07 entendo que assiste razão à embargante. No que tange aos itens 06 e 07 dos embargos, quais sejam, eventuais omissões quanto à apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, vejo que para a definição dos valores máximos de venda, para fins da fruição dos benefícios instituídos pela Lei 11.196/2005, a DRJ, bem como a DRF/POA (EFMAC), não excluiu o IPI para a apuração dos referidos valores máximos de venda. Esta questão é de extrema relevância para o deslinde desta lide, haja vista que se excluído o IPI dos valores de venda, haveria redução considerável dos valores a serem lançados a título de PIS e COFINS, uma vez que mais receitas estariam abarcadas/beneficiadas pelo incentivo instituído pela Lei nº 11.196/05, as quais foram desconsideradas pela fiscalização. Portanto, a questão da inclusão ou não do IPI na determinação da receita de venda dos bens e serviços é crucial! Entendo que a receita em questão não pode considerar os valores destacados a título de IPI, em razão de expressa disposição legal. O artigo 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98, antes da redação dada pela Lei nº 12.973/2014, não deixava dúvidas quanto à necessidade de se operar a exclusão do IPI para fins da determinação da receita bruta, senão vejamos: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 92933DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.933 19 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (grifos meus) Portanto, até o advento da Lei nº 12.973/14, que só passou a produzir efeitos a partir de 01 de janeiro de 2015, a exclusão do IPI do conceito de receita bruta, decorre de expressa previsão legal. Na impugnação e no recurso voluntário foi sustentado que a aplicação da alíquota zero de PIS e COFINS em relação aos produtos sujeitos à Lei nº 11.196/2005 seria aplicável quando o preço de venda destes bens não ultrapassasse determinados valores, valores estes definidos no artigo 2º do Decreto nº 5.602/2005: Art. 2o Para efeitos da redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS de que trata o art. 1o, o valor de venda, a varejo, não poderá exceder a: I R$ 2.000,00 (dois mil reais), no caso do inciso I do caput do art. 1o; II R$ 3.000,00 (três mil reais), no caso do inciso II do caput do art. 1o; III R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), no caso dos sistemas contendo unidade de processamento digital, monitor, teclado e mouse de que trata o inciso III do caput do art. 1o; e IV R$ 2.100,00 (dois mil e cem reais), no caso de venda conjunta de unidade de processamento digital, teclado e mouse, na forma do inciso IV do caput do art. 1o. [...] Ora, o raciocínio é claro, se o preço de venda estiver dentro dos limites impostos pela legislação, a alíquota zero do PIS e da COFINS seria aplicável. Deste modo, se a Lei nº 11.196/05 visa conferir um benefício de PIS e COFINS aos fabricantes de certos produtos de informática desde que o valor de tais produtos não excedam os limites então colocados no Decreto 5.602/2005, seria incongruente não levar em consideração as disposições (vigentes à época) da lei que rege as ditas contribuições para certificar os limites para verificação das vendas sujeitas à alíquota zero. Portanto, entendo que o preço de venda de mercadorias sujeitas ao benefício da Lei nº 11.196/2005 deve ser calculado sem o IPI, de modo que deve ser este valor sem o IPI o verificado para fins da determinação do benefício da alíquota zero. Fl. 92934DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.934 20 Assim, para fins de determinação das receitas de vendas de mercadorias sujeitas à alíquota zero do PIS e da COFINS deve ser determinado o preço máximo de venda excluindose o IPI. Uma vez determinado o novo preço de venda, deve ser recalculado os valores trazidos pela Relatório de Diligência de fls 88.891 à 88.901 Quanto à alegação, lançada em sede de impugnação e confirmada em sede de recurso voluntário, sobre a necessidade de se reformar o cálculo do PIS e COFINS, para aplicar a alíquota zero prevista na mesma Lei nº 11.196/05, em relação às vendas a varejistas e atacadistas de produtos de informática, o acórdão embargado foi claramente silente quanto a este ponto, ainda que a DRJ tenha sustentado que a interessada não fez prova de que tais vendas teriam sido para uso e consumo dos destinatários e não revenda. No entanto, uma análise mais aprofundada da documentação juntada aos autos é suficiente para afastar o argumento sobre a alegada falta de prova. De acordo com a planilha k.5, juntada pela própria fiscalização e reproduzida pela à fls. 5.903 destes autos, verificase que a grande maioria das empresas varejistas de serviços de informática ali listadas tratamse de micro ou pequenas empresas da área de "prestação de serviços de informática" e não de venda de equipamentos, ou seja, tratamse de empresas que adquiriram produtos da interessada para a consecução de suas atividades administrativas, mas não para revenda. Ademais, a fiscalização se valeu de uma presunção para fins de se determinar se as vendas de material de informática seriam para consumo ou para revenda. Notase que nos termos do Relatório de Diligência (fl. 88.892) a fiscalização excluiu todas as vendas feitas a PJ que, pelo CNAE Fiscal (Código Nacional de Atividades Econômicas), eram de empresas vendedoras atacadistas ou varejistas de material de informática, sem fazer qualquer prova ou construção no sentido de se provar que tais produtos eram destinados à revenda. Ou seja, a fiscalização usou um filtro a fim de excluir todas as receitas que estivessem atreladas a determinados CNAEs. Penso que, no caso, o ônus da prova era da fiscalização e não do contribuinte. Desta forma, era obrigação da fiscalização provar que todas as vendas destinadas a clientes cujo CNAE apontava a atividade varejista de produtos de informática tinham intuito de revenda, pois tal alegação foi levantada pela fiscalização quando da lavratura do auto de infração. Com efeito, a presunção adotada pela fiscalização não pode resultar em tributação da interessada, na medida que cabe ao fisco provar, e não apenas presumir, que determinada situação deu ensejo a certa obrigação tributária e, posteriormente, ao crédito tributário. Destaquese que, diferentemente do que aduz a interessada, a relevância da questão e dos respectivos argumentos constantes do recurso voluntário interposto pela ora embargante NÃO é reforçado pelo que dispõe a regra expressa do art. 22 da Lei nº 11.945/09, haja vista que tal regra só se aplica para os fatos geradores ocorridos a partir de 16 de dezembro de 2008. Como os fatos geradores tratados nestes autos fazem referência ao ano calendário 2006, entendo que os ditames do artigo 22 da Lei 11.945, a eles não se aplicam. De toda sorte, considerando que: Fl. 92935DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.935 21 partiu da fiscalização de que todas as vendas destinadas a varejistas de produtos de informática teriam objetivo de revenda; a fiscalização tinha à sua disposição os meios de prova necessários para verificar os fatos e, assim, confirmar a presunção lançada; a hipótese de presunção não encontrase disposta na legislação dentre aquelas em que o lançamento tributário pode ser efetuado; e o acórdão embargado foi omisso quanto a este ponto; deve ser acolhido os embargos neste ponto para atacar a dita omissão, reformando o aresto embargado neste ponto, a fim de aplicar a alíquota zero do PIS e da COFINS nas vendas a varejistas de produtos de informática, uma vez que tais vendas devem ser consideradas como tendo sido feitas para uso e consumo próprio, haja vista que não fez a fiscalização prova de que tais vendas foram feitas para posterior revenda. Diante de tais considerações, CONHEÇO dos embargos para no mérito, ACOLHELOS PARCIALMENTE para: (i) determinar que as receitas de vendas de mercadorias sujeitas à alíquota zero do PIS e da COFINS, nos termos do benefício fiscal criado pela Lei nº 11.196/05, deve ser determinado o preço máximo de venda excluindose o IPI. Uma vez determinado o novo preço de venda, estando estes dentro dos limites legais, devem ser excluídas tais valores da base de cálculo do PIS e da COFINS, reduzindose os valores dos lançamentos de ofício quanto a estas contribuições; e (ii) aplicar a alíquota zero do PIS e da COFINS nas vendas a varejistas de produtos de informática, uma vez que tais vendas devem ser consideradas como tendo sido feitas para uso e consumo próprio, haja vista que não fez a fiscalização prova de que tais vendas foram feitas para posterior revenda. Nestes termos, devem ser excluídas tais valores da base de cálculo do PIS e da COFINS, reduzindose os valores dos lançamentos de ofício quanto a estas contribuições. Sala de Sessões, 07 de junho de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Relator Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu Fl. 92936DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.936 22 divergência que levou a conclusão diversa, exclusivamente no que diz respeito aos itens 6 e 7 dos embargos declaratórios. Não houve qualquer dúvida quanto à ocorrência das alegadas omissões. De fato, as matérias foram questionadas em sede de recurso voluntário e não foram abordadas no acórdão embargado. Impõese, assim, suprilas, o que passo a fazer, na linha adotada pela maioria do Colegiado. · Item 6 – Omissão quanto às razões que demonstraram os equívocos na apuração do PIS e da COFINS em face da aferição dos valores máximos aplicados nas vendas de mercadorias sob o regime de alíquota zero. Neste ponto, a recorrente pleiteia a aplicação da alíquota zero nas situações previstas na Lei nº 11.196/2005, regulamentadas pelo Decreto nº 5.602/2005. Para tanto, seria necessário verificar o atendimento às condições previstas na lei e no regulamento, o que foi feito em sede de diligência. No entanto, ao verificar essas condições, o Fisco considerou o preço total de venda, incluído o IPI. No entender da recorrente, o IPI não integra o faturamento, e não deveria, de igual modo, integrar o preço total de venda para os fins de verificação do atendimento às condições para que se possa beneficiar da alíquota zero. Eis o litígio. Para maior clareza, reproduzo parcialmente abaixo o teor do art. 28 da Lei nº 11.196/2005, que instituiu o benefício fiscal pleiteado pela recorrente (grifos não constam do original): Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta de venda a varejo: [...] § 1o Os produtos de que trata este artigo atenderão aos termos e condições estabelecidos em regulamento, inclusive quanto ao valor e especificações técnicas. A esta altura, fazse necessário fixar alguns pontos. A incidência tributária originalmente (antes de qualquer benefício fiscal) se dá sobre o faturamento, este entendido como a receita bruta auferida pela pessoa jurídica (arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998). Nessa receita bruta, base de cálculo das contribuições, não se inclui o IPI (inciso I do art. 3º da Lei nº 9.718/1998). Não há sobre isso qualquer dúvida. Para tanto, seria suficiente a conceituação contábil, mas a lei veio expressamente espancar qualquer controvérsia. No mesmo sentido, o Perguntas e Respostas da Receita Federal1 diz que o IPI não integra a base de cálculo de PIS e COFINS. Por certo que, se o IPI não integra a receita bruta, não faz qualquer sentido sua exclusão. Não se exclui algo que não foi anteriormente incluído. No entanto, se, por 1 (capítulo XXII, atualizado até 31/12/2014, http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoese demonstrativos/dipjdeclaracaodeinformacoeseconomicofiscaisdapj/perguntaserespostaspessoajuridica 20151/capituloxxiicontribuicaoparaopispasepecofinsincidentessobreareceitaouo faturamento.pdf/view) Fl. 92937DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.937 23 qualquer motivo (por exemplo, decorrente da forma de contabilização ou registro) o valor do IPI vier a integrar a receita bruta, por certo dela deverá ser excluído, para que se possa corretamente determinar a base de cálculo das contribuições. Um exemplo numérico hipotético poderá esclarecer e reforçar o anteriormente exposto: uma venda no valor de R$ 2.000, sobre a qual incida IPI (que é calculado "por fora") no valor de R$ 200, corresponderá a um preço final de R$ 2.200. Esse será o total da nota fiscal, o valor desembolsado pelo adquirente. O faturamento (base de cálculo das contribuições), correspondente à receita bruta, será de R$ 2.000. Não faz sentido falar em exclusão do IPI, porque ele não integra a receita bruta. Se, por algum motivo, nos assentamentos contábeis/fiscais a receita bruta houver sido registrada pelo valor total da nota fiscal (R$ 2.200), ao determinar a base de cálculo das contribuições o IPI deverá ser retirado, restando, também por esse procedimento, a receita bruta de R$ 2.000. Esse foi exatamente o procedimento do Fisco ao efetuar o lançamento. Por entender que os valores de vendas de mercadorias conteriam, em si, também o IPI, procedeu corretamente à exclusão. Vide item "h" do demonstrativo do Fisco. O art. 28 da Lei nº 11.196/2005 veio introduzir um benefício fiscal. Persiste a incidência tributária, mas a alíquota aplicável passa a ser zero, nas condições ali especificadas. E este ponto é muito importante: a base de cálculo permanece a inalterada: é a receita bruta, na qual não se inclui o IPI, conforme visto. O § 1º do art. 28 remete ao regulamento a definição das condições para o gozo do benefício, inclusive no que tange ao valor dos produtos. Ressalto: não há qualquer alteração na base de cálculo (faturamento equivalente à receita bruta), muito menos qualquer condição relacionada à receita bruta. A condição (no que interessa a este item) está relacionada ao valor do produto. De se ver, portanto, como o Decreto nº 5.602/2005 regulamentou este ponto (grifos não constam do original). Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, a varejo, de: [...] Art. 2o Para efeitos da redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS de que trata o art. 1o, o valor de venda, a varejo, não poderá exceder a: [...] O art. 1º do Decreto simplesmente reproduz o caput do art. 28 da Lei nº 11.196/2005. Insisto: permanece a incidência tributária sobre a mesma base de cálculo, apenas com a alíquota reduzida a zero. O art. 2º, por sua vez, é que regulamenta as condições para os produtos, especificamente no que tange ao seu valor. E reza que essa condição deverá ser verificada diante do valor de venda a varejo. Não há qualquer condição atinente à receita bruta (base de cálculo das contribuições). Isto posto, descabe qualquer tentativa de estabelecer ligações entre "faturamento equivalente a receita bruta" (base de cálculo das contribuições) e "valor de venda a varejo" (parâmetro estabelecido para fins de verificação do atendimento às condições para Fl. 92938DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.938 24 gozo do benefício fiscal). O valor de venda a varejo, por certo, é o preço final de venda ao consumidor varejista, o total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto. Retomando, então, o hipotético exemplo numérico anterior: o valor de venda a varejo é o total da nota fiscal emitida, R$ 2.200. É com base nesse total, que inclui o IPI, que deve ser feita a verificação do art. 2º do Decreto. Caso satisfeita a condição (e, por certo, outras condições porventura existentes), a receita bruta de R$ 2.000 estará sujeita à incidência das contribuições com alíquota zero. Em caso contrário, não satisfeita a condição, a receita bruta de R$ 2.000 estará sujeita às alíquotas normais das contribuições. Exatamente esse foi o procedimento da autoridade fiscal que cumpriu a diligência determinada em primeira instância. Ao verificar o limite para fins de aplicação da alíquota zero, considerou esse limite em face dos "valores de venda bruta constantes das notas fiscais, ou seja, o preço pago pelo adquirente no qual o IPI está incluso". Assim, concluo pela correção do lançamento, e que as verificações efetuadas quando do cumprimento da diligência, no que toca a este item, foram igualmente corretas, devendo ser rejeitado o recurso voluntário, quanto a esta matéria. Com isso, temse por suprida a omissão apontada, sem que com isso se atribua algum efeito infringente ao acórdão embargado. · Item 7 – Omissão quanto à ausência de prova de que certas vendas não foram feitas para uso e consumo de clientes atacadistas e varejistas. Este ponto do recurso voluntário também está relacionado ao benefício fiscal de que trata o art. 28 da Lei nº 11.196/2005, mas por outra vertente. Aqui, a recorrente reclama que não teria sido aplicada a alíquota zero à receita bruta decorrente de vendas efetuadas a diversas empresas que, no entender da recorrente, teriam adquirido produtos para uso próprio, e não para revenda. Desse modo, tais vendas se equiparariam a vendas a varejo, alcançadas pelo benefício fiscal em tela. O Fisco teria simplesmente presumido que se tratava de aquisições para revenda. A recorrente se vale da tabela k.5, elaborada pelo próprio Fisco à fl. 5903. Por sua ótica, seria ônus do Fisco provar a destinação dos produtos para revenda, e não para consumo próprio. Essa mencionada tabela k.6 faz parte da descrição dos critérios adotados pela autoridade lançadora, cabendo a seguinte reprodução (fl. 8839): k.5) no caso do arquivo com as vendas a PJ, foi feito um filtro preliminar que excluiu as vendas a PJ que, pelo CNAE Fiscal (Código Nacional de Atividades Econômicas), eram a empresas vendedoras atacadistas ou varejistas de equipamentos de informática. Os CNPJ com os CNAE excluídos estão em planilha anexa a Este Relatório; Como se vê, na busca da correta base de cálculo das contribuições, o Fisco manteve na base de cálculo (por não considerar tais vendas alcançadas pelo benefício fiscal) as vendas efetuadas a empresas cujos CNAE eram de vendedoras atacadistas ou varejistas de equipamentos de informática. Tratase, realmente, de uma presunção simples, não estabelecida em lei, de que um revendedor atacadista ou varejista de equipamentos de informática, ao adquirir produtos de informática, os destinará à revenda. É o que ocorre, por certo, na grande maioria dos casos. É possível também que, em alguns poucos casos, o vendedor atacadista ou Fl. 92939DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301002.041 S1C3T1 Fl. 92.939 25 varejista separe alguns desses equipamentos para uso próprio. No entanto, ao contrário do que alega a recorrente, penso que aqui o ônus da prova seria dela, não do Fisco. A regra geral é da incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parcela dos equipamentos vendidos a empresas que se dedicam ao comércio atacadista ou varejista desses mesmos equipamentos de informática se destinaram a consumo próprio dessas empresas, e não à revenda, cabe a ela provar o que afirma. Ressalto, por relevante: o Fisco não se valeu de presunção simples para tributar. A presunção foi, sim, empregada para afastar parte da incidência tributária, reconhecendo o benefício fiscal sobre parcela das vendas (aquelas não efetuadas a comerciantes atacadistas ou varejistas de equipamentos de informática). A irresignação da recorrente não é contra o uso da presunção, mas pelo desejo de que essa presunção viesse a alcançar um universo muito maior de vendas. Ademais, constato que o critério adotado pelo Fisco se revela muito razoável. A tabela k.5 se encontra às fls. 5903/5934 dos autos. Os CNAE dos adquirentes correspondem ao critério explicitado no trecho anteriormente transcrito. De se observar que não é o Fisco que atribui o CNAE à empresa, antes é esta que, ao se cadastrar, declara o código correspondente a sua atividade econômica. Em outras palavras, são essas empresas que se declaram ao Fisco como comerciantes atacadistas ou varejistas de equipamentos de informática. A recorrente afirma que a grande maioria das empresas varejistas de serviços de informática ali listadas consistem em micro ou pequenas empresas da área de “prestação de serviços de informática” e não de venda de equipamentos, mas não faz prova do que afirma. Embora em alguns poucos casos a palavra "serviço" conste do nome da empresa, em nenhum caso o CNAE declarado por elas à Administração Tributária inclui a prestação de serviços. Não faço, pois, reparo a decisão de primeira instância quanto a este ponto, e rejeito o recurso voluntário, no que respeita a esta matéria. Com isso, temse por suprida a omissão apontada, sem que com isso se atribua algum efeito infringente ao acórdão embargado. · Conclusão. Por todo o exposto, em conclusão, no que diz respeito aos itens 6 e 7 dos embargos declaratórios, a decisão do Colegiado foi no sentido de acolher os embargos para suprir as omissões apontadas e, por maioria de votos, negarlhes efeitos infringentes. Em todos os demais aspectos, a decisão se deu conforme o voto do ilustre Relator, cabendo ressaltar que foi negado provimento aos embargos, no que toca aos itens 1 a 5 da peça recursal. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 92940DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
