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Numero do processo: 10880.722286/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 22 28 6/ 20 13 -0 4 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.722286/201304 Resolução nº 3201000.599 S3C2T1 Fl. 213 2 Trata o presente processo de cobrança referente a pedido de compensação não homologado, que originalmente estava apensado ao Processo Administrativo nº 12585.000.283/201025. O Processo Administrativo nº 12585.000.283/201025, foi julgado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que manteve o despacho decisório negando os créditos pleiteados pela Recorrente. O contribuinte irresignado com as decisões da primeira instância, interpôs recurso voluntário, posteriormente os processos foram desapensados no CARF e distribuídos a este Relator para julgamento. A turma de julgamento ao analisar o Processo Administrativo nº 12585.000283/201025 resolveu converter o processo em diligência, que ainda encontrase pendente de realização pela Unidade de Origem. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, o pedido de compensação controlado no presente processo referese aos créditos constantes do Processo Administrativo nº 12585.000283/201025, que encontrase em diligência para cumprimento de resolução deste conselho Entendo, que a desapensação do processo foi equivocada sendo necessário a sua juntada novamente ao Processo Administrativo nº 12585.000283/201025. Confirmando este entendimento, o novo Regimento Interno do CARF determina de forma expressa, que existindo conexão, os processo deverão ser vinculados para que o julgamento ocorra em conjunto. A determinação consta do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.722286/201304 Resolução nº 3201000.599 S3C2T1 Fl. 214 3 acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º , se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º , se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. (grifo nosso) Diante do exposto, voto no sentido de converter o processo em diligência para que a Unidade Preparadora providencie a apensação do presente processo ao Processo Administrativo nº 12585.000283/201025. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10611.002750/2006-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/06/2006
MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO - RITO PROCESSUAL. Alternância de ritos processuais da pena de perdimento e da multa equivalente ao valor aduaneiro.
DOCUMENTO FALSO. DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE.
Instrução do despacho aduaneiro de importação com Fatura Comercial falsa. Não inclusão de todos os elementos pertinentes à operação caracteriza dano ao erário, nos termos do Decreto-Lei 1.455/76.
O conjunto probatório levantado pela fiscalização sobre o elemento subjetivo na conduta do importador é suficiente para caracterizar cometimento da infração pela apresentação de fatura comercial falsificada para obter o desembaraço dos bens importados, distinguindo-a de meros equívocos na emissão desse documento.
Recurso Voluntário a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3402-002.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto votaram pelas conclusões, acompanhando os fundamentos lançados pela Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 07/06/2006 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO - RITO PROCESSUAL. Alternância de ritos processuais da pena de perdimento e da multa equivalente ao valor aduaneiro. DOCUMENTO FALSO. DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE. Instrução do despacho aduaneiro de importação com Fatura Comercial falsa. Não inclusão de todos os elementos pertinentes à operação caracteriza dano ao erário, nos termos do Decreto-Lei 1.455/76. O conjunto probatório levantado pela fiscalização sobre o elemento subjetivo na conduta do importador é suficiente para caracterizar cometimento da infração pela apresentação de fatura comercial falsificada para obter o desembaraço dos bens importados, distinguindo-a de meros equívocos na emissão desse documento. Recurso Voluntário a que se nega provimento.
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Recorrida DRJ SÃO PAULO/SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO RITO PROCESSUAL. Alternância de ritos processuais da pena de perdimento e da multa equivalente ao valor aduaneiro. DOCUMENTO FALSO. DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE. Instrução do despacho aduaneiro de importação com Fatura Comercial falsa. Não inclusão de todos os elementos pertinentes à operação caracteriza dano ao erário, nos termos do DecretoLei 1.455/76. O conjunto probatório levantado pela fiscalização sobre o elemento subjetivo na conduta do importador é suficiente para caracterizar cometimento da infração pela apresentação de fatura comercial falsificada para obter o desembaraço dos bens importados, distinguindoa de meros equívocos na emissão desse documento. Recurso Voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto votaram pelas conclusões, acompanhando os fundamentos lançados pela Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Antônio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 27 50 /2 00 6- 85 Fl. 801DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.002750/200685 Acórdão n.º 3402002.872 S3C4T2 Fl. 802 2 Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, vazado nos seguintes termos: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 25/09/2006, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro, no valor de R$ 822.146,69 em virtude dos fatos a seguir descritos. A ação fiscal se focou na solicitação de Exportação Temporária para reparo em material aeronáutico, motor ATR42300, (processo n° 10611.002164/2005) a qual foi deferida em 21/09/2005, com fundamento no Art. 402 combinado com seu parágrafo primeiro do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 4.543, de 26 de dezembro de2002. Para se proceder com a reimportação do motor foi efetuado o registro da Declaração de Importação n° 06/06652692 em 07/02/2006. A fiscalização alega que o autuado instruiu o despacho de importação com a fatura falsa. Considerando que a fatura comercial é um documento que deve instruir o despacho de importação, o ato praticado pela Total Linhas Aéreas S.A., enquadrase no artigo 618, inciso VI do Regulamento aduaneiro aprovado pelo Decreto no. 4.543, de 26 de dezembro de 2002 ( fulcro legal: Decretolei no. 37, de 1996, art. 105 inciso VI) Pela impossibilidade de apreensão das mercadorias, pelo fato das peças importadas, objeto de perdimento, terem sido aplicadas na manutenção, revisão e reparo do motor PW121 no. de Serie 121345, o importador sujeitarseá a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias conforme estabelece o §1°, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 26/09/2006 (fls.2), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 27/10/2007, na forma do artigo 56 do Decreto n° 7.574/2011, de fls. 309 à 328, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: DOS FATOS DA IMPORTAÇÃO E DA VERIFICAÇÃO ADUANEIRA DO BEM IMPORTADO Fl. 802DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.002750/200685 Acórdão n.º 3402002.872 S3C4T2 Fl. 803 3 A Impugnante é uma empresa aérea com atuação no transporte de cargas e de passageiros o que a habilita a importar as mercadorias destinadas a reparo, revisão e manutenção de suas aeronaves, com isenção de impostos incidentes nas importações, consoante o disposto no Art. 2° , inciso II, Alínea "j" e Art. 3º da Lei 8.032/90 e, no Art.6º da Lei 10.925/04. Em 16.09.2005, protocolou pedido de exportação temporária para reparo de 01 motor receio ATR423PP — PW 121, que foi deferido em 21.09.2005 e, após as formalidades legais, foi enviado para a empresa Pratt & Whitney Canadá, sua fabricante e responsável pela execução dos serviços pertinentes. Em 07.06.2006, devidamente autorizada pela Receita Federal do Brasil, registrou a Declaração de Importação de n° 06/06552692 objetivando formalizar a reimportação do citado motor, bem como a nacionalização de peças que foram empregadas no seu conserto. O despacho foi instruído com a Fatura Comercial de n° 80866728 emitida pela Pratt & Whitney em 19.02.2006, data esta anterior à conclusão dos reparos. DOS FATOS DA AUTUAÇÃO Em ato de conferência documental, a fiscalização solicitou a apresentação do Catálogo Técnico do citado motor, sendo atendido inicialmente, com um catálogo considerado incompleto uma vez que a empresa apenas lhe apresentou cópias das páginas relativas aos materiais empregados na revisão e reparo. Após nova intimação, lhe foi apresentado o catálogo do Motor PW 121 no qual estão identificados os diversos tipos de peças que entram na sua fabricação. De posse do mesmo, a fiscalização confrontou as peças listadas na Commercial Invoice 80866728 e, consequentemente na Dl, com àquelas nele relacionadas, constatando em alguns itens, divergências de quantidades entre as passíveis de utilização e aquelas declaradas, peças utilizadas, mas que não constam do referido catálogo e outras que apesar de nele constarem, não apresentam especificação de quantidade, do que lavrou o documento denominado Demonstrativo das Divergências de Quantificação. Instada a dar explicações das divergências apuradas, o importador o fez através do seu funcionário Gilson Macedo dos Santos, Inspetor Técnico de sua oficina, que deixou claro para a fiscalização, que o catálogo de manutenção/revisão de um motor de aeronave, utilizado numa oficina especializada é mais abrangente do que o seu Catálogo Técnico que por vezes, lista partes que podem conter agrupamentos de peças na sua composição. Suas explicações foram consideradas satisfatórias para esclarecer divergências relativas a tipos de peças que não constam do catálogo e existência na fatura de peças não relacionadas no mesmo. No entanto, em relação a quantidades superiores àquelas nele relacionadas, entendeu, naquela oportunidade, que deveria ser ouvido um Técnico credenciado pela Receita Federal. Alega que o pedido de laudo não foi confirmado pelo fato de se tratar "apenas de um indício de falsificação da Fatura Comercial de No. 80866728. Após o confronto, a fiscalização entendeu que havia fortes indícios de falsificação e novamente intimou a impugnante a apresentar a fatura comercial que guardasse correspondência com a lista de partes e peças Fl. 803DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.002750/200685 Acórdão n.º 3402002.872 S3C4T2 Fl. 804 4 da oficina de manutenção bem como, outros documentos relativos á transação comercial . Foi apresentada a já citada fatura 8066728, além de documentos devidamente traduzidos, emitidos pelo exportador ou seu representante além de mensagens eletrônicas trocadas entre as partes, confirmando que a fatura sentada correspondia à original por eles emitida e que o valor nela descrito correspondia ao valor total dos serviços efetuados. Tais documentos não foram considerados suficientes tendo sido objeto de questionamento o fato da empresa de reparos não ter apresentado para aprovação prévia da contratante, um orçamento para a execução de serviços de valor considerável. A fiscalização então lavrou novo termo de intimação para que a empresa apresentasse uma lista de preços do exportador, para os produtos constantes da relação de peças substituídas. Como novamente lhe foi apresentado o único documento de que a impugnante dispunha, ou seja, a já aludida fatura comercial, entendeu a fiscalização que deveria arbitrar o preço das mercadorias pela utilização do critério de mercadorias idênticas ou, na sua impossibilidade, de mercadorias similares exportadas pela Pratt & Whitney para o país conforme estabelece o Art. 84 do Decreto 4543/02. Assim, considerando, no seu ponto de vista, as peças novas e aquelas recondicionadas que foram aplicadas no reparo do motor, chegou ele no valor arbitrado de US$364.475,19. Como provas de FALSIFICAÇÃO da Fatura Comercial a fiscalização volta a reafirmar as divergências de quantidade e espécie entre os produtos relacionados na Fatura Comercial de n° 80866728 emitida pela Pratt & Whitney em do representante o custo do valor relevante pela da CIDE na 19.02.2006 e No Livro de Controle de Manutenção; o período decorrido entre a data do envio do motor para a oficina da revisora (29.09.2005) e a data de emissão da mesma que no Aeu entender seria mais do que suficiente para que se orçasse o valor do trai' al ic, aí incluídos o custo das peças e o vp'or da mãodeobra, bem como, para que se neA ociasse o custo final que deveria ser nela lançado; o fato da declaração " o exportador não discriminar dos serviços, considerado incidência do IR/Fonte e correspondente remessa cambial; e mais, o email do Senhor John Tobon, Gerente de Contas da Pratt & Whitney no qual afirma que o custo será fechado em R$544.000,00 sem, discriminar o valor da mãodeobra e das peças. Finalmente, afirma: que o intuito doloso existe pelo fato de que haveria incidência do Imposto de Renda Fonte e da CIDE na remessa cambial do valor do serviço, recolhimentos estes dos quais a impugnante pretendeu fugir ao não fazer a sua discriminação na citada Fatura Comercial. Tal fato, no seu entender impede, nos termos do Art. 654 do Decreto 454~3702, que seja relevada a pena de perdimento que se aplica; que a fatura comercial que instruiu o despacho tem todas as características de uma fatura comercial verdadeira em seus aspectos formais mas que , ao considerar as provas apresentadas, bem como a definição de "falso" contida no Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, conclui ele "que ocorreu falsificação da Fatura comercial autêntica n° 80866728 emitida pela Pratt & Whitney"; Fl. 804DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.002750/200685 Acórdão n.º 3402002.872 S3C4T2 Fl. 805 5 que, pela mercadorias, empregadas impossibilidade de apreensão das uma vez que foram elas na manutenção, reparo e revisão do motor, é de se aplicar ao importador, a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias conforme Parágrafo 1o do Art. 618 do Regulamento Aduaneiro. A INAPLICABILIDADE DA PENA DE PERDIMENTO E SUA CONVERSÃO ÉM MULTA PECUNIÁRIA. Divergências entre quantidades e espécies de peças empregadas na revisão. Em que pese todas as alegações e o exaustivo trabalho de cotejamento dos documentos disponíveis realizado pelo agente fiscal autuante, não pode a importadora concordar com as suas conclusões de vez que as divergências somente poderiam ser consideradas como definitivas à vista de Laudo emitido por técnico especializado no assunto, devidamente credenciado por essa repartição. Tal necessidade e os pontos relevantes da perícia estão claramente justificados e apontados por ele, em seu Pedido de Assistência Técnica, datado de 27.07.2006 que não teve prosseguimento, devido a razões, explicitadas em sua autuação como "não confirmada pela indisponibilidade de técnico e pelo fato de se tratar apenas de indicio de falsificação''. Cabe aqui relatar que, assim que foi feito o questionamento sobre possíveis divergências e aventada a hipótese de se fazer a perícia técnica a empresa se colocou à disposição da fiscalização para as providências de sua competência. ® O ARBITRAMENTO DO VALOR MERCADORIAS Quando o importador não prestar as informações solicitadas, nem fornecer documentação capaz de atestar o valor de transação, na impossibilidade de determinação do valor de transação de mercadoria idêntica, adotase o terceiro método de valoração aduaneira. Na impossibilidade de determinação do valor de transação de mercadoria idêntica, adotase o terceiro método de valoração aduaneira para atribuir à mercadoria o valor de transação de mercadoria similar. No entanto, nada nos autos permite verificar que isto se deu ou que foram seguidos os critérios estipulados pelo Art. 2° do Acordo Sobre Implementação do Artigo VII do Acordo Geral Sobre Tarifas e Comércio 1994, promulgado pelo Decreto 1.355/94. Transcreve o Art. 2° do Acordo Sobre Implementação do Artigo VII do Acordo Geral Sobre Tarifas e Comércio 1994. O que se vê pelo demonstrativo das divergências por ele elaborado, foi a utilização pela fiscalização do preço das mercadorias constante da Fatura Comercial n° 88866723 por ele considerada falsa, o que no mínimo evidencia uma incoerência de sua parte. DA DESCARACTERIZAÇÃO DA AUTENTICIDADE DA FATURA COMERCIAL INTUITO DOLOSO A fiscalização demonstra não ter convicção sobre a autenticidade ou não da fatura comercial de n° 88866728 apresentada no despacho aduaneiro, pois no próprio auto de infração diz que a fatura comercial foi emitida pela Pratt & Whitney Canadá Corp., em 10/02/2006 (folhas 42 a 26). Em outro momento, diz que "Para julgarmos uma Fatura comercial como falsa, não podemos colocar como condição básica estarmos de posse da Fatura comercial Fl. 805DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.002750/200685 Acórdão n.º 3402002.872 S3C4T2 Fl. 806 6 autêntica, porque pode estar "guardada debaixo de 7 chaves" (pág. 8 auto de infração). Finalmente conclui que a fatura é falsa, conforme página 9 do auto, tendo em vista a falta de justificativa para as divergências constatadas no curso da análise documental bem como pelo fato dela não discriminar o custo da mãodeobra e o preço das peças aplicadas. Podese então entender que para ele, a fatura é autêntica uma vez que reconhece que ela foi emitida pelo exportador, mas que pelo fato dela não discriminar coerentemente a mercadoria nas quantidades que entende devida e de não contemplar particularidades da legislação tributária brasileira relativa a remessas cambiais para pagamentos de peças e serviços, ela se torna falsa com inquestionável intuito doloso por parte do importador que quer fugir do recolhimento do Imposto de Renda Fonte e da CIDE devido nas remessas cambiais para pagamento dos mesmos. Incabível tal entendimento, pois o que ela acertou com o exportador foi a revisão/reparo de um motor de sua propriedade, para o que foi estipulado, após uma avaliação inicial concluída em fevereiro de 2006, um custo total do trabalho a ser executado no valor de U$ 544.000,00 consubstanciado na citada fatura comercial que foi por ela aceita e na qual foram listadas as peças que àquela época foram aprntacas como necessárias para tal revisão; \atura esta que lhe propiciou o fechamento do câmbio relativo a parte do pagamento acertado e com a qual registrou a Declaração de Importação. Transcreve o Art. 618, Inciso VI do Decreto 4543/02. Entende a impugnante smj. que a falsificação ou adulteração ocorreria se a fatura emitida pelo exportador fosse objeto de ato deliberado de sua parte, para alteração do seu conteúdo, tendo em vista um beneficio que somente a ela interessaria o que naturalmente, implicaria na apresentação de outro documento que não aquele originalmente emitido pelo citado exportador. Não é este o caso, conforme afirmado pelo fiscal. Conforme se depreende dos fatos até aqui narrados, em momento algum a Impugnante teve alguma conduta que possa ter sido classificada como ato a gerar falsificação ou adulteração dos documentos que embasaram a aludida importação. Com efeito, é de se ressaltar que o conteúdo lançado na Fatura Comercial apresentada, não permite se deduza FALSIFICAÇÃO ou ADULTERAÇÃO, pois, não se procedeu a qualquer artifício com vias a falsidades, ou mesmo, artimanhas que ensejassem dúvidas quanto à adulteração dos dados lá indicados; muito ao contrário, todos os dados apresentados em tais documentos tiveram sua ORIGEM COMPROVADA pela Impugnante através de correspondência do exportador entregue à fiscalização. Efetivamente, como já relatado, inexiste qualquer indício que aponte para falsificação ou adulteração, sendo certo que as aparentes "divergências" aventadas, foram naquilo de que a impugnante tinha conhecimento explicado e justificado, mas faltou, conforme já exaustivamente falado que se procedesse a uma perícia para verificação e dimensionamento das mesmas, por parte de especialistas no assunto. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.002750/200685 Acórdão n.º 3402002.872 S3C4T2 Fl. 807 7 Por oportuno, cabe analisar o custo/beneficio de se correr semelhante risco, uma vez que, se correto o entendimento do Sr. Fiscal, a empresa estaria sonegando o IR/FONTE e a CIDE que incidiriam sobre o valor de US$179.524.81 (US$544.000,00 US$364.475,19) o correspondente a aproximadamente US$53.857,44 e correndo o risco de perder uma mercadoria de valor atualizado equivalente a US$1.044.000,00 (US$500.000,00 o valor do motor + US4544.000.00 o custo do reparo). Cabe destacar que o importador em questão é isento do pagamento de imposto de renda sobre serviços prestados no exterior. Mas não é só. Dando continuidade à fundamentação do Auto de Infração, a Autoridade Alfandegária ainda menciona o enquadramento da conduta da Impugnante na disposição contida no artigo 23, inciso IV, e seu parágrafo único, do Decretolei n. 1.455, de 1.976, quando se sabe que esse parágrafo único foi suprimido com a nova redação da Lei n. 10.637, de 2.002. Transcreve o inciso IVdo artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76. Portanto, os dispositivos legais apontados, ''como se pode ver, em sua maioria sequer se aplica ao caso em tela, e, àqueles que porventura se aplicariam, não restaram caracterizados conforme demonstrado nesta Impugnação, o que evidencia de forma cabal, que a ora Impugnante em momento algum infringiu a legislação aduaneira em seus pleitos, sendo totalmente injusta a imposição à mesma do perdimento da sua mercadoria, que dadas as circunstâncias foi a citada pena convertida em multa equivalente ao seu valor, tendo em vista a total ausência de causa e efeito razoável, binômio necessário a caracterizar as infrações apontadas no Auto de Infração aqui atacado. Por oportuno, cabe ressaltar o aspecto da razoabilidade da pena aplicada cujo valor de R$ 822.146,69 é bastante desproporcional ao valor do bem que será perdido, caso o importador não tenha acatado o presente recurso. Conforme já falado anteriormente, existe retido um motor cujo valor atualizado corresponde a US$ 1.044.000,00. O critério da razoabilidade deve sempre ser observada na aplicação da pena. Junta textos da Jurisprudência Judicial do Superior Tribunal de Justiça a respeito do assunto. Isto posto, a Impugnante requer a Vossa Senhoria, seja desconsiderada a aplicação da pena de perdimento, seja pela ausência de provas concretas da falsidade documental bem como das divergências apontadas e dos requisitos a sustentar a fundamentação legal lançada no presente Auto de Infração. Ademais, é de se ressaltar: o Erário Público não sofreu qualquer tipo de dano, e não sofrerá o possível dano aventado pelas atuais regras de remessas cambiais, podendose afirmar, sem medo algum de errar, que o dano, este sim, foi praticado por Agente Fiscal contra a Impugnante, que na realidade está sofrendo prejuízos irreparáveis, não só de natureza financeira, mas também de ordem comercial. Requer, enfim, seja a presente Ação julgada IMPROCEDENTE e INSUBSISTENTE, e LIBERADO o motor que se encontra irregular e injustamente retido, por ser de inteira Justiça e tudo conforme as normas legais vigentes. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.002750/200685 Acórdão n.º 3402002.872 S3C4T2 Fl. 808 8 Do trâmite do processo Em 15/12/2006, a Inspetoria da Receita Federal em Belo Horizonte MG DECIDIU JULGAR IMPROCEDENTE o lançamento relativo ao auto de infração a que se refere o presente processo, no exercício da competência prevista no art. 10 da Portaria SRF n° 841, de 29 de julho de 1993 (folhas 387 do processo digital), com base em parecer exarado (folhas 379 a 386 do processo digital). Em 26/11/2007, despacho exarado pelo Sr. ChefeSubstituto da Secat da IRF/BHE/MG entendeu que a decisão processada no âmbito desta Inspetoria estava em desacordo com o disposto no Art. 73, da Lei 10.833/2003. Reconhecia que a competência para julgamento do processo era da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), sendo nula, de pleno direito, a decisão proferida pela Receita Federal em Belo HorizonteMG. A empresa TOTAL LINHAS AÉREAS S/A foi cientificada desse procedimento em 03/12/2007, via Aviso de Recebimento (folhas 399). A empresa se insurgiu contra o referido procedimento, apresentando RECURSO, de folhas 407 a 414 do processo digital, invocando a instância única do rito da pena de perdimento e a impossibilidade da mudança de critério jurídico. Tendo a decisão recorrida mantida a exação em seus termos originais, foi interposto o presente Voluntário (fls. 729/743), no qual, em suma, a recorrente repisa os argumentos expendidos em sede de impugnação, exceto quanto à razoabilidade do valor lançado, mas acrescendo, em preliminar, o pedido de prescrição intercorrente, haja vista terem transcorrido sete anos entre o despacho que reconheceu a incompetência da IRF Belo Horizonte para julgar a impugnação, em 26/11/2007, e a decisão da DRJ/SP, em 28/05/2014. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. Inicialmente, refutase as pugnadas preliminares. Quanto à prescrição intercorrente em nível administrativo, a matéria, como bem disse a recorrente, não mais comporta dissídio, já estando assentado neste Conselho assim como no STJ que ela não incide no âmbito do rito do Decreto 70.235/72. Demais disso, conforme normas administrativas elencadas no Despacho de Encaminhamento de fl. 608, nesse ínterim o contencioso no âmbito da RFB passou a ter distribuição centralizada, a chamada Gestão Virtual do Acervo de Processos Administrativos em contencioso de primeira instância, o que espanca o argumento de inércia da Administração. Acresçase a este argumento, o histórico de movimentação do processo. De qualquer sorte, prejuízo algum teve o contribuinte, uma vez suspenso seu crédito tributário. Portanto, afasto esta preliminar. No que pertine à incompetência da Inspetoria de Belo Horizonte, não há o que ser discutido. Com bem assentado na guerreada decisão, em sentido diametralmente oposto Fl. 808DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.002750/200685 Acórdão n.º 3402002.872 S3C4T2 Fl. 809 9 ao que alega a insurgente, o valor em exação tratase de exigência de crédito tributário líquido e certo. Portanto, uma vez convertida a pena de perdimento em crédito tributário, nos termos legais, ampliase o direito de defesa, pois o rito processual sai dos "trilhos" do DecretoLei 1.455/76, seguindo então o rito do Decreto 70.235/72, cujos meios processuais recursais são ampliados em favor dos sujeitos passivos da relação jurídica tributária sob pretensão resistida. Causame espécie a recorrente insurgirse contra a ampliação de seu direito de defesa. A Lei 10.833/2003, em seu artigo 73, § 2º, não abre brecha a dúvida ao estipular que a multa em comento "será exigida mediante lançamento de ofício, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais crédito tributários da União". Dessarte, rejeito tal preliminar. A questão de fundo, em suma, relacionase ao entendimento da Aduana que a fatura comercial que instruiu o desembaraço do motor PW 121, nº de série 121345 é um documento que não traduz a verdade dos fatos e que, por tal, é falso, incidindo o art. 105, VI do DecretoLei 37/66, dando azo, consequentemente, à pena de perdimento de mercadoria em decorrência de dano ao erário, com esteio no artigo 23, IV, §§ 1º e 3º, do DecretoLei 1.455/76, mas que, diante da impossibilidade de sua apreensão, foi convertida em multa no valor da mercadoria constante no documento de importação No curso do despacho de importação, em conferência documental, aquele foi interrompido devido ao volume de partes e peças novas aplicadas ao motor objeto daquela, exigindose a apresentação do catálogo técnico do mesmo. Após reiterados comparecimentos de representantes do importador sem atender devidamente os termos da solicitação do Fisco, em 30/06/2006 foram entregues à fiscalização "2 volumes do catálogo técnico" onde "estão identificados os diversos tipos de peças (part number) que compõe o motor PW 121", conforme relatado no Termo de Ocorrência nº 300620061 (fl. 52). Afirma a fiscalização na descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração (fl. 4), que "esse catálogo possibilita também a verificação de quantas peças de mesmo part number podem ser empregadas em uma mesma manutenção, revisão e reparo do motor". Informa também que "ao confrontar as descrições das peças substituídas, declaradas na fatura comercial", constatou "que em diversos tipos de Peça (part number) as quantidades estavam acima daquelas passíveis de serem aplicadas na manutenção". "Com o intuito de demonstrar a reincidência desta irregularidade", o Fisco elaborou o Demonstrativo das Divergências (fls. 59/68) encontradas, tendo como fonte a fatura comercial que embasa o procedimento de importação. Nesse Demonstrativo, dos 60 tipos de peças (part number) foram descritas as seguintes divergências: 28 tipos de peças estão em quantidades superiores aquelas passíveis de serem substituídas numa operação de manutenção, revisão e conserto do motor PW 121; 12 tipos de peças não constam do catálogo; 7 tipos de peças não tem indicação de quantidade por diversos motivos; e 13 tipos de estão com quantidades inferiores ou iguais aquelas passíveis de substituição em uma manutenção, revisão e reparo do motor do motor PW 121. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.002750/200685 Acórdão n.º 3402002.872 S3C4T2 Fl. 810 10 Em função dessa divergências, a fiscalização passou à conferência física da mercadoria, sendo retidos (Termo de Retenção à fl. 98), em 13/09/2006, os Livros de Controle de Manutenção dos motores PW 121 e PW120 (anexo I e II) para fins de comprovação de eventual ilícito tributário, nos termos do art. 35 da Lei 9.430/96. Confrontando a lista de peças substituídas (Anexo I fls. 473/476) com as mercadorias discriminadas na fatura comercial, foram constatadas divergências na identificação e quantificação das mercadorias. A importadora foi intimada (fl. 58) a "justificar os indícios de falsificação da fatura comercial". Dentre os documentos apresentados, consta fatura emitida, em 19/02/2006, pela empresa canadense responsável pelo conserto do motor reimportado (fls. 71/75). Em resposta à solicitação da recorrente, datada de 23/05/2006, para que a empresa canadense fornecesse os valores das peças de reposição cotadas, o valor dos serviços e a lista das peças de substituição, o Sr. John Tobon, gerente de conta de clientes da Pratt & Whitney Canada, enviou, em 26/05/2006, email anexando a este rascunho da fatura e que iria aplicar um desconto adicional que permitira fechar o custo em US$ 544.000,00. Pontua o Fisco que na mesma data, 23/05/2006, em que a recorrente solicitava os valores das peças de reposição cotadas, o valor dos serviços e a lista das peças de substituição, o motor embarcava para o Brasil, conforme conhecimento de carga já referido. Questiona o Fisco como a empresa canadense iria executar um serviço de preço elevado, no valor de US$ 544.000,00, sem a aprovação de um orçamento. Em sequência, afirma a fiscalização que a fatura comercial discrimina apenas peças novas no total de 954 unidades (em desacordo com o que consta da declaração do exportador fls. 473/476 Anexo I "exchange", "new" e "overhaul"), enquanto a lista de peças substituídas constantes do Livro de Controle e Manutenção discrimina peças novas e recondicionadas no total de 292 unidades, distribuídas entre 80 tipos de peças. É o que informa o Demonstrativo das Divergências (fls. 59/68). Afirma, ainda, "que dos 60 (part number) tipos de peças discriminados na fatura comercial 55, têm suas identificações divergentes com a lista das peças substituídas", e que considerando a identificação e quantificação foi constatado que 59 (98%) dos tipos de peças da fatura divergem das lista de peças substituídas. Diante de todas essas inconsistências e não tendo havido justificativa para tal, embora fartas as oportunidades para fazêlo, concluiu o Fisco que a fatura apresentada como documento para o despacho de importação "é uma Fatura falsa". Porque se autêntica fosse, continua o agente fiscal, descreveria as peças novas e recondicionadas conforme registrado no Livro de Controle e Manutenção do motor PW 121, o que não foi feito, uma vez que a fatura comercial apresentada atribui seu valor apenas para as peças novas aplicadas. Também consigna a fiscalização que o valor informado na fatura não discrimina o custo do serviço, da mão de obra do trabalho feito pela empresa canadense. Tal fato, prossegue, faz com que a recorrente deixe de se sujeitar ao imposto de renda na fonte à alíquota de 15 %, bem como à CIDE sobre contrato de prestação de serviço de assistência técnica. Alfim, afirma o Fisco que: Pela impossibilidade de apreensão das mercadorias, pelo fato das peças importadas, objeto de perdimento, terem sido aplicadas na manutenção, revisão e reparo do motor PW121 nº de Série 121345, concluímos que o importador sujeitarseá a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias conforme estabelece o parágrafo 1 do artigo 618 do Regulamento Fl. 810DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.002750/200685 Acórdão n.º 3402002.872 S3C4T2 Fl. 811 11 aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 (Decretolei nº 1.455, de 1976, art. 23, inciso IV, § 1º e § 3º, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59). Alega a recorrente que as "divergências entre itens descritos na fatura e os apontados em livro de controle e manutenção, o qual foi preenchido pelo fabricante e devolvido juntamente com o motor, somente o próprio fabricante poderia esclarecêlas". Em face de tal, entende que somente "a realização de perícia em momento anterior à autuação, para que fosse possível verificar a efetiva correspondência, ou não, em termos qualitativos entre as peças empregadas na reparação/manutenção do motor e as constantes da fatura comercial". Na falta da perícia, pugna pela nulidade do auto de infração. A imputação é que o documento fiscal que embasou a importação do mencionado motor, quanto ao seu teor, não corresponde ao serviço que foi feito na empresa sediada no Canadá, nem numérica quanto materialmente em relação às peças. Diante da motivação do lançamento, consubstanciada por farto material probatório, dúvida não há que o que consta no documento fiscal não retrata o serviço feito no exterior. O Demonstrativo das Divergências (fls. 59/68), elaborado do cotejo entre o que consta da fatura comercial e do índice do catálogo de peças do motor PW 121 (preenchido pelos técnicos da empresa Pratt & Whitney Canada), não foi contestado, assim como o teor da declaração do exportador na "List of Part Replaced" "exchange", "new" e "overhaul" (fls. 473/476 Anexo I), datada de 16/05/2006. Também não houve reparos quanto às informações contidas no Livro de Controle de Manutenção do motor PW 121, que infirmam o teor do documento apresentado no desembaraço. Portanto, se provado que a fatura não é crível quanto ao seu teor, não correspondendo em toda extensão o que foi feito pela empresa canadense, ela falseia os fatos, e, por conseguinte, subsumese à hipótese do art. 105, VI, do Decretolei 37/66. Dessa forma, despicienda a realização da perícia para chegar à conclusão do Fisco no sentido de que a fatura apresentada para o despacho de importação não demonstra a realidade dos fatos. Também inconteste que houve prestação de serviço e não somente colocação de parte novas. E disso decorrem implicações tributárias e cambias. Por conseguinte, sem razão a recorrente ao afirmar que o erro não trouxe qualquer prejuízo ao erário, tratandose de "mera divergência de informações". Se o valor da fatura, em tese, é maior do que nela deveria constar, partindo do pressuposto que o nº de peças nela elencados foi maior do que o efetivamente colocado no motor, estaríamos frente a um superfaturamento, levando até mesmo, sempre por hipótese, a um crime cambial. Sem falar dos tributos incidentes sobre a prestação de serviço feita pela empresa canadense, igualmente não contraditado pela autuada. Sem embargo, a fiscalização propiciou a recorrente todos os meios para, até mesmo, retificar o teor da fatura apresentada. Porém, tanto a autuada quanto a empresa canadense, talvez em conluio, o que não vem ao caso, reforçaram a afirmação fiscal que o teor da fatura era falso. Por isso, não se pode abarcar a tese da recorrente da "mera divergência de informações", a qual, inclusive, reforça a falta de higidez do documento apresentado para fins de desembaraço aduaneiro. Igualmente sem alcance para o deslinde da quaestio a questão do dolo, lançado nos argumentos recursais, porque a análise da falsidade do teor da fatura se deu por critério objetivo não refutado pela recorrente. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.002750/200685 Acórdão n.º 3402002.872 S3C4T2 Fl. 812 12 Contudo, no curso do julgamento do presente processo o Colegiado decidiu, por maioria de votos, acolher apenas a conclusão do relator, cabendo, nos termos do art. 63, §8º do Regimento Interno do CARF, a reprodução por este relator dos fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros neste voto e na ementa. Entenderam esses Conselheiros pelo cabimento da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pelos mesmos fundamentos expostos acima por este Relator, bem como pelo fato que houve dolo na conduta da contribuinte, eis que é justamente o elemento subjetivo que distingue a apresentação de documento falsificado ou adulterado para o desembaraço que efetivamente ocorreu no caso concreto, de meros equívocos neste documento passíveis de retificação, como pretendia a recorrente. Na Sessão de julgamento foi pontuado pelos ilustres Conselheiros que o grande número de divergências apuradas pela fiscalização na quantificação e identificação das peças descritas na Fatura Comercial em relação à lista de peças substituídas pelo fabricante, bem como a ausência de especificação dos serviços, os quais estariam sujeitos à retenção na fonte do Imposto de Renda e à CIDE, mas cujos valores foram incluídos nos preços das peças isentas na importação de II e IPI, sem uma justificativa razoável, revelam que não se trata de um mero equívoco na elaboração do documento, mas de ato deliberado do importador de apresentar documento com conteúdo diverso da realidade para obter o desembaraço dos bens. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 12448.727630/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 14/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
Relatório
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 14/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). Relatório Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foram lavrados os Autos de Infração e respectivos Anexos, de fls 143/152, a saber: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 27 63 0/ 20 12 -0 5 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727630/201205 Resolução nº 1201000.190 S1C2T1 Fl. 3 2 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$6.632.542,70, cumulado com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 28/09/2012. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$2.387.715,36, cumulada com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 28/09/2012. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: LANÇAMENTO DO IRPJ. “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de ofício, nos termos do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas a (s) infração (ões) abaixo descrita (s) aos dispositivos legais mencionados.” 001 – PROVISÕES PROVISÕES NÃO AUTORIZADAS Glosa de provisões apropriadas em contas de resultado por força das mesmas não terem base legal para se tornarem dedutíveis do lucro líquido do exercício, quando da apuração do lucro real, conforme descrito no Termo de Constatação dos Fatos, peça integrante e inseparável do presente Auto de Infração, como se nele estivesse inteiramente transcrito. Fato gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2009 R$ 13.185.314,32 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL “Art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/95, com as alterações do art. 14, da Lei nº 9.430/96; Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 335, do RIR/99.” I. 2 DO TERMO DE CONSTATAÇÃO DOS FATOS TCF (FLS. 136/142). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. (...) Infração: Provisões Não Autorizadas 4. Em decorrência do desenvolvimento da ação fiscal, lavramos o Termo de Intimação Fiscal de 27/12/2011 para o contribuinte apresentar os documentos contábeis comprobatórios do preenchimento da Linha 04 – Prestações de Serviços por Pessoa Jurídica da Ficha 05A – Despesas Operacionais da citada DIPJ/2010, que foi preenchida errada por força da inclusão das contas “7.1.1.1.01 Despesas Subcontratação Serviços” e “7.1.1.2.01 Seguro nos Transportes”, que já tinham sido informadas na Linha 34 – Serviços Prestados por Pessoa Jurídica da Ficha 04A – Custo dos Bens e Serviços Vendidos, conforme esclarecimento prestado por escrito, em anexo. 5. Todavia, em que pese o referido erro de preenchimento da Ficha 05A – Despesas Operacionais da DIPJ/2010 – Original, este fato, por si só, não acarretou redução do IRPJ e de CSLL a pagar, como se pode verificar através do cotejo entre as informações prestadas na DIPJ/2010 – Retificadora, apresentada pelo contribuinte em 20/04/2012, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal de 17/04/2012, e as informações apresentadas em DCTF, no LALUR, no LACS e nas respectivas planilhas de apuração do IRPJ e da CSLL. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727630/201205 Resolução nº 1201000.190 S1C2T1 Fl. 4 3 6. Cabe frisar que os débitos declarados em DCTF, os registros no LALUR e no LACS em consonância com as planilhas de apuração do IRPJ e da CSLL, corroboram, em seu conjunto, que os valores do IRPJ e da CSLL a pagar foram apurados sem levar em consideração o mero erro de preenchimento Ficha 05A – Despesas Operacionais da DIPJ/2010 – Original. 7. Em outro giro, da análise da conta “7.1.1.1.01 Despesas Subcontratação Serviços” verificamos que o contribuinte apropriou valores referentes a título de “Provisão”, em 31/12/2009, sem, contudo, efetuar a devida adição destes valores ao lucro líquido do exercício, quando da apuração do lucro real, tendo em vista a mesma não ser dedutível do lucro líquido, por absoluta falta de previsão legal. 8. Neste sentido, com foco em possíveis fatos conexos, lavramos o Termo de Intimação Fiscal de 08/05/2012 para o contribuinte relacionar por escrito todas as contas do anocalendário 2009 nas quais foram apropriados valores a título de provisões na data de 31/12/2009. Ato seguinte, anexamos os respectivos razões contábeis destas contas que, em seu conjunto, perfazem o valor de R$13.185.314,32, provisionados em data de 31/12/2009. 9. Ainda nessa linha de raciocínio, no sentido de aprofundar ainda mais a análise dos fatos para a perfeita instrução processual, considerando que o LALUR do contribuinte apresenta a adição de R$6.460.276,62, através do referido Termo de Intimação Fiscal de 08/05/2012 o contribuinte foi intimado a vincular, valor a valor, a adição efetuada com as respectivas provisões apropriadas nas diversas contas, em data de 31/12/2009. 10. Para a maior segurança do crédito tributário e antes de qualquer conclusão definitiva acerca do valor tributável, lavramos o Termo de Reintimação Fiscal de 29/05/2012 para o contribuinte apresentar a citada vinculação, entre a adição no LALUR (R$6.460.276,62) e o valor da provisão em 31/12/2009 (R$13.185.314,32), a seguir demonstrados: (...) 11. Com efeito, em resposta ao referido Termo de Reintimação Fiscal, o contribuinte apresentou: a) uma planilha contendo a composição das adições efetuadas no LALUR, na qual podemos observar o citado valor de R$6.460.276,62, dentre outros valores adicionados: b) duas listagens do citado valor adicionado no LALUR, mas, contudo, sem a devida vinculação, valor a valor, deste valor adicionado (R$6.460.276,62) com o valor das provisões efetuadas em 31/12/2009 (R$13.185.314,32). 12. Portanto, perfeitamente caracterizada está a conduta do contribuinte em, por um lado, apropriar provisões em data de 31/12/2009 que, por falta de previsão legal (RIR/99, artigo 335), não são dedutíveis do lucro líquido, quando da apuração do lucro real do IRPJ e da base de cálculo da CSLL, no valor de R$13.185.314,32, e, por outro lado, também está cabalmente caracterizada a falta de comprovação da necessária vinculação entre este valor provisionado em 31/12/2009 e o valor adicionado no LALUR de R$6.460.276,62. 13. Desta forma, é cristalina a conclusão de que o contribuinte apropriou na conta “2.1.9.1 – Provisões Diversas” encargos de provisões não autorizadas na lei, decorrentes de fretes e outros custos contratados, mas não incorridos, acarretando, por via de conseqüência, Fl. 648DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727630/201205 Resolução nº 1201000.190 S1C2T1 Fl. 5 4 na redução indevida do lucro tributável do anocalendário de 2009, no exato montante das provisões constituídas de R$13.185.314,32. Por derradeiro, pudemos firmar nossa convicção acerca da ocorrência da infração PROVISÕES NÃO AUTORIZADAS, tendo em vista que, pelo conjunto das razões apresentadas anteriormente, é de rigor a procedência integral da acusação que pesa contra o contribuinte. Determinação do Valor Tributável da Infração 14. De tudo quanto foi descrito, vislumbramos que no caso em tela não há necessidade de produção de outras provas, restando saneado o processo de exigência do crédito tributário, com base no valor tributável de R$13.185.314,32, na data de 31/12/2009. (...) Impugnação O sujeito passivo contestou o lançamento em 27/11/2012, mediante peça que traz os seguintes argumentos: Dos fatos (...) Segundo a autuação, a Impugnante teria deixado de adicionar ao lucro líquido, na apuração do lucro real, a importância de R$13.185.314,32, correspondente a provisões não dedutíveis constituídas e existentes ao final do exercício de 2009. (...) Contudo, como se demonstrará na presente defesa, o Auto de Infração em referência não merece subsistir, uma vez que, em primeiro lugar, a Fiscalização desconsiderou a efetiva adição ao lucro líquido – realizada pela Empresa, na forma do art. 249, I, do RIR/99, e devidamente comprovada, como atestam a DIPJ e o LALUR – no montante de R$6.884.311,62. Ademais, deixou de considerar a reversão contábil de provisões, no mesmo período de apuração, e correspondente às mesmas contas, no montante de R$7.232.986,20, passível de exclusão do lucro líquido, e que deve ser abatida da importância ora exigida. Assim, pelas razões mencionadas, o lançamento fiscal padece de ilegalidade e merece ser revisto e anulado integralmente, como se passa a demonstrar. III. Da efetiva adição ao lucro líquido de valores correspondentes às provisões em questão (...) Este montante (R$13.185.314,32), por sua vez, corresponde ao total de um determinado grupo de provisões não dedutíveis do lucro líquido, nominadas no lançamento fiscal (item 10 do TVF) e identificadas por diversas contas contábeis compreendidas entre a de nº 7.1.1.1.01 (frete rodoviário) e a de nº 7.1.3.9.24 (despesas de exploração). Vejase esta adição devidamente inserida na DIPJ 2010, na ficha 09A – Demonstração do Lucro Real, linha 38 (fls. 46), em que consta expressamente “38 Outras adições: R$6.884.311,62”. A mesma adição é reproduzida também, pra a apuração da CSLL, na ficha 17, linha 31. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727630/201205 Resolução nº 1201000.190 S1C2T1 Fl. 6 5 Por sua vez, a mesma adição, no mesmo valor, foi devidamente registrada no LALUR, Parte A – Registro dos Ajustes do Lucro Líquido do Exercício, página 13 (fls. 90), em que se lê, como data de 31.dez.2009: “2.1 provisões não dedutíveis: R$ 6.884.311,62”, na coluna “Adições”. Resta claramente demonstrado, portanto, pela DIPJ e pelo LALUR, que a Impugnante efetuou a adição ao lucro líquido, no montante de R$6.884.311,62, correspondente a estas mesmas provisões não dedutíveis, de modo que este valor deveria ter sido (e deve ser) abatido da base de cálculo considerada no lançamento. (...) O mesmo se depreende ainda do demonstrativo de fls. 94 a 99, em que se observa, na coluna dezembro/2009, o valor adicionado ao lucro líquido, a título de “provisões não dedutíveis” no valor de R$6.884.311,62. Notese ainda que, ao final de cada coluna, é apontado o valor das estimativas mensais, que foram devidamente recolhidas pela Impugnante, como verificado pela autoridade fiscal. (...) A realização da adição deste valor, portanto, deve ser reconhecida e não ignorada pela RFB, pois, como demonstrado, não há dúvidas de que efetivamente houve a aludida adição, que possui como referência o mesmo grupo de provisões referidas no auto de infração ora impugnado. (...) Ademais, como se observa dos demonstrativos contidos nos demais livros de controle contábil (livro diário e livro razão), tratase exatamente das mesmas provisões, de modo que não há cabimento em cogitarse, hipoteticamente, serem as provisões adicionadas distintas daquelas exigidas, até porque a autuação se reporta a todo o grupo de contas das provisões indedutíveis que fossem consideradas na apuração do lucro real do ano calendário de 2009. (...) Logo, notase que já foi oferecido à tributação o valor oportunamente adicionado, de modo que a cobrança em curso se revela ilegal e excessiva em relação a essa parte. (...) IV Da reversão contábil e correspondente exclusão Ao impor a adição das provisões não dedutíveis, ao final do ano calendário de 2009, a fiscalização deixou de considerar que, para estas mesmas contas de provisões, houve no início do período de apuração (janeiro de 2009), a reversão contábil de provisões constituídas no exercício anterior, no montante de R$7.232.986,20, conforme comprova a escrituração contábil (documentos anexos). Assim, tendo havido a reversão contábil de provisões no mês de janeiro do mesmo exercício, este valor é passível de exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727630/201205 Resolução nº 1201000.190 S1C2T1 Fl. 7 6 Desta forma, deve ser excluído do lucro líquido o valor das provisões não dedutíveis revertidas em janeiro de 2009, no montante de R$7.232.986,20, sob pena de dupla tributação da mesma receita já oferecida à tributação (...). (...) Por outro lado, este montante não foi incluído na composição do valor de R$9.405.356,98, excluído do lucro líquido, conforme registrado na linha 40 da ficha 09A da DIPJ 2010. Tratase de valor adicional àquele excluído na DIPJ, e que, portanto, deve ser reduzido da base de cálculo adotada no lançamento ora impugnado, por corresponder às importâncias revertidas no exercício, referentes às mesmas contas de provisões não dedutíveis objeto da autuação. V – Conclusão Isto posto, pelas razões de fato e de direito ora demonstradas, requer seja acolhida e julgada procedente a presente impugnação. Requer ainda a produção de prova documental complementar, que será oportunamente apresentada aos autos, ou, caso entendase necessário, sejam os autos baixados em diligência, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, para verificação destes documentos, como de direito. Aditamento à Impugnação Em 14/08/2013, o sujeito passivo protocolizou, na DRJ/BHE, aditamento à impugnação, mediante o instrumento de fls. 271/284. Eis o seu resumo: "III – Dos Procedimentos adotados pela Impugnante – A Inexistência da Alegada Provisão Indedutível (IRPJ/CSLL) (...) III.2 Os Procedimentos da Impugnante na Apuração do Lucro Real – Despesas Incorridas e Provisões Ao proceder a autuação o Fisco deixou de considerar que os custos deduzidos pela Impugnante na apuração do IRPJ e CSLL do anobase de 2009 não eram provisões e sim verdadeiras “contas a pagar”. Simplesmente, optou por seguir sem maiores indagações os artigos 335 a 338 do RIR/1999. Salienta que o seu objeto social relacionase “as atividades de transporte geral de mercadorias ou quaisquer objetos, inclusive produtos classificados como perigosos”. Explica que não possui caminhões próprios, sendo obrigada a contratar empresas especializadas que farão o transporte das mercadorias de seus clientes. Nesse sentido, salienta: Contratada a transportadora que atua na região do país para a qual se destinam as mercadorias e após o carregamento do caminhão, a Impugnante emite o competente Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) e fatura contra seu cliente o serviço prestado; Fl. 651DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727630/201205 Resolução nº 1201000.190 S1C2T1 Fl. 8 7 Como dispõe de todas as informações necessárias exigidas pela legislação para a dedutibilidade, entre elas o valor do frete para o trecho em que será realizado o transporte, a Impugnante registra essa despesa em seus livros e a considera dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL, a despeito do recebimento da documentação fiscal que somente será emitida em até 15 (quinze) dias após a prestação do serviço. Na prática, a Impugnante (que não possui caminhões) não pode prestar o serviço e cobrar de seus clientes o transporte de mercadorias e produtos sem que tenha antecipadamente contratado uma das transportadoras com quem regularmente opera. Portanto, antes de emitir cada uma de suas faturas pelos serviços que presta a Impugnante deve ter pleno e prévio conhecimento dos custos de cada uma de suas operações. Diz, para cada receita a Impugnante tem um custo perfeitamente conhecido e atrelado que, como já dito, não sofrerá nenhuma alteração. Essa vinculação entre receita e seus respectivos custos e despesas é objeto de regra específica da Lei das SA (§1º do art. 187), aplicável a todas as empresas. Em função disso, os custos com frete – claramente revestidos de necessidade às operações da Impugnante, de certeza e de confiabilidade – não podem ser tratados como “provisões” e sim como verdadeira “contas a pagar”. A despeito do título da conta contábil (que, como sabemos a Impugnante chama de “provisão” quando deveria chamar de “contas a pagar”), seguindo prática adotada por quase todas as sociedades empresariais que operam no Brasil, a Impugnante registra a contrapartida de seus gastos incorridos com a contratação de fretes como custos. Salienta que nenhum reparo ou questionamento pode ser feito aos procedimentos da Impugnante. Porém, o Fisco: (i) optou por não levar em consideração o procedimento regular acima descrito; (ii) seguiu, sem maiores indagações, a nomenclatura adotada pela Impugnante, que chamou seu “Contas a Pagar” de “Provisões”; em outras palavras, o Fisco não levou em conta que os valores classificados por ele como não dedutíveis são, na verdade, custos (totalmente dedutíveis), pois são certos e conhecidos na data d seu registro; (iii) ao tratar como indedutíveis os custos com o frete contratado pela Impugnante, está contrariando frontalmente o emparelhamento receita/custo o que, na prática, provocará uma indevida antecipação de receitas. (...)"Ao final a Recorrente requer o acolhimento do presente aditamento e reitera o pedido de sua impugnação original para que seja julgado totalmente improcedente o lançamento. Requer também, caso necessário para correta apuração dos fatos, a realização de diligências. No dia 11 de fevereiro de 2014, a 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG, julgou improcedente a impugnação, para indeferir o pedido de perícia e manter integralmente o crédito tributário em litígio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727630/201205 Resolução nº 1201000.190 S1C2T1 Fl. 9 8 Foi apresentado Recurso Voluntário que ratifica os termos da Impugnação apresentada. É o relatório Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O Recurso é tempestivo, preenche todo os requisitos legais de admissibilidade, merecendo, portanto, ser acolhido. Mérito O cerne da discussão se refere à dedução indevida por parte da Recorrente de provisões referente à despesas não incorridas. Não se trata aqui de uma discussão jurídica acerca da possibilidade de dedução de provisões da base de cálculo do IRPJ e CSLL, mas sim, de questão amparada meramente em questões fáticas e documentais. Segundo a fiscalização, a Recorrente deixou de adicionar ao lucro líquido, por ocasião da apuração do Lucro Real, o montante de R$ 13.185.314,32 que se refere a provisões existentes ao final do ano de 2009. Conforme mencionado pela fiscalização, a legislação em vigor é muito restrita ao permitir a dedução de provisões no cálculo do Lucro Real, mencionando as exceções relacionadas ao 13 Salário e Férias de funcionários, o que não seria o caso. Contudo, segundo a Recorrente, a Fiscalização teria ignorado adição efetuada pela Recorrente ao lucro líquido e demonstrada em DUPJ e Lalur, no valor de R$ 6.884.311,62, montante este que deveria ser abatido no cálculo considerado no lançamento fiscal, vez que tal adição tem como referência o mesmo grupo de provisões utilizado na autuação. Além disso, teria também a Fiscalização, deixado de observar reversão de provisão no valor de R$ 7.232.986,20 que seria passível de exclusão do lucro líquido (exclusão de reversão de provisão indedutível), que deveria, portanto, ser abatida da importância exigida. Por fim, alega também a Recorrente que parte dos valores contabilizados como provisões se referiam, na realidade, à despesas operacionais já incorridas e, portanto, dedutíveis para cálculo do Lucro Real. De fato, os documentos acostados aos autos (DIPJ/LALUR), traz os valores mencionados pela Recorrente. Contudo, não foi possível efetuar a correlação direta entre tais valores, quais sejam, adições efetuadas ao Lucro Líquido e Reversão de provisões não excluída com os valores objeto da autuação. Bem como, não restou claro se a fiscalização, de fato, verificou se parte das provisões tidas como indedutiveis se referem, na realidade, à despesas efetivamente incorridas. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727630/201205 Resolução nº 1201000.190 S1C2T1 Fl. 10 9 Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a DRF de origem responda os seguintes quesitos: i) os valores adicionados pela Recorrente na parte A do Lalur do período em questão, no montante de R$ 6.884.311,62 se referem às provisões objeto do lançamento fiscal? ii) é possível verificar nos livros contábeis da empresa a reversão de provisão no valor de R$ 7.232.986,20 que tenha afetado (aumentado) o lucro líquido do período sem a correspondente exclusão no Lalur? iii) é possível relacionar parte dos valores tratados contabilmente como provisão pela Recorrente à despesas efetivamente incorrida nas operações? Após, dêse ciência do relatório de diligência ao sujeito passivo, bem como seja aberto prazo para que apresente contrarrazões. Na seqüência, retornem os autos para análise e julgamento. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 654DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001088/2007-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/09/2007
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Conforme decisão definitiva do STF, em julgamento com repercussão geral reconhecida, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão definitiva do STF, em julgamento com repercussão geral reconhecida, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 10 88 /2 00 7- 03 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001088/200703 Acórdão n.º 2402004.688 S2C4T2 Fl. 587 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 22.117 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 37.110.2839. O crédito em questão referese à exigência da contribuição patronal para a Seguridade Social, incidente sobre os pagamentos por serviços médicos prestados por cooperados intermediados por cooperativas de trabalho. De acordo com o Relatório Fiscal, os valores que integram a presente NFLD referemse à contribuição devida pela cooperativa incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (faturas emitidas pela Federação das Unimed's no ES). Os respectivos valores foram discriminados, por competência, no Discriminativo Sintético de Débito DSD. Cientificado do lançamento em 29/11/2007, o sujeito passivo ofertou impugnação na qual, em síntese, requestou pelo reconhecimento da decadência em atendimento ao que determina a Súmula Vinculante STF n.º 08, aplicandose para tal a regra do § 4.º do art. 150 do CTN. Depois suscitou equívoco cometido pela auditoria ao enquadrar os médicos cooperados de outras UNIMED's como contribuintes individuais, ignorando a sistemática de funcionamento das cooperativas e a figura do intercâmbio. Assegura que, tendo em vista a edição da Lei 9.876/1999, as cooperativas não mais estão sujeitas ao recolhimento de contribuição previdenciária sobre o pagamento realizado aos médicos cooperados, nem mesmo quando se tratar de atendimento por médicos associados a cooperativas diversas (intercâmbio). Assim, há ausência de previsão legal expressa para imputar às cooperativas o ônus de recolher contribuição social sobre o pagamento aos seus cooperados ou de outras cooperativas. Asseverou que a Lei n.º 9.876/1999, que instituiu a contribuição em destaque, é inconstitucional. Finalmente contestou a aplicação dos acréscimos de juros e multa. O órgão de primeira instância, aplicando o § 4.º do art. 150 do CTN, declarou decadente o período de 03/2000 a 10/2002. Os demais argumentos defensórios foram afastados. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, fls. 418 e segs., no qual, apresentou as mesmas alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Contribuição sobre faturas relativas a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho – inconstitucionalidade Em sessão plenária realizada em 23/04/2014, o Corte Constitucional, ao decidir sobre o RE n. 595.838, declarou por unanimidade a inconstitucionalidade do dispositivo questionado, em julgamento, com repercussão geral reconhecida, que teve o seguinte resultado: “O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014.” Contra essa decisão a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, que foram rejeitados por unanimidade pela Corte, em julgamento com ata publicada no DJE em 20/02/2015. Segundo o inciso I do § 1.º do art. 62 do Regimento Interno RI do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, a contrário senso, esse tribunal administrativo deve afastar a aplicação de dispositivos declarados inconstitucionais por decisão definitiva do STF. Nesse sentido, cabível a declaração de improcedência do auto de infração, haja vista que os pagamentos à Cooperativa de Trabalho não se sujeitam à incidência de contribuições, conforme decisão da Corte Constitucional. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001088/200703 Acórdão n.º 2402004.688 S2C4T2 Fl. 588 5 Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10580.730521/2010-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS INOMINADOS.
Cabíveis os embargos inominados quando demonstrado que o acórdão foi proferido desconhecendo a verdadeira matéria fática a ser apreciada nos autos na data do julgamento e cuja ausência fez com que o acórdão tenha sido proferido com base em premissa fática equivocada e decisiva para o resultado do julgamento.
Numero da decisão: 1301-001.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, decretar a nulidade do Acórdão nº 1301-001.547, de 03/06/2014, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 EMBARGOS INOMINADOS. Cabíveis os embargos inominados quando demonstrado que o acórdão foi proferido desconhecendo a verdadeira matéria fática a ser apreciada nos autos na data do julgamento e cuja ausência fez com que o acórdão tenha sido proferido com base em premissa fática equivocada e decisiva para o resultado do julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, decretar a nulidade do Acórdão nº 1301-001.547, de 03/06/2014, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
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ANULAÇÃO DE ACÓRDÃO Embargante CONSELHEIRO RELATOR Interessado BOA VIAGEM TRANSPORTES LTDA e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 EMBARGOS INOMINADOS. Cabíveis os embargos inominados quando demonstrado que o acórdão foi proferido desconhecendo a verdadeira matéria fática a ser apreciada nos autos na data do julgamento e cuja ausência fez com que o acórdão tenha sido proferido com base em premissa fática equivocada e decisiva para o resultado do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, decretar a nulidade do Acórdão nº 1301001.547, de 03/06/2014, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 05 21 /2 01 0- 45 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Relatório Tratase do auto de infração de fls. 3/6, datado de 06/10/2010, relativo a Multa Exigida Isoladamente por Falta de Recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) incidente sobre base de cálculo estimada, referente aos meses janeiro a maio de 2007, no valor de R$149.631,60. O Auditor Fiscal informa que os valores devidos foram confrontados com os valores efetivamente declarados em DCTF e recolhidos pelo contribuinte. Cientificado em 19/10/2010, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 51/54) em 17/11/2010, alegando, em síntese, que o auto de infração é inservível, pois contém erros insanáveis, pois não considerou que o impugnante fez compensação com valores advindos de anos anteriores; além do que o mesmo decorre do fato de um outro auto de infração lavrado pela mesma autoridade fiscal e que efetuou a cobrança das estimativas não pagas no total de R$ 299.263,18 e sobre elas aplicou multa de ofício de 75%, e agora, no presente auto de infração torna a levantar os mesmos valores, só que em parcelas mensais e volta a aplicar multa de ofício; A DRJ/SALVADOR (BA) decidiu a matéria por meio do Acórdão 15 030.272, de 30/03/2012, julgando improcedente a impugnação. Irresignada a contribuinte interpõe recurso voluntário ratificando as argumentações iniciais e que veio a julgamento por este Conselho Administrativo. Inicialmente, importa ressaltar, que referido processo foi pautado e julgado por esta Turma Ordinária em Sessão de 03 de junho de 2014 (Acórdão 1301001.547), cujo resultado consignado em ata, pelo voto de qualidade, foi pelo provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Insta, ainda, esclarecer que o Conselheiro Presidente Valmar Fonseca de Menezes deixa claro nesta Sessão que mantém o lançamento até o valor limite do imposto a pagar apurado no final do exercício. Não obstante, após formalização do citado Acórdão restou esclarecido ao Conselheiro Presidente (Valmar Fonseca de Menezes) que a matéria, de fato, tratada no julgamento dos autos diz respeito a MULTA ISOLADA CONCOMITANTE, e neste caso, costumeiramente seu voto é no sentido de dar provimento ao recurso. Em conseqüência, determinou que os autos retornasse a novo julgamento. Pautado a novo julgamento em Sessão de 31 de julho de 2014, acordaram os membros deste colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário (Acórdão 1301001.595), vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. No entanto, conforme acima relatado, restaram dois acórdãos relativos à multa exigida. Neste caso, em que pese, não ter sido dado ciência ao contribuinte do primeiro acórdão (Acórdão 1301001.547, o mesmo consta em ata pública, pelo que, proponho ao Presidente a apreciação por esta Turma Julgadora de sua anulação nos termos do art. 66 do RICARF (Portaria MF 343, de 2015). É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.730521/201045 Acórdão n.º 1301001.904 S1C3T1 Fl. 12 3 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Verificase dos autos, conforme relatório, que o (primeiro) nº Acórdão 1301 001.547, Sessão de 03 de junho de 2014, foi proferido com base em premissa fática equivocada a qual foi decisiva para o resultado do julgamento. Consta em ata o seguinte resultado: pelo voto de qualidade, foi dado provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. O Conselheiro Presidente Valmar Fonseca de Menezes deixa claro nesta Sessão que mantém o lançamento até o valor limite do imposto a pagar apurado no final do exercício. A existência de premissa fática equivocada é patente na decisão embargada ao se ver que não ficou claro ao ConselheiroPresidente Valmar Fonseca de Menezes que a lide se tratava de multa isolada CONCOMITANTE com multa de ofício (pois esta consta em outro processo cobrança das parcelas de estimativas) e, nestes casos, concomitância das multas (isolada e de ofício) costumeiramente seu voto é no sentido de dar provimento ao recurso exonerando a multa isolada. Ao se elaborar a ata no final da sessão de julgamento a matéria restou esclarecida e o ConselheiroPresidente Valmar Fonseca de Menezes determinou providências no sentido de se realizar novo julgamento do feito. Pautado a novo julgamento em Sessão de 31 de julho de 2014, acordaram os membros deste colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário (Acórdão 1301001.595), vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Dessa forma, nesta instância, entendo devese somente manter a decisão proferida no (segundo) Acórdão nº 1301001.595, anulandose o quanto decidido no (primeiro) Acórdão nº 1301001.547. De se ressaltar que o contribuinte somente foi cientificado do (segundo) acórdão de nº 1301001.595, inclusive, somente este consta juntado no sistema e processo. A ementa abaixo transcrita demonstra que este Conselho tem decidido pelo acolhimento de embargos, anulando o acórdão, ainda que a hipótese autorizadora seja constatada após o julgamento, desde que influenciado por premissa fática equivocada. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabíveis os embargos de declaração quando demonstrado que o acórdão foi proferido desconhecendo documentos que deveriam constar dos autos na data do julgamento. ACÓRDÃO CARF. SEGUNDO JULGAMENTO. NULIDADE. O regular julgamento do recurso voluntário por Colegiado competente para tal, obsta a competência de qualquer outra Turma do CARF para novamente Fl. 165DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 julgar o mesmo recurso, devendo ser anulado acórdão proferido em um segundo julgamento. Embargos Acolhidos. Acórdão CARF Anulado. (acórdão 280101.392, de 09/02/2011, 1ª Turma Especial, 2ª Seção) Nessa linha, no âmbito do CARF a solução não é diferente para os casos de acolhimento de embargos para corrigir acórdão que se fundamentou em premissa fática equivocada, vejamos: “Constatada a ocorrência de premissa equivocada ou lapso manifesto que induziu o Colegiado a erro e influenciou o resultado do julgamento, acolhem se os embargos atribuindolhes efeito modificativo.” (Acórdão 930301.319, de 1/02/2011, da Terceira Turma da CSRF, Relatora Judith do Amaral Marcondes Armando). "Verificandose a ocorrência de lapso processual que induziu o Colegiado a erro, acolhemse os Embargos Inominados para saneamento dos autos”. Acórdão n.° 10422.819, Sessão de 07/11/2007, Relatora Maria Helena Cotta Cardozo). Ante o exposto, voto no sentido de acatar os embargos inominados, na forma do art. 66, do Anexo II, do RICARF, para anular o julgamento do (primeiro) Acórdão nº 1301 001.547, Sessão de 03 de junho de 2014, mantendo o quanto decidido na Sessão de 31 de julho de 2014 (Acórdão nº 1301001.595). (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.723202/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Trata o presente processo de exigência de multa de 50% por pedido de ressarcimento indevido que originalmente estava apensado ao Processo Administrativo nº 12585.000281/201036. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 23 20 2/ 20 13 -4 1 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.723202/201341 Resolução nº 3201000.559 S3C2T1 Fl. 169 2 Consultando os autos, verificouse que os processos foram objeto de impugnação e manifestação de inconformidade, sendo julgados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que negou provimento em ambos os processos. O contribuinte irresignado com as decisões da primeira instância, interpôs recursos voluntários em cada um dos processos, que posteriormente foram apensados pela Unidade de origem antes do envio ao CARF. Os processos possuem decisões da DRJ e recursos voluntários individualizados e pendentes de julgamento. Assim, para que fossem realizadas a apreciação individualizada dos processos foi necessária a desapensação do processo referente a multa por pedido de ressarcimento indevido. Ao apreciar os processos a turma de julgamento resolveu converter o processo referente ao ressarcimento em diligência e o processo referente a multa de 50% foi retirado de pauta por pedido de vista. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, a multa controlada no presente processo referese ao pedido de ressarcimento constante do Processo Administrativo nº 12585.000281/201036, que encontrase em diligência para cumprimento de resolução deste conselho Em que pese a posição anterior de fazer o julgamento da multa de forma separada do julgamento do pedido de ressarcimento. O novo Regimento Interno do CARF determinou de forma expressa, que existindo conexão, os processo deverão ser vinculados para que o julgamento ocorra em conjunto. A determinação consta do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.723202/201341 Resolução nº 3201000.559 S3C2T1 Fl. 170 3 III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º , se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º , se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. (grifo nosso) Diante do exposto, voto no sentido de converter o processo em diligência para que a Unidade Preparadora providencie a vinculação do presente processo ao Processo Administrativo nº 12585.000281/201036. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.724115/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 31/05/2006 a 24/11/2006
Ementa:
DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3302-003.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 31/05/2006 a 24/11/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 31/05/2006 a 24/11/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 41 15 /2 01 1- 66 Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 3 2 Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento, pela prática de ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta na importação, definida como dano ao erário, lavrado em face de GEMAX TRADING COMPANY S/A, de EASY SERVIÇOS E COMÉRCIO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA e EXIMLAB COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS PARA LABORATÓRIOS LTDA. A fiscalização acusou que a GEMAX importou ora por modalidade direta ora por encomenda para a EASY, porém que tal artifício seria para acobertar importações por conta e ordem da EXIMLAB. Inicialmente, foi aberto procedimento especial de controle aduaneiro e de revisão de habilitação no comércio exterior, tendo a GEMAX não apresentado documentos que demonstrassem a origem e aplicação dos recursos financeiros, razão pela qual foi instaurado o procedimento previsto na IN SRF 228/2002, de acordo com o §3º do artigo 21 da IN SRF nº 650/2006. Em procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, previsto na IN SRF 228/2002, apurouse a prática de ocultação do real adquirente EXIMLAB , mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, em razão do seguinte: 1. A GEMAX não possuía capacidade financeira e econômica para fazer frente ao volume de importações por ela transacionado devido a: a. movimentação em torno de R$ 30.000.000,00 de 2005 a 2007, para capital social da ordem de R$ 50.000,00 (aumentados para R$ 400.000,00 no quarto trimestre de 2006, decorrentes de lucros acumulados); b. aumento de capital social por reavaliação de bens, adquiridos por R$ 45 mil e reavaliados para R$ 2.774.000, em datas próximas, não havendo qualquer aumento de disponibilidade financeira; b. lucro líquido auferido no período foi em torno de R$ 980.000,00, muito inferior ao volume transacionado; c. Inexistência de quaisquer empréstimos e financiamentos tomadas de terceiros, conforme confirmados pela recorrente; 2. As operações somente puderam ser viabilizadas mediante adiantamentos de caixa recebidos pelos reais adquirentes para liquidação de contratos de câmbio e pagamentos dos tributos pagos no registro da DI, configurando a aplicação do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002; Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 4 3 3. Por várias vezes, a emissão das notas fiscais de venda era realizada no mesmo dia da emissão das notas fiscais de entrada, revelando giro imediato do estoque, indicando a encomenda da mercadoria; 4. A GEMAX é uma empresa de pequeno porte que atua, basicamente, como prestadora de serviços de comércio exterior, incluindo logística e financeiros, conforme informação colhida no próprio site da empresa, que jamais importa com ânimo próprio, mas por conta e ordem ou por encomenda; 5. As vantagens financeiras oferecidas pela GEMAX em seu site se coadunam com os objetivos pretendidos com a prática da ocultação do real adquirente: ausência de agregação de margem de lucro, implicando redução de carga tributária, redução de 33,3% no ICMS, com menor alavancagem dos tributos subsequentes (PIS, Cofins, ICMS), menor alavancagem do IPI, com recolhimento feito pela GEMAX sobre o custo da mercadoria e não sobre o preço de venda ao consumidor final. 6. Todas as vendas eram realizadas pelo custo das mercadorias pagas ao exportador, acrescido dos tributos pagos na importação e nacionalização e incidentes na venda ao mercado interno; 7. Todo o lucro obtido pela GEMAX decorre do FUNDAP que consiste em diferimento no pagamento do ICMS incidente na importação, financiamento de longo prazo de cerca de 70% do ICMS recolhido, com juros fixos a 1% a.a., com carência de 5 anos e mais 20 anos para amortização e realização de leilões de recompra de dívida, com existência de liquidação de contratos, por 10 a 15% do saldo devedor, em média; 8. A ocultação da EXIMLAB propiciaria: sua não equiparação a industrial para evitar a incidência de IPI; diminuir receitas de vendas sujeitas a PIS/Pasep, Cofins, IRPJ, CSLL e ICMS; usufruir indiretamente dos benefícios do FUNDAP (incentivo fiscal no âmbito do ICMS no Espírito Santo); não se submeter aos procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior, a qual foi habilitada apenas 22/09/2010; fugir ao controle quanto à avaliação de risco (parametrização), em função do perfil histórico e cadastral. Ao final foi elaborada representação fiscal para fins penais. Em impugnação, a GEMAX pediu: "a1) restou comprovado que a Impugnante tinha origem de recursos para suas operações, decorrente de receita financeira líquida de 5,8% (FUNDAP) mais lucro operacional médio de 3% e que o capital social das S.A. não guarda relação direta com a origem dos recursos utilizados no comércio exterior; a2) Também porque a Receita não comprovou que houve adiantamentos por parte do destinatário em relação às Dl's, restou comprovado que a Impugnante tinha origem para a operação, decorrente de receita .financeira líquida de 5,8% mais lucro operacional médio de 3%; a.3)Também porque os valores depositados na conta da Impugnante foram posteriores aos registros da DI´s e, consequentemente, após a contratação com o exportador e o Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 5 4 embarque dos bens, não podendo ser considerados "adiantamentos"; a4) Também pela impossibilidade de se estender as "impressões" de procedimento especial de fiscalização da IN 228/02 a todas as importações do contribuinte, nos termos do ACÓRDÃO N° 17 38398 de 23 de Fevereiro de 2010, do ACÓRDÃO N° 1735664 de 20 de Outubro de 2009, do ACÓRDÃO N° 0715421 de 13 de Março de 2009 e do ACÓRDÃO N° 0715356 de 06 de Março de 2009 e 17¬ 52.140, de 07 de Julho de 2011; a5) Também porque o artigo 27 da Lei n.° 10.637/2002 prevê uma presunção relativa da ocorrência de importação por conta e ordem quando a operação de comércio exterior for realizada mediante utilização de recursos de terceiro, presunção esta que restou afastada, haja vista que: > o Fisco não afastou a declaração e comprovação do importador de que obteve financiamento para gerir suas atividades no período em que foram realizadas as importações objeto dos autos, nos termos do Acórdão n° 0721519, de 15/10/2010, da e. 2a Turma desta e. DRJ > restou comprovado que a Impugnante foi a responsável por todas as tratativas com o exportador, figurando, inclusive, nos documentos que acobertaram a operação, não tendo sido produzida qualquer prova apta a afastar a veracidade de tais informações, nos termos dos Acórdãos 1752151, de 07 de julho de 2011 e 1752.140; a6) Também porque a operação foi feita na modalidade por encomenda, aplícandose, em conseqüência, o disposto no artigo 417, 418 e 483 do Código Civil c/c artigo 313 do RIPI, bem como o disposto no ACÓRDÃO N° 0721519 de 15 de Outubro de 2010 e na Solução de Consulta N° 5 de 07 de Janeiro de 2010, razão pela qual pequenos adiantamentos não são suficientes para afastar tal modalidade, mormente se comprovada que a importadora obteve financiamento para gerir suas atividades; a7) Também porque a pena aplicável seria multa diversa (art. 33 da lei n° 11.488/2007), nos termos da Orientação COANA/COFIA/DIFIA e consoante Acórdãos DRJ no S 17¬ 25849, de 17/06/2008, e 17 26798, de 13/08/2008 b) Sucessivamente ao pedido (a) acima, ANULE o lançamento do crédito objeto do auto de infração, por impedimento do AFRF, nos termos da Portaria RFB n° 11.371/2007, artigos 2o c/c 12 c/c 14 e 15, parágrafo único, nos termos do Acórdão n° 302¬ 37.093, do 3o Conselho de Contribuintes; Também porque o Auto de Infração não descreve as supostas irregularidades praticadas em todas as DIS mencionadas nos autos, violando o disposto no artigo 10, inciso III e no artigo 59, ambos do Decreto nº 70.235/72 [...] Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 6 5 Também porque não foi permitido o acesso aos autos do procedimento, assim como todos os livros fiscais permanecem em posse do AFRFB atuante; c) Sucessivamente ao pedido (b) acima, reconheça a decadência do lançamento em relação às DI´s, todas registradas há mais de 5 anos; d) Sucessivamente ao pedido (b) supra, que DEVOLVA o prazo para impugnação do presente auto de infração, a ser contado a partir da data em que a requerente receber de volta todos os seus livros e documentos fiscais, ora em poder da Administração, baixando o feito em diligência solicitando esclarecimentos e/documentos à Impugnante para posterior análise desta impugnação, nos termos do artigo 16, § 4o do Decreto n° 70.235/72, considerandose em especial o cerceamento do direito de defesa e a impossibilidade de juntar os livros contábeis como prova documental, por estarem de posse do fiscal autuante. A responsável solidária EASY impugnou o lançamento alegando: 1. Em preliminares: devolução do prazo de trinta dias, pois não participou da fiscalização, nem da produção de provas e não recebeu cópias de vários documentos; decadência por aplicação do artigo 138 e 139 do Decretolei nº 37/66; nulidade do Auto de Infração por ausência de MPF; nulidade por motivação incongruente. 2. No mérito, que as negociações com a GEMAX eram rápidas em razão da alta capacidade de distribuição da EASY, procedendo a entrega dos produtos logo após o desembaraço; a revenda concentrada a um único cliente ( a EASY) representaria baixo risco para a GEMAX, o que explicaria a baixa margem de lucro; ainda que as operações pudessem ter a conformação jurídica acusada pela fiscalização, não houve dolo ou fraude por parte da EASY; que os tributos não deixaram de ser recolhidos; não se aplica a tese da responsabilidade objetiva do artigo 136 do CTN; que a avaliação da capacidade financeira para deve ser realizada pelo conceito de capital de giro, necessidade de capital de giro e índices de liquidez, que no decorrer das operações, o pagamento das operações mais antigas passaram a financiar as operações mais novas; que a afirmação fiscal de que as operações com a EASY não trouxeram lucro à GEMAX não foi comprovada; os efeitos elencados no relatório fiscal quanto à interposição fraudulenta não se verificaram. Por seu turno, a responsável EXIMLAB alegou: 1. Em preliminares, a decadência do lançamento e a prescrição da cobrança da multa; prova ilícita por quebra de sigilo fiscal; 2. No mérito, que realizou operações de compra e venda com a GEMAX e a EASY; que não se pode exigir do adquirente do bem que pesquise toda a cadeia de transmissão do bem a fim de exigir a regularidade da importação; que não houve dano ao erário em razão da inexistência de recolhimento de IPI, pois que as alíquotas eram sujeitas à alíquota zero; que não pode responder por eventuais erros de escrituração promovidos pela GEMAX e pela EASY; boafé por ausência de conluio, ausência de intenção de prejudicar outrem e ignorância da situação anterior que prejudica ato posterior; a aplicação do artigo 112 CTN;inexistência de responsabilidade por solidariedade; a inexistência de ofensa à ordem econômica; Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 7 6 Em 16/01/2012, foi lavrado Termo de Ocorrência, no qual restou consignado a tentativa de devolução integral dos documentos e livros contábeis e fiscais à Sra. Maria Emília de Almeida e Souza, sócia e responsável pela GEMAX, que recebeu pessoalmente o Sr. Renato Felz de Oliveira, motorista da Alfândega do Porto de Vitória/ES, mas se recusou a receber a documentação após contato telefônico com terceiro, ficando voluntariamente com uma via do Termo de Devolução. A Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1 em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1653.134, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2006 Descumprimento das normas relativas à importação por conta e ordem de terceiro. Dano ao Erário. Pena de perdimento. Multa substitutiva. Restando comprovada na Declaração de Importação a ausência de informação sobre a real adquirente da carga importada, adicionada à falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, além da presença de recursos de terceiros na operação, incontroverso o entendimento da fiscalização de ocorrência da infração prevista pelo Artigo 23, Inciso V, do Decretolei 1.455/76, considerada dano ao Erário, punida com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos do § 1.º, do mesmo Artigo, ou, no caso destas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro. Arguição de cerceamento de direito de defesa. O fato de o contribuinte não ter tido acesso, no curso da ação fiscal, aos documentos obtidos pela Fiscalização junto a terceiros, não configura cerceamento de direito de defesa. A fase de investigação é uma etapa meramente inquisitória, de coleta de provas, durante a qual a Fiscalização não tem nenhuma obrigação de dar ciência ao investigado dos resultados preliminares de suas ações. Só depois de formalizada a acusação, através do auto de infração, é que surge para a autoridade lançadora o dever de cientificar o contribuinte dos elementos de prova que serviram de base para a formulação da pretensão fiscal. Infração. Responsabilidade solidária. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (Art. 124, I, do CTN). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 8 7 Cientificada em 06/01/2014, a GEMAX interpôs recurso voluntário, tempestivamente, alegando: 1. Em preliminares, nulidade do auto de infração por negativa de acesso aos autos e obtenção de cópia, nulidade por irregularidade na emissão de MPF, decadência do lançamento relativo às DI´s registradas há mais de cinco anos da ciência da autuação, necessidade de reforma por ausência de descrição específica das irregularidades, impossibilidade de utilizar conclusões de outros processos administrativos; 2. No mérito, a existência de receitas financeiras FUNDAP, imóvel avaliado em R$ 2.374.000 e capital social de R$ 400.000, suficientes a afastar a presunção relativa de incapacidade financeira, que importou em benefício próprio e depois revendeu, que não houve adiantamentos, pois os depósitos ocorreram depois de nacionalizadas as mercadorias, o caráter confiscatório da multa aplicada, a aplicação da multa de dez por cento por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. De suas partes, as recorrentes EASY e EXIMLAB interpuseram recurso voluntário, tempestivamente, reprisando, em síntese, as alegações deduzidas na impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os recursos interpostos atendem aos pressupostos de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Preliminarmente, as recorrentes pugnam pela decadência das infrações relativas às DI´s registradas há mais de cinco anos da ciência do Auto de Infração. A decadência para constituição de crédito relativo a multa por infrações aduaneiras é dada pelos artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/1966: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. O Decreto nº 4.543/2002 – RA/2002 reproduziu a mesma disposição do artigo 139 em seu artigo 669, sem qualquer ressalva: Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 9 8 Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139) A multa aplicada decorre da conversão da pena de perdimento por não ter sido a mercadoria localizada ou ter sido consumida, nos termos do §1º1 do artigo 618 do RA/2002, por ocultação do sujeito passivo a ser considerada ocorrida no registro da Declaração de Importação, documento onde são prestadas as informações pertinentes à identificação do adquirente das mercadorias importadas. Portanto, tendo as ciências do Auto de Infração ocorridas em 21/12/2011 (relativo à GEMAX), 22/12/2011 (relativo à EASY) e 20/12/2011 (relativo à EXIMLAB), os lançamentos referentes às DI´s registradas de 31/05/2006 a 24/11/2006 devem ser exonerados. Neste sentido, os acórdãos abaixo: Acórdão nº 3403002.865: PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do DecretoLei no 37/1966. Acórdão nº 3201001.884: DECADÊNCIA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para aplicação das penalidades referentes a interposição fraudulenta prevista no art. 23, Inciso V do DecretoLei nº 1.455/76 é de 5 (cinco) anos contados a partir da data do registro da Declaração de Importação DI, nos termos previstos no art. 139 do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Provido Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei no 37, de 1966, art. 105, e Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23 e § 1o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) [...] § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 10 9 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 16327.720416/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
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Numero da decisão: 1402-002.072
Decisão:
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento para apreciação em conjunto com o processo de nº 16327.720505/201293. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR e DEMETRIUS NICHELE MACEI. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 41 6/ 20 12 -4 7 Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720416/201247 Resolução nº 1402000.321 S1C4T2 Fl. 2.581 2 Relatório BANCO VOLKSWAGEN S/A recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 8ª Turma da DRJ São Paulo01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Apesar do Termo de Verificação Fiscal mencionar infração à legislação do IOF, apenas são objeto do presente processo três autos de infração, um de IRPJ e dois de CSLL. No relatório serão mencionados apenas os fatos e enquadramento legal relativos às duas infrações controladas no processo. Infração 1 – Indedutibilidade de ágio interno Das operações societárias realizadas pelo Grupo Volkswagen e os seus efeitos sobre o quadro societário e capital da Volkswagen Leasing S/A No período de 13/12/2005 a 29/2/2008 ocorreram os eventos societários relacionados na tabela abaixo: Data Descrição 13/12/2005 Transferência (a título de venda) de ações da VWB, emitidas pelo BVW, para a VWAG – 48.796.057 ações do BVW 21/12/2005 Transferência das ações da VWB, emitidas pelo BVW, para a VWAG – 64.561.719 ações do BVW 29/3/2006 Emissão de 3.913.182 ações, subscritas e integralizadas pela VWS Aumento de capital do BVW no valor de R$ 15.000.000,00 28/8/2006 Emissão de 6.282.687 ações, subscritas e integralizadas pela VWS Aumento de capital do BVW no valor de R$ 25.000.000,00 2/1/2007 Transferência (a título de venda) de participação da VWB na VWL à VWFSAG – 11.035.632 ações da VWL 30/1/2007 A participação da VWS no BVW, foi transferida à VWP – 48.242.186 ações do BVW, pelo valor contábil de R$ 203.203.986,96 (BP de 31/12/2006) 17/4/2007 Emissão de 727.680.000 ações , subscritas e integralizadas pela VWFSAG 2/5/2007 Transferência (a título de venda) de participação da VWAG no BVW à VWL – 113.357.776 do BVW 17/09/2007 Criação de carteira de arrendamento mercantil no BVW. 18/10/2007 Emissão de 100.000.000 de ações, subscritas e integralizadas pela VWFSAG. 23/10/2007 Transferência de participação da VWFSAG na VWL à VWP – 838.715.632 ações 31/1/2008 Encerramento das agências do Banco VW 29/2/2008 Incorporação da VWL pelo BVW Legenda: BVW – Banco Volkswagen S/A VWL – Volkswagen Leasing S/A – Arrendamento Mercantil (Brasil) Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720416/201247 Resolução nº 1402000.321 S1C4T2 Fl. 2.582 3 VWS – Volkswagen Serviços Ltda. (Brasil) VWB – Volkswagen do Brasil Ltda. – Indústria de Veículos Automotores (Brasil) VWP Volkswagen Participações Ltda. (Brasil) VWAG – Volkswagen Aktiengesellschaft (Alemanha) VWFSAG Volkswagen Financial Services Aktiengesellschaft (Alemanha) Após as operações o controle societário da VWL passou da VWB para a VWFSAG em 2/01/2007, e desta para a VWP em 23/10/2007, sendo que em 17/4/2007 e 18/10/2007 se verificaram eventos de aumento de capital, o primeiro mediante subscrição integralizada em dinheiro e o segundo mediante incorporação de reservas de lucros acumulados. Do aumento de capital da VWL Em 17/4/2007, a VWFSAG, controladora integral da VWL, subscreveu o montante de 727.680.000 de ações nominativas com valor unitário de R 1,00, perfazendo o total de R$ 727.680.000,00. A operação foi registrada no sistema de controle do Banco Central do Brasil como Investimento Estrangeiro Direto. Em 2/5/2007, os recursos financeiros foram remetidos ao exterior pela aquisição de participação acionária no BVW. Os recursos financeiros externos oriundos da Alemanha aportados pela VWFSAG na VWL foram no curto espaço de 14 dias repatriados à Alemanha, desta vez em favor da VWAG. Da apuração de ágio pela VWL Os recursos provenientes do aumento de capital foram utilizados para a aquisição de 113.357.776 de ações do BVW que pertenciam à VWAG. Foi apresentado laudo de avaliação de emissão da KPMG Corporate Finance Ltda., datado de 26/3/2007, onde constava 28/2/2007 como data base e a avaliação a valor presente do BVW em R$ 941.629 mil. Tendo verificado inconsistência em relação ao cálculo do valor do ágio, foi efetuada nova intimação – item 5 do Termo de Intimação n° 3. Foram apresentados dois laudos (segundo a fiscalização, de forma sumária e não completa), inicialmente um datado de 26/3/2007 em que o valor do BVW era da ordem de R$ 941 milhões e um segundo, datado de 23/3/2007. Nas palavras da fiscalização o laudo com data anterior afirma “atualizar o laudo anteriormente apresentado, no qual o valor do BVW, em três diferentes cenários de crescimento equivalem a R$ 886 milhões, R$ 936 milhões ou R$ 986 milhões. Todos os valores contemplam dedução a título de potenciais ajustes, no montante de R$ 117 milhões.” Ágio no valor de R$ 228.336.098,32, com fundamento econômico na apuração de rentabilidade futura, conforme previsto no § 2º, inciso II, do art. 385 do RIR e foi contabilizado conforme determina o inciso III, do art. 386 do RIR. Da incorporação da VWL pelo BVW e início da amortização do ágio Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720416/201247 Resolução nº 1402000.321 S1C4T2 Fl. 2.583 4 Em 29/2/2008 a controlada BVW incorpora sua controladora VWL, a valores contábeis com data base de avaliação em 31/1/2008. O acervo líquido da VWL foi avaliado em R$ 174.127.835,93, conforme laudo de avaliação elaborado por ocasião da incorporação, e assim demonstrado: O valor de R$ 194.085.683,56 indicado como “Provisão para garantia de dividendos” nada mais é que o saldo contábil líquido indicado pelo BVW na conta 2.4.1.10.00.001 “Ágios Incorp BVW – R$ 228.336.098,32 referentes ao ágio inicialmente apurado menos R$ 34.250.414,76 referentes à amortização acumulada na VWL. O total dos valores expurgados do patrimônio líquido da VWL quando de sua incorporação em 29/2/2008 – R$ 729.775.123,98 relativos ao somatório do ágio a amortizar mais o saldo contábil do investimento da VWL no BVW – equivalem ao valor do aumento de capital da própria VWL, R$ 727.680.000,00 realizado em 17/4/2007. No LALUR constatase que no ano calendário 2008 o BVW amortizou a título de ágio o valor de R$ 41.861.618,04 – página 71 do LALUR, conta Provisão para Perdas Ágio BVW, excluído na parte A, R$ 194.085.683,56, e incluído na parte A, R$ 152.224.065,52. Enquadramento legal O cerne da questão é a descaracterização, por falta de fundamento econômico, de toda a série de operações financeiras e societárias realizadas pelas empresas do Grupo Volkswagen no país e no exterior vinculadas entre si, consideradas como atos de simulação com o intuito de obtenção de vantagens tributárias indevidas. Na reorganização societária foram realizadas operações estruturadas em sequência para que aparentemente fosse entendido que existiu uma aquisição com ágio. Porém, quando analisado o conjunto dos atos, identificamos que o controle acionário do BVW nunca mudou. A simulação é incontestável. A posição acionária do BVW em 13/12/2005 já conferia à VWAG a totalidade do seu controle, conforme quadro abaixo: Situação em 13/12/2005 inicial Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720416/201247 Resolução nº 1402000.321 S1C4T2 Fl. 2.584 5 Situação em 17/4/2007 – data do aumento de capital Situação em 2/5/2007 – data da aquisição do controle do BVW A empresa veículo na apuração do ágio foi a própria VWL, que independentemente de participações acionárias, já estava operacionalmente unificada com o BVW, ao partilhar do mesmo endereço, do mesmo corpo diretivo, dos serviços de pessoal prestados pela Volkswagen Serviços – ambas sociedades declararam “zero” empregados no ano calendário 2007 nas respectivas DIPJ e até mesmo dos respectivos patrimônios para o estabelecimento de limites operacionais. A VWFSAG, detentora de 99,9998% do capital social da VWP, que no evento de 29/2/2008 se tornou a controladora do BVW detendo 99,999999 % de seu capital social, se caracteriza apenas como uma empresa que atende à estratégia mundial do grupo Volkswagen, uma vez integralmente subordinada à VWAG, esta sim a controladora de fato do BVW desde sempre. A inclusão da sociedade nacional VWP na linha de controle acionário do BVW é decorrente de disposições legais do Banco Central do Brasil, caso contrário também seria completamente desnecessária do ponto de vista econômico. A demonstrada unicidade operacional da VWL e do BVW já existente previamente aos fatos, bem como a inclusão no processo de sociedades aparentemente distintas demonstram uma estratégia de simulação com o objetivos de conferir uma aura de propósito negocial aos eventos societários realizados. Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720416/201247 Resolução nº 1402000.321 S1C4T2 Fl. 2.585 6 Considerando o antes e o depois da reorganização societária fica claro a completa ausência de fundamentação econômica e propósito negocial na aquisição de participação societária no BVW pela VWL, ainda mais com apuração de ágio tendo em vista a situação de ambas empresas pertencerem a um mesmo grupo econômico e já estarem operacionalmente integradas. Para o atendimento do objetivo de concentração do controle acionário das empresas no acionista do exterior, como mencionado nas notas explicativas às Demonstrações Financeiras da VWL relativas ao ano calendário 2007 bastaria a transferência do controle acionário e/ou até mesmo a incorporação de qualquer uma das sociedades pela outra, a valores contábeis. Não há propósito negocial no aumento de capital vinculado à aquisição da participação acionária. No curto espaço de tempo compreendido entre abril de 2007 e fevereiro de 2008, apenas 10 meses, o aumento de capital se mostrou sem fundamentação econômica, ao contrário da situação de incorporações realizadas entre partes independentes, onde se esperaria que os patrimônios das duas entidades envolvidas seriam somados, sem quaisquer expurgos. O aumento do patrimônio líquido da do BVW se limitou à incorporação do valor do patrimônio líquido da VWL após os expurgos mais os lucros verificados nos anos calendário 2007 e 2008, conforme tabela abaixo: Caso se objetivasse efetivamente o aumento dos limites operacionais do BVW, como postulado pela fiscalizada, o lógico seria que o aumento de capital da ordem de R$ 700 milhões fosse diretamente nele realizado, com a paralela criação da carteira de arrendamento mercantil, como feito, com a posterior incorporação a valores patrimoniais da VWL para atender ao objetivo de racionalização administrativa. Para o contribuinte poder usufruir do benefício fiscal previsto nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 deve existir uma negociação, um custo de aquisição, com um comprador que efetivamente pague por uma participação societária com ágio. Para isso o ágio deve ter efetividade e legitimidade, o que não é o caso do ágio de si mesmo amortizado pelo BVW. Ao invés da VWL incorporar as ações do BVW pelo valor patrimonial, ela as recebeu por valor baseado em rentabilidade futura, originário de relatório encomendado pelo Grupo Volkswagen, registrando assim um ágio, este simuladamente pago, um ágio de papel. Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720416/201247 Resolução nº 1402000.321 S1C4T2 Fl. 2.586 7 O relatório da KPMG, que fundamentou o ágio, informa que o trabalho foi baseado em informações e premissas disponibilizadas pela Administração do Grupo Volkswagen, além de enfatizar que o dito trabalho não representou uma auditoria nem deveria ser interpretado como tal. O valor pago pela VWL pelas ações do BVW partiu da avaliação da KPMG de R$ 1.003 milhões. O Grupo Volkswagen do Brasil não levou em consideração os valores indicados pela consultoria a título de “Potenciais Ajustes”, no montante de R$ 177 milhões, que reduziria o valor base para R$ 886 milhões. Não existiram terceiros envolvidos para discordar ou negociar os valores definidos. A VWL aceitou assumir “Potenciais Ajustes” da ordem de R$ 177 milhões a ainda pagou a mais por isso, situação inimaginável em uma transação entre partes independentes. Ao contrário do afirmado de que a avaliação do BVW levou em consideração apenas a projeção de seus próprios resultados futuros, o laudo menciona que para suportar esta projeção são considerados em conjunto os patrimônios do BVW e da VWL, uma vez que o BVW sozinho não possuía patrimônio suficiente para atender os requisitos do Acordo de Basiléia I. Não existe razão extratributária para tal reorganização societária, que teve como único objetivo a criação do ágio a ser deduzido indevidamente. O ágio artificialmente criado foi utilizado irregularmente como benefício fiscal pelo BVW, que reduziu e deixou de pagar imposto de renda e contribuição social nos anos calendário de 2008 a 2010. O ágio aceito pela contabilidade deve decorrer da alienação de controle realizada entre partes independentes e em igualdade de condições negociais. Para a CVM o ágio gerado de si mesmo é incabível na estrutura conceitual da contabilidade, pois não decorre de um processo de compra e venda entre partes independentes e não relacionadas, sem dispêndio na obtenção de algo de terceiros não há custo de aquisição – ressaltase o caráter simulado do aumento de capital e aquisição de participação societária, onde se comprovou que os recursos financeiros retornaram à sua origem. Do evidente intuito de fraude Em decorrência da desqualificação da operação de compra e venda de ações com apuração de ágio pelos motivos acima expostos e dos atos a este evento ligados, ficou caracterizada também a ação dolosa da operação recebimento e transferência de recursos com o exterior, pois sem propósito negocial, sem motivação extratributária, também esta etapa em conjunto com as demais levo a uma única finalidade: diminuição ou não pagamento de tributos, no caso do IRPJ, CSLL e IOF devidos pela VWL e pelo BVW. Restou caracterizado o evidente intuito de fraude, uma vez que, simulada a aquisição de participação societária com ágio e daí para trás simulados também os demais atos encadeados. Cabe a interpretação dos fatos não apenas pelo formalismo, mas pelo conteúdo, pela motivação, analisando o conjunto dos atos e não cada etapa separadamente. Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720416/201247 Resolução nº 1402000.321 S1C4T2 Fl. 2.587 8 Esse tipo de ação também envolve a questão da isonomia e capacidade contributiva do contribuinte, pois os demais cidadãos não devem ser prejudicados com atos artificiosos de terceiros. Infração nº 3 Não se questiona a forma de apuração de superveniência/insuficiência de depreciação nas operações de arrendamento mercantil, mas apenas o tratamento tributário atribuído a estes valores. O item II do Ato Declaratório Normativo CST 34/87 esclarece que os ajustes procedidos na contabilidade para atender às normas editadas pelas autoridades monetárias não podem resultar em, por exemplo, tornar dedutível determinado valor que a legislação determina ser irrelevante para fins de apuração do resultado, alterar conceitos da legislação tributária, o alcance destes dispositivos. A orientação normativa do Ato Declaratório Normativo CST 34/87 trata especificamente de apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ e, uma vez que distintas as bases de cálculo, a orientação normativa do referido ato não pode ser estendida à CSLL criada pela Lei n° 7.689/88. O ajuste previsto na Circular BACEN n° 1.429/1989, registrado com complemento ou estorno nas contas de Despesas de Arrendamento em contrapartida com Insuficiência de Depreciação ou Superveniência de Depreciações visa melhor refletir o resultado auferido pela sociedade nas suas demonstrações financeiras. As regras aplicáveis à apuração da capacidade contributiva da pessoa jurídica na determinação de seu lucro para fins de incidência do imposto sobre a renda também devem ser aplicáveis à CSLL, conforme disposto no PN COSIT 78/78, que trata de Investimentos em Sociedades Coligadas o Controladas Avaliados pela Valor do Patrimônio Líquido (Normas Gerais), não se aplica ao caso em questão. Nas adições e exclusões previstas na Lei n° 7.689/88, com a redação do art. 2° da Lei n° 8.034/90, aplicáveis à apuração da base de cálculo da CSLL, estão previstos os ajustes decorrentes do resultado positivo ou negativo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido, mas não de superveniências ou insuficiências de depreciação. Não há previsão legal expressa de exclusão do item Superveniência de depreciação na base de cálculo da CSSL. A empresa apresentou impugnação, protocolizada em 15/5/2012 (fls. 1137/1210), alegando em síntese o seguinte: Requerimento preliminar Requer que a parcela atinente a uma das acusações fiscais listadas acima seja desmembrada do presente processo e dê origem a um novo feito. Incompetência da Secretaria da Receita Federal A classificação dos ingressos de recursos externos no País, em especial em instituições financeiras, é matéria reservada às autoridades monetárias (Conselho Monetário Nacional e BACEN). Em função de VWL e BVW serem instituições financeiras regularmente fiscalizadas pelo BACEN) o aumento de capital da primeira, a aquisição por ela da segunda e a incorporação havida foram previamente submetidos à apreciação de referida autarquia, que aprovou as transações mencionadas. Por essas Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720416/201247 Resolução nº 1402000.321 S1C4T2 Fl. 2.588 9 razões, era vedado ao Fisco afastar unilateralmente o tratamento dado pelas autoridades monetárias. Mérito No mérito, os negócios de aumento de capital de VWL, aquisição por esta de BWV e incorporação de VWL por BVW estão de acordo com a legislação, foram realizadas coordenadamente em conjunto com operações perpetradas em outros países em que o grupo Volkswagen atua com o mesmo propósito de reestruturação do braço financeiro, o que revela terem se pautado em razoes extra tributárias, não havendo elementos que revelem que a redução da carga tributária tenha sido o motivo preponderante para a realização das transações da forma como executadas. Aumento de capital feito por VWFSA em VWL Os recursos ingressados no País decorreram de disponibilidades próprias da VWFSAG; não têm por origem a VWAG; foram destinados ao aumento do capital de VWL na forma como fixada pelas regras que disciplinam o investimento externo direto e posteriormente aplicados de acordo com o seu objeto social. Tanto que produziram efeitos na quantificação do limite operacional da VWL dentro do próprio período auditado. Mesmo que de empréstimo se tratasse, premissa assumida para fins de argumentação, ainda assim seria descabida a desconsideração das ulteriores aquisição de BVW junto à VWAG e incorporação de VWL por sua nova controlada, já que os recursos que teriam sido mutuados teriam sido disponibilizados por VWFSAG, com disponibilidades próprias. Quanto à aquisição das ações de BVW Deuse a valor de mercado porque os objetivos sociais, as conduções dos negócios, diretorias, Conselho Consultivo, Conselho de Administração, ambiente regulatório e concorrencial, patrimônios e apurações de resultados de VWAG e VWFSAG são independentes. Aliás, justamente em função dessa independência, os negócios que sejam realizados entre ambas devem ser praticados em condições de mercado, da mesma forma como realizados com terceiros, conforme preceitua o Princípio Arm's Lenght. O fato de a VWAG controlar a VWFSAG não faz com que esta não tenha autonomia em suas decisões. A própria CVM já reconheceu a legitimidade do ágio formado em operações entre sociedades ligadas, quando demonstrado que as conduções dos seus negócios são feitas de forma autônoma. Os conceitos da legislação brasileira de sociedades não se equivalem, neste caso, aos previstos na legislação alemã e, por isso, não podem ser adotados para impugnar a legitimidade da aquisição de BVW por VWL, do preço ajustado na operação e do respectivo ágio apurado. O ágio apurado à época da transação foi regularmente quantificado e espelhado em laudo emitido por sociedade especializada e desvinculada da adquirente e alienante. Os denominados "ajustes potenciais" integram o preço de aquisição, ao contrário do que afirmou a Fiscalização, o que só atesta a livre negociação e regularidade do ágio existente. Tanto que o valor apurado à época acabou se mostrando acertado considerando o relevante crescimento dos negócios, lucratividade e rentabilidade do BVW nos anos posteriores a 2007. Quanto à incorporação de VWL por BVW Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720416/201247 Resolução nº 1402000.321 S1C4T2 Fl. 2.589 10 Teve por objetivo integrar as atividades financeiras do grupo Volkswagen em uma só pessoa jurídica operacional, coerentemente com os objetivos declinados na exposição da reestruturação feita ao BACEN antes de se dar início às operações; Possibilitou, juntamente com outras operações, que o desenho final do braço financeiro grupo Volkswagen no País atendesse ao disposto na Resolução CMN 3.040/01, mediante a existência de uma sociedade holding no País, controlada diretamente por VWFSAG, com o propósito específico de deter participação na sociedade operacional (BVW); A provisão para a garantia de dividendos foi formada a fim de atender o disposto na Circular BACEN 3.017/00. Outros argumentos Outros negócios de compra e venda de participação societária entre empresas do grupo Volkswagen, quando realizadas, deramse a valor de mercado e as próprias operações impugnadas fizeram com que se abrisse mão de créditos tributários. Estes elementos revelam que as transações não se pautaram no único propósito de formação e amortização ao ágio. Não há qualquer justificativa para, de um lado, o imaginado mútuo ter sido o verdadeiro negócio, bem como, se assim fosse, explanação, pela Fiscalização, de outro, da forma como as ações de BVW teriam sido transmitidas a VWL. O trabalho fiscal incide em incongruência entre a justificativa imaginada para a desconsideração e a respectiva requalificação efetuada. Tais aspectos demonstram a impropriedade da desconsideração e requalificação feita pela Fiscalização, reforçando o descabimento das autuações. No mínimo, é descabida a multa de 150%, uma vez que todos os atos foram praticados à luz do dia, não havendo ocultação de nenhum deles que revele o intuito de fraude, até porque foram previamente levados ao conhecimento das Autoridades Monetárias, conforme exige a legislação. Infração 3 Lançamento em duplicidade de parte da CSLL relativa ao ano calendário de 2008 Em 02.05.2011, o Defendente foi autuado com o intuito de lançar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido referente aos anos calendário de 2008 e 2009, que foi depositada judicialmente, em razão da divergência encontrada entre os valores depositados e os valores declarados em DCTF. Esse auto de infração gerou o processo administrativo n° 16327.720484/201125, que se encontra atualmente no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aguardando julgamento do Recurso Voluntário. Desta forma, resta claro que parte da CSLL, ora exigida, já foi lançada, encontra se depositada judicialmente e é objeto do citado processo administrativo, devendo ser cancelados os valores cobrados em duplicidade. Descabimento da adição da superveniência de depreciação na base de cálculo da CSLL Seguindo as normas estabelecidas pelo BACEN, em especial a Circular n° 1.429/89, a Volkswagen Leasing registrava de forma especial, no seu ativo imobilizado, os valores dos bens destinados ao arrendamento mercantil, valores que, em decorrência Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720416/201247 Resolução nº 1402000.321 S1C4T2 Fl. 2.590 11 do próprio uso pelos arrendatários, sofrem influência do fenômeno da depreciação, desgaste ou obsolescência natural. Esse fenômeno da depreciação, sem sombra de dúvidas, afeta de forma significativa o resultado tributável das pessoas jurídicas dedicadas ao arrendamento de bens ou à atividade de "leasing", das quais o BACEN exige que tenham uma escrituração mais minuciosa, explícita e clara, que demonstre o resultado, levando em consideração o efetivo valor dos ativos, que estão sendo objeto de desgaste a cada dia. O motivo pelo qual a autoridade monetária determina que a escrituração seja procedida de forma diferenciada está relacionado com a demonstração da liquidez, dos resultados efetivamente auferidos por essas entidades, dados os reflexos, que podem advir para toda a economia nacional, decorrentes de uma crise institucional no campo do crédito, juros e a própria credibilidade das instituições financeiras. Dentro da competência do BACEN para disciplinar a atividade das entidades financeiras, foi expedida a Circular 1.429, de 20/01/1989, introduzindo diversas modificações no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF, especialmente para alterar a disciplina contida no item 1.11.8 "Imobilizado em Arrendamento". As alterações pretendidas pelo BACEN visavam (como de fato o fazem efetivamente desde então) que fossem melhor registrados e demonstrados os resultados auferidos pelas empresas dedicadas ao arrendamento mercantil. Isto porque, dada a sazonalidade e características específicas do mercado de bens duráveis ou do próprio mercado de juros, essas pessoas jurídicas exibiam sempre um enorme descompasso entre as contas de registro da depreciação e as contrapartidas pelo arrendamento, o que produzia resultados irreais e fictícios. Em tendo a CSLL, como base de cálculo, o lucro líquido ajustado, logo, a mesma base do IRPJ, evidenciase que o intuito do legislador ordinário, ao editar a Lei 7.689/88, foi o de instituir uma contribuição social calcada na capacidade contributiva da pessoa jurídica. O próprio Supremo Tribunal Federal reconhece a identidade entre a base de cálculo do imposto e da contribuição social em comento, que é o lucro líquido ajustado. Tanto é assim que no julgamento do RE 146.7339/SP leading case, acerca da inconstitucionalidade da referida cobrança, um dos fundamentos analisados pela Corte Suprema foi de que a base de cálculo destes dois tributos era idêntica, o que implicaria em bitributação, arguida como inconstitucional pelos contribuintes. O Parecer Normativo editado pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal PN/SRF/COSIT 78, de 15/09/1978 há muito já confirma o procedimento adotado em relação à determinação da base de cálculo da CSLL, ora em análise. O item "II" do Ato Declaratório Normativo CST 34/1987 esclarece que os ajustes, procedidos na contabilidade para atender às normas editadas pelas autoridades monetárias, não podem resultar, por exemplo, na dedutibilidade de determinado valor que a legislação determina ser irrelevante para fins de apuração do resultado, alterar conceitos da legislação tributária, o alcance desses dispositivos, etc. A persistir o entendimento adotado no lançamento tributário, acerca da impossibilidade de exclusão dos valores apurados a título de "Superveniência de Depreciações", estarseá perseguindo a cobrança de tributo sobre base de cálculo Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720416/201247 Resolução nº 1402000.321 S1C4T2 Fl. 2.591 12 distorcida, uma "nãorenda" o que importa em tributação do próprio patrimônio da pessoa jurídica, ao total arrepio da sua capacidade contributiva. Inaplicabilidade da multa de ofício sobre a parcela depositada judicialmente Mesmo que por absurdo fosse considerada procedente a exigência fiscal, o que se aceita apenas a título de argumentação, deve, no mínimo, ser cancelada a parcela de "superveniência de depreciação" depositada judicialmente pelo Defendente, nos termos do artigo 63 da Lei 9.439/96. O montante depositado é integrado, dentre outras importâncias, por valores decorrentes da "superveniência de depreciação" de que ora se trata, conforme se verifica do demonstrativo anexo (doc. 37). Sendo assim, inobstante todo o exposto anteriormente, é inaplicável a multa de ofício sobre a parcela em questão, em vista do quanto dispõe o artigo 63 da Lei 9.430/96, devendo, ao menos, ser cancelada parcialmente a multa de ofício. Impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa Por fim, mesmo que as exigências fiscais fossem cabíveis, o que se aceita a título de argumentação, não se pode admitir a incidência de juros moratórios sobre o valor da multa de ofício, pois, a penalidade não tem natureza de "capital" passível de gerar rendimentos, tais como juros, bem como, em razão tal incidência ter sido prevista em norma secundária e não primária. Não há previsão legal para a incidência de juros sobre multa, ora denunciada, pois, o § 3º do artigo 61 da Lei 9.430/96 determina que: "Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento ". É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 1646.155 (fls. 2.4042.450) de 29/04/2013, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008, 31/12/2009, 31/12/2010 APARTAMENTO DO PROCESSO. DESCABIMENTO. Serão objeto de um único processo administrativo as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete interpretar e aplicar a legislação tributária. AUTONOMIA ENTRE EMPRESAS DO GRUPO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os elementos constantes dos autos demonstram a subordinação jurídica e econômica entre as empresas do grupo. VALOR DE MERCADO. PROVA. Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720416/201247 Resolução nº 1402000.321 S1C4T2 Fl. 2.592 13 As provas coligidas aos autos não são suficientes para demonstrar que o preço praticado na operação seria o mesmo acordado entre partes não relacionadas, envolvidas nas mesmas transações ou em transações similares, nas mesmas condições ou em condições semelhantes, no mercado aberto. SEQUÊNCIA DE OPERAÇÕES. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. O conjunto dos elementos de prova dos autos indicam que as operações societárias não possuem propósito negocial e foram estruturadas com o objetivo de obter vantagens tributárias. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido é cabível a imposição da multa qualificada. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Não comprovada a duplicidade de lançamento deve ser mantida a exigência. SUPERVENIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. É indevida a exclusão das superveniências de depreciação por falta de previsão legal. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora são devidos sobre os tributos e a multa de ofício desde o seu lançamento.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 09/05/2013 (A.R. de fl. 2.453) a interessada interpôs recurso voluntário em 10/06/2013 (fls. 2.4562.529) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720416/201247 Resolução nº 1402000.321 S1C4T2 Fl. 2.593 14 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Os três processos, este e os de nº 16327.720023/201314 e 16327.720505/2012 93, de minha relatoria, foram pautados na sessão passada, tendo saído o de nº 16327.720505/201293 com vistas coletiva. Com efeito, por estarem relacionados entre si, entendo que os três processos devem ser julgados em conjunto, pelo que voto por sobrestar o presente julgamento para que este processo seja julgado em conjunto com os processos nº 16327.720023/201314 e nº 16327.720505/201293. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13819.002322/99-70
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - FINSOCIAL - TRIBUTO PAGO EM RAZÃO DE LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL TERMO INICIAL DA CONTAGEM DO PRAZO PARA EXTINÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR.
A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO.
Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, o prazo de cinco anos é contado a partir da homologação, expressa ou tácita, o que resulta que, na ausência de homologação expressa, o prazo é de 10 anos, contados do fato gerador. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9900-000.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator designado
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - FINSOCIAL - TRIBUTO PAGO EM RAZÃO DE LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL TERMO INICIAL DA CONTAGEM DO PRAZO PARA EXTINÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, o prazo de cinco anos é contado a partir da homologação, expressa ou tácita, o que resulta que, na ausência de homologação expressa, o prazo é de 10 anos, contados do fato gerador. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
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A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, o prazo de cinco anos é contado a partir da homologação, expressa ou tácita, o que resulta que, na ausência de homologação expressa, o prazo é de 10 anos, contados do fato gerador. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. EDITADO EM: 01/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, Júlio César Alves Ramos (Conselheiro Convocado), Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Antonio Lisboa Cardoso (Conselheiro Convocado). Relatório A Procuradoria da Fazenda Nacional, irresignada com o decidido no Acórdão CSRF/03-05.260, proferido na sessão de 13/02/2007, apresentou recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fulcro no artigo 9º do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF 147/2007, vigente à época da aludida decisão. A matéria recorrida trata do prazo do direito de pleitear o reconhecimento de crédito tributário — pedido de restituição/compensação — de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, sendo que o acórdão recorrido apresenta a seguinte ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 0 direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da Lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato específico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da publicação da Medida Provisória n° 1.110, em 31.08.95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. O pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 13/09/99. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002322/99-70 Acórdão n.º 9900-000.863 CSRF-PL Fl. 2 3 Recurso Especial do Procurador Negado. A Recorrente aponta como paradigma o Acórdão CSRF/04-00.810, de 03/03/2008, que na questão em debate traz como ementa: EMENTA: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL — 0 direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos i_e ii, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido. O Presidente do CARF admitiu o Recurso Extraordinário ancorado na seguinte motivação: (...), na análise da decisão e dos fundamentos dos arestosconfrontados, verifica-se que a divergência está patente: a forma de contagem do prazo na decisão recorrida extrapola 5 (cinco) anos do pagamento, já no acórdão paradigma este prazo é rígido, "sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro". É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator designado Preliminarmente, ressalto que o conselheiro Valmir Sandri relator original não é mais conselheiro do CARF, porém deixou a minuta de voto, apenas não pode assiná-lo. Diante desse quadro, fui designado como redator ad hoc. Reproduzo as razões de decidir do relator original, verbis O recurso atende os pressupostos legais e regimentais que o autorizam. Dele conheço. A questão posta à análise deste Pleno é quanto à relevância, na fixação do termo inicial do prazo de extinção do direito de pleitear a repetição de indébito, da circunstância de o tributo ter sido pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional. O pleito do contribuinte, apresentado em 13/09/1999 e indeferido pela autoridade administrativa, foi objeto de manifestação de inconformidade, também indeferida pela 5ª Turma da DRJ Campinas, conforme Acórdão 3.600, de 20/03/2003, ementa a seguir: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. PRECEDENTES DO STJ E STF. Consoante precedentes do Superior Tribunal de Justiça, o prazo de prescrição da repetição de indébito do Finsocial extinguese com o transcurso do quinquênio legal a partir de 02/04/1993, data da publicação da decisão do Supremo Tribunal Federal RE 150.764 que julgou inconstitucional a majoração da alíquota. Pedidos apresentados após essa data não podem ser atendidos, tanto pela interpretação do STJ, quanto pela posição da Administração, que, seguindo precedentes do STF sobre o prazo de extinção do direito a pleitear restituição, considera-o como sendo de cinco anos a contar do pagamento, inclusive para os tributos sujeitos à homologação. Solicitação Indeferida Ante o recurso voluntário interposto, a 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes prolatou o Acórdão 303-31.689, de 21/10/2004, ementa a seguir: FINSOCIAL - DECADÊNCIA - AFASTADA - INÍCIO DE CONTAGEM DA PRESCRIÇÃO – MP N°1110/95. Em análise a questão afeita ao critério para contagem do prazo prescricional do presente pedido de restituição declarado inconstitucional pelo Superior Tribunal deJustiça, entende-se que o prazo prescricional em pedidos que versem sobre restituição ou compensação de tributos e contribuições, diante da ausência de ausência do SenadoFederal (art. 52, X, da CF), fixa-se o termo ad quo da prescrição da vigência de ato emitido pelo Poder Executivo como efeitos similares. Tocante ao FINSOCIAL, tal ato é representado pela Medida Provisória n° 1110/95. Assim, o termo a quo da prescrição é a data da edição da MP n°1110, de 30 de agosto de 1995, desde que o prazo de prescrição, pelas regras gerais do CTN, não se tenha consumado. In casu, o pedido ocorreu na datada 13 de setembro de 1999, logo, dentro do prazo prescricional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. O acórdão foi objeto de Recurso Especial por parte da Fazenda Nacional, aoqual a Terceira Turma da CSRF, em sessão de 13/02/2007, negou provimento, conforme Acórdão CSRF/03- 05.260, ementa a seguir: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 0 direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002322/99-70 Acórdão n.º 9900-000.863 CSRF-PL Fl. 3 5 tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da Lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato específico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da publicação da Medida Provisória n° 1.110, em 31.08.95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. O pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 13/09/99. Esta decisão é que está sendo vergastada pela Fazenda Nacional, em Recurso Extraordinário. Durante muitos anos, a jurisprudência predominante no CARF foi no sentido de que o início da contagem do prazo para pleitear a restituição de indébito seria distinto, conforme a forma em que teria se exteriorizado o indébito. Se o indébito exsurgisse da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação teria início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exteriorizasse no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só poderia ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. Com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62-A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, essa questão não mais comporta discussões, eis que foi objeto de decisão do STJ julgada na sistemática de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux, data do julgamento 12/05/2010, com a seguinte ementa: Ementa.TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados) Portanto, quanto ao termo inicial para a contagem do prazo, razão está com a Fazenda Nacional. Contudo, há outra questão envolvida no litígio, que é o prazo para pleitear a repetição. E também essa matéria foi decidida pelo STJ, sob o procedimento dos recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Naquele julgado, o STJ fixou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permanece regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002322/99-70 Acórdão n.º 9900-000.863 CSRF-PL Fl. 4 7 O Supremo Tribunal Federal, de outro lado, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Esse acórdão transitou em julgado em 17/11/2011, com baixa definitiva dos autos em 01/03/2012, conforme andamentos registrados no sítio do STF. Considerando a supremacia das decisões do STF, e por força do quanto disposto no artigo 62-A, do Regimento Interno do CARF, deve-se ter que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para o pedido de restituição efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05 tem como termo inicial a homologação, expressa ou tácita, do lançamento, o que resulta que, não tendo havido homologação expressa, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador (aplicação combinada dos arts. 150, §4°, 156, VII, e 168, I, do CTN). No caso concreto, os recolhimentos se deram entre 04/10/89 e 15/04/92, e o pedido foi formulado em 13/09/99. Assim, por força do quanto disposto no artigo 62-A, do Regimento Interno do CARF, considerando o entendimento fixado pelos tribunais superiores na sistemática dos artigos 543- B ou 543-C do CPC, o direito do contribuinte foi exercido do prazo legal. Isto posto, nego provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Foram esses os fundamentos jurídicos e legais utilizados pelo relator original para negar provimento ao recurso extraordinário. Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001975/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA
Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, bem como de perícia, quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada, ou se o processo possuir todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA - PESSOA FÍSICA - EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA.
A pessoa física cuja atividade seja a compra, venda e incorporação imobiliária deve ser equiparada, para fins tributários, a pessoa jurídica.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. DEDUÇÃO DE CUSTOS. INAPLICABILIDADE DE COEFICIENTE.
A falta de apresentação de livros comerciais e fiscais, bem como de documentação hábil, toma válida a adoção do arbitramento do lucro da pessoa jurídica e a impossibilidade da dedução de custos. O coeficiente não será aplicado.
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL.
Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplica-se ao lançamento decorrente a decisão proferida no lançamento no lançamento principal relativo ao IRPJ.
Numero da decisão: 1201-001.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 25/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, bem como de perícia, quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada, ou se o processo possuir todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA - PESSOA FÍSICA - EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA. A pessoa física cuja atividade seja a compra, venda e incorporação imobiliária deve ser equiparada, para fins tributários, a pessoa jurídica. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DEDUÇÃO DE CUSTOS. INAPLICABILIDADE DE COEFICIENTE. A falta de apresentação de livros comerciais e fiscais, bem como de documentação hábil, toma válida a adoção do arbitramento do lucro da pessoa jurídica e a impossibilidade da dedução de custos. O coeficiente não será aplicado. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplica-se ao lançamento decorrente a decisão proferida no lançamento no lançamento principal relativo ao IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 25/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
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INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA PESSOA FÍSICA EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA. A pessoa física cuja atividade seja a compra, venda e incorporação imobiliária deve ser equiparada, para fins tributários, a pessoa jurídica. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DEDUÇÃO DE CUSTOS. INAPLICABILIDADE DE COEFICIENTE. A falta de apresentação de livros comerciais e fiscais, bem como de documentação hábil, toma válida a adoção do arbitramento do lucro da pessoa jurídica e a impossibilidade da dedução de custos. O coeficiente não será aplicado. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase ao lançamento decorrente a decisão proferida no lançamento no lançamento principal relativo ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 19 75 /2 00 7- 59 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 2 (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 25/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro DEFIS/RJ, por meio dos quais são exigidos do interessado, antes identificado, o Imposto Sobre a Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 8.999,99 (fls. 34/37); e a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 647,98 (fls.38/42), mais a multa de oficio de 75% e os juros de mora calculados pela taxa Selic. O lançamento relativo ao IRPJ decorre do fato descrito com o correspondente enquadramento legal no auto de infração de (fls. 34/37), e no Termo de Constatação TC de fls. 30/33, parte integrante do auto. Em suma, foi apurada Omissão de Receita caracterizada por venda de imóvel por pessoa física equiparada a pessoa jurídica por ter realizado incorporação imobiliária. Intimada, a pessoa física equiparada não apresentou os livros fiscais legalmente exigidos (fl.06), o que motivou o arbitramento do seu lucro, com base no artigo 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. O auto de infração relativo à CSLL foi lavrado em decorrência da apuração da infração que ensejou o lançamento principal. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18471.001975/200759 Acórdão n.º 1201001.295 S1C2T1 Fl. 3 3 Impugnação O recorrente manifestase às fls. 44/50, alegando: · Que os condôminos do terreno onde foi feita a incorporação constituíram uma pessoa jurídica Condomínio Ferradura, CNPJ 05.059.302/000159 que escriturou livros, apurou resultado, tributandoo pelo lucro presumido, apresentou DIPJ, DCTF e recolheu os tributos devidos pela atividade de incorporação. Assim, estariam cumpridas as obrigações principal e acessória relacionadas ao empreendimento. · Que o sujeito passivo das obrigações ora reclamadas não é o autuado, mas a referida pessoa jurídica. Assim, citando o artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, diz que houve erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. · Que a autoridade fiscal, se prendendo à forma, e não ao conteúdo, não aceitou DARFs e livros apresentados em nome da pessoa jurídica (Condomínio), porque considerou inadequada a seu objeto a forma jurídica de sua constituição. · Que o auditor autuante não calculou o lucro arbitrado, aplicando diretamente sobre a receita bruta a alíquota do Imposto de Renda, e o mesmo teria ocorrido em relação à Contribuição Social sobre o Lucro. · Que a fiscalização desconsiderou, para o cálculo do lucro arbitrado, o custo da unidade vendida, como dispõe o artigo 49, parágrafo único, da Lei n° 8.981/95, e Lei 9.430/96, art. 1°, consolidados nos artigos 534, parágrafo único, c/c art. 410 a 414 do RIR/99. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 4 Requer, por fim a indicação de perito para: i) se determinar a correta aplicação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; ii) levantar os valores de tributos federais recolhidos pelo Condomínio Ferradura, dividindo o montante por cada um dos condôminos proprietários do empreendimento a título de crédito tributário. Decisão da DRJ/RJOI Em decisão tomada por maioria, entendeuse, por força do art. artigo 534 do RIR/1999, que as pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis (construídos ou adquiridos para revenda), ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio poderão deduzir, da receita bruta trimestral, o custo do imóvel devidamente comprovado, para fins de determinação do lucro arbitrado. O lucro arbitrado, então, será tributado proporcionalmente à receita recebida. Definiuse, então, que a autoridade fiscal apurou corretamente o valor do imposto devido, já que não cabia aplicar nenhum coeficiente sobre a receita bruta apurada nos moldes acima descritos, para determinar a base de cálculo do IRPJ Lucro Arbitrado. Fora ratificada a decisão de indeferir o pedido de diligência e perícia por serem desnecessárias, assim como as demais questões de mérito tratadas no voto do ilustre relator do processo. Com base no exposto, votouse pela procedência dos lançamentos de oficio. Recurso Voluntário O próprio recorrente inicia suas alegações com a constatação de que a forma jurídica da constituição deste condomínio é inadequada ao seu objeto. Os condôminos do terreno onde foi promovida a incorporação constituíram um Condomínio, ao invés de uma sociedade com fins lucrativos. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18471.001975/200759 Acórdão n.º 1201001.295 S1C2T1 Fl. 4 5 Todo tempo afirmouse, no entanto, que esta formalização é erro de fato, pois que, o CNAE correspondente a este CNPJ, e aceito pela SRFB, corresponde a uma empresa de fins lucrativos, e o CNPJ em questão apresentou declarações de renda, DCTF’s, e foi, inclusive autuada pela própria SRFB, e do que concedeu parcelamento. Alega, neste albor, que condomínios residenciais regidos pela convenção apresentada às fls.71/84, não têm a obrigação de apresentar declarações de IRPJ, DCTFs e recolhimentos de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro, PIS e COFINS, como é o caso do Condomínio Ferradura. Argui, então, a recorrente, que a prova destas declarações e recolhimentos está com a própria SRFB, em seus sistemas de controle e de arrecadação, atestando que de nada aproveita anexar cópias de declarações, pois estas não seriam consideradas “confiáveis” pelos Senhores Julgadores. Entretanto, alega que estes fatos não foram considerados dignos de verificação pela Turma da DRJ/ RJO, como não o foram pela autoridade lançadora, que tinha o dever de verificar a materialidade dos fatos. O recorrente traz em seu recurso a informação de que tributouse a própria receita bruta ao invés do lucro arbitrado. Retificando que determinado o Lucro Arbitrado, aí, sim, calculase o imposto de renda devido com a aplicação da alíquota do imposto (ou contribuição) sobre este lucro. Entretanto, como se vê claramente no auto de infração, a alíquota do imposto (e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) foi aplicada sobre a base de cálculo do Lucro Arbitrado, isto é, sobre a receita bruta. Em afronta à capitulação invocada para este procedimento, o art.534 do RIR, o recorrente alega que a autoridade lançadora sequer considerou o custo que conheceu dos imóveis: ignorou o custo do terreno, comprovado pela escritura do terreno, e ignorou a existência do Condomínio Ferradura. Fizeramse, a par do exposto, as seguintes constatações: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 6 1°) que, ao lançar sobre a Recorrente pessoa física, exigências alusivas a fatos geradores praticados pela pessoa jurídica Condomínio ferradura, CNPJ n°. 05.059.302/000159, o V. Acórdão alvejado incorreu em erro na identificação do sujeito passivo, acarretando nulidade do lançamento; 2°) que a Autuação e o R. Julgado de 1° Grau cometeram erro na determinação da base de cálculo do lucro arbitrado, seja apurandoo como preconiza o r. Julgador o Sr.Dr. ELIZEU da SILVA MARINHO (voto vencido), seja apurandoo como entendem os Ilmos. Srs. que votaram com o Sr.Dr. EDUARDO JOSÉ PAIVA BORBA, que desconheceram os custos. 3°) a impossibilidade material de anexar toda a contabilidade e documentos comprobatórios de custos do Condomínio Ferradura, porque são a prova necessária para vários sujeitos passivos diferentes, em vários processos administrativos diferentes, autuados por auditores diferentes. Diante disto, o recorrente pleiteia: a) que conheça e acolha as preliminares de nulidade do lançamento (i) por erro na identificação do sujeito passivo b) caso não seja acolhida a preliminar de nulidade, que seja deferido o pedido de diligência para que c) se proceda à correta apuração da base de cálculo do imposto, seja na forma do voto vencido, seja considerandose o custo do empreendimento d) em nome do Princípio da Economia Processual, e da Justiça Tributária, que se apure o credito que o autuado tem face à SRFB, referente aos recolhimentos feitos pelo Condomínio Ferradura e que estes sejam compensados com eventuais débitos apurados no procedimento do arbitramento do lucro corretamente apurado. e) que, no mérito, seja conhecido e dado provimento ao presente Recurso Voluntário, reformandose a R. Decisão de 1° Instância e julgandose improcedente o Auto de Infração gerador do presente processo, em relação ao IRPJ, seja com a nulidade do lançamento, ou seja apurado corretamente o valor do lançamento, e, que, se compense o total devido com o já recolhido através do Condomínio Ferradura. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18471.001975/200759 Acórdão n.º 1201001.295 S1C2T1 Fl. 5 7 É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. DO SUPOSTO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO De início, resta totalmente cabível a aplicação do art. 155 do RIR/99, que equipara pessoa física a empresa individual quando existirem, como é o caso concreto, operações imobiliárias em condomínio. Não tendo o contribuinte realizado tal procedimento fezse necessária a inscrição exofício do fiscalizado no CNPJ. Devese compartilhar do entendimento firmado no v. acórdão, quando o recorrente atesta ser o sujeito passivo de fato do caso em tela, o Condomínio Ferradura, alegando suposto erro, portanto, quanto à identificação do sujeito passivo da obrigação tributária: “O que se vê nas fls. 71/84 são documentos de instituição de um condomínio para regular o convívio das pessoas que vão ali residir. Assim, têmse ali registrados direitos e deveres dos moradores, forma de eleição do síndico, critérios de utilização do espaço comum pelos condôminos, enfim, todos aqueles elementos comuns a uma Convenção de Condomínio. (...) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 8 Ora, não se pode confundir o Condomínio assim instituído com pessoa jurídica criada com fins lucrativos. Aquele, apesar de sujeito à inscrição no CNPJ, não possui personalidade jurídica e, portanto, não pode ter como objeto a compra, venda e incorporação de imóveis.” O próprio recorrente afirma a posição discorrida no acórdão recorrido, na peça de interposição de seu recurso voluntário: “(...) Entretanto, a FORMA JURÍDICA DA CONSTITUIÇÃO DESTE CONDOMÍNIO, é inadequada ao seu objeto. Os condôminos do terreno onde foi promovida a incorporação constituíram um Condomínio, ao invés de uma sociedade com fins lucrativos (de responsabilidade limitada, fosse comercial, ou prestadora de serviço). Desse modo, se o impugnante recolheu tributos através do Condomínio Ferradura, relativamente a suas operações imobiliárias, cometeu grasso equívoco de identificação do sujeito passivo. Restalhe, contudo, seguindo os procedimentos estabelecidos em lei, solicitar à unidade da RFB que jurisdiciona o Condomínio a devolução do que foi eventualmente pago indevidamente.” O recorrente ainda alega, em sua defesa: “De nada aproveita anexar cópias de declarações, pois estas não são consideradas “confiáveis” pelos “Senhores Julgadores”, e apenas a consulta aos sistemas da SRFB pelos auditores tem o poder de fazer valer esta afirmação do autuado.” Ora, o recorrente deixa de apresentar provas para embasar e fundamentar suas alegações presumindo que as mesmas não serão aceitas. Isto não soa cabível e em nada auxiliará na busca pela verdade dos fatos. As provas dos autos se mostram, em sentido contrário, suficientes e norteadoras para se atingir o cerne da controvérsia, falecendo, portanto, a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. Aproveitando o ensejo, a perícia solicitada mostrase Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18471.001975/200759 Acórdão n.º 1201001.295 S1C2T1 Fl. 6 9 desnecessária, visto que os documentos que constam dos autos foram suficientes para formar a convicção da autoridade julgadora. Assim, sendo a mesma prescindível, indefiroa, nos termos do disposto no artigo 18 do Decreto 70.235/ 1972 DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Após intimada, a pessoa física equiparada não apresentou os livros fiscais legalmente exigidos (fl.06), o que motivou o arbitramento do seu lucro, com base no artigo 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. A base de cálculo considerada fora calculada conforme o valor da venda do referido imóvel, nas datas previstas na escritura pública. Sendo o contribuinte detento de 2/7 (dois sétimos) da construção resultam as seguintes receitas a serem tributadas: R$ 28.571,43 em 20/05/2002 (escritura de promessa de compra e venda) e R$ 31.428,57 em 30/11/2002 (escritura definitiva); Aplicouse, portanto, para a determinação da base de cálculo, na íntegra, o art. 543 do RIR;99. Vejamos. Em relação à apuração da base de cálculo do lucro arbitrado seria admitido, conforme o disposto no art. 543 do RIR/99, a dedutibilidade dos custos, se devidamente comprovados. Não obstante, o único documento trazido aos autos fora a escrituração pública, que conforme exposto, serviu como fonte de informações para a determinação da base de cálculo. Ademais o recorrente sequer apresentou seus livros fiscais. Deste modo se mostrou inviável e impossível a dedutibilidade de custos, uma vez que não foram estes devidamente comprovados. A Fiscalização agiu corretamente buscando a verdade material, tentando alcançar os custos incorridos pelo contribuinte. De maneira diversa, é fácil constatar que o Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 10 recorrente preferiu não apresentar tais documentos justamente para, em sua defesa, alegar a incorreção do procedimento do Fisco. A incompatibilidade dos atos processuais praticados pelo recorrente é mais do que evidente. Intimado a apresentar os documentos comprobatórios de custos, não o fez. A Fiscalização, deste modo, não pode ficar a mercê do comportamento refratário do fiscalizado. Ora, quem dispunha dos elementos comprobatórios dos custos das unidades imobiliárias alienadas era o próprio recorrente. A autoridade autuante concedeu prazos dilatados para apresentação de tais documentos. A recorrente, por sua vez, não os alcançou. Dentre os custos que poderiam ser deduzidos, necessário que se perfaça apenas uma definição para restar claro que não se trata, como o recorrente alega, do “custo do terreno”. A composição dos custos na atividade imobiliária pode ser dividida em custos pagos ou incorridos, custos contratados e custos orçados, da seguinte forma: “Os custos pagos, admitidos na formação do custo do imóvel vendido, são apenas aqueles que, além de estarem pagos, referemse a bens ou serviços adquiridos ou contratados para aplicação específica no empreendimento de que a unidade negociada faça parte. (...) O contribuinte poderá também computar, na formação do custo do imóvel vendido, os custos contratados para realização das obras ou melhoramentos a que estiver obrigado. Quando a venda for contratada antes de completado o empreendimento, o contribuinte poderá computar no custo do imóvel vendido, além dos custos pagos, incorridos ou contratados, os custos orçados para a conclusão das obras ou melhoramentos que estiver contratualmente obrigado a realizar. (...) Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18471.001975/200759 Acórdão n.º 1201001.295 S1C2T1 Fl. 7 11 O custo orçado será baseado nos custos usuais no tipo de empreendimento imobiliário a preços correntes de mercado na data em que o contribuinte optar por ele, e compreenderá a diferença entre o custo total previsto e os custos pagos, incorridos ou contratados até a mencionada data.” (CONTABILIDADE DAS EMPRESAS IMOBILIÁRIAS – http://www.acervosaber.com.br/trabalhos/contabilidade/contabilidade_aplicada_ as_empresas_imobiliarias.php) Diante da indefinição e da ausência de comprovação quanto aos custos despendidos, a Fiscalização agiu corretamente. Primeiro por desincumbirse de seu dever probatório, uma vez que comprovou a omissão de receitas auferidas pela empresa individual. Em seguida por tentar alcançar a correição na determinação da base de cálculo ao buscar quantificar os custos – devidamente comprovados a serem abatidos das receitas a fim de quantificar a base de incidência do lucro arbitrado. O recorrente, por sua vez, possuía o ônus de ao menos alcançar ao Fisco os documentos que comprovassem os custos em questão. Assim, não restou outra opção à autoridade autuante senão desconsiderar as deduções de custos não lastreadas em documentação. Repisese: sequer se pode falar em documentação hábil e idônea, pois, em relação às unidades imobiliárias alienadas, nenhum documento foi apresentado. Diante da postura adotada pelo recorrente incidem, portanto, as regras dos arts. 841, II, e 845, II, ambos do RIR/99 que rezam que o lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente (art. 841, II) e abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios (art. 845,II). Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 12 Diante do exposto, de todo correto o racional construído no voto vencedor do v. acórdão recorrido, determinando o arbitramento de lucro baseado na receita bruta apurada, já que não cabia aplicar nenhum coeficiente e tampouco realizar qualquer dedução. Veja, a contrapartida de se estabelecer a dedução de custos do imóvel é a impossibilidade de aplicação de qualquer coeficiente para atingir o lucro arbitrado. O art. 543 é unívoco neste sentido. O valor do imóvel, então, compôs, diante da ausência de documentos apresentados, a base de cálculo em sua integralidade e unidade. O recorrente alega que “ (...) Da forma como foi lavrado o auto de infração, a autoridade lançadora considera que existe atividade econômica que não incorre nem em custos, nem em despesas, apenas gera lucros. (...)”. Ora, a situação constatada de fato é esta, mas por culpa única e exclusiva do recorrente, que não se prontificou a apresentar documentação hábil e idônea que comprovassem os custos dispendidos na atividade. Desta forma, julgo procedentes os lançamentos, nos seguintes moldes: a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 8.999,99, mais multa de ofício de 75%, mais juros de mora; b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 647,98, mais multa de mora de 75%, mais juros de mora. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18471.001975/200759 Acórdão n.º 1201001.295 S1C2T1 Fl. 8 13 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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