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Numero do processo: 16561.720099/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. INDEDUTIBILIDADE.
À luz do art. 299 do RIR/1999, são indedutíveis as despesas que não estejam estreitamente vinculada as atividades da empresa e a manutenção de sua fonte produtiva, sendo admitidas somente aquelas usuais ou normais aos tipos de transações, operações ou atividades da pessoa jurídica.
A redução do lucro operacional com despesas decorrentes de empréstimos, por liberalidade das partes envolvidas, em detrimento da capitalização não se justifica, por se tratar de despesas não necessárias.
DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INDEDUTIBILIDADE.
A indedutibilidade de despesas consideradas desnecessárias também da base de cálculo da CSLL decorre do próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. Se a despesa não é necessária, não pode ser considerada como despesa operacional quando da apuração do resultado do exercício. Caso tenha reduzido o resultado indevidamente, deve ser adicionada, tanto para a apuração do IRPJ quanto da CSLL.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 1301-002.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, que cancelava a exigência relativa à CSLL, José Eduardo Dornelas Souza que, além do cancelamento da CSLL, pronunciou-se pela improcedência dos juros sobre a multa e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que dava provimento integral ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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INDEDUTIBILIDADE. À luz do art. 299 do RIR/1999, são indedutíveis as despesas que não estejam estreitamente vinculada as atividades da empresa e a manutenção de sua fonte produtiva, sendo admitidas somente aquelas usuais ou normais aos tipos de transações, operações ou atividades da pessoa jurídica. A redução do lucro operacional com despesas decorrentes de empréstimos, por liberalidade das partes envolvidas, em detrimento da capitalização não se justifica, por se tratar de despesas não necessárias. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INDEDUTIBILIDADE. A indedutibilidade de despesas consideradas desnecessárias também da base de cálculo da CSLL decorre do próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. Se a despesa não é necessária, não pode ser considerada como despesa operacional quando da apuração do resultado do exercício. Caso tenha reduzido o resultado indevidamente, deve ser adicionada, tanto para a apuração do IRPJ quanto da CSLL. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 99 /2 01 2- 96 Fl. 880DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Acordam os membros deste colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, que cancelava a exigência relativa à CSLL, José Eduardo Dornelas Souza que, além do cancelamento da CSLL, pronunciouse pela improcedência dos juros sobre a multa e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que dava provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 1301002.005 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório O processo versa acerca de autos de infração formulados em 09/04/2012 e 14/05/2012, atinentes ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (R$ 211.399.812,96) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (R$ 76.122.356,15), composto de principal, multa de ofício de 75% e juros de mora vinculados. A infração tributária decorre de constatações identificadas no curso de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo em epígrafe, consoante descrição dos fatos e enquadramentos legais impressos no corpo das autuações e do respectivo Termo de Verificação Fiscal, motivações determinantes para a glosa de despesas de juros e variações cambiais decorrentes da emissão de Eurobônus pela empresa fiscalizada, considerados desnecessários e não dedutíveis na determinação do Lucro Real do períodobase (Enquadramento legal: arts. 249, inciso I, e 251 e parágrafo único, 299 e 300 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 29/03/1999, e legislação tributária reflexa). A instauração da ação fiscal promoveuse com a expedição do Termo de Início, cientificado por via postal em 18/01/2012, por meio do qual se requisitou a apresentação de informações preliminares e de acervo documental essencial à análise de informações de interesse fiscal atreladas à participação societária em controlada domiciliada no exterior (Latam Brazil Investments Bahamas Limited) (fls. 103/105). No curso do procedimento efetuouse também a lavratura dos Termos de Intimação nº 1, de 05/04/2012 (fl. 116), nº 2, de 08/05/2012 (fls. 121/123) e nº 3, de 02/06/2012 (fls. 136/137), cientificados em 12/04/2012, 10/05/2012 e 05/07/2012, respectivamente, objetivando a obtenção de documentação e esclarecimentos suplementares associados às operações supervenientes e escriturações contábeis levados a efeito no Brasil e no exterior a partir da emissão de Eurobônus, sobretudo em relação à origem das importâncias computadas no resultado da entidade a título de Variações Cambiais Passivas. Quanto à descrição dos fatos, contextualiza que a LATAM BRASIL (antes sob a denominação de CREDIT SUISSE FIRST BOSTON (BRASIL) REPRESENTAÇÕES LTDA atual nome fantasia da empresa fiscalizada) controla a LATAM BRAZIL INVESTIMENTS (BAHAMAS) LTD (LATAM BAHAMAS), localizada nas Bahamas. A propósito disso, a entidade confirmou sua posição de controle societário apenas sobre esta subsidiária no exterior. O quadrosocietário da LATAM BRASIL compõese da participação da Latam Brasil Investimentos (LATAM INVESTIMENTOS), CNPJ Nº 03.118.062/000190 (99,99%) e da Credit Suisse International Holding AG (localizada na Suíça). A fiscalizada, a seu turno, é controlada pela Credit Suisse First Boston Brazil Holding Bahamas Ltd (localizada nas Bahamas) com participação de 99,99% e a Credit Suisse, CNPJ nº 05.529.445/000187 (localizada em Zurique, Suíça) com 0,01%. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 Passando a tecer maiores comentários sobre os valores apurados nas demonstrações financeiras atinentes aos anos de 2007 e 2008, sintetiza: a) De acordo com as informações prestadas nas linhas integrantes das Fichas 09A da Declaração de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ), houve o oferecimento à tributação de lucros disponibilizados no exterior conforme abaixo: Anocalendário 2007: R$ 28.879.476,17 Anocalendário 2008: R$ 445.203.386,08 Enfatiza ainda que a comparação dos valores declarados revelou um significativo incremento na adição destes valores no segundo períodobase. b) Outro ponto comunicado pela LATAM BRASIL no intróito da ação fiscal diz respeito à mudança do critério de reconhecimento das variações cambiais passivas no ano base de 2008, saindo da metodologia exercida com base no regime de caixa para o regime de competência. Acerca disto, noticiou que a fiscalizada promovia a mensuração das variações cambiais pelo regime de caixa até 31 de dezembro de 2008, conforme autorizado pelo art. 30 da MP 2.15835/2001. A partir de 1º de janeiro de 2009, passou a efetuar o reconhecimento das variações cambiais com base no regime de competência consoante preceituado no § 3º do art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 345/2003, computandose no ano precedente (AC 2008) as despesas financeiras incorridas até o encerramento daquele períodobase. Sob este aspecto, os AuditoresFiscais certificaram que a referida mudança do regime contábil implicou no ajustamento dos valores computados na determinação do resultado do exercício, consoante demonstrado no quadro abaixo: Salientase que alteração do procedimento de reconhecimento da variação cambial correlacionase com lucro apurado em 31 de dezembro de 2008 pela controlada no exterior domiciliada nas Bahamas. Acrescenta que, simultaneamente, a fiscalizada ofereceu à tributação o aludido lucro da sua controlada (R$ 445.203.386,08) e promoveu significativo reconhecimento da variação cambial passiva mensurada no mesmo exercício financeiro (R$ 722.973.074,65) em decorrência do ajuste fundamentado na alteração da metodologia contábil (de regime de caixa para regime de competência). Ressaltase ainda que as importâncias correspondentes a R$ 139.576.404,08 (variações cambiais ativas – operação liquidada) e R$ 22.148.765,53 (juros passivos – Eurobônus) refletem os ajustes de variações apuradas até 31 de dezembro de 2007, todavia, não atrelados à mudança do critério de reconhecimento contábil das despesas. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 1301002.005 S1C3T1 Fl. 13 5 Outrossim, os dados constantes do Balancete levantado em 31/12/2008 evidenciaram que o saldo das contas “8.1.1.15.00.0120 – Eurobônus – Variação Cambial não Realizada” e “8.1.1.15.00.0140 – “Eurobônus – Despesas de Juros” foram computados nas linhas das Fichas 6A e 9A DIPJ/2009 (anocalendário 2008), respectivamente, valores estes conexos à emissão de Eurobônus pela fiscalizada. Encerrado os comentários desenvolvidos acerca do conteúdo das demonstrações financeiras levantadas pela fiscalizada e suas repercussões provenientes da mudança do critério de reconhecimento das aludidas despesas financeiras ante a emissão os aludidos Eurobônus, inaugurouse a descrição dos atributos inerentes aos respectivos títulos creditícios. No tocante a este aspecto, assentase que as variações cambiais e outras despesas financeiras computadas no resultado fiscal provêm da operação de captação de recursos efetuada mediante emissão de Eurobônus no período de Agosto/1997 a Março/1998, consoante detalhado no TVF, totalizando aproximadamente 72,5 bilhões de Ienes: Destacam que o fiscalizado remeteu contratos intitulados de “NOTAS DEFINITIVAS”, certificado nº 6 e 7, apresentando as seguintes características: a) Emitente: Latam (Brasil) Representações, atual denominação de Credit Suisse First Boston (Brasil) Representações; Agente de pagamento principal: J. P. Morgan Trust Bank, Ltd. (atual denominação de Chase Trust Bank); Agente de registro: J. P. Morgan Bank Luxembourg S/A (atual denominação do Chase Manhattan Bank Luxembourg S/A); Agente Fiscal e Agente de Transferência: J. P. Morgan Chase Bank, National Association (atual denominação de The Chase Manhattan Bank). b) Especificação: Programa de notas de médio prazo em Euros de JPY 75.000.000.000,00, sendo primeira “tranche” JPY 30.714.285.714,00, segunda “tranche” JPY 26.000.000.000,00 e terceira “tranche” de JPY 15.869.387.756,00, todas com vencimento em 13/setembro/2015 e taxas de remuneração de 1,80% ao ano; c) Não obstante as afirmações do contribuinte que alegavam seu desconhecimento em relação à qualificação dos adquirentes dos títulos creditícios em referência, as “Notas Definitivas” traziam informação expressa de que a CREDIT SUISSE INVESTMENT BANK (BAHAMAS), antes denominada de CREDIT SUISSE FIRST BOSTON (BAHAMAS) LIMITED (sociedade estrangeira integrante do mesmo conglomerado) mostravase como portador registrado de uma das notas emitidas e, por conseguinte, tinham direito ao reembolso principal dos valores principais acrescidos de juros calculados a partir da data de emissão; d) De acordo com o item 1.3 dos Termos e Condições da Nota Definitiva tornavam expresso que o portador do título seria tratado pelo emitente (fiscalizada) e pelo Agente de Registro como seu proprietário absoluto do direito creditício para todos os fins de direito, independentemente de aviso de propriedade, depósito fiduciário ou qualquer Fl. 884DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 participação na nota ou aviso escrito, bem assim na hipótese de eventual roubo ou perda do documento. A partir do exame conteúdo das notas definitivas certificouse que o adquirente ou proprietário absoluto dos aludidos títulos de crédito era, de fato, a CREDIT SUISSE INVESTMENT BANK (BAHAMAS), atual CREDIT SUISSE FIRST BOSTON CSFB (BAHAMAS) LIMITED., ou seja companhia integrante do conglomerado. Sendo assim, compreenderam esvaziadas as assertivas trazidas em resposta ao Termo de Intimação nº 3, de 1º/08/2012, visto que constatado que o teor das cláusulas das Notas Definitivas revelou nitidamente aqueles que detinham a titularidade do direito em face do emitente dos Eurobônus (fiscalizada). Noutra perspectiva, passaram a tratar sobre o trâmite da aplicação dos recursos obtidos por intermédio da aludida operação. Baseado nas assertivas conduzidas pelo fiscalizado, os recursos financeiros ingressados no Brasil foram registradas via operação de fechamento de câmbio e, inicialmente, investidos no país. Os valores recebidos em decorrência das emissões de Eurobônus sujeitaram se à incidência dos juros e variações cambiais durante o período, bem assim escriturados no patrimônio da sociedade em conta do passivo intitulada de “Obrigações por Títulos e Valores Mobiliários – Exterior”, cuja contrapartida, inicialmente, transitou pela conta “Caixa” e, posteriormente, em “Aplicações em Títulos e Valores Mobiliários”. No entanto, meses após a entrada das divisas, o fiscalizado promoveu a remessa dos recursos a título de operação de empréstimo à pessoa jurídica sediada no exterior pertencente ao grupo econômico, formulada via Transferência Internacional de Reais – TIR registrada no Banco Central do Brasil: a (LATAM HOLDINGS) LLC, localizada nas Ilhas Cayman (fls. 140/147), no total de R$ 655.186.844,66. Por ocasião da liquidação do mútuo pactuado pela CSFB (LATAM HOLDINGS) LLC, os aludidos recursos financeiros de titularidade da interligada no Brasil, ainda mesmo no exterior, foram redestinados para capitalização da LATAM (BAHAMAS), sociedade controlada pela entidade fiscalizada, portanto, convertidos em investimentos permanentes em sua subsidiária domiciliada nas Bahamas, segundo conteúdo demonstrado em Ata de Reunião do Conselho de Diretoria da subsidiária nos anos de 1998 e 1999. Noticiouse também que a importância capitalizada na subsidiária no exterior foi, na seqüência, por ela reinvestida, gerando resultados positivos que viabilizaram o pagamento de dividendos em favor da controladora no Brasil nos anos de 2007 e 2008. Pontua ainda que a fiscalizada argumentou que os ativos integrantes do patrimônio da subsidiária estrangeira decorreram especificamente de operação de aporte de Capital acrescido do resultado positivo derivado de novas aplicações de recursos levados a efeito no exterior. Sob este aspecto em particular, afirmou que os valores que ingressaram na subsidiária no exterior foram segregados no patrimônio líquido da investida através das contas de “Capital Social (Commom Shares)” e “Ágio (Aditional Paid in Capital)”. No tocante à conta “Capital (Commom Shares)” escriturouse a importância consignada no Contrato Social da subsidiária estrangeira; os valores controlados na rubrica Fl. 885DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 1301002.005 S1C3T1 Fl. 14 7 “Ágio (Aditional Paid in Capital)” embora não assentados no Estatuto ou Contrato Social da controlada, foram mantidos no patrimônio líquido da entidade por se referirem a aporte proveniente ao desembolso do ágio na subscrição de ações, no total de R$ 529.269.316,33. Encerrada a demonstração da composição dos recursos destinados para a capitalização da subsidiária no exterior, passa a comentar sobre a operação de empréstimo pactuado entre a própria LATAM (BAHAMAS) e a CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED, controladora indireta da empresa fiscalizada. Indagado acerca da composição do saldo da conta “EMPRÉSTIMOS A RECEBER – (LOAN – TIE NO BANK)” no valor de US$ 601.726.446,39, equivalente a R$ 1.406.234.705,21, constante do Balanço da LATAM (BAHAMAS) levantado em 31/12/2008, o fiscalizado relatou que se tratava de empréstimo concedido em 25/08/2008, à CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED. Defronte as respostas trazidas pelo fiscalizado, ratificouse que a emissão dos Eurobônus tinha como finalidade precípua a capitalização da subsidiária no exterior. Concluíram que entre o período de 1998 a 2008, o aporte de capital repassado à subsidiária mantevese, desde o início, investido no mercado, gerando resultados positivos que viabilizaram o pagamentos de dividendos à controladora domiciliada no Brasil; operavase, assim, a situação em que a fiscalizada incorria no desembolso de juros oriundos da emissão dos Eurobônus; noutra perspectiva, computava os valores correspondentes aos dividendos percebidos de sua controlada em Bahamas. Exatamente em março/2008, os recursos mantidos no patrimônio da controlada foram redestinados, via empréstimo, para a CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED, ou seja, consoante mostrado no Organograma 1, a sócia majoritária da LATAM INVESTIMENTOS que, a seu turno, exerce controle quase que absoluto sobre a empresa fiscalizada. Observandose o fluxo de recursos financeiros provenientes da emissão dos Eurobônus pelo fiscalizado, os AuditoresFiscais afirmaram que a leitura dos termos das “Notas Definitivas” indicavam que: 1) No período de 29/08/1997 a 18/03/1998 os Eurobônus foram adquiridos pela empresa do grupo: a CREDIT SUISSE INVESTIMENT BANK (BAHAMAS), atual CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED (quadro 3); 2) De 31/08/1998 a 12/01/1999 os recursos foram transferidos, via operação de empréstimo à CSFB (LATAM HOLDINGS) LLC, igualmente, pertencente ao grupo e sediada no exterior (quadro 4); 3) De 05/10/1998 a 26/08/1999, por ocasião da liquidação das operações de empréstimo, os recursos foram enviados para capitalização da subsidiária no exterior LATAM (BAHAMAS) (quadro 5); 4) Em 25/03/2008, os recursos voltam como empréstimo para a controladora indireta do fiscalizado, a empresa CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 8 Em síntese, (1) houve o ingresso de valores no Brasil nos anos de 1997 e 1998 em face da negociação das denominadas “Notas Definitivas” (Eurobônus) através da aquisição dos títulos por empresa integrante do conglomerado; (2) entre os anos de 1998 e 1999, as importâncias foram remetidas ao exterior, via operação de empréstimo, destinada para outra companhia integrante do mesmo grupo econômico CSFB (LATAM HOLDINGS) LLC; (3) Ainda no mesmo período supracitado, as importâncias foram capitalizadas na subsidiária no exterior LATAM (BAHAMAS). O investimento destinouse à integralização de capital e pagamento de ágio na aquisição da participação societária. A subsidiária reinveste os valores ingressados em seu patrimônio e efetivam a remessa de dividendos à controlada no Brasil; (4) No anocalendário de 2008, a subsidiária no exterior promove a remessa desses recursos financeiros, novamente via empréstimo, à CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED (controladora indireta da fiscalizada). Nesse sentido, observouse a realização de um verdadeiro looping com os mesmos recursos no âmbito interno do conglomerado derivados da emissão dos Eurobônus pela fiscalizada. A partir das análises supracitadas compreendeuse que as sucessivas operações de captação mostram que os mesmos recursos financeiros tramitaram entre empresas pertencentes do mesmo Grupo Econômico, bem assim que os lucros auferidos no exterior com base na sistemática da equivalência patrimonial não foram efetivamente tributados no Brasil, porquanto neutralizados na apuração com base no Lucro Real. Retirouse desse contexto que se a entrada de divisas do exterior não fosse intermediada através de empréstimos convencionados entre partes relacionadas, via aquisição de Eurobônus, mas sim ingressado mediante capitalização da LATAM (BRASIL) REPRESENTAÇÕES (fiscalizado), inexistiria a figura da variação cambial, tampouco das despesas de juros passivos. De acordo com as constatações das autoridades lançadoras, tais encargos financeiros, até mesmo, influenciaram na determinação do resultado tributável, porquanto com a alteração do critério de reconhecimento das variações cambiais passivas do regime de caixa para de competência, ensejou a neutralização dos efeitos da adição das importâncias inerentes ao lucro auferido no exterior proveniente de controlada sediada em Bahamas. Abstraiuse ainda a ocorrência de um planejamento intencional na alteração do critério de reconhecimento das aludidas despesas financeiras do regime de caixa para o regime de competência, objetivandose o cômputo integral da variação cambial passiva incorrida no ano de 2008, consoante disciplinado no § 3º da Instrução Normativa SRF nº 345/2003. A composição do patrimônio do fiscalizado indicava um Ativo composto da conta de Dividendos a Receber e, paralelamente, um Passivo representado por Empréstimos a Pagar decorrente da operação de emissão de Eurobônus; noutra ponta, a controlada sediada nas Bahamas possuía aplicações diversas no Ativo e, em contrapartida, Capital e Ágio na subscrição de ações no Patrimônio Líquido. Concluiuse a partir daí que, as despesas eram assumidas pelo fiscalizado; as receitas, por sua vez, eram concentradas em favor da controlada. Ao contrário das assertivas trazidas durante a fiscalização, as emissões de Eurobônus não proporcionaram investimentos no Brasil; Na verdade, a documentação apresentada mostra apenas que os recursos foram investidos diretamente na controlada instalada nas Bahamas, transitando no país apenas as despesas financeiras com juros e, ainda Fl. 887DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 1301002.005 S1C3T1 Fl. 15 9 assim, de caráter meramente especulativo, visto que nada gerou de acréscimo à produção nacional. Aliás, o próprio representante da empresa fiscalizada não soube esclarecer as razões para execução de um mecanismo de operações pactuadas intragrupo. Restou evidente, no entanto, que a prática visou tão somente dirimir a apuração de base tributável decorrente da adição dos lucros auferidos de controlada situada no paraíso fiscal das Bahamas, neutralizando se seus efeitos por intermédio de variações cambiais incorridas à luz de operações firmadas com empresa do grupo que adquiriu os Eurobônus. Resumindo a situação pormenorizada nos parágrafos anteriores, os Auditores Fiscais demonstraram a composição dos Balanços da subsidiária no exterior e da fiscalizada atinentes aos anoscalendário de 2007 e 2008 (Quadro 6 do TVF). Baseado na consolidação dos dados reportados no Quadro 6, teceram os seguintes comentários finais: a) A escrituração dos Eurobônus no patrimônio da LATAM (BRASIL) REPRESENTAÇÕES (fiscalizado) efetuouse em rubrica intitulada de “Obrigações por TVM no exterior”. Os saldos em 31/12/2007 e 31/12/2008 eram de R$ R$ 1.149.652.804,09 e R$ 1.872.658.775,53, respectivamente. A diferença apresentada entre os saldos finais no encerramento dos respectivos exercícios em tela correspondem às importâncias computadas a título de variação cambial passiva resultante da operação creditícia; b) Dos valores escriturados no passivo da controlada no AC 2007, parcela significativa dos valores recebidos foi qualificada como ágio na subscrição de ações. No período seguinte, este montante foi transferido para a conta intitulada de “Dividendos a Pagar”, sem qualquer justificativa plausível, não apresentando nenhuma razão lógica para tanto. No seu bojo, apenas se explicaria a mutação patrimonial se a escrituração representasse um compromisso na devolução do ágio; c) O aporte de capital no patrimônio da controlada (AC 2007) foi convertido para “Empréstimos a Receber” no ano subsequente em face de operação efetuada com a controladora indireta do fiscalizado (CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDINGS (BAHAMAS) LTD.), mostrando que os recursos vinculados à emissão de Eurobônus retornaram a sua origem; d) Examinando a conta de investimentos da fiscalizada, constatouse que foi transferido um valor expressivo para a conta de “Dividendos a Receber de Ligadas” no curso do anocalendário de 2008, circunstância que tornou evidente a tese de devolução do ágio; e) Não obstante a escrituração levada a efeito na conta de Dividendos, observouse que não ocorreu a liquidação das notas de Eurobônus. A fiscalizada permaneceu computando valores substanciais de juros e variações cambiais incorridos em conta do passivo denominada de “Obrigações com TVM exterior juros”. Ao final do exercício financeiro de 2008, apurouse um saldo de despesas de captação de títulos e valores mobiliários no exterior – Eurobônus (despesas operacionais) composto de: R$ 722.973.074,65, a título de variação cambial não realizada e R$ 25.160.136,63 a título de juros; f) Encerra a questão, deduzindo que, se a capitalização na controlada não fosse realizada via empréstimos, mas sim diretamente pelo Grupo, mantendose a moeda Fl. 888DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 10 original em dólares e sem a cobrança de juros entre as partes, não ocasionaria mutações de qualquer espécie, visto que as divisas apenas circulariam entre as empresas integrantes do mesmo conglomerado. No entanto, ao tramitar essas divisas conjugandose com essas operações de mútuo passíveis de incidência de juros entre partes relacionadas houve também uma transferência significativa de valores desta natureza entre os países. Demonstraramse, assim, os mecanismos levados a efeito pelo conglomerado, revelandose que a alternância da aplicação dos critérios de reconhecimento da variação cambial do regime de caixa para o regime de competência tornou viável a neutralização dos efeitos dos lucros auferidos pela controlada. De acordo com a análise das autoridades fiscais esse planejamento ocorreu no intervalo entre o encerramento do anobase e o prazo legal de entrega da declaração de ajuste anual do imposto de renda, visto que, neste período, projetouse os efeitos tributários a serem obtidos a partir da comparação do lucro auferido pela controlada e o montante de despesas financeiras a ser apurado diante de cada regime de reconhecimento da variação cambial. Passando a descrever a fundamentação da tributação em face da caracterização da infração tipificada no procedimento de fiscalização, assentase que entre os requisitos de admissibilidade de dedução de despesas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL demandase a qualificação como necessárias ao exercício da atividade da empresa, consoante disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964 e no art. 299 do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99. Segundo seus termos retirase que as despesas operacionais são aquelas usuais ou normais ao exercício de suas operações e à manutenção da respectiva fonte produtora. No caso concreto, a usualidade e normalidade das despesas operacionais da entidade demandam uma interpretação conjugada das operações promovidas no âmbito do conglomerado. Nesse sentido, inferese que a captação dos recursos do fiscalizado integrante do mesmo grupo econômico e o investimento da subsidiária no exterior sediada nas Bahamas, bem assim a posterior alocação superveniente deste recurso no exterior, caracterizam um mecanismo anormal e não usual da gestão empresarial. Sob este prisma, demonstra os fatores que mostram a ocorrência de atos anormais de gestão: Objetivando o cumprimento dos propósitos do conglomerado, os recursos enviados como empréstimos poderiam ser integralizados no capital da fiscalizada para posterior capitalização na subsidiária no exterior, circunstâncias que evidenciam a inexistência da necessidade da emissão dos Eurobônus, bem assim da operação creditícia e a consequente contabilização de juros e variações cambiais; A sucessão de operações realizadas dentro do conglomerado, a começar pela obtenção dos recursos pelo fiscalizado a partir de emissão dos eurobônus e a sua aquisição por meio de empresa do mesmo grupo no período de 08/1997 a 03/1998, conjugado com o repasse posterior para outra empresa do conglomerado, via empréstimo de 31/08/1998 a 12/01/1999 e, finalmente, a capitalização da subsidiária no exterior sediada nas Bahamas em 05/10/1998 a 26/08/1999, corroboraram para as inferências de que o objetivo intragrupo era a capitalização da LATAM (BAHAMAS) e evidenciam que as transações intermediárias eram igualmente desnecessárias; Fl. 889DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 1301002.005 S1C3T1 Fl. 16 11 A fiscalizada não detinha capacidade econômica para a efetivação do aporte de capital na subsidiária no exterior; A empresa adquirente dos Eurobônus, bem assim a qualidade de partes beneficiárias entre as credoras e devedores das operações de mútuo demonstra que as transações intermediárias de emissão de Eurobônus e os empréstimos constituíramse em mera liberalidade. Diante do todo o exposto, depreendeuse que as despesas incorridas com juros e variações cambiais mostraramse totalmente desnecessárias e não essenciais exigindo a glosa de seus valores (Quadro 7). Reforça suas inferências enfatizando o teor da ementa de decisão proferida no Acórdão nº 0910100.287, em sessão de 24 de agosto de 2009, que versou sobre matéria análoga julgada pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Cientificado pessoalmente dos termos das autuações em 26/03/2013, os procuradores regularmente constituídos pela sociedade apresentaram a impugnação em nome da empresa em 25/04/2013 (fls. 533/570), através da qual submetem suas alegações de fato e de direito em contraposição à autuação em referência. Após breve consideração e exposição acerca das inferências contidas na autuação em referência, inicia o desenvolvimento da defesa esclarecendo que a impugnante foi constituída no país em 1995 sob a denominação de Credit Suisse First Boston (Brazil) Representações Ltda, formada por empresas do grupo Credit Suisse, considerado um dos maiores conglomerados financeiros do mundo, com origem na Suíça. Esclarece que, em meados de 1997, planejando a instalação e desenvolvimento de atividades bancárias no país, decidiu emitir títulos representativos de dívida no exterior (Eurobônus), subdividido em 3 (três) tranches: (i) 29/08/1997 (26.000.000.000,00 Ienes); (ii) 13/03/1998 (30.714.285.714,00 Ienes) e (iii) 18/03/1998 (15.869.387.756,00 Ienes), cujos títulos foram adquiridos, originalmente, por empresas integrantes do grupo Credit Suisse. Ao final da emissão dos Eurobônus, a impugnante passou a ter uma dívida total de 72.583.673.470,00 Ienes. Justifica que, para fazer frente às obrigações assumidas em decorrência da emissão de tais títulos, passou a investir em mercados financeiros e de capital no Brasil. Posteriormente, entretanto, mais precisamente em agosto/1998, o governo da Rússia anunciou a desvalorização de sua moeda local e declarou a moratória de seus compromissos, dando origem à chamada “Crise Russa” que implicou em grande impacto nos mercados mundiais, sobretudo os mercados emergentes, entre eles o Brasil. Nesse sentido, a crise expôs e potencializou algumas fragilidades existentes na recémestabilizada economia brasileira, em especial o artificialismo e o alto custo da manutenção de uma cotação (semi)fixa do Real frente ao Dólar. Acrescenta que essa súbita mudança no cenário econômico brasileiro e mundial, cumulada com o risco de uma desvalorização do Real, tornou reduzidas as oportunidades de investimento nos mercados financeiros e capitais no Brasil, indicando aos Fl. 890DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 12 seus investidores a necessidade de a impugnante adquirir ativos em moeda estrangeira, uma proteção (hedge) quanto a eventual confirmação desses efeitos negativos sobre a moeda brasileira. Por conta desse cenário, entre 05/10/1998 e 1º/06/1999 a impugnante efetuou o investimento em empresa controlada sediada nas Bahamas, a Latam Brasil Investiments (Bahamas) Limited (Latam Bahamas), a título de aporte de capital: (i) 05/10/1998 (USD 403.363.291,45); (ii) 26/01/1999 (USD 150.000.000,00); (iii) 1º/06/1999 (USD 641.666,67). A partir daí e se estendendo até 2008, o impugnante passou a levantar seu Balanço com as seguintes informações: (a) de um lado, a dívida oriunda dos Eurobônus, gerando despesas de juros e variações cambiais (positivas ou negativas); e (b) de outro, a participação societária na Latam Bahamas, cujos lucros passaram a ser reconhecidos e oferecidos à tributação no Brasil por força do art. 25 da Lei n º 9.249, de 26/12/1995 e do art. 74 da MP nº 2.15835, de 24/08/2001. Noticia que a decisão pertinente à manutenção de recursos no exterior avigorouse com a decisão do conglomerado em alterar o plano inicial de desenvolvimento de suas atividades no Brasil, seja diretamente pela própria impugnante ou por eventual empresa a ser constituída no país. Acrescenta que em 31/07/1998, após a conclusão dos estudos atinentes à plataforma bancária instalada no Brasil, o grupo Credit Suisse adquiriu o controle de um dos maiores Bancos de Investimento em atuação no mercado financeiro: o Banco de Desenvolvimento Garantia S/A. A partir da aquisição, passou a denominarse Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston Garantia S/A, posteriormente alterado para Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A. O impugnante, então, permaneceu atuando apenas como uma sociedade de serviços, representação e investimentos, atividades estas realizadas especialmente nos mercados financeiros e de capitais da América Latina, representada por sua controlada Latam Bahamas. A partir de 26/03/2002, o impugnante teve a sua denominação social alterada para Credit Suisse First Boston (Brasil) Representações Ltda para Latam (Brasil) Representações Ltda. Assinala que o termo “Latam” corresponde à abreviação de Latina América como indicação de sua presença e foco na região. Neste contexto, reclama que as autoridades tributárias ignoraram os resultados reconhecidos e oferecidos à tributação desde 1998, em especial, aqueles gerados em face dos lucros gerados a partir do investimento em Latam Bahamas, concluindo pela indedutibilidade das despesas incorridas (juros e variação cambial), em particular no ano de 2008, oriundos de operação de Eurobônus emitidos nos anos de 1997 e 1998. Retira das inferências contidas no Termo de Verificação Fiscal que as razões que ensejaram a negativa de dedutibilidade das despesas financeiras correlatas à negociação dos Eurobônus originaramse dos seguintes fatos: (i) as operações creditícias terem sido realizadas entre empresas integrantes do mesmo grupo econômico; e (ii) a utilização de parcela dos recursos captados em operações de mútuo e aportes de capital igualmente dentro do conglomerado. No tocante a primeira motivação trazida pela fiscalização entende que a tese originase da circunstância em que os recursos disponíveis no âmbito do conglomerado deveriam ser remetidos diretamente para aporte de capital das empresas integrantes do grupo Fl. 891DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 1301002.005 S1C3T1 Fl. 17 13 econômico, sem a necessidade de trâmite dos recursos mediante intermediação de operações de mútuos entre partes relacionadas. Por seu turno, quanto a segunda razão pautada pela fiscalização, diz respeito ao fato de que a transferência dos recursos, via emissão de Eurobônus, negociada entre pessoa ligada e as demais operações de mútuo sucessivamente efetuadas entre as empresas do mesmo grupo mostraramse desnecessárias, porquanto o objetivo final do conglomerado era a capitalização da Latam Bahamas. Nestes termos, as despesas de juros e as variações cambiais seriam passíveis de glosa, visto que a passagem dos recursos entre as empresas ligadas revelaram um verdadeiro looping com a finalidade de produzir efeitos neutralizadores do plano fiscal. No que concerne a estes aspectos, justifica que, sobretudo a partir do ano de 2000, o impugnante reconheceu os resultados de variação cambial somente por ocasião da liquidação das correspondentes operações de crédito, ou seja, baseado no regime de caixa, em linha com o disposto no art. 30 da MP nº 1.85810, de 29/10/1999, reeditada até a publicação da MP nº 2.15835/01. No início de 2009, no entanto, exercendo a opção facultada § 1º do art. 30 da MP nº 2.15835/01, regulamentado pelo art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 345, de 28/07/2003, passou a reconhecer as despesas financeiras passivas pelo regime de competência, razão pela qual, em observância aos termos das aludidas normas, escriturou a variação cambial acumulada de seus direitos de crédito e de suas obrigações até o final de dezembro do anobase de 2008. Assevera que exatamente por conta do exercício desta faculdade, concluiuse que a mudança de critério de reconhecimento das despesas operacionais e a neutralização de parte significativa dos resultados positivos auferidos pela subsidiária no exterior decorreram de um planejamento não admitido pelo sistema tributário. Sob esta perspectiva, protesta que as conclusões trazidas pela fiscalização nascem de fatos que não tem nenhuma relevância para a análise do caso concreto, quais sejam: (i) a captação de recursos por meio dos Eurobônus em montante elevado e guarida por empresa ligada; (ii) a sede da controlada localizarse em paraíso fiscal; (iii) o aporte de capital de parcela relevante dos captados, via Eurobônus, em ágio na subscrição de ações (additional paid in capital). Passando a discorrer mais detidamente sobre o mérito da autuação, inaugura suas considerações em defesa da dedutibilidade dos juros incorridos sobre a operação creditícia em tela. Retomando os termos dos art. 299 e 300 do RIR/99 e destacando interpretação retirada da doutrina tributária, argumenta que as despesas necessárias e dedutíveis para efeito de IRPJ originamse dos negócios efetuados pelo contribuinte ou são incorridas para a manutenção de sua fonte produtora de renda. Nesta linha, são necessárias as despesas de produção, manutenção de equipamentos e contratação de determinados serviços. Ao contrário disso, não se qualificam como tal despesas com brindes, perdão de dívidas, doações não previstas na legislação de regência e outras que denotem mero ato de liberalidade. Acrescenta que os juros decorrentes de uma operação de crédito relacionadas às atividades operacionais da pessoa jurídica, evidentemente, qualificamse como necessários, Fl. 892DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 14 pois os recursos captados são aplicados na fonte produtora de renda. Nesse sentido, destaca a redação expressa no art. 374 do RIR/99. Refuta totalmente absurda a tese desenvolvida pela fiscalização ao se posicionar pela anormalidade, ausência de usualidade e mera liberalidade das operações creditícias levadas a efeito pelo impugnante, Igualmente, em relação às medidas adotadas no plano do conglomerado, entendendo que se originam da impossibilidade de dedutibilidade das despesas financeiras adstritas à negociação do Eurobônus. Compreende que o fato de serem pessoas ligadas não lhes retira sua autonomia e independência, sendo razoável entender que as decisões corporativas integram objetivos, interesses e patrimônios próprios, os quais não podem ser ignorados ou confundidos. Afirma inexistir anormalidades nas operações de mútuo firmadas entre empresas ligadas, visto que se trata de prática absolutamente usual entre entidades que participam do conglomerado. Além disso, não existe norma que justifique a pretensão da fiscalização em restringir a situação de aporte de capital como a única hipótese legítima de transferência de recursos entre empresas do mesmo grupo. Embora concorde que a captação de recursos pudesse ser efetuada através do mecanismo proposto pelas autoridades fiscais, afirma que esta não é a única modalidade admitida pela legislação brasileira. No caso específico, o conglomerado entendeu adequada a entrada de recursos por meio de emissão de título de dívida. Por sinal, esse seria o posicionamento emitido através do PN COSIT nº 138, de 13/11/1975, que entende admissível a dedutibilidade das despesas de juros mesmo quando pagos a “sócio, acionista, dirigente, administrador ou participante nos lucros”, desde que pactuados a taxas de mercado e devidamente documentados, esta última não discutida no caso concreto. Nesse mesmo sentido, menciona decisões proferidas pelo antigo Conselho de Contribuintes. Quanto ao argumento adicional utilizado pela fiscalização para justificar a glosa das despesas financeiras referentes à operação creditícia, acentua que os investimentos efetuados na Latam Bahamas geraram resultados positivos nos anos subseqüentes à concretização no exterior, valores estes que foram oferecidos à tributação pelo impugnante. A dívida proveniente do Eurobônus gerou despesas financeiras, no entanto, a participação societária lhe trouxe receita, circunstâncias que ratificam a necessidade das despesas incorridas para que se auferisse renda nos anos subseqüentes. Entendem ilógicas e contraditórias as inferências de que a capitalização da subsidiária no exterior foi realizada em etapas contínuas e em curto período de tempo, motivada exclusivamente para fins fiscais, bem assim que deveria ser levada a efeito diretamente pelo grupo adquirente dos Eurobônus, sem a passagem de recursos pela impugnante, circunstância que evitaria a apuração de juros e variações cambiais no Brasil. Argumenta que se os recursos fossem transferidos à Latam Bahamas diretamente por outras empresas do conglomerado, o impugnante não teria investido em sua controlada no exterior, assim como não ofertaria os seus lucros à tributação no Brasil. Salienta que o intervalo entre a emissão e negociação dos Eurobônus e a efetivação dos investimentos na subsidiária no exterior foi de quase um ano; além do mais, a decisão que motivou o investimento nas Bahamas decorreu da súbita mudança no cenário Fl. 893DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 1301002.005 S1C3T1 Fl. 18 15 econômico brasileiro e mundial causada pela Crise Russa e, particularmente, pela desistência do plano inicial do conglomerado na instalação de atividades bancárias no Brasil. Assevera, portanto, que os investimentos na subsidiária no exterior se deram por circunstâncias não planejadas e, de maneira alguma, foram motivados para atendimento de objetivos meramente fiscais. Entende que não há motivos para se questionar a dedutibilidade das despesas financeiras correlatas, mormente sem levar em consideração o retorno dos investimentos feitos pela impugnante. Reforça ainda que o art. 31 da Lei nº 11.727, de 23/06/2008, reconhece expressamente a possibilidade de as empresas obterem financiamentos para viabilizar a aquisição de participações societárias, incluindose o diferimento de despesas de juros e seu cômputo no custo dos investimentos permanentes adquiridos. Além disso, a legislação tributária admite a dedutibilidade desses encargos financeiros tendo como contrapartida a realização de investimentos que não geram lucros tributáveis, tal como ocorre nos casos em que a empresa sediada no Brasil é a destinatária do investimento. Ainda mais razoável, portanto, a dedutibilidade de despesas quando a destinatária do investimento encontrase sediada no exterior e seus lucros sujeitamse à incidência da tributação em face da adição de seus resultados pela entidade brasileira. Afora isso, diverge da alegação retirada das inferências contidas no TVF (pág. 9, item j) de que as operações teriam produzido apenas despesas ao impugnante e ganhos para a controlada no exterior. Certifica que as operações geraram, simultaneamente, despesas e receitas tributáveis, nos termos do art. 74 da MP nº 2.15835/01. Nesse ponto, repisa que se os encargos financeiros do Eurobônus fossem transferidos diretamente à Latam Bahamas, inexistiriam despesas passíveis de dedução da base imponível do IRPJ e da CSLL, bem assim não haveriam receitas tributáveis. Ademais, refuta as ilações que questionam a temporalidade de manutenção da capitalização dos recursos na subsidiária no exterior simultaneamente ao endividamento contraído com a emissão do Eurobônus (pág. 10, item q do TVF), visto que o retorno das divisas possibilitariam a liquidação da obrigação e a interrupção do cômputo de encargos financeiros paralelamente ao investimento. Entende despropositado o questionamento trazido acerca da operação de mútuo firmada em 25/03/2008 entre a Latam Bahamas e a Credit Suisse First Boston Holding (Bahamas) Limited, por entender que se promoveu de forma legítima e não houve qualquer impropriedade na transação efetuada entre as empresas ligadas. Reitera que a operação em questão não gerou nenhum óbice quanto ao cômputo dos resultados positivos decorrentes da participação societária. Não obstante o impugnante dispusesse de caixa para a liquidação da obrigação contraída a partir da emissão do Eurobônus, argumenta que cabe à gestão empresarial definir sobre a aplicação ou não desses recursos com vistas a propiciar resultados que lhe sejam compensadores. Além do mais, sustenta que a liquidação antecipada se trataria de um equívoco em termos societários, e irrelevantes no plano fiscal. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 16 Reclama que não cabe ao AuditorFiscal intervir acerca da conveniência e oportunidade da tomada de decisões adstritas à política de investimentos exercidos pelos contribuintes. Além disso, destaca que os recursos captados através da emissão dos Eurobônus foram utilizados em operações aptas à geração de receitas para o impugnante, circunstância que entende suficiente para outorgar a dedutibilidade das despesas decorrentes da operação creditícia, mormente quando totalmente compatíveis com o objeto social da sociedade. Avigora suas inferências citando ementas de decisões proferidas pelo antigo Conselho de Contribuintes que versaram sobre controvérsias similares. Em oposição a outras razões trazidas no TVF, repisa ser totalmente comum e usual que as empresas integrantes do conglomerado financiem umas às outras ou mesmo ofereçam garantias recíprocas em operações que envolvam terceiros. Entende, portanto, que não há nada de errado ou anormal nesse tipo de relacionamento entre empresas ligadas. Além disso, o fato de a Latam Bahamas localizarse em paraíso fiscal não causou nenhuma lesão ao fisco brasileiro. Fosse localizada fora das Bahamas, a incidência do imposto de renda sobre os lucros outorgaria sua utilização como crédito do mesmo tributo devido no Brasil, consoante estabelecido pelo art. 26 da Lei nº 9.249/95 e art. 14 da IN RFB nº 213/2002). Reduzirseia, por assim dizer, potencialmente os valores do IRPJ e da CSLL a ser recolhido no país sobre tais lucros auferidos no exterior. Dando seguimento a exposição de sua defesa quanto à pertinência da dedutibilidade dos juros decorrentes da emissão de Eurobônus, afirma que a subdivisão do aporte de capital entre capital social e ágio na subscrição de ações decorre de particularidades provenientes das Bahamas, fatos que, todavia, não causaram nenhuma consequência fiscal no Brasil, visto que todo o lucro auferido pela subsidiária foi integralmente ofertado à tributação ao final de cada ano, consoante disposto no art. 74 da MP nº 2.15835/01. Ademais, as importâncias recebidas da Latam Bahamas tem natureza de mera transferência de lucros já tributados ou de restituição de capital. Finalmente, abstrai que as conclusões que determinara a não dedutibilidade dos aludidos encargos financeiros representa uma tentativa de aplicação, por via indireta, das normas de subcapitalização (ou Thin Capitalization) introduzidas no nosso sistema através da MP nº 449, de 15/12/2009, posteriormente convertida na Lei nº 12.249, de 11/06/2010 (arts. 24 e 25), assim, não aplicáveis aos fatos geradores objetos da autuação. No tocante à dedutibilidade das variações cambiais, esclarece, primeiramente, que a partir de 1º/01/2000, tais encargos financeiros, para efeitos fiscais, passaram a ser reconhecidos pelo regime de caixa. Relembra ainda que o impugnante, exercendo a faculdade prevista no art. 30 da MP 2.15835/01 e do art. 2º IN SRF nº 345/2003, decidiu que, a partir do ano de 2009, alteraria para o regime de competência a forma de reconhecimento da variação cambial, ou seja, em nada se assemelhando com a prática de planejamento tributário. Segundo a invertida lógica do autuante, apenas seria válida a mudança que antecipasse o reconhecimento de resultados positivos da variação cambial, não sendo válida a mesma providência em relação aos resultados negativos. Entende inaceitável o raciocínio aplicado pela fiscalização na medida em que inviabiliza o exercício da opção do contribuinte quanto à faculdade estabelecida pela legislação tributária. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 1301002.005 S1C3T1 Fl. 19 17 Acrescenta que o procedimento adotado pelo impugnante apenas reflete a intenção prevista na norma, segundo a qual determina que a mudança do regime obrigoua à adição do resultado acumulado de variação cambial na base tributável do ano precedente ao exercício da opção. Acrescenta que a ordem temporal dos eventos evidencia que a decisão pertinente à mudança da opção implica na antecipação do impacto parcial que esta causará, porquanto estimará os resultados subsequentes aquele ano recémencerrado. Certifica que isso não significou qualquer tentativa de criação de um planejamento fiscal de caráter ilícito, muito menos a aplicação de medidas não permitidas pelo sistema tributário. Apenas em situações excepcionais mudarseiam do regime de caixa para o regime de competência. Não compreende o porquê da perplexidade da fiscalização ante a opção do contribuinte pela mudança de um critério facultado pela lei e que lhe ofereça um impacto fiscal negativo. Compreende absurda a lógica dirigida na ação fiscal, porquanto, obviamente, sempre que a norma oferece ao contribuinte uma opção, cabe a ele analisar a sua situação particular e exercêla dentro do cenário que julgar mais conveniente. Descabe à fiscalização questionar este tipo de opção conferida pela lei e atribuir um rótulo de planejamento fiscal abusivo e inválido tão somente em face dos benefícios trazidos ao contribuinte. Ilustra suas conclusões trazendo doutrina tributária e excertos de julgados prolatados pelo CARF. Finaliza este ponto da defesa, afirmando que em relação aos anos subsequentes o contribuinte mantevese no critério do regime de competência para reconhecimento fiscal das variações cambiais, repisando, assim, que a mudança não representou algo pontual, mas sim a adoção de uma nova e permanente política pelo impugnante. Noutra perspectiva, protesta que a interpretação conferida pelo art. 299 do RIR/99 não se estende para fins de apuração da CSLL, inexistindo regra específica que condicione a dedutibilidade de despesas à comprovação de sua necessidade, usualidade ou normalidade. Neste contexto, propugna que para efeito de CSLL podem ser deduzidos quaisquer dispêndios que tenham sido levados em consideração na apuração do lucro líquido do exercício, ou seja, que tenham sido pagas ou incorridas, fato que não se discute no caso concreto. Dessa forma, entende que apenas estas condições subordinam a admissibilidade de dedutibilidade de despesas da base imponível da CSLL. Colaciona ementas de decisões proferidas pelo antigo Conselho de Contribuinte e pelo atual CARF. Encerrando a apresentação de suas contrarrazões suscita a ilegalidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício prevista nos autos, depreendendo que esta prática implica numa forma indireta de majoração da própria sanção tributária. Desenvolve suas ponderações interpretando a redação de determinados preceitos normativos e ementas de decisões emitidas pelo CARF. Por todo o exposto, requer a declaração da improcedência das autuações e a consequente extinção dos créditos tributários dele decorrentes. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 18 Ato contínuo, a autoridade preparadora encaminha os autos à DRJ/SP para julgamento da impugnação. A DRJ/SÃO PAULO I apreciando a matéria, julgou improcedente a impugnação (Acórdão 1666.579, de 11 de março de 2015), tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 CAPITAL ESTRANGEIRO. MODALIDADE DE EMPRÉSTIMO EXTERNO. OPERAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS ESTRUTURADAS NA SEQÜÊNCIA. DESPESAS FINANCEIRAS ORIUNDAS DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS FINANCEIROS NO EXTERIOR. TRÂNSITO INTRAGRUPO DO MONTANTE AVENÇADO ENTRE PESSOAS LIGADAS. MANUTENÇÃO ILEGÍTIMA DOS EFEITOS DE PASSIVO CONSTITUÍDO COM A EMISSÃO DE TÍTULOS DE CRÉDITO NO EXTERIOR. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS, ANORMAIS E INUSUAIS. INDEDUTIBILIDADE. O reconhecimento e acumulação de dispêndios financeiros (variações cambiais e juros passivos) vinculados a operações estruturadas na seqüência entre partes relacionadas e inauguradas com o trânsito no Brasil de capital estrangeiro (empréstimo externo) de interligada não reservado ao desenvolvimento de atividade econômica de companhia brasileira e não essencial à manutenção da fonte produtora no país, não se enquadram na definição de despesas operacionais necessárias, normais e usuais norteadas pela legislação tributária, mormente se associadas ao exercício de gestão anormal da entidade, instrumentado por mera liberalidade de controladores no exterior do grupo econômico mediante implementação de estratégias corporativas promovidas ao arrepio da ordem pública interna. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS, ANORMAIS E INUSUAIS. DESQUALIFICAÇÃO DOS ENCARGOS FINANCEIROS PASSIVOS DA CONDIÇÃO DE DESPESAS OPERACIONAL. GLOSA DA BASE DE CÁLCULO. INDEDUTIBILIDADE. A indedutibilidade de despesas consideradas desnecessárias da base de cálculo da CSLL decorre do próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância dos termos da legislação societária. Qualificada essa circunstância, descabida a manutenção de seus efeitos como despesa operacional na apuração determinação do resultado fiscal do exercício financeiro. Demonstrado a redução indevida da apuração do resultado, compete a feitura da adição no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) para efeito de determinação do IRPJ e da CSLL devidos pelo contribuinte. O conceito de despesas operacionais contido no artigo 47 da Lei nº 4.506/64 é aplicável também à CSLL porquanto o comando normativo que consolida a questão da dedutibilidade em matéria de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o artigo 13 da Lei nº 9.249/95, é categórico neste sentido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. A importância alusiva à multa de ofício representa um débito tributário para com a União decorrente de impostos e contribuições administrados pela RFB, Fl. 897DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 1301002.005 S1C3T1 Fl. 20 19 configurandose pertinente a incidência de juros de mora sobre seu montante a partir do vencimento qualificado na competente autuação fiscal levada a efeito em face do sujeito passivo, porquanto regularmente amparado pela legislação tributária de regência. É o relatório. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 20 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal, quanto ao mérito repisa os argumentos da inicial (impugnação) desenvolvidos, em síntese, em quatro tópicos: (1) DA DEDUTIBILIDADE DOS JUROS INCORRIDOS PELA RECORRENTE; (2) DA DEDUTIBILIDADE DOS RESULTADOS NEGATIVOS DE VARIAÇÃO CAMBIAL RECONHECIDOS PELA RECORRENTE; (3) DA INAPLICABILIDADE DOS REQUISITOS DE NECESSIDADE, USUALIDADE E NORMALIDADE QUANTO À APURAÇÃO DA CSLL, e (4) DA ILEGALIDADE DA EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Registrese que a d. Procuradoria da Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões ao recurso voluntário concluindo que, no caso, caracterizada a desnecessidade das despesas referentes aos encargos do financiamento consubstanciado na emissão dos Eurobônus devese considerar correta a glosa efetuada pela autoridade fiscalizadora. Passo a análise. (1) DA DEDUTIBILIDADE DOS JUROS INCORRIDOS PELA RECORRENTE, e (2) DA DEDUTIBILIDADE DOS RESULTADOS NEGATIVOS DE VARIAÇÃO CAMBIAL RECONHECIDOS PELA RECORRENTE. Nestes dois primeiros tópicos o contribuinte/recorrente, primeiro, escudado em análise dos artigos 299 e 374 do RIR/1999, afirma, em síntese, que os juros decorrentes de operações de crédito relacionadas às atividades operacionais de uma pessoa jurídica evidentemente qualificamse como necessários, pois os recursos captados são aplicados em sua fonte produtora de renda. Cita a favor de sua tese vasta jurisprudência e doutrina. Em segundo, aduz, que a partir de 01.01.2000, as variações cambiais referentes a direitos de crédito e obrigações dos contribuintes passaram, em regra, a ter que ser reconhecidas pelo regime de caixa, para fins fiscais. Não obstante, alternativamente, a legislação concedeu ao contribuinte a faculdade de optar por reconhecer essas variações pelo regime de competência, prevendo que essa opção teria que ser exercida no início de cada ano calendário e seria válida para todo o período (art. 30 da MP 2.15835/01, IN/SRF 345/03). Assim, para fins fiscais, veio a reconhecer no mês de dezembro de 2008 a variação cambial até esta data acumulada de seus direitos e de suas obrigações (em especial, de sua dívida oriunda dos Eurobônus). Extraise do Termo de Verificação Fiscal: Em resumo o objeto desta autuação é a glosa das despesa de juros e variação cambial decorrentes de emissão de Eurobônus pelo Fiscalizado, cujos recursos foram utilizados para capitalizar sua controlada no exterior, por serem consideradas despesas desnecessárias e indedutíveis do Lucro Real. Ressaltase que empresa do mesmo Grupo econômico foi adquirente dos Eurobônus emitidos pelo Fiscalizado (Latam Brasil), cujo valor em análise intermediária virou empréstimo também para empresa do grupo (Latam Holding), Fl. 899DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 1301002.005 S1C3T1 Fl. 21 21 em seguida virou Capital da controlada do Fiscalizado no exterior (Latam Bahamas). Assim, concluise que as operações de emissão e aquisição dos eurobônus, empréstimos e capitalização foram realizadas em etapas contínua, em curto período de tempo, entre empresas do mesmo grupo econômico, e visavam unicamente a capitalização da controlada do fiscalizado, caracterizandose como atos anormais de gestão, de mera liberalidade, e portanto, desnecessárias, uma vez que a capitalização da empresa controlada poderia ter sido feita diretamente pela empresa do grupo adquirente dos eurobônus, a real possuidora do recursos, sem a ocorrência das despesas de juros e variação cambial, objeto da glosa. Pois bem. Da leitura de todo o processo constatase, de forma cristalina, que as operações descritas, de fato, caracterizamse transações entre partes relacionadas (conglomerado CREDIT SUISSE), estando, portanto, submetidas a controle e interesses comuns. Em consequência foram glosadas as despesas financeiras reconhecidas no resultado do exercício (juros e variação cambial passiva), acumulados e controlados na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) do recorrente associados à obrigação constituída com base em operação de crédito pactuada entre interligadas para captação de recursos financeiros no exterior entre os anos de 1997 e 1998. Aqui, importa ressaltar conforme bem assinalado nas contrarrazões trazidas pela PFN que, a autoridade fiscal pondera que o objetivo da emissão de títulos e valores mobiliários no mercado, como os Eurobônus em questão, é a captação de novos recursos, que permitam à empresa suprir suas necessidades de capitais, para manutenção ou incremento da atividade, asseverando que o "financiamento" obtido pela interessada não implica na obtenção de "dinheiro novo", já que provido por empresa integrante do mesmo grupo econômico. Ainda mais quando se considera o "looping" dos recursos, consistente no seu retorno à controladora indireta por meio de empréstimo concedido pela LATAM BAHAMAS (a controlada da fiscalizada capitalizada com os valores dos Eurobônus). Assim, a autoridade fiscal contesta a necessidade da manutenção de um passivo de tal monta a título de empréstimos e encargos, sendo que os mesmos recursos acabaram sendo carreados também a título de empréstimo a uma terceira empresa, também do grupo econômico, e que sói ser sua controladora indireta. De se ressaltar, ainda, a implausibilidade de que uma empresa com capital social de aproximadamente R$ 13 milhões promova, de fato, uma captação de quase R$ 2 bilhões (em valores atualizados – pág. 11 do TVF). Ademais, cumpre registrar que o primeiro destino dado aos recursos ingressados com a emissão dos Eurobônus foi enviálos por meio de mútuo a outra empresa do grupo, nas ilhas Cayman (LATAM HOLDINGS LLC). A respeito deste empréstimo, a DRJ registrou o seguinte: Importa ressaltar que a relação obrigacional oriunda de prática de intermediação financeira consubstanciada pela operação de mútuo reportada no fechamento de câmbio não se encontra amparado por instrumento de crédito designativo das condições, termos e prazos avençados entre as partes e da oportuna prova de quitação da operação no exterior. Outrossim, o redirecionamento da quantia de titularidade da fiscalizada promoveuse, consoante dito anteriormente, à revelia dos órgãos reguladores e de fiscalização no Brasil, diretamente pela interligada situada nas Ilhas Cayman e Fl. 900DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 22 justificado tão somente em deliberação em Ata de Reunião do Conselho de Diretoria da subsidiária no exterior (LATAM BAHAMAS). Por sinal, sequer a documentação atinente à controlada no exterior apresenta se em conformidade com a ordem jurídica pátria, visto que os atos não foram conduzidos em vernáculo do país e firmado por tradutor juramentado, consoante disciplina os termos do art. 224 do Código Civil, do art. 157 do Código de Processo Civil, dos arts. 129 e 148 da Lei nº 6.015, de 31/12/1973 (Lei de Registros Públicos), pressupostos que demandam seu estrito cumprimento prévio pelo residente no país para habilitação de seus efeitos no âmbito da norma interna aplicável à matéria tributária. (grifamos) Neste contexto, a questão relevante a ser examinada encontrase diretamente relacionada as determinação do art. 299 do RIR/1999, que trata sobre necessidade das despesas. Segundo seus parágrafos, são necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das operações exigidas pela atividade da empresa, devendo ser usuais ou normais. Conforme o Parecer Normativo CST nº 32/1981, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. Despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação efetuada e que se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária na realização do negócio, o que, conforme já assinalado, não se observa no presente caso, no tocante à necessidade, vez que, por liberalidade das partes envolvidas, adotouse a forma de empréstimos, em detrimento da capitalização. É verdade que uma empresa detém poder decisório sobre as operações que pretende praticar; no entanto, no que diz respeito à forma de levar os resultados das suas operações à tributação, sem dúvidas, deve observar os preceitos legais próprios. No caso em questão, não obstante as irregularidades listadas, o recorrente manteve um passivo gerador de despesas em sua contabilidade até que, em 2008, realizou a opção pelo regime de reconhecimento das variações cambiais com base na competência, quando então registrou uma despesa de R$ 722 milhões de reais somente a título de variações cambiais acumuladas. Tal opção se deu em função de lucros excepcionais auferidos no exterior por intermédio de sua controlada LATAM BAHAMAS, no valor de R$ 445 milhões em 2008, a mesma que recebeu os recursos obtidos com a emissão dos Eurobônus. Como bem assinalado pela PFN, a decisão recorrida concluiu, acertadamente, que o conglomerado levou a efeito planejamento fiscal consistente em “transações societárias e creditícias estruturadas sequencialmente entre as partes relacionadas que incluíram não apenas a participação de corporações situadas em países de tributação favorecida [cuja composição societária é sigilosa], mas, particularmente, a entidade fiscalizada que, consoante pormenorizado no encerramento da fiscalização, prestouse de instrumento de seus controladores no exterior para o exercício de atos anormais de gestão com o mero propósito de obter uma economia tributária abusiva em proveito do conglomerado sob o manto de um aparente respaldo no ordenamento jurídico”. Resta, assim, hialino que as despesas financeiras computadas em decorrência das operações de crédito externo em apreço (em particular da emissão de Eurobônus) decorreram de ato de gestão anormal imposto por controladores do grupo econômico no exterior, ou seja, não necessários à manutenção da fonte produtiva da empresa fiscalizada, de sorte que tais importâncias computadas para erosão da base imponível do imposto de renda não podem ser incluídas a título de dedução da base de cálculo do tributo mensurado com fulcro nas regras na apuração do Lucro Real. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 1301002.005 S1C3T1 Fl. 22 23 Desta forma, caracterizada a desnecessidade das despesas referentes aos encargos do financiamento consubstanciado na emissão dos Eurobônus, entendo, correta a sua glosa, da forma como levada a efeito pela autoridade fiscal. (3) DA INAPLICABILIDADE DOS REQUISITOS DE NECESSIDADE, USUALIDADE E NORMALIDADE QUANTO À APURAÇÃO DA CSLL. Aqui, o recorrente insurgese alegando, em síntese: "ainda que as despesas financeiras em discussão pudessem ser consideradas indedutíveis para fins de IRPJ por não atenderem aos requisitos do art. 299 do RIR, o que se admite apenas para fins de argumentação, sua dedução há que ser aceita para fins de CSLL". Neste ponto, penso igualmente que não merece razão ao recorrente em relação a tese propugnada na peça recursal. Por pertinente, reproduzo os seguintes fragmentos do voto condutor recorrido: Ao contrário de suas alusões, as despesas incorridas, todavia, qualificadas como desnecessárias à atividade da companhia em nenhum momento tiveram legitimidade para efeito de dedução da base imponível da CSLL. A demonstração disto se retira por intermédio de uma análise sistêmica da legislação tributária aplicável ao caso concreto. De plano, compete registrar que a redação contida no caput do art. 13 da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, ressalta expressamente que a mensuração da base de cálculo da CSLL deve observar, igualmente, as regras estabelecidas no disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30/11/1964: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: Por seu turno, o preceito em destaque (enunciado basilar do art. 299 do RIR/99) estabelece os requisitos de admissibilidade da dedutibilidade de despesas pagas ou incorridas levadas a efeito na escrituração contábil da entidade e insertas na determinação do lucro líquido do exercício social em análise: “Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. (destacouse) § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa.” Neste contexto, observase nitidamente que as despesas configuradas como não necessárias à manutenção da fonte produtora, tal como demonstrado no tópico precedente, estão sujeitos à glosa na determinação da base imponível da CSLL, Fl. 902DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 24 porquanto inerente à vedação de caráter geral e impositiva para tradução da adequada composição do montante da apuração do lucro líquido da entidade para efeitos tributários. Neste ponto, resta claro que o legislador ordinário submeteu, também, a CSLL à disposição do art. 47 da Lei nº 4.506/64, o qual não traz exatamente uma regra, mas sim um princípio norteador da tributação sobre renda/lucro no ordenamento jurídico pátrio, qual seja, são operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora, assim consideradas as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. O que se busca com tal norma é evitar que meras liberalidades das pessoas jurídicas, desvinculadas da sua atividade empresarial, sejam suportadas, em parte, por toda a sociedade, o que ocorreria caso fossem dedutíveis das bases tributáveis do IRPJ e CSLL. Ademais, notese que, se fosse para manter o art. 47 aplicável apenas para o IRPJ, não necessitava o legislador fazer referência ao art. 47 em tela no caput do art. 13 da Lei nº 9.249/95, mesmo porque, ao vedar a dedutibilidade de algumas despesas, não estaria a regra do art. 13 derrogando a norma de caráter principiológico do art. 47. Assim, ao meu ver, resta clara a intenção do legislador ordinário de submeter a CSLL às disposições do art. 47 da Lei nº 4.506/64. Mesmo porque, no caso específico em exame, a glosa em questão se deu em razão da constatação de despesas financeiras consideradas desnecessárias. Nesse caso, sua indedutibilidade também da base de cálculo da CSLL decorre do próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. Logo, provada a contabilização de despesas por mera liberalidade em favor de controlada no exterior, a glosa da despesa comprovadamente desnecessária para a manutenção da respectiva fonte produtora deve refletir na apuração do lucro líquido da entidade e, portanto na base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. (4) DA ILEGALIDADE DA EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. O recorrente argui que é descabida a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício por entender se tratar de majoração indireta da própria penalidade e mesmo porque não se pode falar em mora na exigência da multa. Neste último tópico de defesa, os argumentos trazidos pelo recorrente não tem encontrado guarida na jurisprudência da CSRF, como se constata dos seguintes precedentes da 1a. Turma: Acórdão nº 910101.191 – 1ª Turma (17/11/2011) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Acórdão nº 9101001.657 – 1ª Turma (15/05/2013) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 903DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 1301002.005 S1C3T1 Fl. 23 25 Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES. A operação societária de subscrição de ações equiparase a uma aquisição. A subscrição de ações é uma forma de aquisição e o tratamento do ágio apurado nessa circunstância é o previsto na legislação em vigor (artigos 7º.e 8º. da Lei 9.532/1997). Subscrição de ações e alienação de ações são duas operações que permitem a aquisição de participação societária. CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA Não é cabível a cobrança de multa isolada quando já lançada a multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Acórdão nº 1301001.982 (1a. TO, sessão de 06/04/2016) (...) TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Neste caso específico, o cerne da discussão submetida à apreciação deste Colegiado cingese em saber se à luz das normas vigentes, é cabível a incidência dos juros de mora sobre a multa lançada de ofício. Em seu arrazoado, o recorrente insiste que não havendo previsão legal para a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício é indevida a sua cobrança, com base no abaixo transcrito art. 61 da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 26 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...)” Ao que me parece, os “débitos” de que cuida o caput da norma não são “referentes a”, mas sim “decorrentes de” tributos e contribuições administrados pela SRF. O termo “débitos”, na acepção jurídica empregada pelo legislador, deve ser entendido à luz do Código Tributário, no sentido de que se equivale à “obrigação tributária principal”, relativa aos tributos e contribuições administrados pela SRF. A “obrigação tributária principal” tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, sendo forçoso concluir que os “débitos” para com a União, referenciados pelo aludido art. 61, abrange não somente os tributos, mas também as penalidades correspondentes. Como se verifica pelo disposto no Código Tributário, a “obrigação tributária principal” compreende não só o tributo, mas também a penalidade pecuniária. É isso que se depreende do art. 113, § 1º do CTN, cuja redação merece ser transcrita, verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...)” (destacouse) Ora, a multa lançada de ofício constitui uma penalidade e, portanto, integra o que se define como “obrigação principal”, não sendo possível atribuirlhe outra natureza que não esta conferida pelo próprio CTN. Pois bem, nos termos do art. 139 do CTN, a “obrigação principal” dá origem ao chamado “crédito tributário”, porquanto o crédito de natureza tributária decorre da obrigação principal, verbis: “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta." Assim, conforme a terminologia utilizada pelo Código, podese afirmar que o “crédito tributário” é decorrente da “obrigação principal” (art. 139) que, por sua vez, abrange o tributo e a penalidade (art. 113, § 1º). Ou seja, o “crédito tributário”, por ser decorrente da obrigação principal, é constituído pelo montante dos tributos e das penalidades aplicadas. Pois bem, é considerando esta acepção do termo “crédito tributário”, que o art. 161 do CTN estabelece a incidência dos juros de mora, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 1301002.005 S1C3T1 Fl. 24 27 Em razão desta expressa disposição legal, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora. Ao se referir ao “crédito”, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. Neste sentido, com base nas disposições do próprio Código Tributário Nacional, a multa lançada de ofício possui natureza de débito para com a União e, por decorrer de tributos e contribuições, está sujeita à incidência dos juros de mora, definidos pelo art. 61, da Lei nº 9.430/1996. Ou seja, quanto à natureza jurídica, a multa de ofício é inequivocamente um débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições e, em consequência, sujeitase, da mesma forma que os demais débitos de natureza tributária, à incidência de juros de mora a partir de seu vencimento. Diante do todo exposto, e observando tudo que consta nos autos, voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter, integralmente, as glosas efetivadas pela fiscalização e ratificadas pelo Acórdão n° 1666.579 da DRJ/SÃO PAULO I. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 906DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 18470.724065/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996
CRÉDITO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. PRAZO.
A partir do trânsito em julgado da sentença que possui eficácia executiva começa a correr o prazo prescricional de cinco anos para o contribuinte promover a execução do título judicial, seja por intermédio de execução judicial, seja por via administrativa. Promovida a execução judicial do crédito, a ulterior homologação da desistência para fins de requerer administrativamente a restituição do crédito faz recomeçar a contagem do prazo prescricional, Parecer COSIT nº11,de19/12/2014.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar prescrição e que seja examinado o mérito do pedido de restituição.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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PRESCRIÇÃO. PRAZO. A partir do trânsito em julgado da sentença que possui eficácia executiva começa a correr o prazo prescricional de cinco anos para o contribuinte promover a execução do título judicial, seja por intermédio de execução judicial, seja por via administrativa. Promovida a execução judicial do crédito, a ulterior homologação da desistência para fins de requerer administrativamente a restituição do crédito faz recomeçar a contagem do prazo prescricional, Parecer COSIT nº11,de19/12/2014. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 40 65 /2 01 3- 04 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar prescrição e que seja examinado o mérito do pedido de restituição. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18470.724065/201304 Acórdão n.º 2300004.591 S2C3T0 Fl. 113 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra a decisão denegatória por prescrição do direito de restituição de valores reconhecidos em sentença transitada em julgado. Seguem transcrições da decisão recorrida: PROCESSO DE HABILITAÇÃO DE CRÉDITO. RITO PROCESSUAL. Ao Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado se aplica o rito processual estabelecido pela Lei nº 9.784/1999, que não prevê recurso voluntário ao CARF. HABILITAÇÃO DE CRÉDITO DEFERIDO. EFEITOS. O deferimento do pedido de habilitação de crédito não altera o prazo prescricional quinquenal para intentarse a restituição, o ressarcimento ou a compensação. CRÉDITO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. PRAZO. A partir do trânsito em julgado da sentença que possui eficácia executiva começa a correr o prazo prescricional de cinco anos para o contribuinte promover a execução do título judicial, seja por intermédio de execução judicial, seja por via administrativa. Deve ser considerado prescrito o PER/DCOMP transmitido após o decurso desse prazo. CRÉDITO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO DEFERIDA JUDICIALMENTE. VINCULAÇÃO. Cabe ao Fisco dar cumprimento à decisão judicial definitiva que, acatando o pedido dos autores, determinou a compensação do imposto retido indevidamente. Assim, não pode ser concedida administrativamente a restituição do indébito, sob pena de malferirse a coisa julgada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido ... Trata o presente processo de tratamento manual do Pedido de Restituição Eletrônico (PER) nº 06386.26882.270312.2.2.54.3045, transmitido em 27/03/2012, em que o interessado pleiteia crédito no valor de R$ 25.838,98 (fl. 03). Fl. 114DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Conforme informações prestadas pelo contribuinte quando do preenchimento do PER, o crédito é oriundo de decisão judicial transitada em julgado em 16/09/2005 em ação de repetição de indébito, tendo havido desistência/renúncia à execução judicial, a qual teria sido homologada em 21/09/2010 (fl. 34). Informa ainda o número do processo de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial: 15467.002406/201005. ... Segundo Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado (fl. 3 do processo apensado), formulado em 24/12/2010, nos termos do artigo 71 da Instrução Normativa n° 900, de 30 de dezembro de 2008, o crédito decorre de decisão transitada em julgado em 06/11/2007 proferida na Ação Ordinária nº 99.00639120 da 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Juntamente com o pedido foram anexados Certidão de Inteiro Teor emitida em 14/07/2010 pela Supervisora da 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls. 5/6 do processo apensado) acompanhada da petição inicial e decisões judiciais proferidas na ação de conhecimento (fls. 25/42). Consta à fl. 45 do processo apensado (processo de Habilitação do Crédito) que o contribuinte foi intimado a apresentar novo formulário de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, informando como data do trânsito em julgado 16/09/2005, bem como Certidão de Inteiro Teor que contenha a homologação do Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução e assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução, sob pena de indeferimento do pedido. Em razão dessa intimação, o contribuinte pediu, em 13/06/2011, dilação do prazo para apresentar Certidão de Inteiro Teor do processo judicial, bem como esclareceu que a data de trânsito em julgado informada no Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado originalmente encaminhado (06/11/2007) diz respeito ao processo de execução, data a partir do qual entende deva ser contado o prazo prescricional para o pedido de pagamento da restituição na esfera administrativa. Apresentou ainda termo de renúncia ao direito de execução da sentença transitada em julgado, datada de 26/07/2010, protocolada nos autos da Ação Ordinária nº 99.00639120, conforme demonstra cópia de consulta ao site da Justiça Federal no Rio de Janeiro – www.jfrj.jus.br que anexa (fl. 46/49 do processo apensado). ... Por fim, em 22/06/2011, o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado foi deferido pelo titular da Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte (DRF/RJ 2), nos termos do Despacho Decisório à fl. 58 do processo apenso. Na decisão, salientouse que o pedido foi protocolizado em 24/12/2010 e que o trânsito em julgado da decisão proferida na Ação Ordinária ocorreu em 16/09/2005, tendo sido proferida Fl. 115DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18470.724065/201304 Acórdão n.º 2300004.591 S2C3T0 Fl. 114 5 decisão judicial indeferindo a pretensão do interessado de executar os indébitos com base no art. 730, do CPC, restando ao contribuinte somente a via administrativa. Em 18/07/2011 o interessado protocolou pedido de reexame da decisão às fls. 65/66 afirmando não ser sido possível a transmissão do Pedido Eletrônico de Restituição, em virtude de erro apontado pelo sistema PER/DCOMP. Segundo mensagem do sistema o documento somente poderia ser aceito caso fosse retificador, uma vez que já havia transcorrido mais de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão que reconheceu o crédito ao contribuinte. ... declara que transmitiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER n° 06386.26882.270312.2.2.543405, em 27/03/2012; afirma que o Meritíssimo Juiz Dr. Carlos Guilherme Francovich Lugones, juiz titular da 22 Vara Federal, em 21/09/2010, aceitou (homologou) o pedido de renúncia à execução do julgado determinando o arquivamento dos autos, com baixa na distribuição, conforme comprovariam documento extraído do processo conhecimento e extrato de consulta ao sítio da Justiça Federal do Rio de Janeiro anexados (fls.100/101 do processo apensado); aponta inconsistências no Despacho Decisório supra, quando se afirma que a execução do título judicial não havia iniciado, ao mesmo tempo em que se transcreve parte da sentença exarada nos Embargos à Execução n° 2008.51.01.0180202, restando claro que para o Judiciário o processo de execução foi sim iniciado; acrescenta que o próprio auditor, no item 15 do Despacho Decisório reconheceu que a execução foi, sim, iniciada, contradizendo o motivo alegado para o não provimento do recurso apresentado; esclarece que com o registro da data da homologação da renúncia à execução foi possível a transmissão do PER, onde foi informada a data de 16/09/2005 como de trânsito em julgado, tornando, assim, superado o recurso objeto da decisão de não provimento do reexame do pedido de habilitação; por fim, requer a continuidade da análise do PER, para que seja autorizada a restituição dos valores correspondentes ao imposto de renda indevidamente retido na fonte sobre parcelas de conversão em pecúnia de licençaprêmio, férias e abonos assiduidade, tudo nos termos da sentença. Contra a decisão, a recorrente reitera os argumentos da manifestação e pede que seja acolhido o recurso assegurando direito à restituição do imposto de renda retido indevidamente na fonte, e, por consequência seja deferido o PER nº 06386.26882.270312.2.2.543405: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 o PER/DCOMP foi transmitido em 27/03/2012, dentro da mais absoluta regularidade, após a homologação pela Justiça Federal da renúncia à execução, portanto anteriormente à ciência do Despacho Decisório n° 19 pela SRRF07/Disit, datado de 29/06/2012; do indeferimento decidido por meio do Despacho Decisório n° 19 pela SRRF07/Disit, o contribuinte ingressou, no prazo legal, com Recurso Voluntário junto à 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ainda pendente de julgamento; mostrase, assim, extremamente precipitada a decisão de indeferir o citado PER, antes da divulgação da decisão do CARF, que poderá ser favorável ao contribuinte. Finaliza a manifestação de inconformidade solicitando a suspensão de qualquer decisão a respeito do Pedido Eletrônico de Restituição PER/DCOMP n° 06386.26882.270312.2.2.54 3045, até o pronunciamento do CARF a respeito do recurso voluntário apresentado. E ainda que o termo "a quo" para contagem da prescrição teria sido em 06/11/2007 quando do trânsito em julgado da ação de execução com a homologação da desistência. No caso, como servidor público do Banco Central do Brasil as retenções pela fonte pagadora superavam ano a ano o imposto devido. Na impossibilidade de promover a compensação, requereu ao juízo a conversão em restituição, o que lhe fora negado. Daí o pedido de restituição administrativo. É o Relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18470.724065/201304 Acórdão n.º 2300004.591 S2C3T0 Fl. 115 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso, dele conheço e passo ao seu exame. Mérito Conforme depreende dos autos e dos relatórios fiscais, o crédito é oriundo de sentença em ação de repetição de indébito transitada em julgado em 16/09/2005. Após início da execução, ocorreu o seu trânsito em julgado em 06/11/2007, tendo requerido em 26/07/2010 desistência à execução judicial, a qual teria sido homologada em 21/09/2010, conforme decisão recorrida: No caso em exame, vêse que o PER foi regularmente transmitido constando dele, como processo de habilitação do crédito, o de nº 15467.002406/201005, que se encontra em apenso. Isto foi possível porque, embora o interessado tenha ingressado com pedido de reexame da decisão acerca do pedido de habilitação ao crédito, este foi, na realidade, deferido (fl. 58). Notese que as decisões subseqüentes, de fato expressaram juízo acerca do termo inicial para a contagem do prazo de cinco anos, constante do inciso IV do § 4º, do artigo acima transcrito, em desfavor da tese do contribuinte, mas não reformaram a decisão inicialmente prolatada pelo órgão à fl. 58, razão pela qual se conclui que, pelo menos formalmente, o deferimento do pedido de habilitação do crédito foi mantido, permitindo, assim, a transmissão de PER/DCOMP em exame. Considerando que o PER foi protocolizado em 27/03/2012, a fiscalização entendeu que tal ato ocorreu cinco anos após o trânsito em julgado da decisão na ação de conhecimento que conferiu ao contribuinte um direito a crédito, 16/09/2005, e concluiu pela prescrição do pedido. No caso, seguiuse o entendimento de que a prévia habilitação do crédito não suspende a prescrição que terá a data do trânsito em julgado da sentença em ação de conhecimento como seu termo "a quo", exceto quando providenciada a desistência da execução judicial da sentença. Contudo, entendeu também a fiscalização que o recorrente apresentou termo de renúncia da execução, o que não pode ser comparado com desistência: Em outras palavras, o procedimento de habilitação de crédito, nos termos da legislação de regência, indica apenas que o contribuinte possui uma decisão judicial transitada em julgado que reconhece um direito creditório, em tese. Não se faz ali a quantificação ou reconhecimento algum quanto ao crédito em si, o que será efetuado em momento ulterior, por ocasião de eventuais Declarações de Compensação ou Pedido de Restituição, quando será analisada a quantificação do crédito, a Fl. 118DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 forma como o contribuinte poderá exercer sua pretensão administrativamente, e outras questões, tudo nos exatos limites da decisão judicial. ... Com efeito, consta expressamente da parte final do § 6º do referido art. 71 que o deferimento da habilitação não altera o prazo prescricional quinquenal para intentarse a restituição, o ressarcimento ou a compensação, restando claro que este não se suspende com requerimento da habilitação ou seu deferimento, seguindo normalmente o seu curso, desde o seu termo inicial até se extinguir cinco anos após, devendo o contribuinte exercer sua pretensão junto à administração via transmissão de PER/DCOMP dentro desse período. ... Como se vê, o termo inicial para a prescrição quinquenal é o trânsito em julgado da decisão que conferiu o direito do contribuinte. ... No entanto, é de se reconhecer que, caso o contribuinte opte pela execução no Judiciário e, depois de iniciada, desistir desta via para buscar administrativamente a satisfação do seu direito, terá direito à reabertura do prazo prescricional, uma vez que se entende cabível aplicação analógica do inciso I do art. 174 do CTN. ... Entretanto, nos autos dos embargos à execução opostos pela União (2006.51.01.0089317) foi proferida sentença declarando incabível a execução das parcelas a serem compensadas, entendimento que foi confirmado em sede de apelação pelo TRF da 2ª região que assim decidiu (fls. 55/56 do processo apensado): A Sentença de mérito impõe os limites da Execução e, na hipótese, não houve um provimento condenatório e, sim, meramente declaratório, do direito do contribuinte à compensação de valores recolhidos indevidamente a título de Imposto de Renda. Incabível, portanto, a execução das parcelas a serem compensadas, bem como o enfrentamento da questão relativa à aplicação da taxa SELIC, sob pena de ofensa à coisa julgada. A decisão acima, proferida em 04/09/2007, transitou em julgado em 06/11/2007. ... Como visto, o entendimento do Judiciário foi pela impossibilidade da execução do julgado, devendo o contribuinte recorrer à compensação tributária pela via administrativa. ... Fl. 119DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18470.724065/201304 Acórdão n.º 2300004.591 S2C3T0 Fl. 116 9 Dessa forma, considerando que o PER foi protocolizado somente em 27/03/2012, isto é, mais de cinco anos após o trânsito em julgado da decisão na ação de conhecimento que conferiu ao contribuinte um direito a crédito (16/09/2005), concluise pela prescrição do pedido. Entendo que assiste direito ao recorrente. Primeiro porque a citação válida no processo de execução interrompe a prescrição, conforme Lei nº 5.869, de 11/01/73 Código de Processo Civil e a partir do ato de interrupção recomeça seu curso, conforme artigo 202 do Código Civil: Art. 617. A propositura da execução, deferida pelo juiz, interrompe a prescrição, mas a citação do devedor deve ser feita com observância do disposto no art. 219. ... Art. 219. A citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda quando ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição. ... Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, darseá: I por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual; II por protesto, nas condições do inciso antecedente; III por protesto cambial; IV pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores; V por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; VI por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo devedor. Parágrafo único. A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último ato do processo para a interromper. E o Parecer COSIT nº 11, de 19/12/2014 adota também como ato de interrupção da prescrição para fins de compensação a homologação da desistência do processo de execução. Além disso, também orienta que ocorre a suspensão da prescrição no período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial, 24/12/2010, e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, 22/06/2011: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO PARA APRESENTAR DECLARAÇÃO DE Fl. 120DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. O crédito tributário decorrente de ação judicial pode ser executado na própria ação judicial para pagamento via precatório ou requisição de pequeno valor ou, por opção do sujeito passivo, ser objeto de compensação com débitos tributários próprios na via administrativa. Ao fazer a opção pela compensação na via administrativa, o sujeito passivo sujeitase ao disciplinamento da matéria feito pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, especificamente a Instrução Normativa nº 1.300, de 2012, conforme § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e às demais limitações legais. Para a apresentação da Declaração de Compensação, o sujeito passivo deverá ter o pedido de habilitação prévia deferido. A habilitação prévia do crédito decorrente de ação judicial é medida que tem por objetivo analisar os requisitos preliminares acerca da existência do crédito, a par do que ocorre com a ação de execução contra a Fazenda Nacional, quais sejam, legitimidade do requerente, existência de sentença transitada em julgado e inexistência de execução judicial, em respeito ao princípio da indisponibilidade do interesse público. O prazo para a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. Quanto ao fundamento de que não teria ocorrido desistência da ação de execução, mas sim renúncia e, dessa forma, deveria se considerar que não houve processo de execução, conseqüentemente, não haveria nenhum ato processual de interrupção da prescrição, trago a transcrição da peça processual, fls. 40 em diante e fls. 75, do processo apenso nº 15467.002406/201005: JORGE CAMPOS CUNHA, LAFAETE DE ALMEIDA FONSECA, MARIA HELENA DE JESUS FONSECA, MARIZA FERNANDES DOS SANTOS, MAURIAUGUSTO DE SOUZA, NOÉLIA RODRIGUES PINHO, PAULO ROBERTO VEIGA NEVES, RAUL GANDRA MESQUITA e RUY VICENTE BARBOSA, nos autos da Ação Ordinária proposta em face da UNIÃO FEDERAL vem, por sua advogada, informar a V. Exa. que renunciam ao direito de promover a execução da r. sentença transitada em julgado nestes autos, vez que intencionam propor Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18470.724065/201304 Acórdão n.º 2300004.591 S2C3T0 Fl. 117 11 Pedido de Habilitação e respectiva Restituição/Compensação de Crédito relativo a Imposto de Renda retido na fonte indevidamente, sobre a conversão em espécie de licença prêmio,abono assiduidade e férias de filiados do SINAL/RJ, entre outras providências, junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB. ... Também consta dos autos que o Interessado apresentou pedido de renúncia ao direito de promover a execução, conforme petição de fls. 40, embora não conste na Certidão juntada aos autos informação do ingresso desse pedido. Nesse ponto, cumpre dizer que o tratamento dispensado à RENÚNCIA da execução é distinto daquele aplicado à DESISTÊNCIA da execução porque, enquanto o primeiro não se encontra sujeito à homologação, o segundo somente resta autorizado por expressa decisão judicial. Como se constata, embora tenha empregado a expressão "renúncia", está claro que a finalidade do requerimento não foi a renúncia ao crédito lhe reconhecido na ação de conhecimento, mas propriamente a desistência em prosseguir com o processo de execução, a fim de promover administrativamente a restituição. Ressaltase, inclusive, que inicialmente houve deferimento do pedido de habilitação do crédito para compensação, fls. 54: Ressaltese que foi proferida decisão judicial indeferindo a pretensão do interessado de executar os indébitos com base no art. 730 do CPC, restando ao contribuinte somente a via administrativa, conforme fl. 03/04 e 53. ... V Na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. ... Assim, encaminho o presente, propondo o deferimento do Pedido de Habilitação de Crédito pleiteado na fl. 01 e 50. Após a decisão homologatória favorável ao recorrente, a fiscalização se pronuncia pela indeferimento da restituição. Um dos fundamentos foi que a decisão homologatória não examina a procedência do crédito, inclusive a prescrição, fls. 55: Com efeito, simplesmente, é atestada a existência de decisão judicial transitada em julgado, retrocitada. Considerados esses entendimentos, na data do pedido restituição, 27/03/2012, ainda não teria ocorrido a prescrição. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Por tudo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar prescrição e que seja examinado o mérito do pedido de restituição. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10980.723356/2012-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008.
Estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-003.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as conselheiros Patrícia da Silva (Relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. Votaram com a Relatora pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva Relatora
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as conselheiros Patrícia da Silva (Relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. Votaram com a Relatora pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 33 56 /2 01 2- 24 Fl. 980DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 981 2 Heitor de Souza Lima Junior Redator designado (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 930/936, em face do Acórdão nº 2302003.117, fls. 909/927, prolatado em 15 de abril de 2014, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para, em unanimidade, excluir do lançamento as exações consubstanciadas no AIOP DEBCAD 37.360.7717, relativas à cota dos segurados já que o crédito encontrase extinto pelo pagamento e para que a multa do AIOA CFL 68 DEBCAD 37.360.7695, seja calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009 e, por maioria, para que a multa do AIOP 37.360.7709, seja aplicada observando as disposições do artigo 35, II, da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores para as competências até 11/2008, inclusive; vencidas as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.o 8.212/91, na redação da MP n.o 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.o 9.430/96) A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR PESSOA JURÍDICA ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO. Presentes os requisitos previstos no art. 12, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, regular e legal se mostra a descaracterização de pessoa jurídica com o efetivo enquadramento como segurados empregados, nos termos do §2º, do artigo 229, do Decreto n.º 3.048/99. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST) Fl. 981DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 982 3 FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a seguridade social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vinculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. CONTRIBUIÇÃO RELATIVA À COTA DO SEGURADO EXTINÇÃO PELO PAGAMENTO O reconhecimento da simulação, da unicidade das empresas e a imputação dos fatos geradores das contribuições previdenciárias como de responsabilidade da empresa tomadora dos serviços, faz com que os valores relativos à cota do segurado empregado recolhidos pela empresa prestadora, optante do SIMPLES, sejam deduzidos do débito, eis que extintos na forma do artigo 156, I do Código Tributário Nacional. MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.o 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.o 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.o 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.o 9430/96. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5o, da Lei no 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N o 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo e quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 983 4 Recurso Voluntário Provido em Parte Na origem, tratase de Autos de Infração, lavrados em 13 de maio de 2012, que têm por objeto contribuições previdenciárias e multa por descumprimento de obrigações acessórias, a saber: a) DEBCAD nº 37.360.7695 Omissões e Incorreções em GFIP; Valor R$ 274.910,40 (Duzentos e setenta e quatro mil, novecentos e dez reais e quarenta centavos); Fundamento Legal: art. 32, §5º, da Lei nº 9.528/97, acrescentado pela Lei nº 9.528/97. b) DEBCAD nº 37.360.7709 Contribuição da empresa sobre a remuneração de empregados e Contribuição das empresas para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa, com fundamento legal no art. 22, I e II, da Lei nº 8.212/91 – Competências 01/2007 a 13/2008; Valor R$ 1.179.499,55 (Um milhão, cento e setenta e nove mil, quatrocentos e noventa e nove reais e cinquenta e cinco centavos), incluindo principal atualizado, juros, multa de ofício e multa de mora; Fundamento legal dos acréscimos legais (multa) Competências 05/2007, 07/2007 a 12/2007, 01/2008 a 11/2008: art. 35, I, II e III, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.876/99; Fundamento legal da falta de pagamento, falta de declaração ou declaração inexata Competências 01/2007 a 04/2007, 06/2007, 13/2007, 12/2008 a 13/2008: Art. 35A, da Lei nº 8.212/91. c) DEBCAD nº 37.360.7717 Contribuições dos Segurados (Empregados, Trabalhadores e Temporários Avulsos), com fundamento legal no art. 20 c/c art. 12, I e art. 28, I, §§, da Lei nº 8.212/91; Valor R$ 472.708,81 (Quatrocentos e setenta e dois mil, setecentos e oito reais e oitenta e um centavos), incluindo o principal, juros, multa de ofício e multa de mora; Fundamento legal dos acréscimos legais (multa) Competências 05/2007, 07/2007 a 12/2007, 01/2008 a 11/2008: Art. 35, I, II e III, da Lei nº 8.212/91; Fundamento legal da multa por falta de pagamento, falta de declaração ou declaração inexata Competências 01/2007 a 04/2007, 06/2007, 13/2007, 12/2008 a 13/2008: art. 35A, da Lei nº 8.212/91. d) DEBCAD nº 37.360.7725 Contribuições devidas a terceiros (Salário Educação, Incra, Senac, Sesc, e Sebrae) – Competências 01/2007 a 13/2008; Valor R$ 295.517,88 (Duzentos e noventa e cinco mil, quinhentos e dezessete reais e oitenta e oito centavos); Fundamento legal dos acréscimos legais (multa) – Competências 01/2007 a 11/2008: Art. 35, I, II e III, da Lei nº 8.212/91; Fl. 983DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 984 5 Fundamento legal da multa por falta de pagamento Competências 12/2008 a 13/2008, 06/2007, 31/2007, 12/2008 a 13/2008: art. 35A, da Lei nº 8.212/91. Da análise do Relatório Fiscal, constatase que as multas foram calculadas mediante comparação entre o somatório das multas previstas nos art. 35 e 32, IV, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 449/2008) e da multa prevista na redação atual do art. 35 A, da Lei nº 8.212/91 (redação atual), vejamos: DAS MULTAS APLICADAS SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PLANILHA COMPARATIVA DE CÁLCULO 23 – Ao se examinar a coluna “L – MULTA MENOS SEVERA”, podemos encontrar três situações, que são: a) “ANTERIOR” o débito da competência foi lavrado considerandose a mutla de mora de 24% ou 12% calculada sobre o montante da contribuição previdenciária devida somada com o Auto de Infração com código de fundamentação legal 68; b) “ATUAL” o débito da competência foi lavrado considerando se a multa de ofício de 75%; c) “AI 78 E MULTA ANTERIOR” houve entrega de GFIP após 03/12/2008 e o débito da competência foi lavrado, considerando se a multa de mora de 24% ou 12% e mais o AI 78, porém desprezandose os valores do AI 68, mesmo que listado; 24 – Cabe observar que as competências 12/2008 até 04/2009, também inseridas no período fiscalizado, as GFIP’S foram entregues após 04/12/2008, depois da edição da MP 449/2008, portanto sujeitas a legislação atual, multa de 75% sobre as contribuições omitidas. 25 – Relativamente à contribuição devida aos “terceiros”foi aplicada a multa de mora de (24%) até a competência 11/2008, porque mais benéfica que a punição atualmente vigente (multa de ofício de 75%), e nas competências 12/2008 em diante, aplicou se a multa vigente à época da ocorrência do fato gerador, qual seja, 75%; DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA MULTA (INFRAÇÃO CFL 68) 26 – Observase na PLANILHA COMPARATIVA DE CÁLCULO, planilha de comparação das multas, item 22, que nas competências 05/2008, de 07/2007 até 12/2007 e de 01/2008 até 10/2008 foi detectado que a multa menos severa ao contribuinte é a multa “ANTERIOR”. Portanto, deve ser aplicada a multa pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar corretamente os fatos geradores em GFPI (CFL 68), além da multa por mora de 24%. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 985 6 27 – O sujeito passivo apresentou o documento a que se refere o art. 32, inc IV, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP’s) com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. 28 – O Dipositivo Legal Infringido é o previsto na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e §4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. 29 – A multa aplicável para a infração cometida é a prevista no artigo 32, parágrafo 5º, da Lei 8.212/91, com alterações da Lei 9.258/1997 e artigo 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 e alterações posteriores e corresponde a 100% (cem por cento) do valor contribuição devida e não declarada, limitada por competência, em função do número de segurados da empresa (...). Após análise da impugnação apresentada pelo Contribuinte, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte/BHE, Acórdão nº 02 50.012, fls. 851/862, manteve o integralmente o lançamento tributário. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, o qual foi provido para excluir os lançamentos no DEBCAD 37.360.7717, pois o crédito foi extinto pelo pagamento; para determinar o recálculo da multa do DEBCAD 37.360.7695, nos termos do art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91; e para determinar o recálculo da multa do DEBCAD 37.360 7709, nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, para as competências até 11/2008, inclusive. A Turma entendeu que o modo como foram calculadas as multas não são favoráveis ao Contribuinte, pois o Fisco comparou o somatório da multa moratória de 24% pelo descumprimento da obrigação principal e da multa de 100% relativa às contribuições não declaradas com a multa de ofício de 75%. Entendeu, ainda, que as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, pelo descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, sempre levando em consideração o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, II, “c”, do CTN. Desta forma, ficou decidido que para a multa de ofício por descumprimento das obrigações principais, a multa prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, é mais benéfica ao contribuinte em detrimento da multa do art. 35A, da mesma Lei. Já para o Auto de Infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória – DEBCAD nº 37.360.7695, a multa a ser aplicada é a prevista no art. 32A, da Lei nº 8.212/91 (R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas e 2% ao mês calendário, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, limitada a 20%) por ser mais benéfica do que a multa de 100% prevista no art. 32, §5º, da mesma Lei. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 986 7 A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, fls. 930/936, alegando que o r. acórdão contrariou precedentes deste Conselho, mais precisamente o acórdão nº 9202 002.193, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA. DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Auto de Infração, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarado parcialmente improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, devendo ser excluído da penalidade os valores concernentes à Previdência Complementar Privada e Reembolso Escolar. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não uplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5o, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 987 8 Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.” Ao final, requereu a reforma do julgado para que seja feita a comparação entre os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei no 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei no 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei no 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei no 8.212, de 1991, acrescido pela Lei no 11.941, de 2009. Não houve apresentação de Contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva, Relatora Na interposição do presente recurso, foram observados os pressupostos gerais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A lide tem como objeto a multa a ser aplicada no descumprimento de obrigações principais e obrigações acessórias previdenciárias, cujos fatos geradores ocorreram antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008. Antes de analisar o debate em questão, importante tecer algumas considerações sobre a sistemática da Lei nº 8.212/91 no tocante à penalidade pelo descumprimento das obrigações (principais e acessórias) sob a ótica do princípio da retroatividade benigna. Como se sabe, a MP nº 449/2008 trouxe relevantes alterações na sistemática das multas aplicáveis. Antes de sua entrada em vigor, o descumprimento das obrigações principais eram penalizados da seguinte forma: As obrigações declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, eram sancionadas com multa variável entre 4% a 20%, de acordo com o art. 35, I, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 449/2008); As obrigações que não tinham sequer sido lançadas em GFIP, cujos lançamentos se deram de ofício pela autoridade fiscal, eram punidas com a multa variável entre 12% a 50%, nos termos do art. 35, II, da mesma Lei. Caso os créditos fossem incluídos em dívida ativa, a multa aplicável era de 60% a 100%, conforme o inciso III. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 988 9 Em que pese ambas as multas serem denominadas de “multa de mora”, os percentuais diferenciavamse pela existência de uma prévia declaração do tributo ou pelo lançamento de ofício. A nova sistemática trazida pela MP nº 449/2008 estabeleceu uma distinção mais visível entre as multas, denominando de multa de mora a multa incidente sobre as obrigações já declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, e de multa de ofício as obrigações lançadas de ofício pela autoridade fiscal, objetivando abrandar a multa de mora e aplicar uma penalidade mais severa às obrigações lançadas de ofício. Desta forma, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações já declaradas (anteriormente prevista no art. 35, I) passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, que faz remição ao art. 61, da Lei nº 9.430/96. Já para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que faz remição ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Quanto às obrigações acessórias, o descumprimento das obrigações era penalizado com as multas previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A MP nº 449/2009 revogou os referidos dispositivos, instituindo a multa do art. 32A, da mesma Lei, que é de “R$ 20,00 (vinte reais) para o grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas” e “de 2% ao mês calendário ou fração incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento)”. Para uma melhor visualização, vejase no quadro abaixo a sistemática anterior e posterior à MP nº 449/208: Lei 8.212/91 Multas Antes da MP 449/2008 Norma atual Obrigações principais Multa por obrigações declaradas em GFIP, mas pagas em atraso Multa de Mora art. 35, I 8 a 20% * Se incluído em dívida ativa, variável entre 30 a 100% (inciso III) Multa de Mora art. 35, caput 0,33% ao dia limitado a 20% Multa por obrigações não declaradas e lançadas de ofício Multa de Mora art. 35, II 24 a 50% * Se incluído em dívida ativa, variável entre 30 a 100% (inciso III) Multa de Ofício art. 35A 75% Art. 32A 20,00 para cada grupo Fl. 988DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 989 10 Obrigações acessórias Multa por descumprimento Art. 32, §4º, 5º e 6º 100% de 10 informações incorretas ou omitidas; 2% ao mês calendário, limitada a 20%. Como se observa, em determinados pontos a nova sistemática foi mais benéfica ao contribuinte, mas em outros estabeleceu multa mais severa. Assim, para o cálculo das multas incidentes sobre fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008, mas realizado após 12/2008, devese levar em conta o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II – tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática; Assim, sob a ótica do referido princípio, as multas de fatos geradores ocorridos antes de 03/12/2008, mas aplicadas posteriormente a essa data, devem ser calculadas comparando a legislação anterior com a atual, nos seguintes termos: as multas aplicadas com fundamento no art. 35, I, da legislação anterior devem ser comparadas com o art. 35, caput, da norma atual; as multas com fundamento no art. 35, II, devem ser comparadas com a multa do atual art. 35A; as multas por descumprimento de obrigação acessória, com fundamento no antigo art. 32, §§, deve ser comparada com a atual multa do art. 32A. Isto porque, a Lei nº 8.212/91 é clara ao estabelecer penalidades distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e pagas em atraso (multa de mora do art. 35, caput), para as obrigações principais lançadas de ofício (multa de ofício do art. 35A) e para o descumprimento de obrigações acessórias ( multa do art. 32A). Todavia, a Receita Federal vem adotando um posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver tanto descumprimento de obrigações principais quanto de obrigações acessórias. Tal entendimento não decorre expressamente de Lei, mas sim de uma interpretação do Fisco sob o argumento de que de que a multa única é mais favorável ao contribuinte do que a aplicação separada das multas dos arts. 32A e 35A, da Lei nº 8.212/91, em virtude da proibição do bis in idem. Desta forma, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações previdenciárias, o Fisco vem adotando a seguinte sistemática, de acordo com o art. 476A, da Instrução Normativa RFB 971/2009, vejamos: Fl. 989DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 990 11 Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores:(Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Vejase abaixo um quadro ilustrativo da sistemática da multa única: Multa única Fatos Geradores Ocorridos antes da MP 449/2008 Aplicação da multa mais benéfica Fatos Geradores ocorridos após a MP nº 449/2008 Multa atual Descumprimento de Obrigações principais e acessórias Comparação entre a multa atual (art. 35A) e o Somatório das multas anteriores (art. 35 e art. 32, §§ 4º, 5º e 6º) Art. 35A Fl. 990DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 991 12 Descumprimento apenas de obrigações acessórias Comparação entre a multa anterior do art. 32, §§ 4º, 5º e 6º e a multa atual do art. 32A. Art. 32A Observase, portanto, que ao instituir uma multa única, deixase de estipular qualquer comparação entre os dispositivos anteriores e atuais da Lei nº 8.212/91, considerando se viável a aplicação da multa de ofício de forma generalizada. Tal pretensão afronta diretamente o art. 106, II, “c”, do CTN, pois não proporciona uma aplicação retroativa da multa de mora prevista no atual art. 35, caput, e, mais grave ainda, da multa por descumprimento das obrigações acessórias, prevista no atual art. 32A. Desta forma, a Instrução Normativa inova o ordenamento jurídico, pois extrapola a regra prevista no art. 106, do CTN, uma vez que estipula a aplicação de uma multa única não prevista em Lei. Tratase de solução inusitada, objetivando justificar a aplicação da gravosa multa de 75% à falta de recolhimento de contribuições cujos fatos geradores ocorreram anteriormente à sua instituição. A multa única mostrase, portanto, ilegal, pois pretende cumular penalidades decorrentes de infrações distintas. Para se constatar se uma penalidade é mais benéfica, deve confrontar a multa atual com a multa anteriormente prevista para a infração de mesma natureza, ou seja, a atual multa prevista para os casos de lançamento de ofício (75%) deve ser comparada com a multa anteriormente prevista no art. 35, II (12% a 50%), enquanto que a multa por descumprimento de obrigações acessórias, atualmente prevista no art. 32A, somente pode ser comparada à multa anteriormente prevista no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º. Não é possível admitir que a penalidade por descumprimento de obrigação acessória seja estabelecida de uma forma quando aplicada de forma isolada e de forma distinta quando cumulada com multa referente à obrigação principal, pois não há previsão legal nesse sentido. À Receita Federal cabe implementar meios para recalcular os débitos de forma a aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparando os dispositivos da lei anterior ao atual, e não criar condições prejudiciais aos contribuintes. Nesse sentido, em respeito ao art. 106, do CTN, entendo que na execução do julgado a autoridade fiscal deverá verificar a situação mais benéfica ao contribuinte a partir da comparação entre as multas anteriormente previstas nos arts. 35, I e II, e 32, com as multas atuais dos arts. 35, caput, 35A e 32A, de acordo com a natureza da infração cometida. Diante do exposto, voto por negar provimento do Recurso Especial, pois a aplicação da multa única prevista na Instrução Normativa RFB 971/2009 não se mostra mais favorável ao contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora Fl. 991DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 992 13 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia à posição da relatora e ao entendimento esposado no recorrido relativo à matéria, ouso discordar. Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou, quanto à matéria em litígio, por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do valor da multa aplicada, se mais benéfico ao contribuinte: a) Para o auto de infração de obrigação principal subsistente (DEBCAD 37.360.7709), de acordo com o disciplinado no art. 35, caput, da Lei nº 8.212, de 1991, antes da alteração propugnada pela MP nº 449, de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 2009; b) ) Para o auto de infração de obrigação acessória (DEBCAD 37.360.7695), de acordo com o disciplinado no art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela MP nº 449, de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Entendo a propósito que, em verdade, o referido art. 35 da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008 (convertida na Lei nº 11.941, de 2009), duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter, agora a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo tanto a constatação, através de procedimento de ofício, de falta de pagamento, como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ Fl. 992DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 993 14 (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, Fl. 993DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 994 15 que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, Fl. 994DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 995 16 ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. No caso sob análise, verifico que permanece em litígio, quanto à aplicação da retroatividade benéfica, a multa aplicada aos débitos cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP no, 449, de 2008, mais especificamente para as competências de 01/2007 a 11/2008. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado, agora ao caso sob análise, entendo que, para todos os débitos cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP no. 449. de 2008, devase limitar a soma das penalidades aplicáveis à cada competência a título de descumprimento de obrigação principal e de obrigação acessória, esta última referente ao preconizado no art. 32, IV, §4o. e 5o, da Lei no. 8.212, de 1991, ao percentual de 75% dos valores devidos a título de obrigação principal, aplicandose assim a incidência do art. 35A da Lei no. 8.212, de 1991, sem que, porém, se deva falar em comparação segregada da multa aplicável para qualquer lançamento de obrigação principal, consoante inicialmente proposto pelo vergastado. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.723356/201224 Acórdão n.º 9202003.800 CSRFT2 Fl. 996 17 Este percentual de 75% é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática posteriormente estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de determinar que a aplicação da norma mais benéfica ao caso seja realizada através do cotejo entre: a) a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e b) da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Fl. 996DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10715.005581/2009-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração:01/11/2006 a 30/11/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.586
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 55 81 /2 00 9- 10 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005581/200910 Acórdão n.º 9303003.586 CSRF‐T3 Fl. 206 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.803, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005581/200910 Acórdão n.º 9303003.586 CSRF‐T3 Fl. 207 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005581/200910 Acórdão n.º 9303003.586 CSRF‐T3 Fl. 208 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005581/200910 Acórdão n.º 9303003.586 CSRF‐T3 Fl. 209 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005581/200910 Acórdão n.º 9303003.586 CSRF‐T3 Fl. 210 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005581/200910 Acórdão n.º 9303003.586 CSRF‐T3 Fl. 211 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005581/200910 Acórdão n.º 9303003.586 CSRF‐T3 Fl. 212 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005581/200910 Acórdão n.º 9303003.586 CSRF‐T3 Fl. 213 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10480.720880/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
SERVIÇOS DE ENGENHARIA. ALEGAÇÃO DE CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS. Se o sujeito passivo informa suas receitas vinculadas ao coeficiente de 16% e as notas fiscais evidenciam apenas a prestação de serviços, subsiste o lançamento que recalcula os valores devidos tendo em conta o coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido, exceto em relação às receitas comprovadamente decorrentes de construção por empreitada com materiais empregados apenas pela contratada.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Definido em lei, o percentual de 75% aplicado em lançamento de ofício não se sujeita a discussão no contencioso administrativo fiscal (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1302-001.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as arguições de nulidade da decisão de 1ª instância e de nulidade do lançamento; e 2) por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ALEGAÇÃO DE CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS. Se o sujeito passivo informa suas receitas vinculadas ao coeficiente de 16% e as notas fiscais evidenciam apenas a prestação de serviços, subsiste o lançamento que recalcula os valores devidos tendo em conta o coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido, exceto em relação às receitas comprovadamente decorrentes de construção por empreitada com materiais empregados apenas pela contratada. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Definido em lei, o percentual de 75% aplicado em lançamento de ofício não se sujeita a discussão no contencioso administrativo fiscal (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as arguições de nulidade da decisão de 1ª instância e de nulidade do lançamento; e 2) por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 08 80 /2 01 0- 12 Fl. 562DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório DHF ENGENHARIA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 14/05/2010, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 347.504,53. Consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 04/15 que, examinando notas fiscais e livro de Prestação de Serviço ISS, assim como comprovantes de recolhimento e retenção e correspondentes declarações, a autoridade lançadora concluiu que: a) A empresa, durante o anocalendário de 2007, prestou serviços de construção civil, como faz prova cópias das Notas Fiscais de Serviços (amostragem) anexas, aplicando indevidamente o percentual de 16% sobre a receita bruta, quando deveria ter aplicado o percentual de 32%, como constam nas DIPJ´s também anexas. [...] g) A exemplo do IRPJ, a empresa, durante o anocalendário de 2007, aplicou indevidamente o percentual de 12% sobre a receita bruta, como cálculo para a CSLL, quando deveria ter aplicado o percentual de 32%, como constam nas DIPJ´s, também anexas. [...] Impugnando a exigência, a contribuinte defendeu a aplicação do coeficiente de 8% para os contratos de construção com emprego de materiais próprios e de 32% para quando não houver emprego de materiais. A Turma Julgadora de 1ª instância reconheceu que o Ato Declaratório COSIT nº 6/97 admitiu a aplicação do coeficiente de 8% na atividade de construção por empreitada, havendo emprego de materiais, em qualquer quantidade; ressaltou, à vista da DIPJ retificadora referenciada pela contribuinte, que a impugnação seria parcial; e admitiu provada a utilização de materiais nos casos em que, apesar de não apresentados documentos específicos da utilização de materiais (verbi gratia notas fiscais de remessa de mercadorias), havia cláusula contratual neste sentido em conjunto com a respectiva discriminação na nota fiscal. Reduziu, assim, ao coeficiente de 8% (no IRPJ) e de 12% (na CSLL), a apuração do lucro presumido a partir das notas fiscais de fls. 229/230, cujo somatório totalizou em R$ 35.607,67. O crédito tributário exonerado totalizou R$ 5.808,44 e a decisão não foi submetida a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 25/02/2013 (fl. 270), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 25/03/2013 (fls. 272/279). Preliminarmente afirma a nulidade da decisão de 1ª instância, observando que a autoridade fiscal firmou sua conclusão a partir de amostragem de notas fiscais, e neste sentido a contribuinte também formulou sua defesa apresentando, por amostragem, documentos em favor da aplicação do coeficiente de 8%. Contudo, a Turma Julgadora de 1ª instância, ao invés de reconhecer a atividade exercida pela contribuinte, ou mesmo converter o julgamento em diligência, manteve a quase totalidade da exigência. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 4 3 Destaca como questão fulcral saberse se a prova produzida foi suficiente para acarretar a conclusão de emprego de materiais próprios, ao menos como indício para a necessidade de complementação da auditoria. Observa que merece tratamento diferenciado por ser empresa de pequeno porte, que apresentou impugnação sem assistência de advogado, e que não teria condições de reunir todos os documentos necessários no curto prazo de defesa. Assevera que lhe foi negado o direito a perícia, que a Fiscalização presumiu a modalidade contratual a partir de alguns instrumentos contratuais da autuada, e que tendo em conta o diminuto universo de operações, não haveria motivação para tal procedimento, a evidenciar ofensa ao princípio da legalidade. Assim, afirma também a nulidade da atividade fiscalizatória. Transcreve doutrina acerca dos requisitos para uso da presunção, reafirma que a presunção fiscal não foi motivada e defende, minimamente, a necessidade de aprofundamento da instrução probatória mediante conversão do julgamento em diligência. Finaliza, assim, pleiteando o retorno dos autos à 1ª instância para realização da perícia fiscal contábil. Pede, ainda, a redução da multa aplicada, ainda que por recurso à equidade, mormente tendo em conta que não foi proporcionado à empresa de pequeno porte condições para que pudesse oferecer ampla defesa. O recurso voluntário é finalizado com pedidos de nulidade da decisão de 1ª instância, bem como do lançamento, acrescidos do pleito de redução da penalidade aplicada, com fundamento no artigo 40 da LPAF e nos artigos 172, inciso IV, e 108, IV e §2º, ambos do Código Tributário Nacional. A contribuinte também pede que futuras notificações sejam dirigidas ao seu domicílio e de seu patrono, e manifesta sua intenção de acompanhar o julgamento e sustentar oralmente suas razões. Por meio da Resolução nº 1302000.323 esta Turma resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para as seguintes providências expostas no voto do Conselheiro Relator Márcio Rodrigo Frizzo: [...] Para que seja aplicada a presunção de 8% para cálculo do IRPJ no lucro presumido, fazse necessário que a atividade de construção civil por empreitada seja realizada com o fornecimento de materiais necessários à consecução do projeto. Assim, o fornecimento de materiais é imprescindível para diferenciar uma prestação de serviços com utilização exclusiva de mãodeobra, o que acarretaria em um valor agregado maior (até por isso o percentual de presunção é maior, de 32%), de uma prestação de serviços com fornecimento de materiais. A mãodeobra com fornecimento de materiais possui, via de regra, um lucro menor, justamente pelo montante global cobrado estar incluído boa parte do custo com o material utilizado e incorporado à obra. Nesse passo, é importante que este material seja incorporado à obra, como tijolo, cimento, tinta, estrutura metálica, etc., não sendo apenas acessório para o cumprimento do serviço contratado. Conforme relatado acima, o AFRFB juntou apenas por amostragem os contratos de empreitadas firmados pelo recorrente, mesmo estando na posse de todos os contratos da recorrente, ou seja, o AFRFB a partir somente dos contratos juntados Fl. 564DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 5 4 por amostragem considerou que os contratos do recorrente eram apenas por administração, logo, incidiria o coeficiente de 32% (trinta e dois por cento). No entanto, o recorrente juntou ao PAF contratos de empreitada (fls. 197/257) em que constam em seus teores que o recorrente deveria realizar o fornecimento de materiais, ou seja, os contratos foram firmados com a obrigatoriedade de se fornecer os materiais, conforme notase do exemplo da cláusula destacada abaixo: 3.6. fornecer e utilizar na execução das obras e dos serviços, equipamentos e mãode obra adequados e materiais novos e de primeira qualidade; (Contrato entre a recorrente e Empresa de Urbanização do Recife – fls. 199). Não se pode ignorar, contudo, que o recorrente em suas notas fiscais, não especificou se houve ou não o fornecimento de materiais. Em face dessas considerações, a fim de prestigiar o princípio da verdade material, bem como para não ofender o interesse público na correta aplicação da legislação tributária, entendo cabível converter o julgamento em diligência para que: a) Sejam intimadas todas as empresas que firmaram contrato de empreitada com o recorrente no período de apuração deste PAF, a fim de que estas prestem as seguintes informações: a.1) Se houve o emprego de materiais nas obras realizadas pelo recorrente, se sim, se foi a totalidade do material utilizado nos serviços contratados; a.2) Requerer cópia dos contratos e notas fiscais referente as operações com a autuada, em especial, as seguintes empresas: i) Empresa de Urbanização do Recife – CNPJ nº 09.945.741/000164; ii) Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana CNPJ nº 11.497.013/000134; iii) Prefeitura Municipal de Abreu e Lima CNPJ nº 08.637.373/000180; iv) Ministério da Fazenda CNPJ nº 08.637.373/000180; v) Universidade Federal de Pernambuco CNPJ nº 08.637.373/000180; vi) Escola Agrotécnica Federal de Belo Jardim CNPJ nº 35.672.054/000175; b) Intimar a requerente a juntada da totalidade dos contratos pactuados no período em que houve a autuação. Dessa forma, voto por converter o julgamento em diligência. Após, peço que o AFRFB, por favor, lavre relatório da diligência e dê ciência à Recorrente de suas conclusões, facultandolhe a manifestação em 30 dias. Após, voltem os autos a este Conselho. Em atendimento, a autoridade fiscal encarregada da diligência lavrou o relatório de fls. 294/296 descrevendo as intimações dirigidas às empresas acima citadas e a documentação obtida, observando que não foram atendidas aquelas dirigidas à Universidade Federal do Pernambuco (para a qual já consta à fl. 233 declaração dos serviços prestados pela autuada), bem como à Escola Agrotécnica Federal Belo Jardim (extinta em 29/12/2008). Depois de relatar a intimação, também, da autuada para apresentação dos contratos executados em 2007, autoridade fiscal consignou que: Em resposta, consoante documento escrito, recepcionado em 06/02/2015, a DHF Engenharia Ltda formalizou a entrega dos contratos solicitados, segregandoos nos documentos ANEXOS III a X a ele acostados. Ainda, para melhor entendimento, apresentou duas planilhas informativas relativas aos contratos pactuados, destacados nos antecedentes ANEXOS I a II. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 6 5 Ainda pelo documento escrito, em que pese desacompanhadas dos respectivos contratos vinculantes, foi oficializado também a entrega de cópias de notas fiscais de serviços emitidas por vários órgãos/entidades no ano de 2007, nas quais observamse discriminados ora valor, ora percentuais (%) relativos ao material e à mãodeobra utilizados na execução dos serviços contratados, a exceção da Escola Agrotécnica Federal de Belo Jardim/PE, posto tratarse, no caso, apenas de contratação de serviços de mãodeobra técnica. Esclareceu, ainda, a requerente, que algumas obras realizadas enquadramse na categoria "Dispensa de Licitação" (art. 24, da Lei nº 8.666/1993 Lei das Licitações). Assim, em alguns casos, conclui, não foram formalizados instrumentos contratuais, porém, os serviços prestados podem ser comprovados por meio de outros instrumentos hábeis, tais como: nota de empenho de despesa, ordem de execução de serviços, por ex., conforme previsto no artigo 62 da Lei das Licitações (vide DOCUMENTAÇÃO 05, em anexo). Cientificada do referido relatório em 02/10/2015, com abertura de prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, a contribuinte nada apresentou, retornando os autos a este Conselho em 16/11/2015. Como o Conselheiro Relator não mais integra este Colegiado, promoveuse novo sorteio, sendo os autos atribuídos para relatoria desta Conselheira. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente cumpre REJEITAR a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância. Como se vê à fl. 175, a contribuinte se limitou a afirmar que: Ocorre que a empresa informou, de forma equivocada, na declaração de imposto de renda DIPJ 2007 que o PERCENTUAL APLICÁVEL SOBRE A RECEITA BRUTA (BASE DE CÁLCULO) ERA DE 16,00% (dezesseis por centos), quando na verdade o percentual correto seria 8,00% (oito por centos) para os contratos de Construção com emprego de materiais próprios e de 32,00% (trinta e dois por centos) quando não houver emprego de materiais, conforme comprovaremos a seguir através dos contratos assinados, notas fiscais e demais documentos comprobatórios do tipo de contrato executados no ano fiscal de 2007, conforme DIPJ 2007 RETIFICADORA, SOLICITAMOS REVISÃO DO REFERIDO AUTO DE INFRAÇÃO. No anexo de fl. 175, a contribuinte relacionou as obras realizadas referenciando os documentos juntados e a autoridade julgadora de 1ª instância, apreciandoos, além de observar que a defesa seria apenas parcial em razão do que consignado na DIPJ retificadora, expressou os motivos para admitir provadas apenas parte dos fatos alegados pela contribuinte. Ressaltese que não houve pedido de perícia na impugnação, nem mesmo referência a produção de prova por amostragem, restando patente a conformidade da apreciação da defesa com os argumentos nela expostos. Quanto à arguição de nulidade do lançamento, observase nos autos que o procedimento fiscal foi direcionado, inicialmente, à obtenção de esclarecimentos acerca das divergências verificadas entre os débitos de IRPJ e CSLL informados em DIPJ e DCTF (fls. 30/31). Em resposta à intimação, a contribuinte apresentou, dentre outros documentos, talões de notas fiscais de serviço, Livro de Prestação de Serviços (ISS) e declarações retificadas (fl. 34). Na DIPJ original a contribuinte informara débitos de IRPJ apurados mediante aplicação do coeficiente de 16% sobre a totalidade da receita bruta em todos os trimestres de 2008, assim como débitos de CSLL apurados mediante aplicação do coeficiente de 12% sobre aquelas receitas (fls. 36/49), e em retificadora apresentada depois do início do procedimento fiscal foi mantida a mesma metodologia de cálculo (fls. 50/63). Às fls. 151/172 constam as notas fiscais a partir das quais a autoridade lançadora concluiu que a contribuinte teria prestado serviços de construção civil e aplicado indevidamente o percentual de 16% sobre a receita bruta, quando deveria ter aplicado o percentual de 32%. As notas fiscais são de prestação de serviços e, embora mencionem execução de serviços de construção civil, seus valores foram integralmente submetidos à incidência de ISS, sem o destaque de qualquer parcela que pudesse evidenciar o fornecimento de materiais. Por sua vez, o Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (RIR/99) limita a aplicação do coeficiente de 16% aos serviços de transporte de carga, ou para os demais casos de prestação de serviços com receita bruta anual de até R$ 120.000,00, nos seguintes termos: Fl. 567DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 8 7 Art 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 1º). I um inteiro e seis décimos por cento, para atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento para a atividade de prestação de serviço de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput ; III trinta e dois por cento, para as atividade de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. § 2º No caso de serviços hospitalares aplicase o percentual previsto no caput . 3º No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 2º). § 4º A base de cálculo trimestral das pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral cuja receita bruta anual seja de até cento e vinte mil reais, será determinada mediante a aplicação do percentual de dezesseis por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração (Lei nº 9.250, de 1995, art. 40, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). § 5º O disposto no parágrafo anterior não se aplica às pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares e de transporte, bem como às sociedades prestadoras de serviços de profissões legalmente regulamentadas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 40, parágrafo único). § 6º A pessoa jurídica que houver utilizado o percentual de que trata o § 5º, para apuração da base de cálculo do imposto trimestral, cuja receita bruta acumulada até determinado mês do anocalendário exceder o limite de cento e vinte mil reais, ficará sujeita ao pagamento da diferença do imposto postergado, apurado em relação a cada trimestre transcorrido. § 7º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a diferença deverá ser paga até o último dia útil do mês subseqüente ao trimestre em que ocorreu o excesso. Considerando que as notas fiscais enunciavam apenas a prestação de serviços e a receita bruta da contribuinte, já no 1º trimestre de 2008, superava R$ 120.000,00, é válida a conclusão fiscal que seria aplicável, à contribuinte, o coeficiente de 32% para apuração do lucro presumido no período fiscalizado, bem como para apuração da base de cálculo da CSLL, na forma da Lei nº 9.249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; Fl. 568DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 9 8 II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (negrejouse) Ao contrário do que alega a recorrente, não se verifica, nos autos, qualquer evidência de que os contratos tenham sido apresentados à Fiscalização, ou de que houve presunção da atividade exercida a partir de exame de parte deles. A intimação dirigida à contribuinte, e a resposta por ela prestada, evidencia que os exames da autoridade lançadora se limitaram às notas fiscais apresentadas no curso do procedimento fiscal e, como acima demonstrado, tais elementos autorizavam a conclusão deles extraída pelo fiscal autuante, mormente tendo em conta que o coeficiente de 8%, agora pretendido, sequer havia sido adotado por ocasião do preenchimento da DIPJ. Cumpre, assim, avaliar, em exame de mérito, se as provas apresentadas no contencioso administrativo são hábeis a sustentar esta pretensão da recorrente. Por tais razões, deve ser REJEITADA a arguição de nulidade do lançamento. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 10 9 Passando ao mérito, constatase que na diligência requerida por este Colegiado, as contratantes da contribuinte foram questionadas acerca dos acordos com ela firmados, bem como solicitouse informar se a DHF Engenharia Ltda empregou materiais próprios na execução dos serviços contratados. Em resposta, as contratantes firmaram que: · Empresa de Urbanização do Recife (URB): apresentou contrato cujo objeto é a execução das obras de urbanização de ruas específicas na cidade do Recife, bem como as correspondentes notas fiscais, e, quanto à titularidade dos materiais e equipamentos utilizados para execução dos serviços esclareceu que a medição da execução considera a composição de serviços, materiais, equipamentos e mão de obra, não cabendo à fiscal do contrato constatar se os materiais e equipamentos empregados são próprios ou não da contratada. Consta dos documentos apresentados que os serviços executados são compostos de serviços prontos, considerando: materiais, equipamentos e mão de obra do item pago. A cláusula segunda do contrato de empreitada por preço global não atribui à contratante qualquer obrigação de fornecer materiais para as obras de urbanização e a cláusula terceira do contrato apresentado é expressa quanto à obrigação da contratada fornecer materiais para a execução dos serviços, especialmente em seus subitens 3.4 e 3.6 (fls. 297/368); · Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (EMLURB): apresentou contratos e notas fiscais correspondentes e esclareceu que somente afere o quantitativo de material relacionado para a execução dos serviços, de acordo com o fornecimento previsto na planilha orçamentária componente do projeto básico respectivo, sendo que os contratos foram encerrados mediante o recebimento técnico e o definitivo, consoante documentos também apresentados. O projeto básico não foi apresentado, mas o primeiro contrato se refere a recuperação de passeios ao longo do Cais do Centro do Recife e indica que no preço contratado estão incluídos todos os custos da contratada relativos ao transporte do material, carga e descarga, despesas de execução e encargos de mão de obra, assim como assegura à contratada o direito ao recebimento pelos custos de aquisição de materiais em caso de supressão dos serviços. Já o segundo acordo de execução dos serviços de recuperação de Muro de Arrimo referese a planilha de orçamento também não apresentada, mas não há no contrato qualquer obrigação da contratante em fornecer materiais e à contribuinte é imputado o dever expresso no art. 69 da Lei nº 8.666/93 de arcar com vícios de execução ou decorrente de materiais empregados (fls. 369/406); · Prefeitura Municipal de Abreu e Lima/PE: apresentou contrato que teve por objeto a contratação de empresa de engenharia para revitalização e ampliação da Feira Livre de Caetés I e o 1º Termo Aditivo, bem como termo de referência que orientou a execução do contrato, além de notas de subempenho acompanhadas das respectivas notas fiscais e boletins de medição. As notas fiscais rateiam o valor total dos serviços atribuindo 50% a mão de obra e Fl. 570DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 11 10 50% a material. O projeto básico da obra especifica os materiais que devem ser aplicados, porém faz referência a outras duas figuras não presentes no contrato apresentado: o empreiteiro e o construtor. Por sua vez, embora a cláusula quarta do contrato considere no preço global todos os custos e encargos referentes à execução da obra e nele inexista obrigação imputada à contratante de fornecer os materiais necessários à obra, o valor estipulado de R$ 124.196,73 é incompatível com as aplicações exigidas pelo projeto básico e, demais disso, o contrato apresenta na epígrafe que a contratação se refere à prestação de serviços de engenharia e não de construção. (fls. 407/428); · Ministério da Fazenda (GAB/SAMF/PE): apresentou contrato firmado com a contribuinte, cujo objeto foi a elaboração de projeto executivo de engenharia para recuperação, reforço e reabilitação de estruturas de concreto do Edifício Sede do Ministério da Fazenda em Pernambuco. As notas fiscais não foram apresentadas (fls. 429/440); · Universidade Federal de Pernambuco (UFPE): não respondeu à intimação fiscal, mas à fl. 233 consta declaração prestada em 2010 informando realização de serviços pela contribuinte com fornecimento próprio de material e mãodeobra. Contudo, a nota fiscal apresentada aponta serv. de aplicação de piso industrial de alta resist. no valor de R$ 1.444,80; · Escola Agrotécnica Federal de Belo Jardim/PE: a autarquia foi extinta, mas a própria autuada teria reconhecido que o serviço, aqui, seria apenas de mãodeobratécnica. A contribuinte também foi intimada no curso da diligência e, consoante destacado pela autoridade fiscal, apesar de desacompanhadas dos contratos vinculantes, nas notas fiscais apresentadas constaram discriminados ora valor, ora percentuais (%) relativos ao material e à mãodeobra utilizados na execução dos serviços contratados, à exceção da Escola Agrotécnica Federal de Belo Jardim/PE. As receitas foram assim demonstradas pela contribuinte: CLIENTE DOCUMENTO DATA TOTAL MATERIAL MÃO DE OBRA DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM DO ESTADODER 2007NE00887 175 01/08/07 14.950,00 7.475,00 7.475,00 DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM DO ESTADODER 145/07 215 26/11/07 14.518,00 7.259,00 7.259,00 Subtotal 29.468,00 14.734,00 14.734,00 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 139 16/02/2007 58.130,45 29.065,23 29.065,23 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 144 16/03/07 32.148,01 16.074,01 16.074,01 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 151 12/04/07 62.047,40 31.023,70 31.023,70 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 152 27/04/07 56.480,12 28.240,06 28.240,06 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 158 16/05/07 65.757,77 32.878,89 32.878,89 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 163 13/06/07 59.179,60 29.589,80 29.589,80 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 165 02/07/07 35.405,17 17.702,59 17.702,59 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 166 02/07/07 42.900,00 21.450,00 21.450,00 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 171 12/07/07 40.197,60 20.098,80 20.098,80 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 172 12/07/07 2.930,88 1.465,44 1.465,44 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 12 11 CLIENTE DOCUMENTO DATA TOTAL MATERIAL MÃO DE OBRA EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 173 12/07/07 695,60 347,80 347,80 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 178 10/08/07 61.678,86 30.839,43 30.839,43 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 179 10/08/07 66.927,83 33.463,92 33.463,92 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 185 24/08/07 25.186,03 12.593,02 12.593,02 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 187 24/08/07 25.623,78 12.811,89 12.811,89 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 188 24/08/07 10.441,19 5.220,60 5.220,60 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 193 14/09/07 1.338,48 669,24 669,24 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 194 19/09/07 22.628,59 11.314,30 11.314,30 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 195 19/09/07 19.128,16 9.564,08 9.564,08 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 196 19/09/07 705,50 352,75 352,75 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 06.02798.8.07 203 13/11/07 10.270,61 5.135,31 5.135,31 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 06.02798.8.07 208 23/11/07 19.193,29 9.596,65 9.596,65 Subtotal 718.994,92 359.497,51 359.497,51 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 137 03/01/2007 48.112,77 24.056,39 24.056,39 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 138 03/01/2007 20.667,99 10.334,00 10.334,00 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 140 02/03/2007 14.210,15 7.105,08 7.105,08 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 141 02/03/2007 45.843,80 22.921,90 22.921,90 EMPRESA DE URBANIZARÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 142 02/03/2007 12.572,86 6.286,43 6.286,43 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 145 26/03/07 6.111,27 3.055,64 3.055,64 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 146 26/03/07 2.856,82 1.428,41 1.428,41 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 147 26/03/07 5.818,76 2.909,38 2.909,38 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 148 10/04/07 6.396,06 3.198,03 3.198,03 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 150 10/04/07 14.924,30 7.462,15 7.462,15 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 153 27/04/07 49.774,99 24.887,50 24.887,50 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 154 27/04/07 31.999,79 15.999,90 15.999,90 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 155 07/05/07 22.001,58 11.000,79 11.000,79 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 156 07/05/07 35.006,41 17.503,21 17.503,21 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 157 07/05/07 24.432,05 12.216,03 12.216,03 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 160 01/06/07 7.554,55 3.777,28 3.777,28 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 161 05/06/07 31.345,08 15.672,54 15.672,54 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 162 05/06/07 13.433,56 6.716,78 6.716,78 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 164 28/06/07 39.601,98 19.800,99 19.800,99 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 167 02/07/07 2.503,45 1.251,73 1.251,73 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 168 02/07/15 17.487,60 8.743,80 8.743,80 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 169 02/07/07 40.496,24 20.248,12 20.248,12 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 170 02/07/07 301,45 150,73 150,73 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 177 02/08/07 37.328,82 18.664,41 18.664,41 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 183 15/08/07 75.463,37 37.731,69 37.731,69 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 184 15/08/07 32.341,24 16.170,62 16.170,62 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 190 06/09/07 24.879,99 12.440,00 12.440,00 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 191 06/09/07 83.975,45 41.987,73 41.987,73 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 192 06/09/07 84.525,14 42.262,57 42.262,57 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 197 21/09/07 20.985,30 10.492,65 10.492,65 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 200 18/10/07 57.861,73 28.930,87 28.930,87 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 201 18/10/07 24.797,76 12.398,88 12.398,88 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 202 09/11/07 38.746,09 19.373,05 19.373,05 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 209 23/11/07 3.691,00 1.845,50 1.845,50 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 210 23/11/07 3.006,15 1.503,08 1.503,08 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 211 23/11/07 2.606,22 1.303,11 1.303,11 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 212 26/11/07 1.894,84 947,42 947,42 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 13 12 CLIENTE DOCUMENTO DATA TOTAL MATERIAL MÃO DE OBRA EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 213 26/11/07 9.690,56 4.845,28 4.845,28 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 217 04/12/07 78.048,12 39.024,06 39.024,06 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 218 04/12/07 33.450,88 16.725,44 16.725,44 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 219 04/12/07 12.206,12 6.103,06 6.103,06 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 220 04/12/07 5.231,19 2.615,60 2.615,60 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 221 04/12/07 31.104,32 15.552,16 15.552,16 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 222 04/12/07 13.330,60 6.665,30 6.665,30 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 223 04/12/07 824,04 412,02 412,02 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 224 04/12/07 352,60 176,30 176,30 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 225 12/12/07 13.885,34 6.942,67 6.942,67 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 226 12/12/07 5.950,53 2.975,27 2.975,27 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 227 12/12/07 59.846,44 29.923,22 29.923,22 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 228 12/12/07 25.648,50 12.824,25 12.824,25 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 229 12/12/07 2.260,30 1.130,15 1.130,15 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 230 13/12/07. 4.000,08 2.000,04 2.000,04 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 233 18/12/07 5.948,27 2.974,14 2.974,14 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 234 18/12/07 2.448,85 1.224,43 1.224,43 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 235 20/12/07 91.092,47 45.546,24 45.546,24 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 236 20/12/07 39.039,63 19.519,82 19.519,82 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 237 20/12/07 1.496,25 748,13 748,13 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 238 20/12/07 641,19 320,60 320,60 Subtotal 1.422.052,89 711.026,57 711.026,57 EMPRESA METROPOLITANA DE TRANSPORTES URBANOSEMTU 204 14/11/07 13.964,24 6.982,12 6.982,12 EMPRESA METROPOLITANA DE TRANSPORTES URBANOSEMTU 239 27/12/07 6.936,30 3.468,15 3.468,15 Subtotal 20.900,54 10.450,27 10.450,27 ESCOLA AGROTÉCNICA FEDERAL DE BELO JARDIM PE 174 19/07/07 14.450,00 14.450,00 Subtotal 14.450,00 14.450,00 ESCOLA TÉCNICA ADMINISTRATIVO DA UFPE 189 04/09/07 7.130,00 3.565,00 3.565,00 Subtotal 7.130,00 3.565,00 3.565,00 MINISTÉRIO DA FAZENDA EM PERNAMBUCO GRA/PE 49/2007 232 17/12/07 138.707,68 138.707,68 Subtotal 138.707,68 138.707,68 PREFEITURA DA CIDADE UNIVERSITARIA DA UFPE 206 22/11/07 1.444,80 722,40 722,40 PREFEITURA DA CIDADE UNIVERSITÁRIA DA UFPE 207 22/11/07 2.390,37 1.195,19 1.195,19 Subtotal 3.835,17 1.917,59 1.917,59 PREFEITURA DE ABREU E LIMA COB 02/2007 182 14/08/07 17.778,69 8.889,35 8.889,35 PREFEITURA DE ABREU E LIMA COB 02/2007 198 26/09/07 35.607,67 17.803,84 17.803,84 Subtotal 53.386,36 26.693,19 26.693,19 PREFEITURA DO RECIFE SEPLAM 159 17/05/07 4.000,20 2.000,10 2.000,10 Subtotal 4.000,20 2.000,10 2.000,10 UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO UFPE 181 13/08/07 6.500,00 3.250,00 3.250,00 UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO UFPE 199 27/09/07 3.830,00 1.915,00 1.915,00 Subtotal 10.330,00 5.165,00 5.165,00 Total 2.423.255,76 1.135.049,23 1.288.206,91 Como bem observou a autoridade julgadora de 1ª instância, o Ato Declaratório COSIT nº 6, de 13 de janeiro de 1997, permitia que: I – na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: Fl. 573DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 14 13 a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãode obra, ou seja, sem o emprego de materiais. [...] Todavia, na medida em que a contribuinte vinculou, originalmente, as receitas auferidas ao coeficiente de 16%, e pretende agora, no contencioso administrativo, ver aplicado o coeficiente de 32%, cabe a ela o ônus da prova, do qual somente se desincumbiu satisfatoriamente em relação à Empresa de Urbanização do Recife (URB) e à Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (EMLURB), e isto tendo em conta as informações prestadas por tais contratantes. Esclareçase que por meio da Instrução Normativa SRF nº 480/2004 (art. 1º, §7º, inciso II), a Receita Federal expressou o entendimento de que o serviço de construção por empreitada com emprego de materiais, beneficiário do coeficiente reduzido de presunção do lucro, seria a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, circunstâncias verificadas em relação aos contratos com a Empresa de Urbanização do Recife (URB) e a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (EMLURB). Nos contratos com a Prefeitura Municipal de Abreu e Lima, assim como na operação citada pela Universidade Federal de Pernambuco, subsiste a possibilidade de a contribuinte ter prestado, apenas, serviços de acompanhamento técnico de engenharia, como inclusive evidencia a contratação com o Ministério da Fazenda (GRA/PE), e também foi reconhecido pela contribuinte em relação à Escola Agrotécnica Federal de Belo Jardim/PE. Quanto às demais receitas, segundo a planilha apresentada pela contribuinte no curso da diligência, as obras/serviços seriam correspondentes a: · SERVIÇO DE INSTALAÇÃO DE PAINÉIS PARA EXPOSIÇÃO DO CONGRESSO DE SOCIOLOGIA, REALIZADO NA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFPE. UFPE · SERVIÇO DE REVISÃO GERAL NAS INSTALAÇÕES ELÉTRICA COM ALTERAÇÃO DA LOCAÇÃO DOS PONTOS DE LÓGICO E DE FORÇAS DOS COMPUTADORES E SUBSTITUIÇÃO DE CENTO E CINQUENTA LUMINÁRIAS UFPE · SERVIÇO DE REVISÃO DA COBERTA: LIMPEZA, JATEAMENTO D'ÁGUA, SUBSTITUIÇÃO DAS TELHAS QUEBRADAS E SUBSTITUIÇÃO DO SISTEMA DE FIXAÇÃO, REALIZADO EM CIRURGIA EXPERIMENTAL UFPE · INSTALAÇÃO DE PELÍCULA DE PROTEÇÃO SOLAR NA SEPLAM/PCR/SEPLAM · EXECUÇÃO DE PROJETOS E PLANILHAS ESCOLA AGROTÉCNICA FEDERAL DE BELO JARDIM/PE · SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DE TORRES METÁLICAS PROVISÓRIAS DE SUSTENTAÇÃO DA ESTRUTURA METÁLICA DO TIP DER/PE Fl. 574DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 15 14 · SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE TORRES METÁLICAS PROVISÓRIAS DE SUSTENTAÇÃO DA ESTRUTURA METÁLICA DE COBERTURA, NO TERMINAL DE PASSAGEIROS TIP CURADO DER/PE · SERVIÇO DE RECUPERAÇÃO ESTRUTURAL DO TERMINAL DA VILA DO IPSEP EMTU · SERVIÇO DE CONSTRUÇÃO DE BANCO EM CONCRETO, COM APOIO A CADA 2M EM ALVENARIA DE 1/2 VEZ CHAPISCADA E REVESTIDA E FORNECIMENTO DE ASSENTO DE MANILHAS DE BARRO VITRIFICADA CLASSE B, DIAM. 4" DE COLETORES DE ESGOTO E ÁGUAS PLUVIAIS Não houve, porém, qualquer comprovação documental de que tais serviços foram, de fato, executados pela contribuinte, ou se ela apenas prestou acompanhamento técnico nas obras. Destaquese que as únicas evidências dos serviços assim descritos são as informações expressas em notas fiscais por ela emitidas e, em alguns casos, a descrição do serviço na nota de empenho emitida pelo órgão pagador, as quais não são suficientes para afastar a dúvida antes apontada. Considerando que a planilha elaborada pela contribuinte em diligência (fls. 448/450) detalha as notas fiscais de serviço emitidas em face de cada um dos contratantes e seus valores são coincidentes com aqueles informados diretamente por tais contratantes, é possível segregar as receitas que comprovadamente se submeteriam ao coeficiente de 8% (ou de 12% no âmbito da CSLL) e aquelas que se mantém sujeitas ao coeficiente de 32%, na forma da acusação fiscal, conforme a seguir demonstrado: CLIENTE DOCUMENTO DATA 8% 32% EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 137 03/01/2007 48.112,77 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 138 03/01/2007 20.667,99 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 139 16/02/2007 58.130,45 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 140 02/03/2007 14.210,15 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 141 02/03/2007 45.843,80 EMPRESA DE URBANIZARÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 142 02/03/2007 12.572,86 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 144 16/03/2007 32.148,01 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 145 26/03/2007 6.111,27 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 146 26/03/2007 2.856,82 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 147 26/03/2007 5.818,76 1º TRIMESTRE 246.472,88 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 148 10/04/2007 6.396,06 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 150 10/04/2007 14.924,30 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 151 12/04/2007 62.047,40 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 152 27/04/2007 56.480,12 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 153 27/04/2007 49.774,99 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 154 27/04/2007 31.999,79 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 155 07/05/2007 22.001,58 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 156 07/05/2007 35.006,41 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 157 07/05/2007 24.432,05 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 158 16/05/2007 65.757,77 PREFEITURA DO RECIFE SEPLAM 159 17/05/2007 4.000,20 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 160 01/06/2007 7.554,55 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 161 05/06/2007 31.345,08 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 162 05/06/2007 13.433,56 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 163 13/06/2007 59.179,60 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 164 28/06/2007 39.601,98 2º TRIMESTRE 519.935,24 4.000,20 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 16 15 CLIENTE DOCUMENTO DATA 8% 32% EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 165 02/07/2007 35.405,17 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 166 02/07/2007 42.900,00 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 167 02/07/2007 2.503,45 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 169 02/07/2007 40.496,24 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 170 02/07/2007 301,45 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 168 02/07/2007 17.487,60 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 171 12/07/2007 40.197,60 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 172 12/07/2007 2.930,88 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 173 12/07/2007 695,60 ESCOLA AGROTÉCNICA FEDERAL DE BELO JARDIM PE 174 19/07/2007 14.450,00 DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM DO ESTADO DER 2007NE00887 175 01/08/2007 14.950,00 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 177 02/08/2007 37.328,82 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 178 10/08/2007 61.678,86 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 179 10/08/2007 66.927,83 UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO UFPE 181 13/08/2007 6.500,00 PREFEITURA DE ABREU E LIMA COB 02/2007 182 14/08/2007 17.778,69 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 183 15/08/2007 75.463,37 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 184 15/08/2007 32.341,24 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 185 24/08/2007 25.186,03 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 187 24/08/2007 25.623,78 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 188 24/08/2007 10.441,19 ESCOLA TÉCNICA ADMINISTRATIVO DA UFPE 189 04/09/2007 7.130,00 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 190 06/09/2007 24.879,99 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 191 06/09/2007 83.975,45 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 192 06/09/2007 84.525,14 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 193 14/09/2007 1.338,48 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 194 19/09/2007 22.628,59 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 195 19/09/2007 19.128,16 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 3.017/2006 196 19/09/2007 705,50 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 197 21/09/2007 20.985,30 PREFEITURA DE ABREU E LIMA COB 02/2007 198 26/09/2007 35.607,67 UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO UFPE 199 27/09/2007 3.830,00 3º TRIMESTRE 776.075,72 100.246,36 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 200 18/10/2007 57.861,73 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 201 18/10/2007 24.797,76 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 202 09/11/2007 38.746,09 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 06.02798.8.07 203 13/11/2007 10.270,61 EMPRESA METROPOLITANA DE TRANSPORTES URBANOS EMTU 204 14/11/2007 13.964,24 PREFEITURA DA CIDADE UNIVERSITARIA DA UFPE 206 22/11/2007 1.444,80 PREFEITURA DA CIDADE UNIVERSITÁRIA DA UFPE 207 22/11/2007 2.390,37 EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANAEMLURB 06.02798.8.07 208 23/11/2007 19.193,29 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 209 23/11/2007 3.691,00 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 210 23/11/2007 3.006,15 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 211 23/11/2007 2.606,22 DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM DO ESTADO DER 145/07 215 26/11/2007 14.518,00 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 212 26/11/2007 1.894,84 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 213 26/11/2007 9.690,56 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 217 04/12/2007 78.048,12 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 218 04/12/2007 33.450,88 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 219 04/12/2007 12.206,12 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 220 04/12/2007 5.231,19 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 221 04/12/2007 31.104,32 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 222 04/12/2007 13.330,60 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 223 04/12/2007 824,04 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 224 04/12/2007 352,60 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 225 12/12/2007 13.885,34 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 226 12/12/2007 5.950,53 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 227 12/12/2007 59.846,44 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 228 12/12/2007 25.648,50 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 229 12/12/2007 2.260,30 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 230 13/12/2007 4.000,08 MINISTÉRIO DA FAZENDA EM PERNAMBUCO GRA/PE 49/2007 232 17/12/2007 138.707,68 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 233 18/12/2007 5.948,27 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 234 18/12/2007 2.448,85 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 17 16 CLIENTE DOCUMENTO DATA 8% 32% EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 235 20/12/2007 91.092,47 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 236 20/12/2007 39.039,63 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 237 20/12/2007 1.496,25 EMPRESA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFEURB/RECIFE 051/2006 238 20/12/2007 641,19 EMPRESA METROPOLITANA DE TRANSPORTES URBANOS EMTU 239 27/12/2007 6.936,30 4º TRIMESTRE 598.563,97 177.961,39 TOTAL 2.141.047,81 282.207,95 As receitas assim totalizadas trimestralmente coincidem com os valores informados nas DIPJ (vinculadas ao coeficiente de 16%) e consideradas pela autoridade lançadora para recomposição dos valores devidos. Assim, retificando parcialmente aquela apuração, mantendo as retenções e recolhimentos/débitos declarados admitidos pela autoridade lançadora, temse: IRPJ Receita Lucro IRPJ Adicional IRRF Pagamento Saldo 2007 8% 32% Presumido 15% 10% Devedor 1º Trim. 246.472,88 19.717,83 2.957,67 4.041,59 2º Trim. 519.935,24 4.000,20 42.874,88 6.431,23 7.799,02 3º Trim. 776.075,72 100.246,36 94.164,89 14.124,73 3.416,49 12.209,01 352,80 4.979,41 4º Trim. 598.563,97 177.961,39 104.832,76 15.724,91 4.483,28 15.897,24 4.310,95 2.141.047,81 282.207,95 CSLL Receita Lucro CSLL CSLL Pagamento Saldo 2007 12% 32% Presumido 9% Retida Devedor 1º Trim. 246.472,88 29.576,75 2.661,91 2.661,91 2º Trim. 519.935,24 4.000,20 63.672,29 5.730,51 5.658,50 72,01 3º Trim. 776.075,72 100.246,36 125.207,92 11.268,71 291,89 9.290,00 1.686,82 4º Trim. 598.563,97 177.961,39 128.775,32 11.589,78 1.524,77 6.961,03 3.103,98 2.141.047,81 282.207,95 Por fim, a recorrente pede a redução da multa aplicada, ainda que por recurso à equidade, mormente tendo em conta que não foi proporcionado à empresa de pequeno porte condições para que pudesse oferecer ampla defesa. Como visto, porém, o lançamento foi regularmente formalizado, a contribuinte teve oportunidade de produzir defesa, inclusive no curso da diligência requerida por este Colegiado em antiga composição, e, de toda sorte, a penalidade aplicada, no percentual de 75%, está prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, sendo que, nos termos da Súmula nº 2 do CARF, este órgão de julgamento não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Demais disto, a responsabilidade por infrações, a teor do art. 136 do CTN, não sendo o caso de penalidade qualificada, é objetiva. Diante de todo o exposto, além de REJEITAR as arguições de nulidade da decisão de 1ª instância e do lançamento, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir os valores mantidos na decisão de 1ª instância aos montantes acima indicados, com os acréscimos de multa de ofício de 75% e juros de mora, consoante consignado nos lançamentos. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 577DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.720880/201012 Acórdão n.º 1302001.856 S1C3T2 Fl. 18 17 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10166.724075/2012-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PRÊMIOS PAGOS AOS EMPREGADOS POR TERCEIROS ALHEIOS AO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. GUELTAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores habitualmente pagos aos empregados por terceiros alheios ao contrato de trabalho visando incrementar as vendas dos seus produtos em detrimento aos de seus concorrentes integram o conceito de remuneração e também o de salário de contribuição, nos termos do art. 22, I c/c art. 28, I e §9º da Lei nº 8.212/91.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora) e Ana Paula Fernandes, que deram provimento parcial ao recurso e os Conselheiros Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1542; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 508 1 507 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.724075/201292 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.878 – 2ª Turma Sessão de 12 de abril de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SALÁRIO CONTRIBUIÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAIXA ECONOMICA FEDERAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PRÊMIOS PAGOS AOS EMPREGADOS POR TERCEIROS ALHEIOS AO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. GUELTAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores habitualmente pagos aos empregados por terceiros alheios ao contrato de trabalho visando incrementar as vendas dos seus produtos em detrimento aos de seus concorrentes integram o conceito de remuneração e também o de salário de contribuição, nos termos do art. 22, I c/c art. 28, I e §9º da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 40 75 /2 01 2- 92 Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 509 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora) e Ana Paula Fernandes, que deram provimento parcial ao recurso e os Conselheiros Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 510 3 Relatório O presente processo possui como objeto a cobrança de contribuições previdenciárias decorrentes do DEBCAD nº 51.015.0250 e DEBCAD nº 51.015.0268, respectivamente, contribuição patronal e contribuição de segurados incidentes sobre as remunerações pagas no período de 01/2009 a 12/2009. O lançamento considerou integrar a base de cálculo do salário contribuição os valores pagos por terceiros aos empregados da Recorrida à titulo de prêmio/bonificação conforme previsto em programa de estímulo e incremento de produtividade. Os Prêmios, segundo o lançamento, eram valores acrescidos ao salário do empregado, que levavam em consideração fatores de ordem pessoal como a economia de tempo, de matéria prima, meta estabelecida, assiduidade, eficiência, rendimento, produtividade, dentre outros, podendo ser pagos em pecúnia ou utilidades. Esclareceu o agente que as premiações não eram eventuais, havendo o pagamento consecutivo para diversos funcionários da empresa, além de que as campanhas ocorrem de modo regular e frequente. Diversas campanhas de premiação foram modificadas ou substituídas por outras, sempre com o mesmo objetivo de aumentar a venda dos produtos das empresas da CEF e do Grupo Caixa. No mais, o fiscal, entendo estar caracterizada a figura de grupo econômico entre a Caixa Econômica Federal e os terceiros responsáveis pelo pagamento dos prêmios, laçou como sujeitos passivos solidários as empresas Caixa Capitalização S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Consórcios S/A, Caixa Seguradora S/A e FPC PAR Corretora de Seguros S/A. Com base no art. 44, §1º da Lei 9.430/96 c/c art. 71 da Lei nº 4.502/64, considerando ter havido crime de sonegação, aplicouse multa agravada de 150%. O relatório do acórdão recorrido muito bem delimitou os argumentos de defesa das partes e o entendimento da DRJ: A autuada e demais solidárias apresentaram defesa, com alegações que levaram o órgão julgador de primeira instância determinar a realização de diligência para que o fisco se manifestasse sobre a alegação de existência de recolhimentos relativos às contribuições lançadas. Em resposta a diligência, foi emitida informação fiscal segundo a qual as guias apresentadas foram apropriadas em lançamentos efetuados contra a empresa FPC PAR. Do resultado da diligência foram cientificadas a autuada e a empresa FCP PAR, as quais se manifestaram para rebater o teor da informação fiscal. A DRJ, então, declarou o lançamento procedente em parte, tendo recorrido de ofício. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 511 4 Foi excluída a qualificação da multa, por entender o órgão a quo que não houve a demonstração pelo fisco da ocorrência de fraude ou dolo. Em razão da existência de ação judicial, na qual a autuada busca a anulação de lançamentos contemplando os mesmos fatos geradores e com os idênticos fundamentos do que ora se julga, não foram conhecidos os argumentos de ilegitimidade passiva da Caixa Econômica Federal, bem como da improcedência do lançamento. Também deixaram de ser conhecidas as alegação da FCP PAR apresentados após a impugnação. Esta empresa foi excluída do polo passivo, posto que a DRJ não vislumbrou a sua participação no grupo econômico apontado pelo fisco. Foram negados os pedidos para realização de perícia e para juntada posterior de novos documentos. A autuada interpôs recurso, no qual, em síntese apertada, alegou que: a) a Caixa Econômica Federal CEF não renunciou à discussão administrativa referente ao presente AI, posto que, embora tenha ajuizado uma ação anulatória de débito, relativa à incidência de contribuições sobre "prêmios" concedidos a seus empregados por empresas parceiras, o referido lançamento se refere a período anterior ao que agora se discute; b) ao mencionar na sua defesa a existência de ação judicial discutindo os mesmos fatos geradores, pretende a recorrente a suspensão do feito administrativo; c) o reconhecimento da concomitância somente seria possível se a discussão travada nas lides administrativa e judicial fosse exatamente a mesma, o que não se verifica na espécie; d) deve, portanto, ser anulada a decisão de primeira instância, por claro cerceamento ao direito de defesa da recorrente; e) mesmo diante da nulidade da decisão da DRJ, o CARF pode decidir a demanda em favor do sujeito passivo, com base no § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972; f) inexiste o grupo econômico apontado pelo fisco, posto que em momento algum este demonstra a concentração do controle do grupo em quaisquer das empresas listadas; g) não havendo grupo econômico, devese afastar a solidariedade prevista no inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991; h) a vedação de recebimento pelos empregados da CEF de quaisquer prêmios ou vantagens de terceiros não se aplica às operações realizadas com empresas com que a CEF tenha firmado acordo operacional de cooperação; Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 512 5 i) os prêmios não têm natureza salarial, funcionando como instrumento de gestão e incentivo para aumento da produtividade nas atividades empresariais; j) a aceitação dos programas de premiação é facultativa, além de que os empregados recebem "pontos" de bonificação, que, uma vez acumulados, podem ser trocados por produtos previamente anunciados em catálogos; k) há de se diferenciar as premiações oferecidas pela própria CEF (endomarketing) daquelas repassadas aos empregados pelas empresas parceiras; l) nas campanhas realizadas pela recorrente não há uma periodicidade definida, tampouco uniformidade nos objetivos, o que retira das premiações o caráter salarial, por falta de habitualidade; m) a jurisprudência tem entendido que a ausência de habitualidade, periodicidade e certeza dos prêmios desconfiguram a sua feição remuneratória. Cita decisões; n) em relação às campanhas de bonificações oferecidas pelas empresas parceiras, melhor sorte não assiste à acusação fiscal, uma vez que as pontuações oferecidas não se revestem dos critérios mínimos para caracterização da pretendida natureza remuneratória, uma vez que ausente requisito essencial representado pela habitualidade; o) os empregados da CEF não promovem diretamente a venda dos produtos das empresas parceiras, mas apenas efetuam as indicações destes aos clientes, funcionando como elo entre o interessado na aquisição do produto/serviço e a empresa fornecedora; p) não se pode dizer que as premiações assumem natureza salarial, posto que são benefícios pagos não pelo empregador, mas por terceiros; q) também não podem as premiações ser tratadas como gorjetas, posto que estas são pagas aos empregados por clientes e não por fornecedores de produtos serviços; r) as gueltas, que são prêmios pagos por terceiros fornecedores como forma de incentivar a comercialização preferencial de seus produtos ou serviços, somente assumem feição salarial quando o empregador tem controle sobre os valores repassados, o que não se observa na presente situação; s) as parcelas tomadas pelo fisco não se enquadram no conceito de salário de contribuição, posto que são premiações efetuadas por fornecedores aos funcionários da CEF, sem que esta tenha qualquer controle sobre as pontuações creditadas; t) qualquer eventual obrigação tributária decorrente das premiações sob enfoque é de responsabilidade das empresas fornecedoras, não podendo ser imputada à CEF; Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 513 6 u) por isso, a partir do exercício de 2007, as empresas parceiras passaram a efetuar o recolhimento dos tributos supostamente devidos, de forma a excluir a CEF de qualquer imposição fiscal. Esses recolhimentos devem ser identificados mediante a realização de diligência fiscal. Ao final, pedese a nulidade da decisão recorrida ou, caso o CARF pretenda apreciar o mérito da causa, que se reconheça a improcedência da lavratura. Interpuseram recurso comum as empresas do Grupo Caixa Seguros (Caixa Capitalização S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Consórcios S/A, Caixa Seguradora S/A). Na peça de inconformismo, alegaram que: a) a decisão de primeira instância deve ser anulada, posto que inexiste a concomitância ali reconhecida, uma vez que a ação anulatória n.º 005604036.2011.4.01.3400 não tem as recorrentes como partes, e possui objeto totalmente distinto do presente processo administrativo; b) reconhecida a inexistência de grupo entre a CEF e a FCP PAR, dissolvese o suposto vínculo empregatício entre esta e os empregados daquela e devem ser excluídos do lançamento os valores que envolvem a FCP PAR; c) embora consideradas responsáveis solidárias pelas contribuições lançadas, as recorrentes não foram devidamente intimadas nem do resultado da diligência fiscal, tampouco da decisão de primeira instância. Por isso todos os atos do processo a partir da diligência fiscal são nulos; d) as recorrentes efetivamente não formam grupo econômico com a CEF, mas apenas atuam em parceria na captação de clientes. Em nenhum momento o fisco demonstrou a existência de controle entre a autuada e as empresas do Grupo Caixa Seguradora ou viceversa; e) não é crível que a CEF, empresa pública, cujo único sócio é a União, forme grupo econômico com empresas privadas; f) a CEF têm participação acionária nas recorrentes, mas os sócios majoritários são de origem francesa, sendo que a relação entre as empresas arroladas no polo passivo do débito é apenas comercial; g) a utilização da marca da CEF pela empresas parceiras decorre de cessão de uso, não podendo ser usada para caracterizar a existência de grupo econômico, também a inserção de links das recorrentes na página eletrônica da CEF não pode ser tomada para comprovar este fato; h) a jurisprudência do CARF não aceita que meras presunções sejam adotadas para dar sustentação a conclusões fiscais que imponham responsabilidade tributária; Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 514 7 i) por outro lado, para ser chamada para o polo passivo na condição de solidária, não basta que uma empresa seja integrante de grupo econômico, mas que esta efetivamente participe das ações geradoras da obrigação tributária; j) a premiação não representa sistemática substitutiva da remuneração dos empregados da CEF, mas um adicional pago àqueles que aceitam participar das campanhas e atingem as condições estabelecidas no programa de incentivo; k) apresenta os principais aspectos do marketing de incentivo, para comprovar que as premiações não se subsumem ao conceito de salário de contribuição; l) os valores constantes nas notas fiscais emitidas pelas empresas de marketing de incentivo não se referem apenas a prêmios, mas também a retribuição pelos serviços prestados por estas à contratante e a reembolsos de despesas para realização das campanhas; m) o traço característico dos programas de premiação é a eventualidade, que retira o caráter remuneratório dos prêmios; n) o fisco não cuidou de segregar as diversas formas de pagamentos de incentivo, as quais não se relacionavam apenas a premiação por alcance de metas, mas também concursos culturais destinados a filhos de empregados das recorrentes e de empresas parceiras; o) faz considerações doutrinárias sobre a hipótese de incidência de contribuições, para aplicálas ao caso concreto dos pagamentos decorrentes de marketing de incentivo, onde conclui não haver subsunção dos fatos à norma tributária; p) prejudicou o seu direito de defesa a denegação dos pedidos de realização de perícia e de juntada posterior de documentos; q) apresentam quesitos para produção da prova pericial e indica profissional para atuar como assistente técnico; r) deve ser mantida a exclusão da multa qualificada, uma vez que não restou configurada a existência de sonegação e fraude; Ao final, requereram: a) declaração de nulidade da decisão recorrida; b) que seja afastada a concomitância declarada no acórdão da DRJ; c) que sejam excluídos do lançamento os valores pagos pela FCP PAR; d) o afastamento da solidariedade imputada às recorrentes; e) que se declare improcedente a lavratura; f) o acatamento para a realização de prova pericial; Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 515 8 g) que se faculte a juntada de novos documentos. Apos análise dos argumentos, acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; por maioria de votos conhecer dos recursos dos contribuintes, afastando a concomitância; por maioria de votos excluir do pólo passivo os responsáveis solidários e por maioria de votos, dar provimento aos recursos em virtude da improcedência do lançamento. Deixou de ser apreciada a questão referente a declaração de nulidade da decisão de primeira instância, em virtude de a decisão de mérito ter sido favorável ao sujeito passivo. O acórdão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL LANÇADO ANTERIORMENTE. INOCORRÊNCIA DE RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Ainda que os lançamentos objeto de ação anulatória contenham os mesmos fatos geradores e fundamentos jurídicos presentes nos lançamentos agora impugnados, para esses não há de se declarar ocorrência de renúncia à discussão administrativa em razão do ajuizamento da ação anulatória proposta para desconstituir as lavraturas anteriores. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. NÃO DECLARAÇÃO DE NULIDADE QUE A ESTE BENEFICIARIA. Se o órgão de julgamento puder decidir a causa em favor do sujeito passivo, deverá absterse de declarar pronunciar nulidade que a este beneficiaria. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO FISCO DA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SONEGAÇÃO. AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA. Não deve prevalecer a multa qualificada, quando o fisco deixa de demonstrar que o sujeito passivo incorreu em fraude, dolo ou sonegação. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Deve ser afastada a responsabilidade solidária, uma vez que o fisco deixou de apresentar razões consistentes para caracterização de grupo econômico. PREMIAÇÕES PAGAS POR TERCEIROS A EMPREGADOS DA EMPRESA AUTUADA POR ATIVIDADES Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 516 9 DESENVOLVIDAS NO AMBIENTE DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA O EMPREGADOR. Os pagamentos efetuados por terceiros, fornecedores de produtos/serviços, que mantêm contrato de parceria com o empregador, aos empregados deste por atividades desenvolvidas no ambiente laboral, não constituem fato gerador da contribuição incidente sobre os pagamentos efetuados em razão da relação empregatícia. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência apenas e tão somente contra a parte da decisão que exclui a responsabilidade tributária da Caixa Econômica Federal pelo recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre o pagamento de valores a seus empregados, efetuados por terceiros, a título de incentivo de vendas, denominadas “gueltas”. Foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 517 10 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Relatora. Conforme despacho de admissibilidade, o recurso preenche todos os requisitos legais razão pela qual dele conheço. Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão que entendeu que os valores pagos por terceiros aos empregados de outra pessoa jurídica à titulo de incentivo/gratificação de venda, as conhecidas "gueltas", não se subsumem ao conceito de base de cálculo da contribuição patronal sobre a remuneração de empregados, nos termos do inciso I do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991. Para a Recorrente o entendimento diverge da posição dominante da jurisprudência judicial e administrativa. Cita como paradigmas os acórdãos 2302002.794 e 230200.758 para os quais as gueltas possuem a mesma natureza jurídica das gorjetas e como tais possuem natureza remuneratória, compondo, portanto, o salário de contribuição. Prática muito usual, as gueltas são valores pagos aos empregados por terceiros alheios aos vínculo empregatício, em regra são fornecedores que visando incrementar as vendas dos seus produtos premiam os funcionários de seus clientes incentivandoos a oferecer tais produtos em detrimento aos de seus concorrentes. Tratase de assunto comum nas discussões travadas junto ao Poder Judiciário, especialmente na Justiça do Trabalho onde a corrente majoritária da Corte Especializada é no sentido de as gueltas são parte da remuneração recebida pelo emprego, possuem a mesma natureza jurídica das gorjetas e assim produzirão os mesmo efeitos. Recentemente o Tribunal Superior do Trabalho assim se manifestou: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. 1. DURAÇÃO DO TRABALHO. HORAS EXTRAS. CONFIGURAÇÃO. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULAS 126 E 338, III/TST. 2. PAGAMENTO DE VALORES EFETUADO POR TERCEIROS. GUELTAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INTEGRAÇÃO. DECISÃO DENEGATÓRIA. MANUTENÇÃO. No setor do comércio varejista é comum a existência de verbas pagas por terceiros ao longo da relação de emprego representando estímulos materiais entregues por produtores a empregados vendedores do ramo comercial, em face de vendas realizadas de seus produtos. Essas verbas se denominam gueltas. Caso efetivamente sejam suportadas e pagas por terceiros (os produtores e fornecedores de mercadorias) e não pelo empregador comerciante, as gueltas não se enquadram como salários, por não atenderem ao requisito legal de serem devidas e pagas pelo empregador (caput do art. 457 da CLT). Entretanto, têm a mesma natureza jurídica das gorjetas (art. 457, caput, in fine, CLT), uma vez que são pagas por terceiros ao empregado, em função de uma conduta deste, resultante do contrato de trabalho com seu empregador. São tidas, pois, como Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 518 11 parte da remuneração do empregado, porém não de seu salário. Assimilandose juridicamente às gorjetas, as gueltas produzem os mesmos efeitos contratuais daquelas. Nesse quadro, integram se à remuneração para os fins das seguintes repercussões: salário de contribuição previdenciária; FGTS; 13º salário; férias com 1/3; aviso prévio trabalhado. Contudo, segundo a Súmula 354 do TST, não compõem a base de cálculo de verbas como aviso prévio indenizado, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado. Desse modo, não há como assegurar o processamento do recurso de revista quando o agravo de instrumento interposto não desconstitui os termos da decisão denegatória, que subsiste por seus próprios fundamentos. Agravo de instrumento desprovido. Processo: AIRR 10800013.2010.5.17.0013 Data de Julgamento: 30/03/2016, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 01/04/2016. Mais uma vez baseando nos ensinamento do Ministro, e agora sendo citado como Jurista, Mauricio Godinho, destacamos que as gueltas são verbas não tipificadas em lei, resultante da criatividade empresarial. Diante dessa ausência de tipificação justificouse a integração do direito com a aplicação da regra da analogia equiparando tais verbas às gorjetas. E aqui destaco não vislumbrar qualquer violação a restrição prevista no parágrafo primeiro do art. 108 do CTN, afinal não houve a criação de tributo e nem mesmo a inovação no que tange a sua base de cálculo. Assim, a decisão acima e também as razões exposta no Recurso Especial atendem a determinação da lei, que ao prever a regra matriz de incidência do tributo deixa claro que uns dos critérios quantitativos é a remuneração e não o salário recebido pelo trabalhador, por opção do legislador a base da contribuição previdenciária é mais ampla, vai além dos valores pagos pelo empregador. Afirmamos isso porque a distinção entre salário e remuneração é anterior a da Lei nº 8.212/91, está da CLT Consolidação das Leis do Trabalho e ciente deste diferença o legislador optou por usar o termo remuneração e não salário quando da redação do inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. ... § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 519 12 Portanto o fato de as gueltas serem pagas por terceiros, alias essa é uma e suas características, não é o suficiente para afastar sua natureza remuneratória e muito menos tem o condão de alterara o sujeito passivo eleito pela norma jurídica. Conforme muito bem colocado pelo Recorrente a única exigência é que a remuneração decorra do contrato de trabalho. O que de fato ocorreu. No mais, faço o destaque de que tais premiações/bonificações, segundo o item 34.18 do relatório fiscal, por vezes eram pagas por intermédio da própria empregadora, ora Recorrida. E aqui, ainda que compartilhasse do entendimento externado pela Recorrida em suas contrarrazões no sentido de que não se trata de gueltas e sim premiações, pois seus funcionários não comercializam os produtos, apenas autuam como intermediadores, ainda assim entendo que tais valores integram o conceito de salário de contribuição, afinal a norma diz I) remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, II) destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Somente não haveria a incidência de contribuição previdenciária, e aqui me redimo de manifestação feita em outro julgado, se as parcelas em questão se revestissem de natureza nitidamente indenizatória ou se tratassem de verbas expressa e taxativamente indicadas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91. Entre as hipóteses prescritas, destaco o item 7 da alínea e: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) Por uma análise conjunta do inciso I e do §9º, e, item 7, do citado art. 28, é forçoso concluir que as verbas pagas por terceiros para integrar o conceito de remuneração e, consequentemente, de salário de contribuição devem estar revestidas da característica da Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 520 13 habitualidade, característica presente nas gorjetas e nas gueltas segundo o entendimento majoritário e também no presente caso. O relatório fiscal no itens 34.4 e 34.7 esclarece: 34.4 De acordo com a Lei nº 8.212/91, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais. A despeito disso, no presente caso, ao revés do que dispõe o permissivo legal, há pagamento de premiação em meses consecutivos para vários empregados da empresa. No período objeto desta Ação Fiscal, houve diversas campanhas que resultaram em premiações aos empregados da CEF. Em nenhum momento podemos caracterizar tais premiações como ganho eventual, uma vez que as campanhas ocorrem de modo regular e frequente. Somase a isso o fato de que o pagamento destas premiações aos empregados da CEF ocorre pelo menos desde 1997. (...) 34.7 Destacase ainda que as diversas campanhas de premiação. muitas vezes são modificadas ou substituídas por outras sempre com o mesmo objetivo, aumentar a venda de diversos produtos das empresas do GRUPO CAIXA SEGUROS e da CEF. Além disso, contatase a existência de diversas campanhas simultâneas, todas com o mesmo propósito aos empregados: vender um produto ou cumprir determinada tarefa estabelecida. Em troca, cada empregado receberá o prêmio, seja em espécie seja em utilidade, snedo este um elemento balisador no contexto da relação de trabalho habitual. Não há nos autos quaisquer provas capazes de afastar os argumentos da existência da habitualidade, portanto, correto o lançamento. Destacase que o pedido do recurso é no sentido de que seja reformado o acórdão com a manutenção da decisão de primeira instância. Ocorre que a decisão da DRJ apenas se manifestou no que tange a solidariedade, multa qualificada e valores indevidamente incluídos no Lançamento, não apreciando o mérito quanto a natureza das verbas pagas, pois entendeuse pela concomitância. Diante disto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Especial, alterandose o acórdão recorrido no que tange a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos por terceiros aos empregados da Recorrida e mantendo a decisão da DRJ no que tange as demais matérias. No que tange as argumentações apresentadas em sede de contrarrazões pela FPC Par Corretora de Seguros S.A., apenas cito meu entendimento que não há mais nos autos qualquer discussão quanto existência de litisconsórcio com a Recorrida. A FPC Par Corretora de Seguros S.A., assim como as demais pessoas jurídicas inicialmente incluídas na lide, foram excluída do processo não tendo sido apresentado qualquer recurso contra essa parte da decisão restou caracterizada a coisa julgada. Por fim, determino, quando da realização da liquidação do julgado, que sejam descontados do valor apurado, o montante das parcelas eventualmente recolhidas pelos terceiros à título de contribuições previdenciárias decorrentes dos fatos geradores ora discutidos, ou seja, as contribuições recolhidas pelos terceiros com a rubrica de "trabalhador autônomo". Isso porque a presente decisão poderia gerar uma bitributação, afinal ao que parece Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 521 14 para os mesmos fatos geradores já houve a realização do pagamento do respectivo tributo, ainda que erroneamente, ou realizado por "sujeito passivo" ilegítimo. E digo isso porque, considerando as datas envolvidas, aqueles que realizaram os pagamentos os terceiros não poderão mais solicitar a repetição do indébito ou a compensação, afinal o crédito já se encontra atingido pela decadência em razão do prazo fixado no art. 168 do CTN. Assim, caso tais valores não tenham de fato sido restituídos ou aproveitados pelos respectivos credores, para se evitar o enriquecimento ilícito da União, devem tais valores recolhidos serem considerados em sua totalidade quando da liquidação deste julgado. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento parcial, reformando o acórdão para reconhecer a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos por terceiros aos empregados da Recorrida. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 522 15 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada No presente caso, a única divergência levantada em relação ao brilhante voto da ilustre conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri diz respeito ao comando de que sejam aproveitados no presente lançamento supostos recolhimentos realizados pela empresa FCPAR. Notese que foi requerida diligência fiscal às fls. 629, nos seguintes termos: DA ANÁLISE DO RELATÓRIO FISCAL A Caixa Econômica Federal alega em sua impugnação, fls. 109/137, que tendo em vista a pendência de discussão judicial a respeito da matéria tratada (Ação anulatória 00560403620114013400 da 20a. Vara Federal de Brasília/DF) as empresas envolvidas passaram, a partir do ano de 2007 à promoção dos recolhimentos dos tributos supostamente devidos, afastando, assim, os possíveis riscos decorrentes da exigência dos referidos montantes (recolhimento efetivado sob a rubrica relacionada ao trabalho autônomo). Para provar o alegado anexou Guias da Previdência Social (GPS) por amostragem (fls. 158 a 208), recolhidas pela empresa FPC PAR Corretora de Seguros S/A. Idêntica alegação foi feita pela própria FPC PAR em sua impugnação, fls. 209/229, afirmando que as GPS apresentadas (fls. 158/208) são referentes ao crédito lançado nos DEBCAD citados. As demais empresas apresentaram impugnação conjunta, fls. 253/307, fazendo menção a estes recolhimentos, e anexando cópia dessas mesmas GPS (fls. 390/440 e fls. 578/628). DA DILIGÊNCIA SOLICITADA Tendo em vista as alegações acima, solicitase à fiscalização a seguinte diligência: a) seja informado se as GPS apresentadas se referem, de fato, aos AIOP lançados; b) Em caso afirmativo, seja elaborada planilha, discriminando mensalmente os valores a serem deduzidos das rubricas lançadas nos AIOP; c) Cientifiquese os impugnantes do despacho exarado no processo, abrindolhes novo prazo para manifestação. Após a adoção das providências solicitadas, sejam retornados os autos para julgamento. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 523 16 Em resposta a referida diligência, destacou a autoridade fiscal a impossibilidade de aproveitamento. Vejamos os termos da resposta: INFORMAÇÃO FISCAL 1. Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa Caixa Econômica Federal (CEF) – Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 51.015.025 e n°51.015.0268. 2. O crédito em questão se refere a incidência de contribuição previdenciária, devida e não recolhida, sobre o pagamento de premiações aos segurados empregados da CEF, efetuado pelas empresas do grupo Caixa Seguros e pela empresa FPC PAR Corretora de seguros S/A. 3. A Caixa Econômica Federal apresentou impugnação, na qual alega que as envolvidas passaram a recolher a contribuição previdenciária incidente sobre o pagamento das premiações, a partir do ano de 2007. 3. Visando a comprovação do pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as premiações, a CEF anexou algumas Guias da Previdência social (GPS) recolhidas pela empresa FPC PAR que em tese comprovariam o recolhimento das contribuições previdenciárias em questão. 4. Destacase ainda que a empresa FPC PAR e as empresas do Grupo Caixa Seguro, também apresentaram impugnação, anexando as mesmas GPS, nas quais afirmam que tais guias se referem ao crédito previdenciário em questão. 5. Tendo em vista tais alegações, o referido processo foi encaminhado em diligência à fiscalização para que a mesma se manifestasse informando se as GPS apresentadas se referem de fato ao crédito previdenciário objeto do processo 10166.724075/201292 e em caso afirmativo, elaborasse uma planilha discriminando mensalmente os valores a serem deduzidos das rubricas lançadas nos AIOP. 6. Isto posto, cabe ressaltar que as GPS anexadas pelas empresas, foram sim consideradas e devidamente apropriadas quando da apuração do crédito previdenciário lavrado em nome da empresa FPC PAR. Em face de tais apropriações, os AIOP DEBCAD n° 37.376.8109 e 37.376.8117 lavrados contra esta empresa contêm lançamento tãosomente das competências 04 a 07/2007, período no qual não houve nenhum recolhimento. Conforme Relatório Fiscal (folha 19) dos autos de infração DEBCAD n° 37.376.8109 e 37.376.8117. 7. No entanto, os créditos previdenciários objetos deste processo fiscal, lavrados contra a CEF, AIOP DEBCAD n° 51.015.025 e n°51.015.0268, referemse ao pagamento de remunerações pagas aos empregados da CEF. Ficando portando esta empresa diretamente responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela mesma, ou seja, não há Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724075/201292 Acórdão n.º 9202003.878 CSRFT2 Fl. 524 17 possibilidade de se aproveitar o recolhimento efetuado por outra empresa (FPC PAR), mediante GPS exclusivas da mesma, para apropriação no crédito previdenciário da Caixa Econômica Federal. 8. Diante do exposto, a fiscalização reafirma as informações contidas no relatório fiscal dos Auto de Infração DEBCAD n° 51.015.025 e n°51.015.0268. Ou seja, pelos termos da informação fiscal as GPS indicadas pelos recorrentes já foram devidamente apropriadas nos autos de infração lavrados contra a empresa FCPAR, mais precisamente nos AI DEBCAD n° 37.376.8109 e 37.376.8117, o que inviabiliza a apropriação de referidos créditos no presente lançamento. Notese, por fim, apenas para esclarecer, que mesmo que existisse crédito, seria impossível sua analise e concessão neste momento. Vale lembrar que a delimitação da lide sob apreciação desta CSRF é o recurso da Fazenda Nacional que encontrase delimitado pelos pedidos ali formulados. Não houve por parte do sujeito passivo insurgência quanto ao acórdão recorrido nesse ponto, o que inviabiliza a demonstração de seu inconformismo senão por recurso especial próprio, o que não apresentou. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional . É como voto. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI
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Numero do processo: 13896.721547/2013-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A observância do contraditório e do amplo direito de defesa e a presença dos requisitos essenciais à validade do ato afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento.
NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA.
Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO. CABIMENTO.
O lançamento com base em presunção é completamente aceitável em nosso ordenamento jurídico. Nas presunções "juris tantum', incumbe ao sujeito passivo o ônus de infirmar o fato indiciário caracterizador da presunção.
OMISSÃO DE RECEITAS APURADA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ADOTADO.
Verificada a omissão de receitas, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2009
Ementa:CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, o que foi decidido quanto ao principal, pela estreita relação de causa e efeito.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA.
A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação.
Numero da decisão: 1402-002.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário dos coobrigados para excluí-los da relação jurídico-tributária. Vencido o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar que votou por dar provimento parcial ao recurso para excluir da relação jurídico-tributária apenas o coobrigado Augusto Ribeiro Mendonça Neto. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor.
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator Designado
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Gilberto Baptista, Paulo Mateus Ciccone, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A observância do contraditório e do amplo direito de defesa e a presença dos requisitos essenciais à validade do ato afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO. CABIMENTO. O lançamento com base em presunção é completamente aceitável em nosso ordenamento jurídico. Nas presunções "juris tantum', incumbe ao sujeito passivo o ônus de infirmar o fato indiciário caracterizador da presunção. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ADOTADO. Verificada a omissão de receitas, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2009 Ementa:CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Aplica-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, o que foi decidido quanto ao principal, pela estreita relação de causa e efeito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2257; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 508 1 507 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.721547/201380 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.143 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2016 Matéria IRPJ Recorrente PROJETEC PROJETOS E TECNOLOGIA LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A observância do contraditório e do amplo direito de defesa e a presença dos requisitos essenciais à validade do ato afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO. CABIMENTO. O lançamento com base em presunção é completamente aceitável em nosso ordenamento jurídico. Nas presunções "juris tantum', incumbe ao sujeito passivo o ônus de infirmar o fato indiciário caracterizador da presunção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 15 47 /2 01 3- 80 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 509 2 OMISSÃO DE RECEITAS APURADA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ADOTADO. Verificada a omissão de receitas, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009 Ementa:CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Aplicase aos lançamentos decorrentes, no que couber, o que foi decidido quanto ao principal, pela estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário dos coobrigados para excluílos da relação jurídicotributária. Vencido o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar que votou por dar provimento parcial ao recurso para excluir da relação jurídicotributária apenas o coobrigado Augusto Ribeiro Mendonça Neto. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator Designado Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Gilberto Baptista, Paulo Mateus Ciccone, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 510 3 Relatório A empresa autuada, PROJETEC PROJETOS E TECNOLOGIA LTDA, e os coobrigados: Augusto Ribeiro Mendonça Neto, CPF n° 695.037.70882; PEM Engenharia ltda., CNPJ n° 62.458.088/000147 e Setec Tecnologia S.A., CNPJ 61.413.423/000128 recorrem a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 01/RJ, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “I DA AUTUAÇÃO Contra a interessada acima qualificada, foi lavrado auto de infração relativo Imposto de Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e, por decorrência, autos de infração relativos à Contribuição Social, à COFINS e ao PIS, por meio dos quais foram exigidos os créditos tributários a seguir discriminados, acrescidos de multa de 75%, na forma do art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, e de juros de mora. TRIBUTO ou CONTRIBUIÇÃO AUTO de fls. VALOR DO TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO EXIGIDO em REAIS VALOR TOTAL EXIGIDO em REAIS Imposto de Renda Pessoa Jurídica 133/139 14.166.691,93 29.480.885,91 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 140/145 5.108.649,09 10.631.098,76 Contribuição p/ Financiamento S. Social 146/152 1.711.433,53 3.627.679,51 Contribuição p/ PIS/PASEP 153/161 370.810,60 785.997,24 TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO PROCESSO EM R$ 44.525.661,42 De acordo com a descrição dos fatos contida no auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fl. 135), a irregularidade apurada é a seguinte: Fl. 510DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 511 4 O Relatório Fiscal mencionado constitui o Termo de Verificação Fiscal (fls.129/132), parte integrante e indissociável dos autos em causa, e contém os seguintes dados: A CONTEXTO No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e em cumprimento às determinações do Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Santo André SP, conforme Mandado de Procedimento Fiscal n° 08114.002012 000490, procedi, junto ao contribuinte acima identificado, as verificações relativas ao IRPJ do anocalendário 2009. B DAS VERIFICAÇÕES EFETUADAS (...) 4 Em 31/01/2013, através do Termo de lntimação n° 7, devolvemos os extratos bancários fornecidos, já digitalizados em nossos arquivos, e apresentamos planilhas com Resumo dos Créditos Líquidos mensais (esclarecendo que foram excluídos os estornos, devoluções, empréstimos e transferências de mesma titularidade) e intimamos o contribuinte para que fossem analisadas as planilhas e os depósitos fossem justificados; 5O representante legal apresentou 19/02/2013 uma resposta à intimação acima, de ciência em 31/01/2013, esclarecendo que: · item 2: no que tange à planilha intitulada "RESUMO DA RECEITA BRUTA DE ORIGEM EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS", preparada pela fiscalização com base nos extratos daquele ano, nenhum dos valores ali apontados representa "receita da atividade", como ali consignado, à exceção dos valores discriminados na planilha em anexo (doc 2, apenas valores em destaque) e nota fiscal juntada à presente (doc. 3). · item 3: os demais valores movimentados pelo contribuinte e apontados nos extratos dizem respeito a numerários pertencentes a outras empresas com as quais mantém contrato de administração de ativos financeiros, de forma que os valores indicados na planilha fazendária não representam receita do contribuinte, mas mera movimentação de recursos de terceiros, assim registrados em contas próprias na contabilidade, como se pode constatar da anexa cópia autenticada do balanço auditado relativo aos exercícios financeiros encerrados em 31/12/2009 e 31/12/2008 (doc.4). 6 Na resposta à intimação n° 7 foi apresentada somente uma nota fiscal de emissão da Projetec Projetos e Tecnologia Ltda, de n° 082 (doc. 3), emitida em 13/01/2009 no valor de R$ 1.730.435,24; 7 Em 11/03/2013 o contribuinte foi intimado através do Termo de Intimação n ° 8, endereçado ao domicilio fiscal através de AR, a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias constantes nas planilhas resumo. Sendo que os esclarecimentos deverão ser feitos por escrito, de maneira analítica (crédito por crédito), e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores. Salientase que os valores de transferências entre contas estornos, bem como os demais lançamentos cujos históricos permitiram à fiscalização identificar que se tratavam de empréstimos Fl. 511DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 512 5 foram expurgados da apuração, restando no anexo da Intimação n° 7somente os lançamentos necessariamente passíveis de esclarecimento com o montante da movimentação financeira de R$ 57.047.784,25; 8 A empresa apresentou em 21/03/2013 resposta à intimação n°8 esclarecendo que: · item 1: atendendo solicitação fazendária, tem a presente a finalidade de fazer, juntar ao expediente administrativo em epígrafe documento que comprova a contratação da Requerente no feito, e que comprova a contratação da Requerente pelas empresas PEM, SETEC e TIPUANA para administração de recursos financeiros pertencentes àquelas empresas (doc.1). · item 2: de fato, e no que tange à movimentação financeira de recursos na conta bancária da Requerente, sua origem decorre sempre daqueles contratos, pelo que os recursos são carreados (pelas empresas acima, ou diretamente pelos clientes delas) para a conta da Requerente, que o administra inclusive para efetuar os pagamentos de todas as contas devidas por aquelas empresas, operando, de fato e de direito, uma terceirização de contas a receber e a pagar. · item 3: de todo modo, e no que interessa de perto à fiscalização, os recursos transferidos para a gestão da Requerente são regularmente oferecidos à tributação pelas coligadas (para fins de apuração de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS), antes ou após as transferências (nos respectivos regimes de apuração do lucro tributável), ou são submetidos à retenção na fonte por seus respectivos clientes, pelo que o dinheiro é transferido por seu valor líquido à conta da Requerente e, de qualquer forma, não se confunde com a receita da atividade propriamente dita, que abrange somente rendimentos das aplicações financeiras do numerário por iniciativa da própria PROJETEC." E juntou três documentos com o título: CONTRATO DE ADMINISTRAÇÃO DE RECURSO FINANCEIROS (CONTAS A RECEBER E A PAGAR) com as empresa PEM Engenharia Ltda, SETEC Tecnologia S.A.(antiga SETAL Engenharia Construções e Perfurações Ltda alterado em ago/2009), TIPUANA Participações Ltda. C DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Analisados os extratos apresentados das instituições financeiras (Banco do Brasil, BIC Banco, Banco Itaú e Banco Unibanco) apuramos depósitos bancários no valor de R$ 57.047.784,25para comprovação de origem. O representante legal em atendimento à intimação n.° 8 apresentou somente as cópias de três documentos com o título de "CONTRATO DE ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS FINANCEIROS (CONTAS A RECEBER E CONTAS A PAGAR)" celebrados entre a fiscalizada e as empresas PEM ENGENHARIALTDA. CNPJ 62.458.088/000147, SETAL Engenharia Construções e Perfurações Ltda CNPJ 61.413.423/000128 (atual SETEC Tecnologia S.A. alterado em ago/2009) e TIPUANA PARTICIPAÇÕES LTDA CNPJ 01.568.303/000178 com o intuito de autorizar a fiscalizada a administrar os recebimentos e pagamentos em nome da sociedade. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 513 6 A fiscalizada tem como objeto social executar projetos de engenharia industrial em geral, proceder pesquisa e exploração de normas e processos de fabricação industrial, efetuar estudos técnicos e econômicos sobre a instalação de empreendimentos industriais, engenharia, elaboração de projetos básicos e detalhados, estudos técnicoeconômicos de viabilidade. Todavia, em relação aos contratos apresentados são cabíveis as seguintes considerações: são simples instrumentos particulares, pois deles não constaram os reconhecimentos de firmas das assinaturas dos contratantes, de forma que pudessem atestar as datas nelas apostas. além disso, não consta que tenham sido registrados no registro de Títulos e Documentos, não surtindo efeitos em relação a terceiros (Fazenda Nacional), consoante dnsposntivme legai2 2ba2xo: (...) A conclusão acima exposta está em consonância com o disposto no art. 368, parágrafo único, da Lei n. ° 5.869/73 Código do processo Civil (CPC): "Art. 368 (....) Parágrafo único Quando, todavia, contiver declaração da ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato." Considerando que a documentação apresentada pelo contribuinte não comprova a origem dos créditos bancários identificados em suas contas correntes, conforme demonstrado abaixo, concluímos que o contribuinte infringiu os artigos 279, 287 e 288 do RIR/99 e os arts.281 a 288 e 528 do RIR/99. Analisamos também os registros do Livro Razão entregues em ECD, onde extraímos os valores de entradas nas contas bancos com os códigos 111301, 111307, 111322 e 111328. Nestes registros o histórico identifica essas "entradas como "entradas de mútuo ", ou "remessas de mútuo " ou "transação de mútuo ", no entanto, o representante legal não se pronunciou sobre estes registros preferiu apresentar os contratos citados no item 8 acima. DOMISSÃO DE RECEITAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS Rendimento Omitido Portanto, dada a situação constatada através da verificação da movimentação financeira da fiscalizada, foi empregada a presunção legal do art. 42 da lei n. ° 9.430/96, abaixo transcrito: "Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Fl. 513DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 514 7 Dessa forma, foi elaborado o demonstrativo abaixo para apuração dos valores omitidos e sujeitos à constituição do correspondente crédito tributário relativo a IRPJ e reflexos CSLL, PIS e COFINS nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996: DEMONSTRATIVO DA OMISSÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS E DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Em face de todo exposto, foi atribuída responsabilidade pessoal e solidária, aos sócios AUGUSTO RIBEIRO MENDONÇA NETO, CPF n° 695.037.70882, e PEM ENGENHARIALTDA., CNPJ n° 62.458.088/000147 e a SETEC TECNOLOGIA S.A. CNPJ 61.413.423/000128, com fundamento no art. 121, inciso II, art. 124, incisos I e II, e art. 135, inciso III, todos do CTN. (... ) Como mencionado no Termo de Verificação Fiscal, foram lavrados os TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA em face de (fls.164, 166 e 168): AUGUSTO RIBEIRO MENDONÇA NETO, CPF n° 695.037.70882, PEM ENGENHARIALTDA., CNPJ n° 62.458.088/000147 e SETEC TECNOLOGIA S.A. — CNPJ 61.413.423/000128, na qualidade de responsáveis solidárias, nos termos do art. 121, inciso II, art. 124. incisos I e II e art. 135, inciso III. da Lei n° 5.172, de 1966 cientificandoos da exigência do crédito tributário constituído contra a pessoa jurídica fiscalizada PROJETEC PROJETOS E TECNOLOGIA LTDA. ME, CNPJ 07.187.473/0001 99, para possibilitar o contraditório e a ampla defesa em relação ao presente lançamento. II DA IMPUGNAÇÃO Em 08/10/2013, a interessada apresenta (fls.175/197) impugnação aos autos de infração, dos quais fora regularmente cientificada em 06/09/2013 (fl.163). Nessa impugnação, a interessada apresenta as alegações abaixo resumidas, sob os seguintes tópicos: Fl. 514DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 515 8 A) Da Nulidade do Auto de Infração 1. a autuação em tela foi concretizada por ter a autoridade fazendária desqualificado "tacitamente" a contabilidade da empresa (no que equivocadamente registrava uma suposta operação de mútuo) e desprezado, de outro lado, os próprios contratos de administração de recursos financeiros firmados com as ligadas, que remontam à origem das transferências questionadas nestes autos; 2. a Requerente não tem como saber se os contratos foram desconsiderados com base em presunção fazendária de simulação ou se foram meramente rejeitados na qualidade de prova da existência do negócio jurídico, pois a autuação em momento algum se reporta ao comando do parágrafo único do art. 116, do Código Tributário Nacional (dispositivo que autoriza a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com intuito dissimulatório) e, no mais, não esclarece qual hipótese de simulação (em abstrato) teria sido identificada no caso concreto (art. 167, parágrafo único, do Código Civil em vigor); 3. nada é possível inferir sobre os motivos que levaram ao desprezo do contrato, nem mesmo no capítulo reservado à multa de ofício (sem agravamento), aplicada que foi com base na regra genérica do art. 44,1, da Lei n. 9.430/96, atinente às hipóteses de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata — comando que sequer tangencia as hipóteses de conluio, fraude ou simulação como fundamento para a penalização da Requerente e dos terceiros (art. 44, §1°, da Lei n. 9.430/96 c.c. artigos 71 a 74 da Lei n° 4.502/64); 4. ora, a motivação deve ser explícita, clara e congruente (Lei n° 9.784/99, art. 50, § 1o), ou causará enorme dificuldade ao contribuinte, no exercício de seu direito de defesa — pois a alegação genérica normalmente implica em inversão do ônus da prova (e, em se tratando de lançamento, é inadmissível que o particular se submeta ao esforço de adivinhar o critério fazendário adotado para concretizar a exigência); 5. na hipótese dos autos, foi apontado como fundamento os arts. 221 e 288 do Código Civil e o art. 127 da Lei de Registros Públicos, sem esclarecer, no entanto, se entendeu haver dolo, máfé, fraude, dissimulação ou se os documentos apresentados não preenchiam as formalidades legais de validade e eficácia perante terceiros; 6. ou seja, a fiscalização limitouse a lavrar o auto com base em suposta omissão de rendimentos, sem especificar se desprezou (e porque desprezou) a contabilidade da empresa que apontava para o mútuo daquele numerário; 7. por outro lado, é sabidamente descabida a exigência fazendária de reconhecimento de firmas e registro em Cartório como condição de eficácia do negócio jurídico em relação ao fisco, uma vez que a lei nada exige a respeito da forma pela qual há de se materializar o contrato de mandato, podendo ser expresso ou tácito, verbal ou escrito (art. 656 do Código Civil), ficando a forma do instrumento condicionada à forma do ato a ser praticado (idem, art. 657); Fl. 515DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 516 9 8. no caso dos autos, todavia, a administração dos interesses das coligadas se dá por singelo pagamento via transferência bancária (pela PROJETEC) aos credores por elas indicados, pelo que não se exige nenhum ato por escrito, sendo dispensadas (obviamente) as solenidades do reconhecimento de firma e de registro público; 9. a escrituração indica claramente que os recursos aportaram para a PROJETEC a título de MÚTUO, de modo que, não tendo sido desclassificada a escrita contábil, também ela serve de prova da origem dos recursos (art. 923 do RIR/99); 10. dessa forma, ou se trata de mútuo, como comprova a escrituração contábil (acolhida pela fiscalização que não a impugnou em nenhum momento), ou se trata de contrato de administração de recursos que, mesmo sem as formalidades exigidas pelo fisco, corrobora o critério adotado na contabilização dos ingressos; 11. ademais, na ausência de contratação expressa, a movimentação de recursos entre as empresas do mesmo grupo deveria ser interpretada como operação de mútuo (Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação n. 23/1983, item 2.1, e Parecer Normativo CST 10/1985); 12. na esteira da interpretação de que há mútuo, este, quando devidamente comprovada a sua origem, não acarreta, para a pessoa jurídica devedora, implicações de ordem jurídicotributárias (Parecer Normativo CST 164/1971); 13. a jurisprudência do CARF é farta no sentido de que as formalidades acima são dispensáveis, seja para assegurar a dedutibilidade de despesas, seja para comprovar a origem de recursos ou a singela existência de fatos com relevância para o direito tributário, conforme ementas reproduzidas à fl.191; 14. a não prevalecer, nestes autos, os contratos de administração de recursos como causa e origem das transferências (hipótese obviamente remota, pois o contrato não pode ser desprezado desmotivadamente pelo fisco), e não devendo prevalecer ao menos o mútuo, cabe, no limite, anular a autuação pela falta de motivação quanto ao desprezo fazendário da própria escrituração contábil (Decreto n. 70.235/1972, art. 50, II), ou ainda, por ter sido exigido o imposto no regime do Lucro Real, quando todas as circunstâncias impunham o arbitramento da base de cálculo (art. 530 do RIR/1999); 15. a alegação fazendária de omissão de receita tem como base a desconsideração do contrato, mas não por algum motivo doloso (que pudesse ensejar a responsabilidade do art. 135 do CTN); 16. os atos do sócio, que dariam ensejo à responsabilidade com amparo no art. 135 do CTN, são aqueles carregados de dolo (excesso de poderes ou infração da lei ou do contrato social), e no auto de infração não houve sequer cogitação de dolo tanto é assim que a multa aplicada foi a multa de ofício (art. 44, I, da Lei n. 9.430/96), não a multa agravada (idem, § 1o); Fl. 516DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 517 10 17. é de se perguntar se o sócio pode ser responsabilizado por dívida tributária da sociedade toda vez que se esquecer de colher assinaturas de testemunhas em contratos, ou de providenciar reconhecimentos de firmas nos instrumentos particulares, ou mesmo na hipótese de não registrar contratos em cartório; 18. também a mera existência de grupo econômico não autoriza a responsabilidade do sócio (como ocorre, por exemplo, na seara trabalhista, em face do art. 2o da CLT), e se há várias empresas coligadas no caso concreto, isso, por si só, não implica que as transferências de recursos entre elas sejam desde logo reputadas inexistentes — pelo que as operações só foram tidas por "confusas" pelo agente na medida em que ele desprezou os contratos (pois sem os contratos, de fato, ficaria a impressão de que houve movimentação financeira sem receita compatível declarada ao fisco); 19. Lei de Regência do Processo Administrativo Fiscal (Lei n° 9.784/99, art.38, § 2°), limita à Administração Pública a recusa de provas aos casos ali taxativamente previstos (ilicitude, impertinência, desnecessidade ou natureza protelatória), impondo, ainda, que tal recusa se dê por meio de decisão devidamente fundamentada, sob pena de nulidade por preterição ao direito de defesa da contribuinte (art. 59, II, do DecretoLei n° 70.235/72). B) Da Não Configuração do Ilícito de Omissão de Receitas 1. a hipótese de "omissão de receitas" estabelecida no correlato Termo de Verificação e Constatação Fiscal, não resta configurada, tendo em vista tratarse de simples transferência de recursos entre uma empresa Controlada e sua Controladora (recursos, estes, que, por sinal, não representam quaisquer acréscimos ao patrimônio da Requerente ou de sua controladora), motivo pelo qual não há que se falar em incidência de Imposto de Renda; 2. contudo, ainda que houvesse algum tributo a ser pago no caso em análise, o montante assim devido estaria limitado ao que porventura tivesse deixado de ser oferecido à tributação pelas empresas ligadas à Requerente. Finalizando, a interessada protesta pela realização de diligência fazendária às instalações de sua controladora PEM ENGENHARIA LTDA. e da interligada SETEC TECNOLOGIA S/A, nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, para que possa ser examinada a escrita contábil e fiscal dos períodos envolvidos nestes autos, tendo em vista as disposições do § 5° do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. A interessada requer ainda: 1. seja igualmente provida a defesa para afastar de uma vez por todas a responsabilidade solidária das ligadas PEM ENGENHARIA LTDA., SETEC TECNOLOGIA S/A e do sócio AUGUSTO RIBEIRO DE MENDONÇA NETO, pelos motivos já declinados, sem prejuízo dos relevantes fundamentos que hão de ser especificamente apontados por iniciativa desses coresponsáveis apontados; 2. a imediata e irrestrita desconstituição do arrolamento fiscal concretizado nestes autos em face de bens do ativo da coligada PEM Fl. 517DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 518 11 ENGENHARIA LTDA e do sóciogestor AUGUSTO RIBEIRO DE MENDONÇA NETO, ante a ilegalidade da responsabilização daqueles terceiros. Devidamente cientificados da sujeição passiva em 09/09/2013 e 06/09/2013, as pessoas consideradas como responsáveis solidárias apresentam, conjuntamente, em 08/10/2013, na pessoa de seu representante, sua impugnação (fls.257/274), alegando, em síntese, o que segue: Da Nulidade por Preterição do Direito de Defesa 1. a fundamentação utilizada para direcionar a responsabilidade solidária ao sócio Augusto e às coligadas PEM Engenharia Ltda. e SETEC Tecnologia S/A é insuficiente, pois está calcada em dispositivos do Código Tributário Nacional, que tratam genericamente da solidariedade passiva e da responsabilidade de terceiros; 2. não houve menção à ocorrência fática de qualquer das hipóteses previstas nesses dispositivos, em relação àqueles cuja responsabilidade foi imputada; 3. no que se refere às empresas Impugnantes, apenas a simples condição de formação de grupo econômico foi elencada como suposto fundamento — sem que houvesse qualquer registro relacional com as normas aplicadas; e 4. evidenciase, assim, a patente ausência de motivação, razão pela qual tornase inafastável a nulidade dos Termos em foco, na forma na forma prevista no artigo 59, II, do Dec. 70.235/72 (art. 12, II, do Dec. 7.574/11), em virtude da preterição ao direito de defesa ante a ausência de fundamentação jurídica, que levou à inclusão das pessoas responsabilizadas solidariamente. Da Inadequação das Hipóteses de Responsabilidade de Terceiros 1. o auditor fiscal empregou falaciosamente os artigos 121, I, 124, 1 e II, e 135, III todos do CTN, para tentar amparar a suposta responsabilidade tributária dos Impugnantes; no entanto, os dispositivos aludidos são claramente inaplicáveis; 2. o artigo 121 do CTN trata da sujeição passiva tributária, afirmando, em seu inciso II, a responsabilidade tributária daquele que sem revestir a condição de contribuinte seja por expressa disposição de lei obrigado ao pagamento do tributo; assim sendo, para configurar a referida responsabilidade tornase fundamental a indicação expressa da norma que assim o determina, bem como os eventos fáticos que acionaram o comando legal respectivo, o que não ocorreu neste caso; 3. ao descrever que as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente responsáveis (art.124, I), é certo que o CTN tratou das hipóteses em que os envolvidos tenham efetiva relação com a obrigação tributária em questão, contribuindo de fato com a circunstância material que levou à concretização do fato gerador; ou seja, tratase aqui de pessoas que realizam conjuntamente a situação que configura o fato gerador; Fl. 518DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 519 12 4. mesmo que se admita a suposta "omissão de rendimentos" aludida no Auto de Infração, é evidente que não há interesse comum das Impugnantes para com os rendimentos da PROJETEC Projetos e Tecnologia Ltda, no sentido do artigo 124, I, do Código Tributário Nacional, pois estes não participaram do fato gerador da obrigação principal; 5. a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é uníssona ao afirmar o referido entendimento, como se pode ver no precedente proferido com maestria pelo Min. Luiz Fux, reproduzido às fls.266/268; 6. assim sendo, a inclusão dos Impugnantes com base no artigo 124, I, do CTN mostrase inadmissível; 7. quanto às coligadas PEM Engenharia Ltda. e SETEC Tecnologia S.A., na realidade, o único motivo pelo qual a fiscalização as incluiu como sujeitos passivos solidários no caso em exame é a formação de grupo econômico conjuntamente com a PROJETEC Projetos e Tecnologia Ltda., como se tal fundamento fosse suficiente para amparar a responsabilização de todas as empresas pelo crédito tributário em discussão; 8. é evidente a contradição da fiscalização, pois primeiro reconhece a apresentação do contrato de gestão financeira firmado entre as empresas e depois caracteriza a transmissão dos respectivos valores atinentes a este mesmo contrato como sendo operações confusas; não há confusão alguma, foram operações realizadas sob a vigência de contrato; 9. ainda que se desconsiderasse o referido Contrato de Administração Financeira, a responsabilidade tributária do sócio e das empresas coligadas não poderia ser aplicada, pois, na ausência de contratação expressa relacionada à movimentação de recursos entre as empresas do mesmo grupo, a presunção é de que se trata de operação de mútuo, consoante inteligência do Ato Declaratório SRF n° 007/1999 e do Parecer Normativo CST 23/1985, sendo que neste aspecto a fiscalização desprezou, também, a escrituração contábil que corrobora as operações; 10. a escrituração contábil da empresa, enquanto não desclassificada pela fiscalização, milita como prova em favor do contribuinte (art. 923 do RIR/1999); 11. o simples apontamento de formação de grupo econômico não legitima a sujeição passiva solidária, sendo fundamental a comprovação dos requisitos do artigo 121,I, do Código Tributário Nacional que, por sua vez, não foram devidamente preenchidos como já se exibiu acima; 12. este mesmo entendimento é pacífico no âmbito do E. Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa de fls.269/270; 13. por outro lado, em relação ao Sr. Augusto, a mera existência de grupo econômico não autoriza a responsabilidade do sócio (como ocorre, por exemplo, na seara trabalhista, em face do art. 2o da CLT), pois é imprescindível a adequação legal e fática das hipóteses de responsabilidade solidária, demonstrandose o real interesse comum Fl. 519DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 520 13 no fato gerador constituído pela realização conjunta da situação que concretizou a incidência tributária; 14. já o comando da norma inscrita "no artigo 135, II, do CTN" demanda o preenchimento de requisitos excepcionais previamente estabelecidos; 15. a mera condição de sóciogerente não é suficiente para responsabilizar o Sr. Augusto pelo crédito tributário em discussão, porquanto a comprovação da prática de algum dos atos arrolados é expressa e fundamental; 16. nesse mesmo sentido, a Súmula 430 do Superior Tribunal de Justiça diz: "O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente"; 17. o recente Parecer PGFN 396/2013 impõe que os agentes fazendários e órgãos de julgamento, inclusive de primeiro grau, prestem obediência às decisões proferidas pelo E. Superior Tribunal de Justiça, principalmente em função do princípio da eficiência administrativa; 18. o sócio Augusto não agiu com excesso de poderes ou em contrariedade à lei e ao contrato social da empresa, pelo contrário, todos os atos realizados enquadramse na normalidade da gestão empresarial; 19. o Contrato de Administração de Recursos Financeiros firmado entre a PROJETEC Projetos e Tecnologia Ltda. e as coligadas PEM Engenharia Ltda., SETEC Tecnologia SA. e TIPUANA Participações Ltda. reflete apenas a sua prerrogativa de administrador das empresas à ocasião, atuando nos estreitos limites contratuais e legais, dentro das práticas comerciais usuais; 20. no que toca à SETEC Tecnologia S.A., esta não se enquadra em qualquer dos casos do artigo 135 do CTN, pois nem sequer é sócia da PROJETEC Projetos e Tecnologia Ltda., quão menos se reveste de quaisquer das condições ali estipuladas para legitimar a sua inclusão na qualidade de sujeito passivo tributário; 21. da mesma forma, em que pese a PEM Engenharia Ltda. ser de fato sócia da PROJETEC Projetos e Tecnologia Ltda, não está caracterizada em qualquer das funções de direção, gerência ou representação; 22. os atos do sócio que dariam ensejo à responsabilidade com amparo no art. 135 do CTN são aqueles carregados de dolo (excesso de poderes ou infração da lei ou do contrato social), e no auto de infração não houve sequer cogitação de dolo; e 23. por todos argumentos expendidos, fazse mister afastar a sujeição passiva solidária de todas as pessoas indicadas, devendo figure tão somente, como sujeito passivo, a empresa PROJETEC Projetos e Tecnologia Ltda. Ao final das impugnações apresentadas, é requerido que a intimação da decisão deste processo seja feita também no nome do subscritor desta, em Fl. 520DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 521 14 correspondência endereçada à Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2055, 10° andar, CEP 01452001, Jardim Paulistano, São Paulo Capital. É O RELATÓRIO.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 12 64.389 (fls. 384411) de 27/03/2014, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento e manteve a sujeição passiva solidária dos coobrigados AUGUSTO RIBEIRO MENDONÇA NETO; PEM ENGENHARIALTDA e SETEC TECNOLOGIA S.A. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A observância do contraditório e do amplo direito de defesa e a presença dos requisitos essenciais à validade do ato afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligência, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo tal solicitação ser indeferida quando a prova puder ser produzida com a juntada de documentos do próprio sujeito passivo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO. CABIMENTO. O lançamento com base em presunção é completamente aceitável em nosso ordenamento jurídico. Nas presunções "juris tantum', incumbe ao sujeito passivo o ônus de infirmar o fato indiciário caracterizador da presunção. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ADOTADO. Verificada a omissão de receitas, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2009 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Aplicase aos lançamentos decorrentes, no que couber, o que foi Fl. 521DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 522 15 decidido quanto ao principal, pela estreita relação de causa e efeito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA CARACTERIZAÇÃO. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, entre outros, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Tal responsabilidade é pessoal, mas não exclusiva, cabendo o lançamento em nome da pessoa jurídica. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Denominase grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas estiverem controladas direta ou indiretamente pela(s) mesma(s) pessoa(s), sem que estejam formalmente revestidas da condição (nem com os mesmos objetivos) do grupo econômico de que trata a Lei 6.404/76. Demonstrado o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador do lançamento, fica definida a responsabilidade solidária de fato dessas empresas.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada a autuada e os coobrigados em 04/08/2014 (A.R. de fl. 431/433), os interessados interpuseram recursos voluntários em 03/09/2014 (fls. 435454, coobrigados; fls. 457476, autuada) onde repisam os argumentos apresentados em suas impugnações. É o relatório. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 523 16 Voto Vencido Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Os recursos voluntários reúnem os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Deles, portanto, tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade do lançamento Alega a recorrente a nulidade do lançamento por preterição de seu direito de defesa. Aduz a interessada que o lançamento teria se fundado em imotivada rejeição dos contratos de administração de recursos como elementos essenciais de prova da origem dos pagamentos, na igualmente imotivada desclassificação tácita de sua escrita contábil, desacompanhada do arbitramento que se impunha nessas condições, e, quanto à sujeição passiva, na deficiente fundamentação para inclusão dos coobrigados no pólo passivo da autuação. Com a devida vênia, entendo não haver a nulidade aventada. Isso porque, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse). Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso em análise, verificase que os autos de infração foram lavrados por Auditor Fiscal, agente competente para este mister e o lançamento foi efetuado com observância dos requisitos legais. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 524 17 Ainda, em conformidade com as disposições do Decreto 70.235/72, os interessados foram cientificados das exigências fiscais, tendo tido a oportunidade de apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias contados dessa ciência, as suas razões de defesa. Ademais, constatase que a descrição dos fatos contida no Termo de Verificação Fiscal, integrante dos autos em análise, e as provas juntadas ao processo possibilitam esclarecer a causa da autuação, bem como toda a sistemática aplicável à constituição do crédito tributário. Por sua vez, a argumentação desenvolvida pela interessada na peça impugnatória e, posteriormente, em recurso a este Conselho, permite concluir que os motivos da autuação foram perfeitamente compreendidos. Assim sendo, não se verifica qualquer irregularidade, incorreção ou omissão a macular o procedimento administrativo instaurado, tendo o lançamento que ora se analisa preenchido todos os requisitos legais necessários à garantia do pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Como bem pontuado na decisão recorrida, os questionamentos da interessada, relativos à falta de aceitação dos contratos de administração de recursos como prova da origem dos pagamentos, à desclassificação tácita de sua escrita contábil, desacompanhada de arbitramento, e à sujeição passiva, dizem respeito ao mérito das autuações, que será apreciado na sequência deste voto. Diante do exposto, é de se rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pelos recorrentes. Do Mérito Da omissão de receitas Nessa matéria, a decisão recorrida não merece reparos. Adoto, pois, seus fundamentos na forma a seguir apresentada. No curso da ação fiscal, foi constatada a existência de diversos depósitos que ingressaram em contas de titularidade da interessada, no anocalendário de 2009 (Demonstrativo de fl.131), para as quais a interessada, apesar de intimada, não apresentou justificativa considerada aceitável pela fiscalização. Em consequência, foi efetuado lançamento de ofício de IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS), por estar caracterizada a omissão de receitas no valor de R$ 57.047.784,25. Por oportuno, vale observar que a tributação das receitas apuradas com base em movimentação financeira, cuja origem não foi comprovada, constitui uma presunção legal desde o advento da Lei nº 9.430/96, que, em seu art. 42, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e Fl. 524DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 525 18 idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (grifouse) A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. A Súmula CARF nº 26 é ilustrativa: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, a presunção legal em comento provoca a chamada "inversão do ônus da prova", cabendo ao contribuinte provar que o fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito, este é o entendimento expresso pelo Código de Processo Civil, art. 333, II. Em sua defesa, a interessada afirma que os depósitos bancários em foco têm suporte único em contrato de administração de recursos financeiros celebrado entre sua controladora PEM ENGENHARIA LTDA (fls.115/116), bem como com as empresas SETAL ENGENHARIA, CONSTRUÇÕES E PERFURAÇÕES S/A (fls.117/118) sob nova denominação SETEC TECNOLOGIA S/A e TIPUANA PARTICIPAÇÕES LTDA (fls.119/120), sem efetiva transferência de titularidade. A interessada diz, ainda, que: · tratase de mera terceirização (pelas coligadas) das rotinas de contas a pagar e receber, que ficam concentradas no corpo técnico da PROJETEC, como é comum no mercado, inclusive fora do ambiente dos grupos econômicos; · os recursos correspondentes são oferecidos à tributação pelas coligadas ou submetidos à retenção na fonte; e · tais rendimentos não se confundem com receita da atividade propriamente dita, que abrange somente rendimentos das aplicações financeiras do numerário por sua iniciativa. Os contratos apresentados Contratos de Administração de Recursos Financeiros (Contas a Receber e Contas a Pagar) celebrados entre a interessada e as empresas PEM, SETEC e TIPUANA são de igual teor e datados de 01/01/2008. Destaco, a seguir, alguns tópicos desses contratos: 1. A ... autoriza a PROJETEC a administrar os recebimentos e pagamentos em nome da sociedade, assumindo a PROJETEC o compromisso de ressarcir as eventuais sobras em caixa. 2. Nas contas correntes mencionadas no item anterior, se farão inscrever todos os recebimentos e pagamentos ocorridos durante o mês, obedecendo, rigorosamente, a ordem cronológica desses Fl. 525DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 526 19 acontecimentos, com indicação precisa e detalhada dos documentos emitidos para tanto. 3. A ... poderá solicitar à PROJETEC eventuais transferências de numerários com pelo menos um dia de antecedência da data que pretender dispor dos recursos. 4. Mensalmente, no último dia de cada mês, as partes deverão apurar os saldos em caixa. 5. A PROJETEC poderá promover a devolução de seu débito a qualquer tempo, desde que dê ciência ao credor num prazo mínimo de 48 horas. ... 8. Por remuneração dos serviços prestados, a PROJETEC fará jus à receita financeira obtida no mercado financeiro com os recursos financeiros por ela administrados em decorrência deste contrato. ... (grifouse). Apesar de tais contratos envolverem empresas coligadas certo é que, pelos termos desses contratos, existe a determinação de apuração mensal de saldos de caixa, relativamente a cada uma delas, tendo em vista que, ainda que tal atividade não esteja prevista no seu contrato social, a interessada estaria administrando recebimentos e pagamentos das referidas empresas. Essa administração exigiria controle detalhado, com a discriminação individualizada de todos os pagamentos e recebimentos, e isso em relação a cada contratante, ao qual, fica implícito, a interessada deveria prestar contas. Assim, ainda que os contratos apresentados atendessem aos aspectos formais relacionados pelo autuante (autenticação de assinaturas e registro no Registro de Títulos e Documentos), esses contratos não seriam suficientes para a comprovação de que se trata. Faz se necessário o respaldo de diversos meios de prova, tais como: escrituração detalhada, relatórios, notas fiscais, comprovantes de depósito identificado e/ou de transferências, identificação dos débitos e correspondentes contas das empresas coligadas pagas, etc., o que não ocorreu. Ao contrário do que argumenta a defesa, não houve desprezo dos contratos. A conclusão adotada pela fiscalização está baseada, como relatado no Termo de Verificação Fiscal, nas disposições do art. 368, parágrafo único, da Lei n° 5.869/1973 (Código do Processo Civil), invocadas subsidiariamente: Art. 368 (....) Parágrafo único Quando, todavia, contiver declaração da ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. grifou se. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 527 20 Quanto aos lançamentos do Livro Razão, relativos a mútuos, a interessada, entendendo que os contratos haviam sido desprezados pela fiscalização, alega que a movimentação de recursos entre empresas do mesmo grupo deveria ser interpretada como operação de mútuo. Ainda que esse argumento tenha sido baseado em Pareceres Normativos, tal argumento tornase sem sentido, na medida em que a própria interessada reconhece que os referidos lançamentos eram equivocados. A interessada menciona, também, o Parecer Normativo CST n° 164/1971, no sentido de que empréstimo feito por sócio acionista, diretor ou administrador de empresa a pessoa jurídica a que esteja vinculado, quando devidamente comprovada a sua origem, não acarreta, para a pessoa jurídica devedora, implicações de ordem jurídicotributárias. Essa alegação esbarra igualmente no aspecto do mencionado reconhecimento do equívoco e no fato de que tais operações devem ser devidamente comprovadas. Por esse mesmo motivo, tornase inócua a menção do art. 923 do RIR/1999, que estabelece: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 9°, § 1°). (grifouse) Restou, portanto, nesse caso, perfeitamente caracterizada a existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. Nesse contexto, entendo correto o estabelecimento da presunção legal de omissão de receitas e a correspondente tributação desses valores depositados. A interessada alega, também, que tendo a autoridade fazendária desqualificado "tacitamente" a contabilidade da empresa (no que equivocadamente registrava uma suposta operação de mútuo) e desprezado, de outro lado, os próprios contratos de administração de recursos financeiros firmados com as ligadas, que remontam à origem das transferências questionadas nos autos, impunhase o arbitramento, como forma de apuração do tributo a ser exigido, nos termos do art.530 de RIR/1999. Segundo Aliomar Baleeiro, o arbitramento, disciplinado pelo art. 148, é apenas técnica inerente ao lançamento de ofício para a avaliação contraditória de bens, serviços ou atos jurídicos utilizável sempre que os documentos ou declarações do contribuinte sejam omissos ou não mereçam fé. Por sua vez, o art. 530 do RIR/1999, invocado pela interessada, estabelece: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 528 21 I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Conforme a legislação reproduzida, o arbitramento não é penalidade, constituindose em técnica de apuração da base tributável, quando, entre outras situações, fica inviabilizada a quantificação dessa operação diante da inexistência da escrituração contábil ou quando esta revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências insanáveis, o que sequer foi aventado pela fiscalização. Ainda que tenham sido apontados equívocos na escrituração da interessada, relativamente aos lançamentos que a própria interessada reconhece terem sido equivocados ("entradas de mútuo", ou "remessas de mútuo" ou "transação de mútuo"), certo é que a fiscalização entendeu que as divergências indicadas não configuravam deficiências que implicassem na imprestabilidade da escrituração e no consequente arbitramento do lucro. Tanto é assim que na apuração do valor a ser tributado foi compensado o prejuízo apurado no período: R$ 285.016,55. O art.288 do RIR/1999 (um dos dispositivos que fundamentam a autuação em análise) dispõe: Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (Lei n° 9.249 de 1995, art.24). Fl. 528DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 529 22 Assim sendo, entendo por correta a tributação da omissão de receitas em questão na forma do Lucro Real. Na mesma esteira, pode ser observado que não foram cogitadas as hipóteses de concluio, fraude ou simulação, uma vez que a multa de ofício aplicada foi a do art. 44, §1°, da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pelo art.14 da Lei n° 11.488/2007. Essa multa, como reconhece a interessada, é atinente à falta de pagamento ou recolhimento, à falta de declaração ou aos casos de declaração inexata, comando que sequer tangencia as hipóteses mencionadas. Dos lançamentos da CSLL, do PIS e da COFINS decorrentes Quanto à tributação decorrente de CSLL, PIS e COFINS sobre a receita omitida, estas deverão seguir as mesmas conclusões estabelecidas para o auto de infração de IRPJ, pela estreita ligação de causa e efeito existente. Em face do exposto, nego provimento ao recurso quanto ao crédito tributário lançado. Da responsabilidade tributária solidária Das empresas PEM Engenharia ltda e Setec Tecnologia S.A. Os Termos de Sujeição Passiva Solidária têm como fundamento legal os artigos 121, inciso II, 124, inciso I e II e 135, inciso III, todos do Código Tributário Nacional. No presente caso, o autuante, em seu termo de Verificação Fiscal, ao tratar da responsabilidade solidária diz: ... A participação nas cotas da PEM ENGENHARIA é de: 43,4% de AUGUSTO RIBEIRO MENDONÇA NETO e 56,6% de ROBERTO RIBEIRO DE MENDONÇA. Identificada no Livro Razão da PROJETEC pela conta 120002 cc COLIGADA (conforme folha anexa), oriunda da conta de ativo 1.04.01.02.00 Crédito c/ pessoas ligadas (Física/Jurídica). A SETEC TECNOLOGIA S.A. é identificada no Livro Razão da PROJETEC pela conta 120001 cc COLIGADA (conforme folha anexa) e tem participação acionária de AUGUSTO RIBEIRO MENDONÇA NETO, ROBERTO RIBEIRO DE MENDONÇA e EDSON SIMÕES. As três empresas têm o mesmo endereço: Rua Aquário, 118 sala 4 Pq Santana Santana do Parnaíba/SP, o que difere é a aditivo ao número da sala. Sala E para a Projetec, sala B para a Setec e sala A para a PEM. Esta diferenciação é só documental, pois o imóvel tem somente 4 salas. Sendo que o proprietário do imóvel informa que só existem quatros salas, sendo duas salas em cada piso. O sócio AUGUSTO RIBEIRO MENDONÇA NETO é o representante perante a RFB da PROJETEC, PEM e SETEC. A PROJETEC é, segundo o contrato apresentado e citado no item 8 acima, é gestora dos numerários da PEM e da SETEC. Aqui fica demonstrado que as empresas acima relacionadas formam um grupo econômico, caracterizado pelo exercício de atividades econômicas confusas, com a gestão entre elas dos Fl. 529DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 530 23 numerários depositados em bancos, com a transmissão entre elas de valores com a identificação de MÚTUO (entradas de mútuo ", ou "remessas de mútuo " ou "transação de mútuo) e o relacionamento entre os registros contábeis, citados no demonstrativo acima, razão pela qual devem ser solidariamente responsabilizados pelos débitos da empresa sob ação fiscal. (destacouse com sublinhados) Nesse ponto, concordo com a fundamentação contida na decisão recorrida. A legislação brasileira e, especificamente, a Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas) trata, nos seus arts. 116 e 265 a 277, dos grupos econômicos que poderiam ser considerados "de direito", uma vez que constituídos segundo os requisitos legais e por deliberada e expressa vontade de seus controladores. Entretanto, tem sido cada vez mais frequente a constatação da existência de empresas controladas direta ou indiretamente pela(s) mesma(s) pessoa(s), sem que estejam formalmente revestidas da condição (nem com os mesmos objetivos) do grupo econômico de que trata a Lei 6.404/76. Estes são os que se podem denominar "grupos econômicos de fato". Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram e realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" da forma da Lei 6.404/76). As empresas integrantes de "grupo econômico de fato" invariavelmente apresentam, além de algumas características inerentes aos "grupos econômicos formais", algumas peculiaridades próprias: · São controladas como as empresas de "grupos econômicos formais" por uma mesma pessoa ou grupo de pessoas. · Adotam o procedimento de criar novas empresas, que vão se sucedendo no mesmo local, mantendo a mesma atividade, utilizando os mesmos equipamentos e pessoal. · Realizam operações financeiras que visam transferir recursos de uma para a outra, nem sempre de forma regular (na maioria das vezes drenando recursos equipamentos e matériasprimas da empresa em dificuldades já altamente endividada e inadimplente para as demais, em melhor situação financeira), sem que se dê a regular formalização destas transferências, seja pela prática de pagamento puro e simples das despesas de uma por outra empresa, seja pela formalização de contratos ("de mútuo", por exemplo), que permanecem indefinidamente em aberto. É justamente na situação de grupo econômico de fato que se enquadram as empresas em foco, tendo em vista que, além dos aspectos ressaltados pelo autuante e já reproduzidos neste Voto, temse que: 1. a PEM Engenharia e a Setec Tecnologia são, respectivamente, controladora e coligada da Projetec, sendo que o Sr. Augusto Ribeiro de Fl. 530DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 531 24 Mendonça é sócioadministrador tanto da Projetec quanto da PEM e é diretor da Setec, conforme pesquisa anexa, efetuada no sistema CNPJ; 2. a justificativa apresentada pela interessada, no que tange à movimentação de recursos na sua conta bancária, foi de que se tratava de numerários pertencentes a outras empresas (PEM, Setec e Tipuana) com as quais mantinha contratos de administração de ativos fixos, operando uma terceirização de contas a receber e contas a pagar; 3. não foram trazidos aos autos, pela interessada ou por quaisquer das outras empresas, como já comentado, nenhum outro elemento de prova, para corroborar os termos dos mencionados contratos; 4. também a PEM Engenharia e a Setec Tecnologia, que compareceram aos autos para impugnar a solidariedade ora analisada, não acrescentaram qualquer elemento probante; e 5. a justificativa de que em vista de os contratos exibidos não terem sido considerados suficientes para a devida comprovação, devese ter por corretos os lançamentos que indicam tais valores como mútuo, não tem nenhum fundamento. Dessa forma, entendo correta a fiscalização ao imputar às pessoas jurídicas PEM Engenharia e Setec Tecnologia, a responsabilidade tributária solidária pelo crédito exigido nos lançamentos em foco. Da responsabilidade tributária solidária do Sr. Augusto Ribeiro Mendonça Neto A autoridade fiscal atribuiu, também, responsabilidade tributária solidária ao administrador Augusto Ribeiro Mendonça Neto. A decisão recorrida assim fundamentou a manutenção do Sr. Augusto no pólo passivo da obrigação tributária apurada. O art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, estabelece a responsabilidade tributária aos diretores, gerentes e administradores de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei. Deste dispositivo, para a presente análise, emerge a questão da correta exegese do que vem a ser "infração de lei". Ora, o Código Tributário Nacional não adjetiva a lei que deve ser infringida para que se responsabilize aquelas pessoas discriminadas em seu art. 135. É indubitável que a falta de recolhimento do tributo constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de leis tributárias. Foram várias as decisões do Poder Judiciário que reafirmaram tal entendimento, tais como: Tributário Execução Fiscal Responsabilidade pessoal dos sócios CTN, art. 135, III. 1. Na sistemática do CTN vigente (art. 135, III), a infração à lei Fl. 531DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 532 25 tributária é pressuposto suficiente para determinar a responsabilidade do sócio gerente. 2. O não recolhimento de tributos é infração à lei tributária, e, como tal, determina a responsabilidade pessoal do gerente da sociedade de capital. 3. Aspectos relacionados ao direito comercial (integralização de capital e origem dos recursos sob constrição) são irrelevantes para o direito Tributário, autônomo cientificamente. 4. Apelação improvida. Sentença confirmada (TRF, 1a Região, AC 1374993/MG, rel. Juiz Cândido Ribeiro, DJU 19.12.1997, p. 111.547) ...A falta de recolhimento de Contribuições sociais constitui, por si só, infração de lei, pelo que o sóciogerente pode responder pessoalmente pelos débitos fiscais da empresa (art. 135, III, do CTN). (TRF, 4a Região, 2a Turma, REO 94.04..454567/RS, rel. Juíza Tânia Escobar) Entretanto, posteriormente, a Súmula n° 430, de 24/03/2010, do Supremo Tribunal Federal (a seguir transcrita), invocada na impugnação, traduz o entendimento de que o mero inadimplemento do pagamento do tributo não pode dar causa à responsabilização dos sócios gerentes (administradores). STJ Súmula n° 430 Inadimplemento da Obrigação Tributária Responsabilidade Solidária do SócioGerente O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Ocorre que, no caso em análise, ficou perfeitamente determinado que não se trata de mera falta de recolhimento de tributos, mas de omissão de receitas. Como visto, valores expressivos foram depositados em contas correntes da interessada e registrados no Livro Razão na conta Bancos, sem que transitassem por conta de resultado e sem que houvesse comprovação de sua origem e/ ou das transações efetuadas. Assim, a meu juízo, neste caso, o sócioadministrador não pode ser beneficiado pelo enunciado de tal súmula. Por oportuno, trago à colação jurisprudência do respeitável Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) do Ministério da Fazenda, que considera válida a imputação de responsabilidade aos administradores: [...] RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA, ADMINISTRADOR. São pessoalmente responsáveis, mas não exclusivamente, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A responsabilidade do sóciogerente decorre de sua condição de administrador e não da sua condição de sócio. (Acórdão 120200.362. Sessão de 03/08/2010). [...] RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA Se as provas carreadas aos autos deixam fora de dúvida a participação de variado número de pessoas nos fatos que redundaram em evasão fiscal, tais pessoas devem ser mantidas no pólo passivo das obrigações tributárias correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. Nos termos do art. 135 do Código Tributário Fl. 532DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 533 26 Nacional, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com infração de lei.(Acórdão 130200.167. Sessão de 11/03/2010). Portanto, diante das evidências expostas na auditoria fiscal, está correta a imputação de responsabilidade do administrador Augusto Ribeiro Mendonça Neto. Fazse necessário, ainda, observar que, em que pesem os termos do Parecer PGFN n° 396/2013, mencionado na impugnação, a discussão sobre a obediência a teses firmadas pelos Tribunais Superiores, imposta aos agentes fazendários e órgãos de julgamento (inclusive de primeiro grau), ainda não foi normatizada no âmbito administrativo, razão pela qual tal invocação tornase inócua. Finalmente, cabe destacar que a Lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária constitui medida preventiva, eis que, a princípio, a exigência tributária recairá sobre a interessada Projetec Projetos e Tecnologia Ltda. Com efeito, entendo de forma diversa. A omissão de receitas foi estabelecida por presunção legal. Nesse sentido, a argumentação do Autuante tem fôlego suficiente para o levantamento do crédito tributário, conforme já discutido neste voto, com a conseqüente imputação de responsabilidade ao Sujeito Passivo. Porém, não o tem para atribuir responsabilidade tributária ao administrador – terceiro na relação jurídicotributária que ora se analisa. Isso porque, na exigência do crédito tributário, há elementos do fato gerador da obrigação tributária principal e elementos que caracterizam a responsabilidade de terceiros por atos ilícitos, cada qual com pressupostos de fato e sujeitos distintos. Assim, não se pode confundir os fatos que desencadeiam a aplicação da regramatriz de incidência tributária, resultando na obrigação de pagar tributo pelo sujeito passivo indicado no artigo 121, I e II, do CTN, com os fatos que desencadeiam a incidência da regramatriz de responsabilidade tributária de terceiro por atos ilícitos, indicados nos artigos 135 e 137 do CTN. São duas normas distintas com pressupostos de fato e sujeitos próprios. Com efeito, a responsabilidade tributária de terceiro pela prática de ato ilícito não decorre do simples inadimplemento do tributo, mas sim de conduta ilícita que deve ser devidamente descrita, com identificação de seu agente e do nexo causal entre a conduta ilícita e o não pagamento do tributo, circunstâncias essas que não foram verificadas no caso concreto, para o Sr. Augusto Ribeiro Mendonça Neto. Pensar diferente seria atribuir responsabilidade tributária solidária em todo e qualquer lançamento de ofício, posto que sempre decorrem de prática de ato considerado irregular aos olhos dos autuantes. Precedentes deste Colegiado: RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO POR ATO ILÍCITO. PRESSUPOSTOS, LIMITES E REQUISITOS. A responsabilidade tributária de terceiro pela prática de ato ilícito não decorre do simples inadimplemento do tributo, mas sim de conduta ilícita que deve ser devidamente descrita, com identificação de seu agente e do nexo causal entre a conduta Fl. 533DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 534 27 ilícita e o não pagamento do tributo pelo contribuinte direto. Não subsiste a responsabilidade tributária imputada a terceiro, por ato ilícito, sem que seja descrita a infração praticada, identificado o seu agente e o nexo da conduta com o não adimplemento dos tributos. (Acórdão nº 1402001.430, de 07/08/2013) Precedentes do e. Superior Tribunal de Justiça: “Ementa: .... I. É dominante no STJ a tese de que o não recolhimento do tributo, por si só, não constitui infração à lei suficiente a ensejar a responsabilidade solidária dos sócios, ainda que exerçam gerência, sendo necessário provar que agiram os mesmos dolosamente, com fraude ou excesso de poderes. ....” (STJ. AGREsp 346109/SC. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/03/02. DJ de 04/08/03, p. 258.) “Ementa: .... A jurisprudência deste egrégio Tribunal consolidouse quanto a ser subjetiva a responsabilidade do sóciogerente pelo pagamento de tributo devido pela sociedade, ficando aquele obrigado pessoalmente pela dívida, somente quando restar provado ter ele agido com fraude ou excesso de poderes, não se consubstanciando em infração à lei, de per si, a mera inadimplência. ....” (STJ. AGREsp 384860/RS. Rel.: Min. Paulo Medina. 2ª Turma. Decisão: 18/04/02. DJ de 09/06/03, p. 213.) “Ementa: .... VI. De acordo com o nosso ordenamento jurídico tributário, os sócios (diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica) são responsáveis, por substituição, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes da prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN. VII. O simples inadimplemento não caracteriza infração legal. Inexistindo prova de que se tenha agido com excesso de poderes, ou infração de contrato social ou estatutos, não há falarse em responsabilidade tributária do exsócio a esse título ou a título de infração legal. Inexistência de responsabilidade tributária do exsócio. ....” (STJ. EDAGA 471387/SC. Rel.: Min. José Delgado. 1ª Turma. Decisão: 25/03/03. DJ de 12/05/03, p. 223.) “Ementa: .... I. Não se pode atribuir a responsabilidade substitutiva para sócios, diretores ou gerentes, prevista no art. 135, III, do CTN, sem que seja antes apurada a prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. ....” (STJ. REsp 382469/RS. Rel.: Min. Humberto Gomes de Barros. 1ª Turma. Decisão: 07/11/02. DJ de 24/02/03, p. 190.) Fl. 534DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 535 28 Como se viu acima, a autoridade lançadora justifica a responsabilização do administrador com a descrição de irregularidades tributárias que implicaram na formalização do auto de infração contra a pessoa jurídica, mas não faz qualquer menção específica à prática de atos infracionais pelo coobrigado. Com efeito, para aplicação do art. 135, do CTN, repisese, é necessário preliminarmente que seja identificado expressamente qual ato infracional gerou o enquadramento e quem o praticou. Mas não é só isso. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Importante destacar que a infração à lei capaz de gerar a responsabilidade do administrador é aquela de natureza societária. Afinal, o que objetiva este artigo é justamente responsabilizar o administrador que age à revelia dos interesses da sociedade, e a forma com a qual ele age de tal modo é descumprindo as normas societárias que prescrevem que a sua atuação deve observar os interesses da empresa, dentro de determinados limites. Sob essa ótica, com todo respeito à autoridade lançadora entendo que não houve a precisa identificação da prática de atos pelo sócio administrador que justificasse a responsabilização nos termos efetuados. Por esse motivo, conduzo meu voto no sentido de excluir do pólo passivo o Sr. Augusto Ribeiro Mendonça Neto. Conclusão Por todo o exposto, Voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento parcial aos recursos voluntários para excluir do pólo passivo do lançamento o Sr. Augusto Ribeiro Mendonça Neto. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 535DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 536 29 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Minha divergência do I. Relator dirigese exclusivamente à questão da responsabilidade solidária das coobrigadas pessoas jurídicas. Para justificar a imputação da responsabilidade, a autoridade lançadora assim se manifesta: A autuada e as coobrigadas formariam um grupo econômico por exercerem atividades confusas, gestão entre elas dos numerários depositados em bancos e transmissão entre elas de valores com identificação de mútuo. Fato é que na formalização da exigência a autoridade lançadora não considerou tais circunstâncias. Os “Contratos de Administração de Recursos Financeiros” celebrados entre as empresas do grupo, e apresentados como justificativa dos depósitos, foram tidos como desprovidos das formalidades que os tornassem hábeis e idôneos como instrumento probante. O mesmo ocorreu no que se refere aos valores com registro contábil identificado como “entradas de mútuo”, “remessas de mútuo” ou “transação de mútuo”. Tendo em vista a ausência de documentação comprobatória foram desconsiderados pelo Fisco. Nesses moldes, apesar de suscitar a ocorrência de grupo econômico e o fluxo financeiro entre as empresas desse grupo, a Fiscalização tributou os depósitos bancários de origem não comprovada na titular das contas correntes sem levar tais fatos em consideração. Pareceme, quanto à responsabilização, um procedimento incoerente eis que não acata a alegação da existência de mútuo entre as empresas nem os documentos que atestariam o vínculo para administração de recursos financeiros – o que poderia justificar a origem de alguns depósitos – mas usa tais circunstâncias para a caracterização de grupo econômico. Nesse ponto, é fundamental para o deslinde o fato de que a solidariedade não é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o condão de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem. 1 1 Derzi, Misabel Abreu.Atualização da obra de Aliomar Baleeiro. Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense , p. 729 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 537 30 Tanto é assim, que o dispositivo em comento não integra o capítulo do CTN que trata da responsabilidade tributária. Assim, a definição da sujeição passiva deve ocorrer em momento anterior ao estabelecimento da solidariedade. Ainda que tal assertiva tenha características de obviedade, seu escopo dirigese à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Em regra, devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 137, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral. Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostrase inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. Daí a fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Para que haja solidariedade com supedâneo no art. 124, I do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Ainda que mais de uma pessoa tenha interesse comum em algum fato, para que haja solidariedade tributária é necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. 2 Mais ainda, é necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico mas sim jurídico, entendendose como tal aquele derivado de uma relação jurídica de qual o sujeito de direito seja parte integrante, e que interfira em sua esfera de direitos e deveres e o legitima a postular em juízo em defesa do seu interesse. No caso de grupos econômicos definidos pela participação societária, como no presente caso, tal circunstância , por si só, não define juridicamente o interesse comum. O interesse jurídico se caracteriza quando a situação realizada por uma pessoa é capaz de gerar os mesmos direitos e obrigações para a outra. E este tipo de interesse não existe entre sociedades que mantêm a sua independência e distinção, ainda que vinculadas a um objetivo econômico comum. Para que duas sociedades tivessem interesse jurídico comum capaz de imputar a solidariedade, seria necessário que ambas tivessem realizado conjuntamente o fato gerador tributário, como, por exemplo, que ambas fossem proprietárias do mesmo imóvel, ou que tivessem prestado um serviço em conjunto ou que tivessem alienado um produto ao mercado consumidor em parceria. 3 Conforme exposto em momento anterior deste voto, a autoridade fiscal apontou não acatou as justificativas para a origem dos depósitos que levariam à demonstração do vínculo entre as empresas do suposto grupo econômico, ou seja, não foram demonstradas as circunstâncias que estabelecessem um liame das coobrigadasa com a ocorrência do fato gerador, derivado de ações ou omissões praticadas exclusivamente pela autuada. Também não 2 BARCELOS, Soraya Marina. Os Limites da Obrigação Tributária Solidária Prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional e o Princípio da Preservação da Empresa. Disponível em http://www.mcampos.br/posgraduacao/Mestrado/dissertacoes/2011. Acesso em 31/08/2012. 3 idem Fl. 537DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 13896.721547/201380 Acórdão n.º 1402002.143 S1C4T2 Fl. 538 31 foi demonstrada a conduta irregular pela qual receitas e despesas tenham sido imputadas a empresas distintas daquela que realizou as operações correspondentes, com vistas a manipulação de resultados. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso dos coobrigados e determinar a extinção da sujeição passiva solidária para as pessoas jurídicas. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 538DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Numero do processo: 10480.723254/2010-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2007 a 20/06/2007
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Os produtos formulários contínuos personalizados multivias, formulários contínuos documento fiscal e formulários contínuos personalizados simples classificam-se na posição 4820 da TIPI.
O produto bobina de/para PDV classifica-se no código 4816.20.00 da TIPI.
Numero da decisão: 3201-002.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo, que davam provimento ao recurso.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Augusro César Tenório, OAB/PE nº 31572.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 20/06/2007 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os produtos “formulários contínuos personalizados multivias”, “formulários contínuos documento fiscal” e “formulários contínuos personalizados simples” classificamse na posição 4820 da TIPI. O produto “bobina de/para PDV” classificase no código 4816.20.00 da TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo, que davam provimento ao recurso. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Augusro César Tenório, OAB/PE nº 31572. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 32 54 /2 01 0- 88 Fl. 802DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10480.723254/201088 Acórdão n.º 3201002.225 S3C2T1 Fl. 803 2 Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de lançamento de oficio, fls. 04 a 10, lavrado contra a contribuinte acima identificada, com a exigência do crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor total de R$ 2.942.341,65, incluídos multa proporcional, multa com cobertura de crédito e juros de mora, calculados até 29/10/2010. Na Descrição dos Fatos, fls. 06/10, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias constatou as seguintes infrações: (i) falta de lançamento na escrituração fiscal e não destaque nas notas fiscais de saída do IPI por erro de classificação fiscal e de alíquota em relação aos produtos: 1) BOBINA DE/PARA PDV; 2) FORMULÁRIO CONTÍNUO PERSONALIZADO MULTIVIAS; 3) FORMULÁRIO CONTÍNUO DOCUMENTO FISCAL; e 4) FORMULÁRIO CONTÍNUO PERSONALIZADO SIMPLES; e (ii) Falta de recolhimento do imposto por ter se utilizado de crédito básico indevido referente às aquisições junto ao fornecedor Angara Distribuições Ltda – ME, CNPJ nº 04.661.306/000140, optante pelo “SIMPLES”. Consta do termo de verificação fiscal, fls. 27 a 61, em síntese, as seguintes informações: O estabelecimento industrial promoveu saída de produtos tributados sem o destaque do Imposto sobre Produtos Industrializados, em decorrência de erro na classificação fiscal e alíquota adotadas, relativamente aos produtos: Bobina de/para PDV; Formulário Contínuo Personalizado Multivias; Formulário Contínuo Documento Fiscal; e Formulário Contínuo Personalizado Simples, classificados pelo contribuinte no código 4911.10.90, com alíquota zero, e reclassificados pela fiscalização, respectivamente, para os códigos 4816.20.00, 4820.40.00, 4820.40.00 e 4820.90.00, com alíquota de 15%; I – ANÁLISE DOS DÉBITOS: CLASSIFICAÇÃO FISCAL 1. BOBINA DE/PARA PDV Tratase de papel para uso em equipamentos de emissão de cupom fiscal PDV; apresentado em bobinas; com diversas dimensões; em uma ou duas vias; com inscrições impressas no verso, acessórias em relação à utilização do produto, alusivas ao emitente do cupom fiscal; com processo de impressão da(s) via(as) adicionais pela reação entre produtos químicos, agente e reagente, impregnados na superfície dos papeis postos em contato sob pressão pela batida dos caracteres do equipamentos de emissão; Não obstante a prescindibilidade da impressão aplicada no reverso das bobinas em razão de sua finalidade, conforme visto acima, ser razão Fl. 803DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10480.723254/201088 Acórdão n.º 3201002.225 S3C2T1 Fl. 804 3 suficiente para vedar sua classificação no capítulo 49, vemos que o desmembramento desse capítulo nas posições, subposições, item e subitem acima transcritos, tampouco respaldam a classificação fiscal adotada pela fiscalizada para o produto apreciado; Destarte, todas as características do produto em análise, descritas no primeiro parágrafo do presente item, estão em consonância com nas notas explicativas relativas a Posição 4816. Propugnamos que o código TIPI correto para o produto BOBINA DE/PARA PDV é 4816.20.00 (papel autocopiativo). A alíquota do IPI vigente no período analisado é de 15%, conforme Decreto 6006/2006 DOU de 29/12/2006. 2. FORMULÁRIO CONTÍNUO PERSONALIZADO E FORMULÁRIO CONTÍNUO DOCUMENTO FISCAL, AMBOS MULTIVIAS Tratase de formulários contínuos de papel; apresentados em multivias com furações no sentido longitudinal (remalinas); com campos impressos de caráter acessório e campos destinados a serem complementados à mão ou à máquina; próprios para utilização em impressora de máquina automática de processamento de dados; com processo de impressão da(s) via(as) adicionais, ora pela reação entre produtos químicos impregnados na superfície dos papeis postos em contato sob pressão pela batida dos caracteres do equipamentos de emissão (papel autocopiante), ora pela utilização de folhas de papelcarbono, conforme descrição dos produtos nas notas fiscais de saída. São espécimes de FORMULÁRIOS CONTÍNUO PERSONALIZADOS industrializados pela fiscalizada o Papel Carta; a Listagem Personalizada; o Razão; o Controle; o Recibo; a Fatura; a Duplicata; a Fatura de Serviço; a Nota de Despacho; a Declaração de Saúde; o Cartão de Ponto e dos FORMULÁRIOS CONTÍNUO DOCUMENTO FISCAL as Notas Fiscais; a Nota Fiscal Fatura e o Conhecimentos de Transporte; Não obstante a prescindibilidade da impressão aplicada nos formulários em razão de sua finalidade, conforme visto acima, ser razão suficiente para vedar sua classificação no capítulo 49, vemos que o desmembramento desse capítulo nas posições, subposições, item e subitem acima transcritos, tampouco respaldam a classificação fiscal adotada pela fiscalizada; Destarte, todas as características dos produtos em análise, descritas no primeiro parágrafo do presente item, estão consonância com as notas explicativas relativas a posição 4820 e respectiva subposição. Portanto em consonância com a classificação fiscal e respectivo código TIPI (4820.40.00) que propugnamos para o produto FORMULÁRIO CONTÍNUO PERSONALIZADO E FORMULÁRIO CONTÍNUO DOCUMENTO FISCAL, AMBOS MULTIVIAS. A alíquota do IPI vigente para o período analisado é de 15% conforme Decreto 6006/2006 DOU: 29/12/2006; Não obstante a prescindibilidade da impressão aplicada nos formulários em razão de sua finalidade, conforme visto acima, ser razão suficiente para vedar sua classificação no capítulo 49, vemos que o desmembramento desse capítulo nas posições, subposições, item e subitem acima transcritos, tampouco respaldam a classificação fiscal adotada pela fiscalizada. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10480.723254/201088 Acórdão n.º 3201002.225 S3C2T1 Fl. 805 4 3. FORMULÁRIO CONTÍNUO PERSONALIZADO SIMPLES Tratase de formulários contínuos de papel; apresentados em única via, com furações no sentido longitudinal (remalinas); com campos impressos de caráter acessório e, ás vezes, campos destinados a serem complementados à mão ou à máquina; próprios para utilização em impressora de máquina automática de processamento de dados; NÃO fabricados em papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono, conforme descrição dos produtos nas notas fiscais de saída. São espécimes de FORMULÁRIOS CONTÍNUO SIMPLES industrializados pela fiscalizada o Papel Carta; a Listagem Personalizada; Listagem Especial, Listagem, Ficha de Produção dentre outros, conforme discriminado nas notas fiscais de saída emitidas pela fiscalizada em suas operações de venda; A incorreção das classificações fiscais adotadas pela fiscalizada, conforme visto acima, respectivamente, código TIPI 4911.10.90 nas notas fiscais de saída e DIPJ e código TIPI 4911.10.10 “Relação de Produtos Fabricados pelo Estabelecimento” para os produtos FORMULÁRIO CONTÍNUO PERSONALIZADO SIMPLES foram abordadas no item (2) precedente; Assim, todas as características dos produtos em análise, descritas no primeiro parágrafo do presente item, estão consonância com as notas explicativas relativas a posição 4820 e respectiva subposição, excluídas aquelas atribuídas aos outros tipos de impressos analisados nos itens precedentes. Portanto em consonância com a classificação fiscal e respectivo código TIPI (4820.90.00) que propugnamos para o produto FORMULÁRIO CONTÍNUO PERSONALIZADO SIMPLES. A alíquota do IPI vigente para o período analisado é de 15% conforme Decreto 6006/2006 DOU de 29/12/2006. II ANÁLISE DOS CRÉDITOS Verificamos que as NFs nº 1781; 1840; 2062; 1875 e 1924, registradas no Livro Reg. Estradas de Merc (em anexo) folhas 18/39; 34/39; 4/32; 20/32 e 24/25, fornecedor ANGARA DISTRIBUICOES LTDA – ME, CNPJ nº 04.661.306/000140, informadas no PERD/COMP nº 28287.64094.310707.1.1.015713 como geradoras de créditos ressarcíveis foram emitidas por empresa, na época da emissão, optante pelo SIMPLES, o que pode ser confirmado na Tela CNPJ Simples Angara (em anexo). As normas aplicáveis vedam a utilização do valor do IPI embutido no preço dos produtos industrializados por optante pelo SIMPLES como créditos dos adquirentes, conforme hipótese prevista no art. 5º, § 5º da Lei nº 9.317, de 1996, regulamentado pelo art. 166 do Decreto n° 4.544/2002 – RIPI 2002. O Demonstrativo de Glosa de Crédito Do IPI (em anexo), nos registros cuja coluna Motivo está indicado “Optante pelo Simples” consolida estas informações. III RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA DO IPI Constatadas as irregularidades acima, a fiscalização reconstituiu a escrita do contribuinte e lançou o valor do IPI resultante. Cientificada da exigência fiscal em 13/11/2010, fl. 560, a autuada apresentou, em 14/12/2010, impugnação às fls. 564 a 591, alegando em síntese que: Fl. 805DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10480.723254/201088 Acórdão n.º 3201002.225 S3C2T1 Fl. 806 5 É uma empresa prestadora de serviços de composição gráfica, produzindo impressos personalizados, posto que executados mediante encomenda, o que seria incontroverso em vista de ter sido devidamente caracterizado no auto de infração combatido. Nesse contexto, defende que na prestação de serviços de industrialização por encomenda, em que pese o triplo interesse fazendário pela sua tributação (IPI, ICMS e ISS), não se configuraria a obrigação de dar, mas sim a de fazer, porquanto o importante nessa circunstância é o serviço prestado, o que implicaria na incidência apenas do ISS, tributo de competência municipal. No sentido de defender a sua tese, colaciona excertos doutrinários e jurisprudência administrativa; Prossegue sustentando a impossibilidade de incidência do IPI em relação às operações industriais que desenvolve, ou seja, sobre os serviços de composição gráfica personalizada e sob encomenda, e reafirma que, a teor do disposto na Lei Complementar 116/03, no § 1º do art. 8º do Dl 406/68 e na Súmula 156 do STJ, tais atividades estariam sujeitas apenas à incidência do ISS. A respeito do tema, apresenta ementas de decisões de tribunais judiciais; Questiona a classificação fiscal indicada pela fiscalização, alegando que os impressos que produz não possuem apenas caráter acessório, visto que a impressão de logomarcas, timbres, nomes e brasões, entre outros, não pode ser considerada apenas uma atividade acessória, pois que seria a própria essência dos documentos produzidos. Nessa linha, aduz que sua principal atividade consiste em transformar bobinas de papel em determinados impressos previamente encomendados e que são submetidos a um processo de personalização; Afirma que a impressão de documentos fiscais depende de autorização estatal e por isso a atividade gráfica desenvolvida por ele não pode ser considerada meramente acessória. Da mesma forma, por também estarem submetidos a formalidades e exigências legais, os impressos constantes de duplicatas, notas promissórias e títulos de créditos, não são meros acessórios; Alega ser esdrúxula a tese da fiscalização, ao tentar equiparar uma nota fiscal a uma agenda e, com isso, desqualificar a atividade gráfica realizada e consequentemente inserir os seus produtos no capítulo 48 da TIPI, retirandoos assim do capítulo 49 da mencionada tabela, que indica uma alíquota de 0%; Apresenta abordagem a respeito do princípio constitucional da seletividade em razão da essencialidade, no sentido de defender que os produtos que fornece estão presentes nas mais diversas atividades comerciais, de forma que seria absurda a tentativa do Fisco de majorar a alíquota do imposto a ser aplicada; Destaca que o TRF da 3ª Região já afastou a possibilidade de que o Fisco, ao se deparar com produtos que possam ser enquadrados em mais de uma posição, busque impor àquela de alíquota mais alta; Houve mudança de entendimento da própria Delegacia da Receita Federal em RecifePE, em relação a procedimento de fiscalização anterior, em razão do qual continuou a utilizar a já referida classificação fiscal (Capítulo 49). Afirma que durante diversas fiscalizações ocorridas no ano de 2007 foi asseverado pela fiscalização que inexistia qualquer discrepância entre a classificação fiscal indicada pela Centauro com as estabelecidas Fl. 806DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10480.723254/201088 Acórdão n.º 3201002.225 S3C2T1 Fl. 807 6 pela legislação em vigor; Os produtos “formulário personalizado multivias”, “formulário contínuo documento fiscal” e “formulário contínuo personalizado simples” devem ser enquadrados na classificação fiscal 4911.10.90, em vista de que todos são produzidos com impressos encomendados pelos respectivos clientes, o que os diferenciaria de um simples papel em branco; Quanto ao produto “bobina de/para PDV”, aduz que este deveria ser classificado no código “NCM 4810.19.10 Em tiras de largura não superior a 15 cm ou em folhas nas quais nenhum lado exceda 360 mm” e não na classificação indicada pelo Fisco (4816.20.00 – Papel autocopiativo), devendo a divergência de descrições entre as duas classificações apontadas ser solucionada através de perícia técnica; Argumenta que a multa de ofício aplicada é exorbitante, confiscatória e atinge frontalmente a sua capacidade contributiva. Afirma que sua imposição desrespeita o princípio da proporcionalidade; Quanto à questão aduz ainda que, não tendo se configurado a ocorrência de dolo ou má fé, a aplicação da multa de 75% demonstraria ter havido desvio na finalidade da sanção, a qual, segundo expõe, deveria possuir um caráter educacional e não exclusivamente punitivo e arrecadatório. Transcreve excertos doutrinários e jurisprudência do STF; Por fim, requer o reconhecimento da nãoincidência do IPI sobre os seus produtos e, na remota hipótese de ser admitida a incidência do IPI, seja reconhecida a classificação fiscal por ela adotada, a redução da multa de ofício imposta e a realização de perícia técnica com vistas a assegurar a correta aplicação da classificação fiscal. Sobreveio decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 IPI. FATO GERADOR. SERVIÇO GRÁFICO PERSONALIZADO. Os serviços de composição e impressão gráfica, personalizados, previstos na lista anexa à Lei Complementar nº 116, de 2003, estão sujeitos à incidência do IPI. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os produtos “formulários contínuos personalizados multivias”, “formulários contínuos documento fiscal” e “formulários contínuos personalizados simples” classificamse na posição 4820 da TIPI. O produto “bobina de/para PDV” classificase no código 4816.20.00 da TIPI. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10480.723254/201088 Acórdão n.º 3201002.225 S3C2T1 Fl. 808 7 Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou em parte os argumentos colacionados em sua defesa inaugural, restringindo suas alegações a classificação fiscal dos produtos e a inconstitucionalidade da exigência da multa de ofício. O julgamento foi convertido em diligência por este colegiado devido a dúvidas quanto a data de intimação do acórdão recorrido, tendo o processo retornado com a informação de que, dada a ausência de documento comprobatório, a intimação deveria ser entendida como efetivada na data da apresentação do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Com base nos elementos trazidos em sede de diligência fiscal, verificase que o recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O presente lançamento decorre da alteração da classificação fiscal, promovida pela fiscalização, referente aos produtos BOBINA DE/PARA PDV; FORMULÁRIO CONTÍNUO PERSONALIZADO MULTIVIAS; FORMULÁRIO CONTÍNUO DOCUMENTO FISCAL; e FORMULÁRIO CONTÍNUO PERSONALIZADO SIMPLES, que foram classificados nos códigos 4816.20.00, 4820.40.00, 4820.40.00 e 4820.90.00, respectivamente, com alíquota de IPI de 15%. A recorrente apresenta como principal argumento para a classificação que entende correta o fato de que, nos documentos emitidos por esta, os impressos seriam de importância absoluta, o que afastaria a adoção da posição 4820, que destinase a formulários e outras obras de papel sem impressos ou, quando com impressos, apenas e tão somente quando tais impressos tenham caráter acessórios relativamente sua utilização. Afirma ainda que a atividade desenvolvida não se resumiria a mera impressão do documento, mas sim consistiria em todo o preparo de grandes bobinas de papel para que venham a ser impressas, bem como à personalização do documento, que não se refere apenas a impressão da logomarca e símbolos de clientes da recorrente, mas à própria estrutura do Fl. 808DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10480.723254/201088 Acórdão n.º 3201002.225 S3C2T1 Fl. 809 8 documento, ou seja, o tipo impresso que será produzido. Entende que o fato de o documento possuir campos a serem preenchidos não retira do impresso personalizado a sua característica de composição gráfica, classificada na posição 4911. Exposta a lide, mostrase irretocável a decisão recorrida. Os formulários contínuos objeto do lançamento enquadramse na posição 4820, posto ser mais específica que posição 4911, adotada pela recorrente. Abaixo transcrevese os textos da posições: 48.20 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, cadernos, pastas para documentos, classificadores, capas para encadernação (de folhas soltas ou outras), capas de processos e outros artigos escolares, de escritório ou de papelaria, incluindo os formulários em blocos tipo manifold, mesmo com folhas intercaladas de papelcarbono, de papel ou cartão; álbuns para amostras ou para coleções e capas para livros, de papel ou cartão 49.11 Outros impressos, incluindo as estampas, gravuras e fotografias (grifo nosso) Da mesma forma, em relação à bobina de papel para fins de uso em equipamento de emissão de cupom fiscal PDV, a posição 4816 mostrase mais específica ao produto do que a posição 4810, requerida pela recorrente. Abaixo transcrevese o texto destas posições: 48.10 Papel e cartão revestidos de caulim (caulino) ou de outras substâncias inorgânicas numa ou nas duas faces, com ou sem aglutinantes, sem qualquer outro revestimento, mesmo coloridos à superfície, decorados à superfície ou impressos, em rolos ou em folhas de forma quadrada ou retangular, de quaisquer formato ou dimensões. 48.16 Papelcarbono, papel autocopiativo e outros papéis para cópia ou duplicação (exceto da posição 48.09), estênceis completos e chapas ofsete, de papel, mesmo acondicionados em caixas Verificase, ainda, que a classificação fiscal destes produtos já foi objeto de decisão por esta casa, em processo relacionado ao mesmo contribuinte, tendo sido decidido pela manutenção da exigência fiscal. Tendo em vista a clareza com que o relator, conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, tratou da lide, transcrevese abaixo excerto de seu voto, proferido junto ao acórdão nº 3401002.482, sessão de 28/01/14, ao qual adoto como razão de decidir neste julgamento: Formulário Continuo Personalizado Multivias, Formulário Continuo Documento Fiscal e Formulário Continuo Personalizado Simples Fl. 809DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10480.723254/201088 Acórdão n.º 3201002.225 S3C2T1 Fl. 810 9 Entende o contribuinte que tais formulários são produzidos com impressos encomendados pelos clientes, de forma que não podem ser considerados corno simples papeis em branco e devem ser enquadrados na classificação 4911.10.90 OUTROS dentre 4911 OUTROS IMPRESSOS, INCLUINDO AS ESTAMPAS, GRAVURAS E FOTOGRAFIAS, a qual é indicativa de alíquota zero. Já a acusação fiscal é no sentido de que os formulários contínuos em questão, enquadramse perfeitamente na(s) posição(ties): 4820 ARTIGOS DE PAPELARIA, especificamente, 4820.40.00 FORMULARIOS EM BLOCOS TIPO "MANIFOLD", MESMO COM FOLHAS INTERCALADAS DE PAPELCARBONO (Personalizado Multivias e Documento Fiscal) e 4820.90.00 OUTROS (Personalizado Simples). Entendeu a decisão a quo, a qual me afiliu, que deve ser aplicada a Regra Geral para Interpretação 3 "a", a qual estabelece que "A posição mais especifica prevalece sobre as mais genéricas", entendendo que a posição 4820 é mais especifica para os formulários continuos produzidos do que a posição 4911. Tal especificidade pode ser identificada da leitura dos textos das posições e das Notas de Seção e de Capitulo, tudo em consonância com a la Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI 1), conforme aduzido e motivado nas razões da decisão recorrida. Do exposto fica evidenciado, portanto, que os produtos de que se trata estão corretamente classificados na posição 4820, todos com aliquota de 15%. Bobina de/para PDV Argumenta a recorrente, reiterando os argumentos da impugnação ao Auto de Infração, que a Bobina de/para PDV deveria ser classificada no código 4810 PAPEL..., precisamente, 4810.19.10 EM TIRAS DE LARGURA NÃO SUPERIOR A I 5CM OU EM FOLHAS EM QUE NENHUM LADO EXCEDA 360MM, QUANDO NÃO DOBRADAS, indicativo de aliquota de 5% e não no 4816 PAPEL CARBONO, PAPEL AUTOCOPIATIVO E OUTROS PAPEIS PARA CÓPIA OU DUPLICAÇÃO, individualizado no 4816.20.00 PAPEL AUTOCOPIATIVO, apontado pela fiscalização e que implica na adoção da aliquota de 15%, novamente pugnado pela realização de perícia para dirimir suposta divergência de entendimento, apesar de informação no relatório fiscal de fls. 63/91 de que a referida classificação 4810.19.10 nunca foi efetivamente adotada, inexistindo recolhimentos de IPI a 5% ou sob qualquer outra alíquota. Quanto à realização de perícia, nunca demais reafirmar o esclarecido pela decisão de piso, no sentido de que, para a solução de questão relacionada com classificação fiscal, é despiciendo qualquer esclarecimento técnico extra TIPI, Fl. 810DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10480.723254/201088 Acórdão n.º 3201002.225 S3C2T1 Fl. 811 10 levandose em conta o disposto no § 10 do art. 30 do PAF (Decreto n° 70.235/72), "Não se considera aspecto técnico a classificação Fiscal de produtos.". No que se refere a classificação do produto em questão — bobina de papel para fins de uso em equipamento de emissão de cupom fiscal PDV — na posição 4810.19.10 da NCM, também entendo ser incabível, posto que esta contempla mercadorias que se apresentam apenas em uma via, enquanto a Bobina de/para PDV apresentase em duas ou três vias, conforme descrição constante das notas fiscais de saída. Pelo lado da acusação fiscal. indica a fiscalização a posição da NCM 4816.20.00 PAPEL AUTOCOPIATIVO, como a aplicável a Bobina de/para PDV. No ensinamento da DRJ Recife/PE, a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI 6) e a Regra Geral Complementar 1 (RGC 1) determinam que a classificação de mercadorias, de acordo com o art. 3º do Decretolei n° 1.154/71, regulamentado pelos arts. 16 e 17 do RIPI/2002, se dá em conformidade corn as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH). Reproduzo o texto, trazido pela decisão recorrida, das NESH a respeito da posição 4816: "Esta posição compreende os papéis revestidos ou, às vezes, impregnados, que permitem reproduzir por pressão (por exemplo, utilizando os caracteres da máquina de escrever) , por umidificação, aplicação de tinta, etc., um documento original num número variável de exemplares. Os papéis desta espécie apenas se incluem aqui se apresentados em rolos de largura não superior a 36 cm ou em folhas de forma quadrada ou retangular em que nenhum dos lados ultrapasse 36 cm, quando não dobrados, ou cortados em formas diferentes da quadrada ou retangular; quando se apresentarem de outro modo classificamse na posição 48.09. Os estênceis completos e as chapas ofsete não estão subordinadas a qualquer condição de dimensão. O papel compreendido nesta posição apresentase, geralmente, acondicionado em caixas. Podem, segundo o processo de reprodução que utilizam, agrupar se em duas categorias: 2) Os papéis autocopiativos. Os papéis deste tipo, também chamados papéis sem carbono, apresentamse, em geral, em maços. A impressão resulta da reação entre dois ingredientes diferentes., normalmente separados um do outro, quer numa mesma folha, quer em folhas contíguas do maço, sendo esses ingredientes postos em contato Fl. 811DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10480.723254/201088 Acórdão n.º 3201002.225 S3C2T1 Fl. 812 11 pela pressão exercida por um estilete ou pelos caracteres de uma máquina de escritório. (grifei)" Concluindo, no mesmo sentido, tendo em vista o texto das NESH da posição 4816, que os papeis autocopiativos simplesmente cortados e que se apresentem em rolos não superiores a 36 cm, como é o caso do produto em questão, se classificam na posição código 4816.20.00 da TIPI, de acordo com a RGI 1 (texto da posição 4861), RGI 6 (texto da subposição 4816.20) e RGCI. No mesmo sentido, a Solução de Consulta Coana/SRF n° 1/2003, ementa transcrita a seguir: "ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Papel autocopiativo, apresentado em bobinas com largura entre 37mm e 120mm, possuindo no minima 2 vias, uma destinada à emissão do documento e outra destinada à impressão da Fitadetalhe, com comprimento mínimo de 10m para bobinas com três vias e 20m para bobinas com duas vias, denominada comercialmente "bobina de papel para Emissor de Cupom Fiscal (ECF)", classificase no código 4816.20.00 da NCM." Ainda no mesmo sentido, Acórdão n° 30134.346, de 25 de março de 2008, da Primeira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, ementa abaixo: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2000 IPI. CLASSIFICAÇÃO TARIFARIA As bobinas de papel para Emissor de Cupom Fiscal, de duas ou três vias impressas ou personalizadas (papel copiativo), em rolos de largura não superior a 36 cm, classificamse no código NCM 4816.20.00. As bobinas de uma via impressa ou personalizada, em rolos de largura não superior a 15 cm classificamse no código NCM 4802.55.10. Posição também j á manifestada pelos membros dessa 1ª Turma Ordinária / 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do novo CARF que, por unanimidade de votos, acordaram (Acórdão n° 3401001.793, de 21 de maio de 2012) em negar provimento ao recurso voluntário, em decisão cuja parte pertinente da ementa transcrevo abaixo: ASSUNTO:Classificação de Mercadorias Período de apuração: 10/03/2000 a 30/06/2002 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PAPEL AUTOCOPTATIVO EM FORMA DE BOBINA, COM LARGURA INFERIOR A 36 CM, PRÓPRIO PARA MAQUINA Fl. 812DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10480.723254/201088 Acórdão n.º 3201002.225 S3C2T1 Fl. 813 12 REGISTRADORA DE EMISSÃO DE CUPOM FISCAL. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. O papel autocopiativo, apresentado em forma de bobina, com largura inferior a 36 cm, próprio para máquina registradora, denominado comercialmente "bobina de papel para Emissor de Cupom Fiscal (EFC)", classificase no 4816.20.00 da NCM. Do exposto fica também evidenciado que o produto de que se trata está corretamente classificado na posição 4816.20.00, com alíquota de 15%. Em relação à multa de ofício de 75% aplicada, tendo em vista que a mesma encontrase prevista em lei, e que este colegiado não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de dispositivo legal, entendo correta a imposição fiscal. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 813DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 16561.720145/2013-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimita-se pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN).
TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. REFLEXO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Não pode repercutir no lucro contábil a amortização de ágio que integra o custo de investimento promovido por outra pessoa jurídica.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. INOCORRÊNCIA. Existindo investimento com possível pagamento de ágio, a interpretação equivocada do sujeito passivo acerca da possibilidade de sua amortização não é suficiente para a qualificação da penalidade aplicável aos tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da amortização daquele valor.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1302-001.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de decadência, votando pelas conclusões o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior e divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao crédito tributário principal e multa, votando pelas conclusões o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado e divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Talita Pimenta Félix, que davam provimento ao recurso voluntário, bem como a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, que negava provimento ao recurso voluntário; e 3) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN). TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. REFLEXO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Não pode repercutir no lucro contábil a amortização de ágio que integra o custo de investimento promovido por outra pessoa jurídica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 45 /2 01 3- 38 Fl. 13089DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 3 2 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. INOCORRÊNCIA. Existindo investimento com possível pagamento de ágio, a interpretação equivocada do sujeito passivo acerca da possibilidade de sua amortização não é suficiente para a qualificação da penalidade aplicável aos tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da amortização daquele valor. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de decadência, votando pelas conclusões o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior e divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao crédito tributário principal e multa, votando pelas conclusões o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado e divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Talita Pimenta Félix, que davam provimento ao recurso voluntário, bem como a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, que negava provimento ao recurso voluntário; e 3) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Fl. 13090DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório TELEFÔNICA BRASIL S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 25/11/2013, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 159.837.622,98. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 11971/12060 apresenta a seguinte introdução acerca do trabalho fiscal: 8. O presente Termo de Verificação Fiscal tem por objeto explicitar a indedutibilidade de encargos de amortização de ágios fundamentados em expectativa de rentabilidade futura, os quais ilegalmente reduziram as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do fiscalizado. 9. A determinante razão jurídica das glosas ora realizadas se funda na origem intragrupo dos ágios amortizados. Será claramente demonstrado que as operações das quais eles decorreram foram engendradas entre sociedades integrantes do grupo espanhol Telefônica, sob controle comum, direto ou indireto, da Telefônica S/A. Para tanto, serão descritas operações societárias realizadas em 2002, 2006 e 2008. 10. Nesses anos, a TELESP (fiscalizado), a TDBH e a DABR eram sociedades controladas pelo grupo Telefônica, conforme restará cabalmente demonstrado adiante. 11. Em 2002, a operação societária de interesse consiste basicamente na subscrição de capital que a DABR realizou na TDBH (ambas sociedades sob controle comum), a partir da qual aquela sociedade se tornou a maior acionista desta companhia. Antes desse aumento de capital, o grupo Telefônica — por meio de suas sociedades — detinha aproximadamente 85% do capital votante da TDBH e 100% do capital da DABR. Em face do aludido aumento de capital, a DABR passou a deter aproximadamente 54% do capital votante da TDBH. Ademais, em decorrência do preço de emissão das ações fixado, a DABR registrou um ágio em relação ao investimento adquirido na TDBH de aproximadamente R$ 132,2 milhões. [...] 12. Esse ágio gerado em 2002 passou a ser contabilmente amortizado pela DABR, mas sem qualquer efeito tributário. Essas amortizações contábeis passaram a ser registradas na Parte B do Lalur da DABR, visando a um futuro aproveitamento fiscal. 13. Em 2006, o grupo detinha aproximadamente 85% do capital votante da TELESP, 39% do capital votante da TDBH e 100% do capital da DABR. Ademais, a DABR ainda detinha aproximadamente os mesmos 54% do capital votante da TDBH adquiridos em 2002. Neste mesmo ano de 2006, a TELESP incorporou a TDBH. Nesta operação, estipulouse uma relação de substituição de ações, de forma a se determinar a quantidade de ações da incorporadora TELESP a que os então sócios da incorporada TDBH — dentre os quais a DABR fariam jus. Em função dessa operação realizada entre as aludidas sociedades sob o mesmo controle, foi contabilizado na DABR um ágio em relação ao investimento na TELESP. Para o cálculo desse "novo ágio" em 2006, a DABR alocou ao custo das ações da TDBH o saldo contábil não amortizado do já referido ágio gerado em 2002. Este "novo ágio" Fl. 13091DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 5 4 também passou a ser contabilmente amortizado pela DABR, mas sem qualquer efeito fiscal. Tais amortizações contábeis igualmente passaram a ser controladas na Parte B do Lalur da DABR. 14. Já em 2008, a TELESP incorporou a DABR. Assim, passou a amortizar contábil e tributariamente o saldo não amortizado do ágio incorporado (tratase do doravante intitulado "Agio Contábil DABR", que alcançou aproximadamente R$ 185,5 milhões). Ademais, também passou a amortizar tributariamente o saldo do ágio até então controlado na Parte B do Lalur da DABR (tal ágio também será daqui em diante referido como "Agio Extracontábil DABR"), o qual foi transferido para a Parte B de seu próprio Lalur (tal valor alcançava aproximadamente R$ 58,9 milhões). 15. O demonstrativo a seguir evidencia de maneira bastante resumida as operações societárias de interesse realizadas em 2006 e 2008 (os valores indicados são aproximados e se referem aos percentuais de participação no capital votante das sociedades): [...] Fl. 13092DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 6 5 A autoridade lançadora detalha a origem destes ágios e as operações societárias das quais eles decorreram, indicando as seguintes justificativas identificadas para as operações destacadas: [...] 21. No curso deste procedimento fiscal, apurouse que no ano de 2001 a DABR efetuou um aporte de R$ 495.080.496,97 na TDBH a título de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC). O item 21 das Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis do exercício findo em 31/12/2001 da TDBH (Doc. 312) já dava conta de tal AFAC, nos seguintes termos: 21. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL Em 27 de junho de 2001, foi recebido da Telefônica Data do Brasil Ltda. o montante de R$495.080 a título de adiantamento para futuro aumento de capital. Esse adiantamento foi aplicado na subscrição de ações na Figueira Administração e Participações S.A., conforme comentado na Nota 14.b. 22. Como se denota do trecho anteriormente transcrito, os recursos do AFAC realizado pela DABR foram empregados pela TDBH para subscrever capital em outra sociedade. [...] 26. Depreendese dos documentos antes referidos que efetivamente o AFAC realizado pela DABR em 2001 foi capitalizado na TDBH apenas no ano de 2002. 27. Visando a explicitar a relação entre as sociedades, o fiscalizado foi intimado a apresentar por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 24 (Doc. 144) os quadros societários/acionários da DABR e da TDBH no momento imediatamente anterior e no momento imediatamente posterior à discutida operação de aumento de capital. [...] 39. Destarte, resta claramente demonstrado que, na ocasião do significativo aumento de capital da TDBH em 2002. todas as quatro empresas que participavam de seu bloco de controle eram integrantes do grupo espanhol. [...] 43. Portanto, é inafastável concluir que tanto a TDBH quanto a DABR eram sociedades sob controle do grupo espanhol à época do debatido aumento de capital realizado em 2002. [...] 46. Os demonstrativos dos quadros acionários da TDBH com datasbase 31/03/2002 e 30/04/2002 tornam evidente que, após o aumento de capital realizado em 2002, o bloco de controle da companhia — que se antes era composto por quatro sociedades do grupo, após o aumento dc capital passou a ser integrado por cinco, com a adesão de mais uma sociedade do conglomerado da Telefônica, qual seja, a PABR aumentou a sua porcentagem de participação no capital total da empresa de 87,48% para 93,98%. 47. Importa saber, neste ponto, que em face do preço de emissão da ação fixado (R$ 0,8573 por lote de mil ações), a DABR registrou em 2002 um ágio de R$ 132.201.536,30 na operação de aumento de capital da TDBH. Na resposta datada de 30/07/2013 (Doc. 151), o fiscalizado assim demonstrou a apuração deste ágio, ipsis literis: [...] Fl. 13093DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 7 6 49.Impõese ainda ressaltar que o fiscalizado foi explicitamente intimado pelos Termos de Intimação Fiscal nº 24 (Doc. 144) e nº 26 (Doc. 180) a apresentar não apenas o laudo de avaliação que deu suporte a tal ágio registrado na DABR em 2002 mas também a comprovar seu fundamento econômico. A despeito de ter formulado pedidos de prorrogação de prazo para atendimento, o fiscalizado não apresentou tal documentação que tratasse especificamente deste ágio contabilizado no ano de 2002 na DABR em função da aludida operação. 50. Traçadas as necessárias considerações acerca da operação societária realizada em 2002, a partir da qual a DABR passou a figurar como acionista majoritária da TDBH e de que resultou a contabilização naquela sociedade do mencionado ágio no valor de R$132.201.536,30, passase agora a discorrer detalhadamente sobre as operações societárias que deram ensejo ao registro de um "novo ágio" [mesma terminologia usada pelo fiscalizado na resposta transcrita no parágrafo 74] na DABR em 2006. 51. Como já salientado, o "novo ágio" registrado na DABR em 2006 foi originalmente contabilizado em decorrência da incorporação da TDBH pelo fiscalizado (então TELESP). Como no momento desta incorporação a DABR era acionista da TDBH (conforme adiante desvendado, a DABR manteve o mesmo percentual de participação na TDBH desde o momento a partir do qual passou a integrar o seu quadro de acionistas), aquela sociedade recebeu ações da TELESP em "troca" das ações que possuía da TDBH e passou a contabilizar um investimento com ágio supostamente fundamentado na expectativa de rentabilidade futura da TELESP, haja vista a relação de substituição de ações estipulada. 52.Preliminarmente, é crucial mencionar que, conforme consta no Protocolo e Justificação de Incorporação da TDBH pela TELESP, datado de 09/03/2006 (Doc. 25),o aumento de capital da incorporadora (TELESP) foi realizado com base em laudo de avaliação a valor contábil da sociedade incorporada (TDBH). Ainda assim, diante da relação de substituição de ações ajustada, a DABR passou a registrar um investimento com ágio na TELESP. [...] 55. No período que precedeu o surgimento do ágio em comento, a SP Telecomunicações se apresentava como uma holding no Brasil do grupo empresarial espanhol e era utilizada para controlar — direta ou indiretamente — sociedades aqui domiciliadas. O capital social desta holding, tal qual nos idos de 2002, era integralmente detido pela sociedade espanhola Telefônica Internacional (v. parágrafos 34 a 36). 56. Neste momento anterior à incorporação da TDBH pelo fiscalizado, além de controlar outras sociedades, a SP Telecomunicações detinha 99,9999% do capital da DABR (conforme se infere do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas, bem como da 8a Alteração do Contrato Social da DABR, ambos datados de 08/03/2006 — Docs. 105 e 106, respectivamente , a SP Telecomunicações adquiriu tal participação na DABR da sociedade estrangeira Telefônica Datacorp), além de 50,61% do capital votante e 21,75% do capital total do fiscalizado. [...] 58. [...] Concluise, pois, que imediatamente antes da incorporação da TDBH pelo fiscalizado, o grupo espanhol detinha, direta ou indiretamente, o percentual de 92,94% [53,90° (DABR) +39,04% (Telefônica Internacional)] do capital votante e 93,98% [53,66% (DABR) +40,32% (Telefônica Internacional)] do capital total da TDBH. Fl. 13094DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 8 7 61. O Demonstrativo 6 já bem evidencia uma importante característica das pessoas jurídicas nele realçadas que ec fundamental para a presente análise: ao tempo da incorporação da TDBH pelo fiscalizado (2006), todas elas notadamente a incorporadora (TELESP). a incorporada (TDBH) e a DABR integravam o grupo econômico Telefônica, porquanto sujeitas, direta ou indiretamente, ao mesmo controlador estrangeiro. A incorporadora. a incorporada e a DABR tinham seus capitais sociais majoritariamente "nas mãos" de sociedades do grupo Telefônica. 62. Antes de prosseguir na análise societária decorrente da incorporação da TDBH pelo fiscalizado, vale observar que, conforme documentos apresentados, tal operação teria se inserido no contexto da reestruturação das atividades do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) e de transporte de dados promovida pelo grupo Telefónica. O resumo das operações societárias engendradas entre as pessoas jurídicas do grupo (dentre as quais a incorporação da TDBH) consta no item 1 do Fato Relevante datado de 09/03/2006 (Doc. 309), in verbis: 1. RESUMO DA OPERAÇÃO 1.1. A operação proposta consiste na reestruturação das atividades de SCM da TELESP e TEMPRESAS ("Reestruturação"), compreendendo: (i) a incorporação da TDBH pela TELESP, sociedades sob controle comum, nos termos dos artigos 227 e 264 da Lei das S.A. ("Incorporação"); e (ii) a cisão parcial da TEMPRESAS, com transferência para a TELESP dos ativos e atividades de SCM nas regiões em que tal serviço já é prestado pela TELESP, nos termos do artigo 229 da Lei das S.A. ("Cisão"), nos termos de Protocolo e Justificação de Incorporação da TDBH pela TELESP e de Cisão Parcial da TEMPRESAS ("Protocolo"), firmado nesta data pelos representantes da TELESP, da TDBH e da TEMPRESAS. 1.2. Aprovada a Reestruturação: (i) a TDBH será extinta; (ii) seus acionistas receberão ações ordinárias, preferenciais ou American Depositary Shares ("ADS"), conforme o caso, de emissão da TELESP, observada a relação de substituição indicada na Seção 5 abaixo; (iii) a TELESP sucederá a TDBH em todos os seus direitos e obrigações; e (iv) a TEMPRESAS se tornará subsidiária integral da TELESP, com os ativos e atividades de SCM nas regiões em que tal serviço não é prestado pela TELESP, bem como com os ativos e atividades de TI e data center de sua propriedade. 63. Já as justificativas para a realização das mencionadas operações arquitetadas entre as sociedades do grupo Telefônica constam no item 2 do referido Fato Relevante datado de 09/03/2006, a seguir literalmente reproduzido: 2. JUSTIFICAÇÃO DA OPERAÇÃO 2.1 A TDBH é uma sociedade holding cujo principal ativo é a participação de 100% no capital social da T EMPRESAS, operadora de SCM em todo o território nacional. 2.2 A TELESP, além de prestar Serviço de Telefonia Fixa Comutada (STFC), é também prestadora de SCM nos setores 31, 32 e 34 da Região III do Anexo II do Plano Geral de Outorgas (Decreto nº 2.534, de 2 de abril de 1998). 2.3 A TELESP detém ainda uma subsidiária integral, a A. TELECOM S.A., sociedade por ações com sede na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Rua do Rocio nº 291, 2º andar, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 03.498.897/000113, com seus atos constitutivos arquivados na Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP sob o NIRE 35.3.0017438.1 ("A. TELECOM"), que, por sua vez, presta SCM em todo território nacional, exceto nos setores 31, 32 e 34 da Região 111 do Anexo II do Plano Geral de Outorgas (onde a exploração do SCM é realizada diretamente pela TELESP). 2.4 A TDBH foi criada em janeiro de 2001 como resultado da cisão parcial da TELESP. Na ocasião, com base em pareceres de consultores externos, a administração da TELESP entendeu que seria no melhor interesse da empresa segregar os ativos referentes à prestação de serviços de Rede Comutada por Pacote, com a transferência da totalidade das ações da TEMPRESAS para a então recémcriada TDBH. Fl. 13095DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 9 8 2.5 Passados cinco anos, as administrações da TELESP e da TDBH entendem que a segregação da TEMPRESAS atingiu os objetivos esperados, a saber: (i) consolidação dos serviços de SCM no segmento "grandes empresas", tanto quanto à especialidade técnica como à carteira de clientes; e (ii) efetivação de investimentos específicos que permitiram um crescimento significativo da TEMPRESAS. Neste momento, no entanto, entendem as administrações da TELESP e da TDBH que o aumento considerável da competitividade nesse mercado, atualmente dominado por empresas ligadas diretamente a empresas de comunicações vinculadas a grandes grupos nacionais e estrangeiros, e os custos transacionais e oportunidades de junção de especialidades para atender à tendência de convergência tecnológica e ao desenvolvimento de novos produtos, ensejam novas condições e projeções para o segmento econômico em que atuam as Companhias, as quais justificam e corroboram a decisão de incorporação das suas operações. 2.6 Com a Incorporação da TDBH pela TELESP, a TEMPRESAS passará a ser uma subsidiária integral da TELESP, do mesmo modo que a A. TELECOM. Ato contínuo, através da Cisão, deverão ser transferidos da TEMPRESAS para a TELESP os ativos e atividades de SCM nos setores 31, 32 e 34 da Região III do Anexo II do Plano Geral de Outorgas, como forma de concentrar na TELESP as atividades de SCM nessas áreas. 2.7 Em seguida, pretendese promover a incorporação da A. TELECOM pela T EMPRESAS, ou viceversa, como forma de concentrar, em uma única subsidiária da TELESP, a exploração das atividades de SCM na parcela remanescente do território nacional. 2.8. As administrações das Companhias aprovaram as propostas de Incorporação e de Cisão, nos termos do Protocolo, por entenderem que a Reestruturação resultará nos seguintes benefícios para as Companhias e seus respectivos acionistas: (a) Maior eficiência administrativa, comercial, operacional, fiscal e financeira no que se refere às operações de transmissão de dados desenvolvidas pela TEMPRESAS, pela A. TELECOM e pela TELESP; (b) Aumento de liquidez das ações, principalmente para os acionistas da TDBH, mas também para os acionistas da TELESP; e (c) Redução de custos com a concentração das atividades de todas as empresas sob apenas uma companhia aberta, a TELESP. [...] 69. Já no ano de 2008, o grupo passou por nova reestruturação envolvendo empresas do grupo. O fragmento a seguir transcrito do Fato Relevante datado de 21/10/2008 (Doc. 308) resume as operações empreendidas em relação à DABR: 1ª Etapa: A DABR será incorporada pela TELESP, sendo extinta a sociedade e a totalidade de suas quotas em virtude de tal operação. As ações do capital da TELESP ora de propriedade da DABR, no ato da incorporação, serão diretamente atribuídas ao quotista controlador, SP Telecomunicações Participações Ltda ficando mantidos os mesmos direitos das ações de emissão da TELESP, ora em circulação A DABR possui dentre seu acervo líquido o registro de ágio decorrente das ações recebidas da TELESP, no valor de R$ 185.511.658,82 (cento e oitenta e cinco milhões, quinhentos e onze mil, seiscentos e cinqüenta e oito reais e oitenta e dois centavos). Nos termos do artigo 7º da Lei 9.532/1997, em decorrência da incorporação da DABR, a amortização do ágio resultará em um benefício fiscal para TELESP, no valor de RS 63.073.964,00 (sessenta e três milhões, setenta e três mil e novecentos e sessenta e quatro reais). Por sua vez, nos termos do artigo 7º da Instrução CVM nº 319/1999 e alterações posteriores, o montante equivalente ao benefício fiscal do ágio será contabilizado no Patrimônio Líquido da TELESP, em conta de Reserva Especial de Ágio. Na medida da amortização do ágio acima citado, e conforme permite o artigo 7º da Instrução CVM nº 319/1999, a parcela da Reserva Especial de Ágio correspondente ao benefício fiscal que a TELESP auferirá, será objeto de capitalização em proveito do acionista controlador da Companhia SP Telecomunicações Participações Ltda. em futuros aumentos de capital da TELESP, quando será devidamente assegurado aos demais acionistas o direito de preferência para subscrição dos referidos aumentos de capital, e se for o caso, Fl. 13096DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 10 9 as importâncias por eles pagas serão entregues ao controlador. Nos termos do § 3º do artigo 7º, a capitalização da parcela da Reserva Especial de Ágio, correspondente ao benefício fiscal, será realizada ao término de cada Exercício Social e na medida em que esse benefício represente uma efetiva diminuição dos tributos pagos pela TELESP. O ágio registrado no acervo da DABR possui fundamento econômico na perspectiva de rentabilidade futura. A TELESP poderá obter vantagem econômica do ágio referido, na medida em que a incorporação da DABR permitirá a transferência do ágio e sua amortização na TELESP, proporcionando o aproveitamento do respectivo crédito tributário que corresponderá a uma efetiva diminuição futura do imposto de renda e da contribuição social da TELESP, resultando em melhora do fluxo de caixa da Companhia. A operação de incorporação da DABR e a amortização do ágio a ser registrado em conta de ativo diferido da TELESP, será estruturada de forma a evitar a transferência de qualquer endividamento à TELESP, bem como de forma a evitar qualquer impacto negativo nos resultados futuros da Companhia. A TELESP absorverá demais itens que compõem o acervo líquido da DABR, resultando em aumento de capital no valor de R$ 281.894,93 (duzentos e oitenta e um mil, oitocentos e noventa e quatro reais e noventa c três centavos), sem emissão de novas ações pela TELESP, resultando portanto em ganho na valoração das ações de todos os seus atuais acionistas. 70. As justificativas para a reestruturação constam no Protocolo de Incorporação e Instrumento de justificação, firmado entre a DABR e o fiscalizado em 17/10/2008 (Doc. 24): 1. JUSTIFICAÇÃO: A DABR é sociedade holding remanescente da linha de negócios que operou investimentos em sociedades do segmento corporativo de telecomunicações, cujo ativo principal era a participação no capital social da Telefônica Data Brasil Holding 5.A., extinta por incorporação pela TELESP em 2006, tendo recebido ações representativas do capital social da TELESP na referida ocasião, em atendimento à relação de troca determinada nos atos societários correspondentes. A DABR não tem identificados outros investimentos de interesse desde então, de forma que não tem obtido outros resultados na consecução do seu objeto social propriamente, mas apenas gerido recursos em pequeno montante e gerado despesas administrativas para si e seus sócios quotistas. A DABR possui dentre seu acervo líquido o registro de ágio decorrente das ações recebidas da TELESP, com fundamento econômico na perspectiva de rentabilidade futura, como se descreverá na Cláusula 3 abaixo. A TELESP poderá oferecer referido contexto operacional, obtendo vantagem econômica do ágio referido, na medida em que a incorporação da DABR permitirá a transferência do ágio e sua amortização na TELESP, proporcionando o aproveitamento do respectivo crédito tributário que corresponderá a uma efetiva diminuição futura do imposto de renda e da contribuição social da TELESP, resultando em melhora do fluxo de caixa da Companhia. A operação de incorporação da DABR e a amortização do ágio a ser registrado em conta de ativo diferido da TELESP, será estruturada de forma a evitar a transferência de qualquer endividamento à TELESP, bem como de forma a evitar qualquer impacto negativo nos resultados futuros da Companhia. A TELESP absorverá demais itens que compõem o acervo líquido da DABR ocasionando em aumento de capital no valor de R$ 281.894,93 (duzentos e oitenta e um mil, oitocentos e noventa e quatro reais e noventa e três centavos), sem emissão de novas ações pela Telesp, resultando, portanto em ganho na valoração das ações de todos os seus atuais acionistas. As administrações das Partes entendem, portanto, que a incorporação da DABR, pela TELESP, com a conseqüente extinção da DABR, atende aos interesses das Sociedades e seus acionistas e sócios, conforme o caso, e permitirá potencializar as sinergias mencionadas, racionalizar os riscos inerentes da gestão pelos seus administradores, simplificar a estrutura administrativa e societária, reduzindo custos, mas também Fl. 13097DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 11 10 conferindo oportunidade do benefício fiscal e melhoria de fluxo de caixa para a Companhia, conseqüentemente, nos seus acionistas. [...] O fiscal autuante prossegue evidenciando a mensuração dos ágios, indicando os atos societários e os esclarecimentos prestados pela fiscalizada que subsidiaram suas constatações, bem como demonstrando as amortizações que afetaram os resultados tributáveis. Na sequência, reportandose aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 e ao art. 20 do Decretolei nº 1.598/77, a autoridade lançadora discorre sobre a indedutibilidade dos encargos de amortização do ágio intragrupo, abordando, inicialmente, o denominado "Ágio Contábil DABR": 122. Preliminarmente, convém firmar que, para fim da presente análise, entendese por "ágio intragrupo" aquele decorrente de uma ou mais operações societárias realizadas entre entidades sujeitas a um mesmo controle, as quais, portanto, não são independentes. 123. Como ponto de partida para o presente exame, devese atentar aos quadros acionários/societários das sociedades envolvidas nas transações das quais resultou o "novo ágio" registrado na DABR no ano de 2006. Com esse objetivo, reportase ao Demonstrativo 6, o qual ilustra graficamente as relações entre as sociedades de interesse, notadamente a TELESP (fiscalizado), a TDBH e a DABR. 124.Um acurado exame de tal demonstrativo torna patente que, no momento da incorporação da TDBH pelo fiscalizado no ano de 2006, todas as sociedades de interesse TDBH (incorporada), fiscalizado (incorporadora) e DABR (sociedade que registrou o ágio) eram majoritariamente controladas pelo grupo empresarial espanhol (vide idêntica conclusão no parágrafo 61).Indubitavelmente, portanto, apresentase como intragrupo o ora discutido ágio registrado na DABR decorrente da incorporação da TDBH pelo fiscalizado. [...] 126. Fica comprovado, pois, que o ágio registrado em 2006 na DABR, apesar de formalmente derivar de transações envolvendo pessoas jurídicas distintas (o que poderia então erroneamente conduzir à precipitada conclusão de que tal intangível decorreu de vontades autônomas de negociantes independentes entre si), materialmente foi resultado de uma única vontade, qual seja, a do controlador comum a todas as entidades que participaram do rearranjo societário. O controlador comum detinha o total domínio não só de implementar a transação, mas também de suas condições e implicações. 127. No que diz respeito à sociedade incorporada (TDBH), a preponderância da vontade do controlador fica ainda mais irrefutável ao se examinar a Ata da 5ª Assembleia Geral Extraordinária da TDBH, realizada em 28/04/2006 (Doc. 322), a qual revela a aprovação do Protocolo e de sua incorporação pelo fiscalizado. Como se deduz dos excertos a seguir transcritos da mencionada Ata, a despeito da discordância de acionistas minoritários da TDBH quanto à incorporação da companhia pelo fiscalizado, a incontrastável decisão do controlador foi determinante para a sua aprovação 8. QUESTÕES DE ORDEM: I Acionistas representados por Hedging Griffo Corretora de Valores S.A. ("Hedging Griffo") apresentaram "Requerimento para Suspender a Realização da Presente Assembléia Geral Extraordinária", recebido pela Mesa e arquivado na sede da Companhia, com fundamento na não divulgação, pela Companhia, de determinados documentos cuja divulgação, na opinião de tais acionistas, seria necessária à avaliação das matérias propostas. Posta a matéria em votação, a proposta de suspensão da Assembléia Geral foi rejeitada, por maioria, com manifestação de voto por parte dos Fl. 13098DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 12 11 acionistas controladores no sentido de que a questão da apresentação dos documentos referidos pela Hedging Griffo foi objeto de processo administrativo junto à CVM, iniciado há mais de 30 dias pela própria Hedging Griffo, que resultou em decisões da Superintendência de Relações com Empresas da CVM: (i) no dia 24.4.2006, que acolheu os argumentos da Companhia, autorizandoa a não divulgar os documentos confidenciais e estratégicos da Companhia solicitados pela Hedging Griffo; e (ii) no dia 26.4.2006, que negou o pedido de suspensão da Assembléia Geral Extraordinária formulado perante a CVM por acionistas representados pela Hedging Griffo. II Acionistas representados por Hedging Griffo apresentaram "Requerimento de Desconsideração de Voto Proferido pelos Acionistas Controladores da TDBH", recebido pela Mesa e arquivado na sede da Companhia, sob o fundamento de haver conflito de interesses por serem empresas sob controle comum da TELESP. Posta a matéria em votação, a proposta de desconsideração do voto dos acionistas controladores foi rejeitada, por maioria, com manifestação de voto por parte dos acionistas controladores no sentido de que não há qualquer conflito de interesses, bem como não há benefício exclusivo ao acionista controlador na presente operação. Muito ao contrário, tendo em vista que a porcentagem de ações detidas pelo grupo de controle na Companhia é superior à porcentagem de ações detidas na TELESP, não há qualquer benefício ao controlador, que pretende aceitar a relação de troca proposta pela administração, com base no laudo de avaliação independente, por considerála justa e equitativa a todos os acionistas. III Os acionistas representados pela Hedging Griffo apresentaram "Protesto" em face da decisão do Presidente da Assembléia Geral Extraordinária no que se refere ao cômputo dos votos dos acionistas controladores da TDBH, que foi recebido pela Mesa e arquivado na sede da Companhia. 9. DELIBERAÇÕES: As matérias da Ordem do Dia foram então postas em discussão e votação, tendo sido aprovadas as seguintes deliberações, por maioria dos presentes, que representam mais da metade do capital social com direito a voto, com apresentação das seguintes manifestações de voto em separado: (a) contra: (i) acionistas representados pela Hedging Griffo; (ii) Philips Electronics North América Corporation Master Retirement Fund; (iii) detentores de 8.950.000 ações da Companhia, detidas por meio de ADRs e representados pelo The Bank of New York; (b) abstenção: 150.000 ações da Companhia, detidas por meio de ADRs e representados pelo The Bank of New York; e (c) a favor, em adição aos votos manifestados pelos acionistas controladores: (i) 213.965.050.000 ações da Companhia, detidas por meio de ADRs e representados pelo The Bank of New York; e (ii) 7.229.500.000 ações da Companhia, detidas por meio de ADRs e representados pelo The Bank of New York, Todas as manifestações de voto foram recebidas pela Mesa e arquivadas na sede da Companhia: I Foi aprovada e ratificada a nomeação e contratação das seguintes empresas especializadas, encarregadas pelas administrações da Companhia e da TELESP da elaboração das avaliações necessárias à deliberação sobre a Incorporação: (i) Hirashima & Associados Ltda., sociedade limitada, com sede na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Rua Flórida n° 1758, conjunto 11, inscrita no CNPJ sob o n° 005.215.691/000164, registrada no Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo sob o nº CRC/SP n°25P022465/O4 ("Hirashima"), indicada para realização da avaliação contábil do patrimônio líquido da Companhia em 31 de dezembro de 2005 database estabelecida para a Incorporação, que fundamentará o aumento de capital da TELESP decorrente da Incorporação; (ii) NM Rothschild & Sons (Brasil) Ltda., com sede na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Avenida Brigadeiro Faria Lima na 2055, 18a andar, inscrito no CNPJ/MF sob o na 32.210.791/000170 ("Rothschild"), responsável pela análise econômicofinanceira da Companhia e da TELESP, para fins de determinação da relação de substituição das ações da Companhia que serão extintas em decorrência da Incorporação por novas ações da TELESP; e (iii) KPMG Corporate Finance Ltda., sociedade simples limitada com sede na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Rua Dr. Renato Paes de Barros nº 33, 2º andar, inscrita no CNPJ/MF sob o nºl 48.883.938/000123 ("KPMG"), indicada para realização das avaliações dos patrimônios líquidos a preços de mercado da Companhia e da TELESP, segundo os mesmos critérios e na mesma database (31 de dezembro de 2005), tomando por base as Fl. 13099DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 13 12 demonstrações financeiras auditadas da Companhia e da TELESP, para fins de comparação dos cálculos das relações de substituição das ações da Companhia por ações da TELESP, em atendimento ao disposto no art. 264 da Lei 6.404/76 II (1) Foi aprovado, após examinado e discutido, sem qualquer ressalva, o Laudo de Avaliação ao Valor Contábil para Fins de Incorporação da Companhia, apresentado em 6 de março de 2006 pela Hirashima, que constitui o anexo I ao Protocolo. A avaliação conduzida pela Hirashima foi efetuada pelo critério contábil de apuração do valor do patrimônio líquido da Companhia, tendo como base os elementos constantes do seu balanço patrimonial levantado em 31 de dezembro de 2005, auditado pela Ernst & Young Auditores Independentes S.S. De acordo com o laudo da avaliação contábil, o valor do patrimônio líquido da Companhia a ser incorporado ao acervo líquido da TELESP, em 31 de dezembro de 2005, era de R$ 597.164.881,58 (quinhentos e noventa e sete milhões, cento e sessenta e quatro mil, oitocentos e oitenta e um reais e cinqüenta e oito centavos). (2) Foram aprovados, após examinados e discutidos, os Laudos de Avaliação dos Patrimônios Líquidos a Valor de Mercado da Companhia e da TELESP, apresentados em 6 de março de 2006 pela KPMG, que constituem anexos IV e V ao Protocolo. As avaliações foram realizadas segundo os mesmos critérios e na mesma database (31 de dezembro de 2005), tomando por base as demonstrações financeiras auditadas da Companhia e da TELESP, e resultaram, exclusivamente para fins do art. 264 da Lei 6.404/76, na seguinte relação de substituição: (i) 1 (uma) ação ordinária da TELESP para cada grupo de 88.258 (oitenta e oito mil, duzentas e cinqüenta e oito) ações ordinárias da Companhia; (ii) 1 (uma) ação preferencial da TELESP para cada grupo de 88.258 (oitenta e oito mil, duzentas e cinqüenta e oito) ações preferenciais da Companhia; e (iii) 1 (uma) American Depositary Share ("ADS") da TELESP para cada grupo de 1,76516 ADS da Companhia, tendo em conta que cada ADS da Companhia corresponde a 50.000 (cinqüenta mil) ações preferenciais da Companhia. (3) Foi aprovado, após examinado e discutido, o Relatório de Avaliação da Companhia e da TELESP, previamente apresentado peio Rothschild, que constitui o anexo III ao Protocolo, utilizandose o método de avaliação pelo fluxo de caixa descontado e com fim de dar suporte ao processo de determinação da relação de substituição das ações da Companhia por ações da TELESP, conforme o disposto no art. 31 dos Estatutos Sociais da Companhia e da TELESP. Utilizando o ponto médio da faixa de valores apurada pelo Rothschild, encontrase a seguinte relação de substituição: (i) 1 (uma) ação ordinária da TELESP para cada grupo de 75.389 (setenta e cinco mil, trezentas e oitenta e nove) ações ordinárias da Companhia; (ii) 1 (uma) ação preferencial da TELESP para cada grupo de 75.389 (setenta e cinco mil, trezentas e oitenta e nove) ações preferenciais da Companhia; e (iii) 1 (uma) ADS da TELESP para cada grupo de 1,50778 ADS da Companhia, tendo em conta que cada ADS da Companhia corresponde a 50.000 (cinqüenta mil) ações preferenciais da Companhia. (4) O último laudo de avaliação anexo ao Protocolo consiste no Laudo de Avaliação ao Valor Contábil para Fins de Cisão e Incorporação da Telefônica Empresas S.A. ("T EMPRESAS"), apresentado em 6 de março de 2006 pela Hirashima, que deverá ser apreciado pelas assembléias gerais extraordinárias da própria TEMPRESAS e da TELESP. Não obstante, considerando que até o presente momento a T EMPRESAS é uma subsidiária integral da Companhia e não da TELESP, considerando ainda que os acionistas da Companhia deverão se tornar acionistas da TELESP no momento da implementação da Incorporação, e para que não haja dúvida sobre a regularidade de todas as aprovações necessárias à efetivação da cisão parcial da TEMPRESAS, os acionistas da Companhia aprovaram também desde logo o Laudo de Avaliação ao Valor Contábil para Fins de Cisão e Incorporação da T EMPRESAS. No mesmo sentido, os acionistas da Companhia deliberam autorizar a administração da Companhia a votar favoravelmente à operação e conseqüente aprovação do Laudo de Avaliação ao Valor Contábil para Fins de Cisão e Incorporação da TEMPRESAS na Assembléia Geral Extraordinária da TEMPRESAS que deverá ocorrer ainda nesta data. III (i) Foi aprovado, depois de examinado e discutido, sem qualquer ressalva, o Protocolo, datado de 9 de março de 2006, contendo a finalidade, as bases e demais condições relacionadas à Incorporação, tendo sido elaborado conforme o disposto nos artigos 224, 225, 227, 229 e 264 da Lei 6.404/76 e na Instrução CVM 319/99, documento este que, apresentado pelo Secretário da Mesa e examinado peios presentes, Fl. 13100DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 14 13 fica fazendo parte integrante da presente ata como Anexo 2. Foi aprovada, desta forma, a relação de substituição referida no item II (3) acima e no item 5.4 do Protocolo. Foi esclarecido que a relação dc substituição entre as ações da Companhia e da TELESP é considerada equitativa aos acionistas das duas empresas, uma vez que foi determinada dentro dos valores das respectivas empresas, com base nas análises financeiras preparadas pelo Rothschild, uma instituição financeira independente de renome internacional com ampla experiência na elaboração de avaliações econômico financeiras, que confirmou estar sendo dado tratamento equitativo a todos os acionistas. Nos termos do Protocolo, foi informado que, no caso de os acionistas da Companhia fazerem jus, em virtude da relação de substituição, a uma fração de ação da TELESP, será pago a tais acionistas, pro rata às suas respectivas frações, o valor líquido a preços de mercado das frações agrupadas, apurado em leilão (ou leilões, se for o caso), a ser(em) realizado(s) na Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA. Referido pagamento aos acionistas da Companhia será efetuado no prazo de até 5 (cinco) dias úteis a contar da data da realização do último leilão. (2) Em decorrência das deliberações ora aprovadas, e observado o disposto no item 7.1V acima, foi aprovada a proposta de Incorporação da Companhia pela TELESP e a conseqüente extinção da Companhia, caso a Incorporação seja aprovada pela Assembléia Geral da TELESP que deliberar sobre a Incorporação, que deverá ocorrer nesta data, às 16:00 horas. Ainda nos termos do Protocolo, a TELESP sucederá a Companhia em todos os seus ativos e passivos e os acionistas da Companhia passarão a ser acionistas da TELESP. Os acionistas da Companhia dissidentes da operação de Incorporação terão direito de se retirar da Companhia no prazo de 30 (trinta) dias a partir da publicação da presente ata. As condições de habilitação, os valores de reembolso e a data limite para o exercício do direito de recesso dos acionistas da Companhia dissidentes serão divulgados por meio de Aviso aos Acionistas a ser oportunamente publicado. No mesmo sentido, foi aprovada pelos acionistas da Companhia a proposta de cisão parcial de sua subsidiária integral T EMPRESAS, ficando a administração da Companhia autorizada a aprovar o Protocolo e a cisão parcial da T EMPRESAS na assembléia geral extraordinária da T EMPRESAS que deverá ocorrer ainda nesta data. 128. Como era de se esperar uma vez que, como já reiteradamente aqui exaltado, o mesmo bloco controlava tanto a incorporada quanto a incorporadora —, os acionistas da TELESP igualmente aprovaram a incorporação da TDBH, como comprova a Ata da 23ª Assembleia Geral Extraordinária da TELESP, também realizada em 28/04/2006 (Doc. 02). 129. Por certo, o "nascimento" do ágio registrado na DABR decorreu de uma única vontade do controlador comum, porquanto este era titular de direitos de sócio que lhe asseguravam tanto na sociedade incorporada (TDBH), quanto na incorpordora (TELESP) e na própria DABR a maioria dos votos nas decorações sociais das pessoas jurídicas envolvidas. O controlador comum pode, assim, impor não só a incorporação propriamente dita mas também uma série de condições que lhe aprouvesse (notadamente a relação dc substituição de ações e a consequente geração do ágio registrado na DABR). 130. Abstraindose de uma preocupação mais rigorosa com o sentido técnico jurídico dos institutos e visandose apenas e tão somente a uma melhor compreensão dos fatos sob exame, ilustrativamente, a situação se afigura como se a DABR, ao adquirir a quantidade de ações da TELESP definida em função da relação de substituição de ações estipulada, tivesse "pago" um "preço" superior ao valor patrimonial da participação adquirida. Em outros termos, podese compreender que o "pagamento" realizado pela DABR do "preço" fixado se deu por meio da entrega das ações que ela detinha da TDBH, cujo custo — qual seja, o valor patrimonial acrescido do saldo de um ágio surgido em operação também intragrupo realizada no ano de 2002 — era superior ao valor patrimonial das ações adquiridas da TELESP. Fl. 13101DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 15 14 131. A questão a ser discutida gira em torno da legitimidade da fixação desse "preço" que a DABR teria "pago" pelas ações da TELESP, porquanto nele estava incluído o ágio registrado na DABR, em função da aplicação do artigo 385 do RIR/99. 132. O surgimento de um ágio legitimamente adquirido pressupõe a ocorrência de uma negociação de livre iniciativa entre partes interessadas, independentes e detentoras de conhecimentos suficientes sobre o negócio em um mercado livre. Presumese, pois, uma relação de comutatividade e de não preponderância entre as partes negociantes. Ainda que diversos fatores possam, influenciar a formação do preço de uma participação, inescapavelmente ele decorre de uma dinâmica de negociação que se esgota na fixação de um ponto de equilíbrio entre intenções opostas: se de um lado aquele que aliena uma participação pretende obter o máximo valor do preço (do qual o ágio é parte componente), de outro, o adquirente visa a minimizar seu dispêndio na aquisição. É exatamente em função dessa convergência de ânimos de partes independentes que negociam livremente, aliada ao fato de existir confiabilidade na determinação e mensuração de um preço pactuado entre partes desvinculadas que possuíam intenções a priori opostas, é que se justifica — no novo proprietário uma nova base de avaliação para os ativos adquiridos. Isso porque o preço acordado entre um alienante e um adquirente independentes constitui a melhor expressão do valor econômico dos ativos no ato da transação. Por consequência, é seguramente mais confiável a avaliação de que um ágio pago por um terceiro independente c conhecedor do negócio realmente expresse a expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido, o que permite o reconhecimento desse ativo nas demonstrações do novo proprietário. 133. No caso do ágio intragrupo. em que as partes pretensamente negociantes estão submetidas a um mesmo controlador (ainda que residente no exterior, como no caso em questão, em que a matriz do grupo é sociedade espanhola), os valores da transação, embora na aparência determinados pelas partes, são fixados unicamente por esse controlador (diretamente ou por intermédio de suas controladas). Em verdade, inexistem propriamente partes distintas na negociação, mas sim uma parte única (o controlador), cuja vontade é preponderante e decisiva. Em uma transação entre partes sujeitas a um mesmo controle, não há uma genuína negociação para a fixação de um legítimo preço (e consequentemente de um eventual ágio nele incluído) que exprima o valor da participação negociada. Ele é determinado, em última instância, unicamente pela sociedade controladora, razão pela qual a falta de confiabilidade da mensuração do valor econômico da participação é intransponível (por consequência, o mesmo se pode dizer em relação ao ágio que integra o suposto preço da operação). 134. Em uma transação intragrupo que tenha por objeto uma participação societária, qualquer laudo e/ou relatório utilizado para fundamentar a avaliação dos investimentos negociados e consequentemente justificar o preço, nele incluído eventual ágio — será, evidentemente, avalizado por todos os envolvidos (tal qual verificado no caso em questão). Afinal a vontade das partes é determinada pela vontade do controlador comum. Em nenhuma hipótese, a avaliação do investimento apresentada por uma das partes seria contestada pela outra, porquanto inexiste negociação propriamente dita, assim entendida como processo pelo qual as partes se demovem de suas posições iniciais divergentes até um ponto em que um acordo é selado. 135. No caso analisado, as pretensas avaliações econômicofinanceiras relativas à TELESP e à TDBH consubstanciadas no Relatório de Avaliação especificamente elaborado visando à operação de incorporação da TDBH pela TELESP (Doc. 15) incontestavelmente, seriam aprovadas pelas partes, uma vez que todas estavam sujeitas a um controlador comum. Não houve, portanto, qualquer "validação" das Fl. 13102DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 16 15 alegadas avaliações por um terceiro independente que lhes conferiria confiabilidade. O trecho a seguir transcrito da página 3 do indigitado relatório já deixa patente a inexistência de uma imprescindível legitimação das avaliações por um terceiro independente: Como conseqüência, os resultados determinados nas Avaliações não correspondem necessariamente aos, tampouco devem ser interpretados como representativos dos, valores efetivos de venda de qualquer das Companhias para terceiros pelos quais qualquer das Companhias poderia ser negociada na presente data ou em momento futuro. 136. É impreterível aqui destacar que exatamente por força da relação entre as avaliações da TELESP e da TDBH consignadas no suscitado Relatório de Avaliação, supostamente empreendidas com base na metodologia do fluxo do caixa descontado,determinouse a relação de substituição de ações de que decorreu o ágio em pauta (ressaltese, como já antes mencionado, que ao valor patrimonial das ações da TDBH foi agregado também o saldo contábil do ágio originado do aumento de capital da TDBH em 2002 ver parágrafos 74, 78 e 85 para fim de determinação do custo total de tal investimento). Isso porque da mencionada relação de substituição estipulouse um número tal de ações da TELESP que os antigos sócios da TDBH receberiam (no caso, 1 ação da TELESP pata cada 75.389 ações da TDBH). Assim, muito embora a incorporação tenha se dado a valor contábil, a relação de substituição, ao determinar qual seria o "preço" pago pela DABR com ações da TDBH por cada ação da TELESP, deu origem ao ágio ora discutido (lembrando que o ágio sob exame decorreu da relação de substituição concernente apenas às ações que a DABR possuía da TDBH, e não a todas as ações da sociedade incorporada). 137. Em regra, o critério adotado como base de valor na mensuração contábil de ativos e passivos, em condições normais de continuidade de uma empresa, é o custo histórico. O Conselho Federal de Contabilidade o consagra como princípio contábil, como se extraí da redação original dos artigos 1º e 7º da Resolução CFC n° 750/93 (publicada no Diário Oficial da União de 31/12/1993), então vigente até 02/06/2010, data da publicação no Diário Oficial da União da Resolução CFC n° 1.282/10, que a atualizou e consolidou seus dispositivos (à época do surgimento do ágio intragrupo aqui discutido, vigia a redação original da Resolução CFC n° 750/93): [...] 138. Admitemse, hoje, exceções ao reconhecimento pelo custo histórico, como prevê o Pronunciamento Conceitual Básico (R1), do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), aprovado em 2 de dezembro de 2011, que estabelece os conceitos que fundamentam a elaboração e a apresentação de demonstrações contábeis destinadas a usuários externos. Assim preceitua o seu item 4.56: A base de mensuração mais comumente adotada pelas entidades na elaboração de suas demonstrações contábeis é o custo histórico. Ele é normalmente combinado com outras bases de mensuração. Por exemplo, os estoques são geralmente mantidos pelo menor valor entre o custo e o valor líquido de realização, os títulos e valores mobiliários negociáveis podem em determinadas circunstâncias ser mantidos a valor de mercado e os passivos decorrentes de pensões são mantidos pelo seu valor presente. Ademais, em algumas circunstâncias, determinadas entidades usam a base de custo corrente como resposta à incapacidade de o modelo contábil de custo histórico enfrentar os efeitos das mudanças de preços dos ativos não monetários. 139. Cabe notar que nos casos apontados pelo CPC não há desapego ao princípio do custo histórico, mas a ele se agregam outras bases de avaliação, Além dos exemplos citados pelo CPC, excepcionamse ainda os casos de processos falimentares nos quais,em decorrência de liquidação forçada, as demonstrações Fl. 13103DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 17 16 contábeis devem ser elaboradas numa base de mensuração diferente, o que não ocorre na situação examinada. 140. Em uma transação intragrupo que tenha por objeto participações societárias, não há justificativa para a mudança de base de avaliação dos investimentos (no caso em questão, como visto, a estipulada relação de substituição de ações decorreu das avaliações econômicas da TDBH e da TELESP, e portanto, o ágio adveio de uma mudança de base de avaliação comparativa das companhias). O suposto "preço" da operação, que não foi fruto de uma legítima validação pelo mercado, mas sim determinado pelo controlador comum, não pode ser adotado como uma confiável avaliação econômica dos investimentos. E dada a absoluta falta de confiabilidade dessas avaliações, as quais não foram submetidas ao crivo de um terceiro independente, não se sustenta a mudança da base de avaliação desses investimentos. 141. A teoria contábil, a lei comercial e a lei tributária dão respaldo apenas ao ágio pago numa negociação entre partes não relacionadas entre si. Na situação aqui enfrentada, reiterese, não se pode invocar a ocorrência de negociação de livre iniciativa entre partes interessadas, independentes e detentoras de conhecimentos suficientes sobre o negócio em um mercado livre. Assinalese que um determinado custo só se justifica quando há um dispêndio para se adquirir algo de terceiros independentes. Economicamente, não há geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo, ou seja, dos acionistas com eles próprios, razão por que o ágio intragrupo carece de possibilidade de reconhecimento. 142. É tão sedimentado o entendimento contábil de que o ágio intragrupo fundamentado em rentabilidade futura não se qualifica como ativo que, mesmo hoje, após a profunda modificação por que passou a contabilidade brasileira, o Conselho Federal de Contabilidade, no item 50 da Resolução CFC n° 1.157/09, assim dispôs: 50. É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível do ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. 143.Como se não bastassem os argumentos já apresentados, o que se admite apenas para efeito de argumentação, sob uma outra ótica, o reconhecimento do ágio intragrupo tampouco se sustenta. Em uma transação entre partes independentes, um ágio legitimamente adquirido gera ao comprador o direito ao fluxo de rentabilidade da participação societária negociada que antes não era detido seja por ele próprio, seja por suas controladas. Assim, em uma genuína transação, o comprador paga um preço por um novo direito a ser incorporado ao seu patrimônio. Visto por outro ângulo, o ágio representa uma antecipação paga por um fluxo futuro que antes não se possuía. Já em transações que dão origem ao ágio intragrupo, não se verifica essa relação de substituição patrimonial, pois o controlador comum já era previamente detentor do fluxo de rentabilidade futura supostamente adquirido, que já seria reconhecido em suas demonstrações por meio de equivalência patrimonial. Portanto, sob a ótica do fluxo de rentabilidade tampouco se justifica o reconhecimento do ágio intragrupo, uma vez que não faz qualquer sentido reconhecer uma antecipação se previamente à operação o comprador já era detentor do direito alegadamente adquirido. 144. Haja vista que tanto a TELESP quanto a TDBH, a despeito de sujeitas a um controlador comum, possuíam acionistas minoritários e independentes deste controlador, cabe uma última observação quanto ao ágio em debate. Como já repisado, o ágio registrado na DABR em 2006 decorreu da substituição das ações que tal sociedade possuía da TDBH. Caso fosse passível de reconhecimento o que Fl. 13104DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 18 17 peremptoriamente se refuta, como já sobremodo demonstrado —, tal ágio intragrupo supostamente registrado refletiria um custo que teria sido arcado exclusivamente pelo controlador na aquisição de ações da TELESP. Assim, quando da incorporação da DABR pela TELESP em 2008 e na medida em que a amortização do ágio reduzisse a carga tributária da incorporadora, a parcela da reserva especial de ágio poderia ser objeto de capitalização em proveito do controlador. Tal é o que se depreende do artigo 7o da Instrução CVM n° 319/99 e alterações posteriores: Art. 7° O protocolo de incorporação de controladora por companhia aberta controlada poderá prever que, nos casos em que a companhia vier a auferir benefício fiscal, em decorrência da amortização do ágio referido no inciso III do art. 6º desta Instrução, a parcela da reserva especial de ágio na incorporação correspondente a tal benefício poderá ser objeto de capitalização em proveito do acionista controlador. § 1º Na hipótese prevista no "caput" deste artigo, observado o disposto no art. 170 da Lei nº 6.404/76, será sempre assegurado aos demais acionistas o direito de preferência e, se for o caso, as importâncias por eles pagas serão entregues ao controlador. § 2º A capitalização da parcela da reserva especial referida no "caput" deste artigo, correspondente ao benefício fiscal, somente poderá ser realizada ao término de cada exercício social e na medida em que esse benefício represente uma efetiva diminuição dos tributos pagos pela companhia. 145. Mas em situações como aqui enfrentada, restaria garantido aos minoritários o direito de efetuar o pagamento ao controlador, de forma que não fossem diluídos em função da capitalização a ser realizada em proveito daquele que, em tese, teria arcado com o pagamento do ágio (controlador). Notese que tal previsão de pagamento a ser realizado pelos minoritários se encontrava expressa no Fato Relevante de 21/10/2008 (Doc. 308), no qual se discorreu acerca da reestruturação societária envolvendo sociedades do grupo e em cujo item em que é retratada a operação concernente à DABR constam as seguintes informações, in verbis. "..Por sua vez, nos termos do artigo 7º da Instrução CVM na 319/1999 e alterações posteriores, o montante equivalente ao benefício fiscal do ágio será contabilizado no Patrimônio Líquido da TELESP, em conta de Reserva Especial de Ágio. Na medida da amortização do ágio acima citado, e conforme permite o artigo 7º da Instrução CVM nº 319/1999, a parcela da Reserva Especial de Ágio correspondente ao benefício fiscal que a TELESP auferirá, será objeto de capitalização em proveito do acionista controlador da Companhia SP Telecomunicações Participações Ltda. em futuros aumentos de capital da TELESP, quando será devidamente assegurado aos demais acionistas o direito de preferência para subscrição dos referidos aumentos de capital, e se for o caso, as importâncias por eles pagas serão entregues ao controlador. Nos termos do § 2º do artigo 7º, a capitalização da parcela da Reserva Especial de Ágio, correspondente ao benefício fiscal, será realizada ao término de cada Exercício Social e na medida em que esse benefício represente uma efetiva diminuição dos tributos pagos pela TELESP..." 146. Apenas para fins de argumentação e de reafirmação da ilicitude da dedutibilidade da amortização do ágio nas circunstâncias ora debatidas, na hipótese de os minoritários efetuarem tal pagamento ao controlador, haveria quem pudesse acolher tal pagamento como uma "validação" ao menos de um percentual do ágio intragrupo, uma vez que, nessa situação, tais minoritários poderiam ser encarados como terceiros independentes que legitimaram o "preço" do investimento adquirido. 147. Ainda que esta fiscalização não comungue deste entendimento, por entender que o ágio intragrupo não possa ser validado a posteriori, o fiscalizado foi devidamente intimado a esclarecer e a comprovar se os acionistas não controladores exerceram o direito de preferência para subscrição dos aumentos de capital decorrentes da capitalização da reserva especial de ágio nos vários anos em que foram realizadas amortizações tributárias. Ademais, também foi intimado a Fl. 13105DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 19 18 apresentar a comprovação dos eventuais pagamentos realizados pelos acionistas não controladores ao controlador, tal qual estabelecido no acima citado Fato Relevante. 148. Em sua resposta datada de 22/04/2013 (Doc. 88), a Telefônica prestou os seguintes esclarecimentos à fiscalização: Diante dos questionamentos formulados por este D. órgão, cumpre à Notificada informar que não ocorreu a capitalização em proveito do acionista controlador da Companhia SP Telecomunicações Participações Ltda., bem como, não houve a abertura de direito de preferência para subscrição dos acionistas minoritários. 149. Em complemento ao questionamento formulado anteriormente pelo Termo deIntimação Fiscal n° 12, o fiscalizado foi intimado, por meio do Termo de IntimaçãoFiscal nº 15 (Doc. 89), a explicar as razões que justificassem a não capitalização em proveito do controlador, a despeito de terem sido realizadas amortizações do "Ágio Contábil DABR". Em sua resposta datada de 27/05/2013 (Doe 110), o sujeito passivo assim consignou: A Instrução Normativa da CVM nº 319, de 3 de dezembro de 1999, no artigo 7° preceitua: [...] Desta forma, conforme disposto na Instrução Normativa supra, a capitalização em proveito do controlador, é vista como benefício facultativo, de forma que justificase não têla realizado até o presente momento. 150. De qualquer forma, portanto, ainda que se admitisse a possibilidade de ao menos uma parcela do ágio intragrupo poder ser legitimada no caso de os não controladores efetuarem pagamentos ao controlador visando à não diluição, tal circunstância não se verifica na presente situação. Essa contingência societária, apesar de intimamente atrelada à questão da diluição dos minoritários, reforça ainda mais a conclusão não só de que o ágio intragrupo aqui retratado não pode ser reconhecido mas também de que sua amortização tributária deve ser glosada. 151. Destarte, admitir que a amortização do ágio intragrupo pudesse reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL significaria impingir um ônus a toda a sociedade brasileira em favor de sócios que se beneficiam tributariamente de uma transação sem substância econômica. A artificialidade do ágio intragrupo se revela particularmente flagrante quando se verifica que, por meio do reconhecimento de um ativo fictício, seria possível a obtenção de um subsídio tributário advindo de sua amortização. 152. É defeso à autoridade fiscal imiscuirse na reorganização de um grupo empresarial. Não lhe é permitido obstaculizar que um conglomerado adote a melhor conformação que lhe aprouver. Respeitados os ditames legais, os agentes econômicos podem livremente organizar os fatores de produção, de modo a promover a produção ou circulação de seus bens e serviços. 153. Contudo, impõese à administração tributaria exigir os pertinentes créditos tributários evadidos em decorrência de manobras não só conjuradas entre entidades sob controle comum mas também cujos objetivos estejam estritamente vinculados a uma ilícita redução da carga fiscal. 154. No caso em concreto, não se questiona a reestruturação por que passou o grupo Telefônica. Levandose em conta as competências legalmente conferidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, não se opõe aqui propriamente às operações societárias engendradas. O que se refuta é, do ponto de vista tributário, a licitude dos valores atribuídos a essas operações, uma vez que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL foram vultosa e ilegalmente diminuídas em face de amortizações de um ágio artificialmente gerado em operações intragrupo. Fl. 13106DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 20 19 [...] 156. Assim, impõese concluir que o ágio intragrupo é desprovido de requisitos que o habilitem a ser reconhecido como um ativo passível de amortização tributária. Acatar sua dedutibilidade implicaria consentir que uma despesa artificialmente criada pudesse reduzir as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL. A ilegitimidade da amortização do ágio intragrupo fica ainda mais patente ao se imaginar que o contribuinte pudesse, ao seu arbítrio e de tempos em tempos, reduzir ou até cessar o pagamento de tributos, bastando, para tanto, ardilosamente criar despesas fictícias de amortização de um ágio supostamente decorrente da implantação de mais um "novo modelo organizacional". 157. Por todas as razões expostas, impõese realizar o presente lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL, procedendose à necessária recomposição de suas bases de cálculo com os encargos de amortização do "Ágio Contábil DABR" ilicitamente deduzidos pelo fiscalizado (conforme montantes discriminados no Demonstrativo 17). A acusação fiscal traz outras considerações acerca do ágio gerado no aumento de capital da TDBH em 2002, observando que seu valor repercutiu na determinação do "novo ágio" registrado na DABR em 2006 e, por consequência, ainda que indiretamente, também reduziu as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do fiscalizado a partir de 2008 por meio de suas amortizações. Reiterando tratarse de operação intragrupo, a autoridade lançadora acrescenta que: 163. Cabe aqui uma consideração adicional acerca do preço de emissão das ações da TDBH. Em um fragmento de sua resposta datada de 17/09/2013 (Doc. 182), o fiscalizado informa que "A relação de troca da operação de aumento de capital foi realizada a valor de mercado e precificada através da cotação média da TDBH no momento da operação, que refletia o valor da rentabilidade futura a (sic) da sociedade". Notese que o capital social da TDBH foi aumentado, grosso modo, de R$ 207 milhões para R$ 702 milhões (v. parágrafo 25). Diante de um aumento tão expressivo do capital social da companhia, não se pode afiançar que essas ações recémemitidas seriam realmente "absorvidas" pelo mercado — aqui assumido como aquele composto por investidores independentes e conhecedores do negócio — pelo preço que aquelas até então em circulação alcançavam. Apenas uma "validação efetiva" por um terceiro independente poderia dotar o preço estipulado da necessária confiabilidade que é exigida para um hígido reconhecimento. 164. É certo, ainda, que os recursos utilizados para o aumento de capital da TDBH provieram de sociedade estrangeira do grupo Telefônica e foram dirigidos a uma outra sociedade também do grupo residente no Brasil, como pode ser assim sequencialmente resumido: a) pela 5ª Alteração do Contrato Social da DABR (Doc. 317), datada de 26/06/2001, a Telefônica Datacorp aumentou o capital social da DABR em R$ 498.112.400.00: => b) Por sua vez, tais recursos foram utilizados pela DABR para realizar o AFAC na TDBH ainda em 2001: => c) o AFAC foi convertido em subscrição de capital em 2002; => d) a DABR reconheceu um ágio de R$ 132.201.536.30 em função dessa subscrição. 165. Notese. pois, que apenas em função dessa verdadeira "transferência" de recursos de uma empresa para outra do mesmo grupo, foi reconhecido em 2002 na DABR um ágio da ordem de R$ 132 milhões, que em 2006 compôs o "Agio Contábil DABR", que por sua vez passou a ser tributariamente amortizado a partir de 2008. É inegável, portanto, que a mera "circulação" dos recursos entre empresas do grupo econômico gerou um deletério e ilegal efeito nos resultados fiscais da Telefônica a partir de 2008. Fl. 13107DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 21 20 [...] 167. A única singularidade da operação aqui examinada que a distingue daquela investigada anteriormente reside no fato de ter ocorrido um suposto desembolso de recursos pelo precitado ágio. Entretanto, o fato de a DABR ter realizado o desembolso de um montante superior ao valor patrimonial das ações adquiridas da TDBH não afasta as considerações antes expendidas acerca da ilicitude da amortização do ágio intragrupo gerado na operação. A existência de eventual pagamento/desembolso para justificar o surgimento de um alegado ágio em uma transação entre partes sujeitas a controle comum não abala a impossibilidade do reconhecimento fiscal do ágio intragrupo daí gerado, tampouco modifica as consequências tributárias advindas de sua posterior e ilícita amortização. A despeito do desembolso realizado, remanesce a inobservância de um requisito fundamental e imprescindível para o reconhecimento do ágio, qual seja, a independência entre as partes da operação, da qual resultaria a confiabilidade de sua mensuração. 168.Admitir que o ágio intragrupo em relação ao qual tivesse ocorrido um suposto pagamento fosse passível de reconhecimento — e que seus encargos de amortização, atendidas as demais condições legais, fossem tributariamente dedutíveis — implicaria acatar que um grupo empresarial detentor de disponibilidade financeira ou que desejasse realocar seus recursos entre as sociedades que o constituem pudesse furtivamente tramar operações entre as próprias pessoas jurídicas do grupo, de forma que daí emergissem"ágios" cujas amortizações reduzissem seus resultados tributáveis. Isso significaria consentir que um grupo econômico pudesse enganosamente "criar" despesas capazes de reduzir as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL de suas sociedades ao simplesmente transferir recursos de uma de suas empresas para outra (tal qual na situação em comento). Fechar os olhos para isso significaria tolerar, figurativamente, que a saída de dinheiro de um bolso para outro de uma mesma calça implicasse o reconhecimento de um custo que diminuísse a carga tributária de seu dono. 169. Notese que ainda que os recursos recebidos da DABR tenham sido utilizados pela TDBH para investir em uma outra empresa externa ao grupo, o que aqui se refutam são os efeitos fiscais do suposto ágio gerado na mera transferência desses recursos (por meio de aumento de capital) de uma empresa (DABR) a outra (TDBH) do grupo Telefônica justamente para adquirir o investimento naquela outra sociedade antes consolada por um terceiro independente. Essa "transferência interna" de recursos não pode licitamente gerar um ágio a ser aproveitado para efeitos fiscais por uma sociedade desse grupo investidor. Subsidiariamente a autoridade lançadora ainda observa que não foi apresentado do laudo de avaliação que daria suporte ao ágio contabilizado em 2002 na DABR e comprovaria seu fundamento econômico. Considerando que seu valor foi levado em conta no cálculo do "novo ágio" registrado em 2006 e, por consequência, na determinação do Ágio Contábil DABR", restaria desatendido o art. 385, §3º do RIR/99, impedindo sua correspondente amortização fiscal a partir de 2008. Abordando o denominado "Ágio Extracontábil DABR", adicionado por ocasião das amortizações contábeis registradas pela DABR a partir de 2002 e transferido para a parte B do LALUR da fiscalizada por ocasião da incorporação da DABR, quando esta sociedade foi incorporada, sendo a partir daí submetido a amortização fiscal pela autuada, a Fiscalização aduz: Fl. 13108DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 22 21 178. Em face do que já se discorreu tanto acerca do ágio registrado em 2002 na DABR em decorrência do aumento de capital na TDBH quanto sobre o intitulado "novo ágio" gerado em 2006 em função da incorporação da TDBH pela TELESP, mostrase desnecessário aqui tecer maiores observações quanto à indedutibilidade tributária das amortizações extracontábeis do "Ágio Extracontábil DABR". Haja vista que tal ágio registrado no Lalur é composto de parcelas do ágio gerado em 2002 e do "novo ágio" gerado em 2006, e uma vez que já foram apresentadas todas as razões que justificam a indedutibilidade das amortizações de ambos os ágios, é consequência direta que as amortizações tributárias sob exame tampouco encontram respaldo no ordenamento jurídico (para tanto, remetese aos subitens 5.1.1 e 5.1.2). As parcelas glosadas representaram R$ 12.220.443,40 no anocalendário 2008 e R$ 48.881.773,62 nos anoscalendário 2009 a 2012. Os créditos tributários apurados foram acrescidos de multa qualificada no percentual de 150%, na medida em que as operações e circunstâncias destacadas na acusação fiscal denotam a clara intenção do sujeito passivo de ilegalmente "criar despesas" que reduzissem seus resultados fiscais. Manipulando os valores das operações, o grupo Telefônica verdadeiramente reavaliou investimentos e posteriormente se valeu desse artifício para reduzir sua carga tributária por meio de amortizações fiscais. É certo, ainda, que foram compactuadas operações entre pessoas jurídicas do grupo Telefônica, tendo por objetivo a diminuição da carga fiscal. Além de reiterar as peculiaridades da transferência de recursos promovida em 2002, o agente fiscal destaca que: 186. Notese que os recursos utilizados para o aumento de capital da TDBH foram inicialmente capitalizados pela Telefônica Datacorp na DABR (v. parágrafo 164). Ora, em sendo a Telefônica Datacorp uma subsidiária integral da Telefônica S/A (v. parágrafo 41) e a DABR uma sociedade cujas quotas eram quase que exclusivamente de propriedade da Telefônica Datacorp (v. parágrafo 40). por qual razão os recursos já não foram diretamente aplicados do exterior na TDBH, ainda que utilizado o mesmo preço de emissão das ações fixado na operação realizada? A explicação convincente que daí se extrai é uma só: se as operações societárias tivessem sido assim planejadas, o suposto ágio teria sido contabilizado em sociedade residente no exterior e não poderia ser tributariamente amortizado no Brasil (a não ser que fosse arquitetada uma outra manobra societária para ilicitamente "internalizálo"). Por esta razão manifestamente tributária, os recursos foram inicialmente aplicados em uma pessoa jurídica residente no Brasil (DABR), que em seguida aumentou o capital de uma outra pessoa jurídica residente no Brasil (TDBH), tendo o pretenso ágio então sido registrado já no Brasil. Consequentemente, o grupo poderia então desencadear operações visando à (ilegal) redução da carga tributária de sua lucrativa sociedade. Observa que o grupo Telefônica decidiu a relação de substituição de ações por ocasião da incorporação da TDBH pela TELESP em 2006, e isto com base em avaliações produzidas por empresas contratada conjuntamente por essas duas sociedades. E aduz que o fiscalizado tinha a perfeita consciência da ilicitude de registro do ágio gerado internamente, porque salvaguardou o direito dos acionistas, preservando o fluxo de dividendos, restando aos demais indivíduos um montante tributário menor do que lhes era devido. O fiscal autuante reforça a qualificação da penalidade por meio da apresentação cronológica das operações arquitetadas, e conclui que a partir da incorporação de uma companhia que havia sido justamente criada da cisão parcial do próprio fiscalizado Fl. 13109DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 23 22 (incorporador), registrouse um suposto ágio e a partir daí foram desencadeadas operações envolvendo sociedades sob o controle do próprio grupo Telefônica, culminando com a amortização tributária desse ágio. Impugnando a exigência, a contribuinte arguiu a decadência do direito de o Fisco questionar ágio registrado no anocalendário 2006; defendeu que a lei autorizava a amortização do ágio mesmo que gerado em operações realizadas entre empresas que estejam sob controle comum; observou que a cada aquisição surge novo ágio, sendo que os valores amortizados estão sustentados por avaliação econômica elaborada por NM Rothschild & Sons (Brasil) Ltda; opôsse à aplicação do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007 e às referências ao art. 36 da Lei nº 10.637/2002; invocou o conceito de entidade; e defendeu a legitimidade das operações em razão de suas motivações econômicas e negociais. Questionou, também, os reflexos da amortização do ágio na apuração da CSLL; afirmou indevida a qualificação da penalidade; e classificou de ilegal a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTRAGRUPO. INDEDUTIBILIDADE. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura apurado em decorrência de aquisição de empresa do mesmo grupo societário. DECADÊNCIA. PRAZO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO Na hipótese de lançamento por homologação, inexistindo disposição legal diversa à do CTN e ocorrendo a antecipação do pagamento sem prévio exame do Fisco, a decadência de a Fazenda Pública efetuar o lançamento operase após cinco anos, contados do fato gerador, sem que aquela tenha se pronunciado. Inexistindo antecipação do pagamento, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Como os fatos retratados não deixam dúvida da intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, operações intragrupo, reduzir a base de incidência de tributos, cabe manter a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Fl. 13110DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 24 23 Cientificada da decisão de primeira instância em 02/07/2014 (fl. 12697), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 31/07/2014 (fls. 12700/12778), no qual assim sintetiza suas conclusões e pedido: 284. Em face de todas as considerações precedentes, podese concluir que a presente autuação deve integralmente cancelada em razão dos seguintes fundamentos: (i) O Auto de Infração tem por objeto período já atingido pela decadência, já que no ano de 2013 não caberia mais às autoridades fiscais requalificar a operação societária realizada em 2006; (ii) Inexistiu a fabricação de riqueza artificial dentro do mesmo grupo econômico considerando, sobretudo, que as operações envolveram: (i) investimento de recursos; (ii) pessoas jurídicas com objetivos, divisões de responsabilidade e de gestão distintas; (iii) acionistas minoritários sem qualquer relação com o Grupo Telefônica; e, ainda, (iv) companhias de capital aberto (TDBH e Telesp) que estavam necessariamente sujeitas às regras da Lei das S/A e da CVM, devendo, portanto, observar as condições de mercado nas operações societárias ocorridas, de modo a preservar os interesses dos seus acionistas; bem como (v) operações economicamente justificadas e documentadas (iii) O ágio amortizado pela Recorrente estava integralmente respaldado no laudo de avaliação elaborado pela NM Rothschild & Sons (Brasil) Ltda., com base na metodologia do fluxo de caixa descontado; (iv) Inexistia à época dos fatos qualquer vedação legal expressa quanto à dedutibilidade de valores de ágios registrados em operações com sociedades do mesmo grupo econômico. Essa restrição apenas adveio com a edição da MP 627, convertida na Lei n° 12.973, que trouxe limitações ao reconhecimento e amortização do chamado "ágio intragrupo", confirmando a inexistência de qualquer base legal para o presente lançamento que viola frontalmente o princípio da legalidade e da tipicidade cerrada; (v) As normas contábeis indicadas pela autoridade lançadora não se aplicam ao caso, como é o caso do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007 que diz respeito exclusivamente às operações específicas de "reavaliação espontânea" de sociedades controladas ou coligadas, usuais na vigência do hoje revogado artigo 36 da Lei n° 10.637, dispositivo que também não tem qualquer aplicação ao caso presente; (vi) As pessoas jurídicas são tratadas como entidades autônomas e individualizadas pela legislação fiscal e societária brasileira, gozando de identidade distinta em relação aos seus acionistas, quotistas ou em relação a outras pessoas jurídicas que estejam sob controle comum; (vii) Inexistia dispositivo legal à época dos fatos que impeça a dedutibilidade do ágio da base de cálculo da CSLL, tampouco qualquer norma que estendesse a essa contribuição às disposições relativas ao IRPJ, motivo pelo qual não há qualquer óbice ou limitação quanto à amortização do ágio para a CSLL; (viii) A decisão da DRJ defende o caráter interpretativo da MP 627 e da Lei n°12.973 e a possibilidade de sua aplicação retroativa, mantendo, no entanto a imposição da multa de ofício em flagrante violação ao artigo 106, inciso I do CTN; (ix) O Auto de Infração aplicou a multa majorada de 150% indevidamente, já que em momento algum se demonstrou a prática de fraude, dolo ou simulação nas operações que foram aprovadas, inclusive, pela ANATEL e pela CVM, órgãos da administração pública federal, sendo todos os atos praticados às claras, exatamente dentro do permitido pela legislação vigente. Fl. 13111DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 25 24 (x) Finalmente, deve ser cancelada a cobrança dos juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício lançada no Auto de Infração. 285. Nesse sentido, requerse a esse E. CARF que sejam acolhidas as razões aqui expostas, que levarão à reforma integral da decisão da DRJ ora recorrida e a consequente decretação da improcedência do presente Auto de Infração, extinguindose os créditos tributários de IRPJ e de CSLL exigidos e arquivandose o respectivo processo administrativo. 286. A Recorrente protesta ainda pela posterior juntada de quaisquer documentos e pela sustentação oral do presente recurso, nos termos do Regimento Interno desse E. CARF, requerendo que todas as intimações relativas ao presente processo administrativo sejam feitas aos cuidados do DRA. RAQUEL NOVAIS, com escritório à Av. Brigadeiro Faria Lima, n° 3.144, 11° andar, 01451000, São Paulo, SP, enviando de tudo cópia à Recorrente no endereço constante dos autos. Ao expor, inicialmente, breve resumo da autuação e da decisão da DRJ, a recorrente frisa que o ponto central em discussão no presente processo administrativo referese à equivocada premissa adotada pela autoridade lançadora de que a Recorrente e demais sociedades do Grupo Telefônica teriam realizado operações societárias com a suposta manipulação de valores, tendo como propósito único "criar despesas" que reduzissem os resultados fiscais, e aduz ter demonstrado que havia um conjunto de razões de caráter econômico, comercial, societário e financeiro que justificaram a realização dos atos e negócios jurídicos tal qual implementados, de modo que o reconhecimento do ágio foi mera consequência dessas operações, todas elas realizadas segundo valores de mercado e envolvendo efetivo desembolso financeiro, classificando de arbitrário o lançamento. Por sua vez, os Julgadores de primeira instância indicam que as operações societárias que "deram origem a um suposto ágio teriam ocorrido no exterior", suscitando discussões com relação a eventual ofensa ao artigo 17 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decretolei n° 4.567/42), o que nada tem que ver com o caso em debate. Além disto argumentam que as operações não teriam ocorrido sob condições de mercado, desconsiderando todo o conjunto probatório da realização dessas operações em absoluta condição de mercado, com laudos de avaliação, fiscalização da CVM, e todas as circunstâncias demonstradas e provadas na impugnação. Entende, assim, evidente que os motivos pelos quais o Auto de Infração foi mantido pela DRJ estão descolados da realidade dos fatos que integram o presente processo administrativo, o que fulmina a decisão recorrida por ausência de motivação. De toda sorte, a exemplo da autoridade lançadora, a decisão da DRJ também não colocou em dúvida a validade jurídica das operações realizadas, procurandose tão somente sustentar a impossibilidade de tais operações serem opostas ao Fisco, sem qualquer critério legítimo e ao arrepio do ordenamento jurídico, sendo descabidas as acusações com relação à suposta ilegitimidade do denominado "ágio intragrupo", totalmente destoantes da realidade fática do caso concreto. Reitera, assim, o contexto das operações promovidas ao longo de quase uma década pela Recorrente e demais sociedades do Grupo Telefônica e acionistas minoritários (terceiros não relacionados ao Grupo Telefônica), asseverando que no ano 2000 o Grupo Telefônica, em razão de estudos de mercado e de modelo de negócios, decidiu segregar em diferentes pessoas jurídicas as atividades de telefonia, comunicação multimídia e de rede comutada por pacote. Foi criada, assim, a Telefônica Empresas S/A (TEMPRESAS), que recebeu os ativos relacionados ao serviço de dados, mantendo na TELESP os serviços da Fl. 13112DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 26 25 atividade principal de telefonia. Na sequência, em 30/01/2001 foi criada a TDBH mediante cisão da TELESP, sendolhe transferidas as ações da TEMPRESAS. O capital da TDBH também foi aberto, por imposição da lei societária. Em junho/2001, com recursos aportados por empresas do Grupo Telefônica (DABR) e demais acionistas, a TDBH adquiriu participação societária em Figueira Administração e Participações S/A (FIGUEIRA), empresa antes controlada pelo Banco Itaú S/A e detentora de ativos relacionados com a prestação de serviços de dados desse banco. O aporte de DABR foi inicialmente promovido por meio de adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC), convertido em aumento de capital em 26/02/2002, em razão do que a DABR passou a deter 53,90% do capital votante de TDBH. Ressalta que como TDBH já era uma sociedade anônima de capital aberto, o preço de emissão das ações no evento de aumento de capital acima referido foi estabelecido com base no valor de mercado das ações da TDBH, calculado a partir da média ponderada das cotações dos últimos 20 pregões da BOVESPA imediatamente anteriores a 22/02/2002, conforme exigência do art. 170, §1°, inciso II, da Lei das S/A (sic)1. Frente a tais circunstâncias, a DABR registrou ágio de R$ 132.201.536,30, inexistindo qualquer "manipulação" no preço de emissão das ações da TDBH subscritas pela DABR, mas sim um operação em estritas condições de mercado, com observância da legislação que visa evitar a diluição injustificada dos antigos acionistas. Até porque as ações da TELESP e da TDBH não eram apenas negociadas na BOVESPA, mas também nas bolsas de valores dos Estados Unidos da América, por meio de American Depositary Receipts ("ADRs"), o que exigia dessas companhias os mais elevados índices de transparência e idoneidade nas informações divulgadas ao mercado sobre o desempenho de suas operações. Em 2006, consoante refletido em seu Relatório Anual, o Grupo Telefônica iniciou outra grande reorganização de suas atividades igualmente em nível mundial, agora buscando a integração de suas linhas de negócios e a divisão do Grupo em três grandes regiões geográficas de atuação. Neste contexto e tendo em conta as deliberações dos Conselhos de Administração das empresas envolvidas, bem como a mudança no perfil dos concorrentes, as sociedades decidiriam a reunificação da TDBH e da TELESP, mediante incorporação daquela por esta. A recorrente relata os benefícios desta reestruturação e a ela associa a cisão parcial de TEMPRESAS, com transferência para a TELESP dos ativos e atividades relacionados aos serviços de multimídia nas regiões em que tais serviços já eram prestados pela TELESP, descrevendo na sequência que: 46. Por se tratar de empresas de capital aberto sujeitas a controle comum e com acionistas minoritários, a Lei das S.A. impunha que a relação de troca a ser observada na incorporação da TDBH pela Telesp observasse, obrigatoriamente, o valor de mercado das duas sociedades (artigo 264, §4° da Lei das S/A14). Em vista dessa exigência, a renomada assessoria financeira NM Rothschild & Sons (Brasil) Ltda. ("Rothschild") elaborou laudo de avaliação econômica da Telesp e da TDBH, o qual se valeu do critério do fluxo de caixa descontado15. 47. Com base nesse documento, estabeleceuse que os acionistas da TDBH receberiam (i) 1 ação ordinária da Telesp para cada grupo de 75.389 ações ordinárias da TDBH, (ii) 1 ação preferencial para cada grupo de 75.389 ações preferenciais da TDBH e (iii) 1 ADS da Telesp para cada grupo de 1,550778 ADS da TDBH (docs. 05 e 06). 1 A recorrente indica o inciso II em seu texto, mas em nota de rodapé transcreve o disposto no inciso III do §1º do art. 170 da Lei das S/A. Fl. 13113DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 27 26 48. Alguns acionistas minoritários, representados pela HedgingGriffo Corretora de Valores SA. ("HedgingGriffo"'). insurgiramse contra a relação de substituição de ações aprovada pela Assembleia Geral das sociedades e protocolaram reclamação junto à CVM. No entanto, ao analisar o pleito da HedgingGriffo, a CVM decidiu que inexistiam quaisquer irregularidades na operação e a chancelou tal qual realizada, não encontrando fundamentos na reclamação formulada pelos minoritários16 (doc. 07). 49. Essa reestruturação também foi submetida à análise da ANATEL17 por meio do processo n° 53500.006897/2006, cujo Conselho Diretor do órgão decidiu pela total validade da operação, autorizando, destarte, a incorporação da TDBH pela Telesp18. 50. Com a extinção da TDBH em razão da incorporação pela Telesp, a DABR deu baixa no investimento detido na TDBH e registrou um novo investimento na sucessora, ou seja, a aquisição das ações da Telesp, valendose do mesmo valor contábil que outrora estava vinculado ao investimento na TDBH. O percentual de participação da DABR na Telesp era de 1,50601376502%. 51. Em atenção ao comando do artigo 385 do RIR, a DABR desdobrou o custo de aquisição do investimento na Telesp em valor de patrimônio líquido e ágio, que restou registrado para fins contábeis nos seguintes termos: (i) valor de patrimônio líquido da Telesp: R$ 163.991.697,44; e (ii) ágio inicial no valor de R$ 248.950.100,54. A recorrente explicita os ajustes contábeis decorrentes de dividendos e juros sobre o capital próprio deliberados antes da operação de incorporação, bem como sua interpretação do art. 426 do RIR/99 para justificar que o ágio registrado pela DABR representou R$ 244.408.868,38 e reiterar que em razão do laudo de avaliação emitido, todo o ágio revelouse fundamentado na expectativa de rentabilidade futura do investimento na TELESP. Por fim, em 21/10/2008 deliberouse a simplificação da estrutura societária do Grupo no Brasil, mediante incorporação da DABR e da Telefônica Televisão Participações S/A (TTP) pela TELESP. A recorrente destaca que DABR era uma sociedade holding constituída em 1999 por ocasião da necessidade de estabelecer uma linha de negócios de telecomunicações com enfoque no mercado corporativo, bem como para fins de atender requisitos regulatórios impostos à época, e seu principal investimento era a participação societária na TDBH adquirida com subscrição em dinheiro, sendo que a TDBH deixou de existir em 2006 pela operação de incorporação desta empresa pela Telesp no contexto da integração dos Serviços de Telefonia, Dados e Multimídia, remanescendo a DABR entre 2006 e 2008 sem outras atividades operacionais ou perspectivas de novos investimentos que pudessem justificar a manutenção de sua existência, de modo que sua incorporação pela TELESP permitiria o aumento de sinergias por esta última empresa, a redução do risco gerencial, simplificação da estrutura administrativa, bem como redução de custos. Além disso: 59. A aprovação dessa reestruturação implicou o seguinte: (i) extinção da DABR; (ii) sucessão pela Telesp de todos os direitos e obrigações da DABR; (iii) o capital social da Telesp detido pela DABR foi diretamente atribuído ao acionista controlador da DABR, SP Telecomunicações Participações Ltda., em substituição à sua participação societária na DABR, ficando mantidos os mesmos direitos das ações de emissão da Telesp; (iv) aumento de capital na Telesp, sem emissão de novas ações; (v) o acervo líquido total da DABR, contendo a parcela correspondente ao ágio e investimento na Telesp, foi transferido para esta empresa. Fl. 13114DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 28 27 60. O valor total do ágio transferido à Telesp, antes registrado na contabilidade e no Livro de Apuração do Lucro Real ("LALUR") da DABR, foi de R$ 244.408.868,38. Esse valor contemplava todo o custo de aquisição do investimento detido pela DABR na extinta TDBH, nos termos dos artigos 426 e 385 do RIR acima referidos. A partir da incorporação da DABR, a Recorrente passou a amortizar esse ágio para fins fiscais, exatamente como autorizado pela legislação de regência. Frente a este relato, conclui preliminarmente pela fragilidade da decisão da DRJ que indica que as operações societárias que "deram origem a um suposto ágio teriam ocorrido no exterior", e entende demonstrado que as operações acima descritas não foram impulsionadas por objetivos fiscais, nem envolveram uma reestruturação sem qualquer objetivo negocial com vistas a unicamente à "criação de despesas que reduzissem seus resultados fiscais ". Os efeitos tributários foram uma decorrência natural dos atos jurídicos praticados. Observa que: 66.O "filme" descrito no Auto de Infração e na decisão da DRJ possui cortes e edições de cenas relevantes, focando em cenas selecionadas e desconsiderando todo o entorno negocial presente nas operações. A postura adotada pelo agente fiscal se encaixa perfeitamente a uma memorável frase de Orson Welles, que afirmou: "Se você quer um final feliz, depende de onde irá parar a história". Manifesta sua inconformidade com a acusação fiscal de que a recorrente teria manipulado valores para permitir o surgimento de um ágio apenas quatro anos depois, e que seria passível de amortização seis anos à frente. Contudo, as transações foram pautadas em estritas condições de mercado, já que se tratava de empresas de capital aberto, fiscalizadas por autoridades brasileiras e norteamericanas. Em tais condições, qualquer desvio implicaria a responsabilização pessoal dos administradores das sociedades, além de sanções administrativas e penais, haja vista que a eles a Lei das S/A impõe diversos deveres fiduciários (artigos 153 a 160 e Parecer de Orientação CVM n° 35/200820). Logo, qualquer acusação sobre manipulação de dados ou ausência de condições equitativas de mercado não pode prescindir de um enfrentamento dos documentos apresentados e da desconstituição de seu conteúdo com fundamentos de igual idoneidade. E, embora entenda que tais razões são suficientes para demonstrar a improcedência do lançamento, tendo em conta o princípio da eventualidade, argúi, também, a decadência do direito de questionar a formação do ágio em 2006, observando que o Código Tributário Nacional ("CTN") não apresenta qualquer norma relativa ao prazo decadencial de atos constitutivos delegados ao contribuinte, mas a predominância dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação demanda critérios de controle dos atos de constituição de lançamentos tributários por parte do Fisco, pois não pode o contribuinte ficar à mercê da Fiscalização por um período indeterminado quanto a fatos que lhe dão origem por longo prazo. Defende, assim, que o termo inicial do prazo decadencial seja contado a partir da ocorrência do fato que obrigou o contribuinte a interpretar a legislação tributária e a adotar os procedimentos necessários ao fornecimento de documentos contábeis e fiscais, contexto no qual o termo final para o questionamento do ágio registrado pela recorrente seria 2011. Entende que o fato de as glosas afetarem a apuração do lucro de 2008 a 2012 não infirma seu entendimento, pois: 85. Fosse isso possível em relação a procedimentos de lançamentos realizados há aproximadamente 8 anos (marco inicial dos fatos geradores ora discutidos), o que impediria a Administração de se julgar na prerrogativa de rever atividade de Fl. 13115DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 29 28 lançamento já homologada, expressa ou tacitamente, em períodos de 15, 20 ou 30 anos? Ou se está diante de um dispositivo (artigo 150, § 4o do CTN) que busca dar eficácia ao princípio da segurança jurídica ou que não é suficiente para prevenir a completa instabilidade das relações jurídicas entre o contribuinte e o Fisco. Certamente, o objetivo do legislador complementar foi o de preservar a segurança jurídica na relação entre Administração e contribuintes. 86. A homologação tácita do ágio registrado em 2006 alcança, por certo, os procedimentos relacionados à apuração da base de cálculo dos respectivos exercícios, o que inclui necessariamente os fatos ocorridos e as informações prestadas relacionadas à dedução das despesas de ágio na apuração do lucro real. Homologar o lançamento e manter a prerrogativa de revisálo indefinidamente em todos os seus termos é negar eficácia à regra disposta no artigo 150, §4° do CTN. [...] Cita doutrina e jurisprudência em favor de seu entendimento e pede o cancelamento integral da exigência. Passando ao mérito, discorre sobre a apuração e o tratamento fiscal do ágio nas aquisições de investimentos, abordando conceitos e os atos legais que regem a matéria para argumentar que: 98. De seu próprio conceito deriva a conclusão de que o ágio somente pode surgir quando ocorrer aquisição de participação societária. Mais ainda, considerando que os dispositivos aplicáveis não trazem qualquer restrição à modalidade de aquisição da participação societária que daria ensejo ao registro do ágio, devese entender que a aquisição mencionada pelo artigo 385 do RIR não abrange apenas as operações de compra e venda de participação societária, mas engloba quaisquer outras transações que resultem na aquisição de investimento em pessoa jurídica por outra, como as operações de troca, em que uma sociedade recebe novas ações de nova sociedade, em substituição do investimento extinto por incorporação de uma sociedade por outra, ou as situações em que determinada sociedade recebe recursos em subscrição de capital. 99. A legislação aplicável não traz qualquer outro requisito além daqueles acima referidos. Inexiste qualquer restrição quanto às partes envolvidas na operação que levou à aquisição da participação societária, de modo que a lei autoriza a amortização do ágio mesmo se gerado em operações realizadas entre empresas que estejam sob controle comum, obviamente desde que observados os demais requisitos legais e desde que suportado em operações reais e efetivas operadas em condições estritas de mercado e assim documentadas, exatamente como ocorreu no caso presente. 110. Assim é que a incorporação de determinada sociedade representará, para seus acionistas, a alienação do investimento então detido na sociedade incorporada e a aquisição de novo investimento na sociedade incorporadora. Nessas situações, o investimento registrado na pessoa jurídica incorporada (acompanhado de eventual ágio) é integralmente baixado contabilmente na pessoa jurídica investidora. 101. Passo seguinte, a pessoa jurídica investidora deverá comparar o custo de aquisição que detinha em relação à pessoa jurídica incorporada com o valor de patrimônio líquido da sociedade incorporadora e, sendo aquele superior a este, nova equivalência patrimonial deverá ser realizada e novo ágio deverá ser registrado, nos exatos termos em que determinado pelo artigo 385 do RIR. Enfatiza que a cada aquisição de participação societária surgirá um novo ágio, que deve cumprir todos os requisitos previsto em lei, seja quanto à escrituração, seja Fl. 13116DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 30 29 quanto à justificação, sendo que assim procedeu a contribuinte, inclusive segundo a linha de entendimento deste Conselho, exposta no Acórdão nº 110100.354 (caso Vivo). Por sua vez, a autoridade lançadora não assimilou que a incorporação da TDBH pela Telesp implicou a baixa do investimento na sociedade incorporada (TDBH) e o registro de novo investimento na incorporadora (Telesp), com o devido desdobramento do custo de aquisição em valor de patrimônio líquido e ágio, conforme exigido pelo artigo 385 do RIR. Assim, todo o valor de R$ 244.408.868,38 corresponde ao ágio gerado na aquisição do investimento na Telesp, por ocasião da extinção da TDBH. Embora este ágio tenha relação com aquele registrado pela DABR em 2002, eles não se confundem, porque o investimento na TDBH foi integralmente baixado em 2006. Aliás, seria apenas nesta parte que o ágio amortizado não teria fundamento em rentabilidade futura, no entender da autoridade lançadora. Na sequência, demonstra detalhadamente a composição do ágio amortizado e conclui que o ágio em questão foi gerado e posteriormente amortizado de acordo com a correta e racional aplicação da legislação tributária. Não cabe, portanto, à autoridade lançadora pretender lançar quaisquer dúvidas sobre a sua legitimidade, sobretudo com base em premissas equivocadas como as que motivaram a lavratura do Auto de Infração e a sua manutenção pela decisão da DRJ. Prossegue reiterando a inexistência de vedação legal ao reconhecimento e aproveitamento do ágio gerado em operações entre sociedades relacionadas e afirmando que ao invocar a vedação de amortização do denominado "ágio intragrupo", a autoridade lançadora extrai conceitos que não existem na lei, em flagrante violação às mais basilares regras da hermenêutica, que impõem que o intérprete mantenhase fiel à prescrição legal sem dela distanciarse para extrairlhe comandos que extrapolam o conteúdo da lei. Defende que basta a unificação do patrimônio da investida e da investidora, como ocorreu no caso, recorda que o Poder Legislativo expressamente rejeitou a possibilidade de revogação da lei que autoriza a amortização do ágio para fins fiscais, e cita julgados administrativos que corrigem os exageros que vêm sendo perpetrados na interpretação da autorização legal em referência. Afirma, ainda, a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei nº 12.973/2014, a qual positivou a restrição que a autoridade lançadora pretendeu impor no caso presente. Entende que tais operações sempre foram permitidas até o advento da MP 627. Pretender o contrário seria admitir que a letra da MP 627 e da Lei n° 12.973 revelarseia inócua ou morta, o que seria absurdo. E se opõe à decisão recorrida aduzindo que: 137. Ao defender que a MP 627 não teria trazido qualquer inovação ao ordenamento, mas apenas teve por objetivo esclarecer dúvidas acerca da interpretação das normas até então vigentes relativas ao registro e amortização fiscal do ágio, busca a sua aplicação retroativa, ao mesmo tempo em que aplica o artigo 106, I "pelas metades", pois ainda assim, mantém a multa de oficio e majorada. 138. Falarse em lei interpretativa quando ela traz claro conteúdo novo, no entanto, é burlar o princípio da irretroatividade das normas. Compara tais circunstâncias com a análise do Superior Tribunal de Justiça acerca da Lei Complementar nº 118/2005 e faz referências a manifestações do Supremo Tribunal Federal acerca do tema, bem como a manifestação da 2ª Turma da CSRF acerca dos requisitos da lei interpretativa, e conclui que: Fl. 13117DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 31 30 142. Ou seja, os seguintes requisitos devem ser observados para que uma lei possa ser considerada interpretativa: (i) o caráter interpretativo deve estar expresso;(ii) existência de lei anterior disciplinando a materia tratada na lei interpretativa, que deveindicar a lei anterior que está sendo interpretada; e (iii) existência de dúvida quanto aosentido de uma lei anterior. 143.Ora, nenhum desses requisitos constam na MP 627 ou na Lei n°12.973. Inexiste no texto desses diplomas legais quaisquer ressalvas ou sequer indícios de que se revestiriam de caráter interpretativo. Tratase, isso sim, de normas claramente modificativas, que inovam criando inéditos requisitos para que a dedutibilidade do ágio seja permitida. 144. Até o advento da MP 627, o tema não havia recebido tratamento legislativo específico, com exceção dos artigos 385 e 386 do RIR, que incorporam o disposto no artigo 20 do Decretolei n° 1.598, de conteúdo muito claro e sem qualquer vedação ao aproveitamento fiscal do ágio gerado nas chamadas operações "intragrupo". Ora, resta evidente que caso fosse clara a proibição legal do referido aproveitamento, não haveria necessidade de edição da MP 627 neste sentido. Assim, a glosa se deu sem qualquer fundamento legal, e ofende os princípios da legalidade e da tipicidade. Cita julgado administrativo acerca dos efeitos da Medida Provisória nº 627, observa que situações de abuso devem ser combatidas e consideradas inválidas independentemente da existência de restrições legais específicas, mas as operações sob análise foram realizadas em estrita observância dos parâmetros de mercado, seguindo os comandos da Lei das S/A, de modo que o valor atribuído às ações da TDBH está amparado em estudos econômicos realizados por empresa especializada (doc. 05). Esse valor, como já mencionado, foi inclusive chancelado pelas autoridades regulatórias competentes (doc. 07). Opõese, também, às referências contidas na decisão da DRJ à Resolução CFC n° 1.157/09 e o OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007, dado tratarse de normas posteriores aos fatos ocorridos em 2006. Aduz que: 157. Conforme demonstrado pela Recorrente na sua impugnação, não havia na época dos fatos em exame nenhuma regra expressa de cunho contábil que proibisse a Recorrente de registrar o ágio ora questionado. 158. Para fins contábeis, as regras relativas ao registro do ágio somente foram alteradas com a edição da Resolução CFC n° 1.157/09 e com a emissão do Pronunciamento Técnico CPC 15 (Combinação de Negócios), dando continuidade ao conhecido processo de convergência da contabilidade brasileira aos padrões do Internacional Financial Reporting Standards ("IFRS"), iniciado pela Lei n° 11.638/2007. 159. Assim, para fins jurídicofiscais, como já mencionado, essas regras somente serão alteradas com a entrada em vigor da Lei n° 12.973, ainda assim em relação a participações societárias adquiridas a partir de 2015. Não obstante, por expressa determinação do artigo 16 da Lei n° 11.941/2007 , que criou o Regime Tributário de Transição ("RTT"), para fins fiscais deveriam ser observadas as normas contábeis vigentes em 31/12/2007. Observa que o OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007 diz respeito exclusivamente a operações específicas de "reavaliação espontânea" de sociedades controladas ou coligadas, usuais na vigência do hoje revogado artigo 36 da Lei n° 10.637/02, dispositivo que também não tem qualquer aplicação ao caso presente, mas reportase a julgados que reconhecem a plena independência entre escrituração contábil e fiscal, bem como negam a influência das normas de natureza contábil previstas pela CVM na Fl. 13118DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 32 31 determinação do montante do ágio passível de amortização fiscal. Cita, também, doutrina em favor da análise dos limites, conceitos e legalidade do ágio dentro do campo do Direito, e não da contabilidade, bem como julgados administrativos em favor da amortização de ágio gerado entre partes relacionadas. Deste modo, onde o legislador não restringiu, não cabe ao intérprete fazêlo. De toda sorte, diz que no caso concreto, não se pode alegar que o ágio em exame seja considerado um ágio gerado internamente, porque seu reconhecimento se deu no momento em que a DABR adquiriu investimento na Telesp, por meio da incorporação da TDBH na Telesp, resultando na substituição do seu investimento anterior detido na TDBH, extinta por incorporação. 173. Por sua vez, esse investimento da DABR na TDBH tinha um efetivo custo de aquisição decorrente do pagamento em dinheiro do valor total de R$ 492.746.938,43, calculado em condições negociais de mercado quando da aquisição das 193.339.858.264 ações ordinárias e 381.426.196.190 ações preferenciais da TDBH, evidenciando efetiva circulação de recursos financeiros na operação, não sendo possível aplicar, também por esse motivo, o teor da Resolução CFC n° 1.157/09 e do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007, os quais não guardam pertinência com as particularidades do caso ora em análise. Aborda, então, a individualidade das pessoas jurídicas no sistema jurídico tributário brasileiro, observando que a própria legislação fiscal admite como válida e inclusive determina que partes relacionadas devam negociar em bases comutativas mediante a adoção de valores de mercado, e citando como exemplo a legislação acerca de distribuição disfarçada de lucros, que transfere o ônus da prova ao Fisco quando existir laudo de avaliação evidenciando o efetivo valor de mercado da operação. Ademais, as empresas também estavam obrigadas a negociar em condições estritamente comutativas por serem sociedades de capital aberto. Assim, se a legislação fiscal e o próprio Fisco exigem os tributos incidentes sobre ganhos de capital decorrentes de operações realizadas dentro de um mesmo grupo econômico, também haverá que reconhecer como válido o registro de ágio para o adquirente de participação societária de parte relacionada, desde que respaldado em valores e operações legítimas, como se verifica no caso presente. Indica julgado administrativo neste sentido. Acrescenta que nos termos da Lei das S/A, mesmo que uma sociedade faça parte de um determinado grupo econômico, essa ainda assim deverá levantar balanços de forma individualizada, demonstrando os seus resultados à luz das efetivas operações por ela realizadas. Esses balanços individuais, como se sabe, serão o ponto de partida para o cálculo do lucro real e da base de cálculo da CSLL, conforme determina o artigo 248 do RIR. E aduz que somente em países que consideram o grupo econômico como uma entidade única é compreensível não se aceitar o reconhecimento de ágios gerados em transações realizadas entre empresas integrantes de um mesmo grupo econômico. Entende, assim, que a aplicação, no Brasil, dos conceitos adotados em países como os Estados Unidos da América para o registro do ágio levaria, quando muito, à vedação do direito à reavaliação espontânea de ativos por determinada pessoa jurídica. Jamais à negativa de se reconhecer o registro dos chamados "ágios intragrupo" em transações efetivas, como se pretendeu no caso presente. Transcreve doutrina em apoio a este entendimento e invoca julgados administrativos que reconhecem a individualidade das entidades no ordenamento jurídico brasileiro. Fl. 13119DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 33 32 Extrai da acusação fiscal uma suposta artificialidade em torno do ágio aqui tratado e invoca doutrina acerca da distinção entre o "ágio intragrupo" com causa e aquele sem efetivo substrato econômico, argumentando que: 202. O fato de as sociedades serem ligadas, por si só, não deve ser fator determinante para se sustentar, de forma infundada como feito pela decisão da DRJ, que o ágio gerado em uma transação intragrupo não poderia ser reconhecido, sobretudo, quando todas as operações tenham sido realizadas em condições de mercado, bem como envolvendo partes independentes. 203. No presente caso, nem mesmo se pode afirmar que a operação se deu apenas entre empresas de um mesmo grupo. Assim, diferentemente do sustentado pela decisão da DRJ, não é porque ocorreram operações entre sociedades do Grupo Telefônica, as quais são consideradas como entidades distintas para fins fiscais, que seria injustificável o reconhecimento de ágio quando da aquisição do investimento da DABR na Telesp, decorrente da incorporação da TDBH por esta última empresa. 204. No caso presente inexistiu a fabricação de riqueza artificial dentro do mesmo grupo econômico considerando, sobretudo, que essas operações envolveram: (i) Efetivo investimento de recursos; (ii) Pessoas jurídicas com objetivos, divisões de responsabilidade e de gestão distintas; (iii) Acionistas minoritários sem qualquer relação com o GrupoTelefônica; (iv) Companhias de capital aberto (TDBH e Telesp) que estavam necessariamente sujeitas às regras da Lei das S/A e da CVM,devendo, portanto, observar as condições de mercado nas operações societárias ocorridas, de modo a preservar os interesses dos seus acionistas50; (v) Operações economicamente justificadas e assim documentadas(does. 05, 06 e 07). Aduz que a alegada artimanha de realizar os atos envolvendo sociedades do Grupo Telefônica e terceiros não apresenta qualquer correlação com os efeitos fiscais que deles derivaram. Classifica a ilicitude cogitada de incomprovada e presumida e destaca que todas as reestruturações societárias em exame tiveram a participação de acionistas minoritários (terceiros independentes) e sociedades de capital aberto, as quais devem obedecer a rigorosos índices de transparência e idoneidade. Reitera que na operação de subscrição pela DABR das ações emitidas pela TDBH, o preço de emissão das ações foi determinado com base no critério da média ponderada das cotações dos últimos 20 pregões da BOVESPA imediatamente anteriores a 22 de fevereiro de 2002, nos termos contidos no artigo 170, §1°, inciso II da Lei das S/A. E complementa: 213. Por sua vez, no tocante à incorporação da TDBH pela Telesp ocorrida em 2006, também não há margem para se falar em qualquer irregularidade nos valores obtidos na relação de substituição das ações dessas companhias, os quais foram baseados na avaliação econômicofinanceira elaborada pela Rothschild (doe. 05), instituição renomada e com mais de duzentos anos de existência, cuja idoneidade jamais foi contestada no presente caso. 214. Essa conclusão fica ainda mais evidente ao se verificar que os questionamentos feitos pela HedgingGriffo (na qualidade de representante de diversos acionistas minoritários da TDBH) em face do valor atribuído na relação de troca realizados não foram acolhidos. Nesse contexto, confirase trecho da decisão da CVM no Processo/CVM n° RJ 2006/3388, no sentido expresso de que não foram verificadas Fl. 13120DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 34 33 quaisquer irregularidades na incorporação da TDBH pela Telesp ou ainda nos valores envolvidos na operação: 31. No que se refere à relação de substituição e ao direito de retirada, cabe esclarecer que, além de terem sido feitas as avaliações nos termos dos artigos 45 e 264 da Lei 6.404/76, foi procedida a avaliação econômicofinanceira da TDBH, tendo a SEP também concluído vela inexistência de indícios de que o controlador tenha se beneficiado em detrimento dos acionistas minoritários, a saber: [...] 32. Diante de tudo isso, concordo com a manifestação da SEP de que, em princípio, não foram cometidas irregularidades na operação, não encontrando, portanto, fundamento na reclamação formulada pela HedeineGriffo. Anota, ainda, que a amortização apenas se deu muito tempo depois do início das reestruturações societárias realizadas pelo Grupo Telefônica, no contexto da segregação mundial das linhas dos negócios de telefonia, multimídia e dados, de modo que o plano "arquitetado" pela Recorrente demandaria que, em 2001, se pudesse antecipar que o valor de mercado das ações da TDBH levaria ao reconhecimento de um ágio tal que, quando em 2006 a TDBH fosse incorporada pela Telesp (algo que jamais havia sido cogitado até então), o valor de mercado adotado para a relação de substituição de ações da TDBH por ações da Telesp levaria ao registro de um ágio, ágio esse que deveria estar integralmente respaldado na projeção de resultados futuros da Telesp! Prossegue ressalvando que, embora inexista no Brasil legislação que obrigue expressamente o contribuinte a sempre ter razões empresariais e extratributárias para que suas operações seja admitidas como válidas, há doutrina mais restritiva, mas que ainda assim questiona somente as operações que sejam praticadas com o fim único e exclusivo de buscar a economia fiscal. E assim recorda o contexto fático provado nos autos acerca da segregação e reunião de suas atividades, observando que o próprio Termo de Verificação Fiscal chega a reconhecer que a intenção da Recorrente foi a de realizar operações societárias objetivando essa segregação. Anota que semelhantes operações ocorreram com o Grupo Telefônica na Espanha e em outros países, e foram avaliadas como corretas por órgãos reguladores brasileiros e estrangeiros. E entende que deve haver um limite para o exercício fantasioso, sob pena de se imaginar, também, que neste grande plano, os minoritários tivessem contestado operações também com o único objetivo de permitir à CVM afirmar que todas as operações foram realizadas de forma equitativa, em condições de mercado e com propósitos legítimos tudo isto para permitir que o único propósito de Recorrente (acionista controlador) se realizasse, ou seja a tão desejada amortização do ágio! Subsidiariamente alega a inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela autoridade lançadora, reproduzindo ementas de julgados administrativos neste sentido, e observando que a vedação só foi criada com o art. 50 da Lei nº 12.973/2014, com efeitos a partir do anocalendário 2015. De toda sorte, caso se entenda que o art. 75 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004 autoriza a glosa, devem ser aplicados à CSLL todos os argumentos antes expostos. Com referência à penalidade aplicada, reitera a impossibilidade de simultaneamente atribuir caráter interpretativo à Lei nº 12.973 e manter a aplicação da multa de ofício, e afirma a abusividade da multa majorada de 150% aplicada no caso, pois o que está em discussão é a possibilidade ou não de dedução fiscal dos valores relativos à amortização do ágio gerado, e interpretações distintas entre Fisco e contribuinte não podem ser Fl. 13121DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 35 34 consideradas como fraude ou condutas dolosas. Transcreve doutrina acerca dos requisitos para qualificação da penalidade, e destaca que a Recorrente nunca omitiu ou alterou os documentos referentes aos fatos objeto do presente processo. Pelo contrário, todos os atos foram praticados às claras, dandose publicidade dos atos por meio de publicação em jornais de grande circulação, divulgando fatos relevantes, bem como fazendo constar as informações das diversas declarações apresentadas ao Fisco. Discorre sobre as condutas que motivam a aplicação de multa qualificada em diversos julgados administrativos, cita manifestação da 1ª Turma da CSRF acerca do tema, e observa a usualidade dos atos societários realizados em referências contidas na ementa de diversos julgados administrativos que afastaram a qualificação da penalidade. Finaliza discordando da incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício, dado que os juros só são devidos quando a obrigação não é cumprida, e a multa se presta a punir a inexecução da obrigação, inexistindo, inclusive, previsão legal para esta exigência. Fl. 13122DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 36 35 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Embora não requeira a declaração de nulidade da decisão de 1ª instância, a recorrente aduz que os Julgadores de primeira instância cogitaram de ofensa ao art. 17 da Lei de Introdução ao Código Civil, assim como argumentaram que as operações não teriam ocorrido sob condições de mercado, e conclui que os motivos pelos quais o Auto de Infração foi mantido pela DRJ estão descolados da realidade dos fatos que integram o presente processo administrativo, o que fulmina a decisão recorrida por ausência de motivação. Importa, assim, esclarecer que não se vislumbra na decisão recorrida nada que pudesse ensejar sua nulidade. O voto condutor da decisão recorrida traz argumentos para afastar a arguição de decadência e, no mérito, enfrenta a alegação da contribuinte no sentido de que não haveria restrição legal para a utilização do ágio intragrupo, apenas mencionando incidentalmente a impossibilidade de se admitir como válidas no Brasil condutas praticadas no exterior tipificadas como ilícitas à luz do ordenamento jurídico brasileiro — mesmo que toleradas pela ordem jurídica do país em que praticadas. De fato, a decisão recorrida traz argumentação estruturada no sentido de firmar a impossibilidade de aproveitamento, para fins fiscais, do ágio interno; rejeita as alegações da contribuinte acerca da inexistência de vedação à utilização do ágio interno antes da edição da Medida Provisória nº 627/2014; nega efeito ao propósito negocial apresentado para as operações realizadas; declara a indedutibilidade das amortizações também no âmbito da CSLL; mantém a qualificação da penalidade ante a geração artificial do ágio e a impossibilidade de desconhecimento ou erro por parte dos envolvidos nas operações; e afasta a arguição de ilegalidade da aplicação de juros sobre a multa. Assim, inexiste qualquer evidência de que argumentos de defesa não tenham sido apreciados, ou de que a exigência tenha sido mantida sob fundamentos distintos daqueles expostos na acusação fiscal. Feitos estes esclarecimentos, cumpre preliminarmente apreciar a arguição de decadência do direito de o Fisco questionar a formação do ágio em 2006. Aduz a recorrente que a predominância dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação demanda critérios de controle dos atos de constituição de lançamentos tributários por parte do Fisco, pois não pode o contribuinte ficar à mercê da Fiscalização por um período indeterminado quanto a fatos que lhe dão origem por longo prazo. Defende, assim, que o termo inicial do prazo decadencial seja contado a partir da ocorrência do fato que obrigou o contribuinte a interpretar a legislação tributária e a adotar os procedimentos necessários ao fornecimento de documentos contábeis e fiscais, contexto no qual o termo final para o questionamento do ágio registrado pela recorrente seria 2011. Esta Conselheira já se manifestou contrariamente a argumentos semelhantes adotando as razões de decidir expostas no voto condutor do Acórdão no 140200.802, a seguir transcritas: I. DECADÊNCIA (PRECLUSÃO) DA POSSIBILIDADE DE AUDITORIA DOS ELEMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS DO ANOCALENDÁRIO DE 2001 COM REPERCUSSÃO FUTURA Fl. 13123DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 37 36 A recorrente alega, em síntese, que no ano de 2008 o Fisco não mais poderia verificar a regularidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, haja vista o transcurso do prazo decadencial de cinco anos entre os fatos que propiciaram o surgimento desse ágio, ocorridos no ano 2001, e a lavratura dos autos de infração. A decisão de primeira instância enfrentou essa preliminar, que foi rejeitada pelos seguintes fundamentos (verbis): DA DECADÊNCIA DO QUESTIONAMENTO DOS ATOS SOCIETÁRIOS A contribuinte argumenta que teria ocorrido a decadência do direito de o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que originaram o ágio ora em debate, uma vez que os fatos em comento ocorreram em 2001, e os autos de infração foram cientificados à impugnante em 30/12/2008. A fim de enfrentar a questão, é necessário, inicialmente, trazer o conceito técnico de fato gerador, conforme definido pelos artigos 114 e 115, do CTN, in verbis: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Dos artigos acima transcritos resta claro que o fato gerador da obrigação tributária é necessariamente um conceito legal, ou seja, é uma situação definida em lei. No que tange à decadência no Direito Tributário, também cumpre analisar o disposto no art.150, caput e §4º, e no art.173, incisos I e II, e parágrafo único, do CTN, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela Fl. 13124DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 38 37 notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Pela análise dos artigos retromencionados, é possível constatar que o §4º, do art.150, do CTN, é específico ao se referir a fato gerador do tributo, ou seja, o dispositivo legal em questão trata de um conceito diferente daquele utilizado pela impugnante, cuja argumentação tratou não da acepção técnica de fato gerador, que, consoante o exposto, é uma situação definida em lei, mas sim de fatos como acontecimentos genéricos do mundo fenomênico, ao mencionar os fatos que propiciaram o surgimento do ágio. Logo, a norma contida no art.150, do CTN, não confere sustentação à alegação da impugnante. A respeito da questão, já se pronunciaram os Conselhos de Contribuintes, conforme se depreende da ementa do acórdão abaixo: DECADÊNCIA – TESE DO PAGAMENTO – IMPROPRIEDADE NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – LANÇAMENTO –LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A atividade exercida pelo contribuinte para dar efetividade ao artigo 150 do CTN, assemelhase à atividade exercida pela autoridade administrativa prevista no artigo 142 do CTN. A relação jurídica tributária somente nasce, se o fato previsto na hipótese de incidência prevista na lei ocorrer no mundo fenomênico e for traduzida em linguagem. (...) (1º Conselho de Contribuintes, 7ª Câmara, acórdão 10709263, sessão de 06/12/2007). (negritamos) Cumpre destacar que a própria contribuinte demonstrou conhecimento da distinção entre (i) fato gerador do tributo, previsto em lei, e (ii) fato genérico do mundo fenomênico, como fica claro pelo excerto da impugnação de fls.371, quando, ao tratar dos créditos tributários de IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 2002, a impugnante reconhece: “De fato, considerandose que os fatos jurídicos tributários ocorreram em 31/12/02 (...)”. Da mesma forma, nenhuma das situações descritas nos incisos I e II, e no parágrafo único, do art.173, do CTN, contempla a hipótese de decadência aventada pela contribuinte. Sendo assim, a alegação da contribuinte de decadência do questionamento da legalidade dos atos societários resta improcedente, por absoluta falta de embasamento legal. (Grifei) É certo que a decadência opera no sentido do princípio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Em conseqüência, em 2008 o Fisco não mais poderia formalizar lançamento para exigência de crédito tributário e impor penalidades quanto a infrações incorridas no anocalendário 2001, ou seja, constituir exigências tributária. Isso por disposição expressa dos artigos 150 e 173 do CTN conforme acima grifado. O “prazo de preclusão” alegado pelo contribuinte que seria de cinco anos, corresponderia ao mesmo prazo decadencial para o lançamento (constituição da obrigação tributária), previsto no CTN. A preclusão temporal, em principio, corresponde à perda da possibilidade do exercício de um direito em decorrência do decurso de um determinado prazo. Portanto, para que seja possível falar nesse instituto no caso em concreto, caberia ao contribuinte identificar um dever atribuído por lei à Fazenda Pública, o qual seria passível de extinção pelo decurso de prazo. Logo, “para se falar em preclusão, a lei deveria atribuir à Administração Pública o dever de glosar o ágio amortizável registrado pelo Santander Holding, ou mesmo o registrado pelo Banespa após a incorporação, a partir da data dos registros contábeis”, como bem observado pela Fl. 13125DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 39 38 ilustre Procurador da Fazenda Nacional Paulo Roberto Riscado Junior na sustentação oral realizada durante o julgamento do presente processo. Efetivamente, não existe essa previsão legal. Tanto o art. 142 do CTN quanto o art. 9° do Decreto n. 70.235/72 prevêem apenas o lançamento como forma de exigência do crédito tributário, retificação de prejuízo fiscal e aplicação de penalidade isolada. Não há, em lei, previsão para a glosa de ágio registrado na contabilidade em decorrência de subscrição de ações ou de incorporação nos termos dos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97. Com efeito, o registro do ágio na contabilidade não implica em redução de crédito tributário, em majoração de prejuízo fiscal ou em causa para lançamento de multa isolada. Repitase: o simples registro do ágio na contabilidade não implica em fato gerador de obrigação tributária ou em alteração, de qualquer ordem, na base de cálculo do IRPJ e da CSSL daquele período. Ao adquirir uma participação societária com ágio, a lei autoriza a pessoa jurídica a amortizar esse valor, na apuração dos tributos por ela devidos sobre os lucros em períodos futuros, sob determinadas condições, isso porque foi exatamente a expectativa desse lucro que justificou o ágio. Apenas nessa hipótese, o ágio pago, que nunca foi e nunca será fato gerador de nenhuma obrigação tributária, passa a influenciar na apuração da base de cálculo dos tributos devidos pela empresa que o pagou. Frisese: o que é homologado pelo Fisco é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, não o ágio registrado, ou qualquer outro elemento patrimonial, ainda que definitivamente constituído. O prazo decadencial corre em face do fato gerador da obrigação tributária, e não sobre qualquer operação contabilizada. Apenas quando se verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é que surge contra o Fisco o prazo para a homologação dos elementos que dão origem aos créditos passíveis de constituição. O prazo para controle dos registros patrimoniais com possibilidade de repercussão tributária no futuro é definido em função do prazo para gozar do crédito decorrente. Neste contexto, pode a autoridade fiscal, no prazo de que dispõe para rever o período de apuração no qual foi aproveitado, exigir prova de sua efetividade e formação e, na ausência desta, negar sua utilização. É o que o art. 37 da Lei nº 9.430/96 expressamente dispõe: “Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.” Esclareçase que esse dispositivo não altera o prazo decadencial para constituir o credito tributário estabelecido no CTN, tampouco cria outro prazo decadencial qualquer, apenas viabiliza a autoria fiscal dos fatos com repercussão futura. Frise se, mais uma vez, que o prazo decadencial é sempre norteado pelo nascimento da obrigação tributária, ou seja, que se dá com a ocorrência do fato gerador.. Recentemente, o professor Marco Aurélio Greco manifestou o entendimento de que “não existe direito adquirido da empresa de usar o ágio mesmo depois de passados cinco anos do fato gerador.” A afirmação foi feita na V Jornada de Debates sobre Questões Polêmicas de Direito Tributário, promovida pela FISCOSoft em junho de 2011. Para o Dr. Greco, a tese bate de frente com entendimento do Supremo Tribunal Federal. "Não se tem direito adquirido ao prejuízo, conforme disse o Supremo ao julgar a trava de 30% para redução do lucro tributável", diz. Em 2009, o STF entendeu que a Lei 8.891/1995, que permitiu o aproveitamento, concedeu um Fl. 13126DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 40 39 benefício fiscal e que, por isso, não havia nada de errado com a trava de 30% por período de apuração. Assevera ele que, enquanto o ágio não é amortizado totalmente, não existe fato consumado, apenas expectativa de direito. "A empresa espera que futuramente estará sujeita ao IR e ao regime de apuração do lucro real. Mas não existe direito adquirido a regime jurídico. Ela vai se submeter àquele a que se enquadrar na data da ocorrência do fato gerador." Por isso, em relação aos autos de infração lavrados depois de passados cinco anos da informação do ágio ao fisco, Greco afirma que a prática é legal. "O auto não existe sozinho, mas decorre da contabilização irregular", defendeu. "Embora a segunda conduta aconteça cinco anos depois, é causal, não bastante em si." Segundo ele, não há prazo para o fisco reconhecer a irregularidade, mas somente para impedir o aproveitamento. "As amortizações feitas no passado ficam consolidadas. Apenas as posteriores podem ser desconsideradas." Tais considerações primam pela coerência e vem ao encontra da tese defendida neste voto. Vejamos, na prática, algumas situações abusivas que podem decorrer do entendimento defendido pelo nobre recorrente (contribuintes optantes pelo lucro real anual): i) No ano de 1998, determinado contribuinte adquire um bem não depreciável, composto por várias partes e peças, pelo valor total de $100, mas contabiliza no ativo por $200; nos anos seguintes permanece pelo mesmo valor em seus livros contábeis e balanços. No ano 2007, vende esse bem por $180 e não apura ganho de capital. Sofre auditoria em 2010 e o Fisco solicita a comprovação do custo contabilizado, ele não apresenta notas fiscais de aquisição sequer das peças efetivamente compradas, alegando que o ano de 2001 já estava decaído, logo, ocorreu a preclusão do Fisco de verificar tais custos. É isso mesmo? O tempo pode homologar o que nunca existiu, e permitir que produza efeitos futuros, impedindo a constituição do crédito tributário devido ? Estou certo de que a resposta é não. ii) No ano de 1999 o contribuinte realiza a construção de uma planta industrial com vida útil de 20 anos e contabiliza regularmente os custos. No ano de 2001 inicia a depreciação a 5% ao ano. É Fiscalizado em 2008 e apresenta apenas parte dos custos da construção realizada. Então? o Fisco não poderia glosar o excesso os encargos de depreciação de 2003 a 2007? Evidente que sim, pois esses encargos submetemse ao regime de competência e o contribuinte deve fazer prova da efetividade dos mesmos o que só é possível mantendo em boa guarda os comprovantes dos custos e despesas incorridos. iii) No ano de 2000 o contribuinte adquire um imóvel por $1000. Contabiliza a aquisição por $12.000, utilizando para tanto um documento fraudado. Realiza uma incorporação em 2001, acrescentando diversos custos inexistentes. Vende esse imóvel, já fracionado, nos ano de 2001 e 2002, apurando um pequeno ganho em 2002 que é declarado e o tributo recolhido. É fiscalizado em 2008 (anocalendário 2002). De plano alega que o ano 2002 já está decaído, afinal passaramse mais de 5 anos da ocorrência dos fatos geradores. Todavia, com receio de o Fisco apurar a verdade dos fatos, apresenta o aludido documento de aquisição. O Fisco efetua diligências e apura todas as fraudes tributárias. Em relação à 3a. situação hipotética acima (“iii”), cabe questionar: qual o amparo legal para o Fisco realizar em 2008 uma auditoria do ano de 2002, se o contribuinte estava em tese regular perante a Administração Tributária, inclusive tendo efetuado os recolhimentos? há vedação expressa em lei para a auditoria fiscal alcançar os anos de 2000 e 2001, nos quais apurou a verdade dos fatos? Fl. 13127DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 41 40 Respondo: a única vedação expressa nessa hipótese “iii” é para constituição do crédito tributário relativo ao ano de 2001, em face da decadência. Este Conselho já se manifestou sobre alegações dessa natureza em diversos acórdãos. Em um deles, inclusive, o contribuinte alegou a preclusão para rever o ágio devidamente registrado na contabilidade. Tratase do acórdão 10709.545, cuja ementa é a seguinte: EMENTA DECADÊNCIA— OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL GLOSA DE ÁGIO. O fisco pode questionar fatos ocorridos no passado cujos efeitos fiscais se dão no futuro, pois o tempo não pode transformar em verdadeiro o que não era real, nem tampouco desfazer o que consolidou, desde que a readequação dos fatos situados em períodos já decaídos não decorra de juízo de valor. É o caso da formação de ágio maior por erro de cálculo, cujos efeitos fiscais somente se verifiquem no futuro, na sua amortização ou na utilização como custo na baixa”. (Grifei) No aludido processo o contribuinte registrou o ágio de forma equivocada em 1995, mas apenas amortizou o valor em 2000. O contribuinte alegou que a fiscalização estaria proibida, face o prazo decadencial, de glosar esse ágio. Tal argumentação foi refutada pela Câmara. Noutro acórdão, de nº 10419.219, de 27/02/2003, que tratou da retificação de prejuízo fiscal da atividade rural de período anterior, com reflexo em outro período de apuração do tributo ainda não atingido pelo decadência, a decisão também foi favorável à tese defendida por este relator. Vejamos transcrições da ementa, dispositivo e voto condutor: Acórdão 10419.219, de 27/02/2003 EMENTA IRPF ANOSCALENDÁRIO DE 1996 E 1999 – ATIVIDADE RURAL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – DECADÊNCIA – ABRANGÊNCIA O prazo decadencial vinculase direta e exclusivamente aos fatos geradores objeto do lançamento tributário, não se aplicando a elementos advindos de anocalendário anterior, ainda que este já tenha sido atingido pela decadência. Assim, constatandose que o anocalendário fiscalizado encontrase passível de revisão, é perfeitamente cabível o lançamento resultante da retificação do valor apropriado, a título de prejuízo da atividade rural a compensar, mesmo que este tenha origem em anocalendário abarcado pela decadência. DISPOSITIVO ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. VOTO CONDUTOR “(...) De fato, a revisão de valores apurados em anos calendários anteriores já abrangidos pelo decurso do prazo decadencial é absolutamente inquestionável. O que não implica reconhecer que o conceito de decadência abranja também a revisão de valores que, advindos de período já tomados pela decadência, venham a influir na apuração do resultado de ano calendário ainda não decadente. Evidentemente que o conceito decadencial não abrange tal influência.Exatamente por esta integrar as apropriações de ano calendário não decadente. Restrita a revisão à essa especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. Fl. 13128DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 42 41 Pela simples motivação de que o conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia. (...) A simples leitura do dispositivo em questão evidencia de sua absoluta ressonância com o princípio da decadência, a que se reporta tanto o artigo 149, § único, como os artigos 150, § 4º, e 173, todos do CTN., como antes mencionado. Isto é, se determinada apropriação influi no resultado na apuração do crédito tributário, é passível de revisão essa circunscrita influência. Ainda que, na origem, seja legalmente carregada de período já decadente. (Grifei) Vejase que na situação versada no Acórdão 10419.219, o contribuinte foi intimado a comprovar o saldo de prejuízos da atividade rural do ano de 1989 que foi aproveitado no anocalendário de 1996. Diante do fato de o contribuinte ter efetuado correções a maior do aludido valor no ano de 1990, a fiscalização glosou o excesso de compensações utilizado para reduzir o tributo devido em 1996. O contribuinte alegou decadência nessa revisão, que foi rejeitada pelo Colegiado, haja vista que tais valores “influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente”. Analisemos o Acórdão nº CSRF/0400.054, de 21/06/2005. Vejamos sua ementa e dispositivo: Acórdão CSRF 0400.054 de 21/06/2005 EMENTA IRPF RESULTADO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA REVISÃO DE PREJUÍZO COMPENSÁVEL — DECADÊNCIA — ABRANGÊNCIA O conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia; não abrange a revisão de valores advindos de período anterior, já abrangido pela decadência, que influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente, restrita a revisão a essa circunscrita e especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. DISPOSITIVO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do mérito do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente relatório. Vencidos os Conselheiros Romeu Bueno de Camargo, José Ribamar Barros Penha e Wilfrido Augusto Marques que negaram provimento ao recurso. VOTO CONDUTOR No caso, a fiscalização verificou inicialmente que o prejuízo da atividade rural fora incorretamente apurado na declaração do exercício de 1995, com indevida utilização nas declarações dos exercícios posteriores (1996 a 2000). A origem da incorreção seria o fato de a contribuinte haver procedido à atualização monetária indevida dos saldos de prejuízos e de incentivos fiscais nos anos calendário de 1989 e 1990 (fls. 12 a 18). No acórdão recorrido, foi acolhida a arguição de decadência, sob o seguinte argumento (fls. 276) (...) Fl. 13129DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 43 42 De plano, verificase que tal entendimento carece de base legal. No caso em apreço, o lançamento, cientificado a contribuinte em 28/09/2000, abarcou os anoscalendário de 1996 e 1999, que ainda não se encontravam atingidos pela decadência, seja qual for o angulo pelo qual se analise. Destarte, uma vez que os anoscalendário fiscalizados não haviam sido atingidos pela decadência, não há óbice à exigência de comprovação acerca dos elementos que de alguma forma influenciaram os respectivos lançamentos, ainda que vinculados a exercícios anteriores. Ressaltese que os anoscalendário anteriores aos autuados, em que teria ocorrido o alegado lapso na correção dos saldos de prejuízo a compensar estes sim alcançados pela decadência não foram revistos. 0 que houve foi tãosomente a retificação do valor do prejuízo a compensar, apropriado nos exercícios fiscalizados. Nesse sentido é o Acórdão n° 10419.219, de 27/02/2003, cujo voto vencedor foi acatado por unanimidade de votos, assim ementado: (...)(Grifei) Apesar de ambos os acórdãos acima terem tratado de atividade rural na pessoa física, cumpre esclarecer que a Legislação sempre estabeleceu a obrigatoriedade de escrituração para os contribuintes que desejam aproveitar prejuízos de períodos anteriores. Aliás, na redação original da Lei 8.023, acima de determinado valor de receitas era obrigatória a escrituração comercial. Outrossim, cumpre registrar que em situações análogas, nas quais a verificação de fatos, documentos e registros contábeis, de períodos atingidos pela decadência , com repercussão futura favorável ao contribuinte, ou seja, erros que lhe prejudicam, as decisões deste Conselho são sempre favoráveis à retificação dos lançamentos nos períodos ainda não atingidos pela decadência, inclusive para reconhecimento de direito creditório. Citese como exemplo as seguintes situações em que se admite retificação favorável ao contribuinte: Lucro Inflacionário Inexistente. Fiscalização autua em 2000 a falta de realização do Lucro Inflacionário Diferido (parcelas realizáveis em 1996 a 1999. Somente em sede recurso, o Contribuinte verifica e alega que errou na apuração/declaração do LI de 1991, estando patente que seu Patrimônio Líquido era maior que o ativo imobilizado. Conselho exclui da base de cálculo o lucro inflacionário de 1991, e determina ainda, que as realizações mínimas de 1992 a 1995, porventura não efetuadas, sejam diminuídas do Saldo (existe inclusive súmula neste sentido). Ao fim e ao cabo, mantémse apenas a tributação do saldo do inflacionário efetivamente existe nos anos de 1996 a 1999. Custo de aquisição de imóvel declarado a menor. Pessoa Física e Jurídica. Contribuinte declara/contabiliza a menor o custo de aquisição de imóvel no ano de 1996 e seguintes. Em 2004 aliena o imóvel e não recolhe ganho de capital. Fiscalização autua em 2006 e toma como custo o valor declarado/contabilizado. Contribuinte faz prova do custo de aquisição real do imóvel. Conselho acolhe o custo efetivo, e reduz a exigência ainda que isso implique no reconhecimento de erros de escrituração e/ou declaração de períodos atingidos pela decadência. Nesse sentido vide acórdãos deste Conselho: Acórdão 10321611 processo 13925000136200129 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF – Havendo a pessoa jurídica, no períodobase de 1990, apurado saldo devedor de correção monetária e não possuindo lucro inflacionário diferido de exercícios anteriores, não há que se falar em adição ao lucro real, a partir do períodobase de 1993, do valor que corresponder à Fl. 13130DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 44 43 diferença entre a variação do IPC e do BTNF, de acordo com as normas de realização do lucro inflacionário. Acórdão 10514773 processo 10166016076200115 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO A MENOR DECADÊNCIA O início da contagem do prazo decadencial para o Fisco dáse a partir do momento em que é possível efetuar o lançamento, no exercício financeiro em que deve ser tributada a sua realização, e não imediatamente após o termo do ano calendário em que foi gerado o lucro inflacionário. LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO REALIZAÇÃO A MENOR DECADÊNCIA RECOMPOSIÇÃO DE SALDO A recomposição do saldo de lucro inflacionário acumulado deve levar em consideração, para fins de decadência, as parcelas de realização do ativo da pessoa jurídica. JUROS DE MORA SELIC Nos termos dos arts. 13 e 18 da Lei nº 9.065/95, a partir de 1º/04/95 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, rejeitando a preliminar de decadência e, no mérito, acatar o pleito no sentido de se excluir as parcelas do lucro inflacionário que deveriam ser realizadas nos anos calendários de 1993 e 1994. Acórdão 10194663 processo 10410.001504/200168 LUCRO INFLACIONÁRIO. SALDO DA CORREÇÃO IPC/BTNF. ERRO DE FATO. Não procede a exigência de crédito tributário decorrente de erro cometido pela pessoa jurídica no preenchimento da declaração de rendimentos, tendo informado a maior o saldo credor da diferença de correção IPC/BTNF. Acórdão 10193740 processo 10880.008657/9805 ERRO DE FATO. PREJUIZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO: Constatado erro de fato no preenchimento da Declaração de Rendimentos, e tendo a contribuinte direito à compensação de prejuízos, procedese a tal compensação, exonerandose o crédito tributário lançado. PREJUIZO FISCAL INSUFICIENTE. DECADÊNCIA: Apesar de não haver prejuízo fiscal suficiente para compensar o lucro real apurado em determinado período de apuração, deixase de propor a formalização da exigência em virtude de já ter transcorrido, nesta data, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário respectivo. ERRO DE FATO. BASE NEGATIVA. COMPENSAÇÃO: Constatado erro de fato no preenchimento da Declaração de Rendimentos, e tendo a contribuinte direito à compensação da base negativa da contribuição social, procedese a tal compensação, exonerandose o crédito tributário lançado. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO Acórdão 10416265, processo 10920.000343/9699 IRPF GANHOS DE CAPITAL CUSTO DE AQUISIÇÃO ESCRITURA PÚBLICA DE COMPRA E VENDA Deve prevalecer para efeitos fiscais o custo de aquisição constante da Escritura Pública de Compra e Venda devidamente registrado no Registro de Imóveis, quando este for mais favorável ao contribuinte que o custo avaliado pelo valor de mercado, em 31/12/91, constante da declaração de bens relativa ao exercício de 1992. O fato gerador do imposto de renda é a situação objetivamente definida na lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Fl. 13131DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 45 44 Erros ou equívocos por si só, não são causa de nascimento da obrigação tributária. Enfim, ao contribuinte incumbe a prova da regularidade dos valores utilizados para redução da base de cálculo nos períodos fiscalizados, e a autoridade tem a prerrogativa de deles discordar, enquanto não transcorrido o prazo previsto na legislação para constituição do crédito tributário correspondente; podendo, para tanto, efetuar verificações em períodos anteriores, já atingidos por esse mesmo prazo decadencial; vedada, obviamente, a possibilidade de apuração e constituição de créditos tributários desses últimos. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de impossibilidade do Fisco efetuar em 2008 a auditoria dos elementos contábeis e fiscais do anocalendário de 2001, para glosar valores com repercussão tributária em períodos posteriores (ágio passível de amortização). A homologação tácita prevista no art. 150, §4º do CTN recai sobre a atividade de apuração do crédito tributário pelo sujeito passivo, em regra revelada ao Fisco por meio do pagamento ou da confissão da dívida. O registro contábil do ágio não afeta o resultado tributável antes de sua amortização fiscal, e assim não integra a atividade de apuração do crédito tributário. Logo, somente se cogitará de revisão da atividade de lançamento a partir do momento em que esta for praticada, ou seja, a partir do momento em que a amortização do ágio afetar a determinação do crédito tributário. Impróprio, assim, falar em homologação tácita do ágio registrado em 2006. Por tais razões, nenhum impedimento havia para a Fiscalização, em 25/11/2013, formalizar exigência pertinente aos períodos de apuração de 2008 a 2012, alcançando a repercussão tributária dos fatos aqui em debate. Assim, REJEITAse a arguição de decadência. Passando ao mérito, a recorrente centra sua defesa na demonstração da regularidade dos ágios escriturados ao longo das operações questionadas pela Fiscalização. Não há dissídio acerca do fato de as sociedades envolvidas se submeterem a controle comum, ou questionamentos acerca dos valores que, deduzidos na apuração do IRPJ e da CSLL, foram glosados pela autoridade fiscal. Como bem destacado no início da defesa, o ponto central em discussão no presente processo administrativo referese à equivocada premissa adotada pela autoridade lançadora de que a Recorrente e demais sociedades do Grupo Telefônica teriam realizado operações societárias com a suposta manipulação de valores, tendo como propósito único "criar despesas" que reduzissem os resultados fiscais. Para firmar a improcedência do lançamento, a recorrente discorre sobre as razões de caráter econômico, comercial, societário e financeiro que justificaram a realização dos atos e negócios jurídicos tal qual implementados, e destaca que todas as operações foram realizadas segundo valores de mercado e envolvendo efetivo desembolso financeiro. Desta argumentação destacamse, inicialmente, os esclarecimentos da recorrente no sentido de que, em razão da decisão do Grupo Telefônica de segregar em diferentes pessoas jurídicas as atividades de telefonia, comunicação multimídia e de rede comutada por pacote, foi criada Telefônica Empresas S/A (TEMPRESAS), que recebeu os ativos relacionados ao serviço de dados, mantendo em TELESP os serviços da atividade principal de telefonia. TELESP permaneceu como sócia de TEMPRESAS até 31/01/2001, quando esta participação societária foi destacada de seu patrimônio, mediante cisão, para criação de TDBH, a qual, além de controlar TEMPRESAS, recebeu posterior aporte de Fl. 13132DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 46 45 recursos de empresa do grupo (DABR) para aquisição de participação societária em outra empresa (FIGUEIRA) detentora de ativos relacionados com a prestação de serviços de dados do Banco Itaú S/A. Referido relato evidencia que, apesar de TDBH ser oriunda de cisão da TELESP, e ao final das operações ser por ela incorporada, como destacado pela Fiscalização, sua existência entre 2001 e 2006 estaria justificada como holding das pessoas jurídicas vinculadas à prestação de serviços de dados (TEMPRESAS e FIGUEIRA). Contudo, as amortizações questionadas por repercutirem na apuração do lucro tributável foram verificadas a partir do anocalendário 2008 e em razão da incorporação de DABR pela autuada. Por sua vez, o fiscal autuante validamente questionou a atuação de DABR neste processo ao assim consignar que: [...] 164. É certo, ainda, que os recursos utilizados para o aumento de capital da TDBH provieram de sociedade estrangeira do grupo Telefônica e foram dirigidos a uma outra sociedade também do grupo residente no Brasil, como pode ser assim sequencialmente resumido: a) pela 5ª Alteração do Contrato Social da DABR (Doc. 317), datada de 26/06/2001, a Telefônica Datacorp aumentou o capital social da DABR em R$ 498.112.400.00: => b) Por sua vez, tais recursos foram utilizados pela DABR para realizar o AFAC na TDBH ainda em 2001: => c) o AFAC foi convertido em subscrição de capital em 2002; => d) a DABR reconheceu um ágio de R$ 132.201.536.30 em função dessa subscrição. 165. Notese. pois, que apenas em função dessa verdadeira "transferência" de recursos de uma empresa para outra do mesmo grupo, foi reconhecido em 2002 na DABR um ágio da ordem de R$ 132 milhões, que em 2006 compôs o "Agio Contábil DABR", que por sua vez passou a ser tributariamente amortizado a partir de 2008. É inegável, portanto, que a mera "circulação" dos recursos entre empresas do grupo econômico gerou um deletério e ilegal efeito nos resultados fiscais da Telefônica a partir de 2008. [...] 167. A única singularidade da operação aqui examinada que a distingue daquela investigada anteriormente reside no fato de ter ocorrido um suposto desembolso de recursos pelo precitado ágio. Entretanto, o fato de a DABR ter realizado o desembolso de um montante superior ao valor patrimonial das ações adquiridas da TDBH não afasta as considerações antes expendidas acerca da ilicitude da amortização do ágio intragrupo gerado na operação. A existência de eventual pagamento/desembolso para justificar o surgimento de um alegado ágio em uma transação entre partes sujeitas a controle comum não abala a impossibilidade do reconhecimento fiscal do ágio intragrupo daí gerado, tampouco modifica as consequências tributárias advindas de sua posterior e ilícita amortização. A despeito do desembolso realizado, remanesce a inobservância de um requisito fundamental e imprescindível para o reconhecimento do ágio, qual seja, a independência entre as partes da operação, da qual resultaria a confiabilidade de sua mensuração. 168.Admitir que o ágio intragrupo em relação ao qual tivesse ocorrido um suposto pagamento fosse passível de reconhecimento — e que seus encargos de amortização, atendidas as demais condições legais, fossem tributariamente dedutíveis — implicaria acatar que um grupo empresarial detentor de disponibilidade financeira ou que desejasse realocar seus recursos entre as sociedades que o constituem pudesse furtivamente tramar operações entre as Fl. 13133DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 47 46 próprias pessoas jurídicas do grupo, de forma que daí emergissem"ágios" cujas amortizações reduzissem seus resultados tributáveis. Isso significaria consentir que um grupo econômico pudesse enganosamente "criar" despesas capazes de reduzir as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL de suas sociedades ao simplesmente transferir recursos de uma de suas empresas para outra (tal qual na situação em comento). Fechar os olhos para isso significaria tolerar, figurativamente, que a saída de dinheiro de um bolso para outro de uma mesma calça implicasse o reconhecimento de um custo que diminuísse a carga tributária de seu dono. 169. Notese que ainda que os recursos recebidos da DABR tenham sido utilizados pela TDBH para investir em uma outra empresa externa ao grupo, o que aqui se refutam são os efeitos fiscais do suposto ágio gerado na mera transferência desses recursos (por meio de aumento de capital) de uma empresa (DABR) a outra (TDBH) do grupo Telefônica justamente para adquirir o investimento naquela outra sociedade antes consolada por um terceiro independente. Essa "transferência interna" de recursos não pode licitamente gerar um ágio a ser aproveitado para efeitos fiscais por uma sociedade desse grupo investidor. [...] 186. Notese que os recursos utilizados para o aumento de capital da TDBH foram inicialmente capitalizados pela Telefônica Datacorp na DABR (v. parágrafo 164). Ora, em sendo a Telefônica Datacorp uma subsidiária integral da Telefônica S/A (v. parágrafo 41) e a DABR uma sociedade cujas quotas eram quase que exclusivamente de propriedade da Telefônica Datacorp (v. parágrafo 40). por qual razão os recursos já não foram diretamente aplicados do exterior na TDBH, ainda que utilizado o mesmo preço de emissão das ações fixado na operação realizada? A explicação convincente que daí se extrai é uma só: se as operações societárias tivessem sido assim planejadas, o suposto ágio teria sido contabilizado em sociedade residente no exterior e não poderia ser tributariamente amortizado no Brasil (a não ser que fosse arquitetada uma outra manobra societária para ilicitamente "internalizálo"). Por esta razão manifestamente tributária, os recursos foram inicialmente aplicados em uma pessoa jurídica residente no Brasil (DABR), que em seguida aumentou o capital de uma outra pessoa jurídica residente no Brasil (TDBH), tendo o pretenso ágio então sido registrado já no Brasil. Consequentemente, o grupo poderia então desencadear operações visando à (ilegal) redução da carga tributária de sua lucrativa sociedade. (destaques do original) Ainda que se cogite, com fundamento no invocado art. 170, §1°, inciso III, da Lei das S/A, que os procedimentos adotados para evitar diluição injustificada da participação dos acionistas minoritários permitiriam o surgimento de ágio no aumento de capital promovido em TDBH em 26/02/2002, subsiste injustificada a figuração de DABR como investidora. Os recursos nela aportados pela sociedade estrangeira Telefónica Datacorp apenas foram registrados em sua escrituração para justificar a transferência em favor de TDBH a título de adiantamento para futuro aumento de capital. Não há dúvida, em tais circunstâncias, que o investimento não foi, na realidade, promovido por DABR, mas sim pela sócia estrangeira, cabendo a esta o custo do investimento e suas repercussões. A recorrente se empenha em justificar a existência de TDBH, mas com referência a DABR somente diz vagamente que: 56. A DABR era uma sociedade holding constituída em 1999 por ocasião da necessidade de estabelecer uma linha de negócios de telecomunicações com Fl. 13134DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 48 47 enfoque no mercado corporativo, bem como para fins de atender requisitos regulatórios impostos à época. Não há notícia de qualquer outro investimento mantido por DABR e seu capital, em 2001, era quase que integralmente detido por Telefónica Datacorp (com exceção de uma quota detida pelo sócio Pedro Riviere Torrado), conforme relata a Fiscalização à fl. 11984. A recorrente menciona que em junho/2001 houve aporte de recursos na DABR por empresas do Grupo Telefônica e demais acionistas, mas como se vê na alterações do contrato social de DABR às fls. 8782/8811, o aumento somente foi subscrito por Telefónica Datacorp, no valor de R$ 498.112.400,00, e integralizado com recursos remetidos do exterior nos termos de contratos de câmbio celebrados em 26/06/2001 e 27/06/2001, para serem entregues neste mesmo dia de 27/06/2001 em aumento de capital de FIGUEIRA, operação esta detalhada nas notas explicativas de fls. 8483/8484. A recorrente não especifica as atividades de DABR, sendo certo que o grupo espanhol já possuía uma holding no Brasil, qual seja, SP Telecomunicações, como indicado no Termo de Verificação Fiscal à fl. 11989. Referida holding, aliás, recebeu em cessão a participação de Telefónica Datacorp em DABR, passando a ser detentora de 99,9999% de seu capital em 08/03/2006, mediante promessa de pagamento em 3 (três) parcelas semestrais do valor total de E$ 171.734.635,30 (equivalente a R$ 446.000.000,00), passível de ser convertido, por Telefónica Datacorp, em participação no capital de SP Telecomunicações, conforme fls. 3313/3325. Promovida esta interposição da holding SP Telecomunicações, e seguindose a incorporação de TDBH pela autuada em 28/07/2006, exauriuse a função de DABR como veículo da participação societária de Telefónica Datacorp nas pessoas jurídicas vinculadas à prestação de serviços de dados, reconhecendo a recorrente que DABR permaneceu entre 2006 e 2008 sem outras atividades operacionais ou perspectivas de novos investimentos que pudessem justificar a manutenção de sua existência. Daí o grupo empresarial concluir que não mais existia qualquer razão para a subsistência da DABR sob a holding SP Telecomunicações, como se vê na justificação de 17/10/2008, transcrita pela Fiscalização (fls. 11998/11999); 70. As justificativas para a reestruturação constam no Protocolo de Incorporação e Instrumento de justificação, firmado entre a DABR e o fiscalizado em 17/10/2008 (Doc. 24): 1. JUSTIFICAÇÃO: A DABR é sociedade holding remanescente da linha de negócios que operou investimentos em sociedades do segmento corporativo de telecomunicações, cujo ativo principal era a participação no capital social da Telefônica Data Brasil Holding 5.A., extinta por incorporação pela TELESP em 2006, tendo recebido ações representativas do capital social da TELESP na referida ocasião, em atendimento à relação de troca determinada nos atos societários correspondentes. A DABR não tem identificados outros investimentos de interesse desde então, de forma que não tem obtido outros resultados na consecução do seu objeto social propriamente, mas apenas gerido recursos em pequeno montante e gerado despesas administrativas para si e seus sócios quotistas. A DABR possui dentre seu acervo líquido o registro de ágio decorrente das ações recebidas da TELESP, com fundamento econômico na perspectiva de rentabilidade futura, como se descreverá na Cláusula 3 abaixo. A TELESP poderá oferecer referido contexto operacional, obtendo vantagem econômica do ágio referido, na medida em que a incorporação da DABR permitirá a transferência do ágio e sua amortização na TELESP, proporcionando o aproveitamento Fl. 13135DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 49 48 do respectivo crédito tributário que corresponderá a uma efetiva diminuição futura do imposto de renda e da contribuição social da TELESP, resultando em melhora do fluxo de caixa da Companhia. A operação de incorporação da DABR e a amortização do ágio a ser registrado em conta de ativo diferido da TELESP, será estruturada de forma a evitar a transferência de qualquer endividamento à TELESP, bem como de forma a evitar qualquer impacto negativo nos resultados futuros da Companhia. A TELESP absorverá demais itens que compõem o acervo líquido da DABR ocasionando em aumento de capital no valor de R$ 281.894,93 (duzentos e oitenta e um mil, oitocentos e noventa e quatro reais e noventa e três centavos), sem emissão de novas ações pela Telesp, resultando, portanto em ganho na valoração das ações de todos os seus atuais acionistas. As administrações das Partes entendem, portanto, que a incorporação da DABR, pela TELESP, com a conseqüente extinção da DABR, atende aos interesses das Sociedades e seus acionistas e sócios, conforme o caso, e permitirá potencializar as sinergias mencionadas, racionalizar os riscos inerentes da gestão pelos seus administradores, simplificar a estrutura administrativa e societária, reduzindo custos, mas também conferindo oportunidade do benefício fiscal e melhoria de fluxo de caixa para a Companhia, conseqüentemente, nos seus acionistas. [...] As evidências assim reunidas pela Fiscalização impõem a conclusão de que DABR representava mera extensão da conta Caixa da sociedade estrangeira Telefónica Datacorp, e quando não mais se justificou a segregação dos negócios mantidos sob TDBH, a incorporação destes por TELESP fez com que subsistisse no patrimônio de DABR, apenas, o ágio nele alocado pela investidora estrangeira, cuja destinação à autuada permitiria, no entender da recorrente, o aumento de sinergias por TELESP, a redução do risco gerencial, simplificação da estrutura administrativa, bem como redução de custos. Contudo, seguindose a incorporação de DABR pela autuada, esta passa a apropriar, em seu resultado tributável, os efeitos da amortização do custo de um investimento cuja titular é, em verdade, Telefónica Datacorp. Em circunstâncias semelhantes, esta Conselheira já se manifestou contrariamente ao aproveitamento fiscal das amortizações, especialmente porque o ágio, como parcela do custo de um investimento, somente pode afetar o lucro tributável na baixa deste, aí incluída a extinção do investimento resultante de incorporação, quando esta se verifica entre investidora e investida. Se, como no presente caso, a real titular do investimento Telefónica Datacorp subsiste depois da incorporação de DABR pela autuada, é inadmissível a realização do custo do investimento contra o lucro da sociedade que, ao final das operações, figurou como incorporadora. As amortizações promovidas pela sociedade brasileira são indedutíveis porque não representam despesas próprias, mas sim da adquirente original do investimento. Neste sentido são as razões assim consignadas no voto condutor do Acórdão nº 1101000.961: Isto porque os efeitos das amortizações de ágio e deságio estão assim disciplinados no Decretolei nº 1.598/77: Art. 23. [...] Parágrafo único Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País.(Incluído pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). Fl. 13136DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 50 49 [...] Art. 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decreto lei nº 1.730, 1979) IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. § 1º Os valores de que tratam os itens II a IV serão corrigidos monetariamente. § 2º Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na porcentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). (negrejou se) Dessa forma, as amortizações de ágio e deságio deveriam ser adicionadas ou excluídas na apuração do lucro real, e controladas na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, para posteriormente compor a apuração do ganho de capital na alienação ou liquidação do investimento. Mas, segundo a Lei nº 6.404/76: Art. 219. Extinguese a companhia: I pelo encerramento da liquidação; II pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. Nestes termos, por vislumbrar distinção entre a hipótese do inciso II do art. 219 da Lei nº 6.404/76 e de encerramento prevista no inciso I do mesmo dispositivo, esta hábil a ensejar a aplicação do disposto no art. 33 do Decretolei nº 1.598/77, o legislador assim fixou na seqüência deste dispositivo: Participação Extinta em Fusão, Incorporação ou Cisão Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. Fl. 13137DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 51 50 § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. Nos casos em que a incorporação, fusão ou cisão ocorre em momento próximo à aquisição do investimento com ágio, o valor contábil do investimento é sempre superior ao acervo líquido contábil que substitui as quotas/ações extintas em razão da incorporação, fusão ou cisão, ensejando perda de capital. Para que esta perda fosse dedutível, em interpretação literal do texto, necessário seria que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão fosse avaliado a preços de mercado. De outro lado, caso atendido este requisito, qualquer ágio apurado na aquisição de investimentos, quando esta fosse seguida de incorporação da investida, ensejaria perda dedutível. A exposição de motivos da Lei nº 9.532/97 expressa preocupação com circunstâncias semelhantes a esta, como a seguir transcrito: O art. 8o estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas utilizando dos já referidos “planejamentos tributários”, vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em visto o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Neste contexto, as disposições da Lei nº 9.532/97 podem ser interpretadas como um instrumento para evitar a dedução do ágio apurado sem fundamento econômico, o qual deveria ser mantido em conta do ativo permanente, não sujeita a amortização, bem como uma forma de parcelar os efeitos tributários do ágio pago sob outros fundamentos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Fl. 13138DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 52 51 § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. No mesmo sentido manifestase Luís Eduardo Schoueri, na obra Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), Dialética: São Paulo, 2012. Depois de reportarse à doutrina que se posiciona em sentido contrário, diz o referido autor (p. 67): Tal posicionamento não deixa de ser curioso. Afinal, se anteriormente o ágio era deduzido integralmente, a imposição de restrições não poderia ser considerada um incentivo. A exposição de motivos da Medida Provisória no 1.602/1997 deixou hialino esse instituto de restrição da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipóteses em que forem acarretados efeitos econômicotributários que o justificassem. Realizada a incorporação, na escrituração comercial, o acervo líquido recebido pelo valor contábil anula o investimento correspondente, avaliado pela equivalência patrimonial, e remanesce no patrimônio da sociedade resultante apenas o ágio/deságio, classificado em Ativo Diferido, quando fundamentado em rentabilidade futura, para amortização no período pelo qual ela foi projetada. Com a edição da Lei nº 9.532/97 a amortização do ágio com este fundamento passa a ser dedutível, na apuração do lucro real, no mesmo momento em que registrada contabilmente, desde que observado o prazo mínimo de 5 (cinco) anos para amortização. Quanto ao ágio fundamentado em ativos ou em outras razões econômicas, a doutrina contábil orienta em sentido semelhante ao da lei, pois no primeiro caso vincula seus efeitos no resultado à realização do ativo incorporado, e no segundo caso determina sua baixa imediata, por não ser possível associar seu pagamento a algum critério que permita dimensionar sua amortização. Esta abordagem não autoriza a conclusão de que a Lei nº 9.532/97 tenha instituído um benefício fiscal. A regra expressa em seus artigos 7o e 8o, nos termos de sua exposição de motivos, prestouse, em verdade, a evitar planejamentos tributários que viabilizassem a dedução de ágios, como perda de capital, qualquer que fosse seu fundamento. Fl. 13139DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 53 52 Na sistemática vigente, a amortização do ágio realizada pela investidora permanece indedutível na apuração do lucro real, e somente gera efeitos na alienação ou liquidação do investimento. Já a amortização do ágio realizada após a extinção do investimento não precisa ser adicionada ao lucro real, desde que o ágio esteja fundamentado em rentabilidade futura e a amortização observe o limite temporal mínimo estabelecido pela legislação. Contudo, é fundamental que a incorporação se verifique entre investida e investidora, com conseqüente confusão patrimonial e extinção do investimento, para que a amortização do ágio gere efeitos na apuração do lucro tributável. Aqui, porém, ao término das operações, nada mudou, pois o Santander Hispano permaneceu com a mesma quantidade de ações e na mesma condição de controlador do Banespa. Esta distorção, aliás, é reconhecida pela própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ao analisar a incorporação promovida por meio de uma sociedade veículo, assim expondo na Nota Explicativa à Instrução CVM n° 349/2001, que alterou a redação da Instrução CVM n° 319/99: A Instrução CVM n° 319/99, ao prever que a contrapartida do ágio pudesse ser registrada integralmente em conta de reserva especial (art. 6o, § Io), acabou possibilitando, nos casos de ágio com fundamento econômico baseado em intangíveis ou em perspectiva de rentabilidade futura, o reconhecimento de um acréscimo patrimonial sem a efetiva substância econômica. A criação de uma sociedade com a única finalidade de servir de veículo para transferir, da controladora original para a controlada, o ágio pago na sua aquisição, acabou por distorcer a figura da incorporação em sua dimensão econômica. Esta distorção ocorre em virtude de que, quando concluído o processo de incorporação da empresa veículo, o investimento e, conseqüentemente, o ágio permanecem inalterados na controladora original. Significa dizer que embora transferido o ágio par a empresa veículo, e na seqüência para a incorporadora desta, os efeitos econômicos do ágio originalmente contabilizado na controladora subsistem. Assim, a definição acerca do atendimento à finalidade dos arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97 passa, primeiramente, pelo exame da validade da transferência do ágio originalmente contabilizado pela investidora para a Santander Holding, mediante subscrição de seu capital com o investimento por ela detido no Banespa. Não se exige, aqui, uma lei autorizadora de transferência de ágio por meio de subscrição de aumento de capital. Se não há vedação legal e os atos societários são realizados com observância dos requisitos formais, e têm por objeto ágio efetivo e pago, seria necessário disposição legal específica para se negar validade aos atos societários no âmbito tributário. Contudo, é necessário verificar se a incorporação entre a investida e esta empresa para a qual foi transferido o ágio atende aos requisitos legais para que a amortização deste afete o lucro tributável. Recordese o que diz a Lei nº 9.532/97: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; Fl. 13140DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 54 53 III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. [...] Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (negrejouse) Claro está que as empresas envolvidas na incorporação devem ser, necessariamente, a adquirente da participação societária com ágio e a investida adquirida. Em que pese a lei não vede a transferência consoante antes demonstrado, este procedimento não extingue, na real adquirente, a parcela do investimento correspondente ao ágio, de modo que ao final dos procedimentos realizados, com a incorporação da empresa veículo pela investida, a propriedade da participação societária adquirida com ágio subsiste no patrimônio da investidora, diversamente do que cogita a lei. Em tais condições, a amortização do ágio que passou a existir no patrimônio da investida (Banespa) somente poderia surtir efeitos na apuração do seu lucro real caso se verificasse a sua extinção, ou da investidora (Santander Hispano), mediante incorporação, fusão ou cisão entre elas promovida, por meio da qual o ágio subsistisse evidenciado apenas no patrimônio resultante desta operação, na forma do art. 7o da Lei nº 9.532/97. Na medida em que tal não ocorreu, a dedutibilidade do ágio submetese à regra geral exposta no Decretolei nº 1.598/77: Art. 23. [...] Parágrafo único Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País.(Incluído pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). [...] Art 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. [...] Fl. 13141DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 55 54 Pertinente citar, novamente, abordagem contida na obra Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), antes referida. Nela, o autor Luís Eduardo Schoueri preliminarmente expõe o entendimento de que o ágio, para o investidor, é custo que deve ser considerado em caso de alienação do investimento. Os resultados auferidos com este investimento são reconhecidos, no patrimônio do investidor, como resultados da equivalência patrimonial, não sujeitos a tributação nesta ótica. Seguindo a mesma lógica, a amortização contábil do ágio por rentabilidade futura, por parte do investidor, também não deve afetar o lucro tributável. Diante deste contexto, o autor reputa incabível afirmar que o ágio, ainda que fundamentado na rentabilidade futura, pode ser considerado realizado antes da incorporação de uma das pessoas jurídicas envolvidas (exceto se antes disso tiver ocorrido baixa da participação societária adquirida, quando, em regra o ágio será realizado) (Op. cit. p. 73). E complementa mais à frente: com a incorporação, alerte se, já não há mais que falar em investimento nem em ágio. Ambas as figuras desaparecem (Op. cit. p. 74). Entende o referido autor que a partir da incorporação, os lucros passam a ser tributados na investidora, pois antes disso no máximo haverá receita de equivalência patrimonial, não tributável (Op. cit. p. 79). Aqui, porém, os lucros permanecem tributados na investida, que os reduz mediante amortização de ágio decorrente de investimento que subsiste no patrimônio da investidora original. Caso a investidora fosse empresa nacional, a provisão determinada pela Instrução Normativa CVM no 349/2001 impediria que a equivalência patrimonial refletisse no seu patrimônio apenas o valor líquido dos resultados, restabelecendo o reconhecimento bruto dos resultados da investida, sem os efeitos da amortização do ágio na investida, dado que a amortização do ágio se repetiria na investidora. A diferença está na redução da carga tributária da investida que esta manobra permite, em desrespeito ao previsto no art. 7o da Lei no 9.532/97. Evidenciado, portanto, que não houve a extinção do investimento, inadmissível a amortização fiscal do ágio. E, embora no caso acima citado a sociedade estrangeira tenha primeiro adquirido o investimento com ágio para depois aportálo em uma sociedade brasileira que veio a ser incorporada pela investida, a inversão dos procedimentos em nada altera a conclusão no presente caso, como inclusive justificado em ponto posterior do voto acima referido: [...] Acrescentese, ainda, que o aporte do lance como capital de uma empresa veículo, para que esta participasse do leilão público – estratégia desconsiderada por prejudicar o sigilo do prego ofertado – não seria suficiente para caracterizar esta intermediária como adquirente e permitirlhe a amortização do ágio com efeitos fiscais em caso de incorporação da ou pela investida, na medida em que a empresa assim criada representaria apenas uma extensão do caixa da real adquirente, de modo que a subsequente incorporação não ensejaria a união de patrimônios entre investidora e investida, exigida pela Lei nº 9.532/97. Frente a tais circunstâncias, em nada afetam a exigência as justificativas de caráter econômico, comercial, societário e financeiro apresentadas pela recorrente para criação da TDBH, versão do investimento em TEMPRESAS de TELESP para TDBH e sua posterior reversão, assim como para a formação de ágio durante estas operações, mormente tendo em conta as disposições da Lei nº 6.404/76 (art. 170, §1°, inciso III, no aumento de capital de 2002, e art. 264, §4°, na incorporação de 2006). Ainda que se admita a regularidade destas operações, a sua efetivação a valor de mercado, a existência de desembolso financeiro para aquisição de investimento, a formação de ágio e a sua fundamentação em rentabilidade futura, Fl. 13142DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 56 55 a real titular do investimento continuará sendo Telefónica Datacorp porque o trâmite escritural dos recursos correspondentes ao mencionado desembolso financeiro por no máximo algumas horas no patrimônio de DABR não se presta a firmála como adquirente do investimento com ele realizado. Eventualmente este aporte transitório pode gerar facilidades no trâmite do processo de aquisição do investimento, certamente previamente acordado entre a alienante e a real adquirente, mas tal estrutura formal não pode ser oposta ao Fisco para reduzir o lucro tributável da empresa fiscalizada por uma despesa correspondente à realização de um investimento cujo valor permanece no ativo da real investidora, ou, caso efetivada a promessa de pagamento antes mencionada, no patrimônio da cessionária SP Telecomunicações, que na incorporação realizada em 2008, recebeu as ações da autuada em substituição à sua participação societária em DABR. Admitese, como diz a recorrente, que as operações acima descritas não foram impulsionadas por objetivos fiscais, nem envolveram uma reestruturação sem qualquer objetivo negocial com vistas a unicamente à "criação de despesas que reduzissem seus resultados fiscais ". Não há dúvida que o grupo empresarial pretendia adquirir investimento de terceiros, e é possível que parcela do valor pago representasse ágio. Todavia, os efeitos tributários não foram uma decorrência natural dos atos jurídicos praticados, porque a participação de DABR como veículo dos recursos destinados por Telefónica Datacorp para aquisição do investimento em FIGUEIRA permitiu, ao final das operações, criar um cenário no qual se pretendeu a indevida apropriação do custo desta aquisição no resultado da autuada. Observese que, em memoriais formulados depois da apresentado este voto em sessão de julgamento, a contribuinte aduz que o ingresso de recursos em TDBH ocorreu por meio de AFAC porque o aumento de capital deveria ser precedido dos procedimentos previstos nos arts. 166 a 172 da Lei nº 6.404/76, mormente tendo em conta que a autorização para aumento do capital social de TDBH não permitira o aporte necessário para aquisição de FIGUEIRA. Por sua vez, o AFAC não foi promovido diretamente pelo investidor estrangeiro porque, além do próprio desejo das partes no sentido de que o investimento fosse por intermédio de sociedade holding brasileira, a Carta Circular nº 2487/1994 do BACEN não permitia o ingresso de recursos novos no País, destinados a AFAC. Ocorre que o fato de DABR ter se prestado a contornar a vedação assim estipulada pelo BACEN não pode ser admitida como justificativa para sua interposição nas operações em debate. Se a legislação aplicável não permitia o ingresso de recursos na forma pretendida pelo grupo empresarial, correto seria adiar ou negociar a aquisição pretendida e adotar as demais providências necessárias para que os recursos fossem destinados diretamente à TDBH em aumento de capital. A recorrente também destaca, em tais memoriais, excerto do parecer emitido pelos Professores Eliseu Martins e Eric Martins, no qual se questiona se o fato de uma controladora entregar dinheiro para sua controlada adquirir um investimento fizesse com que a controladora fosse a real adquirente do investimento, a entrega de dinheiro para aquisição de imóveis faria com que a controladora fosse a adquirente do imóvel, por isso seria indedutível a depreciação na controlada. Tal comparação, porém, é imprópria, porque a controladora, no presente caso, não fez empréstimo à empresa nacional, mas sim aportoulhe capital, de onde resulta que, no patrimônio da sociedade estrangeira passa a existir uma réplica do investimento escriturado na empresa nacional, na qual está contido o valor do ágio cuja amortização é debatida nestes autos. Fl. 13143DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 57 56 Ainda, a recorrente confronta a conclusão desta Relatora de que DABR seria "mera extensão de caixa" da "real adquirente", aduzindo que os balanços e declarações de DABR evidenciam o desenvolvimento de atividades operacionais, com recebimento de dividendos e juros sobre o capital próprio, recolhimento de tributos, cumprimento de obrigações acessórias, dentre outros aspectos, assim incorrendo em despesas financeiras, administrativas, com pessoal, fornecedores, manutenção de ativo imobilizado, contratação de prestação de serviços. Todavia, como dito, na operação sob exame, DABR figurou como holding sobreposta à TDBH, esta sim holding do segmento de dados do grupo, e ao final abaixo de SP Telecomunicações, esta sim holding do grupo no Brasil. As justificativas apresentadas não afetam a conclusão de que, nas operações da qual decorre o ágio amortizado, a DABR apenas se prestou, de forma efêmera, como veículo dos recursos aportados pela real adquirente Telefónica Datacorp. Assim, mesmo que as condições de mercado impedissem a manipulação de valores em operações envolvendo empresas de capital aberto, fiscalizadas por autoridades brasileiras e norteamericanas, bem como pelos acionistas minoritários, e com administradores sujeitos a responsabilização administrativa e penal, o fato é que a introdução de DABR no processo de aquisição não afetou os parâmetros da contratação, mas apenas a descrição do adquirente, detalhe suficiente para gerar a pretensa despesa em debate. Quanto ao conteúdo do termo "aquisição" expresso no art. 385 do RIR/99, mesmo admitindose, como defende a recorrente, que ele engloba quaisquer outras transações que resultem na aquisição de investimento em pessoa jurídica por outra, como as operações de troca, em que uma sociedade recebe novas ações de nova sociedade, em substituição do investimento extinto por incorporação de uma sociedade por outra, ou as situações em que determinada sociedade recebe recursos em subscrição de capital, as operações realizadas entre empresas que estejam sob controle comum sempre demandam maior atenção para coibir procedimentos nos quais, como ilustra a Fiscalização, a saída de dinheiro de um bolso para outro de uma mesma calça implique o reconhecimento de um custo que diminua a carga tributária de seu dono. A autoridade lançadora, em tais circunstâncias, tem plena competência para desconsiderar estruturas artificiais e limitar os efeitos tributários àqueles admissíveis em razão dos contornos reais das operações, e assim regularmente procedeu no presente caso. Considerando, ante o exposto, que o aporte promovido em favor de TDBH na data de 27/06/2001 não era de titularidade de DABR, mas sim de Telefónica Datacorp, e este aspecto da acusação fiscal é suficiente para sustentar a glosa promovida, na medida em que atribui a titularidade do investimento àquela sociedade estrangeira e infirma a unificação do patrimônio da investida e da investidora, desnecessário se mostra discutir a classificação do ágio como interno e a indevida importação de conceitos estrangeiros formados em contextos nos quais os balanços individuais das pessoas jurídicas não são a regra como no Brasil, ou abordar os demais argumentos da defesa em favor da regularidade do ágio surgido a cada aquisição de participação societária e contra a existência de vedação legal ao reconhecimento e aproveitamento do ágio gerado em operações entre sociedades relacionadas, e consequente impossibilidade de aplicação retroativa da Lei nº 12.973/2014, bem como da Resolução CFC nº 1.157/2009 e OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007. Irrelevantes, também, as abordagens acerca: 1) das normas tributárias ou societárias que obrigam as partes relacionadas a negociar em bases comutativas mediante a adoção de valores de mercado; 2) da possibilidade de tais operações resultarem em ganhos de capital tributáveis; 3) da confiabilidade da avaliação econômicofinanceira elaborada por Fl. 13144DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 58 57 consultoria contratada; e 4) dos questionamentos promovidos pelos acionistas minoritários. A real aquisição do investimento por Telefónica Datacorp torna inócua toda a argumentação da recorrente contrária à fabricação de riqueza artificial dentro do mesmo grupo econômico. E, ainda que a conclusão de Telefónica Datacorp ser a adquirente do investimento que gerou o ágio amortizado resulte, de fato, de presunção, os indícios que a sustentam são robustos e convergentes, pois nenhum conteúdo foi atribuído à pessoa jurídica DABR, e sua figuração é meramente formal no trâmite de recursos entre a Telefónica Datacorp e TDBH para aquisição do investimento em FIGUEIRA, e com tal característica ela permaneceu até sua extinção motivar as amortizações aqui em debate. Esclareçase, por fim, que o largo intervalo de tempo entre o investimento inicial e as repercussões tributárias não afastam a conclusão de que o grupo empresarial teria planejado as operações para, também, beneficiarse das despesas aqui glosadas. A possibilidade de amortização fiscal do ágio é uma vantagem significativa, considerada em todas as aquisições de participações societárias promovidas a partir da edição da Lei nº 9.532/97, e assim também não foi ignorada no aporte de recursos da investidora estrangeira em 2001. Recordese que o grupo empresarial já possuía uma holding no Brasil, e se a figuração da empresa estrangeira como adquirente direta do investimento gerava alguma dificuldade para sua efetivação, bastaria que Telefónica Datacorp aumentasse o capital daquela holding, sem a desnecessária interposição de DABR, cuja atuação só se justifica para, em caso de eventual reestruturação societária, ser possível sua extinção e aproveitamento fiscal do ágio. Se, no momento do investimento inicial não era possível prever que esta reestruturação fosse acontecer, o fato é que sua ocorrência não poderia ser descartada, e assim as operações foram realizadas contemplando, também, esta hipótese. E, ainda que o conjunto de operações certamente não tenha sido realizado com o fim único e exclusivo de buscar a economia fiscal, o primeiro passo promovido, sem a intervenção de minoritários ou avaliação de órgãos reguladores passagem dos recursos de Telefónica Datacorp por DABR não evidenciou qualquer outro motivo senão o posterior aproveitamento fiscal do ágio. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal exigido a título de IRPJ, em razão das glosas promovidas. Com referência à CSLL, a recorrente subsidiariamente alega a inexistência de previsão legal para a adição, à sua base de cálculo, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela autoridade lançadora, reproduzindo ementas de julgados administrativos neste sentido, e observando que a vedação só foi criada com o art. 50 da Lei nº 12.973/2014, com efeitos a partir do anocalendário 2015. Todavia, como as constatações fiscais conduzem à conclusão de que o ágio não poderia afetar o lucro da autuada por integrar o investimento promovido pela sociedade espanhola Telefónica Datacorp, sua amortização resta inadmissível no próprio lucro contábil, referência primeira para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Logo, é desnecessária norma específica que determine a adição destes valores à base de cálculo daquela contribuição, como adiante se demonstrará. Demais disso, embora à primeira vista a Lei nº 9.532/97 aparente surtir efeitos apenas nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, na medida em que esta aproximouse, no caso de ágio pago por expectativa de rentabilidade futura, da apuração do lucro contábil, é possível interpretar que a lei, ao valerse daqueles termos, e não meramente Fl. 13145DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 59 58 firmar a dedutibilidade da amortização na apuração do lucro real, repercutiria, também, na apuração da base de cálculo da CSLL, inclusive como expresso na Instrução Normativa SRF nº 390/2004: Subseção III Do Investimento em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Da incorporação, fusão ou cisão Art. 75. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento econômico seja: I valor de mercado de bens ou direitos do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos períodos de apuração futuros, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio. § 1º Alternativamente, a pessoa jurídica poderá registrar o ágio ou deságio a que se referem os incisos II e III do caput em conta do patrimônio líquido. § 2º A opção a que se refere o § 1º aplicase, também, à pessoa jurídica que tiver absorvido patrimônio de empresa cindida, na qual tinha participação societária adquirida com ágio ou deságio, com o fundamento de que trata o inciso I do caput, quando não tiver adquirido o bem a que corresponder o referido ágio ou deságio. § 3º O valor registrado com base no fundamento de que trata: I o inciso I do caput integrará o custo do respectivo bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e para determinação das quotas de depreciação, amortização ou exaustão; II o inciso II do caput: a) poderá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de ágio; b) deverá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de deságio; III o inciso III do caput não será amortizado, devendo, no entanto, ser: a) computado na determinação do custo de aquisição na apuração de ganho ou perda de capital, no caso de alienação do direito que lhe deu causa ou de sua transferência para sócio ou acionista na hipótese de devolução de capital; b) deduzido como perda, se ágio, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa; Fl. 13146DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 60 59 c) computado como receita, se deságio, no encerramento das atividades da empresa. § 4º As quotas de depreciação, amortização ou exaustão de que trata o inciso I do § 3º serão determinadas em função do prazo restante de vida útil do bem ou de utilização do direito, ou do saldo da possança, na data em que o bem ou direito tiver sido incorporado ao patrimônio da empresa sucessora. § 5º A amortização a que se refere a alínea "a" do inciso II do § 3º, observado o máximo de 1/60 (um sessenta avos) por mês, poderá ser efetuada em período maior do que sessenta meses, inclusive pelo prazo de duração da empresa, se determinado, ou da permissão ou concessão, no caso de empresa permissionária ou concessionária de serviço público. § 6º Na hipótese da alínea "b" do inciso III do § 3º, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa jurídica usuária ao pagamento da CSLL que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 7º O valor que servir de base de cálculo da CSLL a que se refere o § 6º poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. § 8º O disposto neste artigo aplicase, também, quando: I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 9º O controle e as baixas, por qualquer motivo, dos valores de ágio ou deságio, na hipótese deste artigo, serão efetuados exclusivamente na escrituração contábil da pessoa jurídica. (negrejouse) Assim, quer em razão do disposto na Instrução Normativa SRF nº 390/2004, quer por interpretação dos termos da Lei nº 9.532/97 no contexto em que foi editada, e mesmo em conseqüência da apuração contábil, a base de cálculo da CSLL necessariamente restaria indevidamente afetada pela amortização do ágio aqui em comento, caso reconhecida sua existência no patrimônio da autuada após a reorganização societária debatida nestes autos, e ainda que se admitida sua fundamentação em rentabilidade futura. Não se vislumbra, dessa forma, qualquer especificidade que possa ensejar um resultado diferenciado para a exigência de CSLL decorrente da glosa de amortização do ágio que passou a integrar o patrimônio da autuada após a reorganização societária em comento. Assim, o presente voto também NEGA PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal exigido a título de CSLL, em razão das glosas promovidas. Com referência à penalidade aplicada, a recorrente defende a impossibilidade de simultaneamente atribuir caráter interpretativo à Lei nº 12.973 e manter a aplicação da multa de ofício, porém este aspecto somente teria relevo se a exigência estivesse sendo mantida, exclusivamente, sob o fundamento de o ágio ter sido gerado internamente, característica que, como extensamente antes demonstrado, é irrelevante para a validação das glosas aqui promovidas. Assim, o crédito tributário lançado foi, validamente, acrescido de penalidade. Porém, como aduz a recorrente, não se vislumbra, aqui, circunstâncias fáticas suficientes a Fl. 13147DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 61 60 justificar sua qualificação, à semelhança do que também já decidido por esta Relatora no voto condutor do Acórdão nº 1101000.961: Em tais condições, as amortizações promovidas pelas empresas brasileiras são indedutíveis porque não representam despesas próprias, mas sim despesas da adquirente original do investimento, que subsiste ativa. As operações societárias realizadas, visando internalizar o valor equivalente ao ágio pago pela empresa espanhola, e criar uma incorporação para supostamente atender ao requisito do art. 7o da Lei nº 9.532/97, revelam que a contribuinte buscou, apenas, uma vantagem tributária, sem alterar o controle societário da investida no Brasil. Assim, resta comprovada a conduta contrária à lei, intencionalmente praticada pelo contribuinte, mas que no entender da Fiscalização seria, inclusive, hábil a justificar a qualificação da penalidade. Ocorre que, se de um lado não apenas as omissões de dados e informações constituem o dolo necessário para caracterização da fraude, verificandose esta também quando o sujeito passivo constrói um cenário falso para aparentar a presença dos requisitos legais que autorizariam a dedução por ele pretendida, não é possível afirmar que a conduta da autuada, no presente caso, tenha alcançado estes contornos. O grupo empresarial buscou usufruir do que entendia ser um benefício fiscal constituindo empresa veículo para, a partir dela, formalizar uma incorporação que não realizou o objetivo final da lei, qual seja, a união patrimonial entre investida e investidora. De outro lado, porém, o ágio efetivamente existiu e foi pago pela empresa espanhola ao Estado Brasileiro, em procedimento licitatório, apenas não se verificando a incorporação entre investidora e investida, permanecendo o ágio representado no patrimônio da investidora espanhola. Na medida em que somente a empresa espanhola detinha as condições necessárias para a aquisição, a impossibilidade de aproveitamento do ágio era uma desvantagem a ser considerada na decisão empresarial, não podendo ser posteriormente brandida com fundamento na igualdade entre os licitantes. Mas, interpretando de forma diversa a legislação, a contribuinte praticou os atos que reputou válidos para amortizar o ágio pago na aquisição do Banespa, atos que devem ser reprovados com a conseqüente exigência do crédito tributário. Contudo, não se vislumbra dolo suficiente à caracterização da fraude tributária, na medida em que o ágio existe e foi pago em procedimento licitatório, à semelhança de outros casos práticos que ensejaram o aproveitamento do disposto no art. 7o da Lei nº 9.532/97, a motivar a equivocada interpretação da contribuinte. No presente caso, o grupo empresarial interpretou que o trâmite de recursos por uma pessoa jurídica brasileira permitiria classificála como titular do investimento e do ágio correspondente, e cogitar da amortização deste ativo em caso de futura reestruturação societária. Vislumbrou na lei tributária um benefício fiscal do qual poderia se beneficiar e planejou as operações societárias ajustandoas também a esta hipótese, mas tudo por meio de atos regularmente formalizados, e que se destinaram efetivamente à aquisição de um novo investimento. Neste contexto, como aduz a recorrente, a discussão cingese à possibilidade ou não de dedução fiscal dos valores relativos à amortização do ágio gerado, e não se vislumbra fraude ou condutas dolosas que autorizem a duplicação do percentual previsto para cálculo da multa de ofício. Por tais razões, deve ser DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a qualificação da penalidade. Fl. 13148DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 62 61 Por fim, a aplicação de juros de mora incidentes sobre a multa de ofício se impõe consoante as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. Fl. 13149DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 63 62 A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não Fl. 13150DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 64 63 pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Ademais, recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça manifestouse neste sentido, como exposto na ementa do acórdão proferido em sede de AgRg no REsp 1.335.688PR (Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Fl. 13151DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720145/201338 Acórdão n.º 1302001.817 S1C3T2 Fl. 65 64 Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Colhese do respectivo voto condutor: [...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Assim, também deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 13152DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 15956.000120/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2008
01/02/2006 a 31/12/2008
LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE.
Na hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, havendo lançamento para prevenir decadência, incabível a exigência de multa de ofício. Art. 63 da Lei n. 9.430/96 e Súmula Vinculante CARF n° 17.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35 DA LEI Nº 8.212/91.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), razão pela qual são incabíveis na hipótese de lançamento para prevenir decadência.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do Relator. Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2008 01/02/2006 a 31/12/2008 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Na hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, havendo lançamento para prevenir decadência, incabível a exigência de multa de ofício. Art. 63 da Lei n. 9.430/96 e Súmula Vinculante CARF n° 17. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35 DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), razão pela qual são incabíveis na hipótese de lançamento para prevenir decadência. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do Relator. Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
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SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Na hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, havendo lançamento para prevenir decadência, incabível a exigência de multa de ofício. Art. 63 da Lei n. 9.430/96 e Súmula Vinculante CARF n° 17. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35 DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), razão pela qual são incabíveis na hipótese de lançamento para prevenir decadência. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do Relator. Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 01 20 /2 01 0- 75 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15956.000120/201075 Acórdão n.º 2401004.306 S2C4T1 Fl. 167 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 154 e seguintes) e de ofício (fls. 139). A decisão recorrida julgou procedente em parte a impugnação ao crédito tributário lançado, excluindo a multa de mora e de ofício lançadas, mantendo, no entanto os juros de mora e o valor principal. Adotamos trecho relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 139 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Trata o presente AutodeInfração de Obrigações Principais AIOP n° 37.216.0662, de 09/03/2010, de contribuições devidas pela Empresa à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o valor da receita bruta decorrente da comercialização da sua produção de açúcar e álcool. De conformidade com o relatado pela Auditoria Fiscal, a Autuada é uma agroindústria do setor sucroalcooleiro, sendo devidas às contribuições incidentes sobre o valor decorrente da comercialização da produção rural destinada ao mercado externo, uma vez que tal operação não se dá diretamente, mas efetuada por intermédio de Trading Companies. Os documentos examinados durante a ação fiscal foram Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, Livros Diário e Razão, Controles Intemos da Empresa Mapas e Planilhas com registros das exportações e Processos Judiciais visando verificar a suspensão a exigibilidade das contribuições aqui lançadas. Informa a Auditoria, ainda, que em razão do MS n° 2005.61.00.0251305, a qual entre outros originou o Agravo de Instrumental n° 2007.03.00.0184863, impetrado por três Entidades representativas, da qual a Autuada e associada, e da ação judicial n° 2005.61.02.0145742, com julgamento procedente, dentro dos limites da ação, de concessão da segurança pleiteada para reconhecimento da inexigibilidade da obrigação tributária relativa às contribuições previdenciárias, incidentes sobre as vendas procedidas às empresas comerciais exportadoras e trading, com o fim específico de exportação, o presente processo deverá ficar sobrestado até a decisão daqueles autos, no âmbito judiciário, juntando partes da ação judicial, inclusive cópia do Agravo de Instrumento n° 2005.03.00.0969419, com decisão provisória, suspendendo os efeitos do art. 245, §§ 1° e 2° da IN n° 03/2005. Foram lavrados os seguintes documentos de débito: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 AutodeInfração de Obrigações Principais n° 37.216.0662 contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a comercialização da produção rural no mercado externo, via Trading Companies. Sobrestado em razão de ação judicial; AutodeInfração de Obrigações Principais n° 37.216.0670 contribuições destinadas ao SENAR, incidentes sobre a comercialização da produção rural no mercado externo, diretamente ou por intermédio de Trading Companies e; AutodeInfração de Obrigações Acessórias n° 37.216.0654 descumprimento do inc. IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91 omissão de fatos geradores em GFIP. Informa, ainda, a Auditoria que em obediência ao art. 106 do CTN, que trata da retroatividade mais benéfica, para as competências até 11/2008, procedeuse à comparação da multa vigente ã época da ocorrência do fato gerador e a atribuída pela legislação superveniente, introduzida pela Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, no que resultou na aplicação da primeira legislação. Importa o presente em R$ 11.875.532,96 (onze milhões, oitocentos e setenta e cinco mil, quinhentos e trinta e dois reais e noventa e seis centavos), consolidado em 09/03/2010. Tudo de conformidade com o Feito, Relatório Fiscal e demais Anexos integrantes do Lançamento em foco. A Empresa foi cientificada do AIOP em tela em 11/03/2010, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 102 dos autos. Dentro do prazo regulamentar, a Empresa interpôs Impugnação, alegando, em síntese que: (...) Em razão de ação judicial, manifestouse o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário Equipe de Acompanhamento Judicial SECAT/EAJUD, em 23/abril/2010: “Através dos extratos do sistema TRF 3, apensos as fls. 128/129, verificamos, que mantemse ainda suspensa pela ordem _ judicial a exigibilidade dos débitos aqui constituídos quanto ao mérito judicial, a incidência das contribuições previdenciárias sobre vencia procedidas pela impetrante a empresas comerciais exportadoras e trading companies. (destaques nossos) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada procedente em parte, estando a decisão sujeita a Recurso de Ofício e tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 154 e e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: * correta a decisão de primeira instância ao excluir as multas de mora e de ofício; Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15956.000120/201075 Acórdão n.º 2401004.306 S2C4T1 Fl. 168 5 * requer seja suspenso o feito até final desfecho da ação mandamental impetrada pela recorrente, quando então deverá ser julgado procedente o recurso e, por conseguinte, decretado a nulidade do ato fiscal. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Lançamento. Prevenção da Decadência. Multas de Ofício e de Mora. A análise dos Recursos de Ofício e Voluntário discutem a mesma questão: a manutenção da exclusão das multas de ofício e de mora, nos termos da decisão de primeira instância. O único ponto em que o Recurso Voluntário avança é quanto ao pedido de suspensão do feito até final desfecho da ação mandamental impetrada pela recorrente, quando então deveria ser julgado procedente o recurso e, por conseguinte, decretado a nulidade do ato fiscal. Quanto a este ponto, não se acata os argumentos da recorrente, tendo em vista a inexistência de previsão legal para a suspensão do feito enquanto o Mandado de Segurança não é julgado. Passemos, então à análise da decisão de primeira instância. Como sabido, na hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, havendo lançamento para prevenir decadência, incabível a exigência de multa de ofício (art. 63 da Lei n. 9.430/96 e Súmula Vinculante CARF n° 17). O Acórdão a quo trouxe o entendimento de que as multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que obecederiam ao comando contido no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, razão pela qual seria incabível na hipótese de lançamento para prevenir decadência. Assim, afora a competência 12/2008, em que houve lançamento de multa de ofício, sujeita aos efeitos do art. 63 da Lei n. 9.430/96, caberia ainda a exclusão das multas de mora referentes ao período anterior, que, na verdade, também ostentariam natureza de multa de ofício. Assim, ao serem comparadas para fins de aplicação da retroatividade benigna (art. 106, II, c, do CTN), a condição mais benéfica à recorrente será sempre decorrente da aplicação conjunta dos artigos 44 (multa de 75%) e 63 (exclusão da multa de 75% na hipótese de lançamento para prevenir decadência) da Lei n° 9.430/96. No nosso sentir, irretocável o entendimento da decisão de primeira instância, devendo, portanto, ser mantida a exclusão da multa de mora e da multa de ofício. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO dos Recursos de Ofício e Voluntário para, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15956.000120/201075 Acórdão n.º 2401004.306 S2C4T1 Fl. 169 7 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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