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Numero do processo: 11543.003092/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o advogado Mário Junqueira Franco Jr., OAB/SP nº 140284.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o advogado Mário Junqueira Franco Jr., OAB/SP nº 140284. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 03 09 2/ 20 05 -8 1 Fl. 2833DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003092/200581 Resolução nº 3201000.591 S3C2T1 Fl. 2.833 2 "Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório do PIS decorrente do regime de nãocumulatividade, no período de 01/04/05 a 30/06/05, no valor de R$151.579,35 (fl. 2), para fins de compensação. A autoridade fiscal decidiu (fl. 201) homologar parcialmente as compensações efetuadas, porque entendeu que a contribuinte não possuía o direito creditório no montante declarado. Reconheceu, no entanto, o valor de R$132.792,75, argumentando por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 2.975/09 (fls. 181 e ss), em resumo, que: 1. a requerente tem por objeto social o comércio atacadista de café, comércio atacadista de algodão em pluma, fabricação de óleos vegetais e fiação de fibras de algodão, todas atividades com vendas no mercado interno e no mercado externo; 2. em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no anocalendário 2005, neste ano ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativa da contribuição; 3. a contribuinte informou despesas (manutenção e reparos) não passíveis de aproveitamento de crédito, visto que não se enquadraram na definição de insumos esboçada pela legislação tributária, e em outras situações, não discriminou os serviços efetivamente incorridos; 4. as vendas de mercadorias realizadas pela empresa pública CONAB, não são tributadas, portanto, não fazem jus ao crédito; 5. há compras de mais de 200 diferentes fornecedores, porém, uma amostragem de mais de 80% das compras de café acabou por definir análise da situação dos 39 maiores fornecedores, 1 é empresa do poder público, restando 38 fornecedores; 6. aproximadamente, 82% destes fornecedores analisados, enquadramse como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão, outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com a requerente; 7. registrase que as compras de café de cooperativas foram desconsideradas do cálculo por possuírem tratamento diferenciado no que tange a apuração das contribuições nãocumulativas; 8. se tomados os valores de aquisição que foram declarados, das empresas analisadas, o percentual de aquisições que, em tese, sofreu a incidência do PIS/Pasep na etapa anterior é de impressionantes 29%, sublinhando que o levantamento se contentou em esquadrinhar apenas os valores declarados, independentemente do efetivo recolhimento de tais exações; 9. no caso examinado há presunção de que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 50% (cinquenta inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002, quando foi publicada a Medida Provisória n° 66/2002, que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas; 10. assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas, que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da nãocumulatividade para as contribuições em comento; 11. não se está afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse Fl. 2834DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003092/200581 Resolução nº 3201000.591 S3C2T1 Fl. 2.834 3 conhecimento de tal situação, ao passo que não houve investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho; 12. nesse contexto, a ausência de provas que unam a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor, todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal; 13. não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual; 14. nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé; 15. com estes fundamentos foi providenciado o reenquadramento dessas compras, consideradas irregulares pela presente fiscalização, para aquisições de pessoas físicas garantindose o direito ao crédito presumido, de acordo com a planilha de apuração das contribuições nãocumulativas; 16. o sujeito passivo apurou créditos referentes a embalagens adquiridas, de acordo com o DACON/Demonstrativo Analítico de apuração do PIS, referidas aquisições estão enquadradas nos CFOP de n°s 1920 e 2920, os quais se referem à entrada de sacaria e vasilhame; 17. foram desconsideradas as entradas de mercadorias sob os CFOP de n°s 1122, 2122, 1125 e 2125, visto que referidas aquisições foram contempladas no item Compras Terceiros PJ, conforme declaração do próprio contribuinte às fls. 109/110; 18. verificase, pelo somatório da documentação apresentada, que o contribuinte não logrou êxito em confirmar as despesas de aluguel informadas, razão pela qual essa diferença foi desconsiderada para fins de apuração dos créditos a descontar; 19. o contribuinte ofereceu à base de cálculo dos créditos despesas de condomínio, mas não há previsão no texto legal para a inclusão desta despesa no âmbito da despesa de aluguel, visto que possuem naturezas jurídicas distintas, desta forma, despesas de condomínio não foram consideradas como créditos passíveis de aproveitamento, tendo sido glosadas pela fiscalização; 20. procedeu se, então, à utilização dos créditos na dedução do débito do PIS apurado no mês, além dos créditos vinculados ao mercado interno, consumiramse, também, créditos atrelados ao mercado externo, de sorte que restou saldo credor, a ser utilizado nas compensações de outros tributos ao final do 2º Trimestre de 2005. Em decorrência de sua decisão, a DRF lavrou auto de infração para exigência de PIS/Pasep dos meses de abril/maio de 2005, nos valores de R$193.026,85 e R$61.277,92, respectivamente; além de juros e multa, correspondente ao débito apurado à fl. 180. O citado auto e a correspondente impugnação encontramse no processo nº 15.578.001023/200911, a este apensado. Cientificada da Decisão (fl. 216), em 09/07/10, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 217 e seguintes), em 28/07/10, onde alegou, em resumo, que: 1. o Parecer DRF/VIT/SEORT n° 2.975/2009 ora Fl. 2835DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003092/200581 Resolução nº 3201000.591 S3C2T1 Fl. 2.835 4 guerreado tem razões conexas aos Pareceres DRF/VIT/SEORT n.° 2.979/2009, mister se faz o apensamento destes autos àqueles, tudo com vistas a que sejam julgados simultaneamente, evitando se, destarte, decisões conflitantes acerca da mesma matéria; 2. as despesas pagas às pessoas jurídicas responsáveis pela manutenção e reparos de seus ativos se enquadram verdadeiramente no conceito de insumos albergado pela legislação fiscal de regência; 3. o direito ao crédito da contribuição nascerá em relação a toda e qualquer aquisição de bens e serviços, desde que: (i) tratemse de elementos sem os quais a receita de vendas não se realizaria; e, (ii) não haja vedação legal à apropriação de créditos calculados sobre tais dispêndios; 4. a Requerente esclarece que as tais despesas são registradas na conta 752.600 e referemse à utilização de serviços no beneficiamento do algodão; 5. se o art. 3º, II da Lei n.° 10.637/02 não restringiu o direito ao crédito apenas para as hipóteses em que os serviços são aplicados ou consumidos na produção, o ato administrativo ora mencionado (IN nº 247/02 com redação dada pela IN º 358/03) não poderia criar este limite, sob pena de ofensa ao Princípio da legalidade, alçado a patamares constitucionais por força do art. 150, I da Constituição Federal; 6. nos tributos em que o ônus financeiro é transferido ao adquirente (tributos indiretos) há a obediência ao chamado Princípio Constitucional da NãoCumulatividade, pelo qual o contribuinte possui o direito de abater o tributo cobrado em etapas anteriores do que for devido em decorrência de suas próprias operações; 7. a ideia materializada nesse princípio é a de evitar o chamado efeito cascata, isto é, a incidência de tributo sobre tributo; 8. em relação aos fornecedores inidôneos, a Requerente acosta notas fiscais, comprovantes de pagamentos e de entrada de mercadorias, que comprovam as transações elencadas pelo Sr. AFRF; 9. cumpre destacar que a Lei nº 10.637/2002 não condicionou a apropriação de créditos ao pagamento do produto adquirido, mas sim a sua aquisição; 10. exigir que a Requerente tome os créditos apenas de pessoas jurídicas que estejam em dia com suas obrigações tributárias (principais e acessórias) é no mínimo paradoxal, na medida em que a Requerente não dispõe do mesmo aparato que o Fisco detém para constatar irregularidades tributárias; 11. ainda que existisse regra condicionando o crédito ao pagamento na etapa anterior, tratarseia de dispositivo absolutamente inócuo, na medida em que em virtude do sigilo fiscal (arts. 198 e 199 do CTN) não há como a Requerente constatar se seus fornecedores estão em dia com o Fisco; 12. assim, solicita o cancelamento da glosa referente às aquisições de pessoas jurídicas inidôneas; 13. o Parecer equivocou se ao glosar o crédito pleiteado pela Requerente (registrado na linha 02 da ficha 04 do DACON), na medida em que as embalagens registradas nessa linha do DACON (contabilizadas na conta 755.000) referemse àquelas consumidas na industrialização do óleo de algodão, não guardando qualquer/relação com aquelas adquiridas, sob o CFOP n°s 1.122, 2122, 1125 e 2125; 14. as demais despesas com embalagens citadas referemse às aquisições de sacaria utilizada na exportação, de café (linha 01 do DACON); 15. não há registro em duplicidade e, consequentemente, não há valores à serem glosados; 16. os dispêndios de condomínio compõem o valor da própria despesa de aluguel e, dessa forma, também geram direito ao crédito. A Inconformada cita legislação e jurisprudência, requerendo, ao final, reconhecimento do Fl. 2836DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003092/200581 Resolução nº 3201000.591 S3C2T1 Fl. 2.836 5 direito de crédito e homologação das compensações efetuadas. O processo fora baixado em diligência (fl. 1.869) para a Unidade a quo examinar, em resumo, se há alguma repercussão na controvérsia aqui instaurada e no crédito pleiteado dos mesmos fatos apurados nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, pedindo ainda esclarecimentos acerca de outros itens glosados. A Delegacia de origem no “Relatório Fiscal”, à fl. 2.194 e seguintes, responde positivamente a tal indagação, junta variados documentos, e, em síntese, justifica que: 1. a operação fiscal “TEMPO DE COLHEITA” foi deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, que resultou na operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; 2. no rol de supostos fornecedores da contibuinte, é importante mencionar a ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de café localizadas na cidade de COLATINA, norte do ES, uns dos principais alvos na “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES; 3. a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; 4. dezenove (53%) das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e vultosa a partir do ano de 2003; 5. ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas; 6. entre os documentos obtidos ao longo da operação “TEMPO DE COLHEITA” estão declarações de produtores rurais, maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada, e, ainda, documentos relacionados a tais empresas; 7. do Ministério Público e da Polícia Federal a Fiscalização recebeu documentos fiscais e contábeis em papel e meio magnético; 8. com o objetivo de colher provas sobre o modus operandi do esquema, coletouse, durante as mencionadas operações, documentos, além de realizar diligências nas atacadistas e principais empresas exportadoras de café; 9. junto aos produtores rurais foi apurado que havia uma negociação direta, ou por meio de corretores, entre os produtores rurais e tradicionais maquinistas e empresas do ramo atacadistas, exportadoras ou indústrias, porém, nas notas fiscais apareciam como compradores pseudoatacadistas, tais como, Colúmbia, Do Grão, V. Munaldi, JC Bins, e outras; 10. os produtores rurais, via de regra, não preenchiam as notas fiscais, sendo que as mesmas eram preenchidas nos escritórios dos corretores e/ou compradores; 11. os corretores de café convergiram para firmar os pontos levantados pelos produtores rurais, especialmente, no que tange à utilização das pseudoempresas jurídicas para intermediar a venda do café do produtor para a comercial atacadista, inclusive, do pleno conhecimento da empresa, ora autuada, de tais operações; 12. os corretores afirmaram que as próprias empresas tradicionais de exportação e industrialização do café passaram a dificultar a compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoas jurídicas; 13. os corretores afirmaram que algumas empresas foram constituídas com a única e exclusiva finalidade de Fl. 2837DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003092/200581 Resolução nº 3201000.591 S3C2T1 Fl. 2.837 6 vender notas fiscais, e, ainda, que as Exportadoras/Indústrias tinham pleno conhecimento do esquema fraudulento; 14. a migração para empresas laranjas foi um movimento orquestrado, onde exportadoras e indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros; 15. restou demonstrado que a EISA não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada. Intimada do resultado da diligência, a contribuinte ratificou os termos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando (fls. 2360 e ss), em resumo, que: 1. nenhum dos sócios, administradores ou empregados da Requerente foi investigado no âmbito do Inquérito Policial nº 541/2008 DPF/ SR/ES ou denunciado nos autos do Processo Criminal n° 2008.50.05.0005383, ou em qualquer outro processo criminal oriundo das operações "Tempo de Colheita" e "Broca"; 2. ao revés, em momento algum das investigações ocorridas houve a vinculação da Requerente ao suposto sistema fraudulento; 3. assim, resta evidente a precariedade da acusação da d. autoridade fiscal de que a Requerente teria se utilizado de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores, com o intuito exclusivo de apropriação de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS; 4. o volume de operações mantido com pessoas físicas pouco sofreu alterações com a instituição da nãocumulatividade das contribuições e previsão de direito ao crédito (anoscalendários 2002 e 2003), e com a mudança da legislação aplicável ao setor em 2012 (Lei n° 12.599/2012); 5. ainda que o nome do produtor rural, da fazenda de café e/ou da região fosse informado ao adquirente em referidas situações, como até hoje o é, este adquire o produto da empresa atacadista, que ao final é responsável pela entrega do produto em determinada quantidade, em boa qualidade e em determinado prazo e local; 6. as empresas atacadistas, comerciantes e exportadoras de café cru em grão não necessitam de estrutura física própria para operarem a não ser uma sala, onde localizado o estabelecimento comercial utilizado para a formalização da compra e venda do café, na medida em que referido produto, após adquirido, pode perfeitamente permanecer depositado em armazém geral até a ocasião da revenda; 7. em nenhum dos depoimentos constantes dos autos é feita menção à pessoa da Requerente ou de algum administrador/funcionário seu como participante do alegado esquema fraudulento; 8. em sendo inegável a boafé da Requerente, verificase a completa improcedência da glosa dos créditos apurados sobre aquisições de café cru em grão de pessoas jurídicas no período compreendido entre o 1º trimestre de 2004 e o 3° trimestre de 2005; 9. demonstrou a completa improcedência da glosa dos créditos originais das contribuições apurados pela Requerente sobre aquisições de café de pessoas jurídicas; 10. considerando a indiscutível boafé da empresa e nos termos do artigo 82, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96, deve ser cancelada a glosa dos créditos levada a efeito em razão da suposta inidoneidade dos fornecedores da Requerente; 11. na remota hipótese da glosa em questão ser mantida, o que se admite apenas para fins de Fl. 2838DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003092/200581 Resolução nº 3201000.591 S3C2T1 Fl. 2.838 7 argumentação, há que ao mínimo se reconhecer o direito à apuração do crédito presumido de que trata a Lei n° 10.925/04, como fora inicialmente realizado pela d. autoridade fiscal; 12. ainda que não tivesse ocorrido a decadência para inovação dos fundamentos da glosa, apenas a título de argumentação, restará comprovado que a posição da 16ª Turma da DRJ/RJ1 quanto à apuração de crédito presumido de aquisições de café de produtores rurais não deve prosperar; 13. um dos requisitos para a apropriação do crédito presumido na aquisição de produto in natura consiste no fato de que o adquirente exerça a atividade agroindustrial, e a Requerente, na condição de encomendante, é considerada, para todos os fins fiscais, produtora de café e, por conseguinte, beneficiária do crédito presumido. Reitera, “com base nos argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade apresentada, somados aos argumentos que aqui são apresentados”, pela reforma da decisão que não homologou os pedidos de compensação, a fim de que seja reconhecido o crédito pleiteado em sua integralidade." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. Não dá direito a crédito gastos ou despesas com bens ou serviços utilizados nas atividades da Empresa, quando não corresponderem ao conceito de insumo ou a outra expressa hipótese legal. Aquisições. Nãosujeitas ao PIS. Crédito Vedado. A Partir de 01/08/04. A alteração promovida pela Lei nº 10.865, de 30 de abril 2004, na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no sentido de vedar o direito ao crédito da nãocumulatividade do PIS, nos casos de aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, passou a produzir efeitos a partir de 01/08/04. Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Fl. 2839DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003092/200581 Resolução nº 3201000.591 S3C2T1 Fl. 2.839 8 Direito Creditório Reconhecido em Parte” Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras constantes das instruções normativas da Receita Federal, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais Fl. 2840DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003092/200581 Resolução nº 3201000.591 S3C2T1 Fl. 2.840 9 despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 2841DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 19515.002193/2004-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/07/2004
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA.
A qualificação da multa de lançamento de ofício exige prova inequívoca que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64 em relação ao tributo que deixou de ser recolhido ou declarado.
Numero da decisão: 3402-002.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 31/07/2004 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa de lançamento de ofício exige prova inequívoca que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64 em relação ao tributo que deixou de ser recolhido ou declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 93 /2 00 4- 01 Fl. 628DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 2 Tratase de recurso de ofício contra Acórdão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro II, que julgou a impugnação procedente em parte reduzindo a multa de ofício aplicada para os PA janeiro/2000 a dezembro/2001 de 150% para 75%. Trata o presente processo de auto de infração relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, nos períodos de apuração (PA) 01/00 a 07/04, no valor de R$ 341.561,39, com multa de ofício no valor de R$ 376.175,99, e juros de mora, calculados até 30/09/2004, no valor de R$ 149.384,87, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 867.122,25, em decorrência de ação fiscal efetuada pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (Defic/SPO). Em face da mesma ação fiscal foi também lavrado auto de infração relativo à falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, abrangendo os mesmos períodos de apuração, no valor de R$ 1.356.527,52, com multa de ofício no valor de R$ 1.571.265,70, e juros de mora, calculados até 30/09/2004, no valor de R$ 651.996,19, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 3.579.789,41. A contribuinte foi cientificada das autuações e apresentou sua impugnação, alegando e requerendo, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: (...) 8.1. em 21/11/2003, o ora impugnante aderiu ao Parcelamento Especial – Paes de que trata a Lei nº 10.684/2003, declarando, assim, todos os seus débitos para o respectivo parcelamento, inclusive os débitos relativos ao PIS e à COFINS, dos períodos de 2000, 2001 e 2002, conforme se demonstra na cópia da Declaração Parcelamento Especial – Paes anexada (fl 177), transmitida via internet em 28/10/2003 às 13h08m56s, protocolo de entrega número 1011505851; 8.2. em relação ao período de 2003 e janeiro a julho de 2004, o requerente constitui créditos junto ao Fisco Federal, inerentes à exclusão do Refis I, créditos oriundos de ações judiciais (inconstitucionalidade de majoração de alíquotas), que estão sendo levantados para a respectiva quitação dos débitos fiscais, devendo ser registrado que o fato gerador dos créditos fiscais é anterior à obrigação tributária; 8.3. além disso, há que se considerar que o tributo não pode ser utilizado para punir, da mesma forma que as sanções não podem ser utilizadas como instrumento de arrecadação disfarçado, pelo que, por mais grave que seja o ilícito praticado – o que evidentemente não é o caso – não se justifica a fixação de uma penalidade que exproprie o sujeito passivo de parcela de seu patrimônio de forma desproporcional à infração, sendo inadmissível que o valor da multa imposta por suposta infração aos dispositivos legais represente mais que o dobro do valor do tributo exigido; 8.4. em virtude de o impugnante ter parcelado seus débitos junto ao fisco, caracterizase a espontaneidade da declaração do débito; 8.5. além do mais, não pode prosperar o entendimento que serviu de base para a exigência da multa, haja vista que o critério utilizado desconsidera a circunstância de fato e de Fl. 629DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 19515.002193/200401 Acórdão n.º 3402002.784 S3C4T2 Fl. 629 3 direito do contribuinte, já que, no caso em questão, o requerente não cometeu qualquer infração que justifique a aplicação da multa de 150% a 75%, cujo valor praticamente se equipara ao dobro do imposto devido, motivo pelo qual a multa de ofício deve ser cancelada; 8.6. por outro lado, no que se refere aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que aquela taxa não foi criada por lei para fins tributários; 8.7. pelo exposto, requerse o acolhimento integral da presente impugnação e o cancelamento da exigência. (...) Em cumprimento à disposição contida no artigo 2º da Portaria SRF nº 6.129, de 02/12/2005, foi juntado por anexação ao processo principal nº 19515.002193/200401, que cuida de auto de infração da contribuição ao PIS, o processo nº 19515.002194/200448, que trata da Cofins. Mediante o Acórdão nº 1318.183 5ª Turma da DRJ/RJOII, de 14 de dezembro de 2007, foi julgada procedente em parte a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/07/2004 PIS/Pasep. VALORES DECLARADOS EM PROGRAMA ESPECIAL DE PARCELAMENTO. PAES. Somente os débitos confessados pelo contribuinte em programa de parcelamento antes do início da ação fiscal gozam do atributo da espontaneidade e dispensam o lançamento de ofício. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Não compete à DRJ apreciar, originariamente, pedido de restituição ou compensação de tributos ou contribuições federais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. CABIMENTO. A multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada pela infração cometida, cabendo a sua incidência no percentual expressamente previsto em lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 4 A qualificação da multa exige, como condição imposta pela lei, prova robusta que demonstre, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/07/2004 COFINS. VALORES DECLARADOS EM PROGRAMA ESPECIAL DE PARCELAMENTO. PAES. Somente os débitos confessados pelo contribuinte em programa de parcelamento antes do início da ação fiscal gozam do atributo da espontaneidade e dispensam o lançamento de ofício. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Não compete à DRJ apreciar, originariamente, pedido de restituição ou compensação de tributos ou contribuições federais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. CABIMENTO. A multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada pela infração cometida, cabendo a sua incidência no percentual expressamente previsto em lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa exige, como condição imposta pela lei, prova robusta que demonstre, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Lançamento procedente em parte Da sua decisão a DRJ recorreu de ofício, na parte exonerada do lançamento, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por força do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações posteriores, c/c a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 19515.002193/200401 Acórdão n.º 3402002.784 S3C4T2 Fl. 630 5 Tendo resultado infrutífera a ciência postal da contribuinte, foi publicado Edital de Intimação em 28/05/2008, nos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, para notificação da decisão de primeira instância. Em 02/10/2012, a contribuinte apresentou petição denominada "Manifestação de Nulidade Formal" (fls. 609/624), mediante a qual expôs suas alegações acerca da nulidade do procedimento fiscal. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Não conheço da petição das fls. 609/624 a título de recurso voluntário, eis que manifestamente intempestiva. Além do que, em relação à possibilidade de conhecimento da matéria de ofício, acompanhando a jurisprudência deste CARF, conforme ementas abaixo, o meu entendimento é que eventuais irregularidades, se constatadas, no Mandado de Procedimento Fiscal MPF não constituiriam hipóteses de nulidade do lançamento, eis que o MPF é apenas um instrumento de natureza jurídica administrativogerencial para o planejamento, controle interno da atividade de fiscalização da Administração Tributária e para a informação ao contribuinte de que está sendo objeto de fiscalização pela Receita Federal do Brasil (RFB): Processo nº 10950.000780/201092 Acórdão nº 1401001.167– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de abril de 2014 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 NULIDADE. IRREGULARIDADES NA EMISSÃO DE MPF. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é simples instrumento de controle interno da Administração Tributária, não se constituindo em elemento essencial de validade do correspondente auto de infração. (...) Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão nº 1402001.875– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 632DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 6 Anocalendário:2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. FALHAS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (...) A exigência tributária cancelada por meio da decisão recorrida supera o limite de alçada previsto na Portaria MF n° 3/2008, e o recurso de ofício, interposto por parte legítima, deve ser conhecido. Em relação à multa de ofício, ela foi exigida pela fiscalização no percentual qualificado de 150% para os períodos de apuração de janeiro/2000 a dezembro/2001, sob o fundamento de "evidente intuito de sonegação e fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, caracterizado por divergência na receita contabilizada (a maior) e na receita declarada (a menor) nas DIPJs Originais dos anoscalendário 2000 e 2001, com intuito de diminuir a base de cálculo e a contribuição devida ao PIS, posteriormente retificada sob procedimento fiscal." Apurou a fiscalização que os valores das receitas omitidas na declaração original seriam próximos aos valores das notas fiscais emitidas pela autuada por serviços por ele prestados à CONSTRAN, cujos contratos de subempreitada estavam sob fiscalização. Além disso, constatou a fiscalização que a autuada promoveu, artificialmente, acréscimo nos custos com serviços prestados pelos mesmos montantes acrescidos nas declarações retificadoras, custos esses nos quais se inserem os valores pagos à empresa Framar Terraplenagem S/C Ltda. Quanto às receitas omitidas e depois informadas na declaração retificadora não espontânea, apurou, detalhadamente, o julgador de primeira instância que, na verdade, havia relação de proximidade entre esses valores e os da notas fiscais de serviços prestados à CONSTRAN somente para alguns meses entre 01/2000 a 12/2001, o que não ocorria para os demais meses. Com relação à majoração artificial de custos pela empresa, bem esclareceu a decisão recorrida que tal procedimento não causa reflexos nas autuações do PIS e da Cofins sob estudo, que incidem a receita auferida, nada importando em suas apurações o custo incorrido. De forma que entendo correta a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos, que concluiu pela inexistência do elemento subjetivo para a incidência da multa de lançamento de ofício qualificada, de que a contribuinte teria procurado ocultar bens e fatos jurídicos, ou intentado dolosamente evitar ou diferir o pagamento da obrigação tributária principal relativamente ao PIS e à Cofins, nos seguintes termos: (...) 32. Quanto à análise da procedência da aplicação da multa qualificada, é de se assinalar, inicialmente, que a majoração artificial de custos pela empresa não causa reflexos nas autuações do PIS e da COFINS que ora se examinam, que Fl. 633DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 19515.002193/200401 Acórdão n.º 3402002.784 S3C4T2 Fl. 631 7 possuem por base de incidência a receita auferida, nada importando em suas apurações o custo incorrido, muito embora o elemento doloso aventado pela fiscalização para proceder à aplicação da multa qualificada aqui nos interessa, não há a menor sombra de dúvida, até mesmo porque o custo artificialmente inflado teve por contrapartida acréscimo de receitas supostamente pelo mesmo montante. 33. Ocorre, nesse sentido, todavia, que a fiscalização procurou estabelecer uma correlação entre a receita omitida pelo autuado em suas DIPJ originais com as notas fiscais emitidas à CONSTRAN, procurando, não se sabe ao certo o motivo e, pelo menos, ante os elementos que integram o presente processo omitilas não de sua contabilidade, mas de suas declarações obrigatórias, pelo menos até que a fiscalização chegasse à empresa. 34. Não creio, contudo, que tal conduta configure as práticas a que aludem os arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, tal como propugnado pela fiscalização, não somente porque, como acima comentado, não foi perfeitamente esclarecido o elemento doloso, ou seja, o porquê da intenção de omitir (vale dizer, no sentido de não declarar) somente as receitas obtidas junto à empresa CONSTRAN das declarações de rendimento do autuado, mas, sobretudo, porque, no demonstrativo de fl. 143, a correlação entre a receita não declarada nas DIPJ (originais) com as notas fiscais emitidas pelos serviços prestados à CONSTRAN não se encontra inequivocadamente caracterizada, senão vejamos. 35. Se é certo que as receitas não declaradas nas DIPJ guardam alguma proximidade com o valor das notas fiscais emitidas para a CONSTRAN nos meses assinalados em destaque no demonstrativo de fl. 143 (05/00 a 07/00, 09/00, 01/01 e 05/01), o mesmo não ocorre em todos os demais meses. Nos meses fevereiro e abril de 2000, fevereiro a abril e junho a dezembro de 2001, por exemplo, observase que o fiscalizado igualmente não declara integralmente suas receitas em DIPJ (original), muito embora, em citados meses, sequer tenha se verificado a emissão de notas pelo autuado por serviços prestados para a CONSTRAN. Além disso, nos meses janeiro, março, agosto e outubro a dezembro de 2000, não se faz possível vislumbrar qualquer relação ou proximidade das receitas não declaradas em DIPJ com as notas fiscais para a CONSTRAN, sendo o valor destas últimas bastante superior à receita não declarada. Ou seja, se intenção houvesse em ocultar da declaração de rendimentos as notas fiscais emitidas para a CONSTRAN, o valor a ser ocultado deveria ser bem superior. 36. No mais, também é certo que se a criação de custos junto à empresa Framar, supostamente artificiais, teve por objetivo fazer frente às receitas obtidas com os serviços verdadeiramente prestados à CONSTRAN, somente declaradas após as retificadoras apresentadas ou até mesmo o inverso, ou seja, que buscaria o autuado, em verdade, “fabricar” custos para fazer frente às receitas auferidas com a prestação de serviços Fl. 634DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 8 inexistentes à CONSTRAN, sem causar, de forma dolosa e ardil, reflexos na apuração do imposto de renda devido, o que aqui, vale dizer, somente se cogita, em função da precariedade de elementos e demais informações trazidas ao presente processo fato é que o montante dos custos junto à Framar, relacionados na Tabela de fl. 101, encontrase dentro do limite dos custos declarados já na DIPJ original (2000 – R$ 7.439.760,33; 2001 – R$ 7.230.112,64, cf. fl. 141), nunca os ultrapassando, situação somente na qual poderia ser cogitado de que, nas retificadoras, o autuado teria se apropriado indevidamente, e com o elemento dolo, de custos junto à empresa interposta, omissa e desativada, para fazer frente às receitas com a CONSTRAN, que buscava ocultar de sua declaração, situação essa que, entretanto, também não restou devidamente demonstrada. Não deve ser também esquecido que a glosa de custos indevidamente apropriados diz respeito à apuração do IRPJ e da CSLL e não das contribuições aqui versadas (PIS/COFINS). 37. Portanto, não há nos autos prova material suficiente de que o contribuinte tenha procurado ocultar bens e fatos jurídicos, ou intentado dolosamente evitar ou diferir o pagamento da obrigação tributária principal. Não bastam prova da falta de pagamento do tributo, nem tampouco meros indícios; é necessário que as circunstâncias materiais do fato estejam perfeitamente identificadas e comprovadas, com vistas a configurar o evidente intuito de fraude e sonegação, relativamente a cada fato gerador. 38. Inexiste, pois, o elemento subjetivo do ilícito, devendo reduzirse a multa de lançamento de ofício qualificada para multa de lançamento de ofício regular de 75%. (...) Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 635DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
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Numero do processo: 16682.721081/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO/CSLL. BASE DE CÁLCULO. ADIÇÕES. ART. 57 DA LEI N.° 8.981/1995. INAPLICABILIDADE.
A adição à base de cálculo da CSLL do valor da amortização/dedução do ágio na aquisição de investimentos avaliados pela equivalência patrimonial não encontra previsão legal, não podendo ser exigida do contribuinte, posto que o art. 25 do Decreto-lei n. 1.598/77, com a redação dada pelo Decreto-lei n. 1.730/79, apenas veda o computo das contrapartidas de referida amortização no lucro real. Não se aplica à presente questão o art. 57 da Lei n.° 8.981/1995, pois tal dispositivo não determina que a base de cálculo da CSLL seja idêntica à base de cálculo do IRPJ, nem que as adições devem ser as mesmas.
Numero da decisão: 1301-001.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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BASE DE CÁLCULO. ADIÇÕES. ART. 57 DA LEI N.° 8.981/1995. INAPLICABILIDADE. A adição à base de cálculo da CSLL do valor da amortização/dedução do ágio na aquisição de investimentos avaliados pela equivalência patrimonial não encontra previsão legal, não podendo ser exigida do contribuinte, posto que o art. 25 do Decretolei n. 1.598/77, com a redação dada pelo Decretolei n. 1.730/79, apenas veda o computo das contrapartidas de referida amortização no lucro real. Não se aplica à presente questão o art. 57 da Lei n.° 8.981/1995, pois tal dispositivo não determina que a base de cálculo da CSLL seja idêntica à base de cálculo do IRPJ, nem que as adições devem ser as mesmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 10 81 /2 01 3- 16 Fl. 2912DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 2913DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16682.721081/201316 Acórdão n.º 1301001.873 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratase do Auto de Infração da CSLL (fls. 2620 a 2627),com ciência em 18/11/2013 (fl. 2621) e, no qual a empresa autuada acima identificada é acusada de não ter adicionado à base de cálculo ajustada da CSLL despesas não dedutíveis que reduziram o lucro contábil em todos os meses do anocalendário de 2008, conforme Termo de Verificação Fiscal anexado, bem como de falta de pagamento da CSLL incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução nos meses de janeiro, fevereiro, março, maio, junho e julho de 2008; tendo sido constituído crédito tributário de R$ 5.837.834,69 de CSLL, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora, além de Multa Exigida Isoladamente/CSLL no valor de R$ 1.743.144,82, com fulcro no enquadramento legal nele mencionado. O crédito tributário total, com juros calculados até novembro de 2013, é de R$ 14.553.689,27. Em síntese a acusação fiscal é a seguinte: Da Não Adição à Base de Cálculo da CSLL da Amortização de Ágio Decorrente de Aquisições de Investimentos Avaliados pelo Patrimônio Líquido. Conforme Termo de Verificação Fiscal, no anocalendário de 2008 a recorrente registrou em sua contabilidade despesas com amortização de ágio (ágio decorrente das aquisições dos controles acionários das empresas TNL PCS S/A, em 2003, e Tele Norte Celular Participações S/A, controladora da sociedade Amazônia Celular S/A, em 2008) no valor total de R$ 64.864.829,94, sendo que na apuração do Lucro Real adicionou este valor e não o fez na apuração da base de Cálculo da CSLL. A autoridade fiscal autuante, em síntese, afirma que a legislação aplicável à espécie no anocalendário de 2008 determina que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial nas contas contábeis de resultado, a exemplo das despesas em foco de amortização de ágio decorrente de aquisição de controle acionário de empresas, só devem ser consideradas na baixa do investimento ou nos casos previstos pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Não tendo ocorrido, no presente caso, baixa de investimento nem os casos previstos nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (incorporação da investida pela investidora ou viceversa), a recorrente estava obrigada a adicionar à base de cálculo da CSLL as despesas em foco de amortização de ágio, no valor total de R$ 64.864.829,94, assim como o fez na apuração do Lucro Real. Por sua vez, a empresa autuada alega, em síntese, que, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL no anocalendário de 2008, não há previsão legal que determine a adição da despesa com amortização de ágio decorrente de aquisição do controle acionário de empresas, com base no método de equivalência patrimonial, mesmo diante da leitura combinada do art. 57 da Lei nº 8.981/1995 com o art. 391 do Decreto nº 3.000/1999, uma vez que eles não igualam a base de cálculo do IRPJ com a da CSLL, mas, sim, a forma de suas apurações (apuração pelo lucro real trimestral, lucro real anual ou lucro presumido). Fl. 2914DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 A DRJ/RIO DE JANEIRO I, decidiu a matéria consubstanciada no Acórdão 1265.747, de 22 de maio de 2014, julgando procedente a impugnação e em conseqüência exonera o crédito tributário, tendo sido lavrado a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO SURGIDO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO EM SOCIEDADES COLIGADAS OU CONTROLADAS AVALIADOS PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Não existe norma legal que obrigue o contribuinte a não computar na determinação da Base de Cálculo da CSLL as contrapartidas da amortização do ágio surgido na aquisição de investimento em sociedades coligadas ou controladas avaliado pelo patrimônio líquido. Ou seja, estas despesas de amortização de ágio são dedutíveis para efeitos de apuração da Base de Cálculo da CSLL. É o relatório. Fl. 2915DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16682.721081/201316 Acórdão n.º 1301001.873 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Como se observa do voto condutor de primeira instância o valor do crédito exonerado supera o limite estabelecido pela Portaria/MF 03, de 03/01/2008, razão pela qual, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei 9.532/97, deve a decisão ser submetida à revisão necessária. Pelo que conheço do recurso de ofício interposto. Em síntese, com base no que dispõem os arts. 385, 386, 391 e 426 do RIR/1999, a autoridade autuante concluiu que os valores amortizados do ágio em foco que foram adicionados na apuração do lucro real deveriam ter sido também adicionados na apuração da base de cálculo da CSLL. Constatase, em primeiro lugar que a autoridade julgadora de primeira instância, apreciando a impugnação interposta, cancelou a autuação, sob os seguintes fundamentos: "a apuração do Lucro Real da Interessada, as despesas de amortização em foco, no valor total de R$ 64.864.829,94, foram adicionadas ao Lucro Líquido por força do que determina o art. 391 do RIR/1999. Da leitura do que está disposto no art. 391 do RIR/1999, verificase que se trata de uma regra que, por si só, se aplica tão somente na determinação do Lucro Real. Ou seja, por força do que determina a regra estabelecida no art. 391 do RIR/1999, a Interessada, na apuração do Lucro Real do anocalendário de 2008, estava obrigada a adicionar ao Lucro Líquido a despesa contabilizada de amortização do ágio originado nas aquisições que fez de investimentos em sociedades controladas avaliadas pelo patrimônio líquido. O art. 391 do RIR/1999 tem por base legal o DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e o DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III, os quais são muito anteriores a existência da CSLL, a qual foi introduzida no ordenamento jurídico em dezembro de 1988 por meio da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, de modo que não é possível que o art. 391 do RIR/1999, por si só, se aplique à CSLL. Os art. 386 e 426 do RIR/1999 tratam de situações que não são as deste processo, quais sejam, incorporação, fusão ou cisão (art. 386) e alienação (art. 426), de modo que não vale a pena aqui analisálas. Assim sendo, voto por afastar este motivo do lançamento." Pois bem. Sobre a amortização/dedução do ágio é importante, desde logo, distinguir entre as duas hipóteses previstas na legislação, a saber: Fl. 2916DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 a) amortização do ágio em virtude de aquisição de investimento em coligadas ou controladas, avaliado pelo método do patrimônio líquido (Decretolei nº 1.598/77); b) amortização do ágio em virtude da absorção do patrimônio da empresa investida, por incorporação, fusão ou cisão (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97). O caso dos autos enquadrase na hipótese descrita no item “a” retro, conforme constatase do relatório acima. Não há, no caso, incorporação ou outra absorção do patrimônio das empresas pela contribuinte, daí porque não se aplica o disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97. Neste caso, no que diz respeito à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, tenho me pronunciado no sentido de que o ato legal autorizador da dedução (inciso III, do art. 7º, da Lei nº 9.532/97) não alcança a referida exação, isto é, a faculdade de amortização refere se à apuração do lucro real. Portanto, entendo, com relação à CSLL, que inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo de referida contribuição das contrapartidas da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Ressaltese que para isso não se presta o art. 57 da Lei n 8.981/95, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. Como já exposto, o art. 25 do Decretolei n. 1.598/77 determina que não devem ser incluídas no cômputo do lucro real as contrapartidas da amortização do ágio pago por ocasião de aquisição de participação societária avaliada pelo valor do patrimônio líquido. Referido artigo, pois, diz respeito unicamente à base de cálculo do IRPJ (o lucro real). Já o art. 57 da Lei n. 8.981/95 (com a redação dada pela Lei n. 9.065/95) dispõe que, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, aplicam se à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Referido artigo, pois, não estabelece identidade de base de cálculo entre CSLL e IRPJ. Neste sentido é vasta a jurisprudência desta Corte Administrativa, vejase, por exemplo, o acórdão 1201000.830 (da própria empresa recorrida), bem como os acórdãos 10322.749, 10707.315 e 1201000.285. Do exposto, acompanho a decisão recorrida, pelo que NEGO Provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 2917DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 10283.005503/2003-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO RESULTANTE DE OMISSÃO NO VOTO CONDUTOR DO JULGADO. Constatada a omissão no voto condutor do julgado acerca da mudança de entendimento do Conselheiro Relator, manifestada em sessão de julgamento e evidenciada no resultado do julgamento, os embargos são conhecidos e acolhidos para supri-la, além de integrar o julgado com as ementas correspondentes.
ABATIMENTOS E DESCONTOS INCONDICIONAIS NÃO COMPROVADOS. Ressalvadas as parcelas que a contribuinte comprovou tratar-se de bonificações, analisadas em conjunto com a matéria correlata também abordada no lançamento, cancela-se a glosa de parcela esclarecida como estorno.
ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. DESCONTOS INCONDICIONAIS. BONIFICAÇÕES. A bonificação é prática comum no comércio e caracteriza benefício em razão do montante de vendas contratadas com um cliente, cujo resultado final é idêntico ao dos descontos, não podendo ser caracterizada, em tese, como uma liberalidade, sem prévio questionamento acerca dos contratos dos quais resultaram aquela prática comercial.
Numero da decisão: 1302-001.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. Declarou-se impedida a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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CONTRADIÇÃO RESULTANTE DE OMISSÃO NO VOTO CONDUTOR DO JULGADO. Constatada a omissão no voto condutor do julgado acerca da mudança de entendimento do Conselheiro Relator, manifestada em sessão de julgamento e evidenciada no resultado do julgamento, os embargos são conhecidos e acolhidos para suprila, além de integrar o julgado com as ementas correspondentes. ABATIMENTOS E DESCONTOS INCONDICIONAIS NÃO COMPROVADOS. Ressalvadas as parcelas que a contribuinte comprovou tratarse de bonificações, analisadas em conjunto com a matéria correlata também abordada no lançamento, cancelase a glosa de parcela esclarecida como estorno. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. DESCONTOS INCONDICIONAIS. BONIFICAÇÕES. A bonificação é prática comum no comércio e caracteriza benefício em razão do montante de vendas contratadas com um cliente, cujo resultado final é idêntico ao dos descontos, não podendo ser caracterizada, em tese, como uma liberalidade, sem prévio questionamento acerca dos contratos dos quais resultaram aquela prática comercial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 55 03 /2 00 3- 57 Fl. 7494DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. Declarouse impedida a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Fl. 7495DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório Na sessão de julgamento de 12 de junho de 2013 foi apreciado recurso voluntário interposto nestes autos pela contribuinte autuada, restando decidido, no que importa aos presentes embargos: [...] 2) relativamente à glosa de abatimentos e descontos incondicionais (item 1), por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 3) relativamente às adições não computadas na apuração do lucro real (item 6), por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão [...]. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que também fez declaração de voto. O acórdão nº 1101000.901 foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Em se tratando de perdas no recebimento de créditos, o fato de o sujeito passivo apresentar a documentação, que amparou a dedução como despesa, dá o devido respaldo ao lançamento contábil, razão pela qual a glosa, que foi, devidamente, comprovada, deve ser restabelecida e por via conseqüência, os valores comprovados devem ser excluídos da base de cálculo do imposto. IRPJ. ANTECIPAÇÃO DE DESPESAS. POSTERGAÇÃO NO PAGAMENTO DO IMPOSTO. Se o sujeito passivo deixa de apresentar comprovação exigida pelo Fisco, e somente em sede de julgamento estes elementos demonstram que houve postergação do pagamento de tributos, é possível reconhecer seus efeitos mediante ajustes ao crédito tributário lançado. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. BENEFÍCIO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO E SINCRONISMO. DESCARACTERIZAÇÃO. Não subsiste o lançamento se a autoridade fiscal deixa de demonstrar porque a subvenção recebida não se caracterizaria como destinada a investimento. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. ISENÇÃO SUDAM. O gozo da isenção ou redução do imposto como incentivo ao desenvolvimento regional e setorial depende de escrita mercantil regular e o montante do benefício, com base no lucro da exploração, está restrito aos valores nela registrados, não se justificando a recomposição do lucro da exploração pela superveniência de lançamento de ofício, seja em relação à omissão de receitas ou então pela glosa de despesas indedutíveis. OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO DO IMPOSTO E ADICIONAL. DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E COFINS. Não são dedutíveis, segundo o regime de competência, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de recurso administrativo. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Fl. 7496DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 5 4 Em 13/02/2015 os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda, que em 19/03/2015 opôs, tempestivamente, os embargos de fls. 7476/7479, nos quais apontou contradição entre o que constou no dispositivo do acórdão e o que restou redigido no voto proferido pelo Conselheiro José Ricardo da Silva acerca das matérias tratadas nos itens 1 e 6 (abatimentos/descontos incondicionais não comprovados e bonificações não adicionadas ao lucro real). Os embargos de declaração foram admitidos consoante exposto no despacho de fls. 7482/7483, elaborado por esta Conselheira e aprovado pelo Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão: De fato, constatase que o Colegiado decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item 1 e dar provimento ao recurso voluntário no item 6, sendo que a declaração de voto apresentada por esta Conselheira traz anotações no sentido de que o Conselheiro Relator teria alterado seu entendimento para acompanhar as conclusões naquele sentido apresentadas durante o julgamento. Todavia, na formalização do acórdão, o voto do Conselheiro Relator não foi alterado, ali permanecendo seu entendimento original no sentido da manutenção das exigências. Portanto, neste juízo de cognição sumária, resta caracterizada a obscuridade suscitada pela embargante, razão pela qual, com base no art. 25 e 65, §2o, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, propõe se que sejam conhecidos os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Extraise do relatório do acórdão embargado as seguintes referências acerca da matéria abordada nos embargos: CCE DA AMAZÔNIA S/A (atual CEMAZ INDÚSTRIA ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA S/A), contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 04.169.843/000177, com domicílio fiscal na cidade de Manaus, Estado do Amazonas, à Avenida Buriti, nº 1200 Bairro Distrito Industrial, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus AM, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 3575/3592, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 3596/3640. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus AM, em 18/09/2003, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ; Programa de Integração Social – PIS; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 3416/3456), com ciência pessoal, em 17/10/2003 (fls. 3417), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 63.909.605,00 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuições, acrescidos da multa de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo e contribuição referente ao período relativo aos exercícios de 1999 a 2002, correspondente aos anoscalendário de 1998 a 2001, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 – OMISSÃO DE RECEITAS – ABATIMENTOS E DESCONTOS INCONDICIONAIS NÃO COMPROVADOS: Falta de comprovação da concessão Fl. 7497DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 6 5 de descontos incondicionais. Infração capitulada nos arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 275, 278, 279, 280 e 288, do RIR/99. [...] 6 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL: Infração capitulada nos arts. 247, 248, 249, 251, 275, 278, 279 e 280, do RIR/99. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário lançado esclarecem o lançamento através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 3457/3465). Em sua peça impugnatória de fls. 3531/3551, instruída pelos documentos de fls. 3552/3559, apresentada, tempestivamente, em 28/11/2003, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: [...] que quanto omissão de receitas abatimentos e descontos incondicionais não comprovados no que diz respeito a lançamento referente a mero estorno é de se dizer que antes de adentrar ao mérito da discussão da suposta omissão de receitas, cabe, preliminarmente, dirimir um equívoco cometido pela Fiscalização, ao buscar determinar a base para o ajuste do Lucro Real, que aumentou consideravelmente o reclamado imposto. Ocorre que, ao elaborar a planilha apresentada no Termo de Verificação Fiscal, a Fiscalização não observou o histórico do lançamento relativo a 24/04/2001: "EST. LCTO INDEVIDO"; que nesse caso, como a própria rubrica indica, houve mero ajuste contábil por erro na realização de lançamento. Como se verifica no razão anexado (doc. 05), por um lapso, havia sido registrado um lançamento de estorno de ICMS nessa conta. Assim quando esse erro foi identificado, foi necessário um novo lançamento de estorno para ajustálo; que no que diz respeito a Despesas de propaganda Remessas Livres de Pagamento é de se dizer que deve ser esclarecido, desde logo, que em relação às citadas despesas de propaganda, além do valor lançado em 20/05/99 (R$ 1.044.788,52), existe ainda outro valor registrado em 30/12/1998 (R$ 2.131.241,64) da mesma natureza. Em verdade, tais valores não são, propriamente de propaganda. São, de fato, descontos incondicionais dados aos clientes da Impugnante por meio de bonificações em mercadorias. Tais bonificações também são chamadas "Simples Remessa Livre de Pagamento". Oportuno ressaltar que, apesar das respectivas Notas Fiscais ainda não terem sido localizadas, a Impugnante está envidando esforços para fornecer tal documentação que, tãologo seja localizada, será juntada aos autos; que no que diz respeito a Vendas canceladas é de se dizer que quanto às operações de 31/10/1999 (R$ 1.515.000,00, R$ 1.010.000,00, R$ 6.986.700,00), 31/01/2000 (R$ 3.820.480,00) e 31/07/2000 (R$ 1.250.000,00, R$ 700.000,00), devese esclarecer que se trata, na verdade, de vendas canceladas e não de descontos incondicionais. Ocorre que, por equívoco, havia sido emitidas Notas Fiscais de venda para sua coligada (CCE Indústria) que jamais se realizaram. Tanto isso é verdade que referidos produtos jamais saíram do estoque da Impugnante, conforme se comprova pelos documentos anexos (Doc. 06); que só depois foi verificado esse equívoco. Prontamente então a Impugnante providenciou o cancelamento dessas vendas. Por um lapso, no entanto, tal cancelamento foi lançado na rubrica contábil "Descontos Incondicionais" ao invés de "Vendas Canceladas". O erro no lançamento de cancelamento da venda não tem Fl. 7498DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 7 6 qualquer efeito fiscal, uma vez que tanto os Descontos Incondicionais quanto as Vendas Canceladas são deduções da Receita Bruta permitidas pela legislação fiscal nas bases de cálculo do PIS, da COFINS, do IRPJ e da CSLL"; que no que diz respeito a Descontos incondicionais é de se dizer que os demais valores, na verdade, são descontos, ajustados desde o pedido, absolutamente independentes de qualquer condição, referente a prazo, forma de pagamento etc. (Doc. 08). Assim, apenas por exigência de alguns de seus clientes, a Impugnante é obrigada a formalizar o desconto, existente desde a contratação da compra, no momento de seu pagamento. Exatamente essa circunstância, que em nada desnatura a natureza de desconto incondicional, é que dificulta a comprovação de sua realização. No entanto, a Impugnante tem se mobilizado no sentido de demonstrar a efetividade de sua existência, sendo que, à medida que o trabalho for ultimado promoverá a juntada dos citados comprovantes aos autos; [...] que quanto as Adições não computadas na apuração do lucro real é de se dizer que a Impugnante, aliás, como é usual no mercado em que atua, adota a política de fornecer descontos incondicionais aos seus principais clientes por meio de bonificações em mercadorias. Dessa forma, beneficia seus clientes e ainda alavanca suas vendas e sua marca. Para instrumentalizar essa forma de desconto incondicional, a Impugnante precisa emitir nova Nota Fiscal para remessa das mercadorias fornecidas como bonificação. Logo, não é possível destacar esse desconto na própria Nota Fiscal de venda, como normalmente ocorre. Esse fato, no entanto, não tem o condão de desnaturar a essência do desconto incondicional; que, entretanto, mesmo que as bonificações não pudessem ser caracterizadas como descontos incondicionais, o que se admite apenas ad argumentandum tantum, de forma alguma poderiam ser tidas como liberalidade da Impugnante nem como brindes, como quis a fiscalização; que no caso das bonificações de mercadorias é nítido que se espera um retorno dos clientes, tal como, aumenta de vendas, compromisso, fidelidade, etc. Ao passo que gastos por mera liberalidade ou brindes, são ações desvinculadas de qualquer propósito negocial ou estratégico, daí sua indedutibilidade; [...] Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, em 27 de maio de 2004, os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA concluíram pela procedência do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que quanto a matéria impugnada – desistência é de se dizer que compulsando o processo, verificase que a impugnante desistiu de contestar parte do lançamento. De acordo com o documento que oficializou a desistência parcial (fls. 3.552 e 3.553), foram excluídos da demanda os lançamento referentes à diferença de estoques (integralmente) e descontos incondicionais (parcialmente); que, de fato, a impugnante, no que se refere aos descontos incondicionais, não pontificou com exatidão os fatos geradores. Assim, analisando o documento que oficializou a desistência parcial, é possível visualizar com clareza a desistência integral dos seguintes fatos: 31/08/1999 (R$ 3.325.680,00), 31/01/2000 (R$ 3.820.480,00) e 31/07/2000 (R$ 3.900.000,00); que no que se refere aos demais valores indicados pela impugnante: R$ 2.525.000,00 e R$ 6.986.700,00, os fatos geradores não coincidem com aqueles indicados no Auto de Infração. Intimado a explicar os valores, a impugnante Fl. 7499DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 8 7 apresentou demonstrativo à folha 3.560 detalhando a que imposto e contribuições se referem. De acordo com o demonstrativo apresentado, os valores excluídos da demanda e listados no parágrafo anterior referemse ao fato gerador de 31/12/1999 cuja base de cálculo foi de R$ 9.511.700,00 que representam a soma dos valores individualizados; [...] que quanto à omissão de receita abatimentos e descontos incondicionais não comprovados é de se dizer que em preliminar destacase que somente serão apreciados os lançamentos para os quais a impugnante não desistiu do litígio. Nesses termos, somente serão analisados os lançamento referentes ao 4º trimestre do anocalendário de 1998 (R$ 4.297.562,58) e 2º trimestre do anocalendário de 1999 (R$ 2.317.980,44). Analisando o Termo de Verificação Fiscal (fls. 3.457 a 3.465), constatase que a fiscalização materializou o lançamento em virtude de a impugnante, intimada, não apresentar os documentos que ampararam reduções na apuração do lucro real; que essas deduções seriam descontos sobre duplicatas, descontos incondicionais e despesas com propaganda (fl. 3.462). No corpo da impugnação, consta indicado como prova do alegado o documento 08, que se encontra no anexo II. Analisando o citado documento, constatase que se trata de mera cópia do Livro diário da Impugnante; que analisando detidamente o que consta no Termo de Verificação Fiscal, constatase que permanecem os motivos que ensejaram o lançamento. A impugnante foi intimada a comprovar, com documentos hábeis e idôneos, as deduções na apuração do lucro real, mas nada apresentou. Junto com a peça impugnatória, consta apenas cópia do Livro Diário, sem qualquer documento probante das operações que o ampararam. Assim, rejeitamse os argumentos apresentados; que quanto às mercadorias saídas em bonificação é de se dizer que no que se refere aos valores de R$ 2.131.241,64 e R$ 1.044.788,52 que constam indicados como sendo referentes a descontos incondicionais e despesas com propaganda (fl. 3.462), a impugnante argumenta que as despesas indicadas como se fossem para propaganda, na verdade são descontos incondicionais dados aos clientes da impugnante por meio de bonificação em mercadorias. Nesses termos, os valores seriam dedutíveis na apuração do lucro real por se tratarem de descontos incondicionais; que a respeito do assunto, a fiscalização apurou que a impugnante procedia a saída das remessas indicando trataremse de "Simples Remessas Livres de Pagamento". A fiscalização também apurou que a contrapartida das saídas foi efetuada na conta "Descontos Incondicionais". Segundo a fiscalização, por se tratar de mera liberalidade do sujeito passivo e os valores corresponderem à totalidade da Nota Fiscal, as operações não poderiam ser enquadradas como descontos e não seriam dedutíveis na apuração do lucro real. Adicionalmente, a fiscalização relatou que mesmo sendo consideradas como brindes, essas saídas seriam indedutíveis na apuração do lucro real, nos termos do disposto na Lei nº 8.249l, de 1995; que tratando do assunto, a Instrução Normativa SRF nº 51, de 3 de novembro de 1978, define, no item 4.2, descontos incondicionais como sendo parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; que o valor do desconto ou bonificação de produtos oferecido em cada venda somente poderá ser considerado desconto incondicional se representar parcela redutora do valor da venda e constar na nota fiscal de vendas dos bens. Os valores das bonificações em mercadoria apontados pela impugnante equivalem, conforme Fl. 7500DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 9 8 constam dos demonstrativos elaborados pela fiscalização, ao valor total das respectivas notas. Inferese, assim, que as bonificações em mercadorias concedidas mencionadas na presente defesa não devem ser excluídas da receita bruta por não revestirem a forma de desconto concedido incondicionalmente, posto que não foram observadas as instruções emanadas da Receita Federal; [...] A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 [...] OMISSÃO DE RECEITA. ABATIMENTOS E DESCONTOS INCONDICIONAIS. NÃO COMPROVAÇÃO Em se tratando descontos incondicionais, mantémse o lançamento que glosou os descontos quando o sujeito passivo, intimado, não apresentou a documentação hábil e idônea que amparou o registro contábil das operações. SAÍDA DE MERCADORIAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS As mercadorias saídas em bonificação, quando não vinculadas a operação comercial de venda, não são consideradas descontos incondicionais. [...] Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 21/06/2004, conforme Termo constante à fl. 3595, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (21/07/2004), o recurso voluntário de fls. 3596/3641, instruído pelos documentos de fls. 3642/3799, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que desistiu da demanda em relação ao item de diferenças de estoques, assim como parte dos valores relacionados a descontos incondicionais, tendo em vista a inclusão dos débitos no PAES; [...] que quanto ao lançamento referente a mero estorno é de se dizer que é importante que se dirima um equívoco cometido pela fiscalização, a qual, ao elaborar o TVF, deixou de observar o histórico do lançamento relativo a 24/08/01: EST. LCTO. INDEVIDO, mero ajuste contábil em virtude de erro cometido. Não se trata de lançamento não comprovado, mas simplesmente de ajuste de correção de lançamento anterior feito indevidamente; que quanto as despesas de propaganda – remessas livres de pagamento é de se dizer que no Termo de Verificação Fiscal consta a irregularidade: Descontos incondicionais e Despesas com Propaganda Não Comprovados. Ocorre que, além do valor lançado pela fiscalização referente a 20/05/99, R$ 1.044.788,52, existe ainda um outro valor da mesma natureza, registrado em 30/12/98, R$ 2.131.241,64. Não constituem despesa de propaganda, mas sim descontos incondicionais dados aos clientes por meio de bonificações em mercadorias, também denominadas “Simples Remessa Livre de Pagamento”. A legislação é clara ao determinar a não inclusão dos descontos na receita bruta. Tratamse de descontos concedidos aos clientes, ajustados desde o pedido, independentes de qualquer condição, resultado na redução do valor da venda; que os mapas anexos (doc. 17), demonstram não só a origem dos valores deduzidos, mas também os beneficiários dos descontos incondicionais. As despesas verificadas como despesas de propaganda constituíramse em descontos incondicionais dados aos seus clientes por meio de bonificações em mercadorias, operação também denominada “Simples Remessa Livre de Pagamento”. A Fl. 7501DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 10 9 fiscalização tratou como sendo operações ocorridas por mera liberalidade, não entendendo que se tratavam de descontos incondicionais concedidos por meio de mercadorias em bonificação; que o acordo entre as duas empresas determina a remessa, em momento posterior, de produtos equivalentes a 3% do total de vendas, a título de bonificação. De acordo com o volume de vendas e a disponibilidade dos produtos em estoque da recorrente, as remessas eram realizadas de maneira esporádica. Ao invés de a empresa simplesmente conceder desconto no preço de venda, opta por dar mercadorias ao varejista; [...] Posteriormente, a recorrente retornou aos autos (14/10/2005), com a juntada dos documentos de fls. 3661/3704. Às fls. 3660, o despacho da DRF em Manaus AM, com encaminhamento do recurso voluntário, tendo em vista o atendimento dos pressupostos para a admissibilidade e seguimento do mesmo. Na Sessão de Julgamento de 07 de dezembro de 2005, ACORDAM os Membros da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência sob o argumento de que tendo em vista que não é possível decidir o feito tão somente com base em cópias juntadas pela recorrente na fase recursal, é de se devolver os autos à repartição de origem, para que a fiscalização tome as seguintes providências: 1 Manifestese sobre a legitimidade dos documentos anexados aos autos; 2 Apresente relatório detalhado à vista das provas (documentos anexados juntamente com o recurso voluntário) bem como dos argumentos trazidos aos autos pela recorrente, em especial no que se refere ao item relativo às perdas no recebimento de créditos incobráveis; 3 Que dê ciência ao contribuinte, para que este, também querendo, se manifeste. 4 Cumprida a diligência, que os autos retornem a este Conselho, após a devida ciência à contribuinte. Em 26 de setembro de 2008 a autoridade fiscal se manifesta através do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 4464/4485), manifestandose, em síntese, sobre os seguintes aspectos: [...] que quanto a omissão de receita – abatimentos e descontos incondicionais não comprovados (item 3) é de se dizer que a infração apurada pela fiscalização encontrase caracterizada através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 3462). A DRJ manteve o lançamento sob o argumento da não apresentação de documentos pelo contribuinte; que o valor do litígio, considerando a desistência do contribuinte manifestada através do documento de fls. 3552/3553 se expressa em R$ 5.029.877,86, com registros na conta contábil como descontos incondicionais, sendo que o contribuinte não logrou apresentar documentos que justificassem os descontos incondicionais apurados pela fiscalização; que quanto as bonificações em mercadorias – remessa livre de pagamento (item 4) é de se dizer que em ambos os casos, ou seja, na venda “cheia” com concessão de desconto incondicional ou na venda “liquida” com bonificação em produtos, os custos e despesas são idênticos. O diferencial está representado pelo valor das mercadorias concedidas em bonificação, equivalente à redução da quantidade Fl. 7502DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 11 10 vendida. E este é o valor do prejuízo para o fisco e se materializa nas operações em Manaus e não São Paulo ou outro local comprador; que como mencionamos, caberia ao contribuinte criar mecanismos contábeis ou fiscais para adequar os resultados em Manaus e manter os mesmos ganhos tributáveis para a Fazenda Nacional, o que efetivamente não ocorreu. Os prejuízos causados pela prática de bonificação em mercadorias foram apurados pela fiscalização, por ocasião da auditoria, e estão discriminados às fls. 3475/3476 totalizando R$ 15.343.187,36. Conforme esclarecido pelo contribuinte, itens 29 e 30 do Recurso Voluntário as parcelas nos valores de R$ 2.131.241,64 e R$ 1.044.788,52, de 30/12/1998 e 20/05/1999, relacionadas no Termo de Verificação Fiscal à fl. 3462, também dizem respeito a bonificações em mercadorias e, portanto, devem ser acrescidas ao valor acima indicado, que passa a totalizar R$ 18.519.217,52; [...] Em 10 de novembro de 2008 o contribuinte apresenta a sua Manifestação sobre o Relatório de Diligência fiscal (fls. 4487/4523). Fl. 7503DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 12 11 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Nas sessões que antecederam a conclusão do julgamento do recurso voluntário presente nestes autos, o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva manifestouse a favor da manutenção das exigências em litígio referentes ao item 1 da autuação, e da manutenção integral das adições tratadas no item 6 da autuação. Seu voto foi apresentado nos seguintes termos: 1 OMISSÃO DE RECEITA ABATIMENTOS E DESCONTOS INCONDICIONAIS NÃO COMPROVADOS. De início, é importante frisar, que a recorrente desistiu da impugnação dos seguintes fatos geradores: 31/09/1999 (R$ 3.325.680,00), 31/12/1999 (R$ 9.511.700,00) 31/03/2000 (R$ 3.820.480,00) e 31/09/2000 (R$ 3.900.000,00). Assim sendo, resta para a discussão os valores de R$ 4.297.562,58 (31/12/1998); R$ 2.317.980,44 (30/06/1999); e R$ 2.725.850,60 (31/12/2001). A acusação fiscal diz respeito à contabilização de valores a débito de descontos incondicionais e despesas com propaganda, consideradas não comprovadas. Em resposta ao Termo de Intimação de 26/08/2003, o contribuinte apresentou demonstrativos referentes aos anoscalendário de 1998, 1999, 2000 e 2001, nos quais consta um item denominado “Simples Remessa Livre de Pagamento”, incluído sob a rubrica “Outras Saídas”, cuja contabilização foi a débito da conta Descontos Incondicionais, conforme demonstrado em planilha anexa aos autos e cópias do livro Razão. A autoridade autuante considerou que os valores caracterizamse como mera liberalidade do contribuinte, sob o entendimento de que tais saídas não constituem descontos incondicionais, pois isso resultaria admitir que o desconto possa corresponder ao total da nota fiscal. Essas deduções seriam descontos sobre duplicatas, descontos incondicionais e despesas com propaganda (fl. 3.462). No corpo da impugnação, consta indicado como prova do alegado o documento 08, que se encontra no anexo II. Analisando o citado documento, constatase que se trata de mera cópia do Livro diário da Impugnante. Da análise do que consta no Termo de Verificação Fiscal, constatase que permanecem os motivos que ensejaram o lançamento. A recorrente foi intimada a comprovar, com documentos hábeis e idôneos, as deduções na apuração do lucro real, mas nada apresentou. Junto com a peça recursal, consta apenas cópia do Livro Diário, sem qualquer documento probante das operações que o ampararam. A mesma conclusão chegou o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela diligência solicitada pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme constase às fls. 4482. Assim, rejeitamse os argumentos apresentados. Diante disso, é de se manter a tributação valores de R$ 4.297.562,58 (31/12/1998); R$ 2.317.980,44 (30/06/1999); e R$ 2.725.850,60 (31/12/2001). [...] 6 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Fl. 7504DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 13 12 Alega a recorrente, que é usual no mercado em que atua, adota a política de fornecer descontos incondicionais aos seus principais clientes por meio de bonificações em mercadorias. Dessa forma, beneficia seus clientes e ainda alavanca suas vendas e sua marca. Para instrumentalizar essa forma de desconto incondicional, a Impugnante precisa emitir nova Nota Fiscal para remessa das mercadorias fornecidas como bonificação. Logo, não é possível destacar esse desconto na própria Nota Fiscal de venda, como normalmente ocorre. Esse fato, no entanto, não tem o condão de desnaturar a essência do desconto incondicional. Alega, ainda, que mesmo que as bonificações não pudessem ser caracterizadas como descontos incondicionais, o que se admite apenas ad argumentandum tantum, de forma alguma poderiam ser tidas como liberalidade da recorrente nem como brindes, como quis a fiscalização. Da análise dos autos observase que em resposta ao Termo de Intimação de 26/08/2003, apresentada em 29/08/2003 a contribuinte apresentou demonstrativos referentes aos anocalendário de 1998 a 2001, nos quais um dos itens constantes na apuração apresentada é o denominado “Simples Remessa Livre de Pagamento”, incluído sob a rubrica “Outras Saídas”. Tais quantidades foram aceitas pela fiscalização n a apuração final das diferenças de estoques de produto acabado. Ocorre que, a despeito da veracidade da saída desses produtos, essas operações foram contabilizadas a débito da conta Descontos Incondicionais (fls. 3475/3476). Entretanto, os valores correspondentes a essas saídas caracterizamse como mera liberalidade do contribuinte. Analisando as notas fiscais envolvidas, observase que tais saídas não constituem descontos incondicionais, já que não é possível se admitir que o desconto incondicional possa corresponder ao valor integral da própria nota fiscal. Mesmo que o tratamento dado a operação fosse o de remessas de mercadorias a título de brindes, tal operação, a partir da Lei nº 9.249, de 1995, não é dedutível na apuração da base de cálculo do imposto de renda. Ora, a fiscalização apurou que a contribuinte procedia a saída das remessas indicando trataremse de "Simples Remessas Livres de Pagamento". A fiscalização também apurou que a contrapartida das saídas foi efetuada na conta "Descontos Incondicionais". Segundo a fiscalização, por se tratar de mera liberalidade do sujeito passivo e os valores corresponderem à totalidade da Nota Fiscal, as operações não poderiam ser enquadradas como descontos e não seriam dedutíveis na apuração do lucro real. Tratando do assunto, a Instrução Normativa SRF nº 51, de 3 de novembro de 1978, define, no item 4.2, descontos incondicionais como sendo parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Na mesma linha de entendimento, os Pareceres CST/SIPR nº 1.386, de 1982, e nº 439, de 1986, aprovaram o seguinte entendimento sobre a matéria: Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada . Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas pela IN SRF nº 51/78 como descontos incondicionais. (...).Todavia, como pretende a consulente bonificar o cliente, entregando quantidade maior do que a estipulada, necessário se torna, para que como promoção se enquadre, em termos legais, que a operação se transforme em parcela redutora do preço de venda, para que se caracterize, então, o desconto incondicional. Isto pode ser feito computandose, na nota fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente Fl. 7505DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 14 13 deseja comprar como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de bonificação, transformandose em moeda corrente o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída,a título de desconto incondicional, a parcela, em moeda corrente, que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a título de bonificações, chegandose, assim, ao valor líquido das mercadorias. Entretanto, ressaltese que se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias não será dedutível na determinação do lucro real.”. Assim, o valor do desconto ou bonificação de produtos oferecido em cada venda somente poderá ser considerado desconto incondicional se representar parcela redutora do valor da venda e constar na nota fiscal de vendas dos bens. Os valores das bonificações em mercadoria apontados pela impugnante equivalem, conforme constam dos demonstrativos elaborados pela fiscalização, ao valor total das respectivas notas. Inferese, assim, que as bonificações em mercadorias concedidas mencionadas na presente defesa não devem ser excluídas da receita bruta por não revestirem a forma de desconto concedido incondicionalmente, posto que não foram observadas as instruções emanadas da Receita Federal. Diante disso, é de se manter a tributação deste item. Esta Conselheira teve vistas dos autos, e apresentou declaração de voto discordando do entendimento exposto pelo Conselheiro Relator, para manter apenas parcialmente as exigências em litígio referentes ao item 1, mas antes deslocando parte dos valores ali tratados para análise de mérito conjunta com as adições do item 6, na qual concluiu pelo cancelamento integral das exigências fiscais daí decorrentes. Frente a esta abordagem, o Conselheiro Relator concordou em alterar seu entendimento, e alinhálo à declaração de voto desta Conselheira, conforme consignado nos trechos abaixo sombreados da declaração de voto encartada ao acórdão embargado: No que tange à infração relativa a abatimentos e descontos incondicionais não comprovados (item 1) na sessão de 05 de dezembro de 2012 o I. Relator apresentou seu voto mantendo as glosas R$ 4.297.562,58 em 1998, R$ 2.317.980,44 em 1999 e R$ 2.725.850,60 em 2001. Esta Conselheira, porém, pediu vistas dos autos para compreender melhor a relação desta infração com aquela pertinente a glosa de bonificações (item 6 do voto do I. Relator, também denominada “adições não computadas na apuração do lucro real”) relativamente à qual o I. Relator também propunha a manutenção da exigência. De plano foi possível constatar que, embora provenientes da mesma conta contábil (312010500001 – Descontos Incondicionais), estão perfeitamente diferenciadas as glosas procedidas pela Fiscalização nos dois itens antes mencionados. De fato, à fl. 3462, no Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora relaciona os lançamentos contábeis, com seus respectivos data, histórico e valor, os quais compõem os valores glosados de R$ 4.297.562,58 no 4o trimestre/98, R$ 2.317.980,44 no 2o trimestre/99 e R$ 2.725.850,60 no 2o semestre/2001 (cisão). E no demonstrativo de fls. 3475/3476 estão relacionados os lançamentos, detalhados da mesma forma, que compõem as glosas de bonificações, nos períodos de apuração de 1999 a 2001. As matérias se confundem em razão da defesa da autuada: os abatimentos/descontos incondicionais glosados nos valores de R$ 2.131.241,64 em 30/12/98 e de R$ 1.044.788,52 em 20/05/99 também corresponderiam a bonificações, e assim seriam dedutíveis. O fiscal diligenciante admitiu os esclarecimentos da contribuinte neste sentido, e promoveu o tratamento das parcelas de R$ 2.131.241,64 em 30/12/98 e de R$ 1.044.788,52 em 20/05/99 juntamente com as glosas demonstradas às fls. Fl. 7506DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 15 14 3475/3476. Não se trata, pois, de inovação, mas apenas de acolhimento das razões de defesa da recorrente. Quanto aos descontos incondicionais demonstrados à fl. 3462, parcialmente questionados pela contribuinte, observouse na diligência fiscal que, excluídos os itens classificáveis como bonificações, remanesceriam, dos itens glosados e contestados pela contribuinte, as parcelas de R$ 1.787.890,67 (29/12/98), R$ 378.430,27 (30/12/98), R$ 1.273.191,92 (28/04/99) e R$ 1.590.365,00 (31/12/2001), sem qualquer justificativa apresentada pela autuada. De outro lado, a parcela de R$ 1.135.485,60 (24/08/2001) teria sido esclarecida como estorno, de onde se conclui que a glosa não poderia subsistir. Assim, relativamente à glosa de Abatimentos e Descontos Incondicionais não comprovados (item 1), excluo desta categoria as parcelas de R$ 2.131.241,64 em 30/12/98 (4o trimestre/98) e de R$ 1.044.788,52 em 20/05/99 (2o trimestre/99), tratandoas no próximo item deste voto, e relativamente às demais parcelas glosadas, as razões acima expostas conduzem a DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a exigência incidente sobre a parcela de R$ 1.135.485,60 (24/08/2001 – 2o semestre/2001 cisão) e manter a incidência sobre as demais parcelas de R$ 1.787.890,67 (29/12/98 – 4o trimestre/98), R$ 378.430,27 (30/12/98 – 4o trimestre/98), R$ 1.273.191,92 (28/04/99 – 2o trimestre/99) e R$ 1.590.365,00 (31/12/2001 – 2o semestre/2001 cisão), mas ressalvandose que não subsistirá base tributável no 2o trimestre de 1999, na medida em que a parcela reconhecida como passível de glosa é inferior às perdas que, glosadas em 1998, foram admitidas como dedutíveis no 2o trimestre de 1999, no valor de R$ 5.375.183,89. Deixo de divergir do I. Relator, na medida em que seu voto foi alterado para incorporar as razões de decidir acima expostas. Quanto aos descontos incondicionais (classificados como adições não computadas na apuração do lucro real, item 6) demonstrados às fls. 3475/3476, acrescidos das glosas de R$ 2.131.241,64 em 30/12/98 (4o trimestre/98) e de R$ 1.044.788,52 em 20/05/99 (2o trimestre/99), acima mencionadas, disse a autoridade lançadora que eles se caracterizavam como mera liberalidade. Acrescentou que: A partir do exame das notas fiscais respectivas (cópias anexas), tais saídas não constituem descontos incondicionais, pois isso resultaria em se admitir que o desconto incondicional possa corresponder ao valor integral da própria nota fiscal. Mesmo que o tratamento dado a operação fosse o de remessas de mercadorias a título de brindes, tal operação, a partir da lei nº 8.249/95, não é dedutível na apuração da base de cálculo do imposto de renda. Portanto, com base nos fundamentos expostos, procedemos à glosa dos valores lançados na rubrica acima referida, por não caracterizarem despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPJ. Ao final da diligência, a autoridade administrativa responsável distinguiu estas operações daquelas nas quais há descontos, na medida em que, no segundo caso, o desconto concedido representaria lucro no destino, inexistindo prejuízo ao Fisco. Já no primeiro caso, observou que: Na forma de bonificação em mercadorias livre de pagamentos, para que não ocorresse prejuízo haveria o contribuinte que criar mecanismos contábeis ou fiscais de forma a neutralizar os efeitos do ônus causado pela diminuição do produto da venda. Ressaltese que neste caso são vendidos menos produtos e mantidos os custos e despesas existentes na operação normal. Os ganhos tributáveis, a serem realizados nos destinos das mercadorias serão os mesmos e independem do método adotado pela vendedora. Na verdade, porém, a distinção entre as duas formas de se conceder um benefício ao cliente está no contexto em que este se verifica: individual, no caso de descontos incondicionais, e geral, no caso de bonificações. De fato, a bonificação nada mais é Fl. 7507DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 16 15 do que um benefício em razão do montante de vendas contratadas com um cliente, e seu resultado fiscal é idêntico ao dos descontos: 1) do ponto de vista do vendedor, o desconto reduz o valor individual de venda e gera menor lucro, ao passo que a bonificação reduz o valor global de vendas e gera menor lucro; 2) do ponto de vista do comprador, o desconto reduz o valor de compra e gera maior lucro, ao passo que a bonificação reduz o custo médio de estoque e gera maior lucro. Esta Conselheira já teve oportunidade de apresentar a esta Turma de Julgamento abordagem feita pela DRJ/São PauloI acerca da sistemática de bonificações exigidas pelas redes de varejo para colocação das mercadorias em suas lojas. Do voto vencedor do Acórdão nº 110100.659 extraise: De outro lado, as receitas informadas na DIPJ, decorrentes de venda no mercado interno de produtos de fabricação própria, representaram, em 2001, R$ 1.925.488.053,98, a evidenciar que as bonificações contabilizadas no período (R$ 55.430.504,17) representaram menos de 3% daquele montante, compatível com os percentuais acima negociados, e, em regra, presentes nas demais grandes redes de varejo, e até nas menores, como bem abordado pela autoridade julgadora de 1a instância: 1 no domínio “skywalker.com.br”, há a seguinte matéria publicada no jornal “O Estado de São Paulo”, de 18/01/2004, de vários autores, cujos trechos relevantes para a compreensão da natureza dessa despesa são a seguir reproduzidos: “A ditadura do varejo Fornecedores revelam as pressões e as exigências dos grandes e até dos pequenos supermercados (...) Entre as exigências, consideradas descabidas pelas indústrias, está a verba incondicional, um tipo de "pedágio" que o fornecedor paga para colocar a mercadoria nas grandes redes. Tratase de um porcentual sobre o valor da venda, sem a contrapartida da prestação de um serviço, como ocupar um espaço mais nobre na loja. Outras exigências são o pagamento de cifras elevadas para manter o produto exposto na prateleira e até a cobrança de um porcentual sobre o crescimento de vendas. A novidade agora é que essa rotina começa a ser incorporada pelos supermercados menores, sobretudo os aglutinados em centrais de compras que já somam mais de 130 espalhadas pelo País, segundo o consultor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo. É que os supermercados menores perceberam o enorme poder de barganha que podem exercer em relação às indústrias, interessadas em escapar da ditadura dos gigantes do varejo na hora de fechar um contrato de fornecimento. (...) Um fabricante ... cita como exemplo uma verba de distribuição cobrada do fornecedor pelo fato de a mercadoria ser entregue em apenas um local. Também são cobradas cifras extras quando há publicidade de um produto nos encartes semanais da rede de supermercados. De acordo com o fabricante, o diferencial entre a pressão exercida pelas grandes redes e os pequenos varejistas é apenas o porcentual da comissão cobrada. Descontos Quanto maior a rede, mais extensa é a lista de "bonificações", ou descontos especiais, exigidas no contrato assinado entre varejistas e fornecedores. "Os supermercados alavancam o crescimento em cima da indústria", diz um grande fornecedor. Na lista de exigências, entram itens como verba para a inauguração e reforma de lojas, para informatização, para publicidade cooperada, descontos no aniversário da rede, para a colocação de novas linhas de produtos nas gôndolas, e assim por diante. "Existe uma nomenclatura vasta para se obter descontos adicionais, regulada em contrato formal, que determina como vai ser a relação comercial entre ambas as partes", admite um varejista. O lugar que um produto ocupa nas prateleiras, mais próximo ou distante dos olhos do consumidor, também tem um preço. Metas de faturamento acertadas com a indústria e cumpridas podem significar outras bonificações. Segundo uma fonte de uma grande indústria, são, no mínimo, 25 itens envolvendo descontos de todo tipo. "Há até mesmo exigências como desconto no caso de um concorrente abrir uma loja próxima para compensar uma eventual queda de demanda." A última que inventaram, revela, foi uma verba para fechamento de loja, para compensar prejuízos com mercadorias. "Alguns pagaram, mas depois essa exigência caiu." Fl. 7508DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 17 16 A loja nova é sempre financiada pelos fornecedores. Tratase do tradicional "enxoval", o primeiro lote de mercadorias colocado na loja de graça. A posição que o produto ocupa na prateleira também tem um custo. A ponta de gôndola esquina entre um corredor e outro da loja, segundo o jargão do setor é o local mais nobre para o produto. Fabricantes contam que o "aluguel" desse espaço varia entre R$ 1 mil e R$ 3 mil pelo período de duas semanas. (...) ... O professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e especialista em varejo, Nelson Barrizzelli, lembra que esse processo reflete a decisão tomada pelas indústrias no início dos anos 80 em reduzir equipes de vendas, concentrandose nas grandes redes e no atacado, para cortar custos. Nos anos 70, conta o especialista, que fazia parte da direção da empresa, a Cica atendia a cerca de 46 mil pontosdevenda; hoje a companhia não abastece mais de 10 mil varejistas. (...) Quanto às inúmeras cláusulas incluídas no contrato, o diretor do Pão de Açúcar lembra que cada vez mais a rede presta serviços e tem de ser remunerada por isso. "Eu não vendo marca", diz o executivo. Ele considera muita "petulância" do fornecedor reclamar das condições que, segundo ele, são previamente combinadas. "Ele pode vender para outro." Avaliação semelhante é feita pelo diretor comercial do Grupo Sonae, que controla a rede de hipermercados Big, Abílio Almirante. Ele diz que as exigências existem porque o varejo fez investimentos pesados em logística, novas lojas e, na prática, é uma vantagem para o fornecedor vender o produto na rede. "Isso faz parte do negócio", diz o executivo, alegando que o varejo presta serviço à indústria. Quanto aos porcentuais cobrados para exibir o produto no supermercado, Almirante lembra que a prateleira da loja não é elástica. A entrada do produto é negociada, diz, para não afetar a rentabilidade da categoria. (...)” (grifouse e negritouse) Considerese, ainda, que o valor pago ao Carrefour foi por ele determinado ao emitir o boleto de cobrança, sendo pouco crível que esta despesa pudesse ter sido majorada para além das disposições contratuais, especialmente se a autuada, na condição de devedora, a reconhece e paga. A prática acima evidenciada, possivelmente também presente nas atividades da recorrente – fabricante de produtos eletroeletrônicos distribuídos nas grandes redes de varejo do país – revela que nem sempre é possível uma bonificação contratualmente acordada ser individualizada nas notas fiscais de venda como descontos. Mas, nem por isso, estarseia frente à entrega gratuita de mercadorias, a título de mera liberalidade, como mencionado no trecho dos Pareceres CST/SIPR nº 1.386/82 e nº 439/86, citados pelo I. Relator. Isto porque não há prova da característica seguinte, citada no mesmo excerto: sem qualquer vinculação com a operação de venda. De fato, a Fiscalização entendeu que os registros contábeis a título de bonificação não poderiam ser enquadrados como descontos incondicionais porque representavam o valor integral daquela nota fiscal de remessa. Presumiu tratarse de liberalidade sem perquirir, em momento algum, dos contratos firmados pela autuada e seus clientes, permitindolhe justificar aquela prática comercial. Não demonstrou, portanto, que as bonificações foram concedidas sem qualquer vinculação com a operação de venda. Assim, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de bonificações demonstradas às fls. 3475/3476, acrescidas das glosas de R$ 2.131.241,64 em 30/12/98 (4o trimestre/98) e de R$ 1.044.788,52 em 20/05/99 (2o trimestre/99), como antes justificado. Também aqui deixo de divergir do I. Relator, na medida em que seu voto foi alterado para incorporar as razões de decidir acima expostas. Fl. 7509DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1302001.726 S1C3T2 Fl. 18 17 Contudo, na formalização do acórdão por redator ad hoc, designado em razão de o Conselheiro Relator original não mais integrar este Conselho, não foi acrescido ao voto condutor do acórdão, nestes dois itens, a informação acerca da mudança de entendimento, alinhandoo ao que consignado na declaração de voto desta Conselheira. Reconhecida e esclarecida a omissão, cumpre apenas reafirmar o provimento parcial ao recurso voluntário relativamente à glosa de abatimentos e descontos incondicionais (item 1) e o provimento integral ao recurso voluntário relativamente às adições não computadas na apuração do lucro real (item 6), nos termos da declaração de voto integrada ao acórdão embargado, aos quais aderiu o Relator do recurso voluntário, bem como acrescentar as seguintes ementas ao julgado: ABATIMENTOS E DESCONTOS INCONDICIONAIS NÃO COMPROVADOS. Ressalvadas as parcelas que a contribuinte comprovou tratarse de bonificações, analisadas em conjunto com a matéria correlata também abordada no lançamento, cancelase apenas a glosa de parcela esclarecida como estorno. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. DESCONTOS INCONDICIONAIS. BONIFICAÇÕES. A bonificação é prática comum no comércio e caracteriza benefício em razão do montante de vendas contratadas com um cliente, cujo resultado final é idêntico ao dos descontos, não podendo ser caracterizada, em tese, como uma liberalidade, sem prévio questionamento acerca dos contratos dos quais resultaram aquela prática comercial. Por tais razões, o presente voto é no sentido de CONHECER e ACOLHER os embargos, para suprir as omissões verificadas no voto condutor do acórdão e na ementa, mas sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 7510DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10380.721537/2014-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Dec 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2013 a 30/09/2013
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SICOBE. MULTA POR PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE RESSARCIMENTO.
A multa prevista no art. 30 da Lei nº 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do equipamento que compõe o SICOBE (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) aplica-se,no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva /corretiva daquele Sistema.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-002.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2013 a 30/09/2013 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SICOBE. MULTA POR PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE RESSARCIMENTO. A multa prevista no art. 30 da Lei nº 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do equipamento que compõe o SICOBE (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) aplica-se,no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva /corretiva daquele Sistema. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antônio Carlos Atulim - Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SICOBE. MULTA POR PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE RESSARCIMENTO. A multa prevista no art. 30 da Lei nº 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do equipamento que compõe o SICOBE (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) aplicase,no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva /corretiva daquele Sistema. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antônio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire Relator. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 15 37 /2 01 4- 47 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 10380.721537/201447 Acórdão n.º 3402002.792 S3C4T2 Fl. 182 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por bem descrever os fatos e com a devida concisão, adoto o relatório da decisão recorrida, vazado nos seguintes termos: Consoante capitulação legal consignada à fl. 22, foi lavrado o auto de infração à fl. 21, em 19/02/2014, para exigir R$ 21.769.473,76 de multa regulamentar por ação ou omissão tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE). Segundo a descrição dos fatos do auto de infração (fl. 22), que remete ao termo de verificação fiscal (fls. 25/28), foi expedido o Ato Declaratório Executivo COFIS n° 22, de 22/03/2010, com a determinação de utilização do SICOBE a partir de 01/06/2010. Consoante o Relatório Técnico de Ocorrências n° 18, de 26/03/2013, expedido pela Casa da Moeda do Brasil, não houve o ressarcimento devido pela empresa em virtude da execução pela Casa da Moeda do Brasil de procedimentos de manutenção preventiva/corretiva no período de setembro de 2012 a janeiro de 2013, no total de R$ 494.961,15. A fiscalizada foi intimada a regularizar a situação, sob pena de caracterização de anormalidade do funcionamento do SICOBE, nos termos da IN RFB n° 869, de 12 de agosto de 2008, arts. 8° A e 13, § 4°. Transcorrido prazo para a regularização, sem nenhuma providência tomada pelo sujeito passivo, foi baixado o Ato Declaratório Executivo COFIS n° 31, de 03/05/2013, com a caracterização de anormalidade do funcionamento do SICOBE, estando sujeita a contribuinte à multa prevista na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, c/c a Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 58T, com a redação dada pela Lei n° 11.827, de 20 de novembro de 2008, e disciplinada pela Instrução Normativa RFB n° 869,de 2008, art. 13. Tendo como marco inicial a data de publicação (03/05/2013) do Ato Declaratório Executivo COFIS n° 31, o valor da multa regulamentar foi calculado conforme o disposto na Lei n° 11.488, de 2007, art. 30, caput: 100% do valor comercial da mercadoria produzida se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, com o valor global não inferior a R$ 10.000,00. Tudo conforme o demonstrativo de apuração de multas regulamentares (fl. 23), com os totais mensais levantados pela autoridade fiscal, de maio a setembro de 2013, conforme segue: Fl. 182DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 10380.721537/201447 Acórdão n.º 3402002.792 S3C4T2 Fl. 183 3 Período de Apuração Valor em Reais Maio/2.013 3.887.055,16 Junho/2013 4.060.433,60 Julho/2013 4.504.651,62 Agosto/2013 4.611.399,49 Setembro/2013 4.705.933,89 Total 21.769.473,76 Em 25/02/2014 a peça fiscal foi cientificada, conforme o rastreamento de postagem à fl. 19. Apresentou, então, o sujeito passivo a impugnação às fls. 43/63 em 24/03/2014, subscrita pelos patronos munidos da procuração à fl. 133, em que, basicamente, sustenta que: a) a cobrança do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil é ilegal, pois a base de cálculo do tributo (tratase de uma taxa, modalidade de tributo) foi instituída mediante ato infralegal, o que representa violação do princípio da legalidade tributária (CF, art. 150, I); a ilegalidade, ademais, caracterizase pela inexistência de critério de cobrança por unidade de bebida produzida; b) a cobrança também é improcedente em face de ações impetradas pela Associação dos Fabricantes de Refrigerantes (AFREBRAS) visando a desobrigar os respectivos associados ao ressarcimento em questão e em razão decisões favoráveis aos interesses da impugnante em casos similares; c) a multa aplicada (100%) revela um a caráter inequivocamente confiscatório e abala sobremaneira a propriedade privada da impugnante, assim como exorbita do valor de mercado da entidade; tratase de uma verdadeira restrição ao livre exercício da atividade econômica da empresa, que pode, inclusive, levála à falência. Por fim, repisa a argumentação e requer que a impugnação seja recebida e julgada totalmente procedente; que as intimações e publicações sejam processadas exclusivamente em nome do causídico indicado, no endereço especificado. Tendo a decisão recorrida, exarada pela 12ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP (fls. 135/148) em 29/09/2014, mantido o lançamento em seus termos originais, foi interposto o presente Voluntário, no qual, em suma, a recorrente repisa os argumentos expendidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. A recorrente quer fazer crer que o valor do ressarcimento à Casa da Moeda que deixou de adimplir, e que, por tal, deu azo à exigência fiscal contestada, revestese de natureza tributária, o que não corresponde aos fatos. A legislação de regência do SICOBE (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) teve início com a Lei 11.488/2007, cujos arts. 27 e posteriores estabeleceram o seguinte: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 10380.721537/201447 Acórdão n.º 3402002.792 S3C4T2 Fl. 184 4 Art. 27. Os estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros classificados na posição 2402.20.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, excetuados os classificados no Ex 01, estão obrigados à instalação de equipamentos contadores de produção, bem como de aparelhos para o controle, registro, gravação e transmissão dos quantitativos medidos na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Vide Lei nº 12.402, de 2011) § 1o Os equipamentos de que trata o caput deste artigo deverão possibilitar, ainda, o controle e o rastreamento dos produtos em todo o território nacional e a correta utilização do selo de controle de que trata o art. 46 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, com o fim de identificar a legítima origem e reprimir a produção e importação ilegais, bem como a comercialização de contrafações. § 2o No caso de inoperância de qualquer dos equipamentos previstos neste artigo, o contribuinte deverá comunicar a ocorrência no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, devendo manter o controle do volume de produção, enquanto perdurar a interrupção, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o A falta de comunicação de que trata o § 2o deste artigo ensejará a aplicação de multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Art. 28. Os equipamentos contadores de produção de que trata o art. 27 desta Lei deverão ser instalados em todas as linhas de produção existentes nos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, em local correspondente ao da aplicação do selo de controle de que trata o art. 46 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1o O selo de controle será confeccionado pela Casa da Moeda do Brasil e conterá dispositivos de segurança aprovados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que possibilitem, ainda, a verificação de sua autenticidade no momento da aplicação no estabelecimento industrial fabricante de cigarros. § 2o Fica atribuída à Casa da Moeda do Brasil a responsabilidade pela integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva de todos os equipamentos de que trata o art. 27 desta Lei nos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, sob supervisão e acompanhamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil e observância aos requisitos de segurança e controle fiscal por ela estabelecidos. Art. 29. Os equipamentos de que trata o art. 27 desta Lei, em condições normais de operação, deverão permanecer inacessíveis para ações de configuração ou para interação manual direta com o fabricante, mediante utilização de lacre de segurança, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 10380.721537/201447 Acórdão n.º 3402002.792 S3C4T2 Fl. 185 5 § 1o O lacre de segurança de que trata o caput deste artigo será confeccionado pela Casa da Moeda do Brasil e deverá ser provido de proteção adequada para suportar as condições de umidade, temperatura, substâncias corrosivas, esforço mecânico e fadiga. § 2o O disposto neste artigo também se aplica aos medidores de vazão, condutivímetros e demais equipamentos de controle de produção exigidos em lei. Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais): I se, a partir do 10o (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 28 desta Lei não tiverem sido instalados em virtude de impedimento criado pelo fabricante; II se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção a que se refere o § 2o do art. 27 desta Lei. § 1o Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. § 2o A ocorrência do disposto no inciso I do caput deste artigo caracteriza, ainda, hipótese de cancelamento do registro especial de que trata o art. 1o do DecretoLei no 1.593, de 21 de dezembro de 1977, do estabelecimento industrial. De sua feita, o art. 58A da Lei 10.833/2003, com redação da Lei 11.727/2008, estatuiu que: Art. 58A. A Contribuição para o PIS/Pasep, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, a Contribuição para o PIS/PasepImportação, a Cofins Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devidos pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nos códigos 21.06.90.10 Ex 02, 22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 22.02.90.00, e 22.03, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – Tipi, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, serão exigidos na forma dos arts. 58B a 58U desta Lei e nos demais dispositivos pertinentes da legislação em vigor. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008. A este artigo fez remição o art. 58T da mesma Lei, com redação dada pela Lei 11.827/2008: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 10380.721537/201447 Acórdão n.º 3402002.792 S3C4T2 Fl. 186 6 Art. 58T. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A desta Lei ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007. § 1o A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput deste artigo, sem prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Da legislação transcrita, constatase, inicialmente, que o legislador concebeu os contadores para a indústria de cigarros, posteriormente estendendoos às empresas fabricantes de bebidas, consoantes os artigos 58A e 58T da Lei nº 10.833/2003, com redações dadas por leis posteriores. O legislador atribuiu à Casa da Moeda a responsabilidade pela integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva dos aparelhos de controle de vazão de bebidas. Também já trouxemos à lume a norma legal que veiculou a multa regulamentar da qual ora tratamos, qual seja, conforme art. 30 supra citado, 100% do valor comercial da mercadoria produzida se (inciso I) a partir do 10º dia subsequente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos não tiverem sido instalados em virtude de impedimento criado pelo fabricante. De sua feita, o § 1º do referido artigo, para fins do disposto no art. 30, I, definiu melhor os termos do "impedimento" ao enunciar que "considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento". O legislador ordinário, em relação à obrigação de instalação dos aparelhos medidores de vazão dos fabricantes das bebidas (que veio a ser apelidado de SICOBE pela IN 869/2008), a que alude o art. 58A da Lei 10.833/2003, dentre os quais se enquadra a recorrente, delegou à Receita Federal o estabelecimento da "forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade" de que trata o referido art. 58T. Com base nessa delegação, foi editada a IN RFB 869, de 12/08/2008 (DOU 15/08/2009), a qual dispõe sobre a instalação dos contadores de produção nos estabelecimentos industriais envasadores de bebidas. Essa IN, com base em delegação legal, estabeleceu que a instalação do Sicobe seria efetuada pela Casa da Moeda em todas as linhas de produção existentes nos estabelecimentos industrias envasadores das bebidas classificadas nos códigos 22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 22.02.90.00, e 22.03 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi). O artigo 11 da IN 869, vigente à época dos fatos em análise, estabelecia que ficaria obrigado o estabelecimento industrial ao ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil (CMB) pela execução dos procedimentos de integração, instalação, manutenção preventiva e corretiva do Sicobe em todas linhas de produção. E o ADE RFB 61, de 01/12/2008, em seu art. 1º, por delegação legal, como alhures anotado, estipulou, dentro da máxima razoabilidade, o valor de R$ 0,03 "por unidade de produto controlado pelo Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe)". Fl. 186DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 10380.721537/201447 Acórdão n.º 3402002.792 S3C4T2 Fl. 187 7 Portanto, afasto qualquer ilegalidade quanto à cobrança desse valor, que tem natureza de ressarcimento por serviços prestados com espeque em lei. O escólio jurisprudencial que a recorrente traz aos autos não abriga sua pretensão própria. Assim, embora a recorrente discorra longamente sobre esse valor alegando sua ilegalidade, tratase de uma taxa de ressarcimento por um serviço prestado pela CMB com arrimo em lei que determinou sua intervenção no Sicobe. Ou queria a recorrente que a CMB prestasse serviços gratuitos? O fato que a recorrente deixa apartado em sua peça recursal, é que ela deixou de adimplir com sua obrigação por serviços prestados pela Casa da Moeda e, desta forma, afrontou à lei, uma vez que esta definiu que as empresas engarrafadoras de bebidas deveriam utilizar esse sistema de controle (O ADE COFINS nº 22, de 26/05/2010, fl. 30, dispôs sobre a obrigatoriedade da recorrente utilizar o SICOBE). Ora, um sistema sem manutenção preventiva/corretiva será pouco ou nada confiável e, em consequência, não se prestará a atender seu desiderato. Registrese que antes de aplicar a guerreada multa, a RFB, em 08/04/2013 (fl. 36), intimou o contribuinte a regularizar os ressarcimentos em aberto com a CMB. Em 03/05/2013, o Coordenador da COFINS editou o ADE nº 31 (fl. 38), no qual asseverou que estava caracterizada em relação a autuada "a anormalidade no funcionamento do Sicobe". Posteriomente a este a ADE, o Fisco, em 05/06/2013(fl. 36), reintimou a empresa. De nada adiantou, pelo que em 19/02/2014, foi lavrado o lançamento da multa com arrimo no artigo 30 da Lei 11.488/2007. No caso em comento, a conduta imputada a recorrente, conforme Relatório de Ocorrências da Casa da Moeda 18/2013 (fl. 31), de 26/03/2013, foi a de prejudicar o funcionamento do sistema, em virtude da realização dos procedimentos de manutenção preventiva/corretiva efetuados no Sicobe pela Casa da Moeda do Brasil, uma vez que de acordo com o registro no Sicobe Gerencial foram identificados valores de ressarcimento devidos e não pagos, concluindo, ao final, que essa omissão causou: Pois foi justamente essa inadimplência da recorrente que deu azo ao que a lei chamou de "impedimento criado pelo fabricante". E, in casu, essa omissão praticada pela recorrente, que prejudicou o normal funcionamento do Sicobe, subsumese aos termos do disposto no §º 1º do art. 30, desta forma ensejando a aplicação da multa a que a cabeça deste artigo estabeleceu. A planilha de fl. 39 demonstra a base de cálculo de acordo com o valor comercial da autuada. Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais): I se, a partir do 10o (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 28 desta Lei não tiverem sido instalados em virtude de impedimento criado pelo fabricante; Fl. 187DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 10380.721537/201447 Acórdão n.º 3402002.792 S3C4T2 Fl. 188 8 II se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção a que se refere o § 2o do art. 27 desta Lei. § 1o Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. Portanto, o embasamento legal e fático para a aplicação da vergasta multa é inconteste. Por fim, quanto à alegação de que a multa aplicada no percentual de 100% do valor da mercadoria produzida teria natureza confiscatória por afronta a princípios constitucionais, é matéria que refoge à competência deste Colegiado. Também não se haveria de conhecer de postulada ilegalidade da cobrança de valores por unidade de bebida produzida que não diferenciassem os diferentes portes das empresas objeto da obrigatoriedade do SICOBE. Qualquer questionamento de índole constitucional refoge à competência desta corte administrativa, pois, para tanto, teríamos que adentrar em juízo de constitucionalidade da norma, restrita ao âmbito jurisdicional e, em consequência, não ao administrativo. Súmula 02 do CARF. O Acórdão 3403003.3071, de 14/10/2014, e outros, também entenderam legítima a aplicação da multa sob apreciação. Forte em todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Jorge Olmiro Lock Freire relator. 1 No mesmo sentido os Acórdãos 3403.002.799, 3402.002.388 e 3101.001.695 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Numero do processo: 11330.001110/2007-58
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
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Numero da decisão: 2803-003.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, reformando a decisão recorrida e o lançamento, no sentido de determinar que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35-A da Lei n. 8.2121-1991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.430-1996. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, reformando a decisão recorrida e o lançamento, no sentido de determinar que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35-A da Lei n. 8.2121-1991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.430-1996. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
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DESCUMPRIMENTO. LANÇAMENTO. O Fisco deve, ao verificar o descumprimento da obrigação tributária principal, efetuar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, reformando a decisão recorrida e o lançamento, no sentido de determinar que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 11 10 /2 00 7- 58 Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.001110/200758 Acórdão n.º 2803003.773 S2TE03 Fl. 3 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiros nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ que manteve o crédito tributário oriundo da não retenção de 11% sobre contratação de serviços prestados por cessão de mãodeobra, no período, 03/2000 a 12/2000. Cientificado em 08.03.2001. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: desnecessidade de depósito prévio para conhecimento do recurso, ausência de motivação do lançamento, e que as multas e juros são abusivos. Esse é o relatório. Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para redigir o voto. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. Quanto à alegação de ausência de motivação, não merece acolhimento, pois além de indicar precisamente os fatos geradores, a apuração, a base legal, o relatório fiscal foi claro em descrever a situação. Inclusive os levantamentos foram todos realizados com os documentos fornecidos pela própria parte. Ou seja, cumpriuse o determinado pelo art. 142, do CTN. No que tange, à aplicação de juros e multa em que haveria suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio da equidade, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A, do Anexo II, do Regimento Interno do CARFMF. Contudo, entendo que a fiscalização aplicou de forma equivocada o art. 35A, da Lei n. 82121991, na redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, convertido na Lei n. 11.9412009, que remete à aplicação do art. 44, I, da Lei n. 94301996, com multa estabelecida no patamar de 75%, por entender mais benéfico ao contribuinte. Em análise ao art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, a multa aplicada ao caso é escalonada de acordo com a fase do processo de constituição e cobrança das contribuições previdenciárias, iniciando com 4% a 100%. Os patamares superiores à 75% somente eram aplicáveis após o ajuizamento de ação de execução fiscal. Ou seja, em fase administrativa, a aplicação mais favorável é a da redação do art. 35, , da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008. Notese que os créditos são inclusive anteriores à publicação da MP n 449, de 04.12.2008, Assim, entendimento contrário, será uma afronta à irretroatividade da aplicação da lei, salvo se mais benéfica,(art. 104, III, c;c 106, I, do CTN) bem como negar vigência à necessidade de interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 112, do CTN), pois o ato omissivo de não pagamento de contribuições que não foram devidamente declaradas ocorreu antes do lançamento. Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.001110/200758 Acórdão n.º 2803003.773 S2TE03 Fl. 4 5 em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 32A cumulada com a multa do art. 35, com a redação anterior, como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art.. 35A da Lei n. 8.21211991 combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração. Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, reformando a decisão recorrida e o lançamento, no sentido de determinar que a multa a ser aplicada aos créditos tributários contituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996. É como voto. Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10314.007425/2010-40
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/06/2010, 01/07/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário.
MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01.
DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO.
Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo.
JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE.
Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/06/2010, 01/07/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
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INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 74 25 /2 01 0- 40 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 192), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN", interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0732.552, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, que não conheceu a impugnação quanto à matéria de mérito objeto de enfrentamento concomitante na instância administrativa e na esfera judicial. Também, que conheceu e rejeitou os protestos da impugnante quanto à exigência dos juros de mora. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Versa o presente processo sobre a constituição do crédito tributário formalizado nos Autos de Infração de fls. 05 a 31, cientificados em 10.08.2010, em que são exigidos o imposto sobre produtos industrializados, o imposto de importação e as contribuições PISimportação e COFINSimportação, acrescidos dos juros de mora calculados até 30.07.2010, perfazendo um montante de R$ 32.570,94. Através da declaração de importação (DI) nº 10/10784520, registrada em 28.06.2010, a empresa epigrafada importou mercadorias sem proceder ao recolhimento dos tributos incidentes sobre a respectiva operação por força do deferimento da medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2010.61.00.0026159, impetrado perante a 25ª Vara Cível de São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.007425/201040 Acórdão n.º 3802004.135 S3TE02 Fl. 194 3 A autoridade lançadora informa que as mercadorias em apreço foram entregue em atenção ao despacho exarado no mandado de segurança supracitado e atendendo o disposto no MEMO nº 224/2010 GAB/IRFSPO (fls. 32). Nos referidos expedientes, a autoridade competente, expõe o que segue: “Nos autos do Mandado de Segurança nº 2010.61.00.0026159, impetrado pela SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA – HOSPITAL ALBERT EINSTEIN CNPJ 60.765.823/000130, contra a União Federal, o Juízo da 25ª Vara Federal/SP, assim se manifestou: DEFIRO A LIMINAR para reconhecer a imunidade da impetrante com relação ao Imposto de Importação –II, ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, à COFINS e ao PIS, face a imunidade prevista nos art. 150, VI, “c” e art. 195, 7º, ambos da Constituição Federal e em conseqüência, determino o desembaraço aduaneiro dos bens relacionados nas (...).” (...).” A autoridade lançadora salienta também que: “Por tudo que foi exposto, esta fiscalização entende que a imunidade citada no inciso VI do artigo 150 da CF/88 não abarca os impostos incidentes na importação de bens das pessoas jurídicas lá previstas, pois o II e o IPI não são definidos como impostos sobre patrimônio, renda ou serviço. Sendo assim e por considerar a pleiteada imunidade incabível, lavro o auto de infração para a constituição dos créditos tributários que se encontram com a exigibilidade suspensa, nos termos da liminar deferida nos autos do processo 2009.61.00.0026159, impetrado pelo importador contra a União Federal. Em cumprimento à determinação judicial exarado nos autos do processo citado, houve autorização, através do Memorando IRF/SPO/GAB 224/2010 de 06/07/20140, para que a fiscalização deste Porto Seco CNAGA procedesse ao desembaraço e a entrega da carga em questão. Não se aplica a multa de ofício, em cumprimento ao disposto no Art. 63 da Lei nº 9.430/96.” Irresignada com os lançamentos, a importadora autuada ofereceu, em 06.09.2010, defesa administrativa às fls. 48 a 59, para, de início, alertar que o crédito tributário em tela está com a exigibilidade suspensa por força da liminar concedida, confirmada em sentença no Mandado de Segurança nº 2010.61.00.0026159, originário da 25ª Vara Cível da Subseção Judiciária Federal de São Paulo (fls. 88 a 145), e reafirmar as considerações aduzidas na respectiva inicial, alegando, por conseguinte, o direito à imunidade tributária do artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção do artigo 195, parágrafo 7º, da Fl. 195DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Constituição Federal, por entender que preenche todos os requisitos para fruição dos benefícios fiscais que faz jus as instituições de assistência social, em arrimo à sua pretensão. Prosseguindo na sua defesa, alega que ainda que o tributo fosse devido, no presente caso não seria possível a aplicação dos juros moratórios, em razão do disposto no inciso IV do artigo 151 do CTN. Assevera que estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa não há falar em aplicação de juros, pois se não pode ser cobrar o referido tributo, não há, por decorrência, como entender que esteja em mora. Cita doutrinas e jurisprudências sobre os temas em debate. Ante o exposto, requer seja declarada a insubsistência do auto de infração ora combatido. Este é o Relatório.” Indeferida a impugnação apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/06/2010, 01/07/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial em que se discute idêntico objeto da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte em contestála na instância administrativa, devendo, por conseguinte, declarar a definitividade da respectiva exigência tributária, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa e em cumprimento do princípio constitucional da unicidade de jurisdição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/06/2010, 01/07/2010 JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis – DRJ/FNS, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual pede: (i) o sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) a ausência de fluência de juros por conta de medida liminar deferida em mandado de segurança; (iii) nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) a insubsistência do referido auto de infração. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.007425/201040 Acórdão n.º 3802004.135 S3TE02 Fl. 195 5 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 192), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço parcialmente do Recurso e passo à análise de apenas parte das razões recursais. O presente Recurso Voluntário, como indicado ao final do relatório, dividese em quatro itens: (i) O sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A ausência de fluência de juros por conta de medida liminar deferida em mandado de segurança; (iii) A nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) A insubsistência do referido auto de infração. Ocorre que o item (i) foi trazido somente em sede recursal, revelandose inovações argumentativas. Restam aplicáveis, portanto, os arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, de modo que inviável conhecer tais alegações sob pena de supressão de instância. Ao seu turno, o item (iv) também não merece ser conhecido, dado que efetivamente há identidade de objetos entre o mérito do recurso e o mandado de segurança. Vejase: Verificase nos autos, junto a impugnação, haver sido feita a juntada da petição inicial do writ , bem como cópia da Conclusão da Justiça Federal no Processo nº 2010.61.00.0026159 (Mandado de Segurança nº 000261525.2010.4.03.6100), originário da 25ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, que se encontram anexados ao processo às fls. 95 e seguintes do processo digital, que permite tal constatação. Segue transcrito abaixo um trecho da peça inicial elaborado pela Recorrente ao Juízo, que já elucida a matéria: Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 "(...) DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA A Constituição Federal estabelece as limitações constitucionais ao poder de tributar, prevendo os casos de imunidade tributária, entre as quais dispõe as abaixo transcritas, na qual, como veremos, se enquadra perfeitamente a Impetrante. Estabelece o artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal: "Art. 150 — Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao.contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI— instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei."Já o parágrafo 7º do artigo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: (...)". Já o parágrafo 7o do artigo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: "Art. 195 (...)...: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." No mesmo diapasão, no Voto da Decisão da DRJ às fls. 156/162, fica consignado que (grifouse): "(...) Conforme se depreende do relatório supra, a impugnante, antes do lançamento, já ingressara com Mandado de Segurança Preventivo processo nº 2010.61.00.0026159, impetrado contra o Chefe da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo, perante a 25ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária em São Paulo, tendo por objeto de discussão idêntica matéria tratada neste processo, obtendo liminar autorizando o desembaraço aduaneiro das mercadorias internadas por meio da DI nº 10/10784520, registrada em 28.06.2010, sem o pagamento dos tributos incidentes na respectiva operação. De toda sorte, resta clara a identidade de objetos (que inclusive levaram o Recorrente a pedir o sobrestamento do processo até decisão final do mandado de segurança), o que torna inviável o conhecimento do Recurso nesse aspecto. Assim, cabível o conhecimento e julgamento do item (ii e iii) do Recurso Voluntário, relativo ao pleito da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela e da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa diante da impetração do mandado de segurança pelo contribuinte. Então, vamos a eles. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.007425/201040 Acórdão n.º 3802004.135 S3TE02 Fl. 196 7 ii) Da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela A Recorrente alega em seu recurso serem inaplicáveis os juros de mora em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, concedida em face de liminar em mandado de segurança. Não assiste razão a recorrente. Não obstante o acima asseverado, cabenos analisar a aplicabilidade dos juros de mora, matéria não submetida ao crivo do Poder Judiciário na referida ação mandamental, porquanto esta teve caráter preventivo e, assim, quando da sua propositura, ainda não haviam sido formalizados os presentes lançamentos tributários. A exigência dos juros de mora está conforme as normas legais vigentes e qualquer esforço tendente a afastar sua aplicação, por entendêla inconstitucional, somente poderá advir de demanda pleiteada judicialmente, pois este órgão julgador é incompetente para apreciar questões que se referem à inconstitucionalidade de normas legais legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Esse entendimento já foi pacificado e foi nesse sentido que foi editada a Súmula nº 5, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), publicada no DOU de 22.12.2009, que assim expressa: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. iii) Da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa Ora, compulsando os autos fica claro que sua demanda judicial está restrita ao direito à imunidade tributária com base no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção declarada no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal, guerreado na medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 000261525.2010.4.03.6100 (processo nº 2010.61.00.0026159), da 25ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária Federal em São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Ressaltase que foi proferida sentença que concedeu a segurança pleiteada pela Recorrente,nos autos do Mandado de Segurança. Pois bem. Diante disso, todas as suas alegações na esfera administrativa quanto ao tema deixam de ser passíveis de análise, conforme inteligência do art. 1º e 2º do DecretoLei nº 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980, dada a absoluta identidade de discussão com a matéria tratada na via judicial. Acertada, portanto, a decisão recorrida ao reconhecer a renúncia à esfera administrativa. Apenas aproveito o ensejo para transcrever o art. 38 e seu parágrafo único, da Lei de Execuções Fiscais, por serem de clareza hialina: Fl. 199DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Não por outro motivo o CARF editou a Súmula nº 01, na qual restou consignado que: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não há nulidade a ser reconhecida sobre a decisão originária que, acertadamente, reconheceu a existência de concomitância entre o argumento de mérito da impugnação e o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo. Conclusão Ante todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 11817.000085/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 16/11/2004 a 23/11/2006
CEFADROXIL E O CEFACLOR MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO.
Os produtos cefadroxil e cefaclor monoidratados, relacionados no item 338 e 339 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015, são beneficiados com redução a zero das alíquotas incidentes, para suas formas derivadas.
Numero da decisão: 3201-001.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto ao produto Cefaclor. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano DAmorim, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. E, por unanimidade, deu-se provimento ao recurso voluntário quanto ao produto Cefadroxil. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Renato Silveira, OAB/SP nº 222047.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. Os produtos cefadroxil e cefaclor monoidratados, relacionados no item 338 e 339 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015, são beneficiados com redução a zero das alíquotas incidentes, para suas formas derivadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto ao produto Cefaclor. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano DAmorim, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. E, por unanimidade, deuse provimento ao recurso voluntário quanto ao produto Cefadroxil. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Renato Silveira, OAB/SP nº 222047. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 81 7. 00 00 85 /2 00 7- 22 Fl. 711DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: DO LANÇAMENTO Trata o presente processo dos autos de infração lavrados pela fiscalização da Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília de fls. 01/14 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/Pasep Importação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins Importação), da multa de 75% prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 27/12/96 e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 3.350.757,15 (três milhões trezentos e cinqüenta mil, setecentos e cinqüenta e sete reais e quinze centavos) e, ainda, da multa de que trata o art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835/01 c/c art. 69 da Lei n° 10.833/03 no valor de R$148.589,09 (cento e quarenta e oito mil, quinhentos e oitenta e nove reais e nove centavos) por classificação errada/descrição inexata da mercadoria. DOS FATOS A fiscalização constatou que o importador, ao longo dos anos de 2004,2005 e 2006, submeteu a despacho de importação os produtos Cefadroxil monoidratado (NCM2941.90.34) e Cefaclor monoidratado (NCM 2941.90.33), requerendo a redução de alíquota deCofinsImportaçãoe de PIS/PasepImportaçãodo inciso I do artigo 1° do Decreto 5.821 de 29de junho de 2006. Art1°Ficamreduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP,da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COF1NS,da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: Fl. 712DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 11817.000085/200722 Acórdão n.º 3201001.999 S3C2T1 Fl. 94 3 I químicos classificados no Capitulo 29 da NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; A fiscalização durante o trabalho de revisão aduaneira das declarações de importações entendeu que a redução de alíquota não é cabível, pois considerou que os produtos importados não se enquadravam na relação exaustiva de produtos do capitulo 29 constante no Anexo I do citado Decreto. Apenas os produtos Cefadroxila (sinônimo de cefadroxil) e Cefaclor estão na relação do Anexo I, não os produtos monoidratados. Segundo o fiscal: “A hidratação do produto é um detalhamento observado no Decreto de redução, como se pode observar no caso da cefalexina. Portanto, não se pode estender a produtos com hidratação diversa a especificada no Decreto o beneficio de redução de alíquota a zero”. Mais adiante informa que a: “A distinção entre os produtos químicos pode ser observada através do número CAS, um número de registro único no banco de dados do Chemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical American Society, também utilizado pela Secretaria da Receita Federal na elaboração da Instrução Normativa 657/2006, que trata sobre Nomenclatura do Valor Aduaneiro e Estatística NVE. No caso do Cefadroxil há o registro das duas hidratações do produto: Cefadroxil anidro (puro), CAS 50370122, e Cefadroxil monoidratodo, CAS 66592878. Com relação ao Cefaclor, há dois registros, um para o: Cefaclor anidro, CAS 5399473 3 e outro do Cefaclor monohidratodo, CAS 7035603 5. Portanto, observase que são dois produtos distintos e apenas aquele citado no Anexo I do Decreto 5.821 /2006 tem direito a redução de alíquota. Cientificado dos autos de infração em 05/04/07, fl.09, o interessado apresentou, em 03/05/07, a impugnação fls. 367/392. Preliminarmente solicitou a realização de perícia, com base no inciso IV do Art. 16 do Decreto n° 70.235/72, apresentando os quesitos que entendia serem necessários ao deslinde do litígio, entretanto não indicou o perito. Passou em seguida a apresentar os argumentos de mérito. O impugnante alega que o cerne da discussão é o registro no CAS, que o Cefadroxil e o Cefaclor são considerados gêneros, que comportam as seguintes espécies: • Cefadroxil anidro (puro), CAS 50370122 • Cefadroxil monoidrato, CAS 6659287 Cefadroxil Hemidrato, CAS 119922859 • Cefaclor anidro, CAS 5399473 3 Fl. 713DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 4 • Cefaclor monohidrato, CAS 7035603 5. Corroborase a interpretação, a NVE Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística regida inicialmente pela Instrução Normativa SRF n° 80, de 27 de dezembro de 1996, revogada pela Instrução Normativa SRF n° 657, de 26 de junho de 2006, e posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF n° 701, de 27 de dezembro de 2006, que assim especificou: Subitem 2941.90.34 Cefadroxil e seus sais Atributos e Especificações de Nível "U" Atributo CÃS 0001 066592878 / Cefadroxila 9999 Outros ................................................................................... SubItem 2941.90.33 Cefaclor e Cefalexina monoidratados; Cefalexina sódica Atributos e Especificações de Nível "U" Atributo CÃS 0001 070356035/ Cefaclor 0002 015686712/ Cefalexina 0003 023325782/ Cefalexina monoidratada 9999 Outros Assim, a NVE, especificou o cefadroxil com o CAS n° 66592878 e o cefaclor CAS n° 070356035, que correspondem ao produto monohidrato. Por fim, aduz que o anexo I do citado decreto, sem quaisquer outras informações técnicas, possui, na posição 338 CEFACLOR e 339 CEFADROXILA, em seu termo mais genérico, sem especificar suas espécies conhecidas. Assim, ao contemplar o gênero CEFADROXIL e CEFACLOR no Decreto n° 5.821, de 29 de junho de 2006, o legislador reduziu a zero a alíquota do PIS/PASEP Importação e da COFINSImportação para todas as espécies, a saber, anidro e monoidratado. Alega também que o Decreto n° 5.821, de 29 de junho de 2006, prevê no art. 3 os seus efeitos são produzidos a partir da data da publicação. Portanto, não se pode falar em descumprimento da citada norma jurídica para as Declarações de Importação registradas anteriormente a esta data A autuada ainda acrescenta que não agiu em nenhum momento com dolo, fraude ou simulação, “muito pelo contrário, a Fl. 714DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 11817.000085/200722 Acórdão n.º 3201001.999 S3C2T1 Fl. 95 5 legalidade sempre esteve presente em todos os seus procedimentos podendose, quando muito, vislumbrar a interpretação equivocada de uma legislação confusa”, como demonstra “o fato da própria Instrução Normativa SRF n° 701, de 27 de dezembro de 2006, ao considerar os termos CEFADROXIL e o CEFACLOR para o CÃS correspondente ao MONOIDRATADO” ou seja, “a própria NVE, [...], corrobora o entendimento da IMPUGNANTE quando da aplicação da redução de alíquota, prevista no Decreto n° 5.821/2006, é também impreciso na utilização da linguagem técnica [sic]”. Em 20/09/10, foi recepcionado por esta DRJ/FOR o documento de fls. 431/432, por meio do qual o interessado solicitou a juntada de perícia técnica, realizada por solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos (fls. 433/505), afirmando que o estudo “acata a tese da IMPUGNANTE no sentido de que o termo CEFACLOR e CEFADROXIL referemse ao gênero, não se restringindo às fórmulas anidras como entendeu a D. Autoridade autuante”. Em 12/06/12, a empresa novamente compareceu aos autos para noticiar sobre o Relatório Fiscal emitido pelo Serviço de Fiscalização Aduaneira, da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos, que, após análise técnica e pericial, indicou pelo encerramento do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0817700 2009 001503 que tinha como objeto a “auditoria da Operação Fiscal nº 42111 – Classificação Fiscal e 49112 – PIS e COFINS NA IMPORTAÇÃO para os produtos CEFACLOR, CEFADROXILA E AZITROMICINA” e solicitou que tais documentos fossem acatados como prova emprestada e que o presente Auto de Infração fosse julgado improcedente. A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 16/11/2004 a 23/11/2006 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 16/11/2004 a 23/11/2006 CEFADROXIL E O CEFACLOR MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 6 Os produtos cefadroxil e cefaclor monoidratados não foram elencados no Anexo I do Decreto nº 5.127, de 05 julho de 2004 e o Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006, por isso não fazem jus à redução a zero das alíquotas das contribuições Cofins Importação e Pis/PasepImportação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 16/11/2004 a 23/11/2006 NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A descrição do fato motivador para lavratura do auto de infração é enquadramento legal indicado para cobrança da multa do art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835/01 c/c art. 69 da Lein° 10.833/03. Consideramse nulos os autos de infração cujas descrições não explicitem os fatos que os fundamentem, pressuposto obrigatório de validade do lançamento Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que. desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que aprovou as Denominações Comuns Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que: Na tabela das Denominações Comuns Brasileiras, a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Relacionamse também, na mesma coluna, os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. A cada princípio ativo é associado em outra coluna o correspondente nº CAS que, conforme informação constante das RDC “Tratase do número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. Na ausência desta informação, este campo será preenchido com as chamadas de[Ref.1] até [Ref.11], indicando a referência bibliográfica, [...]” No mesmo manual acima citado, pode ser encontrada a seguinte explicação para a estrutura dos códigos da DCB, então constantes da tabela, que elucida a estrutura de organização das substâncias: Fl. 716DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 11817.000085/200722 Acórdão n.º 3201001.999 S3C2T1 Fl. 96 7 Os cinco primeiros números são referentes à família do fármaco e não devem ser alterados. São dados a partir de uma seqüência numérica. As moléculas principais e seus derivados terão esses cinco primeiros números em comum. Os dois números seguintes correspondem à molécula base (sempre números 01) ou derivados/sais (02 a 99). [...]. Para ilustrar, dá como o exemplo a forma de classificação da substância cefalexina, e prossegue: Vêse que o que o perito chamou de gênero, a DCB chama de molécula base. A questão que se apresenta, no estado atual de cognição da matéria, é: quando o legislador se refere à molécula base ele pretende contemplar somente esta com o benefício fiscal ou toda a família do fármaco? Se a resposta for afirmativa para o cefaclor, o mesmo raciocínio deve ser usado para a cefalexina e tantos outros produtos que aparecem entre os 2.032 constantes do anexo I do decreto, afinal não se pode conceber que o legislador tenha aplicado raciocínios variáveis dentro do mesmo ato, a depender do produto. No entanto, após detida análise do assunto, do cotejo do anexo I do decreto com a lista DCB, a conclusão que se chega é que a interpretação deve ser a mais restrita. Vejase que em se assumindo como verdadeira a afirmação de que quando o legislador contemplou o cefaclor com o benefício fiscal pretendeu fazêlo para toda a família do fármaco, se deve assumir que a redução concedida para a cefalexina, deveria ser estendida também para toda a família, o que tornaria despiciendo elencar a cefalexina monoidratada e o cloridrato de cefalexina como fez o legislador e, além disso, assumir que o benefício deveria ser estendido para os produtos cefalexina sódica e lisinato de cefalexina, estes dois últimos não contemplados no anexo I do decreto. A título de exemplo, a mesma reflexão deve ser feita para o cefetamete (item 347 do decreto) que não teve o seu derivado cloridrato de cefetamete pivoxila contemplado pela redução, para a ceftriaxona que, não obstante tenha dois derivados, a ceftriaxona sódica e a ceftriaxona sódica hemieptaidratada, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado Fl. 717DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 8 citado (itens 363 e 364 do decreto), o ciprofloxacino que, não obstante tenha dois derivados, o cloridrato de ciprofloxacino e o lactato de ciprofloxacino, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 408 e 542 do decreto), o clobetasol que, não obstante tenha dois derivados, o butirato de clobetasol e o propianato de clobetasol, somente foi beneficiada a molécula base e o segundo derivado citado (itens 447 e 1697 do decreto), entre outros. Assim, repitase, o entendimento deve ser restrito, pois uma interpretação ampla sobre o alcance dos termos constantes do Anexo I do Decreto nº 5.821/06 não se mostra coerente quando se analisa o ato como um todo, além de não se alinhar com a rigidez de controle imposta pelo Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aos princípios ativos e aos medicamentos que os contém e a todas as atividades a eles relacionadas, aí incluídas as importações Sobre o argumento do NVE, afirma a decisão que há impropriedade na edição da NVE que suprimiu indevidamente alguns termos na descrição dos produtos. A decisão manteve a multa de ofício, por ser multa aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição em qualquer lançamento de ofício em que se detecte falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Quanto à multa de 1%, a decisão entendeua nula, pois se verificou que a descrição do fato motivador para lavratura do auto de infração é incompatível com o enquadramento legal indicado para cobrança da citada multa, na medida em que a penalidade do art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835/01 c/c art. 69 da Lei n°10.833/03 refere se à multa por classificação errada/descrição inexata da mercadoria, entretanto a descrição dos fatos do auto trata do direito a redução da alíquota a zero do anexo I do Decreto nº 5821/ 2006, havendo ofensa ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972 Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da impugnação. Às efls. 433, há laudo técnico formulado para o produto CEFACLOR.Às e fls. 512 e ss, consta petição da Recorrente solicitando o translado do laudo produzido no MPF 08177002009001503 ao presente processo, por conter laudo técnico para os produtos em questão. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Ainda, posteriormente, foi juntado laudo técnico do Professor Ricardo Isidoro da Silva, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dessa forma, foi convertido o julgamento em diligência, para que fosse dada ciência e oportunidade para que a Fazenda Nacional se pronunciasse. Foram juntadas aos autos a Informação Safia nº 11/2015, da Alfândega Receita Federal no Aeroporto Internacional de Brasília, na qual a fiscalização manifestouse no mesmo sentido da decisão recorrida. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 11817.000085/200722 Acórdão n.º 3201001.999 S3C2T1 Fl. 97 9 A Procuradoria da Fazenda Nacional, por seu turno, manifestouse no sentido de corroborar os termos da Informação Safia nº 11/2015, da Alfândega Receita Federal no Aeroporto Internacional de Brasília. Ademais, foi juntada a Solução de Consulta n. 8052 SRRF 8/DISIT, proposta pela PróGenéricos, Associação da Indústrias de Medicamentos Genéricos, para balizar o entendimento do presente voto, e que possui a seguinte ementa: É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele não tomo conhecimento. Tal como relatado, a solução da lide dependeria da determinação objetiva do alcance dos termos CEFACLOR e CEFADROXILA, constantes do Anexo I, Decreto nº 5.127/04 (fatos geradores entre 14/03/06 e 29/06/06), ou do Decreto nº 5.821/06 (fatos geradores entre 30/06/06 e 07/04/08). Em todos os casos, discutese se os respectivos decretos contemplariam as formas hidratadas das substâncias, ou , ainda , toda a família do fármaco ,e não apenas a sua forma anidra. Os referidos decretos reduzem a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, nos seguintes termos: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: Fl. 719DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 10 I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero os produtos mencionados, sem que se faça referência à hidratação da substância. Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se as versões hidratadas dos produtos, estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. A Recorrente, em sua defesa, alega que quando o decreto faz referência às substâncias, não o está fazendo em relação à sua forma anidra, porém, fazendo menção ao gênero, de sorte que o benefício contemplaria toda a família do fármaco. Conforme mencionado na decisão recorrida, na página na internet da ANVISA, pode ser encontradas diversas informações sobre a nomenclatura oficial de fármacos, no Brasil. Destarte, as bases da referida nomenclatura surgiram no início da década de 1970, no encontro da necessidade de harmonização. Em janeiro de 1981 o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), publicou no Diário Oficial da União a primeira lista oficial de nomes genéricos, que passaram a ser obrigatórios na solicitação de registro de novos medicamentos (Portaria SNVS 8/1981). A normativa propunha a padronização da nomenclatura e a adoção de códigos numéricos que permitissem rápida identificação das substâncias ou preparados em uso no Brasil e sua correlação com substâncias de estrutura semelhante. A partir de então, periodicamente são publicadas consolidações da nomenclatura, a tabela das Denominações Comuns Brasileiras, que devem ser observados pelo órgãos governamentais, bem como os operadores desse mercado. A última consolidação data de 2007 e está disponível na página da internet da ANVISA, com a denominação “Lista DCB 2007 – Consolidada”(http://www.anvisa.gov.br/medicamentos/dcb/lista_dcb_2007.pdf). Depreendese dos autos que, de fato, encontramse códigos distintos para as formas anidras e hidratadas das respectivas substâncias. De acordo com relatório da fiscalização, às efls. 512, realizado no âmbito do MPF 008177002009001503, para os produtos cefadroxil, cefaclor e azitromicina, tratamse de antibióticos que se apresentam na forma anidra e hidratada. Acrescese que, a forma hidratada é a mais estável, e, por essa razão, de maior comercialização. E nesse passo, o perito deixa claro que há diversas formas de apresentação da substância química em questão, que recebem códigos CAS distintos, embora o princípio ativo envolvido seja o mesmo, fato este que não e contestado pela Recorrente. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 11817.000085/200722 Acórdão n.º 3201001.999 S3C2T1 Fl. 98 11 Na perícia técnica realizada por solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos (efls. 433), a denominação “cefaclor” é empregada para designar a forma anidra da substância (ou seja, que não contém água em sua composição), ao passo que a sua forma hidratada, é identificada pela expressão “cefaclor monoidratado” (o termo "monoidratado" significa que à molécula do fármaco está associada uma molécula de água). O cefaclor é uma cefalosporina (grupo de antibióticos) que se apresenta de diversas formas, como se verifica de excertos do laudo técnico do Eng° José Carlos Sperandéo. Embora esteja consignado nos referidos relatórios que os laudos técnicos o perito entendeu que os produtos deveriam ser considerados “gênero”, de outras formas de apresentação da substância, é certo que, a perícia circunscrevese à correta identificação merceológica do produto, extrapolando a competência do perito, considerações exegéticas acerca das normas jurídicas incidentes. Disso, inferese que assiste razão à autoridade de autuação, quando afirma que a questão cingese à interpretação das normas incidentes, e não à composição dos produtos, sobre os quais não pairam dúvidas sobre a correta classificação. Portanto, é despiciendo o pedido de conversão do julgamento em diligência, pois as respostas aos quesitos formulados, não repercutem na decisão da controvérsia. Ao se analisar o Anexo I, dos decretos, verificase que se fez a distinção entre as formas hidratadas e anidras de alguns dos produtos lá contemplados, como se verifica das seguintes substâncias: 340 CEFALEXINA 341 CEFALEXINA MONOIDRATADA 1225 IMIPENEM 1226 IMIPENEM MONOIDRATADO Aliandose essa informação com o fato de que os produtos na forma anidra e hidratada são identificados na classificação farmacológica em códigos distintos para forma hidratada e anidra, poderia se inferir que o legislador não estendeu o benefício fiscal para as formas hidratadas dos produtos. Postos os argumentos que respaldam ambos os posicionamentos,vêse que a questão é bastante controversa, havendo fundamento para decidir pela extensão ou não do benefício. Contudo, vêse que a própria Administração dá um norte para dirimir a lide, com a edição da Solução de Consulta COSIT n. 75, de 17 de março de 2015 , trata especificamente da redução à zero das alíquotas das contribuições sociais, possuindo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Benefício fiscal concedido a um produto químico especificado Fl. 721DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 12 na forma genérica, pelo ato concedente, aproveita a suas espécies se não houver restrição às espécies derivadas. Nesse sentido, o benefício fiscal concedido ao produto “Cefadroxila” abrange as espécies “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, caso inexista restrição a qualquer espécie derivada. Dispositivos Legais: Decreto nº 5.821, de 2006, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339; e Decreto nº 6.426, de 2008, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339. Nos fundamentos da decisão, temse: [...] 12. As espécies apresentadas pela consulente como “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, conforme Laudo Técnico abaixo transcrito, são derivadas do gênero Cafadroxila, produto amparado com a redução de alíquota pelo Decreto nº 5.821, de 2006, bem como pelo Decreto nº 6.426, de 2008. O Laudo Técnico juntado ás fls. 126 à 162, diz, “A molécula da Cefadroxila é um dos fármacos com atividade antibiótica que apresenta pseudomorfismo, ou seja, pode apresentar várias formas de cristalização, anidra, monohidratada e também é citado a existência da forma hemihidratada”. Os citados Decretos não fazem restrição a qualquer espécie derivada da Cefadroxila na concessão da redução da alíquota. 13. O citado Laudo Técnico constante às fls. 156, da presente consulta responde a pergunta formulada, “in verbis”: “o) Podemos afirmar que CEFADROXIL é um gênero que comporta as espécies CEFADROXIL ANIDRO E CEFADROXIL MONOHIDRATADO ? Resp: SIM” 14. Importante observar que a concessão do benefício fiscal estabelecida pelos Decretos em tela indicou como objeto o produto “Cefadroxila” no item 339, do seu Anexo I, e não vinculou para aplicação da redução da alíquota um código, ou seja, não o restringiu à nomenclatura (NCM ou NVE). 15. Portanto, o benefício da redução prevista no Decreto nº 5.821, de 2006, e posteriormente no Decreto nº 6.426, de 2008, no item 339, do Anexo Único, abrange a Cefadroxila em suas várias formas de cristalização: anidra, monohidratada e hemihidratada. Conclusão 16. O produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionado no item 339 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição. Observese que, embora o art.15 da INRFB 1464/2014 estabeleça que o efeito vinculante das soluções de consulta proferidas pela COSIT passam a produzir efeitos Fl. 722DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 11817.000085/200722 Acórdão n.º 3201001.999 S3C2T1 Fl. 99 13 para os fatos geradores posteriores à publicação da decisão, tratase a Solução de Consulta n. 75 de importante orientação da Administração para uma questão extremamente tormentosa. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 723DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO
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Numero do processo: 18050.007955/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória.
COTA PATRONAL. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
É devida contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais, na forma do art. 22, inciso III, da Lei 8.212/91.
COTA PATRONAL. SEGURADO EMPREGADO. SAT.
É devida contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, na forma do art. 22, incisos I e II, da Lei 8.212/91 e art. 57, §6°, da Lei 8.213/91.
ASSISTÊNCIA MÉDICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL.
Para que os valores pagos a título de assistência medica sejam excluídos do salário de contribuição, tais valores devem abranger todos os empregados e dirigentes.
VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO-INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF.
Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de vale-transporte.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO.
Poderá ser realizado o lançamento das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria.
Havendo depósito judicial, isso suspende a exigibilidade do crédito tributário e protege o devedor contra atos de cobrança do Fisco, mas não impede o lançamento referente às diferenças entre a contribuição total de SAT (2%), apuradas na ação fiscal, e o montante depositado em juízo pela Recorrente.
SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT.
O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante, sendo que a CNAE (classificação nacional de atividades econômicas) fiscal n.° 74500 (seleção, agenciamento e locação de mão de obra p/ serviços temporários), conforme aprovado pelo Decreto 2.173/1997 e anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS), Decreto 3.048/1999, é grau 2, correspondente ao risco médio, alíquota 2,00%.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer que sejam excluídos da multa os valores apurados em decorrência da verba paga a título de vale transporte em dinheiro. II) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja realizada pela autoridade preparadora a comparação, na execução do julgado, da multa constante dos autos, somadas as multas aplicadas nos lançamentos correlatos (processos de números 18050.007948/2008-21 e 18050.007956/2008-78) e compare com a multa expressa no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/1996, como determina o art. 35-A da Lei 8.212/1991, aplicando ao caso o cálculo que seja mais benéfico à recorrente (art. 106 do CTN).
Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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FATOS GERADORES Recorrente WORKTIME ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. COTA PATRONAL. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. É devida contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais, na forma do art. 22, inciso III, da Lei 8.212/91. COTA PATRONAL. SEGURADO EMPREGADO. SAT. É devida contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, na forma do art. 22, incisos I e II, da Lei 8.212/91 e art. 57, §6°, da Lei 8.213/91. ASSISTÊNCIA MÉDICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Para que os valores pagos a título de assistência medica sejam excluídos do salário de contribuição, tais valores devem abranger todos os empregados e dirigentes. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 79 55 /2 00 8- 23 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Poderá ser realizado o lançamento das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. Havendo depósito judicial, isso suspende a exigibilidade do crédito tributário e protege o devedor contra atos de cobrança do Fisco, mas não impede o lançamento referente às diferenças entre a contribuição total de SAT (2%), apuradas na ação fiscal, e o montante depositado em juízo pela Recorrente. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante, sendo que a CNAE (classificação nacional de atividades econômicas) fiscal n.° 74500 (seleção, agenciamento e locação de mão de obra p/ serviços temporários), conforme aprovado pelo Decreto 2.173/1997 e anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS), Decreto 3.048/1999, é grau 2, correspondente ao risco médio, alíquota 2,00%. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18050.007955/200823 Acórdão n.º 2402004.861 S2C4T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer que sejam excluídos da multa os valores apurados em decorrência da verba paga a título de vale transporte em dinheiro. II) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja realizada pela autoridade preparadora a comparação, na execução do julgado, da multa constante dos autos, somadas as multas aplicadas nos lançamentos correlatos (processos de números 18050.007948/200821 e 18050.007956/200878) e compare com a multa expressa no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/1996, como determina o art. 35A da Lei 8.212/1991, aplicando ao caso o cálculo que seja mais benéfico à recorrente (art. 106 do CTN). Ronaldo de Lima Macedo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/2004 a 13/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06/11), a empresa apresentou a GFIP sem os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Esses fatos geradores decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuas, e foram declarados nas folhas de pagamento. Os valores não declarados em GFIP estão discriminados no anexo I deste relatório e foram objetos de lançamento da obrigação principal (NFLD 37.153.7304, processo 18050.007948/200821; e NFLD 37.153.7312, processo 18050.007956/200878). O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 12/17) informa que foi aplicada a multa no valor de R$627.445,00 (seiscentos e vinte e sete mil quatrocentos e quarenta e cinco reais), fundamentada no art. 32, inciso IV, parágrafo 5o, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, e no art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Essa multa aplicada correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição apurada sobre os fatos geradores não declarados, limitada, por competência, aos valores previstos no § 4° do art. 32 da Lei 8.212/1991 (em função do número de segurados da empresa). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/10/2008 (fl. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 72/95), alegando, em síntese, que: 1. a referida multa originouse de obrigações principais indevidas, assim, tratando de acessório do principal, caindo este, cai, conseqüentemente, aquele. Com efeito, nenhuma dessas imputações promovidas pelo fisco previdenciário enquadrase na conduta da impugnante, uma vez que seus preceitos materiais estão dissonantes com a realidade fática, conforme visto nas impugnações dos autos de infrações principais; 2. conforme se verifica nos documentos colacionados no auto de infração principal, a empresa impugnante informou mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP, os dados cadastrais de todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, conforme se extrai dos documentos anexados no processo do auto de infração principal. Ademais, devese registrar que o próprio fisco previdenciário informou que a GFIP de alguns meses do ano de 2004 foram entregues, conforme relatório do auto de infração, caracterizando, portanto, a entrega da GFIP, mesmo que com dados incorretos, o que Fl. 321DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18050.007955/200823 Acórdão n.º 2402004.861 S2C4T2 Fl. 4 5 afasta qualquer alegação e incidência de multa em relação à não entrega de tal documentação; 3. para o Lançamento GFA, percebese que o valor encontrado nesse item é a diferença entre a transmissão da GFIP antes e a retransmissão da GFIP após a fiscalização, vindo a gerar esta diferença que, como dito, não é devida, bem como distribuídas nos demais tópicos a seguir impugnados; 4. no Levantamento FPN, o fato de existir diferença entre o total da remuneração declarada em GFIP e as folhas de pagamento significa dizer que nem tudo que está na folha de pagamento é remuneração tributável pela previdência, constituindo a mesma de verbas ressarcitórias e afins, verbas estas que não integram o salário de contribuição; 5. para o Levantamento VTD, alega que no caso dos autos, além da questão da logística e do risco de furtos e roubos constantes, a empresa impugnante se viu impossibilitada de conceder os vales transporte para alguns funcionários, tendo em vista as peculiaridades que cercavam a localidade em que ocorria a prestação do serviço; 6. no tópico referente ao Levantamento SAT, o fisco previdenciário lançou as diferenças entre os valores da contribuição total do SAT (2%), apurados na ação fiscal, e o montante depositado em juízo pela empresa. Percebese que o fisco previdenciário, ao total arrepio da lei, considerou, indiscriminadamente, todas as áreas de atuação da empresa impugnante com o mesmo risco para contribuição do SAT. Em outras palavras, não há que se falar em uniformidade do risco, razão pela qual deve ser aferido individualmente; 7. com relação ao Levantamento HON, também não merece razão os argumentos utilizados, notadamente por dois motivos: primeiro, porque se trata de contribuinte individual, existindo limite máximo para o recolhimento previdenciário, não sendo devido quando este é atingido; segundo, porque os reembolsos das despesas não são tributáveis; 8. para os Levantamentos ADV, AUT e PRO, aduz que todo contribuinte da previdência, inclusive o individual, tem um teto máximo em que é tributado, não havendo que se declarar em GFIP, nem em tributar, quando já se atingiu; 9. uma simples perícia poderá demonstrar tal fato, o que por si só já afastará referida imputação. Registrese, inclusive, que mesmo considerando como correta a alegação do fisco previdenciário, ainda assim a multa deve ser reduzida, por flagrante erro de cálculo, pois, o valor máximo limitase a R$ 62.744,50, ocorre que o fisco aplicou a astronômica multa de R$ 627.445,00, ou seja, totalmente fora dos parâmetros legais; e Fl. 322DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 10. requer que seja julgado totalmente improcedente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão no 1519.905 da 7a Turma da DRJ/SDR (fls. 115/118) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação (fls. 127/155). A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Salvador/BA informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18050.007955/200823 Acórdão n.º 2402004.861 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador, que é o descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme ficou nitidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração (fls. 01/11), nos seguintes termos: “[...] 3. Durante o desenvolvimento dos procedimentos de auditoria, foi constatado que a empresa não declarou em GFIP o montante das remunerações pagas a todos os segurados que exerceram atividade remunerada no período de janeiro a dezembro do ano de 2004. 4. Da análise da folha de pagamento do contribuinte, verificou se que a empresa não declarou em GFIP o valor total dos saláriosdecontribuição constantes nas Folhas apresentadas à fiscalização. 4.1 Primeiramente, foram verificadas, nos sistemas informatizados da Previdência Social, todas as informações prestadas em GFIP até o início da ação fiscal. Através do relatório DCBC (DEMONSTRATIVO DA COMPOSIÇÃO DA BASE DE CALCULO) foi constatado que a empresa: • não entregou a GFIP nos meses de janeiro a março, julho; • não informou o décimo terceiro do estabelecimento matriz; • não entregou a GFIP dos meses de março, agosto e décimo terceiro da filial 0003; • não houve qualquer informação sobre o estabelecimento 0002 (outra filial). • só apresentou a GFIP dos meses de agosto e outubro do estabelecimento 0004. 4.2 A empresa informou que havia transmitido todas as informações da folha em época própria, contudo ao tentar corrigir algumas informações de FGTS acabou apagando os Fl. 324DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 dados anteriores e que já estava providenciando todas as correções. 4.3 Foi verificado também que, mesmo nos meses com GFIP, as bases de remuneração informadas estavam bem abaixo do montante presente nas Folhas e também não foram informados todos os segurados. (...) 7. Na contabilidade foram identificados diversos pagamentos efetuados a autônomos que não constam na folha e nem na GFIP, também não foram verificados recolhimentos da contribuição previdenciária sobre estas bases. Não houve retenção dos 11% da parte do contribuinte, este fato foi verificado nos recibos apresentados. A empresa não informou em GFIP os autônomos. Os autônomos foram identificados nos lançamentos contábeis das seguintes contas: 483 3.2.1.02.012 Serviços Prestados P.) autônomos lançados no levantamento HON HONOR PESSOA FISICA PREPOSTO; 3375 3.2.1.02.014 Honorários Advocatícios autônomos, lançados no levantamento ADV HONORARIOS ADVOCATICIOS; 3471 3.2.1.02.017 Outras Despesas autônomos, lançados no levantamento AUT AUTONOMOS DIVERSOS; 2201 3.3.1.02.005 Manutenção e Conservação autônomos, lançados no levantamento AUT AUTONOMOS DIVERSOS; 2163 3.3.1.02.001 Serviços Prestados PF autônomos, lançados no levantamento AUT. 7.1 Houve descumprimento da obrigação de declarar todos os contribuintes individuais, bem como os respectivos descontos. [...]” Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/70) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 325DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18050.007955/200823 Acórdão n.º 2402004.861 S2C4T2 Fl. 6 9 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além disso – nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos/Termos de Intimação Fiscal (TIAD/TIF) (fls. 18/44) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF (fls. 45/46) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para configuração dos valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 06/17. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da multa aplicada, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/70) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Diante disso, rejeito a preliminar de nulidade ora examinada, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência de a Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, relativas à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, para as competências 01/2004 a 13/2004. Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados nas planilhas de fls. 17/18, bem como nas Notificações de números: NFLD 37.153.7304, processo 18050.007948/200821; e NFLD 37.153.7312, processo 18050.007956/200878. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18050.007955/200823 Acórdão n.º 2402004.861 S2C4T2 Fl. 7 11 § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, referentes à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos Autos dos processos: 18050.007948/200821 (NFLD 37.153.7304); e 18050.007956/200878 (NFLD 37.153.731 2). Após essas considerações, informo que as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernentes ao descumprimento da obrigação acessória, no que forem coincidentes, especificamente com relação ao fato de que a remuneração foi declarada nas folhas de pagamento, na GFIP e na contabilidade da empresa – foram devidamente enfrentadas, quando da análise do processo da obrigação principal. Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão do processo da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) Fl. 328DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 Esse processo de número 18050.007948/200821 (NFLD 37.153.7304) deixou assentado no acórdão proferido por este Conselho, na sua ementa, o seguinte: “[...] Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2006 Ementa: COTA PATRONAL. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. É devida contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais, na forma do art. 22, inciso III, da Lei 8.212/91. COTA PATRONAL. SEGURADO EMPREGADO. SAT. É devida contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, na forma do art. 22, incisos I e II, da Lei 8.212/91 e art. 57, §6°, da Lei 8.213/91. ASSISTÊNCIA MÉDICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Para que os valores pagos a título de assistência medica sejam excluídos do salário de contribuição, tais valores devem abranger todos os empregados e dirigentes. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Poderá ser realizado o lançamento das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. Havendo depósito judicial, isso suspende a exigibilidade do crédito tributário e protege o devedor contra atos de cobrança do Fisco, mas não impede o lançamento referente às diferenças entre a contribuição total de SAT (2%), apuradas na ação fiscal, e o montante depositado em juízo pela Recorrente. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante, sendo que a CNAE (classificação nacional de atividades econômicas) fiscal n.° 74500 (seleção, agenciamento e locação de mão de obra p/ serviços temporários), conforme aprovado Fl. 329DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18050.007955/200823 Acórdão n.º 2402004.861 S2C4T2 Fl. 8 13 pelo Decreto 2.173/1997 e anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS), Decreto 3.048/1999, é grau 2, correspondente ao risco médio, alíquota 2,00%. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Provido em Parte. [...]”. A Recorrente insiste que é necessária a realização de perícia contábil para demonstrar a veracidade das suas argumentações expostas na peça recursal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de perícia contábil requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a perícia contábil só deverá ser concedida com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois ela só tem sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de pedido de perícia contábil quando se referir a matéria de fato, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a perícia contábil que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Verificase que a diligência não foi formulada de acordo com as disposições do art. 16 do Decreto 70.235/1972, pois lhe faltam os motivos e a formulação dos quesitos desejados para sua realização. Além disso, a matéria contestada não se refere à irregularidade nos valores apurados que demandasse tal revisão e os autos foram instruídos com os elementos contábeis fornecidos pela Recorrente (Relatório Fiscal, fls. 01/17), em que se poderiam extrair eventuais equívocos em que pudesse ter incidido o procedimento de auditoria fiscal. Portanto, caberia a Recorrente demonstrar o contrário por meio de documentos idôneos – tais como folhas de pagamentos, escrituração contábil, recibos de pagamentos, Guias de Recolhimentos (GPS), Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), dentre outros – que os valores declarados nas folhas de pagamento e na contabilidade, devidamente apresentados ao Fisco durante o procedimento de auditoria fiscal, não espelhavam a realidade contábil da empresa. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de procedência, ou não, do lançamento fiscal ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que, nos documentos de fls. 01/70, constam de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em realização de perícia contábil, eis que entendo que essa diligência é descabida no presente lançamento fiscal. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 Esse fato evidencia que a perícia contábil seja de pronta indeferida e considerada como não formulada. Assim reza o art. 16 da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972). Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). Tratase de solicitação não necessária para o deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, o art. 18 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a autoridade julgadora deverá indeferila. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, indeferese o pedido de perícia contábil, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Fl. 331DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18050.007955/200823 Acórdão n.º 2402004.861 S2C4T2 Fl. 9 15 Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. MULTA O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A lei nova revogou o art. 35 da Lei 8.212/911, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o 1 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 332DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário – notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20092) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20093). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo incluído em lançamento tributário – chamada de multa de ofício (art. 35A), que é única para três condutas: (i) falta de pagamento ou recolhimento; (ii) falta de declaração; e (iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: para a primeira, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/964; para a segunda, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/965. 2 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 3 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 333DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18050.007955/200823 Acórdão n.º 2402004.861 S2C4T2 Fl. 10 17 O caso em exame trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento tributário, portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa para pagamento não espontâneo, incluído em lançamento tributário, que é o caso, conforme visto, na nova sistemática do art. 35A da Lei 8.212/91, é única para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata. Já o revogado art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91 dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento incluído em lançamento tributário. Era o revogado art. 32, inciso IV, §§4o e 5o, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Portanto, na norma anterior o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento, quando há falta de declaração e/ou declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o, da Lei 8.212/91. Deixo consignado nos autos que a multa mais benéfica será calculada de acordo com a sistemática aqui apontada no momento do pagamento, nos termos do item “2” da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009: “1) a multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, quando aplicada isoladamente (sem a existência de outra penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação de pagar o tributo), deverá § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 334DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 18 ser comparada com o novo art. 32A, inciso II, da Lei 8.212, de 1991, para fins de aferição da norma mais benéfica. Nesse caso, a norma que comina penalidade menos severa, ao que parece, é o novo dispositivo introduzido pela MP 449, de 2008. 2) quando houver a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere a apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo da lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias.” Assim, afastamse tanto a alegação da Recorrente de que deveria ser aplicada a multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para a obrigação acessória, como a alegação de que não se deveria aplicar a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, já que a situação apresentada no quadro comparativo entre o total da multa anterior e o total multa atual (no art. 2o da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009) representa um contexto fático mais benéfico ao contribuinte, conforme preconiza o princípio da retroatividade benéfica tributária, previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Diante disso, ratifico a sistemática da multa aplicada nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer que sejam excluídos da multa os valores apurados em decorrência da verba paga a título de vale transporte em dinheiro (levantamento: “VTD” Vale Transporte Dinheiro) e, após isso, seja realizada pela autoridade preparadora a comparação, na execução do julgado, da multa constante dos autos, somadas as multas aplicadas nos lançamentos correlatos (processos de números 18050.007948/200821 e 18050.007956/2008 78) e compare com a multa expressa no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/1996, como determina o art. 35A da Lei 8.212/1991, aplicando ao caso o cálculo que seja mais benéfico à recorrente (art. 106 do CTN). Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10865.000832/00-19
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1993, 1994,1995
Ementa: SEMESTRALIDADE
Até o advento da Medida Provisória nº 1.212/95, a base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO
DECADÊNCIA QÜINQUENAL
O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, nos moldes 'dos inconstitucionais Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, tem como prazo de decadência/prescrição aquele de cinco anos, contado a partir da edição da Resolução nº 49, do Senado.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-18.364
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito;ao indébito do. PIS, nos termos da diligência efetuada.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Antonio Lisboa Cardoso
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1993, 1994,1995 Ementa: SEMESTRALIDADE Até o advento da Medida Provisória nº 1.212/95, a base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECADÊNCIA QÜINQUENAL O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, nos moldes 'dos inconstitucionais Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, tem como prazo de decadência/prescrição aquele de cinco anos, contado a partir da edição da Resolução nº 49, do Senado. Recurso provido em parte.
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Processo u° 10865.000832/00-19 , • • : • . , : • • Recurso n° . , 131.018 ,sVoluntário . e . , " • ; • , Materia RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DE PIS \,ker3 ' • de , : • • Acórdao n° 202-18.364 • • . ..„„1,0°0ç,c.vio . Sessão de . : 21 de setembro de 2007 . • ti,,fv-e(7._,P0 Recorrente , RONCA'TTO & CIA. LTDA. , . • . •Recorrida'. DRJ em Ribeirão Preto SP . • , .'•-• • ,; ' ; • - ' „,•; • `. • " • 'Assüntd Contribuição para o PIS/Pasep • 'Ano-Cálendáiio: 1993, 1994, 1 995 . : • •, • 'Enienta.: SEMESTRALIDADE. - = • •• :Até o advento da Medida ProVisória'n 1.212/95, a, „ ' .base de calculo do PIS corresponde ao sexto mês •• • ' Yanterior•àOda ocorrência do fato gerador - ": • — ,PEDIDO•DE RESTITUIÇAO/COMPENSAÇAO. • ÊDECADNCIA'QÜINQUENAL.,, ; . , • , . • ' •o pleito 'de restituição/compensação de: valores • ; reêOlhidos :a . maior, - á titulo de . contribuição paia o '" •PIS, nos moldes 'dos inconstitucionais Decretos-Leis " n2s 2.445 e • 2.449, ! de 1988, . tem como prazo de • , 'decadência/prescrição aquele de cinco anos, contado ‘•`- ' " á partir_da edição da Resolução n9749, do Senado. e - • -; „• - RecUrso provido em parte. • • ", • ' : - • ; : ' • , • , • ' : ' • . • ,„ • ., : : , : E : . • • ' - - • - MF SEGUNDO CONSELHO DE CoNTaiBuggs CONFERE COM O ORIGINM. : ..ánamCalt.á usdialapeSigIv2a13C6astro • - . I: • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • '; : • • • • • „ , • • . .: , , . ,„ „., ,, ,,... •, ..,•::;;;; ,!.• ••••,..,,,,,, . ''•••• •:•:-••••» • • ' : • •:. ',. • '.';;?':::•'•: • : ....'...:•-:, ..,: •̀ • ;;.'''.;': .•':,•••:.,••••.••• .;•-•-•;;,::' •!, • •••'., , : :‘ r.'-';',,•- •: .•., • . - ; ' Processo n.° 10865.000832/00-19,:, Acórdão n.° 202-18.364 . ; :: = ':.: ,.. : g',... ,:.,..... ; Fls. 2 " . , „ ACORDAM os Membros da SEGUNDA ..-.do SEGUNDO : '' 2 `..'• .-.''':"•'-' ::".:"•:'",CONSELHO DE CONTRIBUINTES,: por maioria de votos, :em dar provimento parcial ao . : ' •.,` • -• '' ::,•',,„':,• :,,[-„::•,,;,,:,-recurso para reconhecer o direito;ao indébito do. PIS, rios,temiOs da 'diligência'efetilada. :, ••,;,,J,,, ••,•‘'''... ,:,•'-,,'[,:'.::,..;:;,::.'•,,•':,.::::,..."....,',..-......::::• ,.. • . , • 2-"\ . : ' , , , .,, • •• • .. ::•. •• - .• ' ...• ' : ::. .• ' ' '':'.,....: •,:'..:,•• '•,..••••.•;:.•,5,..,•iv,..•••,-,,,••'•-•,..,,;,,•,, , , , : 2 , •.: ,.. •:".. .2....,'.••:•:::.:':.'„,":'.•.'•„ i•.` . .: — --• ' . • .. ., , . ,.. m.F,-.,:sE43,,, ucvt:FÊ:sasoco_mooDE,RiacoiNNALT,RI,B.u:INTEs •• ;i:',. :,,.....';':,•.'..": :::•.',.'..;••.• ':, ':,,, .. ' - i , ANT NI CARLOS LIM , .., • . Brii:s-i:i ii ia' • ..-0 .• , '1; It : •••••• ': • ,',•,..51).-.L.,_ . 01af,(44Á „•.'/'•.;,,i':".• • ,..:i. ,•-•-'‘: '•.: ..-' • . - : ..:• • i • . ' ' ..•• ": •: •• Ivana ClátictIa Silvo CoatrOK.,, Presidente • :::•••••:Mat Slape 92136' . . ., • .'-''''-'4),--.'..- ...'..•; ::'.. "...:. ..''. " :-.. : ..... , . . :::.':''',..';',' ,''....,:» *..''''/.,...::'•.:.,::''.' ' . , :. ‘ ' •n, li : i ` .. , . ';'. , : . ..: . . : ..., • '''''''''''::.'''''''•"1..1'.':''' '''' : :. ' ': '' ''' '' ': ' . : ' ' 1\114.9NIO LISB • A ARDOSO ';.: ,:., ,.: •.;:' •-. ' ':':• .., !, -. :f. • : : :‘ . : '',-:'•:'..-y',.}f•-,,,:•,.••••;';,.:.,•,•-.., '•:•:».•.,:,:,•:•••, c, '-, • • .. t...,,2" ' -: •• : , '',. : •,'.. • ?, f',.-•,•,;''..,..,.: .." ' ,,.. : : s ' , , •• . •,,,,,:,••••,:::,;,.,''',..'.'; ', • •; . Relator •• •., .,,: • ••• ..... : . ,• •••.,,... .. ., •• :, , . • .•.. • , .,.. , : ; •:,-,•,,•••,-•;1...:,,'-..,...,1::‘,, • -, '. . . .-.,::•••'.••,..••••::::..;•:''' „ - . : • . • ‘, ... :: •.!••::,•.•,•.:;„:',•••••: • ' . , : , ' : ' • i :- .:::;:,•.:,-;,-,'2.•, .•••:, ; "y ' •• , •• ; : •.• " 1,„ •,: , 1::."•••••,,,,?•,;•:,.....,•;. ::: •.• '. . •-• . ' • .., ,:'.;:•..:••.;, •• :••••-• ••••.., ., • • ...., . . ,..• • ... , ., . ..•••••.••;•.•:'.•••••::::, • . , : : ., ,, , • . .,,,::.•,`,..t.,i.',';;•,. ••.,: .- : , , . ::•,•,:,-;,....,:,-.,.• ,,, •.• •,,. ; .. - : " , • •• • •• " •„ •:-.•-.....,:',..,k`•,:....•••.: .,.•••• .; , , : : . ...., ::-. ''..,: : • • ' - . • „ . ,.:,,5V-:;,,,,'•", ' .: ; '' : . : .. : , : ,:: - .2: z ; '. • ' .' : - , Participaram, ainda,' : do„s preseute 'julgamento, os Conselheiros Maria Cristina ..•:'''''''‘''''''..2•• ••••,'•":' Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencari '.-Antonio Zoiner, , Ivan Allegretti (Suplente) e Maria• ..,••••,.",,,-,•••••,, • .- ::•,s';•••••,'•••!.' ' • ' • Teresa Martinei LóPez. •• ••..: ..• : , -, . :::, • •.,, .... , • • • .. - • • , ,•• . ,, ,..... :Ausente ocasionalMente .à. Conselheira Nadj a Rodrigues Romero. • ., , .•-•••• .: • -,:-,.. .• , . . .. • .•••,,•••;,..,•••••`.••••.. • , ... , , -. . • . :, . . • . • . À, , . , • . - Processo n.," 10865.000832/00-19 , : ' . CCO2/CO2 • • ,¡ ' Acórdão ri.° 202-18.364 Iii—"SEGUNDO CONSELHO DL' C+..s"NT1uSUINTES • Vis. 3 CONFERE COM O ORiGINAL . „ Bratallia, iVana Cláudia Silva Castro Relatório -- Mat. Siape 92136' ' • s ' , , . `'f ,Cuida-se de recurso em face do acórdão dá' DRJ em Ribeirão Preto - SP, que • . manteve o indeferimento à solicitação de restituição/compensação dos valores da contribuiçao, . PIS, ; 'recolhidos'', nos moldes 'dos Decretos'-Leis n 2s . , 2.445/88 ,. . e 2.449/88,; reputados inconstitucionais pelo Eg. STF, nos periodos de agosto de 1988 outubrOde:1995. O acórdão n2 6.944, de 18 de janeiro de 2005, decidiu no sentido de ser indevida . • a restituição do • indebito por considerar . decaído' O .'direiíO . .44,.c 'ontribUinte,'icujo . pedido .se deu ' em 30 de junho de 2000 (fl. 1), bem como não reconhece . a base de cálculo do 'PIS corno sendo .• o sexto mês anterior, conforme se depreende :do.' SegUinte- eMenta: ':1 ••:‘: • 'Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep • ; Ano-calendário': : • Ementa: RESTITUIÇÃO.: DECADÊNCIA. • , •O dii-eito, de pleitear restituição ,de pagamentos indevidos para compensação com créditos' vincemlos decai , no: prazo de - cinco anos , • contados da data de -extinção : do crédito tribUtário.' .• • - . . ! - PIS BASE DE CÁLCULO' :  base de cálculo da contribuição para 0.,.p.rs,é, o faturgnmito do . 'próprio periodo‘le •apuraçao e não o do . sextomes a ele anterior. , • ' • • • • • • : • ' • ; • • Solicitação Indeferida:. '. - • . • • O processo entrou na pauta de 21 de fevereiro de 2006; quando este Colegiado . ',•;,'• converteu o julgamento do recurso em diligencia por meio da Resolução n2 202-00.968 ,(11s.; : 235/239), sendo determinado :que ia repartição origem se manifestasse, conclusivamente, sobre a existência de recolhimentos ;efetuados a maior, noS• ,...,:periodos..,,ituforrindoS recorrente, , ; levando-se em COilitderaçáO:O9'tie determina o. art. 6:° parágrafo unico, da 7/70 (faitiramento do sexto mês'aitteriOt):itiformando, l. caso .venham a ser os alegados créditos a restituir/compensar ,('dn..rngtor),. . : Sendo decidido por fim, que,' em caso de saldo positivo, a rpartição de origem„ . se manifestasse sobre a suficiência': dos saldos acurriulados . desses -pagamentos á maior, • - atualizados monetariamente,. combaSe nOs . íridieeS ',forneeedoreS: dOs . coeficientes da , tabela. : : .:• • anexa à Norma 'de Execução SRF/Cosit/Cosai. n 2 :: 08, de ..27/6/1997, 'bem como para que bloqueasse imediatamente os créditos confirmados até O julgamento , final do processo. .;, . • ; . Ao final, determina a cientificaçao da recorrente sobre 0 resultado' da diligência, • para; querendo, Manifestar-se no prazo • „ „ . - • A partir da fl. 242, a repartição fiscal de origem providencia os cálculos na • ,forma determinada por esta Segunda Câmara, 'sendo elaboradas as planilhas de fls. 36.1i390,;:,',:, demonstrando os valores recolhidos a malor,'Constantes:da planilha de fl. 390. • , \i‘ : . . : • DoeRtGC"INALTRIB.: j:.IN,.:JS‘.MF....,',7.:E9UCNOMNFECREONSELCOAPO , ''':' • : :,.:.%, ". ,' ' ',-. Processo p.° 10865.000832/00-19( 1 -:. ireâ'll eia. .L... Q .)Éi IX , ...._)‘___', . CCO2/CO2 ...,.f.,:::. '' ': ‘.: , • ' :.; - '-. Acórdão n.° 202-18 5 .364 . :-- ,. Fls. 41vaaa Cláudia Silvá Castro .i,.,: - Mat. Siape 92136 ..., '... : • , •••.:...1.2,,, ',:: : ..',...,:,,,',.'''.,'.;.i, , ', , '' . . • : , .,,..: . „..,:,, :,...,-,:..... :......,,,,,,..,,., ::,,.:,....,:`,.., :,,:;- --,;. ; ; ,, : : : ‘ , , . , ...-. ' ., : À- 391, Consta que foi , dado , ciência :à .:recorrente • dos demonstrativos , dós , • :;.:••;., , ,., .' .,, • ;., ,_ :.i:: , :::,..::,,..•;,.,;.,:•,J'.,.,,',:,:-. : ' - 11 • : . : *.. ,..: '.-.,•• . i ,: , .,• '..,.... Valores originais de PIS, pagos a maior, nd'periodo 'de junho/91 a outi.ibro/95, os ., quais: serão : ''.. - '-. -' r' . ': '''• •'-''-':,'C'Orrigidós • na data da restituição, "desde que` afastada .a••:decádência". „ .. .' : .' '''''''''' ' '...."''''': ''''.';',.:':::-' ..-* .•••• '', • ‘: O aviso de recebimento está anexado ; à fl.•••,392,: com data de recebimento , de. • ' ' ,:'' . : ',‘:' 15/02/2007 tendo' o prazo . concedido de 30"., (trinta) . dias • transcorrido • sem .. qualquer '.. .:: .;:-: ;',., :,.:,.•:: nianifestação da recorrente. . - .2. , -..../2:,,-.‘:..;-, :'...: .-; .-.' ',.,..:2•'' ' , • .: .' É o Relatóiio. .. , „ . - „ . , ' , .• .:. -,,, • , .,:,)::,,,-- :-.•.,•:..,.,...:',..'i.,--,---,., ,.:;.-.'-'' i' ,:...1'' ' . :., , .; • ' - .. .• . - . ..:',•.;-,2,V',••,'..-..-..»:,......i7:::':;:•:-...,—„',„.,. , ... : •• , .. -, . „ :„ • ' ,. , .... , . • • , -• , • '., , ,. ,.i,2,:,..:::,;:„...,..,..',..,:::,...'fi.,..-,,:',k-;. i. ,:::, !...,.'...' ;•:.: : . ' , , '. . , , ... ,... , ,. . , . .., ';'.,'...' ' .;:','''.::'J,;,!n-•••`,...:n ;‘ '?":''•‘.,,:'' ::'• ; ;:' ". ', ,': : . . ' _ , ' : , , ' • . • • . . ''' . ,. . ,.'1',';'' • .- \ • , • • . . ', ::,'''''."... .:.:- : • • . '''.•':' . ,.., . . '.., 1 '••:',T,çr:',1.'•,.., • • ‘.. ', •• ' 'r • . ' : '. .• • I'', ''• ' . •'• ,••: , :•:';',•<'''.- '•:'' '' •,•,' •• • • ‘' , • "•• • • ' . •, • • • •.: :: • •• c,'• ;` ''' ‘, "; ..:: ••:',.'' o: . '' é • • : .. :1•.•,•''''..c.:;:•.: ,::.,''''': f • '. 7: : : ' :' ' • ' : ‘ , ;•‘. "'. • ••.a.' :....".•' • ' • . • .' • • . . . • „ , • ... • • •íc ? • ;.i. \I'c '.'• :"' •.• , : cc ,', ' r c': ••; •. : I ',k4'..1)::.",::/"..:::... ..c . , ".; • "., ' .. ' • . ' •'• " ••• : .- r", , ••"."..•:".''..' •:":' •:'.: , .. : ' ' : ' "' : "c :., •:!;.•;:,',.'•••••Ir• ,,,•,:,..: .i,ic, • ••,:, ' , . c • ' '' • . •••• • : , ••• ' •n•••'•:••',.'j ., •,'' • ' '' '• : • • • • ' • ' o •• r • , ' .':;',...:.''''.•,;:c.‘:''.•••''•( '''''. • i '.. • '' . ' '' . I ' • , • , •"'", ..., • ''. r, "•:,,¡":";"'.... :"..: :;• .' • ''' • .. : ': ..• '' • ' c . , • , fc. ;.,..•,,"••••:,•• •í• ••••••.:;;;"•'• '•,;'X'..-k: • ••,,," ,•,, : ". c . . ' • . . • • " ' e '': ' S' '' '.• ::.....''''' '• :•" 'I'•• ': ' ' • : • . : . • ''''' :-- • n ";: ."'r '.• : .: ".". '' • . : ,,,. , ".. • ' . o •:•:':" •••;• .•, ' , •• • • , , ., . , •• • • • : " „ t , .. , . c •••‘:•'. „^::•••':,...' ...' . .. ' . . 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Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator • , O recurso merece ser conhecido porquanto tempestivo e revestidos dos demais • requisitos legais pertinentes., • • - : . • , : • .„ Trata o caso em tela de pedido de restituição de contribuição do PIS, em face da, declaração ',de" inconstitucionalidade‘'prosferiCla,:pelO'Eg: :- STF; em faCe, dos Decretos-Leis ri2s 1. • 2.445/88 e 2.449/88, nos autos do Recurso Extraordinário n 2 148.754-2/RJ, tendo o Senado • , Federal exercido a prerrogativa contemplada no art 52, X, da , . Constituição Federal, • ' promulgando a Resolução 'n2 49, de 09 de outubto de 1995 (DOU de 10/10/1995). ' O indébito plerteado refere-se aos periodos ,de 08/1988 a 10/1995, ou seja, no = período de vigência dos referidos _decretos-leis, cujo requerimento foi protocolado em •-• - ' 30/06/2000 o que levou a DRF eiri'Limeira - SP a indeferir olpleito por considerar decaído o 'direito à restituição cm face do que preconiza 'o, art. - 168 do CTN,' bem eóm6 Pelo fato do Ato Declaratório SRF n2 96/99, respaldado ;no Pareeer,PCFN/CAT, n 2 , 1.538/99, r que igualmente .considera o prazo de 5 (cinco) anos Para que o contribuinte possa - pleitear a restituição de . tributo ou contribuição pago indevidamente..,, . • - • O assunto já foi bastante discutido 'no âmbito ' deste Colegiada nesse 'sentido , peço vênia para transcrever parte do ' Voto condutor do Acórdão n2 202 = 16.357, nos autos do ' Processo n2 13847.000227/99-59 (Recurso 112 124.87b), julgado na sessão de .,18 de Maio de . , 2005, designado relator para o acórdão o Conselheiro Dalton César COrdeirplde Miranda, cujos • • • , - fundamentos adoto como `razão de .decidir;vèrbis: , • . "Élll preliminar, volto méUS esforços para a análise de tormentosa . . questao. Assim, com respeito á meus pares, passo ao exame da ques tão - • ' da aplicação dá dieSk;qad'para'd,réédithecinientd, ou não, de haver , decaído a recorrente „do dii-eito'de pleitear a restiinição/cornpensação . da contribuição para o PIS, nos moldes em que formulada nestes autos. ,•,•. O Superior. Tribunal de Justiça, por intermédio de Sua Primeira Seção fixou o entendiniento -de que no caso de lançamento tributário por :•;!:••••• ; • • • homologação e havendo silencio , do Pisco, o prazo:, decadencial só se • . ' inicia apos decorridos 5, (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio a partir da homologação tácita .do lançamento. Estando'f. ,.o „tributo - ein tela . Sujeito a lançamento por 2, • , homologação, aplicam-se ; d';'deCadência' e a pi-esCriçao nos moldes acima delineados. '1 • • Para o Superior Tribunal „de ' justiça, portanto,;'-;.r,econhecida é a restituição do indébitoconira d Fazenda, sendo o pí-ozo de decadência • contado segundo' a' denominada tese dos. 5+5, nos moldes em que ' acima transcrito. • , • : - ' Com a devida vênia àqueles que sustentam a referida tese, consigno . • que não me filio à referida ,corrente,.' pois, , a meu• ver, estar-se-á, contrariando o sistema: constitucional brasileiro em vigor que • • I • ,•n I • • • , • • • • • , • • •„ ,, „ . • • Processo n.° 10865.000832/00-19 MF —;. S,,, C3UCNODON,FECREONSCEOWOO ODERIGCOINNAL TRIBUIES CCO2/CO2 • f.z . • Acórdão n.° 202-18.364 ; t Fls. 6 Ivana Cláudia Silvá Caátro. Mat. Siapi 92136 • • • disciplina o controle da Constitucionálidade e, conseqüentemente, os'' •;• Y . efeitos dessa declaração de inconstitucionalidade. • „ , • Ocorre que a defesa à tese dos 5+5 contraria o próprio . sistema constitucional brasileiro, de acordo com o qual, uma vez declarada,: , ;••••;:• • pelo' Colendo Supremo TriÉ,unal . Federal,' • a inco. nstitucioi, ialiclO de, de. , , • ,1 • determinada • exação , em : controle difuso , de constitucionalidade, compete ao Senado Federal suspenjer a execução da norma declarada' , • ,.‘ •• ificonstitucional, nos: termos em que disposto .no art. 52, inciso X da • . " . ; , e Carta Magna sendo que a partir de então, são tidos por inexistentes , • . • • • os atos praticados sob a égide da norma inconStitucional. ' , •, •- •• " A esse propósito, inclusive, cumpre observar as lições de Mauro ' • Cappelletti, . ao discorrer' sobre os , efeitos ;:; ..do controle de . constitucionalidade das leis; •••De novo se revela, a este prOposito, ,uma .rcidical e extremamente • • interessante contraposição entre o sistema norte-americano e o sistema ,r austríaco, elaborado, como 'se' lembrou, especialmente por ,obizi de - • • Hans kelsen No primeiro desses dois sistemas, segunda á concepção • mais tradicional, a lei : inconstitucional, porque contraria a' uma .`••• • - • • • norma superior, é considerada' absolutamente nula and void'), e, por isto, ineficaz, Pelo que, O juiz, que ,exerce o poder de controle, , • não anula, suas, meramente,' declara uma Olré-existente) nulidade da • •. . lei inconstitucional.' Oestaquei).:,:',' - 1 • Recurso Especial n" 608.841-CE, Ministro José Delgado, Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, acárdãointálicado ent ?MJ, Seção 1, de 7/6/2004, , : ' , , f::2.4.; • : • " • ' ; ' No caso em tela foi justamerite issb o que ocorreu. 0Colendo Supremo , Tribunal Federal, por 'ocasião" do julgamento do RE 4°,148. 754/Rif - • portanto, em sede de,,Conirále: concreto de 'et?' nStitucionalidade r' y• • declarou inconstitucionais os .Decretos-Leis n°s 2.J45/88 e 2.449/88, •„ . ' que alteraram a sistemática .de aparação •do 'PIS, tendo o Senado, em 10/10/1995, publicado d.ReSoliiçãO n° 49/95: suspendendo a execução , dos referidos diplomas legais: „... ' A: partir daquele momento r; aquelas • normas declaradas )-••• • . inconstitucionais foram expulsas do sistema jurídico, de forma que ' • . ' todo e qualquer recolhimento efetuado com base nas mesmas o foram , : de forma equivocada, razão pela qual possui à orareqaerente direito à • -restituição dos valores recolhidos, independentemente de ter havido homologação desses valores ou não. • • . . • • • : Em verdade, como n'o sistema ; constitucional ,brasileiro predomina a • • • • .tese' da nulidade das normas', inconstitucionais, Cujo declaração • , apresenta eficácia ex• tunc,:todos os atos firmados sob a égide da norma inconstitucional são rialds. `. Conseqüentemente,todo e qualquer = tributo cobrado indevidamente.-; como é ó caso presente é ilegal e , • - - •. inconstitucional, possuindo á contribuinte, ora recorrente, direito à repetição daquilo que contribuiu com base na: presunção de ; constitucionalidade da norma. • • , • • . • ‘, , . .. ,...: 5. , •-• . -, •:, . - ::‘ :','''': " ' ':::' ., ....•,,,:,: . :'':5,:'.,.,`,`•‘., " ,' •'• • ','.'•.;" "'","'" ." ''. ';'' '''..'' ''' ,' '-'".;• ':'''''? '.' , ' '', ' '. ':, - ''' .,_,:- '' ' 2 . • '' . : .1':. '''' .;:'. ' . .- ‘ :. " : • ' ."' ' ..:' -''' ::. ''''''"': MF ., SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ` :', ..,.. ' , • '' ‘ v: ''-'" ' . CONFERE COM O ORIGINLA . ' ' : . ..*:', '', : •2 ?-:,•,' '':, ., ,;, . . -• . . ' . , • , ','''. ''. :- '''''';': .', '.'-', , • ,,'.. ; Processo n.°10865.000832/00-19 Eirasillaz,laj ti i Ci)- . . ,_ , • éCO2/CO2 .. ,,r '•;• •.'.• ' .., '• j 'I. ,• •• • , •• ! 1 ,•,• 2: ' ..:::: AcOrdão'n.° 202-18.364 "' - .;...:, ...-;'. -,..'.'.`, '. '., -.,' •,:-..: ' . : ivana Cláudia Silva Castro •, 1;., : : . Fls. 7 ',. ' -'. ' Mat. Siai» 92136 ' • , , , , . , . . .. „;-,•: • . -. : ::, :..: i ' : ,,; • ••".• -' Não há, portanto, como se falar eniPrazO prescricional iniciado com . ', ', : :,. - :'. '. •.,..::',.,:i,,,..2 '• , ',;,. O fato gerador, eis que, a teor do ql‘e prescreve o'Ordenamento pátrio, lidá há nem mesmO que Se falar em fato 'gerador, ei,, que nãO há tributo a ser rec,olhido..' , , ' ' ...?''.;',',:'::','.:."';':',...s.'r.':',' ,.:;» ,,':.:' . . - ' -. ''. -. "4 '•'; .•''''' • '''• •:• • :i. •'•-• À' '' •-` ••, • • ' ' •• • ; • •• • ' ' • • '. ••, '•', ' . ‘ . • ' . ',' . ••• •., ;', ":':'::!•"':".:;2:Y.,'• .:,,, ...'. •:: '• • •'. ' '', Aliás, o Colendo Supremo ,,,•:Tribunál,•::,"Federal.'„,. 44 ,, i: ,iio :. átuvu .. ,, . . ,.,•'.,.,,. , . - .- ..z, ,::,:.,:‘,-„:=-,:;:.}. „̀-;*-J„:",?:','":, •', ',.:..'•', , :' „ 'posicionamento , no sentida, :-,•,. de •,;••:, que, ,, ; • uma -,•,vez '. • declarada 2:• . a :„ . -, i',. ,.......-• inconstitucionalidade da : norma :que : instituiu determinada 'eXação,l • . , , n surge para o contribuinte : o ,direito • de s repetir aquilo que ; pagou • -: '.• ,,-. • ,:-,--<,,. .:.. -,-, :,- • ,,, -, f.::. : indevidaMente. Vejamos: , . .' . . ',."' ."' : , ' ,"•-•' 'T...•:-,,,--,• ':".,:.-- '.S.--, ;,:-.•• -,:;., . ..,' ,, . , . .• , • . .-' ,'.1 :,!:;;.,:'',;»..,:•:,;Á',','::.',.;',',.• ,`'','''.'•-:: .s.'• ' Declarada, assim, pelo Plenário, a inconst itucionalidade material das ..;'-. * ''''..-- ''',-''' ' '- :2‘: ' '• .- '. :- ' normas legais .em que fundada: a exigência da natureza tributária,„ , , , . porque falta a título de cobrança de empréstimo Compulsório -; segue- se adireita do contribuinte 4 repetição- da que pagou • (C.Trib. Nac., art.. , • , .• :.,;,•: , 1 ;-: 165), s independentemente "do ' exercício'. financeiro em".'•que„'„teriha; t''';',i,`,-,;;;;;P•;,';'.' ..,..‘.' ; ;...,, . i , , , " . Ocórrido. o pagamento ,indevido,'(Recurso 4.XtraOrdinario , n° 136,8837 ,..:',?:•t.,,,-,•':-,' .7.,'.-:-.';:;.':,, ,' . ;--. '.: ',.`..•,. :. ".:' ::-- ,‘ • '. 7/RI, Ministro SeP úlVeda Pertence ,''PriMeira:Trinna;:DJ de 13/9/2991) „: . . ..,'•,,,:',,'...' Assim admitir que a prescrição tem curso a partir do fato gerador da :1,•:-,..---.. ', :. . ' exação tida por inconstitucional implica violação direta e literal aos ..-..., ,.. li,..2",.Y.,:.•'''''.":', • '• :-.....-'•'.' . , ‘ : , . • princípios da legalidade é da vedação ao confisco, insculpidos nos • - ,..:,..„ :•',:`,.,1'.:-;.' ' • • :: . " artS. 5 0, inciso II, e 150; inciso IV, ambos da Constituição Federal. Isto ''.•;: ',.:';...':',,.*:'''.:;•:::-.:..... ' . .'. '': -.- , ' . porque, em si traíandOdelei'déclá rada inconstitucional, a mesma é ithla; logo, não lia que Se , Concebér, a , exigênciaj'do tributo e, por '...;:'-'..ff.il.'.T'i::::•': .:, ,`:','"•.': ' • " ' '', .. . , ',- '-. , ' , conseguinte, que ,Sefalareáfato gerador 4o in:esmiye.E., em z sendo nula —;i:"..,'^".": :':: '.'., : :, . ,.. ‘ '' '" l : .:•,. ' " ' ` a -exação, o seu • reco. lhimento-:' ,:implica .'' • ConfséI, poi; ., parte da • , :'...‘'.: .•:.',.;;;;,:,::•,•:::,' .. ; ,--, .,. .,'.. , ,,' 1 . , • : Administração, devendo, portanto, serrestitiddo aa';contribuinte , .- ' in . 2 ' • ; ,' .,::,,',;;',,i' ... V.j, ,. ,. •,, s.,: ..; ;',:"% '.: : ` ' casu, a requerente '-, o valor confiscado : - '."" • • s*,;.-: • ' : : "„ ,,,.:„,- a;.• ,,,,-, ,,,- ..., ....- , . .. ;.- ,,, , ; ,- - - , . : - , ' : '...'...,:• , - • . , ...,',-,' ,..,•,:,;: Por certo, o nosso , ordenamento jurídica: prevê, , como principio, a :,,:';','"=:",,,,','..•:-..,"':' • r, : , , prescritibilidade das; relações jurídicas, razão pela qual não há que se conceber que o direito do contribuinte de reaver os cobrados. , , . , indevidamente não sofra os efeitos da prescrição.: Par outro lado, não . '..,•:‘,.,,.; se pode admitir que aquele, .i.-0.,de boalé ei CQI71 base,na presunção .. , . . 2. . , . . '''' ,•."'... '' - '''''''' ':- ' • : ', "', constitucionalidade da exação': Outrora declarada inconstitucional, seja "''''''-','"-:: .--": ''' , . , : • : prejudicado' com isso Dai Se'inóSti-a a nicesSidadda;:aplicação do , . .„ • --. ;P,,,,,, ,,.---,..;,,,, , - , principio da razoabilidade. :;..- -: . -, • • . - : - ' ,, : ' :';......-H,';`,.•- "..:g ,- i. , . - . - ' . • , -, , : - -, ,•---.... k•••• • .` : : • •• • , • . • • ,,..,, . Atendendo' a essa, lógicá, cumpre a nós, julgadores, analisar, a situação • . • : . .:,,,,,,...: :.-.'.'-'-'':-.•'''f,'''''''-''''Z: ''.. :" :' ; : .- '' '' ' e contrabalançar os fatos e' direitos à fim de propiciar uma aplicação . ,,,. • , ,..,,,i. ,--;''.',';. ::•.-.•• •-• ' ., :: . - justa e equanime da norma.-- ,- .,.•., „.- , :,..-.> , . Considerar - • como foi feito na presente situação : - . que, .. :k‘::' . . . . ' * . ' de . dos - independentemente , da ,, declaração : de ;friconstitucionalida • . . . • ,,,,,,,, .. Decretos-Leis n"s 2.445/88, é ;2.449188, o prazo préséricional para a ' • :'',5 n„:',,, recorrente pleitear , a - restituição ,• daqueles valores . que recolheu :" '':'''': -:';''''. ''.'' ::' '''': ' ' s • incleViciainentè térid 'iníCiO COM O -jato 'gerador (inexistente, :Pois:sinal) - » „,;X:i-,• : '''''''''''-' " ,'-''' . = ''' ' . • - . da exação, não Se afigura a melhor solução, e. tampouco atende aos princípios da razoabilidade' é . :da justiça,' objetivo fundamental da • República Federativa do Brasil (art. 3 19 incisa I, .da Constituição ., Federal). . , • • - A esse propósito', inclusive, vale observar que o propno Superior . Tribunal de Justiça e por` Sua Primeira Seção, analisando Embargos • de •, Divergência no Recurso Especial n" 423.994, publicado no Diário da .-- ..,. „ ."..:',....: , . , .... . .,. , , '. ,; • ', :"..:,•:,,;.-..''`•' '.:'''''..•,;•»'-i.: `,:';''!".'; '' -:.• . : .:' ':.:'f.s.:•• , ',-''''..i',.'•••,; ‘ . -,yi,/,• ..„, :,„ - '• . : • • , : '' • ' MI: — SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O OFSGINAL : ,, ; ,,,,',.'.‘• ': , ': .,,,, Prncesso n." 10865.000832/00-19•, , , :Y.'., , -:, -. , '..: .:. 'Ac6idão n.° 202-18.3fi4 ' ' Brilleillia, O Xj_LLj,...0.1 CCO2/CO2 ,. ., • Fls. 8 , :-' Iva-na Cláudia Silva Castro ',"t:;"'' • ;!. -.'::•.'::::. ,'»,..',.',Al. ",:r';'1..`'•:':.,..: , ,. ,.' ' • • • • ,•.• . : : , '• ;.' ... f•::: ,-,...'•,:‘.:: :', :... • , - , ' ' -:' : Mat. Siaue 92136 , , '.,'..' •,''`•,.-.'-'• '.,,, '•,.:•,,,•'••.,,..,.:'; ;'•, ," , • • •• . ", - ‘• 'I ' r‘ ,. ' '"' -''.': -,' ''`i:-..," ; :',•• ' i.'; , :: ,, ! • . , - ":'.'.; ; •.:, , •'.i.;-.'?.,1•;- :-,.... ' .i- ..'..,:.,', ' Justiça de 5/4/2004, • seguindo':o voto do MinistroRelator .Francisco • •.: ,..:'-'...,;:;-. . ',*:,:,.,...:-„;-:. ,„' ::".,,•:',..24:',.:,,-,.,,,:,:;:,.'',..: ':':.;:‘,,.::,,:::,,`,":' .':::::;,':::"..-i.,-,:;;:::'"•::-, ": • Peçonha' ."',Martins, ' firmou'''. :I,' OSiCiona iiieritO:'::iiêsSe.-:' pileshià Sentida., .; -- • ' ...,,::::::.=' Confira-se trecho do Voto condutor do aludido recurso ‘. • :•,---'2'-'::', : •.,:';". '',- :: -•,', ':: i'-‘; ':•-.1•,,':' ,:'.:;:;.;.,,,,„",,.1.;',::::;:. -,', : , '' : : :. -: . • ; . , . :. ,, :-, :,-f-.,.-_,:, ..;,:)., -..,..,7,.5:.),.=.:::..,. „.: ,.- ,. : . ,; ., .., ..,...,»-. Na hipótese de ser declarada a inConstituci3Onálidade ,da exação e, por. isso 'excluída do órderiátnentO jiirídico ' deide "qUando instituída 'como • • : • ,• ''':::: `.....* : ' : •,•.: :-,-.',--; •-,•-•',-;¡"*...1,...',,. '. ocorreu com os Decretos-Leis ,n r's -2.445:: e '2.449,::. que alteravam o , . , -• ; • ',', -21,::-,',"':::¡:',.:'-...--• '`. - ' ..sistemática de contribuição do :PIS (RE .:148.7,54/RJ, , DJ :04.03.94), • : ' • ..' :-: :: ••• .',•-•''': -:" '.s., S1 penso . que à prescrição só Pode ser estabelecida" eu: relação à ação e , . ...: ,.'• : :, -,.: .:::- , : . ,‘ , .,..- :: - -..-: : •' : não com referência às parcelas réColhidqs porque indevidas desde .a sua instituição,' tornando-se ,:liiexigivel : e, r: via .' de: consequência, ....',,`:::.•,:;';;:,:': :,:--:;'::::::)..":4:- :...,.., :,:'.• : . ::, .-, y ': : , . ?,' ::.:,.., ..s, .:"“ :,:,','; -: : '.--. .,. ' . •- - possibilitando a sua restituição ou Compensação: :NãO "... há .... que .. : - : •,', :,;: '-': ,',:;,,,,,.q10::5.-,,,-:.;f1. :,::::¡:.,-; ''',.:.':',.:', •:' ... : ' .perquirir se houve homologaçaa'(destacamos e' grifamos) :•-, ,-. : . - : ' ,- - - -,2: :-.. . : '•-,'",:','-i-,:•::::t::,-:',,..: . '' ::') :: , ,.,• - ,:, -,. :: , .. O Acordao recorrido,- por seu turno, i externou posicionamento no --;5:,:,-,:,g:.:":;:,.....:--', ' :- ' ': .• . : sentido dianietralmente s oposto.' qual seja • de que ó termo is qiio para a contagem dó prazo prescricional teria inicio com o fato , gerador da '-,;f•.'',:;,-;',.'i•,:•- :,..":, ,:'. : - ' . :, :. exação, : variando conforme a 'homologação, ..desconsiderando a ,., .•'''''.-"',":::: ''' 7' '.- ' ... • ': ' `: '. ' ' : '.: existência ou não de declaraçãOdelinConstitué ionalidade da norma , ..,.• Cumpre ainda observar ó que. dispõem os arts. 165:,',e 168, ambos do . ..,• '* '*7 '‘''' N' .' ''.'" : • : * ' '. * ' ' • ' ' ". Coaigo Tributário NacionO1:1."-:;',"-: :::, yr,:•, • ' 't.r.,.;;.•;/..;',;,T':.;:'-';',: 1 : '' ' ' • ' ' 'Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, á , restituiçãO:: 'U)taloU-Parcial ' dó' tributo, seja qual for • a • , ..',,-,),;:;::, ':-.; ,,,,::: -, ' -.- • ' modalidade do Seii paganiento, ressalvado o disposto'no § 4 , do art. -, i . • "J ......,--;,:'. .',L=i''''' .:* .i* *.* ,' .*-*'• ; * * „. * * ' , 162 ' nos seguintes caSos:, ::::":.::::',:'..'•.;,-- •:::::.:: • -, -: J : ' . • : •-:'•::,•-,;". : , - ,,., ,,, ::,x-.: , .- •: .. , , . ,.,.. i,„- ,::::, ::..„, -ii,., -:.,:.-, - ,. :.-: .. : ,.- ,.., -, • _ : - _. '-:,(-i"?.:'':::,;•;,:•:',,- ' ':' ... • -- : 1 - cobrança Ou pagaiiiêntá:espo ntâneo de tributo indevido ou maior l'• ;'::' ;:''' ''. .'s*'.* "' :*'' '-' : ' * . que ó devido" eis: face da legislação tributaria aplicável,' ou ' da natureza ou circunstancias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação'dó sujeito passivo, na determinação da alíquotá : , ;-•:,ç,•-:• ,': -.,:'•''.::::- -::-. , ' aplicável rio calculo do montante do debito ou :na elaboração ou • „ • • 'i-,',. ..,conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; , ;,::;::.,,,,::;',4::'' -.•::",:j,• ::. ' : ' : : :- • • - :' : .: „:, :-.: -:',..:::::,`::::'-"•.•,.:;:,;:•:,-.-:,'.:, ;',-•:',',. , r' r: ::: .- • •,•- -, ; -,.- -,' - ',:.: :- : : ' ' . : -•'::' :¡:-.:,'"•,''s .'"-'ï.;-; . ;•: • ' •• .,•, :** ‘ - " '• s III .. - reforma; •••••• -anulação, revogação :' ou • , rescisão : de ' ' decisão . '- ''''..."'". -''. ' ' " ' • ' • condenatória.',' ' '2 : '-.--,,; '-:''.',-;i'.,,:::::::::•::. , ..' : 2 . -...;:: , :' ,- :•:',`:-.:', . : : ::,.;,,.',•;.:•-i-,;:e.,:,•'.,'.,,-,'',.:::..:'-':::':' :-. ‘ •,::: , * , -•, , • • , ,,.•.',' ,:::::'::•, :..: - • : : ,̀,),.. Art. 168. O direito de pleitear a rêstituiçãoeXtingUe-SecOm o decurso • „ :.:,'& do prato de 5 'cinco) anos, cOntadOs: ..':,:.': ....''-'' -J: :::, : -, ' • 1- nas hipóteses dos incisos I e II do' art. 165, da data da extinção do • crédito tributar:o; ': .•-•-, ,.';,:...: ; ; :::•.. , • ;:,:,.-- :. . '. . • • ,.,- "P r, ,,,;:' :',',.»,::,.::: ,'. *.: : ' • II - na hii.)ótese do inciso III *do árt. 165,da data em que se ,tornar -:;.,,-;;--„2,,Y.,;:-2..,' ,•'':';':: ,./.. :,‘,, : •-•• ,.. I: ' •" 2 definitiva a dec-isão''OdministriniVOOUPOSSar eni • julgado a decisão • •,..n •-•";¡:.:•;,':'•=:.•:,:f•-,'- '..' •:',. - ': ,: .. .- ',. • : . judicial que ' teiihd reformado, anulado, revogado ' Ou rescindido a - T.:•;:•:t.,:::';'.:','-:,'::.-- '''': : ' -• :- ' ', ., i decisão condena/arai !(grifos meus) i...,,,,,:,-, ;. ,. :. S ,. , : '. . --.:., :.•- .•.i,;.,,.,/,,,,..-_:-.:,..,,-1:',:::1,' .' -' -: '..,:-. . i: Z''-'.. '- : , • .. ........- . , Com efeito se um determinado contribuinte recolheu mais tributo que :'' ,'' •,.-' .• o devido por uni equivoco seu (art.-165, inciso L CTIV), a prescrição ,, . . .•. . , _ . . „ , ', -:: ,','• ,,,- 3 ' ', • • : ' . tem início com O extinção do credito tributário (art. 168, inciso I, do CTN), que se deu com a homologação dó lançOniento. Logo, correta a. ... ' •"•--''' '''''-•:••-' ' ' : : : aplicação da tese esposada no Acórdãorécorridó. : ', - : - . -1-:.:::•.:-',...., . . . „ . . , . . • - • • :‘,:\ : . , „ • . . , o •,, •, • ' '' . '' n ', ,',.".n ': '''.• . : .; n - MF – SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1 • .• — ' . ..•: 'Processo n.° 10865.000832/00-19 :. ''' ,'.,, ,, ,.„( • . i CONFERE COM O ORIGINAL x . ' CCO2/CO2 :',.' • I' .:'. -, :. ','..;.', ' ,":' .'' ', Acórdão n.° 202-18.364 1 l 1 ar „ Bratailla, ..v.L./........77..._r_-, . . . Fis. 9 . , Naná Cláudia Silva Citetro.,, , . • ; :•• . ; ..,:•,,,..:.; ." •;:,.' •-: ' •"'„•:•.' ';: -̀: : . , ". " ; • ''.:' - -: Met Siape 92136 ` •".• '€ , .. : I.' :".',"::".: ,-. • •i , *.. • ,. : - : I '.•:••"i:••'.':i:':: '," : ;-• " . . ' ,•:*•.•;•-•. ,•.• • -.-:, '',•:- ,..' :•,'-•-;»,•,--.'.•:".:::j- ,.•,": t • ..,:•,, :: • : ' • -: ''' ' ''''..ç'•••••"'"•:;;."' '''''';‘,;:•.;'',.-•:-..4;,--'2' ". '.i.:....:-••"•..ïf.: ; " " ..: - , : : : • - . :', , , • ,: , , - • .•...;.•;.:',.•.: : , :••":,,,,'!."'"'",.•,',•:::::,.. '•,...;: i.•••:;-.., :,;-:., :',•••.: Todavia, nos COSOS, COMO o preSente,.. ; ein,qii a contribuinte recolheu ...',:s.:- :.,;‘..'; ,-.•'..5. ., :tribUto indevido (ar t. 105; inciSáll,' do CTN); Com base em lei que, •: eia : , „. . :. •;::.:",,•• ,,, ::','-'' •• . ' . ..; ; '' '..''., "I' :•;.'1: ' ' ..''.'"...; :'''»'..-''..': '..': ' momento ulterior, foi 'declarada ' incO náti tiic i à áal '; "éi'' contagem' se dá de . . • .. : . .. .. ,: ' . '. • ,' T ;: .-.; ,' i :. outra forma. Isto porque no 'mundoijundOo os ; decretos leis que „ ,'", ' '',' ',:...,;•.' : :-„ ::,.,,,:,,,,: ., '. ; : tinham instituído a cobrança indevidanão-existénz, de modo que não se„ . ,, .• f ,. ,,, ,' ,. • ' . , . : : '...; ;'' . ,:; ,..5:;.. : 1 ' ' ''±' 1,. ''' pode falar em credito tributário proprianiente ÍIito. . , , • .; : .: ,,,-,:,':.'•••:.'-.' : ' ; ' '- ; ,, ,;,- .'..•,.: ':;•;,.- ,. . : . Com isso, aplica-se,: subsidiariamente, o Decreto , n° , 20.910/32, de • . . :: ;-:,, .... ;acordo com o qual 'as dividas passivas dá L(iiitiO; dos Estados 'e dos ,. -: ,:':.....:.,.:. .,;:,, •.,...',.--. n . . ‘. :., : , ::: : , ..-• ,.. Muinciplos,_ ,ben: assim todo -• ç qualquer direito ; Ou ação contra ,a :,....:-.,,,,;:;y:',..,,,,,•-,-,,,::-.. :•::, . ,. , , ., Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, :".. • ..-; .. .. . .; ;.:. : .'''.;-"'''.... ':::•-‘' ''":1'.`': • ''''' : ':' :..: ': ... ::- prescrevem em 5 (chie()) , áno;'ciiiitadtis :'dt): • data i4;iitã. :',i;ii., fatO..dà,":'; -.„ ...,, ‘ : :: ,. :. ;::,•,•„::',:::•;; qual Ár originarem' (art. 1 O). '-;,,'... ,...... ' , .- : , :. , ,,.-. „‘. „:: ...:.". .• ;. ,. ; ,,.;;;:;,'.,:..,-;;;;;:',: ..;,,,,o.;?.-;,`,2'j,',.;!;:,,::,(,;:".. ',•• .':. ,....' : : •-.-: '; ' :. , " . f. ... ' : ; - . .;. ' '. ''• ...;- ` ,:...; - ' :: : ' : .',;- " . ---. , . , . : :.";;.,. . ` ":•;-,J,,,‘''.'..',;;.-- '' ;'''. .: ; . .. ' Como. o Supremo Tribunal Fedei ai declarou a inconstitucionandade' .; ,• ,,- • ; ...;.-:,,:.; .: , ' '-. • : : dos. Decretos-Leis n''s 2.445/88:e 2.449/88, 1eM Controle concreto 'de constitucionalidade, essa decisão só passou ter e icacia erga oilines ..;, . .:,,-;;,'„,;-•,-,,;,, , :•• s , . , • . . com a publicação da Resolução n° 49, , o Senado Federal, em ''.2,'''',::':::: :: ': - • • : 10/10/1995, nwnwnto em que a •,..recorrent passou a fazer jus • à ,7 ,i , •,....:„: . restituição dos valores pagos indevidamente. , , Levando-se,: ainda; em consideração' , que o prazo prescrwional e . de . '.':;.'-:..,-f.:'......:'' : ;, :.:: f. • • . , cinco aáos, à Prescrição Pará ci: recorrente pleitear ..a restituição da .. ••,..,-".:;;'í,: .--. i; ,;":, ‘. . ' ' quantia paga indevidamente somente se Cons tilaria éM 10/10/2090. •i'7:1';'';',:. `-,''': :- i ' ' ' - '' ' : . . " In casu, o pleito foi fornitilado:Peiti recorre tte em 26 de setem4ro de j ..''• y,' ', ' :.. 2001, Portanto,' em ::', data posteriori a:1•0 rl0/2000,.., o , que atrai a ', ...','•.;';'; ;;;;;.• ,„: ; j ç. ..: „ , : :' decadência ao referidOPedido:administrativà. . ;,,..., . • , ,, .',..,:'....:.:i••,: ...• : , , , • • , , s. - - s' :.:-.-•• '.".. -,: .̀',,:;..'j '1':`...;'' ' 1 : :. ;::.:; . . ::. „ Em face de todo o exposto; COM a' observação de que :este tanibém é o . *; , ¡ •;5 ' : •,' . 1 ..:' . ,entendimento exarado pela . Segunda' Turma da Câmara Superior de ,:oy:',;::,.-,•:. •• ,:: f : „ Recursos Fiscais ,do Conselho de Contribuintes, nego provimento ao recurso' (destaques do Origiiial) .::::-' ' : ' . -. ', '4 , . ' :., ' . , ,:',..'',:'''...'),:.:: ; .: : .. .: '. ' * : ',...., :, , ,,,,,s,::,- .::. - :-: :.r ; . • _ .: :,.;;f:,:',.,'' ,,:,::'•:: i',:, ,',..; : .. -,.: .1 : -..: ,: : ' Portanto, no caso eM...:,teia,:qUe trata per odos de gosto 0 . 1988 a outubro de 1995, e; considerando ainda , ., a : Resolução ,', n2, 49, ', do: Senado F:ederal, i de , .10/10/1995, que .. :,.;.definitivamente afastou do Mundo'. jUridiCO: :oS 'Decrettis LLeis ri2s 2:445/88 e "2.449/88, logo, • , ,,,:, .;::'.P;;,;:,,,....,:::::'• :, ::: ' '' ,* :: quando ; o pedido-de restituição/compensação:foi protocolado (30/06/2000), ainda não havia,_ .,. . decaído o'direito de a contribuinte pleitear . a . restituição po . indebitO; cujo direito se estendia até 10/10/2000 conforme bem demonstrado ilà atórdão paradigma r.,„....,, , . : • 'r.',•:,,,:l '-•: • " Quanto à semestralidade :da base de cálculo do' :PIS, sob a égide da . Lei.., . .. • Complementar n2 7/70, é matéria pacifica nos âmbitos ljudicial e:administrativo que, durante a . .•,'', ... ,.vigência dos Decretos-Leis ri2s , 2.445. 'e ',. 2.44/98;: que se estendeu.' de outubro de 1988 a novembro de 1995, quando, então; foram declarados inconstitucionais pelo Plenário do Egre'gio Supremo Tribunal Federal,' nOs: ..aUtóS'ido ,`..IZE ii2 148754-2/RJ; estando 'os contribuintes da •.4;,,,,,,,•• •:;; • , ; , contribuição Para o Programa de Integração Social — P1S, obrigados ao recolhimento na forma ....-:,.:.:,-`.. ,:- . : ' • ' ' .preconizada pela Lei Complenientar', n2 " 7. ./. 76: doi-dom-te bem esclarece a ementa do seguinte, . '.: :':.:•:,'.,':':•' :' acórdão (AI-AgR n2 212646/SP; Rel. Miri;.Néri da Silveira, DJ 'de 18/12/1998): ,,,:;.•.:.2..;.: :;:.?.-.'::, ,: . , • "EMENTA: Recurso extraordinário. .:2. .': PIS. .• Empresa' sujeita a recolhimento de Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS - instituído pela Lei Complementar ii r7, de 1970. Sua recepção - •,. :'::::::,,,... ..,.• . ".. ,'.., ' pelo art. 239 da CF/88. 3. Não obrigação do recolhimento de \N. , .... ,. . . • . . , , . • ' ' ' • :•'-' .:-, • - :; ..:,..:-I''..,.,; ,:,'...,: :" ., : . , 1 i . .. ..; MF -. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ." • CONFERE COM O ORIGINAL, Processo n.° 10865.000832/00-19 fitáiiiiiia. _sai i i I f 0N- -:. ,:: . CCO2/CO2 . 'Acórdão n.° 202-18.364 , . . „ 4-. : ',; ',", '''..,' ' ,i '. ' " ' . ::; stvána Cláudia Silva Castro '.:,/,-.. : Fls. 10 Mat Éiape 92136 . ,;5.,, : ..:,': '. ;; .,n '..':,•:.:. -,::. ',' , , , , . ",' ; •: -,,': ': ' ',„..:::::‘'.1':•:, •• 1 •*'''. : contribuição para o aludido:: Programa,:.; a ' ,forma prevista. - nos '' , ' ,'"' ::', ,...: :":::.;:"::--;" ',''.'•'-'., '.' .:-.." :.;":'.' Decretos-leis n's 2445 e2449,"ainfiós de 19.88, que modificavam a base de calculo, á aliquota e ó prazo de recolhirnento das , contribuições em referência. 4. hiconstitucionalidade das .: .:DáCretos-leis • n"s:; 2445 de 29.61988, e 2449, de 21.7.1988. Plenário: RE 148754-2-RJ 5. Recurso extraordinário inzprovido. 6 Fundamentos inataeados. Súmula . 284. 7. . . . Agravo regimental a que se nega provinzento. . - '. ; ' : • • ; : • A contribuição para O PIS foi instituída pela Lei Complementar n2 07, de 1970, Se6',a 'égide da, Constituição de 1967 com:a ,Emenda Coástinicioiiál-:de- 169. A, referida Lei, em -'•-•''''''''':-';'-'Wf.'-:•::'''''',:°::';' Sell'art - 62 preVê qUe . - ' - . . ,• - -,•--- ', ", , , •'' ' :;-: "' ' •, n>, • . '• r - • " ::::. ,, ,,. r 2 , , • . . „ ; ,,.. ,: .., , , ..,,,j .. ,'• ,t: 1",?:•»::,:/:;:12j*, '',':;.?..;:'..:*,`. '. ; ::: : .::::' .• ‘ .• , :: n:*: n : . * ... ' • .: - ,' • *":.. " ;••: ,•.:; ', ., -:. :.` :* • • * * s ;';‘,', *', n •: ' •,'''''.; '::'.-* : ;*, ' . ' ' ‘. • .. ' )/ efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição.. referida na alínea b' do artigo 3 0 será processada,' mensalmente a • partir de 10 de julho de 1971. ::::::: ',. :::: , ; '. : " ; ::::::,-' :'• . ' • :,'...::: , . Parágrafo único A contribuição de julho será Calculada com base no .: :'''';'''.::::::::',;;;;',"'-.':.. ' :;; . : , -• : fa turamento de janeiro, a -'t dé.. - a,íá",sto;: Com' base 'no'''faturamento de ,...- fevereiro; e assim snéesSivainente. ,"; - ,.; . ; • : . ',:,.:, ; ..:' '' f .:,:-i, ,. , t, . : . .. , ,- ,. , ..,,, , , , , ,, n , , , Contudo, Como o legislador ordinário piar diversas vezes editou dispositivos que ., . : . ;•i.i.; ''-ri'''W'::':'';';'.:''`.: -,•'-:' '-'• ., teriam, em ' tese, alterado os eleinentos . d6- tributo individualizados pela Lei complementar n°-.•»,,,,,, , -„,.; ,;,•;• -, : ,•;.0,,,';,...,:;;,,,:::::„., . :.:., , ::, 07/70, aqUecew!se'a celeuma acerca da contribuição para,O PIS vindo a esfriar somente ap6s a '-Ediçãci,', em' 29 de novembro de ,1995; . ', da,Medida, Przi . , ária'n.2 1 .212/95; que assim dispõe em -':?...:,`,.-„iik,,,: ,:•,, v , : . . seu àrt. 22: "A Contribuição para o PIS/Pasei.) 'será aPurrda mensalmente: .,. ',' ":',',..:::: : ' : `.-.' •• ; • I — pelas pessoas jtfridiôas :>: de direito ' privado, e 4S que lhe são ;:„:-,,:.::-.',"•;,...:.:: ,':.:::,,-: :- ; , , - equiparadas. pela - • legislaçao,,, do ,,, !riposto , de , renda, :, inclusive as ii."::.0:.;:",:::::::,'",..:',. -::.; , ' • : , empresas públicas: ,,,'è "' as; ' . sociedades de economia mista e suas ., subsidiárias, don7 baSe'nolatiiráinentá‘ do nzis." A Controvérsia sobre 'á serneStralidade da base de, cálcUlci, do PIS, compreende ''-'.:•-:•;-'::'.:, ''':: '-'.- '...-.:. •,, então o' período' de outubro de 1988 a novembro 'de 1 .995; , período PO qual incidem os valores -•,.: !,.;,:,, recolhidos pela Contribuinte e 4tie são objeto do pedido de restituição via compensação ora em :.* -,•.: i.. i,....,,, . . ...;.•2::-,':.:,•:,, , ..,: ,•• - ; ; exame. Vejamos. : • „ • .. , .. ', -,- ,, -.,-,i -, • , : ,::-,,, .. , ".,,• 01 1 : .;-."...!..-• I,,..- .:••,--,:::-":, -,--..:::: ,, : : - De acordo com' . o entendinientó:. fazenflário, ,exPreSsado precipuamente Pelo '''.il.....:•,,:.'':•','..:::-: ,'' :.-, ..•.: Parecer PGFN/CAT 112 437/98,deVe á matéria ser regulada da seguinte forma: y :-.:::•,` -:,(..7.., ,,:•:, ' : •• - , -. ::-:..-: -:•:- -.' ,-,-.»,,•-::'; :•,, ;:. , ' .,' :: -: :: -- ..., :f.', '''. : .- - - , . , :r4 ' , . ./..:;¡', 10 A suspensão da execução dos Decretos-leis em Pauta em nada afeta ;'•;;:f.::,; ,!":5,'.".:';':'-'.':,,:,;:' .::.: .; :,.: ,,, „,: : : .... .. : a peritianência ' do vigor plenó'dd,Lei CoMpl',tentar p f.". 7/0. . , ',. : . , • . ,: ::;'íf ,..:::. ' ''''Á:',>'::',P'.,, ': ' " ' . . ' " '- ,,, .,.',-,,...',.,....''', .:,,:.: : .. :. : : - . :' • ,:,-..,::: : : ,' '':';;:::'.::'; li*.;:''..-.•-, ' ' . f 7 . É certo que • o artigo ;2'30' da' 'Con. stituiOo de 1988 restaurou a " I .„ vigência da Lei Complementar h°07/70, mas, quando da elaboraçãodo • :.. '.;.,, '' ,. Parecer PGFV/N".1185/95 (novembzo de 995); o' sistema de cálculo' '',".'.:,:;,:'?,- ''',':"', '. .̀ :.•.: . ': • dd contribuição para o PIS, disposto no jr) ré,igrafo uniCo do art. 6 da citada ' Lei çoinpierne fitar, ia fora alterado primeiramen te pela Lei n° :-.;',.::.,',..:;.,...:.. „::'.: : • " " ' 7.691, de 15/12/88: e depois, sucessivamente, pela Leis n's 7.799, de 10/07/89, 8.218, de 29/08/91; ;;..' e 8.383, de 30/12/91.' Portanto, a • ,, . .,. .. , , • * , ., :, .. ,::,- ;,'' ',..:':' . • „ , .. ,.. „ , . . , . MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES " ; • ; ‘ . , CONFERE COM °ROI/4AL ,, .. "','' ,:. , ; r, . , .. .•. -. ..:-. . Processo n. 10865.000832/00-19 . • Ce02/CO2 Acórdao á. 202-18.364 , EaraisH11a,:ja_j 1 I , g O t' '' : Fis. I I . 1Vana Cláudia Silva Castro ""'i.n., Mat. Siape 92136 '' ' • : . , -; '' .;,..• , ,' :'," :',,...; '.,_ a ,, ', •.;,.. ' s . cobrança da contribuição develobedécer' à legislação vigente na época. . , .„ . , . 2. i ' :' ,.• -,- , , ,- .; ; ;;,,,1 :•::,,..,11'..: '.., .1, da ocorrência do respectivo fato gerador e n' do mais ao disposto na LC iii' 7/70, - ., . . ....... ... , . . . . . , , ‘,....• .? ,••• ,:.,•••••,....s. :, i:..,, , .,:::::.• :,. : • 46. Por todo o exPosto, podemos concluir que • . .: , • • '. • • , 1— a Lei 7.691/88 revogou o parágrafo único do art. 6° da LC n° 07/70;1 :;, t ., , ....:....': );•, ':' ::' ,' - :, : : não sobreviveu portanto, a partir daí, o prazo de seis meses, entre o •. fato gerador e à pagamento da contribuição, como originariamente .".• , :,'..;:;:: ,, : , : determinara o rePridodispositivá; II — não havia, e , não há, imPedimento constitucional à alteração da . matéria por lei ordinária, Porque o PIS, contribuição ,, para a • seguridade social que é, prevista na pnóp ia Constituição, não se ,:.,:r.:',.=•, , ..::.: : :1 . : . enquadra na exigência do § 4° do dri. 195, d CF,' e aSsim, dispensa lei, , , , . : .••.,,:',:;;'''.,;',.--;1 ..,',. • : . - . , ' , complementar para a sua regulamentação; , . ..• , • : ,,.:: . *, - ,P',.: '..:. - ' - . - • ( . ) ' , • , • , „ ,„••• , .,e),-.:.-.-, ,:. : ., : •.: , , _ : VI— em decorrência de:toda . ..o exposto; impõe-se. tornar sem efeito o ... Parecer PGFV/n° 1185/95." :..1.1):'..* . . • ,` : , : .:•.:),,,, •••,. ''/';t:',..;,;;':'. ',.',.. :•.' ' .' i : . :' , , : O. v.. Parecer, quanto à alegada revogação do parágrafo i'inico do art. 62 da LC n2 07/70, trazida pela ,Lei n2 7.691/88;: '-não está em conformidade com a jurisprudência deste Colendo'Conselhq, de Contribuintes; e para isto transere o trecho 'do Voto vencedor da lavra da Conselheira Maria Teresa Martinei Lopez, Relatora , do • Recurso : RD/201-0.33.7, da Egrégia .,'::::;.':,:''.:.'i.'ï..,'..'.,` ', •:. '.: : 'Cárnara Superior de Recursos Fiscais, julgado', em 05de junho de 2000, ao, qual fora dado provimento por unanimidade entendimento este adotado por este Colegiado em .vanos outros :"-: ..- --', : : .. ,. i',..;,''. . j , ... Em primeiro lugar,' ao analisar a cita a Lei n . 7691/88 verifico • .,... a inexistencia de qualquer preceito legal disPondo sobre a mencionada . „ revogação. Em segundo lugar, : a'. Lei n° 7i691/88 : tratou :de matéria .., . . . . , . referente à correção manetária; - bem distinta da que supástamente teria. . , t . revogado, ou seja, 'base de calculo' da contribuição. Além do que, em, terceiro lugar, quando da publicação da Lei n°7.691288, de 15/12/88, . .:•:, . , . . . ...,.. .: - estavam vigente, sem nenhuma suspeita de ilegalidade, os Decretos-leis 4 ,., :: , n s 2.445/88 e 2.449/88, não havendo como se pretender que estaria • • - p:•W,.,::‘,.'...,:: :, , j , '. „ , . ' sendo revogado o dispositivo .da lei complementar que cuidava d base de cálculo da eXaçãá, :, até Por'0'4e,:à • é:po:c4 ..se' tinha por inteiraniente ,...;„ 1:;',...(;;:t,:: .•,..:,:, :',:„... . s : . .. revogada a referida': lei, ' complementar, por força dos fanngerados `..1,,Y0.'',:fA::,* `,,,.: . ,.. . .‘ '.• ,, . ::. : deeretos-leis, somente posteriormente :julgados :,incOnstitucionais., O ',- ,P.: '' ' -, : •• mesmo aconteceu com as leis, que vieram aAos, citadas pela respeitavel • t.,,:;, Procuradoria fies 7.799/89, 1 '. 8.218/91 e 81383/91) ao estabelecerem . • ' ' ' ' : . ' novos prazos de recolhimento, não guardando correspondência com os " , . , , •-` ./,,,',':: ...',.. . vaiares de suas -basesde1 cálculd»A bem da única verdade, tenho . comigo que a base de Cálculo do PIS somente foi alterada, passando a • 1 s'. : .... ,, ' ' ' 1 ser à faturainento do inês anterior, qUan' o' da ,Vigência da Medida Provisória n" 1.212/95, retroniencionada. • ' 1 . . . • • , • .;:::,.....• •.• : :- , .. ..Por outro lado, sustenta a Fazenda Nacional que o Legislador, através • da Lei Complementar n° 07/70, não teria tratado da base de cálculo da . . exação, e sim, exclusivamente; do prazo p ra seu recolhimento. Coni 11:-,,, • :: , . . . „. . ‘- MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '., 'y. ;;;•;, ;:i : :-. ..: "r:: ', ... : ' ' ,., , . : : - ; • : • : CONFERE COM O ORIGINAL .:,;:P.::k:".•:,"::',, V,'• ,. , : ::.: ,'•:: :,.. Processo fl.° 10865.01)0832/00-19 . CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.364 Brasília., a 6 i t ‘ li f Ó \ -. : : : , ', 12 ' ‘ , .Hr: :',:": ,: : :'::,,.: n :,;::,:.'' , .';', '.': ,' ; . ,.:. ' . '. .,' - : ' Ivana Cláudia Silva Castro •:. ''` .- : q. . ' ' Mat. Siape 92136 , .' • . ': : ;:',' : ''''''" ' :::;': ''1; ' *: r efeito, verifica-se, pela leitura do . artigo 6°- a, Lei Complementar „n" .. , - ,,,, :,' ,r• -,:s . ; . 07/70, anteriormente reproduzido, que o tliesnio não está cuidando *do . prazo de recolhimento e, sim,' dá base de calculo Alias, tanto é verdade •- • • ,-. . r: que o Prazo de recolhimento da contribuição So veia 'a ser fixado Com o, .' . '.. :,. ,, 2 :1 ,' ,:',: ;',(:, ';:. ,:; : • ,:' ,,, .; ; ' , : .,,,,:::,`;;;•;,:: ::', „; , advento da Norma de SerViço: CE.E:PISn',' 2,'027. de maio de 1971, a, qual, em seu artigo 3°, expr. éssainerite dispunha o seguinte':...::' • .. ' 2. : '.' : . . : ...,,,,-: ' '', . : '''. ,,.:‘,.':':::::': ::. :;.: :.'h, . •Ç .'' ., .: : ' ,..' . :; : - ' ' ..- , : .-• .',:, '3 Para fins da contribuiçãoprevista na alínea , b , -do ,,sç I , do artigo ' .-, .-•'., 4 do Regulamento anexo à Resolução , n° li74 do *Banco Central do Brasil, entende-se por fatUramento O valor gefinidona legislação' do .:¡;•.:':.',..::,'''í'•:.:'=:'''.-.":,̀.''.': " ' '-': ,:: - - imposto de renda, como receita ': bruta operacionan,(artigo . 157, do , • 1,.',•:,',,'.., :'5.,,-;',..:';::',,:,. ,. : '' ;, ; . , Regulamento do Imposto de-Renda), sobre o quaI,, incidam ou não , , ....,,, ' . impostos de qualquer natureza. '.,: .",- ', * :;',,,:,,, • :',,;:;,.. - .. ,.. .. ''',.. ,̀,r.','''; .,''''-' ' - ,' • , 3.2 — As contribuições previstas neste itein serão efetuadas de acordo :';-;',.;'....',,-,'.,:,.:,;h,',',.: '• .. :, ' . .: Com ó §1° do artigo 7°, do Regulamento' anexo à •Resolução n°174, do : . , .1,",•!...;,, :::'(,';',',`‘';'22:;:.:.. s. ':;': '' ' ' : • 1 Banco Central do Brasil, isto- é,- a;contribuição de ji.dlio será calculada .:,'¡',,',. :-...'., H ; ‘,, -,: :: . ; • • • . ‘ com base no faturainento de jaiieirO,:e aSSiniSUcessiviirnent. :,..,,,',';'':,,,::.;:-.,..'..',.,: .....: ' . " .: . * : : : : . ' • . ' • , 1 , .."' .•':',-, ' :',,:--, ; : •j';: ; : : : :- . ''.'' ''',0•...- , : . ',:;', ..-'ç'i:::',.'''':•f'-. , '' ::' : .: ' . 3.3 - As contribuições ' de gile trata este item deverão Ser recolhidas à '5# -:::;'',?/,'''':::. • .., ':' .': , . . rede bancaria autorizada até odia I 0(dez) de cada mês.:' . . :•.',..',''.", ,,- • 't : -, ‘ ' ; . : Claro está, pelo acima exposto, que, énquan o o item 3.2 da Norma de •:.,::,',-;:..„.',::.' - :. : : Serviços cuidou da base de calculo da exação, nos exatos termos do . • 1{','., ...... artigo 6" da Lei Complementar n°' 07/70, oi• iteni 3.3 .:Cuidou, ele Sbn, `,.=',4',Y-',,,:;;;;;- , :. '. , : • : :,. , ; éSpeeificainente do prazo Pará seu recolhimento.' Não bastasse a ^ exposlção, sup. ratranscrita, que esgota por si só o tema, a jurisprudência dos Tribunais Supenores, tambem Ja[se posicionaram., acerca da matéria . ;.1., inúmeras vezes, em decisões similares ao trecho de ementa abaixo:transcrito: -TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL 'PIS, ,'BAsg!' DE CÁLCULO. ,'..:•.::',''''..: .. :,'" . . SEMESTRALIDADE,-;_c le. 07/70. CORREÇÃO MONETÁRIA, .LEI • ':-., ,'' 7,691/88. - ÔNUS ',. : „SÚCUMBENCIAIS."1;::' RECIPROCIDADE E PROPORCIONÁLIDÀDÊINTELIGÊNCIA O .ART. ' '.21 CAPUT, DO ,•'-':-:',: ;',Vii';'''''„,:-,‘. ,'' ;• ., . ' .: ' ',, '-, , ''..:;:',,-.'-,:: ' '. - ,...- '", ' . :',./ .,..: CPC 1 - A I" Turma, ..arésta. Corte;- por meio do Recurso -Especial n, ..,,,,n...,,.. ..„ . .: ':'",-',,?';:.,',''., •,, ...:.. , ' : 240.938/RS,-,:cujo acórdão 'foi . publicado , no -.DJU,,::de. 10/05/2000, reconheceu que, sob o regime, o L,C47170, faturainentO do Sexto mês -i`4,;•,, . <:, ..1•> ;:-',,:-"" , :: ' - ' witerior ao dá ocorrência do fato gerador' o PIS constitui a base de calculo da incidência.' ..y , ,:...,--. '...-,;':. .'-,,,. .,.':. . • '.',':',-,....:1. . , . : : :, :` n'..`:-:•:', -i ,., - ' - . —,_: `,. ;., . : . , :,.^A'f'.;-: ''' '..':•'" '.'..-, ' , ; : , . . ''' 2 - A base de cálculo. do PI5 . não pode sofrer atualização ,monetária • • ' -,....: sem que haja previs:ãO , légár Para . tániO.. A inCidencio. , de correção ''.,..:•:'''„" ."- ', '..' :, ' ,• monetária da base de cálculo do PIS, no regime 'semestral ,. não tem • , , ,-, ., ., .,..,•::,: ,,,: amparo legal. ,A determinação . de Sua exig ncia e sempre dependente :• , • Ct ' :.: . . . de lei expressa, deforma 'que não é dado ao Poder Judiciário aplica-la, . '.....5,, .,'•.';: ;. ,'.:-::::,',:,..:•:',:;',,...,,, : ; . uma Vez que não é ',legislador Positivo, sob 'pena ', de , determinar • : ,,;.::,,, Obrigação para o' contribuinte ao arrepio do ordenamento jurídico- tributário. Ao apreciar o SS •ii" 1853/DF, o Exmo: Sr. Ministro Carlos Velloso, Presidente do STF,; ressaltou que l 'A jurisprudência do STF , tem-se posicionado no' sentido _de ,que Correção monetária, em=f, . -,,.':-., :-:.• .. ' ., .matéria fiscal, é sempre dependente de lei que a preveja , não sendo , facultado ao Poder Judiciário aplica-la onde a lei não determina; Sob / „\,..., :, • ,.' ,.: r:•,:":-.:. , , • • .. ...,,. , •-.,•- .,,,„. ,. .,„ .. ., - , • , , , ::,' • , ,; • , .. . , . ,..• ,, . , . . 1 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '" • CONFERE COM O ORIGINAL • Processo n.° 10865.000832/00-19 Britai' ia, 0 ./Ç n C) CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.364 IvainiChiudía 81Iva Castexi,,./: Fls. 13. • • 'Mat. $14 92136 - • . • • , • ,:2 ;‘‘ • pena de substituir-se ao legislador (V: RE i" 234003/.RS, ReL Maurício Corrêa; DJ 19.05.2000)'.- : • - :; 3 - A opção do legislador de fixar a ,base de calculo do p.a como sendo .". :o Valor do faturainérito , ocorrido no sexta*, mês anterior', ao . da • ocorrência do fato gerador é uma opção política que . visá, Com absoluta clareza, beneficiar á contribuinte, éspeczalmente, em regime • inflacionario , . , , 4 A I" Seção, deste Superior Tribunal de . Justiça, em data de • . 29/05/01, concluiu o julgamento doREsp .n°144.708/RS, da relatoria • . . da em. Ministra Ehana Calmon (seguido do .Resps n ,"s 248.893/SC e ;,•;,. . 2,..58;651/SC),:. firmando - .Posieionaniento pelo reconhecimento da característica da - semestralidade da baSe'd4 :eálcálo da contribuição • • : . para o PIS, sem a incidência de, correção monetaria. • • , . , 5 — Tendo cada um dos litigantes sido em parte vencedor e vencido, devem ser recíproca e proporcionalmente distribuídos e Compensados entre 'eles os honorários' • e ,:despesas i íjroCessua is, ; na medida . da • sucumbência exPerimentada., Inteligência do art. 21, caput, do CPC. 6- Recurso especial parciainzente Provido." • : Resp 336.162/SC — STJ 1 Turma Julgado em 25/02/2002. ". Entendimento acompanhado pela 7 : propila jurisprudencia deste Egrégio • Çoriselho: • • "PIS SEMESTRALIDADE A base de calculo do PIS corresponde ao sexto niês anterior ao da oco' rrência dá fato geráVlOr(preCeilentis do STJ Recursos Especiais :es , 240.938/RS .'e255.520/RS e , C'SRF — • .‘ Acórdãos CSRF/02-0.871; de ' 05/06/2000). Recurso' Voluntário a que se . dá provimento." • : . • RECURSO 114.349, Primeira Chiara do Segundo °, ', Conselho de : . Contribuintes julgado em 24/01/2001 • ' 1 , • . : , • , = . , - , . • Logo, esta comprovado o nítido direito de a coptgbuinte. em questão creditar-se do PIS, uma vez que recolheii, a referida contribuição cOrri base nos Decretos-Leis n 2s 2.4_45/88 . e 2 449/88 declarados inconstitucionais pelO • Eg STF,i notadamente apos a homologação dos ' valores compensa'veis pela fiscalização,' pois, ; CoMO éj,cediçO,' a Lei n . 10.637/2002 (MF 66/2002) alterou profundamente os procedimentos da cbrivensàção„ de créditos tributarios. Por este novo regrarnento, a compensação efetuada pelo . sujeito passivo e declarada a Secretaria da, ' Receita Federal extingue, desde ; logo, O:: credito' tributário,' sob condição resolutória . de sua ulterior homologação. Reza O art 49 da (MPrf_.:66/2002): ' "Art. 49. O art. 74 da Lei n 9.430, de 27 d dezembro de 1996, passa a vigorar com ,aSeguinte redação: ; 'Art. 74, O sujeito passivo que apurar credito, inclusive os judiciais . • com trânsito em julgado, ( relativo -a tributo ou ,:contribuição administrado pela Secretaria :da Receita Federal passível de , restituição ou de ressarcimento, : poderá tailiza-lo na compensação de débitos próprios relativos , a,. quaisquer tributos e' Contribuições. • •. administrados por aquele Orgão.,,,.. . • • • • • •• • , -.. f :, . , .'..,,, s . ,. ,... ,•s',. .• • ' • ' ••••;: :•••'''',.."-s", •s• ',•Á*,; :, : '.- : ',-.,:::'-''''..,s•';', if ‘,•,',. ' ; ,:.:-i..,.' '';•-•• ‘ .• , • , ‘ Mf SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 10865.000832/00-19 . •.:, CONFERE COM O ORIGINAL - :., ':, ,. CCO2/CO2 , Acórdão n.° 202-18.364..:..:Braállia, _aluir. , 11 ' 1 : 0 • Fls. 14, .. Iniana. Claudla Silva Castro ,,i. ; . , ., ..,',„ ,,', •,,.....,,,,,;., ,,,,,': : ' , , MRt: Sabe 92136 ' ',.;.:, ';;;.s,•••:,••:s!',;;,- , s....'•, , ., - ',.: ' ; ' '' § IQ A compensação de que traia o captit será efetuada Mediante a • , . ,.‘.-.:;:, : 5-:', . ";',•:. : ' r,.......,‘,,':,: , .,• , entrega, pelo sujeito *passivo, :. de declat yição • ria riqual ,constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos . . , coMpensados. . ...1 ,..,. : -"j' ',.,- .., ','.:, .. • ; a .. § 2 A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal . • ' ..,-,.,:':::.'-',".'»,,,f,,:,'..,',;•¡:' '. '. ., - ' extingue o credito tributário, sob êondição resoltaória de sua ulterior . homologação. . . .. : ' -. . ' , ,,.:• . .., (*) ._..j.: ',,,:',:.: •:.1,,,;....':‘',' .:'.,::-, 5: . ,... ,, . . , , • .. § 5 A Secretaria da Receita Federal disciplinará • o disposto neste artigo ' (NR)." (g1:). Assim, • sendo, assiste razao , , parcial .• ao pedido de restituição/compensação '''-'''"'•''-',' '''', '. - ' formulado pela recorrente, em parte -porque i Jevanta':indébito desde: agosto de 1988 até .',,•-•.;, ; . ' - : novembro de 1995, quando é Cediço que os Decretos-Leis n2s .2.445/88 , :e. 2.449/88 vigoraram -,''•-.'s... " ' - apenas de outubro de 1988 ate novembro de,1995.‘,,,,;;.-::,.,....,.. -• : . Em face do exposto, voto . no sentido tle , conhecer , do recurso para, no mérito, :;';',-'•::... :,:;..,...;.` ‘ , : ': DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL; a ' .flin , s de. reconhecer;a:? áeniestrglidade da base de •,... ,.;,•,,,, ','..:::•;',-:-.'',-,::.'1.-;.::- ,-- `• • calculo : do PIS, • nos termos da Lei. Complementar n2 7/70,, cujoregrainentO permaneceu até fevereiro .i de .1996, : sem , qualquer ., :-;,:dói-reção..,,da: , base de, de:- , cálculo; devendo ser .:-.•';';-: ) ''''''''.'-':'.',..:t'"'•-•-.'i'.. ' . : '. retituidos/conipenáados os valores reollxid, OS'a'inaior, constanteá, do demonstrativo de fl. 390, • ," .....;;-: .-,L':',..':*:''' ....'''' '-'.• ,.• ..:, ' os quais devem ,áei corrigidos morieiarianietite ':até' ,31/. 12/19*5,'COM,,baáe ria tabela anexa à ,, , •,,',..,...-,,,,;,,,?..:.: .,-.., -, ,', • - - • ... Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n2 08 .de 27/06/97, e, a , partir de 1 2/01/96, ... --.-7. -;;,-,,.:',',':- ,,..• ' .", . . , . sobre os , indébitos passam a incidir exclusivamente juros equivalentes à taxa Selic, acumulada •-•,.:.• ".-':"-,' : '' ‘ : -. • . mensalmente ate . o mês anterior em que hOUVer,a restituição/compensação, acrescida de 1%. - , relativamente ao mês de ocorrência da restituição ou compensação, por força do disposto no .. ';'...- :•'-. ' ' ' 1 art. 39, § 42, da Lei n2 9.250/95. Sala das Sessões, em 21;'de .,setembrd de 2007.: çÇ\ . , .. , • .. ,.. •.:,-.:;-,,.;-:; :: ...: n .'-:- '.:• '-,, -»- ,I tt ii .-. ,::: . . '-' '''z,...,::;t: -.,,. ,,,--: .: - ..• , : . ' .. • . - n NT(5 10 LISBOA C ' t i OSO - . ',•`::,"''''o''''.'*.. ' ' . .. . ‘'`,i,;• »..,• ::::',;91,' :.:: '' n .2,* „' , . . • , n ,, , • ... 4 •.• • • . • • •• . • : • • , • : '• ''' ..:'; :, • . r ." : ", .', , • • • . ." . Á .,..... . :„ '''......,•.., r •:,:r‘;: j:, S '• :. .. ‘ • • • • , • *: • • " •', '", :. , s'. , . ' •, • , r , . . '; :* .•:•''',•; 1 ' '•* ; ';' r • • I, */ • * . " ' •;'•• • ,,,r'• ;:?••. • i . 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