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Numero do processo: 13811.002086/2001-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de pessoas físicas podem ser consideradas para efeito de cálculo do crédito presumido. Jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, DE 1996. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. SÚMULA CARF N.º 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES EFETUADAS QUANDO A APLICAÇÃO DA LEI N.º 9.363/96 ESTAVA SUSPENSA. O crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363/96 é concedido em relação às aquisições de matérias-primas, produtos intermediário e material de embalagem. Assim, as aquisições efetuadas no período em que a aplicação da lei ficou suspensa não podem ser incluídas no cálculo do benefício, ainda que a exportação do produto tenha ocorrido em período posterior ao da suspensão. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. LIMITES. Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da repetição de indébito. Por conseguinte, não há respaldo legal para sua atualização monetária com base na Taxa Selic desde o momento da sua apuração ou da formulação do pedido. Entretanto, em observância ao art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se pode deixar de aplicar, no presente processo, orientação assentada no REsp nº 1.035.847 / RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543-C do Código de Processo Civil. Com base em tal precedente, há que se reconhecer o direito à correção dos créditos concedidos por este Colegiado, a partir da data da ciência do despacho decisório que denegou o aproveitamento. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso com relação ao aproveitamento dos créditos relativos à aquisição de combustíveis e energia elétrica; b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso no que se refere ao aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de pessoas físicas e à correção monetária dos créditos, a partir da data do despacho decisório. Vencidos os conselheiros Paulo Celani, relator, e Ricardo Rosa; e c) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que se refere à possibilidade de se apurar créditos no período em que a Lei nº 9363/96 teve sua aplicação suspensa. Vencidos os conselheiros Nanci Gama, Luciano Maya Gomes e Álvaro Almeida Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de pessoas físicas podem ser consideradas para efeito de cálculo do crédito presumido. Jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, DE 1996. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. SÚMULA CARF N.º 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES EFETUADAS QUANDO A APLICAÇÃO DA LEI N.º 9.363/96 ESTAVA SUSPENSA. O crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363/96 é concedido em relação às aquisições de matériasprimas, produtos intermediário e material de embalagem. Assim, as aquisições efetuadas no período em que a aplicação da lei ficou suspensa não podem ser incluídas no cálculo do benefício, ainda que a exportação do produto tenha ocorrido em período posterior ao da suspensão. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. LIMITES. Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da repetição de indébito. Por conseguinte, não há respaldo legal para sua atualização monetária com base na Taxa Selic desde o momento da sua apuração ou da formulação do pedido. Entretanto, em observância ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se pode deixar de aplicar, no presente processo, orientação assentada no REsp nº 1.035.847 / Fl. 370DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI 2 RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Com base em tal precedente, há que se reconhecer o direito à correção dos créditos concedidos por este Colegiado, a partir da data da ciência do despacho decisório que denegou o aproveitamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso com relação ao aproveitamento dos créditos relativos à aquisição de combustíveis e energia elétrica; b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso no que se refere ao aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de pessoas físicas e à correção monetária dos créditos, a partir da data do despacho decisório. Vencidos os conselheiros Paulo Celani, relator, e Ricardo Rosa; e c) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que se refere à possibilidade de se apurar créditos no período em que a Lei nº 9363/96 teve sua aplicação suspensa. Vencidos os conselheiros Nanci Gama, Luciano Maya Gomes e Álvaro Almeida Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Nanci Gama (VicePresidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão recorrido. Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que indeferiu o pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI e não homologou as compensações declaradas. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar referese ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9363/96 e na Portaria MF nº 38/97, no montante de R$ 2.207.601,06 (R$ 1.938.164,31 de crédito e R$ 269.436,75 de juros), relativo ao 2º trimestres de 2000, a ser aproveitado em compensações com débitos da própria empresa. O pleito foi indeferido em razão da exclusão, no cálculo do crédito presumido, das compras de mercadorias de pessoas não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS; de insumos Fl. 371DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI Processo nº 13811.002086/200100 Acórdão n.º 310201.101 S3C1T2 Fl. 711 3 importados, de valores referentes à energia elétrica e combustíveis e dos insumos e estoques de produtos acabados e em elaboração existentes em 31/12/1999, além de negar a correção monetárias dos valores, por falta de amparo legal. Regularmente cientificada do deferimento parcial de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, alegou ser é ilegal restringir, mediante atos administrativos, o que a lei não restringiu, como é o caso das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, conforme sua análise da legislação, o entendimento dos tribunais e acórdão do Conselho de Contribuintes citados, sendo que a jurisprudência também demonstraria o direito à atualização dos valores pleiteados. Protestou também contra a exclusão dos custos de energia elétrica e combustíveis, alegando que estão abrangidos pelo conceito de matériaprima e produto intermediário, pois, embora não se integrem ao novo produto, foram consumidos no processo de industrialização, entendimento, inclusive, conformado pela legislação do ICMS. Quanto aos estoques existentes em 31/12/1999, alegou não se poder admitir a restrição do benefício para além dos limites fáticos e temporais determinados na medida provisória, pois o incentivo às exportações tem objetivo extrafiscal e o fato gerador do crédito presumido é a exportação. Por fim, solicitou o deferimento integral do pedido de ressarcimento e a homologação de todas as declarações de compensação a ele vinculadas. A manifestação de inconformidade foi deferida em parte pela unidade julgadora da RFB, nos termos do acórdão recorrido, cuja ementa está assim redigida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos que não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação, no produto industrializado, mesmo que estes participem do ciclo produtivo do estabelecimento. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI 4 CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUES EM 31/12/1999. ADIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os estoques dos insumos aplicados em produtos em elaboração e acabados mas não vendidos, adquiridos entre 1º de abril a 31 de dezembro de 1999, não devem ser adicionados ao cálculo do crédito presumido no primeiro trimestre de 2000. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.CONVERSÃO. DCOMP. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, até 30/09/2002, serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Impugnação Procedente em Parte. Direito Creditório Não Reconhecido” Contra a decisão, a contribuinte ingressou com o recurso voluntário em análise, no qual repete os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e é da competência da 3a. Seção de Julgamento. Logo, deve ser conhecido. A lei nº 9.363/96, que instituiu o benefício pleiteado pela recorrente, traz, entre outras, as seguintes disposições: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos Fl. 373DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI Processo nº 13811.002086/200100 Acórdão n.º 310201.101 S3C1T2 Fl. 712 5 intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.(Realcei e sublinhei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.(Destaquei) § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2o No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. “Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” Vejase que a lei restringe sim quais empresas farão jus ao crédito e quais operações o ensejarão, de modo que o benefício será dispensado apenas às empresas produtoras e, apenas, como ressarcimento da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP1 incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de produto exportado. Logo, as aquisições de produtos pela produtoraexportadora que não tenham sofrido a incidência das citadas contribuições nestas operações de aquisição não estão entre aquelas para as quais a lei atribuiu o benefício. É o caso de aquisições de pessoas físicas ou pessoas jurídicas não contribuintes. Notese que não é preciso recorrer à Instrução Normativa SRF n.º 23/97 para tal conclusão, o que implica não ser relevante para este julgamento a alegação de que esta norma seria ilegal. 1 As leis complementares citadas no art. 1º da Lei nº 9.363/96 tratam da instituição destas contribuições. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI 6 Apesar de o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 993.164, representativo de controvérsia, ter decidido que a IN SRF n.º 23/97 é ilegal, tal decisão também não socorre a recorrente. Isto porque, por força do art. 26A do Decreto n.º 70.253/72, incluído pela Lei n.º 11.941/2009, é vedado aos órgãos julgadores do processo administrativo fiscal afastar ou deixar de observar lei, o que não se aplica apenas nas hipóteses previstas no parágrafo 6o. do mesmo artigo, as quais não ocorreram. E, além disso, não se aplica ao caso o art. 62A do Regimento Interno do CARF, porque a decisão do STJ ainda não transitou em julgado, logo, não é definitiva. Quanto a energia elétrica e combustíveis, não merece acolhida alegação de que não podem ser excluídos, porque a legislação do IPI permitiria que se incluíssem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário todos os insumos consumidos no processo de industrialização, ressalvandose, apenas, os compreendidos entre os bens do ativo permanente. A lei n.º 9.363/96 exige que a empresa beneficiária seja produtora e que os conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem sejam obtidos, subsidiariamente, da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. Uma vez que ela própria não apresenta tais conceitos, a aplicação subsidiária da legislação do IPI se torna relevante. Mais do que subsidiária, ela é fundamental. No julgamento do recurso especial 1.075.508, também submetido ao regime do artigo 543C do CPC, o STJ, interpretando a legislação do IPI, especialmente, o art. 164, I, do Decreto nº 4.544/2002, RIPI/2002, e o art. 147, I, do Decreto nº 2.637/98, revogado pelo RIPI/2002, decidiu que a aquisição de bens que integrem o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporem ao produto final ou cujo desgaste não ocorra imediatamente e integralmente no processo de industrialização não gera direito a crédito do imposto. Esta decisão transitou em julgado em 23/11/2009, logo, por determinação do art. 62A do RICARF, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por seu turno, após enfrentar vários casos versando sobre o que estaria compreendido nos conceitos de matériaprima e produtos intermediários, os antigos Conselhos de Contribuintes e o CARF firmaram entendimento segundo o qual para assim serem considerados, matériasprimas e produtos intermediários, os bens deveriam ser consumidos em contato direto com o produto obtido e exportado. Esta conclusão se extrai da leitura do enunciado da Súmula CARF nº 19, de observância obrigatória pelos membros deste órgão colegiado, por força do art. 72, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22/06/2009, assim redigido: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.”[Destaquei.] Fl. 375DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI Processo nº 13811.002086/200100 Acórdão n.º 310201.101 S3C1T2 Fl. 713 7 Este entendimento também se confirma – e não é contraditado, como se poderia asseverar , pelo fato de que outra lei, a de n.º 10.276, de 2001, conversão da MP n.º 2.202/01, passou a permitir, expressamente, apenas para aqueles que utilizassem forma alternativa para o cálculo do crédito, prevista na própria lei, a inclusão neste cálculo dos custos com aquisição de energia elétrica e combustíveis, desde que adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo, e dos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, apenas na hipótese de o encomendante ser o contribuinte do IPI. Observese que, ao introduzir os termos “energia elétrica”, “combustíveis” e “prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda” por meio da locução “bem assim”, a lei deixou claro que energia elétrica, combustíveis e serviços decorrentes de industrialização por encomenda não são matériasprimas ou produtos intermediários, ainda que componham o custo de produção. Notese, também, que o fator a ser multiplicado pela base de cálculo obtida conforme o cálculo autorizado por esta lei é diferente do fator a ser multiplicado pela base de cálculo obtida conforme permissão dada pela Lei n.º 9.363/96. E, além disso, outras limitações foram impostas para os casos em que a forma de cálculo alternativa prevista na Lei n.º 10.276/01 pudesse ser utilizada. Cito trechos desta lei:: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3o Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: Fl. 376DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI 8 I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. § 6o Relativamente ao período de 1o de janeiro de 2002 a 31 de dezembro de 2004, a renúncia anual de receita, decorrente da modalidade de cálculo do ressarcimento instituída neste artigo, será apurada, pelo Poder Executivo, mediante projeção da renúncia efetiva verificada no primeiro semestre. § 7o Para os fins do disposto no art. 14 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, o montante anual da renúncia, apurado, na forma do § 6º, nos meses de setembro de cada ano, será custeado à conta de fontes financiadoras da reserva de contingência, salvo se verificado excesso de arrecadação, apurado também na forma do § 6o, em relação à previsão de receitas, para o mesmo período, deduzido o valor da renúncia. O aproveitamento desses gastos só abrange períodos a partir do 4º trimestre de 2001 e restringese aos contribuintes que optarem pela sistemática do regime alternativo previsto na Lei nº 10.276, de 2001. Portanto, no caso em discussão, em que a contribuinte não se enquadrou na Lei n.º 10.270/01, os bens não consumidos em contado direto com o produto obtido, porque não se incluem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário, não dão direito ao crédito de IPI Com respeito à suspensão da aplicação da lei n.º 9.363/96 pelo art. 12 da MP nº 1.807/99, destaquese que o crédito presumido foi concedido às empresas produtoras e exportadoras em relação às suas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, destinadas a serem utilizadas no processo produtivo. Não obstante tratarse de um benefício condicionado à efetiva exportação dos produtos, a operação escolhida pelo legislador para a fruição do benefício foi a aquisição dos citados materiais para utilização no processo produtivo. Assim, a suspensão da lei n.º 9.363/96 implicou a nãoconcessão do benefício às aquisições promovidas no período em que vigorou a suspensão, de 01/04/1999 a 31/12/1999. Quanto à aplicação da Taxa Selic para fins de atualização do ressarcimento, destaquese que, no caso deste processo, o crédito pleiteado não diz respeito a repetição de Fl. 377DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI Processo nº 13811.002086/200100 Acórdão n.º 310201.101 S3C1T2 Fl. 714 9 indébito tributário, mas sim a concessão de benefício fiscal na forma de crédito presumido, situação para a qual não há lei que determine seja corrigida monetariamente ou acrescida de juros. Conforme já observou a relatora do acórdão recorrido, não se pode dizer que tal benefício equivale a uma restituição de indébito tributário, porque não houve pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, nem reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, não se tratando de restituição de indébito, não se aplica ao crédito presumido de que trata a lei n.º 9.363/96 o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. E uma vez que, por força do princípio da legalidade, não pode a Administração Fazendária aplicar a estes créditos acréscimos a título de atualização monetária ou de juros, também neste ponto os argumentos da recorrente não devem ser acolhidos. Porém, tendo em vista que, no julgamento do recurso especial 1.035.847, também representativo de controvérsia, cuja matéria era a correção monetária de créditos de IPI decorrentes do princípio da nãocumulatividade, sobre os quais não incidiria a correção por falta de previsão legal, o STJ decidiu que a oposição constante de ato legal estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito a estes créditos, postergaria o reconhecimento do direito pleiteado, “exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco”; que esta decisão transitou em julgado em 10/03/2010; e considerando o art. 62A do RICARF, entendo que os casos de solicitação de crédito presumido de IPI, apesar de não haver previsão legal para sua atualização, devam ser corrigidos a partir da data em que ficar caracterizada oposição pela Administração Fazendária. No caso sob discussão, por entender que as aquisições que a recorrente pretende sejam consideradas para fins de inclusão no cálculo do crédito presumido previsto na Lei n.º 9.363/96 não estão amparadas na própria lei e que aquelas efetuadas no período em que a lei teve sua aplicação suspensa também não podem ser incluídas no cálculo, ainda que a exportação dos produtos ocorra em período posterior à vigência da suspensão, voto por negar provimento ao recurso voluntário, restando, por conseguinte, prejudicada eventual atualização. Paulo Sergio Celani Relator Voto Vencedor Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado. Peço licença para discordar do judicioso voto condutor, pois entendo que, em dois aspectos, razão assiste ao Recorrente. Analisoos separadamente. 1 Aquisições de Pessoas Físicas A admissibilidade dos créditos presumidos apurados a partir das aquisições de insumos a pessoas físicas longe está de representar uma novidade para este Colegiado. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI 10 Com efeito, muito se discute acerca da exegese do art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, assim redigido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Essencialmente, havia quem defendesse que a expressão “incidente sobre as respectivas aquisições” fixaria o comando no sentido de só se admitiria o crédito se a operação de venda das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem estivessem sujeita ao pagamento das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins. Em sentido diverso, há quem defenda que a tributação “em cascata”, própria de tais contribuições, estaria presente independentemente das mesmas incidirem no último elo da cadeia. Ou seja, para os defensores da segunda corrente, na medida em que o produtor arcaria com as contribuições “embutidas” nos insumos necessários à produção das mercadorias comercializadas, restaria cumprida a condição legal, independentemente do fato deste último estar ou não sujeito ao pagamento das mesmas contribuições, quando da venda dos produtos. Confesso que até recentemente me filiava à primeira corrente, focado na literalidade inerente à interpretação das normas que disciplinam a concessão de benefício fiscal, mas sem perder de vista a razoabilidade da tese contrária. A meu ver, dúvida não há de que, efetivamente, as mercadorias eram oneradas pelas contribuições, mas entedia que o termo “incidência”, tomado em sua literalidade, não poderia ser equiparado ao “oneração”, mesmo tendo conhecimento que esta seria a exegese adotada no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça. Aliás, como é cediço, esta última corte, mais precisamente quando do julgamento do REsp nº 993.164 MG2, ratificou esse entendimento em sede de Recurso Repetitivo, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Notar que, diferentemente da discussão acerca da correção monetária, que será enfrentada adiante, dito acórdão, pelo menos segundo consulta ao sítio do STJ, ainda não transitou em julgado, de modo que a interpretação nele fixada ainda não está contemplada pelo comando do art. 62A do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais3. Ocorre que, diante da força dos precedentes e, principalmente em razão da inexistência de dispositivo legal ou regulamentar em sentido contrário, passo a me filiar à segunda corrente e, consequentemente, a admitir o cômputo das aquisições de pessoas físicas, para efeito de cálculo do crédito presumido. 2 MINISTRO LUIZ FUX, julgado em 13/12/2010. 3 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI Processo nº 13811.002086/200100 Acórdão n.º 310201.101 S3C1T2 Fl. 715 11 2 Correção Monetária Busca a contribuinte, finalmente, o emprego da taxa Selic para correção monetária dos créditos a partir da data da formulação do pedido de ressarcimento. A aplicação da taxa Selic à compensação ou à restituição encontrase disciplinada no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim redigido: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Grifouse). Inexiste, portanto, previsão legal para a incidência de tal taxa sobre créditos escriturais pendentes de reconhecimento por parte do Fisco. De outra banda, tratandose de matéria sujeita à tipicidade cerrada, não há espaço para o emprego da analogia, pois, em verdade, não haveria que se falar em lacuna da lei, mas silêncio eloquente do legislador. Lembro, à esta altura, observação do Min. Moreira Alves nos autos do RE Nº 130.5525 DF (DJ de 28/06/1991): “... só se aplica a analogia quando, na lei, haja lacuna, e não o que os alemães denominam ‘silêncio eloqüente’ (Beredtes Schweigen) que é o silêncio que traduz que a hipótese contemplada é a única a que se aplica o preceito legal, não se admitindo, portanto, aí o emprego da analogia.” Assim, entendo que só há fundamento para reconhecimento da correção monetária sobre os créditos alvo de ressarcimento nos termos da orientação jurisprudencial assentada no REsp nº 1.035.847 / RS4, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil, aplicável por força no art. 62A do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais5. 4 MINISTRO LUIZ FUX, julgado em 24/06/2009. 5 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI 12 Segundo tal aresto, a taxa Selic passa a incidir sobre os créditos ressarcidos a partir do momento em que se configura a resistência do Fisco, materializada, segundo entendo, na negativa do reconhecimento. Nessa esteira, não vejo como reconhecer a aplicação da taxa Selic sobre todos os créditos deferidos, mas exclusivamente sobre aqueles concedidos por este Colegiado, na medida em que, em relação aos demais, não restou configurada a préfalada resistência.. Assim sendo, acolho o pedido de correção monetária, a partir da data em que a autoridade de jurisdição se negou a reconhecer os créditos reconhecidos por este Colegiado, ou seja, sobre os créditos glosados exclusivamente em razão do fato dos insumos terem sido fornecidos por pessoas físicas. 3 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso para acatar exclusivamente os créditos relativos a aquisições de pessoas físicas, acolhendo, ainda, o pleito de correção dos créditos reconhecidos no presente julgamento a partir da ciência da decisão da autoridade de jurisdição que denegou o reconhecimento desses mesmos créditos. Sala das Sessões em 7 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI
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Numero do processo: 16327.004426/2002-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Data do fato gerador: 30/10/1997
DECADÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA.
A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustenta- se na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, desloca-se a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
Preliminar rejeitada. Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.784
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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PAGAMENTO SEM CAUSA. A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustenta se na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, deslocase a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.004426/200260 Acórdão n.º 220201.784 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, INDIANA FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA, foi lavrado o auto de infração. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls.13/16, em fiscalização empreendida junto ao contribuinte supramencionado, o agente fiscal relata o seguinte: DOS FATOS Período de 01/1997 a 12/1997. O contribuinte realizou depósito bancário em conta corrente de JANDIR COELHO MARIN, CIC 506.454.12104, no valor de R$58.250,00, em 30/10/1997, através do DOC eletrônico, conforme cópia xerox do BANCO SAFRA CC n°0339607, AG 025. Intimado por esta fiscalização, o contribuinte não esclareceu a origem e natureza do depósito. Desta forma, apurandose em fiscalização pagamento efetuado pala pessoa jurídica a beneficiário não identificado, ficará o contribuinte sujeito a incidência de imposto de renda exclusivamente na fonte, a aliquota de 35% conforme prescreve o art. 61 da Lei n°8981/95, que diz: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, a aliquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ressalvado o disposto em normas especiais. §1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o ,sS. 2°, do art. 74 da Lei no 8.383, de 1991. §2° Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. §' 3º 0 rendimento de que trata este artigo será considerado liquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Da mesma forma, quando apurada a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionista ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa, inclusive os benefícios indiretos previsto no parágrafo 2° do art. 74 da Lei n°8383/91 conforme prescreve o dispositivo acima citado, em seu inciso. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 18/12/2002 foi dada ciência do Auto de Infração referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (fls.4), com os valores a seguir discriminados: O autuado apresentou a impugnação de fls.42/65, protocolizada em 16/01/2003, acompanhada dos documentos de fls.66 a 87, expondo, em síntese, que: DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR No demonstrativo de apuração que faz parte integrante do Auto de Infração, fato gerador e o vencimento se deram em 30/10/1997, conforme previsto no §2° da norma legal e a constituição do crédito tributário em 19/12/2002. 0 lançamento tributário pode ser de três modalidades, a saber: de oficio, por declaração e por homologação. (A fls. 47/48 é definida cada uma das modalidades, segundo Hugo de Brito Machado e comentários sobre cada modalidade as fls. 47 a 50). Para os tributos em relação aos quais o sujeito passivo da obrigação tributária tem o dever de apurar o valor devido, e fazer o pagamento antes que a autoridade administrativa se manifeste sobre sua apuração, o prazo de decadência é de cinco anos, contados da data do fato gerador do tributo respectivo. (cita ementas de acórdãos do CC as fls.51 a 61). DO MÉRITO A fiscalizada apresentou ao Sr. AFRF o Livro Diário n°002, registrado na JUCESP sob o n°66699, em 24/04/98, onde está escriturado o movimento do anocalendário de 1997. O ilustre AFRF não se ateve a examinar o livro diário apresentado, pois se o tivesse feito, observaria clara e absolutamente contabilizada a receita do anocalendário de 1997 no valor de R$ 59.195,31. 0 valor de R$ 58.250,00 entregue ao Sr. Jandir Coelho Marlin teve como causa a liquidação de um empréstimo feito a fiscalizada, e tal fato foi, como dito, relatada de maneira verbal ao Senhor Agente por que este jamais solicitou que fosse feito de outra maneira. No caso sob análise é incabível a tributação eis que o pagamento de empréstimo não esta tipificado na norma legal capitulada na exação Os membros da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo proferiram Acórdão que considerou procedente o lançamento, nos termos da Ementa a seguir transcrita. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 IRRF DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.004426/200260 Acórdão n.º 220201.784 S2C2T2 Fl. 3 5 Não comprovado recolhimento, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, A alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas quando não comprovada a operação que lhe deu causa. Lançamento Procedente A contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, de fls. 174/175, onde reitera as razões da impugnação. Destaquese a preliminar de decadência e no mérito que a operação estava devidamente contabilizada. É o relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço Da Decadência – do Pagamento sem Causa No que diz respeito ao Imposto de Renda na Fonte, entendo que a hipótese trazida pelo art. 61 da Lei nº. 8.981/95, reproduzido pelo art. 674 do RIR/99, não se enquadra no disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional, eis que, nos termos do referido dispositivo, as regras ali estampadas estão dirigidas para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Resta evidente que a hipótese de incidência em discussão (pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado) revelase, sempre, a partir de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência preconizada pelo art. 61 da Lei nº. 8.981/95, a meu ver, sustentase na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, deslocase a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. Nesse diapasão, resta claro que a constituição do crédito tributário em questão só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo o disposto no parágrafo 2º do art. 674 do RIR/99 (“considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância”) relevante apenas para fins de determinação dos termos iniciais dos encargos legais incidentes. Na hipótese de aplicação do art. 61 da Lei nº. 8.981/95, repiso, estamos diante de LANÇAMENTO DE OFÍCIO, e, por conta disso, sendo inaplicáveis as disposições do art. 150 do Código Tributário Nacional, a decadência é regida pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. A ausência total de pagamento faz com que se afaste a regra específica do artigo 150, e se utilize a regra geral do artigo 173, ambos do CTN. Descabe, portanto, a argüição de caducidade, visto que, nesse caso. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.004426/200260 Acórdão n.º 220201.784 S2C2T2 Fl. 4 7 Do Mérito No que toca ao mérito o recorrente não trouxe qualquer novo elemento capaz de propiciar sustentação ao lançamento. Cabe aqui reproduzir os argumentos da autoridade recorrida: Cumpre ressaltar que o § 1 0, do artigo 9°, do Decreto n°1598/77, reproduzido pelo artigo 923, do Decreto n°3000/99 (RIR199), diz o seguinte: "A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais" (g.n). Como se depreende do dispositivo acima transcrito a escrituração deve estar subsidiada por documentos hábeis para comprovar a consistência e exatidão dos valores computados na declaração de rendimento. Sem estes elementos não poderá ser acolhido qualquer argumento no sentido de comprovação de valores contabilizados. Examinando os documentos de fls.67 e 68, juntados na fase impugnatória, verificase o seguinte: o documento de fls.67 — Termo de Abertura do Livro Diário n°02 e o documento de fl. 68 —Demonstração do Resultado do Exercício em 31/12/1997, por si só, desacompanhados dos documentos que lhes dêem suporte e dos lançamentos contábeis, não comprovam as alegadas operações. Em seu recurso o recorrente vagamente tenta invalidar a linha de argumentação esboçada pela autoridade recorrida. Entretanto. o recorrente não traz outros elementos além daqueles que já foram questionados pela autoridade lançadora. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Ante ao exposto, voto por rejeitar a argüição de decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 189DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10510.003858/2010-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. PEREMPÇÃO. O recurso
voluntário contra decisão de primeira instância deverá ser interposto dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. O recurso perempto não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 1103-000.681
Decisão: acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso em razão de intempestividade.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. PEREMPÇÃO. O recurso voluntário contra decisão de primeira instância deverá ser interposto dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. O recurso perempto não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso em razão de intempestividade. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10510.003858/201018 Acórdão n.º 110300.681 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário de Plasmetal Indústria e Comércio de Plásticos Ltda. contra o Acórdão nº 1526.209/2011 (fls. 402), da 2ª Turma da DRJ/SalvadorBA. O contexto de fato do lançamento foi assim pormenorizado no relatório da decisão contestada: “Tratase do Ato Declaratório Executivo DRF/AJU nº 25, de 27 de outubro de 2010, anexado às fls. 12/14, que procedeu à exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento do Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES FEDERAL, além dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em relação ao anocalendário de 2005, anexados às fls. 16/56, tudo em conformidade com os fatos narrados no Relatório de Ação Fiscal de fls. 297/306, que tem o seguinte teor, em síntese: DENÚNCIA: a ação fiscal foi motivada por denúncia anônima, dando conta de que diversos contribuintes domiciliados nos estados da Bahia, Sergipe e Rio Grande do Norte teriam se unido com o propósito de sonegar tributos, criando várias pessoas jurídicas para a industrialização de “caixas protetoras para medidores de energia elétrica”, distribuindo o faturamento entre si, com a finalidade de permanecerem na condição de optante pelo SIMPLES, se beneficiando indevidamente dos incentivos concedidos por esse regime fiscal; o denunciante cita que as pessoas jurídicas criadas adotaram alterações nos seus quadros sociais com a inclusão de parentes e/ou funcionários e que, no caso da fiscalizada, Tainá Aci Amaral de Oliveira, CPF 020.067.89570, teria sido usada para compor o esquema. Sendo menor impúbere ao tempo da constituição da Plasmetal, é filha de Galmar de Souza Oliveira, CPF 267.775.17553, denunciado como um dos mentores do esquema fraudulento e sócio majoritário da JMC – Indústria e Comércio de Artefatos de Metais e Plásticos Ltda., CNPJ 40.562.191/000108, situada em Vitória da Conquista/BA; APURAÇÃO DOS FATOS: em pesquisa nos dados constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), foi constatado que a fiscalizada possui em seu quadro societário dois sócios: o Sr. Marcelo Almeida Silva, CPF 083.066.80553, e Tainá Aci Amaral de Oliveira, à época acionista de menor idade assistida por seu representante legal, o seu pai, o Sr. Galmar de Souza Oliveira, confirmando as informações prestadas pela denúncia; em relação a esses fatos, é relevante registrar as seguintes apurações: a) no que diz respeito às pessoas jurídicas com domicílio em Sergipe, apenas 2 ou 3 mencionadas na denúncia possuíam faturamento relevante. Entre elas, a fiscalizada; b) a Plasmetal Ltda. registrou faturamento elevado, de R$7.690.230,68, apenas no anocalendário de 2005, período no qual encontravase no SIMPLES; Fl. 444DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10510.003858/201018 Acórdão n.º 110300.681 S1C1T3 Fl. 3 3 c) a produção e o faturamento foram, com o passar dos anos, concentrados em algumas pessoas jurídicas do grupo, notadamente nas empresas Metalplástico e Plasmetal, sediadas em Sergipe, conforme tabela a seguir: Razão Social Receitas Auferidas (R$) 2003 2004 2005 2006 Multiplástico Ltda. (SE) 12.808,00 5.148.986,79 1.169.383,92 11.567.995,24 Plasmetal Ltda. (SE) 0,00 17.327,55 7.690.230,68 593.240,47 JMC Indústria e Comércio (BA) 3.166.289,71 286.488,02 20.400,00 20.400,00 d) a fim de evitar que esta concentração de receitas resultasse em provável aumento da carga tributária para as empresas citadas, o faturamento era distribuído entre ambas, de forma que, sistematicamente, a maior parte ficasse com a optante pelo SIMPLES, como se vê da tabela a seguir, com os dados da forma de tributação: Razão Social Forma de Apuração do Lucro 2003 2004 2005 2006 Multiplástico Ltda. (SE) L. Presumido Simples L. Presumido Simples Plasmetal Ltda. (SE) Simples Simples Simples L. Presumido JMC Indústria e Comércio (BA) Simples L. Presumido L. Presumido L. Presumido e) cruzandose os dados dessas tabelas, notase que, no anocalendário de 2004, o faturamento, superior a cinco milhões de reais, foi concentrado na empresa Metalplástico, optante pelo SIMPLES. Em 2005, quando a Metalplástico estava impedida de optar por essa sistemática de tributação, o faturamento, de mais de sete milhões de reais, concentrouse na empresa Plasmetal, que neste ano optou pelo SIMPLES. Em 2006, ocorreu o inverso, tendo em vista que o faturamento, de mais de onze milhões de reais, foi novamente concentrado na Metalplástico, após nova opção pelo SIMPLES, já que a Plasmetal encontravase em situação impeditiva; pelos fatos narrados, há fortes indícios de que houve elisão fiscal, reforçados pela inclusão na sociedade de Tainá Aci Amaral de Oliveira, que era menor de idade e tinha como representante legal o seu genitor, que também é sócio de outra empresa estabelecida no estado da Bahia, demonstrando o propósito de não incidir na situação impeditiva do SIMPLES, nos termos do inciso IX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996; é relevante o fato de que em nenhum momento houve distribuição de lucros beneficiando a sócia majoritária da Plasmetal, Tainá Aci Amaral de Oliveira, considerandose que a empresa obteve, no anocalendário de 2005, um faturamento de mais de cinco milhões de reais; FISCALIZAÇÃO: no curso da fiscalização, com o propósito de se apurar e elucidar os fatos descritos, a fiscalizada foi intimada e reintimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na abertura do capital social por parte da sócia majoritária, Tainá Aci Amaral de Oliveira, integralizados em 25/07/2003, no ato e em moeda corrente, informando de que forma tais recursos foram adquiridos; em resposta, a interessada relatou que a sócia era menor impúbere à época da constituição da sociedade e foi representada por seu genitor, sendo que os recursos utilizados na integralização do capital social foram adquiridos por doação do seu genitor e que essas informações encontramse na DIRPF/2004, no entanto, não apresentou qualquer documento comprobatório. Pelo contrário, em análise na DIRPF/2004, no campo específico “pagamentos e doações efetuados”, não há Fl. 445DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10510.003858/201018 Acórdão n.º 110300.681 S1C1T3 Fl. 4 4 nenhum registro referente a doações, como também não se verificou nenhuma contrapartida em outra rubrica, quer seja oriunda dos rendimentos ou de bens; diante desses fatos, concluise pela existência de interposta pessoa com o intuito de infringir o art. 9º, inciso IX, da Lei nº 9.317, de 1996, já que a utilização da sócia menor de idade teve como propósito beneficiarse da sistemática do SIMPLES; com isso, foi feita a Representação Fiscal de fls. 01/03, propondo a exclusão do SIMPLES da interessada, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2005, em conformidade com o art. 15, V, da Lei nº 9.317, de 1996, acatada pela autoridade competente, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/AJU nº 25, de 27/10/2010, às fls. 12/13; na impossibilidade de a fiscalizada permanecer no SIMPLES, os tributos devem ser apurados pela modalidade do lucro real, conforme balancetes trimestrais e demonstrativos mensais das bases de cálculo do PIS, da Cofins e do IPI apresentados pela empresa, tendo em vista que ela mantinha escrita contábil regular; de posse dos livros e balancetes apresentados, foram elaboradas as planilhas de fls. 57/63, em que se encontram demonstradas as bases de cálculo, alíquotas e valores a recolher dos tributos lançados, tendo sido compensados os valores dos tributos recolhidos pela sistemática do SIMPLES; em face dos fatos mencionados, o Sr. Galmar Souza de Oliveira foi incluído na condição de Sujeito Passivo Solidário, através do Termo de Sujeição Passiva de fls. 305/306; foi também formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista que a infração apurada possui elementos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária.” Em face de tempestiva impugnação apresentada por Plasmetal Indústria e Comércio de Plásticos Ltda. (fls. 307), a turma de primeira instância julgou a exigência procedente, por unanimidade, assim resumindo a decisão: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 NULIDADE. O procedimento fiscal efetuado por servidor competente, no exercício de suas funções, contendo os demais requisitos exigidos pela legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, tais como o enquadramento legal e a perfeita descrição dos fatos, não pode ser considerado nulo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES. Deve ser mantido o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES expedido por autoridade competente, na ocorrência da situação prevista pela legislação de regência e tendo sido assegurado o pleno exercício do contraditório Fl. 446DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10510.003858/201018 Acórdão n.º 110300.681 S1C1T3 Fl. 5 5 e da ampla defesa, sujeitandose a pessoa jurídica às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o lançamento matriz, no que couber.” Cientificada da decisão em 07/04/2011 (fls. 409), a contribuinte autuada (Plasmetal Indústria e Comércio de Plásticos Ltda.) interpôs o recurso no dia 10 do mês seguinte (fls. 410). Alegou que a comprovação foi realizada por intermédio da declaração de rendimentos (DIRPF) do exercício 2004 de Galmar Souza de Oliveira, juntada aos autos, na qual a filha Tainá Aci Amaral de Oliveira constou como dependente. A DIRPF provaria capacidade econômica suficiente para a doação em espécie utilizada pela filha para integralização do capital social, restando comprovada, portanto, a origem dos recursos. As quotas de capital em nome de Tainá teriam sido informadas na declaração de bens. É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva O art. 33 do Decreto 70.235/72 estabelece prazo de 30 (tinta) dias para apresentação de recurso voluntário, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância. O art. 5º do mesmo decreto determina que os prazos são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, com a ressalva de que só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. A contribuinte autuada tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 07/04/2011 (fls. 409), uma quintafeira, apresentando recurso no dia 10 do mês seguinte (fls. 410). O prazo para interposição do recurso iniciou na sextafeira 08/04/2011 e encerrou no dia 09 do mês seguinte, uma segundafeira, conforme a legislação indicada. Portanto, o recurso estava perempto na data da sua apresentação, na terça feira 10/05/2011. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10510.003858/201018 Acórdão n.º 110300.681 S1C1T3 Fl. 6 6 Conclusão Pelo exposto, não conheço do recurso em razão da intempestividade demonstrada neste voto. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 448DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 18471.001097/2005-18
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 IMPOSTO DE RENDA. LIMITE DE DEDUÇÃO DE PAGAMENTO DE ROYALTIES PELO USO DE MARCA COMERCIAL. ART. 74 DA LEI N. 3.470/58: NÃO-REVOGAÇÃO PELO ART. 71 DA LEI 4.506/64. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que embora haja estabelecido modificações na dedução de despesas com royalties, a Lei nº 4.506/1964 não revogou o art. 74 da Lei nº 3.470/1958, pelo que se conclui ser legítima a imposição de limite de dedutibilidade, fixada pela Lei nº 3.470/58 (artigo 74), no que tange aos pagamentos de royalties pelo uso de marca em favor de beneficiário residente no Brasil.
Numero da decisão: 1803-001.287
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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LIMITE DE DEDUÇÃO DE PAGAMENTO DE ROYALTIES PELO USO DE MARCA COMERCIAL. ART. 74 DA LEI N. 3.470/58: NÃOREVOGAÇÃO PELO ART. 71 DA LEI 4.506/64. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que embora haja estabelecido modificações na dedução de despesas com royalties, a Lei nº 4.506/1964 não revogou o art. 74 da Lei nº 3.470/1958, pelo que se conclui ser legítima a imposição de limite de dedutibilidade, fixada pela Lei nº 3.470/58 (artigo 74), no que tange aos pagamentos de royalties pelo uso de marca em favor de beneficiário residente no Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001097/200518 Acórdão n.º 180301.287 S1TE03 Fl. 2 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: 1. Trata o presente processo de autos de infração do IRPJ, CSLL e IRRF, lavrados pela Delegacia de Fiscalização no Rio de Janeiro, nos quais são exigidos da interessada os valores a seguir, acrescidos de multa de oficio de 75%, e de juros de mora, relativamente a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2000. • IRPJ (fls. 214/218), de R$ 64.201,27; • IRRF (fls. 219/224), de R$ 25.641,35; e • CSLL (fls. 225/228), de R$ 24.414,82. 2. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 206/213, lavrado em 28.07.2005, os lançamentos decorreram das seguintes verificações: 2.1 dedução de valores a titulo de royalties acima do limite de 1% da receita dos produtos licenciados, conforme estabelecido pela Portaria Ministerial 436/58, no total de R$305.185,36; e 2.2 dedução de despesas de arrendamento mercantil de automóveis que, por sua natureza, configuram remuneração indireta paga a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica, com base no art. 74 da Lei 8383, de 1991, no valor de R$47.619,73. 3. No dia 29.08.2005, a interessada apresentou impugnação (fls. 237/249),alegando as seguintes razões: 3.1 preliminarmente, argumenta que, relativamente à parte do credito tributário lançado a titulo de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF, operouse a decadência quanto aos fatos geradores supostamente ocorridos nos meses de janeiro a junho do ano calendário de 2000, tendo em vista tratarse de lançamento por homologação, sujeito ao prazo definido no parágrafo 4° do art. 150 do CTN; 3.2 quanto à glosa de despesas com royalties excedentes ao percentual de 1%, argumenta que os dispositivos legais em que se sustenta a autuação autorizam a dedução das despesas com royalties, no mínimo, em 5%, sendo que a pretensão fiscal encontrase lastreada, exclusivamente, no disposto na Lei 3.470/58 combinada com a Portaria do Ministro da Fazenda n° 436, de 30/12/1958, dispositivos esses que não foram recepcionados pela Constituição Federal de 1988 e que estariam revogados pelo art. 71 da Lei n° 4506/64, que não limita quantitativamente a dedução de despesas com royalties; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001097/200518 Acórdão n.º 180301.287 S1TE03 Fl. 3 3 3.3 para corroborar seu entendimento quanto ao limite para dedução dos valores pagos a titulo de royalties, a interessada cita em sua impugnação ementas de julgamentos realizados pelo Primeiro Conselho de Contribuintes; 3.4 quanto à glosa das despesas com o arrendamento de veículos e respectiva exigência do imposto sobre a renda na fonte sobre os pagamentos considerados como rendimentos indiretos pagos a beneficiários não identificados, a interessada alega que a autuação partiu da equivocada premissa de que as despesas com os veículos não estariam "intrinsecamente" relacionadas com a manutenção da fonte produtora e de que constituiriam rendimento indireto a pessoas físicas que integram ou representam a interessada; e 3.5 a autuação não apresentou qualquer justificativa para a presunção de que os veículos não são usados na consecução dos objetivos sociais da interessada, presunção essa inexistente no nosSo ordenamento legal, além de desconsiderar o notório conhecimento que qualquer pessoa jurídica utiliza veículos de passeio, quer para a representação da sociedade, quer para o transporte de pessoal e de seus quadros comerciais.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, em decisão assim ementada: “ROYALTIES. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. LIMITE PERCENTUAL. A Lei n° 4.506/1964 não revogou o artigo 74 da Lei n° 3.470/1958, permanecendo vigentes os coeficientes estabelecidos pelo Ministro da Fazenda. GLOSA DE DESPESAS COM LEASING DE VEÍCULOS. BENEFÍCIOS A ADMINISTRADORES. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. A glosa é improcedente quando a fiscalização não se desincumbe do emus de provar que os veículos não eram utilizados nas atividades da empresa e sim em proveito particular dos dirigentes ou terceiros. IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. Cancelase a exigência em razão de não restar provado que os pagamentos de leasing de veículos reverteram em favor dos dirigentes. CSLL. DECORRÊNCIA DO IRPJ. Aplicase ao lançamento decorrente o mesmo decidido quanto Aquele do qual se origina, salvo quando o valor glosado não integra a base de cálculo da contribuição reflexa.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, reitera os argumentos contidos na impugnação contra a exigência mantida pela Delegacia de Julgamento, qual seja, o lançamento relativo ao excesso de despesas com royalties, por ausência dos requisitos legais para dedutibilidade. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001097/200518 Acórdão n.º 180301.287 S1TE03 Fl. 4 4 Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 26/03/2009 (AR de fls. 278). O recurso foi protocolado em 29/04/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A Delegacia de Julgamento manteve apenas o lançamento de IRPJ, tendo cancelado os valores relativos ao IRRF e à CSLL. A questão controversa gira em torno da revogação do art. 74 da Lei n° 3.470/58, pelo art. 71, da Lei n° 4.506/64. Os dispositivos possuem o seguinte teor: “Lei n° 3.470/58 Art 74. Para os fins da determinação do lucro real das pessoas jurídicas como o define a legislação do imposto de renda, somente poderão ser deduzidas do lucro bruto a soma das quantias devidas a título de " royalties " pela exploração de marcas de indústria e de comércio e patentes de invenção, por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes até o limite máximo de 5% (cinco por cento) da receita bruta do produto fabricado ou vendido. Lei n° 4.506/64 Art. 71. A dedução de despesas com aluguéis ou "royalties" para efeito de apuração de rendimento líquido ou do lucro real sujeito ao impôsto de renda, será admitida: a) quando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento; e b) se o aluguel não constituir aplicação de capital na aquisição do bem ou direito, nem distribuição disfarçada de lucros de pessoa jurídica. Parágrafo único. Não são dedutíveis: a) os aluguéis pagos pelas pessoas naturais pelo uso de bens que não produzam rendimentos, como o prédio de residência; b) os aluguéis pagos a sócios ou dirigentes de emprêsas, e a seus parentes ou dependentes, em relação à parcela que exceder do preço ou valor do mercado; c) as importâncias pagas a terceiros para adquirir os direitos de uso de um bem ou direito e os pagamentos para extensão ou modificação do contrato, que constituirão aplicação de capital amortizável durante o prazo do contrato; Fl. 310DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001097/200518 Acórdão n.º 180301.287 S1TE03 Fl. 5 5 d) os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes de emprêsas, e a seus parentes ou dependentes; e) os "royalties" pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, quando: 1) Pagos pela filial no Brasil de emprêsa com sede no exterior, em benefício da sua matriz; 2) Pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, contrôle do seu capital com direito a voto; f) os "royalties" pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação pagos ou creditados a beneficiário domiciliado no exterior: 1) Que não sejam objeto de contrato registrado na Superintendência da Moeda e do Crédito e que não estejam de acôrdo com o Código da Propriedade Industrial; ou 2) Cujos montantes excedam dos limites periòdicamente fixados pelo Ministro da Fazenda para cada grupo de atividades ou produtos, segundo o grau de sua essencialidade e em conformidade com o que dispõe a legislação específica sôbre remessa de valores para o exterior; g) os "royalties" pelo uso de marcas de indústria e comércio pagos ou creditados a beneficiário domiciliado no exterior: 1) Que não sejam objeto de contrato registrado na Superintendência da Moeda e do Crédito e que não estejam de acôrdo com o Código da Propriedade Industrial; ou 2) Cujos montantes excedem dos limites periòdicamente fixados pelo Ministro da Fazenda para cada grupo de atividade ou produtos, segundo o grau de sua essencialidade, de conformidade com a legislação específica sôbre remessas de valores para o exterior.” No entendimento da recorrente (corroborado por decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais), o art. 71 da Lei n° 4.560/64 disciplinou inteiramente a matéria relativa à dedutibilidade dos royalties, operandose a revogação tácita da legislação anterior. Ocorre porém, que o Supremo Tribunal Federal firmou jurisprudência no sentido contrário, entendendo que embora haja estabelecido modificações na dedução de despesas com royalties, a Lei n° 4.506/1964 não revogou o art. 74 da Lei n. 3.470/1958. Isto porque a Lei n° 4.506/1964 não regulou inteiramente a matéria, dispondo diversamente apenas e unicamente em relação aos domiciliados no exterior, da mesma forma como dispôs o Decreto n° 85.450/1980, em seus arts. 233 e seguintes. Logo, o art. 74 da Lei n. 3.470/1958 coexiste perfeitamente com a Lei n° 4.506/1964. É oportuna a transcrição da seguinte decisão monocrática da Ministra Carmen Lúcia: Fl. 311DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001097/200518 Acórdão n.º 180301.287 S1TE03 Fl. 6 6 “DECISÃO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LIMITE DE DEDUÇÃO DE PAGAMENTO DE ROYALTIES PELO USO DE MARCA COMERCIAL. ART. 74 DA LEI N. 3.470/58: NÃO REVOGAÇÃO PELO ART. 71 DA LEI 4.506/64. PRECEDENTE. AGRAVO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Agravo de instrumento contra decisão que não admitiu recurso extraordinário, interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República. 2. O recurso inadmitido tem como objeto o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 3ª Região: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IMPOSTO SOBRE A RENDA E ADICIONAL. ROYALTIES. LEI Nº 3.470/58, ARTIGO 74, E LEI Nº 4.506/64, ARTIGO 71. COMPATIBILIDADE. DELEGADO DA RECEITA FEDERAL. LEGITIMIDADE PASSIVA "AD CAUSAM". 1. Ainda que não tenha impugnado administrativamente o valor que lhe era exigido, em nada interfere no direito que tem o contribuinte de buscar diretamente o acesso ao Poder Judiciário, mesmo porque o esgotamento das vias administrativas não é pressuposto para a atuação da lei no caso concreto. 2. O fato de o lançamento atacado pelo "mandamus" estar definitivamente constituído na via administrativa não desloca a legitimidade passiva para a Procuradoria da Fazenda Nacional, maxime em se considerando a data do ajuizamento da ação mandamental e a data da notificação do Sr. Delegado da Receita Federal, à época autoridade que detinha poderes e meios para desfazer o ato indigitado coator. Preliminar de ilegitimidade passiva "ad causam" que se afasta. 3. Legítima a imposição de limite de dedutibilidade, fixada pela Lei nº 3.470/58 (artigo 74), no que tange aos pagamentos de royalties pelo uso de marca em favor de beneficiário residente no Brasil. 4. Não há falarse em revogação tácita do artigo 74 da Lei nº 3.470/58 pelo artigo 71 da Lei nº 4.506/64, porquanto esta não regulou inteiramente a matéria, coexistindo perfeitamente com a Lei nº 3.470/58. O que fez a nova legislação editada foi dispor diversamente apenas e unicamente em relação aos domiciliados no exterior, da mesma forma como dispôs o Decreto nº 85.450RIR/80 em seus arts. 233 e seguintes. 5. Apelação e remessa oficial providas para o fim de denegar a ordem" (fl. 62).” 3. A decisão agravada teve como fundamento para a inadmissibilidade do recurso extraordinário a harmonia do acórdão recorrido com a jurisprudência do Supremo Tribunal Fl. 312DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001097/200518 Acórdão n.º 180301.287 S1TE03 Fl. 7 7 Federal e a circunstância de que a ofensa à Constituição, se tivesse ocorrido, seria indireta. 4. A Agravante alega que teria sido afrontado o art. 5º, inc. II, da Constituição da República. Argumenta, em síntese, que “o art. 71 da Lei n. 4.506/64, ao se referir expressamente à dedutibilidade de despesas com royalties quando pagos a beneficiário residente no exterior, inegavelmente regula matéria de que trata o art. 74 da Lei n. 3.470/58. Em decorrência, a teor do art. 2º, § 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil, o art. 74 da Lei n. 3.470/58 foi revogado.” (fl. 91). Analisada a matéria posta à apreciação, DECIDO. 5. Razão jurídica não assiste à Agravante. 6. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmouse no sentido de que, embora haja estabelecido modificações na dedução de despesas com royalties, a Lei n. 4.506/1964 não revogou o art. 74 da Lei n. 3.470/1958. Nesse sentido: “Recurso extraordinário. Imposto de Renda. "Royalties". Deduções por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, em montante superior ao limite estabelecido no art. 74, da Lei n. 3.470, de 1958. Lei n. 4.506, de 30/12/1964, art. 71 e seu parágrafo único. R.I.R. de 1966, arts. 232, 233 e 234. A Lei n. 4.506/1964, embora haja estabelecido modificações, no que concerne a dedutibilidade de despesas com "royalties", não revogou o art. 74 da Lei n. 3.470/1958. R.I.R. de 1966, arts. 174 e 175. Acórdão que negou vigência ao art. 74, da Lei n. 3.470/1958, devidamente prequestionado, e ao art. 175, do RIR de 1966. Recurso extraordinário conhecido e provido, para restabelecer a sentença.” (RE 104.368, Rel. Min. Néri da Silveira, Primeira Turma, DJ 28.2.1992) 7. Não há, pois, o que prover quanto às alegações da parte agravante. 8. Pelo exposto, nego seguimento a este agravo (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publiquese. Brasília, 12 de agosto de 2008. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora(AI 671362, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 12/08/2008, publicado em DJe171 DIVULG 10/09/2008 PUBLIC 11/09/2008)” Me filio ao entendimento jurisprudencial que acabou prevalecendo no STF. O presente lançamento aplicou corretamente o disposto no art. 74 da Lei n° 3.470/1958, devendo ser mantida a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001097/200518 Acórdão n.º 180301.287 S1TE03 Fl. 8 8 (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 314DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13858.000380/2003-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1998 a 01/06/1998
EMBARGOS. FORMA DE PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. PIS. DECADÊNCIA.
Autorizada a compensação por meio de sentença proferida, equipara-se esta como forma de pagamento para homologação tácita. Havendo a homologação tácita aplica-se o art. 150, § 4º, do CTN, para contagem do tempo decadencial.
Numero da decisão: 3401-001.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, os Embargos de Declaração foram admitidos e, por maioria de votos, acolhidos. Vencido o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis quanto à equiparação de compensação a pagamento para fins de homologação tácita.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA- Vice- Presidente
RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
EDITADO EM: 15/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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FORMA DE PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. PIS. DECADÊNCIA. Autorizada a compensação por meio de sentença proferida, equiparase esta como forma de pagamento para homologação tácita. Havendo a homologação tácita aplicase o art. 150, § 4º, do CTN, para contagem do tempo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, os Embargos de Declaração foram admitidos e, por maioria de votos, acolhidos. Vencido o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis quanto à equiparação de compensação a pagamento para fins de homologação tácita. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Vice Presidente RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. EDITADO EM: 15/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 8. 00 03 80 /2 00 3- 02 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE 2 Trata o presente processo de Embargos de Declaração, protocolados pela União (Fazenda Nacional), por intermédio de sua Procuradora da Fazenda Nacional, referentes à decisão de 30.10.2010 proferida por esta câmara. Por bem expor a lide, reproduzo o relatório proferido por esta Câmara, na ocasião do julgamento do Recurso Voluntário: “Em 13.6.03 foi lavrado Auto de Infração contra a contribuinte Maeda S/A Agroindustrial (CNPJ 47.037.353/000129) exigindo o recolhimento de créditos tributários de PIS no montante de R$ 346.386,59 (atualizado até 30.6.03), composto da seguinte forma: Contribuição: 127.085,77 Multa de ofício (passível de redução): R$ 95.314,33 Juros de mora: 123.986,49 O lançamento referese à falta de recolhimento ou pagamento do principal e declaração inexata para os fatos geradores ocorridos em abril, maio e junho de 98. Em 4.8.03, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Impugnação ao lançamento, na qual alegou, sinteticamente, que: a) os créditos tributários cobrados no auto de infração já estão extintos, pois no momento de sua lavratura já havia decorrido o prazo de 5 anos da ocorrência do fato jurídico tributário, como estabelecido pelo §4º, art. 150, do CTN, decaindo, portanto, o direito do fisco de constituílos. Transcreve doutrina e jurisprudência relativas ao assunto; b) em sentença do processo nº 98.03006142, proveniente da 4ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Ribeirão Preto, obteve autorização para compensar os valores recolhidos a maior a título de PIS em razão da inconstitucionalidade dos Decretos leis nºs 2.445/88 e 2.449/99; c) a multa se configura como obrigação acessória, que tem como pressuposto básico uma prestação pecuniária compulsória instituída em favor do Estado nos casos de atraso de pagamento ou existência de dolo, o que não ocorreu no presente processo, sendo indevida sua cobrança. Ademais, o percentual de 75% para aplicação da multa é absurdo ante a realidade econômica do país, ferindo o princípio da proporcionalidade. Transcreve doutrina acerca do assunto. Em sessão de 28.3.06, a 5º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP acordou, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento. Segundo o voto: a) o § 4º, do art. 150 do CTN estabelece o prazo de 5 anos para homologação do lançamento, exceto no caso de a lei fixar outro prazo. O art. 45 da Lei nº 8.212/91 estabelece: “Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; Fl. 355DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Processo nº 13858.000380/200302 Acórdão n.º 3401001.935 S3C4T1 Fl. 355 3 II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Parágrafo único. A Seguridade Social nunca perde o direito de apurar e constituir créditos proveniente de importâncias descontadas dos segurados ou de terceiro ou decorrente da prática de crimes previstos na alínea j do art. 95 desta lei.” Ademais, para fatos geradores ocorridos em 98, a contagem iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que seria possível realizar o lançamento, iniciando, portanto, em 1º de janeiro de 99, como estabelecido pelo art.173, inc. do CTN. Assim sendo, o lançamento ocorreu antes de completados os 5 anos da tese da defesa; b) a decisão prolatada pela 4ª Vara Federal em Ribeirão Preto tratase de decisão em ação declaratória e que, somente após solução definitiva, poderia ser pleiteada a execução de seus efeitos; c) por se tratar de procedimento de ofício, a multa decorre de expressa previsão legal, cuja aplicação, inerente ao lançamento, é plenamente vinculada. Os juros de mora, por sua vez, encontramse pautados pelo art. 160 do CTN, devendo ser aplicada a legislação regularmente posta no ordenamento jurídico nacional. A contribuinte protocolou Recurso Voluntário, no qual alegou, sinteticamente, que: a) o art. 45 da Lei nº 8.212/91 dispõe sobre o custeio da Seguridade Social e sobre as contribuições previdenciárias, cuja arrecadação é conferida ao Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS. Ou seja, a mencionada lei é norma reguladora da Previdência Social da alçada do INSS, não podendo ser aplicada ao presente processo, tendo em vista que o PIS e a COFINS são regulamentados por normas de competência da Receita Federal; b) a Taxa SELIC foi criada com o objetivo de remunerar o capital no mercado financeiro, e uma taxa que tem cunho remuneratório de capital não pode ser utilizada como taxa moratório. Ademais, a majoração da contribuição com a aplicação desta Taxa, ultrapassa o 1% estabelecido pelo art. 161, § 1º, do CTN; c) reitera os demais argumentos apresentados na Impugnação. Conclui requerendo que seja dado provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório.” Em 28.2.2011, esta câmara decidiu por homologar parcialmente o recurso da contribuinte, não conhecendo a matéria submetida ao Poder Judiciário e declarando a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos períodos de apuração relativos aos períodos de apuração anteriores a junho de 1998, sob os seguintes fundamentos: Fl. 356DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE 4 a) a propositura de ação judicial importa renúncia às instâncias administrativas nos termos da Súmula nº 1 do antigo 2º Conselho de Contribuintes; b) O Fisco tem o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento do crédito tributário relativo a PIS, em razão da inconstitucionalidade, reconhecida pela Súmula Vinculante nº. 8 do STF, dos arts. 45 e 46, da Lei nº. 8212/91. Em 5.7.2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional protocolou embargos de declaração, alegando, em síntese, que: a) Houve omissão na decisão proferida, pois o Relator aplicou a regra constante do art. 150, § 4º, do CTN sem esclarecer se houve pagamento parcial das contribuições devidas entre abril e junho de 1998. b) A jurisprudência deste Conselho consolida o entendimento no sentido de que a regra de contagem do prazo decadencial constante do art. 150, § 4º, do CTN é aplicada tão somente diante da existência do pagamento parcial do tributo devido nas correspondentes competências. Entretanto, o voto vencedor não apresenta a forma como chegou a tal conclusão, inexistindo indicação das razões que levara o ilustre colegiado a desconsiderar a aplicação do art. 173, inc. I, do CTN. c) Inexistindo a comprovação e pagamento parcial do tributo devido nas respectivas competências, impõese a aplicação da regra de contagem descrita no art. 173, inc. I, do CTN. Por fim, requer a União que seja sanada a omissão apontada, para que seja verificada a ausência de pagamento parcial do tributo entre abril e junho de 1998 e, conseqüentemente, que seja aplicada a regra de contagem constante no art. 173, inc. I, do CTN. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Verificada a tempestividade da interposição destes embargos, passo a apreciálos. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional alega em síntese omissão na aplicação do art. nº. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, sem esclarecer se houve pagamento parcial das contribuições devidas entre abril e junho de 1998. A aplicação deste artigo está vinculada tão somente em caso de haver pagamento, mesmo que parcial. Em caso de não haver pagamento, deveria ser aplicado o art. 173, inc. I, do CTN. Entendo não haver de fato omissão, a ser sanada, na aplicação do art. nº. 150, §4º, do CTN, pois, a compensação é uma das formas existentes para a extinção da obrigação tributária, assim como o pagamento, Entretanto a compensação de créditos tributários não se realiza de pleno direito, mas apenas pela via judicial, ou seja dependente de decisão judicial para produzir efeitos, porém, não podendo ser admitida em caso de ser deferida por meio de medida cautelar liminar, ou antecipatória, ou ação cautelar, conforme dispõe a Súmula 212, do STJ, que abaixo reproduzo: Súmula do STJ no 212: "A compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória." Fl. 357DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Processo nº 13858.000380/200302 Acórdão n.º 3401001.935 S3C4T1 Fl. 356 5 No caso em tela a compensação foi autorizada por meio de sentença proferida pela 4ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Ribeirão Preto no processo nº 98.03006142 autorizando a contribuinte a realizar as compensações nos tributos, conforme fl. 138 dos autos. Portanto, verificase aqui que houve a homologação dos créditos tributários aqui discutidos através da compensação, autorizada judicialmente. Em razão de todo o exposto, admito os embargos e reconheço que houve a omissão, por considerar aplicável o art. 150, § 4º, do CTN. É como voto. Sala das Sessões, em Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Numero do processo: 10909.002163/2007-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Fez sustentação oral o Dr. Cicero Dittrich, OAB/SC no 13.467.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Fez sustentação oral o Dr. Cicero Dittrich, OAB/SC no 13.467.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Fez sustentação oral o Dr. Cicero Dittrich, OAB/SC no 13.467. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 286/292), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada contra o indeferimento de pedido de ressarcimento do IPI, no valor de 97.774,02, correspondente ao segundo trimestre de 2006. O pleito se alicerçou no artigo 11 da Lei n° 9.779/99. Segundo relatório que subsidiou a decisão de primeira instância, a contribuinte, em 14/08/2006, apresentou o pedido de ressarcimento/declaração de compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 09 .0 02 16 3/ 20 07 -3 1 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002163/200731 Resolução nº 3802000.094 S3TE02 Fl. 342 2 PER/DCOMP no 13371.57555.140806.1.3.017014, no valor de R$ 64.166,41, relativo ao mesmo período de apuração. As compensações efetuadas encontramse discriminadas às fls. 204. Em exame do pedido, a DRF Itajaí glosou totalmente o crédito do IPI correspondente às notas fiscais de emissão da empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ 65.727.711/000108, correspondente ao montante de R$ 149.154,86. A glosa foi motivada em decorrência das seguintes constatações relatadas pela autoridade fiscal (ver Parecer SARAC de fls. 184/190): a) a interessada não comprovou os pagamentos em favor da empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda.; b) também não apresentou os conhecimentos de transporte das compras efetuadas à Petropolímeros (apenas informou que o fornecedor seria o responsável pelo transporte); c) nas notas fiscais emitidas pela Petropolímeros não foi identificado o transportador (embora na maioria das notas tenham sido registradas as placas dos veículos, estas, contudo, mediante consulta ao RENAVAM, correspondiam a placas inexistentes ou a veículos que “não poderiam ter transportado as cargas”); e, d) ausência de carimbo da fiscalização estadual na transposição da fronteira. Inconformada com o indeferimento de seu pleito, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou o seguinte: a) que a maioria das transações que ocorrem no mercado atual são extintas por meio de pagamento em espécie e que tal constitui uso e costume; b) que a empresa dispunha de caixa excedente e que por muito tempo trabalhou adequando seu capital para que ficasse o mesmo consigo, não inserindo boa parte de seus recursos no sistema bancário objetivando economia com a contribuição provisória sobre movimentações financeiras; c) que em 2006 passou a efetuar seus pagamentos por boletos bancários e/ou TED´s, anexando notas fiscais de 2006; d) que o despacho decisório se assenta em presunção; e) que o transporte das mercadorias e o preenchimento das notas fiscais não são de sua responsabilidade; f) que a movimentação de seu estoque demonstra que adquiriu o produto PET virgem, código 678; e, g) que a legislação lhe dá direito à compensação tributária; Fl. 342DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002163/200731 Resolução nº 3802000.094 S3TE02 Fl. 343 3 A primeira instância, todavia, não acolheu os argumentos aduzidas pela reclamante em vista das “provas indiretas de inexistência das operações da Manifestante com a empresa PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA.”. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 04/06/2012 (fls. 296 do processo eletrônico). Inconformada, a mesma apresentou, em 04/07/2012, o recurso voluntário de fls. 297/320, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando ainda: a) que o transporte foi feito mediante modalidade CIF, de forma que ao emitente incorrem as responsabilidade do transporte, bem como inerentes ao preenchimento das notas fiscais, na forma do Regulamento do ICMS; b) que a empresa não tem por hábito a recusa da entrega de mercadorias pela incompatibilidade de placas entre a nota fiscal e o veículo; c) quanto à falta de carimbo da fiscalização estadual ressalta que em nenhuma das notas fiscais emitidas pela Petropolímeros existe identificação do transportador e que o trajeto feito pelo veículo não é de sua responsabilidade; e, d) que, após o início deste processo administrativo, a empresa fora fiscalizada (processo no 10909.004957/200900), não tendo correspondente ação fiscal detectado nenhuma irregularidade nas transações entre a recorrente e a empresa Petropolímeros nos anos de 2004 a 2007; sobre a questão, apresenta documentação que, pede, seja aceita como prova suficiente para desconstituir o lançamento. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso com a correspondente homologação da compensação pleiteada. Instruem o recurso, além de documentos estatutários da recorrente, cópia de relatório de fiscalização inerente à ação fiscal/MPFF no 0920600/2009/000203 (v. fls. 336/339 do processo eletrônico). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. O relatório da SARAC da DRF Itajaí, bem como o voto que direcionou a decisão de primeira instância apontam para a inexistência das transações comerciais que a recorrente diz ter celebrado com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda. Em contrapartida, a recorrente afirma que, após o início deste processo administrativo, foi fiscalizada pela Receita Federal, ocasião em que não teria sido detectado nenhum problema nas transações realizadas entre a recorrente e a empresa Petropolímeros nos anos de 2004 a 2007. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002163/200731 Resolução nº 3802000.094 S3TE02 Fl. 344 4 A reclamante acosta aos autos cópia do relatório de fiscalização inerente à ação fiscal/MPFF no 0920600/2009/000203 (fls. 336/339 do processo eletrônico), objeto do processo administrativo no 10909.004957/200900. Em pesquisa realizada no eprocesso não localizei o processo indicado pela recorrente. Assim, a análise que segue é baseada unicamente na cópia anexada pela interessada em seu recurso. Segundo cópia do relatório fiscal acostada aos autos, consta que a recorrente, nos anos de 2004 a 2007, efetuou pagamentos através de cheques (sacados/compensados) nas contas de depósito mantidas em seu nome nos bancos do Brasil, Sudameris e Safra. A contabilização de tais pagamentos no livro Razão se deu a débito da conta Caixa e a crédito das respectivas contas bancárias, o que redundou em elevados saldos devedores diários na conta Caixa. Todavia, a inexistência de saídas diárias desses recursos demonstrou que a empresa “não necessitava de suprimentos diários para a realização de pagamentos no dia”. Não obstante, o item 3 do relatório fiscal em comento trata da “APURAÇÃO DA REGULARIDADE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA FISCALIZADA NOS ANOS DE 2004, 2005, 2006 E 2007 COM A EMPRESA PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA. – CNPJ no 65.727.711/000108”. Consta do relatório fiscal referenciado que a motivação para o exame em questão decorreu dos despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí em resposta aos pedidos de ressarcimento do IPI conjugados com pedidos de compensação formalizados pela interessada. Na lista dos processos objeto do exame consta o presente processo. Segundo o relatório fiscal em evidência, Os procedimentos fiscais realizados e a análise fiscal estão descritos detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização e seus Anexos, não tendo sido verificadas irregularidades nas operações comerciais realizadas pela FISCALIZADA com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ no 65.727.711/000108, nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, salvo os percentuais das alíquotas do IPI, constantes das notas fiscais abaixo relacionadas [...] (grifos do original) [...] Os procedimentos fiscais realizados e análise fiscal dos fatos verificados nos PERDCOMP’s abaixo relacionados, além de estarem descritas detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização, também estão descritos detalhadamente na Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC, para fins de apoio aos despachos decisórios que posteriormente proferirá e dará a devida ciência à FISCALIZADA. [segue quadro demonstrativo que discrimina quatro PERDCOMP, com os respectivos processos (10909.720235/200998, 10909.720236/2009 32, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921), todos, como se vê, formalizados em 2009, e, conforme mesma planilha, correspondentes ao anobase de 2007] Fl. 344DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002163/200731 Resolução nº 3802000.094 S3TE02 Fl. 345 5 Consta do relatório fiscal em tela que a contribuinte foi cientificada do mesmo em 21/12/2009. Por sua vez, o processo que ora se examina foi formalizado em 2007 e corresponde ao período de apuração de 01/04/2006 a 30/06/2006. Portanto, quando do exame do presente processo, a correspondente ação fiscal reportada pela recorrente não tinha como ter sido considerada nos exames feitos pela SARAC da DRF Itajaí. Assim como ocorreu em relação ao processo no 10909.004957/200900 (referenciado no relatório de fiscalização acima citado), também não localizei no eprocesso nenhum dos processos administrativos discriminados no relatório fiscal em evidência (pesquisa realizada em 06/03/2012, às 11:00 hs). Logo, não se conseguiu ter acesso ao “Relatório Interno de Fiscalização”, muito menos à “Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC”, os quais, conforme trecho acima reproduzido, devem ter instruído os processos de compensação formalizados em 2009. Diante do exposto, e considerando que a cópia do relatório fiscal juntado pela reclamante procura comprovar a regularidade das transações comerciais realizadas entre esta e a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., e ainda, diante da indisponibilidade no eprocesso dos processos de compensação referenciados no sobredito relatório fiscal – que, possivelmente, poderiam trazer mais subsídios para o julgamento da presente lide – voto para que o presente julgamento seja convertido em diligência a fim de que sejam juntados aos autos: a) cópia do relatório de fiscalização objeto do processo no 10909.004957/2009 00 e seus correspondentes anexos; b) eventuais pareceres e despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí nos autos dos processos nos 10909.720235/200998, 10909.720236/2009 32, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921; e, c) demais informações que a unidade preparadora considerar como relevantes para o julgamento do presente feito. Instruído os autos com o resultado da diligência, e dada oportunidade de manifestação da interessada quanto ao seu teor, deverá o processo ser devolvido a esta 2a Turma Especial da 3a Seção do CARF para julgamento. Sala de Sessões, em 19 de março de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 345DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10855.903447/2008-09
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO. REVISÃO MANUAL. Se o motivo do indeferimento eletrônico do PER/DCOMP está adstrito exclusivamente a erro de fato no preenchimento da própria PER/DCOMP ou outra declaração utilizada para aferição do direito creditório, deve o pleito ser apreciado integralmente de forma manual em homenagem ao princípio da verdade material.
Numero da decisão: 1803-001.307
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes que provia o recurso de forma integral.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO. REVISÃO MANUAL. Se o motivo do indeferimento eletrônico do PER/DCOMP está adstrito exclusivamente a erro de fato no preenchimento da própria PER/DCOMP ou outra declaração utilizada para aferição do direito creditório, deve o pleito ser apreciado integralmente de forma manual em homenagem ao princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes que provia o recurso de forma integral. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10855.903447/200809 Acórdão n.º 180301.307 S1TE03 Fl. 101 2 Relatório METALÚRGICA BARROS MONTEIRO LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER7DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ. Por intermédio do despacho decisório de fi. 03, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte, ao fundamento de que "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: RS 146.052,06. Valor do Saldo negativo informado na DIPJ: R$ 137.756,46". Irresignada, em 19/09/2008, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 07, na qual alega, em síntese, que o crédito é procedente, os DARF foram pagos e lançados no livro Razão de 2002, página 16, na conta contábil "I. RENDA P. JURÍDICA/ANTECIPAÇÃO (102080004), APÓS EFETUADA A COMPENSAÇÃO DO SALDO A PAGAR EM 31/12/2002, OS VALORES PAGOS A MAIOR FORAM TRANSFERIDOS CONFORME RAZÃO DE 2003 (EM ANEXO) PAGINA 0001 CONTA CONTÁBIL IRPJ A COMPENSAR (102080008) em 02.01.2003, ONDE HOUVE A CORREÇÃO E AS DEVIDAS COMPENSAÇÕES LANÇADAS NO LIVRO DIÁRIO DE N°s 01/04 (PAGINA 00448) E 02/04 (PAGINA 00580) DE 2004 (EM ANEXO)". Ao final, requer a insubsistência do despacho decisório. A DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), através do acórdão nº 1433.504, de 27 de abril de 2011 (fls. 24/30), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. LITISPENDÊNCIA O direito creditório de que trata o presente pedido já foi pleiteado Fl. 101DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10855.903447/200809 Acórdão n.º 180301.307 S1TE03 Fl. 102 3 originalmente em outro processo, não tendo sido reconhecido. Descabe, portanto, nova apreciação, em razão de litispendência. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ciente da decisão em 25/05/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 33), apresentou o recurso voluntário em 21/06/2011 fls. 34/45, onde reafirma o seu direito creditório, não fazendo menção alguma à decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação, cujo direito creditório tem origem parcialmente utilizando o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, cujo despacho decisório eletrônico não homologou as compensações por divergência de valores com a DIPJ do mencionado ano calendário. Alega a recorrente em síntese: a) Que o direito creditório existe pois houve recolhimentos a maior de IRPJ em relação ao ano calendário 2002; b) Que não seria caso sequer de preenchimento de PER/DCOMP mas de compensação direta por se tratar do mesmo tributo; c) Que o direito creditório foi regularmente escriturado e também os valores devidos constam das respectivas DCTFs; d) Que simples erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP não pode redundar em indeferimento do direito creditório e não homologação das compensações realizadas; Não faz a recorrente qualquer menção ao fato de que a decisão de primeira instância negou provimento à manifestação de inconformidade, com fundamento de que o direito creditório já estava sendo discutido no bojo do processo 10855.001672/200396, havendo portanto litispendência no entendimento da turma julgadora “a quo”. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10855.903447/200809 Acórdão n.º 180301.307 S1TE03 Fl. 103 4 O processo supostamente conexo nº 10855.001672/200396 foi apreciado por esta turma de julgamento cujo acórdão 180301.211, de 14/03/2012, tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72. Em resumo, o despacho decisório eletrônico originário (fl. 03), negou o pedido e a homologação da compensação por divergência entre a PER/DCOMP e a DIPJ do ano calendário 2002. Já a decisão de primeira instância indeferiu a manifestação de inconformidade tão somente com o fundamento de litispendência. O processo com a alegada litispendência (10855.001672/200396), também teve sua manifestação de inconformidade indeferida por questões formais tendo o recurso voluntário não sido conhecido conforme ementa adrede transcrita. Conforme se observa do PER/DCOMP (fl. 01), o direito creditório pleiteado decorre apenas de uma pequena fração (R$ 18.977,73), do direito creditório constante da DIPJ (R$ 137.756,46), sendo que a recorrente demonstra em anexo de sua manifestação de inconformidade (fl. 22), que o presente pedido representa apenas o remanescente do direito creditório pleiteado através do processo 10855.001672/200396. Constatase que o motivo do indeferimento originário decorreu de mero erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP, informando valor equivocado do total do direito creditório, não tendo qualquer relação com o processo conexo invocado pela decisão de primeira instância, concluindose que o direito creditório não foi efetivamente apreciado em momento algum. Ante o exposto, em homenagem ao princípio da verdade material voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que o direito creditório seja analisado pela unidade de origem (DRF SOROCABASP), requerendo os documentos e informações que entender pertinentes e homologando a compensação até o limite do crédito apurado. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10855.903447/200809 Acórdão n.º 180301.307 S1TE03 Fl. 104 5 Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Divirjo do ilustre Conselheiro Relator apenas na parte em que ele, em seu Voto, apesar de expressamente reconhecer o erro de fato no preenchimento do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) da Recorrente (“Constatase que o motivo do indeferimento originário decorreu de mero erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP”) e, pois, a insubsistência do correspondente despacho decisório eletrônico –, determina que a unidade de origem analise o direito creditório, “requerendo os documentos e informações que entender pertinentes e homologando a compensação até o limite do crédito apurado”. A meu ver, o despacho decisório eletrônico emitido é improcedente e, dessa forma, não comporta qualquer tipo de revisão, ainda que determinada por este Colegiado. Acatarse tal procedimento significaria, em última análise, admitirse que, inobstante a incorreção da motivação da não homologação da compensação pleiteada, possa o Fisco atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no âmbito do processo contencioso, fazêlo acertar no que não viu. Dou provimento integral ao Recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 10120.006829/2005-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) não é legítima quando incidem sobre a mesma base de cálculo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de relevância econômica e reiteração da conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos na conduta do agente, notadamente quando se trata de exigência alicerçada em presunção legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.073
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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CONCOMITÂNCIA. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) não é legítima quando incidem sobre a mesma base de cálculo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de relevância econômica e reiteração da conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos na conduta do agente, notadamente quando se trata de exigência alicerçada em presunção legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 02/04/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Bassam Tomeh foi lavrado o auto de infração de fls. 547/562, objetivando a exigência do Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos (i) de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas, (ii) de aluguéis recebidos de pessoas físicas, (iii) de ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos, (iv) caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, bem como pela falta de recolhimento do carnêleão, em relação ao anocalendário de 2002. A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 10249.477, que se encontra às fls. 649/668 e cuja ementa é a seguinte: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS AUFERIDOS JUNTO A PESSOAS FISCAIS E A PESSOAS JURÍDICAS. Os rendimentos de alugueis de imóveis de titularidade de casal, casado sob o regime de comunhão universal de bens, deve ser lançado a razão de.50% para cada cônjuge, em suas respectivas declarações de ajuste anual, no caso de declaração em separado. Pode o casal, entretanto, ainda na hipótese de declaração em separado, optar por lançar a totalidade dos rendimentos de alugueis exclusivamente na declaração de um dos cônjuges. A opção é do contribuinte e deve ser observada pela autoridade fiscal. Afastado o percentual de 50% do lançamento, referente omissão de rendimentos de alugueis relativos ao cônjuge. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. Imóvel de propriedade do interessado e de .seu cônjuge com quem é casado pelo regime de comunhão universal de bens. Nesta hipótese, cabe atribuir 50% do ganho de capital apurado para cada cônjuge, sobretudo se o valor da alienação decorre de identificação de depósito bancário realizado em conta corrente conjunta. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10120.006829/200526 Acórdão n.º 920202.073 CSRFT2 Fl. 2 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM DESCONHECIDA.Conta conjunta do marido e esposa. A ausência de intimação da esposa, cotitular da conta corrente fiscalizada, contamina de dúvida a base de cálculo do IR. A atribuição de 50% para cada cônjuge somente pode ser feita, cumulativamente, após a regular intimação do cotitular da conta corrente e na ausência de outros elementos que possam identificar a correta base de cálculo do IR decorrente. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação da multa isolada (inciso III, do par. 1º, do art. 44, da Lei 9.430 de 1.996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44 da Lei 9.430, 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. MULTA QUALIFICADA OMISSÃO DE RECEITA SÚMULA 14. Nos termos da Súmula 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A circunstância do sujeito passivo, durante o procedimento fiscal, não informar à autoridade fiscal acerca das omissões praticadas, não caracteriza situação que justifique a qualificação da multa, cuja conduta, para qualificação, deve ser contemporânea à ocorrência do fato gerador e não subseqüente. Não está o sujeito passivo obrigado produzir prova contra si próprio. Não se pode qualificar a multa pelo fato do fiscalizado, em procedimento de fiscalização, não ter informado â autoridade fiscal de que efetivamente havia omitido os rendimentos recebidos a titulo de alugueis. Rejeitar a preliminar. Recurso parcialmente provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para afastar a tributação sobre 50% dos valores de aluguéis e 50% do ganho de capital, bem como, por maioria de votos, excluiu do lançamento (a) o valor de R$ 134.374,23, referente à conta corrente do Bank Boston, (b) a multa isolada, por aplicação concomitante, com a multa de oficio, e desqualificou a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%. Intimada pessoalmente do acórdão em 22/10/2009 (fls. 670vº) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso especial de fls. 671/688, em que pleiteia, em apertada síntese, a reforma do v. acórdão recorrido no tocante (i) à concomitância entre a multa de oficio vinculada e a multa do carnêleão, (ii) a desqualificação da multa de oficio e (iii) por suposta divergência em relação à exclusão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada proveniente de conta em conjunto, motivada pela ausência de intimação de cotitular. Consoante despacho nº 21020005/2010 (fls. 726/727) o referido Recurso Especial foi admitido parcialmente, no tocante as controvérsias referentes à concomitância entre a multa de oficio vinculada e a multa do carnêleão e a desqualificação da multa de oficio. O referido despacho foi submetido ao Presidente da CSRF, queo confirmou. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarazões (fls. 739/746). Posteriormente, o Contribuinte apresentou o pedido de revisão de débitos (fls. 749/761), recebido pela autoridade preparadora como recurso especial. Dessa forma, foi proferido o despacho 21000394/2010 (fls. 771/772) por meio do qual foi negado seguimento ao suposto recurso especial, tendo em vista ausência dos requisitos básicos de admissibilidade, sendo essa decisão posteriormente confirmada pela Presidência da CSRF (fls. 773). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso foi manejado tendo em vista possível contrariedade à lei em face de decisão não unânime, devidamente articulada no recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Dessa forma, impõese o conhecimento do recurso. Assim, a discussão no presente recurso está limitada (i) à concomitância entre a multa de oficio vinculada e a multa pela ausência de recolhimento do carnêleão e (ii) à discussão quanto à qualificação ou não da multa aplicada ao contribuinte. Concomitância de multa A Procuradoria da Fazenda Nacional se insurge contra o cancelamento, pelo v. acórdão, da multa isolada, sustentando contrariedade ao artigo 44, §1º, III da Lei nº 9.430/1996. Como se verifica dos autos o Contribuinte foi autuado por ter deixado de recolher o carnêleão relativamente a rendimentos de aluguel recebidos de pessoas físicas. Em face de tal irregularidade, foram imputados os rendimentos omitidos e apurada a efetiva base de cálculo a ser considerada para fins de apuração do imposto de renda devido nos períodos sob comento. Sobre a diferença de imposto entre os valores declarados e os valores apurados pela fiscalização foram acrescidos multa de ofício (150%) e juros de mora (SELIC). Adicionalmente, pelo não recolhimento do imposto por meio da sistemática do carnêleão foi imputado ao Contribuinte multa isolada de 150%. Para fins de clareza, transcrevo abaixo os dispositivos legais que tratam da aplicação das multas, veiculados pela Lei nº 9.430, de 1996 (conforme redação em vigor à época do lançamento): “Art. 43 – Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único – Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10120.006829/200526 Acórdão n.º 920202.073 CSRFT2 Fl. 3 5 art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Artigo 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38.” Com base nos dispositivos legais acima transcritos a fiscalização imputou ao Contribuinte duas multas a punitiva pelo não recolhimento de tributo (multa normal – art. 44, I) e a isolada pelo não recolhimento de imposto na sistemática do carnêleão (multa isolada – art. 44, II, “a”). A legalidade da aplicação concomitante da multa de ofício decorrente da apuração de diferença de imposto e da multa isolada pelo não recolhimento do imposto na sistemática conhecida como carnêleão não é matéria nova nesta Câmara Superior. Reiteradas decisões deste E. Colegiado têm concluído pela impossibilidade de cobrança concomitante da multa normal e da multa isolada. O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, dever ser lançada a multa isolada, e somente ela. Nestes termos, seguindo o entendimento já pacificado transcrito acima entendo que no caso em exame deve ser mantida a decisão recorrida que afastou a aplicação da multa isolada pelo nãorecolhimento do carnêleão sobre os rendimentos recebidos do exterior. Qualificação da multa No presente caso, a autoridade fiscal autuante entendeu estar caracterizado evidente intuito de fraude, tendo aplicado a multa qualificada de 150%. A fundamentação utilizada para justificar o evidente intuito de fraude foi a suposta conduta dolosa do contribuinte em não declarar reiteradamente durante os meses do anocalendário os valores relativos aos rendimentos auferidos, conforme se verifica do seguinte trecho da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração (fls. 549): “Conforme planilha citada acima, os rendimentos omitidos foram auferidos em todos os doze meses do ano, o que levou esta fiscalização a elevar a Multa de Lançamento de Oficio do percentual de 75% (Setenta e Cinco por Cento) para 150% (Cento e Cinquenta por Cento), por entender que houve a intenção de deixar de pagar o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos. (...) Em cada mês o contribuinte devia ter apurado, sobre esses rendimentos, o Imposto de Renda Devido a titulo de CarnêLeão e recolhido no mês seguinte. Como não houve nenhum recolhimento e também os rendimentos não foram consignados na Declaração de Ajuste Anual, esta fiscalização aplicou a Multa de Lançamento de Oficio no percentual de 150% (Cento e Cinquenta por Cento) por entender cabível em razão da reincidência contumaz.” A penalidade em questão foi aplicada com base no art. 44, inciso II da Lei n. 9.430, de 1996, incorporado ao art. 957, II, do RIR/99, assim redigido (conforme redação em vigor à época dos fatos geradores): “Art. 957 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 44) (...) II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Os dispositivos referidos, vale dizer, os artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964, cuidam das figuras do dolo, fraude e sonegação, nos seguintes termos: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10120.006829/200526 Acórdão n.º 920202.073 CSRFT2 Fl. 4 7 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Já me manifestei em outras oportunidades que a teor da previsão legal acima, para que a multa de lançamento de ofício de 75% seja qualificada e elevada para 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude, demonstrado inequivocadamente nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela fiscalização. Essa posição é reconhecida pela jurisprudência deste E. Colegiado, restando incontroverso que a fraude não se presume, sendo necessário que sejam produzidas provas do evidente intuito a que se refere a norma legal, não bastando suspeitas. A experiência indica que o evidente intuito de fraude se configura nas situações em que demonstrado o emprego de meios ardis, como notas fiscais calçadas, recibos falsificados, etc. Ao contrário da responsabilidade pela obrigação tributária principal, que a teor do art. 136 do CTN não requer dolo ou culpa para sua configuração, bastando a prática da infração por qualquer meio, a aplicação da multa dita qualificada pressupõe dolo específico, no sentido de subtrair o imposto que se sabe devido pela utilização de meios fraudulentos. No caso presente, como já antecipado, a qualificação da penalidade decorreu de sua conduta reiterada durante o anocalendário em não efetuar o recolhimento do carnêleão, bem como em não declarar os valores em sua declaração de ajuste anual, relativa a um único anocalendário. Entendo que a simples omissão de rendimentos, ainda que reiterada em vários meses durante determinado exercício, desacompanhada de outros elementos probatórios do evidente intuito de fraude, ou omissão de bens, não dá causa para a qualificação da multa. Dentre outras razões, tal conclusão decorre do fato de que, se assim não fosse, não haveria hipótese para a aplicação da multa de ofício “não qualificada” de 75%. Com efeito, considero que para a correta aplicação da multa qualificada a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ação específica e dolosa, levou a autoridade administrativa a erro, por meio por exemplo da utilização de documentos falsos, notas frias, interposição de pessoas, etc. Como bem apontou com o usual brilhantismo o ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, em acórdão sobre o tema, se o entendimento sumular antes transcrito não permite a qualificação da multa de ofício quando presente uma simples omissão de rendimentos, como justificar a qualificação desse multa em uma presunção de omissão de rendimentos, em que não ficou demonstrada nenhuma fraude, e que a própria omissão de rendimentos é presumida? O evidente intuito de fraude não pode ser presumido, como ocorre com a presunção legal de omissão de rendimentos, mas minudentemente demonstrado. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Entender diferente seria presumir a fraude em situação em que a própria hipótese de incidência – omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada é presumida pela lei, situação que merece repúdio. Em resumo, entendo não ter a fiscalização logrado êxito em demonstrar evidente intuito de fraude na conduta do contribuinte a justificar a qualificação da penalidade, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso especial nesse quesito. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 13771.002950/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
RENDIMENTO REFERENTE AO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO DE SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. LEI FEDERAL Nº 8.852/94. RENDIMENTO NÃO ENQUADRADO NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. A EXCLUSÃO DO CONCEITO DE
REMUNERAÇÃO, POR SI SÓ, NÃO É CONDIÇÃO SUFICIENTE E NECESSÁRIA PARA ISENTAR DETERMINADO RENDIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. HIGIDEZ DA TRIBUTAÇÃO SOBRE O ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO.
Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física. A Lei nº 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter
indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço. A Lei nº 8.852/94, em si mesma, não outorga
qualquer isenção no âmbito do imposto de renda. Entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-002.058
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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LEI FEDERAL Nº 8.852/94. RENDIMENTO NÃO ENQUADRADO NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. A EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO, POR SI SÓ, NÃO É CONDIÇÃO SUFICIENTE E NECESSÁRIA PARA ISENTAR DETERMINADO RENDIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. HIGIDEZ DA TRIBUTAÇÃO SOBRE O ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física. A Lei nº 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço. A Lei nº 8.852/94, em si mesma, não outorga qualquer isenção no âmbito do imposto de renda. Entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 25/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Relatório Em procedimento de revisão da DIRPFexercício 2005, a autoridade fiscal imputou ao contribuinte uma omissão de rendimentos no importe de R$ 16.343,64, oriunda de divergência entre o valor informado na DIRF pelo Comando da Marinha e aquele confessado pelo fiscalizado na declaração já referida, com constituição do lançamento consubstanciado na notificação de lançamento acostada a este caderno processual. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, alegando, em síntese, que a pretensa omissão de rendimentos era não tributável, pois corresponderia ao adicional por tempo de serviço, conforme o art. 1º, III, “n”, da Lei nº 8.852/94. A 1ª Turma de Julgamento da DRJRio de Janeiro II (RJ), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 13 26.125, de 28 de agosto de 2009 (fls. 27 e seguintes), assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 03/11/2009. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 09/11/2009. No voluntário, o recorrente repisou as razões da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13771.002950/200855 Acórdão n.º 210202.058 S2C1T2 Fl. 2 3 Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 03/11/2009, e interpôs o recurso voluntário em 09/11/2009, dentro do trintídio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. O recorrente defende que o adicional por tempo de serviço não se encontra no âmbito de incidência do imposto de renda da pessoa física, com base no art. 1º, III, “n”, da Lei nº 8.852/94 (que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal), verbis: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: I como vencimento básico: (...) II como vencimentos, a soma do vencimento básico com as vantagens permanentes relativas ao cargo, emprego, posto ou graduação; III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: a) diárias; b) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte; c) auxíliofardamento; d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei nº 8.237, de 1991; e) saláriofamília; f) gratificação ou adicional natalino, ou décimoterceiro salário; g) abono pecuniário resultante da conversão de até 1/3 (um terço) das férias; h) adicional ou auxílio natalidade; i) adicional ou auxílio funeral; j) adicional de férias, até o limite de 1/3 (um terço) sobre a retribuição habitual; l) adicional pela prestação de serviço extraordinário, para atender situações excepcionais e temporárias, obedecidos os limites de duração previstos em lei, contratos, regulamentos, convenções, acordos ou dissídios coletivos e desde que o valor Fl. 60DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 pago não exceda em mais de 50% (cinqüenta por cento) o estipulado para a hora de trabalho na jornada normal; m) adicional noturno, enquanto o serviço permanecer sendo prestado em horário que fundamente sua concessão; n) adicional por tempo de serviço; o) conversão de licençaprêmio em pecúnia facultada para os empregados de empresa pública ou sociedade de economia mista por ato normativo, estatutário ou regulamentar anterior a 1º de fevereiro de 1994; p) adicional de insalubridade, de periculosidade ou pelo exercício de atividades penosas percebido durante o período em que o beneficiário estiver sujeito às condições ou aos riscos que deram causa à sua concessão; q) hora repouso e alimentação e adicional de sobreaviso, a que se referem, respectivamente, o inciso II do art. 3º e o inciso II do art. 6º da Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972; r) outras parcelas cujo caráter indenizatório esteja definido em lei, ou seja reconhecido, no âmbito das empresas públicas e sociedades de economia mista, por ato do Poder Executivo. § 1º O disposto no inciso III abrange adiantamentos desprovidos de natureza indenizatória. (...) A Lei acima regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias ou o pagamento das horas extraordinárias. Aqui se deve observar que é a lei tributária do imposto de renda da pessoa física que define quais as verbas que transcendem o conceito de remuneração são isentas do IRPF, notadamente constando tais isenções no art. 6º da Lei nº 7.713/88. Assim, por exemplo, no art. 6º, II e XX, da Lei nº 7.713/88 constam as isenções relativas às diárias e à ajuda de custo em decorrência da mudança de sede. As isenções tributárias não são definidas pela Lei nº 8.852/94, como equivocadamente defende o contribuinte. Se assim fosse, por exemplo, o pagamento do décimoterceiro salário seria isento (art. 1º, III, “f”, da Lei nº 8.852/94), o que demonstra o equívoco do raciocínio do recorrente, pois não se conhece quem já tenha defendido a ausência de tributação sobre o décimoterceiro salário (esta verba consta como tributável especificamente no art. 25 da Lei nº 7.713/88). Ainda, o legislador, no art. 1º, § 1º, da Lei nº 8.852/94, tomou o cuidado de alertar que as verbas que transcendem à remuneração, previstas no art. 1º, III, da Lei aqui citada, abrangem adiantamentos desprovidos de natureza indenizatória, ou seja, alertou que há rendimentos em tal inciso que não tem caráter indenizatório, sendo, assim, tributáveis pelo imposto de renda. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13771.002950/200855 Acórdão n.º 210202.058 S2C1T2 Fl. 3 5 Em relação ao adicional por tempo de serviço dos agentes públicos federais não há qualquer legislação que o isente do imposto de renda da pessoa física. É, pois, tributável. Do entendimento acima não discrepa a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se pode ver no Acórdão nº 10423.174, sessão de 24/04/2008, relatora a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, unânime, que restou assim ementado, verbis: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS SERVIDORES PÚBLICOS ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. A Lei nº. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas, portanto as verbas recebidas a título de adicional por tempo de serviço constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, à míngua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. Por último, a comprovar a mansidão da jurisprudência administrativa em desfavor do recorrente, o CARF fez editar a Súmula CARF nº 68 (A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física), na qual se vê que a Lei nº 8.852 não outorga qualquer isenção no âmbito do imposto de renda. Ante o exposto, voto no sentido NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 62DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 19647.000298/2005-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1996,1997,1998 e 1999
Ementa: RESTITUIÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO.
O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ.
No caso, formalizada a solicitação em 14/01/2005, aplica-se
o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. STJ SÚMULA nº 360.
O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 1302-000.899
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1996,1997,1998 e 1999 Ementa: RESTITUIÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO. O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. No caso, formalizada a solicitação em 14/01/2005, aplica-se o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. STJ SÚMULA nº 360. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 192 1 191 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.000298/200501 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302000.899 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2012 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente HOTEIS GP S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996,1997,1998 e 1999 Ementa: RESTITUIÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO. O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. No caso, formalizada a solicitação em 14/01/2005, aplicase o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. STJ SÚMULA nº 360. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 193 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Marcos Rodrigues Mello. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 194 3 Relatório No presente processo o contribuinte requerru em 14/01/2005, juntamente com petição (fls. 02/14), solicitando restituição da multa de mora incidente sobre pagamentos efetuados a destempo de diversos tributos, conforme DARF´s de fls. 26/73, no montante de R$ 18.395,47. A contribuinte expõe que o art. 138 do CTN excluiu a aplicação da penalidade por infração tributária no caso de denúncia expontânea e, portanto, requer a restituição das multas. Por meio do Despacho Decisório, o Chefe do SEORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife, indeferiu o pleito da interessada, alegando basicamente o seguinte: 1. Por ocasião da formalização do pedido, em 14.01.2005, já havia transcorrido o prazo prescricional de 5(cinco) anos, previsto nos arts. 165,I e 168, I do CTN e pelo Ato Declaratório SRF n° 96/99 para que o sujeito passivo pudesse requerer a restituição dos alegados recolhimentos a maior. 2. Não prospera a alegação da requerente de que a multa de mora é indevida , uma vez que a legislação vigente prevê, no caso de recolhimento em atraso de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a incidência de multa e juros moratórios sobre o valor do tributo ou contribuição, independentemente de qualquer procedimento da Administração tendente à exigência do débito. Tempestivamente, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 81 à 98), insurgindose contra a decisão contida no Despacho Decisório de fl. 78, nos seguintes termos. Estando os tributos e contribuições sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário, no caso de homologação tácita, ocorre cinco anos após a data de ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN. Dessa forma, o prazo para pleitear restituição ocorre cinco anos após a ocorrência da homologação tácita do lançamento, totalizando dez anos a partir da data de ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, cita decisões emanadas do Poder Judiciário e dos Conselhos de Contribuintes. No mérito, alega que o ato administrativo mediante o qual foi indeferido o pedido atenta contra o disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, segundo o qual o pagamento de tributo feito a destempo antes do inicio de qualquer procedimento fiscalizatório impede a imposição de penalidades. Ressalta ainda que o Código Tributário Nacional foi recepcionado com status de Lei Complementar, nos moldes do art. 146 inciso III da Constituição Federal vigente para reger norma geral em matéria tributária, não podendo sofrer alteração ou revogação por meio de lei ordinária. Transcreve, farta Jurisprudência e requer, ao final seja reformado integralmente o Despacho Decisório, no sentido de que sejam reconhecidos como indevidos os pagamentos a titulo de multa e protesta por todos os meios de prova legalmente admitidos, inclusive a realização de diligência e perícia. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 195 4 A 5ª Turma da DRJ/Recife, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação indeferindo a solicitação, em síntese, pelos seguintes motivos: a contribuinte questiona preliminarmente, o fato de não ter a Autoridade Administrativa, deferido seu pleito relativo à restituição de recolhimentos, tidos por indevidos, efetuados anteriormente à 14.01.2000, com fulcro nos artigos 168, I e 165, I, do CTN. Nesse sentido, a interessada adota o fundamento de que o prazo prescricional aplicável à espécie seria de 10 (dez) anos, baseado em corrente jurisprudencial, que entende que o prazo para pleitear restituição somente se inicia na data da extinção do crédito tributário, a se verificar 5 (cinco) anos após a ocorrência do fato gerador, quando, então, poderia ser considerado homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. E somente a partir deste momento que iniciaria a contagem do prazo prescricional. porém a legislação em vigor, à qual a Administração esta vinculada, o CTN em seu arts. 150, 168, I e a IN SRF n.° 600/2005 em seu §10 do art. 26, e o Ato Declaratório SRF nº 96, contém orientação no sentido contrário. E esta orientação é de observância obrigatória por parte dos julgadores das Delegacias da Receita Federal de Julgamento. relativamente às decisões paradigmas, trazidas aos autos pela empresa interessada, somente fazem coisa julgada entre as partes envolvidas, não produzindo efeitos sobre aqueles que não figuraram no processo em que prolatadas. a prescrição do direito à restituição como acima analisado, constituise por si só, razão para indeferimento do pleito. Entretanto, considerando que a Autoridade Administrativa indeferiu o pedido, não apenas por tal razão, como também pelo fato de que ao contrário do que alega a interessada, a multa de mora é efetivamente devida, em caso de tributo ou contribuição pago em atraso, mesmo que de forma espontânea. a legislação (Lei n° 9.430, de 27/12/1996) vigente a respeito de pagamento de tributo ou contribuição efetuado após transcorrido o prazo legal de vencimento, estabelece a cobrança da multa. cabe à Autoridade Julgadora de primeira instância, aplicar a lei em vigência ao caso concreto, abstendose de apreciar alegados conflitos entre lei ordinária e lei complementar ou entre lei ordinária e a Constituição Federal por ser de competência privativa do Poder Judiciário. como se verifica a pela cópias dos DARF's (fls 26 à 73), a contribuinte efetuou recolhimentos em datas posteriores às de vencimento, fato que justifica a aplicação da multa e que implica na improcedência de seus argumentos. em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte procura se respaldar em decisões do Superior Tribunal de Justiça, do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. a contribuinte protesta por provar o alegado por todos os meios de prova legalmente admitidos, inclusive a realização de diligências e perícias, mas há de se esclarecer, de antemão, que as matérias em discussão são meramente de interpretação da legislação, não tendo havido, de parte da interessada, qualquer contestação especifica, concernente aos elementos constantes dos autos e considerados pela Autoridade Administrativa. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 196 5 outrossim, considerase não formulado o pedido para realização de diligência e perícia, nos termos do artigo 16, § 10 do Decreto n° 70.235/1972 (acrescido pelo artigo 1° da Lei n° 8.748/1993), visto que a contribuinte deixou de atender aos requisitos previstos no inciso IV do mencionado artigo, quais sejam os motivos que as justifiquem, a formulação de quesitos e a identificação de seu perito e qualificação profissional, em caso de perícia. Ademais, os elementos constantes do processo permitiram a formação da convicção deste julgador sem a necessidade de efetivação de exames complementares, como requerido, de forma genérica, pela contribuinte. Cientificado da decisão em 01/06/2009 o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, em 30/06/2009, reprisando os argumentos apresentados na impugnação, alegando em síntese o seguinte: que o recurso seja recebido sem a exigência do arrolamento de bens correspondente a 30% do valor do auto de infração, sob pena de cerceamento do direito de defesa. que requereu a restituição de valores de créditos passíveis de restituição, decorrentes de pagamentos efetuados a titulo de multa sob o procedimento espontâneo, uma vez que a denúncia espontânea acompanhada do pagamento, exclui a incidência das multas de mora e de oficio sobre os tributos devidos e pagos antes do inicio de qualquer ação fiscal e a jurisprudência é pacífica neste sentido. que o contribuinte que denuncia espontaneamente ao fisco o seu débito fiscal em atraso, recolhendo o montante devido com juros de mora, está exonerado da multa moratória, nos termos do artigo 138, do CTN. O recolhimento de multa de mora em denúncia espontânea caracteriza indébito, devendo, portanto, ser reconhecido o direito à sua restituição. quanto à legitimidade do direito à restituição e a compensação de valores, seu prazo decadencial somente começa a fluir após o decurso de cinco anos após a ocorrência do fato gerador, somados de mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento. o lançamento da exação que aqui se trata dáse mediante a homologação e, somente a partir dai começa a correr o prazo decadencial. Na ausência da homologação expressa, concluise que a decadência do direito ocorre se decorrido o prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados do termo final do prazo deferido ao Fisco, para a apuração do tributo devido, e nesse sentido a jurisprudência é pacífica, tanto do STJ quanto do Conselho de Contribuintes. É inegável que o art. 3°, da Lei Complementar n° 118/2005 INOVOU o ordenamento jurídico, não podendo ser considerada lei interpretativa, sendo inadmissível sua retroatividade, nos moldes do art. 106, I, do CTN Desta feita, os efeitos do art. 3°, da Lei Complementar n° 118/2005 devem atingir somente os pagamentos efetuados posteriormente ao dia 09/06/2005 (data de entrada em vigor desta Lei), tendo em vista que somente a partir sdesta data que se poderá considerar o pagamento como a extinção do crédito tributário nos tributos lançados por homologação. É o Relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 197 6 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque, dele conheço. Como se observa dos autos, as discussões giram em torno de dois pontos, no sentido de que a Administração Tributária, não poderia indeferir o pedido da restituição de multas recolhidas indevidamente a mais de 5 anos, e que as multas não seriam devidas uma vez que houve denúncia espontânea. Alegou a DRJ, que a multa seria devida mesmo se recolhida antes de qualquer iniciativa da fiscalização e que o direito a sua restituição já estaria prescrito pelo decurso de mais de 5 anos de seu recolhimento. Primeiramente em relação a sua prescrição temse que com o advento da Lei Complementar nº 118/2005, a questão teria ficado decidida pelo texto do art. 3º da referida norma ao estabelecer que, para efeito de interpretação do inciso I, do art. 168, do CTN, a extinção do crédito tributário no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação ocorreria no momento do pagamento antecipado. Assim, nos termos dos dispositivos legais mencionados, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo qüinqüenal contado a partir do pagamento indevido. Dirimido o problema quanto à contagem do prazo, restou a discussão quanto à aplicabilidade da Lei Complementar aos fatos ocorridos anteriormente a sua vigência, tendo em vista o caráter interpretativo que lhe foi dado pelo art. 4º, o que implicaria a retroatividade da norma. Essa aplicação da norma a fatos anteriores foi questionada judicialmente e gerou manifestação do STJ no sentido da irretroatividade do dispositivo. Após o STF manifestar entendimento de que a decisão do STJ violaria cláusula de reserva de Plenário, caberia então o aguardo da decisão do Pretório Excelso quanto ao tema, o que ocorreu recentemente (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). (Destaques acrescidos): DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de Fl. 197DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 198 7 violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Considerando que ao Acórdão em comento determina a aplicação do art. 543 B, § 3º, do CPC; o entendimento nele esposado deve ser reproduzido nos julgados deste Colegiado, nos termos do art. 62A do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Sob esse prisma, a decisão deixa claro que a regra a ser utilizada é determinada pela data em que foi interposta a ação ou, no caso, o pedido administrativo. Se o pleito foi formalizado após 09/06/2005, a LC 118/2005 é aplicável em sua plenitude. Caso contrário, o prazo prescricional deve seguir a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, nos termos definidos pelo STJ. No caso o pedido foi formalizado em 14/01/2005, data anterior a 09/06/2005. Aplicarseá, portanto, o prazo decenal definido pelo STJ. Sob esse prisma, considerando que DARF´s referese aos anos de 1996 à 1999, o termo inicial mais antigo a ser considerado é o DARF recolhido em 10/04/1996, o termo final se daria somente em 10/04/2006. Como o pedido foi formalizado em data anterior, não se caracterizou a prescrição em relação aos DARF´s recolhidos. Porém o mesmo se aplica em relação à denúncia espontânea como veremos a seguir. O Recorrente discorda da aplicação da multa de mora em relação ao tributo pago após o prazo de vencimento e antes do início de qualquer procedimento de ofício ao argumento de que está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Relativamente à multa de mora, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de Fl. 198DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 199 8 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. [...] Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. O art. 138 do CTN determina que a penalidade é excluída com a denúncia espontânea da infração acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, enquanto que o art. 161 do mesmo CTN determina que os débitos não pagos no vencimento sejam acrescidos dos juros de mora "sem prejuízo da imposição das penalidades cabiveis.". Ora, utilizando a lógica hermenêutica temos de direcionar a análise dos comandos normativos no sentido de se buscar resguardar a eficácia de ambos, e não priorizar o primeiro, fazendo tabula rasa do segundo. Em síntese: não se pode interpretar a norma do artigo 138 do CTN sendo de forma sistemática, vale dizer, se propugnarmos pelo entendimento de que a dispensa de penalidades inclui a multa moratória, estaremos reconhecendo que não cabe, jamais, a multa moratória, porque sempre que o pagamento ocorrer fora do prazo por iniciativa do contribuinte, ele se beneficiará do instituto da denúncia espontânea. Se, ao contrário, o pagamento fora do prazo ocorrer por força de uma atuação do fisco, a multa não será a moratória, mas a essencialmente punitiva, a chamada multa de oficio. A multa de mora possui caráter eminentemente indenizatório, pois o tributo pago fora do prazo, assim como em qualquer outra obrigação de natureza privada, causa danos ao Erário, danos estes que não ocorrem em relação aos contribuintes pontuais. A multa de mora independe de qualquer procedimento da administração ou medida de fiscalização, não decorrendo de uma infração propriamente dita, como definido Fl. 199DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 200 9 pelos arts. 136 a 138, do CTN. A sua incidência dáse tão somente pelo decurso do tempo, pelo não pagamento do tributo no prazo legal. Para destacar a natureza diversa da multa de mora, é de notarse que quando incide a multa de oficio não pode incidir a multa de mora. Ambas são excludentes. Quem pode apurar infração é a autoridade administrativa encarregada de lançar o tributo, e desta apuração sempre caberá multa de oficio, jamais multa de mora. A denúncia espontânea da infração é uma exteriorização de vontade do sujeito passivo perante a Fazenda Pública, sem qualquer forma prevista em lei, aplicável somente ao cumprimento a destempo da obrigação tributária principal de tributo que não esteja regularmente declarado e antes de qualquer procedimento fiscal. No caso de sua caracterização afasta a aplicação da multa de mora e da multa de ofício. Em relação à esta matéria, o STJ tem jurisprudência pacífica proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01/09/2010 e que se transformou inclusive em súmula, “in verbis”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO : SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 201 10 REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Documento: 10649420 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/06/2010 Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA Nº 360 DO STJ: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Inferese, portanto, que a denúncia espontânea só afasta a aplicação da multa de mora quando o imposto recolhido a destempo, corresponde a complementação de imposto recolhido a menor tempestivamente e retificado, o que não é o caso sub censura. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 202 11 Diante do exposto, aceito o pedido de restituição como tempestivo, mas no mérito sendo a multa devida não tem a Recorrente direito à restituição e, portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 202DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO
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