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Numero do processo: 10830.001245/98-86
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1992 a 30/09/1995
RECURSO ESPECIAL. PIS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 08.
Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91.
Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada.
Otacílio Dantas Cartaxo- Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1992 a 30/09/1995 RECURSO ESPECIAL. PIS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1992 a 30/09/1995 RECURSO ESPECIAL. PIS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 12 45 /9 8- 86 Fl. 391DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 243 a 250) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 239 a 241) que deu provimento parcial ao recurso voluntário, I) por maioria de votos, para considerar decaídos os períodos anteriores a março de 1993, face à decadência do art. 150, § 4°, do CTN, vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente) e Antonio Bezerra Neto que afastavam a decadência pela tese dos dez anos (art. 55 da Lei n° 8.212/91); e II) por unanimidade de votos, para acolher a semestralidade, para os períodos não decaídos. A ementa do julgado ora recorrido é a seguinte: PIS/FATURAMENTO. DECADÊNCIA. Decai em cinco anos, na modalidade de lançamento de oficio, o direito A Fazenda Nacional de constituir os créditos relativos para a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento já poderia ter sido efetivado. Os lançamentos feitos após esse prazo de cinco anos são nulos. LC N° 7/70. Ao analisar o disposto no artigo 6°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 7/70, há de se concluir que "faturamento" representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). Recurso provido em parte. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese, violação ao disposto no § 4º do artigo 150 do CTN e no artigo 45 da Lei n° 8.212/91. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 252 a 254. Importante destacar, a propósito, que cientificado do v. acórdão recorrido e cobrado a pagar ou apresentar recurso especial da parte que lhe foi desfavorável, o contribuinte informou a inclusão desta parcela no Parcelamento Excepcional (PAEX), conforme informado às fls. 346. Restou pendente, assim, o julgamento do presente recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10830.001245/9886 Acórdão n.º 9303001.536 CSRFT3 Fl. 348 3 Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial da Fazenda Nacional merece ser conhecido. No tocante ao mérito, todavia, melhor sorte não assiste à Recorrente. Com efeito, a matéria ora controvertida diz respeito, apenas, ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Ocorre que o Egrégio Supremo Tribunal Federal já dirimiu definitivamente a controvérsia, inclusive através da edição da Súmula Vinculante nº 08, cujo teor é o seguinte: SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 393DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011138/2003-52
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2003
Ementa:
BAIXAS DE ESTOQUE. TRIBUTAÇÃO.
Ausentes justificativas fundamentadas do contribuinte em virtude intimação regular formalizada pela autoridade fiscal, revela-se procedente a tributação que toma por base informações prestada pelo fiscalizado ao Fisco estadual.
INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (SÚMULA CARF nº 2).
JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4).
LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DECISÃO PROLATADA EM ÂMBITO INCIDENTAL. AFASTAMENTO POR ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO. CONDIÇÕES.
A partir da publicação da Medida Provisória nº 449, em 04 de dezembro de 2008, os órgãos de julgamento estão autorizados, no âmbito do processo administrativo fiscal, a afastar aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 1301-001.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir de tributação os valores correspondentes a OUTRAS RECEITAS (letra a da descrição dos fatos de fls. 112 destes autos, fatos geradores de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000), nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2003 Ementa: BAIXAS DE ESTOQUE. TRIBUTAÇÃO. Ausentes justificativas fundamentadas do contribuinte em virtude intimação regular formalizada pela autoridade fiscal, revela-se procedente a tributação que toma por base informações prestada pelo fiscalizado ao Fisco estadual. INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (SÚMULA CARF nº 2). JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4). LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DECISÃO PROLATADA EM ÂMBITO INCIDENTAL. AFASTAMENTO POR ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO. CONDIÇÕES. A partir da publicação da Medida Provisória nº 449, em 04 de dezembro de 2008, os órgãos de julgamento estão autorizados, no âmbito do processo administrativo fiscal, a afastar aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal.
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TRIBUTAÇÃO. Ausentes justificativas fundamentadas do contribuinte em virtude intimação regular formalizada pela autoridade fiscal, revelase procedente a tributação que toma por base informações prestada pelo fiscalizado ao Fisco estadual. INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (SÚMULA CARF nº 2). JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4). LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DECISÃO PROLATADA EM ÂMBITO INCIDENTAL. AFASTAMENTO POR ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO. CONDIÇÕES. A partir da publicação da Medida Provisória nº 449, em 04 de dezembro de 2008, os órgãos de julgamento estão autorizados, no âmbito do processo administrativo fiscal, a afastar aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 11 38 /2 00 3- 52 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 247 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir de tributação os valores correspondentes a OUTRAS RECEITAS (letra “a” da descrição dos fatos de fls. 112 destes autos, fatos geradores de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000), nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 248 3 Relatório PAPÉIS CARTUM LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, que manteve, na íntegra, o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigência de PIS, relativa aos períodos de 01/02/1999 a 31/12/2000 e de 01/04/2002 a 31/10/2002, formalizada a partir da constatação de divergências entre os valores declarados e os escriturados (“Outras Receitas”) e, também, entre os valores declarados à Receita Federal (DIPJ/2003) e os escriturados e declarados à Secretaria estadual (apurados por meio de Guias de Informação e Apuração do ICMS – GIA/ICMS). No referido lançamento, a autoridade fiscal aplicou multa qualificada de 150%, motivo pelo qual elaborou a competente Representação Fiscal para fins Penais. Transcrevo a seguir relato feito em primeira instância acerca dos argumentos trazidos pela contribuinte em sede de impugnação. [...] 4. Tempestivamente, em 17/12/2003, a interessada, por intermédio de representante constituído (procuração à fl. 144), interpôs a impugnação de fls. 119/142, acompanhada dos documentos de fls. 143/170, a seguir sintetizada. 5. Na descrição dos fatos, aduz, inicialmente, que os valores constantes das GIA/ICMS apontadas no auto de infração são decorrentes de retificações efetuadas, por sugestão da fiscalização estadual, após o encerramento de suas atividades, com o objetivo de proceder à baixa de valores constante do estoque, não tendo havido a venda de produtos. 6. Acerca do direito, diz que tinha por objeto o comércio de papel e papelão, tendo finalizado suas atividades, passando a não ter movimentação alguma. Sustenta, nesse contexto, que o lançamento está acostado exclusivamente na informação das GIAs, sem que reste provada a existência das operações. Destarte, não concorda com a autuação, por não ter ocorrido hipótese de incidência, mas apenas a sua presunção pelo fisco. 7. Quanto à questão, argumenta que o Conselho de Contribuinte tem proferido inúmeras decisões, as quais exemplifica, com o entendimento de que, embora as diferenças obtidas a partir de declarações prestadas ao fisco estadual constituam indicio de omissão de receitas, não justificam a simples presunção, cabendo à fiscalização esgotar o campo probatório. 8. Contesta, na seqüência, a ampliação da base de cálculo da contribuição pela Lei n° 9.718, de 1998, fundamentandose em jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, de que tal incide em inconstitucionalidade. 9. A seguir, questiona a multa de oficio, aplicada no percentual de 150%, alegando ser exorbitante e de caráter confiscatório, atentando contra o direito de propriedade garantido no art. 5°, XXII, da Constituição Federal de 1988. Quanto a Fl. 251DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 249 4 esse tema, cita trechos das obras de diversos doutrinadores e diz que os agentes públicos devem observar o que dispõe o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988. Contrapõese, também, à multa, discorrendo sobre a função social da empresa e sobre a necessidade de sua preservação. Transcreve outras manifestações de doutrinadores e jurisprudência judicial, dizendo, por fim, que "(...) é copiosa a jurisprudência dos Tribunais Brasileiros, inclusive a do Supremo Tribunal Federal, reconhecendo ao Juiz poder de reduzir a multa estridentemente iníqua (...) " e que o que se verifica, pois, é que a lei brasileira, a pretexto de punir, abusa do poder de impor penalidades, eivando de inconstitucionalidade por violar o disposto no art. 5º, XXII combinado com o art. 150, IV da Constituição Federal, tomado por analogia. Assim, resta evidente a configuração do confisco e o desrespeito a capacidade contributiva da Impugnante." 10. Na seqüência, argumenta que os juros exigidos no auto de infração são ilegais, posto que cumulativos; menciona comentário de Theônio Negrão (sic) que diz: "a capitalização de juros é proibida (Dec. 22.626, art. 4), exceto nos saldos líquidos em conta corrente (Ibidem) e na hipótese do artigo 1544 do C.C.". Diz que o valor cobrado de juros, atingindo um percentual superior a 25%, claramente o torna abusivo, em detrimento de seu patrimônio, e que o art. 1.062 do Código Civil especifica os juros legais, como de 6% ao ano, não cumulativos; diz, ainda, que o judiciário já decidiu que a aplicação de juros será de forma simples, no percentual de 12% ao ano, sendo que qualquer índice que ultrapasse esse percentual, será considerado abusivo e ilegal; conclui, afirmando que com a cobrança de juros compostos a SRF está violando os princípios tributários insertos na Constituição, e nas leis civil, tributária e comercial. 11. Por fim, requer que se considere improcedente o lançamento, com o cancelamento do auto de infração. A já citada 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 5.288, de 14 de janeiro de 2004, pela procedência do lançamento. O referido julgado restou assim ementado: SAÍDAS DE MERCADORIAS EM ESTOQUE. APURAÇÃO DE RECEITAS. BASES CONSISTENTES. As receitas relativas às saídas de mercadorias em estoque, apuradas a partir de bases consistentes de informações, não pode ser desacreditada pela simples alegação de que as operações seriam de baixa de estoque e nem pela tentativa de invalidar a utilização de dados prestados pela contribuinte ao fisco estadual. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE LEIS. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PERCENTUAIS. LEGALIDADE Presentes os pressupostos de exigência, cobramse juros de mora e multa de oficio pelos percentuais legalmente determinados. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 250 5 Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 99/103, por meio do qual renovou a argumentação expendida na peça impugnatória. Diante da natureza do tributo lançado, o presente processo foi distribuído para a Quarta Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, que, em sessão realizada 02 de dezembro de 2008, por meio do acórdão nº 20403.622, declinou da competência para julgar o recurso voluntário. O voto condutor da decisão acima referenciada assinala: A competência para julgamento deste recurso não é deste Segundo Conselho de Contribuintes. Com efeito, verifico que a apuração dos fatos que resultou na lavratura deste auto de infração tendente à exigência do PIS serviu também para determinar a formalização, em face da recorrente, de outros dois autos de infração, estes tendentes à exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL. Tanto o auto de infração de IRPJ, lavrado nos autos do Processo n° 10980.011137/200316, quanto o auto de CSLL, lavrado nos autos do Processo n° 10980.011139/200305, foram formalizados no dia 10 de novembro de 2003, mesma data em que lavrado o auto de Cofins de que ora se trata. O cotejo da descrição dos fatos constante dos autos de infração antes referidos com a descrição dos fatos constante deste auto de PIS bem demonstra se tratar da mesma hipótese. [...] Verificase, portanto, que a exigência do PIS formalizada nos presentes autos decorre de fatos cuja apuração serviu, ao menos em parte, também para determinar a prática, pela ora recorrente, de infração à legislação do Imposto sobre a Renda IR. Assim, nos termos do art. 20, inciso I, alínea "d", do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, combinado com o art. 21, inciso I, alínea "c", do mesmo Regimento, a competência para o julgamento deste recurso voluntário é do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. [...] É o Relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 251 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Destaco, de início, que acolho com ressalvas o pronunciamento da Quarta Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes acerca da competência para apreciar a presente lide, vez que, apesar de a autuação de que trata o presente processo derivar do mesmo procedimento de fiscalização (Mandado de Procedimento Fiscal nº 09.1.01.002003001177 – fls. 01 – relativo a Imposto sobre Produtos Industrializados), as infrações imputadas à contribuinte decorreram de procedimentos de verificações obrigatórias, também autorizados pelo referido Mandado de Procedimento Fiscal. Observo, inclusive, que o lançamento tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (processo administrativo nº 10980.011137/200316) alcançou, apenas, fatos geradores ocorridos em junho, setembro e dezembro de 2002, enquanto o relativo ao presente feito recaiu sobre fatos ocorridos no período de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000 e de abril a outubro de 2002. Verifico, ainda, que as divergências apuradas no procedimento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica decorreram exclusivamente do batimento entre os valores declarados na DIPJ/2003 e os valores escriturados e declarados à Secretaria Estadual, enquanto as tratadas nos presentes autos estão relacionadas, também, a “outras receitas” que não foram computadas na base de cálculo da contribuição (período de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000). Não obstante, diante do disposto no inciso IV do art. 2º do Regimento Interno em vigor (ANEXO II), abaixo transcrito, penso que esta Primeira Seção detém competência para a apreciação da controvérsia, eis que, ao menos em parte, a exigência formalizada no presente processo está lastreada “em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ”. Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: [...] IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; {2} Ausente prova de ciência da decisão exarada em primeira instância, tenho por tempestivo o recurso voluntário impetrado, portanto dele conheço. As razões recursais podem assim ser sintetizadas: Fl. 254DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 252 7 i) o lançamento tributário tomou por base saldos de estoques apresentados na escrita fiscal que foram posteriormente ajustados sem que houvesse saída efetiva de mercadorias; ii) o art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, inovou o conceito de faturamento, incluindo demais receitas auferidas, independentemente de sua origem ou classificação fiscal, o que seria inconstitucional; iii) o lançamento tributário viola os princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco; iv) é possível a apreciação da constitucionalidade da lei em seara administrativa; v) a multa aplicada tem natureza confiscatória; e vi) o uso da SELIC na cobrança dos juros é ilegal. No que diz respeito aos saldos de estoque; às alegações de inconstitucionalidades, inclusive no que tange à possibilidade de apreciação de tais questionamentos em âmbito administrativo; à natureza da multa aplicada; e à utilização da TAXA SELIC, esclareço que tais questões foram apreciadas pela Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão realizada em 21 de junho de 2006. Com efeito, no acórdão nº 10515.794, em que, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 10980.011137/200316 (IRPJ), restou consignado, in verbis: [...] Das saídas das mercadorias e da omissão de receitas Alega a recorrente que o conteúdo das GIA/ICMS não indicaria a venda de mercadorias, mas a baixa de estoque, declarada daquela forma por "sugestão do fiscal estadual". E que tais GIA/ICMS, por si só, não se prestam à comprovação da ocorrência do fato gerador do imposto, mas mero indício. Afirma ainda, que o lançamento está baseado apenas em presunções, fundado em prova emprestada do fisco estadual. Não merecem prosperar as alegações da recorrente, senão vejamos: A apuração fiscal teve início a partir da constatação do estoque de mercadorias, em 31/12/2001, no valor de R$ 4.742.988,70, cuja destinação a recorrente foi intimada (05/09/03) e reintimada (03/11/2003) a informar e comprovar. Na mesma ocasião, a recorrente foi intimada também a apresentar as GIA entregues à Secretaria Estadual no ano de 2002, referentes à movimentação daquele estoque de mercadorias. Não consta, no presente processo, o atendimento a estas intimações. Conforme fl. 104, a Secretaria de Estado da Fazenda forneceu cópias de FIR Informações e Recolhimentos do ICMS (fls. 105/111), a partir das quais foram Fl. 255DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 253 8 verificadas saídas declaradas ao fisco estadual, mas que foram omitidas nas declarações prestadas à SRF. Desta forma, a fiscalização federal utilizouse das informações disponíveis, já que restaram infrutíferas as tentativas de obtêlas diretamente da recorrente. A recorrente tinha, em 31/12/2001, um estoque de mercadorias no montante de R$ 4.742.988,70, cujas saídas ocorreram, segundo informado em GIA/ICMS, de abril a outubro de 2002, nos valores de R$ 810.610,40, R$ 630.736,20, R$ 543.268,30, R$ 839.618,10, R$ 860.165,00, R$ 461.140,00 e R$ 597.450,00, respectivamente. Estes são os valores que foram considerados pela fiscalização, como sendo a receita obtida pela saída das mercadorias. Verificase, pois, que o lançamento teve bases sólidas, não havendo que se falar em mera presunção fiscal. Quanto à alegação de que os valores tributados constituiriam meros registros de baixa de estoque, a recorrente, em momento algum, especificou a natureza desta suposta operação, não apresentou informações sobre o parâmetro que adotou para daquela forma compôlas quantitativamente e nem mesmo trouxe aos autos os registros contábeis pelos quais tem procedido à aludida "baixa" de R$ 4.742.988,70 de mercadorias em estoque. Desta feita, entre a apuração de saídas de mercadorias que se encontravam em estoque e que foram informadas pela própria recorrente ao fisco estadual, e a alegação, vaga e simples, de que não foi comprovada a existência de operação em que se baseia o lançamento, há de prevalecer aquela que, no presente processo, encontrase embasada em elementos reais, devendo, pois, ser mantido o lançamento tributário. Da alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade Alega a recorrente que a exigência fiscal em tela é ilegal e inconstitucional, de vez que, nos termos do art. 150, da Constituição Federal, é vedada a utilização de tributo com efeito de confisco. Além disso, afirma a recorrente que a legislação tributária, ao instituir imposto sobre fato ou fatos não indicativos de riqueza, fere o principio constitucional da capacidade econômica ou contributiva das empresas. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados, sendo de competência privativa do STF, art 102, CF. Salientese que, até o momento, não houve qualquer declaração de inconstitucionalidade por parte do STF sobre a contribuição em comento. Da multa de ofício aplicada Ademais, alega a recorrente que a imposição de multa no percentual de 150% é totalmente confiscatória, o que não é permitido em sede tributária. Não deve prosperar a argumentação acima, eis que: A aplicação da multa de oficio constante do Auto de Infração foi feita com base na legislação vigente (inciso II, do art. 44, da Lei 9.430/96 e art. 957, II, do RIR/99) em decorrência da fraude constatada. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 254 9 Da Taxa Selic A partir de 01.04.1995, sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sendo cabível sua utilização, por expressa disposição legal. Em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, os referidos dispositivos legais são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal, que declare sua inconstitucionalidade. Nesse sentido, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes: [...] Tendo integrado o Colegiado por ocasião do julgamento cujos excertos do acórdão reproduzi acima, mantenho o posicionamento acerca das questões abordadas. Ademais, esclareço que, relativamente à apreciação em seara administrativa de eventuais inconstitucionalidades de leis e à aplicação da taxa de selic, em virtude de reiteradas decisões no mesmo sentido, foram editadas as súmulas nºs 2 e 4, abaixo reproduzidas, que são de adoção obrigatória pelos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do parágrafo 4º do art. 72 do Regimento Interno (ANEXO II). Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em que pese o fato de a decisão ter sido embargada pela contribuinte, esclareço que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do acórdão nº 0105.924 (sessão de 24 de junho de 2008), manteve na íntegra a decisão exarada pela Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Sem prejuízo do disposto na Súmula CARF nº 2, acima transcrita, penso que as considerações da Recorrente acerca da alegada inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que, redefinindo o conceito de faturamento, estabeleceu que as contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS seriam calculadas com base na totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, merecem ser apreciadas. Nesse sentido, cumpre verificar se as decisões incidentais prolatadas pelo Supremo Tribunal Federal podem dar azo ao afastamento, pela autoridade administrativa, da norma ali declarada inconstitucional, qual seja, o parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. O Decreto nº 2.346, de 1997, consolidando normas procedimentais a serem observadas pela Administração Pública Federal em razão de decisões judiciais, estabeleceu: a) que as decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente Fl. 257DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 255 10 observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos por ele estabelecidos; b) que, transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial; c) que o disposto no item anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal; d) que, tratandose de decisão proferida em caso concreto, o Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou do AdvogadoGeral da União, poderá autorizar a extensão dos correspondentes efeitos jurídicos. Em conformidade com o Decreto em referência, portanto, a autoridade administrativa só poderia afastar a aplicação de lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no caso de decisão proferida incidentalmente, em dois casos: a) após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal; e b) com base em ato autorizador do Presidente da República. Nessa linha, o disposto no parágrafo único do art. 4º do Decreto nº 2.346, de 1997, que autoriza os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, não poderia ser interpretado sem que se levasse em conta as balizas preconizadas pela mesma norma regulamentadora, ou seja, a declaração de inconstitucionalidade referenciada deve decorrer de ação direta ou, no caso em que tenha sido prolatada incidentalmente, que tenha sua execução suspensa pelo Senado Federal ou que tenha seus efeitos jurídicos ampliados em razão de ato do Presidente da República. Contudo, a partir da publicação da Medida Provisória nº 449, em 04 de dezembro de 2008, o Decreto em referência, penso, perdeu a sua eficácia. Isto porque, alterando disposições do Decreto nº 70.235, de 1972, a Lei nº 11.941, de 2009, que resultou da conversão da referida Medida Provisória, estabeleceu: Art. 25. O Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar com as seguintes alterações: [...] Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 256 11 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; ... O art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, na mesma linha do acima disposto, veda expressamente aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, esclarecendo, contudo, por meio do seu parágrafo único, que tal vedação não se aplica aos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Como é cediço, a questão posta em discussão no presente item, qual seja, a inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, já foi objeto de decisão do plenário do STF nos julgamentos dos Recursos Extraordinários nºs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084. Corroborando o que aqui se afirma, releva reproduzir excerto do pronunciamento da Ministra Cármen Lúcia, ao apreciar Agravo de Instrumento impetrado pela União. DECISÃO AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. COFINS. ARTS. 3º, § 1º, E 8º DA LEI N. 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO: IMPOSSIBILIDADE. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA: CONSTITUCIONALIDADE. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. ANÁLISE, DESDE LOGO, DO AGRAVO DE INSTRUMENTO. AGRAVO PROVIDO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. ... 11. Em 5 de agosto de 2009, no julgamento do Recurso Extraordinário 527.602, de relatoria do Ministro Eros Grau, o Plenário do Supremo Tribunal Federal reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/98 e da constitucionalidade do art. 8º da mencionada lei, apreciada nos Recursos Extraordinários ns. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, Relator o Ministro Marco Aurélio, DJ 15.8.2006. 12. Mantevese o entendimento de que a noção de faturamento contida no art. 195, inc. I, da Constituição da República (norma anterior à Emenda Constitucional n. 20/98) não autoriza a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, não sendo possível a convalidação dessa imposição, mesmo com o advento de norma constitucional derivada (Emenda Constitucional n. 20/98). 13. Além disso, o Supremo Tribunal rejeitou a alegação de inconstitucionalidade do art. 8º da Lei 9.718/98 (majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3%) e descartou a argumentação de que haveria necessidade de lei complementar para esse fim. Também estabeleceu que a Lei n. 9.718/98 passou a produzir efeitos válidos a partir de 1º.2.1999, em atendimento à exigência do decurso do prazo nonagesimal, prevista no art. 195, § 6º, da Constituição da República. 14. Ao julgar inconstitucional a majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3% da Cofins, promovida pelo art. 8º da Lei n. 9.718/98, o Tribunal a quo divergiu da orientação fixada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. 15. Pelo exposto, dou provimento a este agravo, na forma do art. 544, §§ 3º e 4º, do Código de Processo Civil, e, desde logo, parcial provimento ao recurso extraordinário, nos termos do art. 557, § 1ºA, do mesmo diploma legal, para reformar o acórdão recorrido no ponto que julgou ilegítima a majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3%, promovida pelo Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 257 12 art. 8º da Lei n. 9.718/98. Considerandose a Súmula 512 do Supremo Tribunal Federal, deixo de condenar ao pagamento de honorários advocatícios de sucumbência. Publiquese. Brasília, 19 de novembro de 2009. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Sou, pois, pelo acolhimento das razões recursais relativamente a este item. Assim, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir de tributação os valores correspondentes a OUTRAS RECEITAS (letra “a” da descrição dos fatos de fls. 112, fatos geradores de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000). “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.006991/2004-46
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART 106, II, a DO CTN.
Deve ser aplicada retroativamente a Lei 11.488/07, a qual alterou a redação do artigo 18 da Lei 10.833/03, tendo deixado de prever multa isolada nas hipóteses de compensação indevida, passando a impor essa multa tão somente nos casos em que houvesse comprovação de falsidade na declaração, o que não foi o caso cuidado nos presentes autos.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que davam provimento.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART 106, II, a DO CTN. Deve ser aplicada retroativamente a Lei 11.488/07, a qual alterou a redação do artigo 18 da Lei 10.833/03, tendo deixado de prever multa isolada nas hipóteses de compensação indevida, passando a impor essa multa tão somente nos casos em que houvesse comprovação de falsidade na declaração, o que não foi o caso cuidado nos presentes autos. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART 106, II, a DO CTN. Deve ser aplicada retroativamente a Lei 11.488/07, a qual alterou a redação do artigo 18 da Lei 10.833/03, tendo deixado de prever multa isolada nas hipóteses de “compensação indevida”, passando a impor essa multa tão somente nos casos em que houvesse comprovação de falsidade na declaração, o que não foi o caso cuidado nos presentes autos. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que davam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 69 91 /2 00 4- 46 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 7º, inciso I, bem como no artigo 15, ambos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF 147/2007 em face ao acórdão nº 20403.271 proferido pela Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, (i) deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada prevista no artigo 18 da Lei 10.833/03 sobre os valores de PIS e Cofins relativos ao período de novembro de 2003, e (ii) negoulhe parcial provimento para manter a não homologação da compensação de débitos com créditos de terceiros realizada pelo contribuinte por meio de DCOMP, conforme ementa a seguir: “PIS. DCOMP. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM BASE EM CRÉDITOS ORIUNDOS DE DECISÃO JUDICIAL. Para que o contribuinte possa se compensar de créditos tributários adquiridos mediante cessão de crédito de terceiros, resultante de decisão judicial transitada em julgado, deve provar os exatos contornos da cessão dos créditos, sua homologação pelo juiz da causa, a liquidez dos valores resultantes daquela decisão e o atendimento ao preceito do §2º do art. 31 da IN SRF nº 210/2002. MULTA ISOLADA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 11.488/07. Devese aplicar retroativamente as disposições relativas a infrações contidas na MP nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488/07, por ser mais benéfica para o contribuinte, por força do art. 106 do CTN. Recurso voluntário provido em parte.” A Câmara a quo considerou a retroatividade benigna da Lei 11.051/04 e da Lei 11.488/07, a qual modificou o artigo 18 da Lei 10.833/03, que antes previa multa sempre que “o crédito ou o débito não fossem passíveis de compensação por expressa disposição legal” e passou a prever que a multa apenas seria aplicável para as hipóteses em que “a compensação não fosse homologada em vista da comprovação de falsidade na declaração do contribuinte”. E, considerando que não teria havido qualquer comprovação de falsidade na declaração do contribuinte, bem como que a multa teria sido lançada em razão da “compensação indevida” por se tratar de crédito não passível de compensação, e que essa penalidade teria deixado de ser prevista nas alterações legais posteriores, a Câmara a quo entendeu por afastála. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial por contrariedade à legislação tributária aduzindo que o acórdão recorrido teria violado o artigo 18 da Lei 10.833/03 e o artigo 106 do CTN. Para tanto, mencionou que os presentes autos cuidam de compensação não declarada, a qual se trata de espécie do gênero “compensação indevida” e que, portanto, tratar seia de hipótese de infração penalizada pela multa isolada prevista no artigo 18 da Lei 10.833/03. Complementou, ainda, não haver que se falar em retroatividade benigna das demais leis que alteraram o artigo 18 da Lei 10.833/03, eis que as mesmas teriam agravado a multa para as hipóteses de compensação não declarada (a seu ver, espécie do gênero compensação indevida). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.006991/200446 Acórdão n.º 9303002.115 CSRFT3 Fl. 138 3 Alegou, também, que a multa exigida teria sido devido à má fé do sujeito passivo que teria prévio conhecimento da ilicitude de compensar débitos com créditos de terceiros, uma vez que esse tipo de atitude seria considerada como ilícita pelo artigo 30 da Instrução Normativa nº 210/2002. Em exame de admissibilidade de fls. 126, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Regularmente intimado, o contribuinte não apresentou contrarrazões nem, tampouco, interpôs recurso especial em face à parte que lhe foi desfavorável. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial por contrariedade à legislação tributária interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade previstos nos artigos 7º, I, e 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF 147/2007, bem como no artigo 4º do atual Regimento Interno do CARF, razão pela qual o conheço. A controvérsia consiste em determinar se as Leis 11.051/04 e 11.488/07, ao alterarem o artigo 18 da Lei 10.833/03, teriam deixado de prever a aplicação de multa isolada nos casos em que houve “compensação indevida” para tão somente prevêla nas hipóteses em que houve falsidade na declaração. Consequentemente, após essa analise, caberá definir se é cabível a aplicação retroativa das mencionadas leis. A Fazenda Nacional alega em seu recurso que a multa isolada teria sido exigida em razão de “compensação não declarada”, a qual, a seu ver, se trataria de espécie do gênero “compensação indevida” e que, portanto, continuaria sendo hipótese de infração prevista no artigo 18 da Lei 10.833/03. Primeiramente, importante observar a própria descrição do auto de infração, a qual consiste, ipsis litteris, na exigência de “multa isolada de 75% sobre o valor de débitos de Cofins e PIS referentes ao período de novembro de 2003, com vencimento em 15/12/2003, decorrente de pedido de compensação indevida da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e do Programa de Integração Social – PIS, formulada através da Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP (...)”. Da própria exigência fiscal se extrai, portanto, que (i) houve formulação de Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP, e (ii) a multa é decorrente de compensação indevida. A meu ver, não há que se falar em compensação não declarada, eis que a própria autuação assim não menciona nem tampouco assim comprova, tendo, muito pelo contrário, mencionado haver declaração de compensação, a qual teria sido, a seu ver, indevidamente realizada com créditos de terceiros. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 De fato, a redação original do artigo 18 da Lei 10.833/03 previa a “imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal” e foi apenas com base nesse dispositivo que a fiscalização exigiu a multa em referência. No entanto, após a Lei 11.051/04 e a MP 351/07 posteriormente convertida na Lei 11.488/07, o artigo 18 da Lei 10.833/04 passou a deter a seguinte redação: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” A meu ver, as alterações introduzidas no artigo 18 da Lei 10.833/04 restringiram as hipóteses de aplicação da multa isolada, a qual era anteriormente aplicada de forma abrangente para compensações indevidas, passando a mesma a ser aplicada apenas para hipóteses em que restar comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. E, considerando que nos presentes autos a fiscalização em nenhum momento menciona ou comprova ter havido falsidade na declaração apresentada pelo contribuinte, o que apenas é mencionado pela Fazenda Nacional ao alegar a suposta existência de “compensação não declarada”, não há como se manter a multa isolada aplicada em vista do princípio da tipicidade que necessariamente rege o direito tributário, principalmente no que concerne às penalidades nele aplicadas. Assim, a meu ver, necessária a aplicação da retroatividade benigna das Leis 11.051/04 e 11.488/07 por força do artigo 106, II, a do CTN. Face ao exposto, voto no sentido de conhecer o recurso especial por contrariedade à lei interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento e manter a decisão a quo. Nanci Gama Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000411/2005-17
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO
Numero da decisão: 9303-002.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício RAbelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício RAbelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 190 1 189 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13502.000411/200517 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.083 – 3ª Turma Sessão de 12 de julho de 2012 Matéria Restituição Cofins Recorrente DOW BRASIL NORDESTE LTDA. (INCORPORADA POR DOW BRASIL S/A) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 04 11 /2 00 5- 17 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/12/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício RAbelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Eis a emenda do acórdão recorrido: NORMAS PROCESSUAIS REPETIÇÃO DE INDÉBITO— PRESCRIÇÃO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso negado. A PGFN interpôs Recurso Especial a esta CSRF alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido é atribuído ao sujeito passivo e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo, começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição da Contribuição para a Cofins, apresentado em 03/06/2005, relativo aos pagamentos efetuados a maior no período de apuração de março a dezembro de 1998. Assiste razão a recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Assim, visto que a interessada protocolizou seu pedido de restituição em 03/06/2005, somente os pagamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 10 anos dessa Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/12/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13502.000411/200517 Acórdão n.º 9303002.083 CSRFT3 Fl. 191 3 data estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição, o que não ocorre in casu. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco, inexistindo qualquer período alcançado pela prescrição. Ante o exposto voto pelo provimento do recurso interposto pelo sujeito passivo. Os autos devem retornar ao órgão de origem para que seja analisado a liquidez dos créditos. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/12/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 35301.007180/2006-44
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002
PREVIDENCIÁRIO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. NÃO INCIDÊNCIA DE 11% PARA OS SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESAS DO SIMPLES.
A empresa que contrata um serviço contínuo, que fica a sua disposição e se encontra previsto na lista constante no art. 219 § 2o do Decreto n. 3.048/99, deve reter 11% do valor da nota fiscal ou fatura, a título de Contribuição Previdenciária.
Não incide Contribuição Previdenciária de 11% em relação à cessão de mão-de-obra, quando a empresa contratada pertencer ao SIMPLES.
MULTA.
Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Numero da decisão: 2403-001.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar acerca do MPF. No Mérito, considerar inexigível os valores das notas fiscais dos serviços prestados pelas empresas Gianto Serviços de Leituras Ltda ME., JM Prestadora de Serviços Ltda., Tavares & Andrade Guarujá Ltda ME, Tecnicopias Reproduções Técnicas Ltda., Transveloz, por ser optante do simples à época dos fatos geradores, bem como, por maioria de votos determinar o recálculo da multa, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Fez sustentação oral a advogada da recorrente Dra. Vivian Casanova de Carvalho Eskenazi 128556/OAB/RJ.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carolina Wanderley Landim, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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CESSÃO DE MÃODEOBRA. NÃO INCIDÊNCIA DE 11% PARA OS SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESAS DO SIMPLES. A empresa que contrata um serviço contínuo, que fica a sua disposição e se encontra previsto na lista constante no art. 219 § 2o do Decreto n. 3.048/99, deve reter 11% do valor da nota fiscal ou fatura, a título de Contribuição Previdenciária. Não incide Contribuição Previdenciária de 11% em relação à cessão de mão deobra, quando a empresa contratada pertencer ao SIMPLES. MULTA. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar acerca do MPF. No Mérito, considerar inexigível os valores das notas fiscais dos serviços prestados pelas empresas Gianto Serviços de Leituras Ltda – ME., JM Prestadora de Serviços Ltda., Tavares & Andrade Guarujá Ltda – ME, Tecnicopias Reproduções Técnicas Ltda., Transveloz, por ser optante do simples à época dos fatos geradores, bem como, por maioria de votos determinar o recálculo da multa, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Fez sustentação oral a advogada da recorrente Dra. Vivian Casanova de Carvalho Eskenazi 128556/OAB/RJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 71 80 /2 00 6- 44 Fl. 648DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carolina Wanderley Landim, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD 35.804.5070, consolidada em 02/06/2005, cuja notificação ocorreu em 07/07/2005 (fl. 2), lavrado em face da XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, no valor de R$ 163.555,51 (cento e cinquenta e três mil, quinhentos e cinquenta e cinco reais e cinquenta e um centavos), em relação ao período compreendido entre: 02/1999 a 12/2002. A autuação se deu por ter, segundo a fiscalização, deixado o contribuinte de recolher 11% do valor bruto da nota fiscal, na condição de empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra e empreitada, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91. Segundo o relatório fiscal (fls. 74/92), o débito apurado após a verificação por meio dos registros contábeis e com a descrição dos serviços executados nos contratos firmados entre a empresa objeto de fiscalização e empresa prestadoras de serviço, na forma abaixo, in verbis: “AM SERVIÇOS LTDA (Levantamento AM) CLÁUSULA PRIMEIRA O presente contrato tem por objeto a prestação, por parte da CONTRATADA à CONTRATANTE dos seguintes serviços: leitura de máquinas normais e especiais locadas pela contratante em poder dos seus usuários na cidade de Natal – RN; entrega de faturas normais e especiais na cidade de Natal; e digitação de cartões de leitura, em equipamentos da CONTRATANTE, de todo o estado do Rio Grande do Norte. CARGOMAX CONSULTORIA E PLANEJAMENTO DE TRANSPORTES LTDA – (Levantamento CGX) CLAUSULA I O objeto deste contrato é a prestação de serviço pela CONTRATADA de: A) Leitura de Equipamento Os serviços a serem prestados consistirão de leitura dos medidores dos equipamentos da CONTRATANTE, instalados em cliente da mesma, bem como do preenchimento dos cartões de leitura com as respectivas assinaturas dos clientes e dos leituristas no ato da medição, sendo que estes equipamentos encontramse instalados em localidades dentro do estado de Minas Gerais. B) Entrega de Faturas Fl. 650DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Os serviços prestados consistirão na entrega de faturas emitidas pela CONTRATANTE contra seus clientes na cidade de Belo Horizonte – MG e/ou cidades vizinhas num raio de até 50 KM. COPY DATA ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA (Levantamento CPD) CLÁUSULA PRIMEIRA: A CONTRATADA se compromete a executar serviços de leitura nos equipamentos de propriedade da CONTRATANTE, e em poder de seus clientes nas localidades pertencentes à jurisdição da Filial desta em Campinas, SP, e que desde já, a CONTRATADA declara conhecer. COMPRASSE COBRANÇA E SERVIÇO LTDA (LEVANTAMENTO CPS) Não apresentado. Registro contábeis na conta Serviços de Terceiros. GIANTO COBRANÇAS E SERVIÇOS LTDA (Levantamento GIA) CLÁUSULA PRIMEIRA: A CONTRATADA se compromete a executar serviços de leitura nos equipamentos de propriedade da CONTRATANTE, e em poder de seus clientes nas localidades pertencentes à jurisdição da Filial desta em Ribeirão Preto, SP, e que desde já, a CONTRATADO declara conhecer. HELIO DOS REIS SILVA (Levantamento HLR) Não apresentado. Registros contábeis na conta Leitura de Máquinas. JM PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA (Levantamento JM) 1. O presente contrato tem como objeto a prestação de serviços, a serem executados pela CONTRATADA, de leitura de medidores de cópias de equipamento XEROX, de propriedade da XEROX INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, locados e em poder de seus clientes, bem como entrega de documentos a clientes XEROX indicados pela contratante e digitações de cartão de leitura. TAVARES E ANDRADE GUARUJÁ LTDA (Levantamento TAV) 1 – DO OBJETO O presente contrato tem por objeto o fornecimento pela CONTRATADA à XEROX, dos serviços de leitura nos equipamentos indicados pela XEROX, instalados e em poder dos clientes desta, dentro da Região de São Paulo/SP, tal como descrita e caracterizada no ANEXO III, parte integrante deste, sem exclusividade, e que, desde já a CONTRATADA declara ter total ciência. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 4 5 TECNICÓPIAS REPRODUÇÕES TÉCNICÓPIAS LTDA (Levantamento TEC) CLÁUSULA PRIMEIRA: A CONTRATADA se compromete a executar serviços de leitura nos equipamentos de propriedade da CONTRATANTE, e em poder de seus clientes, bem como executar serviços de entregas de faturas, nas localidades pertencentes à jurisdição da Filial Curitiba, e que desde já, a CONTRATADA declara conhecer. TRANSVELOZ SERVIÇOS DE LEITURA MÁQUINAS COPIADORAS LTDA (Levantamento TVZ) CLAUSULA PRIMEIRA: A CONTRATADA se compromete a executar serviços de leitura nos equipamentos de propriedade da CONTRATANTE, e em poder de seus clientes, nas localidades pertencentes à jurisdição da Filial Londrina, e que desde já, a CONTRATADA declara conhecer.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 105/137. DA DILIGÊNCIA FISCAL A AuditoraFiscal, ao analisar a prova documental apresentada e os argumentos de fato relativos a erro na base de cálculo das contribuições realizou diligência fiscal (fls. 217 e ss) para apresentação dos documentos não apresentadores durante a auditoria fiscal (notas fiscais e GPS referente à retenção dos 11%). O AFPS atendeu a diligência por meio da petição de fls. 240/242, in verbis: “1. As GPS relacionadas no item 103 da presente impugnação e apresentadas doe 13 fls 179 A 182, relativas a empresa Hélio dos Reis da Silva serão consideradas por esta fiscalização vide nova planilha demonstrativa anexa e seus valores serão excluídos com emissão de FORCED de exclusão, exceto a GPS 09/99 que não foi encontrada nos registros contábeis na conta INSS Terceiros. 3. No item 107 há a alegação de que as empresas Cargomax Consultoria e Planejamento de Transportes Ltda, Gianto Serviços de Leitura Ltda ME, JM Prestadora de Serviços Ltda, Tavares e Andrade Guarujá Ltda ME, Tecnicópias Reproduções Técnicas Ltda e Transvelox Serviços de Leitura Máquinas Copiadoras Ltda são optantes pelo simples (vide doe 14 fls. 184 a 188). Consultamos o sistema CONSIMPLES da Secretaria da Receita Federal e confirmamos que são optantes exceto a empesa Cargomax Consultoria e Planejamento de Transportes Ltda que não é optante .Portanto excluímos as competências Fl. 652DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 01/00 a 08/02, considerando o artigo 151 § único da IN 100/03, anexamos novas planilhas demonstrativas e FORCED de exclusão. 4. Nas notas Fiscais apresentadas da empresa Cargomax Consultoria e Planejamento de Transportes Ltda, não há discriminados valores relativos a fornecimento de materiais e ou equipamentos, não cabendo assim dedução da base para retenção conforme determinado no item 18 da OS 209/99 e § 2 o da artigo 106 da IN 71/02.” DAS DECISÕES E SUAS REFORMAS Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro Centro, prolatou DecisãoNotificação de fls. 269/279, mantendo procedente em parte o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, in verbis: MPF. VALIDADE DO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. EXIGIBILIDADE DA RETENÇÃO DA LEI 9.711/98. PROVA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A intimação da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal em data diversa da emissão do MPF Complementar não acarreta a nulidade do lançamento. As contribuições previdenciárias estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei 8.212/91. A empresa contratante deverá reter 11%(onze por cento) sobre o valor bruto dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher a importância retida em nome da empresa contratada até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. Cabe a autoridade rever seus atos quando apreciado fato não provado por ocasião da lavratura do débito. Indeferese o pedido de perícia quando este se mostra prescindível. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Para melhor elucidar a extensão da parcial procedência transcrevese o dispositivo da decisão acima ementada e devidamente homologada pela Delegada da Receita Previdenciária RJ Centro, em 30 de novembro de 2005, in verbis: “Isto posto, e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; JULGO procedente em parte o presente lançamento fiscal, e DECIDO: a) Acatar parcialmente as alegações suscitadas na Impugnação; b) Indeferir o pedido de perícia; Fl. 653DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 5 7 c) Declarar o contribuinte devedor à Seguridade Social do crédito previdenciário de R$ 127.024,50 (Cento e vinte e sete mil, vinte e quatro reais e cinquenta centavos), conforme Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR anexo; d) Determinar a lavratura de nova NFLD/IFD complementar, referente às diferenças apuradas por ocasião da diligência, constantes no item 5 da informação fiscal de fls. 223225; e) Recorrer de ofício desta DecisãoNotificação à Sra. Delegada da Receita Federal do Brasil – Previdenciária RJ – Centro.” Porém, de se observar que a decisão foi anulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em 2009, Acórdão 20600.772 — 4' Camara / 1 Turma Ordinária, em razão da não cientificação do contribuinte acerca de diligências efetuadas, acarretando cerceamento de defesa, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/07/1999, 01/09/1999 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. 1. No presente caso não foram observados os princípios constitucionais do devido processo legal, contraditório e da ampla defesa. 2. Cerceamento de defesa por violação ao artigo 5o , incisos LIV e LV da Constituição Federal de 1988. 3. Nulidade da DecisãoNotificação. 4. Necessidade de manifestação do contribuinte quanto ao contido no resultado da diligência de fls. 223/225. Processo Anulado.” DA DECISÃO FINAL DA DRJ Após o julgamento por este conselho, a DRJ – Rio de Janeiro I, prolatou o acórdão 1243.120 – 10ª Turma, fl. 556/567 com o seguinte teor, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002 DECADÊNCIA PARCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de a Seguridade e Social apurar e constituir seus créditos, no lançamento por homologação, extinguese após 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 RETENÇÃO. EXIGIBILIDADE. A empresa contratante deverá reter 11%(onze por cento) sobre o valor bruto dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher a importância retida em nome da empresa contratada até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Cabe a autoridade rever seus atos quando apreciado fato não provado por ocasião da lavratura do débito. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando este se mostra prescindível. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 572/607, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, após resumir os fatos, em suma: Preliminarmente A nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal que originou a notificação fiscal de débito, haja vista que, conforme determina a legislação pertinente, a prorrogação dos MPF’S se verifica apenas quando da cientificação da Recorrente, de modo que tendo havido tal cientificação após o decurso do previsto no MPF, ocorreu a sua extinção. Mérito A autoridade administrativa não pode exigir o pagamento do que supostamente a Recorrente não teria retido, sem a verificação se os prestadores de serviços recolheram a contribuição por eles devida sobre a folha de salário. Assim, esta contribuição está sendo indevidamente exigida, ocasionando enriquecimento sem causa da Fazenda Pública; Os valores pagos a título de fornecimento de material pela prestadora de serviço não devem compor a base de cálculo da retenção dos 11% a título de contribuição previdenciária; Inexigibilidade da retenção dos 11% a título de contribuição previdenciária, por ser a empresa optante pelo Simples conforme entendimento manifestado pelo STJ, em sede de Recurso Repetitivo, o qual deve ser aplicado por este Conselho, em razão do disposto no art. 62A do seu Regimento Interno, devendo ser excluídos também os valores lançados relativos às competências de fevereiro a novembro de 1999 e dezembro de 2000 a dezembro de 2002, e fevereiro a novembro de 1999 e setembro a dezembro de 2002, respectivamente, sobre os pagamentos feitos às empresas Gianto Serviços de Leitura Ltda. ME, JM Prestadora de Serviços Ltda., Tavares e Andrade Guarujá Ltda. ME, Tecnicópias Reproduções Técnicas Ltda. E Transvelox Serviços de Leitura de Maquinas Copiadoras Ltda., optantes pelo Simples; Fl. 655DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 6 9 Confirmação da existência de uma série de inconsistências na NFLD, que retiram a liquidez e certeza do crédito tributário exigido, em afronta ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional e aos princípios da legalidade e da verdade material. Do Pedido Requer a reforma da decisão recorrida para considerar integralmente improcedente o lançamento. É o relatório. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 643, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR – DA PRORROGAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – AUSÊNCIA DE NULIDADE A preliminar do recurso interposto não merece acolhimento em razão de ser o Mandado de Procedimento Fiscal mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador de competência do agente público. Esse é o entendimento deste Conselho, conforme se pode perceber do julgado abaixo, in verbis: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a.31/12/2002 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CONCLUÍDOS ATÉ 01/05/2007 EVENTUAIS VÍCIOS NO MPF NÃO AFETAM RELAÇÃO JURÍDICA FISCO X CONTRIBUINTE O Mandado de Procedimento Fiscal não é instrumento que outorga ou retira competência, uma vez que esta necessita de lei que lhe defina os contornos e aquele foi instituído por Decreto. Contraria o bomsenso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade da autoridade administrativa A utilização do Mandado de Procedimento Fiscal restringese aos interesses da administração tributária em controlar a atuação dos servidores legalmente competentes para efetuar o lançamento. Assim, o MPF é um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fisco contribuinte que permite ao sujeito passivo assegurarse de que a fiscalização foi iniciada segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal . Da mesma forma que no caso dos demais tributos, nos lançamentos relativos a contribuições previdenciárias concluídos sob a égide do Decreto .3.979/2001, a existência de quaisquer vícios em relação ao MPF não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco contribuinte estabelecida com o ato administrativo do Fl. 657DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 7 11 lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos servidores envolvidos, mas sem afetar relação jurídica tributária fiscocontribuinte. (Processo n. 37166.000411/200454, Recurso no 268.580 Voluntário, Acórdão no 230101.378 – 3a Câmara / 1a Turma Ordinária , Sessão de 28 de abril de 2010) Destacável também o precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, bastante similar ao caso em análise, conforme se percebe, in verbis: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Data do fato gerador: 06/05/2003 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NORMAS PROCEDIMENTAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTOFISCAL INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. EMISSÃO COM FALHAS. NULIDADE . INEXISTÊNCIA. São válidos os lançamentos precedidos de MPF ainda que a prorrogação não seja imediatamente após o vencimento do documento anterior, resultando lapso temporal não coberto por mandado. Com emissão do primeiro documento, o contribuinte tomou ciência do motivo e demais características do procedimento fiscal , não se vislumbrando prejuízo à defesa. Recurso especial provido. (Processo n° 35464.003835/200308 , Recurso n° 242.365 Especial do Procurador, Acórdão n° 9202 00.661 2a Turma, Sessão de 12 de abril de 2010) No mesmo sentido, a 2a Seção, Acórdãos: 210100.713 de 19/08/2010, 2402 00.408 de 25 de janeiro de 2010, 240200.409 de 25 de janeiro de 2010, 230101.373 de 28/04/2010; Câmara Superior de Recursos Fiscais: 910100.588 de 18 de maio de 2010, 9101 00.189 de 16 de junho de 2009, 40106.100 de 02 de fevereiro de 2009. DO MÉRITO DA DESNECESSIDADE DE A FISCALIZAÇÃO DILIGENCIAR JUNTO À PRESTADORA PARA VERIFICAR SE FORAM OU NÃO RECOLHIDOS OS VALORES PELO OBRIGADO Não procede o argumento da Recorrente de que deveria a auditoria buscar a notícia de que houve o pagamento por parte do suposto obrigado originalmente do crédito sob pena de caracterizarse bis in idem ou enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. De acordo com o previsto no art. 33, § 5° da Lei n° 8.212/1991, o desconto sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, sendo a responsabilidade direta de quem tinha o dever de realizálo, in verbis: “Art. 33 (...) (...) §5° O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar Fl. 658DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” No caso da retenção de 11% não há que se falar em solidariedade, tampouco em beneficio de ordem, pois o comando legal impôs a responsabilidade à tomadora de serviços, assim como o fez em relação ao desconto dos segurados empregados. Essa é uma presunção legal que milita em favor da fiscalização previdenciária. Ao contrário dos argumentos trazidos pela Recorrente, devese entender que no caso de retenção há duas obrigações: a primeira, acessória, que é o desconto dos 11%; a segunda é a principal, que é o recolhimento das contribuições retidas. Uma vez que as contribuições previdenciárias são tributos, o objeto da retenção dos 11% também possui natureza tributária, haja vista ser uma antecipação das contribuições, possuindo natureza de substituição tributária. Não importa o cumprimento da obrigação pela contratada, pois a obrigação da retenção é da contratante. Cumprenos esclarecer ainda, que a fiscalização previdenciária é competente para constituir os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. 1° da Lei n. 11.098/2005: "Art. 1° Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento." Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: "Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes." Ante o exposto, não há que se falar em negligência da auditoria fiscal em observar pagamento pelo obrigado. DA CESSÃO DE MÃODEOBRA É obrigatória a retenção de 11% no valor da nota fiscal ou fatura, quando a empresa contratar serviço contínuo, desde que haja a cessão de mãodeobra, para fins de Contribuição Previdenciária, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91 c/c o art. 219 do Decreto n. 3.048/99; assim como quando contratar, na modalidade empreitada, serviço de cessão de mãodeobra, nos termos do § 3o do art. 219 do Decreto n. 3.048/99. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 8 13 Mister se faz definir o que vem a ser serviço de cessão de mãodeobra, passível da retenção de 11%, para, em seguida, analisar os casos que deram origem ao Auto de Infração em tela. Assim disciplina o art. 31, §§ 3o e 4o da Lei n. 8.212/91, redação da Lei n. 9.711/98, verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33 (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (grifo nosso) Para melhor compreensão, mister destacar as previsões constantes no art. 219 do Decreto n. 3.048/99, verbis: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. § 1o Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde; e XXV telefonia, inclusive telemarketing. § 3o Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra. (grifo nosso) A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a lista constante no § 4o do art. 31 da Lei n. 8.212/91, é exemplificativa. Nesse diapasão, conforme delegação do citado Fl. 661DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 9 15 parágrafo, o Regulamento traz, taxativamente, o rol dos serviços que deverão ser considerados como “cessão de mãodeobra”, para fins de incidência da Contribuição Previdenciária. Quanto ao alegado equívoco supostamente realizado pela DRJ, cumpre observar que assiste razão ao órgão julgador a quo e à fiscalização pois, apesar de nas notas fiscais constar metade do valor da nota como insumo e a outra como mãodeobra, não há a especificação de que tipo de máquina ali se trata, constando destaque vago e impreciso, incapaz de sustentar a tese do recorrente. DA INCOMPATIBILIDADE ENTRE A RETENÇÃO DE 11% E OS OPTANTES PELO SIMPLES Dentre os argumentos de recurso da empresa tomadora de serviços, foi alegado que devem ser excluídos também os valores lançados relativos às competências de fevereiro a novembro de 1999 e dezembro de 2000 a dezembro de 2002, e fevereiro a novembro de 1999 e setembro a dezembro de 2002, respectivamente, sobre os pagamentos feitos às empresas Gianto Serviços de Leitura Ltda. ME, JM Prestadora de Serviços Ltda., Tavares e Andrade Guarujá Ltda. ME, Tecnicópias Reproduções Técnicas Ltda. E Transvelox Serviços de Leitura de Maquinas Copiadoras Ltda., optantes pelo Simples. Por tal razão, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais as decisões submetidas à sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Do julgamento do Recurso Especial n. 1112467/DF, restou decidido pelo Superior Tribunal de Justiça que o sistema de arrecadação destinado aos optantes do SIMPLES não é compatível com o regime de substituição tributária imposto pelo art. 31 da Lei 8.212/91, acórdão cuja ementa segue abaixo colacionada: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO OPTANTES PELO SIMPLES. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA. PRECEDENTE DA 1ª SEÇÃO (ERESP 511.001/MG). 1. A Lei 9.317/96 instituiu tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, simplificando o cumprimento de suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias mediante opção pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições. Por este regime de arrecadação, é efetuado um pagamento único relativo a vários tributos federais, cuja base de cálculo é o faturamento, sobre a qual incide uma alíquota única, ficando a empresa optante dispensada do pagamento das demais contribuições instituídas pela União (art. 3º, § 4º). Fl. 662DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 2. O sistema de arrecadação destinado aos optantes do SIMPLES não é compatível com o regime de substituição tributária imposto pelo art. 31 da Lei 8.212/91, que constitui "nova sistemática de recolhimento" daquela mesma contribuição destinada à Seguridade Social. A retenção, pelo tomador de serviços, de contribuição sobre o mesmo título e com a mesma finalidade, na forma imposta pelo art. 31 da Lei 8.212/91 e no percentual de 11%, implica supressão do benefício de pagamento unificado destinado às pequenas e microempresas. 3. Aplicase, na espécie, o princípio da especialidade, visto que há incompatibilidade técnica entre a sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária instituída pela Lei 9.711/98, que elegeu as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, e o regime de unificação de tributos do SIMPLES, adotado pelas pequenas e microempresas (Lei 9.317/96). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1112467/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 21/08/2009)” Na diligência fiscal, constante nas fls. 241, a autoridade fez a seguinte afirmação: “3. No item 107 há alegação de que as empresas Cargomax Consultoria e Planejamento de Transportes Ltda, Tavares e Andrade Guarujá Ltda ME, Tecnicópias Reproduções Técnicas Ltda e Transvelox Serviços de Leitura de Máquinas Copiadoras Ltda são optantes pelo simples (vide doc 14 fls. 184 a 188). Consultamos o sistema CONSIMPLES da Secretaria da Receita Federal e confirmamos que são optantes exceto a empresa Cargomax Consultoria e Planejamento de Transportes Ltda que não é optante. Portanto excluímos as competências 01/00 a 08/02, considerando o artigo 151 parágrafo único da IN 100/03, anexamos novas planilhas demonstrativas e FORCED d e exclusão.” A informação do Fiscal é condizente com os documentos acostados aos autos nas fls. 188 a 196, que demonstram o seguinte: Gianto Serviços de Leituras Ltda – ME., fl. 188 (optante desde 01/01/1998); JM Prestadora de Serviços Ltda., fl. 190 (optante desde 14/09/1999); Tavares & Andrade Guarujá Ltda – ME, fl. 192 (optante desde 10/08/1998); Tecnicopias Reproduções Técnicas Ltda., 194 (optante desde 01/01/2001); Transveloz Serviços de Leitura em Maquinas Copiadoras Ltda., 196 (optante desde 01/01/1997). Fl. 663DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 10 17 Ante o exposto, assiste razão à recorrente no que toca à sua dispensa de reter o valor de 11% a título de contribuição previdenciária, das cinco empresas optantes pelo SIMPLES, acima elencadas. DA EXISTÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DA NFLD LAVRADA Afirma a recorrente que há uma série de inconsistências na NFLD, que retiram a liquidez e certeza do crédito tributário exigido, em afronta ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional e aos princípios da legalidade e da verdade material. Cumpre esclarecer que não se verifica qualquer inconsistência na NFLD lavrada. Ora, se não houve qualquer prejuízo ao contribuinte, tendo sido inclusive realizado diligência fiscal para apurar as informações passadas, não há que se falar em inconsistência. Os fatos narrados estão comprovados pelas notas ficais apresentadas nos autos, assim como as planilhas e capitulação legal da obrigação imputada. Nesse sentido o conselho já se manifestou em diversas oportunidades, estampada pelo precedente abaixo colacionado. CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS E GRUPO ECONÔMICO ASSUNTO: Contribuições SOCIAIS PREVIDENCIARIAS EMENTA Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES (...) NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. (CARF 2a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 240101.551 em 01/12/2010) Logo, não merece prosperar a alegação do recorrente nesse ponto do recurso voluntário apresentado. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, dou provimento parcial ao Recurso, para considerar inexigível os valores das notas fiscais dos serviços prestados pelas empresas Gianto Serviços de Leituras Ltda – ME., JM Prestadora de Serviços Ltda., Tavares & Andrade Guarujá Ltda – ME, Tecnicopias Reproduções Técnicas Ltda., Transveloz Serviços de Leitura em Maquinas Copiadoras Ltda., por serem optantes do SIMPLES à época dos fatos geradores, bem como, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 665DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13975.000244/96-04
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 16 00:00:00 UTC 1998
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IMPORTADORA E EXPORTADORA Recorrid o BANCO CENTRAL DO BRASIL IOF - OPERACDES DE CÂMBIO - NULIDADE - ERRO NA INDENTI FICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - O contribuinte, comprado? de cambio, não integra a relação tributãria entre o es tado (credor) e o :devedor do imposto que é- a institui ção autorizada a operar em cambio, como responsãvel (cor-ri tribuinte-substituto). Anula-se o processo ''ab initio'r; em virtude de erro na identificação do sújeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por CASA NUNES MARTINS S.A. IMPORTADORA E EXPORTADORA. ACORDAM os Membros da Segunda Camara do Segundo Conse lho de Contribuintes, por maioria de votos, preliminarmente, em anu lar o processo "ab initio", por erro na identificação do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros OSVALDO TANCREDO DE OLIVEIRA, AL DE DA COSTA SANTOS JUNIOR e JOSE ALVES DA FONSECA. Sala das Sessiies, em 8 de julho de 1988 r fre e It JOSE AL ES DA FONSE A - PRESIDENTE N g° tr. .4 ib. MARI , • AAIME - ' n e' I____:1) OL 0 S I .11 R , V. DO ANJOS - PROCURADOR-REPRESENTANTE DA til FAZENDA NACIONAL VISTA EM SESSÃo DE 8 S E T 1988 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ELIO ROTEIE, CARLOS MÁRIO DA SILVA VELLOSO FILHO, JOSE LOPES FERNANDES e SEBASTIÃO BORGES TAQUARY. fl202., a 41..)nrf-.: .»C.c-,'>, MINISTÉRIO DADA FAZENDA SEG UM DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.° 10.168-002.054/88-84 Recurso 11.°: 79.755 Acorda° n.°: 202-01.942 Recorrente: CASA NUNES MARTINS S.A. IMPORTADORA E EXPORTADORA RELATÓRI O Pela notificação de lançamento de fls. 01, a ora recor rente foi intimada a recolher o IOF incidente sobre operações de- câmbio, atualizado monetariamente. O referido imposto não foi pago na liquidação de con_ tratos de câmbio, em razão de a empresa haver impetrado mandado de segurança contra a sua cobrança, tendo sido deferida aliminar, mediante depósito judicial ou fiança bancãria. Como foi apresenta da a fiança exigida, ficou legitimada a não-exigência do tributo na liquidação dos contratos de câmbio. O Banco Central apelou da sentença, cuja apelação foi provida, com a conseqüente reforma da decisão e cassação da segu rança. Em decorrência, uma vez cancelada a liminar, tornou- se devido o pagamento do tributo, o que, porém, não ocorreu, ra_ zão pela qual foi instaurada a ação fiscal. Impugnando tempestivamente a exigência fiscal (fls. 05/07 ), a empresa alega, em sua defesa, que: a) por força do Decreto-lei n9 1.783, de 1980, foi compelida ao recolhimento do I0F, incidente sobre as importa ções verificadas no exercicio de 1980, ã aliquota de 15%, e, nos) CS\-\6(1 egue - O2-'5 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.168-002.054/88-84 02- Acórdão n9 202-01.942 exercícios posteriores, ã base de 20% e 25%, conforme o Pais de origem da mercadoria importada; b) os mais altos tribunais consideram ilegal a cobrança do IOF no mesmo exercício de sua criação (1980), em vir tude do principio da anualidade, sendo considerado devido nos exer cicios seguintes, ainda que pese a ilegalidade de sua instituição através de decreto-lei; c) não deve pagar o I0F, com os acréscimos le gais, como deseja o Banco Central, tendo em vista que a legisla çío instituidora do aludido imposto, bem como a legislação comple mentar, deixou de fazer constar, em artigo especifico, a obriga toriedade de pagamento de acréscimos legais incidentes sobre o va lor originãrio do tributo, quando em atraso; d) a lei especifica não pode ser omissa no parti cular e, se o foi, nada deve ser cobrado a titulo de acréscimos legais; e) impetrou diversos mandados de segurança con tra a cobrança do imposto e, agora, estã sendo compelida pelo Banco Central a pagã-lo com os acréscimos legais. A autoridade de primeira instãncia, com base no pare cer de fls.48/55, e manifestaçOes posteriores, não acolheu a im pugnação, mantendo a exigência em todos os seus termos C fls.57 ). O parecer de fls.48/55, que fundamenta a decisão sin gular, ressalta que: a) o aludido imposto não foi pago na liquidação do cãmbio, em razão de a empresa haver impetrado mandado de segu rança contra sua cobrança pelo Banco Central, tendo a liminar si do deferida mediante depOsito judicial ou fiança bancária. Como foi apresentada a fiança exigida, ficou legitimada a não-exigencia do tributo na liquidação do contrato de câmbio; b) o Banco Central apelou da sentença, e, em re ksegue r2 3 0 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.168-002.054/88-84 03- Acórdão n9 202-01.942 sultado, tendo sido dado provimento ã apelação, foi a sentença re formada e cassada a segurança pelo Egrégio Tribunal Federal de Recursos. Em decorrência, uma vez cancelada a liminar, tornou-se devido o pagamento do imposto pela empresa, o que, porém, só se verificou pelo depósito judicial levado a efeito; c) a em p resa, apesar de contestar a exigência do imposto, mais os acréscimos legais, refuta, em sua defesa, apenas a cobrança dos encargos legais; d) a impugnante labora em erro, uma vez que, pe los artigos 99 e 149 da Lei n9 5.143, de 1966, a regulamentação da matéria ficou atribuida ao Conselho Monetário Nacional, oqual, ao fazer baixar a Resolução n9 619, de 1980, tratou, em seu Titu lo 4, Capitulo 4, Seção 8, especificamente, em seus itens 10/12 e 14/16, da exigência de juros de mora e de correção monetária; e) ao contrário do que pensa a impugnante, um tributo não é regido apenas pelas leis que lhe são especificas, mas, sim, por toda a legislação tributária, conforme dispõe o ar tigo 96 do Código Tributário Nacional; f) a incidência de correção monetária está pre vista no artigo 79, e seu § 29,da Lei n9 4.357, de 1964, ratifica do pelo artigo 59 do Decreto-lei n9 1.704, de 1979, e, ainda, no artigo 59 do Decreto-lei n9 1.736, de 1979; g) quanto aos juros de mora, sua exigência está prevista tanto no artigo 161 do Cê- gigo Tributário Nacional, como nos artigos 29 e 59 do Decreto-lei n9 1.736, de 1979; h) os juros de mora e a correção monetária são devidos desde o dia seguinte ao do vencimento da obrigação tribu tãria, considerando, inclusive, o caráter declaratório do lança mento, retroagindo ã data do fato gerador. O aludido parecer cita, também, decisões do Tribunal Federal de Recursos sobre a cobrança de juros e correção monetã ria. Em seguida, a empresa recorre tempestivamente a este b/ Wegue- n -23 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.168-002.054/88-84 04- Acórdão n9 202-01.942 Conselho (fls. 59/63), oferecendo as seguintes razões de recurso: a) tendo importado mercadorias de procedência es trangeira, tornou-se necessário o fechamento de contrato de cãm bio para o respectivo pagamento; b) insurgiu-se, pois, contra a exigência do IOF sobre operações de cãmbio, nos termós do Decreto-lei n9 1.783, de 1980, o que motivou a impetração do mandado de segurança; c) o artigo 153, §§ 29 e 99, da Constituição Fe deral, prescreve que o tributo, em geral, deve obedecera um prin cipio fundamental, o da reserva da lei. Em face desse principio, os tributos só podem ser exigidos através de lei, não o podená0 por • intermédio de decreto-lei, com amparo no artigo 55, inciso II, da Carta Magna. E o relatório. VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA, MARIA HELENA JAIME A matéria de que trata o presente recurso não é nova nesta Caiara, havendo inúmeros precedentes sobre a mesma, a exem plos dos Acórdãos nQs 202-01.534, 202-01.535, 202-01.542, 202-01.543, 202-01.604, 202-01.605, 202-01.612, 202-01.613, 202-01.670 a 202-01.673, , 202-01.676 a 202-01.679. No Recurso n9 78.710 (Acórdão n9 202-01.604), seu re lator, o ilustre Conselheiro ELIO ROTHE, assim asseverou em seu voto: "Em preliminar ao exame do mérito, enten do ter havido erro na identificação do sujeito passivo que, perante o Fisco, responde pelo reco lhimento do IOF incidente sobre as operações di cãmbto. Com efeito, dispõe o regulamento do im posto, baixado com a Resolução n9 816/83, do Baii co Central do Brasil, em seú item 4.4.3, ao tri tar dos contribuintes e responsãveis, que, no c-à- so, são contribuintes "os compradores de moeda estrangeira pa ra pagamento de importação de •ens e \NV ‘b-gue SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.168-002.054/88-84 05- Acórdão n9 202-01.942 serviços". L4.4.3.1) enquanto que "OS responsáveis pela cobrança e recolhi mento ao Banco Central são: b) nas operações de câmbio, as institui çaes autorizadas a operar em câmbio." — (4.4.3.3.b). As referidas disposições regulamentares tem sua base nos artigos 29 e 39 do Decreto-lei n9 1.783/80, dos quais são meras reproduções. Como se verifica, a instituição finan ceira autorizada a operar em câmbio é a responsi vel pela cobrança e recolhimento do imposto. — A legislação criou, na hipótese, a figu ra da substituição tributãria, pela qual o cum primento da obrigação atribuído a pessoa qu'é não o contribuinte natural ou legal. O substituto, que cobra crecolhe tributo alheio, passa a ser o devedor perante o Estado, inexistindo relação tributaria entre este e o substituído, o qual, portanto, não é devedor de nada. No caso dos autos, o contrato de câmbio foi firmado pela recorrente como compradora da moeda estrangeira e, pelo banco, como vendedor, figurando, assim, na operação, a recorrente como contribuinte e o banco como responsãvel pela co brança e recolhimento do imposto. Cessados os efeitos da medida judicial que sustara a cobrança do imposto, caberia ao banco proceder ã sua cobrança e recolhimento, co mo responsavél pelo mesmo, todavia, não o fazeW do. Por isso que, a Notificação de Lançamen to, equivocadamente apontou a recorrente como sU jeito passivo da obrigação tributária, exigindo lhe o imposto e os acréscimos de correção monet-ã ria e de juros de mora, quando da responsabilidi de do banco vendedor do cambio. Pelo exposto, em p reliminar, entendoque não procede a exigência contra a recorrente uma vez que, na operação tributada, não participa da relação tributária, que se verifica entre o esta _ segue - NY
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005027/97-76
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1988 a 31/12/1995
RECURSO ESPECIAL. PIS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8.
Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91.
Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1988 a 31/12/1995 RECURSO ESPECIAL. PIS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1988 a 31/12/1995 RECURSO ESPECIAL. PIS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 50 27 /9 7- 76 Fl. 982DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 851 a 857) contra o v. acórdão proferido pela colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 842 a 847) que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, declarando a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos entre 22/03/2000 e 16/08/2000, nos termos da Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. FALTA DE FUNDAMENTOS FÁTICO E LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. A alusão no auto de infração à inadimplência do contribuinte, caracterizada por circunstâncias reportadas em termo de ação fiscal, evidenciam a motivação fática de tal peça administrativofiscal. A indicação de preceitos legais que veiculam o fato gerador da exação satisfaz a fundamentação legal reclamada pelo auto de infração. O auto de infração forrado por tais elementos enseja ao contribuinte defenderse habilmente da exigência fiscal. Preliminares rejeitadas. PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial do PIS é de 5 (cinco) anos contados de cada qual dos fatos geradores de tal exação. Entendimento da CSRF. PIS. SEMESTRALIDADE. A apuração do PIS baseada na Lei Complementar n° 7/70 deve levar em consideração o faturamento verificado no sexto mês que precede à competência considerada no lançamento. Inteligência do parágrafo único do artigo 6° da Lei Complementar n° 7/70. Recurso parcialmente provido. A Fazenda Nacional alegou em seu recurso, em síntese, que o prazo decadencial para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, inclusive o PIS, é o previsto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Apontou, outrossim, que a r. decisão recorrida contrariou esse dispositivo e o artigo 150, § 4º, do CTN. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 859 a 861. Contrarrazões às fls. 896 a 903. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.005027/9776 Acórdão n.º 9303001.661 CSRFT3 Fl. 939 3 É o relatório Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial da Fazenda Nacional não merece ser conhecido. Com efeito, segundo já apontado no relatório, a matéria ora controvertida diz respeito, apenas, ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Ocorre que o Egrégio Supremo Tribunal Federal já dirimiu definitivamente a controvérsia, inclusive através da edição da Súmula Vinculante nº 8, cujo teor é o seguinte: SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 984DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 35093.000717/2006-48
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2004
GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO.
A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico - tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2004 GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico - tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 09 3. 00 07 17 /2 00 6- 48 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35093.000717/200648 Acórdão n.º 2401002.743 S2C4T1 Fl. 63 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a pessoa física acima identificada, à qual foi imputada multa pessoal, nos termos do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, em razão de descumprimento da legislação previdenciária no âmbito do órgão público em que atuava como dirigente. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A exclusão da responsabilidade do gestor Para análise das autuações pessoais dos gestores de órgãos públicos devese hodiernamente considerar a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449, de 04/12/2008. Era exatamente o dispositivo retirado do ordenamento que permitia ao Fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária. Assim, ao tratar da aplicação da lei tributária no tempo, o CTN dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; (...) Vêse que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, devese aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados, que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, cancelandose, assim, as penalidades decorrentes. Sobre essa questão não podemos deixar de transcrever excerto do Parecer PGFN/CDA/CAT n.º 190/2009, de 02/02/2009, até o momento não aprovado pelo Ministro da Fazenda, mas que já dá o tom de qual entendimento será adotado pela Administração Tributária: 22.Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em consequência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23.Em consequência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35093.000717/200648 Acórdão n.º 2401002.743 S2C4T1 Fl. 64 5 Conclusão Voto pelo provimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 66DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10410.001904/96-91
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 1999
Ementa: ITR - PEDIDO DE REVISÃO - A base de cálculo do ITR é o Valor da Terra Nua - VTN, apurado em 31 de dezembro do exercício anterior. É o que prescreve o artigo 3º da Lei nº 8.847/94. Ressalte-se que tal valor é encontrado pela medida agronômica unitária hectare, e não mais pelo módulo fiscal de que fala o Estatuto da Terra. Não padece dúvidas, por outro lado, e está expresso no art. 97 do CTN, que somente a Lei pode estabelecer a instituição de tributos, ou a sua extinção. Na hipótese vertente, porém, não há se cogitaar em afronta ao princípio estereotipado no artigo 97 do Código Tributário Nacional, vez que não se cuida aqui de majoração do tributo de que trata o inciso II do artigo citado, mas sim de atualização do valor monetário da base de cálculo, tal como previsto no § 2º do mesmo citado art. 97, sendo tal ajuste periódico expressamente determinado pela Receita Federal, a teor do disposto no § 2º do art. 3º da Lei nº 8.847/94. Recurso negado.
Numero da decisão: 201-73260
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Geber Moreira
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ementa_s : ITR - PEDIDO DE REVISÃO - A base de cálculo do ITR é o Valor da Terra Nua - VTN, apurado em 31 de dezembro do exercício anterior. É o que prescreve o artigo 3º da Lei nº 8.847/94. Ressalte-se que tal valor é encontrado pela medida agronômica unitária hectare, e não mais pelo módulo fiscal de que fala o Estatuto da Terra. Não padece dúvidas, por outro lado, e está expresso no art. 97 do CTN, que somente a Lei pode estabelecer a instituição de tributos, ou a sua extinção. Na hipótese vertente, porém, não há se cogitaar em afronta ao princípio estereotipado no artigo 97 do Código Tributário Nacional, vez que não se cuida aqui de majoração do tributo de que trata o inciso II do artigo citado, mas sim de atualização do valor monetário da base de cálculo, tal como previsto no § 2º do mesmo citado art. 97, sendo tal ajuste periódico expressamente determinado pela Receita Federal, a teor do disposto no § 2º do art. 3º da Lei nº 8.847/94. Recurso negado.
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O. U. 2— Do .1.5 .Q5/ zoo° c C Rubrica .ffir 4, MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10410.001904/96-91. Acórdão : 201-73.260 Sessão • 21 de outubro de 1999 Recurso : 104.000 Recorrente : COMPANHIA AÇUCAREIRA USINA LAGINHA Recorrida : DRJ em Recife - PE ITR - PEDIDO DE REVISÃO - A base de cálculo do ITR e o Valor da Terra Nua - VTN, apurado em 31 de dezembro do exercício anterior. É o que prescreve o artigo 3° da Lei n° 8.847/94. Ressalte-se que tal valor é encontrado pela medida agronômica - unitária hectare, e não mais pelo módulo fiscal de que fala o Estatuto da Terra. Não padece dúvidas, por outro lado, e está expresso no art. 97 do CTN, que somente a Lei pode estabelecer a instituição de tributos, ou a sua extinção. Na hipótese vertente, porém, não há se cogitar em afronta ao princípio estereotipado no artigo 97 do Código Tributário Nacional, vez que não se cuida aqui de majoração do tributo de que trata o inciso II do artigo citado, mas sim de atualização do valor monetário da base de cálculo, tal como previsto no § 2° do mesmo citado art. 97, sendo tal ajuste periódico expressamente determinado pela Receita Federal, a teor do disposto no § 2° do art. 3° da Lei n° 8. 847/94. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto por: COMPANHIA AÇUCARE1RA USINA LAG1NHA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala de Sessões, em 21 de outubro de 1999 0/1 Luiza Helena PI:- • e ti- Moraes Presidenta ei e eer or, ir R. ator Participaram, ainda, e o prese te julgamento, os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer, Valdemar Ludvig, Jorge Freire, Serafim Fernandes Corrêa, Ana Neyle Olímpio Holanda e Sérgio Gomes Velloso. Eaal/cf 3 1 0 MIINISTÉRIO DA FAZENDA Ce-",p) tgi SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Pfr.,t-tJ Processo : 10410.001904/96-91 Acórdão : 201-73.260 Recurso : 104.000 Recorrente : COMPANHIA AÇUCAREIRA USINA LAGINHA RELATÓRIO Contra a Companhia Açucareira Usina Laginha, proprietária do imóvel "Fazenda Monte Verde", número do imóvel na SRF 2766368.0, localizado no Município de Braguinha - AL, foi emitida a Notificação de Lançamento do ITR/95, no valor total de RS 712,40 (setecentos e doze reais e quarenta centavos), relativamente a imposto, taxas e contribuições. Dentro do prazo legal, foi apresentada a Impugnação de fls. 01, alegando, em síntese, que a IN n° 42/96 majorou o tributo no mesmo exercício financeiro, ferindo os princípios da legalidade e da anterioridade ínsitos no art. 150, I e III, "b", da CF/88. A Contribuinte anexou a Notificação de Lançamento do ITR195, de fls. 02, e a procuração a que se refere às fls. 01. A Contribuinte impugna o Valor da Terra Nua mínimo - VTNm/ha, fixado pela IN n° 42/96, alegando que a mesma majorou o tributo no mesmo exercício financeiro, ferindo os princípios da legalidade e da anterioridade a que se refere a Constituição Federal de 1988, no artigo 150. Decidindo, acentua a Autoridade Monocrática que, quanto ao princípio da legalidade, cabe ressaltar que o tributo está sendo exigido com base na Lei n° 8.847/94, publicada em janeiro de 1994, em vigor no exercício anterior ao de 1995, o qual iniciou em 10 de janeiro de 1995. Por conseguinte, o disposto no art. 150, I, da Constituição Federal, não está sendo desrespeitado. A Lei n° 8.847/94, em seu art. 3°, dispõe que "A base de cálculo do Imposto é o Valor da Terra Nua - VTN apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior". O § 2° do art. 30 dispõe que o VTNm/ha, fixado pela Secretaria da Receita Federal, ouvido o Ministério da Agricultura, de Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com as Secretarias de Agricultura dos Estados respectivos, terá como base levantamento de preços do hectare da terra nua para os diversos tipos de terras existentes no município. 2 (3fJ gx*.? i---e, MIINISTÉRIO DA FAZENDA .. , t 1. nt C4,' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES `1,',,,0 ' :r• Processo : 10410.001904/96-91 Acórdão : 201-73.260 I 1 A IN n° 42/96 aprova, para o Lançamento do Imposto sobre a Propriedade 1 Territorial Rural - 1TR do exercício de 1995, a tabela anexa que fixa o Valor da Terra Nua mínimo - VTNm, por hectare, levantado referencialmente em 31 de dezembro de 1994, nos termos do § 2° do art. 3 0 da Lei n° 8.847, de 28 de janeiro de 1994, e o art. 1° da Portaria Interministerial MEFP/MARA n° 1.275, de 27 de dezembro de 1991. Como se verifica, prossegue o julgador, a Instrução Normativa não está criando nem aumentando imposto, o que não seria possível, uma vez que só a lei pode criar ou aumentar imposto, a Instrução Normativa n° 42/96 apenas está aprovando, com base na Lei n° 8.847/94, nos termos do § 2° do art. 3 0 , o Valor da Terra Nua - VTNm/ha para os municípios de situação dos imóveis rurais, levantados referencialmente em 31/12/94. O Lançamento do ITR195, constante da Notificação de Lançamento de fls. 02, tomou como base de cálculo o VTNm/ha fixado pela IN n° 42/96 para o Município de Branquinha - AL, situação do imóvel a que se refere a Notificação, levantado referencialmente em 31.12.94, no valor de R$ 395,95 (trezentos e noventa e cinco reais e noventa e cinco centavos). , Com base em tais pressupostos, entende que o Lançamento constante da Notificação de fls. 02 está correto e de acordo com a lei, não ferindo os princípios a que se refere o art. 150 da Constituição Federal, para a final JULGAR A AÇÃO ADMINISTRATIVA PROCEDENTE e MANTER integralmente o Lançamento constante da Notificação de Lançamento do ITR/95 de fls. 02. Inconformada, a Interessada interpõe seu Recurso às fls. 21/25, renovando suas alegações anteriores, requerendo, a final: a) seja julgado PROVIDO o presente recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ em Recife - PE; e h) seja declarado insubsistente e nulo o Lançamento do ITR/95 com base na IN 42/96 para autorizar o recolhimento do tributo com base no lançamento suspenso pela IN 16/96. 1 É o relatório. 3 5 hz 4. MIINISTÉRIO DA FAZENDA "• g ' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10410.001904/96-91 Acórdão : 201-73.260 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR GEBER MOREIRA Irresignada com a Decisão de fls. 16/17 a COMPANHIA AÇUCAREIRA USINA LAGINHA, proprietária do imóvel "Fazenda Monte Verde", insurge-se contra o Lançamento do 1TR/95, integralmente mantido pelo julgador monocrático, e que tomou como base de cálculo o VTNm/ha, fixado pela IN n° 42/96, para o Município de Branquinha-AL, onde se situa o imóvel. A Contribuinte, representada nos autos pelos ilustres advogados que subscrevem as Razões Recursais de fls. 22/25, fulcra o seu recurso na seguinte premissa, verbis: "O julgador de primeiro grau, equivocadamente, entendeu que o Art. 150, I, da CF/88, não foi afrontado, uma vez que o tributo exigido obedece o preceito legal ínsito na Lei n° 8.847/94, servindo a Instrução Normativa apenas, para aprovar a tabela que fixou o VTNm/ha. Ledo engano! Senão vejamos. Por via da Instrução Normativa n. 42/96, a Secretaria da Receita Federal alterou o valor do VTNm/ha, acima dos índices oficiais de atualização monetária, e como se não bastasse, apanhando o contribuinte de surpresa, dentro do mesmo exercício financeiro, ferindo de morte os princípios da legalidade e anterioridade ínsitos na Carta Magna de 1988. Pasmem Senhores Julgadores! Utilizou-se a Secretaria da Receita Federal de instrumento imprestável ao fim - Instrução Normativa - extrapolando sua função subordinativa, secundária e acessória aos atos de natureza primária, como as Leis e as Medidas Provisórias, demolindo o muro da HIERARQUIA NORMATIVA, e consequentemente, viciando-a de ilegalidade". Ressalta, ainda, a Recorrente que "o procedimento adotado pela SRF afrontou os princípios da legalidade, insculpido tanto no inciso I do artigo 150 da Carta de 1988, como também no "caput" do Artigo 97 do CTN, quando aumentou a base de cálculo pela via camuflada da IN, e da anterioridade, editando a IN no mesmo exercício financeiro da exigência do tributo." 4 5 / 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10410.001904/96-91 Acórdão : 201-73.260 Como se vê, os ilustres patronos da Recorrente cingem-se, em seu apelo, a uma preliminar de nulidade de um ato administrativo, visando seja declarado nulo o Lançamento do ITR195, constante da Notificação de fls. 02, e, em conseqüência, também a decisão recorrida. Isto posto, não ocorre, in caszl, aumento da "base de cálculo pela via camuflada da IN, e da anterioridade", como lançado no recurso. Senão vejamos. A base de cálculo do ITR é o Valor da Terra Nua - VTN, apurado em 31 de dezembro do exercício anterior. É o que prescreve o artigo 3° da Lei n° 8. 847/94. Ressalte-se que tal valor é encontrado pela medida agronômica unitária hectare, e não mais pelo módulo fiscal de que fala o Estatuto da Terra. Não padece dúvidas, por outro lado, e está expresso no art. 97 do CTN, que somente a Lei pode estabelecer a instituição de tributos, ou a sua extinção. Na hipótese vertente, porém, não há se cogitar em afronta ao princípio estereotipado no artigo 97 do Código Tributário Nacional, vez que não se cuida aqui de majoração do tributo de que trata o inciso II do artigo citado, mas sim de atualização do valor monetário da base de cálculo, tal como previsto no § 2° do mesmo citado art. 97, sendo tal ajuste periódico expressamente determinado pela Receita Federal, a teor do disposto no § 2° do art. 3° da Lei n° 8. 847/94. É certo que, uma vez efetuado o lançamento do imposto, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, poderá, a qualquer tempo, a Autoridade Administrativa revisá-lo. Foi o que ocorreu com o Lançamento do ITR/95. É de notório conhecimento, e ficou comprovado publicamente, que o valor do VTN utilizado pela SRF, no primeiro lançamento do ITR/95, não espelhava, naquele momento, a realidade dos preços dos imóveis rurais. Logo, com fulcro nos artigos 142 e 149, inciso VIII, do Código Tributário Nacional - CTN, e em função da IN SRF n° 16/96, o Secretário da Receita Federal determinou, em caráter geral, a revisão de oficio do Lançamento Fiscal, adotando-se o VTNm de que trata a IN SRF n° 42/96. O artigo 149, inciso VIII, do CTN, estatui que a Autoridade Administrativa poderá rever, de oficio, o Lançamento Fiscal sempre que deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior. No caso, quando do Lançamento Fiscal do ITR/95, tendo em vista que foi utilizado com base de cálculo do imposto VTN não compatível com a realidade dos preços praticados naquele instante, ou muito alto ou muito baixo, e tendo em vista que esse fato não era conhecido pela SRF quando do Lançamento, só posteriormente ficou comprovado, pela reclamação de grande parte dos contribuintes, o que, inexoravelmente, ensejou, 5 3) 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10410.001904/96-91 Acórdão : 201-73.260 lícita e legitimamente, que se procedesse, de forma geral, a revisão de oficio do Lançamento anterior. No caso em apreço, a Autoridade Administrativa concluiu que o Lançamento do ITR/95, constante da Notificação de Lançamento de fls. 02, tomou como base de cálculo o VTNm/ha fixado pela IN n° 42/96, para o Município de Branquinha - AL, situação do imóvel a que se refere a Notificação, levantado referencialmente em 31.12.94, no valor de R$ 395,95 (trezentos e noventa e cinco reais e noventa e cinco centavos), fls. 17, estando, a seu ver, correto o Lançamento. A Recorrente, por seu turno, estreitou os horizontes do julgador de 2° grau ao restringir as matérias suscitadas e discutidas na instância "a quo ", a mera "quaestio iuris ", sem discutir propriamente o VTN que lhe foi cobrado ou pedir a revisão do mesmo, com base em Laudo Técnico emitido na forma e condições estabelecidas no § 4° do art. 3° da Lei n° 8.847/94. Em tais condições, conheço do recurso e lhe nego provimento. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 1999 ' G' ER M RA 6
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Numero do processo: 10380.004476/95-16
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 1998
Ementa: ITR/VTNm - A teor do art. 3, § 4, da Lei nr. 8.847/94, pode a autoridade administrativa rever o VTNm, base do lançamento do ITR, com base em Laudo Técnico que atenda aos requisitos da ABNT e esteja acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica junto ao CREA. Atendendo o Laudo a tais requisitos e trazendo elementos que dêem convicção ao julgador, nada senão rever o lançamento retificando-o. Recurso a que se dá provimento.
Numero da decisão: 201-71765
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Jorge Freire
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O. U. . F' o / 19 99 c: Rubrica MIINISTÉRIO DA FAZENDA ? SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10380.004476/95-16 Acórdão : 201-71.765 Sessão : 02 de junho de 1998 Recurso : 103.359 Recorrente : GETÚLIO PEIXOTO MAIA Recorrida : DRJ em Fortaleza — CE ITR - A teor do art. 3Q, § 4Q, da Lei n 9- 8.847/94, pode a autoridade administrativa rever o valor do VTNm, base do lançamento do ITR, com base em Laudo Técnico e outros elementos. Atendendo o Laudo a tais requisitos que dêem convicção ao julgador, nada resta senão rever o lançamento retificando-o. Recurso voluntário a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto por: GETÚLIO PEIXOTO MAIA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 02 de junho de 1998 Luiza Helena . ante de Moraes Presidenta Jorge Freire Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Valdemar Ludvig, Rogério Gustavo Dreyer, Ana Neyle Olímpio Holanda, Henrique Pinheiro Torres (Suplente), Geber Moreira e Sérgio Gomes Velloso. Fclb/mas-fclb 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10380.004476/95-16 Acórdão : 201-71.765 Recurso : 103.359 Recorrente : GETÚLIO PEIXOTO MAIA RELATÓRIO Retornam os autos após Diligência n9 201-04.415, conforme votado em Sessão de 16/09/97, quando foi juntado aos autos cópia de Laudo Técnico (fls. 60/69). É o relatório. 2 MIINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Ira Processo : 10380.004476/95-16 Acórdão : 201-71.765 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JORGE FREIRE Em que pese o Laudo Técnico, acostado aos autos, não trazer informações definitivas, em relação ao preço do VTN, de modo a alterar o Lançamento de fls. 02, entendo ser o mesmo bastante fidedigno em relação à devida caracterização da propriedade. Assim, tomo o Laudo como mais um elemento, que somado a tabela de preços para fins de pagamento, para desapropriação, para construção de açudes públicos ( Portaria n 2 124, de 12/08/94, do Diretor Geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), me possibilitam julgar o presente feito. Também me dá mais um elemento de convicção o fato de as duas notificações de lançamento - a deste processo e a do Processo n2 10380.004477/95-71 - referirem-se a área contíguas, conforme Mapas de fl. 68/69, mas o VTNm de uma ser bem superior a de outra. Ocorre que o presente processo refere-se a parte de uma área maior, que abrange além da área constante da notificação de Lançamento de fls. 02, também a área cuja cobrança do ITR está no processo de número já citado. Assim, face ao descritério, mesmo considerando a diferença de alíquota aplicada, e considerando que o laudo acostado trouxe novos fatos que nos dão elementos para avaliar a propriedade, adoto como razoável o valor a ser pago em desapropriação para construção de açudes. Como conseqüência, serão formadas bacias hidráulicas que abrangem, além de outros, o município de Jaguaribe, onde se assenta parte da área total. Dessarte, adoto como VTNm o valor da Tabela de Preços de fl. 03. Valor esse que deve ser adotado na retificação do lançamento. Todavia, analisando o Laudo Técnico trazido aos autos, constata- se que a área total é de 1.647,84 ha, considerando a área com posse a justo título (fl. 63). Somando as áreas constantes das notificações de lançamentos do ITR constantes dos Processos n2s 10380.004476/95-16 e 10380.004477/95-71 chega- se a um total de 1.390,00 ha. Se existente, deveria o processo, referente à cobrança do ITR da área restante, ser distribuído por dependência ao mesmo relator. 3 c..)11) ,- ,— -)--,'2';''' • '4:14 MIINISTERIO DA FAZENDA -:2-'` 'í SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES r.i.;•'i Processo : 10380.004476/95-16 Acórdão : 201-71.765 Assim, ante o exposto, e limitando a lide única e exclusivamente quanto ao VTNm, JULGO PROCEDENTE O RECURSO, para o fim de que seja retificado o Lançamento de fl. 02 considerando como base de cálculo o Valor da Terra Nua por hectare, conforme valor apontado na fl. 03, em R$ 79,85. É assim que voto. , Sala da sessões, em 02 de junho de 1998 —1z.-,- JORGE FREIRE , 4
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