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Numero do processo: 10940.001890/2005-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO DE DÉBITO DE ESTIMATIVA. GLOSA. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Correta a não homologação da compensação, e conseqüente constituição do tributo indevidamente compensado, quando restar demonstrada a insuficiência de crédito por meio de diligência específica.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ALTERAÇÃO.
O lançamento tributário pode ser modificado, nos termos do artigo 145 do CTN, em virtude de (i) impugnação do sujeito passivo; (ii) recurso de ofício; e (iii) iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149.
IRPJ. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
É incabível a cobrança de multa isolada quando há concomitância com a multa de oficio, em conformidade com a Súmula CARF nº 105.
IRPJ. REFLEXO NA CSLL.
O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL) decorrente dos mesmos elementos e fatos
Numero da decisão: 1201-002.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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GLOSA. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Correta a não homologação da compensação, e conseqüente constituição do tributo indevidamente compensado, quando restar demonstrada a insuficiência de crédito por meio de diligência específica. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ALTERAÇÃO. O lançamento tributário pode ser modificado, nos termos do artigo 145 do CTN, em virtude de (i) impugnação do sujeito passivo; (ii) recurso de ofício; e (iii) iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. IRPJ. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É incabível a cobrança de multa isolada quando há concomitância com a multa de oficio, em conformidade com a Súmula CARF nº 105. IRPJ. REFLEXO NA CSLL. O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL) decorrente dos mesmos elementos e fatos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 18 90 /2 00 5- 23 Fl. 2173DF CARF MF 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração que exigem IRPJ (fls. 506/513) e CSLL (fls. 1.231/1.237), acrescidos de multa de ofício de 75% e multas isoladas, em razão da glosa de compensação de estimativas apuradas em setembro/2000. Segundo consta do TVF (fls. 494/505), a fiscalização não acatou as justificativas de que as estimativas teriam sido extintas por compensação com créditos de IPI reconhecidos judicialmente por meio de decisão transitada em julgado em agosto de 2000. No entender do fisco, tais débitos teriam sido incluídos indevidamente na DCTF como compensados com créditos oriundos de DARF, sem que a empresa tivesse identificado o pretenso pagamento indevido ou a maior. Diante, então, da falta de apresentação de pedido de compensação específico, e com base na IN SRF n° 21/1997, foram realizados os lançamentos dos valores compensados. Após ciência dos lançamentos, a contribuinte apresentou defesas (fls. 517 a 556 IRPJ e fls. 1.246 a 1.284 CSLL), invocando os mesmos argumentos, resumidos a seguir. Aduz que obteve decisão judicial, já transitada em julgado, que lhe reconheceu o direito ao crédito de IPI e, amparada pela Lei n° 8.383/91, realizou a compensação deste crédito justamente para liquidar as estimativas ora cobradas, conforme informado em DCTF. Que após quase cinco anos a Secretaria da Receita Federal teria desconsiderado por completo a declaração de compensação e determinado a inscrição do referido débito em dívida ativa, procedimento este que a levou a impetrar Mandado de Segurança, tendo sido concedida liminar para suspender a sua exigibilidade. Em razão desta ação judicial, entende a contribuinte que qualquer ato administrativo que venha a exigir referido tributo estaria desobedecendo decisão judicial. Que vários pedidos de compensação foram extraviados e, após reconstituídos, poderiam conter o pedido referente à compensação do ano de 2000. Quanto ao mérito, inicialmente alega a viabilidade de compensação de crédito judicialmente reconhecido com débitos próprios através de DCTF, haja vista que a Lei 9.430/96 nada dispõe acerca da exigência de pedido de compensação nessa hipótese. Nesse ponto, sustenta que a IN SRF n° 21/1997, utilizada com principal fundamento das autuações, seria ilegal. Fl. 2174DF CARF MF Processo nº 10940.001890/200523 Acórdão n.º 1201002.495 S1C2T1 Fl. 3 3 Argüi que a redação da Lei 9.430/96 dada pela Lei n° 10.637/02 estabelece que a compensação de créditos, inclusive com créditos judiciais com trânsito em julgado, deve ser efetuada mediante a entrega da declaração na qual constarão informações sobre os créditos e débitos que se pretende compensar, procedimento este observado quando da entrega da DCTF. Argumenta que eventuais vícios de forma poderiam ter sido sanados, que agiu de boa fé e que o descumprimento de uma obrigação acessória não pode gerar prejuízos irreparáveis ao contribuinte. A teor do art. 112 do Código Tributário Nacional, a lei tributária que define infrações ou lhe comina penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado. Acrescenta que, em face do Comunicado COMP. N° 090/2004, do qual foi notificada de que os débitos em tela seriam compensados de ofício, protocolou manifestação alegando que eles já estavam liquidados em face da compensação, mas que nunca recebeu resposta do fisco. Finalmente, questiona a cobrança das multas isoladas, trazendo à colação julgados do Conselho de Contribuintes que proibiram a sua cumulação com a multa de ofício. A DRJ, por meio de despachos de fls. 681 e 1.415, requereu a realização de diligência para fins de: verificar se as compensações informadas em DCTF estavam sub judice; anexar cópia da petição inicial do Mandado de Segurança impetrado pela contribuinte; e prestar esclarecimentos acerca do Comunicado COMP n° 090/2004. Em atendimento à diligência, foi emitida a Informação Fiscal de fls. 1.444/1.446. Conclui a autoridade responsável que as autuações foram corretamente emitidas, uma vez que a contribuinte de fato teria descumprido a legislação que rege a compensação tributária, notadamente porque não apresentou a correta declaração de compensação. Na seqüência foi proferida decisão de primeira instância que julgou os lançamentos procedentes (fls. 1.454/1.473), cuja ementa ora transcrevo: COMPENSAÇÃO COM DARF E SEM DARF. PREENCHIMENTO DE DCTF. Ao preencher a DCTF, o contribuinte que estiver informando compensação de débito deverá optar por uma, dentre duas alternativas mutuamente excludentes: ou informa que se trata de compensação com indébito resultante de recolhimento a maior ou indevido (DARF), ou informa que se trata de compensação sem DARF. Por isso, constando de DCTF jamais retificada que se trata de compensação com DARF, excluída fica a possibilidade de a contribuinte haver utilizado na compensação outros créditos, inclusive aqueles reconhecidos judicialmente. COMPENSAÇÃO COM DARF INFORMADA EM DCTF. PREJUDICADAS ALEGAÇÕES ALUSIVAS A COMPENSAÇÃO SEM DARF. Tendo o contribuinte informado em DCTF haver efetuado compensação com DARF, prejudicadas firam suas alegações embasadas na premissa de que teria realizado compensação utilizando créditos reconhecidos judicialmente. Fl. 2175DF CARF MF 4 COMPENSAÇÃO. DIREITO CONDICIONADO. Na dicção literal do art. 74 da Lei n°9.430, de 1996, a compensação entre tributos, contribuições e receitas que não sejam da mesma espécie, dependerá de requerimento do contribuinte, e de autorização da Secretaria da Receita Federal. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. CABIMENTO. Deve ser aplicada a multa isolada, no caso de a pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda, na forma do art. 2° da Lei IV 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixar de faze1o, ou fazêlo em montante inferior ao devido, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no anocalendário correspondente. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.477/1.527), reiterando as razões já expostas em sede de defesa. Em julgamento realizado em 24 de maio de 2007, os membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes converteram o julgamento do recurso em diligência (cf. fls. 1.602/1.610), para que fossem esclarecidas as seguintes questões: 1) Qual o valor do crédito de IPI do contribuinte reconhecido judicialmente? 2) Qual o montante utilizado deste crédito em outras compensações e qual é o eventual saldo remanescente? 3) Existia saldo credor suficiente para que fosse efetuada a compensação do crédito tributário constituído através do presente auto de infração, conforme declarado em DCTF pelo contribuinte? Em cumprimento à diligência, foram apresentadas as informações de fls. 1.699 e 1.700, concluindo que o crédito pleiteado pelo contribuinte seria inferior ao por ele calculado e utilizado, não existindo saldo suficiente para a aludida compensação. Ato contínuo, os autos foram encaminhados para a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 1.702 e 1.723), que requereu outra diligência, mais precisamente para que o presente processo aguarde no órgão de origem a decisão final no processo administrativo n° 10940.003109/200393, juntandose cópia ao presente, que deverá, então, retornar ao CARF. Às fls. 2.076/2.087 foi juntada cópia do Acórdão 330201.575 proferido nos autos do processo conexo nº 10940.003109/200393, atestando que o recurso voluntário interposto pela contribuinte naquele feito foi negado por unanimidade de votos; às fls. 2.088/2.090 foi juntado Acórdão que rejeitou os embargos de declaração interpostos pela empresa; às fls. 2.091/2.106 foi juntada cópia do Recurso Especial; às fls. 2.107/2.110 e 2.111/2.112 foram juntadas cópias de despachos que negaram seguimento ao referido recurso especial; e às fls. 2.113 foi juntada cópia de petição do contribuinte que informa que o débito tributário remanescente daquele processo teria sido incluído no parcelamento previsto na Lei nº 12.685/2013. Fl. 2176DF CARF MF Processo nº 10940.001890/200523 Acórdão n.º 1201002.495 S1C2T1 Fl. 4 5 Comprovada, então, que a discussão constante do processo conexo (nº 10940.003109/200393) foi encerrada, os presentes autos foram encaminhados novamente ao CARF para apreciação do recurso voluntário. Ocorre, porém, que a contribuinte obteve liminar (fls. 2.121/2.127) que determinou a retirada deste processo da pauta de julgamento prevista para a Sessão de 23 de março de 2017. A liminar, entretanto, foi suspensa posteriormente (fls. 2.130/2.132). Finalmente, a contribuinte anexou aos autos cópia do despacho decisório proferido no processo conexo (nº 10940.003109/200393) e respectivas planilhas de suporte, requerendo ao menos que seja reconhecido o seu direito de ver readequada a base de cálculo da autuação ante a redução do montante do crédito que foi homologado naquela demanda. Os autos, então, foram a mim distribuídos e, em Sessão de 20/09/2017, este Colegiado, por unanimidade de votos, baixou novamente o processo em diligência (fls. 2.137/2.143) assim formulada: Diante do exposto, VOTO por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade de origem: 1 – extraia cópia integral do processo nº 10940.003109/200393, juntandose aos autos do presente processo; e 2 com base no valor creditório de IPI reconhecido no processo acima indicado, reapure a base de cálculo e o valor das estimativas de IRPJ e CSLL devidas com base na receita tributável correta, apresentando justificativas sobre a necessidade ou não de reduzir os valores ora cobrados. A autoridade fiscal responsável elaborou relatório de diligência (fls. 2.146/2.149), do qual a contribuinte, após intimada, se manifestou às fls. 2.157/2.169. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Da glosa da compensação Fl. 2177DF CARF MF 6 Restou demonstrado que, em agosto de 2000, transitou em julgado, em favor da contribuinte, sentença proferida em processo judicial que reconheceu o direito de apurar, desde julho de 1988, determinados créditos de IPI. A Recorrente, então, escriturou o crédito extemporâneo de IPI, no montante de R$ 33.494.749,82, sendo R$ 10.979.162,34 a título de principal e R$ 22.515.587,48 a título de juros Selic (cf. registrado no Livro Diário de fls. 105). Alega e demonstra a Recorrente que o montante dos juros contabilizados, de R$ 22.515.587,48, impactou a base de cálculo do IRPJ e CSLL, especialmente as estimativas apuradas na competência de setembro de 2000 (objeto da autuação), de acordo com o resumo de apuração constante de documento gerencial contábil (fls. 173 e 185/186), a DIPJ (fls. 295, 299 e 304) e a DCTF (fls. 406 e 411). O antigo Conselho de Contribuintes, conforme visto no relatório, requereu duas diligências a fim de elucidar os fatos e reunir os elementos necessários para julgamento. Na primeira delas, constatouse que o valor do crédito de IPI reconhecido judicialmente foi limitado a R$26.385.222,65, valor este inferior ao pleiteado pelo contribuinte (R$ 37.350.629,39). Nesse ponto, transcrevo as respostas do auditor fiscal responsável pela auditoria: Respostas às questões, conforme documentos juntados às fls. 16051687: 1) Qual o valor do crédito de IPI do contribuinte reconhecido judicialmente? Resposta: o saldo apurado na verificação fiscal, observada a decisão judicial, foi de R$26.385.222,65, fls. 16501652. 2) Qual o montante utilizado deste crédito em outras compensações e qual é o eventual saldo remanescente? Resposta: o montante do crédito apurado foi utilizado integralmente na compensação de outros débitos (não compreendidos os débitos do presente processo), restando ao final, saldo a pagar de compensação não homologada, fls 1650 1652. 3) Existia saldo credor suficiente para que fosse efetuada a compensação do crédito tributário constituído através do presente auto de infração, conforme declarado em DCTF pelo contribuinte? Resposta: conforme os itens anteriores, não há saldo suficiente para a compensação do crédito tributário constituído através dos presentes Autos de IRPJ e CSLL do presente processo. Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 10940.001890/200523 Acórdão n.º 1201002.495 S1C2T1 Fl. 5 7 Notase, assim, que as estimativas relativas à competência de setembro/2000, ao contrário do quanto alega a Recorrente, não foram liquidadas por compensação haja vista a insuficiência de crédito. O crédito judicial reconhecido, ao contrário do quanto alegado pelo contribuinte, fora alocado para outras compensações, não restando saldo credor para utilização. As estimativas, portanto, de fato são passíveis de cobrança. Da base de cálculo A Recorrente, entretanto, demonstrou que as estimativas cuja compensação foi glosada foram apuradas na época em razão do reconhecimento contábil da receita gerada com o registro do crédito judicial de IPI, registro este que foi calculado por valor superior ao que foi reconhecido em outro processo administrativo, conforme já apontado. Dessa forma, ou seja, por entender que a base de cálculo utilizada para formalizar as presentes cobranças deveria ser redimensionada, levandose em conta o valor correto da receita tributável proveniente do reconhecimento do crédito judicial que foi homologado, este Colegiado formulou nova diligência. De acordo com a autoridade responsável pela diligência: O presente processo foi encaminhado pela 2a Câmara/1a Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para a realização de diligência que consiste em: " 1 extraia cópia integral do processo n° 10940.003109/200393, juntandose aos autos do presente processo; e 2 com base no valor creditório de IPI reconhecido no processo acima indicado, reapure a base de cálculo e o valor das estimativas de IRPJ e CSLL devidas com base na receita tributável correta, apresentando justificativas sobre a necessidade ou não de reduzir os valores ora cobrados. " Quanto ao item 1, por ser o processo n° 10940.003109/200393 convertido em processo digital, com 4433 folhas, hoje já se encontra vinculado ao presente processo. Quanto ao item 2 na questão da reapuração das bases de cálculo, apesar de não encontrarmos embasamento na legislação de IR para tal, seguemse os recálculos, conforme solicitado. A definitividade do litígio administrativo do processo n° 10940.003109/200393, ocorreu em 30/07/2015, com a negação ao seguimento do recurso especial, mantendo assim o Acórdão n° 330201.575 que negou por unanimidade de votos o recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Fl. 2179DF CARF MF 8 Dessa forma, se reconheceu, conforme descrito no Despacho Decisório n° 29/2008 lavrado em 29/01/2008 pela DRF Ponta Grossa/PR, processo n° 10940.003109/200393, que o valor do crédito extemporâneo de IPI reconhecido judicialmente foi limitado a R$ 26.385.222,65 (vinte e seis milhões, trezentos e oitenta e cinco mil, duzentos e vinte e dois reais e sessenta e cinco centavos), montante este utilizado integralmente na compensação de outros débitos não havendo, portanto, saldo suficiente para a compensação do crédito tributário constituído através dos presentes autos de IRPJ e CSLL. Assim, o valor do crédito extemporâneo de IPI reconhecido administrativamente por meio de decisão definitiva no processo n° 10940.003109/200393 foi de R$ 26.385.222,65. O contribuinte escriturou conforme registrado no Livro Diário, de fl. 105 (numeração original do processo em papel), fl. 104 (numeração do eproc) do presente processo, o valor de crédito extemporâneo de IPI, no montante de R$ 10.979,162,34 e valor de juros selic de 01/96 a 09/00 sobre crédito extemporâneo de IPI no montante de R$ 22.515.587,48 totalizando R$ 33.494.749,82. Portanto a diferença escriturada a maior é de R$ 7.109.527,17. Segundo fls. 173 e 185 (numeração do eproc) do presente processo, o contribuinte havia incluído o valor dos juros selic sobre crédito extemporâneo de IPI no montante de R$ 22.515.587,48 nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL nas estimativas de setembro de 2000. Considerando que o valor dos juros correspondiam a 67,22% do montante total de R$ 33.494.749,82 de crédito extemporâneo de IPI escriturado, aplicandose esse percentual à diferença apurada de R$ 7.109.527,17 chegase a diferença dos juros selic sobre crédito extemporâneo de IPI no valor de R$ 4.779.112,60, reduzindose as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL neste valor, conforme tabelas abaixo: valor crédito extemporâneo IPI escriturado no Livro Diário fl. 104 R$ 10.979.162,34 32,78% valor juros selic s/crédito extemp IPI escriturado L Diário fl. 104 R$ 22.515.587,48 67,22% total crédito extemp IPI escriturado Livro Diário fl. 104 R$ 33.494.749,82 total credito reconhecido administrativamente R$ 26.385.222,65 diferença total de crédito extemp IPI apurada R$ 7.109.527,17 diferença de juros selic correspondente a 67,22% da diferença total R$ 4.779.112,60 IRPJ declarado recalculo (fl. 173 eproc) diferença c/redução dos juros selic juros selic s/cred extemp IPI Livro Diário fl. 104 R$ 22.515.587,48 R$ 4.779.112,60 R$ 17.736.474,88 demais receitas fl. 173 R$ 472.553,98 R$ 472.553,98 base cálculo IRPJ estimado set/2000 DIPJ fl. 299 R$ 22.988.141,46 R$ 18.209.028,86 IRPJ aliq 15% DIPJ fl. 299 R$ 3.448.221,22 R$ 2.731.354,33 IRPJ adic 10% DIPJ fl. 299 R$ 2.296.814,15 R$ 1.818.902,89 R$ 5.745.035,37 R$ 4.550.257,21 Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 10940.001890/200523 Acórdão n.º 1201002.495 S1C2T1 Fl. 6 9 incentivo fiscal DIPJ fl. 299 R$ 1.036,70 R$ 1.036,70 IRRF DIPJ fl. 299 R$ 2.849,07 R$ 2.849,07 vlr recolhido DCTF fl.406 R$ 112.252,73 R$ 112.252,73 saldo a compensar s/cred IPI (juros selic) R$ 5.628.896,87 R$ 1.194.778,15 R$ 4.434.118,71 base cálculo IRPJ dezembro/2000 DIPJ fl.300 R$ 27.481.968,22 R$ 4.779.112,60 R$ 22.702.855,62 IRPJ aliq 15% DIPJ fl.300 R$ 4.122.295,23 R$ 3.405.428,34 IRPJ adic 10% DIPJ fl.300 R$ 2.724.196,82 R$ 2.246.285,56 total IRPJ R$ 6.846.492,06 R$ 5.651.713,90 valor anual devido declarado IRPJ tab 3 fl .501 R$ 6.846.492,05 total dedução declarada DIPJ fl.300 ; tab 3 fl.501 R$ 146.596,65 R$ 146.596,65 total antecipado corrigido IRPJ tab 3 e 4 fl.501 R$ 1.546.755,44 R$ 1.546.755,44 Auto de Infração IRPJ lançado R$ 5.153.139,96 R$ 1.194.778,15 R$ 3.958.361,81 Glosa estimativa set/2000 R$ 5.628.896,87 R$ 1.194.778,15 R$ 4.434.118,71 Multa exigida isoladamente 75% sobre estimativa R$ 4.221.672,65 R$ 896.083,61 R$ 3.325.589,04 * multas exigidas isoladamente sobre estimativas não recolhidas em fev/abr/mai/2001 sem alteração visto que mesmo com a redução da base de cálculo continuam sem saldos negativos de IRPJ e CSLL no AC 2000 ** numeração das folhas referenciadas são do eproc CSLL declarado recálculo (fl. 185 eproc) diferença c/redução dos juros selic juros selic s/cred extemp IPI Livro Diário fl. 104 R$ 22.515.587,48 R$ 4.779.112,60 R$ 17.736.474,88 demais receitas fl. 185 R$ 674.418,59 R$ 674.418,59 base cálculo CSLL estimado set/2000 DIPJ fl. 304 R$ 23.190.006,07 R$ 18.410.893,47 CSLL aliq 9% DIPJ fl. 304 R$ 2.087.100,55 R$ 1.656.980,41 vlr recolhido DCTF fl. 411 R$ 60.697,67 R$ 60.697,67 saldo a compensar s/cred IPI (juros selic) R$ 2.026.402,88 R$ 430.120,13 R$ 1.596.282,74 base cálculo CSLL dezembro/2000 DIPJ fl.305 R$ 26.987.611,69 R$ 4.779.112,60 R$ 22.208.499,09 CSLL apurada DIPJ fl.305 R$ 2.500.945,54 R$ 1.998.764,92 valor anual devido declarado CSLL tab 3 fl.501 R$ 2.500.945,54 total dedução declarada tab 3 fl.501 R$ R$ total antecipado corrigido CSLL tab 3 e 5 fl.501 R$ 821.880,28 R$ 821.880,28 Auto de Infração CSLL lançado R$ 1.679.065,26 R$ 502.180,62 R$ 1.176.884,64 Glosa estimativa set/2000 R$ 2.026.402,88 R$ 430.120,13 R$ 1.596.282,74 Multa exigida isoladamente 75% sobre estimativa R$ 1.519.802,16 R$ 322.590,10 R$ 1.197.212,06 * multas exigidas isoladamente sobre estimativas não recolhidas em fev/abr/mai/2001 sem alteração visto que mesmo com a redução da base de cálculo continuam sem saldos negativos de IRPJ e CSLL no AC 2000 ** numeração das folhas referenciadas são do eproc Nesse contexto, e ao contrário do que indica a autoridade diligenciante, considero que a revisão de ofício do lançamento, ainda mais nesse caso concreto, no qual a estimativa exigida decorre de reconhecimento de crédito tributário oriundo de pagamento Fl. 2181DF CARF MF 10 indevido e objeto de processo administrativo apartado, constitui direito do contribuinte e dever do fisco, na linha do que dispõe o artigo 142 do CTN, verbis: “Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Para que a autoridade fiscalizatória possa efetivamente proceder ao lançamento, deve antes confirmar a ocorrência dos fatos que teriam deflagrado a incidência tributária, bem como determinar a correlata base tributável. O lançamento tributário pode ser modificado, nos termos do artigo 145 do CTN, em virtude de (i) impugnação do sujeito passivo; (ii) recurso de ofício; e (iii) iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149, merecendo destaque a previsão do inciso VIII: Art. 149 O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; Como se nota, diante de fato superveniente que possa impactar o lançamento tributário, cabe à autoridade fiscal rever o Auto de Infração, devendo ela promover os ajustes necessários a refletir a efetiva capacidade contributiva manifestada pelo contribuinte. Ora, é inegável que a redução do valor creditório, ocorrida em momento posterior ao lançamento da receita contábil que resultou nas exigências das estimativas, impacta diretamente o presente Auto de Infração, afinal foi justamente o registro do saldo credor a origem do valor dos débitos aqui cobrados. Ou seja, os valores de IRPJ e CSLL, assim como a multa isolada, foram apurados levando em conta um crédito que acabou sendo reduzido pela própria Receita Federal, o que caracteriza fato superveniente que enseja a redução da base de cálculo da estimativa. Isso porque a renda, nesse caso concreto, é representada pelo valor do crédito judicial homologado, e nada mais! Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 10940.001890/200523 Acórdão n.º 1201002.495 S1C2T1 Fl. 7 11 Com o reconhecimento pela administração pública de que o contribuinte de fato havia registrado receita superior ao que teria direito, e que esta receita gerou a estimativa, o equívoco não só pode, como deve ser corrigido, ainda que em sede de revisão de lançamento de ofício. Dessa forma, reduzo parcialmente as cobranças de IRPJ e CSLL, conforme diligência (IRPJ: de R$ 5.153.139,96 para R$ 3.958.361,81 e CSLL: de R$ 1.679.065,26 para R$ 1.176.884,64). Multa isolada Com a aprovação da Súmula CARF nº 105, restou sedimentado que: “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Na prática, a Súmula aplicase indubitavelmente para os fatos compreendidos até 31/12/2006, existindo divergência doutrinária e jurisprudencial para sua aplicação para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2007, em razão da nova redação dada pela Lei nº 11.488/2007 ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. O caso presente, porém, diz respeito a fatos geradores ocorridos anteriores a 2007, razão pela qual a cobrança de multa isolada, em concomitância com a multa de oficio, é indevida, conforme a Súmula CARF no 105. Dessa forma, afasto a exigência da multa isolada sobre a estimativa de setembro/2000. Conclusão Por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para: (i) reduzir a exigência de IRPJ, de R$ 5.153.139,96 para R$ 3.958.361,81, conforme diligência; (ii) reduzir a exigência de CSLL, de R$ 1.679.065,26 para R$ 1.176.884,64, conforme diligência; e (iii) afastar a multa isolada incidente sobre a estimativa de setembro/2000. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 2183DF CARF MF 12 Fl. 2184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001785/2010-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2010
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTATAÇÃO DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. VALIDADE.
A existência de débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é circunstância impeditiva para a permanência no Simples Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NA LINHA DE DEFESA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
Questões não suscitadas em sede de impugnação constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal.
Numero da decisão: 1002-000.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer, por preclusão consumativa, as alegações de violação ao art. 5º, inciso XXXIV da Constituição e de parcelamento dos débitos constantes no ADE de exclusão do Simples, e, no mérito, na parte conhecida, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTATAÇÃO DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. VALIDADE. A existência de débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é circunstância impeditiva para a permanência no Simples Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NA LINHA DE DEFESA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Questões não suscitadas em sede de impugnação constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTATAÇÃO DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. VALIDADE. A existência de débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é circunstância impeditiva para a permanência no Simples Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NA LINHA DE DEFESA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Questões não suscitadas em sede de impugnação constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer, por preclusão consumativa, as alegações de violação ao art. 5º, inciso XXXIV da Constituição e de parcelamento dos débitos constantes no ADE de exclusão do Simples, e, no mérito, na parte conhecida, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 17 85 /2 01 0- 80 Fl. 88DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem expressar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do Simples, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/FNS: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo DRF/RPO nº 444446, de 01/09/2010 (fls. 6), por meio do qual a empresa foi excluída do Simples Nacional – com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2011 – em virtude de possuir os seguintes débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006 e na alínea ‘d’ do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º da Resolução CGCSN nº 15, de 2007: Período de Apuração Valor Originário 09/2008 R$ 23.258,24 10/2008 R$ 19.595,39 11/2008 R$ 18.905,74 12/2008 R$ 14.505,38 Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade contra a sua exclusão do regime do Simples Nacional, onde alega que (fls. 01 a 05): [...] 2. Em expediente anterior, a impugnante já havia apontado crédito contra a Fazenda Nacional, à guisa de compensação com os débitos relacionados no ADE (doc. 4, anexo), créditos estes que não foram, na substância, contestados pelo Fisco, apenas que deixaram de ser considerados no plano formal, eis que, ainda segundo a autoridade fazendária, a compensação deveria se realizar pela forma estipulada em Instrução Normativa (doc. 5, anexo). 3. De fato, e na conformidade do resultado da consulta no processo 11610.003039/200700, formulada pela ABRIGAF NACIONAL (doc. 6, anexo), da qual é filiada (doc. 7, anexo), a requerente é titular de crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional, por recolhimento feito em montantes maiores que o devido, de janeiro de 2.004 a maio de 2.006, (doc. 8, anexo), faltando acrescentar os valores legais de correção monetária e juros, mediante simples operação aritmética. [...] A contribuinte anexou cópia de um requerimento, protocolado na DRF/Ribeirão Preto em 15/10/2008, mediante o qual solicitou a compensação do débito de Simples Nacional do mês 09/2008, e do respectivo Despacho Decisório Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10840.001785/201080 Acórdão n.º 1002000.373 S1C0T2 Fl. 89 3 Seort/DRF/Ribeirão Preto, objeto do processo 15959.000341/200807, que indeferiu a compensação requerida por não ter sido apresentada em conformidade com o disposto na IN/SRF nº 600/2005, vigente à época. A empresa alega ter direito à compensação dos supostos créditos com o Fisco, ainda que não tenha sido realizada da forma indicada pela RFB. Ao final requer sua manutenção no Simples Nacional, com a revogação do ADE, ou que a exclusão fique suspensa até ser solvida a questão relativa ao direito de compensação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/FNS, conforme acórdão n. 0733.027, de 22 de 11 de outubro de 2013 (efl. 51), que recebeu a seguinte ementa: ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL Não é possível cancelar o ADE quando o contribuinte não comprova quitação dos débitos que deram origem ao mesmo e nem demonstra que os débitos se encontram com a exigibilidade suspensa. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário, no qual oferece argumentos e fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados (destaques do original). Reafirma o argumento apresentado em sede de Manifestação de Inconformidade, no sentido de que "na resposta a consulta veiculada no processo 11610.003039/200700, formulada pela ABRIGAF NACIONAL, da qual a Recorrente é filiada, restou confirmado que a mesma era titular de crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional, por recolhimento feito em montantes maiores que o devido, de janeiro de 2.004 a maio de 2.006...". Diz que "a única justificativa para não se aceitar a compensação da Recorrente foi o fato de tela apresentado em desconformidade com as disposições da IN 600/2005 (...)" justificando que ”não se utilizou das disposições constantes da IN 600/2005, tendo em vista que o crédito que possuía deveria, necessariamente, ser objeto de análise prévia pela Administração Fazendária, tendo em vista que a matéria ali colocada era controvertida" e que "Neste contexto, a opção pela petição administrativa de compensação foi feita, a fim de resguardar tanto o direito do recorrente, quanto o direito da administração, que poderia verificar a regularidade do crédito" frisando que "OS CRÉDITOS DETIDOS PELO CONTRIBUINTE NÃO ERAM PACÍFICOS". Sustenta que (sic) "A Lei não determina a utilização de declaração eletrônica para fins de se requer a compensação de tributos" e que "não poderia a IN impor tal obrigatoriedade, restringindo direito do contribuinte", evocando o artigo 74 da lei nº 9.430/96 e o art. 5º, inciso XXXIV da Constituição Federal. Fl. 90DF CARF MF 4 Defende que "os pedidos de compensação efetuados pela Recorrente tiveram o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário" e que "todos os valores apontados como débitos em aberto no Ato Declaratório de Exclusão estão devidamente parcelados, com sua exigibilidade suspensa". Como forma de dar sustentação às suas alegações o Recorrente apresenta, ainda, escólio de doutrina e acórdãos de jurisprudência. Ao final o Recorrente requer sua manutenção no Simples Nacional e o cancelamento do Ato Declaratório Executivo DRF/RPO n. 444446/2010. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Apesar de tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, conheço parcialmente do presente Recurso Voluntário, eis que o Recorrente inova na sua linha de defesa, apresentando matérias não suscitadas em sede de impugnação, abaixo descritas: Violação ao artigo art. 5º, inciso XXXIV da Constituição; Parcelamento e suspensão da exigibilidade dos débitos constantes do Ato Declaratório Executivo DRF/RPO n. 444446/2010. Tais matérias não podem ser analisadas por este colegiado por falta de prequestionamento, em razão de não terem sido apresentadas no momento processual oportuno, caracterizandose como matéria preclusa, a teor do disposto no artigo art.16, III e 17 do Decreto 70.235/72: “Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;” Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, considerando que os referidos argumentos são totalmente novos em relação aos apresentados pelo Recorrente em sede de impugnação, o recurso voluntário não será conhecido nesta parte, eis que não cabe a esta instância recursal o exame de matéria não julgada pela DRJ, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório. Relativamente ao parcelamento, ressalto que, ainda que fosse possível o conhecimento desta matéria o que se admite tão somente por raciocínio jurídico melhor sorte não assistiria ao Recorrente, eis que o artigo 4º do Ato Declaratório Executivo DRF/RPO n° 444446/2010 é claro no sentido de dispor que os efeitos da exclusão do Simples Nacional só seriam ilididos se houvesse regularização dos débitos dentro do prazo de 30 dias contados de sua ciência, o que efetivamente não se constata nos autos, porquanto inexiste qualquer Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10840.001785/201080 Acórdão n.º 1002000.373 S1C0T2 Fl. 90 5 documento comprobatório do pagamento ou deferimento tempestivo de pedido de parcelamento dos débitos elencados no referido ADE. Passo a análise do mérito do recurso. De acordo com o Ato Declaratório Executivo DRF/RPO n° 444448 (efls. 06), o Recorrente foi excluído do Simples Nacional a partir de 01/01/2011, ante a constatação de débitos com exigibilidade não suspensa, os quais apresentavam a seguinte composição: Para melhor compreensão da matéria, reproduzo a base legal em que se enquadra a exclusão do contribuinte do Simples (grifos nossos): Lei Complementar nº 123/2006 Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: I (...) (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; VI (...) Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: I (...) (...) IV na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão; Como se observa, o Recorrente foi excluído do Simples Nacional ante a constatação da existência de débitos tributários com exigibilidade não suspensa. Nas suas razões de defesa, alega o Recorrente, em síntese, que os débitos que causaram sua exclusão foram objeto de pedido de compensação indeferido pela Unidade Administrativa, por estar em desacordo com as disposições da IN SRF nº 600/2005, Fl. 92DF CARF MF 6 sustentando que o pedido de compensação, na forma em que foi realizada, tem fundamento legal e, por isso, teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. O cerne da questão debatida nos autos é, portanto, saber se o ora Recorrente poderia valerse de procedimento de compensação não previsto na legislação para o fim de justificar a suspensão dos débitos que motivaram sua exclusão do Simples Nacional e, por conseqüência, desconstituir o ADE de exclusão do regime tributário simplificado. Compulsando os autos, verifico não assistir razão ao Recorrente. Constato que a Instrução Normativa SRF n° 600/2005 não contém permissivo para apresentação de requerimento administrativo de compensação elaborado pelo próprio sujeito passivo, mas determina, ao revés, no § 1º do seu artigo 26, que o procedimento seja realizado por meio de Declaração de Compensação, gerada a partir do Programa PER/DCOMP, ou feita mediante uso de formulário próprio, constante do anexo IV que acompanha a referida IN. Vejase o dispositivo em comento: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Assim, a apresentação de requerimento próprio não previsto na legislação pelo Recorrente inviabiliza o deferimento de seu pleito, eis que deveria ter feito uso de formulário obrigatório, previsto no anexo IV da Instrução Normativa SRF n° 600/2005. A afirmação do Recorrente de que a Instrução Normativa SRF n° 600/2005 não poderia impor tal obrigatoriedade, por ferir dispositivos legais, não procede, porque o §14 do artigo 74 da lei na Lei n° 9.430/1996 autoriza a Secretaria da Receita Federal do Brasil a disciplinar o procedimento de compensação (grifos nossos): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º (...) (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10840.001785/201080 Acórdão n.º 1002000.373 S1C0T2 Fl. 91 7 prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. Além disso, o § 5º do art. 21 da Lei complementar n° 123/2006 reza que a competência para a regulação da compensação e a restituição de valores do Simples Nacional recolhidos a maior ou indevidamente é do Comitê Gestor do Simples Nacional: Art. 21. Os tributos devidos, apurados na forma dos arts. 18 a 20 desta Lei Complementar, deverão ser pagos: I (...) (...) § 1o(...) (...) § 5o O CGSN regulará a compensação e a restituição dos valores do Simples Nacional recolhidos indevidamente ou em montante superior ao devido. Alinhada com esse dispositivo, o art. 34, § 3º, XV, da Instrução Normativa nº 900, de 30/12/2008, proibia textualmente a entrega de declaração de compensação por contribuintes que apurassem tributos na forma do Simples Nacional (grifos nossos): Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) Fl. 94DF CARF MF 8 XV os tributos apurados na forma do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006; (...). Por fim, registro que a regulação da compensação dos valores do Simples Nacional recolhidos indevidamente ou em montante superior ao devido ocorreu com o advento da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011. Com base nesses fundamentos, concluo que foi acertada a exclusão do contribuinte do Simples Nacional lastreada no inciso V do artigo 17 da lei complementar 123/2006, visto que foi comprovada nos autos a existência de débitos com exigibilidade não suspensa à época da edição do Ato Declaratório Executivo DRF/RPO n° 444448. Pelo exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negolhe provimento, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.006280/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS – LIVRO DE ICMS – A autoridade fiscal
identificou receitas declaradas no livro de apuração do ICMS que não foram oferecidas à tributação federal e, como não foi apresentada escrita contábil hábil, fez o lançamento fiscal pelo lucro arbitrado sobre essas receitas. Está correto o lançamento.
INTUITO DE FRAUDE – OMISSÃO REITERADA DE DECLARAÇÕES –
A firma individual deixou de apresentar declarações à Receita Federal e deixou de pagar tributos federais por três anos-calendários consecutivos, embora tenha declarado receitas ao fisco estadual. Fica evidente o intuito de omitir tais receitas do conhecimento da autoridade fiscal e de assim atrasar ou
evadir a incidência tributária.
EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – MULTA – DECADÊNCIA – Evidente o intuito de fraude pela omissão reiterada de declarações ao fisco, é aplicável a multa de 150% (art. 44 da Lei 9.430/96) e o prazo decadencial para lançamento é computado consoante artigo 173, II do Código Tributário Nacional.
RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA – O obrigado tinha poderes
irrestritos para sacar valores e movimentar a conta corrente
da empresa.
Caracterizado o interesse comum no fato gerador, deve ser mantida a responsabilidade passiva solidária.
Numero da decisão: 1302-000.569
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
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Está correto o lançamento. INTUITO DE FRAUDE – OMISSÃO REITERADA DE DECLARAÇÕES – A firma individual deixou de apresentar declarações à Receita Federal e deixou de pagar tributos federais por três anoscalendários consecutivos, embora tenha declarado receitas ao fisco estadual. Fica evidente o intuito de omitir tais receitas do conhecimento da autoridade fiscal e de assim atrasar ou evadir a incidência tributária. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – MULTA – DECADÊNCIA – Evidente o intuito de fraude pela omissão reiterada de declarações ao fisco, é aplicável a multa de 150% (art. 44 da Lei 9.430/96) e o prazo decadencial para lançamento é computado consoante artigo 173, II do Código Tributário Nacional. RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA – O obrigado tinha poderes irrestritos para sacar valores e movimentar a contacorrente da empresa. Caracterizado o interesse comum no fato gerador, deve ser mantida a responsabilidade passiva solidária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 2 “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andre Ricardo Lemes da Silva. Relatório Em 07122007, contra José Carlos Santos Cereais, foi lavrado auto de infração de imposto de renda (IRPJ), contribuição social (CSLL), contribuição ao PIS e COFINS no montante aproximado de R$ 2,3 MM (fls 4 e seguintes). A autoridade fiscal verificou que a firma contribuinte deixou de apresentar declarações DCTF e deixou de recolher tributos federais no período de 2001 a 2003. Analisando os livros de entradas e saídas de mercadorias, a autoridade constatou ainda a existência de receita omitida da tributação federal decorrente da venda de mercadorias nos anoscalendários de 2001, 2002 e 2003 (fls. 5 e 6, fls 230 e seguintes). A firma individual foi intimada a apresentar documentação contábil, livro diário e razão, e afirmou que não foi feita tal escrituração contábil. A contribuinte foi ainda várias vezes intimada a apresentar seu extrato bancário do Bradesco e restou omissa. Intimado o Bradesco apresentou ofício demonstrando que o Sr. Nilson dos Santos Oliveira possuía procurações para movimentar a conta bancária da empresa O termo de sujeição passiva solidária (fls. 233) acusa o Sr. Nilson dos Santos Oliveira como responsável solidário pelo débito, nos seguintes termos: “No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, constatamos que o Sr. Nilson dos Santos Oliveira — CPF 397.945.71504 apresenta indícios de ser proprietário de fato da empresa em epígrafe, tendo em vista que o proprietário de direito, o Sr. José Carlos Santos — CPF 336.321.11553 não apresentar patrimônio declarado, haja vista estar omisso de apresentação da DIRPF(Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda Pessoa Física) desde o exercício 2002, apesar da substancial movimentação financeira da empresa comprovadas pelas vendas de mercadorias escrituradas nos Livros Registro de Saída, aliado a existência de procuração, tendo como outorgante José Carlos Santos Cereais, nomeando e constituindo seu bastante procurador o Sr. Nilson dos Santos Oliveira — CPF 397.945.71504, outorgando com amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a cita empresa, inclusive junto ao Banco Bradesco S/A, conforme ofício enviado pelo mesmo em resposta a RMF(Requisição sobre Movimentação Financeira) n° 05.2.01.002007000538.” Foi efetuado o lançamento fiscal de ofício de PIS e COFINS para os meses calendários dos anos de 2001 a 2003 e de IRPJ e CSLL para os trimestres calendários correspondentes, pelo lucro Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10510.006280/200748 Acórdão n.º 1302000.569 S1C3T2 Fl. 180 3 arbitrado, tendo como base a receita de revenda de mercadorias apresentada no livro de registro de saídas que foi base para pagamento do ICMS. Sobre o valor do crédito tributário principal foram aplicados juros de mora desde a data da ocorrência do fato gerador e multa de ofício de 150%, sendo ainda efetuada a representação fiscal nos termos dos arts. 1° e 2° da Lei 8.137/90. Ciente em 17092007, José Carlos Santos Cereais impugnou o lançamento, alegando em síntese o seguinte: 1 – O Sr. Nilson Oliveira era auxiliar da empresa na compra e venda de mercadorias e recebia remuneração fixa e variável por isso, sendo que jamais foi proprietário de fato ou de direito da empresa, como de fato não comprova a autoridade fiscal. Nessa medida, é incabível a responsabilidade solidária desse cidadão. 2 – Os juros moratórios só poderiam ser cobrados para os períodos posteriores a 30 dias contados da data da notificação do contribuinte acerca do lançamento fiscal, segundo artigos 160 e 161 do Código Tributário Nacional e artigo 10 do Decreto 70235/72. 3 – O lançamento relativo aos trimestres e meses de 2001, bem como relativo a determinados meses de 2002, estão decaídos, pelo decurso de 5 anos entre a data da ocorrência do fato gerador e a data do lançamento, por força dos arts.150 e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 4 – O contribuinte pediu por fim o cancelamento do lançamento tributário. Do Termo de Responsabilidade Fiscal Solidária o Sr. Nilson foi notificado por Edital em 28122007, após várias tentativas de citação postal e pessoal (fls. 186) Em 30072008 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DRJ, proferiu sua decisão, mantendo parcialmente o lançamento, para acolher a decadência do direito de lançar relacionada aos fatos geradores que se concluíram até novembro de 2001. Entendeu a autoridade julgadora que, na presença de dolo ou fraude, o prazo decadencial deve ser contado de acordo com o artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, contase 5 anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, para IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, in verbis: Tratandose, pois, de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001 (1°, 2°, 3° e 4° trimestres), o lançamento somente poderia ter sido efetuado a partir de maio, agosto e novembro de 2001 e fevereiro de 2002 (4° trimestre de 2001). Deste modo, o exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado seria 2001 para os três primeiros trimestres, e 2002 para o 40 trimestre. Logo, o primeiro dia do exercício seguinte, termo inicial da contagem do prazo decadencial, seria 01/01/2002 para os três primeiros trimestres do ano calendário de 2001, e 01/01/2003, para o 4° trimestre de 2001, cujo vencimento da obrigação, se daria nos últimos dias de janeiro de 2002. Com referência aos lançamentos efetuados no anocalendário de 2002, o raciocínio seria o mesmo, acrescentandose mais um ano para os prazos de contagem do início e final do período em que a Fazenda Pública Nacional poderia constituir o crédito tributário. Portanto, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, relativamente aos fatos geradores do IRPJ e CSLL ocorridos em 2001, extinguirse ia, pois, em 31/12/2006 (1o ao 3° trimestres de 2001). (...) Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 4 Ainda com referência ao PIS e à COFINS, cujo vencimento da obrigação tributária ocorre na primeira quinzena do mês seguinte, há que se registrar, que por possuírem fatos geradores com vencimento mensal, os efeitos da decadência se darão de janeiro a novembro de 2001, uma vez os lançamentos deste período, poderiam ser efetuados ainda no exercício de 2001, iniciandose a contagem para efeito de decadência no primeiro dia do anocalendário de 2002 com final em 31/12/2006. Quanto à responsabilidade solidária, entendeu a DRJ que “são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado nos autos que o obrigado efetivamente conduziu os negócios da empresa, acobertado pela interposição de terceiro sem capacidade econômica para garantir as obrigações da pessoa jurídica, deve ser mantida a sujeição passiva solidária daquele.” Entendeu a DRJ que os juros SELIC se aplicam desde a data do vencimento da obrigação tributária e não da ciência do lançamento. Ciente da decisão em 07112008, a firma interessada recorreu em 19112008, sustentando que não restou configurada ou comprovada a fraude ou dolo da contribuinte e nesse sentido deve ser aplicado o artigo 150, parágrafo 4o. do CTN para computar a decadência do direito de lançar. A contribuinte alegou que não ficou comprovada a incapacidade financeira de seu titular, José Carlos dos Santos, para gerir a empresa e que a mera falta de entrega de DIRPF não serve de prova para tal, sendo mera omissão formal da pessoa física que não pode afetar a pessoa jurídica. As DIRPF do titular dos anos de 2005 e 2006 demonstram que ele possui sim renda e pode sim ser titular de firma individual. Por outro lado, a mera existência de procuração para o Sr. Nilson, que por alguns anos foi auxiliar da empresa, não é também prova de que essa pessoa seja titular da empresa, sendo instrumento lícito e público. Nesse sentido, o eventual dolo ou fraude está fundado em meras suposições, imprestáveis para justificar o lançamento e muito menos o prazo decadencial. Pede o contribuinte o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A autoridade fiscal identificou receitas declaradas no livro de apuração do ICMS que não foram oferecidas à tributação federal e, como não foi apresentada escrita contábil hábil, fez o lançamento fiscal pelo lucro arbitrado sobre essas receitas. Está correto o lançamento. A firma individual auferiu receitas nos anoscalendários de 2001 a 2003. Tomando conta dessa receita, fez suas declarações tempestivas à Receita Estadual e pagou ICMS. Por outro lado, omitiu esses valores do conhecimento do fisco federal pelos três anoscalendários consecutivos, deixando de cumprir com suas obrigações de declarar receitas e tributos à Receita Federal. Não se trata de mera omissão não intencional de informação, pois até a data do lançamento fiscal, em 2007, a firma teve tempo de sobra para perceber a falta que cometera e regularizar suas declarações e pagamentos tributários, mas não o fez. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10510.006280/200748 Acórdão n.º 1302000.569 S1C3T2 Fl. 181 5 Fica portanto evidente o intuito reiterado de omitir do fisco federal a informação sobre a receita e o lucro auferidos nos anoscalendários de 2001 a 2003. Essa omissão efetivamente atrasou a ação fiscal e até em parte prejudicou o lançamento tributário, no tanto que se viu decaído. Nessa medida, não cabe reparo a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Apenas os fatos geradores ocorridos até novembro de 2001 encontramse decaídos, nos termos do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Ainda, aplicase a multa de 150% nos termos do artigo 44 da Lei 9.430/96. Com relação à responsabilidade solidária, ficou comprovado neste processo que o Sr. Nilson dos Santos Oliveira teve plenos poderes durante diversos anos seguidos para movimentar integralmente a contacorrente bancária da firma individual, podendo inclusive fazer saques, independentemente da aprovação de qualquer outra pessoa. Muito mais que um auxiliar, tais fatos demonstram que o Sr. Nilson tinha poderes amplos de gestão e autoridade sobre a movimentação financeira da firma individual. Embora a firma alegue que o Sr. Nilson era apenas um auxiliar, não demonstra nem exemplificativamente que tal auxiliar destinara os valores que sacou da conta bancária à firma individual ou deles prestara conta, deixando de comprovar o alegado nos termos do artigo 333 do Código de Processo Civil. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado nos autos que o Sr. Nilson dos Santos Oliveira efetivamente conduziu os negócios da empresa e deles sacou proveitos, deve ser mantida a sujeição passiva solidária dele. Nesses termos, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI
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Numero do processo: 13502.000432/2005-24
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS NÃO CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO.
Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.
CORREIAS E HIDRÓXIDO DE SÓDIO. UTILIZADOS DIRETAMENTE E ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO.
Estão dentro do conceito de insumo as correias de reposição e o hidróxido de sódio utilizado para tratamento da água que retorna ao processo produtivo e, portanto, fazem jus ao crédito.
DESPESAS COM INTERNAÇÃO E PORTUÁRIAS EM GERAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
Na importação de bens, não se enquadram no conceito de insumo as despesas com internação e as despesas portuárias em geral, assim com também não estão contidas nas hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º da Lei nº 10.637/02.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial quanto aos bens utilizados como insumos, reconhecendo o direito ao crédito tão somente das correias e do hidróxido de sódio e em negar provimento quanto aos serviços utilizados como insumos, vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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Recorrente CIBRAFERTIL CIA BRASILEIRA DE FERTILIZANTES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS NÃO CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. CORREIAS E HIDRÓXIDO DE SÓDIO. UTILIZADOS DIRETAMENTE E ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. Estão dentro do conceito de insumo as correias de reposição e o hidróxido de sódio utilizado para tratamento da água que retorna ao processo produtivo e, portanto, fazem jus ao crédito. DESPESAS COM INTERNAÇÃO E PORTUÁRIAS EM GERAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Na importação de bens, não se enquadram no conceito de insumo as despesas com internação e as despesas portuárias em geral, assim com também não estão contidas nas hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º da Lei nº 10.637/02. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 04 32 /2 00 5- 24 Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 13502.000432/200524 Acórdão n.º 3002000.375 S3C0T2 Fl. 1.119 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial quanto aos bens utilizados como insumos, reconhecendo o direito ao crédito tão somente das correias e do hidróxido de sódio e em negar provimento quanto aos serviços utilizados como insumos, vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de Pedido de Ressarcimento do PIS, referente ao 4º trimestre de 2004, e de Declarações de Compensação decorrentes, lastreado em créditos que se originariam da sistemática da não cumulatividade da contribuição. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Tratase de Manifestação de Inconformidade (fls. 474/483) contra o Despacho Decisório n° 0129/2009 (fls. 457/458), que aprovou o Parecer SARAC/DRF/CCI n° 408/2009 (fls. 437/452), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari (DRF/CCI). 0 direito creditório em discussão se origina de pedido de ressarcimento de crédito da Contribuição para o PIS apurado no regime nãocumulativo relativo ao 4° trimestre de 2004, no valor de R$ 74.131,42, utilizado pela interessada para compensar débitos próprios (declarações de compensação as folhas 10/104). A autoridade fiscal, após análise dos documentos entregues pela contribuinte (fls. 155/313, 325/404 e 421/430) em resposta às intimações SARAC/DRF/CCI n° 618/2009 (fls. 152/154), n° 1025/2009 (fls. 315/322), n° 1144/2009 (fls. 323/324) e n° 1255/2009 (fls. 419/420), e após consultas as folhas 110/151 e 405/418, deferiu parcialmente o direito creditório, no valor de Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 13502.000432/200524 Acórdão n.º 3002000.375 S3C0T2 Fl. 1.120 3 R$ 63.060,20, e homologou parcialmente a compensação declarada. Cientificada do despacho decisório em 18/12/2009, conforme Aviso de Recebimento à folha 464, a interessada em 18/01/2010 apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 474/483), sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: 1. No caso do PIS e da Cofins, a não cumulatividade se opera mediante o "Método Indireto Substrativo", que consiste em conceder crédito calculado mediante aplicação da alíquota sobre as aquisições de bens e serviços, sistemática inteiramente diversa daquela estabelecida para o ICMS e o IPI, em que a não cumulatividade se opera, por expressa previsão constitucional, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores; 2. 0 pressuposto do referido método é que o custo, despesa ou encargo que gera o direito ao crédito atual, na etapa anterior fora uma receita de pessoa jurídica domiciliada no Pais, supostamente submetida a tais contribuições, e assim o débito calculado sobre todas as receitas tributáveis pelo PIS e pela Cofins na operação atual é confrontado com o crédito calculado sobre todos os custos, despesas ou encargos necessários à obtenção daquelas receitas; 3. Desta forma, os créditos não guardam qualquer relação com o que foi cobrado na operação anterior, como ocorre no ICMS e no IPI, pois cada operação é vista autonomamente, tendo em vista a própria natureza dos tributos, pois enquanto o ICMS e o IPI são tributos indiretos, o PIS e a Cofins são tributos diretos; 4. Quanto aos créditos sobre "Bens utilizados como insumos", o Despacho Decisório ora guerreado utilizase de equivocado conceito de insumo esculpido na Instrução Normativa n° 404, de 2004, que analogicamente adotou conceitos relativos à não cumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório do contribuinte; 5. 0 conceito de insumo, no sentido de tratarse de bem que deve ser consumido em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, foi devidamente rechaçado pela própria COSIT, que afirmou, em mais de uma oportunidade, que basta o bem estar relacionado ao processo produtivo para ser caracterizado como insumo, conforme Soluções de Divergência e de Consulta que transcreve, firmandose o entendimento de que insumo é todo custo ou despesa aplicado direta e indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria ou serviço, independentemente de existir ou não o desgaste em razão do contato direto com o produto em fabricação; 6. No caso concreto dos autos, conforme comprovam a Descrição do Processo Produtivo e o Laudo Técnico, os quatro itens glosados pelo despacho decisório — correias, lona agrícola, hidróxido de sódio (soda cáustica) e gás natural — Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 13502.000432/200524 Acórdão n.º 3002000.375 S3C0T2 Fl. 1.121 4 são, inequivocamente, aplicados no processo produtivo da manifestante; 7. As correias são utilizadas para acionamento de equipamentos utilizados na produção ou para o transporte de produto ao longo do processo produtivo, desgastandose, inclusive, em razão do atrito com o próprio produto produzido; 8. A lona agrícola, por sua vez, é utilizada para armazenagem do produto, enquanto que o hidróxido de sódio é utilizado para neutralizar o efluente, adicionado à água que sai do processo e a ele retorna após a filtração; 9. Quanto ao gás natural, é utilizado em substituição à energia elétrica para queima na caldeira e na fornalha; 10. Logo, todos os itens glosados como não sendo insumos estão intimamente ligados ao processo de produção da empresa, sendo inequívoco o direito creditório da contribuinte, requerendo desde já a realização de diligencia ou perícia, indicando a sua perita e formulando quesitos que entende necessários à solução do litígio; 11. No que tange aos serviços utilizados como insumos, item 19 do Parecer SARAC/DRF/CCI n° 408/2009, equivocouse o despacho decisório ao glosar a totalidade dos créditos apropriados pela manifestante, pois a própria autoridade fiscal reconhece que tais serviços, de armazenagem, pesagem e movimentação, são tomados em face da aquisição de matérias primas importadas, compondo, portanto, o custo relativo produção, assim considerado todos os gastos com a aquisição de bens e serviços para a produção daqueles bens e serviços que serão postos a venda pela companhia, devendo ser reconhecida a integralidade do crédito da contribuinte em obediência ao inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003; 12. Assim, requer que seja reconhecido integralmente seu direito creditório com a conseqüente homologação da compensação." Em seqüência, analisando as argumentações e os documentos apresentados pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador DRJ/SDR julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CALCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 13502.000432/200524 Acórdão n.º 3002000.375 S3C0T2 Fl. 1.122 5 Somente geram créditos da contribuição para o PIS as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. 0 termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. CRÉDITO. SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM, PESAGEM E MOVIMENTAÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS IMPORTADAS. Inadmissível a apropriação de créditos da contribuição para o PIS relativamente aos pagamentos de serviços de armazenagem, pesagem e movimentação de matérias primas importadas, visto que não aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 1042/1082), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando fatos e argumentos já apresentados. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão fundamental posta em discussão na presente lide se refere ao direito de creditamento na sistemática da não cumulatividade das contribuições para o PIS e a Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 13502.000432/200524 Acórdão n.º 3002000.375 S3C0T2 Fl. 1.123 6 Cofins, assim, entendo oportuno tecer alguns comentários sobre os fundamentos que irão embasar este voto. O regime de incidência não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003. Em seus arts. 3º e §§, ambas as leis tratam das possibilidades de apropriação de créditos. Da simples leitura dos dispositivos legais citados, constatase que as hipóteses de creditamento no âmbito dessas contribuições possuem uma abrangência específica e diversa das legislações que regulamentam outros tributos. Em especial, o termo "insumo" não se amolda a definição restritiva presente na legislação sobre o IPI, como também não contempla um sentido tão amplo a ponto de incluir todos os custos e despesas necessárias à atividade empresarial, como no caso do IRPJ. Necessitase, então, a construção de diretrizes particulares na análise dos elementos geradores de crédito dessas contribuições. Na busca desse desiderato, a jurisprudência desta Corte foi elaborando, ao longo do tempo, premissas importantes a serem consideradas, como no Acórdão nº 9303 006.083, de 12 de dezembro de 2017, da lavra do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas: "O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais." (grifo nosso) Embora o entendimento principal esposado acima seja majoritário atualmente no CARF, corrente autodenominada intermediária, mesmo entre seus adeptos, a aplicação prática desse conceito não é pacífica. Assim, temos que uns vislumbram que basta o insumo ser utilizado no processo produtivo para fazer jus ao crédito, outros entendem ser necessário a utilização direta desse insumo na produção, outros, ainda, preconizam que tal insumo deve ser indispensável. A meu sentir, a exigência mais correta a ser feita para que um determinado gasto seja classificado como um insumo, para o fim de creditamento disposto na legislação do PIS e da Cofins não cumulativas, é a essencialidade, tal qual foi manifestada no voto do Exmo. Ministro Mauro Campbell Marques no julgamento do REsp nº 1.246.317/MG: Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 13502.000432/200524 Acórdão n.º 3002000.375 S3C0T2 Fl. 1.124 7 "Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante." (grifo nosso) Ademais, tal entendimento foi ratificado pelo Ministro no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR: "Daí minha divergência, pois tenho posição um pouco mais restrita, onde deve ser realizado o "teste de subtração" do insumo a fim de verificar a sua essencialidade ao processo produtivo". (grifo nosso) Nesse passo, creio que o bem ou serviço para ser considerado como insumo, além da necessidade de ser utilizado especificamente no processo produtivo, mesmo que não entre em contato direto com o produto, deve ser essencial à produção do bem ou à prestação do serviço. Em outras palavras, o insumo para ser apreciado como essencial ao processo, quando submetido ao teste de subtração, deve inviabilizar a obtenção do bem ou, ao menos, retirarlhe significativamente a qualidade. Para além da corrente intermediária do conceito de insumo, temos outra que considera que a legislação criadora da não cumulatividade para as contribuições enumerou um rol taxativo dos bens e serviços passíveis de serem considerados insumos com vista ao creditamento. Dessa forma, fora das hipóteses legalmente previstas, não haveria a possibilidade da apropriação de créditos. Tal entendimento pode ser observado no excerto do voto condutor do Acórdão nº 9303006.717, de 15 de maio de 2018, da lavra do Eminente Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal: "Como já tive a oportunidade de expressar em outras ocasiões, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 13502.000432/200524 Acórdão n.º 3002000.375 S3C0T2 Fl. 1.125 8 necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso." (grifo nosso) A princípio, tais correntes parecem antagônicas ou, ao menos, incompatíveis. Contudo, a meu ver, existe a possibilidade de reconciliação. Primeiramente, entendo oportuno transcrever o art. 3º da Lei 10.833/2003, que trata do creditamento na sistemática da Cofins não cumulativa. Repisese que a legislação referente ao PIS tem dispositivo semelhante: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 13502.000432/200524 Acórdão n.º 3002000.375 S3C0T2 Fl. 1.126 9 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) ......................................................................................................... (grifo nosso) A partir da leitura do dispositivo transcrito, percebese que, embora todos os incisos tratem das possibilidade de apropriação de créditos, eles podem ser divididos em duas espécies diferentes: os basilares, aqueles que determinam quais as hipóteses fundamentais para a geração de crédito (bens para revenda e insumos na prestação de serviços ou na produção) e os extravagantes, aqueles que explicitam hipóteses que, a princípio, não podem ser enquadradas na definição de insumo, logo, por isso, não dariam direito ao creditamento ou, ao menos, teriam uma aplicação mais restrita. Assim, por exemplo, os custos, encargos e despesas nas operações de venda não podem ser caracterizados como insumos, pois, por óbvio, ocorrem após a produção do bem. Com efeito, por mais essenciais que sejam à atividade empresarial, não fazem parte do processo produtivo, mas do processo de comercialização. Contudo, nesse caso, por vontade do legislador, a armazenagem e o frete nas operações de venda dão direito a crédito. Dessa forma, entendo que a legislação que instituiu a sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e para a COFINS elencou um rol taxativo, contudo, não de bens e serviços considerados como insumo, mas, justamente, daquilo que, mesmo não sendo insumo, faz jus ao creditamento. Por conseqüência do que foi dito, voltando às operações de venda, fora a armazenagem e o frete, não há possibilidade de reconhecimento de crédito de mais nenhuma despesa ou custo incorridos nessas operações, a contrario sensu., por expressa determinação legal. Então, tomemos o caso das embalagens para transporte, sobre as quais vários ilustres Conselheiros reconhecem o direito ao creditamento, data venia, penso exatamente o oposto. Considerandose que tais embalagens não são insumos para a produção do bem, pois utilizadas somente após o término de sua elaboração, logo, muito menos o são insumos essenciais, embora sejam fundamentais ao processo de comercialização, e considerandose que tais Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 13502.000432/200524 Acórdão n.º 3002000.375 S3C0T2 Fl. 1.127 10 dispêndios não estão elencados no rol taxativo do art. 3º, a meu sentir, não geram direito a crédito na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições. A partir dos fundamentos assentados anteriormente, podemos resumir os requisitos necessários para que um gasto seja passível de geração de crédito da seguinte forma: a) geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; b) são considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração; c) para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Feita essa introdução, passemos a análise específica da lide no presente processo. 1) Bens utilizados como insumos A recorrente se insurge contra as glosas referentes a correias, lona agrícola e hidróxido de sódio e assevera que o laudo técnico apresentado juntamente com sua Manifestação de Inconformidade atestaria a pertinência desses itens ao seu processo produtivo. De fato, o laudo técnico (fl. 972/976) informa a utilização de cada um dos tipos de correias no reparo de equipamentos ligados diretamente e essenciais ao processo produtivo da empresa, conforme a descrição apresentada (fl. 602). Dessa forma, entendo que cabível o creditamento em decorrência da aquisição desses bens. Quanto ao hidróxido de sódio, segundo as informações acostadas, é utilizado para neutralizar o PH da água que sai do processo produtivo e que, após filtração, é reutilizada no mesmo. Assim, considerando a relação direta com a produção e a sua essencialidade, o hidróxido de sódio caracterizase como insumo e, portanto, faz jus ao crédito. Em relação à lona agrícola, ao contrário, não foi comprovada a sua relação direta com o processo produtivo e, principalmente, sua essencialidade, pois, tanto no laudo técnico anexado, como em seu Recurso Voluntário, a recorrente limitouse a asseverar que "é utilizada para a armazenagem do produto em local aberto". Não há nos autos a informação sobre a qual produto a recorrente se refere, dessa forma, impossível saber se produto acabado, intermediário ou, até mesmo, outro material que pudesse, ou não, se constituir insumo. Portanto, quanto a este item, mantenho a glosa. 2) Serviços utilizados como insumos A recorrente alega que não procede a glosa realizada pela fiscalização dos créditos sobre serviços utilizados como insumo, tendo em vista que estes estão relacionados à aquisição de matéria prima utilizada na produção. Extraise do Parecer da unidade de origem: Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 13502.000432/200524 Acórdão n.º 3002000.375 S3C0T2 Fl. 1.128 11 "No caso em análise, nas notas fiscais apresentadas, fls.378 a 389, constam serviços de armazenagem de mercadoria importada ("internação" de matériaprima importada, conforme, inclusive, esclarecimentos do contribuinte à fl. 325, item 2), e movimentação de mercadoria (despesas portuárias em geral), incluindo refeições e horas extras." (grifo nosso) Entendo que as despesas com a internação e as despesas portuárias em geral incorridas na importação não se constituem em insumo e, por outro lado, não integram a base de cálculo das contribuições incidentes na importação, assim como também não estão contempladas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Logo, não fazem jus ao creditamento na sistemática da apuração não cumulativa das contribuições. Esse mesmo entendimento tem sido manifestado nesta Corte, como no caso do Acórdão 3302.005.187, de 31 de janeiro de 2018, transcrito parcialmente: IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições. Dessa forma, correta as glosas realizadas. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer tão somente o direito ao crédito sobre as aquisições de correias e hidróxido de sódio. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 1128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905820/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/FOR, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 05 82 0/ 20 09 -0 6 Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10840.905820/200906 Resolução nº 3401001.472 S3C4T1 Fl. 3 2 A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 29680.32955.150805.1.3.045878 a compensação de débito de PIS/PASEP (cód.6912) do período de apuração 07/2005 no valor de R$ 1.184,16 com crédito de PIS/PASEP (cód.6912) por recolhimento a maior que o devido, através de DARF no valor de R$ 3.679,53 do período de apuração 06/2005, arrecadado na data de 15/07/2005. Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 1.172,44. Do Despacho Decisório A DRF de Campinas/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 25/05/2009, rastreamento nº 835811451 (efls.8), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da PIS/PASEP do Período de Apuração 30/06/2005. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.12), solicitando que seja revisado seu pedido uma vez que os valores corretos dos débitos estão informados no DACON e foi apresentado DCTF Retificadora corrigindo o valor originalmente declarado, ficando demonstrado o crédito pelo pagamento a maior que o devido. Foi juntado aos autos o DACON e a DCTF Retificadora (efls.29 a 127). Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/FOR, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A homologação da compensação declarada pelo contribuinte está condicionada ao reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa, o que somente é possível mediante apresentação dos elementos que comprovem a liquidez e certeza do direito alegado. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Para que se atribua eficácia às informações contidas em DCTF retificadora, apresentada após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação, é necessário que a manifestação de inconformidade se faça acompanhar de documentos hábeis e idôneos à comprovação do equívoco cometido pela manifestante. A simples retificação da DCTF, em tal condição, não gera os mesmos efeitos inerentes à apresentação espontânea da declaração. Do Recurso Voluntário Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10840.905820/200906 Resolução nº 3401001.472 S3C4T1 Fl. 4 3 O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.143) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que apurou os valores devidos de PIS/PASEP através da contabilização dos créditos oriundos de Bens para Revenda e débitos decorrentes da Venda de Mercadorias e Serviços Prestados e demais receitas tributadas, conforme consta do DACON apresentado e documentos anexos; (b) por ser o débito apurado de PIS/PASEP menor do que o valor recolhido, apresentou PER/DCOMP e equivocadamente deixou de apresentar em tempo hábil a nova DCTF Retificadora, de forma a corrigir o débito anteriormente declarado, o que veio a ocorrer após a emissão do Despacho Decisório; (c) quanto a comprovação dos fatos que acarretaram na redução do débito de PIS/PASEP do mês de junho/2005, faz a juntada de documentos (efls. 158 a 250), correspondentes ao Razão Contábil, Balancete de Verificação e relatório analítico de apuração do PIS não cumulativo). Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte demonstrou via DACON e registros contábeis que incorreu em erro ao declarar o valor do débito de PIS/PASEP não cumulativo do mês 06/2005 em DCTF. Providenciou a correção de valor através da DCTF Retificadora, só que após a não homologação do pedido de compensação de crédito, quando tomou conhecimento do Despacho Decisório. O entendimento passado pela DRJ/FOR através do acórdão recorrido está centrado na seguinte premissa: Portanto, para que se atribua eficácia às informações contidas em declaração retificadora, especificamente em relação àquelas que implicam na caracterização de pagamento indevido ou a maior, é mister que tal procedimento ocorra antes da emissão do despacho Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10840.905820/200906 Resolução nº 3401001.472 S3C4T1 Fl. 5 4 decisório, momento em que é ônus do fisco a glosa de qualquer valor informado pelo sujeito passivo. Sendo a DCTF apresentada após a perda da espontaneidade, demarcada pela ciência do despacho decisório da não homologação da compensação, para que a declaração produza efeitos jurídicos que lhe são inerentes deverá vir acompanhada de documentos hábeis e idôneos, com aptidão suficiente para a comprovação do equívoco cometido pelo contribuinte. A recorrente apresentou nos autos, além do DACON, documentos contábeis que dão suporte a prática de retificação de valores informados em DCTF, o que vem ao encontro da observação feita pela autoridade julgadora, da necessária comprovação do equívoco cometido pela contribuinte. Não sendo o CARF órgão indicado a suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, como se observa pelo texto dos artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Cabe as autoridades administrativas analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10840.905820/200906 Resolução nº 3401001.472 S3C4T1 Fl. 6 5 CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10840.905820/200906 Resolução nº 3401001.472 S3C4T1 Fl. 7 6 (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904943/2015-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 23/04/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.223
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recursos voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 23/04/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recursos voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recursos voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 49 43 /2 01 5- 40 Fl. 76DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0655.080, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada em razão do indeferimento do pedido de restituição formalizado por meio do PER/Dcomp, de nº 33797.46592.260314.1.2.047735, contendo crédito decorrente do pagamento indevido ou a maior da COFINS, código 2172, do período de apuração de 31/03/2010, no valor originário de R$ 275,20 – com documento de arrecadação de valor total de R$ 275,20. Concluída a análise do PER/Dcomp, deuse a emissão do despacho decisório em 03/07/2015, rastreamento nº 102744106 formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, conforme adiante transcrito: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. [...] Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. A ciência do Despacho Decisório se deu em 13/07/2015, tendo a contribuinte apresentado a Manifestação de Inconformidade tempestivamente. Esclarece a manifestante que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.904943/201540 Acórdão n.º 3301005.223 S3C3T1 Fl. 77 3 Em 26/03/2014 transmitiu a Dcomp em tela, por meio da qual utilizou o crédito original de R$ 275,20 referente ao pagamento indevido/a maior de COFINS (código 2172) do período de apuração de 31/03/2010 e, em 06/11/2014, retificou a respectiva DCTF, ajustando assim a declaração aos novos valores apurados. Entende que a Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do presente despacho decisório. Requer que seja desconsiderado o despacho decisório, anulando assim a presente decisão e que seja considerado o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 23/04/2010 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o Pedido de Restituição PER por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.904943/201540 Acórdão n.º 3301005.223 S3C3T1 Fl. 78 5 No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte Fl. 80DF CARF MF 6 na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário: 2008 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.904943/201540 Acórdão n.º 3301005.223 S3C3T1 Fl. 79 7 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.007238/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
RECEITAS DECLARADAS. DIPJ. RECEITAS ESCRITURADAS. LIVRO FISCAL.
Constatada a existência de receitas escrituradas em livro fiscal em montante superior às receitas informadas na DIPJ, correto o lançamento de ofício do imposto de renda incidente sobre as diferenças de receita omitida (base de cálculo do Simples Federal).
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL
As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais.
JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC.
Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicam-se juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC.
SÚMULA CARF N° 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
Numero da decisão: 1302-002.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 RECEITAS DECLARADAS. DIPJ. RECEITAS ESCRITURADAS. LIVRO FISCAL. Constatada a existência de receitas escrituradas em livro fiscal em montante superior às receitas informadas na DIPJ, correto o lançamento de ofício do imposto de renda incidente sobre as diferenças de receita omitida (base de cálculo do Simples Federal). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicam-se juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. SÚMULA CARF N° 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 RECEITAS DECLARADAS. DIPJ. RECEITAS ESCRITURADAS. LIVRO FISCAL. Constatada a existência de receitas escrituradas em livro fiscal em montante superior às receitas informadas na DIPJ, correto o lançamento de ofício do imposto de renda incidente sobre as diferenças de receita omitida (base de cálculo do Simples Federal). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. SÚMULA CARF N° 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 72 38 /2 00 8- 62 Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 809 2 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ/FNS: “Trata o presente processo de impugnação aos Autos de Infração que exigem da interessada o recolhimento das seguintes importâncias, todas apuradas sob as regras do Simples, correspondentes ao ano calendário de 2005: Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 810 3 Às exações supra, foram aplicadas multa de lançamento de ofício de 75% e juros de mora. Como consta nos Autos de Infração, foi feito o lançamento de ofício a título de (i) omissão de receitas (receitas não escrituradas) e, também, (ii) em razão da omissão de receitas, por insuficiência de recolhimento dos impostos e contribuições apurados então pelo Simples. De acordo com a descrição dos fatos no auto de infração do IRPJSIMPLES, temos: Constatouse no presente procedimento fiscal que a empresa deixou de oferecer à tributação do SIMPLESFederal (Lei n° 9.317/96), valores mensais de receitas operacionais apuradas em seus livros de Registro de Saídas de Mercadorias e de Apuração do ICMS, valores esses corroborados por informações prestadas nas DIEF e também confessados à Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, através de documento próprio em que a empresa confirma os valores constantes dos registros ora comentados. Dessa forma, constatandose neste procedimento as diferenças que não foram submetidas à tributação pelo SIMPLESFederal, eis que os valores das Receitas informados na sua Declaração PJSI do AnoCalendário de 2005 foram inferiores àqueles efetivamente auferidos nesse ano, estamos procedendo ao Lançamento de Oficio, para exigência das diferenças ora apuradas. Em Demonstrativo anexo, estamos evidenciando as diferenças de Receitas quantificadas em cada mês do mencionado AnoCalendário, a partir do qual também ficam delineados os acréscimos legais relativos à Multa de Oficio e aos Juros de Mora, estes à taxa Selic. A autuada apresentou sua impugnação, acostada às fls. 271 a 463, que ora se resume: NULIDADE — AUSÊNCIA DA PROVA DA OMISSÃO; Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 811 4 No processo não existe prova da omissão de receitas geradora do lançamento de oficio efetuado pela autoridade administrativa; Como já afirmamos, não houve auditoria fiscal por parte da Receita Federal. O fisco apenas utilizou de "prova emprestada", sem, contudo, como seria por dever de oficio, seu mister, aprofundar em sua auditoria para apurar a veracidade das informações que teriam sido obtidas em terceiros, ao que parece obtidas na Secretaria de Estado da Fazenda do Maranhão; Também, não temos conhecimento desta suposta "confissão a termo" que teria sido prestada pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal. E, se houve a formalização de tal documento, se de fato ele existe neste processo, certamente foi obtido de forma irregular; O que existe em todo o processo são simplesmente informações prestadas pelo próprio contribuinte pelos elementos que dispunha, e outros dados de terceiros trazidos pelo agente fiscal, sem quaisquer provas da origem e de sua veracidade; O fisco não apresentou outros elementos, que comprovasse como verídica a suposta omissão de receita, e como verdadeiras as suas conclusões. Apenas utilizouse de dados de terceiros em comparação com os dados fornecidos pelo contribuinte, estabelecendo uma diferença a tributar, sem qualquer outro procedimento de auditoria com a profundidade necessária; O que houve neste lançamento, foi a utilização da presunção de omissão de receitas operacionais por parte da autoridade fiscal. E, digase de passagem, sem previsão legal para este tipo de acusação fiscal; São os seguintes Acórdãos, exarados pela própria Receita Federal, que corroboram esta nossa defesa no que tange a utilização indevida de "prova emprestada", sem quaisquer outros procedimentos fiscais; transcreve também ementas de julgados do extinto Conselho de Contribuintes (atual CARF); CERCEAMENTO DE DEFESA E INFRINGÊNCIA DE NORMA LEGAL; O contribuinte somente poderia ser acusado de omitir rendimentos, e sofrer o lançamento, após o prévio e regular procedimento fiscal, caso não fosse possível ao contribuinte se eximir da acusação fiscal. Mas não houve a acusação fiscal. Como já comprovado, o fisco apenas utilizouse de provas emprestadas, apenas informações de terceiros, sem qualquer constatação desta suposta realidade; Outro fato relevante, em destaque neste procedimento fiscal, é que somente o após o Processo Administrativo Tributário poderia ocorrer sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Lei 9.317/96); Mais um fato relevante, caracterizador do Cerceamento do Direito de De portanto, nulidade dos Autos, foi a retenção do PAT 10320.007238/200862 na seção de Fiscalização da DRF/São Luís, onde devem constar todos os elementos da acusação fiscal, sendo que a sede do contribuinte é em outro município, Santa Inês. Localidade onde deveria Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 812 5 permanecer o processo administrativo para consultas e pesquisas para a elaboração da defesa; Senhores Julgadores! Observem a localização do processo desde o dia 31/12/2008. O Processo Administrativo, segundo o Sistema de Processos do Ministério da Fazenda, em consulta formulada 04/02/2009 se encontrava e se encontra em São Luís, observem os grifos na consulta [...]; DO MÉRITO CERTEZA E LIQUIDEZ DO LANÇAMENTO Há que se arguir ainda, no mérito, que faltou ao lançamento elementos essenciais ensejadores da certeza e liquidez do mesmo; O fisco tinha o dever de carrear aos autos as provas de que houve omissão de receitas, ou seja, não basta a suposta informação de terceiros, mas também, seria necessário comprovar se realmente existiram. A inversão do ônus da prova, obrigado ao contribuinte em trazer elementos suficientes para elidir o lançamento, somente é cabível quando o fisco se utiliza da presunção legal. O que não é o caso; No caso, o fisco não provou a existência do fato gerador além daquele informado pela empresa. Pelos documentos fornecidos pela própria contribuinte podese apenas constatar os valores contidos na Declaração PJSI 2006 – SIMPLES; Os valores declarados pelo contribuinte foram corretamente inseridos no Demonstrativo de Apuração de Omissão de Receitas — Simples Federal Ano Calendário 2005, na coluna Receitas Declaradas SimplesPJSI; Contudo, no mesmo Demonstrativo elaborado pelo Auditor Fiscal, na coluna Receitas Apuradas — Fisco Federal, existem erros de transcrição de valores nos meses de fevereiro/2005, abril/2005 e novembro/2005, que segundo o agente fiscal foram obtidos na DIEF da Secretaria do Estado da Fazenda MA; Há, pois, a incerteza do lançamento, o que impede seu nascimento; Não sendo a competência legal desta Delegacia de Julgamento em aperfeiçoar a apuração fiscal, pelos erros de transcrição nos referidos meses, se requer o cancelamento do lançamento efetuado; FORMA DE TRIBUTAÇÃO; Argumentando, se considerado válido os créditos constituídos, a autoridade fiscal não utilizou legalmente as alíquotas aplicáveis ao Simples Federal, com sua progressividade, como estabelecidas na Lei 9.317/96 e suas alterações posteriores pelas Leis 9.732/98 e 11.307/2006, o que torna o mesmo totalmente nulo, em face à sua obrigatoriedade vinculada do artigo 142 do CTN; enumera e exemplifica os eventuais erros cometidos na apuração fiscal: Primeiro exemplo: o fisco apurou uma Receita Bruta em 01/2005 de R$ 262.360,99, cujo percentual de tributação seria 5,4% sobre R$240.000,00 e 5,8% sobre o Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 813 6 residual de R$22.360,99. Contudo utilizou indevidamente as alíquotas de Partilha de 0,26 %IR, 0,26%PIS e 2,28% INSS do inciso II alínea b do artigo 23 da Lei 9.317/96, ao invés de observar que para a Receita Bruta até R$240.000,00 deveria ser aplicada a alínea a do artigo 23, com os seguintes percentuais 0,13% IR, 0,13% PIS e 2,14% INSS. Segundo exemplo: no mês de abril/2005, cuja Receita Apurada pelo fisco foi de R$281.794,92, cujos percentuais de tributação seriam 7,8%, 8,20% e 8,6%, pois a receita bruta acumulada segundo o fisco seria R$ 1.188.368,30, porém o fisco utilizou alíquotas da Planilha de Partilha que somam no mês 8,6%. Ou seja, não obedeceu a progressividade da tabela, não utilizou as faixas de tributação. Por fim, contesta a aplicação da multa de ofício em face de seu caráter confiscatório requerendo a redução para 20%, assim como não se conforma com a utilização da taxa de juros SELIC como fator de atualização de tributos, por entender sua aplicação ser ilegal e inconstitucional”. Após a análise das razões apresentadas, os membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/FNS julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa do Acórdão nº 0734.979, a seguir transcrito: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 Receitas Declaradas. DIPJ. Receitas Escrituradas. Livro Fiscal. Constatada a existência de receitas escrituradas em livro fiscal em montante superior às receitas informadas na DIPJ, correto o lançamento de ofício do imposto de renda incidente sobre as diferenças de receita omitida (base de cálculo do Simples Federal). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 Lançamento de Ofício. Multa Aplicável As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Juros de Mora. Aplicabilidade da Taxa SELIC. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 814 7 Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. Súmula CARF n° 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Argüições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão retro, a interessada interpôs Recurso Voluntário apenas reiterando as razões apresentadas em 1ª instância administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 815 8 Das Preliminares de Nulidade A Recorrente alega ser nula a autuação por não restar comprovada a omissão de receitas, tendo a autuação se baseado em mera presunção, posto que não houve qualquer auditoria, ou qualquer aprofundamento sobre a matéria tributável, isto porque, o Fisco se limitou a comparar as informações prestadas pelo próprio contribuinte com aquilo que chama de “prova emprestada”, conforme Termos de fls. 70/74. No mesmo sentido, aduz que: (i) só poderia ser acusada de omitir rendimentos após prévio e regular procedimento fiscal, o que não se verificou; (ii) a ausência de competência do Auditor Fiscal para excluir a empresa do Simples; (iii) cerceamento do direito de defesa por dificuldade de acesso ao processo que tramitava em DRF diferente do domicílio da Recorrente; e (iv) cerceamento do direito de defesa por omissão do julgado de primeira instância. A respeito das nulidades o Decreto 70.235/72 dispõe: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa” Pois bem. No presente processo, os fatos relatados com relação à hipótese de cerceamento do direito de defesa não atraem a incidência do art. 52, inciso II, transcrito acima. Primeiramente, constatase a improcedência das alegações quanto à falta de aprofundamento da fiscalização, e quanto à impossibilidade de acusação sem prévio e regular procedimento fiscal, pois estas se referem à etapa do procedimento fiscal que, como a denominação sugere, é apenas uma etapa de instrução para um eventual processo futuro. No procedimento fiscal, não há que se falar, em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, justamente por não haver, ainda, um processo. Nesta etapa preparatória, basta o convencimento da autoridade fiscal quanto à ocorrência do fato tributável e o consequente descumprimento da norma tributária. Vejamos a lição de James Marins: “O procedimento administrativo fiscalizatório interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, o que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula além do Estado, o contribuinte. Só quando houver uma vinculação do contribuinte farseá lícito aludir a processo, antes não. Corroborando tal assertiva, basta se atinar para que nem todo procedimento fiscalizatório irá conduzir necessariamente a uma exação, havendo clara separação entre os dois momentos” (Direito Processual Tributário Brasileiro, 4ª ed., p. 231) Em relação à ausência de competência do Auditor Fiscal para exclusão da empresa do Simples Federal, destacase o próprio trecho colacionado a peça de Recurso Voluntário, vejamos: Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 816 9 “...estamos procedendo sua EXCLUSÃO DO SIMPLES Federal (Lei nº. 9.317/96), em procedimento específico, no qual lhe será assegurado o contraditório e ampla defesa, cujo rito será determinado pelo Decreto nº. 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal federal. Quer isto dizer que no que tange ao AnoCalendário de 2006, a empresa não poderá ser tributada pelo SIMPLES Federal,...” Do trecho, fica claro que o procedimento de exclusão do simples será procedido após conferido o contraditório e ampla defesa no processo que lhe diga respeito. Ademais disso, a própria interessada reconhece, linhas atrás, que quanto ao trecho tratase de uma “ameaça”; deixando claro a inexistência do suposto ato proferido por autoridade incompetente. Outrossim, como atesta o próprio trecho acima transcrito, muito embora tenham ocorrido algumas falhas quanto ao conhecimento da Impugnação apresentada neste processo, verificase que a mesma foi sanada, tendo o recurso inicial sido julgado, bem como tendo sido ofertada a possibilidade de recurso a este Conselho, não restando caracterizado o cerceamento do direito de defesa alegado pela Recorrente. Por fim, com relação à alegação de omissão da decisão recorrida quanto a todas as hipóteses de nulidade aventadas, em que pese a improcedência das mesmas, verifica se que o julgador administrativo não está obrigado a enfrentar todos os argumentos apresentados pelo interessado, como já sedimentado na jurisprudência deste Conselho. A título exemplificativo, vejamos o seguinte precedente: NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª. INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida (STJ, EDcl no MS 21315 / DF, S1 DJe 15/06/2016). Nesse sentido, rejeito as preliminares de nulidade. Da Adoção das Razões do Acórdão n.º 0734.979 DRJ/FNS Afastadas as preliminares de nulidade levantadas adoto as razões de decidir do acórdão recorrido, nos termos do parágrafo 3, do art. 57 do RICARF em vista da inexistência de novas razões de defesa apresentadas perante este Conselho. Segue a transcrição: “Neste ponto, deve ficar bem claro que, no procedimento da fiscalização, não se utilizou qualquer documento de terceiros ou, conforme denominado pela doutrina e invocado pela Impugnante, de prova emprestada. Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 817 10 Na descrição dos fatos do Auto de Infração – IRPJSimples, consta que a base de cálculo que serviu para apuração do imposto devido e contribuições sociais, foi a própria receita da atividade da Contribuinte, então escriturada em seu próprio livro fiscal – Livro de Registro de Saídas de Mercadorias e de Apuração do ICMS. Constatouse no presente procedimento fiscal que a empresa deixou de oferecer à tributação do SIMPLESFederal (Lei n° 9.317/96), valores mensais de receitas operacionais apuradas em seu livro de Registro de Saídas de Mercadorias e de Apuração do ICMS, “valores esses corroborados por informações prestadas nas DIEF e também confessados à Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, através de documento próprio em que a empresa confirma os valores constantes dos registros ora comentados” (Auto de Infração). A Impugnante alega que desconhece tal documento (confissão) e que o mesmo, segundo seu entendimento fora obtido de forma irregular. Certamente a Impugnante está se referindo ao demonstrativo acostado aos autos à fl.101 e que ora se reproduz: Este demonstrativo encontrase em papel timbrado da Contribuinte autuada e assinada por Antonio Vicente dos Santos, pessoa que consta como representante da Declaração de Rendimentos de Pessoa Jurídica (fl.82). Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 818 11 A reclamação da Contribuinte acerca deste demonstrativo é irrelevante, no caso, uma vez que ele apenas reproduz os valores de receita que constam nos seus próprios livros fiscais, ou seja, estas receitas são aquelas escrituradas no Livro Resumo da Apuração do ICMS – SEFAZMA (fls.102 a 113) e Livro Registro de Saídas – RS – Modelo P2 (fls.119 a 169). Estamos é diante de uma prova direta e produzida pela própria Contribuinte, quando escriturou suas receitas (venda de mercadorias – Código Fiscal –5102) no seu Livro Fiscal, ou seja, não se tratou de informações de terceiros e, muito menos de prova emprestada, como alegado pela Impugnante. De presunção de omissão de receitas então, passase longe disto, a omissão é material. A autuação está baseada em informações prestadas pela própria Contribuinte, escrituradas por ela em seu livro fiscal, de forma que não se faça uso de jogo de palavras para amenizar a grave infração cometida pela Contribuinte. A empresa, ora Impugnante, tributava seu resultado pelas regras do Simples Federal no anocalendário de 2005, portanto, de apuração mensal. O montante de receita de sua atividade que não foi declarada para fins de tributação em sua DIPJ/AC 2005, ao Fisco Federal, foi da ordem de R$ 2.646.826,34, conforme Demonstrativo de Apuração de Omissão de Receitas – SIMPLES FEDERAL (fl.100), onde ali consta também a informação de que a receita declarada foi de R$ 492.922,20, muito aquém da verdadeira, escriturada. Causa estranheza a Impugnante alegar, também, a nulidade dos lançamentos por conta de cerceamento de direito de defesa: ora, tudo que aqui se mostrou não foi inventado e nem criado pela autoridade autuante, tratamse de valores tributáveis extraídos dos próprios livros fiscais da Impugnante que, ressaltese, em nenhum momento fez qualquer restrição quanto às informações contidas nos mesmos. Não nos olvidemos que se tratam de valores de receitas contidos em livros fiscais e relativos ao ano de 2005 e o Auto de infração foi lavrado em 2008, de forma que, em face da clareza da situação ali posta, uma eventual intimação prévia (para esclarecimentos, por exe.) ao lançamento era totalmente desnecessária. Ainda, todos os documentos fornecidos pela Impugnante no âmbito da presente Fiscalização foramlhe devolvidos (v. Termo de Devolução de Documentação Contábil/Fiscal, fls.229/230) com ciência da Fiscalizada em 16/01/2009. Relativamente à outra alegação, de que o presente processo se encontrava em local (DRF/São Luiz/MA) que não o de seu domicílio tributário, este fato não tem a conseqüência que lhe atribui a Impugnante, até porque a lavratura do auto de infração efetivouse pela DRFSão Luiz/MA. A Contribuinte recebeu todos os documentos/livros fiscais, conforme já destacamos e, ao tomar ciência do Auto de Infração e impugnálo tempestivamente, neste momento instaurouse o litígio e, conseqüentemente, o processo administrativo fiscal. Já fartamente demonstrado, portanto, que o procedimento da Fiscalização foi legítimo, não há que se cogitar de nulidade do lançamento nos termos em que aventado pela Contribuinte. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 819 12 Da exclusão do SIMPLESFEDERAL Consta no Auto de infração que a Contribuinte será excluída do SIMPLES FEDERAL, em processo autônomo, portanto, não há o que se discutir neste processo. Da alegação de erro na transcrição de valores, do livro fiscal para o demonstrativo de apuração do IRPJ Segundo a Impugnante, teria havido um erro na transcrição de valores das receitas do livro ou da DIEF para a apuração do IRPJ, e relativo aos meses de fevereiro, abril e novembro de 2005. Não existe erro algum. No Demonstrativo de Apuração dos Valores Devidos IRPJSimples (fl.08), consta como base de cálculo em fevereiro/2005, o valor de R$ 228.800,00 (omitido na DIPJ) e R$ 23.453,86 (informado na DIPJ), que, somados, importa em R$ 246.253,86 que é o que está registrado no Livro Apuração de ICMS a fl.173 e Livro Registro de Saídas – SEFAZ/MA (fl.125). No Demonstrativo de Apuração dos Valores Devidos IRPJSimples (fl.08), consta como base de cálculo em abril/2005, o valor de R$ 254.352,00 (omitido na DIPJ) e R$ 27.442,72 (informado na DIPJ), que, somados, importa em R$ 281.794,72 que é o que está registrado no Livro Apuração de ICMS a fl.177 e Livro Registro de Saídas – SEFAZ/MA (fl.136). No Demonstrativo de Apuração dos Valores Devidos IRPJSimples (fl.09), consta como base de cálculo em novembro/2005, o valor de R$ 229.872,76 (omitido na DIPJ) e R$ 87.754,06 (informado na DIPJ), que, somados, importa em R$ 317.626,82 que é o que está registrado no Livro Apuração de ICMS a fl.191 e Livro Registro de Saídas – SEFAZ/MA (fl.163). Da alegação de erro na utilização das alíquotas do SIMPLESFEDERAL Segundo a Impugnante, a autoridade autuante teria utilizado alíquotas indevidas na apuração do imposto e contribuições (partilha do valor devido), em desacordo com a Lei 9.317/96 e alterações posteriores. Traz os seguintes exemplos: Primeiro exemplo: o fisco apurou uma Receita Bruta em 01/2005 de R$262.360,99, cujo percentual de tributação seria 5,4% sobre R$240.000,00 e 5,8% sobre o residual de R$22.360,99. Contudo utilizou indevidamente as alíquotas de Partilha de 0,26 %IR, 0,26%PIS e 2,28% INSS do inciso II alínea b do artigo 23 da Lei 9.317/96, ao invés de observar que para a Receita Bruta até R$240.000,00 deveria ser aplicada a alínea a do artigo 23, com os seguintes percentuais 0,13% IR, 0,13% PIS e 2,14% INSS. Segundo exemplo: no mês de abril/2005, cuja Receita Apurada pelo fisco foi de R$281.794,92, cujos percentuais de tributação seriam 7,8%, 8,20% e 8,6%, pois a receita bruta acumulada segundo o fisco seria R$ 1.188.368,30, porém o fisco utilizou alíquotas da Planilha de Partilha que somam no mês Fl. 820DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 820 13 8,6%. Ou seja, não obedeceu a progressividade da tabela, não utilizou as faixas de tributação. Relativamente ao mês de janeiro/2005, no Demonstrativo de Apuração do Imposto/Contribuição Sobre Diferenças Apuradas (fl.65), temse: A receita bruta auferida e acumulada dentro do anocalendário, na importância de até R$ 120.000,00, era considerada como limite para fins de enquadramento como microempresa à época dos fatos geradores (2005) e, segundo o disposto no art.5, inc.I, alínea “c” da Lei n. 9.317/96, o percentual do Simples era de 5%. Assim foi feito e distribuído conforme tabela acima (art.23, Inc.I, alínea “a”, da Lei n. 9.317/96), cuja base de cálculo considerada na autuação foi de R$ 107.639.01 [R$ 120.000,00 () R$ 12.360,99 – receita declarada e tributada]. Receita auferida superior ao limite de R$ 120.000,00, já passa a empresa a ser considerada empresa de pequeno porte e passa a ter outro tratamento (entenda alíquotas diferentes). A receita bruta acumulada (omitida + declarada) em janeiro de 2005 foi da ordem de R$ 262.360,99, portanto, o percentual aplicável a ser considerado sobre a receita seria de 5,8%, conforme art.5º, inc.II, alínea “b” da da Lei n. 9.317/96. Assim foi feito e distribuído conforme tabela acima (art.23, Inc.II, alínea “b” da Lei n. 9.317/96), cuja base de cálculo considerada na autuação foi a diferença do que já foi considerado anteriormente, então tributouse R$ 142.360,99 [R$ 262.360 () R$ 120.000,00]. A Impugnante equivocouse em seu entendimento porque considerou a utilização de alíquotas sem observar os limites entre microempresa e empresa de pequeno porte. No segundo exemplo trazido na Impugnação: Segundo exemplo: no mês de abril/2005, cuja Receita Apurada pelo fisco foi de R$281.794,92, cujos percentuais de tributação seriam 7,8%, 8,20% e 8,6%, pois a receita bruta acumulada segundo o fisco seria R$ 1.188.368,30, porém o fisco utilizou alíquotas da Planilha de Partilha que somam no mês 8,6%. Ou seja, não obedeceu a progressividade da tabela, não utilizou as faixas de tributação. A receita bruta acumulada (omitida + declarada) em março de 2005 foi da ordem de R$ 906.573,58 (v. Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre a Receita Bruta, fl.56), portanto, o percentual aplicável a ser considerado sobre a receita até este mês seria de 7,80% (art.23, inc.II, alínea “g” da Lei n. 9.317/96). Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 821 14 Em abril de 2005, entretanto, a receita acumulada já se apresentava da ordem de R$ 1.188.368,30 (v. Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre a Receita Bruta, fl.56), portanto, o percentual aplicável a ser considerado sobre a receita até este mês foi, corretamente aplicado, de 8,60% (art.23, inc.II, alínea “i” da Lei n. 9.317/96). Não procedem as alegações, portanto, os percentuais foram utilizados corretamente e de acordo com a legislação da época dos fatos geradores (2005). Da Multa de Ofício Nos casos de lançamento de ofício, a regra geral é aplicar a multa típica a lançamentos desta natureza, de 75%, aplicada no caso presente. Com relação a alegação que esta penalidade, neste patamar, representa afronta ao preceito constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco, pouco se tem a dizer. A Constituição Federal, em seu art. 150, IV, veda a utilização de tributo com o efeito de confisco. Tratase de limitação ao poder de tributar que visa evitar o excesso de carga tributária, que implique agravamento exagerado na situação do contribuinte. Porém, não existe um patamar prédefinido que permita dizer que um tributo tem ou não efeito confiscatório, cabendo essa valoração ao legislador ou, mediante provocação, ao órgão judicial competente. Assim, em primeiro plano, pode se dizer que o princípio do não confisco é uma limitação imposta pelo legislador constituinte ao legislador infraconstitucional, não podendo este último instituir tributo que tenha efeito confiscatório, onerando excessivamente o contribuinte. Em segundo plano, o princípio dirigese, eventualmente, ao poder judiciário, que deve aplicálo no controle difuso ou concentrado da constitucionalidade das leis. Portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à administração tributária. Esta submetese ao princípio da legalidade, não podendo se esquivar à aplicação de lei editada conforme o processo legislativo constitucional. Não cabe à administração tributária criar a lei, muito menos furtarse a aplicála ou negar sua vigência. A autoridade lançadora não deve nem pode fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º do CTN, é “atividade administrativa plenamente vinculada”. O que é determinante para a efetivação do lançamento é a ocorrência do fato gerador, e não a repercussão da exigência no patrimônio do contribuinte. Conforme o art. 142 do CTN, ocorrido o fato gerador a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato, não tendo repercussão a atual situação econômicofinanceira do sujeito passivo. Assim, não compete à instância administrativa a análise sobre a matéria, pois a vedação constitucional quanto à utilização de tributo com efeito confiscatório dirigese ao legislador, e não ao aplicador da lei. Em se tratando de falta de pagamento ou recolhimento de imposto/contribuição, apurada em procedimento de ofício, a autoridade lançadora deve aplicar a multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de Fl. 822DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 822 15 27 de dezembro de 1996, não podendo deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. De tal sorte, como as multas de ofício estão previstas em ato legal vigente, regularmente editado, descabida mostrase qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia. O princípio que norteia a imputação desta penalidade (típica ou qualificada) tem o condão de compelir o contribuinte a se afastar de cometer atos ou atitudes lesivos à coletividade, constituindose em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias. No mais, a apreciação de argüições de inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação tributária foge à alçada das autoridades administrativas de qualquer instância, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da validade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo deste poder. Não compete à instância administrativa a análise sobre a matéria, pois a vedação constitucional quanto à utilização de tributo com efeito confiscatório dirige se ao legislador, e não ao aplicador da lei. A questão já foi, inclusive, objeto de súmula em instância administrativa superior, no caso, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por meio da Portaria CARF de nº 106, de 21 de dezembro de 2009: Súmula CARF n° 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária De tal sorte, há que se ter como correta a aplicação da multa de ofício lançada, conforme consignada nos autos de infração. Da utilização da Taxa SELIC Quanto à alegação de que a imposição da taxa SELIC é ilegal, visto a ausência de lei específica e/ou a possibilidade de se fixar taxa diferente de 1% ao mês, conforme estabelecido no § 1o art. 161 do CTN, nada traz a contribuinte em sua defesa que lhe possa eximir dos juros de mora calculados com base na referida taxa. A aplicação dos juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC está legitimamente inserida no ordenamento jurídico. A Lei nº 8.981 de 23/01/1995 estabeleceu, no seu art. 84, I, que os juros de mora seriam equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional, relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna. A MP nº 947, de 23/03/1995, em seus arts. 13 e 14, alterou o disposto para juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, a serem aplicados a partir de Fl. 823DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 823 16 01/04/1995. A MP nº 972, de 22/04/1995, convalidou a Medida Provisória anterior e, finalmente, a Lei nº 9.065, de 21/06/1995, no seu art. 13, reafirmou o art. 13 das duas Medidas Provisórias mencionadas. Por último, os juros SELIC, foram ratificados pelo art. 61 da Lei nº 9.430/96, e vigoram até hoje. Como se vê, a exigência de juros de mora calculados com base na taxa Selic foi prevista, de forma literal, em lei, não havendo como afastála. Cumpre que se declare, mais uma vez, os estreitos limites a que se encontra adstrito o julgador administrativo na apreciação da matéria em tela. Em razão de a ação fiscal ter se baseado em comandos constantes de disposições legais, não lhe cabe competência para analisar as referidas arguições de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, conforme já visto. Na verdade, a exigência dos juros apurados a partir da Taxa SELIC está prevista, de forma literal, no artigo 13 da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995 e no § 3º do art. 61 da Lei no 9.430/1996 (dispositivo indicado no auto de infração, à fl. 310), não havendo como afastála sem expurgar, também, tais dispositivos literais de lei. A questão já foi objeto de súmula em instância administrativa superior, no caso, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por meio da Portaria CARF de nº 106, de 21 de dezembro de 2009: Súmula CARF n° 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, cumpre que se declare, nesta instância, a improcedência das alegações da impugnante, referendando o feito fiscal naquilo que se relaciona com a aplicação da taxa SELIC como juros de mora”. Conclusão Face ao exposto, rejeito as preliminares aventadas e, no mérito, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmemte) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 824DF CARF MF Processo nº 10320.007238/200862 Acórdão n.º 1302002.924 S1C3T2 Fl. 824 17 Fl. 825DF CARF MF
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Numero do processo: 18183.720049/2018-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DESCONTADA DOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E NÃO RECOLHIDAS. DOLO.
Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF nº 106.).
SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE.
O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária.
RELAÇÃO DE ESTÁGIO. DESCARACTERIZAÇÃO.
Os estagiários que recebem bolsas de estágio em desacordo com a Lei n.° 6.494, de 1977 são segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de empregados.
Numero da decisão: 2301-005.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário e, quanto às demais questões, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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PRAZO DECADENCIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DESCONTADA DOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E NÃO RECOLHIDAS. DOLO. Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF nº 106.). SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. RELAÇÃO DE ESTÁGIO. DESCARACTERIZAÇÃO. Os estagiários que recebem bolsas de estágio em desacordo com a Lei n.° 6.494, de 1977 são segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de empregados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não reconhecer a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário e, quanto às demais questões, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 3. 72 00 49 /2 01 8- 84 Fl. 335DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório O presente processo inicialmente foi autuado com o nº 10630.001639/2010 20, sendo, conjuntamente outros processos da mesma recorrente, juntado por anexação ao processo principal 10630.001638/201085 (efls. 1400 a 3009 do processo 10630.001638/201085); com isso, tal processo perdeu sua identidade processual, do que decorreu a impossibilidade de indicálo para a pauta; tal fato motivou o despacho de saneamento das efls. 3018 a 3021 do processo 10630.001638/201085, do que decorreu a nova numeração, a fim de possibilitar seu julgamento nesta instância. Passo à sua análise. Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0230.189, exarado pela 8ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (efls. 280 a 286), do qual utilizo o relatório fiscal: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o órgão público acima identificado, no montante de R$ 8.284,03, consolidado em 20/07/2010, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados e incidentes sobre a remuneração paga aos empregados e contribuintes individuais, descontadas ou não e não recolhidas em época própria. Foram efetuados o seguinte levantamentos: D DESCONTO SEGURADOS 01/05, 10/05, 13/05, 04/06 a 09/06,12/06 e 13/06; S SEGURADOS NÃO DECL.EM GFIP 10/05, 02/06, 04/06 a 09/06, 11/06 e 12/06; A interessada foi cientificada do presente Auto de Infração AI em 27/07/2010, conforme cópia de Aviso de Recebimento AR de fl.55, e apresentou impugnação, em 27/08/2010 (fls. 58/95). Em síntese: alega decadência das contribuições lançadas no período de 01/05 a 07/05, nos termos do que dispõe o artigo 150, §4°, do CTN. Cita jurisprudência; aduz que possuía direito à compensação dos valores recolhidos indevidamente no período de 02/1998 a 09/2004, nos termos do artigo 12, alínea "h", da Lei n° 8.212/91, declarado inconstitucional pelo STF e assegurado nos autos do processo judicial n°12008.38.00.0290379; assevera que efetuou a compensação de tais valores nas GFIP's transmitidas, conforme autorizado na decisão. Contudo, em decisão proferida no julgamento do Agravo de Instrumento interposto pela Fazenda (e transitada em julgado em 05/03/2010), o Tribunal Regional Federal da Ia Região cassou os efeitos da decisão que autorizou a compensação dos valores Fl. 336DF CARF MF Processo nº 18183.720049/201884 Acórdão n.º 2301005.568 S2C3T1 Fl. 3 3 em antecipação de tutela. Acontece que àquela época a impugnante já havia procedido as referidas compensações (amparadas por decisão judicial válida). Conclui que não procede qualquer alegação de irregularidade das mesmas, pois era inconteste o seu direito de compensação; afirma, ainda, que embora a sentença proferida nos autos do processo judicial, equivocadamente, tenha limitado o direito a compensação aos últimos 05 anos, temse, por parte da administração fazendária a interpretação literal do art.168, I do CTN, desconsiderando a interpretação sistemática e esquecendo do art.150, §§ Io e 4o do CTN, ao contrário do que já fora pacificado pelo STJ; argumenta que, portanto, não havendo homologação expressa pela autoridade fazendária, quanto ao pagamento indevido, o prazo prescricional para repetição do indébito previsto no art.168, I (cinco anos) tem seu termo inicial fixado cinco anos após o recolhimento indevido, pois só nesta data aquilo que era "pagamento antecipado" convertese em pagamento definitivo. Cita jurisprudência; alega que não se pode cogitar o argumento da aplicabilidade da Lei Complementar n°l 18/2005 para indeferir pedidos de compensação realizados antes de sua vigência. Cita jurisprudência; afirma que a desconsideração de contratos de estágio foi irregular e arbitrária; argumenta que estão presentes nos contrato de estágio os três elementos essenciais para sua caracterização (estudante, unidade concedente e instituição de ensino) bem como a formalização de termo de compromisso; assevera que a desconfiguração do contrato de estágio não é uma questão meramente objetiva, que poder ser realizada por simples ato de fiscalização. Ao contrário, devese passar por uma análise criteriosa e comparativa entre os requisitos do contrato de estágio, o trabalho efetivamente realizado, bem como se há existência dos requisitos para caracterização do contrato de trabalho, o que compete, exclusivamente, à Justiça do Trabalho, mediante prévia fiscalização do Ministério do Trabalho. Cita jurisprudência; argumenta que os trabalhadores avulsos e autônomos não possuem vínculo empregatício com a impugnante e que não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos aos mesmos, pois nesses casos os pagamentos de contribuição à Seguridade Social fica sob o encargo dos contratados, na condição de contribuintes individuais; refuta a aplicação das multas de mora e de ofício, pois a impugnante se pautou em decisão concedida em seu favor na justiça. Cita jurisprudência. Fl. 337DF CARF MF 4 A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM A LEI. INTERVENIÊNCIA OBRIGATÓRIA DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. Os prazos de decadência em âmbito de contribuições previdenciárias são os previstos no Código Tributário Nacional CTN, conforme Súmula Vinculante n° 8 do STF e Recursos Extraordinários precedentes. Os estagiários que recebem bolsas de estágio em desacordo com a Lei n.° 6.494/77 são segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de empregados. A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino. A ciência dessa decisão ocorreu em 25/03/2011 (efl. 289). Em 15/04/2011 (efl. 332), foi apresentado recurso voluntário (efls. 390 a 326), sendo repetidas as razões da impugnação. Foram feitos os seguintes pedidos: (a) reconhecimento da decadência do direito de constituir os créditos cujos fatos geradores ocorreram em janeiro a julho de 2005, de acordo com previsão expressa do art. 150, § 4º, do CTN; (b) improcedência do auto de infração, tendo em vista que o direito de compensar os valores recolhidos indevidamente no período de fevereiro de 1998 a setembro de 2004, realizada nas GFIP's de 07/2009 a 05/2010, foi devidamente reconhecido em decisão judicial, e a nulidade do ato administrativo que desconfigurou os contratos, de estágio; (c) sejam extraídas do auto de infração as multas de mora e de ofício e, por conseguinte, os juros aplicados sobre estas multas, tendo em vista a existência de decisão judicial que autorizou a compensação. Em 30/04/2015, despacho da Secretaria da 3ª Câmara desta 2ª Seção do Carf, informou que (efl. 3010 do processo principal 10630.001631/201063): O processo indicado acima teve Recurso Voluntário julgado em 14/05/2013, conforme Acórdão 2803002.328 (fls. 1.369/1.380). Encaminhado para ciência do representante da Fazenda Nacional, retornou ao Carf e foi à unidade de origem da Receita Federal do Brasil para ciência do Recorrente. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 18183.720049/201884 Acórdão n.º 2301005.568 S2C3T1 Fl. 4 5 Em 07/04/2015 o processo retornou ao Carf com o seguinte despacho (fl. 1.399): "Após entendimento telefônico, devolvemos o presente processo ao CARF/DF/MF para prosseguimento. Ressaltamos que após análise dos processos anexados a este, todos os processos deverão retornar juntos a esta ARF/MAN tendo em vista o sistema só permite movimentar o processo principal." De fato, há um termo de juntada por anexação (fl. 1.367) dos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/201005, 10630.001636/201096, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020. No entanto, no momento do julgamento, em 14/05/2014, não estavam juntados aos autos do 10630.001631/201063. Assim, como a juntada por anexação já existia de direito, conforme o termo (fl. 1.367), mas não estava consolidada de fato, fizemos nesta data a juntada dos demais autos de infração referentes aos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/2010 05, 10630.001636/201096, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020 e devolvo ao Relator para prosseguimento. (Grifouse.) O despacho de admissibilidade de embargos do conselheiro das efls. 3015 a 3017 do processo 10630.001631/201063 determinou o julgamento dos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/2010 05, 10630.001636/2010 96, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020. Como já referido, como decorrência do despacho de saneamento das efls. 3018 a 3021 do processo 10630.001638/201085, tal processo foi numerado, a fim de possibilitar seu julgamento nesta instância. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Porém, não podem ser conhecidas as alegações, respeitantes à compensação, inclusive de não caber multa e juros pelas compensações autorizadas judicialmente, uma vez que o presente processo não trata de glosas de compensação. DA DECADÊNCIA Fl. 339DF CARF MF 6 Pedese o reconhecimento da decadência do podedever de constituir os créditos cujos fatos geradores ocorreram em janeiro a julho de 2005, de acordo com previsão expressa do art. 150, § 4º, do CTN. A jurisprudência majoritária deste Carf, notadamente consubstanciada na Súmula CARF 106, considera presente o dolo de sonegar quando as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais não são recolhidas: Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF nº 106.) Como visto, trata o lançamento de contribuições sociais de segurados empregados e contribuintes individuais, descontadas dos segurados mediante desconto sobre a respectiva remuneração (e.fls. 56 e 58) e não recolhidas. Resta reconhecido, decorrentemente, o dolo da recorrente, a teor da citada súmula CARF 106. Desse modo, deve ser aplicado ao caso a regra decadencial presente no art. 173, I, do CTN. O lançamento ocorreu em 27/07/2010 (efl. 112). Desse modo, não há falar em decadência do poderdever de constituir o crédito tributário, uma vez que o lançamento trata de períodos de apuração anteriores a 07/2005. A jurisprudência majoritária deste Carf, notadamente consubstanciada na Súmula CARF 106, considera presente o dolo de sonegar quando as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais não são recolhidas: Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF nº 106.) Desse modo, deve ser aplicado ao caso a regra decadencial presente no art. 173, I, do CTN. Tendo em vista que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal das contribuições referentes ao período de 01/1996 a 08/2006 em 27/12/2006 (efl. 284), ficam alcançadas pela decadência quinquenal os períodos de apuração de 01/1996 a 11/2000, mantidas as demais competências, exatamente como decidido pelo acórdão embargado. DESCONSIDERAÇÃO DOS CONTRATOS DE ESTÁGIO COMPETÊNCIA DA RFB PARA DECLARAR VÍNCULO DE EMPREGO Quanto à desconsideração dos contratos de estágio e à competência da RFB para declarar vínculo de emprego, destaquese que a fiscalização agiu em conformidade com o disposto no §2° do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999, que assim dispõe: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 18183.720049/201884 Acórdão n.º 2301005.568 S2C3T1 Fl. 5 7 Art.229. (...) §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9" deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto n" 3.265, de 29/11/99). O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, a relação real entre as sociedades e entre essas e seus empregados, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária, desde que haja elementos probatórios apontado o real sujeito passivo da obrigação tributária. Valhome dos fundamentos expostos pelo conselheiro Ronaldo de Lima Macedo sobre o tema, no Acórdão 2402004.380, cujas razões de decidir adoto: De mais a mais, a legislação tributária, expressamente, confere atribuição à autoridade fiscal para impor "sanções" sobre os atos ilícitos e viciados verificados no sujeito passivo, permitindo a aplicação da norma tributária material, conforme regras previstas nos artigos 142 e 149, inciso VII, ambos do CTN, ainda que alheia à formalidade da situação encontrada. Portanto, é certo que a autoridade do FiscoPrevidenciário, no intuito de aplicar a norma previdenciária ao caso em concreto, detém autonomia ou poderes para caracterizar o real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, e, para tanto, está perfeitamente autorizada a desconsiderar atos e negócios jurídicos, em que se vislumbra manobras e condutas demonstradas ilegais, com intuitos inequivocamente evasivos. (...) Além da outorga de poderes explícitos ao Fisco para identificar o real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, nos termos do art. 142 do CTN, supõe que se reconheça, ainda que por implicitude, à autoridade responsável pelo lançamento fiscal a titularidade de meios destinados a viabilizar a concretude da regra prevista no art. 149, inciso VII, do CTN, permitindo, assim, que se confira efetividade aos fins legais nessa empreitada de caracterizar a real sujeição passiva da obrigação tributária decorrente de fraude ou simulação objetiva. Se assim não fosse esvaziarseiam, por completo, as atribuições legais expressamente concedidas ao Fisco em sede de lançamento fiscal de ofício oriundo do fato de que o sujeito passivo agiu com fraude ou simulação.. Insta mencionar ainda que, ao considerar o real sujeito passivo da relação tributária, o Fisco não está aplicando a regra prevista no art. 116 do CTN – nem está realizando a desconsideração de pessoa jurídica prevista no art. 50 do Código Civil – já que a sua ação não está voltada para fins relacionados exclusivamente ao direito civil, mas sim ao Fl. 341DF CARF MF 8 cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária e tributária, e encontra respaldo legal nesses artigos 142 e 149, inciso VII, do CTN. Em face do art. 144 do CTN, deve ser analisada a legislação da época dos fatos (de 2000 2005). Dessa forma, há expressa previsão na Lei 8.212, de 1991, art. 28, § 9º, “i”, de que não integra o salário de contribuição a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Na época dos fatos, a lei que dispunha sobre os estágios educacionais era a Lei nº 6.494, de 1977, que vigeu até a entrada em vigor da Lei 11.788, de 2008: Art. 1º As pessoas jurídicas de Direito Privado, os órgãos de Administração Pública e as Instituições de Ensino podem aceitar, como estagiários, os alunos regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular.(Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 1o Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16441, de 24/08/2001) § 2º O estágio somente poderá verificarse em unidades que tenham condições de proporcionar experiência prática na linha de formação do estagiário, devendo o aluno estar em condições de realizar o estágio, segundo o disposto na regulamentação da presente lei. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 3º Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares. (Incluído pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) Art. 2º O estágio, independentemente do aspecto profissionalizante, direto e específico, poderá assumir a forma de atividade de extensão, mediante a participação do estudante em empreendimentos ou projetos de interesse social. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 18183.720049/201884 Acórdão n.º 2301005.568 S2C3T1 Fl. 6 9 Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino. § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no § 3° do art. 1º desta lei. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 2º Os estágios realizados sob a forma de ação comunitária estão isentos de celebração de termo de compromisso. Art. 4º O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária, devendo o estudante, em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais. Art. 5º A jornada de atividade em estágio, a ser cumprida pelo estudante, deverá compatibilizarse com o seu horário escolar e com o horário da parte em que venha a ocorrer o estágio. Parágrafo único. Nos períodos de férias escolares, a jornada de estágio será estabelecida de comum acordo entre o estagiário e a parte concedente do estágio, sempre com interveniência da instituição de ensino. (...) (Grifouse.) A regulamentação dessa lei foi dada pelo Decreto nº 87.497, de 1982, que transcrevo: Art . 1º O estágio curricular de estudantes regularmente matriculados e com freqüência efetiva nos cursos vinculados ao ensino oficial e particular, em nível superior e de 2º grau regular e supletivo, obedecerá às presentes normas. Art . 2º Considerase estágio curricular, para os efeitos deste Decreto, as atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionadas ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizada na comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino. Art . 3º O estágio curricular, como procedimento didático pedagógico, é atividade de competência da instituição de ensino a quem cabe a decisão sobre a matéria, e dele participam pessoas jurídicas de direito público e privado, oferecendo oportunidade e campos de estágio, outras formas de ajuda, e colaborando no processo educativo. Art . 4º As instituições de ensino regularão a matéria contida neste Decreto e disporão sobre: a) inserção do estágio curricular na programação didático pedagógica; Fl. 343DF CARF MF 10 b) cargahorária, duração e jornada de estágio curricular, que não poderá ser inferior a um semestre letivo; c) condições imprescindíveis, para caracterização e definição dos campos de estágios curriculares, referidas nos §§ 1º e 2º do artigo 1º da Lei nº 6.494, de 07 de dezembro de 1977; d) sistemática de organização, orientação, supervisão e avaliação de estágio curricular. Art . 5º Para caracterização e definição do estágio curricular é necessária, entre a instituição de ensino e pessoas jurídicas de direito público e privado, a existência de instrumento jurídico, periodicamente reexaminado, onde estarão acordadas todas as condições de realização daquele estágio, inclusive transferência de recursos à instituição de ensino, quando for o caso. Art . 6º A realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. § 1º O termo de compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. § 2º O termo de compromisso de que trata o parágrafo anterior deverá mencionar necessariamente o instrumento jurídico a que se vincula, nos termos do artigo 5º. § 3º Quando o estágio curricular não se verificar em qualquer entidade pública e privada, inclusive como prevê o § 2º do artigo 3º da Lei nº 6.494/77, não ocorrerá a celebração do termo de compromisso. (...) (Grifouse.) Assim, estagiário é o estudante que atua nas pessoas jurídicas de direito privado, nos órgãos de Administração Pública e nas instituições de ensino, amparado pela Lei 6.494, de 1977, regulamentada pelo Decreto 87.497, de 1982, assim considerado o que esteja regularmente matriculado e freqüentando efetivamente os cursos de educação superior, ensino médio, educação profissional de nível médio ou superior ou educação especial. Observase que a atividade de estagiário revestese, a princípio, de pessoalidade, subordinação, nãoeventualidade, onerosidade e é prestada por pessoa física, características inerentes a uma relação de emprego, mas os valores percebidos por estagiário não compões a base de cálculo das contribuições previdenciárias quando obedecidas as regras previstas na Lei n.° 6.494, de 1977 (art. 1°. §§ 1°, 2° e 3°). Já o art. 3o da Lei n° 6.494/77 dispõe que a realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino, sendo que, quando realizado de conformidade com a citada Lei, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, (art. 4o). Fl. 344DF CARF MF Processo nº 18183.720049/201884 Acórdão n.º 2301005.568 S2C3T1 Fl. 7 11 Do contrário, não estando presentes todo os requisitos formais e materiais da Lei 6.494, de 1977, os valores percebidos pelos estagiários são tributados, sofrendo incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros, com a sua caracterização como segurados empregados. De acordo com o relatório fiscal do Auto de Infração 37.294.6828 (processo principal 10630.001631/201063), a recorrente, concedente do estágio, deixou de cumprir todos os requisitos previstos na legislação específica, relativos ao contrato de estágio. Verificouse a ausência de documentação obrigatória prevista na Lei 6.494, de 1977 e no Decreto 8.794, de 1982, como acordos de cooperação firmados entre a Prefeitura e as instituições de ensino intervenientes e apólices de seguros dos estagiários. Deste modo, não tendo sido demonstrado o cumprimento de todos os requisitos da Lei 6.494, de 1977, correto o procedimento da fiscalização no sentido de considerar os estagiários como segurados empregados. No que diz respeito às contribuições incidentes sobre os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais, diferentemente do que alega a autuada, a contribuição previdenciária incide sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos mesmos. Quanto às contribuições dos segurados, a Lei 8.212, de 1991, dispõe: Art 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição mensal, de forma não cumulativa, observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela: (...) § Io Os valores do saláriodecontribuição serão reajustados, a partir da data de entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social § 2o O disposto neste artigo aplicase também aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que prestem serviços a microempresas Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo saláriodecontribuição. § Io Os valores do saláriodecontribuição serão reajustados, a partir da data de entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. § 2° É de 11% (onze por cento) sobre o valor correspondente ao limite mínimo mensal do saláriodecontribuição a alíquota de contribuição do segurado % contribuinte individual que trabalhe por conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado, e do segurado facultativo que optarem pela Fl. 345DF CARF MF 12 exclusão do direito ao beneficio de aposentadoria por tempo de contribuição. Logo, a recorrente estava obrigada a arrecadar a contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, nos termos da Lei 8.212, de 1991, art. 30, I, “'a”, e da Lei 10.666, de 2003, artigo 4º. Lei 10.666, de 2003 Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. Conclusão Voto, portanto, por não reconhecer a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário e, quanto às demais questões, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 346DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000100/2007-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, quando constatado que o acórdão embargado efetivamente tinha esse defeito.
Numero da decisão: 9202-007.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202-003.810, de 17/02/2016, com efeitos infringentes, especificar o período objeto da decadência e esclarecer sobre a aplicação da multa.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, quando constatado que o acórdão embargado efetivamente tinha esse defeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202 003.810, de 17/02/2016, com efeitos infringentes, especificar o período objeto da decadência e esclarecer sobre a aplicação da multa. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 01 00 /2 00 7- 93 Fl. 737DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de novos Embargos de Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal em CuiabáMT, agora em face do Acórdão nº 9202003.810, prolatado em 17 de fevereiro de 2016, os quais foram acolhidos e foi restou assim ementada: Assunto: Contribuição Social Previdenciária. Decadência Período de apuração: 01/2000 a 12/2006 O prazo decadencial para os lançamentos sujeitos a homologação obedece ao art. 150, § 4º, do CTN, quando houver antecipação do pagamento, mesmo que parcial, e ao art. 173, I, do CTN, quando não houver pagamento do tributo. No presente caso, constatase que houve recolhimento nas competências impugnadas (01/2002 a 07/2002), razão pela qual a regra aplicável é a do art. 150, §4º, do CTN. Embargos acolhidos para negar provimento ao Recurso Especial Na origem, tratase do Auto de Infração nº 37.101.1531, lavrado em 28/06/2007, cientificado o contribuinte em 14/08/2007, que tem por objeto contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas “a”, “b” e “c”, da Lei nº 8.212/91, e contribuições devidas a terceiros, na forma do art. 3º, da Lei nº 11.457/2007, relativas ao período entre 01/2000 a 12/2006. No Relatório Fiscal, fls. 6, consta que o Contribuinte foi autuado por ter apresentado GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social) com omissão das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais pelos serviços prestados sem vínculo empregatício, descumprindo o art. 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. Após análise dos documentos apresentados, foi realizado lançamento tributário no valor de R$ 569.604,34 (quinhentos e sessenta e nove mil, seiscentos e quatro reais e trinta e quatro centavos), correspondente a 100% do valor das contribuições devidas e não declaradas em GFIP, tendo por fundamento legal o art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/91. O contribuinte apresentou impugnação, mas a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande – MS, acórdão nº 0413.117, fls. 414, por unanimidade, julgou procedente o lançamento e, com relação ao prazo decadencial, entendeu que “o prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos”. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, o qual foi acolhido para, preliminarmente, declarar a decadência das competências até 07/2002, com base no art. 150, § 4, do CTN, e no mérito determinar o recálculo do valor da multa, de acordo com o art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (fls. 287/595). A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, fls. 602/622, alegando que o r. acórdão contrariou precedentes deste Conselho, mais precisamente os acórdãos nº 9101 00.460 e 10514.032, que restaram assim ementados: Fl. 738DF CARF MF Processo nº 14098.000100/200793 Acórdão n.º 9202007.212 CSRFT2 Fl. 738 3 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. *** PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MULTA REGULAMENTAR DECADÊNCIA FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS DA ESCRITURAÇÃO ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI A contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário relativo a penalidades, deve observar as regras contidas no artigo 173, do Código Tributário Nacional, ainda que a obrigação acessória inadimplida se refira a tributo sujeito a lançamento por homologação. Se a pessoa jurídica, obrigada a manter sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de sua escrituração, não atender intimação do Fisco para apresentação dos correspondentes arquivos magnéticos, fica sujeita à multa prevista no Inciso 11, do artigo 12, da Lei n° 8.218/1991, limitada a 1% (um por cento) da receita bruta auferida no período, tendo por base, o valor das operações omitidas. Os órgãos julgadores da Administração Fazendária afastarão a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal, somente na hipótese de sua declaração de inconstitucionalidade, por decisão do Supremo Tribunal Federal. Recurso negado. Ao final, requereu o afastamento da decadência do crédito tributário referente aos períodos posteriores a dezembro de 2001 e a reforma do acórdão no ponto que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal. Do julgamento do Recurso Especial, a Turma, em que pese ter conhecido do recurso em sua integralidade, se manifestou apenas no tocante à multa aplicada por descumprimento de obrigações acessórias, em nada se pronunciando quanto ao prazo decadencial. Quando do encaminhamento da r. decisão à Delegacia da Receita Federal em CuiabáMT para ciência e providências, foi constatada a omissão do acórdão nesse ponto, razão pela qual foram opostos os aclaratórios, que foram acolhidos para que fosse sanada a omissão apontada, que teve o seguinte decisum: Assim, haja vista que o sujeito passivo foi notificado do Auto de Infração aos 14/08/2007, referente a contribuições previdenciárias devidas nas competências entre 01/2000 a 12/2006, correta foi a decisão recorrida que reconheceu a decadência do direito de Fl. 739DF CARF MF 4 constituição dos créditos lançados entre as competências 01/2000 a 07/2002, razão pela qual não merece reforma. Diante do exposto, acolho os Embargos de Declaração para, conferindolhes efeitos infringentes, rerratificar o Acórdão de Recurso Especial nº 9202003.253, de 29/07/2014, para dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendo a multa do art. 32A, I, no período de 11/2001 a 05/2002, mantendo o restante do acórdão embargado. Embargos foram acolhidos para sanar lapso, de acordo com as alegações: "Assim sendo, observase que há contradição entre a decisão contida no Acórdão de Embargos e o Acórdão de Recurso Especial, pelos seguintes motivos: a) No Acórdão de Embargos, decidiuse pela comparação, quando do cálculo da multa mais benéfica, com o art. 32A, I da Lei 8212/91 na redação da Lei 11.941/209. Já no Acórdão de Recurso Especial, decidiuse pela comparação com o art. 35A da Lei 11.941/2009. b) Entendemos que ficou contraditório também, quando o Acórdão de Embargos decidiu pela decadência dos valores lançados nas competências 01/2000 e 07/2002, e logo adiante, no outro parágrafo, decidiu pela comparação quando do cálculo da multa benéfica, com a multa contida nodo art. 32A, I, no período de 11/2001 a 05/2002 (ou seja, como calcular a multa mais benéfica dentro de um período já julgado decadente?) Ressaltando que o processo de Auto de Infração em pauta, qual seja, nº 37.101.1531, que fora lavrado pela omissão de fatos Geradores em GFIP, teve como base o art. 32 inciso IV, parágrafo 5° da Lei 8.212/91(correspondendo a cem por cento do valor devido relativo a contribuição não declarada na GFIP) compreendeu as competências 01/2000 a 12/2006, conforme demonstra a tabela que faz parte da fls.106/108(volume VI) elaborada à época pela fiscalização. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora. Para aclarar e espancar qualquer dúvida para execução do julgado, vejamos o que restou decidido: Períodos Decaídos Acórdão 9202003.810 01/2000 a 07/2002 Multa a ser calculada sobre períodos não decadentes Acórdão 9202003.253 Súmula CARF 119 Fl. 740DF CARF MF Processo nº 14098.000100/200793 Acórdão n.º 9202007.212 CSRFT2 Fl. 739 5 Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Outrossim, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração para, conferindolhes efeitos infringentes, rerratificar o Acórdão de Recurso Especial nº 9202 003.810, de 17 de fevereiro de 2016, dando provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional onde se especifica o período objeto da decadência, integrando o constante no acórdão 9202003.253, de 29 de julho de 2014, que decidiu de modo coincidente com matéria hoje sumulada por este CARF na Súmula 119. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 741DF CARF MF
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Numero do processo: 13897.001018/2008-99
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS INDEDUTÍVEIS POR AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não podem ser deduzidas como despesas com instrução, por falta de previsão legal, os pagamentos efetuados a entidades de classe, os destinados à aquisição de livros e os referentes à inscrição em congresso médico.
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher parcialmente os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para alterar a decisão recorrida no sentido de dar provimento parcial ao recurso, aceitando às despesas médicas e mantendo a glosa das despesas com instrução. Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que não lhe acolheu.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS INDEDUTÍVEIS POR AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não podem ser deduzidas como despesas com instrução, por falta de previsão legal, os pagamentos efetuados a entidades de classe, os destinados à aquisição de livros e os referentes à inscrição em congresso médico. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher parcialmente os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para alterar a decisão recorrida no sentido de dar provimento parcial ao recurso, aceitando às despesas médicas e mantendo a glosa das despesas com instrução. Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que não lhe acolheu. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 10 18 /2 00 8- 99 Fl. 145DF CARF MF 2 Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em face do Acórdão da 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de nº 2001000.093, em 28/11/17, fls. 118 a 124, dando provimento ao Recurso Voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Selecionamos passagens dos embargos da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional: Como visto, o acórdão embargado trata das despesas médicas. Nada mencionando sobre a dedução de despesas com instrução. Todavia, compulsando os autos, verificase que o autuado traz como matérias controvertidas não apenas a dedução de despesas médicas, mas também a dedução de despesas com instrução. Diante dos trechos acima transcritos, fica claro que o acórdão embargado solucionou a controvérsia apenas com base no argumento de que a fiscalização não indicou motivos para a recusa dos recibos apresentados pelo contribuinte para comprovar as despesas médicas declaradas. Todavia, como visto pelo teor da decisão de primeira instância, a autuada apresentou um recibo de valor elevado, cujo valor não foi declarado pela profissional supostamente emitente do documento, e além disso, foi emitido num domingo, dia não útil. O acórdão embargado não se debruçou sobre essas particularidades do caso concreto, razão pela qual é omisso. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13897.001018/200899 Acórdão n.º 2001000.694 S2C0T1 Fl. 3 3 O acórdão embargado não declina as razões do seu convencimento, limitandose a uma alusão genérica a documentos trazidos pelo contribuinte interessado aos autos. Enfim, a decisão objeto do presente recurso apenas traz uma conclusão, sem qualquer fundamentação. Evidenciado, portanto, os vícios da obscuridade e da omissão. O vício da obscuridade se revela na medida em que o pronunciamento do órgão julgador não se revela de forma clara e congruente. Nessa parte, o acórdão é omisso e obscuro, uma vez que deixa de delimitar precisamente o alcance do provimento do recurso voluntário e seu impacto no lançamento, bem como deixa de analisar matéria objeto do recurso voluntário e particularidades do caso concreto. Assim, revelase a necessidade de se aclarar o decisum, sanando as omissões/contradições/obscuridades acima apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consetânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de recurso especial e/ou execução do julgado. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Os embargos de Declaração foram apresentados tempestivamente pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra o acórdão indicado. Reexaminamos o processo, e os fundamentos da decisão anterior. Acataremos os embargos para corrigir a omissão quanto às despesas com instrução; e para dirimir dúvidas apontadas quanto às despesas médicas. Em relação às despesas com instrução acatamos os embargos para tratar da matéria. Concordamos com os argumentos apresentados pela impugnação. Não podem ser deduzidos como despesas com instrução, por falta de previsão legal, os pagamentos efetuados a entidades de classe, os destinados à aquisição de livros e os referentes à inscrição em congresso médico, pois não se referem a ensino regular, curso de especialização ou de pósgraduação. Das Despesas com Instrução ` O caput do artigo 8l do Decreto n° 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda assim dispõe sobre a dedução de despesas com instrução: “Art.81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3ª graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art.8ª, inciso II, alínea b) Fl. 147DF CARF MF 4 11.1 O recibo no valor de R$ 374,00 juntado às fls. 32 se refere à inscrição da Impugnante no “5l° Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia”, realizado na cidade do Rio de Janeiro no período de 22/ 11 a 26/11/2005, não podendo ser aceita como dedução de instrução por falta de previsão legal, pois não se refere a ensino regular, curso de especialização ou de pósgraduação. Em relação às despesas médicas, observese que o contribuinte apresentou os documentos usuais de comprovação do pagamento e do serviço. O lançamento limitouse a afirmar a falta de comprovação do efetivo pagamento ou prestação do serviço, sem indicar vícios nos documentos. Repetese que o fundamento do provimento ao recurso foi: Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Observese que argumentos do acórdão de impugnação foram examinados, mas não necessitam ser rebatidos, principalmente se o fundamento da segunda instância entendeu pela insuficiência ou falha no lançamento. Também se aponte que fundamentos adicionais, além do que foi disposto no lançamento original, se constituem em inovação, cerceando direito de defesa, suprimindo instância. Se o lançamento fundamentou a recusa a documentos nos argumentos a, b ou c; não se pode em instâncias de julgamento recusarse documentos por x,y ou z, nem em primeira, nem em segunda instância. Além disso, a decisão de segunda instância reexamina o lançamento, em relação ao que o recurso voluntário litiga. Tratase de um novo julgamento. Tanto o acórdão de impugnação como o de recurso voluntário devem se restringir à legislação e aos fundamentos apontados no lançamento. O recurso voluntário pode solicitar reexame do lançamento e ignorar o acórdão de impugnação. Superados os problemas apontados no lançamento não podem ser colocados outros problemas nas instâncias seguintes. Conclusão Adicionese ao acórdão embargado a nova ementa e, aos fundamentos do voto, os comentários feitos. Em face do exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração, sanando os vícios apontados no acórdão, e voto por dar provimento parcial ao recurso, aceitando às despesas médicas e mantendo a glosa das despesas com instrução. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13897.001018/200899 Acórdão n.º 2001000.694 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 149DF CARF MF
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