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Numero do processo: 13808.002283/00-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/03/2000
Ementa:
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade
Numero da decisão: 3402-002.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da concomitância
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Mônica Elisa de Lima e Luiz Carlos Shimoyama.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Dias & Filhos Ltda Recorrida DRJ São Paulo (SP) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 28/02/1999 A 31/03/2000 Ementa: PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da concomitância GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Mônica Elisa de Lima e Luiz Carlos Shimoyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 22 83 /0 0- 18 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13808.002283/0018 Acórdão n.º 3402002.374 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi apurado, conforme termo de verificação e constatação às fls.1213, recolhimento a menor da COFINS relativa aos fatos geradores ocorridos entre 02/99 e 03/2000, razão pela qual foi lavrado o auto de infração de fls. 1820, integrado pelos termos, demonstrativos e documentos nele mencionados. O crédito tributário lançado, composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculados até 31/07/2000, perfaz o total de R$ 36.377,60 (trinta e seis mil, trezentos e setenta e sete reais e sessenta centavos). O crédito foi lavrado com a exigibilidade suspensa por força de liminar concedida em mandado de segurança conforme informação de fls.22. 2. De acordo com petição de fls. 5160, a empresa pleiteou medida liminar para recolher a Cofins de acordo com a LC n.° 70/91, afastando os efeitos da Lei n.° 9.718/98, e impossibilitando a impetrada de tomar qualquer medida coativa ou punitiva em relação à impetrante em face de tal procedimento. O pedido referiase também ao PIS, que não será aqui tratado por não se aplicar a este processo. Em decisão de fls.6164 a liminar foi deferida em 10/03/99, afastando a exigibilidade da Cofins, nos moldes estipulados pelos artigos 2.° e 3.° da Lei n.° 9.718/98, bem como afastando a exigência decorrente do aumento da alíquota da Cofins de 2% para 3%. A sentença de 07/10/99 julgou procedente o pedido formulado na inicial, concedendo a segurança, declarando inexistente a relação jurídica que obrigue a impetrante a recolher a Cofins nos termos da Lei n.° 9.718/98 e a EC n.° 20/98, autorizando seu recolhimento segundo dispõe a LC n.° 70/91. 2.1. A União apelou da decisão, sustentando a constitucionalidade da Lei n.° 9.718/98, requerendo a denegação da ordem. Em acórdão de 22/10/2003, o TRF deu provimento à apelação e à remessa oficial, respeitando decisão do Órgão Especial daquela Corte que afastou a arguição de inconstitucionalidade da lei n.° 9.718/98 (fls.8794). 2.2. A impetrante apresentou recursos especial e extraordinário, os quais foram admitidos, sendo os autos enviados ao STJ. Em decisão de 06/10/2005, no Resp 732965/SP, o STJ não conheceu do recurso, encontrandose atualmente o processo na Coordenadoria daquele Tribunal (fls.9595). 3. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 29/08/2000, o contribuinte apresentou em 28/09/2000 a impugnação de fls. 2330, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Fl. 176DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13808.002283/0018 Acórdão n.º 3402002.374 S3C4T2 Fl. 206 3 3.1. Improcedente o presente auto de infração, devendo ser declarada sua insubsistência por manifesta ausência de liquidez e embasamento legal, como se demonstrará. 3.2. Do cerceamento de defesa. O auto de infração e imposição de multa é nulo por manifesta iliquidez. Por ser um ato administrativo, deve seguir rigorosamente os elementos e requisitos de formação válida e regular como qualquer outro ato administrativo, caso contrário estará comprometido. Não houve o embasamento adequado da imposição e sequer a descrição minuciosa da mesma, restando que o relato da infração não guarda correlação lógica com a capitulação da infração, o que dificultou a compreensão por parte do contribuinte. De fato, o auto de infração deve estar formulado de modo que o autuado tenha pleno e imediato conhecimento de seu conteúdo, para que possa exercer seu direito à ampla defesa, pois se este não compreender a imposição que lhe é imputada, não poderá se defender adequadamente. Assim, o ato administrativo que exarou o auto de infração e imposição de 13808.002283/0018 improcedente já que não alcança a presunção de validade que lhe é característica, devendo ser declarado nulo. 3.3. Transcreve o art.62 do Decreto n.° 70.235/72 para afirmar que tal artigo expressamente impede a instauração de procedimento administrativo em relação a créditos com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial. Nessa linha de raciocínio, o procedimento fiscal instaurado contraria categoricamente o texto legal transcrito, desprezando a suspensão do crédito tributário, eis que a recorrente obteve medida liminar concedida por decisão judicial que reconheceu, em cognição primária, vilipêndio a seu direito líquido e certo diante do recolhimento da Cofins, nos termos da Lei n.° 9.718/98. Ademais, o auto de infração ora impugnado representa, ainda, desrespeito à ordem judicial, conquanto é dever, como efeito imediato da concessão liminar, a abstenção da autoridade coatora da prática de qualquer medida punitiva ou coercitiva contra a impugnante, constituindo motivo suficiente para sua premente decretação de nulidade absoluta. 3.4. Da extinção do crédito tributário. O CTN, em seu art.156, ao disciplinar as modalidades de extinção do crédito tributário, assim dispõe: Art.156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II—a compensação; III a transação; IV— a remissão; V a prescrição e a decadência; Fl. 177DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13808.002283/0018 Acórdão n.º 3402002.374 S3C4T2 Fl. 207 4 (negrito da impugnante) 3.5. O presente procedimento fiscal, ao estabelecer a falta de recolhimento da Cofins, desprezou a extinção do crédito tributário, o que gera sua nulidade e insubsistência, conforme depreendese da sentença em mandado de segurança acostada aos autos. Nos autos do referido mandado de segurança houve a concessão de medida liminar que suspendeu a exigência do crédito tributário, exigência esta extinta uma vez confirmada a segurança por meio de sentença definitiva. Conforme demonstrado à saciedade, a autoridade administrativa despreza que o suposto crédito tributário consignado no presente auto de infração e imposição de multa está extinto a teor do artigo 156, II, do CTN, sendo motivo suficiente para a desconstituição definitiva do crédito tributário já na esfera administrativa. 3.6. Da correção monetária pela taxa Selic. A aplicação da taxa Selic aos créditos e dívidas com o Fisco foi considerada inconstitucional, incidentalmente, pela 2ª Turma do STJ no julgamento do recurso especial n.° 215.881/PR, do qual transcreve ementa. Fundamentalmente, há que se considerar que a taxa Selic é uma taxa do mercado financeiro, criada por uma circular do Banco Central, que visa à remuneração de capital. Sua aplicação para débitos ou créditos fiscais configura violação ao princípio da estrita legalidade adotado pelo direito tributário brasileiro, consagrado pelo inciso I do art.150 da CF. Desse modo, a incidência de taxa inconstitucional com vistas à correção monetária de valores fiscais enseja, ao lado dos demais argumentos despendidos anteriormente, a iliquidez do débito. 3.7. Da multa indevida e abusiva de 75%. Não bastasse a nulidade, insubsistência e a manifesta iliquidez da autuação fiscal como um todo, a multa aplicada pelo Sr. Auditor da Receita Federal é totalmente descabida, pois, pelos mesmos fundamentos acima expostos, a validade da multa depende diretamente da validade da exigência do crédito, conquanto é cominação acessória a este. Ademais, ainda que por remota hipótese fosse válida a cominação de multa para o presente caso, não é preciso maior labor para apontar a abusividade da porcentagem que o Sr. Auditor Fiscal quer ver aplicada, vez que representa quase o valor do débito principal, em nítido caráter confiscatório. Os mesmos princípios que regem a atividade tributária relacionada ao dever principal são extensíveis às obrigações acessórias, como forma de se assegurar a coerência sistemática da interpretação constitucional. A imposição de multa de 75%, mesmo que detentora de caráter punitivo, configura latente ofensa ao art.150, IV, da CF. Nesse sentido foi a conclusão do 4.° Simpósio Nacional de Direito Tributário sobre o confisco (transcreve trecho do Caderno 5 de Pesquisas Tributárias, Ed. Resenha Tributária, pág.377). 3.8. Do Pedido. Face ao exposto, requer a anulação do referido auto de infração, seja pela exigibilidade dos créditos nele Fl. 178DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13808.002283/0018 Acórdão n.º 3402002.374 S3C4T2 Fl. 208 5 cominados conforme art.156, II, do CTN, seja pela errônea correção efetuada por meio da utilização de Selic, seja pela cominação de multa abusiva com nítido caráter confiscatório, uma vez ser medida de justiça.. Este foi o breve, contudo, completo relatório da primeira instância. A 9ª Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo julgou procedente em parte a impugnação nos termos do Acórdão nº 08.393, de 28 de novembro de 2005, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 28/02/1999 a 31/03/2000 Ementa: CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte demonstra em sua impugnação perfeita compreensão dos termos da autuação. AUTO DE INFRAÇÃO .NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em anulação ou invalidação do Auto de Infração. LANÇAMENTO. MATÉRIA "SUBJUDICE". O lançamento deve ser efetuado mesmo na hipótese em que a matéria esteja sob apreciação do Poder Judiciário e ainda que o crédito tributário não possa ser exigido. AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração é instrumento hábil para a constituição de crédito tributário com o fim de prevenir a decadência. JUROS DE MORA. Cabimento dos juros determinados pela taxa Selic, com base na Lei n° 9.065/95, art. 13. INCONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de normas. MULTA DE OFICIO. Descabe a aplicação te multa de ofício havendo liminar em mandado de segurança. Lançamento Procedente em Parte Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário, onde alega a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 por ter modificado a base de cálculo da Cofins e ter aumentado a alíquota da exação de 2% para 3%, sem autorização constitucional. Termina sua petição recursal, requerendo a reforma da decisão vergastada e o cancelamento do auto de infração lavrado. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13808.002283/0018 Acórdão n.º 3402002.374 S3C4T2 Fl. 209 6 É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade passo a análise. Compulsando os autos, identifico que o recorrente foi impetrante do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0100076, cujo objeto foi a declaração de inconstitucionalidade da majoração da alíquota da Cofins e da ampliação da base de cálculo da mesma contribuição promovida pela Lei nº 9.718/98. Transcrevo parte do relatório: Tratase de mandado de segurança, de caráter preventivo, com pedido de liminar, contra ato da Autoridade administrativa, que está exigindo o recolhimento da contribuição ao PIS e a COFINS, nos termos da Lei n° 9.718/98, flagrantemente inconstitucional. Alega, como fundamento do pedido, que a Lei n° 9.718/98, conversão da mp 1724/98, tem vícios formais e de constitucionalidade, por não encontrar, à época da edição, fundamento constitucional. Este só veio, posteriormente, com a Emenda Constitucional n°20798. Esta lei institui uma nova base de cálculo ao definir receita bruta como a totalidade das receitas auferidas peia pessoa jurídica, e, por introduzir modificação em lei complementar, sabidamente de hierarquia superior. Requer o direito de continuar a recolher a contribuição ao PIS e a COFINS sem observância do disposto na Lei n° 9.718/98. (...) Requeridas, as informações da Autoridade vieram arguindo que o conceito de receita bruta ou faturamento não é incompatível com o conceito de receita bruta operacional e que a majoração da alíquota da COFINS não ensejou nova contribuição tampouco nova forma de custeio e, então, não seria necessário uma lei complementar. Defendeu a constitucionalidade da lei até porque a EC 20/98 dá o fundamento da exação e só produziu efeitos a partir de fevereiro de 1999 (fls. 34/44). No recurso voluntário, o recorrente se insurge exatamente contra os mesmos temas, conforme trecho que abaixo transcrevo: Ante os vícios de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98, no que concerne à modificação da base de cálculo da COFINS sem autorização constitucional e ao aumento da alíquota da COFINS mediante lei ordinária, só resta à recorrente valerse do presente recurso para requerer o reconhecimento de seu direito de ser julgado correto o recolhimento da COFINS de acordo com a Lei Complementar n° 70/91, no período de fevereiro de 1999 a março de 2000, afastandose as prescrições da Lei n° 9.718/98. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13808.002283/0018 Acórdão n.º 3402002.374 S3C4T2 Fl. 210 7 Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inconstitucionalidade da majoração de alíquota e mudança da base de cálculo da Cofins. Quando há processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, podem resultar em efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Nestes casos, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota, como já mencionado, o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Posta assim a questão, entendo que este Colegiado não pode apreciar matéria já submetida ao Poder Judiciário, na linha da Súmula Carf nº 01. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso voluntário por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº1999.61.00.0100076 e neste recurso administrativo. É como voto. Sala das Sessões, em 24/04/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 181DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13808.002283/0018 Acórdão n.º 3402002.374 S3C4T2 Fl. 211 8 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10680.910618/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não é nula a decisão que analisou os argumentos do recurso de forma adequada.
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-001.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não é nula a decisão que analisou os argumentos do recurso de forma adequada. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 18 /2 00 9- 78 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.910618/200978 Acórdão n.º 1102001.062 S1C1T2 Fl. 108 2 direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarouse impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débito de CSLL de julho de 2006, acrescido de juros e multa, com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de 2005 no valor de R$ 1.048.524,61, por meio do PER/DCOMP de fls. 51 a 55, enviado em 31/10/2006. O despacho decisório eletrônico de fl. 11, emitido em 25/3/2009, não homologou a compensação alegando “improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A decisão se fundamentou nos arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ( CTN), no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 10), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 63 a 64): 5.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.910618/200978 Acórdão n.º 1102001.062 S1C1T2 Fl. 109 3 5.2 Informa que apurou o IRPJEstimativa Mensal no mês de fevereiro/2005 no montante de R$ 14.566.562,50, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. 5.2.1 Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor do IRPJ (estimativa mensal) para o período, encontrando uma “nova estimativa de IRPJ no valor de R$ 13.518.037,89,, gerando o recolhimento a maior no valor de R$ 960.531,02” (grifo e negrito do original). 5.2.2 A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. 5.2.3 Parte do valor recolhido a maior foi utilizado na compensação declarada na DCOMP em análise neste processo, enviada em 31/10/2006.. 5.3 A autoridade fiscal Não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. “Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)”. 5.4 Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei nº 9.430, de 1996”. Invoca os arts. 2º e 74 da Lei nº 9.430, de 1996 para alegar que “não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada”. Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. 5.4.1 Argumenta que “a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês.” Informa a retificação da DCTF, “tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário”. 5.4.2 Ressalta que a Instrução Normativa nº 900, de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005 revogou “a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação”. 5.5 Em outra linha argumentativa, o manifestante “requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN”. Destaca ainda que “na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional”. 5.6 Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.910618/200978 Acórdão n.º 1102001.062 S1C1T2 Fl. 110 4 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 61 a 75): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) rejeitouse a preliminar de nulidade do despacho decisório por não se verificar hipótese prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), pois a decisão foi prolatada por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, e o contribuinte tomou ciência do procedimento, da sua motivação e da capitulação legal correspondente; b) as estimativas de IRPJ e de CSLL se constituem em meras antecipações de um tributo que somente será apurado no final do anocalendário. Assim sendo, qualquer pagamento a maior somente é detectado no encerramento do período, com a apuração definitiva do tributo e traduzse no saldo negativo de IRPJ ou CSLL; c) as estimativas são apuradas, regra geral, pela aplicação de determinado percentual (variável em função da origem da receita auferida) sobre a receita bruta, mas podem ser reduzidas ou suspensas com o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução. Contudo, essa apuração deve ser efetuada até a data de vencimento do imposto (arts. 11 a 12 da IN SRF nº 93, de 1997); d) no caso, ao alterar o Balanço/Balancete apurado no mês de fevereiro/2005 o sujeito passivo encontrou um valor igual a R$ 13.518.037,89, ou seja, menor que o já efetivamente recolhido. Esta importância poderia ser deduzida do IR apurado quando do levantamento de balanços/balancetes em períodos posteriores (como IR já antecipado) ou quando da apuração definitiva do IR devido, no final do período, compondo o “Saldo Negativo de IRPJ” se for o caso. Cabe ressaltar ainda que a retificação do valor apurado somente ocorreu em 9/8/2006 , quando já encerrado o período de apuração, e ultrapassado, em muito, o prazo concedido pela lei para a elaboração do balanço/balancete destinado a reduzir ou suspender a antecipação do imposto — 31/03/2005; Fl. 110DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.910618/200978 Acórdão n.º 1102001.062 S1C1T2 Fl. 111 5 e) nos termos do art. 170 do CTN, a compensação tributária somente pode ocorrer se expressamente autorizada por lei, e mediante condições e garantias expressamente estipuladas, na hipótese inequívoca de créditos líquidos e certos. O dispositivo legal que autoriza a compensação tributária reportase à Lei nº 9.430, de 1996, que só permite a restituição do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL; f) a compensação de estimativas era expressamente proibida pelo art. 10 da IN SRF nº 460, de 2004, e pelo art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. A alteração do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, ao excluir a expressão “efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal”, não revogou a proibição, que decorre da própria lei, mas apenas passou a cuidar da hipótese de retenção indevida ou a maior; g) a jurisprudência administrativa e judicial favorável à tese da defesa tem eficácia restrita aos casos para os quais foram proferidas; h) inexiste previsão legal para preservar o direito à restituição, caso o contribuinte não tenha sucesso na compensação pleiteada neste processo; i) o direito de contestação na esfera judicial é garantido pela Constituição Federal. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 15/10/2009 (fl. 79), o contribuinte apresentou, em 16/11/2009, o recurso voluntário de fls. 80 a 95, onde afirma que: a) o processo administrativo n° 10680.910116/200947 é conexo a este, pois trata de créditos decorrentes do mesmo pagamento a maior de IRPJ do período de apuração de fevereiro de 2005; b) a decisão recorrida é nula porque não se manifestou sobre o argumento recursal de erro formal de preenchimento da DIPJ e do PER/DCOMP; c) descabida foi a rejeição de nulidade do acórdão recorrido, pois, na impugnação, não se pleiteou qualquer nulidade do despacho decisório; d) nos arts. 2° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, não há qualquer restrição à compensação de estimativas, que só existe no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Contudo, essa indevida restrição foi revogada pela Instrução Normativa n° 900, de 2008, que demonstra a mudança de entendimento da própria RFB com relação ao tema; e) não prospera o argumento da decisão recorrida de que o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução para apurar o IR deve ser efetuado até a data de vencimento do imposto, pois o contribuinte pode fazer os ajustes na sua apuração mesmo após o encerramento do exercício do IRPJ, desde que dentro do prazo legal. No caso, verificou, após a entrega da sua DIPJ, que tinha deixado de fazer exclusões. Assim, verificado o erro posteriormente, refez a apuração de IRPJ/CSLL mensal de fevereiro de 2005 e retificou a DIPJ 2006 (anobase 2005). Nesse caso, o direito à restituição surge após constatado o erro; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.910618/200978 Acórdão n.º 1102001.062 S1C1T2 Fl. 112 6 f) caso se mantenha a decisão de não homologar a compensação, alternativamente, requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e o presente recurso, tempestivamente apresentados, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN; g) caso seu direito não seja reconhecido, considera resguardado seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do CTN. Ao final, requer o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação da compensação. Em 7/5/2013, o contribuinte apresentou o documento de fls. 99 a 100, onde destaca que a matéria do recurso é objeto da Súmula CARF nº 84. Devido ao pedido de julgamento conjunto deste processo com o de n° 10680.910116/200947, constante do recurso voluntário daqueles autos, solicitei a distribuição deste processo, nos termos do art. 49, §7°, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, pedido deferido pelos Presidentes da Turma e da Câmara (fl. 105). Como consequência, o processo foi a mim distribuído, numerado digitalmente até a fl. 106. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Quanto à alegada conexão com o processo n° 10680.910116/200947, informo que ele será apreciado na mesma sessão de julgamento. No presente processo, não foram homologadas compensações de débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de 2005, por não se admitir a restituição de estimativa, que só poderia compor o saldo negativo do final do anocalendário. Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade da decisão recorrida, que não teria se manifestado sobre o argumento recursal de erro formal de preenchimento da DIPJ e do PER/DCOMP. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.910618/200978 Acórdão n.º 1102001.062 S1C1T2 Fl. 113 7 Entretanto, verifico que a decisão recorrida analisou detalhadamente a situação fática do processo em seus parágrafos 23 a 25 (fls. 69 a 70), explicitando seu entendimento de que a retificação das declarações após o encerramento do período não permite a restituição de estimativas, inexistindo a nulidade arguida. No mérito, a evolução da jurisprudência se firmou de modo favorável à tese da defesa, entendendo ser possível a restituição de estimativas pagas a maior, deixando vinculada à apuração do final do ano apenas a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência. Já a tese de que a vedação à restituição das estimativas decorria da própria Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não é nem mesmo admitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que, por meio da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011, entendeu que art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, admitiu a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, e era preceito interpretativo da legislação, com efeitos retroativos. O item 10.3 da Solução de Consulta é taxativo ao afirmar que a Lei nº 9.430, de 1996, se refere apenas às estimativas recolhidas de acordo com a legislação. Transcrevo: 10.3 O contribuinte pode, por questões de praticidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir solicitar restituição ou compensar o indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário, poderá fazêlo, pois a Lei nº 9.430, de 1996, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, referese àquelas recolhidas em conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. O mesmo ato normativo sepulta o argumento de que a constatação do erro no cálculo da estimativa somente poderia se dar até a data de vencimento do imposto, afirmando que isso pode ocorrer mesmo após o encerramento do ano calendário, como demonstra o trecho abaixo transcrito: 15. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual desses tributos. Assim, a simples alteração de interpretação da Administração Tributária já obrigaria o provimento do recurso, pois não é razoável entender que o sujeito passivo possa receber menos, em sede de recurso administrativo, do que aquilo que a própria autoridade fiscal já reconhece para os demais contribuintes, dado que as soluções de consulta da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) têm efeito vinculante no âmbito da RFB, sendo que o ordenamento veda esse comportamento contraditório (venire contra factum proprium). Fl. 113DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.910618/200978 Acórdão n.º 1102001.062 S1C1T2 Fl. 114 8 Contudo, desde a publicação da Súmula CARF nº 84, que fixou que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, esse entendimento passou a ser de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de créditos de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a apuração efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte com sua contabilidade, pois a autoridade fiscal negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de fevereiro de 2005, se o valor pago a maior não foi apropriado no saldo negativo apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 114DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO
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Numero do processo: 15563.720004/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
NULIDADE. MPF. Não havendo irregularidades no MPF, rejeita-se preliminar de nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N. 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem respectiva. Precedentes.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1102-001.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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MPF. Não havendo irregularidades no MPF, rejeitase preliminar de nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N. 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem respectiva. Precedentes. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 00 04 /2 01 1- 71 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 15563.720004/201171 Acórdão n.º 1102001.041 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Oitava Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro – RJ (DRJ/RJ1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. O direito de efetuar o lançamento nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador somente no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário, o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 IRPJ E REFLEXOS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL LANÇAMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O não fornecimento pelo Auditor Fiscal do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação não tem o condão de macular o procedimento de fiscalização e o lançamento fiscal, pois a ciência da prorrogação do MPF dáse fictamente pela Internet quando do seu registro eletrônico. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. REFLEXOS. DESNECESSIDADE DE MENÇÃO EXPRESSA. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, serão estes considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE O PRINCIPAL. Nos termos do inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, apurada falta de recolhimento ou mesmo a sua insuficiência, aplicável é a multa de 75% sobre o imposto apurado, a ser exigido de ofício. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o Fl. 298DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 15563.720004/201171 Acórdão n.º 1102001.041 S1C1T2 Fl. 4 3 titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata o presente processo de auto de infração (fls. 155/182) lavrado com base no Lucro Arbitrado relativo ao anocalendário de 2006, nos valores abaixo demonstrados: (...) Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 149/154) tratase de autuação com base em depósitos bancário de origem não comprovada. O arbitramento foi efetuado com base no artigo 530, III, do RIR/99 por ausência de apresentação dos livros e documentos. A interessada foi cientificada em 03/04/2011 e apresentou a impugnação (fls. 194/217) em 02/05/2011, alegando em síntese: que como o auto foi lavrado em 29/03/2011 deve ser considerado o movimento somente do dia 29 do mês de março de 2006 em diante, uma vez que teria ocorrido a decadência e que por esta razão “o fisco acertadamente excluiu os meses de janeiro e fevereiro de 2006”; que a fiscalização iniciou em 21/01 e encerrou em março de 2011 e não houve prorrogação do MPF, que não foi cientificado . Cita a Portaria RFB nº 11.371/2007. Acrescenta que o artigo 15 da Portaria nº 11.371 não permite a revalidação, quando o MPF é extinto. que a RMF foi efetuada antes do início da ação fiscal, violando princípios básicos constitucionalmente defendidos e que portanto, a quebra do sigilo é nula; que não é possível formalizar crédito tributário a partir de depósitos bancários. Cita doutrina e posicionamento do Ministro Carlos Velloso no RE 117.887/SP e acórdãos do Conselho de Contribuintes; que não é cabível a multa de 75% no caso em exame. Acrescenta que “Face as presunções da lei, mister se faz a narrativa dos fatos que ensejaram a aplicação dessa ou daquela multa, o que não consta nos autos gerando assim sua nulidade, devendo nesse sentido ser reduzida para 0%, face a ausência do devido enquadramento, ou para 50% posto que é a menor multa, e que a empresa estaria enquadrada de fato.” Cita súmula aprovada no Pleno da CSRF. que a empresa estava baixada e que, portanto, a sua não localização no endereço não justifica o agravamento; o MPF previa apenas a fiscalização do IRPJ, contudo, o auto de infração foi lavrado também em relação ao PIS, COFINS e CSLL, portanto, tal lançamento é ilegal;” O acórdão recorrido rejeitou a impugnação apresentada pela Contribuinte pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 15563.720004/201171 Acórdão n.º 1102001.041 S1C1T2 Fl. 5 4 Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente, (a) quanto à nulidade dos autos de infração de CSLL, PIS e COFINS, reflexos do IRPJ, pelo fato de que tais tributos não seriam objeto de investigação conforme MPF emitido pela própria Fiscalização; (b) quanto à nulidade dos autos de infração em virtude de estes (autos de infração) terem sido lavrados após o prazo de 60 dias de vigência do MPF, ante a ausência de prova da prorrogação correspondente e a inexistência de qualquer ato de Fiscalização praticado entre abril de 2010 e janeiro de 2011; (c) quanto à improcedência dos lançamentos, ante a impossibilidade de exigir IRPJ e tributos reflexos a partir, apenas, de depósitos bancários; e (d) quanto à inaplicabilidade da multa de 75% no caso em exame. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele se toma conhecimento. Conforme salientado em sede de Relatório, a Contribuinte suscita preliminar de nulidade dos lançamentos por conta de alegados vícios no MPF, quais sejam: (a) ausência de prorrogação do MPF originário e respectiva intimação; e (b) ausência de previsão neste (MPF originário) de investigação sobre a apuração de CSLL, PIS e COFINS pela Contribuinte. As preliminares merecem ser rejeitadas. Diferentemente do quanto alegado em sede recursal, o MPF foi regularmente prorrogado pela Fiscalização, mediante registro no sitio eletrônico da RFB. Na forma da legislação vigente à época dos fatos (Portaria RFB n. 11.371/2007, art. 4o), a ciência do ato de prorrogação do MPF ocorre fictamente pela disponibilização do ato no sítio eletrônico da RFB, verbis: “Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal.” Por sua vez, como bem ressaltado pelo acórdão Recorrido, o RMF não foi emitido antes do início do procedimento fiscal. A Requisição de Movimentação Financeira está datada de 31/03/2010 e o Termo de Início foi lavrado em 21/01/2010. A Contribuinte foi cientificada, por edital, visto que nem a empresa, nem seu titular foram localizados nos Fl. 300DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 15563.720004/201171 Acórdão n.º 1102001.041 S1C1T2 Fl. 6 5 endereços informados no cadastro da RFB. A ciência ocorreu em 24/03/2010. Assim, verifica se que a RMF somente foi solicitada após a ciência do Termo de Início de Fiscalização. Por fim, ainda em caráter preliminar, não prospera a argumentação de nulidade dos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS pelo fato de o MPF originário conter previsão (de fiscalização) apenas para o IRPJ em relação ao ano de 2006. Tal assertiva decorre do disposto no art. 8o da citada Portaria RFB n. 11.371/2007, segundo o qual “Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa.” Rejeitase, pois, as preliminares de nulidade. No mérito, o recurso não merece provimento. Após a edição da Lei n. 9.430/96 (art. 42), não se contesta em seara administrativa a legitimidade do procedimento fiscal de presumir a omissão de receitas ou rendimentos tributáveis quanto a valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida perante instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem respectiva. Nesse sentido, é a remansosa jurisprudência dessa Corte, verbis: Número do Recurso: 139536 Câmara: OITAVA CÂMARA Número do Processo: 13808.005672/200157 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ Recorrente: PLAYCENTER S.A. Recorrida/Interessado: 10ª TURMA/DRJSÃO PAULO/SP I Data da Sessão: 10/08/2005 00:00:00 Relator: José Carlos Teixeira da Fonseca Decisão: Acórdão 10808430 Resultado: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa: IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – OCORRÊNCIAS ANTERIORES A 1997 – A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, só produz efeitos a partir de 1º de janeiro de 1997, conforme disposto no artigo 87 deste mesmo diploma legal. No mesmo sentido: Número do Recurso: 144253 Câmara: QUINTA CÂMARA Número do Processo: 10875.000137/200461 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Fl. 301DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 15563.720004/201171 Acórdão n.º 1102001.041 S1C1T2 Fl. 7 6 Recorrente: HIKARI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida/Interessado: 2ª TURMA/DRJCAMPINAS/SP Data da Sessão: 22/02/2006 01:00:00 Relator: José Carlos Passuello Decisão: Acórdão 10515528 Resultado: DPPU DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso. Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA PRELIMINAR DE NULIDADE Não é nulo o lançamento apoiado em valores de depósitos bancários cuja intimação para comprovação foi devidamente formalizada e que constam de anexo ao termo de constatação, somente por não ter havido ciência individual na planilha que os demonstra, mas tendo firmada a expressa ciência, tanto nas intimações quanto no termo de constatação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 erigiu em legal a antiga presunção simples de que a falta de comprovação da origem de recursos depositados em conta bancária do contribuinte, objeto de expressa intimação para sua comprovação, o que não logrou fazer ou mesmo tentar, reflete omissão de receitas. (...) Conforme se constata do Termo de Verificação Fiscal que acompanha os autos de infração (fls. 149 e ss), a Fiscalização encaminhou à Contribuinte intimação específica para que esta prestasse esclarecimentos e apresentasse documentos relativos à matéria tributada, na qual detalhou as operações (depósitos/créditos bancários) que estavam sendo consideradas para fins de incidência tributária e cuja origem deveria ser comprovada pela Contribuinte para ilidir os lançamentos (fls. 138 e ss). Em resposta a tal intimação, a Contribuinte não logrou comprovar a origem dos valores depositados/creditados em contas bancárias de sua titularidade. Ante a falta de tal comprovação, legítima a imposição fiscal. A possibilidade de exigência de IRPJ e reflexos com base em depósitos bancários de origem não comprovada e a multa de ofício aplicada ao caso têm expressa previsão legal (Lei n. 9.430/96, art. 42 e 44, respectivamente), cuja inconstitucionalidade não pode ser reconhecida em seara administrativa, a teor da Súmula/CARF n. 2. Verbis: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por tais fundamentos, orientase voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto para rejeitar as preliminares de nulidade nele suscitadas e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 302DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 15563.720004/201171 Acórdão n.º 1102001.041 S1C1T2 Fl. 8 7 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 10882.910016/2011-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação.
Numero da decisão: 3803-005.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação.
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CNPJ 92.660.604/000182) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 16 /2 01 1- 69 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido em 29 de julho de 2005, através do qual Yara Brasil Fertilizantes S.A., sucessora da Benspar S.A., busca restituição de crédito de COFINS, relativo ao período de apuração outubro de 2003, no valor de R$ 908,45. O pagamento foi identificado mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do despacho decisório emitido em 2 de dezembro de 2011, que indeferiu o pedido de restituição. A ciência do indeferimento ocorreu mediante AR em 21 de dezembro de 2011. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestivamente, alegando que ocorreu homologação tácita do pedido de restituição, pois se passaram 5 anos desde a apresentação do PER até a emissão do Despacho Decisório. O interessado fundamentou sua defesa no § 5º do art. 74 da Lei nº 9430/1996, assim como nos arts. 150 e 174 do Código Tributário Nacional e no art. 37 da Instrução Normativa RFB Nº 900/08. Ao final requer que se reconheça a homologação tácita dos créditos tributários relativos ao PER constante do despacho decisório e que se determine o imediato pagamento da restituição postulada e a posterior baixa do processo. A 2ª Turma da DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, afirmando que, diferentemente do que ocorre na declaração de compensação, é impossível a homologação tácita nos pedidos de ressarcimento ou restituição, por falta de previsão legal. Ainda afirmou que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, que, de acordo com o art. 170 do CTN, são essenciais para que seja efetivada a restituição pela Fazenda Nacional. Irresignado, o contribuinte protocolou Recurso Voluntário, onde defende que a homologação tácita é instituto atrelado a segurança jurídica, sob pena de estarse outorgando à Fazenda o direito de reter pedidos de restituição indeterminadamente. Tomando por base os arts. 173 e 174 do CTN, sustenta que o prazo de 5 anos transcorre tanto para o contribuinte, como para o fisco e que não se pode ignorar a garantia constitucional de que todos são iguais perante a lei. Afirma que o § 4º do art. 150 do CTN dispõe que, quando a lei não fixar prazo para homologação, será ele de 5 anos. Nesse caso, quando o contribuinte declara ser titular de crédito, o fisco teria 5 anos para se manifestar sobre esse crédito, sob pena de decadência para a glosa eventualmente cabível. Ao final requer que se proveja o recurso para, reformandose a decisão recorrida, reconhecerse a homologação tácita dos créditos tributários relativos ao PER constante do despacho decisório, e que se determine o imediato pagamento da restituição postulada e a posterior baixa do processo. É o Relatório. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910016/201169 Acórdão n.º 3803005.398 S3TE03 Fl. 11 3 Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Fato incontroverso é a emissão do despacho decisório após 5 anos da data do protocolo de transmissão do Pedido Eletrônico de Restituição, o litígio reside na caracterização, ou não, deste fato como homologação tácita. O instituto da compensação encontrase previsto no art. 170 do CTN. No âmbito administrativo, a Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008 disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após a entrega da Declaração de Compensação (PER/DCOMP), a Secretaria da Receita Federal deverá analisar o pedido de compensação num prazo máximo de 5 (cinco anos), contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Este é o texto do § 2º do artigo 37 da Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008, in verbis: “§ 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação.” Como visto, a homologação tácita da compensação se dá após decorrido o prazo de cinco anos contados da data de transmissão do PER/DCOMP. A Fazenda afirma que, diferentemente da declaração de compensação,o pedido de restituição à Receita Federal não é satisfeito desde logo. Isso por que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório, enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento. Ainda afirma que não há previsão legal para homologação tácita de pedido de ressarcimento, pois o § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96 apenas se refere às declarações de compensação. A pretensão do contribuinte, de que deva haver um prazo para que a fazenda se manifeste sobre pedidos de restituição, é razoável. Inclusive em concordância com princípio constitucional da razoabilidade expressa no art. 5º da Constituição Federal, citase: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Entretanto, a legislação é carente de uma norma que estabeleça período específico para que a Fazenda Nacional se posicione a respeito de pedidos de restituição ou ressarcimento e o CARF, em virtude de seu regimento, observa a estrita legalidade. Com efeito, a decisão da DRJ/POA não merece reparos. No caso, pedido de restituição formulado à Receita Federal não se submete ao prazo de homologação tácita de cinco anos, previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96, aplicado expressamente aos pedidos de compensação. Vejamos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (grifamos) Ocorre que não há previsão legal estabelecendo prazo para homologar pedidos de Restituição, e a norma acima colacionada não se aplica ao caso. Tal entendimento é o adotado pela jurisprudência da 1ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 130200285 do Processo 108800354929962. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ.ANOCALENDÁRIO: 1998PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR E FALTA DE COMPROVAÇÃO, INDEFERIMENTO. NÃO TENDO A CONTRIBUINTE APURADO SALDO CREDOR DE IRPJ, NEM COMPROVADO O IRRF, NEM O OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES, CORRETA O INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, QUE JÁ DEVERIA ESTAR INSTRUIDO COM OS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, COMPENSAÇÃO. A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA ADMITE A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E NÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NO CASO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE JUNTAMENTE COM O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO NÃO ESPECIFICAR OS DÉBITOS A SEREM COMPENSADOS, NÃO HÁ DE SE FALAR EM HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO RECONHECER A HOMOLOGAÇÃO TÁTICA E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO Fl. 48DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910016/201169 Acórdão n.º 3803005.398 S3TE03 Fl. 12 5 AO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. (G.N.) Ante a falta de guarida legal que determine a homologação tácita a pedidos de restituição, não cabe ao julgador criar normas ou interpretálas de forma a beneficiar o contribuinte ou a Fazenda quando a própria Lei não autoriza. Observase, também, que em manifestação de inconformidade, assim como em sede de recurso voluntário, o contribuinte se eximiu do direito de se pronunciar quanto ao mérito, assim como não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido. Não há como avaliar o mérito da lide uma vez que o contribuinte abriu mão de defenderse quanto ao mérito. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, tendo em vista que em relação ao Pedido de Restituição não existe previsão legal que discipline a ocorrência de homologação tácita, sendo inaplicável, ao caso, a aplicação da regra de homologação tácita dos pedidos de compensação, porquanto, são de naturezas distintas e portanto não se confundem. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 49DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10880.915920/2008-85
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência os autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM-Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Sustentação oral pela recorrente, Dra Catarina da Fonte, OAB/PE 30.248.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência os autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM-Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Sustentação oral pela recorrente, Dra Catarina da Fonte, OAB/PE 30.248.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1920; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 119 1 118 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.915920/200885 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3802000.156 – 2ª Turma Especial Data 27 de fevereiro de 2014 Assunto DCOMP/PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente MICROLITE SOCIEDADE ANÔNIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência os autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO D’AMORIMPresidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Sustentação oral pela recorrente, Dra Catarina da Fonte, OAB/PE 30.248. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)/Declaração de Compensação (DComp) de fl 1, por falta de crédito no Darf da contribuição acima citada (código de receita: 8109; fato gerador: 28/02/2002). O valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito confessado nesta declaração é de: Pis RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 15 92 0/ 20 08 -8 5 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.915920/200885 Resolução nº 3802000.156 S3TE02 Fl. 120 2 Não Cumulativo; código de receita: 6912; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 3.114,14 (fl 10). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e o art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 12 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base da compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. O pleito foi julgado pela primeira instância, nos termos do acórdão de n° 16 30.831 de 13/04/2011, proferida pelos membros da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I /SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência de direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/2002 VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÃO SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4o do DecretoLei no 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 120DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.915920/200885 Resolução nº 3802000.156 S3TE02 Fl. 121 3 Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de não reconhecer o indébito alegado, mantendo a decisão que não homologou a Declaração de Compensação. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Persiste na alegação de nulidade ao Acórdão, pela falta de clareza, dificultando o exercício da ampla defesa. Insiste na isenção da contribuição nas vendas feitas para a ZFM, ou ainda, que a venda à ZFM é equiparada à exportação de dessa forma não gera obrigação de recolhimento de tributos. Houve pedido de juntada dos diversos processos a um único julgador, por serem conexos. Consta renúncia da primeira representação. Encaminhamento dos autos a DRFRecife, tendo em vista mudança de jurisdição da recorrente. Incluise petição ao julgador do CARF (como se fosse um segundo recurso voluntário do escritório de Recife) anexando documentos (notas fiscais/planilhas) e documentos de substabelecimento. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D’AMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de Compensação não homologada por conta de falta de crédito do PIS no DARF da recorrente, cujo valor já fora usado em sua totalidade para quitar débitos e não restando saldo devedor, segundo fiscalização. Inicialmente, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Fl. 121DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.915920/200885 Resolução nº 3802000.156 S3TE02 Fl. 122 4 Pelo transcrito, observase que, no caso de despacho–, só há nulidade se esse for lavrado por pessoa incompetente ou preterição de direito de defesa, o que não ensejou. Por outro lado, caso houvesse irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não importariam em nulidade e poderiam ser sanadas, se tivessem dado causa a prejuízo para o sujeito passivo, como determina o art. 60 do mesmo decreto: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Pois bem, o Despacho Decisório foi exarado por autoridade competente e dele foi a recorrente regularmente cientificada, havendo sido oferecida a possibilidade de apresentar, no prazo regulamentar, a Manifestação de Inconformidade, bem como recurso voluntário. Da mesma forma, a falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos acerca de alegado crédito indicado em Declaração de Compensação eletrônica (DComp) não é hipótese de nulidade. Em suma, as hipóteses previstas de nulidade dos atos processuais estão precisamente definidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e nenhuma delas ocorre neste caso. Por tudo que foi exposto, sendo improcedentes os argumentos da recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada, não deve ser acolhida a preliminar com esse fundamento. Necessidade de diligência A compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado direito creditório. O objeto da lide é exatamente o questionamento da incidência do PIS e da COFINS sobre a receita de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Em análise, percebi que a questão já foi apreciada em diversos julgados por esta Turma, que peço vênia para reproduzir, pois é exatamente como penso. Dada a clareza da exposição sobre a matéria, transcrevo voto do Conselheiro Francisco José Barroso Rios (processo 10880.915903/200848 (acórdão de n° 3802001.991, de 24/09/2013) que também reproduz excertos do voto vencedor do Conselheiro Regis Xavier Holanda (processo de n° 10920.000462/200350/acórdão de n° 380200.312, de 08/12/2010), bem como a remissão ao voto do julgado pelo Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi nos autos do processo nº 10880.915907/200826, (acórdão nº 3802001.942): Fl. 122DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.915920/200885 Resolução nº 3802000.156 S3TE02 Fl. 123 5 [...]A Medida Provisória no 1.8586, de 29/06/1999 e posteriores reedições até a Medida Provisória no 2.03724, de 23/11/2000 trazia as seguintes disposições de interesse: (omissis) Referida Medida Provisória foi então reeditada sob o n° 2.03725, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000) – atual Medida Provisória no 2.158 35, de 2001 – apresentando modificação no texto normativo consistente na supressão das receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus do rol de hipóteses de exclusão das isenções conferidas. Vejamos: (omissis) Dessa forma, tenho como claro que o legislador, ao realizar a referida supressão da referência à Zona Franca de Manaus no texto normativo, conferiu sim, às vendas efetuadas a empresas estabelecidas nesta específica região marcada por incentivos fiscais especiais, a isenção tratada no caput e §1º do citado art. 14. Adequouse, então, a presente legislação à disciplina traçada pelo art. 4º do DecretoLei nº 288/67, in verbis: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ademais, é mister ainda destacar que no ínterim entre as Medidas Provisórias no 2.03724, de 23/11/2000 e n° 2.03725, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000), sobreveio, em 07/12/2000, decisão liminar unânime do pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos da ADIN nº 2.3489, deferindo medida cautelar com eficácia ex nunc para suspender a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do artigo 14, §2º, I da Medida Provisória nº 2.03724. Portanto, dada a cronologia em que os fatos aconteceram, pareceme também claro que o legislador teve ainda por intenção adequar o texto normativo à decisão do STF então vigente, só alterada em 10/02/2005 mediante decisão que declarou prejudicado o pedido por perda de objeto diante da ausência de aditamento à inicial por conta das sucessivas reedições da Medida Provisória atacada. Alfim, tendo em vista que a Medida Provisória nº 2.03725 suprimiu a hipótese de afastamento da isenção em relação às receitas de vendas para a ZFM, entendo que essa modificação (supressão de hipótese de afastamento da isenção) conjugada com o art. 4º do DL 288/67, implica a aplicação do art. 14, II (exportação de mercadorias para o exterior) para essas operações. Em sentido semelhante já decidiram os então Conselhos de Contribuintes: Acórdãos 20216587, de 19/10/2005; 20179407, de 29/06/2006 e 20218132, de 20/06/2007. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.915920/200885 Resolução nº 3802000.156 S3TE02 Fl. 124 6 [...]No mais, voto ainda para, a partir de 22 de dezembro de 2000 – data de publicação da MP nº 2.03725 (atual MP no 2.15835, de 2001), considerar isentas da contribuição para o PIS, as vendas efetuadas a empresa situada na Zona Franca de Manaus. De fato, a real intenção que motivou a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I, do § 2o, do artigo 14 da Medida Provisória no 2.037, foi a de, efetivamente, excluir da incidência do PIS e da COFINS as vendas realizadas para empresas sediadas na referida área de livre comércio. Aliás, considerando que o legislador não emprega expressões inúteis, o fato de a redação original da Medida Provisória no 2.037 contemplar os termos “Zona Franca de Manaus” e “área de livre comércio” revela que o poder legiferante, na ocasião, para fins de tutela pela referida legislação, entendera como distintas as regiões comerciais em tela. Assim, posteriormente, a supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do dispositivo que excluía referida área do âmbito de isenção do PIS e da COFINS demonstra que o legislador, com tal conduta, buscou realmente isentar das contribuições em evidência as vendas realizadas para a referida região. Portanto, deverão ser consideradas como isentas do PIS e da COFINS as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus a partir da publicação da Medida Provisória no 2.03725, ou seja, em 22/12/2000. Contudo, o caso em exame diz respeito a questionamento quanto à isenção da COFINS sobre as receitas de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus no mês de junho de 1999, período em que não havia amparo legal à isenção em tela. Sobre o problema, comungo com as razões de decidir do conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi nos autos do processo nº 10880.915907/200826, que representa um dos processos da recorrente que tratou da mesma questão abordada na presente lide, julgado em 20/08/2013 (acórdão nº 3802 001.942): De todo modo, há normas infraconstitucionais de observância irrefutável pelo CARF que trazem regramento jurídico distinto da imunidade. E, como se sabe, a Súmula nº 2 do CARF impede que se avalie a constitucionalidade dessas normas, que em última análise afetam a permissibilidade de exclusão, ou não, dessas receitas da base de cálculo de PIS e COFINS. Referidas normas estavam contidas, durante o período compreendido pelos casos trazidos à lume, pela Medida Provisória 2037, a qual, em sua redação original e em vinte e quatro reedições posteriores, dispôs que não estavam abarcadas por isenção as receitas oriundas de vendas para a Zona Franca de Manaus, “a partir de 1o de fevereiro de 1999” (redação do § 2o do art. 14). Essa redação somente veio a ser modificada diante de decisão do STF na ADINC 2348, cujo mérito terminou não sendo julgado por Fl. 124DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.915920/200885 Resolução nº 3802000.156 S3TE02 Fl. 125 7 perda de objeto da ação direta. A decisão, que afastava com efeitos ex nunc a aplicação da norma acima sobre as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus, levou o governo federal a, na vigésima quinta reedição da MP 2037, considerar isentas também as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. E a rigor, a interpretação de que a isenção estava concedida à Zona Franca de Manaus se deu por supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do rol de vedações à aplicação da isenção constante do art. 14 da MP 2037. Passavase, então, a reconhecer que a isenção para a ZFM estava compreendida no inciso II do art. 14, o qual dispunha sobre a exportação de mercadorias para o exterior. Esforço interpretativo conjunto com o art. 40 do ADCT, portanto (e que, frisese, remete à imunidade do art. 149 da CRFB, não a isenção). De todo modo, em termos infraconstitucionais o que se tem é: somente se isentaram as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS a partir de dezembro de 2000, pois o início da vigência da MP 203725 ocorreu no dia 21 daquele mês. Importante destacar que não entendo que a isenção tenha sido concedida em caráter retroativo a 1o de fevereiro de 1999, como defendem alguns diante de uma leitura fria do caput do art. 14 da MP 203725. A rigor, a alteração legislativa que suprimiu a vedação à isenção das vendas para a Zona Franca de Manaus deve ser apreciada em conjunto com a própria decisão do STF, que suspendeu a aplicação da MP 2037, em reedição anterior, com efeitos ex nunc na ADINC 2348. A disposição do caput tratando do dia 1o de fevereiro de 1999 existe desde a edição originária da MP 2037. Assim, o fato de reedição posterior da MP permitir uma leitura apriorística de que, desde fevereiro de 1999, não havia vedação à isenção, não significa que ocorra uma exótica “isenção retroativa”. Afinal, tratase da mesma MP 2037, que, pelas regras constitucionais vigentes à época, podia ser reeditada quantas vezes fossem necessárias. De todo modo, ao menos em tese os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório, restando prejudicada a análise de todo o remanescente – inclusive a prova dos autos. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.915920/200885 Resolução nº 3802000.156 S3TE02 Fl. 126 8 Assim, as receitas decorrentes das vendas para a Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (conforme caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da referida Medida Provisória em que houve a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I – MP 2.03725). Considerando que, de acordo com o art. 40 do ADCT, a Zona Franca de Manaus (ZFM) é uma área de livre comércio, temse que a previsão normativa que restou mantida após a decisão do STF permite uma interpretação no sentido de se afastar a isenção nos casos da espécie, quais sejam, de vendas a área de livre comércio, como o é a ZFM. Destarte, em termos infraconstitucionais, temse que somente se isentaram as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS a partir de 22 de dezembro de 2000, tendo em vista publicação da MP 203725 no dia 22 daquele mês, quando suprimiu o termo Zona Franca de Manaus de seu artigo 14, § 2o, inciso I. Assim sendo, como o crédito referido é do mês de fevereiro de 2002, logo existe fundamentação legal que reconheça o direito creditório pelo pagamento do PIS em vista de vendas para a Zona Franca de Manaus. Foi observado nesta Turma, pelo Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi que a matéria probante foi toda acostado ao processo nº 10880.915886/200849, também distribuído para esta Turma Especial, mas nesse caso sob a responsabilidade do conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. E decidido, por unanimidade, converter o julgamento em diligência a fim de que a DRF apure a certeza e a liquidez dos créditos, bem como confirme se os valores constantes das notas fiscais presentes no processo administrativo 10880.915886/200849 foram, ou não, utilizados para outras compensações, ou mesmo foram excluídas de tributação à época da ocorrência dos fatos geradores. (vide, por exemplo, acórdão nº 3802000.128, de 20/08/2013, processo nº 10880.915912/200839). Dessa forma, acompanho o meu voto e encaminho para que o julgamento seja convertido em diligência a fim de que a DRF apure a certeza e a liquidez dos créditos, bem como confirme se os valores constantes das notas fiscais presentes no processo administrativo 10880.915886/200849 foram ou não utilizados para outras compensações, ou ainda, se foram excluídas da tributação do PIS ou da COFINS à época da ocorrência dos fatos geradores. Após a realização das análises solicitadas, profira parecer conclusivo sobre o crédito pretendido e abra vista para que a recorrente se pronuncie, se entender necessário; bem como a Procuradoria da Fazenda NacionalPGFN. Concluída a diligência solicitada, retornem os autos para seguimento no julgamento por esta turma do CARF. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 12448.720219/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2008
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. POSSIBILIDADE.
Ainda que uma entidade de custódia e liquidação deva ser classificada como uma instituição de natureza financeira, não estará sujeita ao Regime de Cumulativo de apuração das Contribuições. Apenas as pessoas jurídicas identificadas no artigo 8º da Lei 10.633/02 e artigo 10 da Lei 10.833/03 permanecem sujeitas às normas da legislação das Contribuições anterior à implantação do Sistema Não-Cumulativo.
Dentre elas estão as listadas no § 1º do artigo 22 da Lei 8.212/81, reconhecidas, genericamente, como instituições financeiras. Tratando-se de uma relação exaustiva, necessário que a pessoa jurídica esteja nela contemplada, sob pena de ficar sujeita ao Regime Não-Cumulativo de apuração das Contribuições. As câmaras de custódia e liquidação não estão relacionadas no § 1º do artigo 22 da Lei 8.212/81.
BASE DE CÁLCULO. REVERSÕES DE PROVISÕES. INDENIZAÇÕES DE SEGUROS. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Para que os valores recebidos a título de reversão de provisões e indenizações de seguros sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins é necessário que o contribuinte comprove, pela apresentação de documentos contábeis e/ou fiscais, a origem destes valores.
Não serão levados em consideração documentos apresentados em sede de Recurso Voluntário quando não estiver caracterizada nenhuma das situações descritas nas alíneas a, b ou c do § 4º do artigo 16 do Decreto-lei 70.235/72.
SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS DO CONTRIBUINTE. NATUREZA DO GASTO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
No Sistema Não-Cumulativo de apuração, para que seja reconhecido o direito ao crédito do contribuinte no cálculo do valor devido da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, será exigida a comprovação da natureza do gasto escriturado na contabilidade da pessoa jurídica.
CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. APURAÇÃO. SISTEMA NÃO-CUMULATIVO. LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. CONCEITO.
O sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins admite que, do valor dos débitos lançados, sejam reduzidos os créditos calculados com base nos gastos incorridos na compra de insumos utilizados na fabricação de bens ou execução de serviços.
A interpretação do texto normativo impõe o reconhecimento de que o conceito legal de insumo, terminologia empregada nas Leis 10.833/03 e 10637/02, não alcança a totalidade dos gastos necessários à realização do negócio da empresa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-002.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de Votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente Substituto e Relator
EDITADO EM: 09/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2008 INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. POSSIBILIDADE. Ainda que uma entidade de custódia e liquidação deva ser classificada como uma instituição de natureza financeira, não estará sujeita ao Regime de Cumulativo de apuração das Contribuições. Apenas as pessoas jurídicas identificadas no artigo 8º da Lei 10.633/02 e artigo 10 da Lei 10.833/03 permanecem sujeitas às normas da legislação das Contribuições anterior à implantação do Sistema Não-Cumulativo. Dentre elas estão as listadas no § 1º do artigo 22 da Lei 8.212/81, reconhecidas, genericamente, como instituições financeiras. Tratando-se de uma relação exaustiva, necessário que a pessoa jurídica esteja nela contemplada, sob pena de ficar sujeita ao Regime Não-Cumulativo de apuração das Contribuições. As câmaras de custódia e liquidação não estão relacionadas no § 1º do artigo 22 da Lei 8.212/81. BASE DE CÁLCULO. REVERSÕES DE PROVISÕES. INDENIZAÇÕES DE SEGUROS. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Para que os valores recebidos a título de reversão de provisões e indenizações de seguros sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins é necessário que o contribuinte comprove, pela apresentação de documentos contábeis e/ou fiscais, a origem destes valores. Não serão levados em consideração documentos apresentados em sede de Recurso Voluntário quando não estiver caracterizada nenhuma das situações descritas nas alíneas a, b ou c do § 4º do artigo 16 do Decreto-lei 70.235/72. SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS DO CONTRIBUINTE. NATUREZA DO GASTO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. No Sistema Não-Cumulativo de apuração, para que seja reconhecido o direito ao crédito do contribuinte no cálculo do valor devido da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, será exigida a comprovação da natureza do gasto escriturado na contabilidade da pessoa jurídica. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. APURAÇÃO. SISTEMA NÃO-CUMULATIVO. LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. CONCEITO. O sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins admite que, do valor dos débitos lançados, sejam reduzidos os créditos calculados com base nos gastos incorridos na compra de insumos utilizados na fabricação de bens ou execução de serviços. A interpretação do texto normativo impõe o reconhecimento de que o conceito legal de insumo, terminologia empregada nas Leis 10.833/03 e 10637/02, não alcança a totalidade dos gastos necessários à realização do negócio da empresa. Recurso Voluntário Negado
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SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. POSSIBILIDADE. Ainda que uma entidade de custódia e liquidação deva ser classificada como uma instituição de natureza financeira, não estará sujeita ao Regime de Cumulativo de apuração das Contribuições. Apenas as pessoas jurídicas identificadas no artigo 8º da Lei 10.633/02 e artigo 10 da Lei 10.833/03 permanecem sujeitas às normas da legislação das Contribuições anterior à implantação do Sistema NãoCumulativo. Dentre elas estão as listadas no § 1º do artigo 22 da Lei 8.212/81, reconhecidas, genericamente, como instituições financeiras. Tratandose de uma relação exaustiva, necessário que a pessoa jurídica esteja nela contemplada, sob pena de ficar sujeita ao Regime NãoCumulativo de apuração das Contribuições. As câmaras de custódia e liquidação não estão relacionadas no § 1º do artigo 22 da Lei 8.212/81. BASE DE CÁLCULO. REVERSÕES DE PROVISÕES. INDENIZAÇÕES DE SEGUROS. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Para que os valores recebidos a título de reversão de provisões e indenizações de seguros sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é necessário que o contribuinte comprove, pela apresentação de documentos contábeis e/ou fiscais, a origem destes valores. Não serão levados em consideração documentos apresentados em sede de Recurso Voluntário quando não estiver caracterizada nenhuma das situações descritas nas alíneas “a”, “b” ou “c” do § 4º do artigo 16 do Decretolei 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 02 19 /2 01 0- 39 Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 2 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DO CONTRIBUINTE. NATUREZA DO GASTO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. No Sistema NãoCumulativo de apuração, para que seja reconhecido o direito ao crédito do contribuinte no cálculo do valor devido da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, será exigida a comprovação da natureza do gasto escriturado na contabilidade da pessoa jurídica. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. APURAÇÃO. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. CONCEITO. O sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins admite que, do valor dos débitos lançados, sejam reduzidos os créditos calculados com base nos gastos incorridos na compra de insumos utilizados na fabricação de bens ou execução de serviços. A interpretação do texto normativo impõe o reconhecimento de que o conceito legal de insumo, terminologia empregada nas Leis 10.833/03 e 10637/02, não alcança a totalidade dos gastos necessários à realização do negócio da empresa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de Votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 09/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. 1. Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, pertinente à insuficiência de recolhimento da COFINS por meio da incidência não cumulativa, de janeiro/2006 a junho/2008, conforme elementos acostados às fls. 476 a 489, no valor de R$ 15.609.946,28, incluindo principal e juros de mora calculados até 30/07/2010. 2. Na Descrição dos Fatos a autoridade fiscal que procedeu aos trabalhos de apuração do lançamento esclarece em resumo que: Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.720219/201039 Acórdão n.º 3102002.131 S3C1T2 Fl. 3 3 2.1 A interessada apurou a COFINS, “erradamente e contra a lei”, sob o regime da cumulatividade, por ter ele próprio se considerado uma instituição financeira devido ao seu perfil e às funções que desempenhava de acordo com o seu Estatuto. Informou ainda a fiscalização que o contribuinte constituiu/confessou em DCTF, sob exigibilidade suspensa, os valores que entendeu serem os devidos e que efetuou depósitos judiciais correspondentes aos montantes confessados, haja vista ter impetrado a Medida Judicial n° 2004.51.01.0154258 na 10ª Vara Federal do Rio de Janeiro. E que, considerando a decisão prolatada na supracitada Medida Judicial, os montantes lançados, em virtude das diferenças verificadas, ficaram sob exigibilidade suspensa até o trânsito final da ação, salvo novos rumos na esfera judicial. Por fim, acrescentou que o lançamento não tomou por base os depósitos efetuados, mas, sim, os montantes confessados. Informa ainda que o valor foi apurado conforme disposto nos art. 1º, 2º, 3º e 5°da Lei 10.833/2003, enquadrando a fiscalizada no regime da não cumulatividade para a apuração das bases de cálculo mensais da COFINS. 2.2 Das referidas bases de cálculo foram deduzidos os montantes confessados em DCTF que se encontram com exigibilidade suspensa em virtude de decisão na Medida Judicial n° 2004.51.01.0154258. Para tais montantes o contribuinte efetuou, paralelamente, depósitos judiciais. E que o presente lançamento tomou por base os montantes confessados e não os depósitos efetuados. 3. De acordo com o descrito no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 630 a 647, consta em resumo que: 3.1 A CETIP (Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos) foi originalmente criada em conjunto pelas Instituições Financeiras e o Banco Central do Brasil, em março de 1986, na forma de associação civil, sem finalidade lucrativa, para garantir mais segurança e agilidade às operações do mercado financeiro brasileiro. Constituise ela em um mercado de balcão organizado para registro e negociação de valores mobiliários de renda fixa. Oferece o suporte necessário a toda a cadeia de operações, prestando serviços integrados de custódia, negociação online, registro de negócios e liquidação financeira. São participantes os bancos, corretoras, distribuidoras, demais instituições financeiras, empresas de leasing, fundos de investimento, e pessoas jurídicas não financeiras tais como seguradoras e fundos de pensão. 3.2 Aos 14 de abril de 2008, a administração da CETIP Câmara de Custódia e Liquidação, aqui fiscalizada e cadastrada na Receita Federal do Brasil na atividade de serviço de liquidação e custódia, firmou "Instrumento de Protocolo e Justificativa da Operação de Cisão Parcial" para a sua desmutualização. Assim, as atividades econômicas então compreendidas em seu objeto social deixariam de ser desenvolvidas por meio de uma estrutura jurídica de associação e passariam a ser executadas por uma sociedade anônima a ser constituída. Deste modo foi aprovada pelos associados da CETIP, em Assembléia Geral Extraordinária do dia 29 de maio de 2008, a desmutualização e a cisão patrimonial da associação. 3.3 Em 1o de julho de 2008, a CETIP S.A. Balcão Organizado de Ativos e Derivativos CNPJ 09.358.105/000191, foi criada Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 4 especificamente para a finalidade anteriormente apresentada e praticada pela CETIP Associação. Cadastrada na Receita Federal do Brasil na atividade de administração de mercados de balcão organizados, incorporou todos os elementos ativos e passivos do patrimônio da CETIP Associação relacionados às atividades econômicas por ela exercidas, o que correspondeu, com base em balancete levantado em 31 de março de 2008, ao valor líquido de R$ 201.698.400,00. 3.4 Pequena parcela do patrimônio, no valor de R$ 320.495,10, não foi incorporada pela CETIP S.A., permanecendo no CNPJ n° 28.719.664/0001 24, da fiscalizada. Foi então alterado o Estatuto Social da CETIP Associação, que passou a refletir o novo objeto social, contendo apenas atividades de natureza educacional, alterando, também, a sua denominação para CETIP Educacional. 3.5 Conforme seu Estatuto Social, a CETIP Educacional, atual designação da fiscalizada, é uma associação civil, sem finalidade econômica, que tem por objeto social incentivar as relações entre as instituições que operam no mercado financeiro, efetuar estudos e pesquisas de natureza técnica, manter intercâmbio com entidades que tenham objetivos conexos, e outros objetos de natureza educacional. 3.6 A presente ação fiscal, respaldada pelo MPF 07166.00200900222 6, originouse de diligências efetuadas que constataram que a fiscalizada apura a COFINS pelo regime da cumulatividade, contrariamente ao disposto na Lei 10.833/2003 e na IN 404/2004. Esse comportamento do contribuinte já fora verificado anteriormente desde agosto de 2004, tendo sido a fiscalizada submetida a um auto de infração pela Deinf/RJO/Difis que alcançou, também, o ano base de 2005. O processo que trata daquele auto é o de n° 19740.720139/200984 que, encontrase na DRJ/RJO aguardando julgamento de impugnação apresentada pela fiscalizada. 3.7 O presente trabalho é uma continuidade lógica daquilo que, anteriormente, já foi realizado junto ao contribuinte. 3.8 Foi constatado que os montantes confessados em DCTF (fls. 382/439) e declarados nas DACON (fls. 440/469) apresentam perfeita sintonia, entretanto, nas DACON foi constatado que a sistemática utilizada é o regime cumulativo (Lei n° 9.718/98). 3.9 Os montantes confessados estão totalmente suspensos através de vinculações a duas Medidas Judiciais impetradas pela fiscalizada que tratam da COFINS. Tais ações são as de n° 2004.51.01.0154258 (Ação Ordinária 10a VF/RJ) e n° 2005.51.01.0253423 (Ação Ordinária Declaratória 5a VF/RJ). 3.10 Quanto aos motivos ao descumprimento da Lei 10.833/2003, a fiscalizada discriminou que: a) A Associação foi criada no ano de 1986, por uma série de entidades tais como a ANDIMA; ANBID; FEBRABAN; ACREFI; ABECIP e Banco Central do Brasil para dar segurança e agilidade ao mercado financeiro brasileiro; Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.720219/201039 Acórdão n.º 3102002.131 S3C1T2 Fl. 4 5 b) Tratase de associação fiscalizada pelo Banco Central do Brasil; pela CVM e pela CETIP; c) O seu perfil pode ser facilmente comprovado no sítio da internet do Banco Central do Brasil; em sua própria página virtual e até mesmo na Wikipedia (enciclopédia eletrônica). 3.11 Em momento algum nos foi apresentada qualquer base ou argumento legal que lhe justificasse o descumprimento dos dispositivos da Lei 10.833/2003. O procedimento do contribuinte não foi embasado na Lei Tributária. 3.12 Analisando a planilha de apuração da COFINS, que se fulcra na Lei 9.718/98 (fls. 185), foi constatado que os montantes ali apurados do tributo são totalmente coerentes com aqueles confessados nas DCTF e nas DACON. Os montantes apurados sobre a receita de serviços estão suspensos com base na Medida Judicial n° 2004.51.01.0154258 e, os montantes apurados sobre as "demais" receitas, estão suspensos com vinculação à Medida Judicial n° 2005.51.01.0253423. A alíquota aplicada foi a de 3%. 3.13 No processo 19740.720139/200984 a contribuinte foi intimada a informar o dispositivo legal em que se baseava para calcular e declarar em DCTF, a COFINS através da incidência nãocumulativa. Em resposta, também não conseguiu citar nenhum dispositivo legal que lhe amparasse. Ao invés, trouxe um arrazoado a respeito do regime de tributação do tributo onde apresentava sua opinião legal acerca do regime de tributação das receitas auferidas pela CETIP. 3.14 No presente processo a empresa, ao ser questionada trouxe uma tese abordando o seu "perfil típico de Instituição Financeira". 3.15 Relativamente à Ação Ordinária nº 2004.51.01.0154258 informou que: a) Nesta, ajuizada na data de 09/08/2004, perante a 10a Vara Federal/RJ, a CETIP requer que seja declarado seu direito de efetuar o depósito integral do valor da COFINS que entende devido, como forma de suspender a exigibilidade do tributo. Pede ainda que seja deferido seu pedido de segredo de justiça. No mérito, requer que seja reconhecida sua isenção quanto à COFINS, declarandose o enquadramento das receitas de suas atividades no inciso X do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, quais sejam: taxa de registro de emissão, taxa de custódia, taxa por transação, taxa de utilização mensal, cota patrimonial e outras taxas típicas da empresa, decorrentes do exercício de suas atividades próprias. b) Decisão liminar proferida aos 02/09/2004 deferiu os depósitos judiciais, bem como o processamento em segredo de justiça. c) A sentença proferida julgou a ação procedente, declarando a autora ter direito à isenção de COFINS quanto às receitas auferidas de seus associados e participantes, denominadas: a) taxa de registro de emissão; b) Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 6 taxa de custódia; c) taxa por transação; d) taxa de utilização mensal; e) cota patrimonial; f) taxa de reprocessamento; g) e taxa de abertura/reabertura de conta d) Conforme certidão emitida pelo TRF 2a Região, os autos encontramse conclusos para despacho do relator acerca do Recurso de Apelação apresentado pela União, ainda não julgado. 3.16 Relativamente à Ação Ordinária nº 2005.51.01.0253423 informou que: a) ´Tratase de Ação Ordinária Declaratória (5a Vara Federal/RJ), impetrada na data de 30/11/2005, na qual a interessada pretende seja reconhecida a inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei n° 9.718/1998 e, conseqüentemente, lhe seja autorizado calcular a COFINS apenas sobre seu faturamento, assim entendida sua receita de bens e serviços. Requer ainda a restituição dos valores recolhidos indevidamente. b) Decisão liminar proferida aos 21/02/2006 deferiu o depósito judicial dos valores questionados. Em sentença, datada de 29/08/2006, foi julgado procedente o pedido para reconhecer à autora o direito ao recolhimento da COFINS apenas sobre os valores que correspondam ao resultado da venda de mercadorias ou serviços, e para reconhecer seu direito ao crédito dos pagamentos feitos anteriormente a maior. 3.17 De acordo com a planilha de apuração do tributo (fls. 185) a fiscalizada segrega a apuração da COFINS em duas partes. Uma parcela sobre sua receita de serviços (depositada em juízo na ação judicial 2004.51.01.0154258) e, a outra parcela da COFINS, calculada sobre as demais receitas (receitas financeiras e receitas de aluguéis). 3.18 A COFINS calculada sobre as demais receitas foi declarada em DCTF como paga através de DARF até novembro de 2005 e, posteriormente, com a liminar deferida medida judicial nº 2005.51.01.0253423, na data de 21/02/2006, passou a ser depositada em juízo vinculada à esta ação. Essa mesma sentença concedeu a compensação dos pagamentos efetuados até novembro de 2005. 3.19 O artigo 10 da Lei 10.833/2003 determina quais as pessoas jurídicas que permaneceram com a apuração da COFINS sob o regime cumulativo. Tal artigo, em seu inciso I, remete aos §§ 6o; 8o e 9o do artigo 3o da Lei n° 9.718/1998. 3.20 As empresas abrangidas pelo §6º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 são as listadas no §1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, dentre as quais não se inclui a fiscalizada. 3.21 A CETIP SA, após a cisão, ficou com as atividades econômicas da fiscalizada e, desde o seu início, em julho de 2008, corretamente vem se declarando contribuinte da COFINS pelo regime nãocumulativo, nos moldes da IN SRF 404/2004. Entende a fiscalização que a CETIP S.A. compreende que não se encontra entre aquelas excepcionadas no § 1o do artigo 22 da Lei n° 8.212/1991 e no art. 10° da Lei 10.833/2003. Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.720219/201039 Acórdão n.º 3102002.131 S3C1T2 Fl. 5 7 3.22 As empresas que se submetem ao regime da cumulatividade, ao apurarem a COFINS, são definidas de forma terminante; taxativa e definitiva no inciso I do art. 10 da Lei 10.833/2003. Da mesma forma o §1o do art. 22 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 é literal e esgota as atividades a que se refere. As atividades nele citadas não são, em hipótese alguma, meramente exemplificativas. 3.23 As empresas de custódia, liquidação e compensação, etc, não se incluem entre as entidades relacionadas nos dispositivos acima dispostos. Tais dispositivos legais não sendo exemplificativos, enumeram a totalidade das empresas às quais se refere. E que, a fiscalizada é claramente enquadrada no regime nãocumulativo, e deveria ter seguido as determinações da Lei n° 10.833, de 2003, e da Instrução Normativa da SRF n° 404, de 2004, que regulamenta a matéria. 3.24 A extinta Deinf/RJO também jurisdicionava corretoras de câmbio; empresas de factoríng e até mesmo empresas de planos de saúde e, esses contribuintes nunca foram instituições financeiras. Os Termos de Intimação IV e V passaram à jurisdição da DEMAC/RJO (Delegacia dos Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro), haja vista a extinção da Deinf/RJO. Tudo isso sob os ditames de portarias internas que visam à distribuição dos trabalhos. 3.25 Face à negativa da fiscalizada em apresentar as bases de cálculo de apuração do tributo sob o regime da não cumulatividade, vide a resposta dada ao Termo de Intimação V (fls. 365/367), tornouse imperativa tal apuração por parte da fiscalização. 3.26 Da análise da natureza de determinados lançamentos contábeis, refletidos nas contas dos balancetes mensais apresentados, procedeuse à apuração dos créditos de COFINS a serem deduzidos (art. 3o da Lei 10833/2003) e dos montantes mensais efetivamente devidos do tributo. Somente foram considerados os créditos perfeitamente identificáveis nos balancetes mensais e na documentação complementar apresentada pela fiscalizada que esclareceu acerca dos aluguéis pagos a pessoas jurídicas (fls. 365/367). Nas apurações não foram consideradas as receitas financeiras auferidas pela fiscalizada, em cumprimento ao disposto no art.1° do Decreto n° 5.164/04. 3.27 A partir do fato gerador de dezembro de 2003, a alegação de direito em que se funda a impetração de ação nº 2005.51.01.0253423, perde seu objeto, visto que com o advento da Lei n° 10.833/2003 a empresa passa a apurar a COFINS através da incidência nâocumulativa. 3.28 Nesta medida judicial, as receitas financeiras, que formam a quase totalidade da base de cálculo da COFINS questionada e depositada em juízo, têm sua alíquota reduzida a zero pelo art. 1o do Decreto n° 5.164/04, para as empresas que estão no regime nãocumulativo. E estas receitas foram desconsideradas na apuração da contribuição devida. Os depósitos judiciais vinculados à esta ação não foram considerados no lançamento. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 8 3.29 Será encaminhada ao setor de Acompanhamento de Ações judiciais da Delegacia uma representação no sentido de ser avaliada a oportunidade de solicitar à PFN um pedido de encerramento desta ação judicial por perda de objeto, uma vez que a empresa está, por força de Lei, enquadrada no sistema da nãocumulatividade e, concomitantemente, as receitas financeiras às quais ela vem apurando e depositando a COFINS, têm, também por ditame legal, sua alíquota reduzida a zero. O objeto se perdeu e os depósitos judiciais em nada servem à União devendo ser levantados pela interessada. 3.30 O enquadramento da empresa no regime de apuração da não cumulatividade da COFINS, através da Lei n° 10.833/2003, com vigor a partir de dezembro de 2003, não interferiu na efetividade das decisões proferidas na medida judicial nº 2004.51.01.0154258. Isso porque os artigos 13 e 14 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 permanecem ainda em vigor e se aplicam às pessoas jurídicas ali enumeradas. Deste modo, a exigibilidade da COFINS calculada sobre as receitas típicas da atividade da empresa permanece suspensa, por força de sentença. 3.31 Na elaboração do Auto de Infração, foram apuradas as bases de cálculo mensais e calculada a contribuição devida a título de COFINS (regime nãocumulativo) excluindo os valores já declarados em DCTF, suspensos por depósito judicial nesta ação 2004.51.01.0154258. O resultado é o valor de COFINS ora lançado de ofício, também com a exigibilidade suspensa, não por depósitos judiciais, mas, por força da própria sentença proferida na ação. 3.32 A planilha de apuração da COFINS ainda devida pela diferença na implementação do regime nãocumulativo encontrase às fls. 470/475 do presente processo. Os valores devidos por tal diferença e ainda não declarados são aqueles ora constituídos de ofício e com exigibilidade suspensa por decisão judicial. 3.33 O lançamento ora efetuado tomou por base exclusivamente os dados/documentos fornecidos pelo contribuinte e tem por base os artigos 1º, 2o, 3o e 5o da Lei n° 10.833/2003 (fls. 02; 476/489). 3.34 Como o crédito tributário lançado neste Auto de Infração decorre de fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2006 a junho de 2008, são solidariamente responsáveis pelo mesmo a CETIP Educacional, CNPJ 28.719.664/000124, e a CETIP S.A. Balcão Organizado de Ativos e Derivativos, CNPJ 09.358.105/000191 (fls. 490/491). 4. Cientificado do lançamento consubstanciado no Auto de Infração em comento, na data de xxxxx, o interessado e a responsável solidária (CETIP S.A – BALCÃO ORGANIZADO DE ATIVOS E DERIVATIVOS) apresentaram a peça impugnatória de fls. xxx/xxx, em 16.09.2010. Alegaram, em síntese que: 4.1. Relativamente à CETIP – CÂMARA DE CUSTÓDIA E LIQUIDAÇÃO e a isenção da COFINS 4.1.1 A CETIP Câmara de Custódia e Liquidação ajuizou ação ordinária autuada sob o nº 2004.51.01.0154258, perante a Justiça Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, por meio da qual pleiteia a declaração da isenção da COFINS, nos termos do inciso X do artigo 14 da Medida Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.720219/201039 Acórdão n.º 3102002.131 S3C1T2 Fl. 6 9 Provisória nº 2.15835/2001, sobre as receitas relativas às atividades próprias da época em que ainda era uma Associação, período este totalmente abarcado pelo auto de infração ora impugnado. 4.1.2 O MM. Juízo da 10a Vara Federal, onde tramitou a ação em lª instância, julgou procedente o pedido da CETIP para reconhecer o seu direito à isenção da COFINS em relação às receitas relativas às atividades próprias, quais sejam: . registro e emissão; custódia; transação; utilização mensal; cota patrimonial; reprocessamento; abertura e reabertura de conta; transferência automática de cotas de fundos; e acesso ao SIANBID. 4.1.3 Os valores objeto do lançamento encontramse com a exigibilidade suspensa em virtude da sentença prolatada na referida medida judicial (doc.03). A sentença não transitou em julgado, eis que pende de julgamento recurso de apelação interposto pela União Federal. Certo é que a sentença será mantida, pois injustificada a resistência do Fisco em não reconhecer isenção prevista em lei. 4.1.4 Face os Princípios da Legalidade e Moralidade, impõese o reconhecimento da isenção sobre as receitas próprias da CETIP, sendo, indubitavelmente, improcedente o presente lançamento, que nada mais é do que uma continuação do trabalho fiscal iniciado anteriormente, o qual acarretou a lavratura do auto de infração objeto do processo nº 19740.720139/200984 (período de apuração compreendido entre agosto/2004 e dezembro/2005), conforme reconhecido pelo próprio fiscal autuante à f1. 03 do "Termo de Verificação Fiscal" anexo a este auto. 4.1.5 A exigência constante no processo acima mencionado também foi objeto de impugnação (tal como a presente), atualmente pendente de julgamento por parte da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil. Relativamente à correta opção pelo regime cumulativo da COFINS. 4.2.1 A CETIP Câmara de Custódia e Liquidação era uma organização privada de fins não econômicos, tendo sido criada em março de 1986 por instituições financeiras e o Banco Central do Brasil, para garantir mais segurança e agilidade às operações do mercado financeiro brasileiro. É a maior depositária de títulos da América Latina. 4.2.2 A CETIP, enquanto associação criada pelas instituições financeiras e fiscalizada pelo Banco Central do Brasil e Comissão de Valores Mobiliários (CVM), era pessoa jurídica integrante do Sistema Financeiro Nacional cuja natureza de suas operações, tal e qual a natureza de suas criadoras, era tipicamente de instituição financeira, tendo por objetivo o suporte necessário à toda cadeia de operações típicas das instituições financeiras, prestando serviços integrados de custódia, negociação eletrônica, registro de negócios e liquidação, resultando, desta maneira, incontroverso seu perfil de instituição financeira, conforme Estatuto Social (doc.04). Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 10 4.2.3 Uma visita a sítios da internet como o do Banco Central do Brasil, seu criador e por quem sempre foi autorizada a funcionar no "link" relativo ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (doc.05), comprovam tal realidade. "A Cetip é depositária principalmente de títulos de renda fixa privados, títulos públicos estaduais e municipais e títulos representativos de dívidas de responsabilidade do Tesouro Nacional, de que são exemplos os relacionados com empresas estatais extintas, com o Fundo de Compensação de Variação Salarial FCVS, com o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária Proagro e com a dívida agrária (TDA). Na qualidade de depositária, a entidade processa a emissão, o resgate e a custódia dos títulos, bem como, quando é o caso, o pagamento dos juros e demais eventos a eles relacionados. Com poucas exceções, os títulos são emitidos escrituralmente, isto é, existem apenas sob a forma de registros eletrônicos (os títulos emitidos em papel são fisicamente custodiados por bancos autorizados) . As operações de compra e venda são realizadas no mercado de balcão, incluindo aquelas processadas por intermédio do CetipNet (sistema eletrônico de negociação). Conforme o tipo de operação e o horário em que realizada, a liquidação é em D ou D+l. As operações no mercado primário, envolvendo títulos registrados na Cetip, são geralmente liquidadas com compensação multilateral de obrigações (a Cetip não atua como contraparte central). Compensação bilateral é utilizada na liquidação das operações com derivativos e liquidação bruta em tempo real, nas operações com títulos negociados no mercado secundário. A Cetip observa os modelos 1 e 3 de entrega contra pagamento, conforme a liquidação seja efetuada, respectivamente, sem ou com compensação de obrigações." (grifos nossos) 4.2.4 A mais moderna enciclopédia eletrônicaWikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/CETIP doc.06) traz a descrição da CETIP, corroborando para a elucidação do seu perfil: CETIP é um acrônimo para Câmara de Custódia e Liquidação. É uma sociedade civil sem fins lucrativos, criada em 1986 para preencher a lacuna de um sistema eletrônico de custódia e liquidação financeira no mercado de títulos privados. Suas atividades são regulamentadas pelo Bacen. É um mercado de balcão organizado para registro da negociação de títulos e valores mobiliários de renda fixa. Pode também registrar, custodiar e liquidar títulos públicos estaduais e municipais emitidos após 1992, títulos representativos de dívidas de responsabilidade do Tesouro Nacional, além de todos os Créditos Securizados da União, da Dívida Agrícola, dos Títulos da Dívida Agrária e também dos Certificados Financeiros do Tesouro," (grifos nossos) 4.2.5 Dúvidas não restam que a CETIP Associação era integrante do Sistema Financeiro Nacional, assim como toda e qualquer empresa ou entidade que opere ou delibere diretamente com gerenciamento de finanças/títulos privados e públicos. É essa, efetivamente, a vontade da lei, nos termos do art. 1º, 17 e 18 da Lei nº 4.595/64. 4.2.6 Este tema já foi comentado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em parecer da lavra da Dra. Cláudia Regina Gusmão (na época, coordenadora geral de assuntos tributários da PGFN), em razão de a Receita Federal, mediante a Nota Técnica COSIT ne 21, de 28/08/2006, ter consultado a PGFN acerca da natureza jurídica das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros à luz das decisões do STF. Assim, ao esclarecer o tema central, a Procuradora traça considerações acerca do Sistema Financeiro Nacional, conforme o disposto na Constituição da República e na legislação pertinente, acolhendo, para tanto, o entendimento do Dr. Francisco Arnoldo de Assis, manifestado no Parecer PGFN/CAF nº 334/2001, do qual se infere o conceito de instituição financeira adotado pela própria administração pública. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.720219/201039 Acórdão n.º 3102002.131 S3C1T2 Fl. 7 11 4.2.7 Outra prova contundente e robusta do perfil de instituição financeira da CETIP extraise da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, a qual dispõe que as instituições financeiras estão obrigadas a manter o sigilo das operações e serviços prestados. Dentre elas está a CETIP, por conta do inciso XII do § lº do artigo 1º da Lei Complementar nº 105. 4.2.8 A fim de demonstrar a inequívoca natureza jurídica da CETIP, temse o deferimento do segredo de justiça na ação judicial anteriormente comentada, em razão da apresentação de documentos que demonstravam as operações ativas e passivas de serviços prestados pela CETIP (doc.07). Em razão disso é que a autoridade administrativa autuante, no decorrer da fiscalização, requereu à CETIP o fornecimento de cópias de peças e decisões da ação, já que não pode ter acesso ao processo em razão de tal sigilo (doc.08). 4.2.9 Diante disso, temse a prova cabal da real natureza jurídica da CETIP (de instituição financeira), a qual, com ou sem a definitividade da decisão da ação judicial em curso (nº 2004.51.01.0154258), não pode sofrer influência do cenário jurídico que se instalou com o advento da Lei nº 10.833, instituidora do regime não cumulativo da COFINS. 4.2.10 Impõese a observância do comando posto pelo artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. 4.2.11 O dispositivo citado determina que toda e qualquer pessoa jurídica que possua perfil de instituição financeira permaneça no regime cumulativo de tributação da COFINS (Lei nº 9.718/98). 4.2.12 Percebase, então, a mais não poder, que a CETIP, como parte integrante do Sistema Financeiro Nacional e com a natureza de suas operações tipicamente de instituição financeira, possuía a característica legal necessária à permanência no regime cumulativo de apuração da COFINS, ou seja, devidamente amparada pela legislação tributária. 4.3 Relativamente à inconsistência dos valores lançados: 4.3.1 Caso se entenda que, durante o período fiscalizado, a CETIP Câmara de Custódia e Liquidação esteve, de fato, sujeita ao regime nãocumulativo de apuração da COFINS, fazse necessário retificar o Demonstrativo de Apuração da COFINS, anexo ao Auto de Infração ora impugnado, uma vez que este não se encontra em consonância com as disposições da Lei nº 10.833/2003. 4.3.2 Conforme se depreende da análise do referido documento e da memória de cálculo disponibilizada pela autoridade fiscal que lavrou o Auto de Infração (doc.09), os seguintes equívocos foram cometidos pela fiscalização, quando da apuração da COFINS supostamente devida pela Sociedade no regime não cumulativo: 4.3.2.1 Foram computadas na base de cálculo da COFINS as reversões de provisões, registradas contabilmente sob essa mesma rubrica, bem como os ingressos decorrentes da indenização de seguros, em razão do sinistro de geradores da Sociedade, registrados contabilmente na conta "Outras Receitas"; 4.3.2.2 Não foram descontados da COFINS a recolher os créditos aos quais a Sociedade teria direito, caso estivesse enquadrada no regime nãocumulativo de apuração da contribuição; Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 12 4.3.2.3 Não foram abatidas do montante a recolher as contribuições incidentes sobre as receitas não operacionais (notadamente aquelas decorrentes de operações de aluguel), depositadas judicialmente pela Sociedade nos autos do processo nº 2005.51.01.0253423. 4.3.2.4 Abaixo estão listados os equívocos cometidos pela autoridade fazendária: a) Base de Cálculo da COFINS: a.1) De acordo com as disposições do artigo lº da Lei nº 10.833/2003, a base de cálculo da COFINS é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. a.2) No caso específico da Sociedade, a base de cálculo compreenderá as receitas decorrentes da prestação de serviços integrados de custódia, negociação, registro de negócios e liquidação financeira de títulos mobiliários, bem como as receitas não operacionais, relacionadas, basicamente, a operações de aluguel. a.3) Nos termos do §3º do referido artigo, não integram a base de cálculo da COFINS, dentre outras, as receitas referentes a vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos, bem como "a reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas". a.4) É inadmissível aceitarse a tributação das indenizações de seguro, sejam elas recebidas em função de sinistro de bens registrados no ativo circulante ou no permanente, por não representarem efetivos ingressos de novas receitas, mas apenas e tão somente a recomposição do patrimônio do contribuinte. Mesmo que se pretenda considerar as indenizações como recuperação de despesas ou custos, ainda assim não é possível, legalmente, autorizarse a tributação, uma vez que os valores recuperados também não possuem a natureza de receita nova, passível de tributação pela COFINS. a.5) Quando da apuração da COFINS supostamente devida pela Sociedade no regime nãocumulativo nos meses de fevereiro e junho de 2007, os valores referentes à indenização de seguros e reversão de provisões, registradas nas contas 3.1.04.02.05 e 3.1.04.02.01, respectivamente, não deveriam ter sido computadas na base de cálculo da referida contribuição. No entanto, este não foi o procedimento adotado pela autoridade fiscal, no intuito de apurar a base de cálculo tributável da COFINS. a.6) Cumpre ressaltar, ainda, os erros de digitação cometidos pela autoridade fiscal no que tange a composição da base de cálculo da COFINS, notadamente no que diz respeito aos meses de: • Julho de 2006, quando foi subtraído, equivocadamente, da receita de serviços, o valor de R$ 134,34 (cento e trinta e quatro reais e trinta e quatro centavos) referente a "Devoluções e Abatimentos" (conta 3.1.01.01.02.003). O valor correto, registrado nessa conta, era de R$ 137,34 (cento e trinta e sete reais e trinta e quatro centavos); • Setembro de 2007, quando foi imputado como receita de serviços o valor de R$ 9.466.042,83 (nove milhões, quatrocentos e sessenta e seis mil, quarenta e dois reais e oitenta e três centavos). O valor correto, registrado na conta 3.1.01.01, era de R$ 8.466.042,83 (oito milhões, quatrocentos e sessenta e seis mil, quarenta e dois reais e oitenta e três centavos). a.7) Pelos motivos acima expostos, é necessária a retificação do "Demonstrativo de Apuração da COFINS", no que se refere à base de cálculo da Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.720219/201039 Acórdão n.º 3102002.131 S3C1T2 Fl. 8 13 contribuição, que deverá corresponder ao somatório das receitas de prestação de serviços auferidas no mês e receitas não operacionais, registradas sob a rubrica "Receitas de Aluguel de Imóveis" (conta 3.1.04.02.04), diminuído dos montantes registrados mensalmente como "devolução de receitas". a.8) Assim, considerando referido ajuste, a base de cálculo tributável da COFINS, durante o período compreendido entre janeiro de 2006 e junho de 2008, é a que consta do anexo que demonstra o cálculo elaborado pela Sociedade (doc.10), e que reproduzimos na tabela a seguir: b) Crédito de COFINS: b.1 Ao analisarmos a apuração da COFINS supostamente devida pela Sociedade no regime nãocumulativo, observamos que foram descontados do tributo a recolher apenas os créditos decorrentes de despesas com energia elétrica (conta 3.1.03.02.05.018) bem como as despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica (conta 3.1.03.02.02.001001), tendo sido desprezados todos os demais créditos aos quais a Sociedade teria direito, caso estivesse enquadrada no referido regime. b.2 Nos termos da Lei nº 10.833/2003, a pessoa jurídica submetida ao regime nãocumulativo de apuração da contribuição poderá descontar créditos calculados em relação às seguintes despesas, dentre outras: •Energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; •Encargos de depreciação e amortização das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; •Bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. b.3 Na literatura técnica, o vocábulo “insumo” assume diversos conceitos, tais como: “O conjunto de fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc, empregados pelo empresário para produzir o output, ou produto final. Insumos são os ingredientes da produção, mas há quem limite a palavra aos "produtos intermediários", que não sendo matériasprimas, são empregados ou se consomem no processo de produção". INSUMO. Economia Política. 1. Despesas e investimentos que contribuem para um resultado ou para a obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. 2. É tudo aquilo que entra (input), em contraposição ao produto (output), que é o que sai. 3. Tratase de combinação de fatores de produção, diretos (matériaprima) e indiretos (mãodeobra, energia, tributos), que entram na elaboração de certa quantidade de bens ou serviços”2 b.4 O conceito de "insumos" é bastante amplo, já que corresponde a todos os fatores utilizados, empregados ou consumidos para a produção de algum bem ou serviço. b.5 Assim, são considerados insumos para prestação dos seus serviços, as seguintes despesas incorridas pela Sociedade: Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 14 (i) aluguel de programas utilizados para registro e custódia dos títulos; (ii) conservação e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no desenvolvimento de suas atividades; (iii) serviços prestados por pessoa jurídica;(iv) suporte de sistemas; (v) manutenção de sistemas e (vi) despesas com telecomunicações. b.6 Tais despesas com insumos, somadas à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da CETIP, às despesas com aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica e aos encargos de depreciação e amortização das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado da Sociedade deverão, nos termos da Lei nº 10.833/2003, ser utilizadas como crédito na apuração da COFINS devida, mediante aplicação da alíquota de 7,6%. b.7 Este não foi o procedimento adotado pela autoridade fiscal, no intuito de apurar a COFINS supostamente devida pela Sociedade no regime nãocumulativo. Por este motivo, é necessária a retificação do “Demonstrativo de Apuração da COFINS", no que se refere ao valor a recolher da contribuição, que deverá ser diminuído dos créditos apurados pela Sociedade. b.8 Os créditos de COFINS apurados pela Sociedade, durante o período compreendido entre janeiro de 2006 e junho de 2008, correspondem aos valores constantes do anexo (doc.10), e reproduzimos na tabela a seguir: c) COFINS depositada judicialmente referente às receitas não operacionais: c.1) Ao apurar a COFINS supostamente devida pela Sociedade no regime nãocumulativo, a fiscalização não abateu o tributo depositado judicialmente, incidente sobre as receitas nãooperacionais auferidas durante o período (especialmente aquelas decorrentes de operações de aluguel), registrada na conta 3.1.03.02.04.010, não obstante tenha computado na base de cálculo do tributo tais receitas. Por este motivo, também neste caso, é necessária a retificação do “Demonstrativo de Apuração da COFINS", no que se refere ao valor lançado da contribuição, que deverá ser diminuído da COFINS incidente sobre as demais receitas, depositada pela Sociedade nos autos do processo nº 2005.51.01.0253423. c.2) Assim, o total da COFINS depositada pela Sociedade nos autos do processo n2 2005.51.01.0253423, referente às receitas nãooperacionais auferidas durante o período compreendido entre janeiro de 2006 e junho de 2008, que também consta do anexo (doc.10), encontrase abaixo listado: c.3) Após os ajustes no cálculo efetuado pela autoridade fiscal que consta do doc. 09, o total da contribuição ainda devida pela Sociedade durante o período de janeiro de 2006 a junho de 2008, caso se entenda que ela está sujeita ao regime não cumulativo de apuração da COFINS, é de R$ 9.111.018,15 (nove milhões, cento e onze mil, dezoito reais e quinze centavos), e não R$ 11.808.295,86 (onze milhões, oitocentos e oito mil, duzentos e noventa e cinco reais e oitenta e seis centavos). 4.4 Ao final requer que: (i) sejam os autos apensados aos do processo nº 19740.720139/200984, para apreciação em conjunto de ambas as Impugnações, a fim de se evitar a prolação de decisões contraditórias no âmbito da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, tendo em vista tratarem do mesmo objeto; (ii) seja julgado improcedente o lançamento levado a cabo através do Auto de Infração objeto do presente processo administrativo, autuado sob o nº 12448.720219/201039, com a conseqüente baixa e arquivamento do mesmo, pela inconsistência da exigência formulada. A uma porque a CETIP à época dos fatos geradores era isenta da COFINS; a duas porque, mesmo que não fosse isenta, os Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.720219/201039 Acórdão n.º 3102002.131 S3C1T2 Fl. 9 15 depósitos judiciais realizados nos autos do processo n° 2004.51.01.0154258 são suficientes para quitação do tributo eventualmente devido, eis que correta a opção pelo regime cumulativo da COFINS; (iii) Caso se entenda que a CETIP de fato não era isenta e estava sujeita ao regime nãocumulativo de apuração da COFINS, o que se admite apenas por argumentação, requer a revisão dos valores lançados, eis que o total da contribuição supostamente devido, em referido regime de apuração, durante o período de janeiro de 2006 a junho de 2008, é de R$ R$ 9.111.018,15 (nove milhões, cento e onze mil, dezoito reais e quinze centavos), e não R$ 11.808.295,86 (onze milhões, oitocentos e oito mil, duzentos e noventa e cinco reais e oitenta e seis centavos). iv) Protesta pela posterior produção de todas as provas admitidas em âmbito administrativo, em especial, a produção de prova documental e pericial. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2008 AÇÃO JUDICIAL. ISENÇÃO DA COFINS. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial, em nome da interessada, importa renúncia às instâncias administrativas quanto à mesma matéria, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2008 INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. Tratandose de uma entidade de liquidação e compensação em conformidade com o estatuto social da interessada considerase caracterizada a sua natureza de instituição financeira. REGIME DE APURAÇÃO DA COFINS. O fato de a contribuinte ser considerada instituição financeira não significa estar submetida à apuração cumulativa da contribuição. Somente estão sujeitas à apuração cumulativa as pessoas jurídicas indicadas na Lei nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. Excluemse da base de cálculo apenas as deduções previstas em Lei devidamente comprovadas. BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE SERVIÇOS. Comprovado que foi apurado valor de receita de serviços maior que o auferido pela contribuinte é de se reduzir o montante devido. CRÉDITOS DE COFINS. Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 16 Não tendo sido demonstrada a apuração dos créditos da contribuição para fins de dedução do montante devido é de se acatar a apuração efetuada pela fiscalização. DEPÓSITOS JUDICIAIS DAS RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. Tendo sido estabelecida a aplicação do regime não cumulativo de apuração da contribuição, onde é considerado o faturamento mensal, ou seja, todas as receitas auferidas pela contribuinte, desnecessária a utilização de depósitos judiciais efetuados no âmbito de processo judicial no qual é discutido o alargamento da base de cálculo previsto em Lei que estabelece a apuração cumulativa da contribuição. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2008 APENSAÇÃO DE PROCESSOS Rejeitase pedido de apensação de processos de auto de infração da contribuinte, de períodos diversos, ainda que versem sobre a mesma matéria, visto que devem seguir rito próprio. PRODUÇÃO DE PROVA. PERÍCIA. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá a produção de provas e pedido de perícia que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. Perícia Insatisfeitas com a decisão de primeira instância, Cetip Educacional e Cetip S.A. – Mercados Organizados apresentam em conjunto Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Argumentam que “conforme reconhecido na decisão recorrida, a CETIP – Câmara de Custódia e Liquidação ajuizou ação ordinária autuada sob o nº 2004.51.01.0154258, perante a Justiça Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, através da qual pleiteia a declaração de isenção da COFINS, nos termos do inciso X do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, sobre as receitas relativas às atividades próprias da época em que ainda era uma Associação, período este totalmente abarcado pelo auto de infração impugnado”. Com base nisso, os valores objeto do lançamento encontramse com a exigibilidade suspensa nos termos da sentença, até então mantida em 2ª instância, apenas pendente de julgamento de agravo interposto pela União, sem efeito suspensivo. Consideram correta a opção pelo Regime Cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, por ser uma instituição financeira, fato reconhecido pela própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Listam sete evidências que testemunham sua condição, quais sejam, (i) ter sido criada pelo Banco Central do Brasil e por instituições financeiras para garantir mais segurança e agilidade às operações do mercado financeiro brasileiro; (ii) ser fiscalizada pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM e ter por objetivo o suporte necessário a toda a cadeia de operações típicas das instituições financeiras, prestando serviços integrado de custódia, negociação eletrônica, registro de negócios e liquidação; (iii) os sites do Banco do Brasil e Wikipédia não deixam dúvidas a respeito; (iv) as normas da Lei 4.595/64; (v) Parecer prolatado pela própria Procuradoria da Fazenda Nacional; (vi) obrigação de sigilo instituída pela Lei Complementar nº 105/01; (vii) o deferimento do segredo de justiça determinado na ação judicial impetrada. Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.720219/201039 Acórdão n.º 3102002.131 S3C1T2 Fl. 10 17 Que com ou sem a ação judicial em curso não pode sofrer influência do cenário jurídico que se instalou com ao advento da Lei 10.833/03, até por conta do disposto no artigo 10 da própria Lei. Consideram incorreta a interpretação literal empreendida pela instância a quo no julgamento do litígio. Que o caso concreto não enquadrase em nenhuma das hipóteses do artigo 111 do Código Tributário Nacional. Que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB veicula em seu sítio informação de que as instituições financeiras não estão sujeitas à sistemática não cumulativa de apuração da Contribuição, entendimento também confirmado no Processo de Consulta nº 349/12, da 7ª Região Fiscal. E acrescentam, Como se não bastasse, tal fato também restou reconhecido judicialmente, nos autos da ação judicial nº 2005.51.01.0253423 proposta pela CETIP em face da União Federal, com o fito de ver declarada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS, introduzido pelo § 1º do artigo 3º da Lei9.718/98 (regime cumulativo). Sobre o assunto, inclusive, importa destacar que a União Federal, através do seu órgão de representação – Procuradoria da Fazenda Nacional , jamais contestou, ao longo de toda a ação, o recolhimento da COFINS pelo regime cumulativo. Portanto, tal fato é também incontroverso na referida ação, o que se verifica das principais peças extraídas dos autos judiciais (doc. 03), e seguintes trechos do acórdão de apelação, interposta pela União Federal: (...) A seguir, aduzem que, caso remotamente entendase de forma distinta da defendida, necessário que seja retificado o Demonstrativo de Apuração da Cofins anexo ao Auto de Infração. Relaciona os equívocos cometidos pela Fiscalização Federal, quais sejam, (i) cômputo, na base de cálculo, das reversões de provisões e dos ingressos decorrentes da indenização de seguros; (ii) não terem sido descontados créditos a que teria direito; (iii) não terem sido abatidas as Contribuições incidentes sobre as receitas não operacionais depositadas judicialmente. Apresentam documentos que afastam o óbice identificado em primeira instância de julgamento em relação ao item “i” acima. Defendem que teria direito à redução do valor devido com base em créditos decorrentes de gastos com energia elétrica, encargos de depreciação e amortização e insumos utilizados na prestação dos serviços. A seguir, discorrem sobre o significado do vernáculo insumos para requerer a inclusão neste conceito das despensas com aluguel de programas utilizados para registro e custódia dos títulos, conservação e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no desenvolvimento de suas atividades, serviços prestados por pessoa jurídica, suporte de sistema, manutenção de sistema e despesas com telecomunicação. Que comprovaram, ao contrário de como decidiu a instância a quo, todos os créditos apurados. Que o doc 10, cuja não localização ensejou a negativa por parte da Delegacia da Receita Federal de Julgamento ao reconhecimento do direito, está inteiramente Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 18 anexado ao processo, às folhas 944/958. Esclarece que provavelmente tenha havido o extravio/descarte da folha de rosto/divisória do documento no ato da digitalização da defesa. Por fim, que, Diferentemente do que entendeu a C. Turma julgadora, os depósitos efetuados nos autos dação judicial nº 2005.51.01.0253423 podem e devem ser computados no lançamento, eis que correspondem às receitas de aluguel integrantes da base de cálculo da COFINS. De outra banda, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta suas contra razões, defendendo a manutenção do crédito tributário constituído no Auto de Infração contestado. Reconhece a natureza da Recorrente como instituição financeira, mas pondera, A princípio, convencionouse que o inciso I acima transcrito referese às instituições financeiras de uma forma geral. É comum na doutrina e na jurisprudência, afirmarse que as instituições financeiras submetemse ao regime cumulativo para apuração do PIS e da COFINS. Entretanto, o dispositivo citado deve ser interpretado com a finalidade de compatibilizálo com todo o sistema tributário, pois o que está expresso é que determinadas pessoas jurídicas, especificamente, bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito” devem seguir o regime cumulativo. E não, quaisquer pessoas jurídicas que possuam características de instituição financeira. Muito menos, uma associação civil sem fins lucrativos. Destaca que, após a cisão, a CETIP S.A. ficou com as atividades econômicas da CETIP Associação e, desde então, vem se declarando como contribuinte da Cofins pelo Regime NãoCumulativo, e Ora, se CETIP S.A. possui as mesmas atividades da CETIP Associação qual a justificativa para a primeira seguir o regime não cumulativo e a segunda, o cumulativo? De fato, não há resposta plausível para esse questionamento. Por fim, requer a manutenção da base de cálculo nos termos em que foi decidido em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Instituições financeiras e regime de apuração da Cofins Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.720219/201039 Acórdão n.º 3102002.131 S3C1T2 Fl. 11 19 A primeira questão que se apresenta nos autos referese à possibilidade de reconhecimento do contribuinte como instituição de natureza financeira e às conseqüências disso advindas. A Recorrente demorase em demonstrar as diversas razões porque considera ser uma instituição financeira, lembrando, inclusive, que tal condição foi aceita de forma expressa pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. De fato, embora os esforços envidados pela defesa, não me parece que esse ainda seja um assunto controvertido no litígio. Como fica claro na decisão de primeira instância, em excerto já reproduzido no corpo do próprio Recurso Voluntário, o i. Julgador de piso concorda com tal condição; contudo, considera que ela não tem o efeito pretendido pela Parte. Quanto a isso, penso que andou bem a decisão de primeira instância tanto no que se refere à identificação do contribuinte como sendo uma instituição financeira, quanto às conseqüências que disso decorrem. Repisando o caminho percorrido pela instância a quo, vê se, de início, que, tendo em conta o objeto social da entidade anotado em seu Estatuto, seus atos constitutivos e a legislação que regula o setor financeiro, é de se concluir que a CETIP deve ser reconhecida como uma instituição de natureza financeira. Reproduzo excerto do Voto no qual o i. Relator faz considerações a respeito do assunto. 16. De acordo com o Estatuto Social vigente à época dos fatos (fls. xx a xx), em seu art. 3º a Cetip tinha por objeto social: Artigo 3o A CETIP terá por objeto social: 1 mediante prévia autorização do poder público competente; a) prestar serviços relacionados com (i) o registro, movimentação e baixa em custódia eletrônica de valores mobiliários, títulos de renda fixa ou variável, instrumentos financeiros e direitos; (ü) o registro de emissão de títulos de renda fixa, instrumentos financeiros e direitos; (iii) transferência eletrônica de recursos, liquidação financeira de pagamentos ê administração de sistemas de pagamentos; e (iv) fornecimento de informações financeiras e transferência de dados aos associados e demais participantes, nos mercados financeiro e de capitais; b) administrar e manter, em mercado livre e aberto, sistemas adequados à realização de operações de compra e venda dê valores mobiliários, títulos de renda fixa ou variável e de outros instrumentos financeiros e direitos, assim como de transferência eletrônica de pagamentos previstos na regulamentação em vigor, e c) estabelecer sistemas de negociação que propiciem a continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos, valores mobiliários, outros instrumentos financeiros e direitos. II criar e desenvolver sistemas, conforme disposto no artigo 3°, inciso I, alínea b, bem como divulgar as alterações introduzidas nos mesmos, com rapidez, amplitude e detalhes; Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 20 III viabilizar o acesso aos sistemas de teleprocessamento, destinados ao registro das operações executadas por seus associados c participantes em qualquer praça do País; IV dotar os sistemas, de forma permanente, de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; V preservar elevados padrões éticos de negociação; VI fiscalizar o cumprimento, pelos seus associados e demais participantes, das disposições legais e regulamentares, estatutárias e regimentais que disciplinam as operações do mercado, aplicando aos infratores, nos limites de sua competência, as penalidades cabíveis; e VII executar outras operações ou serviços, expressamente autorizados pelo Banco Central do Brasil e/ou pela Comissão de Valores MobiliáriosCVM, se for o caso, desde que compatíveis com o seu objeto sociaL §1º A CETIP deve observar sempre as normas que regem o sigilo bancário, os princípios da economia de mercado, livre concorrência e livre empresa, além das disposições legais e regulamentares aplicáveis. §2º A CETIP pode, a critério do Conselho de Administração, prestar serviços especiais a qualquer associado e demais participantes, desde que compatíveis com o seu objeto social, observada a legislação em vigor. §3º A CETIP pode, também, a critério do Conselho de Administração, assinar acordos e convênios com outras entidades, visando a criar condições que gerem maior flexibilidade técnica e operacional aos mercados financeiro e de capitais, bem como aos sistemas de pagamentos. §4º A CETIP não poderá prestar serviços que sejam incompatíveis com o seu objeto social nos termos do Estatuto Social, ou que não configurem interesse direto dos seus associados e de seus participantes. §5º A CETIP poderá instituir mecanismos e salvaguardas para assegurar a certeza da liquidação das operações realizadas em seu âmbito ou, alternativamente, promover a liquidação dessas operações por intermédio de outras câmaras ou prestadores de serviços de compensação e de liquidação devidamente habilitados para tal finalidade. Tudo nos termos da legislação e das normas do Sistema Nacional de Pagamentos.” 17. A CETIP está inserida nos Sistemas de liquidação de operações com títulos, valores mobiliários, derivativos e câmbio interbancário, operando no Mercado de Balcão Organizado. 18. O Mercado de Balcão é considerado Organizado quando as instituições que o administram criam um ambiente informatizado e transparente de registro ou de negociação e têm mecanismos de autoregulamentação. No mercado de balcão os valores mobiliários são negociados entre as instituições financeiras sem local físico definido, por meios eletrônicos ou por telefone. São negociados valores mobiliários de empresas que são companhias registradas na CVM, e prestam informações ao mercado, não registradas nas bolsas de valores. 19. A CETIP, de acordo com o contido nos autos, atua como entidade de Balcão Organizado e como Câmara de Custódia e Liquidação de títulos e valores mobiliários, por autorização da CVM e do Banco Central. Assim, faz a guarda eletrônica (custódia) de títulos emitidos por instituições financeiras e por empresas de diversos setores da economia, no caso dos valores mobiliários. Também efetua a liquidação financeira das operações, transferindo a titularidade dos títulos Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.720219/201039 Acórdão n.º 3102002.131 S3C1T2 Fl. 12 21 negociados do vendedor para o comprador e creditando e debitando o valor correspondente em suas respectivas contas. 20. Além disso, funciona como um ambiente de negociação, onde são registrados os negócios de compra e venda de títulos e valores mobiliários realizados por telefone, entre as instituições financeiras, ou são efetuadas operações online, diretamente na Plataforma de Negociação Eletrônica (CetipNET). Nesse ambiente podem ser negociados todos os valores mobiliários de renda fixa do país, como debêntures, cotas de fundos de investimentos em direitos creditórios, certificados de recebíveis imobiliários, notas comerciais, títulos de agronegócio e derivativos de balcão. Somente neste último segmento, a CETIP registra oito tipos diferentes, como contratos de Swap, Opções, Termo de Moeda, Swap de Fluxo de Caixa e com Reset, entre outros. 21. A CETIP foi criada como associação civil, sem fins lucrativos, pertencente às instituições financeiras, que eram suas associadas. Em maio de 2008, a CETIP passou por seu processo de desmutualização e foi transformada em uma sociedade anônima, passando a operar sob a denominação de CETIP S.A Balcão Organizado de Ativos e Derivativos. 22. O período ora autuado corresponde à época em que a CETIP ainda funcionava como uma associação civil. 23. Os art. 1º, 17 e 18 da Lei nº 4.595/64, assim determinam: "Art. 1° O Sistema Financeiro Nacional, estruturado e regulado pela presente lei, será constituído: I — do Conselho Monetário Nacional; II — do Banco Central do Brasil; III — do Banco do Brasil S/A; IV — do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social; V— das demais instituições financeiras públicas e privadas." Art. 17 Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único — Para os efeitos desta Lei e da legislação em vigor, equiparamse às instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma permanente ou habitual." (g.n) Art. 18 As instituições financeiras somente poderão funcionar no País mediante prévia autorização do Banco Central do Brasil ou decreto do Poder Executivo, quando forem estrangeiras. § 1º — Além dos estabelecimentos bancários oficiais ou privados, das sociedades de crédito, financiamento e investimento, das caixas econômicas e das cooperativas de crédito ou a seção de crédito das cooperativas que a tenham, também se subordinam às disposições e disciplina desta Lei, no que for aplicável às bolsas de valores, às companhias de seguros e de capitalização, às sociedades que efetuam distribuição de prêmios em imóveis, mercadorias ou dinheiro, mediante Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 22 sorteio de títulos de sua emissão ou por qualquer forma, e às pessoas físicas ou jurídicas que exerçam, por conta própria ou de terceiros, atividade relacionada com a compra e venda de ações e outros quaisquer títulos, realizando nos mercados financeiros e de capitais operações ou serviços de natureza dos executados pelas instituições financeiras". 24. A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, estabelece em seu inciso XII do § lº do artigo 1º da Lei Complementar nº 105, in verbis: nArt. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados (...)” § 1º São consideradas instituições financeiras, para os efeitos desta Lei Complementar: I – os bancos de qualquer espécie; II – distribuidoras de valores mobiliários; III – corretoras de câmbio e de valores mobiliários; IV – sociedades de crédito, financiamento e investimentos; V – sociedades de crédito imobiliário; VI – administradoras de cartões de crédito; VII – sociedades de arrendamento mercantil; VIII – administradoras de mercado de balcão organizado; IX – cooperativas de crédito; X – associações de poupança e empréstimo; XI – bolsas de valores e de mercadorias e futuros; XII entidades de liquidação e compensação; (grifos no original) XIII outras sociedades que, em razão da natureza de suas operações, assim venham a ser consideradas pelo Conselho Monetário Nacional." 25. A Lei 8.212/91 que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e instituiu o Plano de Custeio estabeleceu por meio do §1º do art. 22 que as instituições ali listadas além das contribuições referidas no mesmo artigo e no seu art. 23 recolheriam também uma contribuição adicional de 2,5% sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. 26. Desta forma, o intuito deste artigo não foi o de determinar que tipo de instituição seria ou não considerada instituição financeira. Por tal motivo, o fato de ali não estar elencada uma associação civil não nos permite concluir que esta não possa ter natureza jurídica de uma instituição financeira. 27. Assim, considerando todo o exposto, bem como a legislação acima citada, é de se concluir ser a CETIP uma instituição financeira, assistindo nesta questão razão à contribuinte. Resolvido isso, ainda que se reconheça razão ao contribuinte nesse particular, o fato é que nenhuma repercussão favorável às suas pretensões haverá de ser identificada por conta de seu enquadramento como instituição de natureza financeira. Como também foi didaticamente demonstrado pela Decisão combatida, a partir da promulgação da Lei 10.833/03, o Regime de Apuração NãoCumulativo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins passou a ser a regra geral de apuração da Contribuição. As exceções foram relacionadas de forma expressa no texto normativo, ex vi artigo 10 da própria Lei 10.833/03, Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.720219/201039 Acórdão n.º 3102002.131 S3C1T2 Fl. 13 23 onde foram relacionadas as pessoas jurídicas que permaneceriam sujeitas às normas da legislação anterior, nos seguintes termos. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; (....)” Dentre as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 estão as sociedades empresárias que atuam no segmento de que aqui se fala, identificadas mais genericamente no § 6º como pessoas jurídicas referidas no § 1º do artigo 22 da Lei nº 8.212/91. A seguir, em seqüência, o texto do § 6º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e do § 1º do artigo 22 da Lei nº 8.212/91. Lei 9.718/98 § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5º, poderão excluir ou deduzir: Lei 8.212/91 § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. Tal como se depreende do teor do § 1o do artigo 22 da Lei 8.212/91, acima transcrito, não são as pessoas jurídicas identificadas como instituições financeiras que estão sujeitas à apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pelo Sistema Cumulativo, mas apenas aquelas textualmente relacionadas no corpo da norma. Com efeito, não se trata, como sugere a Recorrente, de dar interpretação literal ou sistemática ao texto normativo. O problema aqui não envolve a interpretação de disposição legal, mas a simples identificação ou não do contribuinte no rol de pessoas compreendidas na exceção prevista no artigo 10, inciso I, da Lei 10.833/03. Impossível que, com base em critérios de interpretação, se inclua determinado contribuinte em uma relação da qual ele definitivamente não faz parte. Irrelevante que exerça atividade análoga, ou de mesma natureza. A lista é taxativa. Exaustiva. Não vejo como entendêla como exemplificativa. Se o fosse, necessariamente, o legislador haveria de ter feito menção a tal fato, incluindo alguma expressão do tipo “e pessoas jurídicas que exerçam atividade semelhante”, “e outras instituições financeiras”, “dentre elas” ou qualquer outra referência que dessa margem a esse entendimento. Não o fez. No que se refere à informação veiculada no site da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dando conta de que as instituições financeiras não estão sujeitas à Sistemática NãoCumulativa de apuração da Contribuição, ainda que, de fato, lá se encontre tal informação, conforme se depreende do Doc. 02, encartado junto ao Recurso Voluntário, o fato Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 24 é que tal equívoco não modifica as definições e critérios especificados em lei e, ainda mais, por não se constituir em ato normativo expedido por autoridade pública, sequer enseja a exclusão da multa exigida. Finalmente, nem mesmo a Solução de Consulta nº 349/12, da 7ª Região Fiscal, citada na peça de defesa favorece a Recorrente. Como é cediço, apenas o consulente está abrigado pela interpretação veiculada na Solução. Outrossim, não logrei êxito em encontrar tal documento no processo. Ao que tudo indica, pela ausência de remissão no corpo do Recurso Voluntário, ele, de fato, não foi anexado. De todas essas considerações, resta incontroverso que, embora a Recorrente seja uma instituição de natureza financeira, deve calcular o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social pelo Sistema NãoCumulativo de apuração. Ação Judicial nº 2005.51.01.0253423 A ação judicial em epígrafe foi impetrada pela Recorrente no intento de obter provimento jurisdicional declarando, em caráter incidental, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins introduzido pelo § 1o do artigo 3º da Lei 9.718/98. As informações do Processo dão conta de que foi concedida liminar deferindo o depósito judicial dos valores discutidos e, em sentença datada de 29/08/2006, foi julgado procedente o pedido, reconhecendo o direito ao recolhimento da Contribuição exclusivamente sobre a receita proveniente da venda de mercadorias ou serviços e o direito ao crédito dos pagamentos a maior efetuados anteriormente. O contribuinte argumenta que a sujeição ao Sistema Cumulativa de apuração da Contribuição restou reconhecida judicialmente nos autos da referida ação judicial. Ainda mais, que a União Federal, através do seu órgão de representação, a Procuradoria da Fazenda Nacional, jamais contestou, ao longo de toda a ação, o recolhimento da COFINS pelo regime cumulativo. Não assiste razão à Recorrente. Como se lê à folha 303 (eProc) do Processo, a Decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região é taxativa sobre o direito pleiteado pela Parte, se não vejamos. Destarte, tendo demonstrado submeterse à sistemática cumulativa da Lei n. 9.718/98, recolhendo as exações impugnadas sob esse regime, poderá compensar os valores indevidamente recolhidos a esse título posteriormente ao advento da Lei n. 10.833/03. Porém, não poderá compensar eventuais valores recolhidos sob o regime nãocumulativo da Cofins, nem tampouco deixar de recolher a exação sobre toda a receita bruta caso venha a sujeitarse ao regime da nãocumulativadade (Lei 10.833/03), o que deverá ser fiscalizado pela Fazenda. Ou seja: é devida a compensação ou nãorecolhimento de valores que excedam o conceito de faturamento, acima mencionado, apenas enquanto a autora se encontrar submetida ao regime da Cofins cumulativa (Lei n. 9.718/98). Por outro lado, os depósitos judiciais não podem ser considerados porque, como bem esclarecido no Termo de Verificação Fiscal, eles dizem respeito à receita financeira do contribuinte, que já foi excluída da base de cálculo do Auto de Infração, em observância ao disposto no Decreto nº 5.164/04, que reduz a zero da alíquota da Contribuição incidente sobre Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.720219/201039 Acórdão n.º 3102002.131 S3C1T2 Fl. 14 25 receitas dessa natureza auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao Regime NãoCumulativo de apuração. Ação Judicial nº 2004.51.01.0154258 Por meio da ação ordinária nº 2004.51.01.0154258 a Recorrente pleiteia a declaração de isenção da COFINS, nos termos do inciso X do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, sobre as receitas relativas às atividades próprias da época em que ainda era uma Associação. Entende que, tratandose do mesmo período discutido no vertente litígio, os valores objeto do lançamento encontrarseiam com a exigibilidade suspensa, nos termos da sentença, até então mantida em 2ª instância, apenas pendente de julgamento de agravo interposto pela União, sem efeito suspensivo. Digase, de início, que a decisão de primeira instância, uma vez que o contribuinte tivesse intentado introduzir discussão de mérito no processo administrativo, declarou a concomitância, na medida em que o direito à isenção está sendo discutido em juízo. Em sede de Recurso, o contribuinte apenas alega que a exigência do crédito aqui litigado estaria com a exigibilidade suspensa, a teor da decisão judicial. À folha 644 do Processo, no Termo de Verificação Fiscal, há informação de que os efeitos da sentença foram levados em consideração na constituição do crédito tributário neste controvertido, nos seguintes termos. Assim, na elaboração deste Auto de Infração, apuramos as bases de cálculo mensais e calculamos a contribuição devida a título de COFINS (regime não cumulativo) excluindo os valores já declarados em DCTF, suspensos por depósito judicial nesta ação 2004.51.01.0154258. O resultado é o valor de COFINS ora lançado de ofício, também com a exigibilidade suspensa, não por depósitos judiciais, mas, por força da própria sentença proferida na ação. Demonstrativo de Apuração da Cofins A Recorrente acrescenta, para a hipótese de que não lhe seja dado provimento no mérito, pedido de Retificação do Demonstrativo de Apuração da Cofins anexo ao Auto de Infração. Relaciona os equívocos cometidos pela Fiscalização Federal: (i) cômputo, na base de cálculo, das reversões de provisões e dos ingressos decorrentes da indenização de seguros; (ii) não terem sido descontados créditos a que teria direito; (iii) não terem sido abatidas as Contribuições incidentes sobre as receitas não operacionais depositadas judicialmente. Apresenta documentos que afastam o óbice identificado em primeira instância de julgamento em relação ao item “i” acima. No que se refere aos documentos apresentados em sede de Recurso Voluntário com vistas à comprovação de que determinados ingressos constituem reversões de provisões e indenização de seguros, ainda que o Processo Administrativo Fiscal prime pela busca da verdade material, o fato é que não vejo como leválos em consideração. A legislação que disciplina os procedimentos no âmbito do julgamento administrativo é clara em relação às condições nas quais poderão ser aceitos documentos após a impugnação do lançamento, sob pena de preclusão do direito, se não vejamos. Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 26 Decreto 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não me parece que nenhuma dessas três circunstâncias esteja presente no caso concreto. Os critérios de apuração da base de cálculo foram apresentados de forma clara desde a ciência do auto de infração. Uma vez que a empresa tivesse se recusado a apresentar a base de cálculo para apuração pelo Regime NãoCumulativo, a Fiscalização Federal incumbiuse dessa tarefa, fazendoa com base nas informações obtidas dos balancetes mensais apresentados pela Fiscalizada. Em sede de impugnação ao lançamento a ora Recorrente já havia contestado a inclusão de valores percebidos a título de reversões de provisões e indenização de seguros, tal como consta à folha 662 do Processo. Uma vez que o assunto já tivesse sido lá abordado, necessariamente as provas do alegado deveriam ter sido carreadas aos autos naquele momento processual. No que diz respeito ao item “ii” no qual alega não terem sido descontados créditos a que teria direito, comprovados no “doc 10”, inteiramente anexado ao processo, às folhas 944/958, ao contrário, segundo afirma, de como manifestouse a instância a quo, que não o teria localizado provavelmente por conta de um extravio/descarte da folha de rosto/divisória do documento no ato da digitalização da defesa, oportuno transcrever o teor do Voto condutor da decisão recorrida a esse respeito. 43. Alega o contribuinte que não foram considerados como créditos na apuração da COFINS devida, despesas com insumos utilizados na prestação de serviços. Segundo o mesmo a fiscalização apenas considerou como créditos as despesas com energia elétrica e as despesas com aluguéis. Assim entende que deva ser retificado o Demonstrativo de Apuração da COFINS, devendo ser considerados os valores por ele listados como “despesas creditáveis” na tabela constante em sua peça contestatória. 44. Ocorre que o contribuinte, pelo que consta no presente processo, não demonstrou como apurou os créditos, limitandose a informar os valores já consolidados na tabela por ele elaborada e reproduzida em sua peça impugnatória. Não foi localizado no presente processo o documento de numeração ‘10’, onde possivelmente poderia estar registrada a apuração dos créditos efetuada pelo contribuinte. (grifos meus) Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.720219/201039 Acórdão n.º 3102002.131 S3C1T2 Fl. 15 27 45. Assim, face a ausência de provas que justifiquem os montantes alegados pelo contribuinte como créditos a serem descontados da contribuição em tela, deve ser mantida a apuração dos destes na forma efetuada pela fiscalização. O referido documento às folhas 944/958 não foi extraviado como sugere a Recorrente. Sempre esteve localizado no mesmo lugar, tanto que foi mencionado na decisão proferida em primeira instância de julgamento. O problema é que, como bem apurado pelo i. Julgador de piso, tratamse de tabelas elaboradas pelo próprio administrado e não de assentamentos contábeis capazes de comprovar a origem dos créditos pretendidos. Finalmente, em relação ao item “iii” acima, creio que o assunto já tenha sido enfrentado e decidido no tópico “Ação Judicial nº 2004.51.01.0154258”. Insumos A Recorrente defende um conceito ampliado na definição do que deva ser considerado insumo na apuração das Contribuições pelo Sistema NãoCumulativo. O entendimento do que deve ser classificado como insumo, na acepção da palavra empregada pelo legislador na regulamentação do Sistema de Apuração Não Cumulativo das Contribuições não é matéria nova. A Secretaria da Receita Federal, com ninguém desconhece, baixou Atos Normativos interpretando de forma notadamente restritiva o termo encontrado nas Leis que especificam os critérios de apuração das Contribuições. As Instruções Normativas n.º 247/02, com alteração introduzida pela IN 358/03, e 404/04, definem que, em se tratando de empresas dedicadas à fabricação de bens para venda, como é o caso, o conceito de insumo restringese a a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e aos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. De seu turno, a Recorrente defende critério fundamentado em pressupostos situados em posição diametralmente oposta à escolhida pelo Fisco, segundo os quais todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa enquadramse no conceito. É entendimento majoritário na jurisprudência que vem se formando em segunda instância administrativa de julgamento, que o conceito de insumo, no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, situase em posição intermediária, nem tão restrito quanto à determinada pelo Fisco, nem tão amplo quanto defendem os contribuintes. Tem sido admitido o lançamento credor calculado com base nos gastos incorridos pela empresa, sob a condição de que se tratem de produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como pretendem limitar os Atos Normativos supra citados, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Noutro vértice, não têm sido aceitas as despesas associadas à manutenção da atividade empresarial como um todo, sem qualquer vínculo especial com o processo produtivo propriamente dito. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 28 De fato, salvo melhor juízo, não vejo razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, premissa por detrás das normas editadas pela Receita Federal do Brasil; tanto quanto não vejo respaldo legal para inclusão de tudo o quanto admite o sistema de apuração do Imposto de Renda, como frequentemente defendem os contribuintes. Esse balizamento está respaldado tanto na interpretação das disposições legais que autorizam a apropriação do crédito quanto nas particularidades do método de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em conta que a não cumulatividade tributária traz em si a ideia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades desse Sistema, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que uma interpretação teleológica pareça conduzir de maneira insofismável nessa direção, o fato é que a mecânica de apuração das Contribuições não foi dessa forma definida em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se acolhêssemos a tese de que insumo, terminologia derivada da expressão input, denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da sociedade empresária, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida pelo legislador ordinário no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. É claro que essa interpretação não pode prevalecer. Insumo, tal como definido e para os fins a que se propõe o inciso II do artigo 3º, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no caso das empresas comerciais, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. No comércio, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente empregado na produção do produto final. Desta forma, os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços haverão de observar o mesmo nível de restrição determinado para o créditos admitido no comércio. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.720219/201039 Acórdão n.º 3102002.131 S3C1T2 Fl. 16 29 De resto, como dito alhures, não houve comprovação de que tais condições tenham sido observadas em relação às despesas com aluguel de programas utilizados para registro e custódia dos títulos, conservação e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no desenvolvimento de suas atividades, serviços prestados por pessoa jurídica, suporte de sistema, manutenção de sistema e despesas com telecomunicação e nem mesmo que efetivamente tratemse de despesas desta natureza. Destaquese que a Fiscalização Federal, desde o início, solicitou à empresa a elaboração de demonstrativo de apuração da Contribuição, no que não foi atendida. Desde aquele momento a Recorrente vem se omitindo em demonstrar, do ponto de vista contábil, a origem dos créditos a que teria direito. Por todas as razões expostas, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 29 de janeiro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 37048.263800/2006-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 30/09/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 23/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, substituída pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 04 8. 26 38 00 /2 00 6- 05 Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 23/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, substituída pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado). Relatório Em face de Companhia Siderúrgica Nacional – CSN e Brasimet Engenharia e Montagens Industriais Ltda, foi lavrado Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 01/19, relativo às importâncias supostamente não lançadas correspondentes à parte patronal e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), bem como em relação aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais, acrescidos de multa. Conforme TEAF de fls. 24/28, a presente NFLD foi lavrada em substituição à NFLD 35.007.3546, que foi anulada pelo acórdão n.º 724/2005 da 4ª Câmara de Julgamento, pela ausência de fundamentação legal no que se referia à aferição indireta. A Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 240300.312, que se encontra às fls. 652/655v e cuja ementa é a seguinte: “(...) MULTA REDUÇÃO LEI MENOS SEVERA – APLICAÇÃO RETROATIVA CTN, ART. 106 Tratandose de crédito não definitivamente julgada, aplicase o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 37048.263800/200605 Acórdão n.º 9202003.114 CSRFT2 Fl. 13 3 base na redação dada pela lei 11.941/09 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, devendo ser aplicada a mais benéfica à contribuinte. Intimada do v. acórdão em 05/05/2011, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 659/676) em 06/05/2011, sustentando divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos n° 230100.283 e 240100.120, no tocante à aplicação da multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela lei 11.941/09, para fins da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II do CTN. Ao recurso especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 265/2011, de 16//05/2011 (fls. 712/716). Regularmente intimada do acórdão, a Companhia Siderúrgica Nacional – CSN interpôs Recurso Especial em 01/08/2011 (fls. 723/734) e apresentou suas contrarrazões ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 778/786). Ao recurso especial da contribuinte foi negado seguimento, conforme Despacho nº 2400517R/2011, de 28/11/2011 (fl. 792). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nº 230100.283 e 240100.120. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados: Acórdão nº 230100.283 “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 08.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ha que se observar o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 o Plenário do 2° Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n° 3. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis meramente informativa do vinculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de co responsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, afim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA PAGA EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA. A parcela foi paga em desacordo com a lei, pois não houve participação do sindicato na negociação. A negativa do sindicato em participar, conforme descrito pelo recorrente, não tomou legítimo o instrumento realizado. Para solução do caso, se entendesse a empresa ou os trabalhadores ser mais benéfico o acordo de participação nos lucros proposto pelo recorrente deveria valerse do disposto na Consolidação das Leis do Trabalho CLT, além do que a própria Lei n 10.101 em seu art. 40 prevê a forma de resolução de controvérsias relativas ao PLR. Recurso Voluntário Negado" Acórdão nº 240100.120 "SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JUROS SELIC CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA I De acordo com o artigo 34 da Lei nº 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula nº 2 do 2° Conselho de Contribuintes. 3Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART 150, §4º ). No caso, tratase de Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 37048.263800/200605 Acórdão n.º 9202003.114 CSRFT2 Fl. 14 5 tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, §4 ° do CTN" Verifico, ainda, constar dos respectivos votos que integram os acórdãos paradigmas: Acórdão n° 230100283 "Quanto à possibilidade de retroatividade da multa prevista na Medida Provisória n ° 449 de 2008 entendo que a mesma não se aplica. A retroatividade benigna terá aplicação nas hipóteses de a situação gerada pelo ordenamento novel ser mais benéfica que a anterior. In casu, para lançamento de oficio a situação gerada por meio da Medida Provisória n°449 impõe a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, ou seja a multa seria de 75%. A multa moratória prevista no art. 61 da Lei n° 9.430 somente se aplica para casos de recolhimento não incluídos em lançamento de oficio, o que não é o caso. O fato de ser classificada como multa moratória ou de oficio é irrelevante, o que importa é o comparativo entre situações tendo como referência a nova legislação.” Acórdão n° 240100120 "Nesse sentido, devida a contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34, da Lei n°8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal. (...) Com relação à solicitação da recorrente, para a aplicação do disposto na Medida Provisória 449, relativamente à multa de mora, importa salientar que a referida MP, além de alterar o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: "Art.. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serio aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Entretanto, se ocorreu o lançamento de oficio que é o presente caso, a multa devida seria de 75%, superior ao índice previsto na antiga redação do art. 35 da Lei n° 8.212/1991, correspondente ao percentual devido após ciência do acórdão da segunda instância. Assim, não há como retroagir, ainda que se considere a multa moratória como penalidade, pois a lei atual não é mais favorável ao contribuinte, pelo menos até essa instância." No presente caso, o v. acórdão recorrido determinou, para fins de cálculo de multa a ser aplicada em decorrência da retroatividade benigna, a comparação entre a multa aplicada e a atual multa prevista no artigo 35, caput da Lei nº 8.212/1991 (conforme redação da Lei nº 11.941/2009), resultando na aplicação do percentual de penalidade de 20%. Os paradigmas colacionados, no entanto, determinaram que para fins de aplicação da retroatividade benigna fosse comparada a multa lançada com aquela prevista no novel artigo 35A da Lei nº 8.212/191, que, ao fazer remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96, resulta na aplicação de penalidade de 75% do valor do tributo lançado. Destarte, patente a divergência, razão pela qual conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Antes de adentrar ao exame do mérito passo a análise da decadência, conforme suscitado pela Contribuinte em seu recurso voluntário e nas contrarrazões. Analisando os autos verifico que o lançamento objetiva a cobrança de contribuições previdenciárias relativas aos fatos geradores ocorridos entre 03/1996 e 09/1998, em decorrência de prestação de serviços com cessão de mãodeobra. Consta do presente processo que o lançamento foi originalmente lavrado apenas contra a CSN, na qualidade de responsável solidária, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/1991, sendo anulado pela Quarta Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social, em sessão de 12/04/2005, tendo em vista a ausência da fundamentação legal autorizadora do arbitramento da base de cálculo do tributo cobrado, bem como pela constatação de violação aos princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa. Posteriormente, e m decorrência da anulação do lançamento anterior, foram lavradas novas NFLDs para cobrança do crédito tributário. No presente caso o crédito formalizado por meio da NFLD n° 35.007.3546, objetiva a cobrança de contribuições previdenciárias devidas em decorrência do contrato de cessão de mãodeobra firmado entre a CSN e a empresa Brasimet Engenharia e Montagens Industriais Ltda. Embora sensibilizado pelos argumentos suscitados pela contribuinte em relação à decadência verifico que a matéria já foi objeto de análise pelo v. acórdão recorrido. De fato, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF reconheceu a decadência do crédito tributário somente em relação a empresa Brasimet Engenharia e Montagens Industriais Ltda (prestador de serviços) por considerar que tal empresa somente foi cientificada do lançamento em 12/2006 (na medida em que não figurava como devedora no lançamento original) quando passados mais de cinco anos dos fatos geradores verificados entre 03/1996 e 09/1998 (por qualquer um dos critérios do CTN). Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 37048.263800/200605 Acórdão n.º 9202003.114 CSRFT2 Fl. 15 7 No tocante à CSN o lançamento foi mantido e a decadência expressamente afastada, como se verifica do seguinte trecho do v. acórdão recorrido, in verbis: “Um dos argumentos recursais está lastreado na eventual fluência do prazo decadencial. Segundo a recorrente CSN o lançamento anterior teria sido anulado por vício material e não por vício formal. Para esclarecer esse ponto, transcrevo a ementa do julgamento que anulou o lançamento original. EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 31 DA LEI nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE ABSOLUTA. O vício presente na notificação datada de 1999 foi o da ausência de fundamentação legal, típico vício formal. Não havia o fundamento legal que autoriza o arbitramento. O outro motivo que ensejou a nulidade foi o fato de em uma única NFLD ter sido incluída 169 prestadoras de serviços, o que dificultou o direito de defesa. No caso, tal motivo também se enquadra como vício formal, inclusive a própria Câmara recomendou o desmembramento da Notificação Fiscal. Pelo exposto reconhecendo que o lançamento anterior foi anulado por vício formal, o termo a quo para contagem passa a ser a data que se tornar definitiva a decisão que houver anulado por vício formal o crédito anteriormente constituído, na forma do art. 173, inciso II do CTN. A presente NFLD englobou os fatos geradores ocorridos entre 03/96 e 09/98. A NFLD originária foi lavrada em dezembro de 1999, conforme informação no recurso voluntário, portanto em período não abrangido pela decadência. A notificação originária foi anulada em abril de 2005, e a presente NFLD foi lavrada em 12/2006, dentro do período de cinco anos a contar da data que anulou o lançamento anterior. Pelo exposto não reconheço a decadência para a CSN. Análise complementar da decadência deve ser efetuada para a devedora BRASIMET. Esta argumenta que só foi cientificada do lançamento em 12/2006 visto que não figurava no primeiro lançamento (anulado em 2005) e que o intervalo de tempo entre os fatos geradores, 03/96 a 09/98, e sua notificação é maior que 5 anos. Uma vez que os elementos colocados pela empresa se comprovam na leitura do processo, reconheço a decadência para a BRASIMET, por qualquer critério do CTN.” (original sem grifos) Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Por tratarse de matéria expressamente decidida pelo v. acórdão recorrido esta Câmara Superior somente poderia se manifestar sobre a decadência caso a contribuinte apresentasse recurso especial em face do v. acórdão recorrido e tal recurso fosse admitido. Dessa forma não há como reconhecer a decadência no presente julgamento. No mérito a discussão nos presentes autos é relativa à multa a ser aplicada no presente caso em decorrência do advento da Lei nº 11.941/2009, que alterou os dispositivos da Lei nº 8.212/1991 que tratavam da matéria. Ressalto, antes de tecer maiores comentários, que o presente lançamento tem como objetivo a cobrança de valores relativos às contribuições previdências apuradas como devidas relativas à parte patronal e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), bem como em relação aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais, acrescidos de multa (fls. 11/15). O v. acórdão recorrido, ao analisar as razões de recurso da contribuinte, houve por bem determinar o cálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela lei 11.941/2009, caso mais favorável à contribuinte. A Fazenda Nacional insurgese contra tal conclusão. Tratase de tema bastante debatido no âmbito deste egrégio colegiado. Para fins de clareza transcrevo, a seguir, a redação dos dispositivos relevantes vigentes à época dos fatos geradores. Lei no 8.212/1991: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 37048.263800/200605 Acórdão n.º 9202003.114 CSRFT2 Fl. 16 9 § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houver parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento.” Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 Esse dispositivo era aplicado às contribuições previdenciárias, administradas pelo INSS, enquanto que aos demais tributos e contribuições federais aplicavamse as penalidades dos artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/1996, in verbis: “Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Verificase, desde logo, que existia distinção na aplicação de penalidades para os casos do não recolhimento de contribuições previdenciárias e para os casos de não recolhimento de outros tributos. De fato, o artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 estabelecia que na hipótese de não apuração e recolhimento de contribuições previdenciárias a multa aplicável era sempre uma dita “de mora” (independentemente do pagamento ser espontâneo ou em decorrência de lançamento de ofício), enquanto que a ausência de apuração e recolhimento tempestivo dos demais tributos e contribuições federais, nos termo da Lei nº 9.430/1996, era penalizado com (i) multa de mora, em caso de recolhimento intempestivo antes do lançamento ou (ii) multa de ofício, em caso de lançamento pela autoridade fiscal. Assim, uma primeira conclusão é que a distinção entre multa de mora e multa de ofício não era relevante no âmbito das contribuições previdenciárias na medida em que a legislação aplicável a tais contribuições não a fazia. Tal sistemática, no entanto, sofreu profundas alterações em decorrência da unificação da arrecadação dos tributos federais no âmbito da Receita Federal do Brasil com o Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 37048.263800/200605 Acórdão n.º 9202003.114 CSRFT2 Fl. 17 11 advento da Lei nº 11.941/2009. De fato, uma vez unificada a arrecadação não fazia sentido a existência de sistemáticas de aplicação de penalidade diferentes, razão pela qual a Lei nº 11.941/2009 alterou tais dispositivos. A Lei nº 8.212/1991, após o advento da Lei nº 11.941/2009, passou a tratar das penalidades nos artigos 32A, 35 e 35A, in verbis: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996.” No presente caso, considerando que o lançamento decorreu da não apuração e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, verifico que pela sistemática anterior à MP 449/2008 (convertida na lei nº 11.491/2009), o lançamento estaria sujeito à multa prevista no artigo 35 da Lei 8.212/1991 que, em sua redação à época dos fatos geradores, determinava a aplicação de uma multa de 8% até 100% da contribuição devida em função da fase em que se encontrava a cobrança do débito. Embora o artigo 35 da Lei 8.212 denominasse tal penalidade de mora, em essência, quando lançada em procedimento de ofício para apuração dos tributos não lançados, tem sua correspondência no atual artigo 35A da Lei nº 8.212/1991, que rege as hipóteses de lançamento de ofício pela autoridade fiscal e não na atual redação do artigo 35 da Lei n. 8212/1991, que rege as hipóteses de recolhimento espontâneo pelo contribuinte. Assim, para aplicação do comando de retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN devese comparar a penalidade prevista na antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 com aquela prevista no artigo 35A da Lei n. 8.212/1991, que remete ao artigo 44 da Lei n. 9.430/1996, ficando limitada ao percentual de 75% prevista neste último dispositivo. Ante o exposto, conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que seja aplicada a multa prevista na antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, limitada ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10280.722214/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO DOS ATOS PRATICADOS PELOS AGENTES FISCAIS. VÍCIOS RELACIONADOS À NOTIFICAÇÃO OU PRORROGAÇÃO. QUESTÕES QUE NÃO CAUSAM NULIDADE DO LANÇAMENTO.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, é instrumento de controle criado pela Administração com o objetivo de assegurar ao sujeito passivo que o fiscal identificado está autorizado a fiscalizá-lo. Se ocorrerem problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.
Numero da decisão: 1301-001.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSÊCA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca De Menezes (Presidente), Paulo Jakson Da Silva Lucas, Carlos Augusto De Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO DOS ATOS PRATICADOS PELOS AGENTES FISCAIS. VÍCIOS RELACIONADOS À NOTIFICAÇÃO OU PRORROGAÇÃO. QUESTÕES QUE NÃO CAUSAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, é instrumento de controle criado pela Administração com o objetivo de assegurar ao sujeito passivo que o fiscal identificado está autorizado a fiscalizálo. Se ocorrerem problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSÊCA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 14 /2 01 0- 75 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 10/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca De Menezes (Presidente), Paulo Jakson Da Silva Lucas, Carlos Augusto De Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior. Relatório Adotando o relatório trazido pela r. decisão de primeira instância, destaco: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 217268, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, ano(s)calendário 2006 e 2007, com crédito total apurado no valor de R$ 3.642.090,57, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 30/09/2010. De acordo com os fatos narrados pela Autoridade Lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Insuficiência de recolhimento de tributos. Destacase ainda dos fatos narrados pela Autoridade Lançadora que: 1. O lucro foi arbitrado em decorrência do contribuinte, optante pelo lucro presumido, não ter escriturado o livro caixa; 2. A receita foi apurada com base no Livro de Registro de Apuração do ICMS; 3. A empresa era representada, por meio de instrumento de amplos poderes, pelo Sr. GIVANILDO FREIRE BIUM, CPF 367.581.16468; 4. Foram responsabilizados pelo cumprimento da obrigação tributária os sócios administradores Sra. JANAINA ALVES DOS SANTOS, CPF 689.966.39472, e o Sr. RAUSENBERG MIRANDA LIMA, CPF 044.547.42464, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária de folhas 160162 e 175177; 5. No curso da ação fiscal, as instalações físicas da autuada passaram a ser ocupadas pela empresa COMERCIAL ALIMENTOS NORTE PARÁ LTDA; 6. Os créditos apurados foram compensados com os débitos declarados em DCTF. Sobre os créditos com fatos geradores ocorridos em 2006 foi aplicada a multa de ofício de 150%, sobre as demais, 75%. Consta ainda dos autos a expedição de um Termo de Sujeição Passiva Solidária contra o Sr. GIVANILDO FREIRE BIUM (fls. 152154), por este restar caracterizado como proprietário de fato da pessoa jurídica, nos termos do art. 124 do CTN. O contribuinte passivo tomou ciência do lançamento em 01/11/2010 (fls. 271) e apresentou sua impugnação em 25/11/2010 (fls. 274290), na qual alegou em síntese que: 1. O lançamento é nulo porque não observou as determinações do art. 284 do RIR/99; 2. O lançamento da CSLL é nulo por não estar prevista a fiscalização deste tributo no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); 3. Os lançamentos do PIS e da COFINS são nulos por utilizarem base de cálculo diversa da exigida por lei. Isto porque ao invés de basear o lançamento no faturamento Fl. 404DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 10/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10280.722214/201075 Acórdão n.º 1301001.316 S1C3T1 Fl. 3 3 da empresa, conforme determina os artigos 1º e 2º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, a Autoridade Lançadora utilizou a receita da impugnante; 4. A aplicação da multa de 150% é improcedente por haver sido substituída por uma mais benéfica e por não estar caracterizado o evidente intuito de fraude; Os responsáveis solidários RAUSENBERG MIRANDA LIMA e JANAINA ALVES SANTOS tomaram ciência do lançamento em 30/10/2010 e 04/11/2010 (fl. 271), respectivamente, e apresentaram suas impugnações ao lançamento em 25/11/2010 (fls. 298317 e 320339), nas quais, além dos argumentos apresentados pelo contribuinte, aduziram sinteticamente que: 1. A atribuição da responsabilidade solidária aos recorrentes é inoportuna eis que não restou comprovado a pratica de conduta que a fundamentasse; 2. Nos fundamentos apresentados pela Autoridade Lançadora fica clara a intenção de responsabilizar o Sr. GIVANILDO FREIRE BIUM como proprietário de fato da pessoa jurídica, não havendo qualquer elemento probante contra os recorrentes; Com base nessas disposições, entendeu a douta 1ª Turma da DRJ/BEL pela PROCEDÊNCIA PARCIAL do lançamento efetivado, destacando, na ementa do acórdão lavrado, o seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). LANÇAMENTO REFLEXO. É dispensável a emissão de novo MPF, ou de MPF complementar, quando as infrações apuradas, em relação ao tributo contido no MPFF, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos. Hipótese em que estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anoalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro é medida necessária quando o contribuinte, sob intimação, não apresenta os livros exigidos para apuração do lucro real ou presumido, conforme o caso. MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente a aplicação da multa qualificada quando a Autoridade Lançadora não justifica o motivo da exasperação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: FATO GERADOR. A contribuição para o PIS, devida pelas pessoas jurídicas de direito privado, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim compreendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 405DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 10/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: FATO GERADOR. A COFINS, devida pelas pessoas jurídicas de direito privado, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim compreendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006, 2007 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPROCEDÊNCIA. O sócioadministrador que não restou caracterizado, pela Autoridade Lançadora, como responsável solidário da pessoa jurídica não pode configurar no pólo passivo da obrigação tributária, para efeitos do processo administrativo fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente intimada a contribuinte, foi por ela então interposto o seu competente Recurso Voluntário, sustentando, unicamente, a argüição de nulidade do auto de infração em decorrência da prorrogação extemporânea do Mandado de Procedimento Fiscal, requerendo, assim o seu reconhecimento e, com isso, a desconstituição do lançamento efetivado. É o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso interposto, dele conheço. A par das considerações apresentadas, verificase que, em que pese todas as considerações trazidas pela r. decisão de piso, a única e exclusiva matéria tratada pelo impugnanterecorrente referese à discussão a respeito da ausência de intimação tempestiva das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, o que, como destacado, entende ser adequado e suficiente para o reconhecimento da invalidade apontada e, com isso, a completa desconstituição da exigência. Para tanto, urge destacar, colaciona precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF na linha então ali sustentada. A questão do controle de regularidade da atuação fiscal a partir, exclusivamente, da intimação da contribuinte das mencionadas “prorrogações” do Mandado de Procedimento Fiscal, de fato, não é tema novo neste Conselho, sendo certo que, estribadas em doutrina, alguns posicionamentos, de fato, já foram verificados nesse sentido. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 10/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10280.722214/201075 Acórdão n.º 1301001.316 S1C3T1 Fl. 4 5 Entretanto, em que pese suplementos dos doutos julgadores que assim já se manifestaram, há tempos já me tenho debruçado sobre essa questão, hoje compreendendo, de fato, tal ato como mero ato de controle administrativo interno, cuja repercussão no campo da atividade própria do contribuinte não pode ser alçada a critério de validade da atuação fiscal, sob pena, inclusive, de tornar a atuação do exercício da fiscalização ato completamente inviabilizado. Aliás, nesse sentido, inclusive, é a própria disposição de regência regulamentar da necessidade/possibilidade de prorrogação daqueles mandamentos, sendo destacáveis, a esse respeito, inclusive, as disposições da Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011, que assim dispõe: Art. 4 º O MPF será emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência do MPF pelo sujeito passivo darseá no sítio da RFB na Internet, no endereço < http://www.receita.fazenda.gov.br >, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. (...) Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I 120 dias, nos casos de MPFF e de MPFE; e II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade emitente, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, os prazos fixados nos incisos I e II do art. 11, conforme o caso. Conforme se verifica, a natureza própria do referido Mandado de Procedimento Fiscal nada mais representa, senão, mero ato de controle interno da administração tributária, não acarretando, por si só, a nulidade do procedimento eventuais falhas ou vícios na intimação da contribuinte a respeito de sua prorrogação, conforme, inclusive, hoje já pacificado pela jurisprudência deste CARF, donde se extrai, ao menos a título de exemplo, o seguinte aresto, da lavra do ilustre Conselheiro Dr. MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA: Número do Processo 10320.003354/200721 Contribuinte AEROSUPORTE LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Nº Acórdão 1402001.360 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento parcial para excluir a Fl. 407DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 10/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Ementa Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002, 2003 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO DOS ATOS PRATICADOS PELOS AGENTES FISCAIS. VÍCIOS RELACIONADOS À NOTIFICAÇÃO OU PRORROGAÇÃO. QUESTÕES QUE NÃO CAUSAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, é instrumento de controle criado pela Administração com o objetivo de assegurar ao sujeito passivo que o fiscal identificado está autorizado a fiscalizálo. Se ocorrerem problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 62A, DO CARF. O STJ, por meio do RESP 973733/SCSC, julgado sob a forma de recurso repetitivo, consolidou entendimento de que, em inexistindo pagamento antecipado, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial começa a fluir a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento podia ser efetuado. Tal decisão, por disposição do artigo 62A do Regimento Interno, vincula os Conselheiros do Carf. No caso concreto não houve antecipação de pagamento em relação à CSLL do primeiro e segundo trimestres de 2002 e nem decorreu 5 anos entre a data correspondente ao primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento podia ser efetuado e a data de lançamento. Alegação de decadência rejeitada. LUCRO REAL. APURAÇÃO ANUAL. REQUISITOS LEGAIS. NÃO OBSERVAÇÃO. REGRA GERAL. APURAÇÃO TRIMESTRAL. O imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, sendo admitida a apuração anual somente no caso de o contribuinte, na forma da lei, exercer a opção pelo pagamento mensal por estimativa. JUROS SOBRE A MULTA. INCIDÊNCIA. A multa integra o valor do crédito tributário. Em assim sendo, é legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva. Precedente AgRg no REsp 1335688/PR. Relator Ministro Benedito Gonçalves.Julg. 04/12/2012. Recurso Voluntário Negado. (Destaques nossos) Em face dessas considerações, entendo, pessoalmente, que o Mandado de Procedimento Fiscal, ao contrário do que pretende ver afirmado a contribuinte, nada mais representa senão um ato de controle interno da Administração Pública a respeito da atuação de Fl. 408DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 10/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10280.722214/201075 Acórdão n.º 1301001.316 S1C3T1 Fl. 5 7 seus agentes, dele não se espraiando qualquer conseqüência em caso de eventuais falhas e/ou vícios, da forma como então pretendido nos presentes autos. Diante dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, mantendo assim, in totum, o auto de infração lavrado, nos termos aqui então especificamente destacados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 409DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 10/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10580.720689/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE.
O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidas na votação as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos, por entenderem que a multa aplicada deveria ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96).
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Maria Alselma Coscrato dos Santos, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 06 89 /2 01 0- 42 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidas na votação as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos, por entenderem que a multa aplicada deveria ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Maria Alselma Coscrato dos Santos, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 400 3 Relatório Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2008 Data de lavratura do Auto de Infração: 02/02/2010 Data da ciência do Auto de Infração: 04/02/2010 Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Salvador/BA que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.201.9188, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração de segurados obrigatórios do RGPS pagas a título de participação nos lucros e resultados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 47/56. De acordo com a Resenha Fiscal, o Contribuinte apresentou convenção coletiva de trabalho realizada entre o SERTEB – Sindicato das Empresas de Radiodifusão e Televisão do Estado da Bahia e o SINTERP/BA Sindicato dos Trabalhadores em rádio, TV e Publicidade da Bahia, relativa aos anos de 2005, 2007 e 2008, na qual se verificou a previsão de pagamento de PLR aos funcionários (cláusula 9ª). A empresa também apresentou os regulamentos para o pagamento da PLR nos anos de 2005 a 2008, todos assinados no dia primeiro de janeiro de cada ano, porém, protocolizados no SINTERP apenas em 03/03/2009, data posterior ao início do procedimento fiscal. Apurou a Fiscalização que os regulamentos não estabeleciam, de forma clara e objetiva, as metas a serem atingidas nem as regras de aferição da PLR. Nos acordos de 2007 e 2008, por exemplo, os regulamentos estabeleceram como meta a geração de caixa operacional. Entretanto, não conceitua o que seria “gerar caixa operacional”, não explicita como cada setor da empresa deve contribuir para o alcance desta meta. Não define o que seria “gerar caixa operacional” para os setores de execução, recursos humanos ou administração; Quais valores deveriam ser atingidos; Quais seriam os mecanismos para aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado? Concluiu a Fiscalização que o pagamento da PLR ocorreu em desacordo com o que determina a Lei nº 10.101/2000, razão pela qual, em relação aos valores pagos sob o rótulo de PLR, se reconheceu a natureza jurídica de parcela remuneratória, incidindo sobre ela as contribuições previdenciárias ora lançadas. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 200/216. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1531.420 6ª Turma da DRJ/SDR, a fls. 328/336, julgando improcedente a impugnação oferecida pelo Sujeito Passivo e mantendo o crédito tributário em sua integralidade, Fl. 401DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 06/05/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 339. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 342/357, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que os valores pagos a título de PLR são imunes de tributação, tendo a Constituição Federal blindado esses valores da interferência legislativa, impedindo que o legislador compreendaos como fato imponível da contribuição previdenciária; · Que a PLR paga pelo Recorrente, referente ao período de 2005 a 2008, cumpriu em todos os aspectos os requisitos exigidos pela lei específica; · Que a atividade preponderante do Recorrente caracterizase pelo grau de risco leve; · Que deve ser revisto o regime jurídico relativo à penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício; Ao fim, requer o Recorrente a declaração de insubsistência do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 401 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 06/05/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 05/06/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA PLR Alega o Recorrente que os valores pagos a título de PLR são imunes à tributação, tendo a Constituição Federal blindado esses valores da interferência legislativa, impedindo que o legislador compreendaos como fato imponível da contribuição previdenciária. Aduz que a PLR paga pelo Recorrente, referente ao período de 2005 a 2008, cumpriu em todos os aspectos os requisitos exigidos pela lei específica; Sem razão. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de Fl. 403DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro saúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações Fl. 404DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 402 7 jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a “folha de salários”, como também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 403 9 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 00053007520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Fl. 407DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como Fl. 408DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 404 11 bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 409DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos) l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de Fl. 410DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 405 13 capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR consubstanciase numa ferramenta de gestão que visa ao alinhamento das estratégias organizacionais com as atitudes e desempenho dos empregados dentro do ambiente de trabalho. Tratase de um instrumento gerencial bastante utilizado pelas empresas, mundialmente disseminado, que auxilia no cumprimento das metas e diretrizes das organizações, permitindo uma maior participação e empenho dos empregados na produtividade da empresa, além do seu esforço ordinário decorrente do contrato de trabalho, proporcionando, dessarte, atração, retenção, motivação e comprometimento dos funcionários na busca de melhores resultados empresariais. Constituise a PLR num tipo de remuneração variável a ser oferecida àqueles que efetivamente colaboram na obtenção de lucros e/ou no atingimento das metas préestabelecidas pelo empregador. Tratase de um Direito Social de matriz constitucional, tendo o Constituinte Originário, taxativamente, outorgado à lei ordinária a competência para a estipulação dos parâmetros legais da conformação do Direito dos trabalhadores, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Sendo um instrumento de integração capitaltrabalho e de estímulo à produtividade das empresas, buscase por meio da regra imunizante e da consequente redução da carga tributária proporcionar vantagens competitivas às empresas que, regularmente, implementam mecanismos efetivos de integração e participação de seus empregados, sem que com isso haja substituição da remuneração devida. Decorre daí a norma de desvinculação do pagamento a titulo de PLR da remuneração em geral. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 A Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Nesse sentido dispõe o Parecer CJ/MPAS nº 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, ad litteris et verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Tais diretivas não atritam com entendimento esposado no Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99, cujo teor transcrevemos na sequência: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita, portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 406 15 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Tratandose de norma constitucional de eficácia limitada, esta depende da integração de documento normativo editado pelo órgão legislativo competente para que suas disposições possam produzir os efeitos jurídicos colimados pelo Constituinte. Tal matéria já foi bater às portas da Suprema Corte, cuja Segunda Turma, no julgamento do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n° 505.597, pacificou o entendimento que deve prevalecer nas situações desse jaez. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição Fl. 413DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifos nossos) Na mesma linha de entendimento: RE 398.284 / RJ Rel. Min. MENEZES DIREITO Órgão Julgador: Primeira Turma DJe de 19122008 Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Deflui dos termos dos julgados suso transcritos que o exercício do direito social em debate sujeitarseá às disposições estabelecidas na lei disciplinadora, a qual definirá o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Atentese, por relevante, que o direito social estampado no inciso XI do art. 7º da CF/88 é dirigido à classe de trabalhadores que laboram mediante o vínculo jurídico de uma relação de emprego, não abraçando as pessoas físicas que, assumindo o risco da atividade econômica, exercem por conta própria, determinada atividade profissional de natureza urbana, como é o caso dos Diretores não empregados e demais segurados contribuintes individuais, eis que entre estes e as respectivas empresas não se formaliza vínculo empregatício. A assertiva ora alinhada encontra amparo, igualmente, nas disposições insculpidas no §4º do art. 218 de nossa Lei Soberana, cuja norma de caráter programático prevê o apoio e estímulo às empresas que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Constituição Federal de 1988 Art. 218 O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. (...) §4° A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (grifos nossos) Com efeito, a Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional em testilha, honrou materializar na alínea “j” do §9º do seu art. 28 a hipótese de não incidência tributária assinalada Fl. 414DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 407 17 no inciso XI, in fine, do art. 7º da CF/88, excluindo do campo de tributação das contribuições previdenciárias as importâncias pagas, creditadas ou devidas a título de PLR, sempre que estas verbas forem pagas de acordo com a lei própria de regência, in casu, a Lei nº 10.101/2000, como assim prevê a Norma Matriz. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28 – (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Relembrando, a edição da Medida Provisória nº 794/94 veio ao atendimento do comando constitucional em tela, introduzindo no Ordenamento Jurídico os primeiros traços definidores do direito social ora em debate, vindo a sofrer, ao longo do tempo, em suas reedições e renumerações, um volume pouco expressivo de modificações legislativas, até a sua definitiva conversão na Lei nº 10.101/2000. Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifos nossos) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (grifos nossos) §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. §1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Das disposições plasmadas no caput do art. 2º do Diploma Legal acima desfiado ergue se como fato incontroverso que o direito social objeto de regulamentação abarca, tão somente, os empregados da empresa, assim compreendidos os trabalhadores vinculados mediante um liame empregatício com a entidade empresarial em questão, não irradiando efeitos sobre as demais categorias de obreiros, aqui incluídos os segurados contribuintes individuais. Colhemos dos princípios idealizadores da rubrica em pauta, que a verba paga a título de PLR tem por espírito e essência de sua instituição servir como um instrumento de incentivo à produtividade dos trabalhadores e, consequentemente, da empresa, mediante o pagamento de um plus remuneratório além do salário e dos demais benefícios devidos ao trabalhador, como forma de estimular o empregado a ter um rendimento operacional que exceda ao desempenho ordinário que lhe é exigido habitualmente como decorrência comum, inerente e direta do contrato de trabalho. O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR. Nos termos do §1º, in fine, do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, tal fim extraordinário pode ser estabelecido como um índice de produtividade, de qualidade da produção ou de lucratividade da empresa. Pode, igualmente, ser traduzido por um programa de metas, de resultados ou de prazos, ou por Fl. 416DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 408 19 qualquer uma outra ferramenta gerencial que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidianamente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. Assim: · O desempenho regular e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; · O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. Realizase, assim, a integração Capital vs Trabalho: A empresa ganha com o aumento da produtividade, qualidade, lucratividade, volume de produção, prazos, etc. O trabalhador ganha também, mediante o auferimento do plus remuneratório consubstanciado na PLR. Conforme dessai dos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, optou o legislador infraconstitucional por não engessar na Lei os fins extraordinários a serem almejados nos planos de incentivo à produtividade, delegando às próprias empresas a prerrogativa de estabelecer nos seus planos de PLR os objetivos que melhor de adequem à realidade e às características intrínsecas de cada pessoa jurídica. Dentre tais fins extraordinários, elencou a lei, exemplificativamente, dentre outros possíveis e viáveis, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Mas não se iludam, caros leitores. Muito embora a legislação infraconstitucional não obrigue a empresa a seguir este ou aquele objetivo específico, a existência e delimitação clara e precisa, no plano de PLR, de um fim extraordinário específico a ser atingido pelo quadro funcional da Entidade é mandatória e indispensável para a caracterização da PLR legal. Assim, mesmo que a empresa decline de optar por qualquer um dos critérios ilustrativamente descritos nos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, ela tem que, necessariamente, descrever em detalhes, e de maneira prévia, um objetivo extraordinário específico a ser almejado pelo seu corpo funcional na consecução e realização do plano de participação nos lucros e resultados da empresa, sob pena de descaracterização da PLR legal. Almeja com isso a Lei um comprometimento efetivo dos empregados no sentido de oferecer uma dedicação, um cuidado e um empenho de excelência, superior ao ordinário, usual e cotidiano, na busca pela consecução dos objetivos fixados no acordo e na obtenção do direito subjetivo estipulado no plano. Isso porque, conforme já salientado, qualquer verba paga em razão do desempenho regular e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho Fl. 417DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 tem natureza jurídica de salário, remuneração direta e inescusável pelo labor rotineiro e usual oferecido cotidianamente pelo trabalhador à empresa e, nessas condições, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Dessarte, sem o estabelecimento prévio no plano de PLR de um objetivo especial, que incentive e alavanque a produtividade, a ser atingido pelo operariado, o qual, se atingido satisfatoriamente, tem o condão de premiar os trabalhadores que efetivamente envidaram esforços supranormais na sua consecução, o plano de PLR recai na tábula rasa do trabalho comum e ordinário, o qual é remunerado mediante salário, sofrendo a incidência, assim, das obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. O pagamento de verba com o rótulo de PLR Legal em retribuição ao trabalho comum, ordinário, usual e cotidiano do empregado, desconectado a qualquer incentivo à produtividade, é expressamente vedado pela Lei nº 10.101/2000, cujo art. 3º obsta o pagamento de tal rubrica em substituição ou complementação à remuneração devida a qualquer empregado. Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Dado à exegese restritiva exigida pelo CTN, somente serão extirpadas da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas pagas sob o rótulo de participação nos lucros e resultados (PLR) que forem pagas ou creditadas a segurados empregados, e em estreita e inafastável consonância com a lei específica que rege o benefício em pauta. Do contrário, não. Serão qualificadas como Salário de Contribuição. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que, para se assentar a salvo da tributação previdenciária, deve a verba paga a título de participação nos lucros e resultados atender aos seguintes requisitos: · Resultar de negociação prévia formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; · Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais nos quais deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo; · O instrumento formal resultante do acordo em realce deverá arquivado previamente na entidade sindical dos trabalhadores; Fl. 418DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 409 21 · Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; · A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; Tendo por finalidade a norma em tela a integração entre capital e trabalho e o ganho de produtividade, exige a lei a negociação prévia entre empresa e os empregados, mediante acordo coletivo ou comissão de trabalhadores, da qual resulte clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse ao direito dos trabalhadores de conhecerem, previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, o quanto irão receber a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos, o que terá que fazer para receber tal quantia e como irá recebêla. Quanto às regras adjetivas, deve o trabalhador ter ciência dos mecanismos de aferição de seu desempenho, de como aferilo em determinado momento e situação, das metas e índices de produtividade a serem alcançados e o que falta para alcançálos, etc. A inexistência de tais regras, de forma clara e objetiva, no instrumento de negociação, implica a sua estipulação e avaliação dos trabalhadores por ato unilateral do empregador, circunstância que colide com o objetivo almejado pelo legislador. A exigência de regras claras e objetivas justificase como forma de inviabilizar a discriminação de empregados e de se consumar a própria finalidade do instituto criado. Sendo o resultado finalístico almejado pela norma o fomento da produtividade da mão de obra, nada mais compreensível e pertinente que os empregados tenham o real conhecimento da exata dimensão do direito a eles concedido e do esforço e dedicação que eles devem empreender para alcançálo. Exige a Lei n° 10.101/00 que do acordo constem os “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar aos empregados a transparência nas informações por parte da empresa, o fornecimento dos dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado. Da pena de Sergio Pinto Martins (in Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas, Editora Atlas, 2009, pág. 150) já se escreveu: "Os critérios da participação nos resultados não poderão ficar sujeitos apenas a condições subjetivas, mas objetivas, determinadas, para que todos as possam conhecer e para que não haja dúvida posteriormente sobre se o empregado atingiu o resultado almejado pela empresa". Exsurge a todo ver que a regulamentação legal pautase no desígnio da proteção do trabalhador para que sua participação nos lucros seja concreta, justa e impessoal. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º da Lei de regência, têm liberdade para fixar os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. Visa o Legislador Fl. 419DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Ordinário a impedir que condições ou critérios subjetivos obstem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados ou que a empresa utilize a rubrica em foco como forma dissimulada de remuneração, o que é expressamente vedado pelo art. 3º do Diploma Legal Regulador. Assim, devem as regras conformadoras do direito em palco ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos objetivamente, de modo que o obreiro possa exigir do empregador o seu efetivo cumprimento, eis que, alcançados os termos assentados no acordo, o trabalhador passa a ser titular do direito subjetivo ao recebimento da importância a que faz jus. Concretizase, dessarte, a integração entre o capital e o trabalho e o incentivo à produtividade tão visados pela lei. Mas a Lei não se contenta só com a explicitação dos direitos objetivos dos trabalhadores. Ela exige que o instrumento de acordo coletivo especifique os critérios e procedimentos a serem seguidos para a mensuração do quanto do acordado já se houve por cumprido, bem como para a aferição de quanto cada empregado já contribuiu para o alcance das metas propostas. Em primoroso trabalho doutrinário, Kertzman e Cyrino (KERTZMAN, Ivan e CYRINO, Sinésio. In Salário de contribuição; Salvador, Editora Jus Podivm, 2ª edição, 2010) realçaram as notas características da hipótese de não incidência de contribuições previdenciárias ora em trato: “A exigência de regras claras é uma forma de impossibilitar a discriminação dos empregados e de alcançar a própria finalidade do instituto criado. Se o objetivo é estimular a produtividade dos empregados, nada mais correto do que se exigir que estes tenham conhecimento das regras do benefício proposto, pois, se assim não fosse, não seria possível a promoção de um esforço adicional para alcançar a meta estabelecida, e o programa seria apenas uma forma de remuneração disfarçada”. Deflui da simbiose dos fundamentos jurídicos e principiológicos dimanados dos dispositivos legais ora revisitados que o instrumento de negociação celebrado entre patrões e empregados seja arquivado PREVIAMENTE na entidade sindical da categoria, como garantia dos direitos dos trabalhadores, porquanto os sindicatos ostentam como uma de suas principais funções, a defesa dos interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos dos seus associados. Dessarte, enquanto não se promover o efetivo arquivamento do instrumento de acordo celebrado na entidade sindical dos trabalhadores, irregular, incompleta e em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 estará a negociação entre patrões e empregados, circunstância que exclui toda e qualquer verba paga a título de PLR do campo de não incidência tributária delimitado na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. No caso atual, a Fiscalização constatou que os Acordos para Participação dos Trabalhadores nos Lucros ou Resultados da empresa, referentes aos anos de 2005 a 2008, todos assinados no dia primeiro de janeiro de cada ano, só foram protocolizados no SINTERP em 03/03/2009, conforme cópia a fls. 237/292, ou seja, após o período de apuração e cumprimento de metas, e, além disso, em data posterior ao início do procedimento fiscal, 26/02/2009, consoante TIPF a fls. 35/36. Por outro viés, mas trigo de outra safra, sob a luz que emana do art. 111 do CTN, revelase condição imprescindível para a subsunção do caso in concreto à norma de não incidência tributária em ribalta que no instrumento decorrente da negociação entre patrões e empregados constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, Fl. 420DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 410 23 periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, e, principalmente, que os pagamentos a título de PLR sejam realizados nos termos das regras acordadas entre as partes. No caso em apreço, apurou a Fiscalização haverem sido efetuados pagamentos a título de PLR que não atenderam plenamente aos requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/2000, conforme explicitado no Relatório Fiscal, uma vez que os Acordos para Participação dos Trabalhadores nos Lucros ou Resultados da empresa não estabeleciam, de forma clara e objetiva, as metas a serem atingidas tampouco as regras de aferição da PLR. Senão, vejamos: PLR – exercício 2005. “Resolvem as partes celebrar o presente instrumento que se regerá pelas cláusulas e condições seguintes: Cláusula 1ª A TV BAHIA pagará a seus empregados, participação nos resultados referentes ao ano de 2005, garantindo a cada empregado uma participação mínima correspondente a 50% do valor do seu respectivo salário base Dezembro/2005. Parágrafo 1º Tal participação será proporcional ao período trabalhado no curso do referido ano e será pago nos moldes previstos no parágrafo 2º, do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000, até o dia 28 de fevereiro de 2007. Cláusula 2ª A participação nos resultados acima referida será distribuída nos termos do parágrafo 2º, inciso II do artigo 2º, da referida lei. Cláusula 3ª – Fica facultado à TV BAHIA conceder participação diferenciada nos resultados àqueles empregados que exerçam cargos de confiança”. PLR – exercício 2006. “Resolvem as partes celebrar o presente instrumento que se regerá pelas cláusulas e condições seguintes: Cláusula 1ª A TV BAHIA pagará a seus empregados, participação nos resultados referentes ao ano de 2006, garantindo a cada empregado uma participação mínima correspondente a 50% do valor do seu respectivo salário base Dezembro/2006. Parágrafo 1º Tal participação será proporcional ao período trabalhado no curso do referido ano e será pago nos moldes previstos no parágrafo 2º, do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000, até o dia 29 de fevereiro de 2008. Cláusula 2ª A participação nos resultados acima referida será distribuída nos termos do parágrafo 2º, inciso II do artigo 2º, da referida lei. Cláusula 3ª – Fica facultado à TV BAHIA conceder participação diferenciada nos resultados àqueles empregados que exerçam cargos de confiança”. Como visto, nas cláusulas dos Acordos Coletivos acima reproduzidos inexiste qualquer parâmetro de referência, o mínimo que seja, que represente uma meta, um objetivo, um resultado a ser atingido pela empresa para que o trabalhador, a contar de então, passe a fazer jus aos lucros/resultados da empresa. Também não informam como se dará a aferição dos resultados alcançados, limitandose a estipular que a participação corresponderá, no mínimo, a cinquenta por cento do saláriobase do trabalhador. Assim, o trabalhador não possui qualquer mecanismo objetivo apto a lhe informar e assegurar se terá ou não direito à participação nos resultados; qual será o resultado econômico de tal Fl. 421DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 participação; Como se dará a apuração e a mensuração de tal resultado; o que ele trabalhador já realizou e o que ainda necessita produzir para auferir o direito subjetivo aos resultados da empresa; etc. etc. Omissão total. A única regra existente que vincula a quota que cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que o trabalhador esteve vinculado à empresa. Se trabalhou o ano inteiro, recebe o benefício integral, se trabalhou 03 meses, recebe 25% do valor do benefício, e assim por diante. Se produziu pouco ou se produziu muito, é irrelevante. Se operou com substantiva eficiência ou se com total desmazelo, não há diferença. Tais parâmetros não influenciam o quantum que cada trabalhador irá receber a esse título. A única coisa que importa, no caso, é a fração do ano em que o trabalhador se manteve vinculado à empresa. Notese que nos exercícios de 2007 e 2008, os acordos passaram a estabelecer como meta a geração de caixa operacional. Entretanto, o acordo não define o se considera como “geração de caixa operacional”, não explicita como cada setor da empresa deve contribuir para o alcance desta meta. Não define o que seria “geração de caixa operacional” para os setores de execução, recursos humanos ou administração; Quais valores deveriam ser atingidos ? NADA !!! Os acordos são silentes e totalmente omissos, violando a exigência legal prevista no art. 2º da Lei nº 10.101/2000. PLR – exercício 2007. “Resolvem as partes celebrar o presente instrumento que se regerá pelas cláusulas e condições seguintes: Cláusula 1ª A TV BAHIA pagará a seus empregados, participação nos resultados referentes ao ano de 2007, garantindo a cada empregado uma participação mínima correspondente a 50% do valor do seu respectivo salário base Dezembro/2007, desde que atingidas as metas EBITDA da empresa (geração de caixa operacional).. Parágrafo 1º Tal participação será proporcional ao período trabalhado no curso do referido ano e será pago nos moldes previstos no parágrafo 2º, do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000, até o dia 28 de fevereiro de 2010. Cláusula 2ª A participação nos resultados acima referida será distribuída nos termos do parágrafo 2º, inciso II do artigo 2º, da referida lei. Cláusula 3ª – Fica facultado à TV BAHIA conceder participação diferenciada nos resultados àqueles empregados que exerçam cargos de confiança”. PLR – exercício 2008. “Resolvem as partes celebrar o presente instrumento que se regerá pelas cláusulas e condições seguintes: Cláusula 1ª A TV BAHIA pagará a seus empregados, participação nos resultados referentes ao ano de 2008, garantindo a cada empregado uma participação mínima correspondente a 50% do valor do seu respectivo salário base Dezembro/2008, desde que atingidas as metas EBITDA da empresa (geração de caixa operacional).. Parágrafo 1º Tal participação será proporcional ao período trabalhado no curso do referido ano e será pago nos moldes previstos no parágrafo 2º, do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000, até o dia 28 de fevereiro de 2009. Cláusula 2ª A participação nos resultados acima referida será distribuída nos termos do parágrafo 2º, inciso II do artigo 2º, da referida lei. Cláusula 3ª – Fica facultado à TV BAHIA conceder participação diferenciada nos resultados àqueles empregados que exerçam cargos de confiança”. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 411 25 Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000 Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Conforme demonstrado, além de os acordos coletivos serem totalmente despidos das indispensáveis regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos dos empregados na participação dos lucros da empresa, tais instrumentos são, ainda, totalmente omissos sobre as regras adjetivas, não especificando, nem ao menos, quais seriam os mecanismos para aferição do quanto do acordado houve se por efetivamente cumprido. Tais acordos, portanto, não se prestam como instrumento de integração entre o capital e o trabalho, muito menos como elemento de incentivo à produtividade, como assim exige o art. 1º da Lei nº 10.101/2000, uma vez que, para receber tal benefício, basta que o trabalhador tenha trabalhado na empresa, ou seja, realize pura e simplesmente aquilo que dele se espera em razão unicamente do contrato de trabalho. Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000 Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Tais verbas ostentam, portanto, natureza plenamente remuneratória, porquanto são devidas única e exclusivamente em razão do esforço ordinário do trabalhador inicialmente previsto no contrato de trabalho, inexistindo qualquer evidência de parcela que tenha sido resultante da motivação e comprometimento do empregado na busca por melhores resultados empresariais, de maior eficiência na utilização dos fatores de produção, de redução de prazos ou de incremento de qualidade da produção, etc. O conteúdo das cláusulas previstas nos Acordos para Participação dos Trabalhadores nos Lucros ou Resultados não contemplam os objetivos colimados pelo art. 1º da Lei nº 10.101/2000. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 Citese, ainda, que o §2º do art. 3º da Lei nº 10.101/2000 veda expressamente o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000 Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Compulsando os autos, todavia, verificamos que no ano de 2005 foram pagas verbas a título de PLR nas competências fevereiro, abril, maio, junho, julho, setembro, outubro, novembro e dezembro. No exercício de 2006, registramos pagamentos a esse título nas competências janeiro, fevereiro, abril, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro. Em 2007, há registros de pagamento nos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio, junho, agosto, setembro e novembro. Por fim, em 2008 forma pagas importâncias sob o rótulo de PLR em janeiro, fevereiro, março, abril, maio, julho, agosto, setembro e dezembro. Avulta das constatações colhidas pela Fiscalização que as verbas distribuídas a segurados empregados do Recorrente a título de PLR não foram pagas de acordo com a Lei nº 10.101/2000, como assim exige a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, uma vez que: a) O plano de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa não são dotados de qualquer instrumento de integração entre o capital e o trabalho, tampouco de incentivo à produtividade; b) Os acordos coletivos não continham regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos dos empregados na participação dos lucros, tampouco regras adjetivas, máxime acerca dos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; Fl. 424DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 412 27 c) Os instrumentos de acordo celebrados não foram arquivados previamente na entidade sindical dos trabalhadores; d) Foram efetuados pagamentos de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, e mais de duas vezes no mesmo ano civil. Deve ser enaltecido que o instrumento de acordo celebrado não figura como mera peça decorativa na indigitada lei específica, mas, sim, como documento formal para o registro das regras claras e objetivas referentes aos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. É através do referido acordo, previamente celebrado e protocolizado no Sindicato da categoria, que o trabalhador terá ciência do que precisa fazer, como precisa fazer, quanto e quando precisa fazer, e como ele será avaliado pela empresa para fazer jus ao ganho patrimonial especificamente consignado e prometido na negociação coletiva REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Assim, a empresa fugiu ao abrigo da legislação que rege o direito social previsto no inciso XI do art. 7º da CF/88, uma vez que efetuou apagamentos sob o rótulo de PLR, sem, todavia, atender aos requisitos da lei específica de regência do beneficio em pauta. O pagamento de tais verbas, nas condições em que se consumaram, não possui as premissas básicas conformadoras da Participação nos Lucros ou Resultados assentadas na Carta de 1988. Ora, o pagamento de verbas, a título de PLR, pagas em ampla desconformidade com as normas tributárias fixadas na Lei nº 10.101/2000 transmuda a natureza jurídica da constitucional Participação nos Lucros ou Resultados para mero prêmio, o qual não se encontra abraçado pela hipótese de não incidência tributária prevista Lex Excelsior. Frustramse então os objetivos da lei, que tem como inspiração maior o fomento à produtividade. Para ser considerada participação nos resultados, o trabalhador tem que obter o seu quinhão de PLR associado a sua participação produtiva no resultado da empresa como um todo e não apenas à execução de sua atividade laboral ordinária contida no contrato de trabalho, pois este última terá, obviamente, natureza salarial. Os critérios para aquisição do direito subjetivo à PLR tem que constar expresso, com regras claras e objetivas, no instrumento de negociação e, obviamente, ser pago na periodicidade prevista no Diploma Legal. Nesse contexto, havendo sido efetuados pagamentos a título de PLR em desacordo com as condições de contorno estabelecidas na Lei nº 10.101/2000, imperioso então o reconhecimento de que tais rubricas não se ajustam à hipótese de não incidência tributária previstas na alínea ‘j’ do parágrafo 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, permanecendo contidas no conceito jurídico de Salário de Contribuição – base de incidência das contribuições previdenciárias. O que exclui, de fato, a incidência do tributo em foco é a integral subsunção do fato in concreto à hipótese de não incidência taxativamente prevista na lei, in casu, a alínea ‘j’ do parágrafo 9º Fl. 425DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 do art. 28 da Lei nº 8.212/91, que reza explicitamente que não integrará o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, digase, a Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Se as regras elencadas na lei específica não forem observadas integral e cumulativamente, escapa o citado pagamento da hipótese de não incidência legal em destaque, configurandose a importância paga a tal título como Salário de Contribuição para todos os fins e efeitos. No caso vertente, avulta que o pagamento de valores sob o rótulo de PLR em desconformidade com as regras estabelecidas em lei não contemplou a efetiva integração dos empregados na definição das metas e resultados com vistas ao aumento da produtividade geral da empresa, tampouco viabilizou aferições de desempenho e acompanhamento na consecução do direito de cada trabalhador. Ao não atender aos requisitos impostos pela Lei nº 10.101/2000, fugiu a verba em questão da proteção do manto da não incidência prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, sujeitandose a importância paga sob o rótulo de participação nos lucros às obrigações tributárias fincadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, A inobservância à aplicação de lei representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência aos preceitos inseridos no inciso XI do art. 7º da CF/88 e nas Leis nº 8.212/91 e 10.101/2000, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, nas circunstâncias ora analisado, deve persistir o lançamento ora em debate. Em consequência, tais valores deveriam ter sido declarados como integrantes do Salário de Contribuição nas GFIP correspondentes. 2.2. DO ENQUADRAMENTO DO SAT. Alega o Recorrente que a sua atividade preponderante caracterizase pelo grau de risco leve. O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 426DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 413 29 b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Nossa Lei Soberana não parou por aí. Disse mais: No capítulo reservado aos Direitos Sociais, assegurou o Constituinte Originário, como direito dos trabalhadores urbanos e rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXVIII seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; (grifos nossos) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, sem transpor os umbrais erguidos pela Carta Superior, instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Por se tratarem de matérias afins, houve por bem o legislador ordinário, envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, assentar no inciso II de seu art. 22 a instituição e regramento da contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a cargo da empresa, em nada conflitando com as orientações contempladas na Constituição. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732/98). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 §3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Conforme detalhadamente demonstrado, a Lei n° 8.212/91, realizando o Princípio da Legalidade inscrito no inciso II do art. 5º da Lei Maior, instituiu a contribuição destinada ao custeio do direito social constitucionalmente assegurado, fixandolhe os percentuais aplicáveis em razão do grau de risco inerente a cada atividade empresarial, restando a cargo do Regulamento o enquadramento de cada empresa nos patamares então definidos. No caso, o §3º do art. 22 da Lei nº 8.221/91 estabeleceu que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social "poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes". Dessarte, da conjugação dos preceitos plasmados no inciso II, alíneas a, b e c, do art. 22, com o §3º desse mesmo dispositivo legal, concluise que a norma primária, fixando as alíquotas padrão, cometeu ao regulamento a competência para alterar, com base em estatísticas, o enquadramento referido nas mencionadas alíneas. Registrese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Devese atentar igualmente para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ao revés, o Pretório Excelso, em recente decisão no julgamento do Recurso Extraordinário RE 343.4462/SC, de relatoria do Min. Carlos Velloso, cuja ementa abaixo se transcreve, ratificou a constitucionalidade e exigência da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º'; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º art. 154, II; art. 5°, II; art. 150, I . I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de Fl. 428DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 414 31 risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (grifos nossos) IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido". (STF, RE 343.4462/SC, rel. Min. Carlos Velloso. DJ 04042003 PP 00040) Reafirmou o Ministro Relator o seu entendimento no sentido de que é possível deixar por conta do Executivo o estabelecimento de normas em regulamento, desde que os standards ou padrões estejam previamente definidos em lei stricto sensu, a fim de que se possa atender às necessidades da administração pública na realização do interesse coletivo. No caso do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos os elementos conformadores da hipótese de incidência tributária, digase: (a) fato gerador remuneração paga, creditada ou devida, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o montante global dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em função do risco de acidentes do trabalho. Nessa perspectiva, havendo sido fixadas, mediante lei formal, as condições de contorno essenciais da exação em tela, o estabelecimento por Regulamento do Poder Executivo dos limites do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas por cada empresa não extravasa as fronteiras insertas na Lei de Custeio da Seguridade Social, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. O egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, consoante se extrai do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 753.635/PR, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: AgRg no REsp 753.635/PR AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2005/00845620 Relator: Ministro LUIZ FUX Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 16/09/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 02/10/2008 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTS. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI Nº 8.212/91, ART. 22, II. DECRETO N.º 2.173/97. ALÍQUOTAS. FIXAÇÃO PELOS GRAUS DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DESEMPENHADA EM CADA ESTABELECIMENTO DA EMPRESA, DESDE QUE INDIVIDUALIZADO POR CNPJ PRÓPRIO. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 07/STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. LC 11/71. COMPENSAÇÃO. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS AO INSS. IMPOSSIBILIDADE. DESTINAÇÃO DIVERSA. INAPLICABILIDADE DO ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. TAXA SELIC. LEI 9.065/95. INCIDÊNCIA. 1. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 2. A Primeira Seção assentou que: A Lei nº 8.212/91, no art. 22, inciso II, com sua atual redação constante na Lei nº 9.732/98, autorizou a cobrança da contribuição do SAT, estabelecendo os elementos formadores da hipótese de incidência do tributo, quais sejam: (a) fato gerador remuneração paga, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o total dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos (1%, 2% e 3%) em função do risco de acidentes do trabalho. Previstos por lei tais critérios, a definição, pelo Decreto nº 2.173/97 e Instrução Normativa nº 02/97, do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapolou os limites insertos na referida legislação, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. Não há, portanto, ofensa ao princípio da legalidade, posto no art. 97 do CTN, pela legislação que institui o SAT Seguro de Acidente do Trabalho. (EREsp n.º 297.215/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 12/09/2005). 3. A Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência da Corte, no sentido de que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho SAT, de que trata o art. 22, II, da Lei n.º 8.212/91, deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, individualizado por seu CNPJ. Possuindo esta um único CNPJ, a alíquota da referida exação deve corresponder à atividade preponderante por ela desempenhada (Precedentes: ERESP nº 502.671/PE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, julgado em 10/08/2005; EREsp nº 604.660/DF, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 01/07/2005 e EREsp nº 478.100/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/02/2005). (grifos nossos) 4. A alíquota da contribuição para o seguro de acidentes do trabalho deve ser estabelecida em função da atividade preponderante da empresa, considerada esta a que ocupa, em cada estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, nos termos do Regulamento vigente à época da autuação (§ 1º, artigo 26, do Decreto nº 612/92). (grifos nossos) 5. Vale ressaltar que o reenquadramento do pessoal administrativo em grau de risco adequado e a estipulação da alíquota devida, assentados pela instância ordinária com fundamento na prova produzida nos autos, decorre de enquadramento tarifário, restando, assim, inviável o exame da matéria pelo E. STJ, a teor do disposto na Súmula 07, desta Corte, que assim determina: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 6. A contribuição para o INCRA não se destina a financiar a Seguridade Social. Assim, os valores recolhidos indevidamente a este título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. Não se aplica, portanto, o §1º do art. 66 da Lei nº 8.383/91. O encontro de contas só pode ser efetuado com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 415 33 7. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei nº 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade. 8. A jurisprudência da Primeira Seção, não obstante majoritária, é no sentido de que são devidos juros da taxa SELIC em compensação de tributos e mutatis mutandis, nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública. 9. Raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias. 10. Agravo regimental desprovido. E não se desdenhe do poder normativo do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Depreendese do exposto que o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, decorre da competência constitucional do Presidente da República agente político da mais elevada estatura ocupante do arquétipo fundamental de Poder, o qual, nestas circunstâncias, exerce o seu poder constitucional para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assim, com esteio na Ordem Constitucional desfraldada nos parágrafos anteriores, e no uso das atribuições conferidas pelo §3º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, o Presidente da República fez editar o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 o qual aprovou o Regulamento da Previdência Social, cujo Anexo V, combinado com o §4º do seu art. 202, estabeleceram a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, em conformidade com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas Fl. 431DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 CNAE para efeito da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 §6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 Assentado que o Regulamento Suso citado encontrase dotado de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Ministério da Previdência Social, deflui daí que, de acordo com a norma administrativa em realce, a empresa encontrase agrilhoada à obrigação tributária principal de recolher a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, segundo a alíquota prevista nas alíneas ‘a’, ‘b’ ou ‘c’ do inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, a qual será definida em função do grau de risco da atividade econômica preponderante por ela exercida, conforme relação fixada no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. De molde a espancar qualquer dúvida, o §3º do transcrito art. 202 esclarece que, por atividade preponderante, para os fins colimados pela Lei de Custeio da Seguridade Social, deve ser Fl. 432DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 416 35 considerada a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. De outro canto, os §§ 5º e 6º do já citado art. 202 do RPS, estipula ser da responsabilidade da empresa a realização do enquadramento na atividade preponderante, cabendo hoje à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB revêlo a qualquer tempo. Nesse cenário, verificado erro no auto enquadramento, caberá à RFB adotar as medidas necessárias à sua correção, orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e proceder à notificação dos valores devidos. O auto enquadramento será realizado pela atividade econômica da empresa, em atenção à Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, sendo oportuno ressaltar que, na hipótese de a empresa exercer mais de uma atividade econômica, o auto enquadramento se dará na atividade econômica preponderante da empresa, assim considerada aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, conforme estatuído no §3º do art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. O critério é por demais simples e pueril. O grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é mensurado conforme a atividade econômica preponderante da empresa, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Não podemos deixar de comentar que, hodiernamente, doutrina e jurisprudência vêm se posicionando no sentido de que a atividade preponderante há que ser apurada no âmbito de cada estabelecimento isoladamente, individualizado pelo seu CNPJ, e não no contexto da empresa como um todo unitário. Segue tal orientação o escólio do Professor Wladmir Novaes Martinez (in Curso de Direito Previdenciário. 4ª Ed. São Paulo. LTr. 2011. Pag. 727), ad litteris et verbis: “817. Critério de enquadramento – Considerandose a empresa com uma única unidade ou empresa com várias unidades (estabelecimentos), em cada uma delas o critério será o da preponderância do número de empregados dos diferentes setores ali presentes. No seu estabelecimento unitário, se essa divisão apresenta variados riscos (leve, médio e grave), o critério é o básico: o maior número de empregados em cada área de risco determina a taxa a ser fixada para todo esse estabelecimento. Antonio S. Polini arrolou seis acórdãos nessa linha de raciocínio (‘SAT–Seguro de Acidentes de Trabalho’, disponível na internet in Enciclopédia Jurídica Soibelman). Juliana Junqueira Coelho e André Mendes Moreira se filiam a mesma corrente, dizendo que se há uma unidade individualizada até mesmo sem CNPJ, o entendimento tem validade (‘Algumas ilegalidades da contribuição para o SAT – Seguro de Acidentes do trabalho’, São Paulo Dialética, Revista RDDT nº 126, mar/2006. p.17/19)”. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 A orientação doutrinaria acima delineada já fez propagar seus efeitos na jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, que já sedimentou seu entendimento a respeito do tema na Súmula 351, cujo verbete assim dispõe: Súmula nº 351 do STJ A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Os ventos que sopram da Suprema Corte de Justiça já insuflam as velas deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme se extrai da ementa do Acórdão nº 230101.529, de 09 de julho de 2010, da V. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da as 2ª Seção de Julgamento: SAT SEGURO ACIDENTE DE TRABALHO. O SAT deve ser cobrado por estabelecimento conforme farta orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, ao contrário do entendimento adotado por esta Câmara. Ocorre que, no caso em apreço, tendo em vista que apenas há um único estabelecimento objeto da autuação, tal discussão não traz qualquer mudança. Deflui de todo o exposto que, apesar de a legislação previdenciária estatuir expressamente que a atividade predominante, para fins de enquadramento no grau de risco, deve ser sindicada no âmbito da empresa, a doutrina e a jurisprudência judicial e administrativa já se inclinam no sentido da apuração da atividade preponderante no seio do estabelecimento, tão somente, individualizado pelo seu CNPJ. Ultrapassados tais prolegômenos, nos concentrando na identificação do código CNAE aplicado à espécie, apuramos no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, em sua redação de berço, que as atividades de Televisão em geral eram classificadas sob o código CNAE 92.223 – Atividade de Televisão, estando a ela associado o grau de risco ambiental do trabalho leve, e alíquota de 1%. Ocorre, todavia, que a partir de 12 de fevereiro de 2007, passou a viger o Decreto nº 6.042/2007, que introduziu substanciais modificações no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, tendo por fundamento de validade as disposições estampadas no §3º do art. 22 da Lei de Custeio da Seguridade Social, reformulando de maneira significativa o enquadramento de diversas atividades econômicas e os correspondentes graus de risco ambiental do trabalho, passando a estatuir que as atividades relacionadas à televisão aberta, a televisão por assinatura e a programadoras encontravamse enquadradas no grupo CNAE 602, estando associados a tais atividades o grau de risco grave, implicando, pois, na fixação de alíquota para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho em 3%, conforme consignado no quadro abaixo. 60217/00 Atividades de televisão aberta 3% 60225/01 Programadoras 3% 60225/02 Atividades relacionadas à televisão por assinatura, exceto programadoras 3% Fl. 434DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 417 37 Compulsando os autos, em especial o Discriminativo do Débito a fls. 05/13, verificamos que, nas competências de fevereiro/2005 a maio/2007, a atividade desenvolvida pela Recorrente houvese por enquadrada no CNAE nº 92.223 Atividades de televisão, estando a ela associada a alíquota de SAT/RAT de 1%, tudo em pleno acordo com o Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, em sua redação então vigente. Na mesma toada, a contar da competência junho/2007, a atividade da Recorrente sofreu o devido reenquadramento decorrente das alterações promovidas pelo Decreto nº 6.042/2007, sendo, por tal razão, enquadrada no CNAE Fiscal 60.217/00 Atividades de Televisão Aberta, atividade cujo grau de risco associado é grave, o que implica a alíquota de 3%. Conforme demonstrado, a mudança de alíquota resultou do reenquadramento da atividade preponderante da Recorrente, decorrente das alterações promovidas pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007. Vale salientar que a própria empresa, ao elaborar suas GFIP, vem nelas informando o código CNAE 60217/00, que também figura no Cartão CNPJ do Recorrente, a fl. 34, no campo reservado à informação do Código e Descrição da Atividade Econômica Principal. Ademais, as Atividades de Televisão Aberta, constantes da descrição do CNAE 60217/00, correspondem à descrição do objeto social da empresa, constante na cláusula segunda do contrato social (exploração de serviços de radiodifusão televisiva). Corretos, portanto, o enquadramento e a alíquota da contribuição para o financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios decorrentes do grau de incidência de incapacidade laborativa associada aos riscos ambientais do trabalho – GILRAT consignados pela Fiscalização. 2.3. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Pondera o Recorrente que deve ser revisto o regime jurídico relativo à penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício;. Com certeza. Para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! Fl. 435DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 418 39 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para Fl. 437DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.201.9188, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de fevereiro/2005 a dezembro/2008. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal acima indicado a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91. ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 419 41 Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário Fl. 439DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 42 correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, diga Fl. 440DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 420 43 se, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 44 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 421 45 b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 46 Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude e sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, e que o período de apuração é de fevereiro/2005 a dezembro/2008, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II da art. Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, até a competência novembro/2008, inclusive; e de acordo com o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, exclusivamente na competência dezembro/2008, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado em qualquer caso o limite máximo de 75%, por força do preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, para as competências até novembro/2008, inclusive, e em conformidade com o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I da Lei nº 9.430/96, para as competências a partir de dezembro/2008, inclusive, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em honra da retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 2302003.128 S2C3T2 Fl. 422 47 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10935.904620/2012-74
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/04/2007
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 46 20 /2 01 2- 74 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904620/201274 Acórdão n.º 3801002.399 S3TE01 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904620/201274 Acórdão n.º 3801002.399 S3TE01 Fl. 66 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904620/201274 Acórdão n.º 3801002.399 S3TE01 Fl. 67 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904620/201274 Acórdão n.º 3801002.399 S3TE01 Fl. 68 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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