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Numero do processo: 15586.720039/2012-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO
ILÍCITO.
Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado.
USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO.
Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública.
MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS.
Aplica-se a multa isolada de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO.
A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MEIO IMPRÓPRIO.
A manifestação de inconformidade não se presta à formulação de pedido de restituição, compensação ou de parcelamento, devendo estes ser formalizados em procedimentos autônomos.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência ou perícia quando a sua realização revele-se prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora.
Numero da decisão: 3402-003.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o Dr. Leonardo Carvalho da Silva, OAB/ES nº 9.338.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. Aplicase a multa isolada de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 39 /2 01 2- 22 Fl. 361DF CARF MF 2 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MEIO IMPRÓPRIO. A manifestação de inconformidade não se presta à formulação de pedido de restituição, compensação ou de parcelamento, devendo estes ser formalizados em procedimentos autônomos. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência ou perícia quando a sua realização revele se prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o Dr. Leonardo Carvalho da Silva, OAB/ES nº 9.338. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo ao PIS nãocumulativo associado a operações de exportação, referente ao 2º trimestre de 2008. Por razões de economia se recorrerá ao relatório da decisão recorrida para relatar o feito: A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fl. 69, com base no Parecer SEFIS/DRF/VIT nº 139/2012 em fls. 58/68, decidindo não reconhecer o direito creditório pleiteado e, em decorrência, não homologar as compensações declaradas. No referido Parecer consta consignado, em resumo, que: a) O contribuinte exerce atividade de comércio atacadista de café em grão; Fl. 362DF CARF MF Processo nº 15586.720039/201222 Acórdão n.º 3402003.300 S3C4T2 Fl. 3 3 b) O contribuinte atendeu à intimação para apresentação das notas fiscais referentes à compra de café, acompanhada dos respectivos comprovantes de pagamento da fornecedora Cafeeira Centenário Imp. E Exp. Ltda, bem como o nome e CPF das pessoas físicas que efetuaram essas vendas; c) Intimada, a empresa apresentou notas fiscais e respectivos números de registro de exportação ou da declaração de exportação de diversas vendas realizadas em 2008 e 2009, informando que os créditos solicitados estão vinculados às receitas no mercado externo; d) No curso de diversas ações fiscais, a DRF/Vitória verificou uma mudança de comportamento no mercado cafeeiro após alterações legislativas relativas ao PIS e à COFINS. Detectou que grande parte dos tradicionais fornecedores de café, produtores rurais pessoas físicas haviam sido substituídas por empresas atacadistas desconhecidas até então. Investigadas, constatouse que não passavam de pseudoatacadistas, empresas inexistentes, com sócios “laranjas” ou “testas de ferro”, capital social diminuto, sem instalações físicas e os recursos humanos mínimos necessários à realização desse tipo de negócio. Foram instaurados processos administrativos para declaração de inaptidão das mesmas; e) Foram reproduzidas no Termo, algumas reportagens acerca das operações “Tempo de Colheita”, deflagrada em 2007 e a “Broca”, empreendida em 2010; f) Adame Café Importação e Exportação Ltda e Cafeeira Centenário Importadora e Exportadora Ltda foram diligenciadas em 2008. Foram coletados Termos de Declaração dos sócios dessas empresas, corroborando o entendimento da fiscalização de que se trata de fornecedores de fachada; g) Em março de 2012, a RFB emitiu Atos Declaratórios Executivos declarando a baixa de ofício das empresas citadas; h) Foram determinados os valores de compras de fornecedores de fachada. Ante o fato de os créditos reivindicados terem sido gerados através da simulação de aquisições de pessoas jurídicas, quando realmente foram de produtores rurais pessoas físicas, impôsse a elaboração de nova apuração da contribuição devida, segundo a realidade fática apresentada; i) Foi elaborado o Demonstrativo de Cálculo dos Créditos a Descontar – PIS nãocumulativo” com os ajustes procedidos nas bases de cálculo e a apuração dos créditos passíveis de ressarcimento; j) Foram excluídos da base de cálculo dos créditos os valores de aquisição de bens de empresas inaptas. Tais operações foram consideradas como tendo sido realizadas com produtores rurais pessoas físicas e apurado o crédito presumido previsto na legislação. Fl. 363DF CARF MF 4 Cientificada em 16/10/2012 (fl. 75), a Interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 77/134, em 13/11/2012, na qual alega, em síntese, que: a) Em nenhum momento, a Fiscalização traz a informação de que nenhum diretor da recorrente foi sequer citado na Operação Broca, ou seja, não houve denúncia, indiciamento, mandados de prisão ou de busca e apreensão com relação a Exportadora Yalkins Sons; b) É absurdo dizer que a recorrente se beneficiou desse suposto esquema, uma vez que, se não houvesse esses compradores com preços irresistíveis (atacadistas), os produtores rurais seriam obrigados a vender para as exportadoras, como sempre fizeram; c) As provas documentais trazidas pela fiscalização são produto unilateral de terceiros, originadas de buscas e apreensões. Mesmo que implicassem em alguma prova contra a recorrente, se a fiscalização tem por fraudadores aquelas empresas, não deveria usálas para afastar a boafé de uma empresa que sequer é citada na Operação Broca; d) Todas as mercadorias compradas da Cafeeira Centenário foram entregues, registradas na contabilidade da empresa e os pagamentos foram feitos através de depósitos, TEDs ou DOCs. Além disso, a empresa estava ativa na época das compras, como se verifica do CNPJ e SINTEGRA; e) As baixas da Cafeeira Centenário e da Adame Café foram realizadas somente em 28/02/2012; f) A recorrente não negocia diretamente com os produtores. Os documentos em anexo comprovam que as compras são realizadas através de corretores; g) Em nenhum momento provouse que a Recorrente deu início a empresas “laranjas” ou sabia que elas não recolhiam seus impostos, bem como que notas dos produtores eram substituídas por uma de venda emitida pela pseudoatacadista; h) Nos depoimentos acostados aos autos jamais se afirma que os gestores da Recorrente sabiam da suposta interposição fraudulenta. Não há depoimentos de produtores rurais nos autos; i) As alegações da Fiscalização são meras presunções de máfé, o que é vedado pelo nosso ordenamento jurídico; j) É dever e obrigação exclusiva do Fisco lançar e cobrar dessas empresas os créditos tributários devidos (art. 145 da CF, 142 do CTN, 904 do RIR e Lei 11.457/07). A negligência e a omissão da Fiscalização não podem dar margem à punição dos contribuintes; k) A legitimidade dos créditos está patente ainda quando se analisa o art. 43 da IN/RFB 200/2002, precisamente o § 5o; l) O art. 3o da Lei 10.637/2002 não condiciona à requerente a obrigação de exigir a regularidade fiscal dos fornecedores de mercadorias; Fl. 364DF CARF MF Processo nº 15586.720039/201222 Acórdão n.º 3402003.300 S3C4T2 Fl. 4 5 m) Como prevê a Lei 12.350/2010 em seu art. 56A e parágrafos, as empresas que possuem direito a créditos presumidos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, na forma do § 3o do art. 8o da Lei 10.925/2004, podem utilizálos para a quitação de outros tributos ou, em caso de sobra, requerer seu ressarcimento; n) Como a atividade da Requerente é considerada produção, não há dúvida de que ela pode usar os créditos presumidos, tão bem calculados pela Fiscalização nos demonstrativos de fls. 68/69 para o pagamento de quaisquer tributos administrados pela RFB; o) Caso seja mantida a glosa de créditos, deve ser determinada à autoridade fazendária a apuração e restituição dos valores pagos a título de IR e CSLL, uma vez que os valores glosados estão inclusos nas mencionadas bases de cálculo; p) Requer a realização de diligência ou perícia, visando confirmar as alegações acima, certificar a efetiva entrada de mercadorias, pagamentos, legalidade das notas fiscais, escrituração contábil e fiscal e a composição exata dos créditos glosados, sob pena de nulidade do procedimento fiscal. Nomeia perito e formula quesitos. Em 13/03/2013, a empresa interessada solicitou a juntada aos autos do requerimento em fls. 225/227, acompanhado dos documentos de fls. 228/244, onde informa que no dia 14/11/2012, a Primeira Turma Especializada do TRF da 2a Região, analisando o Hábeas Corpus nº 001431181.2012.4.02.000, em face de ato do Juízo Federal de ColatinaES que instaurou a Ação Penal nº 2008.50.05.0005383, por unanimidade, concedeu a ordem para o fim de trancar a referida Ação Penal. Entende, assim, que os argumentos que motivaram o Parecer SEORT e o Despacho Decisório foram rechaçados definitivamente pelo TRF da 2a Região, reafirmando a natureza inverídica das alegações do Fisco. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Fl. 365DF CARF MF 6 Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MEIO IMPRÓPRIO. A manifestação de inconformidade não se presta à formulação de pedido de restituição, compensação ou de parcelamento, devendo estes ser formalizados em procedimentos autônomos. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência ou perícia quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Em seu Recurso Voluntário, o Contribuinte reitera as razões de sua Impugnação, aduzindo também a) Da nulidade do acórdão de DRJ, no tange a extinção da ação penal nº 2008.50.05.005383 (Operação Broca); b) Da ausência de análise dos documentos anexados e de argumentos aduzidos na impugnação administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este colegiado. Em razão dos diversos pontos trazidos pela peça recursal, será feita uma análise item a item para abarcálos inequivocamente, buscando nos esquivarmos de eventuais omissões. 1. Das Nulidades do Acórdão da DRJ e do Processo 1.1 Da Extinção da Ação Penal nº 2008.50.05.0005383 (Operação Broca) Fl. 366DF CARF MF Processo nº 15586.720039/201222 Acórdão n.º 3402003.300 S3C4T2 Fl. 5 7 Alega o Recorrente que o PAF foi instruído por provas ilícitas provenientes da "Operação Broca", de modo que o trancamento da Ação Penal nº 2008.50.05.0005383 implicaria em rechaçar dos argumentos que motivaram a autuação. Em primeiro lugar, devese frisar que o trancamento da referida ação não se deu em razão de qualquer vício nas provas lá produzidas, o que poderia comprometer a sua utilização no âmbito administrativo. O fundamento se deu pela ausência de decisão definitiva acerta da constituição do crédito tributário, como se vê no acórdão, acostado em fl. 513: Em segundo lugar, as provas utilizadas para justificar a oposição ao creditamento pretendido pela Recorrente foram, principalmente, aquelas que indicaram a inexistência das empresas das quais ela comprou o café para exportar. Tratase, pois, dos termos de declaração de fls. 2838, produzidos no âmbito de atividade fiscalizatória da própria Receita Federal e cuja utilização no âmbito do presente processo não é corresponde a nulidade alguma, haja vista ter sido franqueado à Recorrente pleno contraditório dessas provas, conforme previsto pelo art.372 do CPC, verbis: Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. No caso, os requisitos inerentes ao contraditório e à ampla defesa foram observados tanto no processo de origem como no de destino, com a ciência integral do Despacho Decisório, contra o qual o contribuinte pode deduzir robusta defesa, apresentando a competente Impugnação dentro do prazo legal. Logo, não houve cerceamento de defesa. Por outro lado, tendo sido o lançamento efetuado por autoridade competente com todos os requisitos estabelecidos na legislação de regência, é de se rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, em consonância ao que determina o Decreto 70.235/72, art. 59, II. 1.2. Da ausência de análise dos documentos anexados e de argumentos aduzidos na impugnação administrativa. Alega o recorrente que a relatora da decisão a quo apenas reproduz a fundamentação do auto de infração, sem enfrentar os argumentos da peça impugnatória, especialmente em razão da ausência do nome da Recorrente nas investigações das operações "Broca" e "Tempo de Colheita", além de não ter enfrentado a aplicação do Recurso Especial nº 1.148.444 do STJ. Invoca jurisprudência do CARF. Em primeiro lugar, não há qualquer irregularidade formal em fundamentar a decisão no auto de infração e seus componentes, nos termos do art.50, §1º da lei 9.784/99, verbis: Fl. 367DF CARF MF 8 Art.50. (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Além disso, a decisão a quo trata das "pseudoatacadistas" e da relação entre elas e a Recorrente, para justificar a impossibilidade de tomada do crédito integral, considerandoo como se a passagem por aquele fosse meramente simulada. Exemplo disto são os parágrafos das fls.554559, que tratam especificamente disto. Inclusive trata da questão da nota inidônea no trecho abaixo, fl.558: O simples fato de que “comprou, pagou e recebeu a mercadoria”, o que seria suficiente para garantir o crédito de PIS/Cofins, na forma do parágrafo único do art. 82, da Lei nº 9.430/96, não é eficaz, porquanto a Fiscalização investiga resposta à outra questão: “de quem ?”. E as provas dos autos direcionam para a resposta de que “comprou, pagou e recebeu a mercadoria” de produtor rural (pessoa física), não de pessoa jurídica, no que pese as notas fiscais tenham sido construídas para mascarar a realidade, fazendo nelas constar “empresas” sem qualquer vínculo com o mercado de café, mas criadas para participar de um estratagema de ataque à Fazenda Nacional. Desse modo, também não deve prosperar a presente preliminar de nulidade da decisão recorrida. 1.3. Das Provas Ilícitas e do Ônus probatório O Recorrente traz longo arrazoado sobre as provas ilícitas e de como elas são rechaçadas pela doutrina e jurisprudência pátrias, mas sem indicar em qualquer momento quais seriam as provas ilícitas e qual o fundamento da ilicitude. Além disso, faz novo arrazoado sobre o ônus da prova de cunho absolutamente doutrinal e jurisprudencial, mas sem indicar a razão do ônus probatório da fiscalização não ter sido atendido a despeito de farta documentação sobre a natureza dos pseudoatacadistas concluindo que em razão do Recorrente e nenhum de seus sócios terem sido citados na "operação broca" haveria nulidade do auto de infração, o que, a meu ver, não faz sentido. A fiscalização na fica adstrita aos limites da investigação policial, podendo à partir dos dados apurados no inquérito e em investigações próprias constatar ilícitos tributários que fujam à competência policial. Desse modo, não deve prosperar essa preliminar de nulidade processual. 2. Da possibilidade de creditamento e da boafé da Recorrente. A Recorrente faz longo arrazoado explicando a dinâmica do mercado de café, para sustentar que sua boafé está comprovada pelo fato do processo de inaptidão das "pseudo atacadistas" ter se iniciado apenas em 2011, tendo a Recorrente verificado o CNPJ e SINTEGRA das mesmas, nos sistemas da Receita Federal e Estadual, respectivamente. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 15586.720039/201222 Acórdão n.º 3402003.300 S3C4T2 Fl. 6 9 Aqui reside, a meu ver, o cerne da discussão de mérito, qual seja, a possibilidade das notas fiscais, emitidas à partir de operações de compra de café de empresa, realizadas no 2º trimestre de 2008, considerada posteriormente inidônea, gerarem créditos integrais nessa aquisição. Ao enfrentar a matéria, a decisão a quo afirmou: Uma vez demonstrado que as fornecedoras da contribuinte não vendiam café, mas apenas forneciam nota fiscal para uma operação eufemisticamente chamada de “guiar o café”, conclui se que a correspondente compra do café pela contribuinte não passa de simples arranjo documental com vistas a vantagens tributárias ilícitas. Em suma, se não houve a venda tampouco poderia ter havido a compra, a contrario sensu, estarse ia diante de fenômeno único no mundo jurídico, onde uma compra não se conecta com sua contraparte lógica, a venda. O simples fato de que “comprou, pagou e recebeu a mercadoria”, o que seria suficiente para garantir o crédito de PIS/Cofins, na forma do parágrafo único do art. 82, da Lei nº 9.430/96, não é eficaz, porquanto a Fiscalização investiga resposta à outra questão: “de quem ?”. E as provas dos autos direcionam para a resposta de que “comprou, pagou e recebeu a mercadoria” de produtor rural (pessoa física), não de pessoa jurídica, no que pese as notas fiscais tenham sido construídas para mascarar a realidade, fazendo nelas constar “empresas” sem qualquer vínculo com o mercado de café, mas criadas para participar de um estratagema de ataque à Fazenda Nacional. Por outro lado, o Recorrente sustenta o direito ao crédito por ter agido com boafé, ao verificar o CNPJ e SINTEGRA das vendedoras, e por ter prova do pagamento das compras de café, com comprovação da entrega de mercadorias, conforme apurado em relatório de diligência de fls. 726730, o que ensejaria a aplicação do parágrafo único do art.82 da Lei 9.430/94, verbis: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. (g.n.) Naturalmente, tal dispositivo tem como escopo claro a proteção daqueles que, agindo de boafé, realizaram negócios jurídicos com empresas que posteriormente sofreram a sanção de inaptidão, garantindo que aqueles documentos produzidos (neste caso, notas fiscais) tenham os efeitos tributários adequados. Em razão da diligência solicitada pelo relator pretérito, restou plenamente reconhecido pela Receita Federal o pagamento das operações e o efetivo recebimento da Fl. 369DF CARF MF 10 mercadoria, o que já se presta a justificar a aplicação do art.82, par. único, da lei 9.430, que exige tais comprovações para sua incidência. Todavia, em se tratando de inexistência de fato das "pseudoatacadistas", verificase que se trata claramente de uma interposição simulada de terceira pessoa, nos termos do art. 167, §1º, I do Código Civil, que tem plena aplicabilidade na configuração dos fatos geradores tributários por força dos arts. 109 do CTN: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Há que se pontuar brevemente a distinção entre simulação e dissimulação (ou simulação relativa). Ambos são vícios do negócio jurídico, mais precisamente em relação à ocorrência dos atos ou negócios declarados pelas partes envolvidas. Nesse sentido pontua Humberto Ávila: Quando aquilo que as partes declararam ter feito simplesmente não ocorreu, dizse ter havido simulação. Simular é não fazer o que se declara fazer. Quando aquilo que as partes declararam ter feito não ocorreu como elas declararam, dizse ter havido dissimulação. Dissimular é fazer algo diferente do que se declara fazer. (ÁVILA, Humberto. A Prestação de Serviços Personalíssimos por Pessoas Jurídicas e sua Tributação: o Uso e Abuso do Direito de criar pessoas jurídicas e o poder de desconsiderálas. In: ROCHA, Valdir de Oliveira. Grandes Questões Atuais de Direito Tributário, v.17. São Paulo: Dialética, 2013. P.140) Na citação feita anteriormente de trecho da decisão recorrida, se verifica que a relatora reconhece a ocorrência de uma operação comercial com o café, mas diverge quanto a quem seria o efetivo vendedor se o produtor rural ou o "pseudoatacadista" concluindo que o café seria vendido pelo produtor rural, devendo a Recorrente ter direito apenas ao crédito presumido. A passagem pela atacadista seria puramente simulada, já que, como apurado em fls.2840, elas sequer teriam armazéns ou capacidade operacional/financeira para o montante de café vendido no período, tendo como sócios pessoas humildes e sem capacidade econômica para operar competitivamente nesse mercado. Fica clara a intenção de apenas "guiar o café" no depoimento de Jasson Quirino Dias, sócio da Cafeeira Centenário, ao afirmar que trabalhava com o seu pai realizando a venda do café utilizando a nota do produtor rural, mas que as compradoras (grupo ao qual podese racionalmente presumir fazer parte a Recorrente, diante das largas operações que Fl. 370DF CARF MF Processo nº 15586.720039/201222 Acórdão n.º 3402003.300 S3C4T2 Fl. 7 11 realizara com essa atacadista) passaram a não aceitar nota do produtor rural, exigindo a criação das pseudoatacadistas, o que é respaldado no depoimento de Samuel Quirino (fl.38): Daí, no depoimento de Celso Francisco Tavares sócio da Cafeeira Centenário e gestor da Adame Café (no período das aquisições em questão) resta claro que ambas as atacadistas foram abertas apenas para emissão das notas fiscais, haja vista que não possuíam patrimônio algum, não recolhiam quaisquer tributos federais, e não possuíam armazéns para o café adquirido. Tal fato é provado pela fiscalização, conforme registrado na decisão a quo: Registrese, de passagem, que os dois únicos fornecedores da contribuinte no período em exame foram constituídos após o advento da MP nº 66, de 29/08/2002, que passou a dispor sobre a apuração nãocumulativa do PIS/Pasep, e que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Cafeeira Centenário Importadora e Exportadora Ltda foi constituída em 25/07/2005 e Adame Café Importação e Exportação Ltda em 18/10/2007. Conforme registrado pela autoridade fiscal, por ocasião da análise dos autos, ambas já haviam sido declaradas inaptas por motivo de inexistência de fato. (...) Evidenciase, então, que a aquisição da mercadoria da Pessoa Jurídica, ao invés da aquisição direta do produtor rural, embora, resulte para o adquirente creditamento integral, o seu custo de aquisição necessariamente será maior. De qualquer forma, a escolha por uma forma, ou outra, poderá fazer parte de um planejamento tributário, sem qualquer óbice legal. Situação bem diferente é aquela em que a pessoa jurídica atacadista introduzse nesta cadeia sob os auspícios do adquirente, sob uma aparência de regularidade formal, apenas para gerar crédito para o comprador, porque, neste caso, o procedimento só gera uma vantagem global apreciável, para ambos, se este atacadista não cumprir com ônus tributário que lhe será próprio. Tal situação nada tem de planejamento tributário, tratandose de pura fraude fiscal. As provas dos autos militam a favor de que esta situação tenha de fato ocorrido. Como verificado na fiscalização, as pessoas jurídicas atacadistas, fornecedoras do contribuinte interessado, constituídas como visto já em pleno regime da não cumulatividade, estiveram sempre em situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em relação as suas obrigações acessórias, seja em relação ao pagamento de tributos. Além disso, é fantasioso achar que tais empresas operavam efetivamente, conforme relatado pela decisão recorrida: Fl. 371DF CARF MF 12 No conjunto, essas duas empresas movimentaram no ano de 2008 (considerando apenas as operações envolvendo a Exportadora Yalnik Sons) R$ 1.397.500,00, mas nada recolheram de PIS/Cofins. A este quadro de incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total de tributos recolhidos, acrescentado de situação de inaptidão declarada, se junta mais um fato, constatado em diligências nas empresas: nenhuma das empresas diligenciadas possui patrimônio ou capacidade operacional, nenhum funcionário contratado, nenhuma estrutura logística (conforme informações constantes dos processos de representação fiscal para fins de inaptidão). Ora, tudo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de uma estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café. Ofende, portanto, a qualquer limite de razoabilidade a inexistência de depósitos, funcionários e logística, encontrandose, ao invés disso, pequenas salas comerciais de acomodações acanhadas. Não restam dúvidas que, A DESPEITO DA EXISTÊNCIA DE FARTA DOCUMENTAÇÃO FISCAL QUE DEMONSTRE AS OPERAÇÕES ENTRE A RECORRENTE E A ATACADISTA, que esta era pessoa jurídica simulada interposta em relação aos produtores rurais. Portanto, podese dizer que a compra ocorria, de fato, dos produtores rurais. Diante disso, procedeu da seguinte forma a fiscalização (fl.56): Entendo correta a posição da fiscalização, por se tratar a venda para o atacadista de uma operação simulada (simulação absoluta), o que permite à autoridade fiscal desconsiderar tal operação e verificar quem foi o real adquirente da mercadoria, para fins tributários. Caso se estivesse tratando de uma operação dissimulada (simulação relativa), a fiscalização estaria tolhida de desconsiderar o negócio realizado diante da ausência de regulação legal do art.116, parágrafo único do CTN, mas não é o caso. Tal fato foi reconhecido também pela decisão a quo: No conjunto, essas duas empresas movimentaram no ano de 2008 (considerando apenas as operações envolvendo a Exportadora Yalnik Sons) R$ 1.397.500,00, mas nada recolheram de PIS/Cofins. A este quadro de incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total de tributos recolhidos, acrescentado de situação de inaptidão declarada, se junta mais um fato, constatado em diligências nas empresas: nenhuma das empresas diligenciadas possui patrimônio ou capacidade operacional, nenhum funcionário contratado, nenhuma estrutura logística (conforme informações constantes dos processos de representação fiscal para fins de inaptidão). Ora, tudo que se espera de uma empresa atacadista de café é a Fl. 372DF CARF MF Processo nº 15586.720039/201222 Acórdão n.º 3402003.300 S3C4T2 Fl. 8 13 existência de uma estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café. Ofende, portanto, a qualquer limite de razoabilidade a inexistência de depósitos, funcionários e logística, encontrandose, ao invés disso, pequenas salas comerciais de acomodações acanhadas. Tudo indica que as autodenominadas “atacadistas” são empresas de fachadas, que se prestaram a uma simulação/dissimulação de uma operação de compra e venda de café, pois financeiramente movimentavam grandes somas, mas não tinham como operar com as mercadorias. Além do fato de ter, como se viu, uma existência fantasmagórica do ponto de vista da tributação, descumprindo obrigações acessórias e também a principal, consistente em pagar tributo. Portanto, diante da comprovação de inexistência fática das atacadistas, mas mera existência simulada para "guiar o café", pode a fiscalização, independente da inexistência de declaração de inidoneidade/inaptidão à época das transações cuja verificação foi efetivamente realizada pela Recorrente através do CNPJ e SINTEGRA considerar a operação como realizada entre o produtor rural e o Recorrente, eliminandose o intermediário. Frisese que as alegações de desconhecimento são irrelevantes porque, independentemente da declaração de inaptidão, em ato oficial, a documentação fiscal pode ser considerada como tributariamente ineficaz, quando comprovada a ocorrência de simulação, permitindo concluir que os documentos apresentados mascaram uma aquisição fictícia de mercadorias, impondose afastar a faculdade de a interessada calcular crédito de PIS/Cofins na incidência nãocumulativa Diante disso, caberia a aplicação do art.82, p.u. da lei 9.430, para reconhecer os efeitos tributários dos documentos que comprovam as operações de aquisição de bens feitas pelo Recorrente. Todavia, por força do art.167, §1º, I do Código Civil, devese considerar as aquisições como realizadas diretamente do produtor rural, como considerado pela fiscalização na sua autuação. Portanto, a despeito da comprovação da regularidade do pagamento e do recebimento da mercadoria, o referido dispositivo do art.82, p.u. da lei 9.430 não deve ser lido isoladamente, mas contextualizado com o art. 149, VII do Código Tributário, para reconhecer os efeitos tributários da documentação fiscal apresentada pela Recorrente, mas considerando a aquisição como efetuada diretamente do produtor rural, e não dos atacadistas simulados. Considerando, assim, que as aquisições foram feitas diretamente do produtor rural, é mister aplicar a sistemática de créditos presumidos do art. 8º da lei 10.925/2004, suficientemente explanada no termo de verificação fiscal e na decisão recorrida, pelo que faço referência ao conteúdo destes. Uma consideração especial deve ser feita em relação aos processos fundamentos utilizados no voto proferido no processo nº 15586.720615/201231, onde se analisou pedido de ressarcimento de crédito de Cofins nãocumulativo referente ao 3º trimestre de 2008, e no processo nº 10786.721822/201263, pedido de ressarcimento de crédito de PIS Fl. 373DF CARF MF 14 nãocumulativo referente ao 3º trimestre de 2008, que tiveram idêntico fundamentos nas suas decisões de 1ª instância. Ocorre que a glosa descrita no Parecer se refere a créditos apurados em relação a aquisições de café junto às pseudoatacadistas no 2º trimestre de 2008 (PIS e Cofins), especificamente no mês de Junho. Por razões de brevidade, reproduzo abaixo a decisão a quo, que também fez esta ressalva: De acordo com o Parecer, a autoridade fiscal afastou os créditos integrais calculados pelo contribuinte em relação às aquisições de empresas declaradas inaptas e apurou, em substituição, o crédito presumido, reduzindo, desta forma, o crédito a ressarcir/compensar pleiteado pelo contribuinte nos PER/DCOMPs que compõem os processos administrativos nº 15586.720615/201231 e 10786.721822/201263. Mencionadas glosas e os respectivos ajustes na base de cálculo do crédito a descontar produziram reflexo na análise do crédito pleiteado no presente processo (3o trimestre de 2008), na medida em que alterou o saldo de crédito vinculado ao mercado interno a ser transferido do mês de junho para julho, o que pode ser verificado através do Demonstrativo de Calculo dos Créditos a Descontar – COFINS nãocumulativa e PIS não cumulativo (fls.4245), que integram o Parecer SEFIS. Em relação especificamente ao 3o trimestre de 2008, houve equívoco por parte da inconformada, uma vez que não há glosa de crédito promovida pela autoridade fiscal, o que facilmente se constata através do mencionado Demonstrativo de Cálculo. O crédito a descontar apurado pela fiscalização no mês de setembro corresponde a R$ 11.928,96, exatamente o crédito pleiteado pelo contribuinte. Ocorre, no entanto, que o crédito apurado foi integralmente utilizado na dedução da contribuição devida no mesmo período, no valor de R$ 16.296,53 restando ainda, saldo de Cofins a pagar no valor de R$ 4.367,57, cuja exigência foi formalizada através de auto de infração lavrado neste processo. O mesmo aconteceu em relação ao PIS, com diferenças apenas nos valores. Na manifestação de inconformidade apresentada nos processos mencionados acima, a interessada contesta as glosas efetuadas relativas a créditos calculados sobre o valor de aquisições junto a empresas de fachada. Como dito acima, os créditos glosados são pertinentes ao 2º trimestre de 2008, período analisado nos processos nº 15586.720041/201200 e 15586.720039/201222. Desse modo, o deslinde dos processos 15586.720615/201231 e 10786.721822/201263 está estritamente condicionado àqueles que julgam os créditos apurados no 2º trimestre de 2008. Já em relação aos débitos apurados nos meses de julho, agosto e setembro de 2008, nos valores indicados no Demonstrativo de Cálculo, a interessada não apresentou contestação específica, devendose ter por definitivos tais valores, consoante disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, verbis:. “Art. 17 – Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Pois bem. Feito esse esclarecimento, e com base no entendimento firmado neste processo, julgado conjuntamente com os demais processos relativos à ressarcimento/compensação, que deram origem ao presente lançamento, concluise que mantidas as glosas e não contestados os valores das contribuições devidas nos períodos de julho, agosto, setembro e novembro, consideradas no Demonstrativo de Cálculo dos Créditos a Fl. 374DF CARF MF Processo nº 15586.720039/201222 Acórdão n.º 3402003.300 S3C4T2 Fl. 9 15 Descontar – PIS e COFINS nãocumulativos, prevalecem os créditos tributários exigidos de ofício relativos às diferenças apuradas e não recolhidas de PIS e COFINS no que se refere ao principal lançado. Resta analisar a imposição da multa de 150%. 3. Das Multas Aplicadas Sobre os valores lançados de ofício relativos a diferenças a pagar de PIS e Cofins nos períodos de agosto, setembro e novembro de 2008, a autoridade autuante aplicou a multa qualificada de 150%, com base no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Além disso, foi lavrado auto de infração relativo à multa isolada de 150% calculada sobre os valores dos débito indevidamente compensados, conforme previsto no art. 18 da Lei 10.833/2003 com redação dada pela Lei 11.488/2007. Não há nos autos de infração contestados, a imposição de multa de mora de que trata o art. 61 da Lei 9.430/96 citada pelo contribuinte. Também não há nos Pareceres e despachos decisórios proferidos nos processos de compensação qualquer menção à aplicação de multa de mora, conforme alegado no Recurso Voluntário. 3.1. Do Bis in idem A Recorrente requer seja afastada a dupla imposição de multas sobre a mesma base de cálculo, tanto no que se refere ao art. 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96 e o art. 61 da Lei 9.430/96, quanto ao art. 18 da lei 10.833/2003 e o § 15 do art. 74 da Lei 9.430/96, pois a base de cálculo das duas primeiras é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento e as duas últimas têm como base de cálculo o valor do débito indevidamente compensado. Mais uma vez não procede a alegação da autuada. Conforme já apontado anteriormente neste voto, não há, nos autos de infração contestados, exigência de multa de mora prevista no art. 61 da Lei 9.430/96. Da mesma forma, não há nos autos exigência de multa com base o art. 74, § 15 da Lei 9.430/96, citado pelo contribuinte, dispositivo este que estabelece a aplicação de multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, razão pela qual deve ser afastada a alegação da impugnante. Logo, não há que prosperar este pleito. 3.2. As infrações imputadas Em primeiro lugar, há que se verificar o art.18 da lei 10.833/2003, que prevê a multa isolada sobre débitos indevidamente compensados: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Por sua vez, o art.44 da Lei 9.430/96 estabelece: Fl. 375DF CARF MF 16 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; À partir do Parecer SEFIS, dos processos de compensação e do Termo de Verificação Fiscal, a DRJ entendeu pela falsidade nas compensações declaradas, em razão de conduta específica e concreta do contribuinte, em relação às suas obrigações fiscais, que teria a intenção de reduzir o montante dos tributos devidos e forjar créditos de PIS e Cofins não cumulativos. A relatora da decisão recorrida aduziu que: O contribuinte autuado, ora impugnante, para obter indevidamente créditos de PIS e COFINS, utilizou de uma ‘indústria’ erguida, cujo produto são notas fiscais ideologicamente falsas, emitidas por pessoas jurídicas construídas com este fim específico. Já quanto à multa do art. 44, §1º da Lei 9.430, essa tem sua multa aumentada nos casos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por seu turno, os arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/1964, assim define as infrações que agravam essa multa: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 15586.720039/201222 Acórdão n.º 3402003.300 S3C4T2 Fl. 10 17 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Novamente entendeu a fiscalização e a decisão a quo que o contribuinte exibiu inequívoco dolo em reduzir o montante dos tributos devidos mediante a forja de créditos referentes ao regime da nãocumulatividade. Parecenos que o ponto, neste caso, diz respeito à existência de dolo específico de falsear a declaração de compensação e de redução do montante dos tributos devidos. O contribuinte, por sua vez, aduziu que realizou pesquisas do CNPJ e SINTEGRA das "pseudoatacadistas" no momento da realização dos negócios e que as mesmas estariam regulares perante as administrações federal e estadual, alegando que isso comprovaria a sua boafé e a ausência de dolo. Além disso, alegou que a empresa foi vítima da inação da fiscalização em declarar a inaptidão das pseudoatacadistas. É impossível, ou pelo menos extraordinariamente improvável, que a Recorrente não tivesse ciência de que as atacadistas somente existissem para "guiar o café", permitindo o aproveitamento do crédito integral das aquisições, sobretudo quando ambas as empresas simuladas existiam em locais absolutamente incompatíveis com a prática da venda de café no atacado, sem funcionários, e sem qualquer outro indício de funcionamento regular e efetivo. Não se presume aqui a máfé do contribuinte, como o mesmo acusa a fiscalização, mas se prova a simulação ocorrida para, a partir dela, racionalmente se inferir a participação da Recorrente, o que caracteriza inequivocamente o seu dolo tanto em relação à falsidade das informações declaradas nas compensações, bem como para a redução do montante de tributos devidos. Não há presunção de dolo ou de máfé, mas sim comprovação. Como afirmado na decisão recorrida, os procedimentos descobertos no trabalho de fiscalização evidenciaram consciente intuito de se ter por restituído, sob a forma de ressarcimento e/ou compensação, tributo que sequer chegou a ser objeto de recolhimento ao longo das etapas anteriores da cadeia produtiva, capaz de, supostamente, dar direito à apropriação dos créditos correspondentes, impondo à autoridade fiscal a aplicação da pena pecuniária de 150% sobre os valores dos débitos indevidamente compensados. Em seguida a Recorrente alega que os débitos exigidos já haviam sido declarados em DCTF, declaração esta que dispensaria o lançamento de ofício. Além disso, entende que a declaração espontânea é suficiente para afastar a suposição de fraude. A alegação é totalmente improcedente. Em pesquisa às DCTFs do 1º e 2º semestre de 2008 (fls. 523/525), verificase que a empresa declarou débitos de PIS e Cofins apenas no mês de dezembro, período este não abrangido pelos autos de infração. As contribuições formalizadas nos autos de infração se referem a diferenças apuradas e não declaradas ou pagas, impondose a constituição de ofício dos valores calculados pela fiscalização, com o acréscimo da multa de ofício e juros de mora. Fl. 377DF CARF MF 18 Desse modo, não procedem as alegações da Recorrente relativas às multas aplicadas. 4. Da possibilidade de aproveitamento do crédito presumido para a quitação de outros tributos federais Requer a Recorrente que seja deferido o direito à utilização dos créditos presumidos para quitação de outros tributos federais, com bae no art.56A da Lei 12.350/2010. Em primeiro lugar, esclareçase que a questão foge ao escopo do presente processo, em que se analisa crédito tributário lançado de ofício, já tendo sido apreciada quando da análise das manifestações de inconformidade apresentadas nos processos de compensação. Ademais, não merece prosperar esse pleito, haja vista que se tratam nesse processo de créditos apurados em 2008, anteriormente ao regime de compensação que pretende utilizar a Recorrente. O Código Tributário, arrimado na irretroatividade das leis tributárias consagrada no art. 150, III, a da Constituição Federal, estabelece hipóteses taxativas de retroação em seu art.106: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Não se tratando, neste caso, de nenhuma das hipóteses de aplicação da lei a ato ou fato pretérito, não há que se reconhecer o direito do recorrente ao regime de compensação pretendido. 5. Da desnecessidade de novas diligências Quanto ao pedido para realização de perícia com a finalidade de acrescentar novas provas a fim de demonstrar os valores efetivamente pagos e mercadorias efetivamente recebidas deve ser indeferida de plano, dado a inutilidade de tal comprovação. As provas acostadas aos autos reputamse suficientes à convicção do julgador, logo, mais diligência aqui, se deferida, apenas procrastinaria a solução do contencioso, fato incompatível com o ideal de celeridade processual e segurança jurídica. Neste sentido, dispõe o artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícia, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis, ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1o da Lei nº 8.748/1993) Fl. 378DF CARF MF Processo nº 15586.720039/201222 Acórdão n.º 3402003.300 S3C4T2 Fl. 11 19 6. Pedido de Restituição de IR e CSLL Finalmente a Inconformada pede, se indeferidos os pedidos anteriores, seja determinada a restituição dos valores pagos a título de Imposto de Renda (25%) e Contribuição Social sobre o Lucro (9%). Entretanto, o pedido de reconhecimento de direito creditório (ou mesmo de compensação) devem ser formulados em procedimentos próprios, não se prestando a manifestação de inconformidade de veículo a tais pretensões. 7. Conclusão Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, mantendo a integralidade das autuações realizadas. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Declaração de Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 1. Conforme já relatado tratase de Auto de Infração que redundou a exigência de PIS e COFINS contra a Recorrente. Segundo a acusação fiscal, a Recorrente teria arquitetado um esquema fraudulento que, dentre outras medidas, teria implicado a criação de empresas para intermediar a compra de café entre seus produtores e a Recorrente. Este suposto ardil teria por escopo gerar créditos (nãocumulatividade) de PIS e COFINS para a Recorrente. 2. Não obstante, ainda segundo se constata dos autos, no presente caso, este suposto esquema fraudulento teria sido apurado apenas com a juntada de depoimentos de supostos envolvidos no esquema fraudulento (responsável pelas empresas intermediárias fls. 28/39) e que são egressos de outros processos administrativos, o que resta atestado pela inexistência de simetria entre os números de mandados de procedimentos fiscais do presente caso com aquele em que colhidos tais depoimentos. 3. Em outros termos, tais declarações colhidas unilateralmente pela Receita Federal do Brasil e em outros processos administrativos que não o aqui tratado, configuraram o elemento probatório que desqualifica o creditamento aproveitado pela Recorrente e de todas as demais “provas” aqui apuradas. É exatamente aí que se encontra a nulidade absoluta a macular o processo administrativo em epígrafe. 4. Para se chegar à sobredita conclusão, insta desde já destacar que a natureza predominantemente inquisitorial de um procedimento fiscalizatório por parte do Fisco não lhe Fl. 379DF CARF MF 20 atribui um poder, ou melhor, um deverpoder absoluto, até porque inexistem direitos absolutos (seja ele do Fisco ou do contribuinte) no ordenamento jurídico nacional1. 5. O que se quer dizer com isso é que, apesar da fiscalização ter o dever poder de ouvir depoimentos/testemunhos em sede fiscalizatória – o que não se limita pelo presente voto –, não pode fazêlo com portas cerradas, como se estivesse conduzindo um processo inquisitório de idos medievais2. Em tempo de pósmodernidade não se pode olvidar que mesmo um procedimento inquisitorial está inserido e, portanto, contextualizado, em um Estado Democrático de Direito, devendo, pois, respeitar os valores e limites próprios deste modelo de comunidade histórica, dentre os quais destacamos o devido processo legal e seus consectários lógicos, i.e., o contraditório e a ampla defesa. 6. Logo, não há vedação para que a fiscalização, em fase inquisitorial, colha declarações/depoimentos que venham contribuir com a apuração dos fatos em cotejo e objeto de fiscalização. O que não se admite é que tais declarações sejam colhidas sem a substancial participação do contribuinte fiscalizado ou do interessado. Assim, em situações como essa, é dever da fiscalização intimar o contribuinte para que (i) lhe seja dado ciência do dia e local em que as declarações serão colhidas, bem como para que, nesta oportunidade, (ii) lhe seja franqueada a possibilidade dele (contribuinte) também realizar questionamentos ao declarante/depoente. 7. Nem se alegue que a ulterior intimação do contribuinte para se manifestar a respeito das declarações colhidas unilateralmente pelo Fisco seria suficiente para pretensamente legitimar as garantias fundamentais aqui tratadas. Por se tratar de uma prova dinâmica, a colheita de declarações/testemunhos também pressupõe um contraditório dinamizado, ou seja, que garanta, na realização do ato (colheita dos depoimentos), a oportunidade para que a parte interessada efetivamente participe da produção da prova, ou seja, do seu processo de enunciação. Simplesmente permitir que o contribuinte se manifeste a respeito das declarações já enunciadas, ou seja, depois de já produzidas e materializadas de forma documental, é apequenar indevidamente as garantias aqui tratadas e reduzilas a uma questão de forma3. 8. Ademais, não há que se falar em incidência da súmula n. 46 deste Tribunal Administrativo4. Referido enunciado sumular é passível de convocação quando o Fisco, munido previamente de documentos formados e apresentados pelo contribuinte fiscalizado 1 Convém lembrar que mesmo o direito a vida, o mais importante bem jurídico salvaguardado pelo direito, não constitui um direito absoluto. Nesse esteio, basta a leitura do art. 5º., inciso XLVII, alínea “a” da CF, bem como algumas excludentes de ilicitude próprias do direito penal, mais precisamente a legítima defesa e o estado de necessidade, para afastar esse tipo de “fundamentalismo”. 2 A clássica obra de Beccaria, Dos delitos e das penas, já tratou disso em 1764, ano da sua publicação. 3 Acontece que o due processo of law tratase de uma garantia fundamental que vai para muito além de forma. Como já dito, é um dos pilares essenciais para a material existência de um Estado Democrático de Direito. Logo, deve ser tutelado sob uma perspectiva eminentemente substancial. Nesse sentido: O princípio do devido processo legal, contudo, não pode e não deve ser entendido como mera forma de procedimentalização do processo, isto é, da atuação do Estadojuiz em determinados modelos avalorativos, neutros, vazios de qualquer sentido ou finalidade mas, muito além disto, ele diz respeito à forma de atingimento dos fins do próprio Estado. É o que parcela da doutrina acaba por denominar “legitimação” pelo procedimento, no sentido de que é pelo processo devido (e, por isto não é qualquer processo que se faz suficiente) que o Estado Democrático de Direito terá condições de realizar amplamente suas finalidades.(...). O princípio do devido processo legal, neste contexto, é amplo o suficiente para se confundir com o próprio Estado Democrático de Direito. (BUENO, Cássio Scarpinella. Curso sistematizado de direito processual civil – volume 01. 4ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 138.) (grifos do Autor). 4 Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 15586.720039/201222 Acórdão n.º 3402003.300 S3C4T2 Fl. 12 21 (v.g., notas fiscais, livros e demais documentos fiscais), lavra a autuação exclusivamente com base em tais documentos. De fato, nesta hipótese não há que se falar, ao menos em tese, em ofensa ao devido processo legal e seus consectários lógicos, já que referida documentação é de conhecimento prévio do contribuinte, já que por ele produzido. Não é esse, todavia, o caso dos autos, já que as provas aqui debatidas – e que deflagraram todo o procedimento fiscalizatório que se seguiu – são testemunhais e, portanto, produzidas no bojo do processo fiscalizatório do presente processo administrativo ou, o que é ainda mais grave, em outro processo administrativo onde a Recorrente sequer figura como parte ou interessado. 9. Não obstante, ainda em relação às limitações do caráter inquisitorial das declarações/depoimentos colhidos em sede de processo administrativo fiscal, convém destacar que tais balizas devem ser aqui prestigiadas (no âmbito tributário) com um maior rigor, na medida em que tais declarações são colhidas (processo de enunciação) pela parte diretamente interessada no seu resultado (enunciado), quer dizer, pelo Fisco. O Fisco colhe as declarações para, eventualmente, delas se aproveitar ulteriormente na lavratura de uma exigência fiscal acrescida de multa. Fundamental, portanto, que o processo de produção desta prova também seja franqueado ao contribuinte interessado, de modo a existir um contraponto minimamente válido aos interesses do Fisco enquanto parte. 10. Tal fundamentação também serve para aqueles testemunhos/depoimentos acostados nos autos na qualidade de prova emprestada. Ressaltese, desde que já, que entendemos perfeitamente válida a utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, haja vista o disposto no art. 30 do Decreto 70.235/1972, arts. 24 e 64 do Decreto 7.574/2011 e, ainda, o que prevê o art. 332 do Código de Processo Civil, o qual se aplica aqui subsidiariamente. 11. A validade, todavia, quanto ao uso da prova emprestada no processo administrativo não lhe afasta de certas limitações. Nesse sentido, o primeiro aspecto a se destacar é que a prova emprestada é utilizada no processo onde será aproveitada com a mesma natureza probatória que lhe fora atribuída no processo em que produzida. Assim, em se tratando de um testemunho/depoimento emprestado, referida prova, embora se materialize documentalmente, mantém a natureza de prova testemunhal, motivo pelo qual é imprescindível que se dê oportunidade para que o contribuinte interfira no seu processo de produção (enunciação) e não para que apenas fale a seu respeito após a sua juntada nos autos no qual será emprestada (enunciado)5. A única exceção admissível ocorreria na hipótese do testemunho/depoimento ter sido produzido no processo de origem com a efetiva participação do contribuinte67 contra a qual o testemunho/depoimento será direcionado no processo para o qual a prova será emprestada, sob pena de nulidade da prova emprestada, bem como de todas as provas daí derivadas (fruits of the poisonous tree)8. 5 Neste diapasão: DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de direito processual civil – volume 02. 10ª. ed. Salvador: JusPodivm. 2015, pp. 131/132. 6 Ainda que na qualidade de interessado, haja vista o teor do disposto no art. 3o., inciso II da lei n. 9.784/99. 7 Quando se fala em “efetiva participação” o que se quer dizer é que o Fisco deverá oportunizar ao contribuinte/interessado a possibilidade de interferir ativamente no processo de construção do testemunho que será colhido, o que consiste em franquear ao contribuinte a possibilidade de realizar perguntas ao depoente. 8 A teoria dos frutos da árvore envenenada já vem sendo acolhida pelo Supremo Tribunal Federal de longa data, conforme se observa do julgado cuja ementa segue abaixo transcrita: PROVA ILÍCITA: ESCUTA TELEFÔNICA MEDIANTE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL: AFIRMAÇÃO PELA MAIORIA DA EXIGÊNCIA DE LEI, ATÉ AGORA NÃO EDITADA, PARA QUE, "NAS HIPÓTESES E NA FORMA" POR ELA ESTABELECIDAS, POSSA O JUIZ, NOS TERMOS DO ART. 5., XII, DA CONSTITUIÇÃO, AUTORIZAR A INTERCEPTAÇÃO DE COMUNICAÇÃO TELEFÔNICA PARA FINS DE INVESTIGAÇÃO Fl. 381DF CARF MF 22 12. Em não se tratando da exceção alhures não haveria que se falar em permissão para o uso da prova emprestada. Neste caso, deveria a fiscalização novamente colher os depoimentos que ela (fiscalização) entendesse pertinentes à apuração dos fatos fiscalizados, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de conteudisticamente participar da produção da enunciação da referida prova, conforme já mencionado anteriormente. 13. Dito isso e analisando o caso decidendo é possível constatar que os depoimentos/testemunhos foram fundamentais para a autuação do Recorrente e para a derivação das demais provas acostadas no presente processo administrativo. Fazendo um exercício de abstração e imaginando inexistir nos autos tais declarações, o que se encontraria aqui seriam os seguintes elementos de prova: (i) notas fiscais de saída regularmente emitidas pelas empresas intermediárias para a Recorrente; (ii) registro de entradas das referidas notas fiscais pela Recorrente; (iii) pagamento das mercadorias retratadas em tais notas fiscais, o que foi feito pela Recorrente em favor das empresas intermediárias por meio de depósito bancário; (iv) empresas intermediárias idôneas à época dos fatos aqui narrados, bem como existentes, em sua maioria, antes do benefício fiscal que teria sido gozado pelo Recorrente, o que afastaria a ilação de que tais intermediárias teriam sido criadas com o propósito exclusivo de permitir o gozo do aludido benefício; e, por fim (v) registro e utilização regular do crédito de PIS e COFINS aqui debatido. 14. Percebese, portanto, que as provas acima referidas e que, em princípio, atestavam a licitude da operação perpetrada pela Recorrente só foram retiradas deste contexto a partir dos depoimentos/testemunhos já mencionados e que, a nosso ver, encontramse calcados de notória ilegalidade. 15. Ex positis, ouso divergir do r. Relator do caso para reconhecer a nulidade das provas produzidas nos autos e, por conseguinte, dar provimento ao Recurso Voluntário interposto. 16. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Conselheiro CRIMINAL; NÃO OBSTANTE, INDEFERIMENTO INICIAL DO HABEAS CORPUS PELA SOMA DOS VOTOS, NO TOTAL DE SEIS, QUE, OU RECUSARAM A TESE DA CONTAMINAÇÃO DAS PROVAS DECORRENTES DA ESCUTA TELEFÔNICA, INDEVIDAMENTE AUTORIZADA, OU ENTENDERAM SER IMPOSSÍVEL, NA VIA PROCESSUAL DO HABEAS CORPUS, VERIFICAR A EXISTÊNCIA DE PROVAS LIVRES DA CONTAMINAÇÃO E SUFICIENTES A SUSTENTAR A CONDENAÇÃO QUESTIONADA; NULIDADE DA PRIMEIRA DECISÃO, DADA A PARTICIPAÇÃO DECISIVA, NO JULGAMENTO, DE MINISTRO IMPEDIDO (MS 21.750, 24.11.93, VELLOSO); CONSEQUENTE RENOVAÇÃO DO JULGAMENTO, NO QUAL SE DEFERIU A ORDEM PELA PREVALÊNCIA DOS CINCO VOTOS VENCIDOS NO ANTERIOR, NO SENTIDO DE QUE A ILICITUDE DA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA A FALTA DE LEI QUE, NOS TERMOS CONSTITUCIONAIS, VENHA A DISCIPLINÁLA E VIABILIZÁLA CONTAMINOU, NO CASO, AS DEMAIS PROVAS, TODAS ORIUNDAS, DIRETA OU INDIRETAMENTE, DAS INFORMAÇÕES OBTIDAS NA ESCUTA. (FRUITS OF THE POISONOUS TREE), NAS QUAIS SE FUNDOU A CONDENAÇÃO DO PACIENTE. (STF; HC 69912 segundo, Relator: Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, julgado em 16/12/1993, DJ 25031994 PP06012 EMENT VOL0173801 PP00112 RTJ VOL0015502 PP00508). Fl. 382DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003540/2005-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que existe averbação anterior a 01/01/2001.
Numero da decisão: 9202-004.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer a glosa da APP - Área de Preservação Permanente, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que existe averbação anterior a 01/01/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 35 40 /2 00 5- 11 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10183.003540/200511 Acórdão n.º 9202004.602 CSRFT2 Fl. 366 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para restabelecer a glosa da APP Área de Preservação Permanente, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2102001.926, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 16 de abril de 2012 (efls. 313 a 319). Ali, por unanimidade de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: TRIBUTAÇÃO DE ÁREA INSERIDA EM PARQUE ESTADUAL, OBJETO DE DECRETO ABRANGENDO A INTEGRALIDADE DA ÁREA QUESTIONADA. AFASTADA A PRETENSÃO FISCAL Não subsiste exigência fiscal sobrestar área inserida no Parque Estadual Igarapés do Juruena, objeto do Decreto Estadual n. 5.438/2002, quando devidamente reconhecida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente — SEMA, e em função disto, declarada por aquele órgão sem valor comercial, servindo apenas para compensar área de reserva legal degradada, de acordo com a lei estadual no. 7.868/2002. Decisão : por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Enviados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de ciência em 04/10/2012 (efl. 321), esta apresentou, em 05/11/12 (efl. 322), Recurso Especial (efls. 323 a 337 e anexos), com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal. O recurso alega a existência de divergência interpretativa quanto à necessidade de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e da existência Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10183.003540/200511 Acórdão n.º 9202004.602 CSRFT2 Fl. 367 3 de ato específico e individual de órgão responsável, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas em litígio. Mais especificamente, alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 2a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 302 36.278, de 09 de julho de 2004, e, ainda, através do Acórdão 30236.783, prolatado em 14 de abril de 2005, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 30236.278 RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR EXERCÍCIO DE 1997. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de áreas de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênios. As áreas reservadas legal devem ser averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Acórdão 30236.783 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. EXERCÍCIO 1995. ISENÇÃO: imóvel localizado dentro de área de Parque Nacional.Para que uma área rural seja isenta do ITR, por ser de preservação permanente ou de interesse ecológico, na hipótese de que se trata, é requisito indispensável que a mesma seja reconhecida, formal específica e individualmente pelo IBAMA ou por órgão delegado através de convênio. EXPROPRIAÇÃO: Quanto a imóveis objeto de expropriação/desapropriação pelo Poder Público, o ITR continuará devido pelo proprietário depois da autorização do decreto de desapropriação publicado, salvo se houver imissão prévia na posse. (Lei 8.847/94, artigo 12). NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Decisão: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso, nos termos do voto da Conselheira relatora. O Conselheiro Paulo Roberto Cucco Antunes votou pela conclusão. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda: a) Cita a recorrente o estabelecido no art. 10 da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10183.003540/200511 Acórdão n.º 9202004.602 CSRFT2 Fl. 368 4 deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN. Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração, consoante INs SRF 43/97, com redação dada pela IN SRF 67/97, 73/2000 e 60/2001, pelo Manual de Perguntas do ITR/2002 e art. 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002, bem como Solução de Consulta COSIT no. 12, de 21 de maio de 2003; b) Ressalta que a exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que a sua exigência não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, §§ 2°. e 3o., da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Ou seja: a ausência do ADA não enseja multa regulamentar o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória , mas sim incidência do imposto; c) Entende, como inteiramente equivocado o entendimento, no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA, em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, uma vez que: "(...). O que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas. Assim, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo." d) Ressalta que tal obrigatoriedade para a não incidência tributária foi instituída através de dispositivo legal (art. 17O da Lei 6.983, de 31 de agosto de 1981, com redação dada pelo art. 1o. da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000). De fato, esse diploma reitera os termos da Instrução Normativa n° 43/97 e atos posteriores, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR; e) Registra que a obrigatoriedade da apresentação do ADA não representa qualquer violação de direito ou do princípio da legalidade. Antes pelo contrário, a exigência alinhase com a norma que consagrou o benefício tributário (art. 10, § 1o, II, da Lei n° 9.393, de 1996), apontando os meios para a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, estando o exercício do direito do contribuinte atrelado a uma simples declaração dirigida ao órgão ambiental competente. Tratase, por evidente, de norma amplamente favorável ao contribuinte do ITR, que, na hipótese de sua ausência, estaria sujeito a meios de prova notadamente mais complexos e dispendiosos, como, por exemplo, os laudos técnicos elaborados por peritos; Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10183.003540/200511 Acórdão n.º 9202004.602 CSRFT2 Fl. 369 5 f) Ressalta, ainda, que, no presente processo, não se discute a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de reserva legal e preservação permanente. O que se busca é a comprovação do cumprimento, tempestivo, de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação. A condição supra referida está vinculada ao aspecto temporal, não sendo coerente nem prudente que a regularização junto ao IBAMA das áreas excluídas da tributação do ITR pudesse ser feita a qualquer tempo, de acordo com a conveniência do contribuinte; g) Por fim, cita que a Colenda Câmara a quo entendeu que as áreas da propriedade do contribuinte estariam excluídas da incidência do ITR, por força de Decreto Estadual que criou a área de preservação permanente. O citado decreto não cumpre a exigência da legislação para a exclusão da incidência do ITR. Tratase de declaração de caráter geral. Consoante assinalado supra, para que as áreas como estas não sejam tributadas exige a legislação do imposto que haja declaração específica, atestando aquela condição. Requer, assim, o conhecimento e o provimento do recurso para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja mantido o lançamento em sua integralidade. O recurso foi admitido, consoante despachos de efls. 338 a 340. Encaminhados os autos ao autuado para fins de ciência, ocorrida em 20/03/2014 (efl. 342), o contribuinte apresentou, em 09/04/2014. contrarrazões de efls. 346 a 355, onde: a) Alega que o atual entendimento do STJ esclarece que não cabe mais erigir a apresentação do ADA, como requisito necessário para demonstrar a destinação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, ou parques de preservação, bastando a entrega da declaração de isenção de ITR; b) Cita que a redação do Art. 10 inciso II e alíneas da Lei n°. 9.393, de 1996, dispõe que há exclusão tributável sobre as áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual e que, no caso, a contribuinte apresentou a certidão emitida pela SECRETARIA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE SEMA, comprovando a total incidência do seu imóvel no Parque Estadual Igarapés do Juruena, criada pelo Decreto Estadual no 5.438, de 2002 (efls. 223 a 226); c) Cita o art. 104 da Lei no. 8.171, de 17 de janeiro de 1991, para defender que a criação de parques em terras de domínio privado, portanto, configura isenção do ITR, descrita no parágrafo único daquele artigo, já que é realizada por ato do Poder Público, bem como o motivo de sua instituição é o interesse ecológico na proteção dos ecossistemas. Ressalta, ainda, que a Lei no. 9.393, de 1996 não só corroborou os termos da Lei de Política Agrícola, mas também acrescentou uma hipótese de isenção do ITR, qual seja a área imprestável à exploração econômica com declarado interesse ecológico; d) Entende, quanto à averbação, que esta tem como única finalidade autorizar o interessado a desmatar o imóvel, e não é empecilho para o exercício de outros direitos sobre a propriedade imobiliária, muito menos quanto à isenção sobre o fisco. Assim, se não houver supressão da floresta ou de vegetações nativas existentes no imóvel, se não se pretende desmatar, não há que se exigir a delimitação e averbação no registro de imóveis da reserva legal, mesmo porque, como corolário, toda propriedade estará automaticamente intacta. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10183.003540/200511 Acórdão n.º 9202004.602 CSRFT2 Fl. 370 6 Ressalta que, no presente caso, o imóvel, em sua totalidade, continua intacto, servindo inclusive para compensação de reserva legal em outras propriedades, conforme afirma a SECRETARIA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE SEMA (certidão em anexo nos autos efl. 223 a 226) o qual o contribuinte não teria que providenciar a averbação da reserva legal e APP, mas mesmo assim, o proprietário averbou, em época anterior, 50% (cinquenta por cento) como área limitada de uso; Requer, assim, que o Acórdão recorrido seja mantido em sua íntegra. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, bem como a caracterização de divergência interpretativa, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço. Passo, portanto, à análise de mérito, segregando a análise quanto a: a) áreas de preservação permanente glosa de 24.000,0 ha. e b) área de utilização limitada/Reserva Legal glosa de 14.495,0 ha., consoante efl. 03. Antes, todavia, para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: 05/07/2005 efl. 24; b) Demonstrativo contemplando a glosa efetuada pela autoridade fiscal na DITR efl. 03; c) ADA não há vide argumentação de efl. 27; d) Matrículas onde houve averbação de áreas de Reserva Legal, nos montantes de de 11.999,76595 efl. 33 e 11.999,99985 ha. efl. 38, ambas em 06/01/96; e) Laudo Técnico quanto à distribuição da área do imóvel efls. 47 e seguintes. a) Quanto às áreas de preservação permanente Acerca do tema, entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10183.003540/200511 Acórdão n.º 9202004.602 CSRFT2 Fl. 371 7 Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10183.003540/200511 Acórdão n.º 9202004.602 CSRFT2 Fl. 372 8 da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito não foi efetivamente cumprido pelo contribuinte. Quanto ao prazo para fins de cumprimento de apresentação do ADA, com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10183.003540/200511 Acórdão n.º 9202004.602 CSRFT2 Fl. 373 9 (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10183.003540/200511 Acórdão n.º 9202004.602 CSRFT2 Fl. 374 10 Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10183.003540/200511 Acórdão n.º 9202004.602 CSRFT2 Fl. 375 11 Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que, no caso em questão, não foi apresentado o ADA, entendo que é de se dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria, restabelecendose a glosa de 24.000,0 ha. de área de preservação permanente declarada pelo autuado como exclusão da base de cálculo do ITR/2001. Ad argumentandum tantum, entendo, também, quanto à área de preservação permanente (APP) de interesse ecológico, assim entendidas aquelas APP não definidas no art. 10, § 1º, inciso II, alíneas “a” , da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, haver o requisito adicional de emissão de ato declaratório por parte do órgão competente estadual ou federal, na forma do disposto art. 10, § 1º, inciso II, alínea “b” , daquela mesma Lei nº 9.393, de 1996, a seguir transcrito e que, notese, restou não cumprido pela contribuinte, não suprindo a declaração de efls. 223 e seguintes ou o Parecer de efls. 63/64 tal requisito, por não se tratarem de atos específicos com as características legalmente exigidas, mas, respectivamente, de mera Certidão de localização e Parecer Técnico. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a)... b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (g.n.), e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Assim, quanto à área de preservação permanente, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que seja restabelecida a glosa de 24.000,0 ha. a título de APP, constante de demonstrativo de efl.03. b) Quanto à área de utilização limitada/Reserva Legal: Aqui, alinhome aos que entendem ser necessária a averbação da Reserva Legal junto ao Registro de Imóveis até a data do fato gerador, posicionamento, muito bem Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10183.003540/200511 Acórdão n.º 9202004.602 CSRFT2 Fl. 376 12 esclarecido por voto condutor de lavra da Dra. Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, no âmbito do Acórdão 220201.269, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF em 26 de julho de 2011, o qual adoto como razões de decidir, fundamentando meu entendimento acerca do tema, ressalvando que as menções ao art. 16 §8o. do Código Florestal, quanto à obrigatoriedade de averbação, são plenamente aplicáveis aqui, uma vez que o §2o. do mesmo artigo, em sua redação anterior, dada pela Lei no. 7.803, de 1989, estabelecida idêntica obrigatoriedade, verbis: (...) Para fins de apuração do ITR, excluemse, dentre outras, as áreas de Reserva Legal, conforme disposto no art. 10, § 1o , inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de Reserva Legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de Reserva Legal (art. 1o , §2o , inciso III): Art. 1o [...] §2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001) [...] O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à Reserva Legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o ). Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10183.003540/200511 Acórdão n.º 9202004.602 CSRFT2 Fl. 377 13 Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da Reserva Legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. (...) Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da Reserva Legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 226889/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à Reserva Legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A Reserva Legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10183.003540/200511 Acórdão n.º 9202004.602 CSRFT2 Fl. 378 14 Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a Reserva Legal. (os destaques não constam do original) Concluise, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de Reserva Legal a averbação à margem da matrícula do imóvel, pois tratase de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 1o de janeiro de cada ano (o art. 1o , caput, da Lei no 9.393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspondente. (...)" No caso em questão, conforme se depreende dos documentos de efls. 33 e 38, em 01/01/2002, já se encontrava averbado, na respectiva matrícula, o montante total de 23.999,7658 ha. Assim, de se admitir a exclusão da base de cálculo do tributo de 14.495,0 ha, na forma declarada pela autuada. Quanto à necessidade de apresentação do ADA para fins de exclusão da Reserva Legal, entendo aqui que a averbação pública, agora de natureza constitutiva, supre a obrigatoriedade de apresentação do ADA, interpretandose uma vez mais o dispositivo instituidor da obrigatoriedade sob a ótica teleológica de preservação das áreas de RL e fiscalização desta preservação, em linha com o já aqui esposado quando da análise das áreas de preservação permanente. Ressaltese, que, aqui, no caso da área de Reserva Legal, diferentemente do caso das APPs, se está diante de área onde o proprietário ou possuidor a indica, em qualquer local do imóvel rural, de forma que fique vedado o corte raso da cobertura florestal ou arbórea para fins de conversão a usos agrícolas ou pecuários, mas onde são permitidos outros usos Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10183.003540/200511 Acórdão n.º 9202004.602 CSRFT2 Fl. 379 15 sustentados que não comprometam a integridade dos ecossistemas que as formam. Presente tal elemento volitivo definidor do contribuinte no caso em questão, entendo que a ausência do ADA, no caso específico da Reserva Legal, pode ser substituída pela formalização (pública) da indicação supra através da mencionada averbação, com o ADA possuindo, nesta hipótese, natureza declaratória. Despicienda, assim, qualquer análise a respeito da apresentação ou protocolização do ADA para fins de exclusão da Reserva Legal, uma vez tendo sido cumprido o requisito de averbação tempestiva desta, sendo, sendo de se negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional nesta matéria. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que seja restabelecida a glosa a título de APP, constante de demonstrativo de efl.03. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 379DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.908672/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.293
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 72 /2 01 2- 13 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908672/201213 Acórdão n.º 3201002.293 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF/Recife emitiu o Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que os créditos em questão seriam "relativos a pagamentos a maior ou indevidos de PIS ou COFINS", originados "da retificação dos DACON da empresa, após a realização de auditoria interna", onde teria sido constatado que diversos créditos, oriundos das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, não teriam sido contabilizados. Afirmou que realizou a retificação de suas DACON para, posteriormente, apresentar as respectivas PER/DComp. Assim, sustenta que os créditos oriundos dos alegados indébitos estariam plenamente demonstrados nos DACON retificadores entregues eletronicamente à SRF, o que dispensaria a juntada desta demonstração ao processo, conforme determinaria o Art. 37 da Lei 9.784/99. Ao final, alegou que o erro de não ter retificado tempestivamente suas DCTF´s não implica na inexistência de seus créditos. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 03059.566, cuja ementa segue transcrita, na parte essencial: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908672/201213 Acórdão n.º 3201002.293 S3C2T1 Fl. 4 3 Em seu recurso voluntário a contribuinte traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório estaria demonstrada no DACON, e que os valores que originaram os pagamentos a maior e retenções já estariam na base de dados da SRF. Neste ponto, aduz que não lhe foi dada oportunidade de conversão do julgamento em diligência, nem teria sido intimada a juntar novas provas, o que teria prejudicado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo isto, alega, preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, solicitando a anulação da decisão da DRJ; b) reclama que bastaria uma simples comparação dos DACON com os valores recolhidos pela empresa para verificar a procedência do direito pleiteado, alegando que o parágrafo único do Art. 26 do Decreto 7.574/2011 determina que a prova da inveracidade dos fatos registrados caberia à autoridade fiscal. Desta forma, estaria se impondo um ônus injustificado ao contribuinte; c) reclama, ainda, que não teria havido uma recusa fundamentada acerca do pedido de produção de prova posterior, conforme determinaria o Art. 39, par. único, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo. Portanto, a decisão recorrida deveria ser anulada, conforme determinaria o Art. 53 do mesmo diploma legal. Neste sentido, sustenta que as diretrizes da verdade material devem ser observadas pelos agentes da administração e transcreve ementas de julgados que ilustram seus argumentos; d) solicita, ao final, a anulação da decisão recorrida por violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, informalidade e verdade material. Pede, ainda, que após a anulação da decisão da DRJ seja reconhecido seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações declaradas, ou seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.265, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10480.908649/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.265): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 52 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Brasília/4ª Turma, nº 0359.543, de 27 de fevereiro de 2014. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908672/201213 Acórdão n.º 3201002.293 S3C2T1 Fl. 5 4 O recorrente invoca, preliminarmente, o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essa introdução, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. No caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação do DACON para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Novamente, agora já em sede de recurso voluntário, o interessado não aportou aos autos qualquer documentação probatória, limitandose a bradar contra alegadas violações à princípios constitucionais e também a afirmar que todas as informações já constariam na base de dados da SRF, que portanto não haveria necessidade da juntada de quaisquer outros documentos e ainda, que caso tais informações se revelassem insuficientes, deveria ter sido solicitada a realização de diligência. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908672/201213 Acórdão n.º 3201002.293 S3C2T1 Fl. 6 5 Conforme bem apontou a decisão da DRJ, a declaração do contribuinte em DCTF constituise em confissão de dívida, o que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. No atual momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação seria imprescindível uma cabal demonstração na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, da alegada diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, uma vez que a juntada das provas aos autos dever ser praticada no tempo certo, sob pena de preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Conforme o § 4º do art. 16 do PAF, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908672/201213 Acórdão n.º 3201002.293 S3C2T1 Fl. 7 6 Contudo, no caso desses autos, o recorrente sequer se preocupou em trazer oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação oportuna de documentos contábeis e/ou fiscais capazes de efetivamente demonstrar que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não teria atingido o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e no DACON retificador, de caráter meramente informativo. Como o contribuinte sequer procurou juntar aos autos qualquer tipo de documentação na intenção de demonstrar que efetivamente seria titular do alegado direito creditório, eventuais créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública ficam sem a devida comprovação de sua certeza e liquidez, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Restam, portanto, descabidas as demais alegações quanto às supostas violações à ampla defesa, bem como aos demais princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e informalidade. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908672/201213 Acórdão n.º 3201002.293 S3C2T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13005.720742/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Relatório
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Os processos administrativos 13005.720742/201037, 13005.720743/201081, 13005.720027/201185, 13005.720025/201196, 13005.720038/201165, 13005.72041/2011 89, 13005.720363/201128 e 13005.720364/201172, a mim sorteados e em julgamento na presente sessão, referemse, respectivamente, a pedidos de ressarcimento, cumulado com DCOMP no processo 13005.720363/201128, de saldos credores de exportação de COFINS 2Trimestre/2010, PIS 2T 2010, COFINS 3T 2010, PIS 3T 2010, COFINS 1T/2010, PIS 1T/2010, COFINS 4T 2010 e PIS 4T 2010. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .7 20 74 2/ 20 10 -3 7 Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720742/201037 Resolução nº 3402000.814 S3C4T2 Fl. 1.678 2 Encaminhados os referidos pleitos à SAFIS/DRF em Santa Cruz do Sul/RS, esta, em todos esses processos, propôs glosa de valores nos seguintes termos, (transcrevo como exemplo o que consta no PA 13005.720742/201037), o que foi acatado pelo correspondente despacho decisório: Do transcrito, observase que o agente fiscal ao fundar a glosa fez referência ao processo do auto de infração, sem transcrevêla nos processos de ressarcimento/compensação. Nas manifestações de inconformidade opostas aos despachos decisórios nos referidos PA, a requerente adentrou no mérito das glosas conforme consta do processo do auto de infração, de nº 13005.721311/201179, a que alude as informações fiscais, e que abrange os períodos objetos dos pedidos de ressarcimento de PIS/COFINS sob análise. Isto porque, como dito, o relatório fiscal que motivou o lançamento e as glosas nos processos em análise não foram anexadas aos mesmos. E justamente por essa omissão foi que a DRJ/POA baixou os processos em diligência para, dentre outras questões, determinar que fosse anexado a esses processos "uma cópia daquele relatório que amparou o referido Auto de Infração", o que veio a ser feito. A DRJ/POA, em 29/04/2014, manteve (fls. 464/497) a glosa em seus termos originais. Não resignada, a empresa recorreu dessa decisão. O Acórdão 3202000.298, de 15/10/2014, converteu o julgamento em diligência para que a recorrente fosse intimada a apresentar laudo técnico que descrevesse detalhadamente seu processo produtivo, o que foi feito, conforme acostado aos autos. O órgão local replicou o laudo, em suma concluindo "que fosse a intenção do legislador que o conceito de insumo alcançasse todas as despesas necessárias ao desenvolvimento da atividade econômica, como pretende o contribuinte, não haveria necessidade de elencar uma a uma as hipóteses de creditamento". É o relatório. Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720742/201037 Resolução nº 3402000.814 S3C4T2 Fl. 1.679 3 VOTO Emerge do relato que todos os períodos de apuração dos processos da recorrente por mim pautados para esta sessão de julgamento, arrolados no relatório, estão abarcados pelo auto de infração constante do processo 13005.721311/201179. E o entendimento desta Turma Ordinária é que o destino dos processos de ressarcimento/compensação quando a análise dos mesmo der azo a glosas e que em função dessas tenha havido lançamento de ofício, estarão aqueles vinculados ao decidido neste. Com efeito, julgado o lançamento, a própria unidade local da RFB pode liquidar os processos de ressarcimento/compensação aos termos do que se tornar julgado em definitivo naquele. Por isso, entendo que os processos em questão deveriam estar apensados aos autos do processo de lançamento. Ou, em outros termos, entendese haver prejudicialidade da análise dos processos administrativos de PER/DCOMP em relação ao decidido no processo do auto de infração. Deveras, a decisão nos autos do processo administrativo onde esteja encartada a exigência fiscal vinculará a decisão nos processos de PER/DCOMP dos períodos e tributos abrangidos pelo período da autuação. Justamente por esta causa que esses processos deveriam "correr" apensados ao processo de cobrança de crédito tributário, assim vinculados ao decidido neste. Mas não foi isso que ocorreu in casu, pois embora absolutamente conexos, tiveram seu iter processual apartado, o que, a meu juízo, não faz o menor sentido. No presente caso ocorreu o inverso, pois o julgamento do recurso voluntário no processo do auto de infração a que aludi, examinandoo no eprocesso, nos termos da Resolução 3403000.464, de 27/06/2013, foi convertido em diligência para que "...os autos retornem ao órgão preparador, onde deverão aguardar a solução definitiva dos processos administrativofiscais em que se debate a existência e a extensão do direito ao ressarcimento (autos cujos números estão relacionados às fls. 2.183/4). Tão logo a cópia da decisão última de cada um deles seja trasladada para estes autos, a autoridade de origem encarregada da diligência deverá elaborar quadro demonstrativo, a fim de identificar a porção do crédito definitivamente reconhecida à recorrente e, eventualmente, a parcela que lhe foi recusada". E em cumprimento à essa diligência, o processo 13005.721311/201179 (AI) encontrase na repartição local de origem, na ARF Montenegro/RS. Sem embargo, o que vimos entendendo é que o julgamento do auto de infração é que é prejudicial, vinculando os processos de PER/DCOMP dos mesmos períodos de apuração ao que nele for decidido. Nesse rumo foram julgados os acórdãos 3402003.120, 3402003.121 e 3402003.122, em 23/06/2015, ementados nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO O destino da compensação vinculase ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restituise o crédito à escrita fiscal e homologase a compensação feita com arrimo naquele. E nosso entendimento não destoa do da Administração Tributária, pois vai ao encontro do que consigna a Portaria RFB nº 354, de 11/03/2016 (DOU 14/03/2016), que Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720742/201037 Resolução nº 3402000.814 S3C4T2 Fl. 1.680 4 "dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (RFB)". Estatui seu artigo 3º: Art. 3° Os autos serão juntados por apensação nos seguintes casos: I recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada e ao lançamento de ofício de crédito tributário, inclusive da multa isolada, dela decorrente; II autos de exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, autos de exclusão do Simples e os possíveis autos de lançamentos de ofício de crédito tributário decorrente dessa exclusão em anoscalendário subsequentes que sejam constituídos contemporaneamente e pela mesma unidade administrativa; e III indeferimento de pedido de ressarcimento ou não homologação de DCOMP e o lançamento de ofício deles decorrentes. § 1° No caso de que trata o inciso III do caput, o processo principal ao qual devem ser apensados os demais será: I o que contiver os autos de infração, se houver; ou II o de reconhecimento de direito creditório mais antigo, não existindo autuação. § 2° A apensação, na hipótese a que se refere o inciso III do caput, deve ser efetuada: I depois do decurso do prazo de contestação dos autos de infração e dos despachos decisórios e envolverá todos os processos para os quais tenham sido apresentadas impugnações e manifestações de inconformidade, observado o disposto no § 18 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e ... Portanto, forte nessa norma administrativa, decido converter o presente julgamento em diligência para determinar que este e os demais processos (13005.720742/2010 37, 13005.720743/201081, 13005.720027/201185, 13005.720025/201196, 13005.720038/201165, 13005.72041/201189, 13005.720363/201128 e 13005.720364/2011 72) retornem à repartição de origem (ARF Montenegro/RS), devendo ser todos apensados ao processo 13005.721311/201179, no qual se controverte o auto de infração, anexando nele (processo do auto de infração) todas as decisões dos processos em referência, acima listados, e ora em julgamento. Feito isso, deve o processo 13005.721311/201179 regressar a esta Terceira Seção do CARF para novo sorteio e posterior julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720742/201037 Resolução nº 3402000.814 S3C4T2 Fl. 1.681 5 Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10680.911036/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
SALDO NEGATIVO. IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO.
A prova da retenção de imposto de renda na fonte pode ser realizada mediante outras provas documentais que não sejam os comprovantes de rendimentos a serem fornecidos pelas fontes pagadoras, pois o contribuinte não pode ser penalizado por omissão de terceiros.
COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO A POSTERIORI
Em homenagem ao princípio da verdade material que vige no processo tributário nada impede que o contribuinte venha a demonstrar em sede de Recursos Voluntário a retenção do Imposto de Renda.
OFERECIMENTO DA RECEITA A TRIBUTAÇÃO
Os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras cujas retenções na fonte estão sendo aproveitadas na composição do saldo negativo, foram efetivamente objeto de tributação.
Numero da decisão: 1402-002.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 34.995.348,21 referente ao 1º semestre de 2008, homologando-se as compensações pleiteadas até esse limite.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
EDITADO EM: 19/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintela, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 SALDO NEGATIVO. IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. A prova da retenção de imposto de renda na fonte pode ser realizada mediante outras provas documentais que não sejam os comprovantes de rendimentos a serem fornecidos pelas fontes pagadoras, pois o contribuinte não pode ser penalizado por omissão de terceiros. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO A POSTERIORI Em homenagem ao princípio da verdade material que vige no processo tributário nada impede que o contribuinte venha a demonstrar em sede de Recursos Voluntário a retenção do Imposto de Renda. OFERECIMENTO DA RECEITA A TRIBUTAÇÃO Os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras cujas retenções na fonte estão sendo aproveitadas na composição do saldo negativo, foram efetivamente objeto de tributação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 34.995.348,21 referente ao 1º semestre de 2008, homologando-se as compensações pleiteadas até esse limite. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. EDITADO EM: 19/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintela, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1689; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 9 1 8 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.911036/201123 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.335 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de outubro de 2016 Matéria Compensação Recorrente USINA SIDERURGICAS DE MINAS GERAIS S/A USIMINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 SALDO NEGATIVO. IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. A prova da retenção de imposto de renda na fonte pode ser realizada mediante outras provas documentais que não sejam os comprovantes de rendimentos a serem fornecidos pelas fontes pagadoras, pois o contribuinte não pode ser penalizado por omissão de terceiros. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO A POSTERIORI Em homenagem ao princípio da verdade material que vige no processo tributário nada impede que o contribuinte venha a demonstrar em sede de Recursos Voluntário a retenção do Imposto de Renda. OFERECIMENTO DA RECEITA A TRIBUTAÇÃO Os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras cujas retenções na fonte estão sendo aproveitadas na composição do saldo negativo, foram efetivamente objeto de tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 34.995.348,21 referente ao 1º semestre de 2008, homologandose as compensações pleiteadas até esse limite. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 10 36 /2 01 1- 23 Fl. 900DF CARF MF 2 Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. EDITADO EM: 19/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintela, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Relatório USINA SIDERÚRGICA MINAS GERAIS S/A USIMINAS recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº xxxx da da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada. Da análise de decisão recorrida depreendese que essa se lastreou nos fundamentos de que (i) somente pode ser deduzido do imposto apurado ao final do período se as receitas correspondentes integrarem a apuração do imposto devido, (ii) que o contribuinte não apresentou comprovante das retenções e nem a comprovação do oferecimento à tributação das receitas correspondentes de forma que somente foram consideradas como válidas as rentenções constantes em DIRF com a correspondente receita identificada na DIPJ. Da decisão acima sumarizada o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega que o levantamento das retenções não considerou todos os estabelecimentos da empresa e houve retificação e entrega de novas DIRFs desde o julgamento da DRJ e que não foi considerada a existência da DIPJ relativa ao período de 2/7/2008 a 31/12/2008, que comprovaria o oferecimento à tributação das receitas correspondentes às retenções informadas, desde que as duas DIPJs sejam consideradas simultaneamente. O presente processo já foi alvo de análise por este colegiadona sessão de 30 de julho de 2014. Naquela ocasião, acompanhando a conclusão do então relator, i. Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, a turma entendeu que o julgamento deveria ser convertido em diligência a fim de que fossem examinados documentos apresentados pela Recorrente, em sede do Recurso Voluntário, que comprovariam o direito à utilização de Imposto de Renda Retido na Fonte que compõe o saldo negativo pleiteado e ainda não reconhecido pela RFB (Resolução 1402000.269). Adoto, assim, o relatório de tal resolução, que bem evidenvia a matéria controvérsia, complementandao ao final com o resultado da diligência empreendida: Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10680.911036/201123 Acórdão n.º 1402002.335 S1C4T2 Fl. 10 3 Superada pela DRJ a questão referente à inexatidão material no preenchimento da DCOMP, indicada no item 15 do acórdão (fl. 405), o recurso está alicerçado nos seguintes fundamentos de fato e de direito (fl. 421): a) que a empresa, em razão de incorporação, no decorrer do mesmo anocalendário, apresentou DIPJ correspondente a dois períodos de apuração, como determina a Lei; b) que neste processo restou confirmado o pagamento, ainda que via compensação, de todas as estimativas indicadas pela recorrente; c) a divergência, conforme observação feita feita no recurso (fl. 423), está limitada ao IR Fonte, cujos valores estão indicados no quadro constante no item 16 do acórdão da DRJ (fl 407). Em outras palavras, a DIPJ indica R$ 35.015.153,32 de IRRF e a DRJ R$ 25.426.932,54 Após citar o quadro existente à fl. 407 do acórdão, apontando a divergência entre o IR Fonte indicado na DIPJ e o apurado pela DRJ, a parte recorrente destaca que a discussão a ser dirimida pelo Conselho resumese na confirmação do IRRF. Com a finalidade de provar suas alegações, a recorrente juntou informações atualizadas do Sistema DIRF (fls. 434/443), DIPJ relativa ao período compreendido entre 02/07/2008 a 31/12/2009 (fl. 444/608) e Balancete e contas do Razão (fl. 609/712). Entre as justificativas para promoção da diligência o Conselheirorelator de então indicou que após a decisão da DRJ houve fontes pagadoras que prestaram informações em DIRF concluíndo ao final pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem examinasse a DIPJ, correspondente ao período de 2/7/2008 a 31/12/2008, as DIRFs apresentadas pelo contribuinte quando do recurso, bem como os docs. de fls. 610/611 e os de fls. 612/712, respondendo, ainda as seguintes questões: i) examine os dois primeiros parágrafos da fl. 429 e qual o reflexo de tais aspectos, se procedentes, em relação à pretensão indicada no pedido de compensação, isto é, se há saldo suficiente ou não para que a homologação seja efetivada. ii) se é possível localizar, a partir dos demonstrativos de fls. 610/611, analisados em conjunto com os documentos de fls. 612/712, e com as DIPJs referentes ao período de 01/01/2008 a 01/07/2008 e de 02/07/2008 a 31/12/2008, informações se os valores que geraram a retenção do IRRF foram oferecidos à tributação, ainda que pelo regime de competência, subsidiariamente, na hipótese de não ser possível a identificação contida no parágrafo anterior, dado ao fato que se tem operações financeiras cujos resultados, possivelmente, foram oferecidos à tributação pelo regime de competência, gerando IRRF somente quando do resgate. A partir de minucioso trabalho (f.861866), por meio de consultas às DIRFs atualizadas das fontes pagadoras (fls.738812) a unidade de origem emitiu relatório conclusivo no sentido de confirmar o valor das retenções de Imposto de Renda, durante o 1º semestre de 2008 como sendo de R$34.995.348,21. No que respeita a segunda questão a autoridade de origem concluiu que as retenções sobre receitas financeiras ocorridas no 1º semestre de 2008 e confirmadas em DIRF podem ser utilizadas na apuração do Saldo Negativo desse período. É o relatório. Fl. 902DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1 ADMISSIBILIDADE O recurso foi alvo de conhecimento quando da conversão do julgamento em diligência. Passo à sua análise. 2 PRELIMINARMENTE: Quando da deliberação deste Eg. colegiado restou decidido que do relatório conclusivo da diligência fiscal seria dado ciência à contribuinte, ora recorrente, nos termos do art.35, §1º, do Decreto n.7574/2013. Temse, no entanto, que mesmo antes da expedição do termo de ciência a contribuinte requereu, mediante patronos devidamente constituídos, fotocópia integral dos autos que equivalem à inequívoca ciência do contribuinte quando da obtenção de tais cópias. Portanto, temse por suprida a intimação da contribuinte que tendo ciência do resultado da diligência permaneceu silente. 3 COMPROVAÇÃO DE RETENÇÕES NA FONTE Para a unidade de origem, e também a julgadora de primeira instância, a não apresentação do comprovante de retenção na fonte que deve ser fornecido pela fonte pagadora impediu o reconhecimento do crédito correspondente. Em primeiro lugar, cabe salientar que as verificações realizadas pela autoridade fiscal limitaramse a verificar se existia ou não documentação comprobatória da retenção. Quanto à comprovação da retenção, este colegiado já firmou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não pode ser penalizado pela ausência de entrega do comprovante de retenção por parte da fonte pagadora, sendo possível a comprovação por meio de outras provas documentais. Ademais, posteriormente, foram trazidas aos autos as respectivas comprovações, o que culminou a realização de diligência perante a autoridade fiscal a fim de certificaremse tais retenções. Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10680.911036/201123 Acórdão n.º 1402002.335 S1C4T2 Fl. 11 5 O relatório da autoridade fiscal analisou criteriosamente o constante às fls738812 tabelando as seguintes retenções onde discriminado as fontes pagadoras, os CNPJs dos beneficiários, os códigos e os valores de receita e retenção, além dos meses em que ocorreu a retenção. A partir dessas premissas oportuno se faz transcrever o lançado no relatório da diligência dado que esclarecedor ao indicar o seguinte: Tendo em vista que a Dcomp em questão utiliza o crédito do Saldo Negativo apurado no período de 01.01.2008 a 01.07.2008, somente podem ser utilizadas no ajuste as retenções ocorridas no 1º semestre. As retenções sofridas no 2º semestre só podem ser utilizadas na apuração relativa ao período 02.07.2008 a 31.12.2008, que foi objeto de outra DIPJ (fls. 444 a 608), na qual foi apurado Saldo Negativo de R$ 186.206.167,76 (fl. 456), já tratado na Dcomp nº 03131.60891.231009.1.7.026833 (fl. 822). As duas apurações do IRPJ efetuadas no anocalendário 2008 não se confundem e não pode haver utilização no 1º semestre de retenções que ocorreram posteriormente, pois isso significaria antecipar o crédito do contribuinte. Além disso, é necessário calcular, no caso dos códigos 6147 e 6190, o valor relativo à retenção do Imposto de Renda, uma vez que esses códigos agrupam também retenções do Pis, da Cofins e da CSLL. Assim, temos: Fl. 904DF CARF MF 6 Portanto, concluise que, no primeiro semestre de 2008, houve retenções de imposto de renda no valor de R$34.995.348,21. . 3 DO OFERECIMENTO DAS RECEITAS À TRIBUTAÇÃO: Segundo a Recorrente houve o oferecimento à tributação das receitas correspondentes às retenções informadas, desde que as duas DIPJs sejam consideradas simultaneamente. Ante o minucioso trabalho empreendido pela autoridade de origem adoto como razões de decidir o reportado em sede do Relatório conclusivo: Para verificar o oferecimento à tributação das receitas correspondentes às retenções, os valores informados nas Dirf foram confrontados com a ficha 06A da DIPJ do 1º semestre de 2008 (fl. 274), conforme a seguir: Receita de Juros sobre Capital Próprio (código de retenção 5706) A receita informada na linha 21 da ficha 06A da DIPJ é igual ao valor informado em Dirf (R$ 2.750.000,00). Portanto, foi validada a utilização da retenção sofrida sob o código 5706. Receitas não financeiras As receitas não financeiras informadas na ficha 06A da DIPJ são suficientes para validar a utilização das retenções sob os códigos 1708, 5928, 6147, 6190 e 8045. Receita de Mercado de Renda Variável (código de retenção 5777) A receita informada na linha 19 da ficha 06A da DIPJ é zero, enquanto a Dirf apresenta o valor de R$ 426.859,95. Porém, para esse código de retenção, a Dirf apresenta o valor das operações que originaram as retenções, e não o lucro nelas obtido, que é o valor a ser informado na DIPJ. A apuração desse resultado é complexa e não se justifica pelo Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10680.911036/201123 Acórdão n.º 1402002.335 S1C4T2 Fl. 12 7 baixo valor da retenção utilizada (R$ 21,34). Por isso, a utilização dessa retenção deve ser validada. Outras receitas financeiras Esse item engloba os seguintes códigos de retenção: 3426 (Aplicações em Renda Fixa exceto Fundos de Investimento), 5232 (Fundos de Investimento Imobiliário), 5273 (Operações de Swap) e 6800 (Fundos de Investimento), que totalizam nas Dirf receita de R$ 175.266.098,09 enquanto a linha 22 da ficha 06A informa receita de apenas R$ 126.689.573,72. Sobre esse ponto, o contribuinte alega que há uma divergência entre o momento em que a receita das aplicações é tributada, pelo regime de competência, e aquele em que é informada em Dirf pela fonte pagadora, normalmente no momento do resgate. Isso realmente ocorre e pode justificar divergências como a encontrada. Porém, não faz sentido utilizar as receitas informadas na DIPJ relativa ao 2º semestre para validar conjuntamente as duas apurações do ano de 2008, como pretende o contribuinte. Se uma receita ocorreu no 1º semestre, precisa ser oferecida à tributação no mesmo período (regime de competência) e não ser postergada para o 2º semestre, ainda mais se a retenção foi utilizada na apuração do 1º semestre. De fato, a tributação das receitas pelo regime de competência faz com que os rendimentos da aplicação sejam tributados ao longo de sua existência, portanto antes do resgate ou no máximo no mesmo período. Nunca após o resgate, quando não há mais rendimentos. Assim, a receita financeira de R$ 332.304.954,91 informada na DIPJ relativa ao período de 02.07.2008 a 31.12.2008 não se refere a rendimentos de aplicações cuja retenção (e resgate) ocorreram no 1º semestre de 2008, a menos que a empresa tenha postergado a tributação dessas receitas, o que não é permitido. Essa receita pode, sim, referirse a aplicações ainda em curso no 2º semestre, cujas retenções serão informadas em Dirf quando ocorrer o resgate. Somente então poderão ser utilizadas na apuração do IRPJ. Por outro lado, é interessante que a comparação entre receitas financeiras informadas na DIPJ e nas Dirf das fontes pagadoras seja feita sobre um período maior, considerando anos anteriores ao da análise, nos quais podem ter sido tributados rendimentos de aplicações cuja retenção ocorreu no período em análise, devido ao resgate. Para essa análise, foram extraídos do sistema Dirf relatórios contendo as receitas informadas pelas fontes pagadoras de 2003 a 2007 (fls. 823 a 827). As receitas relativas ao 1º semestre de 2008 foram extraídas da planilha às folhas 813 a 817, já citada. O quadro a seguir resume as informações obtidas. Observase que os valores das receitas financeiras informadas em Dirf para o 1º semestre de 2008 são superiores aos considerados no acórdão da DRJ Belo Horizonte, devido às consultas atualizadas sobre as Dirf que foram efetuadas para este trabalho. Fl. 906DF CARF MF 8 As receitas financeiras oferecidos à tributação foram obtidas das fichas 06A das DIPJ relativas aos anoscalendários 2003 a 2007 e ao 1º semestre de 2008 (fls. 848 a 860). O quadro a seguir sintetiza as informações das Dirf e das DIPJ: Fl. 907DF CARF MF Processo nº 10680.911036/201123 Acórdão n.º 1402002.335 S1C4T2 Fl. 13 9 Observase facilmente que nos cinco anos anteriores ao período em análise, o contribuinte ofereceu à tributação valores superiores aos informados nas Dirf das fontes pagadoras, sendo que no anocalendário 2007 a diferença é bastante significativa e superior ao déficit do 1º semestre de 2008. Os dados indicam que a divergência devese à tributação das receitas financeiras pelo regime de competência, no decorrer da existência da aplicação, enquanto que essas receitas somente são informadas nas Dirf posteriormente, normalmente no momento do resgate. Assim, é esperado que em alguns períodos, nos quais ocorrem resgates maiores, a receita informada em Dirf pela instituição financeira também seja mais alta e haja uma aparente tributação a menor, que é justificada pela tributação ocorrida anteriormente pelo regime de competência. Dessa forma, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras cujas retenções na fonte estão sendo aproveitadas na composição do saldo negativo, foram efetivamente objeto de tributação ao que entendo que as retenções sobre receitas financeiras ocorridas no 1º semestre de 2008 e confirmadas em Dirf podem ser utilizadas na apuração do Saldo Negativo do IRPJ desse período. 7 CONCLUSÃO Isso posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 34.995.348,21 referente ao 1º semestre de 2008, homologandose as compensações pleiteadas até esse limite. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 908DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000592/2010-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 05 92 /2 01 0- 42 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13609.000592/201042 Acórdão n.º 9202004.711 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13609.000592/201042 Acórdão n.º 9202004.711 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13609.000592/201042 Acórdão n.º 9202004.711 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13609.000592/201042 Acórdão n.º 9202004.711 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13609.000592/201042 Acórdão n.º 9202004.711 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13609.000592/201042 Acórdão n.º 9202004.711 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13609.000592/201042 Acórdão n.º 9202004.711 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13609.000592/201042 Acórdão n.º 9202004.711 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13609.000592/201042 Acórdão n.º 9202004.711 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955969/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/01/2000
COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.479
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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EFEITOS. Recorrente MB OSTEOS COM E IMP DE MATERIAL MEDICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/01/2000 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 59 69 /2 00 8- 71 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.955969/200871 Acórdão n.º 3402003.479 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação formulada para a compensação de crédito de PIS decorrente de pagamento indevido ou a maior com débito de COFINS. Em razão da aparente inexistência do crédito, vez que o DARF não foi localizado no sistema, foi transmitido Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação declarada, do qual a empresa foi cientificada em 02/12/2008. Em 07/10/2009 a empresa apresentou sua Manifestação de Inconformidade cumulado com pedido de revisão do lançamento, apresentando cópia de DARF que corresponderia ao pagamento indevido ou a maior. Cientificada de Comunicado do qual foi informada da intempestividade de sua defesa, a empresa apresentou novo Recurso Administrativo requerendo a revisão do lançamento em razão da existência do DARF. Em resposta a estas petições foi emitido Despacho Decisório atestando a intempestividade e o correspondente não andamento do processo. Cientificada desse despacho, a empresa apresentou nova Petição de Revisão de Lançamento, recebida com exigibilidade suspensa por ordem judicial. Esta última petição foi analisada em novo Despacho Decisório de Revisão de Ofício que manteve a conclusão do Despacho Decisório Eletrônico, vez que respaldado nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo na Declaração de Compensação. Fundamentando a não realização da revisão de ofício, foi ainda indicado que o crédito estaria decaído no momento do Pedido de Compensação. Em face deste último despacho, foi apresentada nova Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo informa que o crédito objeto da compensação declarada nesse processo já teria sido objeto de pedido anterior formulado em outro processo, que ainda estaria pendente de análise. Esta defesa, apresentada dentro de trinta dias do recebimento do Despacho Decisório de Revisão de Ofício, não foi conhecida pela Delegacia de Julgamento vez que maculada pela intempestividade da primeira Manifestação de Inconformidade. Transcrevese abaixo a ementa da referida decisão, no que interessa a presente análise: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. EFEITOS. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido." Cientificada desta decisão e inconformada, a empresa apresentou Recurso Voluntário sustentando a existência do direito creditório e a necessidade de aplicação ao presente processo do princípio da verdade real e material. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.955969/200871 Acórdão n.º 3402003.479 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.438, de 22 de novembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10880.955937/200875, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.438): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas negolhe provimento, pelas razões a seguir expostas. Pela análise do presente processo, trazida no relatório acima, depreendese que o contencioso no presente processo não foi regularmente instaurado, vez que intempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa em 07/10/2009, muitos meses após sua regular intimação do Despacho Decisório Eletrônico emitido nos presentes autos. O art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, prevê defesa própria a ser apresentada pelo sujeito passivo na hipótese de não homologação de pedido de compensação: a Manifestação de Inconformidade. Esta defesa deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do despacho denegatório, previsto no §7º daquele mesmo dispositivo legal: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" (grifei) Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.955969/200871 Acórdão n.º 3402003.479 S3C4T2 Fl. 5 4 No presente caso, a intempestividade é patente, vez que o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade quase um ano após sua regular intimação do Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada. Com isso, evidente que as petições e manifestações apresentadas pelo sujeito passivo após o Comunicado reconhecendo a intempestividade da Manifestação de Inconformidade não instauraram a fase litigiosa do procedimento, em conformidade com o Ato Declaratório Normativo COSIT n.º 15/1996: "Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar." (grifei) Essa questão já foi analisada em distintas oportunidades por este CARF1, inclusive em processos semelhantes do mesmo sujeito passivo, nos Acórdãos 3202003.041, 3202003.042, 3202003.043, 3202 003.044 3802003.046, 3802003.047 e 3802003.048 publicados em 27/08/2014. Naqueles julgados, os Recursos Voluntários apresentados pela empresa não foram providos pelo Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira em razão da mesma mácula no procedimento (intempestividade da Manifestação de Inconformidade originária): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000 Ementa: Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado." (grifei) Importante mencionar que o último Despacho Decisório de Revisão de Ofício apresentado foi apenas uma resposta a uma das diversas petições apresentadas pela empresa, trazendo considerações específicas para manter o Despacho Decisório eletrônico emitido e, portanto, não alterar as suas razões. 1 Vide ainda: Processo n.º 15374.902473/200919 Data da Sessão 08/12/2015 Relator Frederico Augusto Gomes de Alencar Acórdão n.º 1402001.974 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.955969/200871 Acórdão n.º 3402003.479 S3C4T2 Fl. 6 5 Neste ponto, coaduno com as considerações trazidas na decisão de primeira instância, que assim se manifestou: "12. Posteriormente ao expressado acima, a Autoridade Administrativa proferiu despacho, fls. 74/5, intitulado de “despacho decisório – revisão de ofício”, a partir do qual ratificou a propalada NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação requerida, agora com fundamento em questão de direito material (decadência), reabrindo prazo para manifestação da Requerente. 12.1. Entretanto, é de ser observado que, de fato, o denominado “despacho decisório – revisão de ofício” tem como substância mera resposta à petição do Sujeito Passivo que requer em sua resistência, alternativamente, a revisão do lançamento fiscal na forma do art. 149 do CTN. 12.1.1. Vaticina o § 6º, art. 74, da Lei nº 9.430/96, que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 12.1.2. Nesse diapasão, tal Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, dentro dos prazos que lhe são garantidos pelo ordenamento, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte. 12.2. Em adição, cumpre ressaltar que referido ato administrativo não efetuou nenhuma alteração no conteúdo ou efeitos do DD que reconheceu a preclusão temporal, e que, portanto, continua a sobejar de definitividade no âmbito administrativo. 12.2.1. Desta sorte, o propalado “despacho decisório – revisão de ofício” apenas demonstra que, fosse superada a questão processual da preclusão temporal do DD original, o que tal ato não admite nem mesmo como hipótese, o pleito do Contribuinte, em virtude da demonstrada e fundamentada decadência constatada no caso vertente, haveria de ser considerado carecedor de fundamento de direito substantivo, o que acarretaria como resultado, sob qualquer ângulo de análise, a não homologação da compensação demandada. 13. Em adição a tudo quanto articulado, insta esclarecer, neste ponto, que o indigitado despacho não revogou nem anulou, expressa ou tacitamente, o Despacho Decisório original, não tendo, assim, o condão de infirmálo ou sobrepôlo. Traduziuse em mera resposta à petição de resistência do Contribuinte. 13.1. Cumpre observar que o DD original transmudouse, a partir da já divulgada preclusão temporal, em ato jurídico perfeito e, portanto, albergado sob o manto da imutabilidade, ao menos enquanto não revisto pela própria Administração ou infirmado em juízo. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.955969/200871 Acórdão n.º 3402003.479 S3C4T2 Fl. 7 6 13.2. Ademais, consoante preconizado no art. 53 da Lei nº 9.784/99, a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade. 13.3. No “despacho decisório – revisão de ofício”, não consta qualquer alegação de ilegalidade verificada no DD original de fls. 4, bem como não há descrição de motivação que esclareça eventual conveniência ou oportunidade da Administração presente no caso a justificar a revogação do indigitado ato de nãohomologação da pretendida compensação por decurso de prazo. 13.4. Em adição, deve ser pontuado que ao analisar a comprovação de pagamento trazida ao processo, defendido como indevido pela Impugnante, donde a Autoridade Administrativa pode concluir pelo equívoco do Sujeito Passivo quando informando a data de arrecadação no PER/DCOMP sob apreciação e, ainda, a ocorrência da decadência expressada no “despacho decisório – revisão de ofício”, restou amplamente observado e respeitado o princípio da verdade material, basilar do processo administrativo fiscal. 13.5. Cumpre esclarecer, ainda, que tal princípio encerra a idéia de possibilidade de comprovação inconteste do direito alegado pelo Contribuinte, emergindo do referido ato administrativo que, no caso sub examine, tal direito era inexistente vez que fulminado pela decadência. 14. Do quanto exposto, exsurge que o “despacho decisório – revisão de ofício” não expressa verdadeiro conteúdo de despacho decisório de não homologação da compensação a ser desafiado por manifestação de inconformidade, em consonância com a previsão do § 9º, art. 74, da Lei nº 9.430/96, especialmente por que, não tendo sido infirmado por este, o DD original continua válido e apto a produzir seus naturais efeitos, sendo factível extrairse do contido no processo, até o momento do presente Voto, a ocorrência da preclusão consumativa para a Administração, desnudandose como inócuo pronunciamento que intenta repisar posicionamento acerca de questão definitivamente resolvida, ainda mais intentando a reabertura de processo administrativo fiscal encerrado. 15. Por corolário do raciocínio expendido, não se tratando de efetivo despacho decisório de não homologação de compensação, não há de se cogitar haver espaço para manifestação de inconformidade nem, tampouco, instauração do contencioso administrativo." (grifei) Ora, todas as questões passíveis de análise nesta seara administrativa seriam pormenorizadas quando do julgamento da primeira Manifestação de Inconformidade. Não tendo sido conhecida esta defesa por patente intempestividade, evidente a preclusão do direito processual da Recorrente, cujas razões trazidas no Recurso Voluntário não merecem análise e provimento. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.955969/200871 Acórdão n.º 3402003.479 S3C4T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do primeiro Despacho Decisório emitido (Despacho Decisório Eletrônico)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.904065/2012-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva .
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, José Roberto Adelino da Silva e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarouse impedido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva . (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, José Roberto Adelino da Silva e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1264.501, proferido pela 3ª Turma da DRJ/RJ1, em 03 de abril de 2014, que, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por maioria de votos, manter o Despacho Decisório, nos termos do relatório e voto do relator. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 04 06 5/ 20 12 -8 2 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.904065/201282 Resolução nº 1301000.381 S1C3T1 Fl. 414 2 Colhese dos autos que através do Despacho Decisório de fls. 156/159, de 01.06.2012, não foi homologada o PerDcomp nº 07215.70792.250808.1.7.038070, em face da insuficiência de crédito. No antedito despacho, verificase que a autoridade lançadora indeferiu o pedido do interessado, tendo em conta que o saldo negativo de CSLL informado na DIPJ do ano calendário de 2005, no valor de R$ 1.410.117,38 (fl. 116), evidenciouse inexistente, haja vista que das parcelas que o compunham não foi confirmado o valor de R$ 2.016.496,79, referente a estimativas compensadas (Quadro 1), razão pela qual a autoridade lançadora não homologou a compensação declarada. Quadro 1: composição do saldo negativo pleiteado (em R$) As mencionadas estimativas se referem aos meses de janeiro e fevereiro de 2005 e foram informadas em PerDcomp (fl. 167), cuja compensação não foi homologada, conforme se extrai da análise efetuada pela autoridade lançadora (fls. 207/209), consolidada no Quadro 2. Quadro 2: PerDcomp – débitos de estimativas de janeiro e fevereiro de 2005 PerDcomp Proc. PerDcomp Proc. Cobrança PA Em R$ 39510.20630.250308.1.3.034630 13896.720935/201262 13896.720943/201217 jan/05 295.672,64 01845.65843.250308.1.7.03.9085 13896.720935/201262 13896.720943/201217 jan/05 1.614.197,58 41144.11376.250308.1.3.021746 15987.000377/201060 13896.720123/201055 jan/05 86.226,85 41144.11376.250308.1.3.021746 15987.000377/201060 13896.720123/201055 fev/05 20.399,72 Total 2.016.496,79 Além disso a autoridade lançadora constatou a existência de lançamento de ofício de CSLL no anocalendário 2005 (processo administrativo fiscal nº 13896.002923/2009 57). Contudo, de acordo com sua análise, o auto de infração (falta de recolhimento de CSLL) “não altera ou utiliza parcelas de crédito que compõem o saldo negativo” pleiteado no PerDcomp (fls. 207/209). Cientificado do Despacho Decisório em 12/06/2012 (fl. 99), o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 11/07/2012 (fls. 2/36) alegando, em síntese, que: . Dos fatos a autoridade lançadora realizou a glosa das estimativas liquidadas por meio dos PerDcomp n° 39510.20630.250308.1.3.034630, nº 01845.65843.250308.1.7.039085 e nº 41144.11376.250308.1.3.021746, com a justificativa de que as compensações não foram confirmadas pelas autoridades fiscais; Fl. 414DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.904065/201282 Resolução nº 1301000.381 S1C3T1 Fl. 415 3 deste modo, concluiu pela inexistência de parcela do saldo negativo apurado no anocalendário de 2005, o que significaria a ausência de crédito disponível à compensação pleiteada no PerDcomp n° 07215.70792.250808.1.7.038070, dando origem à cobrança que se discute no presente processo; com isso, a autoridade lançadora passou a exigir os débitos que supostamente teriam sido indevidamente compensados, no valor original de R$ 1.564.790,63, a título de estimativa de CSLL do mês de agosto de 2006 (fl. 169). Da Impossibilidade de glosa de estimativas a glosa das estimativas “encontra justificativa no fato dos referidos PER/DCOMP não estarem confirmadas pelo sistema da RFB. esse entendimento contraria a legislação tributária e desconsidera os efeitos jurídicos inerentes ao instituto da compensação, além de permitir a dupla exigência fiscal sobre o mesmo fato jurídico; a Lei nº 9.430, de 1996 (e alterações), prevê dois aspectos de fundamental importância para o adequado julgamento do presente processo administrativo: (i) a compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação e (ii) a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados; assim, “a compensação será regular e extinguirá definitivamente o crédito tributário compensado ou será inscrito em Dívida Ativa da União, pelo fato de representar confissão de dívida e instrumento hábil ao manejo da ação executiva pela União Federal.”; enfatizar essa conclusão é relevante “para a demonstração de que as estimativas de IRPJ e de CSLL compensadas, seja qual for a situação descrita acima enfrentada pelo contribuinte, devem, necessariamente compor o saldo negativo do período a que correspondam, sob pena de dupla exigência pelo fisco sobre a mesma origem.”; a declaração de compensação tem o caráter de confissão de dívida, representando instrumento hábil à cobrança executiva, isto é, mesmo que não seja homologada, será imediatamente exigida do contribuinte, situação em que, quitando o débito da estimativa, confirma o saldo negativo que foi formado a partir das estimativas compensadas; caso haja a glosa das estimativas compensadas por meio dos PerDcomp e a conseqüente redução do saldo negativo do período a que se referem, haverá duplicidade de cobrança pela diminuição do saldo negativo, já que, “em uma primeira hipótese, estas estimativas foram devidamente pagas por compensação e, em última análise, caso as compensações não sejam julgadas legítimas, essas estimativas serão pagas nos respectivos processos em esfera administrativa ou em esfera judicial.”; portanto, a glosa das estimativas pagas por compensação que compuseram o saldo negativo não merece prosperar, de modo que as estimativas devem ser consideradas legítimas na composição do saldo negativo do período, o que torna regular a compensação pleiteada. Da impossibilidade de exigência de estimativas da CSLL de 2006 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.904065/201282 Resolução nº 1301000.381 S1C3T1 Fl. 416 4 o despacho decisório ora combatido deve ser cancelado, pois exige “débitos de estimativa da CSLL do anocalendário de 2006, a qual teria sido indevidamente compensada.”; a exigência de recolhimento de estimativas mensais somente possui eficácia se efetuada durante o período de apuração a que se refere, uma vez que, encerrado o ano calendário, prevalece a exigência do tributo efetivamente devido; a apuração do saldo a pagar ou a restituir/compensar (negativo) em determinado anocalendário contempla as antecipações mensais efetuadas, de tal forma que, se não recolhidas, o lançamento fiscal deve se referir àquele montante apurado em 31 de dezembro; deste modo, “revelase incabível e insubsistente a exigência objeto do despacho decisório que se refere a estimativas de CSLL do anocalendário de 2005 após o seu encerramento, principalmente quando apresentado saldo negativo de CSLL no referido período.”. Da ilegalidade da cobrança de débito com a exigibilidade suspensa a manutenção da cobrança objeto do Despacho Decisório implica afronta à suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista no CTN, no que tange aos valores cobrados nos processos próprios que analisam os PerDcomp nº 39510.20630.250308.1.3.034630, nº 01845.65843.250308.1.7.039085 e nº 41144.11376.250308.1.3.021746; a relação de causa e efeito entre os processos e a existência de dupla exigência fiscal tem como conseqüência, na hipótese em que se mantém a exigência ora combatida, a cobrança indireta dos débitos discutidos nos mencionados processos administrativos fiscais; com efeito, qualquer medida tendente a cobrar, direta ou indiretamente, os débitos com exigibilidade suspensa nos referidos processos não deve prosperar, sob pena de afrontar o CTN. Da suspensão do processo caso não se reconheça a duplicidade de cobrança como razão suficiente para extinção do “débito tributário ora exigido”, fato é que este processo deverá permanecer suspenso até o julgamento definitivo dos processos administrativos que analisam os PerDcomp nº 39510.20630.250308.1.3.034630, nº 01845.65843.250308.1.7.039085 e nº 41144.11376.250308.1.3.021746, haja vista que os débitos neles tratados são responsáveis pela formação do direito creditório discutido nestes autos, o que evidencia a conexão existente entre todos os processos; o instituto da conexão está previsto no art. 103 do CPC, que se aplica subsidiariamente ao PAF (conexão administrativa); em tais situações, devese reunir os processos administrativos ou suspender o andamento de um dos processos, como forma de evitar a prolação de decisões contraditórias. O interessado transcreveu ementas de julgados administrativos, acostou aos autos documentação trazida com a sua manifestação de inconformidade (fls. 37/153) e encerrou requerendo que seja: Fl. 416DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.904065/201282 Resolução nº 1301000.381 S1C3T1 Fl. 417 5 integralmente homologado o PerDcomp n° 07215.70792.250808.1.7.038070, reconhecendose a legitimidade de estimativas compensadas, referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2005, ainda que estejam pendentes de apreciação; reconhecida a extinção do presente crédito tributário em decorrência da ausência de objeto do despacho decisório ora combatido, uma vez que a glosa de estimativas quitadas mediante compensação implica dupla exigência fiscal sobre o mesmo fato jurídico; reconhecida a impossibilidade de exigência direta de estimativas após o encerramento do anocalendário a que se referem, por se tratarem de meras antecipações do montante efetivamente apurado em 31 de dezembro; reconhecida a ilegalidade da cobrança em razão da suspensão da exigibilidade deste crédito tributário decorrente da relação de causa e efeito com o processo nº 13896.720935/201262, cujos objetos são os PerDcomp n° 39510.20630.250308.1.3.034630 e nº 01845.65843.250308.1.7.039085, sob pena de afronta ao artigo 151, inciso III do CTN; subsidiariamente, seja suspenso o andamento deste processo administrativo até o desfecho dos processos administrativos cujos objetos são os PerDcomp n° 39510.20630.250308.1.3.034630, nº 01845.65843.250308.1.7.039085 e 41144.11376.250308.1.3.021746, em vista do evidente nexo de causalidade entre referidos processos e o que ora se discute, em clara relação de causa e efeito, o que impõe o reconhecimento da conexão entre os processos administrativos em questão. Por sua vez, a 3ª Turma da DRJ/RJ1, na sessão realizada em 03 de abril de 2014, analisou a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1264.501, indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita:: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS MENSAIS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. A ausência de liquidez e certeza impede o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimada da decisão de primeira instância em 19/03/2015, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 17/04/2015, através de representante regularmente constituído (355358) pugnando por provimento . Após historiar a decisão de primeira instância, sob sua ótica, a interessada repisa os argumentos apresentados em sua peça inicial de defesa, cujos tópicos serão analisados, por ocasião do julgamento. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.904065/201282 Resolução nº 1301000.381 S1C3T1 Fl. 418 6 É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Conforme descrito no relatório, cuidase de PerDcomp cujo direito creditório não foi reconhecido e as compensações pleiteadas não foram homologadas, vez que dos créditos informados no PerDcomp no valor de R$ 49.464.248,07, que compuseram o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2005, foi confirmado pela autoridade prolatora do Despacho Decisório o montante de R$ 47.447.751,28, conforme demonstrado no Quadro 1 do relatório, repetido a seguir: Quadro 1: composição do saldo negativo pleiteado (em R$) Com isso, em vez de saldo negativo de CSLL no anocalendário 2005, no valor de R$ 1.410.117,38, informado no PerDcomp retificador e na DIPJ (fls. 161 e 116), a referida autoridade concluiu que o valor do saldo negativo validado e saldo negativo disponível foi de R$ 0,00 . Dito isso, verificase que a lide se restringe às estimativas cujas compensações não foram homologadas, conforme demonstradas no Quadro 2, no total de R$ 2.016.496,79, abaixo reproduzido: Quadro 2: PerDcomp – débitos de estimativas de janeiro e fevereiro de 2005 PerDcomp Proc. PerDcomp Proc. Cobrança PA Em R$ 39510.20630.250308.1.3.034630 13896.720935/201262 13896.720943/201217 jan/05 295.672,64 01845.65843.250308.1.7.03.9085 13896.720935/201262 13896.720943/201217 jan/05 1.614.197,58 41144.11376.250308.1.3.021746 15987.000377/201060 13896.720123/201055 jan/05 86.226,85 41144.11376.250308.1.3.021746 15987.000377/201060 13896.720123/201055 fev/05 20.399,72 Total 2.016.496,79 Em sede recursal, a interessada alega uma preliminar prejudicial à analise de mérito. Passo a analisála. DA ALEGAÇÃO DE SOBRESTAMENTO/REUNIÃO DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS Fl. 418DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.904065/201282 Resolução nº 1301000.381 S1C3T1 Fl. 419 7 Sustenta a recorrente, em sede de Recurso Voluntário, haver conexão entre os PAF´s nº 13896.720935/201262 e 15987.000377/201060 e o presente processo, impondose a suspensão deste último. Alega que a única razão mencionada pela autoridade fiscal prolatora do Despacho Decisório para não homologar a DCOMP ora discutida é o fato de existir dois processos administrativos, onde os créditos neles tratados são responsáveis pela formação do direito creditório discutido nestes autos, o que evidencia a conexão existente entre todos os processos Conforme visto nos quadros acima reproduzidos, realmente, a origem da diferença objeto de discussão no presente processo reside em outro processo. Por certo que, no mérito, a decisão que se há de proferir aqui depende fundamentalmente do que vier a ser decidido lá, vez que o crédito lá tratado é responsável pela formação do direito creditório discutido nestes autos, razão pela qual se impõe estender o resultado do julgamento daquele processo ao caso em análise. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: 1. Os autos deste processo sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa dos processos nºs 13896.720935/201262 e 15987.000377/201060. 2. A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão definitiva na instância administrativa dos processos nº 13896.720935/201262 e 15987.000377/201060. 3. A Unidade Preparadora se manifeste, conclusivamente, acerca da extinção, ou não, das estimativas mensais referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2005, no valor de R$ R$ 2.016.496,79. Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório conclusivo, concedendolhe prazo adequado para se manifestar nos autos, caso assim deseje. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 419DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10860.721962/2013-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Com fulcro no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte.
DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. A autoridade administrativa fiscalizadora pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com o fito de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos por ser tal prática inerente a suas atribuições.
SALÁRIO INDIRETO. ABONO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. PARECER PGFN/CRJ nº 2114/2011 e ATO DECLARATÓRIO PGFN nº 16/2011. INAPLICABILIDADE. Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente a verba intitulada Abono Especial, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada.
Destarte, após o advento do Decreto nº 3.265/99, somente as importâncias pagas aos empregados a título de abonos desvinculados expressamente por lei do salário, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme preceitua o artigo 214, § 9º, alínea j, do RPS. Mais a mais, sequer pode se admitir aplicabilidade dos preceitos inscritos no Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011 e Ato Declaratório PGFN nº 16/2011, uma vez não se vislumbrar a necessária eventualidade, bem como a desvinculação ao respectivo salário.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS E MECANISMOS DE AFERIÇÃO. NECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.
Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91-, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados.
In casu, não obstante a contribuinte ter comprovado ter efetuado os pagamentos a título de PLR com lastro em Programas devidamente formalizados (Acordos Coletivos), nestes não se vislumbra a existência de regras claras e objetivas, bem como mecanismos de aferição pertinentes ao acordado, capazes de legitimar a concessão de aludida verba.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO - PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A simples procedência de autuação fiscal, estribada na desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a conseqüente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ademais, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para que seja procedente o lançamento, nada dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser demonstrada, não implicando, necessariamente, que um fato conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação à imputação do crime fiscal.
TERCEIROS. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, CTN. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, a qual aderi por ora, em relação ao lançamento de ofício das contribuições devidas a terceiros, assim compreendidas outras entidades e fundos, não caracteriza pagamento antecipado, ainda que parcial, o recolhimento pela empresa das contribuições previdenciárias dos segurados, contando-se o prazo decadencial pela regra do art. 173, inciso I, do CTN.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, para: a) preliminarmente: a.1) por unanimidade, afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida e decadência; b) no mérito: b.1) quanto à caracterização dos segurados empregados e contribuintes individuais como prestadores de serviços da autuada, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, mantendo os levantamentos F1, F2, G1, G2, vencidos os conselheiros Ryd Santana Ferreira(relator), Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; b.2) quanto ao pagamento de valores a título de participação nos lucros e resultados, por unanimidade, negar provimento ao recurso, mantendo os levantamentos R1 e R2; b.3) quanto ao pagamento de valores a título de abono especial, por unanimidade, negar provimento ao recurso, mantendo os levantamentos E1 e E2; b.4) quanto à multa qualificada, nas competências 12/08 e 13/08, por maioria, dar provimento ao recurso, para reduzir o percentual da multa aplicada para 75%, vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; b.5) quantos às demais alegações, negar provimento ao recurso. Assim, é dado provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa ao percentual de 75% nas competências 12/08 e 13/08. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini. - Presidente e Redatora designada
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, para: a) preliminarmente: a.1) por unanimidade, afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida e decadência; b) no mérito: b.1) quanto à caracterização dos segurados empregados e contribuintes individuais como prestadores de serviços da autuada, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, mantendo os levantamentos F1, F2, G1, G2, vencidos os conselheiros Ryd Santana Ferreira(relator), Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; b.2) quanto ao pagamento de valores a título de participação nos lucros e resultados, por unanimidade, negar provimento ao recurso, mantendo os levantamentos R1 e R2; b.3) quanto ao pagamento de valores a título de abono especial, por unanimidade, negar provimento ao recurso, mantendo os levantamentos E1 e E2; b.4) quanto à multa qualificada, nas competências 12/08 e 13/08, por maioria, dar provimento ao recurso, para reduzir o percentual da multa aplicada para 75%, vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; b.5) quantos às demais alegações, negar provimento ao recurso. Assim, é dado provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa ao percentual de 75% nas competências 12/08 e 13/08. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini. - Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Com fulcro no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. A autoridade administrativa fiscalizadora pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com o fito de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos por ser tal prática inerente a suas atribuições. SALÁRIO INDIRETO. ABONO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. PARECER PGFN/CRJ nº 2114/2011 e ATO DECLARATÓRIO PGFN nº 16/2011. INAPLICABILIDADE. Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente a verba intitulada Abono Especial, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. Destarte, após o advento do Decreto nº 3.265/99, somente as importâncias pagas aos empregados a título de abonos desvinculados expressamente por lei do salário, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme preceitua o artigo 214, § 9º, alínea j, do RPS. Mais a mais, sequer pode se admitir aplicabilidade dos preceitos inscritos no Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011 e Ato Declaratório PGFN nº 16/2011, uma vez não se vislumbrar a necessária eventualidade, bem como a desvinculação ao respectivo salário. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS E MECANISMOS DE AFERIÇÃO. NECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91-, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, não obstante a contribuinte ter comprovado ter efetuado os pagamentos a título de PLR com lastro em Programas devidamente formalizados (Acordos Coletivos), nestes não se vislumbra a existência de regras claras e objetivas, bem como mecanismos de aferição pertinentes ao acordado, capazes de legitimar a concessão de aludida verba. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO - PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A simples procedência de autuação fiscal, estribada na desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a conseqüente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ademais, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para que seja procedente o lançamento, nada dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser demonstrada, não implicando, necessariamente, que um fato conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação à imputação do crime fiscal. TERCEIROS. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, CTN. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, a qual aderi por ora, em relação ao lançamento de ofício das contribuições devidas a terceiros, assim compreendidas outras entidades e fundos, não caracteriza pagamento antecipado, ainda que parcial, o recolhimento pela empresa das contribuições previdenciárias dos segurados, contando-se o prazo decadencial pela regra do art. 173, inciso I, do CTN. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Com fulcro no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. A autoridade administrativa fiscalizadora pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com o fito de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos por ser tal prática inerente a suas atribuições. SALÁRIO INDIRETO. ABONO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. PARECER PGFN/CRJ nº 2114/2011 e ATO DECLARATÓRIO PGFN nº 16/2011. INAPLICABILIDADE. Desincumbindose o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 19 62 /2 01 3- 52 Fl. 417DF CARF MF 2 assim não o tendo feito, relativamente a verba intitulada Abono Especial, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. Destarte, após o advento do Decreto nº 3.265/99, somente as importâncias pagas aos empregados a título de abonos desvinculados expressamente por lei do salário, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme preceitua o artigo 214, § 9º, alínea “j”, do RPS. Mais a mais, sequer pode se admitir aplicabilidade dos preceitos inscritos no Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011 e Ato Declaratório PGFN nº 16/2011, uma vez não se vislumbrar a necessária eventualidade, bem como a desvinculação ao respectivo salário. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS E MECANISMOS DE AFERIÇÃO. NECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, não obstante a contribuinte ter comprovado ter efetuado os pagamentos a título de PLR com lastro em Programas devidamente formalizados (Acordos Coletivos), nestes não se vislumbra a existência de regras claras e objetivas, bem como mecanismos de aferição pertinentes ao acordado, capazes de legitimar a concessão de aludida verba. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A simples procedência de autuação fiscal, estribada na desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a conseqüente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ademais, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para que seja procedente o lançamento, nada dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser demonstrada, não implicando, necessariamente, que um fato conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação à imputação do crime fiscal. TERCEIROS. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, CTN. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, a qual aderi por ora, em relação ao Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 417 3 lançamento de ofício das contribuições devidas a terceiros, assim compreendidas outras entidades e fundos, não caracteriza pagamento antecipado, ainda que parcial, o recolhimento pela empresa das contribuições previdenciárias dos segurados, contandose o prazo decadencial pela regra do art. 173, inciso I, do CTN. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, para: a) preliminarmente: a.1) por unanimidade, afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida e decadência; b) no mérito: b.1) quanto à caracterização dos segurados empregados e contribuintes individuais como prestadores de serviços da autuada, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, mantendo os levantamentos F1, F2, G1, G2, vencidos os conselheiros Ryd Santana Ferreira(relator), Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; b.2) quanto ao pagamento de valores a título de participação nos lucros e resultados, por unanimidade, negar provimento ao recurso, mantendo os levantamentos R1 e R2; b.3) quanto ao pagamento de valores a título de abono especial, por unanimidade, negar provimento ao recurso, mantendo os levantamentos E1 e E2; b.4) quanto à multa qualificada, nas competências 12/08 e 13/08, por maioria, dar provimento ao recurso, para reduzir o percentual da multa aplicada para 75%, vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; b.5) quantos às demais alegações, negar provimento ao recurso. Assim, é dado provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa ao percentual de 75% nas competências 12/08 e 13/08. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini. Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Fl. 419DF CARF MF 4 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 418 5 Relatório GLOBO CENTRAL DE USINAGEM LTDA. E OUTROS., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 16a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 1450.341, às efls. 340/373, que julgou procedente os lançamentos fiscais lavrados em 17/12/2013, referente às contribuições sociais devidas ao INSS, correspondentes à parte de terceiros (Salário educação, Incra, Sesi, Senai e Sebrae), em relação ao período de 01/01/2008 a 31/12/2008, conforme Relatório Fiscal, às efls. 17/28, consubstanciados no seguintes Auto de Infração: 1) AIOP n° 37.282.2681 O presente lançamento decorre dos mesmos fatos e se fundamenta nos mesmos elementos de prova apresentados/expostos no Relatório Fiscal REFISC dos AIOP n° 37.282.2673 e 37.282.2665, que trata do lançamento das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, e constituem o processo principal (10860.721948/2013 59), ao qual este AIOP se encontra apensado, exceto quanto a sujeição ao instituto da responsabilidade solidária prevista no inciso IX do art. 30, da Lei 8.212, de 24/07/1991 (subitem 3.10. daquele REFISC), tendo em vista que o presente AIOP trata, exclusivamente, das contribuições devidas e não recolhidas em épocas próprias, destinada aos Terceiros, que foram instituídas por leis específicas e não na Lei 8.212/91. De conformidade com o Relatório Fiscal, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas encontramse discriminados nos levantamentos abaixo elencados: Levantamento F1/F2,G1/G2, PL e RA, – declarado em GFIPcontribuições da parte da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados que prestaram serviços a autuada (Globo Central) mas formalmente estavam registrados na empresa Globo Equipamentos Industriais Ltda/ME, nos estabelecimentos CNPJ nº 71.821.342/000110 (Lev. F1 e G1) e CNPJ nº 71.821.342/000200 (Lev. F2 e G2) e ainda contribuições da parte da empresa incidentes sobre o pro labore pago aos administradores por serviços prestados a autuada mas formalmente vinculados a Globo Equipamentos (Lev PL e RA) conforme folhas de pagamento e GFIP. Os valores lançados nos levantamentos acima descritos foram apurados na análise das Folhas de pagamentos/FP e GFIP, período 01/2008 a 13/2008, declaradas pela Globo Equipamentos Industriais Ltda/ME, nos estabelecimentos CNPJ nº 71.821.342/000110 e CNPJ nº 71.821.342/000200, valores discriminados no Anexo I. Levantamento R1/R2 Participação nos Lucros e Resultados – contribuições da parte dos segurados empregados e da empresa incidentes sobre remuneração indireta, não declaradas em GFIP, a título de Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a Lei nº 10.101/2000, conforme valores discriminados no Anexo II e apurados nas folhas de pagamento de empregados formalmente registrados na empresa Globo Equipamentos Industriais Ltda/ME, CNPJ nº 71.821.342/000110 (Lev. R1) e CNPJ nº 71.821.342/000200 (Lev. R2), mas que efetivamente prestavam serviços a autuada (Globo Central); Fl. 421DF CARF MF 6 Levantamento E1/E2 Abono Especial contribuições da parte dos segurados empregados e da empresa incidentes sobre remuneração indireta, a título de "Abono Salarial Especial/ASE", pago aos segurados empregados formalmente registrados na empresa Globo Equipamentos Industriais Ltda. ME, CNPJ n° 71.821.342/000110 (Lev. El) e CNPJ n° 71.821.342/000200 (Lev. E2), mas que efetivamente prestavam serviços a autuada (Globo Central), relacionados no Anexo III. A remuneração indireta não foi declarada em GFIP e não foi considerada como base de cálculo sob o argumento de que estaria expressamente desvinculada do salário, conforme Convenção Coletiva de Trabalho CCT. Após regular processamento, interposta impugnação contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a autoridade julgadora de primeira instância achou por bem julgar procedente o lançamento. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada GLOBO CENTRAL DE USINAGEM LTDA. apresentou Recurso Voluntário, às efls. 379/412, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, suscita a ilegitimidade passiva da Globo Usinagem e, por conseguinte, a inexistência de responsabilidade solidária, uma vez que os supostos débitos se referem à contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos efetuados aos administradores e funcionários registrados pela empresa GLOBO EQUIPAMENTOS, portanto, não devidos pela ora autuada, sobretudo em razão de se caracterizaram, no período fiscalizado, como pessoas jurídicas completamente distintas. Também em sede preliminar, sustenta que os fatos geradores apurados até 15/12/2008 foram atingidos pela decadência partindose do pressuposto de que as contribuições previdenciárias se sujeitam ao lançamento por homologação e, a partir da ocorrência do fato gerador, o fisco dispõe de cinco anos para homologar o lançamento ou lançar de ofício em valores superiores aqueles declarados pelo contribuinte. Transcreve doutrina a respeito. Esclarece que o Fiscal sequer realizou diligências para verificar se realmente os funcionários da Globo Equipamentos trabalhavam para a Globo Usinagem, baseandose exclusivamente em documentos e imagens extraídas da internet, meios que, isoladamente, não se prestam como provas do vínculo empregatício entre os funcionários e a autuada. Aduz que a fiscalização não poderia considerar como responsáveis solidários os sócios e a empresa Globo Equipamentos, impondo seja afastada a legitimidade passiva de aludidos contribuintes. Igualmente, em sede preliminar, requer seja decretada a nulidade da decisão de primeira instância, diante da inúmeras omissões/contradições incorridas, além da ausência da devida motivação, especialmente ao não adentrar à todas alegações de fato e de direito constantes da defesa inaugural. A título de exemplo, o julgador recorrido não se manifestou a respeito da cobrança de tributos retroativos por regime tributário mais oneroso em face da exclusão do Simples Nacional da empresa Globo Equipamentos, sob a alegação de que não foi interposta defesa nos autos do processo referente à exclusão daquele regime de tributação. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exclusão do SIMPLES com efeitos retroativos, alegando que as empresas Globo Equipamentos e Globo Usinagem foram constituídas em épocas distintas, com Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 419 7 regimes tributários diversos, objetos sociais e quadros societários totalmente distintos, como se verifica das fichas cadastrais juntadas aos autos. Acrescenta que somente em 2012 referidas empresas foram registradas com o mesmo objeto social e o mesmo quadro societário, demonstrando que à época do período fiscalizado (01/2009 a 12/2011) referidas pessoas jurídicas eram completamente distintas. Esclarece que somente a partir de 09/2012 os sócios diretores e fundadores passaram a integrar de forma conjunta o quadro societário da Globo Usinagem, consoante se comprova no item 3.9.2 do Relatório Fiscal, não havendo se falar, portanto, em ocorrência de fraude ou simulação. Reconhece a existência de grupo econômico de fato, tendo em vista que à época da resposta à intimação fiscal, em 03/09/2013, as empresas já operavam com o mesmo objeto social e quadro societário, em que pese não ter ocorrido confusão patrimonial, mas simples transações negociais entre tais pessoas jurídicas. Afirma que a empresa Globo Equipamentos Industriais, à época dos fatos, estava enquadrada no regime tributário do Simples Nacional e recolheu os tributos devidos nesta sistemática conforme a Lei Complementar nº 123/2006, não podendo haver retrocesso na cobrança por outro regime mais oneroso, sob pena de ferir os princípios da segurança jurídica, capacidade contributiva e não confisco, bem como do artigo 103 do CTN. Contrapõese ao lançamento fiscal, sustentando não haver comprovação do vínculo empregatício entre os funcionários da empresa Globo Equipamentos com a Empresa Globo Usinagem, como já aduzido em sede de preliminar. Opõese à exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, sob o argumento de inexistir natureza salarial nos pagamentos efetuados a título de abono especial e de participação nos lucros e resultados, pois realizados de forma eventual, sem habitualidade e de acordo com convenção coletiva, não havendo se falar em incidência de contribuições previdenciárias. Em defesa de sua pretensão, traz à colação jurisprudência administrativa a respeito da matéria. Relativamente aos valores pagos a título de Abono Especial, alegam que fora concedido com base em Convenções Coletivas com o SINDIPEÇAS e o Sindicato dos Metalúrgicos da Força Sindical 2009/2011 e 2011/2013, não se aplicando no caso o § 1º do artigo 457 da CLT, que conceitua salário. Ressalta que a Participação nos Lucros e Resultados tem natureza jurídica indenizatória e não se integra à remuneração do trabalhador, ainda que concedida em inobservância do período e quantidade de parcelas pagas, o mesmo ocorrendo com o aviso prévio indenizado que tem caráter indenizatório pelo ato imotivado de dispensa do trabalhador, conforme se extrai da jurisprudência transcrita na peça recursal. Defende que, não havendo incidência de contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, abono salarial e PLR, inexiste a necessidade de observância às obrigações acessórias pertinentes. Suscita a boa fé da contribuinte, eis que somente deixou observar aludidos deveres instrumentais por não considerar tais rubricas como base de cálculo de contribuições previdenciárias, não havendo, portanto, se falar em intuito de fraude na apuração dos tributos supostamente devidos. Fl. 423DF CARF MF 8 Opõese, igualmente, à aplicabilidade da multa qualificada, sobretudo diante da ausência da efetiva comprovação do dolo, fraude ou simulação, não sendo possível caracterizar as agravantes pela mera falta de recolhimento do tributo. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 420 9 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Preliminarmente, pretende a contribuinte seja decretada a nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram as autuações, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do Código Tribunal e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhes deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportou, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias e multas ora exigidas, não se cogitando na nulidade formal do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como dos Livros Diários, folhas e recibos de pagamentos de salários, GFIP’s e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que o lançamento encontrase maculado por vício em sua formalidade e/ou materialidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Fl. 425DF CARF MF 10 Destarte, quanto à pretensa ausência demonstração da existência dos requisitos do vínculo empregatício, tendente a amparar a caracterização procedida pela fiscalização, bem como outras questões relativas à pretensa insubsistência do trabalho fiscal, contemplaremos como razões de mérito no momento oportuno. PRELIMINAR NULIDADE DECISÃO RECORRIDA Ainda preliminarmente, requer a autuada a decretação da nulidade da decisão recorrida, por entender que a autoridade julgadora de primeira instância deixou de apreciar parte das alegações inseridas em sua defesa inaugural, em total preterição do direito de defesa da contribuinte. Muito embora a contribuinte lance referida assertiva, não faz prova ou indica qual a efetiva omissão que o julgador guerreado teria incorrido, capaz de ensejar a preterição do seu direito de defesa. Como se observa do decisum atacado, de fato, a autoridade julgadora não adentrou a todas as alegações suscitadas pela então impugnante. Tal fato isoladamente, porém, não tem o condão de configurar preterição do direito de defesa da contribuinte, mormente quando esta não afirma qual teria sido o prejuízo decorrente da conduta do julgador de primeira instância. Ademais, a jurisprudência de nossos Tribunais Superiores, a qual vem sendo seguida à risca por esta instância administrativa, entende que o simples fato de o julgador não dissertar a propósito de todas as razões recursais do contribuinte não implica em nulidade da decisão, mormente quando a recorrente lança uma infinidade de argumentos desprovidos de qualquer amparo legal ou lógico ou mesmo impertinente, o que se vislumbra no caso vertente. A corroborar esse entendimento, cumpre trazer à baila Acórdão exarado pela 5ª Turma do STJ, nos autos do HC 35525/SP, com sua ementa abaixo transcrita: “HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. NEGATIVA DE AUTORIA. NULIDADE DA SENTENÇA. LIVRE CONVICÇÃO MOTIVADA DO MAGISTRADO. ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESSA EXTENSÃO, DENEGADA. [...] 2. O só fato de o julgador não se manifestar a respeito de um ou outro argumento da tese defendida pelas partes não tem o condão de caracterizar ausência de fundamentação ou qualquer outro tipo de nulidade, por isso que não o exigem, a lei e a Constituição, a apreciação de todos os argumentos apresentados, mas que a decisão judicial seja devidamente motivada, ainda que por razões outras (Princípio da Livre Convicção Motivada e Princípio da Persuasão Racional, art. 157 do CPP). [...]” (Julgamento de 09/08/2007, Publicado no DJ de 10/09/2007) Nesse sentido, basta que o julgador adentre as questões mais importantes suscitadas pelo recorrente, decidindo de forma fundamentada e congruente, para que sua decisão tenha plena validade. No presente caso, extraise da defesa inaugural que a contribuinte traz à colação inúmeras alegações, inclusive, relativamente à exclusão do regime de tributação do SIMPLES, não oponíveis neste PF, eis que deveriam ter sido objeto de inconformismo nos Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 421 11 autos do processo administrativo próprio, bem como a propósito da suposta inconstitucionalidade da multa e outras que não são capazes de rechaçar a pretensão fiscal. Assim, não se pode exigir que o julgador exponha e refute tais razões infundadas ou impertinentes. DO MÉRITO DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA EMPRESA GLOBO EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. Consoante relatado alhures, a presente autuação fora lavrada a partir da desconsideração da contabilidade e da personalidade jurídica da empresa GLOBO EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, prestadora de serviços à autuada, com a conseqüente caracterização dos valores pagos àquela empresa como remuneração dos segurados empregados e (prólabore) dos sócios da recorrente, apurada por arbitramento. Com mais especificidade, de acordo com o Relatório Fiscal, a ilustre autoridade lançadora achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica da empresa GLOBO EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, considerando os seus segurados empregados e contribuintes individuais como, de fato, vinculados à autuada, diante da constatação de simulação, evasão e elisão fiscal na constituição da pessoa jurídica desconsiderada, com propósito exclusivo de se beneficiar de sistema de tributação menos oneroso – SIMPLES, não possuindo endereço ou estrutura própria, ocupando o mesmo domicílio da autuada, cujos sócios também compõe o seu quadro societário. Conclui que a contabilidade das empresas sob análise não espelha a realidade econômica e financeira da autuada, o que ensejou a desconsideração de sua escrita contábil e o levantamento das contribuições previdenciárias por arbitramento, com fulcro no artigo 33, § 6°, da Lei n° 8.212/91, vigente à época nos seguintes termos: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. [...] Fl. 427DF CARF MF 12 § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Nesse sentido, estando o lançamento escorado em uma presunção legal, incumbe à fiscalização demonstrar e comprovar os motivos que a levaram a utilizar deste procedimento excepcional e, conseqüentemente, fundamentálo na legislação de regência, fazendo constar dos autos do processo, nos anexos pertinentes, a norma legal esteio da exigência fiscal, sob pena de nulidade e/ou improcedência do feito. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo, dentre inúmeros argumentos, que o procedimento eleito pela fiscalização ao promover o lançamento não encontra amparo legal na legislação de regência, notadamente quando não se apresentou claro e preciso em suas conclusões ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços. Sustenta, ainda, não ter sido comprovada pelo fiscal autuante a ocorrência da hipótese de incidência prevista na legislação de regência, ou seja, o pagamento de remunerações a segurados empregados e contribuintes individuais, mormente quando considerou, indevidamente, pagamentos realizados pela autuada a outra pessoa jurídica regularmente constituída, dentro do padrão legal. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela fiscalização e autoridade julgadora de primeira instância em defesa da manutenção da exigência fiscal em comento, o inconformismo da contribuinte merece prosperar, como demonstraremos ao longo desse arrazoado. Destarte, em que pese à grande celeuma que envolve o tema, é certo que atualmente o Fisco dispõe de alguns mecanismos para apuração de crédito tributário quando constatadas operações/transações realizadas pelo contribuinte com a finalidade de se esquivar da tributação. Em verdade, tratase da eterna discussão a propósito da legalidade do planejamento tributário e seus limites. Em outras palavras, o verdadeiro conflito existente entre a Elisão e Evasão Fiscal. Referido tema, aliás, vem tomando espaço em grandes Congressos e outros Encontros Tributários, com propostas, inclusive, de elaboração de normas antielisivas, buscando cercar as condutas dolosas, simuladas dos contribuintes objetivando se afastar do campo de incidência da obrigação tributária. Na seara do direito previdenciário, a própria legislação de regência oferece mecanismos para a desconsideração da relação contratual firmada entre o contribuinte e os prestadores de serviços, sejam segurados empregados, contribuintes individuais, outras pessoas jurídicas, etc. Exemplo de tais prerrogativas, o artigo 229, § 2°, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, impõe ao Auditor Fiscal a obrigação de considerar os contribuintes individuais (autônomos) ou outros prestadores de serviços como segurados empregados, quando verificados os requisitos legais, in verbis: Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 422 13 “Art. 229. [...] § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inc. I «caput» do art.9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.” Observese do artigo supracitado, que o legislador ao mencionar “[...] ou sob qualquer outra denominação [...]”, deu margem a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, quando constatados os requisitos para tanto. Indispensável ao deslinde da controvérsia, cumpre transcrever os preceitos do artigo 3º, da CLT, in verbis: “Art. 3º. Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” Assim, verificados todos os requisitos necessários à caracterização do vínculo empregatício do suposto tomador de serviços com os tidos prestadores de serviços, a autoridade administrativa, de conformidade com os dispositivos legais encimados, tem a obrigação de caracterizar como segurado empregado qualquer trabalhador que preste serviço ao contribuinte nestas condições, fazendo incidir, conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas em favor daqueles. A partir do permissivo legal encimado, inúmeros são os lançamentos em que o Fisco desconsidera o vínculo pactuado entre os prestadores de serviços (contribuintes individuais e empresas) e a contribuinte contratante, promovendo a caracterização dessas pessoas como segurados empregados, conquanto de devidamente demonstrada à existência dos pressupostos da relação empregatícia, quais sejam, subordinação, remuneração e não eventualidade. Neste caso, digase de passagem, inexiste a necessidade da comprovação de eventuais atos simulados, para a caracterização dos segurados empregados, bastando à demonstração da presença dos requisitos do vínculo laboral, podendo ou não haver o intuito doloso, fraudulento ou simulatório objetivando suprimir tributos. Na hipótese dos autos, relativamente aos segurados empregados caracterizados, o procedimento adotado pela autoridade lançadora fora aquele inscrito na norma legal retro. Entrementes, não basta que a autoridade lançadora inscreva no Relatório Fiscal tais requisitos, quais sejam, subordinação, remuneração e não eventualidade, o que, in casu, sequer ocorreu. Deve, em verdade, deixar explicitamente comprovada de forma individualizada a existência dos pressupostos legais da relação empregatícia, sob pena de improcedência do lançamento por ausência de comprovação do fato gerador do tributo, e cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Fl. 429DF CARF MF 14 É o que determina o artigo 37 da Lei nº 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, nos seguintes termos: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” (grifamos) No caso vertente, inobstante o substancioso trabalho fiscal em relação à desconsideração da personalidade jurídica da empresa elencada no processo, a ilustre autoridade lançadora, ao promover a caracterização dos funcionários da pessoa jurídica desconsiderada como segurados empregados da autuada, não logrou motivar o presente lançamento, mais precisamente no Relatório Fiscal, deixando de demonstrar e comprovar, na forma que o caso exige, os requisitos legais necessários à configuração do vínculo empregatício, acima mencionados. Aliás, sequer listou quais seriam os segurados empregados caracterizados ou mesmo os serviços prestados, impossibilitando, além da defesa da contribuinte, o próprio julgamento da regularidade do feito. Ora, não se sabe sob quais condições os serviços eram prestados, qual a modalidade, etc. Referida omissão afronta de forma flagrante os preceitos contidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional que, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” In casu, com mais razão a fiscalização deverá comprovar a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias exigidas, tendo em vista tratarse de procedimento excepcional de desconsideração de personalidade jurídica e, conseqüente, caracterização de segurados empregados. Aliás, o artigo 37 da Lei nº 8.212/91, supratranscrito, com mais especificidade, impõe ao fiscal autuante a discriminação clara e precisa dos fatos geradores do débito constituído. Repitase, para que tal procedimento tenha validade e esteja em consonância com a legislação de regência, não é suficiente a alegação genérica da autoridade administrativa de que constatou a existência dos pressupostos da relação de emprego, devendo haver comprovação da existência efetiva do vínculo laboral, abordando cada requisito necessário para tanto, de maneira individualizada ou por tipo de trabalho desenvolvido pelos prestadores de serviços. Destarte, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da Lei nº 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis: Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 423 15 “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...] §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]” A jurisprudência administrativa oferece proteção a esse entendimento, como faz certo os Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2004 NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. Somente nas hipóteses em que restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual (autônomo) como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com fulcro no artigo 229, § 2°, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto n" 3.048/99. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade material da notificação, mormente tratandose de caracterização de segurados empregados, onde os requisitos do vínculo empregatício devem restar circunstanciadamente comprovados.PROCESSO ANULADO.” (1ª TO da 4ª Câmara da 2ª SJ do CARF, Processo n° 35474.000201/200619 – Acórdão n° 240100.544, Sessão de 19/08/2009) (grifamos) Em outras palavras, deveria constar do Relatório Fiscal de forma destrinçada a demonstração da efetiva existência dos requisitos necessários à caracterização dos trabalhadores da pessoa jurídica desconsiderada como segurados empregados da autuada, corroborado, por exemplo, com quadro contendo nome de todos os prestadores de serviços tidos como empregados da recorrente e respectivos serviços desenvolvidos, possibilitando a contribuinte o exercício pleno da ampla defesa e do contraditório, sob pena de incorrer em cerceamento do direito de defesa. Mas não é o que se verifica no presente caso. No presente caso, ao promover o lançamento levando a efeito a caracterização dos prestadores de serviços da pessoa jurídica desconsiderada como segurados empregados da autuada, o ilustre fiscal autuante, em seu Relatório Fiscal, simplesmente inferiu ter efetuado tal enquadramento, a partir da desconsideração da personalidade jurídica da empresa GLOBO EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, sem conquanto Fl. 431DF CARF MF 16 demonstrar/comprovar de forma pormenorizada seu entendimento, maculando o lançamento em comento. Relativamente, aos prestadores de serviços contribuintes individuais, vinculados de ofício à autuada, o mesmo entendimento encimado, quanto aos segurados empregados, se presta a rechaçar a pretensão fiscal. Isto porque, em que pese inexistir a necessidade de demonstração dos requisitos da relação laboral, pela própria essência eventual do serviço prestado, há a necessidade de se promover à vinculação de aludidos prestadores de serviços com a empresa autuada. Não basta para tanto, simplesmente, trazer à colação elementos se prestariam a demonstrar a vinculação societária entre as duas empresas, para se atribuir automaticamente a vinculação dos contribuintes individuais de uma pessoa jurídica para outra. Com efeito, é preciso que haja um mínimo aprofundamento nos serviços prestados, indicando as pessoas que figuram como contribuintes individuais, deslocados para outra empresa, de maneira a oferecer condições à validade do lançamento e a oportunizar a própria ampla defesa da contribuinte e, por conseguinte, viabilizar o julgamento da demanda, com elementos robustos, suscetíveis de comprovação. Ora, como se deslocar o vínculo de um prestador de serviço de uma empresa para outra, sem que decline ao menos a espécie de serviço prestado e, bem assim, o próprio prestador do serviço? É exatamente o que ocorrera no caso dos autos, onde a fiscalização entendeu por bem deslocar o vínculo dos segurados empregados e contribuintes individuais da empresa desconsiderada para a recorrente, sem conquanto se aprofundar no exame dos elementos que envolvem os fatos, sem listar tais segurados ou informar quais serviços eram prestados, por exemplo. A rigor, a partir da caracterização do Grupo Econômico de Fato procedida pela fiscalização, inexistiria razão para realizar a desconsideração da personalidade jurídica da empresa GLOBO EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA., com o consequente deslocamento de seus funcionários à autuada, bastando admitir a sua exclusão retroativa do SIMPLES, ensejando a constituição do presente crédito tributário, chamando a autuada GLOBO USINAGEM para responder solidariamente pelo débito. Partindo dessas premissas, ao deixar de demonstrar/comprovar a existência dos requisitos da relação laboral entre os prestadores de serviços com a empresa autuada, GLOBO CENTRAL DE USINAGEM Ltda., deixou a fiscalização do se desincumbir do ônus necessários a procedimentos dessa natureza, o que impõe reconhecer a improcedência do feito. DAS DEMAIS QUESTÕES SUSCITADAS PELA CONTRIBUINTE Na hipótese de restar vencido nas razões encimadas, mister ser faz contemplar as demais alegações de mérito suscitados pela contribuinte, o que passaremos a proceder. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte substancial da exigência fiscal, dissertando a propósito da pretensa não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de Aviso Prévio Indenizado, Participação nos Lucros e Resultados e Abono Especial, além de se Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 424 17 insurgir contra as penalidades aplicadas nas autuações por descumprimento de obrigações acessória e principal, como passaremos a analisar de maneira individualizada adiante. Em defesa de sua pretensão, elabora substancioso arrazoado contemplando com especificidade as verbas concedidas aos segurados empregados, acima elencadas, concluindo estarem fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Em virtude das 03 (três) verbas lançadas na presente autuação como salário indireto, cada uma com suas peculiaridades, analisaremos a questão posta nos autos de maneira individualizada, após transcrição dos dispositivos legais que regulamentam a matéria, senão vejamos. Antes de adentrar as questões de mérito, é de bom alvitre trazer à baila o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias”” Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva. Por sua vez, as importâncias que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual estabelece os pressupostos legais para que não se caracterizem como salário decontribuição, visando garantir os direitos dos empregados, como segue: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Fl. 433DF CARF MF 18 Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 425 19 l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 435DF CARF MF 20 u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ” Com mais especificidade, contemplando as verbas em epígrafe, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu artigo 214, § 9°, prescreve a não incidência de contribuições previdenciárias nas seguintes condições, in verbis: “Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: [...] VI a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; [...] X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. [...]” Como se observa, tendo a autoridade lançadora inserido os pagamentos realizados pela empresa aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais no conceito de remuneração (saláriodecontribuição), nos termos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, comprovando/demonstrado com especificidade a natureza remuneratória das verbas concedidas, impõese ao contribuinte afastar a pretensão fiscal enquadrando tais pagamentos em uma das hipóteses de não incidência, isenção ou imunidade elencadas na norma encimada, observando, porém, os requisitos legais para tanto. Em outras palavras, desincumbindose o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Voltando à análise do caso sub examine, a contribuinte se insurgiu contra a tributação de todas as verbas pagas aos seus funcionários, razão pela qual passaremos a analisar os argumentos relacionados a tais rubricas individualmente, em razão de suas Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 426 21 peculiaridades, arrimadas especialmente na jurisprudência administrativa e atual de nossos Tribunais Superiores, senão vejamos: A) DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, aduzindo para tanto que as verbas pagas pela empresa aos segurados empregados a título de Participação nos Resultados não se equiparam àquelas que compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista a inexistência dos requisitos necessários à caracterização de saláriodecontribuição. Em defesa de sua pretensão, elabora substancioso arrazoado contemplando com especificidade os requisitos dispostos na legislação de regência, concluindo estar fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, em relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que regulamenta a verba sub examine, bem como alguns estudos a propósito da matéria, senão vejamos: A Constituição Federal, por meio de seu artigo 7º, inciso XI, instituiu a Participação dos empregados nos Lucros e Resultados da empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, desvinculandoa expressamente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;” Por seu turno, a legislação tributária ao regulamentar a matéria, impôs algumas condições para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9º, alínea “j”, que assim preceitua: “Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: [...] j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica.” (grifos nossos) Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória nº 794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte: Fl. 437DF CARF MF 22 “Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o artigo 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. [...]” Após reedições a MP retro fora convertida na Lei nº 10.101/2000, trazendo em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 427 23 § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. [...] Art.3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. [...]” Em suma, extraise da evolução da legislação específica relativa à participação nos lucros e resultados que existem dois momentos a serem apartados quanto aos requisitos para não incidência das contribuições previdenciárias. Para o período até 29/06/1998, era vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre. Posteriormente a 30/06/1998, além da exigência acima, passou a ser proibido o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil. No que tange aos demais requisitos, especialmente àqueles inscritos no artigo 2º, as disposições legais continuaram praticamente as mesmas, exigindo regras claras e objetivas relativamente ao método de aferição e concessão da verba em comento. Atualmente, a Lei n° 10.101/2000 se apresenta com algumas alterações introduzidas pela Lei n° 12.832, de 20/07/2013, que deixaremos de contemplar em razão de não fazer qualquer efeito na hipótese dos autos, que trata de fatos geradores pretéritos a aludido Diploma Legal. A teor dos preceitos inscritos na legislação encimada, constatase que a Participação nos Lucros e Resultados, de fato, constitui uma verdadeira imunidade, eis que desvinculada da tributação das contribuições previdenciárias por força da Constituição Federal, em virtude de se caracterizar como verba eventual e incerta. Entrementes, não é a simples denominação atribuída pela empresa à verba concedida aos funcionários, in casu, PLR, que irá lhe conferir a não incidência dos tributos ora exigidos. Em verdade, o que importa é a natureza dos pagamentos efetuados, independentemente da denominação pretendida pela contribuinte. E, para que a verba possua efetivamente a natureza de Participação nos Lucros e Resultados, indispensável se faz a conjugação dos pressupostos legais inscritos na MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, dependendo do período fiscalizado. Nessa esteira de entendimento, é de fácil conclusão que as importâncias pagas aos segurados empregados intituladas de PLR somente sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos legais de aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas, tão somente, quando assim não restar caracterizada. Fl. 439DF CARF MF 24 Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Por outro lado, convém frisar que tratandose de imunidade, os pagamentos a título de PLR não devem observância aos rigores interpretativos insculpidos nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, os quais contemplam as hipóteses de isenção, com necessária interpretação restritiva da norma. Ao contrário, no caso de imunidade, a doutrina e jurisprudência consolidaram entendimento de que a interpretação da norma constitucional poderá ser mais abrangente, de maneira a fazer prevalecer a própria vontade do legislador constitucional ao afastar a tributação de tais verbas, o que não implica dizer que a PLR não deve observância ao regramento específico e que a norma constitucional que a prescreve é de eficácia plena. Na hipótese vertente, passando à análise das razões do lançamento, impõese confrontar os fundamentos de fato e direito que escoram a pretensão fiscal, com as alegações recursais da contribuinte, alegando ter observado todos sos pressupostos legais de referida verba. Com efeito, ao considerar os valores pagos a título de PLR como remuneração, a autoridade fiscal adotou como fundamento à sua empreitada os seguintes fundamentos: "[...] 6.9. A simples leitura dos acordos coletivos apresentados (acima extratificados) evidencia que os mesmos, independentemente de qualquer critério (regras, índices e programas de meta e resultados), fixam o valor total da participação nos PLR 2010 e 2011, respectivamente, como pagamento sendo feito, inclusive, em desacordo com o previsto na redação original do § 2º do Art. 3º da Lei nº 10.101/00. Assim sendo, não resta dúvida de que a norma legal de que devam ser estabelecidos parâmetros claros e objetivos para pagamento da PLR, bem como regras adjetivas, visa buscar o engajamento de cada empregado na obtenção das metas estabelecidas no acrdo ou convenção coletiva, que devam ser os mais específicos possíveis e estritamente vinculados à realidade laboral de cada trabalhador. Assim, o empregado sentirse motivado para atingir aquelas metas vinculadas diretamente a sua atuação ou, no mínimo, ao desempenho conjunto do setor em que exerce suas atividades. Deste modo, resta evidente que não atende ao bem jurídico tutelado pela previsão legal da participação nos lucros ou resultados a mera definição de valores a ser distribuídos aos empregados. 6.10. Concluise, então, que a "PLR Participação nos Lucros ou Resultados" paga no período de 01//2009 a 12/2011, objeto do presente Lançamento Fiscal, não se acha contemplada em nenhuma das hipóteses de exclusão de incidência de contribuições sociais, possuindo, isto sim, natureza salarial, logo integram o saláriodecontribuição, sofrendo, consequentemente, Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 428 25 a incidência das contribuições devidas, uma vez que não nos foi apresentado o acordo coletivo estabelecendo/fixando os critérios (regras, índices, prazos e programas de meta e resultados). Tais valores estão devidamente discriminados e individualizados no ANEXO III do presente relatório, e lançados, de forma mensal, no Relatório de Lançamentos, parte integrante deste AIOP. [...]" Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida merece ser mantida, pelos seus próprios fundamentos. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar, impondo seja mantida a exigência fiscal, quanto a PLR, em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Isto porque, o requisito basilar para o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados é a instituição do Programa formalizado em uma das modalidades constantes da legislação de regência, estabelecendo, no mínimo, regras claras e objetivas, bem como mecanismos de aferição pertinentes ao acordado, capazes de legitimar a concessão de aludida verba Sem a instrumentalização do Programa de PLR, com requisitos mínimos, não se pode aferir sob quais condições referida verba será paga, representando absoluta afronta aos preceitos da Lei n° 10.101/2000, os quais são de observância obrigatória para aqueles contribuintes que pretendem conceder a PLR. Não se sabe, por exemplo, se a empresa terá que obter lucro ou algum resultado no decorrer de um período de maneira a justificar tal pagamento. A rigor, na forma que fora concedida a PLR, esta será paga independentemente de qualquer fato, bastando que seja empregado, o que reforça a tese de se caracterizar como efetiva remuneração. A fazer prevalecer este entendimento, como muito bem delineado pela autoridade fiscal ao promover o lançamento, do instrumento que pretendeu oferecer as condições à PLR paga pela contribuinte, inexistem a toda evidência regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, pressupostos mínimos ao pagamento de aludida verba. Como acima alinhavado, no presente caso a tributação da verba paga pela empresa se justifica exatamente em razão de não se revestir das características da PLR, o que se fosse verdade, afastaria a incidência de contribuições previdenciárias. Em outras palavras, o que se tributa é a verba que tem natureza eminentemente salarial, uma vez não observados os pressupostos para não incidência das contribuições previdenciárias, desnaturando, assim, a intitulada PLR concedida pela empresa que, em verdade, se apresenta como remuneração na sua essência. B) DO ABONO ESPECIAL Fl. 441DF CARF MF 26 No que tange aos pagamentos concedidos aos segurados a título de Abono Especial, contrapõese à pretensão fiscal, sustentando que estão fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, porquanto pagos por mera liberalidade do empregador, de forma eventual, na forma do item 7, alínea "e", do § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212, de 1991, não havendo a comprovação por parte da autoridade fiscal de que tais valores estivessem vinculados a fatores de eficiência, assiduidade, tempo de serviço e outros relacionados ao desenvolvimento do labor. Inobstante as alegações de fato e de direito ofertadas pela contribuinte, o entendimento acima alinhavado não é capaz de rechaçar a exigência fiscal, mormente quando pagos em desconformidade com a legislação de regência. Isto porque, uma vez a autoridade fiscal se desincumbindo do ônus de comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo, o que ocorrera in casu, cabe ao contribuinte demonstrar que os pagamento concedidos aos seus segurados não possuem natureza remuneratória, o que não se vislumbra no caso vertente. Destarte, relativamente aos abonos pagos em virtude de Convenção Coletiva, o exame da matéria impõe sejam separados dois períodos. Anteriormente ao advento do Decreto nº 3.265/99, e após a sua edição, que, ao regulamentar referida hipótese de não incidência de contribuição previdenciária, impôs condição legal para tanto, senão vejamos. De conformidade com a legislação previdenciária, as importâncias recebidas pelos segurados empregados a título de abono, expressamente desvinculadas do salário, com espeque no artigo 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.711, de 21 de novembro de 1998, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 28. [...] § 9º. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] e) as importâncias: [...] 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;” Ao regulamentar o dispositivo legal encimado, o RPS, em seu artigo 214, § 9º, alínea “j”, na forma estabelecida pelo Decreto nº 3.265/99, restringiu seus efeitos, impondo nova condição nos seguintes termos: “Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: [...] j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei;” Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 429 27 Como se verifica, antes do Decreto nº 3.265/99, de 30 de novembro de 1999, para que os valores pagos aos segurados empregados a título de abono não integrassem o salário de contribuição, observados os requisitos legais, não precisariam estar desvinculados expressamente mediante lei. Bastaria, a não vinculação expressa, servindo para tanto Acordos/Convenções Coletivas. Na hipótese vertente, consoante se infere da análise dos autos, a recorrente pagou aos seus funcionários abonos decorrentes de Convenção Coletiva fora do período compreendido entre 21/11/1998 (edição da Lei 9.711) a 30/11/1999 (edição do Decreto 3.265), que não estariam sujeitas às contribuições previdenciárias, conquanto que expressamente desvinculadas pelos instrumentos que os concederam, e obedecidas às normas regulamentadoras. Assim, tratandose o presente caso de abonos decorrentes de Convenção Coletiva, relativamente a competência posterior à edição do Decreto 3.265 (30/11/99), o qual exigiu a desvinculação expressa em lei para não incidência de contribuições previdenciárias, ao regulamentar a Lei nº 8.212/91, por meio do artigo 214, § 9º, alínea “j”, do Decreto 3.048/99, deve ser mantido o lançamento na forma constituída pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas pagas a título de abono, ainda que decorrentes de Convenção Coletiva, posteriormente a edição do Decreto nº 3.265/99, como pretende a contribuinte, teríamos que interpretar o artigo 214, § 9º, alínea “j”, do RPS, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação de regência, como acima demonstrado. Com efeito, nos termos do dispositivo legal retro, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, expressamente desvinculadas do salário mediante lei, não se podendo interpretar a legislação instituidora dessa isenção extensivamente, de forma a desconsiderar a exigência de “lei”, a pretexto da existência de Convenção Coletiva que trouxe em seu bojo a desvinculação pretendida, tendo em vista que não pode ser considerada como “lei” stricto sensu, a qual emana do poder legislativo, muito embora não se negue a força normativa da Convenção Coletiva, conquanto que congruentes à legislação de regência. Em outra via, somente a título elucidativo, sequer pode se admitir aplicabilidade dos preceitos inscritos no Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011 e Ato Declaratório PGFN nº 16/2011, os quais afastam a incidência de Abonos Únicos nos termos da jurisprudência consolidada pelo STJ, uma vez não se vislumbrar a necessária eventualidade, bem como a desvinculação ao respectivo salário nos valores pagos pela contribuinte na hipótese dos autos: A propósito da matéria, o julgador de primeira instância foi muito feliz ao rechaçar o pleito da contribuinte, como segue: "[...] Por outra banda, ainda que se considere entendimento jurisprudencial do STJ no sentido de que o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, não sofre a incidência de contribuição previdenciária, o caso em questão não se subsume a situação posta no Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011 e ato Fl. 443DF CARF MF 28 declaratório PGFN 16/2011, que determina a não interposição de recursos em casos como tal: Assunto: Nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária. A embasar tal ato declaratório extraio o seguinte acórdão do STJ: Processo Civil e Tributário. Contribuição Previdenciária e FGTS. Abono Único Previsto em Convenção Coletiva de Trabalho. Art. 28, § 9º, 'e', Item 7, da Lei 8.212/91. Eventualidade e Desvinculação do Salário, no Caso. Não Incidência. Precedentes de Ambas As Turmas da 1ª Seção. Recurso Especial Provido. VOTOVISTA O EXMO. SR. MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI: 1. Tratase de recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que, em mandado de segurança preventivo visando à afastar a incidência da contribuição previdenciária e do FGTS sobre o abono único pago em função da Cláusula 46ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2002/2003, deu provimento às apelações do INSS e da Fazenda Nacional e à remessa oficial, reformando a sentença que concedera a ordem. (...) Pedi vista. 2. Acompanho o relator apenas quanto à inexistência de violação ao artigo 535 do CPC. Divirjo, todavia, em relação à questão da incidência ou não da contribuição previdenciária e do FGTS sobre os valores pagos a título de "abono único" decorrentes de convenção coletiva de trabalho. (...) Ora, considerando a disposição contida no art. 28, § 9º, 'e', item 7, da Lei 8.212/91, é possível concluir que o referido abono não integra a base de cálculo do salário de contribuição, já que o seu pagamento não é habitual observese que, na hipótese, a previsão de pagamento é única, o que revela a eventualidade da verba , e não tem vinculação ao salário notese que, no caso, o benefício tem valor fixo para todos os empregados e não representa contraprestação por serviços, tendo em vista a possibilidade dos empregados afastados do trabalho também receberem a importância. Nesse contexto, é indevida a incidência da contribuição previdenciária sobre as importâncias recebidas a título de "abono único" previstas na cláusula acima referida. ( grifei) Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 430 29 (...) (STJ, REsp 819.552/BA, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, Rel. p/ acórdão Teori Albino Zavascki, DJe 18/5/2009) Como dito anteriormente, a situação posta nestes autos não se subsume ao enunciado do Ato Declaratório PGFN nº 16/2011, como pode se verificar das cláusulas concessivas do abono nas convenções coletivas de trabalho 2009/2011: CLÁUSULA 2 ABONO PECUNIÁRIO As empresas concederão, em caráter especial e eventual, aos empregados um ABONO PECUNIÁRIO ESPECIAL, totalmente desvinculado do salário, equivalente a 17% (Dezessete por cento) do salário base vigente em 31 de Outubro de 2009, em duas parcelas de 8,5% (oito e meio por cento) cada, a serem pagas, a primeira até 04 de Dezembro de 2009 e a segunda até 18 de Dezembro de 2009, aplicados até o teto salarial de R$ 4.555,00 (quatro mil quinhentos e cinqüenta e cinco reais). 1 Os empregados que ganham acima do teto receberão o ABONO em duas parcelas nas seguintes condições: Até 04 de Dezembro/2009 : valor fixo de R$ 387,18 (trezentos e oitenta e sete reais e dezoito centavos) Até 18 de Dezembro/2009 :valor fixo de R$ 387,18 (trezentos e oitenta e sete reais e dezoito centavos) Parágrafo único: Estes abonos são devidos apenas aos empregados com contrato de trabalho vigente em 31 de Outubro de 2009 e que estejam trabalhando na empresa na época de seus pagamentos. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO 2011/2013 CLÁUSULA 2 ABONO PECUNIÁRIO As empresas concederão, em caráter especial e eventual, aos empregados um ABONO PECUNIÁRIO ESPECIAL, totalmente desvinculado do salário, equivalente a 26% (vinte seis por cento) do salário base vigente em 31 de Outubro de 2011, em duas parcelas de 13% (treze por cento) cada, a serem pagas, a primeira até 02 de dezembro de 2011 e a segunda até 16 de dezembro de 2011, aplicados até o teto salarial de R$ 6.000,00 (seis mil reais). 1 Os empregados que ganham acima do teto receberão o ABONO em duas parcelas nas seguintes condições: • Até 02 de dezembro de 2011: valor fixo de R$ 780,00 (setecentos e oitenta reais). • Até 16 de dezembro de 2011: valor fixo de R$ 780.00 (setecentos e oitenta reais). Fl. 445DF CARF MF 30 Parágrafo único: Estes abonos são devidos apenas aos empregados com contrato de trabalho vigente em 31 de Outubro de 2011 e que estejam trabalhando na empresa na época de seus pagamentos. Vejase que os pagamentos foram feitos em duas parcelas no ano, e com vinculação ao salário (porcentagem do salário) condições estas impostas também na cláusula na convenção coletiva 2011/2013. Ademais, se considerarmos que em todo o período de 2008 a 2013 o abono especial foi pago em continuidade, não há que se falar em eventualidade pois já se incorporaram a expectativa do trabalhador em receber tal verba. Como é cediço os ganhos habituais integram a remuneração do segurado empregado, a teor do artigo 201, § 11 da Constituição Federal, verbis: [...] O que é determinante para caracterizar a habitualidade é o conhecimento prévio de que os valores serão concedidos, ou seja, uma vez que se torna uma prática constante, como no caso do abono especial, existe a expectativa do empregado no recebimento destes valores. Essa previsão retira o caráter de eventualidade, constituindo tais valores em base de cálculo de contribuição previdenciária. Dessa forma, o lançamento das contribuições incidentes sobre o abono pecuniário especial deve ser mantido nos seus exatos termos. [...]" Nesse sentido, não se cogita da exclusão dos levantamentos relativos as verbas sub examine posteriormente ao advento do Decreto nº 3.265/99, uma vez que o fiscal autuante, bem como autoridade recorrida, em posterior análise do processo, agiram da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência, especialmente ao artigo 214, § 9º, alínea “j”, do RPS. DA MULTA QUALIFICADA Consoante acima explicitado, ao constituir o crédito tributário, o fiscal autuante aplicou a multa qualificada inscrita no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, por considerar que a contribuinte agiu de forma reiteradamente fraudulenta, ao adotar a conduta de utilização de empresas interpostas na contratação de seus empregados, bem como praticou sonegação de contribuições previdenciárias, conduta esta que é trata nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964; Em suas razões recursais, aduz a contribuinte que a Fiscalização não se deu ao trabalho de identificar, taxativamente, além de comprovar, a conduta da Recorrente nas situações descritas pelos dispositivos legais utilizados para fundamentação do Auto de Infração, não havendo se falar em aludida penalidade, mesmo porque não se comprovou o evidente intuito doloso ou mesmo a ocorrência simultânea de sonegação, fraude e conluio por parte da autuada, capaz de justificar referida imputação, ao contrário do assentado no Relatório Fiscal. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 431 31 No âmbito das contribuições previdenciárias, anteriormente administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária, na maioria dos casos inexistia o devido cuidado em caracterizar a conduta dolosa do contribuinte para efeito de comprovação dos crimes fiscais do dolo, fraude ou simulação. A fiscalização tão somente informava à notificada da existência de Representação Fiscal para Fins Penais quando da lavratura da notificação fiscal. Isto porque, além de inexistir multa de ofício qualificada, àquela época, vigia o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o qual contemplava o prazo decadencial de 10 (dez) anos, independentemente de antecipação de pagamento e/ou ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Diante desses fatos, com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, associada com os novos procedimentos adotados pela RFB e a transferência de competência para julgamento das contribuições previdenciárias do CRPS para o CARF, passou a ser de extrema importância a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, para efeito de aplicação do prazo decadencial, do artigo 150, § 4, ou artigo 173, inciso I, do CTN. Na esteira desse raciocínio, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que atualmente regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, estabelecem o que segue: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 447DF CARF MF 32 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada (in casu, exclusivamente do crime), que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou simulação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito fora efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta ou simulatória, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) “ MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada.” (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 432 33 Em decorrência da jurisprudência uníssona nesse sentido, o então 1º Conselho de Contribuintes consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: “ Súmula 1ºCC nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Assim, impende analisar os autos detidamente de maneira a elucidar se o fiscal autuante logrou comprovar que a contribuinte agiu com dolo, com o intuito de fraudar ou simular a hipótese de incidência da obrigação tributária. Com efeito, cabe à autoridade lançadora demonstrar de forma pormenorizada suas razões no sentido de que a contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, para efeito da conclusão/comprovação do crime arquitetado pela autuada. Na hipótese vertente, o ilustre fiscal autuante escorou a aplicação da multa qualificada nos seguintes termos constantes do Relatório Fiscal, item 9, in verbis: "[...] Como base nas informações e/ou documentos informados exaustivamente no item 3 deste Relatório Fiscal REFISC, fica evidente que buscando a extinção/redução dos tributos devidos à Fazenda Nacional, o sujeito passivo (GLOBO CENTRAL) omitiu, reiteradamente, ser o empregador/contratante DE FATO dos segurados empregados que efetivamente lhe prestavam serviços mas estavam formalmente registrados ou vinculados em empresa diversa (GLOBO EQUIPAMENTOS SOLIDÁRIA), visando usufruir artificial e indevidamente dos benefícios do regime de tributação do Simples Nacional desta última, ocultando, desta forma, o efetivo valor da obrigação tributária principal e impedindo o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores, evidencia a intenção dolosa da empresa no cometimento da infração e implica qualificação da multa de ofício, aplicada com base no §1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96 c/c art. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. [...]” Como se observa, da leitura do excerto do Relatório Fiscal acima transcrito, não podemos afirmar com a segurança que o caso exige ter a contribuinte agido com dolo objetivando suprimir tributos, mesmo porque não houve um aprofundamento do fiscal autuante a este respeito, de maneira a proceder à subsunção do fato (conduta da empresa) à norma (tipificação penal). Em verdade, a fiscalização fez uma verdadeira remissão ao mérito da própria demanda, relativamente à contratação de empresas para prestar serviços com natureza da relação empregatícia, não declinando precisamente qual teria sido a conduta dolosa da contribuinte no sentido de suprimir tributos e/ou mascarar o seu fato gerador. Com efeito, o fato de constar do Relatório Fiscal da Autuação as razões que levaram à fiscalização a desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, caracterizando os respectivos sócios como segurados empregados da autuada não Fl. 449DF CARF MF 34 suprime o dever legal do fisco de justificar e comprovar o crime a ser imputado ao contribuinte. A Egrégia Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, adotando o mesmo entendimento encimado, já se manifestou a propósito da matéria em caso da mesma natureza, nos seguintes termos: “[...] NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A simples procedência de notificação fiscal, estribada na desconsideração de personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a consequente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de maneira a deslocar o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ademais, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para que seja procedente o lançamento, nada dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser demonstrada, não implicando, necessariamente, que um fato conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação à imputação do crime fiscal.” (Acórdão n° 920201.127 – Processo n° 16095.000604/200769, Sessão de 19/10/2010) Não bastasse isso, no presente caso, o que torna ainda mais digno de realce é que a própria Lei n° 11.196/2005 contempla a possibilidade de prestação de serviços de natureza intelectual mediante pessoa jurídica. Assim, independentemente da comprovação efetiva da prestação de serviços nesta modalidade, é certo que a própria legislação de regência possibilita inúmeras interpretações quanto à forma de contratação de prestadores de serviços. Neste sentido, a mera interpretação equivocada da contribuinte quanto a aplicabilidade da norma legal, não pode ensejar a aplicação de multa qualificada, arrimada em crime de sonegação fiscal, sem que a fiscalização se aprofunde na matéria, demonstrando cabalmente a conduta dolosa da empresa com maiores elementos e esclarecimentos, não se prestando para tanto a justificativa da desconsideração da personalidade jurídica daquelas prestadoras de serviços. Partindo dessa premissa, o simples fato da pretensa procedência do lançamento em relação ao mérito, legitimando a desconsideração procedida pela autoridade lançadora, a partir da comprovação dos requisitos do vínculo laboral, não implica dizer necessariamente que a contribuinte cometeu o CRIME de simulação e/ou sonegação. Mesmo porque o dispositivo legal que contempla tal procedimento, qual seja, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, exige exclusivamente a comprovação dos pressupostos da relação empregatícia, inscritos no artigo 12, inciso I, alínea “a” da Lei nº 8.212/91. Nada menciona sobre dolo, fraude ou simulação. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 433 35 Nesse sentido, a análise fática de casos dessa natureza impõe primeiramente e necessariamente a verificação da demonstração da existência de tais requisitos (do vínculo empregatício), o que não ocorre quanto à simulação, que poderá vir elucidada/comprovada ou não. Dessa forma, repitase, o fato de se considerar procedente o lançamento, se for o caso, estribado na desconsideração da personalidade jurídica e consequente caracterização de segurados empregados, não quer dizer necessariamente que há o crime de simulação, dolo ou fraude comprovados. Impõese, assim, um aprofundamento maior no tema por parte do fiscal autuante ao pretender imputar tais crimes ao contribuinte, de forma a comprovar, além dos pressupostos do vínculo laboral, a conduta criminosa da autuada. No caso sob análise, não vislumbramos a demonstração da ocorrência do CRIME de simulação, com a segurança que o caso exige. Pretender vincular uma conduta a outra (desconsideração de personalidade jurídica com a caracterização de segurados empregados e crime de simulação) implicará considerar a existência de simulação em todo lançamento julgado procedente, em que houver referido procedimento, olvidandose que o fundamento legal que o justifica nada fala sobre simulação, não exigindo a sua comprovação para justificálo. A rigor, podemos traçar um paralelo entre essa situação com a simples constatação de omissão de receitas/rendimentos, em que a Sumula nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes já firmou o entendimento que, isoladamente, não se presta a caracterizar a conduta dolosa do contribuinte. Em outras palavras, tal qual no caso de simples omissão de receitas/rendimentos, a simples demonstração da existência dos pressupostos da relação laboral entre os prestadores de serviços e a contribuinte, ainda que a partir da desconsideração do vínculo pactuado e da personalidade jurídica de empresas, por si só, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, como se vislumbra na hipótese dos autos. Não fosse assim, teríamos que considerar automaticamente dolosa, fraudulenta ou simulatória a conduta do contribuinte toda vez que houver a caracterização de prestadores de serviços como segurados empregados, o que, em nosso entender, não representa a intenção do legislador ao impor a comprovação daquelas condutas para efeito da demonstração do crime. DECADÊNCIA Após ciência pessoal da autuação em 17/12/2013, Globo Central de Usinagem apresentou defesa, fls. 902/950, alegando em síntese o que segue. Em suas alegações recursais, pretende a contribuinte seja acolhida a decadência dos fatos geradores apurados até 15/12/2008 foram atingidos pela decadência, aplicandose o prazo qüinqüenal a partir da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no artigo 150, § 4º do CTN e ainda considerando que houve recolhimentos por meio de DARF Simples nas competências do débito. No casto vertente, a resolução da demanda passa necessariamente pela análise de antecipação de pagamentos dos tributos objeto do lançamento, de maneira a Fl. 451DF CARF MF 36 determinar qual dispositivo legal deve ser levado em consideração, artigo 150, § 4o, ou 173, inciso I, do CTN. Destarte, este Colegiado vem entendendo majoritariamente que, tratandose de lançamento de contribuições previdenciárias destinadas a Terceiros, não há que se considerar os pagamento realizados da parte da empresa ou dos segurados, com o fito de caracterizar antecipação de pagamento. Assim, em que pese ainda não ter me debruçado sobre o tema de maneira aprofundada, em homenagem à economia processual, por ora, acolhemos o posicionamento majoritário desta turma neste sentido. A propósito da matéria, o nobre Conselheiro Cleberson Alex Friess dissertou com muita propriedade nos autos do processo n°10480.722252/200938, Acórdão n° 2301 004.351, consoante se verifica do excerto do voto abaixo transcrito, o qual pedimos vênia para adotar como razões de decidir: "(...) 2. Concordo que é possível reconhecer de ofício a decadência. Porém, no caso do crédito tributário sob exame, não houve pagamento parcial antecipado para fins da contagem da decadência na forma do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), veiculado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. 3. É verdade que, na hipótese dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial do direito de constituir de ofício o crédito tributário, relativo à diferença entre o valor constituído pelo sujeito passivo e aquele que o Fisco entende devido, regese pelo art. 150, § 4º, do CTN, isto é, cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. 4. Nada obstante, o chamado lançamento por homologação pressupõe uma atividade do sujeito passivo correspondente a determinar e quantificar a prestação pecuniária. 4.1 Ao dispor dos elementos para a formalização do crédito tributário, a atividade contempla forte grau de participação do sujeito passivo, na medida em que verifica a ocorrência do fato gerador, calcula o montante do tributo devido e realiza o seu pagamento, atuando o Fisco, eventualmente, no controle posterior de correção desse procedimento, procedendo ou não a sua homologação. 4.2 A tarefa prescrita em lei de antecipar o pagamento exige do sujeito passivo, portanto, um conjunto de procedimentos realizado separadamente para cada um dos tributos devidos, a partir do cotejo individualizado dos fatos jurídicos com a regra matriz de incidência tributária. 4.3 Longe de uma análise conjunta, o débito relativo a um determinado tributo, para fins de antecipação do pagamento, impõe que o sujeito passivo calcule o seu valor à vista da norma jurídica aplicável, tendo em conta, entre outros, o fato gerador, a base de cálculo e a alíquota de cada tributo. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 434 37 5. Logo, suscita a aplicação da regra do art. 150, § 4º, do CTN, tão somente a hipótese de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, cujo exame individual e por período de apuração dáse sob o enfoque dessa exação devida e antecipada pelo sujeito passivo. 6. Conforme registram os autos, a recorrente antecipou o recolhimento da contribuição previdenciária a cargo dos segurados, não existindo notícia, por sua vez, de qualquer pagamento das contribuições devidas a terceiros, assim compreendidas outras entidades e fundos, objeto do lançamento de ofício constante do processo administrativo. 6.1 É de se notar que a inexistência desse pagamento mantém coerência com a descrição dos fatos, dado que a fiscalização informa que o sujeito passivo, ao se enquadrar como entidade isenta (FPAS 639), deixou de declarar e recolher a cota patronal, incluído terceiros, incidente sobre as remunerações de segurados empregados. 7. De maneira que a ausência de pagamento, mesmo que parcial, em relação às contribuições devidas a terceiros, distintas que são das contribuições previdenciárias dos segurados, considerando a regramatriz de incidência, afasta a regra do art. 150, § 4º, do CTN, e justifica a utilização do critério do art. 173 do CTN. 8. Ao se referir o crédito tributário às competências de 06/2004 a 13/2007, com ciência da autuação pelo sujeito passivo em 20/11/2009 (fls. 43/50 e 55), e tendo em vista o prazo contado na forma definida no art. 173, inciso I, do CTN, não há que se falar em decadência. 9. Cabe reforçar que essa linha de pensamento não conflita, pelo contrário, harmonizase com o enunciado da Súmula 99 deste Conselho, a seguir reproduzido: SÚMULA CARF 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. 10. Com efeito, o enunciado vinculante associa o pagamento antecipado, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, a uma mesma contribuição previdenciária, chamada de fato gerador, ainda que não tenha sido incluída no recolhimento parcial alguma parcela exigida no auto de infração, e que normativamente compõe a respectiva base de cálculo do tributo. Fl. 453DF CARF MF 38 10.1 O enunciado trata de afastar, assim, a tese de que o pagamento parcial deve ser verificado rubrica a rubrica integrante da base de cálculo de uma mesma contribuição. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de aplicar a regra decadencial expressa no art. 173, inciso I, do CTN, descabendo reconhecer, no lançamento fiscal, crédito tributário alcançado pela decadência." Em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a decadência. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa e juros ora exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 353/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 435 39 c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)” Observese, que somente nas hipóteses contempladas nos parágrafos e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Fl. 455DF CARF MF 40 No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais argumentações da contribuinte, não se cogita em analisá las, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando a Autuação Fiscal sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO: 1) CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO da autuada, Globo Central de Usinagem Ltda., E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, apenas para afastar a qualificação da multa, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 436 41 Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini – Redatora Designada Este voto limitase à parte em que o conselheiro relator restou vencido. CARACTERIZAÇÃO DOS SEGURADOS COMO PRESTADORES DE SERVIÇOS DA AUTUADA O lançamento teve por base o que determina a Lei 8.212/91, artigo 30, inciso I, alínea ‘b’ e artigo 33: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: [...] b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço [...] Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. Conforme Relatório Fiscal, fls. 29/54, a fiscalização concluiu, pela análise da documentação que lhe foi apresentada, que apesar de existirem duas empresas formalmente constituídas, a Globo Equipamentos Industriais Ltda ME (optante pelo Simples Nacional) tem servido tão somente para abrigar de forma simulada a prestação de serviços do sujeito passivo Globo Central de Usinagem Ltda. Assim, concluiu que os trabalhadores formalmente registrados na Globo Equipamentos estão vinculados a Globo Central de Usinagem, ora autuada, que se utiliza da Globo Equipamentos, por meio de simulação/fraude, com a finalidade de usufruir indevidamente dos benefícios tributários do regime do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar 123/06. Consta do Relatório fiscal, em síntese, que: · As despesas com a remuneração de segurados da empresa Globo Equipamentos superam em 438% a receita bruta declarada, enquanto que na Globo Central a massa salarial representa apenas 2,4% do faturamento, que é 26 vezes maior que da Globo Equipamentos. Fl. 457DF CARF MF 42 · No período de 01/08 a 12/11, em média, 90% das operações de "vendas de produtos e/ou industrialização efetuada para terceiros" da Globo Equipamentos tinham como cliente principal a Globo Central. · Da análise realizada nos documentos auditados da empresa Globo Equipamentos Industriais, constatouse que pagamentos foram realizados de forma direta com recursos oriundos exclusivamente da Globo Central de Usinagem, tais como: remuneração dos segurados empregados e prólabore dos segurados contribuintes individuais; recolhimento de GPS(Guia da Previdência Social); recolhimento de GRF (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço); e DARF 0561 (Documento de Arrecadação de Receitas Federais). · Nas Folhas de Pagamentos e GFIP da Globo Equipamentos, competências 01/08 e 02/08, 04/08 a 08/08, foram constatados pagamentos de prólabore aos sócios, Mauro Aparecido de Paula Ferreira e Antonio Claudio Chavette, porém estes foram formalmente excluídos do quadro societário da referida empresa desde 12/11/2007, o que demonstra confusão patrimonial e gestão empresarial atípica entre as duas empresas. · Na análise da contabilidade da Globo Equipamentos, a fiscalização constatou: o em todo o período auditado (01/2008 a 12/2011) a ausência de registros de despesas com aquisição de matérias primas, energia elétrica, combustíveis, aluguel ou depreciação de instalações e equipamentos e ausência de registros de instalações e equipamentos no ativo; o os custos ou despesas com mãodeobra (salários, prólabore, férias, 13° salário, rescisões), os encargos sociais (INSS, FGTS), bem como, despesas com alimentação do trabalhador, valetransporte, assistência médica e demais benefícios, foram registrados à crédito na conta “1.01.01.04.01 – Globo Central”; o a existência de valores nos exercícios de 2008 a 2011, na conta “2.01.01.02.01 Empréstimos Coligadas Globo Central”, em contrapartida com a conta “1.01.01.01.01 Caixa Geral” ou “1.01.01.04.01 Globo Central”, sem que houvesse comprovação dos créditos. A Globo Equipamentos foi intimada mediante o Termo de Intimação nº 01, a apresentar documentos referentes aos empréstimos, tais como contratos de mútuo, depósitos ou cheques, porém limitouse a informar que faz parte de um grupo econômico reconhecido. · Na análise da contabilidade da Globo Central, a fiscalização constatou: o os empréstimos citados anteriormente não estão lançados na contabilidade do credor (Globo Central); Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 437 43 o no ano calendário 2008, os custos/despesas com mãodeobra (salários, férias e 13° salário), encargos sociais com FGTS, despesas com alimentação do trabalhador, o valetransporte, assistência médica e demais benefícios, lançados na conta "4.02.01.01.01 Apuração do Resultado do Exercício" da Globo Central estavam incompatíveis com a massa salarial/número de segurados declarados em GFIP em 2008. o nos anos calendário 2009 a 2011, há valores lançados a Débito, nas contas de "Serviços Prestados Por Pessoa Jurídica", e a Crédito na conta "Banco” com histórico contendo as expressões genéricas "Pago Globo Equipamentos ", dentre outras, a indicar que as despesas com mãodeobra, encargos sociais, despesas com demais benefícios referentes aos colaboradores registrados na Globo Equipamentos estão “camuflados” na escrituração contábil da Globo Central, como custos/despesas com prestação de serviços por pessoa jurídica, no caso, pela Globo Equipamentos. · Concluiu a fiscalização que houve utilização indevida de microempresa/empresa de pequeno porte (Globo Equipamentos), optante pelo Simples Nacional, para registrar os empregados nesta, com a finalidade de deixar de reconhecer as contribuições sociais patronais incidentes sobre a folha de pagamento, sendo desconsiderada a prestação de serviços formalmente constituída entre as empresas. A recorrente afirma não haver comprovação do vínculo empregatício entre os funcionários da empresa Globo Equipamentos com a Empresa Globo Usinagem. Entendeu o relator que houve desconsideração da personalidade jurídica da empresa Globo Equipamentos Industriais Ltda e que não houve a demonstração dos requisitos da relação de emprego dos trabalhadores com a autuada. Em que pese o entendimento da autuada e o do relator, eles não podem prosperar. A Lei 12.529/11, que dispõe sobre a prevenção e repressão às infrações contra a ordem econômica, determina: Art. 34. A personalidade jurídica do responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte deste abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. Assim, a lei determina a desconsideração da personalidade jurídica quando constatado abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação do estatuto ou contrato, não importando qual a aparência ou a forma com a qual se pretendeu revestir o sujeito passivo. Fl. 459DF CARF MF 44 Contudo, o que se verifica nos autos não é a desconsideração da personalidade jurídica da empresa Globo Equipamentos Industriais Ltda, mas sim a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo. O próprio CTN, art. 149, VII, e a Lei 8.212/91, art. 33, § 3o, estabelecem a obrigação do Fisco realizar o lançamento, em se constatando irregularidades ou ilegalidades. A identificação de situações de fato que possam constituir irregularidades visando à elisão ou sonegação de tributos constitui atividade inerente e vinculada da auditoria fiscal. Por isso, constatado o fato, impõese o lançamento fiscal, e, uma vez que seja realizado com a observância dos princípios constitucionais aplicáveis, não há que se falar em irregularidade. A fiscalização, diante da situação fática verificada, conforme suficientemente descrito e comprovado no Relatório Fiscal, concluiu que todos os funcionários formalmente contratados pela empresa Globo Equipamentos Industriais Ltda são trabalhadores empregados ou contribuintes individuais da empresa ora autuada. Desta forma, desconsiderou o negócio jurídico praticado com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, entendendo que, na verdade, é a Globo Central de Usinagem Ltda que contrata e remunera todos os trabalhadores que lhe prestam serviço. A Lei 8.212/91, que estabelece as regras que regem a filiação obrigatória de trabalhadores ao Regime Geral de Previdência Social, dispõe que: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: [...] V como contribuinte individual: [...] Assim, uma vez constatado pela fiscalização que há a vinculação obrigatória de um trabalhador ao Regime Geral de Previdência Social, cabe à autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional, desconsiderar a forma sob a qual a prestação se deu, para, com base na realidade emergente, apurar contribuições devidas e condutas incompatíveis com a legislação tributária aplicável. Do contrário, esvaziarseia inteiramente a obrigatoriedade das normas previdenciárias e da filiação dos segurados, deixando a questão inteiramente ao arbítrio, interesses e conveniências dos pactuantes, causando, conforme o caso, prejuízo ao financiamento da previdência social decorrente de fraude. Por sua vez, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, dispõe que: Art.229. [...] § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10860.721962/201352 Acórdão n.º 2401004.512 S2C4T1 Fl. 438 45 desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado (grifo nosso) Vêse que a autoridade administrativa fiscal possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos que não reflitam a realidade, notadamente, na hipótese de ocorrência de simulação/fraude como ocorrido no presente caso, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora que não pode ficar adstrita aos aspectos formais dos atos e fatos. Logo, uma vez verificado que o sujeito passivo utiliza de simulação/fraude para esquivarse do pagamento de tributo, o auditor fiscal tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo com os fatos por ele constatados em detrimento da verdade jurídica aparente (formal). Dito de outra forma, uma vez evidenciada a conduta simulatória ou fraudulenta, não resta outra opção à fiscalização, a não ser descaracterizar a relação formal existente e considerar, para efeitos do lançamento tributário, a relação real entre as pessoas jurídicas e segurados, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. Isso é o que se depreende, inclusive, do disposto no CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. [...] Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; No presente caso, a auditoria fiscal (que se baseou em informações e situações de fato) concluiu que durante o período fiscalizado, em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos, apesar de, do ponto de vista formal, os segurados estarem registrados em uma pessoa jurídica, a Globo Equipamentos Industriais Ltda ME, a prestação de serviços e a remuneração formalizada se referia à empresa Globo Central de Usinagem Ltda. Uma vez que os trabalhadores que constam das folhas de pagamento da Globo Equipamentos (empresa optante do Simples), na realidade, prestam serviços para a autuada, são devidas as contribuições patronais ora lançadas. Fl. 461DF CARF MF 46 Não há que se falar que não foram caracterizados os vínculos empregatícios. A fiscalização considerou como segurados empregados e contribuintes individuais os reconhecidamente como tal na folha de pagamento da empresa Globo Equipamentos. Os argumentos apresentados pela impugnante, contrapondose aos elementos fáticos verificados pela fiscalização, não são suficientes para afastar o trabalho fiscal. Importante esclarecer que a Administração deve aterse aos enunciados da legislação que norteiam as obrigações do contribuinte perante a Seguridade Social. Acrescente se que, nos termos do art. 123 do CTN, as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário quanto à caracterização dos segurados empregados e contribuintes individuais como prestadores de serviços da autuada. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 462DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.721013/2013-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Comprovado pelo contribuinte que incorreu em despesas com pensão alimentícia decorrente de acordo homologado judicialmente, faz jus a dedução dessas despesas da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95.
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração e ajuste anual, ante a ausência de apresentação de quaisquer documentos, devem ser mantidas a glosas realizadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito: (i) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para conhecer a legitimidade dos valores deduzidos a título de pensão alimentícia desde que as despesas médicas da alimentada (R$ 4.729,85) não tenham sido já deduzidas a título de despesas médicas do contribuinte (art. 78, parágrafo 5º, do RIR/99); (ii) Por unanimidade de votos, negar provimento quanto ao pedido de restabelecimento das deduções efetuadas a título de despesas médicas. Quanto a esta matéria, os Conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira acompanharam o relator pelas conclusões.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Comprovado pelo contribuinte que incorreu em despesas com pensão alimentícia decorrente de acordo homologado judicialmente, faz jus a dedução dessas despesas da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração e ajuste anual, ante a ausência de apresentação de quaisquer documentos, devem ser mantidas a glosas realizadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 10 13 /2 01 3- 76 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito: (i) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para conhecer a legitimidade dos valores deduzidos a título de pensão alimentícia desde que as despesas médicas da alimentada (R$ 4.729,85) não tenham sido já deduzidas a título de despesas médicas do contribuinte (art. 78, parágrafo 5º, do RIR/99); (ii) Por unanimidade de votos, negar provimento quanto ao pedido de restabelecimento das deduções efetuadas a título de despesas médicas. Quanto a esta matéria, os Conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira acompanharam o relator pelas conclusões. André Luís Marsico Lombardi Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.721013/201376 Acórdão n.º 2401004.245 S2C4T1 Fl. 129 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1533.497 (fls. 89/93), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), que julgou parcialmente procedente a impugnação (fls. 02/07) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2012 DEDUÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. O restabelecimento só será possível quando comprovada documentalmente a dedução glosada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Notificação de Lançamento nº. 2012/718012181317752 de fls. 09/16 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 13.167,53, a título de imposto suplementar, acrescido de multa de mora e juros, decorrente da glosa de despesas com pensão alimentícia e médicas declaradas pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 11) a fiscalização informa a glosa de R$ 30.744,08, correspondente à Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, nos seguintes termos: Glosa de despesa com Pensão Alimentícia Judicial ou por Escritura Pública JUDICIAL em razão do contribuinte não ter comprovado o valor declarado em sua DIRPF. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 12) a fiscalização informa a glosa de R$ 18.000,00, correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas, nos seguintes termos: Glosa no valor de R$ 18.000,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução, conforme abaixo discriminado. Glosa parcial de despesas médicas em razão do contribuinte, apesar de intimado, não comprovar os efetivos pagamentos dos valores de R$ 12.000,00 e R$ 6.000,00, respectivamente, com WILSON LUIS DE SOUZA ROSA CPF: 140.540.32842 e SUELI CARVALHO NACONECY DE SOUZA CPF: 005.013.37806. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Em sede de impugnação (fls. 02/07), o contribuinte trouxe ao presente processo administrativo os seguintes argumentos: a) O valor de R$ 30.744,08 referese à pensão alimentícia paga à Sra. Gloria Celestina Bisetti, CPF nº. 161.435.69800, anexando aos autos o Termo de Audiência de Divórcio nº. 0326/05, bem como comprovante de rendimentos e retenção de imposto de renda na fonte atinente à prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo; b) As despesas com o Dr. Wilson Luiz de Souza Rosa e Dra. Sueli Carvalho N. de Souza referemse a tratamento próprio e de dependente, pagos em espécie, acostando aos autos os recibos desses profissionais referentes aos pagamentos realizados, cópia do seu extrato bancário que atestaria os saques realizados para efetivação dos pagamentos e declarações dos profissionais atestando a prestação dos serviços. Para a DRJ/SDR, a impugnação foi considerada parcialmente procedente, afastando parcialmente a glosa relativa à pensão alimentícia, no valor de R$ 26.120,00, por ser este o valor informado na Declaração de Ajuste Anual da alimentanda (Sra. Gloria Celestina Bisetti de Petit), sendo este montante excluído da glosa. Quanto às glosas relativas às deduções com despesas médicas, estas foram mantidas integralmente, sob o fundamento de ausência de cumprimento dos requisitos mínimos de informações constantes nos recibos e, ainda, que os extratos bancários não comprovariam ser o então impugnante beneficiário dos saques realizados na movimentação bancária. Devidamente intimado do acórdão proferido pela DRJ/SDR em 10/10/2013 (A.R. fl. 96) o contribuinte apresentou o seu recurso voluntário de fls. 98/99 em 11/11/2013, alegando, em síntese: a) A diferença não reconhecida para afastamento da totalidade da glosa com pensão alimentícia, no valor de R$ 4.624,08, referese a despesas com ticket completo de refeições entregues a alimentanda e despesas com plano de saúde daquela, ambas obrigações assumidas no Termo de Audiência de Divórcio; b) Quanto às despesas médicas, as declarações dos profissionais de saúde acerca da efetiva prestação do serviço e o seu recebimento em espécie, bem como a movimentação bancária do recorrente, fazem prova da prestação dos serviços e a sua disponibilidade de recursos para efetuar os pagamentos àqueles profissionais. Ainda, informa os endereços dos profissionais posto que não constaram nos recibos acostados ao presente processo administrativo fiscal. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.721013/201376 Acórdão n.º 2401004.245 S2C4T1 Fl. 130 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Dedução de Despesa com Pensão Alimentícia Judicial O recorrente pleiteia a exclusão da glosa sobre o valor de R$ 4.729,85, sob a alegação de ser este valor o montante devido a alimentanda Sra. Gloria Celestina Bisetti de Petit a título de “assistência médica”. A DRJ/SDR reconheceu as despesas de pensão alimentícia somente até o montante verificado na declaração de ajuste anual da alimentanda, por ela declarado. Todavia, o contribuinte evoca que o seu Termo de Audiência em Divórcio Judicial prevê a sua responsabilidade em arcar com o pagamento de assistência médica da sua exesposa, na condição de agregada do convênio médico da Prefeitura de São Bernardo do Campo enquanto o Sr. Augusto Fernando Petit Prieto. E tal fato se verifica ante a análise do referido termo de divórcio, vejamos (fl. 26): Como se vê, de fato o recorrente está obrigado ao pagamento do convênio médico da Sra. Gloria Celestina. E, para comprovar que cumpriu com a referida obrigação, traz ao presente processo administrativo os seguintes documentos: a) “INFORME DE CONTRIBUIÇÕES PAGAS AO IMASF NO ANO DE 2011” (fl. 102), emitido pelo Instituto Municipal de Assistência à Saúde do Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Funcionalismo, onde consta o pagamento de R$ 4.729,85 em nome da Sra. Gloria Celestina Bisetti de Petit: b) Relatório emitido pelo setor administrativo do IMASF Instituto Municipal de Assistência à Saúde do Funcionalismo, denominado “RELAÇÃO DE DESCONTOS DE CONTRIBUIÇÃO”, com os valores mensais de descontos em favor da Sra. Gloria Celestina Bisetti de Petit. Nesse caso, com a conjugação das provas trazidas ao processo administrativo fiscal (termo de divórcio e relatórios de contribuição para o convênio médico) não restam dúvidas que o recorrente arcou com essa despesa e, por este motivo, deduziu do seu imposto de renda devida ante a permissão legal do art. 8º, II, “f”, da Lei nº. 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Assim, não resta dúvida que o pagamento do convênio médico é “importância paga a título de pensão alimentícia”, conforme acordado entre o Sr. Augusto Fernando Petit Prieto, ora recorrente, e sua exesposa Gloria Celestina Bisetti de Petit, no item “B)” do Termo de Divórcio de fls. 25/27. O fato da alimentanda/beneficiária não ter informado o referido montante em sua declaração de ajuste anual não pode implicar em penalidade ao recorrente que, cumprindo fielmente com suas obrigações, realizou o pagamento a qual estava obrigado por força de acordo firmado judicialmente. Assim, o recurso voluntário merece provimento para afastar da glosa a título de “Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial” o montante de R$ 4.729,85 referente ao pagamento de convênio médico por parte do recorrente para a alimentanda Gloria Celestina Bisetti de Petit. Dedução de Despesas Médicas Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.721013/201376 Acórdão n.º 2401004.245 S2C4T1 Fl. 131 7 A legislação do imposto de renda da pessoa física permite a dedução de despesas médicas do referido imposto, nos termos do art. 8º, II, alínea “a” e § 2º, da Lei nº. 9.250/95, assim disposta: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Como se vê, para que seja conferida validade ao recibo emitido por profissional de saúde, exigese que constem no mesmo, cumulativamente: a) Nome do profissional; b) Endereço; c) CPF; Assim, analisando os recibos apresentados pelo contribuinte referentes ao pagamento de R$ 6.000 à psicóloga Sueli Carvalho N. de Souza (fl. 21) e de R$ 12.000,00 ao cirurgiãodentista Wilson Luis de Souza Rosa (fl. 22), verifico que: a) No recibo emitido pela psicóloga (fl. 21) Sueli Carvalho N. de Souza não consta o seu endereço profissional; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 b) No recibo emitido pelo cirurgiãodentista Wilson Luis de Souza Rosa não consta o seu endereço profissional e a identificação do pagador está em nome de Rodrigo Gariboti Petit. Ainda, o recorrente trouxe ao presente processo administrativo declarações emitidas pelos referidos profissionais prestadores de serviço, onde se verifica: a) A declaração de Wilson Luis S. Rosa (fl. 23) menciona ter recebido de Rodrigo Gariboti Petit a quantia de R$ 12.000,00 em espécie, sem, novamente, mencionar o seu endereço profissional; b) A declaração de Sueli Carvalho N. de Souza (fl. 24) menciona ter recebido de Augusto Fernando Prieto Petit a quantia de R$ 6.000,00 em espécie, sem, novamente, mencionar o seu endereço profissional. E também trouxe aos autos o Extrato Mensal de conta do Banco Bradesco (sem identificação) e Banco Santander (Conta Corrente: 10514670), às fls. 29/79 referente ao ano de 2011, sob o fundamento de que sua movimentação bancária atesta a sua capacidade de arcar com o pagamento das despesas médicas indicadas nos recibos em comento. Importante destacar, mais uma vez, que o fundamento das glosas relativas às despesas médicas (fl. 13) se deu ante o fato do contribuinte “apesar de intimado, não comprovar os efetivos pagamentos dos valores de R$ 12.000,00 e R$ 6.000,00”. Trazidas as provas em comento pelo contribuinte, cabe cotejálas com as razões apontadas pelo AFRFB como suficientes para desqualificar os recibos de despesas médicas e glosar as despesas declaradas pelo contribuinte. Nesse contexto, entendo que não restou comprovado o efetivo pagamento das despesas médicas por parte do ora recorrente. Destaco que os extratos bancários trazidos ao presente processo não oferecem qualquer plausibilidade na demonstração de saques em espécie em datas próximas àquelas apontadas nos recibos quando teriam sido realizados os pagamentos. Melhor exemplificando: a) O recibo da psicóloga Sueli Carvalho N. de Souza (fl. 24) menciona o valor de R$ 6.000,00 e é datado de 30/06/2011. Na declaração desta profissional (fl. 23) é mencionado que o pagamento se deu em espécie. Se considerado o pagamento à vista, teríamos que ter um saque no valor minimamente razoável no referido mês ou, talvez, no mês anterior. Ainda que o pagamento tenha sido realizado mensalmente, o que indicaria parcelas mensais de R$ 1.000,00, teríamos que verificar saques nesse montante mensalmente. Todavia, nenhuma das situações pode ser verificada ou mesmo vislumbrada, posto que a grande maioria dos saques realizados na conta do recorrente são de valores baixos, na média em torno de R$ 200,00. b) O recibo do cirurgiãodentista Wilson Luis S. Rosa (fl. 22) é datado de 15/03/2011 e sua declaração (fl. 22) menciona que o valor foi recebido em espécie e os pagamentos se deram entre 15/01 e 15/03. Todavia, do mesmo modo, não há qualquer plausibilidade desses valores terem sido sacados ou movimentados nas contas bancárias do recorrente, sendo inclusive inconsistentes com os saldos de suas contas bancárias nesse período. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.721013/201376 Acórdão n.º 2401004.245 S2C4T1 Fl. 132 9 Assim, ante a ausência de comprovação por parte do recorrente de que efetivamente incorrera nas despesas médicas glosadas pela fiscalização, ainda que intimado para tal, entendo que devem ser mantidas as glosas realizadas em face das despesas médicas declaradas pelo contribuinte e apontadas pela autoridade fiscal como indevidas. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para o fim de afastar o saldo residual da glosa de “Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial”, desde que as despesas médicas da alimentada . Gloria Celestina Bisetti de Petit, no valor de R$ 4.729,85, já não tenham sido deduzidas a título de despesas médicas do contribuinte recorrente (art. 78, § 5º, RIR/99), cabendo a referida verificação pela autoridade de origem, mantendo incólume a glosa a título de “Dedução Indevida de Despesas Médicas”. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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