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Numero do processo: 10166.723066/2017-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - NULIDADE.
A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento.Preliminar acolhida.
DEDUÇÃO IRPJ DE IMPOSTO SOBRE LUCRO PAGO NO EXTERIOR. ASPECTO FORMAL. CONVENÇÃO DE HAIA DE APOSTILAMENTO.
Para a dedução do IRPJ decorrente de imposto pago no exterior, o comprovante de pagamento deve ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado brasileiro no país em que for devido o imposto.
A Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros de que trata o Decreto nº 8.660, de 29 de janeiro de 2016, aplica-se à dedução de IRPJ pelo pagamento efetuado no exterior. O documento da administração tributária deve ser devidamente apostilado pelo Estado estrangeiro, podendo ser no próprio documento ou em folha apensa, com o título "Apostille", em língua local, traduzido para o português por tradutor juramentado.
DEDUÇÃO IRPJ DE IMPOSTO SOBRE LUCRO PAGO NO EXTERIOR. ASPECTO MATERIAL. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO.
Para a dedução do IRPJ decorrente de imposto pago no exterior de que trata o art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o sujeito passivo deve trazer comprovante de pagamento detalhando o imposto pago, o qual deve restar comprovado que incide sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital. Assim, demonstrada a base de cálculo dos impostos, ratificando-se a incidência sobre renda dos impostos pagos, bem como a validade dos comprovantes apresentados, constando suas datas e valores de pagamento, aceita-se a dedução.
CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade.
Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 1401-003.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para afastar a glosa do imposto pago em Nova Iorque, Milão e Argentina-Patagônia. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado para eventuais substituições).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento.Preliminar acolhida. DEDUÇÃO IRPJ DE IMPOSTO SOBRE LUCRO PAGO NO EXTERIOR. ASPECTO FORMAL. CONVENÇÃO DE HAIA DE APOSTILAMENTO. Para a dedução do IRPJ decorrente de imposto pago no exterior, o comprovante de pagamento deve ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado brasileiro no país em que for devido o imposto. A Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros de que trata o Decreto nº 8.660, de 29 de janeiro de 2016, aplicase à dedução de IRPJ pelo pagamento efetuado no exterior. O documento da administração tributária deve ser devidamente apostilado pelo Estado estrangeiro, podendo ser no próprio documento ou em folha apensa, com o título "Apostille", em língua local, traduzido para o português por tradutor juramentado. DEDUÇÃO IRPJ DE IMPOSTO SOBRE LUCRO PAGO NO EXTERIOR. ASPECTO MATERIAL. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. Para a dedução do IRPJ decorrente de imposto pago no exterior de que trata o art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o sujeito passivo deve trazer comprovante de pagamento detalhando o imposto pago, o qual deve AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 30 66 /2 01 7- 99 Fl. 4041DF CARF MF 2 restar comprovado que incide sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital. Assim, demonstrada a base de cálculo dos impostos, ratificandose a incidência sobre renda dos impostos pagos, bem como a validade dos comprovantes apresentados, constando suas datas e valores de pagamento, aceitase a dedução. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para afastar a glosa do imposto pago em Nova Iorque, Milão e ArgentinaPatagônia. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado para eventuais substituições). Fl. 4042DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.042 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão n. 0741.155 3ª Turma da DRJ/FNS, que por unanimidade de votos julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido, exonerando o valor de R$ 10.384.689,59, mais os respectivos juros de mora e multa de ofício. Em relação à parte exonerada, houve Recurso de Ofício. Por bem descritos no Relatório do Acórdão recorrido, os fatos ocorridos até aquele momento, o adoto em parte, naquilo que interessa para a solução do litígio: Tratase de auto de infração que constituiu crédito tributário referente a imposto sobre a renda pessoa jurídica (IRPJ) no valor principal de R$ 107.886.396,38, totalizando R$ 238.882.059,85, incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%, na época do lançamento. 2. O contribuinte informou na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), exercício 2013, que no anocalendário 2012 possuía créditos decorrentes de lucros pagos no exterior no valor de R$ 246.068.474,40. Ele deduziu do IRPJ, na ficha 12B, Linha 12, o valor de R$ 148.564.284,21, e da CSLL o valor de 73.630.847,79 (Ficha 17, Linha 79). 2.1 O auto de infração entendeu que parte da compensação anterior não era devida e, por tal motivo, glosou em relação ao IRPJ o valor de R$ 107.886.396,83 (de um total de R$ 148.564.284,21, como visto no item 2) 2.2. O presente processo não trata da compensação da CSLL, uma vez que esta foi objeto do PER/Dcomp nº 12326.8200.291013.1.3.037921, em litígio no processo 10166.723066/201799. 3. No termo de verificação fiscal de fls. 20762116, intimouse o contribuinte em 23 de maio de 2016 a apresentar os comprovantes referentes aos valores declarados na DIPJ 2013 para o anocalendário de 2012 como pagos a título de Imposto de Renda no exterior. O contribuinte atendeu parcialmente a intimação em 22 de junho e em 8 de julho. 3.1. Ato contínuo, a autoridade tributária lançadora apresentou a legislação acerca da comprovação dos pagamentos efetuados no exterior, destacando o disposto no §2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: " para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto." 3.2. Informa que o contribuinte entendeu que a publicação do Decreto nº 8.660, de 29 de janeiro de 2016, que promulgou a Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros, firmada pela República Federativa do Brasil, em Haia, em 5 de outubro de 1961, implicou a desnecessidade de consularização dos comprovantes trazidos ao processo. Contudo, informa discordar desse entendimento, trazendo trecho de texto retirado do sítio eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pelo qual passase a aceitar Fl. 4043DF CARF MF 4 apostilas únicas emitidas pelos demais Estados num procedimento de legalização única, mas sem se eximir de cumprir outras exigências legais. Logo, entende que a exigência de reconhecimento pelo consulado brasileiro contido no § 2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, continua vigente. 3.4. A autoridade lançadora analisou os documentos de cada estabelecimento no exterior e o lançamento decorreu exatamente do reconhecimento ou não dos pagamentos que teriam sido efetuados em cada um deles, conforme planilharesumo a seguir: 4. Outra questão ressaltada no lançamento é a taxa do câmbio para a compensação dos valores pagos no exterior. Segundo o § 3º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, "o imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais". Entretanto, o entendimento da contribuinte seria que a compensação se daria na taxa de câmbio de 31 de dezembro, e não do efetivo pagamento, em observância ao regime de competência. 5. Com base nessas informações, a autoridade fiscal confirmou os seguintes valores como tendo sido comprovadamente pagos e passíveis de dedução (em moeda local) : Fl. 4044DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.043 5 6. A autoridade fiscal informa ainda que a dedução dos valores pagos no exterior deve respeitar a regra contida na IN SRF 213, de 7 de outubro de 2002, segundo a qual o "tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real". Ademais, "o valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real." 6.1. A fim de proceder a tal cálculo, a autoridade tributária verificou o lucro auferido no exterior e aplicou a alíquota do Brasil (15% mais adicional de 10%). Com esse limite legal, comparou os valores por ele confirmados como pagos no exterior com o limite legal aqui tratado. O quadro a seguir demonstra o valor que ele considerou (inclui a CSLL, mas como visto no item 2.2, ela está sendo tratada em outro processo): Fl. 4045DF CARF MF 6 6.2. Ao fim, concluiu: O contribuinte informou em linha 12, Ficha 12B DIPJ/2013, Imposto Pago no Exterior sobre Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital o montante de R$ 148.564.284,21. Esse valor foi utilizado como dedução do IRPJ apurado nesse período de apuração. Como o valor confirmado a título de imposto de renda pago no exterior foi de R$ 40.667.887,38, verificase que houve uma dedução indevida no montante de R$ 107.886.396,83. Apreciados os argumentos da impugnação por unanimidade de votos julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido, exonerando o valor de R$ 10.384.689,59, mais os respectivos juros de mora e multa de ofício, relativos a valores pagos na controladas ParisFrança, MadriEspanha e Viena Áustria (Lisboa). Para concluir neste sentido, a decisão de piso analisou primeiro as questões gerais, notadamente acerca da necessidade ou não do reconhecimento da administração tributária e do consulado brasileiro do comprovante de pagamento para compensar os pagamentos efetuados ou se há a sua dispensa, e a taxa do câmbio. Num segundo momento de maneira específica os países que foram objeto de impugnação, resultando do julgado a seguinte ementa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DEDUÇÃO IRPJ DE IMPOSTO SOBRE LUCRO PAGO NO EXTERIOR. ASPECTO MATERIAL. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. Para a dedução do IRPJ decorrente de imposto pago no exterior de que trata o art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o sujeito passivo deve trazer comprovante de pagamento detalhando o imposto pago, o qual deve restar comprovado que incide sobre Fl. 4046DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.044 7 lucros, rendimentos e ganhos de capital. Não basta proceder a uma descrição vaga acerca do sistema tributário do país estrangeiro em abstrato, sem relacionar com o pagamento efetuado. As inconsistências nos comprovantes de pagamento tornaos imprestáveis para efeito de prova e utilização para a dedução do IRPJ. DEDUÇÃO IRPJ DE IMPOSTO SOBRE LUCRO PAGO NO EXTERIOR. ASPECTO FORMAL. CONVENÇÃO DE HAIA DE APOSTILAMENTO. Para a dedução do IRPJ decorrente de imposto pago no exterior, o comprovante de pagamento deve ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado brasileiro no país em que for devido o imposto. A Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros de que trata o Decreto nº 8.660, de 29 de janeiro de 2016, aplicase à dedução de IRPJ pelo pagamento efetuado no exterior. O documento da administração tributária deve ser devidamente apostilado pelo Estado estrangeiro, podendo ser no próprio documento ou em folha apensa, com o título "Apostille", em língua local, traduzido para o português por tradutor juramentado. TAXA DE CÂMBIO. DEDUÇÃO. DATA DO PAGAMENTO. O tributo pago no exterior, a ser compensado pelo regime do art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de 1995, será convertido em Reais tomandose por base a taxa de câmbio da moeda do país de origem correspondente à data de seu efetivo pagamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental referente a fato pretérito deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo força maior. Mera alegação do contribuinte de que está providenciando os documentos, sem justificativa e sem comprovação da ocorrência de força maior, não pode ser aceito para retardar o julgamento do processo administrativo fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, interpôs Recurso Voluntário, com vistas a obter a reforma do julgado com a conseqüente anulação do Auto de Infração em face da comprovada existência de crédito suficiente apurado em seu favor, e anexa aos autos demonstrações financeiras e comprovantes de indicação de pagamento de imposto pago no exterior de com tradução juramentada, de forma a elidir os fundamentos da glosa, além disso, assevera que eventuais falhas identificadas na tradução e consularização dos documentos comprovadores dos pagamentos de tributos efetuados no exterior sejam superadas, em atendimento aos princípios ensejadores da boa fé, da verdade material e da razoabilidade, dada a existência de tratados e acordos extrangeiros, o quais tem como premissa a simplificação ou dispensa de legalizações em documentos públicos ou formalidades análogas. Fl. 4047DF CARF MF 8 É o relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, portanto passo a analisálo. O principal argumento utilizado pela DRJ para indeferir a compensação do imposto de renda incidente no exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real foi a ausência da comprovação necessária para fins de compensação referente ao documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que fosse devido. Naquela ocasião, o contribuinte se fiava no argumento que a necessidade de reconhecimento por parte do consulado brasileiro no exterior não mais subsiste com o advento do Decreto nº 8.660, de 29 de janeiro de 2016, que internalizou a Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros, firmada pela República Federativa do Brasil, em Haia, em 5 de outubro de 1961. Todavia, ao final de sua impugnação pugnou pela juntada de novos documentos posteriormente, vez que não dispunha até aquele momento de documentos reconhecidos pelo Consulado da Embaixada Brasileira em todos os países em que operava. O primeiro argumento relativo a eliminação da exigência da legalização dos documentos extrangeiros, fora afastado pela DRJ, ao considerar que tal requisito legal visa à proteção do erário brasileiro para se garantir que o pagamento efetivamente ocorreu e que foi para imposto incidente sobre lucro, renda ou ganho de capital. Afinal, não deixa de ser forma de reconhecer um crédito por parte do contribuinte contra a União, mas que foi gerado no exterior. Quanto à este ponto manifestou –se a DRJ: 15. Notese que tal alegação do contribuinte não foi novidade, já que pugnou pela sua aplicação durante o procedimento de fiscalização, mas que não foi considerado, conforme se depreende do seguinte trecho do auto: 04. Antes da análise da documentação apresentada, se faz necessária a análise da legislação que rege o imposto de renda no exterior. Sob o aspecto formal, o art. 26, § 2°, da Lei n° 9.249, de 1995, abaixo transcrito, estabelece que os documentos relativos ao imposto de renda incidente no exterior deverão ser reconhecidos pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. (...) 05. Essa obrigação fica dispensada quando for comprovado que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital, prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado, de acordo com art. 16, § 2°, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, abaixo transcrito: (...) Fl. 4048DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.045 9 06. Apesar de a lei exigir a consularização dos documentos relativos ao imposto de renda, o contribuinte apresentou, fls.1782/1783, o seguinte entendimento: "Não obstante a exigência de que trata o art.26, § 2° da Lei n° 9.249/95, quanto ao reconhecimento do comprovante do imposto pago no exterior pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto, entrou em vigor recentemente, 14/08/2016, a Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros que foi promulgada pelo Decreto n° 8.660/2016. Tal simplificação de atos para validação de documentos estrangeiros entre os países participantes implica a desnecessidade de consularização dos comprovantes trazidos ao processo. " (grifei) 07. Em que pese a publicação do Decreto n° 8.660/2016, o art.26, § 2° da Lei 9.249/95, não foi alterado e continua, portanto, vigente. Nesse contexto, cabe citar o entendimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), abaixo transcrito, a respeito da Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeira, conhecida como Convenção da Apostila, cuja vigência no Brasil ocorreu com a publicação do Decreto n° 8.660/2016, em 14/08/2016. Esse entendimento foi extraído do sítio do CNJ: http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/83079 entraemvigornobrasilaconvencaodaapostiladahaia. "Atualmente, para um documento ser aceito por autoridades estrangeiras, é necessário tramitálo por diversas instâncias, gerando as chamadas "legalizações em cadeia". A entrada em vigor da Convenção da Apostila permitirá a "legalização única", bastando ao interessado dirigirse a um cartório habilitado em uma das capitais estaduais ou no Distrito Federal e solicitar a emissão de uma "Apostila da Haia" para um documento. A apostila confere validade internacional ao documento, que poderá ser apresentado nos 111 países que já aderiram à Convenção. Contudo, a "legalização única" não exime o solicitante de apurar junto ao país ou à instituição destinatária do documento eventuais exigências adicionais, a exemplo de traduções. A partir de agora, o Brasil também passa a aceitar apostilas emitidas pelos demais Estados partes da Convenção." (grifei) 8. Percebese que não houve a dispensa de legalização de documentos estrangeiros, mas somente a chamada "legalização única". A última frase do texto extraído o sítio do CNJ ressalta que o Brasil passa a aceitar apostilas emitidas pelos demais Estados partes da Convenção. No caso em análise, ainda é necessário que os documentos relativos ao imposto de renda sejam reconhecidos pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. 16. Nesse ponto, o pressuposto contido no lançamento não está correto. O Decreto nº 8.660, de 2016, que incorporou ao ordenamento jurídico a Convenção de Haia de Apostilamento (aprovado pelo Congresso Nacional por intermédio do DecretoLegislativo nº 148, de 6 de julho de 2015), possui força de lei ordinária, conforme já é pacífico desde a prolação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) dos Recursos Extraordinários nº 71.154 e nº 80.004, ainda na década de 1970. 16.1 No direito tributário, ainda, há disposição expressa no Código Tributário Nacional (CTN) que incluiu os tratados internacionais (sem fazer limitação de ser apenas aqueles sobre direito tributário) na "legislação tributária", de observância obrigatória, inclusive pela legislação que lhes sobrevenha, conforme dispõem os arts. 96 e 98 do CTN: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas Fl. 4049DF CARF MF 10 complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. 16.2. A própria RFB já entendeu que a legislação interna deve ser interpretada em conformidade com os tratados internacionais, consoante se depreende do seguinte trecho do Parecer Normativo Cosit nº 4, de 1 de dezembro de 2015: 10. A Constituição Federal de 1988 impõe o respeito a tratados e convenções internacionais (art. 5º, §2º), enquanto o Direito Tributário reconhece força normativa aos tratados internacionais, com base no art. 98 do CTN, permitindo a incorporação ao ordenamento jurídico pátrio da regra da imunidade diplomática conferida aos agentes diplomáticos e aos Estados estrangeiros, positivada na Convenção de Viena de 1961. (grifouse) 16.3. Ademais, analisandose o texto da convenção do apostilamento, não só é obrigação de cada Estado dispensar a "consularização" dos documentos emitidos por autoridade estrangeira como ela deve impedir que os seus consulados assim procedam, conforme arts. 2º e 9º: Artigo 2º Cada Estado Contratante dispensará a legalização dos documentos aos quais se aplica a presente Convenção e que devam produzir efeitos em seu território. No âmbito da presente Convenção, legalização significa apenas a formalidade pela qual os agentes diplomáticos ou consulares do país no qual o documento deve produzir efeitos atestam a autenticidade da assinatura, a função ou o cargo exercidos pelo signatário do documento e, quando cabível, a autenticidade do selo ou carimbo aposto no documento. Artigo 9º Cada Estado Contratante tomará as providências necessárias para evitar que seus agentes diplomáticos ou consulares realizem legalizações nos casos em que esse procedimento seja dispensado pela presente Convenção. (grifouse) 16.4 Nessa linha, o Ministério das Relações Exteriores expressamente determinou que a legalização de documentos estrangeiros em Consulado brasileiro somente deve ocorrer para aqueles emitidos por países que não aderiram à referida Convenção, consoante se depreende do sítio eletrônico oficial daquele Ministério (http://www.portalconsular.itamaraty.gov.br/legalizacaodedocumentos): Se os países de origem e de destino do documento constarem da lista de países parte da Convenção da Apostila (disponível em http://www.cnj.jus.br/poder judiciario/relacoesinternacionais/convencaodaapostiladahaia/paisessignatarios), o documento deverá ser apostilado. Se os países de origem e de destino do documento NÃO constarem da lista, deverá ser legalizado conforme as orientações deste Portal Consular. Entendo assistir a razão à DRJ no que diz respeito a necessidade mínima do apostilamento do documento estrangeiro e a sua necessária tradução para que ele possa ser apreciado no curso do processo administrativo fiscal, conforme o disposto na SCI Cosit nº 21, de 20 de julho de 2004. Diante desse arrazoado da DRJ e convalidando o pedido feito desde a impugnação para que os documentos consularizados tivessem sua aceitação assegurada futuramente, dada a complexidade de seu alcance, a Recorrente os apresenta por ocasião de seu Fl. 4050DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.046 11 recurso voluntário, como meio de satisfazer a exigibilidade da DRJ no que diz respeito a necessidade da comprovação dos pagamentos feitos nos países extrangeiros. Nos termos da legislação que regulamenta a compensação no Brasil de imposto pago no exterior, artigo 395 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, temos que as exigências para a compensação são: a) que ela obedeça ao limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços; b) que os documentos relativos ao imposto pago no exterior sejam reconhecidos pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país, ou, alternativamente, que a empresa comprove que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado; c) com relação aos lucros, a empresa deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes; d) os créditos só serão compensados se os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo ano calendário subseqüente ao de sua apuração. Conforme trazido em Recurso Voluntário, a Recorrente aponta ter obedecido tais limites e o acervo probatório anexado aos autos, demonstra indícios de sua existência. Para melhorar e complementar o acervo probatório de seu crédito, a Recorrente anexou ao seu Recurso Voluntário, os comprovantes de recolhimento do imposto de renda pago no exterior utilizados para compor o saldo negativo ora discutido estão consularizados e devidamente traduzidos para o português; aduz que os valores pagos correspondem a imposto de renda efetivamente apurado e devido por controladas indiretas da Recorrente; e aponta provas de que os valores de imposto de renda compensados no exterior foram efetivamente aceitos pelas respectivas autoridades locais, conforme se verifica ás fls. 2298 a 2377; 2401 a 3345, 3347/3979 e 3986/4031; Observese que, se o lucro no exterior é computado no cálculo do lucro real (e só no lucro real) e existe um comprovante de recolhimento de imposto no exterior legítimo apresentado pela empresa, basta verificar o limite de compensação e efetuar o confronto de débito e crédito. Embora tal complementação da prova tenha se efetivado já na fase recursal, em razão aos princípios da Verdade Material, exercício de contraditório pleno, não vejo impedimento algum quanto a recepção destes documentos, já que tem por escopo principal solucionar e esclarecer as dúvidas levantadas no acórdão DRJ, neste sentido temos as Resoluções 1401000.541 e 1401000.538, proferidas recentemente por esta turma. Em prol da verdade material, o fato da prova não ter sido feita em momento oportuno, não impede que este órgão julgador a aprecie e lhe reconheça a validade. Este E. Conselho já decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 4051DF CARF MF 12 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL – NULIDADE. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento.Preliminar acolhida. Recurso provido. Acórdão nº 10319.789, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, prolatado em 08 de dezembro de 1998, relatora Conselheira Sandra Maria Dias Nunes. No mesmo sentido, Alberto Xavier : “afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material qualquer restrição ao exercício do direito à prova em função da fase do processo, desde que anterior à decisão final tomada na segunda instância”. (Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.160). Por se tratar de questão indispensável para o bom deslinde da causa, conforme art. 29 do Decreto 70.235/72 e para a apreciação dos documentos indicativos da existência de saldo de prejuízo fiscal acumulado em valor aparentemente suficiente à compensação dos créditos exigidos nos autos, voto pela conversão do processo em DILIGÊNCIA, para a unidade de origem para analiticamente analise os limites cumpridos os requisitos exigidos pela DRJ reavaliar os valores compensados. Acredito ser desnecessária a comprovação de que a legislação prevê o imposto no exterior, pois é evidente que a Empresa não pagaria imposto desnecessário (e o pagamento é comprovado pelas guias) para, depois, tentar compensálo, de forma limitada, com o imposto pago no Brasil. Seria um planejamento tributário para perder. Em relação ao que foi acatado pela DRJ e o que foi objeto de recurso voluntário, trago a observação feita no acórdão recorrido quanto ao resumo dos argumentos da impugnação que defende a ocorrência da comprovação dos pagamentos efetuados para algumas agências do exterior (não todas), seja pelo aspecto material, seja pelo aspecto formal. A planilharesumo a seguir apresenta quais agências foram objeto de impugnação e os principais argumentos utilizados: Fl. 4052DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.047 13 Fl. 4053DF CARF MF 14 Das impugnações formuladas, foi reconhecida procedência parcial da impugnação, exonerando o valor de R$ 10.384.689,59, mais os respectivos juros de mora e multa de ofício, conforme tabela a seguir: Quanto aos valores mantidos na autuação, a Recorrente apresenta, país a país, os argumentos pelos quais entende necessário o afastamento da glosa. BOLÍVIA — LA PAZ A recorrente argumenta em Voluntário apresentamos a legislação local e respectiva tradução juramentada acompanhada das demonstrações financeiras já constantes do procedimento fiscal n° 10010.024964/041605, juntadas em resposta à Intimação n° 425/2016 — Documento Contadoria ri° 2016/6688 de 22/06/2016, com as quais reputamos restar atendida a condição alternativa prevista na Lei n° 9.249/95, art. 26, tornando, segundo ela, dispensada à impresa a obrigação de processar o reconhecimento do órgão arrecadador e consularização de documento na repartição consular brasileira no exterior. Fl. 4054DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.048 15 Entendo que o argumento não é suficiente para afastar as conclusões da DRJ no sentido de que: O contribuinte alega a existência do Acordo de Cooperação e Assistência Jurisdicional em matéria Civil, Comercial, Trabalhista e Administrativa entre Estados Partes do Mercosul, República da Bolívia e República do Chile, aprovado pelo Decreto n° 6.891, de 2009, que tornaria desnecessário o reconhecimento pelo consulado brasileiro. 21.3. Analisandose o referido acordo, ele tem por objetivo "prestar assistência mútua e ampla cooperação jurisdicional em matéria civil, comercial, trabalhista e administrativa". (art. 1º). Para tanto, os Estados Partes indicarão uma Autoridade Central encarregada de receber e dar andamento a pedidos de assistência jurisdicional em matéria civil, comercial, trabalhista e administrativa", as quais "comunicarseão diretamente entre si, permitindo a intervenção das respectivas autoridades competentes, sempre que necessário." (art.2º) Em outras palavras, é um acordo com espectro de atuação no Poder Judiciário e na cooperação direta Estado a Estado por intermédio de uma autoridade central designado por cada um deles. 21.4. Quando o acordo trata de documentos públicos, o faz nos seguintes termos: " Os documentos emanados de autoridades jurisdicionais ou outras autoridades de um dos Estados Partes, assim como as escrituras públicas e os documentos que certifiquem a validade, a data e a veracidade da assinatura ou a conformidade com o original, e que sejam transmitidos por intermédio da Autoridade Central, ficam isentos de toda legalização, certificação ou formalidade análoga quando devam ser apresentados no território do outro Estado Parte." (art. 26). A despeito de tratar de dispensa de "legalização, certificação ou formalidade análoga", isso se dá somente para os documentos públicos objeto da cooperação jurisdicional e que sejam repassados direto de um Estado a outro por intermédio da autoridade central designada. 21.5. Não se aplica tal acordo ao presente caso, em que o documento é apresentado por particular. Para esse caso continua válido integralmente o disposto no § 2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995. Razão pela qual, mantenho a glosa. NOVA IORQUE O crédito pleiteado pela Recorrente foi indeferido, sob o argumento principal de que: "O contribuinte deve questionar, de forma direta e objetiva, a matéria devolvida à instância julgadora, que é apenas aquela expressamente contraditada na peça impugnatória, ou seja, aquela em que está evidenciada, de maneira inequívoca, a reação do contribuinte ao lançamento. Ele tem a obrigação de comprovar que os pagamentos efetuados incidem sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital, não bastando meras alegações ou descrições vagas acerca do sistema tributário do país estrangeiro. Não há como considerar, assim, cumprida a obrigação do § 2º do art. 16 da Lei nº 9.430, de 1996, sem falar na falta de apresentação das demonstrações financeiras a que se refere o inciso I desse dispositivo". Em seu Voluntário, a Recorrente traz os seguintes elementos probatórios: Fl. 4055DF CARF MF 16 Quanto aos impostos pagos ao Estado e o Município de Nova Iorque, entendemos inapropriada a afirmação da RFB de que a legislação apresentada não prevê a incidência de tais impostos sobre o lucro e que se relacionam aos comprovantes apresentados, isso porque os detalhes contidos nos comprovantes e traduções foram criteriosamente colacionados no recurso de manifestação de inconformidade, contudo, sem a devida atenção da RFB. 20. Para tanto, realizaremos nova colação a fim de tornar evidente o cruzamento de informações e comprovantes de pagamento, que em análise detida são suficientes para refutar a alegação de que não há referência ao imposto pago ou de incidência sobre o lucro. 21. Perceba nos exemplos a seguir, tradução do comprovante à fl. 400 e 402, consta descrição expressa indicando o tributo pago "Imposto Estimado do Estado de Nova Iorque", em seguida a indicação do meio utilizado para quitação representado pelo "Formulário CT400", se reportarnos à legislação juntada às fls. 1566, observarseá a nítida correlação sobre o tributo pago do Estado de Nova Iorque e o respectivo comprovante apresentado, que colacionamos a seguir: Eis destacado abaixo, fls. 1566, trecho da legislação traduzida que prevê o recolhimento do Imposto Estimado do Estado de Nova Iorque por meio do formulário CT400: Fl. 4056DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.049 17 De forma equivalente houve omissão da RFB quanto à verificação na legislação anexada aos autos em conciliação aos comprovantes também juntados acerca do Imposto de Renda Estimado da Cidade de Nova Iorque. A exemplificar tal incoerência registrese que dos comprovantes de pagamentos colacionados abaixo, a utilização do formulário "NYC 400B", o qual detém sua previsão na legislação de fls. 1572 a 1580, como segue: Seguem destacadas as imagens do comprovante NYC 400B e descrição traduzida da legislação que aponta o formulário NYC 400B (fls. 1572 e 1574): Fl. 4057DF CARF MF 18 25. Reiteramos ponto de omissão da RFB no que concerne à comprovação de que ambos os impostos do Estado e Cidade de Nova Iorque configuram de fato tributos incidentes sobre o lucro. Essa condição foi cabalmente demonstrada quando da apresentação de manifestação de inconformidade, informes dos quais a DRJ cuidou de suprimir ao proferir a decisão. Dito isso, novamente discorremos sobre o tema nos parágrafos seguintes, a demonstrar os tributos e menções da incidência destes sobre o lucro na legislação regente. 26. Em relação à legislação sobre o Imposto Estimado da Cidade de Nova Iorque, item "Cargas Tributárias (fls. 1554 do Processo 10010.024964/041605)", selecionamos os trechos que denotam a incidência deste tributo sobre a renda líquida, conforme a seguir: 27. De outro lado também, relativamente ao Imposto Estimado do Estado de Nova Iorque, observase que a base de cálculo é integrada pela renda empresarial, o capital empresarial e imposto mínimo, pelo disposto às fls. 1564 e 1566 do Processo 10010.024964/041605: 28. A respeito da legislação tributária americana, os documentos extraídos de sítios dos órgãos arrecadadores americanos referente à Cidade de NY e o Estado de Nova Iorque constituemse de organismos oficiais governamentais, revestindose, portanto, da fidedignidade necessária a validar os comprovantes apresentados, seguem os sites de pesquisa: https://www.tax. nv.qov/pit/estimated tax/who must make.htm https://wwwl.nvc.clov/site/finance/taxes/businessgeneralcorporationtax óct.paqe, 29. Desse modo, julgamos equivocada e omissa a análise da RFB quanto aos impostos pagos em Nova Iorque, em razão da forma elucidativa com a qual a legislação americana se apresenta, ao demonstrar a base de cálculo dos impostos, ratificandose a incidência sobre renda dos impostos pagos, bem como a validade dos comprovantes apresentados, constando suas datas e valores de pagamento, o que Fl. 4058DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.050 19 traduz no cumprimento da condição alternativa prevista na legislação, nos termos do art. 16, § 20, inciso II da Lei n° 9.430/96. Entendo assistir razão ao Recorrente, já que demonstrada a base de cálculo dos impostos e a incidência dos impostos pagos, mediante a apresentação dos necessários comprovantes, reformo a decisão para reconhecer o aproveitamento do valor dos impostos pagos em Nova York. FRANKFURT. O Recorrente reitera o argumento em sede de Voluntário que os comprovantes relativos as despesas incorridas no pagamento do imposto para devidamente apostilados, na forma demonstrada acima e que foram disponibilizados a essa Autoridade Fiscal (anexo), não havendo que se falar na ausência de tal requisito, de modo que a RFB deverá manifestarse pelo reconhecimento do direito creditório relativo ao Imposto de Renda e Adicional de Solidariedade (Kõrperschatfsteuer), assim como, do Imposto Comercial (Gewerbesteur). Referido argumento já foi considerado e afastado a exaustão pela DRJ, ao mencionar que: 26. Em suma, do que se depreende do auto de infração foi que o Banco do Brasil apresentou na DIPJ o valor equivalente a €1.571.537,04 como imposto pago pela agência Frankfurt a deduzir do IRPJ. Intimado a apresentar tabela contendo todos os pagamentos que seriam passíveis de dedução, apresentou a seguinte (fl. 2018): Fl. 4059DF CARF MF 20 26.1 Contudo, a autoridade lançadora entendeu que os comprovantes de pagamento não foram apresentados, fazendo as seguintes observações: (...) foram apresentados apenas 04 comprovantes de pagamentos, conforme tabela 08. Ademais, algumas datas de pagamentos informadas em coluna 01 não conferem com as datas dos comprovantes, coluna 03. Percebese que foram pagos tanto imposto de renda quanto o adicional de solidariedade. 26.2. Analisandose os comprovantes trazidos à baila nas fls. 16071618, a autoridade lançadora tem razão: relacionados com a tabela apresentada pelo próprio contribuinte, apenas constam os pagamentos de €133.016.00 (10/12/2012), €7.315,88 (10/12/2012), €193.411,00 (5/6/2013) e €10.637.60 (5/6/2013), os quais não foram aceitos por não conter o reconhecimento do consulado brasileiro. 27. Na impugnação, o contribuinte aduz que todos os pagamentos (sem dizer exatamente quais: da sua DIPJ ou da tabela que fez depois?) constam do processo nas fls. 2.029 a 2.039. Ressaltese que em tais folhas encontramse parte da manifestação do banco contendo diversas tabelas de pagamentos efetuados, não se referindo à agência Frankfurt. De qualquer forma, apresentou uma tabela (tradução contida nas fls. 16121614), conforme imagem a seguir: 27.1. Analisando o documento anterior, além dos quatro pagamentos considerados pela autoridade lançadora, há mais nove: €431.256,00 (4/9/2012), €4.92300 (10/3/14), €8.390,00 (24/10/14), €777,00 (24/10/14), €7.022,00 (23/10/14), €23.718,76 (4/9/12), €10.637,60 (5/6/13) €271,09 (10/3/14) e € 461,45 (24/10/14). Aparentemente são esses os valores que o impugnante também espera Fl. 4060DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.051 21 ver reconhecidos (desconsideradas as questões formais, pelos quais a autoridade lançadora desconsiderou quaisquer pagamentos). 27.2 Notese que parte desses pagamentos nem consta da planilha feita pelo próprio contribuinte (item 23). Na peça impugnatória, por sua vez, não há nenhuma explicação para este fato ou a que se refere o termo "pagamentos resumidos" contido em dois deles. Mais: não consta exatamente o valor que se requer conhecido na impugnação, fazendo menção apenas ao documento cuja imagem foi colacionada no item 27 supra. 28. De qualquer forma, o reconhecimento desses pagamentos fica pendente da questão formal. Notese que a autoridade lançadora, não obstante ter reconhecido parcialmentesob o aspecto material uma fração dos pagamentos efetuados, não o reconheceu pelo aspecto formal, pois não teria tido o reconhecimento do consulado brasileiro. 28.1. Conforme itens 13 a 19.6, este julgador tem o entendimento que se aplica ao presente caso a Convenção de Haia de Apostilamento. 28.2. O contribuinte apresentou um documento (de uma folha) acerca do apostilamento em alemão, cuja imagem colacionase a seguir: 28.3. Como visto, o selo do apostilamento deve se dar no próprio documento ou em folha apensa, com o título "Apostille", em língua local. O contribuinte, por sua vez, trouxe esse selo num documento avulso, vale dizer, o selo não estava contido no documento que se pretendia apostilar. 28.4. Ademais, o apostilamento não foi traduzido para o português, o que continua sendo obrigatório para a sua validade no processo administrativo fiscal, consoante item 18.2. Não se sabe a qual documento ele se refere. Em relação ao pedido do contribuinte requerendo prazo para trazer a tradução juramentada, indefiroo. O contribuinte não demonstrou a impossibilidade de apresentar a referida tradução. Notese que se trata de uma folha, o que se presume não ser um trabalho demorado. A falta de apresentação junto com a impugnação enseja a preclusão processual de assim proceder, conforme § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 4061DF CARF MF 22 29. Em adição a esses pagamentos, o contribuinte trouxe outro documento na impugnação em que pretende comprovar a dedução dos valores pagos ao governo alemão em relação ao imposto denominado "Gewerbesteur", que é um imposto sobre atividade comercial (e que o impugnante entende ser passível da dedução em tela). Apresentou o seguinte documento no Anexo 2 (fl. 2198): 29.1. Tratase de documento produzido pela agência do Banco do Brasil em Frankfurt, parte em português e parte em alemão (do que se depreende não ter sido produzido pela administração tributária alemã ou de um de seus entes federados), totalizando o valor de €836.505,40. 29.2. Os pagamentos constam da planilha constante do item 26, mas já não tinham sido considerados pela autoridade lançadora. Realmente no procedimento de fiscalização o contribuinte não trouxe os comprovantes de pagamento com o reconhecimento da administração tributária. Na presente impugnação, apresentou o documento colacionado no item 29, que, como visto, não é documento oficial. Desta feita, não há como reconhecer tais pagamentos para fins de dedução. 29.3. Conforme visto nos itens 28 a 28.4, não houve reconhecimento consular. Na folha exatamente anterior ao documento colacionado no item 28.2, apresentouse aquele colacionado no item 29. Não se sabe a qual documento o apostilamento se refere, mas certamente não seria de um produzido pelo próprio contribuinte. Evidentemente que para ser aceito o apostilamento, teria que se saber qual documento foi apostilado pela autoridade alemã. Logo, não há como se reconhecer como cumprido o apostilamento pelo documento apresentado pelo contribuinte. Fl. 4062DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.052 23 Diante do exposto, mantémse a glosa para a dedução dos pagamentos efetuados pela agência Frankfurt TÓQUIO Nos termos do que foi observado pela DRJ: 35.4. Conforme consta do próprio relatório produzido pelo contribuinte, a taxa referente ao valor adicionado possui como base de cálculo: (i) os cursos da mãode obra, (ii) o pagamento de juros, aluguel e (iii) o resultado do exercício corrente. A taxa referente ao capital tem por base de cálculo exatamente o capital da pessoa jurídica. Não há incidência sobre o lucro, renda ou ganho de capital, portanto. 35.5. Já em relação ao "imposto especial", a base informado no relatório seria um multiplicador dos rendimentos tributáveis com a taxa padrão do imposto comercial. Contudo, não houve maiores detalhamentos de cada um dos tributos que o contribuinte quer compensar. Isso sem falar que o próprio relatório dispõe que os valores depreendidos são despesas dedutíveis para o IRPJ (vide transcrição no item 35.1). Não restou clara a base de incidência de tal tributo, não me convencendo de que seria uma parcela incidente sobre lucros, ganhos de capital ou rendimentos, mormente quando se diz que é considerada despesa dedutível do próprio imposto de renda, incide sobre lucro, renda ou ganho de capital. Verificase que em sede de Recurso Voluntário, a recorrente limitase a reprisar os argumentos da impugnação (aplicar art. 57), razão pela qual adoto os fundamentos da DRJ que os rebate a precisão e mantenho a glosa efetuado dos pagamentos que se pretendeu compensar da agência Tóquio. MILÃO Em relação as operações relacionadas à MILÃO, esclarece a Recorrente: 49. Do total do direito creditório pleiteado em relação ao imposto pago na Itália, no valor de R$ 3.542.155,60, a Receita Federal confirmou o valor parcial de R$ 3.207.142,34, resultante da conversão do importe de 1.172.087,00 euros, o que importou na desconsideração dos valores pagos a título de IRAP (códigos 3800 e 3812), resultado que foi mantido pela DRJ Florianópolis. 50. A findar a discussão, quanto à confirmação de que o IRAP é incidente sobre a renda, apresentamos a legislação em língua estrangeira e respectiva tradução juramentada acerca do IRAP Decreto Legislativo° 446 de 15 de dezembro de 1997 (anexo), cuja descrição explica que o referido tributo é incidente sobre o valor da produção líquida, conforme o exposto a seguir: 51. Por todo o exposto, fica assegurado a incidência sobre lucro relativamente ao IRAP, em cumprimento à condição prevista na legislação, nos termos do art. 16, Fl. 4063DF CARF MF 24 § 2°, inciso II da Lei n° 9.430/96, e demonstrações financeiras já constantes do procedimento fiscal n° 10010.024964/041605, juntadas em resposta à Intimação n° 425/2016 — Documento Contadoria n°2016/6688 de 22/06/2016. Feitos esses esclarecimentos voto por dar provimento ao Voluntário para incluir na possibilidade de aproveitamento os valores pagos a título de IRAP (códigos 3800 e 3812),. ARGENTINA — PATAGÔNIA Em relação as operações relacionadas à ARGENTINA, anoto que a glosa foi mantida sob os seguintes fundamentos: 45.1. De um total de 34 pagamentos informados pelo contribuinte, cujo valor total seria de 370.902.670,23 pesos, apenas dois foram apresentados: um de 62.7098.494,16 pesos (13/6/2012) e outro de 186.962.549,82 pesos (14/5/2013), totalizando o valor em reais em R$ 101.123.070,13, conforme tabela a seguir colacionada: 45.2. O percentual de participação do Banco do Brasil no Banco Patagônia é de 58,96% do seu capital. Logo, o valor de R$ 101.123.070,13 (proveniente da conversão do valor de 249.761.043,98 pesos) deve ser proporcionalizado, restando o valor de R$ 59.622.163,15 (de um total de R$ 154.295.510,82 informado na DIPJ). Contudo, mesmo em relação a esses dois comprovantes de pagamento houve a glosa por não terem sido reconhecidos pelo consulado brasileiro. Contrapondo tais fundamentos, o Recorrente esclarece: 65. De acordo com o exposto, encaminhamos os comprovantes complementares dos tributos sobre o lucro pagos por meio de compensação, ressalvandose que estão em língua estrangeira, e serão submetidos à tradução juramentada para posterior juntada ao processo (anexo). 66. Em sentido oposto ao órgão Colegiado Superior, a DRJFlorianópolis assincronicamente restringiu a análise para somente considerar os comprovantes de pagamentos via internet banking, documento VEPAFIP, omitindose acerca das demais parcelas de pagamento do tributo apurado, conforme declaração F.713 — lmpuesto a las Ganancias, que para melhor exemplificar demonstramos no quadro a seguir: 67. A coluna "a" remonta o imposto apurado, tendo as colunas "h" a "f' informado a forma pela qual a gestão empresarial tributária se utilizou para quitação do tributo devido. 68. Nessa perspectiva, necessário que o Fisco empreenda análise conjunta dos documentos já confirmados com as declarações fiscais dos impostos pagos, que demonstram o pagamento do imposto mediante compensação, conforme o dispositivo da IN 213, artigo 14, § 8°. Fl. 4064DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.053 25 Da Dispensa de Legalização de Documentos Estrangeiros 69. Não obstante a exigência da consularização dos documentos relativos ao Imposto de Renda incidente no exterior, fundado na disciplina do art. 26, § 2° da Lei n° 9.249/95, ressaltamos a existência de tratados e acordos multilaterais celebrados entre o Brasil e diversos Estados estrangeiros, os quais têm como premissa a simplificação ou dispensa de legalizações em documentos públicos ou formalidades análogas, nesse sentido, citamse alguns normativos identificados sobre a matéria: a) Decreto n° 8.660/2016 Promulga o Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros, firmada pela República Federativa do Brasil, em Haia, em 05 de outubro de 1961; b) Decreto n° 6.891/2009 —Acordo de Cooperação e Assistência Jurisdicional em matéria Civil, Comercial, Trabalhista e Administrativa entre Estados Partes do Mercosul, República da Bolívia e República do Chile; c) Decreto n° 3.598/2000 Promulga o Acordo de Cooperação em Matéria Civil entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Francesa, celebrado em Paris, em 28 de maio de 1996; d) Decreto n° 166/1991 Promulga o Convênio de Cooperação Judiciária em Matéria Civil, entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Reino da Espanha 70. Assim, requerse que eventuais falhas identificadas na tradução e consularização dos documentos comprovadores dos pagamentos de tributos efetuados no exterior sejam superadas, em atendimento aos princípios da boafé, da verdade material e da razoabilidade. Diante dos documentos apresentados ao Recurso Voluntário, fls. 2401/3149, possível superar o argumento utilizado pela DRJ para manutenção do lançamento no sentido de que em relação ao pedido de apresentação dos comprovantes de pagamento em momento posterior, sem demonstrar (e não basta meramente alegar) que já está providenciando ou explicar o porquê de não ter apresentado sem falar que já se passaram em torno de seis meses entre a impugnação e o presente julgamento, sem a apresentação do referido documento não há como ser aceito. Dou provimento ao recurso em relação a esse item. Em relação ao demais países ESPANHA — MADRI / PARISFRANÇA, PORTUGAL — LISBOA, mantenho a decisão DRJ no que diz respeito ao acolhimento parcial dos valores exonerando o valor de R$ 10.384.689,59, mais os respectivos juros de mora e multa de ofício, não tendo o Recurso Voluntário trazido novos elementos aptos a justificar a reforma da decisão de piso, ressalvada, em relação a MADRI em que houve a ampliação da exoneração para reconhecer a diferença a título de IRAP, nos termos expostos no item relativo a esse pais. Do confisco. Argui a recorrente que em face da suposta insuficiência dos créditos declarados além do indevido tem intuito meramente arrecadatório sendo de todo confiscatório, violando preceitos constitucionais. Fl. 4065DF CARF MF 26 Quanto ao argumento, observo que à luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, por força do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A propósito, na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos, a matéria resultou Sumulada junto ao Carf, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Deste modo, não conheço das questões que sustentam a insubsistência do crédito tributário com base em alegações relacionadas à inconstitucionalidade das normas apontadas pela recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para restabelecer as glosas relativas aos impostos demonstrados como recolhidos em NOVA IORQUE, MILÃO e ARGENTINA — PATAGÔNIA. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 4066DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.054 27 Fl. 4067DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000194/2009-54
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004, 2005
Ementa:
ADMISSIBILIDADE. TESE DIVIDIDA EM DUAS PARTES COM PARADIGMAS AUTÔNOMOS. DECISÕES PROFERIDAS EM CONTEXTOS FÁTICOS-JURÍDICOS DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
Tese segmentada em duas partes distintas, cada qual com decisões paradigmas autônomas e independentes, não se mostra apta a construir fundamento suficiente para reformar a decisão recorrida. A decisão paradigma deve, por si só, conter fundamentos próprios para reformar a decisão contestada. Se a apreciação individual de cada paradigma demonstra que se trata de decisão proferida em contexto fático-jurídico distinto da decisão recorrida, resta impossível atendimento de requisito específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 9101-003.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora) e Demetrius Nichele Macei, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Julgado dia 16/01/2019, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente a conselheira Lívia de Carli Germano, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005 Ementa: ADMISSIBILIDADE. TESE DIVIDIDA EM DUAS PARTES COM PARADIGMAS AUTÔNOMOS. DECISÕES PROFERIDAS EM CONTEXTOS FÁTICOSJURÍDICOS DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Tese segmentada em duas partes distintas, cada qual com decisões paradigmas autônomas e independentes, não se mostra apta a construir fundamento suficiente para reformar a decisão recorrida. A decisão paradigma deve, por si só, conter fundamentos próprios para reformar a decisão contestada. Se a apreciação individual de cada paradigma demonstra que se trata de decisão proferida em contexto fáticojurídico distinto da decisão recorrida, resta impossível atendimento de requisito específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora) e Demetrius Nichele Macei, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Julgado dia 16/01/2019, no período da tarde. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 94 /2 00 9- 54 Fl. 610DF CARF MF Processo nº 19740.000194/200954 Acórdão n.º 9101003.966 CSRFT1 Fl. 611 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente a conselheira Lívia de Carli Germano, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de CSLL, quanto aos anos de 2004 e 2005, com imposição de multa de 75% (fls. 89, volume I). Consta do Termo de Verificação Fiscal às fls. 82: Afirma o contribuinte que, os montantes dos tributos antes suspensos, agora, se encontram extintos e que, o fato de não ter promovido nos anos base de 2004 e 205 a sua adição quando da apuração da base de cálculo da CSLL, acarretaria, apenas, numa postergação no pagamento da CSLL (fls. 34). Esse raciocínio do contribuinte não é compartilhado por esta fiscalização. O procedimento correto seria o de promover na apuração da CSLL, dos anos base de 2004 e 2005, a adição dos montantes dos tributos suspensos para que, somente após o transito em julgado da (s) medida (s) judicial (is), aqueles tributos considerados efetivamente devidos e recolhidos fossem excluídos das bases de cálculo da CSLL. Ressaltamos que tal exclusão a título de despesa é prerrogativa do contribuinte e não uma obrigação / imposição legal. (...) Dos trabalhos de auditoria anteriormente descritos, verificamos que foi cometido descumprimento à legislação da CSLL. Qual seja: Com relação à constatação da não adição ao lucro líquido dos tributos com exigibilidade suspensa nos anos base de 2004 e Fl. 611DF CARF MF Processo nº 19740.000194/200954 Acórdão n.º 9101003.966 CSRFT1 Fl. 612 3 2005, respectivamente nos (...), o art. 2º da Lei nº 8034, de 12/04/1990 assim dispõe: (...) O artigo 13, da Lei nº 9.249/1995, também cita o que segue: (...) Sendo apresentada impugnação administrativa (fls. 187), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro manteve o lançamento tributário, em acórdão do qual se extrai ementa (fls. 355, volume II): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE o LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005 APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os lançamentos contábeis de tributos cuja exigibilidade esteja suspensa se caracterizam como provisões e, assim, devem ser adicionados na determinação da base de cálculo da CSLL. O contribuinte juntou aos autos parecer contábil tratando da possibilidade de dedução alegada nos autos. Ademais, em seu recurso voluntário, o contribuinte reiterou as razões de impugnação, em especial alegando a (i) distinção entre a base de cálculo da CSLL e do IRPJ; subsidiariamente, sustentando (ii) a postergação, pois em 2007 houve trânsito em julgado da decisão judicial. Diante disso, teria baixado “a parcela do saldo da rubrica representativa daquela obrigação tributária em que foi vencedora a crédito de conta do resultado do exercício, anulando igualmente os lançamentos de despesas com esta contribuição efetuados em 2004 e 2005” (fls. 363, volume II, transcrição de trecho do recurso especial, fls. 447) O processo foi julgado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da ementa do acórdão 1201001.233 (fls. 467), transcrevendose trecho da ementa desta decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005 APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL, PROVISAO NÃO DEDUTIVEL. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional CTN são indedutíveis, como despesa, para efeito da determinação do Lucro Real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. A dedutibilidade somente ocorrerá após decisão judicial final desfavorável à pessoa jurídica, observandose o regime de caixa. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 19740.000194/200954 Acórdão n.º 9101003.966 CSRFT1 Fl. 613 4 O contribuinte foi intimado deste acórdão em 21/01/2016 (fls.482), interpondo recurso especial em 04/02/2016 (fls. 483). Neste recurso, sustenta divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos seguintes temas: (i) Falta de adição de parcelas de despesas com PIS e COFINS com exigibilidade suspensa, divergindo dos acórdãos paradigmas nº 1103 00.261, 140100.058, 10709.534 e 10709.344, rerratificfado pelo acórdão 10709.488; (ii) Postergação do pagamento, indicando como paradigma o acórdão nº 10196.334. O então Presidente da 2ª Câmara deu seguimento ao recurso especial, conforme decisão às fls. 600. I Quanto à matéria suscitada: Falta de adição à base de cálculo da CSLL dos anoscalendário 2004 e 2005 das despesas tributos com exigibilidade suspensa subtraídas da apuração do resultado do exercício provisão indedutível: No caso, por existir similitude fática realmente está configurada a dissidência jurisprudencial, pois o acórdão recorrido deu interpretação divergente à legislação de regência, quando cotejado com os paradigmas indicados (Acórdãos nºs 1103 00.261 e 140100.058).(...) Por sua vez, entendimento diverso restou esposado pelos paradigmas indicados quanto à interpretação da citada legislação, perante situação fática similar. Paradigmas indicados Acórdão nº 110300.261 e 140100.058: consta que sufragaram o entendimento que a obrigação tributária com exigibilidade suspensa não traduz contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar; que as interpretações literal, lógica e sistemática conduzem à exegese de que as despesas com tributos com exigibilidade suspensa permanecem dedutíveis, para a determinação da base de cálculo da CSLL, pelo regime de competência. (...) Portanto, restando demonstrada a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados quanto à interpretação da legislação de regência de indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa por medida judicial, como despesa, na base de cálculo da CSLL, foram atendidos os pressupostos de admissibilidade dos arts. 67 e 68, Anexo II, do RICARF/2015, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. (...) II No que concerne à matéria suscitada: Postergação de pagamento da CSLL (...): O acórdão recorrido, seguindo o mesmo entendimento da Fiscalização da RFB e do acórdão da DRJ, rechaçou, peremptoriamente, o argumento da Contribuinte de que teria havido postergação de pagamento da CSLL de 2004 e 2005 para Fl. 613DF CARF MF Processo nº 19740.000194/200954 Acórdão n.º 9101003.966 CSRFT1 Fl. 614 5 2007, frisando que na verdade houve, sim, provisão (deduzida indevidamente) e não postergação de pagamento: (...) Já o paradigma indicado (Acórdão 10196.334 ), que trata de situação fática similar a do acórdão recorrido, ou seja, indevido aproveitamento antecipado de despesas que deveriam ser reconhecidas apenas em anos posteriores, acatou ou reconheceu a postergação de pagamento de tributo (...) Satisfeitos os pressupostos de admissibilidade (RICARF, arts. 67 e 68, Anexo II, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015), DOU SEGUIMENTO ao recurso especial da Contribuinte, quanto às matérias suscitadas. A Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial, pleiteando o não conhecimento do recurso especial por não ter sido demonstrada a legislação federal interpretada de forma objetiva e, no mérito, pede a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento: A Procuradoria questiona o conhecimento do recurso especial, pois não teria sido demonstrada pelo Recorrente, de forma objetiva, a legislação tributária interpretada de forma divergente, §1º, do RICARF (Portaria MF 343/2015, com redação vigente entre 10/06/2015 a 14/02/2016). O citado dispositivo regimental previa ao tempo da interposição do recurso especial (04/02/2016): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente. A Portaria MF 39, de 15/02/2016, alterou o §1º do artigo 67 do RICARF para dispor que: § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 19740.000194/200954 Acórdão n.º 9101003.966 CSRFT1 Fl. 615 6 De toda forma, tendo o contribuinte apresentado recurso especial em 04/02/2016, aplicase a redação anterior, que exigia a demonstração objetiva da legislação interpretada de forma divergente. O contribuinte recorreu quanto a dois temas, quais sejam: (i) falta de adição de PIS e COFINS com exigibilidade suspensa e (ii) efeitos de postergação. Passo, assim, a analisar o cumprimento do artigo 67, §1º, do RICARF, vigente ao tempo da interposição do recurso especial. Transcrevese trechos do recurso especial, mencionando legislação tributária – que no entendimento do contribuinte – teria sido interpretada de forma distinta em acórdão recorrido e paradigmas: 5.1. Deste modo, o acórdão recorrido divergiu da RECORRENTE, bem como do pensamento da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção do CARF, consubstanciado no acórdão nº 110300.261, ao afirmar que a contabilização de custo ou despesa, dos tributos com exigibilidade suspensa por depósito do seu montante integral efetuado ou decisão judicial prolatada em processo no qual se discute a constitucionalidade da lei que instituiu ou majorou tributo, tem a natureza de “... mera provisão contábil” indedutível na base de cálculo da CSLL por força do artigo 13 da Lei nº 9.249/95 (...) 5.3. a Interpretação encontrada no acórdão recorrido, concessa máxima vênia, embora confirme que o artigo 50 da IN / SRF nº 390/2004 não tem suporte no artigo 57 da Lei nº 9.065/95, conforme alegado pela RECORRENTE, não traduz a correta interpretação da matéria (...) (grifamos) Assim, notase que o recurso especial do contribuinte traz clara identificação de legislação que, no seu entender, teria sido interpretada de forma divergente. Portanto, preenchido o requisito de demonstração da lei interpretada de forma distinta, como prescreve o artigo 67, §1º, do atual RICARF., vigente ao tempo da interposição do recurso especial, quanto à primeira matéria (tributos com exigibilidade suspensa). Diante disso, conheço o recurso especial quanto à primeira matéria (tributos com exigibilidade suspensa), adotando – quanto aos demais requisitos não impugnados pela Procuradoria – as razões do Presidente de Câmara, nos termos autorizados pelo artigo 59, §1º, da Lei nº 9.784/1999. Passo a apreciar o conhecimento do recurso especial do contribuinte quanto à segunda matéria (postergação) diante do questionamento da Recorrida. 6.3. Destarte, como as exigibilidades dos créditos tributários em questão não estavam mais suspensas, porque: (...) (i) (...) foram extintos de acordo com os incisos I e VI do artigo 156 do CTN, respectivamente, e Fl. 615DF CARF MF Processo nº 19740.000194/200954 Acórdão n.º 9101003.966 CSRFT1 Fl. 616 7 (ii) (...) foram extintos na forma prevista no inciso X do mesmo artigo 156, tendo, ademais, seus valores sido contabilizados a crédito de conta de resultado e, por conseguinte, diminuindo as bases de cálculo negativas da CSLL e montante adicionados no autos de infração nos anos de 2004 e 2005. (...) 6.6. Destaquese, quanto ao particular, que, nesse hipótese, as exclusões em questão não seriam faculdades outorgadas ao contribuinte (...), mas, ao revés, deveriam ser feitas de ofício pela administração tributária, em respeito (...) (ii) à prescrição expressa do parágrafo único do artigo 154 do RIR/99, que assim disciplina os efeitos da inobservância do regime de competência fiscal na determinação do lucro real, indiscutivelmente aplicável à CSLL: “Art. 154 ... Parágrafo único Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente.” (...) 6.8. (...) a inobservância do regime de competência impõe a formalização do lançamento sob o critério da postergação, dentro dos ditames do Parecer Normativo COSIT nº 2/96 (grifo nosso) Ressalto que, a despeito de mencionar o artigo 154, do RIR/1999, o Recorrente reproduz nas razões do seu recurso norma distinta, que é o §2º, do artigo 247, do RIR/1999: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). (...) § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 4º). § 3º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º). Fl. 616DF CARF MF Processo nº 19740.000194/200954 Acórdão n.º 9101003.966 CSRFT1 Fl. 617 8 Assim, entendo preenchido o requisito do RICARF, razão pela qual conheço do recurso especial quanto a ambos os temas. Acrescento que o Presidente de Câmara bem analisou a similitude entre acórdão recorrido e paradigma: I Quanto à matéria suscitada: Falta de adição à base de cálculo da CSLL dos anoscalendário 2004 e 2005 das despesas tributos com exigibilidade suspensa subtraídas da apuração do resultado do exercício provisão indedutível: No caso, por existir similitude fática realmente está configurada a dissidência jurisprudencial, pois o acórdão recorrido deu interpretação divergente à legislação de regência, quando cotejado com os paradigmas indicados (Acórdãos nºs 110300.261 e 140100.058).(...) Por sua vez, entendimento diverso restou esposado pelos paradigmas indicados quanto à interpretação da citada legislação, perante situação fática similar. Paradigmas indicados Acórdão nº 110300.261 e 1401 00.058: consta que sufragaram o entendimento que a obrigação tributária com exigibilidade suspensa não traduz contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar; que as interpretações literal, lógica e sistemática conduzem à exegese de que as despesas com tributos com exigibilidade suspensa permanecem dedutíveis, para a determinação da base de cálculo da CSLL, pelo regime de competência. (...) Portanto, restando demonstrada a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados quanto à interpretação da legislação de regência de indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa por medida judicial, como despesa, na base de cálculo da CSLL, foram atendidos os pressupostos de admissibilidade dos arts. 67 e 68, Anexo II, do RICARF/2015, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. (...) II No que concerne à matéria suscitada: Postergação de pagamento da CSLL (...): O acórdão recorrido, seguindo o mesmo entendimento da Fiscalização da RFB e do acórdão da DRJ, rechaçou, peremptoriamente, o argumento da Contribuinte de que teria havido postergação de pagamento da CSLL de 2004 e 2005 para 2007, frisando que na verdade houve, sim, provisão (deduzida indevidamente) e não postergação de pagamento: (...) Já o paradigma indicado (Acórdão 10196.334), que trata de situação fática similar a do acórdão recorrido, ou seja, indevido aproveitamento antecipado de despesas que deveriam ser reconhecidas apenas em anos posteriores, Fl. 617DF CARF MF Processo nº 19740.000194/200954 Acórdão n.º 9101003.966 CSRFT1 Fl. 618 9 acatou ou reconheceu a postergação de pagamento de tributo (...) Satisfeitos os pressupostos de admissibilidade (RICARF, arts. 67 e 68, Anexo II, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015), DOU SEGUIMENTO ao recurso especial da Contribuinte, quanto às matérias suscitadas. Concluo, portanto, por conhecer o recurso especial do contribuinte quanto às duas matérias, adotando as razões do Presidente de Câmara para corroborar as razões para o conhecimento do recurso. Conclusão Pelas razões expostas, voto por conhecer o recurso especial. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante a substanciosa apreciação realizada pela i. Relatora, entendo que o recurso especial não deve ser conhecido. Isso porque a tese defendida pela recorrente foi no sentido de, constatandose ocorrência de tributo com exigibilidade suspensa, o lançamento fiscal deveria ter sido de postergação, e, no caso em tela, a autoridade autuante efetuou com base em provisão. Assim, restaria fulminada a autuação fiscal em debate. Ocorre que não foi apresentado nenhum acórdão paradigma lastreando a tese. Nos presentes autos, a tese foi "dividida", ou segmentada, apresentandose dois paradigmas para a primeira parte, e um para a segunda parte, cada qual com um racional autônomo: 1ª parte: constatandose tributo com exigibilidade suspensa, não caberia lançamento de provisão, mas sim de contas a pagar, e por isso dedutível. Transcrevo as ementas dos paradigmas: (Acórdão nº 110300.261) TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA DEDUTIBILIDADE Provisão passiva representa uma obrigação incerta, ou certa mas ilíquida. O ato legal, a lei, tem presunção Fl. 618DF CARF MF Processo nº 19740.000194/200954 Acórdão n.º 9101003.966 CSRFT1 Fl. 619 10 de constitucionalidade e de legitimidade. A obrigação ex lege tributária desfruta desse atributo e só com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte têmse derruídas a certeza e a liquidez: obrigação tributária com exigibilidade suspensa não traduz contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar diversamente, por ex., de um passivo relativo a uma reclamação trabalhista ainda em curso. As interpretações literal, lógica e sistemática conduzem à exegese de que as despesas com tributos com exigibilidade suspensa permanecem dedutíveis, para a determinação da base de cálculo da CSLL. (Acórdão nº 140100.058) Ementa: TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA DEDUTIBILIDADE Provisão passiva representa uma obrigação incerta, ou certa mas ilíquida. O ato legal, a lei, tem presunção de constitucionalidade e de legitimidade. A obrigação ex lege tributária desfruta desse atributo e só com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte têmse derruídas a certeza e a liquidez: obrigação tributária com exigibilidade suspensa não traduz contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar diversamente, por ex., de um passivo relativo a uma reclamação trabalhista ainda em curso. As interpretações literal, lógica e sistemática conduzem à exegese de que as despesas com tributos com exigibilidade suspensa permanecem dedutíveis, para a determinação da base de cálculo da CSLL. 2º paradigma: constatandose despesas de correção monetária, caberia lançamento com base em postergação. Segue a ementa: CSLL DESPESA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DIFERENÇA IPC/BTNF POSTERGAÇÃO É de se reconhecer a ocorrência de postergação no pagamento do tributo, tendo em vista que a contribuinte apropriou indevidamente, no anocalendário de 1991, despesa de correção monetária que somente poderia ser apropriada nos anoscalendário de 1993, 1994, 1995 e 1996, devendo, portanto, ser declarado nulo o lançamento realizado no anocalendário de 2000, com a exigência dos pretensos valores. Ora, a questão posta em discussão nos autos encontrase muito bem delineada: lançamento de ofício em razão de tributo com exigibilidade suspensa não seria o caso de provisão, mas sim de postergação, razão pela qual o lançamento de ofício estaria incorreto. Como se pode observar, não foi apresentada decisão paradigma enfrentando o mesmo contexto jurídico e fático disposto nos presentes autos. Não há como se segmentar a tese, em duas partes distintas, a primeira com dois paradigmas e a segunda com um paradigma. Uma decisão paradigma, por si só, deve ser Fl. 619DF CARF MF Processo nº 19740.000194/200954 Acórdão n.º 9101003.966 CSRFT1 Fl. 620 11 suficiente para apresentar fundamentos que permitam a reforma da decisão recorrida. Não existe a figura de "paradigmas complementares" que, em conjunto, poderiam construir um fundamento. Não há como se segmentar uma matéria, "para tributo com exigibilidade suspensa cabe lançamento fiscal de postergação e não de provisão" em duas partes diferentes e "complementares", como foi feito no recurso especial, no qual foram apresentados dois paradigmas tratando de "falta de adição de PIS e COFINS com exigibilidade suspensa", e um sobre "efeitos de postergação". Assim, impossível, diante dos paradigmas apresentados, dizer que, tomando se como referência o racional dos paradigmas referentes à "primeira parte da tese", haveria uma reforma na decisão recorrida. Na mesma medida, não há como se falar que, tomandose isoladamente o paradigma da "segunda parte da tese", se a decisão recorrida poderia ser reformada. Não poderia ser diferente, em razão da falta de similitude fática e jurídica entre as decisões paradigma e a recorrida. Restou, portanto, não atendido requisito de admissibilidade específico para recurso especial, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 620DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.017229/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
PRELIMINAR. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO DE IRPF A TÍTULO DE GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA.
Não comprovado recolhimento antecipado de IRPF a título de ganho de capital, não há que se falar da incidência da regra especial de decadência do art. 150, § 4°., do CTN, nem do Enunciado de Súmula CARF n. 123, incidindo, destarte, a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018.
Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988.
Numero da decisão: 2402-007.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito adquirido à isenção prevista no art. 4°, alínea "d", do Decreto-Lei nº 1.510/1976, em face da alienação das participações societárias objeto do lançamento, restando este integralmente desconstituído.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO DE IRPF A TÍTULO DE GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA. Não comprovado recolhimento antecipado de IRPF a título de ganho de capital, não há que se falar da incidência da regra especial de decadência do art. 150, § 4°., do CTN, nem do Enunciado de Súmula CARF n. 123, incidindo, destarte, a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988.
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DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO DE IRPF A TÍTULO DE GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA. Não comprovado recolhimento antecipado de IRPF a título de ganho de capital, não há que se falar da incidência da regra especial de decadência do art. 150, § 4°., do CTN, nem do Enunciado de Súmula CARF n. 123, incidindo, destarte, a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito adquirido à isenção prevista no art. 4°, alínea "d", do DecretoLei nº 1.510/1976, em face da alienação das participações societárias objeto do lançamento, restando este integralmente desconstituído. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 72 29 /2 00 9- 26 Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 15504.017229/200926 Acórdão n.º 2402007.040 S2C4T2 Fl. 1.203 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 1107/1141) em face do Acórdão n. 02 41.243 9ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE (efls. 1066/1088), que julgou procedente em parte a impugnação de efls. 235/277, mantendo em parte o lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnosCalendário 2004; 2005; 2006; 2007 e 2008 no montante de R$ 2.754.737,76 (efls. 05/37) sendo R$ 1.270.364,08 de imposto (Cód. Receita 2904); R$ 531.600,81 de juros de mora calculados até 31/08/2009 e R$ 952.772,87 de multa proporcional calculada sobre o principal com fulcro em apuração de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação das ações da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/0001 37 e da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135. Cientificado do lançamento em 20/10/2009 (efl. 07), o contribuinte, inconformado, apresentou, em 18/11/2009, por meio do seu representante legal, a impugnação de efls. 235/277, aduzindo, preliminarmente, decadência do lançamento, e, no mérito: i) direito adquirido à isenção prevista no DecretoLei n. 1.510/76; ii) condição suspensiva (não ocorrência do fato gerador até o seu implemento); iii) apuração do percentual do ganho de capital; iv) apuração dos juros; e v) redução do valor do Auto de Infração. A impugnação (efls. 235/277) foi julgada parcialmente procedente pela instância de piso, nos termos do Acórdão n. n. 0241.243 (efls. 1.066/1.088), conforme entendimento sumarizado na ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA QUINQUENAL. Diante da ausência de qualquer pagamento prévio, a contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a constituição do crédito tributário poderia ter sido efetuada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHO DE CAPITAL.PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 15504.017229/200926 Acórdão n.º 2402007.040 S2C4T2 Fl. 1.204 3 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, nos termos do art. 178 do Código Tributário Nacional, pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo, sem que gere direito adquirido ao contribuinte.As vendas de ações efetuadas por pessoas físicas após 1º de janeiro de 1989 estão sujeitas ao imposto de renda sobre o lucro auferido, ainda que, na data da alienação, a participação societária já conte com mais de cinco anos no domínio do alienante. Inaplicável a isenção contida no artigo. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, por se encontrar revogada no momento da ocorrência do fato gerador. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DE LEI VIGENTE. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. Na alienação a prazo, o ganho de capital deve ser apurado como se a venda fosse à vista e o imposto deve ser pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida. IMPLEMENTO DE CONDIÇÃO SUSPENSIVA. FATO GERADOR. FLUÊNCIA DE JUROS. Na alienação sob condição suspensiva, em que a eficácia do negócio jurídico está condicionada à aprovação de órgão governamental, reputase ocorrido o fato gerador (alienação) na data da homologação. Os pagamentos recebidos em data anterior, inclusive parcela referente a sinal, devem ser considerados para fins fiscais na data do implemento da condição suspensiva, momento em que se inicia a fluência de juros moratórios. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS RECEBIDOS A TÍTULO DE REAJUSTE DE PARCELA. Os juros incidentes sobre as parcelas de alienação de ações são tributados mediante a aplicação de alíquotas progressiva do IRPF do ano respectivo em que for recebido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O impugnante, agora Recorrente, foi cientificado do Acórdão n. 0241.243 (e fls. 1066/1088) em 11/01/2013 (efls. 1105/1106) e, irresignado, interpôs Recurso Voluntário em 07/02/2013 (efls. 1107/1141), oportunidade em que repisa, em linhas gerais, os mesmos argumentos apresentados quando da impugnação (efls. 235/277), inclusive no que diz respeito à preliminar de decadência e às questões de mérito. Sem contrarrazões. Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 15504.017229/200926 Acórdão n.º 2402007.040 S2C4T2 Fl. 1.205 4 É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O Recurso Voluntário (efls. 1107/1141) já foi conhecido por este Colegiado. Passo à análise. Os presentes retornam de diligência solicitada nos termos da Resolução n. 2402000.630 (efls. 1154/1165), atendida conforme Informação Fiscal de efls. 1168/1174. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 38/64) parte integrante do Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (efls. 05/37), a fiscalização teve como objeto a operação de alienação da participação societária que o contribuinte BENITO PORCARO FILHO CPF 512.243.30625 detinha junto à Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 e à Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 à pessoa jurídica Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 , bem assim à pessoa jurídica BH Parking S/A (BH Holding S/A) CNPJ 71.109.268/000104 , respectivamente. As ações alienadas foram adquiridas em 10/02/1979 por sucessão hereditária, conforme denuncia o TVF (efls. 38/64), verbis: 1.3.2 As ações alienadas foram adquiridas por sucessão hereditária em 10 de fevereiro de 1979, sendo que o custo corresponde a 10% (Dez por cento) do capital social de cada uma das empresas na data da alienação, já que este valor corresponde à integralização do capital na data da constituição, acrescido da incorporação de reservas até àquela data. Assim o custo das Ações da Cia São Geraldo e Viação Nacional, correspondem, na data da alienação, a R$4.196.000,00 (Quatro milhões cento noventa e seis mil reais) e R$260.000,00(Duzentos e sessenta mil reais), respectivamente.(grifei) As ações da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 foram alienadas em 02/02/2004 para a Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 e eram de titularidade de: a) cinco pessoas físicas, denominadas no contrato de Família Porcaro, as quais possuíam 10%, cada uma, das ações representativas do capital da empresa alienada. Entre aquelas pessoas físicas consta o contribuinte BENITO PORCARO FILHO CPF 512.243.306 25; b) Empresa e Participações Augusto Braga Filho Ltda. CNPJ 25.612.300/000152, que era titular de 25% (vinte e cinco por cento) de ações representativas do capital social da empresa alienada; Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 15504.017229/200926 Acórdão n.º 2402007.040 S2C4T2 Fl. 1.206 5 c) Empresa e Administração Paula Maciel Ltda. CNPJ 21.622.428/000146, que igualmente era titular de 25% (vinte e cinco por cento) de ações representativas do capital social da empresa alienada. O preço livremente pactuado entre as partes, incluído a totalidade das participações societárias, foi fixado em R$ 154.000.000,00 a ser pago pela Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 nas seguintes condições: i) sinal: R$ 10.000.000,00; ii) complementação do sinal: R$ 10.365.000,00 até o dia 05/05/2004; iii) saldo de R$ 133.635.000,00 em 59 parcelas com vencimentos mensais e sucessivos, sendo a primeira no dia 20/02/2004, proporcionalmente à quantidade de ações e quotas de titularidade de cada um dos alienantes. As parcelas serão corrigidas pelo IGP(M) da FGV e INPC do IBGE desde 20/12/2003 até a data de vencimento de cada uma delas. Cada parcela totaliza R$ 2.265.000,00. Por sua vez, as ações da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 também foram alienadas em 02/02/2004 para a BH Parking S/A (BH Holding S/A) CNPJ 71.109.268/000104 e eram de titularidade de: a) cinco pessoas físicas, denominadas no contrato de Família Porcaro, as quais possuíam 50% das ações representativas do capital da empresa alienada. Entre aquelas pessoas físicas consta o contribuinte BENITO PORCARO FILHO CPF 512.243.30625; b) Família Braga, os quais possuíam 25% das ações representativas do capital social da empresa alienada; c) dos quotistas da Empresa e Administração Paula Maciel Ltda. CNPJ 21.622.428/000146, que possuíam 25% de ações representativas do capital social da empresa alienada. O preço livremente pactuado entre as partes, incluído a totalidade das participações societárias, foi fixado em R$ 6.000.000,00 a ser pago pela BH Parking nas seguintes condições: i) sinal: R$ 572.000,00 a ser pago até o dia 05/05/2004; ii) saldo de R$ 5.428.000,00 em 59 parcelas com vencimentos mensais e sucessivos, sendo a primeira no dia 20/02/2004, proporcionalmente à quantidade de ações e quotas de titularidade de cada um dos alienantes. As parcelas serão corrigidas pelo IGP (M) da FGV e INPC do IBGE desde 20/12/2003 até a data de vencimento de cada uma delas. Cada parcela totaliza R$ 92.000,00. De acordo com os instrumentos particulares de compra e venda de participações societárias e seus anexos, em 02/02/2004 o contribuinte era titular de ações representativas de 10% do capital social da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 que à época era de R$ 41.960.000,00 , bem como era titular dos mesmos 10% do capital social da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 que à época era de R$ 260.000,00. Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 15504.017229/200926 Acórdão n.º 2402007.040 S2C4T2 Fl. 1.207 6 Na data de 02/02/2004, o contribuinte vendeu a totalidade de suas ações do capital social da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 para Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149. Na mesma data, o contribuinte vendeu também a totalidade de suas ações do capital social da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/0001 35 para a BH Parking S/A (BH Holding S/A) CNPJ 71.109.268/000104. Em ambas transações foi estipulada, nos termos do art. 125 do Código Civil Lei n. 10.406/2002 , condição suspensiva de eficácia dos referidos instrumentos à obtenção prévia da Agencia Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, em conformidade com os contratos de compra e venda de participações societárias e outras avenças (fls. 71/95 e 97/117). Considerando que a Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 foi vendida por R$ 154.000.000,00 coube ao contribuinte receber a quantia de R$ 15.400.000,00 (10%). Por sua vez, como a Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 foi vendida por R$ 6.000.000,00 coube ao contribuinte receber a quantia de R$ 600.000,00 (10%). Desta forma, verificouse que o contribuinte auferiu ganho de capital nas vendas das participações societárias sob exame correspondente à diferença positiva entre o valor de alienação das citadas quotas e o respectivo custo, conforme discriminado abaixo: Ações Vendidas Valor da Venda (R$) Custo de Aquisição (R$) Ganho de Capital (R$) Cia. São Geraldo 15.400.000,00 4.196.000,00 11.204.000,00 Viação Nacional 600.000,00 260.000,00 340.000,00 O custo de aquisição das ações em apreço foram obtidos conforme o regramento do § 2º. do art. 16 da Instrução Normativa SRF n. 84/2001. Nas alienações em tela, os percentuais resultantes da relação entre o ganho de capital total e o total da alienação correspondem a 72,75325% referentes à alienação das ações da Cia. São Geraldo e 56,66667% à alienação das ações da Viação Nacional. Tais percentuais devem ser aplicados aos valores de cada parcela recebida nos anoscalendário 2004; 2005; 2006; 2007; e 2008 pelas vendas das participações societárias. O efetivo recebimento das parcelas, por parte do contribuinte, foi comprovado pela documentação bancária fornecida pelas empresas pagadoras. Considerando que, conforme disposição contratual, os preços de aquisições das participações societárias em apreço seriam pagos em parcelas corrigidas e sujeitas a ajustes de acréscimos e reduções de preço, os montantes correspondentes à correção mensal pela média aritmética do IGPM e do INPC deveriam ter sido tributados na fonte pelas empresas, mediante aplicação de alíquotas progressivas, consoante tabelas de cálculo de IRPF vigentes à época dos fatos, e informados pelo contribuinte em suas respectivas DIRPF a título de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, vez que a tributação de tais montantes deveria ter sido realizada em separado da tributação do ganho de capital apurado nas alienações em tela. A Fiscalização da RFB verificou que o contribuinte omitiu, nos anos calendário 2004; 2005; 2006; 2007; e 2008, os ganhos de capital apurados em cada pagamento Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 15504.017229/200926 Acórdão n.º 2402007.040 S2C4T2 Fl. 1.208 7 recebido da Gontijo Participações Ltda. e da BH Parking (BH Holding S/A) obtidos mediante incidência dos percentuais de 72,75% e de 56,66%, respectivamente sujeitos à incidência de IRPF à alíquota de 15% decorrendo, destarte, o lançamento de ofício conforme discriminado no Auto de Infração IRPF (efls. 05/37), observandose as tabelas elaboradas pela fiscalização “Demonstrativo dos Valores Recebidos pela Alienação das Ações do Capital Social da Cia São Geraldo” e “Demonstrativo dos Valores Recebidos pela Alienação das Ações do Capital Social da Viação Nacional”, indicam o valor total, os juros, a parcela que gera incidência do imposto e o ganho de capital efetivo calculado de acordo com a Instrução Normativa n. 84/2001. Em oposição ao fato de o contribuinte ter indicado nas respectivas DIRPF 2005; 2006; 2007; 2008; e 2009, no campo rendimentos isentos e não tributáveis, o artigo 4º., “d” do DecretoLei n. 1.510/1976, que trata da isenção do imposto de renda nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação, a autoridade lançadora não considerou tal pretensão, pois o fato gerador ocorreu já na vigência da Lei n. 7.713/88, que revogou a isenção pretendida. Estes são os fatos. Da Preliminar de Decadência No tocante à alegação de decadência suscitada pelo Recorrente é fundamental que se investigue qual o momento da ocorrência do fato gerador nas operações relativas ao ganho de capital da pessoa física. Na perspectiva da Recorrente, o fato gerador, nesse caso, ocorreria no momento da alienação (mês da venda), pois tratase de fato gerador instantâneo, no qual o tributo é devido no momento em que o sujeito passivo pratica a conduta típica. Outrossim, alega ainda que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, pois nesta modalidade o que se homologa é a atividade de lançamento exercida pelo contribuinte. Também, segundo a Recorrente, "equivocase o acórdão quando diz que não houve pagamento de IRPF no ano de 2004 (data da ocorrência do fato gerador)." Isto porque, conforme declaração de rendimentos do Recorrente anexada aos autos, houve apuração de imposto na declaração de ajuste, não resultando em saldo a pagar, mas saldo a restituir, uma vez que sofreu retenções na fonte sobre os rendimentos percebidos no ano. Assim, a retenção na fonte equivale ao seu pagamento, motivo pelo qual a decadência efetivamente ocorreu. A instância de piso, por sua vez, entendeu que, pelo fato de não haver pagamento, o lançamento não se submete à regra especial do art. 150, § 4°. do CTN, mas sim ao disposto no art. 173, I, do Codex tributário. Pois bem. É cediço que nas operações de vendas parceladas a apuração do ganho de capital e o fato gerador do IRPF ocorrem em momentos distintos. Assim, o aspecto temporal do fato gerador ocorreria no momento do efetivo recebimento de cada parcela pactuada. Com efeito, verificase que nas alienações parceladas a apuração do ganho de capital ocorre no momento da realização do negócio, como venda à vista. Todavia, para a tributação do IRPF, de acordo com o percentual de ganho de capital relativo a cada parcela, Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 15504.017229/200926 Acórdão n.º 2402007.040 S2C4T2 Fl. 1.209 8 será considerada a data de recebimento. Apurase o ganho de capital e o percentual referente a cada parcela na data da alienação, no entanto, a tributação do IRPF devido pelo sujeito passivo ocorre nas datas de recebimento de tais parcelas. É o que estabelece a legislação tributária, pois no momento da alienação ainda não há imposto devido, uma vez que o fato gerador e a respectiva obrigação tributária surgem com a aquisição das disponibilidades representadas pelos valores decorrentes da operação de venda. De se observar que a constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa privativa, vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN, não admitindo delegação de competência ao sujeito passivo ou a terceiro. Desta forma, na modalidade de lançamento por homologação, a legislação do tributo comete ao contribuinte o dever de antecipar o pagamento do tributo porventura devido e cumprir deveres instrumentais e formais, dando conhecimento de tais fatos à autoridade administrativa. Todavia, esta atividade exercida pelo contribuinte não se confunde com o lançamento em si, que só ocorrerá no momento em que a autoridade tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado a homologue. É apenas nesse momento que a atividade legalmente cometida ao contribuinte se converterá em lançamento. Entretanto, deve haver, necessariamente, a antecipação do pagamento do tributo devido, pois o que se homologa é o pagamento. Logo, não basta que o contribuinte tenha cumprido o dever formal de apresentar a declaração de ajuste anual, se não houver declarado corretamente o imposto devido e antecipado o seu pagamento. No caso de inexistência de pagamento, não há o que se homologar. Então, impõese à autoridade fiscal proceder ao lançamento de ofício, no que tange ao imposto que não foi pago. Assim, mesmo no lançamento por homologação, em que o auxílio prestado pelo contribuinte é maior do que nas demais modalidades, aquele não deixa de ser ato privativo do Fisco. No caso concreto, na data da alienação, em 02/02/2004, o ganho de capital foi apurado, havendo, consoante discriminado nos autos, pagamentos durante todo o ano de 2004 a partir daquela data (inclusive nos anoscalendário 2005 a 2008). Sobre as alienações a prazo, é oportuno destacar o disposto no art. 140 do Decreto n. 3.000/99, verbis: "Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. [...]" No mesmo diapasão segue o art. art. 2°., § 2°., e no art. 21, todos da Lei n. 7.713/88, verbis: "Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º (omissis) Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 15504.017229/200926 Acórdão n.º 2402007.040 S2C4T2 Fl. 1.210 9 [...] § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. [...] Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. [...]" Igualmente relevante colacionar a regra estampada no art. 31 da Instrução Normativa SRF n. 84/2001, a seguir reproduzido: "Art. 31 . Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido, relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I. [...]" Quanto à aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, convém resgatar o art. 43 do CTN, in verbis: "Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e roventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. [...]" Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 15504.017229/200926 Acórdão n.º 2402007.040 S2C4T2 Fl. 1.211 10 No caso em análise, não restam dúvidas quanto à inexistência de pagamento de IRPF sobre ganho de capital no anocalendário 2004, vez que o Recorrente informou, na sua DIRPF/2005 (efls. 150/156), os rendimentos decorrentes da alienação de ações como isentos e não tributáveis com fulcro no art. 40, alínea "d" do DecretoLei n. 1.510/76. A retenção na fonte (IRRF de R$ 17.120,08) que o Recorrente, em sua peça recursal, equipara a pagamento de IRPF para fins de aplicação da regra do art. 150, § 4°. do CTN, não guarda nenhuma relação com o ganho de capital decorrente das alienações societárias em apreço, pois estão vinculados a outros rendimentos recebidos de pessoa jurídica (R$ 69.424,55), conforme informados na DIRPF/2005 (fls. 150/156), observandose ainda que a tributação do ganho de capital, não obstante ser informada na declaração de ajuste anual, com esta não se confunde, vez que possui rito próprio de apuração, não se prestando sequer para fins de dedução do imposto devido, esta restrita ao IRRF, Imposto Complementar, CarnêLeão e Imposto pago no exterior. Isto posto, restando caracterizada a ausência de recolhimento antecipado a título de ganho de capital, não há que se falar da regra especial decadência insculpida no art. 150, § 4°. do CTN, bem assim do Enunciado n. 123 Súmula CARF, incidindo, destarte, a regra geral estabelecida no art. 173, I, do CTN. Nessa perspectiva, considerando que os fatos em lide (apuração de ganho de capital na alienação das ações) referemse ao anocalendário 2004, o prazo decadencial iniciou se em 01/01/2006 e terminou em 31/12/2010. Como o lançamento em litígio aperfeiçoouse (foi constituído) em 20/10/2009 (efl. 07), não há que se falar em decadência, que resta afastada, por óbvio, para os anoscalendário seguintes (2005 a 2008). Rejeito a preliminar. Do Mérito No mérito, o Recorrente se insurge contra a instância de piso alegando isenção do DecretoLei n. 1.510/76 (direito adquirido); condição suspensiva (não ocorrência do fato gerador até seu implemento); erro na identificação do aspecto temporal da hipótese de incidência tributária; impropriedade na apuração de juros; redução do valor do Auto de Infração; metodologia equivocada para apuração do ganho de capital e dos juros. Muito bem. Iniciando a análise pela alegação de direito adquirido à isenção prevista no art. 4°., alínea "d", do DecretoLei n. 1.510/1976, observase que as ações em apreço foram adquiridas em 10/02/1979, permaneceram com a Recorrente, não havendo, portanto, mudança de titularidade, e foram alienadas em 02/02/2004, em parcelas determinadas no contrato de venda, conforme já relatado. Pois bem. Na dicção do art. 62, § 1º., II, alínea "c", do RICARF, os conselheiros do CARF podem afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, quando houver Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 15504.017229/200926 Acórdão n.º 2402007.040 S2C4T2 Fl. 1.212 11 Na espécie, as ações alienadas foram adquiridas em 10/02/1979 por sucessão hereditária, conforme informa o Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 38/64) e só vieram a ser alienadas em 02/02/2004. Destarte, verificase que a pretensão do Recorrente é objeto do Ato Declaratório PGFN n. 12, de 25 de junho de 2018, aprovado pelo Senhor Ministro da Fazenda, que autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros)” (grifei). Nessa perspectiva, é forçoso admitirse a procedência da alegação da Recorrente, vez que sua pretensão amoldase ao disposto no Ato Declaratório PGFN n. 12, de 25 de junho de 2018, restando assim improcedente o lançamento abrigado no Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (efls. 05/37). Por oportuno, julgo relevante destacar que em diversos julgamentos deste Colegiado posicioneime contra a referida isenção, que, não obstante o teor do superveniente Ato Declaratório PGFN n. 12, de 25 de junho de 2018, continua a ser o meu entendimento pessoal, conforme anotado no voto vencido dos Acórdãos n. 2402006.602 e n. 2402006.603, ambos da Sessão de Julgamento de 13 de setembro de 2018. Jurisprudência atual deste Colegiado (Sessão de Julgamento de 13/08/2018): Acórdão n. 2402006.602: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 [...] IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima (Relator). Designado para redigir o Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 15504.017229/200926 Acórdão n.º 2402007.040 S2C4T2 Fl. 1.213 12 voto vencedor o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (grifei) Acórdão n. 2402006.603: IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento os valores relativos às 4.696.399 ações, adquiridas anteriormente a 1983. Vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.(grifei) Jurisprudência anterior deste Colegiado (Sessão de Julgamento de 04/07/2017): Acórdão n. 2402005.889 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 [...] ISENÇÃO. ART. 4º DO DECRETOLEI Nº 1.510/76. REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. Não havendo sido concedida a prazo certo, a isenção prevista no art. 4º do Decretolei nº 1.510/76 foi revogada pela Lei nº 7.713/88, não havendo falar em direito adquirido a regime jurídico. [...](grifei) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, pelo voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 15504.017229/200926 Acórdão n.º 2402007.040 S2C4T2 Fl. 1.214 13 Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild que davam provimento ao recurso. Conforme se observa da evolução jurisprudencial deste Colegiado, acima transcrita, à época do primeiro julgamento deste processo, na sessão de 09 de agosto de 2017, prevalecia a tese à qual me filio (contra a isenção), razão pela qual votei por converter o julgamento em diligência, junto à autoridade lançadora, no sentido de esclarecer, de forma detalhada e circunstanciada, as diferenças entre os valores apurados a título de juros/correção nas planilhas de efls. 61/64 do TVF parte integrante do Auto de Infração de efls. efls. 05/37 e aqueles informados pelo Recorrente nas planilhas de efls. 1.135/1.137 do Recurso Voluntário em apreço. A autoridade lançadora atendeu plenamente à solicitação, conforme Informação Fiscal de efls. 1168/1174. Todavia, entre a data daquela sessão (09/08/2017) e o retorno dos autos, houve significativa mudança na jurisprudência deste Colegiado, conforme relatei acima, decorrendo, em homenagem ao Princípio do Colegiado, a minha submissão à tese vencedora, vez que o Ato Declaratório PGFN n. 12, de 25 de junho de 2018 foi aprovado pelo Senhor Ministro da Fazenda e, nos termos do RICARF, pode ser aplicado pelos membros do CARF, inclusive, esclareçase, para evitar judicialização e indevida movimentação do aparato administrativo em questão já pacificada. Desta forma, uma vez que já resolvido o litígio na análise da primeira questão de mérito, é despicienda a apreciação das demais alegações consignadas no Recurso Voluntário (efls. 1107/1141). Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e efls. 1107/1141), REJEITAR A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para reconhecer o direito adquirido à isenção prevista no art. 4°., alínea "d", do DecretoLei n. 1.510/1976 em face da alienação das participações societárias objeto do lançamento, restando este integralmente desconstituído. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 1214DF CARF MF
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Numero do processo: 13433.000830/2001-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993
SOCIEDADE LIMITADA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE ILL. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS IMEDIATA. DISPOSIÇÃO EXPRESSA NO CONTRATO SOCIAL. INEXISTÊNCIA.
Para efeito de pedido de restituição de Imposto Sobre o Lucro Líquido - ILL, exigido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n° 172.058/SC, a mera previsão no Contrato Social da possibilidade de distribuição de lucros aos sócios, com base na própria essência da sociedade empresária, sem que haja determinação expressa da imediata/automática realização dos lucros pelos sócios, não é capaz de justificar a tributação do imposto em epígrafe, afastando a inconstitucionalidade reconhecida pelo STF.
Numero da decisão: 1302-003.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rogério Aparecido Gil (relator) e Maria Lúcia Miceli. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ILL Recorrente USIBRAS USINA BRAS. DE ÓLEOS E CASTANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993 SOCIEDADE LIMITADA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE ILL. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS IMEDIATA. DISPOSIÇÃO EXPRESSA NO CONTRATO SOCIAL. INEXISTÊNCIA. Para efeito de pedido de restituição de Imposto Sobre o Lucro Líquido ILL, exigido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n° 172.058/SC, a mera previsão no Contrato Social da possibilidade de distribuição de lucros aos sócios, com base na própria essência da sociedade empresária, sem que haja determinação expressa da imediata/automática realização dos lucros pelos sócios, não é capaz de justificar a tributação do imposto em epígrafe, afastando a inconstitucionalidade reconhecida pelo STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rogério Aparecido Gil (relator) e Maria Lúcia Miceli. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 08 30 /2 00 1- 88 Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 447 2 Flávio Machado Vilhena Dias Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao acórdão nr. 1136.893, de 30/04/2012, da 4ª. Turma da DRJ Recife (DRJ/REC) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Não comprovada a existência de pagamento indevido ou a maior, não se reconhece o direito creditório do contribuinte.] ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993 ILL. SOCIEDADE LIMITADA. HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE O entendimento do RE 172.058/SC e da jurisprudência que se lhe seguiu, foi no sentido de ser inconstitucional a exigência do ILL em relação aos sócios quotistas de sociedade limitada somente quando: a) o contrato social for omisso sobre a distribuição dos lucros, pois, nesta hipótese, aplicarseá a legislação das sociedades anônimas e, por conseguinte, o entendimento dado aos acionistas; e b) o contrato preveja a possibilidade de outra destinação dos lucros que não a sua distribuição, e que a deliberação quanto isto seja independentemente da manifestação de todos os sócios. Nesta segunda hipótese, havendo dependência da manifestação dos sócios quotistas, há que se considerar a disponibilidade jurídica caracterizada e, por conseguinte, incidente o ILL. ILL. PREVISÃO DE DISPONIBILIZAÇÃO DO LUCRO. TRIBUTAÇÃO CONSTITUCIONAL. Ao especificar que os ganhos (lucros) são comuns a todos os sócios na proporção da cota integralizadas, sem especificar possibilidade de outra destinação não passível de manifestação deles, está evidente que o contrato social se subsume à situação para a qual o STF considerou constitucional a norma de incidência do ILL, ou seja, de que há previsão contratual de distribuição dos lucros aos sócios. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 447DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 448 3 Adoto os seguintes trechos do acórdão recorrido, tendo em vista que descrevem de forma objetiva os fatos e fundamentos em questão: Tratam os autos de pedido de restituição apresentado pelo contribuinte acima identificado em 20 de novembro de 2001, à fl. 01, instruído com os documentos às fl. 02 a 28, onde é pleiteado suposto crédito relativo a valores pagos de Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL) nos anos de 1990 a 1993, cumulado com pedido de futura compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal. 2. O interessado argumenta que estava obrigado ao recolhimento do ILL em função do disposto no art. 35 da Lei n° 7.713, de 1988, o qual, entretanto, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tendo o Senado Federal, por intermédio da Resolução n° 82, de 1996, suspendido os seus efeitos, e a Instrução Normativa (IN) SRF n° 63, de 1997 esgotado o assunto no âmbito da Fazenda Nacional. 3. Em função disto, requer a restituição dos valores pago a título de ILL com atualização monetária até a data do pedido que, conforme demonstrativo à fl. 04, alcança um total de R$ 614.210,55. 4. Este pedido foi apreciado pela autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal em Mossoró (DRF/MOS), atual Delegacia da Receita Federal do Brasil em Mossoró, que expediu em 12 de abril de 2002 o despacho decisório às fl. 30 a 35, indeferindo o pleito. Para tanto baseouse nas seguintes considerações: 4.1. o prazo para o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário. Este entendimento está em consonância com o disposto no Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999; 4.2 a data do último pagamento verificouse em 31 de maio de 1993, enquanto o pedido de restituição foi protocolado em 20 de novembro de 2001, ou seja, além do prazo de cinco anos; 4.3. mesmo considerando que o argumento do contribuinte estivesse correto, ainda assim o pleito não poderia ser atendido, vez que a Resolução do Senado Federal, de 18 de novembro de 1996, foi publicada no Diário Oficial da União em 19 de novembro do mesmo ano, iniciandose nesse dia o prazo prescricional para repetição do indébito. Como o pedido de restituição foi protocolado no dia 20 de novembro de 2001, já havia transcorrido o prazo de cinco anos; 4.4. não se vislumbra no ordenamento jurídico em vigor dispositivos legais que amparem o pleito, pois a suspensão em parte da execução da Lei n° 7.713, de 1988, foi apenas no que diz respeito ao acionista, não se aplicando às sociedades por cota de responsabilidade limitada. 5. Cientificado do despacho decisório em 26 de abril de 2002, consoante cópia do Aviso de Recebimento (AR) à fl. 37, em 17 de maio de 2002 o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade às fl. 38 a 48, instruída com os documentos às fl. 49 a 56, onde repisou seus argumentos quanto à prescrição, reiterando que a doutrina e jurisprudência são pacíficas no sentido de que o prazo Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 449 4 para requerer contase da decisão do STF, para as partes envolvidas, e, com efeitos erga omnes, da resolução do Senado Federal. Então, no seu entender, como a resolução foi publicada em 22 de novembro de 1996, seu pedido teria observado o quinquênio legal. 6. Após encaminhados os autos para esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/PE) em agosto de 2002, conforme despacho à fl. 57, o interessado protocolou requerimento em 06 de fevereiro de 2003, às fl. 59 a 60, onde apontou demora na apreciação do seu pleito, que estaria acarretando dificuldades de caixa para a empresa. Pediu uma rápida manifestação da DRJ/REC, permitindo, assim, que ele pudesse iniciar procedimento de compensação tutelado pela IN SRF n° 210, de 2002. 7. Em 27 de agosto de 2004, o contribuinte apresentou o requerimento à fl. 62, onde mais uma vez ressaltou a demora no julgamento, em descumprimento ao disposto no art. 49 da Lei n° 9784, de 1999, concernente ao prazo de trinta dias para julgamento de processos administrativos. 8. Após apreciação da manifestação de inconformidade, a 3a Turma desta DRJ/REC proferiu o Acórdão n° 11.871, de 15 de abril de 2005, às fl. 65 a 71, decidindo por indeferir a solicitação, mantendo o entendimento da DRF/MOS quanto à preclusão do direito de pleitear o reconhecimento do direito creditório, vez que todos os recolhimentos foram efetuados antes de 20 de novembro de 1996. Quanto às razões de mérito, entendeuas prejudicadas em face da decadência confirmada. 9. O interessado foi cientificado do acórdão em 03 de junho de 2005, conforme cópia do AR à fl. 74, e, inconformado com a decisão, apresentou o recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf) às fl. 75 a 86, em 30 de junho de 2005, instruído com os documentos às fl. 87/97, o qual está resumido a seguir: 9.1. seu pedido de restituição está dentro do prazo prescricional, pois apresentado antes de completados cinco anos da publicação da IN SRF n° 63, de 1997, e que, mesmo que assim não fosse, o prazo para pleitear restituição é de dez anos, segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça (STJ): teste dos "cinco mais cinco"; 9.2. o montante a ser restituído deve ser corrigido monetariamente segundo índices que efetivamente reflitam a inflação do período, incluídos os expurgos inflacionários cometidos pelo Governo Federal. 10. Em 07 de dezembro de 2005, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão n° 10421.228, às fl. 101 a 111, que negou provimento ao recurso, por considerar que o direito a pleitear a restituição havia sido fulminado pela decadência. Segundo o voto condutor, o prazo decadencial teve início a partir da publicação da Resolução do Senado Federal, em 19 de novembro de 1996, mesmo para as empresas constituídas sob a forma de sociedade limitada. Então, a data limite para o pedido de restituição foi em 19 de novembro de 2001, sendo que o pleito foi formalizado um dia após, em 20 de novembro de 2001. 11. O interessado foi cientificado pessoalmente do acórdão em 28 de novembro de 2006, conforme documento à fl. 115. Em 14 de dezembro de 2006 apresentou recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), às fl. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 450 5 119 a 135, instruída com os documentos às fl. 136 a 165, cujo teor está sintetizado a seguir: 11.1. o julgado recorrido negou vigência às disposições do art. 1°, par. único, da IN SRF n° 63, de 1997, divergindo da jurisprudência administrativa quanto ao marco inicial do prazo decadencial para requerer a restituição do ILL aplicável às sociedades limitadas; 11.2. houve alteração da jurisprudência do STJ no sentido de afastar qualquer outro termo inicial para contagem de prazos prescricionais ou decadenciais previstos no CTN. 12. Por intermédio do Despacho n° 104227/2007, às fl. 172 a 174, a Presidente da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso especial, para ser reexaminada a questão do dies a quo do prazo decadencial relativamente ao pedido de restituição do ILL. 13. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou ContraRazões ao recurso especial mencionado em 22 de agosto de 2007, às fl. 176 a 183, onde requereu o não provimento deste, rechaçando, para tanto, o termo inicial do direito à restituição do ILL, seja baseado na Resolução do Senado Federal ou na IN SRF n° 63, de 1997, para sustentar que o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário, citando, para tanto, o art. 168, I, do CTN. 14. Acrescentou, ainda, que a Lei Complementar n° 118, de 2005, dissipa dúvidas acerca da interpretação conferida ao art. 168 do CTN, no sentido de que o prazo para repetição de indébito tributário tem início quando do pagamento antecipado, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação. 15. Em 27 de maio de 2008 houve o pronunciamento da CSRF que, por meio do Acórdão n° 104147.184, deu provimento ao recurso especial e determinou o retorno dos autos à DRF de origem para análise do mérito. O colegiado, por maioria de votos, entendeu que o prazo decadencial começou a fluir a contar da publicação da IN SRF n° 63, de 1997. 16. Inconformada com o julgado, em 09 de setembro de 2008 a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário , requerendo remessa ao Pleno da CSRF. Este recurso está às fl. 195 a 203, instruído com os documentos às fl. 204 a 210. 16.1 A recorrente alegou divergência jurisprudencial entre Turmas da CSRF em relação ao marco inicial do prazo decadencial para solicitar restituição no caso de declaração de inconstitucionalidade. Segundo a procuradoria, o julgado recorrido entende que o prazo contase a partir do reconhecimento pela Administração da inexigibilidade do tributo, enquanto o acórdão paradigma se posiciona no sentido de que o prazo iniciase a partir do pagamento antecipado. 17. Por intermédio do Despacho n° 437, de 10 de outubro de 2008, às fl. 212 e 213, o Presidente da CSRF admitiu a peça recursal, dando seguimento ao recurso e determinando a ciência ao contribuinte, informandoo da possibilidade de apresentar contrarazões no prazo de quinze dias. 18. Intimado do referido despacho e do recurso extraordinário em 26 de janeiro de 2009, conforme cópia do AR à fl 216, o interessado apresentou Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 451 6 contrarazões em 30 de janeiro de 2009, às fl. 218 a 227, instruída com os documentos às fl. 228 a 237. 19. Com o Acórdão n° 990000210, às fl. 238 a 246, o Pleno da CSRF decidiu, por maioria, não conhecer do recurso extraordinário interposto, haja vista não ter configurado a divergência entre o julgado recorrido e o paradigma. 20. Em 27 de julho de 2011, por meio do comunicado à fl. 252, com AR à fl. 257, a DRF/MOS deu ciência ao contribuinte do acórdão acima, intimandoo a proceder o pagamento ou parcelamento do débito, por considerar que não foi dado seguimento ao recursos especial, não cabendo mais recurso na esfera administrativa. 21. Em função da informação contida no comunicado ser incompatível com a realidade processual, o interessado protocolou em 30 de agosto de 2011 petição onde fez os seguintes esclarecimentos (fl. 253 a 256): 21.1. o acórdão referido negou provimento a recurso extraordinário da Fazenda Nacional; 21.2. o presente processo trata de pedido de restituição e não de lançamento de ofício ou de declaração de compensação, não havendo, portanto, crédito tributário a ser satisfeito; 21.3. o mérito do pedido inicial ainda não foi apreciado em razão de decisões da DRF/MOS, da DRJ/REC e da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes terem decidido pela decadência; 21.4. tais decisões foram reformadas pela CSRF, quando deu provimento ao recurso especial da empresa, para afastar a decadência; 21.5. com a negativa de seguimento do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, cabe à DRF/MOS apreciar no mérito o pedido inicial de restituição do ILL. 22. Reconhecido o equívoco pela DRF/MOS, por meio de novo comunicado à fl. 258, expedido em 06 de setembro de 2011, os autos foram encaminhados para o Núcleo de Arrecadação e Cobrança (Nurac) para apreciação do mérito do pedido de restituição. 23. Em cumprimento à decisão proferida pela CSRF, o pleito do contribuinte foi apreciado no mérito, sendo proferido o Despacho Decisório Nurac/RFB/MOS n° 386, de 17 de outubro de 2011, às fl. 260 a 266, que o indeferiu. Foram feitas as seguintes considerações na decisão: 23.1. o direito de crédito postulado advém da inconstitucionalidade do art. 35 da Lei n° 7.713, de 1998, declarada pelo STF, consubstanciado na Resolução do Senado Federal n° 82, de 1996. Esta inconstitucionalidade foi aplicada à expressão "acionista", porém a IN SRF n° 63, de 1997, estendeu o seu alcance ao sócio cotista, com a condição de o contrato social, na data do encerramento do períodobase de apuração, não prever a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata, do lucro líquido apurado; 23.2. o contrato social, datado de 07 de março de 1979, fl. 08 a 13, apresentado em anexo ao pedido de restituição, em seu item "6. DO Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 452 7 EXERCÍCIO SOCIAL E DO BALANÇO", estabelece que os sócios manifestamse acerca do balanço patrimonial e das contas. Porém não há menção à destinação dos lucros. Estes são destinados aos sócios, na razão de sua participação, sem qualquer condição ou particularidade quanto ao livre acesso ao ganho; 23.3. este contrato era vigente no período a que se refere o alegado crédito, e mesmo na data do pedido de restituição. 23.4. está claro que os sócios decidem sobre o balanço patrimonial e das contas de resultado do exercício, mas quanto a destinação dos lucros não há previsão, mas apenas que os mesmos serão disponibilizados na razão da participação do sócio. 23.5. na manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório anteriormente proferido foi alegado que o contrato social não previa a distribuição automática dos lucros, citando que este foi anexado ao recurso. Tal contrato é um aditivo de 24 de fevereiro de 2005, portanto, posterior ao período do alegado crédito e à data do pedido de restituição. Neste, na cláusula décima primeira consta previsão de que "os lucros líquidos verificados, tanto poderão ser partilhados entre os sócios proporcionalmente ao respectivo capital, quanto levados à créditos de conta de reserva para posterior incorporação o capital social". 23.6. em fase de recurso especial foi apresentado nova versão do contrato social, datada de 05 de abril de 2008, fl. 229 a 237, posterior ao alegado crédito e ao pedido de restituição. Na cláusula décima primeira consta que os sócios se reuniriam para tomar as contas dos administradores, deliberar sobre o balanço patrimonial e de resultado econômico, e para deliberar sobre a distribuição dos lucros; 23.7. da leitura dos contratos mencionados, extraise que no período do crédito o contrato social colocava à disposição dos sócios o lucro, sem submeter sua obtenção a nenhum fato, condição, e nem apresentava outra forma de destinação. Apenas em momentos posteriores foram efetuadas alterações nos contratos que criaram formas distintas de destinação dos lucros; 23.8. observese que no contrato social alterado de 2008 são informados, entre outros, dois objetivos da reunião de sócios que demonstram haver diferença entre "deliberar sobre o balanço patrimonial e de resultado econômico" e "deliberar sobre a distribuição dos lucros". De fato, uma coisa é analisar se o resultado apresentado é real e condizente com os documentos contábeis, e outra é a destinação do resultado; 23.9. no período do crédito postulado os sócios deliberariam sobre o balanço e as contas de resultado quanto a sua correção. Porém os lucros estariam disponíveis sem nenhuma ressalva, salvo é claro o fato de haver resultado positivo. Havendo lucros, estes estavam ao alcance dos sócios de forma imediata; 23.10. a IN SRF n° 63, de 1997, fala em disponibilidade imediata e não em distribuição automática. Disponibilizar é tornar acessível, Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 453 8 distribuir é entregar. Os sócios tinham acesso ao lucro, e o contrato não fala em distribuir, mas tornar o lucro acessível; 23.11. portanto, o contribuinte não se enquadra no conceito abrangido pela resolução do Senado, por não ser sócio acionista, e também não se enquadra na concessão da Receita Federal, via IN, porque não atende a condição descrita no parágrafo único desta. 24. A ciência da decisão ocorreu em 25 de outubro de 2011, consoante cópia do AR à fl. 268, tendo o contribuinte apresentado a manifestação de inconformidade às fl. 337 a 340, instruída com os documentos às fl. 341 a 374, onde argumentou que: 24.1. é puro sofisma o fato de a decisão sustentar que tal exigência não tem relevância para a destinação dos lucros e que, por isso, estes estariam disponíveis aos sócios imediatamente, não obstante reconhecer que o contrato social exigia a manifestação dos sócios para a aprovação do balanço e dos demonstrativos dos resultados; 24.2. somente após a aprovação do balanço patrimonial e do demonstrativo de resultados é possível aos sócios saber o montante dos lucros disponíveis; 24.3. além disso, o contrato não estabelece, textual e expressamente, como exige a IN SRF n° 63, de 1997, a imediata disponibilidade do lucro aos sócios. Conforme jurisprudência da CSRF, bem representada pelo acórdão 920200.792, de 2010, a tributação pelo ILL somente é possível quando houver determinação expressa da imediata/automática realização dos lucros pelos sócios. Este precedente se amolda ao caso, vez que aqui, também, o contrato prevê apenas que os lucros serão repartidos na proporção da sua participação, sem, contudo, estabelecer que estarão imediatamente disponíveis; 24.4. ademais, no caso, os lucros não foram distribuídos aos sócios ao final dos exercícios de 1990 a 1993, mas sim, bem depois disso, foram utilizados para aumentar o capital, conforme alterações contratuais n° 18 a 22; 24.5. pede que seja deferida a restituição pleiteada A recorrente foi intimada da decisão da DRJ, em 07/08/2012 (fl. 397) e interpôs recurso voluntário tempestivamente, em 29/08/2012 (fls. 400/405). Em suas razões, a recorrente reapresentou os argumentos que embasaram sua manifestação de inconformidade, por meio das quais espera ser deferido o seu pedido, as quais apreciarei no voto a seguir. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Conheço do recurso voluntário à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 454 9 Verificase que a recorrente sustenta seu pedido de restituição, com base nos seguintes fundamentos: 1. Tratase de pedido de restituição e compensação de imposto sobre a renda sobre o lucro líquido (ILL), inicialmente negado pela autoridade local com fundamento em suposta decadência. 2. Após decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, afastando a decadência, o processo retornou à Delegacia de Julgamento de Mossoró/RN, para análise do mérito. 3. Segundo o parecer que ampara o despacho decisório NURAC/RFB/MOS n° 386/2011, a ora recorrente, uma sociedade limitada, não faria jus à restituição de ILL pleiteada em razão de as cláusulas 6.1 e 6.2 da versão do seu contrato social vigente nos anos de 1990 a 1993 supostamente preverem "a disponibilidade imediata do lucro". A ora recorrente, então, apresentou manifestação de inconformidade, sustentando que: (i) a cláusula 6.1 do seu contrato social, ao prever a necessidade de aprovação do balanço e do demonstrativo de resultados em até 90 (noventa) dias após o término do exercício, por si só impedia a imediata disponibilidade do lucro pelos sócios; (ii) que a cláusula 6.2 do seu contrato social apenas previa que os lucros seriam comuns aos sócios na proporção da sua participação societária, sem, contudo, estabelecer que os mesmos estariam imediatamente disponíveis aos mesmos, como exige a INSRF 63/97; (iii) que está provado que não foram distribuídos lucros aos sócios ao final dos exercícios de 1990, 1991, 1992 e 1993, tendo os mesmos, bem depois disso, sido utilizados para aumentar o capital social da empresa, como provam as alterações contratuais n°s 18, 19, 20, 21 e 22, juntadas ao processo com a manifestação de inconformidade de folhas 337 a 340. 5. A 4a Turma de Julgamento da DRJ no Recife, PE, sem se manifestar sobre os termos da cláusula 6.1 do contrato social da recorrente e, ainda, omitindose sobre o fato de os lucros apurados nos exercícios de 1990/1993 comprovadamente não terem sido distribuídos aos sócios, indeferiu a manifestação de inconformidade. CONTRATO SOCIAL NÃO PREVÊ DISPONIBILIDADE IMEDIATA DOS LUCROS 6. Reconhece o v. acórdão recorrido que, para as sociedades limitadas, foi inconstitucional a exigência do ILL nas seguintes situações: "a) o contrato social ser omisso sobre a distribuição dos lucros, pois no caso aplicarseia a Lei das Sociedades Anônimas, e por decorrência a solução adotada para esse tipo de sociedade; b) o contrato prever, independentemente da manifestação dos sócios, destinação dos lucros outra que não a sua distribuição". 7. Neste sentido, faz alusão o aresto recorrido ao acórdão proferido pelo STF no RE 172.058/SC, cuja ementa, sintetizando o que então se decidiu, expressa que o ILL foi inconstitucional quando o contrato social previa "a disponibilidade Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 455 10 econômica ou jurídica imediata, pelos sócios, do lucro líquido apurado, na data de encerramento do período base'. 8. Fazendo leitura parcial do RE 172.058/SC, e, repitase à exaustão, omitindose solertemente sobre a cláusula 6.1 do contrato social da recorrente e, ainda, quanto ao fato de os lucros dos exercícios de 1990 a 1993 comprovadamente não terem sido distribuídos, decidiu o aresto recorrido que o contrato social vigente à época dos fatos geradores preveria a disponibilidade imediata dos lucros aos sócios. 9. (...) 10. O primeiro grande equívoco do v. acórdão recorrido decorre da sua propositada omissão sobre a cláusula 6.1 do contrato social da recorrente, cujo exame, mormente quando efetuado em conjunto com o da cláusula 6.2, revela que, no caso, falar em disponibilidade imediata dos lucros pelos sócios, "na data de encerramento do período base", como decidiu o STF no RE 172.058/SC, é absoluta e inteiramente irreal. 11. Vejase o que estabeleciam as referidas cláusulas contratuais: "6.1. O exercício social da empresa terá início no primeiro dia de janeiro de cada ano e terminará no último dia de dezembro do ano respectivo. O balanço será levantado por ocasião do encerramento do exercício social, com observância das prescrições legais pertinentes, e cada sócio deverá receber, mediante protocolo, até 60 (sessenta) dias após a sua conclusão, exemplar completo do balanço patrimonial e das contas do resultado do exercício, manifestandose sobre o mesmo durante os 30 (trinta] dias seguintes ao seu recebimento, ficando automaticamente aprovado se houver silêncio, a respeito da matéria, dentro desse período. 6.2. Os ganhos e perdas são comuns a todos os sócios, na razão proporcional dos respectivos capitais integralizados, prevalecendo, para esse fim, a integralização feita até o último dia útil do mês de junho, de cada exercício." 12. Se o item 6.1 previa a necessidade de aprovação do balanço e do demonstrativo de resultados, que deveriam ser apresentados aos sócios em até 60 (sessenta) dias após o encerramento do exercício, é evidente a impossibilidade jurídica e factual de haver disponibilidade imediata dos lucros pelos sócios, 13. Isto porque, é óbvio, somente com a aprovação do balanço patrimonial e do demonstrativo de resultados, era possível aos sócios saber o montante dos lucros disponíveis! 14. Ademais, segundo o decidiu o STF no RE 172.058/SC, firmando jurisprudência seguida desde então, como se vê do voto do Ministro Néri da Silveira no RE 200.4308, reproduzido no v. acórdão recorrido [folha 387), para as sociedades por cotas, a exigência do ILL só seria constitucional caso o contrato social previsse a disponibilidade imediata dos lucros aos sócios "na data de encerramento do período base". 15. No caso, uma vez que a cláusula 6.1 expressa e textualmente previa a necessidade de o balanço e o demonstrativo de resultados serem enviados aos sócios, Fl. 455DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 456 11 para aprovação, em até 60 (sessenta) dias após a conclusão do exercício social, concedendo, ainda, prazo de 30 trinta) dias para manifestação, é evidente a total e incontornável impossibilidade de os lucros terem sido disponibilizados aos sócios "na data de encerramento do período base", conforme decidiu o STF no RE 172.058/SC e no RE 200.4308 e em todos os seus julgados sobre a matéria. 16. Essa incontornável impossibilidade de os lucros estarem disponíveis aos sócios "na data de encerramento do período base", conforme decidiu o STF no RE 172.058/SC, decorrente do procedimento estabelecido na cláusula 6.1 do contrato social, por si só implica na inconstitucionalidade da exigência do ILL no caso concreto. 17. Ainda que desconsiderado o disposto na cláusula 6.1, o fato é que a cláusula 6.2 apenas estabelecia que os lucros eram comuns aos sócios, não estabelecendo, textual e expressamente, como exige a INSRF 63/97, a imediata disponibilidade desses lucros ao sócio. 18. Conforme pacífica jurisprudência da CSRF, bem representada pelo acórdão 920200.792, de 14 de abril de 2010, a tributação pelo ILL só é possível quando "haja determinação expressa da imediata/automática realização dos lucros pelos sócios" (anexo 1). 19. Vejase, por esclarecedora, a seguinte e definitiva passagem do voto condutor do citado acórdão 920200.792: "Na hipótese dos autos, consoante se positiva do exame do Contrato Social da contribuinte, às fls. 239/245, encontrase prevista a possibilidade de distribuição dos lucros, após o encerramento do período base, em 31 de dezembro do respectivo ano, quando serão levantados balanços anuais e/ou intermediários periódicos, a critério dos sócios, como segue: CLÁUSULA SÉTIMA O exercício social será encerrado em 31 de janeiro de cada ano, quando serão levantados balanços anuais, podendo também a critério dos sócios ser levantados Balanços intermediários periódicos, para atender possíveis conveniências, da Sociedade. PARÁGRAFO ÚNICO Os lucros ou prejuízos verificados em balanço serão distribuídos ou suportados pelos sócios, na mesma proporção da subscrição do Capital Social." Extraise da cláusula encimada, constante do Contrato Social da contribuinte, inexistir à toda evidência disposição expressa da imediata distribuição de lucros aos sócios da empresa, o que nos leva a concluir que aludida providência será ou não levada a efeito a critério dos sócios cotistas, dependendo, assim, da manifestação destes em relação a quando e quanto será distribuído, uma vez não constar da disposição contratual retro qualquer determinação da divisão automática/imediata dos lucros. Tratase, pois, de uma expectativa de direito que somente será consolidada após manifestação dos sócios cotistas, que poderão realizar o lucro no todo ou em parte, ou reaplicálo na empresa. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 457 12 Na esteira desse entendimento, inexistindo a expressa imposição de distribuição imediata/automática dos lucros apurados, caberia à fiscalização, com base na documentação ofertada pela contribuinte, analisar se houve ou não referida distribuição aos sócios. Assim não o tendo feito, descabe negar direito à contribuinte com base em uma presunção arrimada em Contrato Social que não traz expressamente em seu bojo o dever de imediata distribuição de lucros, mas tão somente a possibilidade de fazêlo na importância e tempo que os sócios decidirem." 20. O precedente acima se amolda, com precisão, ao caso em exame, onde, também, o contrato social, na sua cláusula 6.2, apenas previa que os lucros seriam comuns aos sócios na proporção da sua participação societária, sem, contudo, estabelecer que estariam imediatamente disponíveis, como exige a INSRF 63/97. 21. Não bastasse isso, o fato é que, no caso, os lucros não foram distribuídos aos sócios ao final dos exercícios de 1990, 1991, 1992 e 1993, mas sim, bem depois disso, foram utilizados para aumentar o capital da empresa, como provam as alterações contratuais n°s 18, 19, 20, 21 e 22, já juntadas aos processos e, agora, novamente apresentadas por cópia (anexo 2), sobre as quais o v. acórdão recorrido não se manifestou. O acórdão recorrido registra as seguintes razões de decidir: 26. Conforme detalhado no relatório que acompanha este voto, o interessado apresentou pedido de restituição de suposto crédito relativo a valores pagos de ILL nos anos de 1990 a 1993, justificando seu pleito na inconstitucionalidade da incidência deste tributo declarada pelo STF, confirmada pela IN SRF n° 63, de 1997. 27. Vencida a questão preliminar quanto à decadência do direito de pleitear a restituição, levantada pela DRF/MOS ao apreciar o pleito, por decisão da CSRF favorável ao contribuinte, o objeto de contenda atualmente referese ao alcance da disposição contida na referida IN SRF n° 63, de 1997. 28. O recorrente entende que, no caso de sociedade por cota de responsabilidade limita, a possibilidade de incidência do ILL foi restringida pela IN à hipótese em que haja determinação expressa da imediata realização dos lucros pelos sócios cotistas. 29. Assim, em virtude de não haver esta determinação expressa no seu contrato social, entende que a incidência do ILL é inconstitucional, o que dá ensejo a considerar indevidos os pagamentos efetuados nos períodos antes referidos e, por conseguinte, considerar devida a restituição integral dos valores recolhidos. 30. O art. 35 dessa lei dispunha que: Art. 35. O sócio quotista, o acionista ou titular da empresa individual ficará sujeito ao Imposto de Renda Retido na Fonte, à alíquota de 8% (oito por cento), calculado com base no lucro liquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do períodobase. 31. Dentre as três categorias membros/titulares de sociedades apontadas pelo dispositivo legal, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE Fl. 457DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 458 13 172.058/SC, ocorrido em 30 de junho de 1995, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 35 acima transcrito relativamente aos acionistas, a sua constitucionalidade em relação ao titular de empresa individual, e, quanto ao sócio quotista, que nos interessa no presente processo, declarou a constitucionalidade da norma quando o contrato social prevê a disponibilidade econômica ou jurídica imediata, pelo sócio, do lucro líquido apurado ao final do períodobase. Transcrevese a ementa do acórdão na parte de interesse: IMPOSTO DE RENDA RETENÇÃO NA FONTE SÓCIO COTISTA. A norma insculpida no artigo 35 da Lei n° 7.713/88 mostra se harmônica com a Constituição Federal quando o contrato social prevê a disponibilidade econômica ou jurídica imediata, pelos sócios, do lucro líquido apurado, na data do encerramento do períodobase. Nesse caso, o citado artigo exsurge como explicitação do fato gerador estabelecido no artigo 43 do Código Tributário Nacional, não cabendo dizer da disciplina, de tal elemento do tributo, via legislação ordinária. Interpretação da norma conforme o Texto Maior. IMPOSTO DE RENDA RETENÇÃO NA FONTE ACIONISTA. O artigo 35 da Lei n° 7.713/88 é inconstitucional, ao revelar como fato gerador do imposto de renda na modalidade "desconto na fonte", relativamente aos acionistas, a simples apuração, pela sociedade e na data do encerramento do períodobase, do lucro líquido, já que o fenômeno não implica qualquer das espécies de disponibilidade versadas no artigo 43 do Código Tributário Nacional, isto diante da Lei n° 6.404/76. IMPOSTO DE RENDA RETENÇÃO NA FONTE TITULAR DE EMPRESA INDIVIDUAL. O artigo 35 da Lei n° 7.713/88 encerra explicitação do fato gerador, alusivo ao imposto de renda, fixado no artigo 43 do Código Tributário Nacional, mostrandose harmônico, no particular, com a Constituição Federal. Apurado o lucro líquido da empresa, a destinação fica ao sabor de manifestação de vontade única, ou seja, do titular, fato a demonstrar a disponibilidade jurídica. Situação fática a conduzir à pertinência do princípio da despersonalização. 32. Em decorrência dessa decisão do STF, o Senado Federal houve por bem suspender a execução do citado art. 35, da Lei 7.713, de 1988, para o que editou a Resolução n° 82, de 18 de novembro de 1996, apenas no que diz respeito aos acionistas, pois, no tocante ao sócio quotista, a interpretação conforme a Constituição efetivada pelo STF estabeleceu a necessidade da análise para o caso concreto, observandose a especificidade do contrato social de cada sociedade, conforme se depreende dos seguintes trechos dos votos do relator, Ministro Marco Aurélio, e do Ministro Sydney Sanches: Ministro Marco Aurélio c) o artigo 35 da Lei n° 7.713/88 guarda sintonia com a Lei Básica Federal, na parte em que disciplinada a situação do sócio cotista, quando o contrato social encerra, por si só, a disponibilidade imediata, quer econômica, quer jurídica, do lucro líquido apurado. Caso a caso, cabe perquirir o alcance respectivo. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 459 14 Ministro Sydney Sanches Assim, somente ao ensejo do exame dos casos concretos, no controle difuso de constitucionalidade, é que poderá o Judiciário decidir se o imposto é exigível, ou não. 33. Com o intuito de dar efetividade a tais comandos, o Secretário da Receita Federal editou a IN SRF n° 63, de 1997, com a finalidade de evitar litígios em processos administrativo e judiciais, sobre as matérias tidas por inconstitucionais pelo STF. Deixou evidente que a inconstitucionalidade do art. 35 da Lei n° 7.713, de 1988, restringiuse às sociedades por ações, em qualquer hipótese, e às sociedades limitadas, quando o contrato social não prever a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado: O SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e em vista do que ficou decidido pela Resolução do Senado n° 82, de 18 de novembro de 1996, e com base no que dispõe o Decreto n° 2.194, de 7 de abril de 1997, resolve: Art. 1° Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do períodobase de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Art. 2° Ficam os Delegados e Inspetores da Receita Federal autorizados a rever de ofício os lançamentos referentes à matéria de que trata o artigo anterior, para fins de alterar, total ou parcialmente, o respectivo crédito da Fazenda Nacional. Art. 3° Caso os créditos de natureza tributária, oriundos de lançamentos efetuados em desacordo com o disposto no art. 1°, estejam pendentes de julgamento, os Delegados de Julgamento da Receita Federal subtrairão a aplicação da lei declarada inconstitucional. Art. 4° O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica às empresas individuais. Art. 5° Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Art. 6° Revogase as disposições em contrário. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 460 15 34. Em virtude da edição desta IN ser decorrente da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF e da publicação de resolução pelo Senado Federal, para um adequado entendimento do alcance da disposição nela contida relativamente aos sócios cotistas, sua interpretação não pode ampliar os conceitos e limites estabelecidos pelo STF. Então, tornase necessário verificar o teor dos votos dos Ministros no referido RE. 35. Consoante voto do relator, Ministro Marco Aurélio, somente seria inconstitucional a exigência do tributo nas seguintes situações: a) o contrato social ser omisso sobre a distribuição dos lucros, pois no caso aplicarseia a Lei das Sociedades Anônimas, e por decorrência a solução adotada para este tipo de sociedade; b) o contrato prever, independentemente da manifestação dos sócios, destinação dos lucros outra que não a sua distribuição: Relativamente às sociedades por quotas, cumpre sempre perquirir, à luz do contrato social, a disciplina do lucro líquido. Prevista a imediata disponibilidade econômica ou mesmo jurídica ou, ainda, definição diversa a exigir a manifestação de vontade de todos os sócios, temse o fato gerador fixado no artigo 43 do Código Tributário Nacional. No caso, não se abre campo propício à aplicação da Lei das Sociedades Anônimas, porque sempre subsidiária, a depender do silêncio do contrato social e à compatibilização ante as regras mínimas previstas do Decreto 3.708/19. 36. Na hipótese "a", o entendimento foi consoante com o estabelecido no Decreto n° 3.708, de 1919, vigente à época, que regulou a constituição de sociedades por quotas de responsabilidade limitada. Neste foi fixado que as disposições da Lei das Sociedades Anônimas seria aplicável subsidiariamente às sociedades limitadas, ou seja, o que não fosse regulado no contrato social seria regido pelas regras daquela lei. Art. 18. Serão observadas quanto às sociedades por quotas de responsabilidade limitada, no que não for regulado no estatuto social, e na parte aplicável, as disposições da lei das sociedades anônimas. 37. Já a hipótese "b" referiuse à situação em que o contrato social não é omisso, porém estabelece destinação dos lucros distinta de distribuição aos sócios quotistas e independente da manifestação destes. Contrario sensu, se o contrato social prevê que a destinação dos lucros depende de pronunciamento de todos os sócios, a incidência do ILL não é inconstitucional no entender do ilustre Ministro. Coerente esse entendimento pois a determinação do momento da entrada do rendimento no patrimônio dos sócios dependerá do seu assentimento, restando caracterizada a disponibilidade jurídica da renda. 38. O Ministro Sepúlveda Pertence, corroborando o voto do relator, esclareceu que a inconstitucionalidade da incidência do ILL somente restaria caracterizada quando, por expressa determinação do contrato social, ou em caso de sua ausência, por aplicação subsidiária da Lei das Sociedades Anônimas, a destinação do lucro líquido dependesse de decisão de um órgão societário e não da vontade dos cotistas: Com relação ao cotista, que é a única norma de relevo para o caso, também estou de acordo em que não há inconstitucionalidade a declarar, em tese. Na hipótese da sociedade por cotas a lei, em princípio, será constitucional, salvo naquela em que, seja por norma Fl. 460DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 461 16 expressa do contrato social, seja pela aplicação subsidiária da lei das sociedades anônimas, a destinação do lucro líquido penda de decisão de um órgão societária e não da vontade individual de cada cotista, ou de todos os cotistas. 39. Esclarecedores, também, os votos dos Ministros Sydney Sanches e Carlos Veloso, que seguiram a conclusão do relator: Ministro Sydney Sanches Quanto ao sócio quotista, a apuração de seu crédito vai depender do que se dispuser no contrato. Pode ser que este determine que o lucro tenha uma certa destinação, ao invés da imediata distribuição, segundo as quotas dos sócios. Se o contrato previr distribuição imediata, ou seja, em seguida à apuração, então, sim, o tributo incidirá desde logo. Ministro Carlos Veloso Agora, vejamos se esta inconstitucionalidade ocorre referentemente ao sócio cotista ou ao titular da empresa individual sócio cotista numa sociedade por cota de responsabilidade limitada. Nestes dois casos, a solução da questão depende do exame do contrato. Casos haverá em que a disponibilidade econômica do lucro líquido é posta, expressamente, no contrato. Nestes casos, não haveria inconstitucionalidade do ar.t 35 da Lei 7.713/88. 40. O extrato de ata do julgamento torna ainda mais claro o entendimento da decisão: (...) Quanto às palavras "o sócio cotista", o Tribunal declarou sua constitucionalidade, salvo quando, segundo o contrato social, não dependa do assentimento de cada sócio a destinação do lucro líquido a outra finalidade que não a de distribuição (...) 41. A jurisprudência que se seguiu é unânime na mesma linha de entendimento adotada no RE antes comentado. Vejase por exemplo, o voto do Ministro Néri da Silveira no RE 200.4308, de 13 de maio de 1996: Quanto ao sócio quotista, cumpre verificar o que estabelece o contrato social: se este previr a disponibilidade econômica ou jurídica imediata, pelos sócios, do lucro líquido apurado, na data do encerramento do períodobase, é válida a incidência do art. 35 da Lei n° 7713/1988; se o sócio quotista, entretanto, seja por norma expressa no contrato social, seja pela aplicação subsidiária da lei das sociedades anônimas, não tiver a destinação do lucro líquido, sobre o qual caberá, porém, decidir órgão societário, não é possível considerar existente a imediata disponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado, ut art. 43 do CTN, aos fins do imposto de renda na Fl. 461DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 462 17 fonte, porque a determinação do momento da entrada do rendimento no patrimônio dos sócios não dependerá do assentimento de cada sócio. Importará, pois, no que concerne às sociedades por quotas de responsabilidade limitada, verificar, caso a caso, quanto ao enquadramento, ou não, no âmbito da validade do art. 35 da Lei n° 7713/1988. Como anotou, no julgamento aludido, o ilustre Ministro Celso de Mello, há, "em princípio, em tal situação, e no que concerne aos sócios quotistas, uma hipótese de plena disponibilidade tributável. Os sócios quotistas titularizam, ordinariamente, situação configuradora de disponibilidade jurídica de rendimento, pois o lucro apurado no balanço constitui direito de que se acham eles irrecusavelmente investidos. Assim, os sócios quotistas de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, ressalvada disposição convencional em sentido contrário, têm um crédito revestido de liquidez e certeza." 42. Por sua vez, o Ministro Celso de Mello, seguindo o precedente do Tribunal, esclareceu de forma bastante didática e simples a interpretação que deve ser dada ao conceito de disponibilidade jurídica imediata dos rendimentos dos sócios cotistas, e, por consequência, o alcance do decidido no RE antes referido, conforme trecho de seu voto no RE 198.1431, de 25 de março de 1997, transcrito a seguir: Cumpre observar neste ponto, por necessário, que existe, em princípio, no que concerne aos sócios quotistas, uma hipótese de plena disponibilidade tributável. Os sóciosquotistas titularizam, ordinariamente, situação configuradora de disponibilidade jurídica de rendimentos, pois a percepção do lucro apurado no balanço constitui direito de que se acham irrecusavelmente investidos. Assim, os sóciosquotistas, ressalvada disposição convencional em sentido contrário, possuem, no contexto ora em análise, um crédito revestido de liquidez e certeza. Esse direito somente não se materializará, inviabilizando, em conseqüência, a possibilidade de válida incidência do art. 35 da Lei 7.713/88, se o sócioquotista, em virtude de cláusula expressa constante do contrato social ou em decorrência da aplicação supletiva da legislação concernente às sociedades por ações, não for, ele próprio, o destinatário imediato do lucro líquido, hipótese em que não será lícito reconhecer, quanto a ele, a existência de situação caracterizadora de imediata disponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 463 18 43. Então, ad conclusum, o entendimento do RE 172.058/SC e da jurisprudência, que se lhe seguiu, foi no sentido de ser inconstitucional a exigência do ILL SOMENTE quando: a) o contrato social for omisso sobre a distribuição dos lucros, pois, nesta hipótese, aplicarseá a legislação das sociedades anônimas e, por conseguinte, o entendimento dado aos acionistas; e b) o contrato preveja a possibilidade de outra destinação dos lucros que não a sua distribuição, e que a deliberação quanto isto seja independentemente da manifestação de todos os sócios. Nesta segunda hipótese, havendo dependência da manifestação dos sócios quotistas, há que se considerar a disponibilidade jurídica caracterizada e, por conseguinte, incidente o ILL. 44. Observese que é nesse sentido que se deve interpretar o disposto no parágrafo único do art. 1° da IN SRF 63/97, haja vista que essa instrução normativa, como dito antes, apenas veio dar maior eficácia à decisão do STF, prevenindo litígios. Esta norma não pretendeu, em momento algum, dispor contra a decisão desse tribunal ou ampliar seus conceitos. A interpretação restritiva do parágrafo único, na forma pretendida pelo contribuinte, presente na jurisprudência administrativa de 2a instância por si carreada aos autos, conduz indubitavelmente a uma ampliação da decisão do STF. 45. Na espécie, o contrato social vigente à época dos recolhimentos efetuados dispunha em seu item 6 o que segue: 6. DO EXERCÍCIO SOCIAL E DO BALANÇO 6.1. (...) 6.2. Os ganhos e perdas são comuns a todos os sócios, na razão proporcional dos respectivos capitais integralizados, prevalecendo, para este fim, a integralização feita até o último dia útil do mês de junho, de cada exercício.(grifei) 46. Ao especificar que os ganhos são comuns a todos os sócios na proporção da cota integralizadas, sem especificar possibilidade de outra destinação não passível de manifestação deles, está evidente que o contrato social se subsume à situação para a qual o STF considerou constitucional a norma de incidência do ILL, ou seja, de que há previsão contratual de distribuição dos lucros aos sócios. Isto porque: 46.1. estabelecer que os ganhos caberão aos sócios, é o mesmo que especificar a disponibilidade do lucro líquido imediata, pois independente de qualquer condição alheia à vontade dos sócios. O termo ganhos tem o mesmo sentido de lucros, conforme pode ser verificado na disposição contida no art. 1054, c/c o 997 do Código Civil: Art. 1.054. O contrato mencionará, no que couber, as indicações do art. 997, e, se for o caso, a firma social. Art. 997. A sociedade constituise mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: (...) Fl. 463DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 464 19 VII a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; 46.2. não restou caracterizada a ausência de informação quanto à distribuição do lucro, primeira condição estabelecida pelo Ministro relator, situação na qual seria passível de aplicação a lei das sociedades anônimas; 46.3. o contrato não previu a possibilidade de outra destinação dos lucros que não a sua distribuição, e que a deliberação quanto esta destinação independeria da manifestação de todos os sócios. 47. Inclusive, ad argumentandum, em alterações posteriores do contrato foi estabelecido competir aos sócios deliberar sobre a distribuição dos lucros, abrindo se, assim, a possibilidade de outras destinações diferentes desta mediante a manifestação de todos os cotistas. Mesmo com esta redação ainda seria devida a incidência do ILL conforme entendimento do STF, pois a destinação do lucro estaria dependente da vontade direta dos sócios, sem exceção, subsumindose à segunda hipótese descrita no voto do Ministro relator. 48. Somente na ausência do subitem 6.2, estarseia diante da falta de regra de distribuição de lucro, sendo aplicável subsidiariamente a Lei da S.A.. Nesta situação estaria caracterizada a inconstitucionalidade da norma a teor da decisão do STF. 49. Analisada, pois, a especificidade do contrato social do contribuinte, conforme posicionamento do STF, concluise pela constitucionalidade da incidência do ILL, o que conduz a considerar improcedente o pleito de restituição dos valores recolhidos a este título por ausência de indébito. 50. No que se refere às decisões do Carf, carreadas pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, é devido esclarecer que, consoante o art. 100, II, do Código Tributário Nacional, as decisões dos órgãos colegiados de jurisdição administrativa não constituem normas complementares da legislação tributária, tampouco vinculam a administração, haja vista não existir lei que lhes confira a efetividade de caráter normativo. Ademais, tratase de uma interpretação na contramão dos conceitos adotados pelos Ministros do STF, implicando em ampliação indevida do alcance da IN SRF n° 63 de 1997. Dessa forma, à vista dos fundamentos expostos pela DRJ, constatase que o presente caso não se enquadra na referida hipótese de inconstitucionalidade. Sendo assim, não vejo como acolher o pedido de restituição da recorrente. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 464DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 465 20 Voto Vencedor Flávio Machado Vilhena Dias Redator designado Em decisão colegiada, quando do julgamento do Recurso Voluntário apresentado neste processo administrativo pela ora Recorrente, USIBRAS Usina Bras. de Óleos e Castanha Ltda., a maioria dos julgadores entendeu por bem dar provimento ao apelo do contribuinte, para deferir o pedido de restituição do ILL, que havia sido indeferido originariamente pela Receita Federal do Brasil. Indeferimento este confirmado pela instância de julgamento a quo. Coube a este conselheiro a confecção do voto vencedor, para externar a convicção formada pela maioria dos julgadores naquela assentada. Assim, pedindo vênia ao ilustre relator, que, como se observa acima, negava provimento ao Recurso Voluntário, passa se a demonstrar as razões pelas quais deve ser dado provimento ao apelo do Recorrente. Como se observa do relatório acima, o presente processo administrativo teve início com o pedido de restituição de crédito relativo a valores pagos de Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL) nos anos de 1990 a 1993, com base na inconstitucionalidade da incidência deste tributo declarada pelo STF e que foi confirmada pela IN SRF nº 63, de 1997. Entretanto, aos olhos da fiscalização, o contrato social do contribuinte, vigente nos anos de 1990 a 1993, previa, supostamente, a disponibilidade imediata dos lucros aos sócios e, por isso, não haveria como se aplicar a inconstitucionalidade declarada pela STF. De fato, toda a discussão perpassa no que restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE 172.058/SC e na interpretação das cláusulas do contrato Social da Recorrente. Vejase, neste sentido, a ementa do julgado proferido pela Suprema Corte: RECURSO EXTRAORDINÁRIO ATO NORMATIVO DECLARADO INCONSTITUCIONAL LIMITES. Alicercado o extraordinário na alinea b do inciso III do artigo 102 da Constituição Federal, a atuação do Supremo Tribunal Federal fazse na extensão do provimento judicial atacado. Os limites da lide não a balizam, no que verificada declaração de inconstitucionalidade que os excederam. Alcance da atividade precipua do Supremo Tribunal Federal de guarda maior da Carta Política da República. TRIBUTO RELAÇÃO JURÍDICA ESTADO/CONTRIBUINTE PEDRA DE TOQUE. No embate diário Estado/contribuinte, a Carta Política da República exsurge com insuplantável valia, no que, em prol do segundo, impõe parâmetros a serem respeitados pelo primeiro. Dentre as garantias constitucionais explícitas, e a constatação não excluí o reconhecimento de outras decorrentes do próprio sistema adotado, exsurge a de que somente a lei complementar cabe "a definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes" alinea "a" do Fl. 465DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 466 21 inciso III do artigo 146 do Diploma Maior de 1988. IMPOSTO DE RENDA RETENÇÃO NA FONTE SÓCIO COTISTA. A norma insculpida no artigo 35 da Lei nº 7.713/88 mostrase harmônica com a Constituição Federal quando o contrato social preve a disponibilidade econômica ou jurídica imediata, pelos sócios, do lucro líquido apurado, na data do encerramento do períodobase. Nesse caso, o citado artigo exsurge como explicitação do fato gerador estabelecido no artigo 43 do Código Tributário Nacional, não cabendo dizer da disciplina, de tal elemento do tributo, via legislação ordinária. Interpretação da norma conforme o Texto Maior. IMPOSTO DE RENDA RETENÇÃO NA FONTE ACIONISTA. O artigo 35 da Lei nº 7.713/88 e inconstitucional, ao revelar como fato gerador do imposto de renda na modalidade "desconto na fonte", relativamente aos acionistas, a simples apuração, pela sociedade e na data do encerramento do períodobase, do lucro líquido, já que o fenômeno não implica qualquer das espécies de disponibilidade versadas no artigo 43 do Código Tributário Nacional, isto diante da Lei nº 6.404/76. IMPOSTO DE RENDA RETENÇÃO NA FONTE TITULAR DE EMPRESA INDIVIDUAL. O artigo 35 da Lei nº 7.713/88 encerra explicitação do fato gerador, alusivo ao imposto de renda, fixado no artigo 43 do Código Tributário Nacional, mostrandose harmônico, no particular, com a Constituição Federal. Apurado o lucro líquido da empresa, a destinação fica ao sabor de manifestação de vontade única, ou seja, do titular, fato a demonstrar a disponibilidade jurídica. Situação fática a conduzir a pertinência do princípio da despersonalização. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIMENTO JULGAMENTO DA CAUSA. A observância da jurisprudência sedimentada no sentido de que o Supremo Tribunal Federal, conhecendo do recurso extraordinário, julgara a causa aplicando o direito a espécie (verbete nº 456 da Súmula), pressupõe decisão formalizada, a respeito, na instância de origem. Declarada a inconstitucionalidade linear de um certo artigo, uma vez restringida a pecha a uma das normas nele insertas ou a um enfoque determinado, impõese a baixa dos autos para que, na origem, seja julgada a lide com apreciação das peculiaridades. Inteligência da ordem constitucional, no que homenageante do devido processo legal, avesso, a mais não poder, as solucões que, embora práticas, resultem no desprezo a organicidade do Direito.(RE 172058, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 30/06/1995, DJ 13101995 PP 34282 EMENT VOL0180408 PP01530 RTJ VOL0016103 PP01043) Como se observa da decisão proferida pelo STF, ficou claro que "a norma insculpida no artigo 35 da Lei nº 7.713/88 mostrase harmônica com a Constituição Federal quando o contrato social preve a disponibilidade econômica ou jurídica imediata, pelos sócios, do lucro líquido apurado, na data do encerramento do períodobase". Por outro lado, na mesma assentada, aquela Corte entendeu como inconstitucional a exigência do ILL em relação aos sócios quotistas de sociedade limitada somente quando: a) o contrato social for omisso sobre a distribuição dos lucros, pois, nesta Fl. 466DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 467 22 hipótese, aplicarseá a legislação das sociedades anônimas e, por conseguinte, o entendimento dado aos acionistas; e b) o contrato preveja a possibilidade de outra destinação dos lucros que não a sua distribuição, e que a deliberação quanto isto seja independentemente da manifestação de todos os sócios. A própria Receita Federal do Brasil, encampando o posicionamento do STF, editou a Instrução Normativa SRF n° 163, de 25/07/1997, na qual estendeu o entendimento fixado nos autos do Recurso Extraordinário n° 172.058/SC, às sociedades por quotas de responsabilidade limitada, nos casos em que o Contrato Social da entidade, à época do encerramento do períodobase, não contemplasse a distribuição imediata dos lucros. Confira se: "Art. 1° Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1998, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único: O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos que o contrato social, na data cio encerramento do período base de apuração, não previa disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado." No caso em comento, quando se analisa no contrato social do Recorrente (fls. 417 a 437) vigente à época dos pedidos de restituição 1990 a 1993 é fácil perceber que o pacto firmado pelos sócios não previa a disponibilidade imediata dos lucros da sociedade. Notadamente, o que se verifica é que, em que pese o contrato social da Recorrente ter a previsão de que haveria a distribuição proporcional dos lucros aos sócios (item 6.2), este mesmo contrato tinha a previsão de que os lucros só seriam distribuídos após a aprovação do balanço e das contas do exercício pelos sócios da entidade. Confirase a redação das cláusulas contratuais neste sentido: 6. DO EXERCÍCIO SOCIAL E DO BALANÇO 6.1. O exercício social da empresa terá início no primeiro dia de janeiro de cada ano e terminará no último dia de dezembro do ano respectivo O balanço será levantado por ocasião do encerramento do exercício social, com observância das prescrições legais pertinentes, e cada sócio deverá receber, mediante protocolo, até 60 (sessenta) dias após a sua conclusão, exemplar completo do balanço patrimonial e das contas do resultado do exercício, manifestandose sobre o mesmo durante os 30 dias seguintes ao seu recebimento, ficando automaticamente aprovando se houver silêncio, a respeito da matéria, dentro desse período. 6.2. Os ganhos e perdas são comuns a todos os sócios, na razão proporcional dos respectivos capitais integralizados, prevalecendo, para este fim, a integralização feita até o último dia útil do mês de junho, de cada exercício Fl. 467DF CARF MF Processo nº 13433.000830/200188 Acórdão n.º 1302003.403 S1C3T2 Fl. 468 23 A interpretação dos dispositivos acima transcritos não pode ser outra, senão a de que somente com a aprovação dos sócios tácita ou expressamente do balanço patrimonial e das contas do resultado do exercício é que haveria a distribuição dos lucros de forma proporcional ao capital integralizado. Não havia nenhuma pactuação entre os cotistas no sentido de a distribuição dos lucros ser imediata. E o fato de haver distribuição proporcional dos lucros não é motivo para afastar o entendimento do STF. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive, já enfrentou essa matéria e assim decidiu. Vejase: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 1990, 1991 ILL SOCIEDADE LIMITADA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. Tratandose de pedido de restituição/compensação de Imposto Sobre o Lucro Liquido ILL, exigido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n° 172.058/SC, com decisão publicada em 03/08/1995, o termo a quo do prazo prescncional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 63, de 25/07/1997, que atribuiu efeito erga reconhecendo a não incidência de aludido tributo, ampliando a suspensão daquele dispositivo legal, contemplada na Resolução do Senado Federal n° 82/1996. Recurso especial negado. (acórdão 920200.791, de 14/04/2010 Processo nº 11610.016143/200241) Assim, pedindose mais uma vez venia ao ilustre Relator, votase por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para, reformandose a decisão da DRJ, deferir o pedido inicial de restituição do ILL feito pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 468DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.907893/2016-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.900
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.907893/201604 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.900 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente CATHO ONLINE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 89 3/ 20 16 -0 4 Fl. 468DF CARF MF Processo nº 13896.907893/201604 Resolução nº 3201001.900 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 469DF CARF MF Processo nº 13896.907893/201604 Resolução nº 3201001.900 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 470DF CARF MF Processo nº 13896.907893/201604 Resolução nº 3201001.900 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 13896.907893/201604 Resolução nº 3201001.900 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 472DF CARF MF Processo nº 13896.907893/201604 Resolução nº 3201001.900 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 473DF CARF MF Processo nº 13896.907893/201604 Resolução nº 3201001.900 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 474DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.727097/2012-40
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 70 97 /2 01 2- 40 Fl. 82DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 06 a 11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.098,50, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 13 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: que a autoridade lançadora considerou insuficiente a comprovação das despesas médicas somente com a apresentação dos recibos, sendo necessária a comprovação do efetivo pagamento; que a fiscalização embasouse a exigência em acórdãos administrativos, o que também autoriza a apresentar acórdãos em seu favor; que não existe dispositivo legal que exija o pagamento em cheque ou impeça o pagamento em dinheiro para que possa deduzir as despesas médicas; que na condição de médico, recebe de seus pacientes pagamentos de consulta em dinheiro e oferece à tributação. Por isso, os seus pagamentos em dinheiro a psicólogos também devem ser aceitos; que o outro tratamento psicológico foi realizado com a esposa e filho (psicoterapia familiar). Como os pagamentos e recibos foram feitos em nome do contribuinte, sem constar o nome da esposa e do filho e na Declaração exige a discriminação dos dependentes, os recibos foram trocados pelos três recibos apresentados à fiscalização; que o principal documento pela legislação para comprovação das despesas médicas é o recibo e a nota fiscal e, na falta destes, o cheque nominal. Acrescenta que a legislação não exige a apresentação do recibo e cheque; Traz à colação jurisprudência administrativa a seu favor. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 15504.727097/201240 Acórdão n.º 2002000.793 S2C0T2 Fl. 83 3 Requer acolhida a presente impugnação. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 14/05/2015, no acórdão 0368.145, às efls. 59 a 63, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 69 a 80, alegando, em síntese, que possui todos os recibos médicos e que estes foram apresentados, motivo pelo qual a glosa deve ser afastada. Ainda, alega que na legislação vigente não há nenhum impedimento de pagamento de profissionais de saúde em espécie. Por fim, colaciona a declaração das profissionais atestando a prestação de serviços. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 26/05/2015, efls. 67, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 26/06/2015, efls. 69, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · Thereza Cristina Paione Rezende R$5.100,00; · Marisa dos Santos Pais Pinto Chaves R$5.950,00. · Marisa dos Santos Pais Pinto Chaves R$3.100,00. · Marisa dos Santos Pais Pinto Chaves R$6.150,00. Primeiramente, cumpre destacar que além de despesas médicas próprias do contribuinte, este deduziu também despesas com seus dependentes. Contudo, a relação de dependência não foi questionada, sendo a glosa mantida pela falta de efetivo pagamento, conforme decisão da DRJ: Mesmo que o contribuinte tenha apresentado os recibos ou notas fiscais dos serviços e declarações firmadas pelos profissionais, é licito à Autoridade exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. Fl. 84DF CARF MF 4 No procedimento de ofício, o contribuinte foi intimado (Termo de Intimação Fiscal – Fls. 3839) a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas. Em resposta, não apresentou a documentação comprobatória do efetivo pagamento. Em sede de impugnação, também não comprovou o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas. Vale dizer que o pagamento das despesas médicas em espécie não é proibido pela legislação, todavia o interessado deve possuir meios de comprovar tal operação, tais como extrato bancário em que haja correspondência entre os valores sacados em conta corrente e as quantias pagas como despesas médicas, assim como a correspondência entre as datas contidas nos recibos e as datas das retiradas bancárias. Assim, diante da falta de comprovação, fica mantida a glosa das despesas médicas. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Fl. 85DF CARF MF Processo nº 15504.727097/201240 Acórdão n.º 2002000.793 S2C0T2 Fl. 84 5 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. Fl. 86DF CARF MF 6 O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do Fl. 87DF CARF MF Processo nº 15504.727097/201240 Acórdão n.º 2002000.793 S2C0T2 Fl. 85 7 valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Fl. 88DF CARF MF 8 Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Às efls. 50 e 53 há recibos emitidos pela Thereza Cristina Paione Rezende no importe de R$5.100,00. Às efls. 54, 56 e 57 há recibos emitidos Marisa dos Santos Pais Pinto Chaves no valores de R$5.950,00, R$3.100,00 e R$6.150,00. Em sede recursal, o contribuinte anexa a declaração das duas profissionais, às efls. 79 e 80, ratificando a prestação dos serviços. Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento, afastando a glosa da despesas. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto à comprovação das despesas médicas em litígio. Extraise da Notificação de Lançamento que a autoridade fiscal procedeu à glosa das despesas declaradas para Thereza Cristina Paione Rezende e Marisa dos Santos Pais Pinto Chaves por não ter o contribuinte, devidamente intimado, comprovado o seu efetivo pagamento através de cheques nominais ou, no caso de pagamentos em espécie, extratos bancários com compatibilidade de datas e valores (efls. 08/09). A decisão de primeira instância manteve a glosa efetuada, corroborando as razões expostas pela fiscalização (efls. 59/63). Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas Fl. 89DF CARF MF Processo nº 15504.727097/201240 Acórdão n.º 2002000.793 S2C0T2 Fl. 86 9 declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressaltese que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, Fl. 90DF CARF MF 10 deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o recorrente tenha feito seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, verificase que este não trouxe aos autos nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência de datas e valores entre os saques efetuados em sua conta e os recibos apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.007540/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
Embargos Declaratórios. Omissão. Cabimento.
Cabem embargos declaratórios para que seja eliminada omissão, examinado ponto acerca do qual o colegiado deveria ter se manifestado, mas não o fez.
Depósitos Bancários. Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira. Relatório Circunstanciado.
A validade da prova relativa à movimentação bancária do autuado, quando os respectivos extratos são requisitados diretamente às instituições financeiras, depende da existência nos autos de relatório circunstanciado indicando qual o pressuposto fático, dentre os previstos no Decreto nº 3.724/2001, estava presente no caso concreto.
Numero da decisão: 1301-003.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios para, com efeitos infringentes: (i) declarar a nulidade na obtenção dos extratos bancários, e, em razão da ausência de provas, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente a exigência do crédito tributário; e (ii) anular o ato declaratório de exclusão do SIMPLES.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 Embargos Declaratórios. Omissão. Cabimento. Cabem embargos declaratórios para que seja eliminada omissão, examinado ponto acerca do qual o colegiado deveria ter se manifestado, mas não o fez. Depósitos Bancários. Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira. Relatório Circunstanciado. A validade da prova relativa à movimentação bancária do autuado, quando os respectivos extratos são requisitados diretamente às instituições financeiras, depende da existência nos autos de relatório circunstanciado indicando qual o pressuposto fático, dentre os previstos no Decreto nº 3.724/2001, estava presente no caso concreto.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. CABIMENTO. Cabem embargos declaratórios para que seja eliminada omissão, examinado ponto acerca do qual o colegiado deveria ter se manifestado, mas não o fez. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. A validade da prova relativa à movimentação bancária do autuado, quando os respectivos extratos são requisitados diretamente às instituições financeiras, depende da existência nos autos de relatório circunstanciado indicando qual o pressuposto fático, dentre os previstos no Decreto nº 3.724/2001, estava presente no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios para, com efeitos infringentes: (i) declarar a nulidade na obtenção dos extratos bancários, e, em razão da ausência de provas, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente a exigência do crédito tributário; e (ii) anular o ato declaratório de exclusão do SIMPLES. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 75 40 /2 00 8- 96 Fl. 639DF CARF MF Processo nº 11516.007540/200896 Acórdão n.º 1301003.765 S1C3T1 Fl. 640 2 (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de embargos opostos por CARISMA TRANSPORTES LTDA. e JOÃO FERNANDES RODRIGUES, já qualificados nos autos, contra o Acórdão nº 1801 001.897, da 1ª Turma Especial, da Primeira Seção de Julgamento do CARF. O julgamento dos embargos se iniciou em 9 de abril de 2018, sendo convertido em diligência pelo Acórdão nº 1301000.585. Naquela oportunidade, a matéria foi relatada nos seguintes termos: Os embargantes apontam a existência de contradição entre o acórdão e as provas reunidas nos autos. No recurso, alegavase a inexistência de relatório circunstanciado, que é condição prévia para emitirse a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, solicitando diretamente aos bancos os extratos das contas do contribuinte. O acórdão embargando, todavia, em desacordo com as provas, afirmou o cumprimento de todos os requisitos necessários para a requisição direta de tais informações. Os embargos declaratórios foram admitidos, mas com outro fundamento. Entendeu a Presidente da 1ª Câmara existir omissão, conforme se constata pelo despacho de fls. 598 a 603, abaixo reproduzido: Notase, portanto, que um dos argumentos de defesa apresentado pela contribuinte em sede de recurso voluntário disse respeito a uma suposta ausência de elaboração, por parte da Fiscalização, do "relatório circunstanciado" a que alude o § 5º do art. 4º do Decreto n° 3.724, de 2001, que, nos termos do referido ato regulamentar, deve servir de suporte para a emissão da denominada Requisição de Movimentação Financeira (RMF). O voto condutor do acórdão embargado, por sua vez, enfrentando a argumentação acima mencionada, registra: A RFB, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente pode expedir a Requisição de Movimentação Financeira (RMF) com a finalidade de examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 11516.007540/200896 Acórdão n.º 1301003.765 S1C3T1 Fl. 641 3 A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF e será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. Nesse relatório deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade, observado o princípio da razoabilidade. As informações, os resultados dos exames fiscais e os documentos serão mantidos sob sigilo fiscal, na forma da legislação pertinente. Consta nas RMF n°s 09.2.01.002008000823, 9.2.01.002008000831 e 09.2.01.002008000840, fls. 5059: Requisito, nos termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, as informações especificadas nesta Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira RMF, que deverão ser apresentadas ao(s) Auditor(es) Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil abaixo identificados, ou encaminhados a esta DRF Florianópolis, no prazo e forma especificados. Esta RMF é indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4°, § 6°, do Decreto n°3.724, de 2001. [...] (...) As normas de regência prevêem a necessidade do "relatório circunstanciado" que será elaborado pelo AuditorFiscal para embasar a expedição da Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira (RMF). A fiscalização observou o requisito previsto para a requisição do RMF. Existe de fato o referido o relatório circunstanciado, pressuposto para expedição do RMF, e foram preenchidas as exigências que dão suporte à utilização das informações bancárias para justificar os Auto de Infração. (grifo do original) ... No presente caso, houve observação da forma prescrita nos atos normativos de elaboração da RMF e ainda há indicação expressa dos motivos de fato e de direito para fins de obtenção dos extratos bancários e sua utilização para fins levantamento das informações fiscais. Tendo em vista que a própria Recorrente expressa seu entendimento de que não apresentou os extratos bancários por estar protegida pelo sigilo bancário, estão regulares os procedimentos fiscais. O Delegado da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/PR expediu os RMF n°s 09.2.01.002008000823, 9.2.01.002008000831 e 09.2.01.002008000840, fls. 5059 com a motivação explícita, clara e congruente e ainda precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. Vêse, assim, que o ato decisório embargado, para refutar a alegação da contribuinte acerca das prescrições estabelecidas pelo Decreto n° 3.724, de 2001, admite que o RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO, propulsor da emissão da RMF, é necessário, e que ele "existe de fato". A embargante, entretanto, assegura que "de fato não consta do processo o referido relatório". Perscrutando os autos, efetivamente não identifico o RELATÓRIO que serviu de lastro para a emissão das Requisições das Movimentações Financeiras. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 11516.007540/200896 Acórdão n.º 1301003.765 S1C3T1 Fl. 642 4 A meu ver, se a decisão julga necessária a emissão de relatório e fundamenta a rejeição da ausência de atendimento a essa formalidade na alegação de existência do referido relatório, deveria ter apontado em que folhas dos autos o documento encontrase juntado, sendo insuficiente, a meu sentir, o argumento de que ele "existe de fato", ou mesmo a simples descrição do suposto motivo da sua emissão. Presente, a meu ver, não a contradição, mas a omissão na decisão, que não se pronunciou sobre ponto em relação ao qual deveria fazêlo, qual seja, a ausência nos autos do RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO que serviu de suporte para a emissão de REQUISIÇÕES DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Por todo o exposto, declaro procedente as alegações suscitadas, de forma que ADMITO os embargos de declaração interpostos. (fls. 601 a 603) Por ocasião do julgamento, o colegiado, embora admitindo a indispensabilidade do relatório circunstanciado, entendeu que o processo deveria ser devolvido à unidade de origem para que fosse juntada uma cópia do referido relatório. A posição que afinal prevaleceu é retratada no voto do ilustre Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Eis o voto: Com efeito, o presente processo encontrase embasado em extratos bancários obtidos pela fiscalização diretamente às instituições bancárias, através da denominada "Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira" (RMF). Nessa hipótese, é imprescindível que os atos que envolvam sua obtenção tenham observado os ditames da Lei Complementar n° 105/2001 e Decreto n° 3.724/2001, sob pena dos extratos serem considerados inválidos. De acordo com estas normas, é necessária a existência de relatório circunstanciado, para embasar a expedição da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, destacandose que, neste relatório, a autoridade responsável pela fiscalização deve demonstrar, de forma clara e precisa, a indispensabilidade do acesso às informações financeiras da pessoa fiscalizada. De fato, compulsando os autos, não encontro o relatório mencionado, não sendo possível avalizar (ou não), pelo menos neste instante, a legalidade das emissões das RMF's (essas sim existentes nos autos). Ou seja, os autos não foram instruídos com informações necessárias para que seja possível analisar a legalidade das emissões das RMF's, em especial o mencionado relatório circunstanciado com o enquadramento nas hipóteses de indispensabilidade previstas no art 3º do Decreto n° 3.724, de 2001, devendo tal providência ser imediatamente sanada. Como ressaltado em sessão pelo I. Presidente desta Turma, Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, a referida RMF só é emitida quando do registro, no sistema operacional utilizado pela RFB, da hipótese legal que se enquadraria sua emissão, preenchendose, naquela circunstância, o campo relativo ao relatório circunstanciado que embasaria a expedição da RMF. Portanto, não se trata de questionar se existem ou não tais documentos preparatórios à expedição da RMF, mas sim de determinar à unidade de origem que acoste aos autos essa documentação, fornecendo cópia aos recorrentes para que, se assim desejarem, se manifestem sobre seu conteúdo. Desse modo, encaminho meu voto para acolher parcialmente os embargos, para converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem anexe aos autos cópia do relatório circunstanciado que embasou a emissão das RMFs. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 11516.007540/200896 Acórdão n.º 1301003.765 S1C3T1 Fl. 643 5 Ao final, os recorrentes deverão ser cientificados do resultado da diligência, fornecendose cópia dos documentos em questão e abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestemse sobre seu conteúdo (art 35, parágrafo único, do Decreto n° 7.574/2011). Cumprido o rito determinado, retornemse os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. (fls. 610 e 611) Concluída a diligência na DRF de origem, a autoridade administrativa elaborou a Informação Fiscal de fls. 618 a 620, em que admite que o relatório circunstanciado não foi encontrado, conquanto reitere a existência do referido documento. Confirase: 2.3 Os auditoresfiscais solicitam, mediante Termo de Intimação Fiscal 001, de 13/08/2008 (fls. 42 do Volume 1), a apresentação de comprovantes de solicitação de cópias de extratos bancários às instituições financeiras. 2.4 A fiscalizada, em 18/08/2008 (fls. 46/47), informa que: "3. Quanto aos extratos bancários, a contribuinte entende que tais informações estão protegidas pelo sigilo previsto no art. 5º (direitos e garantias individuais), inciso XII da Constituição. Assim, exercendo um direito constitucional, os mesmos não serão disponibilizados" 3 A emissão dos RMF deuse, pelo titular da unidade local, nos termos legais, com base na descrição dos fatos feita pelos Auditores Fiscais e elencada no relatório encaminhado ao Delegado, com base nos elementos citados no item anterior e que estão consignados nos autos. O inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724/2001, a seguir transcrito e que faz referência às situações elencadas pelo art. 33 da Lei nº 6.430/1996, prevê explicitamente a emissão da RMF quando houver a negativa expressa de fornecimento de informações relativas à movimentação financeira pelo contribuinte quando regularmente intimado, o que efetivamente ocorreu: (...) 4 O relatório interno com o relato das motivações para a emissão das citadas requisições foi arquivado, à época, pelo Setor de Programação de Planejamento e Controle da Atividade Fiscal. Contudo, provavelmente em função do tempo decorrido e de duas mudanças físicas ocorridas nas instalações de nossa Delegacia, abaixo descritas, tal relatório não foi localizado. (g.n.) (fls. 618 e 619) Os embargantes foram intimados do resultado da diligência e se manifestaram no documento de fls. 625 a 628, pugnando pelo cancelamento da autuação. Com isso, os autos retornaram ao CARF para a conclusão do julgamento. É o relatório. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 11516.007540/200896 Acórdão n.º 1301003.765 S1C3T1 Fl. 644 6 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator O julgamento, que agora está sendo retomado, fora convertido em diligência para que a unidade de origem juntasse aos autos o relatório circunstanciado, com base no qual fora expedida a RMF. Acreditavase que o relatório não apenas existisse, mas que antecedera à expedição da RMF, explicitando os fundamentos da requisição dos extratos bancários diretamente às instituições financeiras. A autoridade administrativa, não obstante afirmar a existência do relatório circunstanciado, deixou de fazer a juntada aos autos, alegando que o documento não fora encontrado. Essa circunstância evidencia que a situação atual não difere muito daquela existente em abril de 2018, quando o julgamento se iniciou. A despeito da fé pública de que se revestem os atos da autoridade administrativa, a simples afirmação de que existe o relatório circunstanciado, e de que tal documento antecedeu à emissão da RMF se mostra insuficiente para comprovar a validade do procedimento de quebra do sigilo bancário. Portanto, as razões já apresentadas (Acórdão nº 1301000.585) para a desconstituição do lançamento e do ato de exclusão do Simples continuam atuais e podem ser aqui adotadas. Confirase: Cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. No caso em exame, a decisão embargada deixou de examinar a alegação de que foram expedidas várias requisições de movimentação financeira RMF, sem que existisse o respectivo relatório circunstanciado, exigido pelo Decreto nº 3.724/2001. O decreto (vigente ao tempo dos fatos) previa, no seu art. 4º, como condição da RMF, a necessidade de relatório circunstanciado, no qual a autoridade responsável pela fiscalização demonstrasse, de forma clara e precisa, a indispensabilidade do acesso às informações financeiras da pessoa fiscalizada. Eis o dispositivo: Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no caput do art. 2º as autoridades competentes para expedir o MPF. (...) § 1º A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: (...) § 2º A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 11516.007540/200896 Acórdão n.º 1301003.765 S1C3T1 Fl. 645 7 (...) § 5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. § 6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. (g.n.) O relatório circunstanciado é instrumento que permite o controle, pela própria Administração e pelo Poder Judiciário, da legalidade do ato pelo qual se requisitam diretamente aos bancos as informações relativas à movimentação financeira do fiscalizado. É importante lembrar que o E. Supremo Tribunal Federal STF, ao julgar a ADI 2.859DF, e declarar constitucional o acesso direto pelo Fisco à movimentação financeira do contribuinte, fez referência expressa, na ementa do acórdão, ao Decreto nº 3.724, para consignar que Estados e Municípios só poderiam ter acesso direto àquelas informações, quando a matéria estivesse devidamente regulamentada, por eles, de maneira análoga à do Decreto nº 3.724, porque entendeu a Suprema Corte que a disciplina dada naquele ato regulamentar resguardava as garantias processuais do contribuinte, na forma preconizada pela Lei nº 9.784/1999, além de proteger o sigilo de seus dados bancários. Do voto condutor da decisão do E. STF, do Min. Dias Toffoli, se pode extrair o seguinte excerto: Por fim, no que tange especificamente ao art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, acolho as sugestões formuladas em Plenário pelos eminentes Ministros Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski, no sentido de deixar explicitado neste julgamento que os Estados e Municípios somente poderão obter as informações de que trata o preceito em referência quando a matéria estiver devidamente regulamentada, de forma análoga ao Decreto federal nº 3.724/2001, o qual foi formulado de forma a resguardar as garantias processuais do contribuinte, na forma preconizada pela Lei nº 9.784/99, e o sigilo dos seus dados bancários. Assim, a exemplo do que prevê o mencionado decreto federal, a regulamentação da matéria no âmbito estadual e municipal deverá, obrigatoriamente, conter as seguintes garantias: (g.n.) i) pertinência temática entre as informações bancárias requeridas na forma do art. 6º da LC nº 105/01 e o tributo objeto de cobrança no processo administrativo instaurado; ii) prévia notificação do contribuinte quanto à instauração do processo (leia se, o contribuinte deverá ser notificado da existência do processo administrativo previamente à requisição das informações sobre sua movimentação financeira) e relativamente a todos os demais atos; iii) submissão do pedido de acesso a um superior hierárquico do agente fiscal requerente; Fl. 645DF CARF MF Processo nº 11516.007540/200896 Acórdão n.º 1301003.765 S1C3T1 Fl. 646 8 iv) existência de sistemas eletrônicos de segurança que sejam certificados e com registro de acesso, de modo que torne possível identificar as pessoas que tiverem acesso aos dados sigilosos, inclusive para efeito de responsabilização na hipótese de abusos; v) estabelecimento de mecanismos efetivos de apuração e correção de desvios; vi) amplo acesso do contribuinte aos autos, garantindolhe a extração de cópias de quaisquer documentos e decisões, de maneira a permitir que possa exercer a todo tempo o controle jurisdicional dos atos da administração, segundo atualmente dispõe a Lei 9.784/1999. As disposições do Decreto nº 3.724, no que concerne às exigências para requisição de informações financeiras aos bancos, devem ser observadas com a mesma reverência com que se cumpre a própria lei. Da observância à disciplina do decreto regulamentar depende a legitimidade do acesso aos dados bancários e, por conseguinte, a validade do próprio lançamento que se apóie em tais informações. Dispõe o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. O relatório circunstanciado é o instrumento, previsto no Decreto nº 3.724, pelo qual o agente do Fisco demonstra a indispensabilidade do exame dos dados bancários. Ao mesmo tempo, é a exposição dos motivos que justificam a decisão de expedir a RMF. O relatório, por conseguinte, deve preceder à requisição das informações. (fls. 607 a 611) A validade da prova referente à movimentação bancária do autuado, quando os respectivos extratos são requisitados diretamente às instituições financeiras, depende da existência nos autos de relatório circunstanciado, indicando qual o pressuposto fático, dentre os previstos no Decreto nº 3.724/2001, estava presente no caso concreto. A ausência do aludido relatório circunstanciado, exigido de forma expressa pelo Decreto nº 3.724, torna inválida a obtenção dos extratos, comprometendo, por conseguinte, a validade da prova assim produzida. No caso em exame, a prova da omissão de receitas estava respaldada exclusivamente na movimentação financeira. Assim, uma vez desconsiderados os extratos bancários, tanto o lançamento do crédito tributário, quanto a exclusão do Simples Federal passam a ser atos administrativos cujos motivos (entendido como pressuposto de fato que exige a prática do ato) não se encontram devidamente comprovados. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 11516.007540/200896 Acórdão n.º 1301003.765 S1C3T1 Fl. 647 9 Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos para, com efeitos infringentes, declarar a nulidade da obtenção dos extratos bancários, e, em razão da ausência de provas, dar provimento ao recurso, a) cancelando integralmente a exigência do crédito tributário; e b) anulando o ato declaratório de exclusão do Simples Federal. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 647DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720578/2017-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. COMISSÃO.
Os custos com comissões pagas sobre as vendas de consórcios nas administradoras de consórcios geram direito a crédito do PIS e da Cofins, por preencherem a definição de insumo estabelecida na legislação de regência, já que se tratam de gastos aplicados ou consumidos diretamente na execução do serviço.
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. SERVIÇOS.
Os serviços de telemarketing, registros de gravame e pesquisa, atividades administrativas rotineiras, correio e impressão eletrônica pagas a administradoras de consórcios, são aplicados ou consumidos na prestação de serviços de administração de consórcios, portanto, se caracterizam como insumos, e geram crédito de não-cumulatividade.
Aplica-se ao PIS a ementa da COFINS.
Numero da decisão: 3302-006.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud dava provimento parcial, mantendo o lançamento quanto às comissões pagas.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo e José Renato Pereira de Deus.
Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. COMISSÃO. Os custos com comissões pagas sobre as vendas de consórcios nas administradoras de consórcios geram direito a crédito do PIS e da Cofins, por preencherem a definição de insumo estabelecida na legislação de regência, já que se tratam de gastos aplicados ou consumidos diretamente na execução do serviço. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. SERVIÇOS. Os serviços de telemarketing, registros de gravame e pesquisa, atividades administrativas rotineiras, correio e impressão eletrônica pagas a administradoras de consórcios, são aplicados ou consumidos na prestação de serviços de administração de consórcios, portanto, se caracterizam como insumos, e geram crédito de não-cumulatividade. Aplica-se ao PIS a ementa da COFINS.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. COMISSÃO. Os custos com comissões pagas sobre as vendas de consórcios nas administradoras de consórcios geram direito a crédito do PIS e da Cofins, por preencherem a definição de insumo estabelecida na legislação de regência, já que se tratam de gastos aplicados ou consumidos diretamente na execução do serviço. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. SERVIÇOS. Os serviços de telemarketing, registros de gravame e pesquisa, atividades administrativas rotineiras, correio e impressão eletrônica pagas a administradoras de consórcios, são aplicados ou consumidos na prestação de serviços de administração de consórcios, portanto, se caracterizam como insumos, e geram crédito de nãocumulatividade. Aplicase ao PIS a ementa da COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 05 78 /2 01 7- 21 Fl. 2710DF CARF MF Processo nº 10805.720578/201721 Acórdão n.º 3302006.528 S3C3T2 Fl. 2.711 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud dava provimento parcial, mantendo o lançamento quanto às comissões pagas. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo e José Renato Pereira de Deus. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Tratase de Auto de Infração objetivando a cobrança do montante originário de R$ 18.032.397,97 para o PIS e, R$ 83.058.318,42 para a COFINS, em virtude da apuração de falta de pagamento das referidas contribuições no período de janeiro a dezembro de 2013. Nos termos do TVF de fls. 2.3572.390, constatase que a fiscalização glosou a totalidade dos créditos apurados e aproveitados pela contribuinte, sob o argumento de que tais créditos teriam sido apurados sobre despesas com serviços que não se enquadrariam nos incisos II dos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, tampouco se amoldam no conceito previsto nas IN´s 247/2002 e 404/2004. Os créditos glosados objeto do litígio são os seguintes: (i) Comissões; (ii) Assessoramento (Honda Serviços); (iii) Despesas para operacionalização de registro de gravames no DETRAN (SIRCOF/SNG); (iv) Telemarketing e atendimento telefônico; e (v) Correios e serviços de impressões/processamento de dados, cujo detalhamento de cada serviço está devidamente descrito no TVF. Intimada do Auto de Infração, a contribuinte apresentou impugnação contestando a totalidade das glosas realizadas pela fiscalização, pleiteando o reconhecimento integral dos créditos apurados e o cancelamento da cobrança, considerando que os créditos apurados se enquadram no conceito de insumo para fins de creditamento. A DRJ, por unanimidade de votos, manteve a autuação nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou Fl. 2711DF CARF MF Processo nº 10805.720578/201721 Acórdão n.º 3302006.528 S3C3T2 Fl. 2.712 3 produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou o serviço prestado, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITO. Somente dão direito a apuração de créditos no regime de incidência nãocumulativa os gastos expressamente previstos na legislação de regência. SERVIÇOS. INSUMOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Os serviços de telemarketing, registros de gravame e pesquisa, atividades administrativas rotineiras, correio e impressão eletrônica pagas a pessoas jurídicas, mãodeobra temporária não são aplicados ou consumidos na prestação de serviços, portanto, não se caracterizam como insumos, e não geram crédito de não cumulatividade. CRÉDITOS DO SISTEMA DE NÃOCUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONSÓRCIO. COMISSÕES PAGAS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Os custos com comissões pagas sobre as vendas de consórcios não geram direito a crédito do PIS e da Cofins, por não preencherem a definição de insumo estabelecida na legislação de regência, já que não se tratam de gastos aplicados ou consumidos diretamente na execução do serviço, mas realizados em momento posterior ou complementares à etapa da prestação dos serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendesecomo insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou o serviço prestado, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITO. Somente dão direito a apuração de créditos no regime de incidência não cumulativa os gastos expressamente previstos na legislação de regência. SERVIÇOS. INSUMOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Os serviços de telemarketing, registros de gravame e pesquisa, atividades administrativas rotineiras, correio e impressão eletrônica pagas a pessoas jurídicas, mãodeobra temporária não são aplicados ou consumidos na prestação de serviços, portanto, não se caracterizam como insumos, e não geram crédito de não cumulatividade. CRÉDITOS DO SISTEMA DE NÃOCUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONSÓRCIO. COMISSÕES PAGAS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Os custos com comissões pagas sobre as vendas de consórcios não geram direito a crédito do PIS e da Cofins, por não preencherem a definição de insumo estabelecida na legislação de regência, já que não se tratam de gastos aplicados ou consumidos diretamente na execução do serviço, mas realizados em momento posterior ou complementares à etapa da prestação dos serviços. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 Fl. 2712DF CARF MF Processo nº 10805.720578/201721 Acórdão n.º 3302006.528 S3C3T2 Fl. 2.713 4 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 PROVA. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação, bem como quando presentes elementos suficientes para a formação da convicção da autoridade julgadora. Cientificado da decisão em 21.07.2017 (fls. 2.564), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 18.08.2017 (fls. 2.5662.618), reproduzindo, em linhas gerais, os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito O cerne do litígio envolve o conceito de insumo para fins de apuração do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo previsto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, sendo que há três correntes que se formaram no ordenamento jurídico sobre o assunto. A primeira, defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. E, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Neste Conselho, é majoritário o entendimento retratado na terceira opção anteriormente citada, cuja justificativa se empresta do voto do conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, nos autos do PA 10925.001199200961: Fl. 2713DF CARF MF Processo nº 10805.720578/201721 Acórdão n.º 3302006.528 S3C3T2 Fl. 2.714 5 Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir Fl. 2714DF CARF MF Processo nº 10805.720578/201721 Acórdão n.º 3302006.528 S3C3T2 Fl. 2.715 6 de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Fl. 2715DF CARF MF Processo nº 10805.720578/201721 Acórdão n.º 3302006.528 S3C3T2 Fl. 2.716 7 Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Fl. 2716DF CARF MF Processo nº 10805.720578/201721 Acórdão n.º 3302006.528 S3C3T2 Fl. 2.717 8 O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente de ter havido contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, vale alimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Feito estas considerações, passase à análise específica dos pontos controvertidos suscitados pela Recorrente em seu recurso, todos relacionados aos itens glosados pela fiscalização. Como exposto anteriormente, os créditos glosados objeto do litígio são os seguintes: (i) Comissões; (ii) Assessoramento (Honda Serviços); (iii) Despesas para operacionalização de registro de gravames no DETRAN (SIRCOF/SNG); (iv) Telemarketing e atendimento telefônico; e (v) Correios e serviços de impressões/processamento de dados. No TVF consta a descrição contábil de cada item nos seguintes termos: (i) Comissão Conta Cosif 8179900000 – Despesa com Comissões Conta contábil utilizada para registrar os insumos referente ao pagamento de comissões necessárias para comercialização das vendas. Sendo paga ao agente intermediário que vendeu a cota de consórcio. O dispêndio tem por objeto incentivar as venda de cotas, necessária para manutenção do negócio. (ii) Telemarketing, Registro e Honda Serviços Ltda. Conta Cosif – 8175700000 Despesas com Serviços de terceiros Referese a prestação de serviço administrativo por terceiros utilizados para viabilizar o negócio de administração de cotas, principalmente, para manutenção da atividade de administração individual das cotas de consórcio e os procedimentos legais para formalização de cada operação. Fl. 2717DF CARF MF Processo nº 10805.720578/201721 Acórdão n.º 3302006.528 S3C3T2 Fl. 2.718 9 (iii) Correios Conta Cosif 8171200001 Despesas com postagens de extratos Serviço utilizado para postagem de correspondências relacionados a prestação de informações individuais de cada grupo de consórcio e da cota do consorciado e para envio dos boletos de pagamentos das parcelas mensais dos consorciados. (iv) Impressão Eletrônica Conta Cosif 8173900005 Despesa com confecção de Demonstrativos (extrato) individuais da cota Referese a serviço confecção e impressão do extrato individual da cota, visando atendimento regulamentar é necessário a prestação de informações financeiras detalhadas individuais o grupo de consórcio da cota do consorciado. A Recorrente, tanto na fase fiscalizatória quanto na processual, prestou esclarecimentos sobre os serviços anteriormente citados e sua relevância para exercício de suas atividades, a saber: Comissão São dispêndios com pagamentos aos representantes conveniados da Recorrente, sendo pertinentes e essenciais à prestação de serviço de consórcio, posto que: (i) Relativos à localização de interessados em aderir ao grupo de consórcio, atividade essa essencial tanto a existência quanto à manutenção do grupo e do serviço de administração; (ii) Estão embutidos no valor da receita de taxa de administração recebida pela Recorrente, nos termos do § 3º do art. 5º e do § 3º do art. 27 da Lei nº 11.795/08, sendo, portanto, custo da prestação de serviço de administração de consórcio; e (iii) Relativos à prestação de serviço de atendimento dos consorciados após a venda de cota, melhorando a qualidade do serviço de administração de consórcio. Telemarkentig Canal de comunicação entre consorciados e a administradora para prestar informações sobre o andamento do grupo, solucionar dúvidas e resolver questão relativas ao grupo de consórcio. Em resumo, é uma Central de Atendimento ao Cliente disponibilizada pela administradora do consórcio. Registro de Gravame e Pesquisa Custo incorrido perante os DETRANs estaduais ou empresas por eles designadas para registros dos contratos firmados entre a administradora e o consorciado, cujo intuito é assegurar o pagamento das parcelas remanescentes do consorciado contemplado. Honda Serviços Ltda. A Honda Serviços foi contratada para realizar os seguintes serviços: (i) Controle e conferência da documentação utilizada na venda de consórcio, validando e efetivando a venda somente após a certificação de que a documentação e as informações estão corretas e os valores devidos pelo comprador foram pagos; (ii) Gerenciamento das vendas efetuadas pelas concessionárias, certificando que estas estão de acordo com as metas e diretrizes estabelecidas pelo Consórcio Honda, monitorando assim a atuação das concessionárias; (iii) Controle e conferência dos Fl. 2718DF CARF MF Processo nº 10805.720578/201721 Acórdão n.º 3302006.528 S3C3T2 Fl. 2.719 10 pagamentos realizados pelos consorciados e a gestão dos recursos financeiros dos consorciados enquanto estes não forem utilizados para aquisição dos bens; (iv) Manutenção dos sistemas informatizados diretamente relacionados a atividades do Consórcio Honda; (v) Serviços de registro e contabilização dos valores transcorridos na vida útil dos grupos de consórcio; (vi) Controle e preparação de documentação e informações de consorciados contemplados antes da liberação do crédito da contemplação que será utilizado para a aquisição do bem; (vi) Controle das garantias oferecidas pelos consorciados contemplados que estão retirando um bem e, portanto, tornandose devedores; (vii) Gestão e planejamento dos serviços de cobrança realizado por escritórios de cobrança para viabilizar a recuperação dos atrasos nos pagamentos do consorciados inadimplentes; entre outros serviços administrativos. Em resumo, o serviço prestado pela Honda Serviços destinase a realizar a cobrança das parcelas dos consorciados, a administração dos recursos angariados, a contabilização destes recursos, a contemplação dos consorciados, a aquisição de bens em nome dos consorciados, dentre outras. Correio e Impressão Eletrônica Serviços de envio de boletos para pagamento, comunicados e avisos aos consorciados, tais como: formação de grupo, assembléias, contemplação, encerramento do grupo e encerramento contábil etc... Analisando o objeto da empresa, temos que a Recorrente foi constituída para organizar e administrar grupos de consórcio de veículos automotores, motocicletas ou qualquer outro tipo de bem legalmente permitido, exercendo as seguintes atividades: (i) captação de interessados na aquisição de bens; (ii) formação dos grupos e respectiva administração; (iii) envio de comunicações aos consorciados sobre fatos pertinentes ao grupo; (iv) cobrança das parcelas destes interessados; (v) administração destes recursos; (vi) contabilização destes recursos; (vii) contemplação dos consorciados; e (viii) aquisição de bens em nome dos consorciados. Sua atividade está definida e regulamentada pela Lei Federal nº 11.795/2008, a qual conceitua consórcio, em seus artigos 2º a 4º da seguinte forma: “Art. 2º Consórcio é a reunião de pessoas naturais e jurídicas em grupo, com prazo de duração e número de cotas previamente determinados, promovida por administradora de consórcio, com a finalidade de propiciar a seus integrantes, de forma isonômica, a aquisição de bens ou serviços, por meio de autofinanciamento. Art. 3º Grupo de consórcio é uma sociedade não personificada constituída por consorciados para os fins estabelecidos no art. 2º. § 1º O grupo de consórcio será representado por sua administradora, em caráter irrevogável e irretratável, ativa ou passivamente, em juízo ou fora dele, na defesa dos direitos e interesses coletivamente considerados e para a execução do contrato de participação em grupo de consórcio, por adesão. § 2º O interesse do grupo de consórcio prevalece sobre o interesse individual do consorciado. 3º O grupo de consórcio é autônomo em relação aos demais e possui patrimônio próprio, que não se confunde com o de outro grupo, nem com o da própria administradora. Fl. 2719DF CARF MF Processo nº 10805.720578/201721 Acórdão n.º 3302006.528 S3C3T2 Fl. 2.720 11 § 4º Os recursos dos grupos geridos pela administradora de consórcio serão contabilizados separadamente. Art. 4º Consorciado é a pessoa natural ou jurídica que integra o grupo e assume a obrigação de contribuir para o cumprimento integral de seus objetivos, observado o disposto no art. 2º.” (g.n.) É de se ver, que o sistema de consórcio compreende a reunião de pessoas, físicas e ou jurídicas, cuja finalidade é a aquisição de bens (móveis ou imóveis), ou de direitos de interesse de todos os consorciados. E para a gestão deste contrato entre os consorciados, a referida Lei nº 11.795/2008 elegeu a administradora como a responsável para a execução dos serviços necessários à sua formação, administração até o efetivo encerramento. É o que preceitua o artigo 5º do referido normativo: “Art. 5º A administradora de consórcios é a pessoa jurídica prestadora de serviços com objeto social principal voltado à administração de grupos de consórcio, constituída sob a forma de sociedade limitada ou sociedade anônima, nos termos do art. 7o, inciso I. § 1º A administradora de consórcio deve figurar no contrato de participação em grupo de consórcio, por adesão, na qualidade de gestora dos negócios dos grupos e de mandatária de seus interesses e direitos. § 2º Os diretores, gerentes, prepostos e sócios com função de gestão na administradora de consórcio são depositários, para todos os efeitos, das quantias que a administradora receber dos consorciados na sua gestão, até o cumprimento da obrigação assumida no contrato de participação em grupo de consórcio, por adesão, respondendo pessoal e solidariamente, independentemente da verificação de culpa, pelas obrigações perante os consorciados. § 3º A administradora de consórcio tem direito à taxa de administração, a título de remuneração pela formação, organização e administração do grupo de consórcio até o encerramento deste, conforme o art. 32, bem como o recebimento de outros valores, expressamente previstos no contrato de participação em grupo de consórcio, por adesão, observados ainda os arts. 28 e 35. § 4º (VETADO) § 5º Os bens e direitos adquiridos pela administradora em nome do grupo de consórcio, inclusive os decorrentes de garantia, bem como seus frutos e rendimentos, não se comunicam com o seu patrimônio, observado que: I – não integram o ativo da administradora; II – não respondem direta ou indiretamente por qualquer obrigação da administradora; III – não compõem o elenco de bens e direitos da administradora, para efeito de liquidação judicial ou extrajudicial; IV – não podem ser dados em garantia de débito da administradora. § 6º A administradora estará desobrigada de apresentar certidão negativa de débitos, expedida pelo Instituto Nacional da Seguridade Social, e Certidão Negativa de Tributos e Contribuições, expedida pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 2720DF CARF MF Processo nº 10805.720578/201721 Acórdão n.º 3302006.528 S3C3T2 Fl. 2.721 12 relativamente à própria empresa, quando alienar imóvel integrante do patrimônio do grupo de consórcio. § 7º No caso de o bem recebido ser um imóvel, as restrições enumeradas nos incisos II a IV do § 5o deste artigo deverão ser averbadas no registro de imóveis competente.” (g.n.) Ou seja, por expressa definição legal, a pessoa jurídica que tem por objeto ser administradora de consórcios qualificase como prestadora de serviços relacionados à gestão de grupos de consórcio, que compreende a sua formação, organização e administração até o seu encerramento, sendo remunerada pela taxa de administração estipulada em contrato. Além da imposição legal para exercício de suas atividades prevista na legislação anterior, o Banco Central do Brasil publicou as Circulares nºs 3.432/09 e 2.332/93 que dispõe sobre a constituição e funcionamento de grupos de consórcio, demonstrando, ao meu ver, que toda atividade realizada pela Recorrente decorre de serviços realizados por imposição legal, sendo, assim, passíveis de creditamento a teor do recente entendimento manifestado no Parecer Normativa Cosit/RFB nº 05, de 17 de dezembro de 2018, in verbis: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. A título exemplificativo, citase alguns dos serviços realizados pela Recorrente, com suas respectivas cominações legais: a) Organização de assembléias: Arts. 18 e 19 da Lei nº 11.795/08; Fl. 2721DF CARF MF Processo nº 10805.720578/201721 Acórdão n.º 3302006.528 S3C3T2 Fl. 2.722 13 b) Representação do grupo de consórcio; §1º, do artigo 3º, da Lei 11.795/08; c) Envio de Comunicados sobre fatos pertinentes ao grupo: Artigo 6º, Circular Bacen nº 2.332/93; d) Cobrança de parcelas e execução daquelas inadimplidas Art. 3°, § 10, e art. 27, Lei n° 11.795/95, art. 21, Circular BACEN n° 3.432/09; e) Exigir garantias Art. 14, §5°, Lei n° 11.795/95. f) Vender novas cotas (substituição de cotistas inadimplentes ou desistentes) Art. 70, III do Circular Bacen n° 3.432/09. g) Gestão dos recursos para que não percam valor monetário (investimentos de baixo risco) art. 6°, Circular BACEN n° 3.432/09. h) Contabilização dos recursos artigo 3º, §4°, Lei n° 11.795/08; e i) Contemplação dos consorciados Art. 22, Lei n° 11.795/08. Neste eito, considerando as alegações da Recorrente e o atual posicionamento do STJ sobre a matéria em litígio, que leva em consideração a questão da essencialidade e relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, entendo que a glosa deve revertida em relação ao serviços utilizados pela Recorrente em sua atividade. Com efeito, restou claro para este relator que para desempenho de suas funções de prestadora de serviços de gestão de consórcios, a Recorrente, por imposição legal, deve realizar as atividades de reunir um número de pessoas interessadas na aquisição de determinados bens para formação de grupo, atividade esta que, senão realizada por representantes conveniados à Recorrente dificilmente se concretizará (ressaltase aqui que este serviço, no entendimento deste relator, é realizado antes e durante a formação do grupo que participará do consórcio); realizar reuniões, cobrança de parcelas, contabilizar recebimentos e contemplar consorciados, obrigações estas vinculadas à sua atividade e assumidas com os consorciadas, portanto, todas de total relevância para exercício de sua função. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 2722DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.720070/2008-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE MANUTENÇÃO GERAL. POSSIBILIDADE.
Para ter direito a créditos da Cofins, decorrente da apuração não cumulativa, as despesas de manutenção devem ser intrinsicamente ligadas ao processo produtivo do contribuinte.
Numero da decisão: 9303-008.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar- lhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de créditos nas despesas com manutenção geral.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE MANUTENÇÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Para ter direito a créditos da Cofins, decorrente da apuração não cumulativa, as despesas de manutenção devem ser intrinsicamente ligadas ao processo produtivo do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de créditos nas despesas com manutenção geral. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 70 /2 00 8- 21 Fl. 595DF CARF MF Processo nº 11020.720070/200821 Acórdão n.º 9303008.243 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 3201000849, de 25/01/2012, o qual possui a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS. Não incidência da COFINS. A COFINS não incide sobre a transferência de créditos de ICMS, por se tratar, esta operação de mera mutação patrimonial, não representando obtenção de receita. COMBUSTÍVEIS. LUBRIFICANTES. Fica deferido o crédito sobre combustíveis e lubrificantes utilizados em empilhadeiras que são imprescindíveis na fabricação do produto. FRETE SOBRE COMPRAS E DESPESAS DE MANUTENÇÃO As despesas referentes a frete sobre compras e despesas com manutenção dão direito ao crédito de COFINS, pois, além de legalmente previstas, são indispensáveis para a consecução do objetivo social da empresa. O recurso especial foi admitido parcialmente, pelo então presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, para que fossem apreciadas as seguintes matérias: 1) Incidência da Cofins na cessão de créditos de ICMS; 2) Possibilidade de créditos da não cumulatividade da Cofins sobre combustíveis e lubrificantes; e 3) Possibilidade de créditos sobre gastos com manutenção geral. A Fazenda Nacional pede a reversão do acórdão recorrido nesses temas. Contrarrazões do contribuinte pede o improvimento do recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Fl. 596DF CARF MF Processo nº 11020.720070/200821 Acórdão n.º 9303008.243 CSRFT3 Fl. 4 3 Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. 1) Incidência da Cofins na cessão de créditos de ICMS Conforme consta do acórdão recorrido, tratase de cessão de créditos de ICMS acumulados em razão da exportação de mercadorias. Ocorre que essa discussão já está sedimentada por força de decisão do STF no julgamento do recurso extraordinário nº 606.107/RS, o qual foi proferido em repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Transcrevo abaixo sua ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X , “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a Fl. 597DF CARF MF Processo nº 11020.720070/200821 Acórdão n.º 9303008.243 CSRFT3 Fl. 5 4 contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada ao presente processo nos termos do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Fl. 598DF CARF MF Processo nº 11020.720070/200821 Acórdão n.º 9303008.243 CSRFT3 Fl. 6 5 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial fazendário nesta matéria. Conceito de Insumos As outras duas matérias divergentes apresentadas pela Fazenda Nacional, decorrem da aplicação do que se entende do conceito de insumos para fins de apuração da não cumulatividade da Cofins, nos termos da Lei nº 10.833/2003. Antes de adentrar ao mérito das matérias, importante antes estabelecer o conceito de insumos a ser aplicado no presente voto. Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pósindustriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que Fl. 599DF CARF MF Processo nº 11020.720070/200821 Acórdão n.º 9303008.243 CSRFT3 Fl. 7 6 entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Sobre o assunto, a Fazenda Nacional editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado na citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 11020.720070/200821 Acórdão n.º 9303008.243 CSRFT3 Fl. 8 7 (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindo se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que Fl. 601DF CARF MF Processo nº 11020.720070/200821 Acórdão n.º 9303008.243 CSRFT3 Fl. 9 8 o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Analisando o caso concreto apreciado pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, observase que estava em discussão os seguintes itens que a recorrente, uma empresa do ramo de alimentos, mais especificamente, avicultura, pleiteava: " 'Custos Gerais de Fabricação' (água, combustíveis, gastos com veículos, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI, materiais de limpeza, ferramentas, seguros, viagens e conduções) e 'Despesas Gerais Comerciais' (combustíveis, comissão de vendas a representantes, gastos com veículos, viagens e conduções, fretes, prestação de serviços PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone, comissões)". Ressaltese que referido acórdão reconheceu a possibilidade de ser possível o creditamento somente em relação aos seguintes itens: água, combustíveis e lubrificantes, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI e materiais de limpeza. De plano percebese que o acórdão, apesar de aparentemente ter reconhecido um conceito de insumos bastante amplo ao adotar termos não muito objetivos, como essencialidade ou relevância, afastou a possibilidade de creditamento de todas as despesas gerais comerciais, aí incluídas despesas de frete e outras que se poderiam acreditar relevantes ou essenciais. Anote ainda que, mesmo para os itens teoricamente aceitos, devolveuse para que o Tribunal recorrido avaliasse a sua essencialidade ou relevância, à luz da atividade produtiva exercida pelo recorrente. Assim, uma conclusão inequívoca que penso poder ser aplicada é que não é cabível o entendimento muito aventado pelos contribuintes e por alguns doutrinadores, de que todos os custos e despesas operacionais seriam possíveis de creditamento. De forma, que doravante, à luz do que foi decidido pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, adotarei o critério da relevância e da essencialidade sempre indagando a aplicação do insumo ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços. Por Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11020.720070/200821 Acórdão n.º 9303008.243 CSRFT3 Fl. 10 9 exemplo, por mais relevantes que possam ser na atividade econômica do contribuinte, as despesas de cunho nitidamente administrativo e/ou comercial não perfazem o conceito de insumos definidos pelo STJ. Da mesma forma, demais despesas relevantes consumidas antes de iniciado ou após encerrado o ciclo de produção ou da prestação de serviços. A legislação do PIS e da Cofins, no regime nãocumulativo, prevê os seguintes tipos de créditos que podem ser aqui aplicados: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) Com o conceito de insumos acima delineado, passemos a analisar o caso concreto em discussão. Possibilidade de créditos da nãocumulatividade da Cofins sobre combustíveis e lubrificantes O acórdão recorrido reconheceu o direito aos créditos dos combustíveis e lubrificantes utilizados em empilhadeiras que, por sua vez, são utilizadas diretamente na fábrica do contribuinte. Esta conclusão não foi combatida pela recorrente, que se restringiu a defender que o crédito somente pode ser apropriado nas circunstâncias em que o insumo se desgaste em contato direto com o bem em produção. Este conceito defendido pela Fazenda Nacional, decorre da aplicação do conceito de insumos trazidos pela legislação do IPI, o qual já está superado, conforme abordamos acima quando tratamos do conceito de insumo. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional nesta matéria. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11020.720070/200821 Acórdão n.º 9303008.243 CSRFT3 Fl. 11 10 Possibilidade de créditos sobre gastos com manutenção geral Em relação a esta matéria, observase que o voto vencido do acórdão recorrido, negou este crédito por entender que os itens nele referidos não são insumos utilizados diretamente no processo industrial do contribuinte. Por sua vez, o voto vencedor desvencilhou do assunto "insumos" e entendeu por conceder estes créditos com base no inc. VII do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. Entendo que, apesar do acórdão recorrido ter utilizado de outro fundamento para o reconhecimento do crédito, o recurso deve ser conhecido pois o acórdão paradigma nº 20312.473, analisando questão fática semelhante, negou o crédito especificamente para as despesas de manutenção predial. De fato, não andou bem o acórdão recorrido. Por disposição expressa da lei, os créditos decorrentes da aplicação do inc. VII do art. 3º, acima transcrito, somente podem ser apropriados nos termos do inc. III do § 1º do próprio art. 3º, senão vejamos: § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Ora evidente que não se pode conceder os créditos sobre despesas de manutenção predial, a não ser que essas despesas tenham sido incorporadas ao valor do imobilizado. Acrescese o fato de que o contribuinte nunca defendeu o direito ao creditamento pelo inc. VII do art. 3º, acima referenciado. Penso que tal decisão tenha sido proferida intuitivamente. Afastado o direito ao crédito, com base no dispositivo legal acima referenciado, resta a afirmativa constante do voto vencido do acórdão recorrido, quando discorreu sobre esta matéria: Fl. 604DF CARF MF Processo nº 11020.720070/200821 Acórdão n.º 9303008.243 CSRFT3 Fl. 12 11 (...) Os serviços prestados por pessoas jurídicas contribuintes da COFINS, domiciliadas no País, que sejam utilizados na linha de produção da empresa, poderão gerar direito ao crédito, como exemplo os serviços contratados para a manutenção das máquinas de produção. De outro modo, caso a manutenção seja feita em outro equipamento da empresa, que não faça parte da linha de produção, não haverá o direito ao crédito. Entendo, que no caso, as glosas incidiram corretamente sobre as aquisições de produtos para manutenção geral, ou seja, que não são consumidos em ação direta sobre o produto fabricado. (...) O voto vencedor do acórdão recorrido não contestou esta afirmativa. Como vimos, ele inovou e apontou outro caminho para reconhecer tais créditos. Portanto, reputo correta a informação constante do voto vencido, no sentido de que, tais despesas não foram consumidas no âmbito do processo industrial do contribuinte. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nesta matéria. Conclusão Voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer as glosas de créditos nas despesas com manutenção geral. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 605DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001206/2008-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Na Declaração de Ajuste Anual podem ser deduzidas os pagamentos efetuados no ano-calendário, desde que provados por recibos hábeis e comprovados por outros documentos.
Numero da decisão: 2002-000.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento parcial para afastar as glosas com Karina Katsue Miura.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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DESPESAS MÉDICAS. Na Declaração de Ajuste Anual podem ser deduzidas os pagamentos efetuados no anocalendário, desde que provados por recibos hábeis e comprovados por outros documentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento parcial para afastar as glosas com Karina Katsue Miura. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 12 06 /2 00 8- 12 Fl. 333DF CARF MF Processo nº 16004.001206/200812 Acórdão n.º 2002000.817 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 300/318) contra decisão de primeira instância (fls. 278/292), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Da autuação Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração de fls. 89/107, em 08/10/2008, com lançamento de imposto de renda da pessoa física relativo aos anoscalendário/exercícios 2002/2003, 2003/2004, 2004/2005, 2005/2006 e 2006/2007, no valor de R$26.554,47, dos quais R$9.803,75 correspondem ao imposto; R$13.220,61, à multa proporcional e R$3.530,11, a juros de mora, calculados até 30/09/2008. Por meio de Termo de Inicio de Fiscalização (fls. 33/35), recebido pelo contribuinte em 25/02/2008 (fls. 36), este foi regularmente intimado a comprovar deduções pleiteadas em suas Declaração de Ajuste Anual — DAA referentes aos anocalendário/exercício acima discriminados. Seguiramse reintimações de fls. 37/39 e 43/46, recebidas pelo fiscalizado, respectivamente, em 20/03/2008 e 09/06/2008 (fls. 40 e 46). Entre as reintimações foi lavrado Termo de Continuação de Ação Fiscal, do qual o contribuinte foi cientificado em 08/05/2008 (fis. 41/42). O contribuinte manifestouse em 18/06/2007, apresentando recibos relativos aos profissionais Humberto Giovanini Neto e Karina Katsue Miura, bem como Nota Fiscal de Serviço do Hospital São Domingos. Quanto à profissional Cássia Regina Carvalho, apresentou declaração em que a mesma afirma ter realizado tratamento ortodôntico no filho do contribuinte, sem comprovar o efetivo pagamento. No que se refere aos profissionais Juliana Graziela de Paula Busnardo e Nelson de Paula Busnardo, nenhum documento apresentou, informando que, à época dos serviços, não solicitou os recibos. A autoridade fiscal informa que efetuou a glosa da dedução relativa à despesa registrada na Nota Fiscal de Serviços n° 57224, emitida por Hospital São Domingos, em razão de o beneficiário não ser dependente do contribuinte. De acordo com os autos, em procedimento fiscal realizado junto ao profissional Humberto Giovanini Neto — CPF 888.336.90849, mediante processo administrativo n° 16004.000850/200792, concluise pela prática de emissão de recibos inidôneos e tributariamente ineficazes, no período de 01/01/2001 a 31/12/2004, com emissão do Ato Declaratório Executivo n° 63, de 26/10/2007, publicado no Diário Oficial da Unido — Seção I, p. 26, em 31/10/2007 (fls. 86/88). Fl. 334DF CARF MF Processo nº 16004.001206/200812 Acórdão n.º 2002000.817 S2C0T2 Fl. 4 3 Assim, os recibos emitidos pelo aludido profissional são considerados inidôneos e tributariamente ineficazes, dada sua falsidade ideológica e, conforme informação da autoridade fiscal: 5 Segundo pesquisas internas realizadas na DRFSão José do Rio PretoSP, constatouse que nos períodos posteriores a 2004, diversos contribuintes continuam pleiteando em suas declarações de rendimentos elevados valores a titulo de Despesas Médicas pelos serviços prestados pelo profissional Humberto Giovanini Neto, demonstrando a utilização de recibos inidôneos em nome do referido profissional, entre esses contribuintes, está incluído o fiscalizado. Tendo em vista o intuito doloso do contribuinte, As glosas relativas ao referido profissional e As despesas para as quais o fiscalizado não apresentou qualquer documento comprobatório, foi aplicada a multa qualificada (150%) prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. Para as demais despesas glosadas aplicouse a multa regular (75%), prevista no art. 44, I, da mesma lei. As glosas efetuadas encontramse devidamente discriminadas As fls. 93/94 A lavratura do auto de infração decorreu, portanto, da constatação de infração configurada em dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente no ajuste anual, no presente caso por dedução indevida de despesas médicas, cujo enquadramento legal, descrição e demonstrativo do fato gerador, e valor tributável foram registrados no Auto de Infração (fls. 89/107) que, informa, ainda, a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais. Da impugnação Cientificado do Auto de Infração, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 110/117, acompanhada de documentos de fls. 118/130. Na peça impugnatória o interessado alega ter demonstrado claramente os tratamentos realizados, relacionandoos, por anocalendário, repetindo a manifestação de fls. 47/52, apresentada durante a ação fiscal. Requer que todos os profissionais envolvidos sejam intimados a fim de prestarem os devidos esclarecimentos. Junta boletos de cobrança bancária relativos aos anoscalendário 2002 a 2005, cujo cedente é a profissional Cássia Ramos Carvalho. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Comprovada parte das despesas médicas, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, restabelecese a respectiva dedução. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 16004.001206/200812 Acórdão n.º 2002000.817 S2C0T2 Fl. 5 4 É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 30/06/2009 (fl. 298); Recurso Voluntário protocolado em 30/07/2009 (fl. 300), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Em sua peça de resistência, o recorrente ataca a r. decisão primeira, pelas seguintes razões: Que no anocalendário de 2002, teve glosada a despesa médica do profissional Humberto Giovanini Neto, no valor de R$ 950,00, tendo apresentado recibo + ficha dentária. Pois bem, relativamente a este profissional, em procedimento fiscal realizado pela RCF, mediante processo administrativo nº 16004.000850/200792, concluise pela prática de emissão de recibos inidôneos e tributariamente ineficazes no período de 01/01/2001 a 31/12/2004, com emissão de ato declaratório Executivo nº 63, de 26/10/2007, publicado no Diário Oficial da União – Seção I, p. 26, em 31/10/2007 (fls. 174/178). Portanto mantenho a r. decisão. No anocalendário de 2003, o recorrente apresenta despesa médica que foi glosada pelo fisco, com o mesmo profissional Humberto Giovanini Neto, no valor de R$ 3.000,00. Como da forma anterior, mantenho a r. decisão. No anocalendário de 2004, o mesmo fato ocorre com o valor de R$ 1.500,00, assim sendo, mantenho a r. decisão revisanda. Ainda apresenta despesa médica da profissional Karina Katsue Miura, no valor de R$ 3.000,00, onde carreia para os autos recibos. Instado a apresentar outras provas, o recorrente não apresentou, por esta razão mantenho a r. decisão revisanda. No anocalendário de 2005, o recorrente apresenta despesa médica que foi glosada pelo fisco, com o profissional Humberto Giovanini Neto, no valor de R$ 7.500,00, apresentou o recorrente os seguintes documentos, recibos + ficha dentária. Como já havia precedentes em face deste profissional, o fisco entendeu ser necessário a prova de pagamento, sendo certo que o recorrente quedouse silente, assim sendo, mantenho a r. decisão revisanda. Relativamente a profissional Juliana Graziela de Paulo Busnardo, o recorrente alega que “Com a máxima transparência e boafé, o declarante informa que, infelizmente, à época, deixou de pegar o devido Recibo, e, agora, não consegue mais, uma Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16004.001206/200812 Acórdão n.º 2002000.817 S2C0T2 Fl. 6 5 vez que passaramse mais de 03 (três) anos. Desta forma, o decidido na r. decisão primeira deve ser mantido. Também no mesmo anocalendário, apresenta despesas médicas da profissional Karina Katsue Miura, no valor de R$ 2.200,00, tendo apresentado recibos. Instado a apresentar outras provas o recorrente não as apresentou, por esta razão mantenho o decidido. Foram apresentadas despesas médicas do profissional Nelson de Paula Busnardo, que assim o recorrente alega: “Com a máxima transparência e boafé, o declarante informa que, infelizmente, à época, deixou de pegar o devido Recibo, e, agora, não consegue mais, uma vez que passaramse mais de 03 (três) anos.” . Desta forma o decidido na r. decisão primeira deve ser mantido. No anocalendário de 2006, os fatos se repetem com os mesmos profissionais – Humberto Giovanini Neto, valor de R$ 3.100,00; Karina Katsue Miura, valor de R$ 2.200,00; Nelson de Paula Busnardo, sendo assim, também mantenho. O recorrente fez diversas alegações em seu recurso, requerendo por final o cancelamento da ação fiscal, vale aqui lembrar: ÔNUS DA PROVA cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 337DF CARF MF
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