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Numero do processo: 10280.904803/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 48 03 /2 01 2- 31 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10280.904803/201231 Acórdão n.º 1301003.192 S1C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10280.904803/201231 Acórdão n.º 1301003.192 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/Recife (3ª Turma) que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Na sessão de 23/02/2018, esta Turma afastou o óbice que, até então, impedia a análise de mérito da lide e converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301003.557 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que transcrevo a parte dispositiva e voto condutor do Relator, in verbis: (...) Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (...) Voto (...) As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10280.904803/201231 Acórdão n.º 1301003.192 S1C3T1 Fl. 5 4 a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: (...). A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. (...) Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10280.904803/201231 Acórdão n.º 1301003.192 S1C3T1 Fl. 6 5 Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. (...) Entretanto, o Presidente do próprio Colegiado apresentou Embargos de Declaração ao que restara decidido, conforme Despacho nº s/nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24/04/2018, que transcrevo , in verbis: (...) No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. (...) É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10280.904803/201231 Acórdão n.º 1301003.192 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.183, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/2012 45, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.183): "Conheço dos Embargos de Declaração, pois tempestivos e atendem aos pressupostos de admissibilidade. Conforme já relatado, a Resolução desta Turma, ao afastar os óbices que até então impediram análise de mérito da lide pelas decisões anteriores neste processo, deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo, em tese, da contribuinte ao direito de recurso, na hipótese de não reconhecimento ou reconhecimento parcial do direito creditório no mérito pela decisão que seria proferida após o retorno dos autos contendo o relatório resultado da diligência. Por isso, dos Embargos de Declaração manejados pelo Presidente desta própria Turma. De fato, na Resolução embargada o colegiado entendeu por bem superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superados os óbices, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa da contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o encaminhamento mais adequado, no caso, deve ser: "dar provimento parcial ao recurso voluntário (afastar os óbices) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para analisar o mérito do crédito pleiteado" e, assim, ficam restabelecidas as instâncias de julgamento de que trata o Decreto nº 70.235/72. Cabe à unidade de origem, DRF/Belém, analisar o mérito do crédito pleiteado. Portanto, voto para acolher os embargos com efeitos infringentes." Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10280.904803/201231 Acórdão n.º 1301003.192 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001833/2004-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.915
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PACIFIC SHOES INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 18 33 /2 00 4- 91 Fl. 680DF CARF MF Processo nº 11065.001833/200491 Acórdão n.º 9303006.915 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 380300.774, que, na parte de interesse, decidiu que os valores oriundos da cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão a quo. Argumenta, em síntese, que os valores recebidos pela transferência de créditos do ICMS a terceiros constituem receita da empresa, tributável pelas contribuições. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. Na sequência, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 11065.001833/200491 Acórdão n.º 9303006.915 CSRFT3 Fl. 4 3 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao Fl. 682DF CARF MF Processo nº 11065.001833/200491 Acórdão n.º 9303006.915 CSRFT3 Fl. 5 4 exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Todavia, neste processo a Recorrente foi a Fazenda, de sorte que a aplicação do decidido no paradigma quanto à matéria em foco implica a negativa de provimento ao especial fazendário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 683DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.001218/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. RELATÓRIO O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nesse contexto, adoto o relatório objeto da Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferida no âmbito do processo n° 13502.000329/200827, paradigma deste julgamento. Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "CARAIBA METAIS S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da DecisãoNotificação da antiga Secretária da Receita Previdenciária, que julgou procedente o lançamento fiscal, relativo à responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/91, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 01 21 8/ 20 07 -5 7 Fl. 391DF CARF MF Processo nº 13502.001218/200757 Resolução nº 2401000.660 S2C4T1 Fl. 3 2 decorrente da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, em relação ao período de apuração. Conforme Relatório Fiscal, as contribuições apuradas correspondem à parte da empresa, dos segurados empregados, às contribuições para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho a partir de 03/1997, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em função da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho previstas nos artigos 20, 22, I e II da Lei 8.212/91, aferidas a título de responsabilidade solidária, decorrente da não comprovação, pela recorrente, do recolhimento prévio e específico das contribuições previdenciárias referentes aos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra pela empresa prestadora. Conforme o mesmo relatório, constitui fato gerador da presente notificação as remunerações contidas nas notas fiscais/faturas/recibos de serviços. Tais serviços se encontram descritos no Relatório de Lançamentos integrante desta NFLD, ficando a contratante responsável solidariamente pelo recolhimento, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91. O Sr. Auditor detalha a natureza e as motivações do procedimento fiscal em causa: novo lançamento de créditos em virtude das decisões anulatórias do Conselho de Recurso da Previdência Social CRPS, que considerou nulas as notificações originais relativas aos mesmos fatos geradores aqui referidos. Assim, fundamentado no prazo decadencial do art. 45, II, da Lei 8.212/91 e respaldado no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09220145/2005 a fiscalização procedeu à recomposição do crédito. Toda a fundamentação legal do princípio da solidariedade tributária e da possibilidade de sua elisão, particularmente nos casos de prestação de serviços de construção civil e mediante cessão de mãodeoba base do presente lançamento encontrase detalhada e transcrita em seus dispositivos essenciais: a) CTN, arts. 124, I e II e 125, I, II e III; b) Lei 8.212/91, arts. 31, §§ 2°, 3° e 4° (redação original e alterações promovidas pelas Leis 9.032/95 e 9.129/95 c) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelos Decretos 356/91 e 612/92, arts. 42, § 1º e 46, § 1°, d) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelo Decreto 2.173/97, arts. 42, §§ 2° e 3°, 43, § 1°; e) Ordem de Serviço INSS/DAF n° 83/93, itens 16 e 16.1. A autuada apresentou Recurso Voluntário, requerendo o conhecimento e provimento das suas razões, para decretar a decadência da Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. É o relatório.” VOTO Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 13502.001218/200757 Resolução nº 2401000.660 S2C4T1 Fl. 4 3 Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferida no julgamento do processo n° 13502.000329/200827, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Rayd Santana Ferreira, digno Relator da decisão paradigma, reprisese, Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Não obstante as substanciosas razões meritórias de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise da demanda nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. A principal controvérsia apresentada no Recurso Voluntário gira em torno da apreciação da decadência do lançamento ora combatido. Com efeito, ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi realizada em substituição ao lançamento anteriormente efetuado anulado por decisão proferida no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Conforme se tem notícias através dos presentes autos, a decisão que anulou o primeiro lançamento considerou a existência de vício formal, resguardando o direito da Administração Tributária no que se refere ao prazo previsto no art. 173, II do CTN. No entanto, conquanto existam fortes indícios de que o lançamento ora recorrido se configure em um novo lançamento e não apenas substituto para correção de vícios de forma, o que caberia a análise da conformidade da presente NFLD com a anteriormente anulada, não constam nos autos o lançamento anterior. Dessa forma, como a demanda envolve matéria de decadência, para o deslinde da questão posta em julgamento e para maior segurança jurídica, necessário se faz a verificação da NFLD DEBCAD original (anulada), com o seu respectivo Relatório Fiscal, bem como do Acórdão do CRPS que anulou a NFLD original. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade fiscal de origem providencie a juntada aos autos da NFLD DEBCAD original (com o respectivo relatório fiscal), bem como o inteiro teor do Acórdão do CRPS que a anulou. Assim, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade de a autoridade fazendária providencie a juntada aos autos da peças processuais supra referidas, por serem indispensáveis para o deslinde da demanda. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 13502.001218/200757 Resolução nº 2401000.660 S2C4T1 Fl. 5 4 Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade fazendária competente acoste aos autos cópia da NFLD original com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou tal NFLD, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira, Relator. " Dessarte, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Fazendária competente faça acostar aos presentes autos cópia da NFLD original, com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou a suso referida NFLD. (assinado digitalmente) Conselheira Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001319/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.
Nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo à multa acessória quando se constata o esgotamento do prazo do art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 2202-004.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: WALTIR DE CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo à multa acessória quando se constata o esgotamento do prazo do art. 173, inciso I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
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APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo à multa acessória quando se constata o esgotamento do prazo do art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 13 19 /2 00 7- 11 Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11330.001319/200711 Acórdão n.º 2202004.490 S2C2T2 Fl. 429 2 Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório Tratase, no presente caso, de Auto de Infração lavrado em 23/08/2007 para constituir crédito tributário referente às Contribuições Sociais Previdenciárias, períodos de apuração 01/01/1999 a 31/12/1999. O Contribuinte, cientificado da autuação em 23/08/2007, interpôs impugnação, levando a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro I (DRJ/RJ01) a proferir o Acórdão nº 1217.941 10ª Turma DRJ/RJ01 (fls. 357/364), de 17/01/2008, onde os membros daquele colegiado julgaram improcedente a defesa apresentada. Em face do referido acórdão, o Contribuinte, irresignado, interpôs Recurso Voluntário de fls. 370/422, ora em julgamento. Por bem descrever os fatos, reproduzo abaixo e adoto o relatório da DRJ de origem: "DA AUTUAÇÃO Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD 37.115.7951 CFL 68 consolidado em 23/08/2007 atualmente com 02 volumes) lavrado contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 140.497,48. 2. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 12/13), a interessada deixou de declarar em GFIP as remunerações pagas aos autônomos, apesar do recolhimento das contribuições previdenciárias e as remunerações do seguro de vida em grupo (objeto da NFLD 37.115.7933), o que constituiu infração ao artigo 32, inciso IV, § 5°, da Lei 8.212/1991. 3. Ainda de acordo com o citado relatório, não foi possível identificar os estabelecimentos para os quais esses segurados prestaram serviços, embora a interessada tenha sido notificada para tal através de TIAF/TIAD (fls. 07/11). 4. A multa aplicada, foi apurada conforme previsto no artigo 32, § 5°, da Lei 8.212/ 1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, combinado com os artigos 284, inciso II (com redação dada pelo Decreto 4.729/2003), e 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, limitada por competência pelo artigo 32, § 4°, da Lei 8.212/ 1991, atualizada pela Portaria MPS n° 142/2007, conforme Planilhas e cópias de documentos integrantes Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 14/27 9). 5. Nao foram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290, do Regulamento da Previdência Social Fl. 429DF CARF MF Processo nº 11330.001319/200711 Acórdão n.º 2202004.490 S2C2T2 Fl. 430 3 RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/ 1999, confomre discriminado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa. DA IMPUGNAÇAO 6. A interessada manifestouse (fls. 284/325), alegando em síntese que: Das Preliminares Da decadência 6.1. O Código Tributário Nacional CTN prevê duas regras, uma geral, outra específica, acerca do prazo decadencial para a Fazenda Pública realizar o lançamento (artigos 173 inciso I e 150 § 4°); 6.2. A auditoria fiscal constatou que o impugnante elaborou GFIP sem declarar a remuneração paga a autônomos, apesar de ter recolhido a contribuição previdenciária e os fatos geradores referentes ao pagamento a segurados de salário utilidade na forma de prêmio de seguro de vida em grupo, para o período de 01/1999 a 12/1999; 6.3. Desta forma podemos concluir que resta operada a decadência, uma vez que o lançamento foi realizado depois de mais 08 (oito) anos, considerando os fatos geradores relativos ao ano de 1999; Da necessidade de Lei Complementar e da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/1991 6.4. Se a Constituição Federal de 1988 reservou à Lei Complementar a competência para disciplinar matéria atinente à decadência tributária e se a Lei 5.172/1966 (CTN), recepcionada como Lei Complementar, estabelece prazo decadencial de 05 (cinco) anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, e se as contribuições sociais são espécies de tributos, a Lei Ordinária 8.212/ 1991 não poderia ter cuidado da matéria, muito menos de forma diversa; 6.5. Em recentíssimo julgado, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/ 1991, no julgamento do AI em Resp n° 616.348 MG (2003/02290040); Do mérito 6.6. Informa que já realizou todas as retificações, objeto deste Auto de Infração; 6.7. Requer sejam acolhidas as prejudiciais para reconhecer a decadência e a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/ 1991, declarando nula a sanção imposta; 6.8. Requer relevação da multa uma vez que: corrigiu a falta até o prazo final para impugnação; pediu a relevação dentro do Fl. 430DF CARF MF Processo nº 11330.001319/200711 Acórdão n.º 2202004.490 S2C2T2 Fl. 431 4 prazo de impugnação; é primário e não houve circunstância agravante, solicitando o seu arquivamento. 7. É o Relatório." Em seu Recurso Voluntário, o Contribuinte limitase a reafirmar que já se operou a decadência para a constituição do crédito tributário lançado no auto de infração combatido. Argumenta que a decisão de primeira instância deve ser reformada, especialmente em vista da edição da Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório Voto Conselheiro Waltir de Carvalho Relator O recurso voluntário é tempestivo, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, devese anotar que a presente lide está limitada apenas à questão da alegada ocorrência da decadência do direito do Fisco de proceder à constituição do crédito tributário relativo ao nãocumprimento da obrigação acessória do Contribuinte de informar corretamente fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP (CFL 68, Lei 8.212/1991, art. 32, IV, § 5º). Da decadência. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal (CF), o Supremo Tribunal Federal (STF) pode editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública nas esferas federal, estadual e municipal. Observese, inclusive, que o próprio RICARF (Portaria MF nº 343, de 2015) amoldouse a tal vinculação obrigatória, conforme previsto na alínea "a" do inciso II, § 1º do art. 62 de seu Anexo II. No tocante ao prazo decadencial do direito do Fisco de constituir as contribuições sociais previdenciárias, foi publicada, em 20/06/2008, a seguinte súmula do STF: Súmula Vinculante nº 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. No precedente representativo da Súmula, o RE nº 556.664, julgado em 12/06/2008, foi explicitado pelo relator Ministro Gilmar Mendes que "o Fisco está impedido, fora dos prazos de decadência e prescrição previstos no CTN, de exigir as contribuições da seguridade social". Fl. 431DF CARF MF Processo nº 11330.001319/200711 Acórdão n.º 2202004.490 S2C2T2 Fl. 432 5 Portanto, o prazo decadencial que rege o lançamento dessas contribuições segue as normas insculpidas no Código Tributário Nacional (CTN), no § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos. No caso em tela, a autuação versa sobre fatos geradores compreendidos entre 01/01/1999 a 31/12/1999, e a ciência ao contribuinte do lançamento deuse em 23/08/2007 (fls. 02). Adotamos a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que, havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º, CTN. Nesse sentido a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser seguida, por força do disposto no artigo 62, § 1º, II, "b" do RICARF. Contudo, tratandose de descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em homologação de pagamento, razão pela qual aplicase a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN. Sabendose que, no caso, o período verificado está compreendido entre 01/1999 a 12/1999 e que a ora Recorrente foi intimada do Auto de Infração em 23/08/2007, verificase que estão decadentes as contribuições apuradas em sua totalidade, uma vez que anteriores a 12/2001. Portanto, quando lavrada a NFLD, já havia se escoado o prazo para o exercício do direito do Fisco de constituir o crédito tributário mediante o lançamento de ofício. Por consequência, deve ser reconhecida a decadência do crédito tributário consubstanciado no presente processo, dandose provimento ao recurso voluntário. Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Fl. 432DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.722230/2017-32
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
Somente são dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao próprio tratamento do contribuinte e ao de seus dependentes e devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea. Não estando comprovado nos autos que o ônus das despesas com plano de saúde foi da contribuinte, não há como restabelecer a dedução correspondente.
Numero da decisão: 2002-000.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2015 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao próprio tratamento do contribuinte e ao de seus dependentes e devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea. Não estando comprovado nos autos que o ônus das despesas com plano de saúde foi da contribuinte, não há como restabelecer a dedução correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
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Somente são dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao próprio tratamento do contribuinte e ao de seus dependentes e devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea. Não estando comprovado nos autos que o ônus das despesas com plano de saúde foi da contribuinte, não há como restabelecer a dedução correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 22 30 /2 01 7- 32 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10183.722230/201732 Acórdão n.º 2002000.251 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.84/86) contra decisão de primeira instância (fls.73/77), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: A interessada acima qualificada recebeu a notificação de lançamento com saldo de imposto a restituir ajustado de R$9.941,48, relativo ao ano calendário de 2015, em virtude da apuração da dedução indevida de despesas médicas no valor de R$31.161,56. A descrição dos fatos e o enquadramento legal se encontram na notificação de lançamento. Na impugnação (fls. 3 a 5) a contribuinte alega, em síntese, que: as despesas médicas no valor de R$31.161,56 foram pagas pela pessoa física Clarice Claudino da Silva a Sul América Companhia de Seguro e Saúde – CNPJ nº 01.685.053/000156, e não pela pessoa jurídica Brustolin & Silva Ltda., empresa da qual é sócia desde 12/03/2014; apresentou relatórios de pagamentos onde consta como contratante a pessoa jurídica, sendo a contribuinte beneficiária do seguro saúde; o desembolso mensal se deu às expensas dos seus proventos e não da pessoa jurídica, conforme recibos emitidos pela seguradora e extratos de sua conta corrente junto a Caixa Econômica Federal; cada segurado paga a sua fatura mensal. Requer a insubsistência do lançamento e a prioridade na análise do processo, nos termo do disposto no art. 69A, inciso I da Lei nº 9.784, de 29/01/1999. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e no art. 2º da Portaria RFB nº 1006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013 e conforme definição da CoordenaçãoGeral do Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, o presente eprocesso foi encaminhado para esta DRJ/POA/RS para julgamento. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: PRIORIDADE NO JULGAMENTO. Constatandose que a contribuinte se enquadra no art. 69A, inciso I, da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10183.722230/201732 Acórdão n.º 2002000.251 S2C0T2 Fl. 4 3 assegura prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância, concedese prioridade no julgamento. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao próprio tratamento do contribuinte e ao de seus dependentes e devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea. Não estando comprovado nos autos que o ônus das despesas com plano de saúde foi da contribuinte, não há como restabelecer a dedução correspondente. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço (fl.120). A contribuinte foi notificada em 17/07/2017 (fl.81); Recurso Voluntário protocolado em 15/08/2017 (fl.83), assinado pela própria contribuinte. Sem razão o contribuinte. A acusação fiscal glosou a dedução das despesas médicas no valor de R$ 31.161,56, pois os valores pagos foram feitos pela pessoa jurídica Brustolin & Silva Ltda – ME, estando em nome desta o contrato com a empresa Sul América Companhia de Seguro Saúde. A contribuinte alega que a empresa Brustolin & Silva Ltda – ME, da qual é sócia, foi a contratante do seguro saúde, mas quem teria efetuado os pagamento foi a sua pessoa física, e que, portanto, isso lhe daria o direito a dedução. Em minudente tabela (fl.76) de cotejamento entre os pagamentos efetuados em nome da empresa para a seguradora e os supostos desembolsos da conta física da contribuinte, o Juízo a quo mostrou não há coincidência de valores, vez que os pagamentos em nome da empresa para a seguradora são da ordem de R$ 41.168,88 (fl. 14), o valor que supostamente foi pago com recursos da pessoa física da contribuinte são da ordem de R$ 26.630,45 (fls. 15/21), mas o valor dedução na declaração de imposto de renda foi de R$ 31.161,56 (fl.50). Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10183.722230/201732 Acórdão n.º 2002000.251 S2C0T2 Fl. 5 4 Essa incongruência de valores, aliado ao fato que não há prova nos autos que demonstre os valores pagos pelo contribuinte, relativo ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, nos termos do artigo 80 do RIR/99, faz com que a glosa seja medida que se mantenha. Registro, por relevante, que além da contribuinte, a pessoa jurídica que celebrou o contrato com a seguradora, possui outras duas sócias (fl.31), sendo impossível com a prova dos autos averiguar o quanto cada uma desembolsou para seu próprio tratamento. Sobre a declaração de fls. 97/98 esta não tem o condão de individualizar as despesas com o seguro saúde, e se diz isso porque feita pela corretora de seguro e não pela empresa seguradora que recebeu os valores, e mesmo que assim não o fosse, referida tabela diverge quanto ao valor oferecido pela contribuinte para dedução, sendo o primeiro R$ 30.298,52 e o segundo R$ 31.161,56, o que demonstra desconhecimento da corretora quanto aos valores do contrato de seguro saúde. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito nego provimento, mantendo o lançamento em sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.901468/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. MATÉRIA CONEXA. VINCULAÇÃO. REPERCUSSÃO NO CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la. Torna-se expressa a recomendação à unidade local para que, no momento do cumprimento do quanto decidido, verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível e eventual saldo credor em relação aos 1º, 2º e 3º trimestres do ano de 2003, bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 4º trimestre de 2003.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . ERRO FORMAL. CONTRADIÇÃO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A PARTIR DA DATA DA TRANSMISSÃO DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES.
A taxa Selic, para fins de correção do direito creditório pleiteado, deve ser aplicada a partir de 27/04/2004, data da transmissão do pedido eletrônico de ressarcimento, e não 04/06/2008 como constou equivocadamente no resultado do acórdão embargado. Verificando-se erro formal na decisão é de se acolher os embargos para promover e necessária correção do julgado.
Numero da decisão: 3201-003.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para (i) sanar a omissão apontada e dar provimento ao recurso em relação ao tópico referido para que a unidade de origem verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível e eventual saldo credor em relação aos 1º, 2º e 3º trimestres do ano de 2003 bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 4º trimestre de 2003 e (ii) corrigir o erro formal existente no acórdão.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. MATÉRIA CONEXA. VINCULAÇÃO. REPERCUSSÃO NO CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la. Torna-se expressa a recomendação à unidade local para que, no momento do cumprimento do quanto decidido, verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível e eventual saldo credor em relação aos 1º, 2º e 3º trimestres do ano de 2003, bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 4º trimestre de 2003. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . ERRO FORMAL. CONTRADIÇÃO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A PARTIR DA DATA DA TRANSMISSÃO DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. A taxa Selic, para fins de correção do direito creditório pleiteado, deve ser aplicada a partir de 27/04/2004, data da transmissão do pedido eletrônico de ressarcimento, e não 04/06/2008 como constou equivocadamente no resultado do acórdão embargado. Verificando-se erro formal na decisão é de se acolher os embargos para promover e necessária correção do julgado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para (i) sanar a omissão apontada e dar provimento ao recurso em relação ao tópico referido para que a unidade de origem verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível e eventual saldo credor em relação aos 1º, 2º e 3º trimestres do ano de 2003 bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 4º trimestre de 2003 e (ii) corrigir o erro formal existente no acórdão. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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OMISSÃO. MATÉRIA CONEXA. VINCULAÇÃO. REPERCUSSÃO NO CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para sanála. Tornase expressa a recomendação à unidade local para que, no momento do cumprimento do quanto decidido, verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível e eventual saldo credor em relação aos 1º, 2º e 3º trimestres do ano de 2003, bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 4º trimestre de 2003. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . ERRO FORMAL. CONTRADIÇÃO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A PARTIR DA DATA DA TRANSMISSÃO DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. A taxa Selic, para fins de correção do direito creditório pleiteado, deve ser aplicada a partir de 27/04/2004, data da transmissão do pedido eletrônico de ressarcimento, e não 04/06/2008 como constou equivocadamente no resultado do acórdão embargado. Verificandose erro formal na decisão é de se acolher os embargos para promover e necessária correção do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para (i) sanar a omissão apontada e dar provimento ao recurso em relação ao tópico referido para que a unidade de origem verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível e eventual saldo credor em relação aos 1º, 2º e 3º trimestres do ano de 2003 bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 4º trimestre de 2003 e (ii) corrigir o erro formal existente no acórdão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 14 68 /2 00 8- 41 Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10840.901468/200841 Acórdão n.º 3201003.934 S3C2T1 Fl. 1.107 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratamse de tempestivos Embargos de Declaração opostos pela empresa recorrente contra decisão proferida pela 3ª Turma Ordinária, 4ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, proferida através do Acórdão 3403003.440. A decisão embargada possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITO. A discussão relativa à aquisição de insumos de pessoas física no cálculo do crédito presumido da Lei n. 9363/1996 já encontrase sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da Súmula 494, assim vazada: "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." CRÉDITO PRESUMIDO. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão “empresa comercial exportadora” em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. CRÉDITO PRESUMIDO. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10840.901468/200841 Acórdão n.º 3201003.934 S3C2T1 Fl. 1.108 3 A exigência, para o enquadramento como venda com fim específico à exportação, de remessa direta para embarque ou para recinto alfandegado, apenas se faz em operações realizadas por conta e ordem da comercial exportadora, sendo ônus dessa pessoa jurídica, que não guarda relação com a Recorrente, industrial, que lhe vendeu os produtos e os entregou diretamente no estabelecimento da comercial exportadora. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL As variações cambiais ativas de direitos e obrigações em moeda estrangeira têm natureza de receita financeira e não compõem a Receita de Exportação, conforme definida pela legislação do benefício. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE REVENDA DE MERCADORIAS. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. INCLUSÃO. Incluise na Receita Bruta de Exportação, conforme definição vigente para os períodos de apuração de interesse, o valor das receitas de revenda de mercadorias para o exterior. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. HIPÓTESE DE OPOSIÇÃO INJUSTIFICADA DO FISCO. POSSIBILIDADE. Havendo oposição da Autoridade Fazendária aplicase a correção monetária, com base na Taxa Selic, em decorrência do julgado no Recurso Especial n 1.037.847RS, julgado na sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543C do CPC). Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" Alega a embargante a ocorrência de omissões e erro material na decisão embargada. Os apontamentos em relação às omissões e ao erro material contidos nos embargos declaratórios, estão encartados no despacho de admissibilidade, conforme a seguir transcrito: "Alega a embargante ter havido omissão no voto do acórdão embargado, por deixar de se pronunciar sobre (i) a repercussão dos períodos anteriores ao cálculo objeto deste processo e também quanto (ii) o questionamento ao entendimento da fiscalização relacionado às notas fiscais complementares emitidas pela embargante. Por fim, alega (iii) a existência de erro formal no tocante à data do pedido de ressarcimento. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10840.901468/200841 Acórdão n.º 3201003.934 S3C2T1 Fl. 1.109 4 Os embargos foram admitidos pelo Sr. Conselheiro Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção deste colegiado, para fins de apreciação de uma das omissões apontadas e do erro formal indicado, conforme a seguir: "Com base nos argumentos acima e considerando a determinação contida no art. 65, § 7º do Regimento Interno do CARF, dou seguimento aos embargos de declaração para que seja sanada a omissão apontada no item (i) e o erro formal indicado no item (iii)." É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Da omissão (repercussão dos períodos anteriores ao cálculo objeto deste processo) Aduz a embargante: A omissão apontada efetivamente ocorreu no julgamento do recurso voluntário devendo ser suprida. Entendo que assiste razão ao alegado pela embargante de que o julgamento dos processos 10840.900565/200654 e 10840.901467/200804 podem ter reflexo no resultado deste processo. Aqui, reportome às alegações expendidas em sede recursal: Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10840.901468/200841 Acórdão n.º 3201003.934 S3C2T1 Fl. 1.110 5 Vale salientar que em relação ao processo 10840.900565/200654, o CARF decidiu por anular o processo até a decisão proferida em 1ª instância. Isto afasta o argumento consignado na decisão em sede de manifestação de inconformidade de que nada naqueles autos afeta o crédito presumido aqui em lide. A decisão recorrida assim consignou: "Preliminarmente cabe informar que os processos 10840.900565/200654 e 10840.901467/200804 foram julgados por esta instância, na presente sessão, que considerou as respectivas manifestações como improcedentes, portanto, nada naqueles autos afeta o crédito presumido aqui em lide. Decidiu o CARF no processo 10840.900565/200654: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ESTOQUE FINAL DE 31.12.2002. MATERIAL DE EMBALAGEM. NECESSÁRIA FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10840.901468/200841 Acórdão n.º 3201003.934 S3C2T1 Fl. 1.111 6 Embora o processo verse sobre diversas matérias, as quais foram objeto da decisão atacada, em relação aos estoques finais e ao crédito relativo aos materiais de embalagem a Decisão não restou devidamente clara, o que impede a devida compreensão pela parte, restringindo o exercício de sua defesa, e do próprio julgador, motivo pelo qual a decisão mais acertada reside na anulação do processo até a decisão de primeira instância inclusive, de modo que a diligente Autoridade Julgadora profira novo julgamento contemplando pormenorizadamente esse temas. Processo Anulado" (Acórdão 3403003.438 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária) Como visto é por demais relevante a alegação da embargante, em especial, pelo fato de o próprio CARF ter constatado vícios insanáveis no processo 10840.900565/2006 54, o que culminou com a sua anulação até decisão de primeira instância. É de se considerar, ainda, que no outro processo 10840.901467/200804, que envolve a embargante, o CARF decidiu que no momento do cumprimento do quanto decidido, verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível referente aos 1º e 2º trimestres do ano de 2003, bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 3º trimestre de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 OMISSÃO. MATÉRIA CONEXA. VINCULAÇÃO. REPERCUSSÃO NO CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Tornase expressa a recomendação à unidade local para que, no momento do cumprimento do quanto decidido, verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível referente aos 1º e 2º trimestres do ano de 2003, bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 3º trimestre de 2003. OMISSÃO. ANÁLISE DE PROVA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. EMBARQUE PARA O EXTERIOR. NÃO ACOLHIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Não devem ser acolhidos os embargos de declaração quando o voto vencedor do acórdão embargado se manifestou expressamente a respeito da matéria. Omissão não caracterizada. OMISSÃO. INCLUSÃO DO VALOR RELATIVO À REVENDA DE MERCADORIAS NO CÁLCULO DA RECEITA DE Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10840.901468/200841 Acórdão n.º 3201003.934 S3C2T1 Fl. 1.112 7 EXPORTAÇÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Deve ser reconhecida expressamente a inclusão das receitas provenientes da revenda de mercadorias no cômputo da receita de exportação no resultado do julgamento do acórdão embargado, nos termos da fundamentação do voto condutor. O resultado deve refletir a posição adotada pelo colegiado. CONTRADIÇÃO. ERRO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A PARTIR DA DATA DA TRANSMISSÃO DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. A taxa Selic, para fins de correção do direito creditório pleiteado, deve ser aplicada a partir de 30/01/2004, data da transmissão do pedido eletrônico de ressarcimento, e não 04/06/2008 como constou equivocadamente no resultado do acórdão embargado. ERRO. PERÍODO DE APURAÇÃO. Deve constar, como período de apuração discutido no presente processo, o 3º trimestre de 2003 (01/07/2003 a 30/09/2003). Diante do exposto, caracterizada a omissão apontada acolho os embargos de declaração neste tópico para que a unidade de origem verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível e eventual saldo credor em relação aos 1º, 2º e 3º trimestres do ano de 2003 bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 4º trimestre de 2003 Do erro formal Alega a embargante: Com razão a embargante. Constou da decisão embargada: Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10840.901468/200841 Acórdão n.º 3201003.934 S3C2T1 Fl. 1.113 8 "Assim, tendo em vista que o pedido do Recorrente foi formulado em 04 de junho de 2008 e que, pelo próprio teor do presente Acórdão, houve oposição injustificada ao crédito da Recorrente, deve incidir a correção monetária sobre o crédito presumido da Recorrente desde o seu pleito inicial." Ocorre que, do caderno processual, constatase que o pedido de ressarcimento foi formulado realmente em 27 de abril de 2004 (data da transmissão). Nestes termos, é de se corrigir o erro material consignado na decisão embargada para que passe a constar: "Assim, tendo em vista que o pedido do Recorrente foi formulado em 27 de abril de 2004 e que, pelo próprio teor do presente Acórdão, houve oposição injustificada ao crédito da Recorrente, deve incidir a correção monetária sobre o crédito presumido da Recorrente desde o seu pleito inicial." Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração para (i) sanar a omissão apontada e dar provimento ao recurso em relação ao tópico referido para que a unidade de origem verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível e eventual saldo credor em relação aos 1º, 2º e 3º trimestres do ano de 2003 bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 4º trimestre de 2003 e (ii) corrigir o erro formal existente no acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 1113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.008018/2009-29
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2001-000.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o recorrente apresente elementos de comprovação do que foi alegado quanto à desistência do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o recorrente apresente elementos de comprovação do que foi alegado quanto à desistência do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1612; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.008018/200929 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2001000.001 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Data 25 de julho de 2018 Assunto IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente EDMILSON CARDOSO DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o recorrente apresente elementos de comprovação do que foi alegado quanto à desistência do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório O contribuinte apresentou pedido de desistência do recurso voluntário. O pedido foi feito para parcelar o débito tributário, conforme dispositivo da lei do parcelamento, art. 5º da Lei nº 13.496, de 2017. O contribuinte alega que problemas no acesso ao sistema informatizado da SRF impediuo de realizar o parcelamento. Alega que o pedido de desistência é precário e vinculado ao ato de homologação do parcelamento, solicitando o retorno à lide nos quatro processos de imposto de renda pessoa física em seu nome (19647.008018/200929, 19647.008019/200973, 19647.014173/200801, 19647.014174/200848). Voto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 08 01 8/ 20 09 -2 9 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 19647.008018/200929 Resolução nº 2001000.001 S2C0T1 Fl. 3 2 Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator O contribuinte apresentou pedido de desistência do recurso voluntário, posteriormente solicitou o retorno à lide, passo à sua análise. Para o deslinde da questão fazse necessário que o contribuinte apresente os elementos de comprovação que possui para que se verifique o alegado, se houve alguma ação ou omissão ou erro que tenha impedido a consumação do parcelamento, de que tenham existido problemas ou impedimentos (de responsabilidade dos órgãos responsáveis) para a realização do parcelamento. Tal prova cabe a quem a alega. Diante disso, para que o contribuinte traga elementos comprobatórios do que argumenta, intimese o contribuinte. Conclusão Em razão do exposto, voto por converter tal processo em diligência para que o recorrente apresente elementos de comprovação do que foi alegado quanto à desistência do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 84DF CARF MF
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score : 1.0
Numero do processo: 10925.001148/2005-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. LIMPEZA. EXCLUSÃO. EMPREITADA.
Conforme acórdão recorrido, o contribuinte não presta serviços de limpeza, como tampouco locação de mão-de-obra. Assim, não aplicáveis as vedações à permanência no Simples veiculadas pelo artigo 9º, XII, f da Lei nº 9.317/1996. Ademais, é clara a distinção entre locação de mão-de-obra e empreitada com o fornecimento de materiais, de acordo com a legislação vigente, não se aplicando a restrição da citada alínea f, do inciso XII, do artigo 9º à empreitada de mão-de-obra.
Numero da decisão: 9101-003.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Julgado dia 05/07/2018, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. LIMPEZA. EXCLUSÃO. EMPREITADA. Conforme acórdão recorrido, o contribuinte não presta serviços de limpeza, como tampouco locação de mão-de-obra. Assim, não aplicáveis as vedações à permanência no Simples veiculadas pelo artigo 9º, XII, f da Lei nº 9.317/1996. Ademais, é clara a distinção entre locação de mão-de-obra e empreitada com o fornecimento de materiais, de acordo com a legislação vigente, não se aplicando a restrição da citada alínea f, do inciso XII, do artigo 9º à empreitada de mão-de-obra.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Julgado dia 05/07/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. LIMPEZA. EXCLUSÃO. EMPREITADA. Conforme acórdão recorrido, o contribuinte não presta serviços de limpeza, como tampouco locação de mãodeobra. Assim, não aplicáveis as vedações à permanência no Simples veiculadas pelo artigo 9º, XII, f da Lei nº 9.317/1996. Ademais, é clara a distinção entre locação de mãodeobra e empreitada com o fornecimento de materiais, de acordo com a legislação vigente, não se aplicando a restrição da citada alínea f, do inciso XII, do artigo 9º à empreitada de mãodeobra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Julgado dia 05/07/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 11 48 /2 00 5- 14 Fl. 155DF CARF MF 2 Cristiane Silva Costa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de processo originado por exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) por Ato Declaratório Executivo da DRF / JOA n. 11, de 05/04/2015: Art. 1º. A contribuinte abaixo citada fica excluída da sistemática de pagamento de impostos e contribuições de que trata o artigo 3° da Lei n°9.317, de 05 de dezembro de 1996, denominada Simples, face ao disposto nos artigos 9° ao 16 da supracitada lei, observadas as alterações posteriores e de acordo com o disciplinamento constante da Instrução Normativa SRF n.° 355, de 29 de agosto de 2003, em razão do exercício de atividades vedadas (prestação de serviços de limpeza e conservação em regime de cessão de mãodeobra). Art. 2°. Os efeitos da exclusão obedecem ao disposto no artigo 15, II, da Lei n°9.317, de 1996, observadas as alterações posteriores e o disciplinamento constante no art. 24 da Instrução Normativa SRF n°355, de 29 de agosto de 2003. Art. 3°. Fica intimada, ainda, de que no prazo de 30 (trinta) dias da ciência deste poderá manifestar, por escrito, sua inconformidade relativamente ao procedimento acima, assegurando, assim, o contraditório e a ampla defesa. Art. 4°. Não havendo manifestação no prazo indicado no artigo anterior a exclusão tornar seá definitiva. O contribuinte apresentou Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples Simples (fls. 3), que foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, conforme acórdão ementado da forma seguinte (fls. 25): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. LOCAÇÃO DE MAODEOBRA. SERVIÇOS DE LIMPEZA EM AVIÁRIOS. VEDAÇÃO. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10925.001148/200514 Acórdão n.º 9101003.681 CSRFT1 Fl. 156 3 A pessoa jurídica que se dedica à locação de mãodeobra e serviços de limpeza em aviários está impedida de exercer a opção pelo Simples. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 97), ao qual a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da da 1ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento (fls 121), conforme acórdão, de relatoria do Conselheiro André Mendes de Moura, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 ATIVIDADE EMPRESARIAL. SIMILARIDADE COM EMPREITADA. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO AO SIMPLES FEDERAL. Demonstrado nos autos que a atividade exercida pela pessoa jurídica não guarda nenhuma correlação com locação ou cessão de mão de obra, pelo contrário, tem similaridade com empreitada de resultado, sem subordinação entre contratante e contratado, com obrigação de entrega de resultado determinado, com remuneração vinculada à produção, além de riscos e fornecimento de materiais sob encargo da prestadora de serviços, não há que se falar em atividade vedada ao Simples Federal. VEDAÇÃO AO SIMPLES FEDERAL. LIMPEZA COMO ATIVIDADE FINALÍSTICA. INOCORRÊNCIA. O Simples Federal veda a inclusão de empresa que tem como atividade principal os serviços de limpeza executados em sua plenitude, situação que não é a tratada nos autos, no qual a pessoa jurídica, ao remover a matéria orgânica do aviário, desempenha apenas uma etapa dentro do procedimento de limpeza, que ainda tem como atividades a retirada de equipamentos e demais utensílios, a passagem da vassoura de fogo para queimar penas remanescentes das aves removidas, lavagem com água sob pressão do piso, das paredes, teto, vigas e cortinas, e a desinfecção, tarefas desempenhas por outros agentes. PAF. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA SUPERADA. MÉRITO DECIDIDO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Apesar de ter sido constatada supressão de instância, na medida em que a SRS (Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples) não foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal, sendo diretamente julgada pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, tratase de questão processual superada, vez que o mérito está sendo decidido a favor do sujeito passivo (art. 12, § 3º do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF). Fl. 157DF CARF MF 4 Os autos foram remetidos à Procuradoria em 01/04/2015 (fls. 135), que interpôs recurso especial em 11/05/2015, sustentando divergência jurisprudencial com o entendimento manifestado pelos seguintes acórdãos paradigmas: (i) nº 30236508, no qual consta que " Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que presta serviços de locação de mãodeobra (art. 9º, inciso XII, alínea "f", da Lei nº 9.317/96). ". (ii) 30331083, do qual se extrai: “Em caso de empreitada exclusivamente de mãodeobra fica caracterizada situação excludente a que se refere o artigo 9°, inciso XII, alínea "f", da Lei n° 9.317/96.” O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção (André Mendes de Moura), conforme trechos a seguir reproduzidos (fls. 143/148): Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que "em caso de empreitada exclusivamente de mãodeobra fica caracterizada situação excludente a que se refere o artigo 9°, inciso XII, alínea "f", da Lei n° 9.317/96". O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que "demonstrado nos autos que a atividade exercida pela pessoa jurídica não guarda nenhuma correlação com locação ou cessão de mão de obra, pelo contrário, tem similaridade com empreitada de resultado, sem subordinação entre contratante e contratado, com obrigação de entrega de resultado determinado, com remuneração vinculada à produção, além de riscos e fornecimento de materiais sob encargo da prestadora de serviços, não há que se falar em atividade vedada ao Simples Federal".(...) Com fundamento nas razões acima expendidas, dou seguimento ao recurso especial da PGFN. Consta dos autos o aviso de recebimento (AR) datado de 16/06/2016, com a intimação do contribuinte a respeito da decisão que conheceu do recurso especial e para apresentar contrarrazões a tal recurso (fls. 151), sem que este tenha se manifestado nos autos. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Adoto as razões do Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial, nos termos do artigo 59, §1º, da Lei nº 9.784/1999. Passo ao exame do mérito. O contribuinte foi excluído do Simples Federal pelo exercício de serviços de limpeza e conservação em regime de cessão de mãodeobra, conforme Ato Declaratório Executivo da DRF / JOA n. 11, de 05/04/2015: Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10925.001148/200514 Acórdão n.º 9101003.681 CSRFT1 Fl. 157 5 Art. 1º. A contribuinte abaixo citada fica excluída da sistemática de pagamento de impostos e contribuições de que trata o artigo 3° da Lei n°9.317, de 05 de dezembro de 1996, denominada Simples, face ao disposto nos artigos 9° ao 16 da supracitada lei, observadas as alterações posteriores e de acordo com o disciplinamento constante da Instrução Normativa SRF n.° 355, de 29 de agosto de 2003, em razão do exercício de atividades vedadas (prestação de serviços de limpeza e conservação em regime de cessão de mãodeobra). A exclusão do Simples Federal, portanto, teve fundamento no artigo 9º, XII, alínea “f”, da Lei nº 9.317/1996, que previa: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XII que realize operações relativas a: (...) f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; A Turma a quo entendeu que não eram prestados serviços de limpeza, como tampouco locação de mãodeobra. Destaco trecho do voto condutor do Conselheiro André Mendes de Moura tratando de descaracterizar a locação de mãodeobra, tema em debate em recurso especial admitido: De acordo com o doutrinador, a distinção entre empreitada e prestação de serviços fazse pelos seguintes elementos: a) objeto do contrato: na prestação de serviços, é apenas a atividade do prestador, sendo a remuneração proporcional ao tempo empregado no labor (remunerase a atividade), e na empreitada é a obra em si, permanecendo inalterada a remuneração independente do tempo de trabalho dispendido (remunerase o resultado final); b) gerência: na prestação de serviços, a execução do serviço é dirigida e fiscalizada pelo contratante, que supervisiona os trabalhos, no qual se consolida relação de subordinação entre o prestador e o tomador de serviços, e na empreitada a direção compete ao prestador de serviços; c) assunção de riscos: na prestação de serviços o contratante assume os riscos do negócio, e na empreitada os riscos são assumidos pelo prestador de serviços. Percebese que a Receita Federal, ao se pronunciar sobre o assunto, buscou inspiração nos ensinamentos expostos pela doutrina, como se pode observar no fragmento do Parecer n° 69, de 10 de novembro de 1999, da CoordenaçãoGeral de Tributação (COS1T) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (...) Devese levar em conta a distinção entre o contrato de (1) prestação de serviços, que compreende a locação de mão de obra e cessão de mão de obra, que são atividades excludentes do Simples Federal, e (2) empreitada, que se Fl. 159DF CARF MF 6 for (2.1) exclusivamente de mão de obra, tem similitude com a prestação de serviços, e por isso também é atividade excludente do Simples Federal, e (2.2) empreitada com obrigação de fazer direcionada para resultado certo e sem subordinação entre contratante e contratado, situação que não é vedada pelo regime simplificado em análise. (...) Pela leitura das cláusulas, notase que o objeto do contrato é a obrigação de entregar um resultado determinado (cláusula 1), com remuneração vinculada à execução do serviço mediante vistoria (cláusulas 2 e 23). Fica evidenciada que a gerência é da contratada, que atua sem subordinação (cláusulas 8 e 11). Enfim, percebese que os riscos pela execução ficam por conta da recorrente (cláusula 10), assim como o fornecimento de materiais necessários para desempenhar as atividades contratadas (cláusula 12). Da análise das notas fiscais, a de fl. 24 trata da aquisição da recorrente de carregadeira sobre pneus (capacidade de carga de 771 kg). às de fls. 23 e 25 e 54/61 demonstram o pagamento vinculado ao resultado (remuneração calculada tomando como base o volume da matéria orgânica recolhida, mensurada em metros cúbicos). Nesse sentido, entendo que não há dúvidas de que a atividade exercida pela recorrente não guarda nenhuma correlação com locação ou cessão de mão de obra. Na realidade, tem similaridade com empreitada de resultado, sem subordinação entre contratante e contratado, com obrigação de entrega de resultado determinado, com remuneração vinculada à produção, e fornecimento de materiais e riscos sob encargo da prestadora de serviços. Não há que se falar, portanto, em atividade vedada ao Simples Federal, pelo menos que se refere ao primeiro aspecto da exclusão do regime simplificado, que se deu em razão de suposta locação/cessão de mão de obra. A Procuradoria pleitea a reforma do acórdão recorrido, sustentando que o contribuinte se dedicaria à locação de mãodeobra, afirmando que a vedação à opção pelo Simples também se aplicaria à empreitada exclusivamente de mãodeobra, reproduzindo trecho do Parecer COSIT 69/1999. Ocorre que há evidente distinção entre locação de mãodeobra e o caso dos autos que trata de contratação de empreitada de resultado , como consta do acórdão recorrido. Apenas a locação de mãodeobra era causa de exclusão do Simples Federal, na forma do artigo 9º, XII, alínea f, da Lei nº 9.317/1996, não a empreitada com fornecimento de materiais e riscos sob encargo da prestadora de serviços. Assim, adotando as razões do acórdão recorrido – que de forma lapidar demonstraram tratar o caso de empreitada, sem subordinação dos funcionários do contribuinte à tomadora de serviços , entendo por negar provimento ao recurso especial. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10925.001148/200514 Acórdão n.º 9101003.681 CSRFT1 Fl. 158 7 Por tais razões, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, confirmando o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000832/2004-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO
DE MÃO-DE-OBRA.
Veda a opção pelo Simples e implica a exclusão desse sistema a atividade de locação de mão-de-obra, caracterizada por trabalhos de mão-de-obra intensiva, sem a produção de um resultado determinado, nos quais a contratada (locadora) assume a obrigação de contratar trabalhadores sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico, sendo que os trabalhadores ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços.
Numero da decisão: 1001-000.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. Veda a opção pelo Simples e implica a exclusão desse sistema a atividade de locação de mão-de-obra, caracterizada por trabalhos de mão-de-obra intensiva, sem a produção de um resultado determinado, nos quais a contratada (locadora) assume a obrigação de contratar trabalhadores sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico, sendo que os trabalhadores ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. Veda a opção pelo Simples e implica a exclusão desse sistema a atividade de locação de mãodeobra, caracterizada por trabalhos de mãodeobra intensiva, sem a produção de um resultado determinado, nos quais a contratada (locadora) assume a obrigação de contratar trabalhadores sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico, sendo que os trabalhadores ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 08 32 /2 00 4- 37 Fl. 85DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Ato Declaratório DRF/PPE n° 23, de 5/6/2006, (efl. 29), através do qual o contribuinte referenciado foi excluído do SIMPLES FEDERAL em razão de constatação de situação incluída nas hipóteses de vedação à opção pela sistemática tributária em questão, no caso, locação de mãodeobra, por força do artigo 9°, inciso XII, alínea f da Lei 9.317/96.". A contribuinte apresentou sua inconformidade (efls. 40/41). A decisão de primeira instância (efls. 59/64) julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Cientificada da decisão de primeira instância em 24/08/2007 (efl. 71) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 20/09/2007 (efl. 72), em que aduz: A empresa exerce a atividade de agência de viagens e organizadores de viagens, (xérox do contrato social anexo), atividade essa perfeitamente aceita para a adesão ao Simples. A exclusão pleiteada, baseandose exclusivamente na legislação, iniciada pela Previdência Social, esbarra em palavras, visto que a alegação formalizada, descreve o artigo 31, parágrafo 3° da Lei 8.212/91, que a reproduzo: Para fins desta Lei, entendese como cessão de mão de obra a colocação a disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e forma de contratação. E prescreve ainda o artigo 9°, inciso XII, alínea f, da Lei 9.317/96 que; realize operações relativas à prestação de serviços de vigilância, limpeza; conservação e locação .de .mão de obra. Pelo entendimento, e o significado da palavra, locação e cessão são palavras totalmente diferentes. Locação é aluguel, arrendamento e cessão é ato ou efeito de ceder. Quanto à alegação que presta serviços contínuos, coloca segurados a disposição da tomadora de serviços, ocorrendo a prestação nas dependências da contratante, manifesto totalmente contrário, visto que presta serviços para outras empresas, não tem segurados totalmente a disposição de nenhuma empresa, e a empresa é estabelecida na rodoviária de propriedade da Prefeitura local. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo. Dele conheço. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13830.000832/200437 Acórdão n.º 1001000.746 S1C0T1 Fl. 86 3 Quanto ao mérito do recurso, alega a recorrente que sua atividade referese a prestação de serviço (em que manteria a direção e fiscalização de seus empregados). Não poderia a autoridade fiscal pretender transformar esta relação obrigacional de fazer numa relação obrigacional de dar (ou disponibilizar mãodeobra) e excluíla do Simples. A respeito, o artigo 9°, inciso XII, alínea “f”, da Lei n.° 9.317/96, prescreve: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (..) XI que realize operações relativas a (...) f) prestação de serviços de vigilância, limpeza, conservação e locução de mãodeobra; " Inicialmente infiro que o dispositivo transcrito traz diversas atividade cada uma suficiente (isoladamente) para proibir a adesão ao Simples. Caso haja a adesão ao sistema simplificado de empresa que exerça qualquer destas atividades, a exclusão está prevista em dispositivo da lei citada, com efeitos retroativo. Já os efeitos da exclusão foram fixados a partir de 1° de janeiro de 2002 conforme o disposto no art. 15, II, "a" da Lei 9.317/96: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9°; Para melhor entender o conceito de locação de mão de obra que ensejou a referida exclusão, necessário transcrevermos o art. 31 da Lei n.° 8.212/91: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § .5° do artigo 33. § 1°. O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. § 2°. Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. Fl. 87DF CARF MF 4 § 3o. Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4°. Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; O que se verifica é que, para que seja caracterizada a cessão ou locação de mão de obra, necessária a presença de dois requisitos, quais sejam, colocação de funcionários à disposição da contratante e prestação de serviços contínuos (CARF, Ac 1301000.805 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária), o que me parece estar configurado neste caso. Após análise do contrato social (efl. 42) e nota fiscal (efl. 07), restou caracterizada a cessão/locação de mãodeobra, nos termos definidos pelo art. 31, § 3°, da Lei n.° 8.212/91, isto porque os referidos documento trazem em seu bojo que a atividade exercida de venda de bilhetes é feita nas dependências (concedidas pela Prefeitura) e sob a fiscalização do cliente contratante . Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.731968/2012-52
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999 (que tem como base os arts. 7º e 8º da Lei 9.532/1997), requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição.
Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a uma "empresa-veículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outra empresa e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou os valores que propiciaram o surgimento do ágio, ainda que a operação que o originou tenha sido celebrada entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razões que ensejem tratamento diverso, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 9101-003.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999 (que tem como base os arts. 7º e 8º da Lei 9.532/1997), requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a uma "empresaveículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outra empresa e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou os valores que propiciaram o surgimento do ágio, ainda que a operação que o originou tenha sido celebrada entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razões que ensejem tratamento diverso, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 19 68 /2 01 2- 52 Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto às seguintes matérias: 1 A ocorrência do "abuso de direito" não legitima a constituição de crédito tributário, porque inexiste norma jurídica que preveja a conseqüência que se quer impor; 2 É possível a amortização de ágio, ainda que considerando a operação de incorporação reversa; e 3 A utilização de empresa veículo na reorganização societária é fato insuficiente para descaracterizar a operação que envolveu a amortização do ágio. No exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso apenas em relação às matérias constantes dos itens "1" e "3" acima indicados. Houve negativa de seguimento em relação à matéria tratada no item "2", conforme o despacho exarado em 21/06/2016 pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Na sequência, a contribuinte apresentou agravo contra o exame de admissibilidade, e esse agravo foi rejeitado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que confirmou a negativa de seguimento para a matéria do item "2", em caráter definitivo, conforme o despacho exarado em 02/08/2017 pela referida autoridade. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1402002.125, de 02/03/2016, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu negar provimento ao recurso voluntário anteriormente apresentado. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 4 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRIBUINTE QUE ALEGA NÃO ENTENDER A MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. Afastase a alegação de nulidade quando os motivos do lançamento estão claramente expostos no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LUCRO REAL. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. DATA DO FATO GERADOR. Quando o contribuinte sujeito à apuração pelo lucro real opta pelo pagamento por estimativa, o fato gerador do IRPJ ocorre no último dia do anocalendário. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO APÓS INCORPORAÇÃO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DESVIO DE FINALIDADE. A falta de propósito negocial demonstra o desvio de finalidade, e este, o abuso do direito de autoorganização, que é ato ilícito, logo torna indedutível a despesa com amortização do ágio. IRPJ/CSLL. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ETAPA DE REESTRUTURAÇÃO INTERMEDIÁRIA. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ANTECIPAÇÃO DE EXCLUSÕES DO LUCRO REAL E BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, colimando atingir posição legal privilegiada, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a antecipação de exclusões do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A operação mediante incorporação intermediária, intragrupo, com o propósito eminentemente fiscal, deve ser desconsiderada para fins tributários. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 5 4 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LUCRO REAL. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. DATA DO FATO GERADOR. Quando o contribuinte sujeito à apuração pelo lucro real opta pelo pagamento por estimativa, o fato gerador da CSLL ocorre no último dia do anocalendário. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO APÓS INCORPORAÇÃO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DESVIO DE FINALIDADE. A falta de propósito negocial demonstra o desvio de finalidade, e este, o abuso do direito de autoorganização, que é ato ilícito, logo torna indedutível a despesa com amortização do ágio. IRPJ/CSLL. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ETAPA DE REESTRUTURAÇÃO INTERMEDIÁRIA. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ANTECIPAÇÃO DE EXCLUSÕES DO LUCRO REAL E BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, colimando atingir posição legal privilegiada, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a antecipação de exclusões do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A operação mediante incorporação intermediária, intragrupo, com o propósito eminentemente fiscal, deve ser desconsiderada para fins tributários. Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 6 5 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei, que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Quanto às matérias admitidas do recurso, a contribuinte desenvolve os argumentos apresentados a seguir: DO DIREITO DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS DA LEGALIDADE DA OPERAÇÃO SOCIETÁRIA REALIZADA antes de se enveredar pela exposição das razões de Direito que ensejam a reforma da decisão recorrida com a correspondente anulação do Auto de Infração ou o reconhecimento de sua improcedência, cumpre tecer esclarecimentos relevantes sobre a operação realizada pela Recorrente, para que melhor se compreenda o caso dos autos; conforme exposto no Termo de Verificação anexo ao Auto de Infração, em setembro de 2006 a empresa BFL Participações e Empreendimentos S.A. ("BFL") adquiriu a totalidade das quotas emitidas pela Recorrente, tornandose sua controladora; na ocasião, a BFL e esta Recorrente não mantinham qualquer tipo de vinculação econômica ou jurídica, de modo que a operação de aquisição foi firmada entre partes totalmente independentes e, para fazer frente à participação societária adquirida, a BFL desembolsou R$ 96.000.000,00 (noventa e seis milhões de reais), conforme se comprovou através da juntada do respectivo Instrumento Particular de Compra e Venda e Outras Avenças (Doc. 03 da Impugnação); Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 7 6 referido preço foi devido e efetivamente pago pela Compradora aos Vendedores (então sócios da Recorrente), tal qual atestado pelos comprovantes de pagamento acostados à peça de Impugnação, portanto já integrantes dos presentes autos (Doc. 04 da impugnação); o montante do preço pago pela BFL fora composto pelo valor da participação acionária adquirida (patrimônio líquido da Recorrente), adicionado de ágio estipulado pelos Vendedores, o qual encontrou justificativa na fundada expectativa de rentabilidade futura, atestada por meio de laudo de avaliação econômica (Doc. 05 da impugnação); uma vez concluída a aquisição da participação societária, a Recorrente veio a incorporar a BFL (Doc. 06 da impugnação), com fundamento em razões estratégicas e econômicas, quais fossem: (i) conferir maior capacidade financeira e patrimonial à incorporadora; (ii) racionalizar e simplificar sua estrutura societária e, consequentemente, consolidar e reduzir gastos e despesas operacionais combinadas; (iii) permitir a união de recursos empresariais e dos patrimônios envolvidos, possibilitando uma melhor utilização de recursos operacionais e beneficiando as atividades sociais desempenhadas; e (iv) simplificar a gestão para viabilizar a expansão dos negócios sociais combinados; destaquese que na autuação ora combatida, não há qualquer questionamento quanto ao preço pago pela BFL para a aquisição das quotas representativas do capital social da ora Recorrente; quanto ao valor do ágio ou de seu fundamento econômico; tampouco quanto à documentação comprobatória do ágio, a qual foi integralmente apresentada ao Sr. Auditor Fiscal no curso da fiscalização; neste ponto, é importante esclarecer que a Recorrente foi intimada em 14/02/2012 a entregar todos os documentos relativos à operação, o que foi cumprido integralmente em 30/03/2012; vistos estes fatos, observese que a incorporação é uma modalidade de reorganização societária prevista portanto autorizada pela Lei n° 6.404/1976, a qual, em seu artigo 227, dispõe que a sociedade incorporadora sucede a sociedade incorporada em todos os direitos e obrigações, o que de fato ocorreu; ainda, a legislação societária autoriza tanto a incorporação da sociedade controlada pela sua sociedade controladora, quanto a incorporação da sociedade controladora pela sociedade controlada. É o que prevê o § 4º do artigo 264 da Lei n°. 6.404/1976, in verbis: [...]; nestes termos, é inquestionável que tanto a compra de participação societária pela BFL, quanto a incorporação posteriormente realizada foram realizadas em absoluta consonância com a legislação societária e tributárias vigentes à época da conclusão da operação; como não haveria de ser diferente, o próprio Sr. Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela Autuação reconheceu a legalidade das referidas operações, conforme será demonstrado a seguir, o que torna tal fato incontroverso nos presentes autos; DAS NULIDADES DO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 8 7 muito embora tenha a decisão ora recorrida se recusado a reconhecer as nulidades do Auto de Infração, por apresentarse carente de fundamentos válidos, incorreu nos mesmos vícios que macularam a autuação, em sua origem; no caso em exame, o Auto de Infração não foi instruído com as provas necessárias à verificação da ocorrência do suposto ilícito tributário justificador da exigência do suposto crédito tributário e da multa isolada; o Sr. Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil houve por bem basear suas conclusões nitidamente pessoais na suposição e presunções de ocorrência de um ato ilícito; isso porque, ao analisar todos os documentos apresentados pela Recorrente, quando da resposta ao Termo de Início de Fiscalização, o Sr. Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil concluiu, expressamente, que a operação tratada nos autos foi realizada no estrito cumprimento da legislação societária, inclusive das disposições das Instruções CVM n° 319/1999 e n° 349/01, que tratam do ágio; em momento algum o Sr. Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil apresentou qualquer fato ou documento que ensejasse violação à lei societária e/ou tributária; não obstante, concluiu, equivocadamente, pela ocorrência de suposto ilícito tributário que ensejaria a exigência dos supostos créditos tributários a título de IRPJ e CSLL, acrescidos de juros, multa e multa isolada; a construção da conclusão fiscal se deveu ao entendimento pessoal do Sr. Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de que a finalidade da incorporação da BFL pela Recorrente teria sido distorcida para disfarçar a criação de uma suposta empresa veículo para viabilizar o aproveitamento do ágio, o que sugeriria a caracterização de suposto "abuso de Direito"; em resumo, as conclusões da fiscalização não decorrem logicamente do conjunto probatório constante dos autos, muito menos estão respaldadas em norma de direito tributário cujo descumprimento permita imputar tais infrações; é exatamente por isto que, embora a insuficiência de provas para embasar a conclusão fiscal e a comprovação da licitude da operação já seja suficiente para a decretação da insubsistência do lançamento, há que se ressaltar, adicionalmente, que o Auto de Infração não descreve de forma clara e precisa quais seriam as infrações supostamente cometidas pela Recorrente a ensejar a não dedutibilidade do ágio e a aplicação das correlatas multas (de ofício e multa isolada); sem a descrição clara e precisa da conduta infracional não há como ocorrer a operação lógica da subsunção, a qual também é prejudicada, no caso dos autos, pela ausência de norma jurídica que contenha, em seu antecedente, a conduta tida por praticada pela Recorrente e, em seu consequente, a autorização para a glosa da amortização do ágio; pelo contrário, o que há é norma que autorizava à época a dedução daquele montante, Lei n° 9.532/1997, confirase: [...]; em outras palavras, a ausência de descrição clara e precisa da conduta infracional com a correlata indicação da base legal infringida, torna nula a autuação, por Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 9 8 ausência de motivação do ato administrativo de lançamento, ademais, obviamente, de se caracterizar como violação ao princípio da estrita legalidade tributária; a suposição da fiscalização sobre a ocorrência de "abuso de Direito" não legitima a constituição do suposto crédito tributário, pois inexiste norma jurídica que preveja a consequência que se quer impor. Neste exato sentido entendeu a C. 1ª Câmara, da 1ª Turma Ordinária, quando do julgamento do Recurso Voluntário, em Acórdão n° 110100.708 (Doc. 07), proferido nos autos do Processo n° 10680.724392/201028, em Sessão de 11/04/2012. Confirase a transcrição dos seguintes trechos: [...]; observese que, nem no Auto de Infração, nem mesmo na decisão recorrida, indicam as autoridades, precisamente, qual seria a norma tributária supostamente infringida pela Recorrente, atendose a elaborar raciocínio que não encontra respaldo nas provas trazidas aos autos, as quais, repitase à exaustão, corroboram com a legalidade e licitude da operação de incorporação realizada pela Recorrente, o que foi reconhecido pelo próprio Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil; diante do exposto, restando suficientemente demonstrada a inarredável necessidade de motivação do atofato de lançamento, consistente na indicação precisa da conduta tida por praticada e da norma jurídica que lhe atribui natureza infracional e prevê a correspondente sanção; e tendo sido demonstrado que, no caso dos autos, estas condições não foram atendidas; concluise ser carente de motivação o Auto de Infração, devendo ser de pronto anulado; DA DECADÊNCIA nos casos em que estejamos diante de um fato gerador necessário da obrigação principal, tal qual é a escrituração fiscal do ágio, o prazo decadencial deverá ser contado a partir da ocorrência da atividade que corresponde ao fato gerador necessário, ainda que o fato gerador suficiente somente ocorra em momento posterior; logo, findo tal prazo sem que haja manifestação expressa da autoridade fiscal a respeito da pratica do ato, considerase tacitamente homologado o lançamento que, em seu bojo, consignou a ocorrência do fato gerador necessário anterior, de modo que nada pode reclamar o Fisco, estando extinto o crédito tributário nos exatos termos do supracitado art. 156, V, do CTN; querse dizer, portanto, que o fato gerador que é discutido nos presentes autos e ao qual se deve aplicar o prazo do parágrafo 4º, do artigo 150, a bem da precisão jurídica, é o fato gerador do ágio, isto é, a incorporação da BFL pela Recorrente, enquanto fato gerador necessário da obrigação principal, pois integra o feixe de normas que compõe a hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL; neste sentido, observese o que dispõe o artigo 114, do CTN: [...]; o ponto nodal da discussão ora empreendida é a definição do fato gerador, ou seja, da ocorrência da situação fática, definida em lei, necessária e suficiente para a obrigação principal; no caso do IRPJ e da CSLL, é evidente que a apuração do quantum devido (ocorrência do fato gerador suficiente renda) depende, entre outros, da verificação da causa Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 10 9 jurídica geradora da dedutibilidade de despesas que, neste caso, é o evento societário de incorporação, que autoriza a amortização do ágio; nos termos dos artigos 7ºe 8º da Lei n° 9.532/1977, a pessoa jurídica que (i) absorver patrimônio de outra pessoa jurídica em virtude de incorporação, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, e (ii) cujo fundamento econômico seja a perspectiva de rentabilidade futura da investida, tem direito à amortização que é exatamente o caso dos presentes autos; é importante distinguir, neste ponto, o momento do reconhecimento do direito à amortização do ágio, do momento de sua utilização que é ato futuro e depende da apuração anual do contribuinte; o dies a quo para a contagem da fluência do prazo decadencial sobre o fato gerador necessário (reconhecimento do ágio) é a data da ocorrência da situação fática prevista em lei, autorizadora da amortização do ágio contabilizado; em outras palavras, a condição fática suficiente da norma jurídica da dedutibilidade, prevista nos artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/1997, é a ocorrência da incorporação da pessoa jurídica na qual detinha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade futura; a partir desta data, portanto, o Fisco tem o prazo de 5 (cinco) anos para homologar ou retificar a atividade de constituição do ágio empreendida pela Contribuinte; no caso em tela, verificase que o fato gerador da dedutibilidade ocorreu em 31/03/2007, database da incorporação, informada no Protocolo e Justificação de Incorporação do Acervo Líquido da BFL Participações e Empreendimentos S. A. (Doc. 06 da impugnação); considerando que a Recorrente foi cientificada da lavratura do Auto de Infração em 12/11/2012, resta evidente que os supostos créditos tributários e correlatas multas estão extintos pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º, e artigo 156, V, do CTN; observese que, ao contrário do que sugere a r. decisão recorrida, não houve equívoco por parte da Recorrente quando aventou tais argumentos em sua peça de defesa; em verdade, o equívoco é do I. Julgador Tributário Relator, e consequentemente do Acórdão, pois, confunde fato gerador necessário (escrituração do ágio) com o fato gerador suficiente (auferir renda), sendo que a verificação deste segundo depende da ocorrência ou não do primeiro, que é exatamente o objeto da autuação em comento; assim sendo, de fato, o dies a quo da contagem do prazo decadencial, no caso dos autos, iniciouse no momento do fato gerador do ágio, qual seja o dia 31/03/2007, database da incorporação; entretanto, na eventualidade de assim não entenderem estes Doutos Conselheiros, pugna a Recorrente que, ao menos, seja reconhecida a decadência em relação ao período de 31/03/2007 a 31/10/2007, considerandose o dies a quo do prazo decadencial como sendo a data da efetiva amortização mensal do ágio, devendo ser decretada a extinção dos supostos créditos tributários e correlatas multas, nos termos dos artigos 150, §4° e l56,V, do CTN; Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 11 10 DO DIREITO À AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO o artigo 20 do Decretolei n° 1.598/77, retratado no artigo 385 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99 "RIR/99"), estabelece o conceito de ágio e seus requisitos para efeitos fiscais. Confirase: [...]; ágio, portanto, é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial da participação societária adquirida, sendo requisitos essenciais: (a) a aquisição da participação societária; e (b) o fundamento econômico do valor da aquisição; no caso em exame, a BFL adquiriu a PIMACO, tendo desembolsado R$ 96.000.000,00 (noventa e seis milhões de reais) por referida aquisição, gerando ágio, o qual, digase, nunca foi questionado pela fiscalização. O preço foi devidamente pago pela Compradora aos Vendedores (então sócios da Recorrente), conforme atestam os comprovantes de pagamento acostados à impugnação (Doc. 04 da impugnação); o ágio gerado na aquisição da participação societária encontrou justificativa na expectativa de rentabilidade futura, e foi assim contabilizado: [...]; o balanço patrimonial da BFL em 31/12/2006 era: [...]; posteriormente, a Recorrente incorporou a BFL (Doc. 06 da Impugnação), com fundamento em razões estratégicas e econômicas, quais fossem: (i) conferir maior capacidade financeira e patrimonial à incorporadora; (ii) racionalizar e simplificar sua estrutura societária e, consequentemente, consolidar e reduzir gastos e despesas operacionais combinadas; (iii) permitir a união de recursos empresariais e dos patrimônios envolvidos, possibilitando uma melhor utilização de recursos operacionais e beneficiando as atividades sociais desempenhadas; e (iv) simplificar a gestão para viabilizar a expansão dos negócios sociais combinados; no que se refere aos aspectos formais da operação, é importante destacar o seguinte trecho extraído do Termo de Verificação, no qual a fiscalização reconhece expressamente que foi realizada a incorporação em cumprimento aos exatos termos da legislação societária. Confirase: Em resumo, de todos os fatos e documentos trazidos aos autos, vêse que, como dito anteriormente, cada etapa que compôs a operação de incorporação da BFL Participações pela Fiscalizada, se examinada de modo singular, observou a legislação societária que rege a matéria, haja vista a Instrução CVM 319/1999 e a Instrução CVM 349/01, que disciplinam o tratamento contábil do ágio. nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/1997, a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra em virtude de incorporação, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o valor do ágio fundado em rentabilidade futura, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Confirase: [...]; logo, considerando que a Recorrente absorveu patrimônio da BFL por meio de incorporação, a qual foi realizada com base em questões estratégicas, conforme já Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 12 11 demonstrado, tornouse possível a amortização, pela Recorrente, do ágio anteriormente contabilizado nos livros da BFL, nos exatos termos dos artigos 7° e 8º da Lei n° 9.532/1997; nesse ponto, equivocase o Acórdão recorrido, quando condiciona a utilização do ágio apenas na alienação do investimento. Vejase trecho do voto do I. Conselheiro Relator: [...]; conforme pode ser depreendido, e, considerando a época da ocorrência das operações, sob discussão, verificase que não somente a partir da alienação do investimento, como também na realização de operações societárias descritas nos permissivos artigos 7° e 8º, da Lei n.° 9.532/1997, dentre elas a incorporação, ainda que reversa. neste ponto é oportuno ressaltar que somente com a Lei n° 12.973/2014 é que houve alteração do critério legal para a amortização do ágio. Confirase o disposto no artigo 65 da referida lei: [...]; à época da realização das operações societárias pela Recorrente, portanto, estavam presentes os requisitos previstos nos artigos 7º e 8º, da Lei n.° 9.532/1997; isso porque, e ainda cumpre asseverar, inexistia à época qualquer proibição legal quanto à amortização do ágio por incorporação reversa, que se justificou por razões estratégicas e econômicas, já aventadas; a incorporação reversa já foi reconhecida por este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como legítima na amortização do ágio, segundo se depreende da ementa do Acórdão paradigma n° 1302001.532 (Doc. 05), o qual também houve por bem afastar a ocorrência da multa isolada, eis que se trata de tributação reflexa: [...]; desta feita, não pairam dúvidas quanto à possibilidade da amortização do ágio, ainda que por meio de incorporação reversa, quando observada a legislação fiscal e societária que versa sobre a matéria, como efetivamente ocorreu, e cuja observância foi reconhecida pela Autoridade Fiscal; neste exato sentido, confiramse trechos extraídos de decisões proferidas pelo E. CARF: [...]; assim, resta evidente que deve ser afastada, no presente caso, qualquer alegação de suposta ilicitude da operação que sugeriria eventual ocorrência "abuso de Direito"; não restam dúvidas, pois, quanto à legalidade da amortização do ágio contabilizado pela BFL, nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/1997; DA LEGALIDADE DA OPERAÇÃO conforme anteriormente relatado, sob a perspectiva da análise da legislação societária e tributária que regem a matéria, a operação é legal e, portanto, não poderia o Fisco tratar como indedutíveis as amortizações decorrentes do ágio anteriormente contabilizado; especialmente sob o aspecto societário, ressaltese que a legalidade da operação se mostra incontroversa nos presentes autos, uma vez que o próprio Sr. Auditor Fiscal Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 13 12 da Receita Federal do Brasil Autuante afirma à fl. 14 do Termo de Verificação Fiscal que foi observada a legislação societária pela Recorrente; a legalidade da amortização do ágio adicionada à legalidade formal da operação já seria suficiente à improcedência da ação fiscal; não obstante, a fim de não pairarem dúvidas sobre à análise dos "Aspectos Materiais" da operação erroneamente empreendida pelo o Sr Auditor da Receita Federal do Brasil (Autuante) e perpetuada pelo Acórdão recorrido, a Recorrente passa a deduzir argumentos que ensejarão a desconstrução das conclusões a que se chegaram quando da autuação, do julgamento da Impugnação e do acórdão ora combatido; inicialmente, às fls. 6 e 7 do Termo de Verificação Fiscal, afirmase que a empresa BFL não seria uma sociedade empresária. Confirase: [...]; a BFL é sociedade anônima, portanto, sociedade empresária legalmente constituída e registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Doc. 12 da Impugnação). Admitir (ou até mesmo cogitar) o contrário configura violação a dispositivo legal expresso; ora, pouco importa o objeto social de referida sociedade, ou até mesmo as atividades por ela realizadas. Não pode o Sr. Auditor Fiscal desconsiderar a sua natureza de sociedade empresária com base em presunções ou suposições nitidamente pessoais se a legislação expressamente a classifica como tal; a BFL, sociedade empresária legalmente constituída, adquiriu a participação societária da Recorrente, gerando um ágio; posteriormente, a Recorrente incorporou a BFL. Em decorrência deste evento, e tendo em vista a previsão legal contida nos artigos 7º e 8º da Lei n°. 9.532/97, a Recorrente passou a amortizar o ágio anteriormente contabilizado nos livros da BFL, absorvido em razão do evento societário realizado (incorporação); ora, conforme anteriormente relatado, a legislação tributaria permite (artigos 7° e 8º da Lei n.° 9.532/1997) que o ágio seja amortizado a partir de uma incorporação (ainda que reversa), e desde que tenha sido fundamentado na expectativa de rentabilidade futura; o Conselheiro Relator, ao contrário, busca legitimar a autuação, ao argumento de que a artificialidade das operações, levadas a efeito pela Recorrente para amortização do ágio, residiria na utilização da empresa veículo BFL; olvida que não há qualquer proibição quanto à utilização de empresa veículo, precipuamente quando a BFL nunca foi uma fraude; é deveras subjetiva, e parte de convicções pessoais do Conselheiro Relator, a afirmação de que a BFL não serviu pra nada. Muito pelo contrário! A empresa foi devidamente constituída e adquiriu legalmente as quotas representativas do capital social da Recorrente. Baseouse no laudo de avaliação econômica (Doc. 06 da Impugnação), bem como efetivou o pagamento, conforme comprovantes já apresentados nestes autos (Doc. 04 da Impugnação); Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 14 13 não se pode, pois, olvidar de sua existência, tampouco da sua relevância. O fato de ter sido posteriormente incorporada por sua controlada, não implica, em hipótese alguma, na presunção de sua artificialidade, mas se deu, conforme exaustivamente demonstrado, por razões econômicas e estratégicas; repisese à exaustão, todas as operações realizadas foram devidamente auditadas, oportunidade em que foi reconhecida sua legitimidade em consonância com a legislação fiscal e societária vigente à época em que a operação foi concluída. Assim, não há que se falar em eventual "abuso de Direito"; neste ponto, cabe ainda um adendo para que não se deixe levar o exegeta pela manobra argumentativa desenvolvida no voto do Ilustre Julgador Fiscal Relator, quando da decisão de primeira instância, a qual, pelas considerações a serem tecidas, merecem ser reiteradas; isso porque a decisão de primeira instância propositadamente omitiu a existência de norma jurídica autorizadora da operação perfeitamente legal, aplicando ao caso dos autos através de opiniões pessoais e duvidosas invocações de ordem principiológica a teoria do "abuso do Direito"; observese que o I. Julgador Relator em seu voto, aventa argumentos que buscam guarida na teoria dos princípios jurídicos, objeto de estudo da teoria geral do Direito, com evidente inspiração na obra de ROBERT ALEXY; pretendeuse, portanto, caminhar, da separação entre texto e norma, até a afirmação dos princípios enquanto espécie normativa (o que não se desconhece, muito menos se nega), para tentar, com base nestes (princípios), sustentar a desconsideração dos efeitos fiscais da realização de um negócio jurídico firmado de acordo com todos os ditames da legislação societária, e que se amolda perfeitamente à hipótese de incidência de uma norma regra que permite a dedutibilidade do ágio (arts. 7° e 8º da Lei 9.532/97); ocorre que não é possível, à luz da conformação constitucional do Direito Tributário e do subsistema constitucional que rege os atos da Administração Pública, permitir se o surgimento de obrigação tributária e a correspondente constituição do crédito tributário com base em princípios apenas; sem mais delongas, não é cabível a lavratura de um Auto de Infração com base, unicamente, na aplicação do discutível "princípio da supremacia do interesse público" e de um absurdo "solidarismo tributário", em contraposição a regras expressas, já exaustivamente citadas, que autorizam e regulamentam a reorganização societária em questão e a ela atribuem legítimos efeitos tributários (dedutibilidade do ágio); como bem ressaltado pelo próprio Julgador Relator, o legislador ordinário realizou ponderação em abstrato para instituir normaregra que permite a dedução do ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, o que não pode ser excepcionado através da ponderação de princípios; filiandose à Teoria dos Princípios de HUMBERTO ÁVILA, o qual revisita e revê a teoria de ALEXY, entendese que não se pode afastar a aplicação de uma normaregra através da mera invocação de normasprincípio, pois estas dispõem de conteúdo normativo Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 15 14 estranho à regulamentação de fatos específicos e não podem ser contrapostas às regras para evitar a sua aplicação ao caso concreto; demais disto, ainda que assim não fosse, seguindo a orientação adotada no Acórdão recorrido, uma tal operação de ponderação que resultasse no afastamento de uma normaregra, em razão da não satisfação de sua finalidade, dependeria de um "ônus argumentativo" impossível de ser sustentado e ultrapassado por um ato administrativo de lançamento plenamente vinculado à lei (leiase normasregra); ultimandose o exercício hipotético, ainda que cabível fosse a elaboração de tal ponderação para a motivação do ato de lançamento, não é isto que se verifica no caso dos autos, pois o Auto de Infração vergastado nada fala neste sentido, não suportando o suposto "ônus argumentativo", o que somente foi aventado quando do julgamento da Impugnação apresentada por esta Recorrente; observese que não houve a aplicação de qualquer normaregra suficiente ao afastamento daquela a que se chega através da interpretação dos artigos 7° e 8º da Lei n° 9.532/97, isto porque normaregra neste sentido não há, além do que os fatos, já pormenorizadamente narrados e comprovados, afastam a ocorrência de simulação, dissimulação, ou qualquer ardil semelhante, tendente a obter economia tributária ilícita; demais disto, há que se atentar para o fato de que a economia tributária a que se chegou através da operação em questão haveria sido atingida por outros meios, mesmo que não houvesse sido incorporada a BFL pela Recorrente, o que afasta definitivamente a alegação de "abuso de direito", uma vez que, havendo hipóteses semelhantes para obtenção da dedutibilidade do ágio, não é possível que se diga ilícita uma e lícita outra, se ambas partem da mesma hipótese normativa, qual seja a incorporação de uma sociedade por outra, quando houvesse participação acionária de uma em outra, adquirida com ágio; ante o anteriormente expendido e com o devido respeito pelas afirmações do I. Relator, em que pese as suas argumentações e inúmeras transcrições doutrinárias, em momento algum ficou provado que a BFL tida como empresa veículo, não pagou o valor das quotas, inclusive do ágio aos ex sócios da Pimaco, assim como que a BFL e a Recorrente na ocasião mantinham qualquer tipo de vinculação econômica ou jurídica; não teceu nenhum comentário sobre a expectativa de rentabilidade futura atestada por meio de laudo de avaliação econômica (Doc. 05 da impugnação), limitandose a, por entendimento nitidamente pessoal, tentar desclassificar os legítimos propósitos anteriormente alinhados nesta peça que levaram a Recorrente a concluir o negócio. Olvidando que no caso a verdade material indica totalmente o contrário das suposições invocadas; isto posto e face ao que consta dos autos resta provado ser inquestionável que a compra da participação societária pela BFL, quanto à incorporação, foram, posteriormente, realizadas em absoluta consonância com a legislação societária e tributária à época da operação. Aliás, a efetiva reorganização societária tal como implementada pela Recorrente nos exatos termos dos vários acórdãos desse E. CARF anteriormente transcritos não resulta em economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e consequentemente não pode ser considerada como não oponível ao Fisco; nunca é demais ressaltar que também os demais argumentos de defesa, ora repisados e desenvolvidos, vêm sendo acolhidos nas mais recentes decisões deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, das quais é exemplo o abaixo transcrito: [...]; Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 16 15 diante de tudo quanto exposto, demonstrada a legalidade e licitude das operações realizadas, não se tratando de ágio gerado dentro de um mesmo grupo de empresas, bem como tendo sido satisfeitas as premissas estabelecidas por este E. CARF, merece ser reformada a r. decisão recorrida para que seja julgado totalmente improcedente o Auto de Infração. Como já mencionado, o recurso especial da contribuinte foi admitido em relação às seguintes matérias: 1 A ocorrência do "abuso de direito" não legitima a constituição de crédito tributário, porque inexiste norma jurídica que preveja a conseqüência que se quer impor; e 3 A utilização de empresa veículo na reorganização societária é fato insuficiente para descaracterizar a operação que envolveu a amortização do ágio. Em 26/10/2017, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que deu seguimento parcial ao recurso especial da contribuinte, e em 30/10/2017, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso. Inicialmente, a PGFN suscita preliminar de não conhecimento do recurso especial, alegando que a contribuinte não indicou o dispositivo legal que foi interpretado de modo divergente pelo acórdão recorrido. Na sequência, a PGFN defende a manutenção do acórdão recorrido pelos seus próprios fundamentos, os quais transcreve. Ela também transcreve outras decisões do CARF, no mesmo sentido do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 17 16 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e CSLL referente aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, e também lançamento de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais desses tributos no curso dos mesmos anos calendário. A autuação fiscal está fundamentada na glosa de despesas relativas a amortização de ágio. A glosa da despesa repercutiu tanto na apuração das estimativas mensais, quanto na apuração de ajuste anual. A decisão de primeira instância administrativa manteve o lançamento, conforme elaborado pela Fiscalização. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) seguiu esse mesmo caminho. E agora, em sede de recurso especial, a contribuinte ataca o acórdão recorrido, na parte em que ele manteve a glosa das despesas relativas à amortização de ágio. A PGFN apresentou contrarrazões ao recurso, e suscitou uma preliminar de não conhecimento, alegando que a contribuinte não indicou o dispositivo legal que foi interpretado de modo divergente pelo acórdão recorrido. Essa preliminar de não conhecimento é improcedente. Não há nenhuma dúvida de que a contribuinte suscitou divergência jurisprudencial em relação à interpretação e aplicação dos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/1997. O recurso especial, portanto, deve mesmo ser conhecido. Antes de adentrar no mérito dos argumentos sobre a dedutibilidade da despesa de amortização de ágio, é ainda necessário citar duas questões preliminares trazidas pela contribuinte em seu recurso especial. Primeiramente, ela alega nulidade do auto de infração, por falta de motivação, eis que ele não traria a indicação precisa da conduta tida por praticada e nem da norma jurídica que lhe atribui natureza infracional e prevê a correspondente sanção. Essa mesma alegação de nulidade foi rejeitada pelo acórdão recorrido. A leitura do relatório que antecede este voto evidencia claramente que as questões de nulidade apontadas pela contribuinte são, na verdade, questões de mérito Ela parte do princípio de que está enquadrada nos referidos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/1997, e alega que a Fiscalização não apontou outras situações/normas para fundamentar o lançamento. Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 18 17 Ora, conforme já mencionado acima, toda a questão trazida pelo lançamento fiscal diz respeito justamente ao enquadramento ou não da contribuinte nos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/1997. São precisamente essas normas que podem ou não justificar a dedutibilidade das despesas com amortização de ágio. A segunda questão preliminar trazida pela contribuinte é referente à decadência do crédito tributário constituído nos presentes autos. Registro que essas preliminares não devem ser conhecidas, uma vez que, já tendo sido analisadas e rejeitadas na fase anterior do processo, caberia à contribuinte suscitálas na forma de divergência jurisprudencial, apresentando paradigmas de divergência, etc., o que não ocorreu. Quanto ao mérito, o ponto central do debate desenvolvido ao longo dos autos diz respeito à regularidade do procedimento adotado pela contribuinte PIMACO AUTOADESIVOS LTDA. (e condenado pela Fiscalização) de deduzir, nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, do lucro real e da base de cálculo da CSLL, despesas com amortização do ágio registrado originalmente na contabilidade da empresa veículo BFL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS, por ocasião da aquisição das ações da autuada. O relatório constante do acórdão recorrido explicita bem a sequência de operações societárias que estão relacionadas à formação e à posterior amortização do ágio: a empresa BFL Participações e Empreendimentos foi criada em 11/07/2006 e baixada em 30/04/2007, por ocasião da incorporação pela recorrente, até então sua controlada. Segundo a DIPJ/2007 da BFL, o seu quadro societário era formado pela BIC Amazônia S.A. [99,99% do capital] e BIC Brasil S.A. [0,01% do capital], denominada no Termo de Verificação Fiscal por Grupo BIC; pouco mais de um mês após a instituição da BFL (23/08/2006), seus sócios (Grupo BIC) realizaram uma assembleia geral extraordinária e homologaram o aumento de seu capital para R$ 100.000.000,00; 13 dias depois (05/09/2006), a BFL adquiriu a totalidade das ações da PIMACO pelo valor de R$ 96.000.000,00, aí computados ágio de R$ 79.834.147,77; decorridos 6 meses (15/03/2007), PIMACO (ora recorrente) incorporou sua controladora (BFL) tendo como justificativas, segundo o Protocolo e Justificação de Incorporação do Acervo Líquido de BFL –, os seguintes pontos: i) maior capacidade financeira e patrimonial à incorporadora; ii) racionalização e simplificação de sua estrutura societária; iii) união de recursos empresariais e patrimônios envolvidos; iv) racionalização e simplificação da gestão; segundo o Termo de Verificação, BFL e PIMACO pertenciam aos mesmos sócios na ocasião da incorporação; a partir de então (abril/2007), a recorrente passou a amortizar o ágio. Ou seja, com a incorporação de sua controladora (BFL), a recorrente (PIMACO) passou, então, a deduzir do lucro real e da base de cálculo da CSLL despesas decorrentes da amortização do ágio recém introduzido em seu patrimônio, considerando que tal Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 19 18 prática estava amparada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, também contempladas no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), nos arts. 385 e 386. A respeito da figura do ágio, há que se dizer que seu conceito tributário foi introduzido no ordenamento brasileiro pelo DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. À época dos fatos discutidos nestes autos, dispunha o art. 20 do DecretoLei, antes de ter sua redação alterada pela Lei nº 12.973, de 13/05/2014: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. O art. 385 do RIR/1999 é basicamente uma cópia do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977. Em ambos os dispositivos, encontrase a determinação de que contribuintes que avaliam investimentos em sociedade controlada ou coligada pelo valor do patrimônio líquido registrem o ágio apurado na aquisição de participação societária em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Além disso, os dispositivos prevêem que tal ágio deve ser fundamentado em pelo menos um dos três fatores: a) valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao registrado na contabilidade; b) expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros ou; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Quando o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977 e o art. 385 do RIR/1999 afirmam que o destinatário das regras ali expostas é o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, estão se referindo ao método da equivalência patrimonial. Segundo tal método, as variações observadas nos patrimônios líquidos da sociedades coligadas ou controladas provocam reflexos nos valores dos investimentos registrados na investidora. Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 20 19 Observese o que dispõem os arts. 387 a 389 do RIR/1999, a respeito do método de equivalência patrimonial: Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até dois meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda; (...) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). (...) Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). (...) O art. 389 do RIR/1999 é explícito ao determinar que os resultados auferidos pelas empresas coligadas ou controladas não devem ser computados na determinação do resultado da investidora. Assim, lucros apurados em uma investida devem ser objeto de tributação somente no âmbito daquela empresa. Embora tenham o reflexo de majorar o valor do investimento registrado na investidora, os lucros da investida não devem integrar a base tributável da pessoa jurídica que nela detém participação societária, sob pena de configurarse hipótese de dupla tributação. Caso a investidora tenha registrado, em sua contabilidade, ágio decorrente da expectativa de rentabilidade futura da investida, concluise que a causa do pagamento a maior efetivamente se concretizou, mas foi tributada somente na coligada ou controlada. Sendo assim, não há que se cogitar de amortização do ágio na investidora, uma vez que não ocorre, nesta pessoa jurídica, tributação do resultado positivo da investida. Somente seria lógico falar em amortização daquele ágio caso a concretização do motivo que lhe deu causa, qual seja, a lucratividade futura da investida, tivesse reflexos tributários na pessoa jurídica que pagou a "mais valia". Dessa forma, o dispêndio a maior poderia ser gradativamente recuperado sob a forma de despesas dedutíveis, se os lucros que o motivaram provocassem um maior recolhimento de tributos nos períodos posteriores à aquisição do investimento. Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 21 20 Como, por determinação legal, não é esta a hipótese que se verifica no método de equivalência patrimonial, podese concluir que a regra geral é a da impossibilidade de utilização fiscal do ágio registrado na investidora. É o que reza expressamente o art. 391 do RIR/1999: Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). Existem, contudo, duas exceções a tal regra. A primeira delas é indicada pelo próprio art. 391, quando ressalva o disposto no art. 426 do mesmo RIR/1999: Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. A primeira exceção à regra da impossibilidade de aproveitamento tributário do ágio tratado pelo art. 385 do RIR/1999 diz respeito, portanto, à apuração de ganho ou perda de capital. Se o investimento que deu causa à "mais valia" for alienado ou liquidado, o ágio ou deságio registrados na contabilidade da controladora devem compor o custo de aquisição considerado no cálculo do resultado tributável da operação, sobre o qual incidirão IRPJ e CSLL. Já a segunda exceção, que interessa mais diretamente à discussão desenvolvida nos presentes autos, referese a transformações societárias envolvendo investidoras, investidas e o ágio associado aos investimentos. A respeito da evolução histórica das previsões legais que contemplaram a possibilidade de aproveitamento tributário do ágio em hipóteses de transformações societárias, remetome ao irretocável apanhado feito pelo nobre Conselheiro André Mendes de Moura no Acórdão nº 9101002.301: Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 22 21 "Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em fusão, incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada período base a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no inciso I, o valor contábil deveria ser maior do que o acervo líquido avaliado a preços de mercado, e tal situação se mostraria viável, especialmente, quando, imediatamente após à aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão. Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 23 22 Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagandose ágio, para, em logo em seguida, promover a incorporação da investidora pela investida. As operações ocorriam quase simultaneamente. E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação societária, sofreu alteração legislativa. Vale transcrever a Exposição de Motivos da MP nº 1.602, de 19971, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997. 11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária, mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Não vacilou a doutrina abalizada de LUÍS EDUARDO SCHOUERI2 ao discorrer, com precisão sobre o assunto: Anteriormente à edição da Lei nº 9.532/1997, não havia na legislação tributária nacional regulamentação relativa ao tratamento que deveria ser conferido ao ágio em hipóteses de incorporação envolvendo a pessoa jurídica que o pagou e a pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio. O que ocorria, na prática, era a consideração de que a incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do ágio, independentemente de sua fundamentação econômica. (...) Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei nº 9.532/1997, adveio um cenário diferente em matéria de dedução fiscal do ágio. Desde então, restringiramse as hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso de incorporação entre pessoas jurídicas, com a imposição de limites máximos de dedução em determinadas situações. 1 Exposição de Motivos publicada no Diário do Congresso Nacional nº 26, de 02/12/1997, pg. 18021 e segs, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo : Dialética, 2012, p. 66 e segs. Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 24 23 Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica que lhe seja conferida. Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista3 que trabalhou na edição da MP 1.609, de 19974: O artigo 8º altera as regras para determinação do ganho ou perda de capital na liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, quando agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas regras, os ágios existentes não mais serão computados como custo (amortizados pelo total), no ato de liquidação do investimento, como eram de acordo com as normas ora modificadas. O ágio ou deságio referente à diferença entre o valor de mercado dos bens absorvidos e o respectivo valor contábil, na empresa incorporada (inclusive a fusionada ou cindida), será registrado na própria conta de registro dos respectivos bens, a empresa incorporador (inclusive a resultante da fusão ou a que absorva o patrimônio da cindida), produzindo as repercussões próprias na depreciação normal. O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro poderá ser amortizado durante os cinco anoscalendário subsequentes à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de apuração. (...) Percebese que, em razão de um completo desvirtuamento do instituto, o legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, sobre situações específicas tratando de eventos de transformação societária envolvendo investidor e investida. Inclusive, no decorrer dos debates tratando do assunto, chegouse a cogitar que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal. Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria ter tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº 1.607, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997). Na realidade, a Exposição de Motivos deixa claro que a motivação para o dispositivo foi um maior controle sobre os planejamentos tributários abusivos, que descaracterizavam o ágio por meio de analogias completamente desprovidas de sustentação jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização." Depreendese da retrospectiva transcrita que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (produto da conversão da Medida Provisória nº 1.602/1997) foram erigidos pelo legislador com a específica finalidade de coibir a prática de planejamentos tributários abusivos em que empresas superavitárias adquiriam com ágio empresas deficitárias para serem em 3 Relatório da Comissão Mista publicada no Diário do Congresso Nacional nº 27, de 03/12/1997, pg. 18494, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 4 Na realidade, o número da Medida Provisória abordada é 1.602. Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 25 24 seguida incorporadas por elas. Tal incorporação reversa, também denominada de incorporação "às avessas", não tinha nenhum propósito negocial que não fosse a simples geração de ganhos de natureza tributária. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram integralmente incorporados ao RIR/1999 por meio de seu art. 386. Como este artigo faz referência expressa a dispositivos do art. 385 (cópia do já reproduzido art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977), transcrevemse ambos a seguir: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do §2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do §2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 26 25 razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. §1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §1º). §2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. §3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. §4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §4º). §5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §5º). §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. §7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no §2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 27 26 Verificase que os arts. 385 e 386 do RIR/1999 guardam uma relação indissociável entre si, uma vez que requisitos à aplicação do segundo artigo são extraídos diretamente da redação do primeiro. O art. 385, conforme já mencionado, estabelece duas regras principais. A primeira determina que o ágio apurado em uma aquisição de participação societária em sociedade controlada ou coligada seja registrado em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Já a segunda fixa os possíveis fundamentos econômicos do ágio pago na aquisição da participação societária (valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao registrado na contabilidade; expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros; fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas). Por fim, o artigo ainda prevê que o ágio fundamentado em valor de mercado dos bens do ativo da investida ou na expectativa de resultados futuros deve ser baseado em documentação comprobatória, devidamente arquivada. Já o art. 386 trata, entre outras coisas, da possibilidade de aproveitamento tributário do ágio decorrente do fundamento econômico previsto no inciso II do §2º do artigo anterior (valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros). O caput do art. 386 traz o primeiro requisito que deve ser cumprido para que seja possível o aproveitamento do ágio: uma pessoa jurídica deve absorver o patrimônio de uma segunda, em que detenha participação societária adquirida com ágio. A respeito deste primeiro requisito exigido pela norma, recorro novamente ao Acórdão nº 9101002.301, pela assertividade da análise ali desenvolvida: "Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA 5. Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. 5 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs. Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 28 27 Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 29 28 Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoa se o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI6, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Considerandose o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo, aperfeiçoase o lançamento fiscal e o termo inicial para contagem do prazo decadencial." 6 SCHOUERI, 2012, p. 62. Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 30 29 Concluise, portanto, que o art. 386 do RIR/1999, sob o aspecto pessoal, se dirige à investidora que vier a incorporar sua investida (ou por ela ser incorporada), após ter efetivamente acreditado na mais valia do investimento, feito os estudos de rentabilidade futura e desembolsado os recursos para a aquisição da participação societária (tanto o valor do principal quanto o do ágio). Ou seja, quando ocorre a incorporação é que se dá a subsunção do fato à norma e surge a prerrogativa de amortização do sobrepreço, pago em momento anterior pela investidora em razão da confiança na rentabilidade futura da investida. Destaquese que a regra se aplica tanto à incorporação da investida pela investidora quanto, no sentido inverso, à hipótese em que a investidora é que é incorporada por sua investida. Em ambos os casos, a lei exige que a investidora envolvida na incorporação seja a "original" ou stricto sensu (no sentido de que a originalidade está indissociavelmente ligada à pessoa jurídica que paga o ágio e, por isso mesmo, tem confiança na rentabilidade futura, pois é quem assume o risco). A situação em que a investida incorpora sua investidora é denominada de incorporação reversa ou ainda de incorporação "às avessas". A previsão da possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio nesta hipótese é trazida pelo §6º, inciso II, do art. 386 do RIR/1999. O dispositivo faz uso de uma técnica legislativa transitiva, indicando assim que o que vale para o caput do art. 386 do RIR/1999 vale também para o seu §6º. As premissas de exegese da norma não são afetadas, sendo necessárias apenas as devidas adaptações para contemplar a situação prevista. De forma correlata ao que se analisou quanto ao aspecto pessoal, a confusão de patrimônios, principal item do aspecto material para fins de enquadramento no art. 386 do RIR/1999, consumase quando, na sociedade incorporadora, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobreavaliado) passam a se comunicar diretamente (os riscos se fundem: o risco do investimento assim entendidos os recursos aportados e o risco do empreendimento). Compartilhando o mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual a pessoa jurídica detentora da "mais valia" (ágio) do investimento baseado na expectativa de rentabilidade futura passa a ser responsável também por honrar tal rentabilidade. Assim, a legislação permite que o contribuinte considere perdido o capital que foi investido com o ágio e deduza a despesa relativa à "mais valia". Configuração semelhante ocorre na incorporação reversa, na medida em que a pessoa jurídica responsável por gerar a rentabilidade esperada para o futuro passa a ser a detentora do ágio baseado na expectativa de tal rentabilidade. Sendo assim, pressupõese que a "mais valia" porventura contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participam da "confusão patrimonial". Para fins de acesso à dedutibilidade estabelecida pelo art. 386 do RIR/1999, a pessoa jurídica que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento deve incorporar tal investimento (incorporação da investida pela investidora) ou ser incorporada pela empresa em que investiu (incorporação "às avessas"). Em síntese, a subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material das hipóteses ali previstas. Na atual redação destes dispositivos, exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores (ou sacrifício de outros ativos) a título de Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 31 30 investimento da investidora (futura incorporadora ou, no caso da incorporação reversa, incorporada) na investida (futura incorporada ou, no caso da incorporação reversa, incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes da "confusão patrimonial", não há sentido em clamarse pela dedutibilidade das despesas decorrentes de amortização de ágio instituída pelo art. 386 do RIR/1999. No caso analisado nos presentes autos, é incontroverso que houve desembolso de valores por ocasião da aquisição das ações da recorrente (PIMACO). Também não se discute que tais valores superaram os valores contábeis das ações alienadas. A existência do ágio oriundo de tal operação não foi alvo de questionamento pela Fiscalização ou pela própria PGFN, nas contrarrazões que opôs ao recurso especial da contribuinte. Ocorre que os recursos financeiros utilizados na aquisição das ações da recorrente não pertenciam à BFL Participações e Empreendimentos, mas sim aos seus sócios controladores (grupo BIC), que realizaram, em agosto de 2006, aportes de recursos em torno de 100 milhões de reais na BFL, empresa que tinham acabado de criar no mês anterior, com o objetivo específico de realizar, por meio dela (BFL), a aquisição da empresa PIMACO (ora recorrente). Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. Sendo assim, a recorrente não fazia jus ao direito de deduzir as despesas decorrentes da amortização do ágio oriundo da operação levada a cabo em 05/09/2006. Como não foi a BFL que desembolsou os valores que deram origem ao ágio contábil, restou desatendido o aspecto pessoal da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999. O numerário que pagou pela aquisição das ações da recorrente, no ano de 2006, saiu dos ativos dos reais investidores: Grupo BIC. A empresa BFL, embora conste formalmente como a adquirente das ações da recorrente, não tinha lastro econômico para efetivamente realizar algum sacrifício patrimonial que justificasse a criação do ágio. Pertencia aos seus sócios controladores (Grupo BIC) a capacidade econômica para levar adiante o negócio de aquisição da PIMACO, e foram efetivamente esses sócios controladores que desembolsaram recursos para a aquisição das ações da PIMACO (ora recorrente). Observase, pela conjugação dos indícios e das características das operações societárias que se sucederam, que a participação da BFL foi antecipada e artificialmente concebida como forma de o grupo econômico recém formado poder posteriormente clamar pelo direito ao aproveitamento tributário do ágio previsto no art. 386 do RIR/1999. A constituição e os aportes de capital na BFL visaram exclusivamente à sua utilização como "empresa veículo": ela receberia os valores dos reais investidores (Grupo BIC), aplicaria tais riquezas na aquisição das ações da PIMACO e seria, em seguida, incorporada por esta. Verificase que a BFL teve duração efêmera e deixou como único legado a possibilidade de utilização indevida de um benefício fiscal, como é característico das "empresas veículos". Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 32 31 O voto que orientou o acórdão recorrido traz interessantes observações sobre a utilização da BFL como empresa veículo: Da análise do Termo de Verificação Fiscal, da decisão recorrida e do recurso voluntário apresentado, são incontroversos: A respeito de BFL: · teve vida efêmera (de 11/07/2006 a 30/04/2007); · a única operação realizada foi a aquisição de PIMACO (RECORRENTE), tendo sido, ao final, por esta incorporada; · era 100% controlada por empresas do Grupo BIC; · foi capitalizada em R$ 100.000.000,00 (aumento de capital) 13 dias antes da aquisição de PIMACO por R$ 96.000.000,00. Sem dúvida, esses são os fatos, frisese, incontroversos. A discussão posta gira em torno dos motivos e finalidades da criação de BFL. A Fiscalização é incisiva ao afirmar que o único propósito de BFL foi possibilitar que o ágio gerado na aquisição de PIMACO pudesse ser amortizado: BFL teria sido criada por seus sócios para adquirir PIMACO e ser por essa incorporada para que, mantendo as operações de PIMACO intactas e isoladas das demais empresas do grupo, o ágio pudesse reduzir o seu próprio resultado tributável, e, por conseguinte, reduzir o montante de IRPJ e CSLL devido. [...] [...] O argumento relativo a BFL ser uma sociedade empresária é deveras simplório, pois resta evidente que a autoridade fiscal apegouse a seu conteúdo material, e não às formalidades. Resta evidente que era uma simples “empresa de prateleira”, sem qualquer atividade operacional. O objetivo de sua constituição, sem dúvida, foi permitir a amortização do ágio, e, para tanto foi utilizada para adquirir o investimento com ágio e, em seguida, ser incorporada pela investida a fim de possibilitar a redução dos resultados tributáveis da RECORRENTE. No que atine aos propósitos trazidos para a incorporação, além de serem inerentes a qualquer operação de incorporação, há de se perguntar o porquê da alteração de panorama: todos esses objetivos de simplificação da estrutura societária, consolidação e redução de gastos e despesas não seriam necessárias se as reais adquirentes de PIMACO (Grupo BIC) tivessem feito, meses antes, a aquisição direta de suas ações. Aliás, quais despesas operacionais de BFL a que se referia um dos propósitos trazidos pela RECORRENTE para justificar o negócio, uma vez que essa não possuía qualquer atividade operacional? E a qual patrimônio se referia, se o que existia em BFL, de fato, era somente o investimento na própria RECORRENTE? Ora, não é crível que em poucos meses o mesmo grupo econômico justifique a criação de uma empresa para a aquisição de controle total de uma empresa e, ao final, altere completamente o seu comportamento justificando que se faz necessária a simplificação da estrutura do grupo econômico por meio da incorporação empresa recém criada pela própria Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 33 32 empresa investida. Tratase da máxima do venire contra factum proprium, ou seja, vedação ao comportamento contraditório. Ademais, em nenhum momento a RECORRENTE esclarece o porquê da criação de BFL. A pseudo justificativa trazida aos autos pode ser considerada um argumento sem conteúdo. A RECORRENTE deveria demonstrar algo bem simples: por que não se fez a aquisição de PIMACO diretamente pelas empresas do GRUPO BIC, sem a criação de BFL? A alegação de que necessitava manter as operações segregadas em nada interfere em minha conclusão: bastaria adquirir PIMACO diretamente, sem contudo, incorporála! Repisese: não há um só elemento objetivo trazido pela RECORRENTE que justifique o porquê da criação de BFL, empresa efêmera, que realizou um único negócio durante sua existência (a aquisição de PIMACO), servindo, sem sombra de dúvidas, para permitir a amortização de ágio. Outra finalidade deveria ser comprovada pela RECORRENTE, que não se desincumbiu de seu ônus probatório. Salientase que sem a utilização da denominada “empresas veículo” (BFL) não haveria amortização do ágio, pois tais valores deveriam compor o custo do investimento, conforme já abordado. Nesse contexto, é de pouco relevo se a “empresa veículo” efetivamente operava, ou se sua existência foi efêmera. O importante para a caracterização como conduit company foi a efemeridade de suas participações no negócio, em si. Em curto lapso, simplesmente por sua interposição em negócio jurídico, foi capaz de causar efeitos tributários, não em si mesma, mas na pessoa jurídica que efetivamente ocupava um dos polos da operação negocial perpetrada, no caso, a RECORRENTE. A empresa BFL foi incorporada pela recorrente, e esta, julgando que estaria configurada a "confusão patrimonial" entre o ágio e o investimento que lhe deu causa, passou a aproveitar as despesas da amortização do ágio para fins tributários. Ocorre que tal "confusão patrimonial", principal manifestação do aspecto material necessário à efetiva incidência da norma tributária prevista no art. 386 do RIR/1999, deve obrigatoriamente se dar entre a investida e a investidora originária, real. Por investidora originária, entendese aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição da participação societária. No caso sob análise, quem está nesse papel são os sócios controladores da BFL. Mas após as referidas operações societárias, o que se constata é que os reais investidores e a investida permaneceram como empresas apartadas. Com efeito, a PIMACO se manteve intacta e isolada das demais empresas do grupo BIC. Sendo assim, a amortização operada pelo recorrente não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou seja por ela incorporada. No caso dos autos, a investidora originária não participou de "confusão patrimonial" alguma. Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 34 33 Ainda que se analise a situação debatida nos autos sob outro enfoque, a conclusão alcançada continua sendo pela impossibilidade de utilização tributária do ágio pela recorrente. Tal aproveitamento tributário do ágio consiste, como já foi dito por diversas vezes, na dedução de despesas decorrentes de sua amortização na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fazse relevante, portanto, analisar o caso sob a perspectiva da teoria atinente às despesas que têm relevância fiscal. Uma vez mais, pedese vênia para transcreverse excerto extraído do Acórdão nº 9101002.301, por sua concisão e clareza: "Definido que o aproveitamento do ágio pode darse por meio de despesa de amortização, mostrase pertinente apreciar do que trata tal dispêndio. No RIR/99 (DecretoLei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização encontrase no Subtítulo II (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos). O artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I, das Disposições Gerais sobre as despesas: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/99. Percebese que a amortização constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99. Despesa Diante de Fatos Construídos Artificialmente No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou da vontade humana. O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social. Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 35 34 No que concerne ao direito tributário, são escolhidos fatos decorrentes da atividade econômica, financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em razão de atividades normais, que são eleitos porque guardam repercussão com a renda ou o patrimônio. São condutas relevantes de pessoas físicas ou jurídicas, de ordem econômica ou social, ocorridas no mundo dos fatos, que são colhidas pelo legislador que lhes confere uma qualificação jurídica. Por exemplo, o fato de auferir lucro, mediante operações espontâneas, das atividades operacionais da pessoa jurídica, amoldase à hipótese de incidência prevista pela norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos. Da mesma maneira, a pessoa jurídica, no contexto de suas atividades operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contratase um prestador de serviços, comprase uma mercadoria, operações necessárias à consecução das atividades da empresa, que surgem naturalmente. Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos à amortização do ágio, proliferaramse situações no qual se busca, especificamente, o enquadramento da norma permissiva de despesa. Tratamse de operações especificamente construídas, mediante inclusive utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional incompatível, com capital social mínimo, além de outras características completamente atípicas no contexto empresarial, que recebem aportes de milhões e em questão de dias ou meses são objeto de operações de transformação societária. Tais eventos podem receber qualificação jurídica e surtir efeitos nos ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros. Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há norma de despesa que recepcione uma situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. Admitindose uma construção artificial, consumarseia um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que seria conferida a uma determinada categoria de despesa uma premissa completamente diferente, uma liberalidade não aplicável à grande maioria dos contribuintes." Concluise, assim, que as despesas de amortização de ágio criado em operações como a encontrada nos presentes autos, atípicas e integrantes de um processo de planejamento tributário que tem a finalidade específica de criar artificialmente hipótese próxima à requerida pelo art. 386 do RIR/1999 (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997), não se revestem das características de necessidade, usualidade e normalidade requeridas para sua dedutibilidade. Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 9101003.612 CSRFT1 Fl. 36 35 Finalmente, registro que a contribuinte também trouxe em seu recurso especial argumentos sobre a multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Mas ela não suscitou divergência jurisprudencial em relação a essa matéria, com apresentação de paradigmas, demonstração analítica de divergência, etc. Apenas repetiu o mesmo texto que constava de seu recurso voluntário na fase processual anterior, de modo que não cabe simplesmente reexaminar a matéria, como se o recurso especial configurasse uma terceira instância administrativa, o que não é. Não é desconhecido por ninguém que o recurso especial tem cognição restrita. Desse modo, diante de tudo o que foi exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1714DF CARF MF
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