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Numero do processo: 10935.907081/2011-44
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 12/04/2001 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-005.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 12/04/2001 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2    (Assinado Digitalmente)  Jorge Victor Rodrigues ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  João  Alfredo  Eduão  Ferreira,  Juliano  Eduardo  Lirani,  Hélcio  Lafetá  Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.      Relatório  O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070759),  indeferiu o  Per/DComp transmitida em 12/04/2001, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado,  o  crédito  nele  informado  foi  integralmente  utilizado  no  pagamento  de  outros  débitos,  não  restando saldo credor para a restituição pleiteada.    Manifestando  a  sua  inconformidade  a  contribuinte  alegou  que  apurou  as  contribuições  ao  PIS  e  à Cofins,  com  base  no  art.  3º  da  então  vigente  Lei  nº  9.718/98;  que  ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal,  por meio do RE 346.084,  julgou  inconstitucional a ampliação da base de cálculo  trazido por  esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de  planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita  da  venda  de mercadorias,  da  prestação  de  serviços  e  outras  receitas  –  financeiras,  aluguéis,  recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o  pagamento  do  valor  apurado.  Ao  final  postula  pela  restituição  dos  valores  pagos  a maior  a  título de PIS, nos  termos  do  art.  165 do Código Tributário Nacional  e  art.  2º,  III,  ‘c’,  da  IN  RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic.    Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 06­40.329,  a  decisão  proferida  pela  3ª  Turma  DRJ/CTA  indeferiu  a  manifestação  de  inconformidade  aviada, consoante transcrição da ementa a seguir    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do Fato Gerador: 12/04/2001  PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF.  É  perfeitamente  aplicável  a  disposição  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez  que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de  cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo  Fl. 53DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907081/2011­44  Acórdão n.º 3803­005.583  S3­TE03  Fl. 7          3  as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso  Extraordinário.    Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitou­se à alegação de  que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas  inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo  inconstitucional  contido  no  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  o  mesmo  era  perfeitamente  aplicável;  e  que  as  condições  para  o  afastamento  da  aplicação  da  norma  julgada  inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97,  o que  fez em observância ao disposto no artigo 26­A do Decreto nº 70.235/72, com redação  dada pela Lei nº 11.941/09.    Por  tal  razão  deixou  o  voto  condutor  de  reconhecer  o  direito  creditório  pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada.    No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos  autos  provas  do  direito  alegado,  eis  que  a  contribuinte  não  demonstrou  fazer  parte  de  ação  judicial  na  qual  foi  declarada  a  inconstitucionalidade  do  dispositivo  informado  na  peça  inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de  forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor  do  artigo  147,  §  1º,  do  CTN,  eis  que  incumbe  à  interessada  trazer  aos  autos  junto  à  peça  contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao  art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72.    Cientificado  do  teor  da  decisão  de  primeira  instância  por meio  de  AR  em  29/04/2013  e,  com  ela  irresignado,  o  contribuinte  ingressou  com  Recurso  Voluntário  em  17/05/2013,  reiterando  os  termos  expendidos  na  exordial,  de  forma minudente,  para  pugnar  pela reforma da decisão hostilizada.    É o relatório.        Voto             Jorge Victor Rodrigues ­ Relator  Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4    O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade,  dele conheço.    O  apelo  devolvido  a  esta  Corte  versa  acerca  da  inconstitucionalidade  da  ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da  liquidez e certeza do  crédito,  cuja  restituição  foi  suscitada  pela  contribuinte,  com  a  devida  atualização  de  acordo  com a taxa Selic.    O Supremo Tribunal  Federal  – STF,  reconheceu  a  inconstitucionalidade  da  ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e  em  decisão  unânime,  o  Plenário  resolveu  a  questão  de  ordem  constitucional  no  sentido  de  reconhecer  a  repercussão  geral,  para  reafirmar  a  jurisprudência  do  Tribunal  acerca  da  inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confira­se:    RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL.  PIS.  COFINS.  Alargamento  da  base  de  cálculo.  Art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR,  Rel.  orig.  Min.  ILMAR  GALVÃO,  DJ  de  1º.09.2006;  REs  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  Rel.  Min.  Marco  Aurélio,  DJ  de  18.08.2006)  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário.  Recurso  Improvido.  É  inconstitucional  a  ampliação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  prevista  no  art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98.  (RE  585235/MG,  Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008).    Nos  julgamentos  realizados  no  âmbito  do  CARF  a  regulação  acerca  deste  tema encontra supedâneo no disposto artigo 62­A do RICARF/09, que assim estabelece:    Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática prevista pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11  de  janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.    Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me  pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62­A do Regimento Interno do CARF/09,  e  igualmente  o  faço  nesta  oportunidade,  com  o  fito  de  solucionar  a  questão  atinente  ao  reconhecimento do direito alegado pela Recorrente.    Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907081/2011­44  Acórdão n.º 3803­005.583  S3­TE03  Fl. 8          5  No  que  atine  à  questão  probatória,  bem  se  vê  que  a  decisão  a  quo  esteve  silente  em  relação  à  eficácia  da  planilha  e  dos  DARF’s  correspondentes,  colacionados  aos  autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade.  Quanto a este aspecto o aresto recorrido  limitou­se a  indicar a ausência nos  autos  de  documentos  “inominados”  e  de  livros  fiscais,  que  demonstrassem  de  forma  inequívoca,  a base de  cálculo utilizada para o pagamento  a maior da contribuição,  a  teor do  artigo  147,  §  1º,  do  CTN.  Logo,  a  conclusão  a  que  chegou  a  referida  decisão  é  que  os  documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a  legitimidade de sua pretensão.    Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o  bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do  crédito  alegado,  assiste  razão  ao  juízo  a  quo,  eis  que  aos  mesmos  deveriam  se  somar,  no  mínimo,  as  DCTF’s  correspondentes  e  o  Livro  Razão  relacionados  ao  período  de  apuração  objeto  do  pedido  de  restituição,  em  observância  aos  princípios  da  segurança  jurídica,  da  verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88.    É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por  se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez  e certeza do crédito tributário alegado.   Por  sua  vez  à  autoridade  administrativa  cabe  a  verificação  da  existência  e  regularidade  desse  direito, mediante  o  exame  de  provas  hábeis,  idôneas  e  suficientes  a  essa  comprovação.  Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas  com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê­lo em outro  momento  processual,  ressalvadas  as  situações  previstas  nas  hipóteses  previstas  no  §  4o  do  artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou.  Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal  vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430,  de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas.  Com  tais  observações  oriento  o  meu  voto  para  NEGAR  provimento  ao  recurso interposto.    É assim que voto.    Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2014.    Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6  Jorge Victor Rodrigues – Relator.                                  Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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5581725 #
Numero do processo: 10950.001079/2003-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE. No regime alternativo de apuração do crédito presumido de IPI, não é possível o aproveitamento de crédito presumido nas aquisições efetuadas de pessoas físicas, por disposição expressa contida na Lei nº 10.276/2001. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO PRÓPRIA DE CANA-DE-AÇÚCAR. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. No crédito presumido de IPI de que tratam as Leis nº 10.276/2001 e 9.363/96, o conceito de insumos advém da legislação do IPI. Nesta condição deve ser observado o contido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30/10/1979. Desta forma, os insumos admitidos, para cálculo do benefício, são somente aqueles adquiridos para utilização no processo industrial para exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Na apuração do crédito presumido do IPI, devem ser incluídos os produtos químicos adquiridos e utilizados no processo produtivo do açúcar, que se caracterizarem como produto intermediário no conceito estrito constante do Parecer Normativo CST nº 65/79. CRÉDITO SOBRE TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIA-PRIMA ENTRE FILIAIS. GLOSA. PROCEDÊNCIA. O art. 1º da Lei nº 9.363/96 prevê o crédito presumido incidente nas aquisições de matéria-prima. A transferência de matérias-primas entre estabelecimentos da mesma empresa não corresponde a uma aquisição, pois não há transferência de titularidade do bem. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. Havendo oposição ilegítima do Fisco para utilização do crédito presumido do IPI por uma das formas permitidas na legislação, incidem juros calculados pela taxa Selic a partir da data do pedido até a sua efetiva disponibilização. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez Lopez, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Samuel Luiz Manzotti Riemma, que davam provimento parcial em maior extensão. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Denise da Silveira de Aquino Costa, OAB/SC nº 10.264. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Samuel Luiz Manzotti Riemma, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE. No regime alternativo de apuração do crédito presumido de IPI, não é possível o aproveitamento de crédito presumido nas aquisições efetuadas de pessoas físicas, por disposição expressa contida na Lei nº 10.276/2001. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO PRÓPRIA DE CANA-DE-AÇÚCAR. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. No crédito presumido de IPI de que tratam as Leis nº 10.276/2001 e 9.363/96, o conceito de insumos advém da legislação do IPI. Nesta condição deve ser observado o contido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30/10/1979. Desta forma, os insumos admitidos, para cálculo do benefício, são somente aqueles adquiridos para utilização no processo industrial para exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Na apuração do crédito presumido do IPI, devem ser incluídos os produtos químicos adquiridos e utilizados no processo produtivo do açúcar, que se caracterizarem como produto intermediário no conceito estrito constante do Parecer Normativo CST nº 65/79. CRÉDITO SOBRE TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIA-PRIMA ENTRE FILIAIS. GLOSA. PROCEDÊNCIA. O art. 1º da Lei nº 9.363/96 prevê o crédito presumido incidente nas aquisições de matéria-prima. A transferência de matérias-primas entre estabelecimentos da mesma empresa não corresponde a uma aquisição, pois não há transferência de titularidade do bem. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. Havendo oposição ilegítima do Fisco para utilização do crédito presumido do IPI por uma das formas permitidas na legislação, incidem juros calculados pela taxa Selic a partir da data do pedido até a sua efetiva disponibilização. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez Lopez, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Samuel Luiz Manzotti Riemma, que davam provimento parcial em maior extensão. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Denise da Silveira de Aquino Costa, OAB/SC nº 10.264. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Samuel Luiz Manzotti Riemma, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/2003­61  Acórdão n.º 3301­002.406  S3­C3T1  Fl. 497          2 RESSARCIMENTO.  JUROS  SELIC.  INCIDÊNCIA.  OPOSIÇÃO  ILEGÍTIMA DO FISCO.  Havendo oposição ilegítima do Fisco para utilização do crédito presumido do  IPI  por  uma das  formas  permitidas  na  legislação,  incidem  juros  calculados  pela taxa Selic a partir da data do pedido até a sua efetiva disponibilização.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez Lopez,  Jacques Maurício  Ferreira Veloso de Melo e Samuel Luiz Manzotti Riemma, que davam provimento parcial em  maior extensão. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Denise da Silveira de Aquino  Costa, OAB/SC nº 10.264.  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente.   Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Maria  Teresa  Martinez  Lopez,  José  Paulo  Puiatti,  Samuel  Luiz  Manzotti  Riemma,  Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.  Fl. 497DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/2003­61  Acórdão n.º 3301­002.406  S3­C3T1  Fl. 498          3 Relatório  Por  economia  processual  e  por  bem  relatar  os  fatos  até  aquele  momento,  adoto o relatório elaborado pela DRJ/Ribeirão Preto, por ocasião do acórdão recorrido, abaixo  transcrito.  Trata­se de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante  Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal de Maringá (fls.  277/287), que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de IPI e homologou as  compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido.  A contribuinte solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI de que  tratam  a  Lei  nº  9.363/96  e  a  Lei  nº  10.276/2001,  no  valor  de  R$  1.062.482,82,  relativamente ao 1º trimestre de 2003. Apresentou também, um DCP retificador com  o cálculo do benefício total de R$ 1.333.645,91 (cópia às fls. 96/100).  O  pedido  de  ressarcimento  foi  deferido  parcialmente,  em  virtude  de  retificações  efetuadas  no  cálculo  do  crédito  presumido,  tendo  sido  reconhecido  o  direito  creditório  total  de  R$  119.690,77.  A  autoridade  fiscal  excluiu  do  cálculo  todos os materiais que não se enquadravam no conceito especificado pela legislação  do IPI para matérias­primas, produtos intermediários e material de embalagem, bem  como  aquelas  aquisições  de  produtos  não  onerados  pelo  PIS  e COFINS,  como  as  aquisições de cana­de­açúcar de pessoas físicas.  Além  dos  débitos  declarados  no  presente  processo,  foram  transferidos  para  esse  processo  os  débitos  constantes  do  processo  administrativo  nº  10950.001261/2003­12,  tendo  em  vista  a  utilização  do  mesmo  crédito  para  as  compensações declaradas.  Regularmente  cientificada,  a  postulante  apresentou  manifestação  de  inconformidade de fls. 293/323, alegando, em resumo, o seguinte:  1. Inicialmente, requer o apensamento do presente processo com o processo nº  10950.001261/2003­12;  2.  Apresentou  planilha  demonstrativa  classificando  todos  os  insumos  utilizados  no  processo  produtivo,  conforme  os  grupos:  insumos  defensivos  uso  agrícola,  insumos  uso  industrial,  lubrificantes  uso  industrial,  lubrificantes  uso  agrícola, combustíveis, peças e materiais de manutenção industrial, peças e materiais  de  manutenção  de  máquinas  agrícolas,  peças  e  materiais  de  manutenção  de  caminhões, materiais  diversos,  cana  de  açúcar  adquirida  de  pessoa  física,  cana  de  açúcar adquirida de pessoa  jurídica e materiais de manutenção geral e outros  itens  industriais;  3. Defende a inclusão das aquisições de cana de açúcar de pessoas física, pois  os atos administrativos não podem limitar o que a lei não limita;  4.  Defende  a  inclusão  dos  valores  relativos  às  aquisições  de  insumos  e  defensivos  agrícolas  aplicados  na  produção  de  cana  própria,  por  se  tratar  de  atividade  agro­industrial;  concorda  com  a  exclusão  dos  insumos  utilizados  na  formação da lavoura, mas discorda da exclusão dos insumos utilizados no cultivo da  cana;  Fl. 498DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/2003­61  Acórdão n.º 3301­002.406  S3­C3T1  Fl. 499          4 5.  As  demais  exclusões  referem­se  a  produtos  intermediários  aplicados  no  processo produtivo e que devem ser incluídos no cálculo;  6. Não  havia  justificativa  para  excluir  o  valor  das  transferências  do  cálculo  dos  insumos,  pois  o  art.  2º  da Lei  n°  9.363/96  determina  como base  de  cálculo  o  total  das  aquisições,  não  existindo  qualquer  menção  legal  de  exclusão  das  transferências;  7. Requer a atualização do valor do ressarcimento pela taxa Selic.   Por fim, requereu o reconhecimento ao crédito objeto do presente processo.  Ao  analisar  referida  manifestação  de  inconformidade  a  2ª  Turma  da  DRJ/Ribeião Preto­SP, proferiu o Acórdão nº 14­22.122, de 28/01/2009, assim ementado:  Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA.  Os  valores  referentes  às  aquisições  de  insumos  de  pessoas  físicas,  não­contribuintes  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  não  integram  o  cálculo  do  crédito  presumido  por  falta  de  previsão  legal.  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATIVIDADE AGRÍCOLA.  A  legislação  referente  ao  crédito  presumido  somente  admite  a  inclusão  dos  insumos  aplicados  na  produção  industrial,  não  contemplando  os materiais  aplicados  na  produção  de  cana­de­ açúcar, por se tratar de atividade agrícola.  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS.  Os  conceitos  de  produção,  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  são  os  admitidos  na  legislação aplicável ao IPI, não abrangendo os produtos que não  tiveram  contato  físico  direto,  nem  exerceram  diretamente  ação  no produto industrializado, bem como, não incluem os materiais  destinados ao ativo permanente.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  JUROS  PELA  TAXA  SELIC.  IMPOSSIBILIDADE.  Inexiste  previsão  legal  para  abonar  atualização  monetária  ou  acréscimo de  juros  equivalentes à  taxa SELIC a  valores objeto  de ressarcimento de crédito de IPI.  Solicitação Indeferida.  Não  concordando  com  referida  decisão  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário, por meio do qual maneja basicamente as mesmas questões trazidas em sede de sua  manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Fl. 499DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/2003­61  Acórdão n.º 3301­002.406  S3­C3T1  Fl. 500          5 Voto             Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal  O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de  admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento.  Inicialmente,  em atendimento  ao despacho de  fl.  494, não vejo  razões para  negar  o  pedido  de  desistência  parcial  formulado  pelo  contribuinte  às  fls.  472/475.  Assim  a  DRF/Maringá,  deve  tomar  as  providências  necessárias  para  o  controle  correspondente  aos  créditos ali consignados.  Abordarei as questões na mesma seqüência trazida pelo recurso voluntário e  que foi também adotada na decisão recorrida.  AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS­PRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS  A  fiscalização  e  a  DRJ  entenderam  que  o  valor  das  matérias­primas  adquiridas diretamente de pessoas físicas não compõem a base de cálculo do crédito presumido  de IPI, pois não sendo eles contribuintes do PIS e da Cofins, não haveria o que ressarcir.  O contribuinte por  sua vez, cita  jurisprudência administrativa no sentido de  que as Instruções Normativas SRF 23/97 e as que a sucederam não poderiam efetuar restrições  que não estavam contidas na Lei nº 9.363/96 e que a Lei nº 10.276/2001 não trouxe qualquer  alteração significativa para que houvesse mudança no entendimento.  Não  concordo  com  a  posição  do  contribuinte.  Quando  o  pedido  de  ressarcimento do crédito presumido é efetuado somente ao amparo da Lei nº 9.363/96, teríamos  que seguir o que o STJ decidiu no RESP nº 993164, que foi julgado pela sistemática do recurso  repetitivo  –  art.  543­C  do  CPC.  Na  oportunidade  foi  dedicido  que  a  IN  SRF  nº  23/97  não  poderia fazer restrições que a própria Lei nº 9.363/96 não tinha efetuado.  Porém, no presente caso, o contribuinte optou pelo regime alternativo da Lei  nº 10.276/2001 que foi regulamentada pela IN SRF nº 315/2003 a qual não foi infirmada pela  decisão do STJ. Ao contrário da afirmação do contribuinte entendo que a Lei nº 10.276/2001  trouxe expressamente esta vedação. Veja o que dispõe o § 1º do art. 1º desta lei:  “(...)  §  1º  A  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  será  o  somatório  dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições  referidas no caput:  I – de aquisição de insumos, correspondentes a matérias­primas,  a  produtos  intermediários  e  a  materiais  de  embalagem,  bem  assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado  interno e utilizados no processo produtivo;  Fl. 500DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/2003­61  Acórdão n.º 3301­002.406  S3­C3T1  Fl. 501          6 II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente  de  industrialização  por  encomenda,  na  hipótese  em  que  o  encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação  deste imposto. (...)”  Assim, não há como aceitar o aproveitamento do crédito presumido sobre as  aquisições  efetuadas  de  pessoas  físicas  em  decorrência  de  disposição  expressa  da  lei.  No  regime  alternativo  a  própria  lei  instituidora  estabelece  que  somente  as  aquisições  sujeitas  à  incidência  das  contribuições  é  que  estão  aptas  a  integrarem  a  base  de  cálculo  do  crédito  presumido.  MATERIAIS APLICADOS NA PRODUÇÃO PRÓPRIA DE CANA­ DE­AÇÚCAR  A  fiscalização  excluiu  o  valor  das  aquisições  de  insumos  e  defensivos  utilizados  na  formação  e  no  cultivo  da  cana­de­açúcar.  A  interessada  aceitou  a  glosa  das  aquisições de insumos aplicados na formação da lavoura, mas questionou a glosa dos materiais  aplicados no cultivo de cana­de­açúcar própria, por se tratar de atividade agro­industrial.  Em  apertada  síntese  o  contribuinte  defende  o  creditamento  na  aquisição  destes  insumos pois o  fundamento do crédito presumido seria a desoneração da exportação e  não  haveria  razão  para  segmentar  o  processo  produtivo,  de  forma  a  onerar  ainda mais  setor  agroindustrial. Relata que o processo produtivo do açúcar integram a atividade rural, produção  da cana­de­açúcar e industrial, produção do açúcar.  De fato são argumentos coerentes, porém desvinculados do arcabouço  legal  que permitiu e autorizou o crédito presumido do IPI. O § 5º do art. 1º da Lei nº 10.276/2001  determinou que se aplica ao regime alternativo de aproveitamento do crédito presumido de IPI  todas as demais noras estabelecidas na Lei nº 9.363/96.  (...)  §  5o Aplicam­se  ao  crédito  presumido  determinado  na  forma  deste  artigo  todas  as  demais  normas  estabelecidas  na Lei  no 9.363, de 1996.  (...)  Veja  o  que  dispõe  a  Lei  nº  9.363/96,  a  respeito  da  composição  do  crédito  presumido:  "Art.  1º.  A  empresa  produtora  e  exportadora  de  mercadorias  nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  como  ressarcimento  das  contribuições de que tratam as Leis complementares nºs 7, de 7  de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30  de  dezembro  de  1991,  incidentes  sobre  as  respectivas  aquisições,  no mercado  interno,  de matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  para  utilização  no  processo produtivo." (Destaquei).  (...)  Fl. 501DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/2003­61  Acórdão n.º 3301­002.406  S3­C3T1  Fl. 502          7 Art.  3º  Para  os  efeitos  desta  Lei,  a  apuração  do  montante  da  receita  operacional  bruta,  da  receita  de  exportação  e  do  valor  das  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  será  efetuada nos  termos  das  normas  que  regem  a  incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista  o valor constante na respectiva nota fiscal de venda emitida pelo  fornecedor ao produtor exportador.  Parágrafo único. Utilizar­se­á, subsidiariamente, a legislação do  Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados  para  o  estabelecimento,  respectivamente,  dos  conceitos  de  receita  operacional  bruta  e  de  produção,  matéria­prima,  produtos intermediários e material de embalagem.(Destaquei).  Portanto  está  claro  que  este  é  um  benefício  fiscal  instituído  pela  Lei  nº  9.363/96,  a  qual  delimitou  a  sua  utilização.  Assim,  o  crédito  presumido  de  IPI  é  calculado  sobre  as  aquisições  de  matéria­prima,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  utilizadas no processo produtivo do produto exportado, que aqui no caso é o açúcar. A própria  lei determinou que os conceitos de  insumos e de produção são os definidos na  legislação do  IPI.  Por sua vez a legislação do IPI, art. 82, inc. I do Decreto nº 87.981/82, cuja  redação foi mantida nos regulamentos posteriores, estabeleceu que se incluem no conceito de  matéria­prima e produto intermediário os bens que, embora não se integrando ao novo produto,  sejam  consumidos  no  processo  de  industrialização,  salvo  se  compreendidos  no  ativo  permanente.  O  Parecer  Normativo  CST  nº  65,  de  06/11/79,  colacionado  no  acórdão  recorrido,  firmou o entendimento, amplamente adotado por este órgão  julgador, de que além  das  matérias­primas  e  produtos  intermediários  “stricto  sensu”  ,  também  se  integram  no  conceito, gerando direito ao crédito, aqueles que se consumirem em decorrência de uma ação  direta  sobre  o  produto  em  fabricação. Ou  seja,  o  conceito  de  insumo  na  legislação  do  IPI  é  restrito  às matérias­primas  e produtos  intermediários que se  consomem de maneira direta no  processo produtivo.  Diante desta premissa, não há como acatar  créditos decorrentes de  insumos  utilizados na produção própria da cana­de­açúcar, por absoluta falta de previsão legal. A Lei nº  9.363/96  não  autorizou  crédito  presumido  de  IPI  na  aquisição  de  quaisquer  insumos,  não  estando amparadas as  aquisições de produtos não  relacionados diretamente com a  fabricação  do produto exportado.  MATERIAIS  APLICADOS  NO  PROCESSO  INDUSTRIAL  DO  AÇÚCAR  No recurso voluntário o contribuinte faz alusão de que o despacho decisório  teria efetuado glosas genéricas em decorrência da “não apresentação das memórias de cálculos  que vincule os gastos relativos a peças e materiais utilizados na manutenção industrial”. Esta  afirmação não é verdadeira. Não consta esta afirmação no despacho decisório. Presumo que o  recorrente  tenha  se  confundido  em  face  de  que  possui  diversos  processos  sobre  este mesmo  assunto relativos a outros períodos de apuração.  Fl. 502DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/2003­61  Acórdão n.º 3301­002.406  S3­C3T1  Fl. 503          8 O  despacho  decisório  separou  os  grupos  de  insumos  sobre  os  quais  o  contribuinte pretendia apropriar­se do crédito presumido e foi específico em acatar somente os  insumos constantes do grupo 06 – “Peças e Materiais – Manutenção Industrial” e do grupo 13 –  “Matéria  Prima  (Cana­de­Açúcar)  –  P.  Jurídica”. Os  insumos  correspondentes  a  cada  grupo  estão  detalhados  em  planilhas  específicas,  inclusive  com  os  respectivos  valores  por  mês  de  apuração.  Analisando  os  respectivos  grupos  que  foram  objetos  de  glosa,  pode  se  concluir  que  efetivamente  não  tratam­se  de  insumos  da  produção  industrial  nos  termos  já  citados na análise do tópico anterior. Veja a composição dos grupos:  Grupo­1 – Insumos Defensivos Uso Agrícola – Não dão direito a crédito cuja  análise já foi abordada no tópico anterior;  Grupo  –2  –  Insumos Uso  Industrial  – Vou  fazer  uma  análise  a  parte  deste  grupo logo a seguir;  Grupo  –  3  –  Lubrificantes  Usos  Industriais  –  Naturalmente  que  não  são  insumos no conceito determinado pela legislação do IPI, cuja definição foi exposta na análise  do tópico anterior. O seu consumo não pode ser visto como produto intermediário pois não se  consomem em ação direta sobre o produto em fabricação;  Grupo  –  4  –  Lubrificantes  Uso  Agrícola  ­  Não  dão  direito  a  crédito  cuja  análise já foi abordada no tópico anterior;  Grupo – 5 – Combustíveis – Conforme planilhas, trata­se de óleo diesel que é  utilizado nas máquinas, tratores, caminhões, etc. desde a implantação da lavoura canavieira até  o transporte final da cana até a sua entrada na indústria, portanto não são utilizados no processo  produtivo, nos termos em que dispõe a Lei nº 10.276/2001.  Grupo – 6 – Peças e Materiais – Manutenção Industrial – De acordo com o  despacho decisório não houve glosa de créditos dos itens em questão;  Grupo  –  7  – Peças  e Materiais  – Manut. Máqs. Agríc.  ­ Não  dão  direito  a  crédito cuja análise já foi abordada no tópico anterior;  Grupo  –  8  –  Peças  e Materiais  –  Manut.  Caminhões  –  Não  dão  direito  a  crédito por não serem insumos relacionados ao processo produtivo do açúcar;  Grupo  –  9  – Materiais  Diversos  –  Exemplos  de  produtos  deste  grupo  são:  aparelho  telefônico,  assento  sanitário,  bateria  p/  rádio  portátil,  boletim  de  jurisprudência,  cadeado, botas de segurança, cartucho de impressora, etc. Evidente que são produtos que não  se integram ao processo produtivo;  Grupo – 10 – Matéria­Prima (Cana­de­Açúcar) – P. Física – Não dão direito  a crédito conforme análise efetuada em tópico anterior.  Grupo 11 – Manutenção Geral e Outros Itens Industriais – Exemplos de itens  deste grupo: alicate universal, chave estrela, disjuntor, interruptor, prego, etc. Evidente que são  produtos que não se integram ao processo produtivo;  Fl. 503DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/2003­61  Acórdão n.º 3301­002.406  S3­C3T1  Fl. 504          9 Grupo 13 – Matéria­Prima (Cana­de­Açúcar) – P. Jurídica – De acordo com o  despacho  decisório  foi  concedido  o  crédito  nas  aquisições  de  cana­de­açúcar  de  pessoas  jurídicas.  Os  valores  glosadas  nesta  rubrica  foram  somente  os  decorrentes  de  transferência  entre filiais, que será objeto de análise específica mais adiante.  Ficou pendente somente a análise do grupo 2 que se refere a insumos de uso  industrial,  cuja  glosa  pelo  despacho  decisório  foi  integral.  Neste  sentido,  peço  vênia  para  utilizar  parte  do  voto  do  Conselheiro  Antônio  Carlos  Atulim  proferido  no  processo  nº  10950.004312/2008­72,  deste  mesmo  contribuinte,  cuja  matéria  é  semelhante  ao  presente  processo. Trata­se do Acórdão nº 3403­001.949, de 19/03/2013.  (...)  “Assim, resta analisar os produtos citados no parecer técnico da recorrente, na  parte  em  que  descreveu  o  processo  da  fase  industrial.  Para  que  os  produtos  intermediários  empregados  nesta  fase  possam  gerar  créditos  do  imposto  é  preciso  que se consumam em contato direto com o açúcar e o álcool em fabricação e que  não sejam passíveis de ativação obrigatória.  A  análise  do  parecer  técnico  da  recorrente  revela  que  a  preocupação  da  assessoria  técnica  foi  demonstrar  que  o  consumo  dos  produtos  intermediários  ocorreu no processo produtivo do açúcar e do álcool e não que esse consumo se deu  em  contato  físico  direto  com  os  produtos  fabricados,  tal  como  exige  o  Parecer  Normativo CST nº 65/79.  Também não  houve  nenhuma preocupação  do  parecerista  em demonstrar  se  esses produtos preenchiam ou não os requisitos que obrigam o contribuinte a ativá­ los.  Contudo  a  leitura  de  certos  detalhes  encontrados  na  redação  do  parecer  e  o  uso do senso  comum permitem verificar  se os produtos  intermediários  são ou não  consumidos em contato físico direto com os produtos em fabricação.  Exemplo disso são os lubrificantes e o grafite em pó, que segundo o parecer  são  empregados  nas  moendas,  bomba  centrífuga,  bomba  helicoidal,  redutor  de  velocidade, compressor de ar, turbina e centrífuga de ar (fotos na fl. 891). Tratando­ se  de  produtos  destinados  à  lubrificação  das  máquinas,  é  óbvio  que  não  são  consumidos  em contato direto com o açúcar  e o  álcool  produzidos,  caso contrário  contaminariam  esses  produtos  e  tornariam  o  açúcar  imprestável  para  o  consumo  humano e o álcool impróprio para ser empregado em motores de combustão interna.  Assim,  é  evidente  que  os  lubrificantes  e  o  pó  de  grafite  empregados  na  fase  industrial não se enquadram no Parecer Normativo CST nº 65/79.  O mesmo se diga quanto à maioria dos materiais citados no parecer (material  de  proteção  individual;  correias  e  correntes  transportadoras;  rolamentos;  arruelas;  parafusos;  porcas;  discos  de  desbaste,  de  corte,  lixas  e  esmeril;  gases  acetileno,  argônio, oxigênio, star gold C25 e GLP; chapas de aço­carbono; soldas; eletrodos;  taliscas de  aço­carbono;  juntas de borracha;  rosetas; gaxetas grafitadas; mangueira  hidráulica; etc.). As descrições das etapas em que se subdivide o processo industrial  revelam que esses produtos são destinados à manutenção dos bens de produção da  empresa, pois são consumidos como decorrência do desgaste natural do maquinário,  por  atritos,  movimentos  e  choques  de  uns  em  relação  aos  outros  e  não  por  ação  direta  sobre  o  açúcar  e  o  álcool  em  fabricação.  Não  estão  aptos  a  gerar  crédito  presumido, pois não se enquadram no Parecer Normativo CST nº 65/79.  Fl. 504DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/2003­61  Acórdão n.º 3301­002.406  S3­C3T1  Fl. 505          10 Por outro lado, leitura do mesmo parecer revela que alguns produtos químicos  são  de  fato  consumidos  em  contato  direto  com  o  açúcar  em  fabricação,  pois  são  adicionados  diretamente  ao  caldo  da  cana  para  regular  o  pH,  eliminar  espumas,  eliminar bactérias, facilitar a floculação ou a decantação.  Além disso, o  fato de serem produtos que são adicionados ao caldo da cana  nas diversas fases do processo, permite inferir que esses produtos químicos não são  de  ativação  obrigatória,  pois  são  consumidos  em prazo  inferior  a  um  ano. Não  se  olvide que a safra da cana­de­açúcar dura em torno de 6 a 7 meses (nas regiões sul e  sudeste vai de maio a novembro de cada ano).  O  texto  do  parecer  permite  identificar  que  os  seguintes  produtos  químicos  estão aptos a serem incluídos na base de cálculo do crédito presumido: cal virgem  utilizada  na  regulação  do  pH  e  na  lavagem  da  cana  na  mesa  alimentadora;  bactericida pulverizado desde  a  esteira 1  até o 6º  terno  (conjunto de  três  cilindros  espremedores)  para  eliminar  agentes  contaminantes  do  processo  de  produção;  bactericida organossulfuroso ou quaternário de amônia, aplicado no tanque de caldo  misto;  antiespumante  aplicado  sobre  a  espuma  formada  quando  o  tanque  está  próximo  ao  transbordamento;  anidrido  sulfuroso  gasoso  (SO2enxofre)  aplicado ao  caldo misto na  torre de sulfitação para aumentar a acidez e clarificar o açúcar; cal  virgem e ácido fosfórico adicionados ao tanque de caldo caleado; polímero aplicado  nos decantadores de sólidos e filtro de lodo para facilitar a precipitação dos sólidos;  alcalinizante de vapor e antincrustante adicionados ao caldo pré­evaporado no pré­ evaporador;  modificador  de  viscosidade  utilizado  nos  cozedores  a  vácuo  e  cristalizadores.  Cabe esclarecer que neste trimestre ou não houve produção de álcool (produto  N/T) ou,  se houve, não  foi  necessário que  a  fiscalização efetuasse qualquer glosa,  uma vez que nada foi mencionado no despacho decisório.  Assim, os produtos químicos citados neste voto são apenas aqueles aplicados  na produção de açúcar.”  (...)  Esclareço  que  também  no  presente  processo,  no  período  de  apuração  do  crédito, também não houve produção de álcool.  Assim,  por  concordar  com  o  disposto  na  decisão  acima  colacionada,  reconheço  o  crédito  presumido  na  aquisição  dos  mesmos  produtos  citados  e  que  estão  localizados nas planilhas relativas ao Grupo 2. Portanto cabe à unidade preparadora identificá­ los nas respectivas planilhas fazendo sua inclusão no cálculo do crédito presumido.  DOS  CRÉDITOS  A  TÍTULO  DE  TRANSFERÊNCIAS  DE  MATÉRIAS­PRIMAS DE OUTRAS FILIAIS  O  contribuinte  sustenta  que  não  há  amparo  legal  para  exclusão  da  base  de  cálculo do crédito presumido os valores decorrentes de transferências de matérias­primas entre  estabelecimentos da mesma empresa.  Assim dispõe o art. 1º da Lei nº 10.276/2001:  Art.  1º Alternativamente  ao  disposto  na Lei  nº 9.363,  de  13  de  dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de  mercadorias  nacionais  para  o  exterior  poderá  determinar  o  Fl. 505DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/2003­61  Acórdão n.º 3301­002.406  S3­C3T1  Fl. 506          11 valor  do  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI),  como  ressarcimento  relativo  às  contribuições  para  os  Programas  de  Integração  Social  e  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor  Público  (PIS/PASEP)  e  para  a  Seguridade  Social  (COFINS),  de  conformidade  com  o  disposto em regulamento.  §  1º A  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  será  o  somatório  dos  seguintes custos,  sobre os quais  incidiram as contribuições  referidas no caput:  I  ­  de  aquisição  de  insumos,  correspondentes  a  matérias­ primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem,  bem  assim  de  energia  elétrica  e  combustíveis,  adquiridos  no  mercado interno e utilizados no processo produtivo;(Destaquei)  De acordo com o Dicionário Jurídico De Plácido e Silva, 20ª Edição, pg. 74,  o termo aquisição é assim definido:  AQUISIÇÃO.  Formada  do  vocábulo  latino  acquisitio  (ação  de  adquirir), é empregado na linguagem jurídica para indicar o ato  ou fato, em virtude do qual se opera a transferência do domínio  ou propriedade de uma coisa, móvel ou imóvel, ou a sua posse,  ou a transferência de um direito, para uma pessoa, que assim se  torna proprietária dela, ou titular deste direito.   E,  assim,  o  ato  jurídico  em  que  se  funda  a  transmissão  da  propriedade da coisa ou do direito, olhada em relação à pessoa  que, por  ela,  se  transforma em proprietária da  coisa ou  titular  do direito.  Verifique que o dispositivo legal refere­se textualmente ao termo “aquisição”  de matérias­primas. Nas transferências entre filiais não há mudança de propriedade e, portanto  não  há  “aquisição”,  pois  o  bem  transferido  continua  na  titularidade  do  mesmo  sujeito  de  direito. No caso não houve alteração da titularidade jurídica da matéria­prima transferida.   Neste  sentido  alguns  julgados  do  CARF,  inclusive  desta  Turma  de  julgamento:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS IPI  Período de apuração: 30/04/2001 a 30/06/2001  Ementa:  (...)  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  TRANSFERÊNCIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  PRÓPRIA  PESSOA  JURÍDICA.  INSUMOS. EXTRAÇÃO MINERAL.  As  transferências  de  insumos  entre  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica não geram direito ao crédito presumido de IPI, uma vez  que  ausentes  operações  de  “aquisição”  de  mercadorias,  nos  termos do artigo 1º, da Lei nº 9.363/96.  Fl. 506DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/2003­61  Acórdão n.º 3301­002.406  S3­C3T1  Fl. 507          12 (...)   (Acórdão  nº  3403­01.648,  de  26/06/2012,  Conselheiro  Relator  Marcos Tranchesi Ortiz. Processo nº 13660.000031/2003­90)    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZAD OS ­ IPI   Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002   CRÉDITO PRESUMIDO   As transferências de matéria prima, mediante a emissão de notas  fiscais  de  transferência  e  de  notas  fiscais  de  entradas,  ambas  emitidas  pelo  próprio  contribuinte, não geram créditos presumidos de IPI.   RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO   (Acórdão  nº  3301­01.414,  de  24/04/2012,  Conselheiro  Relator  José Adão Vitorino de Morais. Processo nº 11080.007377/2007­ 48)  DA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA – INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC  Por fim o contribuinte solicita que o valor do ressarcimento seja acrescido de  atualização  monetária  com  base  na  taxa  Selic.  Esta  questão  foi  pacificada  na  esfera  administrativa quando do julgamento proferido pelo STJ no RESP nº 1035847, julgado sob a  sistemática do art. 543­C do CPC, cuja ementa tem o seguinte teor:  “PROCESSO  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IPI.  PRINCÍPIO  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA.  1.  A  correção  monetária  não  incide  sobre  os  créditos  de  IPI  decorrentes  do  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade  (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.  2.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo  da aplicação do princípio da não­cumulatividade, descaracteriza  referido  crédito  como  escritural,  assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte  em  sua  escrita  contábil.  3.  Destarte,  a  vedação  legal  ao  aproveitamento  do  crédito  impele o contribuinte a socorrer­se do Judiciário, circunstância  que  acarreta  demora  no  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  dada a tramitação normal dos feitos judiciais.  Fl. 507DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/2003­61  Acórdão n.º 3301­002.406  S3­C3T1  Fl. 508          13 4.  Consectariamente,  ocorrendo  a  vedação  ao  aproveitamento  desses  créditos,  com  o  conseqüente  ingresso  no  Judiciário,  posterga­se  o  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  exsurgindo  legítima a necessidade de atualizá­los monetariamente, sob pena  de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira  Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux,  julgado  em  28.09.2005,  DJ  10.10.2005;  EREsp  613.977/RS,  Rel.  Ministro  José  Delgado,  julgado  em  09.11.2005,  DJ  05.12.2005;  EREsp  495.953/PR,  Rel.  Ministra  Denise  Arruda,  julgado  em  27.09.2006,  DJ  23.10.2006;  EREsp  522.796/PR,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  julgado  em  08.11.2006,  DJ  24.09.2007;  EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em  26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro  Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008).  5.  Recurso  especial  da Fazenda Nacional  desprovido.  Acórdão  submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução  STJ 08/2008.”  Assim, por força do art. 62­A do Regimento Interno do CARF, esta decisão  deve  ser  aplicada  aos  processos  administrativos  em  julgamento.  Desta  forma  temos  que  analisar  a  partir  de  quando  ocorreu  a  resistência  ilegítima  por  parte  do  fisco  para  o  aproveitamento do crédito presumido de que trata o presente processo.  O  pedido  de  ressarcimento  de  crédito  presumido  de  IPI  de  que  trata  o  presente processo foi formalizado em 15/04/2003, portanto forçoso reconhecer que antes desta  data não houve qualquer resistência ilegítima por parte do fisco, pois sequer existia o próprio  pedido. Portanto, reconheço que poderá haver o acréscimo dos juros Selic a partir da data do  pedido  até  o  efetivo  aproveitamento  do  crédito.  No  caso  somente  haverá  a  incidência  da  correção pela  taxa Selic,  se  com o acréscimo dos  créditos  reconhecidos  na presente decisão,  sobrarem créditos a serem ressarcidos após a sua utilização nas compensações declaradas pelo  contribuinte.  Isto  posto,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  do  contribuinte para: 1) reconhecer o direito do contribuinte incluir na base de cálculo do crédito  presumido  os  valores  dos  produtos  químicos  discriminados  na  fundamentação,  os  quais  são  adicionados ao caldo­de­cana nas diversas etapas de produção do açúcar; 2) deferir o pedido de  desistência  parcial  das  compensações  efetuado  às  fls.  472  e  475  (numeração  do  processo  digital);  3) homologar  as  compensações  declaradas  até  o  limite  do  crédito  reconhecido;  e  4)  após efetuadas as compensações e caso reste crédito a ser ressarcido, determinar a  incidência  de juros Selic, contados da data do pedido.  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator                         Fl. 508DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/2003­61  Acórdão n.º 3301­002.406  S3­C3T1  Fl. 509          14   Fl. 509DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS

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Numero do processo: 10940.900522/2011-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900522/2011­16  Acórdão n.º 3801­004.019  S3­TE01  Fl. 75          2 (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da  Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 75DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900522/2011­16  Acórdão n.º 3801­004.019  S3­TE01  Fl. 76          3   Relatório  Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento,  que narra bem os fatos:  O  presente  processo  trata  de Manifestação  de  Inconformidade  contra  o  Despacho  Decisório  nº  rastreamento  916016878  emitido  eletronicamente  em  01/04/2011,  referente  ao  PER/DCOMP nº 08542.81422.200607.1.3.042058.  A  Declaração  de  Compensação  gerada  pelo  programa  PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s)  débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito  de  Cofins,  Código  de  Receita  5856,  no  valor  original  na  data  detransmissão  de  R$673,51,  decorrente  de  recolhimento  com  Darf efetuado em 20/03/2007.  De  acordo  com  o  Despacho  Decisório,  a  partir  das  características  do  DARF  descrito  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte, não restando crédito disponível para compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  Assim,  diante  da  inexistência  de  crédito,  a  compensação  declarada  NÃO  FOI  HOMOLOGADA.  Como enquadramento  legal citou­se: arts. 165 e 170, da Lei nº  5.172  de  25  de  outubro  de  1966  (Código  Tributário  Nacional  CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE  Cientificado  do  Despacho  Decisório  por  meio  de  edital,  o  interessado  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade  em  31/05/2011, tendo feito um resumo dos fatos.  Em seguida, tece considerações acerca da inconstitucionalidade  da  incidência  do  PIS  e  da  Cofins  sobre  o  ICMS,  fazendo  referência à legislação pertinente, à jurisprudência do Judiciário  e a entendimentos doutrinários que tratam do assunto em pauta,  para  concluir  que  as  “receitas”  provenientes  do  ICMS  não  podem integrar a base de cálculo das contribuições para o PIS e  da  Cofins,  ante  ao  fato  de  não  representarem  receita  ou  faturamento do contribuinte, mas sim do ente tributante.  Diante  das  razões  invocadas,  o  manifestante  requer  seja  reconhecido o seu direito à compensação referente aos indevidos  pagamentos  a  título  de  Cofins,  em  virtude  da  não  dedução  da  base  de  cálculo  daquelas  exações,  na  época  própria,  da  totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de  competência,  decorrentes  das  atividades  do  contribuinte,  bem  Fl. 76DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900522/2011­16  Acórdão n.º 3801­004.019  S3­TE01  Fl. 77          4 como não haja a incidência de multa moratória, tendo em vista o  instituto da denúncia espontânea.  Anexa aos autos um “Relatorio aproveitamento”, no qual indica  o valor do ICMS e o valor de Cofins correspondente.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte  (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Data do fato gerador: 28/02/2007  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.  Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a  existência e suficiência do crédito postulado.  COMPENSAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA.  ACRÉSCIMOS  LEGAIS.  Os  débitos  indevidamente  compensados  serão  exigidos  com  os  respectivos acréscimos legais.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  conforme  recurso  voluntário apresentado, no qual alega, em síntese, que não pode haver qualquer diferenciação  entre  o  tratamento  tributário  dado  às  instituições  financeiras  e  as  demais  pessoas  jurídicas  sujeitas ao recolhimento da COFINS e do PIS, conforme o disposto nos artigos 5o e 150,  II,  ambos  da  Constituição,  e  de  acordo  com  jurisprudência  dominante  do  STF,  devendo  ser  reconhecido  o  seu  direito  à  restituição  referente  aos  indevidos  pagamentos  a  título  de  PIS/COFINS,  em  virtude  da  não­dedução  da  base  de  cálculo  daquelas  exações,  na  época  própria,  da  totalidade  das  despesas  operacionais  incorridas  em  cada  mês  de  competência,  decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em  vista o instituto da denúncia espontânea.  É o relatório.  Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900522/2011­16  Acórdão n.º 3801­004.019  S3­TE01  Fl. 78          5   Voto             Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  O  direito  creditório  não  existiria,  segundo  o  despacho  decisório  inicial,  porque  os  pagamentos  constantes  do  pedido  estariam  integralmente  vinculados  a  débitos  já  declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada.  No  mérito,  a  recorrente  alega  que  os  créditos  pleiteados  referem­se  a  pagamentos indevidos a título de PIS/COFINS, em virtude da não­dedução da base de cálculo  daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada  mês de competência, decorrentes das suas atividades.  A  recorrente defende a  isonomia de  tratamento  fiscal  no que diz  respeito  à  exclusão  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  de  despesas  operacionais  previstas  na  legislação aplicável às instituições financeiras.  Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente.  A Lei nº 9.718/98, que dispõe sobre as contribuições para o PIS/Pasep e para  a  Cofins,  em  seu  art.  3º,  §  6º,  explicita  as  exclusões  e  deduções  facultadas  para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições  para  as  instituições  financeiras,  seguradoras e assemelhadas, além daquelas facultadas as demais pessoas jurídicas.  A  recorrente  alega  que  esse  tratamento  tributário  diferenciado  ofende  ao  princípio  da  igualdade  encontrado  no  art.  5º,  caput,  da  Constituição  Federal,  bem  como  o  conseqüente princípio da isonomia ou igualdade tributária assegurado na Carta Magna, em seu  art. 150, II..   No entanto, o referido tratamento está baseado em disposição literal de norma  válida  legitimamente  inserida  no  ordenamento  jurídico  nacional  cuja  apreciação  acerca  de  eventual  inconstitucionalidade  foge  à  alçada  da  autoridade  administrativa  de  qualquer  instância, não dispondo esta de competência legal para examinar tais hipóteses.  Com  efeito,  a  apreciação  dessas  questões  acha­se  reservada  ao  Poder  Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas  deve  ser  submetida  àquele  Poder.  Portanto,  é  inócuo  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar  textos  legais em vigor,  sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão  julgador.  Para firmar esse entendimento, o Regimento Interno do CARF, aprovado pela  Portaria MF n° 256/2009, por força do disposto no Anexo II, art. 62, caput, veda aos membros  das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900522/2011­16  Acórdão n.º 3801­004.019  S3­TE01  Fl. 79          6 internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade,  ressalvadas  hipóteses  de decisão vinculante do STF ou acolhida pela administração tributária.  A  alegação  de  inconstitucionalidade  de  lei  também  é  objeto  da  abaixo  transcrita  súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de  seus membros, por  força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela  Portaria MF n° 256/2009:  Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1)  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária  No mais, considerando­se que em sede de restituição/compensação compete  ao contribuinte o ônus da prova do  fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar  extraída do Código de Processo Civil,  artigo 333,  inciso  I,  cabe a este demonstrar, mediante  adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões,  o  que  não  ocorreu  no  caso  em  tela,  faltando  ao  crédito  indicado  pelo  contribuinte  certeza  e  liquidez, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, que são indispensáveis para  a compensação pleiteada.  No  tocante  ao  instituto  da  denuncia  espontânea,  de  que  trata  o  art.  138  do  Código  Tributário  Nacional,  este  não  se  aplica  ao  caso  vertente  uma  vez  que  tratam­se  os  débitos  indevidamente  compensados  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido  de compensação, sujeitos portanto aos acréscimos moratórios previstos no artigo 61, da Lei nº  9.430/96.   Nesse  sentido,  segundo  a  Súmula  360  do  STJ,  “o  benefício  da  denúncia  espontânea  não  se  aplica  aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  regularmente  declarados, mas  pagos  a  destempo”, mesmo  que  anteriormente  a  qualquer  procedimento  do  Fisco.  Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Marcos Antônio Borges                                Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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5603983 #
Numero do processo: 10380.900452/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1503; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T2  Fl. 2.284          1 2.283  S1­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.900452/2008­85  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1102­000.277  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  28 de agosto de 2014  Assunto  Compensação.  Recorrente  AUTO PEÇAS PADRE CÍCERO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência.    Documento assinado digitalmente.  João Otávio Oppermann Thomé ­ Presidente.   Documento assinado digitalmente.  Ricardo Marozzi Gregorio ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann  Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos  Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.     Relatório    Inicialmente,  esclareço  que  todas  as  indicações  de  folhas  inseridas  neste  relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema e­Processo.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 00 45 2/ 20 08 -8 5 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 03/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10380.900452/2008­85  Resolução nº  1102­000.277  S1­C1T2  Fl. 2.285          2 Trata­se  recurso  voluntário  interposto  por  AUTO  PEÇAS  PADRE  CÍCERO  LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/Fortaleza que concluiu pela improcedência integral  de  pedido  de  compensação  de  débito  de  IRRF  com  crédito  de R$  207.625,06  decorrente  de  saldo negativo do IRPJ referente ao ano­calendário de 2003.  A  DRF/Fortaleza,  mediante  Despacho  Decisório  (fls.  7),  não  reconheceu  a  existência  do  direito  creditório  alegado  e,  por  conseguinte,  não  homologou  a  compensação  pleiteada. Tal decisão teve a seguinte fundamentação:    Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível  a  apuração  do  crédito,  pois  o  valor  informado  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ)  não  corresponde  ao  valor  do  saldo  negativo informado no PER/DCOMP.  Valor  original  do  saldo  negativo  informado  no  PER/DCOMP  com  demonstrativo  de  crédito: R$ 1.105.639,26.  Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 207.625,06    Diante dessa decisão, a empresa  interpôs manifestação de  inconformidade (fls.  14  a  17)  na  qual  alegou  que  houve  equívoco  no  preenchimento  da  PER/DCOMP  porque  informou  o  valor  total  das  estimativas  compensadas,  ao  invés  do  próprio  saldo  negativo  evidenciado na DIPJ.  A 4ª Turma da já mencionada DRJ/Fortaleza proferiu, então, o Acórdão nº 08­ 23.380  (fls.  87  a  89),  de  02  de  maio  de  2012,  por  meio  do  qual  não  reconheceu  o  direito  creditório e, por isso, não homologou a compensação pleiteada.  Assim figurou a ementa daquele julgado:    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003  SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS NÃO COMPENSADAS.  Não  homologada  a  compensação  dos  débitos  de  estimativa  mensal,  única  forma  utilizada  pelo  contribuinte  para  antecipar  o  pagamento  do  imposto  anual,  inexiste  crédito de saldo negativo.    Segundo  o  voto  condutor  da  decisão  recorrida,  o  alegado  saldo  negativo  teria  origem  em  estimativas  quitadas  por  meio  de  compensações.  Entretanto,  tanto  as  que  foram  requeridas  por  processo  administrativo  quanto  as  que  foram  declaradas  em  PER/DCOMP  teriam  sido  indeferidas  ou  não  homologadas.  Para  comprovar  essa  constatação,  juntou  os  documentos de fls. 53 a 86.  Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 03/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10380.900452/2008­85  Resolução nº  1102­000.277  S1­C1T2  Fl. 2.286          3 Inconformada,  a  empresa  apresentou  recurso  voluntário  (fls.  96  a  100)  onde  argumenta  que  os  valores  referentes  às  antecipações  mensais  destacadas  nos  processos  administrativos de  compensação  foram devidamente  inscritos  em dívida  ativa e  incluídos  no  parcelamento  da  Lei  nº  11.941/09.  Essa  informação  poderia  ser  percebida  nos  próprios  documentos acostados pela DRJ, bem como nos extratos juntados às fls. 101 e 102. Ademais, o  somatório das parcelas já adimplidas no parcelamento já seria suficiente para superar o crédito  pleiteado.  Ao  final,  requer  a  homologação  da  compensação  e  a  intimação  dos  atos  processuais,  inclusive  da  inclusão  do  presente  processo  em  pauta  de  julgamento  par  fins  de  sustentação oral de suas razões.    É o relatório.     Voto    Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator    A recorrente alega que as estimativas destacadas nos processos administrativos,  cuja  compensação  não  foi  autorizada,  teriam  sido  devidamente  inscritas  em  dívida  ativa  e  incluídas no parcelamento da Lei nº 11.941/09. Aduz que essa informação pode ser percebida  nos documentos que fundamentaram a decisão da DRJ (fls. 53 a 86) e nos extratos que juntou  com o recurso apresentado (fls. 101 e 102).  Dentre  os  documentos  anexados  pela  DRJ,  os  únicos  que  permitem  alguma  aproximação com o que foi alegado são os extratos de consulta ao Sistema PROFISC (fls. 78 a  86), os quais  informam que os débitos controlados no processo de nº 10380.000872/2003­55  estão com a  situação “ENVIADO A PFN ­  INSCRIÇÃO”.  Inclusos nestes débitos,  estão, de  fato,  os  referente  a  estimativas  do  IRPJ  (código  2362)  dos  períodos  de  apuração  04/2003  a  12/2003. Os  valores  desses  débitos  coincidem com os  valores  informados  na PER/DCOMP,  objeto do presente processo (de nº 10688.52325.220906.1.7.02­0274), a título de “Estimativas  Compensadas  com  Saldo  de  Períodos  Anteriores”  (fls.  33  a  36).  Contudo,  junto  com  essa  mesma  informação,  está  indicado  que  as  referidas  estimativas  teriam  sido  compensadas  mediante diversas DCOMP e não pelo processo administrativo de nº 10380.000872/2003­55.  Não há, nos autos, qualquer explicação acerca dessa inconsistência.  Além disso, os extratos juntados com o recurso (fls. 101 e 102) apenas indicam  que a empresa aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941/09 e que realizou alguns pagamentos  para  a  amortização  da  dívida  consolidada.  Inexiste  qualquer  informação  que  permita  inferir  quais foram os débitos incluídos no parcelamento.   Ademais,  os  valores  informados  como  estimativas  (incluindo  os  períodos  de  apuração  de  01/2003  a  12/2003)  totalizam R$  1.105.639,26.  Esse  total,  segundo  alegado  na  Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 03/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10380.900452/2008­85  Resolução nº  1102­000.277  S1­C1T2  Fl. 2.287          4 manifestação de inconformidade, teria sido equivocadamente informado como o saldo negativo  na PER/DCOMP, ao invés daquele evidenciado na DIPJ. Ocorre que, por coincidência, o saldo  negativo apurado na DIPJ (fls. 42) é exatamente aquele informado como o débito de IRRF que  se pretende compensar,  o qual  seria calculado a partir da  remuneração paga a  título de  juros  sobre  capital  próprio  (fls.  37),  qual  seja,  R$  207.625,06.  Ora,  é  absolutamente  incrível  que  valores  calculados  a  partir  de  origens  totalmente  distintas  possam,  neste  caso,  ser  idênticos.  Todavia, não há maiores detalhes sobre esses cálculos.   Diante dessas ambiguidades, proponho a conversão do julgamento em diligência  para  que  a  unidade  de  origem  esclareça  se,  tal  como  alegado,  as  estimativas  destacadas  em  processos  administrativos  de  compensação  e  PER/DCOMP,  cujo  indeferimento  ou  não  homologação motivaram a decisão da DRJ no presente processo, foram efetivamente incluídas  no parcelamento da Lei nº 11.941/09 e se o somatório das parcelas já adimplidas é suficiente  para superar o crédito pleiteado.  É recomendável que eventuais dúvidas sejam esclarecidas mediante intimação à  empresa interessada.   Deve­se  promover  ciência  à  empresa  acerca  do  relatório  conclusivo  e  dos  demais elementos eventualmente juntados na diligência, para que esta, querendo, se manifeste  no prazo de 30 (trinta) dias.    É como voto.    Documento assinado digitalmente.  Ricardo Marozzi Gregorio ­ Relator  Fl. 112DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 03/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME

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Numero do processo: 10218.720085/2007-39
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 69.970,94, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 3 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente e da área de utilização limitada no imóvel rural, motivo pelo qual o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 4. Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua - VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra – SIPT da RFB. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 37/45, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exige-se que essas áreas, informadas na DITR/2003 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. DA ÁREA INDÍGENA. Para fazer jus à imunidade tributária constitucionalmente prevista, a pretendida área de preservação permanente deveria, também, estar comprovadamente localizada em área indígena, demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, até a data do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2003 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.653-3 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 50), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 51/74, acompanhado dos documentos de fls. 75/85. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia - Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996. - Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputar-lhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996. - O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea “c”), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade. - A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluir-se da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas “a” do inciso II do § 1° do art. 10. - A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte. - O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que “Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior” (art. 924). - A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, trata-se de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativo-ambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos). - Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório. - Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos. Área indígena - Os julgadores da instância de piso incorreram em equívoco ao entender que área indígena só pode ser compreendida como tal após "demarcada, criada e homologada por meio de Decreto Presidencial, em data anterior a do fato gerador do imposto". - Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01). - O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02). - O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04). - Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05). - Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse. - O imóvel - LOTE 54 - está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06). Pedidos Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo. Voto
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 69.970,94, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 3 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente e da área de utilização limitada no imóvel rural, motivo pelo qual o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 4. Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua - VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra – SIPT da RFB. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 37/45, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exige-se que essas áreas, informadas na DITR/2003 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. DA ÁREA INDÍGENA. Para fazer jus à imunidade tributária constitucionalmente prevista, a pretendida área de preservação permanente deveria, também, estar comprovadamente localizada em área indígena, demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, até a data do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2003 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.653-3 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 50), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 51/74, acompanhado dos documentos de fls. 75/85. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia - Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996. - Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputar-lhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996. - O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea “c”), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade. - A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluir-se da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas “a” do inciso II do § 1° do art. 10. - A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte. - O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que “Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior” (art. 924). - A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, trata-se de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativo-ambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos). - Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório. - Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos. Área indígena - Os julgadores da instância de piso incorreram em equívoco ao entender que área indígena só pode ser compreendida como tal após "demarcada, criada e homologada por meio de Decreto Presidencial, em data anterior a do fato gerador do imposto". - Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01). - O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02). - O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04). - Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05). - Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse. - O imóvel - LOTE 54 - está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06). Pedidos Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo. Voto

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720085/2007­39  Resolução nº  2801­000.310  S2­TE01  Fl. 90            2  estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua ­ VTN declarado. Por esta razão,  o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra – SIPT  da RFB.  A  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte  foi  julgada  improcedente  por  intermédio do acórdão de fls. 37/45, assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR   Exercício: 2003   DAS  ÁREAS  DE  RESERVA  LEGAL  E  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE.  Para serem excluídas do ITR, exige­se que essas áreas, informadas na  DITR/2003  e  glosadas  pela  autoridade  fiscal,  sejam  objeto  de  Ato  Declaratório Ambiental ­ ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao  IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal.  DA ÁREA INDÍGENA.  Para  fazer  jus  à  imunidade  tributária  constitucionalmente  prevista,  a  pretendida  área  de  preservação  permanente  deveria,  também,  estar  comprovadamente  localizada  em  área  indígena,  demarcada  e  formalizada  por Decreto Presidencial,  até  a  data  do  fato  gerador  do  imposto.  DO VALOR DA TERRA NUA ­ VTN.  Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2003 pela autoridade  fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com  ART,  em  consonância  com  a  NBR  14.653­3  da  ABNT,  que  atingisse  fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o  valor  fundiário do  imóvel à época do  fato gerador do  imposto e suas  peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  28/03/2012  (fl.  50),  o  Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 51/74, acompanhado dos documentos de  fls. 75/85. Na peça recursal aduz, em síntese, que:  Inexigibilidade  de  Ato  Declaratório  Ambiental  e  inexistência  de  capacidade  contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de  80% na Amazônia   ­  Tanto  a  NL  quanto  o  acórdão  recorrido  lastrearam  o  lançamento  e  sua  manutenção  na  exigência  de  ADA  para  exclusão  das  áreas  de  reserva  legal  e  de  utilização  limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do  inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996.  ­  Por  outro  lado,  a  RFB  não  provou  que  a  declaração  do  Recorrente  não  é  verdadeira, conforme exige o § 7º para imputar­lhe responsabilidade e refutar a sua declaração,  pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996.  ­ O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto  em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720085/2007­39  Resolução nº  2801­000.310  S2­TE01  Fl. 91            3  alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas  de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b” do inciso II do § 1º do art.  10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea “c”), para as  quais  há  clara  exigência  de  ato  administrativo  reconhecendo  o  interesse  ecológico  e  a  imprestabilidade.  ­ A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de  esclarecer a  inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluir­se da tributação  pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza  das alíneas “a” do inciso II do § 1° do art. 10.  ­ A  expressão  utilizada  na  Lei  (caso  fique  comprovado  que  a  sua  declaração  não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte.  ­  O  Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.000,  de  26/03/1999,  estabelece  que  “Cabe  à  autoridade  administrativa  a  prova  da  inveracidade  dos  fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior” (art. 924).  ­ A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a  não  tributação das áreas de preservação permanente e de utilização  limitada seria  espécie de  isenção,  "benefício  fiscal",  a  merecer  interpretação  literal,  quando,  em  verdade,  trata­se  de  hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativo­ambiental de base legal, a  qual  impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis  rurais  incluídos na  Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos).  ­ Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação  estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade  econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos  princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito  confiscatório.   ­  Menciona  jurisprudência  do  STJ  sobre  a  inexigibilidade  do  ADA  e  cita  manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos.  Área indígena   ­ Os  julgadores  da  instância  de piso  incorreram  em equívoco  ao  entender que  área indígena só pode ser compreendida como tal após "demarcada, criada e homologada por  meio de Decreto Presidencial, em data anterior a do fato gerador do imposto".  ­ Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86  e  FUNAI/BSB/115/89,  com  referência  à  área  indígena APYTEREWA,  por  despacho  do  Sr.  Presidente  da  FUNAI  (DESPACHO  nº  39,  06  de  dezembro  de  1991,  publicado  no  Diário  Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo  de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01).  ­ O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no  Diário  Oficial  de  29  de  maio  de  1992,  declarou  como  de  posse  permanente  indígena,  para  efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse  a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não  índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02).  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720085/2007­39  Resolução nº  2801­000.310  S2­TE01  Fl. 92            4  ­ O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de  2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena  APYTEREWA  ficou  identificada  nos  termos  do  §  1º  do  art.  231  da Constituição  Federal  e  inciso  1  do  art.  17  da  Lei  6.001/1973,  como  sendo  tradicionalmente  ocupada  pelo  grupo  APYTEREWA,  declarou  como  de  posse  permanente  a  área  indígena  APYTEREWA,  com  superfície  de  aproximadamente  773.000  ha  (anexo  03). A Portaria  2581,  21  de  setembro  de  2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04).  ­ Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a  demarcação administrativa promovida pela FUNAI da  terra destinada à posse permanente do  grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05).  ­  Não  restam  dúvidas  de  que  a  área  em  apreço  estava,  à  época,  ocupada  por  indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse.  ­ O imóvel ­ LOTE 54 ­ está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito  no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo  nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06).  Pedidos   Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade  do  ITR,  como  também  a  anulação  da  cobrança  consubstanciada  na  notificação  constante  do  presente processo.  Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator  Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade.  Registro, por primeiro, que as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios não  perdem  essa  característica  por  ainda  não  terem  sido  demarcadas,  na  medida  em  que  a  demarcação tem efeito meramente declaratório, valendo destacar, sobre este ponto, o seguinte  excerto do voto proferido pelo Ministro Ayres Britto no  julgamento da Petição 3.388  (Ação  Popular de Demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol):  12. Direitos “Originários”. Os direitos dos índios sobre as terras que  tradicionalmente ocupam foram constitucionalmente “reconhecidos”, e  não simplesmente outorgados, com o que o ato de demarcação se orna  de  natureza  declaratória,  e  não  propriamente  constitutiva.  Ato  declaratório de uma situação jurídica ativa preexistente. Esta a razão  de a Carta Magna havê­los chamado de “originários”, a traduzir um  direito mais antigo do que qualquer outro, de maneira a preponderar  sobre  pretensos  direitos  adquiridos,  mesmo  os  materializados  em  escrituras públicas ou títulos de legitimação de posse em favor de não­ índios.   Assim, nenhuma relevância tem para o caso concreto o fato de a homologação  administrativa da demarcação da Terra  Indígena APYTEREWA,  localizada no Município de  São Félix do Xingu, no Estado do Pará, ter acontecido no ano de 2007 (cópia do Decreto s/n,  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720085/2007­39  Resolução nº  2801­000.310  S2­TE01  Fl. 93            5  de 19/04/2007, às  fls. 83/84) e o presente  lançamento se  referir ao exercício de 2003. O que  importa,  preliminarmente,  para o  deslinde da  controvérsia,  é  saber  se o Lote  54  da Fazenda  Tucumanzeira está localizado nos limites da terra indígena demarcada.   O Recorrente alega que o imóvel ­ LOTE 54 ­ está situado à margem esquerda  do Rio Bacajá, conforme descrição no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007,  que homologou a demarcação.  Nada obstante, a Declaração do  ITR apresentada pelo Interessado revela que o  endereço do imóvel em questão é a “margem esquerda do Rio Pacajá”, que não se confunde  com o Rio Bacajá, embora ambos tenham curso no Estado do Pará.  Anoto, ainda, por oportuno, que tanto a fazenda do contribuinte, quanto a Terra  Indígena APYTEREWA,  estão  localizadas  no Município  de  São  Félix  do Xingu,  o  que me  ocasionou dúvida se a divergência apontada decorre de erro de grafia na declaração ou de mero  engano do contribuinte.  Nesse contexto, entendo que deva ser oportunizado ao Recorrente, pela última  vez,  comprovar  que  o  imóvel  objeto  de  tributação  encontra­se  em  terra  tradicionalmente  ocupada  por  índios,  devidamente  demarcada,  o  que  o  qualificaria  como  imóvel  imune  à  tributação.   Penso, todavia, que a prova deve ser feita exclusivamente com a apresentação de  documento fornecido pelo órgão regional da FUNAI no Estado do Pará, em papel timbrado da  Fundação,  com  identificação  do  proprietário  e  do  imóvel,  atestando  que  a  área  total  está  inserida nos limites da terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA).  Os requisitos acima delineados são necessários por dois motivos: a um, porque  preservam  a  segurança  jurídica  na  relação  fisco/contribuinte;  a  dois,  porque  os  documentos  anexados  à  peça  recursal  não  evidenciam,  com  precisão,  que  todos  os  imóveis  situados  à  margem esquerda do Rio Bacajá situam­se nos lindes da Terra Indígena APYTEREWA.   Face ao exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência a  fim  de  que  a  DRF  de  origem  intime  o  Interessado  a  comprovar  que  o  Lote  54  da  Fazenda  Tucumanzeira  está  situado  na  terra  indígena  demarcada  (Terra  Indígena  APYTEREWA),  mediante a apresentação de documento fornecido pelo órgão regional da FUNAI no Estado do  Pará (com os requisitos acima mencionados).  Após,  os  autos  deverão  retornar  a  este  Conselho  para  a  conclusão  do  julgamento.  Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida  Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN

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Numero do processo: 10980.729864/2012-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2007 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 31/03/2008, 01/05/2008 a 31/08/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SIMULAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. GLOSA. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Restando comprovada a simulação das operações de exportação, o crédito não cumulativo da contribuição social, relativo às entradas dos produtos posteriormente exportados, deve ser glosado, lançado-se de ofício os débitos emergentes desse procedimento fiscal. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido É possível o reexame de período anteriormente fiscalizado, enquanto não tiver ocorrido a extinção do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, desde que seja expressamente autorizado pela autoridade competente e quando se comprove que o sujeito passivo agiu com simulação. DACON. RETIFICAÇÃO. LIMITAÇÃO. A retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais -Dacon não produz efeitos quando tiver por objeto: reduzir os débitos das contribuições sociais que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização anterior. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Súmula CARF nº 33) PENALIDADE. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA DA INFRAÇÃO. CONLUIO. AGRAVAMENTO. O ajuste doloso pactuado entre duas pessoas jurídicas, tendente a reduzir o pagamento de tributos devidos por meio da apropriação ilegal de créditos de contribuições sociais não cumulativas, é circustância qualificativa da infração tributária, ensejando o agravamento da penalidade aplicada no lançamento de ofício.
Numero da decisão: 3403-003.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista e Domingos de Sá Filho. O Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o Dr. José Carlos Passuello, OAB/PR nº 20.764. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaia Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN

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Acórdão nº  3403­003.150  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de agosto de 2014  Matéria  PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrentes  CONDOR SUPER CENTER LTDA.              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período  de  apuração:  01/11/2007  a  31/01/2008,  01/03/2008  a  31/03/2008,  01/05/2008 a 31/08/2008  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CIRCUNTÂNCIA  QUALIFICATIVA  DA  INFRAÇÃO.  PRAZO.  TERMO INICIAL.  Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário,  quando  for  comprovada  a  ocorrência  de  simulação,  extingue­se após 5  (cinco)  anos  contados do primeiro dia do  exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado.  LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA E EXPRESSA.  Imprescidível  para  o  lançamento  por  homologação  que  o  sujeito  passivo  antecipe o pagamento do tributo, sem o que não haverá o que homologar.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REVISÃO. POSSIBILIDADE.  É  possível  o  reexame  de  período  anteriormente  fiscalizado,  enquanto  não  tiver  ocorrido  a  extinção  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  efetuar  o  lançamento,  desde  que  seja  expressamente  autorizado  pela  autoridade  competente e quando se comprove que o sujeito passivo agiu com simulação.  DACON. RETIFICAÇÃO. LIMITAÇÃO.  A  retificação  do  Demonstrativo  de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  ­ Dacon  não  produz  efeitos  quando  tiver  por  objeto:  reduzir  os  débitos  das  contribuições sociais que tenham sido objeto de exame em procedimento de  fiscalização anterior.  A  declaração  entregue  após  o  início  do  procedimento  fiscal  não  produz  quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Súmula CARF nº 33)  PENALIDADE.  CIRCUNSTÂNCIA  QUALIFICATIVA  DA  INFRAÇÃO. CONLUIO. AGRAVAMENTO.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 98 64 /2 01 2- 16 Fl. 3934DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     2 O ajuste doloso pactuado entre duas pessoas  jurídicas,  tendente  a  reduzir o  pagamento de tributos devidos por meio da apropriação ilegal de créditos de  contribuições sociais não cumulativas, é circustância qualificativa da infração  tributária, ensejando o agravamento da penalidade aplicada no lançamento de  ofício.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período  de  apuração:  01/11/2007  a  31/01/2008,  01/03/2008  a  31/03/2008,  01/05/2008 a 31/08/2008  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  SIMULAÇÃO  DE  EXPORTAÇÃO.  GLOSA.  INSUFICIÊNCIA  NO  RECOLHIMENTO.  LANÇAMENTO.  Restando  comprovada  a  simulação  das  operações  de  exportação,  o  crédito  não  cumulativo  da  contribuição  social,  relativo  às  entradas  dos  produtos  posteriormente exportados, deve ser glosado, lançado­se de ofício os débitos  emergentes desse procedimento fiscal.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período  de  apuração:  01/11/2007  a  31/01/2008,  01/03/2008  a  31/03/2008,  01/05/2008 a 31/08/2008  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  SIMULAÇÃO  DE  EXPORTAÇÃO.  GLOSA.  INSUFICIÊNCIA  NO  RECOLHIMENTO.  LANÇAMENTO.  Restando  comprovada  a  simulação  das  operações  de  exportação,  o  crédito  não  cumulativo  da  contribuição  social,  relativo  às  entradas  dos  produtos  posteriormente exportados, deve ser glosado, lançado­se de ofício os débitos  emergentes desse procedimento fiscal.  Recurso de Ofício Negado  Recurso Voluntário Negado  Crédito Tributário Mantido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento  ao  recurso  de ofício  e,  pelo  voto  de  qualidade,  em negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Vencidos  os  Conselheiros  Ivan  Allegretti,  Luiz  Rogério  Sawaya  Batista  e  Domingos  de  Sá  Filho.  O  Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista apresentou declaração de voto. Esteve presente  ao  julgamento o Dr. José Carlos Passuello, OAB/PR nº 20.764.  (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim – Presidente  (assinado digitalmente)  Alexandre Kern ­ Relator  Participaram  do  julgamento  os  conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim,  Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaia Batista e Ivan  Allegretti.  Fl. 3935DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.935          3 Relatório  CONDOR  SUPER  CENTER  LTDA.  teve  lavrados  contra  si  os  autos  de  infração de fls. 3, 4, 9 e 10 para determinação e exigência de crédito tributário de Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins  e  Contribuição  para  o  PIS/Pasep,  no  montante de R$ 25.514.348,84, em decorrência de glosas nos créditos da não cumulatividade,  nos anos de 2007 e 2008, as quais ocasionaram ausências de recolhimento das contribuições.  De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de  fls. 15 a 23, o autuado e  Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A. ­ LDC teriam simulado operações de exportação com  o objetivo de realizar a transferência de créditos das contribuições desta para aquela, razão pela  qual se glosaram todos os créditos relativos às Notas Fiscais de Entrada emitidas contra Louis  Dreyfus e outras sociedades a ela relacionadas, do período de 01/2007 a 12/2008, conforme os  Anexos  I  e  II  do  Termo  de  Verificação  nº  1.  A  Fiscalização  julgou  presente  circunstância  qualificativa da infração simulação, motivo pelo qual a penalidade aplicada foi exasperada para  150%. A  simulação  de  venda  no mercado  interno  foi  uma  ação  dolosa  tendente  a  reduzir  o  montante dos tributos devidos por Condor, por meio da transferência ilegal de créditos de PIS e  Cofins. A intenção dos agentes estaria plasmada em contratos celebrados entre eles.  Em  impugnação  de  fls.  459  a  502,  o  autuado  alega  que  não  foram  considerados os efeitos decorrentes da ação fiscal objeto do processo nº 10980.725964/2011­ 92, os pagamentos realizados, os Demonstrativos de Contribuições Sociais – Dacon entregues  antes  do  início  da  ação  fiscal,  nem  aqueles  outros  que  foram  entregues,  em  atendimento  à  solicitação da Fiscalização, para  correção de débitos. Argui  decadência  em  relação aos  fatos  geradores  de  janeiro  a  novembro  de  2007,  tendo  em vista que  ou  houve  o  recolhimento  em  dinheiro  dos  débitos  apurados  ou  houve  a  homologação  expressa,  pela  autoridade  tributária,  das compensações informadas.  Reclama  de  erros  cometidos  pela  Fiscalização  no  procedimento  fiscal  anterior, objeto do processo 10980.725964/2011­92.  Quanto às operaçãoes praticadas em conjunto com LDC, insiste na sua lisura  e  atendem  ao  escopo  do  contrato.  Lembra  que  as  operações  foram  chanceladas  pela  Fiscalização estadual do Paraná. Pede o desagravamento da penalidade aplicada.  Por meio do Despacho 01, 03/06/2013, fls. 951 a 953, o Presidente­substituto  da 3ª Turma da DRJ/CTA converteu o julgamento da impugnação em diligência para:  1)  Quanto  às  Notas  Fiscais  de  Devolução  (listadas  no  Anexo  X),  verificar  se  as  mesmas  foram  ou  não  consideradas  na  apuração  das  bases  de  cálculo  das  contribuições. Em caso negativo, proceder ao ajuste dos  débitos  das  contribuições  e  apontar  os  efeitos  dos  mesmos nos lançamentos tributários contestados.  2)  Quanto  ao  “Instrumento  Particular  de Compra  e Venda  de  Mercadorias  e  Outras  Avencas”,  assinado  com  a  empresa  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  S.A.,  em  28/12/2006,  e  que  foi  utilizado  como  base  para  a  Fl. 3936DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     4 identificação da simulação das operações de exportação,  que  seja  juntada  cópia  integral  (Contrato  e  todos  os  Anexos) aos autos.  Em atendimento à solicitação  acima, a Seção de Fiscalização da DRF/CTA  emitiu o despacho de  fls. 1401, por meio do qual  relata que, em relação às Notas Fiscais de  Devolução,  em  virtude  de  existirem  diferenças  entre  os  valores  totais  demonstrados  na  contabilidade  e  os  constantes  do  demonstrativo  apresentado  na  impugnação,  elaborou  duas  planilhas, a saber: i) Planilha A, com a apuração baseada nos arquivos digitais de escrituração  contábil  e  documentos  fiscais;  ii)  Planilha  B,  com  a  apuração  baseada  na  relação  de  Notas  Fiscais de Devolução constante da impugnação.  Intimado  do  resultado  da  diligência,  o  contribuinte  repetiu  os  termos  da  impugnação  já apresentada,  reclamou da ocorrência de um  terceiro auto de infração e  juntou  planilhas de apuração elaboradas por assessoria contábil­fiscal (Anexos XXIX, XXX e XXXI).  Acrescenta  que  de  fato  ocorreu  o  erro  apontado  na  diligência,  relativo  à  listagem  que  foi  juntada na impugnação, e que, portanto, deve ser adotada a planilha “A”.  Em  relação  ao  Instrumento  de  Compra  e  Venda  de  Mercadorias  e  Outras  Avenças, a interessada sustenta que a juntada do mesmo nesse momento representa um novo  lançamento  e  caracteriza  a  nulidade  do  lançamento,  em  cerceamento  ao  direito  de  defesa.  Sustenta  que  a  fiscalização  reteve  em  seu  poder  o  referido  documento  e  que  foi  obrigada  a  juntar na impugnação cópia de contrato firmado em período anterior, o qual julgava apresentar  o mesmo teor. Argumenta que o citado instrumento é peça fundamental da exigência e que o  mesmo deveria ter sido juntado ao processo por ocasião do lançamento. Por fim, a interessada  relaciona  34  (trinta  e  quatro)  documentos  que  estão  sendo  apresentados  em  conjunto  com  a  “Manifestação s/relatório de diligência”, apontando em quadro informativo o número do anexo  e a descrição do documento anexado.  A  3ª  Turma  da  DRJ/CTA  julgou  a  impugnação  parcialmente  procedente,  apenas  para  cancelar  os  valores  mensais  dos  períodos  de  apuração  de  novembro  de  2007,  março e maio a julho de 2008, nos valores totais de R$ 251.440,83 e R$ 1.158.151,72, relativos  aos  créditos  tributários  lançados  de  PIS  e  COFINS,  respectivamente,  bem  como  as  correspondentes  parcelas  relativas  à  multa  de  ofício  de  150%  e  aos  acréscimos  legais,  em  decorrência  da  constatação  de  que  algumas  notas  fiscais  de  devolução  não  haviam  sido  consideradas  na  apuração  das  bases  de  cálculo  das  contribuições  sociais,  comprovadas  pela  diligência realizada (Planilha “A”).   O Acórdão nº 06­44.363, de 27 de novembro de 2013, fls. 2.272 a 2.303, teve  emenya vazada nos seguintes termos:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período  de  apuração:  01/11/2007  a  31/01/2008,  01/03/2008  a  31/03/2008 e 01/05/2008 a 31/08/2008  NULIDADE. PRESSUPOSTOS.  Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.  Fl. 3937DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.936          5 Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito  de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, quando for  comprovada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  extinguese  após  5  (cinco)  anos  contados  do  primeiro  dia  do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA E EXPRESSA.  Para  que  possa  ocorrer  a  homologação  tácita  ou  expressa  no  lançamento  por  homologação  é  imprescindível  que  o  sujeito  passivo antecipe o pagamento do tributo.  REEXAME. REVISÃO DE LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.  O  reexame  de  período  já  fiscalizado  é  possível  desde  que  seja  autorizado  expressamente  pela  autoridade  competente  e  enquanto  não  tiver  ocorrido  a  extinção  do  direito  da  fazenda  pública de revisar o lançamento.  DACON.  RETIFICAÇÃO.  LIMITAÇÕES  A  retificação  do  Demonstrativo  de  Apuração  de Contribuições  Sociais  –  Dacon  não  produz  efeitos  quando  tiver  por  objeto:  reduzir  os  débitos  das  contribuições  (PIS  e  Cofins)  que  tenham  sido  objeto  de  exame  em  procedimento  de  fiscalização;  alterar  débitos  das  contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido  intimada de início de procedimento fiscal.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período  de  apuração:  01/11/2007  a  31/01/2008,  01/03/2008  a  31/03/2008 e 01/05/2008 a 31/08/2008  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  SIMULAÇÃO  DE  EXPORTAÇÃO. GLOSA.  Restando comprovada a simulação das operações de exportação,  o  crédito  não  cumulativo  da  contribuição,  relativo  às  entradas  dos produtos exportados, deve ser glosado.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  GLOSA  DE  CRÉDITOS.  INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO.  Na  sistemática  da  não  cumulatividade  a  ausência  de  recolhimentos  está,  normalmente,  relacionada  com  a  apuração  de  créditos  em  montante  superior  ao  valor  da  contribuição  devida,  sendo  que  a  glosa  de  créditos  pode  ocasionar  lançamento das contribuições por insuficiência de recolhimento,  na  medida  em  que  os  créditos  que  acobertavam  os  débitos  apurados deixam de existir em virtude das glosas.  COMPROVAÇÃO DE ERRO. VERDADE MATERIAL.  CANCELAMENTO  DE  DÉBITO  Mediante  a  comprovação  de  erro  material  na  apuração  dos  débitos  que  constam  do  litígio  administrativo, devese aplicar o princípio da verdade material e  Fl. 3938DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     6 cancelarse os valores dos débitos correspondentes, bem como os  consectários legais.  DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.  Indeferese  o  pedido  de  diligência  cuja  realização  revela  ser  prescindível para o deslinde da questão.  MULTA  QUALIFICADA.  SONEGAÇÃO,  FRAUDE  OU  CONLUIO.  Comprovada  a  ocorrência  de  sonegação,  fraude  ou  conluio  devese aplicar a multa qualificada, prevista no § 1º, art. 44 da  Lei 9.430, de 1996.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL – COFINS  Período  de  apuração:  01/11/2007  a  31/01/2008,  01/03/2008  a  31/03/2008 e 01/05/2008 a 31/08/2008  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  SIMULAÇÃO  DE  EXPORTAÇÃO. GLOSA.  Restando comprovada a simulação das operações de exportação,  o  crédito  não  cumulativo  da  contribuição,  relativo  às  entradas  dos produtos exportados, deve ser glosado.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  GLOSA  DE  CRÉDITOS.  INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO.  Na  sistemática  da  não  cumulatividade  a  ausência  de  recolhimentos  está,  normalmente,  relacionada  com  a  apuração  de  créditos  em  montante  superior  ao  valor  da  contribuição  devida,  sendo  que  a  glosa  de  créditos  pode  ocasionar  lançamento das contribuições por insuficiência de recolhimento,  na  medida  em  que  os  créditos  que  acobertavam  os  débitos  apurados deixam de existir em virtude das glosas.  COMPROVAÇÃO  DE  ERRO.  VERDADE  MATERIAL.  CANCELAMENTO DE DÉBITO  Mediante  a  comprovação  de  erro  material  na  apuração  dos  débitos  que  constam do  litígio  administrativo,  devese  aplicar  o  princípio  da  verdade  material  e  cancelarse  os  valores  a  ele  relativo, bem como os correspondentes consectários legais.  DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.  Indeferese  o  pedido  de  diligência  cuja  realização  revela  ser  prescindível para o deslinde da questão.  MULTA  QUALIFICADA.  SONEGAÇÃO,  FRAUDE  OU  CONLUIO.  Comprovada  a  ocorrência  de  sonegação,  fraude  ou  conluio  devese aplicar a multa qualificada, prevista no § 1º, art. 44 da  Lei 9.430, de 1996.  Impugnação Procedente em Parte  Fl. 3939DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.937          7 Crédito Tributário Mantido em Parte  O  Presidente  da  3ª  Turma  da DRJ/CTA  recorreu  de  ofício  da  decisão,  em  cumprimento ao que dispõe o art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972,  com redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que crédito  tributário exonerado excede o limite de R$ 1.000.000,00, definido na Portaria MF nº 03, de 03  de janeiro de 2008.  Cuida­se  também  de  recurso  voluntário  contra  a  decisão  da  3ª  Turma  da  DRJ/CTA. O arrazoado de fls. 2.311 a 2.431 inicia, resumindo os fatos relacionados com a lide  e  os  três  procedimentos  fiscais  a que  foi  submetida  a  sociedade  ora  recorrente. Em  seguida,  retoma  a  arguição  de  nulidade  do  procedimento  fiscal  e  da  decisão  recorrida.  Acusa  a  Fiscalização de ter­se negado a recompor a sua escrita fiscal, negando­lhe o direito a créditos  legítimos, apurados a partir da reclassificação de alguns produtos procedida durante a primeira  ação fiscal. Nesse contexto, reclama da falta de apreciação por parte da autoridade julgadora de  primeira  instância  das  planilhas  produzidas  por  assessoria  contábil­fiscal,  referindo­se  ao  Anexo  XXXI.  Insiste  no  poder  probante  desses  relatórios.  Nesse  ponto,  inquina  a  decisão  recorrida de nulidade, na medida em que se omitiu ela em examinar os valores constantes do  relatório da auditoria.  Reclama  ainda  do  cercemanrto  de  defesa  representado  pela  negativa,  tanto  por parte do agente fiscal quanto da autoridade julgadora, em apreciar os Dacons retificadores  apresentados.  Lembrou  da  impossibilidade  prática  de  fazer  prova  da  veracidade  dos  dados  neles  constates,  haja  vista  o  grande  volume  de  documentos.  Questiona  por  que  a  decisão  recorrida  não  aproveitou  a  diligência  que  encomendou  para  a  verificação  dos  valores  constantes dos Dacons. Entende que essa omissão infirma todo o trabalho fiscal.  Ainda,  argui  cerceamento  de  defesa  pelo  indeferimento  do  seu  pedido  de  diligência,  inadeaudamente  motivado.  Afirma  que  vários  de  seus  questionamentos  permanceram seu  resposta. Neste ponto,  reitera o pedido  já  feito. Formula quesitos.  Indica e  qualifica perito. Indica os documentos que devem apoiar a providência.   Na  continuação,  critica  a metodologia  empregada  na  autuação. Diz  que  “o  método  adotado  para  a  apuração  dos  créditos  aparenta  estar  teoricamente  correto,  porém  equívocos na sua composição o tornam imprestável para os fins a que se propõe”. Sustenta que  não  foram  considerados  nos  presentes  lançamentos  tributários  os  efeitos  decorrentes  da  fiscalização  procedida  através  do  processo  nº  10980.725964/201192  e  nem  tampouco:  os  pagamentos  realizados  anteriormente  à  primeira  fiscalização  e  os  relativos  aos  autos  de  infração  dela  decorrentes. Defende  que  a  conclusão  do  procedimento  anterior  homologou os  débitos  tributários  a  ela  relativos  e  que  devese  considerar  que  no  presente  caso  operouse  o  instituto da decadência. Alega, também, que o procedimento fiscal é inadequado uma vez que  desconsiderou os Dacon entregues antes do início da ação fiscal, bem como aqueles outros que  foram entregues, em atendimento à solicitação da fiscalização, para correção de débitos.  Em  seguida,  passa  a  defender  a  realização  de  um  amplo  saneamento  do  processo com vistas a eliminar as inconsistências detectadas antes de realizar a apreciação do  mérito. Defende, novamente, a preliminar de decadência em face da existência de pagamentos  anteriores a primeira fiscalização e dos pagamentos relativos aos autos de infração do processo  administrativo nº 10980.725964/200192.  Fl. 3940DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     8 Argumenta  que  se  operou  a  decadência  em  relação  aos  fatos  geradores  de  janeiro  a  novembro  de  2007,  tendo  em  vista  que  ou  houve  o  recolhimento  em  dinheiro  dos  débitos  apurados  ou  houve  a  homologação  expressa,  pela  autoridade  tributária,  das  compensações  informadas.  Reclama  que  no  procedimento  anterior  a  fiscalização  deixou  de  recompor  os  saldos  dos  Dacon  e  de  considerar  nestes  os  erros  cometidos  tanto  quanto  aos  débitos como quanto aos créditos. Diz que tal atitude caracteriza enriquecimento ilícito e causa  a  nulidade  do  procedimento.  Argumenta  que  solicitou  à  fiscalização  a  correta  apuração  dos  saldos, mas que esta, em confronto ao que prevê o artigo 10, § 3º, da IN RFB nº 1.015/2010,  determinou que  a  contribuinte  é quem deveria  realizar  a  retificação  dos Dacon  com vistas  a  corrigir  os  erros  encontrados  na  apuração  dos  créditos  e  os  excessos  de  débitos  declarados.  Aduz que “Sendo essa a única saída apontada para a empresa, promoveu a elaboração e entrega  de  DACONs  retificadoras  ajustando  os  valores  dos  débitos  a  menor  que  a  fiscalização  se  recusou a  efetuar.” Relata que  informou a  autoridade  (na segunda  fiscalização) da existência  dos Dacon retificadores mas que esta somente mencionou à relativa ao mês de janeiro de 2007,  de  recibo  nº  908757316.  Sustenta  que  efetuou  o  pagamento  dos  créditos  tributários  do  “processo nº 10980.725.964/201192 com redução da multa em 50% na certeza de que poderia  compensar esse desembolso pela via da retificação e recompor seu saldo credor, isso cumulado  com  a  ideia  de  que  não  lhe  seria  adequado  estabelecer  litígio  com  o  fisco,  sabedora  dos  elevados custos e aborrecimentos próprios da manutenção de demandas  tributárias que, além  de dispendiosas são de deslinde demorado.”  Como  exemplo  de  erro  de  apuração  que  a  fiscalização  apreciou  apenas  parcialmente,  menciona  a  questão  relativa  às  notas  fiscais  de  devolução.  Sustenta  que  “é  cabível a afirmativa de que o crédito tributário, pela sistemática falha e imperfeita como foi  apurado  não  apresenta  as  condições  mínima  de  liquidez  e  certeza,  o  que  recomenda  a  propositura de PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO, qual seja a parcialidade  que  o  marca,  tanto  pela  inadequada  metodologia  empregada  quanto  pela  parcialidade  em  examinar  apenso  os  aspectos  que  representam  interesses  arrecadatórios  em  detrimento  da  justiça fiscal com aplicação equilibrada da lei mediante o trabalho de recomposição integral  da conta corrente dos tributos considerados, tanto em relação aos débitos quanto em relação  aos  créditos  aflorados  na  escrita  fiscal  e  na  documentação  que  a  empresa  colocou  à  disposição da fiscalização.”  No  capítulo  “VIII  DACONS  RETIFICADORES  X  ESCOPO  DA  FISCALIZAÇÃO”,  a  recorrente  volta  a  insistir  na  necessidade  de  que  os  DACONs  retificadores que apresentou sejam considerados. Explica que foi submetida a três fiscalizações  autônomas,  tanto  que  realizadas  em  datas  distintas  e  por  auditores  fiscais  diferentes,  todas  abrangendo  os mesmos  períodos  de  apuração.  Na  1ª  fiscalização,  conduzida  no  processo  nº  10980­725.964/2011­92,  a  fiscalização  considerou  a  totalidade  dos  débitos  envolvendo  o  exame de produtos, efetuando objetivamente a glosa de créditos que considerou indevidos e a  tributação  de  operações  que  entendeu  estarem  equivocadamente  consideradas  como  isentas.  Ainda tratou como monofásicas algumas operações que a autuada tinha como não cumulativas,  Porém, omitiu­se a  fiscalização em considerar os valores  correspondentes a  operações em que a empresa, por equívocos causados pelo seu sistema de apuração eletrônico  de  bases  e  valores  fiscais,  havia  procedido  a  créditos  em  valor  inferior  ao  de  direito  ou  ao  considerado. Em resumo, houve situações em que a empresa restou por apropriar débitos em  montante exagerado, o que produziu o mesmo efeito do que se tivesse apropriado créditos em  montante insuficiente. Ou seja, entre as distorções constatadas, tanto houve situações em que a  empresa considerou créditos exagerados quanto débitos a maior,  como  também situações em  que a empresa considerou débitos insuficientes.  Fl. 3941DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.938          9 A  fiscalização  tanto  glosou  os  créditos  exagerados  como  lançou  os  débitos  insuficiente,  porém  não  considerou  nem  computou  em  seu  levantamento  os  créditos  insuficientes  existentes  na  escrituração  fiscal  da  recorrente  nem  os  débitos  registrados  em  excesso, distorções essas corrigidas pelos DACONs retificadores. Sendo competência plena e  vinculada da autoridade fiscalizadora a fiscalização propriamente dita, com estrita obediência à  lei e às práticas contábeis e fiscais, e como forma única de obediência à sistemática que instrui  o  Pis  e  a  Cofins,  qual  seja  o  seu  princípio  máximo  de  não  cumulatividade,  deveria  ter  considerado  também  os  valores  correspondentes  aos  créditos  insuficientes  existentes  na  escrituração fiscal da recorrente, mesmo que sob a forma de estorno de débitos efetuados em  excesso.  Se  assim  tivesse  procedido  teria  apurado  com  exatidão  os  saldos  fiscais  dos  dois  tributos e definido, via de conseqüência, o  adequado valor a  cobrar ou  a manter como saldo  credor. Isso demonstra que efetivamente qualquer valor que pudesse favorecer ao contribuinte  não  foi  considerado  pela  fiscalização.  Explica  que  o  interesse  em  que  os  valores  fossem  corretos levou a empresa a contratar auditoria externa para  referendar os seus levantamentos,  cujo  sumário  está  contido  no  Relatório  de  auditoria  juntado  à  manifestação  s/diligência  ­  Anexo XXXI.  Entende  que  os  motivos  acima  descritos  justificam  a  apensação  a  este  do  processo nº 10980­725.964/2011­92.  Mais  uma  vez,  mostra  sua  irresignação  contra  o  fato  de  não  terem  sido  aceitos os Dacons retificadores. Entende tratar­se de mera artimanha para evitar que se aproprie  dos  créditos  a  que  faz  jus.  Também  por  isso,  no  seu  entender,  impõe­se  a  decretação  da  nulidade do lançamento, pois mesmo estando integrados ao sistema, os DACONs retificadores  estão  pendentes  de  acolhimento  pela  autoridade  administrativa  porque  as  autoridades  fiscalizadora  e  a  julgadora  se  recusaram  a  apreciar  as  provas  que  a  recorrente  possui  e  as  disponibilizou  ao  fisco, mas  esse  se  recusa  a  verificá­los,  em  primeira  instância  quando  foi  formalizada  a  primeira  fiscalização  (processo  nº  10980.725.964/2011­92),  igualmente  na  2ª  fiscalização (processo nº 10980.729864/2012­16 ­ o presente processo), sem contar que isso se  repetiu na 3ª fiscalização (processo nº 10980.723782/2013­49 ­ em fase de impugnação).  A  propósito  dos  dois  últimos  lançamentos,  entende  ser  Inexcusável  que  a  segunda  e  a  terceira  fiscalizações  produziram  revisões  de  ofício  com  relação  ao  lançamento  original. Tal procedimento exigiria pelo menos uma das condições definidas no artigo 149 do  CTN.  Todavia  em  momento  algum  a  autoridade  administrativa  comprovou,  demonstrou  ou  informou a ocorrência de qualquer das  situações caracterizadas nos  seus  IX  incisos, portanto  não  houve  qualquer  motivação  autorizada  em  lei  para  tal  revisão  de  ofício,  e  a  “vontade  discricionária" da autoridade administrativa não é condição suficiente para promover a revisão  de ofício.  A  fiscalização  conferiu  e  avaliou  as  operações  com  soja  ou  derivados,  entendendo  serem  operações  regulares  e  sem  restrições  fiscais,  formalizando  um  crédito  tributário  pronto  e  acabado,  tanto  que  o  seu  encerramento  se  comprova  pelo  TERMO  DE  VERIFICAÇÃO E ENCERRAMENTO FINAL DA AÇÃO FISCAL (fls. 9.480 do Processo nº  10980­725.964/2011­92)  no  qual  se  observa  o  termo  "FINAL".  Completou  o  procedimento  homologatório  com a  devolução  dos  livros  e documentos,  não  tendo naquele momento  feito  qualquer  ressalva  além  das  infrações  que  integraram  os  autos  de  infração  gerados  na  1ª  fiscalização (Processo nº 10980­725.964/2011­92), o que caracteriza ter homologado todos os  procedimentos  da  recorrente,  pelos  valores  dos  tributos  recolhidos  e  lançados.  Estavam  completados,  portanto,  todos os  elementos da homologação, homologação essa que passou a  Fl. 3942DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     10 produzir  todos  os  efeitos  de  definitividade  amparados  pelo  CTN.  Mais  uma  vez,  pede  a  decretação da nulidade do lançamento, que seria carente de motivação.  Na continuação, descreve a cronologia dos fatos. Diz que o alinhamento de  fatos cronológicos,  juntado à argumentação expendida nos  itens anteriores  forma o  conteúdo  do seu recurso, relativamente ao assunto a que se propõe discutir. A cada item da cronologia  deve corresponder os argumentos antes expendidos na formação das razões de decidir.  Na continuação, manifesta­se sobre o acolhimento parcial das devoluções de  compras,  acusando  a  autoridade  julgadora  recorrida  de  furtar­se  da  aplicação  do  direito  ao  deixar  de  considerar  os  valores  de  R$  440.957,33  (R$  384.178,52  +  R$  56.778,33),  relativamente  às  devoluções  comprovadas  pela  empresa  e  não  reconhecidas  pela  autoridade  julgadora  recorrida.  Observe­se  que  tal  autoridade  faz  alusão  "  ....  os  valores  constantes  da  Planilha  "A",  dando  a  entender  que  acolheu  totalmente  a  planilha  "A".  Todavia,  isso  não  aconteceu,  deixando  fora  do  cálculo  as  devoluções  relativas  a  períodos  de  apuração  não  atingidos  pelo  lançamento  de  que  se  trata.  Diz  que  esse  procedimento  é  contraditório  e  injustificável  e  reforça  o  rol  de  ilegalidades  perpetradas  pela  fiscalização  em  sua  recusa  ostensiva  e  reiterada  em  apreciar  valores  diferentes  daqueles  constantes  dos  DACONs,  bem  como o valor total das diferenças entre os DACONS retficadores e os retificados, sempre sob  alegação que isso "é problema da empresa" e não cabe à fiscalização considera­los,como se à  fiscalização não representasse apurar os reais saldos fiscais transportados de um período para o  seguinte e não estivesse alcançada pela imposição legal de respeito e obediência ao princípio  que  instrui  o  PIS  e  a  Cofins  de  não  cumulatividade.  Esse  procedimento  é  sem  dúvida  cerceamento ao direito de defesa que por si próprio deve provocar a declaração de nulidade do  lançamento.  A  seguir,  no  tópico  denominado  “V  –  COMPRA DE  PRODUTOS  PARA  EXPORTAÇÃO – DERIVADOS DE SOJA:”, delineia e explica os motivos que a levaram a  contratar com a empresa Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A para realizar as operações de  exportação.  Diz  que  aliouse  a  empresa  LDC  para  aprender  a  logística  e  desenvolver  experiência nesse mercado e que, apesar de obter pouca vantagem financeira com as operações,  a motivação para contratar com a referida empresa consta do próprio contrato. Sustenta que o  acordo de simulação foi presumido com base em dois tópicos isolados e de menor importância  do  contrato.  Argumenta  que  a  fiscalização  examinou  toda  a  documentação  relativa  à  movimentação  física  e  à  transmissão  jurídica  das  mercadorias  e  não  apontou  nenhuma  irregularidade  formal,  comercial  ou  de  logística,  podendose  concluir  que  as  operações  examinadas  estão  perfeitas  e  atendem  ao  escopo  do  contrato.  Registra  “a  ressalva  de  que  a  LDC  emitia  à  autuada  ‘instruções’  e  não  ‘ordens’,  até  porque  qualquer  descumprimento  ou  procedimento em desacordo era de total responsabilidade da autuada.” Contesta a afirmação da  fiscalização de que a “LDC emite uma nota fiscal de venda tributável para o Condor, enviando  a  mercadoria  diretamente  a  um  armazém  portuário  em  Paranaguá­PR”  dizendo  que  a  mercadoria  somente  era  enviada  de  Ponta  Grossa  para  Paranaguá  após  a  transmissão  de  propriedade. Diz  que  o  transporte  da mercadoria  era  feito  sob  sua  responsabilidade  e  que  o  depósito da mesma, em Paranaguá, era realizado em seu nome e sob sua responsabilidade, ou à  ordem do Cliente com a qual empresa tinha o compromisso de venda. Defende que o transporte  direto da mercadoria é necessário por uma opção logística, posto que o transporte dela era, na  maioria das vezes, feito por via ferroviária e que seus depósitos na cidade de Curitiba não são  servidos por  ramais  ferroviários,  além do que a armazenagem  intermediária na citada capital  implicaria em aumento de custos. Sustenta que o fluxo financeiro comprova as operações, uma  vez que recebia diretamente dos seus clientes o valor relativo às vendas efetuadas e que pagava  à LDC o preço  contratado pelas  compras  efetuadas. Diz que  a efetividade do  contrato  e dos  negócios  pode  ser  confirmada  pela  exigência  da  LDC  de  que  todas  as  operações  fossem  garantidas através de carta de fiança. Defende a condição de já haver preço pré­agendado das  Fl. 3943DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.939          11 mercadorias dizendo que se fosse aceito o entendimento da fiscalização todos os contratos de  franquias  deveriam  ser  declarados  nulos,  posto  que  nesses  o  preço  é  prédefinido  e  existem  tabelas de custo para insumos e produtos. Sustenta que assunção total da responsabilidade em  relação à qualidade dos produtos pela LDC é prática comum de mercado e que jamais poderia  se  responsabilizar  pelos  produtos  fabricados  pela  citada  empresa.  Diz  que  a  proteção  estabelecida pela cláusula 14 do contrato visa assegurar a tranquilidade e segurança para ambas  as partes, que a questão tributária é uma das maiores preocupações dos empresários brasileiros  e que não se proteger contra as possíveis alterações tributárias “é uma temeridade e um risco  que  não  pode  ser  corrido  sem  salvaguardas.”.  Afirma  que  fiscalização,  “fugindo  do  escopo  principal do contrato, omitiu­se em avaliar as reais condições negociais e os riscos assumidos  pelas partes que referendam a lisura e realidade dos negócios.” Diz, por fim, que as operações  foram  realizadas  sob  o  amparo  de  dois  contratos,  ambos  do  conhecimento  da  fiscalização.  Relata que está apresentado cópia dos dois,  ressaltando que não encontrou cópia do primeiro  no processo. Afirma que o primeiro é aquele que contém as cláusulas e condições transcritas no  Termo de Verificação nº 1  e que o  segundo,  firmado em 28/12/2006,  apresenta­se diferente:  com a condição aberta de prática de preços de mercado.  Porém,  a  autoridade  julgadora  recorrida,  mesmo  diante  da  descrição  substancial da motivação negocial  trazida pela  recorrente desde a fase de impugnação  tentou  demonstrar  que  ao  negócio  era  subjacente  uma  elaborada  combinação  de  fatores  que  caracterizariam uma situação de vantagem fiscal em prejuízo aos cofres públicos. Novamente,  digressiona sobre o ambiente econômico em que se inseriu o contrato celebrado com a LDC,  procurando explicar as cláusulas entabuladas e demonstrar o seu respaldo jurídico e motivação  negocial a dar validade ao contrato.  Rechaça a insinuação fiscal de houve verdadeira simulação visando a simples  transferência  de  créditos  fiscais.  Lembra  que  a  LDC  não  foi  incluída  no  polo  passivo  da  autuação,  nem  foi  intimada  a  prestar  esclarecimentos.  Se  de  simulação  se  tratasse,  todos  deveriam ser chamados a responder por ela.  Acusa  a  criação  de  um mecanismo  de  recolhimento  em  dobro  dos  tributos  envolvidos  na  operação,  já  que  a  vendedora  efetuou  o  recolhimento  dos  tributos  incidentes  sobre  a  venda  para  a  recorrente,  que  por  sua  vez  recolhe  novamente  os mesmos  tributos  (a  diferença  é  apenas  o  tributo  incidente  sobre  o  valor  agregado)  em  decorrência  da  glosa  dos  créditos tomados pela recorrente.  Sobre  a  alegação  de  que  a  LDC  é  a  controladora,  possuindo  total  domínio  sobre o negócio, entende que a concepção geral das exportações realmente foi estruturada pela  LDC, sendo, portanto de sua responsabilidade a viabilização e cumprimento dos contratos de  exportação, cabendo à  recorrente apenas desempenhar  a sua parcela  contratual cumprindo as  definições  constantes  do  preâmbulo,  com  obediências  das  cláusulas  acordadas,  mas,  é  ela  (recorrente) quem controla seus direitos e responde por suas obrigações.  Reitera  não  existe  acordo  espúrio  subjacente  ao  contrato  nem  foi  realizada  qualquer  forma de simulação,  tanto que os  contratos  foram  totalmente cumpridos  em  todo o  seu  rito  comercial  e  jurídico  e  os  resultados  obtidos  foram  atribuídos  aos  seus  beneficiários  também na forma contratual.  No  tópico  seguinte  “VI  – A FISCALIZAÇÃO ESTADUAL DO PARANÁ  JÁ  EXAMINOU  AS  OPERAÇÕES:”,  afirma  que  as  operações  questionadas  no  presente  processo  já  passaram  pelo  crivo  do  fisco  estadual.  Sustenta,  conforme  o  anexo  XXXVIII  Fl. 3944DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     12 juntado ao processo, que em procedimento de fiscalização formal, denominado Defesa Prévia,  a  SEFA Paraná  deu  o  parecer  (elaborado  pela  1ª Delegacia Regional  da Receita–  Inspetoria  Regional de Fiscalização – G2, em Curitiba) de que as operações se apresentam perfeitamente  regulares.  Prossegue  no  tópico  “VII  –  SOBRE  A  MULTA  APLICADA:”.  Defende,  primeiramente,  que  a  multa  de  ofício  aplicada  sobre  a  infração  de  Insuficiência  de  Recolhimento deve ser a de 75%, e não de 150%. Diz que a jurisprudência, tanto judicial como  administrativa,  é  predominante  nesse  sentido,  devendo  haver,  portanto,  uma  dissociação  das  infrações  submetidas  à  multa  de  ofício  normal  (75%)  das  submetidas  à  multa  duplicada  (150%). Com relação a outra  infração, “Compra de Produtos para Exportação– Derivados de  Soja”, sustenta que a simulação e o conluio devem ser provados, não bastando a suspeita ou a  presunção.  Reclama  que  não  houve  omissão  de  tributo,  ou  que,  muito  pelo  contrário,  a  existência do aventado conluio  impôs à LDC a  incidência das  contribuições  sobre as vendas  efetuadas  para  a  interessada.  Diz  que  a  empresa  LDC,  em  vista  de  seu  porte  e  condição  mercadológica,  jamais  se  envolveria  em  pequenos  conluios  ou  simulações.  Sustenta  que  as  vantagens estratégicas da empresa foram atingidas posto “que o negócio com a LD propiciou  uma  sinergia  empresarial  com alavancagem de negócios  e  resultados que  refoge  a  simples  e  pequenas  vantagens  financeiras  e  fiscais  do  negócio,  compensadas  largamente  pelos  efeitos  colaterais  obtidos.” Aduz  que  a  imputação  da  fiscalização  não  tem  qualquer  razoabilidade  e  que nulidade do contrato tornaria a LDC credora da fazenda pública, uma vez que as vendas  para  a  contribuinte  sofreram  incidência  das  contribuições.  Reclama  que  a  empresa  Louis  Dreyfus  deveria,  logicamente,  integrar,  também,  o  pólo  passivo  e  ser  responsabilizada  pelo  proveito que obteve com o conluio e a simulação. Questiona a forma estranha de exigir tributo  em  dobro,  sem  admitir  as  compensações  e  transferências  decorrentes,  e  que  implica  em  verdadeira  vedação  ao  princípio  da  não  cumulatividade  já  que  impede  a  recomposição  recomponha seus resultados tributários decorrentes dos efeitos da ação fiscal.  Retoma  a  descrição  das  vantagens  advindas  do  contrato  celebrado  coma  LDC,  apara  insistir  em  que  não  houve  qualquer  simulação,  já  que  estamos  diante  de  um  contrato  comercial  e mercadologicamente válido e diante de operações  realizadas dentro dos  estritos  trâmites  comerciais  e  fiscais  e  sem qualquer  falha  formal  levantada pela  fiscalização  que pudesse induzir ao comportamento da fiscalização de propor a nulidade do contrato Sendo  líticas as operações inquinadas, não só é descabida a aplicação da penalidade desproporcional e  agravada, como também é inadequada a tentativa indevida de cobrança do Pis e da Cofins sob  a  forma de glosa de seu crédito. Por fim, sustenta que as operações em discussão são  lícitas,  que  são  descabidas  as  glosas  de  seus  créditos  e  a  aplicação  da  penalidade,  e  que  a  falta  de  comprovação  dos  tipos  penais  (conluio  e  simulação)  impõem  o  cancelamento  da  multa  duplicada. Cita e transcreve jurisprudência que entende amparar sua tese de defesa.  À  guisa  deconclusão  e  requerimentos,  repisa  que  a  interdependência  inevitável desse processo com o processo nº 10980­725.964/2011­92 recomenda sua juntada e  uso para subsidiar o julgamento do presente recurso. Além de destinar­se a suportar afirmações  feitas  no  recurso,  a  juntada  desse  processo  serve  também  para  demonstrar  que  o  conteúdo  integral do mesmo é relevante. Afirma ter expedido razões de fato e de direito acerca de fatos e  de conceitos e  formalizou basicamente quatro preliminares, uma de nulidade do  lançamento,  uma de nulidade da decisão  recorrida, uma de homologação e outra de decadência. Pretende  vê­las  todas  apreciadas,  porém,  entende  que  é  aplicável  o  disposto  no  artigo  59,  §  3°,  do  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em caso de haver a conclusão de que o exame de  mérito pode cancelar integralmente a exigência, ou seja, que se atribua preferência ao mérito.  Alternativa  e  sucessivamente,  pede  que  a  diligência  solicitada  se  realize  em  todos  os  seus  efeitos  visando  ao  saneamento  completo  das  insuficiências  procedimentais  e  para  que  se  supram  as  falhas  de  acolhimento  ao  presente  processo  dos  efeitos,  conclusões  e  sugestões  Fl. 3945DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.940          13 emanadas do processo nº 10980­725.964/2011­92, o que  representará economia processual  e  também celeridade processual. Pede que do relatório da diligência seja  intimada e deferido o  prazo de 30 (trinta) dias para sobre ele se manifestar.  Pede cancelamento das exigências. Reitera ainda o acolhimento das provas e  anexos  juntados  à  impugnação,  à manifestação  sobre  o  relatório  da  diligência  anterior  e  ao  presente recurso voluntário Reproduz as relações das provas formalizadas nos três eventos.  O  processo  administrativo  correspondente  foi  materializado  na  forma  eletrônica,  razão pela qual  todas as  referências a  folhas dos autos pautar­se­ão na numeração  digitalmente estabelecida.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Alexandre Kern, Relator  Recurso de oficío  ADMISSIBILIDADE  A decisão recorrida julgou o  lançamento de ofício parcialmente procedente,  para excluir os valores de R$ 251.440,83 e R$ 1.158.151,72, relativos aos créditos tributários  lançados de PIS e Cofins, respectivamente, bem como as correspondentes parcelas relativas à  multa de ofício de 150% e aos acréscimos legais.  Exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em  valor  superior  ao  fixado  pela  Portaria  MF  nº  03,  de  2008,  conheço  do  recurso  de  ofício  impetrado pelo presidente da 3ª Turma da DRJ/CTA.  MÉRITO  Conforme  relatado,  a  decisão  recorrida  foi  precedida  de  diligência  para  verificação, quanto às notas fiscais de devolução listadas no Anexo X, se as mesmas foram ou  não consideradas na apuração das bases de cálculo das contribuições. A DRF/CTA emitiu entõ  o  despacho  de  fls.  1.401,  por  meio  do  qual  relata,  que  em  relação  às  Notas  Fiscais  de  Devolução, As mesmas não foram consideradas na apuração das bases de cálculo dos autos de  infração. Ainda,  em  virtude  de  existirem  diferenças  entre  os  valores  totais  demonstrados  na  contabilidade  da  empresa  e  os  constantes  do  demonstrativo  apresentado  na  impugnação,  elaborou  duas  planilhas:  Planilha  A,  com  a  apuração  baseada  nos  arquivos  digitais  de  escrituração contábil e documentos fiscais  e Planilha B, com a apuração baseada na relação de  Notas Fiscais de Devolução apresentada na impugnação. Transcrevo­as para maior clareza (fls.  1.402):  PLANILHA A  PLANILHA B MÊS  Escriturado  PIS (1,65%)  COFINS (7,6%)  Impugnação  PIS (1,65%)  COFINS (7,6%)  02/2007  130.292,17  2.149,82  9.902,20  130.292,17  2.149,82  9.902,20  03/2007  552.734,56  9.120,12  42.007,83  552.734,56  9.120,12  42.007,83  Fl. 3946DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     14 PLANILHA A  PLANILHA B MÊS  Escriturado  PIS (1,65%)  COFINS (7,6%)  Impugnação  PIS (1,65%)  COFINS (7,6%)  05/2007  260.168,63  4.292,78  19.772,82  260.168,63  4.292,78  19.772,82  06/2007  471.684,00  7.782,79  35.847,98  471.684,00  7.782,79  35.847,98  08/2007  583.072,00  9.620,69  44.313,47  583.072,00  9.620,69  44.313,47  09/2007  715.234,86  11.801,38  54.357,85  715.234,86  11.801,38  54.357,85  10/2007  1.440.095,13  23.761,57  109.447,23  1.440.095,13  23.761,57  109.447,23  11/2007  6.658.115,00  109.858,90  506.016,74  5.859.101,25  96.675,17  445.291,70  03/2008  4.245.694,22  70.053,95  322.672,76  3.736.210,91  61.647,48  283.952,03  05/2008  13.133,94  216,71  998,18  13.133,94  216,71  998,18  06/2008  2.001.044,91  33.017,24  152.079,41  2.001.044,91  33.017,24  152.079,41  07/2008  2.320.850,38  38.294,03  176.384,63  2.207.746,95  36.427,82  167.788,77  09/2008  554.563,03  9.150,29  42.146,79  554.563,03  9.150,29  42.146,79  11/2008  59.261,85  977,82  4.503,90  59.261,85  977,82  4.503,90  Total  20.005.944,88  330.098,09  1.520.451,79  18.584.344,19  306.641,68  1.412.410,16  A propósito das conclusões da diligência, o autuado assentiu que houve erro  de  transcrição das notas  fiscais na  impugnação, propondo que se adote a planilha  A , posto  que estavam corretas as informações constantes dos arquivos digitais entregues à Fiscalização.  Mesmo  diante  da  opinião  contrário  da  autoridade  diligenciante,  a  ínclita  3ª  Turma  da  DRJ/CTA,  em  nome  do  princípio  da  verdade  material,  acolheu  a  Planilha  A,  e  reduziu as bases de cálculo do lançamento.  Fê­lo bem.  A função primordial do contencioso administrativo fiscal é a de controle de  legalidade.  È  inadmissível  que  se mantenha  a  exigência  de  parcelas  sabidamente  indevidas,  mesmo diante  de  contribuinte  relapso,  que  deixa  de  consignar nos Dacons  as  devoluções  de  vendas  e  até  mesmo  em  suas  alegações  de  defesa  (os  valores  das  NFs  apresentadas  na  impugnação eram­lhe francamente desfavoráveis relativamente aos constantes da escrituração  eletrônica).  Negue­se provimento ao recurso de ofício.  Recurso voluntário  ADMISSIBILIDADE  Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 2.311 a 2.431 merece ser  conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ­CTA­3ª Turma nº 096­44.363, de 27  de novembro de 2013.  Pedido de juntada dos processos nº 10980.725964/2011­92 e 10980.723782/2013­49  A  anexação  das  peças  do  processo  nº  10980.725964/2011­92,  atinente  ao  primeiro procedimento fiscal, ao presente processo, é providência desnecessária.  Analisando  os  autos,  constatei  que  já  estão  autuadas  todas  as  provas  necessárias para o enfrentamento das controvérsias. A Fiscalização, de um lado, não descuidou  de  seu  dever  de  lastrear  as  infrações  que  imputou  ao  autuado.  Este  por  sua  vez,  tratou  de  carrear ao processo todas as peças do processo nº 10980.725964/2011­92 a que se referiu, ou  na  impugnação,  ou  no  recurso  voluntário  (Anexos  das  fls.  503  a  944,  que  instruíram  a  impugnação, e fls. 2.998 a 3.932, ao recurso voluntário). A providência, nesse contexto, seria  absolutamente redundante.  Fl. 3947DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.941          15 Indefiro.  Pedido de  julgamento  conjunto dos processos 10980.729864/2012­16 e  10980.723782/2013­ 49  No que diz  respeito  ao  julgamento  simultâneo  dos  processos  relativos  à  2   (presente) e à 3  fiscalização, é de se esclarecer que não existe previsão ou determinação legal  para  que  o  mesmo  seja  realizado,  ficando  a  cargo  da  autoridade  julgadora,  respeitada  a  legislação que rege a matéria, o momento mais oportuno para a  realização do  julgamento de  cada um dos processos.  Esclareço ao recorrente que esta instância tem regras próprias de distribuição  e  sorteio  de  processos,  constantes  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com  as  alterações  introduzidas  pela  Portaria  MF  nº  586,  de  21  de  dezembro  de  2010–DOU  de  22.12.2010, e que não se subordinam às conveniências das partes.  Pedido de diligência  A recorrente renova o pedido de diligência ou de perícia com objetivo de ver  elucidadas 8 (oito) questões propostas:  1 .   Os  recolhimentos  de  Pis  e  Cofins  indicados  na  impugnação  são  reais  e  os  recursos efetivamente ingressgram nos cofres públicos?  2.  Os  valores  constantes  dos  DACONs  retificadores  coincidem  com  os  valores  inseridos pela autuada nos anexos VIII e IX?  3.  Os  DACONs  retificadores  foram  efetivamente  transmitidos  e  recebidos  pelo  sistema de controle eletrônico da SRFB?  4.  As  cópias  de  formulários DACON  retificadores  representam  efetivamente  aos  formulários transmitidos?  5.  Os dados e valores alterados relativos ao débito de Pis e Cofins pela autuada nos  Dacons retificadores podem ser considerados fiéis e idôneos em correspondência com a  documentação e escrita fiscal da autuada?  6.  Os  valores  finais  constantes  do  Relatório  da  Auditoria  (Anexo  XXXI  à  manifestação  s/diligência prot.  31.07.2013)  são  adequados  e  refletem os valores  fiscais  declarados  (DACONs)  pela  empresa,  incluindo­se  os  valores  constantes  dos DACONs  retificadores?  7.  Os  documentos  disponibilizados,  ainda  à disposição  na  sede  administrativa da  recorrente de quem os  irá examinar, mencionados acima, são refletidos adequadamente  nos valores constantes dos DACONs retificadores?  8.  Podem  ser  aduzidas  quaisquer  considerações  que  a  autoridade  diligenciante  entender adequada ao deslinde das questões  formuladas quanto à  idoneidade dos dados  das planilhas de Pis e Cofins transcritas às fls. 20 e 21 da manifestação s/diligência.  Fl. 3948DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     16 Em que pese a  insistência da recorrente para a realização da diligência, fica  patente a sua prescindibilidade. Todos os questionamentos elaborados, ou já foram respondidos  pela  diligência  e  pela  decisão  recorrida,  ou  serãorespondidos  no  presente  voto,  ou  não  têm  qualquer importância para o deslinde das controvérsias, ou finalmente, destinam­se à produção  de provas que tocava à parte produzir, no momento processual próprio.  Quanto  aos  documentos  das  folhas  2.227  a  2.246  (Anexos  XXIX,  XXX  e  XXXI), referentes a  levantamento encomendado a empresa de auditoria externa, observo que  os mesmo foram juntados aos autos, em 04/08/2013, foram do momento processual adequado,  que findou em a apresentação da impugnação tempestiva, operando­se a preclusão.  Ainda que não bastasse a preclusão, trata­se de levantamento unilateral e sem  qualquer  valor  probante,  já  que  não  se  faz  acompanhado  da  escrituração,  devidamente  conciliada.  Como enfatizado na decisão recorrida, na hipótese de haver qualquer erro na  apuração procedida pela Fiscalização, ou mesmo na escrituração do contribuinte, a exemplo do  que  aconteceu  com  as  Notas  Fiscais  de  Devolução,  é  dever  processual  do  contribuinte,  enquanto  impugnante  ou  recorrente,  comprovar  o  erro  por  meio  de  documentos  fiscais  e  contábeis que concedam o suporte necessário aos fatos alegados. A apresentação de planilhas,  se  contribui  para  a  demonstração  dos  fatos  alegados,  não  tem  o  condão  de  isoladamente  comprová­los.  Fez  bem  a  decisão  recorrida  em  não  conhecer  dos  Anexos XXIX,  XXX  e  XXXI.  PRELIMINARES  De nulidade do procedimento fiscal  A  decisçao  recorrida  mantém­se  com  base  ns  seus  próprios  jurídicos  fundamentos.  O art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF só cogita de  nulidade  de  auto  de  infração  quando  lavrado  por  agente  incompetente,  ou  na  ocorrência  de  cerceamento do direito de defesa.  De agente  incompetente não se  trata. A agente  fiscal é AFRFB,  legalmente  imbuído do poder­dever de constituir crédito tributário mediante seu lançamento de ofício.  Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em  nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este  lhes  houver  dado  causa.  Caso  não  influam  na  solução  do  litígio,  também  prescindirão  de  saneamento.  Não  menos  importante,  os  autos  de  infração  revestem­se  de  todos  os  requisitos  formais  de  validade  erigidos  no  art.  10  do  PAF.  Os  fatos  que  ensejaram  os  lançamentos  tributários  foram  detalhadamente  descritos  nas  peças  fiscais,  instruídas  com  demonstrativos que apontaram as bases de cálculo e os valores das  respectivas contribuições  devidas  em  cada  período  de  apuração.  Foram,  também,  demonstradas  as  devidas  correspondências  entre  os  fatos  constatados  e  as  hipóteses  de  incidência  tributária,  as  penalidades aplicáveis pelo descumprimento da obrigação principal, e a  fundamentação  legal  (dispositivos legais infringidos).  Fl. 3949DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.942          17 A inserção de cópia do “Instrumento de Compra e Venda de Mercadorias e  Outras Avenças, firmado em 28/12/2006” (com a empresa Louis Dreyfus Commodities Brasil  S.A.)  no  procedimento  de  diligência  em  nada  interfere  na  validade  dos  autos  de  infração  contestados,  posto  que,  como  se  viu,  foram  cumpridas  todas  as  formalidades  legais  para  a  realização dos lançamentos tributários, e que referido documento foi gerado (em parceira com  a outra citada empresa) pela própria contribuinte. Trata­se de documento da própria recorrente  de sorte que a sua falta não lhe representou qualquer prejuízo.  Improcede portanto a alegação de que a juntada de cópia do Instrumento de  Compra  e  Venda  de  Mercadorias  e  Outras  Avenças,  firmado  em  28/12/2006,  aos  autos  representa um “novo lançamento” e ocasiona a nulidade dos lançamentos contestados, por ter  se configurado cerceamento ao direito de defesa.   Primeiro, porque a interessada não pode negar desconhecimento do conteúdo  de documento que ela mesma (em conjunto com a empresa LDC) tenha produzido. Segundo,  porque  a  nulidade  por  preterição  do  direito  de  defesa,  como  se  infere  do  art.  59,  inciso  II  (acima), somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às  decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração.  Terceiro, porque, como visto acima, a autoridade tributária relata de forma clara e objetiva, nos  autos de infração, todos os componentes relativos aos lançamentos: os períodos de apuração, as  bases de cálculos utilizadas, as alíquotas, as contribuições lançadas, a multa e encargos legais  aplicados,  e  os  dispositivos  legais  infringidos,  constando  descrição  detalhada  (nas  peças  fiscais)  da  motivação  dos  lançamentos.  Quarto,  porque  as  peças  impugnatória  e  recursal  contrariam  a  tese  da  reclamante  de  cerceamento  do  direito  de  defesa,  pois  nas  mesmas  identifica­se uma defesa realizada com grande desenvoltura e que ataca  todos os aspectos do  lançamento, revelando que o contribuinte tomou o conhecimento do exato teor das acusações  que lhe foram imputadas. Por último, verifica­se, também, que não houve qualquer limitação à  possibilidade  de  defesa  da  autuada,  já  que  ela  teve  livre  acesso  a  todas  as  informações  constantes dos autos e que não houve qualquer restrição ao seu direito de contestar a exigência  lançada ou qualquer empecilho relativo à produção de provas.  Rejeito a preliminar.  De nulidade da decisão recorrida  A recorrente  inquina a decisão  recorrida de nulidade por  ter­lhe cerceado o  direito de defesa, na medida em que não executou a diligência nos  termos em que  lhe foram  propostos.  Segundo  a  dicção  do  art.  18  do  PAF,  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância determinará a  realização de diligências ou perícias, quando entendê­las necessárias,  indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.  Veja  a  recorrente:  a  realização  de  diligências  é  de  discricionariedade  da  autoridade  julgadora  (e  não  da  parte).  E  a  3ª  Turma  da  DRJ/CTA,  unânime  e  fundamentadamente, decidiu ser dispensável a providência.  O que fazer? Conforme­se. Ou recorra ao Poder Judiciário.  Fl. 3950DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     18 De decadência  Também  quanto  à  decadência  arguida,  apoio­me  integralmente  no  voto  condutor da decisão recorrida, que adoto como razão de decidir.  No lançamento por homologação, nos termos do caput e § 4º do art. 150 do  CTN, o prazo decadencial de cinco anos começa a ser contado, para cada período de apuração,  a partir da ocorrência do  respectivo  fato gerador,  salvo se comprovada a ocorrência de dolo,  fraude ou simulação, caso em que a regra de contagem passa a ser aq2uela do inc. I do art. 173  do CTN.  No caso em análise, a Fiscalização narra a ocorrência de ação dolosa tendente  a reduzir o montante dos tributos devidos, por meio da transferência ardilosa de créditos de PIS  e Cofins.  Como se verá na continuação deste voto, acolho a acusação fiscal.  Assim, aplicando­se a regra de contagem do prazo decadencial que estipula o  dies a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido  realizado, em 27/12/2012, data da lavratura dos autos de infração, o direito de constituição de  crédito tributário referente ao fato gerado mais antigo (30 de novembro de 2007) estava hígido.  Prejudicial de Homologação Tácita e Expressa  Tal como na impugnação, o recorrente aventa a ocorrência de homologação  tácita  dos  débitos  lançados  no  presente  processo  (dos  períodos  de  11/2007  a  12/2008),  ou  mesmo de sua homologação expressa por ocasião do encerramento da primeira auditoria fiscal.  Para  que  ocorra  a  homologação  tácita  e/ou  a  homologação  expressa  no  lançamento  por  homologação,  conforme  se  verifica  pela  leitura  do  art.  150  do  CTN,  é  necessário,  além  de  inocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  que  haja  a  antecipação  de  pagamento  do  tributo.  No  caso  dos  autos,  entretanto,  para  os  períodos  de  apuração  citados  (11/2007 a 12/2008),  não houve qualquer  recolhimento  antecipado das  contribuições  sociais,  nem mesmo antes do primeiro procedimento fiscal. Assim, mesmo que não fosse considerada a  ocorrência de  dolo,  fraude  ou  simulação  que motivaram os  lançamentos  tributários,  o  fato  é  que, para o período fiscalizado (11/2007 a 12/2008), não se aplicariam as regras do lançamento  por homologação à míngua de pagamentos homologáveis.  Prejudicial de preclusão do direito do Fisco de reabrir o procedimento fiscal  A  recorrente  apega­se  à  locução  “FINAL”  constante  do  Termo  de  Verificação  e  Encerramento  Final  da  Ação  Fiscal,  emitido  em  18/11/2011,  nos  autos  do  processo nº 10980.725964/2011­92, para alegar a preclusão do direito do Fisco de retomar o  procedimento fiscal já encerrado.  Quanto à possibilidade de se efetuar mais de uma fiscalização sobre o mesmo  débito  tributário,  é  de  se  observar,  primeiramente,  a  previsão  contida  no  art.  906,  do  Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de Março de 1999 –  RIR/99.  O  Mandato  de  Procedimento  Fiscal  nº  0910100.2012014714,  expedido  de  autoridade  competente,  expressamente  autorizou  a  realização  do  segundo  exame  para  as  contribuições sociais não cumulativas  (PIS e Cofins) dos períodos de apuração de 11/2007 a  12/2008.  Fl. 3951DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.943          19 Ademais,  o  art.  149  do CTN,  inc. VII,  prevê  a  possibilidade de  revisão  do  lançamento  de  ofício  quando  se  comprove  que  o  sujeito  passivo,  ou  terceiro  em  benefício  daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação, exatamente o caso de que se trata, como se verá  adiante.  Exceção de pagamento  A  recorrente,  inespecificamente,  brada  que  o  lançamento  não  levou  em  consideração o pagamento efetuado para quitação dos autos de infração objeto do processo nº  10980.725964/2011­92 (primeira fiscalização).  Improcedentemente.  Atente­se  para  o  fato  de  que  o  alvo  da  presente  autuação  é  o  período  de  11/2007  a  12/2008.  Quanto  ao  período  de  01/2007  a  10/2007,  a  auditoria  cingiu­se  à  verificação  dos  créditos  da  não  cumulatividade,  tendo  em  vista  a  informação  de  créditos  de  períodos  anteriores  à  outubro  de  2007,  nos  Dacon  retificadores,  e  o  dever  de  comprovação  desses  créditos,  por  parte  da  contribuinte.  Aproveitando­se  das  apurações  realizadas  no  primeiro  procedimento,  a  Fiscalização  elaborou  o Anexo  III,  do  Termo  de Verificação  nº  1  (presente procedimento), o qual, na coluna “K” (“Crédito Tributário Constituído e Extinto pelo  Pagamento”), demonstra somente os pagamentos que têm influência na apuração dos créditos  tributários lançados (dos períodos de 11/2007 a 12/2008). Em outras palavras, referido anexo  não  demonstra  os  pagamentos  realizados  anteriormente  à  primeira  fiscalização  (janeiro  e  fevereiro de 2007), posto que no período de 01/2007 a 10/2007 houve somente a revisão dos  créditos  da  não  cumulatividade,  demonstrando,  por  outro  lado,  os  pagamentos  relativos  aos  autos de infração decorrentes da primeira fiscalização, realizados em janeiro e março de 2008,  pelo fato de que somente estes últimos influenciaram nos lançamentos contestados.  Repise­se:  o  referido  Termo  de  Verificação  nº  1  utilizou­se  de  todas  as  apurações  realizadas  na  primeira  fiscalização  e  considerou  todos  os  pagamentos  realizados  antes dela,  relativos  às  antecipações de pagamento das  contribuições dos meses de  janeiro  e  fevereiro de 2007, nos valores de R$ 63.628,01 e R$ 80.901,98, para o PIS, e de R$ 293.074,49  e R$ 372.369,43, para a Cofins, respectivamente. Atestam tal constatação o “Anexo 1 – Papeis  de Trabalho – Apuração PIS – Base de Cálculo Fiscalização” e “Anexo 2 – Papeis de Trabalho  –  Apuração  Cofins  –  Base  de  Cálculo  Fiscalização”,  ambos  pertencentes  ao  “Termo  de  Verificação e Encerramento Final da Ação Fiscal” (cópias juntadas ao presente processo).  Poder vinculante dos Dacon retificadores  A recorente pranteia a não consideração dos Dacon retificadores. O lamúrio  já constou da impugnação.  Nos  termos do  art.  11,  § 2º,  da  Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de  janeiro  de  2005,  editada  sob  expressa  delegação  da  Medida  Provisória  nº  1.788,  de  29  de  dezembro de 1998, convertida na Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, o contribuinte perde  definitivamente  a  espontaneidade  para  a  retificação  do  Demonstrativo  de  Apuração  das  Contribuições para o PIS/Cofins ­ DACON – e não a readquirirá jamais ­ depois de intimado  do  início  do  procedimento  fiscal  e/ou  quando  tenha  ocorrido  algum  exame  fiscal.  Isto  se  justifica  porque  a  autoridade  fiscal,  como  demonstrou  saber  a  recorrente,  quando  da  análise  fiscal  tem  o  poder/dever  de  verificar  a  confiabilidade  do  demonstrativo  e  auditar  tanto  os  débitos quantos os créditos informados no mesmo.  Fl. 3952DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     20 Como não poderia deixar de ser, a autoridade tributária considerou, em face  da  legislação  acima mencionada,  para  efeitos  de  análise  fiscal  (tanto  na  primeira  quanto  na  segunda fiscalização) todos os Dacon (originais e retificadores) entregues até a data de início  da  primeira  fiscalização,  ou  seja,  todos  aqueles  entregues  até  14/02/2011. No  demonstrativo  abaixo, marcadas em amarelo, estão os Dacon considerados na ação fiscal, que iniciou­se em  15/08/2012, cfe. A.R. de fls. 139:  CNPJ  ND  DACON  DATA  INICIAL  DATA  FINAL  TIPO  DATA DA  ENTREGA  SITUAÇÃO  76.189.406/0001­26  0000100200702546851  Mensal  01/11/2007  30/11/2007  Original  04/01/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200702589982  Mensal  01/12/2007  31/12/2007  Original  06/02/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200703878035  Mensal  01/11/2007  30/11/2007  Retificador  28/08/2012  Normal  76.189.406/0001­26  0000100200703878524  Mensal  01/12/2007  31/12/2007  Retificador  18/10/2012  Normal  76.189.406/0001­26  0000100200800005404  Mensal  01/01/2008  31/01/2008  Original  03/04/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200800005411  Mensal  01/02/2008  29/02/2008  Original  03/04/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200800040055  Mensal  01/03/2008  31/03/2008  Original  08/05/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200800062758  Mensal  01/04/2008  30/04/2008  Original  04/06/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200800094235  Mensal  01/05/2008  31/05/2008  Original  07/07/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200800203204  Mensal  01/06/2008  30/06/2008  Original  05/08/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200800646898  Mensal  01/07/2008  31/07/2008  Original  05/09/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200803199042  Mensal  01/08/2008  31/08/2008  Original  01/10/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200807059080  Mensal  01/09/2008  30/09/2008  Original  03/11/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200807113296  Mensal  01/10/2008  31/10/2008  Original  05/12/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200807127868  Mensal  01/01/2008  31/01/2008  Retificador  16/12/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200807127884  Mensal  01/02/2008  29/02/2008  Retificador  16/12/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200807127985  Mensal  01/03/2008  31/03/2008  Retificador  16/12/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200807128006  Mensal  01/04/2008  30/04/2008  Retificador  16/12/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200807128013  Mensal  01/05/2008  31/05/2008  Retificador  16/12/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200807128087  Mensal  01/06/2008  30/06/2008  Retificador  16/12/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200807128114  Mensal  01/07/2008  31/07/2008  Retificador  16/12/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200807128115  Mensal  01/08/2008  31/08/2008  Retificador  16/12/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200807128215  Mensal  01/09/2008  30/09/2008  Retificador  16/12/2008  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200900369072  Mensal  01/10/2008  31/10/2008  Retificador  02/06/2009  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200900370975  Mensal  01/11/2008  30/11/2008  Original  02/06/2009  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100200900394179  Mensal  01/12/2008  31/12/2008  Original  03/06/2009  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100201007210939  Mensal  01/09/2008  30/09/2008  Retificador  21/01/2011  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100201007210954  Mensal  01/12/2008  31/12/2008  Retificador  21/01/2011  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100201007210955  Mensal  01/10/2008  31/10/2008  Retificador  21/01/2011  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100201007210956  Mensal  01/11/2008  30/11/2008  Retificador  21/01/2011  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100201008066708  Mensal  01/12/2008  31/12/2008  Retificador  16/12/2011  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100201008128899  Mensal  01/01/2008  31/01/2008  Retificador  04/01/2013  Normal  76.189.406/0001­26  0000100201008128900  Mensal  01/02/2008  29/02/2008  Retificador  04/01/2013  Normal  76.189.406/0001­26  0000100201008128901  Mensal  01/03/2008  31/03/2008  Retificador  04/01/2013  Normal  76.189.406/0001­26  0000100201008128905  Mensal  01/04/2008  30/04/2008  Retificador  04/01/2013  Normal  76.189.406/0001­26  0000100201008128906  Mensal  01/05/2008  31/05/2008  Retificador  04/01/2013  Normal  76.189.406/0001­26  0000100201008128907  Mensal  01/06/2008  30/06/2008  Retificador  04/01/2013  Normal  76.189.406/0001­26  0000100201008128908  Mensal  01/07/2008  31/07/2008  Retificador  04/01/2013  Normal  76.189.406/0001­26  0000100201008128911  Mensal  01/08/2008  31/08/2008  Retificador  04/01/2013  Normal  76.189.406/0001­26  0000100201008128949  Mensal  01/09/2008  30/09/2008  Retificador  05/01/2013  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100201008128950  Mensal  01/10/2008  31/10/2008  Retificador  05/01/2013  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100201008128951  Mensal  01/11/2008  30/11/2008  Retificador  05/01/2013  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100201008128952  Mensal  01/12/2008  31/12/2008  Retificador  05/01/2013  Normal*  76.189.406/0001­26  0000100201008131425  Mensal  01/12/2008  31/12/2008  Retificador  26/01/2013  Normal  76.189.406/0001­26  0000100201008131426  Mensal  01/11/2008  30/11/2008  Retificador  26/01/2013  Normal  76.189.406/0001­26  0000100201008131427  Mensal  01/10/2008  31/10/2008  Retificador  26/01/2013  Normal  76.189.406/0001­26  0000100201008131428  Mensal  01/09/2008  30/09/2008  Retificador  26/01/2013  Normal  Consulta Dacon 2.3 Legislação Orientações ao Usuário Consulta Operacional  Eventuais erros de fato que remanescessem mesmo depois dos procedimentos  de  auditoria  poderiam  ser  retificados  pelo  contribuinte  no  curso  contencioso  administrativo  fiscal, que ora se desenrola.  A única alteração proposta pela recorrente foi a relativa às Notas Fiscais de  Devolução, que foi devidamente acolhida pela autoridade julgadora de primeira instância.  O  contribuinte  realmente  readquiriu  a  espontaneidade  entre  o  primeiro  e  o  segundo procedimento  fiscal. Entretanto, os Dacon  retificadores  foram apresentados  somente  Fl. 3953DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.944          21 após o início da 2ª fiscalização, que ora se controverte. Ademais, reduziu débitos em desacordo  com a conclusão da 1ª fiscalização, o que também impede que o Dacon produza efeitos, cfe. §  2° do art. 11 da IN­SRF nº 590, de 2005, então vigente:   Art.11.Os  pedidos  de  alteração  nas  informações  prestadas  no  Dacon  serão  formalizados  por  meio  de  Dacon  retificador,  mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  o  demonstrativo retificado.  §1ºO Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo  originariamente  apresentado,  substituindo­o  integralmente,  e  servirá  para  declarar  novos  débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração  nos créditos informados em demonstrativos anteriores.  §2ºNão será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os  débitos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins:  I­  que  já  tenham  sido  enviados  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  para  inscrição  em Dívida  Ativa  da União,  nos  casos  em que o pleito importe alteração desses débitos;  II­ em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em  procedimento  de  ofício,  relativas  às  informações,  indevidas  ou  não  comprovadas,  prestadas  no  Dacon  original  e  que  tenham  sido  enviados  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  para  inscrição em Dívida Ativa da União; ou  III­ em relação aos quais o  sujeito passivo tenha sido  intimado  do início de procedimento fiscal.  §3ºA retificação de valores informados no Dacon, que resulte em  alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da  União, somente poderá ser efetuada, pela Secretaria da Receita  Federal,  nos  casos  em  que  houver  prova  inequívoca  da  ocorrência de erro de fato no preenchimento do demonstrativo.  §4ºA pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando  valores  que  tenham  sido  informados  em  DCTF,  deverá  apresentar, também, DCTF retificadora.  §5ºA retificação de Dacon não será admitida com o objetivo de  alterar a periodicidade, mensal  ou  semestral,  de demonstrativo  anteriormente apresentado.  A Instrução Normativa RFB nº 940, de 19 de maio de 2009, que sucedeu à  IN­SRF nº 594, de 2005, manteve a disposição. Já a Instrução Normativa RFB nº 1.015, de 5  de março de 2010, atualmente em vigor, merece destaques:  Art.  10. A alteração das  informações prestadas  em Dacon, nas  hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação  de  demonstrativo  retificador,  elaborado  com  observância  das  mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado.  Fl. 3954DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     22 §  1º  O  Dacon  retificador  terá  a  mesma  natureza  do  demonstrativo  originariamente  apresentado,  substituindo­o  integralmente, e  servirá para declarar novos débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores  de  débitos  já  informados  ou  efetivar  alteração nos créditos e retenções na fonte informados.  § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto:  I  ­  reduzir  débitos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins:  a)  cujos  saldos  a  pagar  já  tenham  sido  enviados  à  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  para  inscrição  em Dívida  Ativa  da União  (DAU),  nos  casos  em  que importe alteração desses saldos;  b)  cujos  valores  apurados  em  procedimentos  de  auditoria  interna,  relativos  às  informações  indevidas  ou  não  comprovadas  prestadas  no  demonstrativo  original,  já  tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou  c)  que  tenham  sido  objeto  de  exame  em  procedimento  de  fiscalização;  II  ­  alterar  débitos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  em  relação  aos  quais  a  pessoa  jurídica  tenha  sido  intimada de início de procedimento fiscal.  § 3º A  retificação de  valores  informados no Dacon que  resulte  em  redução  do  montante  do  débito  já  enviado  à  PGFN  para  inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame  em  procedimento  de  fiscalização,  somente  poderá  ser  efetuada  pela  RFB  nos  casos  em  que  houver  prova  inequívoca  da  ocorrência de erro de fato no preenchimento do demonstrativo.  §  4º  Na  hipótese  do  inciso  II  do  §  2º,  havendo  recolhimento  anterior ao  início do procedimento  fiscal, em valor superior ao  demonstrado, a pessoa jurídica poderá apresentar demonstrativo  retificador,  em  atendimento  a  intimação  fiscal  e  nos  termos  desta,  para  sanar  erro  de  fato,  sem  prejuízo  das  penalidades  previstas no Capítulo II.  § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando  valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e  Créditos  Tributários  Federais  (DCTF),  deverá  apresentar,  também, DCTF retificadora.  Incide no caso a Súmula CARF nº 33, aprovada em 08/12/2009:  Súmula CARF nº 33:  A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não  produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.  MÉRITO  Antes de adentrar­se definitivamente no mérito das operações de compra de  soja  para  posterior  exportação,  objeto  da  autuação,  deve­se  espancar,  definitivamente,  a  insinuação  recursal  de  que  a  Fiscalização  do  Estado  do  Paraná  já  teria  chancelado  tais  Fl. 3955DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.945          23 operações. As operações analisadas pelo Fisco Estadual referem­se a período diverso (10/2009  a  08/2012).  Ainda  que  assim  não  fosse,  e  tivesse  a  1   Delegacia  Regional  da  Receita    Inspetoria Regional de Fiscalização paranaense analisado exatamente os mesmos períodos, sua  decisão jamais vincularia o Fisco federal.  A recorrente  insiste na correção das operações de exportação e a  legalidade  dos  créditos  relativos  às  compras  de  derivados  de  soja  a  Louis  Dreyfus  Commodities  S/A.  Sustenta que se aliou à referida sociedade para aprender a logística e desenvolver experiência  no mercado de exportação e que, apesar de obter pouca vantagem financeira com as operações,  a motivação para contratar com a referida empresa consta do próprio contrato. Argumenta que  a Fiscalização presumiu o acordo de simulação com base em dois tópicos isolados e de menor  importância  do  contrato,  e  que  toda  a  documentação,  relativa  à  movimentação  física  e  à  transmissão  jurídica  das  mercadorias,  foi  examinada,  não  sendo  apontada  nenhuma  irregularidade  formal,  comercial  ou  de  logística.  Argumenta  que  as  operações  examinadas  estão  perfeitas,  atendendo  ao  escopo  do  contrato,  e  que  o  transporte  direto  da mercadoria  é  necessário por uma opção logística, já que a armazenagem intermediária na cidade de Curitiba  implicaria um aumento de custos. Sustenta que o fluxo financeiro comprova as operações, uma  vez que recebe diretamente dos seus clientes o valor relativo às vendas efetuadas e que paga à  LDC  o  preço  contratado  pelas  compras  efetuadas.  Diz  que  a  efetividade  do  contrato  e  dos  negócios  pode  ser  confirmada  pela  exigência  da  LDC  de  que  todas  as  operações  fossem  garantidas através de carta de fiança. Defende a condição de já haver preço pré­avençado das  mercadorias e que assunção total da responsabilidade em relação à qualidade dos produtos pela  LDC é prática comum de mercado, sendo que jamais poderia se responsabilizar pelos produtos  fabricados por outra empresa. Diz que a proteção estabelecida pela cláusula 14 do contrato visa  a  assegurar  a  tranquilidade  e  segurança  para  ambas  as  partes,  buscando  a  proteção  contra  possíveis  alterações  tributárias.  Afirma  que  Fiscalização  apegou­se  em  “esparsas  expressões  contratuais  periféricas”,  mas  que  “o  contrato  está  cercado  por  regras  bilaterais  e  divisão  precípua de riscos e responsabilidades que comprovam a lisura do negócio e a efetividade das  operações.”  Sustenta,  por  fim,  que  as  operações  foram  realizadas  sob  o  amparo  de  dois  contratos, ambos do conhecimento da Fiscalização. Relata que está apresentado cópia dos dois,  ressaltando que não encontrou cópia do primeiro no processo. Afirma que o primeiro é aquele  que contém as cláusulas e condições transcritas no Termo de Verificação nº 1 e que o segundo,  firmado em 28/12/2006, apresenta­se diferente: com a condição aberta de prática de preços de  mercado.  Na  Manifestação  s/relatório  de  diligência”,  apresentada  em  01/07/2013,  a  contribuinte reafirma a validade das operações de exportação, bem como dos créditos de PIS e  Cofins  relativos  às  aquisições  de  soja.  Aduz,  quanto  à  afirmação  da  Fiscalização  de  que  a  alteração contratual foi realizada com o intuito de receber os créditos de PIS e Cofins de outros  contribuintes, que a mesma é fantasiosa e não tem qualquer comprovação. Afirma, ainda, que a  alteração do contrato social, contemplando a atividade de importação e exportação de gêneros  alimentícios,  ocorreu  em 1990,  ou  seja,  17  (dezessete)  anos  antes  dos  fatos  ditos  simulados.  Para ilustrar suas alegações, o autuado fez juntar aos autos os seguintes contratos:  a)  Instrumento  Particular  de  Compra  e  Venda  de  Mercadorias e Outras Avenças (fls. 909 a 924), assinado  em 02 de janeiro de 2006, por meio do qual Comércio e  Indústrias Brasileiras Coinbra S/A (razão social anterior  de  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  S/A)  se  compromete  a  vender  para  Condor  produtos  (óleo  de  Fl. 3956DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     24 soja  degomado,  óleo  de  soja  refinado  e  farelo  de  soja)  que representem o valor de R$ 60.000.000,00, de acordo  com  o  Contrato  de  Fornecimento  de  Mercadorias  (Anexo  2)  celebrado  simultaneamente.  Alem  desse  anexo,  constam  ainda  Anexo  1  Relação  dos  Clientes   Capa de rosto do Anexo 2 (Contrato de Fornecimento de  Mercadorias acima citado); Anexo 3   Minuta Padrão da  Confirmação  de  Negócio  a.1.4);  Anexo  4    Minuta  Padrão das Instruções.  b)  Contrato  de  Fornecimento  de  Mercadorias  (fls.  937  a  944), assinado em 28 de dezembro de 2006, por meio do  qual  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  S/A  se  compromete  a vender para o Condor produtos  (óleo de  soja  degomado,  óleo  de  soja  refinado  e  farelo  de  soja)  que representem o valor total de R$ 120.000.000,00.  A Fiscalização já havia instruído os autos de infração com:  a)  Instrumento  Particular  de  Compra  e  Venda  de  Mercadorias e Outras Avenças (fls. 956 a 968), assinado  em  10  de  janeiro  de  2008,  por  meio  do  qual  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  S/A  se  compromete  a  vender para o Condor produtos (óleo de soja degomado,  óleo de soja refinado e farelo de soja) que representem o  valor  total  de  R$  120.000.000,00,  de  acordo  com  o  Contrato  de  Fornecimento  de  Mercadorias  (Anexo  1)  celebrado  simultaneamente.  Alé,  desse,  constam  também como anexo Capa de rosto do Anexo 1; Anexo  2 – Minuta Padrão da Confirmação de Negócio; Anexo  3 – Minuta Padrão de Instruções.  b)  Instrumento  Particular  de  Compra  e  Venda  de  mercadorias e Outras Avenças (fls. 969 a 981), assinado  em  28  de  dezembro  de  2006,  por  meio  do  qual  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  S/A  se  compromete  a  vender para o Condor produtos (óleo de soja degomado,  óleo de soja refinado e farelo de soja) que representem o  valor  total  de  R$  120.000.000,00,  de  acordo  com  o  Contrato  de  Fornecimento  de  Mercadorias  (Anexo  1)  celebrado  simultaneamente.  Constam,  também,  como  anexos  Capa  de  rosto  do  Anexo  I;  Anexo  2  – Minuta  Padrão da Confirmação de Negócio; e Anexo 3 – Minuta  Padrão das Instruções.  c)  Anexo 3 ao Instrumento Particular de Compra e Venda  de Mercadorias e Outras Avenças, às  fls. 982, assinado  em  20  de  dezembro  de  2010  entre  Louis  Dreyfus  Commodities Brasil  S/A  e Condor Supercenter  Ltda,  o  qual consta denominado como “Planilha Demonstrativa  da  Formação  do  Preço  Definitivo  e  das  Despesas  Incorridas pela Condor, bem como das Diferenças entre  o Preço Definitivo e o Preço Provisório”   Fl. 3957DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.946          25 Liminarmente,  rechaça­se  a  afirmação  recursal  de  que  as  operações  foram  realizadas  sob  o  amparo  de  dois  contratos  (Instrumento  Particular  de  Compra  e  Venda  de  Mercadorias  e  Outras  Avenças  assinado  em  02/01/2006  e  Contrato  de  Fornecimento  de  Mercadorias firmado em 28/12/2006, juntados pela própria contribuinte às fls. 909 a 924 e 937  a 944, respectivamente) e de que o segundo contrato não apresentaria as mesmas condições que  impressionaram a Fiscalização, visto que conteria cláusula com a condição aberta de prática de  preços de mercado. Não há vinculação entre esses contratos.   No  caso,  os  dois  contratos  não  são  vinculados:  o  segundo possui  um outro  Contrato  de  Fornecimento  de Mercadorias  o  qual  foi  assinado  na  mesma  data,  ou  seja,  em  28/12/2006;  ii)  o  primeiro  foi  assinado  em  02/01/2006  e  é  parte  integrante  de  um  outro  Instrumento Particular de Compra e Venda de Mercadorias e Outras Avenças, estando a esse  vinculado e subordinado; o primeiro  trata da venda para o Condor de produtos  (óleo de  soja  degomado,  óleo  de  soja  refinado  e  farelo  de  soja)  que  representem o  valor  total  de  sessenta  milhões de reais e o segundo que representem o valor de cento e vinte milhões de reais.  Frise­se  neste  momento  que  o  documento  sobre  o  qual  se  debruçou  a  Fiscalização, conforme apontam o Termo de Verificação Fiscal nº 1 (fls. 15 a 23) e o relatório  de diligência  fiscal  (fls.  1.401 a 1.403),  foi  o  Instrumento Particular de Compra  e Venda de  Mercadorias e Outras Avenças (fls. 969 a 981), assinado em 28 de dezembro de 2006, e que o  Contrato  de  Fornecimento  de  Mercadorias  (Anexo  2)  a  ele  relativo,  (conforme  indicam  os  elementos  dos  dois  instrumentos)  é  o  que  foi  assinado  simultaneamente  em  28/12/2006,  juntado aos autos pelo contribuinte às fls. 937 a 944.  Desde já, declaro que me alinho às conclusões da Fiscalização e da decisão  recorrida: os contratos em questam, não obstante a  sua  regularidade formal,  simulam vendas  para o mercado  interno  com o único objetivo de  transferir  créditos das  contribuições  sociais  não cumulativas de LDC para Condor.  O  negócio  ostensivo  é  o  seguinte:  Louis  Dreyfus  Commodities  (LDC),  sociedade multinacional  do  agronegócio,  com mais  de  160  anos  de  experiência  no mercado  global de commodities, com liderança nos mercados de açúcar, arroz, algodão, laranja, milho e  trigo, presente em mais de 55 países dos cinco continentes, com mais de 35.000 empregados,  com  vendas  líquidas  consolidadas  de  aproximadamente  US$  60  bilhões  e  lucro  líquido  de  aproximadamente US$ 735 milhões no ano de 2011, não obstante a sua vasta experiência no  mundo todo, “pendia de resolver problemas operacionais e de logística” entre Ponta Grossa e  o Porto de Paranaguá. Decidiu então admitir que Condor, neófita no seguimento de comércio  exterior,  ingressasse  no  mercado,  recebendo  apoio  e  em  contrapartida  teria  a  abertura  de  importantes  "portas"  para  o  futuro,  e  tendo  ainda  uma  operação  sem  prejuízos,  apesar  da  pequena rentabilidade. “Nessa atividade a logística é facilitada porquanto a empresa autuada  possui filiais nas cidades de Ponta Grossa (início da movimentação da carga e da operação) e  em Paranaguá (final da movimentação e local de armazenamento antes da entrega definitiva  ao Cliente), ambas dotadas de estrutura e pessoal suficiente para manipulação, administração  e realização efetiva da operação” (recurso voluntário, fls. 2.407)  Nesse  panorama,  a  pergunta  que  se  impõe  é:  por  que  LDC  necessitaria  a  interposição de um intermediário, já que a exportação de commodities agrícolas é justamente a  sua maior expertise? E por que esse intermediário seria Condor, que, ao contrário, não possuía  experiência alguma no ramo? A imagem que se me vem é a de uma baleia pedir a ajuda de um  lambari para atravessar um oceano.  Fl. 3958DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     26 A  motivação  oculta  é  simples:  possuidora  de  vultosos  créditos  tributários,  gerados  na  compra  tributada  de  produtos  no  mercado  interno,  ao  revender  estes  mesmos  produtos para o mercado externo, a LDC acaba acumulando­os, haja vista não haver tributação  nas operações de exportação. Com a interposição do intermediário nas operações de exportação  (Condor), LDC descarrega os créditos acumulados para esse intermediário, na medida em que  torna as suas próprias saídas tributadas, e transfere para a etapa seguinte (Condor) a imunidade  de tributação que ocorre nas operações de exportação.  Para  dar  efetividade  a  esse  desiderato,  estabeleceu­se  uma  modelagem  jurídica que se orientou sobre os seguintes eixos:   •  a  preservação  das  operações  de  exportação  da  empresa  Louis  Dreyfus  e  a  garantia  de  que  os  clientes  dessa  não  seriam  prejudicados  com  a  intromissão  de  um  intermediário;  LDC  não  abre  mão  do  controle  das  operações  de  exportação.  É  ela  quem  determina  todos  os  parâmetros  das  revendas  (exportações):  para  quem  o  intermediário  deve  revender  (quais  os  Clientes);  os  valores  das  transações  (valor  dos  produtos  vendidos  para  o  intermediário – Preço provisório e definitivo – valor dos produtos revendidos – exportação); a  quantidade de produtos; e a forma como os produtos devem ser revendidos.   Todas essas diretrizes são clausuladas. Confira­se:  1.3.  Uma  vez  completada  a  entrega  da  quantidade  de  PRODUTOS  objeto  da  CONFIRMAÇÃO,  a  COMPRADORA  deverá  revender  os  PRODUTOS  aos  CLIENTES,  conforme  instruções que receber da VENDEDORA (as “INSTRUÇÕES”).  O  modelo  das  INSTRUÇÕES  integra  o  presente  instrumento  como seu Anexo 3.  1.3.1. As INSTRUÇÕES, que também integrarão o presente  Contrato para todos os efeitos, conterão todas as condições  essenciais  atinentes  ao  NEGÓCIO,  incluindo  preço,  tudo  nos termos da cláusula 4 adiante.  1.3.2.  No  corpo  das  INSTRUÇÕES  a  VENDEDORA  apresentará,  ainda,  o  demonstrativo  de  cálculo  do  preço  definitivo em contraprestação da venda dos PRODUTOS à  COMPRADORA  e  os  demais  parâmetros  previsto  na  fórmula de que trata a cláusula 4. (Grifos nos Originais)  (...)  3. A revenda dos PRODUTOS aos CLIENTES será formalizada  através  de  nota  fiscal  de  venda  com  fim  específico  de  exportação,  a  ser  emitida  pela  COMPRADORA  em  estrita  conformidade  com  as  INSTRUÇÕES  da  VENDEDORA,  nos  termos do item 3.2 adiante.  (...)  3.2. Das INSTRUÇÕES constarão, dentre outras informações:  (i)  denominação  social,  número  da  inscrição  no  CNPJ  e  número  da  inscrição  estadual  do  CLIENTE  em  favor  de  quem  os  produtos  deverão ser faturados;  Fl. 3959DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.947          27 (ii)  discriminação  e  quantidade  dos  PRODUTOS;  (iii)  preço  de  revenda  dos  PRODUTOS  aos  CLIENTES;  (iv)  diferenças  entre  o  PREÇO  PROVISÓRIO  e  o  PREÇO  DEFINITIVO  pertinente aos mesmos PRODUTOS, observados  o item 4.1 e seus subitens.  3.3 A COMPRADORA deverá encaminhar à VENDEDORA, via  facsímile,  para  conferência,  cópia  da  nota  fiscal  de venda com  fim  específico  de  exportação  dos  PRODUTOS  ao  CLIENTE,  observado o disposto adiante.  3.3.1  Na  hipótese  da  nota  fiscal  emitida  pela  COMPRADORA  apresentar  divergência  em  relação  ao  contido  em  determinada  INSTRUÇÃO,  a  VENDEDORA  comunicará  a COMPRADORA,  por  escrito,  sobre  a  divergência,  para  que  esta  promova,  imediatamente, as correções necessárias.  A confirmar o  total  controle da operação por parte da LDC, o  item “2”  do  contrato  estipula  até  o  local  para  o  qual  serão  remetidos  os  produtos  da  primeira  parte  da  operação  (venda  realizada  para  o  Condor),  e  no  qual  os mesmos  deverão  ser  entregues  aos  Clientes (pré­determinados) no momento da revenda (exportação).  “2.  Os  PRODUTOS  objeto  de  cada  CONFIRMAÇÃO  serão  entregues,  pela  VENDEDORA,  no  local  em  que  a  COMPRADORA  deverá  entregálos  aos  CLIENTES,  conforme  INSTRUÇÕES que receber da VENDEDORA.”  Não se trata portanto de uma operação normal de comprae venda entre LD e  Condor,  como  quer  fazer  crer  a  recorrente,  mas  sim  de  uma  venda  com  finalidade  de  exportação  desde  o  início  do  ciclo.  A  LDC  controla  a  quantidade,  o  preço  e  o  destino  das  mercadorias, sem nenhuma possibilidade de interferência do Condor. O controle das operações  por LDC é  tão grande que, de acordo com item 3.4, esta pode retomar os produtos vendidos  para  o  Condor  se  este  não  realizar  as  revendas  (exportações)  de  acordo  com  as  suas  determinações.  “3.4 A recusa da COMPRADORA na emissão da nota fiscal de  revenda  dos  PRODUTOS  aos  CLIENTES,  ou  a  recusa  em  promover as correções de que trata o item 3.3.1 acima, tudo nos  termos das INSTRUÇÕES da VENDEDORA, gerará as seguintes  conseqüências:  a)  resolução  automática  da  operação  de  venda  dos  PRODUTOS  objeto  da(as  CONFIRMAÇÃO(ÕES)  em  vigor,  com  o  automático  retorno,  ao  patrimônio  da  VENDEDORA, dos PRODUTOS já entregues ao abrigo  da(s)  mesma(s)  CONFIRMAÇÃO(ÕES).  A  resolução  prevista  nesta  alínea  não  abrange  os  PRODUTOS  já  regulamente  vendidos  aos  CLIENTES,  mediante  a  emissão  de  nota  fiscal  de  venda  com  fim  específico  de  exportação em conformidade com as INSTRUÇÕES;  b)  direito  da  VENDEDORA  de  vender  os  PRODUTOS  objeto  da(s)  CONFIRMAÇÃO(ÕES)  de  que  trata  a  alínea “a” deste item diretamente ao CLIENTE referido  Fl. 3960DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     28 nas  INSTRUÇÕES correspondentes, ainda que  já  tenha  sio  entregues  à  COMPRADORA,  de  modo  a  evitar  a  inadimplência da obrigação de entrega dos PRODUTOS  ao CLIENTE;  c)  obrigação  da  COMPRADORA  de  emitir  a(s)  nota(s)  fiscal(ais)  de  devolução  à  VENDEDORA  dos  PRODUTOS  que  já  tenham  sido  entregues  à  COMPRADORA.”  Note­se que esta última cláusula, estabelecida para garantir a realização das  exportações, de forma curiosa, cria um tipo inédito de venda no mundo jurídico, “venda com  condição esolutiva”, já que somente produz efeitos jurídicos se as condições futuras e incertas  (revendas/exportações nos exatos termos determinados pela LD) se realizarem.  •  o estabelecimento de uma regra para a transferência dos créditos tributários da empresa  LDC para o intermediário;  O segundo eixo da modelagem jurídica visa ao estabelecimento da regra para  a transferência dos créditos tributários de LDC para o Condor) e está previsto na cláusula “4”  do contrato:  4.  O  preço  definitivo,  certo  e  ajustado  em  contraprestação  da  venda dos PRODUTOS à COMPRADORA, será o resultado da  aplicação da seguinte fórmula (o “PREÇO DEFINITIVO”):  Pd = {Pr + (T x 0,82)} – {(F + E) + (D)}  Onde:  Pd = PREÇO DEFINITIVO equivalente ao valor total, expresso  em  moeda  nacional,  a  ser  pago  pela  COMPRADORA  à  VENDEDORA em contraprestação da venda dos PRODUTOS.  Pr  =  preço  total,  expresso  em  moeda  nacional,  devido  pelos  CLIENTES  à COMPRADORA,  em  contraprestação  da  revenda  dos PRODUTOS.  T = valor total, expresso em moeda nacional, do PIS, da Cofins e  do ICMS incidentes sobre a venda dos PRODUTOS, nos termos  das  notas  fiscais  de  venda  emitidas  pela  VENDEDORA  à  COMPRADORA.  F  =  valor  total  do  transporte  dos  PRODUTOS  desde  o  estabelecimento  da  COMPRADORA  até  o  estabelecimento  depositário indicado pela VENDEDORA, quando for o caso.  E  =  valor  total  dos  demais  custos  incorridos  pela  COMPRADORA  para  embarque  dos  PRODUTOS  aos  CLIENTES, quando for o caso.  D  =  eventual  diferença,  positiva  ou  negativa,  entre  o  PREÇO  DEFINITIVO  e  o  preço  dos  PRODUTOS  constante  das  notas  fiscais de venda emitidas pela VENDEDORA à COMPRADORA  e pertinentes ao(s)  lote(s) entregue(s) ao abrigo do presente em  operação(ões) anterior(es).  4.1 Tendo em conta que o valor exato do “Pr, variável para  cálculo  do  PREÇO  DEFINITIVO,  conforme  previsto  na  Fl. 3961DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.948          29 cláusula  4,  não  será  conhecido  quando  da  emissão  das  correspondentes notas  fiscais  de  venda dos PRODUTOS  à  COMPRADORA, é certo que haverá diferença entre o preço  dos  PRODUTOS  indicado  nas  referidas  notas  fiscais  (o  “PREÇO  PROVISÓRIO”)  e  o  PREÇO  DEFINITIVO  dos  mesmos PRODUTOS. Tal diferença, nos termos da fórmula  prevista  na  cláusula  4,  será  ajustada  contabilmente,  mediante acréscimo ou dedução, conforme o caso, do preço  de  vendo  dos  PRODUTOS  objeto  das  CONFIRMAÇÕES  subseqüentes.  4.1.1.  Quando  da  última  operação  de  venda  ao  abrigo  deste  Contrato,  seja  em  virtude  de  sua  rescisão  por  qualquer motivo,  seja  por  ocasião  do  término  de  sua  vigência,  a  referida  diferença  será  ajustada  através  da  emissão  de  nota  fiscal  complementar  de  preço  pela  VENDEDORA  o  mediante concessão de desconto financeiro sobre o  preço dos PRODUTOS, conforme o caso.  4.1.2  O  PREÇO  PROVISÓRIO  será  estabelecido,  pela  vendedora,  com  base  em  outra  operações  de  venda de PRODUTOS da mesma natureza, gênero e  qualidade a outros clientes.  4.2. As Partes reconhecem, em caráter irrevogável e  irretratável,  que  o  PREÇO  DEFINITIVO  prevalecerá, sempre sobre o PREÇO PROVISÓRIO,  para todos os fins e efeitos de direito.”  Depositado  o  valor  da  venda  para  o  exterior  pela  empresa  comercial  exportadora, Condor pode deduzir gastos com transporte e embarque do valor repassado para  LDC. Devem no entanto,  adicionar 82% do valor de PIS, Cofins  e  ICMS  incidentes  sobre a  venda dos produtos, conforme notas fiscais de vendas emitidas pela LDC.  Pela  aplicação da aplicação da  fórmula  constante da  cláusula 4, LDC  torna  líquidos  82%  do  valor  dos  créditos,  até  então  meramente  escriturais;  Condor,  a  seu  turno,  garante  ganho  de  18  %  sobre  créditos  tributários  devidos  em  cada  operação,  já  que  está  contratualmente  obrigada  a  pagar  a  LDC  82  %  dos  tributos  devidos  na  respectiva  venda  (vinculada  a  operação)  que  esta  realiza  para  Condor.  Essa  é  real  vantagem  percebida  pelo  Condor  na  negociação.  Para  participar  da  simulação  comandada  pela  LD,  o  Condor  seria  beneficiado  com  18% dos  créditos  de PIS, Cofins  e  ICMS,  ilegalmente  adquiridos  com  sua  interposição simulada nas operações.  A  decisão  recorrida  exemplifica  a  aplicação  da  fórmula  da  claúsula  4  com  base na “Planilha Demonstrativa da Formação do Preço Definitivo e das Despesas  Incorridas  pela Condor, bem como das Diferenças entre o Preço Definitivo e o Preço Provisório” (Anexo  3 ao Instrumento Particular de Compra e Venda de Mercadoris, anexado aos autos às fls. 982):  Valor da Exportação    5.775.000,00    (­) Despesa de Armazenagem  (150.000,00)      (+) Crédito PIS/Cofins sobre armazenagem  13.875,00      Valor preço de venda mercado interno sem tributos    5.638.875,00  (A)  Tributos incidentes    1,00    Fl. 3962DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     30 (­) PIS/Cofins Alíquota de 9,25 (1,65 + 7,6) x 0,82    0,07585    Índice para formação de preços    0,92415  (B)  Valor de Venda, no mercado interno, com os tributos    6.101.688,04  (C=A/B)  Valor praticado nas remessas físicas    6.050.000,00    Diferença a favor da LDC Brasil    51.688,04    Apuração dos Créditos Fiscais    Pis/Cofins    564.406,14  (C x 9,25)  Apuração do Resultado do Condor    Preço de venda para o Exportador    5.775.000,00    Valor das Compras  (6.101.688,04)      Crédito PIS/Cofins  564.406,14    (D)  Despesa de Armazenagem  (150.000,00)      Crédito PIS/Cofins despesas de armazenagem  13.875,00      Custo Final para o Condor    (5.673.406,89)    Margem do Condor    101.593,11  (E)  Percentual (Margem do Condor)    18,00%  (E/D)  Não  é  demasiado  voltar  a  salientar  que  é  LDC  quem  controla  todas  as  variáveis  do  cálculo  recém  ilustrado.  “Valor  da  Exportação”,  “Valor  de Venda,  no mercado  interno, com os tributos” e “Valor praticado nas remessas físicas” do quadro acima (preço total  Pr, preço definitivo – Pd e preço provisório, respectivamente, na fórmula da cláusula “4” ) são  definidos por ela (vendedora), de acordo com a cláusula 4.  •  o estabelecimento de salvaguardas contra os riscos do negócio, para ambas as partes.  Quanto  ao último eixo da  engenharia contratual,  que visava  à proteção dos  contratantes contra os  riscos dos negócios,  ficou glaro que LDC estabeleceu garantias contra  possíveis  consequências  da  introdução  de  um  player  inexperiente  na  exportação  de  commodities,  negócio  sólido  que  desenvolvia  há  décadas.  Em  contrapartida,  a  Condor  são  garantidos  o  recebimento  do  valor  das  exportações  e  a  total  imunidade  relativamente  a  qualidade dos produtos exportados, conforme se verifica os itens “6” e “7” do contrato:  “6. A LDC BRASIL garante, na qualidade de fiadora, principal  pagadora  e  devedora  solidária,  o  cumprimento  de  todas  as  obrigações  dos  CLIENTES  para  o  CONDOR,  incluindo  a  liquidação do pagamento do valor da revenda dos PRODUTOS  junto  ao  CONDOR,  na  forma  e  prazo  que  forem  comunicados  nas  INSTRUÇÕES.  Essa  garantia  e  sua  conseqüente  responsabilidade não terão validade e não serão exigíveis: caso  o  CONDOR  esteja  inadimplente,  ou  em  mora,  com  qualquer  obrigação contraída ao abrigo deste Contrato; enquanto não for  possível  a  entrega  dos PRODUTOS aos CLIENTES por  ato  ou  fato imputável ao CONDOR.”  6.1. A LDC BRASIL renuncia expressamente, neste ato, aos  benefícios  previsto  nos  artigos  827,  829,835  e  838  do  Código Civil  Brasileiro,  e  concorda  que  a  presente  fiança  vigorará até  o  cumprimento  integral,  pelos CLIENTES,  de  todas as obrigações principais e acessórias previstas neste  Contrato.  6.2 Em caso de  inadimplemento dos CLIENTES quanto ao  pagamento  do  valor  devido  ao CONDOR,  a  LDC BRASIL  transmitirá  novas  INSTRUÇÕES  em  substituição  daquelas  pertinentes ao CLIENTE inadimplente.  Fl. 3963DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.949          31 7.  A  LDC  BRASIL  obriga­se  a  manter  o  CONDOR  imune  a  qualquer responsabilidade ou ônus ligados aos PRODUTOS e a  qualquer  reclamação  dos  CLIENTES  quanto  à  qualidade  dos  PRODUTOS,  salvo  quando  motivadas  pelo  descumprimento,  pelo CONDOR, de qualquer cláusula do presente Contrato e/ou  qualquer condição das Instruções.  7.1  Na  hipótese  de  o  CONDOR  ser  demandado  por  qualquer reclamação relativa à qualidade dos PRODUTOS  vendidos  para  os  CLIENTES,  a  LDC  BRASIL  obrigase  a  requere  ao  valor  que  o  CONDOR  eventualmente  tenha  despendido  para  a  defesa  de  seus  interesses,  e  ainda  assumir a responsabilidade por toda e qualquer despesa ou  ônus  decorrente,  inclusive  custas  judiciais,  honorários  advocatícios, condenações etc.”  Por  fim,  o  item  “14”  do  contrato  institui  uma  ‘salvaguarda  tributária’,  que  revela a preocupação dos contratantes com a possível interpretação da legislação tributária em  face do planejamento tributário adotado:  “14.  Na  hipótese  de  ocorrência  de  alteração  na  legislação  tributária, ou na sua interpretação pelas autoridades fiscais, que  impacte  no  equilíbrio  econômico­financeiro  do  presente  instrumento,  qualquer  das  Partes  poderá  resilir  este  Contrato,  sem ônus, ressalvado o disposto na alínea “f” do item 14.1.”  De salientar que a rescisão do contrato em decorrência da aplicação do artigo  acima enseja, também, nos mesmos moldes do item 3.4, a retomada, por parte da controladora,  das exportações que não tenham ainda sido concretizadas.  A Fiscalização adotou a interpretação mais pura e simples do contrato: trata­ se de cessão onerosa de créditos de PIS, Cofins e ICMS da LDC para Condor, com deságio de  18%, e obrigação deste ser figurante em operações de exportação daquela.  E essa interpretação não se baseou nesta ou naquela cláusula isolada, ou em  “esparsas  expressões  contratuais  periféricas”,  como  alega  a  recorrente,  mas  na  estrutura  contratual como um todo. Revestido de todas as fomalidade legais, simulando um corriqueiro  acordo comercial de fornecimento de mercadorias para posterior exportação, a contratação tem  o  objetivo  oculto  de  construir  engenharia  tributária,  consistente  na  transferência  de  créditos  tributários  da  empresa  possuidora  dos mesmos  (LDC)  para  um  intermediário  (Condor),  sem  que houvesse qualquer interferência nas exportações da primeira.  Aliás,  são  essas  duas  garantias,  a  de blindagem das  exportações  e  a de  um  ganho  na  realização  das  operações  de  exportação  isento  de  riscos,  representado  por  um  percentual sobre os créditos tributários decorrentes das operações de venda (da empresa Louis  Dreyfus para o Condor) com garantia de recebimento e sem risco comercial, que desnudam o  real objetivo do contrato.  Fica  muito  claro  e  evidente  que  as  exportações  não  poderiam  de  forma  alguma  ser  afetadas  –  LDC não  admitiria  que  essa  aventura  colocasse  em  risco  a  reputação  comercial  que  forjou  durante  toda  a  sua  história  empresarial,  e,  nesse  sentido,  colocou­se  contratualmente  na  posição  de  controladora  hegemônica  das  operações.  Todas  as  variáveis  comerciais das operações estavam sob seu domínio. Era LDC que determinava os clientes para  Fl. 3964DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     32 os quais Condor exportaria; os preços das mercadorias vendidas para Condor; os preços dessas  mesmas mercadorias revendidas pelo Condor aos clientes de LDC; e até mesmo o local no qual  as  operações  de  exportação  deveriam  ocorrer,  cabendo  a  Condor  simplesmente  executar  a  operação já prédefinida.  Ainda,  como  garantia  da  blindagem  das  exportações,  foi  estabelecida  a  absurda possibilidade de retomada das mercadorias, caso as exportações não fossem realizadas  de acordo com as determinações da empresa controladora.  Por  outro  lado,  a  Condor  foi  garantido  o  direito  ao  recebimento  de  um  percentual  dos  créditos  tributários  gerados  pelas  compras  internas  de  LDC,  com  a  garantia  (lastreada  em  Carta  Fiança,  cujo  fiador  foi  a  própria  LDC)  de  recebimento  das  revendas  efetuadas (exportações) e de isenção total sobre a qualidade dos produtos revendidos.  Com  efeito,  em  face  da  constatação  do  acordo  de  simulação,  as  argumentações da recorrente de que teria realizado as operações de forma lícita para aprender a  logística  e  desenvolver  experiência  no  mercado  de  exportação,  obtendo  pouca  vantagem  financeira,  caem  por  terra.  A  existência  de  documentos  (Notas  Fiscais  de  Saída  relativa  à  transmissão jurídica das mercadorias de LDC para Condor e Notas Fiscais de Saída relativas às  operações  de  Vendas  com  Fim  Específico  de  Exportação),  com  a  transmissão  jurídica  das  mercadorias  objeto  do  contrato,  e  movimentações  financeiras  (relativas  ao  recebimento  das  revendas/exportações aos clientes e  relativas ao pagamento das compras  efetuadas por LDC)  em  nada  alteram  os  fatos  dissimulados,  posto  que  os  fatos  simulados,  como  bem  pontuou  a  fiscalização, são nulos, nos termos do art. 167 do Código Civil – CC ­ Lei nº 10.406, de 10 de  janeiro de 2002.  O transporte das mercadorias compradas a LDC diretamente para o local no  qual  as  mesmas  seriam,  na  seqüência,  revendidas,  desmente  fragorosamente  a  alegada  necessidade de opção logística de redução de custos, como afirma a recorrente, mas sim a uma  determinação contratual  imposta pela parte  controladora da operação com vistas  a garantir  a  realização de suas exportações.  As  garantias  concedidas  ao  Condor,  de  pagamento  das  revendas  (exportações)  efetuadas,  através  do  estabelecimento  de  Carta  Fiança,  e  de  isenção  quanto  à  qualidade das mercadorias revendidas, aliado ao ganho percentual sobre os créditos tributários  envolvidos  nas  operações  de  venda  (da LDC para  o Condor),  complementam a  armação,  na  medida  que  estabelecem  para  o  intermediário  o  valor  (percentual)  para  a  participação  do  conluio e que o isentam de qualquer risco financeiro e comercial.  Comungo  com  a  Fiscalização  e  com  a  decisão  a  conclusão  de  que  o  Instrumento Particular de Compra e Venda de Mercadorias e Outras Avenças (fls. 969 a 981),  assinado em 28 de dezembro de 2006, oculta um acordo  simulado de  transferência  ilegal de  créditos  tributários  detidos  por  LFC  para  a  autuada.  Nesse  sentido,  corretas  as  glosas  procedidas,  relativas  aos  créditos  não  cumulativos  que  foram  apropriados  de  forma  indevida  nas entradas, bem como a nova apuração (recomposição) dos saldos de débitos e créditos das  contribuições, e os conseqüentes lançamentos por insuficiência de pagamento.  O agravamento da penalidade aplicada  A  recorrente,  assim  como  a  impugnante,  articula  razões  pugnando,  pela  segregação  das  infrações.  Defende  que  a  multa  de  ofício  aplicada  sobre  a  insuficiência  de  ecolhimento deve  ser  a  de 75%,  e não de 150%. Com  relação  a outra  infração,  “Compra  de  Produtos para Exportação – Derivados de Soja”, sustenta que a simulação e o conluio devem  Fl. 3965DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.950          33 ser  provados,  não  bastando  a  suspeita  ou  a  presunção.  Reclama  que  não  houve  omissão  de  tributo,  mas  sim,  pelo  contrário,  que  a  existência  do  aventado  “conluio”  impôs  à  LDC  a  incidência  das  contribuições  sobre  as  vendas  efetuadas  para  Condor.  Discursa  sobre  a  idoneidade da LDC e sobre as vantagens estratégicas obtidas com a realização do negócio com  aquela  sociedade.  Aduz  que  irregularidade  imputada  pela  Fiscalização  não  tem  qualquer  razoabilidade e que nulidade do contrato tornaria a LDC credora da fazenda pública, uma vez  que  as  vendas  para  a  contribuinte  sofreram  incidência  das  contribuições. Reclama que  LDC  não  integra  o  polo  passivo,  pugnando  por  sua  responsabilização  solidária  pelo  proveito  que  obteve  com  o  conluio  e  a  simulação.  Por  fim,  sustenta  que  as  operações  em  discussão  são  lícitas, que são descabidas as glosas de seus créditos e a aplicação da penalidade, e que a falta  de  comprovação  dos  tipos  penais  (conluio  e  simulação)  impõem  o  cancelamento  da  multa  duplicada.  Repete­se aqui o que já quedou assentado na decisão recorrida: houveos autos  de infração consignaram uma única infração tributária relativa às glosas de créditos ilegalmente  aproveitados pelo sujeito passivo, as quais ocasionaram as insuficiências de recolhimento das  contribuições  nos  períodos  de  apuração  lançados.  Consta  da  “Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento Legal” dos autos de infração que a glosa de créditos ilegalmente aproveitados  pelo  sujeito  passivo  resultou  em  insuficiência  de  recolhimento  da  contribuição  em  algumas  competências. Não há falar em duas infrações   E  a  penalidade  aplicável  deve  ser  agravada  em  face  da  presença  da  circunstância  qualificativa  conluio,  ajuste  doloso  pactuado  entre  LDC  e  Condor,  tendente  a  reduzir o pagamento de tributos devidos por Condor por meio da apropriação ilegal de créditos  de PIS e Cofins, prevista no art. 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.  Conclusões  Com essas considerações, voto por negar provimento aos recursos de ofício e  voluntário.  Sala de sessões, em 19 de agosto de 2014                Declaração de Voto  Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista  A Fiscalização  se baseou no  Instrumento Particular de Compra  e Venda de  Mercadorias  e  Outras  Avenças,  datado  de  28  de  dezembro  de  2006,  para  concluir  que  tal  Fl. 3966DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     34 contrato  seria  simulado,  vez  que  a verdadeira  intenção  das  partes  seria  transferir  créditos  da  Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A ("LDC") para a Recorrente.  A Fiscalização, nessa sua jornada interpretativa, olvidou por completo todo o  contexto negocial, e baseou o seu entendimento em cláusula constante no Contrato, na qual a  LDC teria poder sobre a mercadoria vendida, para concluir, num átimo, que a operação seria  simulada.  Trata­se de um grande saldo interpretativo!   A Fiscalização, em meu entendimento, não  levou em conta a complexidade  do  tipo  de  negócio,  nem  o  prazo  do  contrato,  as  garantias  contratuais,  o  fornecimento  de  mercadorias,  tendo  simplesmente  enquadrado  o  contrato,  de  maneira  equivocada,  como  simulado, para aplicar indevidamente multa de 150%.  Observe­se que nos  considerandos do Contrato  consta  expressamente que a  LDC comercializa farelo de soja, óleo de soja e óleo de soja degomado de fabricação própria  ou de terceiros e possui um fluxo de venda a determinados clientes, sendo que o faturamento e  a entrega deverão se concretizar em momento futuro.  Isso  significa  dizer  que  se  a  LDC vender  ela  terá  que  fazer  a  entrega  e  se  sujeitará ao prazo de pagamento do comprador,  sendo que nas operações de exportação esse  prazo é bem superior a 30 dias.  Nesse  sentido,  a  LDC  contratou  com  a  Recorrente  operação  de  compra  e  venda, na qual a Recorrente adquire os produtos e paga um determinado preço, intermediando  a operação entre a LDC e os clientes desta, de  tal  forma que a LDC receba antecipadamente  pelos produtos vendidos.  Trata­se de operação de R$ 120.000.000,00, não voltada para o passado ­ ou  seja,  o  seu  objetivo  não  era  transferir  créditos  acumulados  ­  em  que  efetivamente  houve  a  compra por parte da Recorrente e a venda, pela LDC, na forma fixada pelas partes.  E  na  forma  fixada  pelas  partes  a  Recorrente  assume  a  obrigação  de  pagar  pelos  produtos  e  de  exportá­los  aos  clientes  indicados  pela LDC,  de  tal maneira que  se  não  vender aos clientes a LDC poderá reassumir a titularidade dos bens, resolvendo­se a compra e  venda (Cláusula 3.4).  As partes chegam inclusive a estabelecer uma cláusula de fixação do preço,  cláusula  esta  que  foi  muito  mal  interpretada  pela  Fiscalização,  que  chegou  a  afirmar  que  a  remuneração da Recorrente no Contrato seria de 18%, quando o percentual de 18% (1­0,82) se  refere, na realidade, à alíquota do ICMS que integra o custo do produto, estando, pois, incluída  nas bases de cálculo do PIS e da COFINS (numa compra e venda regular, considerando que o  comprador  tem  direito  ao  crédito  o  seu  custo  não  irá  computar  o  ICMS,  PIS  e  COFINS,  tributos a que tem direito ao crédito).  Observe­se pela referida fórmula que o prazo definitivo dos produtos fixados  entre  a  LDC  e  a  Recorrente  incluir  o  valor  dos  tributos  que  estão  inseridos  no  preço  das  mercadorias  menos  os  custos  incorridos  pela  Recorrente,  e.  g.,  custo  de  transporte,  de  embarque e etc.  Ressalte­se ainda que no preço definitivo constam dois valores ­ PARCELA  A e B  ­,  em que a PARCELA B deve ser paga em até 15 dias da entrega dos produtos pela  Fl. 3967DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.951          35 LDC  à  Recorrente,  e  a  PARCELA A  na mesma  data  em  que  a  Recorrente  receber  de  seus  clientes.  Ou seja, mediante tal estruturação permitiu­se à LDC o recebimento de parte  do  preço  no  prazo  de  15  dias  da  entrega  de  bens  a  serem  exportados,  o  que  constitui  a  sua  maior vantagem financeira no negócio.  Importante  ressaltar  que  esse  Contrato  se  refere  à  mercadorias  a  serem  exportadas, e que as partes  também firmaram Contrato de Fornecimento de mercadorias,  em  dezembro/2006 regulando as suas relações para o ano de 2007 e 2008 (assim como o Contrato  de Compra e Venda) sem que houvesse preocupação para quem a Recorrente iria vender, mas  sim expressamente prevendo obrigação de fornecimento, por parte da Recorrente.  Assim, trata­se de diversos negócios celebrados entre a LDC e a Recorrente  que realmente foram realizados, inclusive contavam com garantia instrumentalizada por meio  de fiança bancária, e que não foram efetuados com o intuito de transferir créditos.  Aliás,  se  esse  mesmo  fosse  o  motivo,  a  Fiscalização  deveria  ter  se  preocupado em diligenciar perante a LDC para verificar qual o montante de créditos da citada  pessoa jurídica, mas não o fez em nenhum momento.  Unilateralmente, a Fiscalização concluiu pela simulação, sem fundamentá­la  de forma apropriada, desconsiderando que se tratava de negócio de longo prazo, voltado para o  futuro,  em  que  as  partes  efetivamente  compraram  e  venderam  produtos,  sendo  que  a  Recorrente,  além  de  revendê­los  no  mercado  interno,  também  os  exportou  na  forma  contratualmente prevista.  E  a  Recorrente,  como  decorrência  das  operações  por  ela  praticadas,  tem  direito ao crédito do ICMS, do PIS e da COFINS, e é ela quem irá acumular créditos com as  suas operações de exportação posto que essas são isentas dos referidos tributos, autorizando­se  a manutenção dos respectivos créditos.  Pois  bem.  O  artigo  167  do  Código  Civil  prescreve  a  nulidade  do  negócio  jurídico enquadrado como simulado, mas não o conceitua,  relacionando hipóteses em que se  verifica a simulação dos negócios jurídicos, conforme segue:  Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá  o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.  § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:  I  ­  aparentarem  conferir  ou  transmitir  direitos  a  pessoas  diversas  daquelas  às  quais  realmente  se  conferem,  ou  transmitem;  II ­ contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula  não verdadeira;  III  ­  os  instrumentos  particulares  forem  antedatados,  ou  pós­datados.  § 2o Ressalvam­se os direitos de terceiros de boa­fé em face  dos contraentes do negócio jurídico simulado.  Fl. 3968DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     36 Trata­se,  na  realidade,  de um  vício  social  que  a ordem  jurídica procura,  de  todas  as  maneiras  evitar,  qualificando  o  negócio  jurídico  simulado  como  nulo,  sendo  impossível de ser confirmado e nem de convalescer com o tempo (art. 169 do Código Civil).  Não se pode perder de vista, inicialmente, que a simulação tem por objeto o  negócio  jurídico,  objeto  de  profundas  discussões  quanto  ao  seu  verdadeiro  significado,  conceituado  por Maria  Helena  Diniz1  como  “o  poder  de  auto­regulação  dos  interesses  que  contém a enunciação de um preceito, independentemente do querer interno.”  Em  verdade,  Maria  Helena  Diniz2  propõe  que  o  negócio  jurídico  seja  concebido como uma “norma concreta estabelecida pelas partes”, o que  requer não apenas  a  presença de mais de um sujeito de direito no âmbito de uma  relação  jurídica, como  também  outros requisitos de direito a serem preenchidos.  Antônio  Junqueira  de  Azevedo3  conceitua  o  negócio  jurídico  como  “todo  fato  jurídico  consistente  em  declaração  de  vontade,  a  que  o  ordenamento  jurídico  atribui  os  efeitos  designados  como  queridos,  respeitados  os  pressupostos  de  existência,  validade  e  eficácia impostos pela norma jurídica que sobre ele incide”.  Sem o intuito de ingressar na discussão sobre o conceito do negócio jurídico,  tão bem abordada pelos estudiosos de Direito Civil ao  longo da própria evolução do Direito,  pode­se  afirmar  que  o  negócio  jurídico  constitui­se,  pois,  de  uma  ou  mais  declarações  de  vontade que cria, modifica ou extingue relações jurídicas.   Transportando tais noções para o presente processo, pode­se concluir que a  simulação exige a presença de duas ou mais pessoas que estejam em total acordo com a prática  de atos que, nos termos do §1º, do artigo 167 do Código Civil, aparentam conferir ou transmitir  direitos  a  pessoas  diversas  daquelas  às  quais  realmente  se  conferem,  ou  transmitem;  ou  que  contenham declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; ou que concordem em  antedatar ou pós­datar documentos.  Ou  seja,  na  simulação  as  partes  manifestam  falsamente  suas  vontades,  externando declaração (negócio jurídico) diverso daquele realmente pretendido. Nesse aspecto,  nos parecem precisos os ensinamentos de Carlos Roberto Gonçalves4, para quem:  “Simulação  é  uma  declaração  falsa,  enganosa,  da  vontade,  visando  aparentar  negócio  diverso  do  efetivamente  desejado.  Ou,  na  prática  de  Cóvis,  “é  uma  declaração  enganosa  da  vontade,  visando  produzir  efeito  diverso  do  ostensivamente  indicado”.  Simular significa  fingir,  enganar. Negócio  simulado, assim, é o  que tem aparência contrária à realidade. A simulação é produto  de um conluio entre os contratantes, visando obter efeito diverso  daquele  que  o  negócio  aparenta  conferir.  Não  é  vício  do  consentimento,  pois  não  atinge  a  vontade  em  sua  formação.  É  uma  desconformidade  consciente  da  declaração,  realizada  de  comum acordo com a pessoa a quem se destina, com o objetivo  de enganar terceiros ou fraudar a lei.”                                                              1 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. Editora Saraiva: São Paulo, 2004, p. 395  2 Op. cit., p. 394.  3 AZEVEDO, Antonio  Junqueira. Negócio  Jurídico:  existência, validade e eficácia. Editora Saraiva: São Paulo,  2002, p. 16.  4 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Editora Saraiva: 2007, p. 440.  Fl. 3969DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/2012­16  Acórdão n.º 3403­003.150  S3­C4T3  Fl. 3.952          37 A simulação envolve, portanto, um conluio entre as partes contratantes, que,  em  conjunto,  concordam  em  produzir manifestações  de  vontade  que  convergem  em  apenas  uma declaração, e. g., um contrato, com conteúdo diverso daquele realmente desejado, com o  objetivo de frustrar, no sentido amplo, direitos de terceiros.  A título exemplificativo, na seara tributária, a simulação pode ocorrer quando  duas partes,  comprador  e vendedor,  cientes da mudança da  legislação que majorou  em certa  data  determinado  tributo,  pactuam  declarar  vontade  diversa  daquela  real,  antecipando  falsamente  a ocorrência de um negócio  jurídico  para data  anterior,  sujeita  a  tratamento mais  benéfico.  Nesse  caso,  transparece o pacto  realizado entre  comprador  e vendedor que,  mesmo  tendo  realizado  o  negócio  jurídico  “compra  e  venda”  em  data  posterior,  alteram  falsamente as suas declarações de vontade e produzem documento contendo declaração falsa,  como  se  o  negócio  houvesse  ocorrido  anteriormente,  em  data  mais  conveniente,  exclusivamente para frustrar direitos do fisco (sujeito ativo).  Por fim, não posso deixar de citar os ensinamentos de Maria Helena Diniz5,  que resume muito bem o quanto observado sobre os elementos da simulação:  “...  é uma falsa declaração bilateral de vontade;  a  vontade  exteriorizada  diverge  da  interna  ou  real,  não  correspondendo à intenção das partes;  é  sempre  concertada  com  a  outra  parte,  sendo,  portanto,  intencional o desacordo entre a vontade interna e a declarada;  é feita no sentido de iludir terceiro.”  Ora,  no  presente  caso,  as  partes  não  apenas  declaram  expressamente  os  termos dos negócios jurídicos por ela pretendidos ­ não há, pois, declaração falsa de vontade ­,  como praticam estritamente as condições contratuais que elas criaram, se sujeitando fielmente  ao contrato, tanto que inclusive prestam garantias.  Assim, inicialmente, não vejo como o negócio jurídico praticado entre a LDC  e a Recorrente possa ser considerado simulação, pois elas não simulam nada, mas sim praticam  operações  de  compra  e  venda,  sendo  que  a  Recorrente  efetivamente  exporta  os  produtos  adquiridos da LDC nas condições constantes no Contrato.  E as partes não agem em conluio, não falseiam a verdade, por expressam sua  vontade em Instrumento de Compra e Venda e de Fornecimento e o praticam nos seus termos,  sendo este o negócio jurídico que desejavam contratar.  Difícil  crer  que  a  Recorrente  ingressaria  num  negócio  em  que  tem  a  obrigação de adquirir R$ 120.000.000,00 em mercadorias, realizar parte do pagamento em 15  dias da entrega, apenas e tão­somente para obter com tal negócio a transferência dos créditos  de  PIS  e  COFINS,  créditos  estes  que  já  seriam  transferidos  em  uma  operação  normal  de                                                              5 Op. cit., p. 435.  Fl. 3970DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN     38 compra  e  venda,  ainda  mais  se  se  considerar  que  a  Recorrente  irá  exportar  os  referidos  produtos e, portanto, poderá ela acumular créditos de PIS e COFINS.  Por  outro  lado,  na  simulação  exige­se  a  presença  de  um  pacto  simulatório  realizado para prejudica direitos de terceiros. Quais seriam os direitos de terceiros no presente  caso?  Ora,  o  terceiro  seria  naturalmente  o  Fisco,  mas  qual  seria  o  seu  direito  supostamente  violado  por  LDC  e  a  Recorrente.  Não  há!  Mesmo  se  se  considerar  como  verdadeiro o raciocínio da Fiscalização não haveria violação ao direito do Fisco, posto que a  LDC  teria  total  direito  à  restituição  ou  compensação  de  seus  créditos  que,  em  nenhum  momento  do  auto,  foram  declarados  ou  quantificados  (aliás,  a  Fiscalização  sequer  chegou  a  encaminhar uma intimação sequer para a LDC).  Assim,  não  vejo  conluio  entre  a  Recorrente  e  a  LDC  (contribuinte)  e  um  terceiro  —  pacto  simulatório  —,  para  prejudicar  legítimos  direitos  do  Fisco,  transferindo  créditos  de  titularidade  da  LDC,  que  poderiam  ser  restituídos  ou  compensados  a  qualquer  tempo.  A  transferência  dos  créditos  é  uma  consequência  natural  das  operações  praticadas,  decorrendo  da  legislação,  e  comum  a  esse  tipo  de  negócio  jurídico  entre  contribuintes do PIS e da COFINS.  Em  segundo  lugar,  não  há  declaração  falsa  de  vontade,  diversamente  da  desejada, eis que nem a LDC e sequer a Recorrente externam falsamente suas vontades, visto  que  ingressam  em  negócio  jurídico  que  efetivamente  pretendiam  ingressar  e  o  praticam  fielmente. Não há distância entre a vontade expressa, a desejada e a realizada!  Nesse ponto, não posso deixar de indagar qual seria o verdadeiro benefício da  Recorrente, pois quem não poderia  transferir créditos, na visão da Fiscalização, seria a LDC,  que, em nenhum momento, sofreu a fiscalização.  Por essa razão, não  tenho como concordar com o enquadramento dado pela  Fiscalização à operação praticada pela LDC e a Recorrente, nem com o seu raciocínio ­ deveras  equivocado,  inclusive  matematicamente  ­  que  a  Recorrente  auferiria  ganho  de  18%  dos  créditos  (!!!???), desconsiderando o pré pagamento por parte da Recorrente e a obrigação de  exportação expressamente constantes no Contrato como um contexto do negócio.  Nesse  aspecto,  se  verdadeiro  fosse  o  raciocínio  da  Fiscalização,  o  correto  enquadramento  dessa  operação  não  seria  simulação, mas  sim  fraude  à  lei  imperativa,  pois  a  alegação  é de  que  a  legislação  não  permite  a  transferência  de  créditos  tributários,  legislação  esta que foi fraudado implicitamente em sua visão.  Ante o exposto, voto o sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para  afastar  o  enquadramento  de  simulação  da  operação  equivocadamente  realizado  pela  Fiscalização que, diga­se de passagem, não deixou claro os critérios por ela adotados para tanto  no Auto de Infração.  É como voto.  Sala de sessões, em 19 de agosto de 2014  Luiz Rogério Sawaya Batista   Fl. 3971DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN

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Numero do processo: 10935.902425/2012-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/09/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     2   (assinado digitalmente)  Mércia Helena Trajano D’Amorim ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano  D'amorim  (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno  Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.  O conselheiro Solon Sehn declarou­se impedido.  Relatório  O  contribuinte  JUMBO ALIMENTOS  LTDA.  interpôs  o  presente  Recurso  Voluntário contra o Acórdão nº 06­42.730, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da  DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo  em sede de manifestação de inconformidade, rejeitando­a.  Por bem explicitar os atos e  fases processuais ultrapassados até o momento  da análise da impugnação, adota­se o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo:   “Trata  o  processo  de Despacho Decisório  emitido  pela DRF Cascavel/PR,  em 01/08/2012,  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  formulado  por meio  do Per/Dcomp nº  31604.19263.161107.1.2.04­2048, rastreamento nº 029224645, devido à inexistência de crédito  pleiteado de R$ 3.938,95, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período  de  31/08/2003,  efetuado  em  15/09/2003,  estaria  totalmente  utilizado  na  extinção,  por  pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador.  Cientificada  da  decisão  em  13/08/2012,  a  interessada  apresentou  Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do  PIS  e  da  Cofins  sem  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo.  Diz  que  o  conceito  de  faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o  conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por  se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o  Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins.  Dessa  forma,  solicita  que  os  créditos  sejam  restituídos,  acrescidos  de  juros  de  mora,  desde  seu  pagamento  indevido  até  a  data  da  restituição/compensação.  É o relatório.”  Indeferida  a manifestação  de  inconformidade  apresentada,  o  órgão  julgador  de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma  da ementa que segue:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902425/2012­18  Acórdão n.º 3802­002.580  S3­TE02  Fl. 122          3 Data do fato gerador: 15/09/2003  COFINS.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP.  Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir  o pedido de restituição apresentado.  EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO.  Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das  contribuições  ao  PIS/Pasep  e  à  Cofins,  pois  aludido  valor  é  parte  integrante  do  preço  das  mercadorias e dos  serviços prestados, exceto quando  for cobrado pelo vendedor dos bens ou  pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.  CONTESTAÇÃO  DE  VALIDADE  DE  NORMAS  VIGENTES.  JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.  Compete  à  autoridade  administrativa  de  julgamento  a  análise  da  conformidade da atividade de  lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em  âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a  interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados  em sua manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Voto             Preenchidos  os  pressupostos  de  admissibilidade  e  tempestivamente  interposto,  nos  termos  do  Decreto  nº  70.235/72,  conheço  do  Recurso  e  passo  à  análise  das  razões recursais.  Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS  A Recorrente  alega  que  possui  direito  de  crédito  amparada  no  fato  de  que  incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que  tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante  decorrente desse procedimento.  De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da  regra  (o  que  levaria  ao  não  conhecimento  do  presente  Recurso),  o  contribuinte  cerra  sua  discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo  STF  no  RE  346084,  no  qual  se  afastou  a  tributação  sobre  a  receita  bruta  e  se  limitou  ao  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     4 faturamento,  assim  entendido  como  as  receitas  decorrentes  de  vendas  de  mercadorias  e  prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento.  Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da  COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente  do  regime de  tributação,  tem­se  em verdade  dois  únicos  tributos,  PIS  e COFINS),  comungo  com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o  mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003.  A  Recorrente  fundamenta  seu  pleito  defendendo  que  o  ICMS  não  seria  receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação:    Para tanto, espelha­se em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS  não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo,  mas apenas receitas de terceiros.  A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato  de  que  as  normas  vigentes  –  às  quais  o  julgador  administrativo  está  adstrito  –  impõem  a  inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.  Assim dispôs a decisão recorrida:   “Pela manifestação de  inconformidade apresentada, vê­se, de pronto, que a  pretensão  da  contribuinte  implica  negar  efeito  a  disposição  expressa  de  lei.  Nesse  contexto,  cumpre  registrar  que  não  há  na  legislação  de  regência  revisão  para  a  exclusão  do  valor  do  ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda  a  interessada, é parte  integrante do preço das mercadorias e  serviços vendidos, exceção  feita  para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário,  consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998:  (...)”  Entendo  que  a  DRJ  está  correta  em  suas  considerações,  apesar  de  uma  pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e  COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa.  As normas de direito vigentes,  às quais o CARF está vinculado,  impõem a  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS.  Nesse  sentido,  veja­se  o  que  dispõem  as  leis  10.637/2002  e  10.833/2003,  que  em matéria  de  ICMS  autorizam  a  dedução  somente no caso de exportação:  Lei 10.637/2002  “Art.  1o  A  contribuição  para  o  PIS/Pasep  tem  como  fato  gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente de sua denominação ou classificação contábil.  Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902425/2012­18  Acórdão n.º 3802­002.580  S3­TE02  Fl. 123          5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas:  VII ­ decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  ­  ICMS  de  créditos  de  ICMS  originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da  Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.”  Lei 10.833/2003  “Art.  1o  A  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS,  com  a  incidência  não­cumulativa,  tem  como  fato  gerador  o  faturamento  mensal,  assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica,  independentemente de sua  denominação ou classificação contábil.  § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas:  VI ­ decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do  Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  ­  ICMS  de  créditos  de  ICMS  originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da  Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.”  Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente  já não merece acolhida em  seu pleito, ao menos no âmbito administrativo.  E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo  2o  do  artigo  1o  das  leis  10.637/2002  e10.833/2003,  permitiria  inferir  que  o  ICMS  incidente  sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata­ se  de  afastamento  legal  da  base  de  cálculo,  apenas  para  o  caso  excepcional  do  ICMS  da  exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações.  De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se  entenda que a dicção do  inciso VI do § 3o do art. 1o das  leis de  regência da  sistemática não  cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de  cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS.  Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o  ICMS compõe a própria  base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não  há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela  Recorrente,  condições  de  se  decompor  o  valor  da  operação  entre  itens  que  integrariam  sua  receita,  e  outros  (em  especial,  o  ICMS)  que  implicariam  receitas  de  terceiros.  É  o  que  se  verifica,  inclusive,  do  julgado  do  RE  em  tela,  no  qual  o  Ministro  Marco  Aurélio,  relator,  confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a  resposta:  Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     6   Esse  raciocínio  foi  acompanhado  pelo  STJ,  o  qual,  nos  Edcl  no  REsp  no  1.413.129­SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  RECEBIDOS  COMO  AGRAVO  REGIMENTAL.  FUNGIBILIDADE.  RECURSO ESPECIAL  PROVIDO.  PIS  E COFINS.  BASE DE CÁLCULO.  INCLUSÃO DO  ICMS.  CONTRADIÇÃO  E  AUSÊNCIA  DE  PREQUESTIONAMENTO.  NÃO  OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO.  "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente  constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que  a  parcela  relativa  ao  ICMS  compõe  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da Cofins  (Súmulas  68  e  94/STJ).  Precedentes  atuais:  AgRg  no  REsp  1.106.638/RO,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques,  Segunda Turma, DJe  8/2/2013; AgRg no REsp  1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari  Pargendler,  Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin,  Segunda Turma, DJe 12/6/2013).  A propósito, valho­me do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual  serviu  como  paradigma  para  as  Súmulas  68  (que  consagra  a  inclusão  do  antigo  ICM  na  base  de  cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo  Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões:  Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902425/2012­18  Acórdão n.º 3802­002.580  S3­TE02  Fl. 124          7     Apesar  de  se  referir  ao  antigo  ICM,  a  discussão  travada  (assim  como  o  raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir.  Sem embargo, o  fato de o  ICMS ser  tributo de repercussão  jurídica não me  parece promover diferenças  relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é,  ao  fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política  econômica,  com o  fito de  evitar  a verticalização  da  cadeia produtiva. Assim  leciona Alcides  Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São  Paulo, 1978).  Entender que o  ICMS, por ser de  repercussão  jurídica, não significa  receita  própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável  admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além  da  inclusão do  ICMS na própria base de cálculo  (que  teria que ser  revista, pois perderia sua  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse  considerado receita de terceiros.  Esses  reflexos,  que  podem  ser  suscitados  como  marginais  ao  PIS  e  à  COFINS,  em  verdade  guardam  íntima  relação  com  essas  contribuições.  Basta  ver  que,  se  o  contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos  contábeis  decorrentes  disso  –  inclusive  lançando  a  parcela  de  ICMS  do  seu  preço  em  conta  contábil própria, de receita de terceiros.  De  um  modo  ou  de  outro,  seja  do  ponto  de  vista  legal,  de  finalidade  das  normas,  ou mesmo  contábil,  as  próprias  raízes  do  ICMS  impedem que  ele  seja  considerado  receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob  pena de  instabilidade e insegurança  jurídica absoluta. Os conceitos devem ser  trabalhados de  maneira uniforme.  Por  isso mesmo,  no  que  toca  os  fundamentos  do  seu  pedido  de  restituição,  nego provimento ao Recurso Voluntário.  Da ausência de comprovação da materialidade do crédito  Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito  passivo também não resiste a uma análise mais acurada.  Apesar  de  o  despacho  decisório  afirmar  que  o  crédito  argüido  pelo  sujeito  passivo  foi  integralmente  utilizado  para  pagamento  de  outros  débitos,  a  Recorrente  não  demonstrou,  por  meio  de  documentos  hábeis,  que  o  montante  pleiteado  refere­se  ao  ICMS  incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS.  Isso  se verificou na manifestação de  inconformidade  e  também no presente  Recurso Voluntário.  Ora,  o  processo  administrativo  tributário  em  si  é  regido  pelo  princípio  da  verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a  revisão  administrativa.  Assim  é  que,  no  que  tange  ao  pedido  de  restituição,  é  de  responsabilidade  do  sujeito  passivo  demonstrar, mediante  a  apresentação  de  provas  hábeis  e  idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que  sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165  do CTN.  Neste espeque, a Recorrente, mesmo  instada a  tanto pela DRJ, não acostou  aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado  se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.  Reitere­se aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição,  o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito.  Vale  repisar  que,  diferentemente  do  processo  de  revisão  do  lançamento  tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas  quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as  razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado.  Assim  sendo,  não  há  nos  autos  fundamentos  que  legitimem  a  restituição  pleiteada  pela  Recorrente,  de  modo  que  deve  ser  negado  provimento  ao  presente  Recurso  Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido.  Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902425/2012­18  Acórdão n.º 3802­002.580  S3­TE02  Fl. 125          9 Conclusão  Ante  todo  o  exposto,  conheço  do  Recurso  Voluntário  para  negar­lhe  provimento.   (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi                                Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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Numero do processo: 10074.001547/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 TERMO DE RESPONSABILIDADE. O crédito tributário constituído em Termo de Responsabilidade, quando exigível, segue rito processual próprio, nos termos da legislação positivada, sendo indevida nova constituição do mesmo crédito tributário por meio de Auto de Infração.
Numero da decisão: 3201-001.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 02/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 02/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO     2 Relatório  Por  bem  retratar  os  fatos  ocorridos  até  o  julgamento  de  1ª  instância,  transcreve­se abaixo o relatório da decisão recorrida:  Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração  lavrado  para  exigência  de  crédito  tributário  no  valor  de  R$  25.338.471,98,  referente  a  imposto  de  importação,  imposto  sobre  produtos  industrializados,  PIS/Pasep­importação,  Cofins­importação,  acompanhados de multas de ofício e juros de mora, decorrentes  de  inadimplência  de  condições  estabelecidas  para  o  regime  de  drawback suspensão.  Depreende­se  do  Termo  de  Constatação,  anexo  ao  auto  de  infração:  Que  à  interessada  foi  concedido  o  regime  de  drawback  suspensão, por meio  dos Atos Concessórios nº  2003.0194440 e  nº  2003.0194407,  de  28/11/2003,  do  Ministério  de  Desenvolvimento,  Indústria  e  Comércio  Exterior.  O  Termo  de  Constatação  do  presente  processo  abrange  apenas  o  Ato  Concessório  nº  2003.0194407.  O  procedimento  fiscal  concluiu  que  a  interessada  infringiu  a  legislação  aduaneira  ao  descumprir  requisito  essencial  para  a  fruição  do  benefício  do  regime de drawback suspensão, fato que ensejou a lavratura do  auto  de  infração  do  presente  processo  para  cobrança  dos  tributos  anteriormente  suspensos  na  importação  dos  insumos  com seus respectivos acréscimos legais.  A interessada registrou as Declarações de Importação de folhas  389 a 391, no valor global de U$ 9.932.363,00, comprometendo­ se  a  exportar,  em  contrapartida,  uma  embarcação  no  valor  estimado de R$ 15.880.000,00.   O  Ato  Concessório  foi  registrado  pelo  Decex  em  07/01/2004,  com prazo final de validade na data de 25/07/2007.  O  sistema Drawback Web  informa  que  o  Ato  Concessório  sob  análise  foi  considerado  totalmente  inadimplente,  com  base  no  artigo  162  da  Portaria  Secex  nº  14,  de  17/11/2005,  sujeito  a  recurso na forma da Lei nº 9784/99.  A  competência para  conceder o  regime e para a  regularização  de  descumprimentos  de  condições  previstas  nos  atos  concessórios  é  da  Secex.  Dessa  forma,  é  a  Secex  o  órgão  competente  para  atestar  ou  não  a  questão  relativa  ao  adimplemento, pelo beneficiário, do Regime Aduaneiro Especial  de  Drawback­Suspensão,  das  obrigações  assumidas  nos  Atos  Concessórios.  A  interessada  não  comprovou  a  vinculação  física  entre  os  insumos  importados  e  o  produto  final  exportado.  Intimada,  a  interessada  não  apresentou  escrituração  válida  no  Livro  de  Registro  de  Controle  da  Produção  e  do  Estoque  ou  controle  alternativo  que  permitisse  a  perfeita  apuração  de  seu  estoque.  Assim,  não  obteve  êxito  em  comprovar  que  os  insumos  Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10074.001547/2009­69  Acórdão n.º 3201­001.609  S3­C2T1  Fl. 2.163          3 estrangeiros  importados  sob  o  regime  aduaneiro  foram  efetivamente empregados no bem final “exportado”.  “Sendo  assim,  uma  vez  que  não  houve  adimplemento  do  compromisso  de  exportação  nem  adoção,  por  parte  do  contribuinte,  de  qualquer  providência  descrita  no  supracitado  Artigo  390  do  Regulamento  Aduaneiro  (artigo  342  do  R.A.  anterior), o II, o IPI, e a Cofins até então suspensos pelo regime  especial  do  “Drawback”,  passam  a  ser  exigíveis,  conforme  previsto em lei, e com os consectários legais devidos, posto que  não foram recolhidos de forma espontânea.”  Por  essas  razões  foi  lavrado  o  auto  de  infração  do  presente  processo.  Regularmente  cientificada  por  via  pessoal  (ciência  fls.  03,  88,  171,  243,  312  e  325)  a  interessada  apresentou  a  impugnação  tempestiva  de  folhas  400  a  412,  com  os  documentos  de  folhas  413 a 417 anexados, além dos Anexos I a V.  A  impugnante  defende,  preliminarmente,  que  algumas  das  Declarações  de  Importação,  que  registra,  foram  indevidamente  incluídas no auto de infração, pois não possuem relação com o  ato  concessório  em  apreço,  caracterizando  erro  material  manifesto.  Informa que lhe foi concedido o regime de drawback, por parte  do Decex, para fins de construção, para a empresa Up Offshore  Apoio  Marítimo  Ltda,  de  embarcação  de  apoio  marítimo  a  plataforma de petróleo, denominada Up Água Marinha, casco EI  481.  Cumprindo  o  contrato  entregou  a  citada  embarcação  dentro  do  prazo  de  fruição  do  regime,  conforme  comprova  a  Nota Fiscal nº 0689, de 23/11/205 e o Certificado de Entrega e  Aceitação pelo Armador.  Alega  que,  “por  falhas  operacionais  atribuíveis  ao  DECEX,  passou  a  constar  do  sistema  informatizado  daquele  órgão  –  e  dele ainda não foi retirada ­ a informação “inadimplente total”,  o que não corresponde à realidade, já que a embarcação, repita­ se,  foi entregue no prazo, sendo certo que o DECEX dispõe de  tal informação (fls. 383).”  Defende que o documento no qual consta a observação sobre o  suposto  e  inexistente  inadimplemento  traz  uma  singela  e  imotivada  informação,  qual  seja:  “INADIMPLEMENTO  TOTAL, COM BASE NO ARTIGO 162 DA PORTARIA SECEX  Nº 14, de 17/11/2004”. Alega que referida portaria foi revogada  pela Portaria Secex nº 25/2008 e que não se declinou o motivo  de ter havido inadimplemento, pois o bem foi comprovadamente  entregue.  Defende  que  há  erro  de  procedimento  e  que  a  conclusão não poderia ser outra diferente do ADIMPLEMENTO  TOTAL.  Alega que, diferentemente do que alega a fiscalização, cabe sim  à Autoridade Fiscal verificar a verdade material, com o  fim de  Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO     4 imprimir  liquidez  e  certeza  a  seu  lançamento,  conforme  o  disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional.  “Assim  sendo,  não  cabe  invocar  uma  submissão  inexorável  da  Autoridade Lançadora ao conteúdo de uma informação lançada  erroneamente em um sistema informatizado, cujo próprio órgão  administrador de  tal  informação  (o DECEX)  reconhece  estar o  sistema sujeito a falhas operacionais.  A atuação pura e simples de tomar o lançamento no SISCOMEX  como um antecedente inafastável e não sujeito à mínima crítica,  em  contraposição  a  provas  explícitas  de  cumprimento  da  obrigação, representa, sem dúvida, deixar de apurar a extensão  e certeza do crédito tributário.” (sic)  O cumprimento do regime está demonstrado:  “a.  pela  apresentação  ao  DECEX  dos  requerimentos  e  documentos de  fls. 378 a 388,  todos eles ainda sem apreciação  nem análise pelo DECEX;  b.  pela  comprovação  irrefutável  do  cumprimento  do  compromisso  vinculado  ao  benefício  fiscal  do  Drawback,  conforme fls. 386 a 388;  c. pela real, notória e  inegável existência física da embarcação  UP ÁGUA MARINHA, casco EI 481  d.  pela  ausência  de  decisão  motivada  pelo  DECEX,  apta  a  permitir  a  interposição  de  recurso  administrativo  contra  o  ato  que declarou o “inadimplemento total”. ”  Contesta  o  procedimento  da  fiscalização  de  descaracterizar  o  regime por suposta não vinculação dos produtos importados com  o  produto  final.  Alega  que  a  falta  do  Livro  modelo  3  não  descaracteriza  a  verdade  material  em  que  fundamenta  seu  direito, conforme jurisprudência administrativa. Defende que os  documentos apresentados comprovam, com muito mais evidência  que o exigido pelo Decex, a vinculação dos insumos importados  com o produto final. Anexa os controles utilizados.  Requer seja julgado improcedente o auto de infração.  A  1ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Florianópolis/SC  julgou  a  impugnação  procedente,  nos  termos  do Acórdão  nº  07­20.617,  de  30/06/2010, assim ementado:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005  TERMO DE RESPONSABILIDADE.   O crédito tributário constituído em Termo de Responsabilidade,  quando  exigível,  segue  rito  processual  próprio,  nos  termos  da  legislação  positivada,  sendo  indevida  nova  constituição  do  mesmo crédito tributário por meio de Auto de Infração.  Impugnação Procedente  Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10074.001547/2009­69  Acórdão n.º 3201­001.609  S3­C2T1  Fl. 2.164          5 Crédito Tributário Exonerado  Em razão do disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e da Portaria  MF nº 3, de 2008, o presidente da turma julgadora interpôs o recurso de ofício.  O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído a este Conselheiro na  forma regimental.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Daniel Mariz Gudiño  O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidades previstos na  legislação pertinente, razão pela qual deve ser conhecido.  Conforme  já  relatado,  o  cerne  da  divergência  ora  analisada  NÃO  é  o  adimplemento, por parte do EISA Estaleiro  Ilha S.A., das condições  legais para a  fruição do  regime de drawback, e sim a validade do auto de  infração face à existência de procedimento  próprio para a exigência de tributos suspensos em razão de regime especial aduaneiro.  Segundo  a  instância  a  quo,  o  auto  de  infração  lavrado  para  exigir  tributos  suspensos  por  força  da  concessão  de  regime  de  drawback  é  nulo,  eis  que  o  termo  de  responsabilidade assinado pelo beneficiário do regime é título representativo de direito líquido  e certo da Fazenda Nacional com relação às obrigações fiscais nele constituídas, nos termos da  legislação vigente.  Em  outras  palavras,  a  instância  a  quo  entendeu  que  o  crédito  tributário  já  estava  constituído  quando  da  assinatura  do  termo  de  responsabilidade,  sendo  indevida  nova  constituição por meio de auto de infração. Confira­se o trecho do voto em que isso fica claro:  Portanto,  estando  o  crédito  tributário  já  constituído  mediante  Termo  de  Responsabilidade,  não  é  de  se  admitir  nova  constituição  para  o  mesmo  crédito.  Ao  contrário,  as  normas  especificam  com  clareza  os  procedimentos  a  serem  adotados  quando  da  exigência  do  crédito  nele  constituído.  É  o  que  prescrevem  os  artigos  760  a  765  do  Decreto  nº  6.759,  de  05/02/2009,  Regulamento  Aduaneiro,  que  se  transcrevem,  in  verbis:  “Art. 760. O termo de responsabilidade é título representativo de  direito  líquido  e  certo  da  Fazenda  Nacional  com  relação  às  obrigações fiscais nele constituídas (Decreto­Lei no 37, de 1966,  art. 72, § 2o, com a redação dada pelo Decreto­Lei no 2.472, de  1988, art. 1o).   Parágrafo  único.  Não  cumprido  o  compromisso  assumido  no  termo de responsabilidade, o crédito nele constituído será objeto  de exigência, com os acréscimos legais cabíveis.   Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO     6 Art. 761. A exigência do crédito tributário constituído em termo  de responsabilidade deve ser precedida de:  I  ­  intimação  do  responsável  para,  no  prazo  de  dez  dias,  manifestar­se  sobre  o  descumprimento,  total  ou  parcial,  do  compromisso assumido; e  II ­ revisão do processo vinculado ao termo de responsabilidade,  à vista da manifestação do interessado, para fins de ratificação  ou liquidação do crédito.   §  1o  A  exigência  do  crédito,  depois  de  notificada  a  sua  ratificação  ou  liquidação  ao  responsável,  deverá  ser  efetuada  mediante:  I  ­  conversão  do  depósito  em  renda  da União,  na  hipótese  de  prestação de garantia sob a forma de depósito em dinheiro; ou  II  ­  intimação  do  responsável  para  efetuar  o  pagamento,  no  prazo de trinta dias, na hipótese de dispensa de garantia, ou da  prestação de garantia sob a forma de fiança idônea ou de seguro  aduaneiro.   §  2o  Quando  a  exigência  for  efetuada  na  forma  prevista  no  inciso  II  do  §  1o,  será  intimado  também  o  fiador  ou  a  seguradora.   Art. 762. Decorrido o prazo  fixado no  inciso I do caput do art.  761, sem que o interessado apresente a manifestação solicitada,  será  efetivada a  exigência do  crédito na  forma prevista nos §§  1o e 2o desse artigo.   Art.  763.  Não  efetuado  o  pagamento  do  crédito  tributário  exigido, o termo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda  Nacional, para cobrança.   Art. 764. A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá, no  âmbito  de  sua  competência,  editar  atos  normativos  para  o  disciplinamento  da  exigência  do  crédito  tributário  constituído  em termo de responsabilidade.   Art.  765.  O  termo  não  formalizado  por  quantia  certa  será  liquidado  à  vista  dos  elementos  constantes  do  despacho  aduaneiro a que estiver vinculado (Decreto­Lei no 37, de 1966,  art. 72, § 3o, com a redação dada pelo Decreto­Lei no 2.472, de  1988, art. 1o).   § 1o Na hipótese do caput, o  interessado deverá ser intimado a  apresentar,  no  prazo  de  dez  dias,  as  informações  complementares necessárias à liquidação do crédito.   § 2o O crédito liquidado será exigido na forma prevista nos §§  1o e 2o do art. 761.” (destaquei)  Nota­se,  assim,  que  a  norma  é  expressa  ao  determinar  que  os  créditos  tributários  constituídos  por  meio  de  Termo  de  Responsabilidade  devem  observar  rito  próprio  para  sua  exigência.  Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10074.001547/2009­69  Acórdão n.º 3201­001.609  S3­C2T1  Fl. 2.165          7 O  artigo  766,  do  mesmo  Diploma  legal,  por  sua  vez,  assim  dispõe, in verbis:  “Art.  766.  A  exigência  de  crédito  tributário  apurado  em  procedimento  posterior  à  apresentação  do  termo  de  responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou  de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto  de  infração,  lavrado  por Auditor­Fiscal  da  Receita Federal  do  Brasil,  observado  o  disposto  no Decreto  no  70.235,  de  1972.”  (destaquei)  Infere­se do dispositivo que apenas o crédito tributário apurado  em  procedimento  posterior  à  apresentação  do  Termo  de  Responsabilidade,  em  decorrência  de  aplicação  de  penalidade  ou  de  ajuste  no  cálculo  do  tributo  devido,  é  que  deve  ser  formalizado  por meio  de  auto  de  infração,  ou  seja,  os  créditos  tributários  já  constituídos  no  Termo  de  Responsabilidade  não  devem ter nova constituição por meio de Auto de Infração.  O  suporte  legal  invocado  pela  instância  a  quo  não  deixa  dúvidas  de  que  somente  pode  ser  lavrado  auto  de  infração  para  a  exigência  de  tributos  suspensos  por  descumprimento das condições do ato concessório do drawback quando o crédito tributário é  apurado  em  procedimento  realizado  posteriormente  à  apresentação  do  termo  de  responsabilidade, com o objetivo de imputar penalidade ao depositário ou ajustar o cálculo dos  tributos devidos.  No  caso  concreto,  a  fiscalização  não  relatou  qualquer prática de  ato  ilícito,  por parte da Interessada, que pudesse lhe ocasionar a imputação de penalidade, nem tampouco  contestou o cálculo dos tributos suspensos. Com efeito, a lavratura do auto de infração mostra­ se realmente indevida.  Finalmente,  convém  esclarecer  que  a  disciplina  da  cobrança  do  crédito  tributário constituído em termo de responsabilidade remonta às Instruções Normativas SRF nº  84, de 1998, e 117, de 2001, que recebeu uma roupagem mais moderna ao ter o seu conteúdo  consolidado no Regulamento Aduaneiro de 2009.  Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo a  decisão recorrida in totum.  Registre­se, por oportundo, que a autoridade preparadora deverá confirmar o  status do ato concessório referente ao presente processo administrativo à vista das informações  trazidas pela Recorrente às e­fls. 2.156/2.161.  (ASSINADO DIGITALMENTE)  Daniel Mariz Gudiño ­ Relator                Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO     8               Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO

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Numero do processo: 10935.906303/2012-92
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/09/2011 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  da  3a  Turma  da  DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação  de  inconformidade  apresentada.  Em  ato  contínuo,  o  despacho  decisório  pela  DRF  de  Cascavel/PR,  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  formulado  por  meio  do  PER/DCOMP,  devido  à  inexistência  de  crédito  pleiteado,  já  que  o  pagamento  de  PIS/PASEP,  do  período  acima  indicado,  estaria  totalmente  utilizado  na  extinção,  por  pagamento,  de  débito  da  contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Data do fato gerador: 13/09/2011  PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO  CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP.  Inexistindo  o  direito  creditório  informado  em  PERD/DCOMP,  é  de  se  indeferir o pedido de restituição apresentado.  EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO  Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das  contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte  integrante do preço das  mercadorias e dos  serviços prestados, exceto quando  for cobrado pelo vendedor dos bens ou  pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.  CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO  ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.  Compete  à  autoridade  administrativa  de  julgamento  a  análise  da  conformidade da atividade de  lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em  âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade.  Manifestação de Inconformidade Não Conhecida  Direito Creditório Não Reconhecimento.  Em  sede  de  impugnação  e  de  recurso,  o  contribuinte  apresenta  os mesmos  argumentos,  que,  em  síntese,  se  referem  à  inconstitucionalidade  da  cobrança  do  PIS  e  da  COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido  pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso.  É o relatório.  Voto             Admissibilidade do Recurso.  Tendo em vista que a matéria posta para análise –  inconstitucionalidade da  inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse  Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906303/2012­92  Acórdão n.º 1802­003.269  S1­TE02  Fl. 12          3 colegiado,  já  que  não  é  permitido  aos  Conselheiros  do  CARF  se  pronunciarem  sobre  os  aspectos  constitucionais de  lei  tributária. É de  rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que  determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei  tributária.  Precedentes: Acórdão nº 101­94876, de 25/02/2005 Acórdão nº 103­21568,  de 18/03/2004 Acórdão  nº 105­14586, de 11/08/2004 Acórdão nº 108­06035, de 14/03/2000  Acórdão nº 102­46146, de 15/10/2003 Acórdão nº 203­09298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201­ 77691,  de  16/06/2004  Acórdão  nº  202­15674,  de  06/07/2004  Acórdão  nº  201­78180,  de  27/01/2005 Acórdão nº 204­00115, de 17/05/2005.  Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso  ora interposto (assinado digitalmente)  Cláudio Augusto Gonçalves Pereira ­ Relator                                Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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Numero do processo: 10830.917829/2011-95
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917829/2011­95  Resolução nº  3802­000.169  S3­TE02  Fl. 145          2 Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  em  face  de  acórdão  da  2ª  Turma  da  DRJ de Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade, indeferiu a manifestação de inconformidade  formalizada pela interessada em face da não­homologação de compensação.  Aduziu  a  Recorrente  que  a  origem  do  crédito  seria  decorre  da  inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo  Tribunal Federal). Informa que a contribuição em tela foi apurada sobre a “receita bruta”, com  base no dispositivo referenciado ainda em vigor. Com a declaração de inconstitucionalidade do  parágrafo acima, que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS,  houve por bem a recorrente efetuar uma revisão contábil interna, ocasião em que se constatou  recolhimento a maior da contribuição no período mencionado.  Sustenta ainda que a decisão do STF deve ser reproduzida pelos Conselheiros do  CARF,  por  força  do  disposto  no  artigo  62­A,  Regimento  Interno  (Portaria MF  nº  256/09).  Aduz  a  prescindibilidade  da  retificação  da  DCTF,  apresentando,  ao  final,  documentação  contábil e fiscal, bem como demonstrativo do débito.  Ao  final,  requer  que  seu  recurso  seja  conhecido  e  provido,  reformando­se  o  acórdão  recorrido  e  subsidiariamente,  caso  não  seja  esse  o  entendimento  deste  colegiado,  o  retorno  do  autos  a DRJ  de  origem  para  que,  em  instancia  inicial,  proceda  a  análise  de  toda  documentação apresentada, pugnando pela juntada posterior de documentos, bem como, sendo  necessária, a conversão do julgamento em diligência.  É o Relatório.  Por conter matéria de competência deste Colegiado, estando o crédito pleiteado  dentro do seu limite de alçada e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do  Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte.  Como  se  sabe,  o  §1º  do  art.  3o  da  Lei  no  9.718/1998  foi  declarado  inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR:  CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ­ ARTIGO 3º, § 1º, DA  LEI  Nº  9.718,  DE  27  DE  NOVEMBRO  DE  1998  ­  EMENDA  CONSTITUCIONAL  Nº  20,  DE  15  DE  DEZEMBRO  DE  1998.  O  sistema  jurídico  brasileiro  não  contempla  a  figura  da  constitucionalidade  superveniente.  TRIBUTÁRIO  ­  INSTITUTOS  ­  EXPRESSÕES E VOCÁBULOS  ­  SENTIDO. A  norma pedagógica  do  artigo  110  do Código  Tributário Nacional  ressalta  a  impossibilidade  de  a  lei  tributária  alterar  a  definição,  o  conteúdo  e  o  alcance  de  consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados  expressa ou implicitamente. Sobrepõe­se ao aspecto formal o princípio  da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­  PIS  ­  RECEITA  BRUTA  ­  NOÇÃO  ­  INCONSTITUCIONALIDADE  DO  §  1º  DO  ARTIGO  3º  DA  LEI  Nº  9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195  da  Carta  Federal  anterior  à  Emenda  Constitucional  nº  20/98,  consolidou­se  no  sentido  de  tomar  as  expressões  receita  bruta  e  faturamento como sinônimas, jungindo­as à venda de mercadorias, de  serviços  ou  de  mercadorias  e  serviços.  É  inconstitucional  o  §  1º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  no  que  ampliou  o  conceito  de  receita  bruta  para  envolver  a  totalidade  das  receitas  auferidas  por  pessoas  jurídicas,  independentemente da atividade por elas desenvolvida  e da  Fl. 145DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917829/2011­95  Resolução nº  3802­000.169  S3­TE02  Fl. 146          3 classificação  contábil  adotada.  (STF.  T.  Pleno.  RE  346.084/PR.  Rel.  Min.  ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ  01/09/2006).  Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de  questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art.  543­B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria:  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição  social.  PIS.  COFINS.  Alargamento  da  base  de  cálculo.  Art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98.  Inconstitucionalidade.  Precedentes  do  Plenário  (RE  nº  346.084/PR,  Rel.  orig. Min.  ILMAR GALVÃO, DJ  de  1º.9.2006;  REs  nos  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  Rel.  Min.  MARCO  AURÉLIO,  DJ  de  15.8.2006)  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento pelo Plenário. Recurso  improvido. É  inconstitucional  a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98.  (STF.  RE  585235  RG­QO.  Rel.  Min.  CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008).  Assim,  apesar  de  ainda  não  editada  a  súmula  vinculante,  deve  ser  aplicado  o  disposto  no  art.  62­A  do  Regimento  Interno,  o  que  implica  o  reconhecimento  da  inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998.  Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as  receitas  especificadas  nas  contas  juros  recebidos,  juros  s/  aplicações,  descontos  obtidos,  royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições  do PIS/Pasep e Cofins. Entende­se, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência  para  que  a  unidade  de  origem  verifique  se  as  receitas  contabilizadas  nas  contas  em  questão  foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a  Fazenda Nacional para se manifestarem.  (assinado digitalmente)  Solon Sehn ­ Relator  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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