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Numero do processo: 10935.907081/2011-44
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/04/2001
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-005.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 12/04/2001 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado.
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AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 70 81 /2 01 1- 44 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070759), indeferiu o Per/DComp transmitida em 12/04/2001, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.329, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 12/04/2001 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo Fl. 53DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907081/201144 Acórdão n.º 3803005.583 S3TE03 Fl. 7 3 as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907081/201144 Acórdão n.º 3803005.583 S3TE03 Fl. 8 5 No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2014. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001079/2003-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE.
No regime alternativo de apuração do crédito presumido de IPI, não é possível o aproveitamento de crédito presumido nas aquisições efetuadas de pessoas físicas, por disposição expressa contida na Lei nº 10.276/2001.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO PRÓPRIA DE CANA-DE-AÇÚCAR. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
No crédito presumido de IPI de que tratam as Leis nº 10.276/2001 e 9.363/96, o conceito de insumos advém da legislação do IPI. Nesta condição deve ser observado o contido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30/10/1979. Desta forma, os insumos admitidos, para cálculo do benefício, são somente aqueles adquiridos para utilização no processo industrial para exportação.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Na apuração do crédito presumido do IPI, devem ser incluídos os produtos químicos adquiridos e utilizados no processo produtivo do açúcar, que se caracterizarem como produto intermediário no conceito estrito constante do Parecer Normativo CST nº 65/79.
CRÉDITO SOBRE TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIA-PRIMA ENTRE FILIAIS. GLOSA. PROCEDÊNCIA.
O art. 1º da Lei nº 9.363/96 prevê o crédito presumido incidente nas aquisições de matéria-prima. A transferência de matérias-primas entre estabelecimentos da mesma empresa não corresponde a uma aquisição, pois não há transferência de titularidade do bem.
RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO.
Havendo oposição ilegítima do Fisco para utilização do crédito presumido do IPI por uma das formas permitidas na legislação, incidem juros calculados pela taxa Selic a partir da data do pedido até a sua efetiva disponibilização.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez Lopez, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Samuel Luiz Manzotti Riemma, que davam provimento parcial em maior extensão. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Denise da Silveira de Aquino Costa, OAB/SC nº 10.264.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Samuel Luiz Manzotti Riemma, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE. No regime alternativo de apuração do crédito presumido de IPI, não é possível o aproveitamento de crédito presumido nas aquisições efetuadas de pessoas físicas, por disposição expressa contida na Lei nº 10.276/2001. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO PRÓPRIA DE CANA-DE-AÇÚCAR. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. No crédito presumido de IPI de que tratam as Leis nº 10.276/2001 e 9.363/96, o conceito de insumos advém da legislação do IPI. Nesta condição deve ser observado o contido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30/10/1979. Desta forma, os insumos admitidos, para cálculo do benefício, são somente aqueles adquiridos para utilização no processo industrial para exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Na apuração do crédito presumido do IPI, devem ser incluídos os produtos químicos adquiridos e utilizados no processo produtivo do açúcar, que se caracterizarem como produto intermediário no conceito estrito constante do Parecer Normativo CST nº 65/79. CRÉDITO SOBRE TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIA-PRIMA ENTRE FILIAIS. GLOSA. PROCEDÊNCIA. O art. 1º da Lei nº 9.363/96 prevê o crédito presumido incidente nas aquisições de matéria-prima. A transferência de matérias-primas entre estabelecimentos da mesma empresa não corresponde a uma aquisição, pois não há transferência de titularidade do bem. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. Havendo oposição ilegítima do Fisco para utilização do crédito presumido do IPI por uma das formas permitidas na legislação, incidem juros calculados pela taxa Selic a partir da data do pedido até a sua efetiva disponibilização. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez Lopez, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Samuel Luiz Manzotti Riemma, que davam provimento parcial em maior extensão. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Denise da Silveira de Aquino Costa, OAB/SC nº 10.264. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Samuel Luiz Manzotti Riemma, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
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CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE. No regime alternativo de apuração do crédito presumido de IPI, não é possível o aproveitamento de crédito presumido nas aquisições efetuadas de pessoas físicas, por disposição expressa contida na Lei nº 10.276/2001. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO PRÓPRIA DE CANADEAÇÚCAR. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. No crédito presumido de IPI de que tratam as Leis nº 10.276/2001 e 9.363/96, o conceito de insumos advém da legislação do IPI. Nesta condição deve ser observado o contido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30/10/1979. Desta forma, os insumos admitidos, para cálculo do benefício, são somente aqueles adquiridos para utilização no processo industrial para exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Na apuração do crédito presumido do IPI, devem ser incluídos os produtos químicos adquiridos e utilizados no processo produtivo do açúcar, que se caracterizarem como produto intermediário no conceito estrito constante do Parecer Normativo CST nº 65/79. CRÉDITO SOBRE TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAPRIMA ENTRE FILIAIS. GLOSA. PROCEDÊNCIA. O art. 1º da Lei nº 9.363/96 prevê o crédito presumido incidente nas aquisições de matériaprima. A transferência de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa não corresponde a uma aquisição, pois não há transferência de titularidade do bem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 10 79 /2 00 3- 61 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/200361 Acórdão n.º 3301002.406 S3C3T1 Fl. 497 2 RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. Havendo oposição ilegítima do Fisco para utilização do crédito presumido do IPI por uma das formas permitidas na legislação, incidem juros calculados pela taxa Selic a partir da data do pedido até a sua efetiva disponibilização. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez Lopez, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Samuel Luiz Manzotti Riemma, que davam provimento parcial em maior extensão. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Denise da Silveira de Aquino Costa, OAB/SC nº 10.264. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Samuel Luiz Manzotti Riemma, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/200361 Acórdão n.º 3301002.406 S3C3T1 Fl. 498 3 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos até aquele momento, adoto o relatório elaborado pela DRJ/Ribeirão Preto, por ocasião do acórdão recorrido, abaixo transcrito. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal de Maringá (fls. 277/287), que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de IPI e homologou as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido. A contribuinte solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Lei nº 10.276/2001, no valor de R$ 1.062.482,82, relativamente ao 1º trimestre de 2003. Apresentou também, um DCP retificador com o cálculo do benefício total de R$ 1.333.645,91 (cópia às fls. 96/100). O pedido de ressarcimento foi deferido parcialmente, em virtude de retificações efetuadas no cálculo do crédito presumido, tendo sido reconhecido o direito creditório total de R$ 119.690,77. A autoridade fiscal excluiu do cálculo todos os materiais que não se enquadravam no conceito especificado pela legislação do IPI para matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, bem como aquelas aquisições de produtos não onerados pelo PIS e COFINS, como as aquisições de canadeaçúcar de pessoas físicas. Além dos débitos declarados no presente processo, foram transferidos para esse processo os débitos constantes do processo administrativo nº 10950.001261/200312, tendo em vista a utilização do mesmo crédito para as compensações declaradas. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 293/323, alegando, em resumo, o seguinte: 1. Inicialmente, requer o apensamento do presente processo com o processo nº 10950.001261/200312; 2. Apresentou planilha demonstrativa classificando todos os insumos utilizados no processo produtivo, conforme os grupos: insumos defensivos uso agrícola, insumos uso industrial, lubrificantes uso industrial, lubrificantes uso agrícola, combustíveis, peças e materiais de manutenção industrial, peças e materiais de manutenção de máquinas agrícolas, peças e materiais de manutenção de caminhões, materiais diversos, cana de açúcar adquirida de pessoa física, cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica e materiais de manutenção geral e outros itens industriais; 3. Defende a inclusão das aquisições de cana de açúcar de pessoas física, pois os atos administrativos não podem limitar o que a lei não limita; 4. Defende a inclusão dos valores relativos às aquisições de insumos e defensivos agrícolas aplicados na produção de cana própria, por se tratar de atividade agroindustrial; concorda com a exclusão dos insumos utilizados na formação da lavoura, mas discorda da exclusão dos insumos utilizados no cultivo da cana; Fl. 498DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/200361 Acórdão n.º 3301002.406 S3C3T1 Fl. 499 4 5. As demais exclusões referemse a produtos intermediários aplicados no processo produtivo e que devem ser incluídos no cálculo; 6. Não havia justificativa para excluir o valor das transferências do cálculo dos insumos, pois o art. 2º da Lei n° 9.363/96 determina como base de cálculo o total das aquisições, não existindo qualquer menção legal de exclusão das transferências; 7. Requer a atualização do valor do ressarcimento pela taxa Selic. Por fim, requereu o reconhecimento ao crédito objeto do presente processo. Ao analisar referida manifestação de inconformidade a 2ª Turma da DRJ/Ribeião PretoSP, proferiu o Acórdão nº 1422.122, de 28/01/2009, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATIVIDADE AGRÍCOLA. A legislação referente ao crédito presumido somente admite a inclusão dos insumos aplicados na produção industrial, não contemplando os materiais aplicados na produção de canade açúcar, por se tratar de atividade agrícola. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo os produtos que não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, bem como, não incluem os materiais destinados ao ativo permanente. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Solicitação Indeferida. Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual maneja basicamente as mesmas questões trazidas em sede de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/200361 Acórdão n.º 3301002.406 S3C3T1 Fl. 500 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Inicialmente, em atendimento ao despacho de fl. 494, não vejo razões para negar o pedido de desistência parcial formulado pelo contribuinte às fls. 472/475. Assim a DRF/Maringá, deve tomar as providências necessárias para o controle correspondente aos créditos ali consignados. Abordarei as questões na mesma seqüência trazida pelo recurso voluntário e que foi também adotada na decisão recorrida. AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS A fiscalização e a DRJ entenderam que o valor das matériasprimas adquiridas diretamente de pessoas físicas não compõem a base de cálculo do crédito presumido de IPI, pois não sendo eles contribuintes do PIS e da Cofins, não haveria o que ressarcir. O contribuinte por sua vez, cita jurisprudência administrativa no sentido de que as Instruções Normativas SRF 23/97 e as que a sucederam não poderiam efetuar restrições que não estavam contidas na Lei nº 9.363/96 e que a Lei nº 10.276/2001 não trouxe qualquer alteração significativa para que houvesse mudança no entendimento. Não concordo com a posição do contribuinte. Quando o pedido de ressarcimento do crédito presumido é efetuado somente ao amparo da Lei nº 9.363/96, teríamos que seguir o que o STJ decidiu no RESP nº 993164, que foi julgado pela sistemática do recurso repetitivo – art. 543C do CPC. Na oportunidade foi dedicido que a IN SRF nº 23/97 não poderia fazer restrições que a própria Lei nº 9.363/96 não tinha efetuado. Porém, no presente caso, o contribuinte optou pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/2001 que foi regulamentada pela IN SRF nº 315/2003 a qual não foi infirmada pela decisão do STJ. Ao contrário da afirmação do contribuinte entendo que a Lei nº 10.276/2001 trouxe expressamente esta vedação. Veja o que dispõe o § 1º do art. 1º desta lei: “(...) § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I – de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Fl. 500DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/200361 Acórdão n.º 3301002.406 S3C3T1 Fl. 501 6 II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...)” Assim, não há como aceitar o aproveitamento do crédito presumido sobre as aquisições efetuadas de pessoas físicas em decorrência de disposição expressa da lei. No regime alternativo a própria lei instituidora estabelece que somente as aquisições sujeitas à incidência das contribuições é que estão aptas a integrarem a base de cálculo do crédito presumido. MATERIAIS APLICADOS NA PRODUÇÃO PRÓPRIA DE CANA DEAÇÚCAR A fiscalização excluiu o valor das aquisições de insumos e defensivos utilizados na formação e no cultivo da canadeaçúcar. A interessada aceitou a glosa das aquisições de insumos aplicados na formação da lavoura, mas questionou a glosa dos materiais aplicados no cultivo de canadeaçúcar própria, por se tratar de atividade agroindustrial. Em apertada síntese o contribuinte defende o creditamento na aquisição destes insumos pois o fundamento do crédito presumido seria a desoneração da exportação e não haveria razão para segmentar o processo produtivo, de forma a onerar ainda mais setor agroindustrial. Relata que o processo produtivo do açúcar integram a atividade rural, produção da canadeaçúcar e industrial, produção do açúcar. De fato são argumentos coerentes, porém desvinculados do arcabouço legal que permitiu e autorizou o crédito presumido do IPI. O § 5º do art. 1º da Lei nº 10.276/2001 determinou que se aplica ao regime alternativo de aproveitamento do crédito presumido de IPI todas as demais noras estabelecidas na Lei nº 9.363/96. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. (...) Veja o que dispõe a Lei nº 9.363/96, a respeito da composição do crédito presumido: "Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo." (Destaquei). (...) Fl. 501DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/200361 Acórdão n.º 3301002.406 S3C3T1 Fl. 502 7 Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante na respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.(Destaquei). Portanto está claro que este é um benefício fiscal instituído pela Lei nº 9.363/96, a qual delimitou a sua utilização. Assim, o crédito presumido de IPI é calculado sobre as aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem utilizadas no processo produtivo do produto exportado, que aqui no caso é o açúcar. A própria lei determinou que os conceitos de insumos e de produção são os definidos na legislação do IPI. Por sua vez a legislação do IPI, art. 82, inc. I do Decreto nº 87.981/82, cuja redação foi mantida nos regulamentos posteriores, estabeleceu que se incluem no conceito de matériaprima e produto intermediário os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente. O Parecer Normativo CST nº 65, de 06/11/79, colacionado no acórdão recorrido, firmou o entendimento, amplamente adotado por este órgão julgador, de que além das matériasprimas e produtos intermediários “stricto sensu” , também se integram no conceito, gerando direito ao crédito, aqueles que se consumirem em decorrência de uma ação direta sobre o produto em fabricação. Ou seja, o conceito de insumo na legislação do IPI é restrito às matériasprimas e produtos intermediários que se consomem de maneira direta no processo produtivo. Diante desta premissa, não há como acatar créditos decorrentes de insumos utilizados na produção própria da canadeaçúcar, por absoluta falta de previsão legal. A Lei nº 9.363/96 não autorizou crédito presumido de IPI na aquisição de quaisquer insumos, não estando amparadas as aquisições de produtos não relacionados diretamente com a fabricação do produto exportado. MATERIAIS APLICADOS NO PROCESSO INDUSTRIAL DO AÇÚCAR No recurso voluntário o contribuinte faz alusão de que o despacho decisório teria efetuado glosas genéricas em decorrência da “não apresentação das memórias de cálculos que vincule os gastos relativos a peças e materiais utilizados na manutenção industrial”. Esta afirmação não é verdadeira. Não consta esta afirmação no despacho decisório. Presumo que o recorrente tenha se confundido em face de que possui diversos processos sobre este mesmo assunto relativos a outros períodos de apuração. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/200361 Acórdão n.º 3301002.406 S3C3T1 Fl. 503 8 O despacho decisório separou os grupos de insumos sobre os quais o contribuinte pretendia apropriarse do crédito presumido e foi específico em acatar somente os insumos constantes do grupo 06 – “Peças e Materiais – Manutenção Industrial” e do grupo 13 – “Matéria Prima (CanadeAçúcar) – P. Jurídica”. Os insumos correspondentes a cada grupo estão detalhados em planilhas específicas, inclusive com os respectivos valores por mês de apuração. Analisando os respectivos grupos que foram objetos de glosa, pode se concluir que efetivamente não tratamse de insumos da produção industrial nos termos já citados na análise do tópico anterior. Veja a composição dos grupos: Grupo1 – Insumos Defensivos Uso Agrícola – Não dão direito a crédito cuja análise já foi abordada no tópico anterior; Grupo –2 – Insumos Uso Industrial – Vou fazer uma análise a parte deste grupo logo a seguir; Grupo – 3 – Lubrificantes Usos Industriais – Naturalmente que não são insumos no conceito determinado pela legislação do IPI, cuja definição foi exposta na análise do tópico anterior. O seu consumo não pode ser visto como produto intermediário pois não se consomem em ação direta sobre o produto em fabricação; Grupo – 4 – Lubrificantes Uso Agrícola Não dão direito a crédito cuja análise já foi abordada no tópico anterior; Grupo – 5 – Combustíveis – Conforme planilhas, tratase de óleo diesel que é utilizado nas máquinas, tratores, caminhões, etc. desde a implantação da lavoura canavieira até o transporte final da cana até a sua entrada na indústria, portanto não são utilizados no processo produtivo, nos termos em que dispõe a Lei nº 10.276/2001. Grupo – 6 – Peças e Materiais – Manutenção Industrial – De acordo com o despacho decisório não houve glosa de créditos dos itens em questão; Grupo – 7 – Peças e Materiais – Manut. Máqs. Agríc. Não dão direito a crédito cuja análise já foi abordada no tópico anterior; Grupo – 8 – Peças e Materiais – Manut. Caminhões – Não dão direito a crédito por não serem insumos relacionados ao processo produtivo do açúcar; Grupo – 9 – Materiais Diversos – Exemplos de produtos deste grupo são: aparelho telefônico, assento sanitário, bateria p/ rádio portátil, boletim de jurisprudência, cadeado, botas de segurança, cartucho de impressora, etc. Evidente que são produtos que não se integram ao processo produtivo; Grupo – 10 – MatériaPrima (CanadeAçúcar) – P. Física – Não dão direito a crédito conforme análise efetuada em tópico anterior. Grupo 11 – Manutenção Geral e Outros Itens Industriais – Exemplos de itens deste grupo: alicate universal, chave estrela, disjuntor, interruptor, prego, etc. Evidente que são produtos que não se integram ao processo produtivo; Fl. 503DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/200361 Acórdão n.º 3301002.406 S3C3T1 Fl. 504 9 Grupo 13 – MatériaPrima (CanadeAçúcar) – P. Jurídica – De acordo com o despacho decisório foi concedido o crédito nas aquisições de canadeaçúcar de pessoas jurídicas. Os valores glosadas nesta rubrica foram somente os decorrentes de transferência entre filiais, que será objeto de análise específica mais adiante. Ficou pendente somente a análise do grupo 2 que se refere a insumos de uso industrial, cuja glosa pelo despacho decisório foi integral. Neste sentido, peço vênia para utilizar parte do voto do Conselheiro Antônio Carlos Atulim proferido no processo nº 10950.004312/200872, deste mesmo contribuinte, cuja matéria é semelhante ao presente processo. Tratase do Acórdão nº 3403001.949, de 19/03/2013. (...) “Assim, resta analisar os produtos citados no parecer técnico da recorrente, na parte em que descreveu o processo da fase industrial. Para que os produtos intermediários empregados nesta fase possam gerar créditos do imposto é preciso que se consumam em contato direto com o açúcar e o álcool em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória. A análise do parecer técnico da recorrente revela que a preocupação da assessoria técnica foi demonstrar que o consumo dos produtos intermediários ocorreu no processo produtivo do açúcar e do álcool e não que esse consumo se deu em contato físico direto com os produtos fabricados, tal como exige o Parecer Normativo CST nº 65/79. Também não houve nenhuma preocupação do parecerista em demonstrar se esses produtos preenchiam ou não os requisitos que obrigam o contribuinte a ativá los. Contudo a leitura de certos detalhes encontrados na redação do parecer e o uso do senso comum permitem verificar se os produtos intermediários são ou não consumidos em contato físico direto com os produtos em fabricação. Exemplo disso são os lubrificantes e o grafite em pó, que segundo o parecer são empregados nas moendas, bomba centrífuga, bomba helicoidal, redutor de velocidade, compressor de ar, turbina e centrífuga de ar (fotos na fl. 891). Tratando se de produtos destinados à lubrificação das máquinas, é óbvio que não são consumidos em contato direto com o açúcar e o álcool produzidos, caso contrário contaminariam esses produtos e tornariam o açúcar imprestável para o consumo humano e o álcool impróprio para ser empregado em motores de combustão interna. Assim, é evidente que os lubrificantes e o pó de grafite empregados na fase industrial não se enquadram no Parecer Normativo CST nº 65/79. O mesmo se diga quanto à maioria dos materiais citados no parecer (material de proteção individual; correias e correntes transportadoras; rolamentos; arruelas; parafusos; porcas; discos de desbaste, de corte, lixas e esmeril; gases acetileno, argônio, oxigênio, star gold C25 e GLP; chapas de açocarbono; soldas; eletrodos; taliscas de açocarbono; juntas de borracha; rosetas; gaxetas grafitadas; mangueira hidráulica; etc.). As descrições das etapas em que se subdivide o processo industrial revelam que esses produtos são destinados à manutenção dos bens de produção da empresa, pois são consumidos como decorrência do desgaste natural do maquinário, por atritos, movimentos e choques de uns em relação aos outros e não por ação direta sobre o açúcar e o álcool em fabricação. Não estão aptos a gerar crédito presumido, pois não se enquadram no Parecer Normativo CST nº 65/79. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/200361 Acórdão n.º 3301002.406 S3C3T1 Fl. 505 10 Por outro lado, leitura do mesmo parecer revela que alguns produtos químicos são de fato consumidos em contato direto com o açúcar em fabricação, pois são adicionados diretamente ao caldo da cana para regular o pH, eliminar espumas, eliminar bactérias, facilitar a floculação ou a decantação. Além disso, o fato de serem produtos que são adicionados ao caldo da cana nas diversas fases do processo, permite inferir que esses produtos químicos não são de ativação obrigatória, pois são consumidos em prazo inferior a um ano. Não se olvide que a safra da canadeaçúcar dura em torno de 6 a 7 meses (nas regiões sul e sudeste vai de maio a novembro de cada ano). O texto do parecer permite identificar que os seguintes produtos químicos estão aptos a serem incluídos na base de cálculo do crédito presumido: cal virgem utilizada na regulação do pH e na lavagem da cana na mesa alimentadora; bactericida pulverizado desde a esteira 1 até o 6º terno (conjunto de três cilindros espremedores) para eliminar agentes contaminantes do processo de produção; bactericida organossulfuroso ou quaternário de amônia, aplicado no tanque de caldo misto; antiespumante aplicado sobre a espuma formada quando o tanque está próximo ao transbordamento; anidrido sulfuroso gasoso (SO2enxofre) aplicado ao caldo misto na torre de sulfitação para aumentar a acidez e clarificar o açúcar; cal virgem e ácido fosfórico adicionados ao tanque de caldo caleado; polímero aplicado nos decantadores de sólidos e filtro de lodo para facilitar a precipitação dos sólidos; alcalinizante de vapor e antincrustante adicionados ao caldo préevaporado no pré evaporador; modificador de viscosidade utilizado nos cozedores a vácuo e cristalizadores. Cabe esclarecer que neste trimestre ou não houve produção de álcool (produto N/T) ou, se houve, não foi necessário que a fiscalização efetuasse qualquer glosa, uma vez que nada foi mencionado no despacho decisório. Assim, os produtos químicos citados neste voto são apenas aqueles aplicados na produção de açúcar.” (...) Esclareço que também no presente processo, no período de apuração do crédito, também não houve produção de álcool. Assim, por concordar com o disposto na decisão acima colacionada, reconheço o crédito presumido na aquisição dos mesmos produtos citados e que estão localizados nas planilhas relativas ao Grupo 2. Portanto cabe à unidade preparadora identificá los nas respectivas planilhas fazendo sua inclusão no cálculo do crédito presumido. DOS CRÉDITOS A TÍTULO DE TRANSFERÊNCIAS DE MATÉRIASPRIMAS DE OUTRAS FILIAIS O contribuinte sustenta que não há amparo legal para exclusão da base de cálculo do crédito presumido os valores decorrentes de transferências de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa. Assim dispõe o art. 1º da Lei nº 10.276/2001: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o Fl. 505DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/200361 Acórdão n.º 3301002.406 S3C3T1 Fl. 506 11 valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo;(Destaquei) De acordo com o Dicionário Jurídico De Plácido e Silva, 20ª Edição, pg. 74, o termo aquisição é assim definido: AQUISIÇÃO. Formada do vocábulo latino acquisitio (ação de adquirir), é empregado na linguagem jurídica para indicar o ato ou fato, em virtude do qual se opera a transferência do domínio ou propriedade de uma coisa, móvel ou imóvel, ou a sua posse, ou a transferência de um direito, para uma pessoa, que assim se torna proprietária dela, ou titular deste direito. E, assim, o ato jurídico em que se funda a transmissão da propriedade da coisa ou do direito, olhada em relação à pessoa que, por ela, se transforma em proprietária da coisa ou titular do direito. Verifique que o dispositivo legal referese textualmente ao termo “aquisição” de matériasprimas. Nas transferências entre filiais não há mudança de propriedade e, portanto não há “aquisição”, pois o bem transferido continua na titularidade do mesmo sujeito de direito. No caso não houve alteração da titularidade jurídica da matériaprima transferida. Neste sentido alguns julgados do CARF, inclusive desta Turma de julgamento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/04/2001 a 30/06/2001 Ementa: (...) IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. TRANSFERÊNCIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PRÓPRIA PESSOA JURÍDICA. INSUMOS. EXTRAÇÃO MINERAL. As transferências de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica não geram direito ao crédito presumido de IPI, uma vez que ausentes operações de “aquisição” de mercadorias, nos termos do artigo 1º, da Lei nº 9.363/96. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/200361 Acórdão n.º 3301002.406 S3C3T1 Fl. 507 12 (...) (Acórdão nº 340301.648, de 26/06/2012, Conselheiro Relator Marcos Tranchesi Ortiz. Processo nº 13660.000031/200390) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZAD OS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO As transferências de matéria prima, mediante a emissão de notas fiscais de transferência e de notas fiscais de entradas, ambas emitidas pelo próprio contribuinte, não geram créditos presumidos de IPI. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão nº 330101.414, de 24/04/2012, Conselheiro Relator José Adão Vitorino de Morais. Processo nº 11080.007377/2007 48) DA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA – INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC Por fim o contribuinte solicita que o valor do ressarcimento seja acrescido de atualização monetária com base na taxa Selic. Esta questão foi pacificada na esfera administrativa quando do julgamento proferido pelo STJ no RESP nº 1035847, julgado sob a sistemática do art. 543C do CPC, cuja ementa tem o seguinte teor: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/200361 Acórdão n.º 3301002.406 S3C3T1 Fl. 508 13 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, esta decisão deve ser aplicada aos processos administrativos em julgamento. Desta forma temos que analisar a partir de quando ocorreu a resistência ilegítima por parte do fisco para o aproveitamento do crédito presumido de que trata o presente processo. O pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata o presente processo foi formalizado em 15/04/2003, portanto forçoso reconhecer que antes desta data não houve qualquer resistência ilegítima por parte do fisco, pois sequer existia o próprio pedido. Portanto, reconheço que poderá haver o acréscimo dos juros Selic a partir da data do pedido até o efetivo aproveitamento do crédito. No caso somente haverá a incidência da correção pela taxa Selic, se com o acréscimo dos créditos reconhecidos na presente decisão, sobrarem créditos a serem ressarcidos após a sua utilização nas compensações declaradas pelo contribuinte. Isto posto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para: 1) reconhecer o direito do contribuinte incluir na base de cálculo do crédito presumido os valores dos produtos químicos discriminados na fundamentação, os quais são adicionados ao caldodecana nas diversas etapas de produção do açúcar; 2) deferir o pedido de desistência parcial das compensações efetuado às fls. 472 e 475 (numeração do processo digital); 3) homologar as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido; e 4) após efetuadas as compensações e caso reste crédito a ser ressarcido, determinar a incidência de juros Selic, contados da data do pedido. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 508DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10950.001079/200361 Acórdão n.º 3301002.406 S3C3T1 Fl. 509 14 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10940.900522/2011-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2007
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA
O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado
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SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 05 22 /2 01 1- 16 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900522/201116 Acórdão n.º 3801004.019 S3TE01 Fl. 75 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900522/201116 Acórdão n.º 3801004.019 S3TE01 Fl. 76 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 916016878 emitido eletronicamente em 01/04/2011, referente ao PER/DCOMP nº 08542.81422.200607.1.3.042058. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de Cofins, Código de Receita 5856, no valor original na data detransmissão de R$673,51, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/03/2007. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório por meio de edital, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 31/05/2011, tendo feito um resumo dos fatos. Em seguida, tece considerações acerca da inconstitucionalidade da incidência do PIS e da Cofins sobre o ICMS, fazendo referência à legislação pertinente, à jurisprudência do Judiciário e a entendimentos doutrinários que tratam do assunto em pauta, para concluir que as “receitas” provenientes do ICMS não podem integrar a base de cálculo das contribuições para o PIS e da Cofins, ante ao fato de não representarem receita ou faturamento do contribuinte, mas sim do ente tributante. Diante das razões invocadas, o manifestante requer seja reconhecido o seu direito à compensação referente aos indevidos pagamentos a título de Cofins, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das atividades do contribuinte, bem Fl. 76DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900522/201116 Acórdão n.º 3801004.019 S3TE01 Fl. 77 4 como não haja a incidência de multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Anexa aos autos um “Relatorio aproveitamento”, no qual indica o valor do ICMS e o valor de Cofins correspondente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega, em síntese, que não pode haver qualquer diferenciação entre o tratamento tributário dado às instituições financeiras e as demais pessoas jurídicas sujeitas ao recolhimento da COFINS e do PIS, conforme o disposto nos artigos 5o e 150, II, ambos da Constituição, e de acordo com jurisprudência dominante do STF, devendo ser reconhecido o seu direito à restituição referente aos indevidos pagamentos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900522/201116 Acórdão n.º 3801004.019 S3TE01 Fl. 78 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos indevidos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades. A recorrente defende a isonomia de tratamento fiscal no que diz respeito à exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins de despesas operacionais previstas na legislação aplicável às instituições financeiras. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. A Lei nº 9.718/98, que dispõe sobre as contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, em seu art. 3º, § 6º, explicita as exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo das referidas contribuições para as instituições financeiras, seguradoras e assemelhadas, além daquelas facultadas as demais pessoas jurídicas. A recorrente alega que esse tratamento tributário diferenciado ofende ao princípio da igualdade encontrado no art. 5º, caput, da Constituição Federal, bem como o conseqüente princípio da isonomia ou igualdade tributária assegurado na Carta Magna, em seu art. 150, II.. No entanto, o referido tratamento está baseado em disposição literal de norma válida legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional cuja apreciação acerca de eventual inconstitucionalidade foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar tais hipóteses. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. Para firmar esse entendimento, o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, por força do disposto no Anexo II, art. 62, caput, veda aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900522/201116 Acórdão n.º 3801004.019 S3TE01 Fl. 79 6 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas hipóteses de decisão vinculante do STF ou acolhida pela administração tributária. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, considerandose que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, o que não ocorreu no caso em tela, faltando ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. No tocante ao instituto da denuncia espontânea, de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, este não se aplica ao caso vertente uma vez que tratamse os débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação, sujeitos portanto aos acréscimos moratórios previstos no artigo 61, da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, segundo a Súmula 360 do STJ, “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”, mesmo que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10380.900452/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
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Recorrente AUTO PEÇAS PADRE CÍCERO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 00 45 2/ 20 08 -8 5 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 03/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10380.900452/200885 Resolução nº 1102000.277 S1C1T2 Fl. 2.285 2 Tratase recurso voluntário interposto por AUTO PEÇAS PADRE CÍCERO LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/Fortaleza que concluiu pela improcedência integral de pedido de compensação de débito de IRRF com crédito de R$ 207.625,06 decorrente de saldo negativo do IRPJ referente ao anocalendário de 2003. A DRF/Fortaleza, mediante Despacho Decisório (fls. 7), não reconheceu a existência do direito creditório alegado e, por conseguinte, não homologou a compensação pleiteada. Tal decisão teve a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 1.105.639,26. Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 207.625,06 Diante dessa decisão, a empresa interpôs manifestação de inconformidade (fls. 14 a 17) na qual alegou que houve equívoco no preenchimento da PER/DCOMP porque informou o valor total das estimativas compensadas, ao invés do próprio saldo negativo evidenciado na DIPJ. A 4ª Turma da já mencionada DRJ/Fortaleza proferiu, então, o Acórdão nº 08 23.380 (fls. 87 a 89), de 02 de maio de 2012, por meio do qual não reconheceu o direito creditório e, por isso, não homologou a compensação pleiteada. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS NÃO COMPENSADAS. Não homologada a compensação dos débitos de estimativa mensal, única forma utilizada pelo contribuinte para antecipar o pagamento do imposto anual, inexiste crédito de saldo negativo. Segundo o voto condutor da decisão recorrida, o alegado saldo negativo teria origem em estimativas quitadas por meio de compensações. Entretanto, tanto as que foram requeridas por processo administrativo quanto as que foram declaradas em PER/DCOMP teriam sido indeferidas ou não homologadas. Para comprovar essa constatação, juntou os documentos de fls. 53 a 86. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 03/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10380.900452/200885 Resolução nº 1102000.277 S1C1T2 Fl. 2.286 3 Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário (fls. 96 a 100) onde argumenta que os valores referentes às antecipações mensais destacadas nos processos administrativos de compensação foram devidamente inscritos em dívida ativa e incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941/09. Essa informação poderia ser percebida nos próprios documentos acostados pela DRJ, bem como nos extratos juntados às fls. 101 e 102. Ademais, o somatório das parcelas já adimplidas no parcelamento já seria suficiente para superar o crédito pleiteado. Ao final, requer a homologação da compensação e a intimação dos atos processuais, inclusive da inclusão do presente processo em pauta de julgamento par fins de sustentação oral de suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator A recorrente alega que as estimativas destacadas nos processos administrativos, cuja compensação não foi autorizada, teriam sido devidamente inscritas em dívida ativa e incluídas no parcelamento da Lei nº 11.941/09. Aduz que essa informação pode ser percebida nos documentos que fundamentaram a decisão da DRJ (fls. 53 a 86) e nos extratos que juntou com o recurso apresentado (fls. 101 e 102). Dentre os documentos anexados pela DRJ, os únicos que permitem alguma aproximação com o que foi alegado são os extratos de consulta ao Sistema PROFISC (fls. 78 a 86), os quais informam que os débitos controlados no processo de nº 10380.000872/200355 estão com a situação “ENVIADO A PFN INSCRIÇÃO”. Inclusos nestes débitos, estão, de fato, os referente a estimativas do IRPJ (código 2362) dos períodos de apuração 04/2003 a 12/2003. Os valores desses débitos coincidem com os valores informados na PER/DCOMP, objeto do presente processo (de nº 10688.52325.220906.1.7.020274), a título de “Estimativas Compensadas com Saldo de Períodos Anteriores” (fls. 33 a 36). Contudo, junto com essa mesma informação, está indicado que as referidas estimativas teriam sido compensadas mediante diversas DCOMP e não pelo processo administrativo de nº 10380.000872/200355. Não há, nos autos, qualquer explicação acerca dessa inconsistência. Além disso, os extratos juntados com o recurso (fls. 101 e 102) apenas indicam que a empresa aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941/09 e que realizou alguns pagamentos para a amortização da dívida consolidada. Inexiste qualquer informação que permita inferir quais foram os débitos incluídos no parcelamento. Ademais, os valores informados como estimativas (incluindo os períodos de apuração de 01/2003 a 12/2003) totalizam R$ 1.105.639,26. Esse total, segundo alegado na Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 03/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10380.900452/200885 Resolução nº 1102000.277 S1C1T2 Fl. 2.287 4 manifestação de inconformidade, teria sido equivocadamente informado como o saldo negativo na PER/DCOMP, ao invés daquele evidenciado na DIPJ. Ocorre que, por coincidência, o saldo negativo apurado na DIPJ (fls. 42) é exatamente aquele informado como o débito de IRRF que se pretende compensar, o qual seria calculado a partir da remuneração paga a título de juros sobre capital próprio (fls. 37), qual seja, R$ 207.625,06. Ora, é absolutamente incrível que valores calculados a partir de origens totalmente distintas possam, neste caso, ser idênticos. Todavia, não há maiores detalhes sobre esses cálculos. Diante dessas ambiguidades, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem esclareça se, tal como alegado, as estimativas destacadas em processos administrativos de compensação e PER/DCOMP, cujo indeferimento ou não homologação motivaram a decisão da DRJ no presente processo, foram efetivamente incluídas no parcelamento da Lei nº 11.941/09 e se o somatório das parcelas já adimplidas é suficiente para superar o crédito pleiteado. É recomendável que eventuais dúvidas sejam esclarecidas mediante intimação à empresa interessada. Devese promover ciência à empresa acerca do relatório conclusivo e dos demais elementos eventualmente juntados na diligência, para que esta, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 112DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 03/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 10218.720085/2007-39
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Relatório
Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 69.970,94, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora.
Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 3 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente e da área de utilização limitada no imóvel rural, motivo pelo qual o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 4.
Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua - VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra SIPT da RFB.
A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 37/45, assim ementado:
Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Para serem excluídas do ITR, exige-se que essas áreas, informadas na DITR/2003 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal.
DA ÁREA INDÍGENA.
Para fazer jus à imunidade tributária constitucionalmente prevista, a pretendida área de preservação permanente deveria, também, estar comprovadamente localizada em área indígena, demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, até a data do fato gerador do imposto.
DO VALOR DA TERRA NUA - VTN.
Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2003 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.653-3 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado.
Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 50), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 51/74, acompanhado dos documentos de fls. 75/85. Na peça recursal aduz, em síntese, que:
Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia
- Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996.
- Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputar-lhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996.
- O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a alínea a não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea b do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea c), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade.
- A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluir-se da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas a do inciso II do § 1° do art. 10.
- A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte.
- O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (art. 924).
- A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, trata-se de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativo-ambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos).
- Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório.
- Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos.
Área indígena
- Os julgadores da instância de piso incorreram em equívoco ao entender que área indígena só pode ser compreendida como tal após "demarcada, criada e homologada por meio de Decreto Presidencial, em data anterior a do fato gerador do imposto".
- Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01).
- O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02).
- O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04).
- Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05).
- Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse.
- O imóvel - LOTE 54 - está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06).
Pedidos
Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo.
Voto
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 69.970,94, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 3 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente e da área de utilização limitada no imóvel rural, motivo pelo qual o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 4. Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua - VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra SIPT da RFB. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 37/45, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exige-se que essas áreas, informadas na DITR/2003 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. DA ÁREA INDÍGENA. Para fazer jus à imunidade tributária constitucionalmente prevista, a pretendida área de preservação permanente deveria, também, estar comprovadamente localizada em área indígena, demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, até a data do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2003 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.653-3 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 50), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 51/74, acompanhado dos documentos de fls. 75/85. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia - Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996. - Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputar-lhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996. - O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a alínea a não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea b do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea c), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade. - A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluir-se da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas a do inciso II do § 1° do art. 10. - A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte. - O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (art. 924). - A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, trata-se de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativo-ambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos). - Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório. - Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos. Área indígena - Os julgadores da instância de piso incorreram em equívoco ao entender que área indígena só pode ser compreendida como tal após "demarcada, criada e homologada por meio de Decreto Presidencial, em data anterior a do fato gerador do imposto". - Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01). - O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02). - O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04). - Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05). - Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse. - O imóvel - LOTE 54 - está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06). Pedidos Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo. Voto
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 69.970,94, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 3 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente e da área de utilização limitada no imóvel rural, motivo pelo qual o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 4. Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 18 .7 20 08 5/ 20 07 -3 9 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720085/200739 Resolução nº 2801000.310 S2TE01 Fl. 90 2 estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra – SIPT da RFB. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 37/45, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exigese que essas áreas, informadas na DITR/2003 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. DA ÁREA INDÍGENA. Para fazer jus à imunidade tributária constitucionalmente prevista, a pretendida área de preservação permanente deveria, também, estar comprovadamente localizada em área indígena, demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, até a data do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2003 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 50), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 51/74, acompanhado dos documentos de fls. 75/85. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996. Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputarlhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996. O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a Fl. 90DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720085/200739 Resolução nº 2801000.310 S2TE01 Fl. 91 3 alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea “c”), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade. A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluirse da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas “a” do inciso II do § 1° do art. 10. A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que “Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior” (art. 924). A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, tratase de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativoambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos). Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório. Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos. Área indígena Os julgadores da instância de piso incorreram em equívoco ao entender que área indígena só pode ser compreendida como tal após "demarcada, criada e homologada por meio de Decreto Presidencial, em data anterior a do fato gerador do imposto". Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01). O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02). Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720085/200739 Resolução nº 2801000.310 S2TE01 Fl. 92 4 O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04). Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05). Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse. O imóvel LOTE 54 está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06). Pedidos Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Registro, por primeiro, que as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios não perdem essa característica por ainda não terem sido demarcadas, na medida em que a demarcação tem efeito meramente declaratório, valendo destacar, sobre este ponto, o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Ayres Britto no julgamento da Petição 3.388 (Ação Popular de Demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol): 12. Direitos “Originários”. Os direitos dos índios sobre as terras que tradicionalmente ocupam foram constitucionalmente “reconhecidos”, e não simplesmente outorgados, com o que o ato de demarcação se orna de natureza declaratória, e não propriamente constitutiva. Ato declaratório de uma situação jurídica ativa preexistente. Esta a razão de a Carta Magna havêlos chamado de “originários”, a traduzir um direito mais antigo do que qualquer outro, de maneira a preponderar sobre pretensos direitos adquiridos, mesmo os materializados em escrituras públicas ou títulos de legitimação de posse em favor de não índios. Assim, nenhuma relevância tem para o caso concreto o fato de a homologação administrativa da demarcação da Terra Indígena APYTEREWA, localizada no Município de São Félix do Xingu, no Estado do Pará, ter acontecido no ano de 2007 (cópia do Decreto s/n, Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720085/200739 Resolução nº 2801000.310 S2TE01 Fl. 93 5 de 19/04/2007, às fls. 83/84) e o presente lançamento se referir ao exercício de 2003. O que importa, preliminarmente, para o deslinde da controvérsia, é saber se o Lote 54 da Fazenda Tucumanzeira está localizado nos limites da terra indígena demarcada. O Recorrente alega que o imóvel LOTE 54 está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, conforme descrição no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007, que homologou a demarcação. Nada obstante, a Declaração do ITR apresentada pelo Interessado revela que o endereço do imóvel em questão é a “margem esquerda do Rio Pacajá”, que não se confunde com o Rio Bacajá, embora ambos tenham curso no Estado do Pará. Anoto, ainda, por oportuno, que tanto a fazenda do contribuinte, quanto a Terra Indígena APYTEREWA, estão localizadas no Município de São Félix do Xingu, o que me ocasionou dúvida se a divergência apontada decorre de erro de grafia na declaração ou de mero engano do contribuinte. Nesse contexto, entendo que deva ser oportunizado ao Recorrente, pela última vez, comprovar que o imóvel objeto de tributação encontrase em terra tradicionalmente ocupada por índios, devidamente demarcada, o que o qualificaria como imóvel imune à tributação. Penso, todavia, que a prova deve ser feita exclusivamente com a apresentação de documento fornecido pelo órgão regional da FUNAI no Estado do Pará, em papel timbrado da Fundação, com identificação do proprietário e do imóvel, atestando que a área total está inserida nos limites da terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA). Os requisitos acima delineados são necessários por dois motivos: a um, porque preservam a segurança jurídica na relação fisco/contribuinte; a dois, porque os documentos anexados à peça recursal não evidenciam, com precisão, que todos os imóveis situados à margem esquerda do Rio Bacajá situamse nos lindes da Terra Indígena APYTEREWA. Face ao exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a DRF de origem intime o Interessado a comprovar que o Lote 54 da Fazenda Tucumanzeira está situado na terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA), mediante a apresentação de documento fornecido pelo órgão regional da FUNAI no Estado do Pará (com os requisitos acima mencionados). Após, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10980.729864/2012-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2007 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 31/03/2008, 01/05/2008 a 31/08/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SIMULAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. GLOSA. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO.
Restando comprovada a simulação das operações de exportação, o crédito não cumulativo da contribuição social, relativo às entradas dos produtos posteriormente exportados, deve ser glosado, lançado-se de ofício os débitos emergentes desse procedimento fiscal.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
É possível o reexame de período anteriormente fiscalizado, enquanto não tiver ocorrido a extinção do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, desde que seja expressamente autorizado pela autoridade competente e quando se comprove que o sujeito passivo agiu com simulação.
DACON. RETIFICAÇÃO. LIMITAÇÃO.
A retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais -Dacon não produz efeitos quando tiver por objeto: reduzir os débitos das contribuições sociais que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização anterior.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Súmula CARF nº 33)
PENALIDADE. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA DA INFRAÇÃO. CONLUIO. AGRAVAMENTO.
O ajuste doloso pactuado entre duas pessoas jurídicas, tendente a reduzir o pagamento de tributos devidos por meio da apropriação ilegal de créditos de contribuições sociais não cumulativas, é circustância qualificativa da infração tributária, ensejando o agravamento da penalidade aplicada no lançamento de ofício.
Numero da decisão: 3403-003.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista e Domingos de Sá Filho. O Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o Dr. José Carlos Passuello, OAB/PR nº 20.764.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaia Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO Recorrentes CONDOR SUPER CENTER LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2007 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 31/03/2008, 01/05/2008 a 31/08/2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CIRCUNTÂNCIA QUALIFICATIVA DA INFRAÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, quando for comprovada a ocorrência de simulação, extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA E EXPRESSA. Imprescidível para o lançamento por homologação que o sujeito passivo antecipe o pagamento do tributo, sem o que não haverá o que homologar. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REVISÃO. POSSIBILIDADE. É possível o reexame de período anteriormente fiscalizado, enquanto não tiver ocorrido a extinção do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, desde que seja expressamente autorizado pela autoridade competente e quando se comprove que o sujeito passivo agiu com simulação. DACON. RETIFICAÇÃO. LIMITAÇÃO. A retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon não produz efeitos quando tiver por objeto: reduzir os débitos das contribuições sociais que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização anterior. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Súmula CARF nº 33) PENALIDADE. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA DA INFRAÇÃO. CONLUIO. AGRAVAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 98 64 /2 01 2- 16 Fl. 3934DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 2 O ajuste doloso pactuado entre duas pessoas jurídicas, tendente a reduzir o pagamento de tributos devidos por meio da apropriação ilegal de créditos de contribuições sociais não cumulativas, é circustância qualificativa da infração tributária, ensejando o agravamento da penalidade aplicada no lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2007 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 31/03/2008, 01/05/2008 a 31/08/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SIMULAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. GLOSA. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Restando comprovada a simulação das operações de exportação, o crédito não cumulativo da contribuição social, relativo às entradas dos produtos posteriormente exportados, deve ser glosado, lançadose de ofício os débitos emergentes desse procedimento fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2007 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 31/03/2008, 01/05/2008 a 31/08/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SIMULAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. GLOSA. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Restando comprovada a simulação das operações de exportação, o crédito não cumulativo da contribuição social, relativo às entradas dos produtos posteriormente exportados, deve ser glosado, lançadose de ofício os débitos emergentes desse procedimento fiscal. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista e Domingos de Sá Filho. O Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o Dr. José Carlos Passuello, OAB/PR nº 20.764. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaia Batista e Ivan Allegretti. Fl. 3935DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.935 3 Relatório CONDOR SUPER CENTER LTDA. teve lavrados contra si os autos de infração de fls. 3, 4, 9 e 10 para determinação e exigência de crédito tributário de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, no montante de R$ 25.514.348,84, em decorrência de glosas nos créditos da não cumulatividade, nos anos de 2007 e 2008, as quais ocasionaram ausências de recolhimento das contribuições. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 15 a 23, o autuado e Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A. LDC teriam simulado operações de exportação com o objetivo de realizar a transferência de créditos das contribuições desta para aquela, razão pela qual se glosaram todos os créditos relativos às Notas Fiscais de Entrada emitidas contra Louis Dreyfus e outras sociedades a ela relacionadas, do período de 01/2007 a 12/2008, conforme os Anexos I e II do Termo de Verificação nº 1. A Fiscalização julgou presente circunstância qualificativa da infração simulação, motivo pelo qual a penalidade aplicada foi exasperada para 150%. A simulação de venda no mercado interno foi uma ação dolosa tendente a reduzir o montante dos tributos devidos por Condor, por meio da transferência ilegal de créditos de PIS e Cofins. A intenção dos agentes estaria plasmada em contratos celebrados entre eles. Em impugnação de fls. 459 a 502, o autuado alega que não foram considerados os efeitos decorrentes da ação fiscal objeto do processo nº 10980.725964/2011 92, os pagamentos realizados, os Demonstrativos de Contribuições Sociais – Dacon entregues antes do início da ação fiscal, nem aqueles outros que foram entregues, em atendimento à solicitação da Fiscalização, para correção de débitos. Argui decadência em relação aos fatos geradores de janeiro a novembro de 2007, tendo em vista que ou houve o recolhimento em dinheiro dos débitos apurados ou houve a homologação expressa, pela autoridade tributária, das compensações informadas. Reclama de erros cometidos pela Fiscalização no procedimento fiscal anterior, objeto do processo 10980.725964/201192. Quanto às operaçãoes praticadas em conjunto com LDC, insiste na sua lisura e atendem ao escopo do contrato. Lembra que as operações foram chanceladas pela Fiscalização estadual do Paraná. Pede o desagravamento da penalidade aplicada. Por meio do Despacho 01, 03/06/2013, fls. 951 a 953, o Presidentesubstituto da 3ª Turma da DRJ/CTA converteu o julgamento da impugnação em diligência para: 1) Quanto às Notas Fiscais de Devolução (listadas no Anexo X), verificar se as mesmas foram ou não consideradas na apuração das bases de cálculo das contribuições. Em caso negativo, proceder ao ajuste dos débitos das contribuições e apontar os efeitos dos mesmos nos lançamentos tributários contestados. 2) Quanto ao “Instrumento Particular de Compra e Venda de Mercadorias e Outras Avencas”, assinado com a empresa Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A., em 28/12/2006, e que foi utilizado como base para a Fl. 3936DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 4 identificação da simulação das operações de exportação, que seja juntada cópia integral (Contrato e todos os Anexos) aos autos. Em atendimento à solicitação acima, a Seção de Fiscalização da DRF/CTA emitiu o despacho de fls. 1401, por meio do qual relata que, em relação às Notas Fiscais de Devolução, em virtude de existirem diferenças entre os valores totais demonstrados na contabilidade e os constantes do demonstrativo apresentado na impugnação, elaborou duas planilhas, a saber: i) Planilha A, com a apuração baseada nos arquivos digitais de escrituração contábil e documentos fiscais; ii) Planilha B, com a apuração baseada na relação de Notas Fiscais de Devolução constante da impugnação. Intimado do resultado da diligência, o contribuinte repetiu os termos da impugnação já apresentada, reclamou da ocorrência de um terceiro auto de infração e juntou planilhas de apuração elaboradas por assessoria contábilfiscal (Anexos XXIX, XXX e XXXI). Acrescenta que de fato ocorreu o erro apontado na diligência, relativo à listagem que foi juntada na impugnação, e que, portanto, deve ser adotada a planilha “A”. Em relação ao Instrumento de Compra e Venda de Mercadorias e Outras Avenças, a interessada sustenta que a juntada do mesmo nesse momento representa um novo lançamento e caracteriza a nulidade do lançamento, em cerceamento ao direito de defesa. Sustenta que a fiscalização reteve em seu poder o referido documento e que foi obrigada a juntar na impugnação cópia de contrato firmado em período anterior, o qual julgava apresentar o mesmo teor. Argumenta que o citado instrumento é peça fundamental da exigência e que o mesmo deveria ter sido juntado ao processo por ocasião do lançamento. Por fim, a interessada relaciona 34 (trinta e quatro) documentos que estão sendo apresentados em conjunto com a “Manifestação s/relatório de diligência”, apontando em quadro informativo o número do anexo e a descrição do documento anexado. A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou a impugnação parcialmente procedente, apenas para cancelar os valores mensais dos períodos de apuração de novembro de 2007, março e maio a julho de 2008, nos valores totais de R$ 251.440,83 e R$ 1.158.151,72, relativos aos créditos tributários lançados de PIS e COFINS, respectivamente, bem como as correspondentes parcelas relativas à multa de ofício de 150% e aos acréscimos legais, em decorrência da constatação de que algumas notas fiscais de devolução não haviam sido consideradas na apuração das bases de cálculo das contribuições sociais, comprovadas pela diligência realizada (Planilha “A”). O Acórdão nº 0644.363, de 27 de novembro de 2013, fls. 2.272 a 2.303, teve emenya vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2007 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 31/03/2008 e 01/05/2008 a 31/08/2008 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Fl. 3937DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.936 5 Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, quando for comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA E EXPRESSA. Para que possa ocorrer a homologação tácita ou expressa no lançamento por homologação é imprescindível que o sujeito passivo antecipe o pagamento do tributo. REEXAME. REVISÃO DE LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. O reexame de período já fiscalizado é possível desde que seja autorizado expressamente pela autoridade competente e enquanto não tiver ocorrido a extinção do direito da fazenda pública de revisar o lançamento. DACON. RETIFICAÇÃO. LIMITAÇÕES A retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon não produz efeitos quando tiver por objeto: reduzir os débitos das contribuições (PIS e Cofins) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; alterar débitos das contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2007 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 31/03/2008 e 01/05/2008 a 31/08/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SIMULAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. GLOSA. Restando comprovada a simulação das operações de exportação, o crédito não cumulativo da contribuição, relativo às entradas dos produtos exportados, deve ser glosado. NÃO CUMULATIVIDADE. GLOSA DE CRÉDITOS. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Na sistemática da não cumulatividade a ausência de recolhimentos está, normalmente, relacionada com a apuração de créditos em montante superior ao valor da contribuição devida, sendo que a glosa de créditos pode ocasionar lançamento das contribuições por insuficiência de recolhimento, na medida em que os créditos que acobertavam os débitos apurados deixam de existir em virtude das glosas. COMPROVAÇÃO DE ERRO. VERDADE MATERIAL. CANCELAMENTO DE DÉBITO Mediante a comprovação de erro material na apuração dos débitos que constam do litígio administrativo, devese aplicar o princípio da verdade material e Fl. 3938DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 6 cancelarse os valores dos débitos correspondentes, bem como os consectários legais. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de diligência cuja realização revela ser prescindível para o deslinde da questão. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. Comprovada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio devese aplicar a multa qualificada, prevista no § 1º, art. 44 da Lei 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/11/2007 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 31/03/2008 e 01/05/2008 a 31/08/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SIMULAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. GLOSA. Restando comprovada a simulação das operações de exportação, o crédito não cumulativo da contribuição, relativo às entradas dos produtos exportados, deve ser glosado. NÃO CUMULATIVIDADE. GLOSA DE CRÉDITOS. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Na sistemática da não cumulatividade a ausência de recolhimentos está, normalmente, relacionada com a apuração de créditos em montante superior ao valor da contribuição devida, sendo que a glosa de créditos pode ocasionar lançamento das contribuições por insuficiência de recolhimento, na medida em que os créditos que acobertavam os débitos apurados deixam de existir em virtude das glosas. COMPROVAÇÃO DE ERRO. VERDADE MATERIAL. CANCELAMENTO DE DÉBITO Mediante a comprovação de erro material na apuração dos débitos que constam do litígio administrativo, devese aplicar o princípio da verdade material e cancelarse os valores a ele relativo, bem como os correspondentes consectários legais. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de diligência cuja realização revela ser prescindível para o deslinde da questão. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. Comprovada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio devese aplicar a multa qualificada, prevista no § 1º, art. 44 da Lei 9.430, de 1996. Impugnação Procedente em Parte Fl. 3939DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.937 7 Crédito Tributário Mantido em Parte O Presidente da 3ª Turma da DRJ/CTA recorreu de ofício da decisão, em cumprimento ao que dispõe o art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que crédito tributário exonerado excede o limite de R$ 1.000.000,00, definido na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. Cuidase também de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CTA. O arrazoado de fls. 2.311 a 2.431 inicia, resumindo os fatos relacionados com a lide e os três procedimentos fiscais a que foi submetida a sociedade ora recorrente. Em seguida, retoma a arguição de nulidade do procedimento fiscal e da decisão recorrida. Acusa a Fiscalização de terse negado a recompor a sua escrita fiscal, negandolhe o direito a créditos legítimos, apurados a partir da reclassificação de alguns produtos procedida durante a primeira ação fiscal. Nesse contexto, reclama da falta de apreciação por parte da autoridade julgadora de primeira instância das planilhas produzidas por assessoria contábilfiscal, referindose ao Anexo XXXI. Insiste no poder probante desses relatórios. Nesse ponto, inquina a decisão recorrida de nulidade, na medida em que se omitiu ela em examinar os valores constantes do relatório da auditoria. Reclama ainda do cercemanrto de defesa representado pela negativa, tanto por parte do agente fiscal quanto da autoridade julgadora, em apreciar os Dacons retificadores apresentados. Lembrou da impossibilidade prática de fazer prova da veracidade dos dados neles constates, haja vista o grande volume de documentos. Questiona por que a decisão recorrida não aproveitou a diligência que encomendou para a verificação dos valores constantes dos Dacons. Entende que essa omissão infirma todo o trabalho fiscal. Ainda, argui cerceamento de defesa pelo indeferimento do seu pedido de diligência, inadeaudamente motivado. Afirma que vários de seus questionamentos permanceram seu resposta. Neste ponto, reitera o pedido já feito. Formula quesitos. Indica e qualifica perito. Indica os documentos que devem apoiar a providência. Na continuação, critica a metodologia empregada na autuação. Diz que “o método adotado para a apuração dos créditos aparenta estar teoricamente correto, porém equívocos na sua composição o tornam imprestável para os fins a que se propõe”. Sustenta que não foram considerados nos presentes lançamentos tributários os efeitos decorrentes da fiscalização procedida através do processo nº 10980.725964/201192 e nem tampouco: os pagamentos realizados anteriormente à primeira fiscalização e os relativos aos autos de infração dela decorrentes. Defende que a conclusão do procedimento anterior homologou os débitos tributários a ela relativos e que devese considerar que no presente caso operouse o instituto da decadência. Alega, também, que o procedimento fiscal é inadequado uma vez que desconsiderou os Dacon entregues antes do início da ação fiscal, bem como aqueles outros que foram entregues, em atendimento à solicitação da fiscalização, para correção de débitos. Em seguida, passa a defender a realização de um amplo saneamento do processo com vistas a eliminar as inconsistências detectadas antes de realizar a apreciação do mérito. Defende, novamente, a preliminar de decadência em face da existência de pagamentos anteriores a primeira fiscalização e dos pagamentos relativos aos autos de infração do processo administrativo nº 10980.725964/200192. Fl. 3940DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 8 Argumenta que se operou a decadência em relação aos fatos geradores de janeiro a novembro de 2007, tendo em vista que ou houve o recolhimento em dinheiro dos débitos apurados ou houve a homologação expressa, pela autoridade tributária, das compensações informadas. Reclama que no procedimento anterior a fiscalização deixou de recompor os saldos dos Dacon e de considerar nestes os erros cometidos tanto quanto aos débitos como quanto aos créditos. Diz que tal atitude caracteriza enriquecimento ilícito e causa a nulidade do procedimento. Argumenta que solicitou à fiscalização a correta apuração dos saldos, mas que esta, em confronto ao que prevê o artigo 10, § 3º, da IN RFB nº 1.015/2010, determinou que a contribuinte é quem deveria realizar a retificação dos Dacon com vistas a corrigir os erros encontrados na apuração dos créditos e os excessos de débitos declarados. Aduz que “Sendo essa a única saída apontada para a empresa, promoveu a elaboração e entrega de DACONs retificadoras ajustando os valores dos débitos a menor que a fiscalização se recusou a efetuar.” Relata que informou a autoridade (na segunda fiscalização) da existência dos Dacon retificadores mas que esta somente mencionou à relativa ao mês de janeiro de 2007, de recibo nº 908757316. Sustenta que efetuou o pagamento dos créditos tributários do “processo nº 10980.725.964/201192 com redução da multa em 50% na certeza de que poderia compensar esse desembolso pela via da retificação e recompor seu saldo credor, isso cumulado com a ideia de que não lhe seria adequado estabelecer litígio com o fisco, sabedora dos elevados custos e aborrecimentos próprios da manutenção de demandas tributárias que, além de dispendiosas são de deslinde demorado.” Como exemplo de erro de apuração que a fiscalização apreciou apenas parcialmente, menciona a questão relativa às notas fiscais de devolução. Sustenta que “é cabível a afirmativa de que o crédito tributário, pela sistemática falha e imperfeita como foi apurado não apresenta as condições mínima de liquidez e certeza, o que recomenda a propositura de PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO, qual seja a parcialidade que o marca, tanto pela inadequada metodologia empregada quanto pela parcialidade em examinar apenso os aspectos que representam interesses arrecadatórios em detrimento da justiça fiscal com aplicação equilibrada da lei mediante o trabalho de recomposição integral da conta corrente dos tributos considerados, tanto em relação aos débitos quanto em relação aos créditos aflorados na escrita fiscal e na documentação que a empresa colocou à disposição da fiscalização.” No capítulo “VIII DACONS RETIFICADORES X ESCOPO DA FISCALIZAÇÃO”, a recorrente volta a insistir na necessidade de que os DACONs retificadores que apresentou sejam considerados. Explica que foi submetida a três fiscalizações autônomas, tanto que realizadas em datas distintas e por auditores fiscais diferentes, todas abrangendo os mesmos períodos de apuração. Na 1ª fiscalização, conduzida no processo nº 10980725.964/201192, a fiscalização considerou a totalidade dos débitos envolvendo o exame de produtos, efetuando objetivamente a glosa de créditos que considerou indevidos e a tributação de operações que entendeu estarem equivocadamente consideradas como isentas. Ainda tratou como monofásicas algumas operações que a autuada tinha como não cumulativas, Porém, omitiuse a fiscalização em considerar os valores correspondentes a operações em que a empresa, por equívocos causados pelo seu sistema de apuração eletrônico de bases e valores fiscais, havia procedido a créditos em valor inferior ao de direito ou ao considerado. Em resumo, houve situações em que a empresa restou por apropriar débitos em montante exagerado, o que produziu o mesmo efeito do que se tivesse apropriado créditos em montante insuficiente. Ou seja, entre as distorções constatadas, tanto houve situações em que a empresa considerou créditos exagerados quanto débitos a maior, como também situações em que a empresa considerou débitos insuficientes. Fl. 3941DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.938 9 A fiscalização tanto glosou os créditos exagerados como lançou os débitos insuficiente, porém não considerou nem computou em seu levantamento os créditos insuficientes existentes na escrituração fiscal da recorrente nem os débitos registrados em excesso, distorções essas corrigidas pelos DACONs retificadores. Sendo competência plena e vinculada da autoridade fiscalizadora a fiscalização propriamente dita, com estrita obediência à lei e às práticas contábeis e fiscais, e como forma única de obediência à sistemática que instrui o Pis e a Cofins, qual seja o seu princípio máximo de não cumulatividade, deveria ter considerado também os valores correspondentes aos créditos insuficientes existentes na escrituração fiscal da recorrente, mesmo que sob a forma de estorno de débitos efetuados em excesso. Se assim tivesse procedido teria apurado com exatidão os saldos fiscais dos dois tributos e definido, via de conseqüência, o adequado valor a cobrar ou a manter como saldo credor. Isso demonstra que efetivamente qualquer valor que pudesse favorecer ao contribuinte não foi considerado pela fiscalização. Explica que o interesse em que os valores fossem corretos levou a empresa a contratar auditoria externa para referendar os seus levantamentos, cujo sumário está contido no Relatório de auditoria juntado à manifestação s/diligência Anexo XXXI. Entende que os motivos acima descritos justificam a apensação a este do processo nº 10980725.964/201192. Mais uma vez, mostra sua irresignação contra o fato de não terem sido aceitos os Dacons retificadores. Entende tratarse de mera artimanha para evitar que se aproprie dos créditos a que faz jus. Também por isso, no seu entender, impõese a decretação da nulidade do lançamento, pois mesmo estando integrados ao sistema, os DACONs retificadores estão pendentes de acolhimento pela autoridade administrativa porque as autoridades fiscalizadora e a julgadora se recusaram a apreciar as provas que a recorrente possui e as disponibilizou ao fisco, mas esse se recusa a verificálos, em primeira instância quando foi formalizada a primeira fiscalização (processo nº 10980.725.964/201192), igualmente na 2ª fiscalização (processo nº 10980.729864/201216 o presente processo), sem contar que isso se repetiu na 3ª fiscalização (processo nº 10980.723782/201349 em fase de impugnação). A propósito dos dois últimos lançamentos, entende ser Inexcusável que a segunda e a terceira fiscalizações produziram revisões de ofício com relação ao lançamento original. Tal procedimento exigiria pelo menos uma das condições definidas no artigo 149 do CTN. Todavia em momento algum a autoridade administrativa comprovou, demonstrou ou informou a ocorrência de qualquer das situações caracterizadas nos seus IX incisos, portanto não houve qualquer motivação autorizada em lei para tal revisão de ofício, e a “vontade discricionária" da autoridade administrativa não é condição suficiente para promover a revisão de ofício. A fiscalização conferiu e avaliou as operações com soja ou derivados, entendendo serem operações regulares e sem restrições fiscais, formalizando um crédito tributário pronto e acabado, tanto que o seu encerramento se comprova pelo TERMO DE VERIFICAÇÃO E ENCERRAMENTO FINAL DA AÇÃO FISCAL (fls. 9.480 do Processo nº 10980725.964/201192) no qual se observa o termo "FINAL". Completou o procedimento homologatório com a devolução dos livros e documentos, não tendo naquele momento feito qualquer ressalva além das infrações que integraram os autos de infração gerados na 1ª fiscalização (Processo nº 10980725.964/201192), o que caracteriza ter homologado todos os procedimentos da recorrente, pelos valores dos tributos recolhidos e lançados. Estavam completados, portanto, todos os elementos da homologação, homologação essa que passou a Fl. 3942DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 10 produzir todos os efeitos de definitividade amparados pelo CTN. Mais uma vez, pede a decretação da nulidade do lançamento, que seria carente de motivação. Na continuação, descreve a cronologia dos fatos. Diz que o alinhamento de fatos cronológicos, juntado à argumentação expendida nos itens anteriores forma o conteúdo do seu recurso, relativamente ao assunto a que se propõe discutir. A cada item da cronologia deve corresponder os argumentos antes expendidos na formação das razões de decidir. Na continuação, manifestase sobre o acolhimento parcial das devoluções de compras, acusando a autoridade julgadora recorrida de furtarse da aplicação do direito ao deixar de considerar os valores de R$ 440.957,33 (R$ 384.178,52 + R$ 56.778,33), relativamente às devoluções comprovadas pela empresa e não reconhecidas pela autoridade julgadora recorrida. Observese que tal autoridade faz alusão " .... os valores constantes da Planilha "A", dando a entender que acolheu totalmente a planilha "A". Todavia, isso não aconteceu, deixando fora do cálculo as devoluções relativas a períodos de apuração não atingidos pelo lançamento de que se trata. Diz que esse procedimento é contraditório e injustificável e reforça o rol de ilegalidades perpetradas pela fiscalização em sua recusa ostensiva e reiterada em apreciar valores diferentes daqueles constantes dos DACONs, bem como o valor total das diferenças entre os DACONS retficadores e os retificados, sempre sob alegação que isso "é problema da empresa" e não cabe à fiscalização consideralos,como se à fiscalização não representasse apurar os reais saldos fiscais transportados de um período para o seguinte e não estivesse alcançada pela imposição legal de respeito e obediência ao princípio que instrui o PIS e a Cofins de não cumulatividade. Esse procedimento é sem dúvida cerceamento ao direito de defesa que por si próprio deve provocar a declaração de nulidade do lançamento. A seguir, no tópico denominado “V – COMPRA DE PRODUTOS PARA EXPORTAÇÃO – DERIVADOS DE SOJA:”, delineia e explica os motivos que a levaram a contratar com a empresa Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A para realizar as operações de exportação. Diz que aliouse a empresa LDC para aprender a logística e desenvolver experiência nesse mercado e que, apesar de obter pouca vantagem financeira com as operações, a motivação para contratar com a referida empresa consta do próprio contrato. Sustenta que o acordo de simulação foi presumido com base em dois tópicos isolados e de menor importância do contrato. Argumenta que a fiscalização examinou toda a documentação relativa à movimentação física e à transmissão jurídica das mercadorias e não apontou nenhuma irregularidade formal, comercial ou de logística, podendose concluir que as operações examinadas estão perfeitas e atendem ao escopo do contrato. Registra “a ressalva de que a LDC emitia à autuada ‘instruções’ e não ‘ordens’, até porque qualquer descumprimento ou procedimento em desacordo era de total responsabilidade da autuada.” Contesta a afirmação da fiscalização de que a “LDC emite uma nota fiscal de venda tributável para o Condor, enviando a mercadoria diretamente a um armazém portuário em ParanaguáPR” dizendo que a mercadoria somente era enviada de Ponta Grossa para Paranaguá após a transmissão de propriedade. Diz que o transporte da mercadoria era feito sob sua responsabilidade e que o depósito da mesma, em Paranaguá, era realizado em seu nome e sob sua responsabilidade, ou à ordem do Cliente com a qual empresa tinha o compromisso de venda. Defende que o transporte direto da mercadoria é necessário por uma opção logística, posto que o transporte dela era, na maioria das vezes, feito por via ferroviária e que seus depósitos na cidade de Curitiba não são servidos por ramais ferroviários, além do que a armazenagem intermediária na citada capital implicaria em aumento de custos. Sustenta que o fluxo financeiro comprova as operações, uma vez que recebia diretamente dos seus clientes o valor relativo às vendas efetuadas e que pagava à LDC o preço contratado pelas compras efetuadas. Diz que a efetividade do contrato e dos negócios pode ser confirmada pela exigência da LDC de que todas as operações fossem garantidas através de carta de fiança. Defende a condição de já haver preço préagendado das Fl. 3943DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.939 11 mercadorias dizendo que se fosse aceito o entendimento da fiscalização todos os contratos de franquias deveriam ser declarados nulos, posto que nesses o preço é prédefinido e existem tabelas de custo para insumos e produtos. Sustenta que assunção total da responsabilidade em relação à qualidade dos produtos pela LDC é prática comum de mercado e que jamais poderia se responsabilizar pelos produtos fabricados pela citada empresa. Diz que a proteção estabelecida pela cláusula 14 do contrato visa assegurar a tranquilidade e segurança para ambas as partes, que a questão tributária é uma das maiores preocupações dos empresários brasileiros e que não se proteger contra as possíveis alterações tributárias “é uma temeridade e um risco que não pode ser corrido sem salvaguardas.”. Afirma que fiscalização, “fugindo do escopo principal do contrato, omitiuse em avaliar as reais condições negociais e os riscos assumidos pelas partes que referendam a lisura e realidade dos negócios.” Diz, por fim, que as operações foram realizadas sob o amparo de dois contratos, ambos do conhecimento da fiscalização. Relata que está apresentado cópia dos dois, ressaltando que não encontrou cópia do primeiro no processo. Afirma que o primeiro é aquele que contém as cláusulas e condições transcritas no Termo de Verificação nº 1 e que o segundo, firmado em 28/12/2006, apresentase diferente: com a condição aberta de prática de preços de mercado. Porém, a autoridade julgadora recorrida, mesmo diante da descrição substancial da motivação negocial trazida pela recorrente desde a fase de impugnação tentou demonstrar que ao negócio era subjacente uma elaborada combinação de fatores que caracterizariam uma situação de vantagem fiscal em prejuízo aos cofres públicos. Novamente, digressiona sobre o ambiente econômico em que se inseriu o contrato celebrado com a LDC, procurando explicar as cláusulas entabuladas e demonstrar o seu respaldo jurídico e motivação negocial a dar validade ao contrato. Rechaça a insinuação fiscal de houve verdadeira simulação visando a simples transferência de créditos fiscais. Lembra que a LDC não foi incluída no polo passivo da autuação, nem foi intimada a prestar esclarecimentos. Se de simulação se tratasse, todos deveriam ser chamados a responder por ela. Acusa a criação de um mecanismo de recolhimento em dobro dos tributos envolvidos na operação, já que a vendedora efetuou o recolhimento dos tributos incidentes sobre a venda para a recorrente, que por sua vez recolhe novamente os mesmos tributos (a diferença é apenas o tributo incidente sobre o valor agregado) em decorrência da glosa dos créditos tomados pela recorrente. Sobre a alegação de que a LDC é a controladora, possuindo total domínio sobre o negócio, entende que a concepção geral das exportações realmente foi estruturada pela LDC, sendo, portanto de sua responsabilidade a viabilização e cumprimento dos contratos de exportação, cabendo à recorrente apenas desempenhar a sua parcela contratual cumprindo as definições constantes do preâmbulo, com obediências das cláusulas acordadas, mas, é ela (recorrente) quem controla seus direitos e responde por suas obrigações. Reitera não existe acordo espúrio subjacente ao contrato nem foi realizada qualquer forma de simulação, tanto que os contratos foram totalmente cumpridos em todo o seu rito comercial e jurídico e os resultados obtidos foram atribuídos aos seus beneficiários também na forma contratual. No tópico seguinte “VI – A FISCALIZAÇÃO ESTADUAL DO PARANÁ JÁ EXAMINOU AS OPERAÇÕES:”, afirma que as operações questionadas no presente processo já passaram pelo crivo do fisco estadual. Sustenta, conforme o anexo XXXVIII Fl. 3944DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 12 juntado ao processo, que em procedimento de fiscalização formal, denominado Defesa Prévia, a SEFA Paraná deu o parecer (elaborado pela 1ª Delegacia Regional da Receita– Inspetoria Regional de Fiscalização – G2, em Curitiba) de que as operações se apresentam perfeitamente regulares. Prossegue no tópico “VII – SOBRE A MULTA APLICADA:”. Defende, primeiramente, que a multa de ofício aplicada sobre a infração de Insuficiência de Recolhimento deve ser a de 75%, e não de 150%. Diz que a jurisprudência, tanto judicial como administrativa, é predominante nesse sentido, devendo haver, portanto, uma dissociação das infrações submetidas à multa de ofício normal (75%) das submetidas à multa duplicada (150%). Com relação a outra infração, “Compra de Produtos para Exportação– Derivados de Soja”, sustenta que a simulação e o conluio devem ser provados, não bastando a suspeita ou a presunção. Reclama que não houve omissão de tributo, ou que, muito pelo contrário, a existência do aventado conluio impôs à LDC a incidência das contribuições sobre as vendas efetuadas para a interessada. Diz que a empresa LDC, em vista de seu porte e condição mercadológica, jamais se envolveria em pequenos conluios ou simulações. Sustenta que as vantagens estratégicas da empresa foram atingidas posto “que o negócio com a LD propiciou uma sinergia empresarial com alavancagem de negócios e resultados que refoge a simples e pequenas vantagens financeiras e fiscais do negócio, compensadas largamente pelos efeitos colaterais obtidos.” Aduz que a imputação da fiscalização não tem qualquer razoabilidade e que nulidade do contrato tornaria a LDC credora da fazenda pública, uma vez que as vendas para a contribuinte sofreram incidência das contribuições. Reclama que a empresa Louis Dreyfus deveria, logicamente, integrar, também, o pólo passivo e ser responsabilizada pelo proveito que obteve com o conluio e a simulação. Questiona a forma estranha de exigir tributo em dobro, sem admitir as compensações e transferências decorrentes, e que implica em verdadeira vedação ao princípio da não cumulatividade já que impede a recomposição recomponha seus resultados tributários decorrentes dos efeitos da ação fiscal. Retoma a descrição das vantagens advindas do contrato celebrado coma LDC, apara insistir em que não houve qualquer simulação, já que estamos diante de um contrato comercial e mercadologicamente válido e diante de operações realizadas dentro dos estritos trâmites comerciais e fiscais e sem qualquer falha formal levantada pela fiscalização que pudesse induzir ao comportamento da fiscalização de propor a nulidade do contrato Sendo líticas as operações inquinadas, não só é descabida a aplicação da penalidade desproporcional e agravada, como também é inadequada a tentativa indevida de cobrança do Pis e da Cofins sob a forma de glosa de seu crédito. Por fim, sustenta que as operações em discussão são lícitas, que são descabidas as glosas de seus créditos e a aplicação da penalidade, e que a falta de comprovação dos tipos penais (conluio e simulação) impõem o cancelamento da multa duplicada. Cita e transcreve jurisprudência que entende amparar sua tese de defesa. À guisa deconclusão e requerimentos, repisa que a interdependência inevitável desse processo com o processo nº 10980725.964/201192 recomenda sua juntada e uso para subsidiar o julgamento do presente recurso. Além de destinarse a suportar afirmações feitas no recurso, a juntada desse processo serve também para demonstrar que o conteúdo integral do mesmo é relevante. Afirma ter expedido razões de fato e de direito acerca de fatos e de conceitos e formalizou basicamente quatro preliminares, uma de nulidade do lançamento, uma de nulidade da decisão recorrida, uma de homologação e outra de decadência. Pretende vêlas todas apreciadas, porém, entende que é aplicável o disposto no artigo 59, § 3°, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em caso de haver a conclusão de que o exame de mérito pode cancelar integralmente a exigência, ou seja, que se atribua preferência ao mérito. Alternativa e sucessivamente, pede que a diligência solicitada se realize em todos os seus efeitos visando ao saneamento completo das insuficiências procedimentais e para que se supram as falhas de acolhimento ao presente processo dos efeitos, conclusões e sugestões Fl. 3945DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.940 13 emanadas do processo nº 10980725.964/201192, o que representará economia processual e também celeridade processual. Pede que do relatório da diligência seja intimada e deferido o prazo de 30 (trinta) dias para sobre ele se manifestar. Pede cancelamento das exigências. Reitera ainda o acolhimento das provas e anexos juntados à impugnação, à manifestação sobre o relatório da diligência anterior e ao presente recurso voluntário Reproduz as relações das provas formalizadas nos três eventos. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Recurso de oficío ADMISSIBILIDADE A decisão recorrida julgou o lançamento de ofício parcialmente procedente, para excluir os valores de R$ 251.440,83 e R$ 1.158.151,72, relativos aos créditos tributários lançados de PIS e Cofins, respectivamente, bem como as correspondentes parcelas relativas à multa de ofício de 150% e aos acréscimos legais. Exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor superior ao fixado pela Portaria MF nº 03, de 2008, conheço do recurso de ofício impetrado pelo presidente da 3ª Turma da DRJ/CTA. MÉRITO Conforme relatado, a decisão recorrida foi precedida de diligência para verificação, quanto às notas fiscais de devolução listadas no Anexo X, se as mesmas foram ou não consideradas na apuração das bases de cálculo das contribuições. A DRF/CTA emitiu entõ o despacho de fls. 1.401, por meio do qual relata, que em relação às Notas Fiscais de Devolução, As mesmas não foram consideradas na apuração das bases de cálculo dos autos de infração. Ainda, em virtude de existirem diferenças entre os valores totais demonstrados na contabilidade da empresa e os constantes do demonstrativo apresentado na impugnação, elaborou duas planilhas: Planilha A, com a apuração baseada nos arquivos digitais de escrituração contábil e documentos fiscais e Planilha B, com a apuração baseada na relação de Notas Fiscais de Devolução apresentada na impugnação. Transcrevoas para maior clareza (fls. 1.402): PLANILHA A PLANILHA B MÊS Escriturado PIS (1,65%) COFINS (7,6%) Impugnação PIS (1,65%) COFINS (7,6%) 02/2007 130.292,17 2.149,82 9.902,20 130.292,17 2.149,82 9.902,20 03/2007 552.734,56 9.120,12 42.007,83 552.734,56 9.120,12 42.007,83 Fl. 3946DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 14 PLANILHA A PLANILHA B MÊS Escriturado PIS (1,65%) COFINS (7,6%) Impugnação PIS (1,65%) COFINS (7,6%) 05/2007 260.168,63 4.292,78 19.772,82 260.168,63 4.292,78 19.772,82 06/2007 471.684,00 7.782,79 35.847,98 471.684,00 7.782,79 35.847,98 08/2007 583.072,00 9.620,69 44.313,47 583.072,00 9.620,69 44.313,47 09/2007 715.234,86 11.801,38 54.357,85 715.234,86 11.801,38 54.357,85 10/2007 1.440.095,13 23.761,57 109.447,23 1.440.095,13 23.761,57 109.447,23 11/2007 6.658.115,00 109.858,90 506.016,74 5.859.101,25 96.675,17 445.291,70 03/2008 4.245.694,22 70.053,95 322.672,76 3.736.210,91 61.647,48 283.952,03 05/2008 13.133,94 216,71 998,18 13.133,94 216,71 998,18 06/2008 2.001.044,91 33.017,24 152.079,41 2.001.044,91 33.017,24 152.079,41 07/2008 2.320.850,38 38.294,03 176.384,63 2.207.746,95 36.427,82 167.788,77 09/2008 554.563,03 9.150,29 42.146,79 554.563,03 9.150,29 42.146,79 11/2008 59.261,85 977,82 4.503,90 59.261,85 977,82 4.503,90 Total 20.005.944,88 330.098,09 1.520.451,79 18.584.344,19 306.641,68 1.412.410,16 A propósito das conclusões da diligência, o autuado assentiu que houve erro de transcrição das notas fiscais na impugnação, propondo que se adote a planilha A , posto que estavam corretas as informações constantes dos arquivos digitais entregues à Fiscalização. Mesmo diante da opinião contrário da autoridade diligenciante, a ínclita 3ª Turma da DRJ/CTA, em nome do princípio da verdade material, acolheu a Planilha A, e reduziu as bases de cálculo do lançamento. Fêlo bem. A função primordial do contencioso administrativo fiscal é a de controle de legalidade. È inadmissível que se mantenha a exigência de parcelas sabidamente indevidas, mesmo diante de contribuinte relapso, que deixa de consignar nos Dacons as devoluções de vendas e até mesmo em suas alegações de defesa (os valores das NFs apresentadas na impugnação eramlhe francamente desfavoráveis relativamente aos constantes da escrituração eletrônica). Neguese provimento ao recurso de ofício. Recurso voluntário ADMISSIBILIDADE Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 2.311 a 2.431 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCTA3ª Turma nº 09644.363, de 27 de novembro de 2013. Pedido de juntada dos processos nº 10980.725964/201192 e 10980.723782/201349 A anexação das peças do processo nº 10980.725964/201192, atinente ao primeiro procedimento fiscal, ao presente processo, é providência desnecessária. Analisando os autos, constatei que já estão autuadas todas as provas necessárias para o enfrentamento das controvérsias. A Fiscalização, de um lado, não descuidou de seu dever de lastrear as infrações que imputou ao autuado. Este por sua vez, tratou de carrear ao processo todas as peças do processo nº 10980.725964/201192 a que se referiu, ou na impugnação, ou no recurso voluntário (Anexos das fls. 503 a 944, que instruíram a impugnação, e fls. 2.998 a 3.932, ao recurso voluntário). A providência, nesse contexto, seria absolutamente redundante. Fl. 3947DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.941 15 Indefiro. Pedido de julgamento conjunto dos processos 10980.729864/201216 e 10980.723782/2013 49 No que diz respeito ao julgamento simultâneo dos processos relativos à 2 (presente) e à 3 fiscalização, é de se esclarecer que não existe previsão ou determinação legal para que o mesmo seja realizado, ficando a cargo da autoridade julgadora, respeitada a legislação que rege a matéria, o momento mais oportuno para a realização do julgamento de cada um dos processos. Esclareço ao recorrente que esta instância tem regras próprias de distribuição e sorteio de processos, constantes do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, e que não se subordinam às conveniências das partes. Pedido de diligência A recorrente renova o pedido de diligência ou de perícia com objetivo de ver elucidadas 8 (oito) questões propostas: 1 . Os recolhimentos de Pis e Cofins indicados na impugnação são reais e os recursos efetivamente ingressgram nos cofres públicos? 2. Os valores constantes dos DACONs retificadores coincidem com os valores inseridos pela autuada nos anexos VIII e IX? 3. Os DACONs retificadores foram efetivamente transmitidos e recebidos pelo sistema de controle eletrônico da SRFB? 4. As cópias de formulários DACON retificadores representam efetivamente aos formulários transmitidos? 5. Os dados e valores alterados relativos ao débito de Pis e Cofins pela autuada nos Dacons retificadores podem ser considerados fiéis e idôneos em correspondência com a documentação e escrita fiscal da autuada? 6. Os valores finais constantes do Relatório da Auditoria (Anexo XXXI à manifestação s/diligência prot. 31.07.2013) são adequados e refletem os valores fiscais declarados (DACONs) pela empresa, incluindose os valores constantes dos DACONs retificadores? 7. Os documentos disponibilizados, ainda à disposição na sede administrativa da recorrente de quem os irá examinar, mencionados acima, são refletidos adequadamente nos valores constantes dos DACONs retificadores? 8. Podem ser aduzidas quaisquer considerações que a autoridade diligenciante entender adequada ao deslinde das questões formuladas quanto à idoneidade dos dados das planilhas de Pis e Cofins transcritas às fls. 20 e 21 da manifestação s/diligência. Fl. 3948DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 16 Em que pese a insistência da recorrente para a realização da diligência, fica patente a sua prescindibilidade. Todos os questionamentos elaborados, ou já foram respondidos pela diligência e pela decisão recorrida, ou serãorespondidos no presente voto, ou não têm qualquer importância para o deslinde das controvérsias, ou finalmente, destinamse à produção de provas que tocava à parte produzir, no momento processual próprio. Quanto aos documentos das folhas 2.227 a 2.246 (Anexos XXIX, XXX e XXXI), referentes a levantamento encomendado a empresa de auditoria externa, observo que os mesmo foram juntados aos autos, em 04/08/2013, foram do momento processual adequado, que findou em a apresentação da impugnação tempestiva, operandose a preclusão. Ainda que não bastasse a preclusão, tratase de levantamento unilateral e sem qualquer valor probante, já que não se faz acompanhado da escrituração, devidamente conciliada. Como enfatizado na decisão recorrida, na hipótese de haver qualquer erro na apuração procedida pela Fiscalização, ou mesmo na escrituração do contribuinte, a exemplo do que aconteceu com as Notas Fiscais de Devolução, é dever processual do contribuinte, enquanto impugnante ou recorrente, comprovar o erro por meio de documentos fiscais e contábeis que concedam o suporte necessário aos fatos alegados. A apresentação de planilhas, se contribui para a demonstração dos fatos alegados, não tem o condão de isoladamente comproválos. Fez bem a decisão recorrida em não conhecer dos Anexos XXIX, XXX e XXXI. PRELIMINARES De nulidade do procedimento fiscal A decisçao recorrida mantémse com base ns seus próprios jurídicos fundamentos. O art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF só cogita de nulidade de auto de infração quando lavrado por agente incompetente, ou na ocorrência de cerceamento do direito de defesa. De agente incompetente não se trata. A agente fiscal é AFRFB, legalmente imbuído do poderdever de constituir crédito tributário mediante seu lançamento de ofício. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. Não menos importante, os autos de infração revestemse de todos os requisitos formais de validade erigidos no art. 10 do PAF. Os fatos que ensejaram os lançamentos tributários foram detalhadamente descritos nas peças fiscais, instruídas com demonstrativos que apontaram as bases de cálculo e os valores das respectivas contribuições devidas em cada período de apuração. Foram, também, demonstradas as devidas correspondências entre os fatos constatados e as hipóteses de incidência tributária, as penalidades aplicáveis pelo descumprimento da obrigação principal, e a fundamentação legal (dispositivos legais infringidos). Fl. 3949DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.942 17 A inserção de cópia do “Instrumento de Compra e Venda de Mercadorias e Outras Avenças, firmado em 28/12/2006” (com a empresa Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A.) no procedimento de diligência em nada interfere na validade dos autos de infração contestados, posto que, como se viu, foram cumpridas todas as formalidades legais para a realização dos lançamentos tributários, e que referido documento foi gerado (em parceira com a outra citada empresa) pela própria contribuinte. Tratase de documento da própria recorrente de sorte que a sua falta não lhe representou qualquer prejuízo. Improcede portanto a alegação de que a juntada de cópia do Instrumento de Compra e Venda de Mercadorias e Outras Avenças, firmado em 28/12/2006, aos autos representa um “novo lançamento” e ocasiona a nulidade dos lançamentos contestados, por ter se configurado cerceamento ao direito de defesa. Primeiro, porque a interessada não pode negar desconhecimento do conteúdo de documento que ela mesma (em conjunto com a empresa LDC) tenha produzido. Segundo, porque a nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, inciso II (acima), somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. Terceiro, porque, como visto acima, a autoridade tributária relata de forma clara e objetiva, nos autos de infração, todos os componentes relativos aos lançamentos: os períodos de apuração, as bases de cálculos utilizadas, as alíquotas, as contribuições lançadas, a multa e encargos legais aplicados, e os dispositivos legais infringidos, constando descrição detalhada (nas peças fiscais) da motivação dos lançamentos. Quarto, porque as peças impugnatória e recursal contrariam a tese da reclamante de cerceamento do direito de defesa, pois nas mesmas identificase uma defesa realizada com grande desenvoltura e que ataca todos os aspectos do lançamento, revelando que o contribuinte tomou o conhecimento do exato teor das acusações que lhe foram imputadas. Por último, verificase, também, que não houve qualquer limitação à possibilidade de defesa da autuada, já que ela teve livre acesso a todas as informações constantes dos autos e que não houve qualquer restrição ao seu direito de contestar a exigência lançada ou qualquer empecilho relativo à produção de provas. Rejeito a preliminar. De nulidade da decisão recorrida A recorrente inquina a decisão recorrida de nulidade por terlhe cerceado o direito de defesa, na medida em que não executou a diligência nos termos em que lhe foram propostos. Segundo a dicção do art. 18 do PAF, a autoridade julgadora de primeira instância determinará a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Veja a recorrente: a realização de diligências é de discricionariedade da autoridade julgadora (e não da parte). E a 3ª Turma da DRJ/CTA, unânime e fundamentadamente, decidiu ser dispensável a providência. O que fazer? Conformese. Ou recorra ao Poder Judiciário. Fl. 3950DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 18 De decadência Também quanto à decadência arguida, apoiome integralmente no voto condutor da decisão recorrida, que adoto como razão de decidir. No lançamento por homologação, nos termos do caput e § 4º do art. 150 do CTN, o prazo decadencial de cinco anos começa a ser contado, para cada período de apuração, a partir da ocorrência do respectivo fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que a regra de contagem passa a ser aq2uela do inc. I do art. 173 do CTN. No caso em análise, a Fiscalização narra a ocorrência de ação dolosa tendente a reduzir o montante dos tributos devidos, por meio da transferência ardilosa de créditos de PIS e Cofins. Como se verá na continuação deste voto, acolho a acusação fiscal. Assim, aplicandose a regra de contagem do prazo decadencial que estipula o dies a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido realizado, em 27/12/2012, data da lavratura dos autos de infração, o direito de constituição de crédito tributário referente ao fato gerado mais antigo (30 de novembro de 2007) estava hígido. Prejudicial de Homologação Tácita e Expressa Tal como na impugnação, o recorrente aventa a ocorrência de homologação tácita dos débitos lançados no presente processo (dos períodos de 11/2007 a 12/2008), ou mesmo de sua homologação expressa por ocasião do encerramento da primeira auditoria fiscal. Para que ocorra a homologação tácita e/ou a homologação expressa no lançamento por homologação, conforme se verifica pela leitura do art. 150 do CTN, é necessário, além de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, que haja a antecipação de pagamento do tributo. No caso dos autos, entretanto, para os períodos de apuração citados (11/2007 a 12/2008), não houve qualquer recolhimento antecipado das contribuições sociais, nem mesmo antes do primeiro procedimento fiscal. Assim, mesmo que não fosse considerada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação que motivaram os lançamentos tributários, o fato é que, para o período fiscalizado (11/2007 a 12/2008), não se aplicariam as regras do lançamento por homologação à míngua de pagamentos homologáveis. Prejudicial de preclusão do direito do Fisco de reabrir o procedimento fiscal A recorrente apegase à locução “FINAL” constante do Termo de Verificação e Encerramento Final da Ação Fiscal, emitido em 18/11/2011, nos autos do processo nº 10980.725964/201192, para alegar a preclusão do direito do Fisco de retomar o procedimento fiscal já encerrado. Quanto à possibilidade de se efetuar mais de uma fiscalização sobre o mesmo débito tributário, é de se observar, primeiramente, a previsão contida no art. 906, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de Março de 1999 – RIR/99. O Mandato de Procedimento Fiscal nº 0910100.2012014714, expedido de autoridade competente, expressamente autorizou a realização do segundo exame para as contribuições sociais não cumulativas (PIS e Cofins) dos períodos de apuração de 11/2007 a 12/2008. Fl. 3951DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.943 19 Ademais, o art. 149 do CTN, inc. VII, prevê a possibilidade de revisão do lançamento de ofício quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação, exatamente o caso de que se trata, como se verá adiante. Exceção de pagamento A recorrente, inespecificamente, brada que o lançamento não levou em consideração o pagamento efetuado para quitação dos autos de infração objeto do processo nº 10980.725964/201192 (primeira fiscalização). Improcedentemente. Atentese para o fato de que o alvo da presente autuação é o período de 11/2007 a 12/2008. Quanto ao período de 01/2007 a 10/2007, a auditoria cingiuse à verificação dos créditos da não cumulatividade, tendo em vista a informação de créditos de períodos anteriores à outubro de 2007, nos Dacon retificadores, e o dever de comprovação desses créditos, por parte da contribuinte. Aproveitandose das apurações realizadas no primeiro procedimento, a Fiscalização elaborou o Anexo III, do Termo de Verificação nº 1 (presente procedimento), o qual, na coluna “K” (“Crédito Tributário Constituído e Extinto pelo Pagamento”), demonstra somente os pagamentos que têm influência na apuração dos créditos tributários lançados (dos períodos de 11/2007 a 12/2008). Em outras palavras, referido anexo não demonstra os pagamentos realizados anteriormente à primeira fiscalização (janeiro e fevereiro de 2007), posto que no período de 01/2007 a 10/2007 houve somente a revisão dos créditos da não cumulatividade, demonstrando, por outro lado, os pagamentos relativos aos autos de infração decorrentes da primeira fiscalização, realizados em janeiro e março de 2008, pelo fato de que somente estes últimos influenciaram nos lançamentos contestados. Repisese: o referido Termo de Verificação nº 1 utilizouse de todas as apurações realizadas na primeira fiscalização e considerou todos os pagamentos realizados antes dela, relativos às antecipações de pagamento das contribuições dos meses de janeiro e fevereiro de 2007, nos valores de R$ 63.628,01 e R$ 80.901,98, para o PIS, e de R$ 293.074,49 e R$ 372.369,43, para a Cofins, respectivamente. Atestam tal constatação o “Anexo 1 – Papeis de Trabalho – Apuração PIS – Base de Cálculo Fiscalização” e “Anexo 2 – Papeis de Trabalho – Apuração Cofins – Base de Cálculo Fiscalização”, ambos pertencentes ao “Termo de Verificação e Encerramento Final da Ação Fiscal” (cópias juntadas ao presente processo). Poder vinculante dos Dacon retificadores A recorente pranteia a não consideração dos Dacon retificadores. O lamúrio já constou da impugnação. Nos termos do art. 11, § 2º, da Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de janeiro de 2005, editada sob expressa delegação da Medida Provisória nº 1.788, de 29 de dezembro de 1998, convertida na Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, o contribuinte perde definitivamente a espontaneidade para a retificação do Demonstrativo de Apuração das Contribuições para o PIS/Cofins DACON – e não a readquirirá jamais depois de intimado do início do procedimento fiscal e/ou quando tenha ocorrido algum exame fiscal. Isto se justifica porque a autoridade fiscal, como demonstrou saber a recorrente, quando da análise fiscal tem o poder/dever de verificar a confiabilidade do demonstrativo e auditar tanto os débitos quantos os créditos informados no mesmo. Fl. 3952DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 20 Como não poderia deixar de ser, a autoridade tributária considerou, em face da legislação acima mencionada, para efeitos de análise fiscal (tanto na primeira quanto na segunda fiscalização) todos os Dacon (originais e retificadores) entregues até a data de início da primeira fiscalização, ou seja, todos aqueles entregues até 14/02/2011. No demonstrativo abaixo, marcadas em amarelo, estão os Dacon considerados na ação fiscal, que iniciouse em 15/08/2012, cfe. A.R. de fls. 139: CNPJ ND DACON DATA INICIAL DATA FINAL TIPO DATA DA ENTREGA SITUAÇÃO 76.189.406/000126 0000100200702546851 Mensal 01/11/2007 30/11/2007 Original 04/01/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200702589982 Mensal 01/12/2007 31/12/2007 Original 06/02/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200703878035 Mensal 01/11/2007 30/11/2007 Retificador 28/08/2012 Normal 76.189.406/000126 0000100200703878524 Mensal 01/12/2007 31/12/2007 Retificador 18/10/2012 Normal 76.189.406/000126 0000100200800005404 Mensal 01/01/2008 31/01/2008 Original 03/04/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200800005411 Mensal 01/02/2008 29/02/2008 Original 03/04/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200800040055 Mensal 01/03/2008 31/03/2008 Original 08/05/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200800062758 Mensal 01/04/2008 30/04/2008 Original 04/06/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200800094235 Mensal 01/05/2008 31/05/2008 Original 07/07/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200800203204 Mensal 01/06/2008 30/06/2008 Original 05/08/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200800646898 Mensal 01/07/2008 31/07/2008 Original 05/09/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200803199042 Mensal 01/08/2008 31/08/2008 Original 01/10/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200807059080 Mensal 01/09/2008 30/09/2008 Original 03/11/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200807113296 Mensal 01/10/2008 31/10/2008 Original 05/12/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200807127868 Mensal 01/01/2008 31/01/2008 Retificador 16/12/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200807127884 Mensal 01/02/2008 29/02/2008 Retificador 16/12/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200807127985 Mensal 01/03/2008 31/03/2008 Retificador 16/12/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200807128006 Mensal 01/04/2008 30/04/2008 Retificador 16/12/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200807128013 Mensal 01/05/2008 31/05/2008 Retificador 16/12/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200807128087 Mensal 01/06/2008 30/06/2008 Retificador 16/12/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200807128114 Mensal 01/07/2008 31/07/2008 Retificador 16/12/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200807128115 Mensal 01/08/2008 31/08/2008 Retificador 16/12/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200807128215 Mensal 01/09/2008 30/09/2008 Retificador 16/12/2008 Normal* 76.189.406/000126 0000100200900369072 Mensal 01/10/2008 31/10/2008 Retificador 02/06/2009 Normal* 76.189.406/000126 0000100200900370975 Mensal 01/11/2008 30/11/2008 Original 02/06/2009 Normal* 76.189.406/000126 0000100200900394179 Mensal 01/12/2008 31/12/2008 Original 03/06/2009 Normal* 76.189.406/000126 0000100201007210939 Mensal 01/09/2008 30/09/2008 Retificador 21/01/2011 Normal* 76.189.406/000126 0000100201007210954 Mensal 01/12/2008 31/12/2008 Retificador 21/01/2011 Normal* 76.189.406/000126 0000100201007210955 Mensal 01/10/2008 31/10/2008 Retificador 21/01/2011 Normal* 76.189.406/000126 0000100201007210956 Mensal 01/11/2008 30/11/2008 Retificador 21/01/2011 Normal* 76.189.406/000126 0000100201008066708 Mensal 01/12/2008 31/12/2008 Retificador 16/12/2011 Normal* 76.189.406/000126 0000100201008128899 Mensal 01/01/2008 31/01/2008 Retificador 04/01/2013 Normal 76.189.406/000126 0000100201008128900 Mensal 01/02/2008 29/02/2008 Retificador 04/01/2013 Normal 76.189.406/000126 0000100201008128901 Mensal 01/03/2008 31/03/2008 Retificador 04/01/2013 Normal 76.189.406/000126 0000100201008128905 Mensal 01/04/2008 30/04/2008 Retificador 04/01/2013 Normal 76.189.406/000126 0000100201008128906 Mensal 01/05/2008 31/05/2008 Retificador 04/01/2013 Normal 76.189.406/000126 0000100201008128907 Mensal 01/06/2008 30/06/2008 Retificador 04/01/2013 Normal 76.189.406/000126 0000100201008128908 Mensal 01/07/2008 31/07/2008 Retificador 04/01/2013 Normal 76.189.406/000126 0000100201008128911 Mensal 01/08/2008 31/08/2008 Retificador 04/01/2013 Normal 76.189.406/000126 0000100201008128949 Mensal 01/09/2008 30/09/2008 Retificador 05/01/2013 Normal* 76.189.406/000126 0000100201008128950 Mensal 01/10/2008 31/10/2008 Retificador 05/01/2013 Normal* 76.189.406/000126 0000100201008128951 Mensal 01/11/2008 30/11/2008 Retificador 05/01/2013 Normal* 76.189.406/000126 0000100201008128952 Mensal 01/12/2008 31/12/2008 Retificador 05/01/2013 Normal* 76.189.406/000126 0000100201008131425 Mensal 01/12/2008 31/12/2008 Retificador 26/01/2013 Normal 76.189.406/000126 0000100201008131426 Mensal 01/11/2008 30/11/2008 Retificador 26/01/2013 Normal 76.189.406/000126 0000100201008131427 Mensal 01/10/2008 31/10/2008 Retificador 26/01/2013 Normal 76.189.406/000126 0000100201008131428 Mensal 01/09/2008 30/09/2008 Retificador 26/01/2013 Normal Consulta Dacon 2.3 Legislação Orientações ao Usuário Consulta Operacional Eventuais erros de fato que remanescessem mesmo depois dos procedimentos de auditoria poderiam ser retificados pelo contribuinte no curso contencioso administrativo fiscal, que ora se desenrola. A única alteração proposta pela recorrente foi a relativa às Notas Fiscais de Devolução, que foi devidamente acolhida pela autoridade julgadora de primeira instância. O contribuinte realmente readquiriu a espontaneidade entre o primeiro e o segundo procedimento fiscal. Entretanto, os Dacon retificadores foram apresentados somente Fl. 3953DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.944 21 após o início da 2ª fiscalização, que ora se controverte. Ademais, reduziu débitos em desacordo com a conclusão da 1ª fiscalização, o que também impede que o Dacon produza efeitos, cfe. § 2° do art. 11 da INSRF nº 590, de 2005, então vigente: Art.11.Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. §1ºO Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. §2ºNão será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins: I que já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desses débitos; II em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em procedimento de ofício, relativas às informações, indevidas ou não comprovadas, prestadas no Dacon original e que tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. §3ºA retificação de valores informados no Dacon, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada, pela Secretaria da Receita Federal, nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento do demonstrativo. §4ºA pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. §5ºA retificação de Dacon não será admitida com o objetivo de alterar a periodicidade, mensal ou semestral, de demonstrativo anteriormente apresentado. A Instrução Normativa RFB nº 940, de 19 de maio de 2009, que sucedeu à INSRF nº 594, de 2005, manteve a disposição. Já a Instrução Normativa RFB nº 1.015, de 5 de março de 2010, atualmente em vigor, merece destaques: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. Fl. 3954DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 22 § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados no Dacon que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento do demonstrativo. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao demonstrado, a pessoa jurídica poderá apresentar demonstrativo retificador, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades previstas no Capítulo II. § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Incide no caso a Súmula CARF nº 33, aprovada em 08/12/2009: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. MÉRITO Antes de adentrarse definitivamente no mérito das operações de compra de soja para posterior exportação, objeto da autuação, devese espancar, definitivamente, a insinuação recursal de que a Fiscalização do Estado do Paraná já teria chancelado tais Fl. 3955DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.945 23 operações. As operações analisadas pelo Fisco Estadual referemse a período diverso (10/2009 a 08/2012). Ainda que assim não fosse, e tivesse a 1 Delegacia Regional da Receita Inspetoria Regional de Fiscalização paranaense analisado exatamente os mesmos períodos, sua decisão jamais vincularia o Fisco federal. A recorrente insiste na correção das operações de exportação e a legalidade dos créditos relativos às compras de derivados de soja a Louis Dreyfus Commodities S/A. Sustenta que se aliou à referida sociedade para aprender a logística e desenvolver experiência no mercado de exportação e que, apesar de obter pouca vantagem financeira com as operações, a motivação para contratar com a referida empresa consta do próprio contrato. Argumenta que a Fiscalização presumiu o acordo de simulação com base em dois tópicos isolados e de menor importância do contrato, e que toda a documentação, relativa à movimentação física e à transmissão jurídica das mercadorias, foi examinada, não sendo apontada nenhuma irregularidade formal, comercial ou de logística. Argumenta que as operações examinadas estão perfeitas, atendendo ao escopo do contrato, e que o transporte direto da mercadoria é necessário por uma opção logística, já que a armazenagem intermediária na cidade de Curitiba implicaria um aumento de custos. Sustenta que o fluxo financeiro comprova as operações, uma vez que recebe diretamente dos seus clientes o valor relativo às vendas efetuadas e que paga à LDC o preço contratado pelas compras efetuadas. Diz que a efetividade do contrato e dos negócios pode ser confirmada pela exigência da LDC de que todas as operações fossem garantidas através de carta de fiança. Defende a condição de já haver preço préavençado das mercadorias e que assunção total da responsabilidade em relação à qualidade dos produtos pela LDC é prática comum de mercado, sendo que jamais poderia se responsabilizar pelos produtos fabricados por outra empresa. Diz que a proteção estabelecida pela cláusula 14 do contrato visa a assegurar a tranquilidade e segurança para ambas as partes, buscando a proteção contra possíveis alterações tributárias. Afirma que Fiscalização apegouse em “esparsas expressões contratuais periféricas”, mas que “o contrato está cercado por regras bilaterais e divisão precípua de riscos e responsabilidades que comprovam a lisura do negócio e a efetividade das operações.” Sustenta, por fim, que as operações foram realizadas sob o amparo de dois contratos, ambos do conhecimento da Fiscalização. Relata que está apresentado cópia dos dois, ressaltando que não encontrou cópia do primeiro no processo. Afirma que o primeiro é aquele que contém as cláusulas e condições transcritas no Termo de Verificação nº 1 e que o segundo, firmado em 28/12/2006, apresentase diferente: com a condição aberta de prática de preços de mercado. Na Manifestação s/relatório de diligência”, apresentada em 01/07/2013, a contribuinte reafirma a validade das operações de exportação, bem como dos créditos de PIS e Cofins relativos às aquisições de soja. Aduz, quanto à afirmação da Fiscalização de que a alteração contratual foi realizada com o intuito de receber os créditos de PIS e Cofins de outros contribuintes, que a mesma é fantasiosa e não tem qualquer comprovação. Afirma, ainda, que a alteração do contrato social, contemplando a atividade de importação e exportação de gêneros alimentícios, ocorreu em 1990, ou seja, 17 (dezessete) anos antes dos fatos ditos simulados. Para ilustrar suas alegações, o autuado fez juntar aos autos os seguintes contratos: a) Instrumento Particular de Compra e Venda de Mercadorias e Outras Avenças (fls. 909 a 924), assinado em 02 de janeiro de 2006, por meio do qual Comércio e Indústrias Brasileiras Coinbra S/A (razão social anterior de Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A) se compromete a vender para Condor produtos (óleo de Fl. 3956DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 24 soja degomado, óleo de soja refinado e farelo de soja) que representem o valor de R$ 60.000.000,00, de acordo com o Contrato de Fornecimento de Mercadorias (Anexo 2) celebrado simultaneamente. Alem desse anexo, constam ainda Anexo 1 Relação dos Clientes Capa de rosto do Anexo 2 (Contrato de Fornecimento de Mercadorias acima citado); Anexo 3 Minuta Padrão da Confirmação de Negócio a.1.4); Anexo 4 Minuta Padrão das Instruções. b) Contrato de Fornecimento de Mercadorias (fls. 937 a 944), assinado em 28 de dezembro de 2006, por meio do qual Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A se compromete a vender para o Condor produtos (óleo de soja degomado, óleo de soja refinado e farelo de soja) que representem o valor total de R$ 120.000.000,00. A Fiscalização já havia instruído os autos de infração com: a) Instrumento Particular de Compra e Venda de Mercadorias e Outras Avenças (fls. 956 a 968), assinado em 10 de janeiro de 2008, por meio do qual Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A se compromete a vender para o Condor produtos (óleo de soja degomado, óleo de soja refinado e farelo de soja) que representem o valor total de R$ 120.000.000,00, de acordo com o Contrato de Fornecimento de Mercadorias (Anexo 1) celebrado simultaneamente. Alé, desse, constam também como anexo Capa de rosto do Anexo 1; Anexo 2 – Minuta Padrão da Confirmação de Negócio; Anexo 3 – Minuta Padrão de Instruções. b) Instrumento Particular de Compra e Venda de mercadorias e Outras Avenças (fls. 969 a 981), assinado em 28 de dezembro de 2006, por meio do qual Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A se compromete a vender para o Condor produtos (óleo de soja degomado, óleo de soja refinado e farelo de soja) que representem o valor total de R$ 120.000.000,00, de acordo com o Contrato de Fornecimento de Mercadorias (Anexo 1) celebrado simultaneamente. Constam, também, como anexos Capa de rosto do Anexo I; Anexo 2 – Minuta Padrão da Confirmação de Negócio; e Anexo 3 – Minuta Padrão das Instruções. c) Anexo 3 ao Instrumento Particular de Compra e Venda de Mercadorias e Outras Avenças, às fls. 982, assinado em 20 de dezembro de 2010 entre Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A e Condor Supercenter Ltda, o qual consta denominado como “Planilha Demonstrativa da Formação do Preço Definitivo e das Despesas Incorridas pela Condor, bem como das Diferenças entre o Preço Definitivo e o Preço Provisório” Fl. 3957DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.946 25 Liminarmente, rechaçase a afirmação recursal de que as operações foram realizadas sob o amparo de dois contratos (Instrumento Particular de Compra e Venda de Mercadorias e Outras Avenças assinado em 02/01/2006 e Contrato de Fornecimento de Mercadorias firmado em 28/12/2006, juntados pela própria contribuinte às fls. 909 a 924 e 937 a 944, respectivamente) e de que o segundo contrato não apresentaria as mesmas condições que impressionaram a Fiscalização, visto que conteria cláusula com a condição aberta de prática de preços de mercado. Não há vinculação entre esses contratos. No caso, os dois contratos não são vinculados: o segundo possui um outro Contrato de Fornecimento de Mercadorias o qual foi assinado na mesma data, ou seja, em 28/12/2006; ii) o primeiro foi assinado em 02/01/2006 e é parte integrante de um outro Instrumento Particular de Compra e Venda de Mercadorias e Outras Avenças, estando a esse vinculado e subordinado; o primeiro trata da venda para o Condor de produtos (óleo de soja degomado, óleo de soja refinado e farelo de soja) que representem o valor total de sessenta milhões de reais e o segundo que representem o valor de cento e vinte milhões de reais. Frisese neste momento que o documento sobre o qual se debruçou a Fiscalização, conforme apontam o Termo de Verificação Fiscal nº 1 (fls. 15 a 23) e o relatório de diligência fiscal (fls. 1.401 a 1.403), foi o Instrumento Particular de Compra e Venda de Mercadorias e Outras Avenças (fls. 969 a 981), assinado em 28 de dezembro de 2006, e que o Contrato de Fornecimento de Mercadorias (Anexo 2) a ele relativo, (conforme indicam os elementos dos dois instrumentos) é o que foi assinado simultaneamente em 28/12/2006, juntado aos autos pelo contribuinte às fls. 937 a 944. Desde já, declaro que me alinho às conclusões da Fiscalização e da decisão recorrida: os contratos em questam, não obstante a sua regularidade formal, simulam vendas para o mercado interno com o único objetivo de transferir créditos das contribuições sociais não cumulativas de LDC para Condor. O negócio ostensivo é o seguinte: Louis Dreyfus Commodities (LDC), sociedade multinacional do agronegócio, com mais de 160 anos de experiência no mercado global de commodities, com liderança nos mercados de açúcar, arroz, algodão, laranja, milho e trigo, presente em mais de 55 países dos cinco continentes, com mais de 35.000 empregados, com vendas líquidas consolidadas de aproximadamente US$ 60 bilhões e lucro líquido de aproximadamente US$ 735 milhões no ano de 2011, não obstante a sua vasta experiência no mundo todo, “pendia de resolver problemas operacionais e de logística” entre Ponta Grossa e o Porto de Paranaguá. Decidiu então admitir que Condor, neófita no seguimento de comércio exterior, ingressasse no mercado, recebendo apoio e em contrapartida teria a abertura de importantes "portas" para o futuro, e tendo ainda uma operação sem prejuízos, apesar da pequena rentabilidade. “Nessa atividade a logística é facilitada porquanto a empresa autuada possui filiais nas cidades de Ponta Grossa (início da movimentação da carga e da operação) e em Paranaguá (final da movimentação e local de armazenamento antes da entrega definitiva ao Cliente), ambas dotadas de estrutura e pessoal suficiente para manipulação, administração e realização efetiva da operação” (recurso voluntário, fls. 2.407) Nesse panorama, a pergunta que se impõe é: por que LDC necessitaria a interposição de um intermediário, já que a exportação de commodities agrícolas é justamente a sua maior expertise? E por que esse intermediário seria Condor, que, ao contrário, não possuía experiência alguma no ramo? A imagem que se me vem é a de uma baleia pedir a ajuda de um lambari para atravessar um oceano. Fl. 3958DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 26 A motivação oculta é simples: possuidora de vultosos créditos tributários, gerados na compra tributada de produtos no mercado interno, ao revender estes mesmos produtos para o mercado externo, a LDC acaba acumulandoos, haja vista não haver tributação nas operações de exportação. Com a interposição do intermediário nas operações de exportação (Condor), LDC descarrega os créditos acumulados para esse intermediário, na medida em que torna as suas próprias saídas tributadas, e transfere para a etapa seguinte (Condor) a imunidade de tributação que ocorre nas operações de exportação. Para dar efetividade a esse desiderato, estabeleceuse uma modelagem jurídica que se orientou sobre os seguintes eixos: • a preservação das operações de exportação da empresa Louis Dreyfus e a garantia de que os clientes dessa não seriam prejudicados com a intromissão de um intermediário; LDC não abre mão do controle das operações de exportação. É ela quem determina todos os parâmetros das revendas (exportações): para quem o intermediário deve revender (quais os Clientes); os valores das transações (valor dos produtos vendidos para o intermediário – Preço provisório e definitivo – valor dos produtos revendidos – exportação); a quantidade de produtos; e a forma como os produtos devem ser revendidos. Todas essas diretrizes são clausuladas. Confirase: 1.3. Uma vez completada a entrega da quantidade de PRODUTOS objeto da CONFIRMAÇÃO, a COMPRADORA deverá revender os PRODUTOS aos CLIENTES, conforme instruções que receber da VENDEDORA (as “INSTRUÇÕES”). O modelo das INSTRUÇÕES integra o presente instrumento como seu Anexo 3. 1.3.1. As INSTRUÇÕES, que também integrarão o presente Contrato para todos os efeitos, conterão todas as condições essenciais atinentes ao NEGÓCIO, incluindo preço, tudo nos termos da cláusula 4 adiante. 1.3.2. No corpo das INSTRUÇÕES a VENDEDORA apresentará, ainda, o demonstrativo de cálculo do preço definitivo em contraprestação da venda dos PRODUTOS à COMPRADORA e os demais parâmetros previsto na fórmula de que trata a cláusula 4. (Grifos nos Originais) (...) 3. A revenda dos PRODUTOS aos CLIENTES será formalizada através de nota fiscal de venda com fim específico de exportação, a ser emitida pela COMPRADORA em estrita conformidade com as INSTRUÇÕES da VENDEDORA, nos termos do item 3.2 adiante. (...) 3.2. Das INSTRUÇÕES constarão, dentre outras informações: (i) denominação social, número da inscrição no CNPJ e número da inscrição estadual do CLIENTE em favor de quem os produtos deverão ser faturados; Fl. 3959DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.947 27 (ii) discriminação e quantidade dos PRODUTOS; (iii) preço de revenda dos PRODUTOS aos CLIENTES; (iv) diferenças entre o PREÇO PROVISÓRIO e o PREÇO DEFINITIVO pertinente aos mesmos PRODUTOS, observados o item 4.1 e seus subitens. 3.3 A COMPRADORA deverá encaminhar à VENDEDORA, via facsímile, para conferência, cópia da nota fiscal de venda com fim específico de exportação dos PRODUTOS ao CLIENTE, observado o disposto adiante. 3.3.1 Na hipótese da nota fiscal emitida pela COMPRADORA apresentar divergência em relação ao contido em determinada INSTRUÇÃO, a VENDEDORA comunicará a COMPRADORA, por escrito, sobre a divergência, para que esta promova, imediatamente, as correções necessárias. A confirmar o total controle da operação por parte da LDC, o item “2” do contrato estipula até o local para o qual serão remetidos os produtos da primeira parte da operação (venda realizada para o Condor), e no qual os mesmos deverão ser entregues aos Clientes (prédeterminados) no momento da revenda (exportação). “2. Os PRODUTOS objeto de cada CONFIRMAÇÃO serão entregues, pela VENDEDORA, no local em que a COMPRADORA deverá entregálos aos CLIENTES, conforme INSTRUÇÕES que receber da VENDEDORA.” Não se trata portanto de uma operação normal de comprae venda entre LD e Condor, como quer fazer crer a recorrente, mas sim de uma venda com finalidade de exportação desde o início do ciclo. A LDC controla a quantidade, o preço e o destino das mercadorias, sem nenhuma possibilidade de interferência do Condor. O controle das operações por LDC é tão grande que, de acordo com item 3.4, esta pode retomar os produtos vendidos para o Condor se este não realizar as revendas (exportações) de acordo com as suas determinações. “3.4 A recusa da COMPRADORA na emissão da nota fiscal de revenda dos PRODUTOS aos CLIENTES, ou a recusa em promover as correções de que trata o item 3.3.1 acima, tudo nos termos das INSTRUÇÕES da VENDEDORA, gerará as seguintes conseqüências: a) resolução automática da operação de venda dos PRODUTOS objeto da(as CONFIRMAÇÃO(ÕES) em vigor, com o automático retorno, ao patrimônio da VENDEDORA, dos PRODUTOS já entregues ao abrigo da(s) mesma(s) CONFIRMAÇÃO(ÕES). A resolução prevista nesta alínea não abrange os PRODUTOS já regulamente vendidos aos CLIENTES, mediante a emissão de nota fiscal de venda com fim específico de exportação em conformidade com as INSTRUÇÕES; b) direito da VENDEDORA de vender os PRODUTOS objeto da(s) CONFIRMAÇÃO(ÕES) de que trata a alínea “a” deste item diretamente ao CLIENTE referido Fl. 3960DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 28 nas INSTRUÇÕES correspondentes, ainda que já tenha sio entregues à COMPRADORA, de modo a evitar a inadimplência da obrigação de entrega dos PRODUTOS ao CLIENTE; c) obrigação da COMPRADORA de emitir a(s) nota(s) fiscal(ais) de devolução à VENDEDORA dos PRODUTOS que já tenham sido entregues à COMPRADORA.” Notese que esta última cláusula, estabelecida para garantir a realização das exportações, de forma curiosa, cria um tipo inédito de venda no mundo jurídico, “venda com condição esolutiva”, já que somente produz efeitos jurídicos se as condições futuras e incertas (revendas/exportações nos exatos termos determinados pela LD) se realizarem. • o estabelecimento de uma regra para a transferência dos créditos tributários da empresa LDC para o intermediário; O segundo eixo da modelagem jurídica visa ao estabelecimento da regra para a transferência dos créditos tributários de LDC para o Condor) e está previsto na cláusula “4” do contrato: 4. O preço definitivo, certo e ajustado em contraprestação da venda dos PRODUTOS à COMPRADORA, será o resultado da aplicação da seguinte fórmula (o “PREÇO DEFINITIVO”): Pd = {Pr + (T x 0,82)} – {(F + E) + (D)} Onde: Pd = PREÇO DEFINITIVO equivalente ao valor total, expresso em moeda nacional, a ser pago pela COMPRADORA à VENDEDORA em contraprestação da venda dos PRODUTOS. Pr = preço total, expresso em moeda nacional, devido pelos CLIENTES à COMPRADORA, em contraprestação da revenda dos PRODUTOS. T = valor total, expresso em moeda nacional, do PIS, da Cofins e do ICMS incidentes sobre a venda dos PRODUTOS, nos termos das notas fiscais de venda emitidas pela VENDEDORA à COMPRADORA. F = valor total do transporte dos PRODUTOS desde o estabelecimento da COMPRADORA até o estabelecimento depositário indicado pela VENDEDORA, quando for o caso. E = valor total dos demais custos incorridos pela COMPRADORA para embarque dos PRODUTOS aos CLIENTES, quando for o caso. D = eventual diferença, positiva ou negativa, entre o PREÇO DEFINITIVO e o preço dos PRODUTOS constante das notas fiscais de venda emitidas pela VENDEDORA à COMPRADORA e pertinentes ao(s) lote(s) entregue(s) ao abrigo do presente em operação(ões) anterior(es). 4.1 Tendo em conta que o valor exato do “Pr, variável para cálculo do PREÇO DEFINITIVO, conforme previsto na Fl. 3961DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.948 29 cláusula 4, não será conhecido quando da emissão das correspondentes notas fiscais de venda dos PRODUTOS à COMPRADORA, é certo que haverá diferença entre o preço dos PRODUTOS indicado nas referidas notas fiscais (o “PREÇO PROVISÓRIO”) e o PREÇO DEFINITIVO dos mesmos PRODUTOS. Tal diferença, nos termos da fórmula prevista na cláusula 4, será ajustada contabilmente, mediante acréscimo ou dedução, conforme o caso, do preço de vendo dos PRODUTOS objeto das CONFIRMAÇÕES subseqüentes. 4.1.1. Quando da última operação de venda ao abrigo deste Contrato, seja em virtude de sua rescisão por qualquer motivo, seja por ocasião do término de sua vigência, a referida diferença será ajustada através da emissão de nota fiscal complementar de preço pela VENDEDORA o mediante concessão de desconto financeiro sobre o preço dos PRODUTOS, conforme o caso. 4.1.2 O PREÇO PROVISÓRIO será estabelecido, pela vendedora, com base em outra operações de venda de PRODUTOS da mesma natureza, gênero e qualidade a outros clientes. 4.2. As Partes reconhecem, em caráter irrevogável e irretratável, que o PREÇO DEFINITIVO prevalecerá, sempre sobre o PREÇO PROVISÓRIO, para todos os fins e efeitos de direito.” Depositado o valor da venda para o exterior pela empresa comercial exportadora, Condor pode deduzir gastos com transporte e embarque do valor repassado para LDC. Devem no entanto, adicionar 82% do valor de PIS, Cofins e ICMS incidentes sobre a venda dos produtos, conforme notas fiscais de vendas emitidas pela LDC. Pela aplicação da aplicação da fórmula constante da cláusula 4, LDC torna líquidos 82% do valor dos créditos, até então meramente escriturais; Condor, a seu turno, garante ganho de 18 % sobre créditos tributários devidos em cada operação, já que está contratualmente obrigada a pagar a LDC 82 % dos tributos devidos na respectiva venda (vinculada a operação) que esta realiza para Condor. Essa é real vantagem percebida pelo Condor na negociação. Para participar da simulação comandada pela LD, o Condor seria beneficiado com 18% dos créditos de PIS, Cofins e ICMS, ilegalmente adquiridos com sua interposição simulada nas operações. A decisão recorrida exemplifica a aplicação da fórmula da claúsula 4 com base na “Planilha Demonstrativa da Formação do Preço Definitivo e das Despesas Incorridas pela Condor, bem como das Diferenças entre o Preço Definitivo e o Preço Provisório” (Anexo 3 ao Instrumento Particular de Compra e Venda de Mercadoris, anexado aos autos às fls. 982): Valor da Exportação 5.775.000,00 () Despesa de Armazenagem (150.000,00) (+) Crédito PIS/Cofins sobre armazenagem 13.875,00 Valor preço de venda mercado interno sem tributos 5.638.875,00 (A) Tributos incidentes 1,00 Fl. 3962DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 30 () PIS/Cofins Alíquota de 9,25 (1,65 + 7,6) x 0,82 0,07585 Índice para formação de preços 0,92415 (B) Valor de Venda, no mercado interno, com os tributos 6.101.688,04 (C=A/B) Valor praticado nas remessas físicas 6.050.000,00 Diferença a favor da LDC Brasil 51.688,04 Apuração dos Créditos Fiscais Pis/Cofins 564.406,14 (C x 9,25) Apuração do Resultado do Condor Preço de venda para o Exportador 5.775.000,00 Valor das Compras (6.101.688,04) Crédito PIS/Cofins 564.406,14 (D) Despesa de Armazenagem (150.000,00) Crédito PIS/Cofins despesas de armazenagem 13.875,00 Custo Final para o Condor (5.673.406,89) Margem do Condor 101.593,11 (E) Percentual (Margem do Condor) 18,00% (E/D) Não é demasiado voltar a salientar que é LDC quem controla todas as variáveis do cálculo recém ilustrado. “Valor da Exportação”, “Valor de Venda, no mercado interno, com os tributos” e “Valor praticado nas remessas físicas” do quadro acima (preço total Pr, preço definitivo – Pd e preço provisório, respectivamente, na fórmula da cláusula “4” ) são definidos por ela (vendedora), de acordo com a cláusula 4. • o estabelecimento de salvaguardas contra os riscos do negócio, para ambas as partes. Quanto ao último eixo da engenharia contratual, que visava à proteção dos contratantes contra os riscos dos negócios, ficou glaro que LDC estabeleceu garantias contra possíveis consequências da introdução de um player inexperiente na exportação de commodities, negócio sólido que desenvolvia há décadas. Em contrapartida, a Condor são garantidos o recebimento do valor das exportações e a total imunidade relativamente a qualidade dos produtos exportados, conforme se verifica os itens “6” e “7” do contrato: “6. A LDC BRASIL garante, na qualidade de fiadora, principal pagadora e devedora solidária, o cumprimento de todas as obrigações dos CLIENTES para o CONDOR, incluindo a liquidação do pagamento do valor da revenda dos PRODUTOS junto ao CONDOR, na forma e prazo que forem comunicados nas INSTRUÇÕES. Essa garantia e sua conseqüente responsabilidade não terão validade e não serão exigíveis: caso o CONDOR esteja inadimplente, ou em mora, com qualquer obrigação contraída ao abrigo deste Contrato; enquanto não for possível a entrega dos PRODUTOS aos CLIENTES por ato ou fato imputável ao CONDOR.” 6.1. A LDC BRASIL renuncia expressamente, neste ato, aos benefícios previsto nos artigos 827, 829,835 e 838 do Código Civil Brasileiro, e concorda que a presente fiança vigorará até o cumprimento integral, pelos CLIENTES, de todas as obrigações principais e acessórias previstas neste Contrato. 6.2 Em caso de inadimplemento dos CLIENTES quanto ao pagamento do valor devido ao CONDOR, a LDC BRASIL transmitirá novas INSTRUÇÕES em substituição daquelas pertinentes ao CLIENTE inadimplente. Fl. 3963DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.949 31 7. A LDC BRASIL obrigase a manter o CONDOR imune a qualquer responsabilidade ou ônus ligados aos PRODUTOS e a qualquer reclamação dos CLIENTES quanto à qualidade dos PRODUTOS, salvo quando motivadas pelo descumprimento, pelo CONDOR, de qualquer cláusula do presente Contrato e/ou qualquer condição das Instruções. 7.1 Na hipótese de o CONDOR ser demandado por qualquer reclamação relativa à qualidade dos PRODUTOS vendidos para os CLIENTES, a LDC BRASIL obrigase a requere ao valor que o CONDOR eventualmente tenha despendido para a defesa de seus interesses, e ainda assumir a responsabilidade por toda e qualquer despesa ou ônus decorrente, inclusive custas judiciais, honorários advocatícios, condenações etc.” Por fim, o item “14” do contrato institui uma ‘salvaguarda tributária’, que revela a preocupação dos contratantes com a possível interpretação da legislação tributária em face do planejamento tributário adotado: “14. Na hipótese de ocorrência de alteração na legislação tributária, ou na sua interpretação pelas autoridades fiscais, que impacte no equilíbrio econômicofinanceiro do presente instrumento, qualquer das Partes poderá resilir este Contrato, sem ônus, ressalvado o disposto na alínea “f” do item 14.1.” De salientar que a rescisão do contrato em decorrência da aplicação do artigo acima enseja, também, nos mesmos moldes do item 3.4, a retomada, por parte da controladora, das exportações que não tenham ainda sido concretizadas. A Fiscalização adotou a interpretação mais pura e simples do contrato: trata se de cessão onerosa de créditos de PIS, Cofins e ICMS da LDC para Condor, com deságio de 18%, e obrigação deste ser figurante em operações de exportação daquela. E essa interpretação não se baseou nesta ou naquela cláusula isolada, ou em “esparsas expressões contratuais periféricas”, como alega a recorrente, mas na estrutura contratual como um todo. Revestido de todas as fomalidade legais, simulando um corriqueiro acordo comercial de fornecimento de mercadorias para posterior exportação, a contratação tem o objetivo oculto de construir engenharia tributária, consistente na transferência de créditos tributários da empresa possuidora dos mesmos (LDC) para um intermediário (Condor), sem que houvesse qualquer interferência nas exportações da primeira. Aliás, são essas duas garantias, a de blindagem das exportações e a de um ganho na realização das operações de exportação isento de riscos, representado por um percentual sobre os créditos tributários decorrentes das operações de venda (da empresa Louis Dreyfus para o Condor) com garantia de recebimento e sem risco comercial, que desnudam o real objetivo do contrato. Fica muito claro e evidente que as exportações não poderiam de forma alguma ser afetadas – LDC não admitiria que essa aventura colocasse em risco a reputação comercial que forjou durante toda a sua história empresarial, e, nesse sentido, colocouse contratualmente na posição de controladora hegemônica das operações. Todas as variáveis comerciais das operações estavam sob seu domínio. Era LDC que determinava os clientes para Fl. 3964DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 32 os quais Condor exportaria; os preços das mercadorias vendidas para Condor; os preços dessas mesmas mercadorias revendidas pelo Condor aos clientes de LDC; e até mesmo o local no qual as operações de exportação deveriam ocorrer, cabendo a Condor simplesmente executar a operação já prédefinida. Ainda, como garantia da blindagem das exportações, foi estabelecida a absurda possibilidade de retomada das mercadorias, caso as exportações não fossem realizadas de acordo com as determinações da empresa controladora. Por outro lado, a Condor foi garantido o direito ao recebimento de um percentual dos créditos tributários gerados pelas compras internas de LDC, com a garantia (lastreada em Carta Fiança, cujo fiador foi a própria LDC) de recebimento das revendas efetuadas (exportações) e de isenção total sobre a qualidade dos produtos revendidos. Com efeito, em face da constatação do acordo de simulação, as argumentações da recorrente de que teria realizado as operações de forma lícita para aprender a logística e desenvolver experiência no mercado de exportação, obtendo pouca vantagem financeira, caem por terra. A existência de documentos (Notas Fiscais de Saída relativa à transmissão jurídica das mercadorias de LDC para Condor e Notas Fiscais de Saída relativas às operações de Vendas com Fim Específico de Exportação), com a transmissão jurídica das mercadorias objeto do contrato, e movimentações financeiras (relativas ao recebimento das revendas/exportações aos clientes e relativas ao pagamento das compras efetuadas por LDC) em nada alteram os fatos dissimulados, posto que os fatos simulados, como bem pontuou a fiscalização, são nulos, nos termos do art. 167 do Código Civil – CC Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. O transporte das mercadorias compradas a LDC diretamente para o local no qual as mesmas seriam, na seqüência, revendidas, desmente fragorosamente a alegada necessidade de opção logística de redução de custos, como afirma a recorrente, mas sim a uma determinação contratual imposta pela parte controladora da operação com vistas a garantir a realização de suas exportações. As garantias concedidas ao Condor, de pagamento das revendas (exportações) efetuadas, através do estabelecimento de Carta Fiança, e de isenção quanto à qualidade das mercadorias revendidas, aliado ao ganho percentual sobre os créditos tributários envolvidos nas operações de venda (da LDC para o Condor), complementam a armação, na medida que estabelecem para o intermediário o valor (percentual) para a participação do conluio e que o isentam de qualquer risco financeiro e comercial. Comungo com a Fiscalização e com a decisão a conclusão de que o Instrumento Particular de Compra e Venda de Mercadorias e Outras Avenças (fls. 969 a 981), assinado em 28 de dezembro de 2006, oculta um acordo simulado de transferência ilegal de créditos tributários detidos por LFC para a autuada. Nesse sentido, corretas as glosas procedidas, relativas aos créditos não cumulativos que foram apropriados de forma indevida nas entradas, bem como a nova apuração (recomposição) dos saldos de débitos e créditos das contribuições, e os conseqüentes lançamentos por insuficiência de pagamento. O agravamento da penalidade aplicada A recorrente, assim como a impugnante, articula razões pugnando, pela segregação das infrações. Defende que a multa de ofício aplicada sobre a insuficiência de ecolhimento deve ser a de 75%, e não de 150%. Com relação a outra infração, “Compra de Produtos para Exportação – Derivados de Soja”, sustenta que a simulação e o conluio devem Fl. 3965DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.950 33 ser provados, não bastando a suspeita ou a presunção. Reclama que não houve omissão de tributo, mas sim, pelo contrário, que a existência do aventado “conluio” impôs à LDC a incidência das contribuições sobre as vendas efetuadas para Condor. Discursa sobre a idoneidade da LDC e sobre as vantagens estratégicas obtidas com a realização do negócio com aquela sociedade. Aduz que irregularidade imputada pela Fiscalização não tem qualquer razoabilidade e que nulidade do contrato tornaria a LDC credora da fazenda pública, uma vez que as vendas para a contribuinte sofreram incidência das contribuições. Reclama que LDC não integra o polo passivo, pugnando por sua responsabilização solidária pelo proveito que obteve com o conluio e a simulação. Por fim, sustenta que as operações em discussão são lícitas, que são descabidas as glosas de seus créditos e a aplicação da penalidade, e que a falta de comprovação dos tipos penais (conluio e simulação) impõem o cancelamento da multa duplicada. Repetese aqui o que já quedou assentado na decisão recorrida: houveos autos de infração consignaram uma única infração tributária relativa às glosas de créditos ilegalmente aproveitados pelo sujeito passivo, as quais ocasionaram as insuficiências de recolhimento das contribuições nos períodos de apuração lançados. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” dos autos de infração que a glosa de créditos ilegalmente aproveitados pelo sujeito passivo resultou em insuficiência de recolhimento da contribuição em algumas competências. Não há falar em duas infrações E a penalidade aplicável deve ser agravada em face da presença da circunstância qualificativa conluio, ajuste doloso pactuado entre LDC e Condor, tendente a reduzir o pagamento de tributos devidos por Condor por meio da apropriação ilegal de créditos de PIS e Cofins, prevista no art. 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Conclusões Com essas considerações, voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Sala de sessões, em 19 de agosto de 2014 Declaração de Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista A Fiscalização se baseou no Instrumento Particular de Compra e Venda de Mercadorias e Outras Avenças, datado de 28 de dezembro de 2006, para concluir que tal Fl. 3966DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 34 contrato seria simulado, vez que a verdadeira intenção das partes seria transferir créditos da Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A ("LDC") para a Recorrente. A Fiscalização, nessa sua jornada interpretativa, olvidou por completo todo o contexto negocial, e baseou o seu entendimento em cláusula constante no Contrato, na qual a LDC teria poder sobre a mercadoria vendida, para concluir, num átimo, que a operação seria simulada. Tratase de um grande saldo interpretativo! A Fiscalização, em meu entendimento, não levou em conta a complexidade do tipo de negócio, nem o prazo do contrato, as garantias contratuais, o fornecimento de mercadorias, tendo simplesmente enquadrado o contrato, de maneira equivocada, como simulado, para aplicar indevidamente multa de 150%. Observese que nos considerandos do Contrato consta expressamente que a LDC comercializa farelo de soja, óleo de soja e óleo de soja degomado de fabricação própria ou de terceiros e possui um fluxo de venda a determinados clientes, sendo que o faturamento e a entrega deverão se concretizar em momento futuro. Isso significa dizer que se a LDC vender ela terá que fazer a entrega e se sujeitará ao prazo de pagamento do comprador, sendo que nas operações de exportação esse prazo é bem superior a 30 dias. Nesse sentido, a LDC contratou com a Recorrente operação de compra e venda, na qual a Recorrente adquire os produtos e paga um determinado preço, intermediando a operação entre a LDC e os clientes desta, de tal forma que a LDC receba antecipadamente pelos produtos vendidos. Tratase de operação de R$ 120.000.000,00, não voltada para o passado ou seja, o seu objetivo não era transferir créditos acumulados em que efetivamente houve a compra por parte da Recorrente e a venda, pela LDC, na forma fixada pelas partes. E na forma fixada pelas partes a Recorrente assume a obrigação de pagar pelos produtos e de exportálos aos clientes indicados pela LDC, de tal maneira que se não vender aos clientes a LDC poderá reassumir a titularidade dos bens, resolvendose a compra e venda (Cláusula 3.4). As partes chegam inclusive a estabelecer uma cláusula de fixação do preço, cláusula esta que foi muito mal interpretada pela Fiscalização, que chegou a afirmar que a remuneração da Recorrente no Contrato seria de 18%, quando o percentual de 18% (10,82) se refere, na realidade, à alíquota do ICMS que integra o custo do produto, estando, pois, incluída nas bases de cálculo do PIS e da COFINS (numa compra e venda regular, considerando que o comprador tem direito ao crédito o seu custo não irá computar o ICMS, PIS e COFINS, tributos a que tem direito ao crédito). Observese pela referida fórmula que o prazo definitivo dos produtos fixados entre a LDC e a Recorrente incluir o valor dos tributos que estão inseridos no preço das mercadorias menos os custos incorridos pela Recorrente, e. g., custo de transporte, de embarque e etc. Ressaltese ainda que no preço definitivo constam dois valores PARCELA A e B , em que a PARCELA B deve ser paga em até 15 dias da entrega dos produtos pela Fl. 3967DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.951 35 LDC à Recorrente, e a PARCELA A na mesma data em que a Recorrente receber de seus clientes. Ou seja, mediante tal estruturação permitiuse à LDC o recebimento de parte do preço no prazo de 15 dias da entrega de bens a serem exportados, o que constitui a sua maior vantagem financeira no negócio. Importante ressaltar que esse Contrato se refere à mercadorias a serem exportadas, e que as partes também firmaram Contrato de Fornecimento de mercadorias, em dezembro/2006 regulando as suas relações para o ano de 2007 e 2008 (assim como o Contrato de Compra e Venda) sem que houvesse preocupação para quem a Recorrente iria vender, mas sim expressamente prevendo obrigação de fornecimento, por parte da Recorrente. Assim, tratase de diversos negócios celebrados entre a LDC e a Recorrente que realmente foram realizados, inclusive contavam com garantia instrumentalizada por meio de fiança bancária, e que não foram efetuados com o intuito de transferir créditos. Aliás, se esse mesmo fosse o motivo, a Fiscalização deveria ter se preocupado em diligenciar perante a LDC para verificar qual o montante de créditos da citada pessoa jurídica, mas não o fez em nenhum momento. Unilateralmente, a Fiscalização concluiu pela simulação, sem fundamentála de forma apropriada, desconsiderando que se tratava de negócio de longo prazo, voltado para o futuro, em que as partes efetivamente compraram e venderam produtos, sendo que a Recorrente, além de revendêlos no mercado interno, também os exportou na forma contratualmente prevista. E a Recorrente, como decorrência das operações por ela praticadas, tem direito ao crédito do ICMS, do PIS e da COFINS, e é ela quem irá acumular créditos com as suas operações de exportação posto que essas são isentas dos referidos tributos, autorizandose a manutenção dos respectivos créditos. Pois bem. O artigo 167 do Código Civil prescreve a nulidade do negócio jurídico enquadrado como simulado, mas não o conceitua, relacionando hipóteses em que se verifica a simulação dos negócios jurídicos, conforme segue: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Fl. 3968DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 36 Tratase, na realidade, de um vício social que a ordem jurídica procura, de todas as maneiras evitar, qualificando o negócio jurídico simulado como nulo, sendo impossível de ser confirmado e nem de convalescer com o tempo (art. 169 do Código Civil). Não se pode perder de vista, inicialmente, que a simulação tem por objeto o negócio jurídico, objeto de profundas discussões quanto ao seu verdadeiro significado, conceituado por Maria Helena Diniz1 como “o poder de autoregulação dos interesses que contém a enunciação de um preceito, independentemente do querer interno.” Em verdade, Maria Helena Diniz2 propõe que o negócio jurídico seja concebido como uma “norma concreta estabelecida pelas partes”, o que requer não apenas a presença de mais de um sujeito de direito no âmbito de uma relação jurídica, como também outros requisitos de direito a serem preenchidos. Antônio Junqueira de Azevedo3 conceitua o negócio jurídico como “todo fato jurídico consistente em declaração de vontade, a que o ordenamento jurídico atribui os efeitos designados como queridos, respeitados os pressupostos de existência, validade e eficácia impostos pela norma jurídica que sobre ele incide”. Sem o intuito de ingressar na discussão sobre o conceito do negócio jurídico, tão bem abordada pelos estudiosos de Direito Civil ao longo da própria evolução do Direito, podese afirmar que o negócio jurídico constituise, pois, de uma ou mais declarações de vontade que cria, modifica ou extingue relações jurídicas. Transportando tais noções para o presente processo, podese concluir que a simulação exige a presença de duas ou mais pessoas que estejam em total acordo com a prática de atos que, nos termos do §1º, do artigo 167 do Código Civil, aparentam conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; ou que contenham declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; ou que concordem em antedatar ou pósdatar documentos. Ou seja, na simulação as partes manifestam falsamente suas vontades, externando declaração (negócio jurídico) diverso daquele realmente pretendido. Nesse aspecto, nos parecem precisos os ensinamentos de Carlos Roberto Gonçalves4, para quem: “Simulação é uma declaração falsa, enganosa, da vontade, visando aparentar negócio diverso do efetivamente desejado. Ou, na prática de Cóvis, “é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado”. Simular significa fingir, enganar. Negócio simulado, assim, é o que tem aparência contrária à realidade. A simulação é produto de um conluio entre os contratantes, visando obter efeito diverso daquele que o negócio aparenta conferir. Não é vício do consentimento, pois não atinge a vontade em sua formação. É uma desconformidade consciente da declaração, realizada de comum acordo com a pessoa a quem se destina, com o objetivo de enganar terceiros ou fraudar a lei.” 1 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. Editora Saraiva: São Paulo, 2004, p. 395 2 Op. cit., p. 394. 3 AZEVEDO, Antonio Junqueira. Negócio Jurídico: existência, validade e eficácia. Editora Saraiva: São Paulo, 2002, p. 16. 4 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Editora Saraiva: 2007, p. 440. Fl. 3969DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.729864/201216 Acórdão n.º 3403003.150 S3C4T3 Fl. 3.952 37 A simulação envolve, portanto, um conluio entre as partes contratantes, que, em conjunto, concordam em produzir manifestações de vontade que convergem em apenas uma declaração, e. g., um contrato, com conteúdo diverso daquele realmente desejado, com o objetivo de frustrar, no sentido amplo, direitos de terceiros. A título exemplificativo, na seara tributária, a simulação pode ocorrer quando duas partes, comprador e vendedor, cientes da mudança da legislação que majorou em certa data determinado tributo, pactuam declarar vontade diversa daquela real, antecipando falsamente a ocorrência de um negócio jurídico para data anterior, sujeita a tratamento mais benéfico. Nesse caso, transparece o pacto realizado entre comprador e vendedor que, mesmo tendo realizado o negócio jurídico “compra e venda” em data posterior, alteram falsamente as suas declarações de vontade e produzem documento contendo declaração falsa, como se o negócio houvesse ocorrido anteriormente, em data mais conveniente, exclusivamente para frustrar direitos do fisco (sujeito ativo). Por fim, não posso deixar de citar os ensinamentos de Maria Helena Diniz5, que resume muito bem o quanto observado sobre os elementos da simulação: “... é uma falsa declaração bilateral de vontade; a vontade exteriorizada diverge da interna ou real, não correspondendo à intenção das partes; é sempre concertada com a outra parte, sendo, portanto, intencional o desacordo entre a vontade interna e a declarada; é feita no sentido de iludir terceiro.” Ora, no presente caso, as partes não apenas declaram expressamente os termos dos negócios jurídicos por ela pretendidos não há, pois, declaração falsa de vontade , como praticam estritamente as condições contratuais que elas criaram, se sujeitando fielmente ao contrato, tanto que inclusive prestam garantias. Assim, inicialmente, não vejo como o negócio jurídico praticado entre a LDC e a Recorrente possa ser considerado simulação, pois elas não simulam nada, mas sim praticam operações de compra e venda, sendo que a Recorrente efetivamente exporta os produtos adquiridos da LDC nas condições constantes no Contrato. E as partes não agem em conluio, não falseiam a verdade, por expressam sua vontade em Instrumento de Compra e Venda e de Fornecimento e o praticam nos seus termos, sendo este o negócio jurídico que desejavam contratar. Difícil crer que a Recorrente ingressaria num negócio em que tem a obrigação de adquirir R$ 120.000.000,00 em mercadorias, realizar parte do pagamento em 15 dias da entrega, apenas e tãosomente para obter com tal negócio a transferência dos créditos de PIS e COFINS, créditos estes que já seriam transferidos em uma operação normal de 5 Op. cit., p. 435. Fl. 3970DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN 38 compra e venda, ainda mais se se considerar que a Recorrente irá exportar os referidos produtos e, portanto, poderá ela acumular créditos de PIS e COFINS. Por outro lado, na simulação exigese a presença de um pacto simulatório realizado para prejudica direitos de terceiros. Quais seriam os direitos de terceiros no presente caso? Ora, o terceiro seria naturalmente o Fisco, mas qual seria o seu direito supostamente violado por LDC e a Recorrente. Não há! Mesmo se se considerar como verdadeiro o raciocínio da Fiscalização não haveria violação ao direito do Fisco, posto que a LDC teria total direito à restituição ou compensação de seus créditos que, em nenhum momento do auto, foram declarados ou quantificados (aliás, a Fiscalização sequer chegou a encaminhar uma intimação sequer para a LDC). Assim, não vejo conluio entre a Recorrente e a LDC (contribuinte) e um terceiro — pacto simulatório —, para prejudicar legítimos direitos do Fisco, transferindo créditos de titularidade da LDC, que poderiam ser restituídos ou compensados a qualquer tempo. A transferência dos créditos é uma consequência natural das operações praticadas, decorrendo da legislação, e comum a esse tipo de negócio jurídico entre contribuintes do PIS e da COFINS. Em segundo lugar, não há declaração falsa de vontade, diversamente da desejada, eis que nem a LDC e sequer a Recorrente externam falsamente suas vontades, visto que ingressam em negócio jurídico que efetivamente pretendiam ingressar e o praticam fielmente. Não há distância entre a vontade expressa, a desejada e a realizada! Nesse ponto, não posso deixar de indagar qual seria o verdadeiro benefício da Recorrente, pois quem não poderia transferir créditos, na visão da Fiscalização, seria a LDC, que, em nenhum momento, sofreu a fiscalização. Por essa razão, não tenho como concordar com o enquadramento dado pela Fiscalização à operação praticada pela LDC e a Recorrente, nem com o seu raciocínio deveras equivocado, inclusive matematicamente que a Recorrente auferiria ganho de 18% dos créditos (!!!???), desconsiderando o pré pagamento por parte da Recorrente e a obrigação de exportação expressamente constantes no Contrato como um contexto do negócio. Nesse aspecto, se verdadeiro fosse o raciocínio da Fiscalização, o correto enquadramento dessa operação não seria simulação, mas sim fraude à lei imperativa, pois a alegação é de que a legislação não permite a transferência de créditos tributários, legislação esta que foi fraudado implicitamente em sua visão. Ante o exposto, voto o sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para afastar o enquadramento de simulação da operação equivocadamente realizado pela Fiscalização que, digase de passagem, não deixou claro os critérios por ela adotados para tanto no Auto de Infração. É como voto. Sala de sessões, em 19 de agosto de 2014 Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 3971DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902425/2012-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/09/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/09/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/09/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 25 /2 01 2- 18 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.730, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 31604.19263.161107.1.2.042048, rastreamento nº 029224645, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 3.938,95, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 31/08/2003, efetuado em 15/09/2003, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902425/201218 Acórdão n.º 3802002.580 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/09/2003 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902425/201218 Acórdão n.º 3802002.580 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902425/201218 Acórdão n.º 3802002.580 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902425/201218 Acórdão n.º 3802002.580 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10074.001547/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
TERMO DE RESPONSABILIDADE.
O crédito tributário constituído em Termo de Responsabilidade, quando exigível, segue rito processual próprio, nos termos da legislação positivada, sendo indevida nova constituição do mesmo crédito tributário por meio de Auto de Infração.
Numero da decisão: 3201-001.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 02/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 TERMO DE RESPONSABILIDADE. O crédito tributário constituído em Termo de Responsabilidade, quando exigível, segue rito processual próprio, nos termos da legislação positivada, sendo indevida nova constituição do mesmo crédito tributário por meio de Auto de Infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 02/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 15 47 /2 00 9- 69 Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 25.338.471,98, referente a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação, acompanhados de multas de ofício e juros de mora, decorrentes de inadimplência de condições estabelecidas para o regime de drawback suspensão. Depreendese do Termo de Constatação, anexo ao auto de infração: Que à interessada foi concedido o regime de drawback suspensão, por meio dos Atos Concessórios nº 2003.0194440 e nº 2003.0194407, de 28/11/2003, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O Termo de Constatação do presente processo abrange apenas o Ato Concessório nº 2003.0194407. O procedimento fiscal concluiu que a interessada infringiu a legislação aduaneira ao descumprir requisito essencial para a fruição do benefício do regime de drawback suspensão, fato que ensejou a lavratura do auto de infração do presente processo para cobrança dos tributos anteriormente suspensos na importação dos insumos com seus respectivos acréscimos legais. A interessada registrou as Declarações de Importação de folhas 389 a 391, no valor global de U$ 9.932.363,00, comprometendo se a exportar, em contrapartida, uma embarcação no valor estimado de R$ 15.880.000,00. O Ato Concessório foi registrado pelo Decex em 07/01/2004, com prazo final de validade na data de 25/07/2007. O sistema Drawback Web informa que o Ato Concessório sob análise foi considerado totalmente inadimplente, com base no artigo 162 da Portaria Secex nº 14, de 17/11/2005, sujeito a recurso na forma da Lei nº 9784/99. A competência para conceder o regime e para a regularização de descumprimentos de condições previstas nos atos concessórios é da Secex. Dessa forma, é a Secex o órgão competente para atestar ou não a questão relativa ao adimplemento, pelo beneficiário, do Regime Aduaneiro Especial de DrawbackSuspensão, das obrigações assumidas nos Atos Concessórios. A interessada não comprovou a vinculação física entre os insumos importados e o produto final exportado. Intimada, a interessada não apresentou escrituração válida no Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou controle alternativo que permitisse a perfeita apuração de seu estoque. Assim, não obteve êxito em comprovar que os insumos Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10074.001547/200969 Acórdão n.º 3201001.609 S3C2T1 Fl. 2.163 3 estrangeiros importados sob o regime aduaneiro foram efetivamente empregados no bem final “exportado”. “Sendo assim, uma vez que não houve adimplemento do compromisso de exportação nem adoção, por parte do contribuinte, de qualquer providência descrita no supracitado Artigo 390 do Regulamento Aduaneiro (artigo 342 do R.A. anterior), o II, o IPI, e a Cofins até então suspensos pelo regime especial do “Drawback”, passam a ser exigíveis, conforme previsto em lei, e com os consectários legais devidos, posto que não foram recolhidos de forma espontânea.” Por essas razões foi lavrado o auto de infração do presente processo. Regularmente cientificada por via pessoal (ciência fls. 03, 88, 171, 243, 312 e 325) a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 400 a 412, com os documentos de folhas 413 a 417 anexados, além dos Anexos I a V. A impugnante defende, preliminarmente, que algumas das Declarações de Importação, que registra, foram indevidamente incluídas no auto de infração, pois não possuem relação com o ato concessório em apreço, caracterizando erro material manifesto. Informa que lhe foi concedido o regime de drawback, por parte do Decex, para fins de construção, para a empresa Up Offshore Apoio Marítimo Ltda, de embarcação de apoio marítimo a plataforma de petróleo, denominada Up Água Marinha, casco EI 481. Cumprindo o contrato entregou a citada embarcação dentro do prazo de fruição do regime, conforme comprova a Nota Fiscal nº 0689, de 23/11/205 e o Certificado de Entrega e Aceitação pelo Armador. Alega que, “por falhas operacionais atribuíveis ao DECEX, passou a constar do sistema informatizado daquele órgão – e dele ainda não foi retirada a informação “inadimplente total”, o que não corresponde à realidade, já que a embarcação, repita se, foi entregue no prazo, sendo certo que o DECEX dispõe de tal informação (fls. 383).” Defende que o documento no qual consta a observação sobre o suposto e inexistente inadimplemento traz uma singela e imotivada informação, qual seja: “INADIMPLEMENTO TOTAL, COM BASE NO ARTIGO 162 DA PORTARIA SECEX Nº 14, de 17/11/2004”. Alega que referida portaria foi revogada pela Portaria Secex nº 25/2008 e que não se declinou o motivo de ter havido inadimplemento, pois o bem foi comprovadamente entregue. Defende que há erro de procedimento e que a conclusão não poderia ser outra diferente do ADIMPLEMENTO TOTAL. Alega que, diferentemente do que alega a fiscalização, cabe sim à Autoridade Fiscal verificar a verdade material, com o fim de Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 imprimir liquidez e certeza a seu lançamento, conforme o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. “Assim sendo, não cabe invocar uma submissão inexorável da Autoridade Lançadora ao conteúdo de uma informação lançada erroneamente em um sistema informatizado, cujo próprio órgão administrador de tal informação (o DECEX) reconhece estar o sistema sujeito a falhas operacionais. A atuação pura e simples de tomar o lançamento no SISCOMEX como um antecedente inafastável e não sujeito à mínima crítica, em contraposição a provas explícitas de cumprimento da obrigação, representa, sem dúvida, deixar de apurar a extensão e certeza do crédito tributário.” (sic) O cumprimento do regime está demonstrado: “a. pela apresentação ao DECEX dos requerimentos e documentos de fls. 378 a 388, todos eles ainda sem apreciação nem análise pelo DECEX; b. pela comprovação irrefutável do cumprimento do compromisso vinculado ao benefício fiscal do Drawback, conforme fls. 386 a 388; c. pela real, notória e inegável existência física da embarcação UP ÁGUA MARINHA, casco EI 481 d. pela ausência de decisão motivada pelo DECEX, apta a permitir a interposição de recurso administrativo contra o ato que declarou o “inadimplemento total”. ” Contesta o procedimento da fiscalização de descaracterizar o regime por suposta não vinculação dos produtos importados com o produto final. Alega que a falta do Livro modelo 3 não descaracteriza a verdade material em que fundamenta seu direito, conforme jurisprudência administrativa. Defende que os documentos apresentados comprovam, com muito mais evidência que o exigido pelo Decex, a vinculação dos insumos importados com o produto final. Anexa os controles utilizados. Requer seja julgado improcedente o auto de infração. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou a impugnação procedente, nos termos do Acórdão nº 0720.617, de 30/06/2010, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 TERMO DE RESPONSABILIDADE. O crédito tributário constituído em Termo de Responsabilidade, quando exigível, segue rito processual próprio, nos termos da legislação positivada, sendo indevida nova constituição do mesmo crédito tributário por meio de Auto de Infração. Impugnação Procedente Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10074.001547/200969 Acórdão n.º 3201001.609 S3C2T1 Fl. 2.164 5 Crédito Tributário Exonerado Em razão do disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e da Portaria MF nº 3, de 2008, o presidente da turma julgadora interpôs o recurso de ofício. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído a este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidades previstos na legislação pertinente, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme já relatado, o cerne da divergência ora analisada NÃO é o adimplemento, por parte do EISA Estaleiro Ilha S.A., das condições legais para a fruição do regime de drawback, e sim a validade do auto de infração face à existência de procedimento próprio para a exigência de tributos suspensos em razão de regime especial aduaneiro. Segundo a instância a quo, o auto de infração lavrado para exigir tributos suspensos por força da concessão de regime de drawback é nulo, eis que o termo de responsabilidade assinado pelo beneficiário do regime é título representativo de direito líquido e certo da Fazenda Nacional com relação às obrigações fiscais nele constituídas, nos termos da legislação vigente. Em outras palavras, a instância a quo entendeu que o crédito tributário já estava constituído quando da assinatura do termo de responsabilidade, sendo indevida nova constituição por meio de auto de infração. Confirase o trecho do voto em que isso fica claro: Portanto, estando o crédito tributário já constituído mediante Termo de Responsabilidade, não é de se admitir nova constituição para o mesmo crédito. Ao contrário, as normas especificam com clareza os procedimentos a serem adotados quando da exigência do crédito nele constituído. É o que prescrevem os artigos 760 a 765 do Decreto nº 6.759, de 05/02/2009, Regulamento Aduaneiro, que se transcrevem, in verbis: “Art. 760. O termo de responsabilidade é título representativo de direito líquido e certo da Fazenda Nacional com relação às obrigações fiscais nele constituídas (DecretoLei no 37, de 1966, art. 72, § 2o, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o). Parágrafo único. Não cumprido o compromisso assumido no termo de responsabilidade, o crédito nele constituído será objeto de exigência, com os acréscimos legais cabíveis. Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 Art. 761. A exigência do crédito tributário constituído em termo de responsabilidade deve ser precedida de: I intimação do responsável para, no prazo de dez dias, manifestarse sobre o descumprimento, total ou parcial, do compromisso assumido; e II revisão do processo vinculado ao termo de responsabilidade, à vista da manifestação do interessado, para fins de ratificação ou liquidação do crédito. § 1o A exigência do crédito, depois de notificada a sua ratificação ou liquidação ao responsável, deverá ser efetuada mediante: I conversão do depósito em renda da União, na hipótese de prestação de garantia sob a forma de depósito em dinheiro; ou II intimação do responsável para efetuar o pagamento, no prazo de trinta dias, na hipótese de dispensa de garantia, ou da prestação de garantia sob a forma de fiança idônea ou de seguro aduaneiro. § 2o Quando a exigência for efetuada na forma prevista no inciso II do § 1o, será intimado também o fiador ou a seguradora. Art. 762. Decorrido o prazo fixado no inciso I do caput do art. 761, sem que o interessado apresente a manifestação solicitada, será efetivada a exigência do crédito na forma prevista nos §§ 1o e 2o desse artigo. Art. 763. Não efetuado o pagamento do crédito tributário exigido, o termo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional, para cobrança. Art. 764. A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá, no âmbito de sua competência, editar atos normativos para o disciplinamento da exigência do crédito tributário constituído em termo de responsabilidade. Art. 765. O termo não formalizado por quantia certa será liquidado à vista dos elementos constantes do despacho aduaneiro a que estiver vinculado (DecretoLei no 37, de 1966, art. 72, § 3o, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Na hipótese do caput, o interessado deverá ser intimado a apresentar, no prazo de dez dias, as informações complementares necessárias à liquidação do crédito. § 2o O crédito liquidado será exigido na forma prevista nos §§ 1o e 2o do art. 761.” (destaquei) Notase, assim, que a norma é expressa ao determinar que os créditos tributários constituídos por meio de Termo de Responsabilidade devem observar rito próprio para sua exigência. Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10074.001547/200969 Acórdão n.º 3201001.609 S3C2T1 Fl. 2.165 7 O artigo 766, do mesmo Diploma legal, por sua vez, assim dispõe, in verbis: “Art. 766. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 1972.” (destaquei) Inferese do dispositivo que apenas o crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do Termo de Responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo do tributo devido, é que deve ser formalizado por meio de auto de infração, ou seja, os créditos tributários já constituídos no Termo de Responsabilidade não devem ter nova constituição por meio de Auto de Infração. O suporte legal invocado pela instância a quo não deixa dúvidas de que somente pode ser lavrado auto de infração para a exigência de tributos suspensos por descumprimento das condições do ato concessório do drawback quando o crédito tributário é apurado em procedimento realizado posteriormente à apresentação do termo de responsabilidade, com o objetivo de imputar penalidade ao depositário ou ajustar o cálculo dos tributos devidos. No caso concreto, a fiscalização não relatou qualquer prática de ato ilícito, por parte da Interessada, que pudesse lhe ocasionar a imputação de penalidade, nem tampouco contestou o cálculo dos tributos suspensos. Com efeito, a lavratura do auto de infração mostra se realmente indevida. Finalmente, convém esclarecer que a disciplina da cobrança do crédito tributário constituído em termo de responsabilidade remonta às Instruções Normativas SRF nº 84, de 1998, e 117, de 2001, que recebeu uma roupagem mais moderna ao ter o seu conteúdo consolidado no Regulamento Aduaneiro de 2009. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida in totum. Registrese, por oportundo, que a autoridade preparadora deverá confirmar o status do ato concessório referente ao presente processo administrativo à vista das informações trazidas pela Recorrente às efls. 2.156/2.161. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 8 Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906303/2012-92
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2011
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 03 /2 01 2- 92 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2011 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906303/201292 Acórdão n.º 1802003.269 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917829/2011-95
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851. Relatório e Voto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 82 9/ 20 11 -9 5 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917829/201195 Resolução nº 3802000.169 S3TE02 Fl. 145 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da nãohomologação de compensação. Aduziu a Recorrente que a origem do crédito seria decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Informa que a contribuição em tela foi apurada sobre a “receita bruta”, com base no dispositivo referenciado ainda em vigor. Com a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo acima, que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, houve por bem a recorrente efetuar uma revisão contábil interna, ocasião em que se constatou recolhimento a maior da contribuição no período mencionado. Sustenta ainda que a decisão do STF deve ser reproduzida pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). Aduz a prescindibilidade da retificação da DCTF, apresentando, ao final, documentação contábil e fiscal, bem como demonstrativo do débito. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, proceda a análise de toda documentação apresentada, pugnando pela juntada posterior de documentos, bem como, sendo necessária, a conversão do julgamento em diligência. É o Relatório. Por conter matéria de competência deste Colegiado, estando o crédito pleiteado dentro do seu limite de alçada e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Como se sabe, o §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da Fl. 145DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917829/201195 Resolução nº 3802000.169 S3TE02 Fl. 146 3 classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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