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Numero do processo: 11020.720073/2008-65
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação não fazem parte da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme o que restou decidido pelo STF, com repercussão geral, no julgamento do RE 606.107/RS.
PIS NÃO CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO.
Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. EMPILHADEIRAS. UTILIZAÇÃO APÓS O PROCESSO PRODUTIVO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se enquadram no conceito de insumo as despesas incorridas após findo o processo produtivo, que não estejam elencadas nas exceções do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.
MANUTENÇÃO MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESPESAS. FALTA COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO E DA SUA ESSENCIALIDADE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA.
A não comprovação de que determinadas despesas mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, impede o creditamento. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.575
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, tão somente, para excluir as receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS a terceiros da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS. Vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deram provimento integral.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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RESSARCIMENTO. Recorrente SAN MARINO (CHIES CHIES E CIA LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação não fazem parte da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme o que restou decidido pelo STF, com repercussão geral, no julgamento do RE 606.107/RS. PIS NÃO CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. EMPILHADEIRAS. UTILIZAÇÃO APÓS O PROCESSO PRODUTIVO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não se enquadram no conceito de insumo as despesas incorridas após findo o processo produtivo, que não estejam elencadas nas exceções do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. MANUTENÇÃO MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESPESAS. FALTA COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO E DA SUA ESSENCIALIDADE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 73 /2 00 8- 65 Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 11020.720073/200865 Acórdão n.º 3002000.575 S3C0T2 Fl. 1.163 2 A não comprovação de que determinadas despesas mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, impede o creditamento. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, tão somente, para excluir as receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS a terceiros da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS. Vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deram provimento integral. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1046.303 da DRJ/POA, que manteve a glosa de créditos de PIS não cumulativa, com os quais a contribuinte visava o seu ressarcimento, sob os fundamentos de que a contribuinte não incluiu na base de cálculo da contribuição valores recebidos a título de cessão a terceiros de créditos de ICMS, de que os gastos com combustíveis e lubrificantes, usados nas empilhadeiras, não davam direito ao creditamento, assim como as despesas com manutenção de máquinas e equipamentos. Analisando as argumentações apresentadas pela contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre julgoua parcialmente procedente, por decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 11020.720073/200865 Acórdão n.º 3002000.575 S3C0T2 Fl. 1.164 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS . A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a edição dos arts.7º, 8º e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA CONCESSÃO SEGUNDO PREVISÃO E REGULAMENTAÇÃO. Os créditos da contribuição não cumulativa devem ser concedidos e negados nos termos da previsão legal e regulamentação normativa sobre o assunto. FRETE SOBRE COMPRAS. INSUMOS. Comprovado que os valores glosados se referem a frete sobre compras de insumo, devem ser objeto de ressarcimento, pois compõem o insumo da contribuinte, nos termos da legislação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 1091/1120), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando fatos e argumentos já apresentados. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 11020.720073/200865 Acórdão n.º 3002000.575 S3C0T2 Fl. 1.165 4 Uma das lides postas nos autos se configura como sendo a obrigatoriedade ou não da inclusão na base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS das receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS a terceiros. Assim, devese esclarecer que ocorreu, ao longo do tempo, desde a prolação do Acórdão recorrido uma mudança de entendimento do judiciário sobre esse tema. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 606.107/RS, relatado pela Ministra Rosa Weber, submetido à sistemática do art. 543B do antigo CPC (Repercussão Geral), decidiu que é inconstitucional a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS não cumulativas sobre os valores recebidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS, conforme se constata da ementa do citado julgamento: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 11020.720073/200865 Acórdão n.º 3002000.575 S3C0T2 Fl. 1.166 5 terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (grifo nosso) Por outro lado, o art. 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF determina que as decisões definitivas de mérito Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 11020.720073/200865 Acórdão n.º 3002000.575 S3C0T2 Fl. 1.167 6 proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B do antigo Código Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ......................................................................................................... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, há que se reconhecer o direito da contribuinte à reversão das glosas realizadas, referentes à cessão de créditos de ICMS. A outra questão fundamental a ser discutida na presente lide se refere ao direito de creditamento na sistemática da não cumulatividade das contribuições para o PIS e a Cofins, assim, entendo oportuno tecer alguns comentários sobre os fundamentos que irão embasar este voto. O regime de incidência não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003. Em seus arts. 3º e §§, ambas as leis tratam das possibilidades de apropriação de créditos. Da simples leitura dos dispositivos legais citados, constatase que as hipóteses de creditamento no âmbito dessas contribuições possuem uma abrangência específica e diversa das legislações que regulamentam outros tributos. Em especial, o termo "insumo" não se amolda a definição restritiva presente na legislação sobre o IPI, como também não contempla um sentido tão amplo a ponto de incluir todos os custos e despesas necessárias à atividade empresarial, como no caso do IRPJ. Necessitase, então, a construção de diretrizes particulares na análise dos elementos geradores de crédito dessas contribuições. Na busca desse desiderato, a jurisprudência desta Corte foi elaborando, ao longo do tempo, premissas importantes a serem consideradas, como no Acórdão nº 9303 006.083, de 12 de dezembro de 2017, da lavra do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas: "O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 11020.720073/200865 Acórdão n.º 3002000.575 S3C0T2 Fl. 1.168 7 elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais." (grifo nosso) Embora o entendimento principal esposado acima seja majoritário atualmente no CARF, corrente autodenominada intermediária, mesmo entre seus adeptos, a aplicação prática desse conceito não é pacífica. Assim, temos que uns vislumbram que basta o insumo ser utilizado no processo produtivo para fazer jus ao crédito, outros entendem ser necessário a utilização direta desse insumo na produção, outros, ainda, preconizam que tal insumo deve ser indispensável. A meu sentir, a exigência mais correta a ser feita para que um determinado gasto seja classificado como um insumo, para o fim de creditamento disposto na legislação do PIS e da Cofins não cumulativas, é a essencialidade, tal qual foi manifestada no voto do Exmo. Ministro Mauro Campbell Marques no julgamento do REsp nº 1.246.317/MG: "Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante." (grifo nosso) Ademais, tal entendimento foi ratificado pelo Ministro no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR: "Daí minha divergência, pois tenho posição um pouco mais restrita, onde deve ser realizado o "teste de subtração" do insumo a fim de verificar a sua essencialidade ao processo produtivo". (grifo nosso) Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 11020.720073/200865 Acórdão n.º 3002000.575 S3C0T2 Fl. 1.169 8 Nesse passo, creio que o bem ou serviço para ser considerado como insumo, além da necessidade de ser utilizado especificamente no processo produtivo, mesmo que não entre em contato direto com o produto, deve ser essencial à produção do bem ou à prestação do serviço. Em outras palavras, o insumo para ser apreciado como essencial ao processo, quando submetido ao teste de subtração, deve inviabilizar a obtenção do bem ou, ao menos, retirarlhe significativamente a qualidade. Para além da corrente intermediária do conceito de insumo, temos outra que considera que a legislação criadora da não cumulatividade para as contribuições enumerou um rol taxativo dos bens e serviços passíveis de serem considerados insumos com vista ao creditamento. Dessa forma, fora das hipóteses legalmente previstas, não haveria a possibilidade da apropriação de créditos. Tal entendimento pode ser observado no excerto do voto condutor do Acórdão nº 9303006.717, de 15 de maio de 2018, da lavra do Eminente Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal: "Como já tive a oportunidade de expressar em outras ocasiões, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso." (grifo nosso) A princípio, tais correntes parecem antagônicas ou, ao menos, incompatíveis. Contudo, a meu ver, existe a possibilidade de reconciliação. Primeiramente, entendo oportuno transcrever o art. 3º da Lei 10.833/2003, que trata do creditamento na sistemática da Cofins não cumulativa. Repisese que a legislação referente ao PIS tem dispositivo semelhante: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 11020.720073/200865 Acórdão n.º 3002000.575 S3C0T2 Fl. 1.170 9 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) ......................................................................................................... (grifo nosso) A partir da leitura do dispositivo transcrito, percebese que, embora todos os incisos tratem das possibilidade de apropriação de créditos, eles podem ser divididos em duas espécies diferentes: os basilares, aqueles que determinam quais as hipóteses fundamentais para a geração de crédito (bens para revenda e insumos na prestação de serviços ou na produção) e os extravagantes, aqueles que explicitam hipóteses que, a princípio, não podem ser Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 11020.720073/200865 Acórdão n.º 3002000.575 S3C0T2 Fl. 1.171 10 enquadradas na definição de insumo, logo, por isso, não dariam direito ao creditamento ou, ao menos, teriam uma aplicação mais restrita. Assim, por exemplo, os custos, encargos e despesas nas operações de venda não podem ser caracterizados como insumos, pois, por óbvio, ocorrem após a produção do bem. Com efeito, por mais essenciais que sejam à atividade empresarial, não fazem parte do processo produtivo, mas do processo de comercialização. Contudo, nesse caso, por vontade do legislador, a armazenagem e o frete nas operações de venda dão direito a crédito. Dessa forma, entendo que a legislação que instituiu a sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e para a COFINS elencou um rol taxativo, contudo, não de bens e serviços considerados como insumo, mas, justamente, daquilo que, mesmo não sendo insumo, faz jus ao creditamento. Por conseqüência do que foi dito, voltando às operações de venda, fora a armazenagem e o frete, não há possibilidade de reconhecimento de crédito de mais nenhuma despesa ou custo incorridos nessas operações, a contrario sensu., por expressa determinação legal. Então, tomemos o caso das embalagens para transporte, sobre as quais vários ilustres Conselheiros reconhecem o direito ao creditamento, data venia, penso exatamente o oposto. Considerandose que tais embalagens não são insumos para a produção do bem, pois utilizadas somente após o término de sua elaboração, logo, muito menos o são insumos essenciais, embora sejam fundamentais ao processo de comercialização, e considerandose que tais dispêndios não estão elencados no rol taxativo do art. 3º, a meu sentir, não geram direito a crédito na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições. A partir dos fundamentos assentados anteriormente, podemos resumir os requisitos necessários para que um gasto seja passível de geração de crédito da seguinte forma: a) geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; b) são considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração; c) para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Feita essa introdução, passemos a análise específica do presente processo. Quanto às aquisições de combustíveis e lubrificantes para uso em empilhadeiras, o contribuinte alega que são essenciais ao processo produtivo e, por isso, fazem jus ao creditamento das contribuições. Pela redação dada ao inciso II, do art. 3ª, da Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, percebese que existe a possibilidade de combustíveis e lubrificantes gerarem crédito na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições, entretanto, para tal, esses produtos precisam ser, direta ou indiretamente, insumos essenciais ao processo de produção de um bem ou serviço. Assim, há que se perquirir em que contexto são utilizadas as empilhadeira, que consomem os combustíveis e lubrificantes em questão. Nesse desiderato, transcrevese excerto da peça recursal da contribuinte (fl. 1112): "(...) Impossível passarmos essa incumbência para os operários, pois, além de impossível o carregamento dos materiais por Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 11020.720073/200865 Acórdão n.º 3002000.575 S3C0T2 Fl. 1.172 11 pessoas, devido ao grande peso, seria totalmente arriscado para o produto final esse transporte informal, havendo presente, neste caso, a grande possibilidade de prejudicar/extraviar o produto durante o manuseio." (grifo nosso) Embora a contribuinte tenha deixado de descrever mais detalhadamente o seu processo produtivo, constatase pelo trecho negritado que as empilhadeiras são utilizadas para o transporte do produto final, acabado, ou seja, após a conclusão de sua fabricação. Dessa maneira, resta claro que os combustíveis e lubrificantes consumidos por essas empilhadeiras não podem ser considerados insumos ao processo produtivo, uma vez que são, em realidade, utilizados após a conclusão desse processo. Assim, há que se manter as glosas dos créditos, referentes às despesas com combustíveis e lubrificantes. Quanto às despesas com manutenção de máquinas e equipamentos, melhor sorte não assiste à contribuinte. Como dito anteriormente, a ora recorrente deixou de descrever mais detalhadamente seu processo produtivo e, por outro lado, também deixou de especificar quais seriam essas máquinas e equipamentos e qual o seu emprego no processo produtivo, a fim de que este Colegiado pudesse analisar a sua pertinência e essencialidade. Nessa toada, lembremos que o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. No caso concreto, pedido de ressarcimento, a contribuinte não se desincumbiu de provar a utilização de máquinas/equipamentos no processo produtivo, muito menos sua essencialidade, logo, deixou de comprovar a certeza e a liquidez do suposto crédito. Portanto, também há que se manter as glosas dos créditos, referentes às despesas com manutenção de máquinas e equipamentos. Desse modo, por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 1172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002449/2005-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
Os rendimentos sujeitos ao ajuste anual se enquadram no conceito de lançamento por homologação, iniciando-se a contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador: 31 de dezembro do ano-calendário analisado.
Numero da decisão: 2401-005.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente ALEXANDRE GRASSON MOREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. Os rendimentos sujeitos ao ajuste anual se enquadram no conceito de lançamento por homologação, iniciandose a contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador: 31 de dezembro do anocalendário analisado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de auto de infração de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 602/603, anoscalendário 2000 a 2004, que apurou imposto suplementar de R$ 193.464,08, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada omissão de rendimentos caracterizada pela não comprovação da origem dos recursos utilizados em depósitos bancários. O contribuinte, regularmente intimado, não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 24 49 /2 00 5- 14 Fl. 650DF CARF MF Processo nº 13839.002449/200514 Acórdão n.º 2401005.880 S2C4T1 Fl. 651 2 comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nos depósitos efetuados nas contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras. Em impugnação apresentada às fls. 611/615, o contribuinte alega decadência do crédito tributário referente ao período de 01/99 a 11/2000 e questiona a multa no valor de 150%. A DRJ/SPOII, julgou o lançamento procedente, conforme Acórdão 1727.963 de fls. 632/637, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003_, 2004, 2005 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/OI/I997. A Lei n.° 9.430/1996, vigente a partir de 01/0l/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. DECADÊNCIA. O prazo para o Fisco efetuar o lançamento do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos pelas pessoas físicas e' de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA PROPORCIONAL PASSÍVEL DE REDUÇÃO. No caso de lançamento de oficio, é aplicada a multa: de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto, em decorrência de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e/ou declaração inexata. Será concedida redução de cinqüenta por cento da multa de lançamento de oficio, ao contribuinte que, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação e de quarenta por cento se, no mesmo prazo, requerer o parcelamento do débito. Lançamento procedente Cientificado do Acórdão em 3/11/08 (Aviso de Recebimento AR de fl. 641), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/12/08, fls. 642/645, em síntese: Preliminarmente, alega que o arrolamento ou depósito deixou de ser condição para prosseguimento do recurso voluntário. Entende que os fatos geradores de 01 a 11/2000 estão fulminados pela decadência. Afirma que aplicável ao caso o disposto no CTN, art. 150, § 4º, pois o lançamento se dá por homologação, devendo o lapso ser contado a partir do fato gerador. Cita jurisprudência. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 13839.002449/200514 Acórdão n.º 2401005.880 S2C4T1 Fl. 652 3 Afirma que declarou o IRPF do anocalendário 2000 e acabou por fazer antecipações de pagamento. Requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE Conforme despacho de fl. 649, o recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. Realmente, como alega o recorrente, não há necessidade de arrolamento de bens ou depósito, para prosseguimento do recurso. DECADÊNCIA Para os rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a Lei 9.250/95, art. 7º e art. 13, parágrafo único, dispõem que: Art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Art. 13. O montante determinado na forma do artigo anterior constituirá, se positivo, saldo do imposto a pagar e, se negativo, valor a ser restituído. Parágrafo único. Quando positivo, o saldo do imposto deverá ser pago até o último dia útil do mês fixado para a entrega da declaração de rendimentos. Tais dispositivos legais conferem ao imposto sobre a renda os contornos de um lançamento por homologação, aplicandose então, para se apurar a decadência, o comando do CTN, art. 150, § 4º: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Fl. 652DF CARF MF Processo nº 13839.002449/200514 Acórdão n.º 2401005.880 S2C4T1 Fl. 653 4 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No caso dos rendimentos submetidos à tributação no ajuste anual, a data de ocorrência do fato gerador corresponde ao dia 31 de dezembro de cada anocalendário. No presente caso, o fato gerador mais remoto ocorreu em 31/12/2000, começando nesta data a fluir o prazo decadencial de cinco anos. Assim, a fiscalização teria até 31/12/05 para efetuar o lançamento. Como a ciência do sujeito passivo ocorreu em 22/11/05, não há que se falar em decadência. Logo, sem razão o sujeito passivo. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 653DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.913377/2012-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/11/2007 a 30/11/2007
PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP.
Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO.
Inexistindo efetiva comprovação das transferências realizadas aos entes públicos, não poderão os Municípios deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP eventuais repasses.
Numero da decisão: 3001-000.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/11/2007 a 30/11/2007 PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. Inexistindo efetiva comprovação das transferências realizadas aos entes públicos, não poderão os Municípios deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP eventuais repasses.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 102 1 101 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.913377/201234 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.656 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria DCOMP COMPENSAÇÃO PASEP CRÉDITOS Recorrente MUNICÍPIO DE SÃO LEOPOLDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/11/2007 a 30/11/2007 PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. Inexistindo efetiva comprovação das transferências realizadas aos entes públicos, não poderão os Municípios deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP eventuais repasses. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 33 77 /2 01 2- 34 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 103 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 88 a 92) interposto contra a decisão consubstanciada no Acórdão 0444.504, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS DRJ/CGE, referente ao julgamento realizado em 29.11.2017 (efls. 62 a 84). Da decisão de 1ª instância O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo os termos do Despacho Decisório Nº de Rastreamento 043236410 emitido em 01.02.2013 (efls. 02 a 05). Cuja ementa transcrevese, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/11/2007 a 30/11/2007 PASEP. MUNICÍPIOS. SUJEITO PASSIVO. O Município, pessoa jurídica de direito público, é sujeito passivo e contribuinte do PASEP, sujeitandose à referida exação. O contribuinte da exação instituída no inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, são as pessoas jurídicas de direito público, sendo ela, como um todo, que deve recolher o tributo sobre todas as suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/11/2007 a 30/11/2007 DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da síntese dos fatos Por bem retratar e sintetizar a realidade fática, adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida, verbis: Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório (do Sistema de Controle de Créditos SCC) No Rastreamento 043236410, anexo às fls. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 104 3 02/04, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo/RS DRF/NHO em 01/02/2013, no qual foi Não homologada a compensação do débito de PASEP (código 3703), constante da Declarações de Compensação DCOMP anexa às fls. 50/54. Tratase de declaração de compensação da contribuição Pasep (fls. 50/54), transmitida eletronicamente em 24/04/2012, com base em crédito de Pagamento Indevido ou a Maior da própria contribuição ao Pasep (código 3703), recolhido para o período de apuração novembro de 2007. De acordo com o Despacho Decisório citado, "A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Assim, diante da inexistência de crédito, a Compensação declarada na DCOMP foi Não Homologada. Como enquadramento legal foi colocado: "Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Cientificado do Despacho Decisório em 19/02/2013 (AR às fls. 55), o Interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 21/03/2013. A Unidade de origem se manifestou em Despacho, às fls. 58, pela tempestividade da manifestação de inconformidade. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em 21/03/2013 o Interessado apresentou sua irresignação e documentação anexa (fls 06 e segs.), firmada por procurador habilitado, segundo a qual, resumidamente, afirma: I DOS FATOS ∙ Informa que, no segundo semestre de 2011, a Receita Federal do Brasil realizou auditoria nas contas do Município, oportunidade na qual, dentre outros assuntos, verificou que o Município não estava se utilizando de possíveis deduções no cálculo quando do recolhimento a título de PASEP, o que gerou um saldo que poderia ser compensado em relação aos futuros recolhimentos. A partir de então, além das deduções mensais, o Município passou, aos poucos, a compensar créditos dos últimos cinco anos, através de PER/DCOMP, conforme procedimento orientado pela própria RFB. ∙ Ocorre que, para a surpresa, o Município foi intimado de inúmeros Despachos Decisórios, dandolhe ciência de que as compensações não haviam sido homologadas, posto que estavam sendo realizadas de forma indevida, e que os "débitos indevidamente compensados" deveriam ser pagos de maneira corrigida e acrescida de juros e multa. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 105 4 Sendo assim, o Município busca levar à apreciação deste Órgão Julgador as compensações declaradas para as quais pugna sejam homologadas II DO DIREITO II.1 DA PRELIMINAR Da suspensão da Exigibilidade ∙ Pugna que um dos efeitos decorrentes do recebimento da presente manifestação seja a manutenção da suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário impugnado, em seu valor total (não homologado), forte no §11, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 C/C inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. II.2 DO MÉRITO ∙ Aduz que a fundamentação do Despacho Decisório ora impugnado é no sentido de que não foi encontrado crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP, a partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP originário. Todavia, cumpre observar que as compensações pleiteadas pelo Município aqui impugnante, foram executadas em harmonia à normatização de regência, motivo pelo qual se pugna pela homologação das mesmas. ∙ Ressalta que, em setembro de 2011, a Receita Federal do Brasil realizou auditoria nas contas do Município, oportunidade na qual, dentre outros assuntos, verificou que o mesmo não estava se utilizando de possíveis deduções na composição da base de cálculo quando do recolhimento a título de PASEP, o que gerou um saldo financeiro passível de compensação em relação aos futuros recolhimentos. A partir de então, além das deduções mensais, o Município passou, aos poucos, a compensar créditos dos últimos cinco anos, através de PER/DCOMP, conforme procedimento orientado pela própria RFB. ∙ Esclarece que as deduções de que o Município passou a se utilizar foram as transferências efetuadas a outras entidades públicas da Administração Indireta, fonte no artigo 7º da Lei nº 9.715/1998, conforme demonstram os documentos já juntados aos autos. Isto porque as transferências financeiras do executivo para entidades da administração indireta podem ser deduzidas, em virtude do fato que estas deverão compor a base de cálculo daquelas entidades, evitando assim o pagamento em duplicidade do PASEP. ∙ Defende que tendo o Município apurado crédito não prescrito passível de compensação, utilizouo na compensação de débito em relação aos futuros recolhimentos, a teor do que dispõe a legislação tributária. Desta forma, discorda da fundamentação do Despacho Decisório, vez que o crédito objeto de compensação é decorrente da dedução que o Município passou a fazer em relação à PER/DCOMP originária, razão pela qual Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 106 5 pugna pela homologação da compensação, e, subsidiariamente, indique a RFB as eventuais correções que deverão ser realizadas para a regularização do procedimento quanto à compensação realizado pelo Município. Finaliza com o seguinte Pedido: À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação objeto de questionamento. Subsidiariamente, indique a RFB as eventuais correções que deverão ser realizadas para a regularização do procedimento quanto à compensação realizado pelo Município. Por fim, protesta pela juntada de demais provas em direto admitidas, em especial, dada a natureza da demanda, a documental. Grifado no original. É o relatório. Do recurso voluntário Irresignado com a decisão recorrida, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repete os argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade, porquanto reproduz, ipsis litteris, idênticas razões de defesa perante este colegiado ad quem. Do encaminhamento O presente processo digital foi encaminhado em 26.02.2018 para ser analisado por este Carf (efl. 97), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O recurso voluntário atende aos pressupostos extrínsecos de admissibilidade, pois há regularidade formal e respeito ao trintídio legal de que trata o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 PAF, na medida que foi apresentado em 03.01.2018, conforme observase do carimbo de protocolo aposto, por servidor lotado na ARF/São Leopoldo, em sua "Folha de Rosto"; após ciência do acórdão recorrido, verificada em 14.12.2017, conforme colhese, conjuntamente, do "Termo de Intimação ARF/SLO nº 501/2017" e Aviso de Recebimento "AR" dos Correios, juntados às efls. 86/87. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 107 6 Da competência para julgamento do feito Observo, com espeque no artigo 23B, Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015 RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, a competência deste Colegiado para prosseguir no feito. Do mérito Da adoção da decisão recorrida como fundamento Dispõe o parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, do RICARF, com a redação dada Portaria MF nº 329, de 2017, verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) Da fundamentação No caso presente, verificandose que o recorrente reitera perante este colegiado, ipsis litteris, os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade, ao amparo no permissivo regimental acima reproduzido, por concordar, in totum, com os argumentos do voto condutor da lavra do Relator Antonio César de Campos, com a devida licença, adotoo, por seus próprios fundamentos, como razão de decidir no presente julgado. Razão pela qual cito trechos do Acórdão recorrido, verbis: Voto (...) 1.2 DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO IMPUGNADO. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 108 7 Em preliminar, a impugnante pleiteia, em sua manifestação, a manutenção da suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário impugnado, em seu valor total (não homologado). A título de esclarecimento, com o recurso/manifestação apresentado, passaram a estar suspensos todos os assuntos/valores cuja compensação não foi homologada. Com efeito, constatase que a Unidade de Origem juntou nos autos, extrato deste processo às fls. 54, no qual foi informada a situação de Contestação do resultado da análise da Compensação pleiteada. 1.3 DO MÉRITO. Com relação ao mérito, o Manifestante alega que as transferências financeiras do executivo para entidades da administração indireta podem ser deduzidas, em virtude do fato que estas deverão compor a base de cálculo daquelas entidades, evitando assim o pagamento em duplicidade do PASEP. Constatase que as deduções pleiteadas pelo Manifestante, a quais geraram o crédito de Pasep por pagamento Indevido/ a Maior, referemse aos valores de transferências ao Hospital Centenário e os repasses ao IAPS (Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Servidores Públicos do Município de São Leopoldo), no mês de julho 2007. Tal conclusão pode ser tirada dos demonstrativos acostados aos autos, fls. 19 e 20, dos demonstrativos contábeis apresentados, fls. 21 a 47, e também pelos maiores detalhes e documentos trazidos no Processo nº 11065.720866/201244, do mesmo Contribuinte, que trata do mesmo assunto em outros períodos e também analisado por esta Turma da DRJ/Campo Grande/MS. Passase, então, à análise da questão. A Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público Pasep foi instituída pela Lei Complementar nº 8, de 03 de dezembro de 1970. Nos termos desse diploma legal, são contribuintes do Pasep a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios, bem como suas autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações. O artigo 2º da LC nº 08/70 assim dispõe: Art. 2º. A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 109 8 julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subsequentes. II Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971, 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo, da União, dos Estados, através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. Ao tempo da ocorrência dos fatos geradores ora discutidos, ano calendário de 2007, a incidência de tal contribuição se efetivou em consonância com as inovações introduzidas pela Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, com alterações promovidas pela Medida Provisória nº 2.15835/01, e conforme regulamentado pelo Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que assim dispõem: Lei nº 9.715/98 Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: [...] III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. [...] Art. 7º Para efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art. 8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: [...] III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Decreto nº 4.524/2002 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 110 9 Art. 70. As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º). § 1º Não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. § 2º Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. No caso da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, portanto, a base de cálculo do Pasep é composta pelas receitas correntes arrecadadas, transferências correntes destinadas à manutenção e funcionamento de serviços e transferências de capital destinadas a investimentos, recebidas de outras entidades da Administração Pública. Além disso, poderão ser deduzidas da base de cálculo as transferências que tais contribuintes destinarem a outras entidades da Administração Pública, evitandose, com isso, a dupla tributação. Ocorre que acerca do tema central da controvérsia, a base de cálculo do Pasep, foi exarada a Solução de Consulta da Coordenação Geral de Tributação Cosit nº 278, de 01 de junho de 2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 06 de junho de 2017, (disponível na íntegra no sítio eletrônico da Receita Federal do Brasil (RFB) <http://idg.receita.fazenda.gov.br/>), que nos termos do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 2013, tem efeito vinculante no âmbito da RFB em relação à interpretação a ser dada à matéria. De acordo com o art. 96 do Código Tributário Nacional CTN, a expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Por sua vez, segundo estabelece o art. 100, I, do mesmo Código, são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, entre os quais se incluem as instruções normativas e os atos declaratórios expedidos pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (SRF), atual Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Orientações e/ou definições contidas em atos normativos, por serem normas complementares da legislação tributária (art. 100 do CTN) e refletirem o entendimento da Administração tributária, devem ser seguidas pelas Delegacias da Receita Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 111 10 Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do disposto no inciso V do art. 7º da Portaria nº 341, de 12/07/2011, do Ministro de Estado da Fazenda (disposição que constava no art. 7º da Portaria nº 58, de 17/03/2006, do Ministro de Estado da Fazenda): Art.7º. São deveres do julgador: [...] V. observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Cabe aos atos normativos expedidos por autoridade administrativa, como normas complementares da lei que são, orientar, detalhar, esmiuçar a lei, para melhor entendimento e cumprimento por parte do contribuinte. O Código Tributário Nacional, em seu art. 106, estabelece hipóteses nas quais se aplica a retroatividade da lei a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. [grifo nosso] Assim, são plenamente aplicáveis a casos pretéritos normas de cunho interpretativo, a qual é o caso da Solução de Consulta da Coordenação Geral de Tributação Cosit nº 278. Considerando a precisão e profundidade com que foi tratado o assunto bem como a sua total adequação ao litígio ora em julgamento, adoto os fundamentos lá expostos, em sua integralidade, como razão de decidir, transcrevendo os trechos da mencionada Solução de Consulta relevantes para o esclarecimento do presente feito, a seguir: “EMENTA: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ENTES PÚBLICOS. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUINTES. OPERAÇÕES Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 112 11 INTRAGOVERNAMENTAIS E INTERGOVERNAMENTAIS. REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. AUTARQUIAS. FUNDAÇÕES PÚBLICAS. CONSÓRCIOS PÚBLICOS. As transferências intergovernamentais podem se constituir em transferências constitucionais ou legais ou em transferências voluntárias: a) as transferências intergovernamentais constitucionais ou legais estão abrangidas pela regra do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor excluir os valores transferidos de sua base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário dos recursos deve incluir tais montantes na base de cálculo da sua contribuição; b) transferências intergovernamentais voluntárias estão abrangidas pelo § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor manter os valores transferidos voluntariamente na base de cálculo de sua Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário deve excluir tais montantes de sua base de cálculo. (...) Os recursos do FUNDEB e do SUS consistem em transferências intergovernamentais constitucionais ou legais operacionalizadas de modo indireto. Em casos específicos, os recursos do SUS podem ser descentralizados via transferências voluntárias. O § 6º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, ordena que a União retenha, por meio da Secretaria do Tesouro Nacional, os valores a serem transferidos a outros entes, podendo esses valores ser excluídos da contribuição devida desses últimos. (...) Fundamentos (...) 12. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep dos entes públicos em geral (a partir daqui tratada por Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais), bem como algumas de suas regras específicas, estão estabelecidas na Lei nº 9.715, de 1998, in verbis: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (…) Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 113 12 III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (…) § 3º Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. (grifo nosso) (…) § 6º A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido (Incluído pela Lei nº 12.810, de 2013) (…) Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. (grifo nosso). Art. 8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (…) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. 13. As receitas correntes, as transferências correntes e as transferências de capital, elementos que compõem a base de cálculo da supracitada contribuição, estão conceituadas na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964: Art. 11 A receita classificarseá nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 1982) § 1º São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 114 13 ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. (…) Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: (…) § 2º Classificamse como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. (…) § 6º São Transferências de Capital as dotações para investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público ou privado devam realizar, independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços, constituindo essas transferências auxílios ou contribuições, segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especialmente anterior, bem como as dotações para amortização da dívida pública. 14. Fazse mais que pertinente recorrer ao conceito de pessoas jurídicas de direito público interno, entes sobre os quais incide a contribuição em análise. Segundo a Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil Brasileiro), são pessoas jurídicas de direito público interno: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I a União; II os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III os Municípios; IV as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº 11.107, de 2005) V as demais entidades de caráter público criadas por lei. 15. As transferências ou repasses de recursos entre entes públicos podem derivar de contraprestação em bens ou serviços ou podem possuir natureza meramente financeira (independem de qualquer tipo de contraprestação). 16. De outra banda, essas transferências ou repasses podem ocorrer no âmbito do mesmo ente público ou entre entes governamentais distintos. Quando ocorrem no âmbito do mesmo ente federativo, podese classificálos Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 115 14 em operações intraorçamentárias e transferências intragovernamentais; quando ocorrem entre entes federativos distintos, denominamse transferências intergovernamentais. OPERAÇÕES INTERGOVERNAMENTAIS 17. As transferências intergovernamentais compreendem as transferências de um ente público (ente transferidor) a outro (ente recebedor). Elas ocorrem entre entes federativos distintos. Podem ser divididas em transferências constitucionais ou legais e em transferências voluntárias. 18. Para a correta aferição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, quando da ocorrência de operações intergovernamentais, é necessário o esclarecimento de alguns pontos da legislação. 19. Nos termos do inciso III do caput do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais corresponde às receitas correntes arrecadadas e às transferências correntes e de capital recebidas pelas pessoas jurídicas de direito público interno. 20. Vêse que a lei adotou uma visão orçamentária para a receita pública, exigindo que os valores sejam incluídos na base de cálculo da entidade que se apropriar dos recursos. Nesse contexto, o art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, ao referenciar o inciso III do art. 2º dessa mesma Lei, quis especificálo quanto a duas situações: 20.1. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública: a primeira parte do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, veio a esclarecer que a receita tributária, que é espécie das receitas correntes (§ 1º do art. 11 da Lei nº 4.320, de 1964), deve ser alocada a quem de fato ficará com os recursos oriundos da receita. Ora, ele corrobora o inciso III do art. 2º da mesma Lei nº 9.715, de 1998, por isso se remete a ele. Portanto, se um ente federativo arrecadar a receita tributária, mas os recursos forem transferidos a outra entidade por lhe pertencerem, a entidade recebedora dos recursos deve inserir tais valores em sua base de cálculo. Aqui ocorreu nada mais que uma transferência corrente, que o próprio inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, já exige que seja incluída na base de cálculo da contribuição em voga devida pela entidade recebedora; 20.2. E deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas: a segunda parte do art. 7º da Lei nº Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 116 15 9.715, de 1998, que permite a dedução por parte da entidade transferidora dos valores repassados a outros entes, vem a complementar um aspecto operacional do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, que ordena que as transferências correntes e de capital recebidas sejam incluídas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do ente beneficiário. Ora, as transferências intergovernamentais ocorrem mediante um ente transferidor que entrega os recursos a outro, o ente recebedor. A lei ordena, portanto, que quem recebe as transferências deve inserir os valores em sua base de cálculo (inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998) e quem transfere esses recursos deve excluir tais valores para fins de apuração da contribuição. A sistemática vai ao encontro da regulamentação do tributo, pois se a entidade recebedora fosse obrigada a incluir os valores das transferências recebidas em sua base de cálculo e a entidade transferidora não pudesse excluir os valores transferidos quando da apuração da exação, a contribuição incidiria duas vezes sobre o mesmo valor, o que não deve ocorrer segundo explicita o parágrafo único do art. 68 do Decreto nº 4.524, de 2002, reproduzido abaixo: ... 20.3.1. É notável a preocupação da Lei Complementar nº 8, de 1970, no sentido de que não se incida a Contribuição para o Pasep duas vezes quando da ocorrência das transferências intergovernamentais, tanto quando permite a dedução das transferências efetuadas a outras entidades públicas, como quando ressalta que sobre as transferências não recairá mais de uma contribuição em nenhuma hipótese. Portanto, a sistemática dessa legislação é consentânea com todo o raciocínio exposto nos itens 17.1 e 17.2, ratificandoos. Grifo nosso 20.4. Quanto ao § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, ele estabeleceu uma regra específica em relação à sistemática já exposta. Para o seu entendimento, cabe conceituarmos mais uma vez as transferências intergovernamentais e especificarmos suas espécies. Segundo a Secretaria do Tesouro Nacional STN (Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público MCASP, 2014, 7ª ed.): As Transferências Intergovernamentais compreendem a entrega de recursos, correntes ou de capital, de um ente (chamado “transferidor”) a outro (chamado “beneficiário”, ou “recebedor”). Podem ser voluntárias, nesse caso destinadas à cooperação, auxílio ou assistência, ou decorrentes de determinação constitucional ou legal. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 117 16 (…) 3.6.4.3. Transferências Constitucionais e Legais Enquadramse nessas transferências aquelas que são arrecadadas por um ente, mas devem ser transferidas a outros entes por disposição constitucional ou legal. (…) 3.6.4.4. Transferências Voluntárias Conforme o art. 25 da Lei Complementar nº 101/2000, entendese por transferência voluntária a entrega de recursos correntes ou de capital a outro ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira, que não decorra de determinação constitucional, legal ou os destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em termos orçamentários, a transferência voluntária da União para os demais entes deve estar prevista no orçamento do ente recebedor (convenente), conforme o disposto no art. 35 da Lei nº 10.180/2001, que dispõe: Art. 35. Os órgãos e as entidades da Administração direta e indireta da União, ao celebrarem compromissos em que haja a previsão de transferências de recursos financeiros, de seus orçamentos, para Estados, Distrito Federal e Municípios, estabelecerão nos instrumentos pactuais a obrigação dos entes recebedores de fazerem incluir tais recursos nos seus respectivos orçamentos. No entanto, para o reconhecimento contábil, o ente recebedor deve registrar a receita orçamentária apenas no momento da efetiva transferência financeira, pois, sendo uma transferência voluntária, não há garantias reais da transferência. Por esse mesmo motivo, a regra para transferências voluntárias é o beneficiário não registrar o ativo relativo a essa transferência (grifo nosso). ... 20.6. Assim, podese concluir que o legislador preferiu não inserir as transferências voluntárias na apuração mensal para fins da base de cálculo da contribuição, já que a receita de transferência só estará configurada quando de seu efetivo recebimento pela entidade beneficiária. Nesse caso, os recursos, quando de seu efetivo repasse, já foram tributados na entidade transferidora por meio de suas receitas correntes arrecadadas. Por esse motivo é que as transferências voluntárias devem ser encaradas como uma exceção à regra prevista no inciso III do art. 2º, conjugado com o art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, pois tais transferências Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 118 17 acabam por serem tributadas na entidade transferidora e, quando o efetivo repasse ocorrer, devem ser excluídas da base de cálculo da entidade recebedora, para que não haja dupla tributação dos recursos em obediência ao parágrafo único do art. 68 do Decreto nº 4.524, de 2002. Grifouse ... OPERAÇÕES INTRAGOVERNAMENTAIS 23. As transferências ou repasses de recursos no âmbito do mesmo ente federativo podem se dar por meio de transferências intragovernamentais ou operações intraorçamentárias. 23.1. Transferências intragovernamentais, nomenclatura adotada por esta Solução de Consulta, referemse às transferências ou repasses de recursos no âmbito do mesmo ente federativo. Elas ocorrem quando da descentralização orçamentária e financeira. 23.2. Quanto às operações intraorçamentárias, a própria consulente informa em seu Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP, 7ª edição, 2016, p. 293) que “operações intraorçamentárias são aquelas realizadas entre órgãos e demais entidades da Administração Pública integrantes do orçamento fiscal e do orçamento da seguridade social do mesmo ente federativo. Por isso, não representam novas entradas de recursos nos cofres públicos do ente, mas apenas movimentação de recursos entre seus órgãos. As receitas intraorçamentárias são a contrapartida das despesas classificadas na Modalidade de Aplicação “91 Aplicação Direta Decorrente de Operação entre Órgãos, Fundos e Entidades Integrantes do Orçamento Fiscal e do Orçamento da Seguridade Social” que, devidamente identificadas, possibilitam anulação do efeito da dupla contagem na consolidação das contas governamentais.” 23.2.1. Na mesma direção, a Portaria Interministerial STN/SOF nº 338, de 2006, expõe em seu art. 1º: Portaria Interministerial STN/SOF nº 338 de 26/04/2006 Art. 1º Definir como intraorçamentárias as operações que resultem de despesas de órgãos, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais dependentes e outras entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social decorrentes da aquisição de materiais, bens e serviços, pagamento de impostos, taxas e contribuições, quando o recebedor dos recursos também for órgão, fundo, autarquia, fundação, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 119 18 empresa estatal dependente ou outra entidade constante desses orçamentos, no âmbito da mesma esfera de governo. 23.3. Para fins da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, as duas formas de repasses de valores públicos no âmbito do mesmo ente federativo devem ter tratamento tributário diferente. 23.4. De um lado, quanto às transferências intragovernamentais, elas ocorrem entre pessoas jurídicas de direito público no âmbito do mesmo ente federativo ou entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica de direito público. Daí também derivam dois tratamentos distintos: 23.4.1. Quando as transferências intragovernamentais ocorrerem entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica, o que atualmente ocorre através da descentralização da execução orçamentária e financeira, não haverá impacto para a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, dado que o contribuinte é a pessoa jurídica (inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998), sendo suas movimentações internas de recursos anuláveis quando da apuração da base de cálculo da exação. Assim, devese considerar as receitas correntes arrecadadas e as transferências correntes e de capital recebidas da pessoa jurídica e não de seus órgãos ou fundos para fins de apuração do tributo em voga. Grifouse 23.4.2. Quando as transferências intragovernamentais ocorrerem entre pessoas jurídicas de direito público no âmbito do mesmo ente federativo, o tratamento tributário para fins da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep deve ser idêntico ao dispensado às transferências intergovernamentais, haja vista que em ambos os casos ocorreram transferências correntes e de capital entre entidades públicas (§ 2º e § 6º do art. 12 da Lei nº 4.320, de 1964), o que configura a situação descrita na parte final do art. 7º ou no § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. Dessa forma, deve seguir a mesma regra de inclusão ou exclusão dos valores, a depender do tipo de transferência efetuada (se transferência constitucional ou legal ou se transferência voluntária). Grifouse 23.4.3. Importante repisar mais uma vez que o contribuinte da exação instituída no inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, são as pessoas jurídicas de direito público, sendo ela, como um todo, que deve recolher o tributo sobre todas as suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. Grifouse Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 120 19 ... 23.5. De outro lado, quanto às operações intraorçamentárias, elas não estão abrangidas pelo conceito de transferência corrente e de capital da Lei nº 4.320, de 1964, haja vista que se realizam através de contraprestação em bens e serviços ou simplesmente decorrem do pagamento de alguma obrigação da entidade. Grifouse 23.5.1. A título de maiores explicações, a consulente informa nas Perguntas e Respostas aos seus Manuais que: As despesas intraorçamentárias ocorrem quando órgão, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais dependentes e outras entidades integrantes do orçamento fiscal e da seguridade social efetuam aquisições de materiais, bens e serviços, realizam pagamento de impostos, taxas e contribuições, além de outras operações, quando o recebedor dos recursos também for órgão, fundo, autarquia, fundação, empresa estatal dependente ou outra entidade constante desse orçamento, no âmbito da mesma esfera de governo. Ocorre despesa intraorçamentária, por exemplo, quando o Ministério da Saúde órgão integrante do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social da União, apropria uma obrigação com a Imprensa Nacional, que também pertence ao Orçamento Fiscal e da Seguridade Social da União. Observase que no momento da apropriação da obrigação ocorre uma despesa intraorçamentária no Ministério da Saúde e no momento do recebimento, pela Imprensa Oficial, ocorre uma receita intraorçamentária. Portanto, ocorrendo uma despesa intraorçamentária, obrigatoriamente ocorrerá uma receita intraorçamentária em órgão integrante do Orçamento Fiscal e Seguridade Social, mas em virtude da despesa ser reconhecida no momento da apropriação e a receita no momento da arrecadação, os registros não ocorrerão no mesmo momento. As despesas intraorçamentárias não se aplicam às descentralizações de créditos para execução de ações de responsabilidade do órgão, fundo ou entidade descentralizadora, efetuadas no âmbito do respectivo ente da Federação, assim como não implicam no restabelecimento das extintas transferências intragovernamentais. (Perguntas e Respostas STN, 2014, p. 14).(grifos nossos) 23.5.2. Destarte, as operações intraorçamentárias correntes não devem ser encaradas como transferências para fins da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, não podendo o ente transferidor dos recursos abater de sua base de cálculo os valores transferidos a outras entidades Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 121 20 públicas, não estando sujeitas, portanto, à parte final do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. 23.5.3. Dessa forma, caso a operação intraorçamentária ocorra entre entes com personalidade jurídica de direito público, apesar de os valores já terem sofrido tributação em um momento anterior, o ente recebedor dos recursos deve tratálas como receitas correntes (que não a espécie transferências) e inserilas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais devida por ele. Já o ente transferidor não pode deduzir tais valores de sua base de cálculo dessa contribuição, haja vista que não se trata de transferências correntes e de capital. 23.5.4. Considerando todo o posicionamento no que tange às operações intraorçamentárias, consideramse respondidos os itens “a”, “c” e “d”. 24. Importante ressaltar que os fenômenos devem ser interpretados à essência do exposto nessa Solução de Consulta, não estando subordinado a aspectos ou registros contábeis. Nesse contexto, ainda é de suma importância ressaltar que as transferências de recursos entre entes ou entidades públicas devem ter o tratamento descrito nos itens anteriores, independentemente da forma como ocorram operacionalmente. REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RPPS) 25. No que tange aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), suas receitas devem ser inseridas ou não na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais de acordo com todo o conteúdo já exposto. Tendo em vista a explanação anterior de que o contribuinte do tributo são as pessoas jurídicas de direito público interno como um todo e do tratamento das operações intraorçamentárias, a questão “k” considerase respondida. ... 25.2. As fontes de financiamento dos RPPS constituemse notoriamente da contribuição patronal dos entes federativos e da contribuição dos segurados ativos, inativos e pensionistas. Outras receitas são também fonte de custeio de tais regimes, como as receitas decorrentes de investimentos e patrimoniais e da compensação financeira previdenciária. 25.3. A contribuição dos servidores aos RPPS está incluída no conceito de receita corrente. Se assim não fosse, não poderia se constituir em dedução do somatório das receitas tratadas pela Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, para fins de delimitação do conceito de Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 122 21 receita corrente líquida. É o que se pode inferir da leitura do art. 2º da LC nº 101, de 2000, ora denominada Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF): Art. 2º Para os efeitos desta Lei Complementar, entendese como: [...] IV receita corrente líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes, deduzidos: a) na União, os valores transferidos aos Estados e Municípios por determinação constitucional ou legal, e as contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. 195, e no art. 239 da Constituição; b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional; c) na União, nos Estados e nos Municípios, a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira citada no § 9º do art. 201 da Constituição (grifo nosso). 25.4. O motivo pelo qual o legislador excluiu na alínea “c” do art. 2º supracitado a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira foi para dar um tratamento específico a ela. Isso é corroborado pelo inciso IV do art. 50 da mesma lei, que diz que “as receitas e despesas previdenciárias serão apresentadas em demonstrativos financeiros e orçamentários específicos”. 25.5. O fato de a contribuição dos servidores ao RPPS se constituir em uma receita corrente ainda é corroborado pelo próprio Ministério da Previdência Social: (…) As operações correntes dos RPPS estão contempladas nos seguintes subgrupos de contas: (a) receitas correntes: contribuições retidas dos segurados; os recebimentos de parcelamento de débitos previdenciários...(LIMA, Diana Vaz de; GUIMARÃES, Otoni Gonçalves. Contabilidade aplicada aos regimes próprios de previdência social. Brasília: MPS, 2009.). 25.6. A Receita Federal do Brasil (RFB) já se manifestou sobre o caso. Portanto, é mais que cabível mencionar fragmento do Despacho Decisório nº 1 SRRF01/Disit, de 12 de janeiro de 2010: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 123 22 21. Em relação à contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social devese observar que a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000), que define Receita Corrente Líquida como o somatório de todas as receitas correntes deduzidas: 1) As transferências constitucionais, conforme disposto na Seção VI Repartição das Receitas Tributárias, e ainda as mencionadas nos incisos I e II do art. 195 e o art. 239 da Constituição; 2) A contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira mencionada no § 9º, art. 201 da Constituição Federal. 22. A partir dessa definição, podese inferir que, legalmente, a contribuição dos servidores é classificada como uma “receita corrente”, em função disso, deve também integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. 23. Aplicandose esses conceitos ao caso concreto apresentado, temse que: (i) as receitas provenientes das contribuições previdenciárias dos servidores e órgãos patronais constituem receitas correntes; (ii) as receitas direcionadas ao custeio e manutenção do RPPS, constituem transferências correntes; e (iii) os rendimentos das aplicações financeiras constituem outras receitas. Portanto, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.715/98, todos esses valores devem integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. 25.7. Quanto à contribuição previdenciária patronal aos RPPS, também há posicionamento da RFB, que pode ser verificado por meio da Solução de Consulta nº 66 SRRF04/Disit, de 10 de dezembro de 2010, que em sua ementa deixa claro que: As receitas correntes relativas à contribuição previdenciária patronal (ainda que esta seja arrecadada por outra entidade da administração pública) e dos servidores públicos, bem como os rendimentos financeiros provenientes da aplicação destas no mercado, integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep devida, na espécie, por autarquia estadual que administra o respectivo regime próprio de previdência social. Ressaltese, outrossim, que as autarquias não são contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários (grifos nossos). 25.8. As contribuições patronais recebidas pelos RPPS são, na essência, operações intraorçamentárias, pois o ente público transfere para o fundo os recursos e em troca, espera uma contraprestação para seus servidores Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 124 23 na forma de benefícios previdenciários. Portanto, os recursos transferidos devem ser encarados dessa forma. O MCASP (6ª edição, 2014, p. 249) vem corroborar com o enquadramento quando afirma que o pagamento da contribuição patronal constitui uma despesa intraorçamentária para o ente e uma receita intraorçamentária para o RPPS. 25.9. A classificação das demais receitas do RPPS para fins de inclusão ou não na base de cálculo da contribuição deve ser feito à luz dessa Solução de Consulta, sempre tendo em vista que qualquer espécie de receita corrente compõe a base de cálculo do tributo. Dessa forma, considerase respondido o item “l”. ... AUTARQUIAS 26. O § 3º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, institui uma regra específica para as autarquias, nos seguintes moldes: Lei nº 9.715, de 1998 Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (…) § 3º Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. 26.1. O dispositivo ordena que as receitas do Tesouro Nacional, assim classificadas nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social, não sejam incluídas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais apurada pelas autarquias. Dessa forma, o ente transferidor, no caso a União, deve sofrer a tributação da contribuição em relação aos seus recursos alocados às autarquias. Com isso, considerase satisfeito o item “b”. ... Conclusão 29. Diante do exposto, conquanto os questionamentos apresentados pela consulente tenham sido respondidos ao longo do texto, apresentamse as conclusões abaixo. 30. As transferências de recursos podem ser intergovernamentais ou intragovernamentais, e a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais varia conforme a espécie de transferência de recursos. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 125 24 31. As transferências intergovernamentais podem se constituir em transferências constitucionais ou legais ou em transferências voluntárias: a) As transferências intergovernamentais constitucionais ou legais estão abrangidas pela regra do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor excluir os valores transferidos de sua base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário dos recursos deve incluir tais montantes na base de cálculo da sua contribuição; b) As transferências intergovernamentais voluntárias estão abrangidas pelo § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor manter os valores transferidos voluntariamente na base de cálculo de sua Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário deve excluir tais montantes de sua base de cálculo. 32. A transferência ou repasse de recursos no âmbito do mesmo ente federativo pode se dar por meio de transferências intragovernamentais ou operações intraorçamentárias. Grifouse 32.1. Quanto às transferências intragovernamentais: a) Quando as transferências intragovernamentais ocorrerem entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica, os valores não terão impacto na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais devida pela entidade pública que aglomera os órgãos ou fundos envolvidos; Grifouse b) Diferentemente, quando as transferências intragovernamentais envolvem diferentes entidades dotadas de personalidade jurídica de direito público, o tratamento a ser dispensado dependerá da espécie de transferência que esteja sendo efetivada, se constitucional ou legal ou se voluntária (as regras são idênticas às das transferências intergovernamentais). 32.2. Nas operações intraorçamentárias, o ente transferidor não pode excluir de sua base de cálculo os valores transferidos, por não se sujeitarem à parte final do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. O ente recebedor dos recursos também não pode excluir as Receitas Intraorçamentárias Correntes de sua base de cálculo, pois os valores recebidos não se enquadram como transferências para fins da Lei nº 4.320, de 1964, e do art. 7º retromencionado. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 126 25 Assim, face à Solução de Consulta Cosit nº 278, de 01 de junho de 2017, entendo como correta que nas transferências intragovernamentais entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica, o que atualmente ocorre através da descentralização da execução orçamentária e financeira, não haverá impacto para a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, dado que o contribuinte é a pessoa jurídica (inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998). No caso em questão, smj, não foi devidamente esclarecido a respeito da personalidade jurídica das entidades recebedoras dos valores. Contudo, concluise pelos autos, sem sombra de dúvidas, se tratarem de transferências intragovernamentais voluntárias, a respeito das quais, a conclusão da Solução de Consulta Cosit nº 278, é taxativa no sentido de que: As transferências intergovernamentais voluntárias estão abrangidas pelo § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor manter os valores transferidos voluntariamente na base de cálculo de sua Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário deve excluir tais montantes de sua base de cálculo. Portanto, no caso concreto o município de São Leopoldo Prefeitura, pessoa jurídica de direito público interno, é sujeito passivo e contribuinte do PASEP, respondendo também pelas transferências voluntárias que realizar. Por seu turno, o Parecer Normativo nº 1, de 21 de maio de 1996, editado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, orienta que as pessoas jurídicas de direito público sujeitamse às contribuições para o PIS/PASEP (grifei): Entidades públicas que recebem transferências correntes e de capital de outras entidades públicas têm suscitado dúvidas sobre a determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP, tendo em vista as normas que sucederam a publicação da Resolução nº 49, baixada pelo Senado Federal, em 9 de outubro de 1995. (...) 3. Da leitura dos arts. 2º, 3º, 7º e 8º, da citada Medida Provisória, observase que as pessoas jurídicas de direito público ou privado, alinhadas a seguir, sujeitamse à referida exação, tendo base de cálculo e alíquota distintas, segundo suas características e peculiaridades: (...) 3.3 Pessoas jurídicas de direito público interno (União, Estados, Distrito Federal, Municípios e suas autarquias) base de cálculo: o valor mensal das receitas correntes Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 127 26 arrecadadas, inclusive as que tenham sido arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade dentre as citadas, e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas; alíquota: um por cento.” (grifei) Nesta mesma conformidade, o art. 2º da Lei n.º 9.715/983 impõe a obrigatoriedade da contribuição mensal ao PASEP aos sujeitos passivos nele relacionados, abrangendo as pessoas jurídicas de direito público interno, que devem calcular a contribuição com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Destarte, a própria Constituição Federal prevê os referidos entes como sujeitos passivos das contribuições sociais, conforme disposto em seu art. 195, e § 1º. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 1º As receitas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios destinadas à seguridade social constarão dos respectivos orçamentos, não integrando o orçamento da União. Não se pode olvidar que a jurisprudência administrativa caminha no mesmo sentido, conforme exemplifica o Acórdão do antigo Conselho de Contribuintes, atualmente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, cuja ementa segue abaixo (grifei): Ementa PASEP. SUJEITO PASSIVO. MUNICÍPIO. LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DO CNPJ DA PREFEITURA. LEGALIDADE. No lançamento do Pasep cujo sujeito passivo é o Município, a pessoa jurídica de direito público contribuinte da Contribuição, deve ser empregado o CNPJ do órgão Prefeitura Municipal, posto que o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica emitido em nome deste órgão identifica com precisão aquela pessoa jurídica. Recurso de Ofício provido, com restabelecimento do lançamento e retorno dos autos à DRJ, para apreciação do mérito. (Segundo Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 20311773, Processo 10280003116200659, Data 25/01/2007) Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 128 27 Vejamos que tal entendimento também é externado pelo e. TRF3 (grifei): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. AUTARQUIA MUNICIPAL. NATUREZA TRIBUTÁRIA NO PERÍODO POSTERIOR À CONSTITUIÇÃO DE 1988. EXIGIBILIDADE. 1. A partir da vigência da Constituição Federal de 1988, a contribuição ao PASEP adquiriu feição tributária. Com essa natureza jurídica, desapareceu o caráter facultativo da adesão que estava previsto na Lei Complementar nº 08/70, que, neste particular, não foi recepcionada (ou foi revogada) pela Constituição da República de 1988. 2. A obrigação tributária é uma obrigação "ex lege", que decorre imediatamente da lei, sendo irrelevante a vontade do contribuinte para determinar o seu nascimento. A obrigação tributária não nasce por acordo de vontades, ou mesmo por força da vontade unilateral do Fisco ou do sujeito passivo, mas por imposição legal cogente. 3. Nesses termos, desde 1988, o dever de recolhimento da contribuição ao PASEP tornouse inafastável para os Municípios, assim como para suas autarquias. 4. Precedentes do STF e deste Tribunal. 5. Honorários advocatícios fixados de acordo com os parâmetros do art. 20, § 4º, do CPC. 6. Remessa oficial a que nega provimento. (TRF3 REOAC: 9008 SP 2000.61.12.0090080, Relator: JUIZ CONVOCADO RENATO BARTH, Data de Julgamento: 18/07/2007, TERCEIRA TURMA) Dessa forma, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), concluise que deve a RFB não homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Em que pese não ser competência das DRJ indicar, pela RFB, as eventuais correções que deverão ser realizadas para a regularização do procedimento quanto à compensação, conforme solicitado pelo Contribuinte, esperase que a fundamentação ora trazida seja útil ao Interessado à título de esclarecimentos pertinentes ao caso. (...) Da conclusão Desta feita, amparado pelo parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017, conheço do Recurso Voluntário e no mérito voto por julgálo improcedente, para manter o Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, por inexistência de crédito, e não homologou a compensação constante da(s) DCOMP em análise. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11065.913377/201234 Acórdão n.º 3001000.656 S3C0T1 Fl. 129 28 (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10467.900339/2011-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.997
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que indeferira o pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI e não homologara a compensação declarada, em razão do fato de que os créditos do IPI se referiam a aquisições de insumos empregados na produção de águas minerais, classificadas na TIPI como NT (Não Tributadas), tratandose de produto fora do campo de incidência do imposto. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte reiterou seu pedido de ressarcimento, com base no princípio da não cumulatividade, inclusive na saída de produtos imunes, conforme doutrina e julgados que citou. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 67 .9 00 33 9/ 20 11 -4 5 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10467.900339/201145 Resolução nº 3301000.997 S3C3T1 Fl. 3 2 A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que não alcançava os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) o direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que repetiu os argumentos incluídos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.992, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10467.900230/201299, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.992): Os autos foram instruídos com o Despacho Decisório n° 022397195 (fl. 24), em que consta um número de processo de crédito diferente do número do presente processo, qual seja, 10467900.232/201288. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário combatem um outro Despacho Decisório, o de número 022397178 (fls. 27 e 46 manifestação de inconformidade), no qual, porém, consta como processo de crédito o número do presente: 10467.900230/201299. Os valores dos créditos e correspondentes débitos (considerados como não liquidados, em razão das glosas) são distintos (fl. 24 R$ 14.230,94 / R$ 10.363,10, e fl. 46 R$ 16.942,93 / R$ 15.794,67), porém dizem respeito a ressarcimento de créditos de IPI do 2° trimestre de 2007. O Acórdão da DRJ (fls. 79 a 86) trata da controvérsia, sem, todavia, citar o número do Despacho Decisório ou da folha dos autos em que se encontrava ou mesmo do valor do crédito em discussão. Isto posto, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que o presente processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares (ex: informação fiscal, relatório de auditoria fiscal etc.) concernentes ao presente processo (10467.900230/201299). Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo para manifestações. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10467.900339/201145 Resolução nº 3301000.997 S3C3T1 Fl. 4 3 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares (ex: informação fiscal, relatório de auditoria fiscal etc.) concernentes ao presente processo. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo para manifestações. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001079/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103.
Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindo-se valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017.
FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO E/OU DECLARAÇÃO.
A falta ou insuficiência de recolhimento e/ou declaração da Cofins, apurada em regular procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais.
Numero da decisão: 3401-005.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, e não conhecer do recurso de ofício, por não ter sido superado o limite de alçada, nos termos da Súmula CARF 103.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindo-se valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO E/OU DECLARAÇÃO. A falta ou insuficiência de recolhimento e/ou declaração da Cofins, apurada em regular procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindose valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO E/OU DECLARAÇÃO. A falta ou insuficiência de recolhimento e/ou declaração da Cofins, apurada em regular procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, e não conhecer do recurso de ofício, por não ter sido superado o limite de alçada, nos termos da Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 79 /2 00 8- 71 Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 18471.001079/200871 Acórdão n.º 3401005.758 S3C4T1 Fl. 1.296 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratase de Autos de Infração, situados às fls. 145 a 178, que objetivaram formalizar cobrança decorrente da falta de recolhimento de tributos, referentes aos períodos de apuração de 01/2003 a 11/2004 e 01/2005 a 12/2006, totalizando, assim, a cobrança do valor histórico de Cofins de R$ 4.744.746,64, e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), referente ao período de apuração de 01/2003 a 12/2006, ambos apurados pelo regime cumulativo, totalizando, assim, a cobrança do valor histórico de PIS de R$ 1.173.580,16. A contribuinte, cientificada do auto de infração em 17/06/2008, conforme termo de fl. 183, apresentou, em 15/07/2008, tempestiva impugnação situada às fls. 185 e seguintes, na qual alegou, em síntese, que: (i) foram constatadas algumas divergências entre os débitos apurados e aqueles que realmente constam lançados nos Livros Razão a ele apresentados; (ii) os pedidos de prazo foram necessários, pois o período exigido não era recente e tinha acabado de trocar o profissional responsável pela área contábil; (iii) o último termo de intimação e o pedido de prorrogação foram roubados no dia 19/05/2008, conforme Registro de Ocorrência nº 020 02688/2008; (iv) por determinação do responsável pela investigação e lavratura do Registro de Ocorrência não foram discriminados todos os documentos e objetos roubados; (v) após as análises realizadas, foi apurado que os débitos de Cofins totalizam o valor de R$ 171.163,03 e os de PIS o valor de R$ 10.727,97, conforme planilhas anexadas; (vi) devem os valores dos débitos fiscais serem corrigidos. Em 07/02/2013, a 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) prolatou o Acórdão DRJ nº 1252.640, sob a relatoria da AuditoraFiscal Gisele Lima Habib, que julgou parcialmente procedente a impugnação interposta, por unanimidade de votos, nos seguintes termos: a) DECLARAR definitivamente constituído na esfera administrativa, por não impugnado, o crédito tributário lançado referente à Contribuição para o PIS e à Cofins nos respectivos montantes de R$ 9.625,31 e R$ 15.107,00, conforme discriminado nas planilhas constantes do item “210” do voto; b) DECLARAR definitivamente constituída na esfera administrativa, por não impugnada, a multa de ofício incidente sobre os valores não impugnados da Contribuição para o PIS e da Cofins citados no subitem anterior, nos montante de R$ 9.625,31 e R$ 11.330,25, conforme discriminado nas planilhas constantes do item “210” do voto; c) Julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação para: cancelar integralmente os lançamentos efetuados da Contribuição para o PIS referentes aos meses 01/2003 a 03/2004, 05/2004 a 08/2004, 10/2004 a 12/2004, 04/2005, 06/2005 e 12/2005, no montante de R$ 371.319,52, assim como a multa de ofício e os juros de mora correspondentes incidentes sobre crédito tributário exonerado; manter parcialmente os lançamentos efetuados da Contribuição para o PIS referentes aos meses 04/2004, 09/2004, 01/2005 a 03/2005, 05/2005, 07/2005 a 11/2005 e 01/2006 a 12/2006, no montante de R$ 89.320,78, conforme discriminado na planilha constante do item “210” do voto assim como a multa de ofício de 112,50% e os juros de mora correspondentes incidentes sobre Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 18471.001079/200871 Acórdão n.º 3401005.758 S3C4T1 Fl. 1.297 3 crédito tributário mantido; cancelar integralmente os lançamentos efetuados da Cofins referentes aos meses 01/2003 a 06/2003, 08/2003 a 12/2003, 02/2004 a 08/2004, 10/2004, 06/2005, 07/2005, 10/2005 e 12/2005, no montante de R$ 1.480.592,95, assim como a multa de ofício e os juros de mora correspondentes incidentes sobre crédito tributário exonerado; manter parcialmente os lançamentos efetuados da Cofins referentes aos meses 07/2003, 01/2004, 09/2004, 01/2005 a 05/2005, 08/2005, 09/2005, 11/2005 e 01/2006 a 12/2006, no montante de R$ 427.578,48, conforme discriminado na planilha constante do item “210” do voto assim como a multa de ofício de 112,50% e os juros de mora correspondentes incidentes sobre crédito tributário mantido. No que tange aos pagamentos efetuados da Contribuição para o PIS e da Cofins não informados em DCTF, determinou, ainda, a decisão a quo, à Delegacia de origem atentar para o disposto nos itens “35”, “71”, “100” e “127” do voto, nos termos da ementa que abaixo se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO E/OU DECLARAÇÃO. A falta ou insuficiência de recolhimento e/ou declaração da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS NÃO RECOLHIDAS E NÃO DECLARADAS. Na apuração das diferenças não recolhidas e não declaradas da Cofins devem ser considerados todos os valores recolhidos e confessados em PER/DCOMP, ainda que não declarados em DCTF, como também as deduções de retenções efetuadas na fonte informadas em DIPJ e Dacon, registradas na contabilidade e comprovadas em Dirf. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO E/OU DECLARAÇÃO. A falta ou insuficiência de recolhimento e/ou declaração da Contribuição para o PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. ERRO. CANCELAR. É de se cancelar integralmente o lançamento fundamentado em norma diversa da aplicável ao caso concreto. Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 18471.001079/200871 Acórdão n.º 3401005.758 S3C4T1 Fl. 1.298 4 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS NÃO RECOLHIDAS E NÃO DECLARADAS. Na apuração das diferenças não recolhidas e não declaradas da Contribuição para o PIS devem ser considerados todos os valores recolhidos e confessados em PER/DCOMP, ainda que não declarados em DCTF, como também as deduções de retenções efetuadas na fonte informadas em DIPJ e Dacon, registradas na contabilidade e comprovadas em Dirf. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. MATÉRIA TRIBUTÁVEL. APURAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DEVER DA FISCALIZAÇÃO. No momento de se verificar os fatos constitutivos de seu direito de exigir determinada exação fiscal, Fazenda Pública tem o dever de provar o que vier a constituir. LANÇAMENTO EXPRESSAMENTE NÃO IMPUGNADO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Considerase definitivamente constituído na esfera administrativa o lançamento expressamente não impugnado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA DE 112,50% Restando configurado o não atendimento, por parte da contribuinte, à intimação para prestar esclarecimentos, é de se aplicar a multa 112,50% prevista no § 2º, inciso I, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante do cancelamento do crédito tributário, o acórdão foi submetido à apreciação deste Conselho por recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 18471.001079/200871 Acórdão n.º 3401005.758 S3C4T1 Fl. 1.299 5 dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Em 19/07/2013, a contribuinte interpôs recurso que denominou de "impugnação", no lugar do recurso voluntário, situado às fls. 1217 a 1218. Em 24/10/2017, foi proferida a Resolução CARF nº 3401001.193, convertendo o julgamento em diligência, para que a unidade local adotasse as seguintes providências: (i) verifique as alegações de fato concernentes aos reflexos e às diferenças de valores apontadas pelo recurso voluntário às fls. 1217 a 1218, transcritas no voto, cotejandoas com as planilhas e demais documentos trazidos ao presente processo administrativo, intimando, se necessário, a contribuinte, para prestar esclarecimentos; (ii) confeccione “Relatório Conclusivo” da diligência, relativamente à consolidação dos valores resultantes da liquidação do Acórdão DRJ no 1252.640, ajustados com base nos cálculos resultantes da aplicação das alegações do item anterior, prestando, ainda, as informações que julgar pertinentes; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo”, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, após o que, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento no julgamento. Em 19/06/2018, foi proferido relatório fiscal, situado às fls. 1285 a 1288, que opinou pelo não acolhimento das alegações suscitadas pela contribuinte em seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 1. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 2. A decisão recorrida julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte ora recorrente que, por seu turno, insurgiuse unicamente contra questões de fato pontuais que demandam a realização de cálculos que tomem por base o cotejo dos documentos e planilhas trazidos ao conhecimento deste Conselho com os valores lançados pela autoridade fiscal, em conformidade com as fls. 1217 a 1218, o que motivou a baixa em diligência para a análise do quanto alegado. 3. Em 19/06/2018, foi proferido relatório fiscal, situado às fls. 1285 a 1288, que opinou pelo não acolhimento das alegações Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 18471.001079/200871 Acórdão n.º 3401005.758 S3C4T1 Fl. 1.300 6 Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 18471.001079/200871 Acórdão n.º 3401005.758 S3C4T1 Fl. 1.301 7 Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 18471.001079/200871 Acórdão n.º 3401005.758 S3C4T1 Fl. 1.302 8 Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 18471.001079/200871 Acórdão n.º 3401005.758 S3C4T1 Fl. 1.303 9 4. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto, acolhendo o resultado da diligência. 5. O recurso de ofício não preenche os requisitos formais de admissibilidade, como se passa a demonstrar. 6. O acórdão recorrido julgou procedente em parte a impugnação para: Cancelar integralmente os lançamentos efetuados da Contribuição para o PIS referentes aos meses 01/2003 a 03/2004, 05/2004 a 08/2004, 10/2004 a 12/2004, 04/2005, 06/2005 e 12/2005, no montante de R$ 371.319,52, assim como a multa de ofício e os juros de mora correspondentes incidentes sobre crédito tributário exonerado; Manter parcialmente os lançamentos efetuados da Contribuição para o PIS referentes aos meses 04/2004, 09/2004, 01/2005 a 03/2005, 05/2005, 07/2005 a 11/2005 e 01/2006 a 12/2006, no montante de R$ 89.320,78, conforme discriminado na planilha constante do item “210” do voto assim como a multa de ofício de 112,50% e os juros de mora correspondentes incidentes sobre crédito tributário mantido; Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 18471.001079/200871 Acórdão n.º 3401005.758 S3C4T1 Fl. 1.304 10 Cancelar integralmente os lançamentos efetuados da Cofins referentes aos meses 01/2003 a 06/2003, 08/2003 a 12/2003, 02/2004 a 08/2004, 10/2004, 06/2005, 07/2005, 10/2005 e 12/2005, no montante de R$ 1.480.592,95, assim como a multa de ofício e os juros de mora correspondentes incidentes sobre crédito tributário exonerado; Manter parcialmente os lançamentos efetuados da Cofins referentes aos meses 07/2003, 01/2004, 09/2004, 01/2005 a 05/2005, 08/2005, 09/2005, 11/2005 e 01/2006 a 12/2006, no montante de R$ 427.578,48, conforme discriminado na planilha constante do item “210” do voto assim como a multa de ofício de 112,50% e os juros de mora correspondentes incidentes sobre crédito tributário mantido. No que tange aos pagamentos efetuados da Contribuição para o PIS e da Cofins não informados em DCTF, deve a Delegacia de origem atentar para o disposto nos itens “35”, “71”, “100” e “127” do voto. 7. Como se depreende do registro do resultado do julgamento de primeira instância sujeito à reanálise necessária, o montante exonerado foi de R$ 2.368.811,73. 8. Assim, verificase que o valor exonerado pela decisão recorrida, a título de tributos e encargos de multa, não ultrapassou o limite de alçada aplicável à espécie, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), nos termos da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, que dispôs nos seguintes termos, nos termos da Súmula CARF n º 103: Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 18471.001079/200871 Acórdão n.º 3401005.758 S3C4T1 Fl. 1.305 11 9. Assim, o recurso de ofício não preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele não conheço. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1305DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.000153/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador:21/06/2007
RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE.
Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.225
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 01 53 /2 01 1- 06 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.000153/201106 Acórdão n.º 3302006.225 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento da restituição relativa a PIS/Pasep importação e Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação posteriormente retificada, por falta de apresentação de documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro recolhido indevidamente, consoante o art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Segundo a Fiscalização, o referido crédito tributário recolhido quando do registro da DI poderia ter sido compensado pelo importador, nos termos da legislação de regência, independentemente de autorização da Receita Federal RFB. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que o crédito apurado não podia ser objeto de compensação por ser devido no registro de Declaração de Importação, conforme o artigo 74, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, tratandose de uma exceção legal que não proporcionava segurança jurídica para se requerer a compensação sem prévia concordância do Fisco, tendo em vista o entendimento da Fiscalização quanto à necessidade de comprovação da assunção econômica do encargo. Segundo o então Manifestante, não havendo previsão legal de transferência do encargo financeiro, bem como existindo lei que previa o importador como contribuinte, não era cabível a alegação do Auditor Fiscal de que seria devida a comprovação de assunção do encargo financeiro do tributo recolhido. Ainda segundo ele, mesmo que se entendesse válida a discussão acerca da assunção do encargo financeiro, essa só se justificaria em relação ao montante pago referente à mercadoria desembaraçada, inexistindo fato gerador de PIS/Pasep e Cofins relativos a uma importação não ocorrida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07033.714, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentandose também na necessidade de prova de assunção do encargo financeiro dos tributos, com apresentação de documentos, informações e lançamentos contábeis que demonstrassem de forma inequívoca o efetivo suporte desse encargo. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.000153/201106 Acórdão n.º 3302006.225 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.205, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11128.000042/201191, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.205): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperioso destacar que a solução do litígio envolve apenas a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, inexistindo discussão sobre as fatos que geraram o pagamento indevido ou a maior, é o que se extrai do despacho decisório de fls. 5153 e da decisão recorrida, a saber: Despacho decisório Os pleitos referemse a importação de mercadoria a granel onde foi constatada falta em relação às quantidades manifestadas, conforme os Laudos Periciais em anexo aos processos supracitados. Todas as DIs foram objeto de retificação após o desembaraço. Cópias dos respectivos pedidos de retificação (PCI) estão anexadas aos processos. As retificações acima referidas, tendo em vista apuração de falta de mercadoria, demonstram que houve pagamento a maior dos tributos em questão, conforme valores discriminados na relação acima. Ocorre que não foi acostada aos processos acima relacionados documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, consoante o Art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Por outro lado, o crédito tributário referente ao PIS e COFINS recolhido quando do registro da DI poderá ser utilizado pelo importador, conforme a legislação que rege os tributos em questão. Este procedimento independe de autorização da RFB. Tendo em vista o acima exposto, proponho o indeferimento dos pedidos de restituição do PIS e COFINS referentes aos processos acima discriminados. Decisão recorrida Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.000153/201106 Acórdão n.º 3302006.225 S3C3T2 Fl. 5 4 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. E o ônus dessa demonstração não cabe ao Fisco. Os sistemas contábeis e respectivos planos de contas são de livre escolha das empresas e, no caso de pedido que envolva a prova prevista no artigo 166 do CTN, devem os requerentes fazer as devidas e satisfatórias demonstrações à vista de suas opções contábeis. E tais demonstrações, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas. Se a interessada, em sua escrituração fiscal, utilizou, em seu favor, de crédito correspondente ao valor de que agora pretende verse ressarcida, referente a PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, resta impossibilitado o deferimento de seu pedido, em decorrência do duplo aproveitamento de um só crédito de tributo. No presente caso, não há comprovação de que o requisito da norma esteja perfeitamente atendido. Ou seja, não se discute a ocorrência de fatos que ensejaram o pagamento indevido ou maior, mas tão e somente a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, previsto no artigo 166, do CTN, outrora utilizado pela fiscalização para indeferir o pedido de Restituição da Recorrente. A respeito disso, verificase que a decisão recorrida manteve o despacho decisório nos seguintes termos: Em primeiro lugar, cumpre mencionar que a restrição legal imposta à solicitação de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro, encontrase prevista no art. 166 do Código Tributário Nacional CTN, nos seguintes termos: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” No mesmo sentido dispõe a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu art. 6º, nos seguintes termos: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.000153/201106 Acórdão n.º 3302006.225 S3C3T2 Fl. 6 5 “Art. 6º A restituição de quantia recolhida a título de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Das disposições legais transcritas surge o entendimento de que essas alcançam apenas aqueles tributos que comportam a transferência de seu ônus financeiro a terceiros, mediante o registro contábil em conta corrente de débitos e créditos; aqueles cujo contribuinte de fato é o consumidor final, jamais o contribuinte de direito que, embora onerado pelo dever de pagar, não pode, pela própria concepção jurídica desses tributos, suportar economicamente seus encargos. É entendimento que somente os indébitos tributários relacionados a tributos indiretos é que são alcançados pelas disposições contidas no art. 166 do CTN. Assim, o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação são regidos pela nãocumulatividade, estando incluídos no rol dos tributos indiretos, conforme dispõe o art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. Estas contribuições possuem natureza jurídica que comporta a transferência do respectivo encargo financeiro. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005 ) 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.000153/201106 Acórdão n.º 3302006.225 S3C3T2 Fl. 7 6 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. Contudo, entendo que a decisão recorrida merece reforma, posto que os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro, sendo que o sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Essa questão inclusive foi analisada nos autos do PA nº 10909.005708/200842 (acórdão nº 3302004.439), que contou com a participação deste relator, a saber: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/09/2005 a 06/09/2005 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO DA MERCADORIA IMPORTADA POR CONTA E ORDEM ANTES DO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. LEGITIMIDADE ATIVA DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por não comportar a transferência do encargo financeiro, o importador tem legitimidade ativa para pleitear a restituição dos valores indevidos da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação pagos no âmbito da operação de importação por conta e ordem simulada, em que as mercadorias importadas foram objeto de pena de perdimento antes do desembarco aduaneiro e da transferência ao real adquirente. Embargos Rejeitados. Direito Creditório Reconhecido. Neste cenário, deve ser reconhecido o crédito apurado pela Recorrente referente ao PIS/Pasepimportação e a Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.000153/201106 Acórdão n.º 3302006.225 S3C3T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recuso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito apurado referente ao PIS/Pasep importação e à Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.907785/2012-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS.
Afastada a aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo que deve ser considerada para a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins das instituições financeiras é o faturamento, assim entendido como sendo a sua receita operacional, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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ARRENDAMENTO MERCANTIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. Afastada a aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo que deve ser considerada para a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins das instituições financeiras é o faturamento, assim entendido como sendo a sua receita operacional, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 77 85 /2 01 2- 42 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 16327.907785/201242 Acórdão n.º 3301005.506 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo em parte a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de parcelas pagas a maior da Contribuição (PIS/Cofins), pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo que ele decorria da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo o Supremo Tribunal Federal (STF) assegurado que a contribuição devia ser exigida somente em relação ao faturamento da pessoa jurídica, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Segundo o então Manifestante, não havia que se alegar, como a Fazenda Nacional vinha sustentando, que apesar de aplicável às instituições financeiras a referida declaração de inconstitucionalidade, ainda assim seriam devidas as contribuições sobre suas receitas operacionais típicas, que incluíam as receitas financeiras, nos termos do Parecer PGFN/CAT n° 2773/2007, pois inexistia qualquer identidade entre faturamento e a atividade principal dos contribuintes. Ainda de acordo com o contribuinte, essa questão se encontrava naquele momento pendente de decisão pelo STF, sendo que, nos autos do Recurso Extraordinário no 609.096, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, reconheceuse a existência de repercussão geral da matéria, em função do quê, devia ser sobrestado o presente feito até o julgamento final, nos termos do artigo 62A, parágrafos 1º e 2º do Regimento Interno do CARF, como meio de evitar decisões conflitantes e promover economia processual. Argumentou, também, que, mesmo que se entendesse que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras tinham natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento e, portanto, a base de cálculo das contribuições, o pedido de restituição formulado merecia ser parcialmente deferido, já que não podiam integrar a referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolviam intermediação financeira. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 12075.369, julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo o direito de restituição de parcelas da contribuição incidente sobre receitas não operacionais. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 16327.907785/201242 Acórdão n.º 3301005.506 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.494, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.907775/201215, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.494): O Recurso Voluntário interposto face a decisão consubstanciada no Acórdão nº 1275.359 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida ficou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. Afastada a aplicação do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo que deve ser considerada para a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins das instituições financeiras é o faturamento, assim entendido como sendo a sua receita operacional, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas). RECOLHIMENTO A MAIOR. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. RESTITUIÇÃO. Tendo sido constatado que o valor recolhido da Contribuição para o PIS e da Cofins foi apurado sobre a totalidade das receitas auferidas (receitas operacionais + receitas não operacionais) é de se restituir a diferença recolhida a maior. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 SOBRESTAMENTO DO FEITO. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Nas normas que regulam o processo administrativo fiscal não há previsão para sobrestamento do feito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O Contribuinte em seu recurso repisa os argumentos já expostos quando da interposição da manifestação de inconformidade, alegando que diante do pagamento a maior de COFINS tem o direito à restituição, visto que a apuração da contribuição se deu sobre receitas que não decorrem da venda de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, com a inconstitucionalidade do §1º do Art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que ampliava a Fl. 183DF CARF MF Processo nº 16327.907785/201242 Acórdão n.º 3301005.506 S3C3T1 Fl. 5 4 base de cálculo da contribuição ao PIS e COFINS à totalidade das receitas, há o direito de restituição. Assim, o Contribuinte trata por primeiro do indébito tributário em relação à COFINS, para em seguida formular, se caso se entender: (...) que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento e, portanto, a base de cálculo da COFINS, o que se admite apenas para argumentar, quando menos merece ser parcialmente deferido o pedido de restituição formulado, posto que não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. Na decisão recorrida ficou posto o entendimento de que no caso das instituições financeiras, com a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS é o faturamento, sendo este compreendido com a sua receita operacional, com as exclusões previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas). Entendeu também a Turma Julgadora que o Contribuinte faz jus à restituição de valor recolhido a maior, visto que se constatou que o valor recolhido de COFINS foi apurado sobre a totalidade das receitas auferidas (receitas operacionais + receitas não operacionais). Portanto, deuse provimento ao pedido de restituição no montante de R$ 12.058,75 (valor original) e com isso, a base de cálculo da COFINS não abarcou a totalidade das receitas. Entendo que não assiste razão ao Contribuinte, visto que foi considerado na decisão ora recorrida o afastamento de receitas não operacionais que integraram a base de cálculo da COFINS, bem como, considerouse por faturamento as receitas operacionais decorrentes das atividades típicas desenvolvidas pelo Contribuinte. Cito aqui trechos do voto do acórdão ora recorrido, que fundamentam o entendimento da matéria e como razões para decidir: 25. A interessada fundamenta o seu pleito no fato de a sua sucedida ter efetuado o recolhimento da contribuição em questão nos termos da Lei n° 9.718/98, aplicando o disposto no parágrafo 1o do seu art. 3o, dispositivo este, cuja inconstitucionalidade foi posteriormente reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, que entendeu só ser possível a exigência com base no faturamento das empresas, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. 26. Acrescenta que no caso da sua sucedida a Contribuição para o PIS e a Cofins deveriam incidir tão somente sobre o valor constante da rubrica 7.1.7.00.009 – “Rendas de Prest. de Serviços”, que, no período de apuração em questão, é composto somente pelo valor constante da rubrica 7.1.7.99.003 – “Rendas de Outros Serviços”. 27. Ocorre que tal entendimento não reproduz, exatamente, aquele consignado pelo STF, nos RE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, entre outros, nos quais julgou ações de inconstitucionalidade do parágrafo 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998, conforme será visto a seguir. (...) Fl. 184DF CARF MF Processo nº 16327.907785/201242 Acórdão n.º 3301005.506 S3C3T1 Fl. 6 5 29. Da leitura das ementas dos acórdãos dos RE mencionados, entre os quais o RE 346.084/PR, cuja ementa é abaixo reproduzida, verificase que o entendimento do STF se consolidou no sentido de identificar receita bruta com faturamento, correspondendo este à venda de mercadoria e de serviços. Foi considerada inconstitucional a ampliação do conceito de receita bruta pelo parágrafo 1o, do artigo 3o da Lei 9.718/98, pelo fato de incluir todas as receitas independentemente da atividade desenvolvida pela pessoa jurídica e da classificação contábil dos ingressos. (...) 30. Nos debates que então se desenvolveram na sessão do Tribunal Pleno que julgou o RE 346.084/PR, acima citado, os Ministros explicitaram seu entendimento sobre a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins, no sentido da identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida como resultante de sua atividade principal. 31. Neste diapasão, o Ministro César Peluso (fls. 1253 e 1254 do RE 346.084/PR) expressou o entendimento de que receita bruta é sinônimo de faturamento, assim entendido, como sendo a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa, in verbis: (...) 32. Ainda nessa direção, o Ministro Carlos Britto afirmou (fl.1350 do RE 346.0846/PR) a identidade entre faturamento e receita operacional, sendo esta constituída por ingressos que decorram da razão social da empresa, que foi o sentido de faturamento expresso no artigo 2o, da Lei Complementar 70/91, in verbis: (...) 33. Assim, diante das manifestações dos Ministros do STF, é de se concluir que toda pessoa jurídica que possui ingressos decorrentes de sua atividade típica tem receita operacional, que corresponde ao faturamento ou receita bruta que a Lei Complementar no 70/91 e a Lei no 9.718/98 elegeram como base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. 34. Nos termos do art. 17 da Lei no 4.595, de 31/12/1964, que veio dispor sobre a política e as instituições monetárias, bancárias e creditícias, criou o Conselho Monetário Nacional e deu outras providências, as instituições financeiras têm como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Eis o que diz a norma: “Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.” 35. Assim, de acordo com o entendimento dos Ministros do STF, no que se refere às instituições financeiras, todo rendimento que decorra de qualquer uma destas atividades, estaria sujeito à incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins, por tratar de receitas típicas da atividade destas instituições. 36. Esse também é o entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, consignado em seu Parecer PGFN/CAT/No 2773/2007, exarado em resposta à consulta efetuada pela Secretaria da Receita Federal, por intermédio da Nota Técnica Cosit no 21, de 28 de agosto de 2006, acerca da natureza jurídica das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros à luz do acórdão do STF no Recurso Extraordinário 357.9509/RS, por meio do qual esse Tribunal reconheceu a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. 37. O referido Parecer adota o entendimento segundo o qual a jurisprudência do STF traduzse na tributação, pela Contribuição para o PIS e pela Cofins, das Fl. 185DF CARF MF Processo nº 16327.907785/201242 Acórdão n.º 3301005.506 S3C3T1 Fl. 7 6 receitas operacionais, quais sejam: aquelas provenientes da atividade de exploração da empresa. Seguem abaixo transcritos excertos desse Parecer: “33. Com efeito, o conceito de serviços não se limita àqueles assim caracterizados na legislação e na doutrina especificamente bancárias, na qual as atividades das instituições financeiras, em geral, discriminadas entre operações bancárias (em síntese, relacionadas à intermediação financeira) e serviços bancários (estes, em síntese, relacionados à prestação direta de serviços pelas instituições a seus usuários, clientes ou não, e normalmente remunerados sob a forma de tarifas). 34. Cabe registrar que a conceituação de serviços para fins tributários não é tema de direito privado não se lhe aplicando, para fins exegéticos, os arts. 109 e 110 do CTN. Efetivamente, o art. 109 do CTN delimita com rigor a separação entre o direito tributário e o privado e o art. 110 trata das limitações inerentes à legislação tributária, no entanto, os institutos de direito privado não se confundem com os efeitos que as normas tributárias lhe atribuem. 35. Tal conceito (de serviços) compreende a totalidade das atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras em torno do seu objeto social legalmente tipificado – ou seja, compreendendo tanto as “operações” quanto os “serviços” bancários/financeiros, como caracterizado no item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado na Rodada Uruguai do GATT (1994) e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994. (...) 42. O mesmo é válido para o caput do art. 17 da Lei no 4.595, de 1964. Se não for possível entender que as atividades de coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros e a custódia de valor de propriedade de terceiros são serviços, e que a natureza jurídica de instituições financeiras é a de prestadora de serviço, restará prejudicado também este dispositivo legal.” (grifouse) 38. O Anexo sobre Serviços Financeiros do GATS, em seu item 5, assim dispõe: 5. Definições: Para os fins do presente Anexo: a) Por serviço financeiro se entende todo serviço financeiro oferecido por um prestador de serviço de um Membro. Os serviços financeiros incluem os serviços de seguros e os relacionados com seguros e todos os serviços bancários e demais serviços financeiros (excluídos seguros). Os serviços financeiros incluem as seguintes atividades: Serviços de seguros e relacionados com seguros i) Seguros diretos (incluindo coseguros): A) seguro de vida; B) outros seguros; ii) Resseguros e retrocessão; iii) Atividades de intermediação de seguros, tais com corretagem e agência; iv) Serviços auxiliares aos seguros, tais como consultoria, atuaria, avaliação de riscos e indenização de sinistros. Serviços bancários e demais serviços financeiros (excluídos seguros) v) Aceitação de depósito e outros fundos reembolsáveis do público; vi) Empréstimos de todo tipo, inclusive de créditos pessoais, créditos hipotecários, factoring e financiamento de transações comerciais; vii) Serviços de arrendamento financeiro (financial leasing); Fl. 186DF CARF MF Processo nº 16327.907785/201242 Acórdão n.º 3301005.506 S3C3T1 Fl. 8 7 viii) Todos os serviços de pagamento e transferência monetária, inclusive cartões de crédito, de pagamento e similares, cheques de viagem e letras bancárias; ix) Garantias e compromissos; x) Operações comerciais por conta própria ou para clientes, seja em bolsa, em mercado não cotado (overthemarket) ou, em outros casos, no que se segue: A) instrumentos do mercado monetário (inclusive cheques, letras de câmbio, certificados de depósito); B) divisas; C) produtos derivados, tais como, mas não exclusivamente, futuros e opções; D) instrumentos do mercado cambial e monetário, tais como “swaps” e acordos a prazo sobre juros; E) valores mobiliários negociáveis; F) outros instrumentos e ativos financeiros negociáveis, inclusive metal; xi) Participação em emissões de todo tipo de valores mobiliários, inclusive a subscrição e colocação como agentes (pública ou privadamente) e a prestação de serviços relacionados com tais emissões; xii) Corretagem e câmbios; xiii) Administração de ativos, como administração de fundos em efetivo (cash management) ou de carteira, administração de investimentos coletivos em todas as formas, administração de fundos de pensão, serviços de depósitos e custódia de serviços fiduciários; xiv) Serviços de pagamento e compensação com respeito a ativos financeiros, inclusive valores mobiliários, produtos derivados e outros instrumentos negociáveis; xv) Provisão e transferência de informação financeira e processamento de dados financeiros e “software” por prestadores de outros serviços financeiros; xvi) Consultoria, intermediação e outros serviços financeiros auxiliares referentes a todas as atividades listadas nas alíneas (i) a (xv), inclusive informação e análise de créditos, estudos e consultoria sobre investimentos e carteiras de valores e consultoria sobre aquisições e sobre reestruturação e estratégia empresarial; b) Um prestador de serviços financeiros significa qualquer pessoa física ou jurídica de um Membro que preste ou deseje prestar um serviço financeiro, mas o termo “prestador de serviço financeiro” não inclui uma entidade pública; c) (...)” (grifouse) (...) 48. Como pode ser observado, as receitas que integram a receita operacional da interessada são oriundas de operações típicas da atividade bancária, devendo, portanto, integrar a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. Dentre estas receitas deve ser excluída a referente à reversão de provisões operacionais, em virtude da previsão contida no inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998. 49. Diante disso, não é de prevalecer a pretensão da interessada de tributar tão somente as receitas contabilizadas como RENDAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, já que, conforme já visto, assim como estas, as demais receitas operacionais também são oriundas da atividade típica da instituição. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 16327.907785/201242 Acórdão n.º 3301005.506 S3C3T1 Fl. 9 8 50. Também não deve prosperar a pretensão da interessada de excluir da base de cálculo das referidas contribuições as receitas financeiras oriundas da aplicação de seu próprio capital de giro e de capital de terceiros, bem como as oriundas da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central. 51. No que tange às receitas financeiras oriundas da aplicação de seu próprio capital de giro e de capital de terceiros, cabe esclarecer que dentre as atividades típicas de uma instituição financeira bancária se inclui a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, nos termos do art. 17 da Lei no 4.595, de 31/12/1964. 52. Quanto à remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central, é de se observar que esta também é renda oriunda da atividade típica de uma instituição financeira. Os depósitos compulsórios são recolhimentos obrigatórios que as instituições financeiras fazem ao Banco Central de parte de suas captações em depósitos à vista, a prazo, de poupança e de garantias realizadas. Atualmente, são remunerados os recolhimentos compulsórios sobre recursos a prazo, sobre depósitos de poupança e a exigibilidade adicional sobre depósitos. O objetivo da remuneração dos recolhimentos compulsórios é a redução do custo de captação dos recursos pelos bancos, implicando menores taxas de juros cobradas nas operações ativas. Esta renda é contabilizada na conta RENDAS DE CRÉDITOS VINCULADOS AO BANCO CENTRAL 7.1.9.60.007, que compõe o grupo de receitas operacionais. Cabe observar que não obstante tratar de receita tributável, no período de apuração em análise não consta receita referente a tal rubrica, não tendo que se falar, portanto, em exclusão de receita que sequer foi computada na base de cálculo das contribuições. 53. Assim, considerando os valores da Receita Operacional (COSIF 7.1.0.00.008), da Reversão de Provisões Operacionais (COSIF – 7.1.9.90.008, hipótese de exclusão), e das Despesas de Captação (COSIF – 8.1.1.00.008, hipótese de dedução) constantes do BALANCETE GERAL anexado aos autos, foi por mim elaborada a planilha de fls. 125 a 127, na qual consta demonstrado que: • O valor da Cofins referente ao mês 06/2000 corresponde a R$ 713.940,75; • A interessada efetuou recolhimento referente a este período no valor de R$ 725.999,50; e O valor recolhido a maior da Cofins referente ao mês 06/2000 corresponde a R$ 12.058,75 (valor original). Conclusão 54. Diante do exposto voto por julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade apresentada para: • INDEFERIR o pedido de sobrestamento do feito; • RECONHECER PARCIALMENTE o direito creditório da interessada no montante de R$ 12.058,75 (valor original); e • DEFERIR PARCIALMENTE o pedido de restituição em tela no montante de R$ 12.058,75 (valor original). Cabe salientar que neste processo de análise do PER/DCOMP nº 41733.80784.140705.1.2.045743, com alegado recolhimento a maior, em 14/07/2000, a título de Cofins (cód. 7987 COFINS ENTIDADES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS), atinente ao período de apuracã̧o 06/2000, referese a recolhimento efetuado pelo BANCO DE CRÉDITO Fl. 188DF CARF MF Processo nº 16327.907785/201242 Acórdão n.º 3301005.506 S3C3T1 Fl. 10 9 REAL DE MINAS GERAIS S.A., empresa incorporada, em 01/09/2004, por BRADESCO LEASING S.A. – ARRENDAMENTO MERCANTIL. Com isso considerado e sem reparos na decisão ora recorrida, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.001444/2009-98
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/02/2009
MULTA REGULAMENTAR. DISTRIBUIÇÃO DE FORMULÁRIO DE BAGAGEM ACOMPANHADA. AUSÊNCIA DE PROVAS. PROVIMENTO.
Não há prova inequívoca de que os formulários das DBA'S não foi distribuído. Norma que, em caso de dúvida, deve ser interpretada em favor do contribuinte.
Numero da decisão: 3003-000.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/02/2009 MULTA REGULAMENTAR. DISTRIBUIÇÃO DE FORMULÁRIO DE BAGAGEM ACOMPANHADA. AUSÊNCIA DE PROVAS. PROVIMENTO. Não há prova inequívoca de que os formulários das DBA'S não foi distribuído. Norma que, em caso de dúvida, deve ser interpretada em favor do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 14 44 /2 00 9- 98 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10814.001444/200998 Acórdão n.º 3003000.005 S3C0T3 Fl. 115 2 Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de Empresa de Transporte Aéreo responsável pelo transporte de 190 passageiros que naquela oportunidade teve saída de Portugal com destino ao aeroporto de Guarulhos em São Paulo. Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi porque no momento em que os viajantes do referido voo se dirigiam à Alfandega, constatouse que os mesmos não portavam a Declaração de Bagagem Acompanhada (DBA). Constou ainda no referido auto que foi indagado junto aos passageiros daquele voo o motivo de não portarem a referida DBA devidamente preenchida para apresentação à autoridade Fiscal da alfândega. Foi informado à fiscalização que referidas DBA’S não foram distribuídas, conforme se pode constatar dos ternos de testemunho apresentados (efls 1214). Nesse sentido, a recorrente foi autuada nos termos do artigo 15 da IN SFR 117 de 1998 e art. 4º da IN SFR 120 de 1998, na qual consta que é obrigação das empresas de transporte internacional de passageiros a distribuição correta dos formulários da DBA. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa (efls 16) informando apenas que não havia disponibilidade do formulário durante o voo, mas que foi providenciado no momento da aterrissagem e entregue aos passageiros ainda dentro da aeronave, contudo, a citada impugnação foi julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 1294.7524ª Turma da DRJ/RJO, com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/02/2009 MULTA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Aplicase a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. Cientificada desta decisão em 06/08/2013 (efls.58), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 06/09/2013 (efls103), alegando em síntese: I – DA INEXIGIBILIDADE DA MULTA. II – DA EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. III – DA AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10814.001444/200998 Acórdão n.º 3003000.005 S3C0T3 Fl. 116 3 Voto Conselheiro Márcio Robson Costa I DA INEXIGIBILIDADE DA MULTA Inicialmente importa ressaltar as alegações da Recorrente quanto à inexigibilidade da multa. Em sua impugnação, afirma a ora Recorrente de fato não havia o formulário dentro da aeronave durante o voo, mas que fora providenciado, solicitando ao funcionário que entregasse logo houvesse o pouso e que procedendo dessa forma o formulário foi entregue aos passageiros antes que esses deixassem o avião. A recorrente ancora seus argumentos nos depoimentos prestados por seus funcionários e anexados à impugnação, no qual relata: No vôo TP19I do dia 18/jan/2009 procedente de Lisboa, eu Bruno Albuquerque funcionário SATA matricula 670618, fui Contatado por meu supervisor Paulo Rocha, trinta minutos antes da chegada do vôo TP191, para que levasse a tarjeta de imigração juntamente com a declaração dc bagagem, para que fossem entregue a tripulação de chegada, sendo as quais uma a uma foram entregues ao passageiros, sendo dito pela tripulação que preenchessem antes da passagem pela imigração e alfândega. Logo após a entrega das tarjetas pela tripulação aos passageiros, desci ao desembarque e fui contatando os passageiros dos quais não visualizava a tarjeta em mãos. Todos os passageiros contatados por mim, disseram que já estavam com as tarjetas preenchidas. Atenciosamente, Bruno Albuquerque, Rg 42643487 0 Por outro lado, há nos autos declaração firmada por três passageiros no sentido de que não receberam os formulários de Declaração de Bagagem Acompanhada (efls 12/14), sendo estas as provas produzidas pelo agente fiscalizador. A legislação aplicável à matéria a época e revogadas apenas em 2010, assim dispunha: IN SRF 117/98 Art. 15. Todo viajante que ingresse no País está obrigado a apresentar à fiscalização aduaneira Declaração de Bagagem Acompanhada DBA, na forma estabelecida em norma específica. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 120, DE 15 DE OUTUBRO DE 1998 Art. 4o Ficam as empresas de transporte internacional de passageiros responsáveis pela distribuição, em cada viagem, dos formulários da DBA. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10814.001444/200998 Acórdão n.º 3003000.005 S3C0T3 Fl. 117 4 Decreto Lei 33/1966 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Como se vê, a norma obriga a empresa de transporte distribuir o formulário enquanto que obriga o viajante a apresentálo. Nesse sentido, não vislumbro a possibilidade de exigibilidade da multa à empresa de transporte de passageiros, posto que a declaração de três passageiros não são suficientes para afastar a premissa de que os formulários foram distribuidos. Eventual ausência de distribuição, fato que não restou inequivocadamente comprovado nos autos não é, por si só capaz de causar embaraço à fiscalização aduaneira já que em caso de atuação dos agentes de forma mais presente o procedimento não se esgotaria na conferência do formulário. Nesse sentido concluo que, pelo conjunto probatório dos autos, não se pode afirmar que houve conduta capaz de ensejar embaraço à fiscalização e por essa razão entendo pelo não cabimento da multa. II – DA AUSÊNCIA DE PROVAS SUFICIENTES Alega ainda a recorrente, em síntese que não é a responsável pelo fato de alguns passageiros terem deixado de apresentar os formulários de DBA's à Alfândega, que efetuou a distribuição para todos, sendo certo que alguns, inclusive, apresentou os formulários preenchidos. De forma prática e sucinta podemos concluir que só interessa ao fiscalizado a não apresentação das informações solicitadas e no caso em comento o fiscalizado é o passageiro, sujeito que deve informar à Receita Federal a bagagem trazida. Não sendo a empresa de transporte aéreo de passageiros o objeto de fiscalização, de fato não caberia à ela a responsabilidade por fazer chegar ao Fisco as informações solicitadas. Não há prova nos autos de que a distribuição deixou de ser feita de forma indiscriminada a todos os passageiros, há apenas o relato de três, dos cento e noventa viajantes, de que não recebeu o formulário. Nesse caso faço alusão ao que preceitua o artigo 373 do Código de Processo Civil em matéria de provas. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10814.001444/200998 Acórdão n.º 3003000.005 S3C0T3 Fl. 118 5 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A norma não diz que cabe às empresas de transportes aéreos o recolhimento dos formulários preenchidos ou a fiscalização quanto a entrega à Alfândega, pelo contrário, a norma é limitada e categórica em dizer que a responsabilidade da empresa é pela distribuição: INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 120, DE 15 DE OUTUBRO DE 1998 Art. 4o Ficam as empresas de transporte internacional de passageiros responsáveis pela distribuição, em cada viagem, dos formulários da DBA. Concluo nesse ponto que de fato a responsabilidade de distribuição não pode ser interpretada de forma extensiva como responsabilidade pela prestação da informação, uma vez que, repito, não restou comprovado nos autos que de fato, não houve a distribuição dos DBA'S, pois a declaração de apenas três passageiros não me parece suficiente para chegar a esta conclusão. No que se refere as provas dos autos, entendo que deve ser aplicado o artigo 112 do Código Tributário Nacional no sentido de que na dúvida quanto ás circunstâncias do fato a lei tributária deve ser interpretada em favor do contribuinte. Vejamos: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Apenas para complementar, vejo que a fiscalização tinha como objetivo os viajantes e não a empresa, sendo a recorrente, portanto, ausente de responsabilidade por hipotético (já que não foi relatado) eventual embaraço causado. Assim assiste razão a Recorrente no mérito de modo que dou provimento ao Recurso Voluntário. III DISPOSITIVO Ante a ausência de provas suficientes para acatar os argumentos da Receita, conheço do Recurso Voluntário e no mérito doulhe provimento. É o meu entendimento. Márcio Robson Costa Relator Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10814.001444/200998 Acórdão n.º 3003000.005 S3C0T3 Fl. 119 6 Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.909420/2014-97
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. GLOSA PARCIAL DO SALDO CREDOR. PROCEDÊNCIA.
Demonstrado que determinados produtos foram adquiridos com incidência do IPI considerados como não integrantes do produto industrializado durante procedimento de fiscalização, ocasionando o indeferimento parcial do pedido de ressarcimento. Ausente os argumentos que ocasionassem a reversão das glosas dos créditos de IPI.
Numero da decisão: 3001-000.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. GLOSA PARCIAL DO SALDO CREDOR. PROCEDÊNCIA. Demonstrado que determinados produtos foram adquiridos com incidência do IPI considerados como não integrantes do produto industrializado durante procedimento de fiscalização, ocasionando o indeferimento parcial do pedido de ressarcimento. Ausente os argumentos que ocasionassem a reversão das glosas dos créditos de IPI.
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GLOSA PARCIAL DO SALDO CREDOR. PROCEDÊNCIA. Demonstrado que determinados produtos foram adquiridos com incidência do IPI considerados como não integrantes do produto industrializado durante procedimento de fiscalização, ocasionando o indeferimento parcial do pedido de ressarcimento. Ausente os argumentos que ocasionassem a reversão das glosas dos créditos de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 94 20 /2 01 4- 97 Fl. 477DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário impetrado contra Acórdão de Manifestação de Inconformidade emitido pela DRJ de Porto Alegre que decidiu pela improcedência da manifestação. O presente processo versa sobre pedido de ressarcimento constante das efls 335 a 379 referente a saldo credor de IPI acumulado no 4º trimestre de 2010 no valor de R$196.467,25 decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização em conformidade com o art. 11 da Lei 9.779/99. O despacho decisório, situado à efl. 380, reconheceu parcialmente o crédito pleiteado no Pedido de Ressarcimento no montante de R$183.224,13. A glosa parcial ocorreu em razão dos seguintes motivos: (i) Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado; e (ii) Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Diante destes fatos, a despacho decisório homologou parcialmente a PER/DCOMP 32844.71944.290413.1.3.010850 e não homologou a PER/DCOMP 36281.09393.160513.1.3.013417. Não satisfeita com a resposta do fisco, a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: (i) o deferimento parcial foi concedido em virtude das supostas glosas dos créditos de IPI promovidas em procedimento fiscal que acarretou, por conseguinte, o lançamento de auto de infração constante no processo 15504.724596/201528 e cientificado em 14/12/2015; (ii) que a apuração dos novos valores no citado processo não poderia ter ocorrido em virtude dos débitos apurados no período de janeiro a julho/2010 estariam extintos pelo instituto da decadência nos termos do art. 150, §4º do CTN. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo do direito creditório conforme Acórdão no 1061.920 a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 ACÓRDÃO SEM EMENTA. Art. 2º da Portaria RFB nº 2.724, de 27 de setembro de 2017. Reproduzo ainda, para melhor elucidar, trechos do acórdão que destacam o entendimento adotado na decisão de primeira instância sobre a matéria. “Inicialmente, conforme se observa na Manifestação de Inconformidade – e nos pontos acima resumidos – na maior parte de sua argumentação alegase que a razão do indeferimento de seu direito de crédito decorre diretamente das conclusões do AFRFB lançadas nos autos do processo 15504.724596/201528 – processo que tratou do Auto de Infração de IPI. Nestes pontos, a Manifestação de Inconformidade repete os pontos lá discutidos, ou seja, que os débitos apontados na nova apuração do IPI efetuada pelo AFRFB estavam extintos pela decadência, a não elaboração de laudo técnico para fins de alteração da classificação fiscal adotada pela Fl. 478DF CARF MF Processo nº 12448.909420/201497 Acórdão n.º 3001000.638 S3C0T1 Fl. 478 3 Requerente nas NFs de saída de seus produtos, o erro de classificação cometido pelo Fiscal autuante ao analisar os produtos objeto das NFs de saída da Requerente e o erro na base de cálculo cometido pelo AFRFB autuante na apuração dos débitos fiscais exigidos no AI. A exceção de seus argumentos que não se relacionam com o AI é feita ao final de suas argumentações, no item II.e, em que trata especificamente da glosa de créditos de IPI decorrentes do cômputo do crédito quando do recebimento da NF de simples remessa, glosas estas constantes no Anexo 05. (...) Seguindose a análise, conforme se observa no Anexo 05 e no Anexo 06 (na coluna referente ao Anexo 05), para o período em análise – 4° Trimestre/2010 – não houve glosas de créditos por utilização de CFOPs não ressarcíveis, ou seja, não houve glosa de créditos decorrentes de NFs de simples faturamento, motivo que já bastaria para se manter o Despacho Decisório neste ponto.” Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância afirmando, em síntese, que: (i) todas as glosas efetuadas pela fiscalização foram impugnadas na Manifestação de Inconformidade; (ii) houve violação ao direito de defesa da recorrente tendo em vista a não apreciação dos argumentos expostos na manifestação de inconformidade; (iii) foi improcedente a glosa tendo em vista a ausência de laudo técnico de alteração da classificação fiscal adotada; (iv) é necessário a análise da improcedência do auto de infração lavrado por repercutir diretamente na validação da compensação objeto do presente processo; (v) a autoridade fiscal autuante cometeu erro na apuração da de cálculo por considerar tanto as notas de simples faturamento quanto as notas fiscais de simples remessa ocasionando duplicidade no lançamento. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Fl. 479DF CARF MF 4 Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre o pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI acumulado no 4º Trimestre do ano de 2010 decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e/ou material de embalagem aplicados na industrialização, inclusive produtos isentos ou tributados à alíquota zero, no qual o contribuinte não pode compensar com IPI devido na saída de outros produtos. Foi aberto o procedimento fiscal especificamente para análise da legitimidade dos créditos de IPI do anocalendário de 2010 constantes dos Pedidos de Ressarcimento números 03982.89497.250413.1.1.019600 (1º Trimestre), 29651.81720.250413.1.1.012768 (2º Trimestre), 08312.13078.250413.1.1.013109 (3º Trimestre) e 39596.37973.250413.1.1.01 0369 (4º Trimestre). Ressaltese que o presente processo trata exclusivamente deste último Pedido de Ressarcimento. Durante o procedimento fiscal, dentre outras verificações, a fiscalização identificou a relação constante do Anexo 1 Demonstrativo dos créditos glosados produtos adquiridos com incidência do IPI considerados como não integrantes do produto industrializado (efls 180 a 185 do presente processo). Ou seja, constam deste demonstrativo insumos que não resultaram ou não integraram os produtos industrializados pela Recorrente. As glosas deste anexo ocorreram em todos os períodos de apuração em análise no procedimento fiscal, ou seja, 1º, 2º, 3º e 4º Trimestres de 2010, portanto, abarcando o Pedido de Ressarcimento da presente análise. Destaquese ainda que o valor correspondente as glosas do 4º Trimestre foram as seguintes: R$ 5.823,61 (Outubro/2010); R$ 6.270,16 (Novembro/2010); e R$ 1.149,35 (Dezembro/2010), totalizando R$ 13.243,13, justamente o valor não reconhecido por meio do Despacho Decisório do presente processo. Compulsando os demais Anexos gerados no procedimento fiscal verificase que não houve nenhum outro tipo de glosa efetuada no 4º Trimestre de 2010. Segue abaixo uma síntese do que foi apurado pela fiscalização em cada um dos demais anexos bem como os respectivos períodos de apuração: Anexo Demonstrativo Período de Apuração Anexo 2 Demonstrativo dos créditos glosados NCM alíquota "zero" produtos adquiridos incorretamente com incidência do IPI 2º e 3º Trimestre / 2010 Anexo 3 Demonstrativo dos créditos glosados NCM incorreta produtos adquiridos incorretamente com incidência do IPI 2º Trimestre / 2010 Anexo 4 Demonstrativo dos créditos glosados referentes a produtos devolvidos sem a devida exclusão dos créditos lançados 2º e 3º Trimestre / 2010 Anexo 5 Demonstrativo dos créditos glosados referentes a 2º e 3º Trimestre / 2010 Fl. 480DF CARF MF Processo nº 12448.909420/201497 Acórdão n.º 3001000.638 S3C0T1 Fl. 479 5 créditos do IPI CFOP não ressarcíveis Anexo 6 Demonstrativo do somatório dos créditos glosados apurados valores oriundos dos anexos 01 a 05 1º, 2º, 3º e 4º Trimestre / 2010 Anexo 7 Demonstrativo dos produtos industrializados com reclassificação fiscal considerados pela fiscalização com incidência do IPI 1º, 2º e 3º Trimestre / 2010 Anexo 8 Demonstrativo da Reconstituição da Escrita Fiscal do IPI 1º, 2º, 3º e 4º Trimestre / 2010 Diante da análise dos referidos anexos percebese que os Anexos 1 a 5 referemse as glosas dos créditos de IPI e o Anexo 7 a lançamento de IPI por reclassificação fiscal. O Anexo 6 foi utilizado tão somente para consolidação dos Anexos 1 a 5 e o Anexo 8 para reconstituição da escrita fiscal após as devidas apurações efetuadas pela fiscalização. Destaquese ainda que o Auto de Infração lançado pela fiscalização após a reconstituição da escrita fiscal teve por fundamento da infração a “Saída de Produtos sem Lançamento de IPI – Inobservância da Classificação Fiscal e/ou Alíquota do IPI” conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” constante da efl 147 do presente processo. Repare que os valores objetos do lançamento são exatamente aqueles constantes do citado Anexo 7. Portanto, concluise que a glosa parcial do saldo credor de IPI do presente processo referese exatamente aos valores constantes do Anexo 1 cujo Imposto de Produtos Industrializados pago teve por origem a aquisição de insumos que não resultaram ou não integraram os produtos industrializados pela Recorrente. Após efetuada a explanação sobre o procedimento que envolveu não só o presente processo, mas todas as glosas e lançamentos efetuados pela fiscalização, adentremos pontualmente nos argumentos apresentados pela Recorrente, apesar de o julgador não estar adstrito a enfrentar todos os argumentos trazidos pela Recorrente caso haja fundamentos suficientes para justificar seu convencimento, tornarseia desnecessária a abordagem de outras alegações apresentadas pela parte, pois estariam inócuas frente a uma decisão proferida. Contudo, passemos aos pleitos da Recorrente. (i) Todas as glosas efetuadas pela fiscalização foram impugnadas na Manifestação de Inconformidade Relaciono a seguir os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, que praticamente são os pontos apresentados em sede de Recurso Voluntário acrescentados do presente item e do item (ii) seguinte. a) Extinção do débito lançado no Auto de Infração devido ao instituto da decadência; b) Incerteza das glosas tendo em vista a possibilidade de nulidade do Auto de Infração com base nos argumentos relacionados a elaboração de laudo técnico para fins de classificação fiscal; Fl. 481DF CARF MF 6 c) Improcedência do auto de infração, repisando sobre a matéria relacionada a classificação fiscal; d) Erro na apuração Base de Cálculo tendo em vista a utilização de notas fiscais de simples faturamento e notas fiscais de simples remessa ocasionando duplicidade no lançamento Não cabe ser julgado no presente processo as matérias que não foram objeto da glosa efetuada por conta da análise do pedido de ressarcimento de IPI decorrerem especificamente da matéria “produtos adquiridos com incidência do IPI considerados como não integrantes do produto industrializado”, ou seja, aquelas constantes do Anexo 1. Portanto não procedem os argumentos apresentados pela Recorrente neste particular. (ii) Violação ao direito de defesa da recorrente tendo em vista a não apreciação dos argumentos expostos na manifestação de inconformidade Não procedem os argumentos apresentados pela Recorrente. Ao contrário do alegado, a decisão de piso enfrentou todos os questionamentos apresentados, inclusive se posicionando em relação aos argumentos sobre as glosas constantes do Anexo 5 conforme trecho do voto reproduzido novamente a seguir: “Seguindose a análise, conforme se observa no Anexo 05 e no Anexo 06 (na coluna referente ao Anexo 05), para o período em análise – 4° Trimestre/2010 – não houve glosas de créditos por utilização de CFOPs não ressarcíveis, ou seja, não houve glosa de créditos decorrentes de NFs de simples faturamento, motivo que já bastaria para se manter o Despacho Decisório neste ponto” Tal qual entendimento deste relator, a base da manifestação de inconformidade rechaçada pela decisão de piso concernia a questões relacionadas somente com o auto de infração e que, necessariamente, serão abordadas no julgamento do processo 15504.724596/201528, quais sejam: “da nova apuração do IPI efetuada pelo AFRFB estavam extintos pela decadência, a não elaboração de laudo técnico para fins de alteração da classificação fiscal adotada pela Requerente nas NFs de saída de seus produtos, o erro de classificação cometido pelo Fiscal autuante ao analisar os produtos objeto das NFs de saída da Requerente e o erro na base de cálculo cometido pelo AFRFB autuante na apuração dos débitos fiscais exigidos no AI” Portanto, não há que se falar em não apreciação dos argumentos pela decisão de primeira instância. (iii) Improcedente a glosa tendo em vista a ausência de laudo técnico de alteração da classificação fiscal adotada A Recorrente repisa no argumento da necessidade de elaboração de laudo técnico para fins de classificação fiscal. Destaquese que esta matéria foi analisada pela fiscalização e consolidada no Anexo 7 Demonstrativo dos produtos industrializados com reclassificação fiscal considerados pela fiscalização com incidência do IPI do Termo de Verificação Fiscal e que abrangeu os 1º, 2º e 3º Trimestre / 2010. Estes valores acarretaram o Fl. 482DF CARF MF Processo nº 12448.909420/201497 Acórdão n.º 3001000.638 S3C0T1 Fl. 480 7 lançamento do Auto de Infração e não interferiu na glosa efetuada no presente processo que cuidou especificamente do saldo credor de IPI acumulado no 4º Trimestre de 2010. Portanto novamente não procedem os argumentos apresentados pela Recorrente neste particular. (iv) Necessária a análise da improcedência do auto de infração lavrado por repercutir diretamente na validação da compensação objeto do presente processo Da mesma forma como descrito no item anterior, mesmo que o julgamento do auto de infração seja pela sua improcedência, a decisão não irá interferir na glosa efetuada no presente processo que cuidou especificamente do saldo credor de IPI acumulado no 4º Trimestre de 2010 e que se encontra relacionado com a aquisição de insumos que não resultaram ou não integraram os produtos industrializados pela Recorrente. (v) A autoridade fiscal autuante cometeu erro na apuração de cálculo por considerar tanto as notas de simples faturamento quanto as notas fiscais de simples remessa ocasionando duplicidade no lançamento Outro argumento apresentado pela Recorrente que diz respeito tão somente com o Auto de Infração. Alega que ao efetuar a apuração da base de cálculo no Anexo VII, relacionado com a alteração da alíquota de 0% para 8%, utilizou tanto as notas fiscais de simples remessa quanto as notas fiscais de simples faturamento ocasionando o lançamento em duplicidade. Novamente, mesmo que o julgamento do auto de infração seja pela improcedência neste particular, a decisão não irá interferir na glosa efetuada no presente processo que se refere ao saldo credor de IPI acumulado no 4º Trimestre de 2010. Concluise, portanto, que a Recorrente não apresentou argumentos diretamente relacionados com a matéria objeto das glosas do presente processo e que, dentre os argumentos apresentados, não há que se falar em interferência direta ou indireta na decisão acostada nos presentes autos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter na íntegra a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 483DF CARF MF 8 Fl. 484DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.902931/2012-41
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito.
Numero da decisão: 1003-000.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.902931/201241 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.362 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 16 de janeiro de 2019 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ALBINO F SANTOS & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 29 31 /2 01 2- 41 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10280.902931/201241 Acórdão n.º 1003000.362 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1152.786, de 29 de abril de 2016, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório. A Recorrente apresentou pedido de compensação, PER/DCOMP nº 37741.92512.210610.1.3.040929, em razão de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo da CSLL paga por estimativa, código 2484. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 7.888,67, seria decorrente de pagamento indevido relativo ao DARF de valor R$ 69.914,11, recolhido em 30/10/2009. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº de rastreamento 031025515, emitido em 04/09/2012, às fls. 07, a Autoridade Competente decidiu não homologar a compensação fundamentando que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade e defendeu o seguinte: (i) que a empresa enviou PER/DCOMP nº 37741.92512.210610.1.3.040929, na qual requer a compensação do débito de CSLL referente ao mês de maio de 2010, totalizando R$ 6.159,22, utilizando crédito do mês de setembro de 2004 por pagamento indevido no valor original de R$ 3.3619,45, que corrigido totalizaria R$ 6.159,22; (ii) que o crédito em questão ocorreu em conseqüência de pagamento em duplicidade, o qual iniciou num processo de parcelamento, que, posteriormente, foi quitado à vista (30/10/2009), fazendo parte do processo de nº 10280006088/200893; (iii) pelo exposto, requereu a improcedência da cobrança e a homologação da compensação pleiteada. A DRJ/REC analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EXISTENTE Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização na extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10280.902931/201241 Acórdão n.º 1003000.362 S1C0T3 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que repetiu os argumentos e provas acostados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente fundamenta seu recurso sob a alegação de que o crédito em análise foi gerado em razão de pagamento em duplicidade, que teria se iniciado num processo de parcelamento que veio a ser quitado à vista em 30/10/2009, fazendo parte do processo nº 10280.006088/200893. A PER/DCOMP apresentada pela Recorrente de nº 37741.92512.210610.1.3.040929 (fls. 2 a 6) informa ser o crédito originado a partir do DRF, CSLL, código de receita 2484, vencimento em 30/10/2009, no valor de R$ 69.914,11. A Autoridade administrativa, ao analisar a liquidez e certeza do crédito, identificou, através do Despacho Decisório (fls. 07), que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi utilizado para realização de um ou mais pagamentos, não restando créditos disponíveis para compensação dos débitos pleiteados. A DRJ, ao analisar as informações da manifestação de inconformidade e confrontar com as informações constantes nos sistemas da RFB, verificou o seguinte: a contribuinte apresentou, em 18/04/2008, a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2005 –, relativa ao anocalendário de 2004, onde consta, no período de Setembro/2004, na FICHA 16 CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO MENSAL POR ESTIMATIVA , CSLL a pagar no valor apurado de R$ 7.888,67: a contribuinte apresentou, em 02/09/2008, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF Retificadora relativa a Setembro/2004, onde consta no período CSLL cód. 2484 no valor apurado de R$ 7.888,67 Por essa razão, a contribuinte formalizou o Processo nº 10280.006088/200893 com pedido de parcelamento, por meio do qual quitou o débito de CSLL, cód. 2484, do período de apuração setembro/2004, no valor originário de R$ 7.888,67 (mesmo valor informado na DCTF) Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10280.902931/201241 Acórdão n.º 1003000.362 S1C0T3 Fl. 5 4 O DARF no valor de R$ 69.914,11 também se encontra integralmente alocado no Processo nº 10280.006088/200893, conforme tela abaixo: Verificase, assim, que tanto a Impugnante quanto a Autoridade Fiscal somente se referiram ao Processo nº 10280.006088/2008 93, sendo justamente nesse processo onde se encontra vinculado o DARF no valor de R$ 69.914,11, recolhido em 30/10/2009. A Impugnante reconheceu a existência desse processo e não apresentou outros dados que supostamente caracterizassem pagamento em duplicidade de CSLL, cód. 2484, no período de apuração setembro/2004. A Impugnante apenas se referiu a outro processo de parcelamento por meio da Lei nº 11.941/2009, mas não o especificou. Constatase, portanto, que a Autoridade Fiscal procedeu corretamente ao não reconhecer o direito creditório pleiteado. Assiste razão à DRJ. Não há nos autos informações ou provas que pudessem corroborar as alegações de pagamento em duplicidade realizado pela contribuinte. Pelas informações constantes no processo, o DARF está alocado no processo de nº 10280.006088/200893 e o parcelamento informado foi realizado para quitar o débito de CSLL do período. Não há outros documentos nos autos que suportem a alegação de pagamento em duplicidade. Ademais, todos os argumentos de defesa e as provas devem ser colacionadas na Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão do direito, nos moldes determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, art.16. No presente caso, nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário esclarecem como foi realizado o pagamento em duplicidade e nem traz documentos que possam corroborar a tese ventilada nas defesas. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10280.902931/201241 Acórdão n.º 1003000.362 S1C0T3 Fl. 6 5 O extrato do Processo de nº 10280903117/201243 e o DARF de recolhimento de CSLL do período de apuração 07/07/1980 acostados no Recurso Voluntário, desprovidos de outras informações que o integrem à demanda, não ajudam na solução da questão. A Lei nº 11.941/2009 alterou a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários e concedeu remissão nos casos em que especificados na citada norma. A Recorrente, contudo, não informou se estava enquadrada nos requisitos da Lei, nem juntou qualquer documento que comprovasse ter havido a remissão no caso concreto, fato que também não foi identificado pelas autoridades administrativas que instruíram o processo. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/REC. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 63DF CARF MF
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