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Numero do processo: 13656.901224/2010-58
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA E LEI INTERPRETADA.
É conhecido o recurso especial quando a acórdão paradigma analisa situação similar, concluindo que "a homologação da DCOMP, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado", enquanto o acórdão recorrido reconhece o saldo negativo, diante da compensação de estimativas com efeito de confissão de dívida. Além disso, tendo o recorrente mencionado dispositivos legais que entende interpretado de forma divergente, resta cumprido requisito regimental.
IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA.
A estimativa mensal de IRPJ, compensada por PER/DCOMP com efeito de confissão de dívida, compõe o saldo negativo do imposto.
Numero da decisão: 9101-004.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de resolução de sobrestamento, suscitada pelo conselheiro Rafael Vidal de Araújo, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que acolheram a preliminar. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA E LEI INTERPRETADA. É conhecido o recurso especial quando a acórdão paradigma analisa situação similar, concluindo que "a homologação da DCOMP, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado", enquanto o acórdão recorrido reconhece o saldo negativo, diante da compensação de estimativas com efeito de confissão de dívida. Além disso, tendo o recorrente mencionado dispositivos legais que entende interpretado de forma divergente, resta cumprido requisito regimental. IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. A estimativa mensal de IRPJ, compensada por PER/DCOMP com efeito de confissão de dívida, compõe o saldo negativo do imposto.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA E LEI INTERPRETADA. É conhecido o recurso especial quando a acórdão paradigma analisa situação similar, concluindo que "a homologação da DCOMP, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado", enquanto o acórdão recorrido reconhece o saldo negativo, diante da compensação de estimativas com efeito de confissão de dívida. Além disso, tendo o recorrente mencionado dispositivos legais que entende interpretado de forma divergente, resta cumprido requisito regimental. IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. A estimativa mensal de IRPJ, compensada por PER/DCOMP com efeito de confissão de dívida, compõe o saldo negativo do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de resolução de sobrestamento, suscitada pelo conselheiro Rafael Vidal de Araújo, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que acolheram a preliminar. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 90 12 24 /2 01 0- 58 Fl. 199DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de processo originado pela apresentação de PERDCOMP em 07/12/2009, na qual identificado crédito do contribuinte de saldo negativo de IRPJ do ano de 2008. O contribuinte identificou na PER/DCOMP débitos de estimativa quanto aos meses de fevereiro e julho de 2008. A Delegacia da Receita Federal em Poços de Caldas homologou em parte as compensações (fls. 8). Após a apresentação de Manifestação de Inconformidade (fls. 12), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora manteve a decisão da DRF (fls. 61): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). COMPENSAÇÃO Não existindo o crédito declarado a compensação não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou recurso voluntário, ao qual a 3ª Turma Especial deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento (acórdão 1803002.194, fls. 82). O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13656.901224/201058 Acórdão n.º 9101004.037 CSRFT1 Fl. 200 3 Exercício: 2009 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 29/05/2014, que interpôs recurso especial em 02/07/2014 (fls. 94). Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária quanto à composição de saldo negativo por estimativas mensais compensadas, com processo administrativo em trâmite, apontando como paradigma os acórdão nº 1801 00.108 e 3301002.191. O recurso especial da Procuradoria foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho (Conselheiro André Mendes de Moura). A interpretação estampada no acórdão seria dissonante daquela que fundamentou os acórdãos nº 180100.108 (1ª Turma Especial) e 3301002.191 (3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária), cujas ementas seguem, respectivamente, abaixo: (...) Conforme podemos aferir, as três decisões dizem respeito à mesma questão: o aproveitamento de estimativas para a apuração do saldo negativo pela simples declaração em DCOMP, posteriormente não homologada. No acórdão atacado, entendeuse que o contribuinte faria jus a esse aproveitamento para fins de apuração do saldo negativo apto a ser restituído/compensado; já, nos acórdãos paradigmas, o entendimento foi oposto. (...). Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II, do RICARF, e com base nas razões acima expostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto. Em 12/11/2015 o contribuinte foi intimado quanto ao recurso especial e despacho de admissibilidade (fls. 126), apresentando contrarrazões ao recurso em 26/11/2015. Em síntese, pede não seja conhecido o recurso especial, no mérito pleiteando a manutenção do acórdão recorrido. Subsidiariamente, pede o sobrestamento do processo. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Preliminarmente, entendo por rejeitar a proposta de resolução suscitada pelo conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Com efeito, o processo encontrase apto ao julgamento, sendo desnecessário sobrestamento suscitado. Fl. 201DF CARF MF 4 O recurso especial da Procuradoria foi fundado na divergência da interpretação com os paradigmas nº 180100.108 e 3301002.191. O contribuinte questiona o conhecimento do recurso, em síntese, porque “a Recorrente não demonstrou a divergência na de entendimentos à legislação aplicada, sequer mencionando os dispositivos legais que foram aplicados no v. acórdão recorrido.” Assim, analiso o conhecimento do recurso especial da Procuradoria. Primeiramente, consigno que a Procuradoria, em suas razões recursais, menciona dispositivos legais que entende relevantes para sustentar a reforma do acórdão recorrido. Nesse sentido, observo às fls. 282 referência aos artigos 156, II e 170, do Código Tributário Nacional, além dos artigos 73 e 74, da Lei nº 9.430/1996. Analiso, a seguir, os paradigmas que fundamentaram o recurso especial, para avaliar a similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária, para conclusão a respeito do conhecimento. O acórdão 180100.108 foi analisado por este Colegiado no julgamento que resultou no acórdão nº 9101003835, do qual se extrai a ementa: Àquela ocasião, a maioria deste Colegiado entendeu por não conhecer o recurso especial da Procuradoria quanto ao citado acórdão paradigma 180100.108. Na presente oportunidade, reafirmo o entendimento manifestado à ocasião, apresentando voto para nova apreciação por esta Turma: O acórdão paradigma nº 180100.108 tem o seguinte contexto fático conforme relatório: A empresa em epígrafe interpôs, eletronicamente, Pedido de Restituição e Compensação de Tributos Federais — Per / Dcomp, conforme se verifica às fls. 01 a 07. O crédito em questão é o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/03, relativa ao anocalendário de 2002 (apuração anual). A autoridade competente a apreciar a Per/Dcomp exarou o Despacho Decisório de fis. 77 a 80, não homologandoa, porque o referido saldo negativo espelhado na DIPJ/02, composto pelos supostos recolhimentos das estimativas mensais no ano, não restou confirmado como existente. Assim constatou aquela autoridade, da análise das DCTE — fls. 29/39: as estimativas mensais devidas à titulo de IRPJ, relativas aos meses de janeiro, fevereiro, março e abrilparcial estão vinculadas a outra Dcomp, relativa ao saldo negativo de 1RPJ, ano 2001, (processo n" 11020.000426/200564), cuja compensação não foi homologada, não podendo compor o saldo negativo do ano de 2002; o valor remanescente da estimativa IRPJ relativa ao mês de abril está vinculado a processo judicial (2000..04.01.0810330) a estimativa 1RPJ de maio está paga; as demais (jur/jul/ago/set/out/nov/dez) foram vinculadas a outro processo judicial (87.0000544 4); estas compensações em DCTF, formalizadas no processo administrativo nu 11020.000037/200377, não podiam ter sido realizadas, pois o crédito estava sub judies.; os débitos (das estimativas) foram objeto de autuação fiscal formalizada no processo Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13656.901224/201058 Acórdão n.º 9101004.037 CSRFT1 Fl. 201 5 administrativo n° 11020.0030791200360, estando suspenso por medida judicial; os valores não podem compor o saldo negativo do 1RPJ, 2002. Diante desse contexto, decidiu a Turma prolatora deste acórdão paradigma (180100.108): Falta à contribuinte, no caso em tela, para ver seu direito atendido, condição sitie qua non para exercêlo. Necessariamente deveria ter aguardado a decisão definitiva dos processos administrativos nºs 11020.000037/200377 e 11020.000426/200564 para requerer qualquer medida de direito em relação aos créditos objetos destes processos. A meu ver, muito menos poderia ter informado em DCTF que os valores devidos a título de IRPJ estimados foram quitados com compensações ainda não homologadas. (...) E quanto à sorte dos demais processos administrativos, não importa para se dirimir a lide aqui proposta. Tendo resultado favorável à contribuinte, nas Dcomp não homologadas que refletem neste processo, poderá, após o reconhecimento administrativo, requerer a restituição dos créditos oportunamente ou compensálos com débitos vincendos. Sendo lhe desfavorável, não haverá prejuízo ao fisco no sentido de 'restituir' o que não foi pago, com seqüencial compensação incabível. Lembro que nos presentes autos tratamos de apresentação de PERDCOMP em 07/12/2009, na qual identificado crédito do contribuinte de saldo negativo de IRPJ do ano de 2008. Diante disso, decidiu o Colegiado a quo, conforme voto condutor: Constam das instruções para preenchimento da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, relativa ao anocalendário de 2008, exercício de 2009 (DIPJ 2009), devidamente aprovadas pela Instrução Normativa RFB nº 964, de 14 de agosto de 2009, a seguinte orientação (destaque da transcrição): Linha 12A/16 () Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa Esta linha deve ser preenchida somente pelas pessoas jurídicas que apuraram o lucro real anual. Somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano calendário objeto da declaração. Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do imposto de renda retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Declaração de Compensação (PER/DComp) ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf. Fl. 203DF CARF MF 6 Referida orientação normativa foi reiterada por meio de Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18, de 13 de outubro de 2006, assim ementada: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. (grifos originais) Notase que não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária entre acórdão paradigma e recorrido. Com efeito, o acórdão paradigma nº 180100.108 trata de pedido de compensação apresentado com crédito originado por saldo negativo de 2001, tendo o contribuinte apresentado compensação das estimativas mensais de IRPJ. Nesse sentido, justificase o entendimento da Turma pela impossibilidade de reconhecimento do saldo negativo sem a homologação destas compensações. A distinção é evidente quando verificadas as alterações legislativas tratando da compensação na esfera federal, notadamente pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003. Essa distinção, inclusive, é notada na fundamentação do acórdão recorrido, acima reproduzida A Lei nº 9.430/1996 rege a compensação no âmbito da Receita Federal do Brasil, destacandose a previsão do artigo 74, com a seguinte redação em 2001, quando apresentado pedido de compensação analisado pelo acórdão paradigma (180100.108): Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Posteriormente, houve substancial alteração deste dispositivo legal, notadamente para se atribuir o efeito de confissão de dívida às Perdcomps conforme Lei nº 10.833/2003, fruto da conversão da Medida Provisória nº 135/2003, verbis: Art. 74. (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. A distinção de tratamento de compensações (em 2001, para composição do saldo negativo pelo paradigma, e 2008, pelo recorrido) tem razão jurídica diante dos distintos regramentos, tratados pela legislação federal. O acórdão paradigma desconsidera compensações em 2001 quando o regramento não atribuía efeitos de confissão de dívida relativamente às estimativas extintas por compensação , enquanto o acórdão recorrido manifestase pela confissão de dívida em 2008 e, assim, admite as estimativas no cômputo do crédito tributário (saldo negativo). O regramento é distinto e justifica a conclusão jurídica diversa adotada pelos Colegiados. Assim, concluo por não conhecer do recurso especial da Procuradoria quando acórdão paradigma 180100.108. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13656.901224/201058 Acórdão n.º 9101004.037 CSRFT1 Fl. 202 7 Passo à análise do segundo acórdão identificado como paradigma (nº 3301 002.191), que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/11/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO FINANCEIRO INDEFERIDO EM OUTRO PROCESSO. HOMOLOGAÇÃO. VEDAÇÃO. A homologação de Dcomp está condicionada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. A compensação de crédito financeiro, em discussão administrativa, em outro processo, somente é possível depois da decisão definitiva sobre a certeza e liquidez do crédito financeiro naquele processo. O relatório do segundo acórdão paradigma (3301002.191) descreve os fatos então julgados: Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Belo Horizonte (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito tributário declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) nº 25028.71510.121108.1.3.049526, às fls. 44/48, transmitida na data de 12/11/2008, com crédito financeiro decorrente de pagamento indevido e/ ou a maior do PIS não cumulativo, efetuado em 15/07/2005. A não homologação decorreu da inexistência do crédito financeiro declarado, tendo em vista que o valor constante do DARF indicado foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos, não restando saldo disponível para a compensação declarada, conforme Despacho Decisório às fls. 41, datado de 06/09/2010. (...) Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (106/124), requerendo a sua reforma a fim de se homologue a compensação do débito declarado, alegando, em síntese, que o crédito financeiro declarado decorre da indevida incidência de multa de mora, por parte da autoridade administrativa, na homologação parcial da compensação declarada na Dcomp 08853.38461.031007.1.7.041718, uma vez que não há que se falar em multa moratória naquela compensação, tendo em vista a ocorrência da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, pelo fato de ter retificado a respectiva DCTF e o valor da diferença apurada, compensado, mediante a transmissão de Dcomp, antes de qualquer procedimento fiscalizatório. Diante deste quadro fático, decidiu a Turma prolatora do segundo acórdão paradigma (3301002.191): Fl. 205DF CARF MF 8 A não homologação da Dcomp teve como fundamento a inexistência do crédito financeiro declarado. Segundo o despacho decisório, o valor indicado no DARF foi integralmente utilizado para quitar débito do próprio PIS (6912) referente à competência de junho de 2005 e débito declarado na Dcomp nº 08853.38461.031007.1.7.041718. A recorrente alega que o crédito financeiro decorre da cobrança indevida de multa de mora sobre os débitos cuja compensação foi homologada, em parte, naquela Dcomp, acrescidos de multa de mora. Ora, a referida Dcomp foi objeto do processo administrativo nº 10680.724380/201001 que foi analisada e homologada, em parte, remanescendo um saldo devedor, no valor de R$42.513,69. Inconformada com o despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ. Contra a decisão da DRJ, interpôs recurso voluntário que já foi analisado e julgado por esta Primeira Turma Ordinária, cujos membros, por maioria de votos, lhe negaram provimento, nos termos do acórdão nº 3301002.002, datado de 21/08/2013. Também, contra este acórdão, interpôs recurso especial de divergência que se encontra pendente de julgamento neste CARF. A homologação da Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp, em discussão, foi objeto do processo administrativo nº 10680.724380/201001, com decisão, em segunda instância, desfavorável à recorrente. Embora, em outros processos deste mesmo contribuinte, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no REsp nº 1.149.022, eu tenha reconhecido a ocorrência da denúncia espontânea, em casos semelhantes, para afastar a exigência da multa de mora sobre débitos compensados, mediante Dcomp transmitida em data anterior à da transmissão da DCTF retificadora, no presente caso, não há como aplicar tal decisão a débitos, objetos de outra Dcomp, cujo processo já foi julgado, em segunda instância, com decisão desfavorável à recorrente. No caso, de a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste Conselho, a quem compete o julgamento do recurso especial de divergência interposto pela recorrente, lhe der provimento, será complementada a homologação da Dcomp e, se apurado saldo credor disponível, poderá ser repetido/compensado, mediante a transmissão de novo Per/Dcomp. Assim, inexiste amparo legal para se homologar a Dcomp em discussão O acórdão paradigma (3301002.191), portanto, trata de compensação que foi objeto de contencioso administrativo, no processo nº 10680.724380/201001. Como não está claro no acórdão acima se a compensação foi apresentada após a vigência da Lei nº Fl. 206DF CARF MF Processo nº 13656.901224/201058 Acórdão n.º 9101004.037 CSRFT1 Fl. 203 9 10/833, consultei o acórdão no processo 10680.724380/201001 (3301002.002), mencionado pelo acórdão paradigma e disponível no site do CARF. Extraise do acórdão 3301002.002: A homologação parcial foi motivada pela insuficiência do crédito utilizado para compensar integralmente os débitos informados. O crédito utilizado se refere a pagamento indevido ou a maior de PIS, código de receita 6912. A contribuinte declarou que pretende compensar referido crédito com débitos de débitos de PIS, código de receita 8109, relativos aos meses de dezembro de 2005 a fevereiro de 2006 Percebese, assim, que a compensação referida pelo segundo paradigma foi efetuada em 2006, portanto, quando vigente a Lei nº 10.833/2003, fruto da conversão da Medida Provisória nº 135/2003. Portanto, entendo similares acórdão recorrido e paradigma nº 3301002.002, eis que ambos tratam de reconhecimento de crédito em decorrência de compensação apresentada sob a vigente Lei nº 10.833, concluindo de forma distinta. Enquanto o acórdão recorrido reconhece saldo negativo, diante da compensação de estimativas com efeito de confissão de dívida, o acórdão paradigma entende que “A homologação da Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado” e, portanto, dependeria do resultado no processo administrativo que analisasse tal declaração de compensação. Neste panorama, entendo pelo conhecimento do recurso especial da Procuradoria, reconhecendo a existência de divergência na interpretação da lei tributária quanto ao segundo paradigma (3301002.002). O acórdão recorrido, no mérito, não merece reforma. O saldo negativo de 2008 pleiteado pelo contribuinte é discutido no Processo Administrativo nº 19991.000231/200972, que aguarda sorteio no CARF, segundo informações do sítio deste Conselho, para julgamento de recurso voluntário. Assim, não há decisão definitiva favorável ao contribuinte. A despeito da ausência de decisão definitiva favorável ao contribuinte no processo que discute a compensação de estimativa que originou o saldo negativo, esta deve compor o saldo, notadamente por constituir confissão de dívida. Nesse sentido, decidiu esta Turma em precedentes (v.g. acórdão 9101002.489). Recentemente, a maioria deste Colegiado reiterou o entendimento, conforme acórdão 9101003.891, do qual se transcreve a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 GLOSA DE CRÉDITO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS NÃO HOMOLOGADAS. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 207DF CARF MF 10 A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela Contribuinte acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. Colacionase trecho do preciso voto vencedor, elaborado pelo Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, no acórdão 9101003.891: Ora, temos aqui uma situação gravosa sendo imposta à Recorrente. Isso porque, temos, de um lado, a não homologação das compensações efetuadas para fins de liquidação dos débitos de estimativa que passaram a compor o saldo negativo do anobase e, de outro, o presente processo, por meio do qual a Fiscalização, DRJ e Turma Ordinária deste Conselho entendem que a estimativas em discussão não devem compor o saldo negativo utilizado pelo Recorrente, reduzindo o crédito utilizado, fazendo remanescer um débito em aberto. Assim, caso entendêssemos no presente processo que tais estimativas, extintas por compensações (em discussão administrativa) devem ser desconsideradas para fins de composição do saldo negativo do respectivo período e, nos demais processos, a Recorrente venha a ter uma decisão desfavorável, teríamos uma cobrança em duplicidade dos respectivos valores. Isso porque, a Recorrente seria chamada a pagar as estimativas indevidamente compensadas, com os devidos acréscimos legais ao mesmo tempo em que seria obrigada também, a pagar os débitos liquidados através do aproveitamento do saldo negativo do período. A não homologação das compensações vinculadas às estimativas de IRPJ e CSLL tem determinado, em efeito cascata, o não reconhecimento dos saldos negativos apurados ao final do exercício, o que vem causando um verdadeiro imbróglio processual. O § 2° do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei 10.637/02, assim dispõe: “§ 2°A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.” O texto legal é claro no sentido de prever que a compensação é forma de extinção do crédito tributário, como, aliás, não poderia deixar de ser, em face do art. 156 do CTN. Desta forma, assim como ocorre no caso de pagamento antecipado dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a compensação validamente realizada (aquela Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13656.901224/201058 Acórdão n.º 9101004.037 CSRFT1 Fl. 204 11 que cumpre as formalidades legais) extingue o crédito tributário para todos os fins, a despeito de o Fisco poder desconsiderála no futuro. (...) A própria RFB, através da Coordenadoria de Tributos sobre a Renda, Patrimônio e Operações Financeiras (Cosit), editou a Solução de Consulta Interna nº 18/06, a qual determina que na hipótese de não homologação de Declaração de Compensação (DCOMP) relacionada a débito de estimativa mensal, o fato de tal compensação encontrarse em discussão administrativa ainda não julgada definitivamente não macula o crédito relativo ao saldo negativo apurado ao final do período base relativo a tal estimativa, conforme assim trecho destacado da ementa: “Os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para fins de cálculo e cobrança de multa isolada pela falta de pagamento e não devem ser encaminhadas para inscrição em Dívida Ativa da União; Na hipótese de falta de pagamento ou de compensação considerada não declarada, os valores dessas estimativas devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em DIPJ, devendo ser exigida eventual diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa isolada pela falta de pagamento de estimativa. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” (grifos nossos) Essa posição adotada pela Receita Federal corrobora o entendimento do Poder Judiciário sobre a manutenção do status de "extinção" dos débitos compensados até o julgamento definitivo do respectivo processo administrativo fiscal, nos termos dos parágrafos 2º, 9º, 10º e 11º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. (...) Além disso, não podemos esquecer que, na hipótese de despacho decisório que não homologa a compensação efetuada pelo contribuinte, temse a possibilidade de impugnação dessa decisão, o que dá início ao contencioso administrativo. Neste sentido, o art. 74 da Lei 9.430/96 prevê o direito do contribuinte de interpor, no prazo de 30 dias, manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que deixou de homologar a compensação. Caso o despacho decisório seja mantido pelo órgão julgador de primeira instância, existe, ainda, a possibilidade de interposição de Recurso Voluntário ao CARF e, posteriormente, ao CSRF (quando houver cabimento). E, conforme disposto nos §§ 7º a 10º do art. 74 da Lei 9.430/96, os recursos apresentados contra despacho decisório que não homologa a compensação têm efeito suspensivo quanto à cobrança do débito compensado, nos termos do art. 151, III, do CTN. Fl. 209DF CARF MF 12 Assim, uma vez quitadas as estimativas em decorrência de procedimentos compensatórios, não há outra solução senão o cômputo para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ/CSLL, sem prejuízo de cobrança com acréscimos legais do crédito pleiteado no PER/DCOMP, na hipótese de ausência de homologação. (...) É certo, portanto, que não cabe a glosa do crédito referente à saldo negativo de CSLL baseada simplesmente na não homologação das compensações das estimativas do período, tendo em vista que eventual ausência de homologação de tais compensações em definitivo tem o condão de gerar a cobrança do valor indevidamente compensado em processo próprio, sem risco de dupla penalização do contribuinte. Adoto as razões dos acórdãos acima referidos, para negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Conclusão: Assim, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 210DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10912.000227/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
DIPJ. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação de DIPJ após o prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa por atraso na sua entrega.
INCONSTITUCIONALIDADE.
Falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da constitucionalidade ou legalidade de normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1301-003.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA Recorrente STAMPA DISTRIBUIDORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 DIPJ. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação de DIPJ após o prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa por atraso na sua entrega. INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da constitucionalidade ou legalidade de normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 91 2. 00 02 27 /2 00 9- 72 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10912.000227/200972 Acórdão n.º 1301003.644 S1C3T1 Fl. 99 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 0638.090, proferido pela 1ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito, complementandoo ao final: Trata o presente processo de auto de infração de multa, no valor de R$ 33.022,70, por atraso na entrega da DIPJ 2005 (fl. 14), cuja exigência encontrase fundamentada nos arts. 113, § 3º, e 160 da Lei nº 5.172, de 1966, e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com alterações dadas pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. 2. Regularmente intimada por via postal, em 05/05/2009 (fl. 13), a reclamante, por intermédio de seu representante legal (mandato à fl. 21), apresentou, em 04/06/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 0210, cujo teor é sintetizado a seguir: a) argúi que a falta de entrega da DIPJ 2005 não acarretou qualquer prejuízo ao Fisco; que, tratase de simples descumprimento de obrigação formal, o que torna a multa exigida, diante do valor proposto, de caráter evidentemente confiscatório; b) na edição de leis que estabelecem sanções relativas ao não pagamento de tributos no prazo e de outros deveres formais, o legislador está obrigado a observar os princípios das limitações ao poder de tributar; que o parâmetro mais usual do crivo dos limites das multas fiscais diz respeito à observância da razoabilidade e da proporcionalidade da exação, o que não foi observado no presente auto de infração; c) a punibilidade pela falta de cumprimento de obrigação acessória visa coibir a omissão de dados e a falta de recolhimento da obrigação, mas não houve qualquer prejuízo à Fazenda Nacional em face de não ter havido falta de pagamentos dos valores declarados na DIPJ; d) que a multa proposta é flagrantemente de caráter confiscatório, pois está evidente que o Fisco está indevidamente invadindo o patrimônio da contribuinte em prol de seu Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10912.000227/200972 Acórdão n.º 1301003.644 S1C3T1 Fl. 100 3 enriquecimento ilícito, figura esta não admitida no ordenamento legal Pátrio e amplamente rechaçada em nossos tribunais; e) que foram violados os princípios constitucionais da capacidade contributiva, da não utilização de tributo com efeito de confisco e da legalidade tributária; f) pleiteia, ainda, a aplicação do art. 113, § 1º, do CTN; que pretendendo a cobrança de multa sem que haja exigência de pagamento de tributos (obrigação principal), não pode a autoridade autuante exigir a multa (obrigação acessória) de forma independente, sem qualquer correlação com tributo supostamente devido na operação. 3. É o relatório. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora julgou improcedente a impugnação, cujo julgamento se encontra sintetizado pela seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 DIPJ. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação de DIPJ após o prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa por atraso na sua entrega. INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da constitucionalidade ou legalidade de normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimado na data de 10/10/2012 (fl. 70), o contribuinte apresentou em 01/11/2012 (fl. 71), tempestivamente, Recurso Voluntário, pugnando por seu provimento, cujos argumentos serão a seguir apreciados. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10912.000227/200972 Acórdão n.º 1301003.644 S1C3T1 Fl. 101 4 Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Controvertese nos autos exigência de multa, por atraso na entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, exercício 2005, com base no Lucro Real, porquanto entregue em 10/04/2008. Não há discussão com relação a extemporaneidade da apresentação da citada obrigação acessória, como também não há alegação de eventuais circunstâncias que pudessem impedir o cumprimento da alegada obrigação acessória por parte da recorrente ou eventual erro de base de cálculo. Insurgese tãosomente contra o valor cobrado, na cifra de R$ 33.022,70, aduzindo inexistência de prejuízo ao fisco, vez cumpriu a obrigação principal declarada na citada DIPJ; e, violação a princípios constitucionais. Na seqüência, pleiteia aplicação do artigo 113 do CTN e observância do artigo 112 do CTN. Cita doutrina e jurisprudência do STF para amparar sua pretensão. A multa por atraso na entrega da DIPJ, dentre outras declarações, encontrase disciplinada no artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, que assim dispõe: “Art. 7º. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º; correspondente a dois por cento ao mêscalendário ou fração, Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10912.000227/200972 Acórdão n.º 1301003.644 S1C3T1 Fl. 102 5 incidente sobre o montante do IRPJ nela informado, ainda que integralmente pago, limitada a vinte por cento e observado o valor da multa mínima. Tratase, assim, de multa expressamente prevista na legislação tributária, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência exclusiva do Poder Judiciário. Assim, uma vez positivada a norma que prevê aplicação de multa decorrente de infração tributária, no caso, atraso da entrega de DIPJ, é dever da autoridade fiscal aplicála. Logo, os argumentos relacionados à impossibilidade de se cobrar o percentual aplicado em face dos princípios da vedação ao confisco e da capacidade contributiva, entre outros, demandariam uma análise da sua constitucionalidade, o que é vedado a este Tribunal, nos termos da Súmula CARF n. 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, mantémse a multa aplicada. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter a multa aplicada pelo atraso de entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ /2005. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.917089/2009-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora intime a recorrente para que traga aos autos os documentos que julgar conveniente à comprovação da efetiva ocorrência do Erro material argumentado, e, que aponte, os respectivos lançamentos em seus livros Razão e Diário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora intime a recorrente para que traga aos autos os documentos que julgar conveniente à comprovação da efetiva ocorrência do Erro material argumentado, e, que aponte, os respectivos lançamentos em seus livros Razão e Diário. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora intime a recorrente para que traga aos autos os documentos que julgar conveniente à comprovação da efetiva ocorrência do Erro material argumentado, e, que aponte, os respectivos lançamentos em seus livros Razão e Diário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 08 9/ 20 09 -7 2 Fl. 198DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 199 ___________ Relatório Pedido de Compensação Tratase de Declaração de Compensação no valor de R$ 41.082,30, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, por conta da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Despacho Decisório O presente despacho decisório houve por bem não homologar a compensação por inexistência de crédito. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a manifestante alega, em suma, que: Ocorreu um equívoco no preenchimento da DCTF e que o valor pago da contribuição / imposto teria sido maior do que o efetivamente apurado no período em análise; declarou corretamente os valores na Dacon e retificou a DCTF; requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão. Por derradeiro, requereu o reconhecimento da nulidade do despacho decisório por violar o inciso I, do art. 165, do CTN, bem como a extinção do débito tributário lavrado em seu nome e a homologação da compensação feita por meio do PER/DCOMP objeto dos autos. DRJ/BSB A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e recebeu a seguinte ementa: Acórdão nº 0359.391 4ª Turma da DRJ/BSB Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2005 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.917089/200972 Resolução nº 3001000.152 S3C0T1 Fl. 200 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Entendeu a DRJ, que a contribuinte, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, deveria ter sido comprovado documentalmente pela mesma, por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que concluiu não ter acontecido no caso concreto. Ademais, esclareceu que a mera apresentação de manifestação de inconformidade tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, inciso II do CTN, desnecessário seu requerimento. Conclusão do voto Tendo em vista a manifestante não ter comprovado nos autos a existência de direito creditório líquido e certo contra a Fazenda Pública passível de compensação, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente. Recurso Voluntário Esclarece a recorrente que existem duas declarações de compensação, tratadas em processos administrativos distintos este e o PA n° 10830.918396/200971, que também é objeto de recurso voluntário, mas com origem no mesmo direito creditório. Em março de 2005, alega ter recolhido indevidamente COFINS no valor de R$ 116.615,74, recolhido por meio de dois DARFs, tendo em vista que o valor efetivamente devido seria de R$ 76.114,30, o qual somente não foi identificado pela Receita Federal local em virtude da falta de retificação da DCTF relativa ao 1° semestre de 2005, apesar de já constar inclusive no DACON do respectivo período (fl. 49). A recorrente, após ser intimada do Despacho Decisório, alega que tomou as seguintes providências: realizou auditoria interna para identificar o motivo que ensejou a não homologação da compensação; providenciou a retificação de sua DCTF(fls. 5254) do 1° semestre de 2005, a qual deu azo a não homologação da compensação; e apresentou a competente manifestação de inconformidade requerendo a retificação do aludido despacho decisório. Rechaçando os argumentos da DRJ, a contribuinte aduz as autoridades não tiveram o menor interesse em analisar detidamente o direito crédito da ora recorrente, que poderia ter facilmente identificado o direito creditório pela análise do DACON do 1° trimestre de 2005. Ademais, retificou sua DCTF, que foi também desqualificada pela Delegacia de Julgamento, como se valia nenhuma tivesse. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.917089/200972 Resolução nº 3001000.152 S3C0T1 Fl. 201 4 Com isso, para fins de comprovação de seu direito creditório em relação ao recolhimento indevido de COFINS de março/05, apresenta cópias dos razões e balanços contábeis que dão base para os valores constantes da apuração da referida contribuição social. Com isso, alega que os respectivos razões e balanços contábeis dos períodos de dezembro/04 (doc. 03), janeiro/05 (doc. 04) e março/05 (doc. 05), comprovam que o pagamento realizado pela ora Recorrente de R$ 40.501,43 a título de COFINS se trata de pagamento indevido. Não obstante, aduz que verdade real deve prevalecer sobre a verdade formal, de modo que a autoridade Fiscal deve estar disposta a tentar compreender todos os detalhes dos fatos envolvidos no caso em julgamento. Dessa forma, requereu pelo provimento de seu Recurso Voluntário para homologar a compensação pleiteada. Requereu também a conexão/apensamento deste processo administrativo ao PA n° 10830.918396/200971, que, de fato, está sob a relatoria deste conselheiro, haja vista que tanto a DCOMP aqui tratada (DCOMP n° 33678.78770.171208.1.7.043648), como a DCOMP n° 37305.88504.070109.1.7.044560 objeto daquele processo, têm como direito creditório indicado para compensação o pagamento a maior de COFINS de março/05, no valor total de R$ 40.501,43. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 01.04.2014, conforme Termo de Ciência, fl. 84, nos termos do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 24.04.2014, conforme comprova o carimbo da DRF de Campinas SP, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10830.917089/200972 Resolução nº 3001000.152 S3C0T1 Fl. 202 5 Trata o presente processo de Declaração de Compensação de créditos de COFINS, no valor de R$ 41.082,30, tendo em vista que a recorrente alega ter recolhido a maior do que o efetivamente devido. Da análise feita pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, proferiu despacho decisório que não homologou a compensação declarada pela Recorrente, em síntese, por inexistência de crédito. Com isso, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, demonstrando que o entendimento manifestado no r. despacho decisório foi decorrente de mero erro material de preenchimento de DCTF, a qual foi devidamente retificada pela Recorrente. Em sede de Recurso Voluntário, requer que seja reformado o acórdão de primeira instância administrava, pelos argumentos expostos. Da Conversão em Diligência Foi alegada a ocorrência de erro material que teria motivado a origem do crédito. Por este motivo, ante a alegada alegação de erro com a possibilidade de documentos que comprovem a correta formação da base de cálculo, justifica se a conversão em diligência. Para tanto, traz em sede de seu Recurso Voluntário, cópias dos razões e balanços contábeis que dão base para os valores constantes da apuração da referida contribuição social. Com isso, busca apontar que os respectivos documentos contábeis dos períodos de dezembro/04 (doc. 03), janeiro/05 (doc. 04) e março/05 (doc. 05), comprovam o pagamento realizado pela ora Recorrente de R$ 40.501,43 a título de COFINS se trata de pagamento indevido. Desta forma, razoável a dúvida neste relator suscitada a respeito da real ocorrência de pagamento a maior, justificando a baixa, à autoridade preparadora, para análise desta documentação que se perfazem os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10830.917089/200972 Resolução nº 3001000.152 S3C0T1 Fl. 203 6 la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10830.917089/200972 Resolução nº 3001000.152 S3C0T1 Fl. 204 7 de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10830.917089/200972 Resolução nº 3001000.152 S3C0T1 Fl. 205 8 autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Isto porque, o tema de instrução probatória, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios em definição, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, se faz possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito, tal alternativa deve ser posta em prática. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Confirase a lição do Conselheiro Cássio Schappo: Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10830.917089/200972 Resolução nº 3001000.152 S3C0T1 Fl. 206 9 Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10830.917089/200972 Resolução nº 3001000.152 S3C0T1 Fl. 207 10 forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Proposta de Conversão em Diligência Portanto, ante a tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas que, por desapego, até inconsciente, no que tange aos critérios utilizados pelo fisco, a fim de aceitar a legitimidade dos créditos postos pela recorrente, e, por outro lado, a possibilidade de o Estado negar crédito regular, fazse justiça ao pleito em perfazimento à orientação acima exposta, e por entender que este PAF não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência determinar à autoridade preparadora que intime a recorrente para que traga aos autos os documentos que julgar conveniente à comprovação da efetiva ocorrência do Erro material argumentado, e, que aponte, os respectivos lançamentos em seus livros Razão e Diário. Após a autoridade preparadora deverá preparar relatório, minudente e concludente, acerca da formação da base de cálculo da contribuição, apontando os valores incluídos em sua base de cálculo.. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901139/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
Numero da decisão: 3401-005.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(nova denominação de REPSOL YPF BRASIL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 11 39 /2 01 2- 22 Fl. 177DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP – de final 8010) de fls. 115 a 1191, datado de 09/12/2009, invocando crédito de COFINS referente a pagamento considerado indevido, de setembro de 2008, efetuado em 22/10/2008, no valor de R$ 68.148,59, utilizado totalmente em compensação. No Despacho Decisório Eletrônico de fl. 120, datado de 03/04/2012, o pedido é negado, sob a motivação e que “[a] partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...) integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Às fls. 99 a 104, consta Manifestação de Inconformidade, com protocolo de 16/05/2012, na qual a empresa informa que o pagamento efetuado é indevido porque não apurou contribuições a pagar no período, anexando cópia de DACON (fls. 78 a 96), e informando que houve erro de preenchimento no DARF, no que se refere ao vencimento. A decisão de primeira instância (fls. 130 a 134), proferida em 07/02/2014, foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, por ter sido demonstrado o direito creditório, de conformidade com a legislação aplicável ao assunto apreciado, e não ter sido, portanto, comprovado haver crédito líquido e certo que compensasse o débito pleiteado pela empresa, pois o valor do crédito pleiteado foi alocado para cobrir outro débito, conforme demonstrado. À fl. 139, consta termo de abertura de documento, datado de 05/11/2014, e, à fl. 140, termo de ciência por decurso de prazo, ocorrido em 20/11/2014. Ciente da decisão de piso, a empresa solicita, em 03/12/2014 (fl. 141), a juntada do Recurso Voluntário (fls. 142 a 148), no qual se sustenta que: (a) a ciência da decisão de piso de deu em 05/11/2014; (b) a análise da DRJ foi superficial, e não enfrentou o argumento de que a empresa não apurou COFINS a pagar, o que demonstrou em DACON, em nome da verdade material; (c) “é possível que a identificação do pagamento do DARF anexado tenha sido dificultada em razão de pequeno erro em seu preenchimento, no que diz respeito ao período de vencimento que constou o ano de 2003, ao passo que o correto é o ano de 2008”, e, “ainda que isto seja verdade, tal fato não pode ter o condão de inviabilizar a compensação pleiteada”, em nome da verdade material; e (d) alternativamente, demandase a conversão em diligência, “...com o objetivo de comprovar a existência do crédito”. Em 08/12/2014, o recurso apresentado é reconhecido como tempestivo e enviado ao CARF (fl. 176), sendo distribuído a este relator, por sorteio, em junho de 2018. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 178DF CARF MF Processo nº 16682.901139/201222 Acórdão n.º 3401005.744 S3C4T1 Fl. 178 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se conhece. Em sua manifestação de inconformidade, alegou a recorrente que não apurou contribuições a pagar em setembro de 2008, o que restaria demonstrado pela cópia de DACON às fls. 78 a 96. De fato, à fl. 78, consta cópia de DACON zerado, transmitido em 30/06/2009: No entanto, não juntou a empresa cópia de DCTF, ou registros contábeis, aos autos, e pressupôs que a eventual impossibilidade de alocação do pagamento se devia a erro no DARF, que pode ser visualizado à fl. 67 (digitação de 2003, ao invés de 2008, no ano): Fl. 179DF CARF MF 4 E tal erro se refletiu na DCOMP (fl. 64): A razão de indeferimento do despacho decisório foi que tal DARF já havia sido utilizado para saldar débitos da empresa. E a DRJ identificou objetivamente a quais débitos se alocou o pagamento, conforme tela de sistema da RFB (fl. 133): Fl. 180DF CARF MF Processo nº 16682.901139/201222 Acórdão n.º 3401005.744 S3C4T1 Fl. 179 5 O pagamento, então, não está disponível. E por isso restou prejudicada a análise do DACON, pela DRJ. Ainda que fosse indevido o valor de COFINS em setembro, o pagamento não foi a ele alocado, mas a outros débitos da empresa, o que obstaculiza a alocação na compensação. Correta, assim, a decisão da DRJ, no sentido de que a empresa não dispõe do crédito alegado. O que se esperava, em sede recursal, é que a empresa demonstrasse que as alocações de pagamento efetuadas em 12/06/2009 não eram procedentes, ou, ao menos, que documentasse melhor as alegações constantes da manifestação de inconformidade. No entanto, o que se vê no recurso voluntário é, basicamente, a reiteração da argumentação da peça inaugural de defesa, com alegações que não são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. E, recordese, nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação Fl. 181DF CARF MF 6 jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 E a demanda alternativa para conversão em diligência “...com o objetivo de comprovar a existência do crédito” fala por si só. Como exposto, a diligência não se presta para 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 16682.901139/201222 Acórdão n.º 3401005.744 S3C4T1 Fl. 180 7 que o contribuinte, postulante ao crédito, prove o que deveria ter provado desde a instauração do contencioso, respeitados os procedimentos estabelecidos no Decreto no 70.235/1972, mas para sanar eventual dúvida do julgador na apreciação da lide, desde que cumpridos os requisitos processuais aplicáveis ao caso. E não se vê, no presente contencioso, amparo probatório suficiente para demonstrar estar correta a alegação de defesa, sendo a documentação apresentada inapta até para semear a dúvida no julgador, no caso. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.003922/2003-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, após análise da matéria pela Turma, declinar da competência para julgamento, haja vista se tratar de matéria de competência da 1ª Seção CARF, nos termos do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 2º, inciso III, na redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada em substituição ao conselheiro Paulo Sergio da Silva), Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1478; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 731 1 730 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.003922/200303 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.718 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de janeiro de 2019 Assunto DECLÍNIO DE COMPETÊNCIA Recorrente ROVNO SERVICOS EMPRESARIAIS LTDA ME e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, após análise da matéria pela Turma, declinar da competência para julgamento, haja vista se tratar de matéria de competência da 1ª Seção CARF, nos termos do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 2º, inciso III, na redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada em substituição ao conselheiro Paulo Sergio da Silva), Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 03 92 2/ 20 03 -0 3 Fl. 731DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 732 ___________ RELATÓRIO Tratase de processo que retorna ao colegiado em atendimento ao decidido no Acórdão nº 9100000.315, do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 699) que, em Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, teve por consequência a reforma do julgado da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, formalizado por meio do Acórdão nº 10247.765, de 26/07/2006, que acolheu a preliminar de decadência do direito de constituir os créditos tributários discutidos e cancelou o lançamento relativo a Imposto de Renda Retido na Fonte, determinando, então, a baixa do processo para julgamento do mérito. Cientificado o contribuinte, o processo retornou a este Tribunal para julgamento. Em agosto de 2016, os autos foram devolvidos à Unidade de Preparo em função dos débitos não estarem compatíveis com a situação de julgamento. Conforme extrato do processo, os débitos estariam na situação “Devedor”. Verificada alteração de domicílio tributário, o processo foi, então, movimentado à DRF/CTAPR e, uma vez procedidos aos devidos ajustes no sistema SIEF/Processo, retornaram a este Tribunal para apreciação do mérito do recurso voluntário, conforme determinado pelo Acórdão nº 9100000.315. Os fatos que serão apreciados foram bem relatados no Acórdão nº 10247.765, reformado, cujo relatório pedimos vênia para reproduzir: Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 543/579, interposto por NETPLAN BANK LTDA. contra decisão da 4ª Turma da DRJ em Campinas/SP de fls. 506/533, que julgou procedente o lançamento de fls. 190/195, lavrado em 10/12/2003, do qual o contribuinte tomou ciência em 19/12/2003. O auto de infração resulta de falta de recolhimento do IRF sobre rendimentos pagos, pelo contribuinte, a residentes ou domiciliados no exterior, em 16/02/98, 20/10/98 e 21/10/98, por meio do qual foi apurado crédito tributário no valor de R$ 194.055,90, já incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%. O Contribuinte, em 19/01/2004, apresentou a Impugnação de fls. 365/403, em que alega, em síntese, que: (1) em virtude da suposta omissão de receitas, apurada por irregular procedimento focado única e exclusivamente em movimentação bancária, foram lavradas as autuações reflexivas para a exigência, além do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, do Programa de Integração Social, da Contribuição para Seguridade Social e Contribuição Social; dessa feita, requer a reunião dos autos para que seja instruído de forma única, valendo para todos uma única impugnação, então ofertada; (2) o IRF está inserido na sistemática de lançamento por homologação; em decorrência, observandose o lapso temporal entre o fato gerador e a ciência do Al ocorrido em 19.12.2003, notase decurso de prazo superior a 5 anos, culminando com a decadência do direito da Fazenda de lançar o tributo; Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10882.003922/200303 Resolução nº 2402000.718 S2C4T2 Fl. 733 3 (3) a autoridade lançadora não provou que os valores em questão foram transferidos da conta bancária do impugnante para a suposta conta de não residentes no país; ademais, nem mesmo a existência desses "Docs" restou provada; sendo assim, não havendo a autoridade fiscal identificado os supostos beneficiários residentes no exterior, a imputação de omissão representa manifesto cerceamento de defesa da impugnante; (4) houve ilegal violação do sigilo bancário da autuada. Sendo assim, face à inexistência de autorização judicial que autorizasse a quebra, conseqüentemente, as informações extraídas mostramse absolutamente imprestáveis, tornandose elementos desprezados para instruir qualquer procedimento; acrescenta que a Lei Complementar 105/2001 contraria a Constituição Federal, tendo ocorrido, ainda, a irretroatividade de lei posterior prejudicial ao Contribuinte; (5) a autoridade fiscal afirma que a impugnante teria apresentado documentos fiscais inidôneos a fim de justificar os valores despendidos a título de prestação de serviços por pessoa jurídica, relativamente às empresas INEPAR S/A, COSUMI ASSESSORIA E SERVIÇOS LTDA e MS CONSULTORIA EMPRESARIAL S/C LTDA. Entretanto, a autuante não obteve nenhum elemento concreto que evidenciasse a utilização dolosa de documentos fiscais supostamente inidôneos pela impugnante. Salienta que à época das operações entre a impugnante e as empresas supostamente inidôneas não havia nenhuma mácula que impregnassem suas reputações, bem como a prestação de serviços regularmente efetuadas naquele ano de 1998. (6) houve tributação reflexa para a PIS, COFINS e Contribuição Social. (7) estando o lançamento principal liquidado, devem os lançamentos reflexivos serem alcançados por igual fenômeno jurídico. A DRJ, analisando a Impugnação apresentada, decidiu, às fls. 506/533, pela procedência do lançamento, por entender, inicialmente, com relação à decadência suscitada, que, no que tange ao lançamento por homologação, o prazo estabelecido no art. 150 do CTN pressupõe o pagamento prévio, o qual daria ao fisco o conhecimento da atividade exercida pelo Contribuinte. No presente caso, como o Contribuinte nada recolheu a título de IRF, deve ser aplicado o disposto no art. 173 do mesmo diploma legal. Dessa feita, não há de se cogitar a decadência. No mérito, quanto à alegação de que a fiscalização não indica quem seriam os beneficiários no exterior, o que representaria cerceamento de defesa, esclarece que mesmo por meio da constatação de indícios, seria possível a construção de presunções, as quais, de acordo com o art. 136 do Código Civil, afiguramse como meios lícitos de prova e, portanto, aptas a justificarem o procedimento adotado pela fiscalização, como também, para a DRJ, suficientes a firmarem convencimento. (...) Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10882.003922/200303 Resolução nº 2402000.718 S2C4T2 Fl. 734 4 Acrescenta que o contribuinte nada apresentou sobre a exigência do IRPJ calcada na falta de comprovação da origem dos recursos creditados em suas contascorrentes, recursos estes nos quais se incluem as remessas de numerários motivadoras da exigência de IRF discutida no presente processo. O Contribuinte foi devidamente intimado da decisão, em 06.11.2004, como faz prova o AR de fls. 542, havendo interposto O Recurso Voluntário de fls. 543/579, ratificando os argumentos de sua impugnação. Para tanto, junta relação de bens e direitos para arrolamento, de fls. 581, em atendimento à exigência fiscal. É o Relatório. VOTO Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora Analisando a questão de direito debatida nos presentes autos, verificase que se trata de matéria afeta à competência da Primeira Seção de Julgamento deste Tribunal, nos termos do que dispõe o RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 2º, inciso III, na redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, nos seguintes termos: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ, ou se referir a litígio que verse sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou da causa; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (...). Desse modo, entendo que falece competência a este colegiado para apreciação deste recurso. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 734DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10070.001472/2005-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) apresente Relatório Fiscal referente à análise do crédito de R$ 20.764.171,47, pleiteado através do PER/DCOMP objeto do Despacho Decisório, informando qual o valor a que o Recorrente efetivamente faz jus, excluindo, por óbvio, qualquer parcela deste crédito que possa estar sendo objeto de discussão judicial; (ii) informe, neste mesmo Relatório Fiscal, se há crédito suficiente para as compensações efetuadas, detalhando-o; (iii) intime o contribuinte para, caso queira, se manifestar sobre o Relatório Fiscal e demais documentos produzidos em diligência no prazo de 30 (trinta) dias - esgotado esse prazo, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lazaro Antonio Souza Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) apresente Relatório Fiscal referente à análise do crédito de R$ 20.764.171,47, pleiteado através do PER/DCOMP objeto do Despacho Decisório, informando qual o valor a que o Recorrente efetivamente faz jus, excluindo, por óbvio, qualquer parcela deste crédito que possa estar sendo objeto de discussão judicial; (ii) informe, neste mesmo Relatório Fiscal, se há crédito suficiente para as compensações efetuadas, detalhandoo; (iii) intime o contribuinte para, caso queira, se manifestar sobre o Relatório Fiscal e demais documentos produzidos em diligência no prazo de 30 (trinta) dias esgotado esse prazo, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lazaro Antonio Souza Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 70 .0 01 47 2/ 20 05 -2 2 Fl. 9118DF CARF MF Processo nº 10070.001472/200522 Resolução nº 3401001.681 S3C4T1 Fl. 9.119 2 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação de débito de IPI, no período de apuração 31/10/2005, nos valores de R$ 379.246,91, R$ 63.809,69 e R$ 13.157,25 com crédito oriundo da incidência nãocumulativa da contribuição ao PIS, nos períodos 07/2005 e 08/2005, e de COFINS do período 08/2005 (fl.01/6). Posteriormente, apresentou nova Declaração de Compensação utilizandose do mesmo crédito, anexada no processo n° 10070.001314/200572, em apenso. A DRF I Rio de Janeiro, por meio do despacho decisório de fls. 235/237, indeferiu totalmente a solicitação da Recorrente por não ter sido comprovado o pagamento a maior ou indevido das contribuições, conforme transcrições abaixo: Com vistas à análise do direito creditório alegado, e com base no art. 65 da IN RFB nº 900/2008 fo i realizada diligência fiscal junto ao contribuinte e emitido o Relatório de Diligência, documento base desta análise, de fls. 210/213, constatando, entre outros motivos para a presente negativa do pleito da interessada, a não apresentação pela interessada dos documentos originais que deram origem aos créditos de PIS e COFINS não cumulativos e que serviram de base à escrituração da DACON no anocalendário de 2005, tendo a interessada apresentado tão somente planilhas no formato Excel elaboradas pelo Consórcio Alumar. A Recorrente apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 242/248, alegando em síntese que: 1. A apresentação unicamente da planilha, elaborada pelo consórcio do qual a Requerente é integrante, se deu pelo grande volume de notas fiscais e demais documentos que, embora não tivessem sido apresentados em tempo hábil à resposta à intimação recebida, já estão à disposição do Sr. Auditor Fiscal; 2. Preliminarmente, nada obsta que essa Delegacia aprecie a documentação ora apresentada, uma vez que a mesma é necessária à comprovação da verdade material, sendo essa posição unânime da Câmara Superior de Recursos Fiscais; 3. Restando demonstrada a possibilidade da apuração dos créditos em causa e, estando documentalmente comprovada a sua apuração, deve ser inequivocadamente reconhecida a possibilidade da compensação realizada pela requerente nos autos do presente processo administrativo; 4. Seja dado provimento ao presente recurso, para anular o despacho decisório; ou seja reformado o despacho decisório, reconhecendose em face da provas acostada aos autos a suficiência dos créditos para a realização das compensações pretendidas e determinandose o cancelamento da cobrança ora recorrida. A DRJ Rio de Janeiro (DRJRJ2), por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em Acórdão de 21/07/2011, assim ementado: Fl. 9119DF CARF MF Processo nº 10070.001472/200522 Resolução nº 3401001.681 S3C4T1 Fl. 9.120 3 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. As diligências, passíveis de serem promovidas em sede de julgamento administrativo, não se destinam a suprir a omissão na produção da prova por parte daquele a quem tal ônus incumbia, mas apenas à dirimição de dúvidas pontuais acerca dos elementos de prova trazidos aos autos. PROVA DOCUMENTAL A prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Esta Turma do CARF, em Sessão de 27/11/2012, através da Resolução nº 3401 000.628, decidiu, por maioria, converter o presente julgamento em diligência, nos seguintes termos: Diante do exposto requer a conversão do julgamento em diligência para que: a Recorrente atenda a intimação do fisco apresentando as cópias autenticadas dos documentos que comprove o seu direito creditório; sejam verificados os documentos apresentados pela Recorrente pela Delegacia de Origem para verificação e exatidão do seu direito creditório. A DRF de origem, então realizou a diligência determinada, intimando o contribuinte a cumprir o quanto determinado na Resolução do CARF. O contribuinte apresentou uma primeira resposta em 20/10/2017, às fls. 356 e 357, contendo uma série de documentos solicitados pelo AuditorFiscal responsável pela diligência. Já em 23/10/2017, apresentou um complemento à resposta anterior, à fl. 358, ressaltando que os documentos requeridos na diligência fiscal estariam sendo disponibilizados em cópias digitalizadas dos originais, porém não seria factível a “autenticação” dos mesmos, devido à grande quantidade (cerca de 7 mil documentos). Além dessa dificuldade de ordem prática, ressalta também a norma constante do art. 9º do Decreto nº 9.094/2017, que prevê: Art. 9º Exceto se existir dúvida fundada quanto à autenticidade ou previsão legal, fica dispensado o reconhecimento de firma e a autenticação de cópia dos documentos expedidos no País e destinados a fazer prova junto a órgãos e entidades do Poder Executivo federal. A Autoridade Tributária, então, em 20/12/2017, apresentou Relatório de Diligência, às fls. 9050/9052, nos seguintes termos: Fl. 9120DF CARF MF Processo nº 10070.001472/200522 Resolução nº 3401001.681 S3C4T1 Fl. 9.121 4 Afirma o interessado que não é factível a autenticação em formato PDF dos documentos originais, mas é possível a autenticar os documentos antes de serem digitalizadas no formato PDF, ao contrário do que afirma o interessado. Autenticar uma grande quantidade documentos, pode ser custoso e trabalhoso, mas perfeitamente possível. Apresentar documentos autenticados foi requerido ao contribuinte, que se negou entregar documentos originais. Cópias não autenticadas foram entregues e não aceitas como prova, ou seja, a cópia não autenticada não foi considerada, pela diligência, documento hábil e capaz. O CARF abriu mão dos originais, mas exigiu cópias autenticadas. Havia dúvidas anterior ao decreto, a publicação do decreto não afasta a dúvida já manifestada. Ciente das limitações impostas, o interessado resolveu não acatálas. O trabalho a ser realizado por esta Delegacia (analisar a material recebido) tem de levar em conta as bitolas estabelecidas. Se o CARF determinou cópia autenticada este limite tem de ser respeitado. A ausência de material comprobatório como estabelecido, implica no não reconhecimento da certeza e liquidez requerida de todo crédito a ser compensado. A falta de material trabalhável, torna impossível a quantificação do crédito pretendido, como determinado pelo CARF. Deste modo, mantémse o não reconhecimento creditório do valor de R$3.473.144,94, e a consequência de não homologar a compensação do débito de R$456.213,85, que utilizou estes créditos não reconhecidos. O contribuinte, por sua vez, em 25/04/2018, apresentou Manifestação sobre este Relatório, às fls. 9059/9063, da seguinte forma: Em atenção à determinação do CARF, foi expedido o Termo de Intimação nº 1.432/2017, por meio do qual foi solicitada a documentação comprobatória do direito creditório em meio digital. Assim procedeu a Recorrente, tendo apresentado a digitalização dos originais dos documentos requeridos, obedecendo a forma estabelecida pela Portaria DEMAC nº 14/2014 e IN RFB nº 1.412/2013. Ocorre que a ora Recorrente foi notificada do Relatório de Diligência Fiscal objeto da presente manifestação, no qual consta que “o contribuinte [...] se negou a entregar documentos originais” razão pela qual “a cópia não autenticada não foi considerada, pela diligência, documento hábil e capaz”, deixando a d. autoridade de analisar a documentação juntada pela Recorrente e se manifestando pelo não reconhecimento do direito creditório pretendido. Em outras palavras, não obstante a Recorrente tenha disponibilizado a digitalização dos mais de 7 mil documentos originais hábeis para comprovação do direito creditório pleiteado, a d. autoridade fiscal deixou de analisar a documentação sob o argumento de que o CARF abriu mão dos originais, mas exigiu cópias autenticadas. [...] Se o CARF determinou cópia autenticada este limite tem de ser respeitado. Ora, com a devida vênia, sendo o meio digital o escolhido pela d. autoridade fiscal para a entrega da documentação solicitada, os Fl. 9121DF CARF MF Processo nº 10070.001472/200522 Resolução nº 3401001.681 S3C4T1 Fl. 9.122 5 arquivos apresentados eletronicamente são digitalizações das vias originais que se encontram em meio físico, arquivadas no estabelecimento fabril da Recorrente no Estado do Maranhão, como já exposto nos autos. (...) Exatamente por se tratarem de digitalizações em formato PDF dos documentos originais, não há qualquer razoabilidade na exigência da “autenticação” mencionada à fl. 349 do presente processo administrativo. Tal exigência está em evidente descompasso com o meio eletrônico no qual este processo administrativo tramita atualmente, impondo uma obrigação claramente desnecessária. (...) (iii) a autoridade fiscal se recusa a analisar os documentos por entender que deveria o contribuinte primeiro ter realizado cópias físicas dos mais de 7.000 documentos originais, levandoos a cartório para autenticação das cópias, e na sequência ter digitalizado as cópias autenticadas, apesar de possuir os próprios originais. É forçoso concluir que a exigência não é razoável, e gritantemente desproporcional, contraria o art. 2º, parágrafo único, VI, VIII e IX, da Lei nº 9.784/99: É o Relatório. Voto Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares, Relator Pelo exposto no Relatório, verifico que os argumentos do Recorrente são, em parte, procedentes. Pela grande quantidade de notas fiscais apresentadas para comprovar os créditos pleiteados, entendo que a solicitação de autenticação de todas as cópias, contida na Resolução CARF nº 3401000.628, apesar de adequada para garantir a idoneidade destes documentos, se mostra desnecessária e desproporcional por conta da existência de meios menos gravosos ao Recorrente para se atingir o mesmo objetivo. Vale ressaltar que a Lei nº 13.276, de 08/10/2018 dispensou a exigência de autenticação de cópia de documento, porém desde que seja possível, mediante a comparação entre o original e a cópia, atestar a autenticidade: Art. 3º Na relação dos órgãos e entidades dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios com o cidadão, é dispensada a exigência de: (...) Fl. 9122DF CARF MF Processo nº 10070.001472/200522 Resolução nº 3401001.681 S3C4T1 Fl. 9.123 6 II autenticação de cópia de documento, cabendo ao agente administrativo, mediante a comparação entre o original e a cópia, atestar a autenticidade; Conforme a resposta do contribuinte à fl. 356 do processo eletrônico, foi entregue à Fiscalização uma "Listagem das Notas Fiscais de aquisição que comprovam o direito creditório referente ao processo em epígrafe presente no arquivo excel denominado Listagem das Notas Fiscais 07 08 2005.XLSX". Com base nessa listagem, pode a Autoridade Tributária determinar um percentual representativo das notas fiscais com os maiores valores de créditos destacados, dentre os 3 a 5 maiores fornecedores, e tomar essa quantidade como uma amostra para verificar a correção da listagem apresentada, bem como a idoneidade das cópias não autenticadas das notas fiscais. Assim, apenas essa amostragem precisaria ser apresentada ao Fisco em meio físico, seja através de cópias autenticadas, ou seja através dos próprios originais. A digitalização de cópias autenticadas, como bem colocado pelo contribuinte, não faz qualquer sentido, pois já foram anexadas aos autos cópias digitalizadas dos originais. O que se pretendia, na Resolução anterior deste CARF, era conferir a idoneidade das notas fiscais, o que, obviamente, não pode ser feito através de cópias digitalizadas. A amostragem aqui sugerida deve ser apresentada em notas fiscais originais ou cópias autenticadas, em meio físico. O contribuinte, em resposta à intimação datada de 02/06/2010, apresentou Ofício, anexado às fls. 79 e 80, no qual afirma o seguinte: Em relação às solicitações feitas nos subitens 2.1 a 2.11, exceto pelo comprovante de pagamento de aluguel, as notas fiscais de entrada e saída ficam arquivadas no Maranhão por determinação contratual e também para atender a fiscalização local. Assim, não estamos autorizados a retirálas do escritório administrativo do Consórcio Alumar. Para casos em que houve necessidade de demonstração da documentação original às autoridades fiscais dos estados onde se localizam as sedes das empresas membros do Consórcio, foram feitas diligências, pelos representantes da Receita Federal do Maranhão. A Autoridade Tributária tem acesso irrestrito aos documentos necessários para a apuração dos fatos tributários, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Não pode o contribuinte impor limites ou condições para a atuação da Autoridade Tributária. Assim dispõe a legislação, tanto no art. 6º, inciso I, alínea "d", da Lei nº 10.593/2002, quanto no art. 195 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional): Lei nº 10.593/2002 Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (...) d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; Fl. 9123DF CARF MF Processo nº 10070.001472/200522 Resolução nº 3401001.681 S3C4T1 Fl. 9.124 7 Lei nº 5.172/66 Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Como se vê, o contribuinte tenta opor à Fiscalização uma disposição contratual limitando sua prerrogativa de examinar os documentos fiscais, querendo impor a condição de ser realizada em diligência por outra unidade do Fisco (DRF São Luís), distinta daquela que realiza a apuração do crédito. Tais acordos contratuais vinculam unicamente as partes, e não podem ser opostos ao Fisco, por estrita determinação legal. Assim, deve o contribuinte apresentar à Autoridade Tributária responsável pelo exame do direito creditício todos os documentos por este solicitados, desde que a solicitação esteja balizada pelo respeito aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Se o Recorrente optou por realizar empreendimento em consórcio, e obrigando se contratualmente a não retirar os documentos fiscais do escritório em São LuísMa, deverá arcar com as consequencias da não apresentação das notas fiscais solicitadas, no caso, o indeferimento integral do pedido de ressarcimento de crédito por ausência de comprovação do seu montante. Entendo que a apresentação de uma amostra das notas fiscais originais, ou de suas cópias autenticadas, em percentual a ser definido pelo AuditorFiscal responsável, não se constitui em medida desnecessária ou desproporcional para o fim de comprovar o crédito pleiteado, em especial sendo seu o ônus de provar o quanto alegado, conforme previsto no art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Deve ser destacado que, obviamente, caso seja constatado, a partir da amostragem, que a lista indicativa das Notas Fiscais de aquisição que comprovariam o direito creditório está incorreta, ou que existe divergência entre as cópias simples apresentadas e os originais das notas fiscais, a efetiva quantificação do crédito só poderá ocorrer a partir da disponibilização do todas as notas fiscais de entrada, para que a Autoridade Tributária possa realizar a quantificação a partir de documentos efetivamente hábeis a comprovar o quanto pleiteado. Fl. 9124DF CARF MF Processo nº 10070.001472/200522 Resolução nº 3401001.681 S3C4T1 Fl. 9.125 8 Nesse contexto, voto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local da RFB adote as seguintes providências: (i) Apresente Relatório Fiscal referente à análise do crédito de R$20.764.171,47, pleiteado através do PER/DCOMP objeto do Despacho Decisório, informando qual o valor a que o Recorrente efetivamente faz jus, excluindo, por óbvio, qualquer parcela deste crédito que possa estar sendo objeto de discussão judicial; (ii) Informe, neste mesmo Relatório Fiscal, se há crédito suficiente para as compensações efetuadas, detalhandoo; (iii) Intime o contribuinte para, caso queira, se manifestar sobre o “Relatório Fiscal” e demais documentos produzidos em diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Esgotado esse prazo, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Lazaro Antonio Souza Soares Relator Fl. 9125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720408/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
O contribuinte assume o ônus sobre a prova da liquidez e da certeza do crédito, utilizado em Declaração de Compensação, mediante a demonstração do seu direito pela escrituração contábil e fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
Numero da decisão: 1201-002.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10280.720405/2009-69, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. O contribuinte assume o ônus sobre a prova da liquidez e da certeza do crédito, utilizado em Declaração de Compensação, mediante a demonstração do seu direito pela escrituração contábil e fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
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EPP????? Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. O contribuinte assume o ônus sobre a prova da liquidez e da certeza do crédito, utilizado em Declaração de Compensação, mediante a demonstração do seu direito pela escrituração contábil e fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 04 08 /2 00 9- 01 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10280.720408/200901 Acórdão n.º 1201002.389 S1C2T1 Fl. 3 2 segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10280.720405/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo recurso voluntário, considerando que o acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, parcialmente, não homologando a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) pela inexistência do crédito suficiente. De acordo com referido despacho decisório, "considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada." Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável suficiente, questionando a incidência de juros e multa de mora sobre o valor devido e vencido, quando da mencionada transmissão da declaração de compensação (DCOMP). É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.376, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.720405/2009 69, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.376): "Divergindo sobre os acréscimos de juros e multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP), o contribuinte narrou os seguintes fatos em seu recurso voluntário: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10280.720408/200901 Acórdão n.º 1201002.389 S1C2T1 Fl. 4 3 Todavia, o acórdão recorrido concluiu pela insuficiência do crédito, ressaltando a incidência de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) e multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP), in verbis: Igualmente, quanto à Lei 8.393/1991, haveria a necessidade da prévia transmissão da Declaração de Compensação (artigo 21, § 1º) , como explicitado pelo acórdão recorrido: Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10280.720408/200901 Acórdão n.º 1201002.389 S1C2T1 Fl. 5 4 O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". A Lei nº 9.430/1996 regulamentou o procedimento de ressarcimento, restituição e compensação, determinando a incidência dos acréscimos moratórios no seu artigo 61: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei). Atualmente, a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) orienta sobre o acréscimo de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), não havendo dissidência jurisprudencial sobre o tema: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Isto posto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e NEGOLHE PROVIMENTO." Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10280.720408/200901 Acórdão n.º 1201002.389 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.906858/2012-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2007
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2007 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 58 /2 01 2- 35 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13888.906858/201235 Acórdão n.º 3003000.022 S3C0T3 Fl. 3 2 Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS no valor original na data de transmissão de R$ 4.187,50, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/09/2007. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de PIS/PASEP, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13888.906858/201235 Acórdão n.º 3003000.022 S3C0T3 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 02 056.384. O fundamento adotado, em síntese, foi o de rejeição da preliminar de nulidade e falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à nulidade tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido e, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação pleiteada. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior, decorrente de revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório e da decisão recorrida por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13888.906858/201235 Acórdão n.º 3003000.022 S3C0T3 Fl. 5 4 § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a PIS, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que entendeu embasar o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer ao contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13888.906858/201235 Acórdão n.º 3003000.022 S3C0T3 Fl. 6 5 Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Alega a Recorrente que efetuou revisão dos seus créditos da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS e deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no pagamento das contribuições a maior durante todo o período revisado. Para embasar o seu direito juntou ao presente processo DACON original e retificador, demonstrativo dos cálculos e amostras de Notas Fiscais. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, reproduzido no art. 373 do Novo CPC (Lei nº 13.105/2015): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou a prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a apresentar o DACON retificador, demonstrativo e amostras de Notas Fiscais, porém sem documentos hábeis, idôneos e suficientes que os embasassem. As declarações retificadas e demonstrativos produzidos pelo contribuinte, bem como, provas apresentadas por amostragem desacompanhadas dos livros e documentos exigidos pela legislação são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13888.906858/201235 Acórdão n.º 3003000.022 S3C0T3 Fl. 7 6 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.002146/2007-93
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
LANÇAMENTO
Cancela-se o lançamento realizado sem base legal.
Numero da decisão: 1103-000.327
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária do primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade.
Nome do relator: MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária do primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Marcos Shigeo Takata, Gervásio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correa Sotero (vicepresidente). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 09/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 04/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Relatório Trata de recurso de ofício. Questionamse exigências de oficio do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (R$ 601.293,74), fls. 57, e, por reflexividade, do PIS (R$ 40.081,38), fls. 67, da CSLL (R$ 218.625,73), fls. 67 e da COFINS (R$ 72.875,24), fls. 73, atinentes ao ano calendário de 2002, acrescidas da penalidade de oficio, 75%, e juros moratórias SELIC. Fundadas no artigo 42 da Lei n. 9.430/96, foi considerada, pela fiscalização, como Omissão de receitas, a diferença anual entre valores depositados em contas correntes bancárias da pessoa jurídica, e valores escriturados a tal titulação no Livro Diário, referente ao ano calendário de 2002, fls. 56 e 59. Ciente das exigências em 18.12.07, fls. 67, o sujeito passivo acostou aos autos a impugnação de fls. 334/359, protocolada em 17.01.08, através da qual, em síntese, alega: a. do cerceamento do direito de defesa, visto que, dispondo do prazo de 30 dias para impugnar a suspensão da isenção tributária a que tem direito o contribuinte, art. 174 do RIR/99, — ato declaratório n. 07, de 30/11/2008, impossível, a seu entendimento, a antecipação do resultado daquele julgamento; b. da nulidade do processo administrativo fiscal, por inexistência de Mandado de Procedimento Fiscal complementar, que autorizasse as exações, conforme artigo 10 da Portaria RFB nº. 4066/07; c. da decadência para o ano calendário de 2002, em conformidade com o artigo 150, § 4, do CTN e jurisprudência administrativa relativa à matéria; d. da inexistência de prova, de iniciativa da fiscalização, de qualquer acréscimo patrimonial a descoberto; e. da comprovação dos lançamentos contábeis do depósitos junto ao Banco do Brasil, conforme documentação acostada aos autos; f. dos lançamentos reflexos, com mesma destinação do lançamento principal; g. da multa como penalidade confiscatória; h. da taxa SELIC, inaplicável como juros moratórios. A DRJ decidiu ementa: “OMISSÃO DE RECEITA. LEI N . 9.430/96. ART.42. MATERIALIDADE FACTUAL Não concretizada a materialidade factual da hipótese de incidência prescrita no artigo 42 da Lei re, 9430/96, inexigível o tributo apurado de oficio. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OLI CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2002 PIS, COFINS E CSLL. REFLEXIVIDADE. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 09/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 04/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18471.002146/200793 Acórdão n.º 110300.327 S1C1T3 Fl. 2 3 A lançamentos tomados por mera reflexividade, aplicase o mesmo decisium do feito que lhes deu origem.“ Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche os requisitos. No caso, o lançamento foi baseado no art. 42 da Lei n.º 9.430/1996, a saber: “Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados” No termo de início a fiscalização pediu os livros e os extratos. No termo de intimação fiscal 01, pediu livros e extratos bancários. Da mesma forma, no termo de reintimação. E finalmente no Termo de Constatação Fiscal (TVF) temos: “No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no curso da ação fiscal no contribuinte acima identificado, iniciada em 07 /02/2007 e de acordo com o disposto nos art. 904, 905, 910, 911 e 927 do Decreto n 2 3.000 de 4, 26 de março de 1999 (RIR199), CONSTATAMOS DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DOS DEPÓSITOS E OUTROS LANÇAMENTOS A CRÉDITO NAS CONTAS CORRENTES DO BANCO DO BRASIL S.A. E DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL E OS CORRESPONDENTES VALORES REGISTRADOS NO LIVRO RAZÃO ANALÍTICO N. 010, PARA O ANO DE 2002, CONFORME ANEXOS I. II. III, IV, V E ANEXO "A". QUE COMPÕEM ESTE TERMO DE CONSTATAÇÃO. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 09/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 04/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 EM CONSEQÜÊNCIA, SERÁ PROCEDIDO LANÇAMENTO DE OFÍCIO SOBRE A DIFERENÇA APURADA: TOTAL ESCRITURADO NO LIVRO RAZÃO N. 010 ANO 2002 R$ 4.939.632,43 TOTAL DOS EXTRATOS = R$ 7.368.807,39 TOTAL OMITIDO DA ESCRITURAÇÃO A SER LANÇADO DE OFICIO a R$ 2.429.174,96” Do acima narrado resta claro, que não foi procedido de acordo com o art. 42 da Lei n.º 9430/96, e o lançamento realizado diferença entre depósitos e escrituração, não tem previsão no nosso ordenamento jurídico. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 09 de novembro de 2010 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 09/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 04/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.906878/2012-14
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2009
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2009 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 78 /2 01 2- 14 Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 13888.906878/201214 Acórdão n.º 3003000.094 S3C0T3 Fl. 3 2 Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS no valor original na data de transmissão de R$ 26.862,05, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 24/04/2009. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de PIS/PASEP, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 13888.906878/201214 Acórdão n.º 3003000.094 S3C0T3 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 02 056.404. O fundamento adotado, em síntese, foi o de rejeição da preliminar de nulidade e falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à nulidade tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido e, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação pleiteada. É o Relatório. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 13888.906878/201214 Acórdão n.º 3003000.094 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior, decorrente de revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório e da decisão recorrida por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa, entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 13888.906878/201214 Acórdão n.º 3003000.094 S3C0T3 Fl. 6 5 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que entendeu embasar o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer ao contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade. No que tange à reclamação pela ausência de diligências, os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a sua realização deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção. Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Alega a Recorrente que efetuou revisão dos seus créditos da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS e deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no pagamento das contribuições a maior durante todo o período revisado. Para embasar o seu direito juntou ao presente processo DACON original e retificador, demonstrativo dos cálculos, amostras de Notas Fiscais e cópias de fls do Livro Diário. Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 13888.906878/201214 Acórdão n.º 3003000.094 S3C0T3 Fl. 7 6 Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), artigo 373, inciso I: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Conforme jurisprudência majoritária do CARF e da posição firmada recentemente pelo STJ, a comprovação no caso do direito creditório referente a revisão de créditos da nãocumulatividade da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS revela a necessidade de aferição casuística da aplicação do conceito de insumos a determinado gasto, tendo sempre em vista a atividade desempenhada pelo contribuinte. Em outras palavras, saber se determinado dispêndio integra o conceito de insumos para fins de direito creditório no regime das contribuições nãocumulativas passa pela análise de sua essencialidade ou relevância em face das particularidades da atividade que determinada empresa desempenha. Nesse contexto, a instrução probatória ganha sensível importância, pois, em cada caso e para cada despesa, deverão ser demonstradas a relevância e a essencialidade dos gastos para atividade empresarial desenvolvida. Em cada caso concreto, a subsunção de um determinado gasto ao conceito de insumos deverá ser pautada pela análise da sua essencialidade e/ou relevância para a atividade produtiva ou de prestação de serviços, levando se em consideração a natureza da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Apesar de ter trazido aos autos DACON original e retificador, demonstrativo dos cálculos, amostras de Notas Fiscais e cópias de fls do Livro Diário, essa documentação é insuficiente para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. As declarações retificadas e demonstrativos produzidos pelo contribuinte, por si só, não fazem prova do direito alegado, bem como, as notas fiscais apresentadas por Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 13888.906878/201214 Acórdão n.º 3003000.094 S3C0T3 Fl. 8 7 amostragem são insuficientes para cobrir a redução dos débitos que se pretende. Apesar da documentação fiscal apresentada, ainda que extemporaneamente, esta não vem acompanhada de esclarecimentos analíticos para demonstrar quais despesas dedutíveis no regime da não cumulatividade deixaram de ser consideradas, seu eventual impacto na apuração do tributo e demais elementos que poderiam servir para comprovar o enquadramento do dispêndio no conceito de insumos para fins de direito creditório no regime das contribuições não cumulativas. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Conforme já abordado, no momento do despacho decisório havia informação discrepante sobre o real débito da contribuição, prestada pelo próprio contribuinte, que desconsiderou que a redução de débitos confessados em DCTF deveria estar amparada por documentos fiscais e contábeis, hábeis a comprovála, como determina o art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 13888.906878/201214 Acórdão n.º 3003000.094 S3C0T3 Fl. 9 8 Fl. 1015DF CARF MF
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