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Numero do processo: 11020.001796/2010-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
Numero da decisão: 9303-006.066
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
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CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA SANTA CLARA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 96 /2 01 0- 86 Fl. 475DF CARF MF Processo nº 11020.001796/201086 Acórdão n.º 9303006.066 CSRFT3 Fl. 3 2 adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802001.639, proferido em 28/02/2013, que possui ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 11020.001796/201086 Acórdão n.º 9303006.066 CSRFT3 Fl. 4 3 LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratandose, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito de crédito das contribuições não cumulativas com relação a materiais de embalagem, acondicionamento e transporte – empregados na “palletização” – concedidos em sede de julgamento de recurso voluntário. Colacionou como paradigmas os acórdãos 3302002.027 e 310100.795. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio de despacho proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época. A Cooperativa Santa Clara apresentou contrarrazões postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Na mesma oportunidade apresentou recurso especial, que, todavia, teve o seguimento negado, razão pela qual não será objeto de exame por este Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 477DF CARF MF Processo nº 11020.001796/201086 Acórdão n.º 9303006.066 CSRFT3 Fl. 5 4 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.045, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11020.001732/201085, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.045): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS/Pasep os gastos incorridos com os materiais utilizados para a “palletização” – material de embalagem, acondicionamento e transporte dos produtos finais para a venda. Cumpre observar ter sido deferido nos presentes autos o direito ao creditamento das aquisições de matérias de embalagem (pallets de madeira), plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”, com fulcro na atividade econômica desempenhada pela Contribuinte; na essencialidade dos referidos insumos para a produção e, ainda, nas exigências sanitárias correspondentes para o processo produtivo e de transporte, além da própria estocagem no estabelecimento industrial. Para o reconhecimento do direito ao crédito e reforma da decisão proferida pela DRJ, o acórdão recorrido passou ao largo da apresentação de provas pela Contribuinte, razão pela qual esse aspecto encontrase superado na presente demanda. Portanto, a discussão a ser travada no recurso especial referese à possibilidade de deferimento de créditos de PIS/Pasep dos valores relativos à aquisição de “pallets” de madeira, plástico de coberto e colocação do plástico filme “stretch”. Inicialmente, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 11020.001796/201086 Acórdão n.º 9303006.066 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 479DF CARF MF Processo nº 11020.001796/201086 Acórdão n.º 9303006.066 CSRFT3 Fl. 7 6 operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processo no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo Fl. 480DF CARF MF Processo nº 11020.001796/201086 Acórdão n.º 9303006.066 CSRFT3 Fl. 8 7 de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 481DF CARF MF Processo nº 11020.001796/201086 Acórdão n.º 9303006.066 CSRFT3 Fl. 9 8 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; Fl. 482DF CARF MF Processo nº 11020.001796/201086 Acórdão n.º 9303006.066 CSRFT3 Fl. 10 9 [...] Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS não cumulativos. Com relação a esse item, essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu decisão em casos análogos, nos processos administrativos nºs 10925.720046/2012 12 e 10925.720686/201222, na sessão realizada, em que receberam a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito DO PIS/COFINS. PIS/COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, indiscutivelmente, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos Fl. 483DF CARF MF Processo nº 11020.001796/201086 Acórdão n.º 9303006.066 CSRFT3 Fl. 11 10 códigos 15.17 e 15.18, adquiridos de não contribuintes farão jus ao crédito presumido no percentual no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS As leis instituidoras da sistemática nãocumulativa das contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de bens, não condicionam a tomada de créditos ao "consumo" no processo produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato físico com os bens em elaboração. Comprovado que o bem foi empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens do ativo permanente, válido o crédito sobre o valor de sua aquisição. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo, nos seguintes termos: I) recurso especial da Fazenda Nacional: a) limpeza e desinfecção: por maioria, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto; b) embalagens utilizadas para transporte: por maioria em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Carlos Alberto Freitas Barreto; c) despesas de períodos anteriores: por maioria, em negar provimento. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; d) serviços de lavagem de uniformes: pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e) percentual de crédito presumido: por unanimidade, em negar provimento; f) juros sobre multa de ofício: por maioria, em dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e II) recurso especial do sujeito passivo: a) indumentária: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto; e b) pallets: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designados para redigir os votos vencedores o Conselheiro Júlio César Alves Ramos em relação às letras "a", “b” e “c” do item I e letra “b” do item II; e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho em relação à letra a do item II. (grifouse) Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 11020.001796/201086 Acórdão n.º 9303006.066 CSRFT3 Fl. 12 11 Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 485DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720232/2015-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
MATÉRIA NÃO-IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Consideram-se definitivas as imputações de solidariedade quando não apresentado o devido recurso combatendo a acusação do Fisco.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO
A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada torna-se imperiosa.
MULTA AGRAVADA NO ARBITRAMENTO. CABIMENTO
Comprovado nos autos o reiterado procedimento da autuada em não atender às intimações lavradas pelo Fisco, omitindo-se completamente em relação às informações que deveria prestar, cabe o agravamento da multa de ofício lançada, aumentando-a em 50,00%, no caso elevando-a de 150,00% para 225%.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA.
São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, quando presentes os pressupostos legais dos artigos 124 e 135, III, do CTN.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira e em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não faça prova de sua origem, com documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida.
ARBITRAMENTO. CABIMENTO.
A não existência, disponibilização ou exibição ao Fisco da escrituração exigida pela legislação durante a ação fiscal impõe o arbitramento do lucro na forma do artigo 530, inciso III, do RIR/1999, computando-se as receitas omitidas apuradas pela fiscalização na base de cálculo da tributação.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONSEQUÊNCIAS.
Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes.
Numero da decisão: 1402-002.600
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e dos coobrigados Roberto Restum e Adriana Restum; e: ii) não conhecer, por perempção, dos recursos voluntários dos coobrigados Sun Bloom Participações Ltda. e Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. ME, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei acompanharam pelas conclusões
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 MATÉRIA NÃO-IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Consideram-se definitivas as imputações de solidariedade quando não apresentado o devido recurso combatendo a acusação do Fisco. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada torna-se imperiosa. MULTA AGRAVADA NO ARBITRAMENTO. CABIMENTO Comprovado nos autos o reiterado procedimento da autuada em não atender às intimações lavradas pelo Fisco, omitindo-se completamente em relação às informações que deveria prestar, cabe o agravamento da multa de ofício lançada, aumentando-a em 50,00%, no caso elevando-a de 150,00% para 225%. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, quando presentes os pressupostos legais dos artigos 124 e 135, III, do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira e em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não faça prova de sua origem, com documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. A não existência, disponibilização ou exibição ao Fisco da escrituração exigida pela legislação durante a ação fiscal impõe o arbitramento do lucro na forma do artigo 530, inciso III, do RIR/1999, computando-se as receitas omitidas apuradas pela fiscalização na base de cálculo da tributação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONSEQUÊNCIAS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 49; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2107; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2.767 1 2.766 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.720232/201597 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.600 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2017 Matéria IRPJ e Reflexos Recorrente PLANET GIRLS COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012, 2013 MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. PRECLUSÃO. Consideramse definitivas as imputações de solidariedade quando não apresentado o devido recurso combatendo a acusação do Fisco. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. MULTA AGRAVADA NO ARBITRAMENTO. CABIMENTO Comprovado nos autos o reiterado procedimento da autuada em não atender às intimações lavradas pelo Fisco, omitindose completamente em relação às informações que deveria prestar, cabe o agravamento da multa de ofício lançada, aumentandoa em 50,00%, no caso elevandoa de 150,00% para 225%. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, quando presentes os pressupostos legais dos artigos 124 e 135, III, do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 02 32 /2 01 5- 97 Fl. 2767DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.768 2 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira e em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não faça prova de sua origem, com documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. A não existência, disponibilização ou exibição ao Fisco da escrituração exigida pela legislação durante a ação fiscal impõe o arbitramento do lucro na forma do artigo 530, inciso III, do RIR/1999, computandose as receitas omitidas apuradas pela fiscalização na base de cálculo da tributação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONSEQUÊNCIAS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e dos coobrigados Roberto Restum e Adriana Restum; e: ii) não conhecer, por perempção, dos recursos voluntários dos coobrigados Sun Bloom Participações Ltda. e Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. ME, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei acompanharam pelas conclusões (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Fl. 2768DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.769 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 2769DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.770 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 10ª Turma da DRJ/BHE em sessão de 23 de maio de 2016 (fls. 2592/2625)1, que julgou improcedentes as impugnações apresentadas e manteve os lançamentos perpetrados e as sujeições passivas solidárias apontadas pelo Fisco. Os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS tiveram como infração identificada “omissão de receitas – depósitos bancários de origem não comprovada”, abrangendo os anoscalendário de 2011 a 2013 (fls. 1438/1538), com multa qualificada e agravada (225%). Além disso, foram imputadas responsabilidades solidárias a: Ø ROBERTO RESTUM, CPF – 043.261.15840; Ø ADRIANA RESTUM, CPF – 120.853.19807; Ø SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ – 02.067.055/000144; Ø PORT COMPANY PART. E EMPR. LTDA. – ME, CNPJ – 10.528.300/0001 00. Conforme Termo de Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal (fls. 2505/2506), os valores lançados foram os seguintes: A acusação fiscal consta de longo e detalhado TVF elaborado pelo Fisco (fls. 1540/2007) e anexos (fls. 2008/2504), e, por bem resumila, sem perda da essência, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, verbis: DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo a decisão recorrida, o TVF está assim sintetizado: “Em 2014, foram lavrados autos de infração contra empresas integrantes do Grupo empresarial denominado “Restum”, e para melhor compreensão do procedimento fiscal do qual resultou os referidos lançamentos fazse necessário uma leitura cuidadosa do Relatório Fiscal – Grupo Restum, o qual relata minuciosamente os fatos verificados, o modus opeandi do grupo empresarial, as provas coletadas e a conclusão fiscal. Síntese do Relatório 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 2770DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.771 5 O Grupo Restum é comandado pelo Sr. ROBERTO RESTUM, CPF: 043.261.15840 e pela esposa, a Sra. ADRIANA RESTUM, CPF: 120.853.19807, os quais são contribuintes de elevada capacidade contributiva, além de familiares e pessoas próximas. Conforme “Relatório Fiscal – Grupo Restum” o denominado Grupo Restum é constituído por um aglomerado de empresas (centenas de sociedades empresárias autônomas) que atuam no ramos de roupas, sapatos e acessórios, utilizandose de diversas marcas próprias, entre elas destacamse a Planet Girls, Hot Point, Venom, Polo Wear, A.R. Store, SMK, com o fulcro de atingir o mais variado público consumidor. Para tanto, o Grupo utilizase de importações e de encomendas de industrialização junto a terceiros, revendendo os produtos em sua grande maioria através de lojas próprias e uma pequena parcela para revendedores varejistas. Cada uma das lojas é constituída como uma empresa autônoma, possuindo ato constitutivo e CNPJ distintos, sendo que a pulverização do grupo em inúmeras empresas distintas teve como objetivo desmembrar seu faturamento, encobrindo seu real potencial econômico e mantendo o Fisco à margem de suas atividades, uma vez que os baixos faturamentos apresentados por cada unidade não despertam o interesse fiscal. A autoridade fiscal relacionou no Relatório Fiscal alguns procedimentos, a seguir sintetizados, que teria o grupo utilizado para ocultar do Fisco a ocorrência dos fatos geradores tributários: 1 Cada uma das empresas componentes cumpriam as obrigações acessórias de entrega de declarações, porém, o faziam inicialmente com valores “zerados” e, num segundo momento, classificavam suas receitas de forma errônea com aplicação incorreta do coeficiente do lucro presumido, diminuindo sobremaneira os valores dos tributos a pagar, dando ao Fisco a equivocada idéia de que as empresas eram cumpridoras do seu dever fiscal; 2 O Grupo constituía e encerrava constantemente novas empresas e para viabilizar estas operações de troca de empresas, o Grupo mantinha verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto a RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade; 3 O grupo utilizavase de interpostas pessoas, seja para constituir a empresa, seja para operar fraudulentamente, seja para proteção patrimonial quando do encerramento, com a cíclica constituição de novas empresas em nome de “laranjas” e/ou “testas de ferro”; 4 Essas empresas, conforme sua função dentro do Grupo, por vezes eram transferidas aos reais titulares (família Restum), por vezes eram operadas em nome das interpostas pessoas e por vezes eram transferidas a estas quando de seus encerramentos, assim a responsabilidade tributária daí decorrente recairia sobre os “laranjas”, havendo, inclusive, ações judiciais movidas por terceiros Fl. 2771DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.772 6 contra o Grupo no sentido de verem seus nomes afastados das empresas componentes com a alegação do uso indevido de seus nomes; 5 As empresas próprias (aquelas em que a família Restum aparece no quadro societário) importavam ou industrializavam produtos e revendiam tais mercadorias a empresas fictas (empresas do Grupo constituídas em nome de interpostas pessoas) por valores que praticamente correspondiam aos custos de importação ou produção, assim, as empresas próprias não apuravam Lucro e apuravam o mínimo de tributos sobre o consumo (ICMS, IPI, PIS, COFINS, etc). Por sua vez, as empresas fictas vendiam estas mercadorias às empresas varejistas do Grupo por valores que se aproximavam muito do preço praticado ao consumidor final, de sorte que todo o lucro operacional e o passivo tributário dos tributos sobre consumo recaíam sobre as empresas “laranjas”, permitindo inclusive que as lojas varejistas pudessem se creditar dos tributos não cumulativos (notadamente ICMS). Desta forma, praticamente nenhum passivo tributário recaía às empresas próprias do Grupo. 6 As empresas JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 13.385.771/000196, JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECCÕES LTDA – CNPJ 12.374.212/000118, IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.431.673/000185, SPR IMPORT BRASIL LOJISTICA E COMÉRCIO LTDA – CNPJ 12.431.674/000120 e JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.755.478/0001 00 teriam sido constituídas em nome de interpostas pessoas e funcionaram de anteparo formal para acobertar fatos geradores tributários praticados pelo Grupo, cujo real beneficiário seria a empresa INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA – CNPJ 07.693.822/000144; 7 As empresas fictícias não possuíam sequer espaço físico, constituindose em mera formalidade e, desta forma, a importadora do grupo revendia quase a totalidade dos produtos e matérias primas para as empresas fictas as quais mandavam industrializar as matérias primas e revendiam os produtos para as lojas varejistas do Grupo, lojas estas que se creditam dos tributos não cumulativos e que tem pouco ou quase nenhum lucro. O passivo tributário recaía quase que totalmente às intermediárias fictícias; 8 Foram criadas novas empresas que praticaram também fatos geradores tributários, porém os valores destas operações decorrentes não foram oferecidos à tributação, tendo sido inclusive escondidos do Fisco Federal na tentativa de serem beneficiados pelo instituto da decadência; 9 Os bens necessários à percepção das receitas da atividade não eram registrados em nome de seus reais utilizadores, mas sim em nome de empresas patrimoniais (holdings) as quais, propositalmente, não praticam fatos geradores tributários, objetivando que seu patrimônio não pudesse ser alcançado em uma execução fiscal; Fl. 2772DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.773 7 10 Os imóveis onde eram sediadas as diversas empresas do Grupo bem como os veículos utilizados na atividade encontramse registrados em nome das empresas PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREEENDIMENTOS LTDA – 10.528.300/000100 e SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 02.067.055/000144, além de esparsamente também estarem registrados em nome das lojas do Grupo. II.2 – Relatório Fiscal – Grupo Restum – COMPLEMENTO (fls. 1797/1802) Este relatório foi montado com base em resultados de procedimentos fiscais realizados em 2015 em três empresas do Grupo Restum. Estes procedimentos fiscais deram seguimento às fiscalizações realizadas em 2014 em outras empresas do grupo. Um dos resultados dessas fiscalizações de 2014 é o “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, que relata fatos verificados, o modus operandi do grupo empresarial, os procedimentos fiscais realizados, a coleta de provas e a conclusão fundamentada. A leitura desse relatório de 2014 dá uma visão mais completa da atuação do grupo e facilita o entendimento do que se segue. Cópia completa do “Relatório Fiscal – Grupo Restum” está anexada a este processo. Assim, de certa forma, este “Relatório Fiscal – Grupo Restum – Complemento” acrescenta informações àquilo já descrito no “Relatório Fiscal – Grupo Restum”. (Grifouse) Da conclusão do “Relatório Fiscal – Grupo Restum” constou o seguinte trecho: “Por todo o exposto, também se conclui que há evidente confusão patrimonial entre as empresas do Grupo (...) Da mesma forma, devem os sóciosadministradores do Grupo Restum responder com seu próprio patrimônio pelos créditos tributários vencidos e vincendos decorrentes das operações do Grupo com fundamento no art. 135, III do CTN, haja vista a abundante prática de atos ilegais por eles adotada”. Em seguimentos aos procedimentos fiscais de 2014, foi proposta ação judicial de Cautela Fiscal 001702125.2014.403.6128 pela Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional de Jundiaí, visando ao bloqueio de contas bancárias, indisponibilidade de bens imóveis e veículos, e a indisponibilidade de marcas e patentes de diversas empresas do Grupo Restum e de seus sócios controladores. Nessa mesma ação se propôs a decretação judicial do levantamento do sigilo bancário das empresas Planet Girls Comércio de Roupas Ltda (CNPJ 12.154.102/000140), Planet Girls Comércio de Confecções Ltda (CNPJ 04.740.881/000138) e PlanetWorld Confecções Ltda (CNPJ 07.251.794/000105). Essas empresas foram determinadas por serem as que apresentavam as movimentações financeiras mais significativas dentro do Grupo Restum. (Grifouse) A 2ª Vara Federal de Jundiaí, acatando argumentação da Procuradoria da Fazenda, aceitou a cautelar fiscal e declarou a Fl. 2773DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.774 8 quebra do sigilo bancário e financeiro das três empresas, em decisão datada de 18/12/2014. Assim, foram abertos procedimentos fiscais para verificação da regularidade do IRPJ desses três contribuintes nos anoscalendário de 2011 a 2013. O resultado dessas fiscalizações foi a comprovação dos ilícitos praticados pelo Grupo Restum, reiterando e complementando o já mostrado no “Relatório Fiscal – Grupo Restum”. Cada uma dessas fiscalizações está demonstrada em anexos, nos quais constam cópias dos termos de verificação fiscal, consoante processos: 19311.720232/201597 (processo fiscal objeto do presente acórdão), 19311.720207/201511 e 19311.720233/201531. Quando as fiscalizações são analisadas em conjunto, fica evidente a confusão patrimonial entre as empresas do Grupo Restum. Uma única conta corrente do Grupo Restum, em nome da empresa Planet Girls Comércio de Confecções era usada para pagar salários de funcionários de mais de 200 empresas do Grupo, com valores ao longo de 3 anos superiores a R$56 milhões. Além disso, se demonstra que as contas correntes em nome das três empresas funcionavam como uma espécie de caixa central do Grupo Restum. As contas das três empresas recebiam créditos das demais empresas do Grupo, e também enviavam recursos para outras empresas. Os valores são expressivos, superiores a R$200 milhões transitados entre as três empresas e outras do grupo no período fiscalizado. Quando os detentores das contas foram intimados a apresentar justificativas para essa movimentação significativa, nenhum documento foi apresentado. Portanto, mais uma prova da confusão patrimonial entre as empresas do Grupo Restum. (Grifou se) Também se mostra que os sócios controladores do grupo, Adriana Restum e Roberto Restum, receberam valores significativos provenientes de cada uma das empresas, totalizando mais de R$3,2 milhões no período fiscalizado. Assim, demonstrada mais uma vez a confusão patrimonial entre os sócios controladores e as diversas empresas do Grupo Restum. Quanto à solidariedade passiva, do “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, a Fiscalização destacou a forma adotada para salvaguardar o patrimônio do Grupo: “Utilizandose do conceito de autonomia das pessoas jurídicas e da limitação de responsabilidade ao capital social (art. 1052 da Lei 10.406/02 – Código Civil), uma vez que as empresas operacionais possuem nenhum ou mínimo patrimônio, o Grupo concentra seu patrimônio em duas empresas, a saber: Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Fl. 2774DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.775 9 Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144. Estas empresas praticamente não executam atos negociais (exceção é a compra e venda do patrimônio), tentando assim manterse distante dos fatos geradores tributários. Essa segregação constituise tão somente de outro ardil do Grupo, já que tal patrimônio está intrinsicamente ligado às operações deste, sendo composto, basicamente, de imóveis onde estão localizadas as lojas, de veículos utilizados nas operações comerciais e de suas marcas e patentes. Logicamente há também imóveis e veículos não afetados pelas operações, entretanto, os recursos utilizados na sua aquisição provêm das operações e por conseguinte de créditos tributários sonegados, devendo portanto servir para satisfazer as pretensões fiscais”. Além do acima exposto, levantouse agora que a empresa SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 02.067.055/000144, umas das holdings patrimoniais do grupo, recebeu mais de R$1,5 milhão no período fiscalizado, proveniente da movimentação das contas correntes das três empresas fiscalizadas. Adicionalmente, verificase no processo 19311.720387/201442, que trata do arrolamento de bens, que essa empresa, conforme registro no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), é proprietária de diversas marcas utilizadas pelo Grupo Restum (por exemplo, Planet Girls, Venom, PWS Polo Wear Sport, SMK, etc) além de imóveis utilizados pela empresa (por exemplo, salão comercial no Shopping Center Ibirapuera; imóvel na Rua Professor João Brito, 85; etc). Cópia do termo de arrolamento que consta naquele processo também foi anexada a este relatório. A empresa PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA – ME, CNPJ 10.528.300/000100, também teve seus bens arrolados. No processo 19311.720388/2014 97, que controla esses bens arrolados, consta imóvel utilizado pela empresa (imóvel à Rua João Brito, 150). Cópia do termo de arrolamento que consta naquele processo também foi anexada a este relatório. Esses fatos comprovam novamente que essas empresas (Sun Bloom e Port Company) devem responder pelos créditos tributários do Grupo Restum, com base no art. 124, I, do CTN. (Grifouse). II.3 – Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 1540/1560) 1) BREVE RESUMO Em continuidade aos levantamentos citados no “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, foi obtida ordem judicial para quebra do sigilo bancário das contas pertencentes ao contribuinte Planet Girls Comércio de Roupas Ltda, CNPJ 12.154.102/000140, nos anos calendários de 2011 a 2013, a fim de promover a fiscalização e IRPJ. Fl. 2775DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.776 10 Com base nessas informações dos bancos, se constatou movimentação financeira expressiva nessas contas no período fiscalizado. A empresa foi intimada a apresentar documentação contábil e comprovar a regularidade fiscal dos valores transitados em suas contas correntes. Apesar de intimada e reintimada, nenhum documento foi apresentado Além da empresa foram também indicados como sujeitos passivos solidários os seus sócios, Sr. Roberto Restum e Sra. Adriana Restum, e outras empresas do grupo, conforme indicado n o item 3.3. 2) A AÇÃO FISCAL (...) 2.2) Informações solicitadas à empresa Em 13.02.2015 foi dada ciência do termo de início de fiscalização ao sócio administrador, Sr. Roberto Restum. No termo se solicita a apresentação dos livros fiscais e contábeis da empresa. Em 09.03.2015 a empresa protocolou pedido de prorrogação. O prazo foi prorrogado. Em 12.05.2015, foi dada ciência pessoal ao procurador do “Termo 002 – Intimação”, no qual se solicitava a apresentação de documentação comprobatória da origem e natureza de créditos bancários que foram selecionados e apresentados individualmente a partir dos extratos encaminhados pelos bancos, conforme item 2.3. Não apresentada nenhuma resposta, em 29.06.2015 foi dada ciência pessoal ao procurador do “Termo 03 – Intimação”, onde se solicitou novamente os documentos acima. Não apresentada nenhuma resposta, em 06.08.2015 foi dada ciência pessoal ao procurador do “Termo 04 – Intimação”, onde se solicitou novamente os documentos acima e informando da possibilidade de agravamento da multa de ofício. Todos os documentos citados neste item constam no processo. 2.3) Informações solicitadas aos bancos e suas respostas Com base na decisão judicial já citada, foram solicitadas informações aos bancos Itaú, Bradesco, Safra e Santander sobre as contas do sujeito passivo. Além dos extratos, também foram solicitadas aos bancos cópias de cartões de assinatura, de alguns cheques, tanto emitidos como depositados na conta corrente da empresa extinta, outros documentos selecionados por amostragem, e arquivos digitais que indicam a origem e destino dos recursos, conforme Carta Circular Bacen 3454/2010. Fl. 2776DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.777 11 As informações solicitadas aos bancos foram recebidas, em alguns casos em mais detalhes que em outros. Quando relevante, essas diferenças serão mencionadas abaixo. 3) DA SUJEIÇÃO PASSIVA 3.1) Sujeição passiva solidária de Roberto Restum e Adriana Restum Diversas provas dessa responsabilidade, descritas abaixo, foram levantadas neste procedimento fiscal. Tanto Roberto Restum quanto Adriana Restum foram beneficiários, no conjunto, de mais de R$ 2,3 milhões que foram transferidos das contas da empresa para a conta corrente dos dois sócios. A tabela abaixo mostra os créditos provenientes do Itaú. A agencia/conta 3367/2003953 do Bradesco também foi debitada para creditar o Sr. Roberto Restum. Ele recebeu R$ 34.890,35 em 09/11/2013 e R$ 48.000 em 08/11/2013. Evidente que os sócios tinham interesse comum (art. 124, I, do CTN) nas transações realizadas pela empresa, tendo em vista os expressivos valores que foram creditados pela empresa a eles. E esses créditos não encontram justificativa na legislação, tendo em vista a falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais pela empresa, apesar de intimada e reintimada. De forma independente, conforme relatado no item 4.3, a conduta dos sócios também caracteriza a ocorrência, em tese, de condutas tipificadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, bem como no art. 1° da Lei 8.137, de 27 de dezembro de 1990, acarretando a aplicação do artigo 135, III, do CTN: Assim, fica configurada a responsabilidade solidária entre a empresa fiscalizada e seus sócios, tanto pelo art. 124, I, do CTN, quanto pelo art. 135, III, do CTN. 3.2) Sujeição passiva solidária das demais empresas do Grupo Restum Além dessa evidente confusão patrimonial entre a atividade comercial exercida e seus sócios, existe também uma enorme confusão patrimonial entre as empresas do Grupo Restum. As contas correntes em nome da empresa fiscalizada PlanetGirls Comercio de Roupas Ltda foram utilizadas para acobertar movimentações de diversas empresas do Grupo Restum. Muitos pagamentos e recebimentos registrados na conta da empresa fiscalizada foram provenientes de empresas do Grupo Restum. Os relatórios do Anexo I mostram o que foi levantado dessa confusão patrimonial entre empresas do grupo. Os valores transitados entre as empresas do grupo são relevantes. Foram mais de R$ 100 milhões transitados entre contas de empresas do grupo. Fl. 2777DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.778 12 Os relatórios do Anexo I foram montados com base nas informações fornecidas pelos bancos, em seus arquivos digitais. Evidente que as demais empresas do grupo tinham interesse comum nas transações realizadas pela empresa, tendo em vista os expressivos valores movimentados. E essas transações não encontram justificativas na legislação, tendo em vista a falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais pela empresa, apesar de intimada e reintimada. Além disso, no “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, consta que: “Outro ardil do Grupo reside no fato que os bens necessários à percepção de suas receitas da atividade não são registrados em nome de seus reais utilizadores, mas sim em nome de empresas patrimoniais (holdings) as quais, propositalmente, não praticam fatos geradores tributários, objetivando que seu patrimônio não possa ser alcançado em uma execução fiscal. Desta forma, os imóveis que sediam as diversas empresas do Grupo bem como os veículos utilizados na atividade encontramse registrados em nome das empresas PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREEENDIMENTOS LTDA – 10.528.300/000100 e SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 02.067.055/000144, além de esparsamente também estarem registrados em nome das lojas do Grupo”. No “Relatório Fiscal – Grupo Restum Complemento” se mostra que a empresa Sun Bloom Participações Ltda – CNPJ 02.067.055/000144 recebeu mais de R$ 1,5 milhão no período fiscalizado, provenientes de empresas do grupo, e também se detalha alguns dos bens registrados nessas empresas que são utilizados por empresas do grupo, bem como que Roberto Restum e Adriana Restum são sócios dessas empresas. (Grifouse) Diante desse conjunto probatório fica configurada a responsabilidade solidária entre as empresas do Grupo listadas no início deste termo e acima mencionadas, em consonância com o art. 124, I do CTN. 4) RESULTADO DA AÇÃO FISCAL 4.1) Arbitramento do lucro Intimada e reintimada a apresentar livros fiscais, conforme termo de início de procedimento fiscal e demais intimações anexadas a este processo, a empresa não apresentou resposta. Como estabelece a Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, III, o lucro da pessoa jurídica será arbitrado em virtude da não apresentação à autoridade tributária dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Em virtude da apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado, a apuração da Contribuição Fl. 2778DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.779 13 para o PIS e da COFINS será efetuada obrigatoriamente pelo regime cumulativo, conforme prescreve a legislação pertinente. 4.2) Valores utilizados no cálculo dos tributos A empresa foi intimada a apresentar documentação comprobatória da origem e natureza dos créditos bancários registrados nas suas contas correntes. Anexo às intimações foi encaminhado relatório detalhado indicado cada crédito a ser justificado. Desse relatório já haviam sido excluídos créditos oriundos de resgates de aplicações financeiras, empréstimos, estornos e transferências entre contas de mesma titularidade, quando foi possível essa identificação. O contribuinte não apresentou resposta à intimação. A não comprovação da natureza e origem dos créditos enseja a aplicação das disposições do artigo 42 da Lei 9.430/96. Abaixo, resumo dos valores dos créditos não comprovados, que foi utilizada para cálculo dos tributos, conforme consta nos autos de infração: (...) 4.3) Multa qualificada e agravada – 225% Conforme relatado no “Relatório Fiscal Grupo Restum” e “Relatório Fiscal – Grupo Restum – Complemento”, caracterizada a ocorrência, em tese, de condutas tipificadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, bem como no art. 1° da Lei 8.137, de 27 de dezembro de 1990, aplicase a multa qualificada, prevista no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A atuação de Roberto Restum é clara. Ele é o sócio administrador da empresa, conforme consta na Ficha Cadastral da Jucesp, anexa a este processo, com participação na sociedade de R$ 80 mil. Adriana Restum é outra sócia, com R$ 20 mil de participação. Sua participação ativa na administração do grupo é provada, conforme elementos a seguir. No site “adrianarestum.com.br”, consta a informação de autoria da própria Adriana que ela é “proprietária do Grupo Restum”. No site Empreendedor (linkempreendedor.com.br/perfil/82751), se descreve Adriana como “proprietária de quatro grifes – Planet Girls, G. Rock, A.R. Store e SMK” (...) Essa reiteração pelos sócios de práticas tendentes a ocultar do Fisco os impostos devidos, quando analisadas juntamente com as demais práticas de interposição de pessoas e ocultação dos reais beneficiários descritas no “Relatório Fiscal Grupo Restum” e “Relatório Fiscal – Grupo Restum – Complemento”, são motivos Fl. 2779DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.780 14 suficientes para caracterizar, em tese, as condutas dos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502/1964. Adicionalmente, a omissão do contribuinte em prestar esclarecimentos, apesar de regularmente intimado e reintimado, determina ao agravamento da multa conforme art. 44, §2º da Lei 9.430/1996. 4.4) Representação Fiscal para fins penais Tendo sido constatada a ocorrência de fatos que, em tese, configuram Crimes Contra a Ordem Tributária, definidos no art. 1º da Lei nº 8.137/90, abaixo transcrito, será formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, em cumprimento ao disposto na Portaria RFB nº 2.439/10, com alterações trazidas pela Portaria RFB nº 3.182/11”. DA IMPUGNAÇÃO (fls. 2536/2571) Ainda lançando mão do relatório da decisão contestada, reproduzo a síntese da impugnação apresentada junto à Turma Julgadora de 1º Piso, adaptandoa se necessário: “Requer [a impugnante] seja anulado o presente auto de infração por ser mesmo objeto, ano e empresas dos Autos de Infração já lavrados em 2014 e que são objetos da Medida Cautelar em tramite perante a 2ª Vara Federal de Jundiaí – Autos n. 001702125.2014.403.6128. Necessário contextualizar a este órgão Julgador que as exigências fiscais aqui tratadas são resultantes do denominado “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, o qual foi juntado aos autos pela Fiscalização e alegadamente subsidia as conclusões contidas no Termo de Verificação Fiscal. Os Autos lavrados são referentes aos anos de 2010, 2011,2012, mesmo ano no qual gerou o presente auto, lavrado com mesma base dos autos anteriores que gerou o Relatório – Grupo Restum – ou seja, descumprimento de obrigações tributárias relativos ao IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, relativos aos anos calendários 2011, 2012, 2013. I – SÍNTESE DOS FATOS E DAS IMPUTAÇÕES As exigências fiscais foram fundadas na falta de apresentação de documentação contábil para comprovar a regularidade fiscal dos valores transitados em suas contas correntes. (esta é a imputação!). Na sequência das imputações contidas no comentado “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, a própria Fiscalização reconhece que o simples fato de manter diversas empresas não constitui ilegalidade alguma, entretanto, concluiuse que no caso em análise seria “claro que tal manutenção se dá com a nítida e forte intenção de impedir que o Fisco tenha a correta visualização de seu porte e de suas operações comerciais” Fl. 2780DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.781 15 Não houve uma imputação específica, mormente na solidarização levada a efeito, ou seja, partiuse de constatações genéricas para individualizar tanto um arbitramento, despropositado, como solidarizações ou seja, mesmo no âmbito da pura compreensão dos fatos, a improcedência dos autos de infração já se mostra inarredável. A Fiscalização, genericamente descreveu a atuação de empresas distintas, relacionadas que o sejam ou tenham sido, mas inegavelmente distintas, passando a tratálas como se fossem uma única coisa, arbitrando o lucro da Impugnante, com base em elementos das empresas desconsideradas e responsabilizando, solidariamente, a todos quantos de alguma maneira se viram envolvidos. Na sequência, imputouse a multa qualificada ao patamar de 150%, ao entender caracterizada, novamente no “Relatório Fiscal Grupo Restum”, a ocorrência das de condutas tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, bem como no artigo 1° da Lei 8.137/90, atraindo assim, a multa prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. II – IMPOSSIBILIDADE E INAPLICABILIDADE DO ARBITRAMENTO A Fiscalização, ao fundamento de existir um “grupo econômico”, simplesmente passou a fazer alegações e suposições, sempre tendente a promover um punitivo arbitramento, ao singelo argumento de que as Impugnantes seriam empresas criadas com o propósito de suprimir o recolhimento de tributos. No entanto, o que se depreende dos autos é que não havia motivo justificado ao arbitramento do lucro. Importante anotar, para fins de aferir a desnecessidade do arbitramento promovido, que não houve imputação de total ausência de declarações e escrituração, a própria Fiscalização assentou que foram apresentados os elementos, tanto que sua receita foi quantificada sem maiores dificuldades, no entanto, valeuse de punitiva forma de apuração, ou seja, na espécie não há falar em arbitramento. É preciso deixar assentado que a Fiscalização não dispunha de fundamento válido para arbitrar o lucro da Impugnante. Temse assim, que o fundamento para o arbitramento do lucro, segundo consta expressamente nos autos de infração, foi o disposto no inciso III, do artigo 530, do RIR/99, ou seja, a falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Todavia, como já assinalado acima, era plenamente possível aferir a correta base tributável, considerando que a Impugnante apresentou regularmente suas declarações, sendo que a Fiscalização discordou, substancialmente, dos percentuais empregados, porém, não evidenciou a imprestabilidade da escrituração. Assim considerado, requerse de Vossas Senhorias, seja afastada no caso concreto a possibilidade de arbitramento, julgandose improcedentes os autos de infração, porquanto a contribuinte Fl. 2781DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.782 16 apresentou elementos que possibilitavam à Fiscalização adicionar eventual valores tidos por omitidos sem a necessidade de valerse do expediente adotado. Os nossos tribunais já tem se posicionado em desfavor a esses Autos de Infração lavrados pelo Fisco por entender que não é possível a caracterização de omissão de receita com base apenas em depósitos bancários, não havendo um nexo causal entre depósito bancário e omissão de receita, aplicandose o enunciado da Súmula 182 do TFR (fls. 12/14). As pessoas físicas e jurídicas fiscalizadas alegam que a quebra do sigilo fiscal somente é possível por determinação judicial, caso contrário, violaria os princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. III – DA SOLIDARIZAÇÃO E RESPONSABILIZAÇÃO Transpostas as alegações pelas quais entendem os Impugnantes impõese a improcedência dos autos de infração, seja porque ignorouse a personalidade jurídica de empresas regulamente constituídas, seja porque se apresentava inviável o arbitramento do lucro, remanesce uma última questão, de mérito, que precisa ser abordada com a máxima minudência. Isso se dá, precisamente no que toca à sujeição passiva tributária contida nos autos de infração, aliás, na multiplicidade de devedores solidarizados e responsabilizados pelo pagamento, sem que tenha havido, afora as alegações genéricas pelo Fisco, qualquer imputação específica de cada contribuinte, ou qual seria seu real interesse na ocorrência do fato gerador, muito menos quais as relações diretas e pessoais que tenham mantido na ocorrência do fato imponível. IV – INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO A vedação de confisco se direciona tanto ao tributo quanto às multas tributárias, sejam elas de mora, sejam punitivas. Tal linha de entendimento se funda no conhecido precedente do Supremo Tribunal Federal no qual restou assentado que a vedação de confisco se estende também às penalidades. No caso em lume o percentual de multa aplicado tem feição indubitavelmente confiscatória e desproporcional, pois revela imensa discrepância entre o suposto desrespeito à norma tributária e sua consequência jurídica. V – ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA Ainda que se considerasse procedente a autuação, o que se admite apenas por apego ao argumento, não se poderia fazer incidir a taxa de juros sobre a multa aplicada, haja vista a previsão legal expressa de acréscimo de juros apenas aos valores referentes a tributos e contribuições sociais. Fl. 2782DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.783 17 Necessário frisar que a Lei nº 9.430/96, de igual forma, não autoriza a aplicação de juros sobre a multa de ofício, tratando apenas do caso de multa isolada, consoante jurisprudência acima posta, o que não se verifica nestes autos”. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 2592/2625) Analisando o litígio, a 10ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade, rejeitou a preliminar de nulidade, entendeu correto o arbitramento realizado, julgou procedentes os lançamentos, manteve as multas aplicadas – qualificada e agravada – e a incidência de juros sobre elas e especificamente em relação às impugnações dos sujeitos passivos solidários, decretou sua perempção por intempestivas. A respeito, pontuou a decisão recorrida: “Considerando os autos de infração lavrados, nos quais além do sujeito passivo foi atribuída responsabilidade pelo crédito tributário constituído a outras pessoas físicas e jurídicas, constatase que o procedimento de intimação dos interessados para a ciência do lançamento seguiu estritamente as normas do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, e do art. 3o, parágrafo único, da Portaria RFB nº 2.284, de 2010. A intimação da exigência ao sujeito passivo e às empresas Sun Bloom Participações Ltda e Port Company Participações e Empreendimentos Ltda, se deu via postal, em 16.11.2015 (vide “ARs” de fls. 2524, 2525 e 2533); e aos responsáveis solidários, Roberto e Adrian Restum, eletronicamente em 27.11.2015 (vide documentos de fls. 2531e 2528). Foi apresentada impugnação em nome dos envolvidos, a qual foi entregue na repartição fiscal em 22.12.2015 (vide Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 2535). Em relação ao sujeito passivo e às empresas Sun Bloom e Port Company constata se, pois, a não obediência ao prazo previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c o art. 3º, parágrafo único, da Portaria RFB nº 2.284, de 2010. Portanto, por intempestiva, a defesa apresentada quanto à responsabilidade tributária não pode ser aproveitada para as empresas Sun Bloom e Port Company, precluindose, assim, o direito à contestação da responsabilidade a elas imputada. Quanto a Roberto e Adriana Restum, constatase obediência ao prazo legal previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c o art. 7º, “caput”, da Portaria RFB nº 2.284, de 2010, motivo pelo qual a impugnação apresentada deve ser apreciada, aproveitando também, quanto ao mérito, a todos os envolvidos”. O Acórdão guerreado está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. PRECLUSÃO. Tratandose de impugnação genérica que não atende aos requisitos legais (processuais), por não apontar os motivos de fato e de direito sobre os quais recaem a discordância dos acusados, considerase matéria preclusa, não podendo mais ser questionada. Fl. 2783DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.784 18 Considerarseá não impugnada a matéria cuja defesa apresentada não que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PRELIMINAR DE NULIDADE. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade invocada por identidade de objeto do lançamento em relação a outro, quando não subsiste tal argumento. QUEBRA SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Não constitui violação ao dever de sigilo a transferência de dados bancários das instituições financeiras para a administração tributária, conforme autorizado pela legislação e referendado pela Suprema Corte Nacional. Mais ainda, não há falar em quebra do sigilo bancário, quando a movimentação financeira da empresa fiscalizada foi obtida mediante ordem judicial expressa. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS. Caracterizamse também omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos bancários. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. O mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal do IRPJ, repercute também na CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. O valor da receita omitida será considerado também na determinação da base de cálculo para o lançamento da COFINS e do PIS/PASEP. MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA. É cabível, ao mesmo tempo, qualificar e agravar a multa de ofício, no percentual total de 225%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de reduzir indevidamente os tributos devidos; e, devidamente intimado, não prestou esclarecimentos, no prazo marcado. JUROS DE MORA. Sobre todos os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados à taxa a Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Conforme expressa previsão legal, incidem juros de mora sobre todos os débitos tributários de competência da União relativos aos impostos, contribuições e multas, calculados pela Taxa Selic. Fl. 2784DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.785 19 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO A recorrente foi cientificada do R. decisum em 31/05/2016 (fls. 2634) e apresentou recurso voluntário (fls. 2636/2665) – novamente juntado em duplicidade (fls. 2701/2730) em 22/06/2016 , no qual rebate as colocações do acórdão recorrido e, no mérito, praticamente repisa, de forma literal, os argumentos aduzidos na impugnação de 1ª Instância e que de forma resumida exprimem: impossibilidade de acesso às contas bancárias pela Fiscalização, inclusive referindose à Sumula nº 182 do extinto TFR, aplicação de multas absurdas, arbitramento indevido e impossibilidade da cobrança de juros sobre as multas. Os quatro sujeitos passivos solidários (duas pessoas físicas e duas pessoas jurídicas) compuseram a peça recursal. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 2785DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.786 20 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário da autuada é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 31/05/2016 – fls. 2634 e protocolização da peça recursal em 22/06/2016 fls. 2636/2665), sua representação está corretamente formalizada (fls. 2669 e 2671) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. Sobre os recursos voluntários interpostos pelos sujeitos passivos solidários, ROBERTO RESTUM, CPF – 043.261.15840; ADRIANA RESTUM, CPF – 120.853.19807; SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ – 02.067.055/000144, e PORT COMPANY PART. E EMPR. LTDA – ME, CNPJ – 10.528.300/0001 00, discorro a seguir. DA PRECLUSÃO DECRETADA PELA DECISÃO RECORRIDA Prefacialmente a qualquer outra apreciação analiso a manifestação da decisão recorrida que considerou peremptas as impugnações de dois sujeitos passivos solidários, pessoas jurídicas, impedindo a apresentação de recurso em 2ª Instância. Conforme decisão da DRJ, acima reproduzida (fls. 2608/2609): “O Decreto nº 70.235, de 1972, rege o processo administrativo fiscal de determinação e exigência dos créditos tributários da União (art. 1o). No art. 15 consta que a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Também é importante ressaltar o contido na Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, em especial os seguintes dispositivos: Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. [...] Fl. 2786DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.787 21 Art. 7º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante.” (Grifos acrescentados) Considerando os autos de infração lavrados, nos quais além do sujeito passivo foi atribuída responsabilidade pelo crédito tributário constituído a outras pessoas físicas e jurídicas, constatase que o procedimento de intimação dos interessados para a ciência do lançamento seguiu estritamente as normas do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, e do art. 3o, parágrafo único, da Portaria RFB nº 2.284, de 2010. A intimação da exigência ao sujeito passivo e às empresas Sun Bloom Participações Ltda e Port Company Participações e Empreendimentos Ltda, se deu via postal, em 16.11.2015 (vide “ARs” de fls. 2524, 2525 e 2533); e aos responsáveis solidários, Roberto e Adrian Restum, eletronicamente em 27.11.2015 (vide documentos de fls. 2531e 2528). Foi apresentada impugnação em nome dos envolvidos, a qual foi entregue na repartição fiscal em 22.12.2015 (vide Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 2535). Em relação ao sujeito passivo e às empresas Sun Bloom e Port Company, constatase, pois, a não obediência ao prazo previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c o art. 3º, parágrafo único, da Portaria RFB nº 2.284, de 2010. Portanto, por intempestiva, a defesa apresentada quanto à responsabilidade tributária não pode ser aproveitada para as empresas Sun Bloom e Port Company, precluindose, assim, o direito à contestação da responsabilidade a elas imputada. Quanto a Roberto e Adriana Restum, constatase obediência ao prazo legal previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c o art. 7º, “caput”, da Portaria RFB nº 2.284, de 2010, motivo pelo qual a impugnação apresentada deve ser apreciada, aproveitando também, quanto ao mérito, a todos os envolvidos”. Já no resumo do Acórdão, após a ementa, consta literalmente (fls. 2593/2594): “Acordam os membros da 10ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, para tornar matéria preclusa a imputação de responsabilidade tributária, indeferir a preliminar de nulidade e, no mérito, manter integralmente o crédito tributário em litígio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 2787DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.788 22 Participaram do julgamento, além do relator/presidente, os Julgadores Gilmar de Souza, Leonardo Costa Carvalho, Ednaldo Ferreira Alves e Karla Regina Souza. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário, apenas quanto ao mérito da autuação, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Salientese que deve ser dada ciência desse Acórdão tanto ao sujeito passivo acima identificado como aos demais responsáveis solidários, devidamente qualificados no Auto de Infração. Ressaltese, ainda, por falta de contestação nos termos da legislação do processo administrativo fiscal, está preclusa a imputação de responsabilidade tributária. Matéria essa não mais passível de discussão administrativamente. Encaminhese à DRF de jurisdição do Contribuinte, para as demais providências cabíveis”. (o negritado é do original e o sublinhado foi acrescido por este Relator). E no fechamento do Acórdão (fls. 2625), a decisão recorrida assentou: “Ante o exposto e o contido nos autos, voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE a IMPUGNAÇÃO, para: TORNAR MATÉRIA PRECLUSA a questão da imputação de responsabilidade tributária (...)”. Postos os fatos, fica claro que: 1. os sócios Roberto e Adriana apresentaram impugnações tempestivas e por isso aproveitaram, quanto ao mérito, os demais listados, incluindo a própria contribuinte autuada (Planet Girls) e as duas pessoas jurídicas incluídas no pólo passivo como responsáveis solidárias, Sun Bloom e Port Company; 2. de outro lado, a autuada (Planet Girls) e as duas pessoas jurídicas incluídas no pólo passivo como responsáveis solidárias, Sun Bloom e Port Company tiveram suas impugnações entendidas como peremptas. Todavia, a peça recursal de Roberto e Adriana foi por elas aproveitada exclusivamente quanto ao mérito; e, 3. nessa linha de constatação, a imputação de “sujeição passiva solidária”, a ambas (Sun Bloom e Port Company) restaram definitivas pela perempção confirmada. Ou seja, apenas as duas pessoas físicas incluídas no pólo passivo da lide como responsáveis solidários (na verdade, os sócios da autuada) é que tiveram suas impugnações apreciadas pela Turma Julgadora de 1º Piso, excluindose as duas pessoas jurídicas (Sun Bloom e Port Company).. Fl. 2788DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.789 23 Ainda assim, melhor sorte não tiveram os dois imputados quando da apreciação de suas peças de defesa, posto que a decisão recorrida explicitamente fixou (fls. 2615/2617): “Ao longo dos relatórios fiscais constantes dos autos a Fiscalização fundamentou e descreveu detalhadamente as condutas dos administradores do grupo, Roberto e Adriana Restum, pelas quais foram a eles imputada a responsabilidade pelo crédito tributário lançado. Fundamentalmente, haja vista a abundante prática de atos ilegais por eles adotadas, respondem pessoalmente com o próprio patrimônio, à luz do art. 135, III, do CTN. Também o art. 124, I, do CTN, aplicaselhes, em vista do interesse comum nos atos praticados, na medida em que foram diretamente beneficiados pelo esquema fraudulento engendrado, “dado os expressivos valores por eles recebidos decorrentes das transações efetuadas no caixa central do Grupo Restum, sem apresentação de qualquer justificativa”. Ainda, foi imputada a responsabilidade prevista no art. 124, I, do CTN, às empresas SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA e PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA – ME. Nesse sentido, constam dos relatórios fiscais os motivos e fundamentos por que a elas houve tal imputação de responsabilidade, notadamente, considerando que, como holdings patrimoniais, foram utilizadas para blindar o patrimônio do grupo; e, especialmente, a Port Company recebeu mais de R$1,5 milhão no período fiscalizado, proveniente da movimentação das contas correntes das três empresas fiscalizadas. Inegavelmente, tais fatos configuram o interesse comum necessário e suficiente para atribuição de responsabilidade tributária nos termos do citado dispositivo legal. A defesa, por sua vez, foi meramente protelatória, não rebatendo objetivamente nenhuma das provas e argumentos colocados nos relatórios fiscais. Vejase: “I – SÍNTESE DOS FATOS E DAS IMPUTAÇÕES (...) “Não houve uma imputação específica, mormente na solidarização levada a efeito, ou seja, partiuse de constatações genéricas para individualizar tanto um arbitramento, despropositado, como solidarizações ou seja, mesmo no âmbito da pura compreensão dos fatos, a improcedência dos autos de infração já se mostra inarredável. A Fiscalização, genericamente descreveu a atuação de empresas distintas, relacionadas que o sejam ou tenham sido, mas inegavelmente distintas, passando a tratálas como se fossem uma única coisa, arbitrando o lucro da Impugnante, com base em elementos das empresas desconsideradas e Fl. 2789DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.790 24 responsabilizando, solidariamente, a todos quantos de alguma maneira se viram envolvidos. (...) III – DA SOLIDARIZAÇÃO E RESPONSABILIZAÇÃO Transpostas as alegações pelas quais entendem os Impugnantes impõese a improcedência dos autos de infração, seja porque ignorouse a personalidade jurídica de empresas regulamente constituídas, seja porque se apresentava inviável o arbitramento do lucro, remanesce uma última questão, de mérito, que precisa ser abordada com a máxima minudência. Isso se dá, precisamente no que toca à sujeição passiva tributária contida nos autos de infração, aliás, na multiplicidade de devedores solidarizados e responsabilizados pelo pagamento, sem que tenha havido, afora as alegações genéricas pelo Fisco, qualquer imputação específica de cada contribuinte, ou qual seria seu real interesse na ocorrência do fato gerador, muito menos quais as relações diretas e pessoais que tenham mantido na ocorrência do fato imponível.” (Grifou se) Como se vê, nada de objetivo resta dos transcritos argumentos. Não se pode, pois, dizer que tenha havido contestação à imputação de responsabilidade levada a cabo pela Fiscalização, minuciosamente narrada em diversos pontos dos relatórios fiscais elaborados ao longo do procedimento fiscal, onde foram devidamente indicadas as bases legais pertinentes que a sustentam. Nos termos 16, III, c/c o 17, ambos do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação deve conter,“verbis”: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” (Grifos acrescentados) Diante disso, à luz do art. 17 c/c o 16, III, ambos do Decreto nº 70.235, de 1972, em relação à matéria não expressamente impugnada, não se instaurou a fase litigiosa do procedimento fiscal. E tratandose de impugnação genérica que não atende aos Fl. 2790DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.791 25 requisitos legais (processuais) acima mencionados, por não apontar os motivos de fato e de direito sobre os quais recaem a discordância dos acusados, considerase matéria preclusa, não podendo mais ser questionada. Além disso, como já se viu, para as empresas, Sun Bloom e Port Company, a impugnação apresentada o foi intempestivamente, motivo adicional que provoca a preclusão processual que delas afasta o direito à discussão da responsabilidade tributária”. (com destaques acrescidos). Revejase o registro do resumo do Acórdão suscitado: “Acordam os membros da 10ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, para tornar matéria preclusa a imputação de responsabilidade tributária, (...) Ante o exposto e o contido nos autos, voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE a IMPUGNAÇÃO, para: TORNAR MATÉRIA PRECLUSA a questão da imputação de responsabilidade tributária”. Pois bem, a intempestividade das peças recursais de 1ª Instância protocolizadas pela autuada e por Sun Bloom e Port Company restou patente, de forma que, exceto em relação ao mérito (em face de aproveitarem a impugnação de Roberto e Adriana), a perempção acerca da imputação de sujeição passiva solidária restou definitiva, não se conhecendo do recurso voluntário destas duas pessoas jurídicas. De outro lado, discordo da decisão recorrida que decretou a perempção no que tange à imputação de sujeição passiva dos dois sócios, Roberto e Adriana; ao contrário, entendo que a peça recursal de 1º Piso foi tempestivamente juntada e argumentos aduzidos. Se tais argumentos foram entendidos como improcedentes, impertinentes ou fora de contexto e sem juntada de provas, e, por isso, não foram acolhidos pela Turma Julgadora (“não houve uma imputação específica, mormente na solidarização levada a efeito, ou seja, partiuse de constatações genéricas para individualizar tanto um arbitramento, despropositado, como solidarizações ou seja, mesmo no âmbito da pura compreensão dos fatos, a improcedência dos autos de infração já se mostra inarredável”), a decisão deveria ter perfilado no sentido de negar provimento (explicitando os motivos, que, no caso, presumivelmente seriam os mesmos utilizados para proclamar a perempção). Assim, revejo a decisão recorrida neste aspecto e, considerando a apresentação de recurso voluntário tempestivo por parte de Roberto e Adriana e a correta representação de ambos (fls. 2666/2667/2671) e o atendimento dos demais pressupostos exigidos para sua admissibilidade, o recebo e dele conheço. Em síntese, serão apreciados os recursos voluntários da autuada, Planet Girls e dos sujeitos passivos solidários, Roberto e Adriana, não se conhecendo das peças recursais das pessoas jurídicas Sun Bloom e Port Company, para as quais as imputações de responsabilidade solidária tornamse definitivas na esfera administrativa. Passo ao mérito. Como se vê nos autos e no extenso TVF (fls. 1540/2007) e seus anexos (fls. 2008/2504), o procedimento é mais uma das ações fiscais havidas ou ainda em andamento Fl. 2791DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.792 26 junto ao denominado “Grupo Restum”, aglomerado de empresas (centenas de sociedades empresárias autônomas) que atuam no ramos de roupas, sapatos e acessórios, utilizandose de diversas marcas próprias como Planet Girls, Hot Point, Venom, Polo Wear, A.R. Store, SMK e outras. No entendimento do Fisco, tal grupo utilizase de importações e de encomendas de industrialização junto a terceiros, revendendo os produtos em sua grande maioria através de lojas próprias e uma pequena parcela para revendedores varejistas. Cada uma das lojas é constituída como uma empresa autônoma, possuindo ato constitutivo e CNPJ distintos, sendo que a pulverização do grupo em inúmeras empresas distintas teve como objetivo desmembrar seu faturamento, encobrindo seu real potencial econômico e mantendo o Fisco à margem de suas atividades, uma vez que os baixos faturamentos apresentados por cada unidade não despertam o interesse fiscal. Em uma primeira fase, foram encerradas ações fiscais em face das seguintes empresas do grupo: Pois bem, naquilo que diz respeito ao caso específico aqui analisado, abstraio estas informações (já exaustivamente analisadas pelas partes e pela decisão recorrida) e passo a circunscrever tal análise aos fatos objeto dos lançamentos tributários presentes nos autos, como segue. OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A irregularidade constatada pelo Fisco e expressa nos autos de infração (fls. 1438/1538) originouse da constatação de ter a autuada movimentado valores em contas por ela mantidas em instituições financeiras e para as quais, devidamente intimada e reintimada, não teria conseguido comprovar as origens, levando ao surgimento da presunção expressa no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 2792DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.793 27 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tanto na impugnação de 1º Grau como neste recurso voluntário, ainda que tenha discorrido longamente sobre o tema, faltou à tese da recorrente o principal (e básico): a comprovação das origens dos recursos que permitiram fossem carreados às suas contas bancárias, mantidas junto a instituições financeiras, os valores apontados pelo Fisco, abaixo resumidos, separadamente, por período e instituição financeira (fls. 1555): Pois bem, tais lançamentos, relativos aos anoscalendário de 2011 a 2013, tiveram sustentáculo na movimentação bancária da autuada que apresentou substanciais valores lançados a crédito das contas por ela mantidas em diversas instituições financeiras e para os quais, devidamente intimada a comprovar suas origens, na forma prevista na legislação vigente (artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996), não logrou êxito. Fl. 2793DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.794 28 Registrese que, ao longo do procedimento fiscalizatório, o Fisco lavrou várias intimações à fiscalizada para que justificasse os créditos ocorridos em suas contas bancárias, ou seja, as origens de tais recursos, sem sucesso. Com isso, a presunção que permite ao Fisco inverter o ônus da prova, passandoa ao fiscalizado, se consolidou, posto que, com o surgimento no mundo jurídico do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, abriuse a possibilidade de se presumir a existência de omissão de receita ou rendimento quando o contribuinte, devidamente intimado, não conseguir justificar a origem dos valores lançados a crédito de suas contas em instituições financeiras. Tratase, pois, de uma presunção legal que só se valida com a rigorosa oferta ao fiscalizado da possibilidade de comprovar a origem dos recursos. Exatamente como ocorreu no caso presente. Vale exprimir, não é o depósito bancário em si que se converte em omissão de renda ou receita e se transforma em fato gerador de tributos, mas os recursos que deram origem a tal depósito e que não foram comprovados pelo fiscalizado, mesmo que devidamente intimado a demonstrar tais origens. De outra parte, prestigiese o trabalho fiscal que, em momento algum, resvalou por caminhos ilegais ou exorbitou de suas funções. Ao revés, sempre permitiu a manifestação da autuada de forma a encontrar a verdade dos fatos. Neste campo, ao receber as informações financeiras, cruzálas com as da própria fiscalizada e com o banco de dados da Receita Federal e intimar a contribuinte a justificar as divergências, sem que tenha recebido qualquer resposta sustentável, só restava ao Fisco lançar mão da presunção legal que define como omissão de receitas valores que ingressaram nas contas bancárias do sujeito passivo e não foram devidamente justificados. Temse, dessa forma, como ensina Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001), uma prova indireta condutora da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” Fl. 2794DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.795 29 Em seu trabalho ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo), a mesma autora acrescenta: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa”. Em suma, as presunções legais de omissão de receitas, no caso – por força cogente do artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, são tidas pela doutrina como uma das espécies de “prova indireta” e podem ser absolutas (jure et de jure) e relativas (jures tantum), inadmitindo as primeiras que haja prova em contrário ao fato presumido e as segundas (relativas) admitindoa. Neste eito, reputamse verdadeiros os fatos presumidos até que a parte interessada prove o contrário (a nominada “inversão do ônus da prova”), cabendo ao contribuinte, demonstrar que o Fisco está equivocado, sendo pacífico que a falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito (Código de Processo Civil de 1973, art. 333, II – CPC atual artigo 373, II). No presente caso, a fiscalização promoveu – correta e obedientemente à legislação a Intimação e a Reintimação da fiscalizada, tomando o cuidado de individualizar as operações questionadas. E permanecendo indemonstrada a origem dos recursos discriminados, a hipótese encaixase perfeitamente ao fato jurídico tributário descrito no antecedente da regra matriz de incidência tributária. Notese que o procedimento fiscal avançou por vários meses, tempo mais que suficiente para que a fiscalizada promovesse a entrega do que foi requisitado pelo Fisco (documentos que comprovassem as origens dos recursos que permitiram a movimentação bancária estampada), o que não ocorreu. E, destaquese, seriam documentos que lhe aproveitariam, posto que poderiam vir a justificar as origens dos recursos do numerário carreado às suas contas bancárias, destruindo a presunção do Fisco. Não o fez. Nem no curso do procedimento fiscal menos ainda na fase contenciosa, limitandose a questionar aspectos jurídicos presentes nos lançamentos (acesso do Fisco às contas bancárias, nulidade, utilização dos extratos bancários na consecução dos lançamentos, etc.). Em suma, aquilo que a Lei nº 9.430/1996, por seu artigo 42, impõe, ou seja, que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações mantidas junto a instituições financeiras, não se fez presente, fortalecendo a presunção adotada pela Autoridade Fiscal. Ademais, como sabido, a presunção de omissão de receita construída a partir de tal indício é suficiente para a exigência, até porque lastreada legalmente. Fl. 2795DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.796 30 Mais ainda, não se perca o entendimento de que a chamada prova indiciária é pacificamente admitida em nosso direito como ferramenta necessária para apurar eventos que não se mostram explícitos, como já decidido pelo CARF: Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 25/01/2011 Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401000.405 ASSUNTO: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. Cumpre ao Fisco, em tais circunstâncias, tão só provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a consequente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração regular ou em poder dos sócios. A prova contrária à presunção legal, como dito, não foi fornecida pela autuada, como já enfatizado anteriormente. Assim, concretizada a hipótese abstrata prevista na lei, o Fisco pode lançar mão da figura da presunção legal, como no caso em análise, quando se presume a ocorrência de omissão de receitas se o fiscalizado, devidamente intimado, não consegue comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Portanto, a materialidade do fato gerador restou comprovada, de modo que fica mantido o lançamento neste aspecto, por sua absoluta correção. Adicionalmente, a invocação da Súmula nº 182 do antigo TFR em nada socorre a recorrente, posto que suplantada pela legislação superveniente e atual jurisprudência. Mantenho, pois a imputação de omissão de receitas fincada no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996. Adicionalmente, acrescento que, embora o STF já tenha decido pela possibilidade do acesso pelo Fisco às contas bancárias dos contribuintes (RE nº 601.314 – SP, de 24/02/2016), neste caso nem há necessidade do apoio desta decisão tendo em conta que o referido acesso foi autorizado judicialmente. DO ARBITRAMENTO Quanto ao arbitramento, constatada a não apresentação dos livros exigidos pela legislação, correto o arbitramento. E quanto à utilização da “receita” como base para os lançamentos ou utilização indevida de percentuais de arbitramento, igualmente nenhum reparo a fazer ao trabalho fiscal, posto que existe expressa determinação legal neste sentido. Vejase (todos os dispositivos são do RIR/1999): Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do Fl. 2796DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.797 31 lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano calendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Portanto, a não apresentação dos livros exigidos para as pessoas jurídicas que fizerem a opção pelo Lucro Presumido impõe que o Fisco adote o arbitramento, posto não haver outra forma de apuração dos tributos devidos. Reclama a recorrente de que a Fiscalização deveria ter se atido aos dizeres do artigo 24, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. É vero. Em tese. Fl. 2797DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.798 32 Isto porque, a assunção dos ditames deste artigo pelo Fisco passa, necessariamente, pela condição de que a contribuinte possua e disponibilize os livros e documentos exigidos pela legislação (já reproduzida), o que não ocorreu em momento algum. Ou seja, tal obediência presume a existência dos livros e assentamentos imprescindíveis a que possa a contribuinte optar e usufruir da sistemática adotada, sob pena de ter seu lucro arbitrado pelo Fisco, ressaltandose ser pacífico o entendimento de que, antes de ser uma penalidade, o ARBITRAMENTO é uma forma LEGAL de mensurar a base de cálculo do IRPJ, quando impossível a sua apuração mediante os livros, documentos e escrituração do sujeito passivo. Constatada a omissão de receitas nos anos de 2011 a 2013 e não atendidos os requisitos para opção pelo lucro presumido, só restava a apuração via lucro arbitrado, o que foi corretamente feito. Por fim, embora de amplo conhecimento, não de deve esquecer que “arbitramento” não é uma penalização e muito menos um instrumento de tortura de que disporia a Autoridade Fiscal para massacrar os contribuintes. Ao contrário, é remédio com previsão legal e de adoção inclinável pelo Fisco quando a escrituração da pessoa jurídica, sujeita ao Lucro Presumido, não atender aos ditames que legislação impõe para assunção deste regime de apuração. Neste trilho, a jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CARF – órgão colegiado administrativo de julgamento em instância definitiva: “ARBITRAMENTO NÃO É PENALIDADE – O arbitramento não possui caráter de penalidade; é simples meio de apuração do lucro” (Ac. CSRF/010.123/81). Por tudo o que se expôs e o que consta dos autos, confirmo a decisão recorrida e mantenho o arbitramento. DA MULTA QUALIFICADA Sobre a qualificação da multa de ofício, elevandoa ao patamar de 150%, mantenhoa por entender presentes os pressupostos para sua exasperação. Para tanto, não bastassem outros fatos presentes minuciosamente no TVF, vejase este item, por si só autoelucidativo: “Num breve resumo, que não substitui aquilo que consta nos referidos relatórios, se verifica a utilização de conta corrente de empresa para acobertar transações de todo o Grupo Restum, conforme detalhado no item 3.2. Essa utilização além de claramente irregular, foi reiterada, pois repetida ao longo dos 3 anos fiscalizados. Apesar dos expressivos valores movimentados em conta corrente, a empresa apresentou declarações com valores irrisórios. Em suas DCTFs (anexadas ao processo), o valor individual dos impostos apurados raramente supera R$ 20 mil, apesar de Fl. 2798DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.799 33 movimentação financeira superior a R$160 milhões no período. O contribuinte nunca apresentou Dacon no período fiscalizado, declaração imprescindível para verificar a correta apuração do Pis e do Cofins. Não apresentou a DIPJ do ano calendário 2011. A DIPJ do ano calendário 2012, foi apresentada com os dois primeiros trimestres zerados, e nos dois últimos a apuração do lucro presumo foi feita com o percentual de 1,6%, que é aplicável apenas nos casos de comercialização de combustíveis, quando o correto seria 8%. Em 2013, apresentou a DIPJ indicando uma receita de menos de R$ 4 milhões, quando movimentou mais de R$ 160 milhões. A própria correção da DIPJ do ano calendário 2013 mostra que os administradores da empresa conheciam os percentuais corretos de apuração, e utilizaram valores menores para deliberadamente reduzir os impostos a pagar.” Sem dúvida, portanto, patente o animus da fiscalizada em “impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária” ou, “impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”, como afirma o texto legal (artigos 71 e 72, da Lei nº 4.502/1964)2. É certo que existe Súmula do CARF no sentido de que simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). Todavia, a contrario sensu do entendimento consolidado pelo Colegiado Administrativo Tributário na citada Súmula, a contribuinte não só omitiu receitas como buscou impedir ou retardar totalmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou mesmo seu conhecimento pela Fiscalização, com o subterfúgio de entregar DCTF com valores inferiores ao devido, não apresentar DACON, omitir a entrega de DIPJ do anocalendário de 2011 e entregar as de 2012 e 2013 com valores e percentuais desconexos com a realidade (índices utilizados por “revendedores de combustíveis” 2 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 2799DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.800 34 quando sua atividade é a de comércio de roupas e receitas declaradas de 4 milhões contra um movimentação financeiras de 160 milhões!). Por isso tudo, não é “apenas” a omissão de receitas tomada isoladamente que levou à exasperação da multa, mas todo um complexo de fatos entrelaçados e as circunstâncias presentes que assim a definiram. A jurisprudência administrativa é nesta linha: Acórdão 120100205 Relator: Guilherme Adolfo dos S. Mendes MULTA QUALIFICADA — são as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Além dos valores omitidos serem de elevada monta em relação aos valores escriturados, o número de operações omitidas, na casa de centenas, leva à convicção de que a conduta missiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, que implica, ainda, a redução indevida de tributos e contribuições, impõe a exigência das exações fiscais com aplicação da multa qualificada (Segunda Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 11/11/2010 Relator(a) Antonio José Praga de Souza Nº Acórdão 1402000.314) Deste modo, presentes os requisitos exigidos por lei para a exasperação da multa de ofício ao patamar de 150%, nenhum reparo deve ser feito ao trabalho do Fisco, pela sua procedência. DA MULTA AGRAVADA Rebelase também a defesa contra o agravamento da multa de ofício, com fixação no percentual de 225%. Acerca do assunto, dispõe o artigo 44, da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 2800DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.801 35 (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; No entender deste Relator, a imposição da multa de ofício com agravamento em 50% de seu percentual original (75% ou 150%), elevandoa a patamares de 112,50% e 225,00%, exige a ausência de atendimento, por parte do sujeito passivo, das intimações emitidas pela fiscalização no curso do procedimento investigativo, ou, ainda, sua omissão no sentido de dificultar o andamento e execução da ação fiscal. Ou seja, a sua aplicação vinculase ao animus da fiscalizada em atender ou não a auditoria fiscal, disponibilizando ou não os documentos requeridos, fornecendo ou não as informações exigidas. Em outras palavras, se o sujeito passivo mostrar ânimo no atendimento ao Fisco, mesmo que este atendimento seja feito de forma parcial e incompleta, este Relator entende não presentes os requisitos insertos no inciso I, do § 2º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, acima transcrito. Se a fiscalizada busca, embora de modo incompleto, colaborar com o trabalho fiscal, certamente não seria o desatendimento a uma ou duas intimações e que não tivessem o cunho de prejudicar o procedimento do Fisco que levaria à exasperação da multa, subindoa em 50%. Todavia, se a indisposição em não oferecer as informações e documentos requeridos pelo Fisco é patente, COMO NO CASO CONCRETO, quando a autuada não atendeu sequer a uma das intimações (vejase, a propósito, o TVF, item “2.2”, no qual o Fisco informa que, após diversas intimações à empresa e seus sócios, Roberto e Adriana Restum, para apresentar documentação fiscal, comprovar depósitos bancários e prestar esclarecimentos, nada foi apresentado ou justificado), o agravamento da multa de 150% para 225% resta plenamente justificado e comprovado, não havendo ressalva a fazer ao entendimento do Fisco, pelo que seu trabalho é prestigiado. O raciocínio esposado neste voto segue o entendimento consolidado no CARF no sentido de que o descaso do contribuinte no atendimento à ação da fiscalização impõe o agravamento da multa de ofício. ASSUNTO: PENALIDADE. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Nas situações de falta de atendimento a intimações expedidas pela fiscalização, cabível o agravamento da multa de ofício. (Segunda Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 08/11/2010 Relator(a) ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Nº Acórdão 1402 000.276). Concluo por improver o recurso voluntário e manter a decisão recorrida e o agravamento da multa no percentual de 225%. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Fl. 2801DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.802 36 Sobre a responsabilização solidária, a Autoridade Fiscal elegeu ROBERTO RESTUM, CPF – 043.261.15840; ADRIANA RESTUM, CPF – 120.853.19807; SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ – 02.067.055/000144, e PORT COMPANY PART. E EMPR. LTDA. – ME, CNPJ – 10.528.300/0001 00. Ainda que tenha sido apresentado recurso voluntário pelos quatro listados (em conjunto com o da autuada) restou claro, conforme já assentado neste voto, que as duas pessoas jurídicas incluídas no pólo passivo como responsáveis solidárias, Sun Bloom e Port Company tiveram suas impugnações entendidas como peremptas de modo que tais peças recursais em segunda instância não lhes socorre, decretandose sua perempção e imputação definitiva como “sujeitos passivos solidários”. Com relação às duas pessoas físicas, Roberto e Adriana, a Autoridade tributante enquadrou suas condutas nos artigos 124, I e 135, III, do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Na sua peça recursal alegam resumidamente: Ø “que as solidarizações foram efetivadas sem o menor critério de imputação, após elaborar o “Relatório Fiscal Grupo Restum”, a Fiscalização apenas indicou as pessoas e transcreveu o artigo 124 e 135 do CTN; Ø não ter sido realizada uma única imputação, uma descrição das condutas; Ø ter havido multiplicidade de devedores solidarizados e responsabilizados pelo pagamento, sem que tenha havido, afora as alegações genéricas contidas no “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, qualquer imputação específica de cada contribuinte, ou qual seria seu real interesse na ocorrência do fato gerador, muito menos quais as relações diretas e pessoais que tenham mantido na ocorrência do fato imponível; Ø que o expediente adotado pela Fiscalização, generalista como se viu em todas as circunstâncias deste procedimento, arrolou as empresas e os sócios do que seria um conglomerado econômico, aludindo o que dispõem os artigos 124 e 135, do Código Tributário Nacional e simplesmente os colocou na posição de devedores solidários; Ø que, tirante as ilações do famigerado “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, não houve qualquer imputação especificada, em relação aos nominados; Ø ter a Fiscalização ignorado, as regras mais comezinhas acerca da responsabilização, as quais saltam da mera leitura dos dispositivos por ela mesmo invocados, confundindo solidarização com responsabilidade pelo pagamento de débitos de terceiro; Fl. 2802DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.803 37 Ø fezse uma narrativa genérica e sumariamente arrolaramse diversos contribuintes sem demonstrar a efetiva participação nos fatos geradores, de receitas que já pertenciam a outras empresas; Ø não se pode conceber a solidarização de dezenas de contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, ao mero argumento de que todas participaram de um “grupo econômico”; Ø tal fato poderia, dada a terminologia adotada pelo CTN, numa leitura apressada denotar que se permitiria a responsabilização de qualquer pessoa, independentemente de haver relação com o fato gerador. No entanto, mostra se equivocado esse raciocínio; Ø seria inaceitável até mesmo pensar que o legislador entendeu como responsável pessoa totalmente alheia à situação definida como fato gerador do tributo, daí porque o artigo 128 prevê a obrigatoriedade desse terceiro ser pessoa "vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação"; Ø sem prejuízo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação; Ø ou seja, revelase verdadeira intensidade do vínculo entre a obrigação tributária e o responsável, sem, é claro, configurar um elo pessoal e direto porque, se assim for, tratarseá de contribuinte, não de responsável. Frisese, ainda, que a eleição desse terceiro como responsável decorre de razões de conveniência e necessidade; Ø anotese, portanto, que mesmo para eleição do responsável, o que nem é a hipótese tratada nos autos, é imprescindível haver expressa disposição legal para a responsabilidade tributária de terceiros, nos termos da legalidade geral estatuída no artigo 5º, inciso II, e da legalidade tributária, constante do artigo 145, inciso II, do texto constitucional, assim como dos artigos 97, inciso III, e 121, inciso II, do CTN, princípio da reserva legal segundo o qual ninguém é obrigada a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de lei. Logo, sem lei expressa, o terceiro não pode ser responsabilizado; Ø caberia à Fiscalização demonstrar que houve, individualmente para cada solidarizado, interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação, apresentase possibilidade de solidarização; Ø como se sabe, o instituto da solidariedade em matéria tributária, assegura o interesse do Fisco para a busca de seu direito de exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária, ocorrendo a solidariedade, sempre que se der a presença de mais de um sujeito passivo na mesma relação tributária, destacandose como premissa a existência de “interesse comum” das pessoas que participam da situação fática geradora da obrigação; Ø contudo, no caso dos autos, não houve imputação específica de qual seria a relação direta e pessoal de cada responsabilizado, tampouco quais seriam seus interesses, valendose a Fiscalização de uma imputação genérica e falaciosa, construída como se todos os responsabilizados fossem integrantes de um grupo econômico. Tal fato, por si só, como visto acima, não autoriza a solidarização; Fl. 2803DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.804 38 Ø em relação ao Impugnante “Roberto”, observase que fora responsabilizado nos termos do artigo 135, III, do CTN, ou seja, em tese, segundo a Fiscalização seria “pessoalmente responsável pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”; Ø neste ponto específico, além da mesma imputação genérica, a Fiscalização novamente incorreu em equívoco interpretativo sofrível, porquanto assinalou um evidente dispositivo que cuida de responsabilidade por pagamento de crédito de terceiros, como se tratasse de solidariedade; Ø diante disso, caso prevaleçam os impugnados autos de infração, expressamente se requer a exclusão, do polo passivo da presente obrigação tributária, de todos quantos foram solidarizados e/ou responsabilizados, reconhecendose que a Fiscalização não demonstrou na espécie os motivos que possibilitariam a solidarização, esbarrando assim, na legalidade”. Discordo do entendimento dos recorrentes Roberto e Adriana. Não se trata, como alegado, de responsabilizar dezenas de coobrigados aleatoriamente ou sem substrato legal, mas de impor aos verdadeiros sócios e administradores, a responsabilização solidária pelos créditos tributários constituídos neste procedimento, tendo em vista, dentre outros fatos incontroversos: 1. que na “Ficha Cadastral Completa” da empresa PlanetGirls Comercio de Confecções Ltda, CNPJ 04.740.881/000138, obtida na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), verificase que ela teve seu encerramento registrado na Jucesp em 30/06/2010; 2. na data de encerramento, seus sócios eram Roberto Restum, CPF 04326115840, com participação de R$ 18.000,00 (60% do capital social) e Adriana Restum, CPF 12085319807, com participação de R$ 12.000,00 (40% do capital social). Tanto Roberto quanto Adriana se enquadravam “na situação de sócios e administradores, assinando pela empresa; 3. a Ficha Cadastral citada foi obtida pelo Fisco no portal da internet da Jucesp e sua cópia consta deste processo; 4. os extratos das contas correntes remetidos pelos bancos, anexados a este processo, mostram que Roberto Restum e Adriana Restum continuaram movimentando as contas correntes da empresa, após o registro do distrato social na Jucesp; 5. nos cartões de assinatura dos bancos Santander, Bradesco e Safra constam os dois sócios, Roberto Restum e Adriana Restum, com poderes para assinar pela empresa, isoladamente; 6. abaixo, um exemplo de um cartão de uma conta corrente no Safra da Sra. Adriana: Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.805 39 \ 7. todos os cheques emitidos a débito das contas dos bancos, em todos os períodos amostrados (no início, no meio e no fim do período fiscalizado) foram assinados pelo Sr. Roberto Restum. As cópias dos cheques podem ser consultadas nos documentos remetidos pelos bancos, que constam neste processo. Abaixo, exemplo de um cheque assinado pelo Sr. Roberto: 8. portanto, fica comprovado que Roberto Restum e Adriana Restum são os responsáveis pela movimentação das contas correntes da empresa extinta no período fiscalizado; 9. estando as atividades da empresa já encerradas, estáse diante de uma situação de sociedade irregular, o que impõe aos sócios administradores a responsabilização pelos tributos apurados, de forma solidária e ilimitada; Fl. 2805DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.806 40 10. como visto, Roberto Restum e Adriana Restum eram sócios no momento do distrato, tinham poderes para movimentação das contas correntes da empresa extinta, receberam elevados valores no decorrer dos 3 anos fiscalizados (conf. TVF). Esses fatos, e outros detalhados posteriormente, mostram que esses sócios eram os administradores da empresa extinta e se beneficiaram do esquema empresarial fraudulento montado; 11. o grupo empresarial liderado por Roberto e Adriana possuía um grande número de empresas ativas e tinha por hábito constituir e encerrar constantemente novas empresas o que permitia que quando determinada empresa começava a despertar interesse fiscal era sumariamente encerrada e uma outra era colocada no seu lugar; 12. a estratégia adotada pelo Gruo Restum para viabilizar estas trocas de empresas sustentavase no verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto à RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade; 13. também era praxe a utilização de interpostas pessoas, seja para constituir a empresa, seja para operar fraudulentamente, seja para proteção patrimonial quando do encerramento, com a cíclica constituição de novas empresas em nome de “laranjas” e/ou “testas de ferro”. Essas empresas, conforme sua função dentro do Grupo, por vezes eram transferidas aos reais titulares (família Restum), por vezes eram operadas em nome das interpostas pessoas e por vezes eram transferidas a estas quando de seus encerramentos, de modo que, assim, a responsabilidade tributária daí decorrente recairia sobre os “laranjas”. Este fato, independentemente dos aspectos penais e de qualificação da multa de ofício que envolve, sem sombra de dúvida demonstra o intuito de evitar a satisfação efetiva do crédito tributário, posto que a imputação recairia sobre “laranjas” sem nenhuma capacidade financeira; 14. há, inclusive, ações judiciais movidas por terceiros contra o Grupo no sentido de verem seus nomes afastados das empresas componentes com a alegação do uso indevido de seus nomes. Todo este cenário – inconteste, como dito , encaixase, sem nenhuma dúvida, na descrição dos artigos 124, I e 135, III, do CTN, posto que revela o claro interesse comum dos dois sócios na situação relativa à constituição do fato gerador (a interposição de laranjas é apenas um destes sustentáculos) e a evidente prática de atos ao arrepio das leis vigentes levada a efeito pelos também administradores da autuada (Roberto e Adriana). No primeiro caso (artigo 124, I), o interesse comum é manifesto quando se constata a engenharia desenvolvida para que os dois sócios usufruíssem, em comunhão, dos benefícios resultantes de tal procedimento, e, ao mesmo tempo, ficassem ocultos como sócios de grande parte das empresas constituídas, artifício exteriorizado pelo uso costumeiro de Fl. 2806DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.807 41 praticar alterações contratuais e fincar “laranjas” no quadro social e na “administração” das mesmas, pessoas estas comprovadamente sem nenhuma capacidade financeira, econômica ou empresarial para dirigir uma companhia do porte da Planet Girls com centenas de lojas. Em síntese, ambos, indistintamente, por ação ou omissão, contribuindo para que pessoas sem condições financeiras, econômicas ascendessem a cargos diretivos e gerenciais ou fossem colocadas como interpostas pessoas (“laranjas”) possibilitando a Roberto e Adriana manteremse ocultos e usufruírem das vantagens que um negócio empresarial pode trazer, sem correr os riscos que este mesmo negócio pode apresentar. Somese a isso, o recebimento – ainda em comum – de valores retirados de contas bancárias de empresas já baixadas na Junta Comercial e, assim, irregulares, tudo sob a administração de ambos os sócios (Roberto e Adriana) que assinaram os cheques ou as autorizações de transferência para suas contas pessoais. Assim, não vejo ressalvas ao trabalho fiscal que concluiu pela responsabilização solidária de Roberto Restum e Adriana Restum consoante disposições do artigo 124, I, do CTN, posto se estar diante de “pessoa com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", ainda mais porque, como sabido, a imputação fulcrada no mencionado dispositivo estatutário não exige o exercício de qualquer atividade de gestão, bastando o dito “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”, pelo que mantenho a inclusão de ambos no pólo passivo da lide. Igualmente me parece ter agido corretamente a Autoridade Fiscal quando enquadrou o procedimento dos dois administradores nos dizeres do artigo 135, III, do Código, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como bem exprimiu o I. Conselheiro desta Turma, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, no Acórdão 1402002.204, “para a caracterização da responsabilidade a que alude o art. 135, III, do CTN, fazse necessário a presença dois elementos: i) elemento pessoal: diz respeito ao sujeito que deu azo à ocorrência da infração, ou seja, o executor, partícipe ou mandante da infração. Tratase, na realidade, do administrador da sociedade, independentemente de ser ou não sócio. Assim sendo, não poderão ser incluídos como responsáveis quaisquer sujeitos que não possuam poder de decisão”; e, ii) “elemento fático: necessidade de conduta que implique excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto”. Significa dizer que muito mais que sócio é preciso que seja “administrador”, até porque podem existir sócios aos quais os estatutos ou contratos sociais não deleguem nem definam poderes gerenciais. Assim, mesmo que “sócios” (enquanto somente nesta condição) possam ficar albergados de uma possível responsabilização, aos “administradores” não cabe tal proteção, a teor da expressa definição imposta pelo artigo 135, III, desde que, indispensavelmente, exerçam as atribuições estatutárias ou contratuais de administração no Fl. 2807DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.808 42 período contemporâneo aos fatos geradores e sejam os responsáveis pelo crédito tributário constituído em razão de “atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”. In casu, não há dúvidas em relação à qualidade de administradores que possuíam Roberto e Adriana no período sob fiscalização, o que já os enquadra em uma das vertentes do artigo 135, III. O outro pólo (responsabilidade pelo crédito tributário oriundo de atos praticados ao arrepio das leis ou estatutos) deflui com clareza pela simples compulsação dos autos, seja pelo procedimento contumaz de inserir “laranjas” na “administração” de empresas do grupo, seja pela constituição e encerramento – muitas vezes irregulares – de sociedades, seja pela percepção de valores destas mesmas sociedades “encerradas” em favor próprio, seja, pela inadimplência tributária. A respeito desta última condição, adoto excertos do voto proferido pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Ac. já citado) que, de forma precisa, bem define o quadro, em tudo aplicável também a este processo: “A autoridade fiscal, ao cominar a penalidade qualificada de 150%, entendeu restar caracterizado o conjunto fáticojurídico a ensejar a responsabilidade tributária. Entendo lhe assistir razão. Não desconheço da jurisprudência do STJ que pode ser resumida com a transcrição do Enunciado nº 430 da Súmula do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio gerente Mais recentemente, julgouse a matéria sob a égide do disposto no art. 543C do CPC/1973 (“recurso repetitivo”), sendo que a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.101.728/SP, de Relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, consolidou entendimento segundo o qual “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa”. Saliento que o simples inadimplemento da obrigação não pode gerar, de per si, a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica. Ao assim dispor, por outro lado, o STJ deixou transparecer que em hipóteses de um inadimplemento, digamos, “qualificado”, podese sim atribuir a responsabilidade de que tratar o art. 135 do CTN. Com efeito, não comungo do entendimento daqueles que limitam a aplicação do caput do art. 135 do CTN às hipóteses de cometimento de infração à lei societária, excluindo às infrações às Fl. 2808DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.809 43 leis tributárias. Não me parece ser crível que, em se tratando de uma norma tributária, excluase do rol de infrações, aptas a ensejar a corresponsabilidade, justamente as próprias leis aplicáveis aos tributos. E não se fala aqui de um simples inadimplemento de tributo, mas sim de inadimplemento doloso, penalizado administrativamente com multa de 150% que se aplica somente em casos de sonegação, fraude ou conluio (art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), dando ensejo à representação fiscal para fins penais por cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária a que alude o art. 1º da Lei nº 8.137/90. (...) No mesmo sentido, Emanuel Carlos Dantas de Assis dispôs: (...) Como a culpa ou o dolo deve ser comprovado, carece uma interpretação casuística. A solução vai depender de cada situação em concreto. Assim, se por um lado é certo que o simples inadimplemento de tributo se constitui em infração de lei, somente a análise dos fatos e circunstâncias irá demonstrar se o sócio tinha razões ou não para deixar de efetuar o pagamento. (...) Na caracterização do dolo reside a maior dificuldade para as administrações tributárias, na tentativa de responsabilizar os administradores e sócios de sociedades empresárias, por débitos tributários destas. Como demonstrar, afinal, a intenção da pessoa física? O dolo necessário à responsabilidade estatuída no art. 135 é o presente não só nos crimes contra a ordem tributária previstos na Lei nº 8.137/1990, no contrabando e descaminho (art. 334 do Código Penal, alterado pela Lei nº 4.729/1965), ou nas infrações tributárias dolosas como sonegação, fraude e conluio (Lei nº 4.502/1964, arts. 71 a 73, respectivamente). [...]21 [grifos nossos]. Também em pronunciamentos da PGFN e da Receita Federal podese extrair a mesma exegese de tal dispositivo legal: PARECER/ PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009 [...] O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; [grifos nossos] Fl. 2809DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.810 44 NOTA GT RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA nº 1, de 17 de dezembro de 2010 (Ato conjunto entre ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e Secretaria da Receita Federal do Brasil. Grupo de Trabalho constituído pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 8 / 2010) Observase que, se há multa qualificada, há responsabilidade pelo art. 135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador. [grifos nossos]. (...) Na jurisprudência, o entendimento do STJ: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. NOVO PEDIDO DE REDIRECIONAMENTO PARA O SÓCIOGERENTE. ART. 135 DO CTN. POSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA EM CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL. CONFIRMADO. 1. Os efeitos da decisão, já transitada em julgado, que indeferiu anterior pedido de redirecionamento, não irradia efeitos de coisa julgada apta a impedir novo pedido de redirecionamento na mesma execução fiscal em face da existência de sentença condenatória em crime de sonegação fiscal, confirmada pelo Tribunal de 2º grau e com Habeas Corpus pendente de julgamento no STJ, porquanto aquele pleito inicial está fulcrado apenas em mero inadimplemento fiscal. 2. O redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sóciogerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. A condenação em crime de sonegação fiscal é prova irrefutável de infração à lei. 3. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 935839/RS, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, decisão unânime, sessão de 05 de março de 2009) (...) Conforme se observa, ao se tratar não de um simples inadimplemento, mas sim de um inadimplemento qualificado, doloso, caracterizado por conduta fraudulenta e com repercussões na esfera criminal, incide o disposto no art. 135 do CTN, implicando que os administradores da pessoa jurídica (inciso III), os quais Fl. 2810DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.811 45 respondem, inclusive, na seara criminal, sejam também responsabilizados pela obrigação tributária”. (destaque deste Relator). Concluindo, entendo correta a inclusão de Roberto Restum e Adriana Restum no pólo passivo da lide na qualidade de sujeitos passivos solidários, com tipificação nos artigos 124, I, e 135, III, do CTN, ratificando o trabalho fiscal. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Rebelase a recorrente contra a possibilidade da imposição de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no lançamento. Embora ressalve, de plano, que a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a Multa de Ofício, é questão superveniente ao presente lançamento, é se apreciar a matéria, já que, inexoravelmente, tal acréscimo virá integrar o crédito tributário objeto de discussão. Consoante dizer do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e Fl. 2811DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.812 46 contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...).” Seguindoa, a Lei nº 9.430, de 1996, foi mais genérica, dispondo que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): “Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 2812DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.813 47 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Consistindo a multa de lançamento de ofício em débito para com a União, de natureza de obrigação tributária principal, correta a interpretação de que, sobre referida penalidade incidem juros à taxa Selic, a partir do seu vencimento. Corroboram, ainda, a conclusão acima, as razões abaixo dispostas. De fato, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, reportandose especificamente à multa de mora inadimplida, dispôs que sobre ela incidem juros de mora à taxa Selic, quando exigida de ofício, isolada ou conjuntamente (art. 43): “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Com efeito, como já ressaltado anteriormente, sobre a multa de mora não há de se cogitar na incidência de juros, pois referida penalidade pecuniária é desprovida de vencimento, exceto quando exigida mediante lançamento de ofício, como regula o dispositivo supra, momento o qual se impõe um prazo legal para o seu adimplemento. Da mesma forma ocorre com relação aos juros. Estes não têm vencimento legal para o seu cumprimento, a menos que exigidos por meio de lançamento de ofício. Resta claro, pelo dispositivo acima transcrito, que sobre a penalidade exigida de ofício incidem juros de mora à taxa Selic. No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, já legitimou a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluída a multa de ofício. Vejase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Fl. 2813DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.814 48 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012 Acresçase que a matéria já está amplamente consolidada nesta Corte no âmbito das três turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Assim, neste item, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício lançada. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sobre os lançamentos reflexos, a medida está definida no artigo 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF): Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 2814DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 1402002.600 S1C4T2 Fl. 2.815 49 Certo, pois, que os autos devem ser lavrados de forma concomitante – artigo 9º, § 1º, do PAF e artigo 142 do CTN e que o julgamento do principal, no caso o IRPJ, refletirá nos demais, observadas as peculiaridades de cada tributo. Assim, sendo os lançamentos reflexos mera decorrência do principal e havendo sido este julgado procedente, igual sorte devem colher as demais exigências presentes nos autos. Com essas considerações, voto no sentido de, i) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da autuada; ii) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário dos sujeitos passivos solidários ROBERTO RESTUM e ADRIANA RESTUM; e, iii) por peremptos, NÃO CONHECER dos recursos voluntários de SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA. e PORT COMPANY PART. E EMPR. LTDA. – ME, tornando definitiva a imputação de solidariedade a elas impingida. É como voto. Brasília (DF), em 20 de junho de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 2815DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.722475/2010-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL.
A entrega da Declaração intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação
O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional
Numero da decisão: 1001-000.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 24 75 /2 01 0- 67 Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10380.722475/201067 Acórdão n.º 1001000.010 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 26 a 32) interposto contra o Acórdão nº 0360.721, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 17 a 20), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: Trata o presente processo da exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos FederaisDCTFdo 2º Semestre de 2007, anocalendário de 2007, no qual está sendo exigido do interessado supra identificado o crédito tributário no valor de R$ 19.367,65. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento contestando a cobrança da multa por atraso, alegando, em síntese, que apresentou a declaração em atraso, porém espontaneamente. Cita jurisprudência nesse sentido, de não cabimento da multa. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório." Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10380.722475/201067 Acórdão n.º 1001000.010 S1C0T1 Fl. 4 3 Cientificado da decisão de primeira instância, o ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário apenas reiterando os mesmos argumentos e jurisprudências já exarados por ocasião da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, por concordar com todos os seus termos e conclusões, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida, conforme transcrevo: "(...) Analisando os documentos que compõem o processo, verificase que a contribuinte apresentou a Declaração de Débitos e Créditos FederaisDCTF 2º Semestre de 2007, anocalendário 2007, após o prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal: A multa em análise esta prevista na Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, art 7o, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, in verbis: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifo nosso) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10380.722475/201067 Acórdão n.º 1001000.010 S1C0T1 Fl. 5 4 DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep,informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)(grifo nosso) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. [...] Cabe esclarecer que a entrega da Declaração fora do prazo fixado pela norma tributária é considerado como sendo o descumprimento de uma obrigação acessória por parte da empresa. Como regra, é conduta formal que não Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10380.722475/201067 Acórdão n.º 1001000.010 S1C0T1 Fl. 6 5 se confunde com o não pagamento de tributo, nem tampouco com as multas decorrentes por tal procedimento. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do Código Tributário NacionalCTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos do fato gerador de tributo. A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela Administração Pública pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte. Pelo explicitado, em que pese os argumentos da contribuinte, alicerçados no art. 138 do Código Tributário Nacional (espontaneidade) e qualquer outro exarado na sua defesa, esses não podem prosperar nesta esfera administrativa de julgamento uma vez que, a exigência da multa de ofício, processada na forma dos autos, está prevista em normas regularmente editadas. Embora a impugnante tenha tomado às providências necessárias para regularizar a sua situação perante este Órgão, as mesmas foram extemporaneamente, o que não lhe exime da exigência da multa pelo descumprimento da obrigação acessória conforme lhe é exigido no Auto de Infração. (...)" Ademais, se faz oportuno registrar que o entendimento acima exposto, acerca da denúncia espontânea, já foi pacificado e sumulado por este Conselho, conforme transcrevo: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Desta forma, é imperioso concluir que a decisão de primeira instância adotou a solução correta ao caso, não merecendo qualquer reparo. Por todo o exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10380.722475/201067 Acórdão n.º 1001000.010 S1C0T1 Fl. 7 6 Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000560/2008-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 30/09/2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
Foi devidamente descrita a infração tributária cometida pelo sujeito passivo, sendo-lhe aberto prazo para impugnação e, posteriormente, apresentação de recurso voluntário, de modo que ao contribuinte foi oportunizado o devido contraditório e a ampla defesa.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DEPÓSITO JUDICIAL. EXISTÊNCIA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. EXCLUSÃO DOS JUROS E DA MULTA DE MORA.
Os juros e a multa de mora não são devidos sobre o crédito tributário, quando existente o depósito judicial, devendo ser mantidos os juros e a multa apenas no que se referem aos valores que sobejarem ao depositado em juízo.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 2201-004.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 05/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 30/09/2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Foi devidamente descrita a infração tributária cometida pelo sujeito passivo, sendo-lhe aberto prazo para impugnação e, posteriormente, apresentação de recurso voluntário, de modo que ao contribuinte foi oportunizado o devido contraditório e a ampla defesa. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DEPÓSITO JUDICIAL. EXISTÊNCIA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. EXCLUSÃO DOS JUROS E DA MULTA DE MORA. Os juros e a multa de mora não são devidos sobre o crédito tributário, quando existente o depósito judicial, devendo ser mantidos os juros e a multa apenas no que se referem aos valores que sobejarem ao depositado em juízo. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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BANCO MÚLTIPLO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 30/09/2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Foi devidamente descrita a infração tributária cometida pelo sujeito passivo, sendolhe aberto prazo para impugnação e, posteriormente, apresentação de recurso voluntário, de modo que ao contribuinte foi oportunizado o devido contraditório e a ampla defesa. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DEPÓSITO JUDICIAL. EXISTÊNCIA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. EXCLUSÃO DOS JUROS E DA MULTA DE MORA. Os juros e a multa de mora não são devidos sobre o crédito tributário, quando existente o depósito judicial, devendo ser mantidos os juros e a multa apenas no que se referem aos valores que sobejarem ao depositado em juízo. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 05 60 /2 00 8- 78 Fl. 235DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 05/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de credito lançado e constituído pela fiscalização contra a empresa HSBC BANK BRASIL S.A. — BANCO MÚLTIPLO, acima identificada, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 26/35, no montante de R$ 120.250,57 (cento e vinte mil, duzentos e cinqüenta reais e cinqüenta e sete centavos), consolidado em 31/10/2008. O Auto de Infração (DEBCAD n° 37.202.2421) teve como finalidade apurar e constituir o crédito relativo a contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB e destinadas ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA , não recolhidas, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, correspondentes ao período de outubro/2005 a setembro/2006. O fato gerador do crédito apurado consiste no exercício de atividades remuneradas pelos segurados, cujas remunerações foram pagas na rubrica 1216 (ABONO ÚNICO), constante dos Fl. 236DF CARF MF Processo nº 12268.000560/200878 Acórdão n.º 2201004.004 S2C2T1 Fl. 3 3 contracheques e das folhas de pagamento, em decorrência da cláusula 48ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006, no valor de R$ 1.700,00 por funcionário. Na contabilidade, os lançamentos foram registrados na conta n° 25.54.470 L(Abono Convenção), pertencente ao grupo no 25.54.003 (Despesas de Pessoal — Proventos). Consta do Relatório Fiscal, fls. 27, que a Contribuinte possui a ação judicial n° 2005.34.00.0321456, ora em trâmite no Tribunal Regional Federal da i a Região, objetivando a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o "abono único". A ação encontrase em fase de recursos de apelação e remessa oficial perante o Tribunal, sendo abrangidos por decisão provisória com efeitos suspensivo e devolutivo. Também possui a ação n° 2005.70.00.0144228, tramitando no Tribunal Regional Federal da 4a Região, objetivando a não incidência da contribuição ao INCRA, a qual encontrase em fase de recursos de apelação e remessa oficial perante o Tribunal, abrangidos por decisão provisória com efeitos suspensivo e devolutivo. Por serem relacionadas com o crédito objeto do Auto de Infração, foi efetuado o lançamento com o intuito de evitar a decadência, a qual não se interrompe nem se suspende. Os valores das remunerações lançadas foram coletados das folhas de pagamento, dos contracheques, da contabilidade e, também, de informações prestadas pela Contribuinte em planilhas eletrônicas. As bases de cálculo constam do Relatório de Lançamentos — RL, fls. 10/11, identificadas pelo código de levantamento "A5I". Discriminativo Analítico do Débito DAD — informa, por competência, as rubricas, as aliquotas aplicadas e as contribuições devidas, fls. 5/7. 0 Discriminativo Sintético do Débito — DSD — demonstram os acréscimos legais, fls. 8/9. A fundamentação legal do lançamento, inclusive dos acréscimos legais, encontrase no relatório Fundamentos Legais do Débito — FLD com os respectivos períodos de vigência, fls. 17/18. Como as contribuições envolvem remunerações que não foram declaradas em Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo e Serviço e Informações Previdência Social — GFIP , e essa omissão configura, em tese, o ilícito tipificado no inciso III do art. 337A, acrescentado pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000, no DecretoLei n° 2.848, de 7/12/1940, será lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, em relatório à parte, para proposição de eventual ação penal. A Impugnante foi notificada pessoalmente em 31/10/2008, fls. 1, e protocolizou impugnação em 1°/12/2008, fls. 50/68, alegando, em síntese, que: (...). Fl. 237DF CARF MF 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROSTRtR1TOSO CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/10/2005 a 30/0912006 LANÇAMENTO. AÇÃO FISCAL, AUTO DE INFRAÇÃO. O lançamento realizado em ação fiscal deve ser formalizado pelo AuditorFiscal por meio de Auto de Infração. AÇÃO JUDICIAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIAS COM MESMO OBJETO. RENÚNCIA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa renúncia ao contencioso administrativo. CRIMES. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENCAMINHAMENTO. COMPETÊNCIA. MATÉRIA PENAL. Sempre que o AuditorFiscal constatar a ocorrência em tese. de crime ou contravenção penal, de‘ era realizar Representação Fiscal para Fins Penais. inexistindo competência para apreciação de matéria penal no âmbito do contencioso administrativo tributário. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. FINAL IDADE. EXECUÇÃO JUDICIAL. O REPLEG apenas lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período da atuação. a fim de subsidiar eventuais execuções judiciais. JUROS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Possui previsão legal a incidência de juros corn base na taxa SELIC para fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1995. sendo de caráter irrelevável. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. É vedado aos órgãos do Poder Executivo afastar , no âmbito administrativo. aplicação de lei. decreto ou ato normativo, por inconstitucionalidade ou ilegalidade. Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, dentro do lapso temporal legal, no qual o contribuinte aduz: a) a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve demonstração da configuração do fato descrito na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias; b) inexigibilidade de multa e juros de mora, uma vez que os valores supostamente devidos a título de contribuição previdenciária encontramse integralmente depositados nos autos da ação ordinária n.º 2005.34.00.03.2456; Fl. 238DF CARF MF Processo nº 12268.000560/200878 Acórdão n.º 2201004.004 S2C2T1 Fl. 4 5 c) a multa aplicada deve ser cancelada, em razão do que dispõe o art. 106, II, "c", do CTN (MP 449/08); d) o descabimento da taxa selic; e) a necessidade de suspensão da representação fiscal para fins penais, pois os valores pagos pela recorrente não constituem base de cálculo das contribuições previdenciárias. Voto Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, o presente lançamento objetiva a cobrança de contribuições previdenciárias (INCRA), do período de 10/2005 a 09/2006, incidentes sobre os pagamentos realizados pela ora recorrente a título de abono convenção, em decorrência da cláusula 46ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006. Cumpre destacar que o contribuinte não recorreu sobre a concomitância considerada na decisão de primeira instância, e, por conseqüência, não há apreciação da incidência de contribuição previdenciária sobre o abono único. 1. Da preliminar de nulidade Aduz o contribuinte a existência de nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve demonstração da configuração do fato descrito na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Conforme depreendese do relatório fiscal, fls. 123 e seguintes, foi devidamente descrita a infração tributária cometida pelo sujeito passivo, sendolhe aberto prazo para impugnação e, posteriormente, apresentação de recurso voluntário, de modo que ao contribuinte foi oportunizado o devido contraditório e a ampla defesa. Assim, no presente caso, não se identifica a existência das situações descritas no art. 59 do Decreto 70.235/72 aptas a ensejarem a existência de nulidade do lançamento. Desse modo, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos dos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. 2. Dos juros e da multa de mora Sustenta o recorrente que a multa e os juros de mora a ele imputados devem ser cancelados, uma vez que os valores supostamente devidos a título de contribuição Fl. 239DF CARF MF 6 previdenciária encontramse integralmente depositados nos autos da ação ordinária n.º 2005.34.00.0321456. Compulsandose os autos, às fls. 131, consta a guia de depósito judicial no valor de R$ 3.029.674,63, em 07/11/2005, bem como foi juntada aos autos (última folha) a guia no valor de R$ 11.276.645,98, em 03/11/2005. Sendo que o montante exigido nos presentes autos perfaz o valor de R$ 123.997,18 (principal R$ 71.638,36), consolidado em 01/03/2009. Considerando os valores mencionados e as respectivas datas de cálculo, depreendese que provavelmente houve o depósito do montante integral. A existência da discussão judicial acompanhada dos depósitos judiciais do montante integral das contribuições em litígio suspendem a exigibilidade do crédito tributário, por força do art. 151, II, do CTN. Assim, no que se referem aos juros de mora, aplico o disposto no Enunciado de Súmula CARF n.º 5, consoante abaixo transcrito: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Portanto, resta afastada a exigência relativa aos juros de mora. No que se refere à aplicação da multa de mora, em que pese não haver expressa disposição em lei ou enunciado de súmula afastando sua aplicação, nos casos de exigibilidade suspensa, em decorrência do depósito do montante integral do tributo devido, entendo incabível pela própria definição de "mora". Nos termos do art. 394 do Código Civil: considerase em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebêlo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. Desse modo, inexistindo mora, não há que se falar em aplicação da multa de mora, em razão da existência de depósito do monte devido. Ressalto, todavia, que, após os cálculos, caso sobejem valores não depositados em juízo, devem ser mantidos os juros e a multa relativamente ao excedente. 3. Da aplicação da SELIC Argumenta o recorrente a inconstitucionalidade da aplicação da Selic, bem como sua ilegalidade, devendo ser cancelada a sua aplicação. Com a superveniência da Súmula CARF n.º 4, restou pacífico o entendimento a respeito da aplicação da Selic, nos termos abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Além disso, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula CARF n.º 2. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 12268.000560/200878 Acórdão n.º 2201004.004 S2C2T1 Fl. 5 7 Dessa forma, deve ser mantida a decisão recorrida, nesse ponto 4. Da Representação fiscal para fins penais Quanto ao argumento sobre a necessidade de suspensão da representação fiscal para fins penais, tendo em vista que os valores pagos pela recorrente não constituem base de cálculo das contribuições previdenciárias, cumpre esclarecer que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a processo administrativo de representação fiscal para fins penais, consoante dispõe o Enunciado de Súmula CARF n.º 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. 5. Da retroatividade benigna da multa aplicada Alega o sujeito passivo que a multa aplicada deve ser cancelada, em razão do que dispõe o art. 106, II, "c", do CTN, considerando a superveniência da MP 449/08. Sobre o tema, utilizome do voto de lavra do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos abaixo transcrito. Cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. Fl. 241DF CARF MF 8 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei Fl. 242DF CARF MF Processo nº 12268.000560/200878 Acórdão n.º 2201004.004 S2C2T1 Fl. 6 9 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao Fl. 243DF CARF MF 10 lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma Fl. 244DF CARF MF Processo nº 12268.000560/200878 Acórdão n.º 2201004.004 S2C2T1 Fl. 7 11 forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Fl. 245DF CARF MF 12 § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista Fl. 246DF CARF MF Processo nº 12268.000560/200878 Acórdão n.º 2201004.004 S2C2T1 Fl. 8 13 no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, voto pelo provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. 6. Conclusão Diante desse contexto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para: a) aplicar a retroatividade benigna, nos termos da Portaria PGFN/RFB n.º 14, de 04 de dezembro de 2009; b) excluir os juros e a multa relativamente aos valores depositados em juízo. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000740/2006-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. RETENÇÃO NA
FONTE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins retida na fonte sobre somente poderá ser compensada se a contribuinte trouxer aos autos os elementos probatórios correspondentes, capazes de demonstrar a liquidez e a certeza do crédito.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3001-000.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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GOEDE ASSESSORIA E CONSULTORIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. RETENÇÃO NA FONTE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins retida na fonte sobre somente poderá ser compensada se a contribuinte trouxer aos autos os elementos probatórios correspondentes, capazes de demonstrar a liquidez e a certeza do crédito. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 07 40 /2 00 6- 12 Fl. 101DF CARF MF 2 Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 4ª Turma da DRJ/Florianópolis (efl. 72 e ss): Trata o presente processo de pedido de restituição por meio do qual a contribuinte acima qualificada intenta a repetição de recolhimentos que teriam sido indevidamente efetivados a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, em relação a períodos de apuração dos anos de 2002 a 2005. • O motivo para o pleito repetitório é o de que as alterações trazidas pela Lei n. ° 9.718/1998 em termos de ampliação das bases de cálculo do PIS e da COFINS seriam inconstitucionais. Entende a contribuinte que a referida ampliação das bases de cálculo só seria aplicável ao regime da nãocumulatividade trazido pelas Leis n. ° 10.637/2002 e n. ° 10.833/2003, posto que apenas estes atos legais seriam posteriores à Emenda Constitucional n. ° 20/1998 (ato este que veio a permitir a incidência das contribuições sociais sobre a receita, e não mais apenas sobre o faturamento). Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC pelo seu indeferimento (Despacho Decisório às folhas 30 a 34), fazendoo com base na assertiva de que o que a contribuinte pleiteia é o reconhecimento da inconstitucionalidade de disposições da Lei n. ° 9.718/1998, e que tal tipo de alegação não pode ser acatada em sede administrativa em face da vinculação das autoridades fiscais aos atos legais regularmente editados e, igualmente, em razão de que a contribuinte não detém decisão judicial que lhe favoreça especificamente. Irresignada com o indeferimento de seu pleito, encaminhou a contribuinte, por • meio de seu procurador legal — mandato à folha 48 , a manifestação de inconformidade às folhas 36 a 44, na qual reafirma, por alegações de variada ordem, a inconstitucionalidade da disposição da Lei n. ° 9.718/1998 que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. Volta a alegar que a referida ampliação das bases de cálculo só seria aplicável ao regime da nãocumulatividade trazido pelas Leis n. ° 10.637/2002 e n. ° 10.833/2003, posto que apenas estes atos legais seriam posteriores à Emenda Constitucional n. ° 20/1998 (ato este que veio a permitir a incidência das contribuições sociais sobre a receita, e não mais apenas sobre o faturamento). Por fim, A DRJ/Florianópolis assim ementou: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO No âmbito do processo administrativo Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13971.000740/200612 Acórdão n.º 3001000.076 S3C0T1 Fl. 3 3 fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma sua argumentação, em especial quanto à inconstitucionalidade dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O valor em litígio é de R$ 2.783,09 (efl. 124), dentro do limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF, de sessenta salários mínimos, atualmente R$ 56.220,00, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. A Recorrente alega a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS e do PIS promovida pela Lei 9.718/98, em especial o §1º, do art. 3º. O STF já se pronunciou sobre o tema, ao julgar o RE nº 585.2351/MG, na sistemática de Repercussão Geral, consolidando a jurisprudência produzida por aquela corte. Diz a ementa: "EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98.Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (REnº346.084/PR,Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade, em resolver questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, Fl. 103DF CARF MF 4 reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator.Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Graciee, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, 10 de setembro de 2008 Ministro Cezar Peluso, Relator" E ainda consignou o Ministro Cezar Peluso, em seu voto: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Por sua vez, o Regimento Interno do CARF estabelece o seguinte em seu art. 62: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13971.000740/200612 Acórdão n.º 3001000.076 S3C0T1 Fl. 4 5 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, com a pacificação do tema em razão do julgamento na sistematática de repercussão geral, não há como não dar razão à Recorrente. Nos termos do que foi apresentado voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.905498/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2010
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Apresentado o recurso após este prazo, o mesmo não poderá ser conhecido em razão de intempestividade.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.813
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo.
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A. MACIEL EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2010 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Apresentado o recurso após este prazo, o mesmo não poderá ser conhecido em razão de intempestividade. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo. Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, referente ao PER/DCOMP transmitido com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 54 98 /2 01 2- 01 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10183.905498/201201 Acórdão n.º 3402004.813 S3C4T2 Fl. 3 2 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi INDEFERIDO. Como enquadramento legal citouse: art. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, alegando que, ao solicitar a restituição do valor pago indevidamente pago não foi feita a retificação da DCTF pertinente, portanto, não houve a exclusão do débito declarado erroneamente na DCTF. Em seguida, resume assim os seus pontos de discordância: a) foi localizado o pagamento do crédito pleiteado; b) não há débito referente ao crédito em questão, conforme comprova DCTF retificadora em anexo. Ao final, demonstrada a improcedência do indeferimento de seu pleito, requer seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo as razões de sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.801, de 13 de dezembro de 2017, proferido no julgamento do processo 10183.905472/201255, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.801): "O presente Recurso Voluntário é manifestamente intempestivo, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/73, verbis: Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10183.905498/201201 Acórdão n.º 3402004.813 S3C4T2 Fl. 4 3 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Compulsando os autos,verificase que no AR da intimação do resultado de julgamento junto à DRJ consta a seguinte data de recebimento (fl.26): Por outro lado, a data da apresentação do Recurso Voluntário consta em fl.29: Há entre essas duas datas o transcurso de um prazo superior aos trinta dias determinados pelo art. 33 do Decreto regente do processo administrativo fiscal, não vislumbrando este relator qualquer motivo que justifique a interposição extemporânea do presente Recurso. Desse modo, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da sua intempestividade. É como voto." Importante consignar que a data de ciência do Acórdão da DRJ, bem como de interposição do Recurso Voluntário nos autos ora em apreço, são idênticas às identificadas no processo paradigma. Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10183.905498/201201 Acórdão n.º 3402004.813 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da sua intempestividade. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.002192/2005-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002
ADMISSIBILIDADE EMBARGOS ACOLHIDOS.
Demonstrado que o acórdão recorrido contém situação passive] de ser corrigida por meio de declaração, acolhe-se os embargos para re-ratificar a decisão embargada para que dela conste que o resultado 6 negar provimento e não dar provimento parcial.
Embargos Acolhidos,
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.593
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos, para rerratificar o dispositivo do acórdão, decidindo por negar provimento ao recurso voluntário, também por unanimidade, nos terms do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 ADMISSIBILIDADE EMBARGOS ACOLHIDOS. Demonstrado que o acórdão recorrido contém situação passive] de ser corrigida por meio de declaração, acolhe-se os embargos para re-ratificar a decisão embargada para que dela conste que o resultado 6 negar provimento e não dar provimento parcial. Embargos Acolhidos, Recurso negado.
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Demonstrado que o acórdão recorrido contém situação passive] de ser corrigida por meio de declaração, acolhe-se os embargos para re-ratificar a decisão embargada para que dela conste que o resultado 6 negar provimento e não dar provimento parcial. Embargos Acolhidos, Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos, para rerratificar o dispositivo do acórdão, decidindo por negar provimento ao recurso voluntário, também por unanimidade, nos terms do voto do Relator. Profissão e nome do beneficitirio dos supostos deduzidos psicóloga Áurea Nascimento psicolâgá Nasal-lento 2000 Aithiiio Valor declarado 5.000,00 1 .000,0 12001 11 11 . 000,00 IlArmando Oliveira Silva Filho 11 7 .000,00 '1175% EDITADO EM: FEV 20H Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Quando relatei a matéria, na planilha de fl. 260, que agora transcrevo de forma correta, fiz constar que nas despesas glosadas em relação ao medico Armando Oliveira Salgado Filho, tinha sido aplicado multa de 150% e não de 75%, corno efetivamente constou. Tendo constado do relatório que todas as despesas tinham sido glosadas corn multa qualificada, o colegiada decidiu, por maioria de votos, afastar a qualificadora em relação As despesas atribuidas a Armando Oliveira Silva Filho. Desta forma, constou do julgado como resultado o provimento parcial do recurso para afastar a multa qualificada em relação As despesas correspondentes aos recibos emitidos por Armando Oliveira Filho, no valor de R$ 7.000,00, no ano-calendário de 2001. A DRJ apresentou a manifestação de fls. 277, que recebo como embargos, para que o Colegiado explicitasse o resultado do julgamento, se provido parcialmente improvido, visto que em relação A glosa dos recibos emitidos ou atribuidos a Armando Oliveira Filho não havia multa qualificada. Acolhi os embargos e inclui o processo em pauta para exame. o relatório. Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator Admitido os embargos. Registro que, caso não existisse a manifestação de ti 277, que recebi como embargos, em tomando conhecimento do equivoco existente nos autos, embargaria de oficio. Ao examinar a glosa das despesas em relação ao profissional Atinando Oliveira Silva Filho, o fiz decidindo com os seguintes fundamentos: 2 Processo n" 10835002192/2005-42 S2-C2T1 Acórdilo n ° 2201-00.593 Fl. 2 A inexistência de alvará de funcionamento do consultório do profissional Atinando Junto a Prefeitura não pode ser usado como elemento de prova contrário a contribuinte que ei fl, 46 informou o respectivo endereço. E sabido que na maioria das cidades os profissionais não dispõem de alvará e, em muitos casos, quando mais de um profissional trabalha no mesmo consultório, o alvará consta apenas em nome de um dos profissionais, A não juntada aos autos de recibo retido, conforme certificado 48, referente ao profissional Armando, não pode resultar em prejuízo à defesa da recorrente. Assim, o .julgamento deve ser feito levando em consideração que a contribuinte apresentou a fiscalização os recibos correspondentes aos R$ 7.000,00 deduzidos da base de cálculo do imposto de renda. Tendo por parâmetro o disposto no parágrafo anterior em relação ao Dr Armando, ctifo endereço profissional a contribuinte informou à .11. 46, não há qualquer suspeita que possa desabonar sua conduta. A .fiscalização, apesar de possuir. o endereço, nada apurou. A suspeita, no caso, decorre do comportamento da recorrente em utilizar, em relação a outro prqfissional, recibos que não correspondem a valores pagos Em face do comportamento da contribuinte, a Fiscalização pode exigir outros elementos de prova para .formar convencimento de que os valores especificados nos recibos efetivamente .foram pagos. Apesar da conduta suspeita da contribuinte, não veio aos autos qualquer demonstração, além do recibo, do atendimento prestado pelo Dr. Armando. Assim, há de se manter a glosa, afastando, todavia, a qualificação da multa em relação a este profissional, pois contra ele nada pesa e a .fiscalização não logrou fazer qualquer prom relacionada ao dolo à .fraude ou simulagão. Em resumo, a fiscalização não se de.sincumbiu da tarefa de demonstrar as razões pelas quais qualificava a multa correspondente ao recibo emitido pelo Dr Armando, A autuada, por sua vez, embora tendo informado o endereço de atendimento, não provou a efetiva prestação dos serviços, razão pela qual mantém a glosa e afasta a qualificação da multa. Tendo em vista que a multa em relação As glosas das despesas atribuidas aos recibos emitidos por Armando Oliveira Silva Filho não foi qualificada, e que em relação aos demais profissionais apontados no acórdão embargado foi negado provimento ao recurso, o resultado do julgamento é de que se negou provimento e não que se deu parcial provimento.. 3 ISSO POSTO, acolho os embargos de declaração para re-retificar o acórdão n° 102-151487, para que conste como resultado que o colegiado, à unanimidade de votos, NEGOU PROVIMENTO ao recurso. como voto. Moisés Giacome unes da Silva 4
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720201/2011-70
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para cientificar o Contribuinte do despacho de admissibilidade de seu Recurso Especial e demais providências, com posterior retorno à relatora para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para cientificar o Contribuinte do despacho de admissibilidade de seu Recurso Especial e demais providências, com posterior retorno à relatora para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de lançamentos fiscais constantes dos Autos de Infração cadastrados sob os DEBCADs 37.356.4309 (contribuição previdenciária correspondente às partes da empresa) e 37.356.4317 (contribuição previdenciária correspondente à parte do segurado, cujos valores não foram retidos e recolhidos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 64 .7 20 20 1/ 20 11 -7 0 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13864.720201/201170 Resolução nº 9202000.119 CSRFT2 Fl. 191 2 Segundo o Relatório Fiscal (fls. 16 a 21), em decorrência da Fiscalização realizada na Prefeitura Municipal de Jacareí, ficou constatada a ausência de declaração na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP) das remunerações pagas aos contribuintes individuais, bem como a inexistência de recolhimento referente às contribuições previdenciárias sobre tais remunerações, nos seguintes períodos: (a) Período de 04/2008 a 08/2008 e 12/2008: a fiscalização comparou os valores das remunerações dos contribuintes individuais declarados na GFIP com os valores declarados na Declaração do Imposto Retido na Fonte DIRF. Os fiscais excluíram os valores referentes à competência 01/2008, por conta da possibilidade de tais valores terem sido declarados na GFIP de 12/2007 – competência não abrangida pela fiscalização, bem como realizaram ajustes a garantir a situação menos onerosa ao contribuinte. (b) Período de 08/2008 a 11/2008:a fiscalização verificou valores constantes em Recibos de Pagamento a Autônomos (RPA) não declarados em GFIP, sobre os quais não foram recolhidas as contribuições previdenciárias. O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 240301.969, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF em 13/03/2013, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte obedeceu o prazo de 15 (quinze) dias estabelecido no artigo 68 do RICARF para a interposição de recurso especial. Verifico que o pedido em comento não foi devidamente instruído com cópias dos acórdãos indicados como paradigmas e/ou reprodução integral de suas ementas no corpo do recurso, nos moldes dos §§ 7º a 9º do artigo 67 do RICARF. Na verdade, o recorrente sequer apresentou divergências entre o aresto atacado e outras decisões prolatadas no âmbito do CARF para análise. Do exposto, verificouse que não restavam presentes os requisitos para a interposição de recurso especial, motivo pelo qual nego seguimento ao pedido interposto pelo contribuinte. Assim, inadmitido, seguiram os autos para o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, no reexame de admissibilidade manteve a decisão. No entanto, o Contribuinte não foi intimado da decisão, o que, para este Colegiado significa limitação ao devido processo legal e ao direito à ampla defesa. Outrossim, voto no sentido de converter o presente processo em diligência para que seja o Contribuinte devidamente intimado do resultado da inadmissibilidade de seu Recurso Especial e lhe seja aberto prazo para apresentação de Agravo, se for o caso. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720105/2007-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. ERRO MATERIAL
Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição apontada, quando constatado evidente erro material na ementa do acórdão.
Numero da decisão: 9202-006.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o acórdão nº 9202-004.590, de 24/11/2016, corrigir o vício material detectado, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. ERRO MATERIAL Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição apontada, quando constatado evidente erro material na ementa do acórdão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o acórdão nº 9202-004.590, de 24/11/2016, corrigir o vício material detectado, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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ACOLHIMENTO. ERRO MATERIAL Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição apontada, quando constatado evidente erro material na ementa do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o acórdão nº 9202004.590, de 24/11/2016, corrigir o vício material detectado, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 01 05 /2 00 7- 84 Fl. 293DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, às efls. 289/291, opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uberlândia/MG com fulcro no art. 65 e seguintes do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, contra o Acórdão nº 9202004.590, de 24/11/2016, efls. 273/283, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. AVERBAÇÃO EM DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA ÁREA. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor como Reserva Legal é ato constitutivo, e somente após a sua prática, é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso Especial provido O resultado encontrase assim espelhado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes (relatora) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. O processo foi encaminhado à Unidade Preparadora para realizar a ciência ao contribuinte quanto ao decidido no Acórdão n.º 9202004.590. Através do despacho de encaminhamento de 26/04/2017 (efl. 286), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uberlândia/MG, retorna o processo ao CARF com o seguinte despacho, o qual está sendo considerado como Embargos Inominados : "De acordo. Na ementa do acórdão de fls. 273283 constam informações contraditórias, indicando a existência de erro material. Inicialmente é dito que o Recurso Especial do contribuinte foi provido, contudo, logo abaixo é dito que foi negado provimento ao recurso por maioria de votos.Ao CARF/MF para manifestação." Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10675.720105/200784 Acórdão n.º 9202006.286 CSRFT2 Fl. 364 3 O Despacho de Admissibilidade de Embargos (efls. 289/291) acolheu os Embargos Inominados e determinou que os autos sejam submetidos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar o vício apontado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uberlândia/MG. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade Os Embargos de Declaração opostos unidade da RFB, inicialmente, atende aos pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração a fls. 289. Assim, passar a apreciar a questão Da Análise dos Embargos Apenas para esclarecer, o ponto trazido novamente a este colegiado por meio dos embargos, referese exclusivamente a possível vício material. Na verdade, embora a ementa do acórdão descreva corretamente a tese adotada pelo voto vencedor, em consonância com a negativa de provimento do Recurso Especial do Sujeito Passivo, acabou por consignar ao seu final, informação contraditória "Recurso Especial Provido". Dessa forma, acolho os embargos para reratificar o acordão nº 9202004.590, de 24/11/2016, onde se lê: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. AVERBAÇÃO EM DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA ÁREA. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor como Reserva Legal é ato constitutivo, e somente após a sua prática, é que o sujeito passivo poderá suprimiIa da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso Especial provido Leiase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10675.720105/200784 Acórdão n.º 9202006.286 CSRFT2 Fl. 365 5 ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. AVERBAÇÃO EM DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA ÁREA. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor como Reserva Legal é ato constitutivo, e somente após a sua prática, é que o sujeito passivo poderá suprimiIa da base de cálculo para apuração do ITR. Ou seja, deve ser suprimido o termo " Recurso Especial provido" . Dessa forma, considerando a contradição ensejada por meio de claro vício material, já que o resultado proferido encontrase em perfeita consonância com a parte dispositiva do acórdão, entendo pertinente o acolhimento dos presentes embargos, para que se retifique apenas a ementa, conforme acima proposto. Conclusão Face o exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração, para corrigir o vício material detectado, reratificando o acórdão nº 9202004.590, de 24/11/2016, mantendo inalterado o resultado do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.734242/2011-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA.
Há similitude fática entre acórdãos que tratam da dedutibilidade de despesas, à luz do artigo 299, do RIR, para enfrentamento de sua necessidade e usualidade, como também para tratar da adição na base de cálculo da CSLL.
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS. PREVISÃO LEGAL ESPECÍFICA.
A partir de 1º de janeiro de 96, devem ser adicionadas ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, as despesas incorridas pela pessoa jurídica que não possuam os atributos de necessidade, normalidade e usualidade, em virtude da previsão legal contida no art. 13 da Lei nº 9.249/1995.
Numero da decisão: 9101-002.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em manter a aplicação da taxa Selic e em não conhecer dos temas apresentados em contrarrazões, mas não trazidos no recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002, 2003 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. Há similitude fática entre acórdãos que tratam da dedutibilidade de despesas, à luz do artigo 299, do RIR, para enfrentamento de sua necessidade e usualidade, como também para tratar da adição na base de cálculo da CSLL. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS. PREVISÃO LEGAL ESPECÍFICA. A partir de 1º de janeiro de 96, devem ser adicionadas ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, as despesas incorridas pela pessoa jurídica que não possuam os atributos de necessidade, normalidade e usualidade, em virtude da previsão legal contida no art. 13 da Lei nº 9.249/1995.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. Há similitude fática entre acórdãos que tratam da dedutibilidade de despesas, à luz do artigo 299, do RIR, para enfrentamento de sua necessidade e usualidade, como também para tratar da adição na base de cálculo da CSLL. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS. PREVISÃO LEGAL ESPECÍFICA. A partir de 1º de janeiro de 96, devem ser adicionadas ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, as despesas incorridas pela pessoa jurídica que não possuam os atributos de necessidade, normalidade e usualidade, em virtude da previsão legal contida no art. 13 da Lei nº 9.249/1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em manter a aplicação da taxa Selic e em não conhecer dos temas apresentados em contrarrazões, mas não trazidos no recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 42 42 /2 01 1- 91 Fl. 587DF CARF MF 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de processo originado por Auto de Infração de IRPJ, CSLL (reflexo) quanto ao anocalendário de 2007, com imposição de multa de 75% (fls. 167/176). Consta do Relatório Fiscal (fls. 161/166): 3.1 Deduções Indevidas de despesas com "Demais Impostos, Taxas e Contribuições" De acordo com a DIPJ/2008 AC 2007, houve despesas de R$ 43.879.300,92 com "Demais Impostos, Taxas e Contribuições, exceto IR e CSLL". Intimado a comprovar a referida despesa o contribuinte informou (...) que R$ 43.000.000,00 (...) se referiam a contribuição ao Fundo de Direitos Difusos Previstas no Termo de Compromisso de Cessão de Conduta firmado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica CADE, e que teve por objetivo, conforme cláusula segunda do referido Termo, "preservar, proteger e estabelecer as condições concorrenciais no mercado de cimento e concreto no Brasil, bem como suspender contra a compromissária o Processo Administrativo nº 08012.011142/200679 acerca da aplicação dos artigos 20 e 21 da Lei 8.884/94", que tratam de infrações da ordem econômica (ver "Termo de Compromisso"). De acordo com o Termo firmado, para a suspensão do processo administrativo acima mencionado, a Lafarge Brasil se obrigava a fazer cessar a prática e seus efeitos lesivos, bem como a adotar um programa de prevenção de infrações à ordem econômica e a pagar a contribuição pecuniária no valor de R$ 43.000,00, a ser recolhida ao Fundo de Direitos Difusos. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 12448.734242/201191 Acórdão n.º 9101002.970 CSRFT1 Fl. 587 3 Não temos dúvida que o valor destinado ao Fundo de Direitos Difusos constitui uma despesa da empresa. Entretanto, cumpre determinar se despesa pode ou não ser computada na apuração do Imposto de Renda e da CSLL devidos. Para tanto, devese observar que a regra geral de dedutibilidade determina que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL pode ser reduzida pelas despesas necessárias e usuais à atividade desenvolvida, conforme se depreende dos dispositivos legais abaixo: (...) Nesse diapasão, as obrigações firmadas com o CADE em Termo de Compromisso de Cessação de Conduta, mesmo não tendo natureza de multa, penalidade ou sanção, não podem ser consideradas necessárias, e muito menos usuais. (...) Por isso a despesa de R$ 43.000.000,00 referente à contribuição ao Fundo de Direitos Difusos deveria ter sido adicionada à Apuração do Lucro Real e à Base de Cálculo da CSLL. (...) 4. DO AUTO DE INFRAÇÃO Pelas irregularidades acima descritas, lavramos Auto de Infração de IRPJ e reflexo de CSLL pela glosa de despesas indevidas descritas nos itens 3.1, Auto de Infração de CIDE pela irregularidade descrita no item 3.2.1, Auto de Infração de IRRF pelas irregularidades descritas nos itens 3.2.1 e 3.2.2 e PIS Importação e COFINS Importação pelas irregularidades descritas no item 3.2.2. (...) A contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 225), que foi rejeitada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, em acórdão assim ementado (fls. 327/333) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESPESA DESNECESSÁRIA. INFRAÇÃO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. É indedutível o valor pago com finalidade de afastar aplicação de multa por infração contra a ordem econômica. CSLL. DESPESA INDEDUTÍVEL. INFRAÇÃO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. Por força da IN SRF nº 390/2004, é indedutível o valor pago com finalidade de afastar aplicação de multa por infração contra a ordem econômica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Destacase trecho do acórdão da DRJ a respeito da CSLL, que ainda está em discussão neste processo: Fl. 589DF CARF MF 4 Acerca da CSLL, entendo que, por ter o lucro líquido como base de cálculo, a dedução de despesas não está sujeita ao juízo de necessidade ou usualidade, estabelecido no art. 299 do RIR/99, tendo em vista, inclusive, o que dispõe o art. 57 da Lei nº 8.981/95: (...) Assim, se a despesa afetou o resultado, ela tem que ser deduzida, a menos que haja vedação legal específica, o que não acontece no presente caso, nem mesmo no artigo 13 da Lei nº 9.249/95, que foi citado no relatório fiscal. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 390/2004, que dispõe sobre a determinação e o pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido, em seu artigo 57, veda a dedução aqui discutida. (...) Considerando que às Delegacias de Julgamento cumpre observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos, segundo o artigo 7º da Portaria MF nº 341/2011 (que disciplina o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento), concluo pela indedutibilidade da quantia, também para a CSLL. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, para excluir o lançamento de CSLL: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MULTA POR INFRAÇÃO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. DESPESA DESNECESSÁRIA. É indedutível o valor pago com finalidade de afastar aplicação de multa por infração contra a ordem econômica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CSLL BASE DE CÁLCULO As regras de dedutibilidade de despesas, dirigidas expressamente à apuração do lucro real, não se aplicam de forma reflexa à Contribuição Social sobre o Lucro. Por isso, na inexistência de dispositivo legal que determine a adição de determinada despesa para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, não há como exigila. Destacase trecho do voto vencedor a respeito da CSLL, apresentado pelo Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos: Não obstante o entendimento expresso no art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004 e na Solução de Consulta nº 260/2012, da Superintendência Regional da Receita Federal do Fl. 590DF CARF MF Processo nº 12448.734242/201191 Acórdão n.º 9101002.970 CSRFT1 Fl. 588 5 Brasil da 8ª Região Fiscal, entendo que a razão encontrase ao lado da recorrente. Afinal, a CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido, razão pela qual a dedutibilidade de despesas não se sujeita ao juízo de necessidade ou usualidade, estabelecido no art. 299 do RIR/99. Sobre o tema, dispõe expressamente o art. 57 da Lei nº 8.981/95, verbis: (...) Consequentemente, se a despesa afetou o resultado (lucro líquido), ela pode ser deduzida, a menos que haja vedação legal específica, o que não acontece no presente caso, nem mesmo no artigo 13 da Lei nº 9.249/95, citado no relatório fiscal. (...) Diante de todo o exposto, considero que, em relação ao presente tema, o presente recurso voluntário merece ser parcialmente provido, cancelandose a exigência formalizada a título de CSLL. Em 23/01/2014, os autos foram remetidos à Procuradoria (fls. 392), que interpôs recurso especial em 27/01/2014 (fls. 393/405). Neste recurso, sustenta divergência na interpretação a respeito da dedutibilidade de despesa quanto à CSLL, indicando como paradigma o acórdão 10708870 (processo nº 10830.010161/200262), no qual decidido que "Tendo a glosa se dado em razão da constatação de desnecessidade das despesas financeiras, o que as torna indedutíveis também da base de cálculo da CSLL é o próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial". O recurso especial foi admitido por decisão do Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho (Conselheiro André Mendes de Moura), conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 678/680): Para fins de análise, tem cabimento transcrever excertos do acórdão apresentado como paradigma: Acórdão nº10708.870, de 24.01.2007: (...) Examinando o acórdão paradigma verificase que traz o entendimento de que em razão da constatação de desnecessidade das despesas, o que as torna indedutíveis também da base de cálculo da CSLL é o próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. (...) O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que as regras de dedutibilidade de despesas, dirigidas expressamente à apuração do lucro real, não se aplicam de forma reflexa à Contribuição Social sobre o Lucro. Por isso, na inexistência de dispositivo legal que determine a adição de determinada despesa para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, não há como exigila. Assim, a CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido, razão pela qual a dedutibilidade de despesas não se sujeita ao juízo de necessidade ou usualidade, estabelecido no art. 299 do RIR, de 1999. Fl. 591DF CARF MF 6 Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. (...) Com fundamento nas razões acima expendidas, dou seguimento ao recurso especial da PGFN. Depois disso, consta informação da DEMAC/RJ que (fls. 423) nos seguintes termos: O contribuinte efetuou pagamento em 17/12/2013, no valor de R$ 14.279.553,06 com o código de parcelamento 3926 "REABERTURA L 11941/09 RFB DEMAIS DÉB PAC DÍV NÃO PARC ANT ART1" através de guia DARF para a quitação a vista dos débitos referentes ao IRPJ, relativos ao ano calendário de 2007 (...) Ocorre que, para a obtenção dos benefícios para pagamento à vista trazidos pela Lei nº 11.941/09, o contribuinte deveria utilizar o próprio código do tributo como o código de receita. Deste modo, há uma impossibilidade de liquidação dos referidos débitos na modalidade à vista. Por consequência, os débitos objeto do pedido de parcelamento serão tratados como parcelamento. Para aproveitamento do pagamento realizado, orientamos ao contribuinte para futuramente indicar os débitos a serem parcelados no momento da consolidação, conforme art. 11, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, de 30 de julho de 2014. (...) Em 29/07/2015, a contribuinte foi intimada quanto ao acórdão da Turma Ordinária, quanto ao recurso especial e sua admissibilidade e, ainda, quanto à informação da DEMAC a respeito do pagamento (fls. 424/426). A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial em 12/08/2015 (fls. 429/441 e 485/497), nas quais alega, em síntese: (i) falta de similitude fática do acórdão recorrido com o acórdão paradigma; (ii) a dedutibilidade da contribuição pecuniária ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos da base de cálculo da CSLL; (iii) abusividade da multa de ofício, no percentual de 75%, em desacordo com princípio do não confisco; (iv) impossibilidade de exigência de juros SELIC; (v) impossibilidade de cobrança de juros SELIC sobre multa de ofício. A contribuinte pleitea, assim, não seja conhecido o recurso especial. Sucessivamente, pede sejalhe negado provimento. Em 12/08/2015, a contribuinte ainda apresentou petição informando da inclusão de débitos de IRPJ no Refis (Lei nº 11.941/09 e Lei nº 12.865/2013). Alega que os débitos de CSLL não forma incluídos no Refis e, assim, permanecem em discussão no processo (fls. 462/463). Apresenta, também, cópia de petição protocolizada em 26/12/2013 (original às fls. 480) a esse respeito e despacho do Presidente do CARF tratando da desistência. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 12448.734242/201191 Acórdão n.º 9101002.970 CSRFT1 Fl. 589 7 Em 20/08/2015, a contribuinte apresentou petição requerendo que os débitos do processo não impedissem a emissão de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa (fls. 478/479). O débito de IRPJ foi transferido para o processo nº 16682722.313/201515 (fls. 542), cientificandose a contribuinte em 08/09/2015 (fls. 550) Consta informação nos autos, ainda, de Mandado de Segurança impetrado pela contribuinte para assegurar a emissão de certidão positiva com efeitos de negativa relacionandose a diversos apontamentos, inclusive quanto ao débito de IRPJ que originalmente constava do presente processo administrativo (fls. 576), sendo deferida a medida liminar para tal finalidade (fls. 580). Ademais, foi acostada aos autos cópia da sentença no citado Mandado de Segurança que "declarou a extinção dos débitos previdenciários (...) e do processo administrativo nº 12448.732242/201191, em virtude de pagamento, determinando seja expedida Certidão Negativa de Débitos em favor da impetrante" (fls. 582). A contribuinte, nesse contexto, pleitea seja suspensa qualquer cobrança de IRPJ já quitado (fls. 583/585). Fl. 593DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, eis que tempestivo. Inicialmente, esclareço que não há concomitância entre a discussão pendente no presente processo administrativo e aquela travada nos autos do Mandado de Segurança nº 007598663.2015.4.02.5101, acima referido, eis que aquela medida judicial tinha por finalidade a extinção de débitos por pagamento à vista na forma da Lei nº 11.941/2009, conforme pedido, cuja cópia consta às fls. 577. O débito relacionado ao presente processo administrativo que consta daquele mandado de segurança é o de IRPJ, que não é mais discutido por recurso especial. A pendência de julgamento é a respeito da CSLL, tributo não tratado no citado mandado de segurança, cuja exigência há de ser apreciada por esta Turma da CSRF. Passo, assim, a analisar a existência de divergência na interpretação da lei tributária, lembrando que a Recorrida alega inexistência de similitude fática entre os acórdãos paradigma e recorrido. O caso dos autos é de despesa da contribuinte por força de Termo de Compromisso firmado com o CADE, tendo por objetivo suspender processo administrativo, comprometendose a ora contribuinte a cessar a prática de atos apontados pelo CADE e pagar contribuição pecuniária ao Fundo de Direitos Difusos. A autoridade fiscal enquadrou a situação como despesa indedutível quanto ao IRPJ e CSLL – interpretando ser desnecessária e não usual, fundamentandose nos artigos 47, da Lei nº 4.506/1964, 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) e artigo 13, da Lei nº 9.249/1995. É objeto de recurso especial, como acima referido, apenas a despesa quanto à CSLL. Considerando tal contexto fático, a Turma Ordinária a quo afastou a exigência da CSLL, sob os seguintes fundamentos do voto vencedor: Não obstante o entendimento expresso no art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004 e na Solução de Consulta nº 260/2012, da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região Fiscal, entendo que a razão encontrase ao lado da recorrente. Afinal, a CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido, razão pela qual a dedutibilidade de despesas não se sujeita ao juízo de necessidade ou usualidade, estabelecido no art. 299 do RIR/99. Sobre o tema, dispõe expressamente o art. 57 da Lei nº 8.981/95, verbis: (...) Consequentemente, se a despesa afetou o resultado (lucro líquido), ela pode ser deduzida, a menos que haja vedação legal específica, o que não acontece no presente caso, nem mesmo no artigo 13 da Lei nº 9.249/95, citado no relatório fiscal. (...) Fl. 594DF CARF MF Processo nº 12448.734242/201191 Acórdão n.º 9101002.970 CSRFT1 Fl. 590 9 O acórdão paradigma (10708870), trata da seguinte situação fática, como se extrai de seu relatório: A fiscalização glosou as despesas financeiras dos fatos geradores ocorridos em 31.12.98, 31.12.99 e 31.12.2000, decorrentes de empréstimos tomados no mercado financeiro, por considerar que são desnecessárias à manutenção da fonte pagadora (na proporção do capital cedido), além de não normais e não usuais, com enquadramento legal nos arts. 242, §§ 1° e 2°, do RIR/94 e art. 299, §§ 1° e 2°, do RIR/99, posto que a contribuinte emprestou dinheiro às suas afiliadas, sem cobrança de quaisquer encargos financeiros em alguns períodos e em outros foram cobrados com insuficiência, em relação às taxas por ela pagas junto às instituições financeiras. A fiscalização elaborou planilha que demonstra as despesas financeiras desnecessárias, por anocalendário, destacando o montante do capital cedido às afiliadas (saldos mensais), os empréstimos tomados junto às fontes externas (saldos mensais), o montante dos encargos financeiros apropriados em cada mês e o montante dos encargos financeiros indedutiveis, mês a mês. No anocalendário de 1998, com exceção do mês de julho, em todos os outros meses o percentual do capital cedido a terceiros é maior do que o capital tomado de terceiros. No ano de 1999 essa relação também se apresenta, exceto para os meses de julho, agosto e setembro. No ano de 2000, idem, exceto para o mês de dezembro. Nessas planilhas, quando o valor dos juros ativos é maior que os juros passivos, que ocorreu no mês de outubro e dezembro de 1998 e em junho de 1999, o valor dos juros passivos foram considerados dedutiveis. Não consta na contabilidade da contribuinte, juros ativos para os meses de março e julho de 1998, janeiro, fevereiro, abril, maio e outubro a dezembro de 1999 e de janeiro a abril e julho a dezembro de 2000. Nessa situação foram considerados indedutiveis os juros passivos. Para os meses de janeiro, fevereiro, abril a junho, agosto, setembro e novembro de 1998, março de 1999, maio e junho de 2000, os juros ativos são menores que os juros passivos e a diferença foi considerada como juros indedutiveis. Para os meses de agosto e setembro de 1999, os juros ativos são menores que os juros passivos e o percentual do capital cedido é menor que 100% do capital tomado de terceiros (87,19% em agosto e 22,64% em dezembro). Tomando como exemplo o mês de agosto, a metodologia de cálculo indica que se calculou 87,19% de juros passivos, e o resultado (R$ 34.601,27) foi comparado com os juros ativos de R$ 23.761,58, resultando no valor indedutivel de R$ 10.839,69. Para o mês de setembro, a fiscalização apurou juros indedutiveis de R$ 9.688,53. Resultou que nos meses de janeiro a setembro e novembro de 1998, janeiro a maio e julho a dezembro de 1999 e janeiro a novembro de 2000, foram apurados juros indedutiveis. Fl. 595DF CARF MF 10 Considerando tal panorama fático, a questão jurídica foi julgada da forma seguinte pela Turma prolatora de tal acórdão paradigma (10708870): Quanto à CSLL, em julgamentos anteriores votei a favor da exoneração dessa contribuição na situação de glosa de despesas consideradas desnecessárias. Entretanto, analisando as razões da Turma Julgadora, me convenci do contrário. A Turma Julgadora consignou que em que pese o fato de nem todas as restrições à dedutibilidade de dispêndios previstas pela legislação do Imposto de Renda serem aplicáveis à Contribuição Social sobre o Lucro, devese ter em conta que a glosa das despesas não foi motivada por disposições específicas da legislação do IRPJ. A glosa em questão se deu em razão da constatação de despesas financeiras consideradas desnecessárias e assim, o que as toma indedutíveis também da base de cálculo da CSLL é o próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. Ressaltou que a contabilização indevida de despesas financeiras, consideradas desnecessárias, além de afetar o resultado positivo do exercício (lucro líquido ou contábil), implica afronta ao princípio contábil da entidade, explicitado na Resolução do Conselho Federal de Contabilidade, CFC 750/93, e que se infere desse princípio que a contabilidade tem por objeto o patrimônio da entidade e tudo que nela se encontrar inserido, há que obrigatoriamente, ser pertinente a esse patrimônio, não havendo que, com este, se confundir o daqueles que compõem o seu como societário. Assim a apropriação de despesas que, pela sua natureza, não são inerentes ao patrimônio da contribuinte, mas ao de suas afiliadas, constitui afronta ao princípio mencionado. Destacou que, uma vez que o resultado do exercício, ante a contabilização de despesas desnecessárias, por mera liberalidade da contribuinte, mostrouse distorcido da sua realidade, ou seja, se as despesas glosadas no auto de infração afetaram aquele resultado, deve ele, ser reajustado, de modo a refletir a verdadeira situação da empresa. Esse ajuste se opera mediante a inclusão, ao resultado, da parcela que, indevidamente foi excluída. Conclui que o resultado do exercício constitui o ponto de partida para se chegar à base de cálculo tanto do IRPJ como da CSLL. Assim, uma vez corrigida a distorção havida na composição desse resultado, tal correção afeta não só o IRPJ, mas, também a base de cálculo da CSLL. Conclui também que a repercussão da glosa das despesas na CSLL é cabível, pois, não se trata, no caso, de mera indedutibilidade material oriunda da legislação do IRPJ (cita o CSRF 0103.422, de 24.07.2001), uma vez que, o mecanismo tem como objetivo corrigir o lucro líquido que lhe serviu de base. Concordo, pois, com as razões da Turma Julgadora. Deve ser mantido o lançamento dessa contribuição. Os casos são similares, pois tratam de despesa que se interpretou desnecessária e não usual. A despeito de tal similitude fática, o acórdão recorrido concluiu pela Fl. 596DF CARF MF Processo nº 12448.734242/201191 Acórdão n.º 9101002.970 CSRFT1 Fl. 591 11 impossibilidade de adição da CSLL, deixando de aplicar o artigo 299, do RIR/1999; enquanto o acórdão paradigma atestou a aplicabilidade desta norma ao caso. Pondero, ainda, que os casos não são idênticos, afinal, o caso dos autos é de valor pago por conta de Termo de Acordo firmado com o CADE, mas tal distinção não é relevante para fins de interpretação de normas – objeto de interpretação divergente por esta Turma da CSRF. Diante disso, voto pelo conhecimento do recurso especial da Procuradoria, confirmando a decisão do Presidente de Câmara, acima citada. No mérito, ressalto que o Auto de Infração de CSLL fundamentouse nos artigos 47, da Lei nº 4.506/1964, 273 e 299, do RIR/1999, artigo 2º, da Lei nº 7.689/88, artigo 13, da Lei nº 9.249/95, artigo 28, da Lei nº 9.430/96 e 37, da Lei nº 10.637/02. A Constituição Federal, em seu artigo 195, I, c, definiu a competência para a cobrança da CSLL ao prescrever: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Em consonância com a competência outorgada constitucionalmente, a Lei nº 7.689/1988 estabeleceu a incidência da CSLL, dispondo seu artigo 1º que esta incidirá sobre o lucro das pessoas jurídicas: Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. O artigo 2º, da mesma Lei, define a base de cálculo da contribuição, isto é, o "valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda": Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; Fl. 597DF CARF MF 12 c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de participações societárias em pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. A respeito do tema, são precisas as considerações de Ricardo Mariz de Oliveira: Tal como com relação ao IRJ, a base de cálculo da CSL é o lucro líquido apurado contabilmente segundo a Lei n. 6.404, de 15.12.1976, o qual funciona apenas como ponto de partida para determinação dessa base de cálculo, pois a partir dele é que são feitos os ajustes de acréscimos de débitos contábeis fiscalmente indedutíveis e as exclusões de créditos contábeis não tributáveis, além de outros ajustes prescritos ou autorizados pela lei tributária. (...) Quanto aos ajustes no lucro líquido, para determinação da base de cálculo da CSL, já vimos acima que são apenas os prescritos expressamente pela respectiva legislação, de tal sorte que nem todo ajuste previsto para fins do lucro real tributável pelo IRPJ se aplica à CSL. (Fundamentos do Imposto de Renda, São Paulo, Quartier Latin, 2008, fl. 976) Fl. 598DF CARF MF Processo nº 12448.734242/201191 Acórdão n.º 9101002.970 CSRFT1 Fl. 592 13 A falta de identidade entre a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é evidenciada pelo artigo 57, da Lei n. 8.981/1995, in fine, que dispõe que são mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, verbis: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) O artigo 57 apenas unificou os regimes de apuração dos tributos, para que a apuração do IRPJ por um dos regimes (lucro real, arbitrado ou presumido) tivesse por consequencia a obrigatória apuração da CSLL no mesmo regime. Mas tal previsão não altera a base de cálculo da CSLL, e nem poderia diante da previsão constitucional e legal específica para sua exigência. Ressaltese que a base de cálculo do IRPJ é definida pelo Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), conforme artigos 219 e 247: Art. 219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei nº 7.450, de 1985, art. 51, Lei nº 8.981, de 199, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II). Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele Fl. 599DF CARF MF 14 adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 4º). § 3º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º). As adições e exclusões estabelecidas especificamente para o IRPJ (como se observa dos artigos 249 e 259, do RIR/99) não são aplicáveis indistintamente à CSL. Como também a regra geral de dedutibilidade prevista pelo artigo 299, do RIR/1999, com matriz legal no artigo 47, da Lei nº 4.506/1964 não se aplica à CSLL diante da ausência de previsão expressa para tanto. É o teor do artigo 299, do RIR/1999: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Assim, voto por negar provimento ao recurso especial, adotando as razões de decidir manifestadas pela maioria do colegiado no julgamento do processo nº 12898.001543/200912 (acórdão nº 9101002.310), em sessão de 03 de maio de 2016, do qual se extrai ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CSLL. BASE DE CÁLCULO E LIMITES À DEDUTIBILIDADE. A amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido do exercício. Havendo determinação legal expressa para que ela não seja computada na determinação do lucro real, o respectivo valor deve ser adicionado no LALUR, aumentando, portanto, a base tributável. Não há, porém, previsão no mesmo sentido, no que se refere à base de cálculo da Contribuição Social, o que, a nosso sentir, torna insubsistente a adição feita de ofício pela autoridade lançadora. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 12448.734242/201191 Acórdão n.º 9101002.970 CSRFT1 Fl. 593 15 Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. IRPJ. CSLL. BASES DE CÁLCULO. IDENTIDADE. INOCORRÊNCIA. A aplicação, à Contribuição Social sobre o Lucro, das mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, por expressa disposição legal, não alcança a sua base de cálculo. Assim, em determinadas circunstâncias, para que se possa considerar indedutível um dispêndio na apuração da base de cálculo da contribuição, não é suficiente a simples argumentação de que ele, o dispêndio, é indedutível na determinação do lucro real, sendo necessária, no caso, disposição de lei nesse sentido. À ocasião, esta relatora não se encontrava presente. De toda forma, compartilho o entendimento manifestado àquela ocasião pelo Ilustre prolator de voto vencedor, Conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araújo: Ou seja, o que se está aqui a tratar, não é de elementos fáticos probatórios, mas tão somente da existência ou não de base para que o Fisco, ao exigir à adição de despesas com amortização para fins da apuração do Lucro Real, assim também o faça/exija para a CSLL. Não vislumbro qualquer diferença entre o ágio não incentivado ou aquela da Lei 9.532/97, pois a questão aqui não se trata de avaliar se aquele benefício (dedutibilidade do ágio nos casos de fusão, cisão ou incorporação) alcançariam a CSLL. Não é este o tema do litígio travado nestes autos. O ponto aqui é discutir se a despesa com ágio (incentivado ou não, ou seja, ágio amparado ou não pelos termos da Lei 9.532/97), deve ser adicionada à base de cálculo da CSLL. (...) Cumpre ressaltar que, outro poderia ser o meu entendimento, caso o fundamento legal da autuação tivesse se dado com base na desconsideração da despesa com ágio (glosa), nos termos do art. 299 do RIR/99, o que também não é o caso dos presentes. A questão, portanto, como aqui se verifica, não se refere a considerações probatórias relativas a meras comprovações de despesas, mas sim, exclusivamente, de adequada compreensão do regramento legal especificamente aplicável à matéria. (...) Ora, conforme se verifica da leitura dessas disposições – ao contrário do que afirma a decisão de primeira instância, o mencionado art. 57 da Lei 8.981/95 não autoriza, de forma alguma, a aplicação indiscriminada das disposições regentes do Imposto de Renda na verificação dos contornos de incidência da CSLL, mas preserva, expressamente, os ditames próprios da definição de sua base de cálculo, da forma como realizado pelas disposições até então vigentes, mantendo, assim, as normas Fl. 601DF CARF MF 16 contidas na mencionada Lei 7.689/88, nos termos ali então especificamente apontados. A partir dessas considerações, verificase que, conforme destacado das disposições do art. 2º, parágrafo 1º, alínea ‘c’ da Lei 7.689/88, ali expressamente se faz referência aos específicos ajustes (exclusões e adições) a serem aplicados ao resultado do períodobase, apurado a partir da aplicação das expressas disposições da legislação comercial, distinguindo a composição da base de cálculo da Contribuição em questão, assim, às regras próprias da legislação do Imposto sobre a Renda. (...) Assim, para admitirse como valida qualquer exclusão e/ou adição na apuração da base de cálculo da CSLL, fazse essencial, no caso, a existência de legislação especificamente a ela relacionada, sem a qual, estarseia admitindo a possibilidade de interpretação ampliativa de normas restritivas de direito, o que, definitivamente, não tem qualquer cabimento em nosso ordenamento jurídico pátrio. (...) Desta forma, entendo que não há base legal para se proceder com a adição das despesas de amortização de ágio, haja vista a ausência de fundamento legal para tanto. Pondero que o Auto de Infração traz, entre seus fundamentos, o artigo 13, da Lei nº 9.249/1995, que prevê: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506 de 30 de novembro de 1964: (...) Ocorre que a previsão do caput do artigo 13, in fine (independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506 de 30 de novembro de 1964) confirma a independência de base de cálculo da CSLL. Afinal, a regra do artigo 13 não prejudica a regra geral do artigo 47, reproduzido no artigo 299, aplicável unicamente ao IRPJ. Exatamente nesse sentido é interpretada a disposição do caput do artigo 13, reforçando que a norma dos incisos deste artigo não depende da regra geral do IRPJ, tratada pelo artigo 47 e reproduzida no artigo 299. Diante de tais razões, concluo por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Caso vencida, passo a apreciar demais questões tratadas pela Recorrida em suas contrarrazões. Entendo pela manutenção da aplicação da taxa SELIC sobre crédito tributário principal, por força da Súmula CARF nº 4, que prevê: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O tema (incidência de juros SELIC sobre o crédito principal) consta de recurso voluntário apresentado pela Recorrida, como também de contrarrazões ao recurso especial. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 12448.734242/201191 Acórdão n.º 9101002.970 CSRFT1 Fl. 594 17 Acrescento que a Turma Ordinária analisou o argumento da Recorrida a respeito dos juros SELIC, rejeitandoo com fundamento na Súmula CARF. Provavelmente esta análise ocorreu porque a Turma havia mantido o lançamento de IRPJ. De toda forma, a análise pela Turma do argumento de recurso voluntário reforça a dispensabilidade de baixa para sua reapreciação. Por fim, rejeito o conhecimento de temas tratados em contrarrazões e recurso especial, que não constava do recurso voluntário, quais sejam, (i) abusividade da multa de ofício (75%) e (ii) a impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 603DF CARF MF 18 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator designado Em que pesem as razões de decidir da eminente relatora, peço vênia para dela divergir quanto ao mérito. Não discordo da recorrida quando esta afirma que a regra do art. 57 da Lei nº 8.981/1995 manteve separadas as bases de cálculo e as alíquotas previstas para o IRPJ e a CSLL. Embora estipule que as normas de apuração e de pagamento do IRPJ se aplicam à CSLL, o próprio dispositivo declara em seguida que serão "mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor": Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (grifouse) Não há dúvidas de que a legislação prevê ajustes específicos (adições e exclusões) que não abrangem os dois tributos. Tampouco se discute que nem todos os ajustes de um tributo serve ao outro. Se o art. 57 da Lei nº 8.981/1995 houvesse produzido uma coincidência plena entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, seria inteiramente dispensável que normas posteriores a ele viessem estabelecer pontualmente, em determinadas situações, a equiparação. Por exemplo, o art. 60 do DecretoLei nº 1.598/1977 (base legal do art. 464 do RIR/1999) estabelece que, na determinação do lucro real, devem ser adicionados os valores caracterizados como distribuição disfarçada de lucros. Se o art. 57 da Lei nº 8.981/1995 houvesse equiparado as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a partir de então a distribuição disfarçadas de lucros também deveria ser adicionada à base de cálculo da CSLL. Concluise que não era este o caso a partir do momento em que o art. 60 da Lei nº 9.532/1997, abaixo transcrito, veio estabelecer expressamente esta adição à base de cálculo da CSLL. Qual seria o sentido dessa nova norma legal promulgada em 1997 se já houvesse, desde 1995, equiparação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL determinada pelo art. 57? Art. 60. O valor dos lucros distribuídos disfarçadamente, de que tratam os arts. 60 a 62 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, com as alterações do art. 20 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, serão, também, adicionados ao lucro líquido para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 12448.734242/201191 Acórdão n.º 9101002.970 CSRFT1 Fl. 595 19 Assim, se existem normas posteriores ao art. 57 da Lei nº 8.981/1995 que vêm pontualmente determinar a adição de certos valores à base de cálculo da CSLL, valores estes que antes só eram adicionados ao lucro real, é de se concluir inexoravelmente que o referido art. 57 não equiparou as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ocorre que tal constatação não é suficiente para sustentar o pleito da recorrida de que as despesas desnecessárias não sejam adicionadas à base de cálculo da CSLL. Isto porque o art. 13 da Lei nº 9.249/1995 determina a adição, à base de cálculo da contribuição, das despesas consideradas desnecessárias: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) Observese que o art. 47 da Lei nº 4.506/1964, a que se refere o dispositivo reproduzido, é o fundamento legal do art. 299 do RIR/1999, que dispõe exatamente sobre os requisitos da necessidade, usualidade e normalidade para a dedutibilidade das despesas. Assim, o texto legal acima transcrito evidencia claramente o vínculo entre a apuração da base cálculo da CSLL e os referidos requisitos para a dedutibilidade de despesas. Do contrário não faria nenhum sentido a ressalva contida no texto. Com efeito, se o texto diz que para uma determinada situação deve se aplicar "A" independentemente de "B", é porque "B" também é aplicável àquela mesma situação. Concluo, desse modo, que as despesas discutidas no presente processo (despesas decorrentes de infringência de normas concorrenciais), por serem desnecessárias, inusuais e anormais, também não são dedutíveis das bases de cálculo da CSLL apuradas nos anoscalendário de 2002 e 2003. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 605DF CARF MF
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