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Numero do processo: 10120.004802/2003-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
DCTF. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresenta pedido de retificação da DCTF na forma de impugnação. Todavia, o recolhimento deu origem ao crédito foi vinculado em DCTF a outro débito, e a ele está alocado. Ausência de comprovação do erro.
Numero da decisão: 1402-003.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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E SERV. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 DCTF. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresenta pedido de retificação da DCTF na forma de impugnação. Todavia, o recolhimento deu origem ao crédito foi vinculado em DCTF a outro débito, e a ele está alocado. Ausência de comprovação do erro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 48 02 /2 00 3- 37 Fl. 164DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo revisão eletrônica de DCTF relativa aos 2º, 3º e 4º trimestre de 1998, nas quais constam débitos de IRRF, formalizados no Auto de Infração nº 0004679 (fls. 10/31 numeração eprocesso). De acordo com o Anexo I (fls. 14) foi lançado o débito de R$ 283,33, data de venc. 15/10/1998 cujo pagamento não foi localizado. Nos Anexos II (fls. 16,18,20, 22) foi efetuado lançamento de multas de mora relativas aos pagamentos efetuados após o vencimento e, no Anexo III (fls. 24) o lançamento da multa de ofício. Cientificada (AR fls. 36), a contribuinte apresentou Impugnação de fls. 2 na qual alega que os débitos foram pagos tempestivamente e que as inconsistência se devem a divergência nos períodos de apuração de nas datas de vencimentos declarados na DCTF. Diante desse fato, solicita "autorização para retificar os períodos de apuração e as datas de vencimentos nas DCTF´s entregues, os Darf´s pagos podem ser verificados pelas cópias (autenticadas) em anexo. Os mencionados Darf´s encontramse juntados às fls. 32/34. Em face da referida Impugnação, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Goiânia expediu o Termo de Comunicação nº 209/2007 (fls. 38), na qual informa à contribuinte que "(...) não foram juntados elementos suficientes para ensejar eventual revisão de ofício do lançamento por parte desta DRF/GOI. Diante desse fato, solicita a contribuinte a juntada aos autos dos seguintes documentos: A contribuinte foi intimada da referida solicitação em 25 de julho de 2007 (AR fls. 40) e não apresentou os documentos solicitados. Diante disso, a DRF/Goiânia apresentou o Despacho Secat/ DRF/GOI nº 4191/2007 (fls. 50/52), no qual conclui: (...) Para a extinção do débito de nº 8606051 (R$ 283,33), constante do Anexo III, (fls. 12), foi apresentado o pagamento de nº Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10120.004802/200337 Acórdão n.º 1402003.933 S1C4T2 Fl. 165 3 0737186391 (R$ 283,33). Contudo, este recolhimento foi vinculado em DCTF a outro débito, e a ele está alocado (Código de Receita 0561, referente à 02/09/1998, Vencimento 16/09/1998), conforme atesta da pesquisa de fls. 21. Percebese, também, que a interessada informou este mesmo recolhimento para quitação de dois débitos de IRRF (0561) : A) 02/09/1998, já referido anteriormente (fls. 23); b) 01/10/1998, objeto do presente processo (fls. 24). Dessa matéria, temse que não há elementos probatórios suficientes que possibilitem a revisão de ofício. Os Anexos IIa (fls. 08 a 11) demonstram que os débito de IRRF nº 6033604 (R$ 350,01, 7278236 (R$ 107,66) 7278234 (r4 212,50) foram recolhidos após o vencimento legal. Apesar das alegações da interessada, de que teria ocorrido erro ao informar as semanas correspondentes, não houve a demonstração efetiva da data da ocorrência do fato gerador para estes débitos. Assim, o lançamento mostrase procedente em relação aos débitos caracterizados no Anexo III (fls. 12), bem como para os inseridos no Anexo IV (fls. 13). Ressaltese, porém, que em função da retroatividade benigna do Art. 18 da MP nº 303/2006, conforme Parecer PGFN/CDA/CAT nº 2.237/2006, devese cancelar a Multa de Ofício Isolada (75%). sem prejuízo da multa de mora devida. O processo foi encaminhado para Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) , a qual deu parcial provimento à Impugnação para exclusão das multa isoladas e de mora, com base nos seguintes fundamentos (fls. 56): Quanto à multa de ofício isolada no valor R$ 881,49 (fls. 5,8 a 11 e 13), sem considerar às alegações da autuada e o exarado no documento de fls. 25/26, deve ser excluída, por força do art. 14 da Lei nº 11.488/2007, que extinguiu esse tipo de penalidade, isto é , pagamento de tributos após o vencimento sem o acréscimo de multa de mora e também do art. 106,II, alínea "c" do CTN, no qual é consagrado o princípio da retroatividade benigna. No tangente à conversão da multa isolada (75%) em multa de mora (fls. 25/26), tal procedimento foi inapropriado quanto à sua forma , de maneira que a exigência de mutla de mora não pode prosperar, porque a contribuinte sequer foi cientificada da mudança do critério jurídico. Ficando, dessa forma, a cargo da autoridade lançadora verificar a possibilidade da exigência da multa de mora, mediante outro lançamento. Cientificada em 25/03/2006 (AR fls. 70), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 72, no qual reitera as alegações já suscitada e requer a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: Fl. 166DF CARF MF 4 a) Comprovante de pagamento de salários relativos aos meses de set/98 (fls. 112/117), abril/98 (fls. 120/124), julho/98 (fls. 128/131), agosto/98 (fls. 134/139) b) Darf´s relativos aos meses de abril, agosto, setembro, outubro de 1998; c) Livro Diário (fls. 144/157) É o relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório acima, a questão a ser analisada não se refere a qualquer discussão jurídica, uma vez que a retroatividade benigna e a exclusão das multas já foi reconhecida pela decisão recorrida. Sendo assim, o recurso limitase à análise da possibilidade de retificação de ofício da DCTF diante dos documentos apresentados pela contribuinte. A retificação dos dados constantes na DCTF era disciplinada pela artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1110, de 24 de dezembro de 2010, nos seguintes termos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10120.004802/200337 Acórdão n.º 1402003.933 S1C4T2 Fl. 166 5 II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º. § 5º O direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto no relatório, o contribuinte, em sua defesa, se limitou a afirmar que os débitos decorreriam de erro no preenchimento da DCTF e a requerer a retificação de ofício da DCTF. De acordo com o artigo 9º da IN nº 1110/2010, o procedimento adequado a esse fim seria a apresentação da DCTF retificadora. É importante registrar, que a impugnação foi apresentada pelo contribuinte em 06 de agosto de 2003 e os débitos são relativos ao ano calendário de 1998. Sendo assim, o prazo para retificação da DCTF, previsto no §5º do referido artigo ainda não tinha sido extinto. Conforme visto no relatório, ao analisar a documentação apresentada pela contribuinte a Secat/DRF/GOI, no Despacho nº 4191/2007 atesta que o recolhimento apontado pela Recorrente como origem do crédito já tinha sido utilizado vinculado a outro débito. Confirase: Para a extinção do débito de nº 8606051 (R$ 283,33), constante do Anexo III, (fls. 12), foi apresentado o pagamento de nº 0737186391 (R$ 283,33). Contudo, este recolhimento foi vinculado em DCTF a outro débito, e a ele está alocado (Código de Receita 0561, referente à 02/09/1998, Vencimento Fl. 168DF CARF MF 6 16/09/1998), conforme atesta da pesquisa de fls. 21. Percebese, também, que a interessada informou este mesmo recolhimento para quitação de dois débitos de IRRF (0561) : A) 02/09/1998, já referido anteriormente (fls. 23); b) 01/10/1998, objeto do presente processo (fls. 24). Dessa matéria, temse que não há elementos probatórios suficientes que possibilitem a revisão de ofício. Dessa forma, a contribuinte não se desincumbiu do ônus da comprovação do seu direito creditório, mesmo em fase recursal. Em face do exposto, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.721048/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
É na impugnação que se inaugura a fase litigiosa e controversa do processo administrativo fiscal. O termo de início da fiscalização não é requisito para a validade do lançamento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POSTAL INFRUTÍFERA. INTIMAÇÃO POR EDITAL.
É autorizada a intimação editalícia quando resultar infrutífera a intimação postal. Basta a comprovação de uma tentativa infecunda, no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, para permitir a intimação por edital. A ausência do morador no momento da entrega da correspondência não pode ser oposta ao Fisco para obrigá-lo a sucessivas tentativas de intimação postal.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO-CALENDÁRIO DE 2006. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF.
Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano-calendário de 2007 aplica-se o regime de competência, calculando-se o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 2301-006.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso.
João Maurício Vital Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É na impugnação que se inaugura a fase litigiosa e controversa do processo administrativo fiscal. O termo de início da fiscalização não é requisito para a validade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POSTAL INFRUTÍFERA. INTIMAÇÃO POR EDITAL. É autorizada a intimação editalícia quando resultar infrutífera a intimação postal. Basta a comprovação de uma tentativa infecunda, no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, para permitir a intimação por edital. A ausência do morador no momento da entrega da correspondência não pode ser oposta ao Fisco para obrigá-lo a sucessivas tentativas de intimação postal. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO-CALENDÁRIO DE 2006. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF. Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano-calendário de 2007 aplica-se o regime de competência, calculando-se o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-25T02:40:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-25T02:40:36Z; Last-Modified: 2019-06-25T02:40:36Z; dcterms:modified: 2019-06-25T02:40:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-25T02:40:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-25T02:40:36Z; meta:save-date: 2019-06-25T02:40:36Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-25T02:40:36Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-25T02:40:36Z; created: 2019-06-25T02:40:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-06-25T02:40:36Z; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-25T02:40:36Z | Conteúdo => S2-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10875.721048/2011-81 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301-006.068 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de maio de 2019 Recorrente EDSON FLORENTINO DA SILVA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É na impugnação que se inaugura a fase litigiosa e controversa do processo administrativo fiscal. O termo de início da fiscalização não é requisito para a validade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POSTAL INFRUTÍFERA. INTIMAÇÃO POR EDITAL. É autorizada a intimação editalícia quando resultar infrutífera a intimação postal. Basta a comprovação de uma tentativa infecunda, no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, para permitir a intimação por edital. A ausência do morador no momento da entrega da correspondência não pode ser oposta ao Fisco para obrigá-lo a sucessivas tentativas de intimação postal. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO- CALENDÁRIO DE 2006. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF. Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano- calendário de 2007 aplica-se o regime de competência, calculando-se o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 10 48 /2 01 1- 81 Fl. 95DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.068 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.721048/2011-81 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do ano-calendário de 2004, em face de omissão de rendimentos tributáveis. O autuado impugnou o lançamento sob as seguintes alegações: a)não foi notificado pessoalmente ou por via postal, embora resida no endereço correspondente ao domicílio fiscal; b)não foi apresentado termo de início da ação fiscal e, assim, não teria lhe proporcionado o contraditório e limitado a sua defesa, e c)embora os rendimentos recebidos fossem acumulados de exercícios anteriores, não se lhe aplicou o regime de competência. A impugnação foi considerada improcedente e o lançamento, mantido. Foi interposto recurso voluntário com as mesmas alegações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital O recurso é tempestivo e dele conheço. Consta dos autos que o recorrente foi intimado do lançamento pela via editalícia porque, após tentativa, restou improfícua a intimação pela via postal. Em seu favor, o contribuinte alegou que pode ter havido, por parte da prefeitura, a alteração do número da residência. É responsabilidade do contribuinte manter, nos cadastros fiscais, o endereço atualizado do domicílio fiscal. Comprovada a tentativa infrutífera de intimação pela via postal, no endereço cadastral do sujeito passivo, autoriza-se a intimação editalícia, nos termos do § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Quanto ao cerceamento do direito de defesa e do contraditório, não é o que percebo. O termo de início da ação fiscal tem por principal finalidade prevenir a espontaneidade do sujeito passivo, mas não é requisito para o lançamento. Na verdade, o fato de não receber Fl. 96DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.068 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.721048/2011-81 nenhuma comunicação da ação fiscal em curso beneficiou o sujeito passivo que permaneceu espontâneo até ser intimado por edital do primeiro ato escrito, que foi a Notificação de Lançamento. Ademais, nos termos do art.; 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, é na impugnação que se instaura a fase litigiosa, sendo, portanto, inquisitória a fase preliminar. Rejeito, pois, as preliminares alegadas. No mérito, dou razão ao recorrente. A matéria foi inúmeras vezes apreciada por este conselho 1 . Sem desnecessária delonga, e consoante o inc. II do § 12 do art. 67 do Regimento Interno do Carf aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, é imperiosa a aplicação do entendimento esposado no RE 614.406, do STF 2 , que, sob o rito de repercussão geral, reconheceu a inconstitucionalidade parcial, sem redução de texto, do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, e estabeleceu o regime de competência para efeito do cálculo do Imposto de Renda sobre RRA. Ou seja, o cálculo deverá observar as tabelas vigentes em cada mês a que se refere o rendimento recebido acumuladamente. Conclusões Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator 1 Precedentes nos acórdãos nºs. 9202-003.518, 2301-004.658, 2202-004.521, 2801-003.713, 9202-007.006. 2 O entendimento foi confirmado no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário nº 1.022.792 e a matéria resta reconhecida como de repercussão geral, Tema 368 do STF. Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 14112.000251/2006-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO.
Em atendimento ao princípio da não-cumulatividade do IPI o contribuinte faz jus aos créditos originários de aquisições de matérias-primas aplicadas na industrialização de produtos tributados, ainda que o montante desses créditos seja apurado por critério de proporcionalidade, em razão de as aquisições se destinarem tanto a operações que dão direito a crédito (industrialização) quanto a operações que não dão direito a crédito (revenda).
RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Em sede de pedido de ressarcimento cumulado com compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS.
Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3003-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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APROVEITAMENTO. Em atendimento ao princípio da não-cumulatividade do IPI o contribuinte faz jus aos créditos originários de aquisições de matérias-primas aplicadas na industrialização de produtos tributados, ainda que o montante desses créditos seja apurado por critério de proporcionalidade, em razão de as aquisições se destinarem tanto a operações que dão direito a crédito (industrialização) quanto a operações que não dão direito a crédito (revenda). RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em sede de pedido de ressarcimento cumulado com compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 00 02 51 /2 00 6- 35 Fl. 1417DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.265 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 14112.000251/2006-35 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo do Pedido Eletrônico de Ressarcimento nº 03275.71176.150404.1.1.01-4059, no valor de R$ 117..024,34, relativo a saldo credor do IPI apurado no 1º trimestre de 2004 (fl. 03). Foram transmitidas as DCOMPs relacionadas às fls. 439(440, vinculadas ao PER tratado neste processo. A verificação da legitimidade dos créditos foi efetuada mediante procedimento fiscal. As constàtações da auditora encontram-se relatadas na Informação Fiscal de fls. 369/372, podendo ser assim resumidas: a) o estabelecimento fiscalizado industrializa formulàrios contínuos classificados nos códigos 4911.9900 (alíquota 0%) e 4820.4000 (alíquota 15%), segundo verificação, por amostragem, das notas fiscais de vendas; b) as mercadorias relacionadas à fl. 372/373 (papel cortado das marcas Chamex Office, Chamex Multi, Chambril Premier) são adquiridas de terceiros para comercialização (revenda), não existindo direito a crédito do IPI em suas aquisições (não são utilizadas no processo produtivo), o que implicou a glosa dos valores do imposto indevidamente creditados, discriminados às fls. 372/373; c) o papel em bobina e o papel autocomatlvo são utilizadas na industrialização (matéria- prima), mas também são revendidos em grandes quantidades (comercializados), enquanto as entradas desses papéis foram majoritariamente escrituradas comp compras para industrialização, com crédito do IPI. Em virtude dessa inconsistência. a empresa foi intimada a comprovar, mediante apresentação do controle da produção e do estoque, as quantidades desses papéis (papel em bobinas e autocopiativo) aplicadas na industrialização. Nos livros de Registro de Controle da Produção e do Estoque apresentados não foram escriturados os produtos industrializados, nem os insumos utilizados em suas fabricações. Diante da impossibilidade de apurar corretamente as quantidades desses papéis que foram aplicadas na industrialização, a fiscalização glosou os créditos oriundos de todas as entradas dessas mercadorias, segundo discriminado à fl. 373. Após a reconstituição da escrita com glosa dos créditos considerados indevidos. houve redução no valor do saldo credor originalmente apurado pela empresa (fls. 3671368). Em conseqüência. o direito credit6rio foi reconhecido apenas parcialmente (RS,2.281,45), e as compensações declaradas foram parcialmente homologadas, nos termos do Parecer e Despacho Decisório de fls. 439/445. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade discordando do indeferimento de seu pleito (fls. 472/482). Argumentou que o indeferimento do pedido de ressarcimento foi equivocado, pois a fiscalização deixou de considerar a atividade da empresa como preponderantemente industrial (fabricação de bobinas de PDV, formulários contínuos, etiquetas auto-adesivas, etc), sendo inequívoco o direito ao crédito do IPI oriundo dos insumos aplicados na industrialização. Insurgiu-se também contra a imposição de multa, atualização pela Selic e juros de mora sobre os débitos que resultaram das compensações não homologadas. Alegou o caráter confiscatório da penalidade, a impossibilidade de utilização da taxa Selic como indexador e o caráter abusivo da cobrança, concomitantemente, de multa e juros de mora. Quando da primeira análise dos autos verificou-se que uma parcela dos créditos a que a contribuinte fazia jus não foram aproveitados pela auditora, pois, como afirmado pela própria fiscalização, parte das aquisições de papel em bobina e papel autocopiativo Fl. 1418DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.265 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 14112.000251/2006-35 foram empregadas como matéria-prima na industrialização efetuada pelo estabelecimento. Foram os autos, então, baixados em diligência por intermédio do despacho de n. 666, pois entendeu-se que, ainda que os controles da produção do estabelecimento não permitissem segregar as quantidades de papel em bobina e papel autocopiativo destinadas à industrialização e à revenda, seria possível estimá-Ias por critério de rateio (proporcionalização), visando atender ao princípio da não-cumulatividade do imposto. Em atendimento à diligência solicitada, a fiscalização, por critério de rateio (fls. 674), segregou as aquisições de papel em bobina e papel autocopiativo aplicadas na industrialização e revendidas, glosando apenas os créditos relativos às revendas. Elaborou a Reconstituição do RAlPl de fls. 678, que atesta a ocorrência de saldo credor. A contribuinte foi cientificada dos resultados da diligência (fls. 688/690), apresentando as razões adicionais de defesa de fls. 691/692. Reafirmou o conteúdo da manifestação de inconformidade apresentada e, no que diz respeito aos créditos oriundos de aquisições de bobinas em papel e papel autocopiativo, solicitou que o quantum seja obtido "mediante pormenorizado levantamento contábil, com a concessão de prazo razoável para dito levantamento" A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO. Em atendimento ao princípio da não-cumulatividade do IPI o contribuinte faz jus aos créditos originários de aquisições de matérias-primas aplicadas na industrialização de produtos tributados, ainda que o montante desses créditos seja apurado por critério de proporcionalidade, em razão de as aquisições se destinarem tanto a operações que dão direito a crédito (industrialização) quanto a operações que não dão direito a crédito (revenda). COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Para as Declarações de Compensação apresentadas à Receita Federal após 27 de maio de 2003 os débitos compensados sofrerão a incidência de acréscimos moratórios a partir da data de vencimento do tributo até a data da apresentação da DCOMP, acréscimos esses previstos em lei federal vigente (art. 61 da Lei 9.430, de 1996). Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual pleiteia a reforma parcial do decisum para que seja acolhida a possibilidade de se fazer um cálculo exato do montante dos créditos a que faz jus, com a concessão de prazo razoável para tanto e a exclusão da incidência de multa moratória ou, caso seja .mantida, seja fixada em parâmetro razoável de 2%. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento do saldo credor de IPI do 1º trimestre de 2004 foi parcialmente deferido e as Fl. 1419DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.265 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 14112.000251/2006-35 compensações declaradas foram parcialmente homologadas. O deferimento parcial se deu porque, após a reconstituição da escrita com glosa dos créditos considerados indevidos, houve redução no valor do saldo credor a ser ressarcido. Após converter o julgamento em diligência, a Instância aquo julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada, para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 86.471,76. Insurge-se a recorrente contra o deferimento parcial do direito creditório e a incidência de multa moratória. Sustenta que, em relação a apuração do montante dos créditos pelo critério da proporcionalidade, deveria ser acolhida a possibilidade de se fazer um cálculo exato do montante dos créditos a que faz jus, com a concessão de prazo razoável para tanto. Sobre esse ponto assim se manifestou a decisão recorrida: Diante da constatação de que tanto o papel em bobina quanto o papel autocopiativo não eram apenas destinados à revenda, mas também utilizados como matériaprima na industrialização, o processo foi baixado em diligência. A diligência foi necessária porque o Livro de Controle da Produção e do Estoque apresentado à fiscalização, e reapresentado com a manifestação de inconformidade, não permitia segregar, a partir de seus registros, as quantidades de papéis em bobina e autocopiativos utilizados na industrialização e os destinados a revenda. Restou, portanto, adotar um critério de rateio, com a finalidade de glosar, apenas, os créditos relativos às aquisições destinadas a revenda. E foi exatamente o que fez a auditora, quando: a) calculou o percentual entre as revendas de papéis em bobina e autocopiativo e o total de saídas desses mesmos papéis (fl. 674) b)aplicou o percentual calculado sobre o montante dos créditos- escriturados. Dessa forma, permaneceu a glosa, tão-somente, dos créditos relativos a aquisições de papel em bobina e papel autocopiativo que foram revendidos, operação que, como mencionado no item I deste voto, não confere direito a crédito. A contribuinte, nas razões adicionais de defesa, solicitou que a apuração dos créditos oriundos de aquisições de papel em bobina e papel autocopiativo aplicados na industrialização seja efetuada mediante "pormenorizado levantamento contábil, com a concessão de prazo razoável para dito levantamento". Em primeiro lugar. cumpre esclarecer à contribuinte que estamos diante de pedido de ressarcimento. cabendo à solicitante a prova do direito creditório alegado. E. se desde a época da fiscalização até a presente data a contribuinte não trouxe aos autos elementos capazes de contradizer a apuração dos créditos efetuada pela fiscalização, não me parece razoável sua pretensão de obter mais prazo para proceder ao "pormenorizado levantamento contábil' dos créditos em comento. Ademais, a contribuinte foi cientificada dos resultados da diligência, não apresentando nenhuma contestação específica em relação ao procedimento adotado pela auditora. Motivos não vejo, portanto, a justificar que o processo seja, novamente, baixado em diligência para apurar valores que a contribuinte já deveria ter apurado, e comprovado, desde a época em que solicitou o ressarcimento. De fato, igualmente entendo que não assiste razão à recorrente. Em sede de pedido de ressarcimento cumulado com compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de Fl. 1420DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.265 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 14112.000251/2006-35 tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento que pudesse infirmar as conclusões da autoridade administrativa. Se limitou, tão-somente, a argumentar que necessitaria de um prazo maior para se fazer um cálculo exato do montante dos créditos, o que não me parece razoável face ao tempo decorrido. Entendo, portanto, como correto o deferimento parcial do crédito pleiteado com base na reconstituição da escrita fiscal efetuada pela fiscalização e reconhecido pela decisão recorrida, homologando-se as compensações até o limite do crédito disponível. Quanto à questão relativa à incidência de multa moratória melhor sorte não assiste à recorrente. O art. 28 da IN/SRF 210, de 30/09/2002, com a redação dada pela IN/SRF 323, de 24/04/2003, assim dispôs, in verbis: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. A incidência de juros e multa de mora decorrente do não pagamento do tributo no seu vencimento tem previsão expressa no artigo 61, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1' de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1" A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento A compensação, assim como o pagamento, é um instituto de extinção de obrigações conforme disposto no Código Tributário Nacional, em seus arts. 156, inciso II, e 170, no qual os créditos e débitos do contribuinte serão confrontados, num acerto de contas: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II – A compensação; (...) Art. 170. A lei pode nas condições e garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública. Se considerada a extinção do crédito tributário pelo pagamento do tributo, a sua ausência no prazo legal acarreta a incidência de juros e multa de mora. Da mesma forma, se Fl. 1421DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.265 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 14112.000251/2006-35 utilizada a compensação para a extinção do crédito tributário, sua formalização deve ocorrer no vencimento da parcela a ser compensada, sob pena de incidência de juros e multa de mora. No caso das compensações homologadas, o que fez a Administração Tributária foi valorar os débitos vencidos compensados até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme a legislação vigente, acrescendo-lhes os respectivos encargos moratórios. No mais, como não foi possível a homologação integral das compensações vinculadas em decorrência da insuficiência de crédito, sobre os débitos cujas compensações restaram não homologadas é cabível a incidência de juros e multa de mora. Portanto, correta a decisão recorrida. No que se refere ao pleito alternativo pela fixação de percentual da multa, a legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 1422DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.910838/2008-36
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar, suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheirosSergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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COMPROVAÇÃO ANOCALENDÁRIO 2004. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública que pretenda compensar com débitos apurados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar, suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheirosSergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 08 38 /2 00 8- 36 Fl. 440DF CARF MF 2 Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 06 28.362 1ª Turma da DRJ/CTA, que não homologou a compensação declarada na PER/DCOMP n° 41918.39070.210606.1.3.038236, Segue a transcrição do relatório: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa .Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito." R$ 4.757,92 Valor do saldo negativo informado na DIPJ R$3.524,17. A contribuinte foi cientificada em 02/09/2008 (fls. O2) e apresentou tempestivamente, em 02/10/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 1825, alegando: 1 que, no terceiro trimestre do anocalendário de 2004, apurou débito de CSLL no importe de R$ 3.672,38, que foi deduzido do total do valor relativo às retenções que sofreu na fonte, no importe de R$ 7.196,55, resultando em saldo negativo no montante de R$ 3.524,17; 2 que, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004, e art 74 da Lei n° 9.430, de 1996, procedeu à compensação, por meio de PER/DCOMP, do valor relativo ao crédito de saldo negativo do terceiro trimestre/2004; 3 que a compensação foi não homologada porque o crédito utilizado para extinguir os débitos não corresponde ao valor declarado na DIPJ, uma vez que o valor declarado é R$ 3.524,17, mas foi apontado erroneamente no valor de R$ 4.753,40; 4 afirma que seu crédito é líquido e certo, razão pela qual requer seja reconhecida a liquidez e certeza do direito creditório de saldo negativo de CSLL, e a homologação das compensações. Juntaramse ao processo os documentos de fls. 2681. Em 16/07/2009, a interessada apresentou a petição de fls. 8384, noticiando que fora sucedida por NKB SÃO PAULO LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLINICAS LTDA, e solicitando a juntada dos documentos de fls. 85133. Cientificada em 04/10/2010 (fl.213), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 29/10/2010 (fl. 150). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A DRJ, assim decidiu em relação à manifestação de inconformidade: Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10980.910838/200836 Acórdão n.º 1001001.280 S1C0T1 Fl. 3 3 Consta dos sistemas informatizados da RFB (fls. 135) que foram entregues a esta contribuinte três intimações reproduzidas às fls. 136138 relativas ao PER/DCOMP tratado nestes autos. Na Primeira intima ão fls. 136 , a contribuinte foi informada de que sua DIPJ não apresentava saldo negativo, e foi intimada a promover as retificações cabíveis, sob pena de a compensação ser não homologada. ' Na segunda intimação (fls. 137), a contribuinte foi informada de que a soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP era inferior ao somatório do demonstrativo de crédito informado nas linhas correspondentes da DIPJ, e alertada de que o total do crédito demonstrado no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição devida mais a apuração do saldo negativo. Novamente foi advertida de que na hipótese de não serem sanadas as irregularidades, a compensação seria não homologada. Na terceira intimação (fls. 138), entregue em 12/03/2008 (fls. 139) a contribuinte foi advertida de que o saldo negativo informado no ,PER/DCOMP (R$ 4.757,92) difere do saldo apurado na DIPJ (R$ 3.524,17). Nessa oportunidade foi admoestada a retificar a DIPJ correspondente o_u apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período. Mais uma vez foi intimada a sanar as irregularidades e advertida de que, não sanadas as irregularidades apontadas, a compensação seria não homologada. E o que fez a contribuinte, absolutamente nada. Optou por insistir em uma compensação em que utilizava crédito superior àquele apurado em sua DIPJ. Esse, portanto, o correto motivo da nãohomologação, que não merece ser reformada, conforme passo a expor. A edição de lei ordinária autorizando a compensação de indébitos tributários com débitos fiscais dos contribuintes se encontra prevista no art. 170, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 9CTN): ... Como se vê, a própria lei deverá estipular as condições para o implemento da compensação, ou atribuir à autoridade administrativa tal estipulação, em face dos casos concretos. Não existe, portanto, uma faculdade incondicional. Toda compensação deverá, portanto, atender as condições estipuladas na própria lei que a autorizou, ou que forem baixadas pela autoridade administrativa incumbida de fazê lo. Essa atribuição se operou pelo artigo 66 da Lei n° 8.383, de 30/12/1991. ... Posteriormente, o art. 74 da Lei n° 9.430, de 26/12/1996, ao baixar novo regramento sobre compensações, estipulou que esta se efetivaria pela entrega de declaração da qual deveria constar informações relativas tanto aos créditos utilizados, como aos débitos compensados, e que caberia à SRFB disciplinar a matéria. ... Ao tempo da apresentação dos PER/DCOMP objetos do despacho decisório, o disciplinamento sobre a compensação se encontrava enfeixado na Instrução Normativa SRF n° 450, de 18/10/2004, cujo art. 26, em seu § 1°, é peremptório ao Fl. 442DF CARF MF 4 afirmar quea compensação será efetuada mediante apresentação do PER/DCOMP gerado a partir do respectivo programa gerador. ... Está claro que deve existir coincidência absoluta entre o saldo negativo que o contribuinte pretende utilizar e aquele apurado em sua DIPJ. Aliás, nem necessitaria constar tal advertência, uma vez que a compensação pressupõe crédito líquido e certo. Pois bem, no terceiro trimestre do anocalendário de 2004, esta contribuinte apresentou DIPJ em que apurou saldo negativo de CSLL no importe de RS 3.524,17, como se vê às fls. 50. . Contudo, intimada a retificar o PER/DCOMP, o que implicaria o reconhecimento 'do saldo negativo a menor, e a redução do débito compensado, a contribuinte optou por nada fazer, provavelmente contando com possível homologação tácita. Ora, o que está em discussão nestes autos é se a compensação declarada pela contribuinte reúne ou não condições de ser homologada. Estes autos não são instrumento adequado para promover outra compensação distinta daquela declarada pela contribuinte. Assim, apenas duas soluções são possíveis: ou a compensação reúne condições de ser homologada, ou não reúne. A constatação inequívoca é que a compensação declarada não deve ser homologada. Não merece censura e deve ser mantido, portanto, o despacho decisório. Cabia à contribuinte alterar os dados de sua declaração de compensação para amoldála ao se crédito. Não o tendo feito, impõe,se a este Colegiado a constatação de que a compensação declarada não deve ser homologada. Em seu recurso, a recorrente repete, basicamente, os mesmos argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Afirma que: A Recorrente teria sido intimada a retificar a DIPJ ou o PER/DCOMP, de maneira que o valor do saldo negativo de CSLL passasse a ser idêntico em ambas as declarações; contudo, a Recorrente não o fez em tal oportunidade, subsistindo a diferença de R$ 1.229,23. O julgador de primeira instância, neste ponto, precipitase em suas conclusões ao afirmar que a não retificação por parte da Recorrente darseia pela mesma estar “provavelmente contando com possível homologação tácita”. 10. Assim, alegando a ausência de “coincidência absoluta” entre o valor de crédito declarado na DIPJ 2005 e no PER/DCOMP, o julgador de primeira instância manteve a não homologação da compensação da Recorrente, ignorando tanto o fato de a Recorrente ter esclarecido e comprovado seu erro de fato, como a existência de saldo negativo de CSLL na DIPJ 2005 suficiente para amparar a compensação, ainda que parcialmente. 11. Cumpre mencionar que a improcedência da manifestação de inconformidade e o não reconhecimento do direito creditório não foram proferidos por unanimidade houve voto pela análise da existência do direito creditório informado na DIPJ. Quanto ao mérito, a recorrente alega que apresentou a DCTF retificadora, o que é fato, em 11/02/2008, após ter tomado ciência do despacho decisório. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10980.910838/200836 Acórdão n.º 1001001.280 S1C0T1 Fl. 4 5 Assim, em preliminar de nulidade, alega (em última instância): A Lei n° 9.784/99, artigo 50, expressamente determina que os atos administrativos devem ser motivados, com a apropriada indicação de fatos e fundamentos jurídicos, posto que, neste caso, houve limitação a um direito do contribuinte, qual seja, o da compensação. Segue prevendo que a motivação deve ser explícita, clara e congruente. ... A ausência do motivo de fato impossibilita a convalidação do ato, posto que não há como fazêlo retroagir à data de sua emissão, já que o suporte fático continuaria a inexistir. Assim, os atos vinculados portadores de vício de motivo são inconvalidáveis. Portanto, inegável a conclusão pela nulidade do Despacho Denegatório frente à ausência de motivação de tal ato administrativo. Em razões de direito, argumenta, essencialmente que: 34. Neste sentido, não se pode concluir que a competência atribuída pela Lei n° 9.430/96, artigo 74, parágrafo 14, autorizou a Receita Federal do Brasil a criar procedimentos que dificultem ou mesmo inviabilizem o exercício do direito de compensação. 35. Neste contexto, invocar o artigo 26, parágrafo l°, da Instrução Normativa n° 460/04 e excertos das instruções de preenchimento do programa gerador do PER/DCOMP como justificativa suficiente para vedar ao contribuinte seu direito à compensação como foi feito pela D. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba leva à conclusão de que referidas disposições extrapolam a competência atribuída pela Lei n° 9.430/96, artigo 74, parágrafo 14. 36. E isso porque, como é evidente, deve haver coincidência entre o crédito solicitado no PER/DCOMP e o saldo negativo de CSLL declarado na DIPJ, contudo equívocos podem ocorrer no preenchimento da declaração e, uma vez esclarecidos, nada impediria que a autoridade administrativa, tomando conhecimento dos fatos como tomou , procedesse à retificação da declaração, obrigação acessória que é, e que não foge à materialidade. Cita jurisprudência não vinculante e doutrina e alega que o erro, identificado no PER/DCOMP, deveria ser corrigido de ofício, ainda que em momento posterior ao da decisão proferida. Alega o princípio da verdade material; cita doutrina e jurisprudência não vinculante e alega que houve erro material no preenchimento da obrigação acessória (PER/DCOMP). Alega, também, a nulidade da decisão: Da nulidade da decisão de primeira instância 58. É também nula a decisão de primeira instância, por nitidamente ter preterido o direito de defesa da Recorrente, dado que fora esclarecida a origem do crédito compensável, mas a decisão de primeira instância, em que pese ter demonstrado inequívoco conhecimento dos fatos, negouse a sobre ele se pronunciar. Fl. 444DF CARF MF 6 59. Nessa linha, a decisão recorrida negouse a analisar o argumento e comprovação trazidos pela Recorrente. Daí se imputar preterição ao direito de defesa da Recorrente, pois nada mais resta à Recorrente (em sede de recurso voluntário) senão repisar a necessidade de análise dos documentos já trazidos por ocasião da manifestação de inconformidade. É nítido, no caso, o cabimento do art. 59, Il do Decreto n° 70.235/72: Art. 59. São nulos: II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 60. Ciente da existência do crédito por meio da apresentação da DIPJ 2005 e do equívoco reconhecido pelo contribuinte, o julgador administrativo não poderia ter se escusado de considerar tais aspectos em sua decisão. Tendoo feito, descumpriu o princípio da verdade material, e por conseqüência, no caso, o próprio direito de defesa da Recorrente. Por fim, requer: 6l. Diante de todo o acima exposto, concluise no sentido da improcedência do Acórdão n° 0628.362 proferido nos autos do Processo Administrativo n.° l0980.910838/200836, razão pela qual requerse que o presente Recurso Voluntário seja conhecido e provido a fim de que se reforme o acórdão proferido pela D. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, para que se anule o Despacho Decisório, pela flagrante ausência de motivação, bem como para que seja reconhecido o direito creditório até o limite declarado na DIPJ 2005, cancelandose assim a exigência consubstanciada no processo administrativo de cobrança n° 10980911.184/200868 (PER/DCOMP n° 419l8.39070.2lO606.1.3.03 8236). Inicialmente, cabe rejeitar a preliminar de nulidade arguida pela recorrente, com base no art. 50, da Lei 9.784/99, contra o despacho decisório. Como bem fundamentado pela DRJ, à, ora recorrente, foram dados os fundamentos legais e infralegais, o que permitiu à recorrente o direito à ampla defesa e ao contraditório, como se observa tanto em sua manifestação de inconformidade quanto em seu recurso. Embora não conste do seu pedido, alega nulidade da decisão de primeira instância por negarse a se pronunciar sobre os fatos (sic). Cita o art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Observase, claramente, que a autoridade que proferiu a decisão é mais que competente para fazêlo e que não houve, em momento algum, a preterição ao seu direito de defesa, tanto que o fez, indicando claramente os seus argumentos e contrapondo os apresentados pela autoridade. Quanto ao mérito, não cabe razão à recorrente. A ela, foram dados todos os meios para corrigir as incongruências apresentadas, mormente, a divergência entre a PER/DCOMP e a DIPJ. A recorrente foi intimada a fazêlo por três vezes. . ao qual, peço a devida vênia para novamente reproduzir: Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10980.910838/200836 Acórdão n.º 1001001.280 S1C0T1 Fl. 5 7 Consta dos sistemas informatizados da RFB (fls. 135) que foram entregues a esta contribuinte três intimações reproduzidas às fls. 136138 relativas ao PER/DCOMP tratado nestes autos Na primeira intimação (fls. 136), a contribuinte foi informada de que sua DIPJ não apresentava saldo negativo, e foi intimada a promover as retificações cabíveis, sob pena de a compensação ser não homologada. `' Na segunda intimação (fls. 137), a contribuinte foi informada de que a soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP era inferior ao somatório do demonstrativo de crédito informado nas linhas correspondentes da DIPJ, e alertada de que o total do crédito demonstrado no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição devida mais a apuração do saldo negativo. Novamente foi advertida de que na hipótese de não serem sanadas as irregularidades, a compensação seria não homologada. Na terceira intimação (fls. 138), entregue em 12/03/2008 (fls. 139) a contribuinte foi advertida de que o saldo negativo informado no PER/DCOMP (R$ 4.757,92) difere do saldo apurado na DIPJ (R$ 3.524,17). Nessa oportunidade foi admoestada a retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período. Mais uma vez foi intimada a sanar as irregularidades e advertida de que, não sanadas as irregularidades apontadas, a compensação seria não homologada. E o que fez a contribuinte, absolutamente nada. Optou por insistir em uma compensação em que utilizava crédito superior àquele apurado em sua DIPJ. Esse, portanto, o correto motivo da nãohomologação, que não merece ser reformada, conforme passo a expor. Vêse, claramente, o esforço da autoridade na busca da verdade material, posto que, segundo o artigo 170 , do Código Tributário Nacional, somente os créditos líquidos e certos podem ser objeto de compensação. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. É evidente que se os valores indicados divergem entre si, como a autoridade pode ter a certeza de sua liquidez e certeza. Neste ponto, é de observarse, quero crer, a opinião da COSIT, exarada através do Parecer Normativo COSIT 2/2015 (PN/15), a qual reproduzo a seguir: 14.9. Com isso, o despacho decisório, sendo eletrônico ou não, é conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório e finaliza a etapa de análise do processo de reconhecimento do crédito fiscal do sujeito passivo, de competência da DRF de sua jurisdição. Ainda, de acordo com o referido PN 2/15: 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a Fl. 446DF CARF MF 8 retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação. Mais adiante, comenta: 13.1. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poderdever de confirmálas. A autoridade administrativa poderá solicitar a comprovação do alegado crédito informado no PER/DCOMP, e se ele, por exemplo, for um pagamento e estiver perfeitamente disponível nos sistemas da RFB, pode ser considerado apto a ser objeto de restituição ou de compensação, sem prejuízo de ser solicitado do declarante comprovação de que se trata de fato de indébito. Vale dizer, a retificação da DCTF é necessária, mas não necessariamente suficiente para deferir o crédito pleiteado, que depende da análise da autoridade fiscal/julgadora do caso concreto. Tanto que tal autoridade poderá discordar das razões apresentadas (a despeito da retificação da DCTF) e, consequentemente, indeferir/não homologar o PER/DCOMP com base em outros elementos de prova de que tal pagamento, ainda que disponível nos sistemas da RFB. Restou muito claro que a recorrente não envidou os esforços necessários à comprovação do seu direito, principalmente, por não retificar a principal obrigação acessória, neste caso, que é a PER/COMP, posto que, nesta é que se declara a compensação. Sempre lembrando que a PER/DCOMP também se constitui em confissão de dívida. Portanto, rejeito as preliminares de nulidade, suscitadas, nos autos, para, no mérito, negar provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10980.910838/200836 Acórdão n.º 1001001.280 S1C0T1 Fl. 6 9 Fl. 448DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.100457/2005-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO.
Podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual as despesas médicas ou com instrução do próprio contribuinte, de seus dependentes, e de seus alimentandos quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
Numero da decisão: 2002-001.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de despesas com instrução no valor total de R$ 5.100,00.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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DEDUÇÃO. Podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual as despesas médicas ou com instrução do próprio contribuinte, de seus dependentes, e de seus alimentandos quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de despesas com instrução no valor total de R$ 5.100,00. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 10 04 57 /2 00 5- 19 Fl. 512DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 07/14) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual Retificadora do exercício 2001 (efls. 55/60), onde se apurou: Dedução Indevida com Dependentes, Dedução Indevida a Título de Despesa com Instrução e Dedução Indevida a Título de Livro Caixa. O contribuinte apresentou Impugnação (efls. 02/05), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 467): 6. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou, em 01/09/2005, a impugnação de fls. 01 a 04, juntamente com a documentação de fls. 05 a 36, alegando, em síntese: 6.1 — que a dedução de despesas com instrução, relativas a dependentes, está amparada por decisão judicial, conforme documento em anexo (fls. 15 a 23); 6.2 — que a despesa, a titulo de Livro Caixa, relativa aos pagamentos efetuados Sra. Partricia Karla Matins de Souza, no valor de R$ 300,00, por mês, totalizando R$ 3.600,00 no ano, deve ser aceita, uma vez que a Sra. Patricia trabalhava para o impugnante, como secretária, apesar de não ter sua CTPS assinada naquela época; 6.3 — que o pagamento feito à Hard e Soft Informática, conforme comprovantes em anexo (fls. 35 a 36), no valor total de R$ 1.800,00, deve ser aceito, visto que o computador adquirido é necessário ao funcionamento do escritório, bem como requer atualizações quase que semestrais; 6.4 — que a exorbitante multa aplicada, fora dos limites da capacidade contributiva do defendente, impedir á a continuidade de suas atividades, retirandolhe o indispensável. Ademais, aliada aos "vícios anteriormente apontados", e à inflação anual de aproximadamente 8%, o valor da referida multa tem caráter cerceador ao direito de defesa e confiscatório, em afronta ao disposto no incios IV do art. 150 da CF/1988, o que a torna inconstitucional. Face a seu valor, tornase "verdadeiro tributo disfarçado", tornandose, de acessório, em principal, dado seu relevante valor diante do imposto. Que tais irregularidades e vícios, tornam nula a autuação. Transcreve doutrina e jurisprudência em favor de suas alegações; 6.5 — que os juros de mora, no percentual de 73,34%, não são aceitos, visto que sua citação para apresentar documentos referentes ao imposto de renda do anocalendário de 2000 só ocorreu em abril de 2005, data a partir da qual podem ser aplicados os juros. Também não pode o impugnante ser penalizado pela morosidade da Receita Federal, já que sua declaração foi entregue desde o primeiro semestre de 2001; 6.6 — por fim, requer seja declarado nulo o auto de infração, por conter vícios e improbidades insanáveis; seja julgado improcedente o auto de infração, por falta de fundamentação; Fl. 513DF CARF MF Processo nº 16707.100457/200519 Acórdão n.º 2002001.212 S2C0T2 Fl. 513 3 seja reduzida a multa aplicada, em virtude de seu caráter confiscatório; e sejam, também, reduzidos os juros de mora. O lançamento foi julgado procedente pela 1ª Turma da DRJ/REC em decisão assim ementada (efls. 464/477): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 DEDUÇÃO DE DESPESAS DE INSTRUÇÃO. ADMISSIBILIDADE. A possibilidade de redução da renda bruta, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, restringese as deduções relacionadas em lei, de forma taxativa, nos limites nela consignados. 1RPF. DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. O contribuinte, pessoa física, que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, somente pode deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as despesas de custeio indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora que estejam devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea e escrituradas em Livro Caixa. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputase não impugnada a matéria, quando o contribuinte concorda expressamente com a infração apontada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 LANÇAMENTO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. LEIS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da observância da constitucionalidade da lei tributária, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 Fl. 514DF CARF MF 4 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Cientificado do acórdão de primeira instância em 29/05/2008 (efls. 483), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 25/06/2008 (efls. 484/485) com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que a decisão judicial que estabeleceu a obrigação do pagamento das despesas com instrução dos alimentandos é de 27/09/2001 mas retroativa a 14/03/1997, como prova o documento anexo. Explica que a pensão alimentícia judicial consiste em duas partes, uma de 8,5 salários mínimos e outra cujo valor é variável, já que é composta por gastos em educação, saúde, vestuário e lazer. Requer o deferimento de todos os gastos com educação de seus filhos, já que estão amparados por decisão judicial e que esta não impôs limites. Esclarece que o imposto recolhido através do DARF em anexo é o valor que entende devido. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser analisado recai somente sobre a dedução indevida de despesas com instrução no valor de R$ 7.219,71 mantida na decisão recorrida. De acordo com o art. 81 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, vigente à época, somente podem ser deduzidos na Declaração de Ajuste Anual os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação do próprio contribuinte, de seus dependentes, e de seus alimentandos, quando realizados em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado Fl. 515DF CARF MF Processo nº 16707.100457/200519 Acórdão n.º 2002001.212 S2C0T2 Fl. 514 5 judicialmente. Para o ano calendário 2000 o limite anual individual previsto no referido dispositivo era de R$ 1.700,00, nos termos da Lei 9.250/95, art. 8º, II, "b". Extraise dos autos que o Colegiado a quo manteve integralmente a glosa das despesas com instrução de alimentandos declaradas pelo contribuinte por não estarem amparadas por determinação judicial no ano calendário em exame. Cabe destacar os seguintes excertos do voto condutor: 16.1 Da análise da documentação apresentada pela defesa, verificase que o autuado fica obrigado a pagar, a seus filhos, Adeguinal Marques Campos Netto, Juliana Ferreira Campos e Bárbara Gabriella de Sá Campos, pensão alimentícia judicial, no valor mensal de oito e meio salários mínimos, além de custear suas despesas de educação (fls. 15 a 20). 16.2 No entanto, tal obrigação s6 foi estipulada, judicialmente, a partir de 27/09/2001, conforme se verifica da leitura do documento de fls. 18. 16.3 Assim, apesar de constarem, do processo, declarações referentes às mensalidades de Juliana Ferreira Campos, do CDF Colégio e Curso, no valor anual de R$ 1.807,00 (fls. 21), de Bárbara Gabriella de Sá Campos, do Colégio Salesiano São José, no valor anual de R$ 1.843,71 (fls. 22) e de Adeguinal Marques Campos Netto, da Faculdade Natalense, no valor anual de R$ 3.569,00 (fls. 23), não é possível acatar tais despesas como deduções, em relação ao anocalendário de 2000. Isto porque os pagamentos efetuados is instituições de ensino não se referem a dependentes, no anocalendário de 2000, nem tampouco encontramse amparadas por determinação judicial, neste período. [...] 18. Como previsto no § 3° do art. 8° da Lei n° 9.250/1996, acima transcrito, as despesas de instrução, pagas pelo alimentante, em nome do alimentado, em razão de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, podem ser deduzidas a titulo de despesas de instrução, dentro do limite , ser considerado como dedutível a este título. Como acima exposto, a obrigação judicial só ocorreu a partir de 27/09/2001. 19. Em suma, deve ser mantida a glosa da dedução de despesas com instrução, no anocalendário de 2000. Verificase, contudo, que o Termo de Acordo que determinou o pagamento das despesas com instrução dos alimentandos pelo suplicante (efls. 18/20) foi expressamente homologado pelo Juiz de Direito da Comarca de Touros/RN em 27/09/2001 com efeito retroativo à data de 14/03/1997 (efls. 22), tal como alega o recorrente, abrangendo, portanto, o ano calendário objeto do lançamento. Por outro lado, cumpre ressaltar que o art. 81, §3º, do RIR/99 prevê a dedução das despesas com instrução dos alimentandos em decorrência de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente até o limite individual estabelecido em seu §1º: Fl. 516DF CARF MF 6 Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). §1º O limite previsto neste artigo corresponderá ao valor de um mil e setecentos reais, multiplicado pelo número de pessoas com quem foram efetivamente realizadas as despesas, vedada a transferência do excesso individual para outra pessoa (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). [...] § 3º As despesas de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo, observados os limites previstos neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Assim, considerando que as declarações das instituições de ensino já apreciadas pela DRJ confirmam o pagamento das despesas com instrução de Adeguinal Marques Campos Netto, Juliana Ferreira Campos e Bárbara Gabriella de Sá Campos em valor individual superior ao limite de R$ 1.700,00 previsto na legislação de regência para o ano calendário 2000 (efls. 23/25), concluo por restabelecer a dedução de R$ 5.100,00 referente aos 3 alimentandos (3 x R$ 1.700,00). Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para restabelecer a dedução de despesas com instrução no valor total de R$ 5.100,00. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 517DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.725121/2013-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos.
A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
Considerando-se a atividade principal do Contribuinte - prestação de serviços de transporte de cargas - devem ser consideradas como insumos as despesas com pedágios e as despesas com "uniforme EPI material de proteção", pois essenciais à prestação do serviço.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos.
A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
Considerando-se a atividade principal do Contribuinte - prestação de serviços de transporte de cargas - devem ser consideradas como insumos as despesas com pedágios e as despesas com "uniforme EPI material de proteção", pois essenciais à prestação do serviço.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 9303-008.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento parcial. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento parcial. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Considerando-se a atividade principal do Contribuinte - prestação de serviços de transporte de cargas - devem ser consideradas como insumos as despesas com pedágios e as despesas com "uniforme EPI material de proteção", pois essenciais à prestação do serviço. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Considerando-se a atividade principal do Contribuinte - prestação de serviços de transporte de cargas - devem ser consideradas como insumos as despesas com pedágios e as despesas com "uniforme EPI material de proteção", pois essenciais à prestação do serviço. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
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CONTRIBUIÇÃO NÃOCUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Considerandose a atividade principal do Contribuinte prestação de serviços de transporte de cargas devem ser consideradas como insumos as despesas com pedágios e as despesas com "uniforme EPI material de proteção", pois essenciais à prestação do serviço. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 51 21 /2 01 3- 52 Fl. 3261DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.262 2 Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Considerandose a atividade principal do Contribuinte prestação de serviços de transporte de cargas devem ser consideradas como insumos as despesas com pedágios e as despesas com "uniforme EPI material de proteção", pois essenciais à prestação do serviço. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3262DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.263 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento parcial. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (efls. 3.079 a 3.100), com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3401004.245 (efls. 3.053 a 3.077), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 26/10/2017, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o lançamento em relação a "seguros das cargas, radio e monitoramento, rastreamento e gerenciamento de risco", "pedágios" e "uniforme EPI e material de proteção". O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do Fl. 3263DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.264 4 IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado), devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação de regência. Há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO DE PIS/COFINS. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MAIS JUROS DE 1% (UM POR CENTO) AO MÊS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. ARTIGOS 13 E 15 DA LEI Nº 10.833/2003. De acordo com o disposto nos artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003, não cabe aplicar atualização monetária ou incidência de juros sobre créditos escriturais de PIS/COFINS. Distinção entre atualização de créditos quando há oposição estatal em pedidos de ressarcimento e atualização de créditos extemporâneos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado), devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação de regência. Há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO DE PIS/COFINS. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MAIS JUROS DE 1% (UM POR CENTO) AO MÊS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. ARTIGOS 13 E 15 DA LEI Nº 10.833/2003. De acordo com o disposto nos artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003, não cabe aplicar atualização monetária ou incidência de juros sobre créditos escriturais de PIS/COFINS. Distinção entre atualização de créditos quando há oposição estatal em pedidos de ressarcimento e atualização de créditos extemporâneos. Não resignada com a decisão na parte que lhe foi desfavorável, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (efls. 3.079 a 3.100) suscitando divergência Fl. 3264DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.265 5 jurisprudencial com relação ao conceito de insumos, à glosa de pedágios e à glosa de materiais de segurança/EPI. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os Acórdãos n.º 20312.448, 3401002.857 e 3403002.477, respectivamente. No exame de admissibilidade de 15/03/2018 (efls. 3.164 a 3.168), foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter entendido o Presidente da 4ª Câmara como comprovada a divergência jurisprudencial com relação a todos os itens contra os quais se insurge a Recorrente. De outro lado, o Contribuinte, devidamente intimado, apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 3.210 a 3.220), postulando, preliminarmente, o não conhecimento do apelo e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Nesse sentido, em atenção às contrarrazões da Contribuinte que postula o não conhecimento do recurso especial da Fazenda, pertinente trazer que se está de acordo com o exame de admissibilidade (efls. 3.164 a 3.168), proferido pelo Ilustre Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, in verbis: [...] Fl. 3265DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.266 6 No Recurso Especial, a Fazenda Nacional suscita divergência com relação aos seguintes itens: 1) Conceito de insumos 2) Da Glosa de Pedágio 3) Dos materiais de segurança – EPI São estes os fatos. 1) Conceito de insumos Para comprovar o dissenso em relação à primeira matéria foI colacionado, como paradigma, o Acórdão nº 20312.448. Vejamos sua ementa, transcrita na parte de interesse ao presente exame: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem); e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrínseca com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matériaprima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL. O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF nº 247, de 2002, com as alterações da IN SRF nº 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado” O acórdão recorrido decidiu, em relação ao conceito de insumo, que para fins de creditamento nãocumulativo de contribuições para PIS/COFINS não há correspondência com o extraído da legislação do IPI ou do Imposto de Renda, afirmando que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo para vir a ser utilizado como crédito no regime nãocumulativo das respectivas contribuições. Nesta linha de entendimento o recorrido decidiu Fl. 3266DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.267 7 por afastar o lançamento relacionado com “seguros de carga, radio e monitoramento, rastreamento e gerenciamento de risco”; “pedágios” e “uniforme EPI e material de proteção”. Por sua vez, o acórdão paradigma entendeu que somente podem ser considerados insumos, para fins de cálculo do crédito referente à PIS/COFINS nãocumulativa, aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF nº 247, de 2002, com as alterações da IN SRF nº 358, de 2003, adotandose a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI, a teor do Parecer Normativo nº 65/79. Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada em relação à primeira matéria. 2) Da Glosa de Pedágio Para comprovar o dissenso em relação à segunda matéria foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº 3401002.857. Vejamos sua ementa, transcrita na parte de interesse ao presente exame: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2009, 2010, 2011 (...) DESPESAS COM PEDÁGIO. NÃO SE ENQUADRAM COMO INSUMO. Despesas com valepedágio não podem gerar crédito de PIS e COFINS, devendo ser mantida a glosa realizada pela autoridade fiscal” O acórdão recorrido decidiu, em relação ao conceito de insumo, que, para fins de creditamento nãocumulativo de contribuições para PIS/COFINS na atividade de transporte, admitese o creditamento em relação aos gastos com pedágios. Entretanto, o acórdão paradigma decidiu em sentido diametralmente oposto, entendendo que os gastos com pedágio na atividade de prestação de serviço de transporte rodoviário de carga não geram crédito a ser descontado no regime não cumulativo da contribuição para PIS/COFINS. Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada em relação à segunda matéria. 3) Dos materiais de segurança EPI Para comprovar o dissenso em relação à terceira matéria foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº 3403002.477. Vejamos sua ementa, transcrita na parte de interesse ao presente exame: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 (...) COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Fl. 3267DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.268 8 O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, constituem insumos: materiais de limpeza e desinfecção, inclusive diluentes; embalagens utilizadas para transporte; combustíveis; lubrificantes e graxa; fretes de mercadoria com destino a porto; e serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Por outro lado, não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que inclui a situação de alíquota zero); bens adquiridos em que a venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004” O acórdão recorrido decidiu que cabe o creditamento dos gastos incorridos com equipamentos de proteção obrigatórios para a execução de trabalho de transporte, tais como extintores de incêndio, luvas especiais, botas especiais e máscaras. O acórdão paradigma decidiu que os gastos com equipamentos de proteção de empregados não geram direito a créditos do PIS e da COFINS nãocumulativos tendo em vista que, apesar de poder haver uma relação indireta com a produção (por exigência sanitária, por poder afetar a qualidade do produto final, ou até por contribuir pela segurança dos funcionários), não são utilizados diretamente no processo produtivo fabril. Estamos diante de duas situações bem semelhantes relacionadas com equipamentos de segurança de funcionários que foram tratadas e analisadas nos acórdãos recorrido e paradigma com o fim de verificar a pertinência de sua utilização como crédito das contribuições de PIS/COFINS dentro do regime da não cumulatividade. Apesar de serem atividades distintas (prestação de serviço de transporte e processo fabril de produtos alimentícios), entendo haver caracterizado a divergência tendo em vista se tratar de equipamentos de proteção individual dos funcionários em ambas as circunstâncias, o que requer indubitavelmente um posicionamento sobre a referida matéria pela CSRF. Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada em relação à terceira matéria. [...] Fl. 3268DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.269 9 Por essas razões, entendese deva ser conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional. Mérito No mérito, adentrase à análise do conceito de insumos, e, por conseguinte, do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com pedágio; e (2) materiais de proteção e EPI. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 3269DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.270 10 insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotar se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora Fl. 3270DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.271 11 proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Fl. 3271DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.272 12 Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da Fl. 3272DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.273 13 empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou se) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o Fl. 3273DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.274 14 comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, embora já tenha havido o julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, no sentido de lhe ser negado provimento3. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. 3 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRA ACÕRDÃO QUE DEU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. CONCEITO DE INSUMO. PIS. COFINS. CREDITAMENTO DE DESPESAS EXPRESSAMENTE VEDADAS POR LEI. ARGUMENTOS TRAZIDOS UNICAMENTE EM SEDE DE DECLARATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE. INDEVIDA AMPLIAÇÃO DA CONTROVÉRSIA JULGADA SOB O RITO ART. 543C DO CPC/73 (ART. 1.036 DO CPC/15). OMISSÃO OU OBSCURIDADE NÃO VERIFICADAS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA UNIÃO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É vedado, em sede de agravo regimental ou embargos de declaração, ampliar a quaestio veiculada no recurso especial, inovando questões não suscitadas anteriormente (AgRg no REsp 1.378.508/SP, Rel. Min. FELIX FISCHER, DJe 07.12.2016). 2. Os argumentos trazidos pela UNIÃO em sede de Embargos de Declaração, (enquadramento como insumo de despesas cujo creditamento é expressamente vedado em lei), não foram objeto de impugnação quando da interposição do Recurso Especial pela empresa ANHAMBI ALIMENTOS LTDA, configurando, portanto, indevida ampliação da controvérsia, vedada em sede de Embargos Declaratórios. 3. Embargos de Declaração da UNIÃO a que se nega provimento. (EDcl no REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/11/2018, DJe 21/11/2018) Fl. 3274DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.275 15 Para melhor elucidar meu direcionamento, além de ter desenvolvido o conceito de insumo anteriormente, importante ainda trazer que, recentemente, foi publicada a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional (Grifos meus): “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal Nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou Fl. 3275DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.276 16 obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Ademais, tal ato ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RÁPIDO TRANSPAULO é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal de prestação de serviços de transportes. Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao serviço prestado pelo Sujeito Passivo em referência. O acórdão recorrido entendeu por afastar as glosas relativas aos dispêndios com o pagamento de pedágio e materiais de proteção e segurança EPI, com base no conceito intermediário de insumos e, ainda, nos seguintes fundamentos: [...] Pelas considerações expostas, há que se concordar que o conceito utilizado pela Receita Federal é restritivo demais e não guarda sintonia com as próprias normas que emanam da legislação de regência do PIS e da COFINS. Por outro lado, a partir da leitura dessa mesma legislação, constatase que “é necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o Fl. 3276DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.277 17 que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo”. (REsp 1246317/MG, Trecho do Voto Vencedor do Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES) Portanto, reconhecendo que o conceito de insumo deve observar um regime jurídico próprio, extraído da interpretação de sua legislação de regência, podese entender que há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais. [...] De acordo com o laudo de fls. 2954, denominado “Laudo Técnico sobre a Aplicação de Insumos e Gastos em Processo de Prestação de Serviços de Transporte de Cargas”, a Recorrente desenvolve a atividade de prestação de serviços de transporte rodoviário de cargas em geral, em âmbito municipal, intermunicipal e interestadual, por conta própria e de terceiros. Com isso, considerando que a atividade que gera receitas tributáveis pelas contribuições é a prestação de serviços de transporte rodoviário de carga, devem ser considerados como insumos, para fins de direito de desconto de crédito, as despesas relacionadas à aquisição de bens e serviços adquiridos pela Recorrente para a prestação de serviços dessa natureza, bens e serviços esses que tenham uma relação de inerência/pertinência com essa atividade, assim considerados aqueles bens e serviços utilizados na atividade ou que viabilizam a atividade, cuja subtração acarrete a impossibilidade ou prejuízo de qualidades essenciais da prestação de serviços rodoviários. [...] Por outro lado, no que se refere aos gastos com os serviços de pedágio, entendo que há relação de inerência/pertinência com a atividade, qualificandose como insumo a gerar direito de crédito, ficando reconhecido o direito de crédito em relação ao item "pedágios". [...] Com relação ao item "uniforme EPI material de proteção", a Recorrente defende que essa conta é composta de equipamentos de proteção obrigatórios para a execução de trabalhos de transporte, como extintores de incêndio, luvas especiais, botas especiais e máscaras. Entendo que os itens se segurança são essenciais à prestação de serviços da Recorrente, de modo que reconheço o direito de crédito em relação a tais itens. [...] Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 11065.725121/201352 Acórdão n.º 9303008.474 CSRFT3 Fl. 3.278 18 A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes de (1) despesas com pedágios e (2) despesas com "uniforme EPI material de proteção". Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a atividade econômica principal da empresa contribuinte – a prestação dos serviços de transporte. Aplicandose aos referidos itens o "teste de subtração", chegase à conclusão de que haveria, no mínimo, o comprometimento da qualidade na prestação do serviço do transporte rodoviário de cargas, e até mesmo a sua impossibilidade, por serem o pedágio e os materiais de segurança essenciais à atividade econômica, razão pela qual deve ser reconhecido o direito ao crédito. Conforme esclarecido pela Contribuinte, nos presentes autos, as despesas de pedágio foram custeadas por ela própria, na condição de prestadora dos serviços de transporte. São dispêndios verificados no transporte rodoviário, sendo essenciais para a conclusão do serviço de transporte, e cuja cobrança é realizada pelo próprio Poder Público ou por empresas autorizadas a explorar e conservar as rodovias. De outro lado, quanto aos uniformes e equipamentos de segurança, informa destinaremse à movimentação da carga e redução dos impactos do ambiente do trabalho; além disso, tratamse de exigências e condições impostas pela legislação trabalhista (CLT), pelos Sindicatos e pelo Ministério Público do Trabalho. A Recorrida ficaria sujeita ao risco de suspensão de suas atividades na hipótese de descumprimento das normas de segurança, mediante aquisição dos itens essenciais a prestação dos serviços de transporte de cargas. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com pedágio e com "uniforme EPI material de proteção". Dispositivo Diante do exposto, conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional, no mérito, negase provimento ao mesmo. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 3278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.906536/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.073
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento PER, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 06 53 6/ 20 12 -1 8 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13819.906536/201218 Resolução nº 3402002.073 S3C4T2 Fl. 3 2 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. ERRO DE FATO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). (...) Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário afirmando que a razão pela qual procedeu com a redução do valor da COFINS a pagar no período decorre: (i) da isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte internacional de cargas; (ii) do direito de aproveitar 100% (cem por cento) dos créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; e, por fim: (iii) do aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas. Afirma que traz a documentação fiscal e contábil suporte do crédito pleiteado. Caso não entenda pela suficiência da documentação, requer a conversão do processo em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.050, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906514/201240. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.050): "Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e da DCTF antes da transmissão do PER para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes destes documentos fiscais, em conformidade com o art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional CTN. Buscando respaldar o seu crédito, o contribuinte anexou aos autos balancete analítico, razão analítico de algumas contas contábeis e planilhas elaboradas pelo sujeito passivo que demonstrariam o crédito. Contudo, observese primeiramente que as planilhas elaboradas pelo sujeito passivo não fazem uma clara diferenciação entre as informações que foram declaradas originariamente na DCTF e no DACON, comparativamente com as informações que foram retificadas. O contribuinte apenas apresentou quais informações estariam respaldando sua declaração retificadora, sem deixar claro o que foi modificado. No Recurso Voluntário, a empresa afirma que a modificação se refere (i) a isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13819.906536/201218 Resolução nº 3402002.073 S3C4T2 Fl. 4 3 internacional de cargas; (ii) créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; e (iii) do aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas seca e automóveis. Contudo, o balancete analítico e o razão não detalham estas operações que foram postas em discussão no Recurso Voluntário. Com efeito, a única conta contábil relevante para a presente discussão que foi discriminada no razão contábil é a conta 3121009 (seguros transp. carga seca efl. 204), inexistindo detalhamento semelhante para a conta de seguros de transporte de automóveis. Quanto às receitas de prestação de serviço de transporte internacional, observase que o balancete analítico não segrega o valor correspondente à receita de prestação de serviço de transporte internacional. Os valores de receita de prestação de serviços estão todos agrupados em uma única conta contábil (4111002 efl. 127): Para demonstrar que a empresa auferiu receitas desta natureza, essencial que sejam apresentados documentos que confirmem a prestação de serviço internacional, dentre os quais o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário (CRT), o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro (MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio. Quanto ao crédito de empresas do SIMPLES Nacional, os valores dos fretes estão todos englobados em contas de "Fretes e Carretos Pessoa Física" e "Fretes e Carretos Pessoas Jurídicas", sem uma segregação específica das empresas que seriam optantes pelo SIMPLES. O razão analítico igualmente não faz qualquer distinção específica (efls. 192): Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13819.906536/201218 Resolução nº 3402002.073 S3C4T2 Fl. 5 4 Para ao menos respaldar as suas alegações, importante que o contribuinte comprove que as operações de frete se relacionam ao SIMPLES Nacional, evidenciando que efetivamente foram concretizadas operações com estas empresas no mês em questão. Seria relevante que o contribuinte apresentasse um levantamento exemplificativo de prestadores, evidenciando que seriam optantes pelo SIMPLES Nacional previsto na Lei Complementar n.º 126/2006. Assim, uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON e DCTF retificadores), acompanhado de documentos contábeis que confirmariam ao menos em parte suas alegações (em especial quanto às despesas de seguro de carga seca), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que possam confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON e DCTF retificadores (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal detalhadas, o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário CRT, o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta de seguro e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON/DCTF originais e o DACON/DCTF retificadores). 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13819.906536/201218 Resolução nº 3402002.073 S3C4T2 Fl. 6 5 (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON/DCTF retificadores estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. É como proponho a presente Resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a autoridade fiscal de origem: (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON e DCTF retificadores (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal detalhadas, o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário CRT, o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta de seguro e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON/DCTF originais e o DACON/DCTF retificadores). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON/DCTF retificadores estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 228DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.720828/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 16/06/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 23/08/2010, 31/08/2010, 13/09/2010, 30/09/2010, 30/03/2011
MULTA ISOLADA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARTIGO 74, § 15, DA LEI N. 9.430/1996. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 13.137/2015. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO II, A, DO CTN. AFASTAMENTO.
Deve ser afastada a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, prevista no § 15 do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, diante de sua revogação pela Lei no 13.137/2015, por força da retroatividade benigna, conforme artigo 106, II, a, do Código Tributário Nacional.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 16/06/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 23/08/2010, 31/08/2010, 13/09/2010, 30/09/2010, 30/03/2011
MULTA ISOLADA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARTIGO 74, § 15, DA LEI N. 9.430/1996. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 13.137/2015. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO II, A, DO CTN. AFASTAMENTO.
Deve ser afastada a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, prevista no § 15 do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, diante de sua revogação pela Lei no 13.137/2015, por força da retroatividade benigna, conforme artigo 106, II, a, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3401-006.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 16/06/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 23/08/2010, 31/08/2010, 13/09/2010, 30/09/2010, 30/03/2011 MULTA ISOLADA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARTIGO 74, § 15, DA LEI N. 9.430/1996. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 13.137/2015. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO II, A, DO CTN. AFASTAMENTO. Deve ser afastada a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, prevista no § 15 do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, diante de sua revogação pela Lei no 13.137/2015, por força da retroatividade benigna, conforme artigo 106, II, a, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 16/06/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 23/08/2010, 31/08/2010, 13/09/2010, 30/09/2010, 30/03/2011 MULTA ISOLADA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARTIGO 74, § 15, DA LEI N. 9.430/1996. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 13.137/2015. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO II, A, DO CTN. AFASTAMENTO. Deve ser afastada a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, prevista no § 15 do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, diante de sua revogação pela Lei no 13.137/2015, por força da retroatividade benigna, conforme artigo 106, II, a, do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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INDUSTRIAL E COMERCIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 16/06/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 23/08/2010, 31/08/2010, 13/09/2010, 30/09/2010, 30/03/2011 MULTA ISOLADA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARTIGO 74, § 15, DA LEI N. 9.430/1996. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 13.137/2015. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO II, A, DO CTN. AFASTAMENTO. Deve ser afastada a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, prevista no § 15 do artigo 74 da Lei n o 9.430/1996, diante de sua revogação pela Lei n o 13.137/2015, por força da retroatividade benigna, conforme artigo 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 16/06/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 23/08/2010, 31/08/2010, 13/09/2010, 30/09/2010, 30/03/2011 MULTA ISOLADA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARTIGO 74, § 15, DA LEI N. 9.430/1996. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 13.137/2015. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO II, A, DO CTN. AFASTAMENTO. Deve ser afastada a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, prevista no § 15 do artigo 74 da Lei n o 9.430/1996, diante de sua revogação pela Lei n o 13.137/2015, por força da retroatividade benigna, conforme artigo 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 08 28 /2 01 2- 32 Fl. 748DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.582 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720828/2012-32 Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração (fl. 247 a 254 1 , com ciência em 26/04/2012 - fl. 249), para exigência de multa no valor de R$ 1.289.716,32, por ressarcimento indevido de Contribuição para o PIS/PASEP, e no valor de R$ 6.073.926,75, por ressarcimento indevido de COFINS, ambas com base no art. 74, § 15 da Lei n o 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei n o 12.249/2010. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 245/246, narra-se que a empresa pleiteou ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, referentes ao período compreendido entre o primeiro trimestre de 2007 e o terceiro trimestre de 2010, apurando-se que não detinha parcela dos créditos solicitados, o que se demonstra nos despachos decisórios n o 30/2012 (processo administrativo n o 10935.720416/2011-11 - fls. 94 a 105), n o 31/2012 (processo administrativo n o 10935.720417/2011-66 - fls. 106 a 117), n o 32/2012 (processo administrativo n o 10935.720439/2011-26 - fls. 118 a 120) e n o 33/2012 (processo administrativo n o 10935.720438/2011-81 - fls. 121 a 123), e em planilhas de cálculo vinculadas (fls. 124 a 243). Em suas impugnações (fls. 258 a 317 - Contribuição para o PIS/PASEP, e fls. 322 a 381 - COFINS), a empresa alegou, basicamente, que: (a) enquanto estiver pendente o prazo para manifestação de inconformidade em relação aos despachos decisórios denegatórios, não pode ser lavrada autuação, sob pena de afronta ao art. 151, III do CTN, gerando nulidade da autuação; (b) há necessidade de sobrestamento do presente feito até a decisão administrativa definitiva nos processos de restituição; (c) há nulidade por carência de motivação (e justa causa) na autuação, que se limita a informar que decorre da negativa em outros processos, sem detalhar as bases individualizadas da autuação; (d) a empresa possui imunidade em relação a receitas decorrentes de exportação (art. 150, § 2 o , I da CF/1988), tendo direito ao crédito oriundo da compra de insumos; (e) insumo é tudo aquilo que é “necessário e utilizado na fabricação de bens destinados à venda”; (f) deve permanecer a alíquota utilizada pela empresa no cálculo dos créditos presumidos da agroindústria; (g) o aproveitamento de créditos extemporâneos não pressupõe a retificação da escrita nem o princípio contábil da competência; (h) em relação aos ajustes negativos de créditos, houve equívoco ao desconsiderar apenas os valores maiores relativos a erro do faturista; (i) houve violação à legalidade, à isonomia e à segurança jurídica; (j) a multa punitiva de 50% é confiscatória e representa uma limitação a direito, pois a empresa pode, ao invés de ver seu direito creditório reconhecido, ainda ser devedora; (k) em relação aos fatos geradores não declarados, há cumulatividade de multa de ofício e Taxa SELIC, de forma 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (e-processos). Fl. 749DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.582 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720828/2012-32 injusta e exploratória; e (l) há impossibilidade de utilizar a Taxa SELIC a título de juros moratórios. O julgamento de primeira instância ocorreu em 23/01/2013 (fls. 533 a 542), decidindo a DRJ unanimemente pela improcedência das impugnações, conjuntamente analisadas, diante da identidade de argumentos. A DRJ não analisou os itens da impugnação especificamente atinentes aos ressarcimentos pleiteados nos quatro processos administrativos citados nos autos, limitando-se à análise da multa de ofício isolada, objeto da autuação, concluindo que: (a) o art. 151, III do CTN foi e continua sendo observado, no contencioso; (b) o lançamento foi fundamentado, não sendo identificada nenhuma causa de nulidade processual relacionada no art. 59 do Decreto n o 70.235/1972; (c) não cabe o sobrestamento, por falta de amparo legal; (d) tanto a exigência da multa de 50% quanto da de 75% sobre os valores de contribuição que deixaram de ser pagos está prevista em lei, sendo vedada ao julgador administrativo a apreciação de constitucionalidade de atos legais; e (e) no auto de infração não consta a Taxa SELIC. Cientificada da decisão da DRJ (em 04/02/2013, conforme AR de fl. 543), a empresa apresenta recursos voluntários em 06/03/2013 (fls. 545 a 607 e 608 a 670), basicamente reiterando as considerações expressas em suas impugnações. Em 27/02/2014, por meio da Resolução n o 3403-000.538, o julgamento unanimemente foi convertido diligência, para que a unidade preparadora da RFB aguardasse a decisão administrativa definitiva nos processos administrativos n o 10935.720416/2011-11, n o 10935.720417/2011-66, n o 10935.720439/2011-26 e n o 10935.720438/2011-81, retornando-se os autos a este colegiado para julgamento após serem proferidas as quatro decisões definitivas, que deveriam ser juntadas ao presente processo. Os referidos acórdãos foram juntados pela unidade preparadora às fls. 678 a 700 (Acórdão n o 3402-002.708, de 19/03/2015 - processo n o 10935.720416/2011-11), às fls. 709 a 724 (Acórdão n o 3402-002.709, de 19/03/2015 - processo n o 10935.720417/2011-66), às fls. 733 a 737 (Acórdão DRJ/RPO n o 14-88.355, de 26/09/2018 - processo n o 10935.720438/2011-81), e às fls. 740 a 744 (Acórdão DRJ/RPO n o 14-88.356, de 26/09/2018- processo n o 10935.720439/2011-26). Nos dois primeiros casos, foi negado seguimento a recurso especial, em exame e em reexame de admissibilidade, e, nos dois últimos, não houve interposição de recurso em relação à decisão da DRJ. O processo foi devolvido a este relator em 20/03/2019, pelo despacho de fl. 747. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator Os recursos apresentados, como já se destacou na conversão em diligência, atendem aos requisitos de admissibilidade e, portanto, deles se conhece. Como exposto na conversão em diligência, a recorrente alegou, preliminarmente, dependência do resultado dos processos administrativos n o 10935.720416/2011-11, n o 10935.720417/2011-66, n o 10935.720439/2011-26, e n o 10935.720438/2011-81. E, sobre tal dependência, revelou-se entendimento de que não se tem dúvidas de que os autos de infração lavrados não mereceriam prosperar caso os ressarcimentos fossem Fl. 750DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.582 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720828/2012-32 acolhidos por decisão administrativa definitiva. Seria absurdo o fisco reconhecer o direito creditório e, por outro lado, exigir multa por não ter a empresa direito creditório. Por isso, concluiu-se naquela ocasião, de forma unânime, que o auto de infração era incontestavelmente dependente do resultado do julgamento dos ressarcimentos. Após o retorno da diligência, percebe-se que os pedidos de ressarcimento tiveram o seguinte desfecho: Processo Administrativo (período/tributo) Decisão administrativa definitiva (data) Conclusão 10935.720416/2011-11 (01/01/2007-30/09/2010) (PIS) Ac. 3402-002.708 (19/03/2015) Negado provimento ao recurso voluntário, por voto de qualidade, vencidos três conselheiros que reconheciam créditos em relação a aquisições de pessoas físicas. 10935.720417/2011-66 (01/01/2007-30/09/2010) (COFINS) Ac. 3402-002.709 (19/03/2015) Negado provimento ao recurso voluntário, por voto de qualidade, vencidos três conselheiros que reconheciam créditos em relação a aquisições de pessoas físicas. 10935.720439/2011-26 (01/04/2010-30/06/2010) (PIS) Ac. DRJ 14-88.356 (26/09/2018) Manifestação de Inconformidade improcedente, por unanimidade. 10935.720438/2011-81 (01/04/2010-30/06/2010) (COFINS) Ac. DRJ 14-88.355 (26/09/2018) Manifestação de Inconformidade improcedente, por unanimidade. Como relatado, em relação aos Acórdãos do CARF, foi negado seguimento a recurso especial, em exame e em reexame de admissibilidade, e, nos Acórdãos da DRJ, não houve interposição de recurso pela empresa. Pelo que se percebe, nenhum dos argumentos da postulante ao crédito prosperou no julgamento definitivo dos pedidos de ressarcimento. Não havendo mais óbice ao seguimento do feito, retoma-se o julgamento, para analisar as demais alegações recursais. Os recursos voluntários (um em relação à multa isolada para PIS e outro versando sobre a multa isolada para COFINS, ambos referentes a pedidos de ressarcimento de créditos tomados entre o 1 o trimestre de 2007 e o 3 o trimestre de 2010) tratam dos mesmos temas. Em sede preliminar, demanda-se nulidade do lançamento, por: (a) não haver justa causa para a lavratura da autuação, enquanto perdurar o direito de o contribuinte discutir o inconformismo nos processos de ressarcimento; (b) carência de fundamento/motivação; e (c) falta de determinação da exigência (demonstrativos de cálculo). No mérito, a empresa defende que por ter grande parte de suas atividades direcionadas à exportação, goza da imunidade prevista no art. 149, § 2 o da Constituição Federal de 1988, e rediscute as glosas efetuadas nos processos de análise de ressarcimento, sobre: (a) abrangência do conceito de insumos na legislação que rege as contribuições, citando precedente do CARF que equipara o conceito à legislação do imposto de renda, sem discutir a aplicação individualizada aos produtos glosados em espécie; (b) aquisições com alíquota zero; (c) alíquota aplicável a créditos presumidos da agroindústria; (d) créditos extemporâneos; e (e) ajustes negativos de créditos. No mais, sustenta que a aplicação multa de 50% impõe limitação ao Fl. 751DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-006.582 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720828/2012-32 exercício do direito recursal por parte da empresa, que, de credora, passa a ser devedora de multa, e que a cumulação desta multa com a de falta de recolhimento (75%) é injusta e exploratória, e possui efeitos confiscatórios. E, por fim, defende a inaplicabilidade da Taxa SELIC a título de juros. Sobre as alegações de inconstitucionalidade (atinentes ao art. 149, § 2 o da Constituição Federal de 1988 e à confiscatoriedade de multas), remete-se à Súmula CARF n o 2, e, no que se refere à aplicação da Taxa SELIC, à Súmula CARF n o 4, ambas de observância obrigatória neste tribunal administrativo: Súmula CARF n o 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Súmula CARF n o 4: “A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. Quanto às alegações de nulidade, temos que não merecem prosperar, visto que o lançamento foi efetuado em virtude de comando legal expresso, invocado no TVF (art. 74, § 15 da Lei n o 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei n o 12.249/2010), e devidamente fundamentado/motivado (o que se percebe da simples leitura do teor das fls. 245/246), tendo os cálculos sido demonstrados às fls. 247 a 254, a partir de glosas nos processos de ressarcimento às quais teve a empresa acesso, inclusive para que manifestasse sua inconformidade (nos processos já findos administrativamente, e cuja rediscussão não encontra lugar nestes autos). Não se vislumbra, portanto, nulidade alguma no lançamento, nem possibilidade de análise de mérito sobre matérias já julgadas administrativamente em definitivo em autos distintos. No que se refere aos demais argumentos em relação à multa em análise neste processo, percebe-se que o lançamento (TVF anexo à autuação) invoca expressamente o art. 74, § 15 da Lei n o 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei n o 12.249/2010, que estabelece a aplicação da “multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido”. Tal parágrafo foi expressamente revogado pelo art. 56, I, da Medida Provisória (MP) n o 656/2014. Na Exposição de Motivos da referida MP, esclareceu-se: “11. A presente proposta de Medida Provisória também visa revogar a aplicação da multa isolada (§§15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996) incidente sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. A jurisprudência judicial é quase unânime em afastar essa multa sob o argumento de que sua aplicação fere o direto constitucional de petição. 12. Com a revogação proposta para os §§ 15 e 16, e visando manter a aplicação da multa isolada de 50% apenas nos casos de não homologação de compensação, faz-se necessária nova redação para o § 17 do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, trazendo para o referido parágrafo o percentual da multa antes previsto no § 15, e para substituir o termo 'crédito' por 'débito", que é efetivamente o valor indevidamente compensado e que deverá ser a base de cálculo da multa isolada. 13. A nova redação proposta para o § 17 deixa claro que o instituto da Declaração de Compensação não deve ser utilizado para extinção de débitos sem a existência de créditos correspondentes, em estrita observância do que dispõe o art. 170 do CTN. Fl. 752DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-006.582 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720828/2012-32 14. Assim, é aplicável a multa isolada no caso em que o débito é extinto sob condição resolutória, mas cujo crédito indicado para compensação é insuficiente, no todo ou em parte, para extinguir o tributo devido. 15. E a ressalva contida no §17 de que essa multa não se aplica no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo é porque para esta hipótese existe previsão específica de aplicação de multa isolada nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2013.” (grifo nosso) A referida MP foi convertida na Lei n o 13.097/2015, que não trouxe a revogação dos §§ 15 e 16 (porque estes estavam arrolados em inciso que propunha também a revogação de outro dispositivo, que acabou vetada por contrariar o interesse público). No entanto, a revogação foi reiterada na MP n o 668/2015 (art. 4 o , II), sendo tal MP convertida na Lei n o 13.137/2015, que assentou, em seu art. 27, II, que ficam revogados “os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. Assim, o fundamento utilizado na autuação para aplicação da multa se encontra, hoje, revogado. Em substituição (como se esclareceu na Exposição de Motivos aqui transcrita), passou a existir um § 17, que trata de “multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo”. (grifo nosso) Veja-se que a nova multa (§ 17) se refere ao valor do débito objeto de DCOMP, e não ao crédito glosado/considerado indevido em ressarcimento. Retomando-se o fundamento da autuação, percebe-se, no TVF (fls. 245/246), que a multa foi lançada, de fato, sobre o crédito considerado indevido em ressarcimento: Tem-se, assim, que o fundamento legal da autuação foi posteriormente revogado, dando azo à invocação do art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional: “Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; (...)” Nesse sentido decisão unânime proferida recentemente por esta turma, em caso que tratava do mesmo § 15 do art. 74 da Lei n o 9.430/1996: “INFRAÇÃO. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Consoante art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional, nos atos não definitivamente julgados, a superveniência de norma que deixa de definir determinada conduta como Fl. 753DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-006.582 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720828/2012-32 infracional aplica-se aos fatos pretéritos, situação que alcança a revogação do art. 74, § 15 da Lei nº 9.430/96 pelo art. 27, II da Lei nº 13.137/2015. (...)” (Acórdão n o 3401- 004.369, Rel. Cons. Robson José Bayerl, unânime, sessão de 01/02/2018) (participantes: Cons. Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, entre outros) Aliás, o entendimento unânime da turma remonta ainda a caso anterior, onde esteve em debate o mesmo tema: “MULTA ISOLADA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARTIGO 74, PARÁGRAFO 15, DA LEI Nº 9.430/1996. REVOGAÇÃO PELA LEI Nº 13.137/2015. RETROATIVIDADE BENIGNA DE PENALIDADE. ARTIGO 106, INCISO II, A, DO CTN. AFASTAMENTO. Deve ser afastada a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, prevista no parágrafo 15 do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996, diante de sua revogação pela Lei nº 13.137/2015, por força da retroatividade benigna de penalidades disposta no artigo 106, inciso II, alínea a, do CTN.” (Acórdão n o 3401- 003.182, Rel. Cons. Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, unânime, sessão de 18/05/2016) (participantes: Cons. Rosaldo Trevisan e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, entre outros) Assim, embora não seja nulo, e nem afetado pelo resultado dos julgamentos dos pedidos de ressarcimento, o lançamento é improcedente, em função de retroatividade benigna (art. 106, II, “a”, do CTN), com a revogação da multa lançada pelo disposto na Lei n o 13.137/2015, art. 27, II. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 754DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920267/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 15/08/2005
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.073
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 15/08/2005 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
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ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, o qual indeferiu o pedido de restituição efetuado por meio eletrônico (PER). Após análise automática foi proferido despacho decisório indeferindo o pedido. Como justificativa para o indeferimento foi apontado o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, referido valor teria sido totalmente utilizado na extinção de outro débito de contribuições (PIS e/ou Cofins). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 02 67 /2 01 2- 24 Fl. 76DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.073 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920267/2012-24 Devidamente cientificada, a recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade, na qual relata que apurou crédito tributário de PIS e de Cofins em razão da declaração de inconstituicionalidade do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, proferida pela Supremo Tribunal Federal no RE 457553-1 em Sessão Plenária de 09/11/05 e aproveitou parte do referido crédito para compensar débitos, conforme lhe faculta o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Acredita que a razão de o PER haver sido indeferido estaria no fato de que referido crédito não consta nas bases de dados da Receita Federal do Brasil. Explica que extinguiu os déditos de PIS e Cofins conforme declarado em DCFT e, posteriormente, com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras. Ocorre que no processamento do PER, o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstituicional incidente sobre as receitas financeiras. Por seu turno, embora tenha reconhecido a inconstitucionalidade apontada pela recorrente, e declarada pelo Supremo Tribunal Federal, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Em sua decisão, observou que, para fins de deferimento de pedido de restituição, o recolhimento indevido ou a maior, em virtude da declaração de inconstitucionalidade de dispositivo relativo ao alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, deve ser comprovado mediante documentação hábil e idônea. Novamente cientificada, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese: (i) que caso a Fiscalização entenda que a documentação apresentada pela recorrente não exaure a questão controvertida contida no Pedido de Restituição, com supedâneo na legislação de regência do processo administrativo fiscal, a Autoridade Administrativa pode determinar diligências com a finalidade de investigar e concluir o procedimento fiscal com o máximo de elementos para firmar a convicção que deve fundamentar o ato administrativo; (ii) não se alegue a impossibilidade de se admitir os documentos apresentados na atual etapa processual. Isto porque, somente por ocasião da prolação do acórdão recorrido, pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba, é que o direito creditório buscado pela recorrente foi indeferido com base na alegada ausência de comprovação dos recolhimentos da COFINS sobre as receitas financeiras; (III) que o crédito apurado diz respeito ao PIS/Cofins incidente sobre receitas financeiras; e (iv) qualquer conclusão diversa constituirá violação ao direito de defesa da contribuinte, resultando em vício insanável que gera a nulidade fixada no artigo 59, II do Decreto 70.235/1972: Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, Fl. 77DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.073 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920267/2012-24 de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.050, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920245/2012-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.050): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 27989.81927.250108.1.2.04-4061 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ R$ 6.135,06. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender que não restou comprovado o direito almejado pelo contribuinte, por total ausência de documentos comprobatórios, cujas razões peço vênia para colacionar: Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da COFINS que deve ser afastado, é necessário que a contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. No caso presente, verificou-se que nenhum documento comprobatório que pudesse comprovar inequivocamente a ocorrência de pagamentos indevidos em razão do alargamento da base de cálculo foi apresentado pela requerente. A propósito, o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, dispõe que são aplicadas às manifestações de inconformidade as mesmas regras do Processo Administrativo Fiscal, previstas no Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 74. (...) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. E de acordo com o que estabelece o Decreto n.º 70.235, de 1972, a impugnação formalizada deve ser instruída com os documentos em que fundamente suas alegações: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 78DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.073 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920267/2012-24 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Grifou-se As disposições do Decreto n.º 70.235, de 1972 foram consolidadas pelo Decreto nº 7.574 de 29/09/2011, que mantém o entendimento da norma citada: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) Art. 57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (...) Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). (...) § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). Além disso, é bom lembrar o que está disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, ou seja, de que o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito é do próprio autor do pedido. Art. 333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Desse modo, tendo em vista que a manifestante não apresentou os elementos probatórios hábeis a comprovar a origem do indébito tributário, não há como reconhecer o direito creditório vindicado. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Fl. 79DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.073 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920267/2012-24 Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Fl. 80DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.073 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920267/2012-24 Por fim, não vejo que a decisão proferida por este relator, seja ela qual for, acarreta alguma hipótese de nulidade prevista no artigo 59, do Decreto nº 70.235/1972, principalmente aquelas elencadas no inciso II, considerando inexistir despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Neste cenário, não vejo como acolher as pretensões da Recorrente . Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001131/2005-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR A 09/06/2015. JURISPRUDÊNCIA STF. RE 566.621/RS E SUMULA CARF 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1402-003.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: Evandro Correa Dias
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1993, 1994, 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR A 09/06/2015. JURISPRUDÊNCIA STF. RE 566.621/RS E SUMULA CARF 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (documento assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-25T21:10:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-25T21:10:27Z; Last-Modified: 2019-06-25T21:10:27Z; dcterms:modified: 2019-06-25T21:10:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-25T21:10:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-25T21:10:27Z; meta:save-date: 2019-06-25T21:10:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-25T21:10:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-25T21:10:27Z; created: 2019-06-25T21:10:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-06-25T21:10:27Z; pdf:charsPerPage: 1690; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-25T21:10:27Z | Conteúdo => S1-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10735.001131/2005-96 Recurso Voluntário Acórdão nº 1402-003.920 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2019 Recorrente VIACAO SAO JOSE LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1993, 1994, 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR A 09/06/2015. JURISPRUDÊNCIA STF. RE 566.621/RS E SUMULA CARF 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (documento assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário nº 12- 29.835 - 5ª Turma da DRJ/RJ1, complementando-o, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 11 31 /2 00 5- 96 Fl. 84DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-003.920 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.001131/2005-96 " Trata o presente processo da Declaração de Compensação de fls. 01/11, protocolizada em 26/04/2005, no qual a interessada acima identificada alega possuir créditos contra a Fazenda Pública nos valores de R$ 16.233,74, R$ 34.476,98, R$ 16.238,76, R$ 12.215,66, R$ 674,02, R$ 12.020,04, R$627,36, R$ 357,47, R$ 11.389,29 e R$ 382,99, decorrentes de recolhimentos efetuados entre 05/10/1993 e 31/01/1995, de acordo com as fls. 02/11 não constando ter juntado aos autos qualquer Documento de Arrecadação de Receitas Federais - DARF. Com os créditos que alega possuir a interessada busca extinguir por compensação os débitos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS (Cód. 2172) referente ao período de apuração de janeiro a março de 2004, nos valores originais de R$ 27.679,68, R$ 24.194,47 e R$ 24.750,46. Com base no Parecer Seort / DRF Nova Iguaçu-RJ nº 741/2009, de fls. 22/23, foi proferido o Despacho Decisório de fl. 24, que não homologou a compensação, tendo em vista que já teria transcorrido o prazo limite para pleitear a restituição/compensação, previsto no inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), com a interpretação que lhe foi dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, ou seja, cinco anos a contar da extinção do crédito tributário. Inconformada com o indeferimento do pedido, a interessada interpôs, em 11 de janeiro de 2010, a manifestação de inconformidade de fls. 21/23, juntando os documentos de fls. 27/29, na qual alega, em síntese, que os dados para apuração do crédito a compensar tiveram que ser requeridos através de Hábeas-Data protocolada e concedido por decisão de 10/12/2003, afirmando que até lá seria impossível solicitar a recuperação do crédito, na medida em que os valores necessários para tanto não eram disponibilizados pela autoridade lançadora. Assim, existindo relação conflituosa, o prazo só passaria a correr a partir da data em que a questão foi solucionada, e não a partir do pagamento, conforme acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que transcreve. Assim, o termo inicial para cálculo do prazo de decadência seria dezembro de 2003, data em que se deferiu a apresentação à suplicante dos dados necessários para a formulação do pedido. Protesta ainda que, no caso específico das contribuição sociais, o prazo para constituição do crédito tributário somente se extinguiria após 10 anos, devendo, por conseguinte, o pedido que compreende a restituição de contribuição pagas a maior a partir de 1993, até 1999, ser incontestavelmente tempestivo, já que apresentado em 2005. É o relatório." A 5ª Turma da DRJ/RJ1por meio do Acórdão de Impugnação nº 12-29.835, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme a seguinte ementa: " ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1993, 1994, 1995 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, que, à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, coincide com a data do pagamento indevido." Fl. 85DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-003.920 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.001131/2005-96 A decisão do órgão julgador a quo teve como seguintes fundamentos: O direito de pleitear restituição de tributos encontra-se previsto no CTN, que prevê em seu art. 165, inciso I, a hipótese de restituição total ou parcial do tributo, independentemente da modalidade de pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Entretanto, o direito a que se refere o precitado art. 165 não se coloca de forma ilimitada ao sujeito passivo. O mesmo deve ser exercido no prazo de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário que, no caso, coincide com a data do pagamento, conforme mandamento contido no inciso I do art. 168 do CTN, cuja interpretação foi dada de forma definitiva, após exaustivas discussões doutrinárias e diversas interpretações emanadas do Poder Judiciário, pelo art. 3º da Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005. Considerando que a Declaração de Compensação objeto do presente processo foi protocolizada em 26/04/2005 (ver carimbo de protocolo à fl. 01), já há aqui fundamentos suficientes para se concluir, em obediência aos dispositivos legais citados, pela extinção do direito de pleitear a restituição/compensação referente a créditos anteriores a 26/04/2000. Como os pagamentos arrolados como maiores que os devidos foram efetuados entre 08/10/1993 e 30/01/1995, não resta alternativa além de não reconhecer o direito creditório relativamente aos referidos pagamentos, visto que efetuados há mais de cinco anos da data do protocolo da Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Inconformada com a decisão a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual requer o cancelamento da decisão recorrida, pelos seguintes motivos: A questão fica reduzida a saber qual o termo inicial, que se deve tomar para a contagem do prazo, divergindo as partes no que segue: a) A Fazenda Nacional entende, que o prazo se conta da data em que o pagamento do tributo foi realizado. b) A suplicante entende, que o prazo se conta da data do trânsito em julgado da decisão que reconheceu o pagamento indevido, até porque antes dela seria impossível realizar a compensação pretendida, fato ao que dispõe a Lei Complementar 104. A jurisprudência reconheceu que, com relação à apuração do termo inicial para contagem do prazo de decadência, existem situações que devem ser consideradas separadamente, a saber: a) O prazo de decadência se conta de decisão normativa que der pela inconstitucionalidade da legislação que rege o lançamento, quando ele for reconhecido através do provimento de ADIN ou de Resolução do Senado Federal. Fl. 86DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-003.920 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.001131/2005-96 b) Caso em que exista ação judicial reivindicando o reconhecimento da inconstitucionalidade do tributo, o prazo se conta da data em que transitar em julgado decisão que der pelo provimento deste pedido. c) Caso em que não exista ação judicial, nem decisão normativa: quando o prazo se conta do pagamento indevido. Tal entendimento decorre da Lei Complementar 104: que torna impossível compensar crédito fiscal ao amparo da decisão judicial antes do seu trânsito em julgado. Ora, não se pode assim, deixar de admitir data vênia, que o termo inicial para cálculo da decadência é a data do trânsito em julgado da decisão que reconheceu o recolhimento indevido, pois até lá a tomada do crédito por compensação seria impossível. Como reconhece a própria decisão recorrida os dados necessários, para formulação do pedido de compensação só foram disponibilizados a partir de 10/12/2003, quando foi concedido os habeas data para este efeito. Ora, todos os processos foram protocolados em 2005, ou seja, entre a data da decisão administrativa que disponibilizou os dados e a do pedido de compensação o prazo foi de apenas 02 anos. Por conseguinte, o termo inicial que se deve adotar para apuração do tributo a recuperar é a data em que seria possível formulá-lo, como mencionou a jurisprudência consolidada entre outros na decisão proferida no recurso 11.465, que se junta em anexo e cuja menta diz: [...] Por fim, requer o conhecimento e provimento do recurso voluntário, para se dar pela tempestividade do pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Do Prazo para postular restituição Verifica-se que a contagem do prazo para postular restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação encontra-se inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário n.º 566.621/RS, que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar n.º 118/05, consignando entendimento no sentido de que: (a) para os processos ajuizados após a entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118/2005, em 09 de junho de 2005, o prazo para compensação/restituição do crédito tributário recolhido indevidamente ou a maior é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido; Fl. 87DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-003.920 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.001131/2005-96 (b) de outro lado, para as ações de restituição ajuizadas até a entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118/2005, deve ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos contados do fato gerador, tese do 5 mais 5 (cinco anos para homologar o lançamento e mais 5 para repetir). O referido entendimento, também encontra-se consolidado por meio da Súmula CARF n.º 91, de observância obrigatória conforme art. 72, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, in verbis: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto o prazo prescricional conta-se a partir do fato gerador, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário n.º 566.621/RS e a Súmula CARF nº 91. Logo rejeita-se os argumentos da recorrente quanto à contagem do prazo a partir da data do trânsito em julgado da decisão que reconheceu o pagamento indevido. Considerando que o pedido de restituição/compensação foi formalizado em 12/04/2005, e abrange pagamentos arrolados como maiores que os devidos que foram efetuados entre 08/10/1993 e 30/01/1995, períodos de apuração entre 09/1993 e 12/1994, não restam dúvidas que tais pagamentos são referentes a fatos gerados ocorridos há mais de 10 anos da data do protocolo da declaração de compensação, e portanto encontravam-se atingidos pela prescrição. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 88DF CARF MF
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