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7823479 #
Numero do processo: 10120.004802/2003-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1998 DCTF. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresenta pedido de retificação da DCTF na forma de impugnação. Todavia, o recolhimento deu origem ao crédito foi vinculado em DCTF a outro débito, e a ele está alocado. Ausência de comprovação do erro.
Numero da decisão: 1402-003.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO

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1402­003.933  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de junho de 2019  Matéria  IRRF  Recorrente  COPYSYSTEMS COPIADORA SIST. E SERV. LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL              ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 1998  DCTF. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO. ALEGAÇÃO DE  DÉBITO INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.   O  contribuinte  apresenta  pedido  de  retificação  da  DCTF  na  forma  de  impugnação.  Todavia,  o  recolhimento  deu  origem  ao  crédito  foi  vinculado  em DCTF a outro débito, e a ele está alocado. Ausência de comprovação do  erro.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.     (Assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  Junia Roberta Gouveia Sampaio­ Relatora.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Rogerio  Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves,  Murillo  Lo  Visco,  Barbara  Santos  Guedes  (Suplente  Convocada),  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 48 02 /2 00 3- 37 Fl. 164DF CARF MF     2     Relatório  Trata o presente processo revisão eletrônica de DCTF relativa aos 2º, 3º e 4º  trimestre de 1998, nas quais  constam débitos de  IRRF,  formalizados no Auto de  Infração nº  0004679 (fls. 10/31 numeração e­processo). De acordo com o Anexo I (fls. 14) foi lançado o  débito de R$ 283,33, data de venc. 15/10/1998 cujo pagamento não foi localizado. Nos Anexos  II  (fls.  16,18,20,  22)  foi  efetuado  lançamento  de  multas  de  mora  relativas  aos  pagamentos  efetuados após o vencimento e, no Anexo III (fls. 24) o lançamento da multa de ofício.   Cientificada (AR fls. 36), a contribuinte apresentou Impugnação de fls. 2 na  qual  alega  que  os  débitos  foram  pagos  tempestivamente  e  que  as  inconsistência  se  devem  a  divergência  nos  períodos  de  apuração  de  nas  datas  de  vencimentos  declarados  na  DCTF.  Diante desse fato, solicita "autorização para retificar os períodos de apuração e as datas de  vencimentos  nas  DCTF´s  entregues,  os  Darf´s  pagos  podem  ser  verificados  pelas  cópias  (autenticadas) em anexo. Os mencionados Darf´s encontram­se juntados às fls. 32/34.  Em face da referida Impugnação, o Serviço de Controle e Acompanhamento  Tributário  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Goiânia  expediu  o  Termo  de  Comunicação  nº  209/2007  (fls.  38),  na  qual  informa  à  contribuinte  que  "(...)  não  foram  juntados elementos suficientes para ensejar eventual revisão de ofício do lançamento por parte  desta DRF/GOI. Diante  desse  fato,  solicita  a  contribuinte  a  juntada  aos  autos  dos  seguintes  documentos:    A  contribuinte  foi  intimada  da  referida  solicitação  em 25  de  julho  de  2007  (AR  fls.  40)  e  não  apresentou  os  documentos  solicitados.  Diante  disso,  a  DRF/Goiânia  apresentou o Despacho Secat/ DRF/GOI nº 4191/2007 (fls. 50/52), no qual conclui:  (...)    Para a extinção do débito de nº 8606051 (R$ 283,33), constante  do  Anexo  III,  (fls.  12),  foi  apresentado  o  pagamento  de  nº  Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10120.004802/2003­37  Acórdão n.º 1402­003.933  S1­C4T2  Fl. 165          3 0737186391  (R$  283,33).  Contudo,  este  recolhimento  foi  vinculado em DCTF a outro débito, e a ele está alocado (Código  de  Receita  0561,  referente  à  02/09/1998,  Vencimento  16/09/1998), conforme atesta da pesquisa de fls. 21. Percebe­se,  também,  que  a  interessada  informou  este  mesmo  recolhimento  para quitação de dois débitos de IRRF (0561) : A) 02/09/1998, já  referido  anteriormente  (fls.  23);  b)  01/10/1998,  objeto  do  presente  processo  (fls.  24).  Dessa  matéria,  tem­se  que  não  há  elementos  probatórios  suficientes que  possibilitem a  revisão  de  ofício.   Os Anexos IIa (fls. 08 a 11) demonstram que os débito de IRRF  nº  6033604  (R$  350,01,  7278236  (R$  107,66)  7278234  (r4  212,50)  foram  recolhidos  após  o  vencimento  legal.  Apesar  das  alegações da interessada, de que teria ocorrido erro ao informar  as semanas correspondentes, não houve a demonstração efetiva  da data da ocorrência do fato gerador para estes débitos.   Assim,  o  lançamento  mostra­se  procedente  em  relação  aos  débitos caracterizados no Anexo III (fls. 12), bem como para os  inseridos no Anexo IV (fls. 13).  Ressalte­se, porém, que em função da retroatividade benigna do  Art. 18 da MP nº 303/2006, conforme Parecer PGFN/CDA/CAT  nº  2.237/2006,  deve­se  cancelar  a  Multa  de  Ofício  Isolada  (75%). sem prejuízo da multa de mora devida.     O  processo  foi  encaminhado  para  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento em Brasília (DF) , a qual deu parcial provimento à Impugnação para exclusão das  multa isoladas e de mora, com base nos seguintes fundamentos (fls. 56):  Quanto à multa de ofício isolada no valor R$ 881,49 (fls. 5,8 a  11 e 13),  sem considerar às alegações da autuada e o exarado  no documento de fls. 25/26, deve ser excluída, por força do art.  14 da Lei nº 11.488/2007, que extinguiu esse tipo de penalidade,  isto  é  ,  pagamento  de  tributos  após  o  vencimento  sem  o  acréscimo de multa de mora e também do art. 106,II, alínea "c"  do  CTN,  no  qual  é  consagrado  o  princípio  da  retroatividade  benigna.   No  tangente  à  conversão  da multa  isolada  (75%)  em multa  de  mora  (fls.  25/26),  tal  procedimento  foi  inapropriado  quanto  à  sua  forma  ,  de maneira que a  exigência de mutla de mora não  pode prosperar, porque a contribuinte sequer foi cientificada da  mudança do critério jurídico. Ficando, dessa forma, a cargo da  autoridade  lançadora  verificar  a  possibilidade  da  exigência  da  multa de mora, mediante outro lançamento.     Cientificada em 25/03/2006 (AR fls. 70), a contribuinte apresentou o recurso  voluntário  de  fls.  72,  no  qual  reitera  as  alegações  já  suscitada  e  requer  a  juntada,  em  fase  recursal, dos seguintes documentos:  Fl. 166DF CARF MF     4 a) Comprovante de pagamento de salários relativos aos meses de set/98 (fls.  112/117), abril/98 (fls. 120/124), julho/98 (fls. 128/131), agosto/98 (fls. 134/139)  b) Darf´s relativos aos meses de abril, agosto, setembro, outubro de 1998;  c) Livro Diário (fls. 144/157)  É o relatório    Voto             Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio ­ Relatora  O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser  conhecido.   Conforme exposto no relatório acima, a questão a ser analisada não se refere  a qualquer discussão jurídica, uma vez que a retroatividade benigna e a exclusão das multas já  foi  reconhecida  pela  decisão  recorrida.  Sendo  assim,  o  recurso  limita­se  à  análise  da  possibilidade  de  retificação  de  ofício  da  DCTF  diante  dos  documentos  apresentados  pela  contribuinte.   A retificação dos dados constantes na DCTF era disciplinada pela artigo 9º da  Instrução Normativa RFB nº 1110, de 24 de dezembro de 2010, nos seguintes termos:  Art.  9º  A  alteração  das  informações  prestadas  em  DCTF,  nas  hipóteses  em  que  admitida,  será  efetuada  mediante  apresentação  de  DCTF  retificadora,  elaborada  com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  a  declaração retificada.  § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração  originariamente  apresentada  e  servirá  para  declarar  novos  débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados  ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.  § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto:  I ­ redução dos débitos relativos a impostos e contribuições:  a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU;  b)  cujos  valores  apurados  em  procedimentos  de  auditoria  interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas  prestadas  na  DCTF,  sobre  pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  já  tenham  sido  enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou  c)  que  tenham  sido  objeto  de  exame  em  procedimento  de  fiscalização; e  Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10120.004802/2003­37  Acórdão n.º 1402­003.933  S1­C4T2  Fl. 166          5 II ­ alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação  aos  quais  o  sujeito  passivo  tenha  sido  intimado  de  início  de  procedimento fiscal.  § 3º A retificação de valores  informados na DCTF, que resulte  em  alteração  do montante  do  débito  já  enviado  à  PGFN  para  inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame  em  procedimento  de  fiscalização,  somente  poderá  ser  efetuada  pela  RFB  nos  casos  em  que  houver  prova  inequívoca  da  ocorrência  de  erro  de  fato  no  preenchimento  da  declaração  e  enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o  crédito tributário correspondente àquela declaração.  §  4º  Na  hipótese  prevista  no  inciso  II  do  §  2º,  havendo  recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor  superior  ao  declarado,  a  pessoa  jurídica  poderá  apresentar  declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos  termos  desta,  para  sanar  erro  de  fato,  sem  prejuízo  das  penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º.  §  5º  O  direito  do  sujeito  passivo  de  pleitear  a  retificação  da  DCTF  extingue­se  em  5  (cinco)  anos  contados  a  partir  do  1º  (primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a  declaração.  §  6º  A  pessoa  jurídica  que  apresentar  DCTF  retificadora  alterando valores que tenham sido informados:  I ­ na Declaração de Informações Econômico­Fiscais da Pessoa  Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora;  e  II  ­  no  Demonstrativo  de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador.  Como visto no relatório, o contribuinte, em sua defesa, se limitou a afirmar  que os débitos decorreriam de erro no preenchimento da DCTF e a  requerer  a  retificação de  ofício da DCTF.   De acordo com o artigo 9º da IN nº 1110/2010, o procedimento adequado a  esse fim seria a apresentação da DCTF retificadora. É importante registrar, que a impugnação  foi apresentada pelo contribuinte em 06 de agosto de 2003 e os débitos são relativos ao ano­ calendário de 1998. Sendo assim, o prazo para retificação da DCTF, previsto no §5º do referido  artigo ainda não tinha sido extinto.   Conforme  visto  no  relatório,  ao  analisar  a  documentação  apresentada  pela  contribuinte a Secat/DRF/GOI, no Despacho nº 4191/2007 atesta que o recolhimento apontado  pela  Recorrente  como  origem  do  crédito  já  tinha  sido  utilizado  vinculado  a  outro  débito.  Confira­se:   Para a extinção do débito de nº 8606051 (R$ 283,33), constante  do  Anexo  III,  (fls.  12),  foi  apresentado  o  pagamento  de  nº  0737186391  (R$  283,33).  Contudo,  este  recolhimento  foi  vinculado em DCTF a outro débito, e a ele está alocado (Código  de  Receita  0561,  referente  à  02/09/1998,  Vencimento  Fl. 168DF CARF MF     6 16/09/1998), conforme atesta da pesquisa de fls. 21. Percebe­se,  também,  que  a  interessada  informou  este  mesmo  recolhimento  para quitação de dois débitos de IRRF (0561) : A) 02/09/1998, já  referido  anteriormente  (fls.  23);  b)  01/10/1998,  objeto  do  presente  processo  (fls.  24).  Dessa  matéria,  tem­se  que  não  há  elementos  probatórios  suficientes que  possibilitem a  revisão  de  ofício.   Dessa forma, a contribuinte não se desincumbiu do ônus da comprovação do  seu direito creditório, mesmo em fase recursal.   Em face do exposto, nego provimento ao recurso.   (Assinado digitalmente)  Júnia Roberta Gouveia Sampaio.                                       Fl. 169DF CARF MF

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7804331 #
Numero do processo: 10875.721048/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É na impugnação que se inaugura a fase litigiosa e controversa do processo administrativo fiscal. O termo de início da fiscalização não é requisito para a validade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POSTAL INFRUTÍFERA. INTIMAÇÃO POR EDITAL. É autorizada a intimação editalícia quando resultar infrutífera a intimação postal. Basta a comprovação de uma tentativa infecunda, no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, para permitir a intimação por edital. A ausência do morador no momento da entrega da correspondência não pode ser oposta ao Fisco para obrigá-lo a sucessivas tentativas de intimação postal. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO-CALENDÁRIO DE 2006. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF. Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano-calendário de 2007 aplica-se o regime de competência, calculando-se o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 2301-006.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É na impugnação que se inaugura a fase litigiosa e controversa do processo administrativo fiscal. O termo de início da fiscalização não é requisito para a validade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POSTAL INFRUTÍFERA. INTIMAÇÃO POR EDITAL. É autorizada a intimação editalícia quando resultar infrutífera a intimação postal. Basta a comprovação de uma tentativa infecunda, no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, para permitir a intimação por edital. A ausência do morador no momento da entrega da correspondência não pode ser oposta ao Fisco para obrigá-lo a sucessivas tentativas de intimação postal. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO-CALENDÁRIO DE 2006. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF. Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano-calendário de 2007 aplica-se o regime de competência, calculando-se o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.

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AUSÊNCIA DE TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É na impugnação que se inaugura a fase litigiosa e controversa do processo administrativo fiscal. O termo de início da fiscalização não é requisito para a validade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POSTAL INFRUTÍFERA. INTIMAÇÃO POR EDITAL. É autorizada a intimação editalícia quando resultar infrutífera a intimação postal. Basta a comprovação de uma tentativa infecunda, no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, para permitir a intimação por edital. A ausência do morador no momento da entrega da correspondência não pode ser oposta ao Fisco para obrigá-lo a sucessivas tentativas de intimação postal. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO- CALENDÁRIO DE 2006. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF. Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano- calendário de 2007 aplica-se o regime de competência, calculando-se o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 10 48 /2 01 1- 81 Fl. 95DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.068 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.721048/2011-81 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do ano-calendário de 2004, em face de omissão de rendimentos tributáveis. O autuado impugnou o lançamento sob as seguintes alegações: a)não foi notificado pessoalmente ou por via postal, embora resida no endereço correspondente ao domicílio fiscal; b)não foi apresentado termo de início da ação fiscal e, assim, não teria lhe proporcionado o contraditório e limitado a sua defesa, e c)embora os rendimentos recebidos fossem acumulados de exercícios anteriores, não se lhe aplicou o regime de competência. A impugnação foi considerada improcedente e o lançamento, mantido. Foi interposto recurso voluntário com as mesmas alegações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital O recurso é tempestivo e dele conheço. Consta dos autos que o recorrente foi intimado do lançamento pela via editalícia porque, após tentativa, restou improfícua a intimação pela via postal. Em seu favor, o contribuinte alegou que pode ter havido, por parte da prefeitura, a alteração do número da residência. É responsabilidade do contribuinte manter, nos cadastros fiscais, o endereço atualizado do domicílio fiscal. Comprovada a tentativa infrutífera de intimação pela via postal, no endereço cadastral do sujeito passivo, autoriza-se a intimação editalícia, nos termos do § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Quanto ao cerceamento do direito de defesa e do contraditório, não é o que percebo. O termo de início da ação fiscal tem por principal finalidade prevenir a espontaneidade do sujeito passivo, mas não é requisito para o lançamento. Na verdade, o fato de não receber Fl. 96DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.068 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.721048/2011-81 nenhuma comunicação da ação fiscal em curso beneficiou o sujeito passivo que permaneceu espontâneo até ser intimado por edital do primeiro ato escrito, que foi a Notificação de Lançamento. Ademais, nos termos do art.; 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, é na impugnação que se instaura a fase litigiosa, sendo, portanto, inquisitória a fase preliminar. Rejeito, pois, as preliminares alegadas. No mérito, dou razão ao recorrente. A matéria foi inúmeras vezes apreciada por este conselho 1 . Sem desnecessária delonga, e consoante o inc. II do § 12 do art. 67 do Regimento Interno do Carf aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, é imperiosa a aplicação do entendimento esposado no RE 614.406, do STF 2 , que, sob o rito de repercussão geral, reconheceu a inconstitucionalidade parcial, sem redução de texto, do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, e estabeleceu o regime de competência para efeito do cálculo do Imposto de Renda sobre RRA. Ou seja, o cálculo deverá observar as tabelas vigentes em cada mês a que se refere o rendimento recebido acumuladamente. Conclusões Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator 1 Precedentes nos acórdãos nºs. 9202-003.518, 2301-004.658, 2202-004.521, 2801-003.713, 9202-007.006. 2 O entendimento foi confirmado no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário nº 1.022.792 e a matéria resta reconhecida como de repercussão geral, Tema 368 do STF. Fl. 97DF CARF MF

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Numero do processo: 14112.000251/2006-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO. Em atendimento ao princípio da não-cumulatividade do IPI o contribuinte faz jus aos créditos originários de aquisições de matérias-primas aplicadas na industrialização de produtos tributados, ainda que o montante desses créditos seja apurado por critério de proporcionalidade, em razão de as aquisições se destinarem tanto a operações que dão direito a crédito (industrialização) quanto a operações que não dão direito a crédito (revenda). RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em sede de pedido de ressarcimento cumulado com compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”.
Numero da decisão: 3003-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO. Em atendimento ao princípio da não-cumulatividade do IPI o contribuinte faz jus aos créditos originários de aquisições de matérias-primas aplicadas na industrialização de produtos tributados, ainda que o montante desses créditos seja apurado por critério de proporcionalidade, em razão de as aquisições se destinarem tanto a operações que dão direito a crédito (industrialização) quanto a operações que não dão direito a crédito (revenda). RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em sede de pedido de ressarcimento cumulado com compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”.

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APROVEITAMENTO. Em atendimento ao princípio da não-cumulatividade do IPI o contribuinte faz jus aos créditos originários de aquisições de matérias-primas aplicadas na industrialização de produtos tributados, ainda que o montante desses créditos seja apurado por critério de proporcionalidade, em razão de as aquisições se destinarem tanto a operações que dão direito a crédito (industrialização) quanto a operações que não dão direito a crédito (revenda). RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em sede de pedido de ressarcimento cumulado com compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 00 02 51 /2 00 6- 35 Fl. 1417DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.265 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 14112.000251/2006-35 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo do Pedido Eletrônico de Ressarcimento nº 03275.71176.150404.1.1.01-4059, no valor de R$ 117..024,34, relativo a saldo credor do IPI apurado no 1º trimestre de 2004 (fl. 03). Foram transmitidas as DCOMPs relacionadas às fls. 439(440, vinculadas ao PER tratado neste processo. A verificação da legitimidade dos créditos foi efetuada mediante procedimento fiscal. As constàtações da auditora encontram-se relatadas na Informação Fiscal de fls. 369/372, podendo ser assim resumidas: a) o estabelecimento fiscalizado industrializa formulàrios contínuos classificados nos códigos 4911.9900 (alíquota 0%) e 4820.4000 (alíquota 15%), segundo verificação, por amostragem, das notas fiscais de vendas; b) as mercadorias relacionadas à fl. 372/373 (papel cortado das marcas Chamex Office, Chamex Multi, Chambril Premier) são adquiridas de terceiros para comercialização (revenda), não existindo direito a crédito do IPI em suas aquisições (não são utilizadas no processo produtivo), o que implicou a glosa dos valores do imposto indevidamente creditados, discriminados às fls. 372/373; c) o papel em bobina e o papel autocomatlvo são utilizadas na industrialização (matéria- prima), mas também são revendidos em grandes quantidades (comercializados), enquanto as entradas desses papéis foram majoritariamente escrituradas comp compras para industrialização, com crédito do IPI. Em virtude dessa inconsistência. a empresa foi intimada a comprovar, mediante apresentação do controle da produção e do estoque, as quantidades desses papéis (papel em bobinas e autocopiativo) aplicadas na industrialização. Nos livros de Registro de Controle da Produção e do Estoque apresentados não foram escriturados os produtos industrializados, nem os insumos utilizados em suas fabricações. Diante da impossibilidade de apurar corretamente as quantidades desses papéis que foram aplicadas na industrialização, a fiscalização glosou os créditos oriundos de todas as entradas dessas mercadorias, segundo discriminado à fl. 373. Após a reconstituição da escrita com glosa dos créditos considerados indevidos. houve redução no valor do saldo credor originalmente apurado pela empresa (fls. 3671368). Em conseqüência. o direito credit6rio foi reconhecido apenas parcialmente (RS,2.281,45), e as compensações declaradas foram parcialmente homologadas, nos termos do Parecer e Despacho Decisório de fls. 439/445. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade discordando do indeferimento de seu pleito (fls. 472/482). Argumentou que o indeferimento do pedido de ressarcimento foi equivocado, pois a fiscalização deixou de considerar a atividade da empresa como preponderantemente industrial (fabricação de bobinas de PDV, formulários contínuos, etiquetas auto-adesivas, etc), sendo inequívoco o direito ao crédito do IPI oriundo dos insumos aplicados na industrialização. Insurgiu-se também contra a imposição de multa, atualização pela Selic e juros de mora sobre os débitos que resultaram das compensações não homologadas. Alegou o caráter confiscatório da penalidade, a impossibilidade de utilização da taxa Selic como indexador e o caráter abusivo da cobrança, concomitantemente, de multa e juros de mora. Quando da primeira análise dos autos verificou-se que uma parcela dos créditos a que a contribuinte fazia jus não foram aproveitados pela auditora, pois, como afirmado pela própria fiscalização, parte das aquisições de papel em bobina e papel autocopiativo Fl. 1418DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.265 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 14112.000251/2006-35 foram empregadas como matéria-prima na industrialização efetuada pelo estabelecimento. Foram os autos, então, baixados em diligência por intermédio do despacho de n. 666, pois entendeu-se que, ainda que os controles da produção do estabelecimento não permitissem segregar as quantidades de papel em bobina e papel autocopiativo destinadas à industrialização e à revenda, seria possível estimá-Ias por critério de rateio (proporcionalização), visando atender ao princípio da não-cumulatividade do imposto. Em atendimento à diligência solicitada, a fiscalização, por critério de rateio (fls. 674), segregou as aquisições de papel em bobina e papel autocopiativo aplicadas na industrialização e revendidas, glosando apenas os créditos relativos às revendas. Elaborou a Reconstituição do RAlPl de fls. 678, que atesta a ocorrência de saldo credor. A contribuinte foi cientificada dos resultados da diligência (fls. 688/690), apresentando as razões adicionais de defesa de fls. 691/692. Reafirmou o conteúdo da manifestação de inconformidade apresentada e, no que diz respeito aos créditos oriundos de aquisições de bobinas em papel e papel autocopiativo, solicitou que o quantum seja obtido "mediante pormenorizado levantamento contábil, com a concessão de prazo razoável para dito levantamento" A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO. Em atendimento ao princípio da não-cumulatividade do IPI o contribuinte faz jus aos créditos originários de aquisições de matérias-primas aplicadas na industrialização de produtos tributados, ainda que o montante desses créditos seja apurado por critério de proporcionalidade, em razão de as aquisições se destinarem tanto a operações que dão direito a crédito (industrialização) quanto a operações que não dão direito a crédito (revenda). COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Para as Declarações de Compensação apresentadas à Receita Federal após 27 de maio de 2003 os débitos compensados sofrerão a incidência de acréscimos moratórios a partir da data de vencimento do tributo até a data da apresentação da DCOMP, acréscimos esses previstos em lei federal vigente (art. 61 da Lei 9.430, de 1996). Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual pleiteia a reforma parcial do decisum para que seja acolhida a possibilidade de se fazer um cálculo exato do montante dos créditos a que faz jus, com a concessão de prazo razoável para tanto e a exclusão da incidência de multa moratória ou, caso seja .mantida, seja fixada em parâmetro razoável de 2%. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento do saldo credor de IPI do 1º trimestre de 2004 foi parcialmente deferido e as Fl. 1419DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.265 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 14112.000251/2006-35 compensações declaradas foram parcialmente homologadas. O deferimento parcial se deu porque, após a reconstituição da escrita com glosa dos créditos considerados indevidos, houve redução no valor do saldo credor a ser ressarcido. Após converter o julgamento em diligência, a Instância aquo julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada, para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 86.471,76. Insurge-se a recorrente contra o deferimento parcial do direito creditório e a incidência de multa moratória. Sustenta que, em relação a apuração do montante dos créditos pelo critério da proporcionalidade, deveria ser acolhida a possibilidade de se fazer um cálculo exato do montante dos créditos a que faz jus, com a concessão de prazo razoável para tanto. Sobre esse ponto assim se manifestou a decisão recorrida: Diante da constatação de que tanto o papel em bobina quanto o papel autocopiativo não eram apenas destinados à revenda, mas também utilizados como matériaprima na industrialização, o processo foi baixado em diligência. A diligência foi necessária porque o Livro de Controle da Produção e do Estoque apresentado à fiscalização, e reapresentado com a manifestação de inconformidade, não permitia segregar, a partir de seus registros, as quantidades de papéis em bobina e autocopiativos utilizados na industrialização e os destinados a revenda. Restou, portanto, adotar um critério de rateio, com a finalidade de glosar, apenas, os créditos relativos às aquisições destinadas a revenda. E foi exatamente o que fez a auditora, quando: a) calculou o percentual entre as revendas de papéis em bobina e autocopiativo e o total de saídas desses mesmos papéis (fl. 674) b)aplicou o percentual calculado sobre o montante dos créditos- escriturados. Dessa forma, permaneceu a glosa, tão-somente, dos créditos relativos a aquisições de papel em bobina e papel autocopiativo que foram revendidos, operação que, como mencionado no item I deste voto, não confere direito a crédito. A contribuinte, nas razões adicionais de defesa, solicitou que a apuração dos créditos oriundos de aquisições de papel em bobina e papel autocopiativo aplicados na industrialização seja efetuada mediante "pormenorizado levantamento contábil, com a concessão de prazo razoável para dito levantamento". Em primeiro lugar. cumpre esclarecer à contribuinte que estamos diante de pedido de ressarcimento. cabendo à solicitante a prova do direito creditório alegado. E. se desde a época da fiscalização até a presente data a contribuinte não trouxe aos autos elementos capazes de contradizer a apuração dos créditos efetuada pela fiscalização, não me parece razoável sua pretensão de obter mais prazo para proceder ao "pormenorizado levantamento contábil' dos créditos em comento. Ademais, a contribuinte foi cientificada dos resultados da diligência, não apresentando nenhuma contestação específica em relação ao procedimento adotado pela auditora. Motivos não vejo, portanto, a justificar que o processo seja, novamente, baixado em diligência para apurar valores que a contribuinte já deveria ter apurado, e comprovado, desde a época em que solicitou o ressarcimento. De fato, igualmente entendo que não assiste razão à recorrente. Em sede de pedido de ressarcimento cumulado com compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de Fl. 1420DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.265 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 14112.000251/2006-35 tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento que pudesse infirmar as conclusões da autoridade administrativa. Se limitou, tão-somente, a argumentar que necessitaria de um prazo maior para se fazer um cálculo exato do montante dos créditos, o que não me parece razoável face ao tempo decorrido. Entendo, portanto, como correto o deferimento parcial do crédito pleiteado com base na reconstituição da escrita fiscal efetuada pela fiscalização e reconhecido pela decisão recorrida, homologando-se as compensações até o limite do crédito disponível. Quanto à questão relativa à incidência de multa moratória melhor sorte não assiste à recorrente. O art. 28 da IN/SRF 210, de 30/09/2002, com a redação dada pela IN/SRF 323, de 24/04/2003, assim dispôs, in verbis: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. A incidência de juros e multa de mora decorrente do não pagamento do tributo no seu vencimento tem previsão expressa no artigo 61, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1' de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1" A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento A compensação, assim como o pagamento, é um instituto de extinção de obrigações conforme disposto no Código Tributário Nacional, em seus arts. 156, inciso II, e 170, no qual os créditos e débitos do contribuinte serão confrontados, num acerto de contas: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II – A compensação; (...) Art. 170. A lei pode nas condições e garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública. Se considerada a extinção do crédito tributário pelo pagamento do tributo, a sua ausência no prazo legal acarreta a incidência de juros e multa de mora. Da mesma forma, se Fl. 1421DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.265 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 14112.000251/2006-35 utilizada a compensação para a extinção do crédito tributário, sua formalização deve ocorrer no vencimento da parcela a ser compensada, sob pena de incidência de juros e multa de mora. No caso das compensações homologadas, o que fez a Administração Tributária foi valorar os débitos vencidos compensados até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme a legislação vigente, acrescendo-lhes os respectivos encargos moratórios. No mais, como não foi possível a homologação integral das compensações vinculadas em decorrência da insuficiência de crédito, sobre os débitos cujas compensações restaram não homologadas é cabível a incidência de juros e multa de mora. Portanto, correta a decisão recorrida. No que se refere ao pleito alternativo pela fixação de percentual da multa, a legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 1422DF CARF MF

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Numero do processo: 10980.910838/2008-36
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar, suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson - Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheirosSergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA

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1001­001.280  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  5 de junho de 2019  Matéria  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO ­ CSLL  Recorrente  NKB SAO PAULO LABORATORIO DE ANALISES CLÍNICAS LTDA  (INCORPORADORA DE HORMOCENTRO LABORATORIO DE  DOSAGENS HORMONAIS E ANALISES CLINICAS LTDA)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO  ANO­CALENDÁRIO 2004.  Incumbe  ao  contribuinte  o  ônus  da  prova  quanto  à  certeza  e  liquidez  de  alegado  crédito  contra  a  Fazenda  Pública  que  pretenda  compensar  com  débitos apurados.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar, suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Sergio Abelson ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  José Roberto Adelino da Silva ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheirosSergio  Abelson  (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 08 38 /2 00 8- 36 Fl. 440DF CARF MF     2 Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 06­ 28.362  ­  1ª  Turma  da  DRJ/CTA,  que  não  homologou  a  compensação  declarada  na  PER/DCOMP n° 41918.39070.210606.1.3.03­8236,  Segue a transcrição do relatório:  “Analisadas as  informações prestadas no documento acima  identificado, não  foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais da Pessoa  .Jurídica  (DIPJ)  não  corresponde ao  valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP.  Valor  original  do  saldo  negativo  informado  no  PER/DCOMP  com  demonstrativo de crédito." R$ 4.757,92  Valor do saldo negativo informado na DIPJ R$3.524,17.  A  contribuinte  foi  cientificada  em  02/09/2008  (fls.  O2)  e  apresentou  tempestivamente, em 02/10/2008, a manifestação de  inconformidade de  fls. 18­25,  alegando:  1  ­  que,  no  terceiro  trimestre  do  ano­calendário  de  2004,  apurou  débito  de  CSLL  no  importe  de R$  3.672,38,  que  foi  deduzido  do  total  do  valor  relativo  às  retenções  que  sofreu  na  fonte,  no  importe  de  R$  7.196,55,  resultando  em  saldo  negativo no montante de R$ 3.524,17;  2 ­ que, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004, e art 74 da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  procedeu  à  compensação,  por  meio  de  PER/DCOMP,  do  valor relativo ao crédito de saldo negativo do terceiro trimestre/2004;  3  ­  que  a  compensação  foi  não  homologada  porque o  crédito  utilizado  para  extinguir  os  débitos  não  corresponde  ao  valor  declarado  na DIPJ,  uma  vez  que  o  valor  declarado  é  R$  3.524,17,  mas  foi  apontado  erroneamente  no  valor  de  R$  4.753,40;  4  ­  afirma  que  seu  crédito  é  líquido  e  certo,  razão  pela  qual  requer  seja  reconhecida a liquidez e certeza do direito creditório de saldo negativo de CSLL, e a  homologação das compensações.  Juntaram­se ao processo os documentos de fls. 26­81.  Em 16/07/2009, a  interessada  apresentou a petição de  fls. 83­84, noticiando  que  fora  sucedida  por  NKB  SÃO  PAULO  LABORATÓRIO  DE  ANÁLISES  CLINICAS LTDA, e solicitando a juntada dos documentos de fls. 85­133.  Cientificada  em  04/10/2010  (fl.213),  a  recorrente  apresentou  o  recurso  voluntário em 29/10/2010 (fl. 150).  Voto             Conselheiro José Roberto Adelino da Silva ­ Relator  Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que  apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele  eu conheço.  A DRJ, assim decidiu em relação à manifestação de inconformidade:  Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10980.910838/2008­36  Acórdão n.º 1001­001.280  S1­C0T1  Fl. 3          3 Consta dos sistemas informatizados da RFB (fls. 135) que foram entregues a  esta  contribuinte  três  intimações  ­  reproduzidas  às  fls.  136­138  ­  relativas  ao  PER/DCOMP tratado nestes autos.  Na Primeira intima ão fls. 136 , a contribuinte foi informada de que sua DIPJ  não apresentava saldo negativo, e foi  intimada a promover as retificações cabíveis,  sob pena de a compensação ser não homologada. '  Na segunda intimação (fls. 137), a contribuinte foi informada de que a soma  das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP era inferior ao somatório do  demonstrativo de crédito informado nas linhas correspondentes da DIPJ, e alertada  de  que  o  total  do  crédito  demonstrado  no  PER/DCOMP  deve  ser  suficiente  para  comprovar  a  quitação  da  contribuição  devida mais  a  apuração  do  saldo  negativo.  Novamente  foi  advertida  de  que  na  hipótese  de  não  serem  sanadas  as  irregularidades, a compensação seria não homologada.  Na  terceira  intimação  (fls.  138),  entregue  em  12/03/2008  (fls.  139)  a  contribuinte foi advertida de que o saldo negativo informado no ,PER/DCOMP (R$  4.757,92)  difere  do  saldo  apurado  na DIPJ  (R$ 3.524,17). Nessa  oportunidade  foi  admoestada  a  retificar  a  DIPJ  correspondente  o_u  apresentar  PER/DCOMP  retificador  indicando  corretamente  o  valor  do  saldo  negativo  apurado  no  período.  Mais uma vez foi intimada a sanar as irregularidades e advertida de que, não sanadas  as irregularidades apontadas, a compensação seria não homologada.  E  o  que  fez  a  contribuinte,  absolutamente  nada. Optou  por  insistir  em  uma  compensação em que utilizava crédito superior àquele apurado em sua DIPJ. Esse,  portanto,  o  correto  motivo  da  não­homologação,  que  não  merece  ser  reformada,  conforme passo a expor.  A edição de lei ordinária autorizando a compensação de indébitos tributários  com  débitos  fiscais  dos  contribuintes  se  encontra  prevista  no  art.  170,  da  Lei  n°  5.172, de 25/10/1966 9CTN):  ...  Como se vê, a própria lei deverá estipular as condições para o implemento da  compensação,  ou  atribuir  à  autoridade  administrativa  tal  estipulação,  em  face  dos  casos  concretos.  Não  existe,  portanto,  uma  faculdade  incondicional.  Toda  compensação deverá, portanto, atender as condições estipuladas na própria lei que a  autorizou, ou que forem baixadas pela autoridade administrativa incumbida de fazê­ lo.  Essa atribuição se operou pelo artigo 66 da Lei n° 8.383, de 30/12/1991.  ...  Posteriormente,  o  art.  74  da  Lei  n°  9.430,  de  26/12/1996,  ao  baixar  novo  regramento  sobre  compensações,  estipulou  que  esta  se  efetivaria  pela  entrega  de  declaração  da  qual  deveria  constar  informações  relativas  tanto  aos  créditos  utilizados,  como  aos  débitos  compensados,  e  que  caberia  à  SRFB  disciplinar  a  matéria.  ...  Ao tempo da apresentação dos PER/DCOMP objetos do despacho decisório, o  disciplinamento  sobre  a  compensação  se  encontrava  enfeixado  na  Instrução  Normativa SRF n° 450, de 18/10/2004, cujo art. 26, em seu § 1°, é peremptório ao  Fl. 442DF CARF MF     4 afirmar  quea  compensação  será  efetuada mediante  apresentação  do  PER/DCOMP  gerado a partir do respectivo programa gerador.  ...  Está claro que deve existir coincidência absoluta entre o saldo negativo que o  contribuinte pretende utilizar e aquele apurado em sua DIPJ. Aliás, nem necessitaria  constar  tal  advertência,  uma  vez  que  a  compensação  pressupõe  crédito  líquido  e  certo. ­  Pois bem, no  terceiro  trimestre do ano­calendário de 2004, esta contribuinte  apresentou DIPJ em que apurou saldo negativo de CSLL no importe de RS 3.524,17,  como se vê às fls. 50. .  Contudo,  intimada  a  retificar  o  PER/DCOMP,  o­  que  implicaria  o  reconhecimento  'do  saldo negativo  a menor, e  a  redução do débito  compensado, a  contribuinte  optou  por  nada  fazer,  provavelmente  contando  com  possível  homologação tácita.  Ora, o que está em discussão nestes autos é se a compensação declarada pela  contribuinte  reúne  ­  ou  não  ­  condições  de  ser  homologada.  Estes  autos  não  são  instrumento  adequado  para  promover  outra  compensação  ­  distinta  daquela  declarada  pela  contribuinte.  Assim,  apenas  duas  soluções  são  possíveis:  ou  a  compensação reúne condições de ser homologada, ou não reúne.   A  constatação  inequívoca  é  que  a  compensação  declarada  não  deve  ser  homologada.  Não  merece  censura  e  deve  ser  mantido,  portanto,  o  despacho  decisório.  Cabia à contribuinte alterar os dados de sua declaração de compensação para  amoldá­la ao se crédito. Não o tendo feito, impõe,­se a este Colegiado a constatação  de que a compensação declarada não deve ser homologada.  Em  seu  recurso,  a  recorrente  repete,  basicamente,  os  mesmos  argumentos  apresentados em sua manifestação de inconformidade. Afirma que:  A Recorrente  teria  sido  intimada  a  retificar  a  DIPJ  ou  o  PER/DCOMP,  de  maneira que o valor do saldo negativo de CSLL passasse a ser idêntico em ambas as  declarações;  contudo,  a  Recorrente  não  o  fez  em  tal  oportunidade,  subsistindo  a  diferença de R$ 1.229,23.  O julgador de primeira instância, neste ponto, precipita­se em suas conclusões  ao afirmar que a não retificação por parte da Recorrente dar­se­ia pela mesma estar  “provavelmente contando com possível homologação tácita”.  10. Assim,  alegando  a  ausência  de  “coincidência  absoluta”  entre  o  valor  de  crédito declarado na DIPJ 2005 e no PER/DCOMP, o julgador de primeira instância  manteve a não homologação da compensação da Recorrente, ignorando tanto o fato  de a Recorrente ter esclarecido e comprovado seu erro de fato, como a existência de  saldo negativo de CSLL na DIPJ 2005 suficiente para amparar a compensação, ainda  que parcialmente.  11.  Cumpre  mencionar  que  a  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade e o não reconhecimento do direito creditório não foram proferidos  por  unanimidade  ­  houve  voto  pela  análise  da  existência  do  direito  creditório  informado na DIPJ. Quanto  ao mérito,  a  recorrente  alega  que  apresentou  a DCTF  retificadora,  o  que  é  fato,  em  11/02/2008,  após  ter  tomado  ciência  do  despacho  decisório.  Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10980.910838/2008­36  Acórdão n.º 1001­001.280  S1­C0T1  Fl. 4          5 Assim, em preliminar de nulidade, alega (em última instância):  A  Lei  n°  9.784/99,  artigo  50,  expressamente  determina  que  os  atos  administrativos  devem  ser  motivados,  com  a  apropriada  indicação  de  fatos  e  fundamentos  jurídicos,  posto  que,  neste  caso,  houve  limitação  a  um  direito  do  contribuinte, qual seja, o da compensação. Segue prevendo que a motivação deve ser  explícita, clara e congruente.  ...  A ausência do motivo de fato impossibilita a convalidação do ato, posto que  não  há  como  fazê­lo  retroagir  à  data  de  sua  emissão,  já  que  o  suporte  fático  continuaria a inexistir. Assim, os atos vinculados portadores de vício de motivo são  inconvalidáveis.  Portanto, inegável a conclusão pela nulidade do Despacho Denegatório frente  à ausência de motivação de tal ato administrativo.  Em razões de direito, argumenta, essencialmente que:  34. Neste sentido, não se pode concluir que a competência atribuída pela Lei  n° 9.430/96, artigo 74, parágrafo 14,  autorizou a Receita Federal  do Brasil  a  criar  procedimentos  que  dificultem  ou  mesmo  inviabilizem  o  exercício  do  direito  de  compensação.  35. Neste contexto, invocar o artigo 26, parágrafo l°, da Instrução Normativa  n°  460/04  e  excertos  das  instruções  de  preenchimento  do  programa  gerador  do  PER/DCOMP como justificativa suficiente para vedar ao contribuinte seu direito à  compensação  ­  como  foi  feito  pela D. Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento em Curitiba ­leva à conclusão de que referidas disposições extrapolam a  competência atribuída pela Lei n° 9.430/96, artigo 74, parágrafo 14.  36. E isso porque, como é evidente, deve haver coincidência entre o crédito  solicitado no PER/DCOMP e o saldo negativo de CSLL declarado na DIPJ, contudo  equívocos podem ocorrer no preenchimento da declaração e, uma vez esclarecidos,  nada impediria que a autoridade administrativa,  tomando conhecimento dos fatos  ­  como tomou ­, procedesse à retificação da declaração, obrigação acessória que é, e  que não foge à materialidade.  Cita jurisprudência não vinculante e doutrina e alega que o erro, identificado  no  PER/DCOMP,  deveria  ser  corrigido  de  ofício,  ainda  que  em  momento  posterior  ao  da  decisão proferida.  Alega  o  princípio  da  verdade  material;  cita  doutrina  e  jurisprudência  não  vinculante  e  alega  que  houve  erro  material  no  preenchimento  da  obrigação  acessória  (PER/DCOMP).  Alega, também, a nulidade da decisão:  Da nulidade da decisão de primeira instância  58.  É  também  nula  a  decisão  de  primeira  instância,  por  nitidamente  ter  preterido o direito de defesa da Recorrente, dado que fora esclarecida a origem do  crédito  compensável,  mas  a  decisão  de  primeira  instância,  em  que  pese  ter  demonstrado  inequívoco  conhecimento  dos  fatos,  negou­se  a  sobre  ele  se  pronunciar.  Fl. 444DF CARF MF     6 59.  Nessa  linha,  a  decisão  recorrida  negou­se  a  analisar  o  argumento  e  comprovação  trazidos  pela  Recorrente.  Daí  se  imputar  preterição  ao  direito  de  defesa  da  Recorrente,  pois  nada  mais  resta  à  Recorrente  (em  sede  de  recurso  voluntário)  senão  repisar  a  necessidade  de  análise  dos  documentos  já  trazidos  por  ocasião da manifestação de inconformidade. É nítido, no caso, o cabimento do art.  59, Il do Decreto n° 70.235/72:  Art. 59. São nulos:  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidas  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  60. Ciente da existência do crédito por meio da apresentação da DIPJ 2005 e  do equívoco reconhecido pelo contribuinte, o julgador administrativo não poderia ter  se escusado de considerar tais aspectos em sua decisão. Tendo­o feito, descumpriu o  princípio  da  verdade  material,  e  por  conseqüência,  no  caso,  o  próprio  direito  de  defesa da Recorrente.  Por fim, requer:  6l. Diante de  todo o acima exposto, conclui­se no sentido da  improcedência  do  Acórdão  n°  06­28.362  proferido  nos  autos  do  Processo  Administrativo  n.°  l0980.910838/2008­36, razão pela qual requer­se que o presente Recurso Voluntário  seja  conhecido  e  provido  a  fim  de  que  se  reforme  o  acórdão  proferido  pela  D.  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Curitiba,  para  que  se  anule o Despacho Decisório, pela flagrante ausência de motivação, bem como para  que  seja  reconhecido  o  direito  creditório  até  o  limite  declarado  na  DIPJ  2005,  cancelando­se  assim  a  exigência  consubstanciada  no  processo  administrativo  de  cobrança n° 10980­911.184/2008­68 (PER/DCOMP n° 419l8.39070.2lO606.1.3.03­  8236).  Inicialmente,  cabe  rejeitar  a preliminar de nulidade arguida pela  recorrente,  com base no art. 50, da Lei 9.784/99, contra o despacho decisório. Como bem fundamentado  pela DRJ, à, ora recorrente, foram dados os fundamentos legais e infralegais, o que permitiu à  recorrente  o  direito  à  ampla  defesa  e  ao  contraditório,  como  se  observa  tanto  em  sua  manifestação de inconformidade quanto em seu recurso.  Embora  não  conste  do  seu  pedido,  alega  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância por negar­se a se pronunciar sobre os fatos (sic). Cita o art. 59, inciso II, do Decreto  70.235/72:  Art. 59. São nulos:  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidas  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Observa­se, claramente, que a autoridade que proferiu a decisão é mais que  competente para fazê­lo e que não houve, em momento algum, a preterição ao seu direito de  defesa,  tanto  que  o  fez,  indicando  claramente  os  seus  argumentos  e  contrapondo  os  apresentados pela autoridade.  Quanto ao mérito, não cabe razão à recorrente. A ela, foram dados todos os  meios  para  corrigir  as  incongruências  apresentadas,  mormente,  a  divergência  entre  a  PER/DCOMP e a DIPJ. A  recorrente  foi  intimada a  fazê­lo por  três vezes.  .  ao qual, peço a  devida vênia para novamente reproduzir:  Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10980.910838/2008­36  Acórdão n.º 1001­001.280  S1­C0T1  Fl. 5          7 Consta dos sistemas informatizados da RFB (fls. 135) que foram entregues a  esta  contribuinte  três  intimações  ­  reproduzidas  às  fls.  136­138  ­  relativas  ao  PER/DCOMP tratado nestes autos  Na primeira intimação (fls. 136), a contribuinte foi informada de que sua DIPJ  não apresentava saldo negativo, e foi  intimada a promover as retificações cabíveis,  sob pena de a compensação ser não homologada. `'  Na segunda intimação (fls. 137), a contribuinte foi informada de que a soma  das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP era inferior ao somatório do  demonstrativo de crédito informado nas linhas correspondentes da DIPJ, e alertada  de  que  o  total  do  crédito  demonstrado  no  PER/DCOMP  deve  ser  suficiente  para  comprovar  a  quitação  da  contribuição  devida mais  a  apuração  do  saldo  negativo.  Novamente  foi  advertida  de  que  na  hipótese  de  não  serem  sanadas  as  irregularidades, a compensação seria não homologada.   Na  terceira  intimação  (fls.  1­38),  entregue  em  12/03/2008  (fls.  139)  a  contribuinte foi advertida de que o saldo negativo informado no PER/DCOMP (R$  4.757,92)  difere  do  saldo  apurado  na DIPJ  (R$ 3.524,17). Nessa  oportunidade  foi  admoestada  a  retificar  a  DIPJ  correspondente  ou  apresentar  PER/DCOMP  retificador  indicando  corretamente  o  valor  do  saldo  negativo  apurado  no  período.  Mais uma vez foi intimada a sanar as irregularidades e advertida de que, não sanadas  as irregularidades apontadas, a compensação seria não homologada.  E  o  que  fez  a  contribuinte,  absolutamente  nada. Optou  por  insistir  em  uma  compensação em que utilizava crédito superior àquele apurado em sua DIPJ. Esse,  portanto,  o  correto  motivo  da  não­homologação,  que  não  merece  ser  reformada,  conforme passo a expor.  Vê­se,  claramente,  o  esforço  da  autoridade  na  busca  da  verdade  material,  posto que, segundo o artigo 170 , do Código Tributário Nacional, somente os créditos líquidos  e certos podem ser objeto de compensação.  Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,  do sujeito passivo contra a Fazenda pública.   É evidente que se os valores indicados divergem entre si, como a autoridade  pode ter a certeza de sua liquidez e certeza.  Neste  ponto,  é  de  observar­se,  quero  crer,  a  opinião  da  COSIT,  exarada  através do Parecer Normativo COSIT 2/2015 (PN/15), a qual reproduzo a seguir:  14.9. Com isso, o despacho decisório, sendo eletrônico ou não, é  conclusivo  quanto  ao  reconhecimento  do  direito  creditório  e  finaliza  a  etapa  de  análise  do  processo  de  reconhecimento  do  crédito fiscal do sujeito passivo, de competência da DRF de sua  jurisdição.  Ainda, de acordo com o referido PN 2/15:  2­ Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente  para a  comprovação do pagamento  indevido ou a maior? Se a  Fl. 446DF CARF MF     8 retificação da DCTF for suficiente, há um limite  temporal para  que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da  ciência do despacho decisório, a qualquer  tempo ou antes de 5  anos do fato gerador)?  a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação  do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores  informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações  enviadas  à  RFB,  a  exemplo  da  DIPJ,  Dacon,  DIRF,  em  cada  caso,  ou  confirmados  por  documentos  fiscais  ou  contábeis  acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido  e  certo  é  requisito  legal  para  a  concessão  da  compensação  (CTN,  art.  170).  A  divergência  entre  os  valores  informados  na  DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas,  afasta  a  certeza  do  crédito  e  é  razão  suficiente  para  o  indeferimento da compensação.  Mais adiante, comenta:  13.1. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das  informações  declaradas  na  DCTF  e  no  PER/DCOMP  e  a  autoridade administrativa tem o poder­dever de confirmá­las. A  autoridade  administrativa  poderá  solicitar  a  comprovação  do  alegado  crédito  informado  no  PER/DCOMP,  e  se  ele,  por  exemplo,  for  um  pagamento  e  estiver  perfeitamente  disponível  nos sistemas da RFB, pode ser considerado apto a ser objeto de  restituição ou de compensação, sem prejuízo de ser solicitado do  declarante comprovação de que se trata de fato de indébito. Vale  dizer,  a  retificação  da  DCTF  é  necessária,  mas  não  necessariamente suficiente para deferir o crédito pleiteado, que  depende  da  análise  da  autoridade  fiscal/julgadora  do  caso  concreto. Tanto que tal autoridade poderá discordar das razões  apresentadas  (a  despeito  da  retificação  da  DCTF)  e,  consequentemente,  indeferir/não  homologar  o  PER/DCOMP  com base  em outros  elementos de prova de que  tal  pagamento,  ainda que disponível nos sistemas da RFB.  Restou muito  claro  que  a  recorrente  não  envidou  os  esforços  necessários  à  comprovação do seu direito, principalmente, por não retificar a principal obrigação acessória,  neste  caso,  que  é  a  PER/COMP,  posto  que,  nesta  é  que  se  declara  a  compensação.  Sempre  lembrando que a PER/DCOMP também se constitui em confissão de dívida.  Portanto,  rejeito as preliminares de nulidade, suscitadas, nos autos, para, no  mérito, negar provimento ao presente recurso.  É como voto.   (assinado digitalmente)  José Roberto Adelino da Silva               Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10980.910838/2008­36  Acórdão n.º 1001­001.280  S1­C0T1  Fl. 6          9               Fl. 448DF CARF MF

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7815001 #
Numero do processo: 16707.100457/2005-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. Podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual as despesas médicas ou com instrução do próprio contribuinte, de seus dependentes, e de seus alimentandos quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
Numero da decisão: 2002-001.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de despesas com instrução no valor total de R$ 5.100,00. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL

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2002­001.212  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  18 de junho de 2019  Matéria  IRPF ­ DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO  Recorrente  ADEGUINAL MARQUES CAMPOS JUNIOR  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2001  DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO.  Podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual as despesas médicas ou  com  instrução  do  próprio  contribuinte,  de  seus  dependentes,  e  de  seus  alimentandos  quando  realizadas  em  virtude  de  cumprimento  de  decisão  judicial  ou  de  acordo  homologado  judicialmente,  desde  que  preenchidos  os  requisitos previstos na legislação de regência.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário  para  restabelecer  a  dedução  de  despesas  com  instrução no valor total de R$ 5.100,00.  (assinado digitalmente)  Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Mônica Renata Mello Fereira Stoll ­ Relatora  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira  Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e  Virgílio Cansino Gil.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 10 04 57 /2 00 5- 19 Fl. 512DF CARF MF     2 Relatório  Trata­se  de  Auto  de  Infração  (e­fls.  07/14)  lavrado  em  nome  do  sujeito  passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste  Anual Retificadora do  exercício 2001  (e­fls.  55/60),  onde  se apurou: Dedução  Indevida  com  Dependentes,  Dedução  Indevida  a  Título  de  Despesa  com  Instrução  e  Dedução  Indevida  a  Título de Livro Caixa.  O contribuinte apresentou  Impugnação (e­fls. 02/05), cujas alegações foram  resumidas no relatório do acórdão recorrido (e­fls. 467):  6. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou, em  01/09/2005,  a  impugnação  de  fls.  01  a  04,  juntamente  com  a  documentação de fls. 05 a 36, alegando, em síntese:  6.1  —  que  a  dedução  de  despesas  com  instrução,  relativas  a  dependentes,  está  amparada  por  decisão  judicial,  conforme  documento em anexo (fls. 15 a 23);  6.2  —  que  a  despesa,  a  titulo  de  Livro  Caixa,  relativa  aos  pagamentos efetuados Sra. Partricia Karla Matins de Souza, no  valor  de  R$  300,00,  por  mês,  totalizando  R$  3.600,00  no  ano,  deve  ser aceita, uma vez que a Sra. Patricia  trabalhava para o  impugnante,  como  secretária,  apesar  de  não  ter  sua  CTPS  assinada naquela época;  6.3  —  que  o  pagamento  feito  à  Hard  e  Soft  Informática,  conforme comprovantes em anexo (fls. 35 a 36), no valor total de  R$ 1.800,00, deve ser aceito, visto que o computador adquirido é  necessário  ao  funcionamento  do  escritório,  bem  como  requer  atualizações quase que semestrais;  6.4  —  que  a  exorbitante  multa  aplicada,  fora  dos  limites  da  capacidade contributiva do defendente, impedir á a continuidade  de  suas  atividades,  retirando­lhe  o  indispensável.  Ademais,  aliada aos "vícios anteriormente apontados", e à inflação anual  de aproximadamente 8%, o valor da referida multa tem caráter  cerceador  ao  direito  de  defesa  e  confiscatório,  em  afronta  ao  disposto  no  incios  IV  do  art.  150  da  CF/1988,  o  que  a  torna  inconstitucional. Face a seu valor,  torna­se "verdadeiro  tributo  disfarçado",  tornando­se,  de  acessório,  em  principal,  dado  seu  relevante  valor  diante  do  imposto.  Que  tais  irregularidades  e  vícios,  tornam  nula  a  autuação.  Transcreve  doutrina  e  jurisprudência em favor de suas alegações;  6.5 — que os juros de mora, no percentual de 73,34%, não são  aceitos,  visto  que  sua  citação  para  apresentar  documentos  referentes  ao  imposto  de  renda  do  ano­calendário  de  2000  só  ocorreu  em  abril  de  2005,  data  a  partir  da  qual  podem  ser  aplicados  os  juros.  Também  não  pode  o  impugnante  ser  penalizado  pela  morosidade  da  Receita  Federal,  já  que  sua  declaração foi entregue desde o primeiro semestre de 2001;  6.6 —  por  fim,  requer  seja  declarado nulo  o  auto  de  infração,  por  conter  vícios  e  improbidades  insanáveis;  seja  julgado  improcedente  o  auto  de  infração,  por  falta  de  fundamentação;  Fl. 513DF CARF MF Processo nº 16707.100457/2005­19  Acórdão n.º 2002­001.212  S2­C0T2  Fl. 513          3 seja  reduzida  a  multa  aplicada,  em  virtude  de  seu  caráter  confiscatório; e sejam, também, reduzidos os juros de mora.   O lançamento foi julgado procedente pela 1ª Turma da DRJ/REC em decisão  assim ementada (e­fls. 464/477):  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Ano­calendário: 2000  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  DE  INSTRUÇÃO.  ADMISSIBILIDADE.  A  possibilidade  de  redução  da  renda  bruta,  para  fins  de  apuração da base  de  cálculo  do  imposto  de  renda das  pessoas  físicas,  restringe­se  as  deduções  relacionadas  em  lei,  de  forma  taxativa, nos limites nela consignados.  1RPF. DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA.  O  contribuinte,  pessoa  física,  que  perceber  rendimentos  do  trabalho  não  assalariado,  somente  pode  deduzir,  da  receita  decorrente do exercício da respectiva atividade, as despesas de  custeio indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da  fonte  produtora  que  estejam  devidamente  comprovadas  com  documentação hábil e idônea e escrituradas em Livro Caixa.  GLOSA DE DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. MATÉRIA NÃO  CONTESTADA.  Reputa­se  não  impugnada  a  matéria,  quando  o  contribuinte  concorda expressamente com a infração apontada.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2000  LANÇAMENTO. NULIDADE.  Somente  ensejam  a  nulidade  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.  LEIS  TRIBUTÁRIAS.  INCOMPETÊNCIA  PARA  APRECIAR  ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.  Não  se  encontra  abrangida  pela  competência  da  autoridade  tributária  administrativa  a  apreciação  da  observância  da  constitucionalidade da lei tributária, uma vez que neste juízo os  dispositivos  legais  se  presumem  revestidos  do  caráter  de  validade e eficácia.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2000  Fl. 514DF CARF MF     4 LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  MULTA  DE  OFÍCIO.  LEGALIDADE.  É cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no  percentual  de  75%,  sobre  o  valor  do  imposto  apurado  em  procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o  imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  DE  MORA  COM  BASE  NA  VARIAÇÃO  DA  TAXA  SELIC.  LEGALIDADE.  É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de  mora  com  base  na  variação  da  taxa  Selic,  sobre  o  valor  do  imposto  apurado  em  procedimento  de  oficio,  que  deverão  ser  exigidos  juntamente  com  o  imposto  não  pago  espontaneamente  pelo contribuinte.   Cientificado do acórdão de primeira  instância em 29/05/2008 (e­fls. 483), o  interessado  ingressou  com  Recurso  Voluntário  em  25/06/2008  (e­fls.  484/485)  com  os  argumentos a seguir sintetizados.  ­ Alega que a decisão judicial que estabeleceu a obrigação do pagamento das  despesas com instrução dos alimentandos é de 27/09/2001 mas retroativa a 14/03/1997, como  prova o documento anexo.  ­ Explica que a pensão alimentícia  judicial consiste em duas partes, uma de  8,5 salários mínimos e outra cujo valor é variável, já que é composta por gastos em educação,  saúde, vestuário e lazer.   ­ Requer o deferimento de  todos os gastos  com educação de  seus  filhos,  já  que estão amparados por decisão judicial e que esta não impôs limites.  ­ Esclarece que o imposto recolhido através do DARF em anexo é o valor que  entende devido.    Voto             Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll ­ Relatora  O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade,  portanto, dele tomo conhecimento.   O litígio a ser analisado recai somente sobre a dedução indevida de despesas  com instrução no valor de R$ 7.219,71 mantida na decisão recorrida.  De  acordo  com  o  art.  81  do Regulamento  do  Imposto  de Renda  ­  RIR/99,  aprovado pelo Decreto 3.000/99, vigente à época, somente podem ser deduzidos na Declaração  de  Ajuste  Anual  os  pagamentos  efetuados  a  estabelecimentos  de  ensino  relativamente  à  educação  do  próprio  contribuinte,  de  seus  dependentes,  e  de  seus  alimentandos,  quando  realizados  em  virtude  de  cumprimento  de  decisão  judicial  ou  de  acordo  homologado  Fl. 515DF CARF MF Processo nº 16707.100457/2005­19  Acórdão n.º 2002­001.212  S2­C0T2  Fl. 514          5 judicialmente.  Para  o  ano  calendário  2000  o  limite  anual  individual  previsto  no  referido  dispositivo era de R$ 1.700,00, nos termos da Lei 9.250/95, art. 8º, II, "b".   Extrai­se dos autos que o Colegiado a quo manteve integralmente a glosa das  despesas  com  instrução  de  alimentandos  declaradas  pelo  contribuinte  por  não  estarem  amparadas por determinação judicial no ano calendário em exame. Cabe destacar os seguintes  excertos do voto condutor:  16.1  ­  Da  análise  da  documentação  apresentada  pela  defesa,  verifica­se  que  o  autuado  fica  obrigado a  pagar,  a  seus  filhos,  Adeguinal Marques Campos Netto,  Juliana Ferreira Campos  e  Bárbara  Gabriella  de  Sá  Campos,  pensão  alimentícia  judicial,  no valor mensal de oito e meio salários mínimos, além de custear  suas despesas de educação (fls. 15 a 20).  16.2 ­ No entanto, tal obrigação s6 foi estipulada, judicialmente,  a  partir  de  27/09/2001,  conforme  se  verifica  da  leitura  do  documento de fls. 18.  16.3  ­  Assim,  apesar  de  constarem,  do  processo,  declarações  referentes às mensalidades de Juliana Ferreira Campos, do CDF  Colégio  e  Curso,  no  valor  anual  de  R$  1.807,00  (fls.  21),  de  Bárbara  Gabriella  de  Sá  Campos,  do  Colégio  Salesiano  São  José,  no  valor  anual  de  R$  1.843,71  (fls.  22)  e  de  Adeguinal  Marques Campos Netto, da Faculdade Natalense, no valor anual  de  R$  3.569,00  (fls.  23),  não  é  possível  acatar  tais  despesas  como  deduções,  em  relação  ao  ano­calendário  de  2000.  Isto  porque os pagamentos efetuados is instituições de ensino não se  referem  a  dependentes,  no  ano­calendário  de  2000,  nem  tampouco  encontram­se  amparadas  por  determinação  judicial,  neste período.  [...]  18. Como previsto no § 3° do art. 8° da Lei n° 9.250/1996, acima  transcrito, as despesas de instrução, pagas pelo alimentante, em  nome  do  alimentado,  em  razão  de  decisão  judicial  ou  acordo  homologado  judicialmente,  podem  ser  deduzidas  a  titulo  de  despesas de  instrução, dentro do  limite  ,  ser  considerado como  dedutível a este título. Como acima exposto, a obrigação judicial  só ocorreu a partir de 27/09/2001.  19. Em suma, deve ser mantida a glosa da dedução de despesas  com instrução, no ano­calendário de 2000.  Verifica­se, contudo, que o Termo de Acordo que determinou o pagamento  das despesas com instrução dos alimentandos pelo suplicante (e­fls. 18/20) foi expressamente  homologado  pelo  Juiz  de  Direito  da  Comarca  de  Touros/RN  em  27/09/2001  com  efeito  retroativo à data de 14/03/1997 (e­fls. 22), tal como alega o recorrente, abrangendo, portanto, o  ano calendário objeto do lançamento.  Por  outro  lado,  cumpre  ressaltar  que  o  art.  81,  §3º,  do  RIR/99  prevê  a  dedução das despesas com instrução dos alimentandos em decorrência de decisão  judicial ou  de acordo homologado judicialmente até o limite individual estabelecido em seu §1º:  Fl. 516DF CARF MF     6 Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os  pagamentos  efetuados  a  estabelecimentos  de  ensino  relativamente  à  educação  pré­escolar,  de  1º,  2º  e  3º  graus,  cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e  de  seus dependentes,  até  o  limite  anual  individual  de  um mil  e  setecentos reais  (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º,  inciso II, alínea  "b").  §1º O limite previsto neste artigo corresponderá ao valor de um  mil e setecentos reais, multiplicado pelo número de pessoas com  quem  foram  efetivamente  realizadas  as  despesas,  vedada  a  transferência  do  excesso  individual  para  outra  pessoa  (Lei  nº  9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b").  [...]  § 3º  As  despesas  de  educação  dos  alimentandos,  quando  realizadas  pelo  alimentante  em  virtude  de  cumprimento  de  decisão  judicial  ou  de  acordo  homologado  judicialmente,  poderão  ser  deduzidas  pelo  alimentante  na  determinação  da  base de cálculo, observados os limites previstos neste artigo (Lei  nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º).  Assim,  considerando  que  as  declarações  das  instituições  de  ensino  já  apreciadas  pela  DRJ  confirmam  o  pagamento  das  despesas  com  instrução  de  Adeguinal  Marques Campos Netto, Juliana Ferreira Campos e Bárbara Gabriella de Sá Campos em valor  individual  superior  ao  limite  de  R$  1.700,00  previsto  na  legislação  de  regência  para  o  ano  calendário 2000 (e­fls. 23/25), concluo por restabelecer a dedução de R$ 5.100,00 referente aos  3 alimentandos (3 x R$ 1.700,00).  Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito,  dar­lhe  provimento  parcial  para  restabelecer  a  dedução  de  despesas  com  instrução  no  valor  total de R$ 5.100,00.    (assinado digitalmente)  Mônica Renata Mello Fereira Stoll                                   Fl. 517DF CARF MF

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Numero do processo: 11065.725121/2013-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Considerando-se a atividade principal do Contribuinte - prestação de serviços de transporte de cargas - devem ser consideradas como insumos as despesas com pedágios e as despesas com "uniforme EPI material de proteção", pois essenciais à prestação do serviço. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Considerando-se a atividade principal do Contribuinte - prestação de serviços de transporte de cargas - devem ser consideradas como insumos as despesas com pedágios e as despesas com "uniforme EPI material de proteção", pois essenciais à prestação do serviço. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 9303-008.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento parcial. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento parcial. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Considerando-se a atividade principal do Contribuinte - prestação de serviços de transporte de cargas - devem ser consideradas como insumos as despesas com pedágios e as despesas com "uniforme EPI material de proteção", pois essenciais à prestação do serviço. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Considerando-se a atividade principal do Contribuinte - prestação de serviços de transporte de cargas - devem ser consideradas como insumos as despesas com pedágios e as despesas com "uniforme EPI material de proteção", pois essenciais à prestação do serviço. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.

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O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002  e  da  Lei  n.º  10.833/2003,  deve  ser  interpretado  com  critério  próprio:  o  da  essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade  ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica  realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  nos  autos  do  REsp  n.º  1.221.170,  julgado  na  sistemática dos recursos repetitivos.   A  NOTA  SEI  PGFN  MF  63/18,  por  sua  vez,  ao  interpretar  a  posição  externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição  de  crédito  das  contribuições  não­  cumulativas,  no  sentido  de  que  insumos  seriam  todos  os  bens  e  serviços  que  possam  ser  direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  resulte  na  impossibilidade  ou  inutilidade  da  mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou  obste  a  atividade da empresa ou  acarrete  substancial  perda da qualidade do  produto ou do serviço daí resultantes.  Considerando­se a atividade principal do Contribuinte ­ prestação de serviços  de transporte de cargas ­ devem ser consideradas como insumos as despesas  com  pedágios  e  as  despesas  com  "uniforme  EPI  material  de  proteção",  pois essenciais à prestação do serviço.   TRIBUNAIS  SUPERIORES.  REPERCUSSÃO  GERAL.  NECESSIDADE  DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 51 21 /2 01 3- 52 Fl. 3261DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.262          2 Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno  do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF  nº  343/2015,  os  membros  do  Conselho  devem  observar  as  decisões  definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça,  em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543­B e 543­C da Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  na  forma  disciplinada  pela  Administração  Tributária.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011  PIS/PASEP.  CONTRIBUIÇÃO  NÃO  CUMULATIVA.  CONCEITO  DE  INSUMOS.   O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002  e  da  Lei  n.º  10.833/2003,  deve  ser  interpretado  com  critério  próprio:  o  da  essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade  ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica  realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  nos  autos  do  REsp  n.º  1.221.170,  julgado  na  sistemática dos recursos repetitivos.   A  NOTA  SEI  PGFN  MF  63/18,  por  sua  vez,  ao  interpretar  a  posição  externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição  de  crédito  das  contribuições  não­  cumulativas,  no  sentido  de  que  insumos  seriam  todos  os  bens  e  serviços  que  possam  ser  direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  resulte  na  impossibilidade  ou  inutilidade  da  mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou  obste  a  atividade da empresa ou  acarrete  substancial  perda da qualidade do  produto ou do serviço daí resultantes.  Considerando­se a atividade principal do Contribuinte ­ prestação de serviços  de transporte de cargas ­ devem ser consideradas como insumos as despesas  com pedágios  e  as  despesas  com "uniforme EPI material  de  proteção",  pois essenciais à prestação do serviço.   TRIBUNAIS  SUPERIORES.  REPERCUSSÃO  GERAL.  NECESSIDADE  DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.  Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno  do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF  nº  343/2015,  os  membros  do  Conselho  devem  observar  as  decisões  definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça,  em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543­B e 543­C da Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  na  forma  disciplinada  pela  Administração  Tributária.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Fl. 3262DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.263          3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar­lhe provimento, vencido o  Conselheiro  Jorge  Olmiro  Lock  Freire,  que  lhe  deu  provimento  parcial.  Votaram  pelas  conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.    (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício    (assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello ­ Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas (Presidente em Exercício).     Relatório    Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela  FAZENDA  NACIONAL  (e­fls.  3.079  a  3.100),  com  fulcro  no  art.  67,  do  Anexo  II,  do  Regimento  Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, buscando a  reforma  do  Acórdão  nº  3401004.245  (e­fls.  3.053  a  3.077),  proferido  pela  1ª  Turma  Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 26/10/2017, no sentido de dar  provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o lançamento em relação a "seguros  das cargas, radio e monitoramento, rastreamento e gerenciamento de risco", "pedágios" e  "uniforme EPI e material de proteção". O acórdão recebeu a seguinte ementa:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/COFINS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  INSUMO. CONCEITO.  O  conceito  de  insumo  na  legislação  referente  à  Contribuição  para  o  PIS/COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do  Fl. 3263DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.264          4 IPI  (demasiadamente  restritivo)  ou  do  IR  (excessivamente  alargado),  devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação  de  regência. Há  direito  a  crédito,  para  fins  de  desconto  na  apuração  do  PIS/COFINS,  na  aquisição  de  bens  e  serviços  adquiridos  pela  pessoa  jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade  econômica  (produção,  fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam  necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados  ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da  atividade ou a perda de suas qualidades essenciais.  CRÉDITO EXTEMPORÂNEO DE PIS/COFINS. APLICAÇÃO DE JUROS  SELIC  MAIS  JUROS  DE  1%  (UM  POR  CENTO)  AO  MÊS.  IMPOSSIBILIDADE.  VEDAÇÃO LEGAL.  ARTIGOS  13  E  15 DA  LEI Nº  10.833/2003.  De acordo com o disposto nos artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003, não  cabe aplicar atualização monetária ou  incidência de  juros  sobre  créditos  escriturais de PIS/COFINS. Distinção entre atualização de créditos quando  há oposição estatal em pedidos de ressarcimento e atualização de créditos  extemporâneos.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/COFINS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  INSUMO. CONCEITO.  O  conceito  de  insumo  na  legislação  referente  à  Contribuição  para  o  PIS/COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do  IPI  (demasiadamente  restritivo)  ou  do  IR  (excessivamente  alargado),  devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação  de  regência. Há  direito  a  crédito,  para  fins  de  desconto  na  apuração  do  PIS/COFINS,  na  aquisição  de  bens  e  serviços  adquiridos  pela  pessoa  jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade  econômica  (produção,  fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam  necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados  ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da  atividade ou a perda de suas qualidades essenciais.  CRÉDITO EXTEMPORÂNEO DE PIS/COFINS. APLICAÇÃO DE JUROS  SELIC  MAIS  JUROS  DE  1%  (UM  POR  CENTO)  AO  MÊS.  IMPOSSIBILIDADE.  VEDAÇÃO LEGAL.  ARTIGOS  13  E  15 DA  LEI Nº  10.833/2003.  De acordo com o disposto nos artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003, não  cabe aplicar atualização monetária ou  incidência de  juros  sobre  créditos  escriturais de PIS/COFINS. Distinção entre atualização de créditos quando  há oposição estatal em pedidos de ressarcimento e atualização de créditos  extemporâneos.    Não  resignada  com  a  decisão  na  parte  que  lhe  foi  desfavorável,  a  Fazenda  Nacional  interpôs  recurso  especial  (e­fls.  3.079  a  3.100)  suscitando  divergência  Fl. 3264DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.265          5 jurisprudencial  com  relação  ao  conceito  de  insumos,  à  glosa  de  pedágios  e  à  glosa  de  materiais  de  segurança/EPI.  Para  comprovar  o  dissenso  interpretativo,  colacionou  como  paradigmas os Acórdãos n.º 203­12.448, 3401­002.857 e 3403­002.477, respectivamente.   No exame de admissibilidade de 15/03/2018  (e­fls.  3.164 a 3.168),  foi  dado  seguimento  ao  recurso  especial  da Fazenda Nacional,  por  ter  entendido  o Presidente da 4ª  Câmara como comprovada a divergência jurisprudencial com relação a todos os itens contra  os quais se insurge a Recorrente.   De  outro  lado,  o  Contribuinte,  devidamente  intimado,  apresentou  contrarrazões ao recurso especial (e­fls. 3.210 a 3.220), postulando, preliminarmente, o não  conhecimento do apelo e, no mérito, a sua negativa de provimento.   O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado  e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ­ 3ª  Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.   É o Relatório.       Voto               Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora     Admissibilidade    O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos  requisitos  de  admissibilidade  constantes  no  art.  67  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais  ­ RICARF,  aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de  junho  de  2015  (anteriormente  Portaria  MF  n.º  256/2009),  devendo,  portanto,  ter  prosseguimento.   Nesse  sentido,  em atenção às  contrarrazões da Contribuinte que postula o não  conhecimento do  recurso especial da Fazenda, pertinente  trazer que se está de acordo com o  exame de admissibilidade (e­fls. 3.164 a 3.168), proferido pelo Ilustre Presidente da 4ª Câmara  da 3ª Seção do CARF, in verbis:    [...]  Fl. 3265DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.266          6 No  Recurso  Especial,  a  Fazenda  Nacional  suscita  divergência  com relação aos seguintes itens:  1)  Conceito  de  insumos  2)  Da  Glosa  de  Pedágio  3)  Dos  materiais de segurança – EPI São estes os fatos.  1) Conceito de insumos   Para  comprovar  o  dissenso  em  relação  à  primeira matéria  foI  colacionado,  como  paradigma,  o  Acórdão  nº  203­12.448.  Vejamos sua ementa, transcrita na parte de interesse ao presente  exame:  “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do  fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o  direito  ao  crédito,  bem  como  compõem  a  base  cálculo  do  crédito  presumido,  além  dos  que  se  integram  ao  produto  final  (matérias­primas  e  produtos intermediários, stricto sensu, e material de  embalagem); e os artigos que se consumam durante  o processo produtivo e que não faça parte do ativo  permanente,  mas  que  nesse  consumo  continue  guardando  uma  relação  intrínseca  com  o  conceito  stricto  sensu  de  matéria­prima  ou  produto  intermediário:  exercer  na  operação  de  industrialização  um  contato  físico  tanto  entre  uma  matéria­prima  e  outra,  quanto  da  matéria­prima  com o produto final que se forma.  PIS/PASEP.  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL.  O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da  não  cumulatividade  há  que  obedecer  às  condições  específicas ditadas pelo artigo 3º da Lei nº 10.637,  de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF nº 247, de 2002,  com  as  alterações  da  IN  SRF  nº  358,  de  2003.  Incabíveis, pois,  créditos originados de gastos com  seguros  (incêndio,  vendaval  etc),  material  de  segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares),  materiais  de  uso  geral  (buchas  para  máquinas,  cadeado,  disjuntor,  calço  para  prensa,  catraca,  correias,  cotovelo,  cruzetas,  reator para  lâmpada),  peças  de  reposição  de  máquinas,  amortização  de  despesas  operacionais,  conservação  e  limpeza,  manutenção predial.  Recurso negado”   O acórdão recorrido decidiu, em relação ao conceito de insumo,  que para  fins  de  creditamento não­cumulativo de  contribuições  para  PIS/COFINS  não  há  correspondência  com  o  extraído  da  legislação  do  IPI  ou  do  Imposto  de  Renda,  afirmando  que  o  insumo deve ser necessário ao processo produtivo para vir a ser  utilizado como crédito no regime nãocumulativo das respectivas  contribuições. Nesta  linha  de  entendimento  o  recorrido  decidiu  Fl. 3266DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.267          7 por  afastar  o  lançamento  relacionado  com  “seguros  de  carga,  radio e monitoramento, rastreamento e gerenciamento de risco”;  “pedágios” e “uniforme EPI e material de proteção”.  Por sua vez, o acórdão paradigma entendeu que somente podem  ser  considerados  insumos,  para  fins  de  cálculo  do  crédito  referente  à PIS/COFINS  não­cumulativa,  aqueles  elencados  no  art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF nº  247,  de  2002,  com  as  alterações  da  IN  SRF  nº  358,  de  2003,  adotando­se  a  tese  da  definição  de  “insumos”  prevista  na  legislação do IPI, a teor do Parecer Normativo nº 65/79.  Com  essas  considerações,  conclui­se  que  a  divergência  jurisprudencial foi comprovada em relação à primeira matéria.  2) Da Glosa de Pedágio   Para  comprovar  o  dissenso  em  relação  à  segunda matéria  foi  colacionado,  como  paradigma,  o  Acórdão  nº  3401­002.857.  Vejamos sua ementa, transcrita na parte de interesse ao presente  exame:  “ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  Ano­ calendário: 2009, 2010, 2011 (...)  DESPESAS  COM  PEDÁGIO.  NÃO  SE  ENQUADRAM  COMO  INSUMO.  Despesas  com  vale­pedágio  não  podem gerar  crédito  de PIS  e  COFINS, devendo ser mantida a glosa realizada pela autoridade  fiscal” O acórdão recorrido decidiu, em relação ao conceito de  insumo,  que,  para  fins  de  creditamento  não­cumulativo  de  contribuições  para  PIS/COFINS  na  atividade  de  transporte,  admite­se o creditamento em relação aos gastos com pedágios.  Entretanto,  o  acórdão  paradigma  decidiu  em  sentido  diametralmente  oposto,  entendendo que  os  gastos  com pedágio  na atividade de prestação de serviço de transporte rodoviário de  carga  não  geram  crédito  a  ser  descontado  no  regime  não­ cumulativo da contribuição para PIS/COFINS.  Com  essas  considerações,  conclui­se  que  a  divergência  jurisprudencial foi comprovada em relação à segunda matéria.  3) Dos materiais de segurança ­ EPI   Para  comprovar  o  dissenso  em  relação  à  terceira  matéria  foi  colacionado,  como  paradigma,  o  Acórdão  nº  3403­002.477.  Vejamos sua ementa, transcrita na parte de interesse ao presente  exame:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS.  Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 (...)  COFINS. NÃO­CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.  Fl. 3267DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.268          8 O  conceito  de  insumo  na  legislação  referente  à  COFINS  não  guarda  correspondência  com  o  extraído  da  legislação  do  IPI  (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado).  Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário  ao  processo  produtivo/fabril,  e,  consequentemente,  à  obtenção  do  produto  final.  Para  a  empresa  agroindustrial,  constituem  insumos: materiais de limpeza e desinfecção, inclusive diluentes;  embalagens utilizadas para transporte;  combustíveis;  lubrificantes  e  graxa;  fretes  de  mercadoria  com  destino  a  porto;  e  serviços  de  transporte  de  sangue  e  armazenamento de resíduos.  Por  outro  lado,  não  constituem  insumos:  uniformes,  artigos  de  vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais  de uso pessoal;  bens  do  ativo,  inclusive  ferramentas  e  materiais  utilizados  em  máquinas e equipamentos; bens não sujeitos ao pagamento das  contribuições  (o  que  inclui  a  situação  de  alíquota  zero);  bens  adquiridos  em  que  a  venda  é  feita  com  suspensão  das  contribuições,  com  fundamento  no  art.  9o  da  Lei  no  10.925/2004”  O acórdão recorrido decidiu que cabe o creditamento dos gastos  incorridos  com  equipamentos  de  proteção  obrigatórios  para  a  execução  de  trabalho  de  transporte,  tais  como  extintores  de  incêndio, luvas especiais, botas especiais e máscaras.  O acórdão paradigma decidiu que os gastos com equipamentos  de proteção de empregados não geram direito a créditos do PIS  e  da  COFINS  não­cumulativos  tendo  em  vista  que,  apesar  de  poder  haver  uma  relação  indireta  com  a  produção  (por  exigência  sanitária,  por  poder  afetar  a  qualidade  do  produto  final,  ou  até  por  contribuir  pela  segurança  dos  funcionários),  não são utilizados diretamente no processo produtivo fabril.  Estamos diante de duas situações bem semelhantes relacionadas  com  equipamentos  de  segurança  de  funcionários  que  foram  tratadas e analisadas nos acórdãos recorrido e paradigma com  o  fim de  verificar  a  pertinência  de  sua  utilização  como  crédito  das  contribuições  de  PIS/COFINS  dentro  do  regime  da  não­ cumulatividade. Apesar de serem atividades distintas (prestação  de  serviço  de  transporte  e  processo  fabril  de  produtos  alimentícios),  entendo  haver  caracterizado  a  divergência  tendo  em  vista  se  tratar  de  equipamentos  de  proteção  individual  dos  funcionários  em  ambas  as  circunstâncias,  o  que  requer  indubitavelmente  um  posicionamento  sobre  a  referida  matéria  pela CSRF.  Com  essas  considerações,  conclui­se  que  a  divergência  jurisprudencial foi comprovada em relação à terceira matéria.  [...]    Fl. 3268DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.269          9 Por essas razões, entende­se deva ser conhecido o recurso especial da Fazenda  Nacional.     Mérito     No mérito, adentra­se à análise do conceito de insumos, e, por conseguinte, do  direito  ao  crédito  de  PIS  e  COFINS  não­cumulativos  decorrentes  de:  (1)  despesas  com  pedágio; e (2) materiais de proteção e EPI.    De  início,  explicita­se  o  conceito  de  insumos  adotado  no  presente  voto,  para  posteriormente adentrar­se à análise dos itens individualmente.   A sistemática da não­cumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS  foi  instituída,  respectivamente,  pela  Medida  Provisória  nº  66/2002,  convertida  na  Lei  nº  10.637/2002  (PIS)  e  pela Medida  Provisória  nº  135/2003,  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003  (COFINS).  Em  ambos  os  diplomas  legais,  o  art.  3º,  inciso  II,  autoriza­se  a  apropriação  de  créditos  calculados  em  relação  a  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  fabricação  de  produtos destinados à venda.1   O  princípio  da  não­cumulatividade  das  contribuições  sociais  foi  também  estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional  nº  42/2003,  consignando­se  a  definição  por  lei  dos  setores  de  atividade  econômica  para  os  quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2  A  disposição  constitucional  deixou  a  cargo  do  legislador  ordinário  a  regulamentação da sistemática da não­cumulatividade do PIS e da COFINS.   Por  meio  das  Instruções  Normativas  nºs  247/02  (com  redação  da  Instrução  Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua  interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de                                                              1 Lei  nº  10.637/2002  (PIS). Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos calculados em relação a: [...] II ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante  ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e  87.04 da TIPI; [...].     Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar  créditos calculados em relação a: [...]II ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante  ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e  87.04 da Tipi; [...]   2   Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma  direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do  Distrito Federal  e dos Municípios,  e das  seguintes contribuições  sociais:  I  ­ do empregador, da empresa e da  entidade  a  ela  equiparada  na  forma  da  lei,  incidentes  sobre:  [...]  b)  a  receita  ou  o  faturamento;  [...]  IV  ­  do  importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores  de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput,  serão não­cumulativas. (grifou­se)      Fl. 3269DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.270          10 insumos  adotada  pelos  mencionados  atos  normativos  é  excessivamente  restritiva,  assemelhando­se  ao  conceito  de  insumos  utilizado  para  utilização  dos  créditos  do  IPI  –  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  estabelecido  no  art.  226  do Decreto  nº  7.212/2010  (RIPI).   As  Instruções  Normativas  nºs  247/2002  e  404/2004,  ao  admitirem  o  creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de  fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximando­se da legislação  do  IPI que  traz  critério  demasiadamente  restritivo,  extrapolaram  as disposições da  legislação  hierarquicamente  superior  no  ordenamento  jurídico,  a  saber,  as  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003,  e  contrariaram  frontalmente  a  finalidade  da  sistemática  da  não­cumulatividade  das  contribuições  do  PIS  e  da  COFINS.  Patente,  portanto,  a  ilegalidade  dos  referidos  atos  normativos.  Nessa senda, entende­se  igualmente impróprio para conceituar insumos adotar­ se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ ­ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois  demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299  do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poder­se­ia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da  pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou  da prestação de serviços como um todo.   Em Declaração  de  Voto  apresentada  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  13053.000211/2006­72,  em  sede  de  julgamento  de  recurso  especial  pelo  Colegiado  da  3ª  Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou:    [...]  permaneço  não  compartilhando  do  entendimento  pela  possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a  definição  de  "insumos"  pretendida.  Reconheço,  no  entanto,  que  o  raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir  controvérsias mais estritas.    Isso  porque  a  utilização  da  legislação  do  IRPJ  alargaria  sobremaneira  o  conceito  de  "insumos"  ao  equipará­lo  ao  conceito  contábil  de  "custos  e  despesas  operacionais"  que  abarca  todos  os  custos  e  despesas  que  contribuem  para  a  atividade  de  uma  empresa  (não  apenas  a  sua  produção),  o  que  distorceria  a  interpretação  da  legislação  ao  ponto  de  torná­la  inócua  e  de  resultar  em  indesejável  esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não  o produto, mas sim o produtor, subjetivamente.    As Despesas Operacionais  são  aquelas  necessárias  não  apenas  para  produzir  os  bens,  mas  também  para  vender  os  produtos,  administrar  a  empresa  e  financiar  as  operações. Enfim,  são  todas  as  despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional  da  empresa. Não que  elas não possam ser passíveis de creditamento,  mas tem que atender ao critério da essencialidade.  [...]  Estabelece  o  Código  Tributário  Nacional  que  a  segunda  forma  de  integração  da  lei  prevista  no  art.  108,  II,  do CTN  são  os  Princípios  Gerais  de  Direito  Tributário.  Na  exposição  de  motivos  da  Medida  Provisória  n.  66/2002,  in  verbis,  afirma­se  que  “O  modelo  ora  Fl. 3270DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.271          11 proposto  traduz  demanda  pela  modernização  do  sistema  tributário  brasileiro  sem,  entretanto,  pôr  em  risco  o  equilíbrio  das  contas  públicas,  na  estrita  observância  da  Lei  de  Responsabilidade  Fiscal.  Com  efeito,  constitui  premissa  básica  do  modelo  a  manutenção  da  carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da  cobrança do PIS/Pasep.”  Assim  sendo,  o  conceito  de  "insumos",  portanto,  muito  embora  não  possa  ser  o  mesmo  utilizado  pela  legislação  do  IPI,  pelas  razões  já  exploradas,  também  não  pode  atingir  o  alargamento  proposto  pela  utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR.     Ultrapassados  os  argumentos  para  a não  adoção  dos  critérios  da  legislação  do  IPI  nem  do  IRPJ,  necessário  estabelecer­se  o  critério  a  ser  utilizado  para  a  conceituação  de  insumos.   Diante  do  entendimento  consolidado  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais  ­ CARF,  inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o  conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso  II  da  Lei  10.833/2003,  deve  ser  interpretado  com  critério  próprio:  o  da  essencialidade.  Referido  critério  traduz  uma  posição  "intermediária"  construída  pelo  CARF,  na  qual,  para  definir insumos, busca­se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a  atividade realizada pelo Contribuinte.   Conceito  mais  elaborado  de  insumo,  construído  a  partir  da  jurisprudência  do  próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no  Acórdão nº 9303­003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014:      [...]   Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não  cumulativos,  partindo  de  uma  interpretação  histórica,  sistemática  e  teleológica das próprias normas  instituidoras de  tais  tributos  (Lei no.  10.637/2002  e  10.833/2003),  deve  ser  entendido  como  todo  custo,  despesa  ou  encargo  comprovadamente  incorrido  na  prestação  de  serviço  ou  na  produção  ou  fabricação  de  bem  ou  produto  que  seja  destinado  à  venda,  e  que  tenha  relação  e  vínculo  com  as  receitas  tributadas  (critério  relacional),  dependendo,  para  sua  identificação,  das especificidades de cada processo produtivo.       Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado  pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende  analisar  se  há:  pertinência  ao  processo  produtivo  (aquisição  do  bem  ou  serviço  especificamente  para  utilização  na  prestação  do  serviço  ou  na  produção,  ou,  ao menos,  para  torná­lo  viável);  essencialidade  ao  processo  produtivo  (produção  ou  prestação  de  serviço  depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de  produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o  bem produzido).   Fl. 3271DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.272          12 Portanto,  para  que  determinado  bem  ou  prestação  de  serviço  seja  considerado  insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo  produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova.   Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual  reconhece,  para  a  definição  do  conceito  de  insumo,  critério  amplo/próprio  em  função  da  receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo  ou à prestação do serviço. O entendimento está  refletido no voto do Ministro Relator Mauro  Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317­MG, sintetizado na ementa:    PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO  ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO,  DO CPC.  INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.  98/STJ. CONTRIBUIÇÕES  AO PIS/PASEP E COFINS NÃO­CUMULATIVAS. CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS.  ART.  3º,  II,  DA  LEI  N.  10.637/2002  E  ART.  3º,  II,  DA  LEI  N.  10.833/2003.  ILEGALIDADE  DAS  INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004.  1.  Não  viola  o  art.  535,  do  CPC,  o  acórdão  que  decide  de  forma  suficientemente  fundamentada  a  lide,  muito  embora  não  faça  considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados  pelas partes.  2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica  multa  a  embargos  de  declaração  interpostos  notadamente  com  o  propósito  de  prequestionamento.  Súmula  n.  98/STJ:  "Embargos  de  declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento  não têm caráter protelatório".  3.  São  ilegais  o  art.  66,  §5º,  I,  "a"  e  "b",  da  Instrução Normativa  SRF n. 247/2002 ­ Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF  n.  358/2003)  e  o  art.  8º,  §4º,  I,  "a"  e "b",  da  Instrução Normativa  SRF n. 404/2004 ­ Cofins, que restringiram indevidamente o conceito  de  "insumos"  previsto  no  art.  3º,  II,  das  Leis  n.  10.637/2002  e  n.  10.833/2003,  respectivamente,  para  efeitos  de  creditamento  na  sistemática de não­cumulatividade das ditas contribuições.  4. Conforme  interpretação  teleológica e sistemática do ordenamento  jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art.  3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não  se  identifica  com  a  conceituação  adotada  na  legislação  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  posto  que  excessivamente  restritiva.  Do  mesmo  modo,  não  corresponde  exatamente  aos  conceitos  de  "Custos  e  Despesas  Operacionais"  utilizados  na  legislação  do  Imposto  de  Renda  ­  IR,  por  que  demasiadamente  elastecidos.  5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e  art.  3º,  II,  da  Lei  n.  10.833/2003,  todos  aqueles  bens  e  serviços  pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação  de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados  e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do  serviço  ou  da  produção,  isto  é,  cuja  subtração  obsta  a  atividade  da  Fl. 3272DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.273          13 empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou  serviço daí resultantes.  6.  Hipótese  em  que  a  recorrente  é  empresa  fabricante  de  gêneros  alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza.  No  ramo  a  que  pertence,  as  exigências  de  condições  sanitárias  das  instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da  produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante.  A  assepsia  é  essencial  e  imprescindível  ao  desenvolvimento  de  suas  atividades.  Não  houvessem  os  efeitos  desinfetantes,  haveria  a  proliferação  de  microorganismos  na  maquinaria  e  no  ambiente  produtivo  que  agiriam  sobre  os  alimentos,  tornando­os  impróprios  para o consumo. Assim, impõe­se considerar a abrangência do termo  "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza  e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados  no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios.  7. Recurso especial provido.   (REsp  1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES,  SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou­ se)    Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art.  3º,  II  da Lei  nº 10.833/2003,  todos os bens  e  serviços pertinentes  ao processo produtivo  e à  prestação  de  serviços,  ou  ao  menos  que  os  viabilizem,  podendo  ser  empregados  direta  ou  indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo  e da prestação do  serviço,  objetando ou comprometendo a qualidade da própria  atividade da  pessoa jurídica.  Ainda,  no  âmbito  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  o  tema  foi  julgado  pela  sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 ­ PR, no sentido  de  reconhecer  a  ilegalidade  das  Instruções  Normativas  SRF  nºs  247/2002  e  404/2004  e  aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação  de  insumo para os  créditos de PIS  e COFINS no  regime não­cumulativo. Em 24.4.2018,  foi  publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa:     “TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  NÃO­ CUMULATIVIDADE.  CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS.  DEFINIÇÃO  ADMINISTRATIVA  PELAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E  DESVIRTUADOR  DO  SEU  ALCANCE  LEGAL.  DESCABIMENTO.  DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE  INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA  ESSENCIALIDADE  OU  RELEVÂNCIA.  RECURSO  ESPECIAL  DA  CONTRIBUINTE  PARCIALMENTE CONHECIDO,  E,  NESTA  EXTENSÃO,  PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543­C DO CPC/1973  (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015).   1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e  COFINS,  a  definição  restritiva  da  compreensão  de  insumo,  proposta  na  IN  247/2002  e  na  IN  404/2004,  ambas  da  SRF,  efetivamente  desrespeita  o  Fl. 3273DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.274          14 comando  contido  no  art.  3o.,  II,  da Lei  10.637/2002  e  da Lei  10.833/2003,  que contém rol exemplificativo.   2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade  ou  relevância,  vale  dizer,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento  da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.   3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e,  nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à  instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da  empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas  com:  água,  combustíveis  e  lubrificantes,  materiais  e  exames  laboratoriais,  materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual­EPI.   4.  Sob  o  rito  do  art.  543­C  do  CPC/1973  (arts.  1.036  e  seguintes  do  CPC/2015),  assentam­se  as  seguintes  teses:  (a)  é  ilegal  a  disciplina  de  creditamento  prevista  nas  Instruções  Normativas  da  SRF  ns.  247/2002  e  404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade  da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002  e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios  de  essencialidade  ou  relevância,  ou  seja,  considerando­se  a  imprescindibilidade ou a  importância de  terminado  item  ­ bem ou serviço  ­  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  Contribuinte.”    Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito  em  julgado  do  acórdão  do  recurso  especial  nº  1.221.170­PR  pela  sistemática  dos  recursos  repetitivos, embora já tenha havido o julgamento de embargos de declaração interpostos pela  Fazenda  Nacional,  no  sentido  de  lhe  ser  negado  provimento3.  Faz­se  a  ressalva  do  entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão  contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já  estão obrigados a reproduzir referida decisão.                                                              3  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  CONTRA  ACÕRDÃO  QUE  DEU  PARCIAL  PROVIMENTO  AO  RECURSO  ESPECIAL    REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA.  CONCEITO DE INSUMO. PIS. COFINS. CREDITAMENTO DE DESPESAS EXPRESSAMENTE VEDADAS  POR  LEI.  ARGUMENTOS  TRAZIDOS  UNICAMENTE  EM  SEDE  DE  DECLARATÓRIOS.  IMPOSSIBILIDADE. INDEVIDA AMPLIAÇÃO DA CONTROVÉRSIA JULGADA SOB O RITO ART. 543­C  DO CPC/73 (ART. 1.036 DO CPC/15). OMISSÃO OU OBSCURIDADE NÃO VERIFICADAS. EMBARGOS  DE DECLARAÇÃO DA UNIÃO A QUE SE NEGA PROVIMENTO.  1. É vedado, em sede de agravo regimental ou embargos de declaração, ampliar a quaestio veiculada no recurso  especial,  inovando  questões  não  suscitadas  anteriormente  (AgRg  no  REsp  1.378.508/SP,  Rel.  Min.  FELIX  FISCHER, DJe 07.12.2016).  2. Os argumentos trazidos pela UNIÃO em sede de Embargos de Declaração, (enquadramento como insumo de  despesas  cujo  creditamento  é    expressamente  vedado  em  lei),  não  foram  objeto  de  impugnação  quando  da  interposição  do  Recurso  Especial  pela  empresa  ANHAMBI  ALIMENTOS  LTDA,  configurando,  portanto,  indevida ampliação da controvérsia, vedada em sede de Embargos Declaratórios.  3. Embargos de Declaração da UNIÃO a que se nega provimento.  (EDcl no REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO,  julgado  em 14/11/2018, DJe 21/11/2018)    Fl. 3274DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.275          15 Para melhor elucidar meu direcionamento, além de ter desenvolvido o conceito  de  insumo  anteriormente,  importante  ainda  trazer  que,  recentemente,  foi  publicada  a NOTA  SEI PGFN/MF 63/2018:    "Recurso Especial  nº  1.221.170/PR Recurso  representativo  de  controvérsia.  Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e  404/2004.  Aferição  do  conceito  de  insumo  à  luz  dos  critérios  de  essencialidade  ou  relevância.  Tese  definida  em  sentido  desfavorável  à  Fazenda Nacional.  Autorização  para  dispensa  de  contestar  e  recorrer  com  fulcro  no  art.  19,  IV,  da  Lei  n°  10.522,  de  2002,  e  art.  2º,  V,  da  Portaria  PGFN  n°  502,  de  2016.  Nota  Explicativa  do  art.  3º  da  Portaria  Conjunta  PGFN/RFB nº 01/2014."    A  Nota  clarifica  a  definição  do  conceito  de  insumos  na  “visão”  da  Fazenda  Nacional (Grifos meus):     “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell  Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de  insumos,  que  se  trata  da  “própria  objetivação  segura  da  tese  aplicável  a  revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou  serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo  contribuinte”.   Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis  para sua aplicação in concreto.   42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo  produtivo  e  a  prestação  de  serviços  e  que  neles  possam  ser  direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  resulte  na  impossibilidade  ou  inutilidade  da  mesma  prestação  do  serviço  ou  da  produção,  ou  seja,  itens  cuja  subtração  ou  obste  a  atividade  da  empresa  ou  acarrete  substancial  perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.  43.  O  raciocínio  proposto  pelo  “teste  da  subtração”  a  revelar  a  essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio  sine qua non” para a produção ou prestação do serviço.   Busca­se  uma  eliminação  hipotética,  suprimindo­se  mentalmente  o  item  do  contexto  do  processo  produtivo  atrelado  à  atividade  empresarial  desenvolvida. Ainda que se observem despesas  importantes para a empresa,  inclusive  para  o  seu  êxito  no  mercado,  elas  não  são  necessariamente  essenciais  ou  relevantes,  quando  analisadas  em  cotejo  com  a  atividade  principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo."    Com tal Nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços  que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade  ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou  Fl. 3275DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.276          16 obste  a  atividade  da  empresa  ou  acarrete  substancial  perda  da  qualidade  do  produto  ou  do  serviço daí resultantes.  Ademais,  tal  ato  ainda  reflete  sobre  o  “teste  de  subtração”  que  deve  ser  feito  para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo.  Eis o item 15 da Nota PGFN:     “15.  Deve­se,  pois,  levar  em  conta  as  particularidades  de  cada  processo  produtivo,  na  medida  em  que  determinado  bem  pode  fazer  parte  de  vários  processos  produtivos,  porém,  com  diferentes  níveis  de  importância,  sendo  certo  que  o  raciocínio  hipotético  levado  a  efeito  por  meio  do  “teste  de  subtração”  serviria  como  um  dos  mecanismos  aptos  a  revelar  a  imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo.   16. Nesse diapasão, poder­se­ia caracterizar como insumo aquele item – bem  ou  serviço  utilizado  direta  ou  indiretamente  ­  cuja  subtração  implique  a  impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause  perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil.   17.  Observa­se  que  o  ponto  fulcral  da  decisão  do  STJ  é  a  definição  de  insumos  como  sendo  aqueles  bens  ou  serviços  que,  uma  vez  retirados  do  processo  produtivo,  comprometem  a  consecução  da  atividade­fim  da  empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo.   É  o  raciocínio  que  decorre  do  mencionado  “teste  de  subtração”  a  que  se  refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.”    No  caso  dos  autos,  conforme  já  afirmado,  a  Contribuinte  RÁPIDO  TRANSPAULO é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal de prestação  de  serviços  de  transportes.  Importa  ter  em  perspectiva  referida  atividade  econômica  desenvolvida  pela  Recorrida,  pois  ao  se  adotar  o  critério  da  pertinência,  relevância  e  essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados  frente ao serviço prestado pelo Sujeito Passivo em referência.   O  acórdão  recorrido  entendeu  por  afastar  as  glosas  relativas  aos  dispêndios  com  o  pagamento  de  pedágio  e materiais  de  proteção  e  segurança  ­  EPI,  com  base  no  conceito intermediário de insumos e, ainda, nos seguintes fundamentos:    [...]  Pelas considerações expostas, há que se concordar que o conceito utilizado  pela  Receita  Federal  é  restritivo  demais  e  não  guarda  sintonia  com  as  próprias  normas  que  emanam  da  legislação  de  regência  do  PIS  e  da  COFINS.  Por  outro  lado,  a  partir  da  leitura  dessa  mesma  legislação,  constata­se  que  “é  necessário  que  essa  utilização  se  dê  na  qualidade  de  "insumo"  ("utilizados  como  insumo").  Isto  significa  que  a  qualidade  de  "insumo" é  algo  a mais que  a mera utilização na produção ou fabricação, o  Fl. 3276DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.277          17 que  também  afasta  a  utilização  dos  conceitos  de  "Custos  e  Despesas  Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja  necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico  e  íntimo  ao  processo  produtivo”.  (REsp  1246317/MG,  Trecho  do  Voto  Vencedor do Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES)  Portanto, reconhecendo que o conceito de  insumo deve observar um regime  jurídico  próprio,  extraído  da  interpretação  de  sua  legislação  de  regência,  pode­se entender que há direito a crédito, para fins de desconto na apuração  do  PIS/COFINS,  na  aquisição  de  bens  e  serviços  adquiridos  pela  pessoa  jurídica  que  tenham  uma  relação  de  inerência/pertinência  com  a  atividade  econômica  (produção,  fabricação  ou  prestação  de  serviços),  assim,  sejam  necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou  por  viabilizarem  a  atividade,  e  cuja  subtração  implica  a  inexistência  da  atividade ou a perda de suas qualidades essenciais.  [...]   De acordo com o laudo de fls. 2954, denominado “Laudo Técnico sobre a  Aplicação  de  Insumos  e Gastos  em  Processo  de  Prestação  de  Serviços  de  Transporte de Cargas”, a Recorrente desenvolve a atividade de prestação de  serviços de transporte rodoviário de cargas em geral, em âmbito municipal,  intermunicipal e interestadual, por conta própria e de terceiros.  Com isso, considerando que a atividade que gera receitas tributáveis pelas  contribuições  é  a prestação  de  serviços de  transporte  rodoviário  de  carga,  devem ser considerados como insumos, para fins de direito de desconto de  crédito, as despesas relacionadas à aquisição de bens e serviços adquiridos  pela Recorrente para a prestação de serviços dessa natureza, bens e serviços  esses que tenham uma relação de inerência/pertinência com essa atividade,  assim considerados aqueles bens e  serviços utilizados na atividade ou que  viabilizam a atividade, cuja subtração acarrete a impossibilidade ou prejuízo  de qualidades essenciais da prestação de serviços rodoviários.  [...]  Por  outro  lado,  no  que  se  refere  aos  gastos  com  os  serviços  de  pedágio,  entendo  que  há  relação  de  inerência/pertinência  com  a  atividade,  qualificando­se  como  insumo  a  gerar  direito  de  crédito,  ficando  reconhecido o direito de crédito em relação ao item "pedágios".  [...]  Com  relação ao  item "uniforme EPI material  de  proteção",  a Recorrente  defende  que  essa  conta  é  composta  de  equipamentos  de  proteção  obrigatórios para a execução de trabalhos de transporte, como extintores de  incêndio, luvas especiais, botas especiais e máscaras. Entendo que os itens  se segurança são essenciais à prestação de serviços da Recorrente, de modo  que reconheço o direito de crédito em relação a tais itens.  [...]    Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 11065.725121/2013­52  Acórdão n.º 9303­008.474  CSRF­T3  Fl. 3.278          18 A  Fazenda  Nacional,  por  meio  de  recurso  especial,  confronta  o  acórdão  do  recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não­ cumulativos pela Contribuinte decorrentes de (1) despesas com pedágios e (2) despesas com  "uniforme EPI material de proteção".   Na  perspectiva  do  conceito  de  insumos  segundo  o  critério  da  pertinência,  relevância e essencialidade ao processo produtivo, entende­se não assistir razão à Recorrente  quanto  ao  pedido  de  restabelecimento  das  glosas,  pois  as  despesas  em  testilha  têm  relação  direta com a atividade econômica principal da empresa contribuinte – a prestação dos serviços  de transporte. Aplicando­se aos referidos itens o "teste de subtração", chega­se à conclusão de  que  haveria,  no  mínimo,  o  comprometimento  da  qualidade  na  prestação  do  serviço  do  transporte rodoviário de cargas, e até mesmo a sua impossibilidade, por serem o pedágio e os  materiais de segurança essenciais à atividade econômica, razão pela qual deve ser reconhecido  o direito ao crédito.   Conforme  esclarecido  pela  Contribuinte,  nos  presentes  autos,  as  despesas  de  pedágio foram custeadas por ela própria, na condição de prestadora dos serviços de transporte.  São  dispêndios  verificados  no  transporte  rodoviário,  sendo  essenciais  para  a  conclusão  do  serviço de transporte, e cuja cobrança é realizada pelo próprio Poder Público ou por empresas  autorizadas a explorar e conservar as rodovias.   De  outro  lado,  quanto  aos  uniformes  e  equipamentos  de  segurança,  informa  destinarem­se à movimentação da carga e redução dos impactos do ambiente do trabalho; além  disso,  tratam­se  de  exigências  e  condições  impostas  pela  legislação  trabalhista  (CLT),  pelos  Sindicatos  e  pelo  Ministério  Público  do  Trabalho.  A  Recorrida  ficaria  sujeita  ao  risco  de  suspensão  de  suas  atividades  na  hipótese  de  descumprimento  das  normas  de  segurança,  mediante aquisição dos itens essenciais a prestação dos serviços de transporte de cargas.   Portanto,  deve  ser  mantido  o  reconhecimento  do  direito  ao  crédito  de  PIS  e  COFINS não­cumulativos com relação às despesas com pedágio e com "uniforme EPI material  de proteção".      Dispositivo    Diante  do  exposto,  conhecido  o  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional,  no  mérito, nega­se provimento ao mesmo.   É o voto.    (assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello              Fl. 3278DF CARF MF

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7780897 #
Numero do processo: 13819.906536/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.073
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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Relatório  Trata  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  da  DRJ,  que  considerou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  contra  despacho  decisório,  nos  seguintes  termos:    (...)   PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO  INFORMADO NO PER/DCOMP.  Inexistindo  o  direito  creditório  informado  no  Pedido  Eletrônico  de  Restituição/Ressarcimento ­ PER, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 06 53 6/ 20 12 -1 8 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13819.906536/2012­18  Resolução nº  3402­002.073  S3­C4T2  Fl. 3            2 PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  RETIFICAÇÃO  DE  DCTF.  ERRO  DE  FATO.  NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.  A  retificação  de  declaração  já  apresentada  à  RFB  somente  é  válida  quando  acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no  preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN).  (...)    Intimada  desta  decisão,  a  empresa  apresentou  Recurso  Voluntário  afirmando  que a razão pela qual procedeu com a redução do valor da COFINS a pagar no período decorre:  (i) da isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte internacional de cargas;  (ii)  do  direito  de  aproveitar  100%  (cem  por  cento)  dos  créditos  de  PIS/COFINS  sobre  os  serviços  prestados  por  Empresas  optantes  pelo  Simples  Nacional;  e,  por  fim:  (iii)  do  aproveitamento  do  crédito  de  PIS/COFINS  sobre  o  seguro  de  cargas.  Afirma  que  traz  a  documentação fiscal e contábil suporte do crédito pleiteado. Caso não entenda pela suficiência  da documentação, requer a conversão do processo em diligência.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução nº 3402­002.050,  de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906514/2012­40.  Portanto,  transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402­002.050):  "Como  se  depreende  dos  presentes  autos,  a  Recorrente  entende  que  seria  suficiente  a  retificação  do  DACON  e  da  DCTF  antes  da  transmissão  do  PER  para  confirmar  a  validade  do  seu  crédito.  Contudo,  necessário  ainda  que,  além  deste  indício  da  existência  do  crédito,  sejam  analisados  os  documentos  contábeis  e  fiscais  necessários à confirmar a validade das  informações constantes destes  documentos  fiscais,  em conformidade com o art. 147, §1º,  do Código  Tributário Nacional ­ CTN.  Buscando  respaldar  o  seu  crédito,  o  contribuinte  anexou  aos  autos  balancete  analítico,  razão  analítico  de  algumas  contas  contábeis  e  planilhas elaboradas pelo sujeito passivo que demonstrariam o crédito.  Contudo,  observe­se  primeiramente  que  as  planilhas  elaboradas  pelo  sujeito  passivo  não  fazem  uma  clara  diferenciação  entre  as  informações  que  foram  declaradas  originariamente  na  DCTF  e  no  DACON, comparativamente com as informações que foram retificadas.  O  contribuinte  apenas  apresentou  quais  informações  estariam  respaldando  sua  declaração  retificadora,  sem  deixar  claro  o  que  foi  modificado.  No Recurso Voluntário, a empresa afirma que a modificação se refere  (i) a isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte  Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13819.906536/2012­18  Resolução nº  3402­002.073  S3­C4T2  Fl. 4            3 internacional de cargas; (ii) créditos de PIS/COFINS sobre os serviços  prestados  por  Empresas  optantes  pelo  Simples  Nacional;  e  (iii)  do  aproveitamento  do  crédito  de PIS/COFINS  sobre  o  seguro  de  cargas  seca e automóveis.  Contudo, o balancete analítico e o razão não detalham estas operações  que  foram postas  em discussão no Recurso Voluntário. Com efeito,  a  única  conta  contábil  relevante  para  a  presente  discussão  que  foi  discriminada  no  razão  contábil  é  a  conta  3121009  (seguros  transp.  carga  seca  ­  e­fl.  204),  inexistindo  detalhamento  semelhante  para  a  conta de seguros de transporte de automóveis.  Quanto às receitas de prestação de serviço de transporte internacional,  observa­se  que  o  balancete  analítico  não  segrega  o  valor  correspondente  à  receita  de  prestação  de  serviço  de  transporte  internacional.  Os  valores  de  receita  de  prestação  de  serviços  estão  todos agrupados em uma única conta contábil (4111002 ­ e­fl. 127):    Para  demonstrar  que  a  empresa  auferiu  receitas  desta  natureza,  essencial  que  sejam  apresentados  documentos  que  confirmem  a  prestação  de  serviço  internacional,  dentre  os  quais  o  Conhecimento  Internacional  de  Transporte  Rodoviário  (CRT),  o  Manifesto  Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro  (MIC/DTA,  o Conhecimento  de Transporte Rodoviário,  o  contrato de  Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio.  Quanto ao crédito de empresas do SIMPLES Nacional, os valores dos  fretes estão todos englobados em contas de "Fretes e Carretos Pessoa  Física" e "Fretes e Carretos Pessoas Jurídicas", sem uma segregação  específica das empresas que seriam optantes pelo SIMPLES. O razão  analítico igualmente não faz qualquer distinção específica (e­fls. 192):  Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13819.906536/2012­18  Resolução nº  3402­002.073  S3­C4T2  Fl. 5            4   Para  ao  menos  respaldar  as  suas  alegações,  importante  que  o  contribuinte  comprove  que  as  operações  de  frete  se  relacionam  ao  SIMPLES  Nacional,  evidenciando  que  efetivamente  foram  concretizadas operações com estas empresas no mês em questão. Seria  relevante  que  o  contribuinte  apresentasse  um  levantamento  exemplificativo de prestadores, evidenciando que seriam optantes pelo  SIMPLES Nacional previsto na Lei Complementar n.º 126/2006.  Assim, uma vez que o  contribuinte  trouxe documentos que  sugerem a  existência do crédito (DACON e DCTF retificadores), acompanhado de  documentos  contábeis  que  confirmariam  ao  menos  em  parte  suas  alegações  (em especial quanto às despesas de seguro de carga seca),  entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para  que  a  autoridade  fiscal  de  origem  oportunize  à  Recorrente  a  apresentação  de  documentos  e  informações  adicionais  que  possam  confirmar sua validade.  Diante  dessas  considerações,  à  luz  do  art.  29  do  Decreto  n.º  70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência  para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal  do Brasil em São Bernardo do Campo/SP):  (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e  contábeis  entendidos como necessários para que a  fiscalização possa  confirmar  o  crédito  tomado  pelo  contribuinte  informado  em  seu  DACON  e  DCTF  retificadores  (notas  fiscais  emitidas,  as  escritas  contábil  e  fiscal  detalhadas,  o  Conhecimento  Internacional  de  Transporte  Rodoviário  ­  CRT,  o  Manifesto  Internacional  de  Carga  Rodoviária/Declaração  de  Trânsito  Aduaneiro  ­  MIC/DTA,  o  Conhecimento  de  Transporte Rodoviário,  o  contrato  de Prestação  de  Serviço Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta  de seguro e outros documentos que considerar pertinentes). Importante  que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os  esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas  na  apuração  da  COFINS  devida  no  mês  (comparação  entre  o  DACON/DCTF originais e o DACON/DCTF retificadores).                                                              1  "Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar as diligências que entender necessárias."  Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13819.906536/2012­18  Resolução nº  3402­002.073  S3­C4T2  Fl. 6            5 (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e  esclarecimentos  apresentados,  informando  se  os  dados  trazidos  pelo  contribuinte no DACON/DCTF retificadores estão de acordo com sua  contabilidade,  veiculando  análise  quanto  à  validade  do  crédito  informado  pelo  contribuinte  e  a  possibilidade  de  seu  reconhecimento  no presente processo.  Concluída  a  diligência  e  antes  do  retorno  do  processo  a  este CARF,  intimar  a  Recorrente  do  resultado  da  diligência  para,  se  for  de  seu  interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias.  É como proponho a presente Resolução."  Importante  frisar  que  as  situações  fática  e  jurídica  presentes  no  processo  paradigma  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Desta  forma,  os  elementos  que  justificaram  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  no  caso  do  paradigma  também  a  justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a  realização de diligência para que a autoridade fiscal de origem:  (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis  entendidos como necessários para que a  fiscalização possa confirmar o crédito  tomado  pelo  contribuinte  informado  em  seu  DACON  e  DCTF  retificadores  (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal detalhadas, o Conhecimento  Internacional  de  Transporte  Rodoviário  ­  CRT,  o  Manifesto  Internacional  de  Carga  Rodoviária/Declaração  de  Trânsito  Aduaneiro  ­  MIC/DTA,  o  Conhecimento  de  Transporte  Rodoviário,  o  contrato  de  Prestação  de  Serviço  Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta de seguro e outros  documentos  que  considerar  pertinentes).  Importante  que  sejam  anexados  aos  autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de  quais  informações  foram modificadas  na  apuração  da COFINS devida  no mês  (comparação  entre  o  DACON/DCTF  originais  e  o  DACON/DCTF  retificadores).  (ii)  elaborar  relatório  fiscal  conclusivo  considerando  os  documentos  e  esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte  no  DACON/DCTF  retificadores  estão  de  acordo  com  sua  contabilidade,  veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a  possibilidade de seu reconhecimento no presente processo.  Concluída  a diligência  e  antes do  retorno do processo  a  este CARF,  intimar a  Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30  (trinta) dias.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra  Fl. 228DF CARF MF

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Numero do processo: 10935.720828/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 16/06/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 23/08/2010, 31/08/2010, 13/09/2010, 30/09/2010, 30/03/2011 MULTA ISOLADA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARTIGO 74, § 15, DA LEI N. 9.430/1996. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 13.137/2015. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO II, A, DO CTN. AFASTAMENTO. Deve ser afastada a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, prevista no § 15 do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, diante de sua revogação pela Lei no 13.137/2015, por força da retroatividade benigna, conforme artigo 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 16/06/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 23/08/2010, 31/08/2010, 13/09/2010, 30/09/2010, 30/03/2011 MULTA ISOLADA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARTIGO 74, § 15, DA LEI N. 9.430/1996. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 13.137/2015. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO II, A, DO CTN. AFASTAMENTO. Deve ser afastada a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, prevista no § 15 do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, diante de sua revogação pela Lei no 13.137/2015, por força da retroatividade benigna, conforme artigo 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3401-006.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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INDUSTRIAL E COMERCIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 16/06/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 23/08/2010, 31/08/2010, 13/09/2010, 30/09/2010, 30/03/2011 MULTA ISOLADA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARTIGO 74, § 15, DA LEI N. 9.430/1996. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 13.137/2015. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO II, A, DO CTN. AFASTAMENTO. Deve ser afastada a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, prevista no § 15 do artigo 74 da Lei n o 9.430/1996, diante de sua revogação pela Lei n o 13.137/2015, por força da retroatividade benigna, conforme artigo 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 16/06/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 23/08/2010, 31/08/2010, 13/09/2010, 30/09/2010, 30/03/2011 MULTA ISOLADA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARTIGO 74, § 15, DA LEI N. 9.430/1996. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 13.137/2015. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO II, A, DO CTN. AFASTAMENTO. Deve ser afastada a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, prevista no § 15 do artigo 74 da Lei n o 9.430/1996, diante de sua revogação pela Lei n o 13.137/2015, por força da retroatividade benigna, conforme artigo 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 08 28 /2 01 2- 32 Fl. 748DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.582 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720828/2012-32 Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração (fl. 247 a 254 1 , com ciência em 26/04/2012 - fl. 249), para exigência de multa no valor de R$ 1.289.716,32, por ressarcimento indevido de Contribuição para o PIS/PASEP, e no valor de R$ 6.073.926,75, por ressarcimento indevido de COFINS, ambas com base no art. 74, § 15 da Lei n o 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei n o 12.249/2010. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 245/246, narra-se que a empresa pleiteou ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, referentes ao período compreendido entre o primeiro trimestre de 2007 e o terceiro trimestre de 2010, apurando-se que não detinha parcela dos créditos solicitados, o que se demonstra nos despachos decisórios n o 30/2012 (processo administrativo n o 10935.720416/2011-11 - fls. 94 a 105), n o 31/2012 (processo administrativo n o 10935.720417/2011-66 - fls. 106 a 117), n o 32/2012 (processo administrativo n o 10935.720439/2011-26 - fls. 118 a 120) e n o 33/2012 (processo administrativo n o 10935.720438/2011-81 - fls. 121 a 123), e em planilhas de cálculo vinculadas (fls. 124 a 243). Em suas impugnações (fls. 258 a 317 - Contribuição para o PIS/PASEP, e fls. 322 a 381 - COFINS), a empresa alegou, basicamente, que: (a) enquanto estiver pendente o prazo para manifestação de inconformidade em relação aos despachos decisórios denegatórios, não pode ser lavrada autuação, sob pena de afronta ao art. 151, III do CTN, gerando nulidade da autuação; (b) há necessidade de sobrestamento do presente feito até a decisão administrativa definitiva nos processos de restituição; (c) há nulidade por carência de motivação (e justa causa) na autuação, que se limita a informar que decorre da negativa em outros processos, sem detalhar as bases individualizadas da autuação; (d) a empresa possui imunidade em relação a receitas decorrentes de exportação (art. 150, § 2 o , I da CF/1988), tendo direito ao crédito oriundo da compra de insumos; (e) insumo é tudo aquilo que é “necessário e utilizado na fabricação de bens destinados à venda”; (f) deve permanecer a alíquota utilizada pela empresa no cálculo dos créditos presumidos da agroindústria; (g) o aproveitamento de créditos extemporâneos não pressupõe a retificação da escrita nem o princípio contábil da competência; (h) em relação aos ajustes negativos de créditos, houve equívoco ao desconsiderar apenas os valores maiores relativos a erro do faturista; (i) houve violação à legalidade, à isonomia e à segurança jurídica; (j) a multa punitiva de 50% é confiscatória e representa uma limitação a direito, pois a empresa pode, ao invés de ver seu direito creditório reconhecido, ainda ser devedora; (k) em relação aos fatos geradores não declarados, há cumulatividade de multa de ofício e Taxa SELIC, de forma 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (e-processos). Fl. 749DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.582 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720828/2012-32 injusta e exploratória; e (l) há impossibilidade de utilizar a Taxa SELIC a título de juros moratórios. O julgamento de primeira instância ocorreu em 23/01/2013 (fls. 533 a 542), decidindo a DRJ unanimemente pela improcedência das impugnações, conjuntamente analisadas, diante da identidade de argumentos. A DRJ não analisou os itens da impugnação especificamente atinentes aos ressarcimentos pleiteados nos quatro processos administrativos citados nos autos, limitando-se à análise da multa de ofício isolada, objeto da autuação, concluindo que: (a) o art. 151, III do CTN foi e continua sendo observado, no contencioso; (b) o lançamento foi fundamentado, não sendo identificada nenhuma causa de nulidade processual relacionada no art. 59 do Decreto n o 70.235/1972; (c) não cabe o sobrestamento, por falta de amparo legal; (d) tanto a exigência da multa de 50% quanto da de 75% sobre os valores de contribuição que deixaram de ser pagos está prevista em lei, sendo vedada ao julgador administrativo a apreciação de constitucionalidade de atos legais; e (e) no auto de infração não consta a Taxa SELIC. Cientificada da decisão da DRJ (em 04/02/2013, conforme AR de fl. 543), a empresa apresenta recursos voluntários em 06/03/2013 (fls. 545 a 607 e 608 a 670), basicamente reiterando as considerações expressas em suas impugnações. Em 27/02/2014, por meio da Resolução n o 3403-000.538, o julgamento unanimemente foi convertido diligência, para que a unidade preparadora da RFB aguardasse a decisão administrativa definitiva nos processos administrativos n o 10935.720416/2011-11, n o 10935.720417/2011-66, n o 10935.720439/2011-26 e n o 10935.720438/2011-81, retornando-se os autos a este colegiado para julgamento após serem proferidas as quatro decisões definitivas, que deveriam ser juntadas ao presente processo. Os referidos acórdãos foram juntados pela unidade preparadora às fls. 678 a 700 (Acórdão n o 3402-002.708, de 19/03/2015 - processo n o 10935.720416/2011-11), às fls. 709 a 724 (Acórdão n o 3402-002.709, de 19/03/2015 - processo n o 10935.720417/2011-66), às fls. 733 a 737 (Acórdão DRJ/RPO n o 14-88.355, de 26/09/2018 - processo n o 10935.720438/2011-81), e às fls. 740 a 744 (Acórdão DRJ/RPO n o 14-88.356, de 26/09/2018- processo n o 10935.720439/2011-26). Nos dois primeiros casos, foi negado seguimento a recurso especial, em exame e em reexame de admissibilidade, e, nos dois últimos, não houve interposição de recurso em relação à decisão da DRJ. O processo foi devolvido a este relator em 20/03/2019, pelo despacho de fl. 747. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator Os recursos apresentados, como já se destacou na conversão em diligência, atendem aos requisitos de admissibilidade e, portanto, deles se conhece. Como exposto na conversão em diligência, a recorrente alegou, preliminarmente, dependência do resultado dos processos administrativos n o 10935.720416/2011-11, n o 10935.720417/2011-66, n o 10935.720439/2011-26, e n o 10935.720438/2011-81. E, sobre tal dependência, revelou-se entendimento de que não se tem dúvidas de que os autos de infração lavrados não mereceriam prosperar caso os ressarcimentos fossem Fl. 750DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.582 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720828/2012-32 acolhidos por decisão administrativa definitiva. Seria absurdo o fisco reconhecer o direito creditório e, por outro lado, exigir multa por não ter a empresa direito creditório. Por isso, concluiu-se naquela ocasião, de forma unânime, que o auto de infração era incontestavelmente dependente do resultado do julgamento dos ressarcimentos. Após o retorno da diligência, percebe-se que os pedidos de ressarcimento tiveram o seguinte desfecho: Processo Administrativo (período/tributo) Decisão administrativa definitiva (data) Conclusão 10935.720416/2011-11 (01/01/2007-30/09/2010) (PIS) Ac. 3402-002.708 (19/03/2015) Negado provimento ao recurso voluntário, por voto de qualidade, vencidos três conselheiros que reconheciam créditos em relação a aquisições de pessoas físicas. 10935.720417/2011-66 (01/01/2007-30/09/2010) (COFINS) Ac. 3402-002.709 (19/03/2015) Negado provimento ao recurso voluntário, por voto de qualidade, vencidos três conselheiros que reconheciam créditos em relação a aquisições de pessoas físicas. 10935.720439/2011-26 (01/04/2010-30/06/2010) (PIS) Ac. DRJ 14-88.356 (26/09/2018) Manifestação de Inconformidade improcedente, por unanimidade. 10935.720438/2011-81 (01/04/2010-30/06/2010) (COFINS) Ac. DRJ 14-88.355 (26/09/2018) Manifestação de Inconformidade improcedente, por unanimidade. Como relatado, em relação aos Acórdãos do CARF, foi negado seguimento a recurso especial, em exame e em reexame de admissibilidade, e, nos Acórdãos da DRJ, não houve interposição de recurso pela empresa. Pelo que se percebe, nenhum dos argumentos da postulante ao crédito prosperou no julgamento definitivo dos pedidos de ressarcimento. Não havendo mais óbice ao seguimento do feito, retoma-se o julgamento, para analisar as demais alegações recursais. Os recursos voluntários (um em relação à multa isolada para PIS e outro versando sobre a multa isolada para COFINS, ambos referentes a pedidos de ressarcimento de créditos tomados entre o 1 o trimestre de 2007 e o 3 o trimestre de 2010) tratam dos mesmos temas. Em sede preliminar, demanda-se nulidade do lançamento, por: (a) não haver justa causa para a lavratura da autuação, enquanto perdurar o direito de o contribuinte discutir o inconformismo nos processos de ressarcimento; (b) carência de fundamento/motivação; e (c) falta de determinação da exigência (demonstrativos de cálculo). No mérito, a empresa defende que por ter grande parte de suas atividades direcionadas à exportação, goza da imunidade prevista no art. 149, § 2 o da Constituição Federal de 1988, e rediscute as glosas efetuadas nos processos de análise de ressarcimento, sobre: (a) abrangência do conceito de insumos na legislação que rege as contribuições, citando precedente do CARF que equipara o conceito à legislação do imposto de renda, sem discutir a aplicação individualizada aos produtos glosados em espécie; (b) aquisições com alíquota zero; (c) alíquota aplicável a créditos presumidos da agroindústria; (d) créditos extemporâneos; e (e) ajustes negativos de créditos. No mais, sustenta que a aplicação multa de 50% impõe limitação ao Fl. 751DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-006.582 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720828/2012-32 exercício do direito recursal por parte da empresa, que, de credora, passa a ser devedora de multa, e que a cumulação desta multa com a de falta de recolhimento (75%) é injusta e exploratória, e possui efeitos confiscatórios. E, por fim, defende a inaplicabilidade da Taxa SELIC a título de juros. Sobre as alegações de inconstitucionalidade (atinentes ao art. 149, § 2 o da Constituição Federal de 1988 e à confiscatoriedade de multas), remete-se à Súmula CARF n o 2, e, no que se refere à aplicação da Taxa SELIC, à Súmula CARF n o 4, ambas de observância obrigatória neste tribunal administrativo: Súmula CARF n o 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Súmula CARF n o 4: “A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. Quanto às alegações de nulidade, temos que não merecem prosperar, visto que o lançamento foi efetuado em virtude de comando legal expresso, invocado no TVF (art. 74, § 15 da Lei n o 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei n o 12.249/2010), e devidamente fundamentado/motivado (o que se percebe da simples leitura do teor das fls. 245/246), tendo os cálculos sido demonstrados às fls. 247 a 254, a partir de glosas nos processos de ressarcimento às quais teve a empresa acesso, inclusive para que manifestasse sua inconformidade (nos processos já findos administrativamente, e cuja rediscussão não encontra lugar nestes autos). Não se vislumbra, portanto, nulidade alguma no lançamento, nem possibilidade de análise de mérito sobre matérias já julgadas administrativamente em definitivo em autos distintos. No que se refere aos demais argumentos em relação à multa em análise neste processo, percebe-se que o lançamento (TVF anexo à autuação) invoca expressamente o art. 74, § 15 da Lei n o 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei n o 12.249/2010, que estabelece a aplicação da “multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido”. Tal parágrafo foi expressamente revogado pelo art. 56, I, da Medida Provisória (MP) n o 656/2014. Na Exposição de Motivos da referida MP, esclareceu-se: “11. A presente proposta de Medida Provisória também visa revogar a aplicação da multa isolada (§§15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996) incidente sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. A jurisprudência judicial é quase unânime em afastar essa multa sob o argumento de que sua aplicação fere o direto constitucional de petição. 12. Com a revogação proposta para os §§ 15 e 16, e visando manter a aplicação da multa isolada de 50% apenas nos casos de não homologação de compensação, faz-se necessária nova redação para o § 17 do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, trazendo para o referido parágrafo o percentual da multa antes previsto no § 15, e para substituir o termo 'crédito' por 'débito", que é efetivamente o valor indevidamente compensado e que deverá ser a base de cálculo da multa isolada. 13. A nova redação proposta para o § 17 deixa claro que o instituto da Declaração de Compensação não deve ser utilizado para extinção de débitos sem a existência de créditos correspondentes, em estrita observância do que dispõe o art. 170 do CTN. Fl. 752DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-006.582 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720828/2012-32 14. Assim, é aplicável a multa isolada no caso em que o débito é extinto sob condição resolutória, mas cujo crédito indicado para compensação é insuficiente, no todo ou em parte, para extinguir o tributo devido. 15. E a ressalva contida no §17 de que essa multa não se aplica no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo é porque para esta hipótese existe previsão específica de aplicação de multa isolada nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2013.” (grifo nosso) A referida MP foi convertida na Lei n o 13.097/2015, que não trouxe a revogação dos §§ 15 e 16 (porque estes estavam arrolados em inciso que propunha também a revogação de outro dispositivo, que acabou vetada por contrariar o interesse público). No entanto, a revogação foi reiterada na MP n o 668/2015 (art. 4 o , II), sendo tal MP convertida na Lei n o 13.137/2015, que assentou, em seu art. 27, II, que ficam revogados “os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. Assim, o fundamento utilizado na autuação para aplicação da multa se encontra, hoje, revogado. Em substituição (como se esclareceu na Exposição de Motivos aqui transcrita), passou a existir um § 17, que trata de “multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo”. (grifo nosso) Veja-se que a nova multa (§ 17) se refere ao valor do débito objeto de DCOMP, e não ao crédito glosado/considerado indevido em ressarcimento. Retomando-se o fundamento da autuação, percebe-se, no TVF (fls. 245/246), que a multa foi lançada, de fato, sobre o crédito considerado indevido em ressarcimento: Tem-se, assim, que o fundamento legal da autuação foi posteriormente revogado, dando azo à invocação do art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional: “Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; (...)” Nesse sentido decisão unânime proferida recentemente por esta turma, em caso que tratava do mesmo § 15 do art. 74 da Lei n o 9.430/1996: “INFRAÇÃO. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Consoante art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional, nos atos não definitivamente julgados, a superveniência de norma que deixa de definir determinada conduta como Fl. 753DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-006.582 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720828/2012-32 infracional aplica-se aos fatos pretéritos, situação que alcança a revogação do art. 74, § 15 da Lei nº 9.430/96 pelo art. 27, II da Lei nº 13.137/2015. (...)” (Acórdão n o 3401- 004.369, Rel. Cons. Robson José Bayerl, unânime, sessão de 01/02/2018) (participantes: Cons. Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, entre outros) Aliás, o entendimento unânime da turma remonta ainda a caso anterior, onde esteve em debate o mesmo tema: “MULTA ISOLADA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARTIGO 74, PARÁGRAFO 15, DA LEI Nº 9.430/1996. REVOGAÇÃO PELA LEI Nº 13.137/2015. RETROATIVIDADE BENIGNA DE PENALIDADE. ARTIGO 106, INCISO II, A, DO CTN. AFASTAMENTO. Deve ser afastada a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, prevista no parágrafo 15 do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996, diante de sua revogação pela Lei nº 13.137/2015, por força da retroatividade benigna de penalidades disposta no artigo 106, inciso II, alínea a, do CTN.” (Acórdão n o 3401- 003.182, Rel. Cons. Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, unânime, sessão de 18/05/2016) (participantes: Cons. Rosaldo Trevisan e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, entre outros) Assim, embora não seja nulo, e nem afetado pelo resultado dos julgamentos dos pedidos de ressarcimento, o lançamento é improcedente, em função de retroatividade benigna (art. 106, II, “a”, do CTN), com a revogação da multa lançada pelo disposto na Lei n o 13.137/2015, art. 27, II. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 754DF CARF MF

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Numero do processo: 10980.920267/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 15/08/2005 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.073
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, o qual indeferiu o pedido de restituição efetuado por meio eletrônico (PER). Após análise automática foi proferido despacho decisório indeferindo o pedido. Como justificativa para o indeferimento foi apontado o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, referido valor teria sido totalmente utilizado na extinção de outro débito de contribuições (PIS e/ou Cofins). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 02 67 /2 01 2- 24 Fl. 76DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.073 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920267/2012-24 Devidamente cientificada, a recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade, na qual relata que apurou crédito tributário de PIS e de Cofins em razão da declaração de inconstituicionalidade do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, proferida pela Supremo Tribunal Federal no RE 457553-1 em Sessão Plenária de 09/11/05 e aproveitou parte do referido crédito para compensar débitos, conforme lhe faculta o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Acredita que a razão de o PER haver sido indeferido estaria no fato de que referido crédito não consta nas bases de dados da Receita Federal do Brasil. Explica que extinguiu os déditos de PIS e Cofins conforme declarado em DCFT e, posteriormente, com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras. Ocorre que no processamento do PER, o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstituicional incidente sobre as receitas financeiras. Por seu turno, embora tenha reconhecido a inconstitucionalidade apontada pela recorrente, e declarada pelo Supremo Tribunal Federal, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Em sua decisão, observou que, para fins de deferimento de pedido de restituição, o recolhimento indevido ou a maior, em virtude da declaração de inconstitucionalidade de dispositivo relativo ao alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, deve ser comprovado mediante documentação hábil e idônea. Novamente cientificada, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese: (i) que caso a Fiscalização entenda que a documentação apresentada pela recorrente não exaure a questão controvertida contida no Pedido de Restituição, com supedâneo na legislação de regência do processo administrativo fiscal, a Autoridade Administrativa pode determinar diligências com a finalidade de investigar e concluir o procedimento fiscal com o máximo de elementos para firmar a convicção que deve fundamentar o ato administrativo; (ii) não se alegue a impossibilidade de se admitir os documentos apresentados na atual etapa processual. Isto porque, somente por ocasião da prolação do acórdão recorrido, pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba, é que o direito creditório buscado pela recorrente foi indeferido com base na alegada ausência de comprovação dos recolhimentos da COFINS sobre as receitas financeiras; (III) que o crédito apurado diz respeito ao PIS/Cofins incidente sobre receitas financeiras; e (iv) qualquer conclusão diversa constituirá violação ao direito de defesa da contribuinte, resultando em vício insanável que gera a nulidade fixada no artigo 59, II do Decreto 70.235/1972: Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, Fl. 77DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.073 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920267/2012-24 de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.050, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920245/2012-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.050): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 27989.81927.250108.1.2.04-4061 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ R$ 6.135,06. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender que não restou comprovado o direito almejado pelo contribuinte, por total ausência de documentos comprobatórios, cujas razões peço vênia para colacionar: Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da COFINS que deve ser afastado, é necessário que a contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. No caso presente, verificou-se que nenhum documento comprobatório que pudesse comprovar inequivocamente a ocorrência de pagamentos indevidos em razão do alargamento da base de cálculo foi apresentado pela requerente. A propósito, o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, dispõe que são aplicadas às manifestações de inconformidade as mesmas regras do Processo Administrativo Fiscal, previstas no Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 74. (...) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. E de acordo com o que estabelece o Decreto n.º 70.235, de 1972, a impugnação formalizada deve ser instruída com os documentos em que fundamente suas alegações: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 78DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.073 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920267/2012-24 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Grifou-se As disposições do Decreto n.º 70.235, de 1972 foram consolidadas pelo Decreto nº 7.574 de 29/09/2011, que mantém o entendimento da norma citada: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) Art. 57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (...) Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). (...) § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). Além disso, é bom lembrar o que está disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, ou seja, de que o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito é do próprio autor do pedido. Art. 333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Desse modo, tendo em vista que a manifestante não apresentou os elementos probatórios hábeis a comprovar a origem do indébito tributário, não há como reconhecer o direito creditório vindicado. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Fl. 79DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.073 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920267/2012-24 Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Fl. 80DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.073 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920267/2012-24 Por fim, não vejo que a decisão proferida por este relator, seja ela qual for, acarreta alguma hipótese de nulidade prevista no artigo 59, do Decreto nº 70.235/1972, principalmente aquelas elencadas no inciso II, considerando inexistir despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Neste cenário, não vejo como acolher as pretensões da Recorrente . Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 81DF CARF MF

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Numero do processo: 10735.001131/2005-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1993, 1994, 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR A 09/06/2015. JURISPRUDÊNCIA STF. RE 566.621/RS E SUMULA CARF 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1402-003.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (documento assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: Evandro Correa Dias

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JURISPRUDÊNCIA STF. RE 566.621/RS E SUMULA CARF 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (documento assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário nº 12- 29.835 - 5ª Turma da DRJ/RJ1, complementando-o, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 11 31 /2 00 5- 96 Fl. 84DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-003.920 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.001131/2005-96 " Trata o presente processo da Declaração de Compensação de fls. 01/11, protocolizada em 26/04/2005, no qual a interessada acima identificada alega possuir créditos contra a Fazenda Pública nos valores de R$ 16.233,74, R$ 34.476,98, R$ 16.238,76, R$ 12.215,66, R$ 674,02, R$ 12.020,04, R$627,36, R$ 357,47, R$ 11.389,29 e R$ 382,99, decorrentes de recolhimentos efetuados entre 05/10/1993 e 31/01/1995, de acordo com as fls. 02/11 não constando ter juntado aos autos qualquer Documento de Arrecadação de Receitas Federais - DARF. Com os créditos que alega possuir a interessada busca extinguir por compensação os débitos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS (Cód. 2172) referente ao período de apuração de janeiro a março de 2004, nos valores originais de R$ 27.679,68, R$ 24.194,47 e R$ 24.750,46. Com base no Parecer Seort / DRF Nova Iguaçu-RJ nº 741/2009, de fls. 22/23, foi proferido o Despacho Decisório de fl. 24, que não homologou a compensação, tendo em vista que já teria transcorrido o prazo limite para pleitear a restituição/compensação, previsto no inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), com a interpretação que lhe foi dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, ou seja, cinco anos a contar da extinção do crédito tributário. Inconformada com o indeferimento do pedido, a interessada interpôs, em 11 de janeiro de 2010, a manifestação de inconformidade de fls. 21/23, juntando os documentos de fls. 27/29, na qual alega, em síntese, que os dados para apuração do crédito a compensar tiveram que ser requeridos através de Hábeas-Data protocolada e concedido por decisão de 10/12/2003, afirmando que até lá seria impossível solicitar a recuperação do crédito, na medida em que os valores necessários para tanto não eram disponibilizados pela autoridade lançadora. Assim, existindo relação conflituosa, o prazo só passaria a correr a partir da data em que a questão foi solucionada, e não a partir do pagamento, conforme acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que transcreve. Assim, o termo inicial para cálculo do prazo de decadência seria dezembro de 2003, data em que se deferiu a apresentação à suplicante dos dados necessários para a formulação do pedido. Protesta ainda que, no caso específico das contribuição sociais, o prazo para constituição do crédito tributário somente se extinguiria após 10 anos, devendo, por conseguinte, o pedido que compreende a restituição de contribuição pagas a maior a partir de 1993, até 1999, ser incontestavelmente tempestivo, já que apresentado em 2005. É o relatório." A 5ª Turma da DRJ/RJ1por meio do Acórdão de Impugnação nº 12-29.835, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme a seguinte ementa: " ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1993, 1994, 1995 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, que, à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, coincide com a data do pagamento indevido." Fl. 85DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-003.920 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.001131/2005-96 A decisão do órgão julgador a quo teve como seguintes fundamentos: O direito de pleitear restituição de tributos encontra-se previsto no CTN, que prevê em seu art. 165, inciso I, a hipótese de restituição total ou parcial do tributo, independentemente da modalidade de pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Entretanto, o direito a que se refere o precitado art. 165 não se coloca de forma ilimitada ao sujeito passivo. O mesmo deve ser exercido no prazo de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário que, no caso, coincide com a data do pagamento, conforme mandamento contido no inciso I do art. 168 do CTN, cuja interpretação foi dada de forma definitiva, após exaustivas discussões doutrinárias e diversas interpretações emanadas do Poder Judiciário, pelo art. 3º da Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005. Considerando que a Declaração de Compensação objeto do presente processo foi protocolizada em 26/04/2005 (ver carimbo de protocolo à fl. 01), já há aqui fundamentos suficientes para se concluir, em obediência aos dispositivos legais citados, pela extinção do direito de pleitear a restituição/compensação referente a créditos anteriores a 26/04/2000. Como os pagamentos arrolados como maiores que os devidos foram efetuados entre 08/10/1993 e 30/01/1995, não resta alternativa além de não reconhecer o direito creditório relativamente aos referidos pagamentos, visto que efetuados há mais de cinco anos da data do protocolo da Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Inconformada com a decisão a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual requer o cancelamento da decisão recorrida, pelos seguintes motivos: A questão fica reduzida a saber qual o termo inicial, que se deve tomar para a contagem do prazo, divergindo as partes no que segue: a) A Fazenda Nacional entende, que o prazo se conta da data em que o pagamento do tributo foi realizado. b) A suplicante entende, que o prazo se conta da data do trânsito em julgado da decisão que reconheceu o pagamento indevido, até porque antes dela seria impossível realizar a compensação pretendida, fato ao que dispõe a Lei Complementar 104. A jurisprudência reconheceu que, com relação à apuração do termo inicial para contagem do prazo de decadência, existem situações que devem ser consideradas separadamente, a saber: a) O prazo de decadência se conta de decisão normativa que der pela inconstitucionalidade da legislação que rege o lançamento, quando ele for reconhecido através do provimento de ADIN ou de Resolução do Senado Federal. Fl. 86DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-003.920 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.001131/2005-96 b) Caso em que exista ação judicial reivindicando o reconhecimento da inconstitucionalidade do tributo, o prazo se conta da data em que transitar em julgado decisão que der pelo provimento deste pedido. c) Caso em que não exista ação judicial, nem decisão normativa: quando o prazo se conta do pagamento indevido. Tal entendimento decorre da Lei Complementar 104: que torna impossível compensar crédito fiscal ao amparo da decisão judicial antes do seu trânsito em julgado. Ora, não se pode assim, deixar de admitir data vênia, que o termo inicial para cálculo da decadência é a data do trânsito em julgado da decisão que reconheceu o recolhimento indevido, pois até lá a tomada do crédito por compensação seria impossível. Como reconhece a própria decisão recorrida os dados necessários, para formulação do pedido de compensação só foram disponibilizados a partir de 10/12/2003, quando foi concedido os habeas data para este efeito. Ora, todos os processos foram protocolados em 2005, ou seja, entre a data da decisão administrativa que disponibilizou os dados e a do pedido de compensação o prazo foi de apenas 02 anos. Por conseguinte, o termo inicial que se deve adotar para apuração do tributo a recuperar é a data em que seria possível formulá-lo, como mencionou a jurisprudência consolidada entre outros na decisão proferida no recurso 11.465, que se junta em anexo e cuja menta diz: [...] Por fim, requer o conhecimento e provimento do recurso voluntário, para se dar pela tempestividade do pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Do Prazo para postular restituição Verifica-se que a contagem do prazo para postular restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação encontra-se inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário n.º 566.621/RS, que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar n.º 118/05, consignando entendimento no sentido de que: (a) para os processos ajuizados após a entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118/2005, em 09 de junho de 2005, o prazo para compensação/restituição do crédito tributário recolhido indevidamente ou a maior é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido; Fl. 87DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-003.920 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.001131/2005-96 (b) de outro lado, para as ações de restituição ajuizadas até a entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118/2005, deve ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos contados do fato gerador, tese do 5 mais 5 (cinco anos para homologar o lançamento e mais 5 para repetir). O referido entendimento, também encontra-se consolidado por meio da Súmula CARF n.º 91, de observância obrigatória conforme art. 72, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, in verbis: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto o prazo prescricional conta-se a partir do fato gerador, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário n.º 566.621/RS e a Súmula CARF nº 91. Logo rejeita-se os argumentos da recorrente quanto à contagem do prazo a partir da data do trânsito em julgado da decisão que reconheceu o pagamento indevido. Considerando que o pedido de restituição/compensação foi formalizado em 12/04/2005, e abrange pagamentos arrolados como maiores que os devidos que foram efetuados entre 08/10/1993 e 30/01/1995, períodos de apuração entre 09/1993 e 12/1994, não restam dúvidas que tais pagamentos são referentes a fatos gerados ocorridos há mais de 10 anos da data do protocolo da declaração de compensação, e portanto encontravam-se atingidos pela prescrição. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 88DF CARF MF

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