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Numero do processo: 19647.006131/2007-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ.
A existência de "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz" impede a utilização de documentos de emissão do respectivo profissional como prova de serviços prestados, quando apresentados isoladamente, sem apoio em outros elementos. Na falta de comprovação, por outros documentos hábeis, da efetiva prestação dos serviços médicos, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que efetuado. Súmula CARF nº40.
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. RECIBOS MÉDICOS INIDÔNEOS.
A utilização de recibos médicos inidôneos, emitidos por profissional para o qual foi emitida Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, com o propósito de reduzir a base de cálculo do imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição da multa de oficio qualificada. Súmula CARF nº40.
Numero da decisão: 2002-000.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. A existência de "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz" impede a utilização de documentos de emissão do respectivo profissional como prova de serviços prestados, quando apresentados isoladamente, sem apoio em outros elementos. Na falta de comprovação, por outros documentos hábeis, da efetiva prestação dos serviços médicos, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que efetuado. Súmula CARF nº40. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. RECIBOS MÉDICOS INIDÔNEOS. A utilização de recibos médicos inidôneos, emitidos por profissional para o qual foi emitida Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, com o propósito de reduzir a base de cálculo do imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição da multa de oficio qualificada. Súmula CARF nº40.
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DESPESAS MÉDICAS. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. Recorrente VERONICA BATISTA DA SILVA BANDEIRA DE MELO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. A existência de "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz" impede a utilização de documentos de emissão do respectivo profissional como prova de serviços prestados, quando apresentados isoladamente, sem apoio em outros elementos. Na falta de comprovação, por outros documentos hábeis, da efetiva prestação dos serviços médicos, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que efetuado. Súmula CARF nº40. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. RECIBOS MÉDICOS INIDÔNEOS. A utilização de recibos médicos inidôneos, emitidos por profissional para o qual foi emitida Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, com o propósito de reduzir a base de cálculo do imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição da multa de oficio qualificada. Súmula CARF nº40. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 61 31 /2 00 7- 16 Fl. 264DF CARF MF Processo nº 19647.006131/200716 Acórdão n.º 2002000.397 S2C0T2 Fl. 265 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2002, ano calendário 2001, tendo em vista a apuração de dedução indevida de despesas médicas. A autoridade consigna a aplicação da multa qualificada de 150% em função de a contribuinte ter informado despesas médicas com profissional para o qual foi emitida Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz (fls.6/9). A contribuinte apresentou impugnação (fls.21/51), assim sintetizada pela autoridade julgadora de primeira instância: 3.1. que não cabe aplicação da multa qualificada pois não houve máfé por parte da defendente, devendo, ser for o caso, ser aplicada a multa de 75%; 3.2. a defendente não foi intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos em face da suposta inidoneidade do recibo apresentado, restando glosado o valor de R$ 4.882,47 a titulo de despesas médicas, por falta de comprovação; 3.3. a lavratura do auto de infração é inteiramente nula e insubsistente, visto que houve cerceamento ao direito de defesa da defendente, pois deveria ter sido intimada para prestar informações, assim como não houve máfé; 3.4. o lançamento se deu através de procedimento eletrônico de revisão da declaração de ajuste anual, sem que a defendente fosse intimada para prestar quaisquer esclarecimentos, mormente quanto ao recibo declarado inidôneo, o que torna totalmente nula a autuação, por violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Cita ementas de decisões administrativas do conselho de contribuintes sobre nulidades por cerceamento ao direito de defesa e excertos doutrinários, defendendo, inclusive, a competência dos órgãos administrativos "para decidir (julgar) da inconstitucionalidade ou ilegalidade arguidas como matéria de defesa"; Fl. 265DF CARF MF Processo nº 19647.006131/200716 Acórdão n.º 2002000.397 S2C0T2 Fl. 266 3 3.5. o auto de infração é nulo em função da decadência do pretenso crédito tributário e também porque não comprova os fatos e fundamentos jurídicos que ensejaram a declaração de inidoneidade do recibo informado na declaração de ajuste anual do IR do anocalendário de 2001; 3.6. a dedução de despesas com tratamentos psicológicos é permitida pela legislação tributária; 3.7. a declaração de inidoneidade publicada no Diário Oficial da Unido decorre de sua suposta ausência de comprovação, o que nunca ocorreu, pois o recibo apresentado possui todos os requisitos de validade. Transcreve ementa do Conselho de Contribuintes sobre requisitos de recibos de despesas médicas; 3.8. a demonstração da despesa médica se faz através da apresentação de declaração do psicólogo Wolfran Cassiano da Silva, reconhecendo o recibo apresentado pela impugnante, fazendose indispensável a análise da documentação acostada; 3.9. o lançamento do auto de infração em razão da declaração de inidoneidade do recibo deixa de preencher os requisitos legais essenciais ao ato praticado, previstos no art.142 do CTN, ocasionando sua nulidade; 3.10. o direito de proceder ao lançamento do crédito tributário decaiu em abril de 2007, estando o crédito extinto, de acordo com o art. 156, V, do CTN, em função do prazo que se inicia em abril de 2002, momento em que o fisco tomou conhecimento do lançamento por declaração da defendente; 3.11. no caso, houve o pagamento do tributo devido, não se aplicando o disposto no art. 173, I, do CTN, e, sim, a regra do art. 150, §4°, do CTN. No caso de IRPF, o prazo decadencial se inicia imediatamente após a constituição do tributo, que neste caso se deu através do lançamento por declaração da contribuinte, vencendose o prazo decadencial em abril de 2007, enquanto o lançamento ocorreu em junho de 2007. Transcreve ementa de julgamento do STJ sobre prazo decadencial; 3.12. ainda que em tese fosse reconhecida a responsabilidade tributária da defendente, a aplicação da multa de 150% é inconstitucional, tendo em vista a conjuntura econômica do pais e os fatos a seguir apresentados; 3.13. a multa é extorsiva, desconectada ao fato efetivamente ocorrido, violando princípios constitucionais da capacidade contributiva, da razoabilidade e proporcionalidade; 3.14. não tendo ocorrido máfé, a multa de 150% burla a legislação e implica em transferência considerável do patrimônio dA contribuinte para o Tesouro Estadual, afrontando o ordenamento jurídico. Transcreve ementas do Conselho de Contribuinte acerca da multa qualificada; Fl. 266DF CARF MF Processo nº 19647.006131/200716 Acórdão n.º 2002000.397 S2C0T2 Fl. 267 4 3.15. ainda que aplicada a multa, esta seria de 75%. Inocorreu ação fraudulenta. Transcreve excerto de Recurso Especial julgado pelo STJ sobre a hipótese de aplicação da multa qualificada somente para os casos de fraude e dolo; 3.16. a penalidade deve ser fixada dentro dos limites razoáveis e não como forma subreptícia de majoração do tributo. Transcreve excerto de julgamento do TRF 4a Regido que dispõe sobre a utilização dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade quando da aplicação de sanções pela Administração; 3.17. a desproporção da multa evidencia o seu caráter confiscatório, o que é repudiado em nosso ordenamento jurídico; 3.18. tendo a multa violado os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, chegando a ser confiscatória, requerse a improcedência do auto de infração, ou, ao menos, a adequação da pena ao fato efetivamente ocorrido, com aplicação da multa mínima prevista na Lei; 3.19. por fim, requer improcedência, ante a nulidade por cerceamento do direito de defesa e ausência do contraditório, ou, ainda, por estar o auto pautado em condição fático probatória inexistente, ou seja, a suposta inidoneidade dos recibos do tratamento psicológico, ou pela decadência (fls. 33 e 34), e, acaso sejam rejeitadas as preliminares de nulidade, o deferimento das deduções efetuadas, sendo o auto de infração julgado improcedente. Acaso mantido o lançamento, apenas ad argumentandum tantum, seja adequada a multa ao fato efetivamente ocorrido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) negou provimento à Impugnação , em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 67/91): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. CONDIÇÕES. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com A contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ATO DECLARATÓRIO DE INIDONEIDADE DOCUMENTAL. Deve ser mantida a glosa do valor declarado a titulo de dedução de despesas médicas quando existir nos autos Ato Declaratório Fl. 267DF CARF MF Processo nº 19647.006131/200716 Acórdão n.º 2002000.397 S2C0T2 Fl. 268 5 Executivo da inidoneidade da documentação referente à dedução pleiteada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PRINCIPIO DO CONTRADITÓRIO. Antes da lavratura do auto de infração, não há que se falar em violação ao Principio do Contraditório e da Ampla Defesa, já que a oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. No caso do Imposto de Renda, quando houver a antecipação do pagamento do imposto pela contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário extinguese após cinco anos contados do fato gerador, salvo nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DECADÊNCIA — TERMO INICIAL — IRPF. Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, inicia se a contagem do prazo de decadência do direito de a fazenda nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 19647.006131/200716 Acórdão n.º 2002000.397 S2C0T2 Fl. 269 6 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Cientificada dessa decisão em 11/4/2008 (fl.94), a contribuinte formalizou, em 12/5/2008 (fl.97), seu Recurso Voluntário (fls.97/127 juntado também às fls 227/257), no qual apresenta as seguintes alegações: não teria havido máfé de sua parte, sendo incabível a aplicação da multa qualificada. a autuação seria nula e insubsistente, visto que não foi intimada previamente à autuação, o que representaria cerceamento do seu direito de defesa. a decisão de piso teria se equivocado ao apontar que seria aplicável ao caso as disposições da IN SRF nº 94, de 1997, e não da IN SRF nº 579, de 2005, uma vez que as normas procedimentais incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Cita o artigo 144, §1º do CTN, doutrina e jurisprudência judicial e administrativa acerca do tema. a autuação não poderia dispensar sua intimação prévia, pois em nenhum momento houve demonstração clara e apurada da infração. a indicação do ato declaratório de documentação ineficaz não serviria por si só para justificar a autuação, visto que ela sequer tinha conhecimento de tal documento. ao não ser concedido a ela o direito a comprovar a prestação dos serviços, teria sido negado a ela os direitos da ampla defesa e do contraditório. a autuação seria nula, por ter sido procedida eletronicamente, sem sua intimação, afrontando os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Cita jurisprudência administrativa e doutrina sobre o tema, além de reproduzir o artigo 844 do RIR/99, dispositivos das IN SRF nos 579/2005 e 94/97 e o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. a Receita Federal do Brasil não teria capacidade para suspender as atividades do profissional consultado. A prerrogativa para suspensão e aplicação de penalidades ao profissional, no caso, seria do Conselho de Ética do Psicólogo. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 19647.006131/200716 Acórdão n.º 2002000.397 S2C0T2 Fl. 270 7 a indicação do endereço do profissional pela autoridade julgadora de primeira instância não consta da autuação e não pode ser alegada para manutenção da glosa da despesa. De qualquer forma, o profissional poderia prestar serviço em domicílio diverso do seu. a súmula emitida em 2005 para o profissional não poderia ser utilizada em relação às despesas ocorridas em 2001, visto que a retroatividade seria vedada em nosso ordenamento jurídico. as referências ao processo administrativo vinculado ao profissional seriam inválidas, já que não houve a participação da contribuinte nos atos praticados nem foi lhe dada ciência. Cita dispositivos do Código Civil e jurisprudência administrativa, para defender que terceiros não podem ser prejudicados por declarações de terceiros das quais não teria tido conhecimento. a exigência da multa qualificada violaria os princípios constitucionais da capacidade contributiva, da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao confisco. o direito de constituir o crédito teria decaído em abril de 2007, aplicandose ao caso a regra contida no artigo 150, §4º do CTN. ainda que se admita a aplicação do artigo 173 do CTN, estaria decadente a exigência. o controle da constitucionalidade das leis e demais atos normativos seria um poderdever dos órgãos administrativos tributários judicantes. Reproduz doutrina sobre o tema. a aplicação da multa qualificada afrontaria todo o ordenamento jurídico. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.5). Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade De pronto, cabe estabelecer que, ao contrário da argumentação da recorrente, a intimação prévia ao lançamento, independentemente de ela ter ou não existido no presente caso, não constitui requisito de validade da autuação, que, no caso ora examinado, se revela válida. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 19647.006131/200716 Acórdão n.º 2002000.397 S2C0T2 Fl. 271 8 O procedimento de fiscalização tem natureza inquisitorial, constituindo fase prévia ao processo fiscal propriamente dito, uma vez que a fase litigiosa só é instaurada com a impugnação tempestiva da exigência, nos termos art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972. De fato, a garantia dada ao contribuinte correspondente ao exercício do contraditório e da ampla defesa surge com a instauração do litígio. Tais garantias foram respeitadas a partir da oportunidade de apresentação da impugnação, quando a contribuinte pôde apresentar suas alegações e provas. Aliás, verificase que o lançamento em questão atende integralmente aos preceitos do art. 142 do Código Tributário Nacional e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não tendo sido omitida qualquer formalidade essencial ao lançamento. Ressaltese especialmente que o auto contém o enquadramento legal completo e uma descrição dos fatos clara, permitindo à contribuinte conhecer a infração que lhe foi atribuída. Ademais, ela pôde impugnar livremente o lançamento, garantindose plenamente no presente processo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Nesse sentido, não se observa qualquer óbice à validade do auto de infração. A recorrente reclama ainda que não teria participado do processo administrativo relativo ao profissional médico. Cabe esclarecer que, em não sendo parte daquele processo, não teria legitimidade para impugnar seus efeitos. Ademais, ela foi cientificada da existência da Súmula por ocasião da autuação e teve oportunidade de apresentar a prova exigida nestes autos. Dessa feita, a preliminar de nulidade deve ser rejeitada. Decadência Nesse tocante, impende esclarecer que de acordo com o art. 2° da Lei n° 7.718/1988, a tributação do IRPF só se torna definitiva com o ajuste anual, na forma dos arts. 2°, 10 e 11 da Lei n° 8.134/1990, corroborada por Leis posteriores. Nos casos de lançamento por homologação, devese aplicar à espécie o REsp nº 973.733/SC, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF). Na ocasião, o STJ decidiu que, na hipótese de ocorrer a antecipação do pagamento do imposto, o dies a quo deve ser contado a partir da data do fato gerador, conforme prevê §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), devendo o termo inicial da decadência somente ocorrer no último dia daquele anocalendário, quando se aperfeiçoa o fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que atrairia a regra do art. 173 do CTN, por força da parte final do §4° do art. 150 do CTN. No caso, a autuação recaiu sobre despesas informadas com profissional para o qual foi emitida Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz. Sobre essa questão, trago a Súmula CARF nº 40, de observância obrigatória por este Colegiado, a teor do artigo 72 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº343, de 2015, e suas alterações: Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de Fl. 271DF CARF MF Processo nº 19647.006131/200716 Acórdão n.º 2002000.397 S2C0T2 Fl. 272 9 elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. (destaques acrescidos) Como se tratará mais adiante neste voto, a recorrente não logrou comprovar a efetiva prestação do serviço e os pagamentos decorrentes das despesas médicas informadas, sendo de se considerar os recibos apresentados inidôneos, restando configurado o evidente intuito de fraude referido nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, a contagem do prazo decadencial deslocase para o artigo 173 do CTN. No caso, em relação ao anocalendário 2001, tomase o termo inicial conforme determinado pelo artigo 173, inciso I, do CTN, isto é, 1/1/2003, com termo final em 31/12/2007. Como a recorrente foi cientificada da autuação em 2/7/2007 (fl.19), não há que se falar em decadência. Mérito Como já registrado, a autuação recai sobre despesa médica com profissional para o qual foi emitida Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz (fl.15), sendo relevante reproduzir, uma vez mais, a Súmula CARF nº40, de observância obrigatória por este Colegiado, a teor do artigo 72 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº343, de 2015, e suas alterações: Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. (destaques acrescidos) Impende esclarecer que o procedimento administrativo levado a efeito pelo Fisco não recai sobre o exercício da atividade médica pelo profissional, o que seria atribuição do órgão de classe correspondente, como bem afirma a recorrente. Após apurações e diligências, o procedimento administrativo em tela concluiu por declarar inidôneos os recibos emitidos pelo profissional e, portanto, imprestáveis e ineficazes para fins de dedução na declaração de ajuste anual. Diante desse fato, caberia à recorrente comprovar a efetiva prestação dos serviços ou efetivo pagamentos das despesas informadas com o profissional declarado. Ou seja, embora a declaração de idoneidade alcance os recibos apresentados pela recorrente, ela teve a oportunidade de apresentar provas de que teria recebido o atendimento profissional alegado, bem como efetuado os pagamentos correspondentes. Não tendo sido produzida a prova exigida, seja por ocasião da impugnação, seja em seu recurso, a glosa mostrase correta. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 19647.006131/200716 Acórdão n.º 2002000.397 S2C0T2 Fl. 273 10 Registrese que a súmula foi emitida em 2005, mas consigna que são considerados inidôneos para todos os efeitos tributários os recibos emitidos pelo profissional no período de 1/1/2000 a 31/12/2001, recaindo, portanto, sobre as despesas declaradas pela recorrente no anocalendário objeto dos autos, de 2001. Multa qualificada Sobre o imposto suplementar calculado pela fiscalização, foi aplicada multa de ofício proporcional de 150%, com esteio no §1º, do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) A penalidade no percentual de 75% é uma sanção pecuniária com origem no descumprimento de obrigação principal consistente na falta de pagamento do imposto. A aplicação da multa nesse percentual independe do dolo na conduta do sujeito passivo, incidindo proporcionalmente ao montante do imposto não pago que foi identificado quando do lançamento de ofício. Nos caso em que resta comprovado que o sujeito passivo agiu com dolo, a autoridade lançadora aplica o percentual duplicado para a multa punitiva, correspondendo a 150% (cento e cinquenta por cento), nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, antes reproduzido. Nesse sentido, considerando que a recorrente não logrou comprovar a efetiva prestação do serviço e os pagamentos decorrentes das despesas médicas informadas, há que se considerar os recibos apresentados inidôneos, restando configurado o evidente intuito de fraude referido nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A Súmula CARF nº 40, já reproduzida neste voto, dispõe que, para esses casos, justificase a qualificação da multa de ofício. Assim, não há reparos a se fazer, sendo de se manter a exigência da multa de ofício qualificada. No que tange à alegação de que a aplicação da multa qualificada representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva, da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao confisco, deve ser esclarecido que a multa de lançamento de Fl. 273DF CARF MF Processo nº 19647.006131/200716 Acórdão n.º 2002000.397 S2C0T2 Fl. 274 11 ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. Ademais, o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, afastar a decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 274DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903146/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 46 /2 00 9- 69 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.903146/200969 Acórdão n.º 3301005.404 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1430.405, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.903146/200969 Acórdão n.º 3301005.404 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.903146/200969 Acórdão n.º 3301005.404 S3C3T1 Fl. 5 4 Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.903146/200969 Acórdão n.º 3301005.404 S3C3T1 Fl. 6 5 receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13888.903146/200969 Acórdão n.º 3301005.404 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13888.903146/200969 Acórdão n.º 3301005.404 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727632/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010, 2011 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 76 32 /2 01 3- 17 Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 10580.727632/201317 Acórdão n.º 1402003.498 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 10580.727632/201317 Acórdão n.º 1402003.498 S1C4T2 Fl. 4 3 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 2098DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720176/2014-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
RECURSO ESPECIAL. REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NA APLICAÇÃO DE NORMA CONSTANTE DO RICARF. POSSIBILIDADE.
As regras constantes do Regimento Interno do CARF, quanto à competência das seções de julgamento, tratam do processo administrativo fiscal, pois funcionam como instrumento necessário à execução do Decreto regente da matéria, em caráter abstrato, consubstanciando-se, materialmente, em lei.
CONFLITO DE COMPETÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
No presente caso, a discussão sobre a competência ainda está adstrita ao âmbito da Segunda Seção, não se instaurando um conflito de competência, pois o conflito ocorre quando as duas ou mais seções se dão por competentes (conflito positivo) ou quando as duas ou mais seções se dão por incompetentes (conflito negativo).
AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. DISPOSITIVOS REGIMENTAIS APLICADOS AO RECORRIDO DISTINTOS DO DISPOSITIVO APLICADO AOS PARADIGMAS.
A ausência de prequestionamento do dispositivo regimental tratado no Recurso Especial e constante dos paradigmas afasta a possibilidade de identificação da divergência jurisprudencial.
Além disso, caso tivesse sido devidamente aplicada ao recorrido à norma regimental vigente à época, os paradigmas restariam anacrônicos, pois tiveram como fundamento norma anterior à alteração promovida no Regimento.
COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA. CONHECIMENTO.
Considerando a natureza da discussão suscitada, que trata da competência absoluta, faz-se necessária a apreciação do tema de oficio.
Numero da decisão: 9202-007.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 RECURSO ESPECIAL. REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NA APLICAÇÃO DE NORMA CONSTANTE DO RICARF. POSSIBILIDADE. As regras constantes do Regimento Interno do CARF, quanto à competência das seções de julgamento, tratam do processo administrativo fiscal, pois funcionam como instrumento necessário à execução do Decreto regente da matéria, em caráter abstrato, consubstanciando-se, materialmente, em lei. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. INOCORRÊNCIA. No presente caso, a discussão sobre a competência ainda está adstrita ao âmbito da Segunda Seção, não se instaurando um conflito de competência, pois o conflito ocorre quando as duas ou mais seções se dão por competentes (conflito positivo) ou quando as duas ou mais seções se dão por incompetentes (conflito negativo). AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. DISPOSITIVOS REGIMENTAIS APLICADOS AO RECORRIDO DISTINTOS DO DISPOSITIVO APLICADO AOS PARADIGMAS. A ausência de prequestionamento do dispositivo regimental tratado no Recurso Especial e constante dos paradigmas afasta a possibilidade de identificação da divergência jurisprudencial. Além disso, caso tivesse sido devidamente aplicada ao recorrido à norma regimental vigente à época, os paradigmas restariam anacrônicos, pois tiveram como fundamento norma anterior à alteração promovida no Regimento. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA. CONHECIMENTO. Considerando a natureza da discussão suscitada, que trata da competência absoluta, faz-se necessária a apreciação do tema de oficio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NA APLICAÇÃO DE NORMA CONSTANTE DO RICARF. POSSIBILIDADE. As regras constantes do Regimento Interno do CARF, quanto à competência das seções de julgamento, tratam do processo administrativo fiscal, pois funcionam como instrumento necessário à execução do Decreto regente da matéria, em caráter abstrato, consubstanciandose, materialmente, em lei. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. INOCORRÊNCIA. No presente caso, a discussão sobre a competência ainda está adstrita ao âmbito da Segunda Seção, não se instaurando um conflito de competência, pois o conflito ocorre quando as duas ou mais seções se dão por competentes (conflito positivo) ou quando as duas ou mais seções se dão por incompetentes (conflito negativo). AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. DISPOSITIVOS REGIMENTAIS APLICADOS AO RECORRIDO DISTINTOS DO DISPOSITIVO APLICADO AOS PARADIGMAS. A ausência de prequestionamento do dispositivo regimental tratado no Recurso Especial e constante dos paradigmas afasta a possibilidade de identificação da divergência jurisprudencial. Além disso, caso tivesse sido devidamente aplicada ao recorrido à norma regimental vigente à época, os paradigmas restariam anacrônicos, pois tiveram como fundamento norma anterior à alteração promovida no Regimento. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA. CONHECIMENTO. Considerando a natureza da discussão suscitada, que trata da competência absoluta, fazse necessária a apreciação do tema de oficio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 76 /2 01 4- 13 Fl. 3686DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2202003.485 proferido pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 16 de agosto de 2016, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 3.658: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDOS DE CONEXÃO E SOBRESTAMENTO. De acordo com o art. 6º, § 2º, do RICARF, para que possa ser deferida a conexão, os processos devem ser de competência da mesma seção, o que não ocorre no caso dos autos. Tratase de tributação prevista no art. 61 da Lei 8981/95 que independe da exigência ou não IRPJ e CSLL, sendo assim, deve ser rejeitado o sobrestamento do presente processo. NULIDADE EM RAZÃO DA AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO DESCRITO NO ART. 61 DA LEI 8981/95. Os atos praticados no processo foram lavrados por pessoa competente (inciso I) e os despachos e decisões foram integralmente lavrados por autoridades competentes e sem preterição do direito de defesa (inciso II). Assim, sob o ponto de vista formal, não há que se falar em nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72. A alegada ausência de subsunção do fato à norma que suporta o presente lançamento se confunde com o mérito e, por isso, será juntamente com ele analisada. IR FONTEPAGAMENTO SEM CAUSA ART. 61 DA LEI N.º 8981/95 AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. Fl. 3687DF CARF MF Processo nº 16095.720176/201413 Acórdão n.º 9202007.207 CSRFT2 Fl. 3 3 Mostrase contraditória a tributação, como pagamentos sem causa, de pagamentos inexistentes. Foram opostos embargos de declaração pela Contribuinte e pelos responsáveis solidários, sendo acolhido apenas recurso da Contribuinte para sanar a obscuridade formal apontada no Acórdão, uma vez que o argumento relativo à inexistência de materialidade para incidência do IRRF foi acolhido à unanimidade, nos termos da Relatora. No que se refere ao Recurso Especial referido anteriormente, fls. 3.597 a 3.617, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 3.593 a 3.596, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à delimitação da competência do CARF para julgar recursos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte, no caso de pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado com autuação concomitante no âmbito de IRPJ e CSLL. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) há violação do devido processo legal em razão das decisões contraditórias, uma da 2º Seção sobre o IRRF e outra da 1º seção sobre o IRPJ; b)não se observa qualquer desvantagem ou prejuízo que pudesse ser ocasionado com a reunião de processos para julgamento perante a 1ª Seção de Julgamento do CARF; c) não prospera o argumento da decisão recorrida de que o RICARF somente possibilita o reconhecimento da conexão quando os processos relacionados forem da competência da mesma Seção; d) evidenciada a conexão entre os presentes autos e o processo n.º 16095.720175/201479 é cediço que, nos termos das normas regimentais, a 2ª Seção de Julgamento do CARF não possui competência para julgar a demanda, sendo nulo o acórdão proferido em violação às normas que regem as regras de competência para remeter o presente feito para uma das Turmas que compõem a 1ª Seção de Julgamento do CARF, órgão julgador competente para julgar a matéria. Intimados, a Contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram Contrarrazões, fls. 3.213 e seguintes, nas quais sustentam que: a) conforme se infere do acórdão recorrido, não restaram caracterizadas as situações previstas no art. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, de modo que transitou em julgado a exclusão dos responsáveis solidários do pólo passivo, inclusive do ora recorrido; b) a inobservância da finalidade do Recurso Especial que é a discussão acerca da divergência sobre interpretação da legislação tributária e não de conflitos de competência; c) o conflito de competência entre seções é matéria disciplinada pelo RICARF e designada ao Presidente do CARF, não devendo ser conhecido o recurso interposto pela Procuradoria; Fl. 3688DF CARF MF 4 d) da leitura dos paradigmas, observase que houve citação genérica da redação do inciso IV, do art. 2º, prevista no antigo RICARF, não restando demonstrada se a competência da Primeira Seção seria em razão dos processos administrativos serem conexos, reflexos, ou decorrentes. Já na declaração de voto constante do acórdão recorrido consta que a suposta competência seria em razão do presente caso ser reflexo, tendo em vista que a atual redação do art. 2º, inciso IV, do RICARF, prevê apenas tal hipótese; e) a suposta divergência de interpretação é entre dispositivos pertencentes a contextos diversos: enquanto a Recorrente e os acórdãos paradigmas pleiteiam a aplicação da redação do inciso IV, do art. 2º, prevista no antigo RICARF (exigências lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática da infração...), o voto vencido do acórdão recorrido defendeu a aplicação da redação do atual RICARF (formalizados com base nos mesmos elementos de prova); f) à luz do atual RICARF, o simples fato de ser conexo não remete a competência para a primeira seção de julgamento, de modo que o pedido da Recorrente se mostra inepto; g) ausência de similitude fática entre os paradigmas o acórdão recorrido; h) a segunda seção de julgamento é a competente para julgar a demanda dos presentes autos. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento. 1.1. Divergência na aplicação da legislação tributária. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte e os responsáveis solidários teceram argumentos acerca do não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Sustentam o Sujeito passivo e os responsáveis a ausência de demonstração de interpretação divergente da lei tributária, que é pressuposto básico de admissibilidade do Recurso Especial, considerando que o objeto da divergência suscitada pela Procuradoria é a competência das Seções (Primeira e Segunda) estabelecida no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A respeito do cabimento do Recurso Especial, o RICARF assim dispõe: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação Fl. 3689DF CARF MF Processo nº 16095.720176/201413 Acórdão n.º 9202007.207 CSRFT2 Fl. 4 5 tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. A fim de melhor elucidar a interpretação atribuída ao mencionado dispositivo, cabe citar a regra geral sobre o processo administrativo fiscal, no que se refere ao tema competência, constante do Decreto 70.235, de 3 de março de 1972, abaixo transcrita: Art.25.O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. § 1o O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais será constituído por seções e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 2o As seções serão especializadas por matéria e constituídas por câmaras. Delimitando, de forma específica, a competência das Seções do CARF, para a execução do Decreto referido, o Regimento Interno estabelece, em seus artigos 2º, 3º e 4º, respectivamente, a competência da Primeira Seção, da Segunda Seção e da Terceira Seção. Cabe destacar que o RICARF é estabelecido por meio de Portaria do Ministério da Fazenda, que contém regras acerca da execução de leis, decretos e regulamentos, em consonância com o art. 87, parágrafo único, da Constituição Federal. Nesse contexto, extraise que as regras constantes do Regimento, quanto à competência das seções, tratam do processo administrativo fiscal, em caráter abstrato, consubstanciandose, materialmente, em lei. Portanto, não há óbice ao conhecimento do Recurso sob análise, considerando a divergência na aplicação da legislação tributária. 1.2. Da inocorrência de conflito de competência. A respeito da competência das seções do Conselho, também constou das contrarrazões apresentadas o argumento de que o conflito de competência é matéria designada ao Presidente do CARF, conforme o art. 6ª, parágrafo 7º, do anexo II do Regimento do Conselho. Não obstante o exposto, cabe esclarecer que, no presente caso, não estamos tratando de um conflito de competência, pois o conflito ocorre quando as duas ou mais seções se dão por competentes (conflito positivo) ou quando as duas ou mais seções se dão por incompetentes (conflito negativo). Cabe destacar que o tema atinente à competência para apreciação matéria objeto dos autos ainda está sendo discutido no âmbito na 2ª Seção, de modo que, após o Fl. 3690DF CARF MF 6 pronunciamento final acerca da competência, caso prevaleça o entendimento de que a 1ª Seção é, de fato, a competente para o julgamento, mas esta se abstenha de analisar os autos por se considerar incompetente, teriase, assim, um conflito negativo apto a ensejar a provocação ao Presidente do Conselho para a devida decisão. Desse modo, a discussão sobre competência objeto da divergência constante do Recurso da Procuradoria é matéria adstrita ao âmbito dos julgadores da 2º Seção, não assistindo razão à recorrida e aos responsáveis, nesse ponto. 1.3. Paradigmas fundamentados na Portaria n.º 256/2009 (normas do Regimento anterior ao aplicável aos autos). Asseveram a Contribuinte e os responsáveis solidários que a Recorrente, amparada na antiga redação do art. 2º, inciso IV, estabelecida pela Portaria MF n.º 256/2009, e no que foi decidido nos Acórdãos paradigmas n.º 2102000.283 e n.º 2102002.468, requereu o reconhecimento da conexão entre o presente processo e o PA 16095.720175/201479, que trata do lançamento do IRPJ e CSLL; bem como a declaração de nulidade do acórdão recorrido em razão da suposta incompetência da 2ª Seção para julgamento do IRRF cobrado no presente processo. Compulsandose os paradigmas apontados, observase que, de fato, a norma aplicada aos dois casos foi a constante da Portaria MF n.º 256/2009, que assim tratava da competência da Primeira Seção: Art. 2º. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Já o entendimento adotado pelo Colegiado no Acórdão Recorrido teve como fundamento os arts. 6º, §2º, a 8º do RICARF (Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015), nos termos abaixo: Para dar maior celeridade e racionalidade aos processos que tramitam no CARF foi instituída, no Anexo II, art. 6º a 8º do Novo Regimento (Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015) a possibilidade de vinculação dos processos quando estes forem conexos, decorrentes ou reflexos, nestes termos: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de Fl. 3691DF CARF MF Processo nº 16095.720176/201413 Acórdão n.º 9202007.207 CSRFT2 Fl. 5 7 prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. Tem razão a Recorrente quando afirma que os processos tratam das mesmas questões fáticas, pois tanto a glosa das despesas operacionais que deram causa ao lançamento do IRPJ e da CSLL quanto a tributação na fonte decorrem da desconsideração da atividade da empresa Pandurata Assessoria. No entanto, conforme se verifica da pela norma prevista no §2º do referido artigo, para que possa ser deferida a conexão, os processos devem ser de competência da mesma seção. Finalmente, em relação ao pedido de sobrestamento do presente processo em razão de se configurar um processo reflexo ao processo relativo a glosa das despesas de IRPJ e CSLL, entendo que este não procede. Isso porque, o auto de infração, na parte que é objeto do presente recurso, tem como fundamentação legal a ocorrência de pagamento sem causa sobre o qual deveria incidir a exigência do imposto de renda na fonte. Tratase de tributação prevista no art. 61 da Lei 8.981/95 que independe da exigência ou não de IRPJ e CSLL. Notase, desse modo, que o fundamento do Acórdão recorrido (art. 6º, §2º, do RICARF) difere dos fundamentos adotados nos Acórdãos paradigmas (art. 2º da Portaria MF 256), constando da decisão apenas uma Declaração de voto que trata do dispositivo supostamente aplicável ao caso, que era o vigente à época, disposto na Portaria MF n.º 152, de 3 de maio de 2016. Salientase que, embora conste da declaração de voto a opinião de um dos Conselheiros sobre a aplicação do artigo 2º da referida Portaria, não há menção no acórdão acerca da sua aplicabilidade ou inaplicabilidade ao caso, tendo o colegiado, em sua maioria, acompanhado a Relatora quanto à impossibilidade de reconhecimento da conexão, quando os processos são de competência de seções distintas, bem como quanto a desnecessidade de sobrestamento dos autos. Assim, considerando a ausência de prequestionamento do dispositivo regimental que trata da competência da Primeira Seção para análise de processos que tratem de IRRF, reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova (art. 2º, inciso IV, do RICARF), não há como identificar a existência de divergência quanto à interpretação da norma do Regimento. Além disso, ressaltase que a redação do dispositivo disposto nos paradigmas sofreu alteração substancial com relação ao dispositivo aplicável ao presente caso, como se observa do quadro comparativo abaixo: Portaria n.º 256, de 22 de junho de 2009 (aplicada aos paradigmas) Art. 2º (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Portaria n.º 152, de 3 de maio de 2016 (aplicável ao caso) "Art. 2º (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o Fl. 3692DF CARF MF 8 Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (...). PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; Verificase que, a análise da competência realizada pelos paradigmas teve como fundamento a redação que tratava do IRRF, quando os procedimentos eram conexos, decorrentes ou reflexos, lastreados em fatos que serviram para configurar a prática de infração à legislação do IRPJ (Portaria n.º 256/2009). Por outro lado, o Acórdão recorrido não tratou especificamente do art. 2º da Portaria vigente à época (Portaria n.º 152/2016), pois o que se discutiu nesses autos foi a possibilidade de reconhecimento da conexão entre os processos com base, fundamentalmente, no art. 6º, §2º, do Regimento (Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015). Ainda que a decisão recorrida tivesse consignado a discussão sobre o art. 2º, inciso IV, do RICARF, diante da alteração da Portaria n.º 256/2009, passou a constar do dispositivo aplicável ao caso apenas a hipótese da competência da Primeira Seção para tratar de IRRF nos processos reflexos do IRPJ formalizados com base nos mesmos elementos de prova, deixando de abarcar a conexão. Assim, mesmo que o Acórdão recorrido tivesse tratado, de forma específica, do artigo 2º, inciso IV, o dispositivo aplicável ao caso teria redação distinta do dispositivo aplicado aos paradigmas, em decorrência da alteração promovida pela Portaria n.º 152, em 3 de maio de 2016, sendo o arcabouço normativo no qual se baseou os paradigmas diverso do que, em tese, deveria ter orientado o Acórdão Recorrido. Portanto, não se observa o cumprimento dos requisitos regimentais no que se refere à interposição do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. 2. Da competência. Apesar da ausência de divergência jurisprudencial suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por se tratar da análise da competência absoluta, matéria passível de conhecimento de ofício, mostrase imperiosa a apreciação do tema. Corroborando o exposto, cabe mencionar o § 2º do art. 63 da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), que dispõe: o não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida a preclusão administrativa. Assim, não havendo que se falar em preclusão do tema relativo à competência em razão da matéria, por ser competência absoluta, passase ao controle de legalidade do presente caso. Com fundamento no que dispõe o art. 2º, inciso IV, cumulado com o art. 6º, § 1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF vigente à época, entendo que a competência para o julgamento dos presentes autos é da 1ª Seção de Julgamento, como se extrai dos dispositivos abaixo transcritos: Fl. 3693DF CARF MF Processo nº 16095.720176/201413 Acórdão n.º 9202007.207 CSRFT2 Fl. 6 9 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: (...) III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Art. 2º (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova Portanto, tratam os presentes autos do IRRF reflexo ao IRPJ, processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova. Desse modo, deve ser anulada a decisão de segunda instância, redistribuindo se os autos à Primeira Seção de Julgamento do CARF para reinclusão em lote e posterior sorteio. No que se refere à alegação disposta em contrarrazões sobre o trânsito em julgado da matéria referente à solidariedade, cabe esclarecer que, conforme se extrai do Acórdão de Embargos, tendo em vista o provimento do recurso voluntário, o tema restou prejudicado, não sendo analisado pelo colegiado, conforme se observa do trecho abaixo transcrito: Em relação à omissão alegada pelos embargantes Carla Bauducco, Massimo Bauducco e Lugui Bauducco (sujeitos passivos solidários), rejeito os embargos. Isso porque não existe a omissão formal entre o teor do acórdão embargado e a sua ementa. Na verdade, a turma considerou prejudicada a análise do tema, tendo em vista que, no mérito, foi dado provimento ao recurso. Essa situação fica clara pelo seguinte trecho da declaração de voto do Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa: Em face das conclusões acima, voto por dar provimento ao recurso e, em conseqüência, deixo de analisar as demais questões referentes à decadência, qualificação da multa e responsabilidade solidária.(grifamos). Dessa forma, rejeito os embargos em relação aos devedores solidários. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 3694DF CARF MF 10 Fl. 3695DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19839.001088/2010-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2004 a 30/04/2005
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO.
O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa se impõe tão somente aos casos em que o limite de alçada supera o previsto no Art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento conforme Súmula CARF nº 103.
CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. NÃO CONHECIMENTO.
Súmula CARF nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MATÉRIA ESTRANHA A LIDE. NÃO CONHECIMENTO.
Matéria articulada somente em sede Recursal que não se relaciona com a lide. Não conhecimento.
CERCEAMENTO DE DEFESA. OCORRÊNCIA.
Realizada a retificação do lançamento deve ser oportunizado a impugnante apresentar nova manifestação, sob pena de restar configurado o Cerceamento de Defesa.
Numero da decisão: 2402-006.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância administrativa para que seja o contribuinte intimado da diligência demandada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento e para que, caso queira, apresente razões adicionais à impugnação.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2004 a 30/04/2005 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa se impõe tão somente aos casos em que o limite de alçada supera o previsto no Art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento conforme Súmula CARF nº 103. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. NÃO CONHECIMENTO. Súmula CARF nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MATÉRIA ESTRANHA A LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Matéria articulada somente em sede Recursal que não se relaciona com a lide. Não conhecimento. CERCEAMENTO DE DEFESA. OCORRÊNCIA. Realizada a retificação do lançamento deve ser oportunizado a impugnante apresentar nova manifestação, sob pena de restar configurado o Cerceamento de Defesa.
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INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 30/04/2005 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa se impõe tão somente aos casos em que o limite de alçada supera o previsto no Art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento conforme Súmula CARF nº 103. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. NÃO CONHECIMENTO. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MATÉRIA ESTRANHA A LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Matéria articulada somente em sede Recursal que não se relaciona com a lide. Não conhecimento. CERCEAMENTO DE DEFESA. OCORRÊNCIA. Realizada a retificação do lançamento deve ser oportunizado a impugnante apresentar nova manifestação, sob pena de restar configurado o Cerceamento de Defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 83 9. 00 10 88 /2 01 0- 32 Fl. 637DF CARF MF Processo nº 19839.001088/201032 Acórdão n.º 2402006.650 S2C4T2 Fl. 638 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância administrativa para que seja o contribuinte intimado da diligência demandada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento e para que, caso queira, apresente razões adicionais à impugnação. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente). Relatório Cuidamse de Recursos Voluntário e de Ofício, tomados contra decisão de fls. 318 usque 330 que julgou parcialmente procedente o lançamento e determinou a retificação dos valores, sendo ele reduzido de R$ 8.456.984,83 para R$ 8.028.564,54. Por bem delinear a causa até o momento da interposição do recurso, transcrevo o relatório da r. decisão objurgada: DA NOTIFICAÇÃO Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 102/104, referese a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parcela da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e àquelas destinadas a terceiros salárioeducação, INCRA, SEBRAE, SESI e SENAI. 2. Referidas contribuições têm como fatos geradores as remunerações pagas aos segurados empregados e aos diretores a título de prólabore, nas competências 11/2000 a 12/2001, inclusive o 13° salário. 3. O valor lançado importa no montante de R$ 8.456.984,83 (oito milhões e quatrocentos e cinqüenta e seis mil e novecentos Fl. 638DF CARF MF Processo nº 19839.001088/201032 Acórdão n.º 2402006.650 S2C4T2 Fl. 639 3 e oitenta e quatro reais e oitenta e três centavos), valor consolidado em 28.03.2002. DA IMPUGNAÇÃO 4. Dentro do prazo regulamentar, a Notificada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 111/183, alegando em síntese: I Das Preliminares 4.1. que ao apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP's junto a Caixa Econômica Federal, denunciouse espontaneamente, devendo ser beneficiada pela exclusão da responsabilidade, conforme previsão do art. 138 do CTN. Pede a exclusão da multa moratória. 4.2. que exigir a pesada multa de 12% (doze por cento) é utilizar o tributo com efeito de confisco, o que é totalmente vedado art. 150, IV da Constituição Federal. Ao aplicar tais multas, o Estado desrespeita a capacidade contributiva do contribuinte. I.b. Da Observância do art. 37 da Lei n° 8.212/91 e do art. 142 do CTN 4.3. que no Relatório Fiscal não consta discriminadamente os nomes dos supostos segurados empregados diretores, os valores devidos a título de prólabore e suas competências, o que fere o que disposto no art. 37 da Lei 8.212/91 e a impediu de apresentar sua defesa de forma completa. I.c. Da Inobservância dos Princípios Constitucionais regedores do Processo Administrativo Da Caracterização de vício Formal neste sentido Da ofensa ao devido processo legaj, Do Princípio da legalidade Dos valores efetivamente recolhidos pela Impugnante jjòo princípio da verdade material Do Princípio da Segurança Jurídica. 4.4. que a fiscalização majorou arbitrariamente a base de cálculo das contribuições em questão, pela inclusão de elementos que lhe são estranhos e por desconsiderar valores efetivamente recolhidos a título das mencionadas contribuições, o que representa uma total afronta ao principio da legalidade e da segurança jurídica. II Do Mérito II.a Da Obrigatoriedade de julgamento da inconstitucionalidade da legislação pela Administração Pública 4.5. que é entendimento pacifico, tanto em nível doutrinário quanto jurisprudencial, que a esfera administrativa tem total competência para analisar as questões de ordem constitucional, tendose em vista a harmonia do ordenamento jurídico. II.b Da arrecadação de Contribuições Sociais em favor de Terceiros ll.b.1 Da Inconstitucionalidade do Salárioeducação 4.6. que por meio da Lei n° 4.440/64, foi instituído o salário educação, mas a alíquota foi prevista em decretos presidenciais. Posteriormente, o DecretoLei n° 1422/75 revogou a Lei n° 4.440/64, e também não previu a alíquota a ser aplicada. Ato do Poder Executivo previu, e isto viola o princípio da legalidade. E Fl. 639DF CARF MF Processo nº 19839.001088/201032 Acórdão n.º 2402006.650 S2C4T2 Fl. 640 4 que a previsão do Salário Educação não foi recepcionada pela nova ordem constitucional. Bem como, somente poderá ser cobrada, a título de Salário Educação, a alíquota de 1,4 % até a competência de 12/1996 e não 2,5 % como pretende a fiscalização. Il.b.2 Da não sujeição da Impugnante ao pagamento das contribuições devidas ao SENAI/SESI/ SEBRAE 9 4.7. que o plano de custeio ao SENAI/SESI/SEBRAE é mantido exclusivamente por empresas comerciais e, como exerce atividade meramente de indústria, não está sujeita ao pagamento destas contribuições. Diz, ainda, que mesmo que fossem devidas, houve erro no lançamento, de acordo com o demonstrado na planilha às fls. 145. II.c Considerações Relevantes Da Violação ao art. 142 do CTN Da Nulidade dos Atos Administrativos Praticados Da Finalidade do Ato administrativo Do Motivo do Ato administrativo Do Objeto do Ato administrativo Da Inexigibilidade por conta da inexatidão do apurado Do Tratamento Equânime Da contrariedade das Diretrizes Previdenciárias 4.8. que os cálculos procedidos pela fiscalização refletem a realidade, não há exatidão nos critérios utilizados, desrespeitando regras contábeis, ferindo o princípio da legalidade. E que os atos praticados são nulos, porque desrespeitam a finalidade, o motivo e o objeto dos atos administrativos. 4.9. que os valores que deveriam ter sido considerados para apuração do débito, não o foram, resultando em diferenças absurdas, dandose por conseqüências o exagerado numerário apurado. E que a atividade do contribuinte está voltada para a prestação de serviços de ordem pública. Que o lançamento foi baseado exclusivamente em presunções sem caráter fático probatório.. O errôneo levantamento se deu em virtude de elícita aferição realizada. E que a fiscalização efetuada sobre documentos relativos a períodos anteriores a um ano, apressou a empresa e acabou concluindo por uma NFLD presumida. Il.d Da Ilegalidade da Cobrança do SAT 4.10. que é ilegal a cobrança do SAT, pois os conceitos de atividade preponderante e dos seus graus de risco foram definidos por Decreto, e a modificação do critério adotado para determinar o grau de risco pela maioria lotada na empresa, em vez de risco do estabelecimento, acabou aumentando a contribuição. Il.e Da não sujeição ao pagamento das Contribuições devidas aos contribuintes individuais e prólabore 4.11. que houve inconstitucionalidade da Lei Ordinária 9.876/99 ao majorar a alíquota das contribuições relativas ao prólabore dos contribuintes individuais, pois a instituição de novas contribuições sociais somente pode ser efetuada por Lei Complementar. Il.f. Da Inconstitucionalidade da Taxa Selic 4.12. que os encargos aplicados superam o estabelecido pelo §3° do art. 192, Fl. 640DF CARF MF Processo nº 19839.001088/201032 Acórdão n.º 2402006.650 S2C4T2 Fl. 641 5 da CF, que estipula em 12% ao ano. Que tratase de juros remuneratórios, havendo completa falat de previsão legal do que seja a Taxa Selic. E que a aplicação desta taxa para efeito de correção, constitui verdadeiro bis in idem. Il.g. Da Multa Consignada Da retroatividade da legislação que estabelece pena mais branda 4.13. que a multa não pode ser aplicada, devendo a legislação mais benigna ser aplicada. DO PEDIDO 5. A notificada requer acolhimento dos seus argumentos, para o reconhecimento da total nulidade desta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD. Pede que seja realizada nova fiscalização na empresa, a fim de que seja constatada a completa regularidade de sua situação no que se refere ao recolhimento das aludidas contribuições. DA DILIGÊNCIA 6. Diante das alegações da Impugnante, os autos foram baixados em diligência, conforme despacho às fls. 252/253, para que a auditora fiscal notificante se pronunciasse quanto aos argumentos e documentos acostados. No seu relatório de resposta, às fls. 255/257, a auditora sugere a retificação do valor lançado nesta NFLD. Para determinar o quantum desta retificação, elaborou planilhas e emitiu Formulários para Cadastramento e Emissão de Documentos FORCED's, anexados aos autos às fls. 258 e 263 /272. 7. As informações prestadas pela fiscalização foram: 7.1. que durante o período do débito, 11/2000 a 12/2001, faziam parte da Diretoria os senhores: Takeshi Honda e Kazumi Miyamoto, ambos segurados empresários do Conselho Administrativo: Maki Hará, Kiyuziro Akimoto, Sukenobu Tokoro, Mauro Guimarães Pereira e Cláudio Augusto de L Oliveira e do Conselho Fiscal: Genésio Carvalho Filho, Ivan Rubens do A. Meireles e Khalif Isaac David, o que pode ser confirmado através das folhas de pagamento, às fls. 207/248. 7.2. que realmente ocorreu erro na apuração das contribuições sobre o prólabore, relativo a duplicidade dos valores referentes aos diretores Takeshi Honda e Kazumi Miyamoto. Os valores foram retificados através de FORCED. Diz, ainda sobre a apuração destas contribuições, que a planilha apresentada pela empresa referente aos valores cobrados considerou apenas os dois diretores, desconsiderando os cinco membros do Conselho Administrativo e os três membros do Conselho Fiscal. Segue em anexo planilha demonstrando o total mensal dos prólabore levantados originalmente e depois da retificação do débito e a diferença que foi abatida do levantamento e Relatório de Fatos Geradores do Levantamento do Débito, onde aparece Fl. 641DF CARF MF Processo nº 19839.001088/201032 Acórdão n.º 2402006.650 S2C4T2 Fl. 642 6 discriminadamente os valores mensais recebidos pelos membros da diretoria; 7.3. que durante a fiscalização nada foi referido quanto ao convênio existente entre o SESI e as filiais 000477 e 000558 no período do levantamento do débito. Os valores pagos ao SESI através das Guias de Recolhimento, relativas ao Contrato de Arrecadação Direta apresentado com a defesa, foram excluídos do lançamento, sendo feita a retificação através de FORCED e apresentadas as planilhas discriminando os valores a serem suprimidos. 7.4. que é verdadeira a alegação da notificada de ter apresentados as GFIP's e que, apesar de não terem sido mencionadas no Relatório Fiscal, foram analisadas durante a fiscalização. Não é procedente a afirmação de que os valores recolhidos pela notificada são maiores do que os considerados pela fiscalização, todas as guias apresentadas pela empresa referentes ao período levantado foram analisadas e devidamente apropriadas, conforme pode ser verificado no Demonstrativo Analítico do Débito (DAD), às fls. 04/35, no relatório Guias de Recolhimento Registradas, às fls. 50/54 e no relatório Apropriação de GPS, às fls. 55/67, que demonstram discriminadamente, por filial e por mês, todos os valores recolhidos pela empresa e apresentados à fiscalização. 7.5. que esclarece, por fim, que todo o restando do débito fica mantido e que os diretores da empresa são segurados empresários. Em seu apelo, apresenta preliminar de nulidade da decisão recorrida, uma vez que ela não teria enfrentado todos os tópicos expostos na Impugnação (fls. xxx), devendo, portanto, ser anulada para que nova seja proferida. Em seguida, quanto à multa de mora, que a recorrente, ao apresentar as GFIPs junto a CEF, denunciouse espontaneamente, devendo ser excluída a responsabilidade prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, devendo ser relevada a totalidade da multa aplicada, uma vez que a multa como aplicada estaria ferindo diversos princípios constitucionais, como o da proibição do confisco e da capacidade contributiva. Desse modo, tendo o sujeito passivo agido de boafé, não seria justo ser penalizado com a inclusão da multa moratória, assim afia que "criou o legislador uma causa excludente da punibilidade tributária pela denúncia, ou seja, ocorrerá a exclusão da pena na hipótese em que se verificar a inequívoca intenção do sujeito passivo de regularizar sua situação de inadimplência perante os órgãos da administração fazendária. O fato de a administração possibilitar o parcelamento não destitui a validade da denúncia.” (fls. 343) Colaciona diversa jurisprudência, advinda deste Conselho de Contribuintes, bem como dos colendos Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal e, ainda, notória doutrina. Requer, portanto, nesse ponto, a exclusão da multa de mora aplicada. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 19839.001088/201032 Acórdão n.º 2402006.650 S2C4T2 Fl. 643 7 Quanto ao cabimento do recurso, destaca que teriam sido preenchidos todos os requisitos para sua admissibilidade e que toda a matéria presente no recurso já teria sido prequestionada, não podendo ser negado que a matéria já teria sido objeto de discussão na defesa apresentada. Alerta para a inconstitucionalidade do depósito recursal. Aponta que, ainda que mantido o crédito conforme lançado, o mesmo estaria extinto pela compensação. Isso porque, a apelante seria assistente litisconsorcial na ação 1485/2004, à época em trâmite junto à Comarca de Matinhos PR, onde teria sido deferida a compensação do débito perante a Receita Federal e o INSS. Aponta, às fls. 407 que: De início é importante consignar que, feita a compensação, o lançamento teria sido realizado, data vénia, somente em razão de garantir o débito dos efeitos da prescrição e decadência. Na verdade, houve lançamento fiscal sobre uma obrigação tributária que já havia sido "extinta" pela compensação (art. 368 do Código Civil Brasileiro e 156, II, do Código Tributário Nacional). De modo que seria necessário a suspensão do presente feito até o trânsito em julgado da referida ação para que se afaste qualquer possibilidade de ameaça e constrangimento ilegal dos contribuintes com a possibilidade de responsabilização penal por não pagamento de tributo que estaria regularmente quitado. No mais, muito embora tenha alterado a ordem dos tópicos apresentados na peça de Defesa, reprisa os mesmíssimos argumentos nela lançados, alegando, ao final, que a decisão recorrida consubstanciouse em ilegítimas bases de cálculos e perpetrou evidente cerceamento de defesa. De mesmo modo, seria "inaceitável a conclusão fiscal no sentido de não computar a totalidade dos recolhimentos mensais realizados pelo contribuinte através de GRPS:s, que, serviriam para abatimento de débito eventualmente reconhecido como devido." (fls. 408) Por derradeiro, requer o conhecimento e total provimento do apelo. É o relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Tratase de Recurso Voluntário e de Oficio erigidos em oposição a DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21.003.0/0209/2004 que exonerou parte dos créditos constituídos através do DEBCAD nº 35.455.7513, que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 102/104, referese a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parcela da Fl. 643DF CARF MF Processo nº 19839.001088/201032 Acórdão n.º 2402006.650 S2C4T2 Fl. 644 8 empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e àquelas destinadas a terceiros salárioeducação, INCRA, SEBRAE, SESI e SENAI. Referidas contribuições têm como fatos geradores as remunerações pagas aos segurados empregados e aos diretores a título de prólabore, nas competências 11/2000 a 12/2001, inclusive o 13° salário. 1.1. RECURSO DE OFÍCIO. Como resultado do julgamento ora questionado, o lançamento original restou reduzido de R$ 8.456.984,83 para R$ 8.028.564,54, sendo interposto Recurso de Oficio em razão do valor de alçada vigente a época. Ocorre que o valor de alçada foi alterado para R$ 2.5000,00, conforme Art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 20171, sendo aplicável ao presente julgado, nos termos da Súmula Carf nº 1032, o que impossibilita o seu conhecimento. 1.1. RECURSO VOLUNTÁRIO. Intimada em 22 de outubro de 2014 a Recorrente interpôs Recurso de Voluntário em 14/09/2005, sendo tempestivo. Quanto a exigência de depósito para admissibilidade do presente Recurso, tal tema resta superado neste Conselho Administrativo, não sendo impeditivo para conhecimento e julgamento do mesmo3. Ainda em análise dos requisitos de admissibilidade é preciso registrar que parcela relevante da peça recursal apresenta temática que desborda da competência deste Conselho Administrativo e outra parcela implica em inovação na lide, fatos que impedem seu conhecimento pleno. Quanto aos temas que estão fora dos limites de competência do CARF ou representam inovação estão os itens: "V DA OBRIGATORIEDADE DE JULGAMENTO DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA" [Fls. 360/363] VIII "DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DO SAT." [Fls.371/376] "IX DA NÃO SUJEIÇÃO AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS AOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. 2 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. 3 Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 19839.001088/201032 Acórdão n.º 2402006.650 S2C4T2 Fl. 645 9 E PRÓLÁBORE" "A DA NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR" [Fls. 375/376] "X DA INCONSTITUCIONAL TAXA SELIC" [Fls. 378/382] XV "DO TRATAMENTO EQUÂNIME" [Fls. 397/398] Nos termos fixados pela Súmula Carf nº 24, tais temas não merecem conhecimento. Além das questões relacionadas a inconstitucionalidade, a Recorrente articula questões relacionadas a compensação autorizada por meio de medida judicial proferida nos autos da Ação Ordinária de Cobrança com Pedido de Tutela Antecipada nº 1485/2004 que tramitava no Juízo de Direito da Comarca de Matinhos/PR. Sustenta ter o Juízo autorizado a compensação de créditos daquele processo com débitos da Recorrente junto ao INSS e Receita Federal, requerendo, em conseqüência, a suspensão do presente PAF até a conclusão daquele processo judicial. Considerando que o presente lançamento não decorre de glosas de compensação realizadas contra tais créditos e que a referida ação é posterior ao lançamento, este ponto, além de representar inovação, não deveria integrar as discussões do presente PAF, não merecendo ser conhecido. Por todo exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário. 2. PRELIMINARES. 2.1. DA NULIDADE DA DECISÃONOTIFICAÇÃO. Alega a Recorrente que sua impugnação não foi totalmente analisada, havendo omissão quanto à diversos temas apresentados em sua defesa, mas não indica claramente quais pontos deixaram de ser analisados. Revisamos a Defesa Administrativa com o objetivo identificar as omissões alegadas, entretanto, não identificamos nenhuma omissão apta a gerar nulidade, não merecendo prosperar tal pretensão. 2.2. DA OBSERVÂNCIA DO ARTIGO 37 DA LEI Nº 8.212/91 E DO ART. 142 DO CTN CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As contribuições em lide têm como fatos geradores as remunerações pagas aos segurados empregados e aos diretores a título de prólabore, nas competências 11/2000 a 12/2001, inclusive o 13° salário. A luz dos elementos processuais, verificamos a existência de vícios no lançamento originário, corrigidos de ofício pela fiscalização, após a regular notificação do contribuinte e apresentação da impugnação, porém, em período onde o lançamento ainda poderia ser realizado5. 4 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 5 Notem que os fatos geradores estão compreendidos entre as competências 11/2000 e 12/2001, com notificação de lançamento em 02/04/2002 e o saneamento promovido de ofício ocorreu em maio de 2004. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 19839.001088/201032 Acórdão n.º 2402006.650 S2C4T2 Fl. 646 10 No iter processual é possível perceber que, após a revisão de oficio do lançamento onde novos elementos foram adicionadas a motivação original, a Recorrente não foi devidamente notificada para apresentar nova impugnação, o que fere seu direito a ampla defesa e contraditório. Embora outras questões pudessem ser suscitadas, inclusive de cunho material, o pedido da Recorrente é limitado à conformação de vício formal e ao cerceamento do direito de defesa. Nos limites em que a lide foi apresentada, a anulação da decisão recorrida se apresenta suficiente para o saneamento do processo de modo a garantir que as razões recursais sejam adequadamente analisadas em um duplo grau, após ser oportunizado novo prazo para a Recorrente complementar sua impugnação. Isto posto, votamos por acolher parcialmente a preliminar para, anulando a Decisão recorrida, oportunizar a Recorrente que apresente nova impugnação que deverá ser julgada pela instância a quo. CONCLUSÃO Ante a todo exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Voluntário, acolhendo parcialmente as preliminares suscitadas voto por anular a decisão de primeira instância administrativa para que seja o contribuinte intimado da diligência demandada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento e para que, caso queira, apresente razões adicionais à impugnação. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 646DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724658/2016-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
MULTA ISOLADA
A antecipação do Imposto de Renda incidente sobre rendimentos auferidos de Pessoa Física é obrigatória e o valor pago deverá ser levado para a apuração do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. A falta de recolhimento enseja aplicação de multa isolada.
Numero da decisão: 2001-000.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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A falta de recolhimento enseja aplicação de multa isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 46 58 /2 01 6- 47 Fl. 95DF CARF MF 2 Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por multa isolada referente a carnê leão. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.555,03, a título de multa isolada incidente sobre rendimentos recebidos de pessoas físicas com imposto não recolhido no carnêleão, referente ao anocalendário de 2011. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento fundamental do lançamento, o fato de que o Recorrente deveria ter recolhido o imposto mensalmente sobre rendimentos recebidos de pessoa física. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à falta de recolhimento da antecipação do imposto mensalmente através do carnêleão, como segue: Do Mérito Versa o presente processo sobre Impugnação ao Auto de Infração no valor de R$ 5.555,03, correspondentes à multa isolada incidente sobre rendimentos recebido de Pessoas Físicas, que não estejam sujeitos à retenção na fonte, que o beneficiário fica obrigado ao recolhimento mensal do imposto (“carnêleão”), até o último dia útil do mês subsequente ao da percepção dos rendimentos, calculado com base na tabela progressiva mensal, fls 2 a 6, com ciência via postal, na data de 15/07/2016, conforme “AR”, fl nº 50. Confrontando os dados informados pelo sujeito passivo na ficha Rendimentos Tributáveis recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior de sua DIRPF, com as informações de pagamentos relativos ao carnêleão (código de receita 0190) armazenadas nos sistemas internos da RFB, verificouse que não foram efetuados pagamentos do imposto devido a título de recolhimento mensal obrigatório (carnê leão). A lavratura do Auto de Infração se deu em cumprimento da estrita determinação legal. A antecipação é obrigatória, e o fato de haver argumentado que recolheu o imposto devido, há de ser observado que o crédito tributário em debate não se refere ao Imposto de Renda, e sim, a penalidade por não haver observado o cumprimento do pagamento do Imposto antecipado (carnêleão). Também vale ressaltar que o Auto de Infração foi lavrado para os meses de julho a dezembro de 2011, embora o sujeito passivo tenha obtido rendimentos recebidos de pessoas físicas durante todo o ano calendário de 2011, sem haver antecipado o imposto de renda, o que se constata na DIRPF juntada ao processo, fls 52 a 61, pelo fato de ter sido observado pela Autoridade Fiscalizadora, que o período de janeiro a junho de 2011, havia sido contemplado pela decadência. Nulidade O impugnante argumentou que: “a assinatura constante do auto de infração não é suficiente para atender os ditames do Decreto supracitado, que EXIGE assinatura do chefe do órgão expedidor, razão pela qual o auto deve ser considerado nulo”. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10166.724658/201647 Acórdão n.º 2001000.811 S2C0T1 Fl. 96 3 Não há que ser acatada a argumentação proposta pelo impugnante no que concerne à anulação do lançamento, pois estão presentes todos os pressupostos e requisitos do auto de infração, mormente os discriminados no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não incidindo em nenhum vício material ou formal, consoante art. 142 do CTN e art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. JURISPRUDÊNCIAS ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS Igualmente improfícuas as jurisprudências administrativas trazidas pelo sujeito passivo, porque essas decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente aplicamse sobre a questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. O mesmo se opera com relação às jurisprudências judiciais pelo litigante suscitadas, posto que se aplicam somente às partes envolvidas naquele litígio específico, não abrangendo terceiros que não figurem como parte nas referidas ações judiciais; Conclusão Diante do exposto, encaminho meu voto no sentido de considerar a IMPUGNAÇÃO como IMPROCEDENTE. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a infração apurada pela autoridade lançadora. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Da Preliminar Da falha no preenchimento do auto de infração. Preliminarmente, traz se à baila a desconformidade do Auto de Infração lavrado, ferindo a legislação tributária em vigor, mais especificamente o Decreto 70.235/1972, que exige assinatura do chefe do órgão expedidor, in verbis (original sem destaque): (...) Portanto, a assinatura constante do auto de infração (pg. 1/6) não é suficiente para atender os ditames do Decreto supracitado, que exige assinatura do chefe do órgão expedidor, razão pela qual o auto deve ser considerado nulo. Da Denúncia Espontânea Ora, não há tributo devido, tendo em vista que o recorrente pagou integralmente os tributos relativos aos ganhos de aluguel (e outros Fl. 97DF CARF MF 4 ganhos), no dia 25/04/2012 (conforme comprovante já anexado à impugnação), portando, não se deve valor algum à Receita Federal do Brasil RFB. De toda forma, a Secretaria da Fazenda lavrou o auto de infração (sem numeração aparente), no qual aplica a sanção de 50% sobre os tributos já recolhidos 9antes que houvesse qualquer ação fiscalizatória por parte da Receita Federal), ignorando o recolhimento da Denúncia Espontânea, prevista no artigo 138, da Lei 5.172/1966, in verbis: (...) MÉRITO Quanto à aplicação da multa de 50%, esta encontra previsão legal no inciso II, do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, nos casos em que a autoridade tributária necessite efetuar o lançamento de ofício do tributo, acrescendo, neste caso, a multa. (...) Nestes ermos, tornase imperioso adotar o entendimento de que a multa deve ser aplicada quando houver lançamento de ofício do tributo, isto é, quando o contribuinte não declarar ou quando reconhecido que declarou a menor, o que reconhecidamente não ocorreu. Portanto, a imposição de tal sanção, para o presente caso, não encontra amparo legal. De toda forma, pelo Princípio da Eventualidade, caso administrativamente se entenda pela improcedência do presente recurso (em relação ao afastamento da multa), pugnase pela redução da multa ao patamar de 0,33% ao dia, com o limitador de 20% (vinte por cento), nos termos do artigo 32A, II da Lei nº 11.941/2009, in verbis (original se destaque): (...) Frisase o fato de que o contribuinte não deixou de apresentar a declaração, não apresentou com incorreções e nem com omissões, razão pela qual nem mesmo a multa de 20% deve ser imposta. Pelos fatos e fundamentos acima transcritos, demonstrada a insubsistência e Improcedência do auto de infração, que fora corroborado pelo acórdão da 2ª Turma da DRJ/BEL, tendo em vista o entendimento hodierno do Superior Tribunal de Justiça em consonância com as decisões proferidas pelo CARF, requer e espera o recorrente que seja acolhido o presente recurso para o fim de preliminarmente ser acatada a nulidade do auto, com base na obrigação contida no art. 11, IV, do Decreto 70.235/1972. Sucessivamente, que o acórdão da 2ª Turma DRJ/BEL seja reformado, para que haja o reconhecimento da improcedência do débito fiscal reclamado, com base na inexistência de débitos (devido ao pagamento integral dos tributos), com base no entendimento pacífico do STJ, cumulado com o reconhecimento da denúncia espontânea. Por outro lado, pelo Princípio da Eventualidade, caso administrativamente entenda que a multa deve prosperar, que a Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10166.724658/201647 Acórdão n.º 2001000.811 S2C0T1 Fl. 97 5 mesma seja reduzida para o patamar máximo de 20% (vinte por cento), nos termos do art. 32A, II, da Lei 11.941/2009. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. PRELIMINARES A nulidade arguida pelo Recorrente por eventual falta de preenchimento do auto de infração dizendo ser insuficiente a assinatura do Agente Autuante, além da alegada falta de número de individualização, não reúne condições de prosperar pela ausência de demonstração de elementos fáticos que viesse dificultar o exercício do direito de ampla defesa e do contraditório. O Lançamento lavrado tem número próprio e individualizado além de estar identificado o Agente Autuante, fatores que contraditam a alegação recursal e fazem válida peça fiscal, porque atendem os requisitos legais específicos, em especial o que dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/72 e o disposto no art. 142 do CTN. Alega o Contribuinte que teria efetuado o recolhimento do imposto em obediência aos dispositivos legais que tratam dos recolhimentos tributários, por denúncia espontânea, com base no disposto no art. 138 do CTN. Ocorre que para usufruir do benefício do instituto da denúncia espontânea a iniciativa da ação do Contribuinte deve obedecer a determinados critérios de enquadramento, os quis não estão presentes neste caso. Para ser considerada denúncia espontânea tem que atender não só a questão da tempestividade, pela antecipação a qualquer procedimento fiscal, mas também que seja efetuado o recolhimento do tributo, observado suas peculiaridades e satisfazendo de forma integral o imposto devido. Para que a denúncia espontânea atinja sua eficácia tendente ao afastamento da multa, necessário se faz que o pagamento do tributo seja realizado de forma integral com os respectivos encargos moratórios de forma a reparar a perda arrecadatória e não caracterizar a violação da essência da norma, suas condições e seus objetivos, que obriga ao recolhimento do imposto nas datas aprazadas. Como se observa nos documentos juntados aos autos, o Recorrente não atendeu os requisitos regulamentares, portanto, improcedente as alegações de defesa neste item. Em conclusão, do exame das alegações e pela exposição dos motivos acima, rejeitase as preliminares arguidas. MÉRITO Fl. 99DF CARF MF 6 Por oportuno, cabe observar que a indicação de jurisprudência somente pode ser considerada em lide de igual conteúdo e abrangência e quando trata de mesma legislação em vigor no período considerado. A divergência no que ser refere à aplicação da multa de ofício de 50% por descumprimento de prazo para o recolhimento de rendimentos recebidos de pessoas físicas é fulcro na presente lide, com clareza e objetividade interpretativa do seu contexto. O que se evidencia na contenda é que de um lado há a alegada ocorrência da hipótese do caso de denúncia espontânea que o Recorrente reivindica como benefício, o que já foi abordado negativamente na questão preliminar deste voto e, de outra banda a recusa do Fisco que entendeu ter acontecido lesão aos cofres públicos pela falta de comprimento da legislação o que requer a aplicação da multa punitiva. O texto base que define o procedimento da aplicação do procedimento punitivo por falta de pagamento do imposto está contido nos § 1º e 2º, do art. 8º, da Lei nº 7.713/88 e arts. 43 e 44 da Lei nº 9.430/96, como segue: Lei nº 7.713/88 Art. 8º Fica sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei, a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País. § 1º O disposto neste artigo se aplica, também, aos emolumentos e custas dos serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos. § 2º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil da primeira quinzena do mês subsequente ao da percepção dos rendimentos. Lei nº 9.430/96 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10166.724658/201647 Acórdão n.º 2001000.811 S2C0T1 Fl. 98 7 a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; A exigência da legislação especificada determina que o recolhimento do tributo dever ser efetuado pelo Contribuinte nos prazos estipulados e que seu descumprimento leva ao Fisco à obrigação da lavratura do Lançamento de multa isolada mesmo que já tenha sido atendida a obrigação do recolhimento do imposto devido à destempo. No caso de pessoa física que tenha recebido rendimentos de pessoa física, o que ocorre sem retenção de imposto na fonte, a antecipação é obrigatória devendo ser recolhido no prazo estipulado na legislação. Cabe destacar que o crédito tributário lançado se refere à multa punitiva pelo fato do recolhimento do imposto sobre a renda ter sido satisfeito a destempo, em descumprimento da antecipação no pagamento pelo carnêleão, o que enquadra o procedimento como infração tributária por descumprimento de norma legal. Ressaltese, por oportuno, que o Lançamento foi lavrado para os meses de julho a dezembro de 2011, embora o Recorrente tenha recebidos rendimentos da mesma espécie desde o início do anocalendário sem que tivesse realizado a antecipação do imposto nos moldes requeridos pela legislação, em vista de que as ocorrências nos meses de janeiro a junho foram contempladas pela decadência segundo procedimento adotado pelo Agente Fiscal Autuante. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente não logrou sustentar suas alegações no que se refere à abordagem legal, também assim nas questões fáticas. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendose, por consequência o crédito tributário lançado da multa isolada. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000844/2002-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência para 1ª Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência para 1ª Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Tratase de Auto de Infração de IPI, no valor total original de R$ 423.142,36, incluindo o tributo, multa e juros de mora. O lançamento foi feito pelo Auditor Fiscal da Receita Federal Paulo Sérgio Capela Sampaio. Informa o autuante que, procedendo a auditoria nas contas da empresa, constatou omissão de receita por passivo fictício, artigo 40 da Lei 9.430/96. Em decorrência do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 08 .0 00 84 4/ 20 02 -8 7 Fl. 403DF CARF MF Processo nº 13808.000844/200287 Resolução nº 3201001.464 S3C2T1 Fl. 3 2 artigo 343 do RIPI/82 (art. 423 do RIPI/98), procedeu ao lançamento do IPI sobre as receitas omitidas, aplicando as alíquotas máximas. O lançamento de IRPJ, em razão das mesmas constatações, tramitou sob o número 13807.008467/200153. A empresa apresentou Impugnação, na qual sustenta não ter havido omissão de receitas. Defende a impropriedade da utilização da taxa Selic para atualização dos tributos, e reclama de efeito confiscatório da multa de ofício aplicada. A DRJ/Ribeirão Preto/SP – 2ª Turma, por meio do Acórdão 1413.171, de 19/07/2006, decidiu pela procedência parcial da Impugnação, aplicando o Acórdão pertinente ao processo relativo ao IRPJ. Transcrevo a ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Ano calendário: 1996 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada faz presumir a ocorrência de omissão de receitas, cabendo excluir do lançamento os valores efetivamente comprovados. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectarios legais. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA MAIS ELEVADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à conseqüente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utilizase a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1996 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu, sendo a hipótese de prestação pecuniária compulsória inadimplida. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É lícita a exigência do encargo com base na variação da taxa Selic, por conta da falta de pagamento do tributo no vencimento legal. Lançamento Procedente em Parte A empresa então apresentou Recurso Voluntário, onde reitera as razões da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 404DF CARF MF Processo nº 13808.000844/200287 Resolução nº 3201001.464 S3C2T1 Fl. 4 3 Conforme relatado, o lançamento é decorrente de omissão de receitas, por constatação de passivo fictício. Tal circunstância enseja a competência da 1ª Seção de Julgamento do Carf, conforme o artigo 2º, IV do Anexo II do regimento interno do Carf: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Observo, em reforço, que nenhuma das matérias arguidas nas peças de defesa tem relação específica com a legislação do IPI. Pelo exposto, voto por declinar da competência de julgamento, em prol da 1ª Seção de Julgamento do Carf. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 405DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662587/2012-82
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2008
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam pelo interessado comprovadas.
Numero da decisão: 1003-000.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam pelo interessado comprovadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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REQUISITOS. Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam pelo interessado comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 25 87 /2 01 2- 82 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.662587/201282 Acórdão n.º 1003000.318 S1C0T3 Fl. 68 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 35/38) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 07, que não homologou a compensação constante da DCOMP 31137.48176.300710.1.3.041930 (folhas 02/06), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, por ausência de crédito disponível no DARF informado. A recorrente, às folhas 46/53, faz menção ao acórdão recorrido e informa ter ingressado com diversos PER Pedidos de Restituição perante a Receita Federal, os quais relaciona em tabela e informa que haviam sido transmitidos mais de 5 anos antes, o que acarretaria "claramente a homologação tácita dos créditos pleiteados nas PERDCOMP´s, cujo crédito (...) é (...) suficiente para cobrir o débito em questão relatado neste pedido de compensação". Além disso, repete, ipsis litteris, os argumentos de sua impugnação, razão pela qual transcrevese aqui a síntese constante do relatório do acórdão a quo: O manifestante fez uma síntese dos fatos, tendo salientado que vinha acumulando créditos decorrentes da retenção dos 11% a título de “antecipação”, instituída pela Lei nº 9.711, de 1998, cuja constitucionalidade foi proclamada pela Corte Suprema. Assevera que, com a mudança da legislação, foi possível ao sujeito passivo compensar, indiretamente, o seu crédito referente aos tributos da União com o seu débito referente à contribuição previdenciária, cujo titular é o INSS, e créditos desta com tributos administrados pela Receita Federal. Como se sabe, voluntariamente, não seria possível ao sujeito passivo compensar a contribuição previdenciária retida na fonte, nem obter seu parcelamento. Porém, aqui se trata de compensação por iniciativa oficial. Faz menção à legislação pertinente ao assunto em pauta, além de citar entendimentos doutrinários e jurisprudência. Conclui o manifestante destacando a perfeita condição fática e jurídica que permite a compensação de contribuições previdenciárias com os demais débitos tributários administrados pela Receita Federal. Ao final, requer seja "recebida o presente Recurso Voluntário, julgandoo procedente e homologando a compensação, procedendo a devida manutenção dos créditos requeridos nos processos de ressarcimento com o débitos já informados, tendo em vista a homologação tácita de todos os créditos declinados nos pedidos de restituição elencados neste arrazoado". É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.662587/201282 Acórdão n.º 1003000.318 S1C0T3 Fl. 69 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Inicialmente, em relação aos PER Pedidos de Restituição que a contribuinte informa ter apresentado, cabe informar que: 1. devem ser analisados em seus respectivos processos administrativos; 2. não estão homologados, simplesmente por inexistir a hipótese legal de homologação, tácita ou expressa, de pedidos de restituição. No mais, tendo a contribuinte repetido seus argumentos da impugnação, sem apresentar qualquer comprovação de suas alegações, resta, ao concordar com as razões de decidir do acórdão de piso, transcrevêlas no que se considera relevante e adotandoas no presente voto: Segundo o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Por outro lado, conforme disposto no art. 36 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, da mesma forma como incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito, de acordo com o disposto no inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte – , na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), concluise que deve a RFB não homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.662587/201282 Acórdão n.º 1003000.318 S1C0T3 Fl. 70 4 demonstrativos por ele entregues. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. A apuração de IRPJ é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração, apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior no valor postulado pelo contribuinte. Também a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue antes do referido despacho não confirma o valor do crédito pretendido. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples menção à existência de supostos créditos “relativos à retenção de 11% do INSS” (sic), não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas na DIPJ e DCTF pertinentes à apuração do IRPJ relativo ao período de apuração de 30/06/2009, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior e atestar a certeza e liquidez do crédito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.720120/2014-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO NA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência Fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamento, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010, 2011
CONTRATOS DE LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. ART. 565, CÓDIGO CIVIL. PROPÓSITO NEGOCIAL. ANÁLISE. DESCABIMENTO.
Os contratos de locação de veículos automóveis não podem ser desconsiderados quando atendidos os requisitos previstos no art. 565, do Código Civil, ou seja, a cessão de coisa a outrem; por tempo determinado ou não; coisa não fungível e mediante certa retribuição. Afasta-se a possibilidade de desconsideração do contrato com base na alegada inexistência de propósito negocial, por inexistir de disposição legal a determinar, identificar, ou apontar o que deva ser tido por propósito negocial; do mesmo modo, não cabe à autoridade fiscal a discricionariedade de apontar em quais operações existe e em quais não existe proposta negocial.
FRAUDE. PRESUNÇÃO. INDÍCIOS. INSUFICIÊNCIA.
O acervo probatório reunido pela fiscalização se revela inapto ou insuficiente para se presumir o fato desconhecido e não provado, ou seja, que os pagamentos realizados pela autuada não tinham como causa o aluguéis de automóveis.
Numero da decisão: 1302-003.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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INOVAÇÃO NA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência Fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamento, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011 CONTRATOS DE LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. ART. 565, CÓDIGO CIVIL. PROPÓSITO NEGOCIAL. ANÁLISE. DESCABIMENTO. Os contratos de locação de veículos automóveis não podem ser desconsiderados quando atendidos os requisitos previstos no art. 565, do Código Civil, ou seja, a cessão de coisa a outrem; por tempo determinado ou não; coisa não fungível e mediante certa retribuição. Afastase a possibilidade de desconsideração do contrato com base na alegada inexistência de propósito negocial, por inexistir de disposição legal a determinar, identificar, ou apontar o que deva ser tido por “propósito negocial”; do mesmo modo, não cabe à autoridade fiscal a discricionariedade de apontar em quais operações existe e em quais não existe proposta negocial. FRAUDE. PRESUNÇÃO. INDÍCIOS. INSUFICIÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 20 /2 01 4- 69 Fl. 885DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 886 2 O acervo probatório reunido pela fiscalização se revela inapto ou insuficiente para se presumir o fato desconhecido e não provado, ou seja, que os pagamentos realizados pela autuada não tinham como causa o aluguéis de automóveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário frente ao Acórdão nº 1671.963, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 455 a 474), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência Fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamento, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO SEM CAUSA. NÃO CONFIRMAÇÃO DA CAUSA INFORMADA NA CONTABILIDADE. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado, ou não comprovar a operação ou a causa do Fl. 886DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 887 3 pagamento efetuado, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. SIMULAÇÃO. PROVA ROBUSTA. Comprovada a simulação através de vasto acervo indiciário convergente, cabível a identificação da verdade dos fatos e a exigência dos tributos devidos. A não edição da lei a que se refere o parágrafo único do art. 116 do CTN não constitui óbice para o lançamento fiscal decorrente da prática da simulação. Antes das alterações normativas implementadas pela Lei Complementar nº 104, de 2001, o CTN já previa a hipótese da autoridade administrativa efetuar o lançamento de ofício nos casos em que comprovada a existência de atos ou negócios jurídicos simulados (art. 149, VII). A dissimulação prevista no art. 116, parágrafo único, é uma hipótese nova e distinta da simulação. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIREÇÃO. INTERESSE COMUM. Se a direção de um grupo econômico de fato se corporifica em formas de controle direto, através dos quais a direção do grupo decide pela própria realização das operações e negócios das demais sociedades, bem como administra os encargos deles decorrentes, como é a atividade consistente no pagamento de tributos e cumprimento de obrigações acessórias, nesse caso, há vinculação ao fato gerador, que consista em atos ou negócios jurídicos determinados concretamente pela direção unitária, ensejando a responsabilização solidária passiva com base no art. 124, I do CTN. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Os presentes autos tratam de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), relativo aos anoscalendários de 2010 e 2011, conforme Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades de fls. 26 a 37 e Auto de Infração de fls. 56 a 64, no valor de R$ 58.610.328,13 (juros de mora calculados até 09/2014). O fundamento do lançamento foi a constatação de pagamentos sem causa, em todos os meses dos anoscalendários de 2010 e 2011, à pessoa jurídica Roda Brasil Ltda, CNPJ nº 03.475.418/000143, conforme art. 674 do RIR/99. O Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades de fls. 26 a 37, assim detalha o procedimento fiscal.: "1INTRODUÇÃO Durante a ação fiscal desenvolvida simultaneamente nas Empresas TRANSPORTADORA BELMOK LTDA, iniciada em Fl. 887DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 888 4 14/05/2013 e RODA BRASIL LTDA, inscrita no CNPJ sob n° 03.475.418/000143, iniciada em 11/07/2014, constatamos que as mesmas mantém uma relação comercial com falta de propósito comercial e infração à lei, pelas situações fáticas que passaremos a descrever. 2DOS FATOS 2.1 Atividade Econômica e identidade de quadro societário A) Transportadora Belmok Ltda. Constituída no ano de 1991, com a atividade de Transporte Rodoviário de Cargas, atualmente tem sua sede na cidade de Guarulhos (SP). Possui diversas filiais distribuídas por vários Estados, sendo a principal delas na cidade de Viana ES, inscrita no CNPJ sob n° 35.960.202/000240, que supera a própria matriz em número de empregados, quantidade de caminhões e espaço físico. Cabe acrescentar que é no Estado do Espírito Santo que os sócios das Empresas residem e é na filial de VianaES onde se concentra a parte administrativa, da Transportadora Belmok Ltda. Até o ano de 2002 participaram da sociedade os Srs. Renato Belmok, Claudionir Belmok e Roberto Belmok. A partir de 2002 ingressou o Sr. Luiz Belmok, que permanece sócio administrador até hoje com 99% de participação societária. As pessoas físicas citadas Renato, Claudionir, Roberto e Luiz Belmok são irmãos. B) Roda Brasil Ltda. (até 2012 a Razão Social era Belmok Serviços Ltda.) Iniciou suas Atividades no ano de 1999, no ramo de Locação de Veículos em Geral, com sede em Cachoeiro de ItapemirimES. Atualmente sua sede é em VianaES, mesma cidade da filial com CNPJ 35.960.202/000240 da Transportadora Belmok Ltda. Na constituição da Empresa os sócios eram os Srs. Luiz, Renato e Claudionir Belmok, sendo que o Sr. Luiz Belmok retirouse da sociedade no ano de 2002. Em 2004, é admitida na sociedade a sócia Transportadora Belmok Ltda, permanecendo até o ano de 2005. No ano de 2006, foram admitidos na sociedade o Sr. Cévulo Peçanha Belmok e Sra. Leandra Peçanha Belmok, irmãos entre si e filhos, de Roberto Belmok. O Sr. Cévulo Peçanha Belmok e Sra. Leandra Peçanha Belmok permaneceram na sociedade por poucas semanas, retirandose no próprio ano de 2006. Fl. 888DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 889 5 Como podemos observar, temos um verdadeiro conglomerado, familiar na administração das duas Empresas. 2.2 Relação comercial entre as Empresas As atividades econômicas, das duas Empresas são complementares. A Transportadora Belmok Ltda. tem como atividade o Transporte Rodoviário de Cargas. A Roda Brasil Ltda. tem como atividade principal a Locação de Veículos em Geral. Elas vêm transacionando comercialmente entre si há anos como locadora e locatária de veículos. Até o ano de 2010, o faturamento da Roda Brasil Ltda. era exclusivamente das receitas de locação de caminhões para a Transportadora Belmok Ltda. Hoje estas receitas oriundas da Transportadora Belmok Ltda. representam ainda o principal faturamento da Roda Brasil Ltda. O Contrato de Locação de Bens Móveis (caminhões/carretas) entre as Pessoas Jurídicas é no mínimo atípico e tem características que visam burlar o fisco. Verificamos o Contrato de 2010/2011, onde ficou acordado entre as partes a locação de aproximadamente 250 veículos, entre cavalos mecânicos e semi reboques. Primeiramente, o objeto do contrato, em seu artigo 1º é "A Locadora dá mediantelocação por prazo determinado, à Locatária, nos termos deste instrumento particular, veículos (automotores) de sua propriedade e constantes da relação identificada anexo I, que passa a fazer parte integrante deste instrumento devidamente assinado pelas partes contratantes." No Art. 3º temos: "O preço envolvido na transação é de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Na renovação em julho de 2010 temos no Art. 3° “O preço, envolvido na transação é de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais). Como podemos observar, pela frase, "o preço envolvido na transação", não fica estipulada a periodicidade dos pagamentos, se semanal, mensal, anual, ficando as partes à vontade para entenderem, da melhor, maneira que lhes convier. Nas demais cláusulas do Contrato de Locação não encontramos data específicas para se efetuar o(s) pagamento(s). As renovações eram semestrais, ou anuais e não chegamos a uma conclusão sobre o valor, total, objeto de cada Contrato celebrado entre as partes. Em caso de inadimplência, a multa punitiva, e juros, moratórios acordados foi de 1% (hum por cento) ao mês. Apesar de vários pagamentos com atrasos, não identificamos na contabilidade da Transportadora Belmok Ltda em 2010/2011, despesas de multa e juros moratórios com a Roda Brasil Ltda referentes a pagamentos das locações efetuadas no ano de 2009 e anteriores. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 890 6 O Contrato prevê ainda que a locatária (Transportadora Belmok Ltda) ficará responsável por todas as despesas com os caminhões locados como licenciamento, revisões, seguros, monitoramento, multas e manutenção. Podemos observar que o valor estipulado nos Contratos não dependia do uso e da quantidade de veículos usados. Em uma visão simplificada, a Transportadora Belmok Ltda. passou a ser a "proprietária" dos veículos locados. Até 2009, o passivo da Transportadora Belmok montava o valor de R$ 31.833.000,00. Verificamos na contabilidade de 2010/2011 da Transportadora, pagamentos de valores atrasados referentes às supostas locações de 2008/2009 no total aproximado de R$ 38.000.000,00 (trinta e oito milhões). Apesar de não receber em dia pelos serviços prestados, o que é esperado numa operação comercial, a Roda Brasil Ltda. continuou e continua locando os caminhões para a Transportadora Belmok, sem restrições. Com relação aos ilícitos tributários, a Roda Brasil Ltda., até o ano de 2009, apurava seu IRPJ pela sistemática do Lucro Presumido, que sendo optante pelo regime de caixa, somente oferecia à tributação os valores efetivamente recebidos. Na transição para o Lucro Real em 2010, não ofereceu à tributação, como prevê a legislação, seus créditos com a Transportadora Belmok Ltda., que eram aproximadamente de R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais). Por outro lado, a Transportadora Belmok Ltda. apurou o IRPJ pelo Lucro Real, no qual cabe o regime de competência, portanto, mesmo sem efetuar os pagamentos, a despesa realizada na contratação da locação dos veículos abateu o IRPJ diminuindo o imposto a pagar. Em 2010 e 2011 a Transportadora Belmok Ltda. pagou para a Roda Brasil Ltda. aleatoriamente (valores variados e em periodicidades sem critério algum), mais de R$ 38.000.000,00 (trinta e oito milhões de reais) referentes a "débitos atuais e vencidos" através de transferências bancárias verificadas na contabilidade nas contas 111020002 Banco Banestes, Conta 111020005 Banco Bradesco, Conta 111020007 Banco do Brasil e Conta 111020036 Banco Itaú, não sendo verificados, valores pagos a título de juros ou multa moratórios. De estranhar que embora tenha ficado anos (até 2009 o saldo a receber já importava em R$ 31.000.000,00), percebendo apenas parte do valor contratado, a mesma insistiu em ter como único cliente, a "Transportadora Belmok" não procurando diversificar seus clientes. Diante da existência de cláusulas Contratuais que fogem totalmente ao propósito negocial, dos pagamentos efetuados aleatoriamente, bem como pela falta de cobrança de juros e multas moratórias, concluímos que o referido contrato tratase Fl. 890DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 891 7 de simulação com claro objetivo de fraudar o cumprimento da obrigação tributária principal, gerando despesas na Transportadora Belmok e a transferência de recursos desta para a Roda Brasil', que é administrada pela família Belmok. Em consequência, as despesas de locação realizadas pela Transportadora Belmok Ltda. com a Roda Brasil Ltda. foram consideradas pela fiscalização como sendo pagamentos sem causa. Anexamos ao Processo, cópias dos Contratos de Locação entre as Empresas dos anos de 2010/2011. 3 DOS VALORES TRANSFERIDOS SEM CAUSA Os valores das transferências bancárias em favor da Roda Brasil Ltda. foram lançadas nas seguintes contas contábeis da Transportadora Belmok nos anos de 2010 e de 2011: Conta 111020002 Banco Banestes Conta 111020005 Banco Bradesco Conta 111020007 Banco do Brasil Conta 111020036 Banco Itaú Analisamos a escrita contábil através da ECD Escrituração Contábil Digital do ano calendário de 2010, baixada pelo SPEDSistema Público de Escrituração Contábil através do arquivo digital (HASH) n° 5241143A40E7C1AF6FA54C3C86BCE5855F84AADF e 2011 através do arquivo digital (HASH) n° C83DCDC6FEB8147202FE0F.DDF0089A447783458D. Anexamos ao Processo, o razão contábil das contas com os lançamentos diários das transferências realizadas pela Transportadora Belmok Ltda para a Roda Brasil Ltda com seus respectivos valores. Sobre a matéria, a legislação é bastante clara, e afirma que para todos os pagamentos deve haver as suas causas, como podemos observar no que diz o Art. 674 do RIRRegulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000 de 26/03/1999: Pagamento a Beneficiário não Identificado Art.674.Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). §1ºA incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não Fl. 891DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 892 8 for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §1º). (grifamos) §2ºConsiderase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §2º). §3ºO rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §3º). O Art. 674 e seu §1º, do RIR/99, determina que em caso de pagamentos a terceiros, e não for efetivamente comprovada a sua causa, ficará o sujeito à incidência do imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Pelo que foi exposto acima, estamos lançando neste Auto de Infração, o IR/FONTE, dos valores a seguir demonstrados mensalmente, com suas bases reajustadas, conforme determina o Art. 674, §3º do RIR/99: (...) 4 DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA Tendo em vista que o Contrato firmado entre as partes não tem propósito negocial e teve a intenção de fraude, cfe explicado no item 2.2 (Relação Comercial entre as Empresas), exigirseá, no lançamento, multa de oficio de 150%, prevista no inciso I do Art. 44 da Lei n° 9.430/96, combinado com o § 1º do mesmo Art.: (...) A relação comercial entre a Transportadora Belmok Ltda e a Roda Brasil Ltda na locação de caminhões ocorreu envolvendo crime, em tese, previsto no Art. 71 e Art. 72 da Lei h° 4.502/64, conforme detalhado no TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL ,GRUPO ECONÔMICO DE FATO anexado ao processo. 5 DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO E DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Foi juntado ao Processo, o relatório TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL GRUPO ECONÔMICO DE FATO – TRANSPORTADORA BELMOK X RODA BRASIL LTDA no qual detalhamos a evidente formação de um Grupo Econômico de Fato entre as Empresas Transportadora Belmok Ltda e Roda Brasil Ltda, pelas situações verificadas: Conglomerado familiar Atividades complementares Aguda dependência entre as Empresas Fl. 892DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 893 9 Confusão patrimonial Transferência de ativos Confusão Financeira Elevado número de empregados em comum Grupo Econômico reconhecido pela Justiça do trabalho (...) Desta forma, nos termos do Art. 124, inciso I do CTN, as 2 Empresas serão consideradas pela fiscalização como Sujeitos Passivos Solidariamente Responsáveis pelos créditos tributários constituídos na ação fiscal. Com relação, aos sócios da Roda Brasil Ltda, Srs. Renato Belmok e Claudionir Belmok, verificase a existência de interesse comum dos mesmos em relação ao fato gerador, pois são beneficiários diretos, dos recursos financeiros provenientes da Transportadora Belmok Ltda a titulo de empréstimos de caminhões, que conforme descrito no item 2.2 Relação comercial entre as Empresas, tratamse de pagamentos sem causa, haja vista a evidente falta de propósito negocial no Contrato de Locação. Desta forma ficam os citados solidariamente responsáveis pelos créditos lançados em face da Transportadora Belmok Ltda, com base no Art. 124, inciso I do CTN. Além do Art. 124, inciso I já citado, temos no artigo 135, inciso III, do CTNCódigo 'Tributário Nacional a seguinte redação, in verbis: (...) Durante a ação fiscal, verificamos que na relação comercial entre as Empresas Transportadora Belmok Ltda e Roda Brasil Ltda, ocorreram fatos com abuso da personalidade, jurídica, detalhados no TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL – GRUPO ECONÔMICO DE.FATO: Negócio Jurídico Dissimulado. Ausência de Propósito Negocial Infração à Lei Assim, nos termos do Art. 124, inciso I e Art. 135, inciso III do CTN, os sócios. administradores abaixo serão considerados pela fiscalização como Sujeitos Passivos Solidariamente Responsáveis pelos créditos tributários constituídos na ação fiscal: Sr. Luiz Belmok CPF 744.220.73753 Sócio Administrado da TBV Veículos Ltda e da Transportadora Belmok desde 01/04/2002 Fl. 893DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 894 10 Sr. Renato Belmok CPF. 989.130.18772 Sócio Administrador da Roda Brasil Ltda desde a sua constituição em 28/10/1999 Sr.Claudionir Belmok CPF 861.477.73704 Sócio Administrador da Roda Brasil Ltda desde a sua constituição em 28/10/1999." A decisão de primeira instância (fls. 455 a 474) rejeitou a preliminar de nulidade da autuação, uma vez que o lançamento da multa de ofício qualificada nos mesmos autos em que constituído o principal é procedimento amparado pela legislação vigente; pela inexistência de ofensa aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal; e, por fim, pela possibilidade de o Fisco considerar a simulação como fundamento para a lavratura do lançamento fiscal, mesmo na ausência de regulamentação do §1º do art. 116 do Código Tributário Nacional (CTN). No mérito, considerou existente substanciosa prova de que o contrato de locação firmado entre a Recorrente e a pessoa jurídica Roda Brasil foi engendrado para burlar o Fisco, sendo ilegítimo e inválido para amparar as deduções de despesas. Além disso, na medida em que não provado que os pagamentos decorrentes do contrato em questão se correlacionam com a contrapartida de algo recebido pela Recorrente, entendeu correta a exigência de IRRF sobre os mencionados pagamentos. Entendeu, ainda, plenamente comprovada a existência de grupo econômico, de modo a ensejar a atribuição de responsabilidade solidária à Roda Brasil, com base no art. 124, inciso I, do CTN. Considerou ter havido infração à lei, mantendo a atribuição de responsabilidade solidária às pessoas físicas, com base no art. 135, inciso III, do CTN. Quanto à imposição da multa qualificada, a decisão recorrida a manteve, uma vez que presente sonegação e fraude, deixando de se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade, por faltar à autoridade administrativa competência para tanto. Indeferiu o pedido de diligência ou perícia, já que considerou os elementos probatórios acostados aos autos necessários e suficientes para a formação do seu convencimento; e o pedido de compensação dos valores pagos pela Roda Brasil Ltda. e de consideração das despesas e depreciação, em razão de serem matérias estranhas aos autos e de que a compensação deve obedecer aos procedimentos previstos na legislação específica. Finalmente, refutou a alegação de que a Roda Brasil Ltda. teria efetuado o pagamento dos tributos ora exigidos por meio de parcelamento especial, pois consulta ao controle dos créditos inseridos no referido parcelamento não demonstrou a inclusão de tais créditos. Após a ciência da citada decisão, os sujeitos passivos apresentaram Recurso Voluntário conjunto (fls. 520 a 601), no qual, basicamente, repetem as alegações trazidas na Impugnação, acrescentando argumento de nulidade da decisão de primeira instância, por indeferimento do pedido de perícia, e trazendo nova matéria: a existência de tributação em duplicidade, ante a recomposição da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a exigência do IRRF. Fl. 894DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 895 11 O presente processo foi distribuído para julgamento pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, sendo que, por meio do Despacho de fls. 866 a 869, os autos foram redistribuídos a esta Primeira Seção, tendo em vista a competência estabelecida no art. 2ª, inciso III, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, ocasião em que foram distribuídos por sorteio a este Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Os sujeitos passivos foram cientificados da decisão de primeira instância, conforme detalhado no quadro a seguir, tendo apresentado Recurso Voluntário conjunto, em 20 de maio de 2016 (fl. 519), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. SUJEITO PASSIVO DATA DE CIÊNCIA Transportadora Belmok Ltda 22/04/2016 (fl. 508) Roda Brasil Ltda 22/04/2016 (fl. 509) Luiz Belmok 04/05/2016 (fl. 512) Claudionir Belmok 04/05/2016 (fl. 513) Renato Belmok 31/05/2016 (fl. 518) O Recurso é assinado por procuradores, devidamente constituídos às fls. 344 e 840/843. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso III, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Como relatado, os Recorrentes invocam matéria não abordada na Impugnação, qual seja, a existência de tributação em duplicidade, ante a recomposição da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a exigência do IRRF. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. São excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. Fl. 895DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 896 12 A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual Fredie Didier Jr. (Curso de Direito Processual Civil, 13. ed. Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." A nova alegação é matéria de mérito totalmente nova nos autos, e não se insere dentre as exceções à preclusão consumativa, de modo que, por não haver sido submetida ao julgador de primeira instância, não deve ser conhecida, sob pena, como já exposto, de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, a exceção da matéria acima consignada. II. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE A Recorrente repete a alegação de nulidade do auto de infração, uma vez que a multa de ofício de 150% deveria ter sido constituída em autos distintos, bem como pela violação a princípios diversos. Valhome do art. 57, §3º, do RI/CARF, para trazer a análise adequadamente realizada pela autoridade julgadora de primeira instância, a qual adoto como meus próprios fundamentos: "Alega o impugnante que teria ocorrido a nulidade do auto de infração por violação ao art. 9º do Decreto 70.235/73, pois “a multa isolada de 150% que teve como fundamento a presunção de fraude por parte dos impugnantes não teria sido lançada em auto distinto”. O Decreto n.º 70.235/72 e alterações assim dispõe a este respeito: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas de ofício são disciplinadas art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e alterações posteriores, abaixo transcrito: Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 896DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 897 13 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). (grifos nossos) Sendo assim, equivocase o impugnante a respeito da multa de 150% dever ser formalizada isoladamente. A multa isolada prevista atualmente no nosso ordenamento jurídico é a determinada pelo inc. II, do art. 44 supra transcrito e deve ser de 50% incidente sobre a falta de recolhimento mensal de estimativa. Ademais o artigo estabelece que a aplicação de penalidade isolada seja formalizada em auto distinto para cada imposto ou penalidade se não houver concomitância de exigências, ou seja, na hipótese de inexistir crédito tributário a ser constituído relativo ao tributo, o auto de infração pode ser lavrado especificamente com exigência da multa isolada. Já a multa de 150% exigida na presente autuação é a determinada pelo §1º do mesmo art. 44, incidente no percentual de 75% sobre o imposto ou contribuição lançados e duplicada para 150%, quando constatado dolo, fraude ou sonegação pela fiscalização. Importante salientar que a referida multa não pode ser formalizada individualmente como quer fazer crer o impugnante visto que não há previsão legal para tanto e é exigida sobre o valor do principal exigido. Alega, ainda, que os autos seriam nulos em razão da ofenda aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 898 14 A nulidade, no processo administrativo fiscal, é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto n.º 70.235/72, com as alterações do art. 1º da Lei n.º 8.748/93: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. §1º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) §2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) §5º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em decorrência Fl. 898DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 899 15 de fiscalização relacionada a regime especial unificado de arrecadação de tributos, poderão conter lançamento único para todos os tributos por eles abrangidos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica às contribuições de que trata o art. 3o da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Assim, verificase que o rol de motivos apontados não dá causa à declaração de nulidade, cabendo, entretanto, observar que não houve qualquer inconsistência processual e tampouco cerceamento ao direito de defesa, tanto é assim que o impugnante plenamente se defendeu como de fato o bem fez, não havendo, pois que se falar em cerceamento ao direito de defesa e tampouco a ofensa dos demais princípios constitucionais." A Recorrente suscita, ainda, a nulidade da decisão recorrida, por suposto cerceamento ao direito de defesa, em razão de haver sido indeferido o pedido de prova pericial. A par disso, embora não pleiteie expressamente a nulidade do Acórdão recorrido, a Recorrente, por diversas vezes, alega que a decisão não analisou vários pontos da Impugnação. Mais uma vez, há que se refutar a alegação. Em primeiro lugar, nos termos dos art. 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, a realização de diligências e perícias se dará quando a autoridade julgadora entendêlas necessárias para a formação da sua livre convicção. No caso sob apreço, o julgador a quo indeferiu o pedido formulado exatamente por entender "prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, ante a verificação de que há nos autos todos os elementos para a formulação da livre convicção do julgador". Inexiste qualquer nulidade, portanto. Fl. 899DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 900 16 Além disso, o cotejo entre a peça impugnatória e o Acórdão revela que o julgador a quo não se omitiu em enfrentar todos os temas trazidos. O acerto ou equívoco de tal análise é matéria sobre a qual deve se pronunciar esta Turma julgadora. Isto posto, rejeito as preliminares de nulidade do auto de infração e da decisão de primeira instância. III. DO MÉRITO O lançamento de ofício sob análise guarda relação de total decorrência com aquele de que trata o processo administrativo nº 16095.720119/201434. É que, naqueles autos, foi realizada a constituição de crédito tributário referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido ao fato de que a autoridade fiscal considerou desnecessárias as despesas realizadas pela Recorrente com base no contrato de locação firmado com a pessoa jurídica Roda Brasil Ltda, pelas mesmas razões que motivou, no presente processo, reputar sem causa os pagamentos referentes ao citado contrato. No meu entender, manifesto no julgamento daqueles autos, em que pese empregar como um dos seus fundamentos a indefectível ausência de propósito negocial, a autoridade fiscal conseguir comprovar peremptoriamente a artificialidade do mencionado contrato, que serviu tão somente para produzir despesas que reduziram a base de cálculo dos tributos apurados pela Recorrente e para acobertar transferências de recursos desta para a Roda Brasil e dali para integrantes da família Belmok. Contudo, dada a referida relação de decorrência, reputo que a decisão quanto ao IRRF deve seguir o entendimento adotado por este colegiado naqueles autos, cuja composição em relação ao citado julgamento, frisese, alterouse apenas em um integrante. É que esta Turma já se pronunciou acerca do contrato em questão, reputando ausente a comprovação que pudesse levar à sua desconsideração. Assim, adoto como fundamento para a minha decisão as razões trazidas pelo Conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, relator naqueles autos: "De outro bordo, com relação ao cerne da controvérsia, ou seja, a desconsideração dos contratos de locação, as recorrentes iniciam sua exposição argumentando que tal ato não era deferido ao Fisco, pois o art. 116, § único, CTN, seria o único a autorizar a desconsideração de negócios jurídicos perfeitos, porém, tratase de uma norma de eficácia limitada que não fora regulamentada. As interessadas opõemse às razões da DRJ, sustentando que a simulação prevista no art. 149, inciso VII, CTN, não autoriza a desconstituição, pela autoridade fazendária, de negócios jurídicos perfeitos e acabados, como o do caso em análise. No entanto, quanto a questão, este Conselho já se manifestou admitindo que a falta de regulamentação do art. 116, § único, não constitui óbice para o lançamento fiscal decorrente da prática da simulação. Vejamos recente julgado: SIMULAÇÃO. PROVA ROBUSTA. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 901 17 Comprovada a simulação através de vasto acervo indiciário convergente, cabível a identificação da verdade dos fatos e a exigência dos tributos devidos. A não edição da lei a que se refere o parágrafo único do art. 116 do CTN não constitui óbice para o lançamento fiscal decorrente da prática da simulação. Antes das alterações normativas implementadas pela Lei Complementar nº 104, de 2001, o CTN já previa a hipótese da autoridade administrativa efetuar o lançamento de ofício nos casos em que comprovada a existência de atos ou negócios jurídicos simulados (art.149, VII). A dissimulação prevista no art. 116, parágrafo único, é uma hipótese nova e distinta da simulação. (Acórdão nº 1402002.685 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Deste modo, quando instruída de elementos suficientes à convicção do cometimento da simulação, a autoridade fiscal tem o dever de exigir os créditos tributários correspondentes, independentemente a falta de regulamentação do § único do art. 116, que trata de dissimulação, hipótese distinta da simulação. No presente caso, a fiscalização considerou desnecessárias as despesas com aluguéis de automóveis ao argumento que as empresas contratantes (locador e locatária) eram empresas de um mesmo Grupo Econômico de Fato. Para confirmar a condição de Grupo Econômico a autoridade fiscal utilizouse, resumidamente, das seguintes constatações: ∙ Contrato de locação com cláusulas atípicas, com forma de pagamento e valores atípicos, sem cobrança de multa e juros, sem descontinuidade da prestação de serviços em detrimento do atraso no pagamento; ∙ Conglomerado familiar; ∙ Atividades complementares: a Transportadora Belmok atuava no Transporte Rodoviário de Cargas, já a Roda Brasil tinha como atividade principal a Locação de Veículos em Geral; ∙ Dependência entre as empresas; ∙ Transferência de ativos; ∙ Confusão financeira; ∙ Empregados em comum e grupo econômico reconhecido na Justiça do Trabalho; Embora as múltiplas constatações tenham ajudado na formação do convencimento da autoridade fiscal na lavratura do auto de infração, devese abstrair daquelas que podemos intitular de considerações à margem, para centrar naquilo que constitui a motivação jurídica apta a gerar a desconfiança de que os objetivos de direito firmados no contrato não coincidida com as razões de fato praticadas. Tal desconfiança, é o ponto único e suficiente de comprovação a cargo da fiscalização. Fl. 901DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 902 18 As razões utilizadas pelo fiscal para sustentar a desnecessidade das despesas referentes ao pagamento de aluguel de veículos foram: (i) inexistência de propósito negocial; (ii) descontinuidade dos pagamentos; e (iii) falta de cobrança/pagamento de juros ou multa moratória, como expressa o trecho do Termo de Constatação Fiscal (fls. 93/109) a seguir colacionado: De pronto, afastase a possibilidade de desconsideração do contrato com base na alegada inexistência de propósito negocial, tendo em conta o simples fato de não haver disposição em lei que determine, identifique, ou aponte o que deve ser tido por “propósito negocial”. Do mesmo modo, não cabe à autoridade fiscal a discricionariedade de apontar quais operações possuem e quais não possuem proposta negocial. Propósito negocial, desta feita, sequer pode ser considerada uma razão jurídica. Sem embargo, as demais constatações merecem uma análise mais detida. Pois bem. Inicialmente, a fiscalização aponta que o contrato não previa a periodicidade dos pagamentos – se semanal, mensal, anual – ficando ao talante das partes a forma como se dariam estes pagamentos. Vejamos: De seu turno, as recorrentes alegam que no instrumento de rescisão contratual resta expresso que esse pagamento se dará de forma mensal, conforme excerto abaixo: Fl. 902DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 903 19 Outrossim, afirmam as recorrentes, que o contrato cumpre todos os requisitos legais, importando em que, além daqueles previstos para todo e qualquer contrato, a locação pactuada observou aos requisitos específicos previstos no art. 565, do Código Civil, ou seja: (i) cessão de coisa a outrem; (ii) por tempo determinado ou não; (iii) coisa não fungível e (iv) mediante certa retribuição. Vejamos o dispositivo: Art. 565. Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. Logo, à luz dos documentos carreados aos autos até a apresentação da impugnação, era possível verificarse que: (i) no art. 1º dos contratos de locação de veículos, existia a previsão da cessão mediante locação de veículos; (ii) No art. 6º destes contratos, estava estabelecido o prazo de 12 meses de vigência do contrato, prorrogável por igual período, conforme abaixo reproduzido: (iii) No Anexo I dos contratos em espeque, constava uma Planilha Descritiva detalhando PLACA, FABRICANTE, MODELO, ANO –FABRICAÇÃO, ANO – MODELO e o CHASSI, caracterizando a fungibilidade dos bens móveis locados; Fl. 903DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 904 20 (iv) No art. 3º dos contratos em comento havia também o preço, como retribuição devida em razão dos veículos alugados. Com relação a este último item, cumpre ressaltar que a forma como se dará a retribuição pela cessão da coisa – se semanal, mensal ou anual – é exigência diversa, ou acima, daquela contida em lei. É dizer: o caput do art. 565, do Código Civil, aborda “retribuição” como gênero, não especificando as espécies (como pagamento, doação, etc.) que deveriam ser admitidas para o cumprimento do contrato, e, ainda mais, não especificou a forma como estas espécies de retribuição deveriam ser aceitas. In casu, os pagamentos descontinuados, e feitos em atraso, devem ser aceitos como retribuição legítima, não importando se estes foram suficientes ou não para a honrar o contrato de locação firmado, tendo em vista que esta matéria não possui relevância para fins fiscais. A despeito disso, a autoridade fiscal constatou ainda, que embora diversos pagamentos de aluguéis tenham sido efetuados em atraso, na contabilidade do fiscalizado não foram identificadas quaisquer despesas de multa ou juros moratórios em relação ao pagamento das locações ocorridas: A falta do pagamento de juros moratórios e multa, confirmada pelas recorrentes é, sim, uma situação anormal que causa estranheza aos olhos do Fisco. No entanto, a “só” constatação da falta de cobrança/pagamento de juros e multa da empresa fiscalizada pelo atraso nos pagamentos – atraso este, que a fiscalização reconhece ser normal na atividade comercial – não constitui indício suficiente a constituir presunção de cometimento de fraude. Embora cause estranheza, a falta da cobrança/pagamento de juros moratórios e multa não configure prejuízo para o Erário, tendo em conta que estas são despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL. No mesmo sentido, não há qualquer indicação da autoridade fiscal quanto a diversidade de regimes de apuração entre as empresas contratantes; ou da existência de empresa deficitária e superavitária dentro do grupo econômico. Desta forma, não Fl. 904DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 905 21 resta provada – nem ao menos indiciariamente – a hipótese de fraude. Ainda, com relação aos valores pagos, vêse que as recorrentes anexaram à impugnação, Laudo de Avaliação dos bens móveis objetos do contrato de locação, sobre o qual não foram tecidas quaisquer considerações por parte da autoridade fiscal. Por fim, merece atenção a confusão patrimonial que, embora aqui tenha sido intitulada de “consideração à margem”, possui um ponto peculiar. No intuito de esclarecer tal ponto, colaciona se excerto do Termo de Constatação Fiscal: Como se observa acima, na 10ª Alteração Contratual da Roda Brasil LTDA., os sócios Cévulo Peçanha Belmok e Leandra Peçanha Belmok retiraramse da sociedade levando patrimônios referentes a 12,5% de suas participações societárias, cujo valor era composto por 42 veículos de propriedade da Transportadora Belmok. A mencionada constatação poderia impactar diretamente na aferição da necessidade dos pagamentos feitos pela Transportadora Belmok, caso restasse comprovado e indicado tratarse dos mesmos veículos objeto do contrato de locação. Entretanto, tal hipótese não foi apontada pelo auditor em seu Termo de Constatação Fiscal, de forma que a alegação de confusão patrimonial não pode ser aceita como motivo jurídico suficiente para a desconsideração do contrato firmado. Novamente, quando se fala na “só” constatação da falta de cobrança/pagamento de multa e juros, ou de confusão patrimonial, reforçase que estes, juntamente com outros – embora tenham contribuído para a formação do convencimento Fl. 905DF CARF MF Processo nº 16095.720120/201469 Acórdão n.º 1302003.159 S1C3T2 Fl. 906 22 da autoridade fiscal – não podem ser aceitos como fatos, ou indícios, aptos a justificar a desconstituição dos negócios jurídicos praticados, porquanto nenhum deles sugere o impedimento ou retardamento da ocorrência do fato gerador, que são elementos constitutivos do fato típico de fraude tributária. Em suma, o acervo probatório reunido pela fiscalização demonstrase inapto ou insuficiente para presumirse o fato desconhecido e não provado, ou seja, que o pagamento de aluguéis de automóveis não era despesa necessária para a exploração das atividades, principais ou acessórias, vinculadas às fontes produtoras de rendimentos da empresa autuada." Consoante as razões acima expostas, não sendo possível a desconsideração do contrato de locação firmado pela Recorrente com a Roda Brasil Ltda, há que igualmente acatar que os pagamentos que motivaram a autuação sob análise decorrem do mencionado contrato e, portanto, possuem causa, não ensejando a tributação pelo IRRF, na forma do art. 674 do RIR/99. IV. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por indeferir as preliminares de nulidade e, no mérito, por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para cancelar integralmente a exigência e, por decorrência lógica, isentar o contribuinte e os responsáveis da obrigação tributária em questão. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 906DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.907895/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Diferentemente da compensação, por ausência de compensação legal, não será considerada tacitamente homologada a restituição, objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, após o prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO.
A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3201-004.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diferentemente da compensação, por ausência de compensação legal, não será considerada tacitamente homologada a restituição, objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, após o prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO. A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 78 95 /2 01 1- 29 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10930.907895/201129 Acórdão n.º 3201004.377 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de decisão da DRJ/Curitiba que manteve o despacho decisório emitido pela DRF/Londrina, que, por sua vez, não reconheceu os créditos pleiteados. Segundo o despacho decisório, a restituição foi indeferida porque o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito declarado em DCTF transmitida pela interessada. Na manifestação apresentada, a interessada alega que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. O Acórdão 06055.584, DRJ em Curitiba, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO. A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não tem relação e portanto não autoriza a restituição de PIS ou de Cofins, calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, respectivamente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Em seu Recurso Voluntário a contribuinte reforçou as argumentações apresentadas em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10930.907895/201129 Acórdão n.º 3201004.377 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.371, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10930.907128/201110, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.371): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Sobre o pedido de homologação tácita, verificase que esta não ocorreu, apesar do prazo de cinco anos do pedido administrativo (30/06/05) até a data do Despacho Decisório de fls 5 (02/12/2011) ter vencido. Será considerada tacitamente homologada, somente a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. Entre muitos precedentes neste Conselho, a homologação tácita ganhou destaque no julgamento do Acórdão 9303003.456, na Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, em fevereiro de 2016, na relatoria do professor Valcir Gassen. Contudo, a grande maioria dos precedentes deste Conselho não aplicou a homologação tácita em pedidos de restituição, desacompanhados da declaração de compensação, por ausência de previsão legal. Este é o caso dos autos. Portanto, não merece provimento a alegação preliminar. Com relação ao mérito, como bem exposto na decisão de primeira instância, a mencionada inconstitucionalidade do denominado "alargamento da base de cálculo do Pis e Cofins" não se aplica ao regime não cumulativo, isto porque a Lei n.º 9718/98, que foi objeto do mencionado julgamento no STF, trata somente do Pis e Cofins no regime cumulativo. Assim, a decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10930.907895/201129 Acórdão n.º 3201004.377 S3C2T1 Fl. 5 4 Diante do exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 156DF CARF MF
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