Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,220)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,371)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,859)
- Primeira Turma Ordinária (15,833)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,681)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,953)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,916)
- Terceira Câmara (66,252)
- Segunda Câmara (54,545)
- Primeira Câmara (19,103)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,775)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,158)
- Segunda Seção de Julgamen (112,982)
- Primeira Seção de Julgame (75,394)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,909)
- Câmara Superior de Recurs (37,687)
- Terceiro Conselho de Cont (25,961)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,650)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,618)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,891)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,170)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 19515.001969/2010-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DE 30%.
Aplica-se o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado (trava dos 30%) à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL acumulados, ainda que ocorra encerramento de atividades, ou qualquer outro evento de reorganização societária.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-003.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DE 30%. Aplica-se o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado (trava dos 30%) à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL acumulados, ainda que ocorra encerramento de atividades, ou qualquer outro evento de reorganização societária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.001969/2010-14
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5796001
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-003.111
nome_arquivo_s : Decisao_19515001969201014.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : GERSON MACEDO GUERRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515001969201014_5796001.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
id : 6998925
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733439684608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 478 1 477 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.001969/201014 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.111 – 1ª Turma Sessão de 14 de setembro de 2017 Matéria IRPJ/CSLL TRAVA 30% Recorrente GBL PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS DE TECNOLOGIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DE 30%. Aplicase o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado (trava dos 30%) à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL acumulados, ainda que ocorra encerramento de atividades, ou qualquer outro evento de reorganização societária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício e Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 69 /2 01 0- 14 Fl. 478DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 479 2 (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego. Relatório Tratase de Recurso Especial do Contribuinte, admitido para fins de discussão de duas matérias, a saber (i) inaplicabilidade de limitação do prejuízo fiscal e base negativa da CSLL na hipótese de extinção de pessoa jurídica por cisão total; e (ii) inaplicabilidade de juros SELIC sobre multa de ofício. Na origem, foi lavrado auto de infração para cobrança do IRPJ e CSLL pela compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro líquido e da base de cálculo da CSLL, quando da cisão total de sociedade cujo Contribuinte em questão sucedeu. Na DIPJ apresentada pela sociedade cindida em função do evento cisão total, relativa ao 3º trimestre de 2006, apurouse lucro tributável e base positiva da CSLL, que foram integralmente compensados com prejuízo fiscal e base negativa da CSLL. Impugnado o Auto de Infração, a DRJ manteve o lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF repisando, basicamente, as arguições da impugnação. No julgamento do Recurso a 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento a ele negou provimento, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 CISÃO TOTAL. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. E indevida a compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 15 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por cisão total, esse saldo não possa ser aproveitado pela sucessora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 479DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 480 3 Anocalendário: 2006 CISÃO TOTAL. APROVEITAMENTO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 16 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por cisão total, esse saldo não possa ser aproveitado pela sucessora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcos de Aguiar Villas Boas e Aurora Tomazini de Carvalho. Importante destacar, ainda, que apesar de não constar da ementa, verificase do voto do Relator do acórdão a quo, que também ficou decidido pela impossibilidade de aplicação de juros SELIC sobre multa de ofício. Cientificado da decisão o Contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir, ambas matérias. Pelo despacho de admissibilidade, foi dado seguimento integral ao Recurso do Contribuinte. Em suas razões, o Contribuinte alega, em suma: ü Com o advento dos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 (conversão em lei da Medida Provisória n° 998/95), que fundamentam o artigo 510 do RIR/99, o legislador acabou com a limitação temporal anteriormente imposta para a compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, mas, por outro lado, impôs uma limitação quantitativa para essa compensação, correspondente a 30% do lucro líquido e da base de cálculo da CSLL de cada período de apuração; ü O objetivo dessa restrição de 30% foi impor um pagamento mínimo de IRPJ e de CSLL em cada período, sem retirar o direito do contribuinte à compensação integral do saldo de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL nãoutilizados em períodos posteriores; ü Assim é que a constitucionalidade e a legalidade dessa limitação quantitativa estão no pressuposto de que haja a continuidade das atividades da pessoa jurídica; ü Essa regra de compensação delineada, por pressupor a continuidade das atividades da empresa, prestigia o fato gerador do IRPJ e da CSLL, o qual, conforme mencionado, recai sobre o acréscimo patrimonial auferido pela pessoa jurídica; Fl. 480DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 481 4 ü Caso não existam períodos posteriores em que os prejuízos fiscais e base de cálculo de CSLL possam ser nem mesmo em tese passíveis de compensação, a norma em questão perde sentido. Fica sem efeito a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL com lucros, uma vez que sequer haveria períodos em que estes poderiam ser apurados; ü No caso de cisão total, como ocorrido com a empresa Genexis, há a extinção da pessoa jurídica, nos termos do artigo 229, da Lei n° 6.404/1976; ü Portanto, na cisão total não há que se falar na sua continuidade e, consequentemente, é inaplicável a essa hipótese a limitação de 30% para compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo acumulados; ü Sendo assim, afigurase inaplicável a limitação de 30% para compensação do saldo acumulado de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL quando da extinção da pessoa jurídica, como no caso de fusão, cisão ou incorporação; ü Também não merece prevalecer o v. acórdão recorrido no que tange a suposta incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício lançada na presente autuação, uma vez que afrontam diretamente à Legislação Pátria pertinente e o próprio Princípio da Segurança Jurídica; ü De acordo com o artigo 139 do CTN, o crédito tributário decorre apenas da obrigação principal e, nos termos do artigo 113, parágrafo 1º do CTN, esta somente surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo; ü A palavra “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN se refere apenas aos tributos devidos, caso contrário, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”; ü Se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 contemplasse também multas, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43, uma vez que a incidência dos juros sobre a multa isolada, assim como a de ofício, já decorreria diretamente do artigo 61. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em suma: ü Os argumentos do Recorrente não têm o condão de prosperar, pois tanto a legislação que limita a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, bem como a sua natureza (de benefício Fl. 481DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 482 5 fiscal, assim determinada pelo eg. Supremo Tribunal Federal) e a jurisprudência consolidada no CARF, não excluem a empresa extinta por cisão da limitação legal; ü Ao decidir pela constitucionalidade da limitação quantitativa da compensação de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL, a Suprema Corte estabeleceu a natureza jurídica da autorização para compensação de prejuízos fiscais como um verdadeiro benefício fiscal concedido pelo Estado aos contribuintes. Sendo uma benesse tributária, fora ressaltado que tal compensação deve ser realizada nos estritos limites impostos pela lei que a prevê; ü Outro esclarecimento importante ressaltado pelo STF, e que merece ser citado, se refere ao fato de a compensação de prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores não constituir um direito adquirido dos contribuintes; ü Sendo a compensação dos prejuízos fiscais de anos anteriores autêntico instrumento de política fiscal, ou seja, benefício fiscal, como fixado pelo STF, por óbvio, submetese ao princípio da legalidade estrita, não comportando interpretação extensiva ou por analogia, nos moldes propugnados no art. 111, do CTN; ü Não existe no Ordenamento nenhuma norma especial que afaste a obrigação de empresas cindidas observarem o limite de 30% para compensação dos prejuízos fiscais; ü Permitir que a cindida compense integralmente os prejuízos fiscais de anos anteriores, sem qualquer respaldo legal, significaria, pois, criar, por mera exegese, novo benefício fiscal, sem considerar usurpação de competência do ente federativo responsável pela instituição do tributo; ü Sendo assim, demonstrase que o limite à compensação dos prejuízos fiscais imposto pelas Leis nº 8.981/1995 e 9.065/1995 também se aplica aos casos em que a pessoa jurídica é extinta. Não há nenhum dispositivo legal que preveja, como exceção, a compensação integral nesses casos; ü A divergência sobre a aplicabilidade da SELIC sobre a multa de ofício a título de juros de mora se dá, primordialmente, acerca do que se entende por “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”; ü O art. 61, caput, e seu § 3º da Lei nº 9.430/96 utilizam, respectivamente, as expressões “débitos para com a União” e “débitos a que se refere este artigo”. Assim, é importante definir a que “débitos” se referem o art. 61, caput, e seu § 3º do mencionado diploma legal; Fl. 482DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 483 6 ü É sabido que, com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, surge o direito subjetivo público do sujeito ativo (União) a receber o crédito tributário e o respectivo dever do sujeito passivo (devedor) de pagálo no prazo previsto na legislação específica; ü Portanto, notase que, se não pago o tributo no prazo estipulado legalmente, o Fisco efetuará o lançamento do crédito tributário, expressão que abrange o tributo e os acréscimos legais (multa e juros); ü Querse dizer com isso que os débitos a que se referem o art. 61, caput, e seu § 3º da Lei nº 9.430/96 são os créditos tributários devidos à União e não somente o valor do tributo. Os juros incidirão sobre o principal e a multa de ofício aplicada. É o que manda o citado § 3º; ü Logo, resta correta a aplicação dos juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Não há reparos a se fazer na análise da admissibilidade do presente Recurso, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade. Assim, passo à análise do mérito da questão. LIMITAÇÃO À UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA NA EXTINÇÃO DE PESSOA JURÍDICA Com o advento dos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 o legislador acabou com a limitação temporal anteriormente imposta para a compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, mas, por outro lado, impôs uma limitação quantitativa para essa compensação, correspondente a 30% do lucro líquido e da base de cálculo da CSLL de cada período de apuração, nos seguintes termos: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 484 7 Artigo 16 A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo, de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995. A norma tratou, exclusivamente, do limite quantitativo de utilização de prejuízos fiscais, partindo da premissa de que períodos seguintes viriam e, com eles, a possibilidade de apuração de lucros tributáveis por parte da pessoa jurídica. Tal norma não teve ou tem o intuito de extinguir o direito à compensação dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL acumulados, mas tãosomente diferir o seu aproveitamento, visando garantir uma arrecadação tributária mínima. Assim é que a constitucionalidade e a legalidade dessa limitação quantitativa estão no pressuposto de que haja a continuidade das atividades da pessoa jurídica, de modo que, ainda que não haja a compensação integral do saldo acumulado de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL em um determinado exercício, possa o saldo remanescente ser aproveitado em períodos subsequentes, a fim de evitar a tributação do patrimônio da pessoa jurídica, o que afrontaria o fato gerador do IRPJ e da CSLL. Ou seja, a regra de compensação delineada, por pressupor a continuidade das atividades da empresa, prestigia o fato gerador do IRPJ e da CSLL, os quais recaem sobre o acréscimo patrimonial auferido pela pessoa jurídica. Caso não existam períodos posteriores em que os prejuízos fiscais e base de cálculo de CSLL sejam passíveis de compensação, a trava em questão perde sentido. Fica sem efeito a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL com lucros, uma vez que sequer haveria períodos em que estes poderiam ser apurados. Esse racional já foi adotado por essa CSRF, em composições anteriores, conforme se pode depreender da seguinte passagem do voto do Relator do acórdão CSRF/01 05.100: Como afirmado pela recorrente, a empresa que aproveitou os prejuízos, sem observar o limite de 30% do lucro líquido, foi a Embel por ocasião de sua incorporação pela Eletrolux. Sua argumentação principal é que, em face da incorporação e da impossibilidade de compensar posteriormente o saldo de prejuízo na incorporadora, não havia outra opção senão a de compensar integralmente seu prejuízo. Esse raciocínio já está pacificado neste Conselho de Contribuintes. A norma (Lei 9065/95, art. 15), ao impor a "trava" na compensação, não pretendeu tolher o direito do contribuinte de não recolher IRPJ sobre a recuperação do capital, correspondente ao lucro após prejuízo. Pretendeu sim uma arrecadação mínima, se apurado lucro líquido, com a limitação de utilização do prejuízo acumulado. Em Fl. 484DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 485 8 contrapartida, extinguiu o prazo de aproveitamento do prejuízo (de 4 anos), para que o contribuinte pudesse compensar integralmente seu saldo de prejuízo fiscal, ainda que em muitos anos. Desse modo, e considerando que à empresa incorporadora é vedado o aproveitamento do saldo de prejuízo fiscal da empresa incorporada (Decretolei 2341/87, arts. 32 e 33), deixa de existir a premissa de inexistência de limitação de aproveitamento do prejuízo com os lucros futuros, o que compromete a legitimidade da trava do prejuízo. No caso de cisão total, como o presente, há a extinção da pessoa jurídica, nos termos do artigo 229, da Lei nº 6.404/1976. Portanto, na cisão total não há que se falar na sua continuidade de modo que tornase inaplicável a essa hipótese a limitação de 30% para compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo acumulados. Vejam que a aplicação da trava de 30% nesse contexto traz como consequência necessária a tributação do patrimônio da empresa e não apenas do seu acréscimo patrimonial. Na extinção da pessoa jurídica, em razão da sua cisão total, não há acréscimo patrimonial futuro a ser compensado com os prejuízos acumulados. A continuidade do empreendimento cessará com o evento cisão total. Tal continuidade se dará pela sociedade que sucede a cindida, que está por lei proibida de utilizar os prejuízos fiscais e base negativa da sucedida. Assim sendo, a regra que proíbe a utilização de prejuízos fiscais de sucedidas pelas sucessoras, cumulada com o entendimento de ser aplicável a limitação de aproveitamento do prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, carregam em si um desestímulo a operações de fusão, cisão e incorporação de empresas, por tornar tais operações mais onerosas do ponto de vista tributário. E isso não foi a intenção do legislador. Aqui, cabe apontar que não entendo ser a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas tipos de benefícios fiscais, conforme argumenta a Fazenda Nacional em suas contrarrazões. Tratase, tal compensação, a meu ver, de forma de apuração da base de cálculo dos tributos incidentes sobre resultado. O acréscimo patrimonial cujo legislador pretende tributar deve ser vislumbrado numa compreensão temporal ampla, compreendendo todo o período de atividade da pessoa. Por isso foi garantido pela norma o direito à compensação de todo prejuízo fiscal e base negativa, sem limitação temporal. Sendo assim, afigurase inaplicável a limitação de 30% para compensação do saldo acumulado de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL quando da extinção da pessoa jurídica, como no caso de fusão, cisão ou incorporação. E neste contexto, uma vez afastada a limitação percentual de redução do lucro líquido quando da cisão total de uma sociedade, podem estes prejuízos e bases negativas da sociedade a ser extinta serem integralmente compensados com o lucro líquido apurado no momento do encerramento de suas atividades. Portanto, voto por dar provimento ao Recurso do Contribuinte. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 486 9 INAPLICABILIDADE DE JUROS SOBRE MULTA De acordo com o artigo 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e, nos termos do artigo 113, parágrafo 1º do CTN, esta somente surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo. Não há que se falar que, de acordo com o artigo 113, parágrafo 1º do CTN, a multa de ofício também faria parte da obrigação principal, uma vez que, primeiro, (i) referida norma trata das obrigações acessórias, ou seja, as decorrentes do não cumprimento de obrigações de fazer e (ii) já é unânime na doutrina e jurisprudência pátria que a penalidade pecuniária não se confunde com a obrigação principal, pois é decorrente de uma sanção pelo não pagamento do tributo (vide artigo 3º do CTN). Por outro lado, o artigo 161 do CTN prevê que o crédito não pago é acrescido de juros de mora, in verbis: “Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária” É evidente que a palavra “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN se refere apenas aos tributos devidos, caso contrário, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Por seu turno, a Lei nº 9.430/96 igualmente prevê a incidência dos juros de mora apenas sobre o valor dos tributos, contribuições e multas isoladas, e não sobre as multas de ofício exigidas como acessório juntamente com o tributo eventualmente exigido, verbis: “Art. 61 – Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do artigo 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do Fl. 486DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 487 10 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Se for entendido que a palavra “débitos” constante do caput do artigo 61 inclui principal e multa de ofício, terseia que admitir que as multas de ofício, quando não pagas no vencimento, sofreriam também o acréscimo de multa de mora. Mas quando o legislador intencionou que incidisse juros sobre a multa o fez expressamente. O art. 43 da mesma Lei 9.430/96 vem a reforçar a interpretação acima ao prever a incidência de juros de mora sobre as multas isoladas, verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora isolada ou conjuntamente. Parágrafo único – Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ora, se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 contemplasse também multas, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43, uma vez que a incidência dos juros sobre a multa isolada, assim como a de ofício, já decorreria diretamente do artigo 61. Concluise, portanto, que, fora a hipótese dos juros serem cobrados a fim de indenizar o credor pelo não pagamento do tributo no prazo estipulado, qualquer outra incidência de juros seria abusiva e arbitrária, por ausência e, digase, contrariedade ao pressuposto legal vigente (CTN, artigos 3º, 113, 139, parágrafo 1º, e 161 do CTN). Admitirse tal cobrança implicaria enriquecimento ilícito do Erário, o qual estaria aplicando a incidência dos juros de mora à obrigação principal e à multa de ofício. Nesse contexto, voto DAR provimento ao recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 487DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 488 11 Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo Redatora Designada Em que pese o muito bem fundamentado voto proferido pelo ilustre Conselheiro relator, este colegiado divergiu de sua conclusão quanto a aplicação da trava de 30% e à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Limite de compensação de prejuízos (trava de 30%) Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (efls. 102 a 110), em setembro de 2006, foi realizada a cisão total da empresa Genexis do Brasil Serviços de Informação e Comércio Eletrônico Ltda. Naquela ocasião, a empresa possuía prejuízos acumulados e base de cálculo negativa da CSLL, que foram integralmente compensados. A fiscalização glosou essa compensação naquilo que ultrapassou o limite de 30% do lucro, apontando como fundamentos os artigos 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, e 510 do RIR, bem como o artigo 229, § 1º, e 233, da Lei nº 6.404, de 1976. A Recorrente, sucessora de parcela da cindida, se insurge contra essa exigência, afirmando que a limitação de 30% não alcança a compensação realizada mediante o encerramento das atividades da empresa, que, no caso, ocorreu com a cisão. Essa questão é muito bem conhecida desse colegiado, já tendo sido debatida e decidida nas reuniões de janeiro e fevereiro do último ano, por exemplo, ocasião em que foram exarados os Acórdãos nº 9101002.153, nº 9101002.207, nº 9101002.208, nº 9101002.210 e nº 9101002.211, todos no sentido de que o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995, fundamento legal do artigo 250, III, do RIR/99, alcança inclusive as empresas que encerram suas atividades. No mesmo sentido, foi a decisão exarada em 22/9/2016, por meio do Acórdão nº 9101002.455, da relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que reformou o Acórdão nº 1103001.093, indicado como paradigma pela Recorrente. Quanto à aplicação do limite de 30%, o acórdão nº 9101002.455 restou assim ementado: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. 1 O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Destarte, alinhada com o que já foi decidido, entendo que não assiste razão à recorrente, vez que a Lei nº 9.065, de 1995, é muito clara no sentido de estabelecer a trava sem qualquer exceção, senão vejamos: Fl. 488DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 489 12 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Produção de efeito (Vide Lei nº 12.973, de 2014) Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Produção de efeito Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. À afirmação de que a intenção do legislador ao editar a supracitada lei não foi "vedar a compensação dos valores acumulados" de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, a Recorrente acrescentou referência à Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 998, de 1995, a qual, fruto da reedição das Medidas Provisórias nº 947 e 972, de 1995, foi convertida na Lei nº 9.065, de 1995. Vejase que a Lei nº 9.065, de 1995 não mencionou a possibilidade de posterior compensação dos prejuízos não utilizados em razão do limite então fixado. Este registro constava do dispositivo anterior da Lei nº 8.981, de 1995, fruto da conversão da Medida Provisória nº 812, de 1994: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. (grifouse) A interpretação de que a limitação legal impossibilita o sujeito passivo de compensar os saldos de prejuízos ou bases negativas tem em conta, ainda, a vedação expressa Fl. 489DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 490 13 pelo Decretolei nº 2.341, de 1987, incorporado ao art. 514 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 RIR/99: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. De toda a sorte, da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 998, de 1995, em verdade, constou que1: Arts. 15 e 16 do Projeto: [...] A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo E, nestes termos, não se vislumbra qualquer garantia à compensação dos saldos acumulados até o seu esgotamento. Como bem exposto pela Conselheira Edeli Pereira Bessa no voto condutor do Acórdão nº 1101000.691, em termos numéricos, a citação extraída da Exposição de Motivos em referência apenas admite que uma empresa que detenha saldo de $1.000 de prejuízos fiscais acumulados compenseo integralmente em um período de apuração no qual apure lucro líquido ajustado de R$ 3.400. Ou seja, a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas passou a depender, necessariamente, da produção de resultados positivos em montante do qual pudesse ser destacado, apenas, 30% para tal utilização. Inadmissível cogitar que o legislador assegurou a plena utilização dos prejuízos e bases negativas acumulados, mormente tendo em conta a imprevisibilidade dos resultados futuros. Ademais, a interpretação da frase "sem retirar do contribuinte o direito de compensar" não pode ser dissociada de seu complemento: "até integralmente, num mesmo ano" os prejuízos acumulados. A partir da edição da Medida Provisória nº 812, de 1994, o direito à compensação foi limitado nos termos estipulados em lei: os prejuízos e bases negativas acumulados poderiam reduzir lucros futuros desde que observado o limite quantitativo, determinado não só pelo percentual de 30%, como também pela base de cálculo sobre a qual ele se aplicaria. Assim, se a pessoa jurídica deixar de produzir resultados, por encerramento de suas atividades ou por sucessão, o direito à compensação, logicamente, perece. É certo que, como exposto pela Recorrente, o Superior Tribunal de Justiça afirmou a regularidade do limite à compensação de prejuízos e bases negativas em razão de ela representar mero diferimento da sua dedução. Neste sentido é a jurisprudência referida em recente julgado da Segunda Turma daquela Corte2, expressa no voto condutor do Recurso Especial nº 1.314.207/SP: Quanto ao mérito, no âmbito infraconstitucional, esta Corte Superior já assentou sua jurisprudência pela legalidade do mencionado limite à compensação, devendo o mesmo incidir plenamente, afastada qualquer pecha de contrariedade ao 1 Diário Oficial do Congresso Nacional, Edição de 14 de junho de 1995, p. 3273. 2 Julgado proferido em 04 de agosto de 2015. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 491 14 ordenamento jurídico. Tal entendimento, ao qual me alinho, pode ser ilustrado por meio dos seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. DISSÍDIO INTERPRETATIVO NÃO CARACTERIZADO. CSSL. IMPOSTO DE RENDA. PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITES DA COMPENSAÇÃO. LEI N. 8.981/95. LEGALIDADE. SÚMULA N. 168/STJ. 1. Não há divergência jurisprudencial quando inexiste similitude fática entre os arestos confrontados. 2. A limitação da compensação em 30% (trinta por cento) dos prejuízos fiscais acumulados em exercício anteriores, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro (CSSL) e do Imposto de Renda, não se encontra eivada de ilegalidade. Precedentes. 3. Embargos de divergência não conhecidos (EREsp Nº 429.730 RJ, Primeira Seção, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 9.3.2005). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IRPJ. CSLL. COMPENSAÇÃO. LIMITES. LEIS 8.981/95 E 9.065/95. LEGALIDADE. 1. A limitação da compensação em 30% (trinta por cento) dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores com a finalidade de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) e do Imposto de Renda Pessoa Jurídica não contém eiva de ilegalidade. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 935.250/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/09/2008, DJe 14/10/2008) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CSSL. IMPOSTO DE RENDA. PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITES DA COMPENSAÇÃO. LEI Nº 8.981/95. LEGALIDADE. 1. "A limitação da compensação em 30% (trinta por cento) dos prejuízos fiscais acumulados em exercício anteriores, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro (CSSL) e do Imposto de Renda, não se encontra eivada de ilegalidade" (EREsp 429.730/RJ, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 11.04.05). 2. A Lei 8.981/95, ao estabelecer a aludida limitação, "não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada" (AgRg no REsp 516.849/CE, Rel. Min. Denise Arruda, DJU de 03.04.06. 3. É legal a limitação em relação à compensação de prejuízos fiscais verificados até o dia 31.12.94, a partir do exercício de 1995, não havendo afronta ao princípio da anterioridade. Precedentes. Fl. 491DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 492 15 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1027320/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/08/2008, DJe 23/09/2008) (destaques do original) Porém, o Superior Tribunal de Justiça ainda não se manifestou frente à interrupção deste diferimento por encerramento das atividades da pessoa jurídica ou por sucessão. Logo, não é possível inferir, a partir das justificativas apresentadas para declarar a legalidade da limitação imposta a partir de 1995, que a ocorrência de eventos impossibilitando a compensação integral dos prejuízos ou bases negativas acumulados determinaria o afastamento do limite legal no último período de apuração, ou ensejaria a adoção de outra providência reparadora. Ao contrário, a legalidade da norma resta patente quando o limite quantitativo é dissociado de restrição temporal à compensação, permitindo ao sujeito passivo, mesmo observando o limite quantitativo, esgotar os saldos acumulados, salvo se, por circunstâncias alheias ao controle do legislador, a pessoa jurídica não lograr êxito em suas atividades para produzir resultados positivos, ou se interrompêlas. Vejase, aliás, que apreciando a proibição veiculada no art. 33 do DecretoLei nº 2.341, de 1987, o Superior Tribunal de Justiça, em julgado de 06 de agosto de 2009, manifestouse favoravelmente à sua legalidade frente ao art. 43 do CTN: TRIBUTÁRIO – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS – SUCESSÃO DE PESSOAS JURÍDICAS INCORPORAÇÃO E FUSÃO VEDAÇÃO ART. 33 DO DECRETOLEI 2.341/87 VALIDADE ACÓRDÃO OMISSÃO: NÃOOCORRÊNCIA. 1. Inexiste violação ao art. 535, II, do CPC se o acórdão embargado expressamente se pronuncia sobre as teses aduzidas no recurso especial. 2. Esta Corte firmou jurisprudência no sentido da legalidade das limitações à compensação de prejuízos fiscais, pois a referida faculdade configura benefício fiscal, livremente suprimível pelo titular da competência tributária. 3. A limitação à compensação na sucessão de pessoas jurídicas visa evitar a elisão tributária e configura regular exercício da competência tributária quando realizado por norma jurídica pertinente. 4. Inexiste violação ao art. 43 do CTN se a norma tributária não pretende alcançar algo diverso do acréscimo patrimonial, mas apenas limita os valores dedutíveis da base de cálculo do tributo. 5. O art. 109 do CTN não impede a atribuição de efeitos tributários próprios aos institutos de Direito privados utilizados pela legislação tributária. 6. Recurso especial não provido. (REsp 1107518/SC, Relatora Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, Julgado em 6/8/2009, Publicado em DJe 25/8/2009) Fl. 492DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 493 16 Na mesma toada, o Supremo Tribunal Federal afirmou a regularidade da limitação imposta a partir da Medida Provisória nº 812, de 1994, sob a premissa de a compensação de prejuízos e bases negativas constituir um benefício fiscal, aspecto que, inclusive, ensejou a alteração do entendimento favorável à compensação integral na data de extinção da pessoa jurídica, até então adotado pela 1ª Turma da CSRF3. Assim constou do voto da Ministra Ellen Gracie integrado ao julgamento do Recurso Extraordinário nº 344.994/PR4, corroborando o entendimento adotado no voto vencedor do Ministro Eros Grau: 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito" oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito líquido e certo à "socialização" dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. É apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o benefício será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Como benefício fiscal, a compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas poderia ser reduzida, ou mesmo eliminada por lei posterior. Logo, nada há de irregular em o diferimento desta compensação resultar, eventualmente, na impossibilidade de utilização de saldos acumulados. Aliás, recordese que na sistemática anterior à criação do limite em debate, como havia prazo para compensação dos prejuízos fiscais ou bases negativas5, a depender da capacidade da pessoa jurídica de reverter seus resultados negativos para lucros, os prejuízos e bases negativas acumulados poderiam prescrever integralmente, sem qualquer compensação. Assim, se a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 998, de 1995, não associa a limitação legal em tela à garantia de compensação integral dos prejuízos ou bases negativas acumulados, restam apenas as proibições de compensação acima do limite legal de 30% e de utilização, pela sucessora, dos prejuízos ou bases negativas ainda não compensados pela sucedida. Nada, nos referidos dispositivos legais, autoriza a interpretação extensiva de que o limite não seria aplicável no último período de atividade da pessoa jurídica. O risco de a pessoa jurídica não auferir lucros suficientes para compensar integralmente o saldo de prejuízos ou bases negativas acumulados, em verdade, sempre existiu, 3 Neste sentido é o Acórdão nº 910100.401, de 02 de outubro de 2009. 4 O entendimento firmado no Recurso Extraordinário nº 344.944/PR acerca da compensação de prejuízos foi estendida à compensação de bases negativas no julgamento do Recurso Extraordinário nº 545.308/SP. 5 Lei nº 8.541, de 1992: Art. 12. Os prejuízos fiscais apurados a partir de 1° de janeiro de 1993 poderão ser compensados, corrigidos, monetariamente, com o lucro real apurado em até quatro anoscalendários, subseqüentes ao ano da apuração. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 494 17 especialmente porque não é possível prever quando, e em que proporção, a atividade econômica desenvolvida voltará a gerar resultados positivos. Antes da instituição do limite em debate, certamente pessoas jurídicas encerraram suas atividades ou foram sucedidas sem esgotar os saldos de prejuízos ou bases negativas acumulados e sem desfrutar de uma regra que assegurasse a reposição desta suposta perda. Se tal "perda" subsiste, ainda que em maior proporção, em razão de norma que limita o usufruto do benefício fiscal a 30% do lucro apurado antes da compensação, necessário seria que outra lei, expressamente, concedesse ao sujeito passivo tal reparação. Inexistindo determinação legal neste sentido, admitir a utilização do benefício fiscal acima do limite legal representa renúncia fiscal por meio de ato administrativo de julgamento, em expressa afronta ao sistema jurídico vigente. Acrescentese, ainda, a abordagem acerca da questão, consignada no voto condutor do Acórdão nº 9101001.760, de lavra do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão: Outra linha argumentativa da I. Relatora se fia na história legislativa do dispositivo que implementou a trava dos 30% (MP n. 998/1995). Todos os argumentos normogenéticos são pertinentes e admissíveis, e é justamente o que se debate aqui, mas a lei não criou exceções. O que a exposição de motivos (EM) noticia é justamente que o aproveitamento não é limitado no tempo, mas não cogita e nem especifica o que ocorreria caso a empresa encerrasse as atividades, assim como não o faz a lei. Tratase de interpretação da exposição de motivos, pois ela, a EM, literalmente não diz que não há trava no enceramento das atividades. Por outro lado, a história legislativa de determinado dispositivo não permite um embargo interpretativo com efeitos legislativos infringentes, mas tão somente teleológicos. Sob a premissa de a compensação de prejuízos ou bases negativa ser inerente à apuração do lucro, submetendose apenas a limitações temporais ou quantitativas, e invocando a observância do princípio da continuidade na apuração do lucro contábil, há quem pretenda estabelecer a comunicação entre os períodos de apuração para definição da incidência dos tributos sobre o lucro, de modo a sugerir que a limitação imposta à compensação resulta na tributação de parcelas não representativas de acréscimo patrimonial, o qual somente se revelaria, efetivamente, quando esgotados os resultados negativos acumulados em períodos anteriores. A argumentação assim desenvolvida, formulada também pela Recorrente, pautase no fato de a legislação tributária, há muitos anos, reconhecer aos contribuintes o direito à compensação de prejuízos fiscais, associandoo, apenas, a limitações temporais. A imposição de uma limitação quantitativa resultaria na incidência tributária antes da recuperação da perda patrimonial, e sua aplicação no período de encerramento das atividades da pessoa jurídica seria injustificável. Colhese do voto condutor do Acórdão nº 1401001.615 abordagem esclarecedora exposta pelo Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório acerca da impropriedade desta construção contrária à existência de bases imponíveis em tais circunstâncias: Apesar de todo o respeito que merecem os ensinamentos da ilustre Professora, entendo que esse raciocínio parte da premissa de que os conceitos de lucro, noutras palavras, renda para as Fl. 494DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 495 18 empresas, e patrimônio são bem definidos pela ciência contábil e, como tais, devem ser rigorosamente obedecidos pela legislação tributária. Sem embargo, o conceito de renda tem raízes profundamente marcadas na teoria econômica. Mas, desde o século XIX, quando a renda passou a se firmar como forma preferida de cobrança de impostos por sua aptidão para a exteriorização da capacidade contributiva e para a eficiência da arrecadação, os estudiosos da ciência das finanças perceberam a insuficiência ou limitação dos conceitos econômicos para os fins práticos da imposição tributária e desenvolveram novas formulações para o conceito de renda. Foi nesse contexto que surgiram as teorias da fonte e do acréscimo patrimonial. Pela teoria da fonte, a renda seria o “produto periódico de uma fonte permanente”. Por sua vez, a teoria do acréscimo patrimonial, procurando dar ao conceito uma maior amplitude em sua base, para incluir nele hipóteses que, de outra maneira, escapariam ao estreito critério da fonte, definia a renda como “o incremento líquido do patrimônio em período determinado de tempo”. Inspiradas nessas ideias, as comissões encarregadas de redigir o projeto do CTN erigiram o seu artigo 43 com o seguinte conteúdo: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Assim, o inciso I foi inspirado na teoria da fonte enquanto que o inciso II, na teoria do acréscimo patrimonial. Contudo, os debates travados nos trabalhos daquelas comissões, conforme narrado por seu relator, Rubens Gomes de Sousa6, permitem concluir que a teoria do acréscimo patrimonial seria suficiente para fundamentar ambos os incisos. Com efeito, relativamente a este aspecto específico, o saudoso tributarista assim se manifestou: “vale sublinhar que essa redação do inciso II implica que também a renda, de que trata o inciso I, é um acréscimo patrimonial, como já está dito pela palavra produto constante desse inciso”7. A conceituação da renda nos termos da teoria do acréscimo patrimonial foi historicamente elaborada a partir da colaboração dos estudos dos financistas Georg Schanz, Robert Haig e Henry Simons, por isso ela é conhecida na literatura como modelo 6 Cf. Rubens Gomes de Sousa, "O Fato Gerador do Imposto de Renda". In: Estudos de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 1950, pp. 175 e 176; e "Imposto de Renda: Despesas não dedutíveis pelas pessoas jurídicas. Seu tratamento fiscal como lucros distribuídos no que se refere à própria sociedade e a seus sócios ou acionistas". In: Pareceres1: Imposto de Renda. Ed. Póstuma. São Paulo: IBET e Resenha Tributária, 1975, pp. 59 a 95. (nota do original) 7 Cf. Rubens Gomes de Sousa, "Imposto de Renda: Despesas ....", p. 70. (nota do original) Fl. 495DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 496 19 SchanzHaigSimons – SHS – de renda. A partir desses estudos, é possível conceituar a renda num determinado período como a soma, em valor monetário, entre o consumo de bens e serviços e o acréscimo de patrimônio verificados nesse mesmo período. Para consecução dessa renda contribuem todos os fluxos monetários e demais benefícios (que possam também ser avaliados em termos monetários) que ingressem na esfera patrimonial da pessoa durante o período considerado. Desse modo, concorrem para a realização da renda as remunerações recebidas em troca dos fatores de produção, as doações e ganhos eventuais, os acréscimos nos valores dos ativos e a renda imputada8. A renda conceituada segundo o modelo SHS pode, portanto, ser considerada o parâmetro ideal de renda a quem nosso CTN escolheu aderir. Em virtude da remissão à lei complementar estabelecida no artigo 143, III, “a”, da Constituição, podemos considerála nosso conceito constitucional de renda. Entretanto, a amplitude desse conceito revela que a tributação sobre a renda expressa no modelo SHS é praticamente inviável e politicamente não desejada. Operase, então, um sopesamento de princípios na elaboração da lei tributária. Em virtude desse sopesamento, a renda a ser tributada sofre uma significativa redução em relação à renda idealmente conceituada. Assim, os ajustes efetuados pela lei tributária, para do lucro contábil se chegar ao lucro tributável, são manifestações do mencionado sopesamento de princípios que normalmente afastam o lucro tributável do conceito ideal de renda. A bem da verdade, a própria definição contábil de lucro já assume algumas premissas que afastam o lucro contábil do conceito de renda segundo o modelo SHS9. Por isso, há também ajustes que atuam no sentido contrário, ou seja, para aproximar o lucro tributável do conceito ideal de renda. Nessa esteira, fica claro que a lei tributária pode e deve promover os ajustes necessários para conformar o lucro tributável em consonância com o arcabouço valorativo inserido nos diferentes princípios e regras constitucionais. Ao aplicador das normas veiculadas por lei, pelo menos em sede de controle da legalidade dos atos administrativos, resta verificar a correta subsunção dos fatos nos antecedentes dessas normas. Além disso, por se tratar de um conceito constitucional, qualquer manifestação desse colegiado acerca da conformidade das disposições da lei tributária com o conceito de renda iria de encontro ao que determina a Súmula nº 2 do CARF: (...) Por essas razões, não se pode dar guarida à alegação de que a “trava” ofenderia os conceitos constitucionais de renda e lucro, acarretando uma tributação do patrimônio do contribuinte, bem como de que tal ofensa autorizaria uma interpretação teleológica 8 Cf. Kelvin Holmes, The concept of income. A multidisciplinary analysis. The Netherlands: IBFD, 2000, p. 57. (nota do original) 9 Ibidem, pp. 146 e 147. (nota do original) Fl. 496DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 497 20 que permitisse a compensação dos prejuízos e bases negativas da CSLL acumulados. A doutrina também demonstra que acréscimo patrimonial é, necessariamente, fato determinado em período de apuração delimitado, não afetado por ocorrências que competem a outros períodos de apuração, reforçando a premissa adotada pelo Supremo Tribunal Federal de que a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas é um benefício fiscal10. Vejase, neste sentido, as lições de Ricardo Mariz de Oliveira ao tratar do poder legal para impedir, condicionar ou limitar a compensação de prejuízos fiscais11: Para os que sustentam haver um direito verdadeiramente imanente à obrigação tributária relativa ao imposto de renda, inatingível por lei ordinária, portanto um metadireito que até prescinde de declaração por lei ordinária, o seu fundamento está no fato de que a hipótese de tributação é sempre um acréscimo patrimonial, e acréscimo patrimonial exige que se deduzam prejuízos anteriores para que somente possa ser alvo de incidência o valor que representar efetivo aumento ao capital trazido pelos sócios para o empreendimento gerador do lucro. Se assim não for, estarseá tributando o próprio capital ou o patrimônio do contribuinte, descaracterizando e desnaturando o fato gerador do imposto de renda. E, sendo assim, não poderia haver limite de prazo ou de valor, assim como outras condições não poderiam ser impostas para o exercício (já que aquisição sempre existiria) desse direito. Muito menos ele poderia ser eliminado. Contrariamente a esta colocação, apresentamse diversos fundamentos. O primeiro prendese a que todo empreendimento econômico tem que ser segmentado em seu desenvolvimento temporal, para inúmeros efeitos empresariais e jurídicos, sob pena de que, somente no encerramento definitivo da própria atividade econômica que se pretende desenvolver através da pessoa jurídica, seria possível determinar com segurança e em definitivo a existência e o montante do incremento patrimonial produzido por tal atividade. Daí a lei predeterminar a segmentação da atividade em exercícios sociais, para fins de direito privado, e em períodos base, para fins tributários, nos quais se compara se, entre o início e o final de cada um deles, houve ou não aumento de patrimônio, sendo que a diferença entre o patrimônio líquido no início e no final de cada período, descontadas as transferências patrimoniais, representa o lucro obtido nesse entretempo, se a mutação tiver sido positiva, ou o prejuízo suportado, se tiver sido negativa. 10 Recurso Extraordinário nº 344.994/PR (prejuízos fiscais) e Recurso Extraordinário nº 545.308/SP (bases negativas). 11 Fundamentos do Imposto de Renda. São Paulo: Editora Quartier Latin do Brasil. 2008, p. 895/900. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 498 21 Numa sociedade empresarial de prazo indeterminado, ou de longo prazo, essa segmentação não é apenas uma exigência legal, mas uma imposição natural, ante conveniências e necessidades múltiplas, nestas incluídas principalmente duas: a necessidade, porque objetivo, de partilhar lucros entre os sócios, até face à mutabilidade do quadro social; a necessidade de cobrir gastos públicos através da tributação da renda. Outrossim, a arrecadação tributária também é constitucionalmente segmentada em períodos orçamentários, não havendo, na Carta Republicana, qualquer dispositivo que impeça a fragmentação da vida das empresas em períodos de apuração dos seus resultados ou que imponha que a apuração se faça sempre por forma acumulada, isto é, necessariamente deduzindose dos ganhos atuais as eventuais perdas passadas. Nestas condições, a determinação de períodosbase é matéria de lei ordinária, assim como a determinação, quanto aos prejuízos, da independência absoluta de cada período em relação aos demais, na qual prejuízos não se transferem para frente ou para trás, ou a interdependência dos períodos, na qual se admite a comunicação de prejuízos anteriores com os lucros presentes (o chamado "carry forward"), ou dos presentes prejuízos com os lucros do passado (o chamado "carry back"). Qualquer dessas possibilidades, para se efetivar, depende de norma legal. Mesmo o parágrafo 2o, inciso I, do art. 153 da Constituição Federal, segundo a qual o imposto de renda deve ser informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, não socorre à existência do direito impostergável e inalterável ora em comento. Muito pelo contrário, os princípios a que esse inciso alude conduzem inequivocamente à segmentação da vida dos contribuintes para fins do imposto de renda. Em primeiro lugar, esses princípios, que estudamos no capítulo III, são previstos para serem fixados e delineados por lei, dada a cláusula final do dispositivo constitucional, "na forma da lei". É verdade que a lei fixa a forma de aplicação dos referidos critérios, mas não pode ignorálos ante a textual designação constitucional de que o imposto "será" informado por eles. Todavia, a aplicação desses princípios requer a separação dos períodosbase, pois, se todo o período de vida empresarial necessariamente tivesse que ser considerado, sempre em conjunto por seus efeitos acumulados, deveria sêlo para todos os efeitos, inclusive para aplicação da própria progressividade da tabela de alíquotas de cálculo do imposto. [...] Fl. 498DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 499 22 Ademais, o que exsurge das garantias constitucionais, de forma clara e insofismável, é a irretroatividade das leis, qualificada pela exigência da anterioridade, de tal arte que fatos econômicos presentes, vale dizer, ocorridos na vigência das leis presentes, podem ser tomados em consideração para gerarem obrigações tributárias presentes, sem necessária consideração a fatos e ocorrências do passado. Daí a compensação de prejuízos ser matéria de lei ordinária, que pode dála ou não, para frente ("carryforward") ou para trás ("carryback"), com ou sem prazo, com ou sem limite de valor, com ou sem outras condições, apenas devendo ser observadas as exigências constitucionais quanto à vigência da lei, assim como os demais preceitos constitucionais aplicáveis. [...] Vale dizer, somente há acréscimo quando as receitas ingressadas forem maiores do que os custos e as despesas que tiverem sido necessárias para a geração daquelas mesmas receitas. Em outras palavras, a base de cálculo, para ser representativa do efetivo aumento patrimonial e não desvirtuar a incidência tributária sobre este, deve refletir a diferença entre os ingressos ocorridos nesse patrimônio e as saídas dele ocorridas para aquisição dos ingressos. E tal mutação patrimonial universal deve ser medida entre dois pontos no tempo, predeterminados pela lei tributária. Já os prejuízos de períodos anteriores ao atual não interferem com o fato neste ocorrido, embora se reflitam no patrimônio da pessoa jurídica contribuinte. [...] O princípio da universalidade do lucro impõe a apuração global de todo o aumento ou de toda a redução do patrimônio em cada períodobase, o que exige, portanto, a dedução dos prejuízos neste ocorridos, porque estes são fatos presentes, indissociáveis dos demais fatos que acarretam aumento ou redução na universalidade que constitui o patrimônio do contribuinte. Mas os prejuízos anteriores não interferem com a mutação ocorrida no período em curso, porque são o resultado de fatos do passado, pertencentes a outros períodosbase, que já se refletiram num patrimônio menor na data inaugural do período atual, quando se inicia a apuração de uma nova mutação patrimonial, para mais ou para menos. Enfim, tudo isto pode ser resumido na afirmação de que o fato gerador do imposto de renda é o acréscimo patrimonial ocorrido num períodobase e é constituído pela diferença entre a universalidade patrimonial no início desse período e a Fl. 499DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 500 23 universalidade patrimonial no final do mesmo, sendo essa diferença matematicamente formada pela universalidade de fatores positivos e negativos que afetam esse patrimônio durante o mesmo lapso temporal, descontadas as transferências patrimoniais. Ora, os prejuízos de períodosbase anteriores não integram essa universalidade de fatores positivos e negativos. Daí a lei, sem descaracterizar a base de cálculo própria dos tributos sobre a renda, poder admitir ou não a compensação das perdas passadas ou permitila sob determinadas condições, ou sob determinada limitação temporal, ou sob determinadas limitações de valor em relação ao montante da mutação patrimonial presente. (grifouse) Nestes termos, os períodos de apuração não se comunicam. A atividade da pessoa jurídica é, para fins de incidência tributária, delimitada em períodos de apuração, e o resultado assim obtido, na forma da lei, é a base de cálculo do imposto de renda devido pelas pessoas jurídicas, à qual se reportam os artIigos 43 e 44 do Código Tributário Nacional. O conceito de acréscimo patrimonial da pessoa jurídica, suscetível de tributação, é, em essência, a diferença entre a universalidade patrimonial no início desse período e a universalidade patrimonial no final do mesmo, descontadas as transferências patrimoniais, e naquela diferença não se inserem os prejuízos e as bases negativas apurados em períodos anteriores. Esta concessão legislativa pode existir, ou não, e ainda assim a tributação da renda não padecerá de inconstitucionalidade. Nesse ponto, há quem argumente, ainda, que o art. 189 da Lei nº 6.404, de 1976, determina a compensação de prejuízos passados para determinação do lucro. Contudo, as disposições societárias não autorizam esta interpretação. A Lei nº 6.404, de 1976, em sua redação original12, assim dispõe acerca da apuração do resultado do período, com observância ao princípio da competência: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. [...] Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais; 12 As alterações a partir da Lei nº 11.638, de 2007, apenas alteraram a designação de outras receitas e despesas no inciso IV e das participações no inciso VI. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 501 24 V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados; VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. Na sequência, o art. 189 da Lei aborda a dedução de prejuízos, mas sua interpretação deve levar em conta os demais dispositivos da mesma Seção: CAPÍTULO XVI Lucro, Reservas e Dividendos SEÇÃO I Lucro Dedução de Prejuízos e Imposto sobre a Renda Art. 189. Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda. Parágrafo único. o prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem. Participações Art. 190. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. Parágrafo único. Aplicase ao pagamento das participações dos administradores e das partes beneficiárias o disposto nos parágrafos do artigo 201. Lucro Líquido Art. 191. Lucro líquido do exercício é o resultado do exercício que remanescer depois de deduzidas as participações de que trata o artigo 190. Resta claro, nestes termos, que a determinação expressa no art. 189 da Lei nº 6.404, de 1976, prestase, apenas, à definição da base de cálculo das participações referidas no artigo subsequente. O acréscimo patrimonial do período permanece representado pelo lucro líquido, aferido nos termos do art. 187 da Lei nº 6.404, de 1976, consoante reiterado em seu art. 191. Impróprio, assim, afirmar que não há lucro sem a dedução integral dos prejuízos acumulados. No mesmo sentido são as conclusões do voto condutor do Acórdão nº 9101 001.337, redigido pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior: Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso discordar do seu tão elaborado voto, por enxergar, nele, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 502 25 Sustenta o ilustre relator que: “o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação”. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo ilustre Relator, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir “renda”. Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu decréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, in verbis: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao Fl. 502DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 503 26 contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores..” Data máxima vênia, confundese o Relator quando cita o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que “o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores”. Primeiramente, por força do disposto nos arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Pertinente a transcrição, também, da manifestação do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão acerca do tema, integrada ao voto condutor do Acórdão nº 9101 001.760: Sopesando os argumentos da Fazenda e do Contribuinte, a I. Relatora inicialmente traça um histórico da legislação que rege a matéria da compensação de prejuízos. Peço vênia para reproduzir entre aspas trechos do voto da I. Relatora, por que desta forma se torna mais clara a contraposição de argumentos. A I. Relatora parte da constatação de que "nunca subsistiram limitações temporais e quantitativas concomitantemente" e conclui que isto se deve à razão de ser a compensação de prejuízos um direito do contribuinte, "inerente aos princípios que regem a apuração do IRPJ/CSLL e à lógica contábil que determina os efeitos intertemporais dos atos das pessoas jurídicas, a qual atribui os critérios de apuração do lucro líquido, ponto de partida para a apuração do IRPJ e da CSLL". Primeiramente, embora nunca tenham subsistido limitações temporais e quantitativas concomitantemente, até 1945, no Direito brasileiro, anão existia possibilidade de compensação de prejuízos, ou seja, a limitação era total, assim os prejuízos de um período de apuração não eram transportados para o período seguinte, que eram considerados estanques. Ora, isto era muito pior para contribuinte, pois não havia limites porque simplesmente não era possível compensar o prejuízo, e a norma não foi considerada inconstitucional. No que diz respeito ao segundo argumento, embora a lógica contábil seja usada para o cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL, a base de cálculo do imposto está sob o império da lei que pode, inclusive, ser diferente, ou mesmo contrária à lógica contábil, que é lastreada em princípios geralmente aceitos, resoluções e pronunciamentos de instituições de Direito Privado, etc... Ocorre que em matéria de direito público, sempre prevalece a lei. Assim, em que pesem argumentos que possam ser procedentes dentro da lógica contábil na qual todo prejuízo deve ser confrontado com os resultados dos períodos seguintes (e imediatamente), esta não é a lógica legal. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 504 27 Na verdade, a lógica da lei tem a ver com dois aspectos essenciais ao caso, a periodização e o fato gerador do imposto de renda. A periodização é importante pois há que se confrontar situações em tempos diferentes para que se identifique se a empresa tem ou não prejuízo, se a empresa tem ou não lucro. Esta lógica contábil existe para se informar ao dono do "equity" acionista ou sócio, como está evoluindo seu patrimônio, o que só tem lógica se forem confrontados períodos distintos. E daí se faz a escolha temporal, que pode ser cinquenta anos, dez anos, um ano, seis meses, três meses, um mês, etc, aquilo que a lógica contábil entender conveniente em termos de mercado, pois como foi dito informar ao dono do capital a situação do seu patrimônio é a função da contabilidade. No caso brasileiro o este prazo está na própria lei comercial (art. 175 da Lei. 6.404/1977, prevê o exercício social de um ano, e em seu Par. Único permite períodos distintos). Daí que em função da continuidade, ou princípio da continuidade, os prejuízos têm que ser levados em conta, pois o acionista ou sócio não olha o seu investimento por períodos equivalentes ao exercício social, mas por todo o período do investimento que planejou, embora tenha que “tomar o pulso” de tempos em tempos (e.g., balanços mensais, semestrais ou anuais, com os prejuízos passando para o período seguinte). Assim, um acionista que tem em perspectiva ações de uma empresa por um determinado período, olha o quanto o investimento vale no início e no final do período; assim, vinculado à uma lógica contábil, todos os ganhos e todas as perdas do período devem ser computados continuamente, é o princípio da continuidade operando, o que lhe dá o resultado final ao longo do período. Vejase que a função da contabilidade, ou pelo menos uma das funções principais, é informar ao dono do capital a situação do seu investimento. Na verdade, está se assumindo o princípio da continuidade e seus efeitos nos lucros, mais no seu sentido econômico, porque no seu sentido contábil mais exato o princípio da continuidade não trata disto, mas sim na forma com que os ativos são avaliados, a depender da continuidade da empresa. Diz a resolução CFC 750/1993 (com redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10), quando trata dos princípios da contabilidade: “Art. 5º O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.” Ou seja, este diz princípio diz respeito à precificação dos componentes do patrimônio, nada indicando que decorre dele a imposição principiológica do aproveitamento de prejuízos de um período em relação a outro. Mas, ad argumentandum tantum e seguindo a lógica econômica da compensação de prejuízos como decorrência da continuação da empresa, que se presume indefinidamente, os prejuízos e lucros se compensariam contínua e indefinidamente. Mas esta não é a lógica da legislação tributária. Para efeitos tributários, a periodização tem como função firmar o aspecto Fl. 504DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 505 28 temporal para efeito de se verificar se entre o momento inicial e momento final houve variação patrimonial positiva (atualmente a lei prevê este lapso em três meses, e opcionalmente de um ano, para o lucro real). Vejase que o fato de a legislação tributária permitir que se transponha o prejuízo de um período para o período seguinte é uma decisão de política tributária. Digase de passagem, uma política correta, mas que obedece aos princípios legais e não aos princípios contábeis. Assim, o aproveitamento de prejuízos é uma decisão de política tributária (em linha com a política econômica), mas não entendo que seja um benefício fiscal, pois não se enquadra neste conceito, mesmo porque é geral. Neste aspecto específico concordo com a posição da I. Relatora. Benefício fiscal ocorre quando a lei tributária concede o aproveitamento integral (sem a trava dos 30%) para algumas atividades, isto porque difere da regra geral da sujeição à limitação dos 30 %. Ou seja, o aproveitamento de prejuízos não pode ser considerado um benefício fiscal, mas tãosomente nas situações que se dirijam a atividades específicas em que se permite um tratamento mais benéfico, com o aproveitamento integral (enquanto os outros contribuintes têm a “trava”). Posto de outra forma, decorre de decisão em sede política tributária e econômica que a legislação tributária permita a dedução de prejuízos, mas isto por uma lógica econômica de formação de capital, e não simplesmente por uma lógica contábil. A lógica econômica é que a dedução de prejuízo na verdade implica em um alongamento do período de apuração, permitindo que a empresa se recupere de períodos sem lucro (como é típico do início das atividades, em face de perspectivas futuras). Em suma, a dedutibilidade do prejuízo, embora impacte a base de cálculo do imposto de renda, é matéria legal, não se contrapondo a princípios constitucionais que informam a matéria tributária, como entende a I. Relatora. A lei pode tanto impedir totalmente o aproveitamento do prejuízo, como, de fato, fazia por volta de 68 anos atrás para pessoas jurídicas em geral e assim o faz até hoje, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido ou pelo Simples. Por outro lado, a lei pode permitir o aproveitamento integral, como faz para algumas atividades, como pode impor limites temporais (como fazia até pouco tempo) ou quantitativos (como o faz atualmente), sem que possa ser considerada violadora de qualquer princípio ou regra constitucional. [...] Na concepção da Recorrente, impedir a compensação integral afronta o conceito de renda, resultando na tributação do patrimônio da empresa. Ocorre que somente é possível cogitar de alteração dos conceitos de renda ou lucro sob a premissa, antes afastada, de comunicação entre os períodos de apuração. E nada, na legislação comercial ou fiscal, autoriza a conclusão de que somente há renda passível de tributação depois de totalmente absorvidos os prejuízos e bases negativas acumulados. A incidência de tributos sobre lucro subsistente, após a compensação de prejuízos ou bases negativas com observância dos limites legais, não pode ser analisada em conjunto com os saldos deficitários remanescentes de períodos anteriores. O acréscimo patrimonial é Fl. 505DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 506 29 evidenciado pela apuração do lucro em observância às normas legais que definem, dentre outros aspectos, o período de sua determinação. Vejase que não se trata, aqui, da escolha aleatória de uma base de cálculo para incidência tributária. A renda da pessoa jurídica corresponde ao lucro contábil ajustado, apurado em um determinado período, e a discussão cingese aos efeitos da restrição imposta por lei ao benefício fiscal de compensação de prejuízos e bases negativas de períodos anteriores. Há, portanto, uma base de cálculo que revela a capacidade contributiva do sujeito passivo e evidencia a impropriedade da argumentação cujo objetivo é, em verdade, ampliar a benesse fiscal que não será usufruída em razão de decisões gerenciais de descontinuar a atividade da pessoa jurídica ou exercêlas em nome de sucessora. Acerca da repercussão destas decisões empresariais é oportuno transcrever as razões de decidir expostas pelo Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida no voto condutor do Acórdão nº 1201001.190: Esta Turma já firmou entendimento no sentido de que o limite de 30% deve ser observado sem exceções, inclusive nas hipóteses de incorporação, como ocorre no caso sob análise, de modo que não deve ser aceita a compensação do prejuízo fiscal com o lucro real apurado no anocalendário de 2008, nem tampouco a compensação ilimitada das bases negativas da CSLL, nos moldes do que já se decidiu em 1ª instância. Igual raciocínio é adotado em praticamente todas as Turmas deste Conselho, razão pela qual, na esteira da posição que já abracei em julgamentos anteriores, mantenho o entendimento de que a trava dos 30% deva também ser aplicada nos casos de incorporação, como ocorre no presente processo. Isso porque a limitação prevista em lei é de natureza cronológica, pois se refere ao resultado de cada anocalendário apurado pelos contribuintes. Certamente quis o legislador evitar que as empresas, ao compensarem integralmente os prejuízos de exercícios anteriores, simplesmente deixassem de recolher aos cofres públicos qualquer valor, o que traria graves impactos ao orçamento. Com efeito, apurar lucro tributável no exercício, mas deixar de pagar um centavo sequer ao Estado configura, em meu sentir, ofensa ao princípio da igualdade, pois tal benefício não é facultado aos demais contribuintes, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas submetidas ao lucro presumido, por exemplo. Embora a sistemática do lucro real permita o reconhecimento e o aproveitamento de resultados negativos, o legislador decidiu, por razões de política fiscal e econômica, limitar as compensações, no intuito de garantir um mínimo de recursos oriundos das grandes empresas. E é justamente no âmbito das grandes empresas que costumam ocorrer as incorporações, como resultado das conhecidas reorganizações societárias. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 507 30 Ora, se a decisão de adquirir ou incorporar empresas é nitidamente privada, como corolário do princípio da autonomia da vontade, cabe a cada empresário considerar, em seu planejamento, o momento adequado de promover tais medidas, respeitando as regras e os efeitos tributários da sua deliberação. A decisão pela incorporação automaticamente fulminou o critério temporal da norma, pois para a empresa incorporada não haverá novo exercício. Como não existirão resultados futuros também não haverá espaço para compensação. Conquanto se possa argumentar que, justamente em razão disso seria o momento da incorporação aquele adequado para o aproveitamento integral dos prejuízos acumulados, entendo em sentido contrário, até porque inexiste comando autorizador para tal medida. Ressaltese que a incorporação é decisão livre e unilateral da empresa, que deve avaliar o momento mais adequado e sopesar os seus diversos efeitos, inclusive os de natureza tributária. Nesse sentido, pelos fundamentos apresentados e pela ausência de previsão legal para a espécie, entendo que não assiste razão à Recorrente. Em acréscimo, são pertinentes as razões de decidir expostas no voto condutor do Acórdão nº 9101001.760, de lavra do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão: O quarto argumento sobre o qual se firma a outra posição é de que sem se aproveitar o prejuízo do período anterior estarseia tributando o patrimônio, o qual é corroborado pela citação de renomados autores, trazidos no voto, e em memoriais. Com a devida vênia, contudo, este argumento também não procede, e o contraargumento aqui é singelo. A distinção feita pela I. Relatora é meramente econômica, e não jurídica. Do ponto de vista econômico, mesmo um tributo indireto (como IPI e ICMS) atinge o patrimônio, pois se não fosse cobrado resultaria em patrimônio maior após a operação (tanto do contribuinte de fato quanto do contribuinte de direito). A análise da repercussão da aplicação da norma tributária, indubitavelmente direito de sobreposição, indica que ela se destaca do substrato ao qual se dirige, pois a norma elege algumas expressões econômicas para tributar, e o fato de que estes fenômenos econômicos estão interligados não invalida a incidência. O fato gerador do imposto de renda é a variação patrimonial positiva calculada de acordo com a norma tributária, e o fato de se apoiar em substrato normativocontábil, não transmuta a norma tributária em norma contábil. Tributos sobre o patrimônio têm incidência instantânea, com comandos normativos do tipo "o fato gerador é a propriedade de bens do tipo X na data Y", e "o contribuinte é o proprietário". É fato que o Imposto de Renda, o IPI, o ICMS, o PIS/COFINS afetem o patrimônio disponível do contribuinte, mas não transforma essas exações fiscais em tributos incidentes sobre o patrimônio, embora, repisese, a sua cobrança altere o patrimônio dos contribuintes (de fato e de direito). Quando a legislação do Imposto de Renda limita deduções ela afeta a renda Fl. 507DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 508 31 tributável e, por conseguinte, o patrimônio, mas não pode ser considerada inconstitucional por isto. Isto é da natureza da metodologia do tipo tributário do imposto de renda. Como foi dito, o que a Constituição veda é tributar a não renda. Dado isto, como calcular a renda tributável até o limite da variação patrimonial positiva é matéria de lei.13 Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa prejuízo.14 Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercício posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Tratase de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. Assim, discordo da conclusão esposada no voto da I. Relatora, de que “antecipase o tributo, mas temse em contrapartida, um direito que permanece no ativo da empresa”, por dois motivos fundamentais: 13 Não faz parte da presente discussão, mas convém deixar claro que a lei que disciplina a cobrança do imposto de renda está sujeita aos princípios constitucionais limitadores da tributação, como a irretroatividade, o não confisco (e.g., uma alíquota muito alta do imposto de renda pode ser considerada confiscatória pelo STF), etc. (nota do original) 14 Não é por outro motivo que o Decretolei nº 2.341/87, vedou o aproveitamento de prejuízos fiscais da sucedida pela pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão. A distorção provocada pela patrimonialização dos prejuízos fez com que, literalmente, o prejuízo fosse visto como um ativo, o que degenerou em planejamento tributário abusivo, o qual foi coibido pela norma antielisiva espeífica contida no dispositivo citado. (nota do original) Fl. 508DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 509 32 em primeiro lugar, não houve no caso antecipação de tributo, visto que os fatos geradores (renda auferida nos períodos de apuração de existência da pessoa jurídica, devidamente apurada nos termos da legislação) efetivamente ocorreram e, assim, os tributos eventualmente recolhidos nesses períodos não corresponderam a antecipações; e em segundo lugar, porque – em que pese exclusivamente para fins de informação contábil – tenha sido registrado um ativo, juridicamente ele não representa um direito, mas uma mera expectativa de direito. Quanto à natureza jurídica do ativo acima citado, basta referir que sua utilização está pendente de condição (evento futuro e incerto), ou seja, está pendente da ocorrência de eventual lucro futuro a ser tributado que, somente então, poderia ser compensado com os prejuízos fiscais acumulados, respeitados os limites impostos pela legislação. Ora, um mero contraexemplo esclarece a questão: se uma pessoa jurídica com prejuízos fiscais acumulados nunca vier a ter lucros e, supervenientemente, for extinta, não haverá qualquer possibilidade de aproveitamento do pretenso direito, justamente porque nunca teria ocorrido o fato que poderia incorporálo definitivamente ao patrimônio jurídico da entidade. Para afastar confusões de conceitos, é mister colocar aqui que o conceito contábil de ativo não se confunde com o conceito jurídico de direito, isso porque a informação dada ao usuário da contabilidade – preferencialmente o acionista – é prospectiva e, coerentemente, o conceito contábil de ativo está calcado na “probabilidade de benefícios futuros”, conforme definido na estrutura conceitual da contabilidade (Resolução CFC Nº 1.121 de 28/03/2008): 49. Os elementos diretamente relacionados com a mensuração da posição patrimonial e financeira são os ativos, os passivos e o patrimônio líquido. Estes são definidos como segue: (a) Ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual se espera que fluam futuros benefícios econômicos para a entidade; Se não se pode considerar o surgimento de um ativo baseado nessa probabilidade para tributação da renda, também não se pode afirmar a existência desse ativo para fins de sua posterior dedução. (grifouse) Por fim, é oportuno também ponderar que, se quisesse o legislador ressalvar a possibilidade de, na incorporação, fusão ou cisão, permitir a compensação integral, teria feito de forma expressa, como o fez por ocasião do artigo 1º da Lei nº 9.065, de 1995, em relação às empresas inseridas no Befiex. Assim, conforme exposto, inexiste fundamentação legal que autorize este colegiado a afastar os artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, do presente caso. Dessa forma, votase por NEGAR provimento ao recurso especial da Contribuinte. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 510 33 Juros de mora sobre multa de ofício Em recente julgado proferi meu voto no sentido de afirmar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdão 9101002.349, de 14/06/2016), o qual foi ratificado pela maioria dos Conselheiros da 1ª Turma da CSRF, conforme razões que reafirmo a seguir. A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu artigo 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa Selic. Vejase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (Grifei) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Grifei) Ora, dos artigos 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (Grifei) Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de Fl. 510DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 511 34 ofício proporcional lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no artigo 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1996. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do artigo 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, como sustenta a recorrente, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, no voto condutor do Acórdão nº 1401001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Além disso, o CTN claramente permite a aplicação de juros sobre "crédito", conceito no qual se insere a multa de ofício. O artigo 161, caput, do Código, estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do artigo 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os artigos 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária, que evidentemente inclui a multa de ofício proporcional, é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Adotando estas premissas, o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa também concluiu, no voto condutor do Acórdão nº 220101.630, que, se o artigo 113 do CTN incorpora à obrigação principal o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e o artigo 139 do CTN estipula que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, é evidente que a penalidade pecuniária integra o conceito de crédito tributário. Em acréscimo, o Conselheiro expõe que: Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso Fl. 511DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 512 35 especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. [...] Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a Fl. 512DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 513 36 legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Corroborando o entendimento de que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis, em 1/9/2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº 1.129.990/PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o artigo 161 do CTN em conjunto com os artigos 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o artigo 161 do CTN, ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Este foi, aliás, o entendimento da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, de 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (Grifei) Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para Fl. 513DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 514 37 compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento." (Grifei) No âmbito do CARF, cumpre esclarecer que a alegação da recorrente de que o entendimento exposto pelo Acórdão nº 140100.155, da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, citado pelo acórdão recorrido, teria sido superado pelo acórdão paradigma nº 9202 002.600, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, é equivocado. A bem da verdade, quanto à incidência de juros sobre multa, tem prevalecido na 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento firmado pelo Acórdão nº 140100.155 e pelo acórdão recorrido. Em julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Portanto, não assiste razão à Contribuinte quando afirma que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício não encontra respaldo na legislação. Como se viu, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício decorrem da lei. A recorrente afirma que o § 1º do artigo 161 do CTN dá margem para o afastamento da aplicação dos juros de mora se a lei dispuser de modo diverso do ali previsto. Nesse ponto, transcreve o artigo 84 da Lei nº 8.981, de 1995, na tentativa de demonstrar que a lei dispôs de modo diverso, já que, no seu entendimento, prevê que "os juros de mora incidirão exclusivamente sobre os tributos e contribuições sociais". Em primeiro lugar, conforme razões expostas acima, tanto o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, quanto o caput do artigo 161 do CTN são suficientes para determinar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Ainda que a lei referida pela recorrente diga respeito a "tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal", a Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a aplicação de juros de mora sobre todos os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB. Em segundo lugar, cumpre esclarecer que o § 1º do artigo 161 deve, logicamente, ser interpretado à luz de seu caput, que, conforme já exposto acima, estabelece, sem exceção, que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de Fl. 514DF CARF MF Processo nº 19515.001969/201014 Acórdão n.º 9101003.111 CSRFT1 Fl. 515 38 mora". Diante do previsto no caput, o parágrafo em tela complementao, estabelecendo que os juros deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso. Ou seja, o parágrafo primeiro destinase a definir o percentual de juros a ser aplicado sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, podendo a lei dispor de forma diversa quanto a esse percentual. Assim, é esse parágrafo que permite que a Lei nº 9.430, de 1996, estabeleça a incidência de juros com base na taxa Selic, como se verá a seguir. Conforme o antes transcrito § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável ao débitos de que aqui se trata, aí incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Concluise, portanto, que a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora calculado com base na taxa SELIC por força do disposto no art. 61, caput e §3º da Lei nº 9.430, de 1996. Pelo exposto, votase no sentido de manter a aplicação dos juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de ofício, negando provimento ao recurso do contribuinte também no que diz respeito a este tema. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 515DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12719.001862/2009-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 14/09/2005 a 02/11/2006
DRAWBACK.FALTADECOMPROVAÇÃODOADIMPLEMENTO.
Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime.
Numero da decisão: 9303-005.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 14/09/2005 a 02/11/2006 DRAWBACK.FALTADECOMPROVAÇÃODOADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12719.001862/2009-99
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805530
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.862
nome_arquivo_s : Decisao_12719001862200999.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 12719001862200999_5805530.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
id : 7048321
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733460656128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1536; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12719.001862/200999 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.862 – 3ª Turma Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO DRAWBACK Recorrente AGROVÊNETO S.A. INDÚSTRIA DE ALIMENTOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 14/09/2005 a 02/11/2006 DRAWBACK.FALTADECOMPROVAÇÃODOADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 71 9. 00 18 62 /2 00 9- 99 Fl. 2607DF CARF MF Processo nº 12719.001862/200999 Acórdão n.º 9303005.862 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.415, de 20 de agosto de 2013 (efolhas 2.523 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 14/09/2005 a 02/11/2006 DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente podem ser aceitos para comprovar o efetivo cumprimento dos requisitos exigidos pelo regime aduaneiro especial de drawback suspensão registros de exportação (RE) devidamente vinculados ao ato concessório (AC) que o ampare. A inexistência dessa vinculação rende ensejo ao lançamento de ofício para a exigência dos tributos indevidamente suspensos. Recurso negado. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 2.539 e segs) gira em torno da repercussão jurídica dos equívocos praticados pelo importador no preenchimento dos Registros de Exportação, especificamente quanto ao enquadramento da operação e/ou vinculação do RE ao AC. A recorrente defende que tais irregularidades formais não são suficientes para que se considere inadimplido o regime aduaneiro especial de Drawback. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 2.596 e segs. Contrarrazões da Procuradoria às efolhas 2.600 e segs. Requer o não conhecimento do recurso e, no mérito, que se lhe negue provimento. É o Relatório. Fl. 2608DF CARF MF Processo nº 12719.001862/200999 Acórdão n.º 9303005.862 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial O exame de admissibilidade é irretocável. O recurso foi apresentado dentro do prazo legal. Dele tomo conhecimento. Mérito Analisemos as alegações da recorrente à luz das particularidades do regime e da legislação que regulamenta sua concessão e as condições de adimplemento da obrigação que lhe confere condição de eficácia. O regime especial de Drawback, modalidade suspensão, está previsto no inciso II do art.78 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, c/c o art.1º, inciso I, da Lei n.° 8.402/92. Ele oferece a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de insumos, mediante compromisso do importador e beneficiário do regime de aplicálos na fabricação de produtos destinados à exportação, nas condições e prazos firmados pela contribuinte e que passam a compor o correspondente Ato Concessório expedido pela SECEX, verbis: Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição,total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento,ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada Fl. 2609DF CARF MF Processo nº 12719.001862/200999 Acórdão n.º 9303005.862 CSRFT3 Fl. 5 4 no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (Vide Lei nº8.402,de 1992) (...) Na modalidade suspensiva, o Regime permite à contribuinte importar insumos com suspensão dos tributos incidentes na importação, com o compromisso firmado de, em certo prazo e condições, utilizálos no beneficiamento ou industrialização de produtos e efetivamente reexportálos. Cumprido esse compromisso aquela suspensão inicial dos tributos é convertida em uma isenção. Tratandose de uma isenção condicionada, portanto, reclama a aplicação dos art.111, 155 e 179 do CTN, in verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa,em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (...) §2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor,cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: (...) Fl. 2610DF CARF MF Processo nº 12719.001862/200999 Acórdão n.º 9303005.862 CSRFT3 Fl. 6 5 Pois bem, o Registro de Exportação é o documento que comprova a exportação vinculada ao regime drawback e, por conseguinte, tanto o correto enquadramento do tipo de regime quanto a sua vinculação ao Ato Concessório são obrigações acessórias inerentes ao cumprimento do regime. Não havendo vinculação entre os Registros de Exportação apresentados e o citado Ato Concessório, resta evidenciado que a contribuinte infringiu ao disposto no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº. 91.030/85, vigente à época de ocorrência dos respectivos fatos geradores, in verbis: Art.325 – A utilização do benefício previsto neste Capítulo será anotada no documento comprobatório da exportação. Além disso, o Registro de Exportação que não contenha ou que contenha de forma inexata informação relativa ao código da operação de Drawback também não faz prova do cumprimento do regime. Este entendimento tem como pressuposto o fato de que a indicação de um código de operação diverso ao regime Drawback e/ou a falta da indicação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação impedem o controle na utilização dos benefícios fiscais inerentes ao regime. Nesse sentido, confiramse as disposições normativas: Portaria Secex nº 14, de 17 de novembro de 20041: Art. 141. As DI e os RE indicados no módulo específico Drawback do SISCOMEX deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de comprovação. Em simples leitura da regulamentação, verificase a necessidade de constar nesses documentos eletrônicos (Registros de Exportação) o correto enquadramento da operação e também a sua vinculação ao Ato Concessório. Sem a devida averbação de tais dados no Registro de Exportação não há como o Fisco controlar a adimplemento do regime aduaneiro especial de drawback. O ônus probatório é da contribuinte. Cabe a ele comprovar que o Registro de Exportação está corretamente preenchido e devidamente vinculado aos respectivos Atos Concessórios. Ademais, o despacho de exportação é a oportunidade que a contribuinte tem de apresentar à autoridade alfandegária os produtos que estão sendo exportados com aproveitamento dos bens beneficiados com o tratamento fiscal do drawback e, desse modo, comprovar o cumprimento da condição suspensiva. E nesse momento, com base nas informações prestadas pela contribuinte no Registro de Exportação é que a Aduana vai Fl. 2611DF CARF MF Processo nº 12719.001862/200999 Acórdão n.º 9303005.862 CSRFT3 Fl. 7 6 inspecionar os produtos e, a partir dessa inspeção, manifestar sua anuência sobre a comprovação aqui em discussão. Se a contribuinte não informa corretamente à Aduana que são exportações decorrentes de regime drawback, elas não recebem o correspondente e necessário procedimento de verificação. Como se vê, a informação inexata nos Registros de Exportação não significa “mero” erro formal, como deseja crer a Recorrente, mas subtração da condição de verificação para se concluir pela extinção da obrigação tributária. Esses "erros de preenchimento" dos Registros de Exportação praticados pela contribuinte, na verdade, mascaram as correspondentes operações de exportação. De todo o exposto, constatase que é da contribuinte a obrigação de comprovar o integral cumprimento das exportações para se beneficiar do referido benefício fiscal. No meu entender, a autuada não obteve esse êxito, além de adotar procedimentos que dificultaram o controle das operações decorrentes da adoção do Drawback Suspensão, como ficou exaustivamente demonstrado no lançamento fiscal. Ressalto que este colegiado, embora utilizando de fundamentação discretamente diferente, também já decidiu nesse sentido.Transcrevese abaixo a ementa do Acórdão nº 9303003.850, de 17/05/2016, da relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: ASSUNTO:REGIMES ADUANEIROS Período de apuração:23/01/2007 a 12/12/2007 Data do fato gerador:16/07/1996 (...) DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de Drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 1 Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 03 e 04, informa que o Ato Concessório 20040299244, é de 30/11/2004. Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 12719.001862/200999 Acórdão n.º 9303005.862 CSRFT3 Fl. 8 7 Com base nessas premissas, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 2613DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.907141/2011-79
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
O julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa, quando restar desnecessária a realização de diligência para elucidação dos fatos.
IPI. CRÉDITOS DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS COM SAÍDAS IMUNES EM RAZÃO DA ALÍNEA D DO INCISO "VI" DO ARTIGO 150 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPROCEDÊNCIA.
A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do prescrito na alínea d do inciso VI do artigo da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não produz crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei 9.779 de 1999 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação.
INCLUSÃO NO SALDO CREDOR TRIMESTRAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços estarem catalogados na legislação específica como prestação de serviço. É suficiente a caracterização da operação como de industrialização, dentre as modalidades descritas no decreto regulamentador do tributo em causa, para que seja tomada a operação como tal, pois a incidência de tributo de competência municipal não tem o condão de exclui a incidência do referido tributo federal.
Entretanto, a atividade econômica que demande a emissão de notas fiscais de saída, exclusivamente, de prestação de serviços, não implica no direito de incluir o IPI do cômputo do saldo credor trimestral, ainda que na respectiva operação se constate o consumo de matéria-prima, produtos intermediário e material de embalagem tributados pelo referido tributo de competência federal.
Numero da decisão: 3001-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. O julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa, quando restar desnecessária a realização de diligência para elucidação dos fatos. IPI. CRÉDITOS DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS COM SAÍDAS IMUNES EM RAZÃO DA ALÍNEA D DO INCISO "VI" DO ARTIGO 150 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPROCEDÊNCIA. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do prescrito na alínea d do inciso VI do artigo da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não produz crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei 9.779 de 1999 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. INCLUSÃO NO SALDO CREDOR TRIMESTRAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços estarem catalogados na legislação específica como prestação de serviço. É suficiente a caracterização da operação como de industrialização, dentre as modalidades descritas no decreto regulamentador do tributo em causa, para que seja tomada a operação como tal, pois a incidência de tributo de competência municipal não tem o condão de exclui a incidência do referido tributo federal. Entretanto, a atividade econômica que demande a emissão de notas fiscais de saída, exclusivamente, de prestação de serviços, não implica no direito de incluir o IPI do cômputo do saldo credor trimestral, ainda que na respectiva operação se constate o consumo de matéria-prima, produtos intermediário e material de embalagem tributados pelo referido tributo de competência federal.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13603.907141/2011-79
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801232
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3001-000.049
nome_arquivo_s : Decisao_13603907141201179.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
nome_arquivo_pdf_s : 13603907141201179_5801232.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
id : 7024069
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733475336192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2227; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 687 1 686 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.907141/201179 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.049 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de outubro de 2017 Matéria DCOMP ELETRÔNICO RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente GRÁFICA E EDITORA DEL REY INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. O julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa, quando restar desnecessária a realização de diligência para elucidação dos fatos. IPI. CRÉDITOS DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS COM SAÍDAS IMUNES EM RAZÃO DA ALÍNEA “D” DO INCISO "VI" DO ARTIGO 150 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPROCEDÊNCIA. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do prescrito na alínea “d” do inciso VI do artigo da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não produz crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei 9.779 de 1999 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. INCLUSÃO NO SALDO CREDOR TRIMESTRAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços estarem catalogados na legislação específica como prestação de serviço. É suficiente a caracterização da operação como de industrialização, dentre as modalidades descritas no decreto regulamentador do tributo em causa, para que seja tomada a operação como tal, pois a incidência de tributo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 71 41 /2 01 1- 79 Fl. 687DF CARF MF 2 competência municipal não tem o condão de exclui a incidência do referido tributo federal. Entretanto, a atividade econômica que demande a emissão de notas fiscais de saída, exclusivamente, de prestação de serviços, não implica no direito de incluir o IPI do cômputo do saldo credor trimestral, ainda que na respectiva operação se constate o consumo de matériaprima, produtos intermediário e material de embalagem tributados pelo referido tributo de competência federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 656 a 684) interposto contra o Acórdão 0956.455, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG DRJ/JFA, na sessão de julgamento realizada em 23.01.2015 (fls. 629 a 648), que deferiu, em parte, a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, para reconhecer como saldo credor do trimestre a quantia de R$ 32.980,12. Tendo em vista que no Despacho Decisório já foi reconhecido ao contribuinte o saldo credor de R$ 28.406,46. Do Pedido de Ressarcimento O requerente, por meio dos "Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação" PER 00092.04799.300410.1.5.010061, referente ao 1º trimestre de 2009, calculado segundo o artigo 11 da Lei 9.779 de 19.01.1999, solicitou o ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Vinculou ao citado ressarcimento, a Declaração Eletrônica de Compensação DCOMP 07999.75212.300709.1.3.019812 (fls. 02 a 35). Do Despacho Decisório Em face do referido pedido, foi exarado o despacho decisório Número de Rastreamento 024896114: (...) 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 69.066,44 Fl. 688DF CARF MF Processo nº 13603.907141/201179 Acórdão n.º 3001000.049 S3C0T1 Fl. 688 3 Valor do crédito reconhecido: R$ 28.406,46 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 07999.75212.300709.1.3.019812 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 00092.04799.300410.1.5.010061 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/07/2012. PRINCIPAL MULTA JUROS 39.172,62 7.834,52 11.524,58 Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. (...) Da Manifestação de Inconformidade Diante da decisão supra, o contribuinte apresentou, em 07.08.2012, manifestação de inconformidade (fls. 37 a 53) para aduzir, para que se: a) reconhecesse o direito do manifestante de apurar e aproveitar os créditos de IPI, decorrentes de aquisições de insumos empregados na elaboração de produtos amparados pela imunidade fiscal, homologandose, integralmente, os Pedidos de Restituição/Compensações PERD/COMP's; ou noutra hipótese, para que se: Fl. 689DF CARF MF 4 b) determinasse a inclusão na base de cálculo do percentual da glosa, as Receitas de Serviços e as Receitas de Beneficiamento; c) estabelecesse o percentual da glosa com base somente nas Receitas do mesmo mês do crédito e não média dos meses anteriores, como foi efetuado; d) retificasse na planilha em que estão relacionados os valores totais dos créditos de IPI, para constar os valores do Livro de Apuração do IPI, referente aos meses de fevereiro e março de 2010; e) excluísse da glosa os créditos de IPI sobre a compra de papel comercial, que é empregado no processo produtivo de produtos não imunes, já que a Manifestante provou a aquisição de papel imune para a produção dos livros; e f) retificasse o valor do saldo devedor e acessórios (multa e juros), de acordo com as planilhas ora apresentadas, ou de acordo com novos cálculos que deveriam ser efetuados pela auditoria fiscal, com a observância das alíneas "b" a "e", supra. g) dentro do princípio do contraditório e da ampla defesa, se acatasse o pedido de deferimento de todos os meios de prova, especialmente a juntada de documentos, perícia contábil e outras provas que se fizessem necessárias à elucidação do feito. Para tanto, indicou assistente técnico para acompanhamento da perícia; requereu sua intimação da data e do local da realização dos trabalhos periciais e elaborou os seguintes quesitos: 1) Queira o D. Perito informar, se no desenvolvimento de suas atividades sociais, a Manifestante promove a industrialização de livros, revistas, periódicos, jornais e outras atividade contempladas pela imunidade fiscal, conforme a Constituição Federal? 2) Se positiva a resposta anterior, a Manifestante adquire matériaprima, produtos intermediário, material de embalagem tributados com o IPI e utilizados no processo produtivo de produtos imunes, gerando assim créditos de IPI? 3) As Receitas de Serviços e as Receitas de Beneficiamento foram incluídas na base de cálculo do percentual da glosa? 4) O percentual da glosa foi apurado mês a mês, de acordo com as receitas no mesmo mês do crédito? Ou, foi apurado pela média dos meses anteriores? Existe diferença entre estes dois métodos de apuração do percentual da glosa? 5) Existe divergência entre os valores consignados na planilha onde estão relacionados os valores totais dos créditos de IPI (elaborada pela Auditora Fiscal) e os valores lançados no Livro de Apuração de IPI, referentes aos meses de fevereiro e março de 2010? 6) A Impugnante adquire papel "linha d'água" (sem a tributação de IPI)? Se positiva a resposta, esse papel é declarado em DIF entregue à SRF, bem como consta do SINTEGRA? O referido papel é utilizado no processo produtivo de produtos imunes? 7) A D. Auditora incluiu na glosa os créditos de IPI decorrentes da aquisição de papel comercial utilizado no processo produtivo de produtos não imunes? 8) As planilhas apresentadas pela Manifestante anexas à Manifestação de Inconformidade, estão corretas? Se estão, qual é o valor real e correto da glosa? Fl. 690DF CARF MF Processo nº 13603.907141/201179 Acórdão n.º 3001000.049 S3C0T1 Fl. 689 5 9) Caso o D. Perito não concorde com as planilhas apresentadas pela Manifestara (sic), queira retificar os cálculos apurados pela Ilustre Auditora, efetuandose as retificações e exclusões pertinentes. Do Despacho de Diligência da 1ª Instância Frente aos argumentos trazidos pelo contribuinte com a apresentação da manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/JFA, por entender que deveriam ser verificadas algumas questões específicas, encaminhou, por meio do Despacho 55 de 02.10.2013, os autos para a SAFIS/DRF/CONTAGEM/MG, para que fossem elucidadas as seguintes dúvidas (fls. 394 a 397): 1) se o contribuinte adquiria realmente papéis com imunidade de IPI e os empregava corretamente na elaboração de livros. Se verdadeira a afirmação do contribuinte nesse sentido, deveriam ser excluídas da proporcionalização prevista no artigo 3º da IN SRF 33 de 04.03.1999, as receitas decorrentes da venda de livros; 2) se de fato houve divergências na apuração de créditos, nos meses de fevereiro e março de 2010, entre o RAIPI e a planilha de cálculo elaborada pela fiscalização, adotandose, justificadamente, o valor correto a se considerar; 3) se houve eventual aproveitamento de créditos sobre receitas de prestação de serviços. Se quando do exercício de tal atividade foi empregado insumo sobre o qual incidiu o IPI, excluir o tributo do cômputo do saldo credor trimestral. Do Termo de Diligência da 1ª Instância Em atenção à solicitação supra, a DRF/CONMG procedeu à diligência requerida e elaborou o respectivo Termo de Diligência Fiscal (fls. 608 a 613). Do Aditamento da Manifestação de Inconformidade Cientificada do resultado da diligência fiscal, o contribuinte apresentou razões de defesa adicionais (fls. 614 a 626), em síntese, para: 1) alegar o direito ao crédito de IPI incidente sobre os insumos utilizados na confecção de livros, cuja saída esteja amparada pela imunidade tributária; 2) solicitar a inclusão de créditos de IPI sobre insumos utilizados na prestação de serviços; 3) solicitar a retificação do saldo devedor, valor principal mais os acessórios (multa e juros), de acordo com os novos cálculos que deverão ser efetuados pela auditoria; 4) ratificar, segundo os mesmos argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade, o pedido de deferimento de todos os meios de prova, especialmente a juntada de documentos, perícia contábil e outras provas que se fizerem necessárias à elucidação do feito. Da Decisão de 1ª Instância Fl. 691DF CARF MF 6 Sobreveio a decisão contida no voto condutor do referido acórdão vergastado, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão proferida pela autoridade administrativa na repartição de origem. Cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITOS DE IPI. LEI Nº 9.779, DE 1999/IN SRF Nº 33, DE 1999. Tendo em vista o Preâmbulo da IN SRF nº 33, de 04/03/1999, que consignava regulamentação de matérias relativas ao art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, e aos arts. 178 e 179 do Decreto nº 2.637, de 25/06/1998 RIPI/1998, é de se concluir que o aproveitamento de créditos sobre insumos empregados em produtos tributados diz respeito ao art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, enquanto o aproveitamento de créditos sobre insumos empregados em produtos imunes é decorrência de regulamentação de incentivos fiscais à exportação tratados nos arts. 178 e 179 do RIPI/2002. Surge desta regulamentação a inserção da expressão “inclusive imunes” no art. 4º da IN SRF nº 33, de 1999. CRÉDITOS DE IPI. PRODUTOS NT. Não representa inovação à legislação do IPI o art. 4º da IN SRF nº 33, de 1999, pois a elaboração de produtos não tributados e de produtos originalmente imunes (livros, jornais e periódicos) não conferem direito ao crédito de IPI. IPI. ISQN. EXISTÊNCIA CONCOMITANTE. Não se deduz do fato de pagar ISSQN o pagamento obrigatório do IPI. Um não exclui o outro, mas não são necessariamente conseqüentes. Podese pagar ISSQN sem pagar o IPI. Aquele que apenas cumpre obrigações relativas ao ISSQN, como a emissão pura e simples de notas fiscais de prestação de serviços, é devedor do ISSQN, porém não é contribuinte do IPI, portanto, não faz jus a créditos do imposto nessas operações de prestação de serviços. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E INDUSTRIALIZAÇÃO. É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços estarem catalogados na legislação específica como prestação de serviço. Basta que se caracterize a operação como de industrialização dentre as modalidades descritas no art. 4º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI), para que seja tomada a operação como de industrialização, pois a incidência do ISS não exclui a do IPI. Entretanto, a atividade econômica que demande a emissão de notas fiscais de saída, exclusivamente de prestação de serviços, não implica, ainda que se consuma na execução dos serviços ali discriminados, matériasprimas e produtos intermediários, o direito ao crédito de IPI. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 13603.907141/201179 Acórdão n.º 3001000.049 S3C0T1 Fl. 690 7 CRÉDITOS DE IPI. SEGREGAÇÃO. PRODUTO ISENTO. PRODUTO IMUNE. É lícita a separação entre os insumos utilizados em produtos imunes (não tributados) e produtos tributados, tomandose como referência o valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, conforme determina a legislação de regência. IN SRF nº 33, de 1999, art. 3º. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 ADI Nº 5, DE 2006 O dispositivo interpretativo não extrapolou normas, não foi além da atividade regimental da SRF. Tãosomente, usando das atribuições que lhe são próprias, a SRF afastou conclusões equivocadas que pareciam emergir do texto da IN SRF nº 33, de 1999. Não se criou norma contrária ao art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, ou ao texto constitucional. Com o ADI nº 5, de 2006, expedido pela autoridade superior da SRF, foi solucionada a interpretação conflitante com as normas legais vigentes, expressas em soluções de consulta, emanadas de unidades regionais da SRF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 LEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE. As discussões a respeito de legalidade ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos não serão travadas na esfera administrativa. Cumpre a função o Poder Judiciário, a quem a Constituição Federal atribuiu tal competência (art. 59 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2001). DILIGÊNCIA/PERÍCIA/FORMAÇÃO DE PROVAS. Quando a diligência requerida pela Delegacia de Julgamento e solucionada pela Delegacia da Receita Federal jurisdicionante do contribuinte foi suficiente para elucidar os pontos controversos encontrados no autos, tornando possível a análise da manifestação de inconformidade e, conseqüentemente, a solução do litígio, rejeitamse as petições pela formação de novas provas, perícia contábil, pois que elas não se mostram necessárias. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Do Recurso Voluntário Fl. 693DF CARF MF 8 Irresignado ainda com o feito, o requerente interpôs recurso voluntário, repisando, em essência, as razões trazidas na manifestação de inconformidade. Os tópicos a seguir transcritos confirmam a identidade dos argumentos, vejamos: (...) III.1 PRELIMINARMENTE DO INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL CERCEAMENTO DE DEFESA (...) III.2 NO MÉRITO (...) A DO DIREITO E RECONHECIMENTO DO CRÉDITO DE IPI IMUNIDADE FISCAL (...) B DO ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO Nº5, DE 2006 (...) C DA LEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS E ATOS NORMATIVOS (...) D DA IMPOSSIBILIDADE/ILEGALIDADE DE SEGREGAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES E PRODUTOS TRIBUTADOS (...) E DA IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (...) V DO PEDIDO Por todo o exposto, por tudo que dos autos constam e, ainda, pelos douto e valiosos subsídios que estes D. Conselheiros certamente trarão à espécie, requer a Recorrente, seja acolhida a preliminar arguida, para cassar o v. acórdão recorrido e determinar a realização de perícia contábil, ou noutra hipótese dar provimento ao presente Recurso Voluntário, para reconhecer o direito da Recorrente de aproveitar os créditos de IPI, relativos aos insumos (MP, PI e ME) utilizado na industrialização de produtos imunes, bem como, na prestação de serviços. Reconhecendose, por conseguinte o crédito requerido no PER nº 27710.75628.300410.1.5.017059, homologandose a compensação apresentada no DCOMP nº 08430.02754.300709.1.3.018908. Tudo de conformidade com a Manifestação de Inconformidade que foi apresentada e as razões recursais aqui expostas. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 13603.907141/201179 Acórdão n.º 3001000.049 S3C0T1 Fl. 691 9 É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da Admissibilidade O recurso voluntário, conforme depreendese do carimbo aposto na petição em análise, foi protocolado na DRF/CONMG em 31.03.2015. O contribuinte, conforme Termo de Abertura de Documento (fl. 651), acessou o Acórdão de Manifestação de Inconformidade em 04.03.2015. Portanto, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Prolegômeno O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3001000.046 de 30 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 13603.907138/201155, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3001000.046): "Pedido de Perícia Contábil Do Indeferimento da prova pericial cerceamento de defesa Quanto à realização de perícia contábil para elucidação de fatos, não há dúvida de que o ordenamento jurídico brasileiro, a começar pela Constituição Federal de 1988, consagra o respeito ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, aos litigantes em processo judicial ou administrativo. Isso não significa, entretanto, que toda e qualquer diligência requerida pela parte deva ser automaticamente deferida pelo julgador. A primeira questão a ser analisada diz respeito à nulidade da decisão recorrida alegada pelo fato de ter sido denegada a perícia solicitada. As regras sobre nulidades, no Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), estão contidas basicamente em três artigos, a saber: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 695DF CARF MF 10 §2º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Depreendese que as nulidades absolutas se cingem aos atos com vícios por incapacidade do agente ou que ocasionem cerceamento do direito de defesa. De outra sorte, é de se aplicar o princípio da salvabilidade do processo por medida de economia processual e, por conseguinte, com vantagem ao Erário e ao administrado. No caso vertente, o recorrente pleiteou que fosse realizada perícia, formulando quesitos e indicando assistente técnica, para que fossem verificados “in locu”, os seus produtos industrializados, a fim de demonstrar que se tratavam de produtos industrializados e por ela desenvolvidos sob encomenda de seus clientes. Como a decisão da 3ª Turma da DRJ/JFA entendera prescindível a realização desta providência, por entender que as amostras a que tivera acesso já lhe forneciam os elementos probatórios suficientes à formação da convicção, houve por bem em indeferir sua realização. Diante desta negativa de produzir a prova requerida, o recorrente então arguiu a nulidade da decisão de primeira instância pelo fato de a perícia por ela solicitada haver sido denegada pela autoridade a quo, ocasionando cerceamento de direito de defesa. Ocorre que o deferimento de perícia solicitada pela contribuinte é ato discricionário da autoridade julgadora que poderá indeferila por considerála desnecessária ou prescindível, já que no processo constam todos os elementos necessários para a formação da sua livre convicção de julgador, conforme o artigo 18 do PAF, a seguir transcrito: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferido as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). Assim sendo, não pode ser declarada a nulidade da decisão recorrida, eis que a decisão recorrida fundamentou o indeferimento na prescindibilidade da prova solicitada. E, nesse sentido, já adentrando no requerimento de produção de prova pericial (contábil) ou de conversão do julgamento em diligência, do mesmo modo e pelos mesmos fundamentos adotados pela decisão recorrida, igualmente se entende não seja o caso de renovar a instrução probatória nesses autos, eis que os elementos aqui já colacionados, e que são incontroversos quanto a fatos, já permitem a formação da convicção do julgamento Fl. 696DF CARF MF Processo nº 13603.907141/201179 Acórdão n.º 3001000.049 S3C0T1 Fl. 692 11 em torno das matérias de direito que dos fatos decorrem, pelo que igualmente se indefere tais requerimentos, na certeza que ao assim agir inexiste violação de qualquer direito constitucionalmente assegurado, pois, na espécie não há qualquer questão fática (técnico contábil) que mereça ser dirimida por diligência, mesmo porque aquela que eventualmente poderia suscitar dúvida para este julgador já foi objetivamente elucidada pela instância a quo, ao exarar, em 02.10.2013, o Despacho 52. Rejeito, portanto, o pedido de diligência para a realização de perícia contábil. Do Mérito Do direito e reconhecimento do crédito de IPI imunidade fiscal; Do Ato Declaratório Interpretativo 5 de 2006; e Da impossibilidade/ilegalidade de segregação de produtos imunes e produtos tributados Em síntese, sustenta a recorrente ser improcedente a glosa dos créditos de IPI, referentes aos insumos utilizados na fabricação de produtos imunes. Entende que a imunidade se acha inserida nas situações contempladas com o aproveitamento de crédito acumulado do IPI. Argumenta que o princípio da não cumulatividade impõe a necessidade de manutenção do crédito de IPI na hipótese de operação de saída imune, até para que a própria imunidade não perca a sua finalidade, também, desonerativa. Portanto, conclui que tem direito ao aproveitamento do crédito de IPI oriundos da aquisição de MP, PI e ME, utilizados na industrialização de produtos imunes, razão pela qual requer seja dado provimento ao recurso, para reconhecer seu direito de apurar e aproveitar os créditos de IPI em questão. Neste sentido, aduz que a segregação efetuada pela fiscalização e acatada pelo acórdão recorrido não é legal e nem está correta, vez que afasta o direito creditório que faz jus, em relação ao IPI dos insumos utilizados na industrialização de produtos imunes. Entendeu a autoridade fiscal pela necessidade de estorno de créditos de IPI calculados sobre insumos aplicados na industrialização de produtos com saídas não tributadas (“NT”), em conformidade com o artigo 193 do RIPI/2002 (art. 25, § 3º da Lei 4.502 de 30.11.1964, art. 2º do Decretolei 34 de 18.11.1966, com alteração pelo art. 12 a Lei 7.798 de 10.07.1989, e art. 11 da Lei 9.779 de 19.01.1999). O artigo 193 do Decreto 4.544 de 26.12.2002 dispõe que "Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I relativo a MP, PI e ME, que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados". Ademais, a questão é tratada pela Súmula CARF 20, que dispõe nos seguintes termos: Súmula CARF nº 20. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Como visto antes, a recorrente argumenta que em virtude de os produtos por ela confeccionados não serem “nãotributados”, mas imunes, em decorrência da imunidade objetiva contida na alínea "d" do inciso VI do artigo 150 da Constituição de 1988, referente à Fl. 697DF CARF MF 12 imunidade de livros, jornais, periódicos e do papel destinado à sua impressão, seria possível à manutenção dos referidos créditos. De fato, ao disciplinar o creditamento em relação a insumos utilizados na produção, o artigo 11 da Lei 9.799 de 1999 garantiu o direito a crédito para saídas de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, nada dispondo, no entanto, a respeito da imunidade: Lei 9.779/1999 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. A Instrução Normativa SRF 33 de 04.03.1999, por seu turno, tratou expressamente da possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos a serem aplicados na industrialização de produtos, "(...) inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero" a partir de 1º de janeiro de 1999. Observese que a Receita Federal do Brasil, quase dez anos depois da edição das normas acima transcritas, publicou o Ato Declaratório Interpretativo 6/2008, esclarecendo que o artigo 11 da Lei 9.779 de 1999 não se aplica aos produtos: (i) com a notação “NT” na TIPI, e (ii) aparados por imunidade. Aponta, ainda, o preceptivo, para a exceção: aqueles produtos abrangidos por imunidade técnica, i.e., destinados à exportação, o que não poderia ser diferente, pois a legislação do IPI sempre concedeu, na qualidade de créditos incentivados, o direito dos exportadores de produtos tributados, desonerados do imposto pela imunidade prevista no inciso IV do parágrafo 3º do artigo 153 da CF de 1988, de se creditar do IPI pago na aquisição dos insumos empregados na fabricação dos produtos exportados e, no caso do montante de tais créditos excederem os débitos do imposto, possibilitar o ressarcimento de tal incentivo. Por este motivo, em 18.04.2006, foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo SRF 5/2006, que dispôs no seguinte sentido: Ato Declaratório Interpretativo SRF 5/2006 Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13603.907141/201179 Acórdão n.º 3001000.049 S3C0T1 Fl. 693 13 Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Não se trata o presente caso, de processo de fabricação de produto com imunidade técnica, destinado à exportação, e muito menos de IPI incidente sobre saída de produto imune, mas, como se esclareceu acima, da possibilidade de creditamento na escrita fiscal sobre insumo destinado a produto imune, o que remete à necessidade de se interpretar e aplicar o artigo 11 da Lei 9.779 de 1999. No sentido de uma aplicação não extensiva da norma em apreço, o quanto decidido no Recurso Especial 1.015.855/SP, de relatoria do Ministro José Delgado, publicado em 30.04.2008: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3º, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA. 1. A impetrante/recorrente, pessoa jurídica de direito privado, tem por objeto social a fabricação e comercialização de calçados e suas partes, peças e componentes, assim como de artigos de vestuário em geral e a prestação de serviços industriais nos dois ramos. Impetrou mandado de segurança com vistas ao aproveitamento (pedido de compensação com tributos de espécies distintas administrados pela Secretaria da Receita Federal, com atualização monetária e juros) do valor pago, a título de IPI, na aquisição de matériasprimas, insumos e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos finais isentos, sujeitos à alíquota zero, nãotributados ou imunes. Fl. 699DF CARF MF 14 2. O apelo não merece ser conhecido em relação à alegação de violação dos arts. 165, I, 168, I, 156, VII, e 150, §§ 1º e 2º, do CTN, pois não estão prequestionados, não tendo sido debatidos nem recebido juízo decisório pelo Tribunal a quo, situação que atrai a incidência da Súmula 282/STF. 3. O aresto recorrido entendeu que não se extrai da hipótese legal (art. 11 da Lei 9.779/99) o direito ao creditamento quando o produto final for imune ou nãotributado, mas apenas quando isento ou tributado à alíquota zero. Ao final, concluiu pelo não provimento da apelação da contribuinte. 4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de nãotributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. 5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional, exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, II). No campo tributário significa que nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei (art. 150, I, CF/88 e 97 do CTN). É o princípio da legalidade estrita. Igual pensamento pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como no presente caso. Não estando inscrito na regra beneficiadora que na saída dos produtos nãotributados ou imunes podem ser aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. 6. O direito tributário, dado o seu caráter excepcional, porque consiste em ingerência no patrimônio do contribuinte, não pode ter seu campo de aplicação estendido, pois todo o processo de interpretação e integração da norma tem seus limites fixados pela legalidade. 7. A interpretação extensiva não pode ser empregada porquanto destinase a permitir a aplicação de uma norma a circunstâncias, fatos e situações que não estão previstos, por entender que a lei teria dito menos do que gostaria. A hipótese dos autos, quanto à pretensão relativa ao aproveitamento de créditos de IPI em relação a produtos finais nãotributados ou imunes, está fora do alcance expresso da lei regedora, não se podendo concluir que o legislador a tenha querido contemplar. 8. A questão relativa à ofensa ao art. 49 do CTN, referente ao direito de aproveitamento integral dos créditos de IPI, conforme defendido pela empresa, não fica dissociada do exame do princípio da nãocumulatividade (art. 153, IV, § 3º da CF/88), impedindo o seu exame nesta via excepcional. 9. Considerando o pedido do mandamus e o teor do art. 11 da Lei 9.779/99, temse a possibilidade de se reconhecer o direito da contribuinte ao aproveitamento de créditos de IPI gerados a partir da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. Observandose a data da impetração (08/01/2004) e a prescrição quinquenal (aplicação do Decreto Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13603.907141/201179 Acórdão n.º 3001000.049 S3C0T1 Fl. 694 15 20.910/32), poderão ser aproveitados os créditos adquiridos desde a data de 08/01/1999. 10. Os posicionamentos do STJ e do STF alinhamse no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. É reconhecida somente quando o aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco, o que se verifica no caso dos autos. Deve ser determinada, portanto, a incidência da Taxa Selic, que engloba atualização monetária e juros, sobre os créditos da recorrente que não puderam ser aproveitados oportunamente. 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para reconhecer, tãosomente, o direito da contribuinte à utilização dos créditos de IPI adquiridos entre 08/01/1999 e 08/01/2004 em razão da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. (grifei). Assim, a nãocumulatividade do IPI deve ser interpretada de maneira a açambarcar o inciso II do parágrafo 3º da Constituição da República, o artigo 49 do Código Tributário Nacional ecoado pelo artigo 81 do RIPI aprovado pelo Decreto 87.981 de 23.12.1982, e cujo artigo 103 trata especificamente do método e o uso do creditamento deste imposto, o que evidencia a existência de toda uma legislação própria para o IPI, que cuida do tratamento a ser dispensado aos créditos desse tributo escriturados pelo contribuinte em seus livros fiscais, no que concerne à sua apuração, aproveitamento e utilização. Não é outra a interpretação do Acórdão 3401003.313, proferido na sessão de 25.01.2017, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, no qual se decidiu, em votação unânime de seus membros, no sentido da ementa abaixo transcrita: Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado. No mesmo sentido, a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, em conformidade com o Acórdão CSRF 9303004.581, proferido na sessão de 24.01.2008, de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 701DF CARF MF 16 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. A possibilidade de manutenção e utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos de IPI incidente nas aquisições de insumos destinados à industrialização de produtos, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, não se estende às pessoas jurídicas não contribuintes do imposto, produtoras de mercadorias classificadas como não tributadas NT. (Súmula CARF nº 20) Assim, não procedem os argumentos trazidos no recurso voluntário, neste particular. Da ilegalidade/inconstitucionalidade de leis e atos normativos Entende o recorrente que a declaração de invalidade de um ato administrativo ilegítimo ou ilegal, pode ser feita tanto pela própria Administração Pública, quanto pelo Poder Judiciário; afirma que em obediência aos princípios da legalidade, da moralidade e da probidade administrativa cabe à Administração Pública invalidar ou anular seus próprios atos, inclusive se utilizando de seu poder de autotutela. Por fim, espera que os textos doutrinários e decisões judiciais citadas ou colacionadas na manifestação de inconformidade sirvam subsídios para a decisão administrativa. Sem delongas, a teor do disposto no artigo 26A do Decreto 70.235 de 06.03.1972, recepcionado pela ordem constitucional vigente com força de lei, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos relacionados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13603.907141/201179 Acórdão n.º 3001000.049 S3C0T1 Fl. 695 17 c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. No mesmo sentido é o artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Desse modo, não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de normativos legais, mediante afastamento de sua aplicação, mesmo que existam doutrinas e/ou julgados que respaldem a tese esposada na peça recursal, ainda mais quando se constata que tais decisões não se enquadram nos termos prescritos no inciso I do parágrafo 6º, antes reproduzidos. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 703DF CARF MF 18 Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem as conclusões contidas no despacho decisório sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Ademais, toda essa argumentação retórica a que recorreu o contribuinte, no sentido de que ao julgador administrativo compete envidar interpretação constitucional ao dispositivo impugnado, deixa evidente que seu intuito é ver afastada a aplicação das normas que regulam o ressarcimento do IPI com base no fundamento de que elas estão em desconformidade com a Carta da República, o que é expressamente vedado ao julgador administrativo de segunda instância não somente pelo artigo 26A do Decreto 70.235 de 1972, mas também pela Súmula CARF 2 e por força do RICARF. Da improcedência da glosa do crédito de IPI sobre insumos utilizados na prestação de serviços O recorrente, argumentando que para executar os serviços discriminados notas fiscais de saída, emitidas exclusivamente para documentar a prestação dos referidos serviços, creditouse do IPI referente à aquisição de insumos empregados na prestação de serviços nelas discriminados, que foram realizados sob encomenda de terceiros. Alega que o produto gráfico pode ser faturado através de nota fiscal de venda ou de serviço, importando apenas, para definir qual o tipo de documentário fiscal a ser utilizado, sua finalidade. Ou seja, se é para acobertar a saída de produtos destinados à comercialização pelo encomendante, circunstância em que incide o ICMS, ou se é para saída de produtos para uso e consumo do encomendante, ocasião em que incide o ISS; sustenta este entendimento pois concluiu que para obter o produto gráfico final, em ambas as situações, a gráfica se utiliza da mesma matéria prima, material de embalagem e produto intermediário, o que justifica o aproveitamento do crédito do IPI incidente, na entrada destes insumos. Como é cediço que o direito aos créditos básicos tem origem constitucional diante do princípio da não cumulatividade, entretanto, esse direito não é irrestrito como quer fazer crer o recorrente, sendo perfeitamente possível sua limitação e regulamentação por leis infraconstitucionais para a sua utilização, tal como ocorre com vários outros direitos e garantias previstos no texto Constitucional. Os créditos do IPI são escriturados pelo beneficiário, à vista do documento que lhes confere legitimidade e o direito à sua utilização está subordinado ao cumprimento das condições para cada caso e das exigências previstas para sua escrituração, estabelecidas no regulamento. Em síntese, afirma o recorrente que a glosa efetuada sobre a prestação de serviços não procede, por estar em desacordo com a legislação vigente à época, bem como com a Solução de Consulta SRRF/6ªRF/DISIT 50 de 31.03.2003; pelo que requer o direito de aproveitamento dos créditos de IPI, referentes aos insumos utilizados na prestação de serviços (industrialização por encomenda). No tocante à referida solução de consulta, assiste razão o acórdão recorrido quando salienta que incorre em erro o pretendente, quando faz uso da consulta para tentar resolver dúvidas que não estão de acordo com a situação das glosas tratadas nos presentes autos. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13603.907141/201179 Acórdão n.º 3001000.049 S3C0T1 Fl. 696 19 Em face da clareza e didática dos argumentos tecidos pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, utilizados para justificar a manutenção das glosas fiscais acerca do tema ora em debate, peço licença para reproduzilos, em prestígio à objetividade. Pretendeu o contribuinte na consulta resolver dúvidas que não estão de acordo com a situação de glosa tratada nos autos. Entendeuse como tal e dirigiu a consulta como se realizasse industrialização por encomenda. O RIPI trata dessa matéria, porém a industrialização por encomenda tem conceituação diversa da simples encomenda feita por usuários finais, como é o caso de realização de encomendas de serviços gráficos personalizados. Na industrialização por encomenda de que trata o RIPI (art. 9º, inc. IV) há a equiparação do encomendande dos produtos porque se realizará a industrialização em outro estabelecimento que não o seu. No entanto, a caracterização da industrialização é completa: mandase fabricar o produto, com a remessa de insumos, moldes e matrizes. O encomendante posteriormente o revenderá ou o utilizará no seu processo produtivo como um estabelecimento industrial faz, com todas as características, direitos e obrigações de um estabelecimento industrial. No caso concreto, o “encomendante” é o utilizador dos serviços personalizados encomendados ao prestador de serviços. Não existe a figura nem do industrial (o executor da encomenda), nem do equiparado a industrial (o encomendante). Entretanto, diante de notas fiscais de saída, exclusivamente de prestação de serviços, o contribuinte, sob a justificativa que para executar os serviços ali discriminados, comprava matérias primas e produtos intermediários, pretende que sejam acatados créditos de IPI. Justifica o creditamento pelo fato de que a execução dos serviços exigia a aquisição de insumos e ainda que os realizava sob encomenda. Assim, o IPI incidente sobre esses insumos eram passíveis de escrituração e, conseqüentemente, de compor o saldo credor trimestral. Desse modo, não havia razão legal para a glosa realizada pela fiscalização. Ademais, tinha ao seu lado a Solução de Consulta nº 50, de 2002. As questões respondidas ao contribuinte na Solução de Consulta, excetuandose a parte relativa aos produtos imunes, não estão em desacordo com a posição oficial da Receita Federal. A uma, porque, na industrialização por encomenda, é possível o creditamento do IPI, embora no caso concreto não esteja assente esta condição. Não se trata de caso de industrialização por encomenda. A duas, pois que se entende ser possível exigir concomitantemente o ISSQN e o IPI, bastando, para tanto, que a atividade desempenhada possa ser definida como de industrialização, conforme preceitos do Regulamento do IPI. Nesse sentido, há a Solução de Consulta Interna nº 4, de 07/04/2003, em cuja ementa se dispõe: Incidência do IPI sobre serviços gráficos. É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços Fl. 705DF CARF MF 20 estarem catalogados na lista anexa ao Decretolei nº 406, de 31 de dezembro de 1968, ou que foram ou venham a ser posteriormente incluídos, desde que se caracterize a operação como de industrialização dentre as modalidades descritas no art. 4º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI). A incidência do ISS não exclui a do IPI. Entretanto, em nenhum momento se previu na Solução de Consulta nº 50 ou na Solução de Consulta Interna nº 4 que notas fiscais de prestação de serviços correspondiam às notas fiscais de saída utilizadas por contribuintes do IPI, tais quais as discriminadas no Regulamento do IPI, como documentos ensejadores de direitos no tocante ao IPI, a exemplo do aproveitamento de créditos (as notas fiscais estão descritas nos arts. 323 a 365 do RIPI/2002). De modo diverso, na solução de consulta nº 50 ficou claro que o aproveitamento de créditos deveria ser realizado em conformidade com as normas expedidas pela SRF. Certamente, não só pela observação das normas expedidas pela SRF, mas por toda a legislação do IPI, que engloba as leis, os regulamentos, as instruções normativas, etc. Possuir direito demanda, antes de tudo, possuir obrigações, entre elas, a obediência a todas as determinações legais concernentes ao IPI: emissão de notas fiscais compatíveis com o destaque do tributo, escrituração do RAIPI, etc. Além disso, não se deduz do fato de pagar ISSQN o pagamento obrigatório do IPI. Um não exclui o outro, mas não são necessariamente conseqüentes. Podese pagar ISSQN sem pagar o IPI. Aquele que apenas cumpre obrigações relativas ao ISSQN, como a emissão pura e simples de notas fiscais de prestação de serviços, caso típico do manifestante, é devedor do ISSQN, porém não é contribuinte do IPI e não se comporta como tal. Portanto, não faz jus a créditos do imposto nessas operações de prestação de serviços. Assim, por adotar como razão de decidir, uma vez que compartilho com os fundamentos acima reproduzidos, concluo que não procedem os argumentos trazidos no recurso voluntário, igualmente neste particular. Da Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 706DF CARF MF Processo nº 13603.907141/201179 Acórdão n.º 3001000.049 S3C0T1 Fl. 697 21 Fl. 707DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000583/2010-32
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal.
Numero da decisão: 1001-000.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10865.000583/2010-32
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5824328
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.233
nome_arquivo_s : Decisao_10865000583201032.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10865000583201032_5824328.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
id : 7094861
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733504696320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 35 1 34 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.000583/201032 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.233 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 06 de dezembro de 2017 Matéria Simples Nacional Recorrente JEREMIAS GUERRA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 05) para o ano calendário 2010, tendose em vista a existência de débitos (IRPJ (2089): R$ 57,03, de 04/2008; CSLL (2372): R$ 51,33, de 04/2008) com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 05 83 /2 01 0- 32 Fl. 35DF CARF MF 2 Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 20/21) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que os débitos que deram causa ao indeferimento só foram pagos em 19/11/2010. Cientificada da decisão de primeira instância através de intimação em 13/11/2015 (efl. 25) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 04/12/2013 (e fl. 33), em que aduz, em resumo, que pagou de fato os débitos em 06/01/2010: . Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, portanto dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 03) para o ano calendário 2011. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) Os débitos que deram causa ao indeferimento só foram pagos em 19/11/2010, conforme extrato (efls.18/19). Logo, após o prazo legal de opção pelo Simples Nacional. Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10865.000583/201032 Acórdão n.º 1001000.233 S1C0T1 Fl. 36 3 Conforme aputado pela Unidade de Origem, os Darfs que o interessado junta, autenticados em 06/01/2010, com juros e multa de mora, referemse a débitos apurados em 30/04/2008, e não no quarto trimestre de 2008. Desta forma, concluo que havia impedimento para a adesão. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 37DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.015462/2001-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998
PEDIDO DE DILIGÊNCIA„ PERÍCIA..
Deve ser considerado não formulado o pedido de perícia que não atender aos
requisitos legais e indeferido quando for prescindível para o deslinde da
questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos
necessários para a formação da livre convicção do julgador,
ARBITRAMENTO DO LUCRO, FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS
LIVROS NA FORMA DAS LEIS COMERCIAIS E FISCAIS
O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando a interessada, obrigada à
tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis
comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras
exigidas pela legislação fiscal
CSLL RECEITA CONHECIDA,. REVENDA DE MERCADORIAS,
APLICAÇÃO DO COEFICIENTE DE 12% PARA CÁLCULO DO LUCRO
ARBITRADO,.
O lucro arbitrado para fins de incidência da CSLL à época do fato gerador
será determinado mediante a aplicação sobre a receita bruta proveniente de
revenda de mercadorias do percentual de 12%.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1401-000.306
Decisão: ACORDAM os membros da 4' Câmara / I" Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso,
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro arbitrado
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201008
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 PEDIDO DE DILIGÊNCIA„ PERÍCIA.. Deve ser considerado não formulado o pedido de perícia que não atender aos requisitos legais e indeferido quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador, ARBITRAMENTO DO LUCRO, FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS NA FORMA DAS LEIS COMERCIAIS E FISCAIS O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando a interessada, obrigada à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal CSLL RECEITA CONHECIDA,. REVENDA DE MERCADORIAS, APLICAÇÃO DO COEFICIENTE DE 12% PARA CÁLCULO DO LUCRO ARBITRADO,. O lucro arbitrado para fins de incidência da CSLL à época do fato gerador será determinado mediante a aplicação sobre a receita bruta proveniente de revenda de mercadorias do percentual de 12%. Recurso voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10768.015462/2001-01
conteudo_id_s : 5813440
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.306
nome_arquivo_s : Decisao_10768015462200101.pdf
nome_relator_s : Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
nome_arquivo_pdf_s : 10768015462200101_5813440.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4' Câmara / I" Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso,
dt_sessao_tdt : Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
id : 7076638
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733505744896
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-24T16:29:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-24T16:29:37Z; Last-Modified: 2010-11-24T16:29:38Z; dcterms:modified: 2010-11-24T16:29:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:29268cdb-8646-43f9-bc74-b0cbd338c881; Last-Save-Date: 2010-11-24T16:29:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-24T16:29:38Z; meta:save-date: 2010-11-24T16:29:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-24T16:29:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-24T16:29:37Z; created: 2010-11-24T16:29:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-11-24T16:29:37Z; pdf:charsPerPage: 1727; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-24T16:29:37Z | Conteúdo => Dr (ARI , r\li Fl 1 Si-C4111 Fl 101 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10768.015462/2001-01 Recurso n" 170 238 Voluntário Acórdão n" 1401-00.306 — 4" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 05 de agosto de 2010 Matéria Recorrente FARMÁCIA C1TYPARK LIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 PEDIDO DE DILIGÊNCIA„ PERÍCIA.. Deve ser considerado não formulado o pedido de perícia que não atender aos requisitos legais e indeferido quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador, ARBITRAMENTO DO LUCRO, FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS NA FORMA DAS LEIS COMERCIAIS E FISCAIS O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando a interessada, obrigada à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal CSLL RECEITA CONHECIDA,. REVENDA DE MERCADORIAS, APLICAÇÃO DO COEFICIENTE DE 12% PARA CÁLCULO DO LUCRO ARBITRADO,. O lucro arbitrado para fins de incidência da CSLL à época do fato gerador será determinado mediante a aplicação sobre a receita bruta proveniente de revenda de mercadorias do percentual de 12%. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 4' Câmara / I" Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso,. (assinado digitahneiite) v1 ,./FANE: 2,101.2. n -. n 1 0 or ALEXANDRE: ANTOLUO Ad_1(á...11 m em' Ai'llrg.10 AL, ?.:::¡,11N.I Esndb-j() 0.'20 i , 1 ¡VI . ) 1 CARI :N1,1 :- 1.1 2 Viviane Vidal Wagner — Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Allunim Teixeira - Relator OUT 2ow Participaram da sessão os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (relator), Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Manos, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. Relatório Trata o presente feito de auto de infração lavrado em desfavor da Recorrente, com exigência de imposto de renda pessoa .jurídica — 1RP1 e contribuição social sobre o lucro liquido CSLL relativas ao ano calendário 1998, apurados por arbitramento, O Termo de Inicio de Fiscalização às fls. 04 foi lavrado em 29/08/2001, oportunidade m que o Recorrente foi intimado a apresentar sua documentação fiscal, dentre a qual os livros diário, razão, caixa, inventário, apuração de ICMS e ocorrências, dentre outros. Frise-se, desde já, que a Recorrente optou, no ao calendário em fiscalização, pela apuração do !RN e CSLL pelo lucro real trimestral, Ante o silencio da Recorrente, foi a mesma novamente intimada para apresentar sua documentação fiscal, por meio do termo respectivo acostado às .fis, 74, datado de 07 de novembro de 2001 e de fls. 76, datado de 28/11/2001, sendo que nesta última foi demandada apenas a apresentação do livro caixa do ano calendário 1998. Diante dessa intimação, a Recorrente apresentou o documento de fis. 75 informando que (i) só começou a trabalhar com cartões de créditos em 1999; (ii) que os cheques recebidos eram utilizados para pagamento de fornecedores ou eram descontados em factorings e (iii) a empresa não escriturou o livro caixa no ano de 1998. Em 26/11/2001, a Autoridade Fiscal lavrou o Termo de Constatação Fiscal de fls. 78, em que registra que "no exercício das fimções de Auditor-Fiscal da Receita Federal, CONSTATO, nesta data, que o contribuinte acima especificado, não escriturou Livro Caixa e .Livro Razão Auxiliar no Ano-Calendário de 1998 .0 Livro Diário do Ano-Calendário de I998,registrado na Aceda sob o número 41416fbi escriturado em partidas mensais), Intimado de referido termo, a Recorrente apresentou o documento de fls.. 77, em que afirma estar desobrigada, no ano calendário de 1998, da escrituração do livro caixa. Em seqüência, pelo documento de fls. 79, requereu o prazo de cinco dias para apresentação do livro razão. Por fim, às fls. 81, a Autoridade Fiscal lavrou novo Termo de Constatação Fiscal, em que afirma "que o contribuinte acima especificado, apresentou o Livro Razão Auxiliar do ano- 1, ;111 .2r1.) diçiffiktiunt ,:t )1710)-::0 v)r ViVIANE VtDAL WAGNER 2)),0!;i:2010 w:; ) ALE y, A N DRE ANT0HK) TE1)<E: i)) t)).r Emitido ):,,m rilW)t) [(!! ,-. 1 : ) MinisMdc) Fnzent)i 22 H 3 Processo n" I 0768 015462/2001-01 S1-C4T1 Acórdão n° 1401-0113116 F1.102 calendário de 1998, sem autenticação, contabilizado em partidas mensais, sem registros individuados da movimentação diária". Diante do relatado, a Autoridade Fiscal arbitrou o lucro tributável pelo IRR1 e pela CSLL tomando como base de cálculo a receita declarada na DIP.1 1999, ano calendário 1998. Para fins de arbitramento do imposto de renda, foi utilizado o coeficiente de 32,4% (fls.. 85) e para fins de CSLL, foi utilizado o coeficiente de 12% (fls. 92). Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação ao auto de infração (fls. 172 e ss), argumentando, em síntese: a) ausência de fündamento para o arbitramento; b) realização de diligência com o objetivo de "ratificar a escrituração do Livre de Registro de Saídas, indicando-se se está autenticado e se retrata o movimento em partidas diárias, com remissão aos documentos fiscais respectivos", recompor o resultado e apurar o valor do tributo devido com a dedução dos valores já pagos quando da apresentação da DIPJ. c) revisão do coeficiente de arbitramento, pois o valor de sua receita decorre de venda e produtos e não de prestação de serviços, pelo que deveria ser aplicado o percentual de 9,6%, e não o de 32%. Em julgamento do feito perante a DRJ, o lançamento foi considerado procedente em parte, com a redução do coeficiente de arbitramento do imposto de renda para 9,6%, tendo a decisão sido assim ementada, Assunto: Processo Administrativo Fiscal .Ano-calendário: 1998 Ementa.. PEDIDO DE DILIGÊNCIA! PERiCIA -Deve ser —considerado não formulado o pedido de perícia que 17a0 atender aos requisitos legais e indeferido, -quando fim- prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver lodos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Assinalo. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário.' 1998 HE VIE)AL O ALEXANDRE ANT011i0 ALKNI1 iwde l itj2aio O ;.•J•JI SrlitiJc 0'201u; 3 1.../f . CART MI' 11 4 Ementa.. ARBITRAMENTO DO LUCRO, FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS NA FORMA DAS LEIS COMERCIAIS E FISCAIS O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando a interessada, obrigada à tributação com base no lucro real não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, Ou deixar de elaborar co demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal RECEITA CONHECIDA. REVENDA DE MERCADORIAS, APLICAÇÃO DA AL1OUOTA DE 9,6% PARA CÁLCULO DO LUCRO ARBITRADO. O lucro arbitrado será determinado mediante a aplicação sobre a receita bruta proveniente de revenda de mercadorias do percentual de 9,6%. Assunto. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário, 1998 Ementa . LANÇAMENTO DECORRENTE Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes argüições especificas ou elementos de prova novos, Lançamento Procedente em Parte Devidamente notificada, a Recorrente apresentou recurso voluntário para este Conselho, renovando as razões outrora apresentadas em sede de impugnação e postulando, ainda, a redução do coeficiente utilizado para fins da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido para o mesmo patamar adotado para o imposto de renda, qual seja, 9,6%.. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator i."rrsir)rrtlo diglIaIrnonto em O7, Pf20111 por VIVIANE VIDAL WAGNER 2Or,e2 Í.:r Ir) por ALEXANDRE ANTONIO ALKIIr TEXE AulenlIcado crigital yrk-rnte LÍ 2WCrIP2{:r 10 por AI. EXANDRE ANTONi0 ALI rrMlly1 TE.IX E [ ' unido oro tgrrer or'20 r o prr4o MinrsiérirD da Fazendo 4 H 5 SI-C4T1 F1 103 1)1' ( \ RV vil Processo n" 10768 015462/2001-01 Acórdão ri" 1401-00306 O recurso é tempestivo e atendidos os requisitos de lei, dele conheço, CERCEAMENTO DE. DEFESA. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. Aduz, a Recorrente, a necessidade de realização de perícia, com o objetivo de demonstrar que o Livro de Registro de Saídas demonstra as partidas diárias, com remissão aos documentos, e se o mesmo está autenticado. Permissa venia, não vejo utilidade em nenhuma dos dois procedimentos requeridos.. Na verdade, conforme se extrai do relatório supra, a Recorrente foi intimada e re-intimada para apresentar seus livros fiscais, não tendo atendido satisfatoriamente a nenhuma das intimações.. Não pode, após a lavratura do auto de infração, pretender a Recorrente que sua contabilidade seja refeita e escriturada por meio de diligências ou perícias.. Estas procedimentos não se prestam a tal fim. Diante do exposto, rejeito o pedido, neste particular. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO PARA O ARBITRAMENTO Aduz a Recorrente que não ocorrem, no caso, os requisitos para o arbitramento, uma vez que, tendo apresentado o Livro de Registro de Saída de Mercadoria, o seu lucro tributável pode ser recomposto (fls.. 195). Assim, pugna "pela recomposição do resultado através da perícia contraditória porque protestou" (fls. 195). Não entendo dessa forma. 2cs,(J':.»•2:-.)(.: por ANT(DH1c) Emnic, uB.11 inkb!.-'110 Fi".-ázc,n'jn por ALEXAI',IDRE ANTomo Dl CART N11:- f---1 6 Segundo o art. 47 da Lei n° 8,981, de 20 de janeiro de 1995, o lucro deverá ser arbitrado quando o contribuinte não mantiver regular escrita fiscal. Leia-se o dispositivo, verbis: Art. 47 O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetida ao regime de tributação de que trata o Decreto-Lei n' 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na fim-ma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal,- É exatamente essa a hipótese dos autos. Se fato, se o contribuinte sujeito à tributação pelo lucro real, após devidamente intimado, não apresenta sua escrituração fiscal regular, deve a Autoridade Fiscal promover o arbitramento do lucro, não havendo outra alternativa para revisão e conseqüente lançamento fiscal.. O arbitramento, na hipótese, é a única alternativa e caminho obrigatório a ser seguido pela Autoridade Fiscal, cuja atividade é vinculada à lei.. Diante do exposto, nego provimento ao recurso quanto a este fundamento. COEFICIENTE DE ARBITRAMENTO, CSLL, Nas suas razões de recurso, pugna a Recorrente pela revisão do coeficiente de lançamento para fins de CSLL, para que o mesmo seja igualado ao do IRPJ, nos termos In que decidido pela DRJ No entanto, dispõe a lei n° 9 430/96, o seguinte: Empresas sem Escrituração Contábil Art. 29. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro premunido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores; 1- de que trata o art. 20 da Lei n° 9 249, de 26 de dezembro de 1995; 07.10-201U ¡»..1.?I' 1\11;\NE. ViDi\L NNAC:n NEER 2 n::1 , €)9 , 20 i ALEXANDRE ANT01,11(:) TE-1XL-.. 2H/2) 10 por Al..EXANOR: AN TONI() Emitido rIrri p€-,f) Fazeridn 6 DF c„\ Lu. Nfi.: H 7 O Processo n" 10768 01546212001-01 S1-C4T1 Acórdão n " 1401-00,306 El 104 li - os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e P' resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período Por sua vez, dispõe o art. 20 da lei IV 9..249/95, o seguinte: Ari. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se relerem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelos pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na Pina definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano-calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do , n;; 1" do art. 1.5, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento Por tratar-se de norma especifica, assim, deve ser mantido o coeficiente de arbitramento utilizado pela Autoridade Fiscal quanto à CSLE DISPOSITIVO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira ANTiDNIO pur Aurot,nc) K•INI .1" Ernilido I() DF f!rn 07/1012010 por VnilAHE VIDAL WAGNIEF., 29;.'0i.i2;) lo pud ALEXANDRE ANToNilo ALKmi r11nitlforAle 2F1,'W11,21)10 por At. EXANDR E AN IONIC ;O.Fft l 1E1X E Emitido oro 00f10,'20 ;C; pc.ro minisi,:kio 1:w::endrA MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE. JULGAMENTO— QUARTA CÂMARA Processo n° : 10768015462200101 Interessado : FARMACIA CITYPARK LTDA TERMO DE JUNTADA 1" Seção/4" Câmara Declaro que .juntei aos autos o Acórdão/Resolução n° 1401-00306, às fis. ), por mim numeradas e rubricadas, e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal em para cientificar o interessado e demais providências cabíveis. Brasília, Chefe da Secretaria
score : 1.0
Numero do processo: 13706.003087/2003-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2003
SIMPLES. SERVIÇOS PROFISSIONAIS DE PUBLICITÁRIO OU ASSEMELHADOS. VEDAÇÃO.
Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais de publicitário ou assemelhados.
Numero da decisão: 1401-000.573
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2003 SIMPLES. SERVIÇOS PROFISSIONAIS DE PUBLICITÁRIO OU ASSEMELHADOS. VEDAÇÃO. Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais de publicitário ou assemelhados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13706.003087/2003-22
conteudo_id_s : 5820944
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.573
nome_arquivo_s : Decisao_13706003087200322.pdf
nome_relator_s : FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
nome_arquivo_pdf_s : 13706003087200322_5820944.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
id : 7085957
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733508890624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 523 1 522 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.003087/200322 Recurso nº 143.131 Voluntário Acórdão nº 1401000.573 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de maio de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente Pádua e Bertani Design Ltda. ME Recorrida Fazena Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 SIMPLES. SERVIÇOS PROFISSIONAIS DE PUBLICITÁRIO OU ASSEMELHADOS. VEDAÇÃO. Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais de publicitário ou assemelhados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, e Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. Ausente momentaneamente a conselheira Karem Jureidini Dias. Relatório Fl. 533DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o acórdão recorrido, fls. 5556: 0 presente processo tem origem no Ato Declaratório Executivo DERAT/RJO n° 449.994, de 07/08/2003, expedido pelo Delegado da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (fl. 02), que determinou a exclusão da interessada do regime do SIMPLES, a partir de 01/02/2003, em virtude da constatação de exercício de atividade econômica vedada. De acordo com o mencionado ato declaratário executivo, a atividade da interessada seria: "74403/99 Outros serviços de publicidade". 0 referido ato declaratório apresenta o seguinte enquadramento legal: Lei n° 9317, de 05/12/1996: art. 90, XIII; art. 12; art. 14, I; art. 15, II. Medida Provisória n°2.15834, de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF n° 250, de 26/11/2002: art. 20, XII; art. 21; art. 23,1; art. 24, II, c/c parágrafo único. A interessada apresentou a petição de fl. 01, onde alega que em 22/01/2003 solicitou alteração do Cadastro Nacional de Atividade Econômica (CNAE) para o código 74993/99 (Outros Serviços Prestados à Empresas), pois exerce as atividades de serviços de desenho em geral, fotografias, digitalização, computação gráfica, edição e publicação de livros e revistas périódicas, elaboração de projetos (redação e correção gramatical de textos). Ademais, informa que consta no seu contrato social, as seguintes atividades: edição e publicação de livros e periódicos (editoração de revistas em geral), programação visual na area de marketing e propaganda (desenho, fotografias, digitalização e computação gráfica) e a elaboração de projetos na Area de marketing (serviços de revisão e correção gramatical de textos). Com fundamento no que foi exposto nos dois parágrafos acima, requer que desconsiderada a sua exclusão do SIMPLES. Em 15/10/2003, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro constatou a inexistência do formulário da Solicitação de Revisão da Exclusão do SIMPLES (SRS). Desta forma, encaminhou o processo ao CACIpanema para que a contribuinte fosse intimada a apresentálo, ou para que informasse que se tratava de impugnação a ser analisada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fl. 11). Em 15/01/2007, a contribuinte protocolicou petição (fl. 17) solicitando o cancelamento do presente processo. Justificase aduzindo que após três anos da primeira solicitação (fl. 1), na qual requeria a alteração do Cadastro Nacional de Atividade Econômica (CNAE) para o código 25180/00 (edição e publicação de livros e periódicos, serviços de desenho em geral, fotografias, digitalização, redação e revisão de textos), não seria mais necessário a análise de tal pleito, visto que a receita bruta auferida superou o limite legal nos exercícios de 2005 e 2006. Fl. 534DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13706.003087/200322 Acórdão n.º 1401000.573 S1C4T1 Fl. 524 3 A Delegacia da Receita Federal em Niterói exarou despacho em 28/02/2007 (fl. 39), no qual informa que em decorrência do pedido de cancelamento do presente processo cabia à interessada refazer as declarações de rendimentos relativas aos exercícios de 2004 e 2005 e elaborar as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). A interessada, após ser intimada para cumprir o despacho acima mencionado (fls. 41 e 47), apresentou nova petição (fl. 49 e 50), na qual aduz que somente no ano de 2005 auferiu receita bruta acima do limite legal estabelecido pela Lei n° 9.317/1996. Destarte, a petição de fl. 17 tratava apenas dos exercícios de 2006 em diante, pois fazia jus aos beneficios do SIMPLES nos exercícios de 2003 a 2005. Garante que a empresa não solicitou o desenquadramento do SIMPLES em 2003 e que não recebeu qualquer correspondência que evidenciasse a sua exclusão do SIMPLES. Entende que a obrigação de refazer as declarações de rendimentos representa prejuízo econômico e financeiro significativo. Requer a declaração de procedência do pedido de revisão de exclusão do SIMPLES, em relação aos exercícios de 2004 e 2005, considerando a exclusão da referida sistemática apenas para os exercícios de 2006 em diante. A Turma julgadora de primeira instância proferiu decisão assim ementada (fls. 54): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PUBLICIDADE. Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que que realizem operações relativas a publicidade. Solicitação Indeferida Cientificada do aludido Acórdão em 24/08/2007 (fls. 61), a contribuinte interpôs em 24/09/2007 o recurso voluntário de fls. 6268, reiterando os argumentos expendidos na fase impugnatória. A recorrente anexou aos autos diversas notas fiscais de sua emissão, com o intuito de comprovar que não exercia nenhuma atividade vedada. Argumentou que a atividade de design possui caraterísticas próprias, que a diferem totalmente dos serviços de publicidade e propaganda. Fl. 535DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 Mencionou precedentes administrativos (fls. 6567), que na sua opinião reforçariam a sua tese de que pessoas jurídicas prestadoras de serviços de design (desenho industrial), dentre outras, podem se enquadrar no Simples. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso é tempestivo e atende os pressupostos legais. Dele conheço. Trata o presente processo de exclusão do Simples, em razão do exercício de atividade econômica vedada, caracterizada pela obtenção de receitas de intermediaçâo de negócios (financiamentos e consórcios), em afronta ao disposto no inciso XIII do artigo 9° combinado com a letra "a" do inciso II do artigo 13 e artigo 14, da Lei n° 9317, de 1996. Para maior clareza, transcrevo o inteiro teor do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/96, devidamente grifado: Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Conforme se verifica nos autos, a interessada, em seus atos constitutivos, informou que prestava “outros serviços de publicidade”. A recorrente, em 22/01/2003, solicitou alteração do Cadastro Nacional de Atividade Econômica (CNAE) para o código 74993/99 (Outros Serviços Prestados à Empresas), afirmando que exercia as atividades de serviços de desenho em geral, fotografias, digitalização, computação gráfica, edição e publicação de livros e revistas périódicas, elaboração de projetos (redação e correção gramatical de textos). Ademais, informou que constava no seu contrato social, as seguintes atividades: edição e publicação de livros e periódicos (editoração de revistas em geral), programação visual na area de marketing e propaganda (desenho, fotografias, digitalização e computação gráfica) e a elaboração de projetos na Area de marketing (serviços de revisão e correção gramatical de textos). A recorrente anexou aos autos diversas notas fiscais de sua emissão, com o intuito de comprovar que não exercia nenhuma atividade vedada. Argumentou que a atividade de design possui caraterísticas próprias, que a diferem totalmente dos serviços de publicidade e propaganda. Fl. 536DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13706.003087/200322 Acórdão n.º 1401000.573 S1C4T1 Fl. 525 5 Em sua peça recursal, a recorrente apresentou a seguinte definição de agência de publicidade, fls. 64 (grifos meus): [...] Agências de Publicidade são empresas destinadas ao atendimento de outras empresas, ou pessoas para o desenvolvimento de estratégias de comunicação, criação, acompanhamento de produção de peças publicitárias para veiculacão nos inúmeros meios de comunicação como jornais, revistas, TV, cinema, Mídias Outdor, BusDoor, midias em Shopping Centers etc. Nos últimos anos tem crescido sua atuação nos mercados do que era comumente chamado de belowtheline abaixo da linha de propaganda que seriam as peças que não tem veiculação, não tem compra de mídia. Ainda na visão da recorrente, os estúdios, bureaus ou agências de design exerceriam atividades distintas, assim descritas em sua peça recursal (fls. 64): Já Estúdios, bureau, ou agência de Design são empresas destinadas ao atendimento de outras empresas, ou pessoas para o desenvolvimento de marcas, papelaria institucional, programação visual, criação de embalagens, livros, diagramação, novas peças promocionais, folders, flâmulas, revisões, conteúdos de texto e etc. Ou seja, as empresas de design não fazem veiculação de mídia, não fazem negociação com os meios de comunicação, tais como TV, jornais, revistas, companhas de mídia urbana e etc. [...] A recorrente também trouxe aos autos diversas notas fiscais de sua emissão, com o intuito de comprovar que não exercia nenhuma atividade vedada para opção pelos Simples. Analisandose as referidas notas fiscais, contudo, verifico que a recorrente efetivamente desempenha atividades próprias de agências de publicidade, considerandose a conceituação apresentada pela própria recorrente. A título meramente exemplificativo, apresento a seguir uma breve relação de atividades desenvolvidas pela recorrente, que claramente configuram a prestação de serviços profissionais de publicitário ou assemelhados: Nota Fiscal Cliente Descrição do serviço prestado Fls. 625 Sysmex do Brasil Criação/finalização anúncio – Revista 211 626 Brasil Telecom Folder PABX Virtual NET – Fotolito, impressão, redação, honorários, finalização 212 627 Brasil Telecom TV Fone – Corpotativo – Aluguel imagens, obtenções fotográficas, honorários, finalização 213 Fl. 537DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 6 629 Young e Rubicam Criação de Ações Vivo 215 643 Young Rubicam Criação PDV para Cliente Vivo Vantagens 224 670 SENAC Criação folheto Beleza 246 673 Brasil Telecom Produção de banner e camiseta 249 675 Vida de Gente Criação, revisão e finalização de folders 251 676 Brasil Telecom Finalização Frontlight 252 753 Novartis Acompanhamento de produção fotos para PDV Cataflam 319 754 Laboratório Dr. Roseli Criação materiais inauguração Roseli Tijuca – acompanhamento de produção convite e anúncio O Globo, acompanhamento de foto, acompanhamento de buffet, acompanhamento de chaveiro, sacos de veludo para chaveiro, acompanhamento sacos 320 774 ONS ONS Brasília – Painéis – Criação, acompnhamento de produção 339 780 Brasil Telecom Desenvolvimento peças promocionais 345 784 Laboratório Dr. Roseli Acompanhamento produção 20000 malas direta 349 900 Brasil Telecom Materiais de merchandising 452 909 Brasil Telecom Passagens aéreas e estadia – Cuiabá – Contrato para Lojas GSM Brasil telecom – Honorários 461 913 TNL PCS S/A Emailmarketing – Convite 464 918 TNL PCS S/A Anúncio Ofertas – Gazeta de Vitória 469 922 Brasil Telecom Frete para 16000 folhetos comerciais 472 926 Brasil Telecom Adesivo Pegadas LigueLigue – Impressão, Honorários, Finalização 475 Com facilmente se percebe, a recorrente é uma empresa que presta serviços bastante variados na área de marketing, oferecendo soluções completas na área de criação, revisão, finalização, impressão, acompanhamento de produção fotográfica e acompanhamento de produção de peças publicitárias. As notas fiscais acima listadas demonstram claramente que a recorrente oferece ao mercado uma vasta gama de serviços profissionais típicos de publicitários, nas áreas de comunicação empresarial, criação e acompanhamento de produção de peças publicitárias para veiculacão em meios de comunicação, tais como email marketing, malas diretas e veiculação de anúncios em jornais (O Globo e Gazeta de Vitória, por exemplo). Fl. 538DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13706.003087/200322 Acórdão n.º 1401000.573 S1C4T1 Fl. 526 7 Indiscutivelmente, a atuação da recorrente vai muito além do simples “desenvolvimento de marcas, papelaria institucional, programação visual, criação de embalagens, livros, diagramação, revisões e conteúdos de texto”, conforme alegado em sua peça recursal. Observo, outrossim, que a recorrente presta serviços tanto para clientes finais (ONS, Brasil Telecom, Laboratório Dr. Roseli, SENAC) como para outras agências de publicidade, tais como a Young e Rubicam. Diante de todos esses fatos, é forçoso concluir que a pessoa jurídica em apreço efetivamente presta serviços profissionais típicos de publicitário ou assemelhado, incorrendo em uma expressa vedação de opção pelo SIMPLES. Pelas razões expostas, meu voto é no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 539DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000511/2004-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Jan 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2002, 2003
CIDE-ROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA.
O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei nº 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE.
LICENÇA DE USO DE SOFTWARES.
Até a edição da Lei nº 11.452/2007, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE é devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso de softwares, ainda que a licença não importe em transferência de conhecimento tecnológico.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-005.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2002, 2003 CIDE-ROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei nº 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. LICENÇA DE USO DE SOFTWARES. Até a edição da Lei nº 11.452/2007, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE é devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso de softwares, ainda que a licença não importe em transferência de conhecimento tecnológico. Recurso Especial do Procurador Provido
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Sat Jan 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18471.000511/2004-82
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5824789
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-005.497
nome_arquivo_s : Decisao_18471000511200482.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 18471000511200482_5824789.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
id : 7097258
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733512036352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1898; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 3.524 1 3.523 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 18471.000511/200482 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.497 – 3ª Turma Sessão de 15 de agosto de 2017 Matéria CIDE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CLARO S/A (incorporadora de EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES S/A EMBRATEL) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002, 2003 CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei nº 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. LICENÇA DE USO DE SOFTWARES. Até a edição da Lei nº 11.452/2007, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE é devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso de softwares, ainda que a licença não importe em transferência de conhecimento tecnológico. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 05 11 /2 00 4- 82 Fl. 3524DF CARF MF Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 9303005.497 CSRFT3 Fl. 3.525 2 Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3101001.601, de 25/03/2014, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002, 2003 [...] SOFTWARE Remessa ao exterior realizada para pagamento de licença de uso de software ou aquisição de software de prateleira, ainda que cópia única, não está sujeita à incidência da CIDE, conforme manifestação expressa da Administração Pública, confirmada pela delimitação de “não incidência” dada pela Lei nº 11.452/2007, de caráter interpretativo. Recurso Voluntário Provido em Parte A matéria objeto do recurso especial referese à incidência da CIDE sobre pagamentos efetuados por pessoas sediadas no Brasil a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior por compra de programa de computadores (software). A autoridade lançadora entendeu que a CIDE seria devida por se tratar de remessas de royalties ao exterior, evento previsto como fato gerador da CIDE no artigo 2° da Lei n° 10.168/2000. A turma julgadora a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário, por entender que a remessa ao exterior realizada para pagamento de licença de uso de software ou aquisição de software de prateleira, ainda que cópia única, não estaria sujeita à incidência da CIDE, entendendo pelo caráter interpretativo da Lei nº 11.452/2007. Em sentido contrário, os acórdãos paradigmas 3202000.455 e 330100.702 entenderam que as remessas realizadas antes da vigência da Lei nº 11.452/2007 foram mantidas na base de cálculo da CIDE, subsistindo, assim, os lançamentos efetuados pela autoridade fazendária. Fl. 3525DF CARF MF Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 9303005.497 CSRFT3 Fl. 3.526 3 O Recurso Especial foi admitido pela demonstração de dissídio jurisprudencial, conforme despacho de admissibilidade às fls. 3.458 a 3.460. O sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional quanto à incidência da CIDE sobre pagamentos efetuados por pessoas sediadas no Brasil a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior por compra de programa de computadores (software), independentemente da transferência ou não de tecnologia. O julgador a quo entendeu que a incidência da CIDE não alcança pagamentos efetuados por pessoas sediadas no Brasil a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior por compra de programa de computadores (software) que não representam transferência de tecnologia e a título de royalties. Em contraponto, em situações com a mesma moldura fática, concluíram os paradigmas que a CIDE incide sobre royalites pagos a título de licença de uso de software, em especial nos casos em que a autuação abrange fatos geradores anteriores à alteração da legislação que passou a prever a não incidência da CIDE para aquisição de software, quando não envolverem transferência de tecnologia. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da incidência da CIDE sobre royalites pagos a título de licença de uso de software. O fato, incontroverso, apurado nos presentes autos, são as diversas remessas a título de pagamento de licença de uso de software e aquisição de cópia única, entre o período de 14/01/2002 a 31/10/2003. O fato tributável encontrase previsto no artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, verbis: Art. 2° Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. Fl. 3526DF CARF MF Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 9303005.497 CSRFT3 Fl. 3.527 4 § 1° Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2° A partir de 1° de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas Signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior(Redação da pela Lei n. 10.332, de 19.12.2001) § 3° A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2° deste artigo. (Redação da pela Lei n. 10.332, de 19.12.2001) § 4° A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). (Redação da pela Lei n. 10.332, de 19.12.2001) § 5° O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador. (Parágrafo incluído pela Lei n°10.332, de 19.12.2001) Do dispositivo legal, extraise que o legislador determinou a incidência da contribuição tanto nos casos em que a pessoa jurídica é detentora de licença de uso como nos casos de aquisição de conhecimentos tecnológicos. Interpretase que, pelo texto legal, a licença de uso não está vinculada à suposta necessidade de haver a transferência de conhecimento tecnológico. Com a publicação da Lei n° 10.332, de 19.12.2001, verificase a ocorrência de uma ampliação das hipóteses de incidência da CIDE, passando a mesma a ser também devida pela pessoa jurídica em razão de: a) celebração de contratos que tenham por objeto a prestação, por residentes ou domiciliados no exterior, de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; b) pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de royalties, qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. A matéria controversa é conhecida desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, e esta turma julgadora recentemente manifestouse no sentido da incidência da CIDE em casos similares ao presente (Acórdão 9303003.550, de relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres). Reproduzo, abaixo, trecho do voto condutor da lavra do i. Conselheiro Henrique Torres, no Acórdão 9303003.256, de 4 de fevereiro de 2015, que tratava da incidência da CIDE sobre aquisições de software no exterior, quanto aos fatos geradores ocorridos no ano de 2001. Mesmo tratando de fatos anteriores à edição da Lei n° 10.332, de Fl. 3527DF CARF MF Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 9303005.497 CSRFT3 Fl. 3.528 5 19.12.2001, os fundamentos adotados naquele julgamento são os mesmos que utilizo no presente voto: O recorrente sustenta, também, que a expressão “licença de uso” estaria limitada a contratos que envolvam a transferência de conhecimentos tecnológicos. Entretanto, tal argumento também não procedente porque, conforme já bem ressaltado na decisão recorrida, o art. 2º da Lei nº 10.168/2000 apresenta a expressão “licença de uso ou adquirente de conhecimento tecnológico” (grifo nosso), o que demonstra que se tratam de situações distintas e independentes, logo a licença de uso não está vinculada à suposta necessidade de haver a transferência de conhecimento tecnológico. Além disso, somente em 2007, com a edição da Lei nº 11.452/07, vide o trecho abaixo transcrito, foi acrescentado o § 1ºA ao art. 2º da Lei nº 10.168/2000, para restringir o campo de incidência da CIDE apenas sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, apenas quando tais operações envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Desta forma, resta corroborado o entendimento de que nesta mesma hipótese, ocorre a incidência da CIDE no período anterior a 1º de janeiro de 2006. [...] Sobre o argumento de que o disposto no Decreto nº 4.195/2002 não teria contemplado a incidência da CIDE sobre a remuneração pela aquisição/licença de softwares no exterior, devese contrapor que o aludido decreto apenas dispôs, exemplificativamente, em seu art. 10, algumas das hipóteses de incidência da CIDE. No caso, conforme já visto, toda a legislação sobre a matéria revela que ocorre a incidência da CIDE sobre os valores referentes a pagamentos de licença de uso de programas de computador (software), sendo que as disposições do referido Decreto não podem ser interpretadas para limitar a aplicação do disposto em lei. Quanto à alegação de que a remuneração por licença de uso de software não seria enquadrada como remessas de royalties ao exterior, reproduzo trecho do voto condutor também da lavra do i. Conselheiro Henrique Torres no Acórdão 930301.864, de 06 de março de 2012, em sentido contrário: Passemos agora à questão da CideRoyalties que foi paga e que se pretende sua repetição, em razão de, no entender da recorrida, não incidir sobre as remessas de Royalties para residente ou domiciliados no exterior. Primeiramente, fazse necessário esclarecer qual a natureza jurídica dos numerários remetidos pela reclamante à residente e domiciliado no exterior. Ao discorrer sobre royalties, o professor Alberto Xavier ensina que: À luz do direito interno, o royalty é uma categoria de rendimentos que representa a remuneração pelo uso, fruição ou exploração de determinados direitos, diferenciandose assim dos aluguéis que representam a retribuição do capital aplicado em bens corpóreos, e dos juros, que exprimem a contrapartida do capital financeiro. (Página 617) No direito interno, os direitos que dão lugar à percepção de royalties são o direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; o direito de pesquisar e extrair recursos Fl. 3528DF CARF MF Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 9303005.497 CSRFT3 Fl. 3.529 6 minerais; o uso ou exploração de invenções , processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; a exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou da obra (art. 22 da Lei 4.506, de 1964).” (página 618). Voltando aos autos, segundo defende a recorrida, de royalties não se trata, posto que não se enquadraria no definição dada pelo art. 22 da Lei 4.506/1964, vazada nos termos seguintes: Art. 22. Serão classificados como royalties os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (...) d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Depreendese do dispositivo legal transcrito que os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificamse como royalties, salvo se pago/recebido pelo autor ou criador da obra. [...] É de se notar que a redação dada ao § 2º suso transcrito pela Lei 10.332/2001, é peremptória no sentido de que a contribuição incide sobre os royalties que as pessoas jurídicas pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Anotese, por oportuno, que redação dada pela Lei 10332/2001 amplia o campo de incidência da contribuição, fazendoa incidir sobre o pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties a residentes ou domiciliados no exterior, para tanto, não faz qualquer restrição ou vinculação desses royalties, podendo estes ser relativo a qualquer tipo de obrigação. Registrese que antes da alteração legislativa, a contribuição só incidia sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações referente à concessão de licença de uso ou à aquisição de conhecimentos tecnológicos, bem como à transferência de tecnologia. não deixando margem à interpretação, com a alteração legislativa a incidência ocorrerá na transferência de royalties a qualquer título. Diante do exposto, não se pode negar que o pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da CIDE criada pela Lei 10.168/2000. Por conseguinte, para que seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico, como ocorreu no caso dos autos, em que a recorrida pagou royalties a residentes ou domiciliados no exterior. Aliás, esse fato é incontroverso, haja vista que não é negado pelas partes. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL, mantendo o lançamento efetuado em relação à incidência da CIDE sobre as remessas dos valores de royalties a qualquer título ao exterior, em razão do pagamento pela licença de uso de software, independentemente da transferência ou não de tecnologia. Fl. 3529DF CARF MF Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 9303005.497 CSRFT3 Fl. 3.530 7 É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendose da análise dos autos desse processo, peço vênia ao ilustre Conselheiro Presidente Rodrigo da Costa Pôssas, quem tanto admiro, para expressar meu entendimento acerca da lide. Para melhor elucidar, recordase que se trata de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão 3101001.601 que julgou parcialmente procedente o recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo para cancelar a parte do lançamento fiscal relativa à exigência da CIDE sobre remessas ao exterior a título de pagamento na aquisição de software de prateleira software cópia única sem transferência de tecnologia. E o cerne da lide posta em recurso versa sobre a discussão acerca do caráter a ser dado ao art. 20 da Lei 11.5421/07 para fins de se definir se o r. dispositivo ao prever que a CIDE não incide sobre as remessas para a aquisição de softwares sem transferência de tecnologia, inovou no plano tributário, instituindo uma norma de isenção, não retroagindo a fatos pretéritos, OU se reconheceu/esclareceu uma hipótese de não incidência tributária com alcance, por conseguinte, a fatos geradores ocorridos anteriormente à sua vigência, considerando a disposição contida no art. 2º da Lei 10.168/00. A priori, importante destacar que não há dúvida de que o software objeto do processo que ensejou a remessa ora discutida não ensejou transferência de tecnologia, eis que, após a diligência requerida pelo Colegiado a quo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais restou assim esclarecido. Para transparecer o que foi concluído, peço vênia para transcrever parte: “Ademais, o exame da documentação fornecida pelo contribuinte e relacionada no próximo item não revelou a negociação de transferência de tecnologia perante seus fornecedores [...]” Ventiladas tais considerações, passo a analisar as normas para elucidar o meu entendimento. Fl. 3530DF CARF MF Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 9303005.497 CSRFT3 Fl. 3.531 8 Para tanto, importante trazer que a Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico foi instituída pela Lei 10.168/00 para financiar o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação. Para fins de atendimento ao Programa, então, foi instituída a CIDE que, nos termos do “caput” do art. 2º da r. Lei, seria devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. Nesse ínterim, vêse que o próprio “caput” do art. 2º da Lei já trazia que a CIDE não incidiria sobre a remuneração pela aquisição de software de prateleira que não envolva transferência de tecnologia. Ora, a CIDE somente foi instituída para onerar a pessoa jurídica adquirente de conhecimentos tecnológicos em contratos que impliquem a transferência de tecnologia firmados com não residentes, eis que tinha como intuito basilar motivar à inovação NACIONAL utilizando nosso capital humano e científico NACIONAL. Para tanto, deveria haver um estímulo para a utilização de recursos humanos, científicos nacional com aplicação ao capital nacional, quer seja, através de “criação de pedágio tributário” para as pessoas jurídicas que, ao invés de se utilizarem ou disporem oportunidades aos residentes ou domiciliados no país – motivando a inovação nacional, firmavam contratos ou adquiriam conhecimentos tecnológicos que implicassem transferência de tecnologia com residentes ou domiciliados no exterior. Nesse diapasão, vêse que que, independentemente do advento do art. 20 da Lei 11.452/07 – que trouxe o § 1ºA ao art.2º da Lei 10.168/00 – já era possível se extrair que sobre a remessa para a aquisição de software que não envolvesse transferência de tecnologia não seria devida a CIDE. Eis que não tal evento não conferiria fato gerador passível de incidência da r. contribuição. Tanto é assim que, visando buscar a segurança jurídica para não se tributar pela CIDE as remessas de aquisição de software que não envolva transferência de tecnologia, vários sujeitos passivos formularam consultas à Receita Federal do Brasil. Essa autoridade fazendária, assim, emitiu entendimento pela não tributação da contribuição tratando da mesma hipótese ora discutida nesse processo. Frisese tal constatação a Soluções de Consulta emitidas pela Receita Federal: “Solução de Consulta DISIT/SRRF 8 nº 513/06: Ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF REMESSAS PARA O EXTERIOR Programas de Computador (Software) Não estão sujeitas à incidência do imposto de renda na fonte as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior pela aquisição de programas de Fl. 3531DF CARF MF Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 9303005.497 CSRFT3 Fl. 3.532 9 computadorsoftware produzidos em larga escala e de maneira uniforme, colocados no mercado para aquisição por qualquer interessado, sem licença para reprodução no Brasil, por tratar se de mercadorias. Dispositivos Legais: Art. 710 do Decreto nº 3.000, de 26.03.1999 (republicado em 17.06.1999); e Portaria MF nº 181, de 28.09.1989. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições CIDE Não ocorre a incidência da Cide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior pela aquisição de programas de computadorsoftware produzidos em larga escala e de maneira uniforme, colocados no mercado para aquisição por qualquer interessado, sem licença para reprodução no Brasil, por não caracterizar hipótese de incidência da referida contribuição. Dispositivos Legais: Art. 2º da Lei nº 10.168, de 29.12. 2000 (alterado pelo art. 6º da Lei nº 10.332, de 19.12.2001); e art. 10 do Decreto nº 4.195, de 11.04.2002” E as Soluções de Consulta 20/04, 15/04, 290/03, 133/03, 81/03 e 298/02 emitidas pela Receita Federal do Brasil no mesmo sentido. Cabe trazer ainda que tais atos administrativos foram emitidos anteriormente à publicação da Lei 11.452/07 – o que reforça que já era possível afastar, somente observando o art. 2º, caput, da Lei 10.168/00, a CIDE sobre tais remessas. Sendo assim, vêse que o art. 20 da Lei 11.452/07 transcritos abaixo – apenas veio a “ESCLARECER” a aplicação do art. 2º, “caput”, da Lei 10.168/00 para os casos inerentes as remessas para aquisição de software de prateleira que não envolva transferência de tecnologia (Grifos meus): “Art. 20. O art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1oA: “Art. 2º ........................................................................................... ......................................................................................................... § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia.” Tanto é assim que trouxe “textualmente” o termo “não incide”, deixando claro que se trata de norma “esclarecedora”, e não norma institutiva de “isenção”. Não se trata de norma isentiva, pois caso assim fosse, traria literalmente o termo “isenção” para fins de outorgála, em respeito ao art. 111, inciso II, do CTN. Fl. 3532DF CARF MF Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 9303005.497 CSRFT3 Fl. 3.533 10 Sendo assim, por óbvio, resta estranho considerar o art. 2º, § 1ºA, da Lei 10.168/00 – trazida pelo art. 20 da Lei 11.452/07 como norma isentiva, vez que se trata especificamente de norma ESCLARECEDORA das hipóteses de incidência referendadas no caput do art. 2º da Lei 10.168/00. Recordo que no dispositivo em questão traz o termo “não incide” – o que reforça tal entendimento. Entender, assim, que o dispositivo esclarecedor seria, em verdade, norma inovadora por ser norma de isenção e, por conseguinte, aplicar tal “isenção” apenas a partir de 2007, usurparia o art. 111, inciso II, do CTN. Reforço que não se trata de norma isentiva, pois sem o r. dispositivo também poderíamos entender que a CIDE nesse caso não seria devida, pois não poderíamos ignorar a regra matriz de incidência da contribuição que trouxe claramente que a incidência da contribuição abarcaria aquisição e contratos que impliquem transferência de tecnologia. Ou seja, sobre as aquisições e contratos que não impliquem transferência de tecnologia não haveria a INCIDÊNCIA da CIDE. Sendo assim, a norma “esclarecedora”, que apenas clarifica hipótese de incidência já abarcada pela lei original, não deve ser tratada como norma isentiva e inovadora, pois nada inova no ordenamento jurídico. Apenas clarifica que NÃO INCIDE a CIDE sobre remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador quando não envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Dizse que tal norma é somente esclarecedora, pois tem o condão de “esclarecer”, até mesmo aos julgadores e à autoridade fazendária, as hipóteses de incidência e não incidência da CIDE – que já estavam abarcadas e previstas no art. 2º da Lei 10.168/00. Não obstante, podese ainda inferir que tal dispositivo teria o condão de interpretar norma anterior – o que, nos termos do art. 106 do CTN, poderia ser aplicável a fatos pretéritos. Com efeito, independentemente de ser norma “esclarecedora” – que automaticamente aplicaria a fatos pretéritos, se entendêssemos como norma interpretativa, ainda que restasse transparente a não incidência da CIDE no evento em discussão, poderseia insurgir quando da análise do caráter interpretativo da r. norma se essa seria “expressamente” interpretativa para tentar afastar a não tributação para fatos pretéritos. No entanto, vejo que tal insurgência poderia ser demasiadamente ignorada, eis que tal norma poderia ser vista como “expressamente interpretativa”. Ora, ressurgindo ao dispositivo (Grifos meus): “Art. 2º ........................................................................................... ......................................................................................................... § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia.” Fl. 3533DF CARF MF Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 9303005.497 CSRFT3 Fl. 3.534 11 Com efeito, resta claro que “expressamente” traz que a CIDE NÃO INCIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, SALVO QUANDO ENVOLVEREM A TRANSFERÊNCIA DA CORRESPONDENTE TECNOLOGIA. Expressamente, então, traz que NÃO INCIDE A CIDE nesses casos – e repete regra já posta na Lei 10.168. Portanto, não há como se entender que tal norma não seria esclarecedora ou interpretativa – com aplicação retroativa. No direito positivo, temse que somente devem observar regras constitucionais de anterioridade quando se tratar de instituição ou majoração de tributos. O que, por conseguinte, vêse não ser o caso em comento. Ademais, é de se esclarecer que também não se trata de norma de isenção com aplicação a partir da publicação da lei, eis que tal norma deverá trazer literalmente a outorga de isenção – conforme pressupõe o próprio art. 111 do CTN. Continuando, se fosse norma isentiva, em respeito ao art. 176 do CTN, vêse ainda que a lei que traria tal norma, deveria especificar as condições e requisitos exigidos para a sua concessão e não há nada que pudesse nos fazer levála a esse direcionamento. Além disso, a norma de não incidência, ao contrário da isenção, traz enunciado de inexistência de relação jurídica entre as partes. O QUE FEZ!! E a norma isentiva dispensa o pagamento do tributo em razão de determinado ato ou fato jurídico – O que não fez!! Em vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Declaração de Voto Conselheiro Demes Brito Em que pese ter acompanhado o Ilustre Relator Rodrigo da Costa Pôssas, pelo provimento do Recurso Interposto pela Fazenda Nacional, entendo ser necessário consignar nesta declaração de voto o recente entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ, que decidiu no julgamento dos REsp's nºs 1642249 e 1650115, na sessão de julgamento de 15/08/2017, de Relatoria do Ilustre Ministro Mauro Campbell, o qual ficou decidido que incide a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre contratos de licença de uso e comercialização ou distribuição de software em que há remessas de valores ao exterior, independentemente de absorção de tecnologia ou não. A decisão foi unânime e refere se ao período de 2000 a 2006. Neste sentido, em sintonia com o que decidiu o STJ, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para manter a incidência da CIDE sobre as Fl. 3534DF CARF MF Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 9303005.497 CSRFT3 Fl. 3.535 12 remessas dos valores de royalties a qualquer título ao exterior, em razão do pagamento pela licença de uso de software, independentemente da transferência ou não de tecnologia. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 3535DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720369/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída a responsabilidade tributária de procurador que é empregado de pessoa jurídica que ganhava pequena quantia mensal para fins de assinar cheques, sem ter real poder de administração.
Numero da decisão: 1201-001.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para que o acórdão seja integrado para suprir a omissão de fundamento apontada.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída a responsabilidade tributária de procurador que é empregado de pessoa jurídica que ganhava pequena quantia mensal para fins de assinar cheques, sem ter real poder de administração.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10630.720369/2007-54
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5794791
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.878
nome_arquivo_s : Decisao_10630720369200754.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
nome_arquivo_pdf_s : 10630720369200754_5794791.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para que o acórdão seja integrado para suprir a omissão de fundamento apontada. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
id : 6994386
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733530910720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1563; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10630.720369/200754 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1201001.878 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída a responsabilidade tributária de procurador que é empregado de pessoa jurídica que ganhava pequena quantia mensal para fins de assinar cheques, sem ter real poder de administração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para que o acórdão seja integrado para suprir a omissão de fundamento apontada. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 69 /2 00 7- 54 Fl. 1003DF CARF MF 2 Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 984 a 988) opostos em 15 de setembro de 2015 pela Fazenda Nacional, em face da alegada existência de omissão no acórdão nº 1103000.448 (fls. 965 a 982), proferido pela então Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara desta 1ª Seção do CARF, em 24 de maio de 2011. Dispõe o artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. § 2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e os rejeitará, em caráter definitivo, nos casos em que não for apontada, objetivamente, omissão, contradição ou obscuridade. O exame de admissibilidade foi efetuado por meio do despacho de fls. 992 a 995. O processo foi redistribuído por sorteio em face da reformulação ocorrida no CARF com a extinção da Turma que proferiu o acórdão. No Despacho de Admissibilidade ficou assentado: Notificada da referida decisão em 11.09.2015, a PGFN opôs embargos de declaração em 15.09.2015 (§ 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), suscitando que: Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10630.720369/200754 Acórdão n.º 1201001.878 S1C2T1 Fl. 3 3 Ocorre que o acórdão embargado foi omisso sobre os fundamentos que ensejaram o provimento do Recurso Voluntário, conforme transcrição do voto vencedor, [...] Como visto, o ilustre Relator ad hoc designado, [...], não apontou fundamento algum que respalde a conclusão do julgado, ensejando afronta ao art. 93, inciso IX, da Constituição Federal, que expressamente dispõe [...]. Logicamente que tais determinações se aplicam também a decisões administrativas, considerando os princípios do Estado Democrático de Direito que se encontram inseridos na referida norma. Destaquese, inclusive, que o princípio da informalidade que norteia o contencioso tributário não isenta os conselheiros do CARF do imperioso dever que a Constituição Federal impõe a todos os órgãos jurisdicionados de fundamentar suas decisões, de modo a possibilitar o adequado exercício das funções institucionais que lhes foram incumbidas. Ainda acerca das normas que respaldam a exigência de fundamentação das decisões, cumpre observar que o Código de Processo Civil explicita este dever do julgador e garantia das partes, consoante os artigos a seguir transcritos: [...] Por sua vez, o artigo 458, ao qual o artigo 165 remete, dispõe detidamente sobre a forma que deve ser obedecida nas sentenças e nos acórdãos: [...] Portanto, o CPC determina que a fundamentação deve ser analítica nos casos de sentenças e acórdãos, podendo ser concisa nos demais casos. Esclareçase que a fundamentação pode ser concisa, mas deve ser sempre suficiente para legitimar a conclusão final. Na hipótese em análise, sequer concisa foi a fundamentação do Acórdão nº 1103000.448, na medida em que o Relator ad hoc designado limitouse a reproduzir a conclusão constante da ata da respectiva sessão de julgamento, impossibilitando às partes terem ciência dos argumentos que ensejaram o provimento do pedido da contribuinte. [...] Portanto, resta evidente a violação ao direito das partes de terem conhecimento das razões que fundamentaram a conclusão do referido julgado, o que enseja grave cerceamento de defesa e afronta ao Estado Democrático de Direito. Tal conduta possibilita a decretação de nulidade da decisão. [...] Com a abordagem realizada acerca da motivação das decisões judiciais e administrativas, concluise que para se ter uma decisão adequada, os julgadores devem respeitar as garantias elencadas no ordenamento jurídico pátrio. A falta da motivação das decisões importa, sem dúvida alguma, em nulidade, pois o processo deixou de atingir seu desiderato, Fl. 1005DF CARF MF 4 afrontando garantias constitucionais e processuais das partes. [...] Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) sejam conhecidos e providos os presentes embargos de declaração com efeitos infringentes, com a consequente indicação das razões que levaram à exclusão do sr. Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira do auto de infração; ou, então, caso não seja possível a adoção desse procedimento, com a consequente anulação do julgamento inicial, em atenção aos princípios resguardados no ordenamento jurídico pátrio. Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios de obscuridade ou contradição no julgado ou omissão de algum ponto sobre o qual deveria pronunciarse o colegiado não se prestando, portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos. Eles estão regulamentados no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) e foram opostos no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão e atendem aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: Assim, o entendimento consubstanciado neste voto vencedor, que se restringe à exclusão da responsabilidade tributária do recorrente Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira, tem por base os elementos constantes da ata da Sessão de Julgamento, realizada pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 24/05/2011, à partir das quatorze horas e trinta minutos, e não exprime qualquer juízo de valor deste redator. Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa com relação à responsabilidade tributária imputada, em caráter pessoal ao recorrente Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira. Desta feita, entendeu o colegiado que não restou configurada a responsabilidade tributária do referido recorrente. Pelo exposto, a decisão do colegiado foi no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira, para excluílo do pólo passivo da obrigação constituída mediante o lançamento formalizado no presente processo. A PGFN argúi que houve omissão em relação ao fato de que no acórdão embargado excluiu do pólo passivo o Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira. Porém, não ficou identificada a motivação desta circunstância. A situação de omissão está apontada objetivamente. Registrese que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir em relação a motivação da exclusão do pólo passivo o Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira. Por todo o exposto, ADMITO os embargos de declaração interpostos. Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10630.720369/200754 Acórdão n.º 1201001.878 S1C2T1 Fl. 4 5 Transcrevese abaixo o relatório da decisão embargada: Tratase de recurso voluntário, a respeito da decisão da DRJ de Juiz de Fora que julgou procedente o lançamento. Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração, às fls. 306/338, para exigência de créditos tributários, referentes aos anos calendários de 2002, adiante especificados: CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM REAIS Constituem partes integrantes dos Autos de Infração lavrados, a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e o Relatório de Auditoria Fiscal, nos quais estão descritos a matéria tributável e a base legal de cada tributação, o Demonstrativo de Apuração do Imposto ou Contribuição e o Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, documentos que constituem as fls. 08/12; 15/20; 23/28; 31/35 e 38/59 do processo. Objetivando o esclarecimento da tributação o autuante instruiu o processo com os documentos às fls. 60/285. I. Da Autuação. Conforme descrição dos fatos às fls. 309 e Relatório de Auditoria Fiscal às fls. 339/360, a autuação teve por base a constatação, durante o procedimento de ofício, da seguinte irregularidade: I.1– Arbitramento – Receita Omitida. Durante o procedimento de verificações obrigatórias, a fiscalização observou que relativamente ao ano calendário de 2002: a) a contribuinte apresentou Declaração de Inatividade para o anocalendário de 2002 e não efetuou nenhum recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativo a esse ano. b) intimada, através de seu suposto sóciogerente, em 24/04/2007, a apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal a que está obrigado, esse se declarou “laranja” e não estar com a documentação. O Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira, procurador da fiscalizada, foi intimado a apresentar os mesmos documentos, porém informou que não é mais o representante legal da empresa. O responsável pelo preenchimento das declarações da fiscalizada nos anos calendário de 2003 e 2004, o Sr. Henrique César de Oliveira, declarou que não sabe onde estão os livros e documentos da fiscalizada, presumindo que estão com o Sr. Sebastião Fernandes Barbosa. Fl. 1007DF CARF MF 6 A contínua falta de apresentação de documentos por parte da fiscalizada configurase de forma inequívoca, a hipótese prevista no art. 47 da Lei nº 8.981/95, ensejando o arbitramento do lucro consoante o inciso III do art. 530 do RIR/2003, com base na venda declarada para a Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais nos meses de janeiro a agosto de 2002 e nas notas fiscais de vendas da Comercial Agrícola Carvalho no período de setembro a dezembro de 2002. I.2.Dos Autos de Infração: I.2.1 IRPJ. Fato Gerador: primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2002, descritos às fls. 08/09. Enquadramento Legal: art. 530, inciso III, e art. 532 todos do RIR/99. I.2.2 CSLL. Lançamento decorrente do arbitramento do lucro. Fato Gerador: primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2002, descritos às fls. 31/32. Enquadramento Legal: descrito às fls. 32. I.2.3 – PIS. Lançamento decorrente da apuração da contribuição para o PIS com base na receita bruta declarada para a Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais nos meses de janeiro a agosto de 2002 e nas notas fiscais de vendas da Comercial Agrícola Carvalho no período de setembro a dezembro de 2002, discriminada às fls. 53. Fato Gerador: 31/01/2002 a 31/12/2002, discriminados às fls. 15. Enquadramento Legal: descrito às fls. 15/16. I.2.4 COFINS. Lançamento decorrente da apuração da contribuição para a COFINS com base na receita bruta declarada para a Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais nos meses de janeiro a agosto de 2002 e nas notas fiscais de vendas da Comercial Agrícola Carvalho no período de setembro a dezembro de 2002, discriminada às fls. 53. Fato Gerador: 31/01/2002 a 31/12/2002, discriminados às fls. 23. Enquadramento Legal: descrito às fls. 23/24. II. Das Impugnações. Devidamente notificado, e não se conformando com o procedimento fiscal, o procurador da empresa autuada, Ademilton Medeiros de Oliveira, na condição de pessoalmente responsável pelos créditos tributários, apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls. 361/362, nas quais requer sejam anulados os autos de infração em questão e/ou excluída a sua responsabilidade por esses débitos, alegando em síntese o seguinte: A decadência dos débitos exigidos nos Autos de Infração nos termos do artigo 173 do CTN, que dispõe que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (anos), isso porque o impugnante somente foi intimado Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10630.720369/200754 Acórdão n.º 1201001.878 S1C2T1 Fl. 5 7 dos autos de infração pela Fiscalização em dezembro de 2007 e esses autos estão exigindo tributos referentes ao ano de 2002. Aduz, ainda, que não tem nenhuma responsabilidade pelos débitos em questão, sendo apenas funcionário de uma empresa que presta serviços contratuais para a empresa Comercial Agrícola Carvalho. Reclama que a multa de 75% é indevida, fora dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, tendo em vista o Código do Consumidor, que não admite multa superior a 10% do valor da obrigação, nos termos de seu parágrafo 1°, do seu artigo 52. Por fim, requer o afastamento da aplicação da taxa SELIC sobre esses débitos, tendo em vista que não são as taxas aplicáveis ao caso em questão. As empresas Gardingo Trade Importação e Exportação Ltda (responsável solidário) Armazéns Gerais São João Ltda (responsável solidário), Cafeeira São João Ltda (responsável solidário), e as pessoas físicas, João Batista Gardingo (pessoalmente responsável), Antônio Fábio Gardingo (pessoalmente responsável), e Sebastião Gardingo (pessoalmente responsável), também, apresentaram, tempestivamente, através dos procuradores nomeados pelos instrumentos de fl. 378/383, suas impugnações, às fls. 365/377, 423/433, 490/502 e 573/585, alegando em síntese: Inicialmente discorre sobre os fatos que motivaram a lavratura dos autos de infração em lide, alegando que não procede a exigência fiscal pelos seguintes motivos: II. Da Responsabilidade pelo crédito tributário. Neste item a impugnante se insurge contra a responsabilização imputada às empresas impugnantes, alegando que "os negócios firmados entre as empresas impugnantes e o contribuinte autuado eram lícitos e previstos no objeto social das impugnantes. Desta forma, não caberia às impugnantes fiscalizar a empresa Comercial Agrícola Carvalho quanto ao cumprimento de suas obrigações tributárias. Mesmo porque lhes faltariam prerrogativas e instrumentos para tal fiscalização."(sic). Afirma ainda que, o que se percebe no Relatório de Auditoria Fiscal que embasou o auto de infração ora impugnado é a intenção dos responsáveis pela empresa Comercial Agrícola Carvalho de transferir a sua responsabilidade pelos débitos exigidos para outrem, empresas lícitas com quem mantinham mera relação comercial. Ressalta, outrossim, que a responsabilização dos ora impugnantes foi feita com base somente em alegações e depoimentos pessoais dos sócios da empresa autuada, sendo que em momento algum foram intimados a prestar informações os ora impugnantes. Por fim, afirma que a responsabilização de terceiros por créditos tributários somente pode ser feita mediante comprovação inequívoca do fato, através do devido processo legal que comprove o dolo necessário para caracterização das situações previstas nos arts. 121, 123, 124, 134, 135 e 137, do CTN, suscitados pela Fiscalização, sendo que, no caso presente, inferese que não restou comprovada nenhuma atitude desta natureza. III Da decadência do Crédito Tributário. Fl. 1009DF CARF MF 8 Discorrendo a respeito do instituto da decadência, as impugnantes requerem a nulidade dos lançamentos, conforme as notas explicativas do art. 59, § 3° do Decreto n° 70.235/2002 diante da inaplicabilidade do prazo decadencial de dez anos para as contribuições sociais previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/91, por violação ao disposto no art. 145, III, "b" da CF/88 c/c art.173 do CTN. Para o IRPJ, alega que é um tributo sujeito à homologação do pagamento sendo que o termo inicial para lançamento do crédito tributário ocorre no momento da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, parágrafo 4° do CTN. Assim, no caso sob exame, tendo em vista tratarse de fatos geradores ocorridos no ano de 2002 e que a impugnante só foi intimada do lançamento em questão em dezembro de 2007, encontrase decaído o crédito de imposto de renda. IV Da abusividade da penalidade aplicada. Os impugnantes se insurgem contra a multa lançada afirmando ser indevida, não só por estar fora dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, tendo em vista o Código do Consumidor, que não admite multa superior a 10% do valor da obrigação, nos termos de seu parágrafo 1°, do seu artigo 52, bem como por possuir um caráter manifestamente confiscatório. V Da Impossibilidade Jurídica da Aplicação da Taxa SELIC relativamente a juros moratórios sobre tributos. Os impugnantes se insurgem contra a utilização da taxa SELIC para determinação dos juros moratórios, alegando inconstitucionalidade e ilegalidade consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça. VI Do pedido. Diante das razões apresentadas o impugnante requer: Pelo exposto, confiam e esperam os impugnantes seja acolhida a presente defesa para, reconhecendo os argumentos ora aduzidos, declarar a inexistência de responsabilidade par com o crédito tributário exigido no Auto de Infração impugnando. Ad argumentandum, ainda que não se entenda pela procedência da presente impugnação, o que se admite apenas em atenção ao princípio da eventualidade, requerem os impugnantes o cancelamento do Auto de Infração ora impugnado, tendo em vista a decadência do crédito tributário exigido. Requerem também os impugnantes, em razão do princípio da eventualidade, seja reduzida a multa isolada aplicada em pelo menos 50% de seu valor, posto que a mesma afigurase confiscatória, bem como a substituição da Taxa Selic, posto que inadequada à atualização de débitos tributários. Protesta pela produção de prova documental, bem como apresentação de novos documentos, nos termos do art. 6°, § 1° da Portaria MPAS n° 357, de 17 de abril de 2002. Por sua vez, em 08/02/2008, José Alves e Sebastião Fernandes Barbosa, na qualidade de pessoalmente responsáveis pelo crédito tributário, apresentaram a sua defesa de fls. 644/649. A DRJ decidiu: "DECADÊNCIA DO IRPJ. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10630.720369/200754 Acórdão n.º 1201001.878 S1C2T1 Fl. 6 9 No lançamento por homologação, o prazo para a homologação tácita prevista no parágrafo 4° do art. 150 do CTN, será de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Neste caso a decadência é regida pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O direito de apurar e constituir o crédito, nos casos de Contribuições Sociais para a Seguridade Social, só se extingue após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. MULTA DE OFÍCIO CARÁTER CONFISCATÓRIO/INCONSTITUCIONALIDADE A multa aplicada em procedimento de ofício é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário, não havendo, portanto, qualquer razão em querer dar cunho confiscatório à aludida exigência. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhe execução. JUROS DE MORA (TAXA SELIC) INCONSTITUCIONALIDADE. A cobrança em auto de infração da multa de ofício e dos juros de mora (calculados pela TAXA SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura, que, em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal, que declare sua inconstitucionalidade. Fl. 1011DF CARF MF 10 Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. O entendimento adotado com relação ao auto de infração reflexo acompanha o do auto matriz, em virtude da íntima relação de causa e efeito entre eles. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos." Tendo sido apresentado Recurso Administrativo, via postal, data de postagem 18/03/2009 pelos: GARDINGO TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n° 00681.184/000100, ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ n° 22.394.696/0001, CAFEEIRA SÃO JOÃO LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n°16.812.331/000166, JOÃO BATISTA GARDINGO, pessoa física inscrita no CPF sob o n° 202.461.96653, ANTÔNIO FÁBIO GARDINGO, pessoa física inscrita no CPF sob o n° 200.665.03604, SEBASTIÃO GARDINGO, pessoa física inscrita no CPF sob o n° 153.207.90600, FRANCISCO ANIZIO GARDINGO, pessoa física inscrita no CPF sob o n° 37.851.83691, CARLOS HENRIQUE GARDINGO, pessoa física inscrita no CPF sob o n° 215.365.62653, ADEMILTON MEDEIROS DE OLIVEIRA, pessoa física inscrita no CPF sob o n° 036.178.44650. Razões: DAS NULIDADES VIOLAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DOS RECORRENTES A AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO Como se verifica do Relatório de Auditoria Fiscal, durante o Procedimento de Investigação. nenhum dos ora recorrentes, posteriormente responsabilizados, foi notificado e chamado a se defender das autuações que posteriormente foramlhe imputadas. Com isso, os ora recorrentes foram chamados ao processo somente quando já lavrado o auto de infração e produzidas as provas sem qualquer contraditório. Destarte, dispensamse maiores digressões a fim de se verificar que o auto de infração em comento está plenamente inquinado de nulidade, por violar os direitos fundamentais dos recorrentes à ampla defesa e ao contraditório. DA AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS NO PROCESSO Como se vê do Relatório de Auditoria Fiscal, no caso em tela, o arbitramento tomou por base, no período de janeiro a agosto do exercício de 2002, supostas Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10630.720369/200754 Acórdão n.º 1201001.878 S1C2T1 Fl. 7 11 declarações prestadas pela empresa autuada à Fazenda 'estadual acerca de suas vendas. Não obstante, inacreditavelmente as supostas declarações prestadas à SEFMG sequer foram trazidas aos autos do PTA. Não constam tais declarações do procedimento fiscal, pelo que os valores apontados pela Fazenda não passam de meras alegações desprovidas de comprovação. Verifiquese, nesse sentido, o sumário do Relatório citado, em que não há qualquer menção às declarações invocadas. Com isso, além de se impedir a comprovação de que os valores suscitados como receitas da devedora são realmente aqueles constantes das declarações, tornou se impossível a eventual verificação de seu teor, impedindo os recorrentes de impugnar tais valores, em mais uma violação frontal aos seus direitos fundamentais à ampla defesa e contraditório. DA RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A fim de caracterizar a sujeição passiva e a responsabilidade tributária pelo crédito exigido no Auto de Infração ora impugnado, a Fiscalização embasouse nos artigos 121, 123, 124, 134, 135 e 137. A empresa Comercial Agrícola Carvalho, devedora do débito em comento, é sociedade completamente distinta das empresas ora Recorrentes, com quadro societário também inteiramente diverso, conforme comprovado pela própria Fiscalização. A empresa Comercial Agrícola Carvalho e as Recorrentes apenas realizavam negociações no mercado de café, sendo essas últimas meras prestadoras de serviços do contribuinte autuado. Conforme comprovam os Contratos Sociais das ora Recorrentes, em anexo, os objetos sociais destas empresas são "a compra e venda de café e o seu beneficiamento", no caso da CAFEEIRA SÃO JOÃO LTDA., "a guarda e conservação de mercadorias nacionais, de qualquer tipo e procedência" e a execução de "serviços relacionados com a mercadorias depositadas, tais como catação, benefício, rebenefício, ensaque, enfardamento, empacotamento, despacho. , além de outros trabalhos anexos", no caso da empresa ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA., e "a exploração das atividades de compra e venda de café no mercado interno, exportação de café e importação de cereais e produtos industrializados em gerar, no caso da GARDINGO TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Ora, os negócios firmados entre as empresas Recorrentes e o contribuinte autuado eram lícitos e previstos no objeto Social das Recorrentes. Desta forma, não caberia a essas fiscalizar a empresa Comercial Agrícola Carvalho quanto ao cumprimento de suas obrigações tributárias. Mesmo porque lhes faltariam prerrogativas e instrumentos para tal fiscalização. O que se percebe no Relatório de Auditoria Fiscal que embasou o Auto de Infração ora impugnado é a intenção dos resPonsáveis pela empresa Comercial Agrícola Carvalho de transferir a sua responsabilidade pelos débitos exigidos para outrem, empresas lícitas com quem mantinham mera relação comercial. E cumpre ressaltar que a responsabilização dos ora Recorrentes foi feita com base somente em alegações e depoimentos pessoais dos sócios da empresa autuada, Fl. 1013DF CARF MF 12 sendo que em momento algum foram intimados a prestar informações os ora Recorrentes. Cotejando, pois, cada uma das hipóteses de responsabilização previstas no CTN, em especial os arts. 134, 135 e 137, pretensos fundamentos da Fazenda para responsabilização.dos recorrentes in casu, temse: quanto ao art. 134, que o caso dos autos não se subsume a qualquer das hipóteses descritas no artigo, mormente ao inciso "III", que trata dos administradores de bens de terceiros; quanto ao art. 135, a ausência de subsunção é ainda mais clara, visto que nenhum dos recorrentes é mandatário, gerente, preposto, empregado, sócio ou representante da Comercial Agrícola Carvalho Ltda.; por fim, quanto ao art. 137, a exclusão já foi demonstrada quanto aos artigos anteriores. Resta patente, portanto, a ilegitimidade passiva dos Recorrentes para figurarem como coobrigados no Auto de Infração impugnado, e assim responder pelo débito existente em nome da empresa Comercial Agrícola Carvalho, uma vez que esta é empresa completamente distinta dos Recorrentes, com quem estes mantinham mera relação comercial. DA DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO O Auto de Infração em comento exige dos Recorrentes Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, CSLL, PIS e COFINS cujos fatos geradores teriam supostamente ocorrido no ano de 2002. Ressaltese que tais tributos são tributos sujeitos ao chamado lançamento "por homologação". Nesses casos, é previsão basilar que o termo inicial para lançamento do crédito tributário, nos termos do art. 150, parágrafo 4°, do CTN, coincide com o momento da ocorrência do fato gerador. Assim, no caso sob exame, tendo em vista que os recorrentes só foram intimados do lançamento em questão em dezembro de 2007, encontrase indubitavelmente decaído o direito da Fazenda de constituir o crédito constante do auto de infração impugnado, bem como os demais consectários legais. DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 9,6% PARA ARBITRAMENTO DO LUCRO, NOS TERMOS DA LEI 9.249/95, ARTIGOS 15 E 16. A despeito dos insuperáveis argumentos já dispendidos, que são além de suficientes ao cancelamento do auto de infração em tela, no completo absurdo de ser mantido o auto, deverá, ao menos, ser a alíquota utilizada para arbitramento do lucro decotada de excesso injustificável. É completamente despropositada, e encontrase em frontal contradição com a finalidade do instituto do arbitramento o adicional de vinte por cento sobre a alíquota previsto no art. 16 da Lei 9.249/95. DA ABUSIVIDADE DA PENALIDADE APLICADA Além da exigência de Imposto acima debatida, foram imputadas à Impugnante penalidades no absurdo percentual de 150% (setenta e cinco por cento) do valor principal em comento, além do acréscimo de multa e juros de mora. Cabe ressaltar Os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, que estão sendo frontalmente aviltados com a exigência em tela, razão por si só já suficiente a que a autuação seja cancelada. Logo, em respeito ao princípio da eventualidade, caso não se entenda como devida a total desconstituição da multa em tela, requerse seja esta reduzida em, pelo Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10630.720369/200754 Acórdão n.º 1201001.878 S1C2T1 Fl. 8 13 menos, 50% (cinqüenta por cento), tendo em vista a proibição constitucional ao confisco. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Uma vez que os pressupostos de admissibilidade já foram avaliados no despacho próprio, passase à análise do vício apontado. Omissão. A embargante alega ter havido omissão no acórdão proferido pela então 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deste CARF, em 24 de maio de 2011, em face de não ter sido apontado o fundamento para a exclusão da responsabilidade tributária do senhor Ademilton Medeiros de Oliveira. Pugna pela "indicação das razões que levaram à exclusão do Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira do auto de infração; ou, então, caso não seja possível a adoção desse procedimento, com a consequente anulação do julgamento inicial". Não se está defronte a caso de anulação de julgamento, uma vez esse ter ocorrido em data pretérita, com a indicação clara da decisão tomada, havendo consonância entre o constante na ata da sessão com o dispositivo do acórdão. Necessária, portanto, a indicação do fundamento ou, como se referiu a embargante, "das razões que levaram à exclusão do Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira do auto de infração". Relativamente à responsabilidade tributária do senhor Ademilton Medeiros de Oliveira, consta do voto vencido (fls. 977 e 978): "O art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelece a responsabilidade tributária às pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e o art. 135, inciso III, estabelece a responsabilidade tributária a diretores, gerentes e administradores de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei. Não se pode negar, entretanto, que tal responsabilidade é subjetiva, sendo imprescindível que fique demonstrada o dolo a quem ela é atribuída. Não se pode presumir o dolo daqueles elencados no art. 135 do Código Tributário Nacional. Sem tal comprovação (que requer procedimento em que lhe seja garantido amplo direito de defesa, tal qual no presente caso), não pode o fisco expropriálos de seu patrimônio, sob a alegação de que são responsáveis por créditos tributários da pessoa jurídica. [...] Fl. 1015DF CARF MF 14 Ressaltese que não é verdadeira a afirmação dos impugnantes de que "a responsabilização dos ora impugnantes foi feita com base somente em alegações e depoimentos pessoais dos sócios da empresa autuada, sendo que em momento algum foram intimados a prestar informações", haja vista que o próprio funcionário do BRADESCO, agência Realeza/MG, onde a empresa autuada tinha movimentação financeira, Sr. Ricardo Fernandes Hott, através do Termo de Esclarecimento Fiscal de fl. 101/104, afirma que: "(...) QUE é funcionário do Bradesco, agência Realeza/MG, estando afastado atualmente por motivo de saúde; (...) QUE exerceu naquela agencia bancária as funções de escriturário, caixa e atualmente chefe de expediente; QUE nessas funções conhece perfeitamente sobre a abertura e movimentação financeira na conta bancária número 11.1821, pois era caixa naquela época 2002 a 2004, e esteve sempre em contato como os responsáveis pela movimentação financeira naquela conta. (...) QUE sabe que a conta foi aberta pelo gerente à época, SR. MANUEL ANTONIO ANDRADE, através do procurador da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO LTDA, Sr. ADEMILTON MEDEIROS DE OLIVEIRA; QUE o referido procurador era uma espécie de contínuo, que fazia os serviços bancários para o ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA; QUE o procurador assinava os cheques e ia à sua agencia bancaria, mas notadamente não era o real detentor dos recursos transitados pela conta bancária; QUE os reais detentores de tais recursos eram os donos dos ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO, Srs. JOÃO GARDINGO, ANTONIO GARDINGO E SEBASTIÃO GARDINGO; QUE, na qualidade de caixa, confirmou por telefone número 38731454, do próprio ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO a emissão e o pagamento de inúmeros cheques emitidos pelo SR. ADEMILTON da conta citada, de titularidade da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO; que confirmava os cheques com KÁTIA MARIA GARDINGO, filha do Sr. SEBASTIÃO GARDINGO (atual Prefeito de Matipó) e sobrinha do Sr. JOÃO GARDINGO; (...) QUE era do conhecimento da agência bancária e de seus gerentes que os recursos transitados pela conta bancária pertenciam aos GARDINGO; QUE conhece a assinatura do verso do cheque 4737, que lhe foi apresentada neste ato, como sendo do Sr. JOÃO GARDINGO; QUE o Sr. JOÃO GARDINGO endossou o cheque mesmo sem ter procuração da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO porque era do conhecimento da agência bancária que ele era quem detinha os recursos transitados pela conta. Assim, não resta dúvida que a responsabilidade pelo total dos créditos tributários é devida pelos responsáveis apontados, haja vista, que a empresa em questão era constituída por "laranjas" Ocorre que o relator foi vencido e o voto vencedor foi no sentido da exclusão do senhor Ademilton do polo passivo da obrigação tributária. O acórdão está assim redigido: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir do pólo passivo o Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira, ... No entanto, em face de o conselheiro designado para redigir o voto vencedor não ter oficializado tal voto, este foi redigido pelo redator ad hoc que, segundo os embargos opostos, não indicou o fundamento para a exclusão da responsabilidade tributária como explanado supra. Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10630.720369/200754 Acórdão n.º 1201001.878 S1C2T1 Fl. 9 15 Assim, necessária a integração do referido voto vencedor, acrescentandolhe os seguintes termos: Apesar de o senhor Ademilton Medeiros de Oliveira ter sido arrolado na condição de pessoalmente responsável pelos créditos tributários, nos termos dos artigos 135, inciso III e 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, ele não passava de mero empregado de uma das empresas do Grupo Gardingo, conforme declaração à fl. 46 (eprocesso). O seu cargo era de auxiliar de contabilidade e ganhava um salário mínimo apenas para assinar cheques de titularidade da Comercial Agrícola Carvalho, muito embora detivesse procuração com amplos poderes de administração. No depoimento do senhor Ricardo Fernandes Hott, funcionário do Bradesco, acima transcrito está assentado: QUE sabe que a conta foi aberta pelo gerente à época, SR. MANUEL ANTONIO ANDRADE, através do procurador da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO LTDA, Sr. ADEMILTON MEDEIROS DE OLIVEIRA; QUE o referido procurador era uma espécie de contínuo, que fazia os serviços bancários para o ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA; QUE o procurador assinava os cheques e ia à sua agencia bancaria, mas notadamente não era o real detentor dos recursos transitados pela conta bancária; Inaplicável, pois, ao caso o artigo 124, inciso I, do CTN, uma vez não haver interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação. Quanto à capitulação segundo o artigo 135, III, do CTN, embora o senhor Ademilton fosse procurador da autuada principal, não havia, de fato, um "poder" de representação, uma vez a condição já apontada de empregado de uma das empresas do Grupo Gardingo. A representação/administração resumiase à assinatura de cheques de emissão da Comercial Agrícola Carvalho. Para exercer essa atividade (assinatura de cheques) recebia um salário mínimo por mês. Ademais, não consta dos autos que ele, efetivamente, exercia qualquer outro ato de administração da empresa. Conclusão. Por todo o exposto, ACOLHO os embargos, sem efeitos infringentes, para que o acórdão seja integrado conforme acima indicado. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 1017DF CARF MF 16 Fl. 1018DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728702/2009-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10580.728702/2009-78
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805735
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-006.071
nome_arquivo_s : Decisao_10580728702200978.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10580728702200978_5805735.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7052377
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733701828608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2074; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.728702/200978 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.071 – 2ª Turma Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria CSP RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONGREGACAO DAS RELIGIOSAS DO SS SACRAMENTO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 87 02 /2 00 9- 78 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10580.728702/200978 Acórdão n.º 9202006.071 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10580.728702/200978 Acórdão n.º 9202006.071 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10580.728702/200978 Acórdão n.º 9202006.071 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10580.728702/200978 Acórdão n.º 9202006.071 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10580.728702/200978 Acórdão n.º 9202006.071 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10580.728702/200978 Acórdão n.º 9202006.071 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10580.728702/200978 Acórdão n.º 9202006.071 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.724177/2015-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
Tratando-se os autos de uma discussão predominantemente jurídica e tendo sido oportunizada à recorrente a apresentação das provas documentais pertinentes, não há razão que imponha a necessidade de realização de diligência/perícia, inexistindo o alegado cerceamento de defesa e a pretendida nulidade.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SEGURADO ESPECIAL. SENAR. SUB-ROGAÇÃO DO ADQUIRENTE.
A empresa adquirente, consumidora ou consignatária fica sub-rogada nas obrigações do segurado especial pelo recolhimento da sua contribuição social e da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR, não podendo alegar omissão para se eximir da obrigação, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei.
AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL DE PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR.
A arrecadação da contribuição será feita juntamente com a Previdência Social e o seu produto será posto, de imediato, à disposição do Senar, para aplicação proporcional nas diferentes Unidades da Federação, de acordo com a correspondente arrecadação, deduzida a cota necessária às despesas de caráter geral.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. IMUNIDADE DAS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. CABIMENTO QUANDO DA VENDA A EMPRESA EXPORTADORA.
A receita decorrente da venda de produtos ao exterior, por meio de 'trading companies', não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção. Imunidade. Cabimento.
CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. IMUNIDADE. A natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR, com base de cálculo prevista pelo art. 22-A, da Lei n.º 8.212, de 1991 é de contribuição de interesse de categorias econômicas, Assim, inaplicável a imunidade a que se refere o inciso I do § 2ºdo art. 149 da Constituição.
Numero da decisão: 2201-003.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os valores decorrentes de exportação por intermédio de trading companies.Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski, que negavam provimento e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que dava provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 10/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Tratando-se os autos de uma discussão predominantemente jurídica e tendo sido oportunizada à recorrente a apresentação das provas documentais pertinentes, não há razão que imponha a necessidade de realização de diligência/perícia, inexistindo o alegado cerceamento de defesa e a pretendida nulidade. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SEGURADO ESPECIAL. SENAR. SUB-ROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária fica sub-rogada nas obrigações do segurado especial pelo recolhimento da sua contribuição social e da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR, não podendo alegar omissão para se eximir da obrigação, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei. AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL DE PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. A arrecadação da contribuição será feita juntamente com a Previdência Social e o seu produto será posto, de imediato, à disposição do Senar, para aplicação proporcional nas diferentes Unidades da Federação, de acordo com a correspondente arrecadação, deduzida a cota necessária às despesas de caráter geral. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. IMUNIDADE DAS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. CABIMENTO QUANDO DA VENDA A EMPRESA EXPORTADORA. A receita decorrente da venda de produtos ao exterior, por meio de 'trading companies', não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção. Imunidade. Cabimento. CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. IMUNIDADE. A natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR, com base de cálculo prevista pelo art. 22-A, da Lei n.º 8.212, de 1991 é de contribuição de interesse de categorias econômicas, Assim, inaplicável a imunidade a que se refere o inciso I do § 2ºdo art. 149 da Constituição.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10480.724177/2015-98
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5791028
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.863
nome_arquivo_s : Decisao_10480724177201598.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 10480724177201598_5791028.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os valores decorrentes de exportação por intermédio de trading companies.Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski, que negavam provimento e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que dava provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. EDITADO EM: 10/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6990584
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733716508672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1992; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.724177/201598 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.863 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente UNA ACUCAR E ENERGIA LTDA EM RECUPERACAO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Tratandose os autos de uma discussão predominantemente jurídica e tendo sido oportunizada à recorrente a apresentação das provas documentais pertinentes, não há razão que imponha a necessidade de realização de diligência/perícia, inexistindo o alegado cerceamento de defesa e a pretendida nulidade. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SEGURADO ESPECIAL. SENAR. SUB ROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária fica subrogada nas obrigações do segurado especial pelo recolhimento da sua contribuição social e da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, não podendo alegar omissão para se eximir da obrigação, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei. AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL DE PESSOA FÍSICA. SUB ROGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. A arrecadação da contribuição será feita juntamente com a Previdência Social e o seu produto será posto, de imediato, à disposição do Senar, para aplicação proporcional nas diferentes Unidades da Federação, de acordo com a correspondente arrecadação, deduzida a cota necessária às despesas de caráter geral. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. IMUNIDADE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 41 77 /2 01 5- 98 Fl. 1153DF CARF MF 2 DAS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. CABIMENTO QUANDO DA VENDA A EMPRESA EXPORTADORA. A receita decorrente da venda de produtos ao exterior, por meio de 'trading companies', não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção. Imunidade. Cabimento. CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. IMUNIDADE. A natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR, com base de cálculo prevista pelo art. 22A, da Lei n.º 8.212, de 1991 é de contribuição de interesse de categorias econômicas, Assim, inaplicável a imunidade a que se refere o inciso I do § 2ºdo art. 149 da Constituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os valores decorrentes de exportação por intermédio de “trading companies”.Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski, que negavam provimento e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que dava provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 10/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Trata o presente processo dos Autos de Infração de contribuição previdenciária, período 01/2011 a 12/2012, conforme abaixo: Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10480.724177/201598 Acórdão n.º 2201003.863 S2C2T1 Fl. 3 3 a) 51.071.9040, parte patronal e parcela decorrente do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a receita da comercialização da produção agrícola própria e sobre aquisição da produção rural de terceiros – pessoas físicas (subrogação), no valor de R$ 15.753.743,74; b) 51.071.9058, contribuições destinadas a outras entidades e fundos SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção para o mercado interno, sobre aquisição da produção rural de terceiros – pessoas físicas (sub rogação), sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção realizada diretamente para o exterior, além da contribuição destinada ao FNDE, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados e declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social), no valor R$ 2.198.337,29; Consta do Relatório Fiscal da Infração, em síntese, que: 1. tratase de fiscalização na empresa em epígrafe, classificada como Agroindústria, visto que desenvolve as atividades de produção de açúcar e álcool, a partir da canadeaçúcar de cultivo próprio e adquirida de terceiros, produtores rurais pessoas físicas e jurídicas. 2. a autuada ingressou com pedido de Recuperação Judicial, com fundamento na Lei nº 11.101/2005, objeto do processo nº 0107797 72.2009.8.17.0001, em tramitação na 3ª Vara Cível da Comarca de Recife – PE, deferido em decisão judicial proferida em 10/10/2010. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO – VENDA DA PRODUÇÃO PRÓPRIA E REVENDA DE MERCADORIAS NO MERCADO INTERNO 3. constitui fato gerador da infração o auferimento de receitas nas operações de comercialização realizadas pela empresa, no mercado interno, da produção rural própria e da produção rural adquirida de terceiros, industrializada ou não, e o auferimento de receita proveniente das demais atividades econômicas, exceto a decorrente da prestação de serviços a terceiros. 4. sobre as receitas de exportação direta incide não incide contribuição previdenciária, força no art. art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal, mas incide a contribuição para o SENAR. 5. as operações de comercialização da produção foram identificadas na escrituração contábil digital da empresa, disponível no ambiente nacional do SPED – Sistema Público de Fl. 1155DF CARF MF 4 Escrituração Digital, instituído pelo Decreto nº 6.022/2007, relativa aos anos de 2011 e 2012. 6. as receitas totais referentes à comercialização da produção foram identificadas por meio do exame das contas contábeis descritas nos anexos do Relatório dos Autos de Infração. O procedimento para identificação das bases de cálculo está descrito nos itens 2.1.3 e 2.1.4 do Relatório Fiscal. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS RURAIS DE PRODUTORES PESSOAS FÍSICAS – SUBROGAÇÃO 7. constitui fato gerador do lançamento a aquisição de produção rural de pessoa física, nos termos do art. 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91e art. 25, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, cabendo a empresa adquirente arrecadar e recolher as contribuições (art. 30, incisos III e IV, da Lei nº 8.212/91). 8. as aquisições de produção rural de pessoas físicas foram identificadas nos lançamentos a débito efetuados na conta “3.2.6.01.06.0004 – REGISTRO NFE FORN. CANA”, conforme demonstrado nos anexos III e IV do Relatório Fiscal, relativos aos anos 2011 e 2012. 9. a autuada não declarou em GFIP, antes do início do procedimento de auditoria, aquisição de produção rural de pessoa física para o período fiscalizado. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO – VENDA DA PRODUÇÃO PRÓPRIA E REVENDA DE MERCADORIAS NO MERCADO EXTERNO (EXPORTAÇÕES) 10. constitui fato gerador da contribuição para o SENAR as receitas decorrentes das operações de exportação direta da produção rural própria e da adquirida de terceiros. 11. O procedimento de lançamento deste fato gerador está descrito nos itens 2.3.2 a 2.3.4 do Relatório Fiscal. PAGAMENTOS DE REMUNERAÇÃO A SEGURADOS EMPREGADOS DECLARADOS NAS GFIP – DIFERENÇAS NAS CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS) 12. constitui fato gerador do lançamento a contribuição para outras entidades e fundos (terceiros), visto que a autuada enviou diversas GFIPs relativas a processos trabalhistas (código de recolhimento 650), referentes à filial CNPJ 40.830.648/000452, competência 07/2012, código FPAS 825, sem informação do código de terceiros. REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADOS EMPREGADOS DECLARADOS EM GFIP CONTENDO CÓDIGO DE OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS) INCORRETO 13. constitui fato gerador da infração a declaração incorreta do código de FPAS em diversas GFIPs, filial CNPJ 40.830.648/000452, competências 08/2011 a 13/2012. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 10480.724177/201598 Acórdão n.º 2201003.863 S2C2T1 Fl. 4 5 14. os fatos geradores foram categorizados em levantamentos, conforme sua natureza. 15. não há recolhimento em GPS – Guia de Recolhimento da Previdência Social com os códigos de pagamento 2100, 2607 ou 2615. 16. sobre as contribuições para a Seguridade Social e para outras entidades (terceiros), não declaradas em GFIP, incide multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no inciso I, art. 44, da Lei nº 9.430/96. 17. todas as bases de cálculo do lançamento estão detalhadamente descritas nos Anexos I a IV do Relatório Fiscal. 18. as contribuições da empresa destinadas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SESI, SENAI, SEBRAE e SENAR), incidentes sobre as receitas da comercialização da produção e sobre a remuneração dos segurados empregados, além das contribuições para o SENAR decorrentes da subrogação da empresa nas contribuições devidas pelos produtores rurais pessoas físicas, lançadas por meio do Auto de infração 51.071.9058, não foram recolhidas e nem declaradas em GFIP, o que configura, em tese, ilícito contra a Ordem Tributária, tipificado no art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90. Diante disso, a fiscalização formulou Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal. Inconformado com o lançamento, do qual foi cientificado em 04/09/2015, o sujeito passivo apresentou impugnação em 05/10/2015, na qual alega, em síntese, que: (...). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não deve ser acatado o pedido de diligência se todas as questões suscitadas nos quesitos formulados podem ser elucidadas pela análise dos elementos constantes nos autos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SEGURADO ESPECIAL. SENAR. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária fica sub rogada nas obrigações do segurado especial pelo recolhimento da sua contribuição social e da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, não podendo alegar omissão para se eximir da obrigação, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei. Fl. 1157DF CARF MF 6 AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL DE PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. A arrecadação da contribuição será feita juntamente com a Previdência Social e o seu produto será posto, de imediato, à disposição do Senar, para aplicação proporcional nas diferentes Unidades da Federação, de acordo com a correspondente arrecadação, deduzida a cota necessária às despesas de caráter geral. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. TRADING COMPANIES. Para efeito da apuração da contribuição previdenciária devida pela agroindústria, as vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras, constituídas e em funcionamento no país, são consideradas vendas internas e, portanto, tributáveis. A imunidade tributária prevista no inciso I do §1º do art. 149 da CF/88 alcança, tão somente, as receitas decorrentes de exportação, ou seja, decorrente da própria operação de exportação realizada com adquirente domiciliado no exterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, fls. 1.046 e seguintes, no qual o contribuinte aduziu, em síntese: a) o cerceamento do direito de defesa e a nulidade do julgamento, em virtude do indeferimento do pedido de diligência/perícia; b) a indevida inclusão de valores na base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a receita bruta; c) as quantias recebidas pela empresa, que se destinam a terceiros não podem fazer parte da base de cálculo das contribuições me debate. Isso pelo simples fato dos valores não terem natureza de receita proveniente da exploração da atividade da empresa; d) a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a receita bruta não está correto, por não configurar patrimônio ou receita do contribuinte; e) as quantias que não integram o patrimônio da empresa e que apenas transitam pelo seu caixa jamais podem representar receita bruta passível de tributação pelas contribuições previdenciárias substitutivas e as devidas a terceiros; f) independentemente da exportação ser realizada diretamente ou por interposta pessoa (trading compenies), considerase, para efeitos da imunidade, operação de exportação e, dessa forma, a receita dela decorrente não poderá ser inclusa na base de cálculo da contribuição previdenciária sobre receita bruta; Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 10480.724177/201598 Acórdão n.º 2201003.863 S2C2T1 Fl. 5 7 g) deve ser considerada indevida a inclusão das receitas de exportação indireta na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta; h) a inclusão de valores incidentes sobre o faturamento da revenda de produto acabado importado e revendido no mercado interno não devem compor a base de incidência para previdência sobre faturamento agroindustrial; i) na composição da base de cálculo das contribuições previdenciárias do produtor rural devem ser expurgados os valores relativos à receita oriunda da simples revenda dos produtos importados, sem qualquer industrialização entre a internalização da mercadoria e sua alienação no mercado, pois não se caracteriza como "receita bruta proveniente da comercialização da produção"; j) houve inclusão, na base de cálculo da contribuição social sobre a receita bruta de valores relativos à alienação de ativo fixo da Recorrente, que a autuação considerou, erroneamente, receita de produção; k) a manutenção da referida cobrança se revelaria em verdadeira cobrança em duplicidade, eis que seria incluída tanto na contribuição devida pela vendedora (ora recorrente), como da adquirente, ao comercializar sua produção; l) estabelecida a premissa de a contribuição social sobre a receita bruta é nova contribuição e que tem por base econômica de incidência a receita ou faturamento, percebese a impossibilidade de sua cobrança por esta base já ter sido esgotada com a cobrança da COFINS (e do PIS); m) houve inclusão, no cálculo da autuação, de diversas hipóteses em que se considerou como aquisição de produção rural de empregador pessoa física ou de segurado especial, quando se tratava de produção decorrente de arrendamento em que a Recorrente figura como arrendatária (tratavase deprodução própria que já é tributada pela contribuição prevista no art. 22 A da Lei 8.212/91); n) também foi considerada como aquisição suficiente para a aplicação do art. 25 da Lei n.º 8212/91 aquelas efetuadas diretamente de Pessoas Jurídicas, que já recolhem a contribuição previdenciária própria e são excluídas da condição de segurado especial, por expressa disposição legal (art. 12, inciso V, alínea "F", c/c art. 22A, todos da Lei 8.212/91); o) as seguintes verbas devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição devida pelos segurados, quais sejam: auxilio doença ( nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado), 1/3 de férias constitucional, 13º salário, 13º salário indenizado, aviso prévio indenizado, horas extras, férias não gozadas, auxílios (educação, creche e moradia), convênio saúde e vale transporte pago em dinheiro; Fl. 1159DF CARF MF 8 p)a inclusão indevida de valores na base de cálculo da contribuição devida ao SENAR sobre a receita bruta na comercialização no mercado interno: impossibilidade de inclusão do icms, iss e do PIS/COFINS na base de cálculo; q) a inexistência de regra legal que determine a subrogação (responsabilidade tributária) do adquirente da produção do empregador rural e do segurado especial pelo recolhimento da contribuição devida por estes ao SENAR. Isso porque a responsabilidade tributária exigida pelo inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/91 se refere à contribuição devida pelo empregador rural pessoa física e pelo segurado especial à seguridade social, não havendo menção expressa à qualquer subrogação pelo adquirente da Contribuição devida a terceiros, especificamente, ao SENAR; h) a existência de imunidade das receitas decorrentes de exportação relativas à contribuição devida ao SENAR. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. 1. Considerações Iniciais Conforme narrado, os presentes autos tratam da contribuição previdenciária incidente sobre a receita da comercialização da produção agrícola própria e a contribuição previdenciária devida por subrogação pela aquisição da produção de empregador rural pessoa física (AI 51.071.9040), bem como das contribuições destinadas a outras entidades e fundos SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção para o mercado interno, sobre aquisição da produção rural de terceiros – pessoas físicas (subrogação), sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção realizada diretamente para o exterior, além da contribuição destinada ao FNDE, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados e declaradas em GFIP (AI 51.071.9058). De acordo com a Cláusula Primeira do Contrato Social da empresa, na redação trazida pela 12ª (Décima Segunda) alteração contratual, arquivada na Junta Comercial do Estado de Pernambuco – JUCEPE em 06/10/2011: “A sociedade tem por objeto social, a administração e gerenciamento de empresas, produção e exploração através de arrendamento de parque industrial, cultivo de cana de açúcar e de outras culturas, através de bens próprios ou de terceiros, industrialização, comercialização, importação, exportação e armazenagem de açúcar, álcool, fabricação de aguardente, geração de energia e outros derivados, podendo ainda, Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 10480.724177/201598 Acórdão n.º 2201003.863 S2C2T1 Fl. 6 9 participar do capital de outras empresas, como sócia, acionista, ou de outra forma participativa”. 2. Da inocorrência do cerceamento do direito de defesa Sustenta o recorrente que o acórdão recorrido não contemplou a análise dos documentos juntados pela recorrente (Parecer Pericial de Análise Técnica e planilhas) e desconsiderou os argumentos suscitados quanto à inclusão de rubricas indevidas nas bases de cálculo apuradas. Também não foi considerada, pela decisão recorrida, a possibilidade de realização da diligência/perícia requerida pela recorrente, por entender que as informações trazidas pela fiscalização seriam suficientes para a formação da convicção dos julgadores. Sobre a análise dos documentos juntados pela contribuinte o acórdão vergastado assim dispôs: Alega a impugnante que a fiscalização deixou de observar os Princípios da Verdade Material e da Ampla Defesa, visto que baseou o lançamento apenas nos dados do SPED e GFIPs, deixando de observar os documentos lhe dão suporte. Não há que se falar em inobservância do Principio da Verdade Material quando os autos de infração foram lavrados com base na contabilidade do sujeito passivo, visto que ela representa os fatos contábeis ocorridos na empresa. A auditoria tributária não está obrigada a recorrer à documentação de suporte quando a contabilidade é clara o suficiente quanto aos fatos geradores do lançamento.(...). Se na impugnação a autuada alega que sua escrituração fiscal não representa fielmente os fatos ocorridos, lhe cabe o dever de provar o alegado. Inobstante, a defendente não anexa aos autos documento probatório capaz de demonstrar que os fatos escriturados estão incorretos. Portanto, por uma questão de entendimento jurídico, a decisão de primeira instância atribuiu relevância à documentação contábil e não aos demais documentos juntados, por considerar que a contabilidade do sujeito passivo representa os fatos contábeis da empresa, tendo, assim, validade formal ao fim a que se presta. Além disso, consoante se extrai do acórdão proferido pela Delegacia de Origem, os argumentos e provas relativos à inclusão de rubricas indevidas nas bases de cálculo apuradas foram apreciados, de acordo com os trechos abaixo transcritos: Portanto, considerando que a agroindústria explore outra atividade econômica, no caso, a importação e comercialização de álcool, conforme aduz a peça impugnatória, sobre esta atividade também incide a contribuição previdenciária nos moldes previstos no art. 201 A do Decreto 3.048/99. Fl. 1161DF CARF MF 10 Assim, agiu corretamente a fiscalização e não há que se expurgar da base de cálculo do lançamento a revenda de álcool supostamente importado pela empresa. (...). Alega a impugnante que a fiscalização incluiu indevidamente na receita bruta da comercialização de produção rural a alienação da Safra Fundada, ativo fixo da empresa, que representa o canavial ou plantio, parcela do seu patrimônio. Junta aos autos contratos de compra e venda que confirmam a situação alegada. Vejase que a Safra Fundada representa a forma de apropriação dos custos de plantação na contabilidade, os quais poderão ser classificados em estoques ou ativo imobilizado e representam a manutenção da lavoura, colheita, depreciação, custos indiretos, etc. Não obstante, não se pode falar em comercialização da Safra Fundada, pois a empresa não vendeu parte do seu ativo imobilizado, mas o produto final, cana de açúcar, que deve estar classificado como estoque, vez que constitui o objeto social da empresa. Não há nos autos nenhum documento que corrobore as alegações da defendente. Os contratos anexados aos autos não tratam da venda de ativo imobilizado, mas de cana de açúcar. (...). Os Anexos III e IV do Relatório Fiscal contêm demonstrativos da aquisição de produção rural de pessoa física (conta contábil REGISTRO NFE FORN CANA, 3.2.6.01.06.0004), contendo data, valor e histórico com o número da nota fiscal e nome do produtor. Por outro lado, a impugnante não foi capaz de contrapôlas com documentação hábil, limitandose à alegação de que se trata de arrendamento. Os contratos de compra e venda juntados aos autos pela impugnante apenas atestam que ela é arrendatária de diversas fazendas, mas que a vendedora é a empresa UNA AÇÚCAR E ENERGIA LTDA. Quanto a alegação de que há nos registros aquisição de produção rural de pessoa jurídica, mais uma vez a impugnante restringiuse à simples alegação, sem juntar aos autos provas que corroborem com os fatos alegados. Se há nos demonstrativos (Anexos III e IV) a aquisição de produção rural de pessoa jurídica a impugnante deveria apontálos e comproválos, para que fossem excluídos do lançamento. (...). Insurgese a impugnante contra o lançamento sob o argumento de que não deve incidir contribuição previdenciária sobre as verbas de natureza indenizatória: auxíliodoença (nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado), 1/3 constitucional de férias, aviso prévio indenizado, 13° salário indenizado, horas extras, férias nãogozadas, férias gozadas, auxílios (educação, creche e moradia), convênio saúde e vale transporte pago em dinheiro. Tratase de impugnação genérica neste aspecto, vez que ataca o lançamento sob a alegação de que não incide contribuição sobre Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 10480.724177/201598 Acórdão n.º 2201003.863 S2C2T1 Fl. 7 11 verbas de natureza indenizatória. Não obstante, não diz quais verbas sofreram a incidência da contribuição, restringindose a discutir as questões de direito acerca do auxíliodoença (nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado), 1/3 constitucional de férias, aviso prévio indenizado, 13° salário indenizado, horas extras, férias nãogozadas, férias gozadas, auxílios (educação, creche e moradia), convênio saúde e vale transporte pago em dinheiro. (...). Aduz a impugnante que os tributos ICMS, IPI, PIS E COFINS devem ser excluídos da base de calculo do lançamento, pois constituem receita tributária e não se amoldam ao conceito de Receita Bruta. Acrescenta inclusive que este é o entendimento prevalente no Poder Judiciário. No caso, não há sequer decisão definitiva do STF ou STJ nos termos dos 1.036 do Código de Processo Civil, acerca da exclusão de outros tributos da base de cálculo da contribuição previdenciária. A autoridade julgadora está limitada ao disposto nas normas, não podendo dispensar obrigação prevista na legislação tributária.Diante do exposto, não há que se acolher a pretensão da impugnante. (...). Assim, embora a decisão da Delegacia de Origem não tenha consignado as exclusões pleiteadas pelo contribuinte e demonstradas no Parecer Pericial de Análise Técnica e demais documentos, o fez por uma questão de entendimento jurídico. Um exemplo é a matéria relativa a exclusão da base de cálculo da revenda de importações, objeto do referido Parecer, em que, como visto acima, houve expresso pronunciamento constante do acórdão. Ora, se o entendimento foi no sentido da manutenção da revenda na base de cálculo, não haveria razão para a observância do Parecer Técnico, sob esse ponto, para sua exclusão do lançamento. No que se refere ao pedido de diligência/perícia, mantenho a decisão recorrida, sob o fundamento do exposto no art. 18 do Decreto 70.235/72, o qual dispõe que tal determinação ocorrerá quando a autoridade julgadora entender necessária, podendo indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Desse modo, tratandose os autos de uma discussão predominantemente jurídica e tendo sido oportunizada à recorrente a apresentação das provas documentais pertinentes, não há razão que imponha a necessidade de realização de diligência/perícia, inexistindo o alegado cerceamento de defesa e pretendida nulidade. 3. Da contribuição previdenciária patronal incidente sobre a receita bruta Sustenta a recorrente que as quantias recebidas pela empresa, que se destinam a terceiros, não podem fazer parte da base de cálculo das contribuições em debate, pelo simples fato de os valores não terem natureza de receita proveniente da exploração da atividade da empresa. Fl. 1163DF CARF MF 12 No entender da contribuinte, as quantias que a empresa recebe não para si, mas para terceiros, tais como o quantum de imposto cuja obrigação de cobrar a lei lhe impõe, ou reembolso de despesas que estão a cargo de terceiros, evidentemente, não podem entrar na receita bruta da exploração, pois essas quantias de terceiros não constituem contas diferenciais de receita e despesas, isto é , não integram a receita proveniente da exploração. Assim, aduz a recorrente que o ICMS, IPI, PIS e COFINS devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento, pois constituem receita tributária e não se amoldam ao conceito de receita bruta. Sobre a matéria, a decisão recorrida destacou que as jurisprudências mencionadas pela impugnante têm força de lei, nos limites da lide e das questões decididas, apenas obrigando as partes envolvidas, sendo que, no presente caso não há decisão definitiva do STF ou STJ, nos termos do art. 1036 do CPC, acerca da exclusão de outros tributos da base de cálculo da contribuição previdenciária. O conceito de receita bruta tem sido objeto de diversas discussões judiciais e extrajudiciais. Da análise do conceito constitucional de receita, para a jurisprudência majoritária, é considerada receita o ingresso de valores que se incorporam positivamente ao patrimônio do contribuinte. Logo, se os tributos incidentes sobre a receita bruta não representam ingresso positivo de valores ao patrimônio, não podem, evidentemente, compor a receita bruta, sob pena de incorrer em inconstitucional aumento da base de cálculo destes tributos, além de ferir o art. 110 do Código Tributário Nacional, por alterar o conceito constitucional de receita. Diante da análise do RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal consignou o posicionamento no sentido de que o ICMS não compõe base de cálculo do PIS e da COFINS porque não pode ser entendido como receita ou faturamento, uma vez que não integra o patrimônio do contribuinte. Ao chamar de faturamento ou receita algo que deve ser definido como mero ingresso de caixa, a Fazenda estaria ameaçando a proteção ao contribuinte. Sob a ótica do empresário, é descabido chamar o tributo de faturamento, uma vez que este será repassado ao Estado. Ao finalizar o julgamento do referido RE, os ministros entenderam, portanto, que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da seguridade social. De forma análoga, as razões de decidir acima mencionadas servem como fundamento para a exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a receita bruta do ICMS, IPI, PIS e COFINS, tendo em vista que tais tributos não incorporam ao patrimônio da contribuinte, pois ingressam na contabilidade, de forma provisória, não podendo, assim, ser considerada receita bruta. Notase que o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, inciso I, permite, na ausência de disposição expressa, à autoridade competente para aplicar a legislação tributária a utilização da analogia. Diante desse contexto, entendo que assiste razão à recorrente, devendo ser excluído da base de cálculo: o ICMS, o IPI, o PIS e a COFINS. Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 10480.724177/201598 Acórdão n.º 2201003.863 S2C2T1 Fl. 8 13 4. Da imunidade da receita decorrente de exportação indireta trading companies Sustenta a recorrente que o acórdão vergastado perpetua o entendimento trazido pela autuação que considera, para fins de inclusão na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a receita bruta, a receita decorrente de exportação indireta (trading companies), quando esta operação e a receita dela decorrentes estão abarcadas pela imunidade prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal. Assim, no entender da decisão da Delegacia de Origem, o benefício previsto no dispositivo constitucional apontado seria restrito apenas àquelas exportações realizadas diretamente com o adquirente domiciliado no exterior, conforme o histórico das Instruções Normativas regentes da matéria. Tal posicionamneto não pode prevalecer, diante da nítida afronta aos limites dos poderes de atuação da Administração Pública, bem como à inteligência consagrada pelo dispositivo constitucional em comento, que é a de viabilizar a comercialização da produção rural pátria no exterior e possibilitar, conseqüentemente, a afirmação do Brasil como potência econômica no competitivo cenário da economia globalizada. As trading companies atuam como intermediadoras na representação e comercialização de produtos no comércio internacional, possibilitando não só uma considerável agilidade na condução dos procedimentos, como também uma maior inserção da produção econômica nacional no comércio exterior. Com o escopo de desenvolver e estimular as exportações de produtos nacionais, foi editado o Decretolei 1.248/72, recepcionado pela atual Constituição, concedendo uma série de incentivos fiscais às operações realizadas pelas trading companies, quando tiverem por objeto específico atividades ligadas ao envio de produtos pátrios ao exterior, conforme se depreende da leitura dos artigos 1º e 2º do referido Decreto abaixo transcritos: Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Art. 3º São assegurados ao produtorvendedor, nas operações de que trata o artigo 1º deste Decretolei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do previsto no artigo 1º do Decretolei nº 491, de 05 de março de 1969, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.894, de 1981) Fl. 1165DF CARF MF 14 (Vide DecretoLei nº 2.134, de 1984) (Vide DecretoLei nº 2.397, de 1987) (Vide DecretoLei nº 2.413, de 1988) Assim, mencionado Decreto dispõe, expressamente que são equiparadas, para fins tributários, as operações de exportação indiretas às exportações diretas, desde que a empresa adquirente (trading compenies) tenha atividade de exportação como finalidade própria, atendidos os requisitos legais. Cabe esclarecer que o DecretoLei em comento é hierarquicamente superior às Instruções Normativas editadas pela Receita Federal do Brasil, inclusive a Instrução normativa 971/2009 que estabelece, em seu art. 170, restrições à imunidade conferida à Constituição Federal não possui amparo legal. O mesmo entendimento aplicase à Instrução Normativa n.º 1436/2013. Tendo em vista que o lançamento, de acordo com o relato da fiscalização, teve como fundamento a premissa de que somente sobre as receitas decorrentes de exportação direta da produção não incidem contribuições para a Seguridade Social, não houve análise do cumprimento ao requisitos constantes do Decreto, portanto, fiscalização não se desincumbiu do ônus e demonstrar a ausência do seu cumprimento (não comprovação de que as vendas não se destinaram ao mercado externo). Além disso, consoante se extrai do art. 149, § 2º, inciso I, não há distinção entre o tipo de exportação passível de ser abrangida pela imunidade nele prevista, isto é, não diferencia a exportação direta daquela realizada por intermédio de trading compenies, não cabendo à Administração Pública determinar que apenas as operações de exportações realizadas diretamente com o adquirente domiciliado no exterior é que são aptas ao gozo do referido favor constitucional, pois onde o legislador não distingue, não cabe ao intérprete distinguir, o que é decorrência da aplicação do princípio da legalidade. O art. 150, inciso I, da Constituição Federal, de forma clara, veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a exigência ou aumento de tributo sem lei que o estabeleça. Ora, a criação de uma distinção acerca do alcance da expressão "exportação", para fins de subsunção à regra de imunidade constitucional, seja por meio de Instrução Normativa ou por mera interpretação, tem como consequência a exigência de um tributo sem o manto da lei, em clara afronta à Constituição. Assim, se a tributação só pode decorrer do que é expressamente previsto em lei e havendo clara previsão constitucional no sentido de determinar a imunidade de contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação, não cabe à administração pública estabelecer, por meio de simples Instrução Normativa, o tipo de exportação apto a usufruir do referido favor constitucional. É inviável, desse modo, que uma emanação normativa de inferior hierarquia à lei e à Constituição, sob o pretexto de regulamentar e dar efetividade ao preceito, termine por inovar e modificar seu sentido e finalidade. Entender que a imunidade em discussão aplicarseia tão somente às receitas de exportação, sem nelas incluir as receitas advindas da receita proveniente de uma exportação indireta seria um contra senso, pois acabaria por ser tributada receita decorrente de uma exportação, quando o espírito da norma é exatamente o de conceder vantagens a quem as realiza. Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 10480.724177/201598 Acórdão n.º 2201003.863 S2C2T1 Fl. 9 15 Cumpre acrescentar que o art. 9º da Lei 10.833/2003, sobre a atividade típica das tradings companies assim dispõe: Art. 9o A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago Tal regramento deixa clara a responsabilidade das intermediadoras, bem como aponta que muitos impostos e contribuições deixam de ser pagos pela vendedora, tendo em vista o fim de exportação ao qual se presta a intermediação da trading, o que corrobora os fundamentos expostos. Assim, com a análise finalística do art. 149, § 2º, inciso I, da CF, observase que o seu objetivo é fomentar a indústria nacional, desonerando a operação de exportação de produtos, em quaisquer de suas modalidades, tornando o produto nacional competitivo no mercado externo. Desse modo, independentemente de a exportação ser realizada diretamente ou por interposta pessoa (trading companies), considerase, para efeitos da imunidade, operação de exportação e, dessa forma, a receita dela decorrente não poderá ser incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a receita bruta. Assim sendo, merece reparo a decisão recorrida, neste ponto, devendo ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta os valores referentes às vendas para empresas exportadoras, no período autuado. 5. Da exclusão da receita decorrente da revenda de produtos acabados importados Alega a recorrente que a inclusão dos valores incidentes sobre o faturamento da revenda de produto acabado importado e revendido no mercado interno não devem compor a base de incidência para previdência sobre faturamento agroindustrial. Sobre a matéria a Delegacia de Origem assim se posicionou: Portanto, considerando que a agroindústria explore outra atividade econômica, no caso, a importação e comercialização de álcool, conforme aduz a peça impugnatória, sobre esta atividade também incide a contribuição previdenciária nos moldes previstos no art. 201A do Decreto 3.048/99. Assim, agiu corretamente a fiscalização e não há que se expurgar da base de cálculo do lançamento a revenda de álcool supostamente importado pela empresa. O art. 22A da Lei 8.212/91 dispõe o seguinte: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de Fl. 1167DF CARF MF 16 produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é deI dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. § 2o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 desta Lei. § 3o Na hipótese do § 2o, a receita bruta correspondente aos serviços prestados a terceiros será excluída da base de cálculo da contribuição de que trata o caput. Deste modo, no caso da agroindústria, em substituição à folha de salário (artigo 22, I e II, da Lei n. 8.212/91), temos contribuição no percentual de 2,6% (2,5% + 0,1% RAT/SAT) sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, que será decorrente da industrialização de produto rural próprio e/ou de terceiro. Extraise do texto legal anteriormente mencionado que toda e qualquer operação, inclusive de filiais, que não seja a comercialização de produção rural própria (agropecuária) ou decorrente da industrialização de produção rural própria ou de terceiros, ficará fora do âmbito de incidência das contribuições previdenciárias. Daí a razão para não se tributar a revenda, nesse caso. Sobre o mesmo tema, o Decreto 3.048/1999 estabelece: Art. 201A. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas no inciso I do art. 201 e art. 202, é de: (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; e (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 64 a 70, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) § 1º Para os fins deste artigo, entendese por receita bruta o valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 10480.724177/201598 Acórdão n.º 2201003.863 S2C2T1 Fl. 10 17 § 2o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 201 e 202, obrigandose a empresa a elaborar folha de salários e registros contábeis distintos. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Notase que, embora, de um modo geral, se assemelhem, há uma diferença entre o texto da Lei 8.212/91 e o Decreto 3.048/99, pois o Decreto, no § 1º do art. 201A dispõe entendese por receita bruta o valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. Sob o enfoque dado à matéria pelo Decreto, pareceme que seria possível a inclusão da revenda na base de cálculo da contribuição em análise, pois se trata de receita proveniente da comercialização da produção não industrializada adquirida de terceiros (comercialização do álcool). Contudo, diante da aparente antinomia, cabe esclarecer que o Decreto emana do Poder Regulamentar, prerrogativa atribuída à Administração Pública. Tal prerrogativa é apenas para complementar a lei, não podendo alterála, a pretexto de estar regulamentando. Dessa forma, a alteração trazida ao conteúdo do art. 22A da Lei 8.212/91 pelo Decreto 3.048/99, § 1º do art. 201A, consubstanciase em abuso de poder regulamentar, invadindo a competência do legislativo. A respeito do tema, José dos Santos Carvalho Filho, em sua obra Manual de Direito Administrativo, de 2014, assevera: O poder regulamentar é subjacente à lei e pressupõe a existência desta. É com este enforque que a Constituição autorizou o chefe do poder executivo a expedir decretos e regulamentos: viabilizar a efetiva execução das leis. Por essa razão, ao poder regulamentar não cabe contrariar a lei (contra legem), sob pena de sofre invalidação. Seu exercício somente pode darse secundum legem, ou seja, em conformidade com o conteúdo da lei e nos limites que esta impuser. Decorre daí que não podem os atos formalizadores criar direitos e obrigações porque tal é vedado num dos postulados fundamentais que norteiam nosso sistema jurídico: "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, II, CF). Nesse cenário, com a aplicação do disposto na Lei 8.212/91, entendo pela exclusão dos valores referentes à revenda da base de cálculo da contribuição previdenciária. 6. Da inclusão de receitas não operacionais (alienação de ativo fixo) na base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a receita bruta Argumenta a recorrente que dentro da realidade das atividades das empresas do mercado sucroalcoleiro, é comum a venda da Safra Fundada, isto é, vender o canavial ou plantio, parcela do seu patrimônio, e não bens em estoque, que poderiam ser confundidos com produção própria. Fl. 1169DF CARF MF 18 Acrescenta a contribuinte que a base de cálculo da contribuição sob análise é a receita bruta decorrente da comercialização da produção do contribuinte (art. 22A, Lei n.º 8.212/91 e, conforme facilmente se percebe, de produção aqui não se trata. Sobre a matéria a Delegacia de Origem assim consignou: Vejase que a Safra Fundada representa a forma de apropriação dos custos de plantação na contabilidade, os quais poderão ser classificados em estoques ou ativo imobilizado e representam a manutenção da lavoura, colheita, depreciação, custos indiretos, etc. Não obstante, não se pode falar em comercialização da Safra Fundada, pois a empresa não vendeu parte do seu ativo imobilizado, mas o produto final, cana de açúcar, que deve estar classificado como estoque, vez que constitui o objeto social da empresa. Não há nos autos nenhum documento que corrobore as alegações da defendente. Os contratos anexados aos autos não tratam da venda de ativo imobilizado, mas de cana de açúcar. Dessa forma, a comercialização de cana e outros produtos está sujeita à tributação nos termos do art. art. 22A na Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 10.256/2001. Compulsandose os autos, verificase que os contratos anexados, fls. 1.108 e seguintes, de fato, referemse à comercialização da canadeaçúcar, estando sujeita à tributação, nos termos do art. 22A da Lei 8.212/91. Portanto, mantenho a decisão recorrida, neste ponto. 7. Da impossibilidade de dupla incidência sobre a receita bruta PIS/COFINS e contribuição previdenciária Sobre a matéria, a Delegacia de Origem entendeu que não poderia apreciar a matéria atinente à alegação de inconstitucionalidade, tendo em vista o teor do Decreto 70.235/72, que veda expressamente que o julgador administrativo deixe de observar lei ou decreto plenamente vigentes sob fundamento de inconstitucionalidade. A recorrente assevera que não tinha a intenção de discutir a inconstitucionalidade, mas sim explicar que a Constituição Federal repudia a incidência de duas contribuições sociais com a mesma base de cálculo daquelas previstas no art. 195 e seus incisos. Apesar da vasta argumentação da contribuinte, a questão discutida está diretamente atrelada a inconstitucionalidade da contribuição social exigida. O entendimento deste Conselho Administrativo está expresso no Enunciado de Súmula CARF nº 2: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Dessa maneira, não assiste razão à recorrente. Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10480.724177/201598 Acórdão n.º 2201003.863 S2C2T1 Fl. 11 19 8. Da contribuição devida pelo empregador rural pessoa física subrogação na figura do adquirente Sustenta a recorrente que, avaliando os anexos III e IV, que tratam da contribuição devida pelo empregador rural pessoa física, percebese a inclusão, no cálculo da autuação, de diversas hipóteses em que se considerou como aquisição de produção rural de empregador pessoa física ou de segurado especial, quando se tratava de produção decorrente de arrendamento em que a recorrente figura como arrendatária. Ou seja, tratavase de produção própria que já é tributada pela contribuição prevista no art. 22A da Lei 8.212/91. Além disso, igualmente considerou como aquisição suficiente para a aplicação do art. 25 da Lei 8.212/91 aquelas efetuadas diretamente de pessoas jurídicas, que já recolhem a contribuição previdenciária própria e são excluídas da condição de segurado especial por expressa disposição legal (art. 12, inciso V, alínea "f", c/c art. 22A da Lei 8.212/91. Ainda, em diversos casos de parceria, toda a mãodeobra utilizada na produção da canadeaçucar é vinculada funcionalmente (empregado) da ora recorrente, o que acarreta uma desconformidade com a circunstância da imposição da subrogação estabelecida pela Lei 8.212/91. Isso porque a contribuição incidente sobre a aquisição da produção do empregador rural pessoa física tem como fundamento tratar de contribuição substitutiva à folha de salário deste. O acórdão recorrido assim se manifestou sobre o tema: A alegação da impugnante não pode se sobrepor aos fatos descritos na contabilidade, notadamente quando as operações são feitas a débito na conta REGISTRO NFE FORN CANA, contendo o número da nota fiscal e nome da pessoa física. Os Anexos III e IV do Relatório Fiscal contêm demonstrativos da aquisição de produção rural de pessoa física (conta contábil REGISTRO NFE FORN CANA, 3.2.6.01.06.0004), contendo data, valor e histórico com o número da nota fiscal e nome do produtor. Por outro lado, a impugnante não foi capaz de contrapôlas com documentação hábil, limitandose à alegação de que se trata de arrendamento. Os contratos de compra e venda juntados aos autos pela impugnante apenas atestam que ela é arrendatária de diversas fazendas, mas que a vendedora é a empresa UNA AÇÚCAR E ENERGIA LTDA. Quanto a alegação de que há nos registros aquisição de produção rural de pessoa jurídica, mais uma vez a impugnante restringiuse à simples alegação, sem juntar aos autos provas que corroborem com os fatos alegados. Se há nos demonstrativos (Anexos III e IV) a aquisição de produção rural de pessoa jurídica, a impugnante deveria apontálos e comproválos, para que fossem excluídos do lançamento. O Parecer Pericial, a respeito do tema, dispõe: Fl. 1171DF CARF MF 20 Todos os argumentos expostos pela contribuinte possuem grande relevância no caso sob análise, mas não se observa dos autos apontamento das provas aptas a corroborar sua argumentação e se contrapor frontalmente à autuação. Cabe destacar que as operações de aquisição de produtos rurais a produtores pessoas físicas foram identificadas por meio da escrituração contábil digital da empresa, disponível no ambiente nacional do SPED Sistema Público de Escrituração Digital. Como bem ensina o Professor Fredie Didier, em seu livro Curso de Direito Processual Civil, de 2017, "o empresário tem o interesse de manter a escrituração contábil e financeira da sua empresa em dia, lançando as informações necessárias ao desenvolvimento da sua atividade empresária. Com base nessa premissa é que se erige a presunção de que as declarações contidas nos livros da empresa podem fazer prova contra e a favor do empresário." Assim, estabelecida a mencionada presunção, que é relativa, é lícito ao empresário/empresa, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem a verdade dos fatos (art. 417, CPC, c/c art. 226, 1ª parte do Código Civil). No caso dos autos, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório de demonstrar o equívoco da sua própria contabilidade. Desse modo, como bem elucida o Relatório Fiscal, fls. 189 e seguintes, todas as vezes em que a empresa adquiriu produtos rurais de produtores pessoas físicas, tornouse responsável tributária pelas contribuições devidas à Seguridade Social e ao SENAR pelos referidos produtores, estabelecidas no art. 25, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, cabendolhe arrecadar e recolher tais contribuições (art. 30, incisos III e IV, da Lei nº 8.212/91). Sobre a matéria, o art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, claramente estabelece: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10480.724177/201598 Acórdão n.º 2201003.863 S2C2T1 Fl. 12 21 IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; Portanto, não merece reparo a decisão de primeira instância, sobre o tópico em questão. 9. Das contribuições devidas a terceiros incidentes sobre a folha de salários (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) Aduz a recorrente a existência de indevida inclusão das verbas indenizatórias no salário de contribuição devida a terceiros. Sobre o tema, a Delegacia de Origem assim entendeu: Tratase de impugnação genérica neste aspecto, vez que ataca o lançamento sob a alegação de que não incide contribuição sobre verbas de natureza indenizatória. Não obstante, não diz quais verbas sofreram a incidência da contribuição, restringindose a discutir as questões de direito acerca do auxíliodoença (nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado), 1/3 constitucional de férias, aviso prévio indenizado, 13° salário indenizado, horas extras, férias nãogozadas, férias gozadas, auxílios (educação, creche e moradia), convênio saúde e vale transporte pago em dinheiro. Nos autos de infração a exigência de contribuição previdenciária decorre de erro do contribuinte ao informar os códigos de FPAS. Isto posto, não há que se falar em lançamento sobre verbas de natureza indenizatória, pois as contribuições lançadas sobre a folha de salários foram identificadas nas GFIPs declaradas pelo sujeito passivo, as quais constituem documento hábil para a constituição do crédito tributário, nos termos da Lei nº 8.212/1991, art. 32, IV e §2 Sustenta a contribuinte que o acórdão merece reparo, pois há nos autos parecer particular que demonstram várias inconsistências na autuação, bem como fora solicitada a realização de diligência/perícia para sanar os questionamentos, que apenas com perícia poderiam ser elucidados. Notase, pela apreciação do recurso voluntário, que a recorrente limitouse à discorrer sobre as questões jurídicas no que tange à natureza das verbas (remuneratórias e indenizatórias), mas não logrou êxito ao rebater os fundamentos do acórdão recorrido, principalmente pela ausência de provas que corroborassem suas alegações, inclusive em razão de a autuação ter tomado como base suas declarações em GFIP. Desse modo, mantenho incólume a decisão vergastada, nesse ponto. 10. Da contribuição devida ao SENAR inclusão indevida de valores na base de cálculo Fl. 1173DF CARF MF 22 Alega a recorrente que houve inclusão indevida de valores na base de cálculo da contribuição devida ao SENAR sobre a receita bruta na comercialização no mercado interno, considerando a impossibilidade de inclusão do ICMS, ISS e do PIS/COFINS na base de cálculo. As mesmas razões jurídicas aplicadas ao item 3 são fundamentos da presente análise. Diante do mencionado contexto, entendo que assiste razão à recorrente, devendo ser excluído da base de cálculo: o ICMS, o IPI, o PIS e a COFINS. 11. Legitimidade para o recolhimento da contribuição ao SENAR Argumenta a contribuinte não ser parte legítima para o recolhimento da contribuição devida ao SENAR pelo empregador rural pessoa física e segurado especial, eis que inexiste, na legislação, imposição que a obrigue a figurar como responsável tributária. O acórdão recorrido assim tratou da matéria: Não assiste razão à defendente quanto a inexistência de lei que institua a Responsabilidade Tributária do adquirente pela arrecadação e recolhimento da contribuição para o SENAR nas aquisições de produção rural de pessoa física. É verdade que o contribuinte direto das contribuições em questão é o Segurado Especial definido no art. 12, VII, da Lei nº 8.212/1991. A mesma lei, contudo, no seu art. 30, IV, determina que a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações do Segurado Especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 dessa lei. De acordo com o Código Tributário Nacional, art. 128, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Por sua vez, a Lei nº 8.315/1991, art. 3º, §3º, determina que a arrecadação da contribuição destinada ao SENAR será efetuada juntamente com a da Previdência Social: Art. 3° Constituem rendas do Senar: (...) § 3° A arrecadação da contribuição será feita juntamente com a Previdência Social e o seu produto será posto, de imediato, à disposição do Senar, para aplicação proporcional nas diferentes Unidades da Federação, de acordo com a correspondente arrecadação, deduzida a cota necessária às despesas de caráter geral. No caso em comento, resta evidente a atribuição de responsabilidade à empresa adquirente da produção rural do Segurado Especial, com a exclusão da responsabilidade deste, o que se depreende quando se lê em conjunto os incisos IV, X e XII do art. 30 da Lei nº 8.212/1991, o qual dispõe das situações Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10480.724177/201598 Acórdão n.º 2201003.863 S2C2T1 Fl. 13 23 específicas e exaustivas em que o Segurado Especial deve recolher a sua própria contribuição. Filiome ao entendimento exposto, de modo que mostrase irretocável a decisão a respeito desse tema. 12. Imunidade da contribuição ao SENAR Assevera a contribuinte que há imunidade sobre a contribuição ao SENAR, tendo em vista a sua natureza jurídica de contribuição social geral ou CIDE. A respeito da questão, utilizo o bem fundamentado voto proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 23 de agosto de 2016, de Relatoria do Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: O cerne do litígio se encontra em definir em qual destas espécies deva se classificar a contribuição prevista no art. 22A, § 5o., da Lei no. 8.212, de 1991, sendo tal classificação de especial interesse para se concluir acerca da aplicabilidade ou não da imunidade estabelecida pelo art. 149, §2o. I da CRFB/88. Descartada, inicialmente, a característica de financiamento da seguridade social pela contribuição ao SENAR (dada a destinação notadamente diversa dada aos recursos arrecadados), passase a analisar as três possíveis hipóteses de classificação da contribuição adotadas doutrinariamente e no âmbito deste Conselho, as quais possuem diferentes consequências jurídicas, uma vez que: a) Tornase aplicável a imunidade caso se entenda tratar a contribuição de : a.1) contribuição social geral (espécie de contribuição social que, conforme classificação acima, abrange as contribuições a que se refere o art 240 da CRFB/88) ou a.2) contribuição de intervenção no domínio econômico; b) Porém, de forma diversa, em se concluindo que a natureza jurídica da contribuição referida é de contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica, inaplicável a imunidade em tela. Esta é a problemática a ser aqui enfrentada. Inicialmente, faço uso de lição doutrinária trazida pelo primeiro paradigma colacionado para me posicionar, inicialmente, de forma contrária aos que entendem se tratar a Contribuição ao SENAR de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE): Vejamos a lição doutrinária (Cf. DERZI, Misabel Abreu Machado. Notas de atualização. In: BALEEIRO, Aliomar. Limitações constitucionais ao poder de tributar, 7ª edição, Ed. Forense, 1997, p. 596): Fl. 1175DF CARF MF 24 “(...) o conceito de ‘intervenção no domínio econômico’ em sentido técnicorestrito, deve se restringir aos princípios gerais básicos e fundamentais consagrados no Capítulo da Ordem Econômica e Financeira e que estão arrolados na própria Constituição. Deve ter uma configuração especial e não difusa. Assim: a intervenção há de ser feita por lei; o setor da economia visado deve estar sendo desenvolvido pela iniciativa privada para que se possa identificar um ato de intervenção do domínio econômico;; as finalidades da intervenção devem perseguir aqueles princípios arrolados na Constituição, tais como assegurar a livre concorrência, reprimir o abuso do poder econômico, reprimir o aumento arbitrário de preços, etc.” Não vislumbro na contribuição sob análise nenhum objetivo relacionado à intervenção no domínio econômico, como valorização da livre concorrência, repressão ao abuso do poder econômico ou ao aumento arbitrário de preços, etc. e, assim, descarto se tratar na hipótese de CIDE. Ainda, embora não me filie aos que entendem se limitar o alcance do art. 240 da CRFB/88 às contribuições existentes à época da promulgação do texto constitucional (admitindose, assim, aqui, que contribuições futuras pudessem ser alcançadas pela ressalva, já que não vislumbro, teleológica e sistematicamente, sentido em estabelecer tratamento diferenciado em relação ao art. 195, por exemplo, para contribuição com as exatas características apontadas no referido art. 240, mas criadas após a CF/88), entendo que se circunscreve o referido o art. 240 (e, assim, as contribuições sociais gerais) às contribuições dos empregadores sobre a folha de salários, sendo certo que, desde o advento da Lei Complementar no. 10.256, de 2001, ou seja, para todo o período objeto de lançamento, a hipótese de incidência da Contribuição para o SENAR já tinha como base de cálculo, em seu critério quantitativo, a receita bruta da comercialização (e não a folha de salários). Daí, em meu entendimento, não se encontrar albergada pelo art. 240 da CRFB/88, não podendo se tratar, assim, da exação sob análise, de "contribuição social geral", tal como, exemplificativamente, podem ser aquelas destinadas ao SESI, SENAI, SESC, SENAC (incidentes sobre a folha de salários). A propósito, entendo que, considerado o disposto no parágrafo acima, a dispensa legal de recolhimento prevista no art. 3o, I, ainda que mantida após a edição da Lei no. 10.256, de 2001, não tem o condão de alterar a necessidade de incidência sobre a folha de salários, de forma a que se permaneça na seara de "contribuições sociais gerais", uma vez considerada a inexistência de qualquer Emenda Constitucional acerca do tema. Entender diferente caracterizaria, no entender deste Conselheiro, violação ao próprio art. 240 da CRFB, uma vez adotada a classificação já aqui reproduzida. Ainda, importante ressaltar que não entendo como suficiente, para fins de classificação de determinada contribuição como "contribuição social geral", a vinculação direta ou indireta entre a destinação do produto da arrecadação a qualquer capítulo da Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10480.724177/201598 Acórdão n.º 2201003.863 S2C2T1 Fl. 14 25 Ordem Social (tais como a educação). O mesmo se aplica à CIDE, no que diz respeito à vinculação a capítulos da Ordem Econômica e Financeira. Explico. Adotar tal vinculação como método de distinção entre as contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas e contribuições sociais gerais/CIDE faria com que só se estivesse diante das primeiras sempre que não se pudesse vincular as contribuições sob análise a algum dos pilares da Ordem Social e/ou Econômica e Financeira, o que rechaço. (...) Novamente, com a devida vênia aos que entendem de forma diversa, no caso em questão, me parece nítido preponderar o interesse da agroindústria e demais entidades constantes do art. 3o., I da Lei no 8.315, de 1991, em detrimento da sociedade como um todo, ao se carrear recursos, no caso do SENAR, exclusivamente, para o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, sem que se esteja também a promover qualquer objetivo típico de intervenção no domínio econômico (setor agrícola e afins) com a exação em questão . (...). Não consigo enxergar, da leitura detalhada do texto constitucional, a destinação mandatória das contribuições corporativas para o "custeio de entidades que tem por escopo fiscalizar ou regular o exercício de determinadas atividades profissionais ou econômicas, bem como representar, coletiva ou individualmente, categorias profissionais, defendendo seus interesses" e nem sequer a necessária existência de tal entidade representativa com poder fiscalizatório e/ou regulamentar vinculada a referidas categorias, a fim de se estar diante de contribuição de categoria profissional ou econômica. O que se requer, em meu entendimento, com fulcro no permissivo instituidor, é tão somente que a contribuição seja de interesse de uma ou mais destas categorias, sendo que as categorias econômicas contribuintes da contribuição para o SENAR inegavelmente se beneficiam de forma direta do tributo. Finalmente, faço notar também não enxergo o supedâneo legal para que se conclua que a base de cálculo de determinada contribuição, a fim de que se esteja diante de contribuição corporativa, devase vincular ao custo de atividade desempenhada, ou seja, que possua a exação vinculação característica de taxa, como também é defendido por alguns membros deste CARF. Em ambos os casos, não se deve confundir o natural senso comum, diante do conhecimento das características das contribuições corporativas existentes, com a tese de que, obrigatoriamente, todas as contribuições de interesse de categoria profissional ou econômica se devam revestir de tais características para serem assim classificadas, limitandose as características necessárias da contribuição corporativa, em meu Fl. 1177DF CARF MF 26 entendimento, àquelas expressamente previstas no texto constitucional. Assim, com base nas considerações acima, concluo que se trata a contribuição instituída com fulcro no art. 22A, §5o da Lei no. 8.212, de 1991, de contribuição de interesse das categorias econômicas elencadas no art. 3o., I, da Lei no. 8.315, de 1991, e, assim, não sujeita à imunidade prevista no art. 149, §2o., I da CRFB/88. Dessa forma, nego provimento ao recurso voluntário, nesse ponto. 13. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, e, no mérito, darlhe parcial provimento para: a) excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária patronal sobre a receita bruta o ICMS, o IPI, o PIS e a COFINS; b) excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre a receita bruta os valores referentes às vendas para empresas exportadoras (trading companies), no período autuado; c) excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre a receita bruta os valores referentes à revenda produtos não industrializados; d) excluir da base de cálculo da contribuição devida ao SENAR o ICMS, o IPI, o PIS e a COFINS. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator designado. Em que pesem a logicidade dos argumentos e os fundamentos do voto da Conselheira Relatora, ouso, com o devido pedido de licença, dela divergir nos pontos abaixo mencionados, explicitando que acompanho o voto da Relatora nas demais questões não analisadas. Para apontar minha divergência, necessária a análise do conceito de receita bruta. Segundo a ínclita Relatora, apoiada em jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o valores pagos a título de ICMS, IPI, PIS e COFINS, devem ser excluídos do lançamento posto que não integram a receita da Recorrente. Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10480.724177/201598 Acórdão n.º 2201003.863 S2C2T1 Fl. 15 27 Como dito no voto do qual se diverge, o conceito de receita bruta é fonte de enorme discussão doutrinária e jurisprudencial. Enfrentemos. A Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01, dispõe: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade (...)" A leitura do texto legal desperta no intérprete a necessidade de se perquirir o conceito de receita bruta. Encontrase tal definição no parágrafo 1º do artigo 201A do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: "Art.201A. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas no inciso I do art. 201 e art. 202, é de:(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Idois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; e(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) IIzero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 64 a 70, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade.(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §1ºPara os fins deste artigo, entendese por receita bruta o valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não." Patente o conceito adotado pelo poder regulamentar: receita bruta é o valor total da receita proveniente da comercialização da produção do contribuinte, seja ela decorrente da própria produção ou da de terceiros, seja como resultado somente da atividade comercial, seja como resultado de produção industrial seguida de posterior comercialização. Fl. 1179DF CARF MF 28 Acertada a dicção do RPS do ponto de vista doutrinário. Receita bruta significa o resultado do ingresso de valores resultantes da atividade empresarial, da consecução do objeto social da empresa. Vanessa Rahal Canado (PIS/COFINS: Regimes Contábeis de Reconhecimento de Receitas, Receitas Financeiras e Exclusões de Base de Cálculo 'in' Tributação do Setor Comercial, Série GVLaw, Ed. Saraiva), aproximando os conceitos contábeis e jurídicos da receita, explicita: "Contabilmente, o que se denomina por "receita bruta" corresponde ao entendimento jurídico do termo "fatuamento", isto é, resumidamente, os valores referentes às operações de venda e/ou prestações de serviços" Essa é a definição adotada pelo próprio Supremo Tribunal Federal que, em recentíssimo julgamento ( dia 30/06/2017 no RE 776474 AgR/RS de Relatoria do Min Dias Toffoli) decidiu que os conceitos de receita bruta e faturamento são equivalentes. Vejamos trecho da Ementa do decisum: "Receita bruta e faturamento. Equivalência. Precedentes. 1. O STF firmou o entendimento de que a receita bruta e o faturamento, para fins de definição da base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS, são termos equivalentes e consistem na totalidade das receitas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, assim entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas." (destaques não constam do original) Claro resta, portanto, que o conceito de receita adotado pelo legislador contempla todos os ingressos de valores como resultado da atividade empresarial realizada pela sociedade. Assentes quanto ao conceito de receita bruta, necessário investigar se os tributos mencionados integram tal conceito. Para tanto, mister recordar que tais tributos, por expressa disposição da legislação tributária, com exceção do IPI, são considerados tributos "por dentro", posto que seus valores integram o total pago pelo adquirente das mercadorias vendidas ou pelos serviços prestados pela empresa. Como cediço, e em regra, os tributos mencionados são calculados sobre o valor do faturamento obtido e são recolhidos após a devida apuração do 'quantum debeatur' vez que há créditos financeiros ou físicos a serem aproveitados. Inegável que tal carga tributária compôs o preço da mercadoria vendida, e foi suportada pelo adquirente, o que por certo confirma o conceito de receita bruta, ingressos equivalentes ao total dos recursos obtidos pelo vendedor ou prestador de serviços. Tal conclusão também é obtida, ainda de maneira mais simples, no caso do IPI, em razão de seu cálculo restar explicitado na operação de maneira direta, ou seja, por fora. Ora, tal procedimento de apuração tributária em nada se opõe ao ditame da Lei da Custeio da Previdência, que simplesmente elege a receita bruta assim entendido o total do produto da venda de mercadorias ou prestação de serviços como grandeza Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 10480.724177/201598 Acórdão n.º 2201003.863 S2C2T1 Fl. 16 29 economicamente apreciável apta a ser considerada base de cálculo da contribuição devida pelo sujeito passivo. Acrescento que o conceito de receita bruta difere do conceito de lucro, no sentido do resultado final da atividade, da diminuição de todas as despesas, inclusive as tributárias, da receita auferida pela empresa. Não foi o lucro a base de cálculo eleita pelo legislador, e sim, a receita, o total de valores obtidos com a atividade empresarial. Em acréscimo, com o perdão da redundância, necessário apontar que o valor relativo a todas as mercadorias vendidas integram o conceito de faturamento e portanto, de receita bruta, o que não nos permite inferir que o produto da venda de mercadorias importadas deva ser retirado da base de cálculo eleita pelo legislador e devidamente explicitada pelo poder regulamentar, ainda mais ao se verificar que as disposições constantes do RPS se coadunam em tudo e por tudo, com lei tributária, com a jurisprudência recente e com o entendimento doutrinário sobre o tema. Assim, não se verifica, no âmbito do processo administrativo tributário, motivos para alterar o lançamento tributário realizado, em razão de sua total submissão aos preceitos legais atinentes. Assentes quanto aos motivos da divergência anunciada, entendo incabível a alteração do lançamento nos itens relativos à exclusão da base de cálculo do lançamento do ICMS, IPI, PIS e COFINS e também quanto à exclusão da receita decorrente da revenda de produtos acabados importados. Conclusão Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para acompanhar o voto proferido pela eminente Relatora quanto à exclusão do lançamento dos valores relativos às vendas destinadas à exportação, realizada por intermédio de empresas exportadoras, denominadas 'trading companies'. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator designado. Fl. 1181DF CARF MF
score : 1.0
