Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,220)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,371)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,859)
- Primeira Turma Ordinária (15,833)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,681)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,953)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,916)
- Terceira Câmara (66,252)
- Segunda Câmara (54,545)
- Primeira Câmara (19,103)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,775)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,158)
- Segunda Seção de Julgamen (112,982)
- Primeira Seção de Julgame (75,394)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,909)
- Câmara Superior de Recurs (37,687)
- Terceiro Conselho de Cont (25,961)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,650)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,618)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,891)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,170)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 13603.722831/2010-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAT. DESNECESSIDADE. NÃO INCIDÊNCIA.
O fornecimento de alimentação in natura pela empresa a seus empregados não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, ainda que o empregador não esteja inscrito no PAT. Ato Declaratório PGFN nº 3/2011.
Numero da decisão: 9202-008.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201912
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAT. DESNECESSIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação in natura pela empresa a seus empregados não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, ainda que o empregador não esteja inscrito no PAT. Ato Declaratório PGFN nº 3/2011.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 13603.722831/2010-79
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6120208
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-008.442
nome_arquivo_s : Decisao_13603722831201079.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
nome_arquivo_pdf_s : 13603722831201079_6120208.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
id : 8051220
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:58:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649176170496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1563; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 119 1 118 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13603.722831/201079 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202008.442 – 2ª Turma Sessão de 16 de dezembro de 2019 Matéria ALIMENTAÇÃO IN NATURA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BENASSI MINAS EXPORTACAO E IMPORTACAO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAT. DESNECESSIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação in natura pela empresa a seus empregados não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, ainda que o empregador não esteja inscrito no PAT. Ato Declaratório PGFN nº 3/2011. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 28 31 /2 01 0- 79 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13603.722831/201079 Acórdão n.º 9202008.442 CSRFT2 Fl. 120 2 Na origem, cuida de auto de Infração DEBCAD 37.289.2329 para o período 01/2007 a 12/2007 relativo à contribuição devida a terceiros incidente sobre a remuneração (in natura), a título de alimentação, auferida pelos segurados empregados. O Relatório Fiscal encontrase às fls. 32/35. A ciência foi data ao autuado em 18/11/2010, consoante se extrai de fls. 38. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte julgou procedente o lançamento às fls. 66/70. Por sua vez, a 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento deu provimento ao recurso voluntário às fls. 91/94. Irresignada, a Fazenda interpôs Recurso Especial às fls. 95/106, pugnando pela reforma do acórdão recorrido de modo a ser restabelecido o lançamento em sua integralidade. Em 15/7/15 às fls. 107/114 foi dado seguimento ao recurso no tocante à matéria "Incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura, quando tal fornecimento ocorrer em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT)". Intimado em 30/9/15, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Relator O Recurso Especial é tempestivo. Observados os demais requisitos, dele passo a conhecer. Como já relatado, o acórdão recorrido deu provimento ao recurso do contribuinte por meio da seguinte ementa (naquilo que foi devolvido a reexame) e dispositivo: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO “IN NATURA”. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. O auxílio alimentação “in natura” não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. [...] Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13603.722831/201079 Acórdão n.º 9202008.442 CSRFT2 Fl. 121 3 Reiterando o já noticiado, o Recurso Especial da Fazenda teve seguimento no tocante à matéria " Incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura, quando tal fornecimento ocorrer em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT)". Em suas razões, sustentou a recorrente que não obstante o fornecimento da alimentação in natura, a inscrição no PAT seria um requisito instransponível. Confirase: Assim, inexistindo comprovação de participação do contribuinte no PAT, é inequívoco que a alimentação, ainda que fornecida in natura, mas sem adesão ao PAT não está incluída na hipótese legal de isenção, prevista na alínea “c”, §9º, art. 28, da Lei nº 8.212/91. Nesse teor foi o entendimento da decisão de primeira instância. Na sequência, ainda aduziu a recorrente que a razão que justificou a aprovação do parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 teria sido a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. E, como se veria, a dispensa estaria endereçada às ações judiciais e as razões que levaram à aprovação do referido parecer estariam centradas em questões processuais e não de mérito, havendo possibilidade da reversão do entendimento nele cristalizado. Prosseguiu ao afirmar que o Ato Declaratório em questão estaria endereçado à PGFN, não sendo vinculante para o CARF. A prosperar o entendimento encampado pelo acórdão recorrido, o CARF, por coerência e, em atenção ao princípio da paridade de armas, também deveria observar os entendimentos veiculados pela Fazenda quando favoráveis ao Fisco. Finalizou ao informar que o Ato Declaratório em questão não faria qualquer referência à dispensa/desnecessidade de inscrição no PAT quando se tratar de alimentação fornecida in natura. Pois bem. A atual jurisprudência deste colegiado é firme no sentido da não incidência da contribuição previdenciária no fornecimento de alimentação, in natura, pela empresa a seus empregados, ainda que o empregador não esteja inscrito no PAT. Por bem discorrer sobre o tema, reproduzo excerto do voto condutor do acórdão 9202.008.209, da lavra do Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho, nos termos a seguir: A definição sobre a incidência ou não das contribuições sociais em relação à rubrica objeto de lançamento deve levar em consideração sua natureza jurídica, a existência ou não de normas que lhes concedam isenção e o cumprimento dos requisitos necessários ao usufruto desse favor legal. Nessa esteira, o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 relaciona, de forma exaustiva, as diversas verbas de natureza salarial que podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição Previdenciária. Em se tratando de salário utilidade pago sob a forma de alimentação, dispõe a alínea “c” do citado § 9º: Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13603.722831/201079 Acórdão n.º 9202008.442 CSRFT2 Fl. 122 4 [...] Nos termos dos disposições legais encimadas, para que a parcela referente à alimentação in natura recebida pelo segurado empregado seja excluída do saláriodecontribuição é necessário que essa seja paga de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador –PAT, instituído pelo Ministério do Trabalho e Emprego, de conformidade com a Lei nº 6.321/1976. Não se olvide que o descumprimento dos requisitos necessários ao gozo da isenção têm como consequência lógica a incidência da exação tributária. Cabe aqui ressaltar que o art. 111 do CTN estabelece que as normas afetas a outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. A despeito do que dispõe a legislação trabalhista e tributária, o entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça –STJ é de que, em se tratando de pagamento in natura, o auxílioalimentação não sofre incidência de contribuição previdenciária, independentemente de inscrição no PAT, visto que ausente a natureza salarial da verba. Nesse sentido é a decisão consubstanciada no AgRg ao REsp nº 1.119.787/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES.1. O pagamento do auxílioalimentação in natura , ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p. 171. 2. Ad argumentandum tantum, esta Corte adota o posicionamento no sentido de que a referida contribuição, in casu, não incide, esteja, ou não, o empregador, inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 3. Agravo Regimental desprovido. Em virtude do entendimento do STJ, foi editado o Ato Declaratório n° 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN, publicado no D.O.U. de 22/12/2011, com base em parecer aprovado pelo Ministro da Fazenda, o qual autoriza a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, independentemente de inscrição no PAT Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13603.722831/201079 Acórdão n.º 9202008.442 CSRFT2 Fl. 123 5 O Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, que motivou a edição do Ato Declaratório nº 03/2011, foi assim ementado: Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílio alimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Ao longo do parecer encimado, a Fazenda Nacional noticiou o posicionamento jurisprudencial dominante nos seguintes termos: Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tão somente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais. Nesse mesmo sentido foi o voto condutor no acórdão 2402002.521, quando assentou que "diante do citado ato, o fornecimento de cestas básicas, ou seja, alimentação in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao PAT Programa de Alimentação ao Trabalhador." Nessa mesma linha, os acórdãos 9202005.257, de 28/03/17 e 9202008.209, de 25/09/2019, adiante ementados: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FORNECIMENTO DE LANCHES E REFEIÇÕES. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA. AUSÊNCIA DE ADESÃO AO PAT. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011 Restando demonstrado que o fornecimento de lanches e refeições, deuse na modalidade "in natura", o lançamento enquadrase na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida “in natura", sob a forma de utilidades. [...] CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAT. DESNECESSIDADE.NÃO INCIDÊNCIA.O fornecimento de alimentação in natura pela empresa a seus empregados não está sujeito à incidência da contribuição Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13603.722831/201079 Acórdão n.º 9202008.442 CSRFT2 Fl. 124 6 previdenciária, ainda que o empregador não esteja inscrito no PAT. Ato Declaratório PGFN nº 3/2011. Consoante estabelece a alínea “c” do inciso II do § 1º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros das turmas de julgamento do CARF podem afastar a aplicação de lei com base em ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522/2002 (como é o caso do Ato Declaratório nº 3/2011). Forte no exposto, em linha com o Ato Declaratório PGFN nº 3/2011 e considerando os julgados do STJ que fomentaram sua edição, dentre os quais encontrase o AgRg no REsp nº 1.119.787, VOTO no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.933637/2008-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde.
APRESENTAÇÃO DE PROVA EM MOMENTO POSTERIOR AO DA INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA NO PROCEDIMENTO.
A apresentação da prova documental em momento processual posterior ao da instauração da fase litigiosa no procedimento é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
É possível reconhecer da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos com a finalidade de confrontar a motivação dos atos administrativos em que a compensação dos débitos não foi homologada, porque não foi comprovado o erro material.
Numero da decisão: 1003-001.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente que apresenta as cópias do Livro Diário e do Livro Razão do ano-calendário de 2004 para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde. APRESENTAÇÃO DE PROVA EM MOMENTO POSTERIOR AO DA INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA NO PROCEDIMENTO. A apresentação da prova documental em momento processual posterior ao da instauração da fase litigiosa no procedimento é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. É possível reconhecer da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos com a finalidade de confrontar a motivação dos atos administrativos em que a compensação dos débitos não foi homologada, porque não foi comprovado o erro material.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.933637/2008-35
anomes_publicacao_s : 201911
conteudo_id_s : 6093771
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-001.114
nome_arquivo_s : Decisao_10880933637200835.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10880933637200835_6093771.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente que apresenta as cópias do Livro Diário e do Livro Razão do ano-calendário de 2004 para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
id : 7987269
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:55:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649179316224
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-15T12:09:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-11-15T12:09:38Z; Last-Modified: 2019-11-15T12:09:38Z; dcterms:modified: 2019-11-15T12:09:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-11-15T12:09:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-15T12:09:38Z; meta:save-date: 2019-11-15T12:09:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-15T12:09:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-11-15T12:09:38Z; created: 2019-11-15T12:09:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-11-15T12:09:38Z; pdf:charsPerPage: 2279; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-15T12:09:38Z | Conteúdo => S1-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.933637/2008-35 Recurso Voluntário Acórdão nº 1003-001.114 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 05 de novembro de 2019 Recorrente AGROPECUÁRIA BOA ESPERANÇA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde. APRESENTAÇÃO DE PROVA EM MOMENTO POSTERIOR AO DA INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA NO PROCEDIMENTO. A apresentação da prova documental em momento processual posterior ao da instauração da fase litigiosa no procedimento é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. É possível reconhecer da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos com a finalidade de confrontar a motivação dos atos administrativos em que a compensação dos débitos não foi homologada, porque não foi comprovado o erro material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente que apresenta as cópias do Livro Diário e do Livro Razão do ano-calendário de 2004 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 36 37 /2 00 8- 35 Fl. 148DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-001.114 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.933637/2008-35 para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Per/DComp e Despacho Decisório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 07926.05291.140704.1.3.04-1927, em 14.07.2004, fls. 06-10, utilizando-se do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, relativo ao 1º trimestre do ano-calendário 2004 no valor de R$15.565,26 contida no DARF de R$128.220,16 recolhido em 30.04.2004 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fls. 01-05, em que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 15.565,26 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando credito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/SP1/SP nº 16-39.122, de 24.05.2012, e-fls. 85-90: Fl. 149DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-001.114 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.933637/2008-35 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO. A compensação tem como pressuposto de validade crédito líquido e certo em favor do sujeito passivo, cabendo a este fazer prova da existência do mesmo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Recurso Voluntário Notificada em 05.06.2013, e-fl. 130-145, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.06.2013, e-fls. 92-127, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: II — O Direito II.1 — PRELIMINAR Não conformado com o indeferimento da defesa [...], pela não recepção da DCTF referente ao 1° Trimestre/2004 que ora foi retificado comprovando a existência de um crédito a ser utilizado para compensar imposto futuros, como objeto de prova documental, além da DIPJ 2005 que comprova tal crédito, únicos documentos apresentados na manifestação de inconformidade por acreditar não ser necessário a apresentação de qualquer outro documento adicional, como prova documental, para demonstrar o equivoco do lançamento a RFB. II. 2 — MÉRITO Para basear tal pedido, do cancelamento da cobrança do débito informado, estamos anexando, cópias das páginas do Livro Diário exercício 2004 e páginas do Razão Contábil exercício de 2004, elementos capazes de fornecer a V.Sas., conteúdo substancial válido juridicamente de comprovação da existência do direito creditório que originou a compensação declarada no PER DCOMP. Concernente ao pedido expõe que: III — A CONCLUSÃO A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade Fl. 150DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-001.114 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.933637/2008-35 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Apresentação de Prova em Momento Posterior ao da Instauração da Fase Litigiosa no Procedimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado detalhando os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré-constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitada dada a concentração dos atos em momento oportuno. A apresentação da prova documental em momento processual posterior é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O julgador orientando- se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos ainda que apresentados em sede recursal com o escopo de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que foi afastada a possibilidade de homologação da compensação dos débitos, porque não foi comprovado o erro Fl. 151DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-001.114 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.933637/2008-35 material (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Cabe esclarecer que a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) desde a sua instituição a partir de 01.01.1999 tem caráter meramente informativo 1 . Somente a partir do ano-calendário de 2014, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentar a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) de forma centralizada pela matriz, que ficam dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, da escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) em meio físico e da entrega da DIPJ. Assim, no ano-calendário objeto de análise os sistemas na RFB não eram supridos com os dados completos da escrituração contábil fiscal da Recorrente (Instrução Normativa RFB nº1.422, de 19 de dezembro de 2013). Ainda, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas devem apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) de forma centralizada pela matriz por via da internet comunicando a existência de débito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para sua exigência 2 . Além disso, por via de regra o Per/DComp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, já que alterar dados depois do tempo próprio constitui inovação 3 . Apenas nas situações mediante comprovação do erro em que se funde de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração 1 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010, Instrução Normativa RFB nº 1.149, de 28 de abril de 2011, Instrução Normativa RFB nº 1.264, de 30 de março de 2012, Instrução Normativa RFB nº 1.344, de 9 de abril de 2013, Instrução Normativa RFB nº 1.463, de 24 de abril de 2014 e Súmula CARF nº 92. 2 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 e Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015. 3 Fundamento legal: art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012, a art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017 e § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 152DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-001.114 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.933637/2008-35 Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Por inexatidão material entendem-se os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente, o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. O conceito normativo de erro material no âmbito tributário abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos não resultantes de entendimento jurídico tais como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde (incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional e art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Sobre a possibilidade de revisão e retificação de ofício de débitos confessados, o Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014, orienta que a revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa da DRF de origem para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato em dados declarados em Per/DComp, DCTF, DIPJ, entre outros, observados os demais requisitos normativos. Ademais, salvo exceções legais, verifica-se que a não retificação da DCTF não impede que o direito creditório pleiteado no Per/DComp seja comprovado por outros meios, bem como não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o Per/DComp que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação de acordo com o Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28 de agosto de 2015. Vale ressaltar que a retificação das informações declaradas por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional). Por conseguinte, cabe a Recorrente a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao Erário para a instrução do processo a respeito dos fatos e dados contidos em documentos existentes em seus registros internos, caso em que deve prover, de ofício, a obtenção dos documentos ou das respectivas cópias (art. 36 e art. 37 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Infere-se que os motivos de fato e de direito apostos no recurso voluntário, por si sós, não podem ser considerados suficientemente robustos a comprovar sobre os supostos erros de fato incorridos pela Recorrente, que precisa produzir um conjunto probatório com outros elementos extraídos dos assentos contábeis, que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a seu favor dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007). O Despacho Decisório Eletrônico foi emitido com base nos dados então existentes nos registros da RFB informados pela Recorrente à época da sua emissão que, após confrontados, emergiram incongruências. Ocorre que nenhum outro critério de verificação da liquidez e certeza do direito creditório foi adotado pela Administração Tributária. Fl. 153DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-001.114 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.933637/2008-35 A decisão de primeira instância restringe o indeferimento do Per/DComp ao argumento de que “a compensação tem como pressuposto de validade crédito líquido e certo em favor do sujeito passivo, cabendo a este fazer prova da existência do mesmo”. Contudo, em face da apresentação das cópias do Livro Diário e do Livro Razão do ano-calendário de 2004, e-fls. 92-127, cabe reexaminar, em preliminar, a improcedência da manifestação de inconformidade, inclusive com base no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp por falta de comprovação do erro material, impõe, uma vez que se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o início de prova relativo ao conjunto probatório produzido no recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Dispositivo Em assim sucedendo voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário, tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente que apresenta as cópias do Livro Diário e do Livro Razão do ano-calendário de 2004 para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903402/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1301-000.757
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13819.903405/2008-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 13819.903402/2008-51
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6118337
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 1301-000.757
nome_arquivo_s : Decisao_13819903402200851.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 13819903402200851_6118337.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13819.903405/2008-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
id : 8041114
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:58:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649184559104
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-01-06T16:59:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-01-06T16:59:04Z; Last-Modified: 2020-01-06T16:59:04Z; dcterms:modified: 2020-01-06T16:59:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-01-06T16:59:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-01-06T16:59:04Z; meta:save-date: 2020-01-06T16:59:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-01-06T16:59:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-01-06T16:59:04Z; created: 2020-01-06T16:59:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2020-01-06T16:59:04Z; pdf:charsPerPage: 2071; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-01-06T16:59:04Z | Conteúdo => 0 S1-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13819.903402/2008-51 Recurso Voluntário Resolução nº 1301-000.757 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de novembro de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA FISCAL Recorrente VOLKSWAGEN DO BRASIL INDUSTRIA DE VEICULOS AUTOMOTORES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13819.903405/2008-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado na Resolução nº 1301-000.753, 13 de novembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata-se do Recurso Voluntário em face do Acórdão da 1ª Turma da DRJ/Campinas que julgou Manifestação de Inconformidade improcedente ao não reconhecer o crédito pleiteado pela contribuinte. O despacho decisório da DRF/São Bernardo do Campo não reconheceu o crédito pleiteado, pois, embora tendo constatado a existência do pagamento, o valor recolhido restara totalmente consumido, alocado, ao próprio débito do período de apuração, inexistindo crédito disponível para utilização para quitação do débito confessado na DCOMP objeto dos autos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 03 40 2/ 20 08 -5 1 Fl. 240DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1301-000.757 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903402/2008-51 Inconformada com esse despacho decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo que: (i) o crédito de IR-Fonte utilizado na DCOMP efetivamente existe; (ii) a manifestante, em virtude da sua atividade empresarial, dentre outras atividades, efetua o pagamento de rendimentos de aluguel a pessoas físicas, rendimentos esses que, de acordo com a legislação tributária, estão sujeitos à IR-Fonte no momento de seu respectivo pagamento; (iii) a manifestante efetuou pagamento de rendimentos de aluguel a pessoas físicas, motivo pelo qual apurou o valor a titulo da IR-Fonte, código de receita 3208; (iv) os beneficiários dos rendimentos objeto da tributação na fonte, bem como respectivos valores das retenções de IRRF estão discriminados nos autos; (v) cometeu equivoco quanto ao IR-Fonte; (vi) para sanar o erro, efetuou, novamente, recolhimento em DARF do IR-Fonte conforme demonstrado nos autos; e (vii) em face desses pagamentos: surgiu em favor da manifestante um crédito relativo a pagamento, código de receita 3208; contudo, por um lapso, a manifestante, após recolher o novo DARF e transmitir a DCOMP acima referida, esqueceu-se de retificar a sua DCTF para (a) criar um novo débito de IRRF com código de receita 9478 e, simultaneamente, (b) reduzir o valor do débito de IRRF de código de receita 3208. A Turma da DRJ/Campinas julgou a manifestação de inconformidade improcedente, pois a contribuinte não teria comprovado a alegada duplicidade de pagamento. Ciente desse decisum a contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo: - que os elementos de prova constantes dos autos já seriam suficientes para comprovação da duplicidade de pagamento do IR-Fonte do período de apuração; - que, entretanto, o entendimento da DRJ foi diverso: o conjunto probatório carreado aos autos seria insuficiente para o reconhecimento do crédito pleiteado, vale dizer, seria insuficiente para aferição da liquidez e certeza, conforme excerto que se extrai do voto condutor: (...) (...) - que, data venia, a decisão recorrida não merece prosperar, pois já há nos autos vasta documentação que permite concluir pela verossimilhança dos fatos apresentados, bem como DCTF (retificadora); - que, por fim, ad agumentandum, mesmo diante de todas as provas carreadas aos autos, caso essa Colenda Turma de Julgamento entender pela necessidade de complementação de provas, a recorrente pleiteia subsidiariamente que os autos sejam baixados em diligência fiscal, para que dúvidas sejam dirimidas acerca do crédito pleiteado. Fl. 241DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1301-000.757 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903402/2008-51 É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado na Resolução nº 1301-000.753, 13 de novembro de 2019, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. O processo trata de compensação tributária. A contribuinte efetuou compensação tributária, mediante PER/DCOMP, confessando débito e para sua quitação utilizou crédito de suposto pagamento indevido de IRRF, valor R$ 2.250,00 (original) do PA 1ª (primeira) semana/outubro/2004. O despacho decisório da DRF/São Bernardo do Campo indeferiu o pretenso crédito pleiteado do IRRF do PA 1ª (primeira) semana/outubro/2004, pois inexistente, uma vez que - embora constatado o recolhimento de R$ 11.385,92 - o valor foi inteiramente consumido pelo débito confessado na DCTF do respectivo período de apuração. Após ciência do referido despacho decisório, a contribuinte transmitiu eletronicamente DCTF retificadora do 4º trimestre/2004, ajustando os débitos conforme DCTF (retificadora) e apresentou manifestação de inconformidade. A contribuinte alegou, em síntese, que efetuou pagamento em duplicidade de IRRF, no valor R$ 2.250,00, atinente ao PA 1ª semana/outubro/2004, primeiro recolheu o valor com código de receita 3208 e, por último, com código de receita 9478, conforme comprovantes dos pagamentos juntados aos autos. A contribuinte ainda alegou nos autos, conforme consta do relatório da decisão recorrida que há 06 (seis) outros processos com o mesmo problema, in verbis: (...) Fl. 242DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1301-000.757 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903402/2008-51 (...) A 1ª Turma da DRJ/Campinas conheceu da lide e no mérito não reconheceu o crédito pleiteado, pois a contribuinte: a) realizara diversas retificações de DCTF do ano-calendário 2004 (1º, 2º e 4º trimestres), após ciência do despacho decisório, conforme demonstrativo que transcrevo a seguir: Fl. 243DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1301-000.757 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903402/2008-51 (...) b) não comprovou o alegado erro de fato que pudesse justificar a apresentação de DCTF retificadora; c) não juntou cópia da escrituração contábil (livros Diário e Razão Analítico) para aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Nesta instância recursal, a contribuinte limitou-se a reiterar os mesmos argumentos apresentados na instância a quo, e não apresentou cópia da escrituração contábil. Ou seja, a contribuinte, nas razões do recurso, argumentou que para comprovação do crédito pleiteado seriam suficientes as cópias dos comprovantes de pagamento em duplicidade (DARF) e cópia da DCTF retificadora transmitida por último, tudo já presente nos autos. Subsidiariamente, argumentou, caso a Turma de Julgamento entenda, - assim como ocorrera na DRJ - da necessidade de apresentação da escrituração contábil (livros Diário e Razão), então que se converta o julgamento em diligência fiscal. Identificados os pontos controvertidos, passo a enfrentá-los. Fl. 244DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 1301-000.757 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903402/2008-51 De plano, não há como enfrentar o mérito da lide, pois o processo precisa de saneamento, de complementação de provas para formação da convicção, de mérito, acerca da formação do crédito e para aferição da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA O ônus da prova do fato constitutivo do crédito alegado contra o Fisco é da recorrente (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16 e Lei 13.105/2015, art. 373, I) para análise de sua formação e aferição da liquidez e certeza (CTN, art. 170). A apresentação de DCTF retificadora, após ciência do despacho decisório que não reconheceu o crédito pleiteado, por implicar redução ou supressão de tributo confessado, demanda a comprovação do alegado erro de fato (CTN, art. 147, §1º). No caso, é necessário, para comprovação do alegado erro de fato, que a contribuinte demonstre, por meio de sua escrituração contábil, que os dados informados na DCTF retificadora foram extraídos de sua escrituração contábil. O IRRF tem caráter de antecipação do imposto devido no final do período de apuração. Assim, não se devolve diretamente pagamento de IRRF, mas sim saldo negativo, caso os pagamentos antecipados superarem o imposto apurado. Nesse diapasão, torna-se necessário que a contribuinte comprove com sua escrituração contábil e fiscal, mediante balancetes e Lalur, que não utilizou o pretenso crédito na formação de eventual saldo negativo do imposto. DILIGÊNCIA FISCAL Apesar da não juntada de cópia da escrituração contábil quando da apresentação das razões do recurso para comprovação do alegado erro de fato que pudesse justificar a apresentação de DCTF retificadora e permitir análise da formação e aferição da liquidez e certeza do crédito pleiteado, entendo que não é caso de preclusão da faculdade processual de produção de provas, pois: a) a situação envolve a necessidade de complementação de provas, em parte já juntada quando da apresentação da manifestação de inconformidade na instância a quo, mas insuficiente para comprovação do alegado direito creditório; b) nessa situação justifica-se a prevalência do princípio do formalismo moderado em busca da verdade material. Fl. 245DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 1301-000.757 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903402/2008-51 De modo que se torna necessário, no caso, baixar os autos em diligência fiscal para que a Fiscalização da unidade de origem da RFB, no caso a DRF/São Bernardo do Campo: a) intime a contribuinte a comprovar o alegado erro de fato, que possa justificar a apresentação de DCTF retificadora após ciência do despacho decisório que não reconhecera o crédito pleiteado, mediante apresentação da escrituração contábil (livros Diário, Razão, balancetes e livro Lalur) com documentos de suporte dos registros contábeis; b) realizada a diligência fiscal, a Fiscalização proceda análise dos livros e documentos, verifique se o valor pleiteado compôs ou não eventual saldo negativo, elabore relatório circunstanciado, apresentando o resultado da diligência, ou seja, se há o crédito pleiteado, e se seu valor está, ou não, disponível para ser utilizado para quitação do débito confessado na DCOMP objeto dos presentes autos; c) intime a contribuinte do resultado do relatório de diligência fiscal, abrindo prazo de trinta dias da ciência para, em querendo, manifestar-se nos autos; d) transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos para julgamento da lide pelo CARF. Por tudo que foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência fiscal, conforme especificado. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto condutor. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.722634/2012-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-007.657
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10665.722633/2012-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. A relatoria foi atribuída ao presidente do colegiado, apenas como uma formalidade exigida para a inclusão dos recursos em pauta, podendo ser formalizado por quem o substituir na sessão.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201910
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s :
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10665.722634/2012-07
anomes_publicacao_s : 201911
conteudo_id_s : 6099237
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.657
nome_arquivo_s : Decisao_10665722634201207.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10665722634201207_6099237.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10665.722633/2012-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. A relatoria foi atribuída ao presidente do colegiado, apenas como uma formalidade exigida para a inclusão dos recursos em pauta, podendo ser formalizado por quem o substituir na sessão. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira- Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7998345
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649187704832
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-27T10:11:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-11-27T10:11:27Z; Last-Modified: 2019-11-27T10:11:27Z; dcterms:modified: 2019-11-27T10:11:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-11-27T10:11:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-27T10:11:27Z; meta:save-date: 2019-11-27T10:11:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-27T10:11:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-11-27T10:11:27Z; created: 2019-11-27T10:11:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2019-11-27T10:11:27Z; pdf:charsPerPage: 1613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-27T10:11:27Z | Conteúdo => S2-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10665.722634/2012-07 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-007.657 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de outubro de 2019 Recorrente ARNALDO CESAR BATISTA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2009 DO VALOR DA TERRA NUA - SUBAVALIAÇÃO. Em caso de justificada rejeição, pela auditoria, de laudo como documento hábil para comprovar o valor da terra nua (VTN), prevalece o cálculo do valor arbitrado pela auditoria, por meio do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10665.722633/2012-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. A relatoria foi atribuída ao presidente do colegiado, apenas como uma formalidade exigida para a inclusão dos recursos em pauta, podendo ser formalizado por quem o substituir na sessão. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira- Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 26 34 /2 01 2- 07 Fl. 159DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.657 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.722634/2012-07 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 153, de 17/4/18. Dessa forma, adoto os seguintes excertos do relatório constante do Acórdão nº 2402-007.656, proferido no âmbito do processo n° 10665.722633/2012-54, paradigma deste julgamento: Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da autoridade julgadora de primeiro grau que considerou improcedente impugnação apresentada pela contribuinte quanto à Notificação de Lançamento de Imposto de Territorial Rural, em razão de o contribuinte haver apresentado Declaração do ITR com informação inexata (ref. imóvel rural denominado “FAZENDA PALMEIDA TIRA TEIMA”, NIRF 7.742.191-4, localizado no município de SAO JOAO BATISTA DO GLORIA-MG), tendo sido arbitrado o VTN pela autoridade fiscal. [...] A decisão recorrida traz o seguinte resumo das alegações do contribuinte: - depois da prorrogação de prazo concedida, apresentou, no dia 09/05 2012, o Laudo de Avaliação então exigido. Além de esse laudo ter sido elaborado por profissional habilitado (engenheiro agrónomo), com ART devidamente anotada no CREA, o mesmo atende as Normas Técnicas da ABNT; - no entanto, esse laudo foi desqualificado pelo auditor fiscal autuante. que não é qualificado para isso e. ainda, sem nenhuma fundamentação legal, além de sugerir que o laudo fora manipulado, o que é uma grave acusação, correto seria a apresentação de um novo laudo, por parte da Receita Federal, para efeitos comparativos; - a despeito das justificativas apresentadas pelo autuante para desconsiderar o laudo apresentado, não há justificativa para o VTN do imóvel sofrer variações de muito mais de 200%, nos anos-base de 2007 a 2009; - trata-se, portanto, de forma irreparável de cerceamento de defesa imposto pelo autuante, pois o mesmo julga sem ser capacitado para tal e, também, não apresenta elementos consistentes para embasar sua tese: - a afirmação de que o próprio contribuinte não tem condições de comprovar a área de produtos vegetais, mais uma vez perece tendenciosa, pois a explicação da não comprovação é justa e foi feita juntamente com a entrega do laudo de avaliação, pois se trata de propriedades pequenas, apesar de estarem todos os irmãos dentro, como demonstra a já apresentada documentação de propriedade; - relata o modo de exploração das terras do imóvel e a destinação dos produtos nelas produzidos, para justificar a dificuldade de apresentar Notas Fiscais; não podendo confundir um latifúndio improdutivo, com uma porção de pequenos proprietários que lutam para sobreviver, isso seria no mínimo injusto, pois os valores lançados em desfavor dessa gente são muito maiores do que tudo que eles possuem, incluindo suas terras; - pede a suspensão do lançamento, até que o mérito seja julgado e deferido pela autoridade competente, e - pugna pela improcedência total do lançamento, visto que o pedido foi atendido oportunamente, em acordo com o art. 10. da Lei n° 9.393/96. e, ainda, pela inexatidão dos valores apurados pelo autuante, que não apresentou elementos que possam comprovar a veracidade dos valores por ele apresentados. Fl. 160DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.657 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.722634/2012-07 Por fim, demonstrada a insubsistência e improcedência total do lançamento, requer o acolhimento da presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal lançado. Ao analisar o caso, a autoridade julgadora de primeiro grau decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito lançando, conforme a seguintes ementas: DO VALOR DA TERRA NUA - SUBAVALIAÇÃO. Para fins de comprovação do VTN do imóvel, a preços de mercado, na data do fato gerador do imposto, exige-se que o laudo de avaliação apresentado, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA. atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.653-3). principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir fundamentação e grau de precisão II. Caso o laudo de avaliação apresentado tenha sido rejeitado pela autoridade fiscal, como documento hábil para fins de comprovação desse dado cadastral (VTN). cabe ser providenciado novo laudo de avaliação ou demonstrado, pelo autor do trabalho, que o laudo em questão atende ao que foi exigido, no que tange às normas da ABNT. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário reafirmando que foi superavaliado o cálculo do VTN realizado pela auditoria, em razão de o imóvel ser impróprio à exploração agrícola. Além disso, o contribuinte apresenta algumas ofertas de venda de imóveis similares ao seu, buscando demonstrar o real valor de mercado da propriedade em debate. Pede ao final a anulação do auto de infração. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.657 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.722634/2012-07 Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira - Relator Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço. Das razões recursais Da mesma forma que o relatório acima, uma vez que o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, reproduziremos o voto consignado no Acórdão nº 2402-007.656, proferido no processo paradigma nº 10665.722633/2012-54: Das alegações do recorrente No presente recurso voluntário, ao contrário da impugnação, o contribuinte traz apenas alegações genéricas, buscando demonstrar a inaptidão do imóvel para a produção agrícola, sem apresentar qualquer nova informação capaz demonstrar o efetivo valor da terra nua. De tal fora, o presente recurso configura um mero instrumento procrastinatório, devendo, por isso, ser mantido o juízo exposto na decisão recorrida, cujo teor o presente voto concorda e reproduz excerto tratando da matéria: Do Valor tia Terra Nua - VTN Na análise das peças do presente processo, verifica-se que a autoridade fiscal entendeu que o VTN declarado estava subavaliado, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT). instituído pela RFB em consonância com o disposto no art. 14, caput da Lei 9.393/96. sendo rejeitado o VTN declarado, de R$ 195.000.00 ou R$ 412.96ha. e arbitrado o valor de RS 1.180.500,00 ou RS 2.500,00/ha. correspondente ao menor VTN/lia. por aptidão agrícola (terras de matas), constante do SIPT. exercício de 2008 para o município de São João Batista do Glória — MG (tela/Sipt de fls. 92). Os valores constantes do SIPT. por aptidões agrícolas, foram fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais, nos termos do § 1 o do art. 14, da Lei n° 9.393/1996. No presente caso é preciso admitir, até prova documental hábil em contrário, que o VTN Declarado, por hectare, de apenas RS 412,96 (R$ 195.000.00: 472,2 ha), referente ao exercício de 2008. está de fato subavaliado, posto que o mesmo não só está abaixo de todos os valores apontados no SIPT. qualquer que seja a aptidão agrícola da terra, mas também do VTN médio, por hectare, de RS 2.422,39 apurado com base nas DITR2008 processadas, cujos valores foram informados pelos próprios contribuintes do ITR. com imóveis rurais localizados no citado município. Para comprovação do valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (l°/01/2008, art. 1 o caput e art. 8 o , § 2 o , da Lei 9.393/96), o Contribuinte foi intimado a apresentar "Laudo Técnico de Avaliação", conforme estabelecido na XBR 14.653 da ABXT. com Fundamentação e Grau de Precisão II. com ART. contendo todos os elementos de pesquisa identificados (às fls. 20/22 e AR de fls. 23). Não obstante o interessado ter apresentado, por ocasião daquela intimação inicial, o "Laudo Técnico de Avaliação", doe. de fls. 38/71. elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Ivan Afonso Borges, com ART devidamente anotada no Fl. 162DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.657 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.722634/2012-07 CREA. doe. cópia de fls. 72/74. em que se atribui ao imóvel rural avaliado, a preços de janeiro de 2008. o VTX de RS 614.931,89 ou RS 1.302,27 ha. o mesmo foi desconsiderado, como documento hábil, para comprovação do VTN do imóvel avaliado, a preços de mercado, em 1° 01.2008. por não atender a integralidade das normas da ABNT (NBR 14.653-3). de modo a atingir grau de II de fundamentação e precisão. No caso. pelas razões descritas detalhadamente, às fls. 04/08. o autuante (Auditor-Fiscal da RFB) reduziu a pontuação do laudo, apurada pelo autor do trabalho, de 67 pontos para um total de 31 pontos, abaixo, portanto, dos 36 pontos exigidos para que esse laudo pudesse ser enquadrado com fundamentação II. conforme exigido, além de concluir, pelo exposto na página 3 do laudo, que o imóvel avaliado não foi vistoriado, para fins dessa avaliação, contrariando o disposto no item 9.2.3.3 da NBR 14.653-3; e. ainda, conforme apurado em pesquisa realizada no sitio na internet da Imobiliária Facilita Imóveis, apontar divergências e distorções nos dados das amostras coletadas, referentes a 7 (sete) imóveis ofertados pela citada imobiliária (Ofertas, 07. 08. 14. 15. 16, 17, 18 e 19), principalmente no que diz respeito a valores e/ou dimensões dos imóveis ofertados, utilizados como amostras nesse trabalho de avaliação. Pois bem. Caracterizada a subavaliação do VTN declarado, e desconsiderado o laudo de avaliação então apresentado, como documento hábil para comprovar o valor fundiário do imóvel, a preços de mercado em 1 o 01.2008. só restava à autoridade fiscal arbitrar novo valor de terra nua para efeito de cálculo do ITR desse exercício, em obediência ao disposto no art. 14, da Lei n° 9393/1996, e artigo 52 do Decreto n° 4.382/2002 (RITR). com base no menor valor, por aptidão agrícola, apontado no SIPT, exercício de 2008, para o citado município, de RS 2.500,00ha. Nesta fase. o Impugnante insiste na aceitação desse laudo de avaliação, como documento hábil para comprovação do VTN do imóvel, a preços de janeiro de 2008. alegando, em síntese, que o autuante (Auditor-Fiscal da RFB) não possui qualificação para analisar e, conforme foi o caso. rejeitar o laudo apresentado: que os valores arbitrados com base SIPT apresentam variações de muito mais de 200%, nos anos-base de 2007 a 2009. sugerindo que. ao invés de simplesmente rejeitar o laudo, a RFB elaborasse um novo laudo, para fins comparativos. Quanto à aventada falta de qualificação do autuante (Auditor-Fiscal da RFB) para avaliar e expressar seu juízo em relação ao laudo de avaliação apresentado pelo Contribuinte, à luz das normas da ABNT (XBR 14.653-3). é preciso deixar registrado que essa é uma das atribuições inerentes ao Cargo ocupado pelo servidor responsável pelo trabalho de fiscalização no âmbito da RFB. não havendo qualquer impedimento de ordem legal que pudesse desautorizar a realização dessa análise. Pois bem. a Lei n° 10.593. de 06.12.2002. que "Dispõe sobre a reestruturação da Carreira Auditoria do Tesouro Nacional, que passa a denominar-se Carreira Auditoria da Receita Federal-ARF". determina em seus artigos 3 o e 6 o que: Art. 3 o O ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta Lei far-se-á no primeiro padrão da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, exigindo-se curso superior em nível de graduação concluído ou habilitação legal equivalente. [...] Art. 6 o São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil: I- no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições: Fl. 163DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.657 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.722634/2012-07 b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administi-ativo- fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fiindos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. ¡.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; II - em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federa! do Brasil. Nesse mesmo sentido, é preciso observar que o Decreto n° 7.574/2011 (RPAF). ao tratar no Capítulo III - Do Exame de Livros e de Documentos, fez constar no art. 17, o seguinte: "Art. 17. Para o efeito da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos empresários e das sociedades, ou da obrigação destes de exibi-los (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, art. 195; Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil, art. 1.179) ". Vê-se. portanto, que a competência da autoridade fiscal em proceder ao exame da documentação relativa a tributos federais decorre não de formação profissional específica e muito menos de registro em Órgão ou Conselho de profissão regulamentada, mas diretamente da Lei. Por conseguinte, conclui-se por afastar por completo o argumento de que o autuante não teria competência para analisar e. conforme foi o caso. desqualificar, como documento hábil para comprovar o VTX do imóvel, a preços de 1 o 01 2008. o laudo de avaliação apresentado por ocasião daquela intimação inicial, por não ser ele Engenheiro Agrônomo ou Florestal inscrito no Conselho Regional de Engenharia. Arquitetura e Agronomia (CREA). requisitos esses exigidos para elaboração desse tipo de trabalho. Também não compete à autoridade fiscal elaborar um laudo de avaliação, para fins comparativos, conforme pretende o impugnante. Isto porque, o ônus da prova é do Contribuinte, seja na fase inicial do procedimento fiscal, conforme previsto nos artigos 40 e 47 (caput). do Decreto n° 4.382. de 19.09 2002 (RITR). ou mesmo na fase de impugnação, conforme disposto no artigo 16. inciso III do PAF. e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de fornia subsidiária: além de constar do art. 28 do Decreto n° 7.574/2011. que é do interessado o ônus de provar os fatos que tenha alegado. Assim, considerando-se que o autuante fez constar, de forma detalhada (às fls. 04.08). os motivos que o levaram a rejeitar o referido laudo de avaliação, como documento hábil para comprovação do VTN do imóvel, a preços de 1 o 01 2008. cabia ao requerente providenciar novo laudo de avaliação, que atendesse as normas da ABNT (NBR 14.653-3). de modo a atingir pontuação suficiente para enquadrá-lo com Grau II de fundamentação e precisão ou, pelo menos, que autor do referido laudo apresentasse os devidos esclarecimentos técnicos e as justificativas em relação ao trabalho por ele realizado, de modo a demonstrar Fl. 164DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-007.657 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.722634/2012-07 que. não obstante o entendimento contrário do autuante. o laudo atende ao que foi exigido, no que tange às normas da ABNT. Frise-se que. para atingir tal grau de fundamentação e precisão, esse laudo deveria atender aos requisitos estabelecidos na norma NBR 14.653-3 da ABNT. com a apuração de dados de mercado (ofertas negociações opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, preferencialmente com características semelhantes às do imóvel avaliado, com o posterior tratamento estatístico dos dados coletados, conforme previsto no item 8.1 dessa mesma Norma, adotando- se. dependendo do caso. a análise de regressão ou a homogeneização dos dados, conforme demonstrado, respectivamente, nos anexos A e B dessa Norma, de forma a apurar o valor mercado da terra nua do imóvel avaliado, a preços de 01 01/2008. em intervalo de confiança mínimo e máximo de 80%. Acrescente-se que o fato de faltar maiores justificativas para as diferenciações entre valores apontados no SIPT. de um exercício para outro, para o mesmo município, não implica na desqualificação desses valores, seja por aptidões agrícolas, fornecidos pelas Secretarias Estaduais/Municipais de Agricultura ou mesmo os VTN médios, por hectare, apurados com base nas correspondentes DITR processadas, dos respectivos exercícios, tudo em conformidade com a legislação aplicável à matéria, muito menos pode servil' para justificar o acatamento do laudo apresentado, mesmo diante do que foi apurado pela autoridade fiscal, em relação à pontuação do laudo, a ausência de vistoria ao imóvel avaliado e aos dados de mercado pesquisados. Assim, não apresentado novo laudo de avaliação, nem prestados os esclarecimentos técnicos pertinentes, de modo a demonstrar que o laudo de avaliação apresentado pelo Contribuinte atende às normas da ABNT (NBR 14.653-3). atingindo pontuação suficiente para enquadrá-lo com Grau II de fundamentação e precisão, constituindo, portanto, em documento hábil para comprovar o valor fundiário do imóvel, a preços de mercado, em 1°.01.2008. não cabe alterar o VTN arbitrado pela fiscalização. Desta forma, cabe manter a tributação da "Fazenda Palmeira Tira Teima", com base no VTN arbitrado pela fiscalização, de RS 1.180.500,00 ou RS 2.500,00/ha. correspondente ao menor VTN/ha. por aptidão agrícola (terras de matas), apontado no SIPT. exercício de 2008. para o município onde se localiza o imóvel. Quanto à glosa da área declarada como utilizada na produção vegetal, de 450,0 ha. além de o próprio requerente admitir que não é possível comprová-la. essa área não consta nem mesmo do "Laudo Técnico de Avaliação", de fls. 38 71. elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Ivan Afonso Borges, com ART devidamente anotada no CREA. doe. cópia de fls. 72/74. mas sim uma área de pastagens plantadas de 47,2 ha e uma área coberta por matas nativas, de 420,0 ha. não declaradas para efeito de apuração do ITR 2008. Ocorre que. além de o contribuinte ter perdido a espontaneidade para efetuar qualquer alteração nos dados por ele informados na sua declaração do ITR 2008. nos termos do art. 138 do CTN c/c o disposto no art. 7 o do Decreto n° 70.235/72 e, da mesma forma, no art. 33 do Decreto 7574 2011. esse "Laudo de Avaliação"' não constitui, por si só. documento hábil, para comprovação dessas áreas, observada a legislação aplicada a cada matéria, de modo a demonstrar e hipótese de erro de fato. no que diz respeito a esses dados cadastrais (áreas de pastagens e áreas ambientais). Quanto às possíveis áreas de matas (florestas nativas) ou mesmo de preservação permanente, estas devidamente caracterizadas e tipificadas como APP. observadas as alíneas "a" a "i", do art. 2 o da Lei 4.771/65 (Código Florestal), não foi comprovado nos autos a protocolização. em tempo hábil, do necessário Ato Declaratório Ambiental - ADA no IBAMA. Fl. 165DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-007.657 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.722634/2012-07 Essa exigência, aplicada às áreas ambientais do modo geral, inclusive de preservação permanente, advém desde o ITR 1997 (art. 10, § 4 o , da IN SRF n° 043/1997, com redação dada pelo art. 1 o da IN SRF n° 67/1997) e. para o exercício de 2008. encontra-se prevista na IN/SRF n° 256/2002 (aplicada ao ITR2002 e subsequentes), no Decreto n° 4.382/2002 - RITR (art. 10, § 3 o , inciso I), tendo como fundamento o art. 17-0 da Lei 6.938 81. em especial o caput e parágrafo 1 o , cuja atual redação foi dada pelo art. 1° da Lei 10.165. de 27 de dezembro de 2000. a seguir transcritos: Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, com base em Ato Declaratório Ambienta! - ADA, deverão recolher- ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n 2 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) § 1--A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei n° 10.165, de 2000). § 1 o - A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória, (sublinhou-se) Portanto, resta demonstrado que a obrigatoriedade da exigência do Ato Declaratório Ambiental — ADA encontra-se estatuído por meio de dispositivo contido em lei. qual seja. o art. 17-0 da Lei 6.938 1981 e em especial o caput e parágrafo 1 o . cuja atual redação foi dada pelo art. 1 o da Lei 10.165/2000. O prazo para apresentar o ADA do exercício de 2008. no IBAMA. expirou em 30/09/2008. data final para a entrega da DITR/2008. de acordo com a INVRFB n° 0857, de 14/07/2008, c/c a IN IBAMA n° 96/2006 (art. 9 o ). além de previsto na Solução de Consulta Interna n° 06 2012. item 10.1, que diz: ''Cabe ressaltar que, a partir do exercício de 2007, o ADA deve ser declarado anualmente de 1 o de janeiro a 30 de setembro de cada ano-calendário, conforme art. 9 o da Instrução Nonnativa (IN) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) n° 96, de 30 de março de 2006, e arts. 6 o , § 3 o , e 7 o da IN Ibama n° 5, de 25 de março de 2009". Assim, quanto ao prazo para entrega do ADA no IBAMA. cabe considerar a orientação da própria Receita Federal do Brasil, manifestado na citada SCI, editada pela Coordenação-Geral de Tributação (Cosit). que não pode ser aqui ignorada, sob pena de contrariar o disposto no art. 7 o da Portaria - MF n° 341, de 12 de julho de 2011. No presente caso, não consta dos autos que o contribuinte tenha providenciado a protocolização do competente ADA no IBAMA. mesmo que referente a exercícios posteriores a 2008. Assim, não comprovada a protocolização tempestiva do ADA no IBAMA. não há como acatar a hipótese de erro de fato. para efeito de acatai* a aventada área de matas (florestas nativas/preservação permanente), de modo a reduzir as áreas tributável e aproveitável do imóvel. Já em relação à possível área de pastagem plantada, é preciso dizer que. observada a localização e a dimensão do imóvel, a área servida de pastagem a ser aceita está sujeita a aplicação do índice de lotação mínima por zona de pecuária fixado para a região de sua localização, no caso. de 0,50 (zero vírgula cinquenta) cabeça por hectare, nos termos do anexo I da IN SRF n° 256/2002 e Instrução Especial INCRA n° 019. de 28/05/80, conforme previsto na alínea "b", inciso V, art. 10. da Lei n° 9.393/93. De acordo com o art. 25. incisos I e II da IN SRF n° 0256/2002 (aplicada ao ITR2002 e subsequentes) e o art. 25 do Decreto ii° 4.382/2002 (RITR). a área Fl. 166DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-007.657 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.722634/2012-07 aceita de pastagens será a menor entre a área declarada e a área calculada, a ser apurada na forma indicada. (sic) Assim, para justificar essa área de pastagem plantada, cabia ser comprovado nos autos a existência de animais de grande porte (gado equídeos muares) e/ou de médio porte (caprinos/ovinos), estes últimos sujeitos ao fator de ajuste então previsto (1 cabeça corresponde a V* de animal de grande porte), apascentados no imóvel, no decorrer do ano-base de 2007, em quantidades suficientes para justificá-la. observado o referido índice de lotação mínima por zona de pecuária (0.50 cabeça por hectare). (sic) No caso. constitui documento hábil para comprovação do rebanho apascentado no imóvel no decorrer do ano de 2007. por exemplo: ficha registro de vacinação e movimentação de gados e/ou ficha do serviço de erradicação da sarna e piolheira dos ovinos, fornecidas pelos escritório*» vinculados à Secretaria de Agricultura: notas fiscais de aquisição de vacinas: declaração certidão firmada por órgão vinculado à respectiva Secretaria Estadual de Agricultura, no caso. pelo Instituto Mineiro de Agropecuária — IMA: laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais; declaração anual de produtor rural, a serem analisados dentro do contexto. (sic) Assim, não comprovada a existência de qualquer rebanho apascentado na propriedade no decorrer do ano de 2007. não há como considerar, para efeito de apuração do Grau de Utilização do imóvel, qualquer área de pastagem, ficando afastada, também no que diz respeito a esse dado cadastral, a hipótese de erro de fato. Desta fornia, além de manter, por falta de comprovação, a glosa da área declarada como utilizada na produção vegetal, de 450,0 ha. também não há como acatar as áreas de matas (florestas nativas/preservação permanente) e servidas de pastagens apontadas no laudo de avaliação apresentado, por não ter sido comprovada a hipótese de erro de fato. Isso posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de que seja rejeitada a preliminar de nulidade e. no mérito, julgada improcedente a impugnação interposta pelo Contribuinte, mantendo-se o crédito tributário consubstanciado na Notificação de Lançamento, de fls. 03/10. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Assim, em razão da sistemática prevista nos §§1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.911335/2009-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
Ementa: PER/DECOMP. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO PAGO A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. Verificado, pelo conjunto dos elementos carreados aos autos, o direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, defere-se a restituição/compensação pleiteado por meio de DCOMP.
Recurso provido
Numero da decisão: 2201-001.418
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 Ementa: PER/DECOMP. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO PAGO A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. Verificado, pelo conjunto dos elementos carreados aos autos, o direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, defere-se a restituição/compensação pleiteado por meio de DCOMP. Recurso provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10166.911335/2009-62
conteudo_id_s : 6113209
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-001.418
nome_arquivo_s : Decisao_10166911335200962.pdf
nome_relator_s : Pedro Paulo Pereira Barbosa
nome_arquivo_pdf_s : 10166911335200962_6113209.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
id : 8025280
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649202384896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.911335/200962 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 220101.418 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2011 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Recorrida DRJBRASÍLIA/DF Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004 Ementa: PER/DECOMP. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO PAGO A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. Verificado, pelo conjunto dos elementos carreados aos autos, o direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, deferese a restituição/compensação pleiteado por meio de DCOMP. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 03/12/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Relatório Cuidase de pedido de compensação de IRRF no valor de R$ 151.844,73, apresentado pela Contribuinte, por meio de PerDcomp, o qual não foi homologado pela autoridade administrativa sob o fundamento de inexistência do crédito pleiteado. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade e alegou, em síntese, que o crédito pleiteado referese a IRRF do período de apuração 14/08/2004 recolhido a maior no DARF com valor total de R$ 2.614.544,15; que embora inicialmente não tenha retificado a DCTF na qual foi informado o débito, constatada a falta apresentou a DCTF retificadora em 24/08/2009; que, portanto, não havia motivo para a não homologação da compensação. A DRJBRASÍLIA/DF julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base, em síntese, na consideração de que a Requerente não demonstrou a existência do crédito pleiteado. A DRJ deu ênfase ao fato de que a Requerente não comprovou ter apresentado a DCTF antes da notificação da não homologação da PerDcomp. Observa também que mesmo que a DCTF tivesse sido apresentada a compensação exige crédito líquido e certo e, no caso, a Requerente não teria comprovado que a retificação da DCTF decorreu de erro no preenchimento da declaração originalmente apresentada. A Requerente tomou ciência da decisão de primeira instância em 29/04/2011 (fls. 43) e, em 31/05/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 45/53, que ora se examina, e no qual argúi, inicialmente, a nulidade do despacho decisório de nãohomologação. Aduz, em síntese, que o documento é omisso quanto à explicitação das disposições legais infringidas, em afronta ao que dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972. Quanto ao mérito, reitera, em síntese, as alegações e argumentos da manifestação de inconformidade quanto à existência do crédito pleiteado e ao direito à compensação, reforçando as alegações quanto à apresentação da DCTF que diz ter realizado tempestivamente. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de pedido de restituição/compensação formalizado por meio de PER/DCOMP a qual, todavia, não foi homologada. O fundamento para a negativa foi a falta de comprovação do crédito. Segundo a DRJBRASÍLIA/DF, que julgou a manifestação de inconformidade, o valor pago foi integralmente utilizado faz liquidar débito informado na DCTF e esta somente foi retificada, para reduzir o valor do débito liquidado, após o ato de não homologação da compensação, mas, mesmo assim, não consta dos autos prova da transmissão da DCTF. Sustenta a DRJ, então que a retificação não poderia ser Fl. 104DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10166.911335/200962 Acórdão n.º 220101.418 S2C2T1 Fl. 2 3 considerada. E acrescenta que, mesmo com a retificação seria necessário comprovar, com base na escrituração contábil e nos documentos, a redução do débito informada na DCTF retificadora e somente foi apresentado quadro demonstrativo. Também pondera a DRJ que a retificação da DCTF deveria ter sido acompanhada da retificação da DIPJ, ter sido apresentada antes da não homologação da compensação e, ainda, deveria ser acompanhada da comprovação do erro que ensejou a retificação. Com a devida vênia, divirjo do entendimento esposado pela DRJ BRASÍLIA/DF. Inicialmente, cumpre ressaltar que a DCTF foi efetivamente retificada, conforme recibo às fls. 64, atestando a entrega da DCTF retificadora em 24/08/2009, antes da ciência do despacho de nãohomologação da compensação, que se deu em 20/10/2009. De qualquer forma não me parece que a não homologação de PERDCOMP caracterize ação fiscal para fins de retirar a espontaneidade quanto à retificação da DCTF. Ao contrário, sendo a retificação da DCTF uma decorrência do erro que ensejou o pedido de restituição e não tendo sido esta retificação providenciada antes da apreciação da PERDCOMP, nada impede, ao contrário, é recomendável que o Contribuinte o faça em momento posterior. Por outro lado, a referência feita pela DRJ à necessidade da retificação da DIPJ não se aplica ao caso. Aqui se trata de pagamento a maior tendo em vista a inclusão na DCTF de débito que fora estornado, débito esse que foi efetivamente pago. Assim, na retificação da DCTF a contribuinte excluiu a parte do débito estornado, fazendo surgir o crédito do mesmo valor. Ainda sobre a retificação da DCTF, cumpre lembrar que a Medida Provisória nº 1.990, de 1989, atualmente, art. 18 da medida Provisória nº 2.189, de 2001, introduziu mudança radical no procedimento para a retificação de declaração de impostos e contribuições, eliminando o processo de prévia autorização. Assim, nas hipóteses em que admitida, a retificação da declaração passou a se processar pela simples entrega da declaração retificadora, passando esta a substituir integralmente a declaração originalmente apresentada, inclusive para fins de lançamento de ofício, senão vejamos: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Portando, a DCTF retificadora apresentada substituiu a originalmente apresentada, para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de ofício. Assim, se a autoridade administrativa entender que a redução do débito, informada na DCTF é indevida, poderia exigir o imposto por meio do lançamento de ofício. O que não poderia era negar a compensação pretendida sob o fundamento de que a DCTF não poderia ter sido retificada. Entendo também que, dependendo das circunstâncias, seria lícito ao Fisco exigir a comprovação da efetividade do direito creditório, com base em documentos, além das declarações e relatórios, que comprovassem a redução do débito informado na DCTF. Mas, Fl. 105DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 neste caso, penso que a exigência é descabida. A Requerente apresenta a retificação da DCTF e a questão referese a pagamento em duplicidade, de fácil verificação. Assim, entendo que a compensação pretendida deve ser homologada, extinguidose, consequentemente, o crédito tributário exigido. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CAMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Fl. 106DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10166.911335/200962 Acórdão n.º 220101.418 S2C2T1 Fl. 3 5 Processo nº: 10166.911335/200962 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 220101.418. Brasília/DF, 03 de dezembro de 2011. ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: // Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 107DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 13766.000116/2004-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 Ementa: DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Podem ser considerados dependentes para fins de apuração de rendimentos os filhos e os pais do contribuinte, estes últimos desde que não aufiram rendimentos superiores ao limite de isenção. DEDUÇÃO. DESPESA COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis na declaração de rendimentos os pagamentos feitos com despesa de instrução de dependente. Comprovada a despesa e a relação de dependência é válida a dedução. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.052
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso para acatar as deduções com dependentes e despesa de instrução, conforme demonstrativo constante do voto. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 Ementa: DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Podem ser considerados dependentes para fins de apuração de rendimentos os filhos e os pais do contribuinte, estes últimos desde que não aufiram rendimentos superiores ao limite de isenção. DEDUÇÃO. DESPESA COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis na declaração de rendimentos os pagamentos feitos com despesa de instrução de dependente. Comprovada a despesa e a relação de dependência é válida a dedução. Recurso parcialmente provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 13766.000116/2004-71
conteudo_id_s : 6103408
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-001.052
nome_arquivo_s : Decisao_13766000116200471.pdf
nome_relator_s : Pedro Paulo Pereira Barbosa
nome_arquivo_pdf_s : 13766000116200471_6103408.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso para acatar as deduções com dependentes e despesa de instrução, conforme demonstrativo constante do voto. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente
dt_sessao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
id : 8008447
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649219162112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1689; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13766.000116/200471 Recurso nº 164.644 Voluntário Acórdão nº 220101.052 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2011 Matéria IRPF Recorrente ROSSINI DUARTE ANTUNES Recorrida DRJJUIZ DE FORA/MG Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 Ementa: DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Podem ser considerados dependentes para fins de apuração de rendimentos os filhos e os pais do contribuinte, estes últimos desde que não aufiram rendimentos superiores ao limite de isenção. DEDUÇÃO. DESPESA COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis na declaração de rendimentos os pagamentos feitos com despesa de instrução de dependente. Comprovada a despesa e a relação de dependência é válida a dedução. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso para acatar as deduções com dependentes e despesa de instrução, conforme demonstrativo constante do voto. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 15/04/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Fl. 75DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório ROSSINI DUARTE ANTUNES interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJJUIZ DE FORA/MG (fls. 32) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 06/11, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2000, no valor de R$ 636,44, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 1.652,47. As infrações que ensejaram a autuação foram: 1) Omissão de rebndimentos recebidos de Telecomunicações do Estado do Espírito Santo S?A, decorrentes do trabalho com vínculo empregatício, no valor de R$ 21.012,49; 2) Dedução indevida com dependentes; 3) Deduçao indevida a título de despesa com instrução, 4) Dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. O Contribuinte impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que não foi intimado para prestar esclarecimentos acerta da sua DIRPF, como consta do auto de infração; afirma que tem como dependentes três filhos, a esposa e os pais. Apresentou cópia do informe anual no qual baseou sua declaração. A DRJJUIZ DE FORA/MG julgou procedente em parte o lançamento, conforme dispositivo do acórdão nº 0917.428, a seguir reproduzido: Em face da competência estabelecida pelo art. 10 da Portaria SRF n.° 406, se 03/04/2007, publicada no DOU de 04/04/2007, acordam os membros da 4° Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte o lançamento formalizadas pelo Auto de Infração fls. 06/11, para: a) eximir o contribuinte do pagamento da parcela do Imposto Suplementar/2001 lançado, na quantia \ de R$ 246,94 (duzentos e quarenta e seis reais e noventa e quatro centavos) e acréscimos legais decorrentes, e b) exigir de ROSSINE DUARTE ANTUNES, CPF 332.731.20606, o recolhimento: b.1)da arcela restante'do TRPF Suplementar/2000 na importância de R$ 389,50 (trezentos e oitenta e nove reais e 'cinqüenta centavos), consoante cálculos de fl. 35, acompanhado da correspondente multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora cabíveis até da data do efetivo recolhimento; Fl. 76DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13766.000116/200471 Acórdão n.º 220101.052 S2C2T1 Fl. 2 3 b.2)da restituição indevida a devolver corrigida apurada à fl. 09, no valor de R$ 1.215,08 (um mil, duzentos e quinze reais e oito centavos), sujeita aos consectários legais pertinentes. A DRJ observou que o informe de rendimentos fornecido pela fonte pagadora coincide, quanto ao valor dos rendimentos, com o que foi declarado pelo Contribuinte, mas não coincide o valor do IRRF. Assim, decidiu afastar a exigência quanto á omissão de rendimentos e mantêla quanto á glosa parcial do IRRF. Quanto à glosa das deduções, a DRJ ressalta que, embora o Contribuinte alegue ter 6 (seis) dependentes, não apresentou comprovantes deste fato, limitandose a afirmar que a fonte pagadora poderia comproválo. Decidiu, portanto, a DRJ, manter as glosas das deduções com dependentes e com despesas de instrução. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 19/11/2007 (fls. 38) e, em 17/12/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 39/43, que ora se examina, e no qual diz apresentar documentos comprobatórios das despesas médicas e com educação. Reproduz textos da legislação tributária e conclui dizendo que: “À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, ou seja, os débitos de código 2904 no valor de R$ 389,50 e código 1054 no valor de R$ 1.215,08 (valor original).” É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o litígio permanece apenas quanto à glosa parcial do IRRF e a glosa total das deduções com dependente e despesa com instrução. O Recorrente apresenta certidões às fls. 53/57 que comprovam a existência dos filhos e revelam o nome da esposa e dos seus próprios pais. Comprovam, portanto, a relação de dependência dos filhos. O Contribuinte não assinalou, todavia, na DIRPF tratase de declaração em conjunto. Sendo assim, não há como admitir a dedução do cônjuge como dependente. Quanto aos pais, a legislação faculta a dedução, desde que estes não aufiram rendimentos superiores ao limite mensal de isenção (art. 77, VI, do RIR/99). Nesta caso, resta comprovada a relação de paternidade. Caberia ao Fisco verificar se os mesmos auferiram ou Fl. 77DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 não rendimentos superiores ao limite de isenção e não ao Contribuinte fazer a prova negativa. Portanto, comprovada a relação de paternidade, penso que deve ser mantida a dedução. Finalmente, quanto à despesa com instrução, o documento de fls. 59 comprova o pagamento de Laura Duarte de Abreu Antunes, que é filha o Recorrente. Portanto, resta comprovada a despesa, devendo ser restabelecida a dedução. Feitos estes ajuste, fica assim o resultado da declaração: Rendimentos Tributáveis 18.564,46 () Deduções Contribuição à Prev. Oficial R$ 1.826,11 Contribuição à Prev. Privada R$ 565,83 Dependentes R$ 5.400,00 Despesa com Instrução R$ 1.700,00 Despesas Médicas R$ 404,34 9.896,28 (=) Base de cálculo 8.668,18 (*) Imposto Devido zero () IRRF 355,72 Imposto a Restituir .....355,72 Imposto Restituído 922,00 ..Restituição indevida a devolver (sem a correção) .....566,28 Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para acatar as deduções com dependentes e despesa de instrução, conforme demonstrativo constante do voto. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 78DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 10880.004340/2004-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/08/2003 a 01/02/2004
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DIF-BEBIDAS. PREVISÃO EXCLUSIVA EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. ART. 16 DA LEI N° 9.779/99. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. PENALIDADE APLICÁVEL. COMINAÇÃO POR LEI EM SENTIDO ESTRITO.
O estabelecimento de obrigações acessórias, como a obrigatoriedade de apresentar a DIF-Bebidas, pode se dar exclusivamente por meio de Instrução Normativa porque, nos termos do art. 16 da Lei n° 9.779/99, compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. As penalidades aplicáveis devem estar previstas em lei em sentido estrito, sendo apenas reproduzidas pelos dispositivos regulamentares, os quais fazem remissão ao texto legal.
MULTA REGULAMENTAR. DIF-BEBIDAS. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DA MULTA PELA LEI N° 12.873/2013. RETROATIVIDADE BENIGNA.
ALeinº12.873/2013alterou o art. 57 da MP n° 2158-35/2001 para reduzir a multa por mês-calendário de atraso na entrega da DIF-Bebidas, devendo ser aplicada retroativamente para reduzir o montante das multas já impostas, mas ainda não definitivamente julgadas, a teor do art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/2003 a 01/02/2004
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N° 2.
As alegações de inconstitucionalidades não devem ser conhecidas no processo administrativo fiscal porque o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3401-007.031
Decisão: Vistos, relatado, s e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo a retroatividade benigna da redação dada pela Lei nº 12.873/2013 ao art. 57 da MP nº 2.158-35/2001.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, João Paulo Mendes Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE SEIXAS PANTAROLLI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201910
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 01/02/2004 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DIF-BEBIDAS. PREVISÃO EXCLUSIVA EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. ART. 16 DA LEI N° 9.779/99. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. PENALIDADE APLICÁVEL. COMINAÇÃO POR LEI EM SENTIDO ESTRITO. O estabelecimento de obrigações acessórias, como a obrigatoriedade de apresentar a DIF-Bebidas, pode se dar exclusivamente por meio de Instrução Normativa porque, nos termos do art. 16 da Lei n° 9.779/99, compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. As penalidades aplicáveis devem estar previstas em lei em sentido estrito, sendo apenas reproduzidas pelos dispositivos regulamentares, os quais fazem remissão ao texto legal. MULTA REGULAMENTAR. DIF-BEBIDAS. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DA MULTA PELA LEI N° 12.873/2013. RETROATIVIDADE BENIGNA. ALeinº12.873/2013alterou o art. 57 da MP n° 2158-35/2001 para reduzir a multa por mês-calendário de atraso na entrega da DIF-Bebidas, devendo ser aplicada retroativamente para reduzir o montante das multas já impostas, mas ainda não definitivamente julgadas, a teor do art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 01/02/2004 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N° 2. As alegações de inconstitucionalidades não devem ser conhecidas no processo administrativo fiscal porque o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.004340/2004-37
anomes_publicacao_s : 201911
conteudo_id_s : 6096348
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-007.031
nome_arquivo_s : Decisao_10880004340200437.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARLOS HENRIQUE DE SEIXAS PANTAROLLI
nome_arquivo_pdf_s : 10880004340200437_6096348.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatado, s e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo a retroatividade benigna da redação dada pela Lei nº 12.873/2013 ao art. 57 da MP nº 2.158-35/2001. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, João Paulo Mendes Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7990335
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649263202304
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-19T13:02:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-11-19T13:02:23Z; Last-Modified: 2019-11-19T13:02:23Z; dcterms:modified: 2019-11-19T13:02:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-11-19T13:02:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-19T13:02:23Z; meta:save-date: 2019-11-19T13:02:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-19T13:02:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-11-19T13:02:23Z; created: 2019-11-19T13:02:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2019-11-19T13:02:23Z; pdf:charsPerPage: 2119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-19T13:02:23Z | Conteúdo => S3-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.004340/2004-37 Recurso Voluntário Acórdão nº 3401-007.031 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2019 Recorrente VAGNER LUIZ GABRIEL ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 01/02/2004 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DIF-BEBIDAS. PREVISÃO EXCLUSIVA EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. ART. 16 DA LEI N° 9.779/99. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. PENALIDADE APLICÁVEL. COMINAÇÃO POR LEI EM SENTIDO ESTRITO. O estabelecimento de obrigações acessórias, como a obrigatoriedade de apresentar a DIF-Bebidas, pode se dar exclusivamente por meio de Instrução Normativa porque, nos termos do art. 16 da Lei n° 9.779/99, compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. As penalidades aplicáveis devem estar previstas em lei em sentido estrito, sendo apenas reproduzidas pelos dispositivos regulamentares, os quais fazem remissão ao texto legal. MULTA REGULAMENTAR. DIF-BEBIDAS. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DA MULTA PELA LEI N° 12.873/2013. RETROATIVIDADE BENIGNA. ALeinº12.873/2013alterou o art. 57 da MP n° 2158-35/2001 para reduzir a multa por mês-calendário de atraso na entrega da DIF-Bebidas, devendo ser aplicada retroativamente para reduzir o montante das multas já impostas, mas ainda não definitivamente julgadas, a teor do art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 01/02/2004 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N° 2. As alegações de inconstitucionalidades não devem ser conhecidas no processo administrativo fiscal porque o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatado, s e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 43 40 /2 00 4- 37 Fl. 454DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.031 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.004340/2004-37 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo a retroatividade benigna da redação dada pela Lei nº 12.873/2013 ao art. 57 da MP nº 2.158-35/2001. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, João Paulo Mendes Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Por medida de celeridade e economia processual, adoto parcialmente o relatório constante da Resolução n° 1802-000.521 (fls. 442/451), pela qual foi declinada a competência para análise do feito da Primeira para a Terceira Seção de Julgamento deste Conselho: Do Lançamento Trata-se de recurso voluntário contra Acórdão nª 1419.519, proferido pela 3ª Turma da DRJ/POR em 12 de junho de 2008. O auto de infração de fls. 12/16 exigiu crédito tributário relativo a multas regulamentares (código de arrecadação:3738), aplicadas em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 325, de 30 de abril de 2003, que instituiu a Declaração Especial de Informações Fiscais relativas à Tributação de Bebidas (DIF-Bebidas), no valor total de R$ 245.000,00 relativamente ao período de 06/2003 a 12/2003. 0 lançamento fundamentou-se nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 57, inciso I, da Medida Provisória (MP) n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001;art. 16 da Lei n°9.779, de 19 de janeiro de 1999; art. 505 c/c art. 212 do Decreto n°4.544, de26 de dezembro de 2002; art. 3°, inciso I e § 2°, da Instrução Normativa (IN) SRF n° 325, de 30de abril de 2003. Da Impugnação 0 contribuinte protocolou sua impugnação em 29/09/2004, na qual aduziu, em síntese: a) que, em 17/05/2004, entregou as DIF’s — Bebidas em atendimento à intimação fiscal que lhe havia concedido 20 dias para apresentação daquelas declarações; Fl. 455DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.031 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.004340/2004-37 b) que, conforme dispõe o art. 97, inc. V, do Código Tributário Nacional (CTN), somente a lei, em sentido estrito, é o instrumento capaz de cominar penalidades. Nesse sentido, aduz que a obrigação acessória consistente na entrega da DIF — Bebidas não deveria ter arrimo apenas na Instrução Normativa SRF nº 325/03, mas sim em Lei; c) que, com o artigo 16 da Lei n° 9.779/99, o Legislativo apenas confiou ao Executivo a prática de atos normativos tendentes a regulamentar um dado conjunto de regras de sua autoria, não pretendendo transferir-lhe o mister de prever os fatos geradores de obrigações acessórias; d) que o artigo 115 do CTN dispõe que a instituição de obrigação acessória, assim como de penalidade pelo seu descumprimento, devem estar previstos em lei; e) que "é um paradoxo facultar-se a entrega das declarações em um prazo determinado e, mesmo em face da ocorrência daquele ato — entrega das DIF-Bebidas, insistir-se na imposição de penalidade"; f) que a obrigação acessória, instituída no interesse da arrecadação e fiscalização, viabilizando a constatação do surgimento da obrigação principal, não pode ser um fim em si mesma. No caso presente, o valor de uma única multa (R$ 5.000,00) supera o montante de todos os tributos recolhidos pela impugnante em um exercício financeiro. g) que, embora não pretenda o reconhecimento de inconstitucionalidades em sede administrativa, não pode conceber "o comportamento adotado pela administração que, sob a alegação de os seus atos se sujeitarem incondicionalmente ao primado da estrita legalidade (artigo 37, da CF), sobrepõe a legislação infraconstitucional ao Texto Magno". h) que a multa aplicada é inconstitucional porque fere os princípios da capacidade contributiva, da igualdade, do direito de propriedade, da vedação ao confisco e da livre iniciativa; i) que é uma empresa de pequeno porte, cujo faturamento médio mensal gira em torno de R$ 2.000,00, não dispondo de qualquer funcionário contratado. Assim sendo, é absolutamente impossível quitar o crédito tributário que lhe está sendo exigido; i) que a multa em questão é aplicada indiscriminadamente a 'todos os contribuintes omissos, havendo benefícios apenas as empresas optantes pelo Simples, o que não é o seu caso, em razão de atividade vedada. Desta forma, uma empresa com grande faturamento está sujeita ao mesmo montante de penalidade. Portanto, está se dispensando o mesmo tratamento a contribuintes que se encontram em situações diferentes; k) que o caso em questão revela um "ultraje ao disposto no artigo 170, IX, da CF", que determina tratamento favorecido a empresas de pequeno porte; l) que a imposição de uma penalidade por descumprimento de obrigação acessória não poderia redundar na aplicação de uma multa de valor superior a todo o patrimônio (bens e direitos) conquistado ao longo de uma vida de trabalho; m) que a imposição da penalidade consubstanciada no presente auto de infração" está acabando por impedir o exercício de uma atividade licita, Fl. 456DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-007.031 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.004340/2004-37 além de desconsiderar um enorme esforço despendido pelo Empresário Individual para conseguir conquistar o seu espaço em um mercado contaminado pela excessiva concorrência"; n) que "em momento algum houve a intenção por parte da Impugnante em auferir qualquer vantagem com a não entrega da declaração. Por descuido do seu contador é que aquela providência não foi satisfeita na época oportuna, embora, em momento posterior, repita-se, o seu cumprimento se consumou". Ao final, pede a impugnante pela desconstituição do auto de infração guerreado, pelas razões por ela expendidas, ou, no mínimo, "pela redução da penalidade no importe de 70% (setenta por cento), consoante se confere as empresas optantes pelo Simples, em homenagem ao disposto no artigo 107, IX, da CF". Pede, outrossim, pela realização de todos os meios de prova em direito admitidos, com vistas ao esclarecimento dos fatos que se mostrarem controvertidos. Do Acórdão Em sessão de 12 de junho de 2008, foi proferido o Acórdão nº 1419.519, da 3ª Turma da DRJ/POR, o qual, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE O LANÇAMENTO, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos a seguir. A DRJ discorreu sobre o art. 2° da Instrução Normativa (IN) SRF n° 325/2003, verbis: Art. 2° A DIF-Bebidas deve ser ser apresentada mensalmente, até o último dia útil do mês subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores, por intermédio da Internet, utilizando-se o Programa Receitanet, que está disponível no endereço referido no parágrafo 2° do art. I°. § 1° A DIF-Bebidas deverá ser entregue em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de junho de 2003. § 2° 0 Recibo de Entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. A penalidade aplicada está disposta no art. 3° da mesma IN SRF n° 325/2003, verbis: Art. 3° A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DIF-Bebidas no prazo estabelecido no artigo anterior, ou que apresentá-la com incorreções ou omissões, sujeitar-se-á às seguintes multas: I - R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês-calendário, no caso de falta de entrega da declaração ou de entrega após o prazo; II – cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. § 1° Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), os valores e o percentual referido neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Fl. 457DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-007.031 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.004340/2004-37 § 2° Para aplicação da multa de que trata o inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e, como termo final, a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. Alegou a DRJ que na impugnação, o contribuinte não contestou a situação que redundou no lançamento, qual seja, a apresentação intempestiva das DIF’s — Bebidas. Ao contrário, o contribuinte expressamente confirma o ocorrido, ao tempo em que considera paradoxal a imposição de penalidade àquele que regularizou sua omissão em atenção à intimação fiscal. Nesse aspecto, a DRJ entendeu que o paradoxo apontado não existe. Isto porque, ao contrário do que alega, a empresa não foi intimada a apresentar as DIF’s — Bebidas que constavam como omissas nos controles da Receita Federal. Foi, isto sim, intimada a apresentar "cópia dos Recibos de Entrega das referidas Declarações ou justificar sua não entrega" (fl. 03). Denota-se, pois, que a intimação fiscal visou, na verdade, oportunizar à intimada a possibilidade de eventualmente comprovar que não estava omissa em relação a uma ou outra das declarações, justamente para evitar a aplicação de penalidade baseada, tão somente, nos registros constantes dos sistemas de controle da Receita Federal. Para impedir o lançamento das penalidades, deveria o contribuinte apresentar, se assim dispusesse, cópias dos recibos de entrega de declarações que teriam sido entregues tempestivamente. Como efetivamente não tinha entregado as declarações nos prazos estipulados na norma regente, a entrega em atraso configurou a ocorrência de infração punida com a penalidade prescrita naquela norma. Dado que não tinha como atacar o mérito da medida, os protestos da impugnante voltaram-se para a validade jurídica da norma que fundamentou o lançamento. Entende a impugnante que a obrigatoriedade da apresentação da DIF — Bebidas, assim como a prescrição de penalidade pela sua inobservância, não poderia ser objeto de normas infralegais. Ademais disso, protesta pela inconstitucionalidade da norma que instituiu a penalidade que lhe foi aplicada, porquanto violadora de diversos preceitos estatuídos na Constituição Federal (CF) de 1988. Em que pese o extenso arrazoado desenvolvido pela impugnante para o fim de derrubar a base jurídica das normas que fundamentaram a constituição do crédito tributário exigido através do presente lançamento, entendeu a DRJ que não lhe assistia razão. Quanto à questão da instituição de obrigação acessória (no caso presente, a apresentação da Declaração Especial de Informações Fiscais relativas à Tributação de Bebidas DIF-Bebidas) por Instrução Normativa, afastou-se a tese de ilegalidade esposada pela impugnante dado que estas não decorrem exclusivamente de lei, podendo incorporar- se ao ordenamento tributário por meio de outros diplomas que integram o que se denomina de "legislação tributária". A este respeito, a DRJ trouxe aos autos os artigos 113, § 2°, 96 e 100, I do CTN. Trouxe ainda o Fl. 458DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-007.031 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.004340/2004-37 artigo 16 da Lei n° 9.779/99, que outorga poderes à Secretaria da Receita Federal para dispor sobre obrigações assessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, e o art. 212 do RIPI/02. Entendeu, por fim, a DRJ que a lei conferiu sim, amplos poderes para a Receita Federal instituir as obrigações acessórias, "estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável". Prossegue sua explanação quanto à instituição da penalidade por descumprimento da obrigação acessória, pelo artigo 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, posteriormente contemplado pelo art. 505 do RIPI/02, que teria observado o princípio da reserva legal, porquanto, a teor do disposto no artigo 62 da CF/88, Medida Provisória tem força de lei. Transcreveu-se no Acordão, para esse efeito, o art. 62 da Constituição Federal (CF), o art. 57 da MP n°2.15835 e o art. 505 do RIPI/02. Prosseguiu seu arrazoado informando que no exercício da competência conferida pelo citado art. 16 da Lei n° 9.779/99, o Secretário da Receita Federal expediu a referida IN SRF n° 325/2003, instituindo a DIF — Bebidas, estabelecendo, inclusive, para fins de aplicação da multa em caso da não entrega da declaração nos prazos fixados, o termo inicial e o termo final, conforme disposto no seu art. 3°, já transcrito. Nesse passo, pontuou que o artigo 115 do CTN não trata do principio da reserva legal para a instituição de obrigações acessórias e que o termo "legislação", no contexto do CTN, não se resume à lei em estrito senso (art. 96, já transcrito). Quanto aos protestos relativos às inconstitucionalidades da norma, a autoridade fiscal entendeu que é preciso delimitar a competência do julgador administrativo, ressaltando o caráter vinculado da atividade fiscal, e não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal, pois a análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. Nesse mister, traz vasta jurisprudência dos colegiados administrativos aos autos, entre elas: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS — DCTF. NORMAS LEGAIS. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO PODER JUDICIÁRIO. As instâncias administrativas não têm competência para se pronunciarem sobre inconstitucionalidade/ilegalidade, matéria da competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme determinação constitucional. (3° CC — 2°Camara. Acórdão n°30239.094, sessão de 18 de outubro de 2007) Citou ainda o artigo 7° da Portaria do Ministro da Fazenda n° 58, de 17 de março de 2006, que expressamente determina a vinculação do julgador administrativo, nos seguintes termos, verbis: Art. 7° 0 julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n°8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos normativos." Nesse contexto, entendeu a DRJ que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitar-se a aplica-la, sem emitir Fl. 459DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-007.031 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.004340/2004-37 qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Essa vinculação somente deixa de prevalecer quando a norma em discussão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou no difuso, neste caso a partir do momento e na hipótese de produzir efeitos "erga omnes" (na ocorrência de qualquer das situações previstas no ordenamento jurídico). Como, na situação presente, essas hipóteses não ocorreram, a norma inquinada de inconstitucional pela impugnante, continua válida, não sendo licito à autoridade administrativa abster-se de cumpri-la nem declarar sua inconstitucionalidade sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. A respeito do pedido de redução de 70% da multa aplicada, conforme prescrito para as empresas optantes pelo Simples, entendeu a DRJ que não lhe assiste razão, pois a redação da norma não deixa margem de dúvidas quanto à sua proposição. A redução da multa só se aplica às empresas optantes pelo Simples, não sendo o caso do contribuinte. De resto, quanto à alegada não intencionalidade da empresa em obter qualquer vantagem pela não entrega tempestiva das DIFs — Bebidas, assim como o descuido do responsável pelas entregas, dispôs a DRJ tratar-se de argüição impertinente, por conta do princípio da natureza objetiva da responsabilidade pela infração, conforme estatuído no art. 136 do CTN, verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por todo o exposto, votou a DRJ pela procedência do lançamento, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Do Recurso Voluntário Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual aduziu, em síntese, o quanto segue. - declara estar sujeita à entrega da declaração denominada DIF — BEBIDAS, consoante determina a Instrução Normativa SRF n° 325, de30 de abril de 2003; - que tomou ciência de que nos meses de JUNHO, JULHO, AGOSTO, OUTUBRO, NOVEMBRO E DEZEMBRO DE 2003, através da intimação da Receita Federal e que, ato contínuo, providenciou, em 17/05/2004, a entrega das mencionadas declarações; - que não obstante a entrega, recebeu auto de infração no importe de R$ 245.000,00 relativos à multa infracional. - que a DRJ de Ribeirão Preto, por unanimidade dos votos, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido; - que a autoridade fiscal rechaçou a tese de ilegalidade tendo em vista que a instituição de obrigação acessória não decorre exclusivamente de lei, podendo incorporar-se ao ordenamento tributário por meio de outros diplomas que integram o que se denomina de "legislação tributária", como os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. Fl. 460DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-007.031 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.004340/2004-37 - que a autoridade administrativa reiterou o caráter vinculado da atividade fiscal, entendendo não lhe caber questionar a legalidade ou inconstitucionalidade da norma, devendo limitar-se a aplica-la sem emitir qualquer juizo de valor. Em sua peça, o contribuinte traz longo arrazoada sobre a violação ao princípio da estrita legalidade e sobre a infração ao disposto nos artigos 96, 97 V e 115 do CTN. Resumidamente, alega que as obrigações acessórias são destituídas de valor patrimonial, representam deveres de fazer e não fazer decorrentes de previsões legais em sentido estrito, ou seja, formal e material, as quais devem obedecer regular processo legislativo. Que o art. 97 do CTN é taxativo em estabelecer que somente a lei em sentido estrito é instrumento hábil a regulamentar as matérias capituladas em seus incisos, dentre as quais encontra-se a cominação de penalidade. Que a lei cria deveres acessórios e estabelece punições aos seus descumprimentos, sendo facultado às autoridades administrativas a expedição de atos que sirvam unicamente para dar-lhe exeqüibilidade. Conclui que a obrigação acessória consistente na entrega da DIF — BEBIDAS, não deveria ter arrimo apenas na Instrução Normativa SRF n° 325/03, mas sim em Lei. Traz aos autos extensa doutrina e jurisprudência sobre essa questão. Prossegue a Recorrente dizendo que, ao receber a intimação para entregar as declarações no prazo de 20 (vinte) dias, satisfez a exigência dentro do interstício estipulado pela Secretaria da Receita Federal. Entendeu que a Receita Federal teria oportunizado à Recorrente a regularização de sua situação (leia-se: apresentação das declarações), e que não seria crivei que, uma vez atendida aquela solicitação, subsistisse a multa infracional. Entende, ainda, que a obrigação acessória não pode caracterizar um fim em si mesma sob pena de desvirtuamento do sistema tributário e relativização da Justiça Fiscal que é de rigor e, não tendo função fiscal (trazer arrecadação para os cofres públicos), por óbvio que a pena imposta pela sua inadimplência não pode ser tão grave que supere e muito a obrigação principal. Nesse mister informa que o valor de apenas uma penalidade sem considerar a cumulação ( R$5.000,00 cinco mil reais) supera o montante de todos os tributos recolhidos pela Recorrente em um exercício financeiro, fato este que conduz à conclusão de que a intenção do Fisco é incrementar a sua arrecadação mediante a imposição de penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias, circunstância que dá azo ao enriquecimento sem causa. O contribuinte traz também em várias laudas considerações a respeito das inconstitucionalidades alegadas, com doutrina e jurisprudência nesse mister, entre elas, a ofensa aos princípios da capacidade contributiva e igualdade, vez que a Recorrente é firma individual que ostenta capacidade econômica e financeira bastante diminuta, eis que a receita bruta por ela auferida (faturamento) gira em torno mês a mês de R$ 2.000,00 (dois mil reais), numerário com o qual solve religiosamente as suas pendências. O valor das compras de mercadorias adquiridas no respectivo ano calendário, soma a quantia de R$6.844,50 (seis mil, oitocentos e quarenta e quatro reais e cinquenta centavos), valor este Fl. 461DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-007.031 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.004340/2004-37 que, se dividido por 12, dá o singelo resultado de R$ 537,38 (quinhentos e trinta e sete reais e trinta e oito centavos )por mês. Outra informação que denota a simplicidade da Recorrente, reside na opção de sua escrituração (LIVRO CAIXA), haja vista que, se houvesse uma quantidade considerável de lançamentos, por óbvio que se adotaria o modo contábil. Alega a recorrente que a Fiscalização não levou em conta as disponibilidades materiais ou a situação de riqueza individual da Recorrente, o que ensejou manifesta violação ao primado da capacidade contributiva (§ 1°, do artigo 145, da Constituição Federal), e que o benefício de redução da penalidade aplica-se apenas às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições. Traz, ainda alegações de violação ao princípio da isonomia, na medida em que uma pessoa jurídica que desempenhe a mesma atividade que a Recorrente, em que pese fature R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) mensais, por exemplo, acaso descumpra aquela obrigação estará sujeita à idêntica penalidade. Por fim, entende ter sido ultrajado o disposto no artigo 170, IX, da CF, que determina seja dispensado tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras que tenham sua sede e administração no país. E entende que, na pior das hipóteses, haveria de ser aplicar a punição à Recorrente de maneira semelhante aos empresários Individuais ou Sociedades empresárias optantes pelo SIMPLES. Em relação à multa, entende ter havido violação aos postulados da razoabilidade e da proporcionalidade, mediante os quais se pretende limitar a discricionariedade de molde a propiciar que as decisões da administração sempre atendam ao interesse público. Traz aos autos farta doutrina e jurisprudência na esfera judicial. Requer, ao final, a desconstituição do auto de infração guerreado, tendo em vista que: a) o fato gerador da obrigação acessória que deu ensejo a imposição da penalidade resultante na sua lavratura, não se encontra descrito em Lei, mas sim em ato administrativo normativo, o que colide com os artigos 96, 97, V e 115, do CTN, além de transgredir o primado constitucional da reserva legal. b) não há espaço para a imposição da multa, dado que a Recorrente, quando intimada, satisfez a exigência com a entrega das declarações, deixando, por este motivo, de existir o ilícito. c) a legislação que dá suporte à multa infracional que motivou a sua lavratura (MP n° 2.15835/ 2001), transgride irremediavelmente princípios e garantias constitucionais, fazendo-se imperioso o seu afastamento. Por fim, roga, no mínimo, pela redução da penalidade em respeito aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, capacidade contributiva, bem como ao principio da igualdade. Fl. 462DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-007.031 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.004340/2004-37 Do Recurso Apresentado em 26 de dezembro de 2012 Posteriormente ao Recurso Voluntário acima, mais precisamente em 26/12/2012, o patrono da causa protocolou petição nos autos dando notícia de que a IN 325/2003 teria sido revogada pela IN RFB 1213/2011, anexando aos autos seu teor. Invoca em sua defesa o artigo 106, II, a, do CTN, verbis: Art. 106. A Lei aplica-se a ato ou fato pretérito II . tratando-se de ato não definitivamente julgado: a. quando deixe de defini-lo como infração. E requer, pelo motivo acima, que o auto de infração seja cancelado. Encaminhado ao CARF para julgamento, o presente foi distribuído por sorteio à Primeira Seção de Julgamento, onde foi objeto da Resolução n° 1802-000.521, que declinou competência para esta Terceira Seção, nos termos do RICARF, por se tratar de matéria atinente à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Relator. O presente Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Trata-se de Auto de Infração lavrado para exigência de multa regulamentar por descumprimento de obrigação acessória pela entrega intempestiva das Declarações Especiais de Informações Fiscais relativas à Tributação de Bebidas (DIF-Bebidas) referentes aos meses de junho a dezembro de 2003, com fundamento no art. 505 c/c art. 212 do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/2002) e no art. 3°, inciso I e §2°, da Instrução Normativa SRF n° 325, de 30 de abril de 2003. Ab initio, considerando o inteiro teor da matéria de defesa, merece registro o fato de que todos os ataques à autuação com argumentos de índole constitucional não podem ser conhecidos por força da Súmula CARF nº 2, segundo a qual falece competência a este Conselho para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mérito, tem-se por incontroverso nos autos o fato de que as DIF-Bebidas foram entregues fora do prazo estipulado pela Instrução Normativa SRF n° 325, de 30 de abril de 2003, à vista de intimação da fiscalização para apresentação dos eventuais recibos de entrega ou de justificativa para a omissão. Veja-se o que diz a norma: Art. 2º A DIF-Bebidas deverá ser apresentada mensalmente, até o último dia útil do mês subseqüente ao da ocorrência dos fatos Fl. 463DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-007.031 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.004340/2004-37 geradores, por intermédio da Internet, utilizando-se o Programa Receitanet, que está disponível no endereço referido no § 2º do art. 1º. § 1º A DIF-Bebidas deverá ser entregue em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de junho de 2003. § 2º O Recibo de Entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. Art. 3º A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DIF-Bebidas no prazo estabelecido no artigo anterior, ou que apresentá-la com incorreções ou omissões, sujeitar-se-á às seguintes multas: I - R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês-calendário, no caso de falta de entrega da declaração ou de entrega após o prazo; (grifo nosso) Assim, resta analisar a insurgência da Recorrente contra o fato de a obrigação acessória de transmitir a DIF-bebidas estar prevista em norma infralegal, a Instrução Normativa SRF n° 325, sob a alegação de contrariar o princípio da estrita legalidade. Tal alegação não merece prosperar pelos fundamentos já muito bem expostos na decisão recorrida, posto que, de fato, apenas a lei pode cominar penalidades. E a multa aplicada ao descumprimento de obrigações acessórias em geral encontra previsão expressa no art. 57, I da MP n° 2158-35, instrumento normativo com força de lei ordinária e, portanto, hábil a cominar penalidades. Além da penalidade aplicada não encontrar supedâneo apenas na combatida instrução normativa, é inconteste a competência da Secretaria da Receita Federal para dispor sobre obrigações acessórias relativas aos tributos que administra, como logrou demonstrar a decisão de piso, a seguir reproduzida: Quanto à questão da instituição de obrigação acessória (no caso presente, a apresentação da Declaração Especial de Informações Fiscais relativas à Tributação de Bebidas - DIF-Bebidas) por Instrução Normativa, há que se rechaçar a tese de ilegalidade esposada pela impugnante dado que estas não decorrem exclusivamente de lei, podendo incorporar-se ao ordenamento tributário por meio de outros diplomas que integram o que se denomina de "legislação tributária". A este respeito, cumpre trazer à baila os seguintes comandos estatuídos no CTN, in verbis: CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §2°. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a ele pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I — os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Fl. 464DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-007.031 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.004340/2004-37 Se isto não bastasse, veio a Lei n° 9.779/99 outorgar poderes à Secretaria da Receita Federal para dispor sobre obrigações assessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados. Vejamos o que dispõe o seu art. 16, citado pela própria impugnante e tratado, em termos similares, pelo art. 212 do RIPI/02: Lei n°9.779/99 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. RIPI/02 Art. 212. A SRF poderá dispor sobre as obrigações acessórias relativas ao imposto, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável (Lei n° 9.779, de 1999, art.16). Veja-se que, diferentemente do que entende a impugnante, a lei conferiu sim amplos poderes para a Receita Federal instituir as obrigações acessórias, "estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável". Novamente, ao contrário da tese defendida pela impugnante, a instituição da penalidade por descumprimento da obrigação acessória, pelo artigo 57 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, posteriormente contemplado pelo art. 505 do RIPI/02, observou sim o princípio da reserva legal, porquanto, a teor do disposto no artigo 62 da CF/88, Medida Provisória tem força de lei. Seguem transcritos os dispositivos citados, ipsis litteris: Constituição Federal (CF) Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submete- las de imediato ao Congresso Nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°32, de 2001). MP n°2.158-35 Art. 57.0 descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei n°9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: 1-R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês-calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados (.). RIP1/02 Art. 505. 0 descumprimento das obrigações exigidas nos termos do art. 212 acarretará a aplicação da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por mês-calendário, aos contribuintes que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados (Medida Provisória n°2.158-35, de 2001, art. 57). Fl. 465DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-007.031 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.004340/2004-37 No exercício da competência conferida pelo citado art. 16 da Lei n° 9.779/99, o Secretário da Receita Federal expediu a referida IN SRF n° 325/2003, instituindo a DIF — Bebidas, estabelecendo, inclusive, para fins de aplicação da multa em caso da não-entrega da declaração nos prazos fixados, o termo inicial e o termo final, conforme disposto no seu art. 3°, já transcrito. Ante o arcabouço normativo ora exposto, tem-se por suficientemente combatido o argumento de que a penalidade aplicada na espécie careceria de previsão legal em sentido estrito e que a instituição de obrigações acessórias não poderia se dar por ato normativo da Secretaria da Receita Federal. Prosseguindo, deve-se reconhecer que igualmente não merece acolhida o argumento de que a penalidade não seria aplicável ante o fato da Recorrente ter transmitido as declarações no prazo de 20 dias assinado pela fiscalização. O Termo de Intimação, ao intimar a contribuinte para apresentar cópia dos recibos de entrega ou eventual esclarecimento acerca da omissão na entrega das declarações, apenas oportunizou à Recorrente comprovar a transmissão tempestiva das declarações, nos termos da IN/SRF n° 325/2003, ou a existência de óbice justificável em fazê-lo, de forma que a autoridade fiscal se certificasse acerca dos fatos efetivamente ocorridos antes da aplicação de eventual penalidade. A intimação fiscal não tem o condão de reabrir o prazo para cumprimento de obrigação acessória estabelecida em Instrução Normativa, mas sim de retirar a espontaneidade do sujeito passivo, de modo que se mostra correta a aplicação da penalidade. O prazo assinado pela autoridade fiscal para cumprimento das providências contidas na intimação não se confunde com o prazo estabelecido no ato normativo para a transmissão das declarações. Repita-se, a autoridade fiscal apenas pretendeu verificar a tempestividade da transmissão ou a omissão do contribuinte, por isto requereu os recibos de entrega, antes de aplicar-lhe a sanção. Às fls. 436/438, a Recorrente veio a noticiar a revogação total da Instrução Normativa SRF n° 325/2003 pela IN/RFB n° 1.213/2011, requerendo o cancelamento do Auto de Infração mediante aplicação do art. 106, I, “a” do CTN. Segundo alega, com a revogação da norma que estabelecia a obrigatoriedade de transmitir a DIF-Bebidas até o último dia útil do mês subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores, a conduta apenada teria sido deixado de ser definida como infração, aplicando-se-lhe a retroatividade benigna. Ocorre que, mesmo com a revogação da Instrução Normativa SRF n° 325/2003 e do fim da obrigatoriedade de transmitir a DIF-Bebidas, o fundamento da autuação permanece hígido. A conduta infracional praticada foi a de transmitir declaração em atraso, o que constitui descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 505 c/c art. 212 do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/2002), os quais fazem remissão ao art. 57 da MP n° 2.158-35/2001, como consta do Auto de Infração. A conduta praticada pela Recorrente continua a ser apenada pela legislação tributária referente ao IPI, agora com fundamento no art. 592 c/c art. 272 do Decreto n° 7.212/2010 (RIPI/2010), que fazem remissão ao mesmo art. 57 da MP n° 2.158-35/2001. Logo, não houve qualquer alteração legislativa no sentido de deixar de definir a entrega intempestiva de declaração como infração. Ainda que não seja mais obrigatória a transmissão da DIF-Bebidas, transmitir declaração em atraso permanece constituindo descumprimento de obrigação acessória, portanto, apenável na forma do referido art. 57. Fl. 466DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-007.031 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.004340/2004-37 Neste interim, porém, a MP n° 2.158-35/2001 sofreu alterações sucessivas por meio das Leis n° 12.766/2012 e 12.873/2013 que atraem a aplicação do art. 106 do CTN, em seu inciso II, alínea “c”, por ter cominado penalidade menos severa que a lei vigente à época da prática da infração. Veja-se: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumpri-las ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I - por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) (grifo nosso) Destarte, considerando que o art. 106, I, “c” determina a aplicação retroativa de lei superveniente à prática de infração que seja mais benéfica ao apenado por cominar penalidade menos severa, considerando a nova redação dada pela Lei n° 12.873/2013 ao art. 57 da MP n° 2.158-35/2001, ao qual se remetem os dispositivos regulamentares indicados no Auto de Infração, e considerando a informação constante de fls. 91 (DIPJ 2012) de que a empresa apura lucro presumido, deve ser reduzido o valor da multa imposta à Recorrente para o patamar de R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês-calendário ou fração de mês de atraso na transmissão das declarações. Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao mesmo. (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Fl. 467DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9779.htm#art16 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9779.htm#art16 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12873.htm#art57 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12873.htm#art57 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12766.htm#art8 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12766.htm#art8 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12873.htm#art57 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12873.htm#art57 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12873.htm#art57 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12873.htm#art57 Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-007.031 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.004340/2004-37 Fl. 468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000028/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de
janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. RESGATE PREVIDÊNCIA PRIVADA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na
declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições.
Preliminar rejeitada
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-002.075
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. RESGATE PREVIDÊNCIA PRIVADA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Preliminar rejeitada Recurso negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 13864.000028/2008-94
conteudo_id_s : 6117353
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2201-002.075
nome_arquivo_s : Decisao_13864000028200894.pdf
nome_relator_s : Pedro Paulo Pereira Barbosa
nome_arquivo_pdf_s : 13864000028200894_6117353.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
id : 8038025
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649271590912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2070; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.000028/200894 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.075 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria IRPF Recorrente LUIZ ANTONIO MASSARI Recorrida DRJSÃO PAULO/SP II ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. RESGATE PREVIDÊNCIA PRIVADA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Preliminar rejeitada Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 00 28 /2 00 8- 94 Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 06 de maio de 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Relatório LUIZ ANTONIO MASSARI interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSÃO PAULO/SP II (fls. 957) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 907/915, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2004 e 2005, no valor de R$ 950.228,98, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 2.086.850,67. As infrações que ensejaram o lançamento foram: 1) Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Segundo o relatório fiscal, tratase de rendimentos recebidos a título de resgate de previdência privada; 2) Omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários sem comprovação de origem. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 alargou o restrito conceito de renda; que o arbitramento do imposto devido com base apenas em extratos bancários foge à regramatriz de incidência tributária e do conceito de renda fixado pelo CTN, evidenciando o descabimento da autuação; que os extratos e comprovantes bancários não são meios idôneos à comprovação da aquisição de disponibilidade econômica, de acordo como Decretolei n° 2.471/88 e os inúmeros julgados do Conselho de Contribuintes; que não obstante a indevida utilização dos extratos bancários como base de cálculo para o imposto de renda, tais informações foram obtidas inconstitucionalmente, pois ofende o direito líquido e certo do impugnante ao sigilo bancário, cláusula pétrea constitucional; que os atos praticados pelo impugnante não se revestem de qualquer indício de ilícito penal, sendo patente o descabimento da quebra de seu sigilo para a apuração de sua tributação, uma vez que o Fisco possui os meios legais para tanto; que não pode prosperar a autuação como omissão de rendimentos dos valores resgatados da previdência privada Bradesco Vida e Previdência S/A, uma vez que a quantia paga a título de previdência privada é isenta do Imposto de Renda, sendo dedutível na declaração, conforme o inciso V do art. 4°, da Lei n° 9.250/95; que quando do resgate da quantia mencionada, a própria instituição administradora cuida da retenção do imposto devido, recebendo o contribuinte a quantia líquida; que a multa aplicada não pode prosperar por tratarse de verdadeiro confisco, não prevalecendo a argumentação de que multa não é tributo e não deve observar os princípios Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13864.000028/200894 Acórdão n.º 2201002.075 S2C2T1 Fl. 3 3 tributários, uma vez que a atividade tributária deve ser observada de maneira una e indivisível, aplicandose seus preceitos tanto à obrigação principal quanto à acessória, sob pena de inobservância, por via oblíqua, da própria Constituição; que as multas devem guardar proporção com o valor da prestação pecuniária, sob pena da destruição da fonte produtora, e violar o direito de propriedade, o direito de associação,a capacidade contributiva e o princípio do não confisco. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Sobre a utilização de informações sobre a movimentação financeira do Contribuinte, a DRJSÃO PAULO/SP II observou que o procedimento fiscal, quanto a este ponto, estava respaldado pela legislação vigente, reportandose especificamente à Lei Complementar, nº 105, de 2001 e ao artigo 197 do CTN. Sobre o lançamento com base em presunção legal de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários, a DRJ anota que o procedimento tem amparo no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que institui uma p0reunção legal, observa que não se trata, portanto, de comprar depósito a renda, mas de presumir a obtenção de um a partir da existência do outro. Com isto afasta a alegação de que depósitos bancários não constituem renda. Conclui, portanto, pela regularidade do lançamento quanto a este ponto e, como não foram apresentados comprovantes das origens dos depósitos, mantém a autuação, nesta parte. Relativamente à omissão de rendimentos referentes a resgate de previdência privada, a DRJ registra que, diferentemente do que foi alegado, os rendimentos em questão são tributáveis, conforme artigo 33 da Lei nº 9.250, de 1995. Finalmente, sobre a multa de ofício, a DRJ observa que, quanto à alegada violação ao princípio do nãoconfisco, tratase de questão cuja apreciação refoge à competência dos julgadores administrativos, pois se trata de argüição de inconstitucionalidade da norma que instituiu a penalidade. E quanto ao próprio mérito da exigência registra que esta tem previsão legal expressa. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 27/07/2009 (fls. 977) e, em 25/08/2009, interpôs o recuso voluntário de fls. 978/1002, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação para, for fim, formula pedido nos seguintes termos: Isto posto, é o presente Recurso0 Administrativo Voluntário para requerer recebimento, reconhecimento e provimento seja reconhecido: 1) quebra de sigilo fiscal e bancário e da utilização de prova ilícita pelo fisco; 2) da presunção legal e do alargamento do conceito de renda; 3) da tributação dos rendimentos a título de resgate de previdência privada; 4) do efeito confiscatório da exação fiscal. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, uma das infrações que ensejou a autuação foi a omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários sem comprovação de origem. Relativamente a esta infração, o Contribuinte questionou a quebra do seu sigilo bancário, questão que passo a examinar. Pois bem, sobre este ponto, o acesso dos agentes do Fisco às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes tem respaldo legal na Lei Complementar nº 104, de 2001. E sobre a retroatividade dessa lei, entendo que, atendidas as condições fixadas na lei, o Fisco pode ter acesso às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes e utilizálas como base para o lançamento tributário. Se é verdade que o art. 5º, inciso X, da Constituição Federal garante o direito à privacidade, no qual se inclui o sigilo bancário, também é certo que esse direito não é absoluto e ilimitado, a ponto de se opor aos próprios agentes do Estado, na sua atividade de controle, por exemplo, do cumprimento das obrigações fiscais por parte dos contribuintes. Isto é, não se pode pretender, por exemplo, que o sigilo bancário se preste para acobertar irregularidades passíveis de apuração pelos agentes do Fisco. O ordenamento jurídico brasileiro, inclusive, embora sempre reconhecendo o sigilo das informações bancárias, tem uma larga tradição em franquear o acesso a essas informações aos agentes do Fisco. Assim, a Lei nº 4.595, de 1964, já prescrevia no seu art. 38, in verbis: Lei nº 4.595, de 1964: Art. 38 – As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 5º Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6º O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. O próprio Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172, de 1966, recepcionado pela Constituição de 1988 como lei complementar, expressamente determina que as instituições financeiras devem prestar informações sobre negócios de terceiros, o que, Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13864.000028/200894 Acórdão n.º 2201002.075 S2C2T1 Fl. 4 5 obviamente, inclui as operações financeiras, silenciando, inclusive, sobre a exigência de prévio processo administrativo instaurado: Lei nº 5.172, de 1966: Art. 197 – Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras. Ainda nesse mesmo sentido, foi editada, posteriormente a Lei nº 8.021, de 1990, ampliando, inclusive, o rol das instituições obrigadas a prestar informações ao Fisco: Lei nº 8.021, de 1990: Art. 7º A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8º Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único – As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicandose, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § 1º do art. 7º. Finalmente, a Lei complementar nº 105, de 2001, a qual versa expressamente sobre o dever de sigilo das instituições financeiras em relação às operações financeiras de seus clientes, fez a ressalva quanto ao acesso a essas informações pelos agentes do Fisco, a saber: Lei Complementar nº 105, de 2001: Art. 1º – As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Como se vê, o ordenamento jurídico brasileiro de há muito vem estabelecendo, em caráter sempre excepcional e em determinadas condições previamente estabelecidas, o acesso a informações bancárias dos contribuintes pelos agentes do Fisco. Assim, a legislação brasileira tem, insistentemente, se inclinado no sentido da relativização do alcance do sigilo bancário, prevendo expressamente as situações excepcionais em que se admite a abertura daquelas informações. Por outro lado, não se deve esquecer que os agentes do Fisco, assim como os auditores do Banco Central do Brasil, e as próprias instituições financeiras, estão sujeitos ao dever de manter sigilo das informações a que tenham acesso em função de suas atividades. Desse modo, a rigor, sequer se pode falar em quebra de sigilo, mas em mera transferência deste. Finalmente, cumpre ressaltar que os dispositivos legais acima transcritos são normas válidas e, portanto, plenamente aplicáveis, eis que não foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Não vislumbro, portanto, vício quanto a este aspecto no procedimento fiscal. Sobre a omissão de rendimentos apurada com base em depósitos cuidase, na espécie, de lançamento com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei nº 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13864.000028/200894 Acórdão n.º 2201002.075 S2C2T1 Fl. 5 7 §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Como assinala Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª Ed. – São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptionies júris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (júris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidas senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina baseouse em presunção juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. Notese que não se trata aqui, como afirma o Contribuinte, de alargamento do conceito de renda. O Conceito é o mesmo, a forma de se alcançar a renda dos contribuintes reticentes em cumprir suas obrigações tributárias é que podem variar: a lei pode lançar mão, como fez neste caso, da presunção. Assim, alcançar, por via indireta a renda dos contribuintes. Para elidir a presunção neste caso, basta que o Contribuinte aponte as origens dos depósitos feitos em suas contas bancárias, o que não deveria ter nenhuma dificuldade. Se o Contribuinte prefere omitirse quanto a esta comprovação, assumese que os depósitos representam, efetivamente, renda omitida. E neste caso o que se verifica é que o Contribuinte sequer se manifestou sobre a questão Correto, portanto, o lançamento também quanto a este aspecto. Sobre a segundo infração, o imposto sobre resgate de previdência privada, a incidência do imposto nestes casos está disciplinada no art. 33 da Lei nº 9.250, de 1995, a saber: Art. 33 Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Assim, a alegação de que os valores seriam isentos não procede. Ao contrário, como se vê, a expressa previsão da incidência tributária neste caso. Por outro lado, o Recorrente não aponta fundamento legal para sua pretensão. Correto, portanto, o lançamento quanto a este aspecto. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13864.000028/200894 Acórdão n.º 2201002.075 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 12466.001939/2006-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
NORMAS PROCESSUAIS — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — ATO MERAMENTE IRREGULAR - Se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo as partes e ao sistema de modo que o tome inaceitável, ele deve permanecer válido. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento. Não se deve confundir o motivo do ato administrativo com a "motivação" feita pela autoridade administrativa que integra a "formalização" do ato. Os atos com vício de motivo não podem ser convalidados, uma vez que tais vícios subsistiriam no novo ato. Já os vícios de formalização podem ser convalidados, sanando a ilegalidade desde que não se cause cerceamento do direito de defesa ao administrado.
AUSÊNCIA DE ELEMENTOS DE PROVA PRODUZIDOS EM PROCESSO AUTÔNOMO - SANEAMENTO DE IRREGULARIDADE E REABERTURA DO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO - Se o ato meramente irregular praticado no processo em que foi aplicada a pena de perdimento consiste na ausência de elementos de prova produzidos em processo diverso - de inaptidão da importadora -, a decisão da instância a quo deve ser anulada para que o órgão fiscalizador instrua o processo de modo a garantir à responsável solidária da importadora o direito ao contraditório e à ampla defesa. Tal direito se garante mediante o saneamento da irregularidade e a reabertura do prazo para impugnação.
Numero da decisão: 3201-000.645
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Daniel Mariz Gudiño
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 NORMAS PROCESSUAIS — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — ATO MERAMENTE IRREGULAR - Se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo as partes e ao sistema de modo que o tome inaceitável, ele deve permanecer válido. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento. Não se deve confundir o motivo do ato administrativo com a "motivação" feita pela autoridade administrativa que integra a "formalização" do ato. Os atos com vício de motivo não podem ser convalidados, uma vez que tais vícios subsistiriam no novo ato. Já os vícios de formalização podem ser convalidados, sanando a ilegalidade desde que não se cause cerceamento do direito de defesa ao administrado. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS DE PROVA PRODUZIDOS EM PROCESSO AUTÔNOMO - SANEAMENTO DE IRREGULARIDADE E REABERTURA DO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO - Se o ato meramente irregular praticado no processo em que foi aplicada a pena de perdimento consiste na ausência de elementos de prova produzidos em processo diverso - de inaptidão da importadora -, a decisão da instância a quo deve ser anulada para que o órgão fiscalizador instrua o processo de modo a garantir à responsável solidária da importadora o direito ao contraditório e à ampla defesa. Tal direito se garante mediante o saneamento da irregularidade e a reabertura do prazo para impugnação.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 12466.001939/2006-05
conteudo_id_s : 6114328
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-000.645
nome_arquivo_s : Decisao_12466001939200605.pdf
nome_relator_s : Daniel Mariz Gudiño
nome_arquivo_pdf_s : 12466001939200605_6114328.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
id : 8026613
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649278930944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2489; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 81 1 80 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.001939/200605 Recurso nº 506.167 De Ofício Acórdão nº 3201000.645 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2011 Matéria Imposto de Importação II Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LÍDER IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. E OUTRO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 NORMAS PROCESSUAIS — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — ATO MERAMENTE IRREGULAR Se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo as partes e ao sistema de modo que o tome inaceitável, ele deve permanecer válido. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento. Não se deve confundir o motivo do ato administrativo com a "motivação" feita pela autoridade administrativa que integra a "formalização" do ato. Os atos com vício de motivo não podem ser convalidados, uma vez que tais vícios subsistiriam no novo ato. Já os vícios de formalização podem ser convalidados, sanando a ilegalidade desde que não se cause cerceamento do direito de defesa ao administrado. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS DE PROVA PRODUZIDOS EM PROCESSO AUTÔNOMO SANEAMENTO DE IRREGULARIDADE E REABERTURA DO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO Se o ato meramente irregular praticado no processo em que foi aplicada a pena de perdimento consiste na ausência de elementos de prova produzidos em processo diverso de inaptidão da importadora , a decisão da instância a quo deve ser anulada para que o órgão fiscalizador instrua o processo de modo a garantir à responsável solidária da importadora o direito ao contraditório e à ampla defesa. Tal direito se garante mediante o saneamento da irregularidade e a reabertura do prazo para impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 19 39 /2 00 6- 05 Fl. 81DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14233.1I9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Luciano Lopes de Almeida Moraes e Marcelo Ribeiro Nogueira. Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 02/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice presidente), Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira, Maria Regina Godinho de Carvalho e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, os demais acontecimentos relevantes: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 01 a 18, por meio do qual é formalizada a exigência do crédito tributário, no valor de R$ 1.239.319,00, em razão, segundo a descrição dos fatos, de a empresa Líder Importação e Exportação Ltda, na condição de importadora, haver promovido despachos aduaneiros com base nas declarações de importação relacionadas às fls. 15, ocultando o real adquirente das mercadorias objeto de importação, no presente caso a empresa Aviamentos Nara Ltda. A constatação da ocorrência de ocultação do real adquirente das mercadorias, relativamente aos despachos em menção, teve origem no âmbito do procedimento especial de fiscalização realizado junto à empresa Líder Importação e Exportação Ltda. A empresa Líder foi incluída em mencionado procedimento após análise de requerimento de habilitação e da sua atuação como operador no comércio exterior. As razões trazidas pela autuação, para sustentar mencionada acusação, em síntese, são: A ocultação, por parte da Líder, de empresas que a contratam para fazer importação na modalidade "por ordem e conta de terceiros" e que ficam ocultas nas respectivas transações. Esse modo de operar ficou constatado pela análise de contratos firmados com empresas nacionais adquirentes de mercadorias Fl. 82DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14233.1I9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.001939/200605 Acórdão n.º 3201000.645 S3C2T1 Fl. 82 3 importadas, as quais, não estão vinculadas a Líder nem habilitadas a operar no comércio exterior; A liquidação de contratos de câmbio, por parte da Líder, relativamente a importações indicadas tanto na modalidade "por conta própria" como na "por conta e ordem de terceiros", com recursos dos adquirentes das mercadorias. Essa constatação teve suporte em planilhas apresentadas pela Líder. As declarações de importação relativas às operações "por conta e ordem de terceiros" foram registradas como sendo operações "por conta própria", porém, no curso do procedimento em destaque, a empresa Líder declarou ter efetuado a importação por conta e ordem de terceiros, e de que esses foram responsáveis pelos recursos necessários à liquidação cambial; Verificação de operações informadas na modalidade "por conta própria" e, com recursos provenientes de empréstimos junto ao Bandes (Fundap), relativas aos anos de 2003, 2004 e 2005 no montante de R$ 37.762054,00, sendo que, por conta desses empréstimos foram creditados R$ 4.325.275,86; Constatação, em análise da formação de preços das mercadorias importadas nos anos de 2003, 2004 e 2005, de que em várias notas fiscais de entrada e de saída os campos "natureza da operação" não foram preenchidos com os códigos C.F.O.P. de compra e de venda, mas sim, com o código C.F.O.P. 3.949 relativo a outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificado e, o C.F.O.P. 6.949 relativo a outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado. Com isso, confirmando não se tratar de operação de compra e venda de mercadorias; Existência, no campo "dados adicionais" das notas fiscais, de informação dando conta de se tratar de "mercadorias recebidas por conta e ordem de terceiros", nas notas fiscais de entrada e, de "remessas de mercadorias recebidas para terceiros", nas notas fiscais de saída; Nas operações de importação informadas como sendo "por conta própria", a empresa cometeu enganos ao informar sobre os exportadores, mostrando desconhecimento sobre as operações de importação; Informação, por parte da Líder, de que até dezembro de 2003 somente realizou operações por conta e ordem de terceiros, sem lucro, e com utilização de recursos financeiros dos adquirentes das mercadorias, quando na realidade registrou importações "por conta própria" em valores que atingiram quase 3 milhões de reais no período; Verificação de que a empresa Líder estava autorizada a registrar operações "por conta e ordem de terceiros" apenas para as empresas adquirentes YHP Confecções Ltda., Korefios Indústria e Comércio de Fios Ltda., Indústrias Têxteis Sueco Ltda., MTC Advanced • Importação Eletrônica Ltda. e Geotex Indústria e Comércio Ltda., porém, de acordo com documentos Fl. 83DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14233.1I9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 apresentados, constatouse que a mesma promovia, também, importação para outras empresas, sem declarar essas operações como sendo "por conta e ordem de terceiros" ; Não verificação, mesmo nos casos de mercadorias saídas como sendo operação de venda (nota fiscal com o código C.F.O.P. 6.102), de acréscimos, ao valor da mercadoria importada, relativos aos valores das despesas incorridas para a importação, tais como: capatazia, armazenagem, transportes, taxas, etc. nem mesmo de margem de lucro. Sendo que essa situação é incompatível com a atividade comercial, somente explicada para fins de ocultar os reais adquirentes das mercadorias; Constatação, em análise dos demonstrativos contábeis, da empresa Líder, relativos aos de 2003 e 2004 do registro de créditos na conta do Passivo Circulante — Adiantamento de Clientes Nacionais , no valor de R$ 3.862.539,90, isto até dezembro de 2003. A partir do terceiro trimestre de 2004, a conta Adiantamento de Clientes Nacionais deixa de existir sendo criada a conta Depósitos Pendentes, também, no Passivo Circulante, para registrar obrigações de curto prazo com terceiros. Os valores creditados, no ano de 2004, consideradas as duas contas, foi de R$ 31.253.961,46. Esses valores antecipados pelos reais adquirentes das mercadorias, em verdade foram a fonte de financiamento da Líder para realizar as importações; e Ao declarar as importações que ocorreram sob a responsabilidade de terceiros, como se fossem operações "por conta própria", a empresa Líder simulou a realização de uma transação comercial que na realidade ocorreu com a participação de empresas nacionais que acabaram por ficar ocultas; No âmbito do mencionado procedimento especial de fiscalização podese conhecer o modo em que a empresa Líder operou a importação de mercadorias e, em face disso, a autuação concluiu: a) pela falta de capacidade financeira dos sócios e da empresa; b) pela ocorrência de simulação no registro de importações próprias; c) pela ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas; e d) pela ocorrência de interposição fraudulenta na importação. Assim, com base no disposto no inciso XXII do art. 618 do Decreto n° 4.543/2002 foi proposta a aplicação da pena de perdimento das mercadorias. Porém, tendo em vista a impossibilidade da apreensão das mercadorias, foi proposta a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, como disposto no §1° do art. 618 do Decreto n° 4.543/2002. Referido valor aduaneiro foi apurado conforme planilha de fls. 14. Com isso, foi lavrado o auto de infração (fls. 01 a 18), estando no pólo passivo da relação jurídica aduaneira na condição de contribuinte, a empresa Líder Importação e Exportação Ltda e, na condição de responsável solidário a empresa Aviamentos Nara Ltda. Fl. 84DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14233.1I9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.001939/200605 Acórdão n.º 3201000.645 S3C2T1 Fl. 83 5 Como se vê no auto de infração (fl.01) a exigência da multa em questão encontrase formalizada com pluralidade de sujeição passiva. A empresa Líder Importação e Exportação Ltda. está posta no pólo passivo da relação jurídica aduaneira em caso, na condição de contribuinte (inciso I do art. 103 e inciso V do art. 603, ambos do Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002), e a empresa Aviamentos Nara Ltda na condição de responsável solidário (inciso III do art. 105 do Decreto n°4.543/2002). Cientificadas da exigência que lhes foi imposta, a empresa Líder Importação e Exportação Ltda, por intimação pessoal, conforme declaração de ciência posta o auto de infração (fl.01), e a empresa Aviamentos Nara Ltda, por intimação via postal, conforme aviso de recebimento juntado à fl. 19, apenas essa última apresentou impugnação (Termo de revelia da contribuinte às folhas 33). A impugnação apresentada pela Aviamentos Nara Lida encontrase às fls. 21 a 26, com documentos acostados às fls. 27 a 58. As alegações trazidas pela Aviamentos Nara Ltda são, em síntese, as seguintes: Que não praticou nenhum ilícito e, portanto não pode responder pela infração. Que sequer tinha como intervir no modo de operação da empresa importadora, pois foi apenas sua cliente. Que apenas comprou mercadorias importadas pela Líder por sua conta e ordem ou por sua conta própria, conforme notas fiscais que as ampararam. Requer seja acolhida a defesa para afastar sua responsabilidade solidária. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 04/09/2009, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou o lançamento improcedente, conforme Acórdão n° 0717.449 de fls. 62 a 67: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O auto de infração ou notificação de lançamento desacompanhado dos termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito é nulo em razão do cerceamento do direito de defesa dos acusados. Fl. 85DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14233.1I9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Impugnação Procedente Credito Tributário Exonerado Por se encontrar em local incerto e ignorado, a contribuinte foi cientificada do teor do acórdão supra por edital, em 13/10/2009 (f1.73). Assim, o prazo regulamentar para interposição de recurso teve início em 29/10/2010 e expirou em 28/11/2010 sem que a contribuinte tenha tomado qualquer providência. Quanto à responsável solidária, esta foi cientificada do teor do acórdão supra por A.R., em 26/09/2009 (fl. 72), sendo que também não interpôs recurso. Diante disso, nos termos da legislação em vigor, a turma de julgamento a quo recorreu de ofício a este Conselho por ter declarado a nulidade do lançamento. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 30/07/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Presente o pressuposto de admissibilidade do recurso de oficio, nos termos do artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 2008 – crédito tributário exonerado superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) –, dele tomo conhecimento e passo a sua análise. O acórdão recorrido cingiuse a declarar, de ofício, a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, com fundamento no art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988, e no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972. Tomo a liberdade de transcrever um trecho do voto proferido pela 1ª Turma da DRJ/FNS/SC (fl. 66): Como se vê, os autos não foram instruídos com os elementos de prova das acusações consubstanciadas no auto de infração. Tal fato macula o processo na medida que não permite aos acusados o pleno exercício de seu direito de defesa, assim como impossibilita a verificação, por parte dos julgadores administrativos, das constatações da fiscalização. Ora, se é certo que o processo de inaptidão do CNPJ da contribuinte é autônomo em relação ao processo em que a pena de perdimento é aplicada, não é menos verdade que, no caso presente, a interposição fraudulenta foi embasada no processo de inaptidão do CNPJ da Líder, e, portanto, resta configurado o cerceamento de defesa da empresa Aviamentos Nara Ltda. por não ter figurado no pólo passivo daquele primeiro processo. Diante de todo o exposto, voto por anular a decisão recorrida, determinando ao órgão fiscalizador que transcreva nos autos do processo em epígrafe a íntegra do processo de inaptidão do CNPJ da contribuinte, assegurandose à empresa Aviamentos Nara Ltda. a Fl. 86DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14233.1I9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.001939/200605 Acórdão n.º 3201000.645 S3C2T1 Fl. 84 7 reabertura do prazo para apresentar impugnação em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 87DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14233.1I9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DANIEL MARIZ GUDINO em 02/02/2013 20:28:08. Documento autenticado digitalmente por DANIEL MARIZ GUDINO em 02/02/2013. Documento assinado digitalmente por: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM em 04/02/2013 e DANIEL MARIZ GUDINO em 02/02/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 30/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP30.1019.14233.1I9W Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: B8E677596827DC4BC07E9F96FDFB8072FA7377FD Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 12466.001939/2006-05. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722074/2016-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO EXISTENTE.
Merecem ser providos parcialmente os aclaratórios, sem efeitos infringentes, uma vez que existe omissão no acórdão embargado a ser suprida mediante adição na fundamentação do voto.
Numero da decisão: 3302-007.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Raphael Madeira Abad. O conselheiro José Renato Pereira de Deus apresentará os motivos das conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201910
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO EXISTENTE. Merecem ser providos parcialmente os aclaratórios, sem efeitos infringentes, uma vez que existe omissão no acórdão embargado a ser suprida mediante adição na fundamentação do voto.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.722074/2016-40
anomes_publicacao_s : 201911
conteudo_id_s : 6099731
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-007.632
nome_arquivo_s : Decisao_11080722074201640.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 11080722074201640_6099731.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Raphael Madeira Abad. O conselheiro José Renato Pereira de Deus apresentará os motivos das conclusões. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7998467
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649283125248
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-14T13:52:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-11-14T13:52:58Z; Last-Modified: 2019-11-14T13:52:58Z; dcterms:modified: 2019-11-14T13:52:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-11-14T13:52:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-14T13:52:58Z; meta:save-date: 2019-11-14T13:52:58Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-14T13:52:58Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-11-14T13:52:58Z; created: 2019-11-14T13:52:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-11-14T13:52:58Z; pdf:charsPerPage: 1819; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-14T13:52:58Z | Conteúdo => SS33--CC 33TT22 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 11080.722074/2016-40 RReeccuurrssoo Embargos AAccóórrddããoo nº 3302-007.632 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 22 de outubro de 2019 Embargante VONPAR REFRESCOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO EXISTENTE. Merecem ser providos parcialmente os aclaratórios, sem efeitos infringentes, uma vez que existe omissão no acórdão embargado a ser suprida mediante adição na fundamentação do voto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Raphael Madeira Abad. O conselheiro José Renato Pereira de Deus apresentará os motivos das conclusões. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 20 74 /2 01 6- 40 Fl. 1422DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.632 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.722074/2016-40 Relatório Reporto-me ao relato de e-fls. 1.302 e seguintes, adotado quando do julgamento por este Colegiado, que culminou no acórdão 3302-006.429 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 29 de janeiro de 2019, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. CRÉDITOS GLOSADOS. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 183 DO RIPI/2010. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário regese pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do anterior CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. A glosa de créditos tornando saldo credor de IPI escriturado originalmente em saldo devedor de IPI afasta a aplicação do artigo 183 do RIPI/2010, não havendo que se falar em equiparação de saldo credor a pagamento, para efeito de contagem de prazo decadencial para constituição do crédito tributário. AUTO DE INFRAÇÃO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN se a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária. COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL. VERIFICAÇÃO DOS REQUISITOS DE ISENÇÃO DO IPI.. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de isenção do IPI, compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio e a verificação, a qualquer tempo, da regular observância das condições fixadas na legislação pertinente para o reconhecimento do benefício. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS DE CONCENTRADOS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constituise de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. EXCLUSÃO DE PENALIDADE. APLICAÇÃO DO ARTIGO 76, II, "a" da Lei nº 4.502/1964. DECISÕES EM SITUAÇÕES DISTINTAS DA JULGADA NOS AUTOS. Fl. 1423DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.632 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.722074/2016-40 Não se aplica a exclusão de penalidade de que trata o artigo 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 quando as decisões administrativas paradigmas tratam de situações jurídicas distintas das decididas nos autos. JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo. Consta do acórdão da decisão: (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad que lhe davam provimento. Em virtude de embargos declaratórios opostos pelo contribuinte supra nominado, o então Presidente desta 2ª Turma Ordinária - 3ª Câmara - 3ª Seção acolheu em parte os embargos interpostos pelo contribuinte, exclusivamente para que seja sanada a omissão em relação ao Laudo do Instituto Nacional de Tecnologia - INT carreado aos autos em data posterior à apresentação do recurso voluntário. No juízo de admissibilidade, e-fls 1.410/1.420, consta: (...) Isto posto, necessário reconhecer que acórdão omitiu-se a respeito do Laudo do Instituto Nacional de Tecnologia - INT. De fato, embora se tenha feito menção a ele no relatório, inclusive com a remessa dos autos à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para nova manifestação, o voto não externou qualquer razão para acolhimento ou rejeição das considerações técnicas nele veiculadas. Com o fim do mandato do relator originário, foi procedido novo sorteio para designação de Relator, para elaborar voto, pautar o processo e demais providências. O Relatório precisa ser robustecido com os elementos que circundam a controvérsia desde o início. Nesse sentido, valho-me do quanto relatado pelo órgão julgador de segunda instância: Trata-se de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de IPI, no período de 2011 a 2012, com a imputação das seguintes infrações: glosa de créditos incentivados por erro de classificação fiscal (adoção indevida de ex tarifário) de kits para refrigerantes. A recorrente classificou os kits como mercadoria única no código 2106.90.10 Ex 01, ao passo que a fiscalização reclassificou cada parte do kit nos códigos 2106.90.10, 2106.90.90, 2916.31.21, 2916.19.11, 2918.14.00, 2918.15.00 e 3302.10.00, fundamentando na decisão do Conselho de Cooperação Aduaneira incorporada na NESH, de 19/09/1985, em análise do kits de fabricação de Fl. 1424DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.632 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.722074/2016-40 FANTA (marca do grupo Cocacola) e de outro refrigerante sabor cola, assim como pelas características do próprio kit que as partes isoladas não caracterizam preparações compostas, por não serem caracterizados como concentrados de que tratam os ex tarifários 01 e 02 do código 2106.90.10. Em impugnação, a recorrente alegou preliminar de decadência; a alteração de critério jurídico; o direito ao crédito em razão do julgamento proferido no RE 212.484; a competência da SUFRAMA para a concessão de benefícios fiscais e para definir a classificação fiscal dos produtos; que a classificação adotada pela recorrente tem por base parecer técnico da SUFRAMA; que a autoridade fiscal subverteu a aplicação das Regras Gerais de Interpretação, aplicando as Regras 2 e 3, antes da Regra 1; que a decisão do Conselho de Cooperação Aduaneira não é oponível ao sistema jurídico brasileiro; que a mistura efetuada no estabelecimento da recorrente é mero tratamento complementar; que a recorrente utilizou a classificação fiscal efetuada pela fornecedora dos produtos (RECOFARMA) e por ser adquirente de boafé e não ter cometido qualquer infração, possui direito ao crédito; a impossibilidade de exigência de multa e juros de mora e correção monetária por aplicação do artigo 100 do CTN, por ter seguido as normas da SUFRAMA; a impossibilidade de exigência de multa em razão do disposto no artigo 76, II, a da Lei nº 4.502/64; a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento pelos seguintes fundamentos sintetizados em sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos de falta de pagamento, o direito da fazenda pública constituir o crédito tributário relativo ao IPI extinguese em cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN se a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. De acordo com o item XI das NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias) relativa à Regra Geral Interpretativa 3 b), de aplicação compulsória no Brasil, cada um dos componentes da mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” deverá ser classificado individualmente no código próprio da Tabela de Incidência do IPI. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa sobre lançamento de ofício consiste em débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e, por isso, é legítima a incidência de juros de mora sobre o respectivo valor, a partir do vencimento. Fl. 1425DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.632 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.722074/2016-40 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte interpôs recurso voluntário reprisando as alegações deduzidas em impugnação. A PGFN, por seu turno, apresentou as contrarrazões, afastando a alegação de decadência por ausência de pagamento, já que a glosa dos créditos implicou transformar os saldos credores em saldos devedores; defendendo que a lei obrigado o adquirente a examinar a classificação fiscal dada pelo fornecedor; que não houve alteração de critério jurídico, mas sim consideração de situação de fato, antes não abordada; que o RE 212.484 não conferiu direito ao crédito na hipótese de o fornecedor não cumprir as regras de desoneração ou classificação fiscal equivocada; que não se pode aplicar o RE 212.484, pois o STF veda a apropriação do crédito de IPI na aquisição de produtos isentos, não tributados ou alíquota zero; afasta a competência da SUFRAMA no que tange à definição da classificação fiscal dos produtos; reiterou a reclassificação fiscal empreendida na autuação, reforçando a necessidade de se observar a decisão do Conselho de Cooperação Aduaneira e as regras gerais de interpretação do SH; a impossibilidade de se reconhecer os atos da SUFRAMA como enquadrados no inciso I do artigo 100 do CTN; a revogação tácita do artigo 76, II, a da Lei nº 4.502/64; a devida aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. Após distribuição regimental a este relator, a recorrente protocolou novos documentos "Informações textuais do produto", emitido pela SUFRAMA e laudo elaborado pelo INT Instituto Nacional de Tecnologia, razão pela qual os autos saíram para novas vistas à PGFN, que apresentou nova petição, refutando as conclusões do laudo técnico, especialmente quanto a opinião tecida sobre a interpretação das NESH. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, os embargos declaratórios merecem ser apreciados. Ao meu sentir, o fato de o e. relator nada dizer sobre os novos documentos "Informações textuais do produto", emitido pela SUFRAMA e laudo elaborado pelo INT Instituto Nacional de Tecnologia, em que pese caracterizar omissão no voto, em nada compromete o mérito da lide, simplesmente porque tais documentos nada trouxeram de substancial à solução do contencioso. É cediço que os laudos, em processos de classificação fiscal, servem apenas para identificar a mercadoria, jamais podendo se imiscuir ou tecer considerações acerca da classificação fiscal das mercadorias. Tal mister compete exclusivamente ao contribuinte e à Administração Tributária. Fl. 1426DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.632 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.722074/2016-40 Assim é que não evidenciado, efetivamente, um problema de identificação das mercadorias no presente contencioso, as Informações e o laudo juntados restaram despiciendos. Nessa moldura, voto por acolher parcialmente os Embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, para o fim de adicionar à fundamentação do voto, mais precisamente ao final do tópico “Da classificação fiscal dos produtos em análise”, 1.325 a 1.336, o seguinte parágrafo: Quanto aos novos documentos juntados - "Informações textuais do produto", emitido pela SUFRAMA, e laudo elaborado pelo INT Instituto Nacional de Tecnologia, não vejo necessidade de aproveitar suas conclusões no caso vertente, porquanto não vislumbro qualquer problema de identificação dos produtos analisados no presente contencioso. (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Declaração de Voto Conclusões de Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Durante o julgamento do presente processo, com a devida vênia, a maioria da Turma, concordando com a resolução dada no acórdão dos embargos opostos pela contribuinte, discordou dos motivos que levaram ao acolhimento parcial dos mesmos, sem efeitos infringentes, com o fito de se fazer inserir na fundamentação do voto, o seguinte parágrafo: Quanto aos novos documentos juntados - "Informações textuais do produto", emitido pela SUFRAMA, e laudo elaborado pelo INT Instituto Nacional de Tecnologia, não vejo necessidade de aproveitar suas conclusões no caso vertente, porquanto não vislumbro qualquer problema de identificação dos produtos analisados no presente contencioso. A discordância quanto aos motivos que levaram à conclusão apresentada pelo I. Conselheiro Relator, encontra esteio no art. 16, do Decreto nº 70.235/72, uma vez que, compulsando os autos, verifica-se que a juntada dos documentos mencionados na decisão, ocorreu após a interposição do Recurso Voluntário da contribuinte. Fl. 1427DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.632 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.722074/2016-40 Ressalta-se ainda da análise feita pela Turma que não foram demonstrados pela recorrente as excepcionais hipóteses trazidas pelo citado artigo, que permitiriam a juntada tardia de documentos. Destarte, mantém-se a decisão de acolhimento parcial dos embargos opostos pela contribuinte, sem efeitos infringentes, contudo em razão da aplicação do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, tendo em vista a juntada de documentos de forma tardia ao processo, sem a necessária justificativa. Conselheiro José Renato Pereira de Deus. Fl. 1428DF CARF MF
score : 1.0
