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Numero do processo: 10860.901079/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 28/02/2001
COMPENSAÇÃO. SAÍDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS.
ISENÇÃO.
A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória no 2.03725,
de 2000,
atual Medida Provisória nº 2.15835,
de 2001, quando se tratar de vendas
realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase,
exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas
nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. No que se refere à Cofins, a
isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de
1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação
contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586,
de
1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835,
de 2001). Quanto ao
PIS, a isenção aplicase
somente para os fatos geradores ocorridos a partir do
dia 18 de dezembro de 2000.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 28/02/2001
TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO COMO TAXA DE JUROS DE MORA.
POSSIBILIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no
período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.150
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam
provimento.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2001 COMPENSAÇÃO. SAÍDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória no 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. No que se refere à Cofins, a isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Quanto ao PIS, a isenção aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2001 TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO COMO TAXA DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2001 COMPENSAÇÃO. SAÍDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória no 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. No que se refere à Cofins, a isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Quanto ao PIS, a isenção aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2001 TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO COMO TAXA DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Fl. 152DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10860.901079/200887 Acórdão n.º 330201.150 S3C3T2 Fl. 2 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 60 a 89) apresentado em 11 de outubro de 2010 contra o Acórdão no 0530.004 da 3ª Turma de Julgamento da DRJ / Campinas (fls. 52 a 55), cientificado em 15 de setembro de 2010, que, relativamente a declaração de compensação de PIS do período de fevereiro de 2001, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Não existindo evidencias documentais de que o direito de crédito tenha origem na indevida apuração de tributo a pagar sobre tais receitas, não Fl. 153DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10860.901079/200887 Acórdão n.º 330201.150 S3C3T2 Fl. 3 3 se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. SELIC. LEGALIDADE. O incidência de multa de mora, assim como o índice usado para cálculo dos juros de mora decorrem de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4º do DecretoLei (DL) nº 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I, § 2º do art. 14 da Medida Fl. 154DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10860.901079/200887 Acórdão n.º 330201.150 S3C3T2 Fl. 4 4 Provisória (MP) nº 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no 2.037, de 2000, foi excluída a expressão "na Zona Franca de Manaus" do texto legal, de modo que o tratamento fiscal das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Após discorrer sobre o histórico da Zona Franca de Manaus, a interessada alegou, fundamentalmente, que: a. é ilegal e inconstitucional a utilização da taxa Selic como parâmetro para o cálculo dos juros de mora; b. é inadmissível a cumulatividade de multa e juros moratórios, pois ambos institutos visam uma só coisa: o ressarcimento dos danos advindos do inadimplemento do devedor, gerando assim a iliquidez do título. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. No recurso, a Interessada repetiu os argumentos da manifestação e contestou o acórdão de primeira instância, alegando não observar o princípio da verdade material e afirmando não se poder deixar de reconhecer o indébito por mera falta de retificação da DCTF. Ademais, defendeu a imunidade das vendas para a Zona Franca de Manaus. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Se uma lei dispõe em sentido contrário ao que determina a constituição, há inconstitucionalidade material. Não há como simplesmente “abandonar” suas disposições para “preferir” as disposições constitucionais sem considerar que a lei contraria a Constituição. Nesse contexto, aplicamse o art. 62 do Regimento Interno do Carf e a Súmula Carf no 2, descabendo também sua apreciação no âmbito do presente recurso. Quanto ao mérito, adoto o entendimento do Acórdão 20308988, RV 122018, de lavra da Ilustre Conselheira Luciana Pato Peçanha Martins, cujo teor foi o seguinte: Fl. 155DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10860.901079/200887 Acórdão n.º 330201.150 S3C3T2 Fl. 5 5 No que se refere às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art.7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, estabeleceu as condições para a concessão de isenção, assim dispondo: “Art.1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único . A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (...)”(grifouse) Fl. 156DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10860.901079/200887 Acórdão n.º 330201.150 S3C3T2 Fl. 6 6 Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, em seu art. 1º alterou a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, para isentar da Cofins as receitas provenientes das hipóteses adiante mencionadas, determinando ainda no seu art. 2º que seus efeitos retroagissem aos fatos geradores ocorridos a partir do dia 1º de abril de 1992, data de início dos efeitos do disposto na referida Lei Complementar nº 70, de 1991. “Art.1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1o de abril de 1992.” (grifouse) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. A Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, e reedições até a Medida Provisória nº 2.03424, de 23 de novembro de 2000, redefiniu no seu art. 14 as regras de desoneração da contribuição em tela nas hipóteses especificadas e revogou expressamente todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes até o dia 30 de junho de 1999. A respeito do instituto da isenção, deve ser lembrado que o Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 111, que interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10860.901079/200887 Acórdão n.º 330201.150 S3C3T2 Fl. 7 7 Não procede a argumentação da recorrente de que, para fins de isenção da Cofins, teria o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior. O referido dispositivo estabelece: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (grifouse) Sobre o alcance do artigo referido, deve ser ressaltado que abrangia tãosomente os efeitos fiscais previstos na legislação então vigente, conforme norma inserta no dispositivo suso transcrito, verbalizada na expressão seguinte: constante da legislação em vigor. De outro lado, essa equiparação não é absoluta, podendo ser mitigada para não alcançar incentivos fiscais que o legislador pretendeu ou pretenda estender exclusivamente às exportações efetivas para o exterior. Para que não paire dúvida do aqui afirmado, basta dar uma espiada na norma inserta no artigo 7º do DecretoLei nº 1.435/1975, que se transcreve abaixo: “Art. 7º A equiparação de que trata o artigo 4º do DecretoLei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos DecretosLeis nº s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “drawback”. Vejase que o legislador, no dispositivo legal acima transcrito, restringiu o alcance da equiparação em comento para evitar que os incentivos específicos para a exportação, previstos nos diplomas legais enumerados nesse artigo 7º, fossem estendidos às remessas para a Zona Franca de Manaus. Se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessa contribuição, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica da Cofins, mas isso não foi feito, ao contrário, dispôs inequivocamente que a isenção não alcança as vendas efetuadas a empresas estabelecidas nessa área de livre comércio, como disposto no parágrafo único do artigo 1º do Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art.7º da Lei Complementar nº 70, de 1991. Por seu turno, a discussão a respeito do art. 40 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal de 1988, conforme dito preliminarmente, não será realizada por considerar que o contencioso administrativo não é o foro Fl. 158DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10860.901079/200887 Acórdão n.º 330201.150 S3C3T2 Fl. 8 8 próprio e adequado para questionamentos de natureza constitucional. Registrese, por oportuno, que o Supremo Tribunal Federal, na ADIN nº 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, na sessão plenária do dia 7 de dezembro de 2000, deferiu medida cautelar quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Acatando a liminar concedida pelo STF, na edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, publicada no Diário Oficial da União de 22 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, foi suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14 que constava de suas edições anteriores. Assim, enquanto não julgada definitivamente, a ADIN apenas suspende a eficácia da incidência de Cofins sobre as receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus a partir da concessão de liminar pelo STF. Vale observar que o § 1º do art. 11 da Lei nº 9.868, de 1999 determina que “a medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva concederlhe eficácia retroativa.” Para complementação do voto, adoto o entendimento do Acórdão 20401806, de lavra da Ilustre Conselheira Nayra Bastos Manatta: Portanto, os efeitos da liminar concedida não se aplicam aos períodos compreendidos entre janeiro a dezembro/97, primeiro em virtude dos efeitos ex nunc concedidos pelo Tribunal, e segundo porque a alteração normativa incidiu sobre a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Quanto à aplicação do disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70/91 às vendas à ZFM, é de se observar que o referido dispositivo legal contempla apenas as operações de exportação e o CTN no seu art. 111, inciso II determina que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção. Assim sendo, não se pode estender os efeitos do disposto no referido art. 7º, bem como do disposto no DecretoLei nº 288/67, uma vez que naquele dispositivo consta expressamente que só diz respeito à legislação em vigor quando da sua edição, o que não é o caso dos autos. No que diz respeito ao PIS, mantémse as mesmas considerações tecidas para a Cofins sobre os efeitos da liminar concedida pelo STF em sede do ADIN nº 23489 e sobre a modificação normativa trazida pela Medida Provisória nº 203724, de 2000, bem como quanto à impossibilidade de se estender os efeitos do disposto no DecretoLei nº 288/67 ao caso dos autos. Alem disto é de se observar que a partir da edição da Lei nº 7714/88, as vendas efetuadas a empresas estabelecidas na ZFM não estavam Fl. 159DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10860.901079/200887 Acórdão n.º 330201.150 S3C3T2 Fl. 9 9 isentas desta contribuição, pelo que dispôs literalmente o art. 5º, §2º, alínea “a” do referido dispositivo legal. “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. “§ 1º Serão Consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. (Parágrafo incluído pela MP 622, de 22.09.94) “§ 2º A Exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas:(Parágrafo incluído pela MP 622, de 22.09.94) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Levre Comércio;” Ademais, adoto o entendimento da Receita Federal, que considera que “A isenção da Cofins (ou PIS/Pasep) prevista no art. 14 da Medida Provisória no2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo.” O entendimento acima, exposto na Solução de Consulta n. 8, de 2002, é exatamente de que somente aquelas isenções previstas à época do mencionado DecretoLei n. 288, de 1967, é que se aplicam e não todos os casos do art. 14 da MP citada. Quanto à Selic, aplicase a Súmula Carf no 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ademais, o Supremo Tribunal Federal julgou recentemente a matéria em âmbito de repercussão geral no RE no 582.461, ainda não publicado, considerando legítima a incidência da Selic como índice da atualização dos débitos tributários pagos em atraso. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 160DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10860.901079/200887 Acórdão n.º 330201.150 S3C3T2 Fl. 10 10 Fl. 161DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 10945.011971/2004-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Exercício: 2002
SIMPLES FEDERAL. LIMPEZA E CONSERVAÇÃO. DRAGAGEM. - A atividade de dragagem não se confunde com a atividade de limpeza e conservação vedada no art. 9°, inciso XII, alineaf, da Lei n° 9.317, de 1996.
Numero da decisão: 1101-000.636
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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FAZENDA NACIONAL provimento julgado. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2002 SIMPLES FEDERAL. LIMPEZA E CONSERVAÇÃO. DRAGAGEM. - A atividade de dragagem não se confunde com a atividade de limpeza e conservação vedada no art. 9°, inciso XII, alineaf, da Lei n° 9.317, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente cvk / VALMAR FONS OA/ E MENEZES - Presidente CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator EDITADO EM: 18/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presi dente), Nara Cristina Takeda Taga, e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Processo n° 10945.011971/2004-19 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.636 Fl. 157 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em razão de exclusão do Simples. Em 31/03/2005 informação fiscal faz representação para excluir a empresa do Simples, alegando que a mesma pratica atividade vedada (proc. fls. 35 a 37). Diz que a empresa está inscrita no Simples desde 08/03/2000 e que o CNAE (9000-0-99) relativo a outras atividades relacionadas a limpeza urbana e esgoto não esbarra em nenhuma vedação. Relata que em atendimento a intimação a empresa "apresentou notas fiscais de prestação de serviço que evidenciam o exercício de atividades vedadas: limpeza em lagoa de efluentes, limpeza de detritos, retirada de resíduos da lagoa de sedimentação, remoção de lodo, remoção de resíduos sólidos, e que conforme discriminado nas referidas notas, desde 29/05/2001, desempenha atividade vedada". Conforme a informação, as atividades do contribuinte estão "efetivamente inseridos no conceito de limpeza e conservação de imóveis e por esta razão seus prestadores encontram-se impedidos de optar pelo Simples, em face do disposto no art. 9 0, inciso X11, alínea f, da Lei n° 9.317/1996". Adiciona que "a Coordenação-Geral do Sistema de Tributação orienta que os serviços alcançados pelo dispositivo são os de limpeza ou conservação de bens imóveis, tal como definido no art. 79 do Código Civil. Dessa forma, se os serviços de limpeza ou conservação forem realizados em bens imóveis (que é o caso das lagoas de efluentes) estará vedada a permanência no Simples". Com base nessas razões, propõe a exclusão retroativa com efeitos a partir de 01/01/2002. Em 31/03/2005, é feita a exclusão nos termos propostos (proc. fls. 37 e 38). Em 15/04/2005, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 41). Em 10/05/2005, apresenta manifestação de inconformidade (proc. fls. 42 a 59). Explica que é "empresa prestadora de serviços de remoção de resíduos urbanos, comerciais e industriais, com utilização de máquinas e veículos para coleta e transporte". Diz que optou pelo Simples em 08/03/2000 e desde então recolhe por esta sistemática. Diz que a informação fiscal afirmou que não havia impedimento para seu CNAE, mas que sustentou haver impedimento para sua atividade. Detalha as atividades alcançadas por seu código CNAE para demonstrar que atua dentro destas atividades. Também, afirma que a Lei n° 9.317, de 1996, não define serviços de limpeza e conservação de bens imóveis, como fez a Coordenação de Tributação, de sorte que o ato da coordenação desbordou da lei. Explica que sua atividade é retirar resíduos industriais ou urbanos e que estes resíduos não podem ser considerados imóveis. Adiciona o seguinte: Nota-se que, apesar dos esforços da autoridade fiscal em procurar enquadrar a atividade da Impugnante como de serviços de conservação e limpeza de imóveis, está-se na verdade, diante de uma atividade de remoção de resíduos, com o emprego de máquinas e veículos, e não de locação de mão-de-obra, vigilância, limpeza e conservação, finalidade da vedação do art. 9 0, XII, "f', da Lei 9.317/96. 2 Processo n° 10945.011971/2004-19 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.636 Fl. 158 Argumenta que o art. 110 do CTN proibe a alteração dos conceitos jurídicos, principalmente por ato normativo da Administração. Diz que existem decisões administrativas permitindo que empresas que prestam serviços de remoção de resíduos optem pelo Simples. Diz que há tempos está no Simples e isso daria direito adquirido a esta opção. Cita o art. 100 do CTN que reconhece a prática reiterada como norma. Diz que se a interpretação da Receita Federal mudou, a mudança não podia ser aplicada a ele e muito menos retroativamente. Alega subsidiariamente que o ato de exclusão só poderia produzir efeitos após sua lavratura e ciência. Informa que não cabe qualquer cobrança de multa. Em 19/06/2008, a 2a Turma da DRJ em Curitiba indeferem a solicitação do contribuinte e mantem a exclusão (proc. fls. 101 a 108). A turma julgadora diz que o contribuinte foi excluído por exercer a atividade vedada prevista no art. 9°, inciso XII, alínea j; da Lei n° 9.317, de 1996. Confirma que a empresa sempre atuou na dragagem de resíduos industriais diversos, especialmente agroinditstria. Explica que empresas que fazem apenas a remoção e transporte de resíduos podem optar pelo Simples porque não exercem atividade vedada. Ou sejam, não fazem limpeza, mas sim transporte. Já as empresas que fazem serviços de varreção ou lavagem de ruas incidem na proibição porque sua atividade caracteriza-se como limpeza de bens imóveis. A turma informa que existe solução de divergência da Cosit, que resultou no Ato Interpretativo n° 23, de 22/12/2004, que disciplina o assunto da seguinte forma: Artigo único. Pode optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) a pessoa jurídica que exerce a atividade de remoção e transporte de resíduos de ruas,préclios e demais logradouros públicos, desde que observadas as demais condições estatuídas na legislação A turma conclui que a atividade de transporte de lixo e resíduos é admitida no Simples, mas afirma que não consta do Renavan (proc. fl. 99) que a empresa possua quaquer veiculo. Adiciona que o Parecer Cosit n° 69, de 10/11/1999, veda a opção de quem exerça locação de mão de obra. Informa que, em diversas notas fiscais da empresa, juntadas aos autos, constata-se a retenção de 11% referente a mão de obra. Conclui que a empresa praticou cessão de mão de obra, que é atividade vedada ao Simples. A turma julgadora também informa que a exclusão retroativa a 01/01/2002 está de acordo com a lei. O contribuinte é cientifcado da decisão em 21/07/2008 (proc. fl. 110). Em 15/08/2008, apresenta seu recurso voluntário (proc. fls. 114 a 136). O contribuinte alega a nulidade da decisão da turma julgadora. Diz que o ato impugnado teve como fundamento o exercício de limpeza e conservação, consideradas atividades vedadas ao Simples pela DRF, mas a decisão da turma deu outro fundamento para a exclusão. Diz que a turma admitiu que a remoção e transporte de detritos é atividade permitida, mas, alegou que o contribuinte não podia exercer o transporte de resíduos, por falta de veículos no seu nome, e que locava mão de obra. 0 contribuinte resume a decisão com as seguintes palavras: Que embora reconheça a inexistência de atividade de limpeza, vedada pelo Simples, bem como, de que a empresa exercer atividade de dragagem de lagos de resíduos e remoção de resíduos, mantém a exclusão sob o argumento de que há cessão 3 Processo n° 10945.011971/2004-19 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.636 Fl. 159 de mão-de-obra, pelo fato de que a empresa não possui veículos registrados em sua propriedade, bem como, efetuou em suas notas fiscais retenção de 11% de INSS. 0 contribuinte afirma que a DRJ não tem competência para alterar o fundamento da exclusão, pois sua função é de controle da legalidade. Diz qua a decisão é nula. Explica os serviços que presta e descreve o que é dragagem. Afirma que sua atividade é de remoção e transporte de resíduos, feita por meio de canos, mangueiras e motores. Sustenta que não presta serviço de limpeza e conservação. Repete seus argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. '-- 4 Processo n° 10945.011971/2004-19 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.636 Fl. 160 Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme os autos, a exclusão decorreu de entendimento de que o contribuinte exercia atividade de limpeza (dragagem) de bens imóveis (lagoas) e foi mantida pela turma julgadora porque a empresa não possuiria veículos e prestaria serviços de cessão de mão de obra. 0 recurso afirma que a decisão é nula e também ataca questões de mérito. Portanto, cabe iniciar a análise do processo pela apreciação da preliminar de nulidade. Constata-se que a pesquisa e pretensa demonstração de que a empresa não possuia veiculo (fato usado pela turma julgadora para afastar a possibilidade de que a empresa prestasse serviço de remoção de detrito) foi feita após a apresentação da manifestação de inconformidade pelo contribuinte, e foi executada pela AFRF Eva Maria Los, relatora (proc. fls. 95 a 100). Deste modo, a relatora do processo, durante o julgamento, buscou provar fatos não mencionados no ato de exclusão, para fundamentar sua posição. Inclusive, independente de quem tivesse juntado tal documento ou de quando isso tivesse ocorrido, como não há menção a ele no ato de exclusão, ele não poderia ser levado em conta no julgamento. Além disso, a turma julgadora também considerou na sua decisão uma análise das notas fiscais, que não constava do ato de exclusão. Abstraindo-se da procedência ou não da presunção que a turma adotou a partir desta análise das notas fiscais, tal análise consiste em trazer aos autos um fato novo, desconhecido do contribuinte no momento em que ele apresentou sua defesa. Por isso, qualquer decisão que derive desta análise ou da presunção que se faça sobre os resultados dela, é nula. Também, não pode ser levado em conta no julgamento nenhum outro argumento jurídico, a favor do Fisco, apresentado após a apresentação da manifestação de inconformidade. Não obstante a turma julgadora decidiu pela manutenção da exclusão com umnovo argumento. Fundamentou sua decisão afirmando que o contribuinte praticava cessão de mão de obra. Assim, o documento do Renavan, a análise das notas fiscais, e a presunsão de que o contribuinte faça cessão de mão de obra são elementos inovadores trazidos pela turma devem ser desconsiderados. 0 fundamento para desconsiderar essas inovações é que o rito do Decreto 70.235, de 1972, define a discussão administrativa como um processo de julgamento, que visa o controle da legalidade do ato administrativo e que se coloca como um método alternativo de solução de litígios. Deste modo, não cabe a revisão do ato discutido, entendida esta revisão como aperfeiçoamento deste ato. Ou seja, instaurada a fase contenciosa da discussão administrativa só cabe o julgamento da lide e não a alteração de seus contornos fáticos ou jurídicos. 5 Processo n° 10945.011971/2004-19 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.636 Fl. 161 A autoridade julgadora não pode inovar na acusação. Ela não pode trazer fatos novos e nem alterar a fundamentação jurídica do ato impugnado. Ela não pode revisar a exclusão. Isso viola o rito estabelecido no Decreto n° 70.235, de 1972, esvazia as funções do julgamento administrativo, invade a competência da fiscalização, lesa os direitos do contribuinte, viola o regimento interno dos órgãos de julgamento que impede a inovação. Cabe destacar que neste aspecto (proibição de inovação, inclusive de argumentação jurídica) o julgamento administrativo difere substancialmente do julgamento judicial e a razão é simples. 0 objeto dos dois diferem radicalmente. No julgamento administrativo disciplinado no decreto 70.235, de 1972, o que se julga é o ato administrativo trazido ao litígio (sua legalidade). Isso é bastante diferente de julgamentos judiciais, relativos a disputas sobre a existência de direito. Nesses, o que se julga é a existência de determinada relação jurídica e o Juiz pode trazer sua percepção jurídica sobre as relações jurídicas em análise, mesmo que não tenha sido suscitada por qualquer parte, pois o objeto do julgamento é a própria relação. Já no julgamento administrativo, não está em questão propriamente uma relação jurídica, mas a legalidade de um ato administrativo que declara uma relação jurídica. Dessarte, no PAF, não cabe qualquer inovação nos fundamentos lógicos e jurídicos do ato julgado, pois é o ato com seus elementos integrantes que é julgado. Retomando a análise da decisão da DRJ, fica evidente que a DRJ adotou fundamentos absolutamente diferentes dos adotados pela DRF. Enquanto a DRF efetuou a exclusão por entender que o contribuinte praticava limpeza de imóveis, a DRJ entendeu que a exclusão era viável porque o contribuinte não praticava remoção de detritos (por não ser proprietário de veículos) e que cedia mão de obra (já que suas notas apresentavam retenção de 11% de INSS). Na verdade, considerando que o contribuinte jamais foi intimado por ninguém a comprovar a posse de veículos ou explicar sua atividade, nem a esclarecer as retenções, mais do que uma simples inovação, a decisão da DRJ equivale a um novo ato. Isso porque o único fundamento da exclusão (exercer a limpeza de imóveis) foi desconsiderado pela própria DRJ, que passou a sustentar a exclusão com o novo fundamento. Ou seja, o ato foi mantido, não por seu fundamento, mas por novo fundamento. No caso concreto, a situação foi ainda mais grave porque a DRJ juntou e adotou novos fatos. Issso foi feito na tentativa de comprovar fundamento de sua decisão, que na verdade passou a ser o novo e único fundamento do ato impugnado. Deste modo, a DRJ, longe de promover o controle de legalidade do ato administrativo (do ato da DRF) ou propiciar um julgamento para o contribuinte, acabou por dar um novo fundamento ao ato impugnado. Isso equivale a DRJ refazer o ato de exclusão. Com isso, embora aproveitando parte do ato praticado pela DRF, a DRJ faz uma exclusão nova, com base em fatos novos, em análise nova, em direito novo, e sua decisão deve ser anulada por isso. Em razão da inovação, a decisão da DRJ seria nula. Porém, no caso, como é possível decidir no mérito em favor do contribuinte, deixa-se de lado a declaração de nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235, 1972. No que tange ao mérito, o contribuinte alega que sua atividade não o impede de aderir ao Simples, pois presta serviços de dragagem, para remoção de detritos. A DRF 6 Processo n° 10945.011971/2004-19 SI-CIT1 Acórdão n° 1101-00.636 Fl. 162 afirmou que a atividade equivalia a limpeza de imóveis e por isso esbarrava na proibição do art. 9°, inciso XII, alínea f, da Lei n° 9.317, de 1996. 0 texto legal é o seguinte: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII - que realize operações relativas a: fi prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mão-de-obra; Da leitura da alínea f, constata-se que a atividade vedada é a prestação de serviços de limpeza. Ou seja, a vedação é para serviços correspondam ao conceito de serviço de limpeza. Deste modo alcança apenas aqueles serviços que visem somente a limpeza do bem. Já o contribuinte, presta serviços de dragagens que não se subsume no conceito de serviço de limpeza. Apenas por um juizo subjetivo é que pode pretender dizer que uma dragagem de detritos vise limpar, ao invés de visar recuperar a funcionalidade, ou ao invés de visar retirar os detritos. Por isso, é mais adequado considerar que os serviços de dragagem tem um conceito bastante diferente dos serviços de limpeza. Ademais, pela consideração das outras atividades mencionadas na alínea f, percebe-se que a proibição se destina a atividades com intenso uso de mão de obra. 0 que não é o caso do contribuinte. Por estas razões, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar sua exclusão do Simples. CARLOS EDUA D ALMEIDA GUERREIRO 7
score : 1.0
Numero do processo: 11080.920394/2009-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA
DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO.
Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à
comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro
de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos
termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 3403-001.170
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POA, que manteve o despacho decisório da DRF de origem o qual não reconheceu o direito de crédito pleiteado, e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada O Despacho Decisório nº. 842610146, fls. 5, indeferiu o pedido formulado no PER/DCOMP nº 214:2.04928.130905.1.3.043743, em razão dos créditos informados estarem integralmente utilizados para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/COMP. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade ao despacho decisório. Transcrevo a seguir trechos do relatório da decisão recorrida, fls. 37: (...) A interessada defende a existência do indébito afirmando que estaria errado o valor inicialmente informado em DCTF, causando o indeferimento da compensação e o lançamento de ofício. Anexa DCTF retificadora entregue em data posterior à ciência do Despacho Decisório, a qual corrigiria o equívoco. Então, após solicitar a suspensão da exigibilidade tributária, requer o cancelamento do Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação e a validade da compensação, com a extinção da exigência de ofício. A 2ª Turma da DRJ/POA, no Acórdão nº 1027.222, de 2 de setembro de 2010, fls.44/45, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Cientificada da decisão em 01/03/2011, recorrente interpôs Recurso Voluntário em 28/03/2011, requerendo o reconhecimento do crédito pleiteado e as respectivas compensações alegando que sendo pessoa jurídica de direito privado cujo objeto social consiste no comércio, por atacado e varejo, de peças e acessórios para veículos em geral, suas receitas restaram tributadas pela COFINS até a entrada em vigor da Lei Federal n.° 10.485/2002. Com o advento da entrada em vigor da Lei Federal n.° 10.485/2002, mais precisamente dos efeitos normativos contidos no artigo 3 o e seu §2°, as receitas auferidas pela Recorrente, decorrentes da venda no atacado e no varejo de peças e acessórios de veículos, restou sujeita à alíquota Fl. 78DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.920394/200934 Acórdão n.º 3403001.170 S3C4T3 Fl. 78 3 zero. Referida redução passou a ocorrer da partir do mês de novembro de 2002. Contudo, por lapso deixou de excluir do cálculo dessa exação as receitas da vendas dessa atividade, o que resultou em pagamento a maior do PIS e de Cofins. Aduz que carecem de juridicidade a decisão recorrida. Assim, impera a reforma julgado de primeira instância posto que desconsiderou a prova através do único documento válido a ser anexado pela recorrente, por ocasião da manifestação de inconformidade,o qual consiste justamente na DCTF retificadora. Ao final pede que: seja recebido esse recurso voluntário; reforma da decisão recorrida, reconhecendo ao fim a compensação procedida; caso entenda essa Colenda Câmara Recursal necessária maior dilação probatória além das DCTF retificadoras, e a considerar os documentos que a Recorrente protesta pela juntada em trinta dias, que se determine a baixa dos autos à instância originária para fins de diligências, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, para aferição dos créditos declarados/compensados nas PER/DCOMP; seja realizados o julgamento do presente recursos voluntário em conjunto outros processos, conforme especificados na peça recursal. Para fortalecer seus argumentos traz decisões do STJ e do Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). Ademais, a realização de diligência, conforme prevista no Decreto nº 70.235, de 1972, não tem por objetivo suprir procedimento que é encargo das partes. No presente caso, o ônus de provar o fato constitutivo do direito creditório que alega ter é da recorrente. A realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Não cabe ao julgador substituir os interessados na produção de provas. A inércia da recorrente não pode ser suprida por diligência. Como em qualquer relação jurídica e na relação jurídica tributária não poderia ser diferente, quem alega um fato deve proválo. A Recorrente deveria ter trazido as provas junto com a manifestação de inconformidade. Por essas razões, não acolho o pedido de diligência. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 Quanto às decisões administrativas e judiciais trazidas aos autos não podemos negar que os precedentes tem força persuasiva, contudo não tem força vinculantes. No tocante às decisões administrativas, mesmo que o Primeiro Conselho de Contribuintes (atual 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) tenha decidido reiteradas vezes sobre determinada questão, não vinculam os demais julgadores desse Colegiado, estes podem ter entendimento diferente. Nesse sentido, o inciso II do artigo 100 do CTN determina que são normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa. No tocante às decisões judiciais, observese o disposto nos artigos 102, § 2°, e 103A da Constituição da República (CR/1988), com redação dada pela Emenda Constitucional n° 45, de 08/12/2004, além do artigo 8° desta Emenda. O artigo 102, § 2°, da CR/1988 determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) e nas ações declaratórias de constitucionalidade (ADC) produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Já o artigo 103A estipula que o Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Por fim, o artigo 8º da Emenda Constitucional n.° 45/2004 preconiza que as atuais súmulas do Supremo Tribunal Federal somente produzirão efeito vinculante após sua confirmação por dois terços de seus integrantes e publicação na imprensa oficial. Por essas normas constitucionais, apenas as súmulas vinculantes e os julgados em sede de ADI e ADC deverão ser observadas pela Administração Pública e aquelas decisões judiciais em que o contribuinte se configure como parte. Na espécie, também não serão conhecidas as decisões judiciais suscitadas pelo litigante, posto que vinculam somente às partes envolvidas naqueles litígios específicos, não abrangendo terceiros. Data vênia ao entendimento dos Tribunais Superiores, este não vincula o administrador em seus julgados, já que não faz parte da legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do CTN, salvo na hipótese dos artigos 102 (§2º) e 103A da CR/1988, o que não ocorreu na espécie. Conforme relatado, o litígio do presente processo envolve a análise da liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de compensação, referente a suposto pagamento a maior de Cofins. O pedido foi indeferido sob a justificativa de que o referido pagamento encontrase “integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Como se vê dos autos, às fls. 44/45, a Recorrente, após ciência do decisório do despacho que não homologou a compensação pretendida, alegando erro no valor declarado na DCTF de pronto providencia a sua retificação, entendendo que essa retificação corrigiria o Fl. 80DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.920394/200934 Acórdão n.º 3403001.170 S3C4T3 Fl. 79 5 equívoco e exsurgiria o direito creditório alegado. Entretanto, não instrui sua manifestação de inconformidade com documentos que contábil e/ou fiscal que respaldasse sua alegação. A autoridade julgadora de primeira instância em seu voto condutor assim fundamentou as razões que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não merecendo retoque: Por sua vez, o art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser corroborada a compensação pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser comprovadas documentalmente, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cabendo à interessada apresentar as provas necessárias para confirmar sua defesa: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.° da Lei n.° 8.748/93) Na manifestação de inconformidade entregue, a empresa apenas menciona a existência de erro em sua DCTF sem indicar sua origem ou mesmo juntar qualquer prova que confirme o novo valor indicado. Não é possível reconhecer o direito creditório se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art. 333, do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: " Art. 333 — O ônus da prova incumbe: I—ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. No presente, no entanto, a interessada não trouxe qualquer elemento contábil para comprovar o indébito alegado. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 Como se vê do voto condutor, a autoridade julgadora de primeira instância deixou claro o que deveria comprovar o indébito alegado. Entretanto, aqui também, quanto na Manifestação de Inconformidade, a Recorrente não traz aos autos nenhum documento contábil e/ou fiscal para comprovar o valor do pagamento a maior. Solicita, caso essa Colenda Câmara Recursal entenda necessária maior dilação probatória além das DCTF retificadora, pela juntada de prova no prazo de 30 (trinta) dias. De acordo com os autos, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 29/03/2011, passado esse período, não consta nos autos, ora examinado, tenha a Recorrente apresentado provas para comprovar o direito alegado, até o presente momento. Contrário ao entendimento da recorrente, a declaração retificadora não era um único documento válido a ser anexado a Manifestação de Inconformidade. Impende esclarecer que a DCTF retificadora não tem força probatória para alterar a representação do fato (pagamento a maior ou indevido) apurado com base em declarações prestadas pela contribuinte existentes à época do despacho decisório. Assim, para comprovar a certeza e liquidez, deveria a Recorrente além de ter retificado a DCTF, ter instruído também a Manifestação de Inconformidade com documentos contábeis e /ou fiscais que comprovassem o quantum recolhido indevidamente É assim porque, em primeiro lugar, o ônus de provar fato constitutivo do direito creditório incumbe ao contribuinte que alega ter. O ônus da prova em nosso ordenamento jurídico é regulado pelo art. 333, I, do Código de Processo Civil. Em segundo lugar, o momento apropriado para se desincumbir de tal ônus é quando da interposição da manifestação de inconformidade, arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ou ainda, junto com o recurso voluntário com base na flexibilidade que o art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999 deu as regras da preclusão administrativa estabelecidas no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Trago à colação ensinamento do doutrinador Humberto Teodoro Júnior, apresentado em julgado anterior sobre a comprovação dos fatos alegados como condicionante de sua existência: Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Vejo que a compensação tributária na forma pretendida pela recorrente, não pode ser implementada porque continua faltando a liquidez e a certeza dos créditos apontados como pagamento indevido. Com essa considerações, não tendo a recorrente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, apresentado os documentos hábeis à comprovação do valor recolhido indevidamente, não é possível aferir a certeza e da liquidez do indébito, que são requisitos legais indispensáveis à compensação tributária exigidos pelo art. 170 do CTN. 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.920394/200934 Acórdão n.º 3403001.170 S3C4T3 Fl. 80 7 Ante o exposto, voto no sentido de não acolher o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 83DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
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Numero do processo: 10166.007875/2003-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: fevereiro de 1999 a novembro de 2002
BASE DE CÁLCULO ALARGAMENTO APLICAÇÃO DE DECISÃO INEQUÍVOCA DO STF POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, deve-se afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal.
Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para a Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-001.490
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Nome do relator: Judith do Amaral Marcondes Armando
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Nos termos regimentais, devese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para a Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Fl. 759DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Judith do Amaral Marcondes Armando Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith Do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo Da Costa Pôssas, Maria Teresa Martìnez López E Susy Gomes HoffmanN Relatório Contra Centrais Elétricas Brasileiras foi lavrado auto de infração para cobrar Cofins do período entre fevereiro de 1999 e novembro de 2002, em face da não inclusão na base de cálculo da Cofins das receitas de financiamentos, empréstimos e repasses à ITAIPU, bem como das variações cambiais relativas a tais operações. A decisão a quo determinou a exclusão da base de cálculo da Cofins as receitas fundadas no § 1º do art. 3º da lei nº 9.718, de 1998, sob argumento de que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A PGFN interpôs recurso especial alegando que a declaração de inconstitucionalidade referida na decisão foi proferida em controle difuso, não sendo pertinente darlhe efeito para todos, até que haja pronunciamento do Senado Federal. Aduz, ainda, A PGFN que em decorrência do tratado BrasilParaguai objeto do Decreto legislativo nº 23, de 30 de maio de 1973, é necessário que se proceda à analise da diligência acostada às fls. 624 a 672, a fim de que sejam quantificadas as operações efetivamente tributáveis. O recurso foi analisado pelo Presidente da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que o encontrou de acordo. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora Judith do Amaral Marcondes Armando Aprecio Recurso Especial interposto pela PGFN, em boa forma. A lide versa sobre auto de infração em face da ELETROBRÁS tendo em vista que não incluiu na base de cálculo da COFINS, do período entre fevereiro de 1999 e novembro de 2002, receitas de financiamentos, empréstimos e repasses à ITAIPU, bem como as variações cambiais relativas a tais operações. A ELETROBRÁS vem defendendose, desde a impugnação, com base nas normas contidas no Tratado BrasilParaguai, internalizado pelo Decreto legislativo nº 23, de 30 de maio de 1973, segundo as quais não se pode cobrar impostos, taxas, empréstimos compulsórios, sobre as aquisições de materiais e equipamentos destinados ao empreendimento ITAIPU. Fl. 760DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10166.007875/200354 Acórdão n.º 9303001490 CSRFT3 Fl. 485 3 A matéria ora submetida a apreciação é exclusivamente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 , que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Com a devida licença do autor, Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, e minhas homenagens transcrevo parte de seu voto sobre a matéria; Entendo que o controle concreto de constitucionalidade tem efeito interpartes, não beneficiando nem prejudicando terceiros alheios à lide. Para que produza efeitos erga ominis, é preciso que o Senado Federal edite resolução suspendendo a execução do dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Não desconheço que o Ministro Gilmar Mendes, há muito vem defendendo a desnecessidade do ato senatorial para dar efeitos geral às decisões da Corte Maior, mas essa posição ainda não foi positivada no ordenamento jurídico brasileiro, muito embora alguns passos importantes já foram dados, como é o caso da súmula vinculante. De qualquer sorte, a resolução senatorial ainda se faz necessária, para estender efeitos de decisões interpartes a terceiros alheios à demanda. De outro lado, o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trouxe a possibilidade de se estender as decisões do STF, em controle difuso, aos julgados administrativos, conforme preceitua a Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 69. Este dispositivo reproduz a mesma redação prevista no regimento anterior (art. 49, na redação dada pela Portaria nº 147/2007): É vedado afastar a aplicação de lei, exceto ... I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Notese que tal dispositivo cria uma exceção à regra que veda este Colegiado afastar a aplicação de dispositivo legal, mas exige que a inconstitucionalidade desse dispositivo já tenha sido declarada por decisão definitiva do plenário do STF. Não basta qualquer decisão da Corte Maior, tem de ser de seu plenário, e, devese entender como definitiva a decisão que passa a nortear a jurisprudência desse tribunal nessa matéria. Em outras palavras, decisão definitiva, na acepção do art. 69 do RICARF é aquela reiterada, assentada na Corte. O caso dos autos, a meu sentir, amoldase, perfeitamente, à norma inserta no artigo 69 suso transcrito, posto que a questão da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 encontrase apascentada no Supremo Tribunal Federal, inclusive, fez parte de minuta de súmula vinculante, que não foi adiante por causa de uma outra decisão desse Tribunal, referindose à base de cálculo das contribuições devidas pelas seguradoras. Neste caso, houve certa confusão sobre o conceito de faturamento e de receita, o que levou o STF a não sumular a matéria sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições, mas, de qualquer sorte, continua valendo a decisão no tocante à base de cálculo das contribuições incidentes sobre sociedades não financeiras ou seguradoras. Fl. 761DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 Em outro giro, temse notícia de que a própria PGFN já emitiu parecer no sentido de autorizar seus procuradores a não mais recorrerem das decisões judiciais que reconheçam a inconstitucionalidade do denominado alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, fato esse que corrobora o entendimento de se aplicar ao caso em exame a decisão plenária do SRF sobre o indigitado alargamento da base de cálculo da Cofins.. A jurisprudência do CARF caminha no sentido de estender a decisão do STF sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições aos julgamentos administrativos. Neste sentido, votou a Ilustre Conselheira Maria Tereza Martinez, que rendo as homenagens de praxe, e preço licença para transcrever excerto de seu voto. ILEGALIDADE DA LEI Nº 9718/98 Perdeu igualmente interesse para o deslinde deste processo a questão do alargamento da base de cálculo. O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Recurso Extraordinário no 357.950, em 09/11/2005 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento perpetrada pelo art. 3º, § 1º, da Lei no 9.718/98. Portanto, à luz daquele julgado, somente as receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços podem sofrer a incidência do PIS e da Cofins, o que não é o caso do valor do ICMS registrado extemporaneamente. No tocante à extensão dos efeitos da referida declaração de inconstitucionalidade, com fulcro no art. 77 da Lei nº 9.430/96, o Presidente da República baixou o Decreto nº 2.346/97 para disciplinar a atuação dos órgãos da Administração Pública. Ora, o art. 4º, parágrafo único, do Decreto no 2.346/97, estabelece que “(...) Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. (...)”. Cabe observar que a matéria, de aplicar ou não decisão do Pleno do STF, antes da expedição de Resolução, no meu entender, não se alterou ao longo dos vários Regimentos Internos aprovados, quer dos então Conselhos de Contribuintes, quer do atual CARF. O atual Regimento Interno (art. 69 da Portaria nº 256/2009) reproduz a mesma redação prevista no anterior (art. 49, na redação dada pela Portaria nº 147/2007): É vedado afastar a aplicação de lei exceto : “I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal;” A questão foi bem tratada por diversas vezes neste órgão administrativo. Cito, no entanto, o julgamento ocorrido do Rec. 127006, pela Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Fl. 762DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10166.007875/200354 Acórdão n.º 9303001490 CSRFT3 Fl. 486 5 Acórdão nº 20217530 (naquele caso PIS, variações monetárias), pela qual peço vênia para reproduzir excertos como se meus fossem: Este Conselho de Contribuintes possui larga experiência no trato com lides cujo mérito versava sobre matéria que o plenário do STF julgou inconstitucional, incidenter tantum, e que no aguardo da Resolução do Senado Federal, manteve por muito tempo a exigência de tributo já reputado definitivamente inconstitucional ou mesmo ilegal, nos casos julgados pelo STJ. Há que se aprender com a experiência. Não que se possa aqui decidir açodadamente após inaugurais decisões nesse sentido pelas Cortes Constitucional ou Legal. No caso em tela não é esta a circunstância. Tratase de matéria que há muito vem gerando conflito entre o Fisco e os contribuintes, tendo sido alvo de sentenças judiciais de monta, contrárias aos interesses do Fisco. O volume dessas decisões atingiu seu ápice com a decisão do STF, a qual, publicada, transitou em julgado em 29 de setembro de 2006, sendo enviada pelo Presidente do STF ao Presidente do Senado Federal em 03/10/2006, em cumprimento ao disposto na Constituição Federal. Portanto, entendo que não há a que resistir. O julgador administrativo tem como limite de decidir as normas legais em vigor, não lhe competindo apreciar inconstitucionalidades ou ilegalidades. Ao revés, a inconstitucionalidade do dispositivo fundador da autuação encontrasse declarada por sentença transitada em julgado pelo órgão designado pela Constituição da República, no art. 102, inciso III, alínea “a”, a julgar causas decididas quando a decisão recorrida contrariar seus dispositivos ou declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. E, consoante dispõe o inciso I do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de atuação conforme a lei e o direito, devendo a Administração pública, segundo dispõe o caput, obedecer, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Ademais, também não compete ao julgador administrativo dar seqüência à exigência de crédito tributário que esteja arrimado em norma sabidamente afastada do mundo jurídico, com efeitos ex tunc, pela Corte constitucional. Seria de extremo non sense e mais que isso, ofensivo aos princípios acima citados da Lei nº 9.784/99 manter a exigência tributária, remetendo o contribuinte a duas vertentes possíveis: ou socorrerse da proteção judicial, levando os cofres públicos a pagarem por essa teimosia irracional de exigir tributo indevido, via ônus da sucumbência, ou, extinguindo o crédito tributário exigido, submeterse à via crusis do solve et repete. Fl. 763DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 Nem uma nem outra. Na sutileza desse momento é que se justifica a existência de um tribunal administrativo. Não pode o julgador administrativo, posicionado diante de tal circunstância deixar de enfrentar as vicissitudes de ter de um lado a lei formalmente ainda válida e eficaz, de outro a sentença transitada em julgado, proferida pelo Tribunal Maior do País, que mitiga, reduz, apequena o alcance pretendido pela lei no sentido de avançar sobre o patrimônio do particular. Entendo estar na esfera de competência do julgador administrativo afastar a exigência tributária que se encontra sob sua apreciação, cuja inconstitucionalidade já tenha sido declarada, porém, ainda não ampliada para os efeitos erga onmes, o que ocorrerá inexoravelmente por ser conduta formal de outro Poder, cuja atuação nem sempre está sincrônica com o tempo e a necessidade da sociedade, afastando, com isso, as inevitáveis ações judiciais e maiores embaraços para o tesouro nacional e para o contribuinte. Não bastasse toda a fundamentação argumentativa acima arrazoada, tal entendimento também encontra supedâneo na norma que rege os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em matéria tributária a serem observados pelos órgãos julgadores. Dispõe o art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/1997: “Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.” (negrito inserido). Compulsando as regras de redação oficial de atos normativos com o objetivo de perquirir o exato alcance da ordem contida no referido parágrafo único, de vez serem existentes vozes isoladas que entendem estar o citado parágrafo único atrelado ao caput do artigo, ensejando a existência de autorização ou ordem expressa dos órgãos que cita para que os órgãos julgadores da Administração Fazendária se considerem “autorizados” a afastar norma declarada inconstitucional, constatase comando normativo diametralmente oposto a tal entendimento. Fl. 764DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10166.007875/200354 Acórdão n.º 9303001490 CSRFT3 Fl. 487 7 O Decreto nº 4.176, de 28/03/2002, que estabelece normas e diretrizes para a elaboração, a redação, a alteração, a consolidação e o encaminhamento ao Presidente da República de projetos de atos normativos de competência dos órgãos do Poder Executivo Federal, ao regulamentar a Lei Complementar nº 95/1998, determina a forma técnica de redação consoante no art. 23, inciso III, alínea “c”, sendo que para a obtenção de ordem lógica os parágrafos deverão expressar os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida, conforme se confere a seguir: “Da Redação Art. 23. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observado o seguinte: III para a obtenção de ordem lógica: c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida.” Aplicando a regra ao artigo 4º do Decreto nº 2.346/97, é de imediata compreensão, por qualquer operador do Direito, que o disposto no parágrafo único se constitui em uma exceção à regra estabelecida no caput, pelo simples motivo de o caput referirse a órgãos diversos dos citados no parágrafo único, sem que exista qualquer liame de subordinação ou mesmo coordenação entre os citados órgãos para aplicação de seus termos. Aliás, quanto à possibilidade de subordinação dos órgãos administrativo julgadores à hierarquia da Administração Pública, válido buscar os ensinamentos da Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro1 acerca da matéria: “Sendo competência exclusiva, absolutamente exclusiva, isto afasta qualquer possibilidade de controle e o órgão fica praticamente fora da hierarquia da Administração Pública. Eu citaria dois tipos de órgãos que ficam fora da hierarquia administrativa. Em primeiro lugar, os órgãos consultivos (…). Uma autoridade superior não pode obrigar um determinado funcionário encarregado de função consultiva a dar um parecer neste ou naquele sentido … A segunda modalidade de órgãos que estão fora da hierarquia são justamente os órgãos administrativos encarregados do processo administrativo tributário. É verdade que principalmente os órgãos de 1ª Instância exercem outras funções além dessas funções julgadoras, e, nessas outras funções, estão integrados na hierarquia. Mas, no que diz respeito especificamente às decisões no processo administrativo fiscal, não estão integrados na hierarquia; também não obedecem ordens, não seguem instruções; eles têm até uma composição mista, parte com representantes dos próprios quadros da Administração Pública e parte com representantes da sociedade.” Fl. 765DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 8 A matéria em foco – alteração da base de cálculo da Cofins e do PIS pela Lei nº 9.718/98 – foi apreciada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, constituindose em decisão definitiva daquele Tribunal, uma vez que proferida pelo Pleno, com a participação e voto de todos os Ministros que o compõem. À época da lavratura do auto de infração outra não podia ter sido a atuação do autuante. Também agora, à época do julgamento, outra não pode ser a posição do julgador que não exonerar a exigência constituída. Importante mencionar que acatar a decisão do STF não é o mesmo que declarar a inconstitucionalidade de lei, o que, realmente, não está na alçada dos órgãos administrativos eis que essa competência é do Poder Judiciário. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional para manter o acórdão recorrido por seus próprios e jurídicos fundamentos. Aplicandose, pois ao caso ora em exame, a decisão do STF que julgou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, até a vigência da Lei 10.833/2003, a base de cálculo da Cofins voltou a ser a receita bruta correspondente a faturamento, assim entendido como o produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Judith do Amaral Marcondes Armando Fl. 766DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 10640.000657/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004,2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Atingindo o limite individual dedutível os pagamentos comprovados a título de despesas com instrução, o recurso voluntário interposto quanto a despesas adicionais em nada alterará o valor do crédito tributário, motivo pelo qual não deve ser conhecido, em virtude da falta de interesse recursal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA NO CASO CONCRETO.
Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte teve acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa administrativa, principalmente quando lhe foi ofertado prazo adicional
de 30 dias para apresentar as provas que porventura tenha deixado de produzir.
IRPF. DEPENDENTES. DEDUTIBILIDADE, DESDE QUE COMPROVADA A CONDIÇÃO DE DEPENDENTE.
Mantém-se a glosa da dependente informada pela contribuinte em sua declaração de rendimentos quando ficar comprovada a inexistência da relação de dependência.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente não é suficiente para confirmar a prestação efetiva dos serviços e os respectivos pagamentos.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. LEI TRIBUTÁRIA.
INCONSTITUCIONALIDADE.
“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Na forma da Súmula nº 4 deste Tribunal, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.290
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
conhecer do recurso em parte e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004,2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. Atingindo o limite individual dedutível os pagamentos comprovados a título de despesas com instrução, o recurso voluntário interposto quanto a despesas adicionais em nada alterará o valor do crédito tributário, motivo pelo qual não deve ser conhecido, em virtude da falta de interesse recursal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA NO CASO CONCRETO. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte teve acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa administrativa, principalmente quando lhe foi ofertado prazo adicional de 30 dias para apresentar as provas que porventura tenha deixado de produzir. IRPF. DEPENDENTES. DEDUTIBILIDADE, DESDE QUE COMPROVADA A CONDIÇÃO DE DEPENDENTE. Mantém-se a glosa da dependente informada pela contribuinte em sua declaração de rendimentos quando ficar comprovada a inexistência da relação de dependência. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente não é suficiente para confirmar a prestação efetiva dos serviços e os respectivos pagamentos. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Na forma da Súmula nº 4 deste Tribunal, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso negado.
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FALTA DE INTERESSE RECURSAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. Atingindo o limite individual dedutível os pagamentos comprovados a título de despesas com instrução, o recurso voluntário interposto quanto a despesas adicionais em nada alterará o valor do crédito tributário, motivo pelo qual não deve ser conhecido, em virtude da falta de interesse recursal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA NO CASO CONCRETO. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte teve acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa administrativa, principalmente quando lhe foi ofertado prazo adicional de 30 dias para apresentar as provas que porventura tenha deixado de produzir. IRPF. DEPENDENTES. DEDUTIBILIDADE, DESDE QUE COMPROVADA A CONDIÇÃO DE DEPENDENTE. Mantémse a glosa da dependente informada pela contribuinte em sua declaração de rendimentos quando ficar comprovada a inexistência da relação de dependência. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente não é suficiente para confirmar a prestação efetiva dos serviços e os respectivos pagamentos. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 261DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10640.000657/200770 Acórdão n.º 210101.290 S2C1T1 Fl. 250 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Na forma da Súmula nº 4 deste Tribunal, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso em parte e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage. Ausente justificadamente o Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 214/246) interposto em 26 de setembro de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) (fls. 199/208), do qual a Recorrente teve ciência em 01 de setembro de 2008 (fl. 211), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 05/11, lavrado em 07 de março de 2007, em decorrência de deduções indevidas com i) Fl. 262DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10640.000657/200770 Acórdão n.º 210101.290 S2C1T1 Fl. 251 3 dependente, ii) despesas médicas e iii) instrução, verificadas nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. Mantémse a glosa da dedução a título de despesas médicas, quando na fase impugnatória o contribuinte não comprova de forma inconteste têlas suportado. Nos casos em que houver dúvida quanto à idoneidade de documentos, para o contribuinte fazer jus à dedução pleiteada não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem a vinculação do pagamento efetuado e da efetiva prestação de serviços. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Alterase o lançamento no que se refere às despesas com instrução que foram glosadas, quando estas forem devidamente comprovadas nos autos. DEPENDENTES. Não poderão ser considerados como dependentes os pais, quando aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal. Lançamento Procedente em Parte” (fl. 199). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 214/246, aduzindo, preliminarmente, a nulidade do auto de infração, uma vez que a intimação da lavratura do referido auto, por via postal, se deu em endereço errado, ferindo as garantias constitucionais da ampla defesa e do contraditório, e, no mérito, i) o caráter confiscatório das multas aplicadas; ii) a ilegalidade da taxa Selic e, por fim, iii) a suficiência dos documentos apresentados para comprovação das despesas médicas. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator Inicialmente, convém salientar que, no que se refere às despesas com instrução, relativas ao anocalendário de 2002, entendo que o recurso não deva ser conhecido, por falta de interesse recursal, uma vez que os pagamentos comprovados atingiram o limite dedutível com instrução nos termos do art. 8, II, “b” da Lei 9.250/95, com redação em vigor à época dos fatos, o que significa dizer que o recurso quanto a esse aspecto em nada alterará o valor do crédito tributário. Tratase de recurso voluntário em que se discute, preliminarmente, a nulidade do auto de infração tendo em vista que a intimação da lavratura do referido auto, por via postal, Fl. 263DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10640.000657/200770 Acórdão n.º 210101.290 S2C1T1 Fl. 252 4 se deu em endereço errado, tornandose ciente pessoa estranha ao processo, o que acarretaria cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório. Da análise dos presentes autos, não se infere em nenhum momento qualquer prejuízo à defesa da Recorrente, uma vez que não se vislumbrou negativa de acesso aos autos. Salientase, inclusive, que após a apresentação intempestiva da impugnação, tendo em vista o quanto alegado pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora devolveu, à autuada, o prazo de 30 dias para apresentação de documentação que porventura não tivesse sido apresentada. Ademais, cumpre destacar que a Recorrente elaborou suas defesas, apresentando as provas que entendeu pertinentes; logo, não há que se falar em nulidade do auto de infração, aplicandose, pois, o brocardo pas de nullité sans grief. Ora, a Recorrente poderia ter apresentado todas as provas que considerasse necessárias à sua defesa e conseqüente afastamento da exigência, tendo sido concedido, inclusive, o prazo de 30 dias, após a apresentação da impugnação, para que apresentasse a prova documental que entendesse pertinente; frisese que até mesmo em fase de recurso voluntário a apresentação de todas as provas poderia ter ocorrido, na hipótese de ter conseguido a documentação hábil nesse momento da sua defesa. Nesse sentido, ainda que nulidade houvesse, o que se admite apenas para fins de argumentação, não houve qualquer prejuízo para a defesa da Recorrente nos presentes autos. Mister trazer à baila os dispositivos normativos que versam sobre o tema (arts. 59 e 60 do Decreto n.º 70.235/72): “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Assim, da análise dos presentes autos, não se infere em nenhum momento qualquer prejuízo à defesa da Recorrente, uma vez que não se vislumbrou negativa de acesso Fl. 264DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10640.000657/200770 Acórdão n.º 210101.290 S2C1T1 Fl. 253 5 aos autos, deferindose ainda prazo suplementar de 30 (trinta) dias para apresentação de novos documentos. Superada a preliminar suscitada, passo à análise das razões de mérito do recurso interposto. No que atine à dedução indevida de dependente e de despesas médicas existentes no nome da genitora da Recorrente, destacase que por mais que a contribuinte alegue ser sua mãe sua dependente em planos médicos, a mesma relação não se reflete no âmbito fiscal; em outras palavras, a Sra. Áurea Moreira de Jesus (mãe da Recorrente) era declarante do Imposto de Renda à época dos fatos, uma vez que obtinha rendimentos mensais superiores ao limite mensal de isenção (fls. 196/198), não podendo assim ser incluída como dependente da Recorrente em sua declaração de imposto de renda. Diante desse cenário, destacase que a norma aplicável ao caso, art. 8º, §2º, II, da Lei n.º 9.250/95, determina que as despesas médicas passíveis de dedução são aquelas efetuadas relativas ao tratamento do próprio contribuinte ou ao de seus dependentes: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2º O disposto na alínea a do inciso II: II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes”. Depreendese ainda do mesmo texto legal a definição de dependente, para fins de dedução, que é a seguinte: “Art. 35. Para efeito do di.posto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; Fl. 265DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10640.000657/200770 Acórdão n.º 210101.290 S2C1T1 Fl. 254 6 V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte.” Da simples leitura dos dispositivos acima transcritos, verificase que a mãe da Recorrente não se enquadra como sua dependente, para fins de dedução do imposto de renda, tanto é que aquela era declarante do imposto de renda à época dos fatos, podendo, inclusive, caso optasse, deduzir do seu imposto de renda as despesas médicas que oportunamente incorreu. Desse modo, concluise que as despesas atinentes ao tratamento médico da genitora da contribuinte não são passíveis de dedução do imposto de renda da Recorrente. No tocante às deduções de despesas médicas em nome da Recorrente, antes de analisar os argumentos trazidos em razões recursais, cumpre, inicialmente, ressaltar que qualquer dedução apontada pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos está sujeita à comprovação, a teor do que restou regulamentado no Decreto n.º 3.000/99, em seu art. 73, in verbis: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento.” Fl. 266DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10640.000657/200770 Acórdão n.º 210101.290 S2C1T1 Fl. 255 7 Os Conselhos de Contribuintes pacificaram entendimento no sentido de que documentos hábeis e idôneos que comprovem a prestação do serviço servem à dedutibilidade das despesas informadas na declaração de ajuste anual do imposto de renda. Especificamente no caso de dedução indevida de despesas médicas, a norma aplicável (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Além dos requisitos acima aduzidos, a jurisprudência desse Conselho exige, além do recibo, a prova da contraprestação, ou seja, o cheque, extratos bancários demonstrando saques em datas próximas com as datas das consultas, entre outros documentos, pois um não tem validade sem o outro: “DESPESAS MÉDICAS. PROVA DO PAGAMENTO E DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO E INTRUÇÃO. NECESSIDADE. O contribuinte que apresentou recibos considerados inidôneos pela fiscalização deve apresentar contraprova do pagamento e da prestação do serviço, nos termos do art. 73, do RIR. MULTA QUALIFICADA O contribuinte que apresentou recibos considerados inidôneos pela fiscalização deve apresentar contraprova do pagamento e da prestação do serviço, nos termos do art. 73, do RIR. Fl. 267DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10640.000657/200770 Acórdão n.º 210101.290 S2C1T1 Fl. 256 8 MULTA QUALIFICADA. RECIBOS MÉDICOS SEM A DEVIDA CONTRAPRESTAÇÃO. Os recibos referentes à prestação serviços médicos, odontológicos e fisioterápicos, mesmo que emitidos nos termos da legislação aplicável, não são suficientes para comprovação da prestação efetiva dos referidos serviços, o que justifica a exigência do fisco da comprovação dos mesmos, tais como extratos cheques, prontuários, dentre outros. Assim, não demonstrada a efetiva prestação dos respectivos serviços, permanecendo a dúvida, fica flagrante a existência dos requisitos justificadores da qualificação da multa. Inteligência do artigo 44, § 1°, da Lei nº 9.430, de 1996.” (RV 168.550, Relator Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka) A Recorrente alega que acostou aos autos todos os documentos necessários para comprovar a efetiva despesa médica, indagando ainda quais recibos seriam válidos para comprovação das despesas, uma vez que os apresentados não foram aceitos. Ora, verificase que a Administração, a todo momento, durante o processo de fiscalização, informou quais os requisitos necessários (apresentação dos documentos originais, comprovante do efetivo pagamento, bem como indicação do beneficiário do serviço) que deveriam ser observados pelos documentos trazidos pela contribuinte para aceitação das deduções, abrindo, inclusive, prazo para o envio da documentação necessária à comprovação (fls. 30/32, 49/50 e 52/53). Portanto, no presente caso, a controvérsia gira em torno do preenchimento de requisitos dos recibos oferecidos, que comprovem ser dedutíveis as despesas realizadas pela contribuinte. Frisese que o processo administrativo é regido pelos princípios da verdade material e da informalidade; sendo assim, poderia a Recorrente ter apresentado, até mesmo, em sede recursal, a documentação conforme requisitado pelo Fisco. Não obstante, assim não procedeu a contribuinte. Da análise dos documentos anteriormente acostados pela Recorrente verifica se que em nenhum momento houve a comprovação do efetivo pagamento dos serviços supostamente prestados. Em que pese à alegação de que os gastos foram em dinheiro, esse valor proveio de uma fonte que deve ser identificada pela contribuinte. Ademais, verificase que os recibos apresentados não indicam o beneficiário do tratamento médico. Na ausência dessa informação, como pode o Fisco saber se foi a contribuinte ou dependente sua que se sujeitou ao tratamento, deixando assim de demonstrar o cumprimento do quanto disposto no art. art. 8º, §2º, II, da Lei n.º 9.250/95? No mesmo sentido, necessário se faz esclarecer que, exceto no recibo emitido pela psicóloga Elizabeth Alves Pereira, não há a indicação do endereço dos profissionais prestadores de serviço, não havendo o cumprimento de mais um dos requisitos estabelecidos pelo art. 8º, §2, III, da Lei n.º 9.250/95. Relativamente ao plano médico UNIMED Barbacena, conforme bem pontuou a fiscalização, tendo em vista que os beneficiários eram a contribuinte e sua genitora, lembrando não ser essa dependente daquela, não há nos documentos juntados discriminação Fl. 268DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10640.000657/200770 Acórdão n.º 210101.290 S2C1T1 Fl. 257 9 detalhada dos valores pagos relativamente a cada um dos beneficiários, não podendo, assim, tais despesas ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda da Recorrente. Verificase, portanto, que não houve comprovação da efetiva despesa médica, motivo pelo qual o recurso não deve ser provido quanto a este aspecto. Argúi a Recorrente que as multas aplicadas (de ofício 75% e qualificada 150%) revelamse confiscatórias, sendo portanto inconstitucionais. As multas aplicadas no presente caso estavam previstas, à época dos fatos, no art. 44, I e II, da Lei n.º 9.250/95, decorrendo, portanto, de lei. Ora, é cediço que, quanto ao dever de análise de questões relativas à inconstitucionalidade das leis, as instâncias administrativas são incompetentes para tanto. É o que estabelece a Súmula n.º 2 deste CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Dessa forma, foge da competência dessa Turma analisar as questões de inconstitucionalidade suscitadas pela Recorrente. Por derradeiro, em relação aos juros com base na variação acumulada da taxa SELIC, sua aplicação é devida nos termos da Lei n.º 9.065/1995, que deu nova redação a dispositivos da Lei n.º 8.981/1995, o que aliás afasta o argumento segundo o qual deveria ser utilizado o percentual de 1% ao mês, já que este somente tem lugar nas hipóteses de ausência de lei. Tratase de matéria já sumulada neste CARF: A Súmula n. 4 estabelece que: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de conhecer em parte do recurso e, nessa parte, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 269DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10640.000657/200770 Acórdão n.º 210101.290 S2C1T1 Fl. 258 10 Fl. 270DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO
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Numero do processo: 11853.001018/2007-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. RUBRICA ESPECÍFICA. ARRECADAÇÃO PARCIAL. INEXISTÊNCIA DA INFRAÇÃO.
A infração consistente em deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados não se configura quando o sujeito passivo deixa de arrecadar apenas as contribuições incidentes sobre verbas que entende não serem passíveis de tributação.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.867
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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RUBRICA ESPECÍFICA. ARRECADAÇÃO PARCIAL. INEXISTÊNCIA DA INFRAÇÃO. A infração consistente em deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados não se configura quando o sujeito passivo deixa de arrecadar apenas as contribuições incidentes sobre verbas que entende não serem passíveis de tributação. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 24/01/2012 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 206 01.858, proferido pela antiga Sexta Câmara do 2º CC em 05/02/2009 (fls. 135/142), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 146/156). A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO NO DESCONTO DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. ARRECADAÇÃO PARCIAL. INEXISTÊNCIA DA INFRAÇÃO. A infração consistente em deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados não se configura quando o sujeito passivo deixa de arrecadar apenas as contribuições incidentes sobre verbas que entende não serem passíveis de tributação. Recurso Voluntário Provido.” Afirma que o aresto atacado ofende o disposto nos arts. 30, I, "a", e 92 da Lei nº 8.212/91 e 42, caput, da Lei nº 10.666/03. Explica que o contribuinte não recolheu a contribuição social devida pelos segurados incidentes sobre os prêmios (remuneração) por ela paga. Se assim agiu, entende que expressamente feriu os dispositivos legais retro citados, pois deixou de "arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando as da respectiva remuneração”. Pondera que, se o contribuinte tivesse cumprido a exigência dos dispositivos dos arts. 30, I, "a" da Lei nº 8.212/91 e art. 4º da Lei nº 10.666/03, não haveria que se falar em dívida ou discutir se aqueles valores eram ou não base de cálculo das referidas contribuições, pois foram recolhidos aos cofres públicos. Apenas se discute isso em razão de o recorrido não ter cumprido a obrigação que lhe foi imposta. Nesse contexto, assevera que ou se cumpre a obrigação ou não se cumpre a obrigação: cumprir "a menor" é o mesmo que não cumprir. Ademais, cita as razões da Conselheira Ana Maria Bandeira para asseverar que, por depender do desempenho individual do trabalhador, os prêmios e bonificações pagos têm caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possuem natureza jurídica salarial. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11853.001018/200799 Acórdão n.º 920201.867 CSRFT2 Fl. 2 3 Nos termos do Despacho n.º 2400248 (fls. 157/158), foi dado seguimento ao pedido em análise. Intimado do recurso e da decisão que lhe deu seguimento em 06/10/2009 (AR, fl. 161), o contribuinte ofereceu contrarazões em 22/10/2009 (protocolo, fl. 162), portanto fora do prazo regimental. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Acerca da presente discussão, transcrevo e adoto como razões de decidir – o voto condutor de Acórdão nº 920201.748, desta 2ª Turma da CSRF, de lavra do ilustre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior: Destaquese que a controvérsia trazida a esta Turma da Câmara Superior limitase a existência ou não de contrariedade à lei no tocante à decisão recorrida ter considerado que não caracteriza a infração prevista na alínea “a”, inciso I, do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, o fato de a empresa ter deixado de arrecadar a parte devida pelo segurado empregado no tocante a rubricas específicas que a empresa inicialmente entendeu não se constituir em fatos geradores das contribuições previdenciárias. Registrese que o auto de infração, no tocante às contribuições previdenciárias, tem como fato gerador o não cumprimento de obrigação acessória, assim compreendida aquela que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas e de interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Tais obrigações têm natureza instrumental, isto é, prestamse a auxiliar a execução das atividades arrecadadora e fiscalizadora dos entes tributantes, contudo, e isso não pode deixar de ser rememorado, são autônomas, inexistindo, nesse contexto, o sentido de que o acessório segue o principal, conforme bem ressaltado pela Fazenda Nacional. O dispositivo contrariado referese “a”, inciso I, do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I – a empresa é obrigada a: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; O acórdão recorrido definiu que a empresa descumpriu a legislação previdenciária ao deixar de descontar de seus empregados o percentual que seria devido em relação à rubrica prêmios e bonificações pagos por meio do cartão de crédito administrado pela empresa Incentive House S.A . Assente se que o descumprimento da obrigação acessória reportase a uma ilicitude de natureza formal. A lei descreve uma ação que, no momento em que o agente pratica a situação descrita, independentemente do resultado, caracteriza a ofensa à lei autorizando a conversão da obrigação acessória em uma obrigação principal em razão da necessária aplicação da penalidade pecuniária. Segundo penso, não assiste razão à Fazenda Nacional. Conforme consta no relatório fiscal da infração, fl. 6, a ação praticada pela empresa não se subsume à norma descrita pela lei. De acordo com o texto legal, a infração consiste em não arrecadar as contribuições, o que de fato não ocorreu, pois em relação às demais rubricas o sujeito passivo cumpriu a norma, deixando de efetuar o desconto apenas em relação ao que considerou não se constituiu fato gerador da obrigação previdenciária. Conforme tenho sustentado em outros julgamentos, não creio que o tratamento isolado em relação às diversas rubricas que compõe o salário de contribuição revelese como a forma correta de aplicação da norma. Creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do cumprimento da obrigação referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11853.001018/200799 Acórdão n.º 920201.867 CSRFT2 Fl. 3 5 Vêse, portanto, que, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não implica em descumprimento da obrigação de arrecadação em relação à remuneração vista de maneira integral. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração Desse modo, se houve arrecadação, isto é, desconto da parte do segurado em relação às demais rubricas, não há que se falar em obrigação descumprida no tocante a uma rubrica específica., pois arrecadar menos que o devido não é equivalente a não arrecadar, fato previsto pela norma como apto a caracterizar a infração. Ante o exposto VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL interposto pela FAZENDA NACIONAL” Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001651/2002-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
IPI. COMPENSAÇÃO. REALIZAÇÃO. FORMA.
A compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e
contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil somente pode ser
realizada por meio da apresentação de declaração de compensação (forma
especial do ato jurídico), sendo irrelevante para efeito da compensação a
prévia vinculação de débitos em DCTF ou outra declaração informativa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS.
A apresentação da declaração de compensação representa a extinção
condicional de crédito tributário e não tem influência sobre o vencimento do
débito compensado. Sobre o débito compensado vencido incidem multa e
juros de mora.
DÉBITOS PREVIAMENTE DECLARADOS EM DCTF. DENÚNCIA
ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Não configura denúncia espontânea a compensação de débito em aberto
previamente declarado em DCTF. Precedentes do STJ.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Somente é aplicável a atualização monetária de saldos de créditos de IPI na
hipótese de haver oposição ilegal do Fisco ao reconhecimento de crédito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.341
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela
recorrente, a Dra. Juliana Santos Bittencourt – OAB/SC 30610.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. COMPENSAÇÃO. REALIZAÇÃO. FORMA. A compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil somente pode ser realizada por meio da apresentação de declaração de compensação (forma especial do ato jurídico), sendo irrelevante para efeito da compensação a prévia vinculação de débitos em DCTF ou outra declaração informativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. A apresentação da declaração de compensação representa a extinção condicional de crédito tributário e não tem influência sobre o vencimento do débito compensado. Sobre o débito compensado vencido incidem multa e juros de mora. DÉBITOS PREVIAMENTE DECLARADOS EM DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Não configura denúncia espontânea a compensação de débito em aberto previamente declarado em DCTF. Precedentes do STJ. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Somente é aplicável a atualização monetária de saldos de créditos de IPI na hipótese de haver oposição ilegal do Fisco ao reconhecimento de crédito. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Juliana Santos Bittencourt – OAB/SC 30610.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. COMPENSAÇÃO. REALIZAÇÃO. FORMA. A compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil somente pode ser realizada por meio da apresentação de declaração de compensação (forma especial do ato jurídico), sendo irrelevante para efeito da compensação a prévia vinculação de débitos em DCTF ou outra declaração informativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. A apresentação da declaração de compensação representa a extinção condicional de crédito tributário e não tem influência sobre o vencimento do débito compensado. Sobre o débito compensado vencido incidem multa e juros de mora. DÉBITOS PREVIAMENTE DECLARADOS EM DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Não configura denúncia espontânea a compensação de débito em aberto previamente declarado em DCTF. Precedentes do STJ. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Somente é aplicável a atualização monetária de saldos de créditos de IPI na hipótese de haver oposição ilegal do Fisco ao reconhecimento de crédito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Fl. 236DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13971.001651/200251 Acórdão n.º 330201.341 S3C3T2 Fl. 221 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Juliana Santos Bittencourt – OAB/SC 30610. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 213 a 218) apresentado em 16 de junho de 2011 contra o Acórdão no 1433.544, de 03 de maio de 2011, da 8ª Turma da DRJ/RPO (fls. 205 a 210), cientificado em 17 de maio de 2011, que, relativamente a pedido de ressarcimento de IPI do 2º trimestre de 2001, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO. A compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. DCOMP. VALORAÇÃO. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. Fl. 237DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13971.001651/200251 Acórdão n.º 330201.341 S3C3T2 Fl. 222 3 A multa de mora é aplicável nos casos em que, embora espontaneamente, o recolhimento do crédito tributário pelo contribuinte se dê após a data de vencimento. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não incide atualização monetária, calculada pela variação da taxa Selic, sobre ressarcimento de créditos de IPI, por ser hipótese distinta de restituição de imposto pago indevidamente ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido de ressarcimento foi apresentado em 04 de julho de 2002 (fl. 1) e a declaração de compensação transmitida em 19 de novembro de 2004 (fl. 140). A declaração foi não homologada parcialmente pelo parecer de fls. 144 a 146, de 03 de novembro de 2009, com ciência da Interessada em 06 de novembro de 2009. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente de declaração de compensação cujo direito creditório, advindo de pedido de ressarcimento totalmente reconhecido, no montante de R$41.329,53, foi insuficiente para a total exclusão dos débitos, em razão de estarem vencidos, o que acarretou a incidência dos encargos moratórios (multa e juros). Regularmente cientificada da homologação parcial de sua compensação, a empresa manifestou sua inconformidade alegando, em síntese, que os valor do ressarcimento pleiteados foram devidamente informados em DCTF, na qual também foram realizadas as compensações de débitos, porém, à época não foi apresentada o devido pedido de compensação e que, constatada tal falha, a empresa, em 19/11/2004, encaminhou espontaneamente, as declarações de compensação pertinentes a cada débito e crédito. Acrescentou que, de acordo com o artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN, a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo devido e do juros de mora e, no caso em concreto, as compensações realizadas são legalmente admissíveis e foram tempestivamente informadas nas DCTF referentes ao período de apuração, sendo a falta da entrega dos pedidos de compensação suprida de forma espontânea e regular em 19/11/2004. Protestou pela atualização do crédito solicitado pela taxa Selic desde o protocolo do pedido de ressarcimento até seu efetivo aproveitamento, alegando que a partir do pedido o crédito deixa de ser simples crédito escritural de IPI, passando a constituir crédito oponível ao fisco para recebimento em moeda ou para compensação. Por fim, solicitou que sejam homologadas as compensações, como tais descritas nos PER/Dcomp, sem qualquer lançamento à Fl. 238DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13971.001651/200251 Acórdão n.º 330201.341 S3C3T2 Fl. 223 4 título de multa de mora ou de ofício, tendo em vista se tratarem de compensação legalmente efetuadas ao abrigo do artigo 138 do CTN. Segundo a DRJ, a compensação somente poderia ser efetuada por meio da declaração de compensação e teria efeitos apenas a partir do momento de sua apresentação. Como a Interessada apresentou a declaração de compensação após a apresentação da DCTF, ainda que com vinculações, e do pedido de ressarcimento, somente ocorreu a compensação em data posterior à do vencimento dos débitos compensados, incidindo mula e juros de mora. Além disso, inexistiria previsão legal para incidência de juros sobre o saldo credor objeto do ressarcimento. No recurso, a Interessada defendeu o direito à compensação com base nas Instruções Normativas SRF nos 21, de 1997, e 33, de 1999. Segundo a Interessada, as compensações foram efetuadas na DCTF e informadas nos formulários de “Pedido de Ressarcimento”, mas, “logo que percebeu tal deslize, encaminhou imediatamente a PER/DCOMP consignando novamente a mesma compensação informada anteriormente, segundo instruções recebidas da própria SRF”, sem incidência de máfé. A seguir, tratou da denúncia espontânea e da correção dos créditos pela taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O presente recurso versa sobre a incidência de juros Selic sobre o ressarcimento de IPI, sobre as consequências da apresentação da declaração de compensação posteriormente ao vencimento dos débitos e a configuração de denúncia espontânea. Como relatado, a Interessada, originalmente, não apresentou pedidos ou declarações de compensação, que foram apresentadas depois da vigência da Lei no 10.637, de 2002. Nesse aspecto, o recurso da Interessada não traz fato novo algum aos autos, cabendo total razão ao acórdão de primeira instância, uma vez que, como entendimento reiterado deste Conselho, após a vigência da Medida Provisória no 66, de 2002, que deu origem à lei anteriormente citada, o único modo de o sujeito passivo detentor de crédito contra o Fisco Federal realizar compensação é por meio da apresentação de declaração de compensação. A Interessada requer o reconhecimento de que sua vontade de efetuar a compensação foi efetuada anteriormente. Entretanto, tratase de situação semelhante à prevista no art. 212 do Código Civil (Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002): Fl. 239DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13971.001651/200251 Acórdão n.º 330201.341 S3C3T2 Fl. 224 5 Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: [...] Assim, embora esteja demonstrada nos autos a intenção de compensação anterior, como a compensação, após a vigência da lei citada, exigia forma especial (apresentação de declaração de compensação), não há que se falar sequer em prova do fato, pois o fato jurídico em questão (compensação) somente restou configurado com a apresentação da declaração de compensação. Em relação à denúncia espontânea, aplicase ao caso o entendimento do STJ, proferido no regime do art. 543C do CPC no REsp no 1.149.022, segundo o qual somente o pagamento de diferença de tributo devida anterior ou concomitantemente à retificação de DCTF representa denúncia espontânea. No caso dos autos, houve declaração em DCTF, sem extinção do crédito tributário (compensação), que somente ocorreu posteriormente com a apresentação da declaração de compensação. Decorre diretamente desse fato e do entendimento anteriormente exposto, de aplicação obrigatória no âmbito do Carf à vista do art. 62A do Regimento Interno (Portarias MF no 256, de 2009, e 586, de 2010), a aplicação da Súmula STJ no 360 ao caso dos autos: SÚMULA Nº 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Portanto, não houve denúncia espontânea e incidiam multa e juros de mora à época da extinção do crédito tributário. Finalmente, resta a questão da incidência da Selic aos créditos. Aplicase ao caso também o entendimento do STJ proferido no REsp no 993.164, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado no regime do já citado art. 543C do CPC e consolidado na Súmula STJ no 411: SÚMULA N. 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. No caso dos autos, não houve oposição ilegítima do Fisco, decorrendo o maior prejuízo ao sujeito passivo a sua própria demora em transmitir a declaração de compensação. Vejase que, no caso, o prazo levado pela autoridade fiscal para proferir a decisão não tem efeito sobre os valores, uma vez que, conforme disposto no art. 36 da IN RFB no 900, de 2008, a compensação é efetuada na data da apresentação da DCOMP. Fl. 240DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13971.001651/200251 Acórdão n.º 330201.341 S3C3T2 Fl. 225 6 À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 241DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 10183.900943/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2003
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP QUANTO A NATUREZA DO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA DO PAGAMENTO INFORMADO COMO ORIGEM DO INDÉBITO. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta os obstáculos operacionais A. retificação que permitiria a regularização
espontânea do equivoco cometido.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANALISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da
compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1101-000.573
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Divergiu o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que negou provimento ao recurso voluntário e fez declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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INEXISTÊNCIA DO PAGAMENTO INFORMADO COMO ORIGEM DO INDÉBITO. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta os obstáculos operacionais A. retificação que permitiria a regularização espontânea do equivoco cometido. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANALISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Divergiu o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que negou provimento ao recurso voluntário e fez declaração de voto. Processo n° 10183.900943/2008-52 Si -Cl Ti Acórdão n.° 1101-00.573 Fl. 404 E MENEZES - Presidente. VALMAR FONS EDELI PERE' BES A - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Ede li Pereira Bessa, Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Diniz Raposo e Silva. 2 Processo n° 10183.900943/2008-52 SI-C ITI Acórciao n.° 1101-00.573 Fl. 405 Relatório CONSTRUTORA ITAPUA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação veiculada na DCOMP n° 08172.19988.110204.1.3.04-4264, na medida em que o DARF ali indicado como origem do crédito não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata-se de manifestação de inconformidade (fls. 03/16), acompanhada de anexos (fis. 17/332), apresentada contra Despacho Decisório DRF Cuiabá N° de Rastreamento 759941588 de fls. 32, que não homologou a compensação formalizada por meio da declaração n° 08172.19988.110204.1.3.04-4264 (fls. 51/56), sob o fundamento de inexistência do crédito indicado, no valor de R$ 3.289,30. Alegou a requerente ter compensado débitos de CSLL — Estimativa Mensal com saldo negativo do mesmo tributo, havendo, porém, erro formal quanto ao preenchimento da declaração, na qual equivocadamente foi indicado como origem do crédito o "pagamento indevido ou a maior", quando o correto seria "saldo negativo de CSLL". 0 mesmo equivoco foi cometido ao preencher as DCTF. 0 crédito entretanto, malgrado o erro contido na declaração de compensação — Dcomp e DCTF, existiria e teria sido, segundo afirma a requerente, corrigido e submetido à autoridade administrativa. A origem do alegado crédito seria o montante dos saldos negativos da CSLL a seguir relacionados: Origem do Crédito Valor Saldo Saldo Negativo da CSLL do AC 2000 17.932,33 17.932,33 Saldo Positivo da CSLL do AC 2001 2.162,09 15.770,24 Saldo Negativo da CSLL do AC 2002 4.990,10 20.760,34 Saldo Negativo da CSLL do AC 2003 2.639,06 23.399.40 Os débitos relacionados na Dcomp foram: Cód. Receita Per. de Apur. Vencimento Valor (R$) 2484 31/10/2003 30/11/2003 1.444,52 1 2484 30/11/2003 30/12/2003 1.068,07 2484 31/12/2003 31/01/2004 776,71 TOTAL 3.289,30 Disse ainda que, em vão, tentou retificar a Dcomp, pois a autoridade nem sequer a examinou. Insistiu em afirmar que o crédito pleiteado existe, que houve erro formal, que agiu de boa-fé e que o direito de retificar a declaração é autorizado pela Instrução Normativa SRF n° 600/2005. Concluiu sustentando que a decisão impugnada fere o principio da razoabilidade. Citou precedentes do Conselho de Contribuintes. Ao final, pugnou sucessivamente pela homologação da compensação ou pelo acolhimento da declaração retificadora e, caso, não aceitos os pedidos anteriores, o-ço Processo n° 10183.900943/2008-52 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.573 Fl. 406 que lhe seja assegurado prazo de cinco anos, contados da decisão final, para utilização do crédito. Em nova petição (lis. 335/346), acompanhada de documentos (fls. 347/368), a requerente reiterou a alegação de erro de preenchimento; aduziu, como fundamento, os princípios da verdade material e da isonomia; e invocou o art. 100, inciso III, do Código Tributário Nacional - CTN, que eleva a condição de norma complementar as praticas reiteradamente observadas pela autoridade administrativa. Citou precedentes do Conselho de Contribuintes e da própria DRF Cuiabá. Juntou-se extrato de consulta ao sistema Comprot (lis. 370). A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: • Quanto ao exame da declaração retificadora, à DRJ falece competência para tanto, dado que a apreciação deve ser feita primeiramente pela unidade local, cabendo a este órgão de julgamento (DRJ) se manifestar em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito já proferida. Neste sentido é o parágrafo 9 ° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. • Quanto ao erro cometido no preenchimento da DCOMP, asseverou que ele não seria apenas de forma; ele é de conteúdo. Não houve apenas preenchimento incorreto. A requerente indicou como crédito uni valor que como tal não existia. Quando se examinam os dados inseridos na Dcomp referentes ao tipo de crédito, a data de arrecadação e vencimento, ao valor do principal e por fim ao tributo, percebe-se claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. • De toda sorte, ainda que verídicas as assertivas conduzidas sob a justificativa de erro no preenchimento, a contribuinte, durante o interstício em que manteve sua espontaneidade e o direito de promover a retificação ou desistência das informações veiculadas na declaração correlata a lide, não observou a forma prevista na Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005 (arts. 56 a 59), para comunicação das aparentes inconsistências narradas na manifestação de inconformidade. • Argumentou que a alteração da origem do crédito não se coaduna com a definição de inexatidão material firmada na norma para admissibilidade da retificação da Dcomp original, mas, sim, caracteriza inovação do pleito, pois a situação em questão, na verdade, exigia a realização da desistência da Dcomp de referência e a subsequente apresentação de nova declaração, tendo em conta a patente alteração do objeto da demanda original. E acrescentou: Sob este prisma, compete elucidar que a inexatidão material deve ser configurada de forma restrita, haja vista que se qualifica como determinado vicio na exteriorização do preenchimento da declaração que não implica em alteração do critério jurídico ou fcitico levado em conta no exame do pleito, assim como não alcança o âmbito cognitivo da autoridade administrativa, sendo, essencialmente, representado por erro notório aferível em caráter sumário. Assim, no presente caso, sendo inadmissível a possibilidade de retificação da declaração, o procedimento aplicável a hipótese insurgida na manifestação de inconformidade, caberia a contribuinte ter exercido a desistência da declaração, nos moldes do art. 62 do referido normativo Processo n° 10183.900943/2008-52 SI-Cl TI Acórdao n.° 1101-00.573 Fl. 407 legal, abaixo reproduzido, com observância dos prazos e formalidades nele fixado, visto que retrataria fica patente a ocorrência de erro formal essencial quanto a formulação da Declaração de Compensação, particularmente, no tocante a tipificação do crédito declarado, cuja inconsistência é questão insanável, pondo õ mostra a falta de legitimidade da Dcomp analisada, assim como ensejando impedimento a apresentação de retificação: [art. 62 da Instrução Normativa SRF no 600/2005] • Declarou, ainda, incongruente a controvérsia aventada com a acepção de protestar a retificação da tipificação do crédito declarado, pois após a lavratura e ciência do despacho decisório transfere-se a contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, e estas deveriam estar apoiadas em suportes fáticos que evidenciassem, de forma pormenorizada e cristalina, a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração, mediante apresentação de prova hábil e idônea devidamente conjugada com a escrituração contábil e demonstrações financeiras, firmadas e regularmente levados a registro no órgão competente, a época dos fatos. E acrescentou que: Neste ponto, deve-se registrar que a liquidez e a certeza dos alegados saldos negativos de CSLL que comporiam o crédito a favor da contribuinte, e que se refeririam aos anos-calendário 2000, 2001, 2002 e 2003, não restou demonstrada pela impugnante. Quanto ao saldo negativo relativo ao ano- calendário 2000, no valor de R$ 17.932,33, a contribuinte não logrou comprovar a sua liquidez e certeza, conforme cópia da DIPJ/2001, õs fls. 311, onde constou CSLL a Pagar de R$ -31.674,03, e fez a observação "a retificar". Além disso, pesquisa realizada junto aos sistemas de controle da RFB registrou a formalização de mais de vinte processos de compensação, sendo que os processos n° 10183.900831/2006-30, 10183.900832/2006-84, 10183.901713/2008-19 e 10183.902953/2008-22, igualmente se referem a compensação de CSLL. Ou seja, não é possível inferir se o montante dos alegados saldos negativos de CSLL seria suficiente para amortizar a totalidade dos débitos de CSLL informados pela contribuinte nos inúmeros processos de compensação. • Destacou a necessidade de prova, também, da disponibilidade da importância reclamada, devendo apoiar-se em demonstração comparativa, detalhada e lastreada nos livros fiscais e comerciais exigidos pela legislação tributária. Firma ser imprescindível que os registros contábeis denotem se o crédito declarado não foi utilizado em compensações de períodos de apuração distintos da mesma contribuição ou tributações distintas, demonstrando a preexistência do direito patrimonial decorrente do pagamento indevido ou a maior do crédito tributário, assim como o correspondente aproveitamento contábil para fins de dedução de exigência fiscais análogas ou compensação de outros tributos no curso dos períodos supervenientes, observando-se as formalidades disciplinadas pela legislação de regência. • Frisou que estas provas deveriam ter acompanhado a manifestação de inconformidade e que o apoio de defesa pautado em meras alegações não tem a força de Verdade Material no âmbito do Decreto n° 70.235/72, haja vista o disposto em seus arts. 15 e 16, inciso III, §4 ° . Apontou, também, a necessária observância dos ditames fixados no art. 9°, sS' 1° do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto n° 3.000, de 26 de Processo n° 10183.900943/2008-52 SI-CI Ti Acórdão n.° 1101-00.573 Fl. 408 marg.() de 1999 (RIR/99), e firmou a preclusdo de a contribuinte comprovar o que atesta. • Discordou da existência de prática reiterada que dê respaldo a pretensão da requerente, pois decisões dos órgãos de jurisdição administrativas, como as apresentadas, somente assumem a condição de norma complementar, segundo o art. 100, inciso II, do mesmo código, apenas se houver lei lhes atribuindo eficácia normativa, o que no caso não existe. Demais disso, quase todas as decisões mencionadas se referem a retificação de declaração de ajuste anual, que em vários aspectos diferem da declaração de compensação, o que desaconselha a utilização do mesmo entendimento por simples analogia, sem ponderar as peculiaridades que afastam as duas situações. • Por fim, no que toca et pretensão de interromper o prazo de decadência, recordou que as disposições que cuidam dessa matéria são de ordem pública, sujeitas ao principio da legalidade estrita, não podendo ser alteradas nem pelo contribuinte, nem pela autoridade administrativa. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/09/2010 (fl. 382), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 27/09/2010 (fls. 383/400), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Reitera a existência de erro formal, quando do preenchimento da PER/DCOMP, relatando que os recolhimentos mensais de estimativas superaram o valor devido a titulo de CSLL no encerramento do exercício, evidenciando recolhimento a maior passível de restituição ou compensação. Destaca que não houve defesa preliminar antes da não homologação das compensações, e que na DCOMP analisada fez-se constar no campo especifico informativo do "motivo" da compensação, pagamento indevido ou a maior, ao invés de "saldo negativo/IR/Contribuição Social. Menciona que a Autoridade, quando da verificação, determinou a apresentação da s DARE, por tratar-se de pagamento indevido ou a maior, mas tais guias não existiam o que, segundo o fisco, significa dizer que a recorrente não possuía quaisquer créditos a compensar. Este, porém, existe e foi apresentado a autoridade julgadora que nada fez. Entende que as decisões firmadas sob aparente "legalidade" não podem subsistir se os créditos realmente existem. Afirma que não pode o simples erro no preenchimento (erro formal) gerar tributo, como pretende a Autoridade Administrativa, mormente se quem preenche as declarações na maioria das vezes são pessoas leigas, que se confundem em meio a tantos códigos e termos que para um Auditor, ou Fiscal da Receita Federal não são iguais, mas que para um cidadão leigo its vezes são. Afirma que juntou prova de seu crédito no Anexo XII da manifestação de inconformidade, totalizando-o em R$ 23.399,40 entre os anos-calendário de 2000 e 2003, apresentando DCTF, DARF e DIPJ, e anotando para a DIPJ do ano-calendário 2000 a necessidade de retificação e, para a DIPJ do ano-calendário 2001, dedução de R$ 15.770,24 e manutenção saldo negativo anterior. Reportando-se aos anexos juntados à manifestação de inconformidade, destaca que utilizou na DCOMP em questão o crédito necessário para liquidação de R$ Processo n° 10183.900943/2008-52 Si -Cl Ti Acórdão n.° 1101-00.573 Fl. 409 3.289,30 em débitos de CSLL vencidos em 30/11/2003, 31/12/2003 e 31/01/2004; menciona o preenchimento de uma Declaração de Compensação manual, retificadora, alterando-se a origem do crédito utilizado, para: "Outros", detalhando "Saldo Negativo de CSLL, a qual não foi analisada pela autoridade administrativa; e novamente detalha os indébitos apurados para concluir que quando da entrada do exercício fiscal de 2003, havia um crédito acumulado pela empresa de R$ 20.760,34, mais do que suficiente para compensar através de DCOMP, os valores de R$ 3.534,87; R$ 5.314,09 e R$ 3.289,30, respectivamente, do 2 °, 3° e 4° trimestres de 2003 (esta última aqui não homologada). Refuta, assim, a afirmação de que houve erro de conteúdo, pois o crédito existe, está em valor corrente e houve, apenas, equivoco quando do lançamento da "origem" do crédito, pretendido à compensação. Defende a possibilidade de compensação do saldo negativo de CSLL apurado, reproduzindo doutrina e destacando decisões do Conselho de Contribuintes em favor da verdade material, na presença de erro no preenchimento de declaração ou de pedido. Aborda aspectos da verdade material e no ônus da prova no processo administrativo fiscal para afirmar que no âmbito tributário deve triunfar sempre a verdade material dos fatos, para se evitar exigências infundadas, e novamente se manifesta acerca do erro formal cometido no preenchimento da DCOMP. Complementa que na declaração retificadora não trouxe ao documento, informações complementares, que lhe permitiriam êxito na retificação da PER/DCOMP, e argumenta que observou as disposições da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, em especial seu art. 56, parágrafo Único, pois pretendeufazer a retificação através de formulário em papel. Novamente reafirma que tal declaração não foi apreciada. Acrescenta que não pretendeu o reconhecimento de crédito em montante superior ao declarado; nem inclusão de novo débito, mas apenas corrigir a origem do crédito. Menciona decisão favorável em outro processo administrativo, de n° 10183.002220/2007-13, assim ementada: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido —CSLL Ano-calendário: 2005 Ementa: Pode ser admitida retificação de declaração de compensação quando comprovada a ocorrência de erro material. Os saldos negativos da CSLL poderão ser objeto de restituição/compensação a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao encerramento do período de apuração. Compensação Homologada. No referido processo administrativo, a autoridade administrativa da DRF/Cuiabd, constatando que o DARF indicado na DCOMP não correspondia a quaisquer das estimativas pagas e sim ao saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ do ano-calendário 2005, concluiu pela existência de erro de preenchimento e admitiu a retificação da DCOMP para caracterizar o crédito como sendo de saldo negativo de CSLL no ano-calendário 2005. 0 mesmo teria ocorrido nos processos administrativos n° 10183.720278/2007-34 e 10183.002218/2007-36. 7 Processo n° 10183.900943/2008-52 S1-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.573 Fl. 410 Entende que viola o principio da isonomia decisões totalmente divergentes em relação a casos de natureza idêntica, onde foram adotados procedimento idênticos, até porque, se tratam de empresas do mesmo grupo econômico. Transcreve ementas de outros julgados dos Conselhos de Contribuintes em seu favor, destaca o principio da razoabilidade e relata os prejuízos que experimentaria em razão do errôneo preenchimento do campo "Origem do Crédito". Cita doutrina para diferenciar erro de fato de erro de direito, e acrescenta outras referências a julgados dos Conselhos de Contribuintes, para concluir que o erro de fato não obsta qualquer hipótese de compensação do crédito tributário. Acrescenta que se a Autoridade Administrativa houvesse cruzado dos dados da PER/DCOMP, das DCTF, tanto quanto da DIPJ anexas ao Recurso Administrativo, poderia, ex officio, ter procedido a correção do malfadado equivoco. Confronta pontualmente os argumentos da decisão recorrida, aduzindo que a autoridade julgadora poderia ter convertido o feito em diligência para que a autoridade competente da Receita Federal conhecesse da retificadora apresentada, ou, mesmo sem isto, homologar a compensação em razão de erro formal, ou erro de fato, como expresso na jurisprudência citada. Acrescenta que, estando evidente o erro no preenchimento da DCOMP, é excessivo o apego A. forma, pela autoridade julgadora, que exigiu a apresentação da retificadora em meio eletrônica, pois o essencial é que a retificadora foi apresentada. Reproduz os conceitos expressos na decisão recorrida acerca de inexatidão material, e afirma que esta tem o mesmo significado de erro de fato, no presente caso. Quanto às provas de suas alegações, entende que especialmente as declarações juntadas à manifestação de inconformidade evidenciam clara e pormenorizadamente a existência de erro de fato, acrescentando que o cotejo da DCOMP com estes documentos permitem inferir que a intenção da Recorrente realmente era compensar "Saldo Negativo de CSLL". Aduz que não lhe foi oportunizado esclarecer as dúvidas quanto a certeza e liquidez de seu crédito, que a discussão nestes autos é sobre a existência de erro de fato no preenchimento da DCOMP e a possibilidade de retificá-la, e como demonstração de boa-fé da Recorrente, frisa que os valores que se tentam compensar nos demais processos citados pela autoridade julgadora são de pequena monta. De toda sorte, a análise da documentação anexa seria suficiente para se verificar: I) a existência do crédito; 2) que não foi homologado nos períodos seguintes, estando todas as suas alegações devidamente provadas. Discorda da prevalência da verdade formal sobre a verdade material na decisão recorrida, afirma que o conteúdo deve prevalecer sobre a forma, e acrescenta que a autoridade julgadora, ao desprezar o julgamento de casos análogos mencionados na manifestação de inconformidade, não informou em que pontos esses julgados não coincidiam com o caso em tela. No inicio de seu recurso voluntário pede que este Colendo Conselho determine a remessa destes autos à autoridade recorrida, a fim de que a compensação requerida seja concretizada, e ao final de sua defesa, assim sintetiza seu pedido: a) Seja reconhecido o crédito da recorrente, determinando-se a homologação da compensação constante da PER/DCOMP e posterior Declaração de Compensação Retificadora, e corolário lógico, declarando esse Colendo Conselho extinto Processo n° 10183.900943/2008-52 SI-Cl TI Acórdão n.° 1101-00.573 Fl. 411 definitivamente o débito tributário nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional; a.1) Ou, alternativamente, seja considerada possível a retificação apresentada, por estar alterando apenas erro formal (de preenchimento), e que seja determinada a autoridade julgadora a nova análise do processo considerando as alterações introduzidas pelo pedido retificador desta PER/DCOMP. b) Em não sendo julgado procedente nenhum dos pedidos supra descritos, reconheça a possibilidade de utilização dos créditos de Saldo Negativo do Imposto de Renda e da Contribuição Social em períodos futuros, pelo prazo de 5 (cinco) anos da decisão definitiva, ou seja, que durante o processo administrativo ocorra a suspensão da prescrição conforme definido já na majoritária decisão deste órgão. c) Seja possibilitado a contribuinte fazer-se representar por seu procurador e advogado, quando da Sessão de Julgamento, para fins de sustentação oral, para tanto, intimando-se da data e hora a realizar-se. Aos autos digitalizados foi juntado despacho de outra Seção do CARF, no qual se declina da competência de julgamento deste processo em favor desta l a Seção. É o relatório. 9 Processo n° 10183.900943/2008-52 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.573 Fl. 412 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Em 11/02/2004 a contribuinte apresentou DCOMP que recebeu o número 08172.18988.110204.1.3.04-4284, na qual apontou indébito no valor original de R$ 3.289,30, apurado em DARF recolhido sob código 2484, em 31/12/2003. Conforme reprodução da fl. 54 destes autos, esta informação é prestada na DCOMP nos seguintes termos: IdISTiRIO DA FAZENDA PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU RESTITUIÇÃO SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DECLARAÇÃO DE complosnlo PER/DCOMP 1.2 24.747.923/0001-69 Página 3 Dart CSLL 01.Periodo de Apuracao; 31/12/2003 .CNPJ: 24.747.925/0001-69 Código da Receital 2484 N° da Rererancia: Data de Vencimento: 31/01/2004 Valor do Princlpal Valor da Multa • Valor dos Juros Valor Total do Dart Data de Arrecadacao: 3111212003 MT • 3.289,30 0,00 0,00 3.289,30 Precede esta informação o preenchimento dos Dados Iniciais da DCOMP, nos quais a interessada fez constar o que segue: MINISTÉRIO DA FAZENDA PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU RESTITUIÇÃO SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PER/DCOMP 1.2 24.747.925/0001-69 Página 1 Dados Iniciais Nome EMprenarial: CrNTINITOWLITAPUILTDI Seqtancial: 001 Data de Criaglio: 10/02/2004 PER/DCOMP Retificador: NÃO optante Rafts: Alp QualificagRo do Contribuinte: Outra Qualificaçáo Pessoa Juridic& Extinta por ZiquidaTEo Voluntária: NIO Tipo de Documento: Declaraglio de CompennagAo Tipo de crádito: Pagamento Indevido ou a Rados - Crédito Oriundo de Agito Judicial: NAU Data de TransmissAo: 10/02/2004 Data de opssao; , ORF, Fl. LU co kJ) ,Ser5 Acc coo Processo n° 10183.900943/2008-52 Si -Cl Ti Acórdão n.° 1101-00.573 Fl. 413 Dai a interpretação de que a contribuinte teria utilizado, em compensação, crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL, apurado em DARF recolhido em 31/12/2003, e pertinente a fato gerador encerrado também em 31/12/2003, mas cujo vencimento somente ocorreria em 31/01/2004. De plano observa-se uma anormalidade nestes dados, ante a coincidência entre as datas do fato gerador e do recolhimento do tributo que teria gerado o indébito, especialmente tendo em conta que o seu vencimento somente ocorreria dali a um mês. Acrescente-se a isto o fato de ter sido quitado, na referida DCOMP, débito da própria CSLL apurada em 31/12/2003, como indicado à fl. 55, que relaciona os seguintes créditos tributários extintos pela compensação declarada: a) CSLL (código 2484), apurada em outubro/2003, vencimento em 30/11/2003, no valor principal e total de R$ 1.444,52; b) CSLL (código 2484), apurada em novembro/2003, vencimento em 31/12/2003, no valor principal e total de R$ 1.068,07; c) CSLL (código 2484), apurada em dezembro/2003, vencimento em 31/01/2004, no valor principal e total de R$ 776,71. Análise preliminar da DCOMP resultou no Termo de Intimação de fl. 59, do qual constou que o DARF indicado abaixo não foi localizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Verifique se todos os dados da Ficha DARE informados no PER/DCOMP conferem com os dados do DARE original. A data de arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancaria. Ao final, consigna-se na intimação que se houver qualquer divergência, solicita-se transmitir o PER/DCOMP retificador. Caso contrário, compareça à unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição com esta intimação e o(s) DARE original (is), no prazo indicado. Dos termos da intimação já se vislumbra que a Receita Federal não cogitava da possibilidade de a contribuinte ter errado no preenchimento da DCOMP quanto à natureza do crédito. Implícito está que o erro a ser corrigido se verificaria, necessariamente, nas informações relativas ao DARF apontado como origem do crédito. Consulta às instruções de preenchimento do sistema PER/DCOMP na versão 2.2, aprovada pela Instrução Normativa SRF no 625, de 20/02/2006, e disponível A. época da intimação, lavrada em 31/08/2006, confirmam que a contribuinte não conseguiria transmitir DCOMP retificadora alterando a natureza do crédito informado na DCOMP original: Abertura de Novo Documento [-..] Constam da ficha Novo Documento os seguintes campos de preenchimento: [..-1 7) Tipo de Crédito: Campo no qual clever-4 ser selecionado o tipo de crédito objeto do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento, da Declaração de Compensação ou do Pedido de Cancelamento. OBS: No caso de Pedido de Cancelamento, Pedido Retificador ou Declaração Retificadora (conforme informado nas fichas Novo Documento e "Dados Iniciais"), 11 Processo n° 10183.900943/2008-52 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-00.573 Fl. 414 deverá ser selecionado o mesmo tipo de crédito informado no documento original (negrejou-se) A contribuinte junta, A. fl. 58, DCOMP retificadora em formulário, apontando que o crédito de R$ 3.289,30, veiculado na DCOMP n° 08172.18988.110204.1.3.04-4284, corresponderia a saldo negativo de CSLL. 0 documento é assinado com data de 20/09/2006, próxima A data de lavratura do Termo de Intimação (31/08/2006). E, embora a contribuinte não tenha apresentado o referido documento A. Receita Federal, já que dele não consta o carimbo de recepção, releva observar que a Instrução Normativa SRF n° 600/2005 vedava a retificação mediante apresentação de DCOMP em formulário, quando a DCOMP original havia sido transmitida em meio eletrônico: Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação a SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo 'Mica A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação il SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Assim, não se pode excluir a possibilidade de a contribuinte não ter retificado a DCOMP por entender que deveria tê-la transmitido em meio eletrônico, como exigido no referido ato normativo, e encontrar obstáculos operacionais para assim proceder. De outro lado, se a referida retificação, ainda que em formulário, fosse apresentada A autoridade administrativa, na medida em que sua análise também seria feita pela DRF/Cuiabá, é possível que ela se conduzisse como expresso no despacho decisório de fls. 349/352, exarado em face de outro sujeito passivo por aquela unidade da Receita Federal. Do referido despacho, juntado por cópia pela interessada após a manifestação de inconformidade, extrai-se: Relatório 1. A interessada acima identificada transmitiu os PER/DCOMPs abaixo relacionados afim de declarar a compensação de suposto direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de CSLL, código 2484, data de arrecadação 31/12/2005, valor [...] 2. Em 06/06/2007 protocolou declarações de compensação retificadoras em formulário (papel) alterando o tipo de crédito utilizado para saldo negativo de CSLL ano-calendário 2005 (fls. 01 a 37), sob a alegação de erro material no preenchimento das declarações. Acrescentou que não foi possível a apresentação das retificações via programa PER/DCOMP (fls. 02/03 e 38/39). [.--] Fundamentos [.--] Declarações Retificadoras 66)12 Processo n° 10183.900943/2008-52 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.573 Fl. 415 8. Todavia foram apresentadas declarações retificadoras (fls. 1 e 37) nas quais a interessada altera o tipo do suposto crédito para saldo negativo de CSLL ano calendário 2005 sob a alegação de erro de preenchimento. 9. Analisando os PER/DCOMPs constata-se que o valor do Darf relativo ao suposto pagamento indevido [...], não corresponde a quaisquer das estimativas pagas e sim ao saldo negativo de CSLL apurado na Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ [.. .] no ano-calendário 2005 Li. Ademais, a data informada, 31/12/2005, também equivale ao ajuste anual. 10. Infere-se dessa forma que houve erro de preenchimento das declarações originais, podendo ser admitidas as declarações retificadoras afim de considerar o suposto direito creditário como saldo negativo de CSLL ano calendário 2005, o qual passo a analisar. [...] De forma semelhante, no presente caso, a contribuinte vinculou sua compensação a indébito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, apurado em recolhimento de 31/12/2003, data na qual não houve qualquer recolhimento, e que inclusive também foi indicada, na DCOMP, como período de apuração do indébito, bem como período de apuração de um dos débitos que se pretendeu extinguir com a compensação. Tem razão a recorrente, portanto, quando afirma que o litígio prende-se, preliminarmente, à admissibilidade, ou não, da retificação do tipo de crédito informado na DCOMP. Incontroverso está que não houve pagamento indevido ou a maior em recolhimento de CSLL promovido em 31/12/2003, cumprindo avaliar se a contribuinte poderia, de fato, estar compensando, na DCOMP apresentada em 11/02/2004, saldo negativo de CSLL, e se a falta de apresentação de DCOMP retificadora impediria que ela assim procedesse. Mais ainda, observa-se que na DCOMP retificadora que não foi apresentada A. Receita Federal, a contribuinte reporta-se ao crédito genericamente como saldo negativo de CSLL, sem especificar o período a que se refere. De outro lado, a compensação por ela promovida teve por objeto estimativas de CSLL do próprio ano-calendário 2003, apuradas em outubro, novembro e dezembro de 2003, indicio de que sua pretensão seria utilizar saldos negativos de CSLL de períodos anteriores, acumulados em 31/12/2003, e não, necessariamente, o saldo negativo do ano-calendário 2003, cuja formação dependeria das estimativas que estavam sendo quitadas naquela declaração de compensação. A contribuinte não junta cópia de sua escrituração comercial, na qual se poderia constatar a natureza do crédito utilizado. Em regra, a contabilidade expressa, em contas representativas de direitos, os recolhimentos de estimativas promovidos durante o ano, bem como as retenções sofridas, e registra o confronto destas antecipações com o tributo determinado na apuração definitiva, evidenciando excedentes que têm a natureza de saldo negativo. Já o indébito decorrente de estimativas pagas a maior se apresenta de forma completamente distinta, bastando o mero confronto entre a obrigação inicialmente contabilizada, ou posteriormente retificada, e o pagamento efetuado. A interessada, porém, junta cópias de DIPJ, DCTF e DARFs relativos aos períodos de apuração de 2000 a 2003, além de planilha de controle do saldo negativo de CSLL desde o ano-calendário 2000. Da análise destes elementos é possível constatar os seguintes fatos: 13 Processo n° 10183.900943/2008-52 SI-CI Ti Acórdão n.° 1101-00.573 Fl. 416 • No Anexo XXI destes autos não foi juntado o documento denominado Planilhas — Apuração Saldo Negativo Exercícios de 2003, 2002, 2001 e 2001, mas foi possível ter acesso a seu conteúdo por meio do processo administrativo n° 10183.901713/2008-19 (fl. 387), também distribuído a esta Relatora, nele observando-se que o crédito alegado pela recorrente inicia, em janeiro/2001, no valor de R$ 17.932,33, sem qualquer utilização ao longo de 2001 e 2002, mas apenas em agosto/2003 (R$ 3.534,87), outubro/2003 (R$ 5.314,09), fevereiro/2004 (R$ 3.289,30, valor utilizado na DCOMP aqui em análise) e março/2004 (R$ 3.648,55); • Na DIPJ ano-calendário 2000, que teria sido entregue em 18/06/2001 (fls. 296/331), está apontado saldo negativo de CSLL no valor de R$ 31.674,03, formado por estimativas apuradas sobre receita bruta, no valor total de R$ 37.550,84, confrontadas com CSLL devida na apuração anual de R$ 5.876,81; • Na DIPJ do ano-calendário 2001, que teria sido retificada em 17/06/2008 (fls. 244/283), está apontada CSLL a pagar no valor de R$ 2.162,09, resultante do confronto entre a CSLL devida na apuração anual de R$ 20.666,24, e as estimativas apuradas com base na receita bruta em valores equivalentes aos DARF de fls. 284/295 (R$ 1.329,03, R$ 1.048,96, R$ 1.847,31, R$ 1.260,26, R$ 1.904,90, R$ 1.677,70, R$ 1.725,39, R$ 1.654,63, R$ 1.615,70, R$ 1.858,71, R$ 1.469,96, R$ 1.111,61), no valor total de R$ 18.504,15. Além dos DARF de recolhimento de estimativas citados, há um recolhimento complementar do principal de R$ 630,33, com acréscimos moratórios; • Na DIPJ do ano-calendário 2002, que teria sido retificada em 17/06/2008 (fls. 181/232), está apontado saldo negativo de CSLL no valor de R$ 4.990,11, resultante do confronto entre a CSLL devida na apuração anual de R$ 14.722,28 e as estimativas apuradas com base na receita bruta em valores equivalentes aos DARF de fls. 233/243 (R$ 2.341,79, R$ 1.479,32, R$ 1.080,44, R$ 1.202,08, R$ 1.451,47, R$ 1.072,11, R$ 1.242,45, R$ 1.960,03, R$ 1.400,44, R$ 2.552,68, R$ 2.280,37, R$ 1.649,20), no valor total de R$ 19.712,39; • Na DIPJ do ano-calendário 2003, que teria sido retificada em 17/06/2008, complementada com a reprodução dos elementos juntados A. fl. 207 do processo administrativo no 10183.901713/2008-19, também distribuído a esta Relatora, está apontado saldo negativo de R$ 2.639,04, resultante do confronto entre a CSLL devida na apuração anual de R$ 12.627,87 e as estimativas apuradas com base na receita bruta em valores equivalentes aos débitos informados nas DCTF juntadas às fls. 106/179 (1 ° trimestre: R$ 972,25, R$ 1.378,64 e R$ 777,78, vinculadas a pagamento; 2° trimestre: R$ 1.076,78, R$ 1.139,22, R$ 1.318,87, sem vinculação a qualquer crédito; 3 ° trimestre: R$ 821,05, R$ 1.290,53 e R$ 3,202,51, compensadas mediante DCOMP; e 4° trimestre: R$ 1.444,52, R$ 1.068,07 e R$ 776,72, compensadas mediante DCOMP), no valor total de R$ 15.266,91. De plano constata-se que a maior parte das DIPJ apresentadas pela recorrente foi transmitida após a emissão do despacho decisório que não homologou as compensações, em 09/05/2008. De outro lado, nos sistemas informatizados da Receita Federal constata-se nas DIPJ apresentadas nos períodos referidos as seguintes informações: • Na DIPJ ano-calendário 2000, entregue originalmente em 18/06/2001 e processada sob n° 0448845, a apuração de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 31.674,03, sem retificação posterior; 14 Processo n° 10183.900943/2008-52 SI-CIT I Acórdao n.° 1101-00.573 Fl. 417 • Na DIPJ do ano-calendário 2001, entregue originalmente em 07/06/2002 e processada sob n° 0432789, a apuração de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 29.511,94, em razão da dedução de um valor maior de estimativas, no montante total de R$ 50.178,18, em face de CSLL devida na apuração anual de R$ 20.666,24, idêntica ao informado na retificadora; • Na DIPJ do ano-calendário 2002, entregue originalmente em 26/06/2003 e processada sob n° 0727947, a apuração de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 34.502,03, em razão da dedução de um valor maior de estimativas, no montante total de R$ 49.224,31, em face de CSLL devida na apuração anual de R$ 14.722,28, idêntica ao informado na retificadora; • Na DIPJ do ano-calendário 2003, entregue originalmente em 23/06/2004 e processada sob n° 0615028, a apuração de saldo negativo de R$ 31.616,76, em razão da dedução de um valor maior de estimativas, no montante total de R$ 44.244,63, em face de CSLL devida na apuração anual de R$ 12.627,87, idêntica ao informado na retificadora. Corn exceção da DIPJ do ano-calendário 2001, que não foi retificada, nos demais períodos observa-se que o saldo negativo de CSLL informado nas DIPJ originais era maior que o constante das DIPJ retificadoras, sendo que no ano-calendário 2002 a retificação evidenciou saldo a pagar. Todavia, a redução promovida com as retificadoras não decorreu de alteração da CSLL devida na apuração anual, mas, sim, da redução das estimativas devidas no ano-calendário. Talvez a contribuinte tenha, de fato, apurado estimativas maiores que as constantes nas DIPJ retificadoras, e até utilizado o saldo negativo apurado no ano-calendário 2000 para liquidá-las. Porém, se assim procedeu, apenas transmudaria o saldo negativo do ano- calendário 2000 em saldo negativo do ano-calendário no qual utilizou o crédito para liquidar as estimativas subseqüentes, as quais continuariam a superar a CSLL devida na apuração anual. De outro lado, se esta não foi a razão das retificações procedidas em 17/06/2008, o fato é que, comparando-se os recolhimentos de estimativas de CSLL comprovados nos anos-calendário 2000 e 2002 com a CSLL devida na apuração anual (informada pelo mesmo valor nas DIPJ original e retificadora), há evidências concretas de saldos negativos apurados, minimamente, nos valores de R$ 31.674,03 e R$ 4.990,11, entremeados pela apuração, no máximo, de CSLL a pagar no ano-calendário 2001 de R$ 2.162,09. Recorde-se, por oportuno, que um dos fundamentos adotados pela autoridade julgadora para não admitir a compensação promovida pela contribuinte foi a existência de outros processos de compensação, alguns dos quais, inclusive, tratando especificamente de indébitos de CSLL (processos administrativos n° 10183.900831/2006-30, 10183.900832/2006- 84, 10183.901713/2008-19 e 10183.902953/2008-22). Todavia, os sistemas informatizados da Receita Federal apontam as seguintes compensações de indébitos de CSLL, estando destacadas em negrito aquelas submetidas A apreciação desta Relatora: 15 Processo n° 10183.900943/2008-52 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-00.573 Fl. 418 PER/DCOMP CRÉDITO TOTAL DÉBITO TOTAL DATA PROCESSO OU DCOMP ORIGEM TIPO CRÉDITO TRIBUTO PERÍODO DE APURAÇÃO DATA DE A RREC. 16159 03921 140803 13.04-1863 3534.87 353487 14/08/2003 10183 900831/2006-30 Pg Indev/a Maior CSI.I. 30/06/2003 31/07/2003 25417.78997.241003.1.3.04-7490 5.314,09 5314,09 24/10/2003 10183 900832/2006-84 Pg Indev/a Maior CSLL 30/09/2003 30/09/2003 08172.19968.110204.1.3.04-4264 3.289,30 3.289,30 11/02/2004 10183.900943/2008-52 Pg. Indev/a Maior CSLL 31/12/2003 31/12/2003 05574.65158.070804.1.3.04-7393 31.616,76 3.648,55 07/08/2004 10183.901713/2008-19 Pg. Indev/a Maior CSLL 31/12/2003 31/12/2003 12679 60061.121104.1.3 04-6961 30 468,62 30 861,67 12/11/2004 10183 902953/2008-22 Pg Indev/a Maior CSLL 31/12/2003 31/12/2003 09740 79310 041005 1.3.04-5578 72 899,86 19.280.33 04/10/2005 10183 900085/2010-61 Pg. Indev/a Maior CSLL 31/12/2004 31/12/2004 07322.90830.060406 1.3.04-0530 58 290,61 21.499,16 06/04/2006 10183 900088/2010-02 Pg Indev/a Maior CSLL 30/06/2005 30/06/2005 35322.30220.021007.1.3.03-2563 39.393,30 4564.26 02/10/2007 07170 66645.0311081 703-7838 Saldo Negativo CSLL EXERCÍCIO 2005 07170.66645 031108 1.7 03-7838 72.899,86 31.118,43 03/11/2008 07170 66645.031108.1 7.03-7838 Saldo Negativo CSLL EXERCÍCIO 2005 17358.55706 031108 1.7 03-7863 72.899,86 2 158,96 03/11/2008 07170 66645 031108.1 7 03-7838 Saldo Negativo CSLL EXERCÍCIO 2005 10950 99073.200309 1.3.03-3961 97 242,34 7633,73 20/03/2009 10950 99073 200309.1 3 03-3961 Saldo Negativo CSLL EXERCÍCIO 2009 23578 55263.140409 1.3 03-8212 97.242,34 6.992,11 14/04/2009 10950 99073.200309.1 303-3961 Saldo Negativo CSLL EXERCÍCIO 2009 08135.66292 210509 1.3.03-9692 97 242,34 23 235,44 21/05/2009 10950.99073 200309.1 303-3961 Saldo Negativo CSLL EXERCÍCIO 2009 42016.52080.240609.1.3.03-2841 97.242,34 8 139,50 24/06/2009 10950 99073.200309.1 303-3961 Saldo Negativo CSLI. EXERCICIO 2009 10155.38657.090709 1.3 03-0507 97.242,34 805,52 09/07/2009 10950 99073.200309.1 3.03-3961 Saldo Negativo CSLL EXERCÍCIO 2009 31881.97155.140809 1.3 03-3749 97.242,34 3319,50 14/08/2009 10950 99073.200309.1 303-3961 Saldo Negativo CSLL EXERCÍCIO 2009 35369 88071.071009 1.3.03-7592 97.242,34 14 458,65 07/10/2009 10950 99073.200309.1.3.03-3961 Saldo Negativo CSLL EXERCÍCIO 2009 31642 38182.210510 1.3 03-8703 97.242,34 40.734,90 21/05/2010 10950 99073.200309.1 303-3961 Saldo Negativo CSLL EXERCÍCIO 2009 Somados os débitos que a contribuinte pretendeu liquidar com indébitos apurados até 31/12/2003 obtém-se o total de R$ 46.648,48, inferior ao montante formado pelos valores originais dos saldos negativos informados nas DIPJ, antes referidas, nos valores de R$ 31.674,03 e R$ 4.990,11 em 2000 e 2001, entremeados pela apuração de CSLL a pagar no ano- calendário 2001 de R$ 2.162,09, e seguidos do saldo negativo originalmente informado para o ano-calendário 2003 de R$ 31.616,76, valor este, inclusive, apontado como pagamento indevido ou a maior de CSLL em 31/12/2003, na DCOMP n° 05574.65158.070804.1.3.04- 7393 (processo administrativo n° 10183.901713/2008-19, distribuído a esta Relatora). Neste contexto, é razoável admitir que a contribuinte tenha, de fato, utilizado saldo negativo de CSLL acumulado desde o ano-calendário 2000, para liquidar as estimativas de CSLL apuradas a partir do 2 0 trimestre/2003, como informado no Anexo XXI de sua defesa (ao qual se teve acesso por meio do processo administrativo n° 10183.901713/2008-19, fl. 387). Assim, cabe aqui afastar a não-homologação da compensação, que teve por referência a indicação equivocada pelo sujeito passivo, em DCOMP, de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior verificado em DARF, e não de saldo negativo. Porém, para afirmar a homologação da compensação, é necessária a prova da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado, mas sob sua real natureza de saldo negativo. De fato, a desconstituição do único fundamento da decisão — impossibilidade de compensação de indébito cujo DARF não foi confirmado nos sistemas informatizados da Receita Federal — é insuficiente para concluir pela integridade da formação do crédito, dado que as análises da autoridade administrativa foram prejudicadas pela informação equivocada da natureza do indébito pela interessada. Superado este obstáculo, necessária se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, a apuração de CSLL nos mesmos termos expressos em suas DIPJ, e a disponibilidade do indébito, mediante prova de que não se valeu dele em outras compensações com ou sem pedido, de forma que o crédito assim confirmado 16 Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer ao crédito utilizado na DCOMP a natureza de saldo negativo de CSLL apurado a partir do ano-calendário 2000, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos a jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidad do crédito pretendido em compensação. --( aa DELI PEREIRA BESSA Processo n° 10183.900943/2008-52 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.573 Fl. 419 possa ser confrontado com os débitos compensados e verificada a sua suficiência para extinção destes. Registre-se, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve-lhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitando-lhe a discussão do mérito da compensação nas duas instancias administrativas de julgamento. Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Conforme o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, a declaração de compensação se submete ao exame da Receita Federal (expresso ou tácito por decurso de prazo). Além disso, o § 14 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, atribui competência a própria Receita para disciplinar a compensação prevista no artigo. Portanto, as declarações de compensação devem considerar as regras administrativas postas pela Receita, no que tange ao direito material, que sujaz a declaração, e a forma de declarar o exercício deste direito. Assim, não basta que materialmente o contribuinte tenha direito a restituição ou a compensação, é preciso que ele siga corretamente a formalidade imposta pela Receita. Se uma declaração de compensação não atende a forma, a administração não homologará a compensação declarada e o contribuinte deve fazer uma nova declaração, se quiser aproveitar seu crédito. Se a Receita não homologa uma determinada declaração de compensação, o faz em razão do seu conteúdo e a única alegação de defesa do contribuinte é de que sua declaração não retratou exatamente o direito que tem, esta alegação consiste em admitir que 17 Processo n° 10183.900943/2008-52 S I-C I TI Acórcldo n.° 1101-00.573 Fl. 420 violou a forma imposta legalmente e em pretender desobedecer as consequencias legais a violação das formalidades. Conforme relatório, o contribuinte declarou a compensação de forma errada. Ou seja, o modo como formalizou o seu pedido não corresponde aquele que se infere de sua defesa. Além disso, foi intimado a esclarecer sua declaração e não informou o erro, insistindo com o pedido equivocado. Em resumo, no caso em julgamento, o contribuinte não logrou infirmar as razões da decisão da DRF/DRJ e insistiu em uma declaração errada, sem retificar a declaração e discutindo a negativa no presente processo administrativo. Ainda, conforme a relatora, o contribuinte não conseguiria retificar sua declaração, pois para a adequação do pedido seria preciso alterar a natureza do crédito informado na Dcomp original. Isso apenas confirma que a declaração do contribuinte estava errada, na medida em que não retratava o direito declarado. De qualquer modo, se não é possível ao contribuinte retificar sua declaração, por vedação da legislação posta pela Receita, então ele deve acatar a negativa da compensação originalmente declarada e, se quiser, deve apresentar uma nova Dcomp, nos termos da legislação. Se disso resulta algum ônus financerio para o contribuinte (por exemplo, os encargos moratórios do débito erroneamente declarados compensados na declaração original), isso decorre de seu próprio erro. Não cabe a Administração evitar prejuízo ao contribuinte que agiu em desacordo com a legislação, abrindo mão das formalidades legalmente estabelecidas pelo Fisco. Tais formalidades decorrem da legislação e são postas em razão da racionalização administração tributária. Frise-se ainda que o contribuinte teve longo tempo e muitas oportunidades para se adequar a legislação. Ele foi intimado, ele teve um despacho contrário ao seu pedido e inclusive um acórdão da DRJ, onde toda a situação ficou clara. Se ele prefere insistir no erro na esperança de que a Administração, no curso do processo administrativo, decidisse favoravelmente ao seu pleito, ele deve arcar com o ônus de ver seu direito de repetir decaído, além daquele ônus decorrente de seu erro na declaração de compensação. Noutro giro, a busca do direito material deve respeitar as formas. Neste aspecto, destaque-se a importância que o sistema jurídico da as formalidades, como garantidoras do próprio direito material. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Eduardo de -Almeida Guerreiro 18
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Numero do processo: 19515.000254/2002-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1997, 1998
RECURSO ESPECIAL AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA NÃO CONHECIMENTO PRECLUSÃO
TEMPORAL.
Não se conhece de recurso especial se os pressupostos de admissibilidade são atendidos fora do prazo previsto para sua interposição.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.793
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, por intempestivo.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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Não se conhece de recurso especial se os pressupostos de admissibilidade são atendidos fora do prazo previsto para sua interposição. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 28/10/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (Conselheiro Convocado), Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Antonio Erasmo Dias foi lavrado o auto de infração de fls. 36/39, objetivando a exigência de imposto de renda pessoa física dos anoscalendário de 1997 e 1998, tendo sido apurada omissão de rendimentos recebidos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo a título de "AuxílioEncargos gerais de Gabinete e Auxílio Hospedagem”. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 10617.172, que se encontra às fls. 217/233 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Anocalendário: 1997, 1998 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUXÍLIOENCARGOS GERAIS DE GABINETE E HOSPEDAGEM As verbas recebidas mensalmente em valor fixo por parlamentar como auxílio de gabinete e hospedagem, sem que exista qualquer controle sobre os gastos efetuados, estão contidas no âmbito da incidência tributária e devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual. RENDIMENTOS PAGOS PELOS ESTADOS, DISTRITO FEDERAL E MUNICÍPIOS. IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA. Compete à União instituir o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e estabelecer a definição do fato gerador da respectiva obrigação, bem como a fiscalização e a arrecadação do imposto de renda incidente sobre os rendimentos pagos pelos Estados, Distrito Federal e Municípios. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte do recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento de sujeitálo a tributação na declaração de ajuste anual, conforme Súmula do 1º CC nº 12, em vigor deste 28/07/2006. MULTA DE OFÍCIO CONTRIBUINTE INDUZIDO EM ERRO PELA FONTE PAGADORA EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de oficio quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.000254/200226 Acórdão n.º 920200.793 CSRFT2 Fl. 2 3 estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. Recurso voluntário provido parcialmente.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. O Contrbuinte foi cientificado do acórdão em 26062009 (fls. 240, verso). Após a ciência o Contribuinte apresentou, em 29/06/2009, a manifestação de fls. 243/245 e documentos de fls. 246/256, por meio do qual requereu o cancelamento do crédito tributário sustentando, em síntese, que (i) é portador de moléstia grave, (ii) não possui patrimônio algum e (iii) a responsabilidade pelo presente crédito tributário seria a mesa diretora da Assembléia Legislativa. Em decorrência dessa manifestação foi exarado o despaho de fls., datado de 07/07/2009, por meio da qual foi indeferido o pedido de reconhecimento de isenção pleiteado, intimandose o Contribuinte a efetuar o recolhimento do crédito tributário em 30 dias sob pena de cobrança executiva. O contribuinte em seguida apresentou, em 14/07/2009, o Recurso Especial de fls. 259/324, por meio do qual sustenta divergência jurisprudencial no tocante ao reconhecimento de que as verbas de auxílio de gabinete seriam rendimentos isentos, citando como paradigmas os acórdãos nº 10249.394, 10617.133, 10249.164, 10249.300 e 102 49.315. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 9202 00.302, de 28/09/2009 (fls. 358/359). Intimada sobre a admissão do recurso especial a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões de fls. 362/369 por meio do qual sustenta, em apertada síntese, (i) o não conhecimento do recurso especial tendo em vista a preclusão consumativa e/ou intempestividade do referido recurso e (ii) a manutenção da decisão recorrida tendo em vista que as verbas de auxílio de gabinete são rendimentos tributáveis nos termos da legislação em vigor e do entendimento da jurisprudência. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente passo ao exame da admissibilidade do recurso especial interposto pelo Contribuinte. Como se verifica do relatório, após ser intimado do acórdão que deu parcial provimento ao seu Recurso Voluntário em 26062009 o Recorrente apresentou em 29092009 a manifestação de fls. 243/245 por meio da qual pleiteou o cancelamento do crédito tributário ao amparo dos seguintes argumentos (i) é portador de moléstia grave, (ii) não possui patrimônio algum e (iii) a responsabilidade pelo presente crédito tributário seria da mesa diretora da Assembléia Legislativa. Ainda que tal peça apresentada pude ser conhecida como recurso especial em face da fungilidade dos recursos, noção que tem maior relevo no processo administrativo em que vigoram a informalidade e a oficialidade, é fato que ela não atendeu aos requisitos de admissibilidade, notoriamente a demonstracão de divergência entre o acórdão atacado e outra decisão do CARF. A tentativa de demonstração de divergência veio apenas com a apresentação pelo Recorrente em 14072009 da peca de fls. 259/324, esta sim chamada de recurso especial. A meu ver, não procede a alegação da Fazenda de que a apresentação da petição em 29092009 teria operado preclusão consumativa, impedindo o contribuinte da prática de ato processual complementar, mormente porque aquela petição não se insurgiu contra o acórdão de modo específicio e não foi apresentada como recurso contra ele. Não obstante, correta a posição da Fazenda quando aponta que a petição de 14072009, esta sim recurso que trouxe conteúdo que atenderia aos pressupostos de admissibildiade e demonstração de divergência, é intempestiva. De fato, o contribuinte foi notificado da decisão de segunda instância em 26/06/2009 (fls. 240vº), uma sextafeira, sendo que o prazo de 15 dias para interposição de recurso especial se esgotou em 13072011, um dia antes da sua apresentação em 14072009. De tal circunstância não se apercebeu o despacho que admitiu o processamente do recurso especial (fls 358 e seguinte), tendo ele se baseado inteiramente na peça apresentada intempestivamente. Dessa forma, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pelo Recorrente. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.000254/200226 Acórdão n.º 920200.793 CSRFT2 Fl. 3 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13839.003628/2003-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1998
Ementa: IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A,
do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-001.744
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado CAETANO PICCIONI JÚNIOR Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998 Ementa: IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Fl. 404DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hofmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonett Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 405DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.003628/200315 Acórdão n.º 920201.744 CSRFT2 Fl. 366 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls.0329, interposto pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0319, que decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para reconhecer que a decadência fulminou o lançamento. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA – AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de oficio operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 40 e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Argüição de decadência acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência suscitada pelo Relator, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Apresenta paradigmas que decidiram pela aplicação do I, Art. 173 do CTN; 2. Para a Recorrente, como não há pagamento demonstrado nos autos, não há como aplicar a regra prevista no § 4º, Art. 150 do CTN; 3. Pelo exposto, a PGFN requer seja conhecido o recurso e que o acórdão seja reformado. Por despacho, fls. 0346, deuse seguimento ao recurso especial. Fl. 406DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 O sujeito passivo, devidamente intimado, apresentou suas contra razões, fls. 0354, alegando, em síntese, que: 1. Houve antecipação de pagamento, como consta do acórdão recorrido; 2. O prazo que flui é para a autoridade manifestarse sobre se concorda ou não com o montante pago; se não concordar, deve lançar de oficio, desde que o faça antes do término do prazo cujo transcurso implica homologação tácita; 3. Ressalta que concorda com o acórdão, em que o relator afirma que o pagamento do tributo é irrelevante para a caracterização da natureza do lançamento do lançamento tributário, pois o objeto da homologação é a atividade exercida pelo contribuinte; 4. Por todo o exposto, não é cabível o provimento do Recurso Especial, devendo ser mantido, assim, o acórdão vergastado. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 407DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.003628/200315 Acórdão n.º 920201.744 CSRFT2 Fl. 367 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O presente recurso possui seu fundamento no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. Como esclarecimento, o lançamento trata de omissão de rendimentos de IRPF decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. O acórdão recorrido decidiu pelo reconhecimento da decadência, por entender que nos casos de lançamento por homologação, independentemente de haver ou não pagamento, a contagem do prazo decadencial deve obedecer ao disposto no 150, § 4°, do CTN, exceto se houver comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando então se aplica o estabelecido no art. 173, I, do CTN. Já a PGFN, fundamentada no paradigma apresentado, defende que o direito de a Fazenda Pública constituir de oficio o crédito tributário relativo ao imposto de renda da pessoa física Extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inc. I). pois os rendimentos omitidos não foram objeto de pagamento antecipado, não estão abrangidos pelo lançamento por homologação (art. 150, § 4°, do CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Fl. 408DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 No presente caso, conforme declaração de Ajuste Anual anexa, fls. 0218, foi recolhido imposto, portanto, deve ser aplicada ao caso a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ressaltese que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg Fl. 409DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13839.003628/200315 Acórdão n.º 920201.744 CSRFT2 Fl. 368 7 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que o pagamento antecipado é que define qual regra decadencial aplicar. Ocorrendo pagamento parcial antecipado, aplicase o disposto no § 4º, Art. 150 do CTN. Caso esse pagamento não ocorra, aplicase o disposto no I, Art. 173 do CTN. Fl. 410DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Conseqüentemente, como há pagamento antecipado aplicase o disposto no § 4º, Art. 150 do CTN. CONCLUSÃO: Pelo exposto, estando o acórdão recorrido em sintonia com os dispositivos legais que regulam a matéria, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da nobre Procuradoria, pelas razões de fato e de direito acima expostas. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 411DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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