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Numero do processo: 13884.000477/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA ARTIGO
138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO
NACIONAL CANCELAMENTO
DE MULTA MORATÓRIA.
Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário
Nacional CTN
nos
casos em que, antes da ocorrência do procedimento de
fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não
recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo
Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em
caráter repetitivo).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-001.228
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral, pela
recorrente, a Dra. Ariene D’Arc Diniz e Amaral – OAB/DF 20928.
Matéria: DCTF_IPI - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IPI)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA. Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Ariene D’Arc Diniz e Amaral – OAB/DF 20928. Walber José da Silva Presidente. Fabiola Cassiano Keramidas Relatora. EDITADO EM: 26/09/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente momentaneamente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração (fls. 35/36) para imposição de multa isolada em razão de a Recorrente ter efetuado, segundo descrição constante no próprio Auto de Infração, “pagamento de tributo após o vencimento, com falta ou insuficiência de acréscimos legais”. O pagamento em atraso referese ao IPI devido no 4º trimestre de 2004, conforme comprovam os Comprovantes de Recolhimento anexados aos autos (fls. 19/21). 2. Ocorre que, como bem apontado pela Recorrente em sua Impugnação (fls. 01/06), o débito não foi declarado em sua DCTF original (fls. 23), entregue em 14/02/05, na qual a linha correspondente ao IPI encontravase zerada. 3. Constatado o erro a Recorrente promoveu o recolhimento do IPI devido – em 28/02/05 – e somente após o pagamento realizou a retificação de sua DCTF, em 07/10/05 (fls. 25/30), na qual declarou o débito de IPI e o correspondente pagamento, efetuado em atraso. 4. Segundo alega a Recorrente em sua Impugnação, o pagamento foi efetuado sem a inclusão da multa moratória porque se trata de denúncia espontânea, nos termos do que dispõe o artigo 138 do CTN e, assim sendo, não há de se falar em aplicação de multa de mora. Ressalta que no presente caso não se trata de pagamento em atraso de tributo declarado – o que afastaria o instituto da denúncia espontânea, conforme jurisprudência do STJ – mas sim de pagamento de tributo não declarado, com posterior retificação da declaração para sua constituição e informação de pagamento. 5. A DRJ manteve o lançamento (fls. 50/52), por entender que a multa moratória se aplica em qualquer caso de pagamento em atraso. Cita ainda a Súmula nº 360 do STJ que estabelece que “O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.” 6. Em seu Recurso Voluntário (fls. 57/62) a Recorrente reafirma os argumentos trazidos em sua Impugnação, ressaltando que é justamente o caso da aplicação da referida Súmula. Sua correta aplicação implica no cancelamento do lançamento vez que, no presente caso, o tributo não foi “regularmente declarado, mas pago a destempo”, mas sim, não havia sido declarado quando foi pago e a declaração somente sobreveio após o pagamento – ou seja, tratarseia de caso de efetiva denúncia espontânea e afastamento da multa moratória. 7. Vieramme, então, os autos para decidir. 8. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.000477/200713 Acórdão n.º 330201.228 S3C3T2 Fl. 2 3 Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora Tratase de Recurso Voluntário tempestivo, que atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Cingese a controvérsia à questão da aplicabilidade, ou afastamento, da multa moratória nos casos de denúncia espontânea, formalizada por contribuinte, antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório. De início importa ressaltar que nos autos não há qualquer discussão quanto à ocorrência ou não da denúncia espontânea. Vale dizer, não é caso de declaração de tributos desacompanhada de pagamento, o que poderia afastar a caracterização da denúncia espontânea, na esteira do que já decidiu o Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). Ao contrário, em momento algum tal possibilidade foi sequer aventada, tendo a DRF e a DRJ reconhecido tratase de caso “clássico” de denúncia espontânea, em que o contribuinte não havia realizado a declaração dos tributos, e o faz – acompanhada do pagamento de principal acrescido de juros moratórios – antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório. O que se discute nos autos, portanto, é se, diante do instituto da denúncia espontânea é cabível a aplicação da multa moratória. Feitas tais considerações iniciais, passase ao exame da matéria sob julgamento. O fundamento aplicado pelos julgadores administrativos de primeira instância para manter a exigência da multa moratória em casos de denúncia espontânea, é de que tal multa é aplicável em qualquer caso de atraso no pagamento. Todavia, ao fazer tal afirmação, pareceme que a DRJ faz letra morta do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN e equivocadamente mantêm o lançamento com base nela. Afinal, o citado artigo do CTN é claro em afastar a aplicação de quaisquer penalidades, nos casos de denúncia espontânea. Tal conclusão decorre do fato de que o dispositivo afasta a responsabilidade por infrações e, portanto, a aplicação de quaisquer multas – sejam ela punitivas, compensatórias, indenizatórias, ou quaisquer outras denominações que venham a ser criadas. Ou seja, tratandose de multa, qualquer que seja sua classificação – de ofício, isolada, moratória, punitiva, compensatória, indenizatória, etc. – e, em especial para análise do presente caso, a multa moratória, quando se verificar a ocorrência de denúncia espontânea, a multa está afastada. A este respeito já se posicionou o Superior Tribunal de Justiça, verbis: “A distinção entre multa moratória e multa punitiva alegada no regimental é completamente desnecessária neste caso, em que, caracterizada a denúncia espontânea, ambas são excluídas.” (Ag Rg no Resp 919.886 – Humberto Martins – DJe 24/02/2010) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Aliás, é firme a posição daquele tribunal a respeito do afastamento da multa moratória nos casos de denúncia espontânea, justamente porque, sendo uma multa (não importa de qual tipo), tem de ser afastada nos casos do art. 138 do CTN, verbis: “TRIBUTÁRIO – TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – CONFISSÃO DA DÍVIDA ACOMPANHADA DO PAGAMENTO INTEGRAL DO TRIBUTO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA (CTN, ART. 138) – CARACTERIZAÇÃO. 1. O contribuinte, ao espontaneamente denunciar o débito tributário em atraso e recolher o montante devido, com juros de mora, ou seja, na integralidade, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização fica exonerado de multa moratória. 2. O contribuinte, in casu, pagou o débito, integralmente, antes de qualquer procedimento fiscal, nos termos do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 936085 / SP, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 18/12/2007) “TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. PRECEDENTE: RESP. 907.710/SP. (...) 4. Relativamente à natureza da multa moratória, esta Corte já se pronunciou no sentido de que "o Código Tributário Nacional não distingue entre multa punitiva e multa simplesmente moratória; no respectivo sistema, a multa moratória constitui penalidade resultante de infração legal, sendo inexigível no caso de denúncia espontânea, por força do artigo 138 (...)" (REsp 169877/SP, 2ª Turma, Min. Ari Pargendler, DJ de 24.08.1998). Precedente: AgRg nos EREsp 584.558/MG, Luiz Fux, Primeira Seção, DJ 20.03.2006.” (REsp 905056 / SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 11/12/2007). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PAGAMENTO INTEGRAL ANTERIOR A QUALQUER PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO E ANTES DA ENTREGA DA DCTF DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA (CTN, ART. 138). 1. Os Embargos de Declaração opostos pela parte têm nítido caráter infringente, e em face do Princípio da Fungibilidade Recursal, recebo os embargos como agravo regimental. 2. Ocorrendo o pagamento integral da dívida com juros de mora antes da entrega da DCTF e de iniciado qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização, configurada está a denúncia espontânea pelo contribuinte, afastando a aplicação da multa moratória. Agravo regimental improvido.” (EDcl nos EDcl no AgRg no AgRg no REsp 977055 / PR, Relator Min. Humberto Martins, DJe de 03/05/2010) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.000477/200713 Acórdão n.º 330201.228 S3C3T2 Fl. 3 5 Na esteira da posição firmada pelo Superior Tribunal de Justiça a Câmara Superior de Recurso Fiscais (CSRF) também já se posicionou pelo afastamento da multa moratória nos casos de denúncia espontânea, verbis: “MULTAS DE OFICIO E DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O contribuinte faz jus a tal benefício de exclusão da multa, seja de ofício ou de mora, por haver recolhido o imposto mais os juros devidos antes do início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/03 04.690, Relator: Carlos Henrique Klaser Filho, DOU de 08.08.2007) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA INAPLICABILIDADE DA MULTA DE MORA:A denúncia espontânea de infração, acompanhada do pagamento do tributo em atraso e dos juros de mora, exclui a responsabilidade do denunciante pela infração cometida, nos termos do art. 138 do CTN, o qual não estabelece distinção entre multa punitiva e multa de mora sendo, portanto, inaplicável esta última. Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e não provido.” (Acórdão CSRF/0104.863, Relator José Carlos Passuelo, sessão de 16/02/2004). ‘DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. MULTA DE OFÍCIO. Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial provido”. (Acórdão CSRF/0305.102, Relatora Anelise Daudt Prieto, sessão de 06/11/2006) “TRIBUTÁRIO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA – PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA – CTN ART. 138 – MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO IMPROCEDÊNCIA. Tendo o contribuinte efetuado o recolhimento do imposto devido, corrigido monetariamente e com juros de mora, de forma voluntária e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte de fisco, há de se lhe aplicar o benefício da denúncia espontânea estabelecido no art. 138, do Código Tributário Nacional, que alcança todas as penalidades, sejam punitivas ou compensatórias, decorrentes do descumprimento de obrigações principais e/ou acessórias, sem distinção. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 A MULTA DE MORA é, portanto, excluída pela denúncia espontânea, não se comportando, de forma alguma, a aplicação de multa de ofício, seja a prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, ou qualquer outra.”(Acórdão CSFR/0304.145) Assim, como no presente caso não há dúvida quanto ao procedimento adotado pelo contribuinte – declarando e pagamento o tributo extemporaneamente, antes de qualquer procedimento fiscalizatório – tampouco resta qualquer dúvida quanto a estar configurada a denúncia espontânea, sendo, então, aplicável o artigo 138 do CTN na esteira da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). Em face do exposto, conheço do recurso e DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que seja reformada r. decisão proferida pela DRJ, tendo em vista que não há incidência de qualquer multa, em especial a multa de mora, nos casos em que se configura a denúncia espontânea. É como voto. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10380.009009/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
Ementa:
MPF. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF confere aos lançamentos e
autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. A ausência de MPF torna nulo todo o procedimento.
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI Nº 8.212. EFEITOS RETROATIVIDADE BENIGNA.
RECONHECIMENTO
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória nº 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11941/2009.
A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN.
Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-001.371
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 Ementa: MPF. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO O Mandado de Procedimento Fiscal MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. A ausência de MPF torna nulo todo o procedimento. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI Nº 8.212. EFEITOS RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória nº 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11941/2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso de Ofício Negado
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Fatos Geradores Recorrente DRJ SALVADOR/BA Interessado JOSÉ RIBAMAR NAZARETH BULCÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 Ementa: MPF. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO O Mandado de Procedimento Fiscal MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. A ausência de MPF torna nulo todo o procedimento. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212. EFEITOS RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11941/2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 190DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.009009/200797 Acórdão n.º 230201.371 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em 08/06/2005, em desfavor do sujeito passivo acima identificado, por infringência ao art. 32, inciso IV e parágrafos 3º. e 9º. da Lei 8.212/91, acrescentados pela Lei 9.528/97, combinado com o artigo 225, inciso IV e parágrafos 2, 3 e 4 do “caput”do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por não ter o Hospital de Pronto Socorro de São Luís entregue a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP das competências de 01/1999 a 12/2002, na rede arrecadadora, não prestando as informações ao INSS a que está obrigado. A multa aplicada é a prevista no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, em seu artigo 284, inciso I, e parágrafos 1º. e 2º. do caput, reajustada na forma do art. 373 do citado Regulamento. A autuação foi lavrada na pessoa do dirigente máximo do órgão no período em que ocorreu a infração, conforme preceituava o artigo 41, da Lei n.º 8.212/91. Consta dos autos que não foi apresentada defesa e DecisãoNotificação julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) que apresentou defesa tempestiva; b) que a infração deveria ser imputada à Secretaria Municipal da Fazenda e Secretaria Municipal da Saúde; c) que o recorrente foi nomeado diretor do hospital, mas não admite funcionários, não nomeia, não admite, não demite, não exonera, nunca fez folhas de pagamento, nem efetuou contribuição para o INSS, não podendo lhe ser imputada infração; d) a responsabilidade deve ser imputada à pessoa jurídica; e) que as contribuições previdenciárias atinentes aos servidores municipais estão sendo creditadas ao IPAM. Requer o provimento do recurso e a reforma da decisão. Anexa cópia da peça de defesa para provar que a apresentou em tempo hábil. Foi solicitada diligência para que o auditor fiscal informasse quais os fatos geradores não informados em GFIP e que anexasse o comprovante de recebimento pelo contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, que sustentou a ação fiscal. Resposta à diligência solicitada, fl. 128, diz que não foi localizado o AR Aviso de Recebimento relativo ao envio do MPF. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência e reiterou os termos do recurso. Acórdão de fls. 165/169, julgou a autuação nula por falta de MPF válido e recorreu de ofício a este Conselho, em virtude do valor exonerado ser superior ao previsto no artigo 1º da Portaria MP n°03, de 03 de janeiro de 2008. É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.009009/200797 Acórdão n.º 230201.371 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Tratase de recurso de ofício em virtude da anulação do lançamento por falta de comprovação da ciência do contribuinte quanto ao recebimento do Mandado de Procedimento Fiscal constante às fls. 09, bem como o TIAD constante às fls. 10, emitidos em nome do autuado. Os documentos foram encaminhados por via postal, com o Aviso de Recebimento n° ER736561324BR, o qual não retornou ao remetente, conforme atesta o despacho às fls. 160. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é ato administrativo que tem a função de dar partida ao procedimento fiscal, atribuindo condições de procedibilidade ao agente do fisco competente para o exercício da auditoria fiscal, sendo, por conseguinte, ato preparatório e indispensável à produção de atos subseqüentes, como é exemplo o lançamento. Além dessa precípua finalidade, cumpre com a nobre missão de objetividade e transparência nos atos da Administração Pública, na medida em que dá conhecimento ao sujeito passivo dos elementos objetivos que foram priorizados pela Administração Tributária para início do procedimento de investigação, ao mesmo tempo em que exterioriza o conteúdo da ordem transmitida ao servidor subordinado, delimitando os quadrantes priorizados para a sua atuação. O MPF constitui requisito de validade do lançamento fiscal ou da autuação e sua ausência no início da fiscalização constituise vício gerador de nulidade. Essa nulidade decorre de ausência de requisito formal indispensável para a sua prática, qual seja, a habilitação do agente para o exercício da competência. A emissão e ciência do MPF é exigência da Legislação. Decreto 3.969/2001: Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários serão executados por Auditores Fiscais da Previdência Social habilitados e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal MPF Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização, será emitido Mandado de Procedimento FiscalFiscalização (MPFF) e, no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Art.3o Para os fins deste Decreto, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito Fl. 193DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 passivo, relativas aos tributos federais previdenciários, podendo resultar em constituição de crédito tributário; ... Art. 4 o O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pela Diretoria de Arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. Portanto, resta claro que a instauração do procedimento de fiscalização e a ciência, no início do procedimento fiscal, da emissão do MPF são exigências da Legislação. José Antônio Minatel, reportandose a Celso Bandeira de Mello, afirma: "Nos procedimentos administrativos, os atos previstos como anteriores são condições indispensáveis à produção dos subseqüentes, de tal modo que estes últimos não podem validamente ser expedidos sem antes completarse a fase precedente. Além disso, o vício jurídico de um ato anterior contamina o posterior, na medida em que haja entre ambos um relacionamento lógico incidível." Nesse sentido, o lançamento efetuado com ausência de MPF possui vício formal que acarreta sua nulidade. Sobre nulidade, a legislação determina motivos e atos a serem praticados em caso de decretação de nulidade. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.009009/200797 Acórdão n.º 230201.371 S2C3T2 Fl. 4 7 Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Portanto, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, por estar claro que o procedimento fiscal possui vício, onde se demonstra preterido o direito de defesa da recorrente, nego provimento ao recurso de ofício. Ainda é de se atentar que além da nulidade explicitada há que ser observada a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11941/2009. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, no caso presente, aplicase o art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b” do CTN. A Medida Provisória n º 449, ao revogar o art. 41 da Lei n º 8.212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a Medida Provisória deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Caso a fiscalização fosse autuar o presidente da Fundação na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazêlo em função da MP n º 449. Assim, em relação ao dirigente a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, após a referida MP não cabe tal autuação. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Frente a todo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, atentando que não cabe mais autuação em nome do dirigente. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 196DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11176.000096/2007-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2006
Ementa:
SUJEITO PASSIVO
O sujeito passivo da obrigação tributária é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. O erro na identificação do sujeito passivo acarreta a anulação do lançamento por vício formal.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2302-001.330
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o auto de infração/lançamento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior entendeu que a natureza do vício seria material.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2006 Ementa: SUJEITO PASSIVO O sujeito passivo da obrigação tributária é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. O erro na identificação do sujeito passivo acarreta a anulação do lançamento por vício formal. Processo Anulado.
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O erro na identificação do sujeito passivo acarreta a anulação do lançamento por vício formal. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o auto de infração/lançamento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior entendeu que a natureza do vício seria material. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Redator designado. EDITADO EM: 06/10/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva,Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11176.000096/200703 Acórdão n.º 230201.330 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a notificação lavrada em 31/01/2007, e cientificada ao sujeito passivo acima identificado, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 07/2001 a 07/2006, referentes ao HOSPITAL NOSSA SENHORA DA SAÚDE, que foi considerado pela fiscalização como parte da Administração Direta do Município de Santo Antonio da Platina. O relatório fiscal de fls. 60 a 65, diz que a caracterização do fato se deu porque o poder executivo e legislativo indicam três representantes no Conselho Administrativo do Hospital, que os débitos de fiscalizações anteriores foram incluídos no parcelamento especial concedido à prefeitura, que há a cessão de três motoristas que são funcionários da prefeitura, mas prestam serviço no hospital e que os prefeitos nomeiam pessoas para os cargos de confiança como provedor, tesoureiro e diretor administrativo, sendo que alguns secretários da saúde exerceram a função de presidente do conselho de administração do hospital. Após a apresentação da defesa, Acórdão de fls. 113 a 118, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, alegando em síntese: a) que amparado em liminar, não apresentou depósito recursal; b) a decadência até janeiro de 2002; c) a ilegitimidade do município para figurar no pólo passivo da obrigação tributária. Requer a improcedência da NFLD e o cancelamento de seus efeitos. Não foram apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conforme documento de fls. 124, conheço do recurso e passo ao seu exame. A notificação lavrada em 31/01/2007, compreende o período de 07/2001 a 07/2006. O recorrente argúi a decadência qüinqüenal e com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11176.000096/200703 Acórdão n.º 230201.330 S2C3T2 Fl. 3 5 insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação e devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado nesta notificação, assim, aplicase o artigo 173, I do CTN, devendo ser excluídas do lançamento as competências até 11/2001: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Com relação a argüição da recorrente acerca da impossibilidade de figurar no pólo passivo na notificação, teço as seguintes considerações. O Código Tributário Nacional conceitua o sujeito passivo da obrigação principal, que vem consubstanciada nesta notificação fiscal, no seu artigo 121, dispondo: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Assim, o sujeito passivo é o devedor da obrigação tributária, ou seja, é a pessoa que tem o dever de prestar, ao credor ou sujeito ativo, o objeto da obrigação. É a pessoa que, à vista da lei, tem o dever legal de efetuar o pagamento do tributo. No que diz respeito ao sujeito passivo da obrigação tributária principal, o CTN o define como contribuinte ou responsável. Portanto, o contribuinte é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. O sujeito passivo da obrigação principal caracterizase, independentemente dos aspectos econômicos implícitos na relação jurídica tributária, pela prática de um comportamento qualificado como tributável pela legislação tributária. Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 02ª ed., São Paulo: Saraiva, 1998, p. 280, ensina que "a identificação do sujeito passivo da obrigação principal (gênero) depende apenas de verificar quem é a pessoa que, à vista da lei, tem o dever legal de efetuar o pagamento da obrigação, não importando indagar qual o tipo de relação que ela possui com o fato gerador". O sujeito passivo da obrigação principal é aquele obrigado a pagar o tributo ou uma penalidade pecuniária ou multa, podendo ser classificado como sujeito passivo direito e indireto. O sujeito passivo direto é o contribuinte, ou seja, aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador tributário fato típico prescrito na lei. O sujeito passivo indireto é o responsável pelo pagamento do tributo, ou seja, aquele que não se reveste necessariamente na condição de contribuinte, tendo relação indireta com o fato tributável. Devido a uma disposição legal, a obrigação tributária é atribuída a uma pessoa diversa daquela relacionada com o ato ou negócio jurídico tributado, sendo neste caso a própria lei que substitui o sujeito passivo direto pelo indireto. Rubens Gomes de Souza em Compêndio de Legislação Tributária. São Paulo: Resenha, 1973, p. 55, complementa dizendo que o Estado tem o “interesse ou necessidade de cobrar o tributo de pessoa diferente: dáse então a sujeição passiva indireta. A sujeição passiva indireta apresenta duas modalidades: transferência e substituição; por sua vez a transferência comporta três hipóteses: solidariedade, sucessão e responsabilidade.” No caso em tela, temos que a fiscalização entendeu que o Município de Santo Antonio da Platina – Prefeitura Municipal seria o sujeito passivo desta notificação fiscal de lançamento de débito que referese aos lançamentos do Hospital Nossa Senhora da Saúde porque entendeu que a Lei Municipal n.º 50/99, apenas proforma tentou desvincular o município da administração do Hospital, mas que o poder executivo e legislativo podem indicar três representantes no Conselho de Administração da entidade, que tem o poder de gerenciar efetivamente o Hospital. Outro ponto a que se reporta a fiscalização é que os débitos de fiscalizações anteriores da entidade foram incluídos nos parcelamentos especiais das prefeituras e que há a cessão de três segurados empregados para o Hospital, na função de motoristas. Entretanto, entendo que do confronto da conceituação legal de sujeito passivo da obrigação tributária, não há demonstração suficiente para que sejam imputados ao Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11176.000096/200703 Acórdão n.º 230201.330 S2C3T2 Fl. 4 7 Município de Santo Antonio da Platina – Prefeitura Municipal, os débitos havidos em nome do Hospital Nossa Senhora da Saúde. O fato do Poder Executivo e Legislativo indicarem três representantes para o Conselho de Administração do Hospital, que se compõe de quinze membros, de acordo com a citada Lei n.º 50/99, fls. 92/97, não demonstra que o município administre a entidade, que tenha poder de mando sobre a mesma, que seja o responsável tributário pelo hospital. O fato dos débitos do Hospital, apurados em fiscalizações anteriores, terem integrado o parcelamento especial concedido às prefeituras municipais, está de acordo com o que traz a Instrução Normativa INSS/DC N.º 55, de 20/08/2001, que dispõe sobre amortização especial de dívidas oriundas de contribuições sociais e obrigações acessórias dos Estados, Distrito Federal, Municípios, Autarquias, Fundações, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista. A citada Instrução permite que as unidades federativas incluam as dívidas das autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista, bem como obriga a inclusão de todos os parcelamentos ativos existentes, conforme segue : Art. 2º Os créditos do INSS junto aos Estados, Distrito Federal e Municípios, constituídos ou não, inclusive os inscritos em Dívida Ativa, ajuizados ou não, bem como os decorrentes de contribuições descontadas dos segurados empregados, trabalhadores avulsos, os oriundos de subrogação de que trata o inciso IV, do artigo 30, da Lei nº 8.212/91 e as contribuições retidas em decorrência da contratação de serviços mediante cessão ou empreitada de mãodeobra dispostas no artigo 31, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, relativos até a competência JUNHO/2001, poderão ser objeto de amortização na forma disposta neste ato. § 1º As dívidas das Câmaras Municipais, Assembléias Legislativas e das Secretarias Municipais, do Distrito Federal e Estaduais, poderão ser parceladas na forma deste artigo, observando que o parcelamento será formalizado em nome das respectivas Unidades Federativas. § 2º As Unidades Federativas citadas neste artigo poderão optar pela inclusão das dívidas das autarquias e fundações por elas instituídas e mantidas e das empresas públicas e sociedades de economia mista. § 3º A inclusão das dívidas das sociedades de economia mista na amortização prevista neste artigo dependerá de lei autorizativa estadual, distrital ou municipal. § 4º Obrigatoriamente, serão incluídas no acordo de amortização, todas as outras modalidades de parcelamentos ativos existentes, inclusive o Pedido de Amortização Especial – PAE ou o Pedido de Amortização de Dívida Fiscal PADF firmados anteriormente, aplicando, também, este procedimento quando ocorrerem as opções previstas no parágrafo 2º. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 § 5º A amortização deverá compreender todos os créditos constituídos (Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, Notificação Para Pagamento, NPP, AutodeInfração – AI, Lançamento de Débito Confessado LDC) dos Estados, Distrito Federal e Municípios e dos órgãos relacionados nos § 1º e 2º, ressalvado o disposto a seguir (...) Portanto, a inclusão dos débitos da entidade no parcelamento especial da prefeitura municipal, não implica em dizer que o município é o sujeito passivo desta notificação fiscal, pois havia disposição normativa para que procedesse daquela maneira. Ainda, a prestação de serviço de três motoristas servidores da prefeitura municipal, no Hospital Nossa Senhora da Saúde, embora não esteja correta do ponto de vista fiscal, podendo acarretar o lançamento do débito no Hospital é insuficiente para dizer que o município é o responsável direto pela administração do hospital e sujeito passivo da obrigação tributária. A fiscalização não demonstrou que o Município tenha efetivamente a responsabilidade pela administração do Hospital, que arque com as despesas do mesmo, que implemente recursos para o seu funcionamento, que coordene suas atividades, enfim que tenha ingerência total sobre o seu funcionamento. Pelos elementos constantes do processo, temos que o Hospital Nossa Senhora da Saúde é pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ, com Estatuto advindo de Lei Municipal, não restando identificado por qualquer documento, ou pela contabilidade de que faça parte da Administração Direta do Município de Santo Antonio da Platina e que este seja o verdadeiro contribuinte, sujeito passivo desta notificação. Assim, entendo que no procedimento da fiscalização e na formalização do lançamento não foram cumpridos todos os requisitos do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, pois não houve a correta identificação do sujeito passivo. O erro na identificação do sujeito passivo impõe a anulação do lançamento por vício formal, já que descumprido o artigo 10, inciso I, do Decreto n.º 70.235/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Por todo o exposto, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11176.000096/200703 Acórdão n.º 230201.330 S2C3T2 Fl. 5 9 Voto pela anulação da notificação pela existência de vício formal por descumprimento do artigo 10 do Decreto n.º 70235/72. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002427/2004-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercícios: 2003, 2004, 2005
Ementa: RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTO DE
ADMISSIBILIDADE. DISSENSO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO.
Não atende ao pressuposto de demonstração de divergência jurisprudencial o recurso especial fundamentado em acórdão paradigma proferido em caso cuja situação fática e contexto normativo são distintos da verificada no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-000.890
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nao conhecer do recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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Acordam os membros do colegiad do recurso. unanimidade de votos, não conhecer Antonio Carl o - Relator. CSRF-Tl Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 11070.002427/2004-77 Recurso n° 145.416 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9101-000.890 — ia Turma Sessão de 23 de fevereiro de 2011 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente FOCKINK INDUSTRIAS ELETRICAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercícios: 2003, 2004, 2005 Ementa: RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. DISSENSO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO. Não atende ao pressuposto de demonstração de divergência jurisprudencial o recurso especial fundamentado em acórdão paradigma proferido em caso cuja situação fitica e contexto normativo são distintos da verificada no acórdão recorrido. Editado em: 25 NI A 1 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karen Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Corn base no Regimento Inferno da Camara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda; o Contribuinte interpõe recurso especial contra acórdão proferido pela extinta Quinta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, assim ementado: "PRELIMINAR - NULIDADE DO LANÇAMENTO - Verificado que o auto de infração foi lavrado por servidor competente, contendo todos os requisitos exigidos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e, não havendo no citado procedimento administrativo qualquer despacho ou decisão com preterição do direito de defesa, não há que ser declarada a nulidade no presente auto. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - DÉBITOS INFORMADOS NA DIPJ E NÃO DECLARADOS EM DCTF - É cabível o lançamento de oficio de tributos devidos informados na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica e que não foram declarados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE - FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ POR ESTIMATIVA - A falta de recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica devido por estimativa, enseja o lançamento da multa isolada de 75%, prevista no art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996, calculada sobre o valor do imposto não recolhido. JUROS MORA TÓRIOS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC — A Lei n° 9.065/95 que estabelece a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa SELIG, para os débitos tributários não pagos até o vencimento, está legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional." 0 caso foi assim relatado pela Câmara recorrida, verbis: FOCKINK INDÚSTRIAS ELÉTRICAS LTDA., empresa já qualificada nestes autos, foi autuada em 22/10/2004, referente aos exercícios de 2003 a 2005, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ (fls. 216/222), no valor de R$ 3.044.451,89, nele incluído o principal, multa e os juros de mora calculados até 30/09/2004. Conforme Auto de Infração (lls 216/222), foram apuradas as seguintes irregularidades: I. Falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica referente ao ajuste anual do ano-calendário de 2002 (31/12/2002): A empresa apresentou Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano- calendário de 2002 optando pelo Lucro Real com apuração anual, informando R$ 1.092.897,42 de imposto de renda a pagar. 0 imposto de renda mensal foi 2 Processo n° 11070.002427/2004-77 Acórdão n.° 9101 -000.890 calculado com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução (lls. 34 a 44). Os valores do imposto de renda devidos nwnsalmente, apurados conforme cópia da DIPJ (fls. 40/44) e demonstrativos de fly_ 96 a 107 (Demonstração do Cálculo do IRPJ a pagar), não foram recolhidos, nem infornzados nas respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF (fls. 45/56). Também o valor do imposto de renda apurado no final do referido ano-calendário (ajuste anual) não foi informado na respectiva DCTF. Diante dessas irregularidades exigiu-se o recolhimento de R$ 1.092.897,42 de IRPJ correspondente ao ajuste anual do ano-calendário de 2002, coin o acréscimo da multa de oficio e dos juros de mora. 2. Falta de recolhimento do IRPJ por estimativa no ano- calendário de 2004 — aplicação da multa isolada: Conforme cópias do Livro de Apuração do Lucro Real e das Demonstrações da Suspensão ou Redução do IRPJ/CSLL (fls. 165/188), a autuada apurou IRPJ a pagar nos meses de janeiro, março e junho, de 2004, calculado com base em balanço de suspensão ou redução. Constatou a fiscalização que tais valores não foram informados nas respectivas DCTF, nem recolhidos. Diante de tais irregularidades exigiu-so a multa isolada de 75% por falta de recolhimento das estimativas, dos seguintes valores (em reais): Data Base de cálculo Valor da multa isolada 31/01/2004 133.361,68 100.021,26 31/03/2004 281.266,09 210.949,56 30/06/2004 704.310,23 528.203,49 TOTAL 839.203,49 lrresignada, a empresa apresentou impugnação (f1s. 229/252), aduzindo, em síntese, que: a) A auto de infração encontra-se despido de juridicidade seja em razão dos ditames inscritos nos arts. 142, 145 e 149 do CTN seja pela própria legislação do imposto de renda, que confere a DIPJ s característica de confissão irretratável da divida — afrontando, pois, o principio da legalidade, "o qual impõe que todo o processo deva ser instaurado e conduzido com fundamento nos estritos comandos da lei estabelecedora da forma que tal atividade deve assumir, bem como dos requisitos necessários a lhe dar validade"; CSRF-T1 Fl. 2 3 b) "No caso em tela, verificado pela Fiscalizactio que o montante relativo ao IRPJ devido no ano-calendário de 2002, embora declarado pelo contribuinte em DIPJ, não havia sido pago no vencimento, obrigado estaria o mesmo, quanto à inadimplência verificada, encaminhar dito débito a Procuradoria da Fazenda Nacional para que esta procedesse a inscrição da divida ativa do débito -- confessado, não sendo lídimo o lançamento de oficio em casos tais, vez que já lançado o tributo devido'; c) A DIPJ veio a substituir a Declaração de. Rendimentos da Pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado e passou a conter informações não só relativas ao imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro devidos pela pessoa jurídica, mas, também sobre o IPI, ITR PIS e COFINS; d) Embora tenha a DIPJ ampliado a gama de informações a serem prestadas ao Poder Fiscal, manteve ela seu principal objetivo, que se resume na constituição do crédito tributário relativo ao IRPJ e à CSLL, ambos lançados pela modalidade de homologação, ato administrativo que se completa e se perfectihiliza quando da recepção da declaração prestada pelo contribuinte a Autoridade Fiscal e a imediata notificação do contribuinte do crédito tributário nela consubstanciado; e) "... uma vez verificada a falta de pagamento do crédito tributário lançado, a única providência lídima a ser procedida pela Administração do imposto de renda seria o imediato encaminhamento do crédito tributário a Procuradoria da Fazenda Nacional para que restasse devidamente inscrito o mesmo em Divida Ativa da União e cobrado pelas vias executivas, não sendo legalmente previsto o lançamento de oficio em casos tais"; fi No caso presente, nenhu. ma das hipóteses enumeradas no art. 149, do CTIV se verificou no mundo dos fatos, "haja vista ser indiscutível que, com relação ao período de apuração • do IRPJ encerrado em dezembro de 2002, jamais poderia o Fiscal Autuante realizar um novo lançamento, vez que já operado estava o lançamento por homologação, pois é claro que o procedimento - de oficio deve operar-se sempre supletivamente ao de homologa cão e não suprimi-lo ou substitui-lo ao bel prazer da douta fiscalização"; g) 0 procedimento fiscal é totalmente avesso a legislação pátria, de vez que já havendo lançamento e já constituído o crédito tributário, não há fundamento legal que justifique o refazimento do lançamento unicamente para que sobre ele venha a ser, imposta uma multa de oficio; h) Deve ser decretada a nulidade do procedimento, vez que uma mesma obrigação não pode ficar sujeita a um duplo lançamento, cabendo apenas o lançamento suplementar se as circunstâncias de fato assim o permitirem, o que não é o caso; 4 Processo n° 11070.002427/2004-77 Acórdão n.° 9101-000.890 i) "Se o lançamento por homologação ocorreu, constituído o crédito tributário, ado há fundamento legal para que a eventual falta de recolhimento do imposto declarado dê origem ao auto de infração com imposição de multa de lançamento de oficio, pois o crédito tributário já constituído deveria apenas ser objeto de cobrança"; j) As importâncias exigidas a titulo de multas isoladas nos meses de janeiro, março e junho de 2004, também por respeito ao principio da legalidade, devem ser consideradas improcedentes, pois não é possível o lançamento de oficio de obrigações tributárias sujeitas ao lançamento por honzologação (art. 150 do CTN) quando ainda não transcorrido o prazo legal para que o contribuinte cumpra as suas obrigações principal e acessória; k) Conforme o art. 153,111, da CF e do art. 43, do CI7V, o imposto incide sobre a renda e proventos de qualquer natureza. No caso de pessoas jurídicas comerciais, a base é o lucro auferido em determinado período-base, podendo ser pelo real, presumido ou arbitrado. Portanto, a empresa somente terá suas obrigações relativas ao IRPI quantificadas e dimensionadas pelo lucro real apurado no final do período-base, corn base na escrituração contábil mantida em observância das leis comerciais e fiscais. Assim, o recolhimento por estimativa se reveste da característica de "provisioriedade", I) Sendo a estimativa mera antecipação do imposto de renda devido quando do encerramento do ano-calendário, é natural que a declaração de ajuste (DIRI) venha a apontar a verdadeira ocorrência do fato gerador. O certo é que embora não tivesse recolhido parte das importâncias estimadas, cometeu apenas irregularidade formal, consubstanciada no descumprimento de obrigação acessória ao deixar de elaborar e de escriturar no Livro Diário os referidos balanços e balancetes de suspensão, bem como realizar as antecipações. Não há tributo ou contribuição devidos no curso do ano-calendário e, dessa forma, não existe base alguma para a incidência da multa isolada, já que a multa proporcional tributária exigida após o encerramento do período há de ser 'fundada" ou ter a sua incidência sobre o tributo ou contribuição definitiva devidos; m) Se a declaração quanto às obrigações fiscais devidas no ano-calendário de 2004 ainda não foi prestada pelo contribuinte porque o prazo estipulado expira-se somente após encerrado o período de apuração; é até óbvio que o fisco não pode interromper o processo do lançamento por homologação para lançar de oficio os mesmos débitos com multa mais gravosa, viciando o auto de infração; CSRF-T1 Fl. 3 5 n) O lançamento de oficio somente se constituirá em providência legitima se efetuado após o de homologação em todas as suas etapas e nos prazos previstos da legislação. Porém, o Fisco autuante novamente não observou a legislação pertinente, lavrando o auto de infração, afrontando os ditames previstos no art. 142, do CTN e o principio da legalidade. Assim, inválido o procedimento, impondo-se, por respeito a lei, a decreta geio da integral nulidade do presente lançamento, por total falta de amparo legal; o) Por respeito ao principio da eventualidade, carece a Administração Pública de fundamento legal que lhe possibilite abrigue em seu proceder ao valorar a quantia eventualmente exigida a titulo de juros; p) O sriposto débito em cobrança agrega ao valor cobrado juros remuneratórios mensurados através da aplicação da 4,1 taxa referencial da Selic, circunstância que contraria o principio da legalidade, bem como o comando expresso no art. 161, caput e parágrafo do CTN, o qual possui forma de Lei Complementar; Em 20 de janeiro de 2005, a la Turma da Delegacia de Julgamento de Santa Maria/RS, julgou o lançamento procedente «is. 270/286), conforme Ementas abaixo transcritas: "NULIDADE DO LANÇAMENTO Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários para a sua formaliza 0o, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos de nulidade enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento de oficio. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁ RIO Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar 'a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ POR ESTIMATIVA A falta de recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica devido por estimativa, antes ou depois do encerramento do ano-calendário, enseja o lançamento da multa isolada de 75%, prevista no art. 44, § 10, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996, calculada sobre o valor do imposto não recolhido. JUROS DEMORA. TAXA SELIC 6 Processo n° 11070.002427/2004-77 CSRF-T1 Acórdão n.° 910J-000.890 Fl. 4 A exigência da taxa SELIG como juros mora tórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicá-la. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Os princípios constitucionais tributa rios são endereçados aos legisladores e devem ser observados no elaboração das leis tributárias, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário.- LANÇAMENTO DE OFICIO. DÉBITOS INFORMADOS NA DIPJ E NÃO DECLARADOS EM DCTF. cabível o lançamento de oficio de tributos devidos informados na Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica e que não foram declarados na Declaragiio de Débitos e Créditos Tributcirios Federais. Lançamento Procedente" Inconformada com a decisão supra, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 291/321), reiterando os termos da impugnação e acrescentando que: a) A decisão ora recorrida, menciona o art. 59 do Decreto n 70.235/72, o qual no seu entender, não autoriza a decretação da nulidade no caso em tela. As hipóteses ftiticas elencadas nesse dispositivo, não são numerus clausus, vez que "ao citar algumas hipóteses de nulidade, o dispositivo em momento algum pretende, como quer a decisão recorrida, esgotar a matéria, não referindo o legislador que tais casos seriam os únicos a gerar a nulidade do ato administrativo"; b) O lançamento é nulo, porque nulo é todo o ato proveniente do Administração Pública não autorizado por lei ou contrário a elm não se legitimando ato ilegal, pelo simples fato deste não estar relacionado como hipótese de nulidade no art. 59 citado pela decisão recorrida; c) A lavratura do Auto de Infra cão, documento embasador do lançamento, deve ser levada a efeito a luz do art. 142, do CTN, norma de caráter suplementar e que é hierarquicamente superior ao Decreto mencionado; d) Segundo o art. 142, do CTN, § único do CTN, o lançamento , de tributo ou contribuição é ato administrativo vinculado, subsistindo como válido e eficaz enquanto atendidos os pressupostos maiores da tributação e munido dos elementos tendentes a demonstrar existente a situação real fática apanhada e o devido enquadramento legal, exigindo a lei clara e precisa descrição dos fatos geradores que dão ensejo à exigência; 7 e) "Ora, por óbvio não foi exatamente o caso dos presentes autos, haja vista ter sido o procedimento realizado, não apenas em desobediência ao quanto prescrito, mas sim, em evidente afronta aos comandos legais e regulamentares, haja vista não ser possível o lançamento em casos como o que ora se apresenta",- f) "Tentando atribuir licitude ao lançamento, a Autoridade Julgadora afirma que a partir da vigência da IN/SRF n° 126/98, com as alterações da IN/SRF n° 16/00, a DIPJ não mais se constitui instrumento de confissão de divida, sendo que os valores nela infonnados não poderão ser enviados para inscrição em divida ativa e transcreve o art. 70 da referida instrução para confirmar seu entendimento",- g) A IN/SRF citada pela decisão recorrida não so dá abrigo ao entendimento manifestado pela DRJ em Santa Maria, como reforça o entendimento da ora recorrente no sentido de ser a DIPJ uma confissão de divida — e como tal veiculo cabal a instrumentalizar • uma inscrição em divida ativa dos valores declarados e não pagos - e não mero informativo como quer fazer crer a Autoridade julgadora de Primeira Instância; h) 0 ,f 3° da 1N/SRF 126/98, não só depõe contra a afirmação de que a DIP..! "não constitui mais instrumento de confissão de divida, sendo que os valores do IRPJ e da CSLL- nela- informados-não poderão ser enviados para a inscrição em Divida Ativa da União', como vein a reforçar o quando argüido pela ora Recorrente, estabelecendo claramente que os saldos a pagar de IRPJ e CSLL "sera), também, lei objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração Integrada de Informações da Pessoa Jurídica - DIPJ, antes do envio para inscrição em Divida Ativa da União", apontando, portanto, que não só os débitos informador em DIPJ são passíveis de encaminhamento para inscrição em divida ativa, como também - e isso é de grande importância para o caso em apreço - a Auditoria Fiscal deve considerar ambas as declarações em conjunto, e não apenas uma ou outra como pretendem correto os Julgadores da la Turma da Delegacia da Receita Federal de Santa Maria;" No que interessa a essa instância recursal, em vista dos limites do despacho de admissibilidade abaixo citado, o acórdão recorrido rejeitou preliminar de nulidade do auto de infração por entender que seria legitimo o lançamento de tributos informados pelo contribuinte em DIPJ mas não confessados por meio de DCTF. No mérito, foi mantido lançamento de multa isolada sobre bases estimadas pela aliquota de 75% do tributo não recolhido em época própria. Sustenta o Contribuinte divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos n. 107-05535, segundo o qual "o lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo (.) havendo dúvida sobre a exatidão do fato em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CIN" e CSRF/01 -02.655, segundo o qual "o lançamento a débito de caixa, com contrapartida em rubrica patrimonial, títulos a receber, não possibilita a consideração ipso facto de omissão de receita. 0 fato não se subsume ao disposto no art. 181 do RIR/1980". 8 Processo n°1 10-:(1.002427/2004-77 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-000.890 Fl. 5 Inicialmente, o recurso especial do Contribuinte não foi admitido, pois entendeu o Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 105-245/2006, fls. 399/400) que a insurgência seria intempestiva. Contra esse despacho, o contribuinte manejou mandado de segurança, distribuído sob o número 2007.34.00.028505-6 perante a 6' Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, ao . qual foi concedida tutela liminar - posteriormente ratificada por sentença - no sentido de determinar o processamento do recurso especial interposto. Conforme consulta ao sitio do Tribunal Regional Federal da l a Regido em 18.02.2011, os autos encontram-se conclusos no Gabinete do Exmo. Desembargador Federal Leomar Barros Amorim de Souza, da 8 a Turma do TRF-l a Regido, aguardando designação de pauta para julgamento do recurso de apelação interposto pela Fazenda Nacional e reexame necessário. Superada a questão da tempestividade, o Sr. Presidente do Colegiado a quo proferiu novo despacho (Despacho n. 105-035/2008, fls. 473/475), pelo qual admitiu a insurgência da Contribuinte apenas na parte relacionada à questão da nulidade do lançamento (por alegada ilegitimidade de lançamento de tributo informado pelo contribuinte em DIPJ e não em DCTF). Foi negado seguimento ao recurso na parte relacionada à imposição de multa isolada pela aliquota de 75% do tributo não recolhido sobre bases estimadas. Contra esse despacho não houve interposição de agravo pelo Contribuinte. A Fazenda Nacional apresentou contra-razes. o relatório. 9 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator Peço vênia para discordar do r. despacho de fls. 4731475 quanto admissibilidade do recurso especial interposto pelo Contribuinte. Premissa fundamental para análise do recurso especial de divergência é a perfeita similitude jurídica (em relação ao direito discutido) e fatica entre acórdãos paradigma e recorrido, de modo, veri ficada a discrepância entre eles, firmar-se a jurisprudência desta Corte a respeito da especifica questão de direito posta a desate. Veja-se, nesse sentido, iterativa jurisprudência do E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, verbis: Processo civil. Agravo nos embargos de divergência no recurso especial. Cotejo entre acórdãos paradigma e embargado. Inexistência de similitude fcitica e jurídica entre os arestos confrontados: Ausência de argumentos capazes de ilidir os fundamentos da decisão agravada. - Em tema de divergência jurisprudencial, mostra-se imprescindível para a caracterização do dissídio que os julgados confrontados tenham decidido as mesmas teses jurídicas com bases fciticas semelhantes. Agravo não provido. (AgRg nos EREsp 972590, Relatora Nancy Andrighi, DJe 16/02/2009 — grifos nossos) No mesmo sentido: 'PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE SIMILITUDE ENTRE OS CASOS EM CONFRONTO. NÃO CONHECIMENTO. I. Os embargos de divergência tern por escopo a uniformização da jurisprudência desta Corte, eliminando as dissidências internas quanto c‘i interpretação do direito em tese, e, para tanto, pressupõem a identidade ftitica e solução divergente entre os acórdãos confrontados, o que não é o caso dos autos (.)' (AgRg nos EREsp 510.299/TO, Rel. Min. Teori Zavascki, DJ 03.12.2007 — grifos nossos) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL — EXECUÇÃO FISCAL — LEILÃO — AVALIAÇÃO DO BEM — IMPUGNAÇÃO — DECISÃO NÃO AGRAVADA - PRECLUS:4 -0 — INTIMAÇÃO DO EXEQÜENTE E DE POSSÍVEIS CREDORES PRECEDENTES OU PREFERENCIAIS - DESNECESSIDADE - PREÇO VIL - ARREMATAÇÃO POR MAIS DA METADE DO VALOR DA AVALIAÇÃO - NÃO-OCORRÊNCIA - DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL - SEMELHANÇA FATICA - INEXISTÊNCIA. 1. Não se conheceu da alegação de inobservância do procedimento de impugnação à avaliação do bem penhorado porque precluso o direito de atacar a decisão que a indeferiu liminarmente. Este fundamento restou inatacado no recurso especial. 2. Ausente qualquer prejuízo ao exeqüente 10 Processo n° 11070.002427/2004-77 Acórdão n. ° 9101 -000.890 CS12 F-T1 Fl. 6 ou aos demais possíveis credores da parte executada na inexistência de intimação prévia à arrematação, reputa-se válida a arrematação. 3. Arrematação de bem penhorado por. mais da metade do valor da avaliação lido é considerado prep vil para a jurisprudência desta Corte. 4. Inviável o conhecimento do recurso especial pelo dissídio jurisprudencial se o acórdão paradigma não possui semelhança fática com o acórdão recorrido. 5. Recurso especial conhecido em parte e, nesta parte, não provido. (REsp 1052691 / SC, Rel.: Min. Eliana Ca/man, DJE — 26/11/2008 — grifos nossos). Do exame do acórdão recorrido depreende-se que o contexto fatico e jurídico verificado na lavratura do lançamento é distinto daquele constante do aresto paradigma. 0 aresto paradigma trata sobre tributo declarado pelo Contribuinte em DIPJ no exercício de 1992, período no qual não havia dúvida a respeito da natureza de confissão de divida da declaração de rendimentos, a teor do art. 5 ° do Decreto-lei n. 2124/84 e legislação regularnentadora. Por sua vez, o acórdão recorrido versa sobre tributos relativos a fatos geradores ocorridos nos exercícios de 2003 a 2005, em relação aos quais o contexto normativo absolutamente distinto (cf. ato normativo da Secretaria da Receita Federal que retira expressamente da DIRT a natureza de confissão de divida). No particular, vale ressaltar que o voto condutor do acórdão recorrido fundamentou-se preponderantemente na IN 126/98, com as alterações da IN/SRF n. 16/2000, as quais sequer existiam na época dos fatos narrados no aresto paradigma. A titulo ilustrativo, cite-se trecho do acórdão recorrido nessa parte, verbis: 2. Da IN/SRF 126/98 com as alterações da IN/SRF 16/2000: Nos termos da Instrução Normativa SRF 126/98, COM as alterações da IN/SRF 16/2000, a DIPJ representa somente o cumprimento de uma obrigação acessória perante a Fazenda Pública, não sendo instrumento de confissão de divida, já que tais valores declarados na DIPJ não foram informados na DCTF. Assim, os valores informados na DIPJ do ano-calendário de 2002 e que não foram recolhidos, não poderiam ser objeto de cobrança, pois não foram informados em DCTF. Nesse sentido, a titulo de ilustração, segue jurisprudência do E 2°. Conselho: DCTF. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULA ÇÃO DE CRÉDITOS INDEVIDOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. MULTA DE OFICIO. PROCEDÊNCIA. Nem todos os valores informados em DCTF constituem-se em confissão de divida. Nos termos das IN SRF 45/98 e 126/98, somente os valores dos saldos a pagar de tributos informados em DCTF é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Diferentemente, valores para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio, acompanhados da multa de oficio respectiva. Recurso 11 Negado." (Recurso n° 125.167, 3 Câmara, Acórdão n° 203.09707, de 10/08/2004). Não havendo a confissão de divida, mostra-se devida a exigência do cr&lito tributtirio por meio da lavratura do auto de infração, com a aplicação da multa de oficio prevista no art. 44, I, da Lei no 9.430/96. Por tais furrdamentos, voto no sentido de no conhecer do recurso especial do Contribuinte. Sala das Ses iro de 2011. Antonio C Filho - Relator 12
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Numero do processo: 11686.000025/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DO IPI.
Comprovado que a glosa do crédito é indevida e preenchido os requisitos
estabelecidos na legislação de regência, reconhecese
o pedido de
ressarcimento de crédito do IPI.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-001.230
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Walber José da Silva e José Antonio Francisco que negavam provimento.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DO IPI. Comprovado que a glosa do crédito é indevida e preenchido os requisitos estabelecidos na legislação de regência, reconhecese o pedido de ressarcimento de crédito do IPI. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e José Antonio Francisco que negavam provimento. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 01/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Relatório A empresa Contgraf Impressos Gráficos Ltda. apresentou em 19/12/2003 pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI (fls. 01/27), de que trata o artigo 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99, referente ao segundo trimestre de 2003, cumulado com pedidos de compensação apresentados em 19/12/2003, 29/01/2004 e 13/05/2004. A DRF de jurisdição da Contribuinte, em despacho decisório (fls. 44), deferiu parcialmente o pedido e homologou as compensações até o limite do crédito deferido. A ciência do despacho deuse em 23/09/2008 (AR às fls. 50). A glosa, conforme Demonstrativo de Apuração dos Valores do IPI Passíveis de Ressarcimento/Compensação (fls. 29) e Informação Fiscal (fls. 32), decorreu da falta de destaque do IPI em parte de suas notas fiscais de saída, por erro de classificação fiscal e alíquota, emitidas nos períodos de apuração do 1º decêndio de janeiro/2003 ao 2º decêndio de junho/2003, fato que ocasionou a lavratura do Auto de Infração, formalizado por meio do processo n° 11080.007628/2008 75, para cobrança da multa de oficio de 75% sobre o valor do imposto não destacado, cuja ciência deuse em 26/06/2008. Inconformada com a parte indeferida, apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a glosa é indevida eis que operouse a decadência dos períodos anteriores a 26/06/2003 (data cinco anos anterior a ciência do processo administrativo nº 11080.007628/200875). A DRJ/Porto Alegre/RS considerou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão com a seguinte ementa: “DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. Se determinado crédito fiscal é reconhecido parcialmente em decisão administrativa, em conseqüência não são homologadas as compensações nele lastreadas que superavam seu valor, dando azo à cobrança administrativa do correspondente débito. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O prazo para considerar uma compensação homologada tacitamente é de cinco anos, tendo como termo a quo a data do envio eletrônico da declaração de compensação e como termo ad quem a data da ciência do despacho que declara a compensação não homologada ou parcialmente homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada do acórdão, a Interessada insurgese contra seus termos, apresentando Recurso Voluntário, repisando o mesmo argumento aduzido anteriormente. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11686.000025/200823 Acórdão n.º 330201.230 S3C3T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme ventilado no relatório supra, o cerne da questão resumese em saber se a glosa efetuada pela autoridade fiscal referese a crédito tributário atingido pela decadência. Analisando os autos, bem como o processo nº 11080.007628/200875, verificase que nos períodos de apuração do 1º decêndio de janeiro/2003 ao 2º decêndio de junho/2003 a conta corrente do IPI registrou compensação (débito versus crédito), portanto o termo de início de contagem do prazo decadencial é o fato gerador, conforme preconizado no art. 129, I, c/c art. 124, parágrafo único, ambos do Regulamento do IPI – RIPI/2002. Defluise da análise do Demonstrativo de Apuração dos Valores do IPI Passíveis de Ressarcimento/Compensação (fls. 29 deste processo) e do Demonstrativo de Débitos Apurados (fls. 39/40 do processo nº 11080.007628/200875) que todos os débitos são anteriores a 26/06/2003. Como a ciência do auto de infração, que originou a redução do saldo credor passível de compensação, ocorreu em 26/06/2008 (fls. 53 do processo nº 11080.007628/2008 75), o crédito tributário relativo aos períodos de apuração anteriores a 26/06/2003 foi abrangido pela decadência. Salientese que o processo nº 11080.007628/200875 foi julgado pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Sessão do CARF, em sessão do dia 07/07/2011, que por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário por reconhecer a decadência das multas isoladas relativas as saídas anteriores a 26/06/2003. Dessa forma, assiste razão à Recorrente pois indevida a glosa efetuada pela autoridade fiscal eis que referese a períodos atingidos pela decadência. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde da questão, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito de IPI em questão e a compensação pretendida. (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000570/2007-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
RESSARCIMENTO COFINS
NÃO CUMULATIVA CRÉDITOS
ACUMULADOS EM RAZÃO DA SISTEMÁTICA ATUALIZAÇÃO
MONETÁRIA EXPRESSA
VEDAÇÃO LEGAL.
Por força do disposto no artigo 13 da Lei nº 10.833/03, é vedada a
atualização monetária ou incidência de juros, sobre o valor de créditos de
COFINS, acumulados por força da sistemática não cumulativa, objeto de
pedido de ressarcimento em dinheiro, pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3302-001.324
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
voluntário, nos termos da relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RESSARCIMENTO COFINS NÃO CUMULATIVA CRÉDITOS ACUMULADOS EM RAZÃO DA SISTEMÁTICA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA EXPRESSA VEDAÇÃO LEGAL. Por força do disposto no artigo 13 da Lei nº 10.833/03, é vedada a atualização monetária ou incidência de juros, sobre o valor de créditos de COFINS, acumulados por força da sistemática não cumulativa, objeto de pedido de ressarcimento em dinheiro, pelo contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RESSARCIMENTO COFINS NÃO CUMULATIVA CRÉDITOS ACUMULADOS EM RAZÃO DA SISTEMÁTICA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA EXPRESSA VEDAÇÃO LEGAL. Por força do disposto no artigo 13 da Lei nº 10.833/03, é vedada a atualização monetária ou incidência de juros, sobre o valor de créditos de COFINS, acumulados por força da sistemática não cumulativa, objeto de pedido de ressarcimento em dinheiro, pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) Fl. 78DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11030.000570/200743 Acórdão n.º 330201.324 S3C3T2 Fl. 79 2 FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de COFINS decorrentes da apuração não cumulativa da contribuição, apurados no 4º Trimestre de 2006 (fls. 02/03). O Despacho Decisório (fls. 12) reconheceu o direito creditório da Recorrente de todo o montante pleiteado, no total de R$ 1.123.233,36 (um milhão, cento e vinte e três mil, duzentos e trinta e três reais e trinta e seis centavos) e, após constatado que não haviam declarações de compensações vinculadas ao pedido de ressarcimento, ou débitos em aberto da empresa perante a Receita Federal, foi determinada a emissão de ordem bancária para depósito do valor na conta corrente da Recorrente (fls. 20/21). Uma vez cientificada do depósito (fls. 23/24) a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 25/38), por meio da qual alega que, (i) em razão do sistema de requerimento do ressarcimento – que exige a apresentação do pedido apenas após o término do trimestre, bem como (ii) diante da demora na análise do pedido de ressarcimento, os valores ressarcidos deveriam ter sido atualizados monetariamente, por meio da aplicação da Taxa SELIC. Fundamenta seu pedido nos princípios gerais do direito – inclusive o princípio da isonomia e da equidade, considerandose a jurisprudência favorável à atualização monetária dos créditos ressarcíveis de IPI. Traz decisões do STJ (que estabelecem ser sempre devida a atualização monetária em casos de pedido de ressarcimento de créditos) e da CSRF, que aceitam a aplicação da SELIC para atualização de créditos objeto de ressarcimento, inclusive quando não há norma determinando sua aplicação. A decisão da DRJ (fls. 45/52) indeferiu o pleito da Recorrente, por entender que não há norma autorizando a atualização monetária pretendida, assim como, no caso específico da COFINS, o artigo 13 da Lei nº 10.833/03 veda a atualização dos créditos não cumulativos da contribuição. A Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 57/72), reiterando as alegações trazidas em sua Manifestação de Inconformidade e acrescentando que, alternativamente, caso decidase pela inaplicabilidade da atualização monetária dos créditos, que ao menos, em razão das disposições contidas na Lei nº 9.784/99, os créditos sejam atualizados monetariamente da data em que a autoridade administrativa estava obrigada a decidir sobre o pedido de ressarcimento (e não o fez – em 30 dias contados da apresentação do pedido) até o momento em que foi finalmente ressarcido/compensado o crédito em questão. Vieramme, então, os autos para decidir. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11030.000570/200743 Acórdão n.º 330201.324 S3C3T2 Fl. 80 3 Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A questão que se coloca restringese ao direito à atualização monetária de créditos derivados da apuração não cumulativa da COFINS, quando o contribuinte apresenta pedido de ressarcimento. Embora sejam válidas não apenas as alegações da Recorrente, no que tange à equidade com que deve ser tratado o contribuinte nas relações com a administração tributária, bem como as decisões do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o direito à atualização monetária de créditos do contribuinte, cuja devolução pelo Fisco tarde em ocorrer, no caso de pedidos de ressarcimento em dinheiro de créditos de COFINS acumulados em razão da apuração não cumulativa da contribuição, a Lei nº 10.833/03 possui vedação expressa à atualização monetária (art. 13 da referida norma), verbis: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Neste mesmo sentido, a jurisprudência deste Tribunal Administrativo não tem admitido a atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores devidos ao contribuinte, por meio de ressarcimento, em situações similares à ora analisada. Ademais, imperioso registrar que, in casu, todo o valor pleiteado foi ressarcido, o que ainda traria discussão acerca da aplicação do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que necessita da negativa injustificada do Fisco. Pelo exposto, conheço do recurso em análise, posto que presentes os requisitos de admissibilidade, para o fim de NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 80DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11030.000570/200743 Acórdão n.º 330201.324 S3C3T2 Fl. 81 4 Fl. 81DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.011791/2002-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E
COOPERATIVAS, E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas,
produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
Recurso Provido
Numero da decisão: 9303-001.381
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS, E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Provido
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS, E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 13 de julho de 2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Fl. 392DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Macedo Rosenburg Filho, Gileno Gurjão Barreto, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão de primeira instância: Versa o presente processo sobre pedido de ressarcimento de créditos presumido de IPI, ingressado no dia 04/09/2002, no valor de R$ 6.500.000,00, correspondente ao 2º trimestre de 2002, conforme documento de fl. 01, com fundamento na Lei n° 9.363/1996. Não consta dos autos declaração de compensação. O processo foi analisado na Delegacia de origem, com base no termo de verificação fiscal (fls. 171184), concluiu, conforme informação fiscal e despacho de fls. 194195, por deferir parcialmente o pedido de ressarcimento no valor de R$ 4.929.732,18 e homologar as declarações de compensação até o montante desse direito creditório. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade (fls. 197215), na qual argumentou, em suma, que: A Delegacia de origem indeferiu o pedido de ressarcimento por não ter garantido o acréscimo da Taxa Selic, contada a partir da data da geração do direito ao crédito presumido, ou ao menos, sucessivamente, contada a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento; A unidade de origem não considerou os valores relativos às compras de insumos de nãocontribuintes da Cofins e do Pis realizadas de fornecedores pessoas físicas e cooperativas; A unidade de origem não considerou os valores de matéria prima importada, não adquirida no mercado interno; A unidade de origem não considerou os valores relativos às compras de energia elétrica, sistema de comunicação, óleo combustível por não se enquadrarem no conceito de insumo; A unidade de origem não considerou as notas fiscais de transferências de matériaprima, produtos químicos e material de embalagem para as filiais de Maracanaú e Sobral, bem como as que acobertaram devoluções de compras; Em razão desse posicionamento, a DRF/Fortaleza homologou parcialmente as compensações; Há previsão legal da atualização monetária na Lei nº 9.363/1996, pois, ao outorgar o crédito presumido do IPI, garantiu aos contribuintes o direito de utilizarem o montante equivalente ao verificado na data de sua geração, quantia que não pode ser reduzida por qualquer motivo, sob pena de ilegalidade da medida adotada, que caso não seja admitida a correção monetária estará sendo criada uma hipótese de diminuição do crédito presumido sem fundamentação legal, pois Fl. 393DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.011791/200208 Acórdão n.º 930301.381 CSRFT3 Fl. 373 3 evidentemente o valor a ser aproveitado será inferior ao que o contribuinte teria direito; A IN SRF nº 23, de 13/03/1997 confirmou que a utilização do crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363/96 deverá observar as normas sobre ressarcimento e compensação da IN SRF nº 21/1997 e transcreveu o art. 9º da IN primeiramente citada; O ressarcimento de que trata o caput do art. 1º da Lei nº 9.363/1996, não acarreta a modificação dessa situação, porque somente se refere ao objetivo da lei ao conceder o direito de os contribuintes compensarem o crédito presumido do IPI e transcreveu o § 3º do artigo 66 da Lei nº 8.383/1991; A própria Advocacia Geral da União ratifica que a correção monetária não se constitui em acréscimo de valor, nos termos do Parecer nº 01, de 11/06/1996, com a conclusão de que a correção monetária não se constitui plus a exigir expressa previsão legal; Aduziu decisões administrativas; A Lei nº 9.250/1995 garante a utilização da Taxa Selic e citou o § 4º do artigo 39, que trata do direito de compensar os créditos a serem ressarcidos à Recorrente e devem sofrer sua incidência; Os artigos 1º e seguintes da Lei nº 9.363/1996 jamais estabeleceram restrições relativas às compras de insumos de não contribuintes da Cofins e do Pis, especialmente Pessoas Físicas e Cooperativas, que não existindo essa limitação não pode ser admitida a exclusão realizada em relação às aquisições através de pessoas não sujeitas a Cofins e Pis, que o Colendo Conselho de Contribuintes vem garantindo esse direito ao considerar tais aquisições na apuração do valor do crédito, e transcreveu ementas de acórdãos emanados daquele Conselho; Essa manifestação também merece ser provida para garantir a manutenção dos valores aproveitados em relação ao recebimento de serviços de telefonia e compras de energia elétrica, insumos importados e fretes; No tocante à energia elétrica não pode ser negado o direito da empresa industrial considerar o valor de sua aquisição para apuração co custo total, por ser um insumo utilizado para a produção dos produtos exportados, que também o Colendo Conselho de Contribuintes vem garantindo o direito de os contribuintes considerarem a energia elétrica na base de cálculo do crédito presumido, por estar a sua inclusão garantida pelo art. 1º da Lei nº 9.363/1996; Da mesma forma, o art 1º da Lei nº 9.363/1996 garante à recorrente a inclusão no custo total do valor das matérias primas e insumos não tributados pelo IPI, pois como restou demonstrado alhures, não limitou às aquisições a serem consideradas apenas as de produtos tributados, algo que deveria Fl. 394DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 ter sido realizado de forma expressa pela legislação para que fosse legítima a exclusão realizada pela fiscalização; No que diz respeito a óleo combustível e fretes de despesas de carga, pelas mesmas razões, também não poder ser admitidas as exclusões efetuadas pela fiscalização, pois por se constituírem em produtos intermediários na produção também devem ser incluídas na base de cálculo do crédito presumido; Não existem motivos para não serem consideradas as aquisições de insumos importados e serviços de telefonia – comunicação, porque além de possuírem natureza de insumos, também não existe nos arts. 1º e seguintes da Lei nº 9.363/1996 a restrição estabelecida pela DRF de origem; Com relação às transferências de matériasprimas, produtos químicos e material de embalagem para as filiais de Maracanaú e Sobral, que não existe na legislação a obrigação destas notas serem excluídas, especialmente porque fazem parte dos insumos adquiridos pela recorrente considerando a sua pessoa jurídica como contribuinte legitimado para pleitear o pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI, que adquiriu efetivamente as matérias primas objeto das referidas Notas Fiscais para serem utilizadas no seu processo produtivo, não existindo nos arts 1º e seguintes da Lei nº 9.363/1996 vedação considerando os montantes nelas discriminados para fins de apuração do valor do crédito presumido objeto do pedido de ressarcimento, que tanto é assim, que o artigo 2º da mesma Lei determina que a base de cálculo do crédito presumido será determinada sobre o valor total das aquisições algo que não deixou de existir em razão das transferências realizadas pela Recorrente; Finalmente requereu o seguinte: t.1 Seja garantido o direito ao ressarcimento dos valores com o acréscimo da taxa Selic, contada a partir da data da geração do direito ao crédito presumido no final do 2º trimestre de 2001 até o efetivo recebimento do valor, ou, ao menos, sucessivamente, contada a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento; t.2 – Seja garantida a manutenção da apuração do crédito presumido do IPI a ser ressarcido sem a exclusão dos valores relativos às compras de insumos de não contribuintes da Cofins e do Pis, especialmente aquelas realizadas de pessoas físicas e cooperativas; t.3 – Seja garantida a manutenção da apuração do crédito presumido do IPI a ser ressarcido sem a exclusão dos valores relativos às compras de matériaprima importada, não adquirida no mercado interno, de energia elétrica, sistema de comunicação e óleo combustível; t.4 – Seja garantida a manutenção da apuração do crédito presumido do IPI a ser ressarcido considerando as notas fiscais de transferências de matériaprima, produtos químicos e material de embalagem para as filiais de Maracanaú e Sobral, bem como as que acobertaram devoluções de compras; Fl. 395DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.011791/200208 Acórdão n.º 930301.381 CSRFT3 Fl. 374 5 t.5 – A reforma da decisão recorrida para serem homologadas as compensações realizadas, porque o valor do crédito presumido do IPI objeto do presente processo é superior ao valor dos débitos compensados. Julgando feito, o Colegiado de primeira instância indeferiu a manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do artigo 100 do CTN. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃOCONTRIBUINTES (PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E IMPORTADORES). Incabível o ressarcimento do Pis/Pasep e da Cofins a título de incentivo fiscal em relação a insumos adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e importadores, que não suportaram o pagamento dessas contribuições. Ao determinar a forma de apuração do incentivo, a lei excluiu da base de cálculo do benefício fiscal as aquisições que não sofreram incidência das contribuições ao Pis e à Cofins no fornecimento ao produtor exportador. IPI. DIREITO AO CRÉDITO. AÇÃO DIRETAMENTE EXERCIDA SOBRE O PRODUTO EM FABRICAÇÃO. DESGASTE, O DANO OU A PERDA DE PROPRIEDADES FÍSICAS OU QUÍMICAS. Geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou vice versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Fl. 396DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. QUANTUM RECONHECIDO DE CRÉDITO. A declaração de compensação depende da existência de um crédito. Assim, as declarações de compensação só devem homologadas na exata medida do direito creditório reconhecido. Solicitação Indeferida Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário onde se insurge contra a exclusão da base de cálculo do crédito presumido, dos valores pertinentes Às aquisições de pessoas físicas. A Requerente também se insurge contra o indeferimento de sua pretensão à atualização monetária (Selic) dos créditos a ressarcir. A câmara recorrida negou provimento ao pleito da Requerente, por entender que as aquisições de matériasprimas, de produtos intermediários ou de material de embalagem de pessoas físicas – não contribuintes do PIS e da Cofins não dão direito ao benefício fiscal, e que é incabível qualquer forma de atualização do ressarcimento de crédito de IPI, diante da inexistência de previsão legal. Inconformada, a requerente apresentou recurso especial (fls. 271 a 286), sendolhe dado seguimento pelo despacho de fl. 333. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 336 a 370, pugnando pelo não conhecimento do apelo do sujeito passivo, e, sucessivamente, o improvimento do recurso. Em apertada síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pela Douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, atende aos demais requisitos de admissibilidade, pois veio acompanhado de paradigmas não reformados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, e o cotejo entre o acórdão recorrido e os paradigmas é feito, de forma superficial, é verdade, mas a transcrição, tanto da ementa do acórdão vergastado como dos paradigmas, deixam claro o dissenso jurisprudencial. Assim, demonstrado, indubitavelmente, a divergência entre os julgados, este Colegiado temse manifestado, reiteradas vezes pelo conhecimento do recurso, de ambas as partes, ainda que a descrição analítica não se faça presente em sua inteireza. Diante disso, entendo atendidos os requisitos de admissibilidade, e, em razão disso, conheço do recurso especial do sujeito passivo. Ultrapassada a questão do conhecimento, adentrase, de imediato, no mérito do recurso. Fl. 397DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.011791/200208 Acórdão n.º 930301.381 CSRFT3 Fl. 375 7 A matéria devolvida ao Colegiado cingese às questões da inclusão dos valores pertinentes às aquisições de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, e, também, a da aplicação da Selic sobre os créditos presumidos de IPI, a ressarcir. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que, O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. ......................................................................................................... Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). ................................................................................................. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717 Fl. 398DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Com essas considerações, ressalvo meu entendimento em contrário, explicitado em inúmeros votos neste Colegiado, e, por força regimental, curvome a decisão do STJ, e passo a admitir a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas, e, sobre os créditos a ressarcir, a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). É como voto. Henrique Pinheiro Torres Fl. 399DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13981.000038/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: COFINS
Ano-calendário: 2004
A pessoa jurídica poderá descontar créditos apurados em
relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for
suportado pelo vendedor, conforme caso do inciso II, art.
3º, da Lei nº. 10.833/2003.
A legislação que rege a COFINS na sistemática de apuração não-cumulativa não condiciona o crédito à observância do regime contábil da competência para a emissão e o registro de documentos fiscais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-000.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : COFINS Ano-calendário: 2004 A pessoa jurídica poderá descontar créditos apurados em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme caso do inciso II, art. 3º, da Lei nº. 10.833/2003. A legislação que rege a COFINS na sistemática de apuração não-cumulativa não condiciona o crédito à observância do regime contábil da competência para a emissão e o registro de documentos fiscais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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A legislação que rege a COFINS na sistemática de apuração nãocumulativa não condiciona o crédito à observância do regime contábil da competência para a emissão e o registro de documentos fiscais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. EDITADO EM:05/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Fl. 595DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Daniel Mariz Gudiño,Adriana Oliveira e Ribeiro e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Ausências justificadas de Luciano Lopes de Almeida Moraes e Marcelo Ribeiro Nogueira . Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de “Pedido de Ressarcimento” de créditos de Cofins, relativo ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$195.429,95, com base no art. 3º. Da Lei nº. 10.833/2002. Na análise da documentação apresentada pela contribuinte, concluiu a autoridade fiscalizadora por evidenciar as seguintes inconsistências que deram origem às glosas: 1 – Linha 02 Glosas de Valores de “Bens utilizados como insumos”: Neste item, às fls. 94/96, consta uma relação detalhada das inconsistências encontradas quanto aos bens utilizados como insumos em relação a alguns dos fretes e operações enquadradas nos CFOP 1.101, 2.101, 1.124 e 2.124, onde são descritos os valores glosados, o emissor e o número da nota fiscal, o motivo da glosa, o mês e a folha; 2 Linha 04 – Glosa a título de Despesas de Energia Elétrica: no valor de R$ 135.871,01, relativos à correção monetária, multa e juros por atraso no pagamento, além de erro constatado na totalização das faturas; 3 Linha 07 – Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda: onde foi glosado o valor de R$ 1.450,00, relativa à nota fiscal nº. 7.093, da empresa Itracon – Itajaí, pelo fato da contribuinte não ter enviado o comprovante solicitado na intimação Saort nº. 12.967 (fl. 78). Houve o reconhecimento parcial do direito creditório no valor de R$ 137.955,23, como sendo o saldo da Cofins, observando o disposto no art. 34 da Instrução Normativa nº. 600/2005. A contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade (fls. 106/113), onde traz uma relação das glosas com as quais não concorda e os respectivos motivos: Fl. 596DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13981.000038/200541 Acórdão n.º 320100.828 S3C2T1 Fl. 2 3 Glosa dos Conhecimentos de frete nºs. 647, 564, 572, 571, 600 e 669 da empresa Transportes E.A.E. Ltda (Quadro 1), cujos valores foram glosados em vista de que, nos referidos documentos “consta como remetente de carga de toras de pinus um fornecedor que, segundo o relatório de entradas às fls. 55, 56 e 57, nada forneceu à madereira Seleme no trimestre”. Sobre esta glosa, alega que todos os conhecimentos de frete em questão se referem a transporte de toras de Pinus (matériaprima) adquiridos da empresa Klabin S/A, cujas notas fiscais de aquisição constam do relatório de aquisições de fls. 55, 56 e 57 anexo I do presente; que são prestações legítimas, efetivamente realizadas, escrituradas e pagas pela requerente em favor da empresa de transportes, cujos valores coincidem exatamente como os respectivos conhecimentos de frete. Esclarece que apenas os conhecimentos nºs. 647, 564 e 572 foram preenchidos equivocadamente pelo transportador quanto ao remetente das mercadorias, indicando a empresa Tisa Fruticultura e Reflorestamento Ltda., quando deveria ser Klabin S/A, o que foi retificado pelo próprio transportador através da Carta de Correção – Anexo 2;. Esclarece, ainda, que a empresa de transportes E.A.E. Ltda. emitiu os conhecimentos de frete englobando todas as prestações realizadas na quinzena, conforme faculta a legislação do ICMS por se tratar de prestações repetidas. Glosa da nota fiscal nº. 52.664 de Woodgrain do Brasil Ltda. (Quadro 2): no valor de R$ 436.074,73, que foi excluída pelo fato de não ter sido possível concluir que efetivamente se tratava de nota complementar relativa a serviços de industrialização. Além disso, teria sido emitido sem a observância do regime de competência. Alega que a nota em questão se refere a complemento de preço por serviços de industrialização efetuados no período de janeiro a agosto de 2004, que se trata de operação legítima e devidamente registrada nas escritas contábil e fiscal. Anexa aos autos a Carta de Correção de declaração emitida pela referida empresa, descrevendo a natureza jurídica da operação, bem como as notas fiscais as quais se refere o complemento, bem como as notas que deram origem à emissão da nota fiscal complementar (anexo 3). Quanto à inobservância do regime de competência, observa que o direito ao crédito independe da observação do regime contábil da competência para a emissão ou registro de documentos fiscais; importa é que se trata de operação legítima, para a qual a legislação assegura o direito ao crédito. Glosa das notas fiscais nº. 372.611, 373.797, 375.195 e 376.813 de Clariant S/A; nº. 108.820 e 109.842 de Alba Química; nº. 125.328 de Bordem Química; nº. 9.718 de Manuli Fitasa; nº. 35.659 de Ind. Química Mascia e do CTRC nº. 7.093 de Intracon (Quadros 3 e 4); Aduz estranhar o fato de que tais documentos não tenham sido enviados, conforme consta do relatório fiscal, pois tem a convicção que foram enviados prontamente cópia de todos os documentos solicitados em resposta à intimação nº. 12.967, conforme cópia do protocolo em anexo. Para superar esta questão, envia cópia dos documentos fiscais em questão para que sejam Fl. 597DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 revistas as glosas, uma vez que se tratam de operações com direito a crédito (anexo 4) Requer , por fim, o reconhecimento do direito ao ressarcimento de créditos de Cofins, especificados na presente manifestação. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0721.100, de 10/09/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte.” O julgamento foi no sentido de dar provimento parcial à manifestação de inconformidade interposta pelo interessado. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória; bem como fundamenta com provas documentais. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Trata o presente processo de “Pedido de Ressarcimento” de créditos de Cofins, relativo ao terceiro trimestre de 2004. A decisão de primeira instância, tendo em vista provas trazidas pela recorrente, relativas às notas fiscais nº. 372.611, 373.797, 375.195 e 376.813 de Clariant S/A; Fl. 598DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13981.000038/200541 Acórdão n.º 320100.828 S3C2T1 Fl. 3 5 nº. 108.820 e 109.842 de Alba Química; nº. 125.328 de Bordem Química; nº. 9.718 de Manuli Fitasa; nº. 35.659 de Ind. Química Mascia e do CTRC nº. 7.093 de Intracon. Entendeu que as empresas são, via de regra, indústrias químicas, e que os produtos adquiridos pela contribuinte (solventes, cola, adesivos, etc...) são passíveis de serem utilizados como insumos em sua produção ou fabricação. Assim sendo, essas aquisições enquadramse entre aqueles para os quais há desconto dos créditos no regime nãocumulativo do PIS/Pasep (Lei nº 10.637, de 2002) e da Cofins (Lei nº 10.833, de 2003); afastando desse modo a glosa pela fiscalização. Quanto à glosa dos conhecimentos de frete n ° s 647, 564, 572, 571, 600 e 669 de Transportes E.A.E Ltda O motivo da glosa é que nos CTRCs constava "como remetente da carga de toras um fornecedor que, segundo o relatório de entradas fl. 55, 56 de 57, nada forneceu à Madeireira Seleme no trimestre". Percebo que a referida objeção foi devidamente esclarecida mediante prova documental. A decisão recorrida usou outro motivo para não conceder o crédito, a saber: nos CTRCs não consta a quais notas fiscais da Klabin S/A os mesmos correspondem. A Transportes E.A.E Ltda emite os CTRCs quinzenalmente, englobando num único documento todas as prestações realizadas no período, logo,não discrimina os números das notas fiscais das mercadorias transportadas. Não obstante, a requerente elaborou relatório discriminando todas as notas fiscais que correspondem a cada CTRC em questão, conforme anexo 01. Entendo que em sendo serviço de transporte de toras de pinus (principal matériaprima utilizada pela requerente em seu processo produtivo), referidas prestações ensejam direito a crédito, nos termos do inc. II do art. 3° da Lei de n° 10.833/2003. Assim sendo, a pessoa jurídica poderá descontar créditos apurados em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Quanto à glosa da nota fiscal n° 52.664 de Woodgrain do Brasil Ltda A DRJ já tinha se pronunciado que tendo em vista provas trazidas pela recorrente, no tocante à nota fiscal n° 52.664 considerou como efetiva prestação de serviços de industrialização, complementando os valores pagos nos meses anteriores. No entanto, não considerou a nota fiscal em referência por ter sido emitido sem a observância do regime de competência. Ocorre que a nota fiscal do fornecedor Woodgrain do Brasil Ltda. referese a complemento de preço por serviços de industrialização efetuados no período de janeiro a agosto de 2004, tendo sido devidamente registrada nas suas escritas fiscal e contábil na data do seu recebimento. A legislação que rege a COFINS na sistemática de apuração não cumulativa não condiciona o crédito à observância do regime contábil da competência para a emissão e o registro de documentos fiscais. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 É indiscutível que o documento em questão gera direito de crédito do imposto, mesmo que se refira a complemento de preço de operações realizadas em períodos anteriores (janeiro a agosto de 2004). Logo, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá ser aproveitado nos meses subsequentes pelo valor originário que foi constituído e escriturado, sem atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (leis n° 10.637/02, § 4° do art. 3° e n° 10.833/03, § 4° do art. 3°. Quanto à glosa do Crédito Relativo ao CTRC n° 7.093 de Intracon Transportes Tratase de despesa com frete, no valor total de R$ 1.450,00, onde consta a própria recorrente como emitente e tendo por destinatário da mercadoria o Porto de São Francisco do Sul. O frete foi pago pela recorrente, constando como mercadoria transportada um container – espécie 40” Dry cujo valor da mercadoria é R$ 20.000,00. Observase no referido CTCR o transporte de um container no valor de R$ 20.000,00, o que, por si só, não dá direito aos créditos no regime da nãocumulatividade. A recorrente não logrou comprovar sobre as mercadorias transportadas e a natureza da operação, e se houve armazenagem; tendo em vista que a Lei nº. 10.833/2003, art. 3º., IX, dispõe: “a pessoa jurídica poderá descontar créditos apurados em relação à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo, quando o ônus for suportado pelo vendedor”. O que não ocorreu neste caso, apenas alegações. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 600DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.901805/2009-43
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS D A PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de
dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Estando o pagamento apontado como origem do crédito integralmente alocado ao débito confessado, inexiste saldo a restituir ou compensar.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.767
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso nos termos do voto do Relator
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS D A PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Estando o pagamento apontado como origem do crédito integralmente alocado ao débito confessado, inexiste saldo a restituir ou compensar. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes Relatório Fl. 127DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Tratase PER/DCOMP transmitida pela Recorrente em 30/06/2006, objetivando a restituição de IRPJ (PA dezembro de 2004 – lucro real estimativa mensal) no valor original de R$ 320.104,29 e efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada com parcela desse crédito (fls. 05) Em despacho decisório de 25/03/2009 (fls. 06), a DRF de Manaus não homologou a compensação declarada face a inexistência do crédito informado, pois o DARF informado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificada da decisão em 03/04/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/05/2009 (fls. 11), alegando que houve erro na informação do pagamento do DARF, pois na PER/DCOMP constou 31/01/2005, quando o pagamento ocorreu efetivamente em 18/03/2005. Com o Acórdão nº 0119.820, de 09 de novembro de 2010, a 3ª Turma da DRJ de BelémPA, julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente e o Direito Creditório não Reconhecido. A DRJ de Belém reconheceu que o erro da informação da data do pagamento do DARF levou o sistema da Receita Federal a não localizálo, mas observou que na DCTF anexada às fls. 27, o débito confessado para o período foi de R$ 803.244,58, mesmo valor do principal, recolhido no DARF, estando o referido pagamento integralmente alocado, inexistindo saldo a ser restituído ou utilizado em compensação. Intimada do Acórdão em 07/02/2011, interpôs Recurso Voluntário em 04/03/2011, alegando: I – o valor declarado em DCTF encontrase equivocado, tratandose de mero erro no preenchimento formal daquele documento fiscal; II – a Recorrente equivocouse ao deixar de retificar a DCTF e, em conseqüência, não fez refletir naquela declaração os valores efetivamente devidos a título de IRPJ, período de apuração de dezembro de 2004, deixando de demonstrar o valor indevidamente recolhido a maior; III – o valor efetivamente devido, de R$ 483.140,29, foi devidamente demonstrado e declarado na DIPJ (doc.anexo), onde pode se verificar, insofismavelmente, a existência do direito creditório; IV – é necessário afastar a argumentação de que, em caso de divergência, prevaleceria o valor declarado em DCTF e não os valores declarados em DIPJ, visto que a DCTF consistiria em confissão de dívida, o que não ocorreria com a DIPJ; V Por certo, se os valores declarados em DIPJ fossem superiores aos valores declarados em DCTF, e o pedido de compensação se fundamentasse nos valores declarados em DCTF, o entendimento da Turma Julgadora seria exatamente o contrário. VI –o entendimento de que os valores declarados em DIPJ não se constituem confissão de dívida, não encontra respaldo pacífico no então Primeiro Conselho de Contribuintes: DIPJ CONFISSÃO DE DÍVIDA A DIPJ, Comunicando a existência do crédito tributário não informado na DCTF, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente Fl. 128DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.901805/200943 Acórdão n.º 1801000.767 S1TE01 Fl. 128 3 para a exigência do referido crédito, devendo, assim, ser afastada a multa de ofício aplicada pela falta de declaração, na DCTF, dos mesmos valores, se já confessados na DIPJ, anteriormente ao lançamento. (ICC Proc. 10640.003009/2006 94 Rec. 161290 (10196.464) Ia C. Rei. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho DOU 13.05.2008 p. 22) VII – mero erro no preenchimento da DCTF, absolutamente equivocada a r. decisão proferida pela C. Turma Julgadora, que contraria o entendimento pacificado pelo extinto Conselho de Contribuintes: DCTF ERRO DE PREENCHIMENTO Erros de preenchimento em DCTFs originais e complementares não podem justificar a procedência do auto de infração quando se verifica que o pagamento do crédito tributário foi devidamente efetuado pelo contribuinte. Recurso de ofício negado. (ICC Proc.13819.002506/200331 Rec. 159178 (10249301) – Rel. Alexandre Naoki Nishioka DOU 10.12.2008 p. 25) DCTF ANO CALENDÁRIO 1997 EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO Comprovado tratarse de mero erro de fato praticado no preenchimento da DCTF, bem como o regular recolhimento do IRRF, afastase o lançamento. Recurso providoPor unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, por verificação de erro de fato no preenchimento da DCTF. (ICC Proc. 10768.009771/200214 Rec. 153693 (Ac. 102 48770) 2a C. Rela Silvana Mancini Karam DOU 08.02.2008 p. 18) VIII – a comprovação do erro no preenchimento da DCTF poderá ser feito através da DIPJ, conforme entendimento da mais alta Corte Administrativa do País: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração. 01/07/1998 a 30/09/1998. DÉBITO DECLARADO EM DCTF LANÇAMENTO ELETRÔNICO ERRO DE FATO Comprovado o erro de fato na declaração de valores em DCTF. conforme atesta a DIJP do Exercício 1999, reputase indevido o lançamento de ofício realizado. (ICC Proc. 13819.002063/200389 Rec. 163.923 (1950.010) – Rel. Walter Adolfo Maresch DOU 09.03.2009 p. 30. Pede o provimento do Recurso. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço A recorrente buscou compensar valor de IRPJ, no seu entendimento, pago a maior, referente ao mês de dezembro de 2004. Contudo, as informações constantes da DCTF não permitiram que a compensação fosse feita, pois a data de pagamento do DARF foi informada incorretamente como sendo 31/01/2005, quando o correto seria 18/03/2005. A DRF em Manaus, corretamente, não homologou a compensação. Na manifestação de inconformidade, a recorrente não alegou preenchimento incorreto de DCTF, o que levou a DRJ a não reconhecer o direito creditório, pois o valor do DARF pago era igual ao valor constante da DCTF. A recorrente só veio a informar que a DCTF estava com valor incorreto no Recurso Voluntário e mais, que a DIPJ comprova a alegação constante do Recurso.Junta cópias de páginas da DIPJ para comprovar sua alegação. A normatização da matéria é clara ao prever que a DCTF só pode ser alterada por outra DCTF, no caso retificadora. Por outro lado, as informações contidas na DIPJ, que tem caráter meramente informativo, por si só, não alteram os valores lançados em DCTF. Entretanto, como ficou provado nos autos que o IRPJ constante da DCTF foi recolhido e que o valor informado na DIPJ é inferior ao informado na DCTF, caberia a Recorrente ter efetuado a retificação da DCTF, fato que ela confessa não haver feito, caracterizando assim a alegada ocorrência de erro formal no preenchimento da DCTF. A jurisprudência deste Conselho é no sentido de que havendo divergências entre os valores declarados em DCTF e na DIPJ, prevalecerão as informações constantes da DCTF, tendo em vista a sua natureza de confissão de dívida. DCTF. DIPJ. DIVERGÊNCIAS. PREVALÊNCIA DA DCTF.Havendo divergências entre os valores declarados das estimativas na DCTF e na DIPJ, devem prevalecer as informações constantes da DCTF, tendo em vista a sua natureza de confissão de dívida Acórdão nº 140100.343 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de novembro de 2010 Por suas corretas fundamentações, cito, a seguir, os itens 11 e 12 do Voto da DRJ em Belém que julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente: 11. Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a confissão de dívida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. É que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se . mostra suficiente que. o contribuinte limitese a alegar erros, Fl. 130DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.901805/200943 Acórdão n.º 1801000.767 S1TE01 Fl. 129 5 fazendose necessário que demonstre que a obrigação tributária principal é indevida. 12. Dessa forma, inexistindo documentos de suporte capazes de indicar o quantum do tributo efetivamente devido, caracterizando o erro de haver confessado e pago um débito superior ao que afirma ser o real, resulta/notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão.Voto da DRJ Da análise de todo o processo, fica evidenciada a inexistência do crédito que a Recorrente pretende compensar. Apenas a alegação de erro formal no preenchimento da DCTF e apresentação de DIPJ com valor inferior ao DCTF não são suficientes para provar a existência do valor a compensar. Diante do exposto, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 131DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11844.000020/2004-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2003
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. ENGENHARIA. AGRONOMIA. ART. 9°, INCISO XIII DA LEI 9.317/96
A execução do trabalho profissional relacionado com a agricultura; a aplicação de defensivos agrícolas; a preparação do solo para agricultura são atividades próprias de engenheiros-agrônomos ou técnicos de nível superior ou médio, cuja profissão é regulada por lei e sujeita à fiscalização do Crea., encontra-se vedada para inclusão da pessoa jurídica no SIMPLES, a teor do
art. 9°, XIII da Lei n. 9.317, de 1996.
Recurso especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9101-001.062
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso do Procurador da Fazenda Nacional e, quanto ao mérito, deram-lhe provimento a fim de manter o ato declaratório de exclusão do Contribuinte do SIMPLES, determinando-se o retorno dos autos ao Colegiado a quo para exame das demais razões de mérito suscitadas pelo Contribuinte.
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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Antonio Carlo U1 ni Fit o - Relator. Editado em: SET 2011 CSRF-T1 Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 11844.000020/2004-15 Recurso n° 332.964 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-001.062 — la Turma Sessão de 28 de junho de 2011 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAVOINE & AYRES LTDA. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. ENGENHARIA. AGRONOMIA. ART. 9°, INCISO XIII DA LEI 9.317/96 A execução do trabalho profissional relacionado com a agricultura; a aplicação de defensivos agrícolas; a preparação do solo para agricultura são atividades próprias de engenheiros-agrônomos ou técnicos de nível superior ou médio, cuja profissão é regulada por lei e sujeita à fiscalização do Crea., encontra-se vedada para inclusão da pessoa jurídica no SIMPLES, a teor do art. 9°, XIII da Lei n. 9.317, de 1996. Recurso especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso do Procurador da Fazenda Nacional e, quanto ao mérito, deram-lhe provimento a fim de manter o ato declaratório de exclusão do Contribuinte do SIMPLES, determinando-se o retorno dos autos ao Colegiado a quo para exame das demais razões de mérito suscitadas pelo Contribuinte. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Com base no permissivo do Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: "SIMPLES. EXCLUSÃO. Prestadora de serviços relacionados com a agricultura, aplicações de defensivos agrícolas e domissanitários, desmatamento, aceiro, cercas de arame liso e farpado, preparação do solo para agricultura e serviços relacionados com a pecuária, exceto atividades veterinárias. Atividade permitida. ALCANCE DA VEDAÇÃO. A vedação imposta pelo inciso MII, do artigo 90, da Lei n° 9.317/96, não alcança microempresas e empresas de pequeno porte constituídas para a exploração de • atividade econômica caracterizada pela prestação de serviços e circulação de bens, que envolvam profissionais diversos, independente da habilitação profissional de que trata o dispositivo. PRINCIPIO DA LEGALIDADE - Na ausência dc dispositivo que vede sua opção, deve a Recorrente ser mantida no sistema. Recurso voluntário provido." 0 caso foi assim relatado pela Câmara recorrida, verbis: Trata-se o presente processo de exclusão de oficio de pessoa jurídica optante ao Simples, averiguada pelo INSS contra o contribuinte, conforme Representação Administrativa IV AT/002/2004 «is. 02/04). Amparado pelo Parecer de fls. 12 e Despacho Decisório de fls. 16, o Ato Declaratório Executivo - ADE n" 34, de I° de dezembro de 2004, (fis.17) declarou a empresa excluída do Sistema SIMPLES, a partir de 1 de janeiro de 2002, por esta exercer atividade diversa daquela para qual estava legalizada. Inconformado, o contribuinte apresenta tempestivamente, sua manifestação de inconformismo (fls. 22/30), alegando em suma, que: (I) a Lei de Introdução ao Código Civil é a base quando trata-se de tal assunto, pois esta traz em seu bojo a problemática da eficácia da Lei no tempo; (II) a retroatividade da lei é garantia constitucional, desde que ela não recaia sobre o ato jurídico perfeito, sobre o direito adquirido e sobre a coisa julgada; 2 Processo n° 11844.000020/2004-15 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.062 Fl. 2 (111) o Parecer, ao excluir a empresa do sistema Simples a partir do ano de 2002, fez com que a Lei retroagisse no tempo prejudicando em muito o contribuinte, onde o certo seria reenquadrar no sistema mais complexo, a partir de dezembro de 2004, ou seja, a data do referido Parecer e não a partir do ano de 2002, pois se do contrário fosse estar-se-ia retroagindo a lei para prejudicar a parte; (IV) ao ser analisado o Principio da Anterioridade, que vem descrito no art. 150, inciso III da CF, verifica-se que esta proibe que se cobre tributos antes da existência do fato gerador, ou seja, do inicio da vigência da Lei; M a expressão utilizada no dispositivo (fato gerador) não é urna boa redação e tão menos demonstra clareza vez que, a expressão fato gerador já subentende a existência da Lei; (VI) percebe-se que não haveria necessidade desse dispositivo, uma vez que há proibição da lei retroagir, e se fosse cobrar tributos antes da existência da lei, aconteceria uma retroatividade da lei, o que é proibido na Constituição Federal, no artigo n° 05 e na Lei de Introdução ao Código Civil, portanto, a normalidade é a não retroatividade da lei, e o que o dispositivo ora estudado diz é isto, que a lei não poderia vir cobrar tributos sobre fatos geradores ocorridos antes que ela fosse publicada, logo, o tributo só pode ser cobrado após a vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; (VII) quanto ao imposto, a teoria que mais tem se aproximado dos empresários brasileiros, tem sido a teoria do sacrificio, entendendo também os doutrinadores que sua exigência pelo Estado não pode ser feita de modo arbitrário ou indiscriminado, mas segundo alguns critérios politico-financeiros, trazidos em padrões que, embora de substrato econômico, se erigem em verdadeiros princípios jurídicos, tais como o principio da legalidade, o da anualidade ou anterioridade, o da igualdade e o da proporcionalidade; (VIII) desta forma, verifica-se que o Delegado substituto incorreu em confusão e equivoco, visto que, 013 substituíram termos gerando confusão a interpretação ou, se pretende atribuir ao legislador propósito que não tinha, ou ainda, se estender de tal sorte a interpretação ilimitadamente, extrapolando o seu sentido a ponto de não mais normalizar uma situação de fato, mas de criar uma ficção jurídica absurdamente fora do alcance de qualquer atividade lógica que pudesse determinar a significação e o alcance do texto legal, operando em teratogenia; (a) a Carta Magna em seu art. 150, estabelece com clareza o padrão inteipretativo a legislação tributária, ocorrida no presente caso, dada interpretação totalmente distorcida daquilo que recomenda a Constituição Federal; 3 (X) há inúmeras decisões no sentido de que a autuação fora feita de forma incorreta, além disso, a melhor doutrina tem orientado no sentido de que seja analisada com critério a subsunção do ato e da sanção fiscal ii norma legal básica, e também a subsunção dos fatos no auto de infração aplicado pelo Fiscal. Desta forma, requer o acolhimento da preliminar suscitada, e no mérito seja julgado o Auto de Infração improcedente. Caso seja outro o entendimento, que se aplique todos os benefícios existentes e sobretudo a anistia das multas e multas formais, tendo em vista a existência de Lei neste sentido. Anexa documentos as fls. 31/46. Encaminhados os autos a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia — DF, o pleito do contribuinte foi indeferido, conforme a seguinte ementa: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples. Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 Ementa: Exclusão do Simples — Atividade Econômica Não Permitida. A pessoa jurídica que preste serviços profissionais de engenheiro agrônomo, ou assemelhado, não pode optar pelo Simples. Efeitos da Exclusão A pessoa jurídica enquadrada nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 20 da IN SRF 250/2002, que tenha optado pelo Simples até julho de 2001, o efeito da exclusão dar- se-d a partir de 10 de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Inconstitucionalidade e/ou Ilegalidade Argüição de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites da sua competência o julgamento da matéria. Solicitação Indeferida" Inconformado com tal decisão, o contribuinte apresenta tempestivo Recurso Voluntário (fls. 58/63), reiterando seus argumentos e fundamentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, para que seja julgado improcedente o Auto de Infração ou então, e caso seja dado outro entendimento, que seja aplicado todos os benefícios existentes e sobretudo a anistia das multas e multas formais. Tendo em vista o disposto na Portaria MF n° 314, de 25/08/1999, deixam os autos de serem encaminhados para 4 Processo n° 11844.000020/2004-15 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.062 Fl. 3 ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional, quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, constando numeração até as fls. 65, última. .É. o relatório." O acórdão acima ementado deu provimento ao recurso voluntário do Contribuinte para cancelar o Ato Declaratório de exclusão do Simples. Segundo o acórdão, (1) não se trata, efetivamente, de atividade assemelhada A. de engenheiro, como pretende a decisão monocrática, eis que não consta de seu objeto social atividade que dependa exclusivamente de um engenheiro agrônomo; e (14) a vedação imposta pelo inciso XIII, do artigo 90 , da Lei n". 9317/96, não alcança as microempresas e as empresas de pequeno porte, assim constituídas para exploração de atividade econômica com o fim de circulação de bens e prestação de serviços, independente da habilitação profissional de que trata o dispositivo. Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional contrariedade do acórdão recorrido A lei (Lei n. 9.317/1996, art. 9 0, XIII) e A prova dos autos, sob o fundamento de que a Contribuinte exerceria funções próprias de "engenheiros agrônomos". O recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 450/2006 (fls.86/88)), ante a potencial afronta A lei e A prova dos autos.. A Contribuinte apresentou contra-razões. É o relatório. 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. No particular, diga-se que resta evidente o prequestionamento nos autos, já que o acórdão recorrido manifestou-se expressamente sobre os temas suscitados no apelo da Fazenda Nacional, notadamente no que se refere à (não) aplicação do art. 9° , XIII da Lei n. 9.317/1996 ao caso presente. Cinge-se a discussão em saber se a Contribuinte desenvolve (ou não) atividade vedada A inclusão no SIMPLES, na forma prevista no art. 9°, XIII da Lei n° 9.317/96. Da análise dos autos constatam-se as seguintes descrições das atividades praticadas pelo contribuinte: "CLAUSULAS 3 0 - 0 objetivo da sociedade será o ramo de Prestação de Serviços relacionados com a Agricultura, Aplicações de Defensivos Agrícolas, e Domissanitários, Desmatamentos, aceiro, Cercas de Arame Liso e Farpado Preparação do solo para Agricultura. Cod 01.61-9. Atividades de Serviços Relacionados com a Pecuária, Exceto Atividades Veterinárias. Cod. 01.62-7." ffls.06) A par da referencia aos objetivos sociais da Contribuinte, constam dos autos notas fiscais que dão conta da prestação de serviços de aplicação de herbicidas e realização de aceiros em propriedades rurais de terceiros, com indicação da retenção de contribuições previdencidrias sobre o montante integral das notas fiscais por força da remuneração dos serviços prestados. Com a devida vênia ao acórdão recorrido, entendo que as atividades acima descritas e aquelas citadas no objeto social da Contribuinte estão inseridas na vedação prevista no art. 9, XIII da Lei 9.317/96, que assim dispõe, verbis: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica (.) XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilita çâo profissional legalmente exigida;" (.) 6 Processo n° 11844.000020/2004-15 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.062 Fl, 4 0 Conselho Federal de Engenharia. Arquitetura e Agronomia — Confea aprovou a Resolução n. 218/73 para regulamentar o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto e Engenheiro-Agrônomo, que assim dispõe, verbis: "Art.1° - Para efeito de fiscalização do exercido profissional correspondente ás diferentes modalidades da Engenharia. Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, .ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 - Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 - Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 - Estudo de viabilidade técnico-económica; Atividade 04- Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 - Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06- Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Atividade 07- Desempenho de cargo e função técnica; Atividade 08 - Ensino, pesquisa, andlise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09 - Elaboração de orçamento; Atividade 10 - Padronização, mensuragdo e controle de qualidade; Atividade 11 - Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12- Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 - Produção técnica e especializada; Atividade 14 - Condução de trabalho técnico; Atividade 15 - Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção: Atividade 16 -Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 -Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18 - Execução de desenho técnico. Art. 5°- Compete ao ENGENHEIRO AGRÔNOMO: I - o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo I° desta Resolução, referentes a engenharia rural; construções para fins rurais e suas instalações complementares; irrigação e drenagem para fins agrícolas,' fitotecnia e zootecnia; melhoramento animal e vegetal; recursos naturais renováveis; ecologia, 7 agrometeorologia; defesa sanitária; química azricola; alimentos; tecnologia de transformação (açúcar, amidos, óleos, laticínios, vinhos e destilados); beneficiamento e conservação dos produtos animais e vegetais; zimotecnia; agropecuária; edafologia; fertilizantes e corretivos: processo de cultura e de utilização de solo; microbiologia agrícola; biometria; parques e jardins; mecanização na agricultura; implementos agrícolas,' nutrição animal; agrostologia; bromatologia e rações; economia rural e crédito rural; seus serviços afins e correlatas. Art. 23 - Compete ao TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR ou TECNÓLOGO: 1 - o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo I° desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; 11 - as relacionadas nos números 06 a 08 do artigo 1' desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item 1 deste artigo. Art. 24 -Compete ao TÉCNICO DE GRAU MÉDIO: I - o desempenho das atividades 14 a 18 do artigo 1" desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; II - as relacionadas nos números 07 a 12 do artigo 1' desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. A Lei n 5.194/66 e a citada resolução estabelecem expressamente que o exercício das atividades por elas definidas por pessoa fisica ou jurídica não legalmente registrada não produzirá efeito jurídico e será punido na forma da legislação de fiscalização da Engenharia. Arquitetura e Agronomia. Ainda segundo tais normas, os profissionais só poderão exercer a profissão após o registro no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia — Crea. Verbis: Lei n. 5.194/66, Art. 6° Exerce ilegalmente a profissão de engenheiro, arquiteto ou engenheiro-agrônomo.' a) a pessoa fisica ou jurídica que realizar atos ou prestar serviços público ou privado reservados aos profissionais de que trata esta lei e que não possua registro nos Conselhos Regionais; b) o profissional que se incumbir de atividades estranhas as atribuições discriminadas em seu registro; c) o profissional que emprestar seu nome a pessoas, firmas, organizações ou empresas executoras de obras e serviços sem sua real participação nos trabalhos delas; d) o profissional que, suspenso de seu exercício, continue em atividade; e) afirma, organização ou sociedade que, na qualidade de pessoa jurídica, exercer atribuições reservadas aos profissionais 8 ( , o - Relator Antonio Carlos Processo n° 11844.000020/2004-15 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-001.062 Fl. 5 da engenharia, da arquitetura e da agronomia, com infringência do disposto no parágrafo único do Ed. extra 8° desta lei. Resolução n 218/73, Art. 25 - Nenhum profissional poderá desempenhar atividades além daquelas que lhe competem, pelas características de seu currículo escolar, consideradas em cada caso, apenas, as disciplinas que contribuem para a graduação profissional, salvo outras que lhe sejam acrescidas em curso de pós-graduação, na mesma modalidade. Parágrafo único - Serão discriminadas no registro profissional as atividades constantes desta Resolução. Como bem assinalado pela Delegacia da Receita Federal de Tocantins (fls. 13), a execução do trabalho profissional relacionado com a agricultura; a aplicação de defensivos agrícolas; a preparação do solo para agricultura são atividades próprias de engenheiros-agrônomos ou técnicos de nível superior ou médio, cuja profissão é regulada por lei e sujeita A. fiscalização do Crea. Não por outro motivo que a Contribuinte mantém registro perante o CREA-TO' desde 17.10.2001, sob o n. 107.543/RF, conforme pode ser atestado pelo sitio eletrônico do CREA-TO, notadamente na página http://201.67.73.173/cgi- binp/pub_ficha_emp.cgi?nemp=107543. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para dar-lhe provimento a fim de manter o ato declaratório de exclusão da Contribuinte do SIMPLES, d te mando-se o retorno dos autos ao Colegiado a quo para exame das demais razões e as pelo Contribuinte. 'Conforme se extrai do sitio eletrônico do CREA-TO (http://www.crea-to.org.beindex.php ?menu=4), o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de Tocantins - CREA-TO, é uma autarquia federal de fiscalização do exercício das profissões de Engenheiros, Arquitetos, Engenheiros Agrônomos, Geólogos, Geógrafos, Meteorologistas, Tecnólogos e Técnicos de Segundo Grau das modalidades mencionadas, dotada de personalidade jurídica de direito público, com sede e foro na cidade de Palmas e jurisdição em todo o Estado defendendo a sociedade no que diz respeito A qualidade, ética e, principalmente, coibindo a pratica do exercício ilegal dessas profissões. 0 Crea-TO exerce o papel institucional de primeira e segunda instância, orienta e fiscaliza o exercício profissional, verificando e valorizando o exercício legal e ético das profissões do Sistema Confea/Crea. 9
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