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Numero do processo: 10855.002451/2002-54
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
PAGAMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 74.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado aplica-se retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento.
PAGAMENTOS TEMPESTIVOS. COMPROVAÇÃO. INCABÍVEIS ACRÉSCIMOS LEGAIS LANÇADOS.
Comprovada a tempestividade dos pagamentos efetuados, exoneram-se os acréscimos legais lançados.
Numero da decisão: 1001-001.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 74. Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento. PAGAMENTOS TEMPESTIVOS. COMPROVAÇÃO. INCABÍVEIS ACRÉSCIMOS LEGAIS LANÇADOS. Comprovada a tempestividade dos pagamentos efetuados, exoneramse os acréscimos legais lançados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 24 51 /2 00 2- 54 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10855.002451/200254 Acórdão n.º 1001001.305 S1C0T1 Fl. 358 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração lavrado em 09/05/2002 (fls. 13 a 17). O auto teve por objeto Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF declarado e não recolhido, e acréscimos legais sobre recolhimentos em atraso de IRRF (juros de mora e multa de ofício), devidos no anocalendário de 1997. Transcrevo, abaixo, o relatório da decisão de primeira instância, que resume o pleito (fls. 145 a 153): Tratase de lançamento consubstanciado em auto de infração, lavrado em 09/05/2002, em virtude de apuração de irregularidades quanto à quitação de débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), para exigir da autuada o recolhimento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 38.817,79, originado em rendimentos do trabalho assalariado, código de receita nº 0561, apurado na quarta semana de setembro de 1997, acrescido de multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), na quantia de R$ 29.113,34 e juros de mora na importância de R$ 36.298,51 e também para exigir multa isolada no valor de R$ 38.637,31, como ainda juros isolados no valor de R$ 435,96, tudo em razão de recolhimentos a destempo de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) sem o pagamento da multa de mora e dos juros, relativo a rendimentos do trabalho com e sem vinculo de emprego, remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica e "outros rendimentos", códigos de receita nºs 0561, 0588, 1708 e 8045, respectivamente, apurado nas primeira, segunda e quarta semanas de novembro de 1997. Regularmente cientificada, a autuada ingressou com a impugnação de fl. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/34, argumentando, em síntese, que efetuou o pagamento do tributo exigido no item 4.1 do auto de infração, conforme comprovante anexado. No tocante à multa e juros isolados aduz que os recolhimentos do tributo se fizeram nas épocas próprias, porém, por equívocos, constaram nas DCTFs períodos de apuração não condizentes à realidade, sendo corretos aqueles feitos constar nos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARFs). A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em SorocabaSP que, trabalhando com a hipótese da existência de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento entendeu pela insubsistência de parte da cobrança e revisou de oficio o lançamento, na forma do artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN), decotando da exigência os valores insertos no item 4.1 do auto de infração, fls. 37/38. Notificada, a Recorrente aviou as razões de fl. 54, acompanhada dos documentos de fls. 55/67, aduzindo que o artigo 44, § 1º, inciso I, da Lei 9430/96 foi revogado pelo artigo 14 da Medida Provisória n° 51, convertida na Lei 11.488, de 2007, dão porque solicita a exclusão do débito. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10855.002451/200254 Acórdão n.º 1001001.305 S1C0T1 Fl. 359 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, no Acórdão às fls. 145 a 153 do presente processo (Acórdão 1423.799, de 08/05/2009), julgou o lançamento procedente em parte. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 26/10/1997 a 01/11/1997, 02/11/1997 a 08/11/1997, 16/11/1997 a 22/11/1997 DÉBITO CONFESSADO. AUDITORIA INTERNA NA DCTF. Eventuais equívocos na DCTF de 1997 deveriam ser corrigidos pelos meios previstos na IN/SRF/N° 45, de 1998, a tanto admitido, igualmente, o contencioso administrativo. Na ausência de elementos probantes do alegado erro, ou ineficácia dos documentos apresentados, prevalecem os dados originariamente declarados. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento (CTN, art. 106, II, "c") No voto, observouse que restava do lançamento originário apenas a multa isolada de R$ 38.637,31 e os juros na quantia de R$ 435,96, decorrentes de pagamento feito em atraso sem os acréscimos legais. Sobre a afirmativa do contribuinte de que os períodos de apuração teriam ocorrido nas semanas subsequentes àquelas informadas em DCTF, sendo corretas as informadas nos DARF (sendo tempestivos os recolhimentos), ponderouse que não havia prova da alegação. Que por isso prevaleciam os débitos confessados em DCTF. Quanto à multa, a decisão esclareceu que se embasava nos artigos 43 e 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que ao tempo do lançamento previam a multa de ofício de 75% nos casos de pagamento após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória. Mas que o art. 14 da Lei nº11.488/2007 deu nova redação ao art. 44, inciso I, excluindo essa hipótese de incidência. Alegou que entendia que nos processos pendentes de julgamento cabia a mitigação da penalidade em face da retroatividade benigna a que alude o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Decidiu assim pela procedência parcial do lançamento revisto, para mitigar a multa aplicada, calculandoa no percentual de 20% sobre os valores pagos em atraso, totalizando R$ 1.189,99 (40,86+936,95+24,32+20,55+59,14+41,87+11,01+55,29), conforme demonstrativos às fls. 29, 33, 37, 41, 45, 49, 53 e 57. A multa foi assim reduzida de R$ 38.637,31 para R$ 1.189,99, mantendose os juros de mora – R$ 435,96. Cientificado da decisão de primeira instância em 24/06/2009 (Aviso de Recebimento à fl. 159), bem como do demonstrativo dos débitos remanescentes para pagamento (fl. 157), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/07/2009 (recurso às fls. 163 a 167, carimbo aposto na primeira folha). Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10855.002451/200254 Acórdão n.º 1001001.305 S1C0T1 Fl. 360 4 Nele repete a alegação da Impugnação de que os recolhimentos foram feitos nas épocas próprias, porém com equívocos nos períodos de apuração informados em DCTF. Que estariam uma semana adiantados. Para comprovar o erro junta o demonstrativo à fl. 169 e, os seguintes documentos: · DARF; · memórias de cálculo / relação de pagamentos; · folhas do Livro Diário nº 147 (fls. 193 a 203); · documentos contábeis referentes aos débitos; · Notas Fiscais e faturas (fls. 267 a 293, 301 a 321). É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Conforme relatório, os débitos remanescentes em litígio referemse à multa de mora (penalidade mitigada pela decisão de primeira instância) e juros de mora, ambos sobre pagamentos de IRRF supostamente efetuados em atraso. A documentação acostada pela empresa objetiva comprovar que não houve atraso, mas erro no período de apuração informado em DCTF, sempre uma semana antes do período correto. Preliminarmente, é preciso tratar da multa de ofício lançada, reduzida pela DRJ. A penalidade embasavase nos artigos 43 e 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que ao tempo do lançamento previam a multa de ofício de 75% nos casos de pagamento após o vencimento do prazo, quando esse era efetuado sem acréscimo de multa moratória. Conforme a referida decisão, o art. 14 da Lei nº 11.488/2007 (conversão da Medida Provisória nº 351/2007) deu nova redação ao art. 44, inciso I, excluindo essa hipótese de incidência. A retroatividade benigna disciplinada no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, como dito no acórdão recorrido, afasta a multa constituída. Tratase de matéria objeto da Súmula CARF nº 74: Súmula CARF nº 74 Aplicase retroativamente o art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que revogou a multa de oficio isolada por falta de acréscimo da multa de mora ao pagamento de tributo em atraso, antes prevista no art. 44, § 1º, II, da Lei nº 9.430/96. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10855.002451/200254 Acórdão n.º 1001001.305 S1C0T1 Fl. 361 5 A retroatividade benigna disciplinada no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, como dito no acórdão recorrido, afasta a multa constituída. Porém, não cabe a mitigação, que levou à redução da multa lançada. Porque o fundamento e o enquadramento legal do crédito tributário constituído são aqueles indicados no auto de infração. Excluída da legislação a hipótese de incidência, e cabível a retroatividade benigna, há de se exonerar o débito, e não substituílo por outro com base legal distinta (multa de mora determinada no art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Assim, ainda que extemporâneos os pagamentos efetuados, é incabível a multa mantida pela DRJ, restando apenas os juros de mora. Dito isso, tratemos dos períodos de apuração dos débitos. Será aqui avaliada a tempestividade de todos os débitos remanescentes da decisão de primeira instância, e não apenas daqueles com cobrança de juros de mora (que totalizam R$ 435,96). À fl. 169 o contribuinte apresenta demonstrativo, anexo ao recurso voluntário, com os períodos de apuração informados em DCTF, os períodos de apuração que alega serem os corretos, as datas de vencimento que alega serem as corretas, as datas de pagamento (coincidentes com o vencimento), os valores pagos, a multa mantida pela DRJ (total de R$ 1.189,99) e juros cobrados (total de R$ 435,96). Em resumo, a empresa alega que as informações contidas nos DARF estão perfeitamente corretas, diferindo da DCTF, essa sim equivocada, quanto ao período de apuração. Assim, defende que recolheu tempestivamente o valor total devido. Reproduzo abaixo, para maior clareza, parte do demonstrativo (valores em reais): Código PA DCTF PA Correto Valor Pago Data Vencimento Multa DRJ Juros 0561 2ª Sem – 11/97 3ª Sem – 11/97 1.769,20 19/11/1997 40,86 0561 4ª Sem – 11/97 5ª Sem – 11/97 40.560,98 03/12/1997 936,95 405,60 0588 1ª Sem – 11/97 2ª Sem – 11/97 1.052,94 12/11/1997 24,32 0588 2ª Sem – 11/97 3ª Sem – 11/97 890,00 19/11/1997 20,55 0588 4ª Sem – 11/97 5ª Sem – 11/97 2.560,18 03/12/1997 59,14 25,60 1708 1ª Sem – 11/97 2ª Sem – 11/97 1.812,62 12/11/1997 41,87 1708 4ª Sem – 11/97 5ª Sem – 11/97 476,79 03/12/1997 11,01 4,76 8045 2ª Sem – 11/97 3ª Sem – 11/97 2.393,70 19/11/1997 55,29 Consultandose, na página da Receita Federal, a agenda tributária do mês de novembro de 1997, vêse que, para os quatro códigos acima elencados, os períodos de apuração e vencimentos são os seguintes: 1ª Semana de 11/1997 – 26/10 a 01/11 – Vencimento 05/11; 2ª Semana de 11/1997 – 02/11 a 08/11 – Vencimento 12/11; 3ª Semana de 11/1997 – 09/11 a 15/11 – Vencimento 19/11; 4ª Semana de 11/1997 – 16/11 a 22/11 – Vencimento 26/11; Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10855.002451/200254 Acórdão n.º 1001001.305 S1C0T1 Fl. 362 6 5ª Semana de 11/1997 – 23/11 a 29/11 – Vencimento 03/12. Passemos às provas apresentadas. No Livro Diário nº 147, (fls. 193 a 203) confirmase apenas que os pagamentos foram contabilizados nos vencimentos indicados pela empresa: · R$ 1.812,42 e R$ 1.052,94 de IRRF de Terceiros, em 12/11/1997 (fl. 195); · R$ 1.769,20 de IRRF de Assalariados, em 19/11/1997 (fl. 197); · R$ 890,00 e R$ 2.393,70 de IRRF de Terceiros, em 19/11/1997 (fl. 199); · R$ 40.560,98 da IRRF de Assalariados, em 03/12/1997 (fl. 201); · R$ 2.560,18 e R$ 476,79 de IRRF de Terceiros, em 03/12/1997 (fl. 201). Em seguida a empresa junta, para cada débito: demonstrativo dos valores cobrados; folha da DCTF; DARF pago; documentos contábeis para comprovação da data do pagamento e retenção efetuados (fls. 223 a 331). Abaixo, sua análise individual. Débito de R$ 1.769,20 Às fls. 227 e 229 foram juntadas folhas do Livro Razão da conta Imposto de Renda Sobre Férias, na qual estão indicadas retenções de IR que somam R$ 1.769,20, referentes a pagamentos de férias efetuados em 14/11/1997 (3ª Semana – Vencimento em 19/11). Confirmase o período de apuração indicado pela empresa. Débito de R$ 40.560,98 Às fls. 235 a 241 foi juntado documento contábil no qual estão indicadas retenções que somam R$ 40.560,98, referentes a pagamentos de salários efetuados em 25/11/1997 (5ª Semana – Vencimento em 03/12). Confirmase o período de apuração indicado pela empresa. Débito de R$ 1.052,94 À fl. 247 foi juntado documento contábil que registra o Movimento Diário de Pagamento a Autônomos, no qual estão indicadas retenções que somam R$ 1.052,94, referentes a pagamentos a terceiros efetuados em 10/11/1997 (3ª Semana – Vencimento em 19/11). O período de apuração indicado pela empresa foi a 2ª semana de novembro de 1997, com vencimento em 12/11, o que significa que o pagamento foi efetuado antes do vencimento. Débito de R$ 890,00 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10855.002451/200254 Acórdão n.º 1001001.305 S1C0T1 Fl. 363 7 À fl. 253 foi juntado documento contábil que registra o Movimento Diário de Pagamento a Autônomos, no qual estão indicadas retenções que somam R$ 890,00, referentes a pagamentos a terceiros efetuados em 14/11/1997 (3ª Semana – Vencimento em 19/11). Confirmase o período de apuração indicado pela empresa. Débito de R$ 2.560,18 À fl. 259 foi juntado documento contábil que registra o Movimento Diário de Pagamento a Autônomos, no qual estão indicadas retenções que somam R$ 2.560,18, referentes a pagamentos a terceiros efetuados em 28/11/1997 (5ª Semana – Vencimento em 03/12). Confirmase o período de apuração indicado pela empresa. Débito de R$ 1.812,62 À fl. 265 foi juntada Ficha da Contabilidade, da conta IRRFTerceiros (Diversos), na qual estão indicadas retenções que somam R$ 1.812,62, referentes a pagamentos a terceiros efetuados de 03 a 07/11/1997 (2ª Semana – Vencimento em 12/11). Confirmase o período de apuração indicado pela empresa. As retenções indicadas correspondem às notas fiscais e faturas às fls. 267 a 293. Débito de R$ 476,79 À fl. 299 foi juntada Ficha da Contabilidade, da conta IRRFTerceiros (Diversos), na qual estão indicadas retenções que somam R$ 476,79, referentes a pagamentos a terceiros efetuados de 24 a 28/11/1997 (5ª Semana – Vencimento em 03/12). Confirmase o período de apuração indicado pela empresa. As retenções indicadas correspondem às notas fiscais e faturas às fls. 301 a 321. Débito de R$ 2.393,70 À fl. 327 e 331 foram juntados documentos contábeis que registram o Movimento Diário de Pagamento a Agentes, nos quais estão indicadas retenções que somam R$ 2.276,83 e 116,87 (total 2.393,70), referentes a pagamentos a terceiros efetuados em 17/11/1997 (4ª Semana – Vencimento em 26/11). O período de apuração indicado pela empresa foi a 3ª semana de novembro de 1997, com vencimento em 19/11, o que significa que o pagamento foi efetuado antes do vencimento. Verificase que o contribuinte logrou comprovar, através da documentação anexada, os erros dos períodos de apuração informados em DCTF, bem como a tempestividade dos pagamentos efetuados. Portanto, temos uma segunda razão para a exoneração da multa. E não cabe a cobrança dos juros de mora lançados. Conclusão Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10855.002451/200254 Acórdão n.º 1001001.305 S1C0T1 Fl. 364 8 Em obediência à Súmula CARF nº 74, concluise pela exoneração do crédito tributário correspondente à multa remanescente. Além disso, comprovada a tempestividade dos pagamentos efetuados, concluise pela exoneração também dos juros de mora lançados. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 364DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000674/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
null
Conforme determina a legislação tributária vigente à época das transmissões das declarações de compensação, a compensação somente pode ser homologada se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução. Ademais, não podem ser objeto de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório.
No caso, além de a requerente não comprovar a apresentação de pedido de desistência da execução judicial da sentença obtida em ação de repetição de indébito, a disponibilização a ela dos valores da Requisição de Pequeno Valor (RPV) pela Justiça Federal demonstram, pelo contrário, a conclusão da execução judicial do montante do indébito, o que impede a homologação das compensações declaradas no âmbito administrativo.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/09/1989 a 28/02/1991 COMPENSAÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. EXECUÇÃO. DESISTÊNCIA. RPV. VALORES DISPONIBILIZADOS. Conforme determina a legislação tributária vigente à época das transmissões das declarações de compensação, a compensação somente pode ser homologada se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução. Ademais, não podem ser objeto de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. No caso, além de a requerente não comprovar a apresentação de pedido de desistência da execução judicial da sentença obtida em ação de repetição de indébito, a disponibilização a ela dos valores da Requisição de Pequeno Valor (RPV) pela Justiça Federal demonstram, pelo contrário, a conclusão da execução judicial do montante do indébito, o que impede a homologação das compensações declaradas no âmbito administrativo. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (documento assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula – Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 06 74 /2 00 8- 22 Fl. 942DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.716 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.000674/2008-22 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declarações de Compensação (Dcomp's), transmitidas eletronicamente pelo contribuinte, no período de 13/08/2003 a 14/07/2004; mediante as quais se pretende a compensação de débitos tributários próprios (total principal declarado de R$ 17.466,09) com crédito de Finsocial oriundo da ação de repetição de indébito n° 94.0016322-3, proposta pela contribuinte em 04/08/94 e transitada em julgado em 07/08/2000. Na referida ação judicial, visava a autora a condenação da União a lhe restituir os valores de Finsocial recolhidos no período de set/89 a fev/91, naquilo que excedera à alíquota de 0,5%. Na sentença foi julgado procedente seu pedido, reconhecendo o direito à restituição e admitindo, como alternativa, a compensação dos valores recolhidos em excesso com aqueles devidos a título de Cofins. Mediante o Despacho Decisório DRF/CON n° 93 (fls. 141/146), de 20 de janeiro de 2009, a autoridade administrativa decidiu indeferir o crédito requerido e não homologar as compensações pleiteadas, tendo em vista que o contribuinte não apresentou a comprovação de homologação pelo judiciário de desistência da execução do titulo judicial ou renúncia a sua execução; condição essa necessária para se admitir a compensação. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese que: "diante da falta de comprovação da Receita Federal de que o RPV foi efetivamente levantado, diante das manifestações da empresa contribuinte e da União Federal de que o valor principal seria compensado administrativamente, indiscutível a procedência dos pedidos de compensação". A Delegacia de Julgamento não acolheu os argumentos da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: - Na época do trânsito em julgado da ação principal, a compensação era regulada pela Instrução Normativa SRF nº 21/1997, que, em seu art. 17, dispunha que: a) O contribuinte deve comprovar junto à unidade da SRF a desistência da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios e b) Não poderão ser objeto de compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. - A execução judicial do crédito por intermédio do processo nº 2002.38.00.0018715, com a conseqüente disponibilização dos valores (conforme Certidão da Justiça Federal, de fl. 167), torna o pedido administrativo totalmente infundado. Cientificada dessa decisão em 25/06/2012, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 25/07/2012, alegando, em síntese: i) Houve desistência tácita da recorrente em requerer a restituição judicial dos débitos, uma vez que optou pela compensação administrativa. Diante da falta de comprovação da Fl. 943DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.716 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.000674/2008-22 Receita Federal de que o RPV foi efetivamente levantado, e das manifestações da contribuinte e da União de que o valor principal seria compensado administrativamente, seria indiscutível a procedência dos pedidos de compensação. iii) Os PER/Dcomps foram transmitidos antes de ser instaurada a fase de execução do processo judicial, logo não lhes seria aplicável a exigência do art. 37, §2º da IN SRF nº 210/2002. A determinação de desistência formal da execução judicial para os processos que ainda não estavam com a execução ajuizada somente veio com a publicação da IN SRF nº 460/2004, que não se aplica ao caso. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, toma-se conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, o Superior Tribunal de Justiça posicionou-se na sistemática dos recursos repetitivos, ao julgar o Recurso Especial nº 1164452/MG, no sentido de que a lei aplicável a compensação tributária é aquela vigente à data do encontro de contas. Com efeito, in casu, aplica-se a legislação vigente à época das transmissões das declarações de compensação, que foram efetuadas no período de 13/08/2003 a 14/07/2004, razão pela qual andou bem a autoridade administrativa ao aplicar dispositivo da Instrução Normativa SRF n° 210/2002, vigente desde 1º de outubro de 2002 e só revogada pela IN SRF nº 460/2004, publicada em 26/10/2014, as quais assim dispõem no que interessa aos autos: [IN SRF nº 210/2002] DISCUSSÃO JUDICIAL DO CRÉDITO Art. 37. É vedada a restituição, o ressarcimento e a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão em que for reconhecido o direito creditório do sujeito passivo. § 1º A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá requerer ao sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição, do ressarcimento ou da compensação, que lhe seja encaminhada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. § 2º Na hipótese de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. § 3º Não poderão ser objeto de restituição ou de ressarcimento os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4º A compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado com débitos do sujeito passivo relativos aos tributos e contribuições Fl. 944DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.716 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.000674/2008-22 administrados pela SRF dar-se-á na forma disposta nesta Instrução Normativa, caso a decisão judicial não disponha sobre a compensação dos créditos do sujeito passivo. [IN SRF nº 460/2004] Art. 50. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. § 1º A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição ou do ressarcimento ou para homologação da compensação, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. § 2º Na hipótese de título judicial, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 563, de 23 de agosto de 2005) § 3º Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4º A restituição, o ressarcimento e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado dar-se-ão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. [negritei] Como se vê acima, embora com pequenas alterações na redação, a determinação de necessidade de desistência de eventual execução existia à época das transmissões das Dcomps e prosseguiu vigente com a publicação da IN SRF nº 460/2004, com o claro intuito de se evitar a duplicidade de aproveitamento do valor do crédito reconhecido judicialmente. É verdade, no entanto, que, na vigência da IN SRF nº 210/2002, a determinação não era, como disposto na posterior IN SRF nº 460/2004, para apresentação de "homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua execução (...)", mas para meramente para "comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário". No entanto, a interessada também não apresentou nos presentes autos qualquer comprovação de pedido nesse último sentido nos autos do processo de execução judicial. A alegação de que teria havido a "desistência tácita" da execução pela recorrente em face de suas manifestações e da Fazenda Nacional naqueles autos não prevalece em face da própria conclusão da execução pelo Poder Judiciário, que disponibilizou os valores da RPV (Requisição de Pequeno Valor) em depósito específico no Banco do Brasil. Conforme já informado pelo julgador a quo, e não contestado pela recorrente, "a verdade factual evidencia que houve a disponibilização dos valores (Certidão da Justiça Federal, de fl. 167). Além disso, a Consulta Processual de fl. 75 registra o depósito do valor do RPV no Banco do Brasil". Fl. 945DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.716 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.000674/2008-22 No mais, como se denota nas manifestações referidas das autoras 1 e da Fazenda Nacional 2 , não obstante tenha sido mencionada a opção das interessadas pela via administrativa da compensação, não há qualquer referência a efetivo pedido de desistência da execução judicial, a qual, como dito, pelo contrário, prosseguiu normalmente com resultado favorável à interessada. Conforme disposto no art. 37, §3º da IN SRF nº 210/2002, não poderão ser objeto de compensação "os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório" e, no caso, já houve a disponibilização dos valores a restituir à interessada. Nesse ponto, cabe esclarecer à recorrente que não há qualquer disposição na legislação tributária no sentido por ela pretendido, de que a Receita Federal teria o ônus probatório quanto ao levantamento do RPV (Requisição de Pequeno Valor) pela interessada. Tampouco é relevante se a interessada levantou ou não, por mera liberalidade sua, o valor que lhe foi disponibilizado pela Justiça Federal. O que importa é que a recorrente obteve a execução de seu título judicial, tendo sido os valores a ela disponibilizados em depósito específico no Banco do Brasil, o que é suficiente para obstar seu pleito de compensação no âmbito administrativo. Não prospera a alegação da recorrente de que não lhe seria aplicável a determinação do art. 37, §2º da IN SRF nº 210/2002 eis que os PER/Dcomps teriam sido transmitidos antes de ser instaurada a fase de execução do processo judicial. Ocorre que a determinação deste dispositivo dirige-se também à autoridade administrativa que analisa o pleito da contribuinte, no sentido de que a restituição/compensação somente poderia ser autorizada pela Receita Federal diante da comprovação pela requerente da desistência da execução do título judicial, caso essa tenha sido iniciado a qualquer tempo antes do despacho decisório. Ora, se o que se busca com a referida norma é o controle da Administração Tributária para que os contribuintes não sejam restituídos duas vezes, pela via administrativa e pela judicial, em face do mesmo título judicial, pouca importa em que data foi iniciada a execução judicial, se antes ou depois da transmissão das Dcomps. De forma que andou bem a autoridade administrativa ao condicionar a homologação das compensações à desistência da execução do título judicial. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 1 "REGIÃO AUTO PEÇAS E ACESSÓRIOS LTDA. E OUTROS, já qualificadas nos autos do processo acima mencionado, vêm, respeitosamente, à presença de V. Exa., por seus procuradores que a esta subscrevem, requerer a juntada dos cálculos, em anexo, bem como da intimação da União Federal, nos termos do art. 730 do CPC, para o pagamento das custas e dos honorários de sucumbência, com base no art. 20, § 3°, do CPC, visto que a compensação do montante apurado será realizada administrativamente." 2 "Inclusive, após tal manifestação, o Procurador da Fazenda Nacional, em sua manifestação de fls. 250, deixou de embargar a referida sentença uma vez que foi proferida de acordo com a referida manifestação da Empresa Contribuinte, verbis:" "A União deixa de embargar o valor principal do débito, ante a manifestação dos exeqüentes de que optam, como lhes autoriza a r. Decisão, pela compensação contábil-administrativa (...)". Fl. 946DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.716 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.000674/2008-22 (documento assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 947DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.906535/2012-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.072
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.906535/201265 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402002.072 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de maio de 2019 Assunto PIS/COFINS Recorrente SADA TRANSPORTES E ARMAZENAGENS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento PER, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 06 53 5/ 20 12 -6 5 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13819.906535/201265 Resolução nº 3402002.072 S3C4T2 Fl. 3 2 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. ERRO DE FATO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). (...) Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário afirmando que a razão pela qual procedeu com a redução do valor da COFINS a pagar no período decorre: (i) da isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte internacional de cargas; (ii) do direito de aproveitar 100% (cem por cento) dos créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; e, por fim: (iii) do aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas. Afirma que traz a documentação fiscal e contábil suporte do crédito pleiteado. Caso não entenda pela suficiência da documentação, requer a conversão do processo em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.050, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906514/201240. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.050): "Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e da DCTF antes da transmissão do PER para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes destes documentos fiscais, em conformidade com o art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional CTN. Buscando respaldar o seu crédito, o contribuinte anexou aos autos balancete analítico, razão analítico de algumas contas contábeis e planilhas elaboradas pelo sujeito passivo que demonstrariam o crédito. Contudo, observese primeiramente que as planilhas elaboradas pelo sujeito passivo não fazem uma clara diferenciação entre as informações que foram declaradas originariamente na DCTF e no DACON, comparativamente com as informações que foram retificadas. O contribuinte apenas apresentou quais informações estariam respaldando sua declaração retificadora, sem deixar claro o que foi modificado. No Recurso Voluntário, a empresa afirma que a modificação se refere (i) a isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13819.906535/201265 Resolução nº 3402002.072 S3C4T2 Fl. 4 3 internacional de cargas; (ii) créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; e (iii) do aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas seca e automóveis. Contudo, o balancete analítico e o razão não detalham estas operações que foram postas em discussão no Recurso Voluntário. Com efeito, a única conta contábil relevante para a presente discussão que foi discriminada no razão contábil é a conta 3121009 (seguros transp. carga seca efl. 204), inexistindo detalhamento semelhante para a conta de seguros de transporte de automóveis. Quanto às receitas de prestação de serviço de transporte internacional, observase que o balancete analítico não segrega o valor correspondente à receita de prestação de serviço de transporte internacional. Os valores de receita de prestação de serviços estão todos agrupados em uma única conta contábil (4111002 efl. 127): Para demonstrar que a empresa auferiu receitas desta natureza, essencial que sejam apresentados documentos que confirmem a prestação de serviço internacional, dentre os quais o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário (CRT), o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro (MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio. Quanto ao crédito de empresas do SIMPLES Nacional, os valores dos fretes estão todos englobados em contas de "Fretes e Carretos Pessoa Física" e "Fretes e Carretos Pessoas Jurídicas", sem uma segregação específica das empresas que seriam optantes pelo SIMPLES. O razão analítico igualmente não faz qualquer distinção específica (efls. 192): Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13819.906535/201265 Resolução nº 3402002.072 S3C4T2 Fl. 5 4 Para ao menos respaldar as suas alegações, importante que o contribuinte comprove que as operações de frete se relacionam ao SIMPLES Nacional, evidenciando que efetivamente foram concretizadas operações com estas empresas no mês em questão. Seria relevante que o contribuinte apresentasse um levantamento exemplificativo de prestadores, evidenciando que seriam optantes pelo SIMPLES Nacional previsto na Lei Complementar n.º 126/2006. Assim, uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON e DCTF retificadores), acompanhado de documentos contábeis que confirmariam ao menos em parte suas alegações (em especial quanto às despesas de seguro de carga seca), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que possam confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON e DCTF retificadores (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal detalhadas, o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário CRT, o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta de seguro e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON/DCTF originais e o DACON/DCTF retificadores). 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13819.906535/201265 Resolução nº 3402002.072 S3C4T2 Fl. 6 5 (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON/DCTF retificadores estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. É como proponho a presente Resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a autoridade fiscal de origem: (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON e DCTF retificadores (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal detalhadas, o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário CRT, o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta de seguro e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON/DCTF originais e o DACON/DCTF retificadores). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON/DCTF retificadores estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000552/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Tratase de embargos de declaração cumulados com requerimento de retificação de inexatidão material (efls. 223/232) opostos pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Uberlândia (MG) em face do Acórdão de Recurso Voluntário n. 2402004.073 sessão de julgamento de 16/04/2014 (efls. 208/213), da lavra da 2ª. Turma Ordinária da 4ª. Câmara da 2ª. Seção, que decidiu, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 70 .0 00 55 2/ 20 09 -4 1 Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10970.000552/200941 Resolução nº 2402000.757 S2C4T2 Fl. 349 2 para, na parte conhecida, dar provimento parcial para declarar a nulidade do lançamento por vício material na fundamentação. Na essência, o Embargante alega que o acórdão embargado é omisso, não especificando e justificando, de maneira fundamentada, qual é a matéria discutida em sede de processo judicial (MS n. 1999.38.02.0019688) que é concomitante com o recurso administrativo apresentado. bem assim que o acórdão incorre em contradição quando deixa de conhecer do recurso voluntário "... no que se refere à matéria discutida em sede de processo judicial..." e em seguida, sob o subtítulo 'Em Preliminar Da nulidade do Auto de Infração por vício material', declara que há respaldo na alegação do recorrente de que o auto de infração é nulo". Todavia, nos termos do Despacho de Admissibilidade (efls. 275/278), os embargos foram parcialmente admitidos apenas em relação à omissão apontada, restando assim delineado o escopo desta análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Em sede de juízo de admissibilidade dos embargos em apreço, o Presidente da 2ª. Turma/4ª. Câmara/2ª. Seção entendeu tempestivos e opostos por autoridade legítima: O processo foi encaminhado para a DRF/Uberlândia/MG apensado ao processo 10970.000551/200904, sendo o titular da unidade cientificado da decisão em evidência em 27/2/2014 (fl. 368 do referido processo principal), o qual interpôs tempestivamente "embargos de declaração cumulados com requerimento de retificação de inexatidão material" (fls. 223/232) na data de 3/3/2014 (fl. 232). Todavia, nas suas contrarrazões (efls. 281/332), o embargado denuncia, preliminarmente, questões de ordem pública, a saber: intempestividade e a ilegitimidade e incompetência da autoridade subscritora dos embargos de declaração. De plano, há de se destacar que os embargos são tempestivos, vez que este foi encaminhado para ciência e análise do titular da Unidade da RFB em 27/02/2015 (efl. 368 do processo principal 10970.000551/200904 ao qual este segue apenso) e foram opostos em 03/03/2015. Superada a tempestividade, cabe apreciar a legitimidade do signatário dos embargos em tela. Pois bem. Os embargos foram assinados pela DelegadaAdjunta da DRF/Uberlândia/MG Sra. Magaly Souza Carvalho Hamade na data de 03/03/2015. Ocorre que o art. 65, §1°., V, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF n. 343, de 9 de junho de 2015, e alterações posteriores, estabelece que a competência para Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10970.000552/200941 Resolução nº 2402000.757 S2C4T2 Fl. 350 3 opor embargos de declaração é do titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução da do acórdão. Assim, considerandose que a signatária dos embargos de declaração é DelegadaAdjunta, prima facie, tal requisito não restaria preenchido. É relevante destacar que não resta caracterizado nos autos se a Delegada Adjunta, na data de 03/03/2015, detinha competência para opor embargos de declaração, mediante portaria específica ou, se, na referida data, havia ausência ou impedimento do DelegadoTitular, de forma a legitimar a sua atuação como substituta. Nessa perspectiva, impõese averiguar junto à DRF/Uberlândia/MG, nos contornos acima definidos, a legitimidade da DelegadaAdjunta da DRF/Uberlândia/MG Sra. Magaly Souza Carvalho Hamade para opor embargos de declaração. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (DRF/Uberlândia/MG) informe se a DelegadaAdjunta da DRF/Uberlândia/MG Sra. Magaly Souza Carvalho Hamade detinha, na data de 03/03/2015, competência prevista em portaria específica para opor embargos de declaração, ou se, na referida data, havia ausência ou impedimento do Delegado Titular, a legitimar a sua condição de signatária dos referidos embargos., observandose que que o resultado da diligência ora solicitada deverá ser consolidado em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à contribuinte para, a seu critério, apresentar manifestação no prazo de trinta dias. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001432/2005-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000
IRPJ E CSLL. LUCROS NO EXTERIOR. COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO DE SEUS RESULTADOS NO BRASIL.
Os lucros auferidos por intermédio de coligada sediada no exterior serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil.
TRATAMENTO DO IRRF SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NO BRASIL DE SOCIEDADE SEDIADA NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO DE SEUS RESULTADOS POR DISPONIBILIZAÇÃO À CONTROLADA BRASILEIRA.
O IRRF poderá ser compensado com Os lucros a serem tributados no Brasil, decorrente de participação societária de sua controladora Ou coligada, desde que as receitas correspondentes estejam computadas na apuração do lucro real. A compensação é proporcional à participação societária da controladora ou coligada.
CONVERSÃO DOS RESULTADOS DA CONTROLADA SEDIADA NO EXTERIOR PARA REAIS.
Os lucros serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados.
JUROS DE MORA. SELIC.
A exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC está em consonância com O Código Tributário Nacional - CTN.
Numero da decisão: 1401-003.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000 IRPJ E CSLL. LUCROS NO EXTERIOR. COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO DE SEUS RESULTADOS NO BRASIL. Os lucros auferidos por intermédio de coligada sediada no exterior serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. TRATAMENTO DO IRRF SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NO BRASIL DE SOCIEDADE SEDIADA NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO DE SEUS RESULTADOS POR DISPONIBILIZAÇÃO À CONTROLADA BRASILEIRA. O IRRF poderá ser compensado com Os lucros a serem tributados no Brasil, decorrente de participação societária de sua controladora Ou coligada, desde que as receitas correspondentes estejam computadas na apuração do lucro real. A compensação é proporcional à participação societária da controladora ou coligada. CONVERSÃO DOS RESULTADOS DA CONTROLADA SEDIADA NO EXTERIOR PARA REAIS. Os lucros serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados. JUROS DE MORA. SELIC. A exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC está em consonância com O Código Tributário Nacional - CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada).
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LUCROS NO EXTERIOR. COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO DE SEUS RESULTADOS NO BRASIL. Os lucros auferidos por intermédio de coligada sediada no exterior serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. TRATAMENTO DO IRRF SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NO BRASIL DE SOCIEDADE SEDIADA NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO DE SEUS RESULTADOS POR DISPONIBILIZAÇÃO À CONTROLADA BRASILEIRA. O IRRF poderá ser compensado com Os lucros a serem tributados no Brasil, decorrente de participação societária de sua controladora Ou coligada, desde que as receitas correspondentes estejam computadas na apuração do lucro real. A compensação é proporcional à participação societária da controladora ou coligada. CONVERSÃO DOS RESULTADOS DA CONTROLADA SEDIADA NO EXTERIOR PARA REAIS. Os lucros serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados. JUROS DE MORA. SELIC. A exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC está em consonância com O Código Tributário Nacional - CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 32 /2 00 5- 16 Fl. 491DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.493 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001432/2005-16 (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada). Relatório Inicio com a transcrição do relatório da decisão de Piso. Trata o presente processo dos autos. de infrações lavrados pela Deinf/SP, referentes ao ano-calendário de 2000, por meio dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica - IRPJ, no valor de R$ 3.779.516,82 (fls. 115/119 e termo de verificação fiscal às fls. 129/132), e a contribuição social sobre o lucro líquido - CSLL, no valor de R$ 1.449.326,81 (fls. 122/126), acrescidos dos encargos moratórios. 2- Fundamentou, materialmente, a exação de IRPJ : falta de adição ao lucro líquido, na apuração do lucro real, dos lucros auferidos no exterior, por controlada ou coligada. 2.1- O interessado detinha participação societária de 16,6789% no capital social da empresa ABC Brasil Banking Ltd., sediada em Nassau, na comunidade das Bahamas. Esta empresa tinha como principais atividades, a intermediação financeira de operações típicas de banco comercial, captando recursos através de certificados de depósitos e obtenção de linhas de empréstimos. Tais recursos eram direcionados para empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. 2.2- No ano-calendário de 1997, o interessado adicionou na apuração do lucro real o valor de RS 1.188.836,75 (US$ 1.071.313,64), referente a lucros disponibilizados por ABC Brasil Banking Ltd. 2.3- Em 17/11/2000, o interessado alienou a totalidade de sua participação nessa empresa, para Master Holdings Ltd. (fls. 69/78). No pagamento incluía os lucros acumulados, apurados entre 1/1/1997 e 31/10/2000, data do último balanço, conforme a seguir: Fl. 492DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.493 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001432/2005-16 2.4- Para apuração da base de cálculo em moeda nacional, o valor de US$ 8.003.736.70 foi convertido pela taxa de R$ 1,9609, de 17/11/2000, obtendo R$ 15.694.527,30, conforme disposto no art. 143 do CTN. 2.5- O interessado impetrou mandado de segurança (n° 2001.61.00.01855-1) na 19a Vara da Justiça Federal em S. Paulo, em 30/1/2001, tendo obtido liminar (fls. 47/51) “para assegurar ao Impetrante, até ulterior deliberação deste Juízo, o direito de não ser penalizado por não estar adicionando a seus resultados, para efeito de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSL, os valores relativos aos lucros acumulados, nunca disponibilizados, que constam no balanço da sociedade ABC Brasil Banking Limited, em razão da alienação em 17.11.2000 da sua participação acionária de 16,68% 2.6- Com o intuito de prevenir a decadência, o lançamento foi realizado, sem imposição da multa, com a exigibilidade suspensa. 2.7- Enquadramento legal: art. 25, §§2° e 3°, da Lei n° 9.249/1995; art. 16 da Lei n° 9.430/1996; arts. 249, II, e 394, §§2°, 3°,II, e 4°, I, “a”, do RIR/1999. 3- CSLL. 3.1- Em conseqüência da infração de IRPJ, constituiu-se este lançamento. Enquadramento legal citado à fl. 126. 4 -Ao impugnar a exigência, fls. 161/192 e documentos de fls. 193/290, o interessado alega, em síntese, que: - de acordo com o art. 143 do CTN, a fiscalização converteu os lucros auferidos no exterior para reais com base na taxa de câmbio do dia 17/11/2000, data em que considerou disponibilizados os valores. Entretanto, existe norma legal e regulamentar expressa que afasta a aplicação do art. 143 do CTN, determinando a conversão daqueles lucros com base na taxa de câmbio das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados; - ainda que se entenda de forma diferente, a aplicação correta do art. 143 do CTN resultaria na conversão dos lucros auferidos no exterior pela taxa de câmbio do dia 31/12/2000; - parte dos lucros da coligada ABC Brasil Banking Ltd foram auferidos no Brasil, e não no exterior, já tendo sido tributados na fonte; - na apuração do valor tributável relativo ao lucro auferido no exterior em 1999, não foi considerado o acordo de acionistas em razão do qual o valor dos lucros a que faria jus é inferior ao valor lançado; 5 - especificamente no que diz respeito à CSLL, jamais poderiam ser tributados lucros auferidos antes da 1/10/1999, por absoluta falta de previsão legal e em observância aos princípios da anterioridade e da irretroatividade; - não podem ser exigidos juros, posto que não se encontra em mora. Se devidos fossem, os juros não poderiam ser calculados pela taxa Selic, por não ser índice adequado para tanto; Fl. 493DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.493 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001432/2005-16 - o art. 25, §4°, da Lei n° 9.249/1995, bem como o art. 394, §7°, do RIR/1999, dispõem que os lucros serão convertidos pela taxa das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados; - considerando que os lucros acumulados em exercicios anteriores compõem o patrimônio líquido da coligada, ao convertê-los para reais a fiscalízação tributou parte do resultado de equivalência patrimonial do investimento; - os diplomas legais invocados na fundamentação dos autos de infração em momento algum contemplam qualquer determinação no sentido de que o valor da variação cambial de investimentos no exterior seja adicionado ao lucro líquido. - o legislador tributário, ao fazer a adaptação da legislação do imposto sobre a renda à Lei das S/A, expressamente estabeleceu que o resultado da avaliação não seria computado na apuração do IRPJ (arts. 21 a 23 do Decreto-lei n° 1.598/1977, este último com a redação que lhe foi dada pelo art. 1°, IV, do Decreto-lei n° 1.684/1979). No mesmo sentido o art. 25 da IN SRF n° 38/1996; - prova inequívoca de que as legislações do IRPJ e da CSLL não prevêem tal tributação reside no fato ao veto ao art. 46 da Lei n° 10.833/2003, que tinha como objeto determinar a tributação da variação cambial do investimento no exterior avaliado por equivalência patrimonial; - ainda que fosse tributável a variação cambial dos lucros acumulados, a taxa não poderia ser a do dia 17/11/2000, por desatender o art. 143 do CTN, que determina a aplicação da taxa do dia da ocorrência do fato gerador da obrigação. Por sua vez, 0 art. 1° da Lei n° 9.532/1997 dispõe que os lucros auferidos no exterior por coligada serão adicionados na determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do ano- calendário em que tiverem sido disponibilizados; - a taxa de câmbio aplicável seria a de 1,9554 vigente em 29/12/2000; - o art. 25 da Lei 9.249/1995 e suas modificações posteriores foram editadas para tributar as rendas de empresas brasileiras oriundas de fontes situadas no exterior. Como conseqüência, jamais poderá esta legislação ser invocada para tributar rendas cuja fonte produtora está situada no país, não só porque estas rendas já eram tributadas pela legislação brasileira, ainda que percebidas por pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras, mas porque não há norma legal expressa que contemple a tributação quando a fonte do rendimento está localizada no pais; - a interpretação correta do art. 25, §2°, da Lei-"n° 9.249/1995, que trata dos lucros auferidos por controladas no exterior, foi dada pelo art. 2° da IN SRF n° 38/1996, ao dispor que são tributáveis os lucros auferidos no exterior. O art. 1° da Lei n° 9.532/1997 incorporou o texto normativo, derrogando parcialmente a primeira parte do §2°, do art. 25, da Lei n° 9.249/1995; - a coligada ABC Brasil Banking Ltd auferiu rendimentos de aplicações financeiras no Brasil, gerando nos anos-calendário de 1997 a 2000 retenções e recolhimentos de IRRF no valor total de R$ 1.209.812,45. Por esta razão, os lucros auferidos no Brasil não estão Fl. 494DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.493 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001432/2005-16 sujeitos à tributação quando disponibilizados, quer por falta de expressa previsão legal, quer porque estariam sendo tributados em dobro; - se ainda assim não fosse, impõe-se o reconhecimento do interessado compensar com eventual crédito tributário decorrente da disponibilização, os valores de IRRF pagos pela controlada, no Brasil, na proporção de sua participação acionária, a exemplo do direito que teria de compensar valores de imposto de renda pagos no exterior; - além de inexistir norma legal que vede a compensação, o direito decorre da sistemática de incidência do imposto de renda da pessoa jurídica, que permite a compensação do IRRF pago no Brasil quando se trata de subsidiária nacional e a compensação do IRRF pago no exterior quando se trata de coligada situada no exterior. - até o advento do art. 19 da MP n° 1.858-6, de 29/6/1999, a CSLL não incidia sobre lucros oriundos do exterior, como claramente explicitado no art. 15 da IN SRF n° 38/1995. Por força do art. 195, §6°, da Constituição, que trata da anterioridade nonagesimal, o AD n° 75/1999 dispôs que a incidência da CSLL se daria em relação aos lucros auferidos no exterior a partir de 1/10/1999; - conclui-se que os lucros apurados em 1997, 1998 e no periodo de 1/1/1999 a 30/9/1999 não poderiam ser computados na apuração da CSLL. Com relação ao periodo de 1/10/1999 a 31/12/1999 apurou-se somente prejuízos; 4 - a imposição dos juros só é legítima nas hipóteses de não cumprimento injustificado, culposo, da obrigação. A exação em tela sempre esteve com a exigibilidade suspensa, restando violados os arts. 396 do Código Civil e 151, IV, do CTN; - a Selic por ser composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do poder executivo e extrapola em muito o percentual de 1% previsto no art. 161 do CTN. Acrescente-se que a Selic implica na existência de taxa de juros variável, o que repugna a necessária certeza no que tange ao quantum das sanções de natureza moratória; - os juros moratórios somente podem ter sua taxa fixada por lei, nos termos do art. 161 do CTN. 5- A competência do julgamento foi prorrogada da DRJ/SP1 para a DRJ/RJ1 pela Portaria SRF n° 915, de 31 de agosto de 2006. 6- Por não se acharem ainda reunidos todos os elementos para formar a convicção, o julgamento foi convertido em diligência (fl. 293) para que fosse verificado se o montante de R$ 10.515.342,79 está incluido nos resultados autuados, bem como informasse o valor dos dividendos sobre o resultado de 1999. 7- Em resposta ao pedido de diligência foi elaborado o relatório de fls. 391/393 informando não ter sido possível verificar a inclusão do montante de R$ 10.515.342,79 nos resultados base da autuação. Fl. 495DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.493 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001432/2005-16 8- Cientificado do relatório de diligência, o interessado aditou razões (fls. 394/397), alegando, em síntese, que: - o relatório de diligência não questionou a veracidade dos fatos narrados e confirmados pela documentação apresentada; . - dos rendimentos obtidos no Brasil (RS 10.515.342,79), R$ 5.699.683,79, referentes a 1999, não foram incluídos nos resultados por se tratarem a rendimentos de aplicações financeiras efetuadas por conta e ordem de terceiros. - o auditor poderia recompor a base tributável, excluindo os montantes já tributados no Brasil, conforme demonstrativo juntado no doc. 4 da impugnação (fls. 234/268); - O acordo de acionistas é amplamente admitido no Brasil, não podendo ser desconsiderado. Analisando a impugnação a Delegacia de Julgamento, considerou procedente em parte a impugnação e realizou as seguintes modificações no lançamento: - Autorizou a dedução dos valores do IRRF deduzidos no Brasil sobre os rendimentos auferidos pela empresa estrangeira no país; - Refez os cálculos de conversão dos lucros auferidos no exterior para real utilizando a datado balanço onde os referidos lucros foram apurados; - Excluiu a tributação da CSLL até o ano de 1999, em razão da anterioridade nonagesinal da instituição da referida contribuição, mantendo apenas o lançamento relativo ao ano 2000; Desta Decisão a Delegacia de Julgamento recorreu de ofício em razão do valor da exoneração. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual apresentou as seguintes razões: Parte dos Lucros da Coligada foi Auferido no Brasil e já Tributado. Alega que parte dos rendimentos auferidos pelas empresas ABC Brasil Participações Ltda e Marsau Comercial Exp. e Imp. S.A. foi auferida no Brasil e já sofreu tributação na fonte e, assim, não deveria sofrer nova tributação dos lucros apurados no exterior. Entende que a Decisão de pisou ao alegar que se fosse aceito esse entendimento estaria ensejando a uma isenção não prevista em Lei. Entende que se a razão da norma impositiva é tributar os lucros auferidos no exterior, entende que a parte dos resultados da controlada que foram auferidos no Brasil já foram aqui devidamente tributados. Apresenta as anteriores normas e artigo 335 do RIR/99 que informa que os lucros provenientes de atividades exercidas parte no país e parte no exterior somente será tributado na Fl. 496DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.493 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001432/2005-16 parte produzida no país. Entende, assim que o art. 25, da Lei nº 9.249/95 se refere apenas aos lucros e rendimentos auferidos no exterior. Apresenta o art. 2º, da IN 38/96 para alegar que também nele só há referência ao lucro auferido no exterior. Apresenta uma tabela com os valores dos rendimentos que teriam sido auferidos no Brasil e as respectivas retenções na fonte. Alega que o art. 684 do RIR/99, informa que em relação à retenção na fonte, os rendimentos auferidos por não residentes devem ser tributados como se rendimentos fossem. Da Compensação do Imposto Pago no Exterior. Alega que, caso não seja aceita a exclusão dos rendimentos auferidos no Brasil, que seja admitido o direito de compensar integralmente o valor do imposto retido na fonte no Brasil. Reclama que a Decisão recorrida deixou de considerar o valor do imposto retido dos anos de 1997 e 1998 em razão de a fiscalização não ter conseguido afirmar que os rendimentos estariam incluídos na apuração dos lucros. Assim, entende que deve ser corrigida a decisão na parte que não aceitou a dedução do IRRF dos anos de 1997, 1998 e 1999. Entende que como a premissa do lançamento é a tributação do resultado das coligadas no exterior, então, por decorrência estes resultados já estariam incluídos no lucro e, assim, o IRRF deveria ser deduzido. Desconsideração do Acordo de Acionistas de 1999. Alega que não foi aceito o acordo de acionistas firmado entre a coligada e a Martes Holdings que previa alteração na distribuição de dividendos. Mais ainda, alega que nenhum dividendo foi distribuído. Apresenta então precedentes do CARF no sentido de que devem ser atendidos aos valores efetivamente distribuídos. Imprestabilidade da SELIC como índice de Juros de Mora. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Do Recurso de Ofício. Iniciemos com a análise do Recurso de Ofício apresentado pela Delegacia de Julgamento em relação aos valores exonerados da autuação. Vejamos os itens exonerados: - Autorizou a dedução do valores do IRRF deduzidos no Brasil sobre os rendimentos auferidos pela empresa estrangeira no país; Vejamos o que foi decidido pela Decisão de Piso quanto à análise destes ponto. Fl. 497DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-003.493 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001432/2005-16 17- Quanto ao tratamento a ser dado ao IRRF sobre rendimentos auferidos no Brasil por coligada no exterior, entendo que a solução encontra-se no art. 231, III, do RIR/1999, verbis: “Art. 231. Para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei n"9.430, de 1996, art. 2º, §4“): III - do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; " 18- Se a legislação brasileira determina a tributação proporcional à participação no capital dos lucros auferidos por coligada no exterior, o IRRF no Brasil pode ser compensado com estes lucros, proporcionalmente à participação no capital (há que se manter a proporcionalidade do rendimento e o IRRF). Mas a condição é que os rendimentos que sofreram a retenção na fonte façam parte do lucro a ser tributado. 19- Um dos objetivos da diligência foi o de verificar se o montante de R$ 10.515.342,79, que o interessado alega ter sofrido o IRRF no Brasil, estava incluído nos resultados da coligada. O auditor responsável pela diligência não conseguiu verificar a inclusão nos resultados. 20 - Em 1997, o interessado alega que para um rendimento de R$ 2.691.613,40 o IRRF foi de R$ 269.161,34 (fl. 234). Em atenção aos trabalhos da diligência, o interessado junta os documentos de fls. 311/351, que não demonstram a inclusão do rendimento no resultado da coligada. Da mesma forma para o rendimento de R$ 44.999,10 (fl. 234) 21- Com relação a 1998, o interessado indica um rendimento de R$ 1.683.037,14 e IRRF de RS 272.644,57 (fl. 234). Para comprovar a inclusão do rendimento no resultado da controlada, foi apresentada a planilha de fl. 352 e documentos de fls. 353/371. Primeiro que o rendimento total da planilha (R$ 1.700.093,06) difere do montante alegado como tributado no Brasil (R$ 1.683.037,14). Segundo que o rendimento de janeiro (R$ 1.071.070,89) não possui valor correspondente em US$. Ainda que se converta este rendimento pela taxa de 1,1237, corresponderia a USS 953.164,45, não contabilizado no razão de fl. 359. Terceiro que não há correlação entre os valores contabilizados no período de fevereiro a julho em US$ com o rendimento bruto de R$ 332.075,85 indicado na planilha de fl. 352 e com o informe de rendimento de fl. 358, o qual indica um rendimento de R$ 315.017,95. 22- Finalmente verifica-se a contabilização dos rendimentos de agosto a dezembro de 1998 (fls. 352, 364/366), bem como a respectiva comprovação do IRRF (fl. 358). Fl. 498DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-003.493 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001432/2005-16 Assim, o interessado faz jus à dedução do IRRF com o IRPJ, proporcionalmente à participação no capital, conforme a seguir: 23- No que diz respeito ao ano de 1999, o interessado informa não terem sido contabilizados nos resultados da controlada rendimentos de R$ 5.699.683,79, de um total auferido no Brasil de R$ 5.740.923,17. O rendimento de R$ 41.239,38 tem a contabilização comprovada às fls. 372/373. Portanto, o interessado poderá compensar no IRPJ devido o IRRF no valor de R$ 1.375,66 (=R$ 8.247,87 X 16,67892%). 24- Quanto aos rendimentos do ano de 2000, a contabilização nos resultados da controlada está comprovada nos documentos de fls. 376/386. Assim, o montante do IRRF a ser compensado com o IRPJ será de R$ 13.915,00 (=R$ 83.428,69 X l6,67892%). 25- Em síntese, o montante de IRRF a ser compensado com o IRPJ está a seguir demonstrado: Apresentando-se, acima, o que foi decidido pela Decisão de Piso, entendo que não merece reparos a referida decisão. Existe a possibilidade jurídica da dedução do IRRF incidente sobre os rendimentos auferidos pela coligada sediada no exterior e assim foi aceito pela decisão, realizando-se apenas a discriminação dos valores retidos em cada exercício. Assim, concordando com o que foi decidido, voto por negar provimento ao recurso de ofício. - Refez os cálculos de conversão dos lucros auferidos no exterior para real utilizando a data do balanço onde os referidos lucros foram apurados; Fl. 499DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-003.493 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001432/2005-16 Com relação a este ponto da exoneração a Delegacia de Julgamento entendeu, a meu ver acertadamente, que a conversão dos lucros auferidos no exterior para real deveria se dar com a utilização da taxa de câmbio da data das demonstrações financeiras que originaram os lucros em vez da data única de 17/09/2000, conforme utilizado pela fiscalização. Não temos objeção a este entendimento. Em diversos outros processos já nos posicionamos a respeito da taxa de câmbio a ser utilizada para a conversão dos lucros. Sempre fomos de opinião que a taxa a ser utilizada deve ser a da data dos balanços que apuraram o lucro em razão de ser princípio de justiça a evitar que a taxa utilizada seja apurada aleatoriamente quando da realização de fiscalizações futuras. Afinal a variação cambial decorrente da aplicação de taxas de câmbio em diferentes datas não pode ser considerada na tributação dos lucros auferidos no exterior. Neste sentido, há de se negar provimento ao recurso de ofício neste ponto. - Excluiu a tributação da CSLL até o ano de 1999, em razão da anterioridade nonagesinal da instituição da referida contribuição, mantendo apenas o lançamento relativo ao ano 2000; Neste ponto assim se pronunciou a Decisão de Piso a respeito. 33- Do princípio da anterioridade nonagesimal da CSLL. 34- O regime da tributação universal da CSLL deu-se com a edição do art. 19 da MP n° 1.858-6/1999, de 29/6/1999. Com isto, a SRF editou o Ato Declaratório n° 75, de 17/8/1999, dispondo: “Artigo único. A incidência da CSLL, segundo as normas de tributação em bases universais, dar-se-á em relação aos lucros, rendimentos e ganhos de capital, auferidos no exterior, disponibilizados, nos termos do art. 1°da Lei n° 9.532, de 1997, a partir de I”de outubro de 1999, e serão computados na base de cálculo dessa contribuição em 31 de dezembro do ano-calendário da disponibilização, observadas as demais normas estabelecidas para o imposto de renda. "(destaquei) 35- Assim, não há infração em 1997 e 1998 e o valor do lucro tributável no ano de 1999 seria correspondente ao lucro apurado em 31/12/1999 (US$ 12,850.428.65 - fl. 31) menos o lucro apurado em 30/9/1999 (US$ 16,873.017,74 - fls. 288/290). Visto a apuração de prejuízo no quarto trimestre de 1999, não há base de cálculo para a CSLL neste ano. Igualmente não merece reparos a decisão recorrida quanto à exclusão dos lançamentos de CSLL em relação aos períodos anteriores à entrada em vigor das normas de tributação universal para a CSLL, que somente passaram a vigoras em 01/10/1999, ou seja, neste caso, o quarto trimestre/299. Desta forma, entendo por negar provimento ao recurso de ofício também neste ponto. Do Recurso Voluntário Fl. 500DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-003.493 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001432/2005-16 Parte dos Lucros da Coligada foi Auferido no Brasil e já Tributado. Alega que parte dos rendimentos auferidos pelas empresas ABC Brasil Participações Ltda e Marsau Comercial Exp. e Imp. S.A. foi auferida no Brasil e já sofreu tributação na fonte e, assim, não deveria sofrer nova tributação dos lucros apurados no exterior. Entende que a Decisão de piso ao alegar que se fosse aceito esse entendimento estaria ensejando a uma isenção não prevista em Lei. Entende que se a razão da norma impositiva é tributar os lucros auferidos no exterior, entende que a parte dos resultados da controlada que foram auferidos no Brasil já foram aqui devidamente tributados. Apresenta as anteriores normas e artigo 335 do RIR/99 que informa que os lucros provenientes de atividades exercidas parte no país e parte no exterior somente será tributado na parte produzida no país. Entende, assim que o art. 25, da Lei nº 9.249/95 se refere apenas aos lucros e rendimentos auferidos no exterior. Apresenta o art. 2º, da IN 38/96 para alegar que também nele só há referência ao lucro auferido no exterior. Apresenta uma tabela com os valores dos rendimentos que teriam sido auferidos no Brasil e as respectivas retenções na fonte. Alega que o art. 684 do RIR/99, informa que em relação à retenção na fonte, os rendimentos auferidos por não residentes devem ser tributados como se rendimentos fossem. Inicio este ponto com a transcrição da Decisão de Piso no que tange à análise deste ponto. 11- Dos lucros auferidos no Brasil pela coligada sediada no exterior. 12- A tributação das pessoas jurídicas em bases universais foi introduzida no ordenamento jurídico nacional por meio da Lei 9.249/1995, que em seu art. 25, §3°, assim dispôs: “§3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I - os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II - os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso da período-base da pessoa jurídica; ". 13- Posteriormente, o dispositivo foi complementado pelo art. 1° da Lei 9.532/1997, verbis: “Art. 1° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. 14- O objetivo dos citados dispositivos foi o de tributar no Brasil, proporcionalmente à participação no capital, todos os lucros auferidos pela Fl. 501DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-003.493 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001432/2005-16 coligada sediada no exterior, independentemente de onde se originaram seus lucros. Tanto é assim, que a Lei Complementar n° 104/2001 introduziu o §1°, ao art. 43, do Código Tributário Nacional - CTN com a seguinte redação: "§1 °A_ incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção." 15- Se a intenção é a de incluir no resultado da empresa sediada no Brasil os lucros da coligada no exterior, a exclusão de rendimentos auferidos no Brasil por esta coligada seria uma forma de isenção, não prevista em lei. 16- Portanto, as receitas auferidas no Brasil pela coligada ABC Brasil Banking Limited são computadas na apuração do lucro real do interessado. Apesar de o recorrente apresentar, em suas alegações, normas do Regulamento do Imposto de Renda e Instruções Normativas, entendo que não são cabíveis neste ponto em razão de a tributação com bases universais ter sido instituída por regramento próprio e específico. O que o recorrente pretende em suas alegações é que os rendimentos auferidos no Brasil pela coligada sediada no exterior não sejam incluídos na composição dos lucros desta mesma coligada. Ora, há de se distinguir rendimentos financeiros, como os auferidos pela coligada no Brasil, como lucros apurados, nos quais incluem-se os rendimentos financeiros auferidos, no Brasil ou no exterior, além de todos os outros tipos de rendimentos auferidos pela coligada. Assim temos que os rendimentos financeiros auferidos no Brasil fazem parte sim de um conjunto maior que se refere ao lucro auferido pela coligada que, entre outros itens, inclui este mesmo rendimento financeiro. Por isso, estes rendimentos tem de ser incluídos na composição dos lucros da coligada e, como instrumento de compensação, devem ser deduzidos, conforme acima já analisado em recurso de ofício, os valores dos impostos retidos na fonte relativos a estes mesmos rendimentos. O fato de a Decisão de Piso ter citado o fato de que a exclusão destes rendimentos da base de cálculo dos lucros da coligada implicaria em uma isenção, na verdade implica uma maneira de se expressar daquela decisão e não uma isenção tributária legalmente tipificada. Na verdade, a exclusão desta incidência somente poderia ocorrer se houvesse expressa previsão legal, que não existe, razão pela qual há de se incluir estes rendimentos na composição dos lucros auferidos no exterior. À vista do exposto, entendo que os rendimentos auferidos no Brasil pela coligada da empresa sediada no exterior devem sim ser incluídos na composição dos lucros da referida coligada a serem adicionados, destacando-se que estes lucros são formados a partir de todos os rendimentos auferidos pela empresa, quer no seu país de origem, quer no Brasil, quer em qualquer outro país. Por esta razão, voto, neste ponto, por negar provimento ao recurso. Fl. 502DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-003.493 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001432/2005-16 Da Compensação do Imposto Pago no Brasil. Alega que, caso não seja aceita a exclusão dos rendimentos auferidos no Brasil, que seja admitido o direito de compensar integralmente o valor do imposto retido na fonte no Brasil. Reclama que a Decisão recorrida deixou de considerar o valor do imposto retido dos anos de 1997 e 1998 em razão de a fiscalização não ter conseguido afirmar que os rendimentos estariam incluídos na apuração dos lucros. Assim, entende que deve ser corrigida a decisão na parte que não aceitou a dedução do IRRF dos anos de 1997, 1998 e 1999. Entende que como a premissa do lançamento é a tributação do resultado das coligadas no exterior, então, por decorrência estes resultados já estariam incluídos no lucro e, assim, o IRRF deveria ser deduzido. É compreensível a irresignação do recorrente quanto à não aceitação, por parte da Decisão, de Piso, da dedução dos valores da retenção na fonte sobre os rendimentos auferidos no Brasil pela coligada sediada no exterior. Também é bastante compreensível que pretenda a dedução integral das retenções na fonte sobre os rendimentos auferidos no Brasil, tendo em vista que, sendo a tributação universal, deveriam entrar na conta tanto os rendimentos com as retenções na fonte sobre estes rendimentos. O grande problema neste ponto decorre da existência da comprovação da inclusão dos rendimentos integrais na composição das bases de cálculo de apuração do lucro da coligada do exterior. O que a Decisão de Piso decidiu, com base no resultado da diligência solicitada, é que o contribuinte não conseguiu demonstrar que os rendimentos equivalentes às retenções na fonte sobre os rendimentos foram tributados pela coligada no exterior. Analisando a documentação que a recorrente juntou ao processo, verificamos a existência de demonstrativos de apuração de resultados em valores globais e inúmeras páginas com tabelas de retenções na fonte sobre operações realizadas no exterior. Não foram juntados ao processo documentos de escrituração que fizessem a vinculação entre os valores destas diversas páginas e os lançamentos que levaram à inclusão nos valores das receitas tributadas no exercício pela coligada. Esta falta de vinculação entre as receitas tributadas individualmente e os lançamentos que as levaram à composição do lucro tributável do exercício foi que impediu a fiscalização de inferir se estes rendimentos foram efetivamente tributados pela coligada a fim de que as retenções na fonte a eles relativos sejam utilizadas por completo da forma pretendida pelo recorrente. Entendemos que suas alegações fazem sentido no que tange ao fato de sendo tributadas todas as receitas, devem ser aceitas todas as retenções. O problema é que não há segurança acerca da tributação integral das receitas, mais ainda quando a própria empresa alega que parte dos rendimentos não foi tributada por ser tratar de aplicações de valores de terceiros. Veja-se a resposta dada à intimação fiscal (fls. 329). 1- Se os rendimentos obtidos no Brasil (Doc. 04 da impugnação - fl. 234 do Processo), pela coligada ABC Brasil Banking Ltd., totalizando R$ 10.515.342,79, Fl. 503DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-003.493 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001432/2005-16 estäo incluídos nos resultados constantes do Demonstrativo de Lucros e Prejuízos no Exterior - apresentado pelo Contribuinte Fiscalizado em atendimento ao item 2 do Termo de Início da Ação Fiscal - e que serviram de base para a autuação. R.: Os rendimentos obtidos pelo Banking, no Brasil, estão incluídos nos resultados constantes do Demonstrativo de Lucros e Prejuízos no Exterior, exceto o valor de R$ 5.699.683,79, referente ao ano de 1.999, que correspondem a rendimentos de aplicações financeiras efetuadas pelo Banking, por conta e ordem de terceiras pessoas. Demonstra-se, conforme acima, que não é o simples fato de haver retenções na fonte sobre rendimento auferidos no Brasil que confirma que estes rendimentos foram tributados pela coligada, haja vista que há rendimentos aqui tributados que não foram tributados pela coligada. Se a empresa não incluir nos rendimentos tributados os valores de operações efetuadas por conta e ordem de terceiros, que são realizadas em seu nome, obviamente pode ela excluir as operações que entenda ser de terceiros. Para tanto, teria de, obrigatoriamente, ter a discriminação exata dos valores dos rendimentos que se referem a operações próprias e que foram oferecidas à tributação. Essa discriminação e a existência de registros contábeis que estabeleçam a vinculação entre os rendimentos auferidos no Brasil e o oferecimento destes rendimentos na apuração do resultado é que possibilitaria a dedução integral das retenções na fonte. Não existindo esta comprovação cabal, não há como se aceitar o pedido de dedução integral dos valores retidos na fonte sobre os rendimentos auferidos no Brasil, mantendo-se apenas os valores que já foram aceitos pela Delegacia de Julgamento. Desconsideração do Acordo de Acionistas de 1999. Alega que não foi aceito o acordo de acionistas firmado entre a coligada e a Martes Holdings que previa alteração na distribuição de dividendos. Mais ainda, alega que nenhum dividendo foi distribuído. Apresenta então precedentes do CARF no sentido de que devem ser atendidos aos valores efetivamente distribuídos. Reproduzo o pequeno trecho da decisão de Piso a este respeito. 26- Do acordo de acionistas. 27- Apesar de o interessado ter assinado um acordo de acionistas com Master Holdings Limited, sobre a distribuição dos resultados do ano de 1999 da controlada (fls. 26/28), este acordo não surtiu efeito, visto que nenhum dividendo foi distribuído pela controlada (informação às fls. 309/310, §§4 a 7). Tanto não surtiu qualquer efeito, que o interessado ao calcular a equivalência patrimonial em outubro de 2000 (fls. 31/33) não alterou a sua participação no resultado da controlada em 1999. 28- Portanto, para cálculo da participação do interessado nos resultados da controlada, deve ser mantido o percentual de 16,6789% em todos os anos, Fl. 504DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1401-003.493 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001432/2005-16 conforme procedido no auto de infração. Cabe ressaltar que no cálculo do IRRF a ser compensado com o IRPJ (§23), utilizei esse percentual. Entende o recorrente que como existe um acordo de acionistas para o ano- calendário de 1999 definindo uma forma de distribuição de dividendos diferente da proporcionalidade das cotas da sociedade e que, efetivamente, os dividendos não foram distribuídos em relação ao ano de 1999, que não poderia ser tributados estes rendimentos sem a observância do acordo de acionistas realizado. Tais alegações são razoáveis, entretanto, no meu sentir não se resolvem em benefício do recorrente. A existência de acordo de acionistas, quando devidamente cumprido, ou seja, se houvesse a efetiva distribuição diferenciada dos rendimentos aos sócios poderia ser alegada contra a presunção de tributação dos lucros auferidos no exterior, haj vista que a situação de fato deve prevalecer contra a presunção legal. Ocorre que como bem salientou a Decisão de Piso e como informado pelo recorrente, não houve a efetiva distribuição de lucros relativos a esse exercício e, assim, não teve nenhuma utilidade o acordo de acionistas realizado pelo recorrente. Por estas razões entendo que o cálculo da proporcionalidade do lucro obtido pela coligada no exterior a ser reconhecido pela empresa sediada no Brasil deve ocorrer pela proporção da participação da empresa brasileira em sua coligada, sem atender ao acordo de acionistas firmado que não foi exercido pelas partes. Assim, voto por negar provimento ao recurso também neste ponto. Imprestabilidade da SELIC como índice de Juros de Mora Em relação à alegação de inconstitucionalidade da taxa SELIC, a despeito da existência de precedentes judiciais em sentido contrário, conforme inclusive apresentados pelo recorrente, este conselho já solidificou seu entendimento no sentido da constitucionalidade da aplicação da taxa SELIC. Neste sentido foi editada a Súmula CARF nº 04, conforme abaixo transcrita, que tem sua aplicação obrigatória neste Conselho enquanto não revogada. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Acórdão nº 101-94511, de 20/02/2004 Acórdão nº 103-21239, de 14/05/2003 Acórdão nº 104-18935, de 17/09/2002 Acórdão nº 105-14173, de 13/08/2003 Acórdão nº 108-07322, de 19/03/2003 Acórdão nº 202-11760, de 25/01/2000 Acórdão nº 202-14254, de 15/10/2002 Acórdão nº 201-76699, de 29/01/2003 Acórdão nº 203-08809, de 15/04/2003 Acórdão nº 201-76923, de 13/05/2003 Acórdão nº 301-30738, de 08/09/2003 Acórdão nº 303-31446, de 16/06/2004 Fl. 505DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1401-003.493 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001432/2005-16 Acórdão nº 302-36277, de 09/07/2004 Acórdão nº 301-31414, de 13/08/2004 Acórdão nº 201-76923, de 13/05/2003 Assim, neste ponto, entendo por negar provimento ao recurso neste ponto. Em face de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator Fl. 506DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000410/2006-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002, 2003, 2004
PIS E COFINS. RECEITA BRUTA MENSAL. LANÇAMENTO EQUIVOCADO PELO REGIME TRIMESTRAL. VÍCIO MATERIAL INSANÁVEL POR ÓRGÃOS JULGADORES.
Constatado que, na apuração do PIS e da COFINS, a fiscalização utilizou, equivocadamente, a receita bruta trimestral, e não a mensal, deve ser cancelado o lançamento fiscal em relação à receita referente aos 2 primeiros meses de cada trimestre. Não cabe aos órgãos julgadores o papel de corrigir lançamento fiscal equivocado.
Numero da decisão: 9101-004.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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RECEITA BRUTA MENSAL. LANÇAMENTO EQUIVOCADO PELO REGIME TRIMESTRAL. VÍCIO MATERIAL INSANÁVEL POR ÓRGÃOS JULGADORES. Constatado que, na apuração do PIS e da COFINS, a fiscalização utilizou, equivocadamente, a receita bruta trimestral, e não a mensal, deve ser cancelado o lançamento fiscal em relação à receita referente aos 2 primeiros meses de cada trimestre. Não cabe aos órgãos julgadores o papel de corrigir lançamento fiscal equivocado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 04 10 /2 00 6- 19 Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 19740.000410/200619 Acórdão n.º 9101004.158 CSRFT1 Fl. 1.384 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 1.086/1.093) interposto pela PGFN contra o acórdão 120100.272 da 1° Turma da 2° Câmara que restou assim ementado e decidido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA A defesa alega que 15% a 30% dos valores depositados e que comporiam o objeto da autuação são relativos a garantias passíveis de devolução e, portanto, não se enquadram no conceito de receita. Nada obstante, além de não comprovar concretamente o que afirma, sua alegação, mesmo provada, não afetaria em nada a autuação, pois esta não foi promovida sobre a totalidade dos valores depositados, mas sim por meio da aplicação de taxa de spread, indicada pelo próprio sujeito passivo, cujo percentual variou de 5,49% a 7,67% dos valores depositados. PIS E COFINS BASE DE CÁLCULO como a incidência do PIS e da COFINS é mensal, uma vez realizado o lançamento sobre a receita do trimestre, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas relativas aos dois meses que não se referem à data do fato gerador. DECADÊNCIA MULTA QUALIFICADA caracterizado o aspecto volitivo da conduta delitiva, deve ser aplicada a regra de decadência prevista no art. 173, inciso I, do CTN, bem como qualificado o patamar sancionador. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em preliminar suscitada de oficio, excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas relativas aos meses não contemplados na autuação do IRPJ, nos termos do relatório e voto do relator, vencido o conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito negar provimento ao recurso Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 19740.000410/200619 Acórdão n.º 9101004.158 CSRFT1 Fl. 1.385 3 A ora Recorrente alega em seu Recurso Especial a existência de divergência de interpretação entre o acórdão Recorrido e o acórdão paradigma nº 130200.163 que concluiu no sentido de que, na hipótese de ser constatado erro na apuração da matéria tributável, pode ser promovida a retificação do lançamento, que restou assim ementado: "PIS, COFINS, MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. RETIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. O fato de a autoridade autuante ter considerado períodos de apuração trimestrais na determinação do montante devido a título de PIS e COFINS, não impede que, em sede de revisão, a autoridade administrativa julgadora retifique as bases de cálculo correspondentes a cada um dos meses de encerramento do referido período de apuração, vez que, concretizada a hipótese de incidência, ainda que disso decorram exações inferiores as que foram consignadas nas peças acusatórias, remanesce o dever do contribuinte de cumprir com a obrigação tributária principal correspondente." Diz a Recorrente: "Considerandose o equívoco na apuração do tributo devido pelo contribuinte e a patente necessidade de revisão, não havendo dúvida quanto à infração imputada ao contribuinte, o presente lançamento se torna necessário, com o intuito de se preservar o direito da Fazenda Pública na constituição do correto montante do crédito tributário. Tratase de mero ato para salvaguardar eventual crédito tributário representado pelo presente lançamento, não havendo razão plausível para de declarar a sua nulidade, se o mesmo pode ser ajustado. Portanto, desnecessária e a anulação do lançamento das contribuições do PIS e da COFINS, bastandose sua revisão pela autoridade julgadora, excluindose os, eventuais, valores indevidos, até mesmo em sede de execução do julgado, para sanar eventuais equívocos na determinação da matéria tributável." Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial Em despacho de admissibilidade (fls. 1.096/1.099), fora dado seguimento ao recurso. Não foram apresentadas contrarrazões ao Recurso da PGFN pela Contribuinte. É o Relatório. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 19740.000410/200619 Acórdão n.º 9101004.158 CSRFT1 Fl. 1.386 4 Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Conhecimento O acórdão recorrido entendeu que o erro cometido pela autoridade fiscal que adotou regime trimestral de tributação do PIS e COFINS ao invés da correta apuração em períodos mensais, acabou por macular fatalmente o lançamento que acabou sendo exonerado. Já o acórdão paradigma de n. 130200.163, que trata de situação análoga, entendeu que tendo a autoridade autuante considerado períodos de apuração trimestrais na apuração do montante devido a título de PIS e COFINS, não há impedimento para que, em sede de revisão, a autoridade administrativa julgadora retifique as bases de cálculo de cada um dos meses de encerramento do referido período de apuração, pois concretizada a hipótese de incidência cabe ao contribuinte cumprir com a obrigação tributária principal correspondente. Presentes a similitude fática e divergência jurisprudencial, o Recurso Especial merece ser conhecido. Mérito No presente caso enxergo erro capital no lançamento fiscal que adotou período de apuração trimestral de forma equivocada, quando o correto seria a apuração mensal. Enxergo aqui, em perfeito alinhamento com o acórdão recorrido, que não é possível aos julgadores do contencioso administrativo aperfeiçoar, corrigir ou salvar o lançamento fiscal maculado de vício que o torna insubsistente. Não se está a falar aqui de mero erro de cálculo mas de adoção de regime de apuração distinto. Destaco aqui ementa do acórdão n. 10704.028: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA APERFEIÇOAMENTO DA EXIGÊNCIA INICIAL POR DRJ NULIDADE A competência atribuída às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, nos termos do artigo 2.º da Lei n.º 8.748/93, não contempla a função de lançamento tributário, nos termos do disposto no artigo 142 do CTN, de modo a alterar a exigência impugnada, aperfeiçoando os termos da exigência inicial, sendo, pois, nulo tal procedimento (Acórdão n.º 10704.028, de 15/04/1997, 1.º CC). Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 19740.000410/200619 Acórdão n.º 9101004.158 CSRFT1 Fl. 1.387 5 Desta forma, tendo em vista que a fiscalização, sem previsão legal, apurou indevidamente as bases de cálculo do PIS e da COFINS segundo o regime trimestral, ao passo que o correto seria a adoção do regime mensal, o lançamento fiscal em relação às receitas dos dois primeiros meses de cada trimestre objeto de da autuação é nulo e isso não pode ser corrigido e tampouco salvo, como defende a Recorrente. Estamos diante de vício material do lançamento fiscal. Destaco aqui, trecho do acórdão n. 910100.955 desta CSRF: NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN, por serem elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto, antecedem e são preparatórios à formalização do crédito tributário, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Reforço que entendo que o erro cometido no lançamento ora em debate referese à aplicação de período de apuração incorreto. Não se trata de erro de cálculo no qual o fiscal acumulou de forma indevida no último mês do trimestre as bases de cálculo mensais. O erro aqui patente é de incorreta aplicação do período de apuração trimestral que tem previsão legal própria e distinta do período de apuração mensal. Assim, uma vez descumpridos os requisitos do art. 142 do CTN para validade do lançamento fiscal, descabe aos conselheiros do CARF corrigir o lançamento. A função dos Conselheiros é julgar cabe exclusivamente aos auditores fiscais locados na Receita Federal do Brasil efetuar o lançamento fiscal. Concluo, portanto, que não prosperam os argumentos da Recorrente. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO para no MÉRITO NEGAR LHE PROVIMENTO. Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 19740.000410/200619 Acórdão n.º 9101004.158 CSRFT1 Fl. 1.388 6 É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11618.004931/2006-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-001.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente EDILSON DE MIRANDA RIBEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 49 31 /2 00 6- 49 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 11618.004931/200649 Acórdão n.º 2002001.084 S2C0T2 Fl. 74 2 Relatório Notificação de Lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 6/11), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2005. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$1.548,65 para saldo de imposto a pagar de R$14.503,61. A notificação noticia omissão de rendimentos e dedução indevida de despesas médicas, consignando, em relação à segunda infração, que foi acatada apenas a despesa informada com Unimed. Em relação às demais, informa que não houve comprovação do seu efetivo pagamento. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 5/12/2006, a NL foi objeto de impugnação, em 28/12/2006, às fls. 2/31 dos autos, no qual o contribuinte elaborou demonstrativos com os valores que entendia corretos, indicando a juntada de documentação comprobatória. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/REC que, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada (fls. 40/45): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO, São apenas dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO PARA PREVIDÊNCIA OFICIAL E PRIVADA. São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as contribuições para previdência oficial e privada, desde que devidamente comprovadas_ A dedução da contribuição para previdência privada esta limitada a 12% dos rendimentos tributáveis. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 11618.004931/200649 Acórdão n.º 2002001.084 S2C0T2 Fl. 75 3 O colegiado de primeira instância decidiu por incluir a previdência oficial vinculada aos rendimentos omitidos, bem como acatar a dedução de previdência privada, informada indevidamente como plano de saúde pelo contribuinte. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 6/11/2009 (fl. 48), o contribuinte, em 30/11/2009 (fl. 50), apresentou recurso voluntário, às fls. 50/71, no qual indica a juntada dos recibos emitidos pelos profissionais médicos declarados, contendo os dados essenciais para considerar as despesas dedutíveis. A decisão recorrida teria se equivocado ao afirmar que não teria sido juntada prova da efetiva prestação dos serviços, uma vez que todos os recibos fazem a prova exigida. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. De início, registro que, de fato, a decisão recorrida, em seu dispositivo final, se equivocou na indicação do exercício da declaração de ajuste em análise. Entretanto, tratase de mero erro material, que não trouxe qualquer prejuízo ao recorrente. Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa e da prestação do serviço. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 75DF CARF MF Processo nº 11618.004931/200649 Acórdão n.º 2002001.084 S2C0T2 Fl. 76 4 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 11618.004931/200649 Acórdão n.º 2002001.084 S2C0T2 Fl. 77 5 Em seu recurso, o contribuinte defende que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida. Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamento seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) Fl. 77DF CARF MF Processo nº 11618.004931/200649 Acórdão n.º 2002001.084 S2C0T2 Fl. 78 6 No caso concreto desses autos, intimado a apresentar comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, o recorrente limitouse a apresentar recibos emitidos pelas profissionais (fls.20/24, 26/31, 53/58 e 60/65), que não se revelam hábeis a fazer a prova exigida. Assim, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 19679.005805/2003-56
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1998
CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO CONTESTADO. DEFINITIVAMENTE JULGADO.
É definitivo o crédito tributário não contestado no Recurso Voluntário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1998
DÉBITO EM DCTF NÃO PAGO. INEXISTÊNCIA COMPROVADA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO.
Em lançamento de ofício por ausência de pagamento de débito declarado em DCTF, comprovada a inexistência do débito, exonera-se o valor correspondente.
Numero da decisão: 1001-001.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para exonerar o crédito tributário no valor de R$ 2.763,13, referente ao IRRF não pago.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO CONTESTADO. DEFINITIVAMENTE JULGADO. É definitivo o crédito tributário não contestado no Recurso Voluntário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1998 DÉBITO EM DCTF NÃO PAGO. INEXISTÊNCIA COMPROVADA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. Em lançamento de ofício por ausência de pagamento de débito declarado em DCTF, comprovada a inexistência do débito, exonera-se o valor correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para exonerar o crédito tributário no valor de R$ 2.763,13, referente ao IRRF não pago. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO CONTESTADO. DEFINITIVAMENTE JULGADO. É definitivo o crédito tributário não contestado no Recurso Voluntário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 DÉBITO EM DCTF NÃO PAGO. INEXISTÊNCIA COMPROVADA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. Em lançamento de ofício por ausência de pagamento de débito declarado em DCTF, comprovada a inexistência do débito, exonerase o valor correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para exonerar o crédito tributário no valor de R$ 2.763,13, referente ao IRRF não pago. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 58 05 /2 00 3- 56 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 19679.005805/200356 Acórdão n.º 1001001.313 S1C0T1 Fl. 132 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. Relatório O presente processo trata de auto de infração lavrado em 23/06/2003 (fls. 16 a 30). O auto teve por objeto Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF devido no ano calendário de 1998, declarado e não recolhido, bem como acréscimos legais e multa isolada sobre recolhimentos em atraso. Transcrevo parcialmente, abaixo, o relatório da decisão de primeira instância, que resume o pleito (fls. 92 e 103): Em decorrência de auditoria interna realizada nas DCTF referentes aos 2º, 3º e 4º trimestres de 1998, foi lavrado o auto de infração de fls. 16, exigindo do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 187.553,53 (cento e oitenta e sete mil, quinhentos e cinqüenta e três Reais e cinqüenta e três centavos). 2. De acordo com os ANEXOS Ia RELATÓRIO DE AUDITORIA INTERNA DE PAGAMENTOS INFORMADOS NA DCTF (fls. 18/20), IIa DEMONSTRATIVO DE PAGAMENTOS EFETUADOS APÓS O VENCIMENTO (fls. 21/23), III DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR (fls. 24) e IV DEMONSTRATIVO DE MULTA E/OU JUROS A PAGAR NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR (fls. 25), que instruíram o Auto de Infração, foi apurado, relativamente ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, que o contribuinte informou em DCTF o pagamento destas exações por intermédio de DARF não localizados nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, DARF pagos a destempo com insuficiência da multa ou dos juros moratórios, ou integralmente desacompanhados dos acréscimos legais. 3. Em razão de tais irregularidades foram exigidos: (a) IRRF no valor de R$ 64.202,48 (sessenta e quatro mil, duzentos e dois Reais e quarenta e oito centavos), acrescido da multa de ofício (R$ 48.151,86 quarenta e oito mil, cento e cinqüenta e um Reais e oitenta e seis centavos) e dos juros moratórios calculados até a data da autuação (R$ 59.942,64 cinqüenta e nove mil, novecentos e quarenta e dois Reais e sessenta e quatro centavos); (b) multa moratória paga a menor no importe de R$ 13,98 (treze Reais e noventa e oito centavos); (c) juros moratórios não pagos no montante de R$ 30,28 (trinta Reais e vinte e oito centavos); e (d) multa isolada no valor de R$ 15.212,29 (quinze mil, duzentos e doze Reais e vinte e nove centavos). 4. O lançamento teve como enquadramento legal a legislação discriminada na folha de continuação do auto de infração (fls. 17). 5. Cientificado do auto de infração em 09/08/2003 (fls. 63), o contribuinte apresentou, em 04/09/2003, a impugnação de fls. 01/02, pleiteando a retificação da lavratura, aduzindo, em apertada síntese, que: 5.1. Os recolhimentos não localizados foram oportunamente empreendidos, sendo imperiosa a retificação da autuação. Ademais, os acréscimos legais incidentes sobre os DARF supostamente pagos em atraso e insertos na autuação merecem prosperar unicamente em relação aos seguintes montantes: multa moratória R$ 13,98 (treze Reais e noventa e oito centavos); juros de mora R$ 30,28 (trinta Reais e vinte e oito centavos). Fl. 132DF CARF MF Processo nº 19679.005805/200356 Acórdão n.º 1001001.313 S1C0T1 Fl. 133 3 6. Em 30/05/2006, a Defendente apresentou nova manifestação (fls. 61/62), propugnando pela improcedência da lavratura, vez que teria havido erro no preenchimento da DCTF, especialmente em relação ao denominado “erro de semana” e à informação de multa moratória como IRRF. 7. O órgão competente efetuou a revisão de ofício do lançamento, considerando improcedente a exigência referente a alguns pagamentos não localizados (fls. 64/67): (quadro reproduzindo as informações dos demonstrativos às fls. 69 a 72) 8. Em razão da revisão de ofício acima referida, o crédito tributário constituído foi retificado nos seguintes termos (fls. 69/70): (quadro reproduzindo as informações do extrato do processo de fls. 74 e 75) A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, no acórdão às fls. 92 a 103 do presente processo (Acórdão 1618.812, de 02/10/2008), julgou procedente em parte o lançamento. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 AUDITORIA INTERNA EM DCTF. PAGAMENTO APÓS O VENCIMENTO SEM O ACRÉSCIMO DA MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF Cancelase a multa de ofício exigida isoladamente com base em informações incorretas prestadas em DCTF, especialmente em relação ao período de apuração, tendo em vista o pagamento ter sido efetuado dentro do prazo legal. AUDITORIA INTERNA EM DCTF. PAGAMENTOS EM ATRASO COM RECOLHIMENTO PARCIAL DA MULTA MORATÓRIA OU INSUFICIÊNCIA NO PAGAMENTO DOS JUROS DE MORA. Evidenciado que o contribuinte recolheu DARF em atraso com pagamento parcial da multa moratória ou com insuficiência nos juros de mora, merece prosperar a lavratura relativa aos acréscimos legais impagos. AUDITORIA INTERNA EM DCTF. PAGAMENTOS NÃO LOCALIZADOS. REVISÃO DE OFICIO. Da revisão de ofício efetuada pelo órgão competente resultou a extinção do crédito tributário referente aos pagamentos localizados posteriormente à emissão da autuação. Ademais, se o contribuinte não comprova a regular existência dos outros recolhimentos, resta evidenciada a procedência parcial da autuação. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Sobre as diferenças apuradas em auditoria interna de DCTF, decorrentes de pagamentos informados e não comprovados, incidem somente acréscimos moratórios, em razão da aplicação retroativa (retroatividade benigna) da norma veiculada no art. 18 da Lei 10.833/03, com a redação dada pelo art. 18 da Lei 11.051/04. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 19679.005805/200356 Acórdão n.º 1001001.313 S1C0T1 Fl. 134 4 No voto, sobre o imposto declarado e não pago, ponderouse que o contribuinte alegava têlo informado incorretamente em DCTF, porque os valores referiamse a multa e não ao IRRF. Argumentouse que a princípio as informações em DCTF reputamse verdadeiras, competindo ao contribuinte a comprovação de que houve erro. Que se é verdade que foram informados em DCTF os importes de multa como IRRF, competia ao sujeito passivo empreender a retificação das declarações. Que, mesmo sem a retificação, a empresa poderia apresentar os documentos comprobatórios. No entanto, nenhuma das duas providências foi tomada. Ressaltouse que os DARF arrolados pela empresa não eram passíveis de vinculação aos débitos porque se referiam a processos empreendidos pela Delegacia Regional do Trabalho em São Paulo (campo 5 dos DARF às fls. 10 e 11, telas dos sistemas da RFB às fls. 89 e 90). Assim, não comprovado o erro em DCTF e descabida a alocação dos DARF, concluiuse pela procedência do lançamento no que diz respeito ao IRRF não pago. Quanto à multa vinculada de 75% do imposto não pago, a decisão informou que foi derrogada pela alteração que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 provocou no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Concluiu que, em vista da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, letra “c”, do CTN, era descabida a multa de ofício imposta, cabendo apenas a penalidade moratória determinada no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Quanto à multa isolada pelo pagamento do tributo em atraso sem o acréscimo de multa moratória, a decisão alegou que o confronto das informações de DCTF com DARF havia comprovado o erro alegado. Que por isso se excluía a multa isolada imposta. Mas a multa de mora e os juros de mora lançados haviam se comprovado devidos. À fl. 105 temse o demonstrativo dos débitos remanescentes após a decisão de primeira instância: multa do mora (R$ 13,98), juros de mora (R$ 30,28), e IRRF (R$ 2.763,13). Cientificado da decisão em 20/10/2008 (Aviso de Recebimento à fl. 109), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12/11/2008 (fls. 110 a 116, carimbo aposto à primeira folha). No recurso, a empresa contesta apenas o IRRF, nada alegando sobre a multa e os juros de mora mantidos. Tais valores, portanto, restaram definitivamente julgados pela decisão recorrida. Quanto ao IRRF não pago, reafirma que cometeu um erro no preenchimento da DCTF. Informa que os dois débitos declarados no valor de R$ 1.381,57 (total de R$ 2.763,13), do período de apuração de 02/11/1998, com vencimento em 18/11/1998, na verdade não são de IRRF. São de multas relacionadas à CLT (código 0289 – Multa da CLT), destinadas a extinguir obrigações de cunho trabalhista resultantes de fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho, referentes aos processos administrativos 46.219.061745/9732 e 46.219.061746/9703, conforme indicado nos próprios DARF. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 19679.005805/200356 Acórdão n.º 1001001.313 S1C0T1 Fl. 135 5 Refuta o argumento da DRJ de falta de provas do erro cometido no DARF alegando que seria impossível a empresa apurar dois débitos de IRRF exatamente nos mesmos valores de duas multas que sofreu em decorrência de fiscalização em seu estabelecimento pela Delegacia Regional do Trabalho. Ressalta que a própria decisão recorrida confirmou que os sistemas informatizados da RFB indicam os processos trabalhistas em questão (fls. 89 e 90). É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Conforme relatório, os débitos remanescentes são a multa e os juros de mora (R$ 13,98 e R$ 30,28, respectivamente), não contestados no Recurso Voluntário, e o IRRF declarado e não pago, que consiste em dois débitos de R$ 1.381,57 cada um, ambos com vencimento em 18/11/1998. O contribuinte alega que os débitos de IRRF não existem. Que errou na DCTF. Que o que existiam eram dois débitos, referentes a multas trabalhistas, nos mesmos valores e vencimentos declarados para o IRRF. Que a decisão de primeira instância confirmou que os DARF às fls. 10 e 11 referemse aos processos trabalhistas 46.219.061746/9703 e 46.219.06174532, indicados nos próprios DARF, no campo número de referência. De fato, os sistemas informatizados da RFB registram os processos trabalhistas em questão, conforme telas anexadas às fls. 89 e 90. Ali se vê que os processos se referem a Autos de Infração do Ministério do Trabalho, o que corrobora a informação do contribuinte de que os DARF destinaramse a extinguir multas trabalhistas resultantes de fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho, formalizadas nos processos administrativos mencionados. Nas telas juntadas (fls. 89 e 90), vêse que os débitos trabalhistas foram liquidados, e os processos foram arquivados em 05/02/1999, pouco tempo após a quitação das multas através dos DARF em 18/11/1998. Também no sistema Comprot (Comunicação e Protocolo), de consulta pública (https://comprot.fazenda.gov.br), verificase que em 15/10/1998 os processos trabalhistas foram movimentados na situação de aguardar pagamento. Em seguida, em 05/02/1999 (após os pagamentos em 18/11/1998), foram arquivados com a informação de que o débito havia sido liquidado. Resta comprovado, portanto, que os DARF às folhas 10 e 11 (código 0289 – Multa CLT) quitaram os débitos de multa trabalhista dos processos indicados. Então, a única hipótese de procedência do lançamento seria o contribuinte ter apurado dois débitos de IRRF, nos exatos valores e datas de vencimento das multas lavradas Fl. 135DF CARF MF Processo nº 19679.005805/200356 Acórdão n.º 1001001.313 S1C0T1 Fl. 136 6 pela fiscalização efetuada pela Delegacia Regional do Trabalho. Não há razoabilidade nessa hipótese. Assim, considero que a comprovação da existência e pagamento das multas trabalhistas é indício suficiente do erro cometido no preenchimento da DCTF e, por consequência, da inexistência dos débitos de IRRF objeto do lançamento de ofício. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para exonerar o crédito tributário referente ao IRRF não pago (R$ 2.763,13), mantendose a multa de mora (R$ 13,98) e os juros de mora (R$ 30,28), não contestados no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.971446/2016-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2015
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE.
Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado.
Numero da decisão: 3401-006.498
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2015 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE. Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado.
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DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE. Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 14 46 /2 01 6- 81 Fl. 75DF CARF MF 2 (...) EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Nos casos de decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ), a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) está vinculada à expressa manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) sobre o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. COMPENSAÇÃO. PEDIDO REPETIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não há de ser homologada declaração de compensação utilizando repetidamente o mesmo crédito, que já foi integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Ciente do acórdão de piso, a empresa protocolou Recurso Voluntário requerendo a reforma da decisão recorrida para declarar a nulidade do despacho decisório que deixou de homologar a compensação por ausência de motivação, pois a autoridade administrativa teria agido discricionariamente ao não indicar os pressupostos de fato e de direito que fundamentaram a decisão. Requer ainda não seja aplicada a multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que deixe de homologar a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.487, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.971455/201672. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.487): "Estáse diante de recurso que se insurge contra acórdão que manteve decisão denegatória de homologação de compensação. Não consta da matéria recorrida qualquer alegação acerca do mérito do direito creditório, mas tão somente a alegação de nulidade do despacho decisório por ausência de motivação e cerceamento do direito de defesa, além de requerimento no sentido de não ser aplicada multa isolada antes de proferida decisão administrativa definitiva acerca da compensação. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.971446/201681 Acórdão n.º 3401006.498 S3C4T1 Fl. 3 3 Verifico que o despacho decisório atacado trouxe em seu o teor a razão específica para que a compensação não fosse homologada, a ausência de crédito disponível. Indicou ainda os números dos PER/DCOMP’s relativos às compensações em que já haviam sido anteriormente alocados os mesmos créditos que a Recorrente agora pretendia levar à compensação. Ademais, estão indicados os dispositivos legais em que se baseou a decisão, de modo que não vislumbro a ausência de nenhum pressuposto de fato ou de direito que venha a impedir o perfeito conhecimento das razões em que se baseou a decisão. Ressalto que a Recorrente, ao longo do processo, silenciou absolutamente quanto ao fato de ter alocado o mesmo crédito repetidamente a várias compensações, limitandose a atacar o ato decisório com alegações genéricas de nulidade, apegandose a trechos do texto padrão constante do despacho decisório emitido de forma eletrônica, sem pronunciarse acerca tabela que indicou inexoravelmente a inexistência de crédito. Assim, tenho por incontroversos os fatos em que se basearam a negativa de homologação e entendo não merecer acolhida a alegação de nulidade. Consta ainda da peça recursal pedido no sentido de a Recorrente não seja sujeita à imposição da multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que venha a negar a compensação. Ora, trata se de matéria estranha aos autos, visto que deles não consta o lançamento da multa isolada de 50% prevista no §17 da Lei n° 9.430/1996, além de ser despiciendo o pedido ante à expressa previsão de suspensão da exigibilidade da multa nos casos de apresentação de manifestação de inconformidade, conforme dicção do §18 do mesmo dispositivo. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 77DF CARF MF 4 Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.910645/2016-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2012
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade
Numero da decisão: 3402-006.621
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 06 45 /2 01 6- 00 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.910645/201600 Acórdão n.º 3402006.621 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que, por unanimidade de votos, não conheceu da Manifestação de Inconformidade, por intempestiva. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, e refutando a intempestividade reconhecida pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.618, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.910642/201668. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.618): "Conforme relatado, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ por ser intempestiva: ciência do Despacho Decisório em 16/06/2016; apresentação da Manifestação de Inconformidade em 25/07/2016. A Recorrente repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade quanto à tempestividade. Por não ter apresentado nenhum fato novo em seu recurso e por concordar com seus fundamentos, quanto à tempestividade da manifestação de inconformidade, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, adoto como meu os fundamentos desenvolvidos na decisão recorrida, o que faço nos segunite termos: Preliminar de Tempestividade da Manifestação de Inconformidade Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.910645/201600 Acórdão n.º 3402006.621 S3C4T2 Fl. 4 3 Como relatado acima, o manifestante protocolou requerimento à DRJ em Porto Alegre/RS (fls. 19/21), em 25/07/16, com pedido de tempestividade para a sua Manifestação de Inconformidade. No requerimento, alega que teria tentado protocolar a sua Manifestação de Inconformidade por duas ocasiões [15/07/16 (fl. 18) e 18/07/16 (fl. 17)], transmitindo os seus arquivos de forma eletrônica, através do Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), utilizandose, para tanto, do certificado digital do DiretorPresidente e representante legal perante a Receita Federal do Brasil, Sr. ALÉCIO LANGARO UGHINI. Porém, nas duas tentativas de envio de sua documentação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não teria reconhecido o referido protocolo, sob alegação de que “o usuário não possui permissão para realizar solicitação de juntada de documentos para esse processo/ciência”, conforme os termos das correspondências (emails) recebidos pelo representante legal. Com isso, o manifestante somente veio a protocolar a sua Manifestação de Inconformidade em 25/07/16 (fl. 38), quando deveria têlo feito até a data limite para essa entrega determinada pela legislação tributária, em 18/07/16, ou seja, até 30 dias após a ciência do Despacho Decisório que ocorreu em 16/06/16. Aduz que considera ilegal essa restrição, pois ALÉCIO LANGARO UGHINI é o diretorpresidente da empresa eleito pelo Conselho de Administração; que não há normativos expedidos pela RFB com qualquer restrição do representante legal não poder transmitir tais arquivos digitais; que o Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), meio competente para a realização de protocolo em processos digitais, teria confirmado a realização do protocolo da Manifestação de Inconformidade do processo; que o programa não teria emitido qualquer recibo na ocasião do protocolo, mas o email que o representante legal recebeu constata que o mesmo foi realizado; que é inaceitável a negativa do protocolo informado pelo correio de mensagens do eCAC se, no momento da juntada do documento por meio do Programa competente para tanto, da própria Receita Federal, este programa admitiu e confirmou o protocolo da defesa em nome do representante legal da empresa; que as inconsistências nos sistemas utilizados pela RFB não podem impedir o direito constitucional do contribuinte de defenderse na esfera administrativa; e, assim, requer o reconhecimento e a análise de sua Manifestação de Inconformidade, que alega ter sido protocolada tempestivamente. As alegações do manifestante não merecem prosperar. O art. 2º do Decreto Nº 70.235, de 06 de março de 1972 (DOU de 07 de março de 1972) (Processo Administrativo Fiscal – PAF) determina: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.910645/201600 Acórdão n.º 3402006.621 S3C4T2 Fl. 5 4 CAPÍTULO I Do Processo Fiscal SEÇÃO I Dos Atos e Termos Processuais Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais poderão ser formalizados, tramitados, comunicados e transmitidos em formato digital, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) (Grifei e sublinhei.) Portanto, cabe a administração tributária, por expressa delegação legal, disciplinar a transmissão de atos e termos processuais em formato digital. Os arts. 1º, 2º e 3º da Portaria SRF Nº 259, de 13 de março de 2006, dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, da seguinte forma: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pela RFB, comporão processo eletrônico (e processo). (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) Art. 2º A impugnação, o recurso e os demais atos e termos processuais produzidos eletronicamente deverão ser assinados mediante utilização de certificado digital emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil) e serão enviados à RFB por meio do Centro Virtual de Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.910645/201600 Acórdão n.º 3402006.621 S3C4T2 Fl. 6 5 Atendimento ao Contribuinte (eCAC), disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov. br. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º A comprovação do envio dos documentos darseá de forma eletrônica, mediante recibo. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º O teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo. § 3º A utilização de meio eletrônico desobrigará o sujeito passivo de protocolar os documentos em papel na RFB (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 4º Os meios de prova que não puderem ser apresentados em forma eletrônica serão protocolados em unidade da RFB. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 5º Os comprovantes originais de deduções, os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 3º A impugnação, o recurso e os documentos que os instruem serão protocolados de forma eletrônica, considerando se como data de protocolo a data e hora de recebimento dos dados pelo eCAC. § 1º O recebimento pelo eCAC será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º Para efeito do disposto no caput e no § 1º, o horário estará sincronizado em conformidade com o disposto na Resolução nº 16, de 10 de junho de 2002, do Comitê Gestor da ICPBrasil. § 3º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput. Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.910645/201600 Acórdão n.º 3402006.621 S3C4T2 Fl. 7 6 § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. (Grifei e sublinhei.) Como se constata da leitura do dispositivo legal acima, existem regras específicas e rígidas para a transmissão de atos e termos processuais em forma eletrônica, que devem ser de conhecimento e respeito obrigatórios pelo sujeito passivo que dela queira se utilizar, a fim de que haja a garantia que apenas ele (o sujeito passivo), ou seu representante legal nomeado, possam encaminhar documentos ao processo na forma eletrônica, a fim de manter a integridade, a autenticidade, a interoperabilidade e a confidencialidade dos mesmos. Por sua vez, o teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo (determinação expressa contida no § 2º do art. 2º da Portaria SRF Nº 259/06 acima transcrito). O contribuinte tem, ainda, a possibilidade de comparecer pessoalmente a uma unidade da RFB e entregar os documentos de prova no caso da impossibilidade de fazêlo por meio eletrônico (§4º do art. 2º da mesma Portaria), desde que o faça dentro dos prazos legais de entrega dos documentos, o que é de sua inteira responsabilidade como já mencionado acima. Essas determinações estão também previstas, no âmbito do Ministério da Fazenda, através da Portaria MF Nº 527, de 09 de novembro de 2010 (DOU de 10 de novembro de 2010), especialmente no que se refere a responsabilidade dos interessados pelo teor e a integridade dos arquivos entregues, assim como na observância dos prazos (§ 5º do seu art. 2º). Isso significa que se o sujeito passivo pretende transmitir uma impugnação ou recurso, ele deve conhecer perfeitamente todas as regras que envolvem esse tipo de serviço, sob pena de perder os prazos estipulados na legislação tributária para a entrega desses documentos, como aconteceu no presente caso. O fato de o sistema eletrônico ter aceito os arquivos enviados por ALÉCIO LANGARO UGHINI, nas datas constantes dos e mails enviados pelo CAC, garante apenas que o direito constitucional de petição do contribuinte foi respeitado pela RFB, mas não implica na garantia da integridade e o do teor dos arquivos transmitidos, e muito menos que a pessoa que os transmitiu (física ou jurídica) tem autorização para juntar os Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.910645/201600 Acórdão n.º 3402006.621 S3C4T2 Fl. 8 7 documentos nele contidos em um determinado processo digital, o que é analisado pela fiscalização após receber essa documentação. O art. 3º do CAPÍTULO I (DA SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS POR MEIO DO PGS) da Instrução Normativa RFB Nº 1.412, de 22 de novembro de 2013 (DOU de 25 de novembro de 2013, que dispõe sobre a transmissão e a entrega de documentos digitais, determina ainda que: Art. 3° A solicitação de juntada de documentos digitais, nos termos previstos no caput do art. 2º, ocorrerá mediante transmissão de arquivo digital por meio do PGS disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://idg.receita.fazenda.gov.br, com assinatura digital válida. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 1º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a processo digital, ocorrerá somente na hipótese de o interessado estar com a opção de domicílio tributário eletrônico (DTE) ativa, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 664, de 21 de julho de 2006. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 2º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a dossiê digital de atendimento, poderá ser feita somente com o uso de assinatura digital válida. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Parágrafo único. Somente o interessado, em nome de quem houver sido formado o processo digital ou o dossiê digital de atendimento, ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal eCAC”, com opção “processos digitais”, poderá solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Resta claro, pela leitura do dispositivo legal acima, que somente o interessado [aquele que está descrito no item “1” do Despacho Decisório (fl. 29)], ou seja, no presente caso, somente a pessoa jurídica denominada UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), em nome de quem foi formado o presente processo digital (e não a pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI – CPF 004.705.97020), ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal e CAC”, com opção “processos digitais”, poderiam solicitar a juntada de documentos por meio do PGS (Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos) (a pessoa jurídica pode transmitir diretamente documentos com a utilização do eCNPJ). Por oportuno, verifiquei nas informações do presente processo, constantes nos Sistemas Informatizados da RFB (Sistema e Processo), que foi outorgada à CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ (CPF 945.551.33072) a representação da pessoa jurídica UGHINI para o presente processo, com vigência de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.910645/201600 Acórdão n.º 3402006.621 S3C4T2 Fl. 9 8 07/04/16 a 07/04/18 e, portanto, esse procurador também poderia solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. Portanto, como o presente processo digital não foi formado em nome da pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI (CPF 004.705.97020), mas sim da pessoa jurídica UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), que é o interessado no processo, nem àquele consta como procurador com opção de “processos digitais” para incluir documentos eletronicamente no presente processo (mas sim CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ), correto o procedimento da fiscalização que negou a pretensão de juntada de documentos na pessoa física de ALÉCIO UGHINI [este deveria ter utilizado o e CNPJ da empresa UGHINI S. A. (interessado) para inclusão de documentos no presente processo, na forma eletrônica]. Com isso, o impugnante, que teria até o dia 18/07/16 para juntar sua Manifestação de Inconformidade no processo, somente veio a fazêlo em 25/07/16, restando, portanto, intempestiva a sua impugnação. Ao contrário do que argumenta o impugnante, não há nenhuma inconsistência, portanto, nos sistemas utilizados pela RFB na movimentação de processos digitais, mas sim regras específicas que devem ser rigorosamente observadas pelo contribuinte que pretende solicitar a juntada de documentos de forma eletrônica, utilizando a rede mundial de computadores (INTERNET). Como determinado pela legislação tributária, é do contribuinte a responsabilidade pelo teor e conteúdo dos arquivos transmitidos, e também do cumprimento dos prazos legais de apresentação de tais arquivos. Por fim, cabe ressaltar que a análise da tempestividade é fundamental para a garantia do princípio da isonomia (em relação aos contribuintes que envidam seus esforços para o cumprimento de suas obrigações nos prazos legalmente estabelecidos) e da segurança jurídica (princípio constitucional republicano basilar em um Estado Democrático de Direito). Quanto aos demais argumentos trazidos no Recurso Voluntário, deixo de apreciálos por ter ocorrido a preclusão do direito do contribuinte, devido ao não conhecimento da Manifestação de Inconformidade pela DRJ. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negolhe provimento. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11080.910645/201600 Acórdão n.º 3402006.621 S3C4T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 92DF CARF MF
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