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Numero do processo: 12268.000127/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP
com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pelacontribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando-se
de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter
sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE NFLD JULGADA IMPROCEDENTE EM PARTE. LAÇAMENTO REFLEXO. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD declarada parcialmente improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA.
RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.949
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a)
Rejeitar a preliminar de nulidade; b) Rejeitar a preliminar de decadência; e c) no mérito, dar provimento parcial para excluir os valores referentes aos levantamentos RPS – REMUN PJ
SOCIOS PRO LABORE e SCP – SCP PRO LABORE SOCIOS e quanto ao levantamento DLP – DISTR LUCRO PRO LABORE, os valores referentes aos pagamentos realizados a sócios não dirigentes da empresa e os realizados a pessoas jurídicas, remanescendo as contribuições incidentes sobre os pagamentos realizados aos sócios gerentes da empresa no respectivo período, exceto para o período compreendido entre as competências 11/2002 a 05/2003, que devem ser mantidas para todos os levantamentos; e II) Por maioria de votos, recalcular o valor da multa, limitando-a,de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
Vencido o conselheiro Igor Araújo Soares, que recalculava o valor da multa com base no art. 32A da Lei nº 8.212/91.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL 2 AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE NFLD JULGADA IMPROCEDENTE EM PARTE. LAÇAMENTO REFLEXO. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD declarada parcialmente improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) Rejeitar a preliminar de nulidade; b) Rejeitar a preliminar de decadência; e c) no mérito, dar provimento parcial para excluir os valores referentes aos levantamentos RPS – REMUN PJ SOCIOS PRO LABORE e SCP – SCP PRO LABORE SOCIOS e quanto ao levantamento DLP – DISTR LUCRO PRO LABORE, os valores referentes aos pagamentos realizados a sócios não dirigentes da empresa e os realizados a pessoas jurídicas, remanescendo as contribuições incidentes sobre os pagamentos realizados aos sócios gerentes da empresa no respectivo período, exceto para o período compreendido entre as competências 11/2002 a 05/2003, que devem ser mantidas para todos os levantamentos; e II) Por maioria de votos, recalcular o valor da multa, limitandoa, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencido o conselheiro Igor Araújo Soares, que recalculava o valor da multa com base no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Walter Murilo Melo Andrade, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausentes os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL Processo nº 12268.000127/200751 Acórdão n.º 2401001.949 S2C4T1 Fl. 164 3 Relatório AUTO VIAÇÃO REDENTOR LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0327.751/2008, às fls. 92/100, que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em relação ao período de 01/1999 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 16/17, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 30/11/2007, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 2.532.798,80 (Dois milhões, quinhentos e trinta e dois mil, setecentos e noventa e oito reais e oitenta centavos), com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. De conformidade com o Relatório Fiscal da Autuação, a contribuinte deixou de informar em GFIP as remunerações dos contribuintes individuais/prólabore diretores (incluídas em folhas de pagamento e recolhidas em GPS, mas não declaradas em GFIP) e os rendimentos de Prólabore dos sócios da notificada efetuados através de Pessoas Jurídicas Prestadoras de Serviços, ligadas aos sócios ou a título de Distribuição Antecipada de Lucros Inexistentes ou Insuficientes, durante o período de 07/2000 a 12/2006, caracterizados como salário de contribuição pela autoridade lançadora nos autos da NFLD nº 37.065.7586 – Processo n° 12268.000129/200741. As autoridades julgadoras de primeira instância acharam por bem declarar procedente em parte o lançamento, acolhendo a decadência parcial da exigência fiscal, com base no artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do Acórdão recorridon° 0327.751/2008, da lavra da 5a Turma da DRJ em Brasília/DF. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 117/135, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade da decisão atacada, argumentando ter incorrido em preterição do direito de defesa da contribuinte, ao deixar de analisar os documentos colacionados aos autos junto à impugnação, indispensáveis ao deslinde da controvérsia, bem como não apreciando nenhuma das alegações suscitadas na sua peça inaugural (salvo a decadência), malferindo os princípios da legalidade, verdade material, razoabilidade e do devido processo legal administrativo. Pugna pela aplicação dos preceitos contemplados pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, as quais alteraram a redação da Lei n° 8.212/91, incluindo o artigo 32A, que estabeleceu nova forma de cálculo da multa, mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir para alcançar fatos pretéritos, com base no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL 4 Ainda em sede de preliminar, requer seja aplicado o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do CTN, em detrimento ao 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal, na forma decidida pelo julgador recorrido, sobretudo em face de recolhimentos de contribuições previdenciárias correspondentes, ou seja, antecipação de pagamento. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, especialmente no que tange à multa aplicada, por considerála desproporcional e confiscatória, o que impõe o seu afastamento, ou mesmo a redução para patamares mais razoáveis, levando se em consideração, ainda, o número dos segurados que não constaram das GFIP’s, isto é, entre 6 a 15 segurados, rechaçando o entendimento da fiscalização ao considerar a multa prevista para empresas que detém entre 1001 a 5000 empregados. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve a apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL Processo nº 12268.000127/200751 Acórdão n.º 2401001.949 S2C4T1 Fl. 165 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a examinar as alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE DECISÃO RECORRIDA Preliminarmente, requer a autuada a decretação da nulidade da decisão recorrida, por entender que a autoridade julgadora de primeira instância deixou de apreciar parte das alegações inseridas em sua defesa inaugural, em total preterição do direito de defesa da contribuinte. Muito embora a contribuinte lance referida assertiva, não faz prova ou indica qual a efetiva omissão que o julgador guerreado teria incorrido, capaz de ensejar a preterição do seu direito de defesa. Como se observa do decisum atacado, de fato, a autoridade julgadora não adentrou a todas as alegações suscitadas pela então impugnante. Tal fato isoladamente, porém, não tem o condão de configurar preterição do direito de defesa da contribuinte, mormente quando esta não afirma qual teria sido o prejuízo decorrente da conduta do julgador de primeira instância. Ademais, a jurisprudência de nossos Tribunais Superiores, a qual vem sendo seguida à risca por esta instância administrativa, entende que o simples fato de o julgador não dissertar a propósito de todas as razões recursais do contribuinte não implica em nulidade da decisão, mormente quando a recorrente lança uma infinidade de argumentos desprovidos de qualquer amparo legal ou lógico, com o fito exclusivo de protelar a demanda, o que se vislumbra no caso vertente. A corroborar esse entendimento, cumpre trazer à baila Acórdão exarado pela 5ª Turma do STJ, nos autos do HC 35525/SP, com sua ementa abaixo transcrita: “HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. NEGATIVA DE AUTORIA. NULIDADE DA SENTENÇA. LIVRE CONVICÇÃO MOTIVADA DO MAGISTRADO. ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESSA EXTENSÃO, DENEGADA. [...] 2. O só fato de o julgador não se manifestar a respeito de um ou outro argumento da tese defendida pelas partes não tem o condão de caracterizar ausência de fundamentação ou qualquer outro tipo de nulidade, por isso que não o exigem, a lei e a Constituição, a apreciação de todos os argumentos apresentados, mas que a decisão judicial seja devidamente motivada, ainda que por razões outras (Princípio da Livre Convicção Motivada e Princípio da Persuasão Racional, art. Fl. 175DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL 6 157 do CPP). [...]” (Julgamento de 09/08/2007, Publicado no DJ de 10/09/2007) Nesse sentido, basta que o julgador adentre as questões mais importantes suscitadas pelo recorrente, decidindo de forma fundamentada e congruente, para que sua decisão tenha plena validade. No presente caso, extraise da defesa inaugural que a contribuinte traz à colação inúmeras alegações, inclusive, a propósito da suposta inconstitucionalidade da multa, bem como outras que não são capazes de rechaçar a pretensão fiscal. Assim, não se pode exigir que o julgador exponha e refute tais razões infundadas ou ilógicas. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Ainda preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento ao prazo inscrito no artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma legal, na forma decidida no Acórdão recorrido, notadamente em virtude da existência de recolhimentos de contribuições previdenciárias, ou seja, antecipação de pagamento. Inicialmente, mister destacar que corroboramos com a conclusão da tese aventada pela contribuinte, no sentido da aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4°, do CTN, não em face da pretensa existência de recolhimentos, uma vez que a presente autuação decorre de descumprimento de obrigação acessória e não principal, onde se cogitaria em antecipação de pagamento, mas, sim, por conta do decisum exarado nos autos da NFLD nº 37.065.7586 – Processo n° 12268.000129/200741, onde fora reconhecida a decadência com base no dispositivo legal supra, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. Entrementes, inobstante compartilhar com o inconformismo da contribuinte na forma explicitada acima, este Colegiado, inclusive, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, já sedimentou o entendimento de que tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória omissão de informações e/ou documentos ao INSS , caracterizando lançamento de ofício, impõese a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, independentemente da espécie de infração incorrida, razão pela qual nos quedamos a aludido raciocínio, em homenagem a economia processual. Dessa forma, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, na forma admitida pelo Acórdão recorrido, devendo ser rejeitada a preliminar de decadência suscitada pela contribuinte. MÉRITO De conformidade com a peça vestibular do feito, a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte ter deixado de informar em GFIP’s a integralidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, mais precisamente as remunerações (prólabore) dos contribuintes individuais/trabalhadores autônomos e empresários a seu serviço, relativamente ao período de 01/1999 a 12/2006. Esclarece, o fiscal autuante, que parte dos fatos geradores objeto da autuação não foram declarados em GFIP, em que pese constarem das folhas de pagamento, bem como terem sido objeto de recolhimento das contribuições previdenciárias devidas. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL Processo nº 12268.000127/200751 Acórdão n.º 2401001.949 S2C4T1 Fl. 166 7 De outra banda, a presente autuação contempla, igualmente, os rendimentos de Prólabore dos administradores efetuados através de Pessoas Jurídicas Prestadoras de Serviços, ligadas aos sócios ou a título de Distribuição Antecipada de Lucros Inexistentes ou Insuficientes, durante o período de 07/2000 a 12/2006, caracterizados como salário de contribuição pela autoridade lançadora nos autos da NFLD nº 37.065.7586 – Processo n° 12268.000129/200741. Nesse contexto, a contribuinte foi autuada, com fundamento no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário decorrente da aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que assim prescreviam: “Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: [...] II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras;” Fl. 177DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL 8 No que tange à falta relativa às remunerações dos trabalhadores autônomos e empresários (prólabore), as quais foram incluídas em folhas de pagamento, com o respectivo recolhimento das contribuições previdenciárias pertinentes, a recorrente não manifesta seu insurgimento, se limitando a requerer o recálculo da multa, o que trataremos mais adiante, razão pela qual não adentraremos à aludida parte da exigência fiscal, em face da concordância tácita da contribuinte, entendimento que se presta para manter, igualmente, a penalidade em relação ao período de 01/11/2002 a 01/05/2003, o qual fora objeto de pedido de desistência nos autos do processo administrativo n° 12268.000129/200741 (Notificação). Assim, remanesce em discussão tão somente os fatos geradores concernentes as remunerações dos sóciosadministradores da notificada, assim caracterizadas as importâncias pagas a título de Distribuição Antecipada de Lucros Inexistentes ou Insuficientes, bem como pagas às empresas prestadoras de serviços, as quais tiveram a personalidade jurídica desconsiderada nos autos da NFLD nº 37.065.7586 – Processo n° 12268.000129/200741, com exceção das competências 01/11/2002 a 01/05/2003, o qual será mantido em razão do pedido de desistência da contribuinte. Ocorre que, incluído nessa mesma pauta de julgamento, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª SJ do CARF achou por bem negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário, o fazendo sob o manto dos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. ARTIGO 150, § 4°, CTN. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. ARBITRAMENTO E DESCONSIDERAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA PRESTADORAS DE SERVIÇOS. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO SIMULAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. A desconsideração da personalidade jurídica de prestadoras de serviços, com o respectivo lançamento de contribuições previdenciárias por arbitramento, adotando os valores pagos pela contribuinte àquelas empresas desconsideradas como remuneração dos sócios da notificada (prólabore) somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência de simulação nos atos negociais das empresas envolvidas, com o fim precípuo de suprimir tributos. A ausência da imputação e, bem assim, Fl. 178DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL Processo nº 12268.000127/200751 Acórdão n.º 2401001.949 S2C4T1 Fl. 167 9 comprovação da ocorrência de simulação em aludidos atos negociais rechaça de plano o lançamento arrimado no procedimento da desconsideração de personalidade jurídica c/c arbitramento de tributos, sobretudo quando lastreado simplesmente em opiniões pessoais do agente lançador. DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO INEXISTENTE A SÓCIO GERENTE. INTERPOSTA EMPRESA. DESCARACTERIZAÇÃO. PRÓLABORE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A distribuição de lucros a sócios gerentes, mesmo que por interposta pessoa jurídica, sem a empresa demonstre ter obtido no período resultado positivo, caracterizase como prólabore indireto, incidindo sobre os pagamentos a esse título as contribuições previdenciárias. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2002 a 01/05/2003 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL EXPRESSA. RENÚNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DE PARTE DO RECURSO. Nos termos do artigo 78, caput e § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o contribuinte/recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir total ou parcialmente do recurso em andamento naquele Órgão Julgador, conquanto que de maneira expressa mediante petição interposta nos autos do processo, importando na renúncia à discussão da demanda na via administrativa e, por conseguinte, no não conhecimento de sua peça recursal na parte objeto da desistência. Recurso de Ofício Negado Provimento. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e Provido Parcialmente.” Dessa forma, no julgamento da presente autuação impõese à observância à decisão levada a efeito na NFLD retromencionada, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que os fatos geradores pretensamente não informados em GFIP foram caracterizados/lançados naquela notificação. Nesse sentido, tendo esta Egrégia Câmara entendido que parte do procedimento eleito pela autoridade lançadora naquela Notificação não observou os pressupostos de validade inseridos na legislação de regência, decretando a improcedência parcial do feito, aludida decisão deve, igualmente, ser adotada neste julgamento. Dessa forma, impõese a decretação da insubsistência parcial da autuação, mantendose tão somente a multa relativa ao período de 01/11/2002 a 01/05/2003 (Objeto de pedido de desistência pela recorrente), aos contribuintes individuais que tiveram suas remunerações incluídas em GFIP’s e objeto de recolhimento de contribuições previdenciárias, bem como concernente ao levantamento DLP em relação à distribuição de lucros aos sócios Fl. 179DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL 10 gerentes/administradores, afastando, por conseguinte, a autuação no que concerne a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a caracterização dos valores pagos àquelas como rendimento (prólabore) dos sócios administradores (Levantamentos RPS e SCP), tendo em vista o nexo causal que vincula a presente autuação com a notificação em epígrafe. DO CÁLCULO DA MULTA – LEI Nº 11.941/2009 RETROATIVIDADE Por derradeiro, conforme suscitado pela contribuinte, destacase que posteriormente à lavratura do Auto de Infração fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32A àquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a conseqüente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96. Partindo dessa premissa, em face da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, impõese à aplicação desse novo calculo da multa, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifamos) Nessa toada, impende recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, deduzindose os valores levantados a título de multa na NFLD correlata. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e de decadência e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para: I) manter a multa relativa ao período de 01/11/2002 a 01/05/2003 (Objeto de pedido de desistência pela recorrente), aos contribuintes individuais que tiveram suas remunerações incluídas em GFIP’s e objeto de recolhimento de contribuições previdenciárias, bem como concernente ao levantamento DLP em relação à distribuição de lucros aos sócios gerentes, em observância ao decidido no processo n° 12268.000129/200741; II) afastar a autuação no que concerne a desconsideração da personalidade jurídica das prestadoras de serviços, com a caracterização dos valores pagos àquelas como Fl. 180DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL Processo nº 12268.000127/200751 Acórdão n.º 2401001.949 S2C4T1 Fl. 168 11 rendimento (prólabore) dos sóciosadministradores (Levantamentos RPS e SCP) nos autos da NFLD nº 37.065.7586 – Processo n° 12268.000129/200741; e III) recalcular a multa nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, deduzindose os valores levantados a título de multa na NFLD correlata; pelas razões de fato e de direito encimadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 181DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000066/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/03/1995
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº
8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento independente do critério adotado para o início da contagem do prazo decadencial, art. 150, § 4º ou art. 173, I do Código Tributário Nacional Recurso
Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.855
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento independente do critério adotado para o início da contagem do prazo decadencial, art. 150, § 4º ou art. 173, I do Código Tributário Nacional Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 44021.000066/200621 Acórdão n.º 240101.855 S2C4T1 Fl. 1.486 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada contra o contribuinte acima identificado referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social relativas à parte da empresa. O período do lançamento compreende competências janeiro de 1994 à março de 1995, com ciência do contribuinte em dezembro de 2004. De acordo com o relatório Fiscal de fls. 19 a 22, o crédito apurado referese à diferença dos valores de salário de contribuição constantes dos resumos de folhas de pagamento e daqueles existentes nas respectivas GRPS. Inconformada com a Decisão de fls. 1.434 a 1.440 que julgou procedente o lançamento, a empresa apresentou recurso onde alega, em apertada síntese: Defende que os débitos encontramse atingidos pela decadência qüinqüenal. Que a discrepância das folhas de pagamento ocorreu em face da mudança do sistema de informática que, até março de 1995 utilizava o SISTEMA IBM e à partir de abril de 1995 foi implantado o SISTEMA ORACLE. Sustenta que a fiscalização valeuse das folhas de pagamento geradas pelo sistema ORACLE para fazer o resgate do histórico de dados para a apuração do salário de contribuição, para período anterior à implantação deste sistema, o que fez com que ocorresse uma série de discrepância. Logo, não ocorreu , com relação a cada funcionário, a migração dos dados inerentes à composição de seu salário e à situação trabalhista que correspondia estritamente a cada um dos períodos anteriores a abril de 1995, que é o período lançado. Afirma que a autuação foi baseada em dados não condizentes com a verdade material dos fatos, devendo a fiscalização fazer a devida análise dos documentos disponibilizados pela empresa. Requer o acolhimento do recurso para declara a decadência ou, no mérito, o reconhecimento da improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES DA DECADÊNCIA A preliminar de decadência suscitada em sede de recurso merece acolhimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi lavrada em dezembro de 2004, conforme se verifica às fls. 01 e as contribuições exigidas referemse às competências janeiro de 1994 à março de 1995, o que fulmina totalmente o direito do fisco de constituir o lançamento, seja qual for o critério utilizado para a contagem do prazo art. 150, IV ou 173, I do CTN. Ante ao exposto VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para ACOLHER A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA e DARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 22DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 44021.000066/200621 Acórdão n.º 240101.855 S2C4T1 Fl. 1.487 5 Fl. 23DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Fl. 24DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10665.720782/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2004
Ementa: ITR. INCIDÊNCIA. ÁREAS ALAGADAS PARA FINS DE PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-001.069
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao
recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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INCIDÊNCIA. ÁREAS ALAGADAS PARA FINS DE PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 15/04/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Contra FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS S.A. foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 01/04 para formalização da exigência de Imposto Territorial Rural – ITR no valor de R$ 2.611.720,00, acrescido de multa de ofício e de juros de porá, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 5.752.835,64. Segundo o relato fiscal, o lançamento decorre da revisão da DIAC/DIAT apresentada pela Contribuinte referente ao exercício de 2004, da qual foi alterado o Valor da Terra Nua – VTN declarado de zero para R$ 13.058.650,00. Segundo a descrição dos fatos da notificação, “após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelece a NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado.”, em razão disso o VTN foi arbitrado com base nas informações do sistema de preços de Terra – SIPT. A Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 26/53 na qual alegou, em síntese, que explora a atividade de prestação de serviços públicos, a transmissão e a distribuição de energia elétrica e que, portanto, não poderia receber o mesmo tratamento dispensado ás sociedades em geral; que apesar de sujeitas ao pagamento de tributos, estas empresas podem gozar de benefícios fiscais outorgados pelo Poder Público. A Contribuinte questionou se as empresas geradoras de energia elétrica estão sujeitas ao ITR e tece considerações de ordem teorias sobre a regra de incidência tributária e sobre o ITR. Argumentou que os imóveis da empresa estão, em grande parte, cobertos de água, prestandose apenas para geração de força hidráulica para a geração de energia e que as margens dos reservatórios também não se prestam para qualquer outro objetivo; que esses reservatórios caracterizamse como potenciais de energia hidráulica e como tais pertencentes ao domínio público. Concluiu dizendo que as áreas destinadas a reservatórios de água não podem sofre a incidência do ITR, por serem unidades integrantes do patrimônio público da União, bem como as margens destes lagos, por serem áreas de preservação permanente. Também questionou o fato de se considerar improdutivas as terras utilizadas na geração de energia elétrica para considerar as áreas em questão como latifúndio improdutivo e destacou que em momento algum a lei do ITR se refere à exploração energética, o que atribui ao fato dessas áreas terem sido isentas do imposto até 1990. Questionou também a base legal do lançamento, referindose ao parecer Cosit nº 15/2000 que não poderia alterar a hipótese de incidência tributária. Por fim, a própria Contribuinte sintetiza suas razões de defesa nas seguintes conclusões: a) a autoridade fiscal presumiu a ocorrência do fato jurídico tributário, sem mensurar a verdadeira base de cálculo nem efetuar os cálculos ditados pela Lei 9.393/1996 (com exclusão de valores, subtração de áreas e as multiplicações necessárias ao cálculo do imposto), apurado, por média aritmética e por amostragem, o valor da terra nua do imóvel onde está constituída a usina Hidrelétrica de Peixoto, no estado de Minas Gerais; b) foi aplicada a multa de 75% sobre base de cálculo incompatível – inexistente, como demonstrado na aliena anterior; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10665.720782/200711 Acórdão n.º 220101.069 S2C2T1 Fl. 2 3 c) a fiscalização desconsiderou as áreas de exclusão indiscutível: margens, áreas de preservação permanente pela só determinação legal (Lei nº 4.771/1965, com redação dada pela lei nº 7.803/1989, e resolução CONAMA nº 302/2002); d) as áreas de reservatório das usinas hidrelétricas e suas margens são bens de domínio público da União, não podendo ser abrangidas pelo critério material da hipótese de incidência de qualquer tributo, quanto mais do ITR, de sua competência privativa e exclusiva; e) a base de cálculo simplesmente inexistente, a partir do exame da regramatriz e das funções mensuradora, objetiva e comparativa; ademais a legislação não previu a exclusão de qualquer valor de instalações, benfeitorias e construções do valor total do imóvel, por parte das hidrelétricas; A DRJBRASÍLIA/DF julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que, para a incidência do ITR basta que o imóvel esteja localizado foram da zona urbana dos municípios e de que as áreas submersas pelas águas de reservatórios de usinas hidrelétricas estão incorporadas ao patrimônio da empresa e estão sujeitas à incidência do imposto. Sobre o grau de utilização do imóvel (0,0%) e a alíquota do imposto (20,0%), destacou a decisão de primeira instância que foi a própria Contribuinte que declarou estes parâmetros. Concluiu que, portanto, o arbitramento do VTN, realizado com base no SIPT foi feito de forma correta e que tem também têm amparo legal a incidência da multa de ofício e dos juros de mora. A Contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 16/06/2008 (fls. 86) e, em 02/07/2008, interpôs o recurso de fls. 87/115 no qual reproduz, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. O processo foi incluído na pauta de julgamento da sessão de xxxxx quando o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Recorrente comprovasse, mediante laudo técnico, as dimensões das áreas alagadas e de preservação permanente. Cumpriuse a diligência, que trouxe aos autos, entre outros documentos, o laudo de fls. 122/130. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 O cerne da questão a ser examinada neste processo diz respeito à inclusão ou não de áreas alagadas para fins de formação de reservatórios de água destinados à produção de energia hidroelétrica na base de cálculo do ITR, e a quantificação, no caso concreto, destas áreas. Quanto ao primeiro ponto, a matéria já está pacificada. Este Conselho já consolidou em súmula o entendimento de que as áreas em questão não devem integrar a base de cálculo do ITR. Tratase da súmula CARF nº 45, a saber: Súmula CARF nº 45: O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. E a própria Secretaria da Receita Federal já orienta os contribuintes neste sentido, como de vê do manual Perguntas e Respostas de 2001, na questão 109, in verbis: 109 — O que são áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo Poder Público? São áreas inundadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas, correspondentes ao nível máximo do reservatório, autorizada pelo Poder Público. (Lei nº 11.727, de 2008, art. 40) E para que não pairem dúvidas, a própria Lei nº 9393, de 1996 foi alterada pela Lei nº 11.727, dispondo expressamente sobre a exclusão das áreas alagadas da base de cálculo do ITR, sendo certo que tal dispositivo tem natureza claramente interpretativa, aplicandose, portanto, a fatos pretéritos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: [...] f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Quanto a este ponto, portanto, não há dúvidas. O que se discute, e foi o que ensejou a diligência determinada anteriormente, é a delimitação da área alagada, o que não havia sido informado pela Recorrente. Aliás, como ressaltado pela decisão de primeira instância, a Contribuinte declarou a totalidade da área como tributável, porém informou VTN zero, o que não é o caso. Notese, inclusive, que o lançamento não alterou a área tributável declarada, mas apenas o VTN. Pois bem, apesar disso, não se pode fechar os olhos para o fato de que, de fato, cuidase de área alagada para fins de produção de energia elétrica e de que tais áreas não devem integrar a base de cálculo do imposto. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10665.720782/200711 Acórdão n.º 220101.069 S2C2T1 Fl. 3 5 Quanto à dimensão da área alagada, o laudo de fls. 122/130 é esclarecedor. Para maior clareza, reproduzo a seguir a conclusão do referido laudo: A desapropriação da área do reservatório da UHE Mascarenhas de Moraes (anteriormente denominada UHE Peixoto0, ocorreu na década de 1950; portanto, bem antes da emissão da medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001 e da Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA nº 302, de 20 de março de 2002, que determinam a aquisição, por parte da expropriante, da Área de Preservação Permanente também acima da cota de desapropriação. Assim, a área de 25.627,00 há acima mencionada, representa o total adquirido para composição do reservatório daquela usina, onde está incluída a faixa de Área de Preservação Permanente, compreendida entre a cota 666,12 metros, da Curva Máxima de Operação (Nível Máximo Normal) e a cota 668,12 metros, de desapropriação, ou seja, a área de segurança do reservatório. Com isso, o restante da Área de Preservação Permanente (APP), existente entre a cota de desapropriação e o limite da faixa de AP é de propriedade de terceiros. Neste sentido, cumpre esclarecer que a diferença de 490,3 há apresentada entre a área total declarada de 26.117,20 há e a área desapropriada para constituição do reservatório de 25.627,00 há nada mais é do que a área construída para a produção e geração de energia elétrica, cuja época era desapropriada como um todo, ou seja, representa a área do reservatório (490,30ha + 25.627,00 há), totalizando os 26.117,30 há declarados na DITR. O que se tem, portanto, é que, do total da área desapropriada e que foi declarada na DITR, 25.627,00 ha correspondem, efetivamente, à área alagada, posto que corresponde à área definida pelo nível máximo normal do reservatório. Quanto à área remanescente, por ser contínua e à margem da área alagada, deve ser considerada área de reserva legal ou, como afirmado no mesmo Laudo, como área construída. De qualquer forma, num e noutro caso, não deve integrar a base de cálculo do imposto. Também ficou esclarecido que, além da pequena fração acima referida, não há Área de Preservação Permanente posto que esta não foi desapropriada, como deveria ser a partir da vigência da medida Provisória nº 2.16667, no seu art. 1º, que alterou o art. 4º da lei nº 4.771, de 1965, para, entre outras mudanças, acrescentar o § 6º, a seguir reproduzido: § 6o Na implantação de reservatório artificial é obrigatória a desapropriação ou aquisição, pelo empreendedor, das áreas de preservação permanente criadas no seu entorno, cujos parâmetros e regime de uso serão definidos por resolução do CONAMA. Assim, em conclusão, apesar de a DITR apresentada pela Recorrente indicar a totalidade da área do imóvel como sendo tributável, não há área a ser tributada neste caso, consequentemente não há imposto a ser exigido. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 Conclusão A ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 16624.001000/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 24/04/2006
RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. – VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972.
Decisão Notificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada.
Decisão Anulada.
Numero da decisão: 2302-000.996
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1794; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 265 1 264 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16624.001000/200712 Recurso nº 252.707 Voluntário Acórdão nº 230200.996 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2011 Matéria Auto de Infração. Obrigações Acessórias em GFIP. Recorrente CAE SOUTH AMERICA FLIGHT TRAINING DO BRASIL LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/04/2006 RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. – VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. DecisãoNotificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Decisão Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 257DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Ausente momentaneamente o Conselheiro Thiago Davila Melo Fernandes. Fl. 258DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16624.001000/200712 Acórdão n.º 230200.996 S2C3T2 Fl. 266 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências julho de 2000 a novembro de 2005, conforme fls. 02 a 03. A sociedade empresária teria deixado de informar parte da remuneração sujeita a incidência de contribuição social dos segurados empregados e contribuinte individual, apurado nos levantamentos denominados PRO Pro Labore, SIN Salário Indireto e AVT Aumentos Retroativos/Vale Transporte em dinheiro e FP Folha de Pagamento. Inconformada, a autuada apresentou defesa administrativa, conforme fls. 109 a 110; limitandose a solicitar a relevação da multa. Foi comandada diligência fiscal para verificar se foram entregues as GFIP retificadoras, fl. 123. A fiscalização juntou cópias às fls. 125 a 186, e prestou informações às fls. 187 e 188. A unidade da Receita Previdenciária emitiu a decisão de fls. 193 a 196, mantendo o lançamento com relevação parcial da multa aplicada. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, a autuada interpôs recurso na forma das fls. 202 a 212. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 259DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 263. Pressuposto superado, passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Analisando os autos verifiquei uma irregularidade. A Receita Previdenciária antes da emissão da decisão de primeira instância, comandou diligência, fl. 123. Como resultado dessa diligência, a fiscalização juntou cópias de GFIP, fls. 125 a 186, e prestou informações às fls. 187 a 188. Não há provas de que o recorrente foi cientificado da juntada dessas informações, sendo emitida a DecisãoNotificação sem a possibilidade do contraditório em relação ao resultado da diligência. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pela fiscalização ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contra razões aos fatos apontados pela fiscalização ou aos documentos juntados ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. De acordo com o previsto no art. 32 da Portaria MPS n ° 520/2004, que regia o contencioso administrativo na época, as decisões proferidas com preterição do direito de defesa são nulas. No mesmo sentido é o disposto no art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. Assim, deve ser anulada a DecisãoNotificação, reabrindose o prazo para manifestação, conferindo ciência ao recorrente do resultado da diligência às fls. 187 e 188. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR a DECISÃONOTIFICAÇÃO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 260DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16624.001000/200712 Acórdão n.º 230200.996 S2C3T2 Fl. 267 5 Fl. 261DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 35358.000770/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO DE 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL/FATURA. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. ÓRGÃOS PÚBLICOS.
É responsabilidade do órgão público contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, nas condições fixadas pelo art. 31 da Lei nº 8.212/91, promover a retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das respectivas notas fiscais/faturas e a recolher o montante retido, no prazo
legal, em nome da empresa prestadora.
PARCELAMENTO. HIPÓTESE DE SUSPENSAO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O parcelamento não se configura como hipótese de extinção do crédito tributário a ele associado, mas, tão somente, de suspensão de sua exigibilidade. Art. 151, VI do Código Tributário Nacional.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO.
O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configura-se
como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe
sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei.
RETENÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REQUISITOS.
Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços contratados, tais valores poderão ser deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de
serviços, e comprovados mediante a apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-000.920
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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RETENÇÃO DE 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL/FATURA. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. ÓRGÃOS PÚBLICOS. É responsabilidade do órgão público contratante de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, nas condições fixadas pelo art. 31 da Lei nº 8.212/91, promover a retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das respectivas notas fiscais/faturas e a recolher o montante retido, no prazo legal, em nome da empresa prestadora. PARCELAMENTO. HIPÓTESE DE SUSPENSAO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O parcelamento não se configura como hipótese de extinção do crédito tributário a ele associado, mas, tão somente, de suspensão de sua exigibilidade. Art. 151, VI do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configurase como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. RETENÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REQUISITOS. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços contratados, tais valores poderão ser deduzidos da base de cálculo Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, e comprovados mediante a apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Edgar Silva Vidal. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 35358.000770/200691 Acórdão n.º 230200.920 S2C3T2 Fl. 825 3 Relatório Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005. Data da lavratura da NFLD : 21/06/2006. Data da Ciência da NFLD: 12/07/2006. Tratase de Processo Administrativo Fiscal inaugurado através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em face do Município Recorrente, tendo por objeto o lançamento tributário de contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, decorrentes da substituição tributária de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, apuradas mediante a aplicação da alíquota de 11% incidente sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas referentes à prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, conforme descrito no relatório fiscal à fls. 52/55 e anexos. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o notificado apresentou impugnação a fls. 69/77. A Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau/SC lavrou Decisão Notificação (DN), a fls. 762/767, julgando procedente o lançamento em realce e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O sujeito passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 28 de março de 2007, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 768. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 769/778, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Em relação ao débito discriminado no ANEXO I do Relatório Fiscal, a empresa reconheceu sua procedência e já providenciou o respectivo pagamento, devendo o débito ser considerado extinto. • Em relação ao débito discriminado no ANEXO II do Relatório Fiscal, alega não ter ocorrido fato gerador imputado. • Que não houve prejuízo ao INSS, eis que empresa Serrana Engenharia ltda. procedeu integralmente ao recolhimento de suas contribuições. Ao fim, requer o Recorrente que seja julgada improcedente e cancelada a NFLD no 35.127.1503, sendo considerado quitado o montante constante do ANEXO I de acordo com o reconhecimento de dívida e consequente parcelamento. Requer, também, que sejam considerados os valores relativos à empresa SERRANA ENGENHARIA LTDA, constantes no ANEXO II do Relatório Fiscal, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 devidamente e integralmente recolhidos determinandose assim, o arquivamento do processo administrativo instaurado. Alternativamente, caso seja mantida a notificação referente a alguma exigência fiscal do ANEXO II, requer a redução do percentual aplicado. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 35358.000770/200691 Acórdão n.º 230200.920 S2C3T2 Fl. 826 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 28/03/2007 2006. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 27 de abril do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Superado o pressuposto temporal de admissibilidade do recurso, ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente à análise do mérito. 2. DO MÉRITO 2.1. DO PARCELAMENTO Alega o município recorrente ter havido o devido reconhecimento da procedência ao débito discriminado no ANEXO I do Relatório Fiscal, e o consequente diligenciamento do parcelamento respectivo, devendo o débito ser considerado extinto. Não merece reparos, nesse particular, a decisão recorrida aviada no item 6.1 da DecisãoNotificação, a fls. 764/765. Com efeito, o parcelamento de per si não tem o poder legal de extinguir o crédito tributário a ele associado, mas, tão somente, suspender a sua exigibilidade, a teor das disposições inscritas no inciso VI do art. 151 do Código Tributário Nacional CTN. Nesse panorama, o crédito tributário em questão foi constituído mediante a lavratura da Notificação Fiscal aqui discutida. A sua exigibilidade, porém, encontrase suspensa por força do parcelamento levado a efeito pelo Recorrente. Face e contraface de uma mesma moeda. Ao serem devidamente honradas todas as parcelas integrantes do aludido parcelamento consumarseá o efetivo pagamento do referido crédito tributário, configurando se, aí sim, a extinção do direito creditório da Fazenda Pública, nos termos do art. 156, I do mesmo codex. 2.2. DA RETENÇÃO Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 Em relação ao débito discriminado no ANEXO II do Relatório Fiscal, alega o Recorrente não terem ocorridos os fatos geradores que lhe foram imputados. Não assiste razão ao Recorrente. Com efeito, na contratação de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, em que a empresa contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, é facultado ao prestador dos citados serviços a exclusão do valor referente aos materiais fornecidos e/ou aos equipamentos utilizados em sua execução, desde que tal fornecimento de materiais e/ou equipamentos esteja expressamente previsto no contrato firmado entre as partes e, cumulativamente, os valores do aludido fornecimento encontremse devidamente discriminados nas notas fiscais, faturas ou recibos, e sejam devidamente comprovados. Regulamento da Previdência Social Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no §5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (...) §7º Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. A implementação simultânea dos requisitos supracitados constituise condição sine qua non para a exclusão dos respectivos valores da base de cálculo da retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91. LEI nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no §5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98). Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 158 da IN INSS/DC nº 100/2003, sob cuja égide ocorreram os fatos geradores sobre os quais nos debruçamos. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 35358.000770/200691 Acórdão n.º 230200.920 S2C3T2 Fl. 827 7 terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no §7º do art. 219 do RPS. (grifos nossos) §1º O valor do material fornecido ao contratante ou o de locação de equipamento de terceiros, utilizado na execução do serviço, não poderá ser superior ao valor de aquisição ou de locação para fins de apuração da base de cálculo da retenção. §2º Revogado. §3º Compete à contratada a comprovação dos valores de que trata o §1º deste artigo, mediante apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento. (grifos nossos) No caso sub examine, de acordo com a cláusula 9.1 do contrato 051/2001, a fl. 651, a contratada se obrigou a fornecer “veículo motorizado, em bom estado de conservação, adequado com compartimento hermeticamente fechado (...), o qual deverá ser utilizado exclusivamente para os serviços não podendo ser usado para outro fim, devendo o mesmo ser substituído por outro imediatamente e a qualquer tempo caso ocorra algum problema que o impossibilite de executar os serviços”, bem como combustíveis e material de segurança. De modo semelhante, em conformidade com a cláusula 10.1 do contrato 001/2004, a fl. 714, a prestadora se obrigou a fornecer caminhões equipados com compactador de lixo; caminhão equipado com baú; veículo utilitário leve, para a fiscalização; 30 equipamentos para a entrega voluntária de reciclados com capacidade de 1000 litros cada, além de 60 lixeiras coloridas, veículos e equipamentos esses que deveriam ser utilizados exclusivamente para a execução dos serviços ora contratados. Ocorre que, apesar de contratualmente previsto o fornecimento de equipamentos e materiais, o Recorrente não logrou comprovar nos autos a real e efetiva discriminação dos valores de mão de obra e de equipamentos nas notas fiscais/faturas, salvo em cinco únicas oportunidades, às fls. 634, 635, 676, 708 e 709, valendo citar que a nota fiscal acostada a fl. 677 referese a competência estranha ao período de apuração da vertente NFLD. Contudo, mesmo nas competências referidas no parágrafo anterior, falhou o Recorrente no atendimento à necessária comprovação de tais valores,a ser levada a efeito mediante a apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento, conforme exigência expressa no art. 158, §3º da IN INSS/DC nº 100/2003. Cumpre neste comenos destacar que a vinculação da exclusão das parcelas referentes ao fornecimento de equipamentos e materiais da base de cálculo da retenção à sua devida comprovação foi inserida no ordenamento jurídico através do §7º, in fine, do art. 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, sendo suas disposições de observância obrigatória pelos membros das turmas do CARF, em atenção às prescrições adotadas no art. 62 do regimento interno deste colegiado, nos termos da Portaria MF nº 256/2009. Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Diante de tal cenário, estando o fornecimento de materiais e a utilização de equipamentos previstas nos contratos, pecando o Recorrente na comprovação da discriminação de tais parcelas nas notas fiscais/faturas respectivas, ou não comprovando tais valores mediante a apresentação dos documentos fiscais relativos à sua aquisição ou locação, conforme assim o exige a legislação previdenciária, andou bem a fiscalização ao fazer incidir na espécie os preceptivos encartados no art. 159, III do IN INSS/DC nº 100/2003, eis que perfeitamente adequados ao caso em estudo. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 159. Quando o fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, estiver previsto em contrato, mas sem discriminação dos valores de material ou equipamento, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, a: I cinquenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II trinta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços para os serviços de transporte passageiros, cujas despesas de combustível e de manutenção dos veículos corram por conta da contratada; III sessenta e cinco por cento quando se referir à limpeza hospitalar e oitenta por cento, quando se referir às demais limpezas, aplicados sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. (grifos nossos) §1º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, mas não estiver prevista em contrato, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, a cinquenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, observandose, no caso da prestação de serviços na área da construção civil, os percentuais abaixo relacionados: I pavimentação asfáltica: dez por cento; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 35358.000770/200691 Acórdão n.º 230200.920 S2C3T2 Fl. 828 9 II terraplenagem, aterro sanitário e dragagem: quinze por cento; III obras de arte (pontes ou viadutos): quarenta e cinco por cento; IV drenagem: cinquenta por cento; V demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto manuais: trinta e cinco por cento. §2º Quando na mesma nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços constar a execução de mais de um dos serviços referidos nos incisos I a V do §1º deste artigo, cujos valores não constem individualmente discriminados na nota fiscal, na fatura, ou no recibo, deverá ser aplicado o percentual correspondente a cada tipo de serviço conforme disposto em contrato, ou o percentual maior, se o contrato não permitir identificar o valor de cada serviço. Não se mostra despiciendo destacar que a legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Previdência Social, a disciplina do rito processual em tela restou a cargo da Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004, cujo art. 9º assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 9 A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifos nossos) IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. §1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos §2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifos nossos) §3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. §4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contrarrazões, se houver recurso. §5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. §6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. (grifos nossos) §7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. §8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Registrese, a título de mera reflexão, que os preceptivos encartados na norma de regência aqui enunciada não se contrapõem às normas estampadas no Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal nas ordens do Ministério da Fazenda, sendo, destas, espelho. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 10DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 35358.000770/200691 Acórdão n.º 230200.920 S2C3T2 Fl. 829 11 V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que as provas documentais têm que ser produzidas em juízo de impugnação. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, estas têm que, necessariamente, ser colacionadas na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais previstas no §1º do art. 9º da Portaria MPS nº 520/2003, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Nessas circunstâncias, somente foram apresentadas, a fls. 634, 635, 676, 708 e 709, as provas documentais com que a Notificada buscou comprovar haverem sido Fl. 11DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 discriminadas nas notas fiscais/faturas as parcelas referentes à mão de obra e a equipamentos, nenhuma outra. Nada mais sendo acostados aos autos em seu momento próprio, não pode este Colegiado inferir existirem outras provas, e assim, suprir o ônus a cargo do Recorrente. Nesse contexto, não conseguiu o Recorrente desincumbirse integralmente de seu ônus, não obtendo êxito em fulminar os fatos geradores que deram corpo ao lançamento tributário ora em foco. Como resultado, subsistem inabaladas as obrigações tributárias apuradas pela fiscalização, não demandando reformas a decisão recorrida. 2.3. DO PREJUÍZO AO INSS Afirma o Recorrente não ter incorrido o INSS em prejuízo, uma vez que empresa Serrana Engenharia ltda. procedeu integralmente ao recolhimento das contribuições relativas aos trabalhadores que executaram os serviços em apreço. Aduz, em ádito, que a retenção de 11% a título de Contribuição à Seguridade Social constituise mera antecipação da Contribuição Previdenciária devida ao INSS pelo estabelecimento da empresa "contratada" sobre a folha de pagamento dos empregados desta. Uma vez mais a razão não caminha ao lado do Recorrente. Mais do que uma mera antecipação da Contribuição Previdenciária devida ao INSS, pelo estabelecimento da empresa "contratada" sobre a sua folha de pagamento, o instituto da retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, configurase como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo em tela, conforme permissivo legal estampado nos artigos 121, II c.c. 128, ambos do Código Tributário Nacional CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (grifos nossos) CAPÍTULO V Responsabilidade Tributária SEÇÃO I Disposição Geral Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da Fl. 12DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 35358.000770/200691 Acórdão n.º 230200.920 S2C3T2 Fl. 830 13 respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Nesse sentido consolidouse o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, como se depreende do julgado a seguir referenciado, cuja ementa tomamos a liberdade de transcrever: Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.711/98. 1. A alteração que a Lei nº 8.212/91 sofreu com a edição da Lei nº 9.711/98 não criou qualquer nova contribuição sobre o faturamento, não alterou a alíquota, menos ainda a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento, sendo, por conseguinte, devida a retenção do percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. 2. A Lei nº 9.711/98 criou uma nova sistemática na forma de arrecadação da contribuição em debate, em que, por substituição tributária, as empresas passam a figurar como responsáveis tributárias. 3. Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida. (Súmula 83/STJ) 4. Agravo Regimental improvido. (Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 629.957; STJ 2a.Turma; Rel. Min. Castro Meira, DJ 21.03.2005) Anotese que o papel do contribuinte continua a ser representado pelo personagem que ostenta relação pessoal e direta com o fato gerador, digase, a pessoa jurídica prestadora dos serviços. Ao responsável tributário, in casu, o contratante, são designadas apenas as atuações pautadas na retenção e no respectivo recolhimento, nada mais. Dessarte, concluída a contento a execução do seu papel, o responsável tributário sai de cena, restando lhe, todavia, a incumbência de manter resguardados, em seu guardados, os documentos comprobatórios da higidez dos passos a seu encargo, enquanto não se operar a decadência das obrigações correspondentes. Não nos afigura exagerado requinte ressaltar que, por se tratar de hipótese legal de substituição tributária, milita em favor da retenção das contribuições previdenciárias ora em destaque a presunção absoluta de que ela tenha sido sempre feita pelo contratante, a este não sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando ele diretamente responsável pelo recolhimento das contribuições que eventualmente tenha deixado de reter, ou que houver retido em desacordo com a legislação. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 14 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (grifos nossos) Dessarte, o Recorrente, por força de lei formal, deveria ter operado a retenção das contribuições previdenciárias conforme previsto na legislação vigente e de acordo com o cálculo demonstrado nos autos, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 14DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.007215/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
RESSARCIMENTO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A
INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
O texto do art. 11 da Lei nº 9.779/99 é taxativo em atribuir o ireito ao ressarcimento do saldo credor do IPI apurado na escrita fiscal às operações decorrentes da industrialização e não da revenda de produtos.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio
sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-000.849
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. O texto do art. 11 da Lei nº 9.779/99 é taxativo em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI apurado na escrita fiscal às operações decorrentes da industrialização e não da revenda de produtos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/04/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), que indeferiu a solicitação de ressarcimento de créditos do IPI, relativamente ao quarto trimestre de 2006, e em conseqüência, não homologou as compensações declaradas, conforme ementa de fl. 143, in verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 Ementa: ESTABELECIMENTO IMPORTADOR DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA QUE DÁ SAÍDA A ESSES PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DO IPI PAGO NO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. DESCABIMENTO. O estabelecimento importador de produtos de procedência estrangeira equiparase a estabelecimento industrial, ao dar saída a esses produtos, com suspensão indevida do IPI, não tem direito ao ressarcimento do imposto pago no desembaraço aduaneiro. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Segundo a decisão recorrida, o indeferimento do pedido de ressarcimento e a consequente não homologação das compensações ocorreu em virtude de os créditos do IPI constantes da escrita fiscal do interessado decorrem do imposto pago no desembaraço aduaneiro de embalagens por ele importadas, créditos que se prestam exclusivamente para dedução do IPI que é devido na saída dos mesmos produtos, não sendo passíveis de ressarcimento. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/04/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.007215/200803 Acórdão n.º 330100.849 S3C3T1 Fl. 199 3 Consta também que a recorrente importa embalagens e as revende, efetuando, em alguns casos, impressões gráficas nessas embalagens, operações insuficientes para caracterizar industrialização. Conforme Termo de Constatação Fiscal, fl. 21, lavrado pela fiscalização, não há quaisquer indícios na área útil do estabelecimento capazes de caracterizar as operações por ele realizadas como sendo de industrialização, na forma do disposto no art. 4° do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002, concluindo que: a) o estabelecimento dedicase a revenda de mercadorias (embalagens) adquiridas no mercado externo; b) o estabelecimento não realiza operações que possam caracterizar industrialização, conforme disposto no art. 4° do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002; c) o estabelecimento se inclui dentre os EQUIPARADOS A INDUSTRIAL. Cientificada em 13/11/2009 (AR – fl. 148), a interessada ingressou com recurso voluntário de fls. 149/329, em 14/12/2009, alegando, em síntese, que: a) que se dedica, basicamente, à industrialização de estojos para ovos, conforme disposto no objeto social constante do contrato social, cláusula 2.00, que não realiza apenas revenda de embalagens no mercado interno; mas realiza dentro de seu estabelecimento a fabricação de embalagens de material plástico, sendo que sua atividade de industrialização consiste no processo de correção de deformações, melhora no acabamento e impressão gráfica nos estojos para ovos, caracterizando a industrialização prevista no art. 4°, inciso IV, do RIPI/98, fazendo jus ao benefício, como estabelecimento industrial. b) que, pelo fato de ser estabelecimento industrial, deu saída dos produtos de seu estabelecimento, com suspensão do IPI, com base na Lei n° 10.637/02, o que acarretou, em determinados períodos, saldo credor de IPI, em razão destas operações de saída. c) que, na forma da Lei 9.779/99, têm direito às compensações pleiteadas, considerando equívoco o enquadramento dado ao seu estabelecimento como equiparado a industrial. Cita decisões administrativas que entende serem aplicáveis ao caso concreto. Por fim, requer a suspensão da exigibilidade do crédito, o reconhecimento de seu estabelecimento como executor de atividade industrial e a homologação das compensações pleiteadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/04/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Tratase de pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI pagos na importação de mercadorias sob o argumento de que se trata de compras para fabricação de embalagens de material plástico que consiste no processo de correção de deformações, melhora no acabamento e impressão gráfica daquelas mercadorias, cumulado com declaração de compensação. De acordo com o contrato social, a recorrente tem o seguinte objeto social: "Cláusula:2:00 Constitui objeto da sociedade:; a • industrialização, a importação, exportação, comercialização e distribuição de produtos plásticos e celulose em geral.” Desta forma, a atividade econômica desenvolvida pela recorrente, consiste na importação de embalagens (estojos) plásticos/papelão para acondicionamento de ovos in natura e revenda no mercado interno, sendo que, para alguns clientes, realiza, sob encomenda, impressões gráficas, tais como nome, marca, classificação dos produtos, etc., as quais, não se caracterizam como processo de industrialização. Os produtos importados e revendidos, estojos de plástico/papelão para acondicionamento de ovos, com exceção da impressão gráfica em algumas embalagens, efetuada sob encomenda, não sofrem quaisquer das ações elencadas no RIPI/2002, art. 4º, caput e incisos, senão vejamos, in verbis: “Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/04/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.007215/200803 Acórdão n.º 330100.849 S3C3T1 Fl. 200 5 produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados.” O simples fato de o estabelecimento adquirente/revendedor das embalagens colocar rotulagem, marcação, impressão gráfica com indicação do produto, ou indicação da granja, não o transforma em estabelecimento industrial nos moldes preconizados pelo Regulamento do IPI. Conforme bem registrou o acórdão recorrido, constituem provas inequívocas de que a recorrente não exerce atividade industrial: a) as rubricas e valores constantes das Declarações do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – DIPJ – relativas aos anoscalendário de 1999 a 2007, constam que ela declarou que sempre atuou no ramo de importação e revenda de embalagens no mercado interno; b) quase totalidade das aquisições da empresa se classifica como entradas do mercado externo; c) os insumos/mercadorias que ingressam no estabelecimento são os mesmos que dele é promovida a saída; d) o custo da empresa se concentra em “custo das mercadorias revendidas (CMV) – compras de mercadorias a prazo”; e) inexistência de custo de fabricação própria; a alocação da despesa com pessoal e dos encargos de depreciação exclusivamente como despesas operacionais e não como custos de fabricação, e ainda, o ativo imobilizado é incompatível com a existência de um parque fabril que produza embalagens. Também, o fato de a recorrente estar cadastrada na SRF sob o código o Código Nacional de Atividade Econômica – CNAE, industria de transformação, de ter livro de apuração de IPI, efetuar pagamento desse imposto, estar registrada na Junta Comercial como indústria e, ainda, nos órgãos de classe, não comprova que a atividade de importação e rotulagem de estojos de plástico e/ ou papelão revendidos no mercado interno é de industrialização nos termos definidos pelo RIPI/2002, art. 4º. A industrialização de produtos é caracterizada pela atividade exercida para a sua fabricação. Uma empresa pode ter como atividade a industrialização e não exercer tal atividade. Inexiste impedimento legal ao registro nos órgãos públicos de atividades que, embora previstas nos estatutos e/ ou contratos sociais das pessoas jurídicas, de fato, não venha ser exercida por ela. Também, o fato de pagar IPI não caracteriza a atividade exercida por ela como de industrialização. O pagamento efetuado por ela decorre de seu enquadramento como estabelecimento equiparado a industrial pela importação dos produtos que revende. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/04/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 O RIPI assim dispõe quanto à equiparação industrial para efeito de pagamento desse imposto: “Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); (...). Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei n° 4. 502, de 1964, art. 2°): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial.” Conforme demonstrado e a própria recorrente reconhece, ela importa e dá saída a produtos de procedência estrangeira. Daí sua condição de estabelecimento equiparado a industrial e contribuinte do IPI. O ressarcimento de IPI está regulamentado pela Lei nº 9.779, de 19/01/1999, que assim dispõe: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” Em cumprimento ao comando determinado neste dispositivo legal, a Secretaria da Receita Federal (SRF) expediu a IN nº 210, de 30/09/2002, que assim dispunha, in verbis: “Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IP1), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. §1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: I créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/04/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.007215/200803 Acórdão n.º 330100.849 S3C3T1 Fl. 201 7 Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001; II créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 10 da Portaria MF nº 134, de 18 de fevereiro de 1992; e III — créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item 6 da IN SRF nº 87/89, de 21 de agosto de 1989. §2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", bem assim utilizálos na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa. §3º São passíveis de ressarcimento apenas os créditos presumidos do IPI a que se refere o inciso I do §1º, apurados no trimestrecalendário, excluídos os valores recebidos por transferência da matriz e os créditos relativos a entradas de matériasprimas, produto intermediário e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestre calendário.” Conforme se verifica destes dispositivos, o ressarcimento está restringido aos casos de saldo credor, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização e não a produtos de revenda. O estabelecimento equiparado a industrial não tem direito ao ressarcimento pelo fato de ele não ter agregado insumos ao produto adquirido e vendido por ele. Assim, todo o imposto pago na aquisição foi repassado para o adquirente dos respectivos produtos. Houve apenas uma operação comercial típica de compra e revenda de mercadoria. Em razão da pertinência e similaridade com o presente caso, peço vênia para citar o acórdão nº 20218.522, datado de 2007, de relatoria da ilustre Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, da 2ª Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negou o recurso do contribuinte no qual pleiteava o ressarcimento do saldo credor do imposto, na condição de equiparado a estabelecimento industrial, sob a seguinte ementa: “RESSARCIMENTO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. O texto do art. 11 da Lei nº 9.779/99 é taxativo em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI apurado na escrita fiscal às operações decorrentes da industrialização e não da revenda de produtos. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/04/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. José Márcio Diniz Filho, OAB/MG nº 90.527, advogado da recorrente. (....). Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente), Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López.” Assim, não há que se falar em ressarcimento do saldo credor do IPI ora reclamado. Quanto à compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a transmissão de pedido de ressarcimento/declaração de compensação (Per/Dcomp), bem como a extinção dos débitos fiscais declarados, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, assim dispõe, que a compensação, mediante a transmissão de Per/Dcomps pelo contribuinte, assim como a sua homologação, está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. Em face do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/04/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001823/00-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Data do fato gerador: 31/08/1994, 30/04/1997
IRRF INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS DECORRENTES DA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS, DIVIDENDOS E OUTROS INTERESSES. REGIME DA LEI Nº 8.849/94. RESTITUIÇÃO. APLICAÇÃO DOS LUCROS, DIVIDENDOS E OUTROS INTERESSES RECEBIDOS NA SUBSCRIÇÃO DE AUMENTO DE CAPITAL DE PESSOA JURÍDICA.
INOCORRÊNCIA. Somente pode ser reconhecido o direito à restituição do imposto de renda retido na fonte incidente em razão da regra prevista no artigo 2°, § 1°, “b”, e § 4°, da Lei n° 8.849/94, se atendidas, cumulativamente, as condições estabelecidas no artigo 8°, § 1°, “a”, “b” e “c”, da Lei n° 8.849/94, tudo com a redação dada pela Lei n° 9.064/95.
Hipótese não ocorrida no caso em apreço.
IRRF INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS DECORRENTES DA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS, DIVIDENDOS E OUTROS INTERESSES. REGIME DA LEI Nº 8.849/94. COMPENSAÇÃO COM O IRRF INCIDENTE SOBRE LUCROS, DIVIDENDOS E JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO PAGOS PELA BENEFICIÁRIA DO RENDIMENTO TRIBUTADO. ÚNICA HIPÓTESE DE COMPENSAÇÃO PREVISTA NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO
DO IRRF INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS DECORRENTES DA
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS, DIVIDENDOS E OUTROS INTERESSES
COM TRIBUTOS DE QUALQUER NATUREZA DIFERENTES DOS PERMITIDOS LEGALMENTE. Os valores retidos na fonte sobre dividendos recebidos durante a vigência do disposto no artigo 2° da Lei n°
8.894/1994, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.064/1995, somente eram compensáveis com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tivesse de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, inclusive
com o retido sobre os valores pagos ou creditados a título de juros remuneratórios do capital próprio.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.274
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, o Dr. Rodolfo Tsunetaka Tamanaha, OAB-SP nº 31795.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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REGIME DA LEI Nº 8.849/94. RESTITUIÇÃO. APLICAÇÃO DOS LUCROS, DIVIDENDOS E OUTROS INTERESSES RECEBIDOS NA SUBSCRIÇÃO DE AUMENTO DE CAPITAL DE PESSOA JURÍDICA. INOCORRÊNCIA. Somente pode ser reconhecido o direito à restituição do imposto de renda retido na fonte incidente em razão da regra prevista no artigo 2°, § 1°, “b”, e § 4°, da Lei n° 8.849/94, se atendidas, cumulativamente, as condições estabelecidas no artigo 8°, § 1°, “a”, “b” e “c”, da Lei n° 8.849/94, tudo com a redação dada pela Lei n° 9.064/95. Hipótese não ocorrida no caso em apreço. IRRF INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS DECORRENTES DA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS, DIVIDENDOS E OUTROS INTERESSES. REGIME DA LEI Nº 8.849/94. COMPENSAÇÃO COM O IRRF INCIDENTE SOBRE LUCROS, DIVIDENDOS E JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO PAGOS PELA BENEFICIÁRIA DO RENDIMENTO TRIBUTADO. ÚNICA HIPÓTESE DE COMPENSAÇÃO PREVISTA NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DO IRRF INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS DECORRENTES DA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS, DIVIDENDOS E OUTROS INTERESSES COM TRIBUTOS DE QUALQUER NATUREZA DIFERENTES DOS PERMITIDOS LEGALMENTE. Os valores retidos na fonte sobre dividendos recebidos durante a vigência do disposto no artigo 2° da Lei n° 8.894/1994, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.064/1995, somente eram compensáveis com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tivesse de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, inclusive com o retido sobre os valores pagos ou creditados a título de juros remuneratórios do capital próprio. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, o Dr. Rodolfo Tsunetaka Tamanaha, OABSP nº 31795. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 25/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Atílio Pitarelli, Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Por bem resumir a controvérsia instaurada nas instâncias anteriores, transcrevese o relatório do Acórdão da Turma de Julgamento (fls. 85 e 86), verbis: Do Despacho Decisório Tratase de manifestação de inconformidade, contra o Despacho Decisório de fls.53 a 58, proferido nos seguintes termos: INDEFIRO, com fundamento no artigo 2° da Lei 8.849/94, com redação dada pela Lei 9.064/95 e cujos termos são reproduzidos na IN SRF 012/99, o pedido de restituição de IRRF de R$ 1.193.926,49, código 4424, incidente sobre distribuição de dividendos, relativos a agosto de 94 e abril de 97, referentes a lucros gerados em 94 e/ou 95, em razão do fato de a legislação disciplinadora da matéria permitir apenas a utilização desse crédito na compensação com débitos da mesma espécie — IRRF sobre distribuição de dividendos, lucros e outros interesses, levada a efeito pelo beneficiário; considerando, ainda, inepto o pedido de compensação com débito de IRPJ, código 2390, tendo em vista não existir previsão legal para compensação de créditos de contribuinte com débitos tributários futuros, e pelo fato de o valor de IRPJ apurado na DIPJ de 2001 do interessado divergir daquele ANTECIPADAMENTE nomeado para compensação, apresentando valor negativo, consoante mostra a ficha 12 B (fls.51). Da manifestação de inconformidade Fl. 159DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 16327.001823/0019 Acórdão n.º 210201.274 S2C1T2 Fl. 2 3 Ciente em 09 de agosto de 2002, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, em 05 de setembro de 2002 alegando, em síntese, que (fls. 61 a 64): nos termos dos artigos 2° e 8°, da Lei n° 8.849/94, com a redação conferida pelo artigo 2° da Lei n° 9.064/95, mencionado crédito só seria compensável com IR/Fonte sobre distribuição de dividendos tributáveis pela requerente, ou inexistindo mencionada distribuição, poderia ser compensado com IR/Fonte incidente sobre o pagamento de juros sobre o capital próprio. ocorre que, após ter registrado o mencionado crédito em seu ativo, o requerente não efetuou nenhum pagamento de lucros ou dividendos passíveis de tributação pelo IR/Fonte, nem de juros sobre o capital próprio. Desta maneira, ficou impedido de proceder à compensação deste crédito. tal impedimento deixou de existir com a edição da Lei n° 9.430/96, que em seu artigo 74, regulamentada pelas Instruções Normativas n° 21 e 73 de 1997, estabeleceu que a Secretaria da Receita Federal poderia autorizar a utilização de créditos tributários, de tributos por ela administrados, para o pagamento de quaisquer tributos que também estivessem sob a sua administração. assim, no entender do interessado, a limitação existente na legislação anterior (artigos 2° e 8°, da Lei n° 8.849/94, com a redação conferida pelo artigo 2° da Lei 9.064/95) foi tacitamente revogada, já que, nos termos do parágrafo 1°, do artigo 2° da Lei de Introdução ao Código Civil, "a lei posterior revoga a lei anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior". tratandose de hipótese de nova legislação (art. 74, da Lei n 9.430/96), que regulou inteiramente a matéria tratada pela legislação anterior, e ainda, havendo incompatibilidade entre as duas normas, é de se concluir que aquele revogou tacitamente esta. o artigo 74 da Lei n° 9.430/96, ao permitir a compensação entre quaisquer tributos, desde que fossem administrados pela SRF, não trouxe qualquer exceção à regra. Assim, temse que o crédito tributário decorrente do IR/Fonte incidente sobre o pagamento de dividendos, que foi registrado no ativo da recorrente, passou a poder ser utilizado para a compensação com créditos de outros tributos, assim como o IRPJ. o direito ao crédito é inquestionável: o oferecimento à tributação do rendimento gera direito líquido e certo ao crédito do respectivo imposto descontado na fonte; quanto à afirmação de que não é possível a compensação de créditos de contribuintes com débitos tributários futuros, o Fl. 160DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 requerente entende que deve ter havido equívoco, pois o regulamento de regência (a IN SRF 21/97 e IN SRF 73/97) é claro ao permitir débitos vincendos ou vencidos, permitindo, portanto, a compensação com débitos futuros. a afirmação de que gerou prejuízo fiscal na DIPJ de 2001 não teria, por si só, o condão de coibir uma eventual restituição em dinheiro do valor do crédito ou se reconhecido o direito creditório este poderia ser compensado em exercícios posteriores. Requer a procedência do pedido de restituição, autorizando a compensação com o IRPJ que se seguir à decisão, ou ainda, a restituição dos valores envolvidos. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 10ª Turma da DRJSão Paulo (SP), por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 07.519, de 14 de julho de 2005 (fls. 83 a 90), que restou assim ementado: Imposto retido na fonte sobre distribuição de dividendos. Pedido de Restituição. Falta de atendimento dos requisitos legais. O imposto de renda retido na fonte incidente sobre distribuição de dividendos, relativos a agosto de 94 e abril de 97, referentes a lucros gerados em 94 e/ou 95, por expressa determinação legal apenas pode ser utilizado pelo beneficiário na compensação de débito de imposto de renda incidente sobre a distribuição que esta fizer de lucros, dividendos ou outros interesses, ou, ser passível de restituição se o valor dos lucros e dividendos recebidos forem aplicados na subscrição de aumento de capital de pessoa jurídica. Pedido de Compensação. Necessidade de prévia ocorrência do fato gerador. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 22/04/2008 (fl. 97). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 21/05/2008 (fl. 98). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que as limitações à compensação do IRRF incidente sobre os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, quando pagos ou creditados a pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou domiciliadas no País, previstas no artigo 2°, §1º, “b”, e §2º, da Lei n° 8.849/94, com a redação conferida pela Lei n° 9.064/95, foram editadas dentro da moldura do art. 66, caput e parágrafo primeiro, da Lei nº 8.383/91, esta que afirmava que a compensação só poderia ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Dentro dessa moldura restritiva, as normas da Lei nº 8.849/94 somente permitiam que a compensação do IRRF acima fosse efetuada com o imposto de renda que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no Fl. 161DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 16327.001823/0019 Acórdão n.º 210201.274 S2C1T2 Fl. 3 5 lucro real, tivesse de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses. Porém, com advento do regime do art. 74 da Lei nº 9.430/96, quando se permitiu a compensação de créditos que deveriam ser restituídos ou ressarcidos ao contribuinte com qualquer tributo sobre administração da Secretaria da Receita Federal, revogouse tacitamente o regime da Lei nº 8.383/91, e por decorrência as limitações à compensação do art. 2º, § 1º, “b”, e § 2º, da Lei nº 8.849/94, pois a lei posterior regulou inteiramente a matéria (art. 2º, § 1º, da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro). Na forma acima, assim resume o recorrente suas razões (fl. 107), verbis: Assim, resta demonstrado, de forma indubitável, que o artigo 2°, §1º, alínea b, e §2º, da Lei n° 8.849/94, com a redação conferida pela Lei n° 9.064/95, utilizado pela DRJ para indeferir o pedido de restituição e não homologar a compensação em questão, foi tacitamente revogado, uma vez que: (i) a restrição de compensação do IR/Fonte incidente sobre dividendos recebidos foi criada sob a égide do regime de compensação previsto na Lei no 8.383/91; e (ii) o regime de compensação previsto na Lei nº 8.383/91 foi revogado pela Lei nº 9.430/96, que permite a compensação de créditos tributários com débitos que sejam de espécies diferentes, desde que ambos sejam administrados pela SRF. Ainda, afirmam os Srs. Julgadores a quo que "O contribuinte nada alegou quanto a se enquadrar na situação prevista no art. 8º da Lei nº 8.849/94 (com a redação da Lei nº 9.064/95), única hipótese de restituição prevista na referida lei." De fato, não há que se discutir o enquadramento do Recorrente na situação prevista no artigo 8º da Lei no 8.849/941 uma vez que, com a revogação tácita do artigo 2º desta Lei, os valores retidos na fonte (conforme informes de rendimentos anexos à impugnação) tornamse créditos líquidos e certos, passíveis de restituição ou compensação com qualquer tributo administrado pela SRF. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 22/04/2008 (fl. 97), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 21/05/2008 (fl. 98), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 22/05/2008, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Fl. 162DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 Para aclarar a controvérsia, trazemse excertos da Lei reguladora do direito à compensação e à restituição do IRRF descontado dos pagamentos feitos ao recorrente, especificamente o IRRF que incidiu sobre dividendos pagos a ele, oriundos de lucros auferidos nos anos de 1994 e 1995 por empresas ligadas, IRRF esse que se pretende compensar com o IRPJ do próprio recorrente apurado no ajuste anual do anocalendário 2000. Abaixo, os excertos da Lei nº 8.849/1994: Art. 2º Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, quando pagos ou creditados a pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou domiciliadas no País, estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento. § 1º O imposto descontado na forma deste artigo será considerado exclusivo na fonte qualquer que seja o beneficiário. § 2º O imposto a que se refere este artigo será convertido em quantidade de Unidade Fiscal de Referência (Ufir) diária pelo valor desta na data do fato gerador. § 3º A incidência prevista neste artigo alcança exclusivamente: a) a distribuição de lucros que tenham sido apurados, pela pessoa jurídica, na escrituração comercial; e b) os rendimentos da mesma natureza distribuídos por pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido, limitado ao valor do lucro presumido deduzido do imposto de renda sobre ele incidente. § 4º A alíquota prevista neste artigo alcança a distribuição automática de lucros prevista no art. 22 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992. § 5º O imposto descontado na forma deste artigo, será recolhido até o último dia útil do mês seguinte àquele em que ocorrer o fato gerador, reconvertido para cruzeiros reais com base na expressão monetária da Ufir diária vigente na data do pagamento. § 1º O imposto descontado na forma deste artigo será: (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) a) deduzido do imposto devido na declaração de ajuste anual do beneficiário pessoa física, assegurada a opção pela tributação exclusiva; (Incluída pela Lei nº 9.064, de 1995) b) considerado como antecipação, sujeita a correção monetária, compensável com o imposto de renda que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses; (Incluída pela Lei nº 9.064, de 1995) c) definitivo, nos demais casos. (Incluída pela Lei nº 9.064, de 1995) § 2º A compensação a que se refere a alínea b do parágrafo anterior poderá ser efetuada com o imposto de renda, que a pessoa jurídica tiver que recolher, relativo à retenção na fonte sobre a distribuição de lucros ou dividendos a beneficiário residente ou domiciliado no exterior. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) §§§ 3º, 4º e 5º Omissis Fl. 163DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 16327.001823/0019 Acórdão n.º 210201.274 S2C1T2 Fl. 4 7 (...) Art. 8º O beneficiário dos rendimentos de que trata o art. 2º, que, mediante prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal, optar pela aplicação do valor dos lucros e dividendos recebidos, na subscrição de aumento de capital de pessoa jurídica, poderá requerer a restituição do correspondente imposto de renda retido na fonte por ocasião da distribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) § 1º A restituição subordinase ao atendimento cumulativo das seguintes condições: a) os recursos sejam aplicados, na subscrição do aumento de capital de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, no prazo de até noventa dias da data em que os rendimentos foram distribuídos ao beneficiário; b) a incorporação, mediante aumento do capital social da pessoa jurídica receptora, ocorra no prazo de até noventa dias da data em que esta recebeu os recursos; c) omissis §§ 2º a 5º omissis (grifouse e destacouse) Em apertada síntese, no tocante ao IRRF incidente sobre dividendos recebidos por pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o art. 2º da Lei nº 8.849/1994 somente permitia a compensação desse IRRF com aquele em que o beneficiário dos dividendos tivesse de recolher relativo à distribuição de seus próprios dividendos. Ainda, o art. 8º da Lei nº 8.849/1994 permitia a restituição em espécie do IRRF que incidiu sobre os dividendos distribuídos ao contribuinte, desde que estes fossem utilizados em subscrição de aumento de capital (ou incorporação, mediante aumento do capital social). Obviamente, o regime acima teve vigência até o anocalendário 1995, inclusive, pois a partir de tal ano a distribuição de dividendos passou a ser isenta do Imposto de Renda (art. 10 da Lei nº 9.249/1995). Para defender o direito à compensação do IRRF acima com o IRPJ, o recorrente argumenta que o regime restritivo acima estava inserido dentro da moldura do art. 66, caput e parágrafo primeiro, da Lei nº 8.383/91, esta que afirmava que a compensação só poderia ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Dentro dessa moldura restritiva, as normas da Lei nº 8.849/94 somente permitiam que a compensação do IRRF acima fosse efetuada com o imposto de renda que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tivesse de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses. Porém, com advento do regime do art. 74 da Lei nº 9.430/96, quando se permitiu a compensação de créditos que deveriam ser restituídos ou ressarcidos ao contribuinte com qualquer tributo sobre administração da Secretaria da Receita Federal, revogouse tacitamente o regime da Lei nº 8.383/91, e por decorrência as limitações à compensação e restituição da Lei nº 8.849/94. Apesar de engenhosa a argumentação do recorrente, ela não pode prosperar por múltiplos motivos, discriminados a seguir. Fl. 164DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Em primeiro lugar, não se pode dizer que o regime da Lei nº 8.849/94 estava emoldurado pelo do art. 66 da Lei nº 8.383/91, que seriam de mesma natureza ou relacionados pela dicotomia gênero/espécie, quer porque já existia (e existe até hoje) o regime da compensação de ofício do DecretoLei nº 2.287/86, que instituiu esta compensação no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda1, diverso dos dois, quer porque originalmente a Lei nº 8.849/94 sequer permitia a compensação do IRRF que incidiu sobres os dividendos pagos, sendo o regime de tributação exclusivo na fonte (posteriormente, com o advento da Lei nº 9.064/95, foi que se instituiu o regime de compensação e restituição em debate nestes autos). Tratavase de regimes compensatórios de naturezas diversas, mais amplo (art. 66 da Lei nº 8.383/91) ou mais específicos (Lei nº 8.849/94 e DecretoLei nº 2.287/86), coexistindo pacificamente, de forma independente, como melhor se mostrará a seguir. Com a vigência da Lei n° 8.383/91, iniciouse um amplo debate judicial sobre o alcance do § 1º do seu artigo 66, segundo o qual a compensação só poderia ser efetuada entre tributos e contribuições de mesma espécie. Os contribuintes buscavam o direito de efetuar a compensação de indébitos referentes à majoração de alíquotas do Fundo de Investimento Social (Finsocial), declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF no RE nº 150.764 PE2, com a Cofins, possibilidade não autorizada pelo Fisco, conforme IN nº 67/92 do antigo Departamento da Receita Federal, hoje Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Entretanto, tal tese vinha sendo acolhida pelo STJ, tendo sido a questão material tributária que levou à edição da Súmula nº 213 do STJ (O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária). Ao final, a jurisprudência assentou: [...] o entendimento segundo o qual as espécies, a que se referia a lei, correspondiam aos tributos em espécie (subdivisões da classificação geral dos tributos – impostos, taxas, contribuições de melhoria, contribuições sociais, interventivas e das diversas categorias). Dentro desse conceito, poderia ser compensada contribuição sobre o faturamento com a contribuição sobre faturamento (v.g., FINSOCIAL poderia ser compensado com a COFINS, ambos contribuições sobre faturamento, mas não com o IPI, que é imposto – REsp 465730, STJ, 1a T., Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 21.03.2005, p. 218; multa de mora não poderia ser compensada com tributo algum – STJ, 1a T., Edcl nos Edcl no REsp 602376/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ de 03/11/2004, p. 145)3. Para tentar estancar o conflito judicial, foi publicada a Lei n° 9.250/95, que, em seu artigo 39, estendeu a possibilidade de compensação de imposto, taxa, contribuição 1 Art. 7º do DecretoLei nº 2.287/86: “A Secretaria da Receita Federal, antes de proceder à restituição ou ao ressarcimento de tributos, deverá verificar se o contribuinte é devedor à Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito em nome do contribuinte, o valor da restituição ou ressarcimento será compensado, total ou parcialmente, com o valor do débito. § 2º O Ministério da Fazenda disciplinará a compensação prevista no parágrafo anterior.” 2 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. RE n° 150.764PE. Recorrente: União Federal. Recorrido: Empresa distribuidora Vivacqua de bebidas ltda. Relator: ministro Sepúlveda Pertence. Relator para acórdão: ministro Marco Aurélio. Em 16 de dezembro de 1992. Brasília, DJ, 2 abr. 1993. 3 OLIVEIRA, Antônio Albino Ramos de. Compensações de ofício e por homologação. Porto Alegre: TRF – 4a Região, 2006 (Currículo Permanente. Caderno de Direito Tributário: Módulo 1, p. 1011). Disponível a partir de: <http://www.trf4.gov.br>. Fl. 165DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 16327.001823/0019 Acórdão n.º 210201.274 S2C1T2 Fl. 5 9 federal ou receita patrimonial pagos a mais ou indevidamente com a exação de período subseqüente, desde que de mesma espécie e destinação constitucional4. Já o regime da Lei nº 8.849/94, originalmente, era de tributação exclusiva na fonte, qualquer que fosse o beneficiário, como se vê na parte riscada e destacada na Lei acima, ou seja, mesmo com a vigente Lei nº 8.383/91 permitindo a compensação de tributos de mesma espécie (e destinação constitucional), na largueza que o judiciário vinha então reconhecendo (que abarcaria sem qualquer empeço a compensação do IRRF sobre dividendos com o IRPJ, como pugnado neste processo administrativo fiscal, pois neste caso nunca houve qualquer dúvida que o IRRF e o IRPJ seriam de mesma espécie), a Lei nº 8.849/94 impedia qualquer restituição ou compensação, pois originalmente o regime era de tributação exclusiva na fonte, como já dito. Posteriormente, a Lei nº 9.064/95, alterando a redação original da Lei nº 8.849/94, permitiu a compensação e a restituição nos restritos termos transcritos anteriormente. Claramente se vê que se tratava de regimes compensatórios diversos, havendo lei específica (Lei nº 8.849/94) que regulava a pretensão aqui em debate, não se podendo dizer que o regime desta era similar ou de mesma natureza ao da Lei nº 8.383/91, até porque o regime desta era muito mais amplo que o da daquela. Em segundo lugar, a tese de que a instituição do regime de compensação da Lei nº 9.430/965 revogou tacitamente o regime da Lei nº 8.383/91, não esposa o melhor direito. Explicase. Inicialmente, não há qualquer menção a tal revogação na Lei posterior, acima, que essencialmente veio regular as compensações entre tributos de espécies diferentes, a partir de pedido administrativo feito pelo interessado, pois, no regime da Lei nº 8.383/91, o contribuinte fazia a compensação em sua própria escrita contábil. Não por outra razão a famosa Instrução Normativa SRF nº 21/97, que regulava o regime de compensação no âmbito da Secretaria da Receita Federal, fazia menção a ambas legislações em sua introdução (SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 163, 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), no art. 66 da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, no art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, no inciso II do § 1º do art. 6º e no art. 73 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no Decreto nº 2.138, de 29 de janeiro de 1997, e no art. 12 da Portaria MF nº 038, de 27 de fevereiro de 1997, resolve:), regulamentando a compensação do art. 66 da lei nº 8.383/91 em seu art. 14, para a qual não havia necessidade de protocolização de processo 4 Art. 39 da Lei nº 9.250/95. “A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes”. 5 Art. 73 da Lei nº 9.430/96. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74 (redação original). Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Fl. 166DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 administrativo, pois o contribuinte fazia o encontro de contas em sua própria escrita fiscal (tributos de mesma natureza e destinação constitucional). Assim, o regime original do art. 74 da Lei nº 9.430/96 coexistiu com o regime do art. 66 da Lei nº 8.383/91, não havendo falar em revogação tácita de um pelo outro. Em terceiro lugar, transparece cristalinamente que o regime limitativo da compensação do IRRF sobre dividendos da Lei nº 8.849/94 é um regime legal especial, e mesmo que a Lei nº 9.430/96 fosse uma lei geral revogadora da Lei nº 8.383/91, é cediço que lei geral não revoga lei especial (Lex generalis non derrogat Lex especialis), não havendo falar em revogação tácita do regime da Lei nº 8.849/94 por lei superveniente. Em quarto lugar, é duvidosa a argumentação de que o regime do art. 74 da Lei nº 9.430/96, pretérito ou vigente, permitiria a compensação de qualquer crédito de origem tributária do contribuinte com débitos de tributos, como se poderia apreender da peça recursal. Apesar de a regra ser a permissão de compensação de quaisquer créditos de origem tributárias com tributos devidos, permanecem válidas e vigentes diversas regras limitativas da compensação/restituição em legislação esparsa, como aquele que impede limita a compensação no âmbito das contribuições previdenciárias (art. 89 da Lei nº 8.212/91 e art. 26, parágrafo único, da Lei nº 11.457/2007). Assim, nada há de estrambótico no art. 2º da Lei nº 8.849/94, com redação dada pela Lei nº 9.064/95, que limitou a compensação e restituição do IRRF sobre rendimentos de dividendos recebidos pelo contribuinte, instituindo condicionantes para eles. Concluindo, devese registrar que o então Primeiro Conselho de Contribuintes apreciou as limitações à restituição/compensação da Lei nº 8.849/94, declarando a higidez delas, como se pode ver no Acórdão nº 10616.539, sessão de 17 de outubro de 2007, relator o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, unânime, assim ementado: IRF – RESTITUIÇÃO. Somente pode ser reconhecido o direito à restituição do imposto de renda retido na fonte incidente em razão da regra prevista no artigo 2°, § 1°, alínea “b” e § 4°, da Lei n° 8.849/94, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.064/95, se atendidas, cumulativamente, as condições estabelecidas no artigo 8°, § 1°, alíneas “a”, “b” e “c”, da Lei n° 8.849/94, também com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.064/95. Hipótese não ocorrida no caso em apreço. IRF – COMPENSAÇÃO. Os valores retidos na fonte sobre dividendos recebidos durante a vigência do disposto no artigo 2° da Lei n° 8.894/1994, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.064/1995, embora não passíveis de restituição, eram compensáveis com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tivesse de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, inclusive com o retido sobre os valores pagos ou creditados a título de juros remuneratórios do capital próprio. IRF – COMPENSAÇÃO – PEDIDO EM TESE. Ao Conselho de Contribuintes cabe decidir acerca de situações que envolvam créditos e débitos tributários devidamente quantificados. Pedido de declaração, em tese, do direito de compensação não pode ser apreciado diante da falta de sua materialização. Compete ao interessado indicar os débitos que pretende compensar, com seus Fl. 167DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 16327.001823/0019 Acórdão n.º 210201.274 S2C1T2 Fl. 6 11 respectivos períodos de apuração e valores, para que o Conselho possa apreciar um litígio em concreto. A falta de especificação dos débitos impossibilita o acolhimento do pedido de compensação. Pessoalmente, já tive oportunidade de confessar o mesmo entendimento acima, como se viu no Acórdão nº 340100019, unânime, sessão de 05/03/2009, na então Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Devese anotar que a então Secretaria da Receita Federal, em procedimento de legalidade assaz duvidosa, permitiu que o IRRF incidente sobre dividendos de períodos encerrados em 1994 e 1995 pudesse ser compensado com o IRRF incidente sobre o juros remuneratórios do capital próprio pagos pelo beneficiário dos rendimentos que sofreu a retenção na fonte, como se viu no art. 2º da IN SRF nº 12/996, o qual não se aplica ao caso em comento, pois o contribuinte pretende compensar o IRRF com IRPJ. E para finalizar, o contribuinte não comprovou a implementação das condicionantes do art. 8º da Lei nº 8.849/94, referente à restituição, devendo, assim, ser rejeitado o pedido qualquer pedido subsidiário do direito à restituição. Por tudo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos 6 Art. 2º da IN SRF nº 12/99. O valor do imposto de renda retido na fonte sobre lucros e dividendos recebidos pela pessoa jurídica, relativos aos períodos de apuração encerrados em 1994 e 1995, que a beneficiária não puder compensar em virtude da inexistência, em sua escrituração contábil, de saldo lucros sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte quando distribuídos, poderá ser compensado com o imposto que esta retiver na distribuição, a seus sócios ou acionistas, de bonificações em dinheiro e outros interesses, inclusive com o retido sobre os valores pagos ou creditados a título de juros remuneratórios do capital próprio. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 19679.002735/2004-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÕES DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA E DO LANÇAMENTO COMO ATIVIDADE VINCULADA, QUE CARACTERIZARIAM CERCEAMENTO DE DEFESA
Preliminar que se confunde com o mérito e que com ele deve ser analisada em conjunto.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. TRIBUTAÇÃO COM BASE EM PRESUNÇÃO.
IMPROCEDÊNCIA DA ALEGAÇÃO.
Não há que se falar em presunção ou prova de fato negativo quando a fiscalização efetua o auto de infração com base em valores declarados em livro caixa pelo próprio contribuinte.
IRPF. DESPESAS DE LIVRO CAIXA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Os lançamentos no livro caixa devem ser comprovadas, principalmente nas hipóteses em que as despesas não foram comprovadas (tendo sido o recurso objeto de expressa desistência quanto a este aspecto) e houve inconsistência entre os
valores relativos a todos os atos praticados, que serviram de base de cálculo para o pagamento do adicional de 20% ao Estado, e os “valores declarados como Recebimento de Diversos Atos (Emolumentos)”.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.047
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ALEGAÇÕES DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA E DO LANÇAMENTO COMO ATIVIDADE VINCULADA, QUE CARACTERIZARIAM CERCEAMENTO DE DEFESA Preliminar que se confunde com o mérito e que com ele deve ser analisada em conjunto. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. TRIBUTAÇÃO COM BASE EM PRESUNÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DA ALEGAÇÃO. Não há que se falar em presunção ou prova de fato negativo quando a fiscalização efetua o auto de infração com base em valores declarados em livro caixa pelo próprio contribuinte. IRPF. DESPESAS DE LIVRO CAIXA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Os lançamentos no livro caixa devem ser comprovadas, principalmente nas hipóteses em que as despesas não foram comprovadas (tendo sido o recurso objeto de expressa desistência quanto a este aspecto) e houve inconsistência entre os valores relativos a todos os atos praticados, que serviram de base de cálculo para o pagamento do adicional de 20% ao Estado, e os “valores declarados como Recebimento de Diversos Atos (Emolumentos)”. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19679.002735/200465 Acórdão n.º 2101001.047 S2C1T1 Fl. 550 2 ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araújo (convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (convocado), Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 523/538) interposto em 07 de dezembro de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (fls. 492/507), do qual o Recorrente teve ciência em 17 de novembro de 2009 (fl. 512, verso), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 26/33, lavrado em 28 de novembro de 2003, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, dedução indevida de despesas de livro caixa e de dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, verificadas no anocalendário de 2000. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não restando comprovada a incompetência do autuante nem a ocorrência de preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. ASPECTOS CONSTITUCIONAIS DO LANÇAMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância no processo administrativo fiscal, por força de sua subordinação ao poder vinculado ou regrado, deve se limitar Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19679.002735/200465 Acórdão n.º 2101001.047 S2C1T1 Fl. 551 3 à aplicação da lei, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da legalidade ou constitucionalidade da norma legal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. EMOLUMENTOS E CUSTAS DE SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA. Os valores dos emolumentos informados para efeito do recolhimento do adicional incidente sobre atos notariais podem ser utilizados para apuração da base de cálculo do IRPF, mormente quando estes apontam valores superiores àqueles consignados no Livro Caixa e o contribuinte não apresenta prova em contrário, não se caracterizando tal ato como presunção. LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Apenas as despesas de consumo, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, que sejam hábil e idoneamente comprovadas, são dedutíveis na declaração do contribuinte, a título de livro caixa. Lançamento Procedente” (fls. 492/493). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 523/538, por meio do qual ataca exclusivamente o tópico da omissão de rendimentos de pessoas físicas, apresentando pedido de desistência em relação às demais partes do recurso (fls. 516/518). É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, necessário se faz esclarecer que após o pedido de desistência parcial formulado pelo Recorrente, a matéria em discussão ficou adstrita à omissão de rendimentos, conforme afirmado pelo próprio contribuinte à fl. 517: “Esclarece que optou por parcelar as glosas de despesas lançadas em Livro Caixa, inconformandose com a parcela referente a omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Física”. Passase então à análise do tópico em debate, uma vez que as preliminares sobre a inversão do ônus da prova e do lançamento como atividade vinculada, que caracterizariam cerceamento de defesa, confundemse com o mérito. Pois bem, o fundamento para a autuação no que tange à suposta omissão de rendimentos foi assim descrito no “Termo de Constatação Fiscal” à fl. 34: “Na análise do LivroCaixa do 4º Registro de Títulos e Documentos do RJ, constatamos que os recolhimentos feitos ao Estado referentes ao adicional de 20% sobre todos os atos praticados (Lei no. 32l7/99) não correspondem aos valores declarados como Recebimento de Diversos Atos (Emolumentos). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19679.002735/200465 Acórdão n.º 2101001.047 S2C1T1 Fl. 552 4 Em sua defesa, o contribuinte alega que para alguns clientes, como Bancos e Instituições Financeiras, os valores praticados pelo Cartório eram inferiores à Tabela Oficial, e que os valores recolhidos ao Estado eram feitos pela Tabela Oficial. Para tanto, juntou xerox de correspondências feitas a clientes onde o Cartório propunha descontos crescentes para um volume maior de trabalho. Após a análise do material e tendo em vista que os comprovantes das despesas lançadas no LivroCaixa são idôneos, recusamos o argumento do contribuinte e passamos a calcular o valor real dos emolumentos recebidos pelo Cartório com base nos recolhimentos feitos ao Estado. ...” (grifouse) Alega o Recorrente que: (a) houve tributação com base em presunção; (b) que não caberia a ele Recorrente fazer prova negativa de que não teria recebido os rendimentos supostamente omitidos; e que o livro caixa se presta a fazer prova do alegado. Na realidade, não houve propriamente presunção, pois a fiscalização utilizou valores informados pelo próprio Recorrente a título de “adicional de 20% sobre todos os atos praticados (Lei n. 3.217/99)”. Ora, se 20% é igual ao valor informado pelo Recorrente, 100% corresponde a esse valor multiplicado por 5 (cinco). Se desconto foi efetivamente concedido pelo Recorrente, caberia a ele comprovar esses descontos e que, realmente, os valores informados a título de “adicional de 20% sobre todos os atos praticados (Lei n. 3.217/99)” foram calculados sobre os valores tabelados, e não sobre os valores efetivamente percebidos. Não se trata, portanto, de provar fato negativo, como pretende o Recorrente. Quanto às despesas de livro caixa, o Recorrente também deve fazer prova dos valores lançados, principalmente nas hipóteses em que as despesas não foram comprovadas (tendo sido o recurso objeto de expressa desistência quanto a este aspecto) e houve inconsistência entre os valores relativos a todos os atos praticados, que serviram de base de cálculo para o pagamento do adicional de 20% ao Estado, e os “valores declarados como Recebimento de Diversos Atos (Emolumentos)”. Devese observar, ainda, que soluções de consulta não servem para justificar atuações do contribuinte se a situação fática não estiver adequada à conclusão da resposta do Fisco. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19679.002735/200465 Acórdão n.º 2101001.047 S2C1T1 Fl. 553 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 18108.002331/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 19/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 67. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91.
A não entrega, bem como a entrega com atraso da GFIP constitui-se
violação à obrigação acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o Auto de Infração cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a tipificação infracional, a descrição da conduta infratora perpetrada, os critérios adotados para a quantificação da
penalidade pecuniária aplicada, as circunstâncias atenuantes e agravantes da infração, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico.
AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a aplicação de penalidade pecuniária mediante a lavratura de Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias.
Foge à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
NULIDADE. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não viola o devido processo legal, tampouco nega prestação jurisdicional em âmbito administrativo, a decisão de 1ª instância que, mesmo sem haver enfrentado individualmente todos os argumentos trazidos pelo impugnante, tenha adotado fundamentação robusta e suficiente para decidir, de modo integral e a contento, a controvérsia posta à sua apreciação, não se podendo cogitar de sua nulidade.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS LEGAIS. CORREÇÃO DA FALTA.
Somente faz jus ao beneficio da relevação da multa o infrator que, cumulativamente, for primário; não houver incorrido em circunstância agravante; formular pedido para tanto no prazo de impugnação e, nesse mesmo prazo, houver comprovadamente corrigido a falta que deu ensejo à autuação.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 67. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes da não entrega de GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A
à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.057
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941/2009 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 67. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. A não entrega, bem como a entrega com atraso da GFIP constitui-se violação à obrigação acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o Auto de Infração cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a tipificação infracional, a descrição da conduta infratora perpetrada, os critérios adotados para a quantificação da penalidade pecuniária aplicada, as circunstâncias atenuantes e agravantes da infração, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico. AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a aplicação de penalidade pecuniária mediante a lavratura de Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias. Foge à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. NULIDADE. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não viola o devido processo legal, tampouco nega prestação jurisdicional em âmbito administrativo, a decisão de 1ª instância que, mesmo sem haver enfrentado individualmente todos os argumentos trazidos pelo impugnante, tenha adotado fundamentação robusta e suficiente para decidir, de modo integral e a contento, a controvérsia posta à sua apreciação, não se podendo cogitar de sua nulidade. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS LEGAIS. CORREÇÃO DA FALTA. Somente faz jus ao beneficio da relevação da multa o infrator que, cumulativamente, for primário; não houver incorrido em circunstância agravante; formular pedido para tanto no prazo de impugnação e, nesse mesmo prazo, houver comprovadamente corrigido a falta que deu ensejo à autuação. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 67. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes da não entrega de GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CFL 67. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. A não entrega, bem como a entrega com atraso da GFIP constituise violação à obrigação acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o Auto de Infração cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a tipificação infracional, a descrição da conduta infratora perpetrada, os critérios adotados para a quantificação da penalidade pecuniária aplicada, as circunstâncias atenuantes e agravantes da infração, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico. AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a aplicação de penalidade pecuniária mediante a lavratura de Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias. Foge à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. NULIDADE. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não viola o devido processo legal, tampouco nega prestação jurisdicional em âmbito administrativo, a decisão de 1ª instância que, mesmo sem haver enfrentado individualmente todos os argumentos trazidos pelo impugnante, tenha adotado fundamentação robusta e suficiente para decidir, de modo Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 integral e a contento, a controvérsia posta à sua apreciação, não se podendo cogitar de sua nulidade. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS LEGAIS. CORREÇÃO DA FALTA. Somente faz jus ao beneficio da relevação da multa o infrator que, cumulativamente, for primário; não houver incorrido em circunstância agravante; formular pedido para tanto no prazo de impugnação e, nesse mesmo prazo, houver comprovadamente corrigido a falta que deu ensejo à autuação. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 67. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes da não entrega de GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941/2009 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Wilson Antonio de Souza Correa. Relatório Período de apuração MPF : Outubro/2003 a dezembro/2003. Data da lavratura da Auto de Infração: 19/12/2007. Data da ciência do Auto de Infração : 20/12/2007. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 18108.002331/200726 Acórdão n.º 230201.057 S2C3T2 Fl. 63 3 Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do recorrente, em virtude de não ter sido comprovada a entrega, na rede bancária, das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP, referente às competências 10/2003, 11/2003, 12/2003 e 13/2003 (13º salário), conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 11. CFL 67 Deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP/GRFP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. A multa foi aplicada em conformidade com o art. 32, IV, §§ 4º e 7 º da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97 e art. 102 c/c art. 284, I c.c. art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com os valores atualizados pelo art.9º, V da Portaria MPS nº 142, de 11/04/2007, resultando na aplicação de penalidade pecuniária no valor de R$ 32.387,45 , calculada na forma da memória de cálculo postada a fl. 12. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o autuado apresentou impugnação a fls. 20/28. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em São Paulo lavrou Decisão Administrativa a fls. 37/40, julgando procedente em parte a autuação e retificando o valor do crédito tributário objeto do Auto de Infração em relevo. A autuada foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 31 de julho de 2008, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 44. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 46/56, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que as GFIP foram devidamente entregues; • Que o acórdão não enfrenta todos os argumentos lançados pela Recorrente em sede de impugnação administrativa; • Que a NFLD (sic) foi lavrada com ofensas ao art. 37 da Lei 8.212/91, impedindo dessa forma que o Recorrente pudesse defenderse amplamente; • Que houve violação ao art. 142 do CTN; • Requer a relevação da multa aplicada, por preencher todos os requisitos para tal medida; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 • Que a multa tem natureza de confisco. Ao fim, requer diligência junto ao estabelecimento do Recorrente, a fim de revisar o presente débito. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 31/07/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 01 de setembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Alega o Recorrente que o acórdão recorrido não enfrentou todos os argumentos lançados em sede de impugnação administrativa. Não há como atender ao apelo lançado pelo Recorrente. A uma, em virtude de o defendente apenas lançar ao ar tal afirmativa, sem, no entanto, demonstrar ou, a menos, indicar quais teriam sido os argumentos de defesa que restaram a calva de exame por parte do órgão a quo. De outro canto, compulsando os autos, pudemos comprovar que todos os pontos relevantes e controversos essenciais ao deslinde do litígio, tenham sido eles de natureza preliminar, prejudicial ou de mérito, foram devidamente abordados no acórdão guerreado a fls. 37/40. Mostrase auspicioso salientar que os órgãos julgadores judiciários e administrativos não se encontram agrilhoados à obrigação de enfrentar, em suas decisões, pontual e individualizadamente, todos os tópicos levantados pelas partes, mas, sim, as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 18108.002331/200726 Acórdão n.º 230201.057 S2C3T2 Fl. 64 5 Tal matéria já foi enfrentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, que já irradiou, em seus arestos, a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, conforme dessai do REsp nº 667603/CE, cuja ementa, dada a sua relevância para a compreensão da opinio iuris que ora se arquiteta, pedimos vênia para transcrever na integra: MANDADO DE SEGURANÇA. AUTO DE INFRAÇÃO. DIREITO DE AMPLA DEFESA. 1. A violação do art. 535 do CPC ocorre quando há omissão, obscuridade ou contrariedade no acórdão recorrido. Inocorre a violação posto não estar o juiz obrigado a tecer comentários exaustivos sobre todos os pontos alegados pela parte, mas antes, a analisar as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. 2. São princípios basilares do processo administrativo e judicial a ampla defesa e o contraditório, insculpidos no artigo 5º, LV, do Texto Constitucional, o qual estabelece que: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". 3. A ampla defesa, constitucionalmente reconhecida, traduz a exigência de que o exercício do poder jurídicopúblico se realize de maneira justa, implicando para o Administrado o direito de conhecer os fatos e fundamentos invocados pela Autoridade, o direito de ser ouvido e de contraporse às alegações do adversário. 4. Deveras, esse postulado da ampla defesa, ou do direito de audiência, configura direito à participação procedimental, assegurando ao administrado, na maior extensão possível, a oportunidade do seu exercício pleno, com produção de provas e apresentação de alegações que lhe favoreçam. 5. Atestando a instância a quo a inexistência da intimação da decisão, a verificação que a Fazenda pretende em seu recurso esbarra em matéria fática, mercê de o cumprimento do due process of law não exonerar o contribuinte do pagamento, apenas diferindoo até o cumprimento da exigência legal. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 667603/CE; STJ 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 01/08/2005 p. 334) No mesmo sentido: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ART. 535 DO CPC. OMISSÃO NÃO VERIFICADA. EXECUÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 13 DA LEI Nº 8.620/93. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS INDICADOS NA PETIÇÃO INICIAL E NA CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA. ART. 135, III, DO CTN. DIRECIONAMENTO. POSSIBILIDADE EM TESE. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 1. Não há violação ao artigo 535 do Código de Processo Civil quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados, especialmente quando aviados em momento processual inoportuno. (...) 5. Recurso especial conhecido em parte e provido. (REsp 745.351/SP, STJ 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 15.8.2005, p. 295) Dessarte, não viola os princípios do contraditório e da ampla defesa, tampouco nega prestação jurisdicional na alçada administrativa, a decisão de 1ª instância que, mesmo não havendo examinado individualmente todos os argumentos pontualmente trazidos pelo impugnante, tenha adotado fundamentação robusta e suficiente para decidir, de modo integral e a contento, a controvérsia posta à sua apreciação. Nesse panorama, não se houve por constatado defeito no acórdão recorrido que determine a sua nulidade, visto que o mérito da causa foi devidamente resolvido pelo órgão julgador de origem. 2.2. DA OFENSA AO ART. 37 DA LEI nº 8.212/91. Alega a empresa que a NFLD (rectius Auto de Infração) foi lavrada com ofensas ao art. 37 da Lei 8.212/91, impedindo dessa forma que o Recorrente pudesse defender se amplamente. Os clamores acima alardeados encontramse em dessintonia com as provas dos autos. Assim dispõe o art. 37 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em sua integralidade, com a redação vigente à época da lavratura do presente Auto de Infração: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §2º Por ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 18108.002331/200726 Acórdão n.º 230201.057 S2C3T2 Fl. 65 7 bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1º a 6º, 8º e 9º do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). Preliminarmente, cabe destacar que o presente Processo Administrativo Fiscal não trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, como assim consigna o Recorrente, mas, sim, de Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigação acessória consistente na não entrega de GFIP nas competências outubro a dezembro de 2003. A Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988, outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar das obrigações tributárias, já no âmbito infraconstitucional, o art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Título que versa sobre as Obrigações Tributárias, estabeleceu o discrimen entre obrigações tributárias principal e acessórias, assim conformando seus traços definidores: Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Deflui da análise das disposições do CTN que a imposição de obrigação tributária acessória prescinde de lei formal, podendo ser instituída mediante legislação Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 tributária, assim compreendidas, nos termos do art. 96 do próprio CTN, as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Código Tributário Nacional Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 18108.002331/200726 Acórdão n.º 230201.057 S2C3T2 Fl. 66 9 Conforme ressai do citado codex tributário, as matérias que se compreendem na reserva de lei em sentido estrito, com as ressalvas previstas, restringemse a instituição, majoração, redução ou extinção de tributos; a definição do fato gerador da obrigação tributária principal e do seu sujeito passivo correspondente; a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, a formalização de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades, bem como a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; Cominar significa ameaçar com pena, ou castigo, o vocábulo advém do latim, comminatio. A função da cominação é tornar mais seguro o cumprimento da obrigação, quer em si mesma, quer por via de seu substitutivo processual, a pena. Na acepção jurídica, cominar tem o sentido de prescrever ou decretar (penalidades), por descumprimento de norma ou infração legal. Dessarte, em observância ao preceito insculpido no art. 97, V do CTN, o art. 92 da Lei nº 8.212/91 estabeleceu que a infração de qualquer dispositivo constante na citada Lei de Custeio, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), na forma como dispuser o regulamento. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Em reforço a tal assertiva, iluminese a expressão realçada nas linhas precedentes, nos termos da qual ressai que, se a uma determinada infração tributária inexistir a ela associada uma penalidade específica expressamente assentada na lei, então será aplicada uma multa oscilando entre os limites máximo e mínimo previstos no art. 92 da Lei nº 8.212/91, cujo valor exato, a ser definido em função da gravidade da infração, será determinado na forma como dispuser o Regulamento da Previdência Social. Vertendo em termos mais palatáveis, a lei formal cominou às infrações a dispositivos constante na Lei de Custeio da Seguridade Social uma penalidade pecuniária, variável em função de sua gravidade, outorgando ao regulamento a competência para dispor sobre a forma como essa penalidade, variável em sua origem legal, será aplicada às infrações em razão da sua maior ou menor gravidade ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. Notese que, nos termos do art. 115 do CTN, o fato gerador da obrigação acessória é a situação que, na forma da legislação – não da lei , impõe a prática ou a abstenção do ato punível. Louvouse o Auto de Infração sub examine na infração perpetrada pelo Recorrente à obrigação acessória assentada no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, a qual finca o dever instrumental de o sujeito passivo informar, mensalmente, ao fisco federal, mediante GFIP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). §6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no §4º. §7º A multa de que trata o §4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). §8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do Auto de Infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). §9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no §4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). §10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 18108.002331/200726 Acórdão n.º 230201.057 S2C3T2 Fl. 67 11 para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). §11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Nesse mesmo sentido dispõe o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) §3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. §4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. §5º A empresa deverá manter à disposição da fiscalização, durante dez anos, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações referidas neste artigo, observados o disposto no § 22 e as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) Conforme destacado no Relatório Fiscal da infração, a fl. 11, “A empresa deixou de apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP nas competências 10/2003 a 12/2003 e 13/2003 (...) tendo assim deixado de informar por intermédio de GF1P os dados cadastrais e os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos as folhas de pagamento apresentadas (matriz CNPJ 61.451.951/000171), referentes a seus empregados. Conforme resumos das folhas de pagamento apresentadas da matriz CNPJ 61.451.951/000171, o numero de segurados por competência é o seguinte”: COMP N. SEGURADOS 10/03 38 11/03 38 12/03 38 13/03 38 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 Conforme demonstrado no parágrafo precedente, o Relatório Fiscal indicou, de forma clara e precisa, ainda que de maneira sucinta, o fato gerador da presente autuação: A empresa deixou de apresentar as GFIP das competências outubro a dezembro de 2003, discriminando, para cada competência, o numero de segurados da empresa, conforme apurado em suas folhas de pagamento. A conduta omissiva assim perpetrada sujeita o infrator à penalidade prevista no §4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 284 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, textualmente: Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: (grifos nossos) 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo (...) §1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. §2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do auto de infração. De outro eito, as informações pertinentes ao cálculo da multa aplicada encontram dispostas no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, a fl. 12, estando devidamente discriminados por competência o valor mínimo da multa a ser aplicada, n numero de meses em atraso na entrega, o acréscimo de 5% por mês calendário ou fração a que se refere o §7º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, bem como o valor total da multa por cada competência. De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado, foram devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, permitindo ao autuado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendolhe dessarte garantido o exercício do contraditório e da ampla defesa. Não há, portanto, qualquer obscuridade ou dúvida quanto à hipótese de incidência dos tributos objeto deste lançamento. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 18108.002331/200726 Acórdão n.º 230201.057 S2C3T2 Fl. 68 13 Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária acessória violada, a conduta omissiva que profanou a obrigação acessória em apreço, fazendo constar, nos relatórios que compõem o presente Processo Fiscal os critérios adotados para quantificação da penalidade pecuniária aplicada. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. Inexiste pois qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo Recorrente. 2.3. DO CÁLCULO DO MONTANTE DEVIDO Sustenta o Recorrente ter havido violação ao art. 142 do CTN. Aduz que compete privativamente à autoridade administrativa, dentre outras atribuições, “calcular o montante do tributo devido” o qual se constitui um dos requisitos básicos do nascedouro de toda e qualquer obrigação de natureza Tributária. Pondera que, na espécie em discussão, a Fiscalização simplesmente descurou desse procedimento imprescindível à validade, existência e, sobretudo, eficácia do lançamento ex officio a que se procedeu, tendente a verificar o fato gerador da contribuição social, ou seja, calculando o montante devido e identificando o contribuinte. O lamento do Recorrente não tem força suficiente para se propagar. Em primeiro plano, reiterese que o presente Processo Administrativo Fiscal não trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, como assim consigna o Recorrente, mas, sim, de Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigação acessória consistente na não entrega de GFIP nas competências outubro a dezembro de 2003. No presente caso, a empresa deixou de apresentar as GFIP referentes às competências 10/2003 a 12/2003 e 13/2003. Conforme apurado nos resumos das folhas de pagamento, a empresa possuía 38 segurados em cada competência, conforme descrito pelo Relatório Fiscal a fl. 11. A conduta omissiva assim perpetrada sujeita o infrator à penalidade prevista no §4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 284 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. O art. 32, §4º da Lei nº 8.212/91 estatui que a não apresentação de GFIP, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeita o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador em função do número de Fl. 13DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 14 segurados, in casu, 2 vezes (38 segurados), sobre o valor mínimo previsto no art. 92, vigente na data da lavratura do auto de infração, na ocasião, R$ 1.195,13, acrescido de 5% por mês calendário ou fração. Na espécie dos autos, a memória de cálculo encontra disposta na planilha disposta no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fl. 12, a qual reproduzimos abaixo: COMP 2 x V. MIN. N. COMP. 5% do V. MIN. N. COMP x 5% SUB TOTAL out/03 2.390,26 49 119,51 5.855,99 8.246,25 nov/03 2.390,26 48 119,51 5.736,48 8.126,74 dez/03 2.390,26 47 119,51 5.616,97 8.007,23 13/2003 2.390,26 47 119,51 5.616,97 8.007,23 A soma dos subtotais por competência resulta no valor total da multa cabível de R$ 32.387,45. Conforme demonstrado, o cálculo da multa encontrase pormenorizadamente detalhado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fl. 12, não se verificando qualquer descuramento por parte da Autoridade Lançadora, como assim entende o Recorrente. Cabe ainda destacar que o sujeito passivo da exação em destaque encontrase bem identificado tanto no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, como na folha de rosto do presente Auto de Infração. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO. Inicialmente, cumpre assentar que não será objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA ENTREGA DE GFIP. O Recorrente alega que as GFIP foram devidamente entregues. A súplica acima clamada não encontra esteio nas provas dos autos. É certo que o impugnante procurou instruir o instrumento de bloqueio à vertente exigência tributária com copias das folhas de rosto das GFIP, a fls. 29/31, referentes às competências 10/2003, 11/2003 e 12/2003. Tais documentos, contudo, não fazem prova plena de que as referidas Guias tenham sido efetivamente entregues à Caixa Econômica Federal. Tal comprovação somente é levada a efeito mediante os documentos arrolados no item 11 do Manual da GFIP, aprovado pela Instrução Normativa INSS/DC nº 94, de 04 de setembro de 2003. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 18108.002331/200726 Acórdão n.º 230201.057 S2C3T2 Fl. 69 15 Instrução Normativa INSS/DC nº 94 de 04 de setembro de 2003 11 COMPROVANTES DE ENTREGA DA GFIP a) GFIP em meio magnético: o resumo dos dados do arquivo, gerado pelo SEFIP (GFIP Comprovante de recolhimento/declaração); b) GFIP adquirida no comércio ou no site da CAIXA, www.caixa.gov.br (para recolhimento recursal ou do empregador doméstico): a 2ª via da GFIP; c) Arquivo SEFIP enviado pela Internet: Protocolo de Envio de Arquivo gerado pelo Conectividade Social. Os documentos referidos nas letras “a” e “b”, acima, devem conter: • Quando se tratar de guia declaratória (apenas com informações à Previdência e ao FGTS): o carimbo padronizado CIEF (Cadastro de Inscrição de Entidades Financeiras), instituído pela Norma de Execução CSA/CIEF nº 001/90, com os dados do receptor (nº do banco, agência e data da entrega). Caso o arquivo seja transmitido via Internet, observar a nota 2, abaixo. • Quando houver recolhimento ao FGTS: a autenticação mecânica ou o comprovante emitido quando da liquidação do pagamento pela Internet. (Nova redação dada pela IN INSS/DC nº 94/2003) NOTAS: 1) As guias declaratórias são impressas em apenas uma via. As guias com recolhimento ao FGTS são impressas em duas vias. 2) Em caso de remessa do arquivo SEFIP pela Internet, a comprovação da entrega da GFIP se dará da seguinte forma • GFIP com recolhimento do FGTS Comprovante de recolhimento/declaração e o Protocolo de Envio de Arquivo • GFIP declaratória (sem recolhimento do FGTS) Protocolo de Envio de Arquivo. 3) Quando se tratar de GFIP com informação de tomador de serviço ou obra de construção civil (códigos de recolhimento 130, 150, 155, 317, 337, 608, 907, 908, 909, 910 e 911), será gerado apenas um comprovante de recolhimento/declaração da GFIP, englobando todos os tomadores/obras participantes do movimento. Neste caso, o SEFIP gerará a Relação de Tomadores/Obras RET, individualizando, por tomador/obra, os dados contidos no comprovante de recolhimento/declaração unificado. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 16 No caso presente, havendo sido as aludidas GFIP geradas pelo Programa SEFIP, a comprovação de sua entrega poderia ser realizada mediante : a) No caso de entrega em meio magnético, quando se tratar de guia meramente declaratória, sem recolhimento de FGTS: Pelo Carimbo o carimbo padronizado CIEF (Cadastro de Inscrição de Entidades Financeiras), instituído pela Norma de Execução CSA/CIEF nº 001/90, com os dados do receptor (nº do banco, agência e data da entrega),. b) No caso de entrega em meio magnético, quando houver recolhimento ao FGTS: a autenticação mecânica ou o comprovante emitido quando da liquidação do pagamento pela Internet. (Nova redação dada pela IN INSS/DC nº 94/2003) c) No caso de envio do Arquivo SEFIP pela Internet: pelo Protocolo de Envio de Arquivo gerado pelo Conectividade Social. No caso presente, o Recorrente não logrou comprovar, por nenhum dos meio de prova acima apontados, a efetiva entrega das GFIP em apreço. Nas cópias da folha de rosto apresentadas não contam o carimbo padronizado do CIEF, nem autenticação mecânica do pagamento, tampouco os Protocolos de Envio de Arquivo gerado pelo Conectividade Social. De outro eito, além de não restar comprovado o envio das citadas GFIP via “conectividade Social”, os sistemas informatizados da GFIPWEB não registram qualquer GFIP referente às competências em realce. No que pertine à competência 13/2003, é de salientar que, com efeito, o Manual da GFIP, aprovado pela IN INSS/DC nº 94/2003, não havia assentado qualquer obrigação de apresentação de GFIP relativa ao décimo terceiro salário. Tal obrigação apenas houve por introduzida no Ordenamento Jurídico pela Instrução Normativa MPS/SRP nº 9/2005, cujo §2º do seu art. 3º estabeleceu, in verbis: Instrução Normativa MPS/SRP nº 9, de 24 de novembro de 2005 Art. 3º Até o dia 10 de fevereiro de 2006, a GFIP poderá ser apresentada utilizandose a versão 7.0 do SEFIP, conforme orientações do Manual da GFIP/SEFIP para usuários do SEFIP 7.0 aprovado pela Instrução Normativa INSS/DC nº 107, de 22 de abril de 2004, alterada pela Instrução Normativa MPS/SRP nº 1 de 25 de novembro de 2004, observado o disposto no §2º deste artigo. §1° Ressalvado o disposto no caput, a obrigação prevista no art. 32, inciso IV, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 e no inciso IV do art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 6 de maio de 1999, somente reputarseá cumprida se a GFIP for gerada a partir da versão 8.0 ou versão posterior do SEFIP. §2º A GFIP da competência 13/2005 deverá ser preenchida a partir da versão 8.0 ou de versão posterior do SEFIP. (grifos nossos) Fl. 16DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 18108.002331/200726 Acórdão n.º 230201.057 S2C3T2 Fl. 70 17 §3º Para fins de cumprimento da obrigação referida no §1º, a partir de 1º de dezembro de 2005, não serão válidas as GFIP geradas por meio do SEFIP 7.0 ou versões anteriores, quando, na competência a que se referirem, já houver sido entregue GFIP na versão 8.0 ou em versão posterior do SEFIP. §4º As GFIP geradas na forma do §3º deste artigo reputarseão não entregues. Tal compreensão caminha pari passu com as orientações inscritas no Manual da GFIP/SEFIP para usuários do SEFIP 8, com as alterações introduzidas pela IN MPS/SRP nº 19, de 26/12/2006, cujo item 9 assim dispõe ad litteris et verbis: Manual da GFIP/SEFIP para usuários do SEFIP 8 9 – COMPETÊNCIA 13 A partir do ano de 2005, é obrigatória a entrega de GFIP/SEFIP para a competência 13. A partir da versão 8.0, o SEFIP está habilitado para o cumprimento desta obrigação. Para os anos de 1999 a 2004, é facultativa a entrega de GFIP/SEFIP para a competência 13. (...) Por tal motivo, ante a não obrigatoriedade de entrega de GFIP para a competência 13/2003, o valor da multa relativa à não entrega da citada Guia nessa competência foi excluída do lançamento, conforme detalhado na decisão de 1ª instância. 3.2. DA RELEVAÇÃO DA MULTA. Requer o Recorrente a relevação da multa aplicada, por preencher todos os requisitos para tal medida; Tal alegação não reflete a realidade. No que pertine aos deveres tributários adjetivos, estabelece o art. 92 da Lei de Custeio da Seguridade Social que a infração de qualquer dispositivo dessa Lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeita o responsável ao pagamento de penalidade pecuniária, de caráter variável em função da gravidade da infração, conforme dispuser o seu regulamento. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 18 Ao tratar das circunstâncias atenuantes da infração, no capítulo reservado às infrações, o Regulamento da Previdência Social, por seu art. 291, estabeleceu que a multa aplicada por infração à legislação previdenciária poderia ser relevada se o infrator, no prazo de impugnação, houvesse corrigido a falta e formulasse pedido para tanto, desde que satisfizesse, cumulativamente, as condições de ser infrator primário e não ter incorrido em nenhuma circunstância agravante. Regulamento da Previdência Social Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 1º de fevereiro de 2007) §1º A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 1º de fevereiro de 2007) (grifos nossos) §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. §3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. As diretivas enunciadas no Regulamento da Previdência Social não discrepam daquelas dispostas na Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, sob cuja égide se deu a autuação em apreço, cujo art. 656 dispõe que haverá relevação da multa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário; não houver incorrido em circunstância agravante; formular pedido para tanto no prazo de impugnação e, antes de escoado esse mesmo prazo, houver corrigido a falta que deu ensejo à autuação. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. Art. 656. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação do Auto de Infração. (Redação dada pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) §1º A multa será relevada, ainda que não contestada a infração, se o infrator: I formular pedido dentro do prazo de defesa e comprovar a correção da falta no prazo referido no caput; (Redação dada pela IN SRP Nº 6, DE 11/08/2005) II for primário; e III não tiver incorrido em circunstância agravante. Constatase que entre os requisitos essenciais elencados pelo RPS para a relevação da multa está a necessidade de o infrator ter efetivamente realizado, ainda no prazo de defesa, a correção da falta que deu ensejo à lavratura do postado Auto de Infração, e ainda, nesse mesmo interregno temporal, ter formulado pedido formal de relevação da multa à administração tributária. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 18108.002331/200726 Acórdão n.º 230201.057 S2C3T2 Fl. 71 19 Ocorre que, conforme demonstrado no tópico precedente, não logrou o Recorrente demonstrar, por nenhum dos meios de prova elencados na legislação de regência, ter efetivamente, no prazo normativo, corrido a falta que deu ensejo à lavratura do presente Auto de Infração. Conforme detalhadamente esclarecido, não basta para a fruição do beneficio em realce ser a empresa infratora primária e não ter ela incorrido em circunstâncias agravantes. Para tanto, é necessária observância cumulativa de todos os requisitos essenciais fixados na lei. Assim, não estando esses efetivamente cumpridos, não permite a lei que a empresa infratora seja agraciada com a relevação da penalidade ora em debate, em virtude do não adimplemento de condição essencial. 3.3. DA ONEROSIDADE EXCESSIVA DA MULTA APLICADA. Argumenta que a multa tem natureza de confisco. Com efeito, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da CF/88 obstou a utilização de tributos com efeito de confisco. Tal disposição constitucional é dirigida, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse sentido, assim dispõe o art. 92 da Lei nº 8.212/91, em excerto adiante rememorado, para a melhor compreensão de seus fundamentos: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Conforme articulado, escapa da competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações constitucionais aviadas no art. 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 20 Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Igualmente, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela legislação que regem as obrigações tributárias ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este colegiado de apreciar tais alegações e reduzir a penalidade pecuniária aplicada rigidamente nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.4. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As normas legislativas que tratavam da imposição de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções, foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória n º 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou o §4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 20DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 18108.002331/200726 Acórdão n.º 230201.057 S2C3T2 Fl. 72 21 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente na não apresentação de GFIP, independentemente do recolhimento da contribuição correspondente, era punível com pena pecuniária correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, promoveu alterações na tipificação da infração em destaque, a qual passou a ser a falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, sendo tal conduta, na hipótese de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, apenada com multa de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, limitada a 20% (vinte por cento). No caso de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária, a multa a ser aplicada será de R$ 200,00 (duzentos reais). Nos demais casos, é prevista a penalidade de R$ 500,00 ( quinhentos reais). A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra ostentar a ora discutida imputação de penalidade pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória natureza objetiva. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 22 Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010, que assim dispôs em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Mostrase flagrante que a citada IN RFN nº 1.027/2010 extrapolou os limites da lei, inovando o ordenamento jurídico, eis que, nos termos do art. 97 do CTN, somente a lei formal poderia dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Fl. 22DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 18108.002331/200726 Acórdão n.º 230201.057 S2C3T2 Fl. 73 23 III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício aplicada pelo descumprimento de obrigação principal for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Como é de sabença universal, a incidência de ambas as penalidades são independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter promovido o recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei n º 8.212/91. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa, emanada do Poder Executivo, extrapola os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de Fl. 23DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 24 crédito tributário, em violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de não entrega de GFIP, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se esta se mostrar mais benéfica ao sujeito passivo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL. Nessas circunstâncias, a multa deve ser calculada considerando as disposições inscritas no art. 32A, II da Lei nº 8.212/91, inserido pela Medida Provisória nº 449/2008, na estrita hipótese de a multa a ser aplicada se mostrar mais benéfica ao recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 24DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001744/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS SOBRE REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS São devidas as contribuições sociais destinadas a terceiros incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.772
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS SOBRE REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS São devidas as contribuições sociais destinadas a terceiros incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra a empresa acima identificada, por ter deixado a empresa de efetuar recolhimento de contribuições de terceiros, referentes ao período de janeiro a dezembro de 2004. De acordo com o Relatório Fiscal, fl. 95/101, a o AI foi lavrado em virtude do não recolhimento das contribuições devidas à Seguridade Social, sendo efetuado o seguinte levantamentos: ANG Pagamentos efetuados pela empresa a segurados empregados, não recolhidas e não declarados em GFIP, sem a observância da Legislação Previdenciária, no que diz respeito à contribuição devida pelos segurados, não havendo apropriação indébita. Esclarece ainda o RF, que a presente autuação referese a contribuição devida pela empresa, relativa a terceiros, incidentes sobre o pagamento efetuado aos segurados empregados e foi efetuado pois, quando da conferência dos registros contábeis com a documentação de origem dos lançamentos, visando à validação da base de cálculo oferecida à tributação, foi constatado que a contabilidade não registrou a totalidade dos faturamentos mensais bem como a totalidade de suas despesas. Inconformada com a Decisão de fls. 177/184 a empresa apresentou recurso , abordando diversos assuntos, dos quais trataremos apenas das questões pertinentes ao presente processo, já que as demais referemse a outras autuações e lá serão objeto de análise. Sobre a presente autuação alega a recorrente, em síntese: Que a Recorrente nunca afirmou que trabalhava exclusivamente com contratos de supervisão ou líderes de equipe, conforme erroneamente constata a autoridade julgadora. Afirma que o "Controle de Apropriação Diária" não possui qualquer prisma tributário ou contábil, presta tãosomente para manter a cliente informada dos profissionais que estão trabalhando. Sustenta que o Auditor Fiscal se equivocou em considerar que o "Controle de Apropriação Diária" tratavase de controle dos funcionários da Contribuinte, quando na realidade tratase de controle da equipe (funcionários próprios e de outras empresas) supervisionada pela mesma. Defende que inexiste qualquer outro documento ou fato que indica que as pessoas relacionadas no "Controle de Apropriação Diária" seriam funcionários da Recorrente. Que apesar da Autoridade Fiscal afirmar ter se utilizado de provas indiciárias, na realidade utilizouse de simples presunção, sendo certo que o mesmo partiu de um documento, sem conteúdo substancial probatório. Insiste que apesar de não se tratar de funcionários da Recorrente, e sim funcionários de várias empresas que esta fazia supervisão, conforme será minuciosamente apreciado no mérito, o lançamento da multa é indevido, eis que os segurados não estavam Fl. 214DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001744/200841 Acórdão n.º 240101.772 S2C4T1 Fl. 210 3 inscritos no INSS não sendo obrigatório, portando, o preenchimento das obrigações acessórias, sendo ainda aplicada multa isolada por este fato, sendo indevida a cumulação. No que diz respeito às contribuições devidas pelos segurados empregados, defende que as mesmas já foram devidamente recolhidas, conforme as GFIP's retificadas pela Recorrente. Alega que deve ser considerada improcedente a base de cálculo utilizada pelo Auditor Fiscal, devendo haver a decomposição dos valores para a exclusão das verbas de natureza indenizatória, tais como: abono pecuniário sobre férias, horasextras, auxilio doença (quinze primeiros dias), aviso prévio indenizado, adicional de férias, férias indenizadas, indenização por rescisão antecipada do contrato de trabalho e indenização adicional. Requer por fim, seja considerado improcedente o lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pese à irresignação da recorrente, não há nos autos argumentos fáticos e jurídicos capazes de macular a autuação em apreço. Ao contrário do que afirma em sua peça recursal, todos os recolhimentos efetuados pela empresa foram considerados pela fiscalização e abatidos da presente autuação, conforme se depreende do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, constantes das fls. 11 dos autos. Tal fato também pode ser verificado no item 7 do Relatório Fiscal. Desta forma temos que, alegada correção das GFIPs, não interfere nos valores já aproveitados quando da apuração dos créditos tributários, conforme já rebatido na decisão de primeira instância. Em relação à utilização errônea dos chamados “Controles de Apropriação Diária” temos que , como já dito na decisão guerreada, os contratos juntados às fls. 147/150 não fazem prova das alegações da recorrente, seja por se referirem a período diverso dos controles de apropriação diária, seja porque os controles não fazem referência aos contratos anexados. Por outro lado, o contrato de fls. 146 celebrado com a empresa Nexen prevê a cessão de 44 trabalhadores, entre eles 34 mecânicos, o que desmente a afirmação da empresa de que somente cedia supervisores ou líderes de equipe; Também o fato de as pessoas indicadas na planilha da auditoria fiscal já terem trabalhado ou virem a trabalhar formalmente para a interessada representa forte indício de que no período contido nos "Controles de Apropriação Diária" as mesmas eram seguradas empregadas da impugnante, em que pese os argumentos desprovidos de comprovação apresentados na defesa de que os referidos trabalhadores eram segurados empregados de outras empresas. Não havendo outro tipo de prova, ou ainda, indício que suportem as alegações da recorrente, correto o procedimento fiscal em considerar os trabalhadores relacionados nos "Controles de Apropriação Diária" como segurados empregados da empresa. Sobre as alíquotas aplicadas pela fiscalização, foram feitas dentro dos liames legais e estão devidamente discriminadas no item 08 do Relatório fiscal e as bases de cálculo das contribuições apuradas constaram da folha de pagamento, da escrituração contábil e de outros documentos exibidos pela própria empresa. Logo, não cabe razão à recorrente, quando afirma que as contribuições incidiram sobre rubricas de natureza indenizatórias. Portanto, tendo a autuação obedecido todos os preceitos legais e estando revestida dentro das formalidades legais, não há que se falar na improcedência do AI. Fl. 216DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001744/200841 Acórdão n.º 240101.772 S2C4T1 Fl. 211 5 Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 217DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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