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Numero do processo: 16624.001648/2007-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/2002
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração da base de cálculo de PIS/Cofins não se pode excluir o valor do ICMS pago pela contribuinte. O valor constante da nota fiscal, pelo qual se realiza a operação de venda do produto, configura o faturamento sujeito à incidência de PIS/Cofins, de modo que, ainda que o recolhimento do ICMS aconteça em momento concomitante à operação de venda, isto não altera o valor da operação de compra e venda e, conseqüentemente, do faturamento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração da base de cálculo de PIS/Cofins não se pode excluir o valor do ICMS pago pela contribuinte. O valor constante da nota fiscal, pelo qual se realiza a operação de venda do produto, configura o faturamento sujeito à incidência de PIS/Cofins, de modo que, ainda que o recolhimento do ICMS aconteça em momento concomitante à operação de venda, isto não altera o valor da operação de compra e venda e, conseqüentemente, do faturamento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 16 48 /2 00 7- 81 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de Pedido de Restituição (fls. 3/10) combinado com Declarações de Compensação (fls. 47/68), fundados na alegação de que o valor do ICMS não deveria ter integrado a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins referente ao recolhimento do mês de 01/1998 a 03/2002. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Guarulhos (DRF), por meio do Despacho Decisório (fls. 71/75) negou o pedido do contribuinte, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: Pedido de Restituição/Compensação – COFINS EMENTA: A exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, cobrado na condição de contribuinte, depende de expressa previsão legal, a qual não existe, razão pela qual o imposto apurado não pode ser deduzido. RESULTADO: PEDIDO INDEFERIDO — Não reconhecimento do direito creditório e não homologação das compensações efetuadas pelo contribuinte. A DRF, entendeu que tanto a Lei nº 9.718/98 como a Lei nº 10.833/03 listam as hipótese específicas de exclusão da base de cálculo da Cofins, admitindo a exclusão do ICMS apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não é o caso, de modo que não cabe a exclusão do ICMS. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 80/90) alegando sucintamente que a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS prescinde de previsão legal, pois teria respaldo no princípio da capacidade contributiva, e que apenas deve ser considerado como faturamento o valor que o contribuinte recebe pela mercadoria, pois é isto que “fatura”, não se podendo ampliar tal conceito para alcançar o ICMS. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 0536.646, de 23 de janeiro de 2012 (fls. 94/101), manteve a decisão da DRF, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/2002 RESTITUIÇÃO INDEFERIDA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. Somente podem ser objeto de restituição créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. ICMS. A legislação define expressamente as parcelas passíveis de exclusão da base de cálculo da contribuição, não demonstrada a previsão legal, nada há que se excluir. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Fl. 129DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16624.001648/200781 Acórdão n.º 3403003.243 S3C4T3 Fl. 129 3 Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 108/124), no qual reitera os mesmos argumentos da sua manifestação de inconformidade, acrescentando a alegação de que haveria nulidade do despacho decisório em razão de a notificação não ter acontecido na pessoa dos sócios da pessoa jurídica. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 23 de março de 2012 (fl. 108), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 23 de fevereiro de 2012 (fl. 104). Por ser tempestivo e conter fundamentos de reforma ao acórdão recorrido, dele tomo conhecimento. 1. Preliminar de nulidade. O recorrente alega que seria nulo o despacho decisório, porque a notificação teria de acontecer exclusivamente na pessoa do sócio da pessoa jurídica com poder para tanto. Ocorre que o PAF (Processo Administrativo Fiscal – Decreto nº 70.235/72) prevê expressamente que a intimação dos atos processuais em Âmbito adminsitrativo pode acontecer por qualquer das seguitnes modalidades: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Como visto, a intimação postal se consuma pela prova do recebimento da correspondência no endereço do contribuinte, endereço por ele declarado à RFB como seu domicílio fiscal. Realizado tal procedimento, configurase a intimação válida do contribuinte em âmbito administrativo. É este o mesmo entendimento em âmbito judicial, conforme entendimento uniformizado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, categórico no sentido de que “não são necessários poderes de representação da pessoa jurídica para recebimento da citação postal” (EREsp 249.771/SC, Rel. Ministro FERNANDO GONÇALVES, CORTE ESPECIAL, julgado em 07/11/2007, DJ 03/12/2007, p. 247) Não procede, portanto, a alegação de nulidade do recorrente. 2. Mérito. O recorrente sustenta a impossibilidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS, por violação ao conceito de faturamento contido no art. 195, I, da Constituição e ao art. 2º da Lei Complementar nº 70/91. No plano em que o enfrentamento das razões de recurso impõe o pronunciamento sobre a constitucionalidade de dispositivos das leis, cumpre esclarecer que refoge à competência deste órgão julgador administrativo pronunciarse a este respeito, conforme disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF. Com efeito, dispõe o art. 62 do RICARF que “Fica vedado aoms membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Sob o aspecto da interpretação da lei, este Conselho já se manifestou reiteradamente no sentido da impossibilidade de exclusão do ICMS na base de cálculo de PIS/Cofins, conforme se verifica, exemplificativamente, nas seguintes ementas: COFINS INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A base de cálculo da COFINS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo da COFINS. BASE DE CÁLCULO Irreparável a exigência fiscal, cuja base de cálculo guarda conformidade com as determinações contidas nos artigos 2º e 7º da Lei Complementar nº 70/91. Recurso ao qual se nega provimento. (Acórdão nº 20308745, Relatora Maria Teresa Martínez López, j. 18/03/2003 – grifo editado) COFINS BASE DE CÁLCULO INCLUSÃO DO ICMS A base de cálculo da COFINS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS Fl. 131DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16624.001648/200781 Acórdão n.º 3403003.243 S3C4T3 Fl. 130 5 está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo da COFINS. MATÉRIA CONSTITUCIONAL É vedado aos tribunais administrativos apreciar a constitucionalidade ou legalidade dos atos legais regularmente editados pelo Poder Legislativo. ENCARGOS LEGAIS Não há como contestar sua cobrança, quando constituídos de acordo com as normas legais que regem a matéria. Recurso negado (Acórdão nº 20309618, Relator Valdemar Ludvig, j. 15/06/2004 – grifo editado) COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS.O ICMS compõe o faturamento da empresa, não existindo previsão legal que possibilite sua exclusão legal da base de cálculo para a Cofins, como já definido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº REsp 152.736/SP, com acórdão publicado no DJU, Seção I, de 16/02/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. Não há previsão legal para excluir da base de cálculo da Cofins a parcela do ICMS cobrada pelo intermediário (contribuinte substituído) da cadeia de substituição tributária do comerciante varejista. O ICMS integra o preço da venda da mercadoria, e, estando agregado ao mesmo, incluise na receita bruta ou faturamento. Recurso negado. (Acórdão nº 20216994, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, j. 28/03/2006) COFINS BASE DE CÁLCULO ICMS O ICMS integra a base de cálculo da COFINS por compor o preço do produto e não se incluir nas hipóteses elencadas no parágrafo único do art. 2 da Lei Complementar nr. 07/70. MULTA Reduzse a penalidade aplicada, por força do art. 106, inciso II, do CTN, c/c o art. 44, inciso I, da Lei nr. 9.430/96. Recurso provido em parte. (Acórdão nº 20171269, Relator Expedito Terceiro Jorge Filho, j. 09/12/1997) COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO ICMS. A parcela referente ao ICMS, por ser cobrada por dentro, incluise na base de cálculo da Cofins. Precedentes jurisprudenciais. Recurso negado. (Acórdão nº 20401837, Relator Jorge Freire, j. 18/10/2006) Também no âmbito do judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, exercendo seu papel de uniformização da jurisprudência, consolidou o seu entendimento no mesmo Fl. 132DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 sentido, de que o ICMS não pode ser excluído da base de cálculo de PIS/Cofins, conforme se confere, exemplificativamente, nos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. 3. Recurso especial improvido. (REsp 501626/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 07.08.2003, DJ 15.09.2003 p. 301) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 2º, III. VALORES TRANSFERIDOS A OUTRA PESSOA JURÍDICA. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MP Nº 199118/2000. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 97, IV, DO CTN. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. SÚMULAS NºS 68 E 94, DO STJ. PRECEDENTES. 1. Agravo regimental contra decisão que desproveu agravo de instrumento em face de acórdão a quo segundo o qual não são possíveis de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores repassados a outras pessoas jurídicas. Asseverou, também, com base nas Súmulas nºs 68 e 94 do STJ, estar pacificado o entendimento de que a parcela relativa ao ICMS se inclui na base de cálculo do PIS e da COFINS. (...) 4. Pacífico o entendimento nesta Corte de que a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL (e, conseqüentemente, da COFINS, tributo da mesma espécie) e também do PIS. Súmulas nºs 68 e 94/STJ, respectivamente: “a parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS” e “a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial.” 5. Precedentes desta Corte Superior. 6. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 750.493/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18.05.2006, DJ 08.06.2006) TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI nº 9.718/98. MEDIDA PROVISÓRIA N.º 199118/2000. REVOGAÇÃO. SÚMULAS 68 E 94/STJ. SÚMULA 83 DO STJ. 1. A jurisprudência firmada na 1ª Seção desta Corte é a de que o ICMS compõe a base de cálculo da COFINS e do PIS. Súmulas 68 e 94/STJ (AG 520431, Rel. Ministro João Otávio Noronha, 2ª Turma, DJ Fl. 133DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16624.001648/200781 Acórdão n.º 3403003.243 S3C4T3 Fl. 131 7 24.05.04; AGREsp 463.629/RS, Rel. Ministro Humberto Gomes de Barros, 1ª Turma, DJ 06/01/03). 2. "A exclusão prevista no art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98 não chegou a produzir efeitos no mundo jurídico, visto que condicionada a regulamento do Poder Executivo, o qual não veio a ser editado até o advento da Medida Provisória n.º 1.99118/2000, que, por sua vez, a revogou (cf. REsp 502.263/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 13.10.03; REsp 512.232/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 20.10.03)". (RESP 641377, Rel Min. Franciulli Neto, 29/11/2004) 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 667.170/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18.08.2005, DJ 12.09.2005 p. 224) Sabese que a pretensão de exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins ganhou novo fôlego com o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.785, ainda em andamento, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. E ficou ainda mais aquecida com a propositura da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 18. Ocorre que ainda não houve desfecho do julgamento de nenhuma destas ações, não se podendo ainda dizer que exista decisão final do STF quanto à inconstitucionalidade do cômputo do ICMS na base de cálculo da Cofins e do PIS. De outro lado, conforme ilustrado acima, é entendimento consolidado das Câmaras deste Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça que não há respaldo legal para a exclusão do ICMS. Somese a isto, conforme esclarecido no início do voto, que este tribunal administrativo não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei. Deve, por tais razões, prevalecer o entendimento sedimentado na jurisprudência, de que o ICMS integra o preço do produto, de sorte que o valor total da nota fiscal deve ser tomado como faturamento, sofrendo a incidência de PIS/Cofins. Nada obstante o ICMS componha parte do valor que se recebe pela venda do produto, isto não implica em redução do preço de venda, e é este preço de venda que compõe o faturamento sobre o qual incide PIS/Cofins. Voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 134DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10183.000726/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/04/2002 a 30/06/2002, 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 01
Numero da decisão: 3101-001.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por concomitância. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Acompanhou o julgamento o Dr. Anonio Sinhiti Myasava, OAB/SP 25.937, advogado do sujeito passivo.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente em exercício e relator.
EDITADO EM: 17/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Paulo Puiatti. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 01 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por concomitância. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Acompanhou o julgamento o Dr. Anonio Sinhiti Myasava, OAB/SP 25.937, advogado do sujeito passivo. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente em exercício e relator. EDITADO EM: 17/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 07 26 /2 00 5- 18 Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Mineiro Fernandes. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Paulo Puiatti. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de PERD/COMP concernentes ao crédito presumido de IPI, com fulcro na Lei nº 9.363/1996, relativas a todos os trimestres do ano de 2002. A autoridade fiscal exarou o Despacho Decisório nº 892DRFCBA (fls. 197 a 206), através do qual deferiu parcialmente o pleito de ressarcimento, e homologou parcialmente as compensações declaradas pelo contribuinte. A autoridade fiscal fundamentou sua decisão nos seguintes pontos, em apertada síntese: (i) Que o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS e da COFINS, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido do IPI; (ii) Que não integra a base de cálculo do crédito presumido valor dos produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo exportador; (iii) Que somente podem ser considerados como MP ou PI, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e desde que não correspondam a bens do ativo permanente; (iv) Que devem compor a base de cálculo do benefício somente MP, PI e ME, com definição dada pela legislação do IPI; (v) Que se considera receita operacional bruta o resultado da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheira. Cientificada do deferimento parcial do pleito, a interessada apresentou sua Manifestação de inconformidade, contestando as glosas efetuadas relativas aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. Requereu a alteração do demonstrativo do crédito presumido, considerando somente as unidades de produção, relativamente à receita operacional e dos insumos empregados na industrialização, bem como das transferências de matérias primas das suas unidades comerciais, além da correção da SELIC sobre os valores devidos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora baixou os autos em diligência para manifestação da unidade de origem acerca das transferências informadas pelo contribuinte em seu demonstrativo de compras totais. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10183.000726/200518 Acórdão n.º 3101001.816 S3C1T1 Fl. 4 3 A 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, em sessão de julgamento realizada em 29 de janeiro de 2009, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o ressarcimento deferido no Despacho Decisório. O Acórdão 0922.359 foi assim ementado: Cientificada da decisão de primeira instância administrativa, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 13/04/2009, onde fundamentalmente repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. A interessada impetrou o Mandado de Segurança nº. 2009.36.00.0099246, no qual pleiteou o reprocessamento do pedido constante no presente processo. O processo foi distribuído a esse conselheiro relator. É o relatório. Voto Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – relator. Constatase a tempestividade do recurso, cujo conhecimento é apreciado no presente voto. Como relatado, o presente processo tratase de ressarcimento de crédito presumido de IPI e seu deferimento parcial pela autoridade fiscal. Após a apresentação de seu Recurso Voluntário, o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº. 2009.36.00.0099246, no qual pleiteou o reprocessamento de seu pedido de ressarcimento, nos seguintes termos: “que a digna autoridade coatora reprocesse seu pedido de ressarcimento de crédito presumido de que tratam as leis 9.363 e 10.276, procotolado e convertido em processo administrativo sob o número já exposto e em relação a todas as competências, já que não alcançadas por prescrição ou decadência, e ao fazêlo não deixe de computar no cálculo os insumos adquiridos de fornecedores da impetrante que sejam pessoas físicas e cooperativas, tampouco exclua da Receita de Exportação o produto da venda ao mercado externo e a comercial exportadora das mercadorias cuja tributação de IPI esteja sob a condição de NT – Não Tributada e apure todos os valores de referidos créditos constantes do pedido mediante a incidência da SELIC, desde cada período de apuração.” (decisão, fls. 1168 a 1172) A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Isso porque a coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Deste modo, quando impetrou as ações judiciais, a Recorrente fez a opção pela via judicial, abdicando, assim, da via administrativa para a solução do litígio fiscal, nesta matéria. Este é o teor da Súmula CARF nº. 01, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Reconhecese, destarte, a concomitância, devendo a apreciação da matéria ser efetuada tão somente pelo Poder Judiciário, em função da unidade de jurisdição. Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10183.000726/200518 Acórdão n.º 3101001.816 S3C1T1 Fl. 5 5 A unidade de origem deverá observar a decisão do Mandado de Segurança nº. 2009.36.00.0099246. Em face do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário apresentado. Sala das sessões, em 25 de fevereiro de 2015. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903776/2009-03
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2303; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.903776/200903 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802002.507 – 2ª Turma Especial Sessão de 04 de março de 2015 Matéria PER/DCOMP Recorrente GTO GRUPO DE TRAUMATOLOGIA E ORTOPEDIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 37 76 /2 00 9- 03 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903776/200903 Acórdão n.º 1802002.507 S1TE02 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratam os autos da declaração de compensação nº 03576.67266.130406.1.3.047039,transmitida eletronicamente em 13/04/2006, com base em créditos relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO: 30/09/2001 CÓDIGO DE RECEITA : 2089 VALOR TOTAL DO DARF : 21.040,09 DATA DE ARRECADAÇÃO: 30/11/2001 A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 20/04/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 4), cuja decisão não homologou a declaração de compensação por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 11.007,74. Cientificado dessa decisão em 29/04/2009, o sujeito passivo apresentou em 28/05/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 e 3, acrescida de documentação anexa. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903776/200903 Acórdão n.º 1802002.507 S1TE02 Fl. 4 3 Em síntese, a contribuinte esclarece que teria recolhido indevidamente três parcelas de IRPJ referentes ao período em análise. Uma vez constatado o recolhimento indevido, retificou suas declarações. Apresenta quadro demonstrativo e anexa aos autos cópias das declarações. Ao final, solicita a homologação da compensação requerida por meio do PER/DCOMP em análise, cancelandose o débito fiscal dela decorrente. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Brasília/DF) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0356.218, de 17 de outubro de 2013, cientificado ao interessado em 20/12/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2001 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil/fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 17/01/2014. A Recorrente alega que: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903776/200903 Acórdão n.º 1802002.507 S1TE02 Fl. 5 4 há equívoco na decisão recorrida ao sustentar que a pessoa jurídica deveria, em sua manifestação de inconformidade, provar, através dos seus assentamentos contábeis/fiscais embasando sua escrituração com a apresentação de documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, fundamentando seus lançamentos contábeis com o comprovante de retençãoemitido em seu nome pela fonte pagadora; tal entendimento é totalmente descabido na análise do presente contencioso administrativo fiscal posto que a Recorrente em sua impugnação item "d" deixou claro que o todo alegado poderia ser devidamente comprovado através da Declaração de Informações Econômico Fiscais/2002, entregue e encaminhada à Secreraria da Receita Federal do Brasil; é cediço que a Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ é a reprodução integral dos assentamentos contábeis/fiscais do sujeito passivo e, os dados nela contidos, estão permanentemente à disposição de autoridade fiscal para apreciação, análise e contestações que se fizerem necessárias; o crédito tributário que deu origem ao pedido de compensação não homologado pela Autoridade Administrativo preparadora, não tem sua origem em imposto de renda retido na fonte como sugerido pela ilustre JulgadoraRelatora fls. 43 dos autos, mas sim da diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor devido constante da Declaração de Informações EconômicoFiscais, pertinente ao 3o Trimestre do AnoCalendário de 2001; conforme informado pela Recorrente o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ código da receita 2089, referente ao 3o Trimestre de 2001, apurado e informado na DIPJ somou a quantia de R$ 6.627,82 (seis mil, seiscentos e vinte e sete reais e oitenta e dois centavos), e o valor recolhido, conforme atestado através dos DARF's anexados aos autos somou a quantia de R$ 63.201,54 (sessenta e três mil, duzentos e um reais e cinquenta e quatro centavos); havendo receitas decorrentes de prestação de serviços e estando dentro dos limites previstos pela legislação tributária, a fonte pagadora deve proceder à devida retenção do imposto/contribuições devidos o qual, por sua vez, será deduzido do imposto ou contribuição a pagar/recolher; no Ano Calendário de 2001, submeteuse ao regime de tributação com base no Lucro Presumido e, no 3o Trimestre do período de apuração encerrado em 30 de setembro de 2001, recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no montante de R$ 63.201,54 (sessenta e três mil, duzentos e um reais e cinquenta e quatro centavos), em três parcelas, conforme a seguir demonstrado, que foram devidamente informados em DCTF: IRPJ 3° Trimestre — PA 30/09/2001 Data vencimento/recolhimento Valor Recolhido em R$ I a Parcela 31/10/2001 20.831,79 2a Parcela 30/11/2001 21.040,09 3a Parcela 28/12/2001 21.329,66 TOTAL 63.201,54 após a entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais do Exercício de 2002 Ano Calendário de 2001 constatou que o valor efetivamente devido no 3o Trimestre de 2001, era de R$ 6.627,82 (seis mil seiscentos e vinte e sete reais e oitenta e dois centavos), fato este verificado em tempo posterior através de auditoria interna a fim de analisar os procedimentos de natureze contábil/fiscal adotados pela Recorrente; Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903776/200903 Acórdão n.º 1802002.507 S1TE02 Fl. 6 5 ao determinar a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicou sobre a receita auferida no 3° Trimestre de 2001, a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a alíquota efetiva a ser aplicada era de 8% (oito por cento), em face de suas atividades operacionais. Daí a origem do seu direito creditório. Ipso fato procedeu à retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ fls. 13/17 dos autos e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF fls. 18/26 dos autos; diante da constatação das inconsistências acima apontadas a Recorrente concluiu que no 3o Trimestre de 2001, recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, em valores acima do efetivamente devido no montante de R$ 56.573,72 (cinquenta e seis mil, quinhentos e setenta e três reais e setenta e dois centavos), abaixo demonstrado: IRPJ 3o Trimestre PA 30/09/2001 Data venct0/recolhimento Valor Recolhido em R$ Valor Devido em R$ Valor Recolhido a Maior I a Parcela 31/10/2001 20.831,79 6.627,82 14.203,97 2a Parcela 30/11/2001 21.040,09 21.040,09 3a Parcela 28/12/2001 21.329,66 21.329,66 TOTAL 63.201,54 6.627,82 56.573,72 o crédito reclamado através deste PER/DCOMP referese ao pagamento da quota recolhida em 30 de novembro de 2001, o qual está devidamente comprovado através das declarações apresentadas em sua impugnação; os valores informados na DCTFRetificadora, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 18/26 dos autos estão sobejamente comprovados através dos dados extraídos da Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do Exercício de 2002 AnoCalendário de 2001, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 13/17 dos autos e dos DARF's anexados aos autos do presente contencioso administrativo fiscal fls. 10/12 . Finalmente requer provimento do recurso voluntário e protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 03576.67266.130406.1.3.047039 (fls.04/08), transmitido em 13/04/2006, em que a contribuinte pretende compensar débitos de PIS/Pasep e Cofins no total de R$ 11.007,74, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no valor de R$ 17.665,51, código – 2089, relativo ao Período de Apuração: 30/09/2001; Data de Arrecadação: 30/11/2001, no valor de R$ 21.040,09. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903776/200903 Acórdão n.º 1802002.507 S1TE02 Fl. 7 6 Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 20/04/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 21.040,09, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico), utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc) na data em que apresentado o PER/DCOMP. No caso, por se tratar de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado no PER/DCOMP com a informação do débito constante na DCTF na data em que transmitido o PER/DCOMP. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para a compensação indicada. A Recorrente, no essencial, alega que o crédito está sobejamente comprovado por meio dos valores informados na DCTFRetificadora, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 18/26 através dos dados extraídos da Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do Exercício de 2002 AnoCalendário de 2001, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 13/17 e dos DARF's anexados aos autos do presente contencioso administrativo fiscal fls. 10/12 . Como se vê, o contribuinte informa o crédito a compensar no PER/DCOMP nº 03576.67266.130406.1.3.047039, transmitido em 13/04/2006 e procedeu a retificação da DIPJ/2002 e DCTF relativa ao 3º trimestre de 2001 após a apresentação do PER/DCOMP ou seja em 29/12/2006. Portanto, na data da transmissão do PER/DCOMP não há falar em crédito a ser compensado com débitos do contribuinte. No entendimento da decisão recorrida não basta a retificação da DCTF e da DIPJ/2002 para comprovar o direito creditório, pois, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Recorrente alega que, ao determinar a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicou sobre a receita auferida no 3° Trimestre de 2001, a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a alíquota efetiva a ser aplicada era de 8% (oito por cento), em face de suas atividades operacionais. Daí a origem do seu direito creditório. Diz que, ipso fato procedeu à retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF como explicitado acima. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903776/200903 Acórdão n.º 1802002.507 S1TE02 Fl. 8 7 De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que comprove suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito ... A Recorrente, genericamente, protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2002 e DCTF. E, demonstrar cabalmente suas atividades operacionais mediante notas fiscais para os fins de apuração do lucro presumido, a se verificar qual o percentual de aplicação se 8% (retificadora) ou 32% como apurado nas declarações originais. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Como bem esclarecido na decisão recorrida, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903776/200903 Acórdão n.º 1802002.507 S1TE02 Fl. 9 8 haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 13/04/2006, tomou ciência do despacho decisório expedido em 20/04/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 28/05/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903776/200903 Acórdão n.º 1802002.507 S1TE02 Fl. 10 9 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 19515.722100/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial quanto a decadência de parte do lançamento de obrigação principal, para redução do lançamento de acordo com recolhimentos comprovadamente relacionados aos mesmos fatos e quanto a retroatividade benéfica com fundamento no artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Quanto à multa, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 00 /2 01 1- 80 Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial quanto a decadência de parte do lançamento de obrigação principal, para redução do lançamento de acordo com recolhimentos comprovadamente relacionados aos mesmos fatos e quanto a retroatividade benéfica com fundamento no artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Quanto à multa, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.722100/201180 Acórdão n.º 2402004.299 S2C4T2 Fl. 1.287 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente os lançamentos e autuações com ciência em 12/12/2011 para constituição de crédito relativo às contribuições previdenciárias e para a aplicação de multa por descumprimento de obrigações acessórias conexas. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado, assim como as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos referidos segurados, nos prazos definidos em lei. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos mesmos prazos definidos em lei para as contribuições previdenciárias, as contribuições destinadas aos Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Após a publicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF, via de regra o prazo decadencial a ser aplicado no caso das contribuições previdenciárias, é aquele previsto no artigo 173, I, do CTN, sendo aplicado o prazo decadencial do artigo 150, §4º, do CTN somente quando o sujeito passivo apura o valor devido, presta informações ao fisco e antecipa o pagamento de contribuições, mesmo que parcialmente. Tratandose de AI Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 O prazo de prescrição contase a partir da constituição definitiva do crédito, isto é, da data em que não mais se admita à Fazenda Pública discutir a seu respeito em procedimento administrativo. EXTINÇÃO DO CRÉDITO PELO PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. Deixando o contribuinte de atender a intimação da fiscalização para justificar recolhimentos anteriores ao início do procedimento fiscal em valores superiores aos declarados em GFIPs entregues antes do início da ação fiscal, ou ainda de retificar as GFIPs para sanar eventual erro de fato, não há que se falar em extinção do crédito lançado pelo pagamento em função dos referidos recolhimentos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REMUNERAÇÕES PAGAS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS APURADAS NA DIRF. LEGALIDADE. É lícita a apuração das remunerações pagas a segurados contribuintes individuais com base nas declarações prestadas pela empresa por meio da Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF), caso a empresa não justifique as divergências com os valores declarados em GFIP. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integra o salário de contribuição a parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea “c”, do CTN, em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicandose a que lhe for menos severa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e/ou perícia. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.722100/201180 Acórdão n.º 2402004.299 S2C4T2 Fl. 1.288 5 A Representação Fiscal para Fins Penais deve ser formalizada sempre que o servidor constatar a ocorrência, em tese, de crime praticado contra a Seguridade Social. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO. A intimação deve ser realizada no domicílio tributário do sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Dos Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD n° 37.312.2195, 37.312.2209 e 37.312.2217 O objeto do presente lançamento fiscal consiste na apuração das contribuições previdenciárias, devidas e não recolhidas à Previdência Social e a Outras Entidades e Fundos, decorrentes de fatos geradores não declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social). Dos fatos geradores e das bases de cálculo a) Folha de Pagamento Analisamos as folhas de pagamento entregues pelo sujeito passivo, em arquivo digital, no leiaute da Portaria MPS/SRP n° 58 de 28/01/2005 (MANAD Manual Normativo de Arquivos Digitais) aprovada pela Instrução Normativa MPS/SRP n° 12 de 20/06/2006, sob o código de identificação geral de arquivos nº 5beca0f59a604bfc47ca70e7c571ad61, e verificamos que nem toda base de cálculo de incidência de contribuição previdenciária foi declarada em GFIP conforme preceitua o inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. ... b) Contribuinte Individual O sujeito passivo contrata prestadores de serviços pessoas físicas sem vínculo empregatício (contribuintes individuais), na qualidade de transportador de passageiros e taxistas (classificado na categoria 15) e de autônomos em geral (classificados na categoria 13). ... Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 c) Participação nos Resultados A empresa pagou participação nos resultados a seus empregados em desacordo com que determina a legislação própria, fato este que mudou a natureza dessa verba, passando a ter caráter de salário de contribuição para fins de contribuição previdenciária. ... Dessa análise inferimos que o pagamento da participação nos resultados em março/2006 foi efetuado por mera liberalidade da empresa, pois as regras do programa de metas só foram estipuladas em 15/10/2005, portanto, em mais de 80% do período analisado (janeiro a outubro/2005) os empregados não sabiam que existiam critérios de avaliação a serem cumpridos. O contribuinte também não comprovou o arquivamento do ACT no sindicato da categoria, nem apresentou planilha de cálculo dos valores pagos, discriminados por segurado, demonstrando o cumprimento da meta e a apuração do valor pago, apesar de intimada através do TIF emitido em 18/08/2011 (ciência em 22/08/2011, via postal, AR nº SZ44.181.3036 BR). b) A CCT (anexo VII), assinada em 18/11/2005 se aplica as seguintes filiais: 61.327.904/000110 (São Paulo/SP), 61.327.904/000706 (Mogi das Cruzes/SP), 61.327.904/000897 (Mauá/SP), 61.327.904/002598 (Limeira/SP), 61.327.904/002830 (Suzano/SP) e menciona: Cláusula 4ª → já parte do pressuposto que o empregado já atingiu sua meta no anocalendário de 2005, portanto, receberá a título de participação nos resultados a quantia de R$560,00 em duas parcelas sendo a primeira em março/2006 e a segunda em setembro/2006. Neste caso também verificamos que, o pagamento foi feito por mera liberalidade da empresa, pois nem há a previsão de metas a serem cumpridas e mesmo que houvesse, quando da sua assinatura, já havia decorrido mais de 90% do período que deveria ter sido analisado (janeiro a dezembro/2005). Corrobora nesse sentido o fato do contribuinte não ter apresentado qualquer planilha de cálculo, apesar de intimado através do TIF emitido em 18/08/2011. c) Em relação as filiais 61.327.904/000544 (Arcos/MG), 61.327.904/000978 (Doresópolis/MG) e 61.327.904/001788 (Piraí/RJ), nenhum documento foi apresentado, apesar de ter havido pagamento a este título. Esses pagamentos foram verificados nas folhas de pagamento sob a rubrica “0040 – Participação Lucros ou Resultados”, mas que conforme explanação acima são, de fato, pagamentos à título de gratificação/bônus. Esta rubrica foi contabilizada na conta “42110205 –Participação nos Lucros”. O Anexo VIII “Participação nos Resultados” discrimina os valores por filial e segurado, e no Anexo III seguem cópias Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.722100/201180 Acórdão n.º 2402004.299 S2C4T2 Fl. 1.289 7 exemplificativas das folhas de pagamento de PR do mês de março, abril e agosto/2006. d) Glosa de compensação O contribuinte declarou em GFIP nos meses de julho a outubro, valores à título de compensação, conforme quadro demonstrativo, por filial, com os meses em que ocorreram as compensações e respectivos valores. No anexo IX “Tela: dados e valores informados na GFIP”, constam informações que identificam a GFIP enviada pelo contribuinte e traz o campo “valor compensado”. Sendo assim, intimamos a empresa através dos Termos de Intimação Fiscal emitidos em 02/09/2011 (ciência em 05/09/2011 conforme AR n° SZ 40.906.5923 BR) e 03/10/2011 (ciência em 05/10/2011 conforme AR n° SZ 64.022.6967 BR) para que apresentasse os documentos que deram direito a essas compensações. Transcorrido o prazo, nenhum documento pertinente foi apresentado. Diante dos fatos, como esses valores foram descontados, indevidamente, do total da contribuição devida à Previdência Social, os mesmos foram glosados. e) Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) A empresa informou na DIRF, do anocalendário de 2006 (número do recibo 41.98.15.82.2310, entregue em 14/02/2007 às 20:05hs), um total de R$13.997.427,62 (treze milhões e novecentos e noventa e sete mil e quatrocentos e vinte e sete reais e sessenta e dois centavos) de pagamentos efetuados a pessoas físicas sob os códigos “0561 rendimentos do trabalho assalariado” e “0588 rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício” e, por outro lado, declarou em GFIP um total de R$9.659.744,22,(nove milhões e seiscentos e cinqüenta e nove mil e setecentos e quarenta e quatro reais e vinte e dois centavos) conseqüentemente restou uma diferença entre DIRF e GFIP de R$4.337.683,40 (quatro milhões e trezentos e trinta e sete mil e seiscentos e oitenta e três reais e quarenta centavos). Sendo assim, intimamos o contribuinte através do TIF lavrado em 31/08/2010 (ciência em 02/09/2010 conforme AR nº SK 30.508.9780 BR) para que, justificasse essa diferença, indicando os lançamentos contábeis e a que título fora paga. Em 13/09/2010, ou seja, um dia antes da data aprazada para apresentação dos documentos, o contribuinte solicitou prorrogação do prazo, a qual foi deferida, sendo a nova data marcada para o dia 15/10/2010. Diante do silêncio do sujeito passivo, o reintimamos através do TIF lavrado em 19/10/2010 (ciência em 22/10/10, conforme AR nº SK 89.275.2907 BR), sendo apresentada a seguinte resposta: estamos buscando informações em nosso sistema “Microsiga”, Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 assim como também solicitamos os documentos relativos da época lançada, em nosso arquivo inativo – Imatec (sic). No dia 18/08/2011 emitimos nova reintimação (ciência pessoal na mesma data), mas o contribuinte optou por permanecer silente. Por fim em 02/09/2011, lavramos o Termo de Constatação Fiscal (ciência em 05/09/2011 através do AR nº SZ 40.906.5923 BR) com a narração dos fatos de modo que, posteriormente, o contribuinte nada opôs ao relatado. Desta forma, constituímos essa diferença, após os ajustes das considerações a seguir. Essa diferença é composta de R$4.319.644,60 (quatro milhões e trezentos e dezenove mil e seiscentos e quarenta e quatro reais e sessenta centavos) (cód. 0561trabalhador assalariado) + R$18.038,80 (dezoito mil e trinta e oito reais e oitenta centavos) (cód. 0588 – trabalho sem vínculo empregatício). Excluímos desses valores as verbas já constituídas no levantamento de folha de pagamento, de contribuinte individual e de participação nos resultados, para que não houvesse a bitributação, restando assim, em relação ao código 0561, o valor de R$1.299.880,40 a ser constituído. O anexo X traz a diferença da base de cálculo de DIRF discriminada por segurado, enquanto que no anexo XI consta a planilha do cálculo da contribuição do segurado devida, levandose em conta todas as bases de cálculo apuradas. Para chegar ao valor da nova contribuição do segurado empregado, utilizamos a base de cálculo já considerada pela empresa, ou seja,as bases do levantamento de folha de pagamento e os valores já declarados em GFIP’s (antes do início deste procedimento fiscal), que não fazem parte do nosso levantamento. Essas GFIP’s estão identificadas no anexo XII. ... Das penalidades aplicadas Nos Autos de Infração deste processo, foram aplicadas as multas mais benéficas ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. O anexo XIII demonstra o cálculo da multa prevista no inciso I, art. 32A da Lei n° 8212/91, alterada pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, e o Anexo XIV discrimina quais foram as informações omitidas ou declaradas incorretamente nas GFIPs. As multas aplicadas para as contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundo terão alíquota de 24% em todas as competências, nos termos do art. 35, inciso II, alínea “a” da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99. ... Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.722100/201180 Acórdão n.º 2402004.299 S2C4T2 Fl. 1.290 9 Auto de Infração de Obrigação Acessória – DEBCAD n° 37.312.2152 (CFL 68) Relatório fiscal da infração Da análise dos documentos apresentados, verificamos que o contribuinte deixou de declarar em GFIP as contribuições de alguns segurados empregados, aprendizes e contribuintes individuais, conforme demonstrado detalhadamente no anexo XV, totalizando o valor de R$1.085.904,90 (um milhão e oitenta e cinco mil e novecentos e quatro reais e noventa centavos) de contribuições devidas e não declaradas em GFIP, infringindo o art. 32, inciso IV, §3º e §5º da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9528/97. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: III.A A extinção dos créditos tributários pela decadência. As contribuições previdenciárias possuem natureza tributária, e estão sujeitas ao lançamento por homologação, nos termos do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. ... III.B. A extinção dos créditos tributários indevidamente lançados, em razão do pagamento comprovado O Relatório Fiscal aduz que o fato de ter havido competências em que o valor recolhido antes do início do procedimento fiscal estava maior que o declarado em GFIP fez com que se intimasse o contribuinte para justificar estas diferenças ou, se fosse o caso, retificasse essas GFIPs, porém a empresa não se manifestou, o que fez com que essas sobras de recolhimento não fossem aproveitadas na apuração dos valores lançados, por impossibilidade de identificação dos fatos geradores e dos tipos de contribuições que teriam sido pagas. Em termos práticos, ocorreu o seguinte: a fiscalização apontou os fatos geradores por meio da análise das folhas de pagamento, da GFIP e da DIRF da Impugnante, e constituiu um débito integral da contribuição previdenciária da Impugnante. Ocorre que tal débito já havia sido pago em GPS, como inclusive foi reconhecido pela autoridade fiscal, na medida em que expressamente as desconsiderou. Assim, verificase que as GPS em epígrafe não se referem a sobras de recolhimento, mas sim a recolhimentos de contribuições previdenciárias e destinadas a Outras Entidades e Fundos, corretamente efetuados por meio das GPS (doc. 04) identificadas com os correspondentes códigos de pagamento, e que se destinaram aos pagamentos dos valores relativos a contribuição previdenciária, GILRAT e terceiros constantes da folha de pagamento, tendo sido indevidamente lançado nas rubricas apontadas nos Autos de Infração impugnados. Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Tais recolhimentos, ora apresentados, totalizam o montante originário de R$3.203.152,59, sendo que os valores dos Autos de Infração totalizam o valor originário de R$2.187.328,52 (doc. 05). ... III.C. Impossibilidade de utilização da DIRF para apuração de débitos relativos a contribuições previdenciárias e de terceiros A base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, o qual é declarado na DIRF, não se confunde com a base de cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros, e, portanto, a diferença a maior declarada em DIRF não pode ser utilizada como base de cálculo de tais contribuições. ... III.D. Participação nos Lucros e Resultados – Desvinculação da PLR da remuneração e sua natureza indenizatória – débito indevido. Os pagamentos efetuados a título de PLR não podem ser considerados como salário de contribuição, pois não se enquadram em seu conceito, e, ainda, a própria Constituição Federal, em seu art. 7º, XI, desvincula da remuneração a participação nos lucros ou resultados, reconhecendo, assim, seu caráter estritamente indenizatório. ... Exemplificativamente, no Acordo Coletivo de Trabalho e Convenção Coletiva de Trabalho apresentados (referente à filial de CNPJ 61.327.904/000706), houve o estabelecimento de metas ou até mesmo o cumprimento antecipado de referidas metas (no tocante a CCT), que eram de conhecimento de todos os seus empregados, periodicidade correta no pagamento e negociação com o sindicato. No tocante ao fato de o pagamento ter ocorrido em março/2006 (com relação ao ACT) e em março/2006 e setembro/2006 (no tocante a CCT), tempo este que o fiscal considerou inadequado, a Impugnante ressalta que a Lei nº 10.101/00 não estabelece o período anterior ao qual deve haver a assinatura do instrumento coletivo. Com efeito, o que a lei estabelece é que o pagamento da PLR deve ser efetuado em periodicidade não inferior a um semestre civil e no máximo duas vezes ao ano, requisito cumprido pela Impugnante, considerando que o pagamento ocorreu uma única vez nesse ano em relação ao ACT e duas vezes quanto às filiais sujeitos à CCT. Ademais, embora a assinatura do instrumento tenha ocorrido em 15/10/2005 (ACT) e em 18/11/2005 (CCT), os empregados já tinham conhecimento das regras da PLR anteriormente, sendo a assinatura uma mera formalidade para se fazer valer o que já havia sido negociado e informado aos empregados. Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.722100/201180 Acórdão n.º 2402004.299 S2C4T2 Fl. 1.291 11 Quanto ao não arquivamento dos instrumentos no sindicato da categoria, a previsão contida na Lei nº 10.101/00 sobre este assunto se dá pela simples necessidade de conferir segurança aos trabalhadores no cumprimento do PLR pelas empresas e no seu efetivo pagamento, o que foi efetuado pela Impugnante. Ressaltese que a segurança no conhecimento das regras da PLR sempre foi efetuada de maneira clara pela empresa, com a divulgação das regras e metas da PLR na empresa e a certeza de pagamento também se caracterizou e, ainda, uma simples formalidade (arquivo formal) não pode vir a descaracterizar a real natureza da PLR, que é indenizatória. Nesse sentido, já se pronunciou o Supremo Tribunal de Justiça. Em relação à afirmação da fiscalização de que a Impugnante não teria apresentado planilha demonstrativa de apuração dos valores da PLR, destacamos que esse fato também não pode ensejar a caracterização da verba como de natureza salarial. No caso em epígrafe, verificase que os empregados cumpriram as metas determinadas no ACT e CCT, motivo pelo qual foram destinados a eles a PLR acordada nos referidos instrumentos, conforme pode ser apurado pela fiscalização quando da análise das folhas de pagamento, sendo totalmente descabido esse argumento para tentar descaracterizar a natureza indenizatória da PLR. A Impugnante possui ACT exclusivamente destinado a regulamentação de seu plano de PLR, no tocante à filial de CNPJ 61.327.904/001788. Referido documento estabelece o programa de metas em sua cláusula sexta, que determina, em síntese, que fica subordinado à Participação nos Resultados os seguintes indicadores: • Meta financeira global • Coeficiente CAL/PCC • Absenteísmo • Reclamação de cliente • Housekeeping • Manutenção • Metas SSMA Nas cláusulas seguintes, referido ACT explica cada um dos índices acima determinados, resultando em regras claras e objetivas para aferição de PLR, atendendo aos termos da legislação vigente. Verificase, portanto, que ao contrário do alegado pela fiscalização, a Impugnante possui ACT válido e legal, que prevê Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 a PLR para seus empregados da filial de CNPJ 61.327.904/001788. Assim, concluise que os lançamentos efetuados pela fiscalização são indevidos, por se tratar de pagamentos de PLR, verbas de caráter nitidamente indenizatório, e considerando ainda que a Impugnante cumpriu a legislação aplicável. ... III.E.1. Da caracterização como multa isolada. Definição do regime jurídico aplicável Ao contrário do que parece constar nos Autos de Infração (AIOA), as multas são claramente multas isoladas que estão sendo cobradas em razão do suposto descumprimento de deveres instrumentais. Basta uma simples análise dos Autos de Infração para perceber que as multas aplicadas não possuem qualquer relação com a obrigação tributária principal, possuindo caráter nítido de penalização por descumprimento de deveres legais não relacionados com a exigência do tributo. III.E.2. Da prescrição da pretensão punitiva do AIOA Debcad nº 37.312.2152 Como multa isolada que são, as sanções administrativo tributárias possuem natureza penal e punitiva, conforme entendimento do STF no REx nº 82.754, não havendo distinção entre tais penalidades. Este também é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que determina inclusive, aplicação subsidiária do Código Penal. E as medidas de cobrança ora combatidas configuram verdadeiro poder de polícia pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja cobrança submetese ao prazo prescricional de 5 (cinco) aos previsto no artigo 1º da Lei nº 9.873/99. Conforme artigo supra, a prescrição da pretensão punitiva é contada da data dos fatos ou da suposta prática do ato, que, conforme planilha constante do Relatório Fiscal, ocorreram nos meses de janeiro a outubro de 2006, portanto, prescritas totalmente entre janeiro a outubro de 2011, dois meses antes da constituição do crédito pela ciência do AI. III.E.3. Da decadência dos débitos do AIOA Debcad nº 37.312.2152 Na remota hipótese de não se admitir a natureza penal das multas isoladas aplicadas, é importante destacar que, mesmo se admitindo a natureza tributária,a cobrança também não merece prosperar, uma vez que, neste caso, operouse a decadência nos termos do art. 150, §4º do CTN. Por fim, tampouco há de se falar na conversão da obrigação acessória em principal, pela aplicação do art. 113, §3º do CTN, uma vez que tal conversão se dá apenas para fins de cobrança do crédito e após o lançamento. Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.722100/201180 Acórdão n.º 2402004.299 S2C4T2 Fl. 1.292 13 Diante do exposto, está totalmente extinto o crédito cobrado no AIOA Debcad nº 37.312.2152, seja pela prescrição da pretensão punitiva, seja pela decadência, nos termos do art. 150, §4º do CTN. III.E.4. Da nulidade do Auto de Infração Debcad nº 37.312.2152 por erro na capitulação legal Ainda que se entenda pela subsistência do AI nº 37.312.2152, o referido lançamento não merece ser mantido, uma vez que desconsidera a revogação do parágrafo 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, fundamento legal para a aplicação da multa, pela MP nº 449/2008. II.E.5. Do erro no cálculo das multas Ao contrário do que expõe o item 11 do Relatório Fiscal, e no Anexo I, a regra de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, alínea “” do CTN não foi aplicada corretamente para os Autos de Infração ora questionados. Já em relação ao AIOA Debcad nº 37.312.2152, referida regra sequer foi aplicada. Explicase. No Anexo I, a fiscalização realizou um comparativo das multas aplicadas no regime anterior e no atual, para estabelecer qual a mais benéfica ao contribuinte. Contudo, referido cálculo se equivocou ao somar e confundir multa de mora e multa isolada, com multa de mora e de ofício. É o Relatório. Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.722100/201180 Acórdão n.º 2402004.299 S2C4T2 Fl. 1.293 15 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados e tão pouco se faz necessária a realização de diligência ou perícia, já que os autos estão devidamente instruídos para exame e julgamento: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.722100/201180 Acórdão n.º 2402004.299 S2C4T2 Fl. 1.294 17 artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Este CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial. De acordo com a Súmula nº 99, considerase que houve pagamento parcial quando os recolhimentos efetuados não se refiram à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra no artigo 150, §4º do CTN para os lançamentos de obrigação principal. No caso das autuações por descumprimento de obrigação acessória, por não se tratar de lançamento por homologação deve ser aplicado o artigo 173, I do CTN. Assim, reconheço a decadência para as obrigações principais no período de 01/2006 a 11/2006. Restauram assim nos lançamentos apenas as competências 12/2006 e 13/2006, já que a ciência ocorreu em 12/12/2011. Quanto aos autos de infração de obrigação acessória não se reconhece a decadência parcial. No mérito Não pagamento dos créditos tributários lançados Tratase não de lançamento ou autuação, mas da falta de aproveitamento pela fiscalização de valores a maior em comparação com os fatos declarados em GFIP. A fiscalização reiterou suas intimações para que o recorrente explicasse a origem dos recolhimentos a fim de identificar como seriam aproveitados. Com a inércia do recorrente, não houve a possibilidade de aproveitálos para a redução dos valores lançados. Também não procede uma diligência transferindo à fiscalização o ônus de identificar a origem dos recolhimentos a maior quando ninguém melhor do que o próprio contribuinte que as realizou explicála. Utilização da DIRF para apuração dos créditos previdenciários e de Terceiros Tratase da discussão sobre a relação entre as bases de cálculo das contribuições previdenciárias e do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF. É que a fiscalização utilizou a diferença entre os valores declarados na DIRF e os valores declarados na GFIP para constituir os créditos. Antes do lançamento, a fiscalização reiterou por várias vezes a intimação para que o recorrente explicasse a origem das divergências; no entanto, não foram atendidas. É certo que não há uma correspondência exata entre os valores declarados nos dois documentos, mas há sim uma coincidência bastante próxima, já que as parcelas declaradas em DIRF e que Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 não compõem base de cálculo das contribuições previdenciárias não são em número tão expressivo. A constatação de divergência na proporção de quase 1/3 da DIRF justifica a busca de alguma explicação para esse fato. Diante da inércia do recorrente, seria razoável se concluir que esses valores teriam sido omitidos da GFIP. Também não procede uma diligência transferindo à fiscalização o ônus de identificar a origem dessas divergências, já que foi o próprio contribuinte que as declarou. Também corretamente, a fiscalização exclui desses valores as verbas já constituídas no levantamento de folha de pagamento, de contribuinte individual e de participação nos resultados para que não houvesse a bitributação. Participação nos lucros e resultados Como os pagamentos ocorreram em período alcançado pela decadência, deixo de apreciar o mérito. Auto de Infração de Obrigação Acessória Debcad nº 37.312.2152 Tratase de autuação pelo descumprimento da obrigação de declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Conforme já examinado, o período a que se refere a autuação não foi alcançado pela decadência uma vez não se tratar de lançamento por homologação e os fatos terem ocorrido de 01/2006 a 12/2006. Quanto ao mérito, o recorrente não trouxe aos autos nenhuma contraprova que desconstituísse os documentos juntados pela fiscalização demonstrativos dos pagamentos de remunerações omitidas da GFIP. Quanto à multa aplicada, procede razão ao recorrente. É direito da recorrente a retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.722100/201180 Acórdão n.º 2402004.299 S2C4T2 Fl. 1.295 19 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparandose com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Ao declarado e não pago é aplicada apenas multa de mora. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa aplicável? Somente a prevista no artigo 32A. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de agravamento) sobre a diferença de R$ 20.000,00 e, independentemente disso, a multa do artigo 32A em relação ao valor não declarado. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.722100/201180 Acórdão n.º 2402004.299 S2C4T2 Fl. 1.296 21 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a declaração constituiria o crédito tributário por confissão; portanto, sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.722100/201180 Acórdão n.º 2402004.299 S2C4T2 Fl. 1.297 23 Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.722100/201180 Acórdão n.º 2402004.299 S2C4T2 Fl. 1.298 25 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. Por tudo, voto pelo provimento parcial quanto a decadência de parte do lançamento de obrigação principal e quanto a retroatividade benéfica com fundamento no artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13864.000379/2009-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
LANÇAMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. NULIDADE.
Nulo é o lançamento cujo ato cancelatório que motivou sua lavratura já não possuía eficácia para declarar a perda do direito a isenção.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a nulidade formal do lançamento, vez que o mesmo não se encontra amparado pela legislação vigente.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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AUSÊNCIA DE ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. NULIDADE. Nulo é o lançamento cujo ato cancelatório que motivou sua lavratura já não possuía eficácia para declarar a perda do direito a isenção. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a nulidade formal do lançamento, vez que o mesmo não se encontra amparado pela legislação vigente. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 03 79 /2 00 9- 86 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 2 Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 37.123.6053, consolidado em 14/10/2009, em face de CENTRO DE DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIA E RECURSO HUMANOS, no valor de R$ 3.766.220,82 (três milhões, setecentos e sessenta e seis mil e duzentos e vinte reais e oitenta e dois centavos) referente às contribuições previdenciárias, parte patronal, incidentes sobre remuneração dos empregados e contribuintes individuais, bem como as contribuições relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho/RAT, no período de 01/2006 a 13/2007. Segundo relatório fiscal, a empresa é uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, cuja finalidade é promover a filantropia, prestando serviços gratuitos e permanentes aos necessitados, nos limites de sua capacidade e dentro dos parâmetros legais, sem discriminação de sexo, cor, credo religioso ou político, com sede em São José dos Campos SP. A Associação era portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEAS, renovado para o período de 01/01/04 a 31/12/06, conforme Resolução CNAS 158/2005. Todavia, teve Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária cancelado, a partir de 01 de janeiro de 1995 com emissão do Ato Cancelatório de isenção de contribuições sociais previdenciárias em 05.05.2006. Afirmou a Auditoria Fiscal que, em que pese o cancelamento, a Associação auto declarouse entidade filantrópica isenta das contribuições previdenciárias em Guia de. Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social — GFIP, quando informou o código de, FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social), 639, e deixou de recolher as contribuições relativas a cota patronal e SAT, no período de 01/2006 a 13/2007. Ocorre que, a posteriori, a Empresa juntou aos Autos prova de que a referida Decisão Notificação, que ensejou o Ato Cancelatório n° 01/2006 da isenção, foi julgada nula, pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão 20601.303, anulando, também, todos os atos que a sucederam. Assim sendo, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP entendeu por anular o lançamento, por entender inexistir, ao tempo deste lançamento, ato cancelatório de isenção. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 LANÇAMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA AO TEMPO DA CONSTITUIÇÃO DO LANÇAMENTO DE ATO CANCELATóRIO DE ISENÇÃO. NULIDADE. Tornada nula a Decisão que propôs o Ato Cancelatório de Isenção, não operam se os efeitos do referido ato, não subsistindo o lançamento dele decorrente. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 13864.000379/200986 Acórdão n.º 2302003.277 S2C3T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes É cediço que a fiscalização motivou o lançamento ora em questão diante da existência de Ato Cancelatório de Isenção, este emitido em 05/05/2006. Cabe, inicialmente, portanto, avaliarse se tal Ato encontravase passível de produzir efeitos no momento do lançamento. Pois bem, como indicam os documentos juntados ao processo pelo contribuinte a Decisão Notificação de Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção n° 21.437.4/002/2006, fls. 220/242, que ensejou o Ato Cancelatório de Isenção suprareferido, foi anulada por Acórdão exarado pela sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 04/09/2008, processo no 35437.000365/200692, fls. 246/253, assim também foi reconhecida a nulidade de todos os atos subseqüentes, conforme trecho do acórdão abaixo transcrito: (...) Nesta esteira de entendimento, deixando o julgador recorrido de intimar cientificar a contribuinte do resultado da diligência requerida, para devida manifestação, após a apresentação de sua impugnação e antes de proferida a decisão, incorreu em cerceamento do direito de defesa da recorrente, em total afronta ao principio do devido processo legal, o que enseja a nulidade da decisão recorrida, bem como de todos os atos subseqüentes, devendo o presente processo ser remetido a origem para intimar a entidade das razões da fiscalização consubstanciadas na Informação Fiscal, cis f 1.513/1.522, para que seja proferida nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância na boa e devida forma. (g. n) Deste modo, por ser nulo, o Ato Cancelatório n° 01/2006 não poderia surtir efeitos, uma vez que os efeitos da nulidade retroagem as suas origens. Desta feita, a partir da ciência do Acórdão exarado em 04/09/2008, o Ato Cancelatório de Isenção 01/2006, que embasou a presente autuação, não tinha mais eficácia, somente mantendose higida a informação fiscal para o cancelamento da isenção/IF. A Informação Fiscal para o Cancelamento de Isenção é procedimento que antecede o Ato Cancelatório e não poderia servir de elemento para fundamentar o presente auto, isto porque a partir da Informação Fiscal, há oportunidade de o contribuinte se manifestar e interpor Recurso com efeito suspensivo à Instância Superior, como se verifica do artigo 206, § 8°, do Decreto n° 3.048/99, verbis: Art. 206. (..) O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: Fl. 359DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 4 1 se a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social verificar que a pessoa jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele previstos, emitirá Informação Fiscal na qual relatará os fatos que determinaram a perda da isenção; II a pessoa jurídica de direito privado beneficente será cientificada do inteiro teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social e terá o prazo de quinze dias para apresentação de defesa e produção de provas; III apresentada a defesa ou decorrido o prazo sem manifestação da parte interessada, o Instituto Nacional do Seguro Social decidirá acerca do cancelamento da isenção, emitindo Ato Cancelatório, se for o caso; e IV cancelada a isenção, a pessoa jurídica de direito privado beneficente terá o prazo de trinta dias contados da ciência da d ecisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social. Previsão idêntica é encontrada no Regulamento da Previdência Social: a Instrução Normativa SRP n° 03/2005, posteriormente ratificada pela Instrução Normativa RFB n° 971, de 24/11/2009, impõe o como rito procedimental, inicialmente, a Emissão de Informação Fiscal/IF, seguida da ciência do contribuinte, para, posteriormente, a manifestação decisão pela autoridade competente confirmando o cancelamento. A partir daí, há a emissão do Ato Cancelatório de Isenção. Vejase que a perda do direito a isenção é declarada em Ato Cancelatório devendo constar deste a data em que a entidade deixou de cumprir os requisitos para tal. Diante de todo o exposto, concluise que, ao tempo do lançamento, o ato cancelatório 01/2006, que motivou a lavratura dos presentes autos, já não tinha mais eficácia para declarar a perda do direito a isenção. No que concerne ao Ato Cancelatório 01/2009, emitido posteriormente em 06/11/2009, há que se perquirir se este poderia suprir a motivação do presente lançamento. Pois bem, o Lançamento se deu em 27/10/2009 e a emissão do Ato Cancelatório n° 01/2009, em 06/11/2009, com ciência do contribuinte em 13/11/2009, assim sendo, somente a partir deste momento poderia a fiscalização lançar as contribuições devidas, sob pena de ofensa ao devido processo legal e nítido cerceamento do direito defesa. Fato é que, no momento do Lançamento, o contribuinte sequer tinha tomado conhecimento do Cancelatório 01/2009, bem como, não havia ocorrido a manifestação da autoridade competente para o cancelamento da isenção. Importa consignar que ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 13864.000379/200986 Acórdão n.º 2302003.277 S2C3T2 Fl. 4 5 Deverá, pois, se for o caso, ser lavrado novo AIOP com base no ATO CANCELATORIO 01/2009, respeitandose a legislação pertinente. Por tudo, é inegável que o Lançamento aqui tratado não se apresenta em conformidade com as exigências legais e normativas exigíveis, razão pela qual deve ser decretada, de oficio, a sua nulidade. Neste diapasão, dispõe a Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, Art. 53: "A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos". Do mesmo entendimento, partilha o Supremo Tribunal Federal no enunciado n.°473, ,vejase: "A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos: ou revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial". Dessa forma, tendo em vista todo o exposto, verificase a necessidade de se manter a nulidade, do AI DEBCAD nº 37.123.6053. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recurso de ofício, para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO, mantendo a nulidade formal do lançamento do Auto de Infração DEBCAD nº 37.123.6053, vez que o mesmo não se encontra amparado pela legislação vigente. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de julho de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Fl. 361DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 10580.911762/2009-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2004
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 62 /2 00 9- 50 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 202DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911762/200950 Acórdão n.º 3802003.490 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 203DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16327.721354/2011-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
LANÇAMENTO. NULIDADE.
Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO.
Não há se falar em decadência quando os créditos tributários foram constituído no prazo de cinco anos legalmente estabelecido no Código Tributário Nacional.
MULTA DE OFÍCIO. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL.
De acordo com art.44, I, da Lei nº 9.430/96 é cabível a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento).
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, incidindo também sobre esta juros de mora. Tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688-PR, julgado em 4/12/12). A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL
Sendo a exigência reflexa de CSLL decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõe-se a adoção de igual orientação decisória.
Numero da decisão: 1103-000.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade, e negar provimento ao recurso voluntário, por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, que votou pela exclusão da multa isolada e dos juros sobre a multa de ofício, e Aloysio José Percínio da Silva, que votou pela exclusão da multa isolada. Os Conselheiros André Mendes de Moura e Aloysio José Percínio da Silva negaram provimento ao recurso voluntário segundo os fundamentos expostos na sessão pelo Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, que apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Fábio Nieves Barreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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Amortização de ágio Recorrentes TOKIO MARINE SEGURADORA S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ÁGIO. RENTABILIDADE FUTURA. LAUDO POSTERIOR À OPERAÇÃO. À luz da legislação, a apuração do ágio deve, por ocasião do aquisição do investimento, basearse em demonstração a ser arquivada como comprovante da escrituração, elaborada a partir de estudo finalizado àquela época. No caso concreto, além de o laudo ter sido confeccionado quase um ano após a aquisição do investimento, o estudo interno não se mostrou hábil a justificar o suposto sobrevalor pago a título de rentabilidade futura. ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. SOCIEDADE SEM ATIVIDADE ECONÔMICA ADQUIRIDA PARA POSTERIOR EXTINÇÃO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE AO FISCO. As operações societárias com o emprego das chamadas sociedades veículos, efêmeras, de passagem, desprovidas de propósito negocial e criadas para serem posteriormente extintas, não podem ser consideradas normais, justificadas em mera formalidade documental. É inoponível ao Fisco o ato ou a sequência de atos praticados com abuso de direito. Apesar da regularidade formal de cada uma das operações societárias que compuseram o enredo do planejamento tributário, este não pode ser confirmado quando única ou preponderantemente o intuito foi a economia tributária. MATÉRIA TRIBUTÁVEL APURADA EM FISCALIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DA CSLL. A base imponível apurada em procedimento de fiscalização é passível de ser previamente compensada com o saldo acumulado de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL com observância do limite de 30% do valor tributável ajustado no períodobase. Recurso de ofício não provido, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 54 /2 01 1- 18 Fl. 2754DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.755 2 MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa isolada em face do não recolhimento das estimativas concomitantemente com a multa proporcional à falta de pagamento do tributo devido ao final do período, haja vista serem distintas as hipóteses de incidência. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL Sendo a exigência reflexa de CSLL decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. Não há se falar em decadência quando os créditos tributários foram constituído no prazo de cinco anos legalmente estabelecido no Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. De acordo com art.44, I, da Lei nº 9.430/96 é cabível a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, incidindo também sobre esta juros de mora. Tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, julgado em 4/12/12). A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade, e negar provimento ao recurso voluntário, por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, que votou pela exclusão da multa isolada e dos juros sobre a multa de ofício, e Aloysio José Percínio da Silva, que votou pela exclusão da multa isolada. Os Conselheiros André Mendes de Moura e Aloysio José Percínio da Silva negaram Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.756 3 provimento ao recurso voluntário segundo os fundamentos expostos na sessão pelo Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, que apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Fábio Nieves Barreira Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Conforme relatório do v. acórdão recorrido, foram formalizados, 17/11/2011, em face da recorrente, lançamento de ofício, para a constituição de crédito tributário, no valor total de R$ 35.649.601,68, em decorrência da realização, pela recorrente, dos seguintes fatos geradores: “a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Lucro Real (fls. 2192 a 2199) Total do Crédito Tributário: R$ 26.265.866,42, sendo: R$ 10.984.029,25 a título de imposto; R$ 5.506.293,86, a título de juros de mora calculados até 31/10/2011; R$ 8.238.021,93, a título de multa proporcional (passível de redução); e R$ 1.537.521,38, a título de multa exigida isoladamente (passível de redução); Fatos Geradores: 31/12/2006 e 31/12/2007; Multa Isolada: 28/02/2007, 30/04/2007, 31/05/2007 e 30/06/2007; Enquadramento legal: (001) AMORTIZAÇÃO. VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS: art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995; arts. 249, inciso I, 251, parágrafo único, 299, 324, §§ 2º e 4º, e 325 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 Decreto nº 3.000, de 26/03/1999; (002) MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA: arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351/2007; arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007; b) Contribuição Social (CSLL) (fls. 2200 a 2205) Total do Crédito Tributário: R$ 8.858.075,96, sendo: R$ 3.934.649,30, a título de contribuição; R$ 1.972.439,69, a título de juros de mora calculados Fl. 2756DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.757 4 até 31/10/2011; R$ 2.950.986,97, a título de multa proporcional (passível de redução); Fatos Geradores: 31/12/2006 e 31/12/2007; Enquadramento legal: art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/1988; art. 1º da Lei nº 9.316/1996, art. 28 da Lei nº 9.430/1996; e art. 37 da Lei nº 10.637/2002. c) MULTA ISOLADA (CSLL Estimativa) (fls. 2208 a 2211) Total do Crédito Tributário: R$ 525.659,30, a título de Multa exigida isoladamente, passível de redução; Fatos Geradores: 28/02/2007, 30/04/2007, 31/05/2007 e 30/06/2007; Enquadramento legal: arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351/2007; arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. 1.1. A ciência da autuação ocorreu em 18/11/2011, conforme consignado às fls. 2197, 2204 e 2209.” Consoante Termo de Verificação, fls. 2130 a 2191, o fato que teria originado a obrigação tributária, consistiria na amortização, indevida, para fins tributários, de ágio oriundo da compra, pela Tókio Marine, da totalidade da participação direta na Real Seguros S.A (CNPJ: 33.164.021/000100) e indireta de 50% da Real Vida e Previdência (CNPJ: 04.884.104/000167), ambas detidas pela ABN Brasil Dois (CNPJ: 05.515.360/000140). O fato está provado, segundo a autoridade fiscal, pelos seguintes elementos (fls. 2.177/2.178): “(...) podemos enxergar que no planejamento tributário ora implementado foram utilizadas as empresas ABN 3 e a FARAG como conduit companies, sociedades fictícias, sociedades efêmeras e interpostas pessoas. Pois a primeira serviu de canal de passagem do patrimônio, não possui existência autônoma, não executa nenhuma atividade empresarial autônoma, ou seja, sem propósito negocial, sociedade de curta duração, e quando incorporada pela sua controlada serviu de interposta pessoa para realizar a venda das ações da Real Seguros uma vez que propiciou que os donos da ação fossem residentes e domiciliados no exterior cuja tributação tem uma carga menor. Da mesma forma, a empresa FARAG serviu de conduit companies, sociedade fictícia, efêmera e interposta pessoa. Pois serviu de passagem do dinheiro utilizado para efetuar a compra das ações da Real Seguros, não exerceu nenhuma atividade empresarial autônoma, ou seja, não tinha propósito negocial, teve curta duração e sua função como interposta pessoa foi efetuar a compra, registrar contabilmente o ágio, e quando da sua incorporação pela controlada que foi o produto de sua compra, permitiu o início da amortização imediata do ágio. Que se feito pelo comprador verdadeiro não poderia iniciar a amortização fiscal do ágio, pois este só poderia ser feito depois de alienado o bem ou baixado por qualquer motivo. Tendo em vista o exposto acima, não tendo o contribuinte apresentado motivo extratributário que justificasse as reorganizações societárias havidas Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.758 5 com o fim de transmitir o direito de compra para a FARAG ao invés de ser executado pela TMNF (Millea), e a incorporação reversa, onde a Tókio Marine Seguradora, nova denominação social da Real Seguros incorpora a FARAG, entendo caracterizar o ato como abuso de direito, caracterizando como inoponível ao Fisco, pois a autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito e o Fisco pode recusarse a aceitar seus efeitos no âmbito tributário de modo a neutralizar os efeitos fiscais do excesso abusivo. As reorganizações societárias havidas a fim de transferirem o direito da compra da TMNF para a FARAG também caracterizam outra patologia que é a fraude à lei, pois o contribuinte contorna a norma de incidência tributária prevista no art. 391 do RIR/99: ‘As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real ressalvado o disposto no art. 426’, a fim de se beneficiar da norma de contorno prevista no art. 386, III cc§ 6º, II do RIR/99: "A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior: III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do art. Anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando: II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária’. Sendo, também, inoponível ao Fisco. (...)” Em decorrência, a Sra. Agente Fiscal concluiu que os atos praticados pela recorrente desrespeitariam os artigos 386, II, e 391, ambos do RIR/99. Diante disso, a dedução realizada pela recorrente, na linha 21 (dedução dos saldos das provisões indedutíveis) da ficha 09 da DIPJ, anocalendário 2006, que trata da apuração do lucro real, o valor de R$ 65.569.708, de reversão de provisão de ágio – FARAG, foi glozada. A mesma sorte experimentou a recorrente, na apuração da base de cálculo da CSLL, informada na linha 21, da ficha 17, a reversão da provisão de ágio – FARAG, no mesmo valor. Nessa linha, o mesmo se deu no anocalendário 2007. Por isso, da recorrente, foi exigida multa isolada (50%), com base no art. 44, inciso II, aliena "b", com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. A recorrente, por outro lado, intimada do v. acórdão em 04/05/2013, apresentou, em 16/05/2013, Recurso Voluntário de fls. 2646/2703, expondo: a) Preliminarmente: Fl. 2758DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.759 6 i) Decadência do direito de constituir o crédito tributário Defende a recorrente, com base no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, que se operou a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário e, também, de exigir o estorno de lançamentos referentes a prejuízos fiscais e base de cálculo negativas. Isto porque, o nascimento do direito ao ágio teria ocorrido em 07/07/2005, com a transferência do controle acionário da Real Seguros para FARAG. Dessa forma, a interpretação da legislação tributária conduziria a inteligência de que o início do prazo de contagem da decadência se daria com o nascimento do direito ao ágio, isto é, 07/07/2005. Por essa razão, teria se operado a decadência do direito Fisco de constituir o crédito tributário. ii) Nulidade do lançamento de ofício por inobservância do estoque de prejuízo fiscal no cálculo do tributo exigido. Conforme a recorrente, a autoridade fiscal não teria considerado o seu estoque de prejuízo fiscal e a base negativa de CSLL, declarados ao final de 2005, demonstrados por meio da Parte B do LALUR, doc. 4, fls. 2372/2373, e DIPJ 2006, doc. 5, fls. 2374/2391. Se assim não fosse, consoante as planilhas de fls. 2245, a compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL (limitada a 30%) implicaria em exigência tributária, relativamente ao anocalendário de 2006, menor. Outro desdobramento, consistiria na modificação no cálculo da multa isolada, calculada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL, relativas ao anocalendário de 2007(tabelas de fls. 2246 e doc. 6, fls. 2392/2396). Além disso, e, observando, ainda, em relação ao IRPJ, não terem sido considerados os efeitos do adicional de alíquota na apuração do IRPJ quando da verificação da multa isolada no anocalendário de 2007. Portanto, dia a recorrente, com base no art. 10, do Decreto nº 70.235/72 c.c. art. 42, do CTN, o auto de infração é nulo, devido a carência dos requisitos formais necessários à sua subsistência. iii. Ilegalidade do art. 116, CTN, por ser norma de eficácia contida, a qual carece de regulamentação. b) Mérito: i) Ágio Diz a recorrente que o ágio teve origem no sobrevalor pago, a título de rentabilidade futura, na aquisição do investimento das empresas do Grupo ABN, e o seu registro observou as regras contábeis e fiscais atinentes ao caso. A prova, diz a recorrente, está nos laudos de fls. 2397/2414, que satisfez os requisitos do artigo 385 do RIR/99. Prossegue argumentando que vigoram, no sistema tributário nacional, os princípios da estrita legalidade e da tipicidade (arts. 5º, II, e 150, I, CF c.c. art. 97, CTN), razão Fl. 2759DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.760 7 pela qual é vedado a exigência, pela autoridade tributária, de tributo sobre fatos que não correspondam, rigorosamente, a fatos geradores definidos em lei. Nesse passo, defende a recorrente que seguiu estritamente os ditames legais ao desdobrar o custo de aquisição da FARAG, registrando o ágio. Após a incorporação desta pela Real Seguros, hoje Tokio Marine Seguros, DE ACORDO COM O PERMISSIVO LEGAL TRAZIDO PELA LEI 9.532/97, passou a beneficiarse da amortização do ágio para fins fiscais. Nesse passo, o lançamento de ofício, motivado na interpretação econômica, é considerada pela doutrina pátria ilegal. Acrescenta, a recorrente, os atos societários praticados, para a aquisição de investimento no Grupo ABN, não se deram por meio de fraude, simulação, abuso de direito ou de forma. E, ainda que assim não fosse, não seria permitido à Sra. Agente Fiscal efetuar o lançamento de ofício, visto que o art. 116, CTN, fundamento de validade à tese, norma de eficácia contida, carece de regulamentação. Assim, o lançamento tributário, perpetrado na presunção de que os atos societários com a intenção de se evitar o recolhimento de tributos, é ilegal. Não se há como o Fisco tributar a recorrente com fundamento em meras presunções. c) Da multa Contesta a recorrente a multa isolada, relativamente ao anocalendário de 2007, pois o fato gerador do IRPJ e da CSLL é o acréscimo patrimonial, apurado em 31 de dezembro de cada ano. A antecipação da obrigação principal, por meio dos recolhimentos mensais estimados não tem o condão de alterar a própria materialidade do tributo. Assim, verificada a ocorrência de base de prejuízo fiscal e cálculo negativa de CSLL ao fim do período de apuração, não há que se falar em aplicação de multa por falta de recolhimento dos tributos. f) Da retificação do lançamento de ofício A recorrente, requer, em caso de glosa do ágio, a retificação do lançamento de ofício, para que sejam considerados os estoques de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, para os fins de apuração do quantum devido em 2006 e 2007, bem com os efeitos da aplicação do adicional do IRPJ, no cálculo da suposta estimativa devida ao longo do exercício de 2007. g) Pede ainda a não incidência da Taxa Selic sobre a multa de ofício. Submetido a julgamento pela instância inferior, foi proferido v. acórdão, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.761 8 O direito de constituição do crédito tributário relativo a tributos e contribuições sociais decai em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, quando não se verifica o recolhimento antecipado do tributo. ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. SOCIEDADE SEM ATIVIDADE ECONÔMICA ADQUIRIDA PARA POSTERIOR EXTINÇÃO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Carece de propósito negocial a aquisição de sociedade sem atividade econômica para posterior extinção, restando maculado o ágio havido na aquisição da participação societária ocorrida antes da sua incorporação. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. FRAUDE À LEI. INOPONIBILIDADE AO FISCO. É inoponível ao Fisco o ato ou a sequência de atos praticados com distorção na amplitude da dimensão do exercício do direito em qualquer de suas variáveis (abuso de direito) e com fraude à legislação tributária, assim entendida como conduta formalmente enquadrável a determinado dispositivo legal com tributação mais favorecida do que aquela prevista em outra norma imperativa. MATÉRIA TRIBUTÁVEL APURADA EM FISCALIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DA CSLL. A base imponível apurada em procedimento de fiscalização é passível de ser previamente compensada com o saldo acumulado de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL com observância do limite de 30% do valor tributável ajustado no períodobase, consoante disciplinado nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVA MENSAL. APLICAÇÃO. É cabível a multa de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento de estimativa mensal que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Constatado nos autos que a multa foi lançada em valor maior que o efetivamente devido, deve ser exonerada em parte a exigência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.762 9 Foi ofertado, em razão da decisão parcialmente favorável à recorrente, Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira, Relator. I. DAS PRELIMINARES a) Decadência Argumenta, a recorrente, que o início da contagem do prazo decadencial, para a constituição do crédito tributário, se dá no nascimento do direito ao ágio. No caso em tela, em 07 de julho de 2005, com a transferência do controle acionário da Real Seguros à FARAG. O conceito legal de lançamento está no art. 142, do Código Tributário Nacional: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Portanto, deverá ser realizado o lançamento com a ocorrência do fato gerador. Nos termos do Código Tributário Nacional, o fato gerador da obrigação tributária é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (art. 114, CTN). Tratandose de IRPJ, o fato gerador é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza (art. 44, CTN), enquanto no que diz respeito à CSLL, têm se que o fato gerador é o lucro (art. 149, CR), apurados na forma do art. 248 do RIR/99, em 31 de dezembro do respectivo ano (CARF, Proc. nº 13609.001447/201089, Rel Cons. Wilson Fernandes Guimarães). Cabe ressaltar que sendo o ágio é “uma despesa dedutível, seu aproveitamento implica redução do lucro real e, conseqüentemente, da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro”(SCHOUERI, Luís Eduardo, Ágio em reorganizações societárias – aspectos tributários. São Paulo: 2012, Dialética, p. 9). Seguindo por esse raciocínio, o ágio terá relevância jurídica no âmbito do Direito Tributário quando for considerado na apuração do Lucro Real, pois comporá o fato Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.763 10 gerador dos tributos IRPJ e da CSLL, iniciandose, a partir de então, a contagem do lapso decadencial da respectiva exação. No caso dos autos, a recorrente realizou a amortização do ágio nos períodos de 2006 e 2007, sendo este elemento participante dos fatos geradores dos tributos em 31/12/2006 e 31/12/2007. Então, essas as datas que deverão ser consideradas na contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. A norma do art. 150, §4o, do CTN, que disciplina a contagem do prazo decadencial nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, dispõe que o prazo decadencial, para a revisão do lançamento, pela autoridade fiscal, é de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Considerandose que os fatos geradores foram realizados pela recorrente em 31/12/2006 e 31/12/2007, bem como que o lançamento de ofício se aperfeiçoou com a ciência da recorrente, sobre ele, no dia 18/11/2011, portanto, há menos de cinco anos contados da ocorrência dos fatos geradores, não há que se falar em decadência. Voto, nesse passo, por afastar a preliminar de decadência aduzida pela recorrente. b) Nulidade do Lançamento Fiscal Diz a recorrente que o lançamento de ofício é nulo, pois não foram considerados, na apuração do crédito tributário, os estoques de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. Conforme art. 10, do Decreto nº 70.235/72, o auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, os seguintes elementos: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” A inobservância da norma supratranscrita importa em nulidade do lançamento de ofício, como já decidido por este Egrégio Conselho, nos autos do Processo nº 13609.001432/200715, de relatoria do Conselheiro Rubens Maurício Carvalho: Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.764 11 “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. REJEIÇÃO. O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no Processo Administrativo Fiscal. Rejeitase a argüição de nulidade da decisão recorrida, tendo em vista que foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE PROVAS. Caracterizada omissão de rendimentos, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea seu oferecimento à tributação, mantémse o lançamento. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. SÚMULA CARF Nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Como bem pontuado pelo v. acórdão recorrido, as regras “pertinentes à compensação do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL de períodos anteriores encontram se nos arts. 42 e 58 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, respectivamente, cujos ditames estabeleceram a alteração do limite temporal firmado pelo art. 64 do Decretolei nº 1.598, 26/12/1977, passando a fixar um limite de fruição daqueles valores precedentes, na proporção equivalente a 30% do lucro líquido do períodobase ou resultado do exercício ajustados em consonância com os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 20/06/1995, ora trasladados no art. 510 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, interpretados sistematicamente com o teor dos disciplinamentos normativos fixado pelos arts. 27 e 41, parágrafo único, da Instrução Normativa nº 51, de 31/10/1995, e art. 12, § 1º, e 13, inciso II, da IN SRF nº 11, de 21/02/1996”, estabelecem uma faculdade da recorrente, quanto à sua utilização. Logo, sendo uma faculdade da recorrente, não é dever da autoridade, na lavratura do auto de infração, considerar os estoques de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, para os fins de cálculo da exigência tributária. Portanto, não que se afastar a alegação de nulidade do lançamento de ofício. Isto não impede, todavia, na esteira da jurisprudência do CARF, Proc. nº 19515.002887/200601, Rel. Waldir Veiga Rocha, desde que requerido pelo contribuinte, o reconhecimento do direito ao aproveitamento de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 PREJUÍZOS FISCAIS ACUMULADOS BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL ACUMULADAS DIREITO AO APROVEITAMENTO. Correta a decisão de primeira instância que reconheceu o direito do contribuinte ao aproveitamento de prejuízos fiscais e Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.765 12 de bases de cálculo negativas da Contribuição Social, acumulados de períodos anteriores, respeitando a limitação de 30% do lucro líquido ajustado. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTOS NÃO INCLUÍDOS NO MPF LANÇAMENTOS REFLEXOS INOCORRÊNCIA. Não há irregularidade na reunião, em um mesmo processo administrativo fiscal, do lançamento principal e seus reflexos, assim entendida a situação em que a constatação de infração à legislação de um tributo implica também infração à legislação de outros, ainda que esses outros tributos não estejam expressamente relacionados no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Mesmo que irregularidade houvesse, não seria causa de nulidade dos lançamentos, em face do caráter de instrumento de controle administrativo de que se reveste o MPF. OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO NÃO COMPROVADO. Subsiste a presunção de omissão de receitas quando o contribuinte não logra comprovar a exigibilidade de obrigações registradas em seu passivo. OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO NÃO COMPROVADO ERRO NO ASPECTO TEMPORAL DO LANÇAMENTO A exigência deve ser exonerada quando o contribuinte comprova nos autos que as obrigações tidas por não comprovadas já se encontravam registradas em seu passivo no início do período considerado, caracterizando erro por parte da fiscalização quanto ao aspecto temporal do lançamento, mormente quando os fatos geradores ocorridos naquele período anterior já se encontravam alcançados pela decadência no momento do lançamento.” Nesse passo, andou bem o v. acórdão recorrido, quando reconheceu esse direito à recorrente: “11.2. Embora a compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo da CSLL seja uma faculdade a ser exercida pelo contribuinte, não há vedação ao seu exercício no caso de lançamento de ofício (exceto nos casos de autuação por compensação indevida) e a impugnante veio manifestar a sua intenção de exercer tal direito, isto é, de utilizar parcela dos saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL existentes em 31/12/2005, nos termos da legislação de regência, observandose o limite de 30% do valor tributável ajustado no períodobase. 11.3. Consulta ao Sistema SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro inflacionário e Base de Cálculo Negativa de CSLL), acostada às fls. 2586 e 2587, nos informa que, em 1º/01/2006, a interessada possuía R$ 33.583.567,98, a título de ‘Saldo de Prejuízo Fiscal a Compensar com Lucro Real’ e R$ 34.892.849,47, a título de ‘Saldo de Base de Cálculo Negativa’. (...) 11.5 Também deve ser recalculada a base de cálculo (estimativa mensal devida) da multa isolada (50%), conforme planilha à fl. 2589. Deste modo, os valores da Multa Isolada por falta de recolhimento do IRPJ Estimativa e da CSLL Estimativa no anocalendário de 2007 mantidos são os seguintes: (...) Fl. 2765DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.766 13 11.6. Cumpre observar que somente a parcela de prejuízo fiscal e a parcela de Base de Cálculo Negativa de CSLL efetivamente utilizados no ajuste anual (no caso de 2006) é que serão objeto de registro na Parte “B” do LALUR e portanto serão objeto de informação no Sistema SAPLI, conforme Formulários às fls. 2593 e 2594.” Ora, havendo prova do prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, dando suporte, nos termos da legislação de regência (arts. 42 e 58 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, art. 64 do Decretolei nº 1.598, 26/12/1977, arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 20/06/1995, art. 510 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, arts. 27 e 41, parágrafo único, da Instrução Normativa nº 51, de 31/10/1995, e art. 12, § 1º, e 13, inciso II, da IN SRF nº 11, de 21/02/1996), é direito da recorrente a recomposição da base de cálculo dos tributos devidos.” Em decorrência, há que ser mantido o v. acórdão recorrido, e, por outro lado, voto por julgar improcedente o Recurso de Ofício. c) Ilegalidade da aplicação do art. 116, CTN: Conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal, onde consta a motivação do lançamento de ofício, e do v. acórdão recorrido, que ratificou o trabalho da fiscalização, a autuação foi fundamentada, entre outros elementos, na ausência de propósito negocial, fraude à lei e abuso de direito, institutos jurídicos que encontram fundamento de validade no art. 116, do CTN, norma geral de Direito Tributário, exigida pelo art. 146, III, CR. Aduz a recorrente, em contrapartida, que a norma do art. 116 do CTN, é norma de eficácia contida, que reclama norma de regulamentação para a sua aplicação, a qual não existe no Sistema Jurídico. Conclui, nessa linha de raciocinar, pela ilegalidade da autuação. O v. acórdão guerreado afasta a alegação da recorrente, se escorando nas seguintes razões: “8. Em decorrência do tópico anterior, a reclamada falta de regulamentação do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional (acrescentado pela Lei Complementar nº 104, de 2001) não alcança a autuação em comento, porquanto o que se desconsiderou foi a eficácia perante o Fisco dos efeitos tributários pretendidos pela contribuinte na estrutura montada, sem outro propósito negocial que não fosse a economia tributária. Todos os atos e negócios comerciais celebrados entre as empresas dos Grupos ABN e Millea continuam a fazer efeito perante terceiros inclusive para fins de imputabilidade. Frisese, os efeitos jurídicos tributários que o contribuinte pretendeu extrair das operações (estruturadas em sequência) é que não são oponíveis ao Fisco.” Marco Aurélio Greco (Planejamento Tributário, São Paulo: Dialética, 2011, 3a ed., p. 567), está ao lado da recorrente, ao advogar a tese de o parágrafo único do art. 116, do CTN, não possui eficácia plena nem aplicabilidade imediata, pois houve atribuição da Fl. 2766DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.767 14 competência, cujo exercício está condicionado à disciplina procedimental, não material, ou seja, fiscalizatória, a ser editada por lei ordinária. Todavia, entendemos mais adequada a interpretação do tema esposada por Ricardo Lobo Torres (Planejamento tributário: elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013, 2a ed., p. 52), para quem se o ente federativo possuir normas de procedimento administrativo que permitam a aplicação da norma antielisiva, nada obsta a incidência imediata do art. 116, parágrafo único, do CTN. Assim, no âmbito federal, continua o autor, as normas que regulam o processo tributário administrativo podem ser aplicadas nos casos de combate à elisão abusiva. Por essa razão, a condição imposta pelo parágrafo único, art. 116, do CTN, está satisfeita. II. DO MÉRITO a) Ágio Da análise do v. acórdão recorrido, verificase que a manutenção do lançamento de ofício, teve como um dos seus fundamentos, o fato de que a utilização de “empresa veículo”, de “prateleira”, evidenciaria ausência de propósito negocial nas operações societárias, as quais, por isso, foram classificadas de artificiais, pois tiveram como único objetivo fazer nascer o direito ao ágio, implicando, conseqüentemente, em economia tributária. Assim, a recorrente teria agido com abuso de direto e fraude à lei, justificando o lançamento de ofício. Para melhor enfrentamento do caso, transcrevo trechos do v. acórdão recorrido: “7.4 Apesar de já ter sido relatado, cumpre repisar que, no esquema engendrado pela impugnante, houve reorganização societária com a utilização de empresas veículos ABN3 e Farag. (...) 7.5. Essas empresas veículo, antes de sua ‘aquisição’ pelas empresas do Grupo ABN não tiveram nenhuma outra atividade negocial, eram empresas ‘de papel’/’de prateleira’ que tiveram sua existência justificada apenas e tão somente para participar do plano arquitetado com vistas à economia de tributo. Não houve propósito negocial algum na existência da ABN 3 e da FARAG a não ser fazer parte de uma sequência de operações complexas que estava a nublar o cenário em que, na realidade houve a aquisição pela Tókio Marine & Nichido Fire Insurance Co Ltda (05. 515.343/000102) da Real Seguros S/A (CNPJ 33.164.021/000100 – detentora de 50% da participação acionária ). 7.6. Ora, a aquisição de sociedade (que aliás não possuía atividade econômica alguma) para posterior extinção por incorporação revela evidente falta de propósito negocial, ou seja, inexistência de fundamento econômico da transformação societária. Não se concebe, nas operações normais dos agentes econômicos, que se adquira uma empresa (sem atividade econômica) com o fim de extinguila logo em seguida. As empresas são Fl. 2767DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.768 15 entidades criadas para a exploração de determinada atividade econômica e, como regra geral, têm como premissa a continuidade de suas operações. Portanto, se na criação de uma determinada sociedade (ou na aquisição de sociedade sem atividade econômica) os sócios já manifestam a intenção de imediatamente extinguila, evidenciase verdadeiro abuso de forma jurídica. 7.7. Resta, assim, evidenciada a ocorrência de abuso de direito, fraude à lei e a falta de propósito negocial, devendo permanecer incólume as conclusões da autoridade fiscal nesse sentido. 7.7.1. No que concerne ao argumento da impugnante para afastar os elementos caracterizadores da simulação, há de se esclarecer que a auditora fiscal autuante, menciona tal figura quando da explanação teórica do uso de sociedades. Nesse ponto convém assinalar que, pela classificação feita pelo Professor Marco Aurélio Greco, a simulação poderia se poderia se caracterizar como vício de vontade (simulações subjetivas) ou vício na motivação do negócio jurídico (simulação objetiva). Tal debate se faz necessário para o tema da simulação seja reexaminado entendendo que este instituto não deve ser apenas visualizado em sua concepção clássica (vício de vontade), mas sim, como hodiernamente vem se consagrando, como vício do motivo ou da causa do negócio. Assim, nas palavras do referido autor (“Planejamento Tributário”, 3a. edição, Dialética, 2011, pág. 278 e 279): (...) 7.8. Portanto, por tudo o que acima se expôs, não é admissível que o simples fato de não ser ilegal cada uma das operações integrantes do esquema arquitetado para economizar tributo, imponha a aceitação desse plano, sem ressalvas, pelo Fisco, mormente quando é flagrante, na conduta da contribuinte, a afronta aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia.” Destacamos. Acrescenta que o v. acórdão, para materializar a conclusão obtida da premissa de que as operações eram artificiais, lista os fatos que justificaria a conclusão da ilegalidade do ágio gerado nas operações societárias: “9.1. Com o devido respeito, longe do que alega a impugnante, não é isso o que se depreende da leitura do detalhado Termo de Verificação Fiscal acostado às fls. 2130/2189. a auditora fiscal autuante empenhou seus melhores esforços na busca da verdade material, na busca do que realmente ocorreu e derivou da sequência de atos e negócios jurídicos celebrados entre os grupos das empresas ABN2 (Grupo ABN holandês) e TMNF (Grupo Millea japonês). 9.2. Com efeito, na estrutura montada para aquisição pela TMNF da Real Seguros (CNPJ nº 33.164.021/000100 com 50% da participação indireta na Real Vida e Previdência), encontrou a fiscalização não apenas uma, mas uma série de operações ditas ‘preocupantes’ (como exposto às fls. 2170 a 2174), quais foram: Fl. 2768DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.769 16 9.2.1. a amortização de ágio de si mesma: a empresa adquirida com ágio (Real Seguradora S/A CNPJ 33.164.021/000100) é a mesma que registra a amortização desse ágio (Tókio Marine Seguradora S/A – CNPJ 33.164.021/00100); 9.2.2. operações (complexas) estruturadas em sequência, em que cada etapa só teve sentido com a existência da que lhe antecedeu e com a deflagração da que lhe sucedeu; 9.2.3. ocorrência duas operações invertidas, duas operações em que a controlada incorpora a controladora (a Real Seguros incorporou a ABN3 e a Real Seguros incorporou a FARAG; 9.2.4. o ‘filme’ das etapas e o ‘antes’ e o ‘depois’ do conjunto de operações revelam que o negócio efetivamente celebrado foi a aquisição da Real Seguros (e 50% da participação da Real Vida e Previdência) pela TMNF (Tókio Marine & Nichido Fire Insurance Co Ltda – CNPJ nº 05. 515.343/000102), entretanto, na aquisição direta a TMNF (Millea) estaria proibida de amortizar, para fins tributários, o ágio oriundo da aquisição (exceto no caso de alienação ou liquidação da participação societária), objetivouse, assim, evitar a tributação prevista no art. 391 do RIR/99 e, para tanto, montouse uma estrutura negocial que se enquadrava na norma do art. 386, III, § 6°, II do RIR/99, ou seja, usouse a FARAG para efetuar a aquisição e, em seguida, promoveuse a sua incorporação pela controlada Real Seguros, permitindo assim a amortização do ágio na escrituração fiscal.” Há que se ressaltar que o fundamento jurídico do ágio encontrase no Decretolei nº 1.598/77, na Lei nº 9.532/97 e no RIR/99, relativamente ao qual transcrevo o art. 385: “Art.385.O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. §1. O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. §2. O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; Fl. 2769DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.770 17 III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. §3 O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração.” Há, portanto, dois requisitos genéricos acerca do ágio: a) material: pagamento a maior, do que o valor registrado no patrimônio líquido, na aquisição de participação em sociedade coligada ou controlada; e b) formal: o lançamento do ágio deverá indicar os seus fundamentos econômicos. Notese que não consta da lei qualquer vedação à utilização da denominada “empresa veículo”, ainda que de “prateleira”. É por esta razão que este Conselho admitiu a validade do ágio gerado em operação societária da qual foi participada “empresa veículo”: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2004 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra que dela detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o valor do ágio, cujo fundamento seja o de expectativa de rentabilidade futura, nos balanços correspondentes de apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração.(arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97). A premissa utilizada pela fiscalização quanto à glosa do ágio como despesa não se sustenta quando aponta o artigo 13, inciso III, da Lei n° 9.430/96, visto a existência de regra específica que tratou a dedutibilidade do ágio. Os laudos não contestados pela Fazenda e a ausência de apontamento de dolo na operação não permite que o ágio apurado sobre rentabilidade futura e deduzido pelo contribuinte para fins de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL seja glosado pela Receita Federal. Deve se ter em mente que as operações tributárias e societárias (planejamentos tributários) fundadas em negócios jurídicos indiretos não configura simulação, dissimulação ou evasão fiscal, ainda mais quando se tem uma operação aberta, transparente, mesmo com a utilização de empresa veículo. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicação reflexa dos fundamentos tratados no IRPJ. Cancelamento da cobrança em razão da legalidade quanto à dedução do ágio. MULTA ISOLADA. INSUSTENTABILIDADE E CONCOMITÂCIA. Insustentabilidade em razão da inexistência de falta de pagamento de IRPJ pelo regime de estimativa, visto que a dedutibilidade da despesa do ágio foi acolhida. Aplicação da teoria da consunção em razão da concomitância com a multa de ofício.” (Proc. nº 19515.004131/200779, Rel. Cons. Rafael Correia Fuso) Assim, a interpretação adequada do v. acórdão e do trabalho engendrado de Sra. Agente Fiscal, este último expresso no Termo de Verificação Fiscal, indicam que a utilização de “empresa veículo”, de “prateleira”, consistiria em indício da ausência de propósito negocial das operações, praticas com fraude à lei e abuso de direito, com a finalidade única de experimentar menor carga tributária. Fl. 2770DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.771 18 Acrescento que o simples fato do caminho escolhido pela recorrente ter resultado em menor carga tributária, quando comparada com outra vereda jurídica possível, mas tributariamente mais onerosa, não impinge, por si só, de ilegalidade os fatos jurídicos produzidos pela recorrente. Nesse sentido, comungo do entendimento de J. Hey, citado por Ricardo Lobo Torres (Planejamento tributário: elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013, 2a ed., p. 10), segundo o qual “não há nenhum dever patriótico que leve alguém a pagar imposto mais alto” Resta, então, verificar se as operações societárias foram praticadas pela recorrente de maneira fraudulenta, com abuso de forma, evidenciando despropósito negocial, com a única finalidade de economia tributária. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 2145 a 2159), a empresa Tókio Marine & Nichido Fire Insurance Co Ltda, empresa pertencente ao Grupo Millea, firmou contrato com a empresa ABN2, pertencente ao Grupo ABN, para a aquisição de 100% do controle acionário da empresa Real Seguros e de 50% do capital social da Real Vida e Previdência. Todavia, tendo em vista que a estrutura societária do grupo ABN, neste caso, era composta de ABN, proprietária da empresa ABN2, proprietária da Real Seguros, que era proprietária de duas empresas, a Real Vida e Previdência e a Real Capitalização. A efetivação do negócio entabulado entre as partes, necessariamente, estava condicionado à realização de operações societárias que possibilitassem à aquisição das participações societárias da Real Seguros e da Real Vida e Previdência na proporção negociada entre as partes. Abaixo, os fatos societários produzidos em esse fim: i. Cisão da Real Seguros com versão do correspondente PL à ABN Dois, representando 100% do investimento no capital da Real Capitalização e 65,10% do investimento no capital da Real Vida e Previdência; ii. Aprovação de aumento de capital na Real Vida de tal forma que seus únicos acionistas, Real Seguros e ABN Dois participem ambos com 50% cada; iii. Cisão Parcial da ABN Dois de sorte a verter o PL correspondente ao investimento na Real Seguros para ABN Três, cujo único sócio é a ABN NV; iv. Incorporação da ABN 3 pela Real Seguros; v. Aquisição pela ABN 2 de uma empresa Holding brasileira (FARAG Participações) e aumento de capital da empresa adquirida; vi. Subscrição pela Millea de 10.000 novas ações preferenciais sem direito a voto emitidas pela FARAG no valor de R$ 963.736.987,53; vii. Operações realizadas na Data de Fechamento (Aquisição pela FARAG da Real Seguros da ABN NV; Conversão pela Millea de 10.000 ações ordinárias em preferenciais tornandose controladora da FARAG); viii. Alteração dos membros do Conselho de Administração da Real Seguros e da alteração da denominação social da companhia para Tókio Marine Seguradora S/A.; ix. Alteração da Diretoria da Companhia; Fl. 2771DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.772 19 x. Aprovação da elevação do capital social de R$ 950.394.517,00 para R$ 1.624.735.103,00 (aumento de R$ 674.3406586,00 – ações ordinárias de valor nominal R$ 1,00 cada) da ABN 2 integralmente subscrito e integralizado por ABN AMRO Bank NV. A progressão dos fatos demonstra que a empresa ABN 3, classificada de “veículo”, teve por finalidade servir à segregação do patrimônio da ABN 2 da Real Seguros e de 50% por cento da Real Vida e Previdência, possibilitando a concreção do entabulado pelas partes. Acrescento que o fato da ABN 3 ser “empresa de prateleira” não macula de abuso de direito a operação. É sabido das dificuldades, ainda hoje, da constituição de empresa, quanto mais há oito anos atrás, sendo factível que a ABN 2 houvesse se utilizado de empresa previamente constituída para segregar o patrimônio que seria alienado à compradora, das demais empresas da qual, como holding, compunha o seu patrimônio. Até aqui, portanto, nenhum excesso a caracterizar a dissimulação, pois não se há caracterizado que fato gerador abstrato definido em lei tenha sido distorcido, ou seja, que a operação tenha sido artificialmente realizada com o único fim de se obter menor carga tributária. Quanto à amortização de ágio em caso de incorporação, convém, inicialmente, que sejam analisados os dispositivos que regem a matéria, quais sejam: os artigos 385 e 386 do RIR/1999, que têm por supedâneo o artigo 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, o artigo 7º da Lei nº 9.532, de 1997 e o artigo 10 da Lei nº 9.718, de 1998, a seguir transcritos: “Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II – ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I – valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II – valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III – fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º).” Fl. 2772DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.773 20 “Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I – deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II – deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III – poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV – deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. §1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). §2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I – o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II – o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. (...)” Quanto ao aspecto material do ágio, aduz a recorrente que o ágio foi pago em razão da rentabilidade futura da empresa adquirida (art. 385, §2o, II, RIR/99), o que se comprovaria pelo laudos constantes das fls. 2397/2414, dos autos. Conforme v. acórdão, o laudo trazido pela recorrente, fls. 1011, denominado “Relatório da avaliação econômicofinanceira da Real Seguros S.A. e da Real Vida e Previdência S.A. emitido pela KPMG Corporate Finance Ltda., para fundamentação econômica do ágio”.foi produzido segundo “Metodologia do Fluxo de Caixa Descontado” (fl. 1042), que consistiria em: “Descrição da Metodologia do Fluxo de Caixa Descontado Fl. 2773DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.774 21 Essa metodologia estima o valor econômico (ou de mercado) do patrimônio líquido de uma empresa calculandose o valor presente de fluxos de caixa projetados, assim considerados os ingressos e desembolsos (inclusive investimentos necessários à manutenção e expansão das atividades) previsíveis sob a perspectiva de perpetuidade da entidade. Essas projeções devem considerar os planos de negócio estabelecidos pela administração da empresa, as perspectivas do setor de atuação, além de aspectos macroeconômicos. Essa metodologia prestase a avaliação de todo tipo de empresas, desde que possua um plano de negócios que seja consistente e factível, sendo especialmente indicados para empresas que tenham perspectivas razoáveis de expansão, cujo plano de negócios possa ser considerado adequado à obtenção desse crescimento. Essa metodologia captura o valor de todos os ativos intangíveis, tais como marca, carteira de clientes, carteira de produtos e participação de mercado, à medida que tais ativos se refletem na capacidade de a empresa gerar resultados.” Ensina Luís Eduardo Schoueri (SCHOUERI, Luís Eduardo, Ágio em reorganizações societárias – aspectos tributários. São Paulo: 2012, Dialética, p. 23), quando discorre sobre o ágio oriundo de fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, que “busca representar situações que não estão adequadamente refletidas na contabilidade da investida, tais como nome comercial, marcas de indústria e de comércio, lista de clientes, knowhow, expressão ou sinal de propaganda, entre outras.”. O método utilizado pela recorrente de fluxo de caixa descontado se amolda a proposição doutrinaria exarada. Logo, correto o v. acórdão quando fundamentou que parte do ágio desconsiderou se deu em razão do pagamento do fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas (art. 385, §2o, III, RIR/99), por ser vedado pela legislação vigente (art. 386, II, RIR/99) : “9.3.2.2. Como se vê, dentro do ágio no valor de R$ 655,7 milhões (fl. 1040), apontado pelo laudo, encontrase o valor de bens (intangíveis – marca – carteira de clientes – carteira de produtos – participação no mercado) que a empresa já possuía em seu ativo (já existia na empresa) e que se reflete na sua capacidade de gerar renda. Tal avaliação em verdade tratase portanto de avaliação de “intangíveis”/“fundo de comércio” da empresa, e como tal insuscetível de amortização, consoante inciso II do artigo 386 do RIR/99. 9.3.3. Além disso, frisese que a autoridade fiscal aponta que a contribuinte infringiu o artigo 391 do RIR/99 que proíbe a amortização do ágio, para fins tributários, exceto no caso de alienação ou liquidação da participação acionária. E infringiu o inciso II do art. 386 do RIR/99 por amortização de parcela do ágio não fundamentada em rentabilidade futura. No que se refere a essa parcela do ágio não fundamentada em rentabilidade futura, registrou a autuante o seguinte (fls. 2167/2168): (...) 23 O valor estratégico mencionado no item anterior, no montante total de R$ 22,80 milhões não tem como fundamento econômico valor de rentabilidade futura, enquadrandose como fundo de comércio, intangíveis ou outras razões econômicas nos termos do artigo 385 do RIR/99, § 2 o inciso III. O valor de R$ 22,8 milhões corresponde a 2,54% do valor do negócio de venda da Real Fl. 2774DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.775 22 Seguros e Real Vida e Previdência, de R$ 897.000.000,00. Considerando que o valor do ágio fundamentado nos termos do inciso III do § 2 o do art. 385 do RIR/99 não pode ser amortizado conforme disposto no inciso II do art. 386 do RIR/99, aplicandose o percentual de 2,54% ao montante do ágio de R$ 655.697.088,56 apuramos o valor de R$ 16.666.548,07 de ágio não justificado por rentabilidade futura, e que portanto não pode ser amortizado. O valor mensal da glosa correspondente ao ágio sem fundamento na rentabilidade futura é de R$ 138.887,90.” Quanto ao mais do ágio, não restam dúvidas de que o mesmo teria sido incorrido em razão de rentabilidade futura. Porém, o exame do direito da recorrente não vigora em face do requisito formal, da prova de negociação prévia. Nesse sentido, assevera Luís Eduardo Schoueri (Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários), São Paulo, Dialética, 2012, p. 33): “A exigência legal de uma fundamentação, quando da própria formação do ágio, impõe que se identifique um instrumento para a documentação daquela motivação. Não cuidou o legislador de disciplinar a forma como a fundamentação deveria ser comprovada. O texto do parágrafo 2o do art. 20 do Decretolei nº 1.598/1977 é singelo, determinando a indicação do fundamento do ágio por ocasião de sua contabilização. O parágrafo 3o complementao, ao deixar a cargo do contribuinte o ônus da prova, dispondo: ‘§3o O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do §2o deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração.’ A expressão ‘demonstração’ é bastante ampla. Não se indica como se faz a prova. Basta que se demonstrem o lançamento e os seus fundamentos. A falta de disciplina legal do tema leva à conclusão de que o contribuinte tem ampla liberdade na forma como comprovará a fundamentação adotada. O legislador impõe que se indique o fundamento porque houve o pagamento do preço, sendo rigoroso quanto ao seu aspecto temporal (no momento da aquisição, já se deve fazer o desdobramento, indicando o fundamento do ágio) mas silenciando quanto à forma.” O relatório emitido pela KPMG para justificar o ágio foi emitido em 28/05/2006, enquanto a aquisição da Real Seguros se deu em 07/07/2005. Outro estudo, “Relatório de Avaliação do Ramo Vida & Previdência do Projeto Ear”, de 27/04/2005, trazido aos autos pela recorrente (fls. 1.252/1.495), foi realizado adotandose as normas do Instituto de Atuários da Austrália e deixa claro, nas fls. 1.260, que não se presta a servir de parecer sobre o valor de mercado das companhias, bem como que não revela um valor definitivo para novos negócios de seguro de vida contratados em qualquer período (fls. 1.261). Isto é, além de produzido com base em legislação estranha à brasileira, não é seguro ao justificar o possível sobrevalor pago a título de rentabilidade futura. Portanto, a recorrente não preencheu os requisitos legais para ter direito ao gozo do suposto ágio pago em razão da aquisição de empresas do Grupo ABN. Fl. 2775DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.776 23 b) Das multas isolada e de ofício Com fulcro no art. 44, da Lei nº 9.430/96, forma aplicadas, em face da recorrente, multa de ofício e multa isolada: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” Entendo, neste caso, que a aplicação de ambas devam ser mantidas, pois se deveram em razão de condutas diversas. Uma, a de ofício, em razão de amortização ilegal de ágio, visto que a sua formação não preencheu os requisitos formais previstos em lei. A outra, como conseqüência da recorrente ter deixado de recolhida estimativa, mesmo que tivesse sido apurado, no final do exercício, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido. Portanto, voto por manter as penalidades aplicadas. c) Aplicação da Taxa Selic sobre a multa Diz a Lei nº 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (..) §3 Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” O tributo é termo definido no art. 3º, no qual não está abrangida a penalidade pecuniária. Crédito tributário é conceito abrangente, que envolve o tributo, nascido da ocorrência do fato gerador, bem como as penalidades decorrentes do seu cumprimento (arts. 139 e 140, CTN). São conceitos diferentes. A lei 9.430/96, art. 61, trata de tributo, não crédito tributário. Por essa razão, está o direito ao lado da recorrente, não se falando em aplicação da Taxa Selic sobre a multa. A multa deve ser corrigida, mas na forma do art. 84, I, 8.981/95: Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.777 24 “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...)” Nesta parte, cabe razão à recorrente. Dessa maneira, é dever a multa isolada, ainda que tenha apurado, em 31/12, prejuízo fiscal. Diante do exposto, RECEBO os recursos Voluntário e de Ofício interpostos, para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, afastando a Taxa Selic da penalidade que lhe fora aplicada, e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Fábio Nieves Barreira – Relator Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.778 25 Declaração de Voto Cons. Eduardo Martins Neiva Monteiro. Esta declaração de voto expõe as razões adotadas pela maioria do colegiado que levaram ao não provimento do recurso voluntário, em que pese o I. Relator, que tão bem expôs o caso ao colegiado, ter chegado à idêntica conclusão no seu fundamentado voto. Inicialmente, quanto ao fundamento do ágio, é de se afastar de pronto a amortização relativa à determinada parcela, pois inegavelmente não teve origem em rentabilidade futura, conforme adequadamente apontado no Termo de Verificação Fiscal: “[...] Nas datas de 18/11/2010 e 24/11/2010, o contribuinte foi cientificado dos Termos de Intimação de 10/11/2010 e 23/11/2010, respectivamente, que em resumo solicitava apresentar a documentação que demonstrasse a fundamentação econômica do ágio registrado na aquisição das ações da Real Seguros, no valor de R$ 655.697.088,56, nos termos do disposto no § 3o do art. 385 do RIR/99, assim como justificar a motivação para amortização a razão de 1/120 avos. 21 Em 29/11/2010, o contribuinte apresentou o Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira das Empresas Real Seguros S.A e Real Vida e Previdência S.A. emitido pela KPMG Corporate Finance Ltda, a fim de justificar a fundamentação econômica do ágio e a motivação para amortização a razão de 1/120 avos. Nesse relatório a KPMG caracteriza o ágio de R$655,7 milhões integralmente fundamentado pelo valor da rentabilidade das empresas com base em previsão de resultados nos exercícios futuros. 22 O Relatório foi emitido em 28 de maio de 2006 relativamente à data base de 31 de dezembro de 2005, portanto, posterior a data de aquisição da Real Seguros que ocorreu em 07/07/2005, e do contrato firmado em 28/04/2005. No entanto, em respostas apresentadas em 30/12/2010, 29/03/2011 e 05/04/2011, o contribuinte apresenta estudos anteriores a data de assinatura do contrato para justificar que houve como fundamento uma análise de projeções futuras. Do total do preço estipulado no item 3.1 do contrato de compra e venda da Real Seguros e Real Vida e Previdência no montante de R$ 897.000.000.000, o contribuinte informa nas respostas de 30.12.2010 e 05.04.2011 que na composição do preço da Real Seguros existe um montante de R$ 8,6 milhões justificado como valor estratégico devido ao processo de licitação do negócio, da mesma forma, na composição do preço da Real Vida e Previdência existe um montante de R$ 14,2 milhões justificado como valor estratégico devido ao processo de licitação do negócio. 23 O valor estratégico mencionado no item anterior, no montante total de R$ 22,80 milhões não tem como fundamento econômico valor de rentabilidade futura, enquadrandose como fundo de comércio, intangíveis ou outras razões econômicas nos termos do artigo 385 do RIR/99, § 2o inciso III. O valor de Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.779 26 R$22,8 milhões corresponde a 2,54% do valor do negócio de venda da Real Seguros e Real Vida e Previdência, de R$897.000.000,00. Considerando que o valor do ágio fundamentado nos termos do inciso III do § 2o do art. 385 do RIR/99 não pode ser amortizado conforme disposto no inciso II do art. 386 do RIR/99, aplicandose o percentual de 2,54% ao montante do ágio de R$ 655.697.088,56 apuramos o valor de R$16.666.548,07 de ágio não justificado por rentabilidade futura, e que portanto não pode ser amortizado. O valor mensal da glosa correspondente ao ágio sem fundamento na rentabilidade futura é de R$ 138.887,90.” Quanto ao restante do valor, igualmente não poderia ter sido amortizado, conforme pretende o Recorrente, pois, como observado pelo I. Relator, o dito estudo preliminar ao fechamento do negócio não permite atestar o valor da rentabilidade futura supostamente apurado. Vejamos, verbis: “[...] O relatório emitido pela KPMG para justificar o ágio foi emitido em 28/05/2006, enquanto a aquisição da Real Seguros se deu em 07/07/2005. Outro estudo, ‘Relatório de Avaliação do Ramo Vida & Previdência do Projeto Ear’, de 27/04/2005, trazido aos autos pela recorrente (fls. 1.252/1.495), foi realizado adotandose as normas do Instituto de Atuários da Austrália e deixa claro, nas fls. 1.260, que não se presta a servir de parecer sobre o valor de mercado das companhias, bem como que não revela um valor definitivo para novos negócios de seguro de vida contratados em qualquer período (fls. 1.261). Isto é, além de produzido com base em legislação estranha à brasileira, não é seguro ao justificar o possível sobrevalor pago a título de rentabilidade futura. Portanto, a recorrente não preencheu os requisitos legais para ter direito ao gozo do suposto ágio pago em razão da aquisição de empresas do Grupo ABN.” À mesma conclusão já havia chegado a Oitava Turma da DRJ – São Paulo I (SP), quando proferiu o acórdão a quo, confirmando o procedimento fiscal. Também não se pode perder de vista o fato de o laudo da KPMG Corporate Finance Ltda, dito Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira das Empresas Real Seguros S.A e Real Vida e Previdência S.A, ter sido confeccionado apenas em 28/5/06, posteriormente, portanto, à data do contrato de aquisição firmado um ano antes (28/4/05), concretizada em 7/7/05. Acerca do lançamento contábil do ágio decorrente da aquisição de investimento e da possibilidade de amortização, dispõe o Decreto nº 3.000, de 26/3/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99): “Art.385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.780 27 II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. §1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §1º). §2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. §3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §3º). Art.386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): ..... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. ..... §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. §7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no §2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11).” (destaquei) Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.781 28 O Decretolei nº 1.598, de 26/12/77, fundamento do art.385 do RIR/99, é também cristalino ao dispor que, por ocasião da aquisição da participação, o lançamento do ágio deve se basear “em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante de escrituração”: “Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. ..... § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração.” (destaquei) A compreensão do supracitado parágrafo terceiro não se dissocia do caput do artigo, que completa o seu sentido e alcance. Assim, o lançamento do ágio, com base no fundamento econômico da rentabilidade futura, a ocorrer por ocasião da aquisição da participação, deve estar baseado em demonstração a ser arquivada como comprovante de tal escrituração. O legislador, ao empregar no supracitado parágrafo terceiro o tempo verbal no futuro, não autorizou o contribuinte a confeccionar a demonstração quando bem entendesse. Considerando a legislação vigente á época, não é absurdo concluir, sendo até mesmo intuitivo, que o registro desdobrado do custo de aquisição, tendo o ágio fundamento em previsão de resultados em exercícios futuros, baseiese, considerandose a data em que deve ser lançado contabilmente, em indicativo, estudo, já finalizado à época da aquisição da participação, constituindose em uma das mais importantes variáveis avaliadas pelos administradores do investidor quando decidem pagar ágio com base naquele fundamento econômico. Penso ser raro, talvez até impensável, que alguma sociedade, fixandose a premissa da rentabilidade futura, aventurese a adquirir investimento sem uma mínima margem razoável de segurança quanto a tal possibilidade. Para isso, é natural haver um estudo prévio, que também sirva, por exemplo, para lastrear o registro contábil e justificar perante o Fisco federal as amortizações nos períodos de apuração seguintes à incorporação, por exemplo. Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.782 29 É verdade que a norma textualmente não exige a confecção de um laudo formal, no sentido de ter sido elaborado por perito(s) externo(s), o que autoriza a discussão sobre a possibilidade de a exigência legal quanto ao comprovante de escrituração consistir em estudos internos que o contribuinte possa ter arquivado. Porém, no caso concreto, como visto, tal estudo não serve à comprovação da rentabilidade futura. Acrescentese não se poder presumir que o fundamento econômico da aquisição esteja sempre, ou quase sempre, baseado em uma previsão de rentabilidade futura do investimento. Tal tese esbarra no próprio dispositivo legal, que contempla outras duas hipóteses para o fundamento do ágio, bem como nas inúmeras outras intenções eventualmente subjacentes à decisão de compra, a exemplo de expansão de mercados, dominação de setor econômico, e, até mesmo, no limite, mero capricho do adquirente. A amortização do valor do ágio, de que cuida o art.7º, III, da Lei nº 9.532, de 10/12/97, com a redação conferida pela Lei nº 9.718, de 27/11/98, apenas é autorizada quando apurado “segundo o disposto no art.20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977”: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: ..... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) ..... Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” (destaquei) Ao dispor que a apuração do ágio realizase segundo o disposto no art.20 do DecretoLei nº 1.598/77, o legislador exigiu, como visto, que deve, por ocasião da aquisição do investimento, estar baseado em demonstração a ser arquivada como comprovante da escrituração. Por tais razões, entendo, à luz da legislação de regência vigente à época, que quando da aquisição do investimento deveria haver demonstrativo a justificar a rentabilidade futura. Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.783 30 Contrariamente ao alegado, à vista dos documentos acostados aos autos, constatase que o contribuinte, por ocasião da aquisição do investimento, não detinha estudo com lastro probatório que fundamentasse o pagamento de ágio com base em rentabilidade futura, em total desacordo, portanto, com o §3º do art.20 do Decretolei nº 1.598/77, que não pode ser interpretado, repitase, dissociado de seu caput, c/c com o art.7º, III, da Lei nº 9.532/97, o que inviabiliza as amortizações pretendidas, devidamente glosadas pela fiscalização. Interpretação outra pode abrir espaço para manobras, desvirtuamento da lei quanto ao requisito para a amortização. Podese pagar determinado valor por um investimento, sem que no preço esteja representada uma decisão empresarial tomada com base no fundamento econômico de previsão de resultados em exercícios futuros, e, posteriormente, para verificar a viabilidade de se amortizar o valor como despesa, encomendar determinado estudo para atestar tal rentabilidade, ainda que com base na data do fechamento das negociações. Com tal possibilidade o fundamento econômico de um ágio não será aquilo que realmente implicou o seu pagamento, mas sim o que a parte que o suportou quiser que o seja. A legislação permite sim a amortização do ágio pago, sendo ônus do contribuinte comprovar o seu fundamento econômico com base em elementos de prova confiáveis, que não deixem mínima margem para dúvidas. Decididamente, não é o caso do autos! O necessário rigor na análise da demonstração do fundamento econômico, inclusive quanto ao aspecto temporal, foi ressaltado pela Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento nos seguintes termos: “Embora a doutrina divirja quanto ao grau de amplitude e liberdade que se empresta a essa “demonstração” não há dúvidas que um interpretação lógica e sistemática conduz nosso entendimento de que deve ser respeitado o rigor no critério temporal. Ora, no momento da aquisição onde a Lei manda fazer o desdobramento e registro do ágio o laudo já deve existir indicando além do aspecto quantitativo, o seu fundamento legal, no caso, a rentabilidade futura projetada.” (acórdão nº 1401 000.850, de 11/9/12) Assim, descumprido tal requisito legal, qual seja, ausência de demonstração a comprovar o fundamento econômico do ágio com base na rentabilidade futura, a glosa da fiscalização mostrouse em conformidade com a legislação de regência. Quanto a esse aspecto não há divergência com o voto condutor. Contudo, ainda que se pudesse aceitar o fundamento do ágio com base em rentabilidade futura, outro aspecto impossibilitaria a amortização do ágio devidamente glosada pela fiscalização. Com a devida vênia ao I. Relator, não se pode concordar com a conclusão de que seria natural, no caso concreto, a oponibilidade ao Fisco de operações societárias que única ou preponderantemente visaram à economia tributária. Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.784 31 Apreciando em conjunto todas as operações societárias, não é exagero, por exemplo, se entender que o quadro revela, no mínimo, um planejamento tributário que em seu ânimo encerra um verdadeiro abuso de direito, cuja teoria representa uma reação à teoria clássica dos direitos absolutos e visa a coibir determinadas práticas que prestigiem unicamente direitos individuais em prejuízo de interesses gerais. Em conformidade com o Código Civil, o abuso de direito é considerado ato ilícito, conforme art.187: “Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes”. A partir de sua vigência, diante de tal patologia, cai por terra o argumento da regularidade do planejamento tributário, pois a premissa deste é ancorarse em atos lícitos. Reconhecese ser tênue o limite que separa a licitude de determinadas operações do excesso/abuso, mormente porque ninguém é obrigado a submeterse a uma determinada carga tributária, quando pode enveredar por caminho que conduza à sua redução. Mas sempre, é importante ressaltar, quando se esteja diante de uma razão consistente extratributária, como muito bem leciona Marco Aurélio Grego em importante estudo sobre o tema, a conformar com propriedade, à luz da Constituição Federal de 1998, o abuso de direito ao ramo tributário (in Planejamento tributário, 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2011, pp.212/217): “[...] sempre que o exercício de autoorganização se apoiar em causas reais e não unicamente fiscais, a atividade do contribuinte será irrepreensível e contra ela o Fisco nada poderá objetar, devendo aceitar os efeitos jurídicos dos negócios realizados. ..... No entanto, os negócios jurídicos que não tiverem nenhuma causa real e predominante, a não ser conduzir a um menor imposto, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo; neste caso, o Fisco a eles pode se opor, desqualificandoos fiscalmente [...]. Ou seja, se o objetivo predominante for a redução da carga tributária, terseá um uso abusivo do direito. ..... Com a tese do abuso de direito aplicado ao planejamento fiscal, se o motivo predominante é fugir à tributação, o negócio jurídico será abusivo e seus efeitos fiscais poderão ser neutralizados perante o Fisco. Ou seja, sua aplicação não se volta a obrigar ao pagamento de maior imposto, mas a inibir as práticas sem causa, que impliquem menor tributação. ..... No âmbito civil, falase em ‘perdas e danos’ porque pelo uso abusivo alguém poderá ter sofrido diminuição patrimonial, especialmente aquele que tiver sido a contraparte no negócio abusivo ou um terceiro atingido pelos seus efeitos jurídicos ou materiais. Em matéria fiscal, o prejudicado pelo ato abusivo terá sido o Fisco, pois a receita tributária terá sido menor do que a que decorreria se não tivesse havido o abuso. Daí a neutralização como forma de recompor a diminuição patrimonial do Fisco. Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.785 32 ..... Não nego a existência do direito de o contribuinte se auto organizar; afirmo apenas que o exercício deste direito é dependente de uma razão extratributária, econômica, empresarial, familiar etc., que seja a causa fundamental do negócio e que o justifique [...]. Não afirmo que o Fisco possa, a seu belprazer, desqualificar as operações realizadas; afirmo, isto sim, e peremptoriamente, que cabe ao Fisco o ônus da prova de que o motivo predominante da operação foi a busca de menor carga tributária. ..... O abuso de direito em matéria fiscal caracterizase por implicar “inoperância” ou “ineficácia” do ato em relação ao Fisco, independente de ser ilegal ou ilícita a operação.” À luz do Termo de Verificação Fiscal, podese afirmar que o Fisco entendeu que os negócios jurídicos privados não se apoiaram em causas reais, mas tiveram como propósito, ou como “único item efetivamente relevante” a economia tributária. Senão, vejamos: “[...] A fim de caracterizar os atos ou negócios jurídicos como válidos ou eficazes perante o Fisco, no sentido de produzirem os efeitos desejados, no caso do planejamento, a redução da carga tributária ou afastar a incidência da norma tributária, é necessário identificar o arcabouço da operação formatada no caso concreto e os personagens e suas atuações no contexto deste caso concreto: ..... 30 No caso em questão, existe o contrato entre a ABN 2 e a TMNF cujo objetivo é a venda de ações representativas de 100% de sua participação direta na Real Seguros e 50% de sua participação indireta na Real Vida e Previdência. A materialização deste objetivo foi realizada num conjunto de etapas (step transactions) definidos no Termo Aditivo ao Contrato de Compra e Venda de Ações. 31 As etapas 1 e 2 tiveram como objetivo separar o ativo que seria vendido, as etapas 3 e 4 tiveram como objetivo tornar a ABN NV, sede no exterior, dona das ações objeto da venda, a fim de viabilizar o enquadramento tributário menor, as etapas 5, 6 e 7 permitiram o pagamento da operação e o registro do ágio em uma empresa veículo para posterior, incorporação e amortização do ágio. A Estrutura Negocial montada utilizouse da FARAG para efetuar a aquisição a fim de que, após sua incorporação pela Real Seguros (TMS), tornasse aplicável uma tributação mais benéfica, ou seja, a permissão para a antecipação da amortização do ágio para fins tributários.Portanto, a TMNF. desejava adquirir 100% das ações da Real Seguros e 50% da Real Vida e Previdência. No entanto, se tivesse feita a aquisição diretamente da Real Seguros, estaria proibido de amortizar, para fins tributários, o ágio oriundo da aquisição, exceto no caso de alienação ou liquidação da participação acionária (norma contornada, art. 391 do RIR/99). Para fugir a esta proibição, montou uma estrutura Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.786 33 negocial, que se enquadrava à norma de contorno (art. 386, III cc § 6o, II, do RIR/99), ou seja, usou a FARAG, para efetuar a aquisição e, logo, após, promoveu a sua incorporação. 32 Diante do exposto fica caracterizado o plano, como uma unidade formada por uma pluralidade de negócios, operações ou etapas. A operação que se pretendeu opor ao Fisco foi a aquisição direta pela TMNF (Millea) de 100% das ações da Real Seguros. Portanto, o enquadramento no tipo tributário deve ser do negócio global, ou seja, o art. 391 do RIR/99 que não permite a amortização antecipada do ágio. [...] podemos enxergar que no planejamento tributário ora implementado foram utilizadas as empresas ABN 3 e a FARAG como conduit companies, sociedades fictícias, sociedades efêmeras e interpostas pessoas. Pois a primeira serviu de canal de passagem do patrimônio, não possui existência autônoma, não executa nenhuma atividade empresarial autônoma, ou seja, sem propósito negocial, sociedade de curta duração, e quando incorporada pela sua controlada serviu de interposta pessoa para realizar a venda das ações da Real Seguros uma vez que propiciou que os donos da ação fossem residentes e domiciliados no exterior cuja tributação tem uma carga menor. Da mesma forma, a empresa FARAG serviu de conduit companies, sociedade fictícia, efêmera e interposta pessoa. Pois serviu de passagem do dinheiro utilizado para efetuar a compra das ações da Real Seguros, não exerceu nenhuma atividade empresarial autônoma, ou seja, não tinha propósito negocial, teve curta duração e sua função como interposta pessoa foi efetuar a compra, registrar contabilmente o ágio, e quando da sua incorporação pela controlada que foi o produto de sua compra, permitiu o início da amortização imediata do ágio. Que se feito pelo comprador verdadeiro não poderia iniciar a amortização fiscal do ágio, pois este só poderia ser feito depois de alienado o bem ou baixado por qualquer motivo. 36 Tendo em vista o acima exposto, não tendo o contribuinte apresentado motivo extratributário que justificasse as reorganizações societárias havidas com o fim de transmitir o direito de compra para a FARAG ao invés de ser executado pela TMNF (Millea), e a incorporação reversa, onde a Tókio Marine Seguradora, nova denominação social da Real Seguros incorpora a FARAG, entendo caracterizar o ato como abuso de direito, caracterizando como inoponível ao Fisco, pois a auto organização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito e o Fisco pode recusarse a aceitar seus efeitos no âmbito tributário de modo a neutralizar os efeitos fiscais do excesso abusivo. 37 As reorganizações societárias havidas a fim de transferirem o direito da compra da TMNF para a FARAG também caracterizam outra patologia que é a fraude à lei, pois o contribuinte contorna a norma de incidência tributária prevista no art. 391 do RIR/99: ‘As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real ressalvado o disposto no art. 426’, a fim de se beneficiar da norma de contorno prevista no art. 386, Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.787 34 III cc §6º, II do RIR/99: ‘A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior: III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do art. Anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando: II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária’. Sendo, também, inoponível ao Fisco.” Vêse, portanto, que a figura do abuso de direito, compreendido na dimensão de se buscar preponderantemente economia tributária, consistiu em uma das razões que levaram o Fisco a neutralizar a redução tributária almejada. Da forma como a operação foi executada, com a identificação de sociedades efêmeras, não subsiste o efeito tributário almejado, como já se decidiu administrativamente. Vejamos: “[...] INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO". Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato continuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio à incorporadora [...]” (1ºCC, Acórdão nº 10323.290, de 5/12/07, Rel. Cons. Aloysio José Percínio da Silva) Todas as questões até então levantadas inseremse no contexto do que leciona a doutrina especializada de Marco Aurélio Grego (op. cit., pp. 466479), quando trata das denominadas “Operações Preocupantes”. Peço vênia para transcrever as esclarecedoras passagens abaixo: “[...] Outra hipótese relevante é a das operações realizadas entre partes relacionadas, vale dizer, em que existe a possibilidade de a causa da operação ser a obtenção de algum efeito tributário intragrupo e não uma razão econômica efetiva de mercado. Quando estamos entre pessoas jurídicas de um mesmo grupo societário não podemos ignorar que esta simples circunstância faz com que existam interesses comuns no relacionamento entre seus membros. Três situações merecem ser mencionadas. Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.788 35 A primeira tem a ver com uma expressão italiana – utilizada para se referir a outro objeto, mas que é cabível neste momento – que se resume a dizer que é uma operação ‘con la quale o senza la quale tutto rimane tala e quale’. Vale dizer, em que há alterações formais de titularidade patrimonial ou de atribuição de direitos e deveres, mas que, em última análise, por ser o mesmo grupo não ocorreram alterações substanciais. Ou seja, operações mediante as quais jurídica e patrimonialmente o grupo permanece inalterado; a única conseqüência relevante é que o Fisco deixa de receber determinado tributo. Embora não exista no Brasil a tributação englobada do grupo de sociedades e cada pessoa jurídica seja tratada isoladamente, este é um aspecto que merece atenção nos casos concretos. ..... Outra questão importante envolve o uso de sociedades. Neste ponto, três observações preliminares devem ser referidas. A primeira é que o elemento relevante quando estamos perante uma pessoa jurídica não é apenas a sua existência formal (no registro competente etc.); tão importante ou até mais – em matéria tributária – é a identificação do empreendimento que justifica sua existência. A criação de uma pessoa jurídica tem sentido na medida em que corresponda à vestimenta jurídica de determinado empreendimento econômico ou profissional. A ideia de empresa é o núcleo a ser perquerido. ..... A terceira é que a figura da simulação pode se dar mediante o uso de pessoas jurídicas. Com efeito, a simulação pode ser objetiva, quando forem utilizados atos, ou subjetiva, quando a aparência do negócio se der mediante a criação ou a atribuição de poderes ou deveres a uma pessoa jurídica. Feitas estas considerações iniciais, examinemos quatro situações que merecem especial atenção. ..... A primeira situação a observar é das chamadas conduit companies (empresasveículos ou de passagem) em que uma pessoa jurídica é criada apenas para servir como canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. ..... Aqui, surge novamente uma bandeira amarela, uma operação preocupante, consistente nas conduit companies que servem apenas para transitar um patrimônio ou um determinado recurso. ..... O quarto caso é o das sociedades efêmeras ou de curta duração; são aquelas sociedades que nascem para morrer ou para serem extintas depois de alguns dias ou algumas horas, tão logo compareçam em determinada operação. ..... Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.789 36 Não é pelo simples fato de ser efêmera que a operação estará contaminada, mas ser efêmera gera uma interrogação quanto ao motivo pelo qual foi efêmera. Por que criada e extinta naquele dia? Por vezes, a resposta é a de que, dentro de um planejamento, a sociedade foi criada para participar de determinado negócio ou receber determinado patrimônio em trânsito para outra pessoa jurídica, eventualmente ligada à figura do ágio; feito isto pode desaparecer. Mas, em outras situações ela foi criada por razão não tributária – por vezes para atender a exigência legal de controle – e sua extinção pode resultar do simples esgotamento dessa razão determinante. Particularmente delicado é o exame das situações concretas em que se identifica a figura do ágio, pois, em si mesmo, é eventualidade que existe no dia a dia da vida empresarial. A questão central não é a sua existência, mas a sua criação onde não existe ou onde não há fundamento para reconhecêlo (por exemplo, intragrupo). Também delicada é a questão da sua alocação. Nas sociedades efêmeras, um elementochave a ser questionado é o da affectio societatis. Com efeito, até que ponto existe affectio entre os sócios se eles criam para extinguilas? Em suma, o caráter efêmero da sociedade é outro ponto relevante a ser considerado no exame dos casos concretos. ..... Por vezes, quando uma pessoa adquire determinada participação societária o faz com ágio, pois o valor da aquisição é superior ao respectivo valor de patrimônio líquido. Ocorre que, num momento posterior à aquisição, por vezes sucede de ser feita uma incorporação às avessas que gera uma situação curiosa em relação ao ágio na aquisição da participação societária. Com efeito, o ágio tem por objeto uma participação societária de titularidade da controladora, que representa fração do capital da pessoa jurídica controlada à qual ela se reporta. Na medida em que a controlada incorpora a controladora, desaparece o sujeito jurídico titular da participação societária. Assim, caso preservado, o montante do ágio passaria a estar dentro da incorporadora (antiga controlada), possuindo como origem um elemento que agora integra a própria incorporadora. Seria um “ágio em si mesmo”, o que sugere uma preocupação quando se analisa caso concreto que apresente este feitio. Também aqui é preciso fazer uma distinção entre o surgimento do ágio (motivos e finalidades da operação) e o seu aproveitamento, pois a lei tributária pode admitir essa hipótese (“ágio de si mesmo”) e prever algum tipo de dedução, seja como elemento integrante da apuração da renda como tal, seja a título de incentivo ou benefício fiscal. O cerne da questão não será o seu aproveitamento, mas o meio utilizado e o modo de agir Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.790 37 adotado para, eventualmente, ‘construir’ ou ‘materializar’ a hipótese de incidência da regra de aproveitamento.” (destaquei) Tal base doutrinária, é relevante observar, não impõe uma sentença de morte a planejamentos tributários com o envolvimento de sociedadesveículo/sociedadesefêmeras. Como bem pontua o autor, tais operações preocupantes são responsáveis por ligar o alerta que demanda uma apurada análise do contexto. Não se tratam de operações normais, que podem simplesmente ser justificadas, escudadas em mera formalidade documental. A conclusão final, porém, cabe naturalmente ao julgador quando da valoração dos elementos de prova, à luz do particularizado contexto fático. E, nessa missão, com precisão andou bem o acórdão de primeira instância, ao assim decidir, verbis: “[...] Apesar de já ter sido relatado, cumpre repisar que, no esquema engendrado pela impugnante, houve reorganização societária com a utilização de empresas veículos ABN3 e Farag: 7.4.1. Aquisição pela ABN AMRO BANK NV (empresa holandesa) da Scotta Participações S.A. CNPJ nº 07152.467/ 000104 (empresa sem atividade empresarial) com alteração se sua denominação para ABN AMRO BRASIL TRÊS PARTICIPAÇÕES S.A. (ABN 3) para receber a parcela cindida da ABN AMRO BRASIL DOIS PARTICIPAÇÕES S.A. (ABN 2) correspondente ao investimento na Real Seguros (que então detinha 50% da Real Vida e Previdência) tendo ocorrido a incorporação da ABN3 pela Real Seguros S/A (incorporação da controlada pela controladora), conforme descrito nas Etapas 3 e 4 do Termo de Verificação Fiscal (TVF) – fls.2147/2152. Decorrendo daí, como bem pontuou a auditora fiscal autuante no item16 do TVF (fl. 2165), que o único objetivo dessas reorganizações societárias foi transferir da ABN 2 para a ABN 3 o controle direto das ações da Real Seguros e indiretamente a da Real Vida e Previdência para possibilitar que a venda das ações da Real Seguros ficasse sujeita a uma tributação mais benéfica que é o ganho de capital auferido por, empresa domiciliada no exterior que vende ativo no Brasil à alíquota de 15% de IR e exclusivo na fonte. Enquanto que, se vendido pela ABN 2, a detentora original do ativo, esta ficaria sujeita ao IR e CSLL à alíquota de 34% sobre o ganho de capital oriundo desta alienação. 7.4.2. A FARAG PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ nº 07.081.424/000177 (constituída em 29/10/2004), foi adquirida pela ABN 2 mediante subscrição de 9.900 novas ações da empresa (aumento do capital de R$ 100,00 para R$ 10.000,00 – AGE de 24/06/2005) – Etapa 5 (fls. 2143 e 2152/2153 do TVF) – com a conseqüente subscrição de 10.000 novas ações preferenciais (AGE de 07/07/2005) pela Millea Holdings Inc., com aumento do capital em R$ 963.726.987,53 (passando de R$ 10.000,00 para R$ 963.736.987,53) e que, no mesmo dia após o pagamento do preço para aquisição da Real Seguros da ABN NV converteu suas ações preferenciais em ordinárias passando a ser controladora da Real Seguros. Também Fl. 2790DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.791 38 ocorreu a incorporação às avessas da Farag pela Real Seguros (controlada incorporando a controladora). Também aqui, como bem anotado pela autuante no TVF às fls. 2165/2166, constatase como objetivo preponderante destas reorganizações societárias o benefício fiscal de antecipar a amortização do ágio pela ocorrência de incorporação reversa nos termos previstos no art. 386 do RIR/99 em detrimento do disposto no art. 391 do RIR/99, ou seja, utilização da incorporada (Farag) como mera ‘empresa veículo’ para transferência do ágio à incorporadora (TMS nova denominação da Real Seguros) e se enquadrar nos termos do disposto no art. 386, III, cc §6º , II do RIR/99. 7.5. Essas empresas veículo, antes de sua ‘aquisição’ pelas empresas do Grupo ABN não tiveram nenhuma outra atividade negocial, eram empresas ‘de papel’/de prateleira’ que tiveram sua existência justificada apenas e tão somente para participar do plano arquitetado com vistas à economia de tributo. Não houve propósito negocial algum na existência da ABN 3 e da FARAG a não ser fazer parte de uma sequência de operações complexas que estava a nublar o cenário em que, na realidade houve a aquisição pela Tókio Marine & Nichido Fire Insurance Co Ltda (05.515.343/000102) da Real Seguros S/A (CNPJ 33.164.021/000100– detentora de 50% da participação acionária ) 7.6. Ora, a aquisição de sociedade (que aliás não possuía atividade econômica alguma) para posterior extinção por incorporação revela evidente falta de propósito negocial, ou seja, inexistência de fundamento econômico da transformação societária. Não se concebe, nas operações normais dos agentes econômicos, que se adquira uma empresa (sem atividade econômica) com o fim de extinguila logo em seguida. As empresas são entidades criadas para a exploração de determinada atividade econômica e, como regra geral, têm como premissa a continuidade de suas operações. Portanto, se na criação de uma determinada sociedade (ou na aquisição de sociedade sem atividade econômica) os sócios já manifestam a intenção de imediatamente extinguila, evidenciase verdadeiro abuso de forma jurídica.” (destaquei) Apesar da regularidade formal de cada uma das operações societárias que compuseram o enredo do planejamento tributário, não é admissível que este seja oponível ao Fisco quando, repitase, única ou preponderantemente o intuito foi a economia tributária. Sem reparos a fazer na autuação fiscal quanto à matéria. No tocante à multa de ofício, o percentual aplicado de 75% (setenta e cinco por cento) decorreu de expressa previsão legal. À autoridade fiscal cabe prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob argumento de violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. Cabe lembrar que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art.142, parágrafo único, do CTN). Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.792 39 Nem sob fundamento de inconstitucionalidade, a aplicação da lei pode ser afastada, nos termos do Decreto nº 70.235/72 e de entendimento administrativo já consolidado: Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Relativamente à exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, o CTN autoriza tal exigência. Em seu artigo 161, dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” (destaquei) Nesse contexto, não se pode olvidar que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art.139, CTN), tendo por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art.113, CTN). Por sua vez, a Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejamos: “Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ..... §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ..... Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.793 40 específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (destaquei) A expressão “débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições”, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. Neste sentido, podem ser mencionados os seguintes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Segunda Turma, Acórdão nº 920201.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA MULTA DE OFICIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Quarta Turma, Acórdão nº 0400.651, de 18/09/07, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça reiterou entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 1103000.974 S1C1T3 Fl. 2.794 41 punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (destaquei) Colhese do respectivo voto condutor: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Quanto ao percentual, não há mais discussão. O entendimento quanto à aplicação da taxa SELIC consolidouse administrativamente, sendo, inclusive, objeto do Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, de observância obrigatória por seus membros: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Mantémse, portanto, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, aplicados com base na taxa SELIC. Uma vez mais reconhecendo o valoroso esmero do I. Relator, são estas as considerações acerca do caso concreto, embora se tenha chegado à mesma conclusão do voto condutor, qual seja, de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA
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Numero do processo: 13975.000102/2002-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/1997 a 30/06/1997
VALOR DECLARADO EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Nos lançamentos determinados pelo art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, à exceção dos casos em que tenha ocorrido sonegação, fraude ou conluio, deve-se afastar a multa de ofício em relação aos valores declarados em DCTF, pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 9303-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Ausente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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TOMIO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/1997 a 30/06/1997 VALOR DECLARADO EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Nos lançamentos determinados pelo art. 90 da MP nº 2.15835/2001, à exceção dos casos em que tenha ocorrido sonegação, fraude ou conluio, deve se afastar a multa de ofício em relação aos valores declarados em DCTF, pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Ausente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 01 02 /2 00 2- 20 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Por meio do Acórdão nº 380100.970, de 7/11/2011, a Primeira Turma Especial da Primeira Câmara da Terceira Sessão do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário por unanimidade de votos, para excluir a multa de ofício, fls. 131 a 139. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/1997 a 30/06/1997 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Não comprovada a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo, não é cabível a compensação com débitos próprios, nos termos da legislação aplicável art. 170 do CTN, e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. VALOR DECLARADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Conforme se depreende do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, a imposição de multa de oficio, na constituição de crédito tributário informado em DCTF, ficou limitada à eventual apuração de diferenças decorrentes de compensação indevida de débitos, nos casos em que ficar caracterizada a prática de infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1961. Recurso Voluntário Provido em Parte Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial requerendo a reforma do acórdão vergastado para que seja reconhecida a validade da aplicação da multa de ofício, prevista no art. 44, inc. I, da Lei n. 9.430/96, que sustenta ser diferente das multas isoladas previstas no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, e com isso não se poderia comparálas para dizer se houve ou não minoração da situação do contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional aponta que o entendimento do acórdão recorrido divergiu dos paradigmas 20402.808 e 20180.625, argumenta que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 constituise em regra concebida para disciplinar a sistemática de pedidos e declarações de compensação (PER/DCOMP) e considera que a multa do inc. I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96 seria cabível no presente caso, que se trataria de declaração inexata, já que o contribuinte não teria recolhido a contribuição e informado a dívida em DCTF com saldo a pagar zero. Desta forma, conclui que a hipótese dos autos não se enquadraria no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, pois enquanto esta nova sistemática previu a imposição de multa de ofício de forma isolada, já que prescindível o lançamento do principal, a sistemática anterior previa a exigência de multa juntamente com o principal lançado. No presente caso, como se trataria de declaração inexata ocorrida em DCTF e não em DCOMP, não poderia incidir o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e suas alterações Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13975.000102/200220 Acórdão n.º 9303003.217 CSRFT3 Fl. 188 3 posteriores, devendo ser mantida a multa de ofício, com base no que determina o art. 90 da MP nº 2.15835 e o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. O recurso foi admitido integralmente, conforme despacho de fls. 173 a 175, as contrarrazões vieram às fls. 179 a 184. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão do afastamento da multa de ofício aplicada. No que tange à questão da exclusão da multa de ofício, a divergência consiste na aplicação do princípio da retroatividade benigna, consistente, no caso, na retroação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e alterações posteriores para excluir a multa de ofício em lançamentos efetuados com base no art. 90 da MP nº 2.15835. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta decisão divergente consubstanciada nos paradigmas 20402.808 e 20180.625, entendendo que o art. 18, da Lei nº 10.833/2003 e suas alterações posteriores constituem normas especiais pertinentes à declaração de compensação, sendo inaplicáveis aos casos de declaração inexata em DCTF, que continuariam a ser regidos pelo art. 90 da MP nº 2.15835. O argumento da PFN, portanto, pressupõe que se tratam de normas jurídicas independentes, sendo uma de caráter geral aplicável às DCTF (o art 90 da MP nº 2.15835) e a outra de caráter especial aplicável somente às declarações de compensação. (art. 18 da Lei nº 10.833/2003). Com o devido respeito, entendo não assistir razão á recorrente, pois não existe a alegada independência entre as duas normas, uma vez que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, assim como as alterações que se sucederam, fazem referência expressa ao “(...) lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 (...)”. E este lançamento de ofício era em relação às diferenças apuradas em DCTF, dado que em 2001, quando foi publicada a MP nº 2.15835, a declaração de compensação ainda não havia sido instituída pela legislação. A referência expressa ao art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001 significa que houve alteração no tratamento dos débitos decorrentes de declaração inexata em DCTF, que pode ser assim resumida: 1. a teor do art. 5º, § 1º do DL nº 2124/84, os débitos apurados em DCTF constituíam confissão de dívida e podiam ser inscritos em dívida ativa, no caso de inadimplência do contribuinte; Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 2. tal situação perdurou até o advento do art. 90 da MP nº 2.15835/2001, que não revogou o DL nº 2124/84, ou seja, não retirou das DCTF o atributo de confissão de dívida, mas determinou que as diferenças apuradas em declaração fossem objeto de lançamento de ofício (com multa de 75%); e 3. a partir do advento do art. 18 da MP nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, houve revogação parcial da previsão contida no art. 90 da MP nº 2.15835, ou seja, a partir de outubro de 2003 a multa de 75% do lançamento de ofício só incidiria nas situações estabelecidas no art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e alterações posteriores. Essa alteração de tratamento das diferenças apuradas em DCTF não passou despercebida pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação, que tratou dessa questão por meio da Solução de Consulta Interna Cosit nº 3/2004, que concluiu o seguinte: “(...) d) no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP no 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo. (...)” O caso concreto versa exatamente sobre a situação tratada nas conclusões da SCI Cosit nº 03/2004, conforme se comprova no seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido: “(...) Conforme se depreende do dispositivo legal acima transcrito, a imposição de multa de oficio ficou limitada à eventual apuração de diferenças decorrentes de compensação indevida de débitos, nos casos em que ficar caracterizada a prática de infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1961. Assim, considerando o disposto no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, uma vez que as circunstâncias ensejadoras à aplicação da referida multa não se encontram presentes, deve se exonerar a contribuinte da multa de ofício de 75%. Nessa direção foi a resposta dada pela CoordenaçãoGeral de Tributação COSIT, por meio da Solução de Consulta Interna nº 3, de 8 de janeiro de 2004: (...)” Portanto, se o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 passou a vedar o lançamento de ofício na hipótese versada nestes autos, é óbvio que passou a vedar também a inflição da multa de 75% sobre as diferenças apuradas em DCTF, que passaram a se sujeitar apenas aos acréscimos do procedimento espontâneo, fato que configura abrandamento da penalidade imposta in concreto neste processo. Se o próprio ente incumbido da administração tributária, por meio de Solução de Consulta Interna formulada pelos órgãos que lhe são subordinados, entendeu que se trata de hipótese de aplicação do princípio da retroatividade benigna ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13975.000102/200220 Acórdão n.º 9303003.217 CSRFT3 Fl. 189 5 deve ser rejeitada argumentação da Procuradoria da Fazenda Nacional, uma vez que os atos emanados pela administração pública gozam da presunção de legitimidade. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial, para manter o acórdão recorrido por seus próprios e jurídicos fundamentos. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 191DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 16327.720209/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2002
Não há que se conhecer do recurso voluntário diante de manifesta falta de interesse em recorrer demonstrada pela contribuinte, em razão da apresentação de pedido de desistência total do recurso interposto.
Recurso Voluntário não conhecido
Numero da decisão: 3202-001.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de CAstro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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FALTA DE RECOLHIMENTO. Recorrente ITAÚ UNIBANCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2002 Não há que se conhecer do recurso voluntário diante de manifesta falta de interesse em recorrer demonstrada pela contribuinte, em razão da apresentação de pedido de desistência total do recurso interposto. Recurso Voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de CAstro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual abaixo reproduzo: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade (fls. 260 a 268) apresentada pela contribuinte em epígrafe, por discordar do Despacho Decisório de fls. 271 a 276, relativo aos documentos eletrônicos abaixo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 09 /2 01 0- 21 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 relacionados, em que não foi reconhecido o direito creditório pleiteado, conseqüentemente, não foram homologadas as requeridas compensações e, assim, procedeuse à cobrança do débito remanescente conforme carta de cobrança nº 297/2010, às fls. 278. O crédito informado nas Dcomp acima relacionadas seria relativo a pagamento efetuado a maior, em 15/01/2003, de Contribuição para o PIS relativa ao mês de dezembro/2002. Os débitos que se pretendia compensar são os seguintes: 2. Ao apurar o valor do direito creditório, a autoridade fiscal competente para apreciar a matéria, no Despacho Decisório (fls. 271/276), expõe que: Às DCOMPs transmitidas em 29/08/2003 e 30/09/2003 (retificadas em 18/07/2008) foram atribuídos processos administrativos nºs 16327.901712/200607 e 16327.901762/200686, respectivamente; o crédito utilizado para as compensações, segundo a contribuinte, decorre de pagamento efetuado a maior em 15/01/2003, da contribuição para o PIS (Código 4574) relativa ao mês de dezembro de 2002 (PIS Pago – PIS declarado = Diferença/Crédito => R$ 5.507.382,83 – R$ 6.557.411,28 = R$ 1.050.028,45); a aferição do declarado pela contribuinte passa necessariamente pela conferência dos cálculos e formas utilizados para a apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS daquele mês; A contribuinte foi intimada a apresentar os documentos (processo n° 16327.901655/200658), relacionados ao "Anexo I Base de Cálculo do PIS/Pasep e da Cofins" (fls.45/48), e cópia da "Demonstração Analítica de Variações" (fls.71/183), contendo esta a posição, em valores mensais, das contas de resultado relativas aos meses de julho a dezembro/2002; objetivando aferir a efetiva existência do crédito, foram realizadas as necessárias análises, tendo como base a Ficha 19C (Cálculo de PIS) do mês de dezembro/2002, da DIPJ/2003 (fl. 28/30); Na verificação levada a efeito constatouse irregularidades nos valores das linhas 05, 17 e 24 da Ficha 19C da DIPJ/2003 (fl. 28/30), relativos a exclusões/deduções para cálculo da base de cálculo da Contribuição para o PIS, daí decorrendo a glosa dos os valores relativos às seguintes contas COSIF, por não constarem no anexo I da IN SRF nº 247/2002 como exclusão na apuração da base de cálculo da COFINS: (1) Cosif 7.1.5.80.009, 7.1.5.90.006 e 7.3.9.90.202, de R$ 279.947.009,38, R$ 2.178.446,15 e R$ 30.281.310,91, respectivamente (Linha 5 – Reversão de Prov. e Recup. Créd. Baix. como Perda); (2) Cosif 7.1.5.80.906 (Receitas de Operações Ajuste Diário), na ordem de R$ 2.214.568,61, em face da Fl. 449DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 16327.720209/201021 Acórdão n.º 3202001.471 S3C2T2 Fl. 449 3 mesma não constar no Anexo I da IN. 247/2002 como exclusão na apuração da base de cálculo da Cofins (Linha 17 – Perdas c/ Tit. De Renda fixa e Var. exceto c/Ações); Quanto à Linha 24 (Outras exclusões) devem ser glosados os valores relativos a Receitas de Prestação de Serviços a PJExterior e Reclassificação Bacen Denor 37/95, de R$ 1.671.182,11 e R$ 49.178.305,83, respectivamente, pois, em relação à primeira, não consta o número da conta Cosif no demonstrativo de apuração apresentado pelo contribuinte; ainda que o mesmo tenha afirmado em suas alegações fls. 49 que tal valor está incluído no total da conta 7.391.0119 (Outras Rendas Operacionais Diversas), não apresentou os documentos das operações para provar que a importância de R$ 1.671.182,11 se refere à Receita de Prestação de Serviços a PJ do Exterior; e, em relação à segunda, não consta o número da conta Cosif no demonstrativo de apuração apresentado pela contribuinte; segundo o informado pela mesma em suas alegações fls. 49 a importância de R$ 49.178.305,83, deduzida na apuração da base de cálculo da Cofins do mês de dezembro/2002, está classificada na conta Cosif nº 8.1.9.99.006 e resulta da classificação contábil sobre as variações diárias de taxas em moeda estrangeira, quando as contas envolvidas estiverem com saldos invertidos, conforme Orientação DENOR nº 37/95 do Banco Central. Ainda em relação à segunda conta, observa que, conforme se verifica na Demonstração do Resultado, mais especificamente à fl. 158, a importância de R$ 49.178.305,83 (devedora) se refere ao total do ano de 2002 das subcontas 8.392.4605 (R$ 31.826.930,38) e 8.392.4639 (R$ 17.351.375,45), mas a apuração da Contribuição para o PIS é realizada mensalmente; no mês de Dezembro, ora em apreciação, os valores são credores na ordem de R$ 4.161.331,83 e R$ 1.585.876,08 respectivamente, totalizando R$ 5.747.207,91, valor este que deve ser considerado como receita para fins de apuração da base de cálculo da Cofins; Fl. 450DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Feitos os ajustes necessários à Ficha 20C da DIPJ/2003, conforme explicitado à fl. 275, apurouse o valor correto de Contribuição para o PIS a Pagar ref. a dezembro/2002, no valor de R$ 7.920.300,03; Tendo em vista que o pagamento efetuado monta em R$ 6.557.411,28, conforme doc. de fl. 23, concluise pela inexistência de pagamento a maior, o que impede a homologação da compensação de que trata o presente processo, por inexistência do crédito declarado no Perdcomp de fls. 01/18; Não sendo homologada a compensação, os débitos indevidamente compensados deverão ser objeto de cobrança, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A decisão exarada pela autoridade fiscal foi, pois, no sentido de “NÃO HOMOLOGAR as compensações declaradas às fls. 01/18” (fl. 276). A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 21/07/2010 (vide A.R. à fl. 284). Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 286/293), protocolizada em 20/08/2010, a interessada requer a reforma do despacho decisório que não homologou as compensações, bem como a suspensão da exigibilidade dos débitos constates na Carta de Cobrança nº 297/2010. Neste sentido argumenta: ● decadência do direito de o Fisco, em 21/07/2010, rever a base de cálculo e apurar novo valor da Contribuição para o PIS relativa a dezembro/2002 (objeto da DIPJ/2003), com base no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional e no art. 173, inciso I, do mesmo Código; ● levandose em consideração que o único motivo para a não homologação das compensações pleiteadas foi a não concordância do Fisco com o valor declarado pela manifestante a título de Contribuição para o PIS referente a dez/02, o despacho ora recorrido deve ser reformado para possibilitar a compensação em razão do transcurso do prazo decadencial; ● A Fiscalização glosa os valores das contas Cosif 7.1.5.80.009 (Rendas em Op. c/ Derivativos) R$ 279.947.009,38; Cosif 7.1.5.90.006 (TVM Ajuste Positivo ao Valor de Mercado) R$ 2.178.446,15; e Cosif 7.3.9.90.202 (Rendas em Op. c/ Derivativos) R$ 30.281.310,91 sob o fundamento de que eles não constam do Anexo I da IN 247/2002; ● entretanto, o art. 22 da IN nº 247/02 é expresso ao determinar que tais valores somente serão passíveis de tributação quando da alienação dos respectivos ativos; ● os valores constantes em tais rubricas nada mais são do que ajustes mensais transitórios que, por determinação da própria IN, somente se tornarão definitivos e, portanto, tributados pela Contribuição para o PIS no momento da alienação; ● a defesa acima é aproveitada para a conta Cosif 7.3.9.90.202, pois ela foi equivocadamente capitulada pelo manifestante. Isso porque, da mesma forma como Fl. 451DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 16327.720209/201021 Acórdão n.º 3202001.471 S3C2T2 Fl. 450 5 aconteceu nos demais Cosif´s tratados nesse tópico, tratase de ajustes mensais transitórios e, portanto, deveriam estar inseridos no Cosif 7.1.5.80.009; ● a previsão para exclusão do valor de R$ 2.214.568,61, correspondente ao saldo da conta Cosif nº 8.1.5.50.902 (Ajustes Diários de Operações – Derivativos) encontrase no art. 10, § 1° da IN 247/2002, c/c com o Quadro II constante no Anexo I, que determinam que se o resultado das operações sujeitas a ajuste diário for uma despesa (excesso de perdas), este valor não será deduzido da base de cálculo; ● conforme se verifica, os ajustes diários (perdas e receita) deveriam ser deduzidos dos seus Cosif’s de origem e levados para um quadro a parte onde seria analisado se o resultado desta operação seria uma perda ou uma receita. Se perda, não seria deduzida e, se receita, deveria ser oferecida a tributação ● no caso concreto, o resultado foi uma despesa (excesso de perda), conforme se observa do quadro à fl. 292. Logo, este valor não deveria influenciar no cálculo, ao contrário do entendimento dado pela fiscalização que, de forma simplista e contrária à legislação, entendeu que tais contas deveriam compor o cálculo do tributo; ● no que se refere à conta sem COSIF específico (Receita Prest. Serviços a PJ – exterior) – R$ 1.671.182,11, a alegação, neste caso, é de que não foram apresentados documentos que comprovem que a importância em questão referese à receita de prestação de serviços a PJ do Exterior; ● Diante disso, o manifestante anexa aos autos documentos que suportaram os lançamentos contábeis e, por conseguinte provam que o valor glosado referese à receita de prestação de serviços a PJ do Exterior, passível de dedução nos termos do art. 46, inciso III, da IN 247/2002. São os documentos (doc.04): cópia do lançamento contábil (reapresentação); informes de rendimentos do Banco Itau Buen Ayre S/A; tela do site do Bacen, comprovando o valor da taxa do peso argentino em 31/12/2002; contrato de prestação de serviços (será enviado posteriormente pela SEFIS). ● os valores registrados na conta Cosif nº 8.1.9.99.006 (R$ 49.178.305,83) resultam da classificação contábil sobre as variações diárias de taxas em moeda estrangeira, quando as contas envolvidas estiverem com saldos invertidos, conforme Orientação DENOR n° 37/95 do Banco Central; ● Entendeu o julgador que, por ser a apuração do PIS mensal, não poderia ter sido reconhecido, para composição da base de cálculo, o valor total do ano. Ocorre que o recorrente não levou à base do PIS mensalmente, ou seja, não reconheceu em cada mês as exclusões, por essa razão, o valor total foi considerado na apuração dezembro de 2002. Tal afirmação pode ser confirmada pelos documentos anexos cópia do balancete e da ficha de apuração da base de cálculo da PIS (doc. 05 e 06); ● O fato de o recorrente não ter excluído mensalmente as contas referentes ao ajuste conforme orientação Denor citada gerou pagamento maior que o devido de Pis (recolhida mensalmente), por essa razão, a exclusão total dos valores em dezembro não acarreta prejuízo ao Fisco.” A DRJSão Paulo I Julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls.339/350), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 452DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 Data do fato gerador: 31/12/2002 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PIS. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP. ANÁLISE. DECADÊNCIA. A legislação tributária estabelece o prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da entrega da Declaração de Compensação (Per/Dcomp) para que o Fisco aprecie a declaração apresentada. A análise e manifestação da autoridade fiscal pressupõe a averiguação da existência do indébito informado na declaração sob análise. DCOMP. RETIFICADORA. PRAZO PARA APRECIAÇÃO. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. PIS. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A falta de comprovação da existência de recolhimento a maior da Contribuição para o PIS impede a homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 360/365), repisando, em linhas gerais, os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. Ao final requereu a reforma da decisão recorrida, com a conseqüente homologação das compensações efetuadas. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Em face da desistência total do recurso voluntário interposto, apresentada pela contribuinte, temse que não mais há qualquer lide a ser dirimida, razão pela qual NÃO CONHEÇO do recurso voluntário interposto, devendo os autos retornar à unidade de origem. É como voto. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 16327.720209/201021 Acórdão n.º 3202001.471 S3C2T2 Fl. 451 7 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 454DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10805.901118/2011-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 11 18 /2 01 1- 14 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O sujeito passivo ingressou com Manifestação de Inconformidade contra despacho que não homologou a compensação declarada na Dcomp, por meio da qual pretendia extinguir um débito referente à Cofins. Assim a DRF não homologou a compensação pela inexistência de saldo credor suficiente, em virtude de utilização para quitação de débitos anteriores à presente compensação. O sujeito passivo aduz em sua Manifestação de Inconformidade que o ICMS não poderia compor a receita bruta apurada para fins fiscais, afirmando que a incidência de um imposto estadual (ICMS) sobre tributos federais (PIS e COFINS) gera a incidência de tributo sobre tributo, o que seria Inconstitucional. Reitera que a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS apresentase inconstitucional, trazendo à baila diversos Recursos Extraordinários. A 3ª Turma da DRJ Curitiba, na sessão de julgamento de 11 de setembro de 2013, por meio do acórdão 0643.540 indeferiu o pedido de restituição e não reconheceu o direito creditório, consoante a ementa adiante transcrita: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETENCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar incoformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinçao de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901118/201114 Acórdão n.º 3803006.375 S3TE03 Fl. 19 3 cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador de serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do acórdão em 10/01/2014 e irresignado com o resultado do julgamento, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 10/02/2014, portanto, tempestivo. Aduz em seu Recurso os mesmos argumentos utilizados em sua Manifestação de Inconformidade, não incorporando às suas razões de defesa nenhum novo argumento ou prova. É o relatório. Voto Conselheiro Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. No que tange à inconstitucionalidade alegada há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL 0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que resolvida a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados os limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios quais sejam: material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica, e os critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também denominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901118/201114 Acórdão n.º 3803006.375 S3TE03 Fl. 20 5 Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2º do artigo 1º da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento. (Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “...Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. ...Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. ...Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). (...) Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotando o como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901118/201114 Acórdão n.º 3803006.375 S3TE03 Fl. 21 7 Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobreprincípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento. (Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901118/201114 Acórdão n.º 3803006.375 S3TE03 Fl. 22 9 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitação material à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado a amparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20 042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901118/201114 Acórdão n.º 3803006.375 S3TE03 Fl. 23 11 § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901118/201114 Acórdão n.º 3803006.375 S3TE03 Fl. 24 13 Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em Fl. 116DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra Fl. 117DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901118/201114 Acórdão n.º 3803006.375 S3TE03 Fl. 25 15 geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer por ter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar. Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 002316944.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida..TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF 3). Data de publicação: 16/06/2011. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901118/201114 Acórdão n.º 3803006.375 S3TE03 Fl. 26 17 Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo não provimento do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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