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Numero do processo: 16682.900881/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
IRPJ. SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL. PER/DCOMP.
Verificado o saldo negativo no valor de R$ 103.179,76, relativo ao ano calendário de 2006, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 41547.65047.280307.1.3.04-0067, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o saldo disponível ainda não utilizado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-001.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 103.179,76, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Ester Marques Lins de Sousa, João Carlos de Figueiredo Neto, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: IRPJ. SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL. PER/DCOMP. Verificado o saldo negativo no valor de R$ 103.179,76, relativo ao ano calendário de 2006, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 41547.65047.280307.1.3.04-0067, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o saldo disponível ainda não utilizado pelo contribuinte.
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SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL. PER/DCOMP. Verificado o saldo negativo no valor de R$ 103.179,76, relativo ao ano calendário de 2006, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 41547.65047.280307.1.3.040067, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o saldo disponível ainda não utilizado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 103.179,76, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Ester Marques Lins de Sousa, João Carlos de Figueiredo Neto, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 08 81 /2 01 0- 59 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900881/201059 Acórdão n.º 1201001.321 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto parte do Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: I) Do PER/DCOMP Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório (Eletrônico) proferido pela Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que não homologou a compensação efetivada por meio do PER/DCOMP nº 41547.65047.280307.1.3.040067, de débito de estimativa de CSLL (cód. 2469),relativo ao período de apuração fevereiro/2007, no valor de R$ 7.409,20, com o crédito de R$ 7.409,20, oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, realizado por meio de DARF (cód. 2319), referente ao período de apuração 31/08/2006, no valor total de R$ 24.697,29. II) Do Despacho Decisório 2. O Despacho Decisório de fls. 07/10 (nº de rastreamento 880540454),emitido em 06/09/2010, apresenta a seguinte fundamentação, decisão e enquadramento legal: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 7.409,20. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. ... III) Da manifestação de inconformidade 3. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 21/09/2010 (AR, fls.11), interpôs a interessada a manifestação de inconformidade de fls. 12/20, instruída com os documentos de fls. 21/44, alegando, em síntese, que: 3.1. os valores compensados devem ser homologados parcialmente, em face de erro formal cometido no preenchimento da DIPJ/2007, ano calendário 2006, que ocasionou informação incorreta do crédito pleiteado; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900881/201059 Acórdão n.º 1201001.321 S1C2T1 Fl. 4 3 3.2. a manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003; 3.3. o crédito utilizado no PER/DCOMP não homologado advém de retenções provenientes de órgão público, pagamentos de estimativas mensais e estimativas compensadas com saldos de períodos anteriores, conforme consta na Ficha 12B da DIPJ/2007; 3.4. ocorre que, os valores apontados, os quais podem ser comprovados através dos documentos que instruem sua manifestação, não foram informados na DIPJ, mas foram posteriormente utilizados no pedido de compensação como imposto indevido, quando o correto seria como saldo negativo; 3.5. após o recebimento do Despacho Decisório, retificou a Ficha 12B da DIPJ/2007, assim como o PER/DCOMP nº 33829.68784.230207.1.3.021936, como forma de corroborar o acima exposto, constituindo assim um saldo negativo de R$ 103.179,76, o qual faz jus; 3.6. reconhece que, considerar o crédito como imposto indevido e não como saldo negativo, gera uma diferença a ser recolhida aos cofres públicos, no entanto, o valor não deve corresponder à totalidade exigida no Despacho Decisório, mas somente à multa e aos juros atualizados; 3.7. assim, considerou o crédito como pagamento indevido ou a maior quando da transmissão do PER/DCOMP nº 41547.65047.280307.1.3.040067 em 28/03/2007, no total de R$ 7.409,20 (principal: R$ 5.877,98; multa: R$ 1.175,60; juros: R$ 355,62), porém o correto seria considerar o valor principal atualizado pela taxa SELIC de janeiro/2007 até março/2007, totalizando R$ 6.051,37, restando uma diferença a ser recolhida de R$ 1.357,82; 3.8. o erro no preenchimento da DIPJ e do PER/DCOMP não exclui o direito à utilização do saldo mencionado, uma vez que se tratam de erros formais, sendo dever da Administração Pública a busca pela verdade material, ou seja, tais como se apresentam na realidade, sendo certo que, para tanto, devem ser considerados todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria aqui tratada; 3.9. desse modo, a simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito pleiteado, conforme já reiterado inúmeras vezes pelas DRJ (Acórdãos nº 1518706/ 2009 e nº 0620283/ 2008) e pelo CARF (Acórdão nº 10417249/ 1999) acerca da situação fática de erro de preenchimento de meio eletrônico, ao concluírem, em suma, que a verdade material deve prevalecer sobre a formal; 3.10. o equívoco jamais pode culminar na desconsideração do crédito oriundo do saldo negativo apurado no ano calendário de 2006, não havendo qualquer mácula na efetiva existência do Fl. 204DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900881/201059 Acórdão n.º 1201001.321 S1C2T1 Fl. 5 4 crédito a ser compensado, tendo em vista que, em hipótese alguma a forma pode se sobrepor à essência; 3.11. é nítida a existência do crédito a que tem direito e que agora é compelida a devolver aos cofres públicos; 3.12. se a manifestação de inconformidade não for acolhida estará a Receita Federal obtendo vantagem patrimonial sem justa causa, o que constitui enriquecimento ilícito, instituto esse fortemente repudiado tanto pelos Tribunais Administrativos como pelos Tribunais Superiores do Judiciário; 3.13. diante do exposto, demonstrada a improcedência parcial do indeferimento do pleito, requer a homologação parcial da compensação efetuada, devendo ser considerada a diferença recolhida em DARF anexo. ... A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/RJ1/RJ) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1242.017, de 31 de outubro de 2011, cientificado ao interessado em 19/12/2012 (Aviso de Recebimento, AR). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/09/2010 LUCRO REAL ANUAL. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA UTILIZADO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO AINDA PENDENTE DE ANÁLISE OU ALTERAÇÃO.CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, compõe o saldo negativo apurado ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art.170 do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme o despacho de encaminhamento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/01/2013. A Recorrente insurgese contra o acórdão recorrido por haver concluído que, em decorrência da pendência de análise dos PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.02 0768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, bem como da possibilidade de modificação dos PER/DCOMPs enviados e da apresentação de novos pedidos de compensação que se utilizem Fl. 205DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900881/201059 Acórdão n.º 1201001.321 S1C2T1 Fl. 6 5 do mesmo saldo negativo, o direito creditório ora pleiteado não seria liquido e certo. Nestes termos, não homologara a compensação declarada. A Recorrente diz que o entendimento é equivocado, pelo que o acórdão recorrido, deve ser integralmente reformado. Alega que: não cabe prejuízo ao julgamento, por depender o presente processo da análise de outras compensações, pois, afronta o principio da eficiência, em razão da não homologação do pedido de compensação por ausência de julgamentos de processos vinculados ao mesmo crédito. a autoridade Fiscal limitouse a afirmar que o crédito pleiteado por meio da PER/DCOMP formalizada nos presentes autos não apresentavam liquidez e certeza, sem ao menos possuir consistente fundamentação e provas, atendose somente a fatos advindos de hipotéticas alterações nas compensações envolvendo o mesmo crédito. de acordo com o principio da verdade material,deve o julgador analisar se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e em caso de manifestação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade,independente do alegado e provado. no âmbito do processo administrativo, além da Verdade Real, impera o Principio da Oficialidade, o qual impõe à Autoridade Fiscal o dever de impulsionar o feito, efetuando diligências, solicitando documentos, com o fito de concluir o processo administrativo em fiel consonância com a verdade real e com a realidade dos fatos. o acórdão proferido nos presentes autos deve ser prontamente reformado, devolvendose os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no ano calendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo de IRPJ do ano base encerrado em 31/12/2006. Protesta a Recorrente pela exposição de razões adicionais às aqui expendidas, bem como pela sustentação oral de suas razões quando do julgamento do Recurso Voluntário por essa Turma julgadora. A antiga 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento, com o intuito de esclarecer os fatos, mediante a Resolução nº 1802000.315, de 11/09/2013, decidiu pela conversão do julgamento em diligência para a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – Demac/RJO informar, se da análise dos PER/DCOMPs n° Fl. 206DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900881/201059 Acórdão n.º 1201001.321 S1C2T1 Fl. 7 6 16859.80336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, e outros, restou reconhecido o saldo credor de IRPJ do ano calendário de 2006, no montante de R$ 103.179,78 e, qual a sua utilização para fins de compensação de débitos, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos e informar se os PER/DCOMPs n° 16859.80336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122 constam de processo administrativo fiscal em tramitação e se existem decisões administrativas em relação a tais PER/DCOMPs. A Demac/RJO elaborou Despacho conclusivo para a análise, cientificado ao sujeito passivo em 22/11/2014, que se manifestou em 08/12/2013. Os autos foram devolvidos ao CARF para prosseguir o julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Para facilitar o entendimento da lide transcrevo o voto condutor da Resolução nº 1802000. 315, de 11/09/2013, mencionada no relatório acima, no sentido de elucidar os fatos: Conforme relatado, o crédito de R$ 7.409,20, aventado nos presentes autos, referese a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, realizado por meio de DARF (cód. 2319), no valor total de R$ 24.697,29, referente ao período de apuração de 31/08/2006. declarado no PER/DCOMP nº 41547.65047.280307.1.3.040067. Os fatos e fundamentos para o indeferimento do pleito, em sede de primeira instância, estão bem explicados no voto condutor do acórdão recorrido do qual se extraem os seguintes excertos: ... 7. Em consulta ao Sistema IRPJ, verifico que a interessada apresentou três DIPJ no ano calendário de 2006: a original (nº 1220872), em 29/06/2007, uma retificadora/cancelada (nº 1514415), em 25/08/2008, e outra retificadora/ativa (nº 1570152), em 21/10/2010, após a ciência do Despacho Decisório em 21/09/2010. Em todas três, são idênticos os valores das estimativas mensais informados na Ficha 11 (“Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa”), os quais totalizam R$ 9.617.173,50 (fls.54/65), como demonstrado a seguir: ... Fl. 207DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900881/201059 Acórdão n.º 1201001.321 S1C2T1 Fl. 8 7 8. A interessada afirma, que após o recebimento do Despacho Decisório procedeu à retificação da Ficha 12B da DIPJ/2007, passando a fazer jus ao saldo negativo de R$ 103.179,76. 9. O Sistema IRPJ confirma (fls. 66/68), que o motivo do acréscimo do saldo negativo está no preenchimento da Ficha12B (“Cálculo do IR sobre o Lucro Real”), eis que, enquanto nas duas primeiras DIPJ a parcela dedutível do “Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa” apresenta o valor de R$ 9.617.173,50, na DIPJ retificadora/ativa consta R$ 9.652.441,32. Consequentemente, o saldo negativo de R$ 67.911,94 das duas primeiras restou acrescido para R$ 103.179,76 na última DIPJ, como sintetizado a seguir: ... 10. Alega a interessada que, por essa razão, também efetuou a retificação do PER/DCOMP nº 33829.68784.230207.1.3.021936 após a ciência do Despacho Decisório. De fato, no PER/DCOMP retificador de nº 16859.80336.211010.1.7.020768 (fls.31/41) declara a compensação de débito de IRPJ utilizando o crédito de R$ 67.850,66, proveniente do saldo negativo retificado de R$ 103.179,76. Após a compensação, o saldo do crédito original soma o montante de R$ 35.329,10. 11. Em pesquisa ao Sistema SIEFWeb (fls. 109), constato que a interessada também transmitiu, na mesma data, outro PER/DCOMP, de nº 34109.77151.211010.1.7.026122 (fls. 69/72), no qual se utiliza de parcela do referido crédito remanescente de R$ 35.329,10, para compensar débito de IRPJ, apurando, após a compensação, o saldo de crédito de R$ 35.267,82. 12. Assim, há necessidade de se averiguar se o excesso recolhido a título de estimativa de IRPJ integra o saldo negativo de R$ 103.179,76 pleiteado no PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768, e se esse excesso foi utilizado para compensação de algum débito. ... 16. Com base nos dados informados na DIPJ/2007 retificadora/ativa, nas DCTF do ano calendário de 2006 e nos recolhimentos de estimativa efetuados constantes do Sistema SIEFWeb, elaborei o seguinte demonstrativo: ... 17. De sua análise, fica evidente que a interessada cometeu, de fato, um erro material no preenchimento das duas primeiras DIPJ/2007, ao deixar de informar na Ficha 12B das respectivas declarações o efetivo valor do “Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa” – R$ 9.652.441,32 – e, consequentemente, do saldo negativo – R$ 103.179,78 após todos os recolhimentos de Fl. 208DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900881/201059 Acórdão n.º 1201001.321 S1C2T1 Fl. 9 8 estimativa de IRPJ efetuados. Por essa razão, procedeu à entrega da terceira e última DIPJ/2007, ainda que após o recebimento do Despacho Decisório. 18. Vêse, assim, que todas as estimativas de IRPJ recolhidas a maior, no período de julho a dezembro/2006, totalizando o valor original de R$ 35.267,84, compõem efetivamente o saldo negativo de R$ 103.179,78, pleiteado no PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768 e no PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122. 19. A conduta da interessada de promover a retificação da DIPJ/2007 após a ciência do Despacho Decisório, bem demonstra o seu intuito de pleitear como crédito oriundo de saldo negativo, tanto os complementos de estimativa efetivamente recolhidos como os valores recolhidos a maior. Prova está na retificação do PER/DCOMP nº 33829.68784.230207.1.3.021936 pelo de nº 16859.80336.211010.1.7.020768 e, ainda, na transmissão do PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122, para declarar compensação de débitos com crédito oriundo do saldo negativo de R$ 103.179,78, no qual se incluem os valores pagos em excesso. Desse modo, a presente análise deve se ater ao mencionado saldo negativo retificado. 20. Sobre a matéria, o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe que os créditos contra a Fazenda Pública devem ser líquidos e certos: ... 21. No caso concreto, o crédito pleiteado não apresenta, todavia, os requisitos de liquidez e certeza exigidos no referido diploma legal, pelos motivos que passo a expor. 22. Os PER/DCOMP de nº 16859.80336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, por meio dos quais a interessada utiliza como crédito, para efeito de compensação, parte do saldo negativo de R$ 103.179,78, ainda se encontram pendentes de análise conclusiva, de acordo com as informações extraídas do Sistema SIEFWeb (fls. 106 e 108). Em decorrência, o exame desse saldo credor não se consumou até a presente data, podendo ele ser confirmado ou não pela autoridade administrativa de jurisdição da interessada, do mesmo modo que o saldo remanescente de R$ 35.267,82 indicado no PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122. 23. Vale ressaltar, que descabe nesta instância administrativa o exame do referido saldo negativo, eis que, se assim ocorresse, estarseia incorrendo em supressão de instância, com evidente prejuízo para a interessada no que concerne à sua defesa. 24. Outro fator que contribui para aumentar a incerteza quanto ao valor do crédito é o fato de o saldo negativo se referir ao ano calendário de 2006. Nessas condições, uma vez ocorrido o fato gerador em 31/12/2006, tem a interessada a possibilidade de, no Fl. 209DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900881/201059 Acórdão n.º 1201001.321 S1C2T1 Fl. 10 9 prazo decadencial de 5 (cinco) anos, ou seja, até 31/12/2011, alterar pedidos feitos em PER/DCOMP anteriores ou mesmo apresentar novos pedidos, com a finalidade de compensar débitos com crédito proveniente desse saldo negativo, de vez que os excessos recolhidos de julho a dezembro/2006 se encontram disponíveis. 25. À vista do exposto, voto no sentido de não acolher as razões da manifestação de inconformidade interposta, motivo pelo qual não reconheço o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 41547.65047.280307.1.3.040067 e não homologo a compensação nele declarada, do débito de CSLL, PA fevereiro/2007. Como se vê, a conclusão da DRJ é que: Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, compõe o saldo negativo apurado ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art.170 do CTN). A Recorrente não se insurge quanto ao entendimento expendido pela DRJ no sentido de que o valor pleiteado no PER/DCOMP sob análise decorre de excesso de estimativa que compõe o saldo credor do IRPJ, declarado na DIPJ/2007, objeto de compensação em dois outros PER/DCOMP. A pretensão da Recorrente em sede recursal é que, os PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122 em que se analisa o saldo credor do IRPJ de 2006, não sejam óbice para a deliberação do pleito de que tratam os presentes autos. A Recorrente pede que sejam devolvidos os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no ano calendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e Fl. 210DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900881/201059 Acórdão n.º 1201001.321 S1C2T1 Fl. 11 10 PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo de IRPJ do ano base encerrado em 31/12/2006. Resta comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, relativo ao período de julho/2006, compõe o saldo negativo de R$ 103.179,78, apurado ao término do ano calendário de 2006, utilizado para compensação de débitos. Com efeito, descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da afirmação acima, pode, em tese, ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de saldo negativo, desde que reconhecido e informados os débitos compensados, via PER/DCOMP. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que expediu o despacho decisório, para diligenciar e informar, se da análise dos PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, e outros, restou reconhecido o saldo credor de IRPJ do ano calendário de 2006, no montante de R$ 103.179,78 e, qual a sua utilização para fins de compensação de débitos, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Finalmente informar se os PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122 constam de processo administrativo fiscal em tramitação e se existe decisões administrativas em relação a tais PER/DCOMPs. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. ... A Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ após verificar a situação dos mencionados PER/DCOMP, conforme constam do sistema SIEF Web, proferiu despacho com a seguinte informação: (...) PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122 (fls. 164). A compensação pleiteada neste PER/DCOMP foi totalmente homologada. O crédito é de saldo negativo de IRPJ do exercício 2007 e seu valor transmitido é de R$ 35.329,10. O débito no valor de R$ 65,50, código de receita 231901, data do fim do PA 30/06/2007 e vencimento em 31/07/2007 foi extinto. O PER/DCOMP com informação do crédito é o de nº 33829.68784.230207.1.3.021936. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900881/201059 Acórdão n.º 1201001.321 S1C2T1 Fl. 12 11 PER/DCOMP nº 30693.88902.170707.1.3.028798 (fls. 165). Este PER/DCOMP foi cancelado pela retificadora 34109.77151.211010.1.7.026122. ... PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768 (fls. 170). A compensação pleiteada neste PER/DCOMP foi totalmente homologada. O crédito é de saldo negativo de IRPJ do exercício 2007 e seu valor transmitido é de R$ 103.179,76. O débito no valor de R$ 69.261,95, código de receita 231901, data do fim do PA 31/01/2007 e vencimento em 28/02/2007 foi extinto. ... Depreendese da informação acima que houve o reconhecimento total de saldo negativo do IRPJ relativo ao ano calendário de 2006 no valor de R$ 103.179,76, do qual foi utilizado parte à compensação homologada do débito de R$ 69.261,95 mediante o PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768, e outra parte à compensação homologada do débito de R$ 65,50 mediante o PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122. Desse modo, verificado o mencionado saldo negativo no valor de R$ 103.179,76, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso, o PER/DCOMP nº 41547.65047.280307.1.3.040067, respeitado o limite do crédito reconhecido e o valor ainda não utilizado pelo contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 103.179,76, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10925.003134/2008-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO.
Verificado equívoco no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito aos valores a serem excluídos da tributação, deve tal lapso ser sanado, com a rerratificação do acórdão.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 2202-003.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos inominados com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-002.199, de 21/02/2013, alterar a decisão original para dar parcial provimento ao recurso, excluindo da base tributável os valores de R$ 882.321,39 no ano-calendário 2005 e de R$ 766.641,14 no ano-calendário 2006, vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira, que rejeitou os embargos.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. Verificado equívoco no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito aos valores a serem excluídos da tributação, deve tal lapso ser sanado, com a rerratificação do acórdão. Embargos acolhidos.
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ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. Verificado equívoco no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito aos valores a serem excluídos da tributação, deve tal lapso ser sanado, com a rerratificação do acórdão. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos inominados com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202002.199, de 21/02/2013, alterar a decisão original para dar parcial provimento ao recurso, excluindo da base tributável os valores de R$ 882.321,39 no anocalendário 2005 e de R$ 766.641,14 no anocalendário 2006, vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira, que rejeitou os embargos. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 31 34 /2 00 8- 70 Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário, que descreve os fatos ocorridos até a decisão anterior desta Turma do CARF. VALMIR CERUTTI, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 776.640.94887, com domicílio fiscal na cidade de Xanxerê SC, Estado de Santa Catarina, à Rua da Paz, nº 56, Bairro La Salle, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba SC, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 1276/1292, prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1288/1297. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 25/04/2009, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 1208/1214), com ciência por AR, em 28/04/2009 (fl. 1225), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 2.495.944,43 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% para a omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários não comprovados e multa de lançamento de oficio qualificado de 150% para a omissão de rendimentos da atividade rural e ganhos de capital (prática reiterada de omissão de rendimentos) e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2006 e 2007, correspondente aos anoscalendário de 2005 e 2006, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente aos exercícios de 2006 e 2007, onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidade: 1 ATIVIDADE RURAL OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL: Omissão de rendimentos provenientes de atividade rural, conforme descrição de fatos presente no Relatório da Atividade Fiscal às fls. 1.131 a 1.207. Infração capitulada nos art. 9° da Lei n° 9.250, de 1995; arts. 60, 61 e 841, do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99); e art. 1° da Lei n°11.119, de 2005. 2 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS: Omissão ganhos de capital obtidos na alienação de bens imóveis rurais, conforme descrição de fatos presente no Relatório da Atividade Fiscal às fls. 1.131 a 1.207. Infração capitulada nos arts. 1°, 2°, 3° e §§, 16, 18 a 22, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 7° e 21, da Lei n° 8.981, de 1995; art. 19 da Lei n° 9.393, de 1996 e arts. 7° e 841, do Decreto n° 3.000, de 1999. 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA: Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrição detalhada dos fatos presente no Relatório da Atividade Fiscal às fls. 1.131 a 1.207. Infração capitulada no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 841 do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99); e art. 1° da Lei n° 11.119, de 2005. Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202003.073 S2C2T2 Fl. 1.448 3 O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do próprio Relatório da Atividade Fiscal (fls. 1131/1171), entre outros, os seguintes aspectos: que com vistas a colher informações adicionais sobre a atividade rural exercida pelo contribuinte foi efetuada circularização às pessoas jurídicas SADIA S/A, PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A e COOPERATIVA REGIONAL SANANDUVA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. Para isso foram lavrados os Termos de Intimação Fiscal SAFIS/DRF/JOASC n° 311 a 313/2009 (acostados, respectivamente, às fls. 1.043 a 1.045, 1.052 a 1.054 e 1.061 a 1.063; que ainda visando obter informações sobre a atividade rural do contribuinte, especialmente no que diz respeito à emissão de notas fiscais de produtor rural, foi lavrado o Ofício GAB/DRF/JOASC n° 1.275/2008 e enviado à Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina, conforme exibido à fl. 1.066; que ao término do trabalho de campo concluiuse que o atendimento à solicitação de documentos constante nas várias intimações foi suficiente para a apuração da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias por parte do contribuinte nos termos estabelecidos neste Relatório. Apesar da omissão em escriturar o Livro Caixa, da falta de emissão de notas fiscais de produtor rural e da não apresentação de documentos comprobatórios das origens da maior parte dos recursos depositados, não foi detectada nenhuma conduta que se coadunasse com as práticas de desobediência ou embaraço à fiscalização; que a orientação inicial da ação fiscal em relato era verificar o cumprimento da legislação do IRPF em relação aos créditos bancários efetuados nas contas correntes do contribuinte, ou seja, verificar os fortes indícios de omissão de rendimento devidos à incompatibilidade entre os rendimentos declarados pelo sujeito passivo e a sua movimentação financeira. Por isso, conforme informado no capítulo anterior foram formulados Termos de Intimação visando colher tais esclarecimentos; que visando atender à determinação legal acerca da regular intimação foram formulados os Termos Fiscais indicados no Capitulo 1 deste Relatório. Essas intimações solicitavam — para expor de forma sucinta — que o contribuinte informasse as contas nas quais possuía movimentação financeira, que apresentasse os extratos bancários respectivos e, por fim, que trouxesse os devidos documentos comprobatórios acompanhados de termo de esclarecimento com vistas a provar a origem de cada crédito ocorrido em suas contascorrentes; que as primeiras constatações sobre possíveis irregularidades referentes à apuração do tributo começaram a ser apresentadas já na entrega dos extratos bancários, quando o contribuinte apresentou termo de esclarecimento (fls. 13 a 14) em que informava a origem de recursos proveniente da atividade rural de R$ 1.656.616,87 para o ano de 2005 e R$ 248.520,51 para 2006. Nas DIRPF referentes aos mesmos anoscalendário o contribuinte havia informado não obter nenhum rendimento proveniente da atividade rural; que, de forma que, após a apresentação pelo sujeito passivo do termo de esclarecimento e dos extratos bancários, o AFRFB elaborou o Termo de Constatação e Intimação Fiscal SAFIS/DRF/JOASC n° 190/2008 (fls. 404 a 420). Neste Termo o AFRFB formalizava a constatação de que o contribuinte recebia rendimentos cuja origem era a atividade rural e, por isso, intimava o sujeito passivo a apresentar os documentos comprobatórios da atividade rural, bem como, dos depósitos bancários; Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 que os depósitos bancários a serem comprovados foram relacionados no "Demonstrativo de Valores — Extratos Bancários" (ANEXO I do Termo de Constatação e Intimação Fiscal SAFIS/DRF/JOASC n° 190/2008, fls. 406 a 418), demonstrativo este que é composto por todos os créditos bancários restantes ao fim dos procedimentos de verificação dos históricos bancários autoexplicativos e de conciliação entre créditos e débitos de contas do mesmo titular; que a documentação foi examinada e, em sua quase totalidade, reconhecida como comprobatória da origem de parte dos depósitos questionados. Contudo, ao fim da avaliação dessa documentação, a maior parte dos créditos bancários restavam não comprovados; que conforme já foi antecipado, a orientação inicial desta ação fiscal era examinar indícios de omissão de rendimentos provenientes da incompatibilidade entre os rendimentos declarados pelo contribuinte em DIRPF e o seu movimento financeiro em instituições bancarias. De forma que toda a lógica da obtenção de informações foi montada sobre este tipo de procedimento fiscal. Por isso, tanto o rendimento da atividade rural quanto o ganho na alienação de bens imóveis são considerados de forma residual, ou seja, apenas quando houve a comprovação de tal origem, mediante apresentação de documentação pertinente, o recurso depositado em conta bancária foi definido como receita da atividade rural ou ganho na alienação de bens imóveis; que de acordo com o apresentado na Tabela 4, os 126 créditos cuja origem é a atividade rural, que totalizaram um valor comprovado de R$ 2.967.173,83, foram comprovados mediante apresentação de notas fiscais de produtor rural aduzidas pelo contribuinte, ou mediante informação trazida em procedimento fiscal de diligência (circularização). Em resposta às Intimações formuladas às três pessoas jurídicas diligenciadas sobrevieram as planilhas demonstrativas de operações realizadas com o produtor rural Valmir Cerutti, que estão acostadas respectivamente às fls. 1.050 a 1.051 (Sadia SA). 1.058 a 1.060 (Perdigão Agroindustrial SA) e 1.065 (Cooperativa Regional Sananduva de Carnes e Derivados Ltda.); que dos 69 créditos cuja origem é o rendimento recebido de pessoas jurídicas, 62 são referentes a aluguéis recebidos do HSBC SA pela locação de edifício para instalação de agência em XanxerêSC. Estes valores, que totalizaram R$ 151.035,61, haviam sido declarados pelo contribuinte, parte em sua DIRPF e parte na DIRPF de sua esposa. Os 7 demais créditos, que totalizaram R$ 60.028,45, foram justificados como provenientes de causa trabalhista contra Ilender do Brasil SA, estão em conformidade com o declarado na DIRPF 2006 (fls. 1.096 a 1.098); que os 12 "Créditos cuja origem é a receita da venda de imóveis", que totalizaram R$ 223.782,00, foram comprovados mediante análise das matrículas no Registro de Imóveis apresentadas às fls. 1.005 a 1.007, Embora não tenha sido declarado o ganho na alienação desses bens, há correspondência entre as vendas de imóveis efetuadas e as informações prestadas na Declaração de Bens e Direitos inserida na DIRPF 2006; que os 15 "Outros créditos", de forma geral, dizem respeito a situações que não foram detectadas na análise preliminar de históricos bancários autoexplicativos e na conciliação entre contas do sujeito passivo. São 3 resgates de aplicação financeira (R$ 18.918,86), 2 estornos (R$ 115.584,41), 4 transferências entre contas do contribuinte (R$ 213.000,00), 3 saques de poupança e depósito em conta corrente (R$ 72.825,83) e 3 reembolsos de despesas bancárias (R$ 96,34); que como se pode notar pela leitura da Tabela 5, para 10 dos créditos pleiteados cujas justificativas não foram acatadas nesta AuditoriaFiscal, foi apontado como origem o recebimento de empréstimo de terceiros. Todavia, não foram trazidos os Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202003.073 S2C2T2 Fl. 1.449 5 documentos comprobatórios de tais operações creditícias, ou seja, os correspondentes controles de empréstimo. Nesse sentido, vale lembrar que mesmo apresentando um instrumento particular de mútuo, dificilmente o contribuinte conseguiria alcançar reconhecimento do seu pleito pois pelo disposto no art. 221 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, abaixo transcrito, os efeitos do instrumento particular não se operam a respeito de terceiros antes de registrado no competente registro público. Se fosse de outra forma, perderia totalmente o sentido a ação fiscal que colimasse apurar a origem da movimentação financeira, pois todo sujeito passivo fiscalizado argumentaria ter recebido uma grande quantidade de empréstimos de terceiros e se livraria da exigência tributária; que sobre o valor de alienação, o § 2° do art. 19 da INSRF n° 84/01 estabelece que, tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase valor de alienação a parcela do preço correspondente às benfeitorias quando tais benfeitorias não tiverem o seu valor de aquisição deduzido como custo ou despesa da atividade rural. Conforme discutido no subcapítulo anterior, o sujeito passivo não escriturava Livro Caixa nem tampouco apurava e declarava as receitas e despesas da atividade rural. Portanto, não há como terem sido abatidas como despesas as parcelas do valor da alienação dos imóveis rurais referentes a benfeitorias; que para dizer de forma resumida, na presente fiscalização foram encontrados fatos econômicos que se enquadram na hipótese de incidência descrita acima. Isto é, na apuração da origem dos créditos bancários efetuados nas contas correntes do sujeito passivo foram encontrados depósitos procedentes de recebimentos de vendas de imóveis com ganho de capital. Este ganho de capital, conforme a legislação que rege a matéria, deve ser considerado como as diferenças entre o "valores de alienação integrais" e o "custos de aquisição", tendo em vista que a parcela do valor correspondente a benfeitorias não havia sido computada em resultados da atividade rural de períodos anteriores; que os evidentes intuitos de fraude são facilmente reconhecidos pelos principais elementos característicos da intenção dolosa, ou seja a Reiteração e a Significância. No caso do contribuinte em questão esses elementos são bem claros pois o quadro por ele próprio pintado ao longo dos anoscalendário de 20052006 revela o seguinte: ao longo do período compreendido entre fevereiro de 2005 a dezembro de 2006 (portanto, continuamente, por 23 meses consecutivos), o contribuinte obteve receitas oriundas de vendas de imóveis e de sua atividade rural, inclusive com emissão de notas de produtor rural, e, apesar disso, deixou de declarar em sua DIRPF um valor de R$ 3.172.114,42 em Receita Bruta e R$ 115.975,32 em Ganho na Alienação de Imóveis Rurais que repercutiriam numa diferença de aproximadamente R$ 192 mil em IRPF devido. Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 25/05/2009, a sua peça impugnatória de fls. 1230/1252, instruído pelos documentos de fls. 1253/1275, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que apesar da farta comprovação da origem dos depósitos e da juntada de elementos de convicção por parte do contribuinte, a autoridade tributária desconsiderou parte da comprovação apresentada e incorreu em equívocos na apuração da matéria tributável que devem ser apreciados por esse colegiado administrativo de julgamento; Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 que na comprovação da origem dos depósitos bancários, o contribuinte apresentou diversos elementos que além de comprovar a origem dos depósitos bancários, demonstraram a exploração da atividade rural, decorrente da criação e venda de suínos vivos para diversas agroindústrias e cooperativas; que de posse destas informações, efetuou a autoridade fiscal circularização para confirmação dos elementos apresentados, tendo apurado com base nas informações disponíveis a receita da atividade rural dos anos calendários 2005 e 2006; que inexistindo o livro caixa contendo a escrituração da atividade rural, a autoridade fiscal arbitrou os rendimentos da atividade à razão de 20% da receita bruta, consoante disposto no § 20 do art. 18 da Lei n. 9.250/95 (art. 60, § 2º do RIR/99); que os rendimentos tributáveis assim apurados, foram integralmente adicionados no procedimento de ofício aos rendimentos já declarados pelo impugnante nos anos calendários de 2005 e 2006, conforme se depreende do Auto de Infração e Relatório da Atividade Fiscal constantes do processo n. 10925.003134/200870; que olvidou, no entanto, a autoridade fiscal, que os rendimentos assim apurados, decorreram da exploração de unidade rural comum ao casal, casado em Comunhão Universal de Bens (vide certidão de casamento anexa), cujo cônjuge Sra. Marizete Fochesatto Cerutti CPF n. 385.731.05968, apresentou declaração em separado em 2005 e 2006; que consoante a autoridade fiscal demonstrou, por desorganização pessoal do casal, os rendimentos decorrentes da exploração da atividade rural comum, não foram oferecidos à tributação em suas declarações relativas aos anos calendários 2005 e 2006; que, diante do exposto, não tendo havido o exercício da opção aventada nos dispositivos mencionados, a autoridade fiscal deveria imputar a cada um dos cônjuges, 50% (cinqüenta por cento) dos rendimentos apurados na atividade rural; que não tem razão a autoridade fiscal em incluir como benfeitorias a diferença entre os valores recebidos e o valor da terra nua constante do DIAT no ano da venda (2005), pois não há esse destaque nas escrituras; que se equivoca, outrossim, ao pretender incluir no valor da alienação a diferença entre os valores efetivamente recebidos e o valor constante do DIAT no ano da venda (2005) escudado no § 2º do art. 19 da IN SRF 84/2001, sob argumento que estes valores não teriam sido computados como custo ou despesa da atividade rural; que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, o contribuinte comprovou quase integralmente a origem dos depósitos bancários, devendo as diferenças apuradas serem atribuídas mais a falta de empenho na busca da verdade real por parte da autoridade fiscal do que a falta de comprovação propriamente dita; que, oral o contribuinte apresentou prova robusta de que os valores depositados em sua conta bancária no Banco SICOOB, tinham origem em operações de desconto de títulos (cheques) atendendo, portanto, o dispositivo legal do art. 42 da Lei n. 9.430 de 1996, invertendo novamente o ônus da prova em seu favor; que, no entanto, em esforço adicional em busca da verdade real, requereu o impugnante novos elementos ao Banco SICOOB que enviou a planilha denominada "Sicoob — Títulos Descontados Relação das Operações contratadas no período de 01/01/2005 a 31/12/2006" contendo o detalhamento e identificação dos emitentes dos cheques que foram descontados e a data das respectivas operações; Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202003.073 S2C2T2 Fl. 1.450 7 que, diante do exposto, restando devidamente comprovada a origem dos créditos relacionados com o histórico "Créd. Liberação TD" no Banco SICOOB, devem ser excluídas da matéria tributável dos anos calendários 2005 e 2006, as importâncias de R$ 818.864,96 e R$ 659.528,95, respectivamente; que, do mesmo modo, mesmo tendo recebido elementos indiciários do contribuinte, comprovando em tese a origem dos recursos depositados em sua conta, a autoridade fiscal recusou a comprovação, sem no entanto exigir novos esclarecimentos e tampouco procurando novos elementos junto às instituições financeiras, conforme se depreende da tabela 5, constante das fls. 16/17 do Relatório de Atividade Fiscal; que, tendo esta sido apresentada pelo contribuinte, ao menos de forma indiciária, cabe ao Fisco comprovar a verdadeira natureza jurídica do recurso e tributálo na forma da legislação específica atividade rural; rendimentos de aluguéis; ganho de capital, etc; que, às folhas 34 e 35 do Relatório da Atividade Fiscal, a autoridade fiscal tece considerações acerca da aplicação da multa de ofício simples (75%) e qualificada (150%), preconizadas no art. 44 da Lei n. 9.430/96; que, como o ordenamento jurídico pátrio, não acolhe o fenômeno da repristinação da lei penal, constatase que para os fatos geradores de 2005 e 2006, não é possível atualmente a aplicação da multa qualificada de 150%, com amparo no inciso II do art. 44 da Lei n. 9.430/96, devendo ser aplicada a multa simples de 75%; que a autoridade fiscal ampara a aplicação da penalidade de 150% apenas no fato da relevância dos valores e na reiteração da prática da conduta adotada pelo contribuinte, não fazendo qualquer indicação em quais dos artigos da Lei n° 4.502 /64 estaria enquadrada a conduta do contribuinte; que, não é demais lembrar que a maior parte dos valores apurados pela autoridade fiscal relativos à exploração da atividade rural, foi fornecida pelo próprio contribuinte, na justificação dos depósitos bancários, não se podendo caracterizar qualquer atitude dolosa também em relação a esta matéria. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Quarta Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, o sujeito passivo sustenta ter figurado ilegitimamente no pólo passivo da relação jurídico tributária em relação à integralidade dos rendimentos decorrentes da exploração da atividade rural. Baseia seu entendimento no artigo 64 do RIR199, que estabelece que o resultado auferido em unidade rural comum ao casal deverá ser apurado e tributado pelos cônjuges proporcionalmente à sua parte; que em análise ao argüido, cumpre esclarecer que, no caso de se constatar ilegitimidade passiva de parte do lançamento, tal constatação não demanda a declaração de nulidade do lançamento como um todo, mas simplesmente sua improcedência (no todo ou em parte); que, depreendese, portanto, que nas propriedades em comunhão decorrente de sociedade conjugal a tributação, em nome de cada cônjuge, incide sobre cinqüenta por cento do total dos rendimentos comuns, podendo, opcionalmente, ser tributado em sua totalidade em nome de um dos cônjuges; Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 que, observase, ainda que os dois cônjuges apresentaram declaração de rendimentos em separado referente aos anoscalendário 2005 e 2006. Assim sendo, diante de expressa disposição regulamentar, acolhese o pleito do sujeito passivo para apuração dos rendimentos apurados na atividade rural a proporção de 50%, tendo em vista trataremse de rendimentos auferidos em unidade rural comum ao casal; que, no tocante ao ganho de capital por alienação de bens imóveis rurais, o sujeito passivo entende que a autoridade fiscal equivocouse na interpretação da legislação. Aduz que, conforme o artigo 19 da Lei n° 9.393/96, considerase valor de alienação, para imóveis adquiridos a partir de 1997 e que houve apresentação de Diat, o valor declarado na Diat, e não o valor das escrituras; que, a autoridade fiscal, na determinação do valor de alienação do imóvel rural, utilizou os valores efetivamente recebidos pelo sujeito passivo na transação, e não os valores declarados na Diat, entendendo que os valores recebidos pelo sujeito passivo pela venda do imóvel rural, excluindo o valor da terra nua declarado pelo alienante, referemse a benfeitorias; que, assim sendo, não tendo sido comprovado a existência de benfeitorias nos imóveis rurais, deve ser tomado como custo de aquisição e valor de alienação o valor da terra nua, e tendo sido o imóvel adquirido em abril de 1997, deve ser tomado como custo de aquisição e valor de alienação os valores declarados nas Diat correspondentes aos anos de aquisição e alienação, respectivamente; que, em relação aos depósitos bancários de origem não comprovada, sustenta o sujeito passivo ter comprovado quase integralmente a origem dos depósitos, devendo as diferenças serem atribuídas a falta de empenho na busca pela verdade real por parte da autoridade fiscal; que, a planilha enviada pelo Banco SICOOB contem detalhamento e identificação dos emitentes dos cheques que foram descontados, constatandose facilmente que os cheques foram emitidos por clientes ou pessoas de relacionamento do sujeito passivo, com os valores coincidindo com os créditos constantes dos extratos do banco; que, a análise do dispositivo permite concluir que a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas é hipótese legal de presunção de omissão de rendimentos. A norma atenuou a carga probatória atribuída ao Fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o ônus probandi a seu cargo; que, como se pode observar, o contribuinte deve comprovar minudentemente, e de forma individualizada, a origem de cada um dos ingressos em suas contas bancárias. Em regra, ou o sujeito passivo demonstra a origem de cada um dos depósitos por documentos hábeis e idôneos coincidentes em data e valor, de forma individualizada, ou então se aperfeiçoa a presunção legal de omissão de rendimentos; que, em relação aos valores depositados em sua conta no Banco SICOOB, durante a ação fiscal limitouse o sujeito passivo a anexar "Fichas Gráficas da Operação — Desconto de Títulos" (fls. 668 a 1.002), fichas estas que não apresentam informações capazes de demonstrar a origem dos depósitos; que, o sujeito passivo defende que o nosso ordenamento jurídico não acolhe o fenômeno da repristinação da lei penal, razão pela qual, para fatos geradores de 2005 e 2006, não é possível a aplicação da multa de 150%, com amparo no inciso II Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202003.073 S2C2T2 Fl. 1.451 9 do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, devendo ser aplicada multa simples de 75%. Ainda que se entenda válida a aplicação da multa, aduz o sujeito passivo ser necessário que a conduta esteja enquadrada em um dos tipos legais da Lei n° 4.502/64, artigos 71,72 e 73, devendo a autoridade fiscal indicar em qual dos casos está enquadrada; que, em relação aos rendimentos da atividade rural, todos estes são declarados de uma vez no anexo da atividade rural, sendo que a simples falta de preenchimento não pode ser enquadrada como fraude, até mesmo porque os valores foram indicados para a autoridade fiscal na justificação dos depósitos bancários; que, como se percebe, em que pese a alteração da redação legal, a norma que punia com multa de oficio de 150% nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 permaneceu intacta, sem qualquer alteração; que, a prática reiterada por dois exercícios fiscais, bem como o valor elevado de rendas de sua atividade rural consideradas como omitidas, quais sejam de R$ 1.741.525,71 para o anocalendário 2005 e R$ 1328.806,64 para o anocalendário 2006, leva a convicção de que tal conduta foi praticada com a intenção de evitar o pagamento do tributo, caracterizando o dolo por parte do sujeito passivo. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 RENDIMENTO PRODUZIDO' EM BEM COMUM. SOCIEDADE CONJUGAL. Em face do regime de bens do casamento, não apenas os rendimentos decorrentes de aluguel, arrendamento e ganho de capital são considerados rendimentos comuns ao casal, mas também as receitas da atividade rural obtidas na exploração de imóvel rural havido na constância da sociedade conjugal. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BEM ADQUIRIDO A PARTIR DE 01.01.1997. No caso de imóvel rural adquirido a partir de 1° de janeiro de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua constante do Documento de Informações e Apuração do ITR DIAT, do ano da aquisição/alienação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NÃO COMPROVADA ORIGEM. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de oficio qualificada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude. Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 Impugnação Procedente em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 09/11/2009, conforme Termo constante na fl. 1285, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (27/11/2009), o recurso voluntário de fls. 1288/1297, instruída de documentos na fls. 1298/1302, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçadas pelas seguintes considerações: que, o recorrente acata a decisão de primeira instância relativa às matérias omissão de rendimentos da atividade rural e ganhos de capital, tendo formulado pedido de parcelamento nos termos da Lei n° 11.941/2009, conforme recibo do requerimento anexo, renunciando de forma expressa e irrevogável a quaisquer alegações de direito em relação a estas matérias; que, a r. decisão de primeira instância formulada pela DRJ Florianópolis, desconsiderou as razões da impugnação em relação à tributação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada; que entendeu o ilustre relator do voto condutor, de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a origem dos recursos relativos aos créditos havidos em suas contas bancárias nos anos calendários 2005 e 2006 e que a comprovação desta origem caberia, em virtude do disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96, única e exclusivamente ao contribuinte; que, e evidente que incorreu em lamentável equívoco o ilustre relator da decisão de primeira instância, no que foi acompanhado pelos demais integrantes da 4 Turma da DRJ Florianópolis — SC; que, com efeito, a utilização de depósitos bancários para fins de tributação de imposto de renda, sofreu sensível alteração com a edição da Lei n° 9.430/96, cujo artigo 42, instituiu presunção simples caracterizando como rendimento omitido, o depósito ou crédito sem origem comprovada; que, assim, cumprindo o ditame do art. 42 do citado diploma legal, basta à Fiscalização Tributária intimar o contribuinte acerca da origem dos depósitos/créditos e aguardar que o mesmo comprove um a um a origem dos mesmos, sob pena de restar caracterizada a subsunção à hipótese legal de omissão de rendimentos; que, no entanto, tendo o contribuinte apresentado de forma detalhada e individualizada a origem dos recursos depositados ou creditados, mesmo de forma insatisfatória aos olhos da autoridade fiscal, revertese o ônus da prova, cabendo ao Fisco averiguar se os recursos são tributáveis ou não; que, não pode a autoridade fiscal simplesmente recusar a comprovação efetuada pelo contribuinte no curso da ação fiscal, escudandose na presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96, sem aprofundar as investigações para verificar se o rendimento é tributável ou não; que no caso em tela a autoridade fiscal acatou a comprovação de parte dos depósitos através de notas fiscais de vendas da atividade rural, não acolhendo, no entanto, as comprovações das operações de desconto de títulos para fins de capital de giro efetuadas na Cooperativa de Crédito Rural Meio Oeste Catarinense — SICOOB e também outros créditos derivados das operações da exploração da atividade rural; que conforme já foi exposto na impugnação, o contribuinte comprovou de forma detalhada e individualizada os créditos bancários constantes dos extratos da Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202003.073 S2C2T2 Fl. 1.452 11 Cooperativa de Crédito Rural Meio Oeste Catarinense (SICOOB), comprovando que os recursos tinham como origem as operações de desconto de títulos (cheques) decorrentes da exploração da atividade rural agropecuária; que durante o curso da ação fiscal o recorrente apresentou a comprovação dos créditos constantes dos extratos da SICOOB, grafados com o histórico "Crédito liberação TD" através de documento fornecido pela cooperativa de crédito denominado "Fichas Gráficas da Operação", comprovando tratarse de operações de desconto de títulos de crédito (cheques); que, portanto, tendo sido apresentados documentos hábeis e idôneos comprovando a origem dos créditos devia a autoridade fiscal, em caso de dúvida quanto a sua natureza tributável ou não tributável, exigir novos elementos ao contribuinte e à instituição financeira (cooperativa de crédito) e não quedarse inerte e recusar simplesmente a comprovação apresentada; que, os cheques que lastrearam as operações de desconto, embutem parcelas tributáveis ou não tributáveis é prova cujo ônus cabia à autoridade fiscal, não elidindo, porém a comprovação da origem dos créditos que foi amplamente demonstrada; que, destarte, afigurase ilegal e indevida a tributação como rendimento omitido por depósitos bancários sem origem comprovada, dos créditos decorrentes de operações de desconto de títulos (cheques) na SICOOB, por não se subsumirem a hipótese legal aventada no art. 42 da Lei n° 9.430/96; que, tratandose na verdade de financiamentos para capital de giro de suas operações da atividade rural, não podem os créditos ser considerados como rendimento tributável e muito menos como créditos sem origem comprovada. É o Relatório. Em sessão de julgamento ocorrida em 21/02/2013, foi dado parcial provimento ao recurso, cuja decisão foi consubstanciada no acórdão 2202002.199, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/1996. Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido. O dispositivo do Acórdão foi assim redigido: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 955.414,60 e R$ 793.603,31, correspondentes aos anoscalendário de 2005 e 2006, respectivamente, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino, que negou provimento ao recurso. A decisão foi então implementada nos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme Informação nº 195/2015 (1.401 a 1.403). A Fazenda Nacional foi cientificada da decisão e interpôs recurso especial (fls. 1.379 a 1.383), ao qual foi dado seguimento, conforme despacho de fls. 1.391 a 1.393. O contribuinte foi cientificado da decisão do CARF, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e da Informação nº 195/2015, em 06/04/2015, por via postal, conforme A.R. à fl. 1.412, tendo apresentado contrarrazões ao recurso especial em 07/04/2015 (fls. 1.414 a 1.420). O contribuinte apresentou em 13/04/2015 (segundafeira), um pedido de revisão dos cálculos em razão da implementação do resultado nos sistemas da RFB (fls. 1.424 a 1.427), alegando que a RFB apurou equivocadamente os valores no "Demonstrativo de Débito", o qual indica os seguintes débitos: R$ 293.565,31 em 2005 e R$ 220.694,37 em 2006. Contudo, afirma que o acórdão do CARF havia exonerado os seguintes valores, em reais: Anocalendário Valor tributado Valor exonerado Valor mantido Imposto remanescente 2005 1.949.831,61 955.414,60 994.417,01 273.464,67 Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202003.073 S2C2T2 Fl. 1.453 13 2006 1.569.166,13 793.603,31 775.562,82 213.279,78 Requer, então, a revisão dos valores para que não restem dúvidas em relação ao imposto remanescente a ser exigido. Na Informação de fls. 1.401 a 1.403, a autoridade preparadora afirmou que há inconsistência nos valores elencados para exclusão na decisão do CARF, os quais deveriam ser de R$ 882.321,39 em 2005 e de R$ 766.641,14 em 2006, o que resultaria nos seguintes valores de imposto lançado: R$ 293.565,31 em 2005 e R$ 220.694,37 em 2006, conforme abaixo: • o depósito de R$ 14.921,57, datado de 10/02/2005, não fez parte da base de cálculo do imposto lançado pela fiscalização. Portanto, deve ser desconsiderado esse valor do montante total a deduzir da base de cálculo do imposto lançado, relativo ao anocalendário 2005; • o valor de R$ 58.171,64, datado de 31/01/2005, foi considerado em duplicidade no acórdão do CARF. Assim, devese subtrair esse valor do montante total a deduzir da base de cálculo do imposto lançado (anocalendário 2005); • os valores dos depósitos/créditos, relativos à contacorrente nº 10.630 do Banco do Brasil, inclusos nos valores a deduzir da base de cálculo do imposto lançado, conforme decisão do CARF, devem ser considerados parcialmente (50%). Desse modo, devese reduzir pela metade os valores dos seguintes depósitos/créditos elencados no acórdão, identificados na tabela 5 das fls. 16/17 do relatório de atividade fiscal: DATA VALOR EM R$ Justificativa 05/07/2006 1.000,00 Empréstimo Adair Fiamenti Ted/Doc 06/07/2006 1.000,00 Idem Idem 07/07/2006 1.000,00 Idem Idem 17/07/2006 11.994,59 Frigoespanha – atividade rural Idem 18/07/2006 104,77 Rec. Devol. Empr. Maria Silva Idem 24/11/2006 38.825,00 Empréstimo de Elecio P. Faita TED/Doc Face a essas considerações, obtêmse os valores a deduzir da base de cálculo do imposto de renda, conforme se demonstra: Ano 2005 Ano 2006 955.414,60 793.603,31 14.921,57 500,00 58.171,64 500,00 500,00 5.997,29 52,38 19.412,50 Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 R$ 882.321,39 R$ 766.641,14 Em despacho de fls. 1.429 e 1.430, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC informou que as diferenças de valor lançado do principal discutidas pelo contribuinte, R$ 20.100,64 em 2005 e de R$ 7.414,56 em 2006, ficariam suspensas até o julgamento do pedido de revisão. Tendo em vista que o relator do Acórdão não mais compõe a Turma, fui designado pelo então Presidente da Turma como redator ad hoc. Os embargos foram convertidos em embargos inominados apresentados por este Conselheiro, tendo sido admitidos em virtude do reconhecimento da existência de controvérsia sobre os valores a serem excluídos da tributação, conforme despacho de admissibilidade (fls. 1.437 a 1.440). É o relatório. Voto Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade e, portanto, devem ser conhecidos. Tratase de embargos inominados opostos por este Conselheiro, relativos ao Acórdão nº 2202002.199, de 21/02/2013, os quais devem ser acolhidos, tendo em vista a existência de lapso manifesto, em conformidade com os artigos 65 e 66 do RICARF. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. [...] Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202003.073 S2C2T2 Fl. 1.454 15 § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. O Contribuinte afirmou que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC apurou equivocadamente os valores no "Demonstrativo de Débito", o qual indica os seguintes débitos: R$ 293.565,31 em 2005 e R$ 220.694,37 em 2006, enquanto a decisão do colegiado do CARF exonerou os seguintes valores, em reais: Ano calendário Valor tributado Valor exonerado Valor mantido Imposto remanescente 2005 1.949.831,61 955.414,60 994.417,01 273.464,67 2006 1.569.166,13 793.603,31 775.562,82 213.279,78 Conforme a Informação Fiscal de fls. 1.401 a 1.403, foram detectadas inconsistências relativas aos valores especificados na decisão desta Turma do CARF para serem excluídos da tributação, os quais deveriam ser R$ 882.321,39 em 2005 e R$ 766.641,14 em 2006, conforme abaixo: Ano 2005 Ano 2006 955.414,60 793.603,31 14.921,57 500,00 58.171,64 500,00 500,00 5.997,29 52,38 19.412,50 R$ 882.321,39 R$ 766.641,14 Observase pela planilha "Demonstrativo da Apuração da Comprovação de Créditos Bancários Situação Final" (fl. 1.204) que o depósito de R$ 14.921,57, efetuado em 10/02/2005, já havia sido excluído da base de cálculo do imposto lançado pela fiscalização, pois fora considerado como de origem comprovada. Portanto, esse valor não deveria ter sido excluído pela decisão do CARF. O depósito de R$ 58.171,64, datado de 31/01/2005, foi considerado em duplicidade na decisão do CARF, conforme afirma a DRF/Joaçaba. Tanto na tabela 5 (fl. Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 1.173) como no "Demonstrativo da Apuração da Comprovação de Créditos Bancários Situação Final" (fl. 1.204), esse valor consta como não comprovado e, portanto, fora incluído como tributável pela Fiscalização. Entretanto ele consta como excluído pela decisão embargada de forma repetida fls. 1.371 (1ª linha) e 1.373 (1ª linha da 2ª tabela). Assim, como esse valor somente poderia ter sido excluído uma única vez, devese efetuar a correção da decisão nesse ponto. Quanto aos créditos da conta corrente nº 10.630, do Banco do Brasil, os quais foram excluídos pela decisão do CARF da base de cálculo tributável, eles somente deveriam ter sido deduzidos na proporção de 50%, tendo em vista assim terem sido tributados pela Fiscalização, por serem relativos à conta corrente conjunta, conforme tabelas 6 e 7 do Relatório da Atividade Fiscal (fls. 1.177 e 1.178) e demonstrativo da apuração (fls. 1.202 e 1.203). Portanto, em relação aos valores que estão sendo questionados nos presentes embargos, temos o seguinte: Mês/Ano Valores excluídos pela decisão embargada (R$) Valores a serem excluídos (R$) Valores excluídos indevidamente (R$) 01/2005 58.171,64 0,00 58.171,64 02/2005 14.921,57 0,00 14.921,57 Subtotal de 2005 73.093,21 58.171,64 73.093,21 07/2006 1.000,00 500,00 500,00 07/2006 1.000,00 500,00 500,00 07/2006 1.000,00 500,00 500,00 07/2006 11.994,59 5.997,29 5.997,29 07/2006 104,77 52,38 52,38 11/2006 38.825,00 19.412,50 19.412,50 Subtotal de 2006 53.924,36 26.962,17 26.962,17 Assim, concluise que devem ser excluídos da base de cálculo os seguintes valores, em reais: Ano de 2005 Ano de 2006 Valores excluídos pela decisão embargada 955.414,60 793.603,31 Valores excluídos de forma equivocada 73.093,21 26.962,17 Valores a serem excluídos 882.321,39 766.641,14 Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202003.073 S2C2T2 Fl. 1.455 17 Diante do exposto, acolho os embargos inominados com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202002.199, de 21/02/2013, alterar a decisão original para DAR PARCIAL provimento ao recurso, excluindo da base tributável os valores de R$ 882.321,39 no anocalendário 2005 e de R$ 766.641,14 no anocalendário 2006. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13882.000397/2003-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/07/1998 a 31/10/1998
PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 10/06/98, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito do contribuinte pleitear restituição/compensação do PIS relativo ao período de 30/07/1998 a 31/10/1998, objeto de seu pedido.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: NANCI GAMA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/07/1998 a 31/10/1998 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 10/06/98, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito do contribuinte pleitear restituição/compensação do PIS relativo ao período de 30/07/1998 a 31/10/1998, objeto de seu pedido. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 2. 00 03 97 /2 00 3- 54 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13882.000397/200354 Acórdão n.º 9303003.140 CSRFT3 Fl. 236 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Antonio Carlos Atulim Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Nos termos do art. 17, III, do RICARF1, incumbiume o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o presente acórdão, tendo em vista que a relatora originária, Conselheira Nanci Gama, deixou o colegiado antes da formalização e assinatura do acórdão. Para fins de formalização deste acórdão adoto o relatório e voto da Conselheira Nanci Gama, entregue à Secretaria da CSRF por ocasião da sessão de julgamento, in verbis: "Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de nº 20181.327, proferido pela Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de o contribuinte pleitear, em 10 de agosto de 2003, restituição/compensação de valores de PIS referentes ao período compreendido entre 30 de julho de 1998 a 31 de outubro de 1998 e, paralelamente, reconheceu a semestralidade da base do cálculo de referida contribuição. Para tanto, a Primeira Câmara considerou que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de PIS nos presentes autos seria de 5 (cinco) anos contados a partir da Resolução do Senado Federal de nº 49, a qual suspendeu a execução dos inconstitucionais Decretos Leis 2.445 e 2.449, ambos de 1988. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13882.000397/200354 Acórdão n.º 9303003.140 CSRFT3 Fl. 237 3 Inconformada, a Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria MF nº 147/2007, interpôs recurso especial aduzindo que o prazo para pleitear restituição/compensação é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário e, por conseguinte, violação aos artigos 165 e 168, I, do CTN. O ilustre Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, em despacho de fls. 187/188, deu seguimento ao recurso especial. Intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões requerendo a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório." Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc "O recurso especial é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Regimento, razão pela qual dele conheço. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de nº 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação de aludida Resolução do Senado Federal. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir das datas de extinção do crédito tributário, ocorridas no que se refere ao período compreendido entre 30 de julho de 1998 a 31 de outubro de 1998 e que, portanto, o pedido de restituição, protocolado em 10 de agosto de 2003, já estaria parcialmente prescrito. Considerando que o artigo 62A do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13882.000397/200354 Acórdão n.º 9303003.140 CSRFT3 Fl. 238 4 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I do CTN). E, em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13882.000397/200354 Acórdão n.º 9303003.140 CSRFT3 Fl. 239 5 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em face do exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe negar provimento." Antonio Carlos Atulim Fl. 239DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721342/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. PERC. FINOR. DIREITO RECONHECIDO. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o auto de infração decorrente do indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo Fiscal (PERC), quando o direito de destinação ao FINOR, do valor objeto de autuação, é reconhecido a título de incentivo fiscal no julgamento do PERC.
Numero da decisão: 1301-001.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 20/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. PERC. FINOR. DIREITO RECONHECIDO. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o auto de infração decorrente do indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo Fiscal (PERC), quando o direito de destinação ao FINOR, do valor objeto de autuação, é reconhecido a título de incentivo fiscal no julgamento do PERC.
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PERC. FINOR. DIREITO RECONHECIDO. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o auto de infração decorrente do indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo Fiscal (PERC), quando o direito de destinação ao FINOR, do valor objeto de autuação, é reconhecido a título de incentivo fiscal no julgamento do PERC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 20/03/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 42 /2 01 2- 66 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 16327.721342/201266 Acórdão n.º 1301001.963 S1C3T1 Fl. 360 3 Relatório BV FINANCEIRA S/A, já qualificada nos autos, impugna o auto de infração para lançamento de ofício da diferença de IRPJ que deixou de ser paga em virtude de destinação indevida para o FINOR (aplicação em incentivos fiscais), nos termos do Art. 105, § 10 da Instrução Normativa SRF nº 267 de 2002. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, o qual adoto na íntegra: 1. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supra qualificado, efetuouse, em 11/12/2012, o lançamento de ofício para a constituição dos créditos tributários, consubstanciados no auto de infração e demonstrativos de fls. 97 a 101, no valor total de R$ 24.377.936,75, a título de IRPJ, decomposto da seguinte maneira: Imposto.........................................................................R$ 10.862.640,03 Juros de mora (calculados até 12/2012) ......................R$ 5.368.316,70 Multa proporcional (passível de redução)....................R$ 8.146.980,02 Valor do Crédito Tributário..........................................R$ 24.377.936,75 1.1. A lavratura se deu em função da apuração da seguinte infração, com o respectivo enquadramento legal: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Enquadramento legal: Ato Declaratório Normativo CST nº 26/1985; arts. 247 e 841, inciso IV, do RIR/99; art. 105, § 10 da IN SRF nº 267/2002. 2. O contribuinte foi notificado da autuação em 17/12/2012, conforme ciência exarada nas fls. 97. 3. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 93 a 96, a autoridade autuante informa, em síntese, o seguinte: 3.1 A DIORT da DEINF analisou o PERC (Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais) formulado pelo sujeito passivo relativamente ao IRPJ do anocalendário 2007 e indeferiu o pedido por meio de despacho decisório com a seguinte ementa: “RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APRESENTADA FORA DO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA, COM ALTERAÇÃO DE VALORES DA OPÇÃO. A pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimento original ou retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores a serem aplicados em incentivos fiscais Fl. 361DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 4 regionais, não fará jus a essa opção, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente. Pedido indeferido." 3.2 Foi encaminhada a fotocópia de tal despacho ao Sepac/DEINF, para eventual programação de fiscalização visando a constituição do crédito tributário no valor principal de R$ 10.862.640,03, referente ao total de IRPJ que deixou de ser pago em virtude de destinação indevida para o FINOR. 3.3 A análise do mérito foi feita pela autoridade da DIORT que detinha a competência para tanto e o lançamento de ofício foi efetuado com fulcro no § 10 do artigo 105 da Instrução Normativa SRF 267/2002. 4.Irresignado com o lançamento o autuado apresentou, em 16/01/2013, a impugnação de fls. 106 a 132, informando e alegando, em síntese, o seguinte: Sobre os fatos: 4.1 Formalizou a opção de destinação de parte do imposto devido ao FINOR em 31/03/2008, mediante recolhimento em DARF específico sob o código 9344, no montante de R$ 11.705.730,56 e posteriormente manifestou tal opção na DIPJ – 2008, entregue em 27/06/2008. 4.1.1 Após ter constatado erro na apuração do lucro real o impugnante retificou a DIPJ, sendo a última entregue em 29/07/2011 (sic). Como conseqüência dessas correções houve alteração no valor de aplicação ao fundo de R$ 11.705.730,56 para R$ 10.862.640,03. 4.1.2 Ao analisar a opção do impugnante a autoridade fiscal a indeferiu sob a alegação de que a simples entrega de DIPJ retificadora em 29/04/2011 anularia a sua opção, o que obstou a Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (OEIF) e considerou o montante destinado ao fundo como subscrição voluntária. Diante desta negativa foi apresentado o Pedido de Revisão (PERC) que, apreciado pela autoridade fiscal, teve o indeferimento consumado no Despacho Decisório com ementa referida no item 3.1. Em face desse indeferimento o ora impugnante apresentou a Manifestação de Inconformidade que aguarda o julgamento em primeira instância. 4.1.2.1 Entretanto, em decorrência da decisão que indeferiu o PERC promoveuse, por lançamento, a exigência do IRPJ equivalente à destinação feita ao FINOR, sob a alegação de recolhimento a menor do imposto. 4.1.3 Tal lançamento, no entanto, é improcedente, uma vez que decorre, única e exclusivamente, do indeferimento da opção, que é discutido nos autos do PA nº 16327.001316/201056, para o qual ainda não há decisão definitiva. Sobre o Direito Preliminar: 4.2 Ausência de fundamentação legal: Haveria nulidade do AI por ausência de fundamentação legal, uma vez que não se verifica no “enquadramento legal” da infração nenhum dispositivo de lei como exige o inciso IV do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, até porque as referências do RIR/99 utilizados na fundamentação trariam apenas o conceito de lucro real e disposição sobre lançamento de ofício por recolhimento insuficiente de tributo. Já a IN SRF nº 267/02 e o ADN CST nº 26/1985 não possuem força cogente para sustentar um lançamento fiscal. E, ainda que se pretendesse fundamentar a alegada insuficiência de recolhimento, da mesma forma se afiguraria nula a autuação, pois até que finde o Procedimento Fl. 362DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 16327.721342/201266 Acórdão n.º 1301001.963 S1C3T1 Fl. 361 5 Administrativo referente à análise do PERC não existe recolhimento a menor do IRPJ, mas discussão sobre a destinação do montante aplicado no FINOR. 4.2.1 Cerceamento do direito de defesa: Haveria ainda o cerceamento do direito de defesa, pois a ausência de fundamentação legal ocasiona sério embargo ao exercício da ampla defesa. A verificação da ocorrência do fato gerador que configura pressuposto de validade do lançamento tributário consiste na necessária dilação probatória, a cargo do Fisco, da qual decorre a convicção de que tenha existido o fato descrito na norma como motivador da incidência tributária. O impugnante não pode se defender sem saber a causa e os reais motivos que levaram a autoridade fiscal a efetuar o lançamento. 4.2.2 Ausência de decisão definitiva acerca da opção: Inexiste a falta do recolhimento de imposto até que haja decisão definitiva no processo que discute o direito do impugnante de aplicação de parte do imposto no FINOR. 4.2.2.1 Na defesa relativa ao processo nº 16327.001316/201056, para evidenciar o seu direito de destinação do imposto ao FINOR o contribuinte alega que: (i) Foi feita a regular Opção ao Incentivo Fiscal mediante DARF específico efetuada dentro da competência; (ii) Não houve nova opção e nem acréscimo na DIPJ retificadora e é descabido o ADN CST nº 26/85 e também a Nota SRF/Cosar nº 131/2001; (iii) Não há embasamento legal para o indeferimento do PERC por conta da entrega de retificadora e (iv) Havia regularidade fiscal da requerente. 4.2.2.2 É inconteste o efeito impeditivo que a discussão instaurada no referido PA acarreta sobre o presente caso, pois o suposto débito fiscal aqui discutido só existiria com o indeferimento definitivo da Opção ali litigada. O artigo 142 do CTN determina que a administração tributária verifique a ocorrência do fato gerador da infração e não sua previsão. O autuante não pode afirmar ter havido insuficiência no recolhimento do imposto, pois o mesmo foi recolhido e pende de julgamento a sua destinação. 4.2.3 Lançamento fundado em erro de fato: O impugnante detectou um erro de fato na apuração do lucro real correspondente a o anocalendário de 2007, razão pela qual apresentou a DIPJ retificadora que, por seu turno, ocasionou o indeferimento da opção de aplicação do imposto no FINOR. Portanto o presente auto de infração, decorrente do indeferimento do PERC, é conseqüência de um erro de fato no preenchimento da declaração, o que é rechaçado pelo CARF, conforme trechos e ementas das decisões colacionadas. 4.2.4 Inexistência de subscrição voluntária ao FINOR: Ausência de recolhimento a menor de IRPJ) A manifestação da vontade da Impugnante pela Opção ao FINOR foi declarada de forma clara e inequívoca na DIPJ do exercício de 2008, pela destinação de 12 % (doze por cento) do valor devido a título de IRPJ, ou seja, não se optou por deixar de pagar o IRPJ no montante destinado, como se se pretendesse investir no FINOR com recursos próprios e deixar descoberto o IRPJ na mesma proporção. Desta maneira mesmo na hipótese se indeferir a Opção, o montante destinado ao FINOR não poderá ser tratado como subscrição voluntária, mas sim transferido ao código 2390 para a quitação do IRPJ do período. Seria contraditório um contribuinte que, procurando ajudar no desenvolvimento do país, fizesse aplicação voluntária no fundo de desenvolvimento e ao mesmo tempo deixasse de recolher a mesma quantia em impostos, fato este que demonstra a ausência de intenção na subscrição voluntária ao FINOR. 4.2.5 Descabimento do lançamento para prevenir decadência: Em atenção ao princípio da eventualidade da defesa cumpre enfrentar a cogitada pretensão da Fl. 363DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 6 Autoridade Fiscal de lavrar Auto de Infração com o único propósito de evitar a ocorrência da decadência do crédito tributário decorrente do indeferimento do OEIF. Esta hipótese, porém, não se aplica ao presente caso, isto porque tal lançamento deve ser efetuado com fulcro no artigo 63 da Lei nº 9.430/96, o que não ocorreu, seja porque não houve menção de tal dispositivo no enquadramento legal da infração, seja porque foi imposta a multa de 75%. Assim, tivesse o AI a pretensão de prevenir a decadência do débito impugnado, ainda assim seria insubsistente o lançamento, agora por se tratar de lançamento com erro de direito. Mérito: 4.3 Necessário reconhecimento do direito ao incentivo fiscal in casu: Ilegalidade do Ato Declaratório Normativo CST nº 26/85: A discussão acerca da ilegalidade do ADN CST nº 26/5 já é objeto de discussão no PA 16327.001316/201056. Tal ato deve ser afastado uma vez que a retificação da DIPJ/2008 não representou, uma "nova" Opção ao Incentivo Fiscal, tampouco acarretou o aumento desta, sendo que o CARF, conforme ementas colacionadas, já decidiu assim em diversas ocasiões. Além do que a vedação perpetrada pelo ADE CST n° 26/85 não conta com amparo em base legal, pelo contrário, não há lei que disponha sobre a impossibilidade de retificação de DIPJ nas situações em questão, conforme outras várias decisões do CARF. 4.3.1 Descabimento da Multa de Ofício face à precariedade do lançamento – PERC não julgado em definitivo: Ainda que não seja um lançamento de crédito tributário com exigibilidade suspensa é preciso que se reconheça tal suspensão, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, em razão da defesa administrativa apresentada no PA 16327.001316/201056, afastando, assim, o valor exigido a título de multa de ofício. Isto porque a multa de ofício visa penalizar o contribuinte que descumpre a legislação tributária e tendo em vista que o impugnante permanece discutindo no outro processo a possibilidade de destinar parte do IRPJ ao FINOR, não há descumprimento da obrigação tributária até haja ali uma decisão definitiva. É o que se pode extrair dos trechos doutrinários e de decisões administrativas que se colaciona. 4.3.2 Descabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício: Ainda que não seja cancelado o crédito tributário combatido, devese ao menos afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Isto porque tal exigência carece de fundamentação legal, já que o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 é claro ao restringir a aplicação dos juros de mora apenas sobre o principal lançado, uma vez que os débitos não podem ser confundidos com as multas que tem causas diversas, conforme preceitua o artigo 3º do CTN. Além do que a lei está fazendo referência a débitos não lançados. 4.3.2.1 Corroborando com o entendimento acima o § único do artigo 43, da Lei n° 9.430/96, prevê a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente, de forma que, se a multa de ofício fizesse parte dos débitos mencionados no artigo 61, não faria sentido a existência daquele dispositivo em separado. 4.3.2.2 Ademais, ao analisar conjuntamente os artigos 161, 139 e 113, do CTN, verificase que o próprio CTN não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada proporcionalmente ao tributo. 5.Por fim o autuado requer seja dado provimento à impugnação com o cancelamento total do auto de infração e caso assim não seja que seja revista a autuação para: (i) afastar a incidência da multa de ofício, tendo em vista a pendência de discussão administrativa sobre o OEIF; (ii) afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício; bem como (iii) afastar a aplicação do ADE CST n° 26/85, in cosu. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 16327.721342/201266 Acórdão n.º 1301001.963 S1C3T1 Fl. 362 7 6. Entendendo ser necessária a análise prévia do PERC para o deslinde da questão, o processo foi baixado em diligência para que se informasse a situação do PA nº 16327.001316/201056, ou, caso estivesse para ser encaminhado ao julgamento, que retornasse juntamente com o presente para apreciação em conjunto. Houve o retorno de ambos para a análise conjunta. A 8ª Turma da DRJ em São Paulo I (SP) analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1650.054, de 29/08/2013 (fls. 321/340), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. PERC. FINOR. DIREITO RECONHECIDO. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o auto de infração decorrente do indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo Fiscal (PERC), quando o direito de destinação ao FINOR, do valor objeto de autuação, é reconhecido a título de incentivo fiscal no julgamento do PERC. Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário (principal mais multas) em valor superior ao limite de alçada (R$1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. A 2ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara, por unanimidade de votos, entendeu por converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora informasse a situação atual do processo nº 16327.001316/201056, a este vinculado, e, caso estivesse definitivamente julgado, que fosse aquele apensado ao presente para apreciação dos mesmos em conjunto dado ser a matéria daquele, prejudicial à matéria sobre a qual versa o presente processo. Aos 25/02/2015, a DEINF/SP juntou, por apensação, a este processo, o processo nº 16327.001316/201056 É o relatório. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 8 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância, verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Conforme Termo de Verificação Fiscal a presente autuação é decorrente do indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), consubstanciado no processo administrativo nº 16327.001316/201056. Em preliminar, dentre outras questões, o impugnante alega que o lançamento não pode subsistir pois não há que se falar em recolhimento a menor de IRPJ enquanto não se julgar definitivamente o PERC relacionado, visto que tal decisão poderia entender que a parcela objeto de autuação não deveria ser considerada como aplicação com recursos próprios ao FINOR e sim destinação do IRPJ ao fundo na forma de incentivo fiscal. Dada a nítida conexão e dependência existentes entre a análise do PERC e o deslinde da presente questão, o processo foi baixado em diligência para que eventualmente retornasse juntamente com o outro para análise em conjunto. Tendo sido cumprida a diligência e havendo sido anexado a estes autos os autos do processo nº 16327.001316/201056, fica confirmado que neste último processo foi reconhecida como válida a opção feita pelo contribuinte para aplicação de seu IRPJ devido ao FINOR. A esse respeito, o Relator de primeira instância julgou procedente a impugnação apresentada pela Interessada nos autos do processo conexo, qual seja, processo nº 16327.001316/201056, para reconhecer como válida a opção feita pelo contribuinte. Com efeito, transcrevo a seguir parte de seu voto proferido nesse sentido: 17. Por tudo, há que se considerar válida a opção feita pelo manifestante devendo ser reconhecido como destinação do imposto a incentivos fiscais o valor normalizado de R$ 10.862.640,03, e como aplicação com recursos próprios a diferença de R$ 843.090,53 (R$ 11.705.730,56 – R$ 10.862.640,03) 18. Ante o exposto, julgo PARCIALMENTE PROCEDENTE a presente manifestação de inconformidade, no sentido de CONSIDERAR VÁLIDA a opção feita pelo manifestante de destinação de parte do pagamento efetuado sob o código 9344 (R$ 10.862.640,03) ao FINOR como incentivo fiscal e INDEFERIR o pleito de transferência da diferença entre o DARF recolhido sob tal código e o valor Fl. 366DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 16327.721342/201266 Acórdão n.º 1301001.963 S1C3T1 Fl. 363 9 reconhecido como incentivo para o código 2390, devendo tal valor ser considerado como aplicação com recursos próprios ao fundo.” Pelo decidido no que tange à opção quanto ao FINOR, notase que o valor reconhecido como aplicação a título de incentivo fiscal é o mesmo do objeto da presente autuação. Assim, o auto de infração ora combatido perdeu a razão de existir, pois o mesmo era decorrente da falta de recolhimento de imposto de renda na monta de R$ 10.862.640,03, referente ao anocalendário 2007, e, uma vez reconhecido que houve tal recolhimento e que o mesmo foi aceito como sendo IRPJ devido/recolhido e destinado ao FINOR como incentivo fiscal, não haveria como sustentar o lançamento efetuado. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. Sala de Sessões, 03 de março de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Fl. 367DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
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Numero do processo: 17883.000076/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2007
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CESTA BÁSICA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DAS DISPOSIÇÕES DA LEI 10.101/00. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A pagamento das verbas intituladas como participação nos lucros e resultados deve observar a periodicidade prevista no art. 3º, §2º da Lei 10.101/00, sob pena de ser considerada como verba de caráter salarial e sujeita à incidência das contribuições previdenciárias.
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os valores decorrentes do fornecimento de cesta básica.
Ronaldo de Lima Macedo Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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CESTA BÁSICA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DAS DISPOSIÇÕES DA LEI 10.101/00. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A pagamento das verbas intituladas como participação nos lucros e resultados deve observar a periodicidade prevista no art. 3º, §2º da Lei 10.101/00, sob pena de ser considerada como verba de caráter salarial e sujeita à incidência das contribuições previdenciárias. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 00 76 /2 01 0- 20 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os valores decorrentes do fornecimento de cesta básica. Ronaldo de Lima Macedo – Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17883.000076/201020 Acórdão n.º 2402004.888 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por VIAÇÃO SANTO ANTÔNIO E TURISMO LTDA em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto De Infração n. 37.249.2444, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte dos segurados, incidentes sobre pagamentos efetuados a empregados, cujos fatos geradores foram os seguintes: a) 17.1 — Cesta Básica Foi apurado com base nas folhas de pagamento e foi considerado como salário de contribuição, tendo em vista que a empresa forneceu ao empregados o benefício da cesta básica sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT. b) 17.2 — Participação nos Lucros — Foi apurado com base nas folhas de pagamento e foi considerado como salário de contribuição, tendo em vista que a empresa pagou aos segurados empregados, parcelas mensais de R$ 10,00 e, desta forma, o procedimento ficou em desacordo com a Lei n°. 10.101, de 19/12/2000. Os valores lançados foram retirados das informações constantes em folha de pagamentos. O lançamento se refere ao período de 06/2005 a 12/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 31/05/2010. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, o recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a não incidência de contribuições previdenciárias em razão do fornecimento de cestas básicas, mesmo diante da não inscrição da recorrente no PAT; 2. sobre a participação nos resultados aduz que, sobre ela, não há incidência de contribuição previdenciária, não havendo como se entender que sobre o parcelamento dessa mesma participação, ainda que de forma adiantada, para se evitar perda de poder aquisitivo dos empregados, deva incidir aludida contribuição na medida em que o que deve ser considerado é que a parcela paga nada mais é que a participação nos resultados e não salário, desde que esta ação não mascarasse uma intenção de suprimir direitos do empregado. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 3. acresce que a periodicidade da distribuição não é não pode ser considerada como aspecto substancial da qualificação da verba como salarial ou isenta das contribuições lançadas; 4. que a adoção do procedimento de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições fora realizado de forma totalmente injustificada e ilegal, na medida em que possui escrita contábil regular; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17883.000076/201020 Acórdão n.º 2402004.888 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Sem preliminares, passo ao mérito. MÉRITO Do lançamento sobre a concessão de cestas básicas A fiscalização apontou que a recorrente forneceu cesta básica aos seus empregados sem recolher as contribuições previdenciárias incidentes, agindo, pois, em desacordo com a legislação já que não possuía inscrição no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Todavia, referida matéria já fora objeto de pacificação, por meio do parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, mediante o qual a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional passou a reconhecer estar definitivamente vencida quanto no que se refere a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, concedida pelos empregadores a seus empregados, conforme consolidada jurisprudência do STJ. O parecer restou assim ementado: "Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos". No mesmo sentido foi editado o Ato Declaratório PGFN n. 03/2011, confira se: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. No caso dos autos, consta expressamente do relatório fiscal do presente Auto de Infração que a recorrente fornecia a alimentação in natura, no caso, cestas básicas, sendo, portanto, o caso de acatarse aquilo o que determinado pelo parecer supra. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Logo, sobre a concessão de cestas básicas, não incidem as contribuições previdenciárias. Da participação nos Lucros e Resultados Sobre referido fato gerador, assim se manifestou o ilustre fiscal: "17.2 — Participação nos Lucros — Foi apurado com base nas folhas de pagamento e foi considerado como salário de contribuição, tendo em vista que a empresa pagou aos segurados empregados, parcelas mensais de R$ 10,00 e, desta forma, o procedimento ficou em desacordo com a Lei n°. 10.101, de 19/12/2000". Verificase, portanto, que a fiscalização considerou que os pagamentos efetuados estavam em desacordo com a Lei 10.101/00, em razão da inobservância da regra da periodicidade da distribuição dos valores pagos a título de PLR. Sobre o assunto, a Lei 10.101/00 dispunha, à época dos fatos geradores, de forma bastante clara, que os pagamentos da PLR não poderiam ser efetuados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, conforme se verifica do §2º de seu artigo 3º, a seguir: "§ 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil". No caso dos autos, a recorrente efetuou pagamento da PLR mensalmente aos seus segurados empregados, agindo em desacordo ao que determinado pelo dispositivo legal supramencionado. E a recorrente alega, em sua defesa, que a regra da periodicidade não poderia ser considerada como aspecto substancial, a determinar a classificação da verba como salaria ou não, tendo em vista que a Participação nos Lucros e Resultados possui previsão constitucional que a caracteriza como verba imune a incidência das contribuições previdenciárias, devendo este conselho afastar a incidência da regra inscrita no art. 3º, §2º, da Lei 10.101/00. Tenho, no entanto, que tais irresignações, da forma como constam no recurso voluntário, não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Ademais, percebese que a Constituição Federal de 1988 remeteu de forma expressa à lei ordinária a incumbência na fixação dos direitos da participação nos lucros, confirase: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17883.000076/201020 Acórdão n.º 2402004.888 S2C4T2 Fl. 5 7 "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei". Dessa forma, a meu ver, a norma supra, apesar de insculpir verdadeira imunidade, fez clara a alusão à necessidade de promulgação de norma infraconstitucional que regulamente e integre o pagamento da participação nos lucros e resultados, para que então venha a ser desvinculada do salário. A própria constituição Federal exige a promulgação de legislação ulterior que venha a definir as condições necessárias para que o direito por ela garantido, possa surtir seus efeitos de forma prática. O saudoso jurista Pontes de Miranda já dizia que nem todas as normas constitucionais são aplicadas em decorrência da simples promulgação do texto constituciona, conforme lição a seguir: “quando uma regra se basta, por si mesma, para a sua incidência, dizse bastante em si, self executing, self acting, self enforcing. Quando, porém, precisam as regras jurídicas de regulamentação, porque, sem a criação de novas regras jurídicas, que as complementem ou suplementem, não poderiam incidir e, pois, ser aplicadas, dizemse não bastantes em si”(MIRANDA, Francisco Cavalcanti Pontes de.Comentários à Constituição de 1946.São Paulo: Max Limonad, 1953, p.148)". Assim, diante da própria constituição ter determinado a necessidade de norma regulamentadora, in casu, somente com a existência desta e desde que respeitado os limites que por ela vierem a ser impostos, é que irão surtir na prática os efeitos essenciais da norma constitucional. No que se refere a PLR a questão veio a ser tratada por intermédio da Lei 10.101/00, que regula a forma de pagamento da verba em questão, para que venha a ser consumado o efeito prático pretendido pelo legislador constituinte, de modo que não cabe a este relator deixar de aplicar ao caso referida legislação ao caso em concreto, ainda considerado o comando do art. 28, §9o da Lei 8.212/91. Assim, verificada a desobediência aos critérios de periodicidade da distribuição da PLR, é de ser mantido o lançamento sobre este aspecto. A ilegalidade da aferição indireta A recorrente defende a ilegalidade da adoção do procedimento de aferição indireta. Tal alegação, no entanto, não merece qualquer acolhimento ou mesmo manifestação por parte deste Eg. Conselho, considerando que não fora adotado o procedimento de aferição indireta no presente lançamento. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO tão somente para excluir do lançamento as rubricas CB e CB1. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 10218.720898/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VTN. ARBITRAMENTO. SIPT. MEDIA DAS DITR.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da lei, não pode prevalecer.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ARBITRAMENTO. SIPT. MEDIA DAS DITR. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da lei, não pode prevalecer. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 08 98 /2 00 7- 29 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10218.720898/200729 Acórdão n.º 2202003.119 S2C2T2 Fl. 77 2 Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Estes autos já foram apreciados anteriormente pela extinta 1ª Turma Especial, decidindose pela conversão do julgamento em Diligência, nos termos da Resolução nº 2801 000.308, de 13 de agosto de 2014, que em suma entendeu pela necessidade de que a Unidade preparadora anexasse a "tela" informativa do sistema de preços de terras da Receita Federal SIPT, a fim de ser verificado qual o critério empregado para estabelecer o parâmetro de arbitramento do valor da terra nua VTN, no lançamento. Na ocasião, como Relator, utilizei o seguinte relatório, que copio, por bem descrever os fatos: Em desfavor do contribuinte recorrente foi lavrada, em 10/12/2007, Notificação de Lançamento (fl. 01) de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, relativo ao exercício de 2005 e ao imóvel rural Gleba Joana Peres I, com área total declarada de 2.467,0 há, localizado no Município de Tucurui/PA e cadastrado na RFB sob o nº 4.880.1364. Observase que no demonstrativo do crédito tributário existe o imposto suplementar de R$ 33.865,54, com multa de ofício de 75%, no importe de R$ 25.399,15, e juros de mora, calculados pela taxa Selic. Verificase, das infrações apontadas, que a autoridade fiscal que procedeu à apuração e lançamento do crédito tributário, consignou, em suma, que constatou: 1 – Valor da terra nua declarado não comprovado – Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. A cópia da DITR encontrase na folha 11 e seguintes e o Termo de Intimação Fiscal, com a respectiva resposta do contribuinte, consta dos autos. (fls. 04 e 16) Não verifico a apresentação de Laudo Técnico, apenas de cópias de DARF referentes aos pagamentos de quotas do ITR para 2003, 2004 e 2005. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação ao lançamento (fl. 25), onde questiona o valor atribuído à terra nua, dizendoa imprópria para exploração, que não se levou em consideração a APP e ARL para fins de tributação, manifestase contra a multa aplicada e pugna pela realização de prova pericial, indicando um perito e quesitos. Sua manifestação foi conhecida e tratada pela DRJ/BRASÍLIA/DF nos seguintes e resumidos termos (fl. 51): Em síntese, o imposto suplementar apurado pela autoridade fiscal decorreu do arbitramento realizado com base no VTN/ha médio, de R$ 172,99, apontado no SIPT, exercício de 2005, para o município de localização do imóvel, por ter ficado Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10218.720898/200729 Acórdão n.º 2202003.119 S2C2T2 Fl. 78 3 caracterizada a subavaliação do VTN declarado e não ter sido atendida a intimação que deu início ao procedimento fiscal, exigindo a apresentação de laudo técnico para comprovar o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2005. A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o ITR/2005, R$ 32.981,00 (R$ 13,37/ha), arbitrandoo em R$ 426.766,33 (R$ 172,99/ha), com base no SIPT da Receita Federal. Deveria a requerente apresentar laudo técnico de avaliação, elaborado por profissional habilitado (engenheiro agrônomo/florestal), que demonstrasse, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º de janeiro de 2005, bem como a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos, inclusive, as alegadas questões fundiárias (invadida por posseiros), que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT. Cientificado dessa decisão de 1ª instância em 01/11/2011, conforme AR na folha 59, apresentou recurso voluntário em 22/11/2011, com protocolo na folha 60, com as seguintes razões, em resumo: cerceamento de defesa por ter sido a perícia no local indeferida pela Autoridade Julgadora recorrida; “injustiça” quanto ao arbitramento do VTN médio das declarações de outros contribuintes naquele ano, porque seu imóvel tem situação peculiar (o imóvel encontrase invadido por posseiros); entende que o arbitramento do VTN contraria o que estabelece a Lei nº 9.393/1996. manifestase contrário à multa de 75% do valor da exigência. Cumprida a diligência mencionada, com a anexação da referida "tela" na folha 72, retorna o processo a julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, já que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (formato .pdf). Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10218.720898/200729 Acórdão n.º 2202003.119 S2C2T2 Fl. 79 4 A controvérsia fundamental reside no arbitramento do valor da terra nua. A Autoridade Fiscal afirma que não atendida a intimação para a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, que deveria conter, conforme estabelecido na NBR 146533 da ABNT, o grau de fundamentação de no mínimo II, o que significa que é exigido a identificação das fontes de pesquisa/informação (item 7.4.3.3), número de dados efetivamente utilizados maior ou igual a cinco (item 9.2.3.5), homogeinização dos resultados obtidos como o comparativo das características dos imóveis, cálculo da média com expurgo dos dados e desvio padrão, procedeu ao arbitramento do valor da terra nua com base no SIPT (sistema de preços de terra, instituído pela RFB). O Recorrente questiona a utilização do arbitramento com base “na média das declarações de outros contribuintes”. O valor da terra nua – VTN, declarado pelo contribuinte na DITR/2005, foi então alterado com base no SIPT (Sistema de Preços de Terras da RFB). Na tela informadora do sistema SIPT, que agora encontrase anexada na fl. 72, observase que não constam informações sobre o “VTN médio por aptidão agrícola” para o Município em questão, no exercício de 2005, e que o valor utilizado no lançamento é o “VTN médio/DITR”, obtido a partir da média das DITR entregues por outros contribuintes, na mesma região/município, como aliás já assentara a DRJ no julgamento recorrido, apontando estar tal parâmetro previsto em norma interna da RFB/Cofis (fl. 52). Já é ponto pacífico em diversas decisões deste CARF a impossibilidade de utilização do VTN médio obtido pela informação das DITR de outros contribuintes, uma vez que além de não encontrar previsão legal, mostrase parâmetro que não reflete a realidade e a peculiaridade do imóvel. Senão vejamos: Acórdão nº 2801002.942 – 2ª Câmara / 1ª Turma Especial (12/03/2013) VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Acórdão nº 2201001.945 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (22/01/2013) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10218.720898/200729 Acórdão n.º 2202003.119 S2C2T2 Fl. 80 5 informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Assim, é importante trazer o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: “Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.”(grifei) Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: “Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10218.720898/200729 Acórdão n.º 2202003.119 S2C2T2 Fl. 81 6 §2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” Dessa feita, deve ser cancelado o arbitramento do VTN efetuado, por falta de previsão legal para o critério adotado. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar o arbitramento do Valor da Terra Nua empreendido pela Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10768.002554/2003-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o presente julgado em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem determine que, por meio de verificação da documentação contábil e fiscal, sejam apresentados esclarecimentos complementares, em relatório fundamentado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
documento assinado digitalmente
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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IRPJ/COMPENSAÇÃO Recorrente CIMENTO MAUÁ S/A (atual LAFARGE BRASIL S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o presente julgado em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem determine que, por meio de verificação da documentação contábil e fiscal, sejam apresentados esclarecimentos complementares, em relatório fundamentado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .0 02 55 4/ 20 03 -8 4 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.002554/200384 Resolução nº 1301000.163 S1C3T1 Fl. 11 2 Relatório Originouse o presente das declarações de compensação abaixo listadas: • Fls 01 do PA 10768.002.554 / 200384, protocolada em 28/03/03; • Fls 01 do PA 10768.004.162/200350, protocolada em 14/05/2003 • Fls 87/90 do PA 10768002554/200384, data de transmissão 29/01/2004 • Fls 91/94 do PA 10768002554/200384, data de transmissão 27/02/2004 Através dos referidos documentos a interessada pretende ver reconhecidos créditos oriundos de saldo negativo do IRPJ, referentes aos anos de 1998, 2001 e 2002 nos seguintes valores totais: • Saldo negativo AC 1998 R$ 77.166,48; • Saldo negativo AC 2001 R$ 42.087,67 • Saldo negativo AC2 2002 R$ 1.979.716,08 Conforme fls 96 a 104, em despacho decisório do qual a interessada foi cientificada em 13/05/08 (fls 118), a Derat/RJ reconheceu parcialmente o direito creditório da interessada, para fins de homologar os débitos informados nas declarações de compensação que constam dos autos até os seguintes montantes: • R$ 56.635,49 referente ao saldo negativo do AC 1998; • RS 747.821,53 referente ao saldo negativo do AC 2002. O fundamento que norteou o despacho decisório da Derat foi a apuração de inconsistências a partir da contraposição das declarações de rendimentos da interessada e das Dirfs entregues pela própria e por terceiros. Inconformada com o indeferimento parcial de seu pleito, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls 123, na qual requer a realização de diligência, e alega a seu favor que : 1. Quanto a homologação tácita: Foi tacitamente homologado o encontro de contas formalizado mediante a declaração de compensação de fls 01 do processo 10768.002554/200384; 2. Quanto ao ano calendário de 1998 : • Decaiu o direito do fisco de questionar itens relativos a tal ano de apuração tendo em vista que já foram homologadas não só a declaração de compensação na qual foi Fl. 420DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.002554/200384 Resolução nº 1301000.163 S1C3T1 Fl. 12 3 solicitado o crédito referente ao saldo negativo do ano em referência, como também a declaração de rendimentos na qual foi apurado o referido saldo negativo. 3. Quanto ao ano calendário 2001: Rendimentos financeiros • Conforme Parecer conclusivo recorrido, do confronto entre Dírfs e DIPJ depreenderiase que a interessada teria deixado de oferecer à tributação rendimentos financeiros obtidos no ano de 2001, razão pela qual parte do IRRF deduzido no cálculo anual do IR a pagar também deveria ser glosado; • A conclusão acima considerou apenas a quantia informada pela interessada na Ficha 6A , linha 24 de sua declaração de rendimentos (Dem. do Resultado outras receitas financeiras). Foi, porém, desprezada a quantia de R$ 6.453.581,56 informada na Linha 20 da mesma ficha ( Dem do Resultado Variações cambiais ativas), que incorpora os totais tidos como não tributados. • A diferença remanescente entre as receitas informadas nas Dirfs e a constante da DIPJ deriva do fato de a interessada ter apropriado suas variações cambiais passivas mediante dedução direta das variações cambiais ativas; Juros sobre capital próprio As receitas de juros sobre capital próprio auferidas pela interessada, conforme informações de Dirfs entregues por terceiros, foram por equívoco, informadas na ficha 6A , linha 20 ( Dem Res – Variações cambiais ativas); Do equívoco não pode resultar a desconsideração do efetivo direito creditório da interessada. 4. Quanto ao ano calendário de 2002 Rendimentos financeiros • Tal qual ocorreu para o ano calendário 2001, a Derat retificou parte do IRRF deduzido na apuração de 2002. O procedimento decorreu do fato de não constar da DIPJ entregue pela interessada a totalidade dos rendimentos financeiros informados por terceiros, nas Dirfs que entregaram, como pagos à interessada; • Mais uma vez deixou de ser considerado o valor informado pela interessada na linha 20 da Ficha 6A (Dem Res Var cambiais ativas). O referido valor engloba as quantias equivocadamente tidas como não tributadas. Juros sobre capital próprio • As receitas de juros sobre capital próprio auferidas pela interessada e tidas como não tributadas foram inseridas na linha 20 da ficha 6A. Estimativas de abril de 2002 : compensação • Tendo em vista a glosa do saldo negativo apurado para o ano de 2001, tornou se sem lastro a compensação da estimativa referente ao mês de abril de 2002, já que utiliza aquele crédito tido como inexistente. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.002554/200384 Resolução nº 1301000.163 S1C3T1 Fl. 13 4 • Operandose, porém, a restauração do saldo negativo originalmente apurado para o ano calendário 2001, não há impedimento à compensação em questão (abril\2002). A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/Rio de Janeiro) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1221.093, de 19/09/2008, homologando parcialmente as compensações pleiteadas, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 1998, 2001, 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Por força do § 5 o do art 74 da lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 10.833/2003, a compensação declarada pelo sujeito passivo é homologada tacitamente em cinco anos a contar de seu protocolo, dela decorrendo a extinção dos débitos correspondentes. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. È da interessada o ônus de demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório alegado. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.002554/200384 Resolução nº 1301000.163 S1C3T1 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Extraise da leitura de todo o processo que a lide restante para o julgamento em segunda instância por esta Corte Administrativa diz respeito a não homologação das compensações relativas ao SNIRPJ do ano calendário de 2001, apurado pelo contribuinte no valor de R$ 42.087,67 e do SNIRPJ do ano calendário de 2002, apurado pelo contribuinte no valor de R$ 1.979.716,08 (reconhecido parcialmente pela autoridade administrativo no valor de R$ 747.821,53). No julgamento de primeira instância o direito creditório pleiteado no Pedido de Compensação (em papel) de fls. 01, protocolizado em 28/03/2003, a compensar com SNIRPJ do ano calendário de 1998, apurado pelo contribuinte no valor de R$ 77.166,48, foi considerado homologado tacitamente. Já com relação aos anos calendários de 2001 e 2002 os valores não reconhecidos pela autoridade de origem e no julgamento a quo tiveram por fundamento o fato de existirem divergências entre os pagamentos informados por terceiros, nas DIRFs que entregaram, como efetuados à interessada, e aqueles informados pela própria como por ela auferidos. Em específico, as divergências referidas dizem respeito aos recebimentos a título de juros sobre o capital próprio e de receitas financeiras. Na peça recursal a interessada reitera as argumentações iniciais, finalizando com o pedido a seguir transcrito. DO PEDIDO Devese ter como decaído todos os créditos exigidos no Processo Administrativo n° 10768.002554/200384, visto que ultrapassado o prazo legal de 05 (cinco) anos, entre o protocolo da Declaração de Compensação e a decisão que se manifestou desfavoravelmente à sua homologação, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Necessária se faz, em respeito ao princípio constitucional da ampla defesa, a realização da diligência solicitada quando da Manifestação de inconformidade, para que o Fisco verifique se as argumentações expendidas correspondem com a realidade dos fatos, o que não foi realizada quando do trâmite do processo em primeira instância administrativa, o que exige a nulidade da decisão proferida. É o que requer! Porém, caso opte este E. CARF pela valorização dos princípios da celeridade e da economia processual, que determine, ainda que em segunda instância, a baixa do processo em diligência para a apuração quanto a realidade dos fatos acima narrados. Por fim, caso se chegue ao mérito, ainda assim, requer seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, para que, ao final sejam homologadas as compensações efetivadas à época, posto que realizadas com créditos líquidos e certos. As argumentações trazidas nas peças de defesa, em síntese, afirmam que os valores tidos como não tributados, referentes a receitas financeiras e juros sobre capital próprio, foram equivocadamente apropriados, em sua declaração de rendimentos, na rubrica Fl. 423DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.002554/200384 Resolução nº 1301000.163 S1C3T1 Fl. 15 6 pertinente às variações cambiais ativas. Afirma, ainda, que eventuais diferenças devem ser atribuídas ao fato de proceder ao lançamento de suas variações passivas diretamente à débito das variações ativas. Acosta à Manifestação de Inconformidade cópias do Livro Razão e Balancetes na tentativa de comprovar tal fato (docs. de fls. 164/175), ao mesmo tempo em que solicita diligência para verificação e análise das provas. A autoridade julgadora em primeira instância indeferiu as compensações conforme pleiteadas sob os seguintes argumentos: (i) se eventuais equívocos foram cometidos na elaboração da declaração de rendimentos, as respectivas retificações deveriam ter sido providenciadas de forma tempestiva e espontânea e não o foram; (ii) de toda forma, o fato é que as cópias do Razão apresentadas pela interessada, por falta de documentos hábeis que as respaldem, não comprovam que as diferenças constatadas, referentes a receitas financeiras e de juros sobre capital próprio, integram as quantias informadas a título de variação cambial ativa. Não comprovam e nem mesmo indicam possibilidade neste sentido, já que não foram claramente especificados os valores que em tese comporiam a diferença em questão. Não há, tampouco, nos documentos acostados aos autos, qualquer referência às variações passivas que teriam sido diretamente apropriadas à conta das variações ativas, sendo, portanto, impossível uma adequada recomposição de valores. Com o devido respeito, ouso discordar do quanto decidido acima, que a meu ver merece reparos, em especial pelo fato da recorrente não ter sido notificado a esclarecer as dúvidas e, ao mesmo tempo ter solicitado diligência neste sentido, explicando: É certo que, no caso, cabe ao contribuinte o ônus da prova. Também é certo que existem dois momentos distintos para a produção dos elementos probantes (o ônus da prova); da autoridade fiscal na ora de fazer a acusação, salvo nas presunções legais, quando prova somente o fato, ou do contribuinte fiscalizado no curso da própria auditoria fiscal e após a instauração do litígio (impugnação). Com efeito, ressaltese que a competência da autoridade administrativa “julgadora”, no âmbito do processo administrativo fiscal, é de revisão do ato praticado pela autoridade fiscal lançadora e, conseqüentemente, é dever no julgamento de primeira instância verificar se a imputação feita contra a contribuinte encontrase devidamente consubstanciada em documentação de suporte e, se o procedimento que levou a tal imputação foi executado com fiel obediência aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, aqui utilizada de forma subsidiária. No caso em análise os elementos probantes que compõem os autos (Razão e balancetes) se mostram insuficientes a demonstrar a liquidez e certeza necessárias ao deslinde da questão. Por outro lado, em que pese o art. 16 do Decreto n° 70.235/72 determinar a apresentação da prova no momento da impugnação (correspondente ao momento da Manifestação de Inconformidade), está claro na exposição dos autos que a análise dos lançamentos fiscais e contábeis são necessários para a comprovação ou não dos créditos, motivo pelo qual devem ser analisados. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.002554/200384 Resolução nº 1301000.163 S1C3T1 Fl. 16 7 Neste passo, no que tange à compensação (mérito), o Código Tributário Nacional – Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – condiciona a hipótese de compensação, à existência de créditos líquidos e certos, senão vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. [...]À luz desse dispositivo, fica evidente que o contribuinte que apresenta um pedido de compensação deve demonstrar de plano a existência desse crédito. Neste sentido, as obrigações acessórias devem refletir seu pedido, de forma a consolidar sua existência e permitir a homologação da compensação. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais aplicáveis ao caso, no pedido nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a recorrente, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. Com base nas razões expostas, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem determine que, por meio de verificação da documentação contábil e fiscal, sejam apresentados esclarecimentos complementares, em relatório fundamentado, acerca dos seguintes itens: 1) verificar a vista de documentação probante se dos valores lançados no total de R$ 6.453.581,56 na DIPJ/2002, ano calendário 2001, Ficha 06A, Linha 20, referente às Variações Cambiais Ativas, encontramse de fato Rendimentos Financeiros sujeitos à retenção de IRFonte, exigindo, se for o caso, a decomposição da conta. Ao mesmo tempo, verificar se de fato houve apropriação negativa na conta Variação Cambial Ativa em contrapartida as variações positivas conforme alegação de defesa. Por fim, com relação as Receitas de Juros sobre Capital Próprio que deixou ser alocado na DIPJ/2002, Ficha 06A, Linha 23 (zerada), verificar se o mesmo encontrase lançado na mesma Ficha 06A, Linha 20 (Variações Cambiais Ativas) cujo valor total lançado é de R$ 6.453.581,56, exigindo comprovação documental relativo. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.002554/200384 Resolução nº 1301000.163 S1C3T1 Fl. 17 8 2) Da mesma forma proceder a verificação com relação a DIPJ/2003, ano calendário 2002. O contribuinte deverá ser cientificada do relatório que ora se solicita para, se quiser, aditar razões. Em seguida retornese os autos do presente processo a esta Corte Administrativa prosseguir ao seu julgamento. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Fl. 426DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 10936.721601/2012-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais e que não têm relação direta com a ocorrência do fato gerador do tributo.
Numero da decisão: 1103-000.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade. Os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata e Fábio Nieves Barreira acompanharam o Relator pelas conclusões.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Fábio Nieves Barreira.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais e que não têm relação direta com a ocorrência do fato gerador do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade. Os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata e Fábio Nieves Barreira acompanharam o Relator pelas conclusões. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 6. 72 16 01 /2 01 2- 02 Fl. 34DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10936.721601/201202 Acórdão n.º 1103000.986 S1C1T3 Fl. 35 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Fábio Nieves Barreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fl. 23 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Curitiba (fls. 15/18), que apresentou a seguinte ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais e que não têm relação direta com a ocorrência do fato gerador do tributo. A Notificação de Lançamento em análise, de fl. 04, apresenta lançamento de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF). O prazo final para a entrega da DCTF referente ao mês de janeiro de 2010 deuse 19/03/2010, e a declaração foi encaminhada apenas em 29/05/2012. Assim, foi lançada a multa mínima no valor de R$500,00. Cientificado do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 02, no qual aduz que teria efetuado a entrega da declaração de maneira espontânea, razão pela qual, de acordo com o art. 138 do CTN, estaria desobrigada do pagamento da referida multa. Os argumentos foram apreciados pela 3ª Turma da DRJ/Curitiba, em sessão realizada no dia 05/12/2012, ocasião em que julgou a impugnação improcedente, no Acórdão nº 0638.763, de fls. 15/18, nos termos da ementa já transcrita no início do presente relato. Inconformada com a decisão a quo, da qual tomou ciência em 08/01/2013 (fl. 19), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, conforme despacho da unidade preparadora de fl. 33, no qual reafirma os argumentos expostos na impugnação: É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Fl. 35DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10936.721601/201202 Acórdão n.º 1103000.986 S1C1T3 Fl. 36 3 O recurso foi interposto tempestivamente e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Sobre o tema em questão, entendo que há se de analisar questão de ofício, referente á legalidade a aplicação da multa em debate, referente ao inciso II, art. 7º, da Lei nº 10.426, de 2002, que discorre sobre a falta de apresentação ou apresentação extemporânea da DCTF. Isso porque foi dada nova redação ao art. 57 da MP 2.15835, de 2001, pelas Leis nº 12.766, de 27/12/2012 e 12.873, de 24/10/2013, o que provocou uma série de questionamentos, dentre os quais se teria ocorrido revogação tácita do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002. Não por acaso, recentemente foi editado pela Receita Federal o Parecer Normativo nº 3, de 10 de junho de 2013, que veio analisar as consequências da nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, em relação a atos inerentes da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), principalmente concernentes à fiscalização e ao controle do crédito tributário. De acordo com o ato normativo: 2.3. A multa genérica para descumprimento de obrigação acessória passou para uma que serve para os casos de não apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital por qualquer sujeito passivo, ou que os apresentar com incorreções ou omissões. Como novidade, o inciso II determina que os prazos para a apresentação dos documentos descritos no caput não podem ser inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias da intimação. 3. Com esse quadro, sete questionamentos são feitos: (i) ocorreu revogação tácita dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, tendo em vista a falta de disposição específica; (ii) como interpretar o prazo de quarenta e cinco dias a que se refere o inciso II da atual redação do art. 57; (iii) como ficam as multas cuja base legal é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001; (iv) continuam vigentes as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, e do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, e do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004; (v) como ficam as multas envolvendo o Simples Nacional (vi) como interpretar o aspecto quantitativo da nova multa; e (vii) há consequência no trabalho de compensação, restituição e ressarcimento? (grifei) Sobre o assunto, transcrevo as conclusões do parecer. 6.2. É de se questionar se houve revogação tácita dos arts. 7º e 8º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, na redação dada pelas Leis nºs 11.051, de 2004, 11.727, de 2008, e 11.941, de 2009, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação Fl. 36DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10936.721601/201202 Acórdão n.º 1103000.986 S1C1T3 Fl. 37 4 dada pela Lei nº 11.941, de 2009; do art. 7º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, do inciso II do art. 9º da Lei nº 11.371, de 28 de novembro de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, pelo novo art. 57 da MP nº 2.158 35, de 2001. Segue a redação dos dispositivos: (...) 6.2.1. O novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, aplicase para qualquer declaração, demonstrativo ou escrituração digital, enquanto a Lei nº 10.426, de 2002, aplicase para a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) (...) 6.2.2. Há uma antinomia entre as normas. O art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, sanciona as condutas pela não entrega, em sentido lato, de declarações digitais. As normas acima mencionadas tratam do descumprimento das obrigações específicas contidas na própria lei. Ocorre uma antinomia entre uma norma geral e outra específica, devendo, nesses casos, prevalecer a última, conforme ensinamento de Norberto Bobbio: O terceiro critério, chamado precisamente de lex specialis, é aquele com base em que, de duas normas incompatíveis, uma geral e uma especial (ou excepcional), prevalece a segunda; lex specialis derogat generali. Também nesse caso a razão do critério não é obscura: lei especial é aquela que derroga uma lei mais geral, ou seja, que subtrai a uma norma uma parte da sua matéria para submetêla a uma regulamentação diversa (contrária ou contraditória). A passagem de uma regra mais extensa (que contenha um certo genus) para uma regra derrogatória menos extensa (que contenha uma species do genus) corresponde a uma exigência fundamental de justiça, entendida como igual tratamento de pessoas que pertencem à mesma categoria. A passagem da regra geral para a regra específica corresponde a um processo natural de diferenciação das categorias e a uma descoberta gradual, por parte do legislador, dessa diferenciação. Ocorrida ou descoberta a diferenciação, a persistência da regra geral implicaria o tratamento igual de pessoas que pertencem a categorias diversas e, portanto, uma injustiça. (grifouse) (BOBBIO, Norberto. Teoria geral do direito. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010, p. 253) 6.2.3. Se as obrigações contidas nas leis acima transcritas foram consideradas tão importantes pelo legislador ao ponto de dar embasamento legal específico à sanção pelo seu descumprimento, (a despeito de legislação tributária, em sentido amplo, poder gerar tal obrigação), não é isonômico não aplicar as multas específicas para as declarações específicas, em prol da multa genérica do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. É, conforme ensinamento de Bobbio, uma violação à isonomia que determina dar tratamento desigual a pessoas em situações distintas. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10936.721601/201202 Acórdão n.º 1103000.986 S1C1T3 Fl. 38 5 6.2.4. No presente caso, não se deve esquecer que o legislador foi quem alterou a norma então existente (genérica) e criou uma mais específica, mas deixou aquelas outras ainda mais específicas incólumes (ele poderia muito bem têlas revogado expressamente). Se não o fez, as multas mais específicas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004, continuam vigentes. As IN que tratam do assunto, portanto (RFB nº 1.110, de 2012, RFB nº 1.264, de 2012, RFB nº 1.015, de 2010, SRF nº 197, de 2002, RFB nº 811, de 2010, SRF nº 341, de 2003, RFB nº 971, de 2009, RFB nº 1.279, de 2012, RFB nº 726, de 2007 e RFB nº 892, de 2008) devem continuar a ser aplicadas sem nenhuma alteração. (...) 10. Em conclusão: (...) i) As multas de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, na redação dada pelas Leis nºs 11.051, de 2004, 11.727, de 2008, e 11.941, de 2009, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32 A da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 19 de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004, continuam vigentes. Assim, as multas do art. 7º da IN nº 1.110, de 2012, do art. 6º da IN nº 1.264, de 2012, do art. 7º da IN nº 1.015, de 2010, do art. 1º da IN nº 197, de 2002, do art. 7º da IN nº 811, de 2010, do art. 3º da IN nº 341, de 2003, art. 476 da IN nº 971, de 2009, do art. 8º da IN nº 1.279, de 2012, do art; 3º da IN nº 726, de 2007, e do art. 7º da IN nº 892, de 2008, continuam a ser aplicadas; Quanto às alterações promovidas pela Lei nº 12.873, de 24/10/2013, entendo que não tem o condão de modificar as razões expostas pelo Parecer Normativo nº 3, de 10 de junho de 2013. Para elucidar quaisquer dúvidas, transcrevo o dispositivo, mantendo a redação das Leis nº 12.766, de 2012, e 12.873, de 2013: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração Fl. 38DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10936.721601/201202 Acórdão n.º 1103000.986 S1C1T3 Fl. 39 6 apresentada, tenham apurado lucro presumido; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) Fl. 39DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10936.721601/201202 Acórdão n.º 1103000.986 S1C1T3 Fl. 40 7 b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) § 4o Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Observase que as alterações promovidas pela Lei 12.873, de 2013, referente à entrega de apresentação extemporânea (caso tratado nos presentes autos), trataram de ampliar a hipótese de incidência da multa, incluindo, junto às pessoas jurídicas que optaram pelo lucro presumido em sua última declaração, aquelas que estiverem em início de atividade, ou sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, optaram pelo Simples Nacional, além das pessoas físicas. Ou seja, são modificações que não tem nenhuma repercussão nas conclusões emitidas pelo Parecer Normativo nº 3, de 2013, que pautou suas razões pelo fato de, diante da antinomia entre uma norma geral e outra específica, entendeu pela prevalência da segunda, qual seja, a disposta no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002. Superada a análise preliminar, passo para a apreciação do recurso voluntário. Ao apreciar os argumentos expostos pela recorrente, entendo que não há reparos a fazer na decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/Curitiba, motivo pelo qual transcrevo o voto que justifica, com precisão, as razões pela qual deve ser mantida a multa por atraso na entrega da DCTF. Cabe inicialmente registrar que não foram contestados os fatos que levaram à presente exigência, qual seja, a entrega em atraso da DCTF, uma vez que o prazo estipulado pela legislação era Fl. 40DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10936.721601/201202 Acórdão n.º 1103000.986 S1C1T3 Fl. 41 8 19/03/2010, para o mês de janeiro/2010, e foi entregue em 29/05/2012. O art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com as alterações posteriores, assim determina: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3º; (...) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício;” Ora, existindo dispositivos estabelecendo uma obrigação acessória por parte do sujeito passivo, e que impõem uma multa pelo seu descumprimento, sendo tais dispositivos integrantes da legislação tributária, conforme estabelecido nos art. 96 e 100, I, do Código Tributário Nacional CTN, a sua observância é obrigatória por parte das autoridades administrativas. Portanto, em relação à legislação que fundamenta a autuação, arrolada no lançamento, os agentes do fisco estão plenamente vinculados, e sua desobediência pode causar a responsabilização funcional, conforme previsão do parágrafo único do art. 142 do mesmo Código, que tem a seguinte redação: “a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10936.721601/201202 Acórdão n.º 1103000.986 S1C1T3 Fl. 42 9 Vejase que nem mesmo cabe apreciação, por esta turma de julgamento, de argüições de ilegalidade ou de inconstitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional, uma vez que tal análise foge à alçada das autoridades administrativas, justamente por não disporem de competência para examinar as hipóteses aventadas. Assim, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, somente podem ser reconhecidos pela via competente, no caso o Poder Judiciário. Sintetizando, em procedimento administrativo fiscal, basta, ao convencimento da autoridade julgadora, a norma jurídica vigente e apta a incidir (eficácia potencial); se válida ou não, já é questionamento a ser apreciado pelo judiciário e, mesmo assim, para que a tutela beneficie a contribuinte deve ser ela parte interessada na contenda judicial ou, se não, deve referida tutela emanar, em última análise, do Supremo Tribunal Federal, segundo os termos do Decreto nº 2.346, de 1997. No tocante ao instituto da denúncia espontânea, sustentando ser o mesmo plenamente aplicável à hipótese de que se trata, é de se ressaltar que, embora a contribuinte tenha apresentado espontaneamente a declaração antes de qualquer atividade administrativa da fiscalização, entendese que, mesmo nesses casos a aplicação da multa permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, in verbis: Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Ou seja, a exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração se refere à multa de ofício relativa à obrigação principal, qual seja, aquela decorrente da falta de pagamento do tributo, não alcançando a obrigação acessória. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega a destempo (após o prazo legalmente estabelecido), nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Se a obrigação tributária principal não for adimplida, ai sim, a penalidade de ofício aplicada apresenta relação direta com o fato gerador da obrigação principal. Ademais, deve ser salientado que o § 2º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 prevê, exatamente, uma redução da multa, nos Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10936.721601/201202 Acórdão n.º 1103000.986 S1C1T3 Fl. 43 10 casos de a declaração ser apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício (redução à metade) ou uma redução a 75%, ou melhor, redução de 25%, no caso da declaração ser apresentada no prazo fixado em intimação, respeitados os limites mínimos estabelecidos no parágrafo 3º do mesmo artigo. Desta forma, é evidente que a imposição da penalidade está legalmente prevista, mesmo neste caso de apresentação espontânea da declaração, antes de qualquer procedimento de ofício, com a devida redução da multa à metade. Por fim, cabe lembrar que mesmo o princípio da boafé não exime a contribuinte da penalidade, conforme o art. 136 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 10680.912640/2009-52
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)
Numero da decisão: 1803-002.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 26 40 /2 00 9- 52 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.912640/200952 Acórdão n.º 1803002.053 S1TE03 Fl. 162 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.912640/200952 Acórdão n.º 1803002.053 S1TE03 Fl. 163 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 75): DO DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 831223044, emitido eletronicamente em 09/04/09 (fls. 13), referente ao PER/DCOMP nº 38033.34137.150905.1.3.046151 (fls. 15/20). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL Pagamento Indevido ou a Maior, recolhido em 31/10/03, e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30abr09, conforme documento de fl. 72, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1/2, em 22/05/09, alegando que, no mês 10/2003, a empresa efetuou uma compensação no valor de R$ 18.323,91, objeto deste despacho, tendo como origem da compensação o crédito deste mesmo valor referente a um DARF pago a maior em setembro deste mesmo ano. Posteriormente, verificou que a DCTF de Setembro/2003 ficou errada, pois foi consignado erroneamente o valor de R$ 18.323,91, como CSLL devida nesse mês, quando o correto seria não haver valor de CSLL. Como prova, apresenta a DIPJ. Diante disso, requer a revisão do despacho, uma vez que não pode mais retificar a DCTF. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 74): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 Declaração de Compensação. Pagamento indevido ou a maior não comprovado. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.912640/200952 Acórdão n.º 1803002.053 S1TE03 Fl. 164 4 Constatado que o valor do imposto de renda declarado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF é o mesmo que o valor efetivamente recolhido, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 16/11/2011 (fls. 82 numeração digital ND), a tempo, em 16/12/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 84 a 93 ND, acompanhado dos documentos de fls. 94 a 157 – ND, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que vale registrar a ausência de dispositivo legal que autorize a atualização monetária do saldo credor/contribuinte, pois, aguardando a Recorrente viesse a compensar este valor tão somente ao final do período, por certo prejuízos financeiros adviriam, o que se mostra desigual frente aos valores que deve o contribuinte recolher aos cofres federais, nos eventuais atrasos de recolhimento; b) que o encontro de contas entre o fisco e o contribuinte é medida de justiça fiscal; c) que a Lei nº 10.637/02 (que deu nova redação ao art. 74 da Lei 9.430/96) possibilitou a compensação de créditos, passíveis de restituição ou ressarcimento, com quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, independentemente de requerimento do contribuinte; d) que a IN 900/2008 bem disciplinou a matéria, sem obstáculos ao contribuinte; e) que a imputação ora reclamada – no mínimo – espelha diretrizes de justiça fiscal, cabendo aos cofres federais tão somente aqueles valores que lhes são de direito; f) que, nesse sentido, temse por absolutamente legal a compensação realizada ou o pedido de imputação; e g) que qualquer tentativa de indeferimento à compensação dos valores já declarados ao fisco, ou qualquer obstáculo à imputação reclamada, importará absurdo enriquecimento ilícito da Administração Tributária. Em mesa para julgamento. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.912640/200952 Acórdão n.º 1803002.053 S1TE03 Fl. 165 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A decisão recorrida não homologou a compensação declarada mediante Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 5. Observo, contudo, a superveniência do entendimento contido na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. 6. Esse entendimento, porém, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa, não abrangendo a mera mudança de opção (com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços ou balancetes de suspensão ou redução). 7. Claro está, também, que o sujeito passivo, quando do encerramento do ano calendário, deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. 8. Dessa forma, a homologação expressa exige que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação da CSLL devida no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.912640/200952 Acórdão n.º 1803002.053 S1TE03 Fl. 166 6 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 166DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 13748.000365/97-49
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.
Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante.
Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
Numero da decisão: 9900-000.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
EDITADO EM: 06/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator EDITADO EM: 06/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 03 65 /9 7- 49 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator EDITADO EM: 06/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, versando sobre a contagem do prazo prescricional do direito à repetição de indébitos tributários. A recorrente assevera que referido prazo seria de 5 (cinco) anos a contar da data em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior que o devido, consoante interpretação a ser dada ao inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN, interpretação essa que teria sido referendada pela Lei Complementar nº 118/2005. A discussão em causa, portanto, reportase exclusivamente ao prazo prescricional para requerer a repetição de indébito tributário, sendo importante ressaltar que o presente pedido foi formalizado anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 118/2005, que passou a viger a partir do dia 09/06/2005. No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 01/08/1997, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 09/89 e 03/92. É o relatório. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13748.000365/9749 Acórdão n.º 9900000.732 CSRFPL Fl. 11 3 Voto Conselheiro Francisco Sales Ribeiro de Queiroz Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante atesta o despacho competente, devendo ser conhecido. Conforme relatado, a questão que se põe à apreciação deste Colegiado diz respeito exclusivamente à preliminar de prescrição do direito à repetição de indébitos fiscais, merecendo ressaltar que o acórdão paradigma considerou irrelevante que o indébito tenha por fundamento a declaração de inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo quinquenal a partir da extinção do crédito tributário, conforme se extrai da leitura da ementa transcrita no recurso extraordinário, a seguir: ACÓRDÃO PARADIGMA "Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido." (grifo nosso). (Recurso n° 102147786. Processo n° 10183.003219/200293. Acórdão CSRF/0400.810. Quarta Turma. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). Os dispositivos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, citados na ementa acima transcrita, estão assim redigidos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ......................................................................................................... Fl. 459DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (vide art. 3º da LC. nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. ......................................................................................................... A modalidade de extinção do crédito tributário a que se refere o supra transcrito dispositivo do inciso I, do art. 168 é o definido no inciso I, do art. 156, também do CTN, a seguir: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...). Assim, contado da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, teria o contribuinte cinco anos para fazer valer o seu direito à restituição, entendimento que mereceu intermináveis discussões no âmbito do contencioso administrativo tributário e nos Tribunais Superiores do Poder Judiciário pátrio. Dessa forma, em face da interminável batalha judicial estabelecida sobre o tema, e com a pretensão de pacificar e tornar definitivo um entendimento a respeito, sobreveio a Lei Complementar LC nº 118/2005, cujos artigos 3º e 4º alteraram e acrescentaram dispositivos ao Código Tributário Nacional CTN, dispondo ainda sobre a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 da mesma Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por seu turno, o mencionado inciso I, do art. 106, do CTN, estabelece que: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...). Fl. 460DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13748.000365/9749 Acórdão n.º 9900000.732 CSRFPL Fl. 12 5 Assim, a questão já teria sido definitivamente resolvida com a edição dos suso transcritos dispositivos da LC nº 118/2005, segundo o qual a interpretação a ser dada ao inciso I, do art.168, do CTN, é a de que “a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.” (Lei nº 5.172/1966 – CTN) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça STJ declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da LC nº 118/2005, ao entender que não se trata de lei meramente interpretativa, já que inova o ordenamento jurídico no tocante ao momento em que o crédito tornase extinto, e que, portanto, não pode retroagir nos moldes do artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de ofender o princípio da segurança jurídica, de respeitável proteção em nosso ordenamento. Referida matéria, até a sessão de 04/08/2011 do Supremo Tribunal Federal – STF, encontravase submetida ao regime de repercussão geral, oportunidade em que foi negado provimento ao RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, declarando a inconstitucionalidade do acima transcrito art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005, tendo referida decisão Suprema sido assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts . 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a Fl. 461DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça STJ, em recentíssima decisão (sessão de 02/08/2012), ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp nº 1.269.570 MG, entre muitas outras mais antigas, seguiu a referida posição jurisprudencial proferida do Tribunal Maior, consoante se extrai da leitura da ementa do REsp 1089356/PR, assim disposta: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09/06/2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI Nº. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o Fl. 462DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13748.000365/9749 Acórdão n.º 9900000.732 CSRFPL Fl. 13 7 entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei nº. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Nessa mesma linha, transcrevo ementa de outros julgados do STJ, nos quais o prazo prescricional é contado, em se tratando de pagamentos indevidos cuja repetição fora requerida anteriormente à vigência da LC nº 118∕2005 (09/06/2005), da data do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos REsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] Fl. 464DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13748.000365/9749 Acórdão n.º 9900000.732 CSRFPL Fl. 14 9 autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si". (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Através da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, diante dessas decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores, outra não poderia ser minha posição a respeito da matéria, senão a de aplicar ao caso os estritos termos das sobreditas decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 9 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), valeria o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseia a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Fl. 465DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 01/08/1997, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 09/89 e 03/92. Sendo assim, o direito à repetição não foi alcançado pela prescrição. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, devendo o processo retornar à repartição de origem para que seja analisada a viabilidade do pedido quanto às questões de mérito, sua liquidez, demais matérias não examinadas e adoção das providências que considerar cabíveis, devendo o processo, posteriormente, seguir seu trâmite de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. É assim que voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 466DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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