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Numero do processo: 19288.000040/2011-71
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 49 DO CARF. JURISPRUDÊNCIA DO STJ.
O art. 138 do CTN, que prevê a denúncia espontânea, não é aplicável na hipótese de aplicação de multa por atraso na entrega da DCTF. É o que preconiza a Súmula 49 do CARF e a jurisprudência hodierna do STJ.
Numero da decisão: 1801-002.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 49 DO CARF. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. O art. 138 do CTN, que prevê a denúncia espontânea, não é aplicável na hipótese de aplicação de multa por atraso na entrega da DCTF. É o que preconiza a Súmula 49 do CARF e a jurisprudência hodierna do STJ.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 53 1 52 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19288.000040/201171 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.239 – 1ª Turma Especial Sessão de 03 de fevereiro de 2015 Matéria Multa por atraso na entrega de DCTF Recorrente CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO FOUR POINTS BY SHERATON MACAÉ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 49 DO CARF. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. O art. 138 do CTN, que prevê a denúncia espontânea, não é aplicável na hipótese de aplicação de multa por atraso na entrega da DCTF. É o que preconiza a Súmula 49 do CARF e a jurisprudência hodierna do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 28 8. 00 00 40 /2 01 1- 71 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 2 Tratase de notificação de lançamento relativa à aplicação de multa ao sujeito passivo por atraso na entrega da DCTF referente a outubro/2010, a qual deveria ter sido entregue até 21/12/2010, mas só o foi em 07/01/2011, ensejando a cobrança de multa no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), conforme a referida notificação (efl. 04). O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento em 03/02/2011 (efls. 02/05), a qual foi julgada improcedente pela DRJ (efls. 24/27) sob o fundamento de que suposto atraso na obtenção do certificado digital pelo contribuinte não justifica o atraso na entrega da declaração e não evita aplicação da multa. Consignou ainda a impossibilidade do contribuinte apresentar sua declaração em papel, nos termos do art. 6º da IN RFB n. 786/2007. Em relação à alegada denúncia espontânea, afirmou ainda que o art. 7º, §2º da Lei n. 10.426/02 prevê expressamente a redução da multa no caso de apresentação espontânea da declaração após o prazo, o que torna inaplicável o art. 138 do CTN. Colacionou ementa de julgado do STJ, onde aquele órgão decidiu pela inaplicabilidade do art. 138 do CTN no caso de multa por atraso na entrega de declaração. Intimado desta decisão em 06/10/2011 (efl. 51), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/10/2011 (efls. 37/38), onde argumenta ser fato incontroverso que a apresentação da declaração se deu antes de qualquer ação fiscal, razão pela qual entende aplicável o art. 138 do CTN. Requereu, assim, o provimento do recurso para se cancelar o lançamento. Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. O contribuinte pretende a aplicação do art. 138 do CTN ao caso presente, com o fim de afastar a multa aplicada em função do atraso na entrega da DCTF. Ocorre que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já editou súmula sobre este tema, que dispõe: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Outrossim, embora o presente órgão não se vincule aos entendimentos emitidos pelo Superior Tribunal de Justiça, não custa lembrar que este órgão do Poder Judiciário também entende pela inaplicabilidade do art. 138 do CTN ao presente caso, tendo em vista que a denúncia espontânea não se estende às obrigações acessórias autônomas. Confira: TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 19288.000040/201171 Acórdão n.º 1801002.239 S1TE01 Fl. 54 3 2. Agravo Regimental não provido. (AgRg nos EDcl no AREsp 209.663/BA, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/04/2013, DJe 10/05/2013) Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Fl. 55DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001693/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
CONTAS CONJUNTAS - INTIMAÇÃO DOS COTITULARES - NECESSIDADE - AUSÊNCIA - NULIDADE - SÚMULA CARF Nº 29. Súmula CARF nº 29:
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO.
Conforme art. 42 da Lei nº 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
A comprovação da origem dos recursos depositados compreende a apresentação de documentação, hábil e idônea, que identifique a fonte do recurso e a natureza jurídica da operação que lhe deu causa e suporte.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE -EXCLUSÃO - ART. 42, § 3º, I, LEI Nº 9.430/96.
Conforme art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/96 não devem ser considerados, para efeitos de receita omitida, os créditos decorrentes de transferências de outras contas da pessoa física.
DESPESAS ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL.
As despesas com a atividade rural, sejam de investimento, sejam de custeio, devem ter intrínseca relação com a natureza da atividade exercida, destinando-se à expansão da atividade ou à manutenção da fonte produtora. Tais despesas devem ser comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos que identifiquem adequadamente a destinação dos recursos.
RETIFICAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - IMPOSSIBILIDADE - VALORES PAGOS - APROVEITAMENTO - POSSIBILIDADE - NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO.
Uma vez notificado o contribuinte, tem início o procedimento de fiscalização. O Código Tributário é claro, em seu art. 138, parágrafo único, que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo. A declaração retificadora não tem o condão de substituir a original para fins de considerações do auto de infração. Entretanto, os valores já pagos pelo contribuinte devem ser aproveitados e subtraídos do total do crédito tributário, no que refere à omissão de atividade rural, se devidamente comprovados nos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil.
TAXA SELIC - SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-002.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar PARCIAL provimento para excluir da base de cálculo R$ 17.197,60, relativa ao ano-calendário 2004. Pelo voto de qualidade, dar PARCIAL provimento para excluir R$ 2.028.841,87 da base de cálculo relativa ao ano-calendário 2005, vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que excluíam R$ 2.815.464,55. Designada para redigir o voto vencedor nessa parte a Conselheira DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada). Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Mateus de Abreu Mendonça, OAB nº 81.186-MG.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurelio de Oliveira Barbosa Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
(Assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Redatora designada.
EDITADO EM: 19/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio De Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), e Fabio Brun Goldschmidt. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente) e Pedro Anan Junior.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005 CONTAS CONJUNTAS - INTIMAÇÃO DOS COTITULARES - NECESSIDADE - AUSÊNCIA - NULIDADE - SÚMULA CARF Nº 29. Súmula CARF nº 29: Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO. Conforme art. 42 da Lei nº 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. A comprovação da origem dos recursos depositados compreende a apresentação de documentação, hábil e idônea, que identifique a fonte do recurso e a natureza jurídica da operação que lhe deu causa e suporte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE -EXCLUSÃO - ART. 42, § 3º, I, LEI Nº 9.430/96. Conforme art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/96 não devem ser considerados, para efeitos de receita omitida, os créditos decorrentes de transferências de outras contas da pessoa física. DESPESAS ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. As despesas com a atividade rural, sejam de investimento, sejam de custeio, devem ter intrínseca relação com a natureza da atividade exercida, destinando-se à expansão da atividade ou à manutenção da fonte produtora. Tais despesas devem ser comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos que identifiquem adequadamente a destinação dos recursos. RETIFICAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - IMPOSSIBILIDADE - VALORES PAGOS - APROVEITAMENTO - POSSIBILIDADE - NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO. Uma vez notificado o contribuinte, tem início o procedimento de fiscalização. O Código Tributário é claro, em seu art. 138, parágrafo único, que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo. A declaração retificadora não tem o condão de substituir a original para fins de considerações do auto de infração. Entretanto, os valores já pagos pelo contribuinte devem ser aproveitados e subtraídos do total do crédito tributário, no que refere à omissão de atividade rural, se devidamente comprovados nos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil. TAXA SELIC - SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso voluntário parcialmente provido.
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar PARCIAL provimento para excluir da base de cálculo R$ 17.197,60, relativa ao ano-calendário 2004. Pelo voto de qualidade, dar PARCIAL provimento para excluir R$ 2.028.841,87 da base de cálculo relativa ao ano-calendário 2005, vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que excluíam R$ 2.815.464,55. Designada para redigir o voto vencedor nessa parte a Conselheira DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada). Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Mateus de Abreu Mendonça, OAB nº 81.186-MG. (Assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Redatora designada. EDITADO EM: 19/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio De Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), e Fabio Brun Goldschmidt. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente) e Pedro Anan Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 48; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2274; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.001693/200735 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.845 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de novembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente GENESCO APARECIDO DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 CONTAS CONJUNTAS INTIMAÇÃO DOS COTITULARES NECESSIDADE AUSÊNCIA NULIDADE SÚMULA CARF Nº 29. Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO. Conforme art. 42 da Lei nº 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. A comprovação da origem dos recursos depositados compreende a apresentação de documentação, hábil e idônea, que identifique a fonte do recurso e a natureza jurídica da operação que lhe deu causa e suporte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE EXCLUSÃO ART. 42, § 3º, I, LEI Nº 9.430/96. Conforme art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/96 não devem ser considerados, para efeitos de receita omitida, os créditos decorrentes de transferências de outras contas da pessoa física. DESPESAS ATIVIDADE RURAL COMPROVAÇÃO DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 16 93 /2 00 7- 35 Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 2 As despesas com a atividade rural, sejam de investimento, sejam de custeio, devem ter intrínseca relação com a natureza da atividade exercida, destinandose à expansão da atividade ou à manutenção da fonte produtora. Tais despesas devem ser comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos que identifiquem adequadamente a destinação dos recursos. RETIFICAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL IMPOSSIBILIDADE VALORES PAGOS APROVEITAMENTO POSSIBILIDADE NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO. Uma vez notificado o contribuinte, tem início o procedimento de fiscalização. O Código Tributário é claro, em seu art. 138, parágrafo único, que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo. A declaração retificadora não tem o condão de substituir a original para fins de considerações do auto de infração. Entretanto, os valores já pagos pelo contribuinte devem ser aproveitados e subtraídos do total do crédito tributário, no que refere à omissão de atividade rural, se devidamente comprovados nos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil. TAXA SELIC SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar PARCIAL provimento para excluir da base de cálculo R$ 17.197,60, relativa ao anocalendário 2004. Pelo voto de qualidade, dar PARCIAL provimento para excluir R$ 2.028.841,87 da base de cálculo relativa ao anocalendário 2005, vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que excluíam R$ 2.815.464,55. Designada para redigir o voto vencedor nessa parte a Conselheira DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada). Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Mateus de Abreu Mendonça, OAB nº 81.186MG. (Assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa – Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Redatora designada. Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 3 3 EDITADO EM: 19/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio De Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), e Fabio Brun Goldschmidt. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente) e Pedro Anan Junior. Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Após verificar a incompatibilidade entre as informações apresentadas pelo recorrente em suas DIRPF nos anoscalendário 2004, 2005 e os dados de sua movimentação financeira no mesmo período, a Fazenda Nacional iniciou procedimento de fiscalizatório em relação ao IRPF do recorrente no período referido, com o objetivo de esclarecer a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos créditos e depósitos bancários, considerando que existiam evidências de omissão de rendimentos. O recorrente, em 30/11/06, tomou ciência do Termo de Inicio de Fiscalização (fls. 5253 do eprocesso), no qual foi intimado, quanto ao anocalendário 2005, a: a) apresentar os extratos bancários de contascorrente, aplicações financeiras, cadernetas de poupança, referente a todas as contas, inclusive de titularidade do cônjuge ou outros dependentes, mantidas em instituições financeiras, situadas no Brasil e no exterior; b) apresentar os extratos das contas mantidas nos bancos: Banco do Brasil S/A, Banco Pottencial S/A, HSBC Bank Brasil S/A, Banco Múltiplo, Banco Mercantil do Brasil S/A, Unibanco União de Bancos Brasileiro S/A e Banco Bradesco S/A; c) informar se as contas referentes ao extratos eram mantidas em conjunto com outro contribuinte, e, em caso afirmativo, comprovar tal situação com documentos, inclusive identificando outros eventuais titulares das citados contas; d) apresentar as fichas de abertura de todas as suas contas bancárias, nas quais deveriam constar os dados de todos os titulares. Quanto ao anocalendário 2004, foi intimado a apresentar: a) Demonstrativo de Receitas e Demonstrativo das Despesas de Custeio e Investimento, referentes à atividade rural, ou o LivroCaixa de referida atividade, caso a Receita Bruta auferida no anocalendário tivesse sido superior a R$ 56.000,00; e b) todas as notas fiscais relativas às vendas de gado realizadas no período. Em 04/12/06, o contribuinte requereu a prorrogação do prazo por 60 (sessenta) dias para o cumprimento das solicitações, pedido parcialmente concedido pela autoridade administrativa que prorrogou o prazo por mais 20 (vinte) dias (fl. 55 do eprocesso). Em 05/01/07, o contribuinte juntou ao processo os seguintes documentos: a) requerimento e extratos do Banco Mercantil (fls. 59 e 136161 do eprocesso); b) requerimento, extratos e documentos do Banco do Brasil (fls. 60 e 64101); c) requerimento e extratos do Banco Pottencial S/A (fls. 61 e 110116 do eprocesso); d) requerimento e extratos do Banco HSBC S/A (fls. 62 e 162176 do eprocesso); e) requerimento e extratos do Banco Bradesco S/A (fls. 63 e 117135 do eprocesso); f) certidão de casamento e documentos do cônjuge (fls. 108109 do eprocesso); extratos bancários do Unibanco (fls. 177188). Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 4 Posteriormente, em 24/01/07, o recorrente foi intimado, quanto ao ano calendário 2005, a: a) informar se as contas referentes aos extratos apresentados, mantidas junto ao Banco do Brasil, ao Banco Pottencial, ao HSBC Bank Brasil, ao Banco Mercantil do Brasil, Unibanco e Banco Bradesco; b) apresenta as fichas de abertura das contas mantidas junto aos bancos HSBC Bank Brasil, ao Banco Mercantil e ao Banco Bradesco. No que refere ao anocalendário 2004, o contribuinte foi intimado a apresentar: a) Demonstrativo de Receitas e Demonstrativo das Despesas de Custeio e Investimento, referentes à atividade rural, ou o LivroCaixa de referida atividade, caso a Receita Bruta auferida no anocalendário tivesse sido superior a R$ 56.000,00; b) todas as notas fiscais relativas às vendas de fato realizadas no período (fl. 189 do eprocesso). O contribuinte, em 30/01/07, requereu a prorrogação do prazo por 30 (trinta) dias para atender à requisição (fl. 192 do eprocesso). O pedido de dilação do prazo foi novamente feito em 27/02/08 (fl. 193 do eprocesso). Às fls. 195202 do eprocesso foram juntados os seguintes documentos: a) contrato de abertura de crédito em conta corrente do Banco do Brasil; b) contrato de abertura de crédito em conta corrente do HSBC; c) contrato de abertura de conta do Banco Pottencial. Em 07/02/07, o recorrente foi intimado a: a) comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados/depositados, durante o anocalendário de 2005, nos bancos: Banco do Brasil S/A, Bradesco, Mercantil do Brasil, HSBC, Unibanco e Pottencial; e b) informar, discriminadamente, a existência de vínculo comprovado entre os recursos registrados e os valores dos débitos constantes da planilha de lançamento à débito anexada ao Termo de Intimação (fls. 205210). O recorrente requereu a prorrogação do prazo para atendimento às solicitações (fl. 213 do eprocesso). A Fiscalização, em 05/03/07, intimou o contribuinte Bertin Ltda. a apresentar: a) demonstrativo detalhado das compras efetuadas, no anocalendário 2004, do recorrente; b) cópias autenticadas (ou cópias acompanhadas dos originais) das notas fiscais de produtor e das notas fiscais de entrega que acobertaram o ingresso das mercadorias em seu estabelecimento; c) os comprovantes de pagamento das referidas compras, com indicação dos valores pagos e da data da transação (fl. 219 do eprocesso). Em 15/03/07, a empresa Bertin Ltda. apresentou os seguintes documentos: a) relatório de abate; b) relatório das notas fiscais; c) cópias das notas fiscais de entrada, e produtor rural; d) relatório dos pagamentos; e) comprovante de pagamento (fls. 221344 do eprocesso). Em 15/04/07, o contribuinte apresentou: a) todas as notas fiscais de vendas de gado do anocalendário de 2004, conforme lançamento em seu Livro Caixa da Atividade Rural; e b) Livro Caixa da Atividade Rural do anocalendário 2004, exercício 2005 (fls. 345379 do e processo). Saliento que as notas fiscais aludidas pelo contribuinte em sua petição de fls. 345 do eprocesso não constam dos autos. Após, em 23/04/07, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: a) todas as notas fiscais de vendas de gado do anocalendário 2005, conforme lançamento no Livro Caixa da Atividade Rural; b) Livro Caixa da Atividade Rural do anocalendário 2005, exercício 2006; c) todas as notas fiscais de despesas e receitas do anocalendário de 2005, conforme discriminação em seu Livro Caixa; d) comprovantes de operações financeiras realizadas em 2005, como empréstimos, contratos de cédulas rurais, comprovantes de origens de depósitos e transferências bancárias e contrato de mútuo (fls. 387860 do eprocesso). Em 14/05/07 e em 02/07/07, foram lavrados, respectivamente, os Termos nº 04 e 05 de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal (fls. 861866 do eprocesso). Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 4 5 O contribuinte, em 26/07/07, foi intimado a: a) apresentar os documentos que comprovassem as despesas com a atividade rural no anocalendário 2004, constantes do Livro Caixa e identificadas em planilha anexa ao Termo de Intimação, bem como apresentar os respectivos comprovantes de pagamento – cópia de cheques, comprovante de transferência bancária, etc. – de tais despesas; b) apresentar cópia autenticada da carteira de identidade; c) fornecer a relação completa e pormenorizada dos seguintes itens, que constassem de sua declaração de bens, acompanhada dos documentos comprobatórios da titularidade dos referidos bens: (i) para veículos, aeronaves e embarcações: chassi, placa, modelo, ano e valor e cópia dos documentos comprobatórios; (ii) para imóveis: discriminação, nº do registro, cartório, valor e se sobre ele pesasse alguma gravação de garantia ou inalienabilidade e cópias das respectivas escrituras; (iii) para cotas e ações: tipo de ação, nome da empresa e valor, e cópias dos Contratos Sociais e últimas alterações de tais empresas; (iv) demais bens: todos os dados que possibilitassem sua perfeita identificação, acompanhados de documentos comprobatórios (fls. 867868 do eprocesso). O recorrente, em 07/08/07, apresentou uma série de notas fiscais e duplicatas referentes à documentação solicitada pela Fiscalização. Na oportunidade, informou que: a) os juros referentes à Ced. Rural Banco Rural Agroinvest S.A referiramse à liquidação das Cédulas Produto Rural anexas com vencimento em 15/04/04 e 15/05/04, respectivamente, conforme fluxo de caixa gerencial – analítico do Banco, sendo pago R$ 13.231,00 + R$ 212.849,30 + R$ 146.868,07, diminuído do valor original de R$ 338.476,27, encontrarseia os juros de R$ 34.472,10, lançado no livro caixa; b) os juros do Banco de Lage Landen constariam em extrato anexo; c) os juros do Banco do Brasil seguiam anexados aos extratos conforme operações nº 21/380058 e nº 21/380015, com valor de R$ 5.185,59, R$ 5.497,75; d) existia Cédula rural Hipotecária nº 21/380201; e) os juros do Banco Bradesco referente ao desconto das notas da Bertini, que geraram o juro lançado no LC, conforme extrato do Banco Bradesco: “VENDA DE GADO CONF. NF 43156 PARA A FIRMA BERTIN LTDA” no valor de R$ 190.145,81, sendo liberado o valor de R$ 180.266,55, totalizando juros de R$ 9.879,26; e em setembro de 2005 foi descontada uma nota promissória referente à “VENDA DE GADO CONF. NF 43458 PARA FIRMA BERTIN LTDA” no valor de R$ 61.337,21 e “VENDA DE GADO CONF. NF 43457 PARA A FIRMA BERTIN LTDA” no valor de R$ 63.844,92, cujo desconto foi de R$ 122.665,13, totalizando juros de R$ 2.517,00. O contribuinte também apresentou a relação dos documentos referentes aos bens e direito, e informou que não foram consideradas as notais fiscais constantes da tabela abaixo discriminadas, cujos documentos foram anexados, para fins de lançamento de ofício no livro caixa da atividade rural, por motivo de se encontrarem extraviadas no momento do levantamento da escrituração (fls. 871889 do eprocesso). Data Nº documento Emitentes Valor 05/02/04 250.219 Tracbel 12.856,00 15/05/04 942690 Aroldo Rodrigues da Silva 5.000,00 15/05/04 942691 Aroldo Rodrigues da Silva 5.000,00 Em 31/07/07, o recorrente foi intimado a: a) com relação ao depósito identificado como “976 TED. Transferencia Eletr. Di” (documento 3734191) feito no Banco 001, agência 22411, conta 18800X, na data de 05/12/05, no valor de R$ 50.000,00, que, de acordo com elementos apresentados à Fiscalização em 23/04/07, seria referente a recebimento de empréstimo efetuado a Maria Cristina Rebello Horta Jardim Lapertosa, apresentar documento que comprovasse a entrega de recursos à contribuinte Maria Cristina, quando da assinatura do contrato, em 01/12/05; b) com relação aos nove depósitos identificados como “Doc Recebido” feitos no Banco 735, agência 001, conta nº 0004926, na data de 30/08/06, nos Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 6 valores de R$ 2.987,03 e R$ 4.900,00, que de acordo com elementos apresentados à Fiscalização não considerou os elementos apresentados como hábeis a confirmar a origem dos recursos. Caso se confirmasse a empresa Unifrigo como remetente dos recursos, vincular tais recebimentos às operações de vendas de gado, indicando a quais notas fiscais, apresentadas à Fiscalização, se refeririam os recursos recebidos; c) com relação aos depósitos identificados na tabela de fl. 901 eprocesso que, de acordo com históricos bancários e elementos apresentados à Fiscalização em 23/04/07, seriam referentes a descontos de títulos/cheques/promissórias, apresentar documentos que identificassem quais títulos foram descontados e quem foi emitente de tais títulos, indicando, ainda, o motivo da emissão dos títulos em questão (fls. 900903 do e processo). O contribuinte, em resposta, prestou os seguintes esclarecimentos: a) em relação ao empréstimo a Sra. Maria Cristina Rabello Horta Jardim Lapertosa, informou que os documentos relativo a operação foram entregues à Fiscalização, no entanto, o valor do recurso emprestado referiase a um empréstimo em moeda corrente do país disponível na época, cujo pagamento cinco dias depois; b) com relação aos pagamentos efetuados pela empresa Unifrigo Com.Import. e Export. Ltda. referese ao pagamento parcial das vendas efetuadas para a empresa no mês de agosto de 2005 e devidamente escriturados no livro caixa, contudo, informou não saber precisar quais as notas relacionadas com esses pagamentos. Alegou que segundo informações, esse procedimento foi adotado para evitar o pagamento de uma taxação cobrada pelo Bacen nos depósitos acima de R$ 4.900,00; c) com relação aos depósitos vinculados aos descontos de títulos/cheques/promissória relacionados no anexo da TI, esclareceu que não teria condições de identificar os cheques prédatados que foram descontados, pois segundo informação dos gerentes dos bancos referenciados, a localização dos descontos não é difícil, e também já teriam sido detectados, porém, saber quais os cheques a que se referem é de difícil missão, pois a troca é feita por borderôs que possuem apenas o valor total dos cheques, sem sua identificação. Acrescentou que de acordo com a gerência, não é possível a identificação desses cheques, e que os descontos feitos no Banco nº 389 foram de cheques prédatados, cuja operação foi tratada como desconto de títulos (fls. 905907 do e processo). A Fiscalização, em 25/07/07, intimou o contribuinte G A O & Filhos Pecuária e Agricultura Ltda. (fls. 908909 do eprocesso) a apresentar os Livros Diário e Razão, referentes ao anocalendário 2005. Em resposta (fls. 912 do eprocesso) o referido contribuinte alegou ser optante pelo lucro presumido e possuir apena o Livro Caixa, o qual foi apresentado à Fiscalização em 06/09/07 (fls. 913944 do eprocesso). Em 20/09/07 e em 08/11/07, foi dado ao recorrente ciência da continuação do procedimento fiscal (fls. 945 e 948 do eprocesso). Posteriormente, em 07/12/07, o contribuinte foi intimado (fl. 951 do e processo) a apresentar os comprovantes de pagamento (cópia de cheque/extrato bancário, comprovante de transferência bancária, etc.) relacionadas às despesas com atividade rural do anocalendário de 2004, constantes do Livro Caixa e identificadas na tabela abaixo: Lanç. Data Conta Histórico Despesa 91 22/06/04 2.21.001Bovino COMPRA CONF. NF. 784425 DE GAO E FILHOS PECUARIA LTDA R$ 7.200,00 150 21/09/04 2.21.001Bovino COMPRA CONF. NF. 769903 DE GAO E FILHOS PECUARIA LTDA R$ 18.720,00 Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 5 7 164 13/10/04 2.21.001Bovino COMPRA CONF. NF. 769974 DE GAO E FILHOS PECUARIA LTDA R$ 208.000,00 O recorrente esclareceu, em 26/12/07, que os pagamentos efetuados à G.A.O E FILHOS PECUÁRIA E AGRICULTURA LTDA, referente aos lançamentos de nºs 91, 150 e 164, com data de 22/06/04, 21/09/04 e 12/10/04, respectivamente, referente às notas fiscais nºs 784425, 769903 e 769974, nos valores de R$ 7.200,00, R$ 18.720,00 e R$ 208.000,00, respectivamente, foram feitos através de TED’s, cujos depósitos foram feitos diretamente para a conta da referida empresa, conforme discriminado na tabela abaixo. O contribuinte também informou que o total das notas fiscais era de R$ 233.920,00 e o valor transferido foi de R$ 245.000,00, saldo suficiente para a quitação das operações realizadas, e que o saldo restante poderia ter sido acerto de contas com a sociedade. Apresentou extratos bancários comprovando os depósitos (fls. 954958 do eprocesso). Data Documento Valor R$ Banco 17/06/04 011111 30.000,00 Brasil S/A 23/08/04 0980462 50.000,00 Bradesco S.A 15/09/04 1759315 15.000,00 Bradesco S.A 15/09/04 1759317 30.000,00 Bradesco S.A 21/10/04 0406046 20.000,00 Bradesco S.A 21/10/04 0406266 100.000,00 Bradesco S.A 2 Notificação do Lançamento Foi lavrado, em 08/01/08, o Auto de Infração (fls. 982989 do eprocesso) para cobrança de crédito tributário relativo ao IRPF, anoscalendário 2004 e 2005, no montante de R$ 3.058.555,76, já acrescido de juros de mora e multa. O ato foi alicerçado nos seguintes pontos: a) omissão de rendimentos da atividade rural; e b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. A isto, acrescentamse os seguintes pontos salientados pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fls. 962981 do eprocesso): a) o contribuinte apresentou declarações retificadoras referentes ao ano calendário 2004 (fls. 1024) em 16/03/07, e ao anocalendário 2005 em 24/04/07, ou seja, quando já iniciado o procedimento fiscal; b) a retificadora do ano de 2004 incluiu os dados nas fichas de Atividade Rural (na declaração original estavam zeradas), alterou os valores dos bens e direitos e acrescentou rendimentos isentos e não tributáveis. Já no ano de 2005, com as retificadoras o fiscalizado alterou o resultado tributável da Atividade Rural, o valor de Bens e Direitos e também acrescentou rendimentos isentos e nãotributáveis. Destarte, para efeito de lançamento dos créditos tributários, a Fiscalização levou em consideração as declarações originais dos anoscalendário 2004 e 2005. c) no que refere ao anocalendário 2004, a Fiscalização não considerou comprovadas determinadas despesas, escrituradas no Livro Caixa: (i) lançamentos 54, 55 e 112: as notas promissórias não apresentam vinculação com as respectivas notas fiscais; (ii) lançamento 89: a cópia de fluxo de caixa e a cópia da Cédula de Produto Rural não indicam o pagamento do valor; (iii) lançamentos 91, 150 e 164: das transferências indicadas como sendo referentes aos pagamentos para G.A.O e Filhos Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 8 Pec. e Agricultura Ltda., uma delas, a do Banco Brasil, não está identificada. Ademais, o total das notas fiscais em questão é de R$ 233.920,00 e o valor transferido indicado pelo recorrente foi de R$ 245.000,00. Ainda, as datas de transferências não coincidiam com as datas de emissão das notas fiscais, sendo a maior parte das transferências indicadas em data anterior à emissão dos documentos; (iv) lançamento 107: nas cópias de documentos relativos a crédito rural e comercial, emitidos pelo Banco do Brasil, não haveria indicação de pagamento de tal valor; d) no que refere ao anocalendário 2005, a Fiscalização não considerou as seguintes despesas como de custeio da atividade: (i) lançamentos 1, 27, 83, 103, 104, 109, 110, 127, 137, 139, 140, 149, 182, 186, 190, 197, 238, 243, 259, 279, 286, 288, 296, 300, 301, 311, 322, 334, 337, 358, 364, 365, 375, 378, 386 e 395: tais despesas referemse à hangaragem, manutenção, tarifas aeronáuticas e combustíveis de uma aeronave de categoria normal, não agrícola; (ii) lançamentos 98, 199, 266, 345 e 397: despesas com televisão por assinatura (SKY); (iii) lançamentos 106, 145, 239, 280, 323, 360, 374, 380 e 393: despesas com internet (Way); lançamentos 207, 208, 256, 257, 258, 394 e 396: os documentos referentes a tais despesas não identificam qual o produto ou qual o serviço que foi adquirido. O contribuinte tomou ciência da notificação em 15/01/08. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou, em 14/02/08, impugnação tempestiva (fls. 9961041 do eprocesso), esgrimindo os seguintes argumentos: a) a declaração de ajuste anual retificadora independe da prévia autorização por parte a Autoridade Administrativa, substitui a originalmente apresentada para todos os efeitos legais, inclusive para fins de revisão. A declaração regulamente apresentada, mesmo após o início da ação fiscal, constitui confissão de dívida, sendo dispensado sua formalização por meio de lançamento de ofício; b) a declaração do anocalendário 2004 foi entregue em 16/03/07, no prazo legal para fins de apresentação da retificadora. Quanto ao anocalendário 2005, ainda não tinha sido notificado da realização da Fiscalização, quando apresentou a retificação, em 23/04/07 sendo procedida a sua retificação por falta de preenchimento do anexo da atividade rural, o que foi devidamente regularizada e aceito pela Fiscalização; c) os fundamentos para apuração do imposto não estão de acordo com a legislação de regência, pois na atividade rural apurouse o imposto pela totalidade dos rendimentos declarados diminuído das despesas comprovadas, não restando ao contribuinte a opção de pagamento com base em 20% da receita auferida na atividade rural, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.250/95; d) para ocorre o fato gerador, seria necessário um incremento patrimonial representado pelo ganho de disponibilidade financeira, o que fica Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 6 9 demonstrado pela declaração retificadora, que não houve, e por esse motivo, a mera presunção de omissão não pode ser considerada; e) para haver o aspecto material, deve haver causa, o que também não ficou demonstrado. De acordo com o art. 42 da Lei nº 9.420/96, e pelo art. 4º da Lei nº 9.481/97, a Fiscalização deverá proceder a uma análise preliminar dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto às instituições financeiras, ou seja: primeiro, os créditos deverão ser analisados um a um; segundo, excluindose as transferências entre contas do mesmo titular, o que não foi feito; f) a falta de registro das operações não interfere na validade das informações, pois a Fiscalização solicitou a comprovação dos depósitos efetuados com cheques de terceiros e outros que não podem ser identificados, exceto por meio de perícia; g) em relação à omissão de rendimentos da atividade rural no anocalendário 2004, relativo à falta de escrituração no livro caixa da atividade rural emitida pela Bertin em 22/07/04, no valor de R$ 58.538,05, o contribuinte considerou haver falha no lançamento do Livro Caixa; h) as glosas de despesas de que trata os lançamentos 54,55 e 112 do Livro Caixa não podem prosperar a teor dos arts. 6º e 7º da IN SRF nº 83/01. Considerando que a nota promissória é um documento comprobatório da despesa de custeio, identificando a que se destina, não pode o ente tributário ir em desacordo com o que dispõe a norma prevista no art. 10 da IN SRF nº 83/01; i) anexa aos autos o mapa de compra emitido pela Ruralpel Leilões que identifica as compras realizadas no leilão colonial ocorrido em 17/04/04, identificando as operações do recorrente com o Sr. Gabriel Donato de Andrade e a Colonial Agropecuária, bem como uma nota de leilão da Ruralpel do Sr. Adilson Guimaraes; j) quanto aos juros pagos relativos à Cédula Rural do Banco Rural Agroinvest S.A, foi claramente demonstrado às fls. 844 que os valores pagos na liquidação da CPR 31 foram de R$ 13.231,00, R$ 212.849,0 3 R$ 146.868,07, conforme extrato emitido pelo Rural Agroinvest através do fluxo de caixa gerencial – analítico. O valor original da CPR 31 é de R$ 339.000,00 conforme recibo anexo, sendo descontado despesas bancárias, sendo o valor líquido de R$ 338.476,27, demonstrado através do crédito auferido em 2003 pela emissão da cédula de produtor rural, e conforme documento de recebimento anexo. A diferença entre o valor da liquidação da cédula e o valor do crédito corresponde aos juros pagos, no valor de R$ 34.472,10, fato devidamente comprovado e demonstrado nos auto, conforme fl. 844; k) a cédula de crédito foi devidamente emitida conforme documento de fls. 845850, com devido registro em cartório, e o pagamento comprovado pelo extrato emitido pelo Banco Rural Agroinvest; Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 10 l) não pode prosperar a glosa das despesas lançadas no Livro Caixa relativo aos lançamentos 91, 150e 164, pois: (i) as transferências indicadas como sendo referentes aos pagamentos da empresa G.A.O e Filhos Pec. E Agricultura Ltda., uma delas, a do Banco do Brasil, está devidamente identificada a fl. 916, pois a conta da G.A.O no Banco do Brasil é a de nº 111112, conforme se observa à fl. 531; (ii) o total das notas fiscais em questão é R$ 233.920,00 e o valor transferido foi de R$ 245.000,00, ocorre que para fins de acerto da conta corrente do recorrente com a empresa, foi realizada as operações de venda de gado para o recorrente, conforme comprovado pelas notas fiscais emitidas, que foram devidamente oferecidas à tributação pela empresa G.A.O e Filhos Pec. E Agricultura Ltda. Em relação aos créditos efetivados com a empresa G.A.O, foram emitidos os devidos recibos anexados à impugnação; (iii) quanto às datas das transferências, elas não têm como coincidir, pois o acerto com a empresa foi feito em data posterior ao recebimento dos créditos pela G.A.O, e à medida da necessidade do recorrente em cumprir contrato de venda de gado para corte com os frigoríficos; m) as despesas glosadas no anocalendário 2005 são passíveis de dedução no livro caixa da atividade rural, conforme disposto no art. 10 da IN SRF nº 83/01, pois são essenciais para fins de locomoção do recorrente, da necessidade de acompanhamento do mercado da atividade rural através da televisão por assinatura, como é o caso do canal rural, da internet para fins de pesquisa de preços ou de novidades da atividade rural; n) há um erro grave na apuração do resultado, pois conforme disposto no art. 11, § 5º, da IN SRF nº 83/01, deveria ter sido considerada 20% da receita auferida. O valor a ser oferecido à tributação será de R$ 757.896,21, conforme já reconhecido na retificação da declaração; o) em relação à multa de 75% sobre o valor do imposto apurado na declaração retificador, esta não é devida, pois a jurisprudência é clara no sentido de que não deve haver uma dupla tributação, vez que a Declaração Retificador não foi contestada, e ainda, o imposto apurado foi aceito por meio de parcelamento de débitos devidamente declarados, acrescidos de multa de mora; p) os lançamentos mensais consolidados às fls. 937942 no Auto de Infração, representam bitributação, pois já foram considerados como rendimentos da atividade rural, ou se referem à distribuição de lucros ou a pagamentos de empréstimos em operações de mútuo realizadas pelo recorrente e devidamente comprovadas, ou ainda se tratam de transferências de mesmo CPF, ou depósitos de cheques de emissão do próprio recorrente; q) com relação aos depósitos bancários glosados no anocalendário 2005, os argumentos do contribuinte podem ser sintetizados na tabela abaixo: Data Valor Banco Justificativa 27/01/05 R$ 4.500,00 001 Valor pago pelo Sr. Carlos Maurício Vasconcelos ref. à venda de gado conforme documento crédito anexado emitido pelo Banco do Brasil 13/01/05 R$ 2.335,59 001 Valor ref. ao pagamento da Coop. Central dos Produtores relativo à bonificação na venda de leite, conforme comprovante do Banco do Brasil anexado à impugnação 28/02/05 R$ 4.500,00 001 Valor pago pelo Sr. Carlos Maurício Vasconcelos ref. à venda de gado conforme documento crédito anexado emitido pelo Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 7 11 Banco do Brasil 14/03/05 R$ 41.579,00 237 Valor referente ao pagamento pela venda de gado pela empresa Frigorífico Vale do Boi Ltda. NF Data Vlr. Fls. 4156 08/03/05 14.400,00 675 4157 08/03/05 14.400,00 675 4158 08/03/05 14.400,00 675 Os valores foram pagos através do cheque nº 10950 356, Ag 833, conta 7706600, conforme borderô nº 14032 Abril de 2005 Os valores recebidos nesse período referiamse a cheques recebidos de terceiros pela venda de produtos da atividade rural, não havendo possibilidade, sem a devida cópia do cheque, de identificar os destinatários das mercadorias. 09/05/05 R$ 20.000,00 237 Vlr. Referente à transferência de saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuaria Ltda., conforme documento anexo aos autos 09/05/05 R$ 26.956,46 237 Vlr. Referente ao recebimento do cheque nº 2107, do banco 237, ag. 2212, c/c 7050338907, pela venda de gado, não tendo como identificar o adquirente sem a cópia do cheque, pois no período foram emitidas várias notas fiscais de venda a produtores rurais (fls. 682695) 17/05/05 R$ 28.814,73 237 Vlr. Referente ao desconto da nota promissória relativa à venda de gado para o Sr. Vadiolando Moreira Oliveira, conforme nota fiscal 456873, de 15/05/05 (fl. 680), no valor de R$ 14.400,00 e notas fiscal nº 45680, de 15/05/05 (fl. 681), no valor de R$ 16.000,00, cujos valores tiveram um desconto de 4% como comissão de venda em leilão conforme mapa venda leilão de 14/05/05. 17/05/05 R$ 123.352,98 237 Vlr. Referente às notas promissórias emitidas pela venda de gado para a Agropecuária Rio Norte S.A, cujas notas fiscais são: NF Valor (R$) fls. 456.848 15.600,00 686 456.860 13.200,00 688 456.865 14.400,00 689 456.848 13.440,00 690 456.845 15.600,00 691 456.852 15.360,00 692 456.854 15.000,00 693 456.861 14.400,00 694 456.859 14.400,00 695 Tais valores totalizam um montante de R$ 131.400,00, sendo deduzida a comissão de 4% pela Ruralpel leilões, mapa de leilão já anexo, sendo creditado o valor líquido de R$ 123.352,95 (fl. 565). No caso, o valor pago pela operação teria sido de R$ 128.297,40, pois, no vencimento das notas promissórias não houve o pagamento, e o banco efetuou o débito a conta do recorrente, conforme documento anexo. E, posteriormente, em 18/07/05, a empresa devedora efetuou o crédito na conta do recorrente, acrescido das despesas cobradas pela instituição financeira, cujo valor foi tri=tributado (rendimento da atividade rural pelas notas fiscais, como omissão de receita em 17/05/05 – desconto NP rurais e 18/07/05 – pagamento NP rurais). 20/05/05 R$ 12.500,00 001 Vlr. Referente ao depósito de cheque do mesmo titular, no caso do recorrente, conforme documento de crédito. 27/05/05 R$ 4.098,00 001 Vlr. Referente ao estorno de pagamento de compra de gado pelo recorrente, cujo valor foi creditado em conta por falta de apresentação da nota promissória do Sr. Delfino Henrique Dias Filho, como demonstra o espelho da operação emitido pelo banco. 31/05/05 R$ 64.722,68 735 Vlr. Referente à transferência de saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda., conforme comprovante de autorização de transferência. 03/06/05 R$ 69.676,33 237 Vlr. Referente ao desconto da nota promissória rural na venda de gado através da nota fiscal nº 47.511 de 03/06/05, da Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 12 empresa Bertin Ltda. (fl. 700), no valor de R$ 71.365,24, conforme borderô de desconto anexo à impugnação 07/06/05 R$ 118.163,33 237 Vlr. Referente ao desconto da nota promissória rural na venda de gado através da nota fiscal nº 47.549, de 07/06/05, no valor de R$ 51.951,1 e a nota fiscal nº 47.548, de 07/06/05, no valor de R$ 69.080,86, emitidas pela empresa Bertin Ltda., conforme borderô anexo. 13/06/05 R$ 9.925,47 237 Vlr. Referente à transferência de saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 14/06/05 R$ 1.050,00 389 Vlr. Referente à transferência de saldo por meio de DOC de mesmo CPF, no caso do recorrente, conforme documento anexo à impugnação 17/06/05 R$ 31.187,66 237 Vlr. Referente à operação de desconto de cheque recebido da empresa UNIFRIGO, de nº 2350, no valor de R$ 30.627,66, em pagamento da nota fiscal nº 5874, de 16/06/05, conforme cópias de documentos emitidos; e cheque nº 638, no valor de R$ 560,00 23/06/05 R$ 63.000,00 237 Vlr. Referente à operação desconto dos cheques de nº 2439, no valor de R$ 13.000,00 e de nº 2427, no valor de R$ 50.000,00, emitidos pela empresa UNIFRIGO, como pagto parcial da NF nº 5961, de 24/06/05, conforme cópia anexa à impugnação. 23/06/05 R$ 23.000,00 735 Vlr. Referente ao depósito de cheques de mesmo CPF, no caso do recorrente, conta Bradesco de nº 15.6604, nºs 290 a 294, conforme comprovante anexo à impugnação. 24/06/05 R$ 24.500,00 735 Vlr. Referente ao depósito dos cheques nºs 251 a 355 do banco 389, conta 020945620, a título de empréstimo/lucro da empresa G.AO & Filhos Pecuária Ltda. 27/06/05 R$ 24.500,00 735 Vlr. Referente ao depósito dos cheques nºs 346 a 350 do banco 389, conta 020945620, a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 01/07/05 R$ 45.000,00 237 Vlr. Referente à transferência de saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda., conforme documento anexo à impugnação. 01/07/05 R$ 30.000,00 237 Valor referente ao desconto de cheque recebido da empresa Frigorífico Vale do Boi Ltda., do banco 356, Ag. 181, conta 1676625, de nº 10201, no valor de R$ 30.000,00, pela venda de gado para corte 06/07/05 R$ 13.000,00 237 Valor depositado em dinheiro. O recorrente tem disponibilidade financeira, tendo descontado cheques de clientes, principalmente da empresa UNIFRIGO para manter numerário em caixa 07/07/05 R$ 18.000,00 237 Vlr. Referente à transferência de saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos 07/07/05 R$ 65.353,31 389 Vlr. Referente aos cheques recebidos como parte de pagamento pela venda de gado do Frigorífico Horizonte Ltda., no valor de R$ 30.000,00 e de R$ 37.198,50, conforme aviso de movimentação emitido pelo banco. Esses cheques referem se às seguintes notas fiscais: NF Data Vlr. Fls. 65.339 06/07/05 14.730,11 710 65.337 06/07/05 14.731,68 711 65.338 06/07/05 14.731,68 712 65.336 06/05/05 14.730,68 713 14/07/05 R$ 32.256,00 237 Vlr. Correspondente ao recebimento das operações de venda de gado em leilão para o Sr. Vadiolano Moreira de Oliveira, com prazo de 30 dias, conforme discriminado abaixo: NF Data Vlr. Fls. 456325 14/05/05 15.840,00 682 456322 14/05/05 17.760,00 683 O valor corresponderia ao montante de R$ 33.600,00, e sendo o valor da comissão do leilão no valor de 4% (que corresponde a R$ 1.344,00), teríamos o valor do crédito de R$ 32.256,00 15/07/05 R$ 3.500,00 001 Valor depositado em dinheiro. O recorrente tem disponibilidade financeira, como pode ser observado pelo saque no valor de R$ 15.000,00 (fl. 144) efetuado no Banco Mercantil do Brasil S/A 15/07/05 R$ 2.000,00 389 Vlr. Referente a doc. Entre conta mesmo CPF conforme documento anexo à impugnação 18/07/05 R$ 128.297,40 237 Vlr. Referente ao cheque Banco 001, Ag. 3489, Conta Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 8 13 100140848, de nº 062420, depositado pela empresa Agropecuária Rio do Norte S.A, em favor do recorrente para quitação das notas promissórias descontadas em 17/05/05, e não liquidadas em 13/07/05, conforme extratos demonstrativos do Banco Bradesco. Portanto, esse valor corresponderia uma tritributação, a saber: como rendimento atividade rural – no desconto da nota promissória em 17/05/05 e quando da recuperação do crédito. 18/07/05 R$ 19.829,28 389 Vlr. Referente ao cheque recebido do Frigorífico Horizonte em pagamento a venda de gado, correspondente ao cheque nº 7534, com vencimento em 18/05/05, conforme borderô de cobrança, e referente ao pagamento parcial das notas fiscais: NF Data Vlr. Fls. 65.355 08/07/05 13.440,00 715 65.356 08/07/05 13.440,00 716 65.338 06/07/05 14.731,68 717 19/07/05 R$ 40.000,00 237 Vlr. Referente ao desconte de cheque no valor de R$ 40.000,00 da empresa Frigorífico Horizonte Ltda., relativo ao cheque de nº 7539, banco 356, Ag. 004, conta 20431526, em pagamento parcial na compra de gado das notas fiscais descritas em 18/07/05 e da nota fiscal 65.357, de 08/07/05, no valor de R$ 13.440,00 (fl. 717), sendo a diferente correspondente a acertos financeiros de operações anteriores. 19/05/05 R$ 10.490,00 389 Vlr. Depósito de numerário pela venda de produtos rurais, tais como banana, milho e esterco, não sabendo precisar os adquirentes dos produtos e a quantidade adquirida 29/07/05 R$ 116.835,26 389 Vlr. Referente ao desconto de cheques abaixo descritos recebidos da empresa Frigorífico Horizonte Ltda., pela venda de gado para corte, conforme borderô: Banco nº cheque valor. . 389 7638 45.000,00 389 7639 45.000,00 389 7640 30.000,00 O valor creditado corresponde à diferença entre o valor dos juros cobrados pelo desconto e o valor dos cheques apresentados para desconto. 29/07/05 R$ 235.000,00 735 Vlr. Referente à transferência de saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 01/08/05 R$ 47.000,00 735 Valor referente à transferência de saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 02/08/05 R$ 14.359,36 389 Vlr. Depósito de numerário pela venda de produtos rurais, tais como banana, milho e esterco, não sabendo precisar os adquirentes dos produtos e a quantidade adquirida 02/08/05 R$ 62.900,00 409 Vlr. Referente à transferência de saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 03/08/05 R$ 12.000,00 735 Vlr. Referente à transferência de saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 03/08/05 R$ 1.250,00 001 Valor depositado em dinheiro. O recorrente tem disponibilidade financeira, conforme fica demonstrado pela movimentação financeira e cheques emitidos em pagamento às operações de venda de produtos rurais, inclusive gado. 04/08/05 R$ 150.654,05 389 Vlr. Referente ao depósito de cheques de nºs 171 e 172, nos valores de R$ 74. 391,65 e R$ 76.262,40, respectivamente, emitidos pela UNIFRIGO em pagamento a venda de gado pelas notas fiscais: NF Data Vlr. Fls. 6252 21/07/05 74.391,65 722 6271 22/07/05 50.849,28 723 6280 23/07/05 25.413,12 724 08/08/05 R$ 16.000,00 399 Vlr. Referente ao recebimento de mútuo com vencimento em 08/08/05, da empresa Camargos Oliveira Costa Com. de Materiais de Const. Ltda., conforme movimento da conta empréstimo e registro Livro Diário nº 17 à fl. 199, registrado em 08/06/06 09/08/05 R$ 45.887,20 237 Vlr. Referente ao desconto de cheque recebido em pagamento pela venda de gado de corte à empresa Frigorífico Vale do Boi Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 14 Ltda., em pagamento parcial da nota fiscal 4499, de 08/08/05, no valor de R$ 43.200,00 (fl. 733) pelo cheque nº 16810, banco 356, ag. 129, conta 5703858, no valor de R$ 20.467,00; cheque nº 7834, banco 389, Ag. 004, conta 20431526, no valor de R$ 20.000,00, recebido do Frigorífico Horizonte Ltda., e um cheque no valor de R$ 5.430,00, de nº 824364, Banco 399, Ag. 88, conta 88266585 10/08/05 R$ 16.000,00 001 Vlr. Referente ao recebimento de mútuo com vencimento em 08/08/05, da empresa Camargos Oliveira Costa Com. de Materiais de Const. Ltda., conforme movimento da conta empréstimo e registro Livro Diário nº 17 à fl. 199, registrado em 08/06/06 11/08/05 R$ 41.764,49 237 Vlr. Referente ao desconto cheque de nº 7834, banco 356, Ag. 833, conta 7706600, que foi entregue ao recorrente pela empresa Frigorífico Vale do Boi Ltda em pagamento da nota fiscal 4500, de 10/08/05, no vlr. De R$ 43.200,00 11/08/05 R$ 12.000,00 389 Vlr. Referente à transferência de saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 12/08/05 R$ 203.745,00 001 Vlr referente à venda gado para empresa UNIFRIGO, conforme relação anexa e cujos cheques foram dados em pagamento às notas fiscais: NF Data Vlr. Fls. 6485 12/08/05 72.887,00 736 6483 11/08/05 80.858,00 735 6495 13/08/05 217.814,45 737 Para pagamento da nota fiscal 6485 foram emitidos os cheques nºs 332 (R$ 3.745,00), 331 (R$ 19.142,00) e 330 (R$ 50.000,00) Para pagamento da nota fiscal 6483 foram emitidos os cheques de nºs 325 (R$ 50.000,00) e 326 (R$ 30.858,00) Para o pagamento da nota fiscal 6495 foram emitidos os cheques de nºs 328 (R$ 50.000,00), 329 (R$ 50.000,00), 354 (R$ 50.000,00) e 355 (R$ 17.814,45). Foram depositados os cheques das notas fiscais 6485 e 6483, e um cheque de R$ 50.000,00, referente ao pagamento parcial da nota fiscal 6495, totalizando R$ 203.745,00 16/08/05 R$ 17.814,45 237 Vlr. Referente ao cheque emitido em pagamento parcial da nota fiscal 6495, de 13*/08/05, no valor de R$ 217.814,45, pela empresa UNIFRIGO, conforme documentos anexos. 17/08/05 R$ 70.975,74 389 Vlr. Referente aos cheques emitidos pelo Frigorífico Horizonte Ltda. de nºs 7679, 7680, 7682 e 7759, todos do banco 389, no valor total de R$ 71.900,00, conforme extrato de lançamento emitido pelo banco, relativo à compra de gado para corte. Foram anexados à impugnação comprovantes da conta corrente da empresa para fins de identificação. 18/08/05 R$ 37.171,33 237 Vlr. Referente aos cheques emitidos pelo Frigorífico Vale do Boi Ltda, em pagamento parcial da nota fiscal 4656, de 16/08/05, no valor de R$ 14.400,00 – cheque nº 11652, banco 356, ag. 833, conta 7706600; e cheques repassados pelo Sr. Antonio Masc. Barbosa, referente a compra de gado em leilão, sendo emitidas as notas fiscais 456152 e 456153, de 30/07/05, nos valores de R$ 10.200,00 e R$ 11.480,00, respectivamente. E ainda, o desconto de um cheque no valor de R$ 748,00, do banco 341, Ag. 4257, conta 1153056665, de nº 494, recebido em operação de venda de produtos rurais. 18/08/05 R$ 51.000,00 389 Vlr. Referente aos cheques emitidos pelo Frigorífico Horizonte Ltda., conta corrente 20431526, de nºs 7535 (R$ 4.980,00) e 7536 (R$ 46.020,00), todos do banco 389, no valor total de R$ 51.000,00. 18/08/05 R$ 12.776,18 389 Vlr. Depósito de numerário pela venda de produtos rurais, tais como banana, queijo, milho e esterco, não sabendo precisar os adquirentes dos produtos e a quantidade adquirida 18/08/05 R$ 94.842,94 389 Vlr. Referente aos cheques emitidos pelo Frigorífico Horizonte Ltda, de nºs 7855 (R$ 17.060,00) e 7856 a 759 (R$ 20.000,00 cada), conforme extrato de aviso de lançamento emitido pelo banco, relativo a compra de gado para corte. 19/08/05 R$ 9.623,94 001 Vlr. Deposito de numerário pela venda de produtos rurais, tais como banana, milho e esterco, não sabendo precisar os adquirentes dos produtos e a quantidade adquirida. Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 9 15 19/08/05 R$ 70.218,50 389 Vlr. Referente aos cheques emitidos pelo Frigorífico Horizonte Ltda. de ns 7549 (R$ 35.218,50) e 7550 (R$ 35.000,00), conforme extrato de aviso de lançamento emitido pelo banco, relativo à compra de gado para corte. 23/08/05 R$ 80.674,20 001 Vlr. Referente ao depósito on line, cujo recurso financeiro em moeda corrente é comprovado pela disponibilidade do recorrente em realizar a operação, pelos saques efetuados no Banco Mercantil do Brasil em 05/08/05 – R$ 52.665,55 (fl. 146), em 12/08/05 – R$ 20.000,00 (fl. 147), 11/06/05 – R$ 314.206,66 (fl. 143) e 12/06/05 – R$ 15.000,00 (fl. 144) 23/08/05 R$ 80.525,31 389 Vlr. Referente aos cheques emitidos pelo Frigorífico Horizonte Ltda. de nºs 7897 e 7898, todos do banco 389, nos valores de R$ 40.000,00 e R$ 42.544,33, respectivamente, conforme extrato de aviso de lançamento emitido pelo banco, relativo a compra de gado para corte. 24/08/05 R$ 7.000,00 237 Vlr. Descontado referente ao cheque recebido do Frigorífico Horizonte pela venda de gado de corte, conforme cheque nº 7896, banco 389, ag. 004, conta 20431526, de mesmo valor. Esse mesmo cheque foi alvo de um segundo depósito quando do seu vencimento em 27/09/05, conforme comprovante espelho depósito emitido pelo banco, o que acarreta uma bi tributação 25/08/05 R$ 12.547,18 389 Vlr. Depósito de numerário pela venda de produtos rurais, tais como banana, milho e esterco, não sabendo precisar os adquirentes dos produtos e a quantidade adquirida 29/08/05 R$ 2.550,00 001 Vlr. Referente a pagamento parcial da nota fiscal 456192, de 31/07/05 (fl. 729), no valor de R$ 10.200,00, conforme comprovante de pagamento de título de Marco Antônio Rocha 30/08/05 R$ 2.987,00 e 8 x R$ 4.900,00 735 Vlr. Referente à transferência de numerário em acerto de conta de venda de gado pela empresa UNIFRIGO, totalizando o valor de R$ 42.187,00, que corresponde ao pagamento parcial das notas fiscais descritas às fls. 745748, não sabendo precisar a correspondência entre elas, conforme aviso de lançamento. 06/09/05 R$ 4.719,00 001 Valor depositado em dinheiro. O recorrente tem disponibilidade financeira conforme fica demonstrado pela movimentação financeira e cheques emitidos em pagamento às operações de venda de produtos rurais, inclusive gado e saques efetuados no Banco Mercantil do Brasil em espécie demonstrado às fls. 148149 06/09/05 R$ 30.00,00 237 Vlr. Referente ao desconto de cheque recebido da empresa Frigorífico Vale do Boi Ltda., banco 356, ag. 181, conta 1976625, de nº 10234, de mesmo valor, pela compra de gado para corte 08/09/05 R$ 8.800,27 001 Referese a depósito de vários cheques relativos a venda de produtos rurais, tais como banana, milho e esterco, não sabendo precisar os adquirentes dos produtos visto a quantidade de cheques depositados no Banco do Brasil, conforme relação anexa dos depósitos, que totalizam R$ 13.794,05 09/09/05 R$ 4.993,78 001 Referese a depósito de vários cheques relativos a venda de produtos rurais, tais como banana, milho e esterco, não sabendo precisar os adquirentes dos produtos visto a quantidade de cheques depositados no Banco do Brasil, conforme relação anexa dos depósitos, que totalizam R$ 13.794,05 12/09/05 R$ 15.000,00 001 Vlr. Ref. cheque nº 494, banco 356, de mesmo valor, emitido pela empresa UNIFRIGO em pagamento parcial da nota fiscal 6715, de 08/09/05 (fl. 745), conforme documento anexo 12/09/05 R$ 11.219,34 001 Referese a depósito de vários cheques relativos a venda de produtos rurais, tais como banana, milho e esterco, não sabendo precisar os adquirentes dos produtos visto a quantidade de cheques depositados no Banco do Brasil, conforme documentação anexa à impugnação. 12/09/05 R$ 51.303,59 237 Vlr. Referente ao desconto de cheques recebidos da empresa UNIFRIGOS em pagamento a parte da nota fiscal 6729, de Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 16 09/09/05 (fl. 746), cheques nºs 499 e 500, banco 237, conta 70503389087, nos valores de R$ 20.000,00 e R$ 216333,59. Dois cheques recebidos da empresa Frigorífico Horizonte Ltda. pela venda de gado, de nºs 8068 e 8069, banco 389, Ag. 004, conta 204315256, no valor de R$ 4.985,00, cada um, referente a venda de gado para corte. 12/09/05 R$ 15.000,00 389 Vlr. Referente cheque nº 493 banco 356, de mesmo valor, emitido pela empresa UNIFRIGO em pagamento parcial da nota fiscal 6715, de 08/09/05 (fl. 745), conforme documentação anexa à impugnação. 15/09/05 R$ 30.000,00 237 Vlr. Referente ao recebimento de cheques da empresa Frigorífico Vale do Boi Ltda., em pagamento parcial da nota fiscal emitida em 01/09/05, no valor de R$ 43.200,00 (fl. 744): Cheque nº Banco Ag. c/c valor. 11180 356 476 2054900 15.000,00 11141 356 476 2054900 15.000,00 16/09/05 R$ 3.905,75 237 Vlr. Ref. recebimento parcial da venda de gado pelas notas fiscais as fls. 685 e 687 para o Sr. João de Lima Geo Filho, através do cheque nº 56365, banco 735, ag. 001, c/c 33, no valor de R$ 3.905,75 21/09/05 R$ 13.445,68 237 Vlr. Ref. ao cheque do banco 356, ag. 833, conta 7706600, de nº 11743, no valor de R$ 13.445,68, dado em pagamento parcial da nota fiscal 4672, de 01/09/05, pelo Frigorífico Vale do Boi Ltda., e a diferença referese a frete pago. 22/09/05 R$ 13.598,81 237 Vlr. Referente ao cheque do banco 356, Ag. 833, conta 7706600, de nº 11755, no valor de R$ 13.598,81, dado em pagamento de compra de gado para corte, pelo Frigorífico Vale do Boi Ltda. 26/09/05 R$ 13.049,07 237 Vlr. Referente ao cheque do banco 356, Ag. 833, conta 7706600, de nº 11764, no valor de R$ 13.049,07, dado em pagamento de compra de gado para corte, pelo Frigorífico Vale do Boi Ltda. 27/09/05 R$ 7.000,00 237 Vlr. Referente a lançamento em duplicidade porque referese a cheque descontado em 24/08/05, de nº 7896, banco 389, ag. 004, conta 20431526, do Frigorífico Horizonte Ltda., conforme extrato 27/09/05 R$ 2.5550,00 001 Vlr. Ref. ao pagamento da parcela na compra de gado do recorrente referente a nota fiscal 456192, de 31/07/05, vlr. Total de R$ 10.200,00 (dividido em 4 parcelas iguais_ do Sr. Marco Antonio Rocha (fl. 729), conforme aviso bancário 28/09/05 R$ 38.300,00 237 Vlr. Ref. aos cheques do banco 356, ag. 181, conta 1976625, de nºs 10241 e 10239, nos valores de R$ 18.800,00 e R$ 19.500,00, respectivamente, dado em pagamento de compra de gado para corte, pelo Frigorífico Vale do Boi Ltda. 30/09/05 R$ 217.000,00 735 Vlr. Ref. a transferência de saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 03/10/05 R$ 1.000,00 399 O recorrente tem disponibilidade financeira para efetuar esse depósito em moeda corrente conforme saques efetuados no Banco Mercantil do Brasil S/A 07/10/05 R$ 11.155,00 237 Referese a depósito de vários cheques relativos a venda de produtos rurais, tais como banana, milho e esterco, não sabendo precisar os adquirentes dos produtos visto a quantidade de cheques depositados no banco. 11/10/05 R$ 13.548,07 001 Referese a depósito de vários cheques relativos a venda de produtos rurais, tais como banana, milho e esterco, não sabendo precisar os adquirentes dos produtos visto a quantidade de cheques depositados no banco. 13/10/05 R$ 4.244,10 237 Referese a depósito de vários cheques relativos a venda de produtos rurais, tais como banana, milho e esterco, não sabendo precisar os adquirentes dos produtos visto a quantidade de cheques depositados no banco. 18/10/05 R$ 15.000,00 237 Vlr. Referente ao pagamento parcial da venda de um trator usado 120B, marca caterpiller, ao Sr. Wellington Gonzaga da Costa, conforme documento anexo 19/10/05 R$ 25.000,00 237 Vlr. Referente ao desconto de 5 cheques no valor de R$ 5.000,00, cada, de nºs 741577 a 741581, do banco 399, Ag. 810, conta 81009521, em pagamento parcial da venda de um trator usado 120B, marca caterpiller, ao Sr. Wellington Gonzaga da Costa, conforme documento anexo Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 10 17 19/10/05 R$ 10.000,00 399 Vlr. Referente ao pagamento parcial da venda de um trator usado 120B, marca caterpiller, ao Sr. Wellington Gonzaga da Costa, conforme documento anexo 25/10/05 R$ 10.000,00 001 Vlr. Referente ao pagamento parcial da venda de um trator usado 120B, marca caterpiller, ao Sr. Wellington Gonzaga da Costa, conforme documento anexo 26/10/05 R$ 31.263,81 Vlr. Referente ao cheque recebido em pagamento a venda de gado para corte da empresa Frigorífico Vale do Boi Ltda., banco 356, Ag. 833, c/c 7706600, nº 11893, valor de R$ 20.863,81; cheque banco 735, Ag. 001, c/c 33, nº 57544, no valor de R$ 4.200,00 do Sr. João de Lima Geo Filho para quitação do restante da nota fiscal descrita a fls. 685687; e diversos cheques que totalizam R$ 6.200,00, referente à venda de produtos rurais, tais como esterco, banana, etc. 31/10/05 R$ 2.550,00 001 Vlr. Ref. ao pagamento da parcela na compra de gado do recorrente referente à nota fiscal 456192, de 31/07/05, vlr. total de R$ 10.200,00 (dividido 4 parcelas iguais) do Sr. Marco Antonio Rocha (fl. 729), conforme aviso bancário 31/10/05 R$ 5.941,00 237 Vlr. referente ao desconto de cheques recebidos de diversos comerciantes em pagamento a venda de produtos rurais, não tendo como identificar os clientes motivo de falta de cópia de cheque. 31/10/05 R$ 1.000,00 735 Vlr. referente a estorno de débito conforme aviso. 01/11/05 R$ 4.500,00 237 Vlr. ref. cheque recebido de nº 12466, banco 356, ag. 504, conta 4001046, da empresa Integral Agropecuária Ltda., em pagamento parcial à nota fiscal nº 456162, de 31/07/05 (fl. 731) 01/11/05 R$ 30.000,00 237 Vlr. referente a transferência de saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda., e transferido pela Racional Imóveis, tendo em vista ser essa a empresa que cuida dos alugueis em nome da empresa do recorrente 03/11/05 R$ 16.899,31 237 Vlr. referente ao cheque recebido em pagamento pela venda de gado de corte para o Frigorífico Vale do Boi Ltda., do banco 356, Ag. 833, conta 7706600, de nº 11968, no valor da operação 04/11/05 R$ 34.909,20 237 Vlr. ref. aos cheques recebidos em pagamento pela venda de gado de corte para o Frigorífico Vale do Boi Ltda., do banco 356, Ag. 833, conta 7706600, de nºs 11977, 11973, 11974 e 1995, nos valores R$ 4.909,20, e os demais no valor de R$ 10.000,00, respectivamente 08/11/05 R$ 18.750,00 389 Vlr. referente ao pagamento parcial pelo Frigorífico Vale do Boi Ltda., referente a nota fiscal NF 4926, de 07/11/05 (fl. 749) 09/11/05 R$ 8.804,20 237 Vlr. referente ao pagamento parcial pelo Frigorífico Vale do Boi Ltda., através do cheque descontado de nº 11994, banco 356, ag. 838, c/c 7706600, no valor de R$ 8.804,20, referente a nota fiscal NF 4926, de 07/11/05 (fl. 749) 18/11/05 R$ 70.000,00 001 Vlr. referente a transferência de saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 21/11/05 R$ 10.000,00 237 Vlr. referente ao pagamento parcial pelo Frigorífico Vale do Boi Ltda. através do cheque descontado de nº 1265, banco 356, ag. 833, c/c 7706600, no valor de R$ 10.000,00, referente à nota fiscal NF 4926, de 07/11/05 (fl. 749) 29/11/05 R$ 44.000,00 735 Vlr. referente à transferência de saldo a título e empréstimo/lucro da empresa G.AO & Filhos Pecuária Ltda. 30/11/05 R$ 60.000,00 735 Vlr. referente à transferência de saldo a título e empréstimo/lucro da empresa G.AO & Filhos Pecuária Ltda. 05/12/05 R$ 50.000,00 001 Referese ao pagamento do mútuo efetuado com a Sra. Maria Cristina Rebello Horta Jardim Lapertosa (fls. 618619). A movimentação financeira e os saques realizados em agosto junto ao Banco do Brasil, e os cheques sacados diretamente na conta das empresas pagadoras como é o caso de alguns cheques emitidos pela empresa UNIFRIGO, justificam a disponibilidade do recurso 05/12/05 R$ 29.363,74 001 A autorização para crédito diretamente a conta do recorrente Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 18 pela empresa da qual é sócio (fl. 549), reveste de normalidade e referese a valor de transferência de saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 07/12/05 R$ 5.005,00 237 Vlr. referente ao desconto de cheques recebidos de diversos comerciantes em pagamento a venda de produtos rurais, não tendo como identificar os clientes por motivo de falta da cópia do cheque r) quanto às operações de crédito com a empresa G.A.O & Filhos Pecuária e Agricultura Ltda. (depósitos discriminados à fl. 936), esses não podem ser motivo de omissão, pois são depósitos/transferências efetuadas pela empresa para o recorrente em pagamento à distribuição de lucro, conforme demonstrado à fl. 907, no valor de R$ 403.715,94, e o restante referese à liquidação de empréstimos realizados pelo recorrente para a empresa; s) é evidente a falta de critérios adotados no levantamento fiscal, havendo, portanto cerceamento de defesa, uma vez que a verdade material resta comprovada pelos argumentos e provas apresentados; Em anexo, o contribuinte apresentou uma série de documentos (fls. 10421348 do eprocesso). 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada parcialmente procedente pela 5ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade (fls. 13611415 do eprocesso), pelos seguintes motivos: a) não há nada que demande o saneamento previsto no art. 60 do Decreto nº 70.235/72: pelo que conta dos autos, não se verificam irregularidades, incorreções ou omissões que prejudiquem a compreensão do lançamento e a elaboração pelo contribuinte de sal defesa. Além dos dispositivos que regem a matéria, na peça contestada consta que a infração é a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e a omissão da atividade rural. A apuração dos rendimentos é demonstrada nas fls. 924943. Foi dado ao recorrente saber qual acusação lhe foi imputada e o enfrentamento das questões na impugnação denota a sua completa compreensão; b) o contribuinte não formulou o pedido de perícia com observância das exigências da legislação específica, art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, por conseguinte, nos termos do art. 16, § 1º, do referido Decreto, considerase não formulado o seu pedido; c) embora as declarações retificadores tenham sido apresentas antes da lavratura do auto de infração, o contribuinte não mais gozava das benesses da espontaneidade, em virtude da ciência do Termo de Início da Fiscalização ocorrida em 30/11/06. A Fiscalização emitiu atos escritos dentro do prazo previsto no art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235/72, indicando a continuidade da ação fiscal, não se verificando a reaquisição da espontaneidade pelo sujeito passivo; d) não há que se falar, portanto, em exclusão da multa de ofício, aplicada em perfeita sintonia com o previsto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96; e) o contribuinte alega que efetuou o parcelamento do débito apurado na declaração retificadora do anocalendário 2005 e que a autorização do Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 11 19 parcelamento representa aceitação tácita. Como o débito ainda não havia sido apurado em declaração de ajuste anual entregue antes do início da Fiscalização, o parcelamento, eventualmente concedido no curso da ação fiscal, não tem o condão de impedir que seja lavrado o auto de infração, tampouco exime o sujeito passivo de multa de ofício pertinente; f) o contribuinte, quando parcelou os débitos ainda não constituídos, já se encontrava sob ação fiscal, tendo sida afastada a hipótese de denúncia espontânea (art. 138, parágrafo único, CTN), devendo, portanto, a multa de ofício ser mantida sobre a integralidade do imposto lançado; g) quanto aos rendimentos da atividade rural anocalendário 2004: Argumento contribuinte Fundamentação DRJ Deixou de escriturar a nota fiscal emitida pela Bertin em 22/07/04, no valor de R$ 58.538,05 (fl. 254). Requereu sua retificação de ofício O lançamento considerou a referida receita da atividade rural, não sendo possível acatar a alegação de denúncia espontânea para efeito de exclusão da multa de ofício Os lançamentos 54, 55 e 112 do livro caixa, no total de R$ 17.197,60, referemse à compra do gado pelo Sr. Gabriel Donato de Andrade, da Agropecuária Serra e do Sr. Adilson Guimarães e são comprovadas pelas notas promissórias rurais apresentadas às fls. 841843 e 860. Arts. 6º, 7º e 10 da IN SRF nº 83/01: nas notas promissórias rurais apresentadas, não há vinculação com nota fiscal, nem identificação da destinação dos recursos como despesa de custeio ou investimento da atividade rural. A simples alegação de que se referem à compra de gado, sem a comprovação da operação por meio de documentos fiscais próprios, não é suficiente para a dedução dos valores nelas consignados como despesas da atividade rural. A saída de gado adquirido em leilão deve ser acompanhada de nota fiscal. Os documentos apresentados emitidos pela Rurapel Leilões não substituem as notas fiscais, não sendo hábeis para o fim postulado. Despesa escriturada em livro caixa no dia 14/06/04, “JUROS CED. RURAL BANCO RURAL AGROINVEST. S.A” no valor de R$ 34.742,20, alega que pagou relativamente à Cédula de Produtor Rural nº 31, de 2003 (fls. 846851) Não há na cédula indicação de valores e a garantia constituída foi o penhor cedular de primeiro grau de preferência de 300 bois. Não restou comprovado o efetivo pagamento dos valores especificados à fl. 845, por meio da transferência do numerário do recorrente para a Rural Agroinvest, muito menos de valor passível de dedução como despesa da atividade rural. Despesas escrituradas nos itens 91, 150 e 164, no valor de R$ 233.920,00, alega que as notas fiscais emitidas pela G.A.O & Filhos Pec. E Agricultura Ltda. relativas à venda de gado foram apresentadas e o pagamento esclarecido à fl. 915 Da análise das notas fiscais às fls. 858, 862 e 863, verificase que somente nas notas fiscais das fls. 862863, consta como natureza da operação “venda”. Assim e considerando os comprovantes de transferência de numerário (fls. 917920), acatouse como despesa da atividade rural o valor de R$ 226.720,00, correspondente à soma dos valores das notas fiscais às fls. 862863. h) quanto aos rendimentos da atividade rural anocalendário 2005, como se observa do TVF (fl. 932), a receita da atividade rural anocalendário 2005 perfez R$ 3.789.481,06 e foi informado na declaração apresentada em 28/04/06 resultado tributável de R$ 9.255. Por conseguinte o valor tributável considerado no lançamento é igual a R$ 748.671,21; Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 20 i) no que refere aos depósitos bancários de origem não comprovada, a lei 9.430/96 estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; j) com relação aos depósitos bancários glosados pela Fiscalização no ano calendário 2005: Depósito bancário Fundamentação DRJ 13/01/05 R$ 2.335,59 banco 001 Por meio do documento relativo À transferência financeira interbancária à fl. 1027, resta comprovado que o crédito se trata de pagamento realizado pela Coop. Central dos Produtores. Excluído do montante tributável. 27/01/05 R$ 4.500,00 – banco 001 Nos documentos relativos à cobrança bancária (fl. 1028), consta como sacado Carlos Maurício Vasconcelos, não havendo qualquer indicação da natureza da operação que tenha gerado o crédito tributário. Não foram apresentados documentos fiscais que comprovem que o crédito se refere à venda de gado e que o valor recebido tenha sido computado como receita da atividade rural (fl. 623) 28/02/05 –R$ 4.500,00 – banco 001 Nos documentos relativos à cobrança bancária, consta como sacado Carlos Maurício Vasconcelos, não havendo qualquer indicação da natureza da operação que tenha gerado o crédito tributário. Não foram apresentados documentos fiscais que comprovem que o crédito se refere à venda de gado e que o valor recebido tenha sido computado como receita da atividade rural (fls. 629630) 14/03/05 – R$ 41.579,00 – banco 237 Não há nos autos comprovante de que o valor do crédito em conta bancária se se referia ao recebimento relativo às operações de venda de gado consignadas nas notas fiscais emitidas pela empresa Frigorífico Vale do Boi Ltda., no total de R$ 43.200,00 (fls. 675677) Depósito de abril de 2005: o contribuinte alega que se referiam a cheques recebidos de terceiros pela venda de produtos da atividade rural, não havendo a possibilidade de comprovação sem a devida cópia do cheque para fins de identificação do destinatário das mercadorias 1. o contribuinte deveria justificar a origem de cada crédito bancário. Deveria apresentar documentos que comprovassem a operação que deu causa ao recebimento de cada quantia creditada em sua conta bancária, bem como a coincidência da data e do valor de transferência do numerário e do crédito bancário; 2. o contribuinte não trouxe aos autos a comprovação da origem dos créditos bancários relativos aos mês em análise. Portanto, não há o que se alterar no lançamento. 09/05/05 – R$ 20.000,00 – banco 237 Não restou comprovado tratarse de transferência do saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuárias Ltda. 09/05/05 – R$ 26.956 – banco 237 O valor se refere à venda de gado e o contribuinte teria emitido, no período, várias notas fiscais a produtores rurais, não tendo como identificar o adquirente sem a cópia do cheque Analisandose as notas fiscais emitidas no mês de maio (fls. 680697), e os registros das receitas em Livro Caixa no referido mês (fls. 638639), não se verificam notas fiscais com o valor de R$ 26.956,46, ou notas fiscais para um mesmo destinatário cujo soma resultasse nessa quantia 17/05/05 – R$ 28.814,73 – banco 237 Tendo em vista que as notas fiscais às fls. 682683, de 14/05/05, o mapa de leilão de 14/05/05 (fl. 1030) e a proximidade de valores e datas, acatase o argumento do contribuinte de que o crédito se refere ao desconto de nota promissória relativa à venda de gado para Vadiolando Moreira de Oliveira 17/05/05 – R$ 123.325,98 – banco 237 1. Acatase o argumento do contribuinte de que o referido valor referese a desconto de notas promissórias vinculadas às notas fiscais emitidas pela Agropecuária Rio do Norte S.A, deduzida a comissão paga à Rurapel Leilões, tendo em vista os documentos às fls. 116, 686 e 688695 e1030, e a proximidade dos valores e datas das operações. Assim, excluise do montante tributável o valor R$ 12.352,95 (fl. 116) 2. O valor de R$ 128.297,40, creditado em 18/07/05 (fl. Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 12 21 121), não pode ser deduzido. No documento à fl. 1032 não há indicação do nome do depositante, não restando inequivocamente comprova que o cheque compensado teria sido emitido pela Agropecuária Rio do Norte S.A para pagamento de notas promissórias descontados em 17/05/05 e não liquidadas no vencimento. 20/05/05 – R$ 12.000,00 – banco 001 Por meio do documento à fl. 1033 e dos extratos bancários do Bradesco e do Banco do Brasil (fls. 116 e 73), resta comprovado que o crédito se refere a depósito de cheques do próprio contribuinte. 27/05/05 – R$ 4.098,00 – banco 001 Por meio do documento (fls. 10341035) e do extrato bancário às fls. 7374, comprovase que o lançamento se refere a estorno de débito. Por conseguinte, deve ser deduzido do montante tributável lançado. 31/05/05 – R$ 64.722,68 – banco 735 Não restou comprovado tratarse de transferência do saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuárias Ltda. 03/06/05 – R$ 69.676,33 – banco 237 Verificase, pela análise da nota fiscal à fl. 700 da empresa Bertin Ltda., da nota promissória rural às fls. 10401041, do borderô para descontos às fls. 10371038 e da planilha de registro de títulos em cobrança à fl. 1039, que o valor se refere ao desconto de nota promissória rural vinculada à nota fiscal de venda de gado. Assim, considerase comprovado o crédito bancário. 07/06/05 – R$ 118.163,33 – banco 237 Pela análise dos documentos apresentados (fls. 702703 e 10434050), acatase o argumento de que o valor do crédito se refere ao desconto da nota promissória rural na venda de gado através da nota fiscal nº 47.549, de 07/06/05, no valor de R$ 51.951,21 e da nota fiscal nº 47.548, de 07/06/05, no valor de R$ 69.080,86, emitidas pela empresa Bertin Ltda., conforme borderô de desconto 13/06/05 – R$ 9.925,47 – banco 237 Não restou comprovado tratarse de transferência do saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuárias Ltda. 14/06/05 – R$ 1.050,00 – banco 389 Conforme relação de docs. Recebidos à fl. 1051, o remetente do Doc foi Genesco Aparecido de Oliveira Neto, CPF 056.029.52608, e o favorecido o recorrente, Genesco Aparecido de Oliveira Junior, CPF 201.487.12649. Por conseguinte, não há como aceitar que se trata de transferência de numerário pelo próprio contribuinte. 17/06/05 – R$ 31.187,66 – banco 237 (crédito decorre de desconto de cheque recebido da empresa UNIFRIGO, de nº 2350, no valor de R$ 30.627,66, em pagamento à nota fiscal nº 5874, de 16/06/05, fl. 704, e de cheque nº 638, no valor de R$ 560,00) Não foram apresentados documentos que comprovem que o crédito decorra inequivocamente da operação alegada pelo contribuinte. Não consta dos autos informações acerca do alegado cheque no valor de R$ 560,00. 23/06/05 – R$ 63.000,00 – banco 237 Considerandose os documentos às fls. 10521054, acatase o argumento de que o valor se refere à operação de desconto dos cheques de nº 2429, no valor de R$ 13.000,00 e de nº 2427, no valor de R$ 50.000,00, emitidos pela empresa UNIFRIGO, como pagamento parcial da NF nº 5961, de 24/06/05 (aviso de lançamento à fl. 566). 23/06/05 – R$ 23.000,00 – banco 735 Acatase a alegação de que o valor se refere ao depósito efetuado pelo próprio recorrente dos cheques nºs 290 a 294 do Banco Bradesco, conta nº 15.6604, tendo em vista o comprovante de depósito à fl. 1058 e o registro de compensação dos cheque no extrato à fl. 118. 24/06/05 – R$ 24.500,00 – banco 735 Não restou comprovado tratarse de transferência do saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuárias Ltda. 27/06/05 – R$ 24.500,00 – banco 735 Não restou comprovado tratarse de transferência do saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuárias Ltda. 01/07/05 – R$ 45.000,00 – banco 237 Não restou comprovado tratarse de transferência do saldo Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 22 a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuárias Ltda. 01/07/05 – R$ 30.000,00 – banco 237 O documento apresentado (fl. 1064) não comprova que o valor do crédito se refere a desconto de cheque recebido da empresa Frigorífico Vale do Boi Ltda. Também não foi feita vinculação do pagamento com a nota fiscal relativa à venda de gado de corte ao frigorífico 06/07/05 – R$ 13.000,00 – banco 237 Mesmo que o contribuinte demonstrasse que possuía disponibilidade financeira para fazer o depósito em dinheiro, em decorrência do desconto de cheques de terceiros, deveria comprovar a natureza do rendimento auferido e, se fosse o vaso, a sua tributação, por meio de documentos hábeis. 07/07/05 – R$ 18.000,00 – banco 237 Não restou comprovado tratarse de transferência do saldo a título de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuárias Ltda. 07/07/05 – R$ 65.353,31 – banco 389 No documento à fl. 1086, há a identificação das contas bancárias do Frigorífico Horizonte S.A. Assim, verificase que os cheques nos valores de R$ 30.000,00 e de R$ 37.198,50 foram emitidos pelo frigorífico. Descontados os títulos no Banco Mercantil do Brasil, o contribuinte recebeu a quantia de R$ 65.352,31 (fl. 1064). Portanto, o percentual da taca cobrada pelo banco foi de 2,75. Considerando os documentos apresentado e a proximidade entre as datas de emissão das notas e dos descontos dos cheques, considerase comprovado o crédito no valor de R$ 57.304,71. 14/07/05 – R$ 32.256,00 – banco 237 Acatase o argumento do interessado de que o valor se refere ao recebimento das operações de venda de gado em leilão do Sr. Vadiolano Moreira de Oliveira, com prazo de 60 dias, tendo em vista os documentos às fls. 682683 e 1030 e a coincidência dos valores 15/07/05 – R$ 3.500,00 – banco 001 (depósito efetuado em dinheiro, pois teria disponibilidade financeira em decorrência do saque no valor de R$ 15.000,00 – fl. 144 efetuado no Banco Mercantil do Brasil S.A) O contribuinte não trouxe aos autos o comprovante de depósito e, no histórico da operação realizada pelo Banco Mercantil do Brasil S.A (fl. 144), consta “SAQUE CONTRA PAGAMENTO” e não “SAQUE EM ESPÉCIE” como se observa à fl. 137 15/07/05 – R$ 2.000,00 – banco 389 Acatase que o valor se refere a doe que consta como remetente e destinatário o próprio contribuinte. 18/07/05 – R$ 128.297,40 – banco 237 Não há como subtrair do montante tributado como depósitos bancários de origem não comprovada o valor de R$ 128.297,40, extrato à fl. 121. No documento à fl. 1032, não há indicação do nome do depositante, não restando inequivocamente comprovado que o cheque compensado tenha sido emitido pela Agropecuária Rio do Norte S.A. para pagamento de notas promissórias descontadas em 17/05/2005 e não liquidadas no vencimento. 18/07/05 – R$ 19.829,28 – banco 389 No aviso de movimentação/lançamento relativo a desconto de título (fl. 1067), não consta o emitente do título, não sendo possível a sua vinculação com as notas fiscais do Frigorífico Horizonte S.A. enumeradas pelo contribuinte na impugnação. 19/07/05 – R$ 40.000,00 – banco 237 Os documentos que instruem a impugnação não comprovam que o valor se refere ao desconto de cheque do Frigorífico Horizonte S.A. para pagamento parcial de valores consignados em notas fiscais emitidas pela empresa em decorrência da compra de gado do recorrente 19/07/05 – R$ 10.490,00 – banco 389 (decorre da venda de produtos rurais, não sabendo precisar os adquirentes dos produtos e a quantidade adquirida) No livro caixa à fl. 650 não há a escrituração da alegada receita da atividade rural. 29/07/05 – R$ 116.835,26 – banco 389 Mesmo que houvesse a comprovação do desconto ou compensação dos cheques que teriam sido emitidos pelo Frigorífico Horizonte S.A., não haveria como acatar que o presente crédito se refere a receita da atividade rural, pois não há nos autos notas fiscais emitidas pela empresa corroborando a alegação. Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 13 23 29/07/05 – R$ 235.000,00 – banco 735 Não restou comprovado tratarse de pagamento de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 01/08/05 – R$ 47.000,00 – banco 735 Não restou comprovado tratarse de pagamento de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 02/08/05 – R$ 14.359,36 – banco 389 A alegação de que se trata de receita da atividade rural, sem a devida comprovação por meio de documento não pode ser acatada. No livro caixa apresentado (fl. 653) não há o registro dessa receita 02/08/005 – R$ 62.900,00 – banco 409 Não restou comprovado tratarse de pagamento de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 03/08/05 – R$ 12.000,00 – banco 735 Não restou comprovado tratarse de pagamento de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 03/08/05 – R$ 1.250,00 – banco 001 A alegação de que se trata de depósito em dinheiro pelo próprio contribuinte não o exime da comprovação da origem e natureza dos valores depositados 04/08/05 – R$ 150.654,05 – banco 389 Acatase o argumento de que o crédito se refere a depósito de cheques da UNIFRIGO para pagamento relativo à venda de gado, tendo em vista os documentos às fls. 10691073 08/08/05 – R$ 16.000,00 – banco 399 O cheque de R$ 16.000,00 referente a depósito bloqueado de 1 dia útil relativo a valor emprestado à empresa Camargos Oliveira Costa Com. de Materiais de Const. Ltda., conforme registro do Livro Diário (fl. 1074), foi efetuado no Banco do Brasil em 09/08/05 e desbloqueado em 10/08/05. Assim, não se acata a alegação do contribuinte 09/08/05 – R$ 48.887,20 – banco 237 Os documentos apresentados pelo contribuinte não comprovam a vinculação dos cheques descontados com as receitas da atividade rural a que se refere na impugnação 10/08/05 – R$ 16.000,00 – banco 001 Acatase a alegação de que o crédito se refere a desbloqueio de depósito do valore recebido da empresa Camargos Oliveira Costa. Com. de Materiais de Const. Ltda., em razão da devolução da quantia mutuada 11/08/05 – R$ 41.764,49 – Banco 237 Da análise do Aviso de Lançamento do Bradesco (fl. 568), da Nota Fiscal (fl. 734) e do extrato bancário (fl. 123), acolhese o argumento de que o valor se refere a desconto de cheque entregue ao recorrente pela empresa Frigorífico Vale do Boi Ltda. em pagamento da nota fiscal 4500, de 10/08/05, no valor de R$ 43.200,00 11/08/05 – R$ 12.000,00 – banco 389 Não restou comprovado tratarse de pagamento de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 12/08/05 – R$ 203.745,00 – banco 001 Por meio dos documentos às fls. 10751084, resta comprovado que o crédito se refere a liberação de cheques emitidos pela UNIFRIGO para pagamento de valores consignados em notas fiscais, conforme alegado pelo contribuinte 16/08/05 – R$ 17.814,45 – banco 237 Acatase o argumento do contribuinte de que o crédito se refere ao cheque emitido em pagamento parcial da nota fiscal nº 6495, de 13/08/05, no valor de R$ 217.814,45, conforme documentos às fls. 10811084 17/08/05 – R$ 70.975,74 – banco 389 Consta dos autos as notas fiscais emitidas pelo Frigorífico Horizonte S.A. em 08/07/2005 e escrituradas pelo contribuinte em livro Caixa. O valor nelas consignados perfazem um total de R$53.760,00. Considerandose que o custo efetivo do desconto de cheques, conforme aviso de lançamento/movimentação do Banco Mercantil do Brasil à fl. 1085 foi de 1,28%*, considerase como comprovada a origem do crédito no valor de R$53.071,87 18/08/05 – R$ 37.171,33 – banco 237 Não restou comprovado o desconto dos cheques a que se reporta o contribuinte nem a vinculação desses com receitas da atividade rural por ele escrituradas 18/08/05 – R$ 51.000,00 – banco 389 Mesmo que houvesse a comprovação do desconto ou Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 24 compensação dos cheques que teriam sido emitidos pelo Frigorífico Horizonte S.A., não haveria como acatar que o presente crédito se refere a receita da atividade rural, pois não há nos autos notas fiscais emitidas pela empresa corroborando a alegação. 18/08/05 R$ 12.776,18 – banco 389 A alegação de que se trata de receita da atividade rural, sem a devida comprovação por meio de documentos, não pode ser acatada 18/08/05 – R$ 94.842,95 – banco 389 Conforme explicitado no item relativo ao dia 18/08/05, não há como acatar a alegação de que o crédito se refira à receita da atividade rural auferida do Frigorífico Horizonte 19/08/05 – R$ 9.623,94 – banco 001 A alegação de que se trata de receita da atividade rural, sem a devida comprovação por meio de documentos, não pode ser acatada 19/08/05 – R$ 70.218,50 banco 389 Conforme explicitado no item relativo ao dia 18/08/05, não há como acatar a alegação de que o crédito se refira à receita da atividade rural auferida do Frigorífico Horizonte 23/08/05 – R$ 80.674,20 – banco 01 Não há como acolher que saques em períodos anteriores justifiquem a origem de depósitos em data posterior. A mais, não é comum depósito ou saque de valores constando centavos sem vinculação a recebimento ou pagamento relativos a operações de venda de mercadorias ou prestação de serviços. 23/08/05 – R$ 80.525,31 – banco 389 Conforme explicitado no item relativo ao dia 18/08/05, não há como acatar a alegação de que o crédito se refira à receita da atividade rural auferida do Frigorífico Horizonte 24/08/05 – R$ 7.000,00 – banco 389 Conforme explicitado no item relativo ao dia 18/08/05, não há como acatar a alegação de que o crédito se refira à receita da atividade rural auferida do Frigorífico Horizonte 25/08/05 – R$ 12.547,18 – banco 389 A alegação de que se trata de receita da atividade rural, sem a devida comprovação por meio de documentos, não pode ser acatada 29/08/05 – R$ 2.550,00 – banco 001 Acatase a alegação de que o crédito se refere a pagamento parcial da nota fiscal 456192, de 31/07/05 (fl. 729), no valor de R$ 10.200,00, conforme comprovante de pagamento do título de Marco Antônio Rocha (fl. 1091) 30/08/05 – R$ 2.987,00 e 8x R$ 4.900,00 – banco 735 Acolhemse os argumentos do interessado, tendo em vista o documento às fls. 10891090 e as notas fiscais às fls. 745 748 06/09/05 – R$ 4.719,00 – banco 001 (efetuou o depósito em dinheiro, pois tinha disponibilidade financeira, inclusive em decorrência de saques efetuados no Banco Mercantil do Brasil S.A, conforme demonstrado às fls. 148149) Não há como acolher que saques em períodos anteriores justifiquem a origem dos depósitos em data posterior. Além do mais, no caso, o contribuinte não trouxe aos autos o comprovante de depósito e, no histórico das operações realizadas no Banco Mercantil do Brasil S.A (fl. 148149) consta “SAQUE CONTRA PAGAMENTO” e havendo apenas um “SAQUE EM ESPÉCIE” no valor de R$ 250,00 06/09/05 – R$ 30.000,00 – banco 237 Não há na relação dos depósitos de origem não comprovada a indicação do valor de R$30.000,00 no dia 06/09/2005, mas de R$10.000,00, fl. 941. No entanto, mesmo considerandose o valor correto, não restou comprovado que o crédito se refere a desconto de cheque recebido da empresa Frigorífico Vale do Boi Ltda, pela venda de gado especificada em nota fiscal 08/09/05 – R$ 8.800,27 – banco 001 A alegação de que se trata de receita da atividade rural, sem a devida comprovação por meio de documentos, não pode ser acatada 09/09/05 – R$ 4.993,78 – banco 001 A alegação de que se trata de receita da atividade rural, sem a devida comprovação por meio de documentos, não pode ser acatada 12/09/05 – R$ 15.000,00 – banco 001 Acatase o argumento de que o crédito se refere ao depósito do cheque nº 494, banco 356, no valor de R$ 15.000,00 emitido pela empresa UNIFRIGO em pagamento parcial da nota fiscal 6715, de 08/09/05 (fl. 745), tendo em vista os documentos às fls. 10921094 e 1097 12/09/05 – R$ 11.219,34 – banco 001 A alegação de que se trata de receita da atividade rural, sem a devida comprovação por meio de documentos, não pode ser acatada 12/09/05 – R$ 51.303,59 – banco 237 Tendo em vista os documentos às fls. 10991101, considerase como comprovado o valor de R$ 41.333,59, Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 14 25 referente ao desconto de cheques recebidos da empresa UNIFRIGO em pagamento de parte da nota fiscal 6729, de 09/09/05 (fl. 746), nos valores de R$ 20.000,00 e R$ 21.333,59. No tocante aos valores relativos a cheques que teriam sido emitidos pelo Frigorífico Horizonte S.A, não há como acatálos, conforme explicitado no item relativo ao dia 18/08/05 12/09/05 – R$ 15.000,00 – banco 389 Considerase comprovado que o crédito se refere ao depósito do cheque nº 493, banco 356, no valor de R$ 15.000,00, emitido pela empresa UNIFRIGO em pagamento parcial da nota fiscal 6715, de 08/09/05 (fl. 745), conforme documento às fls. 10921094 15/09/07 – R$ 30.000,00 – banco 237 Não restou comprovado que o valor se refere ao recebimento de cheques da empresa Frigorífico Vale do Boi Ltda., em pagamento parcial da nota fiscal emitida em 01/09/05, no valor de R$ 43.200,00 (fl. 744) 16/09/07 – R$ 3.905,75 – banco 237 Não restou comprovado que o crédito se refere ao recebimento de cheque de João de Lima Geo Filho para pagamento parcial dos valores consignados nas notas fiscais às fls. 685 e 687 21/09/05 – R$ 13.445,68 – banco 237 Não restou comprovado que o crédito se refere ao recebimento de cheque do Frigorífico Vale do Boi Ltda. dado em pagamento parcial da nota fiscal 4672, de 01/09/05 22/09/05 – R$ 13.598,81 – banco 237 Não restou comprovado que o crédito se refere ao recebimento de cheque do Frigorífico Vale do Boi Ltda. dado em pagamento a valor consignado em nota fiscal 26/09/05 – R$ 13.049,07 – banco 237 Não restou comprovado que o crédito se refere ao recebimento de cheque do Frigorífico Vale do Boi Ltda. dado em pagamento a valor consignado em nota fiscal 27/09/05 – R$ 7.000,00 – banco 237 Não há nos autos documentos que comprovem que o crédito se referira a lançamento em duplicidade de cheque descontado em 24/08/05 27/09/05 – R$ 2.550,00 – banco 001 Acatase o argumento de que o crédito se refere ao pagamento de parcela do valor da nota fiscal 456292, de 31/07/05, por Sr. Marco Antonio Rocha (fl. 1102) 28/09/05 – R$ 38.300,00 – banco 237 Não restou comprovado que o crédito se refere ao recebimento de cheques do Frigorífico Vale do Boi Ltda. em pagamento a valor consignado em nota fiscal. 30/09/05 – R$ 271.000,00 – banco 735 Não restou comprovado tratarse de pagamento de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 03/10/05 – R$ 1.000,00 – banco 399 Não há como acolher que saques em períodos anteriores justifiquem a origem de depósitos em data posterior 07/10/05 – R$ 11.155,00 – banco 237 A alegação de que se trata de receita da atividade rural, sem a devida comprovação por meio de documentos não pode ser acatada 11/10/5 – R$ 11.155,00 – banco 237 A alegação de que se trata de receita da atividade rural, sem a devida comprovação por meio de documentos não pode ser acatada 13/10/05 – R$ 4.244,10 – banco 237 A alegação de que se trata de receita da atividade rural, sem a devida comprovação por meio de documentos não pode ser acatada 18/10/05 –R$ 15.000,00 – banco 237 Não há na declaração apresentada pelo contribuinte informação de alienação de trator, nem foi registrado no livro caixa receita da atividade rural decorrente da referida transação 19/10/05 – R$ 25.000,00 – banco 237 Não há na declaração apresentada pelo contribuinte informação de alienação de trator, nem foi registrado no livro caixa receita da atividade rural decorrente da referida transação 19/10/05 – R$ 10.000,00 – banco 399 Não há na declaração apresentada pelo contribuinte informação de alienação de trator, nem foi registrado no livro caixa receita da atividade rural decorrente da referida transação 25/10/05 – R$ 10.000,000 – banco Não há na declaração apresentada pelo contribuinte Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 26 001 informação de alienação de trator, nem foi registrado no livro caixa receita da atividade rural decorrente da referida transação 26/10/05 – R$ 31.263,81 Não restou comprovado que o crédito se refere ao recebimento de cheques do Frigorífico Vale do Boi Ltda e de João de Lima Geo Filho dados em pagamento a valores consignados em notas fiscais, nem que o valor remanescente se refira a receita da atividade rural escriturada em livro caixa 31/10/05 – R$ 2.550,00 – banco 001 Acatase o argumento de que o crédito se refere ao pagamento de parcela do valor da nota fiscal 456192, de 31/07/05, por Sr. Marco Antonio Rocha (fl. 729), conforme aviso bancário à fl. 1105 31/10/05 – R$ 5.941,00 – banco 237 A alegação de que se trata de receita da atividade rural, sem a devida comprovação por meio de documentos, não pode ser acatada 31/10/05 – R$ 1.000,00 – banco 735 Conforme documento bancária à fl. 1106, o valor refere0se a estorno de débito 01/11/05 – R$ 4.500,00 – banco 237 Não restou comprovado que o crédito se refere ao recebimento de cheque da empresa Integral Agropecuária Ltda., dado em pagamento a valor consignado em nota fiscal 01/11/05 – R$ 30.000,00 – banco 237 Não restou comprovado tratase de pagamento de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 03/11/05 – R$ 16.899,31 – banco 237 Não restou comprovado que o crédito se refere ao recebimento de cheques do Frigorífico Vale do Boi Ltda. dado em pagamento a valor consignado em nota fiscal 08/11/05 – R$ 18.750,00 – banco 389 Não restou comprovado que o crédito se refere ao recebimento de cheques do Frigorífico Vale do Boi Ltda. dado em pagamento a valor consignado em nota fiscal 09/11/05 – R$ 8.804,20 – banco 237 Não restou comprovado que o crédito se refere ao recebimento de cheques do Frigorífico Vale do Boi Ltda. dado em pagamento a valor consignado em nota fiscal 18/11/05 – R$ 70.000,00 – banco 001 Não restou comprovado tratarse de pagamento de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 21/11/05 – R$ 10.000,00 – banco 237 Não restou comprovado que o crédito se refere ao recebimento de cheques do Frigorífico Vale do Boi Ltda. em pagamento a valor consignado em nota fiscal 29/11/05 – R$ 44.000,00 – banco 735 Não restou comprovado tratarse de pagamento de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 30/11/05 – R$ 60.000,00 – banco 735 Não restou comprovado tratarse de pagamento de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 05/12/05 – R$ 50.000,00 – banco 001 1. O contribuinte alega que o crédito se refere ao pagamento do mútuo efetuado com a Sra. Maria Cristina Rebello Horta Jardim Lapertosa (fl. 618619). Intimado a comprovar a entrega do recurso à mutaria à época da assinatura do contrato (01/12/05), o contribuinte argumenta que os saques realizados em agosto no Banco Mercantil e os cheques sacados diretamente na conta das empresas pegadoras, como é o caso de alguns emitidos pela empresa UNIFRIGO, justificam a disponibilidade do recurso. 2. O contrato apresentado (fl. 618) não pode ser invocado como prova irrefutável contra terceiros, mormente o Fisco Federal. 3. Em outubro e novembro, de acordo com o livro caixa da atividade rural apresentado, o contribuinte não efetuou venda de gado à empresa UNIFRIGO. 4. É pouco crível que o interessado mantivesse em espécie, fora do setor financeiro, valores sacos em agosto até o início do mês de dezembro, desprezando os rendimentos que poderia obter em aplicações, que, no mínimo, manteriam o poder aquisitivo da moeda. Portanto, não tendo sido efetivamente comprovada a disponibilidade financeira em data próxima ao alegado empréstimo mantémse o valor lançado. Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 15 27 05/12/05 – R$ 29.363,74 – banco 001 Não restou comprovado tratarse de pagamento de empréstimo/lucro da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda. 07/12/05 – R$ 5.005,00 – banco 237 A alegação de que se trata de receita da atividade rural, sem a devida comprovação por meio de documentos não pode ser acatada. k) com relação às operações de crédito com a Empresa G.A.O & Filhos Pecuária e Agricultura Ltda., embora o contribuinte alegue que teria emprestado para a referida empresa, o valor total de R$ 706.620,00, no anocalendário 2005, não traz aos autos documentos que comprovem o empréstimo e o seu registro nos livros diário e razão analítico da empresa. Ademais, analisandose os extratos bancários que integram os autos (fls. 60183), com exceção do valor de R$ 500.000,00, em 24/01/05, não há como vincular os demais débitos nas contas à transferência de recurso à empresa. Por meio das folhas dos livros caixa e razão da empresa (fls. 879909), não é possível identificar o recebimento ou pagamento de valores pela empresa em decorrência do empréstimo efetuado pelo sócio; l) no livro razão da Empresa G.A.O & Filhos Pecuária e Agricultura Ltda. estão registrados adiantamentos pela empresa de valores identificados como “empréstimos” ao recorrente ao longo de 2005, que foram compensados no fim do ano com a distribuição de dividendos no valor de R$ 403.715,94. A maioria desses valores já foi considerada como depósitos de origens justificada. Confrontando os registros (fl. 908) não considerados como justificada de depósitos relativos a 28/06 e 30/11, nos valores de R$ 4.900,00 e R$ 30.000,00, respectivamente, com os depósitos lançados como omissão de rendimentos que teriam sido recebidos da referida empresa, não se verifica qualquer coincidência de datas e valores; O contribuinte teve ciência da decisão em 28/05/12 (fls. 1421/1422). 5 Recurso Voluntário Em 27/06/12 o recorrente protocolou em Recurso Voluntário (fls. 14281478 do eprocesso), repisando alguns seus dos argumentos apresentados em Impugnação e acrescentando os seguintes: a) o contribuinte não apresentou seus extratos de forma espontânea, ele se viu obrigado a apresentalos sob pena de sofrer sanção. Considerando que a matéria tratada no presente feito é veiculada no RE 601.314/SP e que o Regimento Interno do CARF estabeleceu o sobrestamento de recursos voluntários sempre que o STF sobrestar julgamento da mesma temática, deveria ter ser determinado o sobrestamento do processo; b) as contas mantidas junto ao Banco do Brasil, ao Banco Mercantil do Brasil e ao Banco HSBC tratamse de contas conjuntas, todavia não houve a intimação dos cotitulares dessas; c) no que refere à atividade rural no anocalendário 2004: (i) quanto ao gado adquirido do Sr. Gabriel Donato de Andrade, além das notas promissórias rurais acostadas, apresentou documentos obtidos junto à Rurapel Leilões Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 28 que comprovam a compra de bovinos em 17/04/04 e 27/05/04; (ii) quanto aos “JUROS CED. RURAL BANCO RURAL AGROINVEST S.A”, as cédulas de crédito rural (fls. 879884 e 885890) contêm todas as informações necessárias para se calcular o valor das obrigações a serem adimplidas pelo recorrente. Ademais, a conversão das arrobas em reais deve ser feitia pelo “boletim pecuário diário da FNP Consultoria e Agroinformativo”; (iii) quanto à Nota Fiscal Avulsa de Produtor nº 714425, de 22/06/04, o recorrente apurou que houve erro no preenchimento do documento; d) no tocante às receitas da atividade rural do anocalendário 2005, em 23/04/07, o contribuinte apresentou declaração de imposto de renda retificadora. Apesar dessa declaração não ter sido aceira pela Fiscalização e pela DRJ, a Agência da RFB de Pedro Leopoldo/MG, não se opôs ao parcelamento do débito nela confessado. Atualmente o débito encontrase quitado; e) quanto aos depósitos bancários, alegou que: (i) o Sr. Carlos Maurício Vasconcelos fez dois créditos de R$ 4.500,00, na conta bancária do recorrente no Banco Bradesco (em 27/01/05 e 28/02/05), tais depósitos decorreram da compra de gado e foram feitos em pagamento de parte da nota fiscal nº 999858, de 28/11/04, no valor de R$ 18.000,00; (ii) o crédito de R$ 41.579,00, efetuado em 14/03/05 na conta mantida junto ao Banco Bradesco, tem origem em operação de desconto de cheques recebidos em pagamento das notas fiscais de entradas nºs 004156, 004157 e 004158 de emissão do Frigorífico Vale do Boi Ltda (fls. 691693), no valor total de R$ 43.200,00 (borderô Pa fl. 579), a diferença entre o valor das notas fiscais e o valor do crédito referese aos juros cobrados pela instituição financeira; (iii) conforme documento acostado à fl. 1091, em 14/06/05, o filho do recorrente fez um DOC de R$ 1.050,00 na conta bancária nº 0110022, mantida no Banco Mercantil do Brasil; (iv) o crédito de R$ 31.187,66, efetuado em 17/06/05, na conta do Banco Bradesco tem origem no desconto dos cheques nºs 638 (R$ 560,00) e 2350 (fl. 1096), sendo esse último emitido pela UNIFRIGO no valor de R$ 30.627,66; (v) a DRJ acatou que a explicação apenas em relação a R$ 57.304,71, do depósito de R$ 65.352,31, contudo, se a totalidade do valor foi depositado por um frigorífico e o contribuinte é produtor rural, não é razoável tributar a diferente como depósito bancário de origem não comprovada, pois a origem do crédito, obviamente, também é rural; (vi) a DRJ acatou em parte as justificativas apresentas pelo recorrente em relação ao crédito de R$ 70.975,74, , contudo, se a totalidade do valor foi depositado por um frigorífico e o contribuinte é produtor rural, não é razoável tributar a diferente como depósito Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 16 29 bancário de origem não comprovada, pois a origem do crédito, obviamente, também é rural; (vii) os créditos de R$ 30.000,00 (01/11/05) e de R$ 29.363,74 (05/12/05) foram escriturados no Livro Razão exatamente como empréstimo (fl. 943) (viii) os demais créditos bancários não justificados têm origem no exercício da atividade rural. f) os depósitos devem ser tributados como omissão de rendimentos de atividade rural, pois ficou comprovado pelo sujeito passivo o exercício da atividade rural; g) não há base legal para a incidência dos juros com base na Taxa Selic sobre as multas; Em anexo o contribuinte apresentou uma série de documentos (fls. 1479 1720 do eprocesso). Em 31/01/14, o contribuinte apresentou manifestação renunciando ao recurso voluntário, de forma irrevogável e irretratável, no que se refere à glosa de despesa e a receita de atividade rural no anocalendário 2005, em atendimento ao disposto no art. 14 da Portaria Conjunta da PGFN/RFB nº 7/2013, razão pela qual deixa de ser mencionada. (fls. 17251728 do eprocesso) É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo 1 PRELIMINAR: Da Quebra do Sigilo Bancário O contribuinte sustenta que os autos deveriam ser sobrestados, pois não apresentou de forma voluntária, mas sob coerção, os extratos bancários de suas contas. Os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, que determinavam o sobrestamento de processos sempre que o STF também sobrestasse o julgamento dos recursos extraordinários, até que fosse proferida decisão nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, foram revogados pelo art. 1º da Portaria nº 545, de 18 de novembro 2013, que abaixo transcrevo: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 30 Dessa forma, foi ordenada a retomada dos julgamentos dos processos que foram sobrestados com fulcro no dispositivo revogado, de modo que o pedido do contribuinte não encontra mais amparo no Regimento Interno deste Conselho, não podendo o feito ser sobrestado. 2 MÉRITO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS 2.1 Das contas conjuntas O recorrente sustenta que a Fiscalização não observou que as contas nº 18.800X, mantida junto ao Banco do Brasil; nº 010110022, mantida junto ao Banco Mercantil do Brasil; e conta nº 0669770, mantida junto ao HSBC são contas conjuntas. Assim, teria deixado de intimar os cotitulares, motivo pelo qual os valores glosados, referentes a essas contas, deveriam ser excluídos da base de cálculo. Assiste razão ao recorrente. No caso em análise, verificase que: a) a conta corrente nº 18.800X, agência 22411, mantida junto ao Banco do Brasil, é conta conjunta do recorrente com a Sra. Olga Geo Oliveira (fls. 102195 do eprocesso); b) a conta corrente nº 010110022, agência 389, mantida junto ao Banco Mercantil do Brasil, é conta corrente conjunta do recorrente com o Sr. Genesco Aparecido de Oliveira Neto (fls. 137161 do eprocesso); c) a conta corrente nº 0669770, agência 1750, mantida junto ao Banco HSBC, é conta conjunta do recorrente com a Sra. Olga Geo Oliveira (fls. 162167 e 196 do eprocesso). Existe entendimento sumulado nesse Conselho (Súmula CARF nº 29) no sentido de que todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos bancários nela efetuados. Não identifiquei, outrossim, qualquer procedimento instaurado contra os cotitulares acima referidos. Saliento que o art. 42, da Lei nº 9.430/96 permitiu à Fazenda Nacional lançar Imposto sobre a Renda com base em depósitos bancários, quando, após intimação do contribuinte, não seja comprovada a origem destes rendimentos. Tal disposição criou presunção de renda omitida quando a verdadeira origem dos rendimentos não é elucidada. Contudo, diversos regramentos regem esta prerrogativa, conforme pode ser apreendido da leitura do dispositivo: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 17 31 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. O caput do art. 42 acima transcrito é claro no sentido de que o titular da conta bancária deve ser intimado para comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito e de investimento. A melhor interpretação para o caput do referido dispositivo, combinado com o § 6º, é no sentido da necessidade de intimação de todos os titulares da conta bancária para que comprovem a origem dos depósitos bancários identificados pela fiscalização. Tal compreensão foi acolhida na Súmula CARF nº 29, a qual acrescenta de que a ausência de intimação de todos os cotitulares implica a nulidade do lançamento. Saliento que a referida Súmula não faz qualquer exceção à rega do art. 42, caput, da Lei 9.430/96, ou seja, não excetua a nulidade nos casos de contas bancárias cujos cotitulares sejam dependentes na DIRPF uns dos outros. Diferentemente do § 6º do art. 42, que determina o rateio dos valores entre os cotitulares que tenham apresentado declaração de rendimentos separadamente, a Súmula CARF nº 29 aponta para a necessidade de intimação dos cotitulares para a comprovação da origem dos depósitos, não fazendo qualquer distinção entre cotitulares que apresentaram declaração de IRPF individualmente, e entre aqueles declarados como dependentes. Desta forma, ainda que a Sra. Olga Geo Oliveira e o Sr. Genesco Aparecido de Oliveira Neto tenham sido declarados como dependentes do recorrente, os mesmos são co Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 32 titulares das contas bancárias anteriormente descritas e não há nos autos qualquer evidência de que os mesmo foram intimados a comprovar a origem dos depósitos. Verificase, ao compulsar os autos, que somente o recorrente foi intimado a apresentar esclarecimentos; ou seja, foi desrespeitado parte do regramento específico que autoriza o lançamento nesta modalidade. A consequência desta falha foi pacificada no âmbito deste Conselho, através da súmula CARF nº 29: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Desta forma, devem ser excluídos da base de cálculo os depósitos abaixo transcritos, pois referentes a contas correntes cujos cotitulares não foram intimados pela fiscalização para comprovar a origem dos depósitos bancários. Banco Agência Conta Data Histórico Documento Valor 389 0306 0110022 26/04/05 DEPOSITO UNIFICADO 004060 1.516,00 389 0306 0110022 09/05/05 DEPOSITO UNIFICADO 003329 2.500,00 389 0306 0110022 06/06/05 DEPOSITO UNIFICADO 003323 1.200,00 389 0306 0110022 11/07/05 DEPOSITO UNIFICADO 002273 2.300,00 389 0306 0110022 12/07/05 DEPOSITO UNIFICADO 002235 2.000,00 389 0306 0110022 19/07/05 DEPOSITO UNIFICADO 009016 10.490,00 389 0306 0110022 20/07/05 DEPOSITO UNIFICADO 009009 2.581,41 389 0306 0110022 25/07/05 DEPOSITO UNIFICADO 002257 5.050,00 389 0306 0110022 02/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002213 7.000,00 389 0306 0110022 02/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002218 14.359,36 389 0306 0110022 05/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002230 1.350,00 389 0306 0110022 08/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002222 6.100,00 389 0306 0110022 12/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002160 3.005,84 389 0306 0110022 16/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002259 1.535,00 389 0306 0110022 16/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 003137 4.183,93 389 0306 0110022 17/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002172 2.727,25 389 0306 0110022 18/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002149 2.721,00 389 0306 0110022 18/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 004065 12.776,18 389 0306 0110022 22/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002190 10.267,00 389 0306 0110022 25/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002173 1.593,00 389 0306 0110022 11/10/05 DEPOSITO UNIFICADO 004027 8.900,00 389 0306 0110022 11/10/05 DEPOSITO UNIFICADO 004028 7.000,00 001 22411 18800X 20/05/05 505Deposito em cheque liberad 224100 12.500,00 001 22411 18800X 12/08/05 505Deposito em cheque liberad 224100 203.745,00 001 22411 18800X 12/09/05 505Deposito em cheque liberad 224100 15.000,00 001 22411 18800X 12/09/05 505Deposito em cheque liberad 224100 22.219,34 389 0306 0110022 22/07/05 DEPOSITO UNIFICADO 003059 7.466,51 389 0306 0110022 07/10/05 DEPOSITO UNIFICADO 008007 1.000,00 389 0306 0110022 10/10/05 DEPOSITO UNIFICADO 002088 5.549,00 389 0306 0110022 10/10/05 DEPOSITO UNIFICADO 008013 6.443,36 389 0306 0110022 07/07/05 OPER. TIT. DESCONTADOS 000292 65.352,31 389 0306 0110022 29/07/05 OPER. TIT. DESCONTADOS 007240 116.835,26 389 0306 0110022 17/08/05 OPER. TIT. DESCONTADOS 000207 17.903,87 389 0306 0110022 18/08/05 OPER. TIT. DESCONTADOS 000185 94.842,94 389 0306 0110022 23/08/05 OPER. TIT. DESCONTADOS 000248 80.525,31 389 0306 0110022 25/08/05 OPER. TIT. DESCONTADOS 000222 13.547,18 001 22411 18800X 05/12/05 967 TED Transferencia Eletr. Di 3734191 50.000,00 001 22411 18800X 18/11/05 729 Transferencia 011111 70.000,00 001 22411 18800X 05/12/05 976 TED Transferencia Eletr. Di 3743761 29.363,74 001 22411 18800X 19/01/05 631 Desbloqueio de deposito 29.141,05 001 22411 18800X 20/01/05 631 Desbloqueio de deposito 7.437,50 001 22411 18800X 21/01/05 631 Desbloqueio de deposito 1.580,00 001 22411 18800X 27/01/05 624 Cobranca 120022 4.500,00 001 22411 18800X 27/01/05 631 Desbloqueio de deposito 4.950,00 001 22411 18800X 28/02/05 624 Cobranca 126278 4.500,00 Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 18 33 001 22411 18800X 28/02/05 631 Desbloqueio de deposito 4.950,00 001 22411 18800X 16/03/05 830 Deposito online 420800 7.598,00 001 22411 18800X 17/03/05 631 Desbloqueio de deposito 1.167,50 001 22411 18800X 12/04/05 631 Desbloqueio de deposito 9.750,00 389 0306 0110022 09/05/05 DEPOSITO UNIFICADO 003329 2.500,00 001 22411 18800X 30/05/05 830 Deposito Online 163000 4.000,00 001 22411 18800X 01/06/05 631 Desbloqueio de deposito 7.101,00 389 0306 0110022 06/06/05 DEPOSITO UNIFICADO 003323 1.200,00 001 22411 18800X 07/06/05 631 Desbloqueio de deposito 8.217,45 389 0306 0110022 14/06/05 DOC COMPENSADO 003290 1.050,00 001 22411 18800X 06/07/05 631 Desbloqueio de deposito 3.200,00 389 0306 0110022 11/07/05 DEPOSITO UNIFICADO 002273 2.300,00 389 0306 0110022 12/07/05 DEPOSITO UNIFICADO 002235 2.000,00 001 22411 18800X 15/07/05 502 Deposito em Dinheiro 224100 3.500,00 389 0306 0110022 18/07/05 OPER. TIT. DESCONTADO 000272 19.829,28 389 0306 0110022 18/07/05 DEPOSITO UNIFICADO 373007 3.450,00 389 0306 0110022 19/07/05 DEPOSITO UNIFICADO 009016 10.940,00 389 0306 0110022 20/07/05 DEPOSITO UNIFICADO 009009 2.581,41 389 0306 0110022 22/07/05 DEPOSITO UNIFICADO 003059 7.466,51 389 0306 0110022 25/07/05 DEPOSITO UNIFICADO 002257 5.050,00 389 0306 0110022 29/07/05 OPER. TIT. DESCONTADOS 007240 116.835,26 389 0306 0110022 02/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002213 7.000,00 389 0306 0110022 02/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002218 14.359,36 001 22411 18800X 03/08/05 502Deposito em Dinheiro 224100 1.250,00 389 0306 0110022 05/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002230 1.350,00 389 0306 0110022 08/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002222 6.100,00 389 0306 0110022 11/08/05 DEPOS. UNIFICADO INT. 018017 12.000,00 389 0306 0110022 12/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002160 3.005,84 389 0306 0110022 16/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002259 1.535,00 389 0306 0110022 16/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 003137 4.183,93 389 0306 0110022 17/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002172 2.727,25 389 0306 0110022 17/08/05 LIQ. COB BCO. CORRESP 007008 1.000,00 001 22411 18800X 18/08/05 631 Desbloqueio de deposito 8.355,70 389 0306 0110022 18/08/05 DEP. CHEQ. CUSTODIADO 279682 51.000,00 389 0306 0110022 18/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002149 2.721,00 389 0306 0110022 18/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 004065 12.776,18 389 0306 0110022 18/08/05 OPER. TIT. DESCONTADOS 000185 94.842,94 001 22411 18800X 19/08/05 631 Desbloqueio de deposito 9.623,94 389 0306 0110022 19/08/05 DEP. CHEQ. CUSTODIADO 279683 70.218,50 001 22411 18800X 22/08/05 631 Desbloqueio de deposito 1.300,00 389 0306 0110022 22/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002190 10.267,00 001 22411 18800X 23/08/05 830 Deposito Online 339800 80.674,20 389 0306 0110022 23/08/05 OPER. TIT. DESCONTADO 000248 80.525,31 389 0306 0110022 25/08/05 DEPOSITO UNIFICADO 002173 1.593,00 389 0306 0110022 25/08/05 OPER. TIT. DESCONTADOS 000222 13.547,18 001 22411 18800X 06/09/05 502 Deposito em dinheiro 224100 4.719,00 001 22411 18800X 08/09/05 631 Desbloqueio de deposito 8.800,27 001 22411 18800X 09/09/05 631 Desbloqueio de deposito 4.993,78 001 22411 18800X 12/09/05 505 – Deposito em cheque liberad 224100 15.000,00 001 22411 18800X 12/09/05 505 – Deposito em cheque liberad 224100 11.219,34 389 0306 0110022 15/09/05 DEPOS. UNIFICADO INTE. 136383 1.977,71 389 0306 0110022 07/10/05 DEPOSITO UNIFICADO 008007 1.000,00 389 0306 0110022 10/10/05 DEPOSITO UNIFICADO 002088 5.549,00 389 0306 0110022 10/10/05 DEPOSITO UNIFICADO 008013 6.443,36 389 0306 0110022 11/10/05 DEPOSITO UNIFICADO 004027 8.900,00 389 0306 0110022 11/10/05 DEPOSITO UNIFICADO 004028 7.000,00 001 22411 18800X 14/10/05 830 Deposito online 2519374249 3.000,00 001 22411 18800X 14/10/05 830 Deposito online 2519374272 1.060,00 001 22411 18800X 25/10/05 505 Deposito em cheque liberad 224100 10.000,00 001 22411 18800X 26/10/05 830 Deposito online 037200 8.000,00 001 22411 18800X 26/10/05 830 Deposito online 037200 6.857,50 001 22411 18800X 27/10/05 631 Desbloqueio de deposito 1.142,50 001 22411 18800X 17/11/05 631 Desbloqueio de deposito 1.891,93 Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 34 001 22411 18800X 18/11/05 729 – Transferenca 011111 70.000,00 001 22411 18800X 05/12/05 976 TED Transferencia Eletr. Di 3734191 50.000,00 001 22411 18800X 05/12/05 976 TED Transferencia Eletr. Di 3743761 29.363,74 001 22411 18800X 05/12/05 631 Desbloqueio de deposito 2.341,92 001 22411 18800X 12/12/05 631 Desbloqueio de deposito 4.000,00 001 22411 18800X 28/12/05 510 Deposito Cheque BB Liquida 224100 1.825,00 Total 2.028.261,87 2.2 Dos depósitos bancários remanescentes Superada a questão referente à aplicação da Súmula nº 29, passo a analisar os demais depósitos bancários. Anteriormente à Lei n° 8.021/90, assentouse que os depósitos bancários, por si só, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Nesta senda, o Tribunal Federal de Recursos sumulou entendimento com esta exata interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 90, VII, do DecretoLei n° 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Entretanto, com o advento do art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90, autorizouse o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Porém, para incidência do imposto de renda sobre a hipótese em debate, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Este cenário foi profundamente alterado pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, com incidência sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 19 35 acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, vejase o Acórdão n° CSRF/0400.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, unânime, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). A Lei nº 9.430/96 instituiu o dever, na redação do § 3º de seu art. 42, de o contribuinte comprovar de forma individualizada e com documentos hábeis e idôneos a origem dos depósitos bancários. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Serão analisados nos itens abaixo os documentos e justificativas apresentados pelo recorrente. A) Depósitos decorrentes de pessoa jurídica ou de pessoa física: Quanto aos depósitos abaixo listados, a fiscalização, no Termo de Verificação Fiscal (fl. 975 do eprocesso) reconhece que, de acordo com a documentação fornecida pelo contribuinte informa, os valores seriam provenientes da empresa GAO & Filhos Pecuária e Agricultura Ltda. e estariam (conforme fl. 976 do eprocesso) escriturados no Livro Caixa do recorrente. Não obstante, glosouos como “Omissão de Rendimento caracterizada depósitos bancários de origem não comprovada”. Banco Agência Conta Data Histórico Documento Valor 735 001 0004926 31/05/05 Credito conf aviso 000002 64.722,68 735 001 0004926 24/06/05 Dep. Ch. 24 horas 011188 24.500,00 735 001 0004926 27/06/05 Dep. Ch. 24 horas 011194 24.500,00 Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 36 735 001 0004926 29/07/05 Credito conf aviso 000001 235.000,00 735 001 0004926 01/08/05 Credito conf aviso 000001 47.000,00 735 001 0004926 02/08/05 Credito conf aviso 000001 12.000,00 735 001 0004926 30/09/05 Credito conf aviso 000002 271.000,00 Total 678.722,68 Situação semelhante ocorre quanto ao depósito bancário feito em 02/08/05, no valor de R$ 62.900,00, no Banco 409, Agência 7157, conta nº 2602663. Da leitura da planilha feita pela fiscalização (fl. 978 do eprocesso), constatase na coluna “Histórico” a seguinte informação: “TED RECEBIDA POTTENCIAL GAO”. Em que pese não conste a denominação completa da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda., a indicação constante no campo histórico é suficiente para corroborar as alegações do contribuinte de que tal depósito decorre de pagamento feito pela referida empresa. Ora, não bastasse a indicação das inicias da empresa, esta foi mencionada ao longo de todo o procedimento de fiscalização sendo que, inclusive, em determinados momentos a fiscalização acatou as justificativas do contribuinte no que refere a essa empresa. Ou seja, resta claro que o depósito decorre da pessoa jurídica em razão da atividade rural desempenhada pelo contribuinte. Devese dizer que os valores acima informados estão registrados no Livro Diário e Razão das referidas empresas (fls. 878908) como pagamentos realizados ao contribuinte. Ademais, a documentação apresentada pelo recorrente, dos bancos do Brasil e Pottential (fls. 520, 521, 527529, 540, 544, 549) indicam que os depósitos são provenientes das referidas empresas. Quanto aos depósitos abaixo transcritos, é possível identificar a origem do depositante nos documentos apresentados às fls. 1143 e 1147 do eprocesso. O primeiro depósito foi feito pelo Sr. Wellington Gonzaga da Silva (conforme comprovante à fl. 1143 do eprocesso). O segundo, pela Empresa Racional Imóveis e Seguros Ltda. (conforme documento de fl. 1147 do eprocesso). Banco Agência Conta Data Histórico Documento Valor 237 22861 156604 18/10/05 Transf. entre agen dinh 1213421 15.000,00 237 22861 156604 01/11/05 Ted.transf. elet. Dispon 9854045 30.000,00 Total 45.000,00 Em todas essas situações notase que a fiscalização conhecia a origem dos depósitos bancários: todos os depósitos foram feitos, ou por pessoas jurídicas, ou por pessoas físicas, e todos eles corroboram as alegações do contribuinte de que as referidas movimentações financeiras decorriam da atividade rural por ele exercida. Desse modo, verificase o equívoco da Fiscalização ao lançar o tributo com base no art. 42, da Lei n. 9.430/96, porquanto era possível verificar, do embate entre as informações prestadas pelo contribuinte durante o procedimento de fiscalização e os registros das movimentações nos extratos, que determinados fatos descritos pelo recorrente eram verossímeis. Uma vez identificada a origem dos depósitos, a Fiscalização deveria proceder à apuração do imposto de acordo com as regras específicas do rendimento apurado, conforme jurisprudência desse Conselho: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA ART. 42 DA LEI Nº 9430/96 PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO – A presunção do art. 42 da Lei nº 9.4.30/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 20 37 rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 220200.198. Red. Conselheiro Pedro Anan Júnior. Julg. 19/08/09). Relativamente aos depósitos acima descritos, entendo que o lançamento padece de capitulação legal e fundamentação válida, pois identificados os depositantes e indicada a origem, a situação não mais se subsume à hipótese de omissão por depósitos bancários, mas omissão de rendimentos de pessoa física e omissão de rendimentos de pessoa jurídica. Não se trata de mera formalidade acusatória, mas modificação de fundamento que redistribui à Administração o ônus probatório que deflui do art. 142, do CTN, afastando a utilização da presunção estampada no art. 42 da Lei 9.430/96. Desta forma, havendo erro na tipificação e no enquadramento legal, quanto aos depósitos transcritos, estes devem ser excluídos da base de cálculo, por preterição do direito de defesa do contribuinte. Nesse sentido: IRPF – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O erro na tipificação e no enquadramento legal da infração cometida pelo contribuinte, acarreta a nulidade do auto de infração por preterição do direito de defesa do contribuinte. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes.2ª Câmara. Ac. 102 44.466. Rel. Conselheiro Valmir Sandri. Julg. 06/02/01). Portanto, entendo que o total de R$ 786.662,68 deve ser excluído da base de cálculo, em decorrência de erro na sua tipificação e no enquadramento legal, o que acarreta nulidade do auto de infração em relação a tais valores. B) Cheque depositado pelo próprio contribuinte: À fl. 1160 do eprocesso, o contribuinte apresentou a relação de cheques depositados que culminaram no lançamento em sua conta bancário do Banco 237, Agência 22861, conta nº 156604, no dia 13/06/05, no valor de R$ 9.925,47, o qual foi glosado pela fiscalização (fl. 973 do eprocesso). Da análise do documento apresentado pelo contribuinte vê se que o cheque abaixo depositado decorre de transferência entre contas do próprio recorrente, pois o contribuinte é o titular da conta bancária nº 0001100188000, mantida na Agência 2241, Banco 001 (Banco do Brasil), conforme documento de fls. 102195 do eprocesso: Câmara de compensação Cod. Banco sacado Cod. Ag. Sacada Conta sacada Número cheque Valor 033 001 2241 0001100188000 443101 580,00 Conforme art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/96 não devem ser considerados, para efeitos de receita omitida, os créditos decorrentes de transferências de outras contas da pessoa física. In verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 38 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Como se nota, o crédito de R$ 580,00 enquadrase na previsão estipulada pela disposição acima transcrita: tratase de transferência realizada entre as contas bancárias do recorrente através de depósito em cheque. De modo que, tal valor deve ser excluído da base de cálculo, conforme entendimento deste Conselho Segunda Seção: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Não merece reparos a decisão de primeira instância que determina a exclusão de valores relativos a transferências entre contas de mesma titularidade da base de cálculo dis tributos lançados sob acusação de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada. MULTA QUALIFICADA SONEGAÇÃO. Auferir vultosas receitas sem declarálas à administração tributária e com pagamento mínimo de tributos e contribuições, sem qualquer justificativa razoável, é conduta dolosa que se amolda à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71 da Lei n. 4.502/64, justificandose a qualificação da penalidade. DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Reconhecida a ocorrência de dolo, aplicase ao caso o prazo decadencial na forma do art. 173, I do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N. 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Ante sua natureza eminentemente constitucional, a discussão sobre o potencial caráter confiscatório de penalidades pecuniárias previstas em lei para as hipóteses de indeferimento de compensação refoge ao âmbito de competência desse Tribunal, a teor da Súmula Vinculante STF n. 10 e a Súmula CARF n.2. (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 1102000.829. Red. Antônio Carlos Guidoni Filho. Julg. 29/05/14). Quanto aos demais depósitos bancários, saliento que o contribuinte não logrou êxito ao buscar comprovar sua origem, seja porque a documentação por ele apresentada não encontra congruência com os valores dos depósitos, seja porque não há, em alguns documentos, indicação do depositante, seja porque não há, no Livro Razão indicação de depósitos. Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 21 39 DA ATIVIDADE RURAL 2.3 Ano calendário 2004 Considerando que: (i) quanto as despesas e receitas da atividade rural, no anocalendário 2004, nos valores de R$ 4.596,08 e R$ 58.538,05, contribuinte renunciou às alegações (fls. 17251728 do eprocesso); (ii) a fiscalização considerou comprovadas as despesas escrituradas nos lançamentos 91, 150 e 164 do Livro Caixa do contribuinte (remanescendo R$ 7.200,00 do total desses lançamentos), passo a análise dos argumentos apresentados relativos às demais despesas do anocalendário 2004. Lançamentos nº 54, 55 e 112 do Livro Caixa: A DRJ manteve os lançamentos 54 (R$ 4.466,00), 55 (R$ 8.531,60) e 112 (R$ 4.200,00), pois o contribuinte teria apresentado Notas Promissórias Rurais, mas em tais documentos não constariam a vinculação com a respectiva nota fiscal do produtor rural, exigência constante nos arts. 6º e 7º da Instrução Normativa SRF nº 83, de 11 de outubro de 2001. Entretanto, o contribuinte alega que no que se refere ao gado adquirido do Sr. Gabriel Donato de Andrade, da Agropecuária Serra e do Sr. do Sr. Adilson Guimarães (lançamentos nº 54, 55 e 112 do Livro Caixa), além das notas promissórias rurais, apresentou documentos obtidos junto à Rurapel Leilões, os quais comprovam a compra de bovinos em 17/04/04 e em 27/05/04. Como as declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras e as provas apresentadas demonstra a efetividade da despesas, a reversão da glosa deveria ser feita. As notas promissórias rurais de fl. 875 do eprocesso (no valor de R$ 4.466,00), fls. 876877 do eprocesso (cuja soma resulta em R$ 8.531,60) e fl. 894 (no valor de R$ 4.200,00) informam negócio realizado entre o recorrente e “Adilson Guimarães Correia e outros”. Conforme informações constantes nas notas, o recorrente teria pago a Adilson Guimarães as referidas quantias, que corresponderiam, consoante alegações do recorrente, aos valores pagos em decorrência de compra de bovino em leilão, de acordo com os documentos de fls. 10421053 do eprocesso. Comparando as informações contidas nos documentos de leilão com as notas promissórias, é possível concluir que, de fato, os valores correspondem à despesa lançada, qual seja, compra de gado do Sr. Gabriel Donato de Andrade e do Sr. Adilson Guimarães, de modo que entendo que a mesma deve ser excluída da base de cálculo, uma vez que comprovada a despesa por documento idôneo, conforme art. 10, da IN SRF nº 83/01: Art. 10 As despesas de custeio e os investimento são comprovados mediante documentos hábeis idôneos, tais como nota fiscal, fatura, recibo, contrato de prestação de serviços, laudo de vistoria de órgão financiador e folha de pagamento de empregados, identificando adequadamente a destinação dos recursos. Parágrafo único. A Nota Fiscal Simplificada e o Cupom de Máquina Registradora, quando identificarem o destinatário das mercadorias ou produtos, são documentos hábeis para comprovar despesas efetuadas pelas pessoas físicas na apuração do resultado da atividade rural. Lançamentos nº 89, 91, 150 e 164 do Livro Caixa0: Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 40 A DRJ manteve a autuação com base no lançamento nº 89 do Livro Caixa, no valor de R$ 34.472,10, pois o contribuinte teria apresentado cópia do fluxo de caixa e cópia de Cédula de Produto Rural, mas esses documentos não indicariam o pagamento de tal valor. O recorrente alega que quanto aos “JUROS CED. RURAL BANCO RURAL AGROINVEST S.A”, as cédulas de crédito rural de fls. 879884 e 885890 contêm todas as informações necessárias para se calcular o valor das obrigações a serem adimplidas pela recorrente junto à instituições financeiras. Ocorre que, embora o recorrente tenha apresentado as Cédulas de Crédito Rural, essas contem a indicação de valores, sua garantia e penhor foram constituídos em arrobas de boi, o que impede que se estabeleça uma relação entre o valor declarado como despesa e aqueles constantes nas cédulas de crédito. Ademais, não há nos autos qualquer documento que comprove o efetivo pagamento da cédula de crédito rural do Banco Rural Agroinvest, não restando, portando, a devida despesa comprovada. Quanto ao valor remanescente das despesas escrituradas nos itens 91, 150 e 164, qual seja, R$ 7.200,00, entendo que o mesmo deve ser mantido, pois as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, seja individualizadamente, seja sua soma, não comprovam o efetivo pagamento desta quantia feito pelo recorrente. Assim, entendo que deve ser reconsiderada a glosa no valor total de R$ 17.197,60, pois comprovada a despesa com atividade rural. 2.4 Ano calendário 2005 A) Espontaneidade do pagamento O recorrente alega que, no tocante às receitas da atividade rural do ano calendário 2005, em 23/04/07, teria apresentado declaração de imposto de renda retificadora e que apesar dessa declaração não ter sido aceita pela fiscalização e pela DRJ, a Agência da RFB de Pedro Leopoldo/MG, não se opôs ao parcelamento do débito nela confessado, de modo que os valores pagos devem ser excluídos da base de cálculo. Embora o contribuinte tenha retificado sua DIRPF em 23/04/07, foi notificado do Termo de Início de Fiscalização em 30/11/06 (fls. 5253 do eprocesso), logo, a retificação de sua DIRPF/05 é posterior ao início do procedimento fiscal, o qual, nos termos do art. 7º, I, do Decreto nº 70.235/72 tem início com o primeiro ato de ofício que cientifica o sujeito passivo da obrigação tributária. In verbis: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Percebese que, uma vez notificado o contribuinte, tem início o procedimento de fiscalização. O Código Tributário é claro, em seu art. 138, parágrafo único, que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo. Tal disposição também é contemplada no § 1º do art. 7º acima transcrito. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 22 41 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Ainda, as disposições contidas no art. 47 da Lei nº 9.430/96 estabelecem uma exceção, isto é um prazo para que o contribuinte possa retificar sua declaração, mantendo a espontaneidade: Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo No caso, o contribuinte apresentou sua retificadora após o período previsto no art. 47 supracitado, o que implica na confirmação da perda da espontaneidade. Como salientou a decisão recorrida, a consequência da perda da espontaneidade é a impossibilidade de o contribuinte que deixou de recolher o tributo devido no prazo, ter de pagálo com o acréscimo apenas de juros e multa. Desse modo, a declaração retificadora não tem o condão de substituir a original para fins de considerações do auto de infração. Entretanto, os valores já pagos pelo contribuinte devem ser aproveitados e subtraídos do total do crédito tributário, no que refere à omissão de atividade rural, se devidamente comprovados nos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil. Neste sentido é o entendimento deste Conselho: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. GLOSA DE DESPESAS. CONCESSÃO DE PRAZO PARA PAGAMENTO ESPONTÂNEO. EFEITOS DO ART. 47 DA LEI Nº 9.430/96 Somente os tributos e contribuições já declarados pelas pessoas físicas ou jurídicas submetidas à ação fiscal é que poderão ser pagos até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização com os acréscimos legais aplicáveis aos casos de procedimento espontâneo. A retificação de valores pleiteados como dedução da base de cálculo do IRPF não se configura como tal hipótese Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 42 DENÚNCIA ESPONTÂNEA, RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE COM O DECURSO DO PRAZO DE SESSENTA DIAS. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo, casos em que o pagamento do tributo deve ser acrescido apenas de juros e multa de mora. Recurso Voluntário Provido. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2 ª Turma Especial. Ac. 2802 00.343. Rel. Conselheira Valéria Pestana Marques. Julg. 16/06/10). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FíSICA 1RPF Exercício: 2000 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A declaração retificadara, apresentada antes de qualquer procedimento fiscal, acompanhada do pagamento do tributo devido, exclui a responsabilidade sobre a infração até o montante do tributo apurado e pago. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os rendimentos tributáveis, percebidos pelo contribuinte, omitidos na declaração de ajuste anual ficam sujeitos a lançamento de oficio. Recurso Voluntário Provido em Parte, (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2 ª Turma Especial. Ac. 2802 00.417 Rel. Lucia Reiko Sakae. Julg. 18/08/10). B) Das despesas do anocalendário 2005 A fiscalização não considerou as despesas abaixo alinhadas como de custeio da atividade rural, entendendo que as mesmas não são necessárias à percepção dos rendimentos da atividade rural. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 23 43 Entendo que a autuação deve ser mantida. As despesas de custeio são gastos necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionados diretamente com a natureza da atividade exercida. Enquanto as despesas de investimento decorrem da aplicação de recursos financeiros que visem ao desenvolvimento da atividade rural para a expansão da produção e melhoria da produtividade, conforme arts. 7º e 8º da IN SRF nº 83/01, in verbis: Art. 7 º Considerase despesa de custeio aquela necessária à percepção dos rendimentos da atividade rural e à manutenção da fonte pagadora, relacionada com a natureza das atividades rurais exercidas. Art. 8 º Considerase investimento a aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, que visem ao desenvolvimento Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 44 da atividade rural, à expansão da produção e da melhoria da produtividade, realizados com: I benfeitorias resultantes de construção, instalações, melhoramentos, reparos, bem assim de limpeza de diques, comportas e canais; II culturas permanentes, essências florestais e pastagens artificiais; III aquisição de tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de cargas e utilitários rurais, utensílios e bens de duração superior a um ano, bem assim de botes de pesca ou caíques, frigoríficos para conservação da pesca, cordas, anzóis, bóias, guinchos e reformas de embarcações; IV animais de trabalho, de produção e engorda; V serviços técnicos especializados, devidamente contratados, visando elevar a eficiência do uso dos recursos da propriedade ou exploração rural; VI insumos que contribuam destacadamente para elevação da produtividade, tais como reprodutores, aquisições de matrizes, alevinos e girinos, sementes e mudas selecionadas, corretivos de solo, fertilizantes, vacinas e defensivos vegetais e animais; VII atividades que visem especificamente à elevação sócio econômica do trabalhador rural, tais como casas de trabalhadores, prédios e galpões para atividades recreativas, educacionais e de saúde; VIII estradas que facilitem o acesso ou a circulação na propriedade; IX instalação de aparelhagem de comunicação, bússola, sonda, radares e de energia elétrica; X bolsas para a formação de técnicos em atividades rurais, inclusive gerentes de estabelecimentos e contabilistas. Parágrafo único. Os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento. No caso, as despesas glosadas no anocalendário 2005 não se enquadram como aquelas previstas nos artigos acima transcritos. Parte das despesas referese à manutenção de aeronave (incluindose aqui despesas com gasolina, hangar, tarifa de combustíveis) modelo BEM720, isto é, tratase de aeronave de categoria normal, não agrícola, não podendo, pois as despesas referentes à ela serem consideradas de custeio. Ademais, o contribuinte não faz prova em sentido contrário, não apresentado documentação que pudesse comprovar que a aeronave, como diário de bordo, ainda que que de categoria normal, destinavase às suas atividade agrícolas. Igualmente, as despesas com televisão por assinatura e com internet não se enquadram como despesa de atividade rural necessária à obtenção da receita. Embora o contribuinte alegue que, pela utilizava a televisão por assinatura para manterse informado quanto ao mercado rural, entendo que este não é argumento hábil, pois as informações, ainda que de grande valia, podem ser obtidas de outro modo e não são intrínsecas à atividade. No que refere às demais despesas, a documentação apresentada pelo contribuinte ao longo de todo o procedimento fiscal, não identifica qual o produto ou serviço adquirido. Desta forma, entendo que deve ser mantido o Auto de Infração neste ponto. 2.5 Aplicação da Taxa SELIC e Multa de Ofício Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 24 45 O recorrente defende a inaplicabilidade da Taxa SELIC a título de juros de mora, bem como a impossibilidade de aplicação de multa de ofício. Quanto à possibilidade de aplicação da Taxa SELIC, a questão já foi decidida por este Conselho, estando inclusive consolidada em Súmula no sentido da possibilidade da aplicação da referida Taxa como o índice dos juros de mora. Versa a súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A jurisprudência do STF, inclusive, corrobora o entendimento sumulado por este Conselho, no sentido de considerar legítima a aplicação da Taxa SELIC como índice dos juros de muros, entendendo, inclusive, não haver qualquer inconstitucionalidade em sua aplicação: 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (RE 582461, Relator: Min. Gilmar Mendes, Julg 18/05/2011, Divulg 17/08/2011, Public 18/08/2011) 4. A isonomia é resguardada, visto que a Lei estadual prevê a aplicação da taxa SELIC, que traduz rigorosa igualdade de tratamento entre o contribuinte e o Fisco. (ADI 2214, Relator: Min. Maurício Corrêa, Julg 06/02/2002, Publ 19/04/2002) Sendo assim, o caráter confiscatório da multa, e a inconstitucionalidade da aplicação da SELIC, por se tratarem de temas constitucionais, não podem ser analisados neste julgamento. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do tributo em 2004, o montante de total de R$ 17.197,60, e em 2005, o montante total de R$ 2.815.464,55 determinando, outrossim, o aproveitamento dos valores pagos pelo contribuinte, se devidamente comprovados nos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil. Os montantes excluídos estão decompostos da seguinte forma: a. com relação ao anocalendário 2004: R$ 17.197,60 em face da comprovação das despesas escrituradas no livro caixa; b. com relação ao anocalendário 2005: b.1. R$ 2.028.261,87 com base na Súmula CARF nº 29; Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 46 b.2. R$ 786.622,68, pois, identificado o depositante e indicada a origem, não pode ser aplicada a presunção inserida no art. 42 da Lei 9.430/96; b.3. R$ 580,00, pois referente à transferência entre contas do mesmo titular; (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo – Relator Voto Vencedor Com a devida vênia ao entendimento, do nobre Conselheiro Relator divirjo a respeito da exclusão da base de cálculo do tributo em 2005, no montante de R$786.622,68, tratada no item A) Depósitos decorrentes de pessoa jurídica ou de pessoa física, do seu voto, pelas seguintes razões: O ilustre relator considerou como identificada a origem dos seguintes depósitos: a) Depósitos bancários feitos na Agência 001 Banco 735 Conta 4926 nas datas 31/05/05,24/06/05,27/06/05,29/07/05,01/08/05,02/08/05 e 30/09/05, no montante de R$ 678.722,68; b) Depósito bancário feito em 02/08/05, no valor de R$ 62.900,00, no Banco 409, Agência 7157, conta nº 2602663 TED RECEBIDA POTTENCIAL GAO c) Depósitos bancários feitos no Banco 237 Agência 22861 Conta 156604 nas datas de 18/10/05 e 01/11/05, no montante de R$45.000,00; Assim, reduziu as bases de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada ao montante de R$ 786.622,68, no anocalendário 2005. A redução da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada foi fundamentada, em suma, por depósitos bancários, cuja origem estava identificada nos próprios extratos bancários, conforme se infere do seguinte trecho do voto condutor da decisão recorrida a seguir transcrito: " Em que pese não conste a denominação completa da empresa G.A.O & Filhos Pecuária Ltda., a indicação constante no campo histórico é suficiente para corroborar as alegações do contribuinte de que tal depósito decorre de pagamento feito pela referida empresa" "Quanto aos depósitos abaixo transcritos, é possível identificar a origem do depositante nos documentos apresentados às fls. 1143 e 1147 do eprocesso. O primeiro depósito foi feito pelo Sr. Wellington Gonzaga da Silva (conforme comprovante à fl. 1143 do eprocesso). O segundo, pela Empresa Racional Imóveis e Seguros Ltda. (conforme documento de fl. 1147 do eprocesso)." Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13609.001693/200735 Acórdão n.º 2202002.845 S2C2T2 Fl. 25 47 { ... } Relativamente aos depósitos acima descritos, entendo que o lançamento padece de capitulação legal e fundamentação válida, pois identificados os depositantes e indicada a origem, a situação não mais se subsume à hipótese de omissão por depósitos bancários, mas omissão de rendimentos de pessoa física e omissão de rendimentos de pessoa jurídica. Não se trata de mera formalidade acusatória, mas modificação de fundamento que redistribui à Administração o ônus probatório que deflui do art. 142, do CTN, afastando a utilização da presunção estampada no art. 42 da Lei 9.430/96. Desta forma, havendo erro na tipificação e no enquadramento legal, quanto aos depósitos transcritos, estes devem ser excluídos da base de cálculo, por preterição do direito de defesa do contribuinte" Do texto acima reproduzido, verificase que o nobre relator entende que a identificação do depositante é suficiente para o cancelamento da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Contudo, esta não é a melhor interpretação do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.(grifei) A acepção da palavra origem, utilizada no dispositivo acima transcrito, não significa simplesmente demonstrar quem é o responsável pelo depósito, mas, principalmente, identificar a natureza da operação que deu causa ao crédito. A identificação da natureza da operação se fundamenta no fato de que, para ser cumprida a ordem legal prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que, uma vez comprovada a origem do depósito, este será submetido às normas de tributação específicas, é necessário, para a correta tipificação do caso concreto, que a definição de comprovação da origem inclua também a capacidade de se determinar, com certeza absoluta, se os valores creditados são ou não rendimentos tributáveis na pessoa física em razão de sua natureza e titularidade. Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 48 Em outras palavras, a lei determina que, caso comprovada a origem, devese verificar se os valores tributáveis compuseram a base de cálculo, caso contrário, não sendo possível determinar a natureza dos valores depositados, estes são simplesmente considerados receita omitida. No presente caso, identificouse o depositante, todavia, a operação que deu causa aos depósitos não foram esclarecidas, de modo que não se pode admitir a exclusão de tais créditos da base de cálculo da infração. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do tributo em 2004, o montante de total de R$ 17.197,60, e em 2005, o montante total de R$ 2.028.841,87 determinando, outrossim, o aproveitamento dos valores pagos pelo contribuinte, se devidamente comprovados nos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Redatora designada. Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, As sinado digitalmente em 19/02/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE
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Numero do processo: 19515.001329/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
CONTRADIÇÃO. DESCOMPASSO ENTRE A DECISÃO E A EMENTA. Confirmado o erro na redação da ementa, seu texto deve ser substituído por outro compatível com o entendimento expresso no voto condutor do julgado: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acima do limite estabelecido, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. A Medida Provisória nº 998, de 1995, convertida na Lei nº 9.065, de 1995, apenas permite a compensação até o limite de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, e sua Exposição de Motivos somente assegura a compensação integral dos prejuízos e bases negativas acumulados se estes valores forem inferiores a 30% do resultado do período. A renda da pessoa jurídica corresponde à diferença entre a universalidade patrimonial no início do período de apuração e a universalidade patrimonial no final do mesmo, descontadas as transferências patrimoniais, e não contempla prejuízos e bases negativas apurados em períodos anteriores. Interpretação restritiva de norma que exclui crédito tributário.
OMISSÃO. ARGUMENTOS DE DEFESA NÃO APRECIADOS. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula CARF nº 47). EFEITO CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-001.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) relativamente à contradição alegada, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos para retificar a ementa do acórdão embargado; 2) relativamente à multa de ofício aplicada à sucessora, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 3) relativamente ao caráter confiscatório da multa de ofício, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; e 4) relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos, mas por voto de qualidade NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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DESCOMPASSO ENTRE A DECISÃO E A EMENTA. Confirmado o erro na redação da ementa, seu texto deve ser substituído por outro compatível com o entendimento expresso no voto condutor do julgado: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acima do limite estabelecido, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. A Medida Provisória nº 998, de 1995, convertida na Lei nº 9.065, de 1995, apenas permite a compensação até o limite de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, e sua Exposição de Motivos somente assegura a compensação integral dos prejuízos e bases negativas acumulados se estes valores forem inferiores a 30% do resultado do período. A renda da pessoa jurídica corresponde à diferença entre a universalidade patrimonial no início do período de apuração e a universalidade patrimonial no final do mesmo, descontadas as transferências patrimoniais, e não contempla prejuízos e bases negativas apurados em períodos anteriores. Interpretação restritiva de norma que exclui crédito tributário. OMISSÃO. ARGUMENTOS DE DEFESA NÃO APRECIADOS. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula CARF nº 47). EFEITO CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 29 /2 01 0- 04 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001329/201004 Acórdão n.º 1101001.256 S1C1T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) relativamente à contradição alegada, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos para retificar a ementa do acórdão embargado; 2) relativamente à multa de ofício aplicada à sucessora, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 3) relativamente ao caráter confiscatório da multa de ofício, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; e 4) relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos, mas por voto de qualidade NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001329/201004 Acórdão n.º 1101001.256 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório Na sessão de julgamento de 16 de março de 2012, por voto de qualidade, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Relator Jose Ricardo da Silva (Relator), acompanhado pelos Conselheiros Benedicto Celso Benicio Júnior e Nara Cristina Takeda Taga, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. O correspondente acórdão, de nº 110100.691, restou assim ementado: IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA. A lei não traz qualquer exceção a regra que limita a compensação dos prejuízos fiscais à 30% do lucro liquido ajustado. Entretanto, havendo o encerramento das atividades da pessoa jurídica em razão de incorporação, não haverá meios dos prejuízos serem utilizados em anos subseqüentes, como determina a legislação. Neste caso, temse corno legitima a compensação da totalidade do prejuízo fiscal, sem a limitação de 30%. A recorrente foi cientificada da decisão em 17/10/2012 (fl. 489) e em 22/10/2012 opôs, tempestivamente, embargos de declaração apontando omissão na análise de seus argumentos de defesa acerca da impossibilidade de se exigir a multa de ofício da Embargante, por ser empresa incorporadora daquela que efetivamente compensou os prejuízos e da inaplicabilidade da taxa SELIC sobre a multa de ofício, consoante, inclusive, consignado no voto vencedor integrado ao acórdão. Acusou, ainda, a existência de contradição entre a ementa do acórdão e a posição adotada pelo voto vencedor, vez que a ementa do julgado espelha a decisão do voto vencido. Por meio do despacho de fls. 495/498 os embargos foram admitidos e atribuídos para relatoria desta Conselheira. Versam os autos sobre exigência de IRPJ e CSLL no anocalendário 2006, em razão da inobservância do limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de períodos anteriores por parte da incorporada AES Transgás Empreendimentos S/A. A fiscalizada alegou que, com a extinção da incorporada, não seria mais possível utilizar os prejuízos e bases negativas em períodos posteriores, mas, entendendo equivocada esta intrepretação, a autoridade fiscal promoveu a glosa das compensações que superaram o limite legal. A exigência foi mantida em 1a instância e, em recurso voluntário, além de afirmar a regularidade do procedimento adotado pela incorporada, a recorrente abordou outros aspectos da exigência, assim relatados no acórdão embargado: uu) alega a impossibilidade de se exigir multa da sucessora, nos termos do art. 132 do CTN; vv) a aplicação de multa de oficio no percentual de 75% ofende o art. 150, IV, da CF; ww) alega a impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa de oficio; Fl. 502DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001329/201004 Acórdão n.º 1101001.256 S1C1T1 Fl. 5 4 O Conselheiro Relator José Ricardo da Silva deu provimento ao recurso voluntário por entender que não seria aplicável a limitação para a compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL imposta pela Lei n°9.065 de 20 de junho de 1995 no caso de encerramento de atividades da pessoa jurídica em decorrência da sua incorporação. Contudo, no mérito, prevaleceu o entendimento exposto por esta Conselheira, em favor da glosa procedida pela autoridade lançadora, mas apesar disto o Colegiado não deliberou sobre os demais argumentos de defesa antes expostos. Para além disso, na formalização do acórdão subsistiu a ementa elaborada pelo Conselheiro Relator, em que pese vencido no julgamento do principal exigido. É o relatório. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001329/201004 Acórdão n.º 1101001.256 S1C1T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Confirmase a contradição apontada pela embargante, pois a ementa do acórdão embargado reflete o posicionamento vencido do Conselheiro Relator. Em verdade, houve erro na formalização do acórdão, porque o voto vencedor elaborado por esta Conselheira indicava a seguinte ementa a ser ali consignada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acima do limite estabelecido, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. A Medida Provisória nº 998, de 1995, convertida na Lei nº 9.065, de 1995, apenas permite a compensação até o limite de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, e sua Exposição de Motivos somente assegura a compensação integral dos prejuízos e bases negativas acumulados se estes valores forem inferiores a 30% do resultado do período. A renda da pessoa jurídica corresponde à diferença entre a universalidade patrimonial no início do período de apuração e a universalidade patrimonial no final do mesmo, descontadas as transferências patrimoniais, e não contempla prejuízos e bases negativas apurados em períodos anteriores. Interpretação restritiva de norma que exclui crédito tributário. Assim, os embargos de declaração devem ser ACOLHIDOS e PROVIDOS para sanear a contradição apontada, substituindose a ementa do acórdão embargado pelo texto acima reproduzido. Com referência às omissões alegadas verificase que o Colegiado não deliberou acerca dos argumentos de defesa dirigidos contra os acréscimos de multa e juros. No que tange à multa de ofício, a recorrente afirmou a impossibilidade de se exigir multa da sucessora, observando que a exigência é posterior à incorporação da Transgás pela recorrente, e neste caso o art. 132 do CTN limita a responsabilidade do sucessor aos tributos devidos até a data da incorporação. Reportouse ao Acórdão CSRF nº 0104.407, e a outros no mesmo sentido, e destacou que o art. 132 do CTN não especifica que o ato sucessório deve ocorrer entre empresas de grupos econômicos distintos, de modo que o agente fiscal não pode ampliar a hipótese de incidência da norma prevista no artigo 132 do CTN. Conclui, assim, que as sociedades incorporadoras não respondem pelas multas, ainda que o evento sucessório se verifique entre empresas do mesmo grupo econômico. Apesar dos julgados administrativos citados pela recorrente em favor de seu entendimento, vêse que ele não prevaleceu em julgados posteriores, e a orientação em sentido contrário resultou na aprovação da Súmula CARF nº 47 (Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico). Fl. 504DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001329/201004 Acórdão n.º 1101001.256 S1C1T1 Fl. 7 6 No caso, a própria recorrente reconhece que a incorporação em questão está inserida no curso de uma ampla reorganização societária do Grupo AES no Brasil, empreendida para racionalizar a estrutura de controle das empresas controladas pelo Grupo AES no Brasil e reestruturar o perfil de endividamente do Grupo AES. Por sua vez, na DIPJ do anocalendário 2006 constam como sócias da incorporada as pessoas jurídicas AES Holdings Brasil ltda e BNDESPAR Participações S/A – BNDESPAR (fl. 73), as quais também figuravam, no mesmo período, como sócias da incorporadora (fl. 46). Por oportuno esclareçase que nos autos do Recurso Especial nº 923.012/MG, o Superior Tribunal de Justiça decidiu, em sede de recursos repetitivos, que a responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Aqui, porém, o entendimento consolidado na Súmula CARF nº 47 é suficiente para ACOLHER e PROVER os embargos de declaração, NEGANDO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício aplicada à sucessora. A recorrente também aduz que a multa de ofício seria excessiva, dado que seus valores praticamente se equiparam aos valores dos tributos considerados devidos pela Fiscalização, com nítido caráter confiscatório, em desrespeito ao art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Contudo, como a penalidade está prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, sua exigência deve ser mantida pois, nos termos da Súmula nº 2 do CARF, este órgão de julgamento não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, os embargos de declaração devem ser ACOLHIDOS e PROVIDOS para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao percentual adotado para cálculo da multa de ofício. Por fim, a recorrente também questionou a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, afirmando que disto resulta inaceitável agravamento da sanção. Demais disso, a multa de ofício não seria débito decorrente de tributos e contribuições para sujeitarse àquele acréscimo, e a lei somente o autorizaria em face da exigência de multa isolada. Porém, em que pese a jurisprudência invocada pela recorrente, a aplicação de juros de mora incidentes sobre a multa de ofício se impõe consoante as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001329/201004 Acórdão n.º 1101001.256 S1C1T1 Fl. 8 7 Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001329/201004 Acórdão n.º 1101001.256 S1C1T1 Fl. 9 8 Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Fl. 507DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001329/201004 Acórdão n.º 1101001.256 S1C1T1 Fl. 10 9 Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Ademais, recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça manifestouse neste sentido, como exposto na ementa do acórdão proferido em sede de AgRg no REsp 1.335.688PR (Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Colhese do respectivo voto condutor: [...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Fl. 508DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001329/201004 Acórdão n.º 1101001.256 S1C1T1 Fl. 11 10 Assim, os embargos de declaração devem ser ACOLHIDOS e PROVIDOS para NEGADOR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 509DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10283.000259/2008-41
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 01/01/2007
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 150, 4º, DO CTN.
Havendo pagamento de valores referentes às contribuições, deve-se aplicar a regra de decadência contida no art. 150, § 4o., do CTN, conforme Súmula 99 do CARF.
NULIDADE. IXEXISTÊNCIA.
Conforme a Súmula 8 do CARF, o Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE
Converter o julgamento em diligência é prerrogativa e faculdade do julgador. Existindo nos autos elementos suficientes para o convencimento do julgador, desnecessária é a diligência.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na legislação em vigor na ocorrência do fato gerador, no caso dos autos o artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação das Leis 9.528/98 e 9.786/99 estava em vigor e assim se aplica ao presente lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-004.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I- por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para decretar a decadência das contribuições do período de 01.01.2001 a 31.12.2002.
II- por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Eduardo de Oliveira, para aplicar a multa nos termos do art. 35 com limitações. Vencidos os conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti Relator
(assinatura digital)
Eduardo de Oliveira Redator Designado.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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APLICAÇÃO DO ART. 150, 4º, DO CTN. Havendo pagamento de valores referentes às contribuições, devese aplicar a regra de decadência contida no art. 150, § 4o., do CTN, conforme Súmula 99 do CARF. NULIDADE. IXEXISTÊNCIA. Conforme a Súmula 8 do CARF, o Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE Converter o julgamento em diligência é prerrogativa e faculdade do julgador. Existindo nos autos elementos suficientes para o convencimento do julgador, desnecessária é a diligência. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na legislação em vigor na ocorrência do fato gerador, no caso dos autos o artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação das Leis 9.528/98 e 9.786/99 estava em vigor e assim se aplica ao presente lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 02 59 /2 00 8- 41 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.000259/200841 Acórdão n.º 2803004.217 S2TE03 Fl. 258 2 Acordam os membros do colegiado, I por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para decretar a decadência das contribuições do período de 01.01.2001 a 31.12.2002. II por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Eduardo de Oliveira, para aplicar a multa nos termos do art. 35 com limitações. Vencidos os conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti – Relator (assinatura digital) Eduardo de Oliveira – Redator Designado. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.000259/200841 Acórdão n.º 2803004.217 S2TE03 Fl. 259 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PLANAVE NAVEGAÇÃO DA AMAZÔNIA LTDA, em face da decisão do Presidente do FNDE, que indeferiu em parte a defesa apresentada pela recorrente. Segundo relatório fiscal da autuação (fl. 65) constatouse que a empresa em comento efetuou os descontos da contribuição devida à Previdência Social por seus empregados, no entanto, deixou de recolhelas no prazo estabelecido, no período de 01/01 a 12/02. O crédito originouse de diferenças de recolhimento da contribuição social apurada por meio das bases de cálculo compostas pelas remunerações o inteiro teor do relatório fiscal elaborado pela autoridade fiscal: Segundo o relatório fiscal, fl. 65, a ação fiscal foi realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09422998, que determina a verificação do cumprimento das obrigações relativas Às contribuições sociais e àquelas relativas a terreiros conveniados, inclusive às diferenças entre contribuições declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP e os recolhimentos efetuados. O contribuinte fiscalizado efetuou os descontos da contribuição devida à Previdência Social por seus empregados e, posteriormente, deixou de efetuar o recolhimento de tais valores no prazo estabelecido, conforme preceitua o dispositivo legal. O crédito tem como origem as diferenças de recolhimento da contribuição social, apurada através das bases de cálculo composta pelas remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais mais as contribuições descontadas dos segurados menos saláriofamília e salário maternidade, confrontados com os recolhimentos efetuados pela empresa e, ainda diferenças de acréscimos legais decorrentes de recolhimentos em atraso. Ainda segundo o relato fiscal os valores bases de cálculo estão declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s, e GPS’s Guias de Recolhimento da Previdência Social. Após devidamente intimada em 27/11/2007, empresa apresentou defesa, tempestiva, em 27/12/2007 às fls. 83/92, no entanto, posteriormente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém (PA) considerou procedente em parte o lançamento, sob os seguintes argumentos: “a) o reconhecimento da ocorrência da decadência do crédito previdenciário referente ao período de01/2001 a 07/2001 e competência 13/2001; e b) a impugnante não apresentou prova eu elidisse o crédito tributário referente ao período não decadente, competência 13/2012”. Conforme dispositivo da decisão, tendo em vista a revisão de alguns pontos do lançamento, o presente débito passou ao valor consolidado em 27/11/2007. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.000259/200841 Acórdão n.º 2803004.217 S2TE03 Fl. 260 4 A decisão a quo restou ementada nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DÉBITO REGULARMENTE LAVRADO. ATENDIMENTO DAS FORMALIDADE LEGAIS. Crédito previdenciário constituído dentro das técnicas fiscais e atendendo à legislação previdenciária vigente é plenamente regular, em conformidade com o art. 37, da Lei 8.212/91 e alterações posteriores c/c art. 142 do CTN. DECADÊNCIA O direito de constituir o crédito tributário relativo Às contribuições previdenciárias, em virtude do reconhecimento da inconstitucionalidade do art, 45 da Lei nº 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da Súmula Vinculante nº 08 de 12/06/2008, publicada no DJ de 20/06/2008, de observância obrigatória por força do disposto no art. 103A da Constituição Federal de 1988, regulamentado pelo art. 2º da Lei nº 11.417/2006, extinguese em 5 (cinco). Aplicarseá, assim o prazo decadencial do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, inciso I, do CTN. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO VINCULADA E OBRIGATÓRIA A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, consoante o disposto no artigo 142 e parágrafo único do CTN. DAS ATRIBUIÇÕES São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, entre outras, examinar a contabilidade de sociedade empresariais, empresários órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes. MULTA MORATÓRIA A multa moratória, constante do Auto de Infração em comento, encontra respaldo no artigo 35 da Lei nº 8.212/91. DA PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando o sujeito não traz aos autos elementos que justifiquem a sua realização. Lançamento Procedente em Parte. (fls. 198/199) Intimado da referida decisão, em 05/04/2010, conforme aviso de recebimento da ECT de fl. 210, o recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário acostado às fls. 212/231, alegando em síntese: 1. Suscita a tempestividade do recurso apresentado. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.000259/200841 Acórdão n.º 2803004.217 S2TE03 Fl. 261 5 2. Pleiteia o reconhecimento da decadência do direito de constituir o crédito previdenciário e considera que a parte do lançamento que foi mantido deve ser revisto, pois os fastos geradores das competências 01 a 09 do exercício de 2001 e 01 a 05 do exercício de 2002, constantes na NFLD DEBCAD 37.119.2872 foram alcançados pelo instituto da decadência. 3. Defende que é necessário o exame dos livros e documentos fiscais por profissional devidamente habilitado. Para a recorrente a habilitação no CRC como contador é requisito pleno e essencial para validade do procedimento administrativofiscal. 4. Pugna pelo acolhimento da prova documental apresentada e defende a a ampla, necessária e obrigatória diligência de revisão como garantia do devido processo legal administrativo. 5. Aduz que não há nos autos qualquer indicativo de imputação de situações agravantes que justificassem a aplicação da multa. 6. Sustenta que no caso em questão há uma verdadeira duplicidade de lançamento de crédito tributário, demonstrando que a NFLD 37.119.287 0, razão pela qual devem esses lançamentos serem submetidos a nova diligencia de revisão de lançamento, diante das flagrantes ilegalidades. 7. Para finalizar, pede a conexão deste processo com outros referentes às NFLDs n. 37.119.2862 e 37.119.2889 tendo em vista que todas a provas documentais corroboram com as impugnações primárias. Sem apresentação de contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados a este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.000259/200841 Acórdão n.º 2803004.217 S2TE03 Fl. 262 6 Voto Vencido EM PARTE. Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário da contribuinte é tempestivo e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Decadência Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaída, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 262DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.000259/200841 Acórdão n.º 2803004.217 S2TE03 Fl. 263 7 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, depreendese do Relatório Fiscal, juntado às fls. 65/68, que houve recolhimento parcial, em face da totalidade das folhas de salários da empresa, sobre os valores lançados. Até porque o documento assevera que o auditor fiscal examinou as GFIP’s e os comprovantes de pagamento da empresa, bem como o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, anexo às fls. 28/31, demonstra a apropriação de valores pelo fisco. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.000259/200841 Acórdão n.º 2803004.217 S2TE03 Fl. 264 8 Dessa forma, tenho como certo que deve ser aplicada a regra do artigo 150, §4º, do CTN, nos termos da Súmula 99 deste Conselho. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 27.11.2007, referente às contribuições do período de 01.01.2001 a 31.12.2002, ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 01.2001 a 10.2002, restando mantida as competências 11.2002, 12.2002 e 13.2002. E considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. Da Inexistência de Nulidade Aduz a recorrente que o auto de infração ora analisado é minguado de legalidade, uma vez que a documentação apresentada não foi analizada por profissional devidamente habilitado junto ao Conselho Regional de Contabilidade. Ocorre que esta matéria já foi devidamente sumulada por este Conselho Administrativo, sotrancando o entendimento de que o Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder todo exame da escrita fiscal da contribuinte, não necessitando, para tanto, a devida habilitação como contador. Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Destarte, afasto a nulidade suscitada. Da Desnecessidade de Diligência Como é cediço, no processo administrativo fiscal a diligência é uma faculdade do julgador que não se sente apto, com os instrumentos probatórios constantes nos autos, a proferir sua decisão. Ademais, o artigo 18 do PAF confere ao julgador a possibilidade de decidir sobre os pedidos de perícia ou diligência, não estando, por consectário, obrigado a acatar o pedido de diligência formulado pela parte. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo Fl. 264DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.000259/200841 Acórdão n.º 2803004.217 S2TE03 Fl. 265 9 a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Assim, não vislumbro, no caso em apreço, qualquer necessidade para converter o presente julgamento em diligência, entendendo que os elementos constantes nos autos são mais que suficientes para formar o conhecimento do julgador, razão pela qual não acolho as ponderações da contribuinte neste ponto. Da Multa de Mora Por fim, sobre a multa aplicada, tornase importante apreciar, a matéria, tendo em vista se tratar de questão de ordem. Dessa forma, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 20. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Fl. 265DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.000259/200841 Acórdão n.º 2803004.217 S2TE03 Fl. 266 10 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. Conclusão Pelo exposto, conheço do recurso voluntário do contribuinte para, no mérito, darlhe parcial provimento, decretando a decadência às contribuições do período de 01.01.2001 a 31.10.2002, bem como para aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, § 2º da Lei n.º 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Voto Vencedor EM PARTE. Conselheiro Eduardo de Oliveira. Da Multa de Mora No caso em análise a multa de mora a incidir é a do artigo 35, da Lei 8.212/91na redação das Leis 9.528/97 e 9.876/99 em razão do artigo 144, da Lei 5.172/66. O presente crédito foi consolidado, em 27/11/2007, nesta ocasião estava em vigor o artigo 35 da Lei 8.212/91, citado, acima. Desta forma, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde Fl. 266DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.000259/200841 Acórdão n.º 2803004.217 S2TE03 Fl. 267 11 que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. A multa de vinte por cento do artigo 35, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 61, da Lei 9.430/1995 não se aplica ao presente caso, pois não estamos diante de denúncia espontânea. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial para reconhecer a aplicação da multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação das Leis 9.528/98 e 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, limitandoa setenta e cinco por cento, nos termos do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, devido ao determinado no artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfico ao contribuinte. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira – Redator. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.725873/2013-25
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/06/2013
RECURSO INTEMPESTIVO. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO.
Não instaura o contencioso a apresentação de petição recursal posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 33 do Decreto no 70.235/72.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3802-004.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 04/06/2013 RECURSO INTEMPESTIVO. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO. Não instaura o contencioso a apresentação de petição recursal posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 33 do Decreto no 70.235/72. Recurso não conhecido.
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CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO. Não instaura o contencioso a apresentação de petição recursal posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 33 do Decreto no 70.235/72. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 38/40 do processo digitalizado – doravante utilizado como referência), a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 58 73 /2 01 3- 25 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS 2 qual, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação do interessado, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Exercício: 2014 ISENÇÃO. DEFICIENTE AUDITIVO. IMPOSSIBILIDADE. A isenção do IOF é destinada a pessoas portadoras de deficiência física, cujo laudo de perícia médica especifique o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais e que possuam habilitação para dirigir veículos com adaptações especiais, não se aplicando aos deficientes auditivos. Manifestação de Inconformidade Improcedente A ciência da decisão que não reconheceu o direito pleiteado pelo recorrente ocorreu em 02/07/2014 (fls. 45). Inconformado, o mesmo protocolizou, em 04/08/2014, a petição de fls. 51/55 onde apresenta os argumentos que, entende, subsidiam o direito vislumbrado. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme relatado, vêse que a lide diz respeito ao não reconhecimento do direito à aquisição de veículo com isenção do IOF por deficiente auditivo. A ciência da decisão recorrida se deu em 02/07/2014, uma quartafeira, como atestam a notificação de fls. 41 e o AR de fls. 45. Porém, a petição de recurso só foi apresentada em 04/08/2014 (ver carimbo de protocolo às fls. 51), uma segundafeira, quando já precluso o direito pelo transcurso do prazo de 30 dias para apresentação do recurso, findo na sextafeira anterior, dia 1º/08/2014 (dia primeiro de agosto de 2014). Com efeito, dispõe o caput do artigo 33 do Decreto n° 70.235/72 que, da decisão de primeira instância, "caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão". O prazo de que trata o dispositivo acima referenciado, além de peremptório, ou seja, improrrogável, é também preclusivo, tendo, portanto, natureza decadencial, posto que findo o mesmo não mais se torna possível a prática de atos posteriores. Assim, no caso presente, não há como se conhecer do recurso, uma vez que não houve a apresentação do mesmo no prazo legal, o que impede o conhecimento da peça contestatória na presente instância. Da conclusão Fl. 63DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS Processo nº 11080.725873/201325 Acórdão n.º 3802004.060 S3TE02 Fl. 63 3 Diante de todo o exposto, voto para não conhecer do recurso interposto pelo sujeito passivo, posto que intempestivo. Sala de Sessões, em 24 de fevereiro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 13808.005872/2001-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996, 1997
NORMAS PROCESSUAIS - RECUSO ESPECIAL - REQUISITO - ARTIGO 67 DO RICARF - TESE SUPERADA - ANÁLISE SUBJETIVA - EXISTÊNCIA DE DECISÕES REITERADAS, POR SI SÓ, NÃO INIBE A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL - ADMISSIBILIDADE.
Não há definição do que deve ser considerado tese superada, termo previsto no §10, do artigo 67 do RICARF. Diante da subjetividade presente na interpretação do termo, a existência de decisões reiteradas em determinado sentindo, por si só, não inibe a interposição de Recurso Especial pleiteando a aplicação de posicionamento diverso, desde que cumpridos os demais pressupostos recursais.
CSLL - EXCLUSÃO DA BASE DO IRPJ.
A vedação à dedução da CSLL para efeito de determinação do lucro real somente entrou em vigor a partir de 01/01/1997, em decorrência da Lei n° 9.316/96, estando vigente em 1996 a dedutibilidade pelo regime de competência, nos termos do art. 41 da Lei n° 8.981/95, devendo, portanto, ser excluído da base de cálculo do imposto de renda a CSLL apurada até 31.12.1996.
Numero da decisão: 9101-001.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, recurso conhecido. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
(documento assinado digitalmente)
João Carlos de Lima Junior
Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1996, 1997 NORMAS PROCESSUAIS - RECUSO ESPECIAL - REQUISITO - ARTIGO 67 DO RICARF - TESE SUPERADA - ANÁLISE SUBJETIVA - EXISTÊNCIA DE DECISÕES REITERADAS, POR SI SÓ, NÃO INIBE A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL - ADMISSIBILIDADE. Não há definição do que deve ser considerado tese superada, termo previsto no §10, do artigo 67 do RICARF. Diante da subjetividade presente na interpretação do termo, a existência de decisões reiteradas em determinado sentindo, por si só, não inibe a interposição de Recurso Especial pleiteando a aplicação de posicionamento diverso, desde que cumpridos os demais pressupostos recursais. CSLL - EXCLUSÃO DA BASE DO IRPJ. A vedação à dedução da CSLL para efeito de determinação do lucro real somente entrou em vigor a partir de 01/01/1997, em decorrência da Lei n° 9.316/96, estando vigente em 1996 a dedutibilidade pelo regime de competência, nos termos do art. 41 da Lei n° 8.981/95, devendo, portanto, ser excluído da base de cálculo do imposto de renda a CSLL apurada até 31.12.1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, recurso conhecido. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-11T11:17:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-02-11T11:17:14Z; Last-Modified: 2015-02-11T11:17:14Z; dcterms:modified: 2015-02-11T11:17:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:aaff95cc-4de2-49ae-94b6-b99a33816018; Last-Save-Date: 2015-02-11T11:17:14Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-11T11:17:14Z; meta:save-date: 2015-02-11T11:17:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-11T11:17:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-02-11T11:17:14Z; created: 2015-02-11T11:17:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2015-02-11T11:17:14Z; pdf:charsPerPage: 2307; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-11T11:17:14Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13808.005872/200118 Recurso nº 167.580 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.963 – 1ª Turma Sessão de 19 de agosto de 2014 Matéria IRPJ Recorrente Fazenda Nacional Interessado Schenker do Brasil Transportes Internacionais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1996, 1997 NORMAS PROCESSUAIS RECUSO ESPECIAL REQUISITO ARTIGO 67 DO RICARF TESE SUPERADA ANÁLISE SUBJETIVA EXISTÊNCIA DE DECISÕES REITERADAS, POR SI SÓ, NÃO INIBE A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL ADMISSIBILIDADE. Não há definição do que deve ser considerado “tese superada”, termo previsto no §10, do artigo 67 do RICARF. Diante da subjetividade presente na interpretação do termo, a existência de decisões reiteradas em determinado sentindo, por si só, não inibe a interposição de Recurso Especial pleiteando a aplicação de posicionamento diverso, desde que cumpridos os demais pressupostos recursais. CSLL EXCLUSÃO DA BASE DO IRPJ. A vedação à dedução da CSLL para efeito de determinação do lucro real somente entrou em vigor a partir de 01/01/1997, em decorrência da Lei n° 9.316/96, estando vigente em 1996 a dedutibilidade pelo regime de competência, nos termos do art. 41 da Lei n° 8.981/95, devendo, portanto, ser excluído da base de cálculo do imposto de renda a CSLL apurada até 31.12.1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, recurso conhecido. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 58 72 /2 00 1- 18 Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13808.005872/200118 Acórdão n.º 9101001.963 CSRFT1 Fl. 3 2 Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Relatório Em sessão plenária de 06 de abril de 2010 a 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste CARF, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício interposto pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília, nos moldes do Acórdão n° 1202 000.265. Por conseguinte, confirmou a decisão da DRJ em Brasília, que excluiu da base de cálculo do IRPJ o montante da CSLL apurado no auto de infração, conforme expressa sua ementa, que no ponto específico reproduzo: CSLL APURADA. EXCLUSÃO DA BASE DO IRPJ A vedação à dedução da CSLL para efeito de determinação do lucro real somente entrou em vigor a partir de 01/01/1997, em decorrência da Lei n° 9.316/96, estando vigente em 1996 a dedutibilidade pelo regime de competência nos termos do art. 41 da Lei n° 8.981/95. Portanto, o montante de CSLL apurado no auto de infração deverá ser excluído da base de cálculo do imposto. Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13808.005872/200118 Acórdão n.º 9101001.963 CSRFT1 Fl. 4 3 Tempestivamente, a douta Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial de Divergência, apontando como paradigmas acórdãos da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (10805766 e 10805397). O Acórdão paradigma 10805766, tomado para análise da divergência, tem a seguinte ementa na parte que interessa: DEDUTIBILIDADE — A dedução prevista no item 7 da 1N n.° 198/88 fica comprometida em relação à contribuição social lançada de oficio, haja vista que a dedutibilidade dos tributos e contribuições, segundo o regime de competência, para cálculo do Lucro Real, está restrita aos valores constantes da escrita comercial. O Presidente da Segunda Câmara admitiu o recurso, considerando que restou caracterizada a divergência entre o julgado recorrido e o paradigma, porquanto no acórdão recorrido o entendimento é no sentido de que é cabível a dedução da CSLL lançada de ofício da base de cálculo do IRPJ, enquanto no paradigma o entendimento é no sentido que não é possível a dedução da CSLL lançada de ofício no cálculo do Lucro Real. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Como visto, insurgese a Fazenda Nacional contra a interpretação da legislação tributária conferida pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento, a respeito da dedução, na apuração da base de cálculo do IRPJ lançado de ofício, do valor da CSLL lançada no mesmo procedimento. Comprovando divergência com a interpretação de outros colegiados, a Recorrente busca a prevalência da interpretação que veda a dedução. Os julgados trazidos pela Recorrente como paradigmas para configurar a divergência jurisprudencial foram proferidos em 1998 e 1999. Ocorre que essa divergência já se encontrava superada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que por diversas vezes se manifestou sobre o tema, a exemplo dos Acórdãos CSRF/0105.750 de 3/12/2007, CSRF/0105.585 de 5/12/2006, CSRF/0105.368 de 6/1/2005, cujas ementas assentam: Acórdão CSRF/0105.750 de 3/12/2007 “IRPJ – DEDUÇÃO DA CSLL DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. Na ausência de proibição legal específica, o lucro real para ser correto deve ser reduzido por quaisquer rubricas que o afetam, independentemente da iniciativa de apuração apartir da empresa Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13808.005872/200118 Acórdão n.º 9101001.963 CSRFT1 Fl. 5 4 ou do fisco. Até a edição da Lei nº 9.316/96 não havia norma que vedasse a referida dedução.” Acórdão CSRF/0105.585 de 5/12/2006. “IRPJ – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – DEDUÇÃO DE TRIBUTOS LANÇADOS – Correta a dedução de tributos, normalmente dedutíveis, no lançamento ex officio de outros tributos exigidos correlatamente, pois a natureza da obrigação não se desnatura por ser oriunda de ato de exigência do próprio fisco, sob pena de se tributar parcela não correspondente à base de cálculo.” Acórdão n°: CSRF/0105.368, de 06/12/2005 IRPJ — LANÇAMENTO DE OFÍCIO — DEDUÇÃO DE TRIBUTOS LANÇADOS — Correta a dedução de tributos, normalmente dedutíveis, no lançamento ex officio de outros tributos exigidos correlatamente, pois a natureza da obrigação não se desnatura por ser oriunda de ato de exigência do próprio fisco, sob pena de se tributar parcela não correspondente à base de cálculo. Em julho de 2010, quando formalizado o recurso especial da Fazenda Nacional, já vigorava o Regimento aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, cujo § 10 do art. 67 estabelece: § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Isto posto, não conheço do recurso da Fazenda Nacional por desatendidos os requisitos de admissibilidade, previstos nas normas de regência em vigor quando de sua protocolização. Vencido que fui quanto ao conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, analiso o mérito que trata da exclusão da base de cálculo do IRPJ o montante da CSLL apurado no auto de infração. No presente caso, quando do lançamento do crédito tributário, a fiscalização apurou além do imposto de renda, também a contribuição social sobre o lucro e, exigir, portanto, do contribuinte que teve lançamento de ofício do imposto de renda e, reflexivamente, da contribuição social, sem admitir que da base de cálculo do imposto de renda fosse deduzido o valor da contribuição social o montante lançado pela própria fiscalização, seria majorar o imposto de renda de forma não autorizada pela lei, eis que sua vedação só veio acorrer com a entrada em vigor da Lei n. 9.316/96. De fato, antes da entrada em vigor da Lei n. 9.316, de 22/11/96, o lucro líquido que serve de base à apuração do Lucro Real, por definição legal é o lucro líquido do exercício após deduzida a Contribuição Social, e este E. Conselho, em respeito ao princípio da legalidade há muito tempo vem adotando essa premissa, conforme se depreende do acórdão abaixo: Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13808.005872/200118 Acórdão n.º 9101001.963 CSRFT1 Fl. 6 5 Acórdão n° 10805.617 — sessão de 16.03.1999 "IRPJ — DEDUÇÃO DA CSLL DA BASE DO IRPJ — Por não existir diferença entre lucro declarado e lançado de ofício, a teor de remansosa jurisprudência deste Colegiado, a contribuição lançada de ofício deve ser deduzida da base de cálculo do IRPJ, obedecendo assim à regra matriz de definição da base do próprio IRPJ, pois o lucro real obtém se do lucro líquido após a dedução da CSLL Logo, sendo o lançamento vinculado e obrigatório, por ocasião da determinação da matéria tributável, deve a autoridade autuante considerar o montante da CSLL lançada de ofício, sob pena de vedar aquilo que a lei não vedou. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator. Voto Vencedor João Carlos de Lima Junior, redator designado. No tocante ao conhecimento do Recurso Especial, em que pese as bem constituídas razões expostas pelo Relator, ouso delas discordar. Dispõe o Regimento Interno deste Conselho: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. O artigo transcrito determina que não será admitido o Recurso Especial que trouxer, como paradigma, acórdão cuja tese esteja superada na data de sua interposição. Entretanto, não há definição do que deve ser considerada “tese superada”. Desse modo, verificase dificuldade para aplicação do dispositivo legal transcrito, já que envolve análise subjetiva do conceito de “tese superada”. Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13808.005872/200118 Acórdão n.º 9101001.963 CSRFT1 Fl. 7 6 Entendo que a simples existência de decisões reiteradas em determinado sentindo, por si só, não inibe a interposição de Recurso Especial pleiteando a aplicação de posicionamento diverso, desde que cumpridos os demais pressupostos recursais. Isto posto, conheço do recurso da Fazenda Nacional por atendidos os requisitos de admissibilidade, previstos nas normas de regência em vigor quando de sua protocolização. É como voto. (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior – Redator designado. Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10865.908898/2009-96
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2004
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
Numero da decisão: 3802-003.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 98 /2 00 9- 96 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 14 30.153, lavrado pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), em que não foi conhecida a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados, valendome, por oportuno, do relatório da decisão recorrida, por bem resumir as etapas processuais até então ocorridas e as alegações do sujeito passivo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face doDespacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.908898/200996 Acórdão n.º 3802003.917 S3TE02 Fl. 112 3 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO) entendeu por não conhecer da manifestação de inconformidade, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, questionando a decadência suscitada pela DRJ. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos, após negativa de seguimento pela própria DRJ, seguiram ao CARF por odem judicial no Mandado de Segurança 000236188.2011.403.6109, para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa, bem como (b) a ausência de decadência suscitada pela DRJ. Compulsando os autos, verificase que a DRJ não deixou de conhecer a manifestação de inconformidade por decadência do crédito alegado, mas sim por não haver impugnação às razões para negativa de seu crédito em sede de despacho decisório. Assim, não só não há o que se cogitar de nulidade da decisão recorrida, a teor do art. 59 do Decreto 70.235/72, como também é nítido que os argumentos expendidos pelo sujeito passivo não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do RPAF, que diz em seu artigo 17, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A rigor, foi exatamente pela ausência de impugnação às razões do despacho decisório que a DRJ não acolheu a manifestação de inconformidade, conforme excerto transcrito abaixo: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.908898/200996 Acórdão n.º 3802003.917 S3TE02 Fl. 113 5 Porém, conforme relatado, observase que a contribuinte, em sua defesa, elencou argumentos que não tem qualquer ligação nem com o fato, nem com o período de apuração. Há uma extensa argumentação, repleta de jurisprudências e citações de jurisconsultos defendendo o prazo decadencial de 10 anos para pedir restituição, sendo que não há qualquer hipótese de decadência sendo aventada pela Receita Federal do Brasil no despacho decisório que não homologou a declaração de compensação. (...) Argumentou, em outra senda, que a esfera administrativa equivocouse de forma acintosa ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que a recorrente faz jus porque a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998. Ora, o pagamento que a recorrente declarou como indevido no PER/DCOMP é relativo ao período de apuração 28/02/2005, sem nenhuma correlação com o período anterior a outubro de 1998. E seguiu em descompasso fazendo alusão a documentos que não estão nos autos e argumentando que o despacho decisório teria considerado as DCOMPs como não declaradas ou transmitidas. Igualmente por esse descompasso a DRJ equivocadamente negou seguimento ao Recurso Voluntário, que seguiu por acertada determinação judicial para processamento neste Conselho. Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica do art. 17 por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Assim, entendo que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela total ausência de identificação entre suas razões e a decisão que ele pretende combater. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10909.001760/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
IRPF. GANHO DE CAPITAL. RECEBIMENTO PARCELADO DE QUOTAS DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ALIENADAS. PARCELAS INDEXADAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O termo inicial para contagem do prazo decadencial em se tratando de imposto de renda devido sobre o ganho de capital decorrente de contrato de alienação de cotas societárias a prazo e com parcelas indexadas, é o momento do recebimento de cada parcela, pois nesse momento é que se afere de forma definitiva o preço de venda que resta condicionado índice de correção monetária. Precedente.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2101-002.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 18/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente da turma), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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GANHO DE CAPITAL. RECEBIMENTO PARCELADO DE QUOTAS DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ALIENADAS. PARCELAS INDEXADAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O termo inicial para contagem do prazo decadencial em se tratando de imposto de renda devido sobre o ganho de capital decorrente de contrato de alienação de cotas societárias a prazo e com parcelas indexadas, é o momento do recebimento de cada parcela, pois nesse momento é que se afere de forma definitiva o preço de venda que resta condicionado índice de correção monetária. Precedente. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 17 60 /2 01 0- 44 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 EDITADO EM: 18/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente da turma), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário onde o Contribuinte/Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 0728.131 da 5ª Turma da DRJ/FNS (fls. 408/429), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento fiscal a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, no montante histórico de R$ 479.721,50, correspondendo a imposto (R$ 228.223,87), multa de 75% (R$ 171.167,82) e juros de mora calculados até 30/04/2010 (R$ 80.329,81). No caso, o Contribuinte/Recorrente teria omitido ganhos de capital nos meses de janeiro/2006 a fevereiro/2008, advindos da alienação de suas participações societárias nas empresas Distribuidora Clean Ltda., Quimivale Industrial Ltda. e Baule Participações Ltda., para a empresa Assolan Industrial Ltda. Os argumentos trazidos na Impugnação foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “O contribuinte apresenta, por meio de procurador habilitado (v. mandato à fl. 242), a impugnação de fls. 205 a 237, na qual expõe suas razões de contestação. Argui que o lançamento pautouse no Contrato de Compra das empresas Quimivale Industrial Ltda., Distribuidora Clean e Baule Participações e o agente notificante, apesar de possuir cópia de todos os contratos das empresas, bem como os extratos onde circularam os valores recebidos e os comprovantes de pagamento do ganho de capital, preferiu pautarse tãosomente no 2º Aditamento e Re Ratificação do Contrato de Opção de Compra das Quotas, ou seja, a exigência fundouse tãosomente em parte da documentação, o que teria resultado na dissonância entre os valores lançados e a realidade fática, base da tributação. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10909.001760/201044 Acórdão n.º 2101002.674 S2C1T1 Fl. 3 3 Diz que o cálculo “arbitrado” pelo agente notificante é totalmente incoerente. Relata que, em outubro de 2004, a empresa Monte Cristalina firmou Contrato de Opção de Compra de Quotas com as empresas da família, ou seja, tanto a Distribuidora Clean, da qual detinha 50% do capital social que era de R$ 20.000,00, sendo 50% do outro sócio, Juliano D'Almeida Victorino, como a Quimivale Industrial Ltda., com capital social de R$ 50.000, sendo 98% da sócia Viviane Klan Victorino e 2% do sócio Juliano D'Almeida Victorino. A intenção era de adquirir as duas empresas, com tudo o que elas representavam, incluindo lucros acumulados, e, no intuito de firmar um único Contrato, a Assolan, empresa posteriormente adquirente, exigiu dos alienantes a transferência de suas cotas para uma terceira empresa, a Baule Participações, no intuito de dispor dos percentuais dos capitais sociais das duas empresas de forma equânime. E, assim, foi feita a transferência das cotas das empresas da família para a Baule Participações, distribuindose para cada sócio os percentuais de acordo com a sua participação nas antigas empresas. Em razão disso, a composição das cotas na Baule Participações ficou da seguinte forma: Viviane Klann Victorino 70%, Juliano D'Almeida Victorino 16% e Joine D'Almeida Victorino 14%. Em 01/02/2005, foi firmado contrato com a Assolan para a aquisição das empresas Distribuidora Clean Ltda, Quimivale Industrial Ltda e Baule Participações. Argui que o agente notificante “entendeu pela facilidade de lançar todos os valores com base tãosomente no 2º Aditivo”, impondolhe o percentual de 25% sobre o total da alienação e, como já destacado, do total das cotas alienadas para a Assolan, possuía apenas 14%, sendo manifesta a impossibilidade jurídica da apuração de ganho de capital com base no percentual de 25%. A circunstância de o "Segundo Aditamento e ReRatificação do Contrato de Opção de Compra de Quotas" estipular que caberia a cada um dos cotistas 25% dos valores recebidos na venda das cotas da Baule/Distribuidora Clean não teria aptidão jurídica de alterar a real composição societária da empresa, tendo ele a titularidade de apenas 14% dos direitos alienados, sendo esta a realidade fática e jurídica que deveria ter sido considerada para o lançamento. “Há gritante impossibilidade jurídica da alienação por sócio de cotas que não lhe pertencem e, portanto, da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica dos valores pagos por tais cotas!”. Expõe que declarou no ano de 2005 o recebimento da venda de suas cotas, no percentual de 14%, e tributou o montante com base na alíquota de 15% como impõe a legislação. Discorre sobre sujeição passiva, arguindo que não há disponibilidade econômica ou jurídica pela posse de numerário de terceiro e, assim, o recebimento do preço das cotas por quem não era seu titular não gera IRPF por descaracterizar sujeição passiva. Cita Leandro Paulsen e Acórdão do Primeiro CC sobre a posse de numerário alheio e a posse de bens de terceiros. Pretender tributar montante superior àquele decorrente da venda do seu percentual de cotas, abarcando valores referentes à venda das cotas de outro sócio, com justificativa em disposição contratual, que prevê percentuais aleatórios de distribuição dos valores, importa na alteração da sujeição passiva, por convenção particular, o que é categoricamente vedado pelo art. 123 do Código Tributário Nacional. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Repisa que é evidente o erro ao considerar como base do imposto sobre ganho de capital o percentual de 25% do preço da venda da Baule/Distribuidora Clean, quando ele possuía somente 14% das cotas alienadas, parcela sobre a qual recairia a tributação, não sendo admissível a incidência do imposto de renda incida sobre um ganho que, na realidade, não ocorreu, não passa de mera ficção, diante de uma interpretação equivocada da hipótese de incidência do fato gerador. Aduz que, como já destacado, a fiscalização pautouse no Segundo Aditamento e Reratificação do Contrato de Opção de Compra de Quotas, para fins de apuração do montante tributável, desconsiderando, no entanto, aspectos importantes do referido contrato, expressos também nos outros dos quais originou (contrato de "Opção de Compra e o Primeiro Aditamento"), especialmente quanto ao objeto da referida alienação. Para fins meramente contratuais, utilizouse a nomenclatura genérica de "QUOTAS" para referirse a todo o objeto da operação comercial realizada, no entanto, analisadas em harmonia, as disposições do contrato e seus aditamentos evidenciam que o objeto da alienação é mais abrangente do que o valor nominal das referidas cotas. Na verdade, todo o patrimônio da empresa de que era cotista foi alienado com base em seu valor contábil, apurado por meio do respectivo balanço patrimonial, deixando de existir e sendo incorporada à adquirente ASSOLAN. O agente notificante teria considerado, equivocadamente, que os valores dados em pagamento referiamse única e exclusivamente à totalidade das cotas que representam o capital social integralizado das empresas Baule Participações Ltda., Quimivale Industrial Ltda. e Distribuidora Clean Ltda., e, assim, como custo de aquisição apenas o montante relativo ao valor nominal das mesmas. Ocorre que a operação de alienação das cotas abrangia tudo o que elas representavam, e não somente o valor nominal utilizado para fins de integralização do capital social, como fica evidente no item 1.1 do Contrato de Opção de Compra. Argui que na apuração do ganho de capital real há que se levar em conta o valor contábil dos bens e direitos alienados na operação, apurado em balanço patrimonial, somando o seu montante às cotas do capital social, constituindo, assim, o custo de aquisição a ser considerado. Da análise fática aprofundada dos negócios feitos pelas empresas, restaria cristalino que houve a alienação de todos os bens e direitos representados pelas cotas, inclusive os equipamentos e as máquinas, indispensáveis para a continuidade das atividades da empresa, além dos lucros acumulados. Conclui que não houve qualquer ilegalidade nos negócios realizados, tampouco nas declarações apresentadas ao fisco, uma vez que estas teriam sido feitas com base no real ganho de capital, de acordo com o valor de aquisição dos bens e direitos alienados e na exata proporção de sua participação societária de 14%, sendo esta a disponibilidade econômica tributável. O fato do contrato particular prever a distribuição do valor recebido na proporção de 25% para cada um dos sócios das três empresas incorporadas não tem o condão de afastar a responsabilidade tributária dos contribuintes em suas declarações individuais de renda. Repisa que os valores pagos na aquisição das empresas englobavam todo o patrimônio, com tudo o que elas representavam, incluindo lucros acumulados. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10909.001760/201044 Acórdão n.º 2101002.674 S2C1T1 Fl. 4 5 Cita a Lei nº 6.404/1976, o Código Civil, o artigo 21 da Lei nº 9.249/95, a Instrução Normativa DNRC nº 88/2001, discorre sobre a operação de incorporação, arguindo que, após o contrato de compra e venda, a Assolan incorporou as empresas Baule Participações, Distribuidora Clean e Quimivale Industrial e, obrigatoriamente, na transferência do patrimônio para a incorporadora deve se dar a avaliação pelo valor contábil ou de mercado. Aduz que a incorporação foi realizada tendo por base o valor contábil do patrimônio registrado na contabilidade, tanto que o laudo de avaliação foi realizado com base nos balanços patrimoniais emitidos pelas empresas posteriormente incorporadas, sendo este o custo de aquisição para o cálculo do ganho de capital. Argumenta que a alienação das empresas necessariamente deve ocorrer antes de qualquer procedimento para a incorporação, o que foi efetuado, que cabe à incorporada a aprovação do projeto acerca da reforma do ato constitutivo, não possuindo maiores obrigações para a operação, devendo a incorporadora realizar a avaliação da sociedade incorporada, para posterior agregação ao seu patrimônio. Reclama que dos documentos apresentados na fiscalização, ou seja, os laudos de avaliações das empresas alienadas, protocolo e justificação de incorporação, a Ata de Assembléia e a posterior alteração contratual com a incorporação, tiveram o intuito de comprovar que o custo de aquisição nada mais é do que o valor contábil agregado pela empresa incorporadora, mas que, apesar da comprovação, emitiu o fiscal, Auto de Infração sob a alegação de que a incorporação não ocorreu nos exatos termos da legislação e que tal afirmação, sem especificar exatamente qual procedimento foi inadequado, deve ser rechaçada. Destaca o seguinte termo do RF: “De modo, as reavaliações procedidas visaram unicamente ajustar o patrimônio das empresas proprietárias em decorrência dos valores despendidos para suas aquisições, não aproveitando esses novos valores aos seus exproprietários. (grifo nosso)”, arguindo a distinção entre reavaliação e laudo de avaliação, que só ocorreria reavaliação se as empresas tivessem realizado o levantamento patrimonial tendo por base o valor de mercado. E, como já explicado e comprovado, o patrimônio foi repassado pelo valor contábil, ou seja, o valor do ativo e do passivo registrado na contabilidade na época dos fatos, não existindo qualquer reavaliação. Refere que, nos termos do Contrato de Opção, deveria ser levantado balanço especial para apuração do valor do saldo circulante, valor do estoque de matéria prima, valor de produtos acabados, valor em caixa, valor do contas a pagar a terceiros, bem como valor da dívida financeira, ficando, assim, claro que a aquisição não se deu somente das cotas e sim da totalidade do patrimônio registrado na contabilidade. Somando o patrimônio das duas empresas denotase que o total do custo do patrimônio para a venda é de aproximadamente doze milhões e, assim, considerando que, segundo o Aditivo ao Contrato de Opção de Compra de Quotas o valor da Fl. 461DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 alienação se deu no montante global de R$ 17.685.000,00, temse que o valor do ganho de capital gira em torno de R$ 6.000.000,00, valor esse tributado pelos sócios na proporção já mencionada, ou seja, Viviane (70%), Juliano (16%) e Joine (14%). Invoca os artigos 521 a 523 do RIR/1999 e o artigo 4º, § 2º, da IN SRF nº 93, de 1997, arguindo que nas alienações de bens classificáveis no ativo permanente, o ganho de capital corresponderá diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo custo contábil. Refere que o cálculo apresentado encontrase dentro das normas da lei, merecendo análise apurada ante aos fatos destacados, e, se necessário, perícia para avaliação do custo contábil. Não pode ocorrer tributação sobre renda fictícia, conforme delimitado pela própria Constituição, devendo a base de cálculo do imposto ser na medida da disponibilidade da riqueza nova realmente experimentada pelo contribuinte, ou seja, as empresas já valiam aproximadamente doze milhões, portanto é esse o montante que deve ser excluído para se chegar ao ganho de capital. Cita Ives Gandra da Silva Martins, e prossegue arguindo que se deve manter a mesma linha de raciocínio no caso de sócios que se retiram da sociedade em andamento. Na prática, o que ocorre não é somente a retirada do valor das quotas integralizadas, e sim de todo o patrimônio advindo do faturamento e já tributado, conforme reza o artigo 238 do RIR. É de se imaginar que a empresa iniciou suas atividades com somente o valor das quotas integralizadas por seus sócios, mas que, ao longo de sua vida, após oferecer à tributação seu faturamento, a empresa pode quitar suas obrigações, e sobraramlhe reservas para investir na sociedade, aumentando seu estoque e adquirindo bens fixos ou imobilizados e até intangíveis que valoraram suas cotas. Diz que se impõe a análise do patrimônio da empresa como um todo com base no valor contábil demonstrado por meio do Balanço Patrimonial. No mais, estando todos os documentos que comprovam a transação de posse da empresa Assolan e, havendo necessidade de apresentação de outros documentos para comprovação do explanado até então, requerse diligências com fulcro no inciso IV do artigo 16 do Decreto 70.235/72 para comprovação do valor contábil das empresas. Citando Alberto Xavier, o artigo 142 do CTN e Acórdãos do CARF, argui ser nulo o lançamento, sob o argumento de que o Fisco apurou de maneira incorreta a base de cálculo do imposto, ao considerar 25% do valor da venda quando possuía apenas 14% das cotas alienadas, sendo este um vício insanável. Às fls. 233 a 236, contesta o contribuinte a multa de ofício (75%), arguindo, em síntese, ser a mesma excessiva, revestida de todas as características de confisco, enfim, alegações tendentes, todas, à demonstração da inconstitucionalidade desta exigência, pugnando pela sua redução. Requer, assim, o cancelamento integral do Auto de Infração, tendo em vista o erro na base de cálculo, o que viciaria totalmente o lançamento, e, se assim não se entender, diz que o mesmo deve ser refeito tendo por fundamento os documentos acostados que comprovam a incorporação realizada. E, ainda, se assim não se Fl. 462DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10909.001760/201044 Acórdão n.º 2101002.674 S2C1T1 Fl. 5 7 entender, requer perícia dos documentos que estão de posse da empresa adquirente Assolan, para a comprovação do valor contábil da empresa na época da alienação. À fl. 402, memorando da SECAT da DRF em Florianópolis, encaminhando a petição de fl. 403 a 405, apresentada pelo contribuinte em 23/08/2011, na qual argui a decadência do lançamento.” (fls. 412/416 – grifos no original). Atentando aos argumentos de defesa, a 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis (SC) proferiu decisão que restou assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS COTAS. Para efeito de apuração de ganho de capital na alienação de participações societárias, o custo de aquisição das cotas é apurado pela média ponderada dos seus custos unitários. Não é possível alterar o valor original de aquisição de participações societárias constantes da declaração de bens e direitos. Está sujeito ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que efetuar alienação de participações societárias com valores superiores aos constantes da declaração de bens. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O descumprimento da obrigação tributária, verificado em procedimento fiscal, acarreta a cobrança do imposto devido, com o acréscimo de multa de ofício. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDOS DE PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de perícia quando a matéria que seria objeto deste procedimento já tem seu conteúdo definido em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” No Recurso Voluntário disposto às fls. 439/442, o Recorrente repisou exclusivamente sua argumentação pela decadência da exigência fiscal. No caso, argumenta que o debate normalmente se estabelece em torno da identificação da data para o início da contagem do respectivo prazo (5 anos), confrontandose, quase sempre, a aplicação do art. 150, § 4º (data de ocorrência do fato gerador) com a do art. 173, I (primeiro dia do exercício seguinte), ambos do CTN. Assim, se a contagem do prazo decadencial iniciar na data de ocorrência do fato gerador, que seria em 07/10/2004 (data do contrato), o termo decadencial final ocorreria em 07/10/2009. Por outro lado, se o início da contagem for o primeiro dia do exercício seguinte, 01/01/2005, a decadência estaria configurada em 01/01/2010. Deste modo, como o Auto de Infração foi lavrado em 26/05/2010, o Recorrente conclui que crédito tributário estaria atingido pela decadência em qualquer das hipóteses de início de contagem do prazo decadencial. Nesses termos, o Contribuinte/Recorrente discorre que entendimento proferido no julgado recorrido, no sentido de que, nas alienações a prazo, o fato gerador da obrigação tributária ocorreria no recebimento das parcelas, estaria em dissonância a entendimentos do CARF em sentido diverso. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10909.001760/201044 Acórdão n.º 2101002.674 S2C1T1 Fl. 6 9 Ressalta ainda as disposições trazidas no art. 140 do RIR/99 e no art. 31 da IN nº 84/2001, para arrazoar que não se pode confundir a ocorrência do fato gerador com as datas de recebimento das parcelas. Ao final, pede o provimento do recurso para reformar a decisão combatida, no sentido de declarar insubsistente o lançamento fiscal. Distribuído o feito para nossa Relatoria, coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em princípio, conforme se verifica nos autos, importa salientar que no Recurso Voluntário em julgamento, restou levantado como argumento de defesa e combate à decisão recorrida, apenas a incidência da decadência no lançamento fiscal. Para a apreciação do feito, inicialmente devemos atentar que a tributação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF sobre ganhos de capital, está fundada na Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: “Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 (...)” No mesmo sentido, o imposto de renda incidente no ganho de capital apurado pela pessoa física, deve observar o Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, que disciplina tal tributação nos seguintes termos: “Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). § 1º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, ao ganho de capital auferido em operações com ouro não considerado ativo financeiro (Lei nº 7.766, de 1989, art. 13, parágrafo único). § 2º Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei nº 8.134, de 1990, art. 18, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21, § 2º). (...)” Ocorre que, como o referido Imposto sobre a Renda em decorrência de ganho de capital é apurado e ofertado a tributação pelo contribuinte sem prévio exame da Administração Tributária, tal procedimento figura na modalidade de lançamento por homologação. Nestes casos, o Código Tributário Nacional estipula o prazo de homologação em cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, sob pena de extinção do crédito tributário. Na letra da lei: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) Fl. 466DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10909.001760/201044 Acórdão n.º 2101002.674 S2C1T1 Fl. 7 11 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência;” Por outro lado, conforme entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, nos termos do art. 543C do CPC, comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação no procedimento do contribuinte, o prazo de homologação só começa a contar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, atentando ao inc. I, do art. 173, do CTN: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Diante do arcabouço legislativo, para estipulação do prazo decadencial do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital decorrente de alienação de bens, cujos pagamentos são efetivados em parcelas, importa definir o momento do fato gerador a ser considerado na contagem do referido prazo. Ora, o Código Tributário Nacional aponta a hipótese de incidência do imposto sobre a renda, consubstanciando seu fato gerador, nos seguintes termos: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 467DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.” Portanto, não pode haver dúvida de que o fato gerador do imposto é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Ou seja, o fato gerador ocorre no momento em que o rendimento se torne disponível para o beneficiário. Não obstante, o RIR/99 determina que a apuração do ganho de capital a prazo deverá ser apurado nos moldes de uma venda à vista. Vejamos: “Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21).” No mesmo sentido depõe o art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de Outubro de 2001: “Art. 31. Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subsequente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I.” A bem da verdade, com fundamento nas regras dispostas no art. 140 do RIR/99 e no art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, existem precedentes deste CARF se posicionando no sentido de não separar os elementos formadores do fato gerador na apuração do ganho de capital das pessoas físicas, conquanto sejam decorrentes de alienações de bens a vista ou a prazo, diferindose, tão somente, o pagamento do tributo, a ser efetuado no momento do recebimento de cada parcela. Nesses termos, o fato gerador do imposto sobre a renda ocorreria com a conclusão da operação de alienação dos bens, independente da previsão de pagamento ser Fl. 468DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10909.001760/201044 Acórdão n.º 2101002.674 S2C1T1 Fl. 8 13 fracionado ou de uma só vez, modo pelo qual o prazo decadencial teria o mesmo marco temporal. Contudo, com absoluto respeito aos antigos posicionamentos existentes sobre a matéria, entendo que não expressam a melhor solução jurídica ao caso. Ora, se a legislação tributária define que o fato gerador do imposto de renda ocorre com a disponibilidade econômica do contribuinte (art. 43 do CTN), e no caso de ganho de capital, o imposto é apurado e pago no mês do recebimento (art. 117, § 2º do RIR/99), e apenas na proporção das respectivas parcelas em caso de alienações a prazo (art. 140 do RIR/99), a única conclusão plausível seria compreender o fato gerador da obrigação tributária quando ocorrido o efetivo acréscimo patrimonial. Pensar diferente permitiria admitir a possibilidade da exigência de imposto mesmo após ultrapassados cinco anos do seu fato gerador, em flagrante afronta aos preceitos do § 4º do art. 150 do CTN. Bastaria que houvesse a previsão contratual de pagamento parcelado, referente a uma alienação de bens, em mais de cinco anos. No entanto, o caso em questão também se apresenta diferenciado dos julgados iniciais nesta Corte, pois se trata de venda de participação societária a prazo, cujas parcelas estão indexadas pelo IGPMFGV/SP, conforme se observa no Segundo Aditamento e ReRatificação do Contrato de Opção de Compra de Quotas, mais especificamente nas fls. 88, 91, 93, 94, 98 e 107 dos autos, repetidas nas fls. 275, 278, 280, 281, 285 e 294. Ou seja, a quantificação do imposto a pagar sobre a disponibilidade econômica decorrente do recebimento das parcelas futuras depende de um índice variável que apenas será possível aferir no momento do efetivo recebimento da parcela. Nesse sentido não se poderia acolher a data do fato gerador do imposto de renda como sendo o momento da conclusão contratual, porquanto o ganho de capital decorrente de cada parcela é variável, figurando indexado, diferente do que ocorre em caso pagamento a vista. Este é o entendimento mais inteligente e justo desta Corte Tributária, conforme se observa na ementa de recente julgado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2008, 2009 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 IRPF. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. PREÇO INDEXADO À MOEDA ESTRANGEIRA. VENDA A PRAZO. O termo inicial para contagem do prazo decadencial em se tratando de imposto de renda devido sobre o ganho de capital de contrato com preço indexado em moeda estrangeira e alienação a prazo é o momento do recebimento de cada parcela, pois nesse momento que se afere de forma definitiva o preço de venda que resta condicionado à taxa de câmbio futura. GANHO DE CAPITAL. VARIAÇÃO CAMBIAL. PREÇO INDEXADO EM MOEDA ESTRANGEIRA. Eventual variação do preço em decorrência da flutuação cambial havida para com o valor em moeda nacional (Real) deve ser considerada como preço de venda e tributada segundo a sistemática do ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. CORREÇÃO MONETÁRIA DO PREÇO. Correção monetária do preço de venda integra o preço para fins de apuração do ganho de capital. (Acórdão nº 2201002.264, Processo nº 10680.726553/201280, Relatora Conselheira NATHALIA MESQUITA CEIA, 1ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 19/05/2014). Diante dos ensinamentos dispostos no citado julgado, percebese que a operação de compra e venda a prazo indexada pende de uma variável futura, e apenas se aperfeiçoa no momento do recebimento, pois é nesse instante que se revela o quantum a ser pago pelo bem, comportando o preço da venda para fins de ganho de capital. Por sua vez, na conclusão da operação contratual de alienação de cotas participativas das empresas em questão, de forma parcelada e em valores indexados, não há definição de uma quantia certa e determinada a ser recebida pela venda, apenas projeções e expectativas. Como não se pode calcular imposto com base em projeções e expectativas, sendo necessário que se conheça o exato valor da venda (preço), e tal valor deve ser o efetivamente recebido pelo contribuinte, considerando que apenas o montante recebido enseja a tributação com base no acréscimo patrimonial para fins de apuração do ganho de capital, também não se pode abrigar a tese da ocorrência do fato gerador do imposto no momento da conclusão contratual, em caso de alienação de bens a prazo, cujas parcelas são indexadas. Esta é a razão pela qual a alegativa de decadência do lançamento fiscal trazida pelo Contribuinte/Recorrente finda superada, tendo em vista que o contrato de alienação de participações societárias em questão se configura em operação de venda a prazo com parcelas indexadas, aperfeiçoada apenas no momento do recebimento cada parcela, porquanto o índice de atualização monetária é elemento variável e necessário para apurar o Fl. 470DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10909.001760/201044 Acórdão n.º 2101002.674 S2C1T1 Fl. 9 15 efetivo valor da parcela no momento do pagamento, conformando elemento essencial para apuração da disponibilidade econômica. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a Decisão recorrida em todos os seus termos. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 471DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11618.000647/2011-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 06 47 /2 01 1- 61 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11618.000647/201161 Acórdão n.º 2801003.990 S2TE01 Fl. 191 2 da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1a Turma da DRJ/REC (Fls. 89), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: 1. Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 20 a 24, na qual é cobrado o Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, relativamente ao anocalendário de 2008, exercício 2009, no valor de R$11.596,26, acrescido da multa de ofício e juros de mora (calculados até 31/01/2011), perfazendo um crédito tributário total de R$ 22.166,24. 2. A autoridade tributária expôs na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 22, o motivo que deu ensejo ao lançamento acima: 2.1. Omissão de rendimentos decorrente de ação da Justiça Federal no valor de R$65.407,95; 3. Devidamente cientificado da autuação em 26/01/2011, fl. 143, o contribuinte apresentou em 07/02/2011 a impugnação de fls. 03 e 04 para alegar, em síntese que: 3.1. “Não houve omissão de rendimentos, pois o valor de R$ 65.407,95 foi informado como rendimento isento e não tributável, devido a se tratar de valores acumulados devidos pelo INSS, recebidos em decorrência de ação judicial, correspondente a 96 meses de benefício, os quais, se pagos nas épocas próprias, estariam isentos ou, no mínimo, sujeitos a uma alíquota inferior a 27,5%”. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/REC entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento sobre o total dos rendimentos, inclusive juros, sem prejuízo do ajuste na declaração anual DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11618.000647/201161 Acórdão n.º 2801003.990 S2TE01 Fl. 192 3 As decisões judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF nas ações diretas de inconstitucionalidade, nas ações declaratórias de constitucionalidade e nas súmulas vinculantes, não produzem efeitos erga omnes, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Cientificada em 29/12/2011 (Fls. 160), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 26/01/2012 (fls. 166 a 180), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que resta em litígio apenas os valores recebidos em ação de revisão de benefício previdenciário intentada contra o INSS, no valor de R$ 65.407,95. Também observo que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Processo: REsp 1118429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226 Relator: Ministro Herman Benjamin (1132) ÓRGÃO JULGADOR: S1 – PRIMEIRA SEÇÃO Data do julgamento: 24/03/2010 Data da Publicação/Fonte: DJe 14/05/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11618.000647/201161 Acórdão n.º 2801003.990 S2TE01 Fl. 193 4 PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça: "A Seção, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon, Luiz Fux, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, a Sra. Ministra Denise Arruda. Notas: Julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ. Tal entendimento é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por oportuno, esclareço que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeras recentes decisões, tem entendido que o recurso repetitivo se aplica, inclusive quando o rendimento acumulado é oriundo de ação trabalhista; conforme se verifica neste julgado: Data da Publicação12/02/2014 AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 465.580 SE (2014/00135374) RELATOR : MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL Fl. 193DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11618.000647/201161 Acórdão n.º 2801003.990 S2TE01 Fl. 194 5 ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : MARCOS ANTONIO MOURA SALES ADVOGADOS : WILLIAM DE OLIVEIRA CRUZ ANTÔNIO JOSÉ LIMA JÚNIOR DECISÃO Tratase de agravo interposto de decisão que não admitiu recurso especial manifestado pela FAZENDA NACIONAL, com base no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado (fl. 117e): TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. VERBA TRABALHISTA RECEBIDA JUDICIALMENTE DE FORMA ACUMULADA. INCIDÊNCIA EM CADA COMPETÊNCIA. O STJ pacificou o entendimento segundo o qual "(...) quando o pagamento dos benefícios previdenciários é feito de forma acumulada e com atraso, a incidência do Imposto de Renda deve ter como parâmetro o valor mensal do benefício, e não o montante integral creditado extemporaneamente, além de observar as tabelas e as alíquotas vigentes à época em que deveriam ter sido pagos. Precedente do STJ, em sede de recursos repetitivos (STJ. 1ª Seção. Rel. Min. Herman Benjamin. Resp 1118429. DJ, 14/05/10). "Não se pode prejudicar o contribuinte que, em virtude do atraso do empregador, recebeu um valor acumulado, quando deveria ter percebido mensalmente os valores devidos. Destarte, as alíquotas a incidirem no tributo devem levar em conta as parcelas mensais que deveriam ser pagas, e não o valor cumulado." (TRF 5ª Região. 2ª Turma. APELREEX 15694. DJ, 31/03/11). Remessa oficial e apelação da Fazenda Nacional improvidas. Opostos embargos de declaração (fls. 121/122e), foram rejeitados (fls. 124/129e). Nas razões do especial, sustenta a agravante, em resumo, que "A aplicação da alíquota oriunda da tabela do imposto de renda na fonte sobre rendimentos recebidos cumulativamente em um mesmo mês não significa alteração de alíquota, muito menos por meio de artifício, mas da tributação pura e simples dos rendimentos efetivamente recebidos em determinado mês, aplicandose o princípio constitucional da progressividade para o imposto sobre a renda" (fl. 136e). Pugna pela reforma do julgado. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11618.000647/201161 Acórdão n.º 2801003.990 S2TE01 Fl. 195 6 Sem contra razões e inadmitido o recurso especial na origem (fls. 146/147e), fora interposto o presente agravo. Decido. Inicialmente, verifico que a parte recorrente não indicou, nas razões de seu recurso especial, qual dispositivo de lei teria sido violado pelo acórdão recorrido. Assim, nos termos da jurisprudência pacífica deste Tribunal, a indicação de violação genérica a lei federal, sem particularização precisa dos dispositivos violados, implica deficiência de fundamentação do recurso especial, atraindo a incidência da Súmula 284/STF. Neste sentido: AgRg no AG 586.236/RJ, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Sexta Turma, DJ 1º/7/05. Ainda que assim não fosse, quanto ao mérito, o recurso não merece acolhimento, uma vez que a pretensão recursal está em desconformidade com a jurisprudência desta Corte, formalizada, inclusive, sob a sistemática do julgamento dos recursos repetitivos. Sobre o tema. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (Resp 1.118.429/SP, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Primeira Seção DJe 14/5/10) TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA – BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO PAGO EM ATRASO REGIME DE COMPETÊNCIA – RESP 1.118.429/SP JULGADO SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC – REPERCUSSÃO GERAL SOBRESTAMENTO DO FEITO IMPOSSIBILIDADE RESERVA DE PLENÁRIO INAPLICABILIDADE. 1. Nos termos da jurisprudência da Primeira Seção desta Corte, a incidência do imposto de renda sobre o pagamento de benefício previdenciário pago a destempo e acumuladamente, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, considerandose a renda auferida mês a mês pelo segurado. (REsp 1.118.429/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. O reconhecimento de repercussão geral em recurso Fl. 195DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11618.000647/201161 Acórdão n.º 2801003.990 S2TE01 Fl. 196 7 extraordinário não implica direito ao sobrestamento de recursos no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes. 3. "Decidida a questão jurídica sob o enfoque da legislação federal, sem qualquer juízo de incompatibilidade vertical com a Constituição Federal, é inaplicável a regra da reserva de plenário prevista no art. 97 da Carta Magna." (AgRg no REsp 1.313.077/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe 13/06/2013) 4. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no AREsp 269.125/RS, Rel. Min. SÉRGIO KUKINA, Primeira Turma, DJe 19/8/13) Incide, pois, o verbete sumular 83/STJ, aplicável, também, aos recursos interpostos pela alínea a do permissivo constitucional. Ante o exposto, conheço do agravo para negarlhe provimento. Intimemse. Brasília (DF), 10 de fevereiro de 2014. MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA Relator Ainda, no Resp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Relator Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à forma de apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. Transcrevo do Voto: (...) O artigo 12 da Lei 7.713/88 dispõe que o imposto de renda é devido na competência em que ocorre o acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN), ou seja, quando o respectivo valor se tornar disponível para o contribuinte. Prevê o citado dispositivo: "Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." O dispositivo citado não fixa a forma de cálculo, mas apenas o elemento temporal da incidência. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, como dispõe o art. 12 da Lei 7.713/88, mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Nesse sentido, há inúmeros precedentes de ambas as Turmas de Direito Público, como se observa das seguintes ementas(...) (sublinhei) Fl. 196DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11618.000647/201161 Acórdão n.º 2801003.990 S2TE01 Fl. 197 8 Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 197DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10120.006446/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2010
VÍCIO FORMAL. AUSÊNCIA DE. HORA DE LAVRATURA, INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
Vício formal no ato administrativo de lançamento ocorre na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato. A ausência de hora de lavratura não se constitui em formalidade indispensável ao lançamento, sendo suprida pela ciência posterior do sujeito passivo. A não configuração de prejuízo à defesa corrobora a falta de motivação para a declaração de nulidade.
DESCRIÇÃO DO FATO. MENÇÃO AO DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE
Demonstrado que houve a correta descrição do fato, bem como a menção ao dispositivo legal infringido, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação.
Numero da decisão: 2301-004.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério. Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira.
Marcelo Oliveira Presidente e Redator
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério. Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Marcelo Oliveira Presidente e Redator Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
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Recorrente EXPRESSO SÃO LUIZ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2010 VÍCIO FORMAL. AUSÊNCIA DE. HORA DE LAVRATURA, INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Vício formal no ato administrativo de lançamento ocorre na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato. A ausência de hora de lavratura não se constitui em formalidade indispensável ao lançamento, sendo suprida pela ciência posterior do sujeito passivo. A não configuração de prejuízo à defesa corrobora a falta de motivação para a declaração de nulidade. DESCRIÇÃO DO FATO. MENÇÃO AO DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE Demonstrado que houve a correta descrição do fato, bem como a menção ao dispositivo legal infringido, não há que se falar em nulidade do auto de infração. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 64 46 /2 01 0- 15 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério. Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Marcelo Oliveira – Presidente e Redator Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.293.0816, o qual exige contribuições previdenciárias parte segurados, incidentes sobre diferenças de remunerações pagas devidas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuaisadministradores. Devidamente intimado, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando a nulidade do Auto de Infração, uma vez que não teria sido apontada a infração, dispositivo legal infringido e o racional da graduação da multa. Dessa forma, solicitou a decretação de nulidade do Auto de Infração ou a aplicação de multa mais benéfica. A DRJ de Brasília manteve a autuação e a empresa apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados na impugnação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Fl. 353DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.006446/201015 Acórdão n.º 2301004.200 S2C3T1 Fl. 455 3 Inicialmente, a recorrente alega nulidade do auto de infração em virtude da ausência de horário da lavratura do Auto de Infração. Contudo, consonante jurisprudência desse tribunal, a hora de lavratura não é formalidade indispensável ao lançamento, sendo suprida pela ciência posterior, mormente nos casos em que não há qualquer prejuízo à defesa, como no caso concreto: “VÍCIO FORMAL. AUSÊNCIA DE HORA DE LAVRATURA, INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Vício formal no ato administrativo de lançamento ocorre na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato. A ausência de hora de lavratura não se constitui em formalidade indispensável ao lançamento, sendo suprida pela ciência posterior do sujeito passivo. A não configuração de prejuízo à defesa corrobora a falta de motivação para a declaração de nulidade.” (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma da 3ª Câmara, Acórdão nº 230101.492) No que se refere à ausência de descrição da infração, à ausência de menção ao dispositivo legal infringido e os critérios adotados para graduação da multa, verificase que tais elementos encontramse plenamente atendidos no presente caso, especialmente no FLD – Fundamentos Legais do Débito, RL – Relatório de Lançamentos e Relatório Fiscal, bem como anexos detalhados com as remunerações por trabalhador. Desse modo, não há nulidade. Contudo, no tocante à aplicação da penalidade, segundo as novas disposições legais, , a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Pelo exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO, para que a multa lançada na presente autuação seja calculada nos termos do artigo 35, caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, se mais benéfica ao recorrente. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 354DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de sua conclusão quanto à multa, acompanhando suas conclusões nas demais questões. Em casos como esse – em que a legislação foi alterada, com novos cálculos e forma de aplicação de penalidades – o Código Tributário Nacional (CTN), determina que a legislação deve retroagir. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar, nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Para tanto, devemos comparar as penalidades aplicadas antes da alteração legislativa com a imposta atualmente. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 355DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.006446/201015 Acórdão n.º 2301004.200 S2C3T1 Fl. 456 5 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 356DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Ocorre que o nobre relator não comparou as penalidades, antigas e novas, quando os mesmos fatos jurídicos forem verificados pelo Fisco (falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata). O relator comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... Fl. 357DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.006446/201015 Acórdão n.º 2301004.200 S2C3T1 Fl. 457 7 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria verificar as penalidades que o sujeito passivo sofreu na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, nos casos de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, nos casos de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento). Conseqüentemente, divirjo do relator e voto pela negativa de provimento do recurso nesta questão, para a manutenção da multa aplicada, pois o cálculo que irá definir se a legislação atual irá retroagir, ou não, como ocorre de ofício pela autoridade executora do acórdão, só deve ocorrer no momento da execução do julgado, conforme determinado pela legislação atual. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acompanho o relator em seu voto, exceto quanto à questão da multa, em que nego provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 359DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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