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Numero do processo: 16095.720010/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PASEP. BASE DE CÁLCULO. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. COMPOSIÇÃO. LEI Nº 9.715/1998, ART. 2º, III.
A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, sendo somente possíveis as deduções expressamente previstas.
PASEP. BASE DE CÁLCULO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Os honorários advocatícios de sucumbência, apesar de serem recolhidos aos cofres públicos, não têm o caráter de receita pública orçamentária, porquanto o Município tem a obrigação de restituí-los. Assim, os honorários advocatícios de sucumbência não se incorporam às receitas públicas, tampouco podem ser aplicados no cumprimento das finalidades públicas municipais (despesas correntes).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-004.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do PASEP os valores referentes às transferências de honorários de sucumbência. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior e Winderley Morais Pereira, que davam provimento ao recurso voluntário, aplicando a Solução de Consulta Cosit n° 278/2017.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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BASE DE CÁLCULO. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. COMPOSIÇÃO. LEI Nº 9.715/1998, ART. 2º, III. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, sendo somente possíveis as deduções expressamente previstas. PASEP. BASE DE CÁLCULO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Os honorários advocatícios de sucumbência, apesar de serem recolhidos aos cofres públicos, não têm o caráter de receita pública orçamentária, porquanto o Município tem a obrigação de restituílos. Assim, os honorários advocatícios de sucumbência não se incorporam às receitas públicas, tampouco podem ser aplicados no cumprimento das finalidades públicas municipais (despesas correntes). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do PASEP os valores referentes às transferências de honorários de sucumbência. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior e Winderley Morais Pereira, que davam provimento ao recurso voluntário, aplicando a Solução de Consulta Cosit n° 278/2017. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 10 /2 01 4- 05 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 16095.720010/201405 Acórdão n.º 3301004.975 S3C3T1 Fl. 295 2 Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, por economia processual: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, para exigência de Pasep, relativo aos períodos de apuração 01/2009 a 12/2010 (fls. 57 a 64), totalizando R$ 7.409.774,64, com multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 01/2014, sendo R$ 3.510.728,71 correspondentes à contribuição. No Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (fls. 37 a 39), a autoridade lançadora informa, em resumo, que: · Da análise dos Balancetes da Receita Orçamentária foi constatado que os valores de Pasep declarados em DCTF e recolhidos eram inferiores aos devidos; · A base de cálculo da contribuição devida pelo Município é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas, as receitas de transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades da Administração Pública, conforme Lei nº 9.715/98; · Ocorre que, conforme demonstrativos apresentados pela Prefeitura, foram indevidamente excluídas da base de cálculo a contribuição ao Fundef, as transferências de capital e os honorários de advogados, relativos a receitas de ônus de sucumbência de ações judiciais; · Essas exclusões não podem ser aceitas. No caso das transferências de capital, sua tributação está prevista no art. 2º, inc. III, da Lei nº 9.715/98. Os valores repassados para o Fundef/Fundeb pelo Município não podem ser excluídos da base de cálculo do Pasep, por falta de amparo legal. Sobre os honorários advocatícios, que se incluem nas receitas correntes, também incide o Pasep; · Segue anexa planilha de cálculo da contribuição, excluindose do Pasep devido as retenções sofridas quando das transferências recebidas. Foi aplicada a alíquota de 1%. O contribuinte tomou ciência do lançamento em 31/01/2014 (fl. 65), tendo apresentado impugnação tempestiva em 27/02/2014 (fls. 76 a 87), na qual traz as seguintes alegações, em resumo: · Nos termos do art. 11 da Lei nº 4.320/64 e da Portaria STN nº 180/2001, temse que o item “Operações de Crédito da Receita de Capital” não entra na base de cálculo do Pasep, por ser independente do item Transferências de capital; Fl. 296DF CARF MF Processo nº 16095.720010/201405 Acórdão n.º 3301004.975 S3C3T1 Fl. 296 3 · Em 2009 e 2010 os valores da receita de Operações de Crédito da autuada referemse a financiamentos de diversos programas federais: Saneamento para Todos, Modernização da Administração Pública e Moradia Popular; · A alegação do item 2.2 do termo não procede, pois em nenhum momento as receitas de transferências de capital foram excluídas, conforme planilhas em anexo, encaminhadas à RFB quando do início do procedimento fiscal; · Ao contrário, a auditora ao fazer o cálculo excluiu as operações de créditos, acabou por incluir outras receitas que não fazem parte da base de cálculo, como é o caso da receita de alienação de bens, incluída no cálculo de fev./2009; · As receitas excluídas pela autuada são aquelas que já têm retenção na fonte (também excluídas pela auditora) e mais as receitas de honorários advocatícios, que não são receitas do Município; · Relativamente ao Fundef/Fundeb, para efeito do cálculo previsto no art. 2º, inc. III e art. 7º da Lei nº 9.715/98, serão deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas; · Considerando que tal fundo possui natureza contábil, ou seja, quando do repasse de recursos o banco responsável por seu crédito retém automaticamente 20% do valor da transferência e remete ao Fundef, porém a contabilização da receita se dá pelos 100% que seria devido ao Município, em contrapartida com uma conta redutora de receita referente ao recurso retido; · Considerando esta retenção, considerando o Parecer Cosit nº 46/99, considerando que o assunto já foi objeto de consultas e pareceres favoráveis pela não inclusão desses recursos na base de cálculo (Solução de consulta nº 356/2008, por exemplo), considerando que em despacho decisório – DRF/GUA/SEORT nº 269/2008 – a autuada teve deferido pedido de compensação de valores pagos a maior quando não excluía de sua base de cálculo os recursos transferidos ao Fundef, temse que as diferenças apontadas não procedem; · Com relação às receitas de honorários de advogados, a classificação de receitas e despesas é definida pela STN, a quem coube, após a edição da LRF, a atribuição de padronizar os procedimentos contábeis nos três níveis de governo, a fim de consolidar as contas em obediência à citada Lei; · Essa rubrica específica, apesar de configurar como receita orçamentária, tem seu produto totalmente revertido em favor dos profissionais, servidores do Município, cujas funções se relacionam com a advocacia, como: procuradores, procuradoreschefes, gestores de departamento jurídico, secretário e secretário adjunto de assuntos jurídicos em efetivo exercício de suas atribuições, sendo tal reversão estipulada em diversas leis; · Em uma análise simplista, talvez a Lei nº 9.715/98 não tenha sido observada em sua totalidade quando da apuração da base de cálculo do Pasep. Porém, observandose que a receita de honorários não pertence ao Município, entendemos que não deve compor a base de cálculo, pois ela configura como receita corrente simplesmente por imposição da STN, o que está equivocado, pois deveria ser classificada como receita extraorçamentária; · O entendimento dos honorários de advogados como “receita pública” não encontra respaldo legal, em razão do que determina a Lei nº 8.906/94 – Estatuto da Fl. 297DF CARF MF Processo nº 16095.720010/201405 Acórdão n.º 3301004.975 S3C3T1 Fl. 297 4 OAB – que deixa claro que os honorários pertencem ao advogado, sem qualquer ressalva, seja ele público ou privado (arts. 3º, 22, 23 e 24); · Uma interpretação literal, sistemática e teleológica dos dispositivos transcritos afasta qualquer celeuma interpretativa, ficando evidente que o legislador fixou, de forma intencional, específica e redundante, a titularidade dos honorários ao advogado; · Registrese que estes honorários não integram a remuneração do advogado público, não sendo pagos pela Fazenda Pública ao seu “servidor”, pois não são pagos pelos cofres públicos, mas pela parte contrária, vencida na demanda; · São direito autônomo dos advogados públicos e a transformação deles em verba pública configura expropriação de recursos cuja titularidade é do advogado. Assim não fosse, não deveria a parte perdedora da lide sequer pagar os honorários, pois não há previsão legal de pagamentos de honorários para outra pessoa ou entidade que não o advogado; · Tais valores não podem ser vistos como fonte de receita dos respectivos entes, os quais não podem se apropriar de valores que não lhes pertencem, uma vez que a sucumbência se trata de vantagem relativa à natureza do trabalho e da função, fruto de serviços realizados e cujo titular de direito é expressamente definido em Lei específica; · Se não é necessário recolher os valores decorrentes da referida verba, pois não se trata de receita, se mostra injusta a multa aplicada em decorrência das incorreções/omissões nas GFIP’S apresentadas das competências 01/2009 a 12/2010, pois não houve qualquer descumprimento das obrigações acessórias neste período. A 16ª Turma da DRJ/RJO, acórdão nº 1282.001, deu parcial provimento à impugnação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PASEP PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO BASE DE CÁLCULO A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é a totalidade das receitas correntes arrecadadas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas, e das transferências correntes e de capital recebidas. PASEP BASE DE CÁLCULO VALORES REPASSADOS PARA O FUNDEB EXCLUSÃO IMPOSSIBILIDADE Os valores das receitas repassados/alocados para o FUNDEB pelo Município não podem ser excluídos da base de cálculo do Pasep por este devido, por ter FUNDEB natureza meramente contábil, não se caracterizando como entidade de direito público interno. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16095.720010/201405 Acórdão n.º 3301004.975 S3C3T1 Fl. 298 5 PASEP BASE DE CÁLCULO HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EXCLUSÃO IMPOSSIBILIDADE Os valores recebidos pelo Município a título de honorários advocatícios não podem ser excluídos da base de cálculo do Pasep por ele devido, por se tratarem de receitas correntes, sendo irrelevante a destinação a elas dada após o recebimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 LANÇAMENTO VINCULAÇÃO À NORMA APLICÁVEL AO TRIBUTO O ato de lançamento é vinculado e obrigatório, não podendo a autoridade fiscal deixar de aplicar as disposições legais e normativas em vigor. LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA DE OFÍCIO – PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO INCIDÊNCIA – Por expressa determinação legal, correta a incidência da multa de ofício sobre valores exigidos por meio de auto de infração, no percentual de 75%, não havendo previsão para sua não incidência sobre valores devidos por órgãos públicos. Impugnação Procedente em Parte Em seu recurso voluntário, o Recorrente tece longo arrazoado para demonstrar que os valores repassados ao FUNDEB e os honorários advocatícios não se incluem na base de cálculo do PASEP e que, consequentemente, não é devida a incidência de multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a insuficiência de recolhimento do PASEP se deu pela exclusão na sua base de cálculo do FUNDEF/FUNDEB, das transferências de capital e dos honorários de advogados, relativos a receitas de ônus de sucumbência de ações judiciais. A DRJ reconheceu a ilegitimidade da inserção de algumas contas como “transferência de capital”, excluindoas para ajustar a base de cálculo do auto de infração: Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16095.720010/201405 Acórdão n.º 3301004.975 S3C3T1 Fl. 299 6 No presente caso, analisandose as planilhas elaboradas pela autoridade fiscal (fls. 40/41 – Linha “Receita Total”), assim como a documentação contábil e fiscal que instrui os autos, apresentada pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal (fls. 47 a 56 – Demonstrativos da Receita Arrecadada), vêse que, na apuração da base de cálculo da contribuição, foram consideradas as receitas correntes (contas do Grupo 1000.00.00.00), que incluem as transferências correntes (Contas do Grupo 1700.00.00.00), e as receitas de capital (contas do Grupo 2000.00.00.00), ao invés das transferências de capital (contas do Grupo 2400.00.00.00), conforme determinam as normas acima transcritas. Além disso, foram excluídos da base apurada valores registrados na conta 2110.00.00.00 Operações de Créditos Internas, apesar de não haver previsão para tal exclusão nas normas citadas, considerandose que esta conta se inclui no grupo 2100.00.00.00 Operações de Crédito, que não integram a base de cálculo do Pasep, não havendo, portanto, razão para a previsão de tal exclusão. Desta forma, procede a alegação do contribuinte relativamente ao item “Operações de Crédito da Receita de Capital” (Grupo 2100.00.00.00), visto que tal receita não integra a base de cálculo da contribuição, mas apenas os valores registrados no Grupo 2400.00.00.00 – Transferências de Capital, que estão inseridos no Grupo 2000.00.00.00 – Receitas de Capital, as quais, portanto, não são tributadas integralmente. Da mesma forma, procede a alegação quanto à tributação de receitas que não se incluem na base de cálculo do Pasep, como a receita de alienação de bens (Grupo 2200.00.00.00). Logo, restam como pontos controvertidos neste recurso voluntário, a inclusão do FUNDEF/FUNDEB e dos honorários advocatícios de sucumbência na base de cálculo do PASEP. Inclusão do FUNDEF/FUNDEB na base de cálculo do PASEP O PASEP, destinado à formação do patrimônio do servidor público, foi instituído pela Lei Complementar nº 8/70 e, a partir da Constituição Federal de 1988, art. 239, os recursos provenientes de tal tributo financiam o programa do segurodesemprego e o abono salarial. Confirase: Constituição Federal de 1988 Art. 239. A arrecadação decorrente das contribuições para o Programa de Integração Social, criado pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, passa, a partir da promulgação desta Constituição, a financiar, nos termos que a lei dispuser, o programa do seguro desemprego e o abono de que trata o § 3º deste artigo. Lei Complementar nº 8/70 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16095.720010/201405 Acórdão n.º 3301004.975 S3C3T1 Fl. 300 7 Art. 1º É instituído, na forma prevista nesta Lei Complementar, o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público. Art. 2º A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2% (dois por cento) no ano de 1973 e subsequentes. II Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2% (dois por cento) no ano de 1973 e subsequentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo da União e dos Estados através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. Parágrafo único Não recairá, em nenhuma hipótese, sobre as transferências de que trata este artigo, mais de uma contribuição. Quanto à base de cálculo do PASEP, observese o disposto na Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, III: Art.2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) §6º A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) (...) Art.7º Para os efeitos do inciso III do art. 2°, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art.8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16095.720010/201405 Acórdão n.º 3301004.975 S3C3T1 Fl. 301 8 III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Dessa forma, o PASEP incide sobre as receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. Entretanto, a Lei nº 12.810/2013, alterou a Lei nº 9.715/1998, para incluir no art. 2º, o parágrafo §7º, para permitir a exclusão da base de cálculo do PASEP das transferências recebidas decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido, nos seguintes termos: Art.2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) § 7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. (Incluído pela Lei nº 12.810, de 2013). Ressaltese que a alteração da Lei n° 12.810/2013 não alcança o período deste processo fiscal. O FUNDEF foi instituído pela Lei Federal n° 9.424/1996 e o FUNDEB pela Lei Federal n° 11.494/2007. Os dois Fundos não podem ser considerados fundos específicos de determinada esfera governamental, mas sim fundos multigovernamentais, que não possuem personalidade jurídica própria e que são compostos por recursos primordialmente dos Estados e Municípios, complementados pela União e, fiscalizados de forma concorrente pelas três esferas de governo. Dessa forma, o FUNDEF e o FUNDEB, por terem natureza contábil, não são dotados de personalidade jurídica (art. 41, do Código Civil), logo não integram o rol das deduções do art. 7°. Nesse sentido, cito a Solução de Divergência COSIT nº 12/2011: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Base de cálculo de Município. As receitas financeiras auferidas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, em decorrência da remuneração de depósitos bancários, de aplicações de disponibilidade em operações de mercado e de outros rendimentos oriundos de renda de ativos permanentes, integram suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas, base de cálculo mensal para a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, à alíquota de 1%. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16095.720010/201405 Acórdão n.º 3301004.975 S3C3T1 Fl. 302 9 Os valores das receitas repassados/alocados para o FUNDEB (antigo FUNDEF) pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, não podem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta de amparo legal. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ao receberem da União valores relativos às transferências constitucionais do FPE e do FPM, inclusive a parte destacada para FUNDEF/FUNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, porque os referidos valores se enquadram como transferências recebidas de outra entidade da administração pública, cuja inclusão na base de cálculo da contribuição está prevista na alínea “b” do inciso II do art. 2º da Lei Complementar nº 8, de 1970, e o no inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. Quando ficar comprovado que houve a retenção pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) da Contribuição para o PIS/Pasep na fonte, à alíquota de 1%, incidente sobre o total dos valores transferidos pela União, poderão os Estados, o Distrito Federal e os Municípios excluir de suas respectivas bases de cálculos da Contribuição para o PIS/Pasep os valores recebidos a título de transferências constitucionais relativas ao FPE e ao FPM, inclusive os valores destacados para o FUNDEF/FUNDEB. Dispositivos Legais: Lei Complementar nº 8, de 1970: e Lei nº 9.715, de 1998, (art. 2º, inciso III, e § 6º e arts. 7º e 8º). Portanto, nego provimento ao recurso voluntário neste ponto. Honorários de advogados, relativos a receitas de ônus de sucumbência de ações judiciais Entendeu a DRJ que os honorários advocatícios, receitas registradas na conta 1990.02.01.00 Receita de Honorários de Advogados (Grupo 1990.00.00.00 Receitas Diversas), devem ser efetivamente incluídas na base de cálculo do PASEP, porque tais receitas estão inseridas nas Receitas Correntes. Ocorre que o Estatuto da OAB (Lei nº 8.906/1994) prescreve: Art. 3º O exercício da atividade de advocacia no território brasileiro e a denominação de advogado são privativos dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). § 1º Exercem atividade de advocacia, sujeitandose ao regime desta lei, além do regime próprio a que se subordinem, os integrantes da AdvocaciaGeral da União, da Procuradoria da Fazenda Nacional, da Defensoria Pública e das Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e das respectivas entidades de administração indireta e fundacional. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16095.720010/201405 Acórdão n.º 3301004.975 S3C3T1 Fl. 303 10 Art. 22. A prestação de serviço profissional assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorários convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência. (...) Art. 23. Os honorários incluídos na condenação, por arbitramento ou sucumbência, pertencem ao advogado, tendo este direito autônomo para executar a sentença nesta parte, podendo requerer que o precatório, quando necessário, seja expedido em seu favor. Art. 24. A decisão judicial que fixar ou arbitrar honorários e o contrato escrito que os estipular são títulos executivos e constituem crédito privilegiado na falência, concordata, concurso de credores, insolvência civil e liquidação extrajudicial. (...) Os dispositivos citados são claros ao afirmar que os honorários advocatícios de sucumbência pertencem ao advogado. Os honorários de sucumbência são pagos pela parte vencida em ações em que o Município é parte. Dessa forma, o Município os arrecada e os repassa aos advogados públicos que atuam em nome dele naquelas causas. Ressaltese que, no Município de Guarulhos, a Lei Municipal nº 3.548/1989 disciplina a titularidade desses valores e a remessa pelo Município aos advogados públicos. Por sua vez, a Lei nº 4.320/1964 discrimina que as receitas correntes são: Art. 11 A receita classificarseá nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 20.5.1982) § 1º São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 20.5.1982) Por conseguinte, os honorários de sucumbência, apesar de serem recolhidos aos cofres públicos, não têm o caráter de receita pública orçamentária, porquanto o Município tem a obrigação de restituílos. Dessa forma, os honorários advocatícios de sucumbência não se incorporam às receitas públicas, tampouco podem ser aplicados no cumprimento das finalidades públicas municipais (despesas correntes). Ilegitimidade da aplicação da multa de ofício Fl. 304DF CARF MF Processo nº 16095.720010/201405 Acórdão n.º 3301004.975 S3C3T1 Fl. 304 11 Alega o Recorrente que a multa aplicada é indevida, porquanto são indevidas as inclusões na base de cálculo das receitas citadas anteriormente. Entretanto, a aplicação da multa de ofício no lançamento foi capitulada no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, por falta de recolhimento do PASEP. Todos os traços da multa de ofício aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Cumpre salientar que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Por isso, constatada a falta de recolhimento do PASEP, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento da multa pertinente, que neste caso foi de 75%. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo do PASEP os valores referentes às transferências de honorários de sucumbência. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000589/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ATO COOPERATIVO. IMUNIDADE.
Não incide a contribuição previdenciária de que trata o art. 22ª da Lei nº 8.212/91 sobre os valores decorrentes do ato praticado entre a cooperativa e seus cooperados.
Numero da decisão: 2402-006.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, inclusive para o período em que a decadência foi afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do Acórdão nº 9202004.431.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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COOPERATIVA. EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. Recorrente USINA SANTO ANTONIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ATO COOPERATIVO. IMUNIDADE. Não incide a contribuição previdenciária de que trata o art. 22ª da Lei nº 8.212/91 sobre os valores decorrentes do ato praticado entre a cooperativa e seus cooperados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, inclusive para o período em que a decadência foi afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do Acórdão nº 9202004.431. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 05 89 /2 00 7- 17 Fl. 260DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de auto de infração constituído em 24/12/2007 (fl. 35), decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural, da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e da contribuição devida ao SENAR, no período de 01/07/2002 a 31/12/2003. De acordo com o Relatório Fiscal (fl. 27), afirma a autoridade tributária que o crédito tributário decorre de exportações “indiretas” realizadas pela Recorrente cooperada por intermédio da Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Copersucar). O Recorrente interpôs impugnação (fls. 36/85) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto – SP, ao analisar o presente caso (fls. 91/96), julgou o lançamento procedente, entendendo que: (i) não foi realizado nenhum recolhimento parcial que justifique a aplicação do prazo decadência previsto no art. 150, § 4º do CTN; (ii) incidem contribuições sociais sobre as receitas decorrentes da comercialização da produção rural de agroindústrias com adquirente do exterior quando intermediadas por cooperativas; e (iii) o contencioso administrativo não é o foro adequado para discussão da ilegalidade ou inconstitucionalidade das normas. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 101/125) argumentando que: (i) houve o recolhimento parcial dos valores devidos à Seguridade Social, o que justifica a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN no período de julho a novembro de 2002; (ii) deve ser aplicado ao ato cooperativo uma tributação menos onerosa do que as demais atividades mercantis; (iii) a operação realizada entre a Recorrente e a cooperativa está englobada no ato cooperativo; (iv) as receitas decorrentes de vendas ao exterior, mesmo quando realizadas através de cooperativas, são imunes. Ainda, visando aproveitar o parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/09, a Recorrente pediu a desistência parcial do recurso voluntário interposto em relação aos valores devidos a título de SENAR referente ao período de novembro de 2002 a dezembro de 2003 (fls. 129/139). Fl. 261DF CARF MF Processo nº 15956.000589/200717 Acórdão n.º 2402006.440 S2C4T2 Fl. 3 3 Na sessão de julgamento realizada em 19/02/2013, os membros dessa douta 2ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, deram integral provimento ao recurvo voluntário do contribuinte para reconhecer (i) a preliminar de decadência referente ao período de julho a novembro de 2002 e (ii) no mérito, que a operação realizada entre a Recorrente e a cooperativa está englobada no ato cooperativo e que o ato de a cooperativa receber a produção dos cooperados e comercializála com o adquirente no exterior configura ato cooperativo, não implicando em uma operação de mercado, como previsto no parágrafo único, art. 79, da Lei nº 5.764/71 (Acórdão nº 2402003.361 – fls. 168 a 173). Cientificada dessa decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (de fls. 175 / 182) pugnando pelo conhecimento e provimento do referido recurso para que fosse afastada a decadência. Observese, pela sua importância, que o apelo especial da Fazenda Nacional se restringiu à matéria referente à decadência, nada dispondo acerca das razões de mérito analisadas e julgadas por essa douta 2ª Turma Ordinária na sessão de julgamento realizada em 19/02/2013. Após contrarrazões do sujeito passivo, os membros da 2ª Turma da CSRF, por maioria de votos, deram provimento ao Recurso Especial da Fazenda e determinaram o retorno dos autos à turma a quo para manifestação quanto ao mérito, relativamente às competências cuja decadência foi afastada (Acórdão 9202004.431 – fls. 232 / 242). É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Conforme descrito no relatório supra, após julgamento do recurso voluntário do contribuinte e da interposição de recurso especial pela Fazenda Nacional, a 2ª Turma da CSRF, dando provimento ao RESP da Fazenda, determinou o retorno dos autos à turma a quo para manifestação quanto ao mérito, relativamente às competências cuja decadência foi afastada, nos termos da conclusão do voto vencedor daquela decisão, in verbis: Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, porém com retorno dos autos à turma a quo, para manifestação quanto ao mérito, relativamente às competências cuja decadência foi afastada. Fl. 262DF CARF MF 4 Ocorre que, analisando os termos do Acórdão nº 2402003.361 (fls. 168 a 173), por meio do qual o recuso voluntário do contribuinte foi julgado na sessão de 19/02/2013, verificase que, em verdade, já houve análise de mérito e que esta abrange todo o período autuado, o que engloba, por certo, as competências cuja decadência foi afastada pela CSRF. Verifiquese, por exemplo, o excerto abaixo reproduzido do susodito Acórdão nº 2402003.361: A Recorrente pretende ver cancelado o lançamento, pois teria ocorrido a decadência dos valores decorrentes do período de julho a novembro de 2002. Analisando os argumentos apresentados, verificase que lhe assiste razão, pois, diferente da conclusão em que chegou a E. DRJ, analisando os documentos juntados às fls. 116/125, houve o recolhimento parcial das contribuições devidas à Seguridade Social, o que justifica a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º no período de julho a novembro de 2002. Ademais, a Recorrente sustenta que: (i) deve ser aplicado ao ato cooperativo uma tributação menos onerosa de que às demais atividades mercantis; (ii) a operação realizada entre a Recorrente e a cooperativa está englobada no ato cooperativo; e (iii) as receitas decorrentes de vendas ao exterior, mesmo quando realizadas através de cooperativas, são imunes. Como é possível verificar às fls. 27 do relatório fiscal, a autoridade fiscal constatou in loco que de fato as operações realizadas pela Recorrente e a Copersucar configuram uma associação cooperativa, não havendo dúvida de que as operações por elas realizadas resultam em atos cooperativos. Assim, ficou claro que a cooperativa realiza exportações em favor dos cooperados. (...) Deste modo, o ato de a cooperativa receber a produção dos cooperados e comercializála com o adquirente no exterior configura ato cooperativo, não implicando em uma operação de mercado, como previsto no parágrafo único, art. 79, da Lei nº 5.764/71. Em decorrência disso, não há que se falar que a Recorrente auferiu receita bruta de comercialização no mercado interno e, consequentemente, que teria praticado o fato gerador da contribuição em tela. (...) Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, DARLHE TOTAL PROVIMENTO. O dispositivo da referida decisão recebeu a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Ana Maria Bandeira que reconheciam apenas a decadência de parte do período lançado. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 15956.000589/200717 Acórdão n.º 2402006.440 S2C4T2 Fl. 4 5 Como se vê, resta inequívoco que a análise de mérito objeto do Acórdão nº 2402 003.361 abrangeu todo o período autuado, incluindo, por certo, aquele cuja decadência restou afastada pela Colenda 2ª Turma da CSRF. A análise do Discriminativo Analítico de Débito – DAD de fls 04 a 07 só confirma tal conclusão, considerando que em todas as competências foram autuadas as mesmas rubricas. De fato, não seria razoável concluir que o julgamento de mérito em análise se aplicaria a determinadas competências e a outras não, considerando o fato de que todas são compostas pelas mesmas rubricas. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de RATIFICAR o julgamento de mérito objeto do Acórdão nº 2402003.361, para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, com encaminhamento dos autos para a Unidade de Origem, em face do trânsito em julgado do referido julgamento de mérito, considerando que já houve análise de mérito favorável ao sujeito passivo (conforme exposto no presente voto) e que o Recurso Especial da Fazenda Nacional então apresentado se restringiu a pugnar pelo afastamento da decadência. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001877/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA
217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
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PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 18 77 /2 00 9- 78 Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13888.001877/200978 Acórdão n.º 1301003.276 S1C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que suas atividades são desenvolvidas em unidade própria e são voltadas para a realização de exames radiográficos, ultrassonográficos, mamográficos, biópsias, punções e densiometria óssea para apoio a diagnósticos médicos. E que tais atividades fazem jus ao tratamento tributário diferenciado, na apuração do IRPJ e da CSLL, na modalidade de lucro presumido, mediante a aplicação do percentual de 8%, na forma da lei acima citada. O Acórdão recorrido afastou preliminar de nulidade da decisão proferida, e no mérito, afastou precedentes jurisprudenciais, e entendeu que a interessada, sendo sociedade civil de prestação de serviços de diagnóstico por imagem, não configura o conceito de "serviços hospitalares" para fazer jus ao benefício concedido pela norma. Baseou seu entendimento na Solução de Consulta 319/2011 SRF/8ª Região Fiscal e outras normas internas. Acrescenta, ainda, que somente a partir da vigência da Lei 11.727/2008 é que ela poderia ter direito à redução, mas não a fatos anteriores. Além disso, argumentou que para o ano calendário em questão, a interessada não apresentou nenhum elemento capaz de comprovar que prestava serviços hospitalares e que suas atividades se inseriam no conceito de atividade hospitalar definida nos normativos legais. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que não foi realizada pela autoridade fiscal nenhuma diligência para aferir se cumpria requisitos do Ministério da Saúde; bem como traz à tona que a matéria já se encontra pacificada nos tribunais superiores, nos termos do Resp 1.116.399/BA, que já dispensou a necessidade de Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13888.001877/200978 Acórdão n.º 1301003.276 S1C3T1 Fl. 4 3 verificação de existência de estrutura organizada para atendimento. Que a recorrente possui atividades voltadas para a prestação de serviços de diagnósticos por imagens, obtidas das mais diversas formas de energia, como Raio X, Ultrassom, Tomografia e outros, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, que demanda maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. Desnecessária também, qualquer comprovação de estrutura nos termos da Lei 11.727/08, requerendo a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.264, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.001817/2009 55, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.264): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de diagnósticos por imagens, como Raio X, ultrassom, tomografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15, § 1º, inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13888.001877/200978 Acórdão n.º 1301003.276 S1C3T1 Fl. 5 4 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III – trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13888.001877/200978 Acórdão n.º 1301003.276 S1C3T1 Fl. 6 5 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no artº 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1ºde janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.001877/200978 Acórdão n.º 1301003.276 S1C3T1 Fl. 7 6 Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.721831/2015-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9202-007.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11040.721831/201553 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202007.185 – 2ª Turma Sessão de 30 de agosto de 2018 Matéria IRPF Recorrente CARLOS HELEN TAVARES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 18 31 /2 01 5- 53 Fl. 294DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte contra o Acórdão n.º 2201003.767 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 6 de julho de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 103: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. É devida a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, devendose calcular o imposto devido a partir das tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do crédito recebido de forma acumulada. O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 254 e seguintes, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 282 a 285, para rediscutir a decisão recorrida, no tocante ao regime de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente. Aduz o Contribuinte, em síntese, que, do cotejo dos acórdãos paradigmas com o recorrido deve prevalecer o entendimento daqueles, por ser mais consentâneo com a legislação aplicável à matéria. Intimado, a Fazenda apresentou Contrarrazões, fls. 287 e seguintes, nas quais sustenta, em síntese: a) temos que não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja recalculado o valor do imposto, tomandose como base o decidido em sede de recurso repetitivo e recentemente pelo Excelso Pretório; b) deve ser MANTIDO o v. acórdão recorrido, para que seja o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11040.721831/201553 Acórdão n.º 9202007.185 CSRFT2 Fl. 3 3 Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Consoante narrado, a controvérsia suscitada tem como objeto a discussão acerca da manutenção do lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência do regime contábil aplicado ao lançamento, que teve reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. Muito se discute, neste Colegiado, sobre os efeitos da decisão proferida no mencionado RE, que tratou da aplicação do regime de cobrança do imposto de renda incidente "sobre as verbas recebidas, de forma acumulada, em ação judicial", se regime de caixa, previsto no art. 12 da Lei 7.713/88 ou de competência (posteriormente positivado pelo art. 12 A do mesmo diploma legal). Com o reconhecimento da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 12 da Lei 7.713/88, o que determinou a orientação para aplicação do regime de competência, para alguns Conselheiros, os lançamentos relativos aos períodos anteriores à MP 497/2010, que alterou a redação do art. 12A da Lei 7.713/88, devem ser desconstituídos em sua integralidade, pois eivado de vício material, em razão da utilização de critério jurídico equivocado (regime de caixa, quando deveria ser regime de competência). Por outro lado, há entendimento diverso no sentido da manutenção parcial do lançamento com a adequação do lançamento ao regime de competência, pois não há que se falar em vício, mas sim em procedência parcial do lançamento. Compulsandose o RE 614.406, temse que a inconstitucionalidade reconhecida foi parcial e sem redução de texto, ou seja, em uma interpretação conforme a constituição, como se extrai do trecho abaixo da ementa do Acórdão do TRF4: 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. (...). Segundo ensina Pedro Lenza, o STF pode determinar que a mácula da inconstitucionalidade reside em determinada aplicação da lei, ou em dado sentido interpretativo. Neste último caso, o STF indica qual seria a interpretação conforme, pela qual não se configura a inconstitucionalidade. Cabe destacar que não foi declarada a inconstitucionalidade do artigo de lei, razão pela qual não se poderia considerar a nulidade do dispositivo, mas sim a aplicação de uma interpretação conforme, o que afasta a existência de tal nulidade. Corroborando o exposto, cabe mencionar o art. 97 da CF que estabelece a cláusula de reserva de plenário, de modo que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Destacase a existência de Fl. 296DF CARF MF 4 mitigação da mencionada cláusula, dentre outras, quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição, pois não haverá declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. Portanto, restou decidida, na ocasião do julgamento do RE em comento, a aplicação do regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, sendo mantida a exação, naquele caso, em razão da interpretação atribuída. Ademais, não se vislumbra a existência de prejuízo ao contribuinte, tendo em vista que o recálculo a ser aplicado se mostra mais benéfico que o originário, motivo deve ser reformada a decisão recorrida. Assim, entendo inexistente vício insanável apto a macular o lançamento, sendo imperiosa apenas a aplicação do regime de competência, a fim de atender a interpretação conforme a constituição decorrente da análise do RE 614.406. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 297DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.723930/2013-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA
O Princípio da Retroatividade Benigna não afasta a cobrança da multa isolada ou mesmo reduz o seu valor, pois não deixou de existir no ordenamento jurídico e, no caso em tela, tampouco reduziria o valor lançado.
MULTA ISOLADA. BOA-FÉ. AUSÊNCIA DE DOLO OU CULPA
O §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 descreve a conduta infracional e a multa, a despeito da intenção do agente ou de constatação de culpa ou conduta dolosa.
MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM
Não ocorreu o "Bis in Idem". São condutas infracionais distintas (compensação indevida e atraso no pagamento), sobre as quais incidem multas distintas
MULTA ISOLADA. IMPOSIÇÃO, ANTES DA CONCLUSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO
O dispositivo legal estabelece que a simples e isolada ocorrência de não homologação de compensação acarreta em lançamento de ofício da multa isolada. Não obstante, a cobrança da multa isolada estará subordinada à conclusão dos processos em que se discutem as legitimidades do respectivos PER/DCOMP.
MULTA ISOLADA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE
Não cabe ao CARF afastar penalidade prevista em dispositivo legal que esteja plenamente em vigor.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA ISOLADA
Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre a multa de ofício não recolhida no prazo.
Numero da decisão: 3301-004.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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RETROATIVIDADE BENIGNA O Princípio da Retroatividade Benigna não afasta a cobrança da multa isolada ou mesmo reduz o seu valor, pois não deixou de existir no ordenamento jurídico e, no caso em tela, tampouco reduziria o valor lançado. MULTA ISOLADA. BOAFÉ. AUSÊNCIA DE DOLO OU CULPA O §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 descreve a conduta infracional e a multa, a despeito da intenção do agente ou de constatação de culpa ou conduta dolosa. MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM Não ocorreu o "Bis in Idem". São condutas infracionais distintas (compensação indevida e atraso no pagamento), sobre as quais incidem multas distintas MULTA ISOLADA. IMPOSIÇÃO, ANTES DA CONCLUSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO O dispositivo legal estabelece que a simples e isolada ocorrência de não homologação de compensação acarreta em lançamento de ofício da multa isolada. Não obstante, a cobrança da multa isolada estará subordinada à conclusão dos processos em que se discutem as legitimidades do respectivos PER/DCOMP. MULTA ISOLADA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE Não cabe ao CARF afastar penalidade prevista em dispositivo legal que esteja plenamente em vigor. JUROS DE MORA SOBRE MULTA ISOLADA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 39 30 /2 01 3- 74 Fl. 809DF CARF MF Processo nº 11516.723930/201374 Acórdão n.º 3301004.901 S3C3T1 Fl. 810 2 Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Auto de Infração para fins de imposição de multa isolada no valor de R$ 3.227.080,15, pela não homologação das Compensações vinculadas ao Pedido de Ressarcimento tratado no processo nº 10983.911354/201180. A penalidade aplicada corresponde a 50% (cinquenta por cento) do valor do crédito não compensado, nos termos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010. A penalidade aplicada corresponde a 50% (cinquenta por cento) do valor do crédito não compensado, nos termos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010. A impugnante contesta a autuação alegando, inicialmente, a impossibilidade da aplicação da penalidade com base na tese de que não se aplica ao caso o artigo 136 do Código Tributário Nacional. Defende que a responsabilidade por infração tributária não é objetiva, como entende a fiscalização, mas subjetiva e que, portanto, a culpa do contribuinte (ou o dolo, em alguns casos) deve ser provada pela Fiscalização. Acrescenta que, mesmo que se admitisse a objetividade da responsabilidade em matéria tributária, à Fiscalização cabia comprovar que o exercício regular do direito à compensação da Impugnante, pautado na boafé, causou qualquer dano ao Erário ou à Administração Pública. Alega que a multa em questão não poderia ter sido lançada em concomitância com a multa de mora já exigida pela Fiscalização, ao não homologar a compensação, por caracterizar bis in idem. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 11516.723930/201374 Acórdão n.º 3301004.901 S3C3T1 Fl. 811 3 Defende que a penalidade aplicada deve ser cancelada, vez que somente poderia ser exigida depois de encerrado o processo administrativo relativo a não homologação da compensação. Com argumentos de variada ordem, aduz que a multa aplicada ofende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Por fim, suscita a ilegalidade da incidência de juros moratórios sobre a multa isolada, com base no argumento de que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/1996, resta evidente que somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias. Diante de todo o exposto, pede que seja dado provimento à sua impugnação e cancelado o auto de infração. Da revisão do acórdão Verificada inexatidão material devido a erro no cálculo do crédito passível de ressarcimento, o processo retornou à DRJ para prolação de acórdão revisor, em substituição do Acórdão nº 0735.254, de 30 de julho de 2014. É o relatório." A ADJ em Florianópolis (SC) julgou a impugnação procedente em parte e o Acórdão n° 0736.188, de 10/12/14, foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. A partir da vigência da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, deve ser lavrado Auto de Infração para a aplicação da multa isolada no valor correspondente a 50% (cinquenta por cento) do valor do crédito objeto de compensação não homologada. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. INTENÇÃO DO CONTRIBUINTE. Os dispositivos instituidores da multa isolada aplicável nos casos de compensação não homologada não condicionam sua aplicação à intenção do contribuinte ao apresentar a declaração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos contidos na impugnação e adicionou o tópico "Da revogação da Multa Isolada Retroatividade Benigna". Com este novo argumento, requer que a multa isolada seja cancelada, pois teria sido revogada, quando da alteração da redação do § 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 na data da autuação, dispunha que a multa seria calculada sobre o valor do crédito, e, atualmente, Fl. 811DF CARF MF Processo nº 11516.723930/201374 Acórdão n.º 3301004.901 S3C3T1 Fl. 812 4 sobre o valor do débito. Com a revogação da multa, o lançamento de ofício deve ser cancelado, por força da aplicação do Princípio da Retroatividade Benigna", esculpido no art. 106 do CTN É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recuso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de auto de infração para cobrança de multa isolada por compensação (DCOMP) considerada indevida, em razão de ter sido instruída por Pedido de Ressarcimento (PER), cujos créditos foram glosados, em sede do processo n° 10983.911354/201180, que se encontra nesta pauta para julgamento. Em preliminar,a recorrente lista processos administrativos que reputa que devem ser julgados em conjunto, pois são conexos. Está correta: todos estão nesta pauta para julgamento. Passemos à análise dos argumentos de defesa. "III 1 Da revogação da Multa Isolada Retroatividade Benigna" Aduz que a infração teria deixado de existir no ordenamento jurídico, com a alteração na redação do § 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, onde foi capitulada a autuação: na data da autuação, dispunha que a multa seria calculada sobre o valor do crédito, e, atualmente, sobre o valor do débito. Sendo assim, aplicarseia o princípio da retroatividade benigna (art. 106 do CTN) e, por conseguinte, deverseia cancelar o lançamento de ofício. Reproduzo, com os destaques necessários, as redações do citado dispositivo legal que estavam em vigor na data da autuação e atual, bem como do art. 106 do CTN: Redação na data da autuação § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Redação atual, após a alteração promovida pela Lei n° 13.097/15 § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Art. 106 do CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 812DF CARF MF Processo nº 11516.723930/201374 Acórdão n.º 3301004.901 S3C3T1 Fl. 813 5 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A meu ver, não assiste razão à recorrente. É cediço que deve ser adotada a legislação que se encontrava em vigor na data da ocorrência da infração. Não obstante, em se tratando de penalidade pelo cometimento de infração, recorrese ao Princípio da Retroatividade Benigna, quando a conduta compensação indevida deixa de ser tratada como infração ou ainda na hipótese de a pena (multa isolada) ser reduzida. Neste último caso, o menor valor passaria a ser o devido. Contudo, da leitura da nova redação do §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, verificase que a compensação continua sendo tipificada como infração. E, no caso em tela, o cálculo da multa sobre o valor do débito também não produz efeito no valor do lançamento de ofício, uma vez que o crédito foi integralmente utilizado para compensação com débitos (vide Termo de Verificação Fiscal, fls. 207 a 210). Isto posto, nego provimento aos argumentos da recorrente. "III . 2 Da Impossibilidade de Aplicação da Multa Isolada no Presente Caso" "III.2.1 Da Correta Interpretação do Artigo 136 do CTN Da Boafé da Recorrente Impossibilidade de Penalização da Boafé" Alega que a multa em comento somente poderia ser exigida, quando restasse comprovado que o contribuinte agira com dolo ou culpa, o que não ocorreu. Não se pode punir a boafé do contribuinte. E afirma ainda que: "23. Nesse particular, importante a análise do artigo 136 do Código Tributário Nacional ("CTN"), cuja leitura desatenta poderia levar a essa conclusão: "'Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislacão tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.' Fl. 813DF CARF MF Processo nº 11516.723930/201374 Acórdão n.º 3301004.901 S3C3T1 Fl. 814 6 24. Uma análise acurada do dispositivo mostra que o artigo 136 do CTN não introduz a responsabilidade objetiva em matéria de infrações tributárias. Localizar nele o fundamento para a responsabilização objetiva decorre além da inobservância do sistema tributário como um todo de equívocos na interpretação das expressões 'salvo disposição de lei em contrário' e 'independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato'". O acima transcrito §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 descreve a conduta infracional e a multa, a despeito da intenção do agente ou de constatação de culpa ou conduta dolosa. E, ao contrário do que entende a recorrente, entendo que este posicionamento encontra respaldo no art. 136 do CTN. Assim, nego provimento. "III.2.2 Da Ilegalidade da Concomitância da Multa Isolada com a Multa de Mora Ocorrência de Bis in Idem" O título é autoexplicativo e dispensa maiores explicações. Nego provimento, pois entendo que não ocorreu o "Bis in Idem". São condutas infracionais distintas (compensação indevida e atraso no pagamento), sobre as quais incidem multas distintas. "III.2.3 Da Impossibilidade de Imposição da Multa Antes do Término da Discussão na Esfera Administrativa" Aduz que a multa isolada somente poderia ser lançada, após o término do processo que trata do PER (processo n° 11516.721887/201141). Antes disto, configurase como uma antecipação de aplicação de penalidade, o que não encontra respaldo legal. Nego provimento ao argumento, posto que: i) o dispositivo legal estabelece que a simples e isolada ocorrência de não homologação de compensação acarreta em lançamento de ofício da multa isolada; e ii) em se constituindo litígios administrativos, tal qual na situação em questão, a cobrança da multa isolada estará subordinada à conclusão dos processos em que se discutem as legitimidades do respectivos PER/DCOMP. "III.2.4 Da Ofensa aos Princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade" Invoca os princípios esculpidos no art. 2° da Lei n° 9.784/99 para obter o cancelamento da multa isolada. Não cabe ao CARF afastar penalidade prevista em dispositivo legal que esteja plenamente em vigor. Portanto, nego provimento. "III.2.5 Da Ilegalidade da Incidência de Juros sobre a Multa Isolada" A Recorrente requer que seja afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa isolada, quando da eventual cobrança do crédito lançado, sob a alegação de que não há base legal para tanto. Argumenta ainda que a multa não se presta a "repor o capital alheio, mas sim punir o não cumprimento da norma", ao contrário dos os juros que "possuem natureza essencialmente indenizatória". Fl. 814DF CARF MF Processo nº 11516.723930/201374 Acórdão n.º 3301004.901 S3C3T1 Fl. 815 7 Tratase de matéria em relação à qual controversa já foram proferidas decisões favoráveis (Acórdãos n° 3402002.856 e 3402002.901 da 2° Turma da 4° Câmara da 3° Seção) e desfavoráveis (Acórdãos n° 1402002.065 da 2° Turma da 4° Câmara da 1° Seção e 9303003.385 da 3° Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) aos contribuintes. Consigno que discordo da interpretação da Recorrente. Dispõe o art. 113 do CTN: " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (. . .)" (grifo nosso) A redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de conceituados tributaristas, que repudiam o fato de o conceito de obrigação tributária compreender tributo e penalidade. Contudo, não deixar de aplicálo. Assim, o conceito de obrigação tributária abrange tributos e multa. Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (. . .)" (grifo nosso) Portanto, é lícita a incidência de juros sobre a obrigação tributária, consistente em tributo e/ou penalidade pecuniária. Neste sentido, apresentouse o entendimento do STJ no AgRg no REsp n° 1335688/PR (DJ de 10/12/2012): "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido." (grifo nosso) Sobre a taxa de juros a ser aplicada, reportome à Súmula CARF n° 4: Fl. 815DF CARF MF Processo nº 11516.723930/201374 Acórdão n.º 3301004.901 S3C3T1 Fl. 816 8 "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Nego provimento às alegações concernentes à ausência de base legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Conclusão Nego provimento ao recurso voluntário. Para fins de liquidação do acórdão, deve ser observada a decisão proferida em sede do processo n° 10983.911354/201180. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 816DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.916956/2012-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 24/12/2010
JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.
Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 24/12/2010
PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Inexistindo prova capaz para infirmá-la, ainda que o contribuinte tenha sido provocado para tal providência pela decisão recorrida, mantém-se o que foi nesta foi decidido, em face da inexistência do crédito indicado no presente Per/Dcomp para acobertar débito nele confessado.
Numero da decisão: 3001-000.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 24/12/2010 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 24/12/2010 PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Inexistindo prova capaz para infirmá-la, ainda que o contribuinte tenha sido provocado para tal providência pela decisão recorrida, mantém-se o que foi nesta foi decidido, em face da inexistência do crédito indicado no presente Per/Dcomp para acobertar débito nele confessado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
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Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 24/12/2010 PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Inexistindo prova capaz para infirmála, ainda que o contribuinte tenha sido provocado para tal providência pela decisão recorrida, mantémse o que foi nesta foi decidido, em face da inexistência do crédito indicado no presente Per/Dcomp para acobertar débito nele confessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 69 56 /2 01 2- 19 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10680.916956/201219 Acórdão n.º 3001000.537 S3C0T1 Fl. 186 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0955.684, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora DRJ/JFA que, em sessão de julgamento realizada no dia 26.11.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 25424.52749.250811.1.3.041225. Da síntese dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 85 a 89), verbis: Relatório Trata o presente processo da DCOMP eletrônica nº 25424.52749.250811.1.3.041225, transmitida com objetivo de declarar a compensação do(s) débito(s) nela apontado(s), com crédito no montante de R$ 31.372,64 proveniente de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins relativo a DARF no valor total de R$ 53.425,80 recolhido em 24/12/2010 e código de recolhimento 5856. A matéria foi objeto de análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado e, após as referidas verificações, foi proferida decisão por intermédio do Despacho Decisório eletrônico que concluiu: ... foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas contrarazões alegando: ... não há motivo para indeferimento da compensação pleiteada, vez que o que houve foi um erro meramente material, já corrigido por meio de retificação da DCTF. ... a MANIFESTANTE admite os erros que cometeu, tendo sido descumprido, de certa forma, o requisito previsto no § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Todavia, deve ser privilegiada, sempre que possível, a busca pela verdade material ..., uma vez que eventual preenchimento incorreto da PER/DCOMP ... ou da DCTF não retira, por si só, o direito de crédito ... Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10680.916956/201219 Acórdão n.º 3001000.537 S3C0T1 Fl. 187 3 É o relatório. Da ementa da decisão recorrida A 2ª Turma da DRJ/JFA, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 24/12/2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A inexistência de direito creditório impede a homologação da compensação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 24/12/2010 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese do "TERMO DE CIÊNCIA E NOTIFICAÇÃO" (efls. 92/93) e Aviso de Recebimento AR (efls. 94/95), conheceu do teor do acórdão vergastado em 23.12.2014, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 23.01.2015, registra a apresentação do presente recurso voluntário, é o que expressa o "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efls. 183). Do recurso voluntário Após ser cientificado da decisão vergastada, o recorrente comparece uma vez mais aos autos para, em sede de recurso voluntário, pleitear a reforma do referido acórdão de manifestação de inconformidade. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10680.916956/201219 Acórdão n.º 3001000.537 S3C0T1 Fl. 188 4 No entanto, destaquese, faz uso deste expediente recursal para tão somente reprisar os argumentos já tecidos em sede de manifestação de inconformidade; apresentando, afora a cópia da decisão recorrida, idêntica documentação, por entender tratarse de elementos de prova suficiente para o êxito em seu pleito. Do encaminhamento Em razão disso, na mesma data, ou seja, em 23.01.2015, os presentes autos ascenderam ao Carf (efl. 184), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 23.01.2015, depois da ciência do acórdão recorrido, ocorrida em 23.12.2014; portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Da jurisprudência administrativa Cabe esclarecer que, no que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos jurisprudenciais indicados pelo recorrente, somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do artigo 100 do Código Tributário Nacional CTN. Porém, não obstante essa observação, cabe aqui evidenciar que é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente, entendimento este corroborado por robusta jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme exemplificam as seguintes ementas, verbis: DIREITO CREDITÓRIO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O sujeito passivo tem direito à restituição e/ou compensação de tributo pago/retido a maior que o devido em face da legislação tributária ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Entretanto, deve comprovar com documentos hábeis e idôneos o indébito efetivamente apurado. Recurso Voluntário Procedente em Parte (1º CC, 1ª Câmara, Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10680.916956/201219 Acórdão n.º 3001000.537 S3C0T1 Fl. 189 5 Rec. Voluntário nº 160140, Proc. nº 10283.001953/9814, Rel. Valmir Sandri, Acórdão nº 10197098, Sessão de 19/12/2008) COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. A compensação de créditos tributários autorizada pela legislação fica condicionada à liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo com a Fazenda Pública. Ausência de prova cabal por parte do contribuinte da existência dos créditos compensados acarreta o indeferimento. Recurso provido em parte. (2º CC, 2ª Câmara, Rec. Voluntário nº 239449, Proc. nº 10580.012408/200436, Rel. Domingos de Sá Filho, Acórdão nº 20219119, Sessão de 02/07/2008") COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração contábil e fiscal e documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. (Acórdão 380302.491 3ª Turma Especial, Terceira Seção do CARF, processo administrativo 10467.902984/200988) Do mérito A 2ª Turma da DRJ/JFA proferiu decisão nos termos acima indicados, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e não homologando a Per/Dcomp 25424.52749.250811.1.3.041225. Sintetizando os argumentos do recorrente, temos que defende a tese segundo a qual a apresentação do "Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais" Dacon e da "Demonstração de Débitos e Créditos Tributários Federais" DCTF, ambas retificadoras constituise em elementos de prova suficiente para comprovar a existência do crédito pleiteado. Não assiste razão ao recorrente. De outro modo, da decisão recorrida emergem trechos que infirmam o entendimento manifestado na presente petição recursal. De início, didaticamente, a relatora do voto condutor da decisão a quo pontua que o "processo trata de suposto excesso de pagamento de crédito tributário constituído por declaração do próprio contribuinte: a DCTF". Esclarece que a "apuração de tributos é realizada na contabilidade do contribuinte, sendo seu valor informado à Administração Tributária por meio de DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), declaração que constitui confissão de dívida nos termos do artigo 5º, § 1º, do Decretolei nº 2.124, de 1984, (...)". Ainda, de forma professoral, adverte que além "de confessar o débito nos valores constantes da DCTF, o contribuinte tomou a iniciativa de quitálo via pagamento do montante integral". Sendo que, em tais circunstâncias, "é incontestável que, segundo informações constantes da DCTF apresentada até a data entrega do PER/DCOMP e até a ciência do Despacho Decisório, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação". Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10680.916956/201219 Acórdão n.º 3001000.537 S3C0T1 Fl. 190 6 Diante desta premissa, a nobre relatora, de maneira absolutamente clara, concluiu que caberia "ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido não é aquele declarado na DCTF", mas que, no entanto, nada "mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido". Finalizando sua apropriada linha de raciocínio, a relatora, em face das circunstâncias destes autos, assenta que "a DCTF retificadora foi entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e também após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação e, ainda, que não foram trazidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, concluise que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise e que não há direito creditório a ser reconhecido para a compensação pretendida". Além disso, não bastasse tudo o que já delineado, a relatora fez questão de ressaltar "que tanto a DIPJ como a Dacon tem natureza meramente informativa, não possuindo atributo de confissão de dívida". Portanto, constatase no caso ora sob exame que o acórdão recorrido, analisando em sua completude o conteúdo da manifestação de inconformidade que tratava da não homologação da compensação declarada, fez questão de esclarecer que não bastava ao contribuinte, para fins de averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, a trazida aos autos do "Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais" Retificador, referente ao mês/ano de apuração NOV/2010, recepcionado pelo Agente Receptor Serpro, em 13.06.2011, e da "Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais" Retificadora, também referente ao mês/ano de NOV/2010, recepcionado pelo Agente Receptor Serpro, em 30.11.2012, desacompanhado da escrituração contábil, dos documentos fiscais e/ou demais documentos hábeis e idôneos para comprovar o que constava registrado no Per/Dcomp 25424.52749.250811.1.3.041225. Neste contexto fático, faço absoluta questão de esclarecer que este Colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplacarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. No entanto, o recorrente, ao manterse fiel à linha argumentativa, mesmo sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua escrituração contábil fiscal, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em provar o direito que alega possuir, impedindo, in totum, que este julgador aventasse, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10680.916956/201219 Acórdão n.º 3001000.537 S3C0T1 Fl. 191 7 Em suma, constatase que no caso destes autos, o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. Estando o débito tributário formalmente constituído, para que se pudesse infirmálo seria necessária prova de sua inexatidão, pois, neste caso, o ônus da prova cabe ao interessado artigo 36 da Lei 9.784 de 31.01.1999 Lei de Procedimento Administrativo e inciso I do artigo 373 da Lei 13.105 de 16.032015 Código de Processo Civil CPC. Sem os devidos elementos de prova hábeis do direito creditório do recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN Lei 5.172 de 25.10.1966, mostrase impraticável desconstituir o que formalmente foi constituído, pelo próprio contribuinte, por meio da DCTF original e tempestivamente entregue. Dessa forma, entendo não haver qualquer reparo quanto à análise e consequente conclusão chegada pela instância a quo. Da conclusão Com estas considerações, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.905024/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO DE CRÉDITOS E DÉBITOS ALCANÇADOS PELA PRESCRIÇÃO. DECRETAÇÃO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART.332, §1º E ART.487, II DO CPC/2015.
Declara-se liminarmente improcedente o pedido quando se verificar a ocorrência de prescrição, com resolução de mérito.
Numero da decisão: 3401-005.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, diante da impossibilidade jurídica tanto de compensação do crédito quanto de cobrança do débito, caso este não esteja inscrito em dívida ativa.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PER/DCOMP. DECLARAÇÃO DE CRÉDITOS E DÉBITOS ALCANÇADOS PELA PRESCRIÇÃO. DECRETAÇÃO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART.332, §1º E ART.487, II DO CPC/2015. Declara-se liminarmente improcedente o pedido quando se verificar a ocorrência de prescrição, com resolução de mérito.
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DECLARAÇÃO DE CRÉDITOS E DÉBITOS ALCANÇADOS PELA PRESCRIÇÃO. DECRETAÇÃO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART.332, §1º E ART.487, II DO CPC/2015. Declarase liminarmente improcedente o pedido quando se verificar a ocorrência de prescrição, com resolução de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, diante da impossibilidade jurídica tanto de compensação do crédito quanto de cobrança do débito, caso este não esteja inscrito em dívida ativa. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 50 24 /2 01 2- 63 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13971.905024/201263 Acórdão n.º 3401005.336 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de Declaração de Compensação nº 31195.57355.090810.1.3.041456, transmitida na data de 09/08/2010, indicando um crédito de COFINS no valor de R$ 38.543,02 como sendo parte do valor do DARF referente ao período de apuração 30/11/2004, com data de arrecadação 15/12/2004, no valor de R$ 79.141,93; o débito no total de R$ 13.780,73 referese a PIS/PASEP de 05/2005 no valor de 372,27, COFINS de 05/2005 no valor de 982,02 e IRPJ do 2º Trimestre/2005 no valor de 12.426,44 todos acrescidos de multa e juros. A DRF de Blumenau/SC em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.23), pela não homologação da compensação declarada, com a seguinte fundamentação: Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), solicitando o cancelamento do PER/DCOMP, bem como a extinção do crédito tributário apurado no referido Despacho Decisório, suportados em quatro pontos: 2. Tal entendimento consubstanciouse no fato de estar extinto o direito de utilização do crédito, por terem se passado mais de 5 anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/COMP. 3. Ocorre que assim como o crédito estava prescrito, também os débitos que se pretendia compensar com a Declaração de Compensação estavam prescritos. Ditos débitos datam de maio/2005, conforme consta às fls. 05 da Declaração de Compensação em anexo, no item Débitos Compensados. 4. Ora Eméritos Julgadores, de acordo com o art. 174 do CNT, a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 anos, contados da sua constituição definitiva. 5. Deste modo, indevida a cobrança do valor devedor consolidado de R$ 7.640,79, eis que os impostos constantes daquela compensação estavam prescritos, assim como o próprio crédito do contribuinte. Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/BHE, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com fundamentos sintetizados na ementa as seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13971.905024/201263 Acórdão n.º 3401005.336 S3C4T1 Fl. 4 3 Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. VEDAÇÃO. É vedado o cancelamento de declaração de compensação após já ter sido proferido o Despacho Decisório pela autoridade a quo competente. PRESCRIÇÃO DO DÉBITO INDEVIDAMENTE COMPENSADO. Entre a apresentação do PER/DCOMP e até que flua o prazo para a interposição do recurso administrativo contra sua não homologação, ou enquanto não for decidido o recurso dessa natureza de que se tenha valido o contribuinte, não corre prazo para prescrição. Findo o prazo para interposição do recurso administrativo, sem que ela tenha ocorrido, ou decidido o recurso administrativo interposto pelo contribuinte, há a constituição definitiva do crédito tributário, começando a fluir, daí, o prazo de sua prescrição. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário nos termos do despacho de encaminhamento de fls.70, contra a decisão de primeiro grau, repetindo em sua literalidade a manifestação de inconformidade. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A questão central da lide restringese no seguinte ponto: da eficácia da PER/DCOMP apresentada com relação tanto ao crédito apontado como aos débitos relacionados, com a pretensão de promover a quitação via compensação. Quanto ao crédito indicado foi esclarecido pela autoridade fiscal no Despacho Decisório, com plena concordância da interessada que o tempo transcorrido entre a data de pagamento do DARF (15/12/2004), que teria dado origem ao indébito fiscal e a data de transmissão do PER/DCOMP (09/08/2010), havia transcorrido mais de 5 (cinco) anos. Dessa forma se materializou a perda do direito de reivindicar restituição de tributo pago a maior que o devido (art.174 do CTN). Quanto ao débito cuja compensação foi declarada na PER/DCOMP que instrui esse processo, referese a tributos sujeitos a lançamento por homologação e uma vez declarado sujeitamse ao prazo prescricional de sua cobrança em igual período de 5 (cinco) Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13971.905024/201263 Acórdão n.º 3401005.336 S3C4T1 Fl. 5 4 anos contados do fato gerador. Todos os débitos têm como base de sua apuração o 2º Trimestre/2005 e a data de transmissão da PER/DCOMP é 09/08/2010. O autor do acórdão recorrido fez constar que “O despacho decisório contestado não é instrumento de constituição de nenhum crédito tributário”. Portanto, o crédito tributário já havia sido constituído e sua cobrança reportase a época do fato gerador, atualizandoo com juros e multa, contado de seu vencimento original. O débito declarado na PER/DCOMP pela Recorrente é visto do lado do fisco como um crédito tributário a ser exigido do devedor, como se nascido da própria declaração. O débito informado em PER/DCOMP equivale a confissão de dívida, atestando procedência e verdade ao débito já declarado e nesse aspecto é que recai a lide. Verificamos que o débito envolvido reportase ao período de apuração maio/2005, para o PIS e COFINS e 2º Trimestre/2005 para o IRPJ, portanto fora do alcance do fisco de exigilo quando incluídos em PER/DCOMP (09/10/2010). Esse limite encontrase estabelecido no mesmo dispositivo atribuído ao crédito (art.174 do CTN), que somado ao que está previsto no art. 156, V do CTN dáse a prescrição como forma de extinção do crédito tributário. O art. 174 do CTN dispõe que a ação de cobrança do crédito tributário (para o Fisco) prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. O débito declarado pelo contribuinte e não pago em seu vencimento tornase passível de inscrição em dívida ativa, portanto, hábil a execução de sua cobrança. O STF tem firmado posição que no caso de DCTF entregue e não recolhido o tributo e/ou contribuição, a entrega da Declaração já é o lançamento, iniciandose de pronto a contagem do prazo prescricional (AgRg no REsp 1005012/SC). O STJ para facilitar o reconhecimento da prescrição tributária e promover a celeridade processual editou a Súmula 409 com seguinte teor: "Em execução fiscal, a prescrição ocorrida antes da propositura da ação pode ser decretada de ofício". Teve como referência o parágrafo 5º do art. 219 do Código de Processo Civil (CPC) e vários precedentes daquela Corte. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, diante da impossibilidade jurídica tanto de compensação do crédito quanto de cobrança do débito, caso este não esteja inscrito em dívida ativa. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13971.905024/201263 Acórdão n.º 3401005.336 S3C4T1 Fl. 6 5 Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 18239.006909/2008-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - COMPROVAÇÃO
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA Recorrente ROSALVO MARIANO DA SILVA NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DEDUÇÃO INDEVIDA DESPESA MÉDICA COMPROVAÇÃO As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 69 09 /2 00 8- 17 Fl. 102DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 08 a 12), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.287,78, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 01 a 49 dos autos, conforme decisão da DRJ: De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal à fl. 07 foi apurada dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 11.955,50. O contribuinte concorda parcialmente com a glosa efetuada, nos termos da impugnação e das petições de fls.37 e 48. Elaborou demonstrativo das despesas que foram impugnadas no valor de R$11.005,00 A impugnação foi apreciada na 2ª Turma da DRJ/RJ2 que por unanimidade, em 28/01/2011, no acórdão 1333.274, às efls. 70 a 75, julgou a impugnação parcialmente procedente, afastando as seguintes glosas: Já com relação aos recibos dos médicos : Sylvio Ludolf Neto (R$ 2.500,00 + R$1.200,00), Pedro A. Pabst (R$ 100,00 + R$ 250,00), devem ser acatados uma vez que além de estar suprida a especificação do paciente estão de acordo com a legislação de regência. (...) Ainda quanto ao assunto em debate, cumpre transcrever orientação desta Secretaria espelhada por meio do "Perguntas e Respostas" relativo ao exercício de 2004, anocalendário de 2003, com disposição idêntica ao do exercício anterior: PLANO DE SAÚDE — DECLARAÇÃO EM SEPARADO 352 — O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos no plano que declarem em separado? Como regra geral, somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem Fl. 103DF CARF MF Processo nº 18239.006909/200817 Acórdão n.º 2002000.288 S2C0T2 Fl. 103 3 considerados dependentes. Contudo, na hipótese em que os filhos e o outro cônjuge constarem do plano, e, embora podendo ser considerados dependentes perante a legislação tributária, apresentarem declarações em separado, pode ser deduzido na declaração de ajuste do titular do plano o valor integral pago ao plano, desde que não seja utilizada como dedução nas declarações dos dependentes, (grifei) Aplicandose tais dispositivos ao caso em exame, e tendo em vista os valores espelhados pelo documento de fl. 33, concluise pelo restabelecimento parcial da glosa no valor de R$ 4337,50. Isto porque, no que tange à esposa do contribuinte, Senhora Dirce Mariano da Silva (CPF 05510988720), em pesquisa realizada nos sistemas desta Secretaria, restou comprovada a não utilização da dedução ora em análise pela referida senhora, já que a mesma entregou Declaração para o exercício de 2004 pelo modelo simplificado. A ressaltar que, atualmente, o entendimento desta Secretaria para o assunto em tela foi modificado, pois a orientação contida no "Perguntas e Respostas" relativo ao exercício de 2009, anocalendário de 2008, consoante pergunta n° 358, é a de que o contribuinte, titular de plano de saúde, não pode mais deduzir os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado, pois somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Desta forma, cabe alterar o demonstrativo de crédito tributário conforme abaixo demonstrado, considerando as despesas médicas devidamente comprovadas no valor total de R$8.387,50 ((R$ 2.500,00 + R$1.200,00+R$ 100,00 + R$ 250,00+R$4337,50): (...) A decisão da DRJ consigna que o recorrente não apresentou impugnação quanto as deduções das seguintes despesas médicas: Cumpre observar que no presente caso o impugnante não contestou a dedução indevida de despesas médicas referente ao valor total de R$ 950,00 (Dr. Nahaliel Pessoa Rodrigues R$ 800,00 e Dra. Rossana Guimarães Rodrigues Moreira R$ 150,00). Considerase, então, parte da infração como matéria não impugnada, encontrandose fora do presente litígio. Recurso Voluntário Fl. 104DF CARF MF 4 Ainda inconformado, em sede preliminar, o contribuinte impugna as seguintes glosas, conforme razões apresentadas no Recurso: Assim, este recurso é no sentido de validação dos 4 recibos médicos (valor total de R$ 1.754,00) glosados pela segunda vez por estarem "sem o endereço do médico", endereços esses agora encaminhados. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 15/03/2011, efls. 79, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 11/04/2011, efls. 84, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Como o presente processo trata de glosas de diversas despesas médicas, cabe um breve histórico da autuação para melhor análise, permitindo a delimitação da lide. Inicialmente, lavrouse auto de infração em face do contribuinte relativamente as seguintes glosas de despesas médicas: · LIACYR RIBEIRO R$ 1.000,00; · SYLVIO LUDOLF NETO R$ 3.700 ,00; · NAHALIEL PESSOA RODRIGUES R$ 800,00; · R0SSANA GUIMARÃES RODRIGUES MOREIRA R$ 150,00; · PEDRO ANTONIO PABST R$ 350,00; · KANZIRO ARAKAKI R$ 75,00; · MARCELO POTIER MAYER R$ 270,00; · LUIS CLÁUDIO SOARES TOLEDO R$ 400,00; · SOCIEDADE BNF DOS SRV DAS E DA I DO E DO RIO DE JANEIRO R$ 5.210, 50; Como constante no relatório do presente voto, a DRJ afastou a glosa das seguintes despesas médicas: · SYLVIO LUDOLF NETO R$ 3.700 ,00; · PEDRO ANTONIO PABST R$ 350,00; · SOCIEDADE BNF DOS SRV DAS E DA I DO E DO RIO DE JANEIRO R$ 4.337,50. Ainda, o contribuinte não contestou as seguintes glosas: Fl. 105DF CARF MF Processo nº 18239.006909/200817 Acórdão n.º 2002000.288 S2C0T2 Fl. 104 5 · R0SSANA GUIMARÃES RODRIGUES MOREIRA R$ 150,00; · NAHALIEL PESSOA RODRIGUES R$ 800,00; As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Fl. 106DF CARF MF 6 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 18239.006909/200817 Acórdão n.º 2002000.288 S2C0T2 Fl. 105 7 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do Fl. 108DF CARF MF 8 valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em Fl. 109DF CARF MF Processo nº 18239.006909/200817 Acórdão n.º 2002000.288 S2C0T2 Fl. 106 9 contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Nesta linha segue a jurisprudência deste CARF: IRPF — GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes, cujo pagamento estiver especificado e comprovado, conforme disposição do artigo 8º, inciso II, alínea "a", § 2 º, da Lei n° 9.250/95. (Acórdão nº 9202003.560 Sessão de 28 de janeiro de 2015 Ainda, subsistem a glosa das despesas médicas com os seguintes profissionais: · LIACYR RIBEIRO R$ 1.000,00; · KANZIRO ARAKAKI R$ 75,00; · MARCELO POTIER MAYER R$ 270,00; · LUIS CLÁUDIO SOARES TOLEDO R$ 400,00; Às efls. 15 há recibo do profissional LIACYR RIBEIRO , no importe de R$ 1.000,00, constando a identificação do profissional; às efls. 20 há recibo de KANZIRO ARAKAKI , no valor de R$ 75,00; às efls. 21 há recibo de MARCELO POTIER MAYER, R$ 270,00; por fim, às efls. LUIS CLÁUDIO SOARES TOLEDO, R$ 400,00, motivo pelo qual afasto as glosas das despesas médicas, pois devidamente comprovadas. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, afastando as glosas das despesas médicas no valor de o valor de R$ 1.745,00. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 110DF CARF MF 10 Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13836.000196/2006-55
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESA E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES — ANO CALENDÁRIO: 1997.
INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. A inclusão retroativa no SIMPLES
opera-se a partir do ano de reinicio da atividade do Contribuinte, sem produção de efeitos durante o período de inatividade.
Numero da decisão: 1302-000.648
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. A inclusão retroativa no SIMPLES opera-se a partir do ano de reinicio da atividade do Contribuinte, sem produção de efeitos durante o período de inatividade. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' câmara / 2' turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. C Marcos Rodrigues de Mello — Relator AD HOC e Presidente EDITADO EM: O 6 13,0 33 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (Presidente), Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi. DF CARI: MF Processo n° 13836.000196/2006-55 SI C3T2 Acórdão n.° 1302-00.648 Relatório Trata-se de pedido de enquadramento no Simples com efeitos retroativos A 01/01/1997, justificando o contribuinte: não possuir atividade impeditiva; que esteve inativo desde 1995, somente retomando suas atividades em 2006; que seu comportamento "como simples" pode ser comprovado pela sua Declaração de Enquadramento de Microempresa, e pela declaração do ano-calendário 1993, demonstrando seu faturamento. A Delegacia da Receita Federal em Jundiai indeferiu a solicitação (fl. 20), fundamentando que, não foram observados os requisitos do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16 de 2002 para o deferimento, pois: seu comportamento não comprova opção pelo Simples, pois não houve entrega das declarações simplificadas para os anos-calendário 1997 a 1999; não se pode verificar a admissibilidade quanto à natureza da atividade, porquanto somente se anexou cópia de alteração contratual datada de 07/04/2006; constatou-se a existência de débitos junto à PGFN, inscrição n°80696140980-00, de 27/12/1996. Cientificado do indeferimento de seu pedido em 22/08/2006 (fl. 23), o interessado apresentou manifestação de inconformidade 19/09/2006 (fls. 24/32), alegando que: não consta entrega de declarações porque estava inativo; no que tange à sua atividade, anexa cópias de Registro de Firma Individual de vários períodos, demonstrando que sua atividade nunca foi impeditiva à opção pelo Simples; não tinha ciência do débito inscrito junto A PGFN, mas prontamente o liquidou. A DRJ decidiu: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1997 DEBITO INSCRITO EM DiVIDA ATHA. As pessoas jurídicas com débitos inscritos em Divida Ativa da União, em nome próprio ou de seus sócios, cuja exigibilidade não esteja suspensa, estão vedadas de optar pelo Simples. Destaca-se na decisão recorrida: "Em razão da inatividade do contribuinte desde o ano-calendário 1995, conforme afirma, e em parte corroborada pelas declarações de inatividade entregues para os anos-calendário 2000 a 2005 16), não tern efeito seu pedido de inclusão retroativa no Simples a partir de 1997, mas apenas a partir do ano em que diz ter retomado suas atividades, qual seja, 2006. Ainda que pudesse ser considerada urna inclusão retroativa a partir de 1997, face à constatação da existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União sem exigibilidade suspensa desde 27/12/1996, impedida a opção pelo Simples a partir desse ano Por outro lado, ao considerar o pedido retroativatnente ao ano- calendário 2006, em razão de o contribuinte ter regularizado o débito inscrito em 15/09/2006 (lis. 34/37), permaneceu ele • Di' CARY N,11' Processo n° 13836.000196/2006-55 SI C3T2 Acórdão n.° 1302-00.648 incidindo na hipótese de vedação à opção pelo Simples, nos termos do artigo 9`; inciso XV; da Lei n°9.317/96. Contudo, a regularização dos débitos opera efeitos para uma nova opção pela sistemática a partir de 01/01/2007, já efetuada pelo contribuinte conforme pesquisa de fl. 39. Em face do exposto, voto no sentido de se conhecer da manifestação de inconformidade, por tempestiva, para, no mérito, indeferir a solicitação do contribuinte, relativamente ao ano- calendário 2006." Ciente da decisão recorrida em 17/07/2007, a recorrente apresentou recurso, não sendo possível verificar a data de apresentação do mesmo, sendo que consta a Ils. 46 afirmação da autoridade preparadora de que o recurso é tempestivo. Em seu recurso afirma: A) Com respeito ao comportamento do contribuinte pela não entrega das declarações simplificadas e sim as declarações de inatividades referentes aos anos calendários de 2000 a 2005, conforme motivos já definidos no item B do requerimento original do processo acima, e referente a sua natureza jurídica e atividade exercida que é a mesma atual, que alias não fo i nem contestada pelo voto da relatora, dizendo a mesma que não tem efeito por causa da inatividade, o pedido retroativo a partir de 1997, entendemos que não houve nenhum Onus para a Receita, nem mesmo pela não entrega das DCTFs, pois como a empresa estava inativa não tinha esta obrigação. B) Com respeito a uma possível opção retroativa para ao ano calendário de 2006, pois reativamos a empresa em agosto deste ano, diz a relatara ter ciência da regularização do debito inscrito em 15/09/2006, inclusive antes do protocolo da manifestação de inconformidade que foi em 19/09/2006, alegando a mesma que o contribuinte permaneceu incidindo na hipótese de vedação ã Opção pelo Simples, o que não concordamos, pois se ao tomarmos ciência do debito e prontamente o liquidamos, não mais estamos incidindo em hipóteses de vedação ao sistema do Simples. Sendo assim como fizemos Opção automática pelo sistema em 01/01/2007 que já foi comprovado, e que também já fizemos Opção pelo "Simples Nacional", conforme comprovante anexo, solicitamos reconsideração ao solicitado pelo o que agradecemos. o ReIatório DF CAR]: MF Processo n° 13836.000196/2006-55 SI C3T2 Acórdão n.° 1302-00.648 Voto Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello - Relator ad hoc 0 recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Entendo assistir razão a recorrente. Em relação ao ano-calendário de 2006, o único óbice apresentado à opção foi o débito quitado antes da apresentação da manifestação de inconformidade. Tendo sido liquidado o débito, não vejo motivo para manter o contribuinte impedido de adesão ao sistema Simples, e esta opção deve valer também para o ano de 2006, ano de reinicio de sua atividade. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso, reconhecendo o direito do contribuinte de adesão ao simples a partir de 2006. Sala das Sessões, 29 de junho de 2011 (-• Marcos Rodrigues de Mello
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720422/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.817
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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decisao_txt : Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMP transmitido pela contribuinte em 30/12/2010, através do qual pretendeu ressarcimento de valores credores de PIS nãocumulativo vinculados à receita de exportação relativos ao 3º trimestre de 2010. Não constou apresentação de DCOMPs (ver relação de fls. 03 e 04). A repartição fiscalizadora efetuou a necessária verificação, apontou, pormenorizadamente, os problemas encontrados e emitiu Despacho Decisório por meio RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 85 .7 20 42 2/ 20 11 -1 1 Fl. 6625DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.626 2 do qual indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as DCOMPs vinculadas (sic). Desse Despacho Decisório a contribuinte tomou ciência em 25/05/2012 (Termo de fl. 6.076) e, não se conformando, apresentou, através de procuradores, longa manifestação de inconformidade onde, inicialmente, referiu à tempestividade e aos fatos, aduzindo a seguir (de forma sintética): 1) Índice de rateio proporcional relativamente às receitas de exportação e do mercado interno: a Fiscalização alterou o índice de rateio proporcional dos créditos do PIS calculados sobre custos e despesas comuns à receita do mercado interno e de exportação. Seu entendimento era de que o momento do embarque da mercadoria é o paramento a ser considerado para a apuração dos valores exportados a cada mês, conforme o artigo 1° do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 22, de 5 de novembro de 2002. Considerou como receita de exportação os valores constantes no SISCOMEX conforme a data de embarque das mercadorias, extraindo os dados do sistema DW Aduaneiro. Contudo, resta totalmente equivocado o entendimento fiscal, quer em razão de que o ADI SRF n° 22/2002 não é aplicável na apuração de créditos de PIS não cumulativo, quer por este entendimento não possuir base legal, bem como violar as normas de apuração da contribuição. Ademais, a interpretação fiscal colidiria com o § 3º do art. 6º, c/c § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (repetidos pela Lei nº 10.637/2002), que dispõe que o rateio será proporcional ao auferimento de receitas, sem impor que tenha havido o embarque da mercadoria ao exterior para que as receitas auferidas fossem consideradas de exportação. 2) Momento de apuração de créditos decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos: no DD foram glosados créditos de PIS ao fundamento de que a empresa teria reconhecido o crédito fora do período de sua apuração. A Fiscalização sustenta que a data da emissão da Nota Fiscal é o parâmetro correto para a apuração mensal dos créditos (...) referentes a bens e serviços utilizados como insumo. No entanto, no momento da emissão de uma NF não há como sustentar que o bem foi adquirido pela empresa, pois esta aquisição somente se dará no momento da efetiva entrega material do bem, quando ocorre a tradição da coisa, sendo manifestamente ilegítimo considerar este momento como sendo a data em que se adquire o bem, notadamente para fins tributários. O procedimento da empresa está correto ao reconhecer o crédito de PIS no regime da nãocumulatividade no momento da entrada em seu estabelecimento do insumo adquirido, quando efetivamente recebe a NF emitida pelo vendedor. É nesse momento que há a efetiva tradição da coisa, podendo ser considerado o bem adquirido. No que tange aos serviços, somente após a efetiva conclusão dos serviços é que o prestador passa a ter o direito à retribuição que é imanente a este tipo de contrato. Apenas com a prestação encerrada é que se pode considerar como adquiridos os serviços. No caso concreto, a empresa reconheceu o crédito de eventuais serviços no momento em que recebeu do prestador a NF demonstrando a conclusão do trabalho. É neste momento que o serviço é adquirido pelo contratante e surge para o prestador o direito de receber a retribuição. Antes do trabalho finalizado somente existe uma expectativa de direito sobre a prestação de serviços, até porque em caso de inadimplência o contratante não poderá exigir do contratado a obrigação de fazer, mas tão somente uma indenização. Desta forma, o procedimento da empresa atendeu de forma precisa a legislação em comento, razão pela qual deve ser acolhida sua manifestação de inconformidade. 3) Aproveitamento do crédito em meses subseqüentes. Desnecessidade de retificação de DACON e DCTF: o Fisco nega a possibilidade de aproveitamento do crédito em período subsequente, denominando aproveitamento de Fl. 6626DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.627 3 créditos extemporâneos. Depois diz ser possível esse aproveitamento, condicionandoo, entretanto, à retificação de DACON/DCTF pela empresa. Neste particular o equívoco da autuação é manifesto. As leis da nãocumulatividade em momento algum fixaram período para o contribuinte exercer o direito potestativo de descontar o crédito. Não há obrigação de realização do desconto/aproveitamento no mesmo mês de referência de determinação do crédito. A referência a determinado mês (§ 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003) delimita apenas o valor do crédito apurado naquele mês, mas não limita o aproveitamento do crédito mediante o desconto com o débito àquele mês. A norma legal é expressa ao dizer que o aproveitamento do crédito pode se dar em determinado mês, sendo este o mês de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumo quando efetivamente surge o direito ao crédito– ou, se não utilizado naquele mês, poderá sêlo nos meses subsequentes. Não há nenhuma regra determinando a escrituração e, consequentemente, o aproveitamento do crédito em determinado mês. Simplesmente não existe norma jurídica neste sentido. Na nãocumulatividade não se pode dizer que há aproveitamento extemporâneo de créditos, visto que inexiste um período definido para o aproveitamento, podendo este se dar no mês em que surgiu o direito ao crédito, no mês de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumo, ou em meses subseqüentes, dependendo dos contribuintes. Além disso, o DACON, por ser de natureza declaratória e não constitutiva, não pode restringir o direito da empresa ao crédito, razão pela qual deve ser acolhida a manifestação da empresa. 4) Glosa de créditos sobre bens e serviços utilizados como insumos: a) inaplicabilidade das INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004: por não considerar vários bens e serviços abarcados pelo conceito de insumo previsto nas INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004, inclusive os dispêndios necessários à produção florestal, isto é, custos para a formação e manutenção de florestas destinadas à fabricação de celulose, deve ser acolhida a manifestação da empresa. Essas INs trazem em seu bojo equivocado conceito de insumo, pois adotam analogicamente o conceito de insumo relativo a não cumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório da empresa. Deve ser reformado o DD. b) créditos sobre bens/serviços insumos: considerando que a madeira é o principal insumo para a fabricação da pasta da celulose, todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita, transporte das toras de madeira possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, razão pela qual o ato praticado pelo Fisco está ao arrepio da lei. O termo custo ou custo de produção abarca todos os gastos despendidos pela empresa, necessários e indispensáveis à produção de bens e serviços destinados à venda. Os custos de produção são todos os gastos com os insumos, com fatores de produção que agregam valor ao produto a ser vendido, diferente de despesas. Insumo e custo possuem o mesmo sentido e refletem a mesma realidade, razão pela qual, todos os itens que compõem o custo de produção ensejam o direito ao crédito de PIS, a menos que sejam vedados expressamente pela Lei n° 10.833/2003, como é o caso, por exemplo, de custos incorridos com a aquisição de bens e serviços de pessoa física ou de pessoas jurídicas estrangeiras (§ 3º do art. 3º). Mesmo sendo custo de produção, os créditos sobre tais dispêndios são vedados, pois não implicariam na cumulatividade dos contribuintes. No caso dos autos, todos os créditos que foram glosados decorrem de bens e serviços adquiridos que representam efetivamente um custo de produção, pois são eles utilizados como insumo e indispensáveis à produção dos produtos destinados à venda pela empresa, sendo legítimo o crédito apropriado, razão pela qual deve ser dado provimento à presente manifestação. c) insumos glosados indevidamente: refere ao DD, reclamando do entendimento exposto acerca de glosas de diversos insumos, dentre outros: ferramentas de trabalho Fl. 6627DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.628 4 para manutenção, calços para alinhamento da altera de equipamentos rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências, serviços logísticos, serviços de movimentação de materiais e insumos, locação de guindastes, correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, pallets (palete), caixas de papelão, despesas com equipamento de proteção individual, etiquetas adesivas de escritório, rolos de pintura, lonas de plástico para efetuar manutenções, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, manutenção de PABX, manutenção de nobreaks, encadernação de NFs, copos para água mineral, almofada para carimbo, binóculos, borrachas para lápis, brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CDR graváveis, cestas de natal, coffebreak, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos, palestras, óculos de segurança Bandido, tijolo comum, tinta para utilização em pisos em geral, placa de gail para piso, lâmpadas de iluminação em geral e pedra brita. Contudo, os bens e serviços glosados pelo Fisco são parte essencial no processo produtivo, tendo sido desconsiderados esses insumos sem qualquer critério legal, sem qualquer embasamento jurídico. Deve ser reformado o DD para deferir os pedidos de restituição e homologar as compensações pleiteadas, relativamente aos bens e serviços utilizados como insumo. Estes bens e serviços são utilizados no processo de produção e são, sem dúvida, o custo de produção do bem – celulose – bem como de outros que tenha a mesma natureza de custo de produção, descritos nas planilhas Auditoria DACON (ano) (trimestre) elaboradas pela Fiscalização. Requer, em razão do grande número de insumos e o exíguo prazo para a manifestação de inconformidade, a realização de diligência para a comprovação de que os bens e serviços adquiridos pela empresa são efetivamente custos ligados à sua produção ou fabricação. d) crédito sobre a formação de florestas ativo imobilizado exaustão: o Fisco glosou créditos referentes a gastos com insumos florestais, isto é, valores dispendidos necessários à formação e desenvolvimento de florestas. Disse que todo bem ou serviço utilizado pela empresa antes do tratamento físicoquímico da madeira em si não podem ser classificados como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP e do COFINS não cumulativos. Ao invés disso, as reservas florestais devem ser tratadas como sendo um ativo Imobilizado da empresa. Mas o art. 1º da Lei n° 10.833/2003, preceitua que o PIS/COFINS na incidência nãocumulativa tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. No caso das empresas de celulose, os custos de produção se iniciam com o desenvolvimento de mudas de eucalipto, se intensificam na formação das florestas e, se encerram após a transformação da madeira em celulose. Todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita, transporte das toras de madeira possuem a natureza jurídica de insumo, visto que são indispensáveis à elaboração da pasta de celulose, que é o produto final da empresa destinado à venda, razão pela qual a glosa dos créditos se encontra ao arrepio da lei. Assim, todos os gastos listados nas planilhas elaboradas pela fiscalização (Auditoria DACON (ano) (trimestre) que tiverem ligação à formação de florestas ou silvicultura, por constituírem insumo na produção da celulose, devem gerar direito a crédito de PIS/COFINS. Portanto, o DD deve ser reformado de modo a restabelecer os créditos da empresa. e) crédito decorrente de produtos adquiridos de terceiros: a Fiscalização afirma que não dá direito a crédito itens tais como clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio e colheita. Mas a empresa só apropria créditos decorrentes de bens/serviços adquiridos de terceiros, não se apropriando de créditos sob sua própria mão de obra. Todos os Fl. 6628DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.629 5 serviços citados só compuseram a base de cálculo dos créditos porque foram adquiridos de terceiros. As próprias planilhas elaboradas pela Fiscalização comprovam a assertiva, ao indicarem o prestador de serviço e número da respectiva NF cujos créditos foram glosados. Desta forma, resta patente a improcedência da glosa sob essa rubrica, devendo ser reformado o DD. f) crédito sobre fretes: disse o Fisco que quaisquer serviços de transporte não relacionados à entrega de mercadorias diretamente aos clientes não podem ser considerados como sendo insumo. Seguindo esta orientação dada pela COSIT acerca do termo, entre outros, não foram considerados como insumo: armazenagem/transporte de papel e logística. Tal argumento é improcedente. Neste item não há diferença entre o frete pago na aquisição de insumos, na transferência de produtos em elaboração ou para colocação do produto acabado no estabelecimento vendedor. Todos estes gastos são tidos como custo de produção (art. 187, II, da Lei n° 6.404/1976), constituindo insumos, cujo crédito é assegurado pelo inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. O inciso IX do art. 3º dessas leis assegura apenas o frete que constitui uma despesa de venda, que é o frete pago pelo vendedor para entregar o produto ao comprador. Os gastos de frete da empresa, portanto, até o momento em que o produto está colocado à venda, mesmo se este frete for despendido após o produto estar acabado, irão integrar o custo da mercadoria ou produto vendido (art. 187, II, da Lei nº 6.404/1976). Em todos os casos, o frete é tido como custo de produção ou fator de produção, enquadrandose no conceito de insumo. Deve ser reparado o DD de modo a restabelecer na integralidade os créditos da empresa que foram glosados referentes a fretes, sem qualquer exceção. 5) Créditos vinculados à receita de exportação: é inequívoco o direito ao crédito de PIS em relação à parcela de insumos que se encontram vinculados à receita de exportação. O creditamento de PIS sobre os custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação é assegurado de forma ampla pelo art. 6º, § 3° e art. 15, inciso II, da Lei n° 10.833/2003, que não impõem qualquer condição adicional para o gozo do direito. Tratase de empresa exportadora de pasta de celulose, sendo que todos os custos que estejam vinculados à receita de exportação, o que sem dúvida incluem os insumos florestais e os fretes, conferem crédito de PIS nos moldes dos dispositivos aludidos. 6) Conclusões: a) é inaplicável ao caso o ADI SRF nº 22/2002 para apuração do índice de rateio proporcional no que tange às receitas de exportação e mercado interno, haja vista que referida norma trata de norma isentiva; b) a empresa reconheceu créditos de bens e serviços utilizados como insumo no seu processo produtivo no momento oportuno, ou seja, no momento da entrada em seu estabelecimento, do insumo adquirido, pois operouse a tradição da coisa; c) ainda que assim não fosse, a legislação faculta ao contribuinte a possibilidade de aproveitar os créditos de bens e serviços em meses subsequentes (§ 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), o que foi desconsiderado pelo Fisco; d) é inaplicável ao caso as INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004, pois trazem em seu bojo equivocado conceito de insumo, pois adotam analogicamente o conceito de insumo relativo a nãocumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório da empresa; Fl. 6629DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.630 6 e) a empresa tem direito a créditos de PIS/COFINS, seja em razão dos bens e serviços serem parte indispensável do processo produtivo (insumos), seja em razão das reservas florestais, mesmo estando classificadas contabilmente como ativo imobilizado, sujeitos à exaustão, pois quando da sua utilização, serão também insumos; f) também ensejam créditos aqueles bens ou serviços adquiridos de terceiros, inclusive no caso vertente; g) os fretes suportados durante todo o processo de produção ensejam direito ao crédito, inclusive aqueles destinados à aquisição de matériaprima, destinados à transporte dos produtos em fase de produção entre os estabelecimentos da própria empresa, bem como aqueles que foram realizados durante o processo de formação das reservas florestais que compõe o ativo imobilizado, pois esse constituemse custos de produção; h) todos os custos vinculados à receita de exportação, considerando que se trata de empresa exportadora de pasta de celulosa, conferem crédito de PIS/COFINS. 7) Pedidos: a) requer a realização de diligência e perícia, nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Tal diligência/perícia é necessária para a comprovação da real natureza de cada bem/serviço adquiridos pela empresa, como eles são empregados no processo produtivo, que estes são efetivamente usados nos estabelecimentos produtores e industriais, que são custos de produção, que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis para assegurar o direito ao crédito, bem como buscar a verdade material. Indica peritos e formula quesitos; b) diante da robusta comprovação de que os gastos realizados pela empresa são efetivamente indispensáveis, necessários à produção de seus bens destinados à venda, requer, em preliminar, a nulidade do DD e, por conseguinte, o acolhimento de sua manifestação. Devem ser reconhecidos na integralidade os créditos que foram glosados, seja com fundamento no valor de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumos para a produção da celulosa, seja baseado nos encargos de exaustão. A Delegacia de Julgamento manteve a integralidade das glosas, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 6630DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.631 7 Restando consignado no Despacho Decisório, de forma clara e concisa, o motivo do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, bem como da não homologação das compensações tencionadas, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Para ser considerado insumo, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de ressarcimento/compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno (tributadas e NT). REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão, que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde Fl. 6631DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.632 8 ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Em Recurso Voluntário, a empresa reitera seus argumentos da manifestação de inconformidade, combatendo ponto a ponto a decisão de piso e especificando a essencialidade de cada insumo glosado. Juntou laudo técnico da Escola Superior de Agricultura da USP, que descreve todo o processo produtivo da operação florestal e da fase de indústria da celulose, tratando as duas como interdependentes. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Na origem, houve a análise dos créditos pleiteados de PIS/COFINS não cumulativos, vinculados à receita de exportação (art. 3º e 5º da Lei nº 10.637/2002 e art. 3º e 6º da Lei nº 10.833/2003). A fiscalização procedeu à auditoria das rubricas das receitas e despesas, em especial os bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, fretes e combustíveis. Para tanto, informou a fiscalização que a empresa apresentou toda a documentação solicitada: Para tal, foram confrontadas: as apurações e declarações transmitidas pela empresa (DACON, DCTF, PER/DCOMP, DIPJ); os livros, documentos e arquivos eletrônicos fiscais e contábeis; e as notas fiscais eletrônicas e originais apresentadas em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de Outubro de 2001, por meio da utilização do ContÁgil, aplicativo de auxílio ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício das atividades de fiscalização. Ademais, foram ainda solicitados ao longo da fiscalização: as notas fiscais de compras de insumos, prestação de serviços utilizados como insumos; o descritivo do processo produtivo da empresa e principais insumos utilizados na industrialização, com a respectiva classificação fiscal; os laudos de utilização dos diversos tipos de combustíveis, objeto do pedido de creditamento e documentos de constituição de participação em Consórcios. Conforme relatado, foram diversos os motivos das glosas dos créditos pleiteados pela Recorrente, que podem ser separadas em quatro grandes grupos: i. Método de Apropriação de Custos Rateio proporcional ii. Momento de apuração dos insumos e serviços como créditos iii. Aproveitamento de créditos extemporâneos iv. Insumos da nãocumulatividade Fl. 6632DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.633 9 Como se vê, um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS. A Recorrente pleiteia todos créditos por entendêlos como essenciais para sua atividade. Entretanto, o conceito de insumo que norteou a análise fiscal na origem foi o restrito, veiculado pelas Instruções Normativas da RFB n° 247/2002 e 404/2004, segundo as quais o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. O mesmo critério foi utilizado no julgamento da decisão de piso. Por outro lado, para a Recorrente, o conceito de insumo é amplo, implicando na assertiva de que insumo equivale a “custo de produção”. Esta 1ª Turma Ordinária de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. As atividades desenvolvidas pela Recorrente são: a) a indústria e o comércio, no atacado e no varejo de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais, próprios ou de terceiros; b) comércio, no atacado e no varejo, de produtos destinados ao uso gráfico em geral; c) a exploração de todas as atividades industriais e comerciais que se relacionarem direta ou indiretamente com seu objetivo social; d) a importação de bens e mercadorias relativos aos seus fins sociais; e) a exportação dos produtos de sua fabricação e de terceiros; f) a representação por conta própria ou de terceiros; g) a participação em outras sociedades, no país ou no exterior, qualquer que seja a sua forma e objeto, na qualidade de sócia, quotista ou acionista; h) a prestação de serviços de controle administrativo, organizacional e financeiro às sociedades ligadas ou a terceiros; i) a administração e implementação de projetos de florestamento e reflorestamento, por conta própria ou de terceiros, incluindo o gerenciamento de todas as atividades agrícolas que viabilizem a produção, fornecimento e abastecimento de matéria prima para indústria de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais; e j) a prestação de serviços técnicos, mediante consultoria e assessoria às suas controladas ou a terceiros. Ressaltese que há fato novo nos autos: a juntada de laudo técnico produzido pela Escola Superior de Agricultura da USP, em sede de recurso voluntário. Fl. 6633DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.634 10 Tal documento teve a finalidade de descrever o processo produtivo da Recorrente, desde a operação florestal até a entrega da madeira para a indústria, bem como as etapas industriais da celulose e do papel: De antemão já se configura a necessidade de conversão do julgamento em diligência, em razão de o laudo ser um fato novo, o que demanda a manifestação da autoridade fiscal, em respeito ao princípio do contraditório. Todavia, há outros pontos que demandam esclarecimento. A seguir, analisase uma a uma as glosas para delimitar o objeto da diligência proposta. MÉTODO DE APROPRIAÇÃO DOS CUSTOS RATEIO PROPORCIONAL (Lei nº 10.637/2002, art. 3º e art. 3°, 6º e 15 da Lei nº 10.833/2003) Ao longo de todo o período fiscalizado, a empresa utilizou o método do rateio proporcional para todos os custos. Ao final, a fiscalização: Através do levantamento dos valores referentes às Receitas do Mercado Interno e do Mercado Externo levantados anteriormente, chegouse a novos índices de rateio detalhados nos memoriais de cálculo desta auditoria. Para a autoridade fiscal, o momento do embarque da mercadoria é o parâmetro a ser considerado para a apuração dos valores exportados a cada mês, nos termos do art. 1º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 5 de novembro de 2002: Art. 1º Para fins de isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, considerase exportado para o exterior o bem que tenha saído do território nacional. Diante disso, os valores constantes no SISCOMEX (data do embarque) foram utilizados para fins de apuração dos índices de rateio e retificação dos DACON. Os dados foram extraídos pelo sistema DWAduaneiro. Por conseguinte, parte do crédito pretendido pela empresa não foi integralmente admitido, por conta do referido ajuste no percentual de rateio das receitas oriundas de exportação/mercado interno. Fl. 6634DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.635 11 Por outro lado, para a Recorrente, o reconhecimento da receita deve ser na emissão da Nota Fiscal. Ademais, há ponto de extrema importância levantado pelo contribuinte em sua defesa: A lide e o que tem quer ser decidido nos presentes autos é: A receita decorrente de exportação indireta (venda no mercado interno para trading, com fim específico de exportação) deve ser contabilizada como receita de exportação para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, ou apenas devem ser considerados os valores constantes do SISCOMEX? Todo o arcabouço legal que regula a exportação indireta vigente leva a única conclusão possível de que os valores relativos a tais operações compõem a receita de exportação e, portanto, o índice do rateio. As empresas comerciais têm por objeto social a comercialização de mercadorias, podendo comprar produtos fabricados por terceiros para revender no mercado interno ou destinálos à exportação, bem como importar mercadorias e efetuar sua comercialização no mercado doméstico, ou seja, exercem atividades típicas de uma empresa comercial. A expressão trading company não é utilizada na legislação brasileira e na doutrina, há confusão entre as definições de “empresa comercial exportadora” e “trading company”. A distinção se faz entre as empresas comerciais exportadoras (ECE) que possuem o Certificado de Registro Especial e as que não o possuem. As empresas comerciais exportadoras são reconhecidas no Brasil pelo Decretolei nº 1.248/1972, que dispõe sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, para o fim específico de exportação, essa norma assegura os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, tanto ao produtor vendedor quanto à ECE. Pelo Decretolei nº 1.248/1972, apenas as empresas comerciais exportadoras que obtivessem o Certificado de Registro Especial seriam beneficiadas com os incentivos fiscais à exportação, entretanto, a legislação atual não faz essa distinção. De acordo com a legislação tributária atual, existem duas espécies de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE): 1) as que possuem o Certificado de Registro Especial e 2) as que não o possuem. Entretanto, os benefícios fiscais quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), às Contribuições Sociais (PIS/PASEP e COFINS) e ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aplicamse, atualmente, às duas espécies, sem distinção alguma. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expressa esse entendimento, por meio da Solução de Consulta nº 40, de 4 de maio de 2012, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 7 de maio de 2012: A não incidência do PIS/Pasep e Cofins e a suspensão do IPI aplicam se a todas as empresas comerciais exportadoras que adquirirem produtos com o fim específico de exportação. Duas são as espécies de empresas comerciais exportadoras: a constituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e a simplesmente registrada na Secretaria de Comércio Exterior. Como dito, atualmente, há duas categorias de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE), sem diferenciação com relação aos incentivos fiscais. Essencialmente, as comerciais exportadoras são classificadas em dois grandes grupos: 1) as que possuem o Certificado de Registro Especial, denominadas “trading companies”, regulamentadas pelo De Fl. 6635DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.636 12 cretolei nº 1.428/1972, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com status de lei ordinária; e 2) as comerciais exportadoras que não possuem o Certificado de Registro Especial e são constituídas de acordo com Código Civil Brasileiro. As ECE devem atender certos requisitos: de acordo com o art.5º, caput, do DecretoLei nº 1.248/1972, e o art. 231 do Decreto nº 6.759/2009 ( Regulamento Aduaneiro Brasileiro), os impostos que forem devidos, bem como os benefícios fiscais de qualquer natureza, auferidos pelo produtorvendedor, com os acréscimos legais cabíveis, passarão a ser de responsabilidade da empresa comercial exportadora no caso de: a) não se efetivar a exportação dentro do prazo de cento e oitenta dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, na hipótese de mercadoria submetida ao regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação; b) revenda das mercadorias no mercado interno; ou c) destruição das mercadorias. para obter o Certificado de Registro Especial, a Empresa Comercial Exportadora (ECE) deve atender alguns requisitos, como ser constituída na forma de sociedade por ações (S.A.) e possuir capital social mínimo, já a ECE que não se enquadra nas exigências do DecretoLei nº 1.248/1972, pode ser constituída sob qualquer forma e não precisa ter capital mínimo. Regese, pois, pelo Código Civil Brasileiro. Porém, para ser caracterizada como ECE, dever ter o fim comercial em seu objeto social, realizar operações de comércio exterior, estar habilitada na Receita Federal (RFB) para operar no SISCOMEX (Instrução Normativa RFB nº 1.288/2012) e estar inscrita no Registro de Importadores e Exportadores da SECEX/MDIC (Portaria SECEX nº 23/2011, art. 8º). atualmente, as empresas que desejam atuar como empresas comerciais exportadoras devem estar habilitadas no registro especial na Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), de acordo com as normas aprovadas pelos Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Fazenda (MF), respectivamente, além de outros requisitos. Tratase de exigência contida no art. 229 do Regulamento Aduaneiro Brasileiro (Decreto nº 6.759/2009), que reproduz exigência prevista no DecretoLei nº 1.248/1972, que possui status de lei ordinária. De acordo com os arts. 228 e 229 do Regulamento Aduaneiro as operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o seguinte tratamento : serão consideradas destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor vendedor para embarque de exportação, por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou para depósito sob o regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação. Tal tratamento aplicase às empresas comerciais exportadoras que estiverem registradas no registro especial da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e na Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), de acordo com as normas aprovadas pelos Ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Fazenda; estar constituída sob a forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto e possuir capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. O inciso VII do artigo 20 do Anexo I do Decreto nº 7.096/2010, dispõe sobre as prerrogativas de exame e análise de solicitações de inscrição, atualização e cancelamento de registro de “trading companies”. Registrada a sistemática da exportação indireta, é de se concluir que as alegações da Recorrente são pertinentes. Fl. 6636DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.637 13 Logo, quanto aos índices de rateio, é necessária a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação restaram caracterizadas ou se foram apenas realizadas no mercado interno. Dito de outra forma, a autoridade fiscal deve investigar o valor da receita de exportação, decorrente também de exportação indireta (via trading), para que sejam computadas no rateio. Ressaltese que toda a documentação foi disponibilizada à fiscalização, como já mencionado. E, em sede de manifestação de inconformidade, a empresa juntou suas demonstrações contábeis, acompanhadas de parecer de auditores independentes. MOMENTO DE APURAÇÃO DOS INSUMOS E SERVIÇOS COMO CRÉDITOS (art. 3°, II, §1, I das Leis de regência) Transcrevese o relato da fiscalização: 40. A metodologia de apuração das entradas de mercadorias e serviços feita pela empresa baseiase no momento de lançamento da Nota Fiscal, em afronta à legislação citada acima: “dos itens (...) adquiridos no mês”. 41. Foram levantados casos, como por exemplo, a Nota Fiscal 000651 000 com emissão em 02/01/2006 cujo lançamento e crédito se deu apenas em 10/2006 (documento 4300104789). 42. Em estrito cumprimento às leis citadas acima, as notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS cujas emissões se deram fora do período da sua apuração foram glosadas. 43. A data da emissão da Nota Fiscal é o parâmetro correto para a apuração mensal dos créditos (critério este idêntico ao adotado pelo sistema ContÁgil, aplicativo de auxílio ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil devidamente homologado pelos órgãos centrais da RFB para o auxílio do exercício das atividades de fiscalização). 44. Não cabe à Autoridade Fiscal flexibilizar o critério temporal de apropriação dos insumos, alargandoo em decorrência das tramitações das Notas Fiscais dentro da empresa. Desta forma, mesmo as notas fiscais emitidas ao final de um determinado mês devem ser apropriadas neste mesmo mês, e não no mês seguinte. O prazo para se apresentar o DACON é suficientemente dilatado para que a empresa efetue tais ajustes. 45. Vale ressaltar ainda que não cabe à Autoridade Fiscal realocar as notas fiscais nos meses corretos da sua emissão, e sim tão somente verificar a sua correta apropriação no DACON analisado, cabendo a sua simples glosa em caso contrário. Por sua vez, a Recorrente entende ser irrelevante a data (momento) de emissão da nota fiscal para fins de apuração dos créditos de PIS, por não ser aquele o momento da Fl. 6637DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.638 14 produção dos efeitos patrimoniais decorrentes da aquisição dos insumos (ou dos serviços). Entende que os efeitos somente se produzem no momento da entrega do bem/serviço, momento em que se dá a contabilização. Percebese falha na conduta da fiscalização ao glosar a integralidade das notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS emitidas fora do período de sua apuração. É lícito ao contribuinte ter seu direito creditório analisado, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. Aplicase aqui o CPC 30, que trata do preço justo para efeitos contábeis, hoje substituído pelo CPC 47. O CPC 30 era claro em seus itens 14 e seguintes, que diziam em síntese que a receita de venda de bens deve ser reconhecida quando forem satisfeitas as condições: a entidade tenha transferido para o comprador os riscos e benefícios inerentes à propriedade dos bens, a entidade não tenha envolvimento na gestão dos bens vendidos, o valor da receita possa ser mensurado com confiabilidade, for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade e as despesas incorridas referentes à transação possam ser mensuradas com confiabilidade. Na maioria dos casos, a transferência dos riscos e dos benefícios inerentes à propriedade coincide com a transferência da titularidade legal ou da transferência da posse do ativo para o comprador. Se a entidade retiver riscos significativos da propriedade, a transação não é uma venda e a receita não pode ser reconhecida. Já na prestação de serviços a receita associada à transação deve ser reconhecida tomando por base o estágio de execução (stage of completion) da transação ao término do período de reporte. O desfecho de uma transação pode ser estimado com confiabilidade quando o valor da receita puder ser mensurado com confiabilidade, for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade, o estágio de execução (stage of completion) da transação ao término do período de reporte puder ser mensurado com confiabilidade e as despesas incorridas com a transação puderem ser mensuradas com confiabilidade. O reconhecimento da receita com referência ao estágio de execução de uma transação é usualmente denominado como o método da percentagem completada. Por esse método, a receita é reconhecida nos períodos contábeis em que os serviços são prestados. Para fins práticos, quando os serviços prestados correspondam a um número indeterminado de etapas, durante um período específico de tempo, a receita deve ser reconhecida pelo método linear durante tal período, a menos que haja evidências de que outro método represente melhor o estágio de execução da transação. Quando determinada etapa for muito mais significativa de outras, o reconhecimento da receita deve ser adiado até que essa etapa seja executada. Inclusive, a Solução de Consulta COSIT nº 111, de 22/04/2014 reconheceu a aplicação do CPC 30: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. REGIME DE COMPETÊNCIA. CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS. NÃO REALIZAÇÃO DE RECEITAS. NÃO AUFERIMENTO DE RECEITA. VENDAS CANCELADAS. O fato gerador da Cofins no regime de apuração não cumulativa é o auferimento de receitas pelas pessoas jurídicas, o que ocorre quando Fl. 6638DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.639 15 as receitas são consideradas realizadas. A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora. No que diz respeito à prestação de serviços, no regime de competência, a receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado com a anuência do tomador e com o compromisso contratual deste de pagar o preço acertado, sendo irrelevante, nesse caso, a ocorrência de sua efetiva quitação. Não integram a base de cálculo da Cofins, no regime de apuração não cumulativa, as receitas referentes a vendas canceladas. No que diz respeito à prestação de serviços, vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de serviços, fato que ocorre quando o contratante não concorda com o valor cobrado (no todo ou em parte), seja porque os serviços não foram prestados de acordo com o contrato, seja porque os serviços prestados, sem a sua anuência, não foram contratados, ou seja porque o valor cobrado não tem previsão contratual. Nesse caso a contratada não é detentora do direito de receber pagamento (no todo ou em parte) pelos serviços prestados. Consequentemente, ainda que ela registre esses valores como receita, eles não passam a assumir tal condição, já que não se consideram como receitas realizadas e, por conseguinte, como receitas auferidas. No regime de competência, o cancelamento de notas fiscais, seja no mês da prestação de serviço ou em outro mês qualquer, por si só, não afeta a ocorrência do fato gerador ou a apuração da base de cálculo da Cofins. Todavia, se as causas que motivarem tal cancelamento, configurarem vendas canceladas, o correspondente valor, registrado como receita de serviços, é passível de exclusão da base de cálculo dessa Contribuição no mês da devolução. DISPOSITIVOS LEGAIS: Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, arts. 3º e 4º, caput, e § 1º; Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, § 1º, “a” e “b”; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.1; Norma Brasileira de Contabilidade TG 30 Receitas (com a redação dada pela Resolução CFC nº 1.412, de 2, de outubro de 2012), item 21. Diante do acima exposto, deve ser afastada a glosa integral das notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS, sob a justificativa de que as “emissões se deram fora do período da sua apuração”. Como os créditos não foram sequer objeto de devida análise, deve ser esclarecida em diligência fiscal a natureza desses créditos, para que se possa aferir se são insumos ou não, com a devida quantificação. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS Fl. 6639DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.640 16 Observese a manifestação da fiscalização: 100. Identificado pelo contribuinte que um determinado crédito não foi utilizado no passado, existe a possibilidade do seu aproveitamento de forma extemporânea, ou seja, realizado fora de seu tempo normal. 101. Todavia, não há como acolher a pretensão de utilizar eventuais créditos apurados extemporaneamente sem retificar os Dacon e DCTF correspondentes, ou seja, retificar as declarações do mesmo período dos créditos, em face do disposto na Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005: “Art.11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. §1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. (...) §4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora.” (grifos nossos) 102. Em suma, caso o contribuinte identifique em dez/2006 um crédito não utilizado em jan/2005, deve proceder a retificação do DACON jan/2005. 103. Devese salientar que, no caso de ter havido recolhimento das aludidas contribuições pela Consulente, a retificação dos Dacon e DCTF correspondentes é o único procedimento que permite a restituição de eventuais valores recolhidos indevidamente ou a maior devidamente corrigidos pela Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para Títulos Federais, haja vista que os créditos extemporâneos não admitem a incidência de atualização monetária ou juros de mora, consoante dispõe o art. 13 c/c art. 3o, § 4o, da Lei nº 10.833, de 2003: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4° O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4° do art. 3, do art. 4° e dos §§ 1° e 2° do art. 6°, bem como do § 2° e inciso II do § 4° e § 5° do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Fl. 6640DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.641 17 105. Finalmente, devese salientar que a apuração de créditos, bem como a retificação de declarações, relativos a períodos de apuração anteriores, deve respeitar o prazo decadencial de cinco anos. 106. Todavia, o critério temporal explicitado anteriormente (retificar as declarações do mesmo período dos créditos) não foi obedecido, de forma que as rubricas contendo créditos extemporâneos de períodos diferentes das da apuração de cada DACON foram glosadas. Como exemplo, podemos citar a auditoria realizada pela Ernst & Young em 03/2010 apropriando créditos de PIS e COFINS cuja base de cálculo foi de R$ 167.052.349,09 (referente aos períodos de apuração de 2005 e 2006), valor este devidamente glosado por esta fiscalização. 107. Acerca dos Créditos Extemporâneos VCP – Jacareí apropriados no 4º Trimestre de 2006, a empresa foi intimada a informar o período dos referidos créditos, todavia, não apresentou documentação comprobatória dos mesmos, nem de que período os mesmos foram apurados. Desta forma, os valores foram devidamente glosados. Assiste razão à Recorrente, quando afirma que a utilização de créditos extemporâneos não está vinculada à retificação de DCTF/DACON. Há claro equívoco na conclusão da fiscalização de que a apuração extemporânea de créditos somente poderia ser admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, diante da ausência de previsão legal para tal exigência. A 3ª Turma da Câmara Superior, acórdão n° 9303006.248, já se manifestou quanto à utilização de créditos extemporâneos independentemente de retificação da DCTF e do DACON: CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4°, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado nãocumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre.As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. ambém a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (Cofins). Com isso, é imperiosa a análise pela fiscalização da pertinência dos créditos apropriados extemporaneamente. Fl. 6641DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.642 18 Mais uma vez, é necessário apontar que a empresa apresentou o suporte documental à fiscalização, como já mencionado no início deste voto. Com isso, a unidade de origem deve analisar a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos apropriados extemporaneamente, para quantificálos. INSUMOS DA NÃOCUMULATIVIDADE (Arts. 3º das Leis de regência) Segundo a fiscalização, para que um bem seja considerado insumo à fabricação, além de não estar incluído no ativo imobilizado, deve enquadrarse em uma das quatro situações: ser matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Logo, entre outros, não foram considerados como insumos: ferramentas de trabalho para manutenção, calços para alinhamento da altura de equipamentos rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências, serviços logísticos, serviços de movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes. Prosseguindo, para a fiscalização, as despesas com a constituição da floresta compõem o ativo imobilizado da empresa. Por isso, na análise dos insumos, foi aplicado o seguinte critério na auditoria: “Todo bem ou serviço utilizado pela empresa antes do tratamento físicoquímico da madeira em si não podem ser classificados como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP e do COFINS nãocumulativos. Ao invés disso, as reservas florestais devem ser tratadas como sendo ativo imobilizado da empresa.” Por isso, apontou: 58. Resta claro que os empreendimentos florestais destinados ao corte para comercialização, consumo ou industrialização devem ser classificados no ativo imobilizado. Em relação à floresta plantada, as despesas de qualquer natureza, incorridas para a constituição da floresta devem ser contabilizadas no ativo imobilizado. O bem (floresta) sofrerá então exaustão à medida que suas árvores forem sendo derrubadas. Evidentemente que o valor da terra nua não deve aparecer na mesma conta do ativo imobilizado em que estiverem os recursos florestais, uma vez que a terra nua não pode ser objeto de exaustão. 59. Com isso, é fácil concluir que as despesas com a constituição da floresta não podem ser utilizadas como base para cálculo de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, na qualidade de insumos de seu produto final, já que o custo de constituição da floresta não é considerado custo de insumo à produção, mas custo de bem a ser incorporado ao ativo imobilizado. 60. Entre outros, não foram considerados como insumos: corrente de corte (motosserra), picadores (desgastador de madeira), sabres (manejo florestal), insumos utilizados no corte de cavacos , serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços Fl. 6642DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.643 19 de inventário florestal, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviço de manutenção/construção de estrada e pontes, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem, sensoriamento remoto e peças e reparos em maquinários relacionados com a área de silvicultura (marcas de tratores e outros veículos como a Komatsu, Volvo e John Deere). Em seguida, aduz a impossibilidade de desconto de créditos de exaustão, por não haver previsão legal para a apuração de créditos sobre encargos de exaustão incorridos sobre bens incorporados ao ativo imobilizado do contribuinte. Quanto à necessidade da aquisição dos insumos de terceiros, a fiscalização glosou as despesas relacionadas com a obtenção de madeira dos terrenos da empresa, a chamada Operação Florestal (clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate à incêndios e colheita). Na mesma esteira, uma vez entendido que todos os esforços despendidos na Operação Florestal compõem o ativo imobilizado, glosou os fretes pagos na aquisição dos bens que compõem o ativo imobilizado. Por outro lado, a Recorrente aduz que é devida a tomada de crédito sobre a formação de florestas: plantio, silvicultura, corte, colheita, logística e transporte de toras de madeira e etc. por indispensáveis à elaboração da celulose. Aponta as efls. 19, 78, 90, 131 e 132 do laudo técnico da USP. Acrescenta que os serviços glosados estão elencados no laudo como indispensáveis ao processo produtivo da celulose, conforme itens 4 e 5 do documento, também ligados à formação das florestas. E ainda, que os dispêndios com clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndios e colheita são prestados por terceiros, pessoas jurídicas. a) Embalagem de apresentação e de transporte A fiscalização aceitou como insumo a embalagem de apresentação, entendendo que sua colocação determina a fase final da produção. Por outro lado, não considerou a embalagem para transporte como insumo. Assim, entre outros, não foram considerados como insumos: correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, pallet (palete) e caixas de papelão. O contribuinte defende o creditamento por entender que essas embalagens de transporte acondicionam as folhas de celulose produzidas, conforme descrição no laudo técnico. b) Insumos Caracterização SD 200815 Foram considerados como insumos: toras de madeira, produtos químicos utilizados no processo produtivo, tintas, feltros e telas (formação e desaguação da folha de papel) e telas de lavagem de polpa de celulose. E ainda, foram considerados como insumos os Fl. 6643DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.644 20 “bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”, ocorrendo o contato direto com o produto final e/ou desgaste na sua utilização, como por exemplo: lâminas para remoção de resíduos em rolos da máquina de papel, esferas de vidro utilizadas no processo de pigmentação, pastilhas de frenagem de máquinas de papel, facas para corte de folha de celulose e de bobinas e correias de acionamento de equipamentos rotativos. Todavia, foram glosados os seguintes: despesas com equipamento de proteção individual, etiquetas adesivas de escritório, rolos de pintura, lonas de plástico para efetuar manutenções, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, manutenção de PABX, manutenção de nobreaks, encadernação de notas fiscais, copos para água mineral, almofada de carimbo, binóculos, borrachas para lápis, brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CDR graváveis, cestas de natal, coffebreak, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos, palestras e óculos de segurança Bandido. A Recorrente, com suporte no laudo técnico, aduz que estão descritos no laudo como essenciais: os equipamentos de proteção individual (efls. 19/20, 35 do laudo); a utilização de rádios comunicadores (efls. 27 do laudo) e insumos utilizados para análises químicas em laboratório (efls. 128 e 131 do laudo). c) Insumos Passagens, hospedagens e despesas de veículos SD 200815 Não foram considerados insumos: serviço com pagamento de estadia e translado, locação de veículos e despesas de transporte de supervisores. Aponta a empresa que tais dispêndios são essenciais, por se referirem à locomoção, ida e volta, até a floresta. d) Insumos Partes e Peças de Reposição SD 200835 Apontou a fiscalização que as partes e peças de reposição adquiridas de pessoa jurídica para manutenção de máquinas e equipamentos componentes do ativo imobilizado, utilizados diretamente na fabricação dos produtos destinados à venda (papel e celulose), são consideradas insumos para efeito de apuração de créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins nãocumulativas, desde que referidas partes e peças sofram alterações decorrentes de ação diretamente exercida sobre o bem fabricado e, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Foram considerados insumos: chapas de aço para reparos em caldeiras, cabos, barras e tubos metálicos utilizados em reparos de equipamentos, eletrodos de solda, bicos de chuveiro de lavagem de tela de máquina de secagem, peças hidráulicas de reposição (luvas, cotovelos e válvulas), graxas, óleos lubrificantes e óleos refrigerantes. Entretanto, foram glosadas despesas com: as partes e peças de reposição, bem como os serviços aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas no corte, no Fl. 6644DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.645 21 tratamento e no transporte da madeira a qual será, em uma 2ª etapa, transformada em celulose, papel e papelão. Da mesma forma, as partes e peças de reposição, bem como os serviços aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas na área logística da empresa, seja antes ou depois da obtenção do produto final, foram glosados. Dentre outros, não foram considerados como insumos uma vez que não são relativos aos maquinários utilizados diretamente na obtenção do produto final: reparos em veículos de carga e peças de reposição de transpaleteiras. A Recorrente, com suporte no laudo técnico, aduz que estão descritos no laudo como essenciais as partes e reposição de peças (efls. 87 e 130 do laudo). e) Materiais de Construção Civil utilizados como insumos Não foram considerados como insumos, uma vez que seriam incorporados ao ativo imobilizado edificações: tijolo comum, tintas para utilização em pisos em geral, placa de gail para piso, lâmpadas de iluminação em geral, pedra brita, etc. Segundo a empresa, tratamse de reparos realizados na unidade fabril, essenciais. f) Fretes Hipóteses de Crédito – SD 200711 e g) Frete Transporte Intercompany Vedação de Crédito SD 200812 Neste tópico, entendeu a fiscalização que quaisquer serviços de transporte não relacionados à entrega de mercadoria diretamente aos clientes não podem ser considerados como insumo. Então, não foram considerados: armazenagem/transporte de papel e logística. Mas foram considerados como insumo os referentes às despesas de exportação. E não os fretes relacionados a transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição ou de um centro de distribuição para outro. Já a Recorrente sustenta que todos os fretes de aquisição de matériaprima, os intercompany e o de aquisição de bens do ativo imobilizado integram o custo do produto, o que permite o creditamento. g) Combustíveis utilizados como Insumos SD 200837 A fiscalização acatou como insumo, o combustível utilizado no processo de fabricação do produto destinado à venda pela empresa; ou, em outras palavras, o empregado em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção da celulose industrializada e vendida pela contribuinte. Descartou como insumo os combustíveis utilizados para o transporte e manejo dos insumos: GLP utilizado em empilhadeiras, gasolina utilizado no transporte de pessoal, Óleo diesel, Óleo biodiesel e GLP granel. Fl. 6645DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.646 22 Quanto aos combustíveis, a alegação da empresa é de que são fornecidos por ela e, são utilizados nas máquinas e em veículos de transporte aplicados ao processo produtivo da Operação Florestal (conforme itens 5.65 e 6.6 do laudo). Síntese do tópico “Insumos da nãocumulatividade” O laudo apresentado pela Recorrente em seu recurso voluntário teve o objetivo de demonstrar a essencialidade dos custos incorridos na formação, manutenção e exploração das florestas, afastando, por conseguinte, as glosas. Descreveu também as etapas industriais até o consumidor. Confirase a síntese do processo produtivo descrito no laudo técnico da USP: Fl. 6646DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.647 23 Fl. 6647DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.648 24 Na apuração de PIS/COFINS nãocumulativos, a prova da existência do direito de crédito indicado incumbe ao contribuinte. Consequentemente, confrontando o motivo das glosas, os elementos trazidos aos autos e o laudo técnico, vislumbrase como desnecessários novos esclarecimentos em sede de diligência fiscal, restando para julgamento a matéria referente à extensão do conceito de insumo e os reflexos da classificação das florestas como ativo imobilizado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem: a) Por ser o laudo da Escola Superior da Agricultura da USP fato novo, manifestese sobre ele; b) Verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação restaram caracterizadas ou se foram apenas realizadas no mercado interno; c) Analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal, para que se possa aferir se são insumos ou não, com a devida quantificação; d) Analise a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos extemporâneos apropriados, mesmo sem as DACON/DCTF retificadoras, para quantificálos; e) Elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; f) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; g) Após, que retorne o processo ao CARF para julgamento. Fl. 6648DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.649 25 (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 6649DF CARF MF
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