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Numero do processo: 10166.729709/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. NÃO-CONFIGURAÇÃO.
A compensação não se equipara a pagamento para fins de configuração de denúncia espontânea. Não há denúncia espontânea condicional.
Numero da decisão: 1302-003.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. O conselheiro Rogério Aparecido Gil solicitou a apresentação de declaração de voto, entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não a apresentou, pelo que ela foi considerada não-formulada.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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COMPENSAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A compensação não se equipara a pagamento para fins de configuração de denúncia espontânea. Não há denúncia espontânea condicional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. O conselheiro Rogério Aparecido Gil solicitou a apresentação de declaração de voto, entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não a apresentou, pelo que ela foi considerada nãoformulada. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 97 09 /2 01 2- 01 Fl. 657DF CARF MF 2 Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Relatório O contribuinte Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ora Recorrente, transmitiu PerDcomp, na qual pretendia quitar débito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) referente ao 2º trimestre de 2008, com crédito de pagamento indevido ou a maior de mesmo tributo. Em despacho decisório proferido (fls. 505 a 510), houve o reconhecimento do direito creditório na integralidade, mas este não foi suficiente para quitar o débito indicado no pedido de compensação, uma vez que o contribuinte entendeu não ser devida a multa de mora, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, que afastaria essa penalidade no pagamento extemporâneo do tributo. No despacho decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília (DF), o agente fiscal, após discorrer sobre a análise do crédito e do débito indicados no PerDcomp, assim se manifestou: A insuficiência do crédito decorreu da incidência de multa de mora no cálculo do montante total do débito confessado. Ao efetuar a compensação desse débito, a contribuinte entendeu que havia ocorrido denúncia espontânea, o que motivou a exclusão da multa de mora de seus cálculos. Pontuase, porém, que conforme entendimento desta Receita Federal do Brasil exposto na Nota Técnica RFB/Cosit n° 19, de 12 de junho de 2012, expedida a fim de orientar as unidades da Receita Federal do Brasil quanto às consequências dos Atos Declaratórios PGFN n° 4/2011 e 8/2011, não se considera ocorrida a denúncia espontânea na situação em que o contribuinte compensa o débito confessado mediante apresentação de Dcomp. Apesar de a citada Nota Técnica ter sido emitida após a apresentação da Declaração de compensação (transmitida em 30 de maio de 2012), se aplica perfeitamente ao caso, visto que possui caráter meramente interpretativo.. Conclusão De acordo com as informações apresentadas acima, conclui se que o contribuinte faz jus ao direito creditório pleiteado na Dcomp n° 09360.43206.300512.1.2.049003. Contudo, o débito foi valorado de forma inadequada, o que fez com que os créditos não fossem suficientes para compensálo. Decisão No exercício das atribuições do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil previstas na lei nº 10.593/2002, art. 6º, inciso I, decidese: Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10166.729709/201201 Acórdão n.º 1302003.040 S1C3T2 Fl. 658 3 Homologar parcialmente a Declaração de Compensação n° 09360.43206.300512.1.2.049003. Intimado da decisão, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade. Os argumentos apresentados no apelo foram assim sintetizados no acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE): 3.1. Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; 3.2. Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. Contudo, aquela DRJ entendeu por bem julgar como improcedente a Manifestação de Inconformidade. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. MULTA MORATÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Não se aplica o benefício da denúncia espontânea aos casos em que o sujeito passivo compensa o débito confessado com atraso, mediante apresentação de Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Não concordando com a decisão exarada, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, pede o reconhecimento da validade da "Nota Técnica Cosit 01 ao período em que foi entregue a Dcomp" e, em caráter subsidiário, requer o reconhecimento da "denúncia espontânea, de forma que os valores indicados na Dcomp, consideremse quitados por meio de compensação, resultando na exclusão do crédito tributário, os quais se originaram na suposta multa de mora". Este é o relatório. Voto Vencido Fl. 659DF CARF MF 4 Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 27/03/2018 (fl. 606), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 17/04/2018 (comprovante de fl. 609 e 610), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DO INSTITUTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA E SUA APLICAÇÃO NOS PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. A matéria controversa nos autos e que foi devolvida a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais pelo Recurso Voluntário apresentado, se refere, basicamente, ao reconhecimento ao não da denúncia espontânea nos casos em que, ao invés de realizar o pagamento em espécie, o contribuinte quita os débitos "denunciados" com créditos que detém junto ao sujeito ativo da obrigação tributária, ou seja, utilizase da compensação. Contudo, antes de se analisar a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea na compensação, devese pontuar que, ao presente caso, não se aplica o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, através da sistemática de recursos repetitivos, de que a denúncia espontânea não é aceita quando há a prévia declaração (constituição) do crédito tributário, com o pagamento a destempo do tributo. O acórdão neste sentido recebeu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 962.379/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) É que, como se depreende dos autos, o contribuinte transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp. Ou seja, a constituição do crédito tributário não se deu antes da transmissão do pedido de compensação. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10166.729709/201201 Acórdão n.º 1302003.040 S1C3T2 Fl. 659 5 Pois bem, pontuada essa questão, passase a analisar a possibilidade de se aproveitar dos benefícios da denúncia espontânea, quando, ao invés de realizar o pagamento em espécie do tributo, o contribuinte quita este através da compensação tributária. Como sabido, o instituto da denúncia espontânea, que se assemelha ao do arrependimento eficaz no Direito Penal, pode ser caracterizado como a intenção (ou até mesmo opção) do contribuinte em "denunciar" eventual omissão do fato gerador, antes que se tenha iniciado qualquer procedimento de fiscalização por parte do sujeito ativo competente para instituir e cobrar o tributo. A sua previsão legal está na inteligência do artigo 138 do Código Tributário Nacional, que tem a seguinte redação: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O professor Luciano Amaro assim se pronuncia sobre o instituto da denúncia espontânea: "Como já se viu, o objetivo fundamental das sanções tributárias é, pela intimidação do potencial infrator, evitar condutas que levem ao nãopagamento do tributo ou que dificultem a ação fiscalizadora (que, por seu turno, visa também a obter o correto pagamento do tributo). Ora, dentro dessa perspectiva, é desejável que o eventual infrator, espontaneamente, 'venha para o bom caminho'. Esse comportamento é estimulado pelo art. 138 do Código, ao excluir a responsabilidade por infrações que sejam objeto de denúncia espontânea. (...) A denúncia espontânea afasta, portanto, a responsabilidade por infrações tributárias. Porém, 'se for o caso', ela deve ser acompanhada pelo pagamento do tributo devido e dos juros de mora; se o valor do tributo não for ainda conhecido, por depender de apuração, deve ser efetuado, no lugar do pagamento, o depósito da quantia arbitrada pela autoridade administrativa" (AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 12. ed. rev. e atual São Paulo: Saraiva, 2006. Pág. 451) Para corroborar com os ensinamentos da doutrina acima colacionada e para se esclarecer a essência do instituto da denúncia espontânea, que está arrimada, digase, no princípio da boafé, que deve sempre nortear as relações entre contribuintes e o fisco, citase trecho do voto proferido pelo então Ministro do Superior Tribunal de Justiça Luiz Fux no Ag 737.506/RS. Confirase os seus apontamentos: Fl. 661DF CARF MF 6 "(...) 3. Ressalva do relator no sentido de que a denúncia espontânea, na sua essência, configura arrependimento fiscal, deveras proveitoso para o fisco, porquanto o agente infrator, desistindo do proveito econômico que a infração poderia carrearlhe, adverte a mesma à entidade fazendária, sem que ela tenha iniciado qualquer procedimento para a apuração desses fundos líquidos. 4. Tratase de técnica moderna indutora ao cumprimento das leis, que vem sendo utilizada, inclusive nas ações processuais, admitindo o legislador que a parte que se curva ao decisum fique imune às despesas processuais, como sói ocorrer na ação monitória, na ação de despejo e no novel segmento dos juizados especiais. 5. Obedecida essa ratio essendi do instituto, exigir qualquer penalidade, após a espontânea denúncia, é conspirar contra a norma inserida no art 138 do CTN, malferindo o fim inspirador do instituto, voltado a animar e premiar o contribuinte que não se mantém obstinado ao inadimplemento. 6. Desta sorte, temse como inequívoco que a denúncia espontânea exoneradora que extingue a responsabilidade fiscal é aquela procedida antes da instauração de qualquer procedimento administrativo. Assim, engendrada a denúncia espontânea nesses moldes, os consectários da responsabilidade fiscal desaparecem, por isso que revestese de contraditio in terminis impor ao denunciante espontâneo a obrigação de pagar "multa", cuja natureza sancionatória é inquestionável. Diverso é o tratamento quanto aos juros de mora, incidentes pelo fato objetivo do pagamento a destempo, bem como a correção monetária, mera atualização do principal". (AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 737.506 RS 2006/00098624) (destcou se). Assim, neste ponto, podese afirmar que a denúncia espontânea é uma oportunidade de o contribuinte, em boafé, se antecipar à fiscalização, "denunciar" a ocorrência do fato gerador e quitar o crédito tributário, caso esse seja, de fato, devido, ficando, assim, livre das penalidade inerentes à mora no pagamento do tributo. O instituto é um estímulo que o legislador deu aos contribuintes, para que as obrigações tributárias sejam cumpridas, independentemente da atuação da fiscalização. E, como mencionado acima, a discussão posta é saber se a compensação se equipara ao pagamento e se, naquele caso, admitirseia a denúncia espontânea e, por consequência, estaria afastada a incidência da multa de mora, incidindo sobre o principal apenas os juros (recomposição monetária dos valores) pelo atraso no adimplemento da obrigação tributária. Neste ponto, não se pode perder de vista que a compensação é um encontro de contas entre credores mútuos e nela se pressupõe que o credor e o devedor tenham os mesmos direitos e deveres. Paulo de Barros Carvalho é cirúrgico nessa interpretação: (...) Por outro lado, situação há em que o Fisco figura no pólo passivo da relação jurídica. Falase, nesse caso, em 'débito do Fisco', consequência do fato do pagamento indevido, e Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10166.729709/201201 Acórdão n.º 1302003.040 S1C3T2 Fl. 660 7 constituído, também, no consequente de outra norma individual e concreta. Na compensação tributária são dissolvidas, simultaneamente, essas duas relações: (i) de crédito tributário e (ii) de débito do Fisco. Direitos e deveres funcionam como vetores de mesma intensidade e direção, mas de sentidos opostos, que se anulam. A compensação é uma forma extintiva das obrigações em geral, encontrando fundamento de validade no artigo 368 do Código Civil: 'Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações se extinguem, até onde se compensarem'. No que concerne à obrigação do tributo, o Código Tributário Nacional acolhe o instituto, desde que, em homenagem ao princípio da indisponibilidade dos bens públicos, seja autorizado em lei. É a redação do artigo 170: (...) (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, linguagem e método. São Paulo: Noeses, 2008 2ª edição. Pág. 477 e 478) (destacouse) E aqui podese afirmar que não há dúvidas: a compensação se equipara ao pagamento, produzindo o mesmo efeito, qual seja: a extinção do crédito tributário. Esta interpretação, inclusive, é fácil de ser percebida com a leitura dos incisos I e II, do artigo 156 do Código Tributário Nacional. Vejase: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; (...) Esclareçase que os institutos o da pagamento e da compensação se assemelham porque, no pagamento, o contribuinte entrega dinheiro em espécie à Fazenda Pública para quitar o débito tributário. Na compensação, por sua vez, ao invés de entregar dinheiro, o contribuinte utiliza como "moeda de troca" um crédito que possui junto àquela Fazenda Pública, mas que tem o mesmo objetivo, qual seja: quitar o tributo e, assim, ver extinto o crédito tributário devido. No âmbito federal, dentre outros dispositivos, a compensação é regulada pelo disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. E a leitura do parágrafo 2º deste dispositivo não deixa dúvidas quanto ao efeito da compensação: a extinção do crédito tributário. Vejase: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) Fl. 663DF CARF MF 8 § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (destacouse) E para colocar uma pá de cal nesta equiparação, colacionase abaixo ementa de julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, em que a Corte deixa clara a posição de que pagamento (gênero) e compensação (espécie) são idênticos e produzem os mesmos efeitos. Confirase: TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO DE NORMA LEGAL. ART. 9o. DA MP 303/06, CUJA ABRANGÊNCIA NÃO PODE RESTRINGIRSE AO PAGAMENTO PURO E SIMPLES, EM ESPÉCIE E À VISTA, DO TRIBUTO DEVIDO. INCLUSÃO DA HIPÓTESE DE COMPENSAÇÃO, COMO ESPÉCIE DO GÊNERO PAGAMENTO, INCLUSIVE PORQUE O VALOR DEVIDO JÁ SE ACHA EM PODER DO PRÓPRIO CREDOR. PLETORA DE PRECEDENTES DO STJ QUE COMPARTILHAM DESSA ABORDAGEM INTELECTIVA. NECESSIDADE DA ATUAÇÃO JUDICIAL MODERADORA, PARA DISTENCIONAR AS RELAÇÕES ENTRE O PODER TRIBUTANTE E OS SEUS CONTRIBUINTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO. 1. Tratase de extinção do crédito tributário mediante compensação de ofício; circunstância que o Recorrente afirma comportar a incidência do art. 9o., caput da MP 303/06, o qual prevê hipóteses de desconto nos débitos tributários. 2. O art. 9o. da MP 303/2006 criou, alternativamente ao benefício do parcelamento excepcional previsto nos arts. 1o. e 8o., a possibilidade de pagamento à vista ou parcelado no âmbito de cada órgão, com a redução de 30% do valor dos juros de mora e 80% da multa de mora e de ofício; o conceito da expressão pagamento, em matéria tributária, deve abranger, também, a hipótese de compensação de tributos, porquanto tal expressão (compensação) deve ser entendida como uma modalidade, dentre outras, de pagamento da obrigação fiscal. 3. É usual tratarse a compensação como uma espécie do gênero pagamento, colhendose da jurisprudência do STJ uma pletora de precedentes que compartilham dessa abordagem intelectiva da espécie jurídica em debate: AgRg no REsp. 1.556.446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 13.11.2015; REsp. 1.189.926/RJ, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 1.10.2013; REsp. 1.245.347/RJ, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Rel. p/acórdão Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 11.10.2013; AgRg no Ag. 1.423.063/DF, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe 29.6.2012; AgRg no Ag. 569.075/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, Rel. p/acórdão Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 18.4.2005. 4. Considerandose a compensação uma modalidade que pressupõe credores e devedores recíprocos, ela, ontologicamente, não se distingue de um pagamento no qual, imediatamente depois de pagar determinados valores (e extinguir um débito), o sujeito os recebe de volta (e assim tem extinto um crédito). Por essa razão, mesmo a interpretação positivista e normativista do art. 9o. da MP 303/06, deve Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10166.729709/201201 Acórdão n.º 1302003.040 S1C3T2 Fl. 661 9 conduzir o intérprete a albergar, no sentido da expressão pagamento, a extinção da obrigação pela via compensatória, especialmente na modalidade ex officio, como se deu neste caso. (...) 6. A interpretação das normas tributárias não deve conduzir ao ilogismo jurídico de afirmar a preponderância irrefreável do interesse do fiscal na arrecadação de tributos, por legítima que seja essa pretensão, porquanto os dispositivos que integram a Legislação Tributária têm por escopo harmonizar as relações entre o poder tributante e os seus contribuintes, tradicional e historicamente tensas, sendo essencial, para o propósito pacificador, a atuação judicial de feitio moderador. 7. Recurso Especial da empresa BUSSCAR ÔNIBUS S/A provido. (REsp 1122131/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/05/2016, DJe 02/06/2016) Assim, em que pese o citado artigo 138 do CTN falar em "pagamento do tributo devido", entendese que a interpretação do dispositivo deve ser feita de forma sistemática com todo o ordenamento jurídico, interpretação que não leva à outra conclusão senão à equiparação do pagamento à compensação, exatamente por produzirem os mesmos efeitos jurídicos. Não se pode perder de vista, neste sentido, que o dispositivo da denúncia espontânea, como mencionado, prestigia o adimplemento espontâneo e em boafé da obrigação tributária pelo contribuinte, pouco importando o modo pelo qual isso ocorra. O único requisito é que não tenha se iniciado qualquer medida fiscalizatória por parte do ente tributante e que o tributo seja quitado em sua integralidade. No presente caso, há que se ressaltar que não se discute a quitação integral do débito tributário. Como houve o reconhecimento da integralidade do crédito indicado no pedido de compensação, caso não fosse considerada como devida a multa de mora, o débito estaria integralmente quitado. Este débito só não foi quitado em sua integralidade, porque, no despacho decisório, entendeuse como sendo devida a multa de mora, ao arrepio da melhor interpretação do ordenamento jurídico pátrio. O entendimento aqui exposto, ainda que a jurisprudência administrativa seja oscilante, é acompanhado por julgados deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se depreende das seguintes ementas: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA.A denúncia espontânea também se configura com a quitação do tributo formalizada por meio de compensação, pleiteada anterior ou contemporaneamente à declaração do débito, devendo ser afastada a imposição da multa de mora. (Número do Processo 10675.900823/200813 Acórdão nº 1801 002.053 Data 30/07/2014) Fl. 665DF CARF MF 10 ................................. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 15/12/2004, 15/01/2005 COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. O aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A correta declaração e o pagamento ou compensação antes de qualquer medida de fiscalização são requisitos para o reconhecimento da denúncia espontânea. (Número do Processo 10680.726869/201191 Acórdão nº 3301003.218 Sessão de 22/02/2017) E, em recente decisão, a Câmara Superior de Recursos Fiscais se manifestou no mesmo sentido. Confirase a ementa do julgado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. HIPÓTESE DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE A compensação é hipótese de extinção do crédito tributário contida na acepção do termo “pagamento” ínsito no art. 138 do CTN. (Número do Processo 15374.000506/200561 Acórdão nº 9101003.559 Sessão de 05/04/2018) Como se não bastasse, o próprio Superior Tribunal de Justiça tem precedentes que admite a aplicação da denúncia espontânea naqueles casos em que houver o pagamento do crédito tributário via compensação, inclusive. Vejase: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10166.729709/201201 Acórdão n.º 1302003.040 S1C3T2 Fl. 662 11 entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1136372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/05/2010, DJe 18/05/2010) (destacouse) Pela inteligência da melhor doutrina, dos precedentes administrativos e judiciais citados no decorrer deste voto e, em especial, pela interpretação sistemática do ordenamento jurídico pátrio, portanto, outra não pode ser a conclusão, senão pelo reconhecimento da aplicação do instituto da denúncia espontânea nos casos em que o contribuinte quita o crédito tributário "denunciado" através de compensação administrativa. Por todo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reformar a decisão proferida pela DRJ no Recife, afastando a incidência de multa moratória no presente caso, em que o Recorrente quitou o crédito tributário, via compensação, incidindo sobre o principal apenas os juros de mora. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Voto Vencedor Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator designado Incumbido da difícil tarefa de contrapor aos consistentes fundamentos do Ilustre Relator, cumpro o dever apresentando os fundamentos já apresentados por ocasião do voto por mim proferido como relator do processo 16327.910475/200918, que aplico, mutatis mutandis, ao caso presente: O Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos, decidiu que a denúncia espontânea alberga a figura das multas moratórias, desde que não tenha havido declaração prévia do contribuinte, in verbis: Superior Tribunal de Justiça 1ª Seção REsp 1149022 / SP 09/06/2010 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer Fl. 667DF CARF MF 12 procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2.Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7.Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Decisão Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Compareceu à sessão, o Dr. LUIZ PAULO ROMANO, pelo recorrente. Pacificado e de aplicação necessária, à luz do § 1º, inciso II, alínea "b" do artigo 62 do RICARF, o entendimento de que a denúncia espontânea afasta a multa de mora. Não tão pacífica porém, é a equiparação da compensação a pagamento para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Tanto não é pacífico o entendimento que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) emitiu a Nota Técnica Cosit nº 1 em 18 de janeiro de 2012, equiparando compensação à pagamento para, cerca de seis meses depois, em 12 de junho de 2012, cancelar a referida Nota Técnica, por intermédio de outra Nota Técnica, a de nº 19, de 2012, que afirma textualmente: 6. Em consequência, concluise: a) pelo cancelamento da Nota Técnica Cosit nº 1, de 18 de janeiro de 2012; Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10166.729709/201201 Acórdão n.º 1302003.040 S1C3T2 Fl. 663 13 (...) c) não se considera ocorrida denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002: (...) c3) quando o sujeito passivo compensa o débito confessado, mediante apresentação de Dcomp; (...) As decisões administrativas deste Conselho também tendem nos dois sentidos: os que equiparam compensação a pagamento: Acórdãos 1201001.538, 3402003.486, 1803002.091, 1801002.053, e. g.; e as que restringem o instituto da denúncia espontânea somente a pagamento: v. g. Acórdãos 1301001.991, 1402 002.309, 3101001.425, 9101002.218. A justiça já enfrentou a questão quanto aos parcelamentos, conforme se extrai da súmula do antigo Tribunal Federal de Recursos de nº 208: SÚMULA Nº 208 A simples confissão da dívida, acompanhado do seu pedido de parcelamento, não configura denúncia espontânea. Tese firmada no julgamento do leading case, REsp 1102577/DF no STJ na forma de recurso repetitivo assim se apresenta: O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. Destaco trecho do voto: Nos casos em que há parcelamento do débito tributário, não deve ser aplicado o benefício da denúncia espontânea da infração, visto que o cumprimento da obrigação foi desmembrado, e só será quitada quando satisfeito integralmente o crédito. O parcelamento, pois, não é pagamento, e a este não substitui, mesmo porque não há a presunção de que, pagas algumas parcelas, as demais igualmente serão adimplidas, nos termos do artigo art. 158, I, do mencionado Codex. Feitas estas considerações, filiome aos que entendem que não há como equiparar compensação a pagamento, pois não há como apagar o fato de a compensação ser condicional. Explico: se houver a equiparação e for afastada a multa de mora, uma vez implementada a condição resolutória, não há como realizar a cobrança da penalidade pelo atraso no pagamento, cuja existência seria insofismável. Assim, débito confessado antes de qualquer atividade do Estado no sentido de constituílo, e compensado, só estará extinto com a homologação, tácita ou expressa, da compensação. Uma vez não homologada, o débito só será quitado no processo de cobrança, muito tempo depois da apresentação da DComp e da data de seu vencimento, pelo que, deve incidir a multa de mora. Não há denúncia espontânea condicional. Não ocorreu a denúncia espontânea em relação ao débito de outubro de 2005, por não ter sido pago, mas compensado. Fl. 669DF CARF MF 14 Feitas essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a cobrança da multa por não haver denúncia espontânea no caso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator designado Fl. 670DF CARF MF
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Numero do processo: 13642.720132/2017-02
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2001-000.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 2. 72 01 32 /2 01 7- 02 Fl. 32DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2013, anocalendário de 2012, em que foi apurada omissão de rendimentos. Abaixo, reproduzse trecho da fundamentação do lançamento: "Não se constatou vínculo empregatício do médico emitente do laudo com o serviço médico oficial (Secretaria de Saúde de São João Del Rei), indicado no carimbo aposto no referido laudo." O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Porto Alegre. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 26/27. Em síntese, informa que, em função dos argumentos que rejeitaram o Laudo, apresenta cópia do contrato de prestação de serviços do profissional que emitiu o laudo com a Prefeitura Municipal de Tiradentes. Para reforçar, junta informações previdenciárias prestadas pela referida Prefeitura. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência Fl. 33DF CARF MF Processo nº 13642.720132/201702 Acórdão n.º 2001000.515 S2C0T1 Fl. 3 3 adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Fl. 34DF CARF MF 4 O lançamento, assim como o faz a decisão de primeira instância, fundamenta o não reconhecimento da isenção, ao argumento de que o Laudo não atende ao disposto na legislação. Com o recurso, o recorrente apresenta documentação complementar, suprindo as falhas apontadas pelas autoridades lançadora e julgadora. Desta forma, deve ser aceito o Laudo. Portanto, devese reconhecer o direito à isenção pleiteada pelo recorrente, haja vista que foi feita prova neste processo. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 35DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720370/2013-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008
SIMULAÇÃO NA CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Constatado pela fiscalização que a contratação de serviços ocorre de forma simulada, apenas para burlar o fisco, correto o enquadramento dos empregados na empresa a que estão materialmente vinculados.
CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS POR EMPRESAS INTERPOSTAS.
Inexiste autorização para que os recolhimentos efetuados por empresas interpostas sejam abatidos em processo de lançamento fiscal lavrado contra terceira empresa, verdadeiro sujeito passivo da obrigação.
Numero da decisão: 2402-006.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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Recorrente INDUSTRIA E COMERCIO DE CALCADOS TANIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008 SIMULAÇÃO NA CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constatado pela fiscalização que a contratação de serviços ocorre de forma simulada, apenas para burlar o fisco, correto o enquadramento dos empregados na empresa a que estão materialmente vinculados. CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS POR EMPRESAS INTERPOSTAS. Inexiste autorização para que os recolhimentos efetuados por empresas interpostas sejam abatidos em processo de lançamento fiscal lavrado contra terceira empresa, verdadeiro sujeito passivo da obrigação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 03 70 /2 01 3- 54 Fl. 565DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 7ª Tuma da DRJ/SDR, consubstanciada no Acórdão nº 1535.446 (fls. 492), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de processo que inclui o Auto de Infração (AI) lavrado em 05/03/2013 por descumprimento de obrigações tributárias principais, sob o seguinte DEBCAD nº: 37.353.6887. A ação fiscal foi autorizada através do MPF nº 0920400.2012.00539, iniciada através do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF em 23/10/2012 (ciência pessoal nesta data, fl. 23) e encerrada em 07/03/2013 com a lavratura Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (TEPF), fl. 30. A tabela abaixo apresenta um resumo do Auto de Infração que compõe o processo sob julgamento: Consta ainda do Relatório Fiscal que: Fl. 566DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 3 3 1) Além da identificação do contribuinte, consta ainda como empresa vinculada a MR Indústria e Comércio de Calçados LtdaEPP, CNPJ 08.073.730/000124, sediada na Rua José Marcelino Franco, nº 313/321, CEP 88240000, Município de São João Batista, Santa Catarina; 2) As Auditorias Fiscais desenvolvidas nas empresas citadas evidenciam, segundo a Fiscalização, a presença de subterfúgios utilizados no intuito de afastar a incidência de contribuições previdenciárias (cota patronal), por meio da constituição de CNPJ em nome de interpostas pessoas (parentes e empregados) pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições SIMPLES. Tais subterfúgios consistem em trabalhar com duas empresas paralelas para dividir o faturamento e o registro dos empregados, mantendo em seus quadros societários pessoas que não são seus verdadeiros sócios e ainda deixar de incluir nestes seus sócios de fato. A manutenção de empresa ME/EPP tem por objetivo registrar parte dos empregados em firmas contempladas pela LC 123/2006 a partir de 07/2007 e, assim, deixar de recolher as contribuições (patronal e de terceiros) sobre a folha de pagamento dos empregados registrados nesses CNPJ. O contribuinte pretendeu desta forma se elidir da incidência da contribuição previdenciária patronal que recairia sobre a folha de pagamento dos empregados e contribuintes individuais registrados na empresa optante pelo SIMPLES; 3) O Levantamento MR Folha de Pagamento da Representada Vinculada (e desmembramentos) identifica as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados registrados na empresa vinculada. As remunerações estão discriminadas nas folhas de pagamentos/GFIP dessa firma, sendo por ela declarada na GFIP, cujos valores estão indicados no campo "BASE DE CÁLCULO: 01 SC Empreg/avulso" do Discriminativo do Débito DD, integrante deste Auto de Infração. Observa a Fiscalização que o prólabore do "suposto sócio" foi considerado salário, caracterizandoo empregado da empresamãe; 4) Dos 380 empregados registrados atualmente na IND. E COM. DE CALÇADOS TÂNIA LTDA RAPHAELLA BOOZ cerca de 50% deles estiveram registrados de 2008 a 2011 na empresa vinculada, constituída na forma do SIMPLES com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à seguridade social. Essa firma foi constituída pelo administrador da sociedade, em nome de seus parentes, empregados e amigos (interpostas pessoas), sendo totalmente controlada por ele através do seu financeiro como será demonstrado a seguir; 5) A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS TÂNIA LTDA CNPJ 86.154.119/000134 conhecida pela marca RAPHAELLA BOOZ iniciou suas atividades em São João Batista/SC no ano de 1966, denominandose Booz e Albanaz Ind. E Com. Ltda. Os Sócios eram Ary Booz e Artur Adelino Albanaz (50% cada um). O objetivo social era a indústria e comércio de calçados; 6) Na segunda alteração de contrato (22/01/1970), a família Booz adquiriu todo o capital e a empresa passou a ser identificada com o nome atual. Contudo, o nome fantasia (a marca da empresa: RAPHAELLA BOOZ) só foi incorporado ao nome a partir de 04/05/2009, na 14ª alteração contratual; Fl. 567DF CARF MF 4 7) Em 17/11/1992 (8ª alteração) a firma se mudou para o endereço atual: Rua José Marcelino Franco, 313. E na 9ª alteração (07/05/1998) Cláudio César Booz (filho de Ary) assumiu a administração do negócio; 8) Na 10ª alteração (12/12/2003) Ary Booz saiu da firma, doando suas ações para os filhos: Regina Booz da Silva, Rozemari Booz, Arilane Booz Ramos e Rafaella Andressa Booz e Cláudio César Booz, que permaneceu na gerência; 9) Em 12/09/2008 (12ª alteração) todas as irmãs venderam suas quotas para Cláudio Booz e se retiraram da sociedade, exceto Rozemari Booz Massotti, que permaneceu na firma com 2% do capital; 10) Na consolidação da 17ª alteração contratual (30/08/2011) a sociedade alterou a atividade para "fabricação de calçados e de partes para calçados de qualquer material, importação, exportação e comércio varejista e atacadista de calçados, bolsas, lenços, meias, cintos, bijuterias, chaveiros, artigos do vestuário e acessório e produtos para conservação de calcados"; 11) Nesse período, a empresa abriu diversas filiais, encerradas no final de 2012 para abrir um sistema de franquias da marca RAPHAELLA BOOZ (Doc. 1 Contrato Social e Alterações da Ind. Com. de Calçados Tânia Ltda Raphaella Booz); 12) Composição do quadro social da Raphaella Booz: 13) A MR INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA EPP iniciou suas atividades em 01/06/2006 com o nome de Studio Booz Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP no mesmo endereço da Raphaella Booz (Rua José Marcelino Franco, 313 321), São João Batista SC, tendo como objetivo: "o ramo da indústria e comércio de calçados" e como sócios Ary Booz e Valdir da Silva. Valdir era um amigo da família e entrou como sóciogerente com 92% do capital declarado (R$ 50 mil); 14) Na 1ª Alteração contratual (17/03/2008) Valdir da Silva se retirou da sociedade, entrando em seu lugar Rozemari Booz Massotti, que passou à condição de gerente. Em 01/03/2010 (2ª alteração) Laércio Antônio Massotti (esposo de Rozemari) substituiu Ary Booz na sociedade. Nesta data a firma alterou também o objetivo social para "fabricação de partes de calçados preparadas para montagem e o comércio de calçados"; 15) Na 3ª alteração (02/08/2010) foi alterado o nome empresarial para MR Indústria e Comércio de Calçados LTDA EPP e o endereço para a Rua Arnaldo Antônio da Silva, 44. Rozemari saiu da firma, entrando em seu lugar Rudinei Roberto Melo como sóciogerente; Fl. 568DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 4 5 16) Em 21/10/2010 (4ª alteração de contrato social) a firma permaneceu com o mesmo capital declarado no início da atividade e alterou o objeto para "serviços de montagem e acabamentos em calçados" (Doc. 2 Contrato Social e Alterações da MR EPP); 17) Composição do quadro social da MR: 18) Relação dos sócios da MR com a Raphaella Booz: a) Ary Booz é o criador da Raphaella Booz e seu administrador até 12/2003; b) Valdir da Silva é um amigo da família Booz; c) Rozemari Booz Massotti é filha de Ary e sócia da empresamãe; d) Laércio Antônio Massotti é o técnico de segurança do trabalho, registrado na Raphaella Booz (Doc. 12) e esposo de Rozemari Booz (atualmente separados judicialmente); e) Rudinei Melo foi registrado (encarregado) na Raphaella Booz de 2004 a 2009. Registrado na Studio Booz (MR) de 2009 a 08/2010 e "sócio" da MR a partir de 09/2010. Retornou a empregado da Raphaella em 04/2011 (Doc. 12); f) Ancelmo da Silva (outro genro de Ary Booz fundador da sociedade) é o financeiro (empregado registrado) da Raphaella Booz. É o procurador dos dois CNPJ (Doc. 3 Ancelmo da Silva é procurador das duas firmas); g) Leonardo Fábio Vurtuoso é o Office Boy do Escritório Contábil (de Tijucas) que atende às duas empresas (Doc. 4 Leonardo Vurtuoso é Office Boy da Assecontábil procuração e declaração); 19) O objetivo social formal das duas empresas é o mesmo, no entanto, o que a representada fazia de fato era prestar serviço de mão de obra para a confecção dos calçados comercializados pela Raphaella Booz. Ela foi constituída pelos donos desta, em nome de parentes e empregados, dentro do seu parque industrial e ali se manteve até os dias atuais; 20) O endereço registrado no contrato social da MR (Rua José Marcelino Franco, 321) é a entrada do estacionamento da Raphaella Booz, mas a portaria da empresa, por onde entram todos os empregados registrados nos dois CNPJ, é o número 313; Fl. 569DF CARF MF 6 21) A representada foi constituída como empresa do SIMPLES e desde a sua constituição até agosto de 2010 a ela coube o registro de aproximadamente 50% dos 350 funcionários da Raphaella Booz. Esses 50% são trabalhadores da produção de calçado e todos estiveram até 08/2010 (3ª alteração contratual) exercendo suas atividades dentro da empresa, isto é, no mesmo ambiente de trabalho. Ali, parte dos funcionários estavam registrados num ou no outro CNPJ, subordinados aos gestores do negócio. Nesse período a representada chegou a ter 175 trabalhadores registrados em seu CNPJ, trabalhando dentro da empresa mãe, fechando agosto/2010 com 110 registros (Doc. 5); 22) Em setembro/2010, os administradores alugaram um pequeno galpão próximo da Raphaella Booz Rua Arnaldo Antônio da Silva, 44 e para lá enviaram 60 funcionários. Os demais voltaram a ser registrados na empresamãe. Em menos de um ano esses 60 funcionários também retornaram, restando apenas três em auxílio doença no CNPJ da representada, que paralisou suas atividades (Doc. 5); 23) A representada está em nome de amigos, parentes e empregados, mas a administração de fato do negócio sempre coube a Cláudio César Booz através de seu corpo administrativo, encabeçado por Ancelmo da Silva (financeiro da empresa) que comanda os dois CNPJ por procuração pública (Doc. 3); 24) Com a edição da MP 540/2011 (de 02/08/2011), transformada na Lei 12.546 de 14/12/2011, o setor calçadista (entre outros segmentos da economia) foi beneficiado com a desoneração da folha de pagamento e passou a recolher parte do INSS através de uma alíquota sobre o seu faturamento; 25) Ou seja, esses setores beneficiados observaram que não tinham mais razão de manter outros CNPJ paralelos, no Simples por ex., correndo o risco de serem fiscalizados como grupo econômico, como vem ocorrendo; 26) Beneficiada ou não, se teve ou não essa intenção, a partir de 12/2011 quando entrou em vigor a MP 540, a representada paralisou suas atividades. No período fiscalizado, a média de registros de empregados na Rafhaella Booz passou de 200 em 2008 para 380 em 2011. Desses, cerca de 50% estiveram por algum tempo registrados no CNPJ do Simples, ou seja, na representada (Doc. 5 Resumo da folha de pagamento e o número de registro da representada de 2008 a 2011); 27) Para o procurador Ancelmo da Silva, conforme entrevista, houve um acordo da empresa com o encarregado Rudinei Melo, que se ele não fosse bem como "empresário" (foi sóciogerente da representada por oito meses), o emprego dele estaria garantido na Raphaella Booz. O que de fato aconteceu foi o retorno de todos os funcionários e não só o encarregado, pedindo a baixa da empresa na Prefeitura (Doc. 12); 28) Desde a criação da representada, a intenção da Raphaella Booz era a de trabalhar com um CNPJ paralelo, do SIMPLES, com a finalidade exclusiva de registrar os empregados e livrar a empresamãe dos encargos trabalhistas sobre a folha de pagamento; Fl. 570DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 5 7 29) Criou, portanto, esse CNPJ em nome de terceiros para abrigar cerca de 50% de todos os vínculos empregatícios da sociedade. Ou seja, uma empresa única dividida em dois CNPJ, controlados pelas mesmos gestores, no mesmo ambiente industrial; 30) Braço direito da família, o empregado Ancelmo da Silva (cunhado de Cláudio César Booz, administrador do negócio desde 1998) é o responsável pelo setor administrativo e financeiro da sociedade. Ele tem procuração das duas empresas para gerir e administrar todos os negócios da outorgante. O negócio compreende cerca de 380 funcionários, que por um longo tempo estiveram registrados nos dois CNPJ e hoje retornaram ao CNPJ da empresamãe (Doc. 3 Procurações públicas onde Ancelmo da Silva é o procurador das duas firmas); 31) Procurador das duas empresas ao mesmo tempo e financeiro do negócio, Ancelmo da Silva controla os dois CNPJ como quer. Todos os pagamentos das duas firmas, todas as admissões, rescisões, conciliações bancárias, pagamentos de salários (folha de pagamento), transações entre contas, movimentação bancária das duas contas etc passam por dele (Doc. 11 Comprovantes de transações efetivadas pelo procurador Ancelmo); 32) A razão de ter mais de um CNPJ é a possibilidade de manter um deles no SIMPLES NACIONAL, instituído pela Lei Complementar n.° 123/2006, para trabalhar com duas empresas paralelas: uma para abrigar o faturamento e registrar parte do pessoal (principalmente os mais próximos da administração) e o outro para registrar os empregados da produção. Manter os empregados registrados no CNPJ do SIMPLES significou deixar de pagar a contribuição dos tributos gerados sobre a folha de pagamento desses funcionários da produção; 33) Com este Regime Especial de tributação, unificado, diferenciado e favorecido, no âmbito dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, as pessoas jurídicas consideradas como Microempresas ME e Empresas de Pequeno Porte EPP recolhem mensalmente, mediante documento único de arrecadação, o ICMS, ISS, IPI, PIS, COFINS entre outros impostos e contribuições, em contrapartida, deixam de recolher as contribuições (patronal e de terceiros) sobre a folha de pagamento; 34) Isto é, uma empresa única dividida em dois CNPJ, controlados pela família em um mesmo ambiente industrial, cujo corpo administrativo da empresa paralelamente trata de todos os funcionários independentemente de onde estejam registrados; 35) Paralisada as atividades em 2011, a representada nomeou por procuração pública (em 26/11/2010) Leonardo Fábio Vurtuoso, office boy, residente em Tijucas, empregado registrado no escritório contábil responsável pela escrita fiscal das duas empresas, para "gerir os seus negócios" (Doc. 4). Enquanto Rudinei Roberto "sócio" continuava encarregado da fábrica. Na realidade, dali ele nunca saiu; Fl. 571DF CARF MF 8 36) A representada que no auge de seu movimento, quando mantinha 50% da mão de obra da sociedade era gerida pelo financeiro do negócio, Ancelmo da Silva, empregado registrado na Raphaella Booz, passou (na depressão) a ser gerida pelo Office Boy da contabilidade terceirizada (Doc. 4). Em termos, porque o Doc. 22 comprova que Ancelmo da Silva continua até hoje no comando dos dois CNPJ; 37) A Raphaella Booz tem (e sempre teve) um único RH para tratar dos 380 funcionários registrados no dois CNPJ; 38) Todo o sistema operacional e funcional esteve centralizado dentro da Raphaella Booz comandados por empregados que já fazem parte da história da empresa como Ancelmo da Silva, do financeiro e procurador das duas firmas; 39) Sheila Adriana Motter, gerente de RH, faz o recursos humanos dos dois CNPJ (e sempre foi assim) e, embora sejam 380 empregados, conhece a todos e em qual firma esteve registrado (hoje todos os funcionários voltaram a ser registrados no CNPJ da empresamãe). Ela quem faz a entrevista de emprego, admissão e a demissão etc (Doc. 16 RH dá suporte à emissão do laudo técnico de condições do trabalho das duas firmas); 40) Todo o material de expediente era em nome da empresamãe mesmo porque a representada possuía apenas um encarregado para cuidar dos operários da produção, Rudinei Melo. Ainda, assim, no período em que esteve fora do centro administrativo da Raphaella Booz, no endereço alugado; 41) A representada paralisou as atividades, saiu do imóvel alugado, mas não emitiu nova alteração no contrato social. Seus "sócios" trabalham na Raphaella Booz e as informações sobre a firma do Simples são prestadas pelo RH da sociedade ou pela sua contabilidade. Através do RH a fiscalização encontrou Rudinei Melo para assinar o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF da MR e entrevistalo (Doc. 6 TIPF da MR assinado por Rudinei Roberto Melo e entrevista); 42) Entrevistar os empregados é ouvir a unanimidade deles afirmar que são empregados da Raphaella Booz, cujo patrão é o Sr. Cláudio Booz. Os entrevistados afirmam que não existe ou existiu outra empresa no local. Ali sempre foi Raphaella Booz Ind. e Com. de Calçados Tânia Ltda; 43) Mesmo porque os fatos se confundem: até metade de 2006 tudo era Raphaella Booz (Ind. e Com. de Calçados Tânia Ltda) depois parte dos funcionários foi transferido para a representada e em 2011 todos os funcionários retornaram a Raphaella Booz; 44) Até os mais letrados se confundem, veja o caso de Marcela Xavier, recepcionista da Raphaella Booz. Declarou ser registrada na Calçados Tânia há 7 anos, quem a entrevistou para o emprego foi a Scheila Adriana Motter, gerente do RH. Por 4 anos trabalhou no setor de Corte. Conhece o Rudinei "é o encarregado da esteira", mas nunca soube que ele era dono de alguma empresa, disse, e que não tem conhecimento se ele saiu da Raphaella Booz por algum tempo. Conhece o Laércio, o outro "sócio" da representada: "trabalha no Setor Fl. 572DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 6 9 de Franquia", mas desconhece se ele tem outra firma. Confessou que sempre trabalhou na Ind. E Com. de Calçados Tânia: "eu nunca fui registrada na MR"; 45) A insistência pelo esclarecimento de outro registro da recepcionista é porque existem dois registros: o de número 38 da STUDIO BOOZ (atual MR) e o de número 2448 na Raphaella Booz, fato que ela própria desconhece. Desconhece porque ela sempre esteve dentro da Raphaella Booz, comandada por Ancelmo da Silva, financeiro e procurador, que é seu chefe imediato e quem assinou a rescisão em 2010 para mudar de empresa (Doc. 7 Entrevista de Marcela Xavier, Ficha de Registro e Rescisão assinada pelo procurador); 46) De acordo com a sua entrevista, Marcela Xavier trabalha há 7 anos na empresa e que jamais saiu dali. Formalmente a representada rescindiu o seu contrato em 29/04/2010 e foi admitida na Raphaella Booz em 18/10/2010 Ficha de Registro 2448; 47) Existe a rescisão (Doc. 7), mas no movimento de caixa da empresa de 11/2010 foi encontrado no extrato bancário pagamento em cheque da sua rescisão no dia 01/11/2010 (Doc. 8 Rescisão de Marcela Xavier paga em cheque e FRE 2448); 48) Questionada, a contabilidade apresentou documento que houve o pagamento em dinheiro (caixa) da rescisão de Marcela no dia 30/04/2010 (Doc. 9 Rescisão paga em dinheiro); 49) A entrevista de Rudinei Roberto Melo, encarregado do setor de montagem / esteira e "sócio" da representada também merece comentário. Ele trabalha há 8 anos na Ind. e Com. de Calçados Tânia (Raphaella Booz) mas não sabia que até ser demitido para "assumir" a representada estava na verdade registrado na STUDIO BOOZ (MR) na FRE número 20; 50) Nesse período disse que saiu um ano e meio para "montar" a MR Calçados, que prestava serviço exclusivo para a empresamãe. Formalmente ele ficou na representada de 09/2010 a 03/2011 quando retornou à Raphaella Booz (FRE 2583 deste CNPJ); 51) Embora tenha retornado à condição de empregado, continuou "sócio gerente" da representada. Afirmo que esse é o típico caso do retorno de quem não foi. Nesses 8 anos declarando que trabalha na empresa, de fato sempre trabalhou ali, dos quais 8 meses "sócio" da representada (Doc. 12 Rudinei volta à condição de empregado, registrado na Rafhaella Booz e Baixa da Prefeitura); 52) Da firma que foi "sóciogerente" recentemente ele pouco se lembra. Não lembra do endereço, de quanto faturava, do nome do sócio, de quem ele "comprou" a empresa. Também não sabe quem fazia a parte administrativa (entrevista de emprego, admissão, demissão etc) nem do contador: "meu serviço era a prestação de serviço", disse. Ainda declarou que não vendia nada e que fechou a empresa em 2011 (Doc. 6). O pedido de baixa foi apenas na Prefeitura de São João Batista e no Corpo de Bombeiros (Doc. 12); Fl. 573DF CARF MF 10 53) Diante disso surge uma pergunta: que empresário é esse? De fato, é a pessoa interposta (laranja) a serviço do dono do negócio. Nesse caso, um empregado sem noção nenhuma de gerir uma firma. Um trabalhador da produção, apenas; 54) Rozemari Booz Massotti tem 2% da Ind. e Com. de Calçados Tânia e foi "sóciagerente" da representada. Disse na entrevista que ela e o pai Ary Booz abriram a empresa em 2008. "Um Ateliê para prestar serviço exclusivo para a Raphaella Booz" e que não teve outros sócios até vender para o Rudinei Melo. Apesar de gerente, não lembra do faturamento, mas sabe que a firma funcionava na Rua Arnaldo Antonio da Silva; 55) Algumas verdades que a Sra. Rozemari desconhece: quem "iniciou a empresa" foi o pai dela e um amigo (Valdir da Silva, intitulado sóciogerente, no contrato social). Na época em que ela era "gerente" o seu sócio era o próprio esposo Laércio Massotti, que continuou no contrato social após a sua saída até hoje. À época de sua "administração", a STUDIO BOOZ sempre esteve dentro da Raphaella Booz com mais de 175 funcionários registrados em seu CNPJ, número três vezes superior à sua recordação (DOC. 10 Entrevistas de Rozemari Booz Massotti); 56) Valdecir Boaventura (sócio da ZR Terceirização) é o atual inquilino do galpão da Rua Arnaldo Antonio da Silva, 44 (alugado como sede da representada de 08/2010 a 07/2011). Declarou que a firma anterior que alugou aquele endereço era um ateliê da Raphaella Booz, cujo encarregado (Rudinei Melo) é empregado dela (DOC. 21 Entrevista com o atual inquilino do galpão alugado); 57) Exceto no período de 09/2010 a 03/2011 em que uma parte dos funcionários foi para um galpão alugado, a representada sempre esteve dentro da empresa mãe, utilizando o espaço físico dela sem contrato de aluguel nem contrato de comodato de uso das máquinas e equipamentos da Raphaella Booz. Dentro ou fora desta, a representada sempre viveu às custas da empresamãe (Doc. 13 Declaração informando a ausência de contrato de aluguel e de comodato. Contrato de aluguel apenas no período 09/2010 a 08/2011); 58) Em contrapartida, teve período em que a representada colocou mais de 170 funcionários à disposição da empresamãe, na produção de sua marca (Doc. 5); 59) O "milagre" no faturamento da Raphaella Booz observado no demonstrativo a seguir se deve, em parte, ao trabalho desenvolvido pelos empregados registrados na representada (do SIMPLES), que entraram na sociedade com a mão de obra; 60) Consta do Relatório Fiscal o Demonstrativo do Resultado do Exercício das Empresas: Fl. 574DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 7 11 61) Analisando o imobilizado e a contabilização dos custos, a seguir, afirma a Fiscalização que a representada faturou basicamente para pagar o custo da folha de pagamento/salários e que ela existe simplesmente para registrar parte dos empregados, é possível ainda afirmar que ela não teria capacidade de se estabelecer sozinha, de movimentar o seu negócio sem o suporte administrativo e econômico da empresamãe; 62) Ativo Imobilizado e Equipamentos: 63) O quadro abaixo demonstra a realidade do negócio: a empresamãe banca praticamente todas as despesas da sociedade. Contas como energia elétrica, água, telefone, aluguel, material de expediente, refeição do trabalhador, assistência médica, seguros e tantas outras indispensáveis para o desenvolvimento da empresa não fazem parte das despesas da representada. Fl. 575DF CARF MF 12 64) Na 3ª alteração contratual da representada (02/08/2010) alterouse o nome da firma paraMR Calçados, o endereço e o comando. Conforme a relação de demitidos daquele mês, mais de 50 funcionários simplesmente trocaram a MR pela Raphaella Booz. Ou seja, saíram no dia 25/08/2010 do CNPJ da representada e foram admitidos no dia seguinte no CNPJ da Calçados Tânia Ltda. Dos demitidos apenas dois funcionários deixaram a sociedade e um Rudinei Fl. 576DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 8 13 Melo virou "sóciogerente" a partir dessa alteração (Doc. 14 Relação de demitidos da MR e seus novos vínculos na empresamãe); 65) Apesar da representada ter conta própria no Banco do Brasil conta 003 Banco do Brasil Studio Booz, no extrato bancário ela é identificada como conta 001 IND. E COM. de CALÇADOS TANIA LTDA e ao lado (esquerdo) a logomarca da empresa "RAPHAELLA BOOZ / SB" (de Studio Booz). Isto é: é uma conta da Calçados Tânia para os pagamentos da representada (Doc. 15 Conta bancária da representada é identificada pela Calçados Tânia Ltda. e controlada pelo financeiro da sociedade Ancelmo da Silva); 66) O Laudo Técnico das Condições de Trabalho LTCAT comprova que a localização das duas firmas é a mesma. Ou seja: todos os empregados trabalham no mesmo local, na Rua José Marcelino Franco 313. O acompanhamento do laudo é feito pela mesma pessoa, a Gerente de RH Scheila Adriana Motter (registrada na Raphaella Booz) e assinado pelo mesmo Técnico de Segurança do Trabalho, Laércio Antônio Massotti, empregado da Raphaella Booz e "sócio" da representada. Ancelmo da Silva, empregado da Raphaella Booz e procurador dos dois CNPJ é quem avaliza o documento em nome das duas empresas (Doc. 16 Laudo Técnico das condições de Trabalho comprova que todos os funcionários trabalham no mesmo local e o RH único dá suporte a sua emissão); 67) Os pagamentos das duas firmas, admissões, rescisões, conciliações bancárias, pagamentos de salários (folha de pagamento), transações entre contas, movimentação bancária das duas contas, etc passam pelo financeiro Ancelmo da Silva (Doc. 11); 68) Apesar de a representada ter conta bancária própria, ela vive dos empréstimos e transferência on line feitas pela Ind. Com. de Calçados Tânia, através do procurador e financeiro. É analisar os extratos e observar que, antes de algum pagamento significativo da representada, existe uma transferência da empresamãe para cobrir a conta. (Doc. 19 Transferências on line para a representada cobrir os débitos); 69) Mesmo no período em que esteve no galpão fora da sede (09/2010 a 08/2011) a representada exercia a atividade exclusiva para a Raphaella Booz. Setores identificados como Montagem III e IV, por ex., eram as linhas de montagem 3 e 4 do endereço alugado, enquanto as linhas de Montagem I e II eram dentro da empresamãe. Revisão Saída Raphaella, Distribuição Raphaella são outros exemplos de que esses funcionários, embora fora da sede, executavam os serviços para a empresamãe (Doc. 20 Linhas de montagem III e IV dos calçados Raphaella Booz eram executados pela representada). Zabumba, também mencionada no Doc. 20, é outra linha de calçados da Raphaella Booz; 70) Esclarece a fiscalização que: a) Rudinei Melo foi "sóciogerente" da representada apenas no papel, assim mesmo no período 09/2010 a 03/2011 porque em 04/2011 voltou a ser registrado na Calçados Tânia Ltda (Doc. 12). E em todo esses 8 anos de empresa ele jamais deixou de ser um encarregado de setor da Raphaella Booz, apenas; Fl. 577DF CARF MF 14 b) A alteração do nome da representada de STUDIO BOOZ para MR (iniciais inversas de Rudinei Melo) ocorreu também só no papel do contrato social e nas fichas de registro dos empregados FRE porque ela continuou a ser tratada como STUDIO BOOZ, interna e externamente; c) Leonardo Vurtuoso, Office Boy da Contabilidade (Doc. 4), também é procurador da representada (a partir da 3ª alteração) apenas nas causas formais porque quem continuou assinando e decidindo pela representada é o procurador da sociedade Ancelmo da Silva (Doc. 3); 71) Os três itens acima são fartamente comprovados no Doc. 22 a seguir: a) Analisando o movimento bancário da representada de 12/2011 (último mês fiscalizado) observase que a conta do Banco do Brasil da representada continua em nome da STUDIO BOOZ; b) As transferências de valores entre as contas da Calçados Tânia Ltda e da representada continuam sendo feitas pelo procurador Ancelmo da Silva; c) Os pagamentos de títulos da representada (como por ex. para a Assecontábil) são feitos por Ancelmo da Silva; d) A identificação da conta do Banco do Brasil da representada continua em nome da Ind. e Com. de Calçados Tânia Ltda com logotipo "RAPHAELLA BOOZ / SB"; e) A Folha de pagamento encaminhada via Banco do Brasil e pagamentos de férias e de 13º salários foram efetuados Ancelmo da Silva ( Doc. 22 Movimento Banco do Brasil de 12/2011 da representada expõe com clareza que a firma continua sendo comandada pelo procurador empregado registrado da Raphaella Booz e cunhado do administrador Cláudio César Booz); 72) Na avaliação do PPRA do CNPJ "Raphaella Booz" observase que o programa de prevenção é o mesmo para as duas empresas. Ambas com o mesmo endereço na Rua José Marcelino Franco 313, São João Batista SC. Mesma atividade principal: Fabricação de Calçados de Couro e mesmo CNAE 15.31901. Mesma pessoa que acompanha o programa: Sra. Scheila Adriana Motter, Gerente de RH. Mesmo Técnico de Segurança de Trabalho que assina: Laércio Antônio Massotti. Mesmo Certificado de Calibração para os dois CNPJ (Doc. 17 PPRA é o mesmo para os dois CNPJ); 73) Os empregados da produção / operacional das duas firmas trabalham todos juntos nos diversos setores. É o que demonstra o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO (Doc. 18 Programa de Controle Médico das duas empresas). Observase que a representada contempla somente os setores operacionais (produção). Tem apenas um cargo administrativo que era ocupado pelo encarregado Rudinei Melo. Este, no período de 09/2010 a 03/2011 passou a ser "sócio" da representada, mas retornou à condição de encarregado da Raphaella Booz, a partir de 04/2011 (Doc. 12); 74) Outra prova de que se fala da mesma empresa, utilizandose de dois CNPJ, os cargos de: Vendas, Contábil, Faturamento, Compras, Financeiro, Estilista, PCP, PSI, RH, Modelista de Calçados, Técnico de Segurança do Trabalho, Motorista, Vigia e Recepcionista eram cargos apenas da empresamãe. Isto é: o controle do negócio está nas mãos dos gestores da sociedade. (Doc. 18); Fl. 578DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 9 15 75) A gestão administrativofinanceira da Raphaella Booz (Calçados Tânia Ltda) e da representada é exercida pelo administrador do negócio Cláudio César Booz e seu cunhado e procurador Ancelmo da Silva. Seus parentes e empregados estavam no contrato social da representada apenas como parte figurativa do processo, isto é, a sociedade possui um único comando, independentemente de onde estiveram registrados os trabalhadores; 76) O objetivo do grupo era desenvolver a atividade com duas empresas paralelas, a do SIMPLES para registrar 50% dos trabalhadores e a outra para registrar os outros 50% e para o faturamento. De fato, a representada não tem patrimônio e capacidade operacionais necessários à realização de seu objetivo; 77) Os segurados trabalhavam todos juntos, os pagamentos eram feitos pela mesma pessoa, o mesmo procurador para os dois CNPJ, o RH, o sistema de informação e o financeiro são os mesmos, enfim tudo era e é Raphaella Booz e atendia a todas as firmas, ou seja, era único; 78) A Fiscalização conclui que se trata de uma "simulação" quando comprovadamente uma empresa optante pelo SIMPLES não cumpre o seu objeto social; "desenvolve" suas atividades utilizando bens constantes no ativo permanente da empresamãe, sem nenhum vínculo jurídico justificador dessa utilização; igualmente possui despesas operacionais referentes a pagamentos da manutenção desses bens; possui sócios comuns, etc; 79) Este contexto tem revelado, via de regra, a prática adotada por muitas empresas que se utilizam do artifício da abertura de empresas do SIMPLES que abrigam o quadro funcional com objetivo de se elidirem da contribuição patronal sobre a folha de pagamento. Reiteradamente essas empresas têm sido autuadas por se tratar não de elisão, mas de simulação com vistas à sonegação fiscal; 80) Concluise que a representada foi criada pela Raphaella Booz com a finalidade de formalizar parte dos registros dos empregados, sendo, portanto, totalmente controlada pela empresamãe. As empresas fiscalizadas desenvolvem atividades semelhantes e se completam. Demonstrouse que há estrutura hierárquica estabelecida, onde os empregados executam suas funções sob as ordens dos administradores do negócio. Enfim, de acordo com os fatos encontrados durante a fiscalização e os depoimentos colhidos dos funcionários, o proprietário da empresa vinculada era e é o administrador da Ind. e Comércio de Calçados Tânia Ltda Raphaella Booz. Tratase de constituição simulada de pessoa jurídica em nome de interpostas pessoas físicas ("laranjas") e assim eximir a Raphaella Booz do pagamento de contribuições previdenciárias e outros tributos, tudo com o claro e primordial intento de lesar o fisco; 81) Em decorrência dos fatos relatados, esta fiscalização entende que os empregados da empresa vinculada atendem aos pressupostos necessários à caracterização de segurados empregados da Raphaella Booz, comandados por ela através de seu administrador, conforme o disposto no art. 3º da CLT e no art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei 8.212/91. A Fiscalização discorre acerca de cada um dos pressupostos: pessoalidade; não eventualidade; subordinação e onerosidade; Fl. 579DF CARF MF 16 82) Os saláriosdecontribuição (remunerações) lançados no Auto Infração foram declarados em GFIP na empresa vinculada com a informação: 2 Optante pelo SIMPLES. Portanto, declarado como devido na GFIP somente as contribuições descontadas dos segurados e as deduções legais (Salário Família e Salário Maternidade); 83) Em vista da edição da Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941 de 27 de maio de 2009, a qual implementou a multa de ofício na cobrança de fato gerador de contribuição previdenciária não declarada em GFIP, e em atendimento ao disposto no art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN, foi feita a comparação mensal entre os valores da multa de ofício e a soma da multa de mora prevista no art. 35, inciso II da Lei 8.212/91 com a multa prevista no art. 32, § 5° da Lei 8.212 (Código de Fundamentação Legal CFL 68), para as competências anteriores à edição da referida MP; 84) Acompanha a planilha "Cálculo da Multa mais Benéfica" e "SAFIS Comparação de Multa" que discriminam mensalmente os valores resultantes do cálculo das multas conforme as legislações passada e presente, e evidenciação da multa mais benéfica ao contribuinte por competência, justificando a não lavratura desse AIOA (CFL 68); 85) A Fiscalização aborda os aspectos relacionados à aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96. Em suma, demonstra que no presente caso, é de se aplicar a multa em seu percentual duplicado, 2 x 75% = 150%, por restar caracterizada a prática de fraude prevista no art. 72 da Lei 4.502/64; 86) A aplicação da multa qualificada se dará a partir da competência 12/2008, tendo em vista que os dispositivos citados aplicamse as contribuições previdenciárias a partir da edição da Medida Provisória n° 449 de 04/12/2008; 87) Verificase que os fatos anteriormente narrados, que detalham a conduta das fiscalizadas, se encaixam em uma das definições estampadas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64. A conduta a ser analisada no presente caso é: simular a contratação de empregados por empresas do SIMPLES (a através de interpostas pessoas) constituídas em separado para que o montante do faturamento de ambas permaneça dentro do limite instituído por lei e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à seguridade social e aos terceiros/outras entidades; 88) Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a simulação na contratação de empregados por uma outra pessoa jurídica com o objetivo de afastar as contribuições patronais sobre a folha de pagamento na definição de fraude contida no art. 72 da Lei 4.502/64, já transcrito; 89) A omissão de fato gerador de contribuição previdenciária em GFIP configura a ocorrência, em tese, de crime. Tal fato motivou a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais RFFP com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 10 17 A Indústria e Comércio de Calçados Tânia Ltda. foi cientificada dos lançamentos pessoalmente em 18 de março de 2013, conforme assinatura aposta na folha de rosto do Auto de Infração. Em 17 de abril de 2013, apresenta impugnação, alegando, em síntese, o que se relata a seguir. Dos Fatos. Faz uma síntese da autuação. Deste modo, tendo em vista que o ato administrativo, fundado em conjunto probatório totalmente insubsistente e superficial, não se mantendo frente a qualquer análise mais profunda do histórico da empresa, suas rotinas e estrutura administrativa, além dos requisitos legais necessários à desconsideração da personalidade jurídica de uma empresa, vem a contribuinte demonstrar a improcedência do Auto de Infração que lhe foi impingido, requerendo, o cancelamento deste. Da representação das empresas Calçados Tânia e MR Indústria e Comércio de Calçados. Considerando o procedimento adotado pela fiscalização, que simplesmente desconsiderou a existência da empresa MR Indústria e Comercio de Calçados Ltda EPP, implicando na impossibilidade desta defenderse na via administrativa processual e própria para exercerem seu direito de defesa e contraditório, os sóciosadministradores das duas empresas decidiram, por meio dos mesmos procuradores, trazer documentos e informações para demonstrar a lisura de sua operação assim como sua total independência financeira, administrativa, operacional e societária da empresa autuada, Indústria e Comércio de Calçados Tânia Ltda e MR Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP. Nesta linha, solicita a MR Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP desde já, o efeito suspensivo previsto para a presente manifestação, em relação à suspensão de seu CNPJ, e, consequentemente, para que possa continuar suas atividades normalmente, caso tenha interesse de retomar as atividades suspensas, sem as graves repercussões do cancelamento do CNPJ. Os fatos narrados na representação fiscal que instrui o processo nº 13971.720369/201320 e que fundamentaram a conclusão dos fiscais. Segundo descreve o Fiscal que procedeu com a autuação fiscal, este ato decorreu da verificação de que a MR Ind. E Com. de Calçados não dispõem de patrimônio e capacidade operacionais necessários à realização de seu objetivo, instalandose inicialmente nas dependências da Impugnante com a única finalidade de formalizar registros dos empregados, sendo totalmente controlada pela Impugnante. A Impugnante faz um resumo do Relatório Fiscal. Da desconsideração das características do sistema produtivo da indústria calçadista. Primeiramente, cumprese destacar algumas características do mercado calçadista, o que não foi feito pelo I. Fiscal. A indústria brasileira de calçados comporta mais de 8 mil empresas constituídas quase totalmente por capital nacional, emprega diretamente cerca de 300 mil pessoas e, indiretamente, mais de 1 milhão, deste modo, caracterizase por ser uma indústria intensiva em mãodeobra. A manufatura do calçado, apesar de ser ajustável à automação, caracterizase por depender de intensiva mãodeobra, a qual não requer qualificações especiais (formação acadêmica ou profissionalizante), e, as tecnologias empregadas na produção guardam ainda muitas marcas artesanais. Portanto, percebesse que a indústria de calçados caracterizase pelo uso intensivo do trabalho manual e pela baixa complexidade tecnológica. Destarte, Fl. 581DF CARF MF 18 diante da alta competitividade do mercado (nacional e internacional) e sua sazonalidade (ex. indústria de sandália tem o mercado aquecido em período oposto à aquelas que fabricam botas — inverno/verão) torna inviável a consecução do trabalho do início ao fim. Sendo assim, é de extrema naturalidade empresas serem criadas somente para a fabricação de solas, palmilhas, cabedais e etc, e mesmo assim terão o mesmo objeto social qual seja a fabricação e industrialização de sapatos, mesmo que suas atividades sejam totalmente diversas apesar de complementaremse. Sendo assim, não restam dúvidas quanto a legalidade das operações comerciais realizadas entre Indústria e Comércio de Calçados Tânia e MR Indústria e Comércio de Calçados. Da não constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas. Primeiramente cumpre destacar que a Studio Booz iniciou suas atividades em meados de 2006, idealizada e iniciada pelo Sr. Ary Booz após sua retirada da Calçados Tânia em 2003, decidiu abrir uma empresa para tão somente prestar serviços de mão de obra especializada para o setor calçadista, tendo como seu sócio o Sr. Valdir da Silva. Posteriormente, em 2008 o Sr. Valdir vendeu suas cotas sociais para a filha do Sr. Ary, a Sra Rozemari, que passou a administrar a empresa. Foi justamente nesta época, que o Sr. Ancelmo recebeu procuração de sua concunhada para administrar a empresa. Após cerca de 2 anos a frente do negócio a Sra. Rozemari, diante da saída de seu pai da empresa, e do baixo lucro e alto investimento do setor, ofereceu suas cotas para o Sr Rudinei que, em conjunto com o Sr. Laércio, passaram a ser os donos da empresa, cujo nome restou alterado para MR Calçados, bem como mudandose para um novo endereço, em um galpão distante à sede da Calçados Tânia. Contudo, as arguições da Fiscal simplesmente retratam a auditoria meramente superficial que foi realizada nas operações da Impugnante, pois, ao afirmar que a Calçados Tânia mantém a empresa MR "com objetivo único de eximirse da contribuição previdenciária patronal e as destinadas a terceiros", demonstra que a fiscalização tomou caminho tendencioso ao expor suas conclusões dos documentos analisados, pois sumariamente desconsiderou a situação fática ocorrida até o final de 2011, quando requereu a suspensão de seus cadastros, suspendendo consequentemente seus trabalhos. Caso a fiscalização tivesse encontrado indícios que outra empresa exercia a administração da MR Calçados ao invés de seus sócios ou procuradores, teria que expor e caracterizar tal fato analisando os requisitos necessários para a qualificação de empresas como pertencentes a um mesmo grupo econômico. Deveria ter levantado o Senhor Fiscal a existência de confusão patrimonial entre as empresas alegadamente componentes do Grupo Empresarial, se seus sócios também administram as demais empresas do alegado "Grupo", ou se existe pagamento de despesas de forma cruzada entre as empresas, e quais são os atos que comprovam tal ocorrência, no entanto não o fez. Ora, como restará demonstrado, a empresa MR Calçados era administrada por seus sócios e procuradores, durante o período de 01/03/2010 até a efetiva suspensão dos trabalhos, sendo que exerceu suas atividades em um antigo imóvel situado à Rua José Marcelino Franco, n° 321, — São João Batista/SC, que foi desocupado por solicitação da locatária, (Calçados Tânia) que após demolir a área construída, transformou referido espaço em estacionamento, passando a MR Calçados a locar um galpão de uso exclusivo situado à Rua Arnaldo Antônio da Silva, nº 44 São João Batista/SC. O que se falar das conclusões tiradas da fiscalização quanto a "diligência" realizada na empresa MR Calçados, que desde o final de 2011 teve suas atividades suspensas. Como pode a fiscalização afirmar que a MR Calçados não dispunha de sede exclusiva ou própria, que a estrutura Fl. 582DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 11 19 era insuficiente (pequeno galpão) ou inexistente se a fiscalização ocorreu um ano após o fechamento de suas portas? Inobstante, somente com a comprovação das hipóteses descritas no art. 50 do Código Civil e o art. 116, parágrafo único do CTN, é que poderia a MR Calçados ter desconsiderada sua personalidade jurídica. Sobre o tema, existem inúmeros julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em especial o Recurso Voluntário n° 148.797, Acórdão n° 10421.969, julgado em 19/10/06. De fato, o grande pecado da Impugnante foi o de se utilizar de mão de obra especializada fornecida por empresas de parentes ou funcionários seus, ao invés de qualquer outro concorrente estabelecido em sua cidade. Sede das empresas. É bem verdade que o endereço constante no contrato social da MR Calcados, qual seja a Rua José Marcelino Franco. n° 321, São João Batista, nada encontrou além do estacionamento da Impugnante, como já restou constatado pela própria fiscalização. No entanto, cumpre considerar que enquanto a MR Calcados pertencia a parentes dos sócios da ora Impugnante, natural a cessão de espaço não utilizado por esta. Todavia, ao ser vendida a empresa MR Calcados a terceiros não pertencentes a família Booz, a Impugnante requereu que esta desocupasse o imóvel, seguindo a MR Calcados no galpão estabelecido na Rua Arnaldo Antônio da Silva. n° 44 —São João Batista, lá permanecendo até a suspensão de suas atividades. Relata a fiscalização a falta de contabilização de custos e despesas necessários ao desenvolvimento das atividades, no entanto, não sabem ou sequer questionaram como foi que a empresa funcionou sem a existência de serviços básicos como luz e água. Ora I. julgadores, ocorre que diante da informalidade de alguns contratos firmados na região com características de cidade pequena onde todos se conhecem, o cadastro junto aos fornecedores de água e luz sequer são feitos em nome do locatário e permanecem em nome do proprietário do imóvel, o que é absolutamente legal e previsto em nosso código civil (art. 107). Ou a fiscalização é capaz de ilidir a existência de fornecimento de água, esgoto e energia no local indicado, bem como o funcionamento de estabelecimento comercial, mesmo realizando a diligência somente após vários meses do fechamento da empresa? Vejam, que a fiscalização ignorou totalmente a sede da MR, só porque constatou que alguns dos funcionários da MR, ao efetuar parte da confecção dos calçados, o faziam no interior da empresa ora Impugnante. Verificase, no entanto, que a terceirização de serviços é algo extremamente comum e muito implementada nos dias de hoje, sendo raras as situações em que os serviços de terceirização de serviços não seja realizada dentro da sede da contratante. Composição acionária. Capital social. Objeto social. Outra premissa utilizada pelo i. Fiscal para defender a tese de que a MR Calçados é constituída por interpostas pessoa é de que ambas as empresas tem o Sr. Ancelmo da Silva como procurador ou um dos procuradores, incluindo este tanto no quadro social da Calçados Tânia como no quadro social da MR Calçados. Cumpre ressaltar primeiramente que o Sr. Ancelmo, além de vasta experiência na administração de empresas, possui know how acima da média da região na área calçadista e é funcionário da Calçados Tânia desde janeiro de 1996. Não suficiente seu expertise, é cunhado do Sr. Cláudio Booz, administrador da Impugnante, agregando assim maior confiabilidade do sócio administrador que confere a este alguns dos poderes de gestão. No entanto, mesmo tendo poderes para gerir o Fl. 583DF CARF MF 20 negócio, o faz segundo orientações do sócio gerente, prestando conta do realizado. Quanto aos poderes a este conferido pela MR Calçados, cumpre destacar que é facultado ao sócio gerente da empresa conferir poderes a quem bem desejar. E foi o que fez a Sra. Rozemari ao dar poderes ao seu concunhado o Sr. Ancelmo. Destacase ainda que no caso da MR, os sócios adquirentes da MR Calçados mantiveram o Sr. Ancelmo como procurador, diante do seu vasto conhecimento empresarial, sem, no entanto, deixar de acompanhar de perto a administração da empresa e os atos tomados pelo Sr. Ancelmo após a concordância dos sócios. Ademais, a manutenção do Sr. Ancelmo como procurador da empresa, serviu também para manter o contrato de prestação de mão de obra qualificada até então existente com a Calçados Tânia. O que infelizmente não foi suficiente para manter a MR em funcionamento. Vejam ainda I. Julgadores ainda o quão absurdo é presumir que determinado funcionário, neste caso o Sr. Rudinei R. Melo aceitaria colocar em seu nome uma empresa que supostamente fosse absorver os funcionários de outra empresa, sem qualquer vantagem, muito menos econômica como se pode verificar do faturamento das empresas. Portanto, tais elementos não têm o condão de sustentar a afirmação de que a MR Calçados vem sendo utilizada como mera empresa de fachada da Impugnante, pois proceder desta forma é desconsiderar a sua história de trabalho árduo, de seus sócios e funcionários. Afinal, qual o problema de uma empresa contratar como funcionário pessoa que é sócia de empresa que lhe presta serviços? No sistema normativo tributário vigente, incluindose nesse a Lei do Simples não existe qualquer vedação. Vejam I. Julgadores que ao contrário do pretendido pela fiscalização, a realidade vivida entre as empresas mencionadas restringemse a autêntica transação comercial, onde a Calçados Tânia, em contratações pontuais que envolvem atividades meio à confecção do calçado, utilizasse da mão de obra qualificada da empresa MR Calçados. Ademais, os dispositivos legais que fundamentam a aplicação da sujeição passiva solidária não tutelam o ato exarado pela fiscalização na medida em que somente empresas componentes de um grupo empresarial constituído nos termos da lei podem ser responsabilizadas por obrigações umas das outras. Regulando essa situação editou a própria Receita Federal do Brasil instrução normativa. Dispõe o art. 494 da Instrução Normativa RFB n° 971/09, que somente quando se identificar situações de direção, controle ou administração de empresa por outra, temse identificada a existência de grupo econômico. Nessa toada, muito embora alegado, em momento algum demonstrou a fiscalização que a Calçados Tânia ou seus sócios exerça, ou tenha exercido, a administração ou o controle sobre a empresa MR Calçados, ou vice versa, nos termos definidos pelo art. 494 da IN RFB n. 971/09. Para fazêlo, deveria a Fiscalização ter demonstrado a ocorrência da situação descrita nos arts. 653 e 1011, § 2º do Código Civil. Portanto, não tendo sido apresentado pela Fiscalização atos privativos de administrador realizados pela Calçados Tânia em nome da empresa MR Calçados, ou vice versa, não há que se falar que aquela seja a administradora desta, ou vice versa. Portanto, inexistindo assim qualquer elemento ou prova que demonstre efetiva confusão patrimonial entre a Impugnante Calçados Tânia, e as empresas de calçados MR/Studio Booz, sob os auspícios dos arts. 97, III e V, e 112, ambos do CTN, vedada é a descaracterização da personalidade jurídica destas últimas. Do patrimônio das empresas. Conforme relatado em pesquisas, os principais motivos que levam as empresas a utilizar serviços terceirizados, são ausência de espaço físico para acomodar todos os funcionários dentro da fábrica, menores Fl. 584DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 12 21 custo do trabalho, e a sazonalidade do mercado de calçados, que exige em determinados momentos, número elevado de mãodeobra. Aduz a fiscalização que a empresa MR Calçados sequer teria condições de arcar com suas despesas. Tal alegação não procede, pois conforme se depreende das movimentações bancárias desta empresa, quando esta não tinha caixa para pagar suas despesas socorriase ao Banco e não à Impugnante. Portanto, ao contrário do afirmado pela fiscalização, que afirma ter a Calçados Tânia arcado com os pagamentos e manutenção das empresas MR Calçados sem trazer provas para tanto, fato é que realmente ocorreram situações em que as entradas (ativos) eram menores do que as saídas (passivos), no entanto, nestas ocasiões a empresa MR Calçados como afirmado, não se socorriam à Calçados Tânia, mas sim a empréstimos bancários, criando capital de giro e honrando seus pagamentos, restrito as movimentações relatadas nos balanços e balancetes da empresa. Vejam I. Julgadores que tampouco há condições, ou ainda indícios nos balanços e balancetes, que pudessem evidenciar o afirmado pela fiscalização. Portanto, seja diante da infundada alegação, dissociada de qualquer prova documental, ou ainda diante do conjunto probatório hora apresentado, imperioso destacar que as empresas não tem qualquer confusão patrimonial. Falta de contabilização de custos e de despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades. Para restar ainda mais cristalina a independência financeira e administrativa existente entre as empresas MR Calçados perante a Calçados Tânia, se pode analisar os contratos de financiamento tomados através de seus administradores, demonstrando cabalmente que cada uma das empresas é administrada efetivamente pelo sócio identificado no Contrato Social, ou por procuradores com poderes para tanto. Portanto uma administração enxuta, não pode ser motivo para o cancelamento do CNPJ destas empresas. Com relação aos valores creditados pela Calçados Tânia à Studio Booz ou MR Calçados, identificados pelo I. Fiscal, verificasse que tais valores estão devidamente lançados e justificados no livro Razão da MR Calçados, bem como através de notas fiscais. Destacase que o lançamento de valores como adiantamento, não ilide a lisura da operação. Ao contrário, é praxe do setor, tanto que como se pode verificar do livro Razão da Calçados Tânia, o qualificada a esta e não somente à MR. Com relação à insinuação da fiscal que a ausência de registro de contas de água, luz, telefone, etc, seria mais uma prova da irregularidade da empresa, mais uma vez a Requente chama a atenção para a superficialidade do trabalho fiscal. Até mesmo porque, não se pode relevar que as conclusões da equipe fiscal se baseiam em escritas contábeis realizadas por empresa optante do SIMPLES, e através de presunções, desconsidera a existência de energia elétrica, telefone, etc. no estabelecimento comercial. A inexistência de elementos robustos de prova das conclusões da equipe fiscal deixa suas conclusões ao seu exclusivo juízo pessoal, em total desrespeito aos arts. 5º, II da CF e o art. 116 do CTN, o que não pode ser aceito, pois, por certo, as presunções pessoais ainda não encontram eco no direito tributário, cuja viga mestre ainda é o princípio da legalidade, previsto nos arts. 97, III e V, c 112, ambos do CTN. Cumpre ainda salientar, que não é competência da previdência estabelecer quem possui ou não patrimônio, e ou maior ou menor capacidade operacional. As empresas em questão geram empregos, recolhem em dia seus tributos, possuem sua contabilidade devidamente registrada e apurada em livros fiscais. Enfim, não poderia o fiscal, simplesmente, presumir que a ausência de registros de pequenas despesas na contabilidade das Fl. 585DF CARF MF 22 empresas denotaria que é a sua principal cliente que arcaria com tais custos da empresa MR Calçados. Ora, tratandose de presunção pessoal da fiscal, esta necessita de prova para a ratificação da conclusão sugerida. Verificação física efetuada nas empresas na data de 30/03/2012. Apesar de relatar do início ao fim do relatório fiscal que a MR Calçados não teria estrutura mínima para exercer seu objeto social, relatando inclusive peculiaridades das sedes por onde a empresa MR Calçados passou, cumpre esclarecer que o Fiscal nunca fez uma visita física na referida empresa. Isto porque concluise que a MR Calçados e anteriormente Studio Booz jamais foram fiscalizadas fisicamente. O que é fácil de se compreender quando se sabe que a empresa suspendeu suas atividades há pelo menos 1 ano antes do início da fiscalização. Da verificação realizada pela fiscalização na Calçados Tânia, foram realizadas entrevistas com os exfuncionários da MR Calçados, e apesar de relatar a unanimidade dos entrevistados juntou somente 2 entrevistas desfavoráveis? Tal situação soa no mínimo estranha. Ademais, afirma o I. Fiscal que a MR Calçados foi criada somente para dividir o número de funcionários registrados na Calçados Tânia, no entanto, sequer prova que referidos funcionários são oriundos da Calçados Tânia. Afirma ainda, e relaciona os empregados demitidos quando da suspensão das atividades da MR Calçados, trazendo a informação de que quase todos foram trabalhar na Calçados Tânia no ano de 2010. Todavia, omitese aos fatos e características do mercado, pois sabido da escassez de mão de obra qualificada no mercado calçadista da região. Portanto, se assim fosse como descrito pela fiscalização, teria a Calçados Tânia registrado seus já funcionários e dado normal andamento ao desempenho de sua atividade, no entanto, não foi o que aconteceu. Conforme Doc. 14 do presente auto de infração lavrado, a relação de funcionários admitidos pela Calçados Tânia não se limitou em dar oportunidades de trabalho aos exfuncionários da MR Calçados, mas também a vários outros. Veja i. Julgador que os funcionários admitidos pela Calçados Tânia não representam 25% dos funcionários admitidos naquele ano. Neste mesmo ano, foram contratados vários exfuncionários da Empresa Ana Paula Calçados, e de tantas outras, o que também não faz a impugnante responsável pelo pagamento de seus tributos. Conforme já explicado a Calçados Tânia é a proprietária do parque fabril onde eram prestados os serviços pelos funcionários da MR Calçados, e anteriormente também pelos funcionários da Studio Booz. No mais, como prevê o acordo de prestação de serviço firmado entre as empresas, é encargo da contratante (Calçados Tânia) dispor de máquinas e insumos necessários a confecção das peças, tanto que conforme se denota das notas fiscais emitidas pela Impugnante esta remetia insumos para industrialização às suas contratadas. Nesse sentido, ressaltasse o preço global atribuído a cada serviço, pois se além da mão de obra prestada, fosse as empresas MR Calçados ou Studio Booz obrigadas a fornecer ferramentas, transportes e demais encargos atribuídos à tomadora do serviço, os preços ora praticados seriam em muito superiores, sendo necessários severos reajustes. Há de se convir, que para uma empresa do porte da Calçados Tânia, com estrutura física suficiente a disponibilizar ferramentas, máquinas, transporte e o que mais se fizer necessário, dentre a estrutura atual, em troca de preços mais baixos pelos serviços realizados, com certeza a empresa não irá titubear em escolher preços mais competitivos, em virtude de um melhor aproveitamento de sua estrutura. Ademais, quanto às afirmações feitas por alguns funcionários quanto aos donos de respectivas empresas, e diante da figura da terceirização de serviços, é extremamente aceitável que confusões ocorram eventualmente, até mesmo porque os sócios da Fl. 586DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 13 23 Calçados Tânia circulam por toda a fábrica, e por todos os conhecerem, e saber que são os responsáveis pela empresa, em certo momento pensaram que o futuro de seus trabalhos também estaria na mão destes. Por fim, releva notar que a Impugnante tem o nome fantasia Raphaella Booz, sendo que a empresa MR Calçados sempre utilizou o nome Studio Booz, que, por óbvio, gera confusão e deve ser interpretado em benefício das Impugnantes, e não ao contrário como pretende o Agente Autuante. pois, a grande maioria referendou aquilo que foi apresentado. Assim, ante a inexistência de elementos robustos de prova das conclusões da equipe fiscal deixa a descaracterização da personalidade jurídica da empresa MR Calçados ao seu exclusivo juízo pessoal, em total desrespeito aos arts. 50 do Código Civil e o art. 116, parágrafo único do CTN, o que não pode ser aceito, pois, por certo, as presunções pessoais ainda não encontram eco no direito tributário, cuja viga mestre ainda é o princípio da legalidade, previsto nos arts. 97, III e V, e 112, ambos do CTN. Portanto, a teor do acima exposto, e comprovado por documentos, distanciada da realidade se encontram as conclusões da equipe fiscal que sugeriu a suspensão do CNPJ da empresa MR Calçados com base cm analises superficiais e tendenciosas, se analisadas sem a documentação que ora se apresenta. Além de lançarem mão de fatos e situações para fundamentar a situação fática ocorrida, verificasse que os fiscais fecham os olhos para os comandos contidos nos arts. 50 do Código Civil e o art. 116, parágrafo único do CTN, que estabelecem em que condições poderá ser desconsiderada a personalidade jurídica das empresas. Por estes motivos, crê a Impugnante na total procedência de sua impugnação. Da incongruência verificada na base de cálculo utilizada pelo fiscal, e da ausência do computo de créditos pagos pela sistemática do Simples que deve ser considerados para fins de abatimento dos valores já pagos pela MR Indústria e Comércio de calçados Ltda EPP. Analisandose o Auto de Infração ora contestado, verificase que, a partir de informações constantes no discriminativo do débito, que o Fiscal incidiu em erros quando da composição da sua base de cálculo. Em que pese a tentativa da fiscalização de desconsiderar a personalidade jurídica da empresa MR Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP, a fim de atribuir a responsabilidade do recolhimento da contribuição patronal â ora Impugnante, necessário se faz o computo dos valores já pagos no SIMPLES pela empresa MR Indústria e Comercio de Calçados Ltda EPP. Inconteste a ausência de computo dos valores já recolhidos pela MR, posto que relatado pelo próprio fiscal as fis. 21 do Relatório Fiscal: "Não foram constituídos créditos em favor do contribuinte (Calçados Tânia) pelo pagamento de DARF de código 6106 em nome das empresas do SIMPLES”. Neste passo, imperioso se faz a revisão do lançamento com a correção dos equívocos cometidos na. apuração da Base de Cálculo devendo computarse os créditos utilizados já pagos pela empresa Mr Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP, consoante determina o art. 149 do CTN, art. 53 da Lei n° 9784/99 e a Súmula 473 do STF. Pedido. Requer a improcedência do Auto de Infração. Tendo em vista a grande quantidade do conjunto probatório a ser produzido, requer desde já seja autorizada a juntada a posterior, nos termos do §6° do art. 21 do Dec. 70.235/72, de documentação suplementar que está sendo levantada, especialmente aqueles Fl. 587DF CARF MF 24 documentos que dependem de terceiros (órgãos públicos e instituições financeiras). Consta dos autos às fls. 489490 um requerimento de desistência parcial da impugnação, em relação ao período de 01/2008 a 10/2008, datado de 13 de janeiro de 2014, tendo em vista que a Autuada pretende a inclusão deste período em parcelamento especial. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos da ementa do Acórdão nº 1535.446 (fls. 492) abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 30/10/2008 DESISTÊNCIA PARCIAL DA IMPUGNAÇÃO. EFEITOS. A desistência parcial da impugnação, com renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamenta, encerra o contencioso administrativo ocasionando a homologação do lançamento em relação ao período abrangido pelo documento de desistência juntado aos autos. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer. A sociedade que contrata empregados mediante interposta pessoa jurídica é responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes destas relações de emprego. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMPLES FEDERAL E NACIONAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. REPRESENTAÇÃO FISCAL. PESSOA JURÍDICA INEXISTENTE DE FATO. DEVER FUNCIONAL. A pessoa jurídica inexistente de fato pode ter sua inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) baixada, sendo dever funcional do Auditor Fiscal representar quando constatada esta situação fática. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Cientificada da decisão da DRJ, a Autuada apresentou recurso voluntário (fls 533), por meio do qual reiterou os argumentos defensivos aduzidos na impugnação apresentada. É o relatório. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 14 25 Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Nos termos do relatório supra, a ação fiscal desenvolvida nas empresas INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS TÂNIA LTDA CNPJ 86.154.119/000134 (conhecida pela marca RAPHAELLA BOOZ) e MR INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA EPP evidencia, segundo a Fiscalização, a presença de subterfúgios utilizados no intuito de afastar a incidência de contribuições sociais destinadas a Terceiros (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, por meio da constituição de CNPJ em nome de interpostas pessoas (parentes e empregados) pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições SIMPLES. Tais subterfúgios consistem, ainda segundo a Fiscalização, em trabalhar com duas empresas paralelas para dividir o faturamento e o registro dos empregados, mantendo em seus quadros societários pessoas que não são seus verdadeiros sócios e ainda deixar de incluir nestes seus sócios de fato. A manutenção de empresa ME/EPP tem por objetivo registrar parte dos empregados em firmas contempladas pela LC 123/2006 a partir de 07/2007 e, assim, deixar de recolher as contribuições (patronal e de terceiros) sobre a folha de pagamento dos empregados registrados nesses CNPJ. A irresignação do contribuinte, em linhas gerais, gira em torno do fato de ter sido desconsiderada a personalidade jurídica da empresa vinculada MR Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e, como consequência, terem sido lançadas as contribuições previdenciárias em seu nome, assumindose que os empregados contratados formalmente pela MR de fato prestaram serviços à ora Recorrente. Cingese, pois, a controvérsia, no caso concreto, em verificar se houve simulação (ou não) na instituição da empresa MR Indústria e Comércio de Calçados Ltda – EPP, ou seja, se a INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS TÂNIA LTDA (autuada) e a MR INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA – EPP (empresa vinculada) tratamse, como aduz a Fiscalização, de “uma empresa única dividida em dois CNPJ, controlados pela família em um mesmo ambiente industrial, cujo corpo administrativo da empresa paralelamente trata de todos os funcionários independentemente de onde estejam registrados.” Fl. 589DF CARF MF 26 Pois bem!! No curso da ação fiscal, a autoridade lançadora constatou diversas situações e circunstâncias fáticas, devidamente consignadas no Relatório Fiscal (fls. 02), que respaldam a ocorrência de simulação consubstanciada na utilização, pela empresa “RAPHAELLA BOOZ”, da empresa MR CALÇADOS, na condição de interposta, com o fito de reduzir os encargos tributários previdenciários, usufruindo dos benefícios do regime de tributação Simples, mediante vinculação dos segurados empregados desta última (MR CALÇADOS) à primeira (RAPHAELLA BOOZ). Nesse sentido, assim concluiu a fiscalização (fls. 17/18): Concluise que a representada foi criada pela Raphaella Booz com a finalidade de formalizar parte dos registros dos empregados, sendo, portanto, totalmente controlada pela empresamãe. As empresas fiscalizadas desenvolvem atividades semelhantes e se completam. Demonstrouse que há estrutura hierárquica estabelecida, onde os empregados executam suas funções sob as ordens dos administradores do negócio. Enfim, de acordo com os fatos encontrados durante a fiscalização e os depoimentos colhidos dos funcionários, o proprietário da empresa vinculada era e é o administrador da Ind. e Comércio de Calçados Tânia Ltda – Raphaella Booz. Tratase de constituição simulada de pessoa jurídica em nome de interpostas pessoas físicas (“laranjas”) e assim eximir a Raphaella Booz do pagamento de contribuições previdenciárias e outros tributos, tudo com o claro e primordial intento de lesar o fisco. As situações e circunstâncias fáticas, minuciosamente detalhadas e comprovadas no Relatório Fiscal (fls. 02), bem assim abordadas na decisão recorrida, afastam quaisquer dúvidas quanto ao liame que vincula as empresas citadas, que, na verdade, tratamse de uma única empresa e não duas como aparentam ser, mediante simulação de terceirização que desmembrou atividades. Nesse contexto, resta caracterizada a simulação, impondose a desconsideração da relação meramente formal constatada pela autoridade lançadora, privilegiandose a real vinculação da Recorrente com os trabalhadores que lhe prestaram serviços, não obstante o registro laboral junto à empresa aparentemente "terceirizada". Sobre o tema, este colegiado, em recente julgado da relatoria do Conselheiro Luis Henrique Dias Lima (PAF 11065.003144/201060), por unanimidade de votos, assim se manifestou naquela oportunidade: Com efeito, respaldada na legislação, não há óbice para que a autoridade lançadora desconsidere a existência de certos negócios ou situações jurídicas, formalmente existentes entre os trabalhadores das empresas envolvidas, vez que os arts. 114, 116 e 149 do CTN permitem a busca da realidade subjacente a quaisquer formalidades jurídicas, com fulcro na constatação concreta e material da situação legalmente necessária à ocorrência do fato gerador, culminando com o poder de requalificar o negócio aparente entre as três empresas em tela, visando à apuração e cobrança do tributo efetivamente devido. Não há nesse ato nenhuma violação dos princípios da legalidade ou da tipicidade, nem de cerceamento de defesa, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela Recorrente e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 15 27 Fundase a argumentação da Recorrente no fato de a autoridade lançadora ter tratado como ilícitos atos que, no seu entendimento, caracterizamse elisão fiscal e não evasão fiscal. De fato, é cediço que é tênue linha que distingue o direito legítimo do contribuinte de organizar a sua empresa, com base na livre e na autonomia negocial, do poder do EstadoFiscal considerar tais disposições ineficazes, a partir de pressupostos fáticos lastreados em fraude, abuso de forma e simulações. É oportuna a definição de simulação, na seara tributária, conferida pela jurisprudência do TRF4 e STJ, nos julgados sumarizados nas ementas abaixo reproduzidas: "INCORPORAÇÃO. AUTUAÇÃO. ELISÃO E EVASÃO FISCAL. LIMITES. SIMULAÇÃO.EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. 1. Dáse a elisão fiscal quando, por meios lícitos e diretos o contribuinte planeja evitar ou minimizar a tributação. Esse planejamento se fundamenta na liberdade que possui de gerir suas atividades e seus negócios em busca da menor onerosidade tributária possível, dentro da zona de licitude que o ordenamento jurídico lhe assegura. 2. Tal liberdade é possível apenas anteriormente à ocorrência do fato gerador, pois, uma vez ocorrido este, surge a obrigação tributária. 3. A elisão tributária, todavia, não se confunde com a evasão fiscal, na qual o contribuinte utiliza meios ilícitos para reduzir a carga tributária após a ocorrência do fato gerador. 4. Admitese a elisão fiscal quando não houver simulação do contribuinte. Contudo, quando o contribuinte lança mão de meios indiretos para tanto, há simulação. 5. Economicamente inviável a operação de incorporação procedida (da superavitária pela deficitária), é legal a autuação. 6. Tanto em razão social, como em estabelecimento, em funcionários e em conselho de administração, a situação final após a incorporação manteve as condições e a organização anterior da incorporada, restando demonstrado claramente que, de fato, esta "absorveu" a deficitária, e não o contrário, tendose formalizado o inverso apenas a fim de serem aproveitados os prejuízos fiscais da empresa deficitária, que não poderiam ter sido considerados caso tivesse sido ela a incorporada, e não a incorporadora, restando evidenciada, portanto, a simulação. 7. Não há fraude no caso: a incorporação não se deu mediante fraude ao fisco, já que na operação não se pretendeu enganar, ocultar, iludir, dificultando ou mesmo tornando impossível a atuação fiscal, já que houve ampla publicidade dos atos, inclusive com registro nos órgãos competentes. 8. Inviável economicamente a operação de incorporação procedida, tendo em vista que a aludida incorporadora existia apenas juridicamente, mas não mais economicamente, tendo servido apenas de "fachada" para a operação, a fim de serem aproveitados seus prejuízos fiscais cujo aproveitamento a lei expressamente vedava. 9. Uma vez reconhecida a simulação deve o juiz fazer prevalecer as conseqüências do ato simulado no caso, a incorporação da superavitária pela deficitária, conseqüentemente incidindo o tributo na forma do regulamento não havendo falar em inexigibilidade do crédito, razão pela qual a manutenção da decisão que denegou a antecipação de tutela pretendida se impõe. (grifei) (TRF4 AG: 44424 RS 2004.04.01.0444240, Relator: DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, Data de Julgamento: 30/11/2004, SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJ 26/01/2005 PÁGINA: 430)" Fl. 591DF CARF MF 28 "PROCESSUAL CIVIL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. MULTA DO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INAPLICABILIDADE. INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS. REDUÇÃO DA CSSL DEVIDA. SIMULAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 98/STJ. 1. Hipótese em que se discute compensação de prejuízos para fins de redução da Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSSL devida pela contribuinte. 2. A empresa Supremo Industrial e Comercial Ltda. formalmente incorporou Suprarroz S/A (posteriormente incorporada pela Recorrente). Aquela acumulava prejuízos (era deficitária, segundo o TRF), enquanto esta era empresa financeiramente saudável. 3. O Tribunal de origem entendeu que houve simulação, pois, em realidade, foi a Suprarroz que incorporou a Supremo. A distinção é relevante, pois, neste caso (incorporação da Supremo pela Suprarroz), seria impossível a compensação de prejuízos realizada, nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987. 4. A solução integral da lide, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 5. Não há controvérsia quanto à legislação federal. 6. A contribuinte concorda que a incorporadora não pode compensar prejuízos acumulados pela incorporada, para reduzir a base de cálculo da CSSL, nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987. Defende que a empresa com prejuízos acumulados (Supremo) é, efetivamente, a incorporadora. 7. O Tribunal de origem, por seu turno, não afasta a possibilidade, em tese, de uma empresa deficitária incorporar entidade financeiramente sólida. Apenas, ao apreciar as peculiaridades do caso concreto, entendeu que isso não ocorreu. 8. Tampouco se discute que, em caso de simulação, "é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma" (art. 167, caput, do CC). 9. A regularidade formal da incorporação também é reconhecida pelo TRF. 10. A controvérsia é estritamente fática: a Recorrente defende que houve, efetivamente, a incorporação da Suprarroz (empresa financeiramente sólida) pela Supremo (empresa deficitária); o TRF, entretanto, entendeu que houve simulação, pois, de fato, foi a Suprarroz que incorporou a Supremo. 11. Para chegar à conclusão de que houve simulação, o Tribunal de origem apreciou cuidadosa e aprofundadamente os balanços e demonstrativos de Supremo e Suprarroz, a configuração societária superveniente, a composição do conselho de administração e as operações comerciais realizadas pela empresa resultante da incorporação. Concluiu, peremptoriamente, pela inviabilidade econômica da operação simulada. 12. Rever esse entendimento exigiria a análise de todo o arcabouço fático apreciado pelo Tribunal de origem e adotado no acórdão recorrido, o que é inviável em Recurso Especial, nos termos da Súmula 7/STJ. 13. Aclaratórios opostos com o expresso intuito de prequestionamento não dão ensejo à aplicação da multa prevista no art. 538, parágrafo único, do CPC, que deve ser afastada (Súmula 98/STJ). 14. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (STJ REsp: 946707 RS 2007/00926564, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 25/08/2009, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: > DJe 31/08/2009)" No caso concreto, a autoridade lançadora, para fins tributários, deu prevalência à essência sobre a forma, em razão da utilização dos trabalhadores das empresas IBS e IM de forma interposta, com vistas ao fracionamento dos respectivos faturamentos e consequente redução das contribuições previdenciárias a recolher, haja vista a opção das empresas IBS e IM pelo regime de tributação Simples. A valoração jurídica das situações e circunstâncias fáticas efetuada pela Fiscalização da RFB, e corroborada pela decisão recorrida, revela posição avançada sobre o conteúdo do conceito jurídico de simulação previsto no art. 167 do Código Civil Lei n. 10.406/2002. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 16 29 Restou evidenciado, no caso em tela, o confronto da visão globalizante, material e causalista em face da tradicional visão formalista e voluntarista de simulação sustentada pelo Recorrente. Nessa perspectiva, prevaleceu o conceito amplo de simulação, que, na sua essência, privilegia aspectos econômicos e operacionais, na medida em que a autoridade lançadora examinou, no caso em apreço, a causa concreta dos negócios, comparandoa com a causa típica ou a finalidade prática para a qual os negócios jurídicos foram engendrados pelo ordenamento jurídico, avaliando as operações em sua totalidade com o fito de aferir o quanto artificiosos e ausentes de substrato jurídico efetivo podem ter sido os atos e os negócios jurídicos praticados pelas empresas Saturno, IBS e IM. (...) Por sua vez, o Direito Tributário, apesar de constituirse microssistema formado por um complexo conjunto de normas, não é hermético, nem indiferente aos demais ramos do Direito. Assim, nenhum óbice se opõe à autoridade lançadora buscar conceitos, definições e conteúdos em outros ramos do Direito visando a fortalecer a sua argumentação para fins da constituição do crédito tributário, com mais razão ainda quando o Direito em questão é fundamental à compreensão do suporte fático da hipótese de incidência tributária, conforme evidenciase nos autos o Enunciado TST 331 e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) DecretoLei n. 5.452/1943. (...) Outrossim, o princípio da primazia da realidade ou da verdade real, não obstante a sua ampla aplicação na seara justrabalhista, não é incompatível com o Direito Tributário, como sugere o Recorrente. Bem ao contrário, mantém estreita vinculação com o princípio da verdade material, tão festejado na seara tributária. Com efeito, o princípio da primazia da realidade ou da realidade dos fatos visa à priorização da verdade real em face da verdade formal, enquanto que o princípio da verdade material busca a realidade dos fatos, conforme ocorrida. Como se observa, a proximidade conceitual e teleológica é óbvia, o que dispensa maiores ponderações. Como se vê, a situação fáticajurídica objeto do susodito julgado assemelhase àquela ora em análise, razão pela qual adoto, nesta oportunidade, a fundamentação jurídica acima reproduzida, já apreciada e acolhida por este colegiado, por ocasião do julgamento do processo nº 11065.003144/201060. Sobre o tema, a DRJ sinalizou que: É de se notar que a relação de emprego não é aferida apenas pelos elementos formais existentes nos contratos, mas pela realidade fática na execução dos serviços. Para caracterizar o vínculo empregatício não há necessidade de uma subordinação mais rigorosa, bastando que o trabalhador se coloque à disposição da Impugnante, dela recebendo ordens. Assim, restando cabalmente fundamentada a autorização legal que o Auditor Fiscal possui para realizar o lançamento em nome daquele que de fato é responsável pela ocorrência do fato gerador, cabenos agora, então, a análise das provas existentes nos autos como elemento decisivo para a procedência ou não do Fl. 593DF CARF MF 30 estabelecimento do vínculo empregatício, para efeitos fiscais, diretamente com a Impugnante, desconsiderando a relação empregatícia com a empresa MR Indústria e Comércio de Calçados Ltda. EPP (“empresa vinculada”). Em primeiro lugar, temos como certo que a atribuição da Autuada como responsável pelos vínculos trabalhistas formalizados na empresa filha é corolário da própria declaração de inexistência de fato desta última, visto que reconhecida a ausência de autonomia inerente à caracterização da personalidade jurídica. Neste sentido, o que se verificou no caso em tela é que as duas empresas funcionavam em total promiscuidade patrimonial e contábil, eis que compartilhavam insumos, equipamentos, empregados, dirigentes, sede, etc. Além disto, verificouse que a empresa vinculada, optante pelo SIMPLES Nacional, registrava cerca de 50% dos segurados empregados. O Relatório Fiscal é detalhado e esclarecedor. Nesse sentido, a fiscalização reuniu um amplo conjunto não só de indícios mas também de fatos perfeitamente identificados, e concluiu acerca da existência de relação simulada entre as empresas em questão, com o objetivo de reduzir o custo de sua mãodeobra. Observamos que o intuito fraudulento foi evidenciado especialmente a partir dos seguintes elementos: (i) ausência ou deficiência de documentação comprobatória das operações realizadas; (ii) compartilhamento da infraestrutura (matéria prima, mercadorias, produtos, máquinas, equipamentos, empregados, clientes e objeto social) sem que houvesse suporte jurídico para tanto; (iii) identidade nos quadros societários das sociedades empresárias. Todos estes elementos estão presentes e configurados na hipótese dos autos. Assim sendo, afigurase evidente que a “Empresa vinculada” é utilizada pela Autuada como uma empresa interposta, eis que a mão de obra contratada formalmente pela primeira, no mundo dos fatos é coordenada e gerida pela Impugnante, visando a execução de seu contrato social. Assim sendo, configurase uma situação de subordinação da mão de obra, como acima explicado, sendo certo que o verdadeiro empregador é a Autuada. Em conclusão, considerase correto o lançamento fiscal. No que concerne às alegações acerca das características do mercado calçadista, registro que o fato de o setor em questão necessitar de ampla terceirização de mão de obra não autoriza as empresas a se utilizarem de planejamento tributário abusivo ou práticas com a finalidade de suprimir fatos geradores de tributos. A Impugnante se insurge contra as conclusões tiradas da fiscalização quanto a "diligência" realizada na empresa MR Calçados, que desde o final de 2011 teve suas atividades suspensas. Questiona como pode a fiscalização afirmar que a MR Calçados não dispunha de sede exclusiva ou própria, que a estrutura era insuficiente (pequeno galpão) ou inexistente se a fiscalização ocorreu um ano após o fechamento de suas portas. A fiscalização deve buscar todos os elementos de prova em Direito permitidos, tanto as obtidas diretamente como as chamadas provas indiretas. Nesse sentido, a fiscalização, por meio de documentos, entrevistas com funcionários e um amplo conjunto não só de indícios, mas também de fatos perfeitamente identificados, conseguiu traçar um perfil do funcionamento da empresa vinculada, mesmo estando esta com suas atividades paralisadas no momento do procedimento fiscal. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 17 31 Aduz a Impugnante que, ao contrário do afirmado pela fiscalização, que alega ter a Calçados Tânia arcado com os pagamentos e manutenção das empresas MR Calçados sem trazer provas para tanto, fato é que realmente ocorreram situações em que as entradas (ativos) eram menores do que as saídas (passivos), no entanto, nestas ocasiões a empresa MR Calçados como afirmado, não se socorriam à Calçados Tânia, mas sim à empréstimos bancários, criando capital de giro e honrando seus pagamentos, restrito as movimentações relatadas nos balanços e balancetes da empresa. Tal afirmação não prospera. A Impugnante trouxe aos autos apenas dois contratos de empréstimos bancários da Indústria e Comércio de Calçados Tânia (fls. 408413 e 414429). Com relação à empresa vinculada somente há os históricos constantes na sua contabilidade. Não foram juntados contratos de empréstimos bancários da empresa vinculada. Nem tampouco se demonstra que estes empréstimos (de pouca monta, digase de passagem), constantes apenas nos históricos da sua escrita contábil, são necessários e suficientes para quitação das obrigações correntes da empresa vinculada. Em contrapartida, analisando o imobilizado e a contabilização dos custos, a Fiscalização comprova que a representada faturou basicamente para pagar o custo da folha de pagamento/salários, concluindo ainda que ela não teria capacidade de se estabelecer sozinha, de movimentar o seu negócio sem o suporte administrativo e econômico da empresamãe. Para comprovar sua tese, a Fiscalização ilustra o Relatório Fiscal com tabelas demonstrativas e farto suporte documental. Aduz ainda a Fiscalização que, apesar de a representada ter conta bancária própria, ela vive dos empréstimos e transferência on line feitas pela Indústria e Comércio de Calçados Tânia, através do procurador e financeiro. É analisar os extratos e observar que, antes de algum pagamento significativo da representada, existe uma transferência da empresamãe para cobrir a conta. (Doc. 19 Transferências on line para a representada cobrir os débitos). Questiona a Impugnante que, da verificação realizada pela fiscalização na Calçados Tânia, foram realizadas entrevistas com os exfuncionários da MR Calçados, e apesar de relatar a unanimidade dos entrevistados juntou somente 2 entrevistas desfavoráveis. Aduz que tal situação soa no mínimo estranha. Tal afirmação não prospera. A Fiscalização relata que entrevistar os empregados é ouvir a unanimidade deles afirmar que são empregados da Raphaella Booz, cujo patrão é o Sr. Cláudio Booz. Os entrevistados afirmam que não existe ou existiu outra empresa no local. Ali sempre foi Raphaella Booz. Mesmo porque os fatos se confundem: até metade de 2006 tudo era Raphaella Booz depois parte dos funcionários foi transferido para a representada e em 2011 todos os funcionários retornaram a Raphaella Booz. A título ilustrativo, a Fiscalização junta três entrevistas: a da funcionária Marcela Xavier (fl. 129), a de Rozemari Booz (fl 140) e a de Rudinei Roberto Melo (fl. 126). O procedimento de juntar três entrevistas não é estranho, ao contrário, como descrito no Relatório Fiscal a unanimidade dos entrevistados afirma que são empregados da Raphaella Booz, assim seria redundante juntar todas as entrevistas. Aduz a Impugnante que, conforme Doc. 14 do presente auto de infração lavrado, a relação de funcionários admitidos pela Calçados Tânia não se limitou em dar portunidades de trabalho aos exfuncionários da MR Calçados, mas também a vários outros. Veja i. Julgador que os funcionários admitidos pela Calçados Tânia não representam 25% dos funcionários admitidos naquele ano. Fl. 595DF CARF MF 32 Da relação de funcionários da empresa vinculada que foram demitidos, apenas duas funcionárias não foram contratadas pela Indústria de Calçados Tânia (Alexandra dos Santos Pereira e Eduarda Carolina Machado de Azevedo). Mesmo Rudnei Roberto Melo foi recontratado pela Raphaella Bozz em 11/04/2011. Neste compasso, quase a totalidade de funcionários da MR foi absorvida pela Raphaella Booz. O fato de a Autuada ter contratado outros funcionários naquela época não tem o condão de afastar as conclusões do Relatório Fiscal. Neste contexto, concluise pela perfectibilidade da decisão de primeira instância neste particular. Outrossim, apesar de ser prescindível para a conformação do entendimento aqui firmado, registrese, conforme sinalizado no relatório supra, que o sujeito passivo apresentou requerimento de desistência parcial da impugnação, em relação aos débitos objeto do período compreendido entre janeiro a outubro de 2008, tendo em vista a inclusão destes no parcelamento especial de que trata a Lei nº 11.941/2009, nos termos da Portaria Conjunta PGFN / RFB nº 7, de 15 de outubro de 2013. Com a desistência parcial, remanesceram em discussão os débitos referentes às competências de novembro e dezembro de 2008. Ocorre que, embora não se possa afirmar de forma peremptória, mas, considerando que as razões defensivas referentes aos débitos de 01 a 10/2008 (em relação aos quais houve expressa desistência) são idênticas àquelas atinentes aos débitos de 11 e 12/2008 (cuja discussão remanesceu), podese concluir que o contribuinte não desistiu integralmente da impugnação apresentada em decorrência de trava legal. Isto porque, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN / RFB nº 7/2013, poderiam ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, os débitos de qualquer natureza junto à PGFN ou à RFB, vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estivessem e nem tivessem sido parcelados até o dia 31 de maio de 2014. Registrese, mais uma vez, que não se trata de uma afirmação absolta, mas sim de uma conclusão plausível de ser alcançada, diante do contexto fático aqui já narrado, notoriamente do fato de inexistir tese defensiva específica para os débitos referentes aos meses de novembro e dezembro de 2008, hábil a justificar a manutenção da sua discussão processual. Da Incongruência Verificada na Base de Cálculo Utilizada pela Fiscalização Aduz a Recorrente que a autoridade fiscal deveria proceder à compensação dos tributos já recolhidos na modalidade de pagamento do SIMPLES pela empresa vinculada MR Calçados. Razão não assiste à Recorrente. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 13971.720370/201354 Acórdão n.º 2402006.604 S2C4T2 Fl. 18 33 Considerando que as razões recursais são idênticas àquelas deduzidas em sede de impugnação, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor, neste particular: No Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, estão incluídos os seguintes impostos e contribuições: Federais: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para a Seguridade Social. Estaduais: Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS. Municipais: Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS. O ingresso de empresa no Simples Nacional implica o recolhimento mensal por meio de DAS – Documento de Arrecadação do Simples Nacional. O recolhimento da contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais é efetuado mediante Guia de Recolhimento da Previdência Social – GPS. Ocorre que consoante o parágrafo 10º do art. 21, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte – Simples Nacional, os créditos apurados no Simples Nacional não poderão ser utilizados para extinção de outros débitos para com as Fazendas Públicas, salvo por ocasião da compensação de ofício oriunda de deferimento em processo de restituição ou após a exclusão da empresa do Simples Nacional. Reforça este entendimento o disposto no § 7º art. 84, da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, a seguir reproduzido: Art. 84. (...) § 7º É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006. Diante do exposto, está claro que os valores recolhidos pela empresa vinculada MR Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP, CNPJ 08.073.730/000124, para o Simples Nacional não podem ser compensados com os valores apurados pela fiscalização neste processo. Entretanto, os valores pagos indevidamente ao Simples Nacional podem ser objeto de pedido de restituição. Fl. 597DF CARF MF 34 Conclusão Face ao exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 598DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000543/2005-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 13/07/2000
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. RESOLUÇÃO ALADI 252.
Para se beneficiar da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), o contribuinte deve seguir com rigor as exigências estabelecidas na legislação de regência. Trata-se de benefício tributário a reclamar a aplicação do art. 111 do CTN.
Numero da decisão: 9303-007.265
Decisão: Visto, relatado e discutido os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Visto, relatado e discutido os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/07/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. RESOLUÇÃO ALADI 252. Para se beneficiar da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), o contribuinte deve seguir com rigor as exigências estabelecidas na legislação de regência. Tratase de benefício tributário a reclamar a aplicação do art. 111 do CTN. Visto, relatado e discutido os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 05 43 /2 00 5- 67 Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10209.000543/200567 Acórdão n.º 9303007.265 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 320100.378, que deu provimento ao recurso voluntário. A discussão do presente processo tem origem no auto de infração lavrado em face do Contribuinte. Consta dos autos que o Contribuinte procedeu à importação de bens com a utilização da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ACE 39), conforme Decreto n.º 3.138, de 1999, firmado entre o Governo do Brasil e os Governos da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela (PaísesMembros da Comunidade Andina). A fiscalização concluiu que a importação não contempla o Acordo Tarifário, seja em razão da divergência entre a fatura comercial e o certificado de origem, seja também porque o produto foi comercializado por terceiro país sem que tenham sido atendidos os requisitos estabelecidos na legislação pertinente, razão porque tratou de lavrar o auto de infração objeto da lide, para exigir o tributo de modo integral, deduzido da parte já recolhida, além dos juros de mora e da multa de ofício de 75%. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI. A DRJ em Fortaleza/CE, na parte de interesse ao presente julgamento, não reconheceu o direito à redução tarifária. Irresignado, o Contribuinte apresentou recurso voluntário. O Colegiado do CARF deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 320100.378, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/07/2000 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. A rastreabilidade das operações é fundamental para que seja considerada a triangulação ocorrida ECOPETROL, PIFCO, PETROBRAS e superada a questão de não haver o preenchimento das formalidades previstas para a aplicação de preferência tarifária em caso de divergência entre certificado de origem e fatura comercial, bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, não signatário do acordo internacional. Após a diligência determinada, constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10209.000543/200567 Acórdão n.º 9303007.265 CSRFT3 Fl. 4 3 Recurso Voluntário Provido A Fazenda Nacional interpôs, então, o Recurso Especial ora sob exame A divergência suscitada diz respeito ao direito à redução tarifária em face da intermediação de terceiro país, que não faz parte do acordo comercial internacional em tela. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial a Fazenda apresentou os acórdãos 30133.018 e 302 36.741. O Recurso Especial da Fazenda foi admitido conforme despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara de competência do CARF. Cientificado do despacho que admitiu o especial fazendário, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.260, de 14/08/2018, proferido no julgamento do processo 10209.000826/200517, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.260): "Da Admissibilidade O Recurso Especial do Fazenda é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 326 a 328. (...)1 Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas tenho conclusões distintas das suas a respeito das operações de triangulação comercial e suas consequências de que trata o presente processo. 1 Não se transcreveu o voto da relatora do processo paradigma, na parte em que enfrentou o mérito, em razão de trazer entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio dos presentes autos. A íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.260. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10209.000543/200567 Acórdão n.º 9303007.265 CSRFT3 Fl. 5 4 A discussão desse processo gira em torno do tratamento beneficiado de importação efetuada pela recorrente utilizandose de preferência tarifária com suporte no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), firmado entre o Governo Brasileiro com os Governos da Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, Países Membros da Comunidade Andina. Grosso modo, tratase de redução tarifária do Imposto de Importação, caso os produtos sejam adquiridos daqueles países em determinadas condições. Ou seja, tratase de uma regra de exceção, benefício fiscal, o qual reclama a aplicação do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. É da essência das regras de exceção, a aplicação literal dos dispositivos que as concedem. Isto porque, se de um lado estabelecese um tratamento beneficiado, de outro, as regras condicionantes devem ser seguidas com rigor. Nesse sentido, vejamos o que dispunham as regras para o aproveitamento da redução tarifária pretendida. No início do referido acordo, vigia o disposto na Resolução ALADI nº 78, o qual não permitia a possibilidade de triangulação comercial nos moldes realizados pela contribuinte no presente processo. Art. 4º da Resolução ALADI nº 78: QUARTO Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; it) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Veja que na vigência do art. 4º, acima transcrito, as mercadorias deveriam ser faturadas diretamente do país exportador para o importador, admitindo o seu trânsito por outro país, em síntese, somente por razões de logística do transporte. Não se permitia a participação de outro país interveniente com emissão de fatura nele ocorrida, como no presente caso. Somente a partir de 08/12/98, com a entrada em vigência da Resolução ALADI nº 232 é que se passou a permitir, com uma série de condicionantes. O disposto na Resolução ALADI 232, foi consolidado na Resolução ALADI nº 252, o qual transcrevo abaixo: NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10209.000543/200567 Acórdão n.º 9303007.265 CSRFT3 Fl. 6 5 respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Somente com a Resolução 232, que passou a viger no país a partir de 08/12/98, é que se permitiu a participação de um operador de terceiro país, porém as regras para esta participação são claras e não poderiam ser ignoradas pela Petrobrás. Primeiro que são de fáceis cumprimento e seu conteúdo é de clareza meridiana. Então bastava constar o número da fatura do terceiro interveniente já no próprio certificado de origem. Se o número da fatura, ainda não era conhecido, a determinação é que se deixasse em branco o espaço e que fosse apresentada no momento do desembaraço a declaração juramentada. Com certeza a motivação dessas exigências têm fundamento no controle aduaneiro. Ao abandonar ao livre arbítrio estas condições a Petrobrás afastou do conhecimento imediato da aduana as reais condições de sua importação. A comprovação documental em momento bem posterior aos fatos, podem prejudicar a perfeita verificação se os documentos apresentados correspondem aos fatos erigidos. Portanto, penso ser incabível, uma empresa do porte da recorrente, não se submeter a regras simples estabelecidas a nível de tratado internacional. Retomando os fatos do presente processo, vêse que se trata de uma importação objeto da Declaração de Importação nº 00/12080657, cujo registro deuse em 13/12/2000. Constatase de forma inequívoca que não foram seguidas as condições estabelecidas no artigo 9º da Resolução ALADI nº 252, acima trasncrito. No Certificado de Origem, efl. 21, consta a fatura comercial emitida pela ECOPETROL e não tem qualquer referência à fatura comercial emitida pela interveniente de outro país, no caso a PFICO. Neste caso, diferente dos demais, no campo "observações" do Certificado de Origem há referência expressa à empresa interveniente, PIFCO, porém não tem a informação do número da fatura comercial emitida por ela. Também não foi apresentada a declaração juramentada no momento do desembaraço aduaneiro. Assim está comprovado que não foram cumpridas as regras estabelecidas para que se tenha direito à redução tarifária que se pretendia. Também não tem fundamento a invocação do contribuinte pela aplicação do art. 434 do Regulamento Aduaneiro de 1985, Decreto nº 91.030/85, de que a comprovação será feita por qualquer meio julgado idôneo. Veja a sua redação: Art. 434 No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo Parágrafo único Tratandose de mercadoria importada de país membro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10209.000543/200567 Acórdão n.º 9303007.265 CSRFT3 Fl. 7 6 Ora, o próprio decreto remete à necessidade de cumprimento das regras atinentes ao certificado de origem. Como visto a ALADI aprovou o modelo e as regras de seu preenchimento no caso da referida triangulação comercial. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 475DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.721732/2011-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-003.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luis Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Relator e Presidente em Exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ATTIVARE ENGENHARIA E ELETRICIDADE LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luis Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Relator e Presidente em Exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 17 32 /2 01 1- 19 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10935.721732/201119 Acórdão n.º 9101003.701 CSRFT1 Fl. 3 2 Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL em 05/05/2014, com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009), em que se alega a existência de divergência jurisprudencial acerca de matéria relacionada à lide. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1401001.057, por meio do qual os membros da 1a Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiram, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade arguidas pela contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas para cancelar a cobrança da multa isolada. Os autos de infração que originaram o presente processo tratam de créditos tributários de IRPJ e CSLL, constituídos pela Fiscalização em razão de a contribuinte ATTIVARE ENGENHARIA E ELETRICIDADE LTDA ter declarado, na DCTF relativa ao anocalendário 2009, valores de tributos devidos inferiores aos informados em sua DIPJ. A diferença constatada em relação ao IRPJ teve ainda o condão de provocar o lançamento de multa isolada por ausência de recolhimento de estimativas mensais do imposto. A autuação descrita fora integralmente mantida em sede de julgamento administrativo de primeira instância. Posteriormente, a 1a Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1a Seção manteve os créditos principais, mas deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte para afastar a cobrança da multa isolada, em julgamento que culminou na prolação do acórdão contra o qual ora se insurge a recorrente. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO DEFICIÊNCIA NA SUA FORMALIZAÇÃO É incabível a arguição de nulidade do lançamento se na sua formalização foram observados os preceitos do Art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Ainda mais quando constatase que nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada c tipificada o que permitiu a impugnante articular perfeitamente a sua defesa, não demonstrando qualquer dúvida quanto ao ilícito fiscal que lhe foi imputado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração, sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários a solução do litígio c a infração está perfeitamente demonstrada. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10935.721732/201119 Acórdão n.º 9101003.701 CSRFT1 Fl. 4 3 DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. A falta ou insuficiência de recolhimentos IRPJ e CSLL, não confessados, constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. JUROS SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Sumula nº 4 do CARF). MULTA ISOLADA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO. Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada, seja pela ausência de base imponível, bem como pelo malferimento do princípio da não propagação das multas e da ao repetição da sanção tributária. Após a formalização do acórdão, os autos foram encaminhados de forma eletrônica à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 01/04/2014, para fins de ciência do teor da decisão. A intimação pessoal do Procurador se deu, portanto, em 01/05/2014, nos termos do § 3º do art. 7º da Portaria MF nº 527/2010. Em 05/05/2014, a PGFN interpôs tempestivamente recurso especial insurgindose contra o Acórdão nº 1401001.057, sob a alegação de que a decisão teria dado à legislação tributária interpretação diversa da que tem sido adotada em outros processos julgados no âmbito do CARF, no que toca à regularidade da aplicação concomitante das multas isolada e de ofício. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2009, a recorrente apontou acórdãos de turmas de Câmaras da 1ª Seção de Julgamento do CARF que teriam dado ao tema debatido interpretação diversa daquela esposada pela decisão recorrida. A PGFN narra que o acórdão recorrido considerou ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício, mesmo tratandose de período posterior ao advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Sendo assim, a recorrente defende que a decisão recorrida teria interpretado a legislação aplicável ao caso de forma conflitante com a adotada nos Acórdãos nº 1202000.964 (proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção) e nº 1302001.080 (prolatado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção), que mantiveram a cobrança de multa isolada relativa ao não recolhimento de IRPJ sobre base de cálculo estimada concomitantemente com a cobrança da multa de ofício cobrada juntamente com o tributo devido. Após defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas, a PGFN apresenta alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10935.721732/201119 Acórdão n.º 9101003.701 CSRFT1 Fl. 5 4 provocar a reforma da decisão recorrida no que diz respeito à cobrança concomitante das multas. Em suma, argumentase que: O ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, não sendo permitida a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária. Por outro lado, não há óbice à aplicação, diante de duas infrações tributárias, de duas penalidades calculadas sobre a mesma base de cálculo; No presente caso, vêse que a aplicação da multa de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, resultou da falta de recolhimento de tributo pela contribuinte. Já a denominada multa isolada, fundada no art. 44, II, 'b', da Lei nº 9.430/1996, foi aplicada em razão do descumprimento da sistemática de recolhimento por estimativa mensal de tributo; O IRPJ e a CSLL têm o chamado fato gerador complexivo: apesar de a disponibilidade jurídica ou econômica ser adquirida ao longo do ano, considerase ocorrido o fato gerador apenas em 31 de dezembro de cada ano. Por conta disso, criouse a sistemática de recolhimento antecipado (art. 2º da Lei nº 9.430/1996), para que a União pudesse fazer face às despesas incorridas no decorrer do ano, não tendo que esperar o final de cada anocalendário para receber os valores devidos pelos contribuintes; Assim, o não recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa é uma infração bastante diversa daquela consistente na omissão de receitas ao final do anocalendário. Nada impede que dessas infrações resultem penalidades distintas: da omissão de rendimentos, a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996; do descumprimento do regime de recolhimento de estimativa, a multa isolada prevista no art. 44, II, 'b', da mesma Lei; A multa de ofício somente será devida se existir tributo a pagar por ocasião do ajuste anual. Já a multa isolada será devida ainda que, no final do período, tenha sido apurado prejuízo fiscal, já que a infração de que resulta consiste simplesmente no descumprimento do regime de recolhimento mensal por estimativa, não possuindo qualquer relação com o pagamento em si do imposto; O art. 97, VI, do CTN, estabelece que somente a lei pode estabelecer hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Assim, o fato de estar sendo exigida multa de ofício decorrente do não pagamento de tributo não elide a incidência da multa isolada, já que não existe lei que dispense a cobrança de penalidade nesses casos; As bases de cálculo das duas multas normalmente não são coincidentes. A multa de ofício incide sobre o tributo devido e não recolhido no momento oportuno. Já a multa isolada deve ser calculada sobre as antecipações de tributo que não foram pagas no decorrer do ano. Nem sempre o conjunto de tais antecipações equivalerá ao tributo cobrado no fim do ano calendário; Tendo em vista que o limite máximo da multa isolada, após o encerramento do anocalendário, é o tributo anual devido e considerando que a empresa não tenha efetuado qualquer recolhimento a título de estimativa, a base de cálculo das penalidades será, excepcionalmente, a mesma. Tal fato não configura ilegalidade, pois, como já visto, as multas são aplicadas para punir infrações distintas; Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10935.721732/201119 Acórdão n.º 9101003.701 CSRFT1 Fl. 6 5 No caso dos presentes autos, não há dúvida de que a contribuinte recorrida optou por recolher o IRPJ e a CSLL por regime de estimativa. Tampouco há dúvida de que ela descumpriu o regime ao não recolher integralmente o IRPJ/CSLL e não justificar o não recolhimento mediante a apresentação de balancetes de suspensão ou redução; A partir da Lei nº 9.430/1996, os contribuintes somente estarão dispensados de recolher os tributos devidos, apurados pelo sistema de estimativa, quando transcreverem no Livro Diário os balancetes de suspensão ou redução. Quando isso não ocorrer, os contribuintes estarão sujeitos ao pagamento da multa prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/1996. A PGFN encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja provido para reformar o acórdão recorrido, mantendose a multa isolada aplicada pela falta de pagamento da estimativa mensal de IRPJ. A irresignação da Fazenda Nacional foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar a observância dos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. As conclusões foram expostas em despacho de 25/01/2016, que entendeu ter sido devidamente comprovada pela recorrente a existência de dissenso jurisprudencial entre os Acórdãos nº 1401001.057 (recorrido) e nº 1202000.964 e nº 1302001.080 (paradigmas) no que concerne à questão da cobrança concomitante das multas de ofício e isolada. Assim, deuse seguimento ao recurso especial interposto pela PGFN. Tentouse intimar a contribuinte, por via postal, a tomar ciência do Acórdão nº 1401001.057, do recurso especial apresentado pela PGFN e do despacho que o admitiu, mas a correspondência retornou com a indicação de endereço desconhecido. A intimação foi realizada, então, por meio de Edital, datado de 22/02/2016. Não houve, entretanto, a apresentação de contrarrazões ao recurso fazendário ou mesmo de recurso especial da contribuinte contra as partes da decisão administrativa que lhe foram desfavoráveis. Assim, esgotados os prazos para manifestação da contribuinte, os autos seguiram para esta Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) para o julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10935.721732/201119 Acórdão n.º 9101003.701 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Conforme relatado, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial insurgindose contra o decidido no Acórdão nº 1401001.057 quanto à impossibilidade de cobrança concomitante das multas isolada e de ofício. Registro inicialmente que a Turma a quo analisou de ofício tal matéria, uma vez que a contribuinte autuada não questionou, em sua impugnação ou em seu recurso voluntário, a cobrança concomitante das multas isolada e de ofício. Apesar disso, prevaleceu entre os membros da 1a Turma Ordinária da 4ª Câmara o entendimento pela impossibilidade de tal exigência concomitante, nos termos descritos no voto vencedor (o i. Conselheiro Relator da decisão recorrida restou vencido neste tema particular). De toda forma, tendo sido formalizada a decisão, a PGFN interpôs recurso especial pleiteando sua reforma. A contribuinte recorrida, devidamente intimada por meio de Edital, não apresentou contrarrazões ao recurso fazendário. Sendo assim, adoto os fundamentos do despacho de exame de admissibilidade exarado em 25/01/2016 e CONHEÇO do recurso especial da Fazenda Nacional. A multa isolada tema do presente debate, devida por ausência de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, tinha a seguinte redação até o advento da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídicas sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente; (...) Com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, passou a dispor a mesma Lei nº 9.430/1996: Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10935.721732/201119 Acórdão n.º 9101003.701 CSRFT1 Fl. 8 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) Destaquemse as alterações efetivas operadas pela mudança de redação: (i) a multa isolada não é mais calculada sobre "a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"; passando a incidir sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser recolhido na forma prevista no art. 2º da mesma lei; e (ii) o percentual aplicável no cálculo da multa passa de 75% para 50%. A antiga redação do art. 44 efetivamente não deixava tão clara a distinção entre as multas de ofício e isolada. A base sobre a qual as multas incidiam era prevista de forma conjunta, no caput do artigo ("calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"). O percentual aplicável para ambas as multas também era fixado no mesmo dispositivo, o inciso I do artigo ("setenta e cinco por cento"). Somente no inciso IV do § 1º é que existia a previsão específica da exigência de multa isolada pelo não pagamento de IRPJ ou CSLL na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996 (estimativas mensais com base na receita bruta do período). A falta de clareza na antiga redação do art. 44 e o fato de parte das previsões das duas multas constarem dos mesmos dispositivos (mesma base de cálculo, inclusive) foram, em grande medida, responsáveis pela sedimentação do entendimento desta Corte no sentido da impossibilidade de cobrança simultânea das multas isolada e de ofício. Por conta disso, editou se a Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Com o advento da MP nº 351, de 22/01/2007, e sua posterior conversão na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, julgo terem sido extirpadas as fontes de dúbia interpretação do art. 44 no que diz respeito à previsão das multas isolada e de ofício. A nova redação é clara em relação às hipóteses de incidência de cada uma das multas, suas bases de cálculo e percentuais aplicáveis. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10935.721732/201119 Acórdão n.º 9101003.701 CSRFT1 Fl. 9 8 Reitero meu posicionamento, já externado em outros julgamentos, de não considerar razoável a ilação de que possa ter sido casual a expressa menção, pela Súmula CARF nº 105, do dispositivo que tipificou a multa isolada ali mencionada. A Súmula foi editada pela 1ª Turma da CSRF em 08/12/2014, muitos anos após as mudanças redacionais introduzidas pela Lei nº 11.488/2007. Caso a egrégia Turma quisesse se referir indiscriminadamente a qualquer multa isolada, anterior ou posterior à alteração da redação do art. 44, o teria feito simplesmente deixando de mencionar o art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Neste mesmo sentido já se manifestou a CSRF no Acórdão nº 910100.947, cujo voto condutor assim se pronunciou: "Da comparação entre a redação vigente e a anterior do mesmo dispositivo, constatase que com as alterações introduzidas recentemente a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a titulo de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de oficio passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos. No caso presente, em relação ao anocalendário 1998, a contribuinte foi autuada para exigir principal e multa de oficio em relação a CSLL não recolhida ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como dito acima, essa dupla penalização sobre ilícitos materialmente relacionados e por força do principio da consunção, não pode subsistir." (grifouse) Interpretando a contrario sensu a referida decisão, concluise que, a partir de janeiro de 2007, quando entrou em vigência a MP nº 351/2007, não subsistem os motivos que outrora impediam a cobrança concomitante das duas multas. Diante de todo o exposto, não vislumbro óbice à cobrança cumulativa das multas isolada (art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/1996) e de ofício (art. 44, inciso I, da mesma Lei) para infrações ocorridas a partir de janeiro de 2007, caso dos presentes autos (anocalendário 2009). Por esta razão, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional e restabelecer a cobrança da multa isolada. (assinado digitalmente) Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10935.721732/201119 Acórdão n.º 9101003.701 CSRFT1 Fl. 10 9 Rafael Vidal de Araújo Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002055/00-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS.
Conforme Súmula CARF nº 37, Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72
Numero da decisão: 1401-002.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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PERC. INCENTIVO FISCAL Recorrente SANTANDER BRASIL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. Conforme Súmula CARF nº 37, “Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 20 55 /0 0- 76 Fl. 499DF CARF MF 2 Relatório O recurso voluntário apresentado pela Recorrente já sofreu uma apreciação por parte do CARF, ocasião em que o Colegiado converteu o julgamento em diligências, em sessão realizada em 07 de junho de 2016, por meio da Resolução 1401000.394, que ora se reproduz integralmente, pois resume bem a situação que ocorreu nos autos: Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 16221.445 da 8ª Turma da DRJ/SPO1 que julgou, por maioria, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente após indeferimento de um PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais realizado por ela. A Recorrente apresentou o referido PERC devido à não emissão de incentivo fiscal do FINAM relativo ao ano calendário de 1997, exercício de 1998, e o indeferimento se deu sob o fundamento de existirem pendências junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil /Procuradoria da Fazenda Nacional. Vide decisão que indeferiu o PERC: "Após análise do processo de acordo com a NE/SRF/COSAR/COSIT N°10 de 17 de julho de 2000, foi constatado que o contribuinte possuía pendências impeditivas a liberação do incentivo. Foi, então, o contribuinte intimado em 14/12/05 a regularizar as pendências, conforme fl. 103. Feita nova análise da regularidade fiscal, foi constatado que ainda havia pendências impeditivas a liberação do Incentivo, conforme consta do relatório à página 174. Tendo em vista que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativo a tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95), proponho que o processo de PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 1998, seja indeferido". Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual: a) alega que o momento de análise da regularidade fiscal é o do pedido, e não da apreciação, que se deu dez anos depois, ferindo o princípio da eficiência da Administração Pública; b) apresenta diversos precedentes do Conselho de Contribuintes no sentido de que a análise do PERC deve se dar no momento em que é feito; c) alega que tinha certidão conjunta da Secretaria da Receita Federal com a Procuradoria da Fazenda Nacional, que era positiva com efeitos de negativa até 2008, estando ela, portanto, regular no momento do PERC; d) apresenta inúmeros precedentes do Conselho de Contribuintes no sentido de que a Fl. 500DF CARF MF Processo nº 16327.002055/0076 Acórdão n.º 1401002.942 S1C4T1 Fl. 500 3 certidão conjunta negativa ou positiva com efeitos de negativa é suficiente para comprovar a regularidade fiscal; e) sustenta que alguns dos débitos inscritos em dívida ativa estão com exigibilidade suspensa no conta concorrente e outros débitos sequer existiam à época do PERC; f) por fim, apresenta precedentes que afirmam não ser possível indeferir PERC com base em débitos posteriores ao pedido. O Acórdão da DRJ ficou ementado da seguinte forma: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ 1997 PERC QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Solicitação Indeferida" O Acórdão da DRJ foi formado por maioria, tendo em vista que ficou vencido o julgador José Antonino de Souza, que votou pela procedência da Manifestação de Inconformidade, pois entendeu não ter ficado comprovada a irregularidade da empresa na data da declaração. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual repete os argumentos da Manifestação de Inconformidade e, como novidade, alega nulidade da decisão que indeferiu o PERC, uma vez que ela deveria ter sido intimada para comprovar a sua regularidade. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS DE AGUIAR VILLASBÔAS Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual passo à sua análise. Nulidade da decisão sobre o PERC A Recorrente alega que teria havido nulidade, pois é dever da Autoridade Fiscal que analisa o PERC intimar o contribuinte para que ele possa fazer prova da sua regularidade. Na verdade, essa intimação ocorreu em 14/12/2005 e está juntada na fl. 103 dos autos deste processo administrativo. Por meio dela, fica intimada a Santander Noroeste S/A a regularizar suas pendências relativas a débitos inscritos na Dívida Ativa da União. Fl. 501DF CARF MF 4 Há, inclusive, nas fls. 104 e 105 dos autos, pedidos de alargamento do prazo, realizados pela Recorrente, datados de 02/02/2006 e 08/03/2006. A Recorrente teve muitos anos para comprovar a sua regularidade. Poderia têlo feito, ao menos, em sua Manifestação de Inconformidade ou em seu Recurso Voluntário, não havendo porque se falar em nulidade. Período para o qual se deve comprovar a regularidade O Acórdão da DRJ e o Recurso Voluntário são anteriores à Súmula nº 37 do CARF, que foi publicada apenas no ano de 2010. Essa súmula sedimentou o seguinte: "Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72". De acordo com a súmula, a regularidade deve existir no período em que é feita a Declaração de Rendimentos, ou seja, relativamente ao ano calendário de 1997 no presente caso. Não interessa o momento em que há a análise, pois o contribuinte deveria estar irregular no momento em que fez a opção pelo uso do incentivo fiscal. Se não fosse assim, o contribuinte ficaria sujeito à sorte de ter o seu pedido analisado em um momento no qual ainda estivesse regular, o que, como se sabe, não é fácil no Brasil, país com a tributação mais extensa e complicada do mundo. De qualquer forma, ainda que irregular no momento da Declaração de Rendimentos, é dada a oportunidade ao contribuinte de comprovar, durante todo o processo administrativo, que ficou regular posteriormente. Esse entendimento vem sendo amplamente aplicado pelo CARF, tendo o sido feito, inclusive, por esta turma no seguinte recente julgamento: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. Conforme Súmula CARF nº 37, “Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72” (1ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma, Acórdão Fl. 502DF CARF MF Processo nº 16327.002055/0076 Acórdão n.º 1401002.942 S1C4T1 Fl. 501 5 nº 1401001.480, Rel. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Sessão de 19 de janeiro de 2016). O referido Acórdão foi constituído por maioria, tendo ficado vencido apenas o Conselheiro Fernando Mattos. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentíssimo julgamento relatado pelo Presidente desta 4ª Câmara, nem sequer conheceu o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em processo no qual foi aplicada a Súmula nº 37 do CARF, conforme ementa abaixo transcrita: " [...] 2. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 [...]" (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 9101002.339, Rel. Rafael Vidal de Araújo, Sessão de 05 de maio de 2016). Notase que há poucas discussões hoje no CARF a respeito do tratamento jurídico a ser dado à presente questão. Cabe analisar, portanto, se a Recorrente estava regular no momento em que apresentou a sua Declaração ou se comprovou a regularidade em momento posterior. A regularidade da Recorrente No entendimento deste Relator, o processo administrativo fiscal carece de lastro probatório. A Receita Federal apontou irregularidades (débitos inscritos em dívida ativa da União) da Recorrente no momento em que analisou o PERC, não tendo comprovado que ela estava irregular no momento da apresentação da Declaração. A partir da Súmula nº 37 do CARF, entendo que o PERC deveria ser negado se houvesse comprovação de irregularidade no período de apresentação da Declaração de Rendimentos, e não em momento posterior. Por outro lado, a Recorrente menciona, sem fazer referência às respectivas folhas, na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, que haveria nos autos uma Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, mas este Relator não encontrou o documento. Fl. 503DF CARF MF 6 Há nos autos apenas espelhos do sistema de consulta da Receita Federal os quais apresentam débitos da Recorrente aparentemente em aberto. Em outro momentos, a Recorrente afirma existir menção nos autos à emissão anterior de certidão conjunta e isso, de fato, pode ser confirmado em documento juntado à fl.109, que traz a seguinte informação: "CNPJ : 02.736.455/000103 CERTIDAO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA: 8D38.6119.C2A5.FB5E EMISSAO:10/03/2008 VALIDADE:06/09/2008 EMITIDA CONSIDERANDO A LIBERACAO PGFN" A respeito da emissão de certidão conjunta, informação que vem logo abaixo dessa transcrita acima, está registrado um "não consta". Aparentemente, a certidão referida dizia respeito tão somente à PGFN". Para que a regularidade da Recorrente ficasse comprovada, ela precisava ter trazido aos autos certidão conjunta (Secretaria da Receita Federal e PGFN), certidão relativa às contribuições previdenciárias e de terceiros e a certidão relativa ao FGTS. Quanto ao FGTS, há espelhos juntados pela própria Receita Federal que dão conta da regularidade da Recorrente. Somente a partir de 3 de novembro de 2014, foi criada nova certidão conjunta, pela Portaria MF nº 358/2014, que unificou os débitos de contribuições previdenciárias e de terceiros na mesma certidão conjunta antes existente referente a débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. A própria Recorrente admite em dado momento que há débitos pendentes, mas alega que eles não poderiam ser levados em consideração, uma vez que são posteriores ao ano calendário de 1997. Ocorre que, segundo a interpretação deste Relator em relação à Súmula nº 37 do CARF e aos precedentes em geral, é preciso que, ao longo do processo administrativo, o contribuinte comprove que estava regular no ano calendário da declaração ou, ao menos, que regularizou todas as pendências mais tarde, ainda que apenas suspendendo a sua exigibilidade, de modo que não serve a alegação de que surgiram outras pendências após o ano calendário. Tem sido muito comum no CARF, em casos de dúvidas sobre a regularidade do contribuinte no período de apresentação da Declaração de Rendimentos, a determinação de diligência para que a Autoridade de origem possa verificar essa informação, intimando o contribuinte para fazer prova, e, então, possa esclarecer aos conselheiros julgadores essa questão fática. Devido à falta de clareza fáticoprobatória dos autos e da situação de a jurisprudência do CARF ter vindo se consolidando apenas após a publicação do Acórdão e a interposição do Recurso Voluntário, essa é a proposta deste Relator, conforme detalhada em seguida. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 16327.002055/0076 Acórdão n.º 1401002.942 S1C4T1 Fl. 502 7 Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a Autoridade de origem: a) esclareça quais eram as pendências existentes na conta corrente da Recorrente no momento da opção pelo incentivo fiscal, que é o tempo adequado, segundo a Súmula nº 37 do CARF, para analisar a regularidade do contribuinte; b) caso não seja possível prestar o esclarecimento anterior, informe essa impossibilidade e exponha os motivos; c) intime a Recorrente a comprovar que estava regular, no momento da opção pelo incentivo fiscal ou em momento posterior, em relação a todo e qualquer débito federal, inclusive aos seus deveres relativos ao FGTS; d) esclareça se, de fato, houve algum momento durante o processo administrativo em que a Recorrente esteve completamente regular, mesmo que com situação positiva, mas com efeitos de negativa. e) preste quaisquer outros esclarecimentos que entenda pertinentes ao julgamento deste processo administrativo. Em atendimento à Resolução demandada pelo CARF, a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras DEINF/SPO, por meio da Divisão de Orientação e Análise Tributária DIORT apresentou o seguinte relatório: RELATÓRIO FISCAL Antes de trazer as informações da regularidade fiscal do contribuinte através de suas respectivas certidões, vale destacar que as certidões emitidas a partir de 01/09/2005 (inclusive) são certidões conjuntas da Secretaria da Receita Federal do Brasil e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional referentes a tributos fazendários. A partir de 03/11/2014, essas certidões conjuntas passaram a reunir também as contribuições previdenciários. Dito isso, verificandose a regularidade fiscal do contribuinte em relação aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, assim como em relação ao FGTS, temos a informar no que tange aos quesitos formulados pelo egrégio Conselho: a/b) o contribuinte transmitiu a DIPJ anocalendário 1997, exercício 1998, em 29/04/98, data em que fez a opção pelo incentivo fiscal. Portanto, nessa data ou próximo a ela, temse: em relação aos tributos fazendários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: [Nota do Relator: anexa em seu Realtório telas destas certidões, todas CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA ] Fl. 505DF CARF MF 8 em relação aos tributos fazendários administrados pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional: Não temos em nossos sistemas informatizados essa informação para a referida data. em relação às contribuições administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social: [Nota do Relator: a seguir anexa telas destas certidões, todas CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO CND] Continuando com o RELATÓRIO: em relação à regularidade da empresa junto ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço: Não há no “site” da CEF essa informação para a referida data. c) entendemos que esta alínea fica prejudicada em função das informações apresentadas na alínea “d” a seguir. d) durante todo o período de trâmite do presente processo administrativo, foram emitidas as seguintes certidões: em relação aos tributos fazendários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (até 01/09/2005): [Nota do Relator: anexa em seu Relatório telas de certidões, todas CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA] em relação aos tributos previdenciários administrados pelo INSS e posteriormente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (até 03/11/2014): [Nota do Relator: anexa em seu Relatório tela de CERTIDÃO NEGATIVA] em relação aos tributos fazendários (de 01/09/2005 até 03/11/2014), e fazendários e previdenciários (a partir de 03/11/2014 inclusive) administrados tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil como pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional: Fl. 506DF CARF MF Processo nº 16327.002055/0076 Acórdão n.º 1401002.942 S1C4T1 Fl. 503 9 em relação à regularidade da empresa junto ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço: Fl. 507DF CARF MF 10 Analisandose as informações acima, é possível constatar que, durante o curso do presente processo administrativo fiscal, o contribuinte em algum momento esteve ou está regular perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e o Fundo de Garantias por Tempo de Serviço, considerando que as Certidões Positivas com Efeito de Negativa ratificam a regularidade fiscal do contribuinte. Alexandre Vivanco Blanco Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Matrícula Sipe nº 1171638 Chefe Diort/Deinf Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Atendida a diligência demandada pela Resolução 1401000.394 do CARF, e de modo satisfatório à pretensão da Recorrente, conforme relatoriado, de se dar provimento ao recurso voluntário, deferindo o PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais que consta nos autos. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 508DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.933457/2009-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de liquidez e certeza, eis que fora objeto de compensação em outro PER/DCOMP válido, transmitido pelo próprio sujeito passivo.
Numero da decisão: 1002-000.411
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de liquidez e certeza, eis que fora objeto de compensação em outro PER/DCOMP válido, transmitido pelo próprio sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 34 57 /2 00 9- 91 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10680.933457/200991 Acórdão n.º 1002000.411 S1C0T2 Fl. 69 2 Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BHE (in verbis): A contribuinte acima qualificada apresentou, em 11/01/2006, declaração de compensação numerada 17239.45546.110106.1.3.040325, informando pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 1.476,97, relativo a tributo do código 6106 e período de apuração 31/05/2003 (fls. 15/21). A compensação não foi homologada pela autoridade jurisdicionante, sob o alegação de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos informados na DCOMP nº 41472.60293.221205.1.3.046094, conforme Despacho Decisório a fl. 3. Ciente da decisão em 20/10/2009 (fl. 22), a contribuinte apresentou, em 10/11/2009, a fl. 2, sua manifestação de inconformidade, em que alega o seguinte: Que a empresa acima qualificada teve a sua exclusão do Simples no Ano de 2003 e que antes de ser excluída recolheu os seus tributos com base no Simples; e que a mesma neste mesmo ano retificou a declaração para Lucro Presumido de acordo com o faturamento do Simples; e ao mesmo tempo foi feito o DCTF do mesmo período de 2003 e sendo assim o imposto recolhido no Simples foi locado para Lucro Presumido; foi feito o PERD/COMP de acordo com a compensação e foi apurado um crédito maior no ano de 2003, superior ao débito de acordo com DCTF e o PERD/COMP. Sendo assim, anexa as guias pagas no SIMPLES e o DCTF, PERD/COMP assim demonstrado e que seja compensado o processo acima. Assim sendo pede que seja considerada a declaração entregue com base no Lucro Presumido e o cancelamento dos débitos. Instruem a manifestação de inconformidade, entre outros documentos, DarfSimples a fl. 4. A manifestação de inconformidade foi indeferida pela DRJ/BHE, conforme acórdão n. 0235.749, de 27 de outubro de 2011 (efl. 32), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 Ementa: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10680.933457/200991 Acórdão n.º 1002000.411 S1C0T2 Fl. 70 3 A compensação declarada pelo sujeito passivo não será homologada quando todo o crédito apurado já tiver sido utilizado em outra declaração de compensação. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 44), no qual, oferece os argumentos abaixo. Sustenta que (sic)"a empresa verificou que não foi compensado através do PERDCOMP a totalização do crédito que a empresa tinha referente ao Simples" e que "ficaram alguns meses tais como, 03/2003,04/2003,08/2003,11/2003 e 12/2003 não foi efetuada a compensação e por isso gerou um débito no Ano de 2003". Solicita (sic)"que seja feita a compensação assim demonstrado abaixo: >Total do débito (saldo remanescente) pelo Lucro Presumido R$ 7.378,74 (valor liquido),valor de crédito a qual não foi compensado R$ 7.582,27 (valor liquido) saldo de crédito R$ 204,13 (valor liquido)". Ao final, requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF n.º 329. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, observo que ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP de nº 17239.45546.110106.1.3.040325, sob a alegação de que o crédito nele informado já havia sido integralmente utilizado no PER/DCOMP nº 41472.60293.221205.1.3.046094, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo (observações e grifos do original): Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10680.933457/200991 Acórdão n.º 1002000.411 S1C0T2 Fl. 71 4 Examinando o processo, constato que em 22/12/2005 o Recorrente efetivamente transmitiu o PERDCOMP nº 41472.60293.221205.1.3.046094, no qual informou crédito de R$ 1.476,97 decorrente de recolhimento indevido de tributo de código 6106 Simples (efls. 24/30) e, posteriormente, em 11/01/2006, voltou a informar o mesmo crédito no PERDCOMP 17239.45546.110106.1.3.040325 (efls. 15/21), o que deixa claro que a não homologação deste último PERDCOMP pelo Despacho Decisório eletrônico foi acertada, pois, do contrário, estarseia admitindo indevidamente compensação de crédito em duplicidade a favor do Recorrente. Aduzo que o Despacho Decisório Eletrônico foi emitido com base em informações extraídas da base de dados da RFB e constantes de declarações prestadas pelo próprio Recorrente, o qual não apresentou qualquer contestação ou elemento de prova no recurso com o propósito de desconstituílas. A ausência do requisito de liquidez e certeza do crédito pleiteado inviabiliza a homologação do pedido de compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Diante do exposto, entendo que não há reparos a fazer no acórdão recorrido, devendo ser mantida a decisão de piso. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10680.933457/200991 Acórdão n.º 1002000.411 S1C0T2 Fl. 72 5 Conclusão Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; que o crédito de R$ 1.476,97 de período de apuração de 31/05/2003 já foi integralmente utilizado na quitação de débitos informados no PERDCOMP nº 41472.60293.221205.1.3.046094; que não consta dos autos que esta declaração tenha sido invalidada ou substituída; e, ainda, que o Recorrente não traz nenhum elemento adicional de prova contrário aos fatos aqui narrados, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.909580/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ACUMULADO DE IPI. IMPROCEDÊNCIA.
Constatada a utilização de crédito acima do permitido, correta a não homologação da parte excedente, com repercussão na Declaração de Compensação vinculada.
EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA SOBRE O DÉBITO NÃO COMPENSADO.
Incide multa de mora nos casos de quitação do débito após a data de vencimento, de conformidade com o art. 61 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 3401-005.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ACUMULADO DE IPI. IMPROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de crédito acima do permitido, correta a não homologação da parte excedente, com repercussão na Declaração de Compensação vinculada. EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA SOBRE O DÉBITO NÃO COMPENSADO. Incide multa de mora nos casos de quitação do débito após a data de vencimento, de conformidade com o art. 61 da Lei nº 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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IMPROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de crédito acima do permitido, correta a não homologação da parte excedente, com repercussão na Declaração de Compensação vinculada. EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA SOBRE O DÉBITO NÃO COMPENSADO. Incide multa de mora nos casos de quitação do débito após a data de vencimento, de conformidade com o art. 61 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 95 80 /2 01 1- 92 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 18470.909580/201192 Acórdão n.º 3401005.195 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 16/09/2009, transmitiu PER/DCOMP nº 09643.70497.160909.1.1.016980 com pedido de ressarcimento de IPI referente crédito acumulado no 1º Trimestre de 2007 no valor de R$ 69.703,63 tendo por base o registro fiscal de entradas e apuração do IPI (efls.2 a 39), vinculado a Declaração de Compensação nº 38271.58048.121109.1.3.014402. Do Despacho Decisório A DRF Rio de Janeiro II, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório na data de 09/09/2011 (eFls.40), reconhecendo parte do crédito no valor de R$ 49.996,99 pela ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, resultando insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 38271.58048.121109.1.3.014402. Foi intimada a interessada a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, atualizados para pagamento até 30/09/2011: Principal Multa Juros 13.765,13 2.753,02 2.644,28 Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.48), fazendo os seguintes comentários: a) primeiro sobre a inovação e peculiaridades do programa eletrônico de transmissão de PER/DCOMP, que por sua evolução ultrapassou a capacidade técnica da contribuinte, necessária ao atendimento das exigências do programa; b) que não cometeu, em momento algum, irregularidades fiscais, eventuais erros podem ser atribuídos ao programa do PER/DCOMP, que acumulou os saldos credores de cada trimestre; c) que as multas de ofício não são devidas, visto que o contribuinte não provocou esta situação, sendo de total responsabilidade da própria RFB; d) cita decisão proferida em mandado de segurança da Justiça Federal do RN, que em nada lhe auxilia na presente lide; e) ao final reconhece os valores relativos à compensação indevida, com o acréscimo da Taxa SELIC, mas repugna a cobrança de Multa de Mora. Do Julgamento de Primeiro Grau Fl. 120DF CARF MF Processo nº 18470.909580/201192 Acórdão n.º 3401005.195 S3C4T1 Fl. 4 3 Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: De plano constato que a manifestante não contesta a redução do direto creditório, limitandose a impugnar a multa moratória. Portanto, tal matéria reputase incontroversa, ao teor do disposto no Decreto nº 70.235 (PAF), de 1972, art. 17: Art. 17 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Com relação à multa moratória, sua cobrança encontra amparo legal no art. 61 da Lei nº 9.430/96... Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls.103) contra a decisão de primeira instância administrativa, com alegações de que: a) incorreu em falha no preenchimento do formulário eletrônico do Programa PER/DCOMP, pois quando se abria um novo trimestre, às vezes o próprio sistema, por si só, trazia o saldo anterior do trimestre anterior, duplicando, por conseguinte, o valor da compensação; b) que quitou os valores referentes à esta duplicação mediante parcelamento voluntário de débitos; c) que a manifesta inconformidade foi tão somente sobre a cobrança descabida da multa exofício, no que resulta, também, o pedido recursal. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De início declarase que não assiste razão a Recorrente. No Recurso Voluntário se repete a justificava de atribuir a responsabilidade pelos erros cometidos quando do preenchimento do PER/DCOMP, para o programa eletrônico disponibilizado pela SRF, o qual teria contribuindo para a utilização de crédito de IPI além do permitido para o trimestre em referência. Além de se restringir a mera alegação, dispensa qualquer comentário pela sua inconveniência. O segundo item do Recurso de que teria havido a quitação de parte do débito através de parcelamento voluntário, também, se restringe ao campo das alegações, pois nenhum documento juntou aos autos. Caso isso tenha ocorrido, ampara o contribuinte o art. 156 do CTN por ser o pagamento uma das modalidades de quitação do débito, que nesse caso seria parcial. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 18470.909580/201192 Acórdão n.º 3401005.195 S3C4T1 Fl. 5 4 Quanto a multa de mora incidente na cobrança do débito, nada tem a haver com a glosa do crédito indevidamente utilizado, cujo erro já foi reconhecido e não foi objeto de contestação, mas sim, com o não pagamento do débito devido no seu vencimento. A incidência da multa moratória encontra amparo no art. 61 da Lei 9.430/96, cujo texto já fez parte da decisão recorrida. Portando, é dever de ofício da autoridade administrativa exigila juntamente com o tributo devido quando quitado fora do prazo legalmente estabelecido. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14479.000234/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/12/2004
EMBARGOS INOMINADOS -
Em não se verificando omissão, contradição ou obscuridade no acórdão guerreado, não há que ser acolhido os Embargos manejados.
Numero da decisão: 2301-005.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, ratificando o Acórdão nº 2301-003.754, de 15/10/2013.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 30/12/2004 EMBARGOS INOMINADOS - Em não se verificando omissão, contradição ou obscuridade no acórdão guerreado, não há que ser acolhido os Embargos manejados.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, ratificando o Acórdão nº 2301003.754, de 15/10/2013. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos contra o Acórdão de Recurso Voluntário nº 2301003.754 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que conheceu do mesmo, para, no mérito deulhe provimento, julgando IMPROCEDENTE a autuação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 02 34 /2 00 7- 20 Fl. 1602DF CARF MF 2 Após a intimação do referido Acórdão, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos de Declaração alegando em síntese, que o referido Acórdão foi omisso ou obscuro, pois: " A decisão anatematizada deixou de dizer se a nulidade é formal ou material; Entende que há nulidade e é formal." Requereu que os embargos fossem conhecidos e providos para dizer da nulidade formal do lançamento. Em 20/03/2014, o então relator do processo proferiu o Despacho 2301123 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária não admitindo os Embargos por entender não haver omissão, contradição ou obscuridade na decisão. Em 04/04/2014, a União Federal, através da Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência desta última decisão informando que não haveria interposição de recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. No dia 05/08/2014 houve nova interposição de "Pedido de Revisão/Embargos de Declaração", desta vez pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EM SÃO PAULO alegando a existência de inexatidão material no Acórdão por não informar se estava declarando a nulidade ou a improcedência do lançamento e ainda por exonerar a empresa de débitos declarados em GFIP. O pedido foi acolhido como Embargos Inominados pelo Sr. Presidente desta 1ª TO/3ª Câmara/2ª SEJUL/CARF, com fulcro nos art. 65 e 66 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, por entender a existência da inexatidão material apontada. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Em que pese os argumentos destacados pela embargante e pelo despacho de admissibilidade dos Embargos, entendo que estes não merecem ser acolhidos. O art. 65 do RICARF trata dos Embargos de Declaração e estabelece em seu § 1º o prazo para a interposição deste recurso nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto 53 sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: Da análise dos autos verificase que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional tomou ciência do Acórdão, apresentou Embargos tempestivamente, os quais foram rejeitados, tomando ciência desta última decisão em 04/04/2014 apresentando petição nos seguintes termos: Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 14479.000234/200720 Acórdão n.º 2301005.546 S2C3T1 Fl. 1.603 3 EXMO. CONSELHEIRO PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO Nº: 14479.000234/2007‑ 20 CONTRIBUINTE: EMPRESA BRASILEIRA DE SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTD A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por intermédio de sua Procuradora que esta subscreve, vem dizer a V. Exa. que está ciente do Acórdão nº 2301‑ 003.754 e que não haverá interposição de recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Brasília, 04 de abril de 2014. Patrícia de Amorim Gomes Macedo Procuradora da Fazenda Nacional Somente em 05 de agosto de 2014, a Delegacia da Receita Federal do Brasil apresentou "Pedido de Revisão/Embargos de Declaração", trazendo dentre outros, os mesmos argumentos contidos nos Embargos de Declaração opostos pela PGFN e rejeitados por esta câmara. Ora, seja pela sua intempestividade ou ainda pela princípio da segurança jurídica entendo que o presente pedido não deve ser acolhido, sob pena de acolher sem fundamentação legal para tanto, nova forma de reanálise das questões já decidida pelo colegiado. Notese que a decisão guerreada foi de mérito no sentido de dar provimento ao recurso julgando improcedente a autuação. Adentrar no mérito da autuação para alterar o julgamento seria reapreciar toda matéria contida nos autos, o que há meu ver fere a segurança jurídica acima mencionada e restabelece novo tipo de recurso não previsto regimentalmente. Este é o entendimento de alguns tribunais, senão vejamos: TJRS Embargos de Declaração ED 70045896610 RS (TJRS) Data de publicação: 12/12/2011 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SERVIDOR PÚBLICO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: DESCABIMENTO. Não se caracterizando no acórdão qualquer das hipóteses elencadas no artigo 535 , do Código de Processo Civil , é de ser desacolhida a aclaratória, haja vista o descabimento de rediscutir matéria já julgada, pela via processual eleita. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DESACOLHIDOS. (Embargos de Declaração Nº 70045896610, Terceira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Rogério Gesta Leal, Julgado em 24/11/2011) TJPI Mandado de Segurança MS 200800010040434 PI (TJ PI) Data de publicação: 17/10/2012 Ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇAO NO MANDADO DE Fl. 1604DF CARF MF 4 SEGURANÇA. VIOLAÇAO AO ART. 535 DO CPC . OMISSAO. NAO OCORRÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA DE FORMA CONTRÁRIA À TESE DEFENSIVA. REDISCUSSAO DA MATÉRIA IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE. EMBARGOS CONHECIDOS E IMPROVIDOS. 1. Inexistem as omissões apontadas pelo embargante. 2. O magistrado não está obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão. 3. Os embargantes pretendem rediscutir matéria já decidida, o que é inadmissível em sede da espécie recursal manejada. Se houve error in judicando ou conclusão equivocada à luz dos documentos e fatos trazidos à baila, não se está frente de qualquer pressuposto que autorize a oposição regular do vertente recurso, visto que não constitui fundamento dos embargos de declaração o reexame da matéria decidida. 4. Inexistentes quaisquer das hipóteses legais aptas a justificar a oposição dos embargos, é de rigor o indeferimento. 5. Embargos de declaração conhecidos e não providos. TRF5 Embargos de Declaração na Apelação Cível AC 366266 AL 0009000652004405800002 (TRF5) Data de publicação: 30/05/2006 Ementa: Processual Civil. Faturas hospitalares. Fator de conversão. Impossibilidade de rediscutir matéria de mérito em sede de embargos de declaração. Inexistência de omissão no acórdão embargado. Embargos de declaração improvidos. STJ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL EDcl no AgRg no AREsp 94437 PR 2011/02997136 (STJ) Data de publicação: 29/06/2012 Ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NOAGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 535 DO CPC . INEXISTÊNCIA DEVÍCIOS. TENTATIVA DE REDISCUSSÃO DA MATÉRIA DE MÉRITO DECIDIDA.IMPOSSIBILIDADE EM SEDE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 1. Nos termos do art. 535 do CPC , os embargos de declaração apenas são cabíveis quando constar no julgamento obscuridade ou contradição ou quando o julgador for omisso na análise de algum ponto.Admitese, por construção jurisprudencial, também a interposição deaclaratórios para a correção de erro material. 2. "A omissão a ser sanada por meio dos embargos declaratórios é aquela existente em face dos pontos em relação aos quais está o julgador obrigado a responder; enquanto a contradição que deveria ser arguida seria a presente internamente no texto do aresto embargado, e não entre este e o acórdão recorrido. Já a obscuridade passível de correção é a que se detecta no texto do decisum,referente à falta de clareza, o que não se constata na espécie."(EDcl no AgRg no REsp 1.222.863/PE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 13/6/2011) 3. Embargos manejados com nítido caráter infringente, onde se objetiva rediscutir a causa já devidamente decidida.4. Embargos de declaração rejeitados. Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 14479.000234/200720 Acórdão n.º 2301005.546 S2C3T1 Fl. 1.604 5 Desta forma, entendo que a decisão guerreada cancelou a presente autuação, não se manifestando quanto a eventuais valores estranhos aos autos e proponho a rejeição dos embargos opostos: (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 1606DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.721784/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO
A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno será apurada com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, nos termos do art. 2º, III, da Lei 9.715/98, excluindo-se as transferências efetuadas a outras entidades públicas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE.
De acordo com a Súmula CARF nº 2 não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo manifestarse em relação às alegações e aos pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios constitucionais e, especialmente, quanto à inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3301-004.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. Vencidos os conselheiros Marcelo Costa Marques D Oliveira, Salvador Candido Brandão Júnior e Winderley Morais Pereira, que davam provimento parcial ao recurso voluntário, aplicando a Solução de Consulta Cosit nº 278/2017.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno será apurada com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, nos termos do art. 2º, III, da Lei 9.715/98, excluindo-se as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 2 não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo manifestarse em relação às alegações e aos pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios constitucionais e, especialmente, quanto à inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. Recurso voluntário negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. Vencidos os conselheiros Marcelo Costa Marques D Oliveira, Salvador Candido Brandão Júnior e Winderley Morais Pereira, que davam provimento parcial ao recurso voluntário, aplicando a Solução de Consulta Cosit nº 278/2017. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno será apurada com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, nos termos do art. 2º, III, da Lei 9.715/98, excluindose as transferências efetuadas a outras entidades públicas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 2 não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo manifestarse em relação às alegações e aos pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios constitucionais e, especialmente, quanto à inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. Vencidos os conselheiros Marcelo Costa Marques D Oliveira, Salvador Candido Brandão Júnior e Winderley Morais Pereira, que davam provimento parcial ao recurso voluntário, aplicando a Solução de Consulta Cosit nº 278/2017. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 17 84 /2 01 4- 12 Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.237 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 438 a 483) interposto pelo Contribuinte, em 24 de abril de 2015, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1273.944 (fls. 417 a 428), de 16 de março de 2015, proferido pela 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) – DRJ/RJO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Impugnação (fls. 329 a 372) mantendo integralmente os valores lançados. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, para exigência do Pasep devido nos períodos de apuração 01/2010 a 12/2011, totalizando um crédito no valor de R$ 9.426.594,53, com multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 03/2014, sendo R$ 4.664.374,39 correspondentes à contribuição (fls. 08 a 15). No campo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 09 a 11), a autoridade fiscal informa que: · Houve insuficiência de recolhimento da contribuição para o PASEP, nos termos da Lei no 9.715/98. · Com base no demonstrativo mensal da Prefeitura, apurou a base de cálculo que está demonstrada na planilha denominada “QUADRO DE RECEITA INCIDÊNCIA DE PASEP”, fls. 16 a 18. · Após a aplicação da alíquota de 1%, deduziu os valores retidos na fonte e os declarados em DCTF. · Os valores retidos na fonte para o PASEP são aqueles quando das transferências correntes e de capital recebidas pelo Município, tais como: FPM, ITR, CFM, CIDE, FEP, ICMS e outras, comprovada a retenção na fonte pela Secretaria do Tesouro Nacional – STN. Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.238 3 · As Receitas são aquelas constantes dos Comparativos de Receita Prevista com Arrecadada, exercícios 2010 e 2011. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 13/03/2014 (fl. 8 e 312), apresentando impugnação tempestiva em 14/04/2014 (fls. 329 a 372), com as seguintes alegações: · Não foi computada como “contribuição retida na fonte” a rubrica receitas de ICMS conforme descrito no relatório fiscal. Somente as receitas do FPM, FEP, ICMS EXPORTAÇÃO, ITR, CFM, FEX e CIDE foram contabilizadas para efeito de retenção na fonte, como se infere do Demonstrativo de Distribuição da Arrecadação emitido no site do Banco do Brasil, a exemplo da competência 12/2011, o que se repetiu em todos os outros meses objeto da autuação. · A inconstitucionalidade formal da Lei no 9.715/98, pelo decurso do prazo para conversão da MP no 1.67838/98 e também pela ofensa à regra constitucional estabelecida nos arts. 5o, II, e 150, I, da CF. · A inconstitucionalidade material da base de cálculo do PASEP por: a) incidir sobre as transferências constitucionais outras que não o FPM, o que contraria o preceituado no art. 160 da CF. b) ferir o Princípio da autonomia do ente federado, por afigurarse arbitrária e ilegal a pretensão da União Federal de ampliar a incidência com a finalidade de forçar o Município a recolher o PASEP. c) Ferir o Princípio da Imunidade tributária recíproca · No mérito, várias receitas da natureza de receita de capital foram lançadas equivocadamente no Quadro Receitas com Incidência de PASEP, na rubrica transferência corrente. · As Receitas de Convênio firmados entre a União e o Estado não se enquadram na hipótese de incidência do PASEP, ainda que tenham sido incluídas em rubrica diversa, como efetivamente ocorreu. · Todas as receitas lançadas a título de Transferências de Convênios, que abrange a Transferência de Convênios da União e suas Entidades não integram a base de cálculo do PASEP, sobressaindo sua natureza jurídica em detrimento da rubrica consignada. · Foram também arroladas como Transferências de Capital as Transferências de Convênios, nelas abarcando as Transferências de Convênio do SUS às Outras Transferências de Convênio dos Estados, fazendo incidir a contribuição em tela sobre as receitas advindas dos convênios celebrados pela municipalidade com outros entes da administração pública, quando na verdade deveriam estar relacionadas na rubrica Outras Receitas de Capital. · Convênio não se confunde com receita corrente nem com transferência de capital para fins de incidência da exação devendo ser excluídas da base de cálculo da contribuição todas as receitas originárias de convênios firmados pela Municipalidade com o Estado ou com a União, readequandoas à rubrica outras receitas de capital. Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.239 4 · As transferências voluntárias (convênios) visam o repasse de recursos públicos para a execução de programas de trabalho, projeto/atividade ou evento de interesse recíproco, em regime de mútua cooperação, da Concedente (União/Estado) ao Convenente (Município). Como são recursos da Concedente, já houve a incidência na origem do PASEP sobre o montante repassado, inclusive sobre a contrapartida comprometida pelo Convenente/Município/Impugnante. A utilização desta base ofende o postulado constitucional do non bis in idem (art. 195, §4o, c/c o art. 154 da CF). · Foram erroneamente consideradas receitas sujeitas à tributação as decorrentes de operações de crédito, alienações de bens e outras receitas de capital, em especial os recursos advindos do PNAFM (Programa Nacional de Apoio à Gestão Administrativa e Fiscal dos Municípios Brasileiros), que incluídos na rubrica Transferências Correntes, enquadrase na definição de operações de crédito. · Os recursos do PNAFM, por se tratarem de financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, têm por objetivo auxiliar os municípios brasileiros a melhorar a eficiência e aumentar a transparência de sua gestão administrativa e fiscal. · O contorno de financiamento se comprova pelo Contrato firmado entre o agente financeiro (Caixa Econômica Federal) e o Município. · A incidência do PASEP sobre estes recursos revela a incidência sobre toda e qualquer operação de crédito contraída pelo Município. O empréstimo contraído apenas adiantou recebimento futuro para fazer face aos objetivos delineados no programa, razão pela qual seus valores devem ser retirados da base de cálculo da contribuição. · Relativamente ao FUNDEB todas as suas fontes de recursos já foram tributadas anteriormente pelo PASEP, notadamente a complementação da União que tem como fato gerador a realização de receitas já sujeitas à contribuição em tela. · Imediatamente após o creditamento do FPM, é efetuado o débito sob a rubrica DEDUÇÃO FUNDEF, correspondente aos 15% do FPM. A retenção do pasep teve como base de cálculo a totalidade de créditos das parcelas de IPI e IR, ou seja, incide inclusive sobre os valores vinculados ao próprio FUNDEF. · Todas as demais fontes de recursos do FUNDEF já sofreram a incidência do PASEP no momento imediatamente anterior ao lançamento do crédito ao ente beneficiário, motivo pelo qual o repasse de recursos aos municípios não se subsume à hipótese de incidência desta contribuição, em atenção ao art. 68, parágrafo único, Dec. 4.524/02. · O repasse do FUNDEF, que está relacionado no mencionado “Demonstrativo de Distribuição de Arrecadação Federal”, não suporta retenções na fonte do PASEP, tal como estabelece o art. 68, caput, Decreto no 4.524/02. · Solicita sejam excluídos integralmente os valores repassados ao Impugnante à título de FUNDEF ou FUNDEB da base de cálculo do PASEP, em obediência ao art. 195, §4o, c/c o art. 154, I, ambos da CF. · Os repasses do SUS já sofreram na origem (União) a incidência do PASEP, razão pela qual não subsiste o intuito da própria União em autuar o Município, com Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.240 5 fundamento exclusivo na transferência de numerário. A teor do art. 68, parágrafo único, do Decreto no 4.524/02, requer a nulidade da autuação a fim de se evitar a prática do bis in idem. · Por iguais razões não incide o PASEP sobre as transferências promovidas pelo FNDE ao Município, mormente sobre a cotaparte do salárioeducação, previsto no art. 15 da Lei no 9.424/96, fazendose necessário sua exclusão da base de cálculo da contribuição. · Foi contabilizado na base de cálculo do PASEP os recursos advindos do ICMS CELG. Estes recursos tratam de restituição de valores retidos em excesso na conta de recebimento da cotaparte do Município a que faz jus na receita de ICMS arrecadada pelo Estado, para fazer frente ao consumo de energia elétrica consumida pelo ente no mês imediatamente anterior. · Celebrou convênio com a Celg Distribuição S/A e o Banco Itaú, a fim de autorizar o lançamento de débitos na conta vinculada ao recebimento da cota parte da municipalidade no ICMS, para honrar gastos provenientes do consumo de energia elétrica, quando a distribuidora deveria reter apenas e tão somente o equivalente às despesas decorrentes da utilização de seus serviços. A retenção de numerário é superior ao devido no mês de referência, gerando à Prefeitura um crédito junto à Distribuidora, que deverá ser devolvido/estornado ao ente. · O convênio em questão apenas autoriza o lançamento a débito em uma conta pré determinada, em nada se confundindo entre a relação fiscal que se estabelece entre a Celg e o Estado. · O cômputo desta receita para efeitos de base de cálculo do PASEP implica em bis in idem, vez que na origem, antes do lançamento a débito de energia na conta de recebimento da cota parte do ICMS, há a incidência do valor total transferido. · Requer a retirada da base de cálculo da contribuição os valores efetivamente repassados ao Fundo de Aposentadoria e Pensão do Município de Aparecida de Goiânia (AparecidaPrev), nos termos do art. 7o. da Lei nr. 9.715/98. · Alega o caráter confiscatório da multa de 75% aplicada. · Ao final requer: · A declaração de inconstitucionalidade do Pasep objeto da autuação, em decorrência dos vícios formais e materiais apontados, bem como da multa confiscatória. · Caso assim não se entenda, seja declarada a ilegalidade da incidência sobre as verbas acima capituladas. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 16ª Turma da DRJ/RJO, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário (fls. 438 a 483), visando reformar a referida decisão. É o relatório Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.241 6 Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário (fls. 438 a 483) em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1273.944 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PASEP PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO BASE DE CÁLCULO A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é a totalidade das receitas correntes arrecadadas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas, e das transferências correntes e de capital recebidas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA DE OFÍCIO – PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO INCIDÊNCIA – Por expressa determinação legal, correta a incidência da multa de ofício sobre valores exigidos por meio de auto de infração, não havendo previsão para sua não incidência sobre valores devidos por órgãos públicos. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância apreciar argüi..es de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO IMPUGNAÇÃO PROVA DOCUMENTAL – A prova documental será apresentada na impugnação, sendo ônus do contribuinte a comprovação documental de fato que não conste na documentação contábil juntada aos autos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No presente processo a questão central envolve o entendimento divergente entre a administração fiscal e o contribuinte no que tange a composição da base de cálculo da contribuição ao Pasep. Para a autoridade administrativa ocorreu a omissão de algumas receitas na base de cálculo, enquanto que para o recorrente isso não condiz com o previsto na legislação, e no específico, alega que não foi observada a retenção na fonte do Pasep no caso das receitas advindas do ICMS. Em seguida passarseá a análise de todas as alegações e pedidos. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.242 7 Preliminar De forma preliminar o Contribuinte aduz pela inconstitucionalidade formal e material da Lei nº 9.715/1998, que resultou da conversão em lei da MP nº 1.215/1995, que dispõe sobre as contribuições para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. As alegações acerca da inconstitucionalidade do diploma legal se dão, entre outras, pelo decurso do prazo para conversão da Medida Provisória que deu origem a Lei nº 9.715 de 1998, pela ofensa constitucional da estrita legalidade tributária estabelecida nos arts. 5º, II e 150, I da Constituição Federal, pela alegada inconstitucionalidade da base de cálculo da contribuição, pelo princípio da autonomia do ente federado e pelo princípio da imunidade tributária recíproca. Ocorre que, conforme estabelece o caput do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, é vedado a este Conselho afastar a aplicação da legislação sob o argumento de inconstitucionalidade, conforme se verifica: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Essa matéria também já foi objeto de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que assim dispõe: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, no que tange a preliminar acerca da inconstitucionalidade da Lei nº 9.715/1998, voto no sentido de não conhecimento pelo fato deste Conselho não possuir competência para tanto. Mérito Alega o Contribuinte que na base de cálculo da contribuição Pasep incide apenas as receitas correntes arrecadadas e as transferências correntes e de capital, e não incide sobre as operações de crédito, valores decorrentes de alienação de bens, amortização de empréstimos e outras receitas de capital. E aduz, ainda (fl. 463): Em especial avilta destacar o conceito de outras receitas de capital, posto que várias receitas desta natureza foram lançadas equivocadamente no Quadro Receitas com Incidência de PASEP, que integra a corrente autuação, na rubrica transferência corrente e, assim, agregaram indevidamente a base de cálculo da contribuição, como demonstraremos adiante. Posto isto o Contribuinte apresenta em seu Recurso Voluntário sete pontos no que concerne ao mérito, com o intuito de delimitar a base de cálculo da contribuição ao Pasep, e, por último, trata da multa aplicada pela autoridade fazendária. Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.243 8 O Contribuinte em seu Recurso Voluntário, já alegado quando da Impugnação, tece argumentos acerca das receitas de convênio firmados entre a União e Estados; do programa nacional de apoio à gestão administrativa e fiscal dos municípios brasileiros – PNAFM; das receitas originárias do Fundef e do Fundeb; das receitas oriundas do Sistema Único de Saúde – SUS; do repasse do FNDE e do Salário Educação; do ICMS CELG; das contribuições previdenciárias recolhidas ao Fundo de Aposentadoria e Pensão do Município de Aparecida (APARECIDAPREV); e, da multa aplicada. Portanto, passo a análise do requerido no Recurso Voluntário. 1. Das receitas de convênio firmados com a União e Estados, do Programa Nacional de Apoio a Gestão – PNAFM, das receitas do SUS e dos repasses do FNDE e do Salário Educação Alega o Contribuinte, neste ponto, que as receitas provenientes de convênios firmados entre o Município e a União e entre o Município e o Estado, os valores repassados pelo PNAFM, os valores referentes a receitas provenientes do SUS e dos repasses do FNDE e do Salário Educação não podem ser consideradas como base de cálculo para a hipótese de incidência de Pasep, conforme se verifica nos seguintes trechos do Recurso Voluntário fls. 462 e seguintes): (...) Em resumo, inferese que convênio não se confunde com receita corrente nem tampouco com transferência de capital para fins de incidência da exação, como determina a lei em testilha, devendo ser excluídas da base de cálculo da contribuição objeto da autuação ora questionada todas as receitas originárias de convênios firmados pela Municipalidade com o Estado ou com a União, readequandose perfeitamente à rubrica outras receitas de capital. (...) Restaram ainda erroneamente consideradas receitas sujeitas à tributação as decorrentes de operações de crédito, alienações de bens e outras receitas de capital, fazendo necessário mencionar que os recursos advindos no PNAFM, postos na rubrica Transferências Correntes, enquadrase na definição de operações de crédito. (...) A bem da verdade, o empréstimo contraído pelo Recorrente não gerou ingresso efetivo de recursos nos cofres públicos, mas apenas adiantou recebimento futuro para fazer face aos objetivos delineados no programa, razão pela qual seus valores devem ser retirados da base de cálculo da contribuição que lastreia esta autuação. (...) Independentemente da maneira em que se deram os repasses do SUS, importante frisar que estas verbas já sofreram na origem (União) a incidência da contribuição em apreço (PASEP), razão pela qual não subsiste o intento deste mesmo ente (União) em autuar o Município, ora Recorrente, com fundamento exclusivo na transferência de numerário em comento. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.244 9 (...) Na esteira dos repasses efetuados a título do FUNDEF, FUNDEB e SUS, por iguais razões não incide o PASEP sobre as transferências promovidas pelo FNDE, seja voluntária ou legal, laçadas nessas rubricas. (...) Logo, o PASEP não deve incidir sobre o montante repassado pelo FNDE ao Município/Recorrente, mormente sobre a cotaparte do salárioeducação previsto no art. 15 da Lei nº 9.424/96, fazendose necessário sua exclusão da base de cálculo da contribuição apurada na fustigada autuação. Diante das alegações do Contribuinte cabe citar a legislação pertinente a instituição da contribuição ao PASEP, mais especificamente a Lei Complementar nº 8/1970 que assim dispõe: Art. 1º. É instituído, na forma prevista nesta Lei Complementar, o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público. Art. 2º. A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1o de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2% (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes. II Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1o de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2% (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo da União e dos Estados através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1o de julho de 1971. Parágrafo único. Não recairá, em nenhuma hipótese, sobre as transferências de que trata este artigo, mais de uma contribuição. O período de apuração no presente processo referese aos exercícios de 2010 e 2011 e nesse período assim dispunha a Lei nº 9.715/98, com as alterações da MP nº 2.158 35/01, acerca das receitas governamentais: Art.2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) §6º A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.245 10 (...) Art.7º Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art.8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.” (grifouse). O Decreto nº 4524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a contribuição ao PIS/PASEP assim dispõe: Art. 70. As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º). § 1º Não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. § 2º Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. Percebese com a leitura da legislação pertinente que a contribuição para o Pasep sobre as receitas governamentais incide sobre as receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas e nas receitas correntes deverão ser incluídas quaisquer receitas tributárias, mesmo que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, bem como, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. Há que se notar também que com a Lei nº 12.810/2013, alterouse a Lei nº 9.715/1998, para incluir no § 7º do art. 2º permissão para a exclusão da base de cálculo do Pasep as transferências recebidas decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido, nestes termos: Art.2º. A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) § 7º. Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. (Incluído pela Lei no 12.810, de 2013). Constatase que essa alteração não atinge o presente processo visto que o período de apuração se refere aos exercícios de 2010 e 2011. Diante da legislação verificase correto o entendimento do acórdão recorrido. Cito trecho que bem o ilustra e como reforço às razões para decidir (fls. 424 e 425): O contribuinte alega terem sido indevidamente computadas receitas de natureza de capital como transferências correntes, sem explicitálas. Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.246 11 Contesta também o arrolamento indevido de receitas como transferências de capital. Cita as transferências de Convênios, como por exemplo as oriundas do SUS e aquelas oriundas de convênios celebrados com os Estados, bem como as receitas oriundas do FNDE. Entende que deveriam ser consideradas Outras Receitas de Capital e não Transferências Correntes. Alega também terem sido erroneamente consideradas receitas sujeitas à tributação as decorrentes de operações de crédito, alienações de bens e outras receitas de capital, em especial os recursos advindos do PNAFM (Programa Nacional de Apoio à Gestão Administrativa e Fiscal dos Municípios Brasileiros), que incluídos na rubrica Transferências Correntes, enquadrase na definição de operações de crédito. No presente caso, analisandose as planilhas elaboradas pela autoridade fiscal (fls. 16 a 18), assim como os demonstrativos apresentados pelo contribuinte (fls. 166 a 309) vêse que, na apuração da base de cálculo da contribuição, foram consideradas as receitas correntes, que incluem as transferências correntes, e as transferências de capital nos exatos termos em que determinam as normas acima transcritas, independentemente da destinação das receitas arrecadadas e das transferências recebidas pelo Município. Além do mais, foi acatada a contabilização efetuada pelo Município, não cabendo alegar neste momento contabilização indevida, mesmo porque a mesma se encontra de acordo com o previsto legalmente. Observando que o procedimento adotado pela Fiscalização está de acordo com o preceito legal, voto por negar provimento ao Recurso voluntário no que tange a base de cálculo utilizada quanto as receitas de convênio firmados com a União e Estados, do Programa Nacional de Apoio a Gestão – PNAFM, das receitas do SUS e dos repasses do FNDE e do Salário Educação. 2. Das receitas originárias do Fundeb e do Fundef Acerca deste ponto o contribuinte aduz que as receitas provenientes do Fundeb e do Fundef não podem integrar a base de cálculo da contribuição de Pasep, uma vez que tais fundos já foram tributados anteriormente pelo Pasep, conforme se verifica no seguinte trecho do Recurso (fl. 469 a 473): Sem maiores ambages, notase de antemão que todas as fontes de recursos do FUNDEF já foram tributadas anteriormente pelo PASEP. A arrecadação/cota parte do ICMS, o FPE e FPM, o IPI proporcional às exportações, a compensação instituída pela Lei Kandir e a complementação da União, são recursos que já sofreram a incidência desta contribuição na sua origem, quando ocorre a repartição das receitas entre os entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), notadamente a complementação da União que tem como fato gerador a realização de receitas já sujeitas à contribuição em tela. (...) Ou seja, apesar do Recorrente ter recebido R$ 135.859,07 a mais do que lhe foi retido naquela mesma competência (01/2011) a título de “ORIGEM FPM” na conta do FUNDEB, produto da subtração do recebido R$ 1.039.287,90 pelo retido de R$ 903.428,83, isso se deveu ao grande número de alunos matriculados na rede básica de ensino do município, porém, como em todos os outros municípios que integram o Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.247 12 fundo estadual de educação tiveram iguais retenções de PASEP, temos que o retorno desses recursos não devem ser novamente tributados. Resumindo, na fonte houve a retenção do PASEP de integralidade das receitas do FPM (“ORIGEM FPM”), assim como ocorre em todas as outras receitas que compõe o FUNDEB, tais como “ORIGEM ITR”, “ORIGEM ITCMD”, “ORIGEM ICMS ESTADUAL”, “ORIGEM FPE”, “ORIGEM IPIEXP” e “ORIGEM LEI 87/96”. (...) Desta feita, devem ser excluídos integralmente os valores repassados ao Recorrente a título de FUNDEB da base de cálculo do PASEP objeto da fustigada autuação, sob pena de malferimento do art. 195, §4º, c/c o art. 154, I, ambos da CF. Sobre este ponto o Acórdão ora recorrido trouxe o entendimento no sentido de que não deve ocorrer a dedução destes valores da base de cálculo da contribuição de Pasep, devendo os mesmos ser tributáveis, conforme se verifica no seguinte trecho do voto e que cito como razões para decidir (fls. 425): Da legislação citada extraise que se trata de mero fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, que é gerido pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios. Conforme o disposto no artigo 7º da Lei nº 9.715/1998, somente podem ser excluídas da base de cálculo do Pasep as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Considerandose que o Fundeb não é entidade pública, os valores que eventualmente forem repassados a esse fundo não devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição devida pelo Município. (...) Dessa forma, vêse que a coordenação encarregada de resolver divergências entre órgãos julgadores da RFB estabeleceu que nas transferências recebidas da União, aquelas parcelas destacadas para o Fundeb devem compor as bases de cálculo do Pasep. Portanto, ainda que um percentual dessas transferências recebidas seja direcionado ao Fundeb, o valor a ser considerado na base de cálculo da contribuição devida pelo Município continua sendo o valor total recebido da União. Da mesma forma, a parcela recebida pelo Município decorrente da distribuição do Fundeb também integra a base de cálculo da contribuição. Tratase de receitas diversas, abrangidas pela legislação acima, não havendo previsão legal para sua exclusão da base de cálculo. A impossibilidade de dedução do valor destinado ao Fundeb devese ao fato de tratarse de um fundo meramente contábil (artigo 1º, caput, Lei nº 9.424/1996), frisandose que o artigo 7º da Lei nº 9.715/1998 permite tãosomente a dedução de transferências efetuadas a outras entidades públicas. Irrelevante, também, é a destinação específica dos recursos recebidos vinculados ao Fundeb, uma vez que, ainda assim, continuam tais valores incluídos nas transferências correntes, que compõem a base de cálculo da contribuição estabelecida nas normas acima. No entanto, no presente lançamento, a autoridade fiscal informa em seu relatório que deduziu da base de cálculo do Pasep devido os valores correspondentes à receita para Formação do FUNDEB. Tal dedução se confirma pelas planilhas de fls. 16 a 18. Este procedimento está em desacordo com o determinado na Solução de Divergência nº 12/2011. Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.248 13 Pelo exposto, vêse que não procede a alegação do contribuinte, quanto à dedução desta parcela da base de cálculo, entretanto, a autoridade fiscal deduziu tais valores, apesar de os mesmos serem tributáveis. Cito também como razões de decidir, trecho do voto do il. Conselheiro José Henrique Mauri, proferido no Acórdão nº 3301004.140: 1.4 DA INCIDÊNCIA DO PASEP SOBRE O FUNDEB1 Conforme já explicitado em tópico precedente, a base de cálculo da contribuição para o Pasep, devida pelas pessoas jurídicas de direito público interno, será apurada com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, nos termos do art. 2o, III, da Lei 9.715/98, excluindose as transferências efetuadas a outras entidades públicas(art. 7o). A Lei no 12.810, de 2013, alterou a Lei no 9.715, de 1998, para incluir no art. 2o, o § 7o, alterando a base de cálculo do Pasep, permitindo, em sua apuração, a exclusão de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. Porém, o novo dispositivo somente se aplica a partir de 15 de maio de 2013, início da vigência da Lei, não alcançando assim os fatos geradores do presente processo, 2008 e 2009. A receita do ente municipal é alimentada não só pelas denominadas receitas tributárias próprias, mas também pelas transferidas pelos demais entes federados. Argumentam os municípios que, ao lhes creditar tais valores, a União já faria a dedução para alocação dos recursos ao Fundef/Fundeb2, bem como a correlata retenção na fonte da contribuição para o PASEP. Ocorre que, no entender de alguns entes municipais, haveria dúvida na base de cálculo do PASEP em relação a tais receitas, na medida em que os valores vertidos aos entes federados, pela União, não guardariam consonância com os valores efetivamente recebidos pelos mesmos, em decorrência dos critérios de distribuição estabelecidos pela Lei n. 11.494/2007. Advogam esses Municípios que os valores do Fundeb que compõem a base de cálculo da contribuição ao Pasep devem ser aqueles efetivamente recebidos e não a quantia alocada quando do repasse de verbas pela União. O ente municipal calca todo seu raciocínio na premissa de que o PASEP deve incidir sobre o valor que recebe do fundo e não sobre o valor alocado, o que levaria a uma retenção indevida pela União do tributo, que teria que ter sua base de cálculo reajustada. Ocorre que o fundamento acima não é sustentável em razão da sistemática do Fundeb, que não obedece à simples equação matemática pretendida pelos municípios. É fato que o valor vertido ao fundo guarda relação com o montante repassado pela União, de forma a compor a base de cálculo do Pasep, alimentada pelos recursos auferidos pelo ente público, seja via arrecadação, seja por transferência. Porém, não há correspondência, por obviedade matemática, entre o valor alocado, que o é 1 Para a elaboração do presente tópico utilizouse de fundamentos buscados no artigo "O FUNDEB como base de cálculo da contribuição ao PASEP", de autoria de Ana Cristina Leão Nave Lamberti, pesquisado na web em 1/8/2017: http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9743 2 O mesmo raciocínio aplicase ao Fundef, nos termos da Lei no 9.424/96, que vigorou até 2006 e a seu sucessor, o Fundeb, nos termos da Lei no 11.494/2007, com vigor até 2020. Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.249 14 genericamente por todos os municípios, e o valor recebido por cada ente municipal, proporcional ao número de alunos. Há de se esclarecer que o Fundeb tem como escopo o fomento da educação, guardando relação com índices que refletem justamente a situação educacional do município. Foi esse o critério utilizado pelo legislador no momento de distribuir os recursos do fundo em questão, entre os entes municipais. Nos ditames da Lei no 11.494/07, em seu art. 8o, o valor que o Município recebe do fundo, que será destinado à educação, depende diretamente do número de alunos que possui em sua rede de educação básica. É esta grandeza que irá mensurar a fatia do Fundeb que cada município irá receber. Art. 8o: A distribuição de recursos que compõem os Fundos, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, darseá, entre o governo estadual e os de seus Municípios, na proporção do número de alunos matriculados nas respectivas redes de educação básica pública presencial, na forma do Anexo desta Lei. Assim, irá contribuir mais com o Pasep o ente que receber maiores recursos da União, alargando a base de cálculo da indigitada contribuição. De outra banda, o município que recebe poucos recursos da UNIÃO, terá baixa retenção ao Pasep. Contudo, isso não irá refletir necessariamente o quantum o ente efetivamente receberá da parcela dos recursos do Fundeb. Verificase a situação posta porque o parâmetro utilizado para o rateio do Fundeb a cada Município é diverso de mero cálculo aritmético encontrado pela quantificação do valor repassado pela União aos entes municipais e que é destinado à constituição do fundo. Referido valor é encontrado com base em grandeza trazida pelo texto legal, compondose do proporcional número de alunos que dado município possui matriculado nas redes de educação básica pública presencial. Portanto, um Município que recebe grande quantidade de recursos da União irá contribuir sobremaneira para o Fundeb, deduzindo a União tal fatia dos recursos que transfere ao ente municipal, e já retendo o percentual ao Pasep, mas, por possuir, p.ex., poucos alunos em sua rede de ensino, receberá uma pequena parcela dos recursos existentes no Fundeb. Ao contrário, podese vislumbrar o seguinte quadro: um município que recebe menor quantidade de recursos da União irá contribuir menos com o Pasep, mas poderá receber uma quantia maior dos recursos do Fundeb por ter maior número de alunos em sua rede de ensino. Eis o parâmetro eleito pela lei para a distribuição do Fundeb a cada município. Podese verificar na situação descrita uma eficiente forma de distribuição de renda, de maneira que municípios que recebem mais recursos federais, detendo potencialmente melhor situação educacional, contribuem mais para o Fundeb, sendo tal Fundo, por sua vez, objeto de distribuição em maiores proporções aos entes municipais com deficiência em recursos para verter em educação. O intuito da norma que cuida do critério de distribuição do Fundeb a cada Município é justamente amparar a educação básica, de forma a socorrer aqueles entes municipais com potencial deficiência educacional. De qualquer forma, a base de cálculo do PASEP há de ser o valor da receita transferida ao Município pela União e destinada ao Fundeb, por imediata dedução, por compor a definição legal da base de cálculo do referido tributo, e não o valor que efetivamente recebe o ente municipal, quando do rateio do Fundo, que guarda relação com outra grandeza, conforme delineado. Os destaques relativos aos valores repassados ao Fundeb ou Fundef, nas Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.250 15 transferências constitucionais, efetuadas pela União ou pelo Estado, possuem a mesma natureza das próprias transferências, ou seja, devem ser oferecidas à tributação da contribuição, pelo Município, sem prejuízo, do aproveitamento, se for o caso, da retenção pela STN, no caso das transferências recebidas da União. Esse entendimento alinhase com a RFB, nos termos da Solução de Divergência no 12, de 2011, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Base de cálculo de Município. As receitas financeiras auferidas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, em decorrência da remuneração de depósitos bancários, de aplicações de disponibilidade em operações de mercado e de outros rendimentos oriundos de renda de ativos permanentes, integram suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas, base de cálculo mensal para a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, à alíquota de 1%. Os valores das receitas repassados/alocados para o FUNDEB (antigo FUNDEF) pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, não podem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta de amparo legal. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ao receberem da União valores relativos às transferências constitucionais do FPE e do FPM, inclusive a parte destacada para FUNDEF/FUNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, porque os referidos valores se enquadram como transferências recebidas de outra entidade da administração pública, cuja inclusão na base de cálculo da contribuição está prevista na alínea “b” do inciso II do art. 2o da Lei Complementar no 8, de 1970, e o no inciso III do art. 2o da Lei no 9.715, de 1998. Quando ficar comprovado que houve a retenção pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) da Contribuição para o PIS/Pasep na fonte, à alíquota de 1%, incidente sobre o total dos valores transferidos pela União, poderão os Estados, o Distrito Federal e os Municípios excluir de suas respectivas bases de cálculos da Contribuição para o PIS/Pasep os valores recebidos a título de transferências constitucionais relativas ao FPE e ao FPM, inclusive os valores destacados para o FUNDEF/FUNDEB. Dispositivos Legais: Lei Complementar no 8, de 1970: e Lei no 9.715, de 1998, (art. 2o, inciso III, e § 6o e arts. 7o e 8o). Assim, quanto ao recebimento pelo Município das transferências da União e dos Estados, devem ser incluídas na base de cálculo do Pasep, inclusive quanto aos valores destacados para o Fundef/Fundeb. Portanto, diante desses argumentos e da legislação aplicável, voto por negar provimento neste ponto ao Recurso Voluntário do Contribuinte. 3. ICMS CELG O Contribuinte alega que a rubrica ICMS Celg não é receita de transferências conforme afirma a Fiscalização, segundo ele ela decorre de restituições de valores deduzidos em excesso da conta de repasse do ICMS pelo estado para a quitação de débitos de energia elétrica consumida pelo município. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.251 16 Nesse sentido, o Contribuinte aduz que esses valores restituídos pela empresa distribuidora de energia (CELG Distribuição S/A) não podem integrar a base de cálculo da contribuição ao PASEP (fl. 478): “(...) vez que na origem, antes do lançamento do débito de energia na conta de recebimento da cotaparte do ICMS do Recorrente, há a incidência da contribuição na totalidade do valor transferido”. Já o entendimento trazido pelo Acórdão ora recorrido vai no sentido de entender que o Contribuinte não comprovou as alegações de que os valores referidos sejam, de fato, restituição de débitos indevidamente cobrados pela CELG, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fls. 426 e 427): Alega o contribuinte ter celebrado convênio com a Companhia de Energia Elétrica para que seus gastos de energia fossem debitados diretamente da conta que possui junto ao Banco Itaú, conta esta na qual é depositado o repasse da cota parte dos Estados. Alega que os valores registrados em sua contabilidade a título de ICMS CELG são em verdade restituição dos débitos de meses anteriores efetuados a maior na conta na qual são creditados os repasses dos Estados. Ocorre que não houve comprovação de que tais valores não sejam receitas ou transferências correntes, conforme registrado contabilmente. O contrato anexado à impugnação, às fls. 407 a 409, celebrado entre o Município e a Celg, versa apenas sobre débitos devidos pela autuada a esta empresa, dos períodos compreendidos entre 1998 e 2004, não havendo qualquer menção a restituição de valores. Portanto não se presta a comprovar o alegado pelo contribuinte, até porque a autuação compreende os períodos de apuração de 01/2010 a 12/2011. Como na Impugnação, também no Recurso Voluntário o Contribuinte não faz prova da sua alegação, voto, portanto, em negar provimento neste ponto ao recurso visto que não restou comprovada a origem de tais valores. 4. Das contribuições previdenciárias recolhidas ao Fundo de Aposentadoria e Pensão do Município de Aparecida (APARECIDAPREV) Segundo o Contribuinte devem ser retirados da base de cálculo da contribuição para Pasep os valores relativos ao repasse ao Fundo de Aposentadoria e Pensão do Município de Aparecida de Goiânia – APARECIDAPREV. Conforme se verifica no seguinte trecho do Recurso (fl. 479): (...) Vale destacar que apesar do acórdão recorrido asseverar que “o contribuinte não traz qualquer documentação capaz de comprovar” a existência dos recolhimentos ao APARECIDAPREV, não obstante já constar nos balanços municipais que serviram de embasamento a presente autuação – enorme contrasenso, registrese, pois se uma determinada prova foi utilizada para fundamentar a atuação esta pode e deve ser considerada como elemento de defesa, sob pena de dar tratamento privilegiado ao fisco em franco prejuízo do contribuinte , seguem anexos os repasses efetuados durante as competências 2010 e 2011, demonstrando cabalmente o alegado pelo Município/Recorrente. Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.252 17 Ademais, acerca da ausência de comprovação da natureza jurídica do APARECIDAPREV, mencionada no acórdão recorrido, seguem anexas a Lei Municipal nº 1.246, de 06 de julho de 1993, que instituiu o Fundo Previdenciário, e a Lei Complementar nº 010, de 20 de junho de 2005, que alterou a primeira, erigindo o Fundo a condição de autarquia municipal, como podemos depreender do seu art. 69. A Lei nº 9.715/1998 que dispões sobre as contribuições ao PIS e PASEP assim disciplina: Art. 2o. A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) Art. 7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Sobre este ponto o Acórdão ora analisado define, novamente, que o Contribuinte falha em apresentar prova documental que confirme tal alegação, conforme se verifica neste trecho (fls. 428): O contribuinte alega, ainda, que na base de cálculo considerada no lançamento foram incluídas verbas transferidas ao Fundo de Aposentadoria e Pensão de Aparecida, o que estaria em desacordo com o previsto no art. 7o. da Lei nº 9.715/98. Analisandose os demonstrativos que instruem o lançamento, não se verifica qualquer registro das alegadas transferências. O contribuinte não traz qualquer documentação capaz de comprovar tal alegação, de que tal fundo se revestiria da qualidade de autarquia beneficiada com as transferências, nem os valores que teriam sido mensalmente repassados, nem tampouco a conta contábil na qual teriam sido efetuados os correspondentes registros de tais repasses. Desta forma, não há como considerar eventuais exclusões decorrentes de tal alegação, considerando não ter sido apresentada a prova documental do alegado, nos termos previstos no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, que rege o procedimento fiscal no âmbito da RFB. Em que pese os argumentos do Contribuinte, acerca das provas juntadas ao processo de que o Fundo Previdenciário é uma autarquia municipal e dos repasses efetuados, não encontrei no mesmo a documentação pertinente, portanto, voto por manter a decisão ora recorrida nesse ponto. 5. Da multa aplicada No presente caso, no que tange a multa aplicada, cabe citar a Lei nº 9.430/1996, que assim estabelece.: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 10120.721784/201412 Acórdão n.º 3301004.993 S3C3T1 Fl. 1.253 18 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; O Contribuinte alega que a multa aplicada pela Fiscalização no percentual de 75% tem efeitos confiscatórios e considera inconstitucional a aplicação de uma multa com percentuais tão elevados. Assim se expressa (fls. 483): Diante da clareza da vetusta jurisprudência do E. STF, temos que é manifestamente inconstitucional a cominação de multa em patamar tão elevado (75%) ao Recorrente/Contribuinte, lembrando ainda que o comprometimento de tais recursos, necessários ao cumprimento desta obrigação acessória, causará graves e inevitáveis problemas aos munícipes que deixarão de contar que a realização de investimentos de manifesto interesse público, como infraestrutura e melhorias na eduação e saúde entre outras áreas sensíveis da administração. Como já visto, não cabe a esta instância de julgamento na esfera administrativa apreciar matéria relativa a alegada inconstitucionalidade da legislação. Assim estabelece súmula do Carf: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, diante da não competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária, voto por não conhecer do recurso no que tange a aplicação da multa de ofício. Conclusão Diante da legislação aplicável ao caso e os autos do processo, voto por não conhecer da matéria que abarca a discussão da constitucionalidade da legislação e na parte conhecida em negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 1255DF CARF MF
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