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Numero do processo: 10280.720815/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado Digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Gileno Gurjão Barreto Relator
(Relator)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator (Relator) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator (Relator) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. “Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins Não Cumulativa, formulado pela contribuinte acima identificada, relativos ao 4º trimestre de 2007, no valor de R$ 25.151.565,01. Também constam dos autos declarações de compensação vinculadas aos créditos em tela. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 20 81 5/ 20 10 -4 3 Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 3 2 A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório, lavrou o Auto de Infração de fls. 170/173 e elaborou o relatório fiscal de fls. 174/176, seguido do Despacho Decisório SEFIS/DRF/BELÉM n° 687/2011, fl. 179, e novamente do Despacho Decisório do SEORT nº 0015 de 25/01/2012, fls. 774/775 (substituiu o de nº 270 de 30/12/2011), por intermédio dos quais reconheceu apenas parcialmente o crédito invocado, no valor de R$ 23.482.234,78, homologando as compensações até o limite do mesmo. Foram os seguintes os fundamentos adotados pelas autoridades fiscais: a) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS (Outros Refratários) OBJETO DE GLOSA: Foram glosadas as notas fiscais referentes a refratários, posto que os mesmos não se caracterizam como gastos de manutenção de consumo rápido, visto que é substituído a intervalos superiores a 1900 dias, conforme laudo fornecido pela empresa acostado ao presente feito, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão em anexo. Foram glosados também os gastos de transportes referentes a refratários, uma vez que esses não são considerados como insumos, conforme já exposto acima. b) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA (OUTROS INSUMOS): Foram glosadas as notas fiscais referentes a outros insumos, por se tratarem de produtos que estão em desacordo com o disposto no art. 3º, inciso II da Lei n° 10.833/2003. c) CRÉDITOS DECORRENTES SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA: Art. 8º § 4°, inciso II da IN SRF n° 404/ 2004 as notas fiscais referentes a esses serviços, objeto da relação em anexo, foram glosados, tendo em vista não ter sido aceitas por esta fiscalização como bens e ou serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviços. d) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS/ENCARGOS OBJETO DE GLOSA: Estas glosas estão demonstradas nas planilhas em anexo, denominadas: (i) Relação Notas Fiscais de Bens glosados do Ativo Imobilizado para Utilização na Fabricação de Produtos Destinados a Venda ou na Prestação de Serviços 2004, 2005, 2007; (ii) Demonstrativo Ativo Imobilizado maio/2004 a dez/2005 (1/48 avos); (iii) Demonstrativo Ativo Imobilizado de jan/2007 a dez/2007 (1/12 avos); (iv) Memória de cálculo da Depreciação (Base do Ativo Imobilizado), outubro/2007, novembro/2007 e dezembro/2007, elaborados por esta fiscalização, para se obter os créditos decorrentes de depreciação acelerada incentivada e os que foram objeto de glosa, por se tratarem de produtos não alcançados pelo disposto no art. 1º , § 2°, I, da IN 457/04, Lei nº 11.196/2005, Dec. Nº 5.789/2006 e Dec. Nº 5.988/2006, como também as edificações e instalações, que se referem a produtos só abrangidos para a apuração do crédito, a partir de janeiro de 2007, conforme disposto no art. 6º da Lei 11.488/2007, acelerada incentivada (2 anos) 1/24 avos por mês. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 4 3 Cientificada do Auto de Infração em 21/11/2011 (AR à fl. 177) a interessada apresentou em 29/11/2011 a impugnação de fls. 685/740, na qual alega: a) Foram glosados créditos gerados pelos serviços empregados como insumos, mais especificamente o Transporte e Coprocessamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda. b) Foram glosados também Refratários, Fita Sintagem, Barra de Aço Carbono, ferro gusa, Argamassa retrataria, Granalha e Pasta de Socagem. c) Por derradeiro, glosarase os créditos relacionados a despesas e ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, inclusive máquinas, equipamentos e outros bens que foram incorporados ao Ativo Imobilizado. d) Ponto fundamental é o da definição e amplitude conceitual dispensada aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e, centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados como insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte e coprocessamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio – rejeito que se cuida de um resíduo gasto, consumido, incorporado ao alumínio final produzido. Naturalmente, que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerente ao processo fabril do alumínio produzido e exportado por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Tratamse os itens mencionados acima, de produtos que tem utilidade direta no processo fabril do alumínio, aliás, são produtos específicos dessa indústria e que, mais além, sofrem sim desgaste, consumo, e até mesmo contato físico com o alumínio em produção, conquanto não seja demais registrar que a legislação que veicula a nãocumulatividade prescinda de tais exigências para assegurar o direito ao desconto dos créditos. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis. e) Constou no termo de Encerramento de Ação Fiscal, e razões anexas ao Auto de Infração, que os valores de aquisição dos produtos Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 5 4 compostos de materiais refratários, tal e qual os desembolsos com o transporte dos mesmos também haveriam de ser glosados, em vista inclusive do que dispõem normas complementares ao ordenamento garantidor da nãocumulatividade sobre as exações sociais, consoante a interpretação pelos mesmos dispensada. De plano, cabe destacar que a razão primordial da glosa perpetrada pelo N. Fiscal fora a de que considerou que o refratário somente geraria direito ao crédito não cumulativo de PIS caso tivesse sido enquadrado pela requerente como Ativo Imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Sucede que a requerente optou por qualificar o "material refratário" como insumo, e a rigor, segundo a legislação regente da não cumulatividade para a PIS, não há diversidade de tratamento de vez que seja considerando como insumo seja considerando como ativo imobilizado, o refratário, gera direito ao crédito nãocumulativo. f) Outrossim, a conclusão da Fiscalização de que à vista das normas internas os materiais refratários se perdem sem se incorporarem ao produto final, sendo uma decorrência natural do processo de industrialização, não conduz à exclusão do direito de crédito não cumulativo de PIS/PASEP relativo aos valores de aquisição dos mesmos. Muito pelo contrário, as razões apontadas endossam a inclusão do material refratário e dos dispêndios com o seu traslado, no rol de despesas reembolsáveis via créditos de PIS/PASEP não cumulativas, até pela natureza estrita do refratário que é de aplicação peculiar à indústria siderúrgica, petroquímica e do alumínio. Tijolos refratários isolantes são aplicados diretamente às atmosferas de redução, aos vapores alcalinos, ciclos de temperaturas e o resultante esforço mecânico que existe nos fornos de cozimento de carbono, de sorte que é de clareza palmar o desgaste e contato físico destes materiais com o alumínio fabricado e comercializado. Demais disso, há que se enfatizar que a legislação de modo algum, confere equivalência entre o desgaste e a não integração ao processo de industrialização do produto final respectivo. Curioso, aliás, a Fiscalização aduzir que "o desgaste desses materiais está ligado às despesas com a manutenção do equipamento em perfeito funcionamento, constituindo um dos itens obrigatórios dos orçamentos das indústrias". Examinandose o arquétipo legal bem se vê que não é pelo fato de sofrer desgaste que o produto deixa de ser qualificado como insumo integrante do processo de industrialização do produto final, principalmente quando, como no caso dos materiais refratários, é ele essencial e de aplicação direta ao processo, como é a exigência infraconstitucional. g) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de COFINS a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de COFINS sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. A Jurisprudência do outrora denominado Conselho de Contribuintes, não tergiversa em rever glosas como as que foram Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 6 5 equivocadamente perpetradas no presente caso, especificamente mencionando a possibilidade de se creditar sobre os gastos havidos com a remoção de resíduos industriais, tal como sucede no caso vertente, quanto ao transporte e coprocessamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio que são resíduos industriais decorrentes de consumo/aplicação direta ao processo produtivo do alumínio. Refere e transcreve excertos de julgados administrativos. Aduz que, para o afastamento da glosa sobre Transporte dos Rejeitos Industriais, é de ser observado imperativamente o § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, uma vez que a Albrás é uma sociedade empresária comercial exportadora. Ora, a dicção do § 3º não permite que remanesça qualquer dúvida sobre quais os créditos passíveis de ressarcimento, como sendo os que são “apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação” e não apenas os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo do alumínio exportado. Em várias outras ocasiões, ainda que se centrando mais no art. 3º da Lei 10833/2003, os órgãos judicantes do Ministério da Fazenda têm registrado que não se pode sustentar glosas que tenham sido levadas a efeito pela Fiscalização, sem que a mesma tenha logrado “motivar” tais glosas, a ponto de expor sua incompatibilidade legal. Referem julgados administrativos e judiciais, também transcrevendo soluções de divergência proferidas pela Cosit e salientando que, no caso concreto, mesmo que se admita que as soluções de consulta possam ser aplicadas em total desconexão com a ordem constitucional e a legislação ordinária, os bens e serviços glosados são inegavelmente insumos de aplicação direta, inclusive de contato físico com o produto final industrializado, de sorte que também sob tal viés não poderiam ter sido glosados. h) Cabe voltarmos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10833/2003. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, haver glosado não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre máquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 7 6 apontada no Auto, seria como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reiterese, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Parecer SEORT que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendose objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida. i) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da nãocumulatividade aplicado à Cofins, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da nãocumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçandolhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeuo pela EC 42/2003 à COFINS, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10833/2003, que não apenas elencara quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. As Instruções Normativas e normas complementares afins, por força do princípio da nãocumulatividade, por não gozar de envergadura constitucional, evidentemente, não podem a pretexto de regulamentar, restringir a restrição e muito menos ainda o Auditor Fiscal, restringir a restrição da restrição, o que significaria o aniquilamento de uma determinação magna ao ponto de inverter a lógica interna do regime tornandoo mais oneroso que a própria cumulatividade. Nada obstante, o teor das mesmas não se choca com os procedimentos apuratórios da impugnante. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10833, apropriandose dos créditos gerados Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 8 7 apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 para os setores previstos em lei, as contribuições serão nãocumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária. j) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da Alunorte do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico. Cientificada, pessoalmente, do Despacho Decisório nº 15/2012 em 26/01/2012 (fl. 777) a interessada apresentou, em 10/02/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 782/837, na qual alega: a) Foram glosados créditos gerados pelos serviços empregados como insumos, mais especificamente o Transporte e Coprocessamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda. b) Foram glosados também Refratários, Fita Sintagem, Barra de Aço Carbono, Ferro Gusa , Argamassa retrataria, Granalha e Pasta de Socagem. c) Por derradeiro, glosarase os créditos relacionados a despesas e ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, inclusive máquinas, equipamentos e outros bens que foram incorporados ao Ativo Imobilizado. d) Com todo o respeito a que faz jus a I. Fiscalização, e por maior que seja o esforço dispensado pela requerente à compreensão do objeto das glosas, mas não há como ante o Parecer SEORT em face do qual é apresentada a presente defesa, identificarse com a necessária previsão quais bens e ou serviços teriam sido efetivamente glosados. Primeiramente cabe ressaltar que o Despacho Decisório n° 270 estava obscuro e impreciso, sendo necessário o deslocamento de representante da contribuinte até a sede deste I. Órgão Fazendário para que fossem esclarecidas dúvidas quanto à legislação aludida e numeração do mesmo, o que se deu em 24/01/2012. e) Depois houve nova mudança do Despacho acima citado, pois o mesmo não fora assinado pela autoridade competente, qual seja, o Delegado da Delegacia da Receita Federal, e sim por Chefe do Setor de Orientação e Análise Tributária SEORT. Ademais, houve alteração de sua numeração que era a de n° 270 de 30/12/2011 e passou a ser a de n° 015 de 25/01/2012. O que se tem por certo, portanto, é, com o devido respeito, a nulidade do Parecer SEORT, em que a incongruência dos dados, a não confecção por autoridade competente, e lapsos afins, comprometem o direito à ampla defesa da requerente. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 9 8 f) Ponto fundamental é o da definição e amplitude conceitual dispensadas aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e, centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados como insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte e coprocessamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio – rejeito que se cuida de um resíduo gasto, consumido, incorporado ao alumínio final produzido. Naturalmente, que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerente ao processo fabril do alumínio produzido e exportado por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Tratamse os itens mencionados acima, de produtos que tem utilidade direta no processo fabril do alumínio, aliás, são produtos específicos dessa indústria e que, mais além, sofrem sim desgaste, consumo, e até mesmo contato físico com o alumínio em produção, conquanto não seja demais registrar que a legislação que veicula a nãocumulatividade prescinda de tais exigências para assegurar o direito ao desconto dos créditos. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis. g) Constou no termo de Encerramento de Ação Fiscal, e razões anexas ao Auto de Infração, que os valores de aquisição dos produtos compostos de materiais refratários, tal e qual os desembolsos com o transporte dos mesmos também haveriam de ser glosados, em vista inclusive do que dispõem normas complementares ao ordenamento garantidor da nãocumulatividade sobre as exações sociais, consoante a interpretação pelos mesmos dispensada. De plano, cabe destacar que a razão primordial da glosa perpetrada pelo N. Fiscal fora a de que considerou que o refratário somente geraria direito ao crédito não cumulativo de PIS caso tivesse sido enquadrado pela requerente como Ativo Imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Sucede que a requerente optou por qualificar o "material refratário" como insumo, e a rigor, segundo a legislação regente da não cumulatividade para a PIS, não há diversidade de tratamento de vez que seja considerando como insumo seja considerando como ativo imobilizado, o refratário, gera direito ao crédito nãocumulativo. h) Outrossim, a conclusão da Fiscalização de que à vista das normas internas os materiais refratários se perdem sem se incorporarem ao produto final, sendo uma decorrência natural do processo de industrialização, não conduz à exclusão do direito de crédito não cumulativo de COFINS relativo aos valores de aquisição dos mesmos. Muito pelo contrário, as razões apontadas endossam a inclusão do Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 10 9 material refratário e dos dispêndios com o seu traslado, no rol de despesas reembolsáveis via créditos de PIS nãocumulativa, até pela natureza estrita do refratário que é de aplicação peculiar à indústria siderúrgica, petroquímica e do alumínio. Tijolos refratários isolantes são aplicados diretamente às atmosferas de redução, aos vapores alcalinos, ciclos de temperaturas e o resultante esforço mecânico que existe nos fornos de cozimento de carbono, de sorte que é de clareza palmar o desgaste e contato físico destes materiais com o alumínio fabricado e comercializado. Demais disso, há que se enfatizar que a legislação de modo algum, confere equivalência entre o desgaste e a não integração ao processo de industrialização do produto final respectivo. Curioso, aliás, a Fiscalização aduzir que "o desgaste desses materiais está ligado às despesas com a manutenção do equipamento em perfeito funcionamento, constituindo um dos itens obrigatórios dos orçamentos das indústrias". Examinandose o arquétipo legal bem se vê que não é pelo fato de sofrer desgaste que o produto deixa de ser qualificado como insumo integrante do processo de industrialização do produto final, principalmente quando, como no caso dos materiais refratários, é ele essencial e de aplicação direta ao processo, como é a exigência infraconstitucional. i) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de COFINS a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de COFINS sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. A Jurisprudência do outrora denominado Conselho de Contribuintes, não tergiversa em rever glosas como as que foram equivocadamente perpetradas no presente caso, especificamente mencionando a possibilidade de se creditar sobre os gastos havidos com a remoção de resíduos industriais, tal como sucede no caso vertente, quanto ao transporte e coprocessamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio que são resíduos industriais decorrentes de consumo/aplicação direta ao processo produtivo do alumínio. Refere e transcreve excertos de julgados administrativos. Aduz que, para o afastamento da glosa sobre Transporte dos Rejeitos Industriais, é de ser observado imperativamente o § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, uma vez que a Albrás é uma sociedade empresária comercial exportadora. Ora, a dicção do § 3º não permite que remanesça qualquer dúvida sobre quais os créditos passíveis de ressarcimento, como sendo os que são “apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação” e não apenas os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo do alumínio exportado. Em várias outras ocasiões, ainda que se centrando mais no art. 3º da Lei 10833/2003, os órgãos judicantes do Ministério da Fazenda têm registrado que não se pode sustentar glosas que tenham sido levadas a efeito pela Fiscalização, sem que a mesma tenha logrado “motivar” tais glosas, a ponto de expor sua incompatibilidade Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 11 10 legal. Refere julgados administrativos e judiciais, também transcrevendo soluções de divergência proferidas pela Cosit e salientando que, no caso concreto, mesmo que se admita que as soluções de consulta possam ser aplicadas em total desconexão com a ordem constitucional e a legislação ordinária, os bens e serviços glosados são inegavelmente insumos de aplicação direta, inclusive de contato físico com o produto final industrializado, de sorte que também sob tal viés não poderiam ter sido glosados. j) Cabe voltarmos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10833/2003. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, haver glosado não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada no Auto, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reiterese, não apenas é inexequível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 12 11 razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Parecer SEORT que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendendose objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida. k) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da nãocumulatividade aplicado à Cofins, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da não cumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçandolhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeu o pela EC 42/2003 à COFINS, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10833/2003, que não apenas elencara quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. As Instruções Normativas e normas complementares afins, por força do princípio da nãocumulatividade, por não gozar de envergadura constitucional, evidentemente, não podem a pretexto de regulamentar, restringir a restrição e muito menos ainda o Auditor Fiscal, restringir a restrição da restrição, o que significaria o aniquilamento de uma determinação magna ao ponto de inverter a lógica interna do regime tornandoo mais oneroso que a própria cumulatividade. Nada obstante, o teor das mesmas não se choca com os procedimentos apuratórios da impugnante. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10833, apropriandose dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 para os setores previstos em lei, as contribuições serão nãocumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária. l) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da Alunorte do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 3ª Turma de Julgamento, julgar improcedente a manifestação de inconformidade e a impugnação. Intimada do acórdão supra em 21/03/2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 16/04/2012. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 13 12 É o relatório. Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Os questionamentos da Recorrente dizem respeito à possibilidade de aproveitamento de créditos referentes às contribuições para a COFINS, no regime de não cumulatividade, de que tratam as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, relativamente ao 4º trimestre de 2007. Alega o Recorrente que foram glosados os custos de transporte e co processamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e os respectivos transportes e de transporte de rejeitos industriais. Além destas glosas, foram efetuadas exclusões referentes aos custos com máquinas e equipamentos, aos custos com peças de manutenção e aos custos alusivos às edificações. Veja que, para que seja proferida uma decisão, devese se analisar cada item relacionado como “insumos” e a sua inserção no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Em face disso, não havendo elementos suficientes nos autos que comprovam a utilidade e essencialidade dos itens glosados pela i. fiscalização, voto no sentido de retornar os à origem para ser realizada diligência, com respectiva emissão relatório conclusivo acerca : (i) da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial da recorrente. (ii) Também há necessidade de serem identificadas no parque fabril da Recorrente as máquinas, os equipamentos e as edificações e seus os respectivos custos, que são ou não efetivamente utilizados para a elaboração do produto final a ser vendido. Neste sentido foram as decisões tomadas em outros processos desta mesma Contribuinte: a) Processo nº 10280.722261/200985 (2ª Turma; Resolução nº 3402000.493) b) Processo nº 10280.722260/200931 (2ª Turma; Resolução nº 3402000.492) c) Processo nº 10280.722256/200972 31 (2ª Turma; Resolução nº 3402 000.491) Após estas diligências, bem como a manifestação da Recorrente sobre a mesma, retornem os autos ao CARF para julgamento. É como voto. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 14 13 Sala das Sessões, em 23 de maio de 2013. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 18336.000335/2001-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 02/09/1996
EMBARGOS. ERRO FORMAL. REDISCUSSÃO DO MÉRITO.
Cabível os embargos de declaração para ajustes formais no voto, não sendo possível utilizá-los para rediscussão de mérito.
EMBARGOS CONHECIDOS.E PACIALMENTE PROVIDOS.
Numero da decisão: 3201-001.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e dar parcial provimento aos embargos de declaração apresentados, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargo Autran e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/09/1996 EMBARGOS. ERRO FORMAL. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. Cabível os embargos de declaração para ajustes formais no voto, não sendo possível utilizálos para rediscussão de mérito. EMBARGOS CONHECIDOS.E PACIALMENTE PROVIDOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e dar parcial provimento aos embargos de declaração apresentados, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 27/01/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargo Autran e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 03 35 /2 00 1- 91 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.102 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e respectivos acréscimos legais bem como de multa por infração administrativa ao controle das importações, perfazendo, na data do lançamento, o crédito tributário no valor total de R$ 23.492.848,83, objeto do Auto de Infração de fls. 01 21. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração e do Relatório de Revisão Aduaneira (fls. 0311), a fiscalização detectou infrações nas importações promovidas pelo contribuinte, conforme exposto a seguir. Inobservância de normas do Regime Geral de Origem da ALADI Relata a fiscalização que o contribuinte submeteu a despacho aduaneiro de importação as mercadorias amparadas pelas Declarações de Importação DI nos 000299, 000337, 000370, registradas, respectivamente, em 02/09/1996, 25/09/1996 e 15/10/1996, nas quais pleiteou a redução de alíquota do Imposto de Importação, com base no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ACE 27), firmado entre Brasil e Venezuela, no âmbito da Associação Latinoamericana de Integração – ALADI. Do mesmo modo, por meio das DIs nos 000321 e 000323, registradas em 19/09/1996, o importador solicitou redução de alíquota, com fundamento no Acordo que estabelece a Preferência Tarifária Regional no âmbito da ALADI (PTR 04). Em relação às DIs 000299/96, 000337/96, 000370/99 e 000321/96, acima mencionadas, foi constatado que os certificados de origem apresentados pelo importador foram expedidos antes da emissão das respectivas faturas comerciais. Tal fato, segundo afirma a fiscalização, viola o disposto no art. 2º do Acordo 91 da ALADI, executado pelo Decreto nº 98.836, de 1990. No tocante às DIs nos 000321/96 e 000323/96, foi constatado que o exportador situase em país não integrante da ALADI, uma vez que as respectivas faturas comerciais foram emitidas pela empresa Petrobrás América Inc., com sede nos Estados Unidos da América EUA. A triangulação comercial, conforme observa o autuante, não tinha amparo legal na época das importações, uma vez que a possibilidade de intermediação de terceiro país não signatário do Acordo somente passou a ser admitida, sob certas condições, a partir da Resolução nº 232 da ALADI, apensa ao Decreto nº 2.865, de 07/12/1998. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.103 3 Quanto à DI nº 000321/96, a fiscalização verificou ainda que o Certificado de Origem está em desacordo com o formulário único adotado pela ALADI, acarretando infração ao art. 7º da Resolução nº 78 da ALADI, executada pelo Decreto nº 98.974, de 24/01/1990. Argumenta a fiscalização, com base no art. 129 do Regulamento Aduaneiro, que deve ser interpretada literalmente a legislação que disponha sobre outorga de isenção ou redução, concluindo pela inaceitabilidade dos certificados de origem para fins de aplicação das preferências tarifárias pleiteadas pelo importador. Importação desamparada de Guia de Importação. De acordo com o relato fiscal, as Guias de Importação, relativas às DIs relacionadas às fls. 07, foram emitidas após a conclusão dos respectivos despachos aduaneiros, configurandose a infração administrativa ao controle das importações, prevista no art. 169, inciso I, alínea “b”, do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562, de 1978 (art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05 de março de 1985). Acrescenta o autuante que: a) a Instrução Normativa IN nº 97, de 06 de dezembro de 1994, dispensa o importador da apresentação da Guia de Importação durante o despacho, porém, não o exime da obrigação de “já ter a importação amparada pela competente Guia de Importação quando do despacho, conforme determina o art. 432 do Regulamento Aduaneiro”. b) a IN SRF nº 97, de 1994, impõe ao importador a obrigação de manter a Guia de Importação em seus arquivos, à disposição da fiscalização, pelo prazo de cinco anos, contados da conclusão do despacho aduaneiro; c) a IN SRF nº 06, de 02 de outubro de 1986, desobriga a Petrobrás de obter a Guia de Importação anteriormente ao embarque de produtos petrolíferos e de apresentála durante o despacho aduaneiro, determinado que seja mantida em arquivo pelo prazo de cinco anos contados do desembaraço; d) O Ato Declaratório Normativo COSIT, de 09 de janeiro de 1997, firmou o entendimento de que, quando a Guia de Importação for emitida após o registro da DI, aplicase a multa por falta da Guia, prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro; e) tendo em vista o art. 111, inciso III, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre dispensa do cumprimento de obrigações acessórias, o caso em tela, na falta Fl. 484DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.104 4 de previsão legal que ampare a postergação na emissão da Guia, enquadrase no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro. Assim, a fiscalização procedeu ao lançamento de ofício do Imposto de Importação, exigindo as diferenças que deixaram de ser recolhidas por ocasião do despacho aduaneiro, acrescidas de multa e juros de mora, bem como da multa por infração administrativa ao controle das importações, caracterizada por falta de Guia de Importação, conforme enquadramento legal consignado às fls. 11 e 21. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 06/09/2001, conforme fl. 01, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 188201, em 08/10/2001, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: Não há que se falar em autuação para lançamento em relação às DIs nos 273, 274, 285, 286, 287, 288 e 299, porque encontrase prescrito o direito da Secretaria da Receita Federal, de constituir o crédito tributário, em face do que dispõe o art. 173, inciso I, do CTN; Levando em consideração que as citadas importações ocorreram “até no máximo a data de 02/09/2001, necessariamente o lançamento do crédito tributário tinha o seu prazo decadencial até 03/09/2001” (sic), porém o Auto de Infração foi lavrado em 05/09/2001, com ciência do contribuinte em 06/09/2001; o Certificado de Origem destinase a comprovar a origem da mercadoria no âmbito do MERCOSUL, conforme Tratado de Assunção de 1991, promulgado pelo Decreto nº 350, de 21 de novembro de 1991, o qual prevê que referido documento tem validade de 180 dias; quanto à multa pela apresentação do Certificado de Origem fora do padrão, os documentos emitidos na Venezuela, se analisados em conjunto, são iguais e, mesmo que não fossem, inexiste um formulário único; o que interessa é a substância do ato, pois o formulário existe e foi emitido por sociedade certificadora habilitada no país de origem, tendo data, assinatura, especificação das mercadorias, carimbos e todos os aspectos formais foram cumpridos; não pode haver um “baralhamento” de tipos de Certificados de Origem, uma vez que em um mesmo país poderá haver duas ou mais entidades certificadoras, como no caso da Argentina, sendo lógico que não há que haver um padrão, e nesse sentido o Decreto nº 98.974/90 não fala em formulário único; a exceção do Tratado de Assunção não existe nenhuma outra disposição legal acerca da data de emissão da fatura comercial, Fl. 485DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.105 5 sendo que qualquer norma de direito interno, principalmente Instrução Normativa, contraria o espírito do tratado internacional; a interpretação teleológica do tratado há que considerar as facilidades das transações realizadas pelos países integrantes do Mercosul e prestigiar a origem dos produtos destes; a “DRF/CE” tem entendimento de que o descumprimento do prazo para apresentação do Certificado de Origem, previsto na IN SRF nº 97, de 1994, não enseja a perda do benefício de redução tarifária, se referido documento atende aos requisitos do Acordo Internacional; o Terceiro Conselho de Contribuintes tem entendimento uníssono de que não se pode determinar a perda da redução tarifária e considerar nulo o Certificado de Origem sem prova convincente de falso conteúdo ideológico e antes que se proceda a consulta ao órgão emitente do país exportador, não havendo norma que exija relação cronológica entre o Certificado de Origem e a fatura comercial; o fato de a ALADI ter permitido a triangulação comercial a partir de 08/12/1997 (sic) não quer dizer que antes estava proibido, pois, sob a ótica do direito comercial, é um costume adotado internacionalmente; a ALADI veio chancelar uma prática comercial há muito adotada; tendo em vista o princípio de que é permitido o que não for proibido e com base no art. 5º, inciso II, da Constituição Federal, não havendo lei proibitiva, é improcedente o Auto de Infração; em virtude de significativas especificidades geopolíticas, que acarretam limitações aos negócios e inviabilizam o pagamento no prazo estipulado pelo fornecedor, a mercadoria é enviada diretamente para o Brasil e uma das subsidiárias da Petrobrás, por ordem da controladora, paga o preço da compra ao produtorexportador situado na Venezuela, sendo que, concomitantemente, a Petrobrás revende a mercadoria à mesma subsidiária e a recompra para alongar o prazo para pagamento; a fatura final, relativa à recompra, compreende o preço puro e idêntico constante das faturas anteriores, acrescido apenas do repasse dos encargos financeiros das linhas de crédito tomadas; a exigência da fatura e o lançamento do imposto contrariam frontalmente a apreciação que sobre a matéria fez o órgão sistêmico da Secretaria da Receita Federal, nos termos na Nota Coana/Colad/Diteg nº 60, de 19/08/1997, que conclui pela regularidade da intermediação, inclusive quando envolver preferência tarifária; Fl. 486DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.106 6 o art. 4º, “b”, da Resolução nº 78 e o Acordo nº 91 não vedam a compra direta com intermediação posterior de terceiros, com finalidade de mera alavancagem financeira e sem trânsito por outro país; a vedação é quanto à figura do atravessador ou especulador e não impede que o importador subseqüentemente negocie a mercadoria, quando já satisfeitas a finalidade e as formalidades do Acordo; em razão da falta de recursos necessários para o pagamento do preço, a realização dessas operações de intermediação reputase necessária para a empresa, como forma de alavancagem financeira, e vital para a economia do país, no que se refere ao saldo de divisas, abastecimento e preço dos derivados de petróleo, em decorrência do agravamento de custos, acaso seja efetuada a antecipação dos pagamentos; a operação comercial não colide com a intenção que presidiu a celebração dos Acordos de redução tarifária, impondose o reconhecimento do benefício neles previsto, em homenagem à real origem da mercadoria e sua expedição direta; o art. 10 da Resolução 78 determina que os países signatários procederão a consultas entre os Governos, sempre e previamente à adoção de medidas que impliquem rejeição do Certificado de Origem, devendose observar ainda o devido processo legal. Não havia, à época dos desembaraços, prazo para emissão de GI; A jurisprudência dominante no Terceiro Conselho de Contribuintes é no sentido de que não configura importação ao desamparo de Guia a apresentação, fora de prazo, de GI emitida após o desembaraço, ao amparo da Portaria DECEX nº 15, de 1991; uma coisa é a prática do ato jurídico, outra é a sua prática fora do prazo; as importações em causa estavam amparadas por GI, sendo imprópria a capitulação legal do Auto de Infração, que deve ser declarado nulo; as importações ocorreram com base na Portaria DECEX nº 15, de 09 de agosto de 1991, que dispensa a emissão prévia de GI, combinado com a IN SRF nº 6, de 1986, que autoriza os embarques no exterior de produtos petrolíferos sem emissão prévia de GI; o ADN COSIT nº 05, de 1997, é posterior aos desembaraços em questão, não podendo servir de fundamento para regular aqueles procedimentos; tanto a Delegacia da SRF no Ceará, por meio da decisão nº 038/98, quanto o Terceiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 30129.084, manifestaram o entendimento favorável Fl. 487DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.107 7 à defendente após a publicação do citado ADN COSIT, o que demonstra que também discordam dele; os juros de mora estão em desacordo com o disposto nos arts. 1.062, 1.063 e 1.064 do Código Civil que, de modo claro estabelecem o percentual de 6% ao ano, e também com o art. 162, § 3º, da Constituição Federal, que limita a cobrança de juros a 12% ao ano. Por fim, requer seja declarada a nulidade do Auto de Infração ou a sua improcedência. DA DILIGÊNCIA De acordo com as considerações feitas no despacho de fls. 209 211, a impugnante alega que as importações estavam amparadas pela Portaria DECEX nº 15/91, a qual permitia, em algumas situações, a realização do despacho aduaneiro sem emissão prévia da GI, destacandose, dentre essas hipóteses, as importações de produtos destinados a processamento, sujeitas à anuência prévia de órgão governamental. Ainda conforme o mesmo despacho, o que demonstra ter sido a GI emitida com base na mencionada Portaria é a existência no documento de cláusula específica, formalidade estabelecida na norma, exatamente para garantir a vinculação da GI a uma mercadoria previamente desembaraçada, e que consiste na menção expressa a essa circunstância com a indicação do número da DI à qual se vincula a Guia. Foi constatado ainda que o campo 04 das cópias das GIs anexadas aos autos, onde deve ser indicada a data de validade para embarque das mercadorias, consta a observação “vide verso” e que os versos das cópias acostadas aos autos não contêm nenhuma informação, indicando que não foram fotocopiados os versos dos documentos originais. Em razão de não se poder descartar a possibilidade de as GIs apresentadas conterem no verso a citada cláusula, que poderia demonstrar terem sido emitidas com base no art. 2º, alínea "b", da Portaria DECEX nº 08/91, com redação dada pela Portaria DECEX nº 15/91 e, assim, justificar a sua emissão após o início dos despachos aduaneiros a que se referem, foi determinada diligência. Foram solicitadas providências no sentido de confirmar se as cópias das GIs anexadas aos autos se relacionam com as DIs objeto da ação fiscal e, acaso constatadas quaisquer informações apostas nos versos das Guias de Importação, fotocopiar e anexar ao processo, informando ainda, se for o caso, quais Guias de Importação que não contêm nenhuma informação no verso. Para atendimento do solicitado, a fiscalização intimou o sujeito passivo a apresentar as vias originais das GIs ou cópias autenticadas (frente e verso) (fls. 215). O contribuinte Fl. 488DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.108 8 encaminhou cópias de GIs (frente e verso), que foram anexadas às fls. 219/232 e 235/238, deixando de apresentar as cópias das GIs de nos 196/466680, 196/476812 e 196/476820. A fiscalização atestou que as GIs referemse às DIs objeto da ação fiscal (fls. 241). Afora o atendimento das providências solicitadas, a fiscalização, por meio do despacho de fls. 239/241, aduziu novos argumentos no sentido de refutar a alegação da impugnante de que as importações estavam amparadas pela Portaria DECEX nº 15, de 1991, afirmando, em síntese, que as mercadorias importadas (óleo diesel, gasolina e querosene) não são matériasprimas a serem submetidas a processos de industrialização. Sustenta, assim, que tais produtos são destinados a consumo e não a processamento, de modo que os despachos aduaneiros não estavam acobertados pelo art. 2º da Portaria DECEX nº 08/91, com redação dada pela Portaria DECEX nº 15/91. Além disso, no mesmo despacho, a fiscalização afirma ainda que as GIs foram emitidas ao amparo do art. 64 do Decreto nº 42.820, de 10/12/1957, argumentando que o citado dispositivo não permite que a GI seja emitida após o desembaraço e sim após o embarque, ou seja, no caso de produtos petrolíferos, tão somente confere ao importador o direito de providenciar o embarque antes da emissão da GI, mediante autorização do órgão governamental competente. Por meio da Resolução DRJ/FOR nº 251, de 20/12/2002, foi firmado o entendimento de que, ao emitir o pronunciamento acima relatado, a fiscalização trouxe aos autos novos elementos após a apresentação da impugnação, os quais não haviam servido de motivo inicial para a autuação e, assim, não chegaram a ser cientificados ao impugnante. Assim, com base no art. 16, § 4º, alínea “c”, do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 9.532/97 c/c alínea “m”, item 1, do Anexo à Portaria SRF nº 436/2002, com vista a preservar o contraditório e da ampla defesa, o processo foi devolvido à repartição de origem, para cientificar o contribuinte das informações prestadas pela fiscalização às fls. 239/241, assegurandolhe o prazo de trinta dias para juntar documentos. O sujeito passivo tomou ciência, conforme despacho de fls. 245, e, decorrido o prazo de trinta dias, não se manifestou nos autos. O contribuinte é intimado da decisão, interpondo recurso voluntário. Julgado o recurso, este foi provido. A Fazenda Nacional, fato seguinte, interpõe embargos de declaração, alegando omissão e contradição. É o relatório. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.109 9 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. A decisão recorrida acolheu parcialmente o recurso voluntário e negou provimento ao recurso de ofício. A embargante alega omissão e contradição no voto, por problemas formais nas datas do acórdão quando analisada a decadência, bem como buscando rediscutir o mérito e reanalisar provas. Quanto à parte de equívocos no voto referente a decadência, esta parte do recurso deve ser ajustada, para que assim passe a constar (grifos feitos nas alterações): Da decadência – Recurso de Ofício e Voluntário Como bem alega a recorrente, a DRJ acatou a alegação da decadência para a DI 96/00299, pois o registro da DI se deu em 06/09/1996, mais de cinco anos do pagamento, não aplicando a decisão para as DI´s 273, 274, 285, 286, 287, 288 e 299 que se encontram na mesma situação. Por esse mesmo motivo também é interposto recurso de ofício. Entendo que não só o recurso de ofício deva ser negado, como o voluntário, neste tópico, provido. Não há motivos para não ser declarada a decadência do lançamento para as referidas DI´s, aceitas pela fiscalização e recorridas pelo contribuinte, já que parte do lançamento ocorreu mais de cinco anos do registro daquelas e da homologação daqueles pagamentos. A decisão recorrida é clara em seu julgamento: Portanto, aplicandose a regra contida no art. 150, § 4º, do CTN c/c art. 138, parágrafo único, do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, concluise que, no caso da DI nº 96/000299, tendo em vista que o fato gerador ocorreu em 02/09/1996, a homologação tácita do pagamento do Imposto de Importação se deu em 01/09/1996, data que corresponde ao termo final do prazo decadencial para lançamento ex officio de diferenças do citado imposto. Uma vez que o lançamento se efetivou em 06/09/1996, com a ciência do Auto de Infração, constatase que foi efetuado após o decurso do prazo decadencial, quando já estava extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário suplementar do Imposto de Importação apurado em relação à referida DI, impondo se a sua exoneração. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.110 10 A alegação de que a aplicação de penalidade não se enquadraria naquele prazo não pode ser mantida, já que o RA/09 é claro sobre o tema: Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei no 37, de 1966, art. 139). Como a infração ocorreu quando da importação, não há como lançar tributos sobre os fatos ocorridos mais de cinco anos daquela data. Assim, resta clara a decadência no que se referente ao lançamento sobre as DI´s registradas até 06/09/1996, motivo pelo qual o recurso de ofício é negado e o do contribuinte provido neste tópico. Ressalto que os referidos ajustes em nada alteram o julgamento, já que, de sua análise, claramente se abstrai o que se julgou. Afora esta parte, que em nada altera o julgamento, o que temos efetivamente neste recurso é a tentativa de rediscutir o mérito, o que é vedado em sede de embargos de declaração. Assim, voto por conhecer e acolher parcialmente os embargos de declaração interpostos, apenas para retificar o voto quando da análise da decadência, sem alterar ao que foi decidido. Sala das Sessões, 11 de dezembro de 2014. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 491DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002599/2003-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999
RECUPERAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS INDEVIDAMENTE.
Recuperação de tributos pagos indevidamente não se equipara a faturamento, razão pela qual é indevida a cobrança da Cofins sobre tais valores. Por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, é obrigatória a observância de decisão do Supremo Tribunal Federal proferida em sede de repercussão geral. Matéria decidida no Recurso Extraordinário nº 585.235 sob o regime do art. 543-B do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 3201-001.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 16/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Amauri Amora Câmara Júnior e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recuperação de tributos pagos indevidamente não se equipara a faturamento, razão pela qual é indevida a cobrança da Cofins sobre tais valores. Por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, é obrigatória a observância de decisão do Supremo Tribunal Federal proferida em sede de repercussão geral. Matéria decidida no Recurso Extraordinário nº 585.235 sob o regime do art. 543B do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 16/03/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 25 99 /2 00 3- 96 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Amauri Amora Câmara Júnior e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, segue abaixo a transcrição do relatório da decisão recorrida seguida da sua ementa: Tratase de auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização/RJ (fls. 120/146), o qual foi cientificado ao interessado em 12/11/2003, para exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS de R$ 16.111,86, e acréscimos legais, totalizando o crédito tributário de R$ 40.102,84 (fls. 02). 2 No curso do procedimento fiscal, a autoridade administrativa lançadora, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 120), constatou que o interessado deixou de incluir receitas na base de cálculo da COFINS, conforme quadro à fl. 121. 3 O enquadramento legal da autuação encontrase descrito às fls. 124/125. 4 O interessado, cientificado em 12/11/2003 (fl. 146), apresentou, em 12/12/2003, impugnação parcial (fl. 152/157), na qual, alega em síntese que: 5 na receita registrada na conta “Recuperações Diversas 4.2.1.02.01.0001” no valor de R$ 490.717,11, está incluso R$ 275.321,09, que se refere à recuperação de tributos (FINSOCIAL) e contribuições (INSS) pagas indevidamente, que foram questionadas conforme processo nº 96.72779 e nº 95.07755825 (anexados), tendo a empresa obtido êxito; desta forma, esses valores não geram ingresso de novas receitas, razão pela qual não integram a base de cálculo da COFINS; 6 a receita registrada na conta “Recuperações de Vale Transporte” se refere ao limite de 6% descontado dos funcionários pela sua participação na aquisição de vales transporte que, para facilitar a visualização contábil destes registros, foram lançados a crédito de resultado, não configurando ingresso de novas receitas, razão pela qual, não integram a base de cálculo da COFINS; 7 Quanto às demais receitas, o interessado concorda que indevidamente não foram incluídas na base de cálculo. 8 Comunica que aos autos juntou cópias de DARFs, que foram recolhidos em função dos valores que compõem a parte não impugnada do auto de infração. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 18471.002599/200396 Acórdão n.º 3201001.550 S3C2T1 Fl. 515 3 9 Anexa à impugnação os documentos de fls. 158/194. 10 Encerra solicitando deferimento de seu pleito. 11 É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou parcialmente procedente a impugnação, conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 1213.543, de 15/03/2007, in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O lançamento consolidase administrativamente no que se refere à matéria não impugnada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999 RECEITAS NÃO INCLUÍDAS NA BASE DE CÁLCULO. As alegações desprovidas de prova não elidem a infração. RECUPERAÇÕES DE VALE TRANSPORTE. A recuperação de despesa com vale transporte não caracteriza faturamento. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com a parcela do lançamento mantida, a empresa interpôs recurso voluntário tempestivamente, aduzindo, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação nesse particular, bem como acostando documentação complementar para embasar a sua defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. A Recorrente alega que a decisão a quo deve ser reformada, tendo em vista que não representa faturamento a recuperação de despesas, consubstanciadas em compensações tributárias amparadas por decisões judiciais. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 A decisão recorrida abstevese de analisar esse mérito, tendo em vista que a Recorrente não instruiu a sua impugnação com a documentação que daria suporte às suas alegações. Isso fica claro no seguinte trecho do voto condutor: 16 Quanto à primeira receita contestada (“Recuperações Diversas”), alega o interessado que se refere à recuperação judicial de créditos relativos ao FINSOCIAL e às contribuições para o INSS pagos indevidamente. 17 Ocorre que, embora mencionado na impugnação “processo nº 96.72779 e nº 95.07755825 (anexados)”, não há nos autos qualquer documento que possibilite comprovar tal alegação. 18 Os documentos juntados pelo interessados estão assim dispostos: 19 – fl. 158: cópia de documentos de identificação do signatário da impugnação; 20 – fls. 159/171: cópia do auto de infração; 21 – fls. 172/181: cópias da AGE de 14/04/2003 e do Estatuto Social Consolidado; 22 – fl. 182: cartão CNPJ; 23 – fls. 183/194: cópias de DARFs. 24 Além disso, em se tratando de impugnação de valor parcial, totalizado no ano (R$ 275.321,09), deve o interessado apresentar demonstrativo mensal das parcelas que pretende excluir, visto que o período de apuração da COFINS é mensal. Pois bem, em fase recursal, a Recorrente junta partes das principais peças dos processos mencionados, as quais supostamente confirmariam as suas alegações. A despeito dos argumentos que motivaram a prolação da decisão recorrida, é fato inconteste que a repetição de indébitos tributários, lastreada em decisões judiciais, não caracteriza faturamento, e, portanto, não pode ser objeto de incidência de Cofins. Com efeito, aplicase ao caso os precedentes do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins, sem amparo na Constituição Federal. Em questão de ordem, o Pleno do STF reconheceu a repercussão geral desse tema no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, o que o torna vinculante aos membros deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do seu Regimento Interno (Anexo II, Art. 62 A). Confirase a ementa do referido julgado: EMENTA: Recurso Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 18471.002599/200396 Acórdão n.º 3201001.550 S3C2T1 Fl. 516 5 (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008) Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário mantido pela instância a quo. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909146/2010-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.288
Decisão: Visto e discutidos este autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Visto e discutidos este autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
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Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ Recorrente BRF BRASIL FOODS S/A (Incorporadora de PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Visto e discutidos este autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 09 14 6/ 20 10 -9 8 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.909146/201098 Resolução nº 1402000.288 S1C4T2 Fl. 8 2 RELATÓRIO BRF BRASIL FOODS S/A (Sucessora de PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A) com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Adoto o relatório da decisão recorrida: A Interessada transmitiu vários PER/DCOMP, apontando crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL (SNRCSLL), relativo ao anocalendário (AC) de 2004, no montante de R$8.559.866,11. O PER/DCOMP com demonstrativo de crédito é o de nº 13165.37567.250907.1.7.036736 (fls. 01 a 11). 2. Foi exarado, em 22/01/2010, Despacho Decisório NÃO HOMOLOGANDO as compensações constantes nas DCOMPs eletrônicas vinculadas ao SNCSLL AC 2004, nos termos a seguir sintetizados (fl. 10): “Analisadas as informações prestadas ... e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Parc. Crédito IR Exterior Retenções Fonte DEM. Estim. Comp. Soma Parc. Créd. Per/ Dcomp 107.517,93 1.992,70 14.619.807,91 14.729.318,54 Confirma. 107.517,93 1.524,27 2.316,00 111.358,20 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$8.559.866,11 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$14.729.318,54 CSLL devida: R$6.169.452,43 Valor do saldo negativo disponível = (...): R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos PER/DCOMP listados no endereço eletrônico indicado abaixo. (...)” 2.1. Nas “Informações Complementares da Análise do Crédito” (fls. 13 e 14), consta detalhamento da CSLL retida na fonte confirmada (R$785,05 + R$739,22 = R$1.524,27), e das Estimativas confirmadas (R$2.316,00). 3. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 03/02/2010 (AR; fls. 15 e 16), e dele recorreu a esta DRJ, em 05/03/2010, por meio de advogada (fls. 24 a 39), juntando documentos (fls. 25 a 51), nos seguintes termos, resumidamente (fls. 17 a 24): I – DOS FATOS 3.1. A Recorrente apurou saldo negativo de CSLL a pagar no Exercício 2005 (AC 2004) no montante de R$5.757.897,30. Em sua composição, houve retenções de CSLL no montante de R$1.992,70 e por isso a Requerente manteve o direito de utilizar estes créditos para quitar outros débitos pendentes perante a Secretaria da Receita Federal (atual RFB). Fl. 825DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.909146/201098 Resolução nº 1402000.288 S1C4T2 Fl. 9 3 3.2. Além disso, apurou saldo de CSLL por estimativa mensal no montante de R$14.619.807,91, que foram recolhidas através de compensação. Desta forma, procedeu às compensações através dos Per/Dcomps não homologados pelo Despacho Decisório, tal como segue: (...), onde teve apenas parte de suas retenções de CSLL na fonte e CSLL por estimativa mensal confirmadas pela RFB, conforme detalhado no quadro abaixo: (...). 3.3. Em que pese as razões emanadas pela RFB, há que ser reformado o Despacho Decisório, pelas razões que passa a demonstrar a seguir. II – DO DIREITO II.1 – DA COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL RETIDA NA FONTE 3.4. A RFB confirmou apenas CSLL no montante de R$1.524,27, não confirmando R$468,43, tal como detalhado a seguir: (...). Como se denota, os CNPJs referemse a Instituições de Serviços Financeiros que promoveram as retenções do imposto, mas, os saldos foram identificados com outros códigos de receita. 3.5. Deste modo, é necessário que seja confrontado outras retenções com outros códigos para fechar o saldo da conta, conforme comprovantes que serão oportunamente apresentados. 3.6. Para que a recorrente possa dirimir as inconsistências do sistema da RFB e comprovar as retenções, apresentará os extratos e outros documentos equivalentes. Em vista da dificuldade de resgatar todos os aludidos comprovantes em seus arquivos, pugna pela apresentação a posteriori, conforme entendimento firmado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no que diz respeito à verdade material. (...). II.2 – DOS RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA 3.7. A Recorrente apurou o montante de R$14.619.807,91 referente à CSLL mensal por estimativa. Foi confirmado apenas o valor de R$2.316,00, e não aceito o montante de R$14.617.491,91. 3.8. No que tange aos valores não confirmados, as DCOMP nº 00689.84985.270204.1.3.013402, 38780.85177.310304.1.3.013480 e 42666.40560.300404.1.3.011244, tais saldos estão homologados tacitamente, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN (Código Tributário Nacional), uma vez que somente foi cientificada de sua não homologação pelo demonstrativo anexo ao Despacho Decisório. 3.9. Em relação às demais compensações, o crédito ainda está sendo discutido administrativamente e, portanto, não assiste razão à RFB para definir como não homologado. Assim, a exigibilidade está suspensa, nos termos do art. 151, III, do CTN. Traz jurisprudência administrativa. 3.10. Isto posto, em vista da comprovação da Recorrente pleiteia que o crédito não confirmado nos termos do Despacho Decisório seja reconhecido, garantindo saldo para as compensações executadas. III – DO PEDIDO 3.7. Requer o reconhecimento e confirmação dos créditos de CSLL retido na fonte e de CSLL por estimativa mensal, e a homologação das compensações declaradas vinculadas ao presente processo. A decisão recorrida está assim ementada: Fl. 826DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.909146/201098 Resolução nº 1402000.288 S1C4T2 Fl. 10 4 PROCESSO ADMINISTRATIVO SEM DECISÃO DEFINITIVA. DIREITO CREDITÓRIO. Não pode ser reconhecido direito creditório decorrente de questões ainda não apreciadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e que foram objeto de Despachos Decisórios e Acórdãos em que não homologadas as compensações pleiteadas e que teriam reflexo no valor da CSLL apurada para o AC 2004, tendo em vista a carência do direito líquido e certo previsto na legislação. DIREITO CREDITÓRIO. Não foi reconhecido crédito em favor do contribuinte, referente à CSLL apurada no AC de 2004, razão pela qual mantémse a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente. No voto condutor do acórdão recorrido constam os motivos do indeferimento, conforme abaixo transcrito: “(...) 9. Observase que o litígio se circunscreve aos valores de: (i) CSLL na fonte passível de ser utilizado na apuração da CSLL referente ao AC 2004; e (ii) CSLL mensal calculada por estimativa a ser informada na Ficha 17A (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), da DIPJ/2005 (AC 2004). Assim, passase a analisar tais questões. 9.1. CSLL na fonte. 9.1.1. Compulsando os autos, observase que a Recorrente nada trouxe que pudesse comprovar a CSLL na fonte por ela informada na DIPJ/2005 (AC 2004) e no PER/DCOMP com demonstrativo do crédito. 9.1.2. Como já visto, compete à Recorrente o ônus da formação da prova do direito creditório, a fim de demonstrar sua certeza e liquidez. Nesse ponto, importa enfatizar que o contribuinte não trouxe documentos de prova que servissem de supedâneo as suas alegações. (...) 9.1.5. Portanto, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, “precluindo o direito da Recorrente fazêlo em outro momento processual”, sendo ônus do interessado juntar aos autos os elementos de prova que possui. 9.1.6. Assim, concluise que as alegações da empresa informadas neste item não estão comprovadas, razão pela qual mantémse a CSLL na fonte confirmada no Despacho Decisório, no montante de R$1.524,27. 9.2. CSLL Mensal calculada por Estimativa. 9.2.1. A Recorrente afirma que as estimativas foram objeto de compensações, algumas homologadas tacitamente (referentes às estimativas apuradas em janeiro, fevereiro e março/2004), e outras ainda estão em discussão administrativa (novembro e dezembro/2004). 9.2.2. Consultas aos Sistemas PERDCOMP no SIEF (fls. 306 a 318), COMPROT (fls. 319 a 330) e DECISÕES (fls. 331 a 363), indicam que os processos administrativos relativos às compensações de estimativas do AC 2004 (referenciados no Despacho Decisório; fl. 14) se encontram no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), (...) 9.2.2.1. Observase que os processos administrativos 10880.906886/200858 e 10880.906887/200801 foram objeto de Acórdãos exarados pela DRJ/RPO, em 10/08/2010 (após ciência do Despacho Decisório sob análise), em que não reconhecidos direitos creditórios, mas nos quais foram consideradas homologadas tacitamente as DCOMP a eles referentes, razão pela qual consideramse compensadas, no presente voto, as estimativas de CSLL referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.909146/201098 Resolução nº 1402000.288 S1C4T2 Fl. 11 5 9.2.3. Como visto no subitem 8.1., o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública há que ser líquido e certo. Como as estimativas de CSLL referente aos meses de novembro e dezembro de 2004 não foram ainda apreciadas no CARF, não há liquidez nem certeza sobre o valor do crédito de estimativa que porventura poderia exceder ao acima apurado a este título (R$4.301.442,82). 9.2.4. Assim, há que se reconhecer CSLL calculada por estimativa, referente ao AC 2004, no total de R$4.301.442,82. (...) 10.1. Consulta ao Sistema IRPJ indica que o cálculo da CSLL mensal por estimativa foi apurado com base em balanço/balancete de suspensão/redução em cada um dos meses de janeiro a outubro/2004, e com base na Receita Bruta e Acréscimos nos meses de novembro e dezembro/2004. 10.2. Refazendo o cálculo das Fichas 16 (Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa) e 17 (Cálculo da CSLL), da DIPJ/2005, obtémse os valores (em Real) abaixo indicados (fls. 364 a 380). (...) 10.3. Desse modo, verificase que não foi apurado crédito líquido e certo em favor da Recorrente. Ao contrário, o valor de CSLL encontrado ao final do AC 2004 foi positivo, de R$1.758.967,41. Portanto, não há direito creditório a ser reconhecido em relação à CSLL referente ao AC 2004. 11. Em face do exposto, VOTO no sentido de INDEFERIR a Manifestação de Inconformidade, NÃO RECONHECENDO direito creditório em favor da Recorrente relativamente à CSLL apurada no AC 2004, e, conseqüentemente, NÃO HOMOLOGAR a compensação dos débitos informados nas DCOMP sob análise. (...)” Cientificada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 428 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça impugnatória, buscando comprovar as retenções em fonte, pelo que propugna pela realização de diligência visando comprovar a correção de seus procedimentos. Ao final, requer seja reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.909146/201098 Resolução nº 1402000.288 S1C4T2 Fl. 12 6 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator O recurso manuseado pela recorrente encontrase previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. Conforme relatado, o pleito do contribuinte quanto ao SNRCSLL, ano calendário de 2004, foi indeferido pela DRJ, tendo em vista a falta de comprovação das retenções em Fonte (apenas R$468,53), mas principalmente pela falta de recolhimento das estimativas, que foram objeto de DCOMP não homologadas, as quais ainda estão pendentes de julgamento no CARF (R$14.618.589,91). Pois bem, verifiquei que os processos administrativos relativos às compensações de estimativas do AC 2004 (referenciados no Despacho Decisório; fl. 14) ainda estão pendentes de julgamento na Terceira Seção do CARF, conforme abaixo relacionado: ESTIM. MÊS PROC. ADMIN./DCOMP LOCALIZAÇÃO ATUAL NOV/2004 13804.008888/200457 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000471/200527 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000468/200511 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000458/200578 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000467/200569 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000455/200534 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000466/200514 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000457/200523 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF Salvo melhor juízo o julgamento deste processo somente poderá ser realizado após os acima listados. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.909146/201098 Resolução nº 1402000.288 S1C4T2 Fl. 13 7 Conclusão Diante do exposto, cumpre a este colegiado converter o julgamento em diligência para os seguintes procedimentos: 1) A DRF de Origem deverá manter o presente processo na DRF aguardando o encerramento dos processos relativos às compensações de estimativas do AC 2004, listados neste voto. 2) Por fim, juntar no presente cópia dos acórdãos dos processos relativos às compensações de estimativas do AC 2004, e devolver os autos ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 830DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 17546.001298/2007-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB.
A deficiência na escrituração contábil e a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciam-se motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mão-de-obra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico - CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil - SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 4°, da Lei n° 8.212/91.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. COMPETÊNCIA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra - ARO. Em consequência, no que se refere a obra de construção civil, consideram-se devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência de emissão do ARO, a teor do §2º do art. 431 c.c. §3º, I do art. 435 ambos da IN SRP nº 3/2005 (vigente à época).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que se considere no cálculo do montante devido a área construída de 762 m2, dos quais encontram-se decadentes 585 m2. A deficiência na escrituração contábil e a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciam-se motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mão-de-obra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico - CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil - SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 4°, da Lei n° 8.212/91. No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra - ARO. Em consequência, no que se refere a obra de construção civil, consideram-se devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência de emissão do ARO, a teor do §2º do art. 431 c.c. §3º, I do art. 435 ambos da IN SRP nº 3/2005 vigente á época dos fatos geradores.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, THEODORO VICENTE AGOSTINHO e LEO MEIRELLES DO AMARAL.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2488; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 631 1 630 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17546.001298/200795 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.606 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2015 Matéria Construção Civil: Arbitramento de Contribuições Recorrente WLADIMIR SATOMI OHY Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB. A deficiência na escrituração contábil e a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciamse motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 4°, da Lei n° 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. COMPETÊNCIA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra ARO. Em consequência, no que se refere a obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência de emissão do ARO, a teor do §2º do art. 431 c.c. §3º, I do art. 435 ambos da IN SRP nº 3/2005 (vigente à época). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que se considere no cálculo do montante devido a área construída de 762 m2, dos quais encontramse decadentes 585 m2. A deficiência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 12 98 /2 00 7- 95 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 na escrituração contábil e a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciamse motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 4°, da Lei n° 8.212/91. No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra ARO. Em consequência, no que se refere a obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência de emissão do ARO, a teor do §2º do art. 431 c.c. §3º, I do art. 435 ambos da IN SRP nº 3/2005 vigente á época dos fatos geradores. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, THEODORO VICENTE AGOSTINHO e LEO MEIRELLES DO AMARAL. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17546.001298/200795 Acórdão n.º 2302003.606 S2C3T2 Fl. 632 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 03/11/2005, cuja ciência do Recorrente ocorreu em 14/11/2005 (fls. 51). De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 14/16, a DISO ex officio foi preenchida em 04/05/05, sendo emitido o ARO referente à competência maio/2005, bem como a respectiva GPS, com vencimento no 2º dia útil mês subseqüente. Em razão do não pagamento da guia, foi lavrada a presente NFLD referente ao lançamento de débito de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social e das destinadas a Terceiros, não recolhidas em época própria, tendo sido o débito lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta para a regularização da obra referente a construção residencial, conforme art. 33, §4º, da Lei 8.212/91. O Recorrente apresentou uma impugnação, alegando que adquiriu o imóvel em 19/02/1998, conforme escritura registrada perante ao 2º Cartório de Registros de Imóveis de Jundiaí. Alega o Recorrente em sua impugnação: que a área real construída é de 762 m2, conforme IPTU de 2005, juntado aos autos; que o Levantamento Aerofotogramétrico da empresa Engefoto — Engenharia e Aerolevantamentos S.A., datado do ano de 1993, demonstra que, em 1993, já havia 585 m2 de área construída, portanto, com a aplicação de redutores, só há uma área a se regularizar de 134,60 m2; juntou documentos que comprovam que a energia elétrica foi ligada em 08/1991 e a água em 12/1990. Apesar da documentação apresentada na impugnação, às fls.108, consta a informação da Seção do Contencioso Administrativo Previdenciário que: 1) questiona a divergência da área informada pela Prefeitura (762,00 ou 825,00 m2); 2) desconsidera o laudo técnico apresentado não seria documento hábil para quantificar a área construída (planta aerofotogramétrica desacompanhada de laudo técnico constando a área do imóvel e a respectiva ART no CREA, além de não ser de período decadencial); 3) as contas do DAE tem a observação de que foram “retiradas no DAE”; 4) que a escritura de compra e venda de 1998 não apresenta área construída no terreno de 1.000,00 m2, o que indicia que não houve construção finalizada até esta data; Fl. 633DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 5) quanto à aplicação do redutor, devem ser respeitados os critérios estabelecidos da Instrução Normativa n° 3/2005; 6) no que se refere ao enquadramento da obra, deve ser observado o artigo 439 da referida Instrução Normativa. Assim, considerou que a disparidade dos documentos apresentados impossibilitava o julgamento do processo, razão pela qual solicitouse a apresentação de novas provas que permitissem realizar a perfeita instrução do processo, tais como projeto completo de construção, IPTU de todo o período (de 1994 a 2005) e, principalmente, Certidão atualizada expedida pela municipalidade que demonstre, anoaano, a área do imóvel em questão, além de outros que o contribuinte reputar importantes para a real apuração dos fatos. Em 31/08/2006, o Recorrente apresentou protocolo de juntada de novos documentos, entretanto, anexou nova defesa a qual alega em síntese: que houve lançamento incorreto pela Prefeitura do Município de Jundiaí, da área de 825 m2, mas houve a correção para 762 m2, conforme elementos contidos em lançamentos de IPTU, não tendo ocorrido outra demolição além dos 4,65m2 informados em projeto; que o Laudo Técnico apresentado preenche os requisitos e as formalidades legais, consubstanciado no Levantamento Aerofotogramétrico do ano de 1993; que o requerente apresenta, para comprovar a decadência de parte da construção, correspondência bancária, contas de luz e planta aerofotogramétrica todo emitidos em período decadencial; que de acordo com o Laudo Técnico apresentado, existem áreas decadentes que totalizam 585,00 m2 pretendendose a regularização de 134,60 m2 de área ampliada e 4,65 m2 de área demolida; que com o advento do Código de Obras e Edificações do Município de Jundiaí, os projetos apresentados para a aprovação serão apenas do contorno dá obra; por fim, solicita novamente a expedição do cálculo dos valores que deverão ser recolhidos à título de contribuição previdenciária da obra. A DecisãoNotificação julgou o lançamento procedente, e, inconformado, o Recorrente apresentou recurso voluntário pleiteando a cobrança do valor correto, e, juntando documentos. Os autos foram encaminhados a este Conselho, que, converteu o julgamento em diligência, para que a Prefeitura esclarecesse a base de dados utilizada para emitir a certidão de fls. 567, que acusa 762 m2 de área construída. Às fls. 587 a Prefeitura esclareceu que utilizou os dados do cadastro SIIM (Sistema Integrado de Informações Municipais) e a planta genérica de valores para cálculo do valor venal para emitir a certidão de contribuinte imobiliário, que descrevem a área de 804 m2 coletada em 21/09/2000, para tributação a partir de 2001; e a área de 762 m2, área coletada em 28/07/2004, para tributação a partir de 2005. É o relatório. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17546.001298/200795 Acórdão n.º 2302003.606 S2C3T2 Fl. 633 5 Voto CONSELHEIRO RELATOR ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI CUB. Antes de analisar o pleito de retificação de valores considerados no lançamento, cumpre salientar que a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciamse motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário (art. 33, § 4°, da Lei n° 8.212/91). Assim, o cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra ARO. No caso em tela, considerouse a competência 05/2005. Todavia, após as diligências, restou comprovado que deve haver retificação da área de construção considerada, inclusive por parte estar comprovadamente decadente. Área total. Alega a recorrente que houve lançamento incorreto pela Prefeitura do Município de Jundiaí, da área de 825 m2, mas houve a correção para 762 m2, conforme elementos contidos em lançamentos de IPTU. Na manifestação fiscal consta que: A informação é procedente, conforme demos confirmar na presente diligência, sendo realmente de 762m2 a área construída. Inexiste na prefeitura, segundo as informações obtidas junto aos servidores da Secretaria de Finanças e da Secretaria de Obras, qualquer documento ou informação referente a área E que: Não existe qualquer histórico em sistema ou documento que justifique a alteração da área de 804 m2 para 762 m2. Segundo relato dos servidores da prefeitura, ocorreram diversos casos em que houve correção da área, decorrente de medições Fl. 635DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 equivocadas feitas por alunos de colégio técnico contratados pela prefeitura na época. Portanto, o lançamento deve ser ajustado para se considerar como área construída os 762m2. Área decadente. Quanto à área decadente, afirma recorrente que o levantamento Aerofotogramétrico da empresa Engefoto, datado de 1993, demonstra que, naquela época, já havia 585m2 de área construída. Segundo a autoridade fiscal: O laudo decorrente do levantamento Aerofotogramétrico apresentado pelo contribuinte é uma prova robusta da existência de construção em período decadencial e não deve ser ignorado, apesar de não constar nos sistemas da Prefeitura qualquer área construída antes de 21/09/2000. Reforça a tese da recorrente ainda a seguinte afirmação : Comprova o contribuinte, por meio de documentos idôneos, que houve, em período decadente, pedido de ligação de água, compra de material básico de construção, inclusive telhas para a cobertura da totalidade da área construída, tudo corroborado pelo levantamento aerofotogramétrico; E ainda, que o contribuinte apresentou, para período decadencial: * memorial descritivo da obra, datado de 1990; * alvará de execução e planta aprovada, também datados de 1990; * declaração de transferência de direitos e obrigações, datada de 1998; * cópia da escritura de venda e compra, datada de 1998; * contas de água, energia elétrica, recibos de pagamentos apresentados ao administrador da obra e correspondências bancárias enviadas para o endereço da obra, todas em período decadente; * notas fiscais de materiais de construção emitidas em período decadencial; * e outros. Portanto, além da retificação da área de 825 para 762 m2, deve ainda a retificação dos autos excluir a área decadente (585 m2), tomando por base apenas a diferença que continua tendo como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra – ARO (05/2005). Fl. 636DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17546.001298/200795 Acórdão n.º 2302003.606 S2C3T2 Fl. 634 7 Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para que se considere no cálculo do montante devido a área construída de 762 m2, dos quais encontramse decadente 585 m2. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 637DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 15374.923101/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO.
Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 31 01 /2 00 9- 26 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923101/200926 Acórdão n.º 3402002.550 S3C4T2 Fl. 779 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada – de débito de IRPJ, com crédito decorrente de pagamento considerado a maior, a título de PIS, atinente ao período de apuração 04/2002, de acordo com o que se pode analisar na cópia da Perd/Comp juntada aos autos (fls. 73/77). A autoridade fiscal decidiu, por meio do despacho decisório (fl. 79), pela não homologação da compensação efetuada, pela inexistência do direito creditório pleiteado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade (fls. 81/84) em face ao referido despacho. Alega, em síntese, que o valor informado em DCTF, a título de contribuição para o PIS, no montante de R$23.442,90, está incorreto; sendo que o valor correto do débito corresponde àquele informado em DIPJ, no montante de R$23.103,01. Ressalta que o crédito original informado no PER/DCOMP (fls. 73/77), no valor de R$339,89 é, de fato, oriundo do pagamento efetuado por meio do Darf informado. Pede, ao fim, a homologação da compensação realizada, para fins de extinção do referido crédito. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), decidiu não Reconhecimento do Direito Creditório, proferindo Acórdão n° 1331.791 (fls. 135 a 137), de 19/11/2010, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 781DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Para a DRJ, o Contribuinte não comprovou qual seria, efetivamente, o valor devido da contribuição para o COFINS referente ao mês 04 de 2002, se o confessado na DCTF ou aquele informado em DIPJ. Para o órgão julgador, o Contribuinte deveria ter trazido documentação contábil que pudesse lastrear as informações contidas na DIPJ. Sendo assim, o que ocorreu, para a DRJ, foi uma alegação não comprovada, por parte do Contribuinte, pelo que votouse no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo se integralmente o despacho decisório recorrido, conservando exigível a cobrança do débito não compensado. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, o contribuinte apresentou tempestivamente o recurso voluntário. O recorrente trouxe, novamente, todos os fatos alegados em sede de Manifestação de Inconformidade. Apresentou, ainda, Livro de Balancetes Retificadores (doc. 06) onde, segundo a recorrente, resta clara a existência de um crédito em seu favor no montante de R$339,89. Ao fim requer o recebimento do recurso voluntário e seu regular processamento, visando à reforma da decisão da DRJ e o conseqüente reconhecimento integral do crédito de PIS informado, homologando a compensação objeto do recurso. DA DILIGÊNCIA DO CARF Em 01/09/2011, às fls. 188 (n.e.), o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, acordou por converter o julgamento em diligência, sustentando que os balancetes retificadores apresentados não contêm a comprovação de sua formalização e que não foram extraídos ou cotejados com o Livro Diário. Ao final requereu as seguintes providências: 1 – Intime o contribuinte a apresentar a cópia dos Livros de Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, especificamente quanto ao período objeto deste processo administrativo, contendo os respectivos termos de abertura e de encerramento; Fl. 782DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923101/200926 Acórdão n.º 3402002.550 S3C4T2 Fl. 780 5 2 – Intime o contribuinte a apresentar cópia fiel e autenticada pelo órgão de registro pertinente, do Livro Diário, referente ao período objeto deste processo administrativo, contendo os lançamentos que compõem os Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, como também os próprios Balancetes, nos termos da legislação pertinentes aos livros societários, que contenha ainda os Termos de Início e Encerramento respectivos; 3 – Que a Repartição de Origem certifique que as cópias acostadas correspondam ao que contam dos originais contidos no Livro Diário e respectivos Balancetes. 4 – Finalmente, que a Repartição de Origem se manifeste, através de relatório circunstanciado, se o crédito apontado na DIPJ do contribuinte está em consonância com os dados contidos no Livro Diário e Livro de Balancetes, referente ao período objeto deste processo administrativo, certificando a existência ou não de pagamento indevido ou a maior pelo contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE Intimado às fls. 195, na data de 29/10/2013, às fls. 201 (n.e.), o contribuinte apresentou sua manifestação referente à diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nesta contendo os documentos solicitados pelo CARF. Após a análise dos documentos acostados, a Receita Federal do Brasil da 7ª Região Fiscal, proferiu relatório de diligência fiscal pertinente. Intimado às fls. 753, o contribuinte, às fls. 758, manifestouse acerca do relatório de diligência fiscal, concordando com o mesmo. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 702 (setecentos e dois), estando, portanto apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto João Carlos Cassuli Junior Relator Tendo em vista a manifestação do contribuinte pleiteando pela desistência do feito, é oportuno assim, não reconhecer do recurso, em razão da perda do objeto. Conforme o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação, que segue: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Este colegiado tem entendimento pacífico acerca do tema, conforme julgados a seguir colacionados: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2009 a 31/07/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. A desistência de recurso, formulada mediante requerimento expresso do sujeito passivo coligido aos autos, implica o seu não conhecimento em razão da perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / CARF / ACÓRDÃO 2302002.979 em 18.02.2004) Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / ACÓRDÃO 2302002.424 em 02.05.2013) Fl. 784DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923101/200926 Acórdão n.º 3402002.550 S3C4T2 Fl. 781 7 Ante o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 35287.000416/2005-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/01/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PEDIDO DE REEMBOLSO - SALÁRIO-FAMÍLIA E SALÁRIO-MATERNIDADE - DOCUMENTOS NECESSÁRIOS
Reembolso é o procedimento pelo qual a Receita Federal do Brasil ressarce a empresa ou o equiparado de valores de cotas de salário-família e salário-maternidade pagos a segurados a seu serviço, atendendo-se os requisitos de apresentação de documentos necessários à instrução do processo de Requerimento de Reembolso.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando-se o Requerimento de Reembolso - conforme deferido pela Auditoria-Fiscal em procedimento de Diligência Fiscal.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinandose o Requerimento de Reembolso conforme deferido pela AuditoriaFiscal em procedimento de Diligência Fiscal. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 28 7. 00 04 16 /2 00 5- 66 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 119, com Anexo às fls. 120 a 143, apresentado contra Acórdão nº 1027.407 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, fls. 111 a 114, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do Recorrente. A questão central é o de tratarse de Requerimento de Reembolso RR de Salário Maternidade e Salário Família, no valor de R$ 1.580,23 (um mil, quinhentos e oitenta reais e vinte e três centavos) referente às competências de 10/2004 a 01/2005, às fls. 01. Às fls. 65 a 67, temse a Intimação DRF/POA/SEORT/PREV nº 3425/2009, solicitando ao contribuinte que complementasse a instrução processual com a apresentação dos seguintes documentos: 1. Livro Registro de Empregados; 2. Livro Diário e Livro Razão ou Livro Caixa e Livro Registro de Inventário, relativos aos exercícios fiscais de 2004 e 2005, nos quais deverá estar registrada toda a sua movimentação financeira e bancária, de acordo com o que dispõe o parágrafo 1 0 do art. 7 0 da Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e alterações posteriores; 3. Original e cópia legível do comprovante de entrega da Relação Anual de Informações Sociais — RAIS e seus respectivos formulários relativos aos exercícios fiscais de 2004 e 2005; 4. Recibos de pagamento da segurada Maria Antonia Goularte Silva referentes às competências 10/2004 a 01/2005, devidamente assinados, nos quais conste, discriminadamente, o valor do saláriomaternidade e o saláriofamília; 5. Original e cópia legível da folha de pagamento das competências 10/2004 a 01/2005 dos contribuintes individuais; elaboradas na forma preceituada no Regulamento da Previdência Social — Decreto 3048/99 art. 225, parágrafo 9°; 6. Documentação, abaixo relacionada, dos dependentes da segurada empregada Maria Antonia Goularte Silva (2 cotas) para percepção do salário família: cópia da certidão de nascimento; atestado de vacinação anual para crianças de até 6 anos de idade; comprovação semestral de freqüência escolar (ano 2004 e 2005) para crianças a partir de 7 anos de idade; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35287.000416/200566 Acórdão n.º 2403002.756 S2C4T3 Fl. 178 3 7. Declaração, sob as penas da lei, de que a solicitante não compensou em subseqüentes, nem requereu restituição em outro processo dos valores pleiteados em reembolso objeto do presente expediente; 8. Requerimento de Reembolso — RR, no qual constem as competências, objeto da solicitação, com a discriminação dos valores nos campos 16 a 19; O contribuinte, cientificado da Intimação por via postal, mediante Aviso de Recebimento — AR, recebido em 20/11/2009, não apresentou a documentação solicitada. A decisão da Unidade Local da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte indeferiu o pedido de reembolso, conforme o Despacho Decisório DRF/POA n° 008/2010, de 12/01/2010, às fls. 69 a 70, com o fundamento em que a documentação apresentada pelo Contribuinte não atende aos requisitos do reembolso em questão. A partir da intimação do DespachoDecisório em 13/01/2010, às fls. 73, a Recorrente atravessou Manifestação de Inconformidade, às fls. 75 com Anexo às fls. 76 a 109, tempestivamente em 12/02/2010, noticiando ter enviado novas GFIP para as competências 10/2004 a 01/2005, contendo as informações dos valores de saláriomaternidade e salário família. Requer, assim, "demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento", o reembolso dos valores pleiteados. Após análise dos autos, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, emitiu o Acórdão nº 0616.670, às fls. 111 a 114, julgando procedente em parte a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 20/01/2005 REEMBOLSO. AUSÊNCIA DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS. Cabe A empresa apresentar os documentos comprobatórios do direito credit6rio pleiteado, conforme especificado na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório postulado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Cientifiquese o interessado, ressalvandolhe o direito A interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no prazo de trinta dias, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 alterado pelo art. 10 da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Ademais, o Acórdão da decisão de primeira instância, às fls. 114, mostrou que o Recorrente , embora intimado a apresentar documentos e esclarecimentos necessários à análise do Requerimento de Reembolso, não atendeu à exigência. Nenhum documento foi apresentado no prazo estabelecido na Intimação, às fls. 65 a67. Por outro lado, foram juntadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade somente as GFIPs, às fls. 79 a 109: Concluise, assim, que a decisão questionada não merece reparo, visto que o indeferimento em apreço foi motivado pela apresentação deficiente da documentação necessária à análise da pertinência ou não do direito credit6rio requerido. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 119, com Anexo às fls. 120 a 143, na qual alega em síntese que: (i) apresenta os documentos comprobatórios exigidos nas folhas 113 e 114 da intimação ARF/SJO/261/2010, dentre outros a carteira de vacinação, certidão de nascimento dos dependentes, folha de pagamento do salário maternidade. (ii) Por fim seja acolhido a manifestação, de ser decidido e obter o reembolso do salário família e salário maternidade questionados. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 144. Esta Colenda Turma de Julgamento do CARF decidiu por baixar os autos em Diligência, nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para fins de saneamento, de modo que a Unidade Local de jurisdição da Receita Federal do Brasil informe se o Recorrente, com os documentos acostados aos autos, às fl. 120 a 143, atende ao rol de documentos e informações requeridas às fls. 65 a 67, bem como se o Requerimento de Reembolso RR de Salário Maternidade e Salário Família referente às competências de 10/2004 a 01/2005 preenche as condições para o reembolso requerido. Em resposta à Diligência Fiscal, a AuditoriaFiscal assim se pronunciou: 1) Em relação aos documentos relacionados, constatouse a apresentação dos recibos de pagamentos referentes às competências 10/2004 a 01/2005. Também houve a apresentação de documentos referentes a uma cota de salário família (dependente Juliana Goularte da Silva – atestado de vacinação). Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35287.000416/200566 Acórdão n.º 2403002.756 S2C4T3 Fl. 179 5 2) A empresa efetuou a retificação das GFIP referentes às competências 10/2004 a 01/2005, sem informação de pagamento de saláriofamília. 3) Cabe ressaltar que a solicitação de reembolso, constante neste expediente, limitouse a requerer o valor de R$ 1.580,23 relativo ao período de 01/10/2004 a 20/01/2005, sem discriminar os valores por competência conforme previsto na legislação que rege a matéria.(fl 01). 4) A partir dos documentos apresentados, da retificação das GFIP e da aceitação do pedido englobado e não por competência, o reembolso pode ocorrer conforme abaixo descrito: Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 144. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para o Mérito. DO MÉRITO Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 119, com Anexo às fls. 120 a 143, apresentado contra Acórdão nº 1027.407 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, fls. 111 a 114, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do Recorrente. A questão central é o de tratarse de Requerimento de Reembolso RR de Salário Maternidade e Salário Família referente às competências de 10/2004 a 01/2005, às fls. 01. Às fls. 65 a 67, temse a Intimação DRF/POA/SEORT/PREV nº 3425/2009, solicitando ao contribuinte que complementasse a instrução processual com a apresentação dos seguintes documentos, com fulcro nos arts. 212, 213 e 214 da Instrução Normativa SRP 03/2005: 1. Livro Registro de Empregados; 2. Livro Diário e Livro Razão ou Livro Caixa e Livro Registro de Inventário, relativos aos exercícios fiscais de 2004 e 2005, nos quais deverá estar registrada toda a sua movimentação Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35287.000416/200566 Acórdão n.º 2403002.756 S2C4T3 Fl. 180 7 financeira e bancária, de acordo com o que dispõe o parágrafo 1 0 do art. 7 0 da Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e alterações posteriores; 3. Original e cópia legível do comprovante de entrega da Relação Anual de Informações Sociais — RAIS e seus respectivos formulários relativos aos exercícios fiscais de 2004 e 2005; 4. Recibos de pagamento da segurada Maria Antonia Goularte Silva referentes às competências 10/2004 a 01/2005, devidamente assinados, nos quais conste, discriminadamente, o valor do saláriomaternidade e o saláriofamília; 5. Original e cópia legível da folha de pagamento das competências 10/2004 a 01/2005 dos contribuintes individuais; elaboradas na forma preceituada no Regulamento da Previdência Social — Decreto 3048/99 art. 225, parágrafo 9°; 6. Documentação, abaixo relacionada, dos dependentes da segurada empregada Maria Antonia Goularte Silva (2 cotas) para percepção do salário família: cópia da certidão de nascimento; atestado de vacinação anual para crianças de até 6 anos de idade; comprovação semestral de freqüência escolar (ano 2004 e 2005) para crianças a partir de 7 anos de idade; 7. Declaração, sob as penas da lei, de que a solicitante não compensou em subseqüentes, nem requereu restituição em outro processo dos valores pleiteados em reembolso objeto do presente expediente; 8. Requerimento de Reembolso — RR, no qual constem as competências, objeto da solicitação, com a discriminação dos valores nos campos 16 a 19; No entanto, após o Recorrente não apresentar tal documentação solicitada, houve a decisão de primeira instância que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade do Recorrente. A seguir, em sede de Recurso Voluntário, às fls. 119, com Anexo às fls. 120 a 143, toda a linha de argumentação do Recorrente está centrado no fato de ter apresentado os documentos anteriormente solicitados: (i) apresenta os documentos comprobatórios exigidos nas folhas 113 e 114 da intimação ARF/SJO/261/2010, dentre outros a carteira de vacinação, certidão de nascimento dos dependentes, folha de pagamento do salário maternidade. Em que pese esta apresentação de documentos não ter sido efetivada em sede de Manifestação de Inconformidade, às fls. 75 com Anexo às fls. 76 a 109, a mesma deve ser Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 debatida em sede de Recurso Voluntário pois o princípio da verdade material, no presente caso concreto, deve prevalecer sobre um formalismo processual administrativofiscal. Esta Colenda Turma de Julgamento do CARF decidiu por baixar os autos em Diligência, nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para fins de saneamento, de modo que a Unidade Local de jurisdição da Receita Federal do Brasil informe se o Recorrente, com os documentos acostados aos autos, às fl. 120 a 143, atende ao rol de documentos e informações requeridas às fls. 65 a 67, bem como se o Requerimento de Reembolso RR de Salário Maternidade e Salário Família referente às competências de 10/2004 a 01/2005 preenche as condições para o reembolso requerido. Ora, o Reembolso de cotas de saláriofamília e saláriomaternidade estava previsto nos art. 212 a 214 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005, conforme a redação à época dos fatos geradores: Art. 212. Reembolso é o procedimento pelo qual a SRP ressarce a empresa ou o equiparado de valores de cotas de salário família e saláriomaternidade pagos a segurados a seu serviço, observado quanto ao saláriomaternidade, o período anterior a 29 de novembro de 1999 e os benefícios requeridos a partir de 1º de setembro de 2003. § 1º O reembolso poderá ser efetuado mediante dedução no ato do recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social, correspondentes ao mês de pagamento do benefício ao segurado, observado, quanto ao valor do saláriomaternidade, o disposto na Instrução Normativa que estabelece os procedimentos aplicáveis à área de Benefícios do INSS. § 2º Quando o valor a deduzir for superior às contribuições sociais previdenciárias devidas para o mês do pagamento do benefício ao segurado, o sujeito passivo poderá deduzir o saldo a seu favor no recolhimento das contribuições dos meses subseqüentes, sem o limite estabelecido no art. 194, observando as disposições dos arts. 193 e 221, ou poderá requerer o seu reembolso à SRP. § 3º Caso o sujeito passivo não efetue a dedução na época própria, essas importâncias poderão ser compensadas, sem o limite estabelecido no art. 194, observando as disposições dos arts. 193 e 221, ou serem objeto de requerimento de restituição. § 4º A valor das cotas de saláriofamília ou das parcelas de saláriomaternidade só poderá ser deduzido das contribuições devidas à Previdência Social, sendo vedada a dedução das contribuições arrecadadas pela SRP para outras entidades ou fundos. Seção Única Pedido de Reembolso Art. 213. O pedido será formalizado com a protocolização de requerimento em qualquer UARP da DRP da circunscrição do estabelecimento centralizador da empresa ou, quando estiver disponível, via Internet. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35287.000416/200566 Acórdão n.º 2403002.756 S2C4T3 Fl. 181 9 Subseção Única Instrução do Processo Art. 214. Os documentos necessários à instrução do processo são os seguintes: I Requerimento de Reembolso RR, em duas vias, conforme modelo constante do Anexo X, disponível na página da Previdência Social, no endereço www.previdencia.gov.br, ou em documento diverso, desde que o requerimento contenha todas as informações exigidas no respectivo formulário; II original e cópia do contrato social e última alteração contratual que identifique os responsáveis pela administração ou pela gerência da sociedade, ou estatuto social e ata em que conste a atual diretoria da sociedade ou associação, ou o registro de firma individual ou de empresário individual, assim considerado pelo art. 931 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), conforme o caso; III procuração por instrumento particular, com firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, com poderes específicos para representar o requerente, se for o caso; IV GFIP das duas competências anteriores à data do protocolo do requerimento, caso as mesmas estejam incluídas no pedido. § 1º Os documentos específicos para instrução de processo relativo ao reembolso de cotas de saláriofamília, são: I o original e a cópia da folha de pagamento que comprove o pagamento do saláriofamília; II a cópia da certidão de nascimento do filho ou da documentação relativa ao equiparado a filho; III atestado de vacinação anual para crianças de até seis anos de idade; IV comprovação semestral de freqüência escolar a partir dos sete anos de idade. § 2º Os documentos específicos para instrução de processo relativo ao reembolso de valor correspondente a salário maternidade, são: I o original e a cópia da folha de pagamento que comprove o pagamento do saláriomaternidade; II o original e a cópia de atestado médico; ou III o original e a cópia da certidão de nascimento. § 3º Quando o pedido de reembolso se referir a saláriofamília e a saláriomaternidade, num mesmo requerimento, o processo deve ser instruído com os documentos citados nos §§ 1º e 2º deste artigo. (Incluído pela IN MPS SRP nº 20, de 11/01/2007) Nesta sentido, em resposta à Diligência Fiscal, a AuditoriaFiscal assim se pronunciou favoravelmente ao reembolso parcial: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 1) Em relação aos documentos relacionados, constatouse a apresentação dos recibos de pagamentos referentes às competências 10/2004 a 01/2005. Também houve a apresentação de documentos referentes a uma cota de salário família (dependente Juliana Goularte da Silva – atestado de vacinação). 2) A empresa efetuou a retificação das GFIP referentes às competências 10/2004 a 01/2005, sem informação de pagamento de saláriofamília. 3) Cabe ressaltar que a solicitação de reembolso, constante neste expediente, limitouse a requerer o valor de R$ 1.580,23 relativo ao período de 01/10/2004 a 20/01/2005, sem discriminar os valores por competência conforme previsto na legislação que rege a matéria.(fl 01). 4) A partir dos documentos apresentados, da retificação das GFIP e da aceitação do pedido englobado e não por competência, o reembolso pode ocorrer conforme abaixo descrito: Considerandose o valor do Requerimento de Reembolso RR de Salário Maternidade e Salário Família solicitado pelo contribuinte no valor de R$ 1.580,23, referente às competências de 10/2004 a 01/2005, a AuditoriaFiscal concluiu pelo deferimento parcial no valor de R$ 1.428,00. Ora, posto que a matéria controvertida nos autos foi completamente esclarecida pela Diligência Fiscal, haja vista o exame da prova documental acostada aos autos, o meu entendimento é o de acompanhar a conclusão da AuditoriaFiscal pois verificados os requisitos emanados para o Reembolso de cotas de saláriofamília e saláriomaternidade conforme o previsto nos art. 212 a 214 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005, na legislação à época dos fatos geradores. Portanto, prospera parcialmente a argumentação da Recorrente no sentido de se deferir o valor do Requerimento de Reembolso RR de Salário Maternidade e Salário Família no valor de R$ 1.428,00. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35287.000416/200566 Acórdão n.º 2403002.756 S2C4T3 Fl. 182 11 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para se deferir o valor do Requerimento de Reembolso RR de Salário Maternidade e Salário Família no valor de R$ 1.428,00, conforme o deferido pela AuditoriaFiscal em procedimento de Diligência Fiscal. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003043/2002-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada ad hoc.
EDITADO EM: 09/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redatora designada ad hoc. EDITADO EM: 09/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 03 04 3/ 20 02 -8 9 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 291 ___________ Relatório O processo trata de Recurso Voluntário contra o Acórdão DRJ/Ribeirão Preto nº 1419.876, de 30 de julho de 2008, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o r. Despacho Decisório da DRF de Ribeirão Preto, que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI (fls. 01), bem como a compensação a ele vinculada (fls. 02). O referido acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2002 a 30/06/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão "empresa comercial exportadora" em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comercial exportadoras desde que comprovado o fim específico de exportação, nos termos da Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2°, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. Solicitação Indeferida Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho alegando, em síntese, que competia à administração comprovar que as exportações não foram efetuadas, tendo em vista que foram apresentados à SRF o Demonstrativo de Exportação (cópia juntada às fls. 177 a 241. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10840.003043/200289 Resolução nº 3101000.158 S3C1T1 Fl. 292 3 Voto Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de efolha 289, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar a Resolução 3101000.158, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. O indeferimento do pleito pela DRJ teve por fundamento a falta de comprovação de que as exportações efetuadas pela Recorrente atenderam às condições de vendas com o fim específico de exportação. Merece transcrição o seguinte excerto da decisão recorrida: "Portanto, entendo que devem ser incluídas, no cálculo do crédito presumido, as receitas de vendas para empresas comerciais exportadoras, independente de serem favorecidas pelo tratamento tributário do Decretolei 1112 1.248/72, desde que estas vendas tenham o fim específico de exportação. Este entendimento já vem sendo adotado por esta Turma de Julgamento há algum tempo, o que inclusive foi alegado pela manifestante. No entanto, outra questão também já foi pacificada: a que diz respeito ao ônus da prova em pedidos administrativos. (...) Assim, na hipótese de solicitação administrativa, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, o pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente, ou seja, a empresa deve provar o que alegou em sua impugnação: que as vendas para as empresas comerciais exportadoras cumpriram o fim específico de exportação. Tal circunstância não restou comprovada, não há qualquer indicação de que os produtos vendidos à empresas comerciais exportadoras foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente." Já em seu recurso voluntário a contribuinte alega que as exportações foram efetuadas e que não foi observado o princípio da verdade material, pois não houve qualquer discussão quanto à efetiva realização das exportações. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10840.003043/200289 Resolução nº 3101000.158 S3C1T1 Fl. 293 4 Embora o caso seja de reconhecimento de direito creditório, cujo ônus da prova compete ao contribuinte, como bem asseverou a DRJ, entendo que deva ser dada uma oportunidade à contribuinte, que afirma que as exportações foram realizadas nos termos da legislação. Por isso, voto por converter o presente julgamento em diligência, para que seja aferido, pela fiscalização, o cumprimento dos requisitos do art. 39, § 2º, da Lei nº 9.532, de 1997, ou seja, se as exportações efetuadas pela contribuinte atendem às condições de vendas com o fim específico de exportação. Nestes termos, o colegiado converteu o julgamento em diligência. E são essas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Mônica Monteiro Garcia de los Rios – Redatora ad hoc Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
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Numero do processo: 10380.017221/2008-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INADMISSÍVEL.
Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-003.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INADMISSÍVEL. Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 166 1 165 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.017221/200817 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.867 – 1ª Turma Especial Sessão de 2 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente ALCILEA VIEIRA LIMA ARAUJO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INADMISSÍVEL. Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 72 21 /2 00 8- 17 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.017221/200817 Acórdão n.º 2801003.867 S2TE01 Fl. 167 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6a Turma da DRJ/FOR (Fls. 85), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza de Pessoa Física – IRPF relativa ao ano calendário 2004, exercício 2005, por meio da qual houve ajuste do saldo do imposto a pagar declarado de R$ 4.514,12 para saldo de imposto a pagar apurado no valor de R$ 14.557,98, o que resultou em um imposto suplementar de R$ 10.043,86. Esse valor foi acrescido de multa de ofício e juros de mora, tendo totalizado R$ 21.264,85. Conforme consta na Notificação de Lançamento, apesar de regularmente intimada, a contribuinte não atendeu a intimação, motivo pelo qual foram glosados os seguinte valores: R$ 1.272,00, deduzido a título de dependente; R$ 21.445,40, deduzido a título de despesas médicas; R$ 13.805,71, deduzido a título de Previdência Privada/FAPI. A ciência da Notificação de Lançamento se deu por edital, no dia 26/05/2008, tendo em vista a tentativa improfícua da intimação pelos Correios. Em 21/10/2008, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: Somente teve ciência da existência da Notificação de Lançamento, bem como de que os Correios não teriam localizado o seu endereço residencial, quando necessitou de uma Certidão Negativa de Débito – CND e não foi possível emitila. Constatou, então, que o número do seu endereço informado na sua Declaração de Ajuste Anual estava errado, constava 1220, quando o correto é 1222. Tal fato explica por que ela deixou de apresentar em tempo hábil as comprovações solicitadas. Convencida de que as declarações estavam corretas, não tomou ciência também do edital que a convocou para prestar esclarecimentos. Identificou também que se equivocou ao informar o dia 26/06/1971 como data de nascimento de sua mãe, quando o correto é 26/06/1917; Pede que seja recebido o seu requerimento para que sejam efetuadas as retificações cabíveis: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.017221/200817 Acórdão n.º 2801003.867 S2TE01 Fl. 168 3 a) sejam completamente consideradas as deduções com dependente, despesas médicas e Previdência Privada e FAPI, todas amparadas nos documentos que junta; b) dispensa da multa de ofício e dos juros de mora, por não ter havido dolo ou máfé. A contribuinte pede prioridade de atendimento com base no Estatuto do Idoso. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/FOR entendeu por bem não conhecer a impugnação por intempestiva, em decisão que restou assim ementada: ADMISSIBILIDADE DA IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. A impugnação com argumento em prol da sua tempestividade não acatado pela autoridade julgadora não instaura o contencioso administrativo com respeito às demais questões, uma vez que deixa de ser atendido requisito essencial para a sua admissibilidade. Cientificada em 03/05/2012 (Fls. 94), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 30/05/2012 (fls. 96 a 117), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação e acrescentando em síntese: (...) 3. DO DIREITO. 3.1 Mister se faz rebater especificamente as infrações apontadas pelo Fiscal de forma a comprovar a insubsistência do lançamento de ofício: • Dedução Indevida de Dependente; • Dedução Indevida de Despesas Médicas; • Dedução Indevida de Previdência Privada e FAPI. (...) 3.4 Oportuno destacar o EQUÍVOCO DO FISCAL em face de ter glosado o valor R$ 1.272,00 com dependentes, tendo em vista que a Lei nº 9.250/95 (redação vigente em 2004) considera como despesa dedutível com lei. jente o valor de R$ 1.080,00 por cada dependente. 3.5 No presente caso, temse que a mãe da Recorrente era dependente da mesma. A Sra. Alba Monteiro Vieira Lima, nascida em 26/06/1917 (documento de identidade já anexado nos autos), faleceu com 87 anos em 19/07/2004 (certidão de óbito já anexada aos autos) de insuficiência de múltiplos órgãos, insuficiência respiratória, câncer de pulmão e infecção sistêmica. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.017221/200817 Acórdão n.º 2801003.867 S2TE01 Fl. 169 4 3.6 Oportuno destacar que não obstante a Recorrente ter informando em sua Declaração de Rendimentos do ano calendário de 2004 que a data do nascimento de sua mãe era 26/06/1971; é fato inconteste que sua mãe nascera no ano de 1917. Verificase claramente que o equívoco de digitação da Recorrente não tem o condão de se sobrepor à realidade, até porque a Recorrente nasceu em 24/10/1947 e jamais poderia ter uma mãe natural nascida em 1971. (...) 3.10 Observase que a Sra. Alba Monteiro Vieira Lima que em 2004 tinha 87 anos, acometida com câncer de pulmão, não auferia nenhum tipo de rendimento. 3.11 Assim, constatase que o EQUÍVOCO DO FISCAL em ter glosado o valor R$ 1.272,00 a título de dependentes, quando deveria ter glosado somente o excedente ao valor de R$ 1.080,00, isto é, o valor de R$ 192,00, não merece ser mantido. 3.12 Diante da comprovação da glosa indevida, requer que seja considera como despesa dedutível com dependente o valor de R$ 1.080,00. (...) 3.15 Analisando a Declaração de Rendimentos, denota se que no quadro de Pagamentos e Doações Efetuados, consta entre outros, os pagamentos efetuados em 2004 aos médicos, efetuados, no anocalendário, a médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, detalhando especificamente o código, o nome do beneficiário, o CPF e o CNPJ e o valor pago,(...) (...) 3.17 Oportuno destacar que as despesas acima lançadas •»elo contribuinte tiveram a identificação com o respectivo CPF e CNPJ dos profissionais médicos e hospitais, motivo pelo qual poderia ter a Receita Federal facilmente detectado nas Declarações de Rendimentos ou DIPJ dos beneficiários os valores relativos às deduções da Recorrente. (...) 3.25 Oportuno destacar que a Recorrente comprova os pagamentos efetuados para a Previdência Privada, CAPEF Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil (documento em anexo), observando o limite a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do impcfèto devido na declaração de rendimentos. (...) 3.27 Não obstante o valor de R$ 19.006,17, verificase claramente que a Recorrente observou o percentual de 12% Fl. 169DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.017221/200817 Acórdão n.º 2801003.867 S2TE01 Fl. 170 5 (doze por cento) do total dos rendimentos R$ 115.047,60, resultando no valor de R$ 13.805,71, consoante declarado no código 13 nos Pagamentos e Doações Efetuados em sua Declaração de Rendimentos, anocalendário de 2004. 3.28 Ressaltase ainda que o código 13 no ano de 2004 é atribuído às contribuições a entidades de previdência privada e o código 14 para as contribuições a FAPI. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Inicialmente, passo a analisar as condições de admissibilidade do recurso interposto. A ciência da Notificação de Lançamento se deu por edital, no dia 26/05/2008, tendo em vista a tentativa improfícua da intimação pelos Correios. Em 21/10/2008, a contribuinte apresentou impugnação. De pronto a DRJ julgou a impugnação intempestiva. A recorrente, por sua vez, apresentou recurso voluntário, onde somente reitera as alegações da impugnação, a qual sequer foi apreciada no julgamento de primeira instância, dada a sua reconhecida intempestividade. Com efeito, convém reproduzir a norma que aborda a matéria questionada pelo recorrente, o art. 14 e 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, in verbis: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Vêse que os dispositivos citados deixam claro que somente a impugnação, interposta dentro do prazo recursal, é instrumento jurídico hábil a instaurar o processo administrativo, sendo a tempestividade dessa, pressuposto intransponível para a prática do ato processual. Insta mencionar ainda, que este Conselho já decidiu diversas vezes, que o fato da impugnação ser intempestiva, não instaura o processo administrativo fiscal e só cabe ao colegiado se pronunciar sobre matéria que venha a se insurgir contra a declaração de intempestividade propriamente dita, ou seja, caso o recorrente alegue que não houve intempestividade, o que não ocorre no caso em análise. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.017221/200817 Acórdão n.º 2801003.867 S2TE01 Fl. 171 6 Da mesma forma entendeu o Superior Tribunal de Justiça – STJ ao julgar, em 05 de abril de 2011, o Resp 1240018 – SC, de relatoria do Ministro Humberto Martins no tocante a questão de nuance idêntica. “TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.A RTS. 14 E 15 DO DECRETO N. 70.235/72. APLICABILIDADE AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS PEREMPTOS E NÃO ÀS IMPUGNAÇÕES 1. Discutese nos autos a possibilidade de interposição de recurso voluntário em processo administrativo contra decisão que não conhece da impugnação à notificação de infração, por intempestividade. 2. O tribunal de origem, soberano das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, confirmou a intempestividade da impugnação à notificação da infração, bem como corroborou o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, o que justifica o não cabimento do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. 3. Depreendese da interpretação dos art. 14 e 15 do Decreto n. 70.235/72 que a falta da impugnação da exigência, no prazo preconizado de trinta dias, obsta a instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, de maneira a autorizar a constituição definitiva do crédito tributário. 4. Aplicase o art. 35 do Decreto n. 70.235/72 aos casos em que o próprio caso próprio recurso voluntário é considerado perempto, e não quando a impugnação da exigência não é conhecida em face da intempestividade. Recurso Especial Improvido.” Dessa forma, dada a jurisprudência pacífica, tanto no conselho quanto no STJ, entendo ter sido correta a decisão recorrida, que não conheceu a impugnação, posto que, de fato, o litígio administrativo só se instaura com a impugnação apresentada tempestivamente. Ante tudo acima exposto e o que mais contam nos autos, voto por não conhecer do recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 171DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.017221/200817 Acórdão n.º 2801003.867 S2TE01 Fl. 172 7 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000184/2008-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Correto o lançamento para constituição de crédito tributário com base na diferença entre os valores escriturados e os declarados ao Fisco Federal, estes em montantes muito inferiores àqueles.
MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÃO COM VALORES MUITO MENORES. CONDUTA SISTEMÁTICA.
Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, na situação em que o contribuinte entregou declaração (DSPJ) com valores de receita bruta muito menores do que aquelas efetivamente auferidas em todos os meses do ano, de forma sistemática, o que leva à conclusão do intuito doloso de ocultar da autoridade fazendária o conhecimento dos fatos geradores tributários. O procedimento fiscal se baseou em prova direta de omissão de receitas, não se cuidando, no caso em tela, de presunção legal. Caracterização da sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/1964.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
MULTA QUALIFICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1302-001.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo, que desqualificava a multa de ofício. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Leonardo Mendonça Marques.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Leonardo Mendonça Marques e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Correto o lançamento para constituição de crédito tributário com base na diferença entre os valores escriturados e os declarados ao Fisco Federal, estes em montantes muito inferiores àqueles. MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÃO COM VALORES MUITO MENORES. CONDUTA SISTEMÁTICA. Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, na situação em que o contribuinte entregou declaração (DSPJ) com valores de receita bruta muito menores do que aquelas efetivamente auferidas em todos os meses do ano, de forma sistemática, o que leva à conclusão do intuito doloso de ocultar da autoridade fazendária o conhecimento dos fatos geradores tributários. O procedimento fiscal se baseou em prova direta de omissão de receitas, não se cuidando, no caso em tela, de presunção legal. Caracterização da sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/1964. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4. MULTA QUALIFICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Correto o lançamento para constituição de crédito tributário com base na diferença entre os valores escriturados e os declarados ao Fisco Federal, estes em montantes muito inferiores àqueles. MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÃO COM VALORES MUITO MENORES. CONDUTA SISTEMÁTICA. Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, na situação em que o contribuinte entregou declaração (DSPJ) com valores de receita bruta muito menores do que aquelas efetivamente auferidas em todos os meses do ano, de forma sistemática, o que leva à conclusão do intuito doloso de ocultar da autoridade fazendária o conhecimento dos fatos geradores tributários. O procedimento fiscal se baseou em prova direta de omissão de receitas, não se cuidando, no caso em tela, de presunção legal. Caracterização da sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/1964. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4. MULTA QUALIFICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 01 84 /2 00 8- 08 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 312 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo, que desqualificava a multa de ofício. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Leonardo Mendonça Marques. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Leonardo Mendonça Marques e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório EMBRATELAS EMPRESA BRASILEIRA DE TELAS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0219.168, de 18/09/2008, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito (grifos no original). I DA AUTUAÇÃO Contra a sociedade acima qualificada foi lavrado auto de infração para exigência do Irnposto de Renda Pessoa Juridica Simples. Em decorrência deste, foram também lavrados autos de infração para exigência da contribuição para o Programa de Integração Social Simples, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Simples, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Simples, do hnposto sobre Produtos Industrializados Simples, e da Contribuição para Seguridade Social INSS Simples, todos referentes aos períodos apuração compreendidos entre janeiro e dezembro de 2004. O total do crédito tributário constituído é de R$ 1.054.716,65, (um milhão, cinqüenta e quatro mil, setecentos e dezesseis reais e sessenta e cinco centavos), Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 313 3 incluídos o principal, multas e juros de mora, estes calculados até 30/06/2008. Os valores apurados encontramse discriminados a seguir. [quadro à fl. 251] De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 80/85), constatouse que, por ser contribuinte do IPI, a sociedade está sujeita ao recolhimento do Simples com percentuais acrescidos de meio ponto. No desenvolvimento dos trabalhos, foi apurada diferença de base de cálculo em razão de divergências entre os valores informados como receita de vendas na Declaração Anual Simplificada e os valores consignados nos Livros Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICMS e, subsidiariamente, no Livro Caixa. Apurouse, ainda, insuficiência de recolhimento, uma vez que, embora tenha declarado parcialmente suas receitas conforme já explicitado , a fiscalizada não recolheu integralmente os valores devidos em relação às receitas declaradas. No referido Termo de Verificação Fiscal, consta minuciosamente explicitada a descrição dos fatos, e nos autos de infração de fls. 03/77, foi demonstrada a insuficiência do pagamento do Simples e detalhada a metodologia de cálculo dos impostos e das contribuições devidas, além da fundamentação legal das exigências. Em relação à insuficiência de recolhimento, foi aplicada multa de 75%, e com referência à diferença de base de cálculo, a aplicação da multa de oñcio de 150% se deu, nos termos do § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, para os casos previstos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, em razão de a fiscalizada ter prestado, durante todo o anocalendário de 2004, declaração sabidamente falsa à autoridade fazendária, com a intenção de impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. II DA IMPUGNAÇÃO 1. Das infrações apuradas Cientificada dos autos de infração e do Tenno de Verificação Fiscal em 11 de julho de 2008 (fls. 23, 33, 43, 54, 63, 74, 78 e 85), a interessada apresentou, em 7 de agosto de 2008, manifestação de inconformidade (doc. de fls. 201/221), com as seguintes alegações. O lançamento está fundamentado unicamente na falsidade dos dados constantes da declaração anual simplificada e na conseqüente sonegação de dados e do pagamento dos tributos devidos em razão do confronto com os livros fiscais da empresa, “o que culminou com o entendimento de que a prática teve cunho doloso”. Entretanto, tal acusação não corresponde à realidade dos fatos, pois tais dados conferem com o faturamento da empresa e com os valores escriturados nos livros de Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICMS. “A única divergência apresentada e que não diz respeito à sonegação de dados, diz respeito ao fato de, na declaração do Demonstrativo Geral da Receita Bruta ocorreu um equívoco, sendo os valores informados apenas com base nos recolhimentos efetuados ”. A sociedade alega estar passando por “sérias dificuldades financeiras em razão da própria conjuntura do mercado e da economia do País naquela época, Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 314 4 quando não conseguiu recolher os tributos na forma devida”, o que não pode levar à conclusão de que o recolhimento a menor implicaria sonegação de dados ou apresentação de declaração falsa, nem que foi dolosa a conduta da interessada, uma vez que “todos os dados relativos ao faturamento da empresa estão inseridos na declaração de IR apresentada no momento próprio determinado pela legislação”, e que “os valores apurados na autuação foram encontrados nos livros fiscais da empresa”, e estão “devidamente lançados na declaraçao do Imposto de Renda apresentada em 31/05/2005, recibo 09.43.57.67.3415, ou seja, os dados sempre estiveram à disposição do fisco, bastando que ele, por simples conta matemática lançasse a diferença e iniciasse a sua cobrança nos moldes determinados pela legislação”. Lembra que todos os documentos utilizados na autuação foram fornecidos pelo contribuinte, que não criou nenhum empecilho à fiscalização. Dessa forma, a irregularidade poderia, quando muito, ser considerada evasão fiscal, por não ter havido caracterização de dolo nem de fraude. Para que ficasse caracterizado o dolo, seria indispensável a comprovação do elemento subjetivo, ou seja, a intenção de adulterar os dados infonnados ao Fisco, prova que inexiste nos autos. Como o dolo e a fraude não podem ser presumidos, seria descabida a qualificação da penalidade de oficio. Acrescenta que pelo fato de toda a acusação se fundar no campo da suposição, a solução deve ser a mais favorável ao acusado, nos termos do art. 112, II, do CTN. Argumenta que a palavra dolo foi utilizada impropriamente na tipificação adotada pelo Fisco, e que, além de não ter ficado caracterizada a intenção, também não foi evidenciado o objetivo da fraude. Entende que a norma legal deve ser interpretada de fonna restritiva e aplicada somente nos casos em que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente, porquanto o simples retardamento ou redução do imposto a pagar, por si só, não corresponde à hipótese legal. Cita e transcreve jurisprudência administrativa. Conclui que, por não ser possível alterar a tipificação da infração após a lavratura da autuação fiscal, a multa deve ser excluída do auto de infração, por falta de amparo legal. 2. Dos juros cobrados Relata que a grave situação econômica pela qual o país passa fez com que, nos últimos anos, o comércio e a representação comercial perdessem quase a totalidade do seu mercado de trabalho, e que é descabida a cobrança de juros com base na taxa Selic, porquanto não se trata de “indenização da União pelo pagamento intempestivo de tributos, mas hedionda remuneração dos cofres públicos”. Entende que os juros de mora não podem remunerar os cofres públicos, mas tãosomente indenizálos por prejuízos advindos por pagamentos extemporâneos. Cita e comenta doutrina e jurisprudência. Acrescenta que, mesmo considerada como taxa de juros, a taxa Selic permanecerá na ilegalidade, já que o art. 192, § 3° da Constituição Federal dispõe que as taxas de juros não ultrapassarão doze por cento ao ano, e o Código Tributário Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 315 5 Nacional, em seu art. 161, § 1°, veda a cobrança de juros superior a 1% ao ano. Ressalta que não basta a indicação, em lei ordinária, da forma de cálculo, mas que a mesma esteja prevista em lei. 3. Da multa qualificada Questiona a cobrança de multa de 150% sobre o valor da base de cálculo do tributo não recolhido em tempo hábil, por considerála ilegal e inconstitucional, ao afrontar os princípios da vedação ao confisco (art. 150, IV, da CF/88), da legalidade do ato administrativo (art. 37, caput, da CF/88), com desvio de finalidade da multa e abuso de poder. Acrescenta que a multa confiscatória ofende a livre iniciativa e a atividade da empresa, por cercearlhe o direito de exercêlas (arts. 5°, XIII e 17°, caput, ambos da CF/88). Cita e comenta jurisprudência judicial. 4. Do Pedido Requer que se declare inexistente o débito ora cobrado, inclusive no que diz respeito à multa de 150%, e que seja declarada inconstitucional a aplicação da taxa Selic, reduzindose o percentual aplicado para 1% ao mês, bem como a redução das multas aplicadas. [...] A 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0219.168, de 08/09/2008 (fls. 249/259), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. A constatação de diferença entre a receita bruta informada na declaração simplificada e a receita de vendas consignada nos livros ficais autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a ocorrência da ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, é cabível a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 316 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados à constitucionalidade ou à legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. LEGISLAÇÃO TR1BUTÁR1A A doutrina e a jurisprudência, por via de regra, não gozam do status de legislação tributária e não vinculam a Administração federal. Ciente da decisão de primeira instância em 29/09/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 260, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/10/2008 conforme carimbo de recepção à folha 278. No recurso interposto (fls. 278/297), após historiar os fatos, sob sua ótica, a interessada combate o entendimento de que teria apresentado declaração falsa à autoridade fazendária. Sustenta que sequer teria sido examinada sua argumentação no sentido de que a ficha 04, anexa à declaração de rendimentos, conteria valores exatamente iguais aos apurados pelo Fisco. Ademais, tais valores seriam rigorosamente iguais àqueles encontrados em seus livros fiscais. Com isso, entende demonstrado que não existe declaração falsa, mas tão somente divergência no Demonstrativo Geral de Receita Bruta, preenchido com base nos recolhimentos efetuados. Tal fato não constituiria sonegação. A recorrente retoma a argumentação trazida em sede de impugnação, no sentido da inexistência de ato doloso de sua parte. Colaciona jurisprudência administrativa que entende aplicável. Conclui com pedido de cancelamento da multa de ofício, por falta de amparo legal. Na sequência, a recorrente repisa, mais ou menos com as mesmas palavras, seus argumentos acerca da impossibilidade da cobrança de juros com base na taxa SELIC e sobre o caráter confiscatório da multa de 150%. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Cumpre examinar, inicialmente, a reclamação da recorrente de que sequer teria sido apreciado seu argumento de impugnação, “no sentido de que a ficha 04, anexa à Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 317 7 declaração do Imposto de Renda da Recorrente contém os valores exatamente iguais aos apurados pelo fisco”. Do exame dos autos, constato que a queixa não procede. A uma, porque a Autoridade Julgadora em primeira instância apreciou, sim, esse argumento, e concluiu que “em nenhuma das fichas da declaração simplificada a impugnante informou os mesmos valores consignados como receita nos livros fiscais” (fl. 255). O zelo do relator chegou ao ponto de elaborar tabela na qual faz a comparação, mês a mês, e por total anual, entre a receita bruta informada na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) e aquela escriturada nos livros fiscais, calculando ainda o percentual da primeira em relação à segunda. A tabela, à fl. 255, é abaixo reproduzida. DIFERENÇAS ENTRE AS INFORMAÇÕES PRESTADAS (EM REAIS) RECEITA BRUTA INFORMADA NA DSPJ RECEITA DE VENDAS INFORMADA NOS LIVROS FISCAIS PERCENTUAL MÊS A B C = A / B JAN 35.800,00 224.852,41 15,9% FEV 65.250,00 193.915,85 33,6% MAR 60.118,00 270.322,01 22,2% ABR 58.150,00 267.959,92 21,7% MAI 51.250,00 330.203,85 15,5% JUN 58.402,24 332.293,41 17,6% JUL 57.330,65 389.786,00 14,7% AGO 62.420,00 325.880,26 19,2% SET 58.050,00 464.093,98 12,5% OUT 55.504,00 384.738,73 14,4% NOV 56.140,00 384.353,45 14,6% DEZ 71.250,00 457.116,80 15,6% TOTAL 689.664,89 4.025.516,67 17,1% A duas, porque o exame dos documentos acostados aos autos conduz à mesma conclusão. Às fls. 107 e segs. se encontra cópia da DSPJ apresentada à Administração Fazendária pela interessada. De especial interesse, a ficha 04A – Demonstração das Receitas e Simples a Pagar, às fls. 109/120, apresenta os mesmos valores de receita bruta mensal da coluna A da tabela acima, totalizando no ano R$ 689.664,89. Por outro lado, o Fisco teve o cuidado de relacionar, mês a mês, as receitas escrituradas no Livro Registro de Saídas (tabela 01, fl. 125), no Livro de Registro de Apuração do ICMS (tabela 02, fl. 127) e no Livro Caixa (tabela 03, fl. 129), com valores idênticos entre si e coincidentes com aqueles da coluna B da tabela acima. Em nenhum O lançamento foi feito pela diferença entre os valores escriturados e os declarados (tabela 05, fl. 131), pelo que o argumento da recorrente se mostra claramente protelatório e deve ser rejeitado. Na verdade, o acima exposto se volta contra a recorrente. Resta evidenciado que a interessada auferiu receitas em montantes muito superiores àqueles declarados ao Fisco Federal. Em média, as receitas declaradas constituíram meros 17,1% das receitas auferidas (R$ 689.664,89 contra R$ 4.025.516,67), e as diferenças se verificaram em todos os meses do ano, de modo sistemático, oscilando entre um mínimo de 12,5% e um máximo de 33,6%. Não se trata de presunção de omissão de receitas, mas de prova direta, extraída das notas fiscais e dos Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 318 8 livros fiscais da recorrente, corretamente declarada ao Fisco Estadual, mas declarada em valores muito inferiores ao Fisco Federal. Ao efetuar o lançamento, o Fisco qualificou a multa, por entender presente o intuito doloso de sonegar, a teor do art. 71 da Lei nº 4.502/1964, verbis: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Eis como foi justificada a qualificação da multa (Termo de Verificação Fiscal, fl. 85): Em síntese, portanto, ficou sobejamente demonstrado que a fiscalizada emitiu as notas fiscais de saída, escriturouas no livro adequado (LRS), apurou os valores totais das receitas de vendas quando da escrituração do Livro de Registro de Apuração do ICMS e, apesar de tudo, sistematicamente ao longo de todo o ano de 2004 recolheu os valores devidos aos cofres públicos em montantes muito inferiores aos que sabia serem os corretos. Salientese, por fim, que quando da apresentação da Declaração Anual Simplificada em 31/05/2005, fl. 106, novamente a fiscalizada incidiu em conduta não condizente com a correção exigida, uma vez que prestou declaração sabidamente falsa à autoridade fazendária, com intenção, segundo entendimento desta fiscalização, que não poderia ser outra senão eximirse parcialmente do pagamento de tributos. [...] A prática sistemática, adotada por meses consecutivos, de recolher valores a menor, muito embora com perfeito conhecimento dos montantes corretos, para finalmente apresentar declaração igualmente a menor, e portanto falsa, formam o elemento subjetivo da conduta dolosa, subsumindose perfeitamente ao tipo previsto para a sonegação. O dolo, no caso, deve ser extraído da situação concreta e da conduta da interessada à época dos fatos geradores. A repetição, mês a mês, do pagamento de valores muito inferiores aos sabidamente devidos afasta completamente a possibilidade de erro involuntário. A apresentação, ao final do exercício, de declaração à Administração Fazendária contendo valores compatíveis com aqueles recolhidos, revela a intenção de impedir ou, ao menos, dificultar que aquela autoridade tomasse conhecimento dos fatos geradores tributários em sua verdadeira grandeza e valores. Para esse fim, considero irrelevante que a escrituração contivesse os valores corretos das receitas auferidas, visto que isso somente estaria ao alcance dos olhos do Fisco na hipótese de fiscalização, o que afinal veio a ocorrer, certamente para desgosto da contribuinte. Foi nessa linha de raciocínio que o julgador em primeira instância manteve a multa qualificada, o que também aqui faço, negando provimento ao recurso voluntário, quanto a este ponto. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 319 9 Finalmente, a recorrente se insurge contra a cobrança de juros com base na taxa SELIC e tece considerações sobre o alegado caráter confiscatório da multa de 150%, violando garantias constitucionais. Sobre tais matérias, releva trazer à colação o teor das Súmulas CARF nº 4 e nº 02, de aplicação obrigatória por este Colegiado, diante do que maiores comentários se tornam desnecessários. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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